Prévia do material em texto
MATEMÁTICA FINANCEIRA Professoras Me. Marcela Gimenes Bera Oshita Me. Juliana Moraes da Silva GRADUAÇÃO Unicesumar Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Diretoria Executiva Chrystiano Minco� James Prestes Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Diretoria de Design Educacional Débora Leite Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira Gerência de Curadoria Carolina Abdalla Normann de Freitas Supervisão de Produção de Conteúdo Nádila Toledo Coordenador de Conteúdo Juliana Moraes da Silva Designer Educacional Lilian Vespa Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa Arthur Cantareli Silva Ilustração Capa Bruno Pardinho Editoração Lucas Pinna Silveira Lima Qualidade Textual Eloisa Dias Lourenço Ilustração Marta Sayuri Kakitani C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; OSHITA, Marcela Gimenes Bera; SILVA, Juliana Moraes da. Matemática Financeira. Marcela Gimenes Bera Oshita; Juliana Moraes da Silva. Maringá-Pr.: Unicesumar, 2019. 280 p. “Graduação - EaD”. 1. Matemática. 2. Financeira. 3. EaD. I. Título. ISBN 978-85-459-1774-8 CDD - 22 ed. 513.93 CIP - NBR 12899 - AACR/2 Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos com prin- cípios éticos e profissionalismo, não somente para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão integral das pessoas ao conhecimento. Base- amo-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de gradu- ação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros e distribu- ímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconheci- dos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educadores soluções inteligentes para as necessidades de todos. Para continuar re- levante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, me- todologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimen- to, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! Diretoria Operacional de Ensino Diretoria de Planejamento de Ensino Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um proces- so de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, contribuindo no processo educacional, complementando sua formação profissional, desenvolvendo competências e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conte- údo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessários para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o STUDEO – Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das discussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá- -lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória acadêmica. A U TO R Professora Me. Marcela Gimenes Bera Oshita Mestrado em Controladoria pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Especialização em Gestão Contábil e Financeira pela Universidade Estadual de Maringá. Graduação em Ciências Econômicas e Contábeis também pela UEM. Atua como professora no Centro de Ensino Superior – Unicesumar e no Departamento de Administração do Instituto Adventista Paranaense. Link: <http://lattes.cnpq.br/7867304750238505> Professora Me. Juliana Moraes da Silva Mestrado em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual de Maringá (UEM/2016). Graduação em Licenciatura em Matemática pela UEM (2001). Bacharelado em Ciências Contábeis pela UEM (2006). Atualmente é coordenadora e docente dos Cursos de Ciências Contábeis e Gestão Financeira na modalidade a distância do Centro Universitário Maringá (Unicesumar). Link: <http://lattes.cnpq.br/0551257296562180> Seja bem-vindo(A)! Olá, caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à nossa disci- plina Matemática Financeira. Gostaríamos de iniciar o nosso conteúdo destacando que essa temática é um ramo da matemática que se dedica ao estudo das transformações monetárias no tempo e ao estu- do dos fluxos de caixas. Você alguma vez já pensou que a matemática financeira está o tempo todo pre- sente em nossas tomadas de decisões - sobre o que comprar, como pagar, onde ou em que ativo investir? Pois bem, você perceberá, estudando a nossa discipli- na, que o bom entendimento desse conteúdo é vital para podermos tomar a melhor decisão, de forma a otimizar os recursos. Em termos gerais, aprenderemos que a aplicação da matemática financeira está mais próxima do nosso cotidiano do que você imagina, pois ela nos dá embasamento para conhecer os juros aplicados, por exemplo, em um financiamento ou em um investimento. Essa disciplina oferecerá subsídios conceituais e ferramentas para que se tomem deci- sões racionais sobre as operações financeiras e alter- nativas, considerando o valor que o dinheiro apre- senta ao longo do tempo. APRESENTAÇÃO MATEMÁTICA FINANCEIRA Legal! Agora que você já sabe a importância da matemática financeira para tomada de decisões diárias, seja no contexto pessoal seja empresarial, convido-o(a) a navegar por esse universo de forma a absorver esse conhecimento a fim de tomar as melhores decisões ao longo de sua jornada pessoal ou profissional. Para isso, iniciamos a Unidade I com os conceitos e aspectos básicos sobre os conceitos fundamentais e juros simples, o valor do dinheiro no tempo, conceitos dos elementos financeiros, taxas de juros, sistemas de capitalização e fluxo de caixa. Na Unidade II, você terá a oportunidade de conhe- cer o sistema de capitalização simples, como: juros simples,equivalência simples e desconto simples. Na Unidade III, avançaremos na matemática finan- ceira, para isso veremos os aspectos do sistema de capitalização composta, juros compostos, equiva- lência composta e desconto composto. Na Unidade IV, imergiremos em rendas e anuidades, classificação de rendas e anuidades, rendas certas, rendas diferidas e rendas perpétuas. Por fim, na Unidade V, entraremos na temática dos sistemas de amortização e aplicações, Sistema de Amortização Constante (SAC), Sistema Francês de Amortização (SAF) e as aplicações dos sistemas de amortização. APRESENTAÇÃO Diante disso, eu o convido a embarcar nesta jorna- da e, para conseguir atingir a finalidade desta disci- plina, utilize as referências indicadas neste material. Reforço, também, a indicação das leituras comple- mentares, que serão de grande valia. A partir do seu avanço no conhecimento sobre a área, comece na prática ajudando alguém da família ou um colega que não entende do assunto, mas que precisa tomar uma decisão com relação aos aspectos financei- ros. Ofereça-se para ajudar sempre, pois, assim, apren- derá na prática os aspectos da matemática financeira, que, de início, pode parecer complicada, mas, na ver- dade, não é. No entanto ela exigirá de você a realiza- ção de muitos exercícios e também aplicações práticas para poder fixar os inúmeros detalhes exigidos na uti- lização desta área do conhecimento. Pois bem, agora que já conhece o assunto com que trabalharemos, eu o convido a embarcar nesta jorna- da que será de grande valia para você. Bons estudos e muito sucesso na aplicação da matemática finan- ceira no seu cotidiano, seja pessoal seja empresarial. APRESENTAÇÃO SUMÁRIO UNIDADE I CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 16 Introdução 18 O Valor do Dinheiro no Tempo 25 Conceitos dos Elementos Financeiros 36 Taxas de Juros 42 Sistemas De Capitalização 50 Fluxo de Caixa 54 Considerações Finais UNIDADE II SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 74 Introdução 76 Juros Simples 92 Equivalência SimpleS 108 Desconto Simples 115 Considerações Finais 124 Referências 125 Gabarito SUMÁRIO UNIDADE III SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 129 Introdução 131 Juros Compostos 144 Equivalência Composta 155 Taxas Nominal e Efetiva 164 Desconto Composto 169 Considerações Finais 179 Referências 180 Gabarito UNIDADE IV RENDAS E ANUIDADES 189 Introdução 191 Classificação De Rendas E Anuidades 196 Rendas Certas 212 Rendas Diferidas 217 Rendas Perpétuas 219 Considerações Finais 227 Referências 228 Gabarito SUMÁRIO UNIDADE V SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 236 Introdução 238 Sistema de Amortização Constante (SAC) 243 Sistema Francês de Amortização (SAF) 256 Aplicações dos Sistemas de Amortização 266 Considerações Finais 276 Referências 279 Conclusão U N ID A D E I Professoras Me. Marcela Gimenes Bera Oshita Me. Juliana Moraes da Silva CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM ■ Explicar ao discente os conceitos do valor do dinheiro no tempo. ■ Demonstrar os conceitos dos elementos financeiros. ■ Explanar a definição de taxa de juros. ■ Instruir acerca dos sistemas de capitalização. ■ Ensinar sobre o fluxo de caixa. U N ID A D E PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ O valor do dinheiro no tempo ■ Conceitos dos elementos financeiros ■ Taxas de juros ■ Sistemas de capitalização ■ Fluxo de caixa I Professoras Me. Marcela Gimenes Bera Oshita Me. Juliana Moraes da Silva CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 16 INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), esta unidade dará início ao processo de entendimento sobre os conceitos fun- damentais da matemática financeira, bem como acerca da taxa de juros simples. Aprenderemos porque, ao pegarmos um dinheiro emprestado ou ao realizarmos uma compra a prazo, paga- -se um valor extra pela antecipação do consumo (juros). Da mesma forma, quando colocamos o dinheiro em um investimento financeiro, verifi- caremos porque recebemos um valor maior do que aquele investido (remuneração). Neste contexto, veremos que o dinheiro tem um valor no tempo e, por isso, é importante saber que uma unidade monetária de hoje não vale a mesma coisa do que uma unidade monetária de ontem ou de amanhã. Desta forma, trabalharemos os conceitos dos elementos financeiros para que você possa entender o conceito básico da mate- mática financeira, como valor presente e valor futuro. Nesta perspectiva, você passará a entender o conceito de taxas de juros, o custo de empréstimos CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 17 ou remuneração pelo uso do capital, respectiva- mente, para o tomador e para o emprestador. Logo, veremos que o uso do dinheiro exige um pagamento que denominamos de remuneração do capital. Aprenderemos, também, sobre os sistemas de capitalização simples e composta. Na capitalização simples, os juros incidem apenas sobre o valor do capital inicial, que cresce de forma linear, o que sig- nifica que não há existência de juros sobre juros. Por sua vez, na capitalização composta, os juros incidem sobre o capital inicial e sobre os juros e o montante cresce de forma geométrica. Por fim, entenderemos o conceito de Fluxo de caixa visto que as decisões financeiras são tomadas com base nele, em que as entradas e saídas de dinheiro ocorrem em momentos diferentes no tempo. Pois bem, agora que já conhece o assunto com que traba- lharemos nesta unidade, convidamos a iniciar esta jornada que será de grande valia para você. CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 18 O VALOR DO DINHEIRO NO TEMPO Muitos de nós assistimos às histórias do Tio Patinhas, criação de Walt Disney, ou já ouvimos falar delas, em que nos acostumamos a ver o Tio Patinhas curtindo sua fortuna, guardada a sete chaves em seu cofre. No mundo real, no entanto, poucas pessoas estão dis- postas a agir como Tio Patinhas. Longe disso, quem tem dinheiro disponível nem pensa em guardá-lo consigo, ao contrário, ele procura alguma maneira de empregá-lo de forma a obter mais dinheiro, seja na aquisição de bens, no mercado financeiro seja simplesmente emprestando-o a terceiros. CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 19 A matemática financeira trata, em essência, do estudo do valor do dinheiro ao longo do tempo. Seu objetivo básico é efetuar análises e comparações dos vários fluxos de entrada e saídas de dinheiro de caixa, verificadas em diferentes momentos. Receber uma mesma quantia, hoje ou no futuro, não é, eviden- temente, a mesma coisa. A princípio, uma unidade monetária, hoje, é preferível a mesma unidade mone- tária disponível amanhã. Postergar a entrada de caixa por certo período de tempo envolve sacrifício finan- ceiro, o qual deve ser pago mediante uma recompensa. Tudo isso é feito a partir de um princípio básico: quem empresta dinheiro espera recebê-lo, depois de certo tempo, acrescido de uma quantia adicio- nal cobrada a título de recompensa ou aluguel do dinheiro, conforme representado na Figura 1. Quantia emprestada Quantia adicional Quantia que se pretende receber de volta Figura 1 - Representação da quantia adicional Fonte: as autoras. CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 20 A quantia adicional cobrada a título de aluguel do dinheiro emprestado é o que chamamos de juro. As taxas de juros devem ser eficientes de maneira a remunerar: a. O risco envolvido na operação, representado, gene- ricamente, pela incerteza com relação ao futuro. b. A perda do valor de compra motivada pela inflação. c. O valor emprestado/aplicado, gerando um ganho ao proprietário. Neste contexto, ao refletir sobre a palavra valor, podemos observar que ela varia ao longo do tempo, independentemente do bem. Caro(a) aluno(a), pense: quanto você estaria disposto a pagar por um disquete de computador ou uma fita cassete? Ainda, qual o valor deuma empresa que fabrica disco de vinil? Acredito que a sua resposta seria: “Depende do perí- odo, isto é, da época”. Nesta perspectiva, ao tomarmos uma decisão, seja de consumo ou investimento, faremos olhando para o futuro, pois o presente é um instante em que, ao pensarmos nele, já se torna passado. Desta forma, podemos dizer que tomamos decisões que dão o iní- cio a um futuro. CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 21 Observe que os bens e o dinheiro possuem valor no tempo. As pessoas que possuem dinheiro podem adquirir bens e serviços no momento desejado. Por sua vez, as que não possuemnecessitam esperar um tempo até que consigam o dinheiro para realizar tal transação. Para destacar que a quantia de dinheiro varia ao longo do tempo, observe que a quantidade de dinheiro que você utiliza hoje para comprar determi- nado alimento, por exemplo, provavelmente, é bem maior do há alguns anos. Neste sentido, se você for ao mercado com a mesma quantia de tempos atrás, com certeza, voltará com menos mercadorias, con- forme a Figura 2. Isto acontece por causa da inflação (perda do poder de compra da moeda). Figura 2 - Redução do poder de compra do dinheiro em relação ao tempo CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 22 A decisão de emprestar dinheiro, independentemente da inflação, só será tomada se, ao final do período, o indivíduo superavitário puder comprar uma quan- tidade maior de bens e serviços, quando comparado com a quantidade original (MULLER; ANTONIK, 2012). Assim, o indivíduo só realizará a troca de abrir mão do consumo presente em prol do consumo futuro se isso lhe permitir adquirir maior quantidade de bens, o que significa que ele exigirá ganho real sobre o valor emprestado, independentemente da infla- ção do período. “O valor do dinheiro no tempo está sedimentado na matemática financeira” (MULLER; ANTONIK, 2012, p. 4). Prezado(a) estudante, cabe destacar que “outro aspecto que reforça o valor diferente do dinheiro no tempo é o risco” (CORREIA NETO, 2011, p. 198). O risco é uma função crescente do prazo à medida que, ao optar por receber o dinheiro em uma data futura, é mais arriscado do que no presente, visto que o futuro é incerto Nesta perspectiva, podemos observar que a essência da matemática financeira é estudar “o valor do dinheiro no tempo” (MULLER; ANTONIK, 2012, p. 3). O seu objetivo básico é o de efetuar análises e comparações dos vários fluxos de entrada e saídas de dinheiro de caixa verificadas em diferentes momentos. CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 23 Exemplificaremos o valor do dinheiro em relação ao tempo: imagine que você precise de R$10.000,00 para atender a uma necessidade financeira pessoal. Uma determinada instituição financeira propõe- -lhe um empréstimo de, exatamente, R$10.000,00, que deverá ser pago após quatro meses. O valor será depositado em sua conta, e você pagará à instituição o valor R$13.000,00 ao final desse período Observe que esta situação leva você a identificar os elemen- tos que serão estudados na disciplina de matemática financeira, segundo Puccini (2011): 1. Ocorreu uma transação financeira entre o agente credor (banco) e o tomador (você/cliente), que podemos chamar de operação financeira. 