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- -1 GESTÃO DE CONFLITOS E EVENTOS CRÍTICOS ELEMENTOS DO USO DA FORÇA - -2 Olá! Ao final desta aula, você será capaz de: 1- Reconhecer o uso diferenciado da força e modelos propostos sobre o tema, armas e equipamentos não letais, táticas de defesa, restrições, movimentos e vozes relacionadas ao evento crítico. Caro aluno, Estamos iniciando mais uma disciplina em nosso curso de graduação em Segurança Pública. Nela veremos o quanto é importante ao profissional de Segurança Pública ter o conhecimento e a habilidade em saber se portar durante a ocorrência de eventos críticos, onde deverá atuar como verdadeiro gestor dos conflitos. Para tanto voltaremos nossa atenção à conceituação do que vem a ser efetivamente um conflito, passo fundamental para o entendimento do objeto da disciplina. Estaremos também descrevendo os estilos de conflitos, conhecendo os aspectos que nos possibilitarão refletir profundamente sobre o tema. Por fim, estaremos aptos a identificar os pontos principais da resolução não violenta de conflitos. 1 O uso da força O uso da força era tratado com conceitos diferentes por seus autores. Ocorre que em dezembro de 2010 este problema foi praticamente resolvido com a publicação da Portaria Interministerial n.º 4.226 (https://ead.senasp.gov.br/modulos/educacional/material_apoio/portaria_n4226-31- ), onde os conceitos foram finalmente conduzidos a uma identidade de definição.12-2010.pdf Dentre eles queremos destacar dois conceitos que irão nortear nossa aula: Força: É a intervenção coercitiva imposta à pessoa ou grupo de pessoas por parte do agente de Segurança Pública com a finalidade de preservar a ordem pública e a lei. Uso Diferenciado da Força: Seleção apropriada do nível de uso da força em resposta a uma ameaça real ou potencial visando limitar o recurso a meios que possam causar ferimentos ou mortes. Diante destas definições se torna importante verificarmos a legislação relativa ao tema. https://ead.senasp.gov.br/modulos/educacional/material_apoio/portaria_n4226-31-12-2010.pdf https://ead.senasp.gov.br/modulos/educacional/material_apoio/portaria_n4226-31-12-2010.pdf - -3 2 O uso de algemas Todos os profissionais de Segurança Pública que atuam com o uso de algemas sabem o quanto é importante este equipamento para preservar a nossa segurança e a dos presos, para tanto, com o surgimento desta súmula, percebemos que o supremo tribunal quis na verdade evitar que elas sejam usadas nas operações midiáticas. Acontece que o profissional da ponta da linha será o primeiro a ser responsabilizado caso use-as de maneira contrária a previsão sumular. Por isso faremos alguns destaques a seguir. 3 Responsabilidades Inicialmente, devemos perceber que nos cabe destacar as espécies de responsabilidades que poderão advir de seu descumprimento, que são a: • Disciplinar civil (ou militar); • Penal; • Cível. No tocante à responsabilidade disciplinar, não daremos grande destaque, pois cada instituição de Segurança Pública possui o seu próprio regulamento disciplinar e seria impossível comentar todos aqui. Sobre a responsabilidade cível, ela será proposta em face do Estado, mas há possibilidade da ação regressiva contra o agente, por isso deve-se estar atento a sua atuação. Agora iremos nos ater um pouco mais a responsabilidade penal. 4 O uso indevido de algemas Alguns operadores do Direito têm sugerido que o uso indevido de algemas seria o crime tipificado na lei n.º 4.898 /65 (Crime de Abuso de Autoridade), mas pela leitura, notamos que este crime só é cometido na modalidade dolosa, sendo assim há que se demonstrar o dolo efetivo em cometer o abuso de autoridade, caso contrário havendo a confecção do termo circunstanciado de ocorrência contra atuação de algum profissional de Segurança Pública, desta forma indevida (qualificando o agente no crime de abuso de autoridade sem haver o dolo), estaremos diante do abuso de autoridade de quem confeccionar o respectivo termo, já que não há como cometer este crime na modalidade culposa, sendo assim, o que deveria ser feito, por força do art. 103-A, §3º da CRFB/88, seria encaminhar uma “ ” ao STF.reclamação • • • - -4 5 Modelos de uso diferenciado da força A doutrina ao longo dos anos tem apresentado diferentes propostas de modelos para o uso diferenciado da força. Podemos extrair da apostila do curso do Uso Diferenciado da Força da SENASP (2008, p. 5, módulo 2), que cada modelo sugerido possui um nome (geralmente do autor). A seguir veremos detalhadamente cada um desses modelos. 