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Máquinas de Fluxo – Aula 5 Professor: MSc. Diego Pacheco Wermuth Sapucaia do Sul, 2018 PERDAS ENERGÉTICAS E RENDIMENTOS Professor: MSc. Diego Pacheco Wermuth Sapucaia do Sul, 2018 Perdas energéticas e rendimentos Vimos no capítulo anterior a equação de Euler (fundamental) para máquinas de fluxo ideais, ou seja: - o fluido era considerado ideal ou sem viscosidade (sem perdas); - não haviam folgas entre o rotor e o sistema diretor; - o escoamento era perfeitamente tangencial às pás do rotor e do sistema diretor (número infinito de pás); - a rugosidade das pás do rotor e das paredes do sistema diretor não foi considerada; - não haviam descolamentos de fluido das superfícies de contato; - etc... Perdas energéticas e rendimentos - Contudo, sabe-se que estas hipóteses simplificadoras não são encontradas na prática. - Por motivos óbvios, as transformações que ocorrem nas máquinas de fluxo ocorrem com degradação de energia. Perdas energéticas e rendimentos - O aumento da eficiência de máquinas de fluxo geradoras de grande porte (ex.: grandes compressores), pode acarretar em um custo reduzido de acionamento destas máquinas, o que se traduz em uma economia de energia significativa. - Do mesmo modo, a redução do rendimento de grandes máquinas de fluxo motoras (ex.: turbinas hidráulicas Francis) pode levar a uma considerável redução na potência gerada. Tipos de perdas - Sabemos da 1ª lei da termodinâmica que a energia não pode ser criada nem destruída, apenas transformada (conservada). - O que se costuma chamar de perdas são, na verdade, processos irreversíveis que ocorrem no funcionamento de máquinas de fluxo reais. - Essas irreversibilidades são oriundas da transformação de forma mais nobres de energia (mecânica) em formas de energia de qualidade inferior (calor e energia interna). Tipos de perdas - Alguns exemplos de irreversibilidade são: - Atrito; - Expansão não-resistida; - Mistura de dois fluidos; - Transferência de calor com ΔT finita; - Resistência elétrica; - Deformação inelástica dos sólidos; - Reações químicas. Tipos de perdas - Nas máquinas de fluxo, tais perdas são classificadas como internas e externas. - As perdas internas englobam: (a) perdas hidráulicas; (b) perdas por fugas ou volumétricas; (c) perdas por atrito de disco; (d) perdas por ventilação (no caso de máquinas de admissão parcial). - As perdas externas são essencialmente as perdas mecânicas (e). (a) Perdas hidráulicas - Estas são as perdas mais importantes nas máquinas de fluxo. Sua origem está: - No atrito do fluido com as paredes dos canais do rotor e sistema diretor; - Na dissipação de energia por mudança de seção e direção dos canais que conduzem o fluido através da máquina; - No choque do fluido contra o bordo de ataque das pás, principalmente quando a máquina funciona fora do ponto nominal (ou de projeto). - Este choque é produzido na entrada das pás móveis do rotor, quando a tangente à pá na entrada não coincide com a direção da velocidade relativa. (a) Perdas hidráulicas - As perdas hidráulicas provocam uma perda de energia específica intercambiada entre as pás do rotor e o fluido de trabalho: (b) Perdas por fugas ou perdas volumétricas - Ocorrem devido às folgas inevitáveis existentes entre a parte rotativa e a parte fixa da máquina, que separam recintos com pressões diferentes. - Tais folgas podem variar de alguns décimos de milímetros (bombas industriais de processo) até vários milímetros (ventiladores de baixa pressão). (c) Perdas por atrito de disco - Dão-se devido a energia perdida com o movimento do disco (que é dotado de pás) girando dentro da carcaça. - De modo ideal, o disco deveria girar no “vazio”, mas na prática, a carcaça encontra-se preenchida com o fluido de trabalho, sendo que as faces externas deste disco arrastam por atrito as partículas de fluido aderidas a ele. - Assim, o movimento de fluido no espaço compreendido entre o rotor e a carcaça consome uma determinada potência, caracterizando este tipo de perda. (c) Perdas por atrito de disco - A potência consumida por atrito de disco, Pa, dada em W, é expressa como: (d) Perdas por ventilação - Tais perdas se dão em máquinas de fluxo de admissão parcial, sendo importantes nos estágios de ação de turbinas a vapor e de turbinas a gás. - Modo de admissão: maneira como a roda do rotor da turbina é alimentada pelo distribuidor (estator ou injetor). Este modo pode ser: 1) Admissão total: a entrada do fluido no rotor é feita de modo uniforme sobre toda a periferia da roda. Geralmente as turbinas de reação utilizam este modo de injeção total. 