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Delvacyr Bastos Costa Apresenta: Delvacyr Bastos Costa – delvacyr@ibest.com.br MISSÕES URBANAS O GRANDE DESAFIO DA CIDADE GRANDE Grupos específicos Vejamos algumas características de uma cidade grande nesta virada de século. A violência Atitude cética da população Desespero e superstição Crime, marginalidade, imoralidade, vícios Indiferença e falta de visão do povo de Deus COMO RESPONDER AO DESAFIO DA CIDADE GRANDE Paixão pelas almas Estratégia e metodologia diferenciada para grupos diferentes A necessidade de missões Diante de todas estas implicações analisadas aqui de maneira bem geral, entendemos que a evangelização urbana precisa ser transformada em missões. A evangelização passa a ser missões, quando temos que montar um empreendimento para atingir o pecador no seu contexto. Por exemplo, para começar, este tipo de trabalho não deve ser feito por evangelistas eventuais, mas por pessoas especificamente treinadas para esse fim. Para tanto, precisam ser enviados e sustentados, dedicando tempo integral a esse ministério. Hoje, temos que pensar que campo missionário não é só aquele em que os missionários viajam para um outro Estado ou outro País. Mas aí mesmo, dentro da nossa cidade, há campos cheios de fronteiras e precisamos de gente e empreendimento especial para transpor essas fronteiras. Finalmente, o povo da cidade grande é um povo sofrido, que lida com pressões de todos os lados, que luta para manter a família integrada, que está sempre no caminho da depressão, e que precisa da Palavra de Deus, viva e eficaz. O trabalho sábio de evangelização encontrará a estratégia apropriada a cada grupo, a cada segmento dessa sociedade e preparará o povo para uma maravilhosa experiência com Deus. Um texto lindo das Escrituras, dos tempos antigos, pode ser trazido para hoje como bálsamo para as muitas feridas dos habitantes das grandes cidades: “Tu, anunciador de boas novas a Sião, sobe tu a um monte alto. Tu, anunciador de boas novas a Jerusalém, levanta a tua voz fortemente; levanta-a, não temas, e dize às cidades de Judá: Eis aqui está o vosso Deus” (Is 40.9). Que o povo de Deus esteja preparado para anunciar as boas novas às cidades grandes e dizer- lhes: “Eis aqui está o vosso Deus”. A IGREJA E A MISSIOLOGIA URBANA O processo de urbanização do mundo, hoje, é uma realidade desafiadora que exige pronta e contínua resposta da Igreja como agente do reino de Deus na terra. O fluxo migratório constante em busca de melhores oportunidades nas grandes cidades, aliado a outros fatores da vida moderna, indica com segurança que nos próximos anos a maior parte da população do planeta estará vivendo nos grandes centros, transformados em metrópoles e megalópoles. I. A ESTRATÉGIA URBANA DE PAULO - Paulo se instalava nos grandes centros - Paulo usava estratégias adequadas - Paulo sabia lidar com a batalha espiritual II. O DESAFIO MODERNO DA URBANIZAÇÃO - O desafio da diversificação cultural - O desafio da marginalização social - O desafio do materialismo - O desafio das novas tendências sociais - O desafio das seitas - O desafio da solidão III. AS ESTRATÉGIAS DA IGREJA PARA O MUNDO URBANO Uma Igreja consciente de suas responsabilidades Uma Igreja com visão multiministerial O DESAFIO DA CIDADE Mais da metade do mundo vive atualmente nas cidades, 65% do Brasil mora nas cidades. Há cerca de 300 cidades no mundo com um milhão de habitantes ou mais. A cada mês quatro Belo Horizontes são produzidas no mundo e a Igreja Cristã não está acompanhando esse ritmo. Nos próximos sete segundos, cem bebês vão nascer no mundo. (Deixe passar sete segundos silenciosamente...) Acabaram de nascer as cem crianças: 49 foram amarelas, 13 brancas, as outras foram morenas ou negras. Assim o mundo está se tornando um país asiático. Existe mais de um milhão de japoneses em São Paulo, além de inúmeros refugiados orientais. Para onde quer que você olhe vai encontrar o comércio oriental: Honda, Sony, Toyota, todas essas marcas são orientais. A população da Ásia vai dobrar nos próximos anos e quase será duplicada a população do mundo. A maioria dos missionários está em regiões rurais ou cidades pequenas. Eles têm sido pioneiros em obras fantásticas nas tribos e nas regiões remotas do mundo. Porém, presentemente, as fronteiras missionárias estão nas cidades e muitos missionários têm estado desorientados por causa da constituição do mundo moderno. São muitos os missionários do mundo inteiro que saíram às regiões rurais em obediência à Grande Comissão: "Ide... e fazei discípulos de todas as nações..." E eles têm gasto anos aprendendo as línguas estrangeiras para comunicar o Evangelho e plantado igrejas nestas regiões. Quando se vai a um grande centro, por exemplo, São Paulo, observa-se as multidões passando e percebe-se que a média de idade é entre 20 e 30 anos, uma geração distante do Brasil rural. Quem é que está alcançando esta geração? Não há nenhum perito. Para termos um trabalho nas regiões rurais estudamos antropologia rural; na cidade, sociologia ou psicologia social. Mas há muito pouca gente que entende as cidades, e justamente nessa ausência elas são como imãs gigantescos, atraem pessoas do mundo inteiro. Nós temos muito a aprender acerca das cidades e como exercer o ministério nelas. Certamente há diferenças entre Berlim, São Paulo, Nova Iorque, Boston e outras cidades do mundo; mas também há muitas semelhanças. As lições que nós aprendermos acerca do Brasil devem ser compartilhadas em outros países. Quem está sendo alcançado nas cidades brasileiras? Quem é que ã Igreja não está alcançando? Nós sabemos que há diferenças entre as cidades: São Paulo é uma cidade industrial, com 30% do Produto Nacional Bruto vindo dela. Há um "etnos" que é muito especial em São Paulo, é como se fosse uma máquina de produção gigantesca atraindo para si um certo tipo de pessoas. Mas Brasília já é diferente, é uma cidade administrativa, como Nova Deli ou Washington cujo produto principal é poder, decisões, e muitas pessoas que moram em cidades assim têm freqüentemente residência em outro lugar. Outras cidades, como Rio de Janeiro e Salvador, têm outro tipo de ambiente, são cidades culturais como São Francisco ou Boston nos EUA, são as que geram a moda, promovem uma filosofia. Então as cidades são extensões da personalidade e é importante se conhecer a personalidade de uma cidade para se trabalhar com ela. Chicago, é uma cidade tipo européia industrial no meio dos EUA. Tem um governo irlandês, embora a maior parte da população seja de poloneses. Atualmente há um grande afluxo de negros, de tal modo que temos mais de 1 milhão e meio de negros residindo lá, os quais constituem 60% dos alunos da rede pública de ensino. Ainda há os árabes, os quais são os proprietários de 1/3 das mercearias e quitandas nos bairros negros. Assim, muitas nações têm vindo ser representadas em Chicago. Uma cidade é como um rio que vai correndo, vai fluindo e vai mudando. Quando você pensa que está entendendo sua cidade, ela já está mudando, como Bangkok. Em 1982 a maioria dos cartazes (outdoors) de anúncios da comunidade tinham seus dizeres em árabe. Porém, cinco anos antes, todos os anúncios daquela cidade estavam escritos em alemão. É uma comunidade em transição. Em 1974, três mil cristãos uniram-se em Lausanne, Suíça, para falar de Evangelização Mundial e ali firmaram um pacto, chamado Pacto de Lausanne. Essas pessoas, de todas as denominações que se possa imaginar, comprometeram-se com a evangelização do mundo inteiro. Elas firmaram um compromisso de que "toda a Igreja é responsável por levar o Evangelho total para o mundo todo". Essa é uma frase de muito significado. Em primeiro lugar "a Igreja TODA é responsável", não apenas as Igrejas-mães, como por exemplo as igrejas norte- americanas, mas as igrejas-filhas, as igrejas do TerceiroMundo; Igrejas brancas, amarelas, negras, morenas, não importa a cor da pele, todas são responsáveis por alcançar o mundo. E são responsáveis por levar o "Evangelho TODO", não apenas os seus versículos favoritos. Algumas vezes o Evangelho comunicado não tem sido o Evangelho integral. Bem, a terceira parte da frase diz: "AO MUNDO INTEIRO". Então nós temos que procurar dentro do mundo os povos não-alcançados e concentrar neles nossos esforços. Mas a maioria de nós quando pensa em "povos não alcançados", raciocina em termo de distância ou de significado geográfico. Quando nós pensamos em ser missionários, geralmente na nossa mente vem a idéia de atravessar o oceano, viajar uma grande distância para lá pregarmos