2. A transação financeira com duração de três meses tem um valor inicial de R$ 10.000,00 (valor no início da operação) e um valor final de R$13.000,00 (valor no final da operação). A matemática financeira ajudará você, no contex- to dos negócios, a quantificar no tempo o valor de juros, despesas, riscos, dinheiro, impostos, lucros, inflação, taxa de juros, entre outros. CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 24 3. Observe que a diferença entre o valor do início para o valor final é o acréscimo, denominado juro da operação. 4. Neste exemplo, o juro será um custo para você e uma remuneração para o banco. 5. O agente que empresta o dinheiro é o credor, e o que toma o dinheiro emprestado é o devedor. Agora, sabemos que o dinheiro não tem o mesmo valor no tempo. Não perca tempo, aprenderemos a calcular os elementos financeiros, juro, prazo, taxa de juros, capital e montante. CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 25 CONCEITOS DOS ELEMENTOS FINANCEIROS Caro(a) aluno(a), você já conhece os aspectos do valor do dinheiro no tempo, avançaremos para os conceitos gerais da matemática financeira. Você pode observar que, na seção anterior, trabalhamos o conceito mais simples de cálculo de juros. Agora, estudaremos as terminologias da taxa de juros utilizadas no mercado. JUROS Juros é a remuneração (recompensa) do valor emprestado/aplicado. Para quem investe, os juros cor- respondem ao retorno (recompensa) do investimento, para quem toma emprestado, os juros correspondem ao custo (aluguel) pelo empréstimo. CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 26 Os juros são expressos em uma unidade mone- tária (R$, US$, €, ...) e indicado pela letra J. Exemplo: juros = J = R$ 10,00 CAPITAL OU VALOR PRESENTE Capital ou Valor Presente é qualquer quantia monetá- ria disponível em determinada operação, referenciada, geralmente, na data focal zero. O capital que dá início a uma operação financeira é chamado de capital inicial ou principal. O capital é expresso em uma unidade mone- tária e indicado pela letra C ou PV (Valor Presente). Exemplo: Capital Inicial = Valor Presente = C = PV = R$ 250,00 PRAZO OU PERÍODO Prazo é o tempo que decorre desde o início até o final de uma dada operação financeira ou os perío- dos fracionados de uma operação (para pagamentos parcelados). É contado em períodos de tempo, sendo o menor deles o dia (dia, mês, bimestre, trimestre, semestre, ano, ...) e indicado pela letra n. Exemplo: Prazo = n = 7 meses CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 27 Na prática, o prazo pode ser contado a partir de duas convenções: a. Prazo exato: aquele que conta os dias de acordo com o chamado ano civil, no qual os dias são contados pelo calendário, podendo o ano ter 365 ou 366 dias. Exemplo 1: fevereiro tem 28 dias; fevereiro tem 29 dias; abril tem 30 dias; dezembro tem 31 dias. Exemplo 2: Alberto comprou uma camisa em 15 de março, para liquidar em 20 dias. Considerando o prazo exato, qual a data de vencimento? 04 de abril, observe que março tem 31 dias. b. Prazo comercial: é aquele que conta os dias de acordo com o chamado ano comercial, no qual o mês é considerado sempre como tendo 30 dias, e o ano 360 dias. Exemplo 1: fevereiro tem 28 dias; abril tem 30 dias; dezembro de 30 dias. Exemplo 2: Alberto comprou uma camisa em 15 de março para liquidar em 20 dias. Considerando o prazo comercial, qual a data de vencimento? 05 de abril. Observe que março tem 30 dias, como todos os outros meses do ano. Destaca-se que, em algumas operações de curto prazo, é comum ou conveniente utilizar taxas de juros simples diárias equivalentes, isto é, os prazos CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 28 são contados em dias, e a taxa de juros são anuais. Neste caso, você terá duas opções, utilizar juros exato e juro comercial ou bancário. Conforme abordado, o juro exato considera que o ano civil tem 365 ou 366 dias, e cada mês tem os números de dias respec- tivos; por sua vez, os juros comercial ou bancário considera o ano com 360 dias e o mês com 30 dias. Caro(a) estudante, como saber qual desses uti- lizar? Comumente, utiliza-se a convenção de juros comerciais (HAZZAN; POMPEO, 2007). Vamos ver a diferença entre os dois, por meio do exemplo: um capital de R$10.000,00 (VP) foi apli- cado por 43 dias (n) à taxa (i) de 30% a.a, no regime de juros simples. a. Juros exatos: . . $10.000,00 . 0,30 . 43 10.000,00 . 0,30 . 43 $129.000 353,42 365 365 365 365 VP i n R RJ = = = = = b. Juros comerciais ou bancários: . . $10.000,00 . 0,30 . 43 10.000,00 . 0,30 . 43 $129.000 358,33 360 360 360 360 VP i d R RJ = = = = = CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 29 Observe que os juros exatos anuais são menores queos juros comerciais. Caso você queria saber mais sobre a utilização de taxas de curto prazo com juros simples, pesquise sobre as operações de Hot Money. TAXA DE JUROS Taxa de juros é o coeficiente obtido pela relação estabelecida entre o valor do juro do período e o capital emprestado/ aplicado, ou seja, é a remuneração do fator capital utili- zado/aplicado durante um certo período de tempo. Juro é a remuneração sob o capital empregado. Quando cedemos dinheiro a alguém, abrindo mão do seu usu- fruto, o valor acrescido a esse dinheiro é o juro. Neste sentido, se abrirmos mão de gastar R$ 1.000,00 (mil reais) para recebermos R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais), daqui a um ano, o diferencial de R$ 200,00 (duzentos reais) denominamos de juro. Observe que o juro é a relação entre a quantia inicial e a futura. Logo, temos: $200,00 0,20 20% . $1 .000,00 J Ri ou a a C R = = = CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 30 Onde: J = juros recebidos C = capital empregado na operação Preste atenção, a taxa de juros citada anteriormente está ao ano (a.a), isto quer dizer que se deve especi- ficar a taxa de juros no período de tempo. As taxas de juros referem-se sempre a uma unidade de tempo (dia, mês, ano), indicadas pela letra i, e podem ser representadas de duas maneiras: taxa percentual e taxa unitária. a. Taxa percentual: representa o juro de cem unida- des do capital, no período tomado como unidade de tempo, ou seja, refere-se aos “centos” do capital. Exemplo: taxa = i = 30% ao mês = 30% am. b. Taxa unitária (ou centesimal): representa o juro de uma unidade do capital no período tomado como unidade de tempo. Exemplo: taxa = i = 0,30 ao mês = 0,30 am. Utilizamos o cálculo da taxa de juros para fazer um financiamento, uma simples compra a prazo e também para realizar um investimento. Entretanto muitas pessoas, ao realizar o ato de consumir ou investir no tempo, não conhece a composição de tal CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 31 taxa e, muito menos, a diferença no tempo. Por isso, a taxa de juros pode ser calculada diaria, mensal, semestral ou anualmente, tudo depende do obje- tivo que se busca. Todavia, quando você escutar na televisão que a taxa básica de juros da econo- mia está 6,5%, isto significa que é a taxa anual. Ou seja, comumente, as taxas de juros de investimentos e financiamentos são divulgadas com percentuais anuais. Por exemplo, se a taxa de juros for de 6,5% anual, significa que você receberá ou pagará no final 6,5% do principal, isto é, sobre o capital (empres- tado ou investido). As terminologias de taxas de juros utilizadas são abreviadas, conforme apresentado na Figura 3. Figura 3 - Terminologias utilizadas para expressar a taxa de juros no tempo Fonte: as autoras. a.d = ao dia a.m = ao mês a.b = ao bimestre a.t = ao trimestre a.q = ao quadrimestre a.s = ao semestre a.a = ao ano CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 32 Observe “que a taxa de juros (i) e os períodos (n) devem estar expressos na mesma referência tem- poral. Se a taxa de juros for mensal, por exemplo, o tempo deve ser mensal também” (CORREIA NETO, 2011, p. 202). Você pode estar pensando que, para achar a taxa de juros equivalente mensal é só dividir a taxa anual por 12, ou para obter a taxa anual é só multiplicar a mensal por 12. Pois bem, veremos, durante o nosso estudo, que encontrar a equivalência entre taxa de juros e o tempo pode envolver certa complexidade. MONTANTE OU VALOR FUTURO Montante ou valor futuro corresponde a uma cumu- lação relativa à aplicação de um capital C, é definido como o capital acrescido de seu respectivo juro, expresso em uma unidade monetária e indicado pelas letras M ou S ou FV (valor futuro). Exemplo: Montante = Valor futuro = M = FV = R$ 2.500,00. Cabe ressaltar, que o Valor Nominal (VN) de uma operação financeira é o valor constante do título de crédito (por exemplo, na fatura de cartão de crédito), CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 33 independentemente se é o valor presente ou o valor futuro da operação. Verifique que, entre as notações técnicas, está apre- sentado o valor presente e o valor futuro. Como o nome já diz, o valor presente (VP) é o valor da ope- ração financeira iniciada hoje, isto é, na data presente. Como o valor presente e o capital coincidem, eles são tratados como sinônimos. No entanto o valor futuro (VF) é o valor de uma operação financeira entre a data atual ou presente e o vencimento da operação. O capital mais os juros também podemos considerar como sinônimo de montante. Assim, o valor futuro pode ser representado, matematicamente, por: VF VP J= + ou M C J= + Por fim, temos que o valor devolvido no futuro corresponde ao valor original somado ao adicional (aluguel do dinheiro), isto é, montante igual capi- tal mais o juro. CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 34 Observe que a percentagem faz parte do univer- so da matemática financeira. Desta forma, per- centagem (%) significa por cento ou por cem. Isto é, representa valores em relação a cem (100). Por exemplo: 5050% 100 = 2020% 100 = 1010% 100 = Pense que esta fração centesimal pode ser escrita em forma decimal. Observe o exemplo a seguir: 5050% 0,5 100 = = 2020% 0,2 100 = = 1010% 0,10 100 = = Note que podemos calcular porcentagem de um número de várias formas, para isso, pegaremos um dos exemplos anteriores: 5050% 0,5 100 = = Agora, escreveremos a porcentagem em forma decimal e multiplicaremos por um número. Ima- gine que 50% das 20.000 (vinte mil) pessoas vota- ram no candidato X. Quantas pessoas votaram no candidato X? CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 35 Agora, para deixar clara a nomenclatura que utili- zaremos no livro, adotaremos algumas simbologias que facilitem o entendimento, não só da taxa de juros no tempo, mas também outras notações técnicas encontradas no estudo da matemática financeira. No Quadro 1, você observa a notação técnica utili- zada neste livro. Quadro 1 - Notações técnicas i Taxa unitária de juros. Exemplo: 0,10 am. r ou i Taxa percentual de juros. Exemplo: 10% am. j ou J Juros simples, decorridos “n” períodos. J ou j Juros compostos, decorridos “n” períodos. n Número de períodos. PMT Termo, prestação ou série de pagamentos uniformes. C Capital ou valor presente (VP). 5050% 0,5 0,5 . 20.000 1 0.000 100 = = = = Logo, o candidato X recebeu 10.000 votos. Por- tanto, as taxas podem ser expressas de duas for- mas: em percentual (10%) ou unitária ou decimal (0,10). Fonte: as autoras CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 36 VP Valor atual ou valor presente (PV). P Principal valor atual ou valor presente. VF Valor futuro ou montante (M). M Montante de capitalização simples – valor futuro. S Montante de capitalização composta – valor futuro. Fonte: adaptado de Muller e Antonik (2012, p. 5). Ressaltamos que os conceitos de prestações (PMT) e o sistema de capitalização composta serão abor- dados em outras unidades desta obra. TAXAS DE JUROS Você sabia que as tran- sações financeiras são fundamentadas na deter- minação antecipada de taxas de juros? “Os juros representam as compen- sações financeiras nas operações ativas e passivas” (CORREIA NETO, 2011, p. 200). Assim, para o investidor, os juros são remunerações dos investimentos (operação ativa) e, CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 37 para o tomador, eles representam o custo do capital (operação passiva) (CORREIA NETO, 2011). Neste sentido, quem paga tem custo, despesa ou prejuízo, e quem recebe obtém ganho de capital, isto é, ren- dimento ou receita financeira. Cabe ressaltar que a taxa de juros pode ser influen- ciada pela inflação, risco da operação, utilidade e custo de oportunidade do capital: a inflação leva à perda de poder de compra da moeda, isto é, corroendo o capital de forma que se compra cada vez menos com a mesma quantia em dinheiro, o que exige que o investimento pro- duza resultado maior queo capital investido, que deve ser superior a inflação do período. Observe, quanto maior a inflação, maior a taxa de juros (CORREIA NETO, 2011). O risco da operação cresce com relação ao prazo, ou seja, a incerteza quanto ao futuro. Desta forma, quanto maior o risco, maior será a remuneração exi- gida, isto é, maior a taxa de juros. Agora, perceba que investimentos com menor risco, fornecem uma taxa de retorno mais baixas (CORREIA NETO, 2011). “O conceito de utilidade também influencia o comportamento da taxa de juros” (CORREIA NETO, 2011, p. 201). Isto quer dizer que quando você decide investir impede que o dinheiro circule na econo- mia, isto é, que esse dinheiro seja utilizado para CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 38 o consumo. Assim, para você abrir mão do capi- tal, hoje, e ficar sem consumir, exigirá um prêmio. Quanto maior a utilidade do capital, mais alta deve ser a taxa de juros (CORREIA NETO, 2011). Por fim, o custo de oportunidade é um ponto deter- minante das taxas de juros, na medida em que você, ao selecionar uma oportunidade de investimentos, abrirá mão de outra oportunidade em que, por sinal, não será remunerado. Desta forma, há um custo de oportunidade representado pelo que se deixou de ganhar. De fato, quanto maior o custo de oportuni- dade, maior será a taxa exigida do investimento. “A taxa de juros é a razão entre o juro recebido (ou pago) no final de um período de tempo e o capital, inicialmente, empregado. Assim, a taxa será sempre relacionada com uma unidade de tempo” (MULLER; ANTONIK, 2012, p. 10, grifo nosso). Perceba que há uma diferença entre taxa de juros e o valor dos juros. A taxa de juros é o percentual aplicado ao capital inicial para que ele seja resgatado no futuro. Assim, a taxa de juros, como já vimos, é expressa em: $20,00 0,20 20% . . $1 00,00 J Ri ou a a C R = = = CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 39 Em contrapartida, o juro é o valor expresso em dinheiro, por exemplo, em reais, referente à remune- ração do capital inicial empregado, é o valor gerado por meio da capitalização (simples ou composta) de um investimento transcorrido no tempo. Nos juros simples ou capitalização simples, os juros incidem apenas sobre o valor inicial, isto é, o capital. Por sua vez, na capitalização composta, no final de cada período de capitalização, os juros incor- poram-se ao valor inicial, tornando um novo valor que passa a render juros (juros sobre juros). Por exemplo: Um empréstimo de R$10.000,00 é adquirido pelo prazo de 3 meses, com taxa de juros de 10% a.m (ao mês). Cálculo de juros simples . . Juros simples VP i n= Juros simples = 10.000,00 . 0,10 . 3 = R$ 3.000,00 CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 40 Cálculo dos juros compostos . (1 )nValor Futuro VP i= + Valor Futuro = 10.000,00 . (1+ 0,10)3 = R$ 13. 310,00 Juros VF VP= − Juros = 13.310,00 −10.000 = R$ 3.310,00 Observe que os juros compostos são maiores que os juros simples, pois, neste modelo, o cálculo leva em consideração os juros sobre juros. Nas próximas unidades, compreenderemos as definições e aplicações de juros simples e juros compostos. Variação percentual Pense que, em um determinado mês, o preço de um produto seja R$ 50,00 e, no mês seguinte, o pre- ço tenha sido alterado para R$ 55,00. A alteração de preço foi positiva em R$ 5,00. Assim, a variação percentual de preço nas datas consideradas foram: 0 0 tV VJ V − = => 55,00 50,00 50,00 J −= = 0,10 = 10% CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 41 Cabe ressaltar que “não se pode comparar ou somar dinheiro a menos que ele esteja no mesmo instante de tempo” (MULLER; ANTONIK, 2012, p. 1). Não obstante, caso o “dinheiro não esteja no mesmo ins- tante de tempo para somá-lo, é necessário mover o dinheiro no tempo associado a uma taxa de juros” (MULLER; ANTONIK, 2012, p. 1). Neste contexto, sempre que há concessão de dinheiro, o disponibili- zador do recurso (credor) deverá receber o dinheiro emprestado adicionado a uma taxa de juros. Logo, quem empresta o dinheiro tem expectativa de rece- bê-lo com uma taxa de retorno, isto é, a taxa de juros. Observe, que o juro ou a variação percentual di- ferença entre o preço na data futura (Vt) e a data inicial (V0), dividido pelo preço da data inicial (V0). Neste sentido, quando a variação percentual é positiva, denominamos taxa de crescimento, e, quando negativa, decrescimento. Fonte: adaptado de Iezzi, Hazzan e Degenszajn (2013) CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 42 SISTEMAS DE CAPITALIZAÇÃO Os regimes de capitalização esclarecem como os juros são calculados e incorporados ao capital, ou seja, como o montante varia no tempo. Logo, “o regime de capitalização é uma forma contínua no tempo que descreve como o juro é adicionado ao capital” (MULLER; ANTONIK, 2012, p. 12). Fique atento(a), pois há dois regimes de capita- lização: simples (juros simples) e composto (juros compostos). “Quando a taxa de juros incide no decor- rer do tempo, sempre sobre o capital inicial, dizemos que há um sistema de capitalização simples (juros simples) ou aplicado de forma linear” (MULLER; ANTONIK, 2012, p. 12). Imagine que ofereceram a você um empréstimo de R$ 1.000,00, com prazo de 5 anos e taxa de 10% ao ano a juros simples, conforme indicado na Tabela 1: CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 43 Tabela 1 - Capitalização simples ANO SALDO NO INÍCIO DE CADA ANO ($) JUROS APURADOS PARA CADA ANO ($) SALDO DEVEDOR AO FINAL DE CADA ANO ($) CRESCIMENTO ANUAL DO SALDO DEVEDOR ($) Início do 1º ano Fim do 1º ano Fim do 2º ano Fim do 3º ano Fim do 4º ano Fim do 5º ano - 1.000,00 1.100,00 1.200,00 1.300,00 1.400,00 - 0,10 . 1.000,00 = 100,00 0,10 . 1.000,00 = 100,00 0,10 . 1.000,00 = 100,00 0,10 . 1.000,00 = 100,00 0,10 . 1.000,00 = 100,00 1.000,00 1.100,00 1.200,00 1.300,00 1.400,00 1.500,00 - 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 Fonte: adaptada de Assaf Neto (2012, p. 4). CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 44 Observe que os juros incidem somente sobre o capi- tal, o que apresenta valores idênticos no final de cada ano. Como consequência, o crescimento dos juros é linear, o que revela um comportamento igual ao de uma progressão aritmética, com o valor de R$ 500,00 no final do período (ASSAF NETO, 2012). Verifique que, neste caso, não ocorre o fenômeno dos juros sobre juros. Como o juro é simples, você pode converter a taxa anual para a mensal simples- mente dividindo 10% a.a por 12 meses (10% a.a: 12 meses = 0,833%am). Exemplo de capitalização simples: Um capital de R$ 2.000,00 foi aplicado por qua- tro anos à taxa de 5% a.a, em um regime de juros simples. Resolução: Ao longo do 1º ano, o juro originado foi de 2.000,00 (0,05) = 100,00 Ao longo do 2º ano, o juro originado foi de 2.000,00 (0,05) = 100,00 Ao longo do 3º ano, o juro originado foi de 2.000,00 (0,05) = 100,00 Ao longo do 4º ano, o juro originado foi de 2.000,00 (0,05) = 100,00 CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 45 Assim, como somente o capital aplicado rende juros, o montante, no final dos quatro anos, foi de R$ 2.400,00. Conquanto, no regime de capitalização composta o juro do 1º período agrega-se ao capital resultante no montante. No 2º período, agrega-se a taxa de juros do período anterior ao montante e se calcula uma nova taxa de juros e adiciona ao mon- tante. E assim, consecutivamente, de forma que se agrega a taxa de juros ao montante no início do perí- odo e passa a render juros. Observe, que, no regime de capitalização com- posta, ocorre um comportamento equivalente à progressão geométrica (ASSAF NETO, 2012). Pense que você adquiriu uma dívida de R$ 1.000,00, e a ela deve ser paga em juros compostos a uma taxa de 10% ao ano, a sua situação fica, conforme apre- sentado na Tabela 2: CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 46 Tabela 2 - Capitalização composta ANO SALDO NO INÍCIO DE CADA ANO ($) JUROS APURADOS PARA CADAANO ($) SALDO DEVEDOR AO FINAL DE CADA ANO ($) Início do 1º ano Fim do 1º ano Fim do 2º ano Fim do 3º ano Fim do 4º ano Fim do 5º ano - 1.000,00 1.100,00 1.210,00 1.331,00 1.464,10 - 0,10 . 1.000,00 = 100,00 0,10 . 1.100,00 = 110,00 0,10 . 1.210,00 = 121,00 0,10 . 1.331,00 = 133,10 0,10 . 1.464,10 = 146,41 1.000,00 1.100,00 1.210,00 1.331,00 1.464,10 1.610,51 Fonte: adaptada de Assaf Neto (2012, p. 5). CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 47 Caro(a) estudante, você deve ter observado, na tabela anterior, que os juros não incidem sobre o capital ini- cial de R$1.000,00, mas sobre o saldo total existente a cada ano (ASSAF NETO, 2012). O crescimento dos juros acontece de forma exponencial ao longo do tempo. Exemplo de capitalização composta: Um capital de R$ 2.000,00 foi aplicado por qua- tro anos, à taxa de 5% a.a, em um regime de juros compostos. Resolução: Ao longo do 1º ano, o juro originado foi de 2.000,00 (0,05) = 100,00 Ao longo do 2º ano, o juro originado foi de 2.100,00 (0,05) = 105,00 Ao longo do 3º ano, o juro originado foi de 2.205,00 (0,05) = 110,25 Ao longo do 4º ano, o juro originado foi de 2.315,25 (0,05) = 115,76 Assim, como somente o capital aplicado rende juros, o montante no final dos quatro anos, foi de R$ 2.431,01. CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 48 Na capitalização composta, a taxa de juros fica maior do que na capitalização simples por levar em consideração os juros sobre juros. Nesta pers- pectiva, “a capitalização composta proporciona crescimento do capital de forma exponencial, ao contrário do crescimento linear da capitalização simples” (CORREIA NETO, 2011, p. 206). Desta forma, o regime de capitalização composta cresce mais do que o de capitalização simples. Observe o exemplo: um capital de R$ 2.000,00 foi aplicado por quatro anos, à taxa de 5% a.a, conforme indicado no Quadro 2: Quadro 2 - Diferença entre capitalização simples e composta ANO CAPITALIZAÇÃO SIMPLES CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 0 R$ 2.000,00 R$ 2.000,00 1 R$ 2.100,00 R$ 2.100,00 2 R$ 2.200,00 R$ 2.205,00 3 R$ 2.300,00 R$ 2.315,25 4 R$ 2.400,00 R$ 2.431,01 Fonte: as autoras. CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 49 É importante ressaltar que você poderá encontrar no mercado a capitalização contínua e descontínua. De acordo com Assaf Neto (2012), a capitalização contínua promove uma sequência na capitalização distribuída ao longo do tempo, e não apenas na data final de período. Entretanto este tipo de regime de capitalização é pouco utilizado pela sua dificuldade de aplicação prática. Por sua vez, na capitalização descontínua, Assaf Neto (2012) ressalta que os juros são formados somente ao final de cada período de capitalização. Um exemplo são as cadernetas de poupança que remuneram com juros no final do mês, e não durante o mês. Cabe destacar que “a capitalização descontí- nua pode ser identificada em juros simples e juros compostos” (ASSAF NETO, 2012, p. 6). CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 50 FLUXO DE CAIXA A matemática financeira estuda as relações dos movi- mentos monetários ao longo do tempo. Movimentos esses que são identificados no tempo por meio de entradas e saídas que denominamos fluxo de caixa (ASSAF NETO, 2012). O fluxo de caixa é de grande valia na matemática financeira, no sentido que per- mite visualizar o que ocorre com o capital no tempo, como representado na Figura 4: Figura 4 - Fluxo de caixa Fonte: adaptada de Assaf Neto (2012, p. 2). Na Figura 4, a linha horizontal representa o hori- zonte de tempo da operação. O ponto zero indica o momento inicial e, os demais, as datas no tempo (ASSAF NETO, 2012). As setas para cima repre- sentam as entradas de caixa ou recebimentos de dinheiro (+), as setas para baixo indicam as saídas ou aplicações de dinheiro (-) (ASSAF NETO, 2012). Entradas de caixa (+) Saídas de caixa (-) 0 1 2 + + + + + 3 54 6 7 (Tempo)8 - - CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 51 De fato, as entradas podem ser iguais ou diferentes, bem como os intervalos de tempo que podem ser regulares, ou não. Observe que o fluxo de caixa (PMT) retrata uma série de pagamentos ou recebimentos que se estima ocorrer em determinado intervalo de tempo. Exemplos de fluxo de caixa: empréstimos, investi- mentos e dividendos. Neste sentido, baseados nestes fluxos, são realizados os planos de amortização de pagamentos. Além disso, o fluxo de caixa pode ser utilizado para avaliação de empresas e/ou opções de investimentos para verificar qual seria a melhor opção do ponto de vista financeiro. O fluxo de caixa pode ser classificado de acordo com o período de ocorrência: postecipado e anteci- pado. No fluxo de caixa postecipado, há a entrada ou saída no final de um período, após a ocorrência do fato. Por exemplo: ao adquirir um empréstimo para a primeira parcela (PMT) após 30 dias, con- forme podemos observar na Figura 5: 0 1 2 3 n t PMT PMT PMT PMT Figura 5 - Fluxo de caixa postecipado Fonte: as autoras. CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 52 Por sua vez, no fluxo antecipado, muito comum na ocorrência de investimentos, há o desembolso no início do período, conforme indicado na Figura 6. Isto é, quando você adquire um imóvel, por exemplo, paga a entrada no início e, na sequência, as demais parcelas. 0 1 2 3 n t PMTPMT PMT PMT PMT Figura 6 - Fluxo de caixa antecipado Fonte: as autoras. Os fluxos de caixas podem ser periódicos ou não periódicos. Assim, os periódicos apresentam um intervalo igual entre os fluxos de caixa, por exemplo, os pagamentos são realizados todo mês. Por outro lado, aos não periódicos os intervalos são diferentes. Com relação à duração do fluxo de caixa, ele pode ser limitado (finito) ou indeterminado (indefinido). A duração limitada ocorre quando os prazos dos pagamentos ou recebimentos são conhecidos, como um financiamento por 4 anos que será pago neste intervalo de tempo. Em contrapartida, os indeter- minados ou indefinidos ocorrem, por exemplo, no pagamento de aluguel e projetos de investimentos. CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 53 Ainda, os valores do fluxo de caixa podem ser cons- tantes ou variáveis. Por constante, entende-se que os pagamentos e/ou recebimentos são iguais entre si. Não obstante, os valores variam ao longo do tempo. Nesta unidade, caro(a) aluno(a), pudemos ter um parâmetro do estudo da matemática financeira. Falamos sobre os aspectos do valor do dinheiro no tempo, conceitos dos elementos financeiros, taxa de juros, sistemas de capitalização e fluxo de caixa. Pois bem, agora que você já conhece esses elementos fun- damentais da matemática financeira, poderá avançar em seu conhecimento sobre o tema. Bons estudos! CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES 54 CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a), chegamos ao fim desta unidade, com a qual demos início ao processo de entendimento sobre os conceitos fundamentais para trabalhar a matemática financeira. Acima de tudo, passamos a compreender o valor do dinheiro no tempo. Vimos que, ao antecipar o consumo, paga-se um valor extra que denominamos juros, podendo ser simples ou compostos. Não obstante os empréstimos são comumente realizados a juros com- postos. De forma semelhante acontece com os nossos investimentos que, em alguns casos específicos, pode acontecer de empregarmos o nosso capital e ora rece- bermos juros simples, ora compostos. Aprendemos que o dinheiro possui valor no tempo, isto é, uma unidade monetária, neste momento, não tem o mesmo valor que uma unidade monetária de ontem ou de amanhã. Neste sentido, trabalhamos conceitos dos elementos financeiros essenciais para que se possa entender conceitos básicos da matemá- tica financeira, como valor presente e valor futuro. Desta forma, passamos a compreender o conceito de taxas de juros, que pode ser para o tomador ou investidor, custo de empréstimos ou remuneração pelo uso do capital, respectivamente. Neste contexto, CONCEITOS FUNDAMENTAIS E JUROS SIMPLES55 vimos que o uso do dinheiro exige um pagamento que é denominado remuneração do capital. Conhecemos os sistemas de capitalização simples e composta e aprendemos que capitalização simples, os juros, incidem apenas sobre o valor principal (VP ou capital inicial), que cresce em progressão aritmé- tica e/ou linear, o que induz a concluir que não há existência de juros sobre juros. Ao contrário, na capi- talização composta, os juros sobre o principal crescem de forma geométrica e/ou exponencial. Aprendemos, também, o conceito de Fluxo de caixa, em que as entradas e saídas de dinheiro podem ser diferentes e ocorrem em momentos distintos no tempo. Por fim, prezado(a) acadêmico(a), agora que você já tem uma base inicial sobre a matemá- tica financeira, nós o convidamos a continuar esta jornada. Bons estudos! 1. Complete o quadro a seguir: TAXA DE JUROS TAXA DE JUROS NA FORMA PERCENTUAL TAXA DE JUROS NA FORMA UNITÁRIA 2% ao dia 2% ad 0,02 ad 24% am 0,503 ab 90,05% ao se- mestre 3,15 aa 0,50% ao dia 2. Vimos a diferença entre juros exato e comercial, que compreende calcular os juros levando em consideração os 365, 366 ou 360 dias. Um capi- tal de R$10.000,00 (VP) foi aplicado por quaren- ta dias (d), à taxa (i) de 20% a.a. no regime de juros simples. Calcule o valor dos juros exato e comercial, e as- sinale a alternativa correta: a. Juros exato, 219,17, e comercial 222,22. b. Juros exato, 223,23, e comercial 219,25. c. Juros exato, 225,10, e comercial 228,20. d. Juros exato, 228,20, e comercial 225,20. e. Juros exato, 219,17 e comercial 242,22. 3. Pudemos observar que os juros são os pilares da matemática financeira. Nesta perspectiva, con- sidere um capital de R$ 25.000,00, que foi apli- cado durante três meses, gerando um montan- te de R$ 30.000,00. Calcule a taxa de juros do período e assinale a alternativa correta: a. 0,12 ou 12%. b. 0,15 ou 15%. c. 0,2 ou 20%. d. 0,25 ou 25%. e. 0,31 ou 31%. 4. Temos dois tipos de juros: simples e compostos. O juro simples incide sempre sobre o valor do capital, e o composto sobre o montante. Desta forma, um empréstimo de R$ 20.000,00 é adqui- rido pelo prazo de três meses, após esse período, quem disponibilizou o dinheiro para o emprés- timo recebeu um montante de R$ 26.000,00. Calcule a taxa de juros simples do período. 5. Na matemática financeira, encontramos diver- sas simbologias, visto que o estudo do dinhei- ro no tempo é realizado por meio de equações, em que se encontram relacionadas as diversas variáveis econômicas. Neste contexto, descreva a diferença entre valor presente (VP) e valor fu- turo (VF). 6. Compreende-se como capitalização simples a taxa de juros aplicada somente ao capital inicial, diferentemente da capitalização composta em que incorre juros sobre juros. Nesta perspecti- va, um capital de R$ 3.000,00 foi aplicado por quatro anos, à taxa de 10% a.a. Calcule o valor dos juros total ao longo do período pelo regime de juros simples e, em seguida, pelo composto. 7. Represente as informações a seguir em um fluxo de caixa: a. Tempo 0, saída de caixa de R$ 4.000,00. b. Tempo 1, saída de caixa de R$ 2.000,00. c. Tempo 2, entrada de caixa de R$ 500,00. d. Tempo 5, saída de caixa de R$ 2.500,00. e. Tempo 6, entrada de caixa de R$ 5.200,00. f. Tempo 8, saída de caixa de R$ 3.500,00. 8. Converta a taxa simples indicada em taxa diária: a. 120% aa b. 36% am c. 72% as 9. Converta a taxa simples indicada em taxa mensal: a. 0,1% ad b. 28% ab c. 6% aq a. 258% aa 10. Converta a taxa simples de 24% aa em taxa di- ária, mensal, bimestral, trimestral e semestral. INSTRUMENTAL MATEMÁTICO O objetivo desta leitura complementar não é ensi- nar nem revisar matemática básica, mas explanar e discutir conceitos e aplicações indispensáveis para os conteúdos de matemática financeira. Precisão nos cálculos 1. Arredondamento Se você parar para analisar, verá que grande parte dos cálculos financeiros envolvem fração. Algumas delas têm precisão finita (20/10 = 2) e outras infini- ta (10/3 = 3,333). Se estivermos buscando um va- lor em reais, no primeiro caso, a resposta seria R$ 2,00, de forma precisa. Todavia, no segundo caso, temos um problema de precisão em apresentação em valores reais, já que a moeda permite até duas casas decimais (DE CASTRO; DAL ZOT, 2015). Neste caso, somos forçados a arredondar para 3,33, que é o número mais próximo da resposta correta. Exemplos de arredondamento de casas decimais: ■20,5685 é arredondado para 20, 57. ■28,1249 é arredondado para 20,12. ■2,99499 é arredondado para 2,99. ■8,00500 é arredondado para 8,01. 2. Precisão Compreenda que, para evitar arredondamento desnecessário e uma maior precisão nos cálculos, o arredondamento só deve ser feito na resposta fi- nal (DE CASTRO; DAL ZOT, 2015). Para isso, é im- portante utilizar-se de recursos da calculadora, fa- zendo cálculos de forma sequencial. Por exemplo: 4 6 100x pode ser feito de duas formas: ■ 4 6 0 67 0 67 100� eapós x,, ; ■ � � 4 6 100 4 100 6 66 67x x , Observe que a segunda opção é mais precisa que a primeira. A diferença é que na primeira ocorreu um arredondamento nos cálculos intermediários (0,67), e o resultado foi a perda de precisão (DE CASTRO; DAL ZOT, 2015). Razão e proporção Pense que você abriu um negócio e, no primeiro ano, obteve receita de R$ 100.000,00 e, no segundo ano, as receitas foram de R$ 150.000,00. Ao compa- rar os valores, observamos que a diferença é de R$ 50.000,00. Entretanto esta comparação não oferece a ideia de crescimento das vendas de um ano para o outro. Para isso, é necessário efetuarmos uma com- paração, dividindo as receitas do segundo ano pelas receitas do primeiro ano (150.000,00/100.000,00). O resultado desta razão é igual 1,5. Diante disso, dize- mos que a receita do segundo ano é 1,5 vezes maior que a do primeiro ano. Agora, vamos imaginar que as receitas do terceiro ano sejam de R$ 80.000,00 e, no quarto ano, de R$ 120.000,00. Observe que a razão das receitas do ano quatro é de 120.000,00/80.000,00, que é igual a 1,5. Pois bem, a razão do quarto ano equivale à razão 150.000,00/100.000,00, que pode ser visualizada a seguir: 150.000,00 120.000,00 100.000,00 80.000,00 = Portanto, “essa igualdade de duas razões é chamada de proporção” (IEZZI; HAZZAN; DEGENSZAJN, 2013, p. 2), e pode ser ditada da seguinte forma: 150.000,00 está para 100.000,00, assim como 120.000,00 está para 80.000,00. Isto é, há uma sentença de igualda- de que denominamos de proporção. Potenciação Você deve ter observado que, para calcular os juros compostos, precisará relembrar a potenciação. Pense que a potenciação é um número multiplicado por ele mesmo inúmeras vezes. Por exemplo: an = a*a*a*a….*a. Sendo “a” a base que é o número multiplicado por ele mesmo, e “n” o expoente, em outras palavras, é o número de vezes que o número é multiplicado. Para entendermos melhor, vamos imaginar o nú- mero 33, em que temos: 33 = 3 x 3 x 3 = 9 x 3 = 27 Sendo 3 – Base 3 – Expoente 27 – Resultado do produto Fonte: adaptado de De Castro e Dal Zot (2015) e Iezzi, Hazzan e Degenszajn (2013). MATERIAL COMPLEMENTAR Matemática Financeira: instrumentos financeiros para a tomada de decisão em Administração, Economia e Contabilidade. Aderbal Nicolas Muller e Luis Roberto Antonik Editora: Saraiva Sinopse: este é um livro-texto que se propõe a ser um manual prático, completo e com aplicações a serem utilizadas também no cotidiano das empresas e de seus gestores nos processos de tomadas de decisão. Esta obra conta com as nuances da matemática financeira e comercial. Traz diversos exemplos práticos ilustrados, tanto para uso com calculadoras tipo HP-12c, como para aplicações em Excel. Conta com material de apoio e planilhas de casos práticos aplicados à tomada de decisão em negócios. MATERIAL COMPLEMENTAR Prezado(a) aluno(a), como vimos, os juros dependem do capital, da taxa de juros edo tempo, por isso, convidamos você a assistir este vídeo a fim de reforçar seus conhecimentos sobre o tema. Web: <https://www.youtube.com/ watch?v=YmKSgHY_pGQ>. REFERÊNCIAS ASSAF, N. Matemática Financeira. São Paulo: Edi- tora Atlas, 2012. CORREIA NETO, J. F. Excel para profissionais de fi- nanças: manual prático. 2. ed. Rio de Janeiro, 2011. HAZZAN, S.; POMPEO, J. N. Matemática Financei- ra. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. IEZZI, G.; HAZZAN, S.; DEGENSZAJN, D. M. Funda- mentos de matemática elementar: Matemática Comercial, Matemática Financeira e Estatística Des- critiva. [S.l]: Atual, 2013. MULLER, A. N.; ANTONIK, L. R. Matemática Finan- ceira: instrumentos financeiros para a tomada de decisão em Administração, Economia e Contabili- dade. São Paulo: Saraiva, 2012. PUCCINI, A. L. Matemática financeira e análise de investimentos. Florianópolis: Departamento de Ci- ências da Administração/UFSC; Brasília: CAPES, 2011. GABARITO 1) TAXA DE JUROS TAXA DE JUROS NA FORMA PERCENTUAL TAXA DE JUROS NA FORMA UNITÁRIA 2% ao dia 2% a.d 0,02 a.d 24% ao mês 24% a.m 0,24 a.m 50,3% ao bimestre 50,3% a.b 0,503 a.b 90,05% ao semestre 90,5% a.s 0,905 a.s 315% ao ano 315% a.a 3,15 a.a 0,50% ao dia 0,5% a.d 0,005 a.d 2) A. 3) C. 4) Taxa de juros = 6.000/20.000 = 0,3 ou 30%. 5) O valor presente é o capital empregado e/ou em- prestado, e o valor futuro é a soma do valor presente e/ou o capital mais os juros incorridos no período. GABARITO 6) Ao longo do 1º ano, o juro originado foi de 3.000,00 (0,10) = 300,00 Ao longo do 2º ano, o juro originado foi de 3.000,00 (0,10) = 300,00 Ao longo do 3º ano, o juro originado foi de 3.000,00 (0,10) = 300,00 Ao longo do 4º ano, o juro originado foi de 3.000,00 (0,10) = 300,00 Capitalização simples, valor dos juros R$ 1200,00 Ao longo do 1º ano, o juro originado foi de 3.000,00 (0,10) = 300,00 Ao longo do 2º ano, o juro originado foi de 3.300,00 (0,10) = 330,00 Ao longo do 3º ano, o juro originado foi de 3.630,00 (0,10) = 363,00 Ao longo do 4º ano, o juro originado foi de 3.993,00 (0,10) = 399,30 Capitalização composta, valor dos juros R$ 1.392,30 GABARITO 7) 500 4000 0 1 2 3 4 5 6 7 8 2000 2500 3500 5200 8) 120 : 360 = 0,333% a.d 36 : 30 = 1,2% a.d 72 : 180 = 0,4% a.d 9) 0,1 x 30 = 3% a.m 28 : 2 = 14% a.m 6 : 4 = 1,5% a.m 258 : 12 = 21,5% a.m GABARITO 10) 24 : 360 = 0,0667% a.d 24 : 12 = 2% a.m 24 : 6 = 4% a.b 24 : 4 = 6% a.t 24 : 2 = 12% a.s U N ID A D E II Professoras Me. Marcela Gimenes Bera Oshita Me. Juliana Moraes da Silva SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM ■ Instruir o acadêmico a respeito dos juros simples. ■ Orientar o aluno quanto à equivalência simples. ■ Ensinar o discente acerca do desconto simples. U N ID A D E PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Juros simples ■ Equivalência simples ■ Desconto simples II Professoras Me. Marcela Gimenes Bera Oshita Me. Juliana Moraes da Silva SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 74 INTRODUÇÃO Prezado(a) aluno(a), a cada momento ocorre uma transferência de recursos entre os agentes econômi- cos. Esta utilização do dinheiro no sistema econômico gera mais dinheiro, isto é, lucros. Uma vez que o preço do dinheiro é calculado via taxa de juros, precisamos nos aprofundar nos conceitos inerente às operações financeiras. De fato, nesta unidade, aprofundaremos-nos em con- ceitos sobre juros simples, equivalência simples e desconto simples, que são a base para avançarmos na matemática financeira, de forma a passarmos a compreender as ope- rações mais complexas que envolvem juros compostos. Assim, aprenderemos que os juros simples são calcula- dos com base no capital. Logo, não há incidência de juros sobre juros, isto é, os juros são os mesmo ao longo do período. Este tipo de operação pode ser encontrado no mercado de investimentos em operações de curtíssimo prazo, em que a taxa de juros é calculada diariamente. Para trabalharmos juros simples, utilizaremos as fór- mulas matemáticas algébricas e a calculadora financeira (HP-12C). SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 75 A equivalência simples envolve analisar quando dois ou mais capitais, com diferentes vencimentos, são con- duzidos para uma mesma data, e a mesma taxa ocasiona valores iguais. Você verá que a equivalência de capitais é utilizada por pessoas, empresas, instituições financeiras, entre outros, na busca de compatibilização de entrada e saída ao longo do tempo. Além disso, trabalharemos o desconto simples ou des- conto por fora, que nada mais é do que antecipações de valores a receber ou a pagar. Aprenderemos, de fato, caro(a) estudante, dois tipos de desconto: o comercial e o racional. Pois bem, agora que já conhece o assunto com que trabalharemos nesta unidade, nós o(a) convidamos a se aprofundar nos estudos, pois o conhecimento gerado servirá como base para a operacionalização da matemá- tica financeira ao longo dos seus estudos. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 76 JUROS SIMPLES Caro(a) aluno(a), o juro envolvido em uma operação financeira é chamado juros simples, quando sua geração, em cada um dos perí- odos a que se refere a taxa aplicada durante todo o seu prazo da operação, for feita, exclusiva- mente, com base no capital inicial (principal). Vale ressaltar que, na operação de juros simples, os juros são pagos somente no final da operação (do con- trato), sem parcelamento. Você verá que os juros simples são aplicados direta- mente sobre o capital e compreendem, normalmente, aplicações de curto prazo. Deste modo, os juros simples são de fácil entendimento, pois a matemática financeira exige apenas cálculos utilizando equações lineares. Considere um empréstimo de R$ 20.000,00, à taxa de juros simples de 30% ao ano, a ser paga no final de 4 anos. Para apresentar a evolução da dívida, colocare- mos em forma de quadro para verificar a memória de cálculo, no Quadro 1. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 77 Quadro 1 - Evolução dos juros simples ANO SALDO INICIAL JUROS SIMPLES SALDO FINAL 0 R$ 20.000,00 R$ 20.000,00 1 R$ 20.000,00 20.000 . 0,30 = R$ 6.000 R$ 26.000,00 2 R$ 26.000,00 20.000 . 0,30 = R$ 6.000 R$ 32.000,00 3 R$ 32.000,00 20.000 . 0,30 = R$ 6.000 R$ 38.000,00 4 R$ 38.000,00 20.000 . 0,30 = R$ 6.000 R$ 44.000,00 Fonte: as autoras. Você sabia que, comumente, em juros simples, não há capitalização intermediária durante o período, isto é, o merecedor dos juros adquire o direito somente no final do período. A fim de obtermos a relação para o cálculo de juros simples, consideraremos uma situação modelo. Apliquei um capital C à taxa i pelo prazo n. Quanto gerei de juros simples? SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 78 Resolução: Juros após 1 período: J1 = C i Juros após 2 períodos: J2 = Ci + Ci = 2 (Ci) Juros após 3 períodos: J3 = Ci + Ci + Ci = 3 (C . i) ... Juros após n períodos: Jn = Ci + Ci + Ci + . . .+ Ci = n (Ci) . . J C i n= ou . . J VP i n= Onde J = Juros C = VP = Capital i = Taxa n = Prazo Cabe ressaltar que i e n devem referir-se a um mesmo período de tempo. Vamos considerar o seguinte exemplo: um capital apli- cado por 6 meses a uma taxa simples de 10% a.m. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 79 R$50,00 R$40,00 R$30,00 R$20,00 R$0,00 R$- Período 1 Período 2 Período 3 Período 4 Figura 1 - Comportamento dos juros lineares Fonte: as autoras. A fórmula algébrica matemática não é a única forma de resolução de exercícios. O uso de cal- culadoras auxilia na busca pelas respostas aos exemplos, exercícios e às aplicações. Nas opera- ções de juros simples, calculadoras simples que realizam as quatro operações matemáticas são suficientes. Um tipo de calculadora muito útil, inclusive, nas operações de juros compostos, rendas e anuidades bem como nos sistemas de amortizações, é a Calculadora Financeira, como, a HP-12C.SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 80 TAXAS PROPORCIONAIS E EQUIVALENTES EM JUROS SIMPLES A relação J = C . in foi estabelecida de modo a acei- tar somente a taxa e o prazo referindo-se a mesma unidade de tempo. Caso isso não ocorra, devemos transformar uma destas grandezas (ou mesmo as duas).Para tanto, necessitamos, às vezes, do con- ceito de taxas equivalentes. a. Taxas equivalentes: duas (ou mais) taxas de juros são equivalentes quando, ao serem aplicadas a capi- tais iguais, por prazos também iguais, produzem juro igual. Utilizando a Calculadora HP-12C para apuração dos Juros Simples: [CHS] [PV] (valor do capital) [ i ] (taxa de juros sempre anual) [ n ] (tempo sempre em dia) [ f ] [ int ] Fonte: as autoras. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 81 Nos problemas que envolvem o sistema de capitali- zação simples, a obtenção da taxa equivalente a uma dada taxa pode ser conseguida facilmente, pois duas taxas equivalentes são também taxas proporcionais. b. Taxas proporcionais: duas (ou mais) taxas de juros simples são ditas proporcionais quando seus valo- res e seus respectivos períodos de tempo, reduzidos a uma mesma unidade, formam uma proporção. Assim, por exemplo, as taxas 3% ad e 90% a.m são proporcionais, pois: Taxa período 3% 1 dia 3 = 1 90% 30 dias 90 30 Na prática, a obtenção da taxa proporcional de certa taxa simples pode ser feita facilmente, bastando, para tanto, efetuar uma multiplicação (ou divisão) conveniente. Exemplo 1: um capital de R$ 10.000,00 foi aplicado a juros simples, durante 5 anos, com uma taxa de 2% a.m. Obtenha o valor dos juros. Resolução Algébrica: A taxa de 2% a.m equivale a 24% aa, em juros simples. Como um ano tem doze meses, a taxa anual é doze vezes a taxa mensal. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 82 . .J VP i n= J = 10.000 . 0,24 . 5 J = R$ 12.000,00 Resolução HP-12 C 10000 [CHS] [PV] 24 [ i ] 1800 [ n ] [ f ] [ int ] R$ 12.000,00 Exemplo 2: um capital de R$ 7.000,00 foi aplicado a juros simples, durante um ano e meio, com uma taxa de 8% a.s. Obtenha o valor dos juros. Resolução Algébrica: 8% ao semestre é proporcional a 16% ao ano (como 1 ano tem dois semestres, logo, a taxa anual é duas vezes a taxa simples do semestre). . .J VP i n= J = 7000 . 0,16 . 1,5 J = R$ 1.680,00 Resolução HP-12 C 7000 [CHS] [PV] 16 [ i ] SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 83 540 [ n ] [ f ] [ int ] R$ 1.680,00 Exemplo 3: uma aplicação financeira de R$ 100,00 rendeu juros simples de R$ 12,00, durante o perí- odo de um ano. Obtenha a taxa mensal de juros da aplicação. Resolução Algébrica: . .J VP i n= 12 = 100 . i . 1 i = 12 : 100 = 0,12 ao ano ou 12% ao ano Como um ano tem doze meses, 12% ao ano, dividido por 12 meses corresponde à taxa proporcional de 1% ao mês. Resolução HP-12 C 100 [enter] 12 [ %T ] 1 [ / ] 12% ao ano SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 84 MONTANTE SIMPLES Montante (M) ou Valor Futuro (FV) relativo à aplica- ção de um capital C é definido como sendo o capital C acrescido de seu respectivo juro J. No sistema de capitalização simples, o montante ou valor futuro é apurado da seguinte forma: M C J= + Como J = Cin Então, . . M C C i n= + ( ) 1 . M C C i n= + + ou ( ) 1 . FV PV i n= + Exemplo 1: encontrar o montante obtido na apli- cação de um capital de R$ 10.000,00, à taxa simples de 5% am, durante um período de 8 meses. Resolução Algébrica: ( ) 1 . M C C i n= + + M = 10.000 ( 1 + 0,05 . 