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Diodos Semicondutores
Introdução
Um diodo semicondutor consiste numa
junção de uma camada de semicondutor do tipo 𝑛
(ou seja, composta por átomos com tendência a
gerar elétrons livres) com outra de semicondutor
tipo 𝑝 (elementos eletroafins). A junção desses
dois materiais, promove em sua camada limítrofe,
a junção, ou aniquilação dos “buracos positivos”
com os elétrons, criando uma região desprovida de
portadores de carga, chamada de região de
depleção. Os íons que se localizam fora dessa
região, criam então, um campo elétrico que
impede a continuidade da difusão de cargas (figura
1).
Figura (1)
Ao ser conectada a uma fonte de força
eletromotriz, uma junção 𝑝 − 𝑛 permite o fluxo de
corrente em apenas um sentido: da região 𝑝 para
𝑛, pois nesse sentido, a partir de uma certo valor
de tensão – chamada tensão de corte, 𝑉𝐹 – a região
de depleção se estreita, permitindo o fluxo
elétrico. A esta configuração atribui-se o nome de
polarização direta.
Analisando o comportamento elétrico de
um diodo, vemos a utilidade do mesmo para
circuitos eletroeletrônicos. Torna-se necessário
então, desenvolver conhecimento aprofundado
acerca desse equipamento.
Objetivos
Com auxílio de materiais e recursos
disponibilizados pelo laboratório de física
experimental da UFMG, analisaremos a curva
𝐼 (𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒) × 𝑉 (𝑡𝑒𝑛𝑠ã𝑜) que caracteriza o
comportamento do diodo num circuito, em
específico, utilizaremos o diodo emissor de luz
(LED), que sinaliza visualmente o momento que ele
passa a conduzir corrente elétrica (𝑉 = 𝑉𝐹).
A seguir, com auxílio de um
espectrômetro, mediremos o comprimento de
onda da luz emitida pelo LED, e determinaremos a
partir de valores experimentais, o valor da
constante de Planck – uma constante
importantíssima para física quântica.
Materiais
01 Fonte de tensão regulável CC (0 − 25𝑉)
02 Multímetros digitais
01 Painel de conexões
01 LED
01 Resistor de 220 Ω
01 Espectrômetro
Métodos
Figura (2)
A montagem do circuito é bastante
simples: seguindo o esquema da figura (2),
utilizamos um multímetro na função voltímetro em
paralelo com o LED (para sabermos a tensão entre
os terminais desse componente), e outro na função
amperímetro, em série com o circuito. O resistor é
utilizado apenas como proteção para o LED.
Com circuito montado, podemos variar a
tensão da fonte, e, com auxílio dos multímetros,
encontrar a cada momento, um par ordenado
(tensão, corrente) que caracteriza a família desses
componentes (diodo). Assim, variando a tensão da
fonte experimentalmente, obtemos a tabela 1:
Tabela (1)
Ainda, para o circuito da figura (2),
podemos aplicar as leis de Kirchhoff, e encontrar a
partir de modelos matemáticos, a corrente do
circuito. Assim, aplicando a lei das malhas:
𝜀 − 𝑉𝐹 − 𝐼𝑅 = 0 . : 𝐼 =
𝜀 − 𝑉𝐹
𝑅
𝑟𝑒𝑙𝑎çã𝑜 (1)
Pausando por ora, a primeira parte do
experimento, avançamos rumo a determinação da
constante de Planck. Para a segunda etapa,
precisaremos do espectrômetro, aparelho
utilizado para medir o comprimento de onda que
compõe a luz visível em questão, através da
difração dos raios de acordo com seu comprimento
de onda, espalhando-os. Utilizando o mesmo LED
(vermelho), encontramos através de uma escala
pré-calibrada, o valor de 𝜆 = (610 ± 10) 𝑛𝑚.
Os fótons são emitidos pela
eletroluminescência do LED com energia dada por
𝐸 = ℎ𝑓, sendo 𝑓 a frequência da radiação emitida,
e ℎ a constante de Plank. Utilizando algumas
manipulações algébricas, e outros princípios
físicos, encontramos uma equação com 𝑛
incógnitas, dentre as quais, conheceremos ao final
deste experimento (𝑛 − 1):
ℎ𝑓 =
ℎ𝑐
𝜆
= 𝑞𝑉𝐹 𝑟𝑒𝑙𝑎çã𝑜 (2)
Sendo 𝑞 a carga elementar 𝑞 = 1,6 ×
10−19𝐶 e 𝑉𝐹 a tensão de corte do diodo. A partir
da relação (2), seremos capazes de encontrar o
valor da constante de Planck.
Resultados
A partir da tabela (1), vemos que a relação
𝐼 × 𝑉 não é linear, e sim, aproxima-se a uma
exponencial que “explode”, termo que é utilizado
na matemática, a partir de 𝑉 ≥ 𝑉𝐹. Assim, com
ajuda do software de análise gráfica SciDAVis, e
usando uma regressão exponencial, na forma
𝑦(𝑥) = 𝑦0 + 𝐴 ∙ 𝑒
𝑥/𝑡 , obtemos o gráfico da figura
(3).
Figura (3)
No entanto, já há uma boa base científica e
matemática que relaciona tais grandezas (corrente
𝐼 e tensão 𝑉), além de outras propriedades
características de um diodo, como 𝜂 (fator de
idealidade, que depende da qualidade de
fabricação do diodo), 𝑉𝑇 , uma constante de origem
térmica, que para temperatura ambiente (27°𝐶 ≈
300 𝐾) assume valor 26 𝑚𝑉, e sua corrente de
saturação reversa 𝐼𝑠 – como faz alusão, é a
corrente que conduzida quando o diodo é
polarizado reversamente. Esta assume valores
entre 10−4 a 10−17A. A lei que as relaciona é
chamada de equação de Ebers-Moll, e é dada por:
𝐼 = 𝐼𝑠 ∙ (𝑒
𝑉
𝜂𝑉𝑇 − 1) 𝑟𝑒𝑙𝑎çã𝑜 (3)
Essa relação, por sua vez, pode ser
simplificada para (4) desde que 𝑉 > 0,1 𝑉𝑜𝑙𝑡𝑠.
𝐼 ≈ 𝐼𝑠𝑒
𝑉
𝜂𝑉𝑇 𝑟𝑒𝑙𝑎çã𝑜(4)
Assim, a partir de comparações entre as
duas equações, que tem elevado grau de
semelhança, obtemos:
Corrente I (mA) Tensão V (Volts)
0 0,91
0 1,05
0 1,16
0 1,17
0 1,34
0 1,38
0 1,53
1,02 1,77
3,17 1,83
5,4 1,86
7,63 1,88
9,8 1,9
11,9 1,91
14,1 1,93
{
𝐴 = 𝐼𝑠 = 3,2 × 10
−14 𝑎𝑚𝑝é𝑟𝑒𝑠 5.1
𝑡 = 𝜂𝑉𝑇 = 0,072 𝑉𝑜𝑙𝑡𝑠 5.2
𝑦0 = −7,4 × 10
−5 𝑎𝑚𝑝é𝑟𝑒𝑠 ≈ 0 5.3
𝑟𝑒𝑙𝑎çã𝑜 (5)
Reafirmamos a validade da nossa
interpolação, uma vez que, de acordo com (5),
vemos que a corrente reversa 𝐼𝑠 está dentro do
intervalo estipulado (10−17 < 10−14 < 10−4), e o
offset é aproximadamente nulo (como esperado).
Podemos então, encontrar o valor de 𝜂:
𝑡 = 𝜂𝑉𝑇 . : 0,072 = 𝜂 ∙ 0,026 . : 𝜂 = 2,8
Para o LED utilizado no experimento, LED
vermelho, o fator idealidade 𝜂 é próximo de 2.