o Evangelho. Mas lá em Lausanne, quando foi analisado isso, descobriu-se uma coisa de grande importância. É que muitas pessoas no mundo de hoje não estão geograficamente longe de nós; elas estão culturalmente afastadas. São, por exemplo, grupos de executivos ou profissionais de classe alta; são artistas ou atores de teatro; são atletas profissionais, prostitutas, policiais, gente do governo, viúvas, estrangeiros morando na cidade; são os retardados, aquelas pessoas que dão duro à noite trabalhando, que dormem durante o dia enquanto você trabalha. Você tem três pastores na sua igreja? Então espero que os três estejam trabalhando em turnos diferentes de oito horas cada um na cidade; porque a igreja urbana deve trabalhar baseada num relógio que gira durante 24 horas por dia. Os policiais e as pessoas de hospital trabalham a noite inteira. E a igreja? Você pode alcançar certo tipo de pessoas à noite que não seria capaz de alcançar durante o dia. Então temos que tentar descobrir e definir quem são as pessoas que ainda não foram alcançadas em nossa cidade. Há quase dois bilhões de cristãos no mundo. Se cada igreja do mundo duplicasse e nós repentinamente tivéssemos 4 bilhões de cristãos, nós ainda teríamos mais de dois bilhões de pessoas que nunca ouviram falar do Evangelho; porque para que esses mais de dois bilhões possam ouvir o Evangelho a Igreja deverá cruzar alguma barreira cultural ou sub- cultural. Teremos que aprender outro tipo de ministério ou usar outras estratégias. Como é que se comunica o evangelho para homossexuais? Porque essa é apenas uma das sub-culturas bem diferentes da típica cultura de classe média machista da América do Sul. UMA TEOLOGIA BÍBLICA PARA O MINISTÉRIO URBANO SODOMA E GOMORRA A primeira lição que percebemos é a importância da oração pela cidade. Em Gênesis 18 a oração de Abraão é uma oração para salvar a cidade. O segundo princípio é o seguinte: pessoas tementes a Deus podem preservar lugares malignos. Há outra lição na história de Sodoma: é que o Senhor encontra você no meio da cidade, ele sabe onde você está. O Senhor é capaz de olhar de olhar para a sua cidade e encontrar você. NÍNIVE Nós podemos ver aqui como Deus leva a sério a questão Evangelho em relação a uma cidade, pois Deus ama todas as cidades, não só a nossa, mas as outras também. E Jonas é o único livro na bíblia que fala da missão urbana transcultural. O herói do livro de Jonas não é o peixe, nem o profeta, mas um Deus amoroso que está tentado de todas as maneiras levar Sua palavra a cidades estrangeiras. BABILÔNIA Observem a linguagem com que o Senhor está falando aos deportados: "Os exilados que eu enviei para o exílio". Os exilados foram enviados por Deus com uma missão. Agora veja a mesma coisa do ponto de vista dos exilados: sua cidade foi destruída, seu rei foi morto e eles foram arrastados até Babilônia cerca de mil e seiscentos quilômetros de distância, para uma cidade estrangeira onde eles ficariam cativos. Eles pensavam em si com vítimas e agora recebem uma carta do profeta, dizendo: "Deus mandou vocês para aí, logo vocês não são vítimas - são missionários". Nós sabemos de pessoas que vêm para a cidade com a mesma atitude: "Eu sou uma vítima urbana. Eu não quero morar aqui, mas os empregos estão todos aqui. Como eu gostaria de morar lá no interior!" ao contrário disso, Deus diz: "Eu enviei vocês para lá". Logo você não é um exilado na cidade, mas um missionário. O segundo ponto, é que você deve crescer na cidade, isto é, criar raízes na cidade: construir casas, criar sua família ali. Você não deve viver como se fosse ficar só temporariamente na cidade. Nós conhecemos pastores que vêm para a cidade, mas que vivem e moram ali com as malas prontas. Eles ficam na esperança de que Deus os chame para o lugar de onde vieram, recusam-se que seus filhos se misturem com as crianças da cidade. Moram culturalmente afastados dos vizinhos e isto está em desobediência à lei de Deus: "Crie raízes, crie sua família lá, chame esse lugar de seu lar, por que fui Eu que coloquei você lá". Vejamos o terceiro ponto: "Orai pela cidade, procurai a paz na cidade". Essa palavra no original hebraico, SHALON, corresponde a paz em português. "Procurai a paz, o bem-estar da cidade, porque na paz da cidade vós tereis paz". Vejamos o que não está dizendo: "Procure o bem-estar de sua família, procure o bem-estar da sua vizinhança na cidade, procure o bem-estar das pessoas de classe média como você". Mas o que é que diz? "Procure a paz da cidade" e aí, faz uma promessa: "É lá que você encontrará a sua paz". JERUSALÉM Quando estudamos os livros históricos de Josué até Ester, descobrimos vinte e cinco tipos de ministérios urbanos, a maioria deles realizados na cidade de Jerusalém. Os sacerdotes receberam a ordem de morar e ministrar nas cidades ao contrário dos profetas, que tinham a liberdade de andar por vários cantos da cidade, montanhas, desertos, campos. Mas a cidade foi destruída várias vezes por Deus como punição dos pecados dela. Ela deveria ser JERUSHALOM, a cidade construída sobre a colina, a cidade da paz, modelo para o mundo. Deus esperava que essa cidade se tornasse o modelo para o mundo, uma atração para toda a terra, no sentido de que os crentes vivendo ali fossem o exemplo a ser difundido, mas isso não aconteceu. Então Jesus chorou por aquela cidade (Jesus chorou duas vezes nos evangelhos: uma vez na morte de Lázaro e outra, por causa da morte de Jerusalém, em Lucas 19.41 e em Mateus 23). Jesus viu profeticamente, que Jerusalém iria morrer; que Tito viria e destruiria a cidade como podemos ler em vários autores que citam o acontecimento. Mas, ao invés de se arrepender, Jerusalém matou Jesus. Mas também foi Jerusalém que testemunhou a ressurreição, e foi dentro da cidade de Jerusalém que o Espírito veio e a Igreja nasceu; e foi na cidade de Jerusalém onde o evangelho pela primeira vez, foi ouvido, abraçado, crido e entrou na vida de, milhares de pessoas. E Jerusalém é para nós também um modelo do céu, pois a Bíblia começa num jardim e depois vai em direção à cidade. Por isso, nosso futuro é um futuro urbano, quer gostemos dessa idéia ou não. PASSOS PARA O DESENVOLVIMENTO DE UM MINISTÉRIO URBANO Um ministério urbano eficaz deve seguir uma estratégia específica. Há diferenças entre uma e outra cidade, mas os princípios permanecem os mesmos. Como devemos fazer nosso trabalho? Como devemos trabalhar para que a cidade seja transformada pelo poder redentor de Cristo? I. CONHEÇA SUA CIDADE A primeira coisa que devemos fazer é conhecer nossa cidade. Temos que entendê-la - entender como ela opera, por que funciona da maneira como funciona e para que propósito. Devemos perguntar "quem se beneficia na nossa cidade e por quê?" Temos que entender nossa cidade política, econômica e socialmente. Mas, como cristãos, devemos, acima de tudo, entender nossa cidade espiritual e biblicamente. O que é mais importante para nós, como cristãos, é perceber que atrás de cada estatística existem milhões de histórias individuais, histórias de pobreza, de doença e de desespero, histórias de pessoas que são incapazes de influenciaro curso de suas próprias vidas e são impotentes para mudar o curso de sua vizinhança ou cidade. Bob Pierce, o fundador da Visão Mundial, certa vez orou: "Quero que meu coração seja quebrantado com aquilo que quebranta o coração de Deus". Quão quebrantadora é a vida do pobre da cidade? Esta é a cidade! Esta é a cidade na qual os pobres estão chegando aos montes, forçados a ter vidas que quebrantam o coração de Deus e deveriam quebrantar também os nossos corações. Por que existem tantas pessoas pobres nas cidades? Se a vida na cidade é difícil, por que as pessoas continuam a se mudar para lá? Há duas forças que criam populações tão grandes de pobres na cidade: reprodução e migração. Primeiro, reprodução. Como a população dos miseráveis na cidade aumenta, o crescimento rápido é preenchido pelo círculo inevitável de nascimento e nova vida. A população da Cidade do México cresce anualmente na proporção da população total da cidade de Goiânia - tantos são os bebês que nascem nesta cidade quanto os migrantes que chegam. Enquanto o aumento do pobre nas cidades do Primeiro Mundo é essencialmente devido à reprodução, o aumento do pobre nas cidades do Terceiro Mundo se deve primariamente à migração. As pessoas vão para a cidade porque são "expelidas" das áreas rurais e porque são "atraídas" pela fascinação da cidade. Elas são "expulsas" para a cidade por causa dos desastres rurais, a solidão rural, a falta de terra e a ideologia