6 Modelo FLETC Aplicado pelo Centro de Treinamento da Polícia Federal de Glynco (Federal Law Enforcement Training Center), Georgia (EUA) – neste modelo, se utiliza de uma forma de escada para poder elencar quais as medidas o profissional de Segurança Pública irá tomar em decorrência da reação que ele encontrar em um evento crítico. Figura 1 - Modelo FLECT de uso diferenciado da força Fonte: GRAVES & CONNOR (1994,p.8) BARBOSA &ANGELO (2001, p.126). Do lado direito estão as ações que ele deverá adotar em função da percepção que ele terá, relacionadas do lado esquerdo da escada. - -5 7 Modelo Giliespie Apresentado no livro Police – use of force – A line officer’s guide, 1998 – neste modelo, percebemos que ele é dividido da esquerda para a direita em colunas onde podemos encontrar, na parte superior da tabela, a postura do agente criminoso e, na parte inferior, como deverá ser a reação do profissional de Segurança Pública. 8 Modelo Remsberg Apresentado no livro: The tactical edge – surviving high – Risk Patrol, 1999. Este modelo é bem simples, notamos uma gradação da postura que o profissional de Segurança Pública deverá adotar com o equipamento correspondente que estiver em sua posse, ou até mesmo, sem qualquer equipamento, usando somente o seu corpo. Esta gradação ocorre de baixo para cima, onde encontramos os menores graus, indo até o máximo, que é a utilização da arma de fogo. - -6 - -7 9 Modelo canadense Neste modelo, o autor usa de círculos concêntricos para demonstrar como ocorre a ação do profissional de Segurança Pública em concomitância com a do agente provocador do evento crítico. Neste como nos demais, as reações variam das mais amenas ao limite máximo que é a utilização da arma letal, passando por medidas intermediárias e não letais. Fonte: RCMP (199_.) Fique ligado Diferentemente dos outros modelos estudados, este não faz qualquer análise sobre a postura do agente criminoso, deixando um pouco a desejar. O dado importante é que este modelo dá uma ênfase maior na postura do agente e na possibilidade de verbalização. - -8 10 Modelo Nashville Utilizado pela Polícia Metropolitana de Nashville, EUA. O modelo em análise utiliza o velho e conhecido plano cartesiano da Matemática. No eixo das coordenadas “x” (horizontal) encontramos os fatores de sujeição do perpetrador da crise e no eixo “y” (vertical) encontramos a postura que o profissional de Segurança Pública deverá adotar em correspondência com a postura que perceber do perpetrador da crise. 11 Modelo Phoenix Este modelo é bem simples conforme se verifica na figura. Ele coloca em duas colunas a postura do profissional de Segurança Pública em correspondência com o agente perpetrador da crise. - -9 Fique ligado Um destaque que há de ser dado, independentemente do modelo escolhido ou até mesmo de outros que venham a surgir, a importância que se percebe é que deve haver sempre uma proporcionalidade entre a ação do causador do evento crítico e a reação do profissional de Segurança Pública, ou seja, uso moderado dos meios. Assim torna-se necessário verificarmos quais serão os níveis de força que um profissional de Segurança Pública poderá usar. - -10 12 Níveis de força Para podermos classificar quais seriam os níveis nos quais um profissional de Segurança Pública poderá usar a força, é necessário verificarmos antes qual o nível de resistência que uma pessoa, seja ela causadora ou não de um evento crítico,poderá apresentar. A doutrina SENASP (2008, p. 5, módulo 04) nos ensina que estes níveis se apresentam assim: 3.1 Cooperativo É o caso do agente abordado não causar nenhum problema para o profissional, pois o respeita, acata todas as suas determinações; 3.2 Resistência passiva É aquela situação em que o abordado ao invés de ser proativo, dificulta o trabalho do profissional de Segurança Pública, fazendo diversos questionamentos inoportunos, criando embaraços ao serviço, mas ainda não há qualquer atitude agressiva ou mesmo ameaçadora; 3.3 Resistência ativa (com agressão letal e não letal) Neste caso, o abordado apresenta uma conduta que pode ser classificada como não letal e letal. Ele se porta de forma ativa, visando agredir fisicamente os profissionais; agressões que podem ser: • Verbais/físicas sem porte de instrumentos letais; No tocante as verbais/físicas sem porte de instrumentos letais, o abordado utiliza-se do seu próprio corpo para impedir a ação dos profissionais, o que em regra, não acarretará risco de morte para eles. • Verbais/físicas com instrumentos letais. Agora, as verbais/físicas com porte de instrumento letal colocará em risco a vida dos profissionais o que acarretará uma reação proporcional à atitude do abordado. 13 Nível de resposta do profissional de Segurança Pública Após sermos apresentados aos níveis de resistência que uma pessoa ao ser abordada ou estando em um evento crítico pode apresentar, estamos em condições de verificar qual será o nível de resposta do profissional de Segurança Pública concernente à hipótese que lhe for apresentada. Para isso iremos nos socorrer dos ensinamentos contidos na apostila do Curso de Uso Diferenciado da Força da SENASP (2008, p. 7, módulo 04) mostrando que estes níveis se apresentam como: 3.4 Nível primário 3.4.1 Presença do profissional de segurança pública • • - -11 A simples presença ostensiva destes profissionais pode inibir a ocorrência de um delito e o surgimento de um evento crítico. Para isso, é importante que eles se apresentem adequadamente e com os trajes em perfeitas condições, pois nossa aparência já transmite um recado de quem somos. 3.4.2 Verbalização Não é nada mais do que o uso correto do idioma pátrio, ou seja, a comunicação falada. Importante destacarmos que a fala do profissional de Segurança Pública deverá ocorrer de acordo com a necessidade que o caso concreto exija, pois do contrário, poderá acabar sendo um elemento complicador para ele. 3.5 Nível secundário 3.5.1 Controle de Contato São técnicas de defesa pessoal, preliminares, que o agente deverá adotar para iniciar o diálogo com o abordado. 3.5.2 Controle Físico É o momento em que é colocado em prática pelo agente as técnicas de dominação, visando salvaguardar sua integridade e do próprio agressor, quando ele não faz uso de armamento letal. Inclusive ao final, normalmente acabará por fazer uso das algemas. 3.5.3 Controle com IMPO (instrumentos de menor potencial ofensivo) Quando com a utilização das técnicas anteriormente citadas não for possível retomar a calma necessária em uma abordagem ou evento crítico, os profissionais farão uso desses equipamentos, que poderão ser bastão tonfa, gás /agentes químicos, algemas, elastômeros (munições de impacto controlado), stingers (armas de impulso elétrico). 3.5.4 Uso dissuasivo de armas de fogo Logo podemos pensar que este efeito será concretizado com o disparo da arma de fogo, mas é o contrário. O simples retirar a arma do coldre e deixá-la em condições de uso ou apontá-la para o abordado, são medidas dissuasórias que podemos executar. 3.6 Nível terciário Neste sim, quando todos os outros falharam, iremos nos socorrer da arma de fogo e efetuar um disparo visando salvaguardar a integridade física do profissional de Segurança Pública ou de terceiros. Esta é a última opção. 14 Armas não letais (menos letais) Vejamos agora alguns exemplos de armas não letais. - -12 Esse termo vem sendo criticado pela doutrina, porque ela afirma, e com razão, que uma arma não letal, indevidamente empregada, também terá efeito letal, por isso passamos a chamá-las de menos letais. Atualmente temos diversas armas não letais em uso pelos organismos de Segurança Pública brasileira, conforme veremos a seguir: Gás lacrimogêneo Normalmente utilizado para controle de distúrbios civis (manifestações de grande concentração populacional). Seu efeito é similar ao que a cebola faz na visão humana além de profunda irritação na garganta. O gás e utilizado em uma granada e pode ser jogada com a mão ou em forma de munição que será utilizada com um a arma apropriada. Granadas de luz e som São granadas utilizadas para dispersar multidões ou em assalto tático. Elas produzem um som muito alto e uma luminosidade que ofusca a visão das pessoas por alguns segundos. Estas granadas são, em regra, inofensivas, mas Arma Eletrônica de Atordoamento (taser) O seu uso faz com que a pessoa atingida tenha breves momentos de incapacidade total, deixa-a sem qualquer controle muscular. Projetil de borracha É usado para conter tumultos violentos em manifestações ou rebeliões. Mas uma ressalva deve ser feita, pois ela não pode ser direcionada a áreas sensíveis do corpo humano nem a uma distância menor que 20 metros, pois poderá causar lesões. Spray de pimenta É usado como arma de defesa pessoal ou para dispersar tumultos. Seus efeitos estão em causar forte irritação nos olhos e nas vias respiratórias. O efeito de um jato na cara pode durar até 40 minutos. O que vem na próxima aula Na próxima aula, você vai estudar: CONCLUSÃO Nesta aula, você: • Aprendeu o conceito do que é a força e o seu uso diferenciado. • Descobriu qual é a legislação atinente ao uso diferenciado da força. • Identificou quais são os modelos propostos pela doutrina para o uso diferenciado da força. • Aprendeu que os níveis de respostas estão atrelados aos níveis de reação de uma pessoa abordada. • Identificou algumas armas não letais usadas pelos órgãos de Segurança Pública brasileiros. • • • • • - -13 • Identificou algumas armas não letais usadas pelos órgãos de Segurança Pública brasileiros.• Olá! 1 O uso da força 2 O uso de algemas 3 Responsabilidades 4 O uso indevido de algemas 5 Modelos de uso diferenciado da força 6 Modelo FLETC 7 Modelo Giliespie 8 Modelo Remsberg 9 Modelo canadense 10 Modelo Nashville 11 Modelo Phoenix 12 Níveis de força 13 Nível de resposta do profissional de Segurança Pública 14 Armas não letais (menos letais) O que vem na próxima aula CONCLUSÃO