Comprovamos assim, que a elevada similaridade
entre as equações matemáticas nos permite obter
diversos dados experimentais de certa
confiabilidade.
Para efeito de análise, pode-se considerar
que o diodo é constituído por uma fonte de tensão
𝑉𝐹 em série com uma resistência 𝑟. Assim, na
região a partir da tensão de corte, podemos
simplificar a relação entre tensão e corrente como
aproximadamente linear. Ajustando manualmente
uma reta que se aproxima satisfatoriamente dos
pontos nessa região, obtemos a figura (4).
Figura (4)
A partir do nosso ajuste manual, fica
evidente assim, que 𝑉𝐹 ≈ 1,8 𝑉. Para a resistência
𝑟 do diodo, optamos por encontrá-la a partir da
inclinação do gráfico: escolhendo dois pontos que
se ajustam corretamente a reta, encontramos,
então, 𝑟 ≈ 9Ω.
Uma vez determinada as (𝑛 − 1)
incógnitas necessárias envolvidas na relação de
determinação da constante de Planck,
encontramos então:
ℎ =
𝑞𝑉𝐹𝜆
𝑐
=
1,6 × 10−19𝐶 ∙ 1,8 𝑉 ∙ 610 × 10−9 𝑚
3 × 108
𝑚
𝑠
. : ℎ = 5,9 × 10−34 𝐶 ∙ 𝑉 ∙ 𝑠
. : ℎ = 5,9 × 10−34 𝐶 ∙
𝐽
𝐶
∙ 𝑠 = 5,9 × 10−34 𝐽 ∙ 𝑠
Nesse experimento, utilizamos um ajuste
exponencial para curva característica do diodo
LED. No entanto, para um bom ajuste exponencial,
é necessário uma alta densidade de amostragens,
sendo crítica a necessidade no início da curva.
Assim, como realizamos apenas 14 amostragens,
as grandezas adquiridas a partir dos dados gráficos
possuíam baixa confiabilidade, e suas incertezas
eram frequentemente da mesma ordem de
grandeza que a variável em questão. Portanto,
exclusivamente nesse relatório, omitiremos
algumas incertezas de grandezas.
No entanto, uma grandeza obtida através
de outro instrumento (espectrômetro) possui uma
incerteza aceitável (± 1,6%), e será levada em
consideração. Assim, propagandoa incerteza das
variáveis associadas á constante de Planck,
encontramos:
Δℎ =
𝑞𝑉𝐹
𝐶
∙ Δ𝜆 = 0,1 𝐽 ∙ 𝑠
Conclusão
A partir do ferramental matemático
desenvolvido até aqui, experimentalmente por
nós, ou através de modelos de grandes cientistas
da humanidade, fomos capazes de entender com
clareza o princípio de funcionamento de um diodo
LED, e suas propriedades determinantes.
Fomos capazes, também, de encontrar um
valor aproximado da constante de Planck:
ℎ = (5,9 ± 0,1) × 10−34 𝐽 ∙ 𝑠
No entanto, apesar de nossa grandeza alvo
apresentar ordem de grandeza compatível com a
real constante de Planck (para efeito comparativo,
ela vale ℎ = 6,6 × 10−34 𝐽 ∙ 𝑠), a precisão desta
não foi confiável, nem seu intervalo de incerteza.
Como já mencionado anteriormente, boa parte do
erro atribuímos a baixa densidade de amostragens
para realização da montagem do gráfico 𝐼 × 𝑉 do
diodo LED.
Portanto, apesar dos percalços
encontrados ao longo do desenvolvimento do
experimento, vemos que com um experimento
extremamente simples, fomos capazes de realizar
os objetivos propostos inicialmente, de encontrar
boas aproximações para constante fundamentais
da física e características dos materiais que
trabalhamos. Experimentos como esse foram e são
tão relevantes para física, tão importantes que
renderam ao cientista responsável (neste caso,
Max Planck), um prêmio Nobel de física.