urbana. Desastres, como guerras, enchentes e fracasso na plantação, forçam as pessoas a se abrigarem em campos de refugiados, que são freqüentemente localizados fora das grandes cidades. Governos tendem a apoiar indústrias baseadas nas cidades enquanto ignoram a s necessidades rurais. Conseqüentemente, os jovens vêem oportunidades melhores para a educação e desenvolvimento nas cidades. A falta de terra também força as pessoas a irem para a cidade. Plantações para exportação, tais como tabaco, café e frutas tropicais, favorecem grandes fazendeiros, que podem arcar com a despesa da mecanização, dos fertilizantes e dos grandes campos para semeadura. Os pequenos fazendeiros não podem competir; eles terminam perdendo sua terra e têm que ir para a cidade procurar trabalho. Mas as pessoas são "atraídas" também para a cidade, não só empurradas pelas condições rurais. A fascinação da cidade foi graficamente captada em uma antiga canção pós-Segunda Guerra Mundial: "Como vamos mantê-los na fazenda depois que eles viram Paris!" Existem quatro motivos principais que levam uma pessoa para a cidade. Primeiro, liberdade - as pessoas que se sentem presas pela tradição e por costumes rígidos se perdem nas multidões e na permissividade da cidade. Segundo, luzes brilhantes - as cidades parecem ser mais excitantes e glamourosas; elas atraem o entediado, o solitário, o ambicioso e o aventureiro. Terceiro, trabalho - os salários são mais altos e os empregos parecem ser mais fáceis de achar. O custo de vida é mais alto também, mas a possibilidade de trabalho remunerado pago e a constante memória do exemplo da cidade que "conseguiu ser grande" na cidade é um chamariz poderoso. Quarto, melhores condições de vida - as famílias da cidade podem viver em favelas e acampamentos, mas freqüentemente estão mais perto de clínicas e hospitais e possuem acesso mais fácil à eletricidade e à água encanada do que seus primos do campo. Pobreza e poder Para entender em toda sua abrangência a condição do pobre atualmente, deve-se entender como o poder é exercido na cidade. Pobreza não é tanto a ausência de bens como é a ausência de poder - a capacidade de poder mudar a situação de alguém. O fato de a pessoa já estar severamente limitada naquilo que pode fazer para mudar sua situação é que o torna empobrecido. Marginalização, exploração e opressão não são simples resultados de pobreza, mas suas causas primárias, fundamentais. Quais são os sistemas clássicos de uma cidade - isto é, os sistemas que qualquer cidade tem que ter para poder funcionar? Sugere-se amplamente que os sistemas que ordenam a vida da cidade são econômicos, políticos e religiosos. Todas as outras instituições sociais (educação, assistência médica, cultura, artes, serviços sociais) são subsistemas do macrosistema econômico, político e religioso da cidade. Na verdade, até alguns anos atrás, cada um desses subsistemas era considerado parte de um sistema religioso, pois era responsabilidade da igreja realizar esses serviços e ser patrona da arte e da cultura da cidade. Sistemas sobre sistemas Paulo sugere que existe um nível de mal na cidade que vai além dos seus sistemas e das pessoas que os ocupam. Há uma dimensão espiritual na vitimização do pobre e na atividade de acumulação de poder dos sistemas. Se não entendermos essa dimensão espiritual, estaremos condenados a repetir os excessos dos sistemas. Se não levarmos em conta a dimensão espiritual da luta, então o oprimido, uma vez que vença seu opressor, será o novo agente opressor de outro povo, de outra vítima. E a razão por que isto é verdade deve-se ao fato de que o problema não é simplesmente sistêmico ou de pessoas - é espiritual. Há um Poder que trabalha atrás dos outros poderes; existem forças espirituais comprometidas com o mal que infiltram e utilizam os sistemas e as estruturas daquela cidade para capturá-la para o Maligno. Os sistemas econômicos, políticos e religiosos são as formas estruturais (criadas por Deus) que são invadidas e usadas por poderes demoníacos para corromper e destruir tudo o que é bom na cidade (1 Pe 3.22; Cl 1.14-20). O que Paulo está tentando descrever? Ele reconhece o que Ezequiel reconheceu antes dele - que uma cidade é mais do que um acúmulo de prédios e pessoas, mais do que sistemas explorando, oprimindo