2) Admissão parcial: o fluido chega ao rotor apenas por uma parte da periferia da roda da turbina, em um único ou em vários pontos. Exemplo: turbina Pelton e turbina a vapor com bocal de Laval. (d) Perdas por ventilação - São originadas pelo contato das pás inativas do rotor com o fluido que se encontra no recinto onde ele gira. - Essas perdas são proporcionais à massa específica do fluido de trabalho e crescem com: - com o aumento do diâmetro do rotor; - com o aumento da altura das pás; - com o aumento da velocidade de rotação; - com a diminuição do grau de admissão. - Tais perdas, que são internas às máquinas de fluxo, fornecem calor ao fluido de trabalho, aumentando sua entalpia de descarga. (e) Perdas mecânicas - Estas perdas se dão em consequência do atrito nos mancais e nos dispositivos de vedação por contato (gaxetas e selos mecânicos) e do atrito do ar com as superfícies rotativas (volantes e acoplamentos). - As perdas dos dispositivos de transmissão também são consideradas como perdas mecânicas. - O calor gerado por estas perdas não é transferido ao fluido de trabalho, sendo por este motivo chamadas de perdas externas. - As perdas nos mancais dependerão do peso da parte rotativa suportada por eles, da velocidade tangencial do eixo e do coeficiente de atrito entre as superfícies em contato. (e) Perdas mecânicas - Já nas gaxetas, além da velocidade tangencial do eixo, do coeficiente e da superfície de atrito, deve-se considerar o grau de aperto da sobreposta da gaxeta. - Quanto maior for este aperto, maior será a pressão exercida pela gaxeta sobre o eixo e maiores serão as perdas mecânicas correspondentes. Potências e rendimentos em máquinas de fluxo - Definiremos matematicamente as potências e os rendimentos das máquinas de fluxo que levam em conta as várias perdas descritas na seção anterior. - Rendimento hidráulico, ηh - Rendimento volumétrico, ηv - Rendimento de atrito de disco, ηa - Potência disponível, P - Rendimento interno, ηinterno - Rendimento mecânico, ηm - Potência no eixo, Peixo - Rendimento total (global), ηt Potências e rendimentos em máquinas de fluxo - O rendimento hidráulico, ηh, é definido como: - O rendimento volumétrico, ηv, é definido como: Potências e rendimentos em máquinas de fluxo - O rendimento de atrito de disco, ηa, é definido como: - A potência disponível, P, para acionar uma máquina de fluxo motora, será: Potências e rendimentos em máquinas de fluxo - A potência realmente fornecida pelo fluido de trabalho às pás do rotor (descontando as perdas internas) é chamada de potência interna da máquina, Pinterna, dada por: - A relação entre a potência interna e a potência disponível é chamada de rendimento interno, ηinterno: Potências e rendimentos em máquinas de fluxo - Unindo expressões, teremos: - De modo análogo, para uma máquina de fluxo geradora, obtém-se: Potências e rendimentos em máquinas de fluxo - O rendimento mecânico, ηm, é definido como: - Assim, levando-se em consideração todas as perdas que acontecem nas máquinas de fluxo, podemos definir o rendimento total (ou global), ηt, grandeza esta adimensional,que relaciona: Potências e rendimentos em máquinas de fluxo - Finalmente, unindo expressões, podemos escrever para ambos os tipos de máquinas de fluxo (motoras e geradoras) o rendimento total (ou global), ηt : - A potência no eixo, em W, será dada por: - Para obtermos o valor da potência em CV, utilizando a altura manométrica no lugar da energia disponível Y, basta multiplicar por g e dividir por 75. Potências e rendimentos em máquinas de fluxo - Nos ventiladores, como a expressão abaixo é geralmente utilizada, onde a potência no eixo está em CV: Referências - Na preparação deste capítulo foram utilizadas as seguintes referências: - Henn, Érico Antônio Lopes, 2012, Máquinas de fluido, 3ª Edição, Editora UFSM, (ISBN: 8573910755), 496 p. - Macintyre, Archibald Joseph, 2011, Bombas e instalações de bombeamento, 2ª Edição, Editora LTC, (ISBN: 8521610866; 9788521610861), 782 p. - Macintyre, Archibald Joseph, 1983, Máquinas motrizes hidráulicas, Editora Guanabara Dois, (ISBN: 8570300166), 649 p. OBS.: Algumas das figuras que acompanham os slides deste capítulo possuem um link para acesso e podem conter direitos autorais. Atividade: