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DISPOSITIVOS MÓVEIS NA EDUCAÇÃO: DESAFIOS AO USO DO SMARTPHONE COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA Luiza Carla da Silva Soares 1 GT5- Educação, Comunicação e Tecnologias. RESUMO: O presente trabalho traz reflexões sobre o uso dos smartphones (celulares multifuncionais) no ambiente escolar como ferramentas de apoio ao processo de ensino aprendizagem. Com os avanços dos dispositivos móveis reverberando sobre o espaço formal de aprendizagem, os profissionais da educação vivenciam um dilema sobre o seu uso dentro da sala de aula e como encaminhar os alunos para compreensão dos potenciais dessas mídias. Assim, mesmo fazendo parte da experiência sociocultural dos discentes, o celular tem seu uso proibido em sala de aula. A pesquisa foi realizada com professores da educação básica e superior, a partir da problemática do uso do celular em sala de aula, relevando os desafios para seu uso dentro do ambiente escolar. Palavras-Chave: Smartphone; Dispositivos Móveis; Ensino- Aprendizagem. DISPOSITIVOS MÓVILES EM LA EDUCACIÓN: DESAFÍOS AL USO DEL CELULAR COMO HERRAMIENTA PEDAGÓGICA RESUMEN: El presente trabajo trae reflexiones sobre el uso de los smartphones (celulares multifuncionales) en el entorno escolar, como herramienta de apoyo al proceso de enseñanza y aprendizaje. Con los avances de los dispositivos móviles reverberando sobre un espacio formal de aprendizaje, los profesionales de educación experimentan un dilema sobre su uso dentro de la clase y como enviar los alumnos para comprensión de los potenciales de esos medios. Así, mismo haciendo parte del experimento sociocultural de los estudiantes, el celular tiene su uso prohibido en la clase. La búsqueda se realizó con profesores de educación básica y superior, a partir de la problemática del uso del celular en clase, relevando los retos para su uso dentro del entorno escolar. Palabras Clave: Smartphone; Dispositivos Móviles; Enseñanza-Aprendizaje. 1 1 Graduada em Licenciatura em Geografia pela Universidade Estadual de Santa Cruz, Especialista em Ensino de Geografia (2015) pela mesma instituição. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Gestão e Tecnologias Aplicadas à Educação, pela Universidade do Estado da Bahia. Integrante do grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Representações, Educação e Sociedades Sustentáveis (GIPRES). Professora contratada na rede estadual de ensino, no estado da Bahia. E-mail: luizza_soares@hotmail.com INTRODUÇÃO Cada vez mais as tecnologias digitais (TDs) tornam-se parte do cotidiano escolar. O uso dessas tecnologias tem promovido significativas mudanças no ambiente educacional, além da construção do conhecimento devido à facilidade de acesso às informações disponibilizadas no ciberespaço. As criações coletivas em rede e a disponibilização desses saberes podem ser consideradas como uma revolução nos processos de aprendizagem Se na contemporaneidade os telefones móveis têm feito parte da experiência sociocultural dos discentes, então faz-se necessário considerar as vantagens de sua utilização em sala e benefícios dessa ferramenta na mediação da aprendizagem significativa. Claro que existe a necessidade de se ponderar sobre seu uso, levando em consideração alguns fatores: idade e nível de escolarização, associação a outros instrumentos didáticos, respeitar o projeto político pedagógico da escola e as orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Nesse contexto de discussão a respeito do uso de tecnologias móveis em sala de aula, as reflexões não se limitam, apenas, aos fatores pedagógicos, mas também no que tange à gestão do trabalho pedagógico, no que se refere aos aspectos da infraestrutura escolar, na medida em que as redes de internet sem fio não são adequadas para esse fim. Em resumo, os desafios e as perspectivas na qual se encontra e enfrenta, são de ordem da gestão, pedagógica e da formação continuada, estrutural da organização do espaço escolar. O educador pode ser um grande precursor da utilização do smartphone como ferramenta pedagógica para o ensino, utilizando os mais novos aplicativos para o enriquecimento e dinamização dos conteúdos, no entanto é necessário que o professor se familiarize com a ferramenta para que as supostas dúvidas dos alunos sejam sanadas. Além disso, os alunos também podem contribuir na dinamização das aulas, trabalhando em conjunto com o educador. E é no cotidiano escolar que as discussões desta pesquisa se fundamentaram, pois as constantes divergências entre alunos e professores sobre a utilização dos smartphones e celulares em sala de aula merecem ser observadas e analisadas. O interesse pelo assunto surgiu logo após ouvir questionamentos e desabafos advindos por colegas professores sobre o uso do celular por parte dos alunos. Afinal, há benefícios, ou não, de seu uso na escola? Os prós e os contras esse trabalho tentou responder. A relevância do trabalho se dá pelo fato do acesso e o uso de aparelhos celulares em sala de aula, ser cada vez mais comum. Os celulares estão no contexto sociocultural dos alunos e a escola não pode negar que a educação rompe os muros da sala de aula e se abre para as linguagens e as práticas do mundo contemporâneo. No atual contexto em que cada vez menos a aquisição de informação depende do professor, caberá ao mesmo orientar os discentes quanto ao uso das tecnologias digitais, se tratando da proposta desta pesquisa, orientar quando ao uso em sala de aula dos aparelhos celulares, ensinando os seus alunos na utilização de modo criativo, inteligente e crítico, se tornando então um orientador/ mediador em sua prática educativa. No entanto, Demo (2011, p. 20) afirma: “muitos professores continuam desconectados e mesmo resistentes a elas”. O BOOM DOS CELULARES OU SERIA BOOM DOS SMARTPHONES? Com a popularização dos celulares, as pessoas estão cada vez mais conectadas à internet. No Brasil, há alguns anos, quando o mercado de telefonia móvel começava a engatinhar, não se tinha dimensão que esse aparelho portátil seria tão vendido a tal ponto de que o número de aparelhos é hoje maior que a população Brasileira. De acordo com o estudo IDC Mobile Phone Tracker Q4, realizado pela IDC Brasil, líder em inteligência de mercado, serviços de consultoria e conferências com as indústrias de Tecnologia da Informação e Telecomunicações, o mercado de smartphones no Brasil atingiu 54,5 milhões de unidades vendidas em 2014. Somando a categoria feature phones, o mercado de celulares encerrou 2014 em alta de 7%, com um total de 70.3 milhões de aparelhos comercializados. Isso fez com que o país fechasse 2014 na 4ª colocação entre os maiores mercados do mundo, atrás da China, Estados Unidos e Índia. Pesquisa aponta ainda que, em 2014, os brasileiros compraram cerca de 104 smartphones por minuto. O gráfico abaixo apresenta o mercado oficial de celulares no Brasil entre julho de 2012 a maio de 2015 e percebe-se claramente uma queda maciça na venda de aparelhos tradicionais e um consistente crescimento na venda de smartphones. Esses dados comprovam que o smartphone aliado a todas as suas ferramentas digitais sobressaiu-se ao celular tradicional – ligação e mensagem - e é considerado produto essencial, além de vício para os brasileiros, sendo considerando inclusive como uma “necessidade”. Fonte: IDC – Internation Data Corporation/ Abinee- Decon Conforme dados da pesquisa TIC Domicílios, o número de brasileiros que utilizou o celular para se conectar a internet triplicaram nos últimos três anos, indo de 15% em 2011 para 47% em 2014, representando81,5 milhões de usuários, sendo que as tarefas mais realizadas on-line são trocas de mensagens instantâneas redes sociais ou compartilhamento de conteúdo. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2011, cerca de 67,5% de pessoas na faixa de 15 a 17 anos possuíam celular, um aumento de 15,7 do percentual em relação a 2009, sendo que a maior porcentagem de pessoas com telefone móvel celular está na faixa etária de 25 a 29 anos, onde 83,1% das pessoas possuem celulares. Além disso, através da pesquisa “A geração interativa no Ibero- América: crianças e adolescentes diante das telas” comprovou-se que 82% de estudantes na faixa etária entre 6 a 18 anos afirmaram possuir telefone celular, ficando o Brasil na terceira posição como país mais precoce na inserção de telefones celulares para crianças entre 6 a 9 anos. E é aproveitando essa onda do digital, na qual as vendas de celulares se sobressaem sobre os demais eletroeletrônicos, na perspectiva que o celular tem sido o melhor amigo e companheiro dessa juventude, chamada por Prensky (2001) de “nativos digitais”, que se têm como desafio, aumentar o ritmo e as aplicações educacionais mediadas por essa tecnologia. Não sendo apenas mais um aparato de comunicação, mas duma tecnologia que transformou a maneira de interação e comunicação da sociedade contemporânea. É necessário apreender os impactos e desdobramentos advindos pelo uso dos celulares nas salas de aula. O professor agora tem uma carta nas mangas pra fazer com que suas aulas sejam atrativas e dinâmicas. A escola precisa compreender que os alunos já estão imersos em tecnologia em seu cotidiano e o contexto educacional não pode ficar estanque disso, precisa acompanhar as transformações que ocorrem dentro da sociedade e afetam também o contexto socioeducacional, advindo pela utilização dos celulares pelos alunos. Os jovens têm encontrado no uso desses aparelhos um espaço de independência do mundo adulto, que acelera uma pretensa maioridade, independente da sua classe social e da variedade de modelos desse suporte, uma vez que todas as classes sociais portam celulares, dos mais simples aos mais sofisticados e tecnologicamente avançados. A finalidade justificada para a sua grande utilização é a de que o contato entre pais e filhos requer mais cuidado, atenção e proximidade no cotidiano. E a maior parte dos jovens diz que não pode deixar de valer-se desse instrumento de comunicação tecnológica, uma vez que seu uso é a melhor forma de ter e manter amigos com os quais estabelecem relações que se caracterizam pela troca de conselhos, desabafos, ideias, informações do momento que estão vivendo. Usam também como artifício para as atividades próprias de cada faixa etária, pois resguardam-se de qualquer interferência dos adultos. (JUNQUER, CORTEZ. 2010, p.61) O sistema educacional tem um grande desafio pela frente, encaminhar os jovens ao uso consciente e inserir veemente esta tecnologia ao cotidiano das escolas, utilizado como eficaz recurso pedagógico moldado na confiança e na ética por parte dos alunos e professores. INCORPORAÇÃO DO CELULAR NAS AULAS Do giz ao celular conectado à internet. Desde seu surgimento, em 1973, o celular vem se modernizando e atraindo cada vez mais usuários. Essa atração é decorrente das inúmeras funcionalidades que podem auxiliar no desenvolvimento de atividades cotidianas de lazer, trabalho e estudo. Por outro lado, apesar dessas facilidades e da disponibilidade de dispositivos móveis por maior parte dos alunos, as escolas ainda estão resistente aos mesmos. Um dos maiores desafios aos educadores é acreditar nas potencialidades do uso do celular para o ensino- aprendizagem. É normal do ser humano ser apreensivo ao se lançar em algo na qual ainda não tenha conhecimento. Para muitos, lidar com o novo é uma dificuldade. Mudam-se os papeis e os resultados. [...] a principal função do professor não pode não pode mais ser uma difusão dos conhecimentos, que agora é feita de forma mais eficaz por outros meios. Sua competência deve desloca-se no sentido de incentivar a aprendizagem e o pensamento. O professor tornar-se um animador da inteligência coletiva dos grupos que estão ao seu encargo. (LÉVY, 1999 p. 173) Com o uso dessa nova ferramenta na sala de aula, o professor agora tem como função mediar o conhecimento, instigar, provocar e gerir o aprendizado dos seus educandos. Sendo assim, Silva e Cogo (2007) afirmam que os métodos de ensino e aprendizagem estão se transformando conforme as tecnologias evoluem, oferecendo assim um maior dinamismo, flexibilidade, interatividade e versatilidade tanto em questão de tempo e de espaço. E o smartphone pode ser usado como recurso pedagógico? Sim! De acordo com Junquer e Cortez (2010, p. 64) “[...] essa bagagem tecnológica que o aluno traz para a escola deve ser considerada, já que ele passa a maior parte de seu tempo navegando na internet, usando MP3 e iPods, falando no celular, obtendo informações por todos esses suporte.” De acordo com Pinheiro e Rodrigues (2012, p.122), “o celular é um instrumento pedagógico poderoso, pois concentra varias mídias, contribuindo para o desenvolvimento de competência comunicativa dos alunos”. Não obstante, Vivian e Pauly (2012, p.11), alegam que “ensinar através do uso de novas mídias parece ser um desafio que cria novos paradigmas em relação à educação e transcende nossas expectativas, motivando o docente a ir sempre mais além”. Fica evidente o uso pedagógico do celular e como esse aparelho pode ser imaginado e concebido em prol da educação e do avanço da ciência. No início de 2013, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Cíência e a Cultura- UNESCO publicou um guia com recomendações para incentivar os governos nacionais a inserir o uso dos celulares como recursos nas salas de aulas. Nesse guia pode-se alegar esses dois tópicos como importantes: 10 recomendações aos governos: Criar ou atualizar políticas ligadas ao aprendizado móvel Conscientizar sobre sua importância Expandir e melhorar opções de conexão Ter acesso igualitário Garantir equidade de gênero Criar e otimizar conteúdo educacional Treinar professores Capacitar educadores usando tecnologias móveis Promover o uso seguro, saudável e responsável de tecnologias móveis Usar tecnologia para melhorar a comunicação e a gestão educacional 13 motivos para tornar o celular uma ferramenta pedagógica: Amplia o alcance e a equidade em educação Melhora a educação em áreas de conflito ou que sofreram desastres naturais Assiste alunos com deficiência Otimiza o tempo na sala de aula Permite que se aprenda em qualquer hora e lugar Constrói novas comunidades de aprendizado Dá suporte a aprendizagem in loco Aproxima o aprendizado formal do informal Provê avaliação e feedback imediatos Fonte: http://socialgoodbrasil.org.br/2013/tecnologia-social-celular-nasala-de-aula DISCUSSÃO E CONCLUSÃO O desenvolvimento deste trabalho se deu devido tamanha necessidade de se repensar sobre o uso do celular na sala de aula. Para o desenvolvimento da proposta, foi de suma importância realizar um levantamento bibliográfico, levando em consideração revistas, livros e artigos científicos que analisam as tecnologias no processo de ensino-aprendizagem na sociedade contemporânea e pesquisas realizadas sobre o uso do aparelho celular em sala de aula. Como instrumentos para coleta de dados, foi levado em consideração o uso de questionários, criado no Google docs e enviadopor email, para uma amostra de 40 sujeitos, atuantes no magistério, desde o ensino fundamental ou médio e superior, seja na rede pública ou privada no estado da Bahia. A pesquisa qualitativa apreendeu perfeitamente os aspectos da realidade que não podiam ser quantificados, centrando-se no entendimento e explicação da dinâmica ao uso do smartphone como ferramenta pedagógica. Entendendo que novas perspectivas surgem ao se deparar com algo novo em nosso cotidiano, para por à prova as dificuldades que o professor enfrenta para o uso do smartphone como ferramenta pedagógica, no questionário foi solicitado que os docentes destacam-se os desafios ao uso aparelho como ferramenta pedagógica (Tabela 1), com finalidade de possibilitar que os sujeitos da pesquisa pudessem expor de forma clara e tranquila suas observações e limitações quanto usar o celular na sala de aula. E então os professores destacaram como obstáculo ao uso: 1) O maior desafio consiste em fazer professor e aluno despertarem para o fato de que o conteúdo da web pode ser acessado pelo celular e disponível para incremento da prática pedagógica. 2) Disciplinar, observando o momento propício para seu uso. 3) Que todos tenham o aparelho e que as escolas possam disponibilizar internet para o acesso de todos. 4) Conscientizar os alunos para o real sentido do uso da tecnologia. 5) Momento de utilização. 6) Encontrar formas produtivas de utilizá-lo. 7) Foco. 8) Momento adequado para utilização, aplicativo apropriado, diversidade de aparelhos e possibilidades. 9) Manter o foco no objetivo. Separar a utilização para lazer e do desenvolvimento do aluno. A cooperação de todos para a utilização didática. A grande capacidade comunicativa do aparelho, nem sempre é possível evitar dispersão dos alunos. Acesso intenso. A maturidade dos alunos em saber usar com objetivo de aprender algo novo. Outras opções que tomam atenção dos alunos. O risco do acesso á informação que não seja acadêmica e científica. Fazer uso devido. Desenvolvimento de Aplicativos Educacionais Interativos. Fazer o aluno prestar atenção ao conteúdo. Disponibilidade de internet na escola. O professor ter consciência da possibilidade de uso desta fermenta como recurso e estarem capacitados para isso. Objetividade. Convencer pais e direção das possibilidades pedagógicas de seu uso. Fazer o aluno usá-lo na sala de aula apenas como ferramenta pedagógica sem diminuir a concentração na sala de aula. Percepção do aluno. O desafio maior está em modificar o perfil de trabalho em sala de aula. Um aluno com maturidade sabe por si só como administrar os recursos que possui. Estratégias para o uso. Compreender além da sua maquinização. Rede internet eficiente, formação docente continuada, interatividade professor/aluno, contextualidade. Troca de valores. Desmitificar que o celular é um instrumento nocivo na sala de aula, ampliar os aplicativos do celular como ferramenta pedagógica, todos os atores sociais da educação devem compreender que o celular é um instrumento que contribui para socialização do conhecimento. Estabelecer uma devida estratégia que potencialize a interação e construção do conhecimento. Planejamento do uso do celular como recurso pedagógico; direcionamento do uso do aparelho para fins de construção do conhecimento. Disciplina. Utilizar no momento devido. Firmar um contrato que possa ser respeitado o momento exato a ser utilizado em sala. Por lidar com adolescentes, as fronteiras dos limites ficam um tanto quanto inseguras, mas acredito na possibilidade do uso. Falta cultura - entendimento/consenso sobre o assunto. Ausência de internet na escola dificulta a pesquisa utilizando celular... A família entender o porquê de ser usado, o aluno entender os limites de sua utilização em sala. Tabela 1: Desafios na utilização do celular como ferramenta pedagógica É imprescindível informar que dos 40 sujeitos da pesquisa, apenas 38 responderam sobre os desafios do celular como ferramenta pedagógica. Pode-se afirmar pelas diversas opiniões apresentadas, os desafios estão centrados na concepção de estratégias para seu uso, mostrando que os alunos não sabem utilizar essa ferramenta sem se dispersar, mas é necessário que o docente tenha em mente que é preciso orientar seus alunos quanto ao uso. Já que estão usando, como podemos fazer para usar melhor? Modernizar a sala de aula não é sinônimo de modernizar o ensino. É preciso entender que é necessário mudar as práticas de ensino para inserção do celular como ferramenta, favorecendo assim a aprendizagem. O que não foi percebido ainda pela comunidade escolar é que o acesso é uma condição necessária, mas insuficiente para as transformações que se fazem necessárias na educação, que os professores tenham condições de criar ambientes de trabalho que conduzam a uma inserção da escola no mundo dos alunos, um mundo cada vez mais marcado pela presença das tecnologias digitais. Para isso, faz-se necessário também que os professores compreendam as características e potencialidades das tecnologias, tendo claro que compreender significa mais do que ser capaz de fazer funcionar, significa inseri-las no contexto contemporâneo, penetrar nessa nova linguagem, nessa nova lógica, nesse novo modo de ser, pensar e agir. E que é só fazendo essa imersão que os professores terão condições de entender um pouco mais seus jovens alunos. ( BONILLA, 2005, p.100) Tratar o celular como ferramenta educacional e usá-lo como uma nova possibilidade de aprendizagem é fomentar a evolução crítica do conhecimento e dos fluxos informacionais. Sendo assim, os profissionais de educação nos dias atuais devem estar preparados para empregar essas novas tecnologias em sala de aula, uma vez que, o uso de smartphones vem sendo cada vez mais constante por parte dos alunos bem como, por toda a comunidade escolar. Se atualmente a tecnologia faz parte da experiência sociocultural dos discentes, levar em consideração os benefícios do uso dos smartphones e celulares no ambiente escolar pode ser valioso e tornar as aulas interessantes, já que para os jovens a aula centrada na verbalização é “chata” e monótona. As universidades precisam inserir as tecnologias móveis na formação do futuro profissional da educação, para que depois, já inserido no mercado de trabalho, atuando como docente tenha habilidades para inserção destes recursos em suas aulas. É preciso também repensar o currículo na escola básica, levando em consideração as possibilidades do uso dos celulares, que quando usado de forma pedagógica, propicia de maneira colaborativa o aprendizado dos alunos. A pesquisa também revela a importância da dialogicidade entre docente e discente ao usar esse aparato tecnológico. A pesquisa se propunha na identificação dos desafios para o uso dos smartphones na sala de aula, percebendo- se através das respostas dos professores que a falta de maturidade dos discentes para utilização de forma didática é um dos principais fatores para limitação ou até proibição do aparelho celular dentro da sala de aula. Destacando assim que para fugir do tradicional ensino o professor conta com o auxilio do alunado. Em apenas um comentário foi lembrado da importância de uma direção que apoie o professor em suas práticas, muito profissionais trabalham em escolas na qual o gestor escolar impõe barreiras e os pais também desacreditam do uso do celular como um potencial para aprendizagem dos seus filhos. O fato é que em inúmeras escolas brasileiras o uso do celular na sala de aula ainda é proibido,mesmo fazendo parte do dia a dia do aluno. REFERÊNCIAS ANATEL - Agência Nacional de Telecomunicações - Celulares Ultrapassam fixos em torno de um milhão de acessos. Assessoria de imprensa., Brasilia, 12 set. 2003 Disponível em: <http://www.anatel.gov.br/Portal/verificaDocumentos/documento.asp?numeroPublicacao=60002&assuntoPublic acao=null&caminhoRel=null&filtro=1&documentoPath=biblioteca/releases/2003/release_12_09_2003.pdf>. Acesso em: 07 de Outubro de 2015. BONILLA, M. H. S. Escola aprendente: para além da sociedade da informação. Rio de Janeiro: Quartet, 2005. 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