e controlando o pobre. A cidade tem uma dimensão espiritual. Na verdade, ela é uma realidade espiritual. Além dos aspectos teológicos citados acima, existem outros passos que apresentamos aqui resumidamente, mas que são extremamente importantes: Conheça a história da cidade. Quem fundou? Quando? Em que circunstâncias? A origem do nome da cidade? Qual sua história religiosa? Qual sua relação com os evangélicos? Conheça sua cidade geograficamente. Quantos bairros? Identifique cada um deles com relação à seus habitantes (ricos, classe média, favela, ou zona industrial, etc). Quantas e quais igrejas? Onde estão localizadas? Consiga um mapa da cidade e procure familiarizar-se com bairros, ruas, parques, praças, etc. Ande pela cidade. II. CONSTRUA RELAÇÕES DE CONFIANÇA Infelizmente, a Igreja cristã deu muita atenção às dimensões espirituais de sua tarefa, mas não para as sociais. Nós, cristãos, freqüentemente caímos na armadilha de uma versão truncada e estreita sobre o evangelho, na qual a salvação trata com o interior do ser, mas não com o resto da vida. Por outro lado, muitas vezes nos isolamos como igreja e passamos a evitar o contato com os não crentes. Para conquistá-los para Cristo precisamos nos aproximar das pessoas e não evitá-las. Para implantar uma igreja urbana é preciso realizar contatos e construir relações de confiança. A construção de relacionamentos por parte de um missionário urbano se dá principalmente através de visitas feitas às pessoas da comunidade. Nestas visitas ele busca conhecer as pessoas construir relacionamentos e identificar os maiores problemas sentidos naquela comunidade. Identificar os problemas da comunidade ajuda muito no trabalho de implantação ou revitalização de uma igreja urbana, pois o pastor/missionário urbano pode atacar esses problemas em suas pregações (apontando soluções bíblicas para os mesmos), mostrar que a igreja, e Deus, numa abrangência maior, não se encontra alienada, ignorando os problemas de sua cidade. A identificação dos problemas de uma cidade pode intensificar muito a eficácia da igreja e sua credibilidadena comunidade. Pode aumentar sua visibilidade e credibilidade na comunidade bem como identificar os líderes comunitários com quem é estratégico estabelecer relações, pois suas conversões influenciariam um grande número de pessoas. Pode ainda influenciar os planos e programas da igreja para que sejam orientados às questões pertinentes às necessidades daquela comunidade ou cidade específica, tornando-a mais relevante. Pode identificar possíveis prospectos para evangelização posterior. Pode criar uma consciência na comunidade sobre a igreja e sobre sua preocupação com a comunidade. Visite os líderes religiosos desse bairro/cidade. Não entre em contato com eles para que possam concordar com sua teologia. Ao contrário, visite- os porque são líderes de uma comunidade religiosa organizada. Contate líderes políticos, comerciais, de educação e aqueles que prestam serviços médicos e sociais à sociedade. Mas, acima de tudo, entre em contato com as pessoas comuns. Nas suas visitas, tente aprender três coisas: O que as pessoas vêem como seus problemas Quem são os verdadeiros líderes Quem são as pessoas com "fogo nas entranhas" III. CRIE COALIZÕES Existem pessoas e instituições na numa cidade que podem ser usadas como pontes para alcançar as pessoas para Cristo, mesmo que não sejam pessoas e instituições cristãs. Assistentes sociais, policiais, diretores de escolas, creches, asilos ou orfanatos, líderes comunitários e presidentes de clubes estão entre as pessoas com as quais podemos criar coalizões, alianças, que poderão abrir excelentes oportunidades para o evangelismo e a pregação do evangelho. Visitas a cadeias e hospitais, palestras em escolas, clubes diversos e associações comunitárias são algumas portas que podem se abrir a partir dessas coalizões. Por outro lado o missionário urbano pode ceder as dependências do templo para realização de palestras sobre saúde, segurança, e cursos diversos. Este gesto, além de garantir a reciprocidade de favores com outras pessoas e organizações, serve para quebrar aquela resistência que algumas pessoas têm em relação à entrar em templos evangélicos. A participação do missionário urbano em associações de moradores, conselhos escolares (CPM, APM), Alcoólicos e Narcóticos Anônimos, Al-Anon, conselhos ou associação de pastores, conselhos tutelares, etc, é extremamente importante pois poderá levá-lo a criar coalizões que muito ajudarão no trabalho de implantação de uma igreja urbana. Muitos missionários urbanos e pastores perdem excelentes oportunidades de crescimento por viverem e agirem isolados. Não se aproximam de outros pastores e igrejas por motivos diversos (medo de perder ovelhas, por se acharem melhores, por discordarem doutrinariamente, etc.) e não se aliam a outras entidades porque as consideram "mundanas" e, portanto, diabólicas. A coalizão com os grupos já citados não corrompem a igreja, pelo contrário, santificam a comunidade, enquanto ganham vidas para o Reino de Deus. IV. ORGANIZE-SE PARA A AÇÃO Nenhum missionário urbano deve agir na base do improviso. Após conhecer a cidade, ele preparar um plano de trabalho (estratégia). Não entraremos em detalhes a respeito do assunto pois não é este o alvo desta matéria, mas algumas coisas são fundamentais e queremos destacá-las. Um local para a realização dos cultos (sala, salão, templo, etc) deve ser uma das primeiras providencias a serem tomadas. A importância da localização não pode ser ignorada. Existem, segundo Peter Wagner, três considerações prioritárias na escolha do local da implantação de uma nova igreja. São elas visibilidade, acessibilidade e tamanho. Visibilidade Os não-crentes devem ver o melhor possível a igreja. As pessoas da comunidade devem reconhecer e identificar o templo ou salão de cultos da sua igreja. Nenhum não- crente vai ficar "caçando" sua igreja para visitá-la. O que se economiza localizando a igreja nos becos, vielas, ruelas ou periferia, se perde em visibilidade, o que custa muito mais do que economizamos com a propriedade. Acessibilidade Além da boa visibilidade a propriedade deve oferecer um bom acesso. Um lugar tão central quanto possível - levando-se em conta, nas grandes cidades, os trajetos das linhas de ônibus - permite o fácil acesso de qualquer lado da cidade. Este lugar também deve oferecer fácil estacionamento para aqueles que vêm de carro aos cultos e em locais que permitam que as pessoas participem dos cultos sem a preocupação com a segurança de seus automóveis. Se necessário for, a igreja deve contar com o serviço de "segurança" no estacionamento ou junto aos locais onde os carros serão estacionados. Tamanho Não devemos comprar ou construir um local pensando no tamanho da igreja hoje. Temos que ter a visão do crescimento. O crescimento da igreja é freqüentemente sufocado pela falta de visão nesse ponto. Templos (ou seriam capelas), acanhados, pequenos, espremidos são um impecilho para o crescimento da igreja. Nenhum templo projetado para receber 50 pessoas terá 80, 100 ou 120. Antes de construir tenha um alvo, uma visão clara e definida de onde deseja chegar, isto é, de quantos membros quer ter em sua igreja. Antes de ter o templo atual completamente lotado (o que manifesta mais falta de visão do que propriamente bênção), busque um lugar mais amplo, mais espaçoso e mais confortável. Existem algumas perguntas que ajudam a avaliar a participação da igreja na comunidade ou ainda, no caso de uma igreja em implantação, a planejar e organizar a participação efetiva e eficiente da igreja na comunidade local. Essas perguntas podem sugerir a necessidade de estabelecimento de programas para serem executados pela igreja em sua missão de servir à cidade ou à comunidade. A igreja tem um mapa da cidade (região) onde está localizada? A igreja, de acordo com a sua missão, tem um programa de atendimento às necessidades básicas da comunidade? A igreja tem resultados, através de um censo, que revelam as necessidades de sua comunidade? A igreja tem conhecimento da população de sua comunidade, por faixa etária, ocupação, situação econômica-financeira, etc? A igreja tem conhecimento das condições de higiene, nutrição, educação, de sua comunidade? A igreja tem conhecimento de instituições para atendimento à comunidade, como escolas, hospitais, centros de lazer e cultura, etc? A igreja tem conhecimento de projetos da comunidade para atendimento a problemas de delinqüência juvenil, alcoolismo, prostituição, drogas, etc. A igreja mantém algum programa ou está apoiando à instituições da comunidade que atendem às necessidades de deficientes físicos (paraplégicos, cegos, surdo-mudo, etc)? A igreja mantém algum programa ou ajuda à instituições da comunidade que atendem aos órfãos, menores abandonados, anciãos, etc? A igreja tem um programa, sistemático, de divulgação, para a comunidade, de suas atividades? A igreja tem desenvolvido programas de orientação familiar, como reunião de orientação aos noivos, jovens casados, etc? A igreja mantém programas de assistência a enfermos, encarcerados, etc? Ao responder essas perguntas o pastor/missionário urbano percebe as necessidades, as faltas de sua igreja ou projeto para implantação de uma igreja e pode organizar-se para uma ação efetiva e significativamente relevante. V. CONFRONTE Há muita confusão sobre a natureza da confrontação e da violência. Confrontação é simplesmente a atividade entre seres humanos na qual eles discordam , e devido a esta discordância, estão desafiando uns aos outros. A palavra significa literalmente "testa-a-testa"- isto é, as testas colocadas fisicamente uma contra-a-outra. É um encontro face a face, direto, procurando o fim da resolução. Por outro lado, violência é o exercício da força física, a fim de ganhar uma disputa. Enquanto a confrontação é verbal, a violência é física. De uma forma mais profunda, essas palavrasnão são sinônimas, e sim antônimas, pois, em sua própria natureza, uma ato de violência é a indicação de que a confrontação falhou. A confrontação boa e eficaz nunca deve levar à violência, mas à resolução do problema. A confrontação é uma parte inevitável da igreja urbana eficaz. Os cristãos tradicionalmente tiveram problemas com confrontação. Nossa teologia nos ensina a amarmos uns aos outros, a apoiar-nos uns aos outros, a sempre pensarmos no outro em vez de pensarmos em nós mesmos. Por nos acharmos irmãos e irmãs uns dos outros, sentimos que a confrontação é inadequada (evitando assim, o elemento de confrontação que faz parte na formação de uma igreja saudável). Confrontamos o membro da igreja faltoso; confrontamos, erradamente, membros e pastores de outras igrejas que pensam e agem diferente de nós (não me refiro às seitas, aos hereges - estes na maioria das vezes não são confrontados). Mas não confrontamos o erro, o pecado institucionalizado, as injustiças sociais, etc. Se quisermos ser eficazes como igreja urbana precisamos aprender a confrontar. A igreja, o missionário urbano deve confrontar o pecado, a maldade, as injustiças, a corrupção e os poderes das trevas. Por trás de toda a maldade reinante existem forças ocultas, dissimuladas, mascaradas, que influenciam os seres humanos e as cidades também. Essas forças demoníacas e diabólicas devem ser expostas e confrontadas pelo missionário urbano, pelo pastor, pela igreja. Só assim a igreja crescerá e se tornará relevante espiritualmente em uma cidade ou comunidade. VI. DESENVOLVA LÍDERES O desenvolvimento de líderes é fundamental para o sucesso de uma igreja urbana. Nenhum trabalho eficiente pode depender exclusivamente de seu fundador. Existem líderes em potencial em cada igreja. Precisam ser descobertos, observados, treinados, testados e finalmente utilizados na liderança, não apenas leiga, mas oficial da igreja urbana. Paulo, o maior missionário urbano de toda a história da cristandade sempre que deixava uma cidade instituía líderes para assumir seu lugar. Não os "importava" de outras cidades e igreja, ele os descobria, treinava e investia-os de autoridade, consagrando-os ao ministério. Vivemos em uma época que uma igreja não pode mais depender daquele modelo tradicional de um só pastor para cada igreja. Há variedade de dons, há pluralidade de ministérios, mas continuamos insistindo na singularidade (no sentido de haver um só) do pastorado. Nem todas as igrejas podem manter financeiramente mais de um pastor ao mesmo tempo, mas isso não é impedimento para que hajam pastores leigos ou de tempo parcial, com ministérios distintos (Ef 4.11), trabalhando unidos, sob a liderança do pastor titular ou do missionário urbano, para o crescimento (quantitativo, qualitativo e orgânico) da igreja. http://www.orkut.com/AlbumZoom.aspx?uid=14439413016937181159&pid=66 Delvacyr Bastos Costa Contato: delvacyr@ibest.com.br