8) M = 10.000 (1,40) = R$ 14.000,00 SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 85 Exemplo 2: no dia 08 de fevereiro de 20XX, uma pes- soa tomou emprestado a quantia de R$ 185.500,00, comprometendo-se a liquidar a dívida em 1 mês e 10 dias, pagando o empréstimo por R$ 296.800,00. A que taxa simples diária se deu-se esta operação? Resolução Algébrica: ( ) 1 . M C C i n= + + 296.800 = 185.500 (1 + i . 40) 296.800 / 185.500 = 1 + 40 i 1,60 = 1 + 40 i 1,60 - 1 = 40 i 0,60 = 40 i i = 0,60 / 40 i = 0,015 a.d ou 1,5% a.d Exemplo 3: em quantos meses um capital dobra de valor, se aplicado a juros simples de 2% a.m? Resolução Algébrica: ( ) 1 . M C C i n= + + 2C = C (1 + 0,02 n) 2C / C = 1 + 0,02n 2 = 1 + 0,02 n 2 - 1 = 0,02 n SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 86 1 = 0,02 n n = 1 / 0,02 n = 50 meses Exemplo 4: qual é o capital que aplicado à taxa sim- ples de 2% a.b, durante 1 ano e 7 meses resultou num montante de R$ 1.120,00? Resolução Algébrica: Taxa de 2% a.b é proporcional a 1% a.m. ( ) 1 . M C C i n= + + 1.120 = C (1 + 0,01 19) 1120 = C ( 1 + 0,19) 1120 = 1,19 C C = 1120 / 1,19 R$ 941,18 Neste sentido, podemos verificar que os cálculos financeiros, muitas vezes, são realizados por meio de calculadoras e, por isso, não podemos nos esquecer delas, já que simplificam o processo no que tange a resolução de problemas financeiros. Nesta pers- pectiva, vamos trabalharemos o método algébrico (ALG), utilizado na maioria das calculadoras e o RPN (Notação Polonesa Reversa) para calculado- ras HP. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 87 Agora, utilizando nosso exemplo, vamos refazer os cálculos dos juros: RPN ALG 20.000 [ENTER] 20.000 [X] 0,3 [X] 0,3 [X] 4 [X] 4 [=] ->24.000 ->24.000 Vamos refazer os cálculos do Valor Futuro: RPN ALG 0,3 [ENTER] 0,30 [X] 4 [X] 4 [+] 1 [+] 1 [X] 20.000 [X] 20.000 -> 44.000 -> 44.000 Exercício resolvido 1- Qual valor futuro ou montante e o valor dos juros gera- dos numa aplicação financeira de R$ 16.000,00, durante 12 meses, com taxa de 1,4% ao mês? VP = 16.000,00 n = 12 meses i = 1,4% ao mês VF = ? J = ? SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 88 Valor Futuro ( )1 .VF VP i n= + VF = 16.000 (1 + 0,014.12) VF = 16.000 (1+ 0,168) VF = 16.000 (1,168) VF= 18.688 Valor dos Juros . .J VP i n= J = 16.000 . 0,014 . 12 = 2.688 ou J VF VP= − J = 18.688 - 16.000 = 2.688 Resolução: o valor presente é de R$ 16.000,00, e o valor dos juros é de R$ 2.688,00. Agora, caro(a) estudante, se quisermos determi- nar o valor presente tendo os dados do valor futuro, basta isolar a fórmula atual do montante ou valor futuro (VF). Observe que a “fórmula do montante é suficiente para resolver qualquer problema de juros simples” (BUENO; RANGEL; SANTOS, 2011, p. 6) ( )1 . VFVP i n = + SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 89 Exemplo 5: uma aplicação rendeu, após 4 anos, o montante de R$ 30.000,00 a uma taxa de juros anual de 20%. Qual o valor aplicado? ( ) ( ) 30.000 30.000 16.666,67 1 0,2 . 4 1,8 VP = = = + Verifique que o valor inicial aplicado no investi- mento foi de R$ 16.666,67. Vamos refazer os cálculos na calculadora: RPN ALG 30.000 [ENTER] 30.000 [÷] 0,2 [ENTER] (0,2 [X] 4 [+] 1 ) 4 [X] 1 [+] [÷] = -> 16.666,67 ->16.666,67 Observe que, utilizando a calculadora na forma algé- brica, você terá que calcular, a princípio, o valor dos juros vezes o tempo somado 1. Conforme: ( )4 30.000 1 0,2 ⋅+ . Exercício resolvido 2 Qual valor presente ou capital e o valor dos juros gerados numa aplicação financeira de R$ 18.688,00, durante 12 meses, com taxa de 1,4% ao mês? SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 90 ( )1 VFVP i n = + ⋅ ( ) 18.688 1 0,014 12 VP = + ⋅ ( ) 18.688 1 0,1680 18.688 (1,1680) 16.000 VP VP VP = + = = . . 16.000 0,014 12 2.688 J VP i n J = = ⋅ ⋅ = ou 18.688 16.000 2.688 J VF VP J = − = − = Resolução: o valor presente é de R$ 16.000,00, e o valor dos juros é de R$ 2.688,00. Imagine, agora, que você quer saber qual seria o tempo necessário para um capital ou valor presente de R$ 2.500, aplicado com taxa de 10% ao mês e pro- duz R$ 500 de juros. ? ? 12 meses 1,4% ao mês 18.688 VP J n i VF = = = = = SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 91 J = R$ 500 VP = R$ 2.500 i = 10% a.m n = ? Resolução: Isolando o “n” na fórmula básica [ ] . .J VP i n= Jn VP i = ⋅ 500 2 2500 0,10 n = = ⋅ Assim, o tempo necessário para que o capital pro- duza juros de R$ 500,00 é de dois meses. Observe que a taxa estava em meses caso estivesse ao ano, o resultado seria doisanos, e não dois meses. Por isso, para realizar esta conta, é importante prestar aten- ção no período da taxa de juros: dia, mês, bimestre, trimestre, semestre e ano. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 92 EQUIVALÊNCIA SIMPLES Observe que nos exemplos de juros simples, considerou-se que os períodos dos juros são iguais à capitalização ou ao pagamento dos juros, isto é, a taxa e o tempo estavam no mesmo período, por exemplo: se a taxa de juros é men- sal, o período de capitalização deve ser mensal também. Entretanto, na vida real, nem sempre é assim, é comum você encontrar taxa de juros anuais e períodos de capitalização mensais. Ainda, dívidas vincendas podem ser substituídas por outras, de modo a não favorecer, nem prejudi- car as partes envolvidas, ou seja, busca-se manter o equilíbrio monetário. EQUIVALÊNCIA DE TAXAS No caso de juros simples, realizar a conversão entre as taxas mensais para as anuais e as anuais para as mensais é, relativamente, simples. Por exemplo: ima- gine que você queira saber a taxa anual equivalente à taxa mensal de 1%. Para isso, basta você multiplicar SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 93 por 12 meses. Isso mesmo, se a taxa de juros for sim- ples, é só pegar a taxa e multiplicar ou dividir, sem complexidade. Neste caso, o valor da taxa anual é: 12 0,12 ou 12%0,01⋅ = . Outro exemplo é considerar os juros simples, qual a taxa mensal equivalente a 12% ao trimestre. Para achar, é só dividir 12% por 3 (0,12/3 = 0,04 ou 4%). Assim: ■ 6% a.b (ao bimestre) é equivalente a 3% a.m ■ 9% a.t (ao trimestre) é equivalente a 3% a. m ■ 18% a.s (ao semestre) é equivalente a 3% a. m ■ 36% a.a (ao ano) é equivalente a 3% a. m Podemos dizer, prezado(a) acadêmico(a), que as taxas são equivalentes quando aplicamos o mesmo capital, durante determinado período de tempo, e originam os mesmos juros. Um capital R$ 4.000,00 pode ser aplicado à taxa de juros de 1 % ao mês ou 12% a. a. Com um prazo de dois anos, veremos se as taxas são realmente equivalentes: . . 4.000 0,01 24 960 J VP i n J J = = ⋅ ⋅ = . . 4.000 0,12 2 960 J VP i n J J = = ⋅ ⋅ = SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 94 Assim, em juros simples, as taxas de 1% a.m e 12% a.a são equivalentes. Exercício resolvido 3 Qual a taxa anual de juros simples que um deter- minado investimento rendeu, visto que o capital aplicado foi de R$ 10.000,00, e o valor de resgate foi de R$ 11.050,00, após 12 meses? Resolução: A taxa de juros anual foi de 10,5%. Utilizando a calculadora: RPN ALG 1.050 [ENTER] 1.050 [/] 10.000 [/] 10.000 [X] 1 1 [X] = -> 0,105 ou 10,5% ->0,105 ou 10,5% J VP VF n meses ano i i J VP n i 1 050 10 000 11 050 12 1 1 050 . . . ? . . � � � � � 110 000 1 0 105 10 5 . . , , %� ou SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 95 Você sabia que quando há divergências entre taxas de juros e período de tempo é sempre o tempo que deve ser convertido, e não a taxa? Por exemplo: se a taxa de juros está mensal, e o tempo está em dias, então, preciso transformar o tempo em meses, e não o contrário. Vejamos: qual é o rendimento de uma aplicação financeira de R$ 4.859,00, após 149 dias à taxa de 2,9% ao mês (a.m)? Para resolver este problema, precisamos transformar o tempo de dia (149) para mês. Dados: Observe que precisamos de uma informação antes de prosseguir, isto é, o prazo está em dias, e a taxa está em mês. ? 4.859,00 2,9% (0,029) . 149 4,966666666 meses 30 J VP i a m dn = = = = = SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 96 Preste atenção nos arredondamentos neste caso, por exemplo: n= 4,96666.... Se esse valor for arredondado antes de se calcular a resposta final, pode-se perder a precisão. Conforme podemos observar a seguir: ARREDONDANDO N = 149 DIAS PARA... RESULTADO DE J=VP.I.N 4,9 94 4.5 ,8 0,029 ,9 9 652 0⋅ ⋅ = 4,96 0,29 4,96 660,0814.589 ⋅ ⋅ = 4,966 0,029 4,966 660,8804.589 ⋅ ⋅ = 4,966666666 (mais precisão possível) 0,029 4,9666666 660,9689674.589 ⋅ ⋅ = (sendo essa a resposta mais correta) 1494.589 0,029 30 1494.589 0,029 30 660,968967 J VP i n J J J = ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ = SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 97 Comumente, a exatidão é exigida por meio de duas casas após a vírgula, no entanto, neste caso, qualquer arredonda- mento forneceria respostas inexatas ao problema estudado. Neste sentido, para obter mais precisão, seria importante utilizar todas as casas após a vírgula. Agora, veremos como resolver este exercício na calculadora: RPN ALG 4.589 [ENTER] 4.589 [x] 0,029[x] 0,029 [X] 149 [X] 149 [/] 30 [/] 30 [=] ->660,968967 ->660,968967 Agora, caro(a) aluno(a), imaginaremos que foi realizado um empréstimo no valor de R$ 4.000,00 à taxa de juros simples de 36% a.a (ao ano) comercial, para ser quitado após 30 dias. Observe que a taxa de juros está anual e é preciso convertê-la para diária. Para isso, utiliza-se a regra do banqueiro, isto é, por meio da conversão. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 98 Dados: Foram pagos rendimentos no valor de R$ 120,00. Utilizando a calculadora: RPN ALG 4.000 [ENTER] 4.000 [x] 0,36 [X] 0,36 [X] 30 [X] 30 [ / ] 360 [ / ] 360 [=] ->120 ->120 Vamos calcular, agora, o valor principal, isto é, o capital necessário para aplicar num investimento que remunere a taxa de juros simples de 30% ao ano para conseguir um valor de R$ 700,00 e 50 dias. ? 4.000 36%(0,36) . 3030 d 0,83333333 anos 360 J VP i a a n = = = = = = 4.000 0,36 0,83333333 120J VP i n= ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ = SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 99 Dados: Assim, é necessário realizar uma aplicação de R$16.800,00. Avançando no assunto de equivalência, calcularemos a taxa de juros em que uma aplicação financeira de R$ 5.000 rende juros de R$ 550,00, após 340 dias. Para isso, precisaremos achar a taxa de juros simples anual utilizada. ? 700 30% 5050 d 360 VP J i n = = = = = J VP i n= ⋅ ⋅ / 700 / (0,3 50 / 360) 16.800 VP J i n VP = ⋅ ⋅ = ⋅ = 5.000 550 340340 d 360 ?a VP J n i = = = = = SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 100 Dados: Assim, a taxa anual é de 11,65%. Utilizando a cal- culadora temos: RPN ALG 550 [ENTER] 550 [ / ] 5.000 [ENTER] (5.000 [X] 340 [ / ] 360) 340 [X] 360 [ / ] [ / ] = ->0,1165 ou 11,65% ->0,1165 ou 11,65% Neste instante que você já conhece como calcular a taxa de juros, aprenderemos a trabalhar a equi- valência no cálculo do prazo. Para isso, considere um empréstimo de R$ 6.500, que rende juros de R$ 890,00 à taxa mensal de juros simples de 3,5% a.m. Qual o número de meses que durou o empréstimo? J VP i n= ⋅ ⋅ ( ) ( ) / 550 / 5.000 340 / 360 0,1165 ou 11,65% i J VP n i = ⋅ = ⋅ = SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 101 Dados: Assim, a duração do empréstimo foi de 3,91 meses. Se você quiser saber o número de dias que durou o empréstimo, terá que converter o número de meses em dias. Agora, utilizaremos a calculadora: RPN ALG 890 [ENTER] 890 [ / ] 6.500 [ENTER] (6.500 [X] 0,035 ) 0,035 [X] [ / ] ->3,91 ->3,91 [X] 30 30[X] ->117,36 dias ->117,36 dias Pois bem, calcularemos agora o montante. Imagine um capital no valor de R$ 10.000 emprestado à taxa de juros simples de 48% a.a (ao ano). Qual o montante após 550 dias? 6.500 890 3,5%(0,035) . ? em meses VP J i a m n = = = = J VP i n= ⋅ ⋅ ( ) / 890 / (6500 0,035) 3,91 n J VP i n = ⋅ = ⋅ = SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 102 Dados: O montante foi de R$ 17.333,33. Utilizando a cal- culadora temos: RPN ALG 0,48 [ENTER] 0,48 [X] 550 [X] 550 [/] 360 [/] 360 [+] 1 [+] 1 [ X] 10.000 [X] 10.000 [=] ->17.333,33 ->17.333,33 10.000 48%(0,48) . 550 d 550 / 360 ? VP i a a n VF = = = = = ( ) 1 10.000(1 0,48 550 / 360) 17.333,33 VF VP i n VF VF = + ⋅ = + ⋅ = SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 103 EQUIVALÊNCIA DE CAPITAL A Equivalência Financeira constitui-se no raciocínio básico da matemática financeira. Conceitualmente, dois ou mais capitais representativos em uma certa data se dizem equivalentes quando, a umataxa de juros, produzem resultados iguais numa data comum. Exemplo 1: o valor de R$ 120,00 vencível daqui a 1 ano e R$ 100,00 hoje são equivalentes a uma taxa de juros simples de 20% a.a. Se com um capital de R$ 100,00 à taxa de 20% a.a, obti- vermos R$ 120,00 em um ano, então, dizemos que R$ 100,00, hoje, equivale a R$ 120,00 daqui a 1 ano. Exemplo 2: determine se R$ 438.080,00 vencíveis daqui a 8 meses são equivalentes a se receber, hoje, R$ 296.000,00, admitindo uma taxa de juros simples de 6% a.m. ( ) 1 100(1 0,20 1) 100(1 0,20) 100 1,20 $120,00 logo são equivalentes M C i n M M M M R = + ⋅ = + ⋅ = + = ⋅ = SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 104 Para serem equivalentes, R$296.000,00, hoje, devem corresponder a R$ 438.080,00 daqui a 8 meses, com taxa de 6% a.m. ( ) 1M C i n= + ⋅ A equivalência de capitais pode, então, ser genera- lizada a partir da seguinte representação gráfica: Os capitais A1, A2, B1, B2 e B3, dizem-se equivalen- tes se, quando expressos em valores de uma data comum (data de comparação ou data focal) e a uma mesma taxa de juros, apresentam resultados iguais. Sendo o momento escolhido 6 (data focal), tem-se: ( ) ( ) ( ) ( ) ( )1 2 1 2 3A 1 5i A 1 4i B 1 3i B 1 2i B 1 1 i+ + + = + + + + + 8) 296.000(1 0,48) 296.000 1,48 $438.080,00 logo, são equivalentes 296.000(1 0,06M M M M R ⋅ = + = ⋅ = = + 0 1 A1 B1A2 B2 B3 ? 2 3 4 5 6 11 ............. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 105 A equivalência de capitais em juros simples é depen- dente da data de comparação escolhida (data focal). Exemplo 3: admita que Fulano deve a Beltrano os seguintes pagamentos: ■ R$ 50.000,00, de hoje a 4 meses. ■ R$ 80.000,00, de hoje a 8 meses. Propõe-se substituir pelo pagamento de R$ 10.000,00 hoje, R$ 30.000,00 de hoje a 6 meses, e o restante ao final de um ano (12 meses). Sabendo que a taxa de juros simples é de 24% a.a, apurar o saldo a ser pago. Para serem equivalentes, os pagamentos devem produzir os mesmos resultados à determinada taxa de juros, em qualquer data comum. Admita, inicialmente, que a data focal selecionada é o momento hoje. 80.00050.000 10.000 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 ?30.000 SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 106 Considerando 0 (zero) como data focal, tem-se: Montante 1 = 50.000, gera um Capital 1 Montante 2 = 80.000, gera um Capital 2 Montantes 1 e 2 são equivalentes a: Capital 3 = 10.000. Montante 4 = 30.0000, gera um Capital 4 Montante 5 = ?, gera um Capital 5 Na equivalência financeira em juros simples, é im- portante ressaltar que os prazos não podem ser desmembrados (fracionados) sob pena de alterar os resultados. Capital1 Capital 2 10.000 Capital 4 Capital 5 50.000(1 0,02 4) 80.000(1 0,02 8) 10.000 30.000(1 0,02 6) 50.000 1,08 80.000 1,16 10.000 30.000 1,12 54.000 92.800 10.000 33.600 $103.200,0 M M M M R + = + + + ⋅ + + ⋅ = + + ⋅ + ⋅ + ⋅ = + ⋅ + + = + + = 0 SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 107 Exemplo 4: verifique se o montante no final de dois anos de R$ 100,00 aplicados hoje à uma taxa de juros de 20% a.a, equivale a R$ 140,00. No entanto este processo de capitalização linear não pode ser fra- cionado de forma alguma. Por exemplo, não pode apurar, inicialmente, o montante ao final do pri- meiro ano, e, a partir disso, chegar ao montante do segundo ano envolve a capitalização de juros (juros sobre juros), prática esta não adotada em regime de juros simples. Dois capitais equivalentes, ao fracionar os seus prazos, deixam de produzir mesmo resultado na data focal pelo critério de juros simples. ( ) 1 100(1 0,20 2) $140,00 logo, $100,00 e $140,00 são equivalentes M C i n M M R R R = + ⋅ = + ⋅ = SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 108 DESCONTO SIMPLES Caro(a) estudante, a pala- vra desconto dá a entender que é um abatimento de um valor monetário em determi- nada condição. Por exemplo, quando você compra à vista ou adquire determinada quantidade, é comum você conseguir um desconto por preço ou por quanti- dade. Logo, nestas condições, o desconto costuma ser um percentual aplicado sobre o preço (HAZZAN; POMPEO, 2007). Neste sentido, “o desconto é uma operação financeira que objetiva fazer antecipação de recursos recebíveis, de quaisquer espécies: duplicatas, cheques, notas promissó- rias, vale refeição” (MULLER; ANTONIK, 2012, p. 117). O desconto por preço ocorre quando o valor de uma mercadoria a prazo é R$ 400,00, e o vendedor oferece um desconto de 10% para pagamento à vista. O valor do desconto será de R$ 40,00, e o preço à vista da mercado- ria R$ 360,00. Agora, o desconto por quantidade pode ser realizado por unidade, isto é, caso o comprador leve mais que quatro unidades, ele ganha um desconto de 5% na unidade. Imagine que o preço seja R$ 40,00, com SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 109 um desconto de 5%, que é igual a R$ 2,00, o novo preço passa a ser R$ 38,00. Pode ocorrer outra situação envolvendo o desconto. Por exemplo, uma empresa vende a prazo e emite um boleto para o cliente, ou pega um cheque pré-datado para 30 dias. Caso a empresa precise do dinheiro antes, ela vai até o banco e faz um borderô, isto é, troca a dupli- cata ou o cheque por dinheiro. Assim, o desconto simples é uma modalidade de desconto mais utilizada no mercado, e os cálculos são realizados com conceito de juros simples. Neste sentido, há dois tipos de desconto - o racional, ou por dentro, e o comercial, conhecido como bancário ou por fora (MULLER; ANTONIK, 2012). DESCONTO COMERCIAL OU DESCONTO “POR FORA” O desconto comercial ou desconto por fora é muito utilizado no mercado e no comércio em geral, ele pode ser realizado pela seguinte fórmula: = ⋅ ⋅D N d n ou D VF VP= − SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 110 Onde, D = Desconto N = Valor Nominal (VF) d = Taxa de desconto n = Tempo VP = Valor Presente Agora, considere uma operação de troca de duplicata com valor de R$ 30.000,00, com vencimento para 2 meses e taxa de juros de desconto simples de 8% a.m (ao mês). . .=D N d n 30.000 0,08 2 4.800D = ⋅ ⋅ = Observe que o valor do desconto foi de 4.800. Utilizando a calculadora, temos: RPN ALG 30.000 [ENTER] 30.000 [X] 0,08 [X] 0,08 [X] 2 [X] 2 [X] ->4.800 ->4.800 Agora, precisamos conhecer o valor líquido do título, isto é, o valor descontado (Vd) ou valor atual comer- cial. Para isso, utilizaremos a seguinte fórmula. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 111 Vd N D= − ou VP VF D= − Onde ( ) Vd valor descontado VP= Continuando o exemplo anterior, o valor descontado, 30.000 4.800 25.200,00Vd = − = Exercício resolvido 4 Considere uma duplicata de R$ 10.000,00 descon- tada em um banco 48 dias antes do vencimento, a uma taxa de desconto comercial de 3% a. m. ■ Qual o valor do desconto? . .=D N d n 0,0310.000 48 480,00 30 D = ⋅ ⋅ = SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 112 ■ Qual o valor líquido recebido pela empresa, sabendo que o banco cobrou uma taxa de ser- viço de 1% do valor da duplicata, pago no dia que se realizou o desconto? Taxa de serviço: 0,01(10.000,00) = 100,00 ■ Qual a taxa efetiva de juros da operação no período? Valor recebido pela empresa: 10.000,00 - 480,00 -100,00 = 9.420,00 10.000 1 0,0616 6,16% . 9420 i ou ao período= − = DESCONTO RACIONAL OU DESCONTO “POR DENTRO” Na prática, este tipo de desconto não é muito utilizado. Também é conhecido como desconto verdadeiro, e é calculado de forma semelhante aos juros simples. Valor descontado: ( ) 1 VF i nD i n ⋅ ⋅ = + ⋅ SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 113 Considere uma operação cujo título tem valor nomi- nal de R$ 30.000 com vencimento para 2 meses e taxa de juros de desconto simples por dentro de 8% a.m (ao mês). Qual o valor descontado? ( ) 30.000 0,08 2 4.137,93 1 0,08 2 D ⋅ ⋅= = + ⋅ O valor descontado foi de R$ 3.000. Agora, calcu- laremos o valor presente que o indivíduo receberá: VP VF D= − 30.000 4.137,93 25.862,07VP = − = Assim, o valor presente do títuloé de R$ 25.862,07. Desta forma, caro(a) estudante, vamos imaginar um título que vence daqui a 60 dias. O banco opera com desconto racional simples e cobra taxa de juros de 8% ao mês. Sabendo que o valor descontado é de R$ 4.137,93, qual o valor nominal e o valor presente deste título? ( ) 1 VF i nD i n ⋅ ⋅ = + ⋅ ( ) ( ) 0,08 2 0,164.137,93 1 0,08 2 1,16 VF VF⋅ ⋅ ⋅ = = + ⋅ SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 114 0,16 4.137,93 1 ,16VF = ⋅ 0,16 4.799,99VF = ( ) 4.799,99 0,16 VF = 29.999,99 30.000,00VF ou aproximadamente= Observe que o valor nominal ou futuro do título foi de 30.000. Assim, o valor descontado do título é: 30.000 4.137,93 25.862,07VP = − = Prezado(a) estudante, nesta unidade, pudemos conhecer a base da matemática financeira, por meio dos juros simples, equivalência simples e desconto simples. Assim, este ensinamento permitirá a você avançar na disciplina, conhecendo a dinâmica dos juros compostos, descontos compostos e equivalên- cia composta. Desta forma, desejamos bons estudos! SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 115 CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), aprendemos, nesta unidade, que a movimentação financeira de curto prazo entre os tomadores e poupadores pode gerar a taxa de juros simples, que é a base da matemática financeira, isto é, a partir dela trabalharemos, mais à frente, o conceito de juros compostos. Nesta perspectiva, as transfe- rências de recursos entre os agentes, possibilita a geração de recursos, que denominamos lucros. Passamos a perceber que as operações financeiras estão mais próximas do nosso cotidiano do que imaginávamos. Para compreendermos, de forma mais profunda, vimos como realizar os cálculos, por meio da fórmula matemá- tica e HP-12C. Observe que, dependendo do lugar em que estiver, seja no escritório, em casa, seja na rua, você terá meios para calcular a taxa de juros. Por isso, é acon- selhável ter uma calculadora sempre próxima de você. Vimos que o capital é a base para o cálculo dos juros simples no tempo. Ao aplicarmos os conceitos em exem- plos práticos, pudemos perceber que não há incidência de juros sobre juros, ou seja, os juros não mudam ao longo do período. Nesta perspectiva, você, provavel- mente, encontrará a taxa de juros simples no mercado em investimentos e operações de curtíssimo prazo. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES 116 Passamos a compreender o que é equivalência simples, utilizada por empresas, instituições financeiras e por pes- soas que buscam a compatibilização de entrada e saída ao longo do tempo. Por fim, trabalhamos o desconto por fora, ou desconto simples, isto é, as antecipações de valo- res a receber ou a pagar. Diante disso, esta unidade permitiu a você, aluno(a), ter um panorama geral de como calcular a taxa de juros e analisar a equivalência de forma linear. Por sua vez, o conhecimento gerado até o momento servirá como base para o seu avanço na matemática financeira, por isso, incentivo você a não parar por aqui, pois a prática e o aprofundamento permitirão a você avançar nesta área. 1. Considere um empréstimo de R$ 20.000,00 à taxa de juros simples de 20% ao ano, a ser paga no final de 4 anos. Calcule o valor dos juros e assinale a alternativa correta: a. 12.000,00. b. 16.000,00. c. 18.000,00. d. 20.000,00. e. 22.000,00. 2. Imagine um empréstimo de R$ 30.000,00 à taxa de juros simples de 20% ao ano, a ser paga no final de 5 anos. Calcule o valor do montante ou valor futuro (VF), juros, e assinale a alternativa correta: a. 60.000,00. b. 55.000,00. c. 50.000,00. d. 45.000,00. e. 40.000,00. 3. Considere uma operação de troca de duplica- ta com valor de R$ 40.000,00, com vencimento para 2 meses (60 dias) e uma taxa de juros de desconto de 5% a.m. Calcule o valor do descon- to e, em seguida, o valor descontado, e assinale a alternativa correta: a. D = 1.000 e Vd = 39.000. b. D = 2.000 e Vd = 38.000. c. D = 2.500 e Vd = 37.500. d. D = 3.000 e Vd = 37.000. e. D = 4.000 e Vd = 36.000. 4. Uma aplicação rendeu, após 5 anos, o montan- te de R$ 50.000,00, taxa de juros anual de 15%. Realize os cálculos (desconto por fora) para en- contrar o valor da aplicação inicial, isto é, o va- lor presente da operação, e assinale a alternati- va que corresponde ao valor aplicado: a. 25.781,35. b. 26.881,53. c. 27.425,47. d. 28.571,43. e. 29.341,72. 5. Calcule o valor necessário para aplicar num in- vestimento que remunere a taxa de juros sim- ples de 30% ao ano, para conseguir um valor de R$ 800,00, em 55 dias. 6. Verifique se o valor de R$ 5.600,00, vencível da- qui a 60 meses, e R$ 3.250,00 hoje são equiva- lentes à taxa de juros simples de 14,4% a.a. Taxas de inflação Vimos que o fenômeno que causa o aumento gene- ralizado de preços dos produtos e serviços denomi- na-se inflação. Isto é, a perda do poder de compra da moeda, que leva à perda do poder aquisitivo dos salários, aluguéis (elevando a desigualdade social) e, também, à desorganização do mercado de capitais. Isto ocorre porque as pessoas trocam ativos mone- tários, por ativos reais, o que ocasiona aumento na procura por aquisição de casas, terrenos, entre ou- tros, a fim de se defenderem da inflação. Por outro lado, temos a deflação, fenômeno que cau- sa queda persistente dos preços dos bens e serviços. A deflação ocasiona problemas, como a queda do in- vestimento e da produção, aumenta o desemprego, o que pode levar o país à depressão econômica.Ob- serve que tanto a inflação quanto a deflação tra- zem prejuízos às famílias e às empresas, mas, in- felizmente, precisamos lidar com elas. No Brasil, o fenômeno da inflação é mais comum e já trouxe grandes problemas ao longo da história do país. Pois bem, como não temos como evitar a infla- ção, temos que aprender a lidar com ela. Para isso, precisamos ter expertise e utilizar o conhecimen- to sobre a matemática financeira para tomada de decisões. Isto é, se não soubermos calcular corre- tamente este fenômeno no período, pode levar a empresa à redução do seu poder de compra. Logo, a organização poderá reduzir de tamanho. A inflação, comumente, é medida por meio da composição de uma cesta de produtos determi- nada, representando a cesta de bens de uma fa- mília, por exemplo. A variação mensal do preço desta cesta é que compõe a taxa de inflação do período. Por exemplo, ao admitirmos que a cesta foi constituída por dois produtos (A e B), com os preços, em janeiro, de R$ 120,00 e R$ 60,00, res- pectivamente. Assim, o valor da cesta deste mês será de 120,00 60,00 180,00V = + = . Agora, imagine que os preços dos bens passaram, em fevereiro, a custar R$ 130,00 e R$ 65,00, e a cesta teria o valor 130,00 65,00 195,00V = + = . Assim, a taxa de inflação de fevereiro foi de: 195,00 1 0,0833 8,33% 180,00 i ou= − = Você, enquanto gestor(a) de uma organização, deve estar atento(a) às variações da taxa da infla- ção, porque ela impacta no preços dos insumos, dos salários, aluguéis e lucros. Por isso, saber como calcular a inflação do período a fim de repassá-las para os preços é importante para manter o poder de compra da organização. No caso de taxas men- sais de inflação, de meses sucessivos, a taxa acu- mulada de inflação é dada por: ( )( )( ) ( )1 2 31 1 1 ... 1 1 nj j j j j= + + + + − Exemplo: em outubro, novembro e dezembro, as taxas de inflação foram 1%, 1,5% e 2%, respectiva- mente. Para calcular a taxa do trimestre, temos: ( )( )( )1 0,01 1 0,015 1 0,02 1 0,0457 4,57%j = + + + − = = Assim, a taxa acumulada do trimestre foi de 4,57%. Fonte: adaptado de Iezzi, Hazzan e Degenszajn (2013). MATERIAL COMPLEMENTAR Matemática Financeira: fundamentos e aplicações Wuli Dal Zot e Manuela Longoni de Castro Editora: Bookman Sinopse: este livro ensina os fundamentos da matemática para que se compreenda o seu impacto no nosso dia a dia. Com ele, o(a) leitor(a) vai entender como a matemática explica os juros do seu investimento, o custodo seu imóvel, a tomada de decisões financeiras, o planejamento das empresas os seguros e as transações de valores mobiliários. Para isso, apresenta conceitos seguidos de exemplos, problemas acompanhados de solução e o passo a passo com o uso de calculadoras. Os exemplos foram retirados do mundo dos negócios e enriquecidos pela experiência dos autores no ensino da disciplina. Prezado(a) aluno(a), nesta unidade, estudamos as Relações de Equivalência da Matemática Financeira, agora, convidamos você a assistir este vídeo a fim de reforçar os seus conhecimentos sobre o tema. Web: <https://www.youtube.com/ REFERÊNCIASREFERÊNCIAS BUENO, R. L. S.; RANGEL, A. S.; SANTOS, J. C. S. Matemática financeira moderna. São Paulo: Cengage Learning, 2011. HAZZAN, S.; POMPEO, J. N. Matemática Finan- ceira. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. MULLER, A. N.; ANTONIK, L. R. Matemática Fi- nanceira: instrumentos financeiros para a to- mada de decisão em Administração, Economia e Contabilidade. São Paulo: Saraiva, 2012. REFERÊNCIAS GABARITOGABARITOGABARITO 1) B. 2) A. 3) E. 4) D. 5) ? 800 30% 5555 d 360 VP J i n = = = = = VP = ? Assim, neste caso, é necessário realizar uma aplicação de R$17.454. 6) 60) 3250(1,72) $5.590,003250(1 0,012M R= + ⋅ = = Logo, R$ 3.250,00 e R$ 5.600,00 não são equivalentes. 800 17.454,55550,3 360 J VP i n JVP i n VP = ⋅ ⋅ = ⋅ = = ⋅ UNIDADE III U N ID A D EIII Professoras Me. Marcela Gimenes Bera Oshita Me. Juliana Moraes da Silva SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM ■ Instruir o acadêmico sobre juros compostos ■ Orientar o aluno quanto a equivalência composta ■ Diferenciar taxa nominal de taxa efetiva ■ Ensinar o discente a respeito do desconto composto U N ID A D E PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Juros compostos. ■ Equivalência composta. ■ Taxas nominal e efetiva. ■ Desconto composto. III Professoras Me. Marcela Gimenes Bera Oshita Me. Juliana Moraes da Silva SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 129 INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), acredito que você, ao realizar um investimento, provavelmente, gostará de ver seu dinheiro crescer de forma exponencial. Por outro lado, ao realizar um financiamento, você deseja pagar a menor remuneração possível pelo uso do dinheiro. Pois bem, nesta unidade, vamos nos aprofundar nos conceitos inerentes às operações financeiras que envolvem juros. Estudaremos de forma prática, os conceitos sobre juros compostos, equivalência composta e desconto com- posto, que são uma evolução na matemática financeira. Passaremos a compreender operações mais complexas que envolvem juros compostos. Assim, aprenderemos que os juros compostos são calculados com base no capital somados aos juros do período anterior. Logo, há incidên- cia de juros sobre juros, isto é, o juro não é o mesmo ao longo do período. Este tipo de operação pode ser, diver- samente, encontrado no mercado em investimentos e nos financiamentos. Para trabalharmos juros compos- tos, utilizaremos as fórmulas matemáticas algébricas e a calculadora financeira (HP-12C). A equivalência composta, seguindo a mesma lógica dos juros simples, envolve analisar quando dois ou mais SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 130 capitais, com diferentes vencimentos, são conduzidos para uma mesma data, a mesma taxa de juros, e nas mesmas condições, leva a valores iguais. Entretanto a equivalência composta é diferente da simples, pois, para encontrá-la, você não poderá simplesmente dividir a taxa anual pelo número de meses. Além disso, trabalhare- mos, o desconto composto ou desconto por dentro, que, na prática, nada mais é do que antecipações de valores a receber ou a pagar. Aprenderemos, de fato, o desconto racional. Pois bem, agora que já conhece o assunto com que vamos trabalhar nesta unidade, nós o(a) convidamos a se aprofundar nos estudos visto que este conhecimento poderá ser muito utilizado tanto em suas operações coti- dianas, como em tomadas de decisões empresariais. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 131 JUROS COMPOSTOS Durante o nosso estudo, você perceberá que o dinheiro investido a juros compostos cresce de forma exponencial, isto porque a base de cálculo dos pró- ximos períodos é baseada no principal somados aos juros do período atual. Enquanto o cálculo dos juros simples é sempre baseado no principal original, os compostos crescem mais rápido do que quando apli- cado em juros simples a mesma taxa de juros (DE CASTRO; DAL ZOT, 2015). Desta forma, se tivermos um principal de R$ 200,00 a uma taxa de juros de 10% ao ano, em juros simples tanto SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 132 os juros do primeiro ano quanto os do segundo serão R$ 20,00 cada um P i� � �� �200 0 10, . “Nos juros compostos, haverá uma diferença entre os juros calculados no primeiro e no segundo ano” (DE CASTRO; DAL ZOT, 2015, p. 23). Observe que, no primeiro ano, os juros serão R$ 20,00 P i� � � �� �200 0 10 20 00, , , igualmente aos juros simples, entretanto no segundo ano o cálculo do juros será R$ 22,00 P i� � � �� �220 0 10 22 00, , . Vejamos que a diferença entre sistemas de juros simples e compostos, deve-se, no segundo ano, ao fato de que a base de cálculo dos juros compostos não é apenas o principal original, mas sim aquele principal acrescido dos juros calculados nos perí- odos passados, neste caso, os R$20,00do primeiro ano. Considere um empréstimo de R$10.000,00, a ser reali- zado com uma taxa de 30% ao ano, durante 10anos. Ao fazer um comparativo, na Figura 1, entre os juros simples e compostos podemos visualizar facilmente a diferença da evolução do montante que ambos produzem ao longo dos 10 anos. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 133 S Juros compostos 137.858,49 40.000,00 10.000,00 Juros simples e n (anos)0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Figura 1 - Cotejamento de juros simples e compostos Fonte: De Castro e Dal Zot (2015, p. 25). Assim, “os juros simples também são denominados juros lineares, enquanto os juros compostos são tam- bém chamados de juros exponenciais” (DE CASTRO; DAL ZOT, 2015, p. 25). Desta forma, nos juros com- postos, os montantes aumentam, conforme uma progressão geométrica. Assim, considere a fórmula do montante: VF VP i n= + )1 SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 134 Agora, considere uma aplicação financeira de R$15.000,00 que será resgatada após 26 meses, à taxa de juros de 3 5, % a.m . VF VP R n i VF VP i VF n = = = = = +( ) = + ? $ . , , % . , 15 000 00 26 3 5 1 15 000 1 0 meses 0035 36 689 3826( ) = R$ . , Utilizando a calculadora: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 1 035. ENTER� � 1 035. yx�� �� f fin� �� � 26 yx�� � � 26 x� � 3 5, i� � 15000 x� � 15000 = 26 n� � � � 36 689 38. , � � 36 689 38. , 15000 PV FV� �� � � � �36 689 38. , Observe que o valor encontrado pela calculadora financeira é negativo. Isso ocorre por causa da inter- pretação de que todo empréstimo funciona como um fluxo de caixa: “se o principal é positivo (entrada) SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 135 significa que quem faz o cálculo é o tomador do empréstimo e, logo, deverá restituir o valor de resgate representando uma saída (negativo)” (DE CASTRO; DAL ZOT, 2015, p. 26). Juros compostos com a calculadora financeira Para fazer o cálculo na HP-12-C de uma das vari- áveis, você deve informar as variáveis conhecidas, digitando o valor na memória de cálculo e, em se- guida, clicar na tecla que corresponde à incógnita cujo valor pretende descobrir, e a calculadora fará o cálculo para você. Vamos conhecer um pouco so- bre as funções da calculadora: n = corresponde ao número de períodos de tempo i = corresponde à taxa de juros (informar a taxa percentual) PV = corresponde ao valor presente PMT = corresponde ao valor da prestação FV = corresponde ao montante ou valor futuro SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 136 Cálculo do valor presente Paratransformar o valor futuro em valor presente, em juros compostos, basta colocar n (tempo) em exponencial. VP VF i n)1 Exemplo: para que um investimento atinja o valor de R$75.000,00 após 1 080. dias, com taxa de juros compos- tos de 45% ao ano, qual deve ser o valor inicial? VP VF R n dias i a a = = = = ? $ . , . % . 75 000 00 1 080 45 Cabe ressaltar que, se digitarmos na calculadora um valor positivo para PV e quisermos que ela calcule o PMT , a resposta apresentada será nega- tiva. Portanto, o leitor deve observar que, quando for calcular a taxa ou o prazo, os sinais das variá- veis que representam valores (PV, PMT ou FV) de- vem ser contrários. Para isso, utilize a tecla CHS . Fonte: adaptado de De Castro e Dal Zot (2015). SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 137 Observe que, neste exemplo, o prazo está diferente da unidade de tempo da taxa. Por isso, devemos con- verter o tempo pela regra do banqueiro. n anos= =1 080 360 3. Pois bem, agora resolveremos o exemplo: VP VF R n anos i a a = = = = ? $ . , % . 75 000 00 3 45 VP � �� � � 75 000 1 0 45 24 601 253 . , . , Assim, o capital inicial a ser investido deve ser R$24.601,25. Utilizando a calculadora, temos: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 75000 [ENTER] 75000 �� � f fin� �� � 1 45. ENTER� � 1 45 3. yx�� ��� � � 45 i� � 3 yx�� � � � � 24 601 25. , 3 n� � �� � 75000 FV PV� �� � � � 24 601 25. , � � �24 601 25. , SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 138 Cálculo da taxa de juros Podemos também realizar o cálculo da taxa de juros. Para isso, precisamos isolar i na fórmula do montante: Pois bem, agora que conseguimos obter a fórmula da taxa de juros, podemos prosseguir com nosso exem- plo: considere uma dívida de R$10.000,00, que foi resgatada por R$16.000,00, após 11 meses. Vamos, então, calcular a taxa de juros mensal da operação. i VP R VF R n meses = = = = ? $ . , $ . , 10 000 00 16 000 00 11 i = ? . . , , i VF VP i ou n1 1 11 1 16 000 10 000 1 0 0436 4 3 66% VF VP i VF VP i VF VP i i i VF VP n n n n n )1 1 1 1 1 1 1 1 n SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 139 Neste exemplo, a taxa de juros mensal foi de 4 36, % ao mês. RPN ALG FÓRMULA HP-12C 16000 [ENTER] 16000 �� � f fin� �� � 10000 �� � 10000 yx�� �� 16000 FV� � 11 1 X� � 11 1 X� � 11 n� � yx�� � � - 10000 CHS PV� �� � 1 �� � � � 0 0436, i� � � � 0 0436, � � 4 36, É importante destacar que na HP-12C as teclas PV� � e FV� � devem ter sinais opostos, CHS� � troca o sinal fazendo a função da tecla � �� � de algumas calculadoras. Cálculo do prazo Agora, calcularemos o prazo necessário para que uma aplicação acumule um determinado valor. Para isso, precisamos da fórmula do prazo, em que é necessário isolar o n na fórmula do montante. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 140 VF VP i VF VP i In VF VP i In VF VP n n n n )1 1 1 1 i n In VF VP In i( )1 Por exemplo: quantos meses são necessários para que uma aplicação de R$25.000,00 acumule-se em um saldo de R$50.000,00 à taxa de juros compostos de 3 5, % . . a m? n VP R VF R i a m = = = = ? $ . , $ . , , % . 25 000 00 50 000 00 3 5 N=? n n In In In � � � � � � � �� � � � � � � � � �� � � ln VF VP ln i1 50 000 25 000 1 0 035 2 . . , �� � �� � � � � � � � In In In1 0 035 0 693147 0 034401 20 14 , , , , SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 141 O prazo necessário é de 20 14, meses. RPN ALG FÓRMULA HP-12C 50000 ENTER� � 50000 �� � f fin� �� � 25000 �� � 25000 �� � 50000 FV� � LN LN � � � �1 035. LN� � �� � 3 5. I� � �� � 1 035. LN� � 25000 CHS PV� �� � � � 20 14, � � 20 14, n� � � � 21 meses *Observe que, neste caso, a HP-12C arredonda o resultado. Temos também os períodos não inteiros. Por exemplo: considere um investimento de R$20.000,00 a uma taxa de juros de 90% . a a . Qual o valor do resgate após 800 dias? O valor de resgate é de R$ 83.268,81. O valor de resgate é de R$ 83.268,81. VF VP i a a n d a a VF VP i n � � � � � � � � � �� � ? . , % , . . 20 000 00 90 0 9 800 800 360 1 VVF � �� � �20 000 1 0 9 83 268 81800 360. , . , SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 142 Utilizando a calculadora: RPN ALG FÓRMULA HP-12C* 1 9, ENTER� � 1 9, yx�� �� f fin� �� � 800 ENTER� � 800 360�� �� � 90 I� � 360 �� � X� � 800 360ENTER n� � �� �� � yx�� � � 20000 �� � 20000 PV� � 20000 X� � � � 83 268 81. , FV� � � � 83 268 81. , � � � �83 268 82. , Ao utilizar a Fórmula HP-12C para períodos não inteiros, coloque a calculadora em modo C , por meio das teclas STO� �e, após, EEX� � . Depois de realizar a conta, pode clicar nas mesmas teclas para tirar o modo C . Exemplo 1: CDB ou RDB Mário procurou o Banco Marcondes S/A, pois queria realizar um investimento. O gerente deu duas opções: investir em CDB R$5.000,00. durante 2 anos, a juros compostos de 2% a.m., ou investir RDB R$5.000,00 SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 143 durante 1 ano a juros compostos de 3%ao mês. O que é mais vantajoso? VF VP i VF VF n1 5 000 1 0 02 8 042 18 5 000 1 0 03 24 1 . $ . , . , 22 7 128 80$ . , R R Observe que, ao comparar os investimentos, o melhor é em CDB. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 144 EQUIVALÊNCIA COMPOSTA Na unidade anterior, estudamos a equivalência de taxas e de capitais no sistema de capitalização simples. Nesta unidade, abordaremos os mesmos conceitos, os mesmos problemas de finanças, mas sob outro enfoque, agora, utilizando o sistema de capitalização composta. Vale ressaltar que, devido à equivalência de taxas e capitais, a escolha da data focal no sistema composto é irrelevante (PARENTE, 1996). SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 145 EQUIVALÊNCIA DE TAXAS Agora, seguiremos a mesma lógica utilizada com juros simples, mas aplicado aos juros compostos. Assim, a equivalência de taxa de juros composta é diferente da capitalização simples visto que na sim- ples a taxa de juros é proporcional, enquanto na composta o juro é exponencial. ie 1 1ic nt nc em que ieq = taxa equivalente ic = taxa conhecida nt = prazo da taxa procurada nc = prazo da taxa conhecida Nesta perspectiva, taxa equivalente dá-se pela com- paração de duas taxas que, aplicando sobre um mesmo montante e num mesmo período, produz o mesmo juro. Por exemplo: qual é a rentabilidade mensal de uma aplicação financeira com taxa de juros compostos de 15% a.a? SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 146 RPN ALG FÓRMULA HP-12C 1 ENTER� � 1 15, yx�� �� f fin� �� � 0 15. �� � 30 360�� �� � 15 l� � 30 ENTER� � �� �1 100 CHS PV� �� � 360 �� � x� � 30 n FV� �� � Y X�� � � 100 360 n i� �� � 1 �� � 1,1714% a.m. 1,1714% a.m. 100 X� � 1,1714% a.m. Agora, considere o exemplo de aplicação financeira em que temos taxa de 5% a.m. e queremos taxa equi- valente a 45 dias. Vejamos: ieq ieq ieq � �� ��� � � � � �� ��� � � � � �� � 1 1 1 0 15 1 1 0 15 30 360 1 1 ic nt nc , , / 22 1 1 0117 1 1 1714 � � � � � � � �ieq , , % .a m SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 147 i oeq � �� ��� � � � � � ��� � � � � � �1 0 05 1 1 05 1 1 07593 1 0 0759245 30 1 5, , , ,, uu 7 592, % isto é, a taxa no período foi de 7 592, % . Utilizando a calculadora: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 1 ENTER� � 1 05, yx�� �� clear fin � � 0 05. �� � 45 30�� �� � 5 I� � 45 ENTER� � �� �1 100 CHS PV� �� � 30 �� � x� � 45 n FV� �� � Y x�� � � 100 30 n i� �� � 1 �� � 7,592% a.p 7,592% a.p 100 X� � 7,592% a.p SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 148 Considere mais um exemplo: uma instituição pegou emprestado R$ . ,200 00 00 à taxa de juros de 15% a.a, pelo prazo de 90 dias ou 1 trimestre. Verificaremos qual foi a taxa trimestral equivalente do empréstimo e o montante pago. ieq � �� ��� � � � � � ��� � � � � � �1 0 15 1 1 15 1 1 035558 1 0 03555890 360 1 4, , , , ou a t3 5558, % . Assim, a taxa trimestral que equivale à taxa anual de 15% . a a é de 3 5558, % . a t . Agora se você quiser calcular o montante para o final do período, basta utilizar a fórmula do valor futuro VF() . Considere uma aplicação financeira com uma ren- tabilidade mensal com taxa de juros compostos de 18%a.a. ieq � �� ��� � � � � � ��� � � � � � �1 0 18 1 1 18 1 1 0138 1 0 0138830 360 1 12, , , , ouu 1 388, % . .a m Vejamos, agora, um título que rende 5% num pra- zo de 45 dias. Qual a taxa anual? ieq � �� ��� � � � � � ��� � � � � �1 0 05 1 1 05 1 0 4774 47 74360 45 8, , , , % VF VF � �� � � 200 000 00 1 0 15 207 111 61 90 360 . , , . , SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 149 Podemos, também, encontrar a taxa de juros apurada durante um prazo n , formada de forma exponen- cial, por meio dos períodos de capitalização. Essa taxa tem como finalidade medir o juro efetivo ief� � produzido por um capital. i ief q� �� ��� � � �1 1 Por exemplo, uma taxa efetiva de 3% .a m produz juro de 42 57, % no prazo de um ano. i a aef � �� � � � �1 0 03 1 0 4257 42 57 12 , , , % . Assim, é indiferente ter uma taxa de 3% . .a m ou uma taxa de 42 57, % . . a a durante um ano. Entretanto você pode estar pensando em investir seu dinheiro em uma aplicação financeira e o gerente do banco sugere uma taxa de juros anual de 42 57, % . . a a com capitali- zação composta mensal. Cabe ressaltar que a taxa nominal é a taxa de juros contratada em uma opera- ção financeira, ela é expressa num período de tempo e não coincide com o período em que ela é referida. i a mnom = = 42 57 12 3 5475, % , % . taxa nominal mensal. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 150 Agora, calcularemos a taxa efetiva: i ou a aef = +( ) − =1 0 03547 1 0 5194 51 94 12, , , % . Assim, a taxa nominal produziu uma taxa efetiva de 51 94, % . . a a Entretanto, é necessário tomar cuidado ao tratar de taxa nominal visto que esta é conver- tida por meio de taxas proporcionais. Isto é, após ser convertida em taxa efetiva do período de capitali- zação, é capitalizada por meio de juros compostos. Comumente, a taxa nominal em período anual é convertida em taxa efetiva em períodos menores, como mês, trimestre ou semestre. Desta forma, a taxa efetiva de 3% . a m é resultado da divisão da taxa nominal de 36% . a a por 12, isto é, número de meses do ano. Assim, taxa efetiva de 3% capi- talizada de forma composta, mensalmente, corresponde a 42 57, % . . a a SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 151 Qual é a taxa efetiva anual de uma taxa nominal de 6% . . a a com capitalização mensal? A taxa nominal de 6% . . a a é convertida com juros sim- ples para a taxa efetiva de 0 5, % . . a m visto que o ano tem 12 meses, e a taxa efetiva mensal de 0 5, % é capi- talizada a juros compostos 12 vezes, transformando- -se em taxa efetiva de 6 167, % . . a a como segue: Conversão da taxa nominal de 6% . . a a em taxa men- sal efetiva: 6 12 0 5% , %= que é a taxa efetiva mensal. Capitalização de 12 vezes da taxa mensal efetiva: 1 0 005 0 06167 100 6 16712�� � � � �, , , % taxa de juros efetiva anual. Veja que a taxa nominal de 6% . . a a transforma-se em taxa efetiva de 6 167, % . . a a em consequência da capitalização composta da taxa efetiva de 0 5, % . . a m Agora realizaremos, a conversão da taxa nominal inom� � em taxa efetiva por meio de fórmula. Todavia a fórmula apresentada é válida somente para situa- ções em que o período de capitalização é “menor” do que o período da taxa nominal. i ouef � � � � � � � � � �1 0 06 12 1 0 6167 6 16 12 , , , % Fonte: as autoras. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 152 EQUIVALÊNCIA DE CAPITAL O conceito de equivalência de capital no sistema de capitalização composta possibilita alterar as datas e as formas de pagamentos (ou recebimentos) em outras equivalentes, mantendo o equilíbrio financeiro entre as partes e, consequentemente, cotejar as alternati- vas. Na aplicação de equivalência, devedor não pagar valores além dos devidos, e credores não recebem valores diferentes das condições contratadas. Considere os valores de dois capitais, x e y , separados um do outro por um período n de tempo, por exemplo, o primeiro capital x na data 0 (zero), e o segundo, y , na data n . Diz-se que x e y são equivalentes se, ao apli- carmos uma taxa de juros composto i sobre x da data 0 (zero) até a data n , e o montante obtido for igual a y. Dizemos, também, que x é o valor atual de y . Exemplo 1: Considere uma nota promissória de R$ . ,1 500 00, com vencimento daqui a 3 meses. Se apli- carmos taxa de juros compostos de 2% . .a m , determine o valor equivalente da promissória hoje: SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 153 VF VP i VP VP VP R n1 1 500 1 0 02 1 500 1 061208 1 413 3. , . , $ . ,, 48 Exemplo 2: Uma indústria de detergentes prevê o pagamento de uma duplicata de R$ . ,200 000 00 daqui a um mês e outra de R$ . ,500 000 00 daqui a três meses. Quanto a indústria deverá aplicar, hoje, à taxa com- posta de 1 5, % . .a m para fazer frente a essas duplicatas em seus respectivos vencimentos? 0 1 200.000 500.000 2 3 Valor Futuro 1 de R$ . ,200 000 00 , gera um Valor Presente 1. Valor Futuro 2 de R$ . ,500 000 00 , gera um Valor Presente 2. A soma dos dois Valores Presentes corresponde ao valor que deve ser aplicado hoje (momento zero). SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 154 VF VP i VP VP VP R n1 200 000 1 0 015 200 000 1 015 197 1. , . , $ .. ,044 34 VF VP i VP VP VP R n1 500 000 1 0 015 500 000 1 0456784 3. , . , $$ . ,478 158 50 Aplicação de R$ . ,675 202 84 (soma de VP ). SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 155 TAXAS NOMINAL E EFETIVA Em alguns tipos de operação financeira, costuma- -se expressar a taxa de juro no mesmo período de pagamento. Exemplo, taxa mensal com capitaliza- ção mensal, taxa anual com capitalização anual. No entanto há muitas operações as taxas são expressas em percentual anual, mas os períodos de capitali- zação são diferentes das taxas, exemplo, taxa anual com capitalização mensal, bimestral, semestral. Desse fato, decorrem situações em que a taxa de juro é expressa em um período de capitalização não coincidente com o período de tempo ao qual se refere. Nesses casos, faz- -se necessária a distinção entre taxa efetiva e taxa nominal. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 156 Taxa efetiva A taxa efetiva é aquela que, como o próprio nome já diz, efetivamente, verifica uma operação. É a taxa cobrada. Exemplos: ■ 5% .a m , capitalizado mensalmente - período da taxa é mensal, período em que os encargos são juntados ao capital também é mensal. ■ 7% . .a b , capitalizado bimestralmente - período da taxa é bimestral, período em que os encar- gos são juntados ao capital também é bimestral. Na taxa efetiva, o período da taxa é igual ao perí- odo de capitalização. Taxa nominal A taxa nominal é uma taxa aparente (escrita, contra- tada) que só pode ser definida quando a periodicidade da taxa a que se refere é diferente da periodicidade da capitalização. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 157 Exemplos: ■ 10% .a a , capitalizado bimestralmente - período da taxa é anual, período que os encargos são juntados ao capital é bimestral. ■ 4% . .a m , capitalizado diariamente - período da taxa é mensal, período em que os encargos são juntados ao capital é diário. Verifica-se que a taxa é nominal quando o período da taxa é diferente da periodicidade da capitalização. Considerando os conceitos de taxas, na hora de con- tratar um financiamento, empréstimo, ou pagar alguma dívida, o consumidor deve ficar atento se a taxa esti- pulada em contrato é nominal ou efetiva. Geralmente, os contratos de financiamentos informam a taxa de juros nominal. Entretanto a que realmente vigora para o cálculo das prestações e do saldo devedor é a taxa efetiva, que é sempre maior do que a primeira. Exemplo: uma taxa de juros nominal contratada de 12% .a a, capitalizados mensalmente corresponderá, na prática, à taxa efetiva cobrada de 12 6825, %aa (taxa efe- tiva é maior que taxa nominal). A taxa efetiva é aquela que realmente incide em determinada operação. Por sua vez, a taxanominal é aquela divulgada para o perí- odo. No entanto a que sempre nos é cobrada é a efetiva. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 158 Taxas proporcionais e taxas equivalentes compostas Taxas proporcionais e taxas equivalentes são deno- minações de um mesmo conceito, são taxas que geram o mesmo resultado financeiro se aplicadas ao mesmo montante, durante o mesmo período de tempo. A diferença entre os dois conceitos consiste no modelo de juros utilizado para cálculo, onde: Taxas proporcionais são calculadas no modelo de juros simples. Taxas equivalentes são calculadas no modelo de juros compostos. Exemplo: aplicando certa quantia 0 5, % . .a m , informe qual será a taxa anual. ■ Em juros simples será 6 0 5 12% . ,a a meses ×( ) . Uma instituição financeira remunera um fundo de investimento com taxa nominal de 12% .a a , ca- pitalizada mensalmente. A taxa de juros utilizada nos cálculos é de 12% .a a ? NÃO, a taxa efetiva é de 1% .a m ou 12 6825, % .a a SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 159 A apuração de taxas proporcionais é realizada por meio de operações de multiplicação e divisão. ■ Em juros compostos será 6 16778, % . .a a A apuração da taxa equivalente é realizada por meio de operação de exponenciação. ■ Na HP-12C Para calcular taxa de juros de uma frequência menor para uma maior: f g CHS PV xxx n xxx i FV RCL PV � �� � � �� � � � � � � � � �� � �� � Re 100 SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 160 Para calcular taxa de juros de uma frequência maior para uma menor: f g CHS PV xxx x n xxx i FV RCL PV � �� � � �� � � �� � � � � � � �� � �� � Re 100 1 Exemplo 1: Apure a taxa efetiva: a. 6%a.a , capitalizados mensalmente 6 12 0 5% / , % . .a.a meses a m= (efetiva, pois 0 5, % . .a m, capi- talizada mensalmente, tem mesma periodicidade). Para apurar a taxa efetiva anual, é preciso apli- car a taxa equivalente: ieq � �� ��� � � �1 1ic nt nc i a aeq = − =1 06168 1 6 168, , % . SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 161 b. 12%a.s, capitalizados mensalmente 12 6 2% / % . .a.s meses a m= (efetiva, pois 2% .a m, capita- lizada mensalmente, tem mesma periodicidade). Para apurar a taxa efetiva semestral, é preciso aplicar a taxa equivalente: ieq = +( ) − = − = 1 1 1 12616 1 12 616 ic i a s nt nc eq , , % . c. 9% a.t , capitalizados mensalmente 9 3 3% / % . .a.t meses a m= (efetiva, pois 3% .a m, capitali- zada mensalmente, tem mesma periodicidade). Para apurar a taxa efetiva trimestral, é preciso aplicar a taxa equivalente: ieq = +( ) − = +( ) − = − = 1 1 1 0 03 1 1 09273 1 9 27 3 1 ic i i nt nc eq eq , , , 33% .a t 4% . .a m , capitalizados diariamente 4 30 0 133333% / , %am dias a.d= (efetiva, pois 0 1333, % . .a d , capitalizada diariamente, tem mesma periodicidade). SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 162 Para apurar a taxa efetiva mensal, é preciso apli- car a taxa equivalente: i iceq nt nc� �� ��� � � �1 1 Exemplo 2: Em juros compostos, uma empresa tem duas opções de aplicações: opção 1 - aplicar um capital à taxa de 33% . .a a ; ou opção 2 - aplicar o mesmo capital à taxa de 7 5, % . .a t , capitalizada men- salmente. Qual a melhor alternativa para um ano de investimento? Na opção 1 - taxa anual de 33% . .a a Na opção 2 - taxa nominal de 7 5, % . .a t (período da taxa é trimestral e período de capitalização é mensal). 7 5 3 2 5, % / , %at meses ao mês= (efetiva, pois período e taxa e da capitalização são mensais). Para apurar a taxa efetiva anual, é preciso aplicar a taxa equivalente: i i a m eq eq � �� ��� � � � � � � 1 0 0013333 1 1 040782 1 4 0782 30 1 , , , % . . SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 163 ieq � �� ��� � � �1 1ic nt nc Logo, a melhor alternativa é a opção 2, aplicar o capi- tal à taxa de 7 5, % . .a t , capitalizada mensalmente. i i eq eq = +( ) − = − = 1 0 25 1 1 344889 1 34 4889 12 1, , , % . .a a SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 164 DESCONTO COMPOSTO O desconto composto refere-se ao valor a ser aba- tido de um determinado título de crédito (MULLER; ANTONIK, 2012). Assim, o valor descontado é a diferença entre o valor nominal do título e o des- conto. Neste contexto, de forma conceitual existe somente o desconto racional por fora. Entretanto o mercado utiliza o desconto comercial ou bancário (desconto por dentro). Desconto comercial Apesar do desconto Comercial Composto por fora não ser utilizado na prática, vamos tratá-lo, aqui, visto que Muller e Antonik (2012) destacam esse tipo de SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 165 desconto como análogo ao juro composto já que ele é análogo ao cálculo do juro composto. Se pensar- mos no tempo como n = 1, a forma de cálculo seria: Para n = 2 devemos calcular da seguinte forma: Nesta sequência, poderíamos considerar: Assim, o valor do desconto é de: D N VP Considere uma empresa que contraiu um emprés- timo no valor de R$ . ,200 000 00, com uma taxa de juros de 10% . .a m e o prazo de vencimento de três meses. Qual o desconto comercial? VP i1 VP i2 1 1 VP in n( )1 SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 166 N i a m t meses VP N i VP n n n = = = = − = − 200 000 00 10 3 1 200 000 1 0 1 . , % . ( ) . ( , )33 145 800 00 200 000 145 800 52 200 VP D N VP D n = = − = − = . , . . . Assim, o valor descontado foi de R$ . ,145 800 00 , e o valor do desconto de R$ . ,52 200 00. Desconto racional Agora, passaremos a entender o desconto racional por dentro, que é amplamente utilizado no Brasil, e que “o desconto é obtido pela diferença entre o valor futuro e o valor atual de um compromisso financeiro que será pago em n períodos antes do vencimento” (MULLER; ANTONIK, 2012, p. 123). D VF VP Entretanto, como VF VP i n)1 D N n( )1 ou D N n( )1 1 SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 167 Ou, também, VP N i n)1 Considere um exemplo que, nas operações de des- conto, os juros são pagos antecipadamente. Imagine que uma empresa contraiu um empréstimo em uma instituição financeira no valor de R$ .8 000 , sendo 35% .a a de desconto composto racional e prazo de vencimento de 3 meses. Inicialmente, é necessário encontrar a taxa equivalente mensal: i oueq� �� ��� � � � �1 0 35 1 0 0253 2 5330 360, , , % Agora, encontraremos o valor descontado da operação: VP VP � �� � � 8 000 1 0 0253 7 422 27 3 . , . , Assim, o valor descontado da operação foi de R$ . ,7 422 27 . Desta forma, o valor do desconto foi D R= − =8 000 00 7 422 27 577 73. , . , $ , . SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 168 Caro(a) acadêmico(a), nesta unidade, conhece- remos a matemática financeira utilizada em nosso cotidiano, por meio dos juros compostos, equivalên- cia composta e desconto composto. Nesta perspectiva, esse ensinamento permitirá a você avançar na disci- plina, conhecendo e aprofundando na classificação de rendas e anuidades, rendas certas, rendas diferi- das e rendas perpétuas. SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 169 CONSIDERAÇÕES FINAIS Pois bem, chegamos ao fim da nossa unidade, em que estudamos os conceitos inerentes às operações finan- ceiras que envolvem juros. Agora, você já tem bases para iniciar a realização de cálculos de juros sobre investimentos bem como financiamentos, uma vez que você teve a oportunidade de ter contato com os cálculos, seja com lápis e borracha, isto é, por meio de fórmulas matemáticas e, já por meio das calcu- ladoras, inclusive a HP-12C. Acredito que você, a partir dos conhecimentos gerados, ao decidir investir, ou emprestar recursos, pensará e analisará a dinâmica dos juros, antes de tomar a decisão. Haja vista que, se pensarmos racio- nalmente, optaremos por um investimento que trará melhor retorno sob um risco calculado. Por outro lado, ao realizar um financiamento, optamos por aquele com a menor taxa do mercado. Neste contexto, pudemos aprender que os juros com- postos são calculados com base no capital, somados aos juros do período anterior. Por isso, há incidência de jurossobre juros uma vez que o valor dos juros não é mesmo ao longo do período. Aprendemos ainda, que equivalência composta, apesar de ter a mesma lógica da SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA 170 equivalência simples, a fórmula de cálculo é diferente da simples, pois, para encontrá-la, você poderá sim- plesmente dividir a taxa anual pelo número de meses. Ainda, aprendemos sobre o desconto composto ou desconto por dentro, na prática, isto é, anteci- pações de valores a receber ou a pagar. Portanto, agora que você já conhece o universo composto da matemática financeira, já pode começar a praticar. Chame a família e os amigos e se ofereça para calcu- lar os juros sobre as operações financeiras que eles forem realizar. Assim, terá oportunidade de praticar a matemática financeira, e ainda, poderá auxiliá-los a tomarem as melhores decisões. Bons estudos! 1. Considere uma aplicação financeira de R$ . ,25 000 00 que será resgatada após 26 meses, a uma taxa de juros de 3 5, % . .a m Calcule o Valor Futuro da operação e assinale a alternativa correta. a. R$ . ,61 148 96. b. R$ . ,62 248 33. c. R$ . ,63 336 25. d. R$ . ,59 338 78. e. R$ . ,57 999 66. 2. Para que um investimento atinja o valor de R$ . ,95 000 00, após 1.440 dias, com taxa de juros compostos de 45% ao ano, qual deve ser o va- lor inicial? Antes de resolver, observe que, neste exemplo, o prazo está diferente da unidade de tempo da taxa. Por isso, é necessário converter o tempo pela regra do banqueiro. Assinale a al- ternativa correta: a. R$ . ,15 142 92. b. R$ . , .16 349 93 c. R$ . , .17 736 20 d. R$ . , .19 738 70 e. R$ . , .21 490 75 3. Considere uma dívida de R$ . ,20 000 00 que foi res- gatada por R$ . ,26 000 00, após 11 meses. Calcule a taxa de juros mensal da operação e assinale a alternativa correta: a. 1 89, %. b. 2 29, %. c. 2 41, %. d. 2 99, %. e. 3 5, %. 4. Uma empresa solicita um financiamento de R$ . ,48 700 00 no Banco dos Brasileiros, com prazo de vencimento em parcela única, 30 dias após a liberação do empréstimo. Considerando a taxa de juros composta de 19 5, %a.a, calcular o mon- tante a pagar: 5. A indústria de confecção Belas Peças possui uma nota promissória de valor nominal R$ . ,50 000 00, que vence daqui a um mês. O devedor propõe a troca por outra nota promissória, a vencer da- qui a 3 meses. Considerando uma taxa de juros de 2%a.m na equivalência composta, qual deve ser o valor da nova nota promissória? Taxa nominal e taxa real A taxa nominal é aquela que encontramos no mer- cado adotada comumente em operações corren- tes, o que inclui os efeitos inflacionários previstos para o prazo da operação. Isto é, aquela taxa que incorpora os efeitos da inflação, em outras pa- lavras, constitui-se uma taxa prefixada de juros. Logo, num contexto inflacionário, você encontrará uma taxa nominal (prefixada), devido à inflação, e a taxa real, que reflete os juros reais pagos ou re- cebidos. Por isso, nesta leitura complementar, nós aprenderemos como apurar a taxa de juros real, li- vre dos efeitos inflacionários. Isto é, o quanto você ganhou, ou perdeu, sem a interferência das varia- ções de preços (inflação). Assim, o cálculo da taxa real r� � tem como obje- tivo expurgar a indexação da taxa total de juros (nominal), de forma a expressar o juro real. Por exemplo, publicou-se que a remuneração de de- terminado título foi de 12 8, % , num intervalo de tempo, sendo 9 2 %, a taxa de inflação no mesmo período. Assim, quem aplicou R$ . ,200 000 00 , no iní- cio do período obteve um rendimento nominal de R R$ . , , % $ . ,25 600 00 12 8 200 000 00×( )no perío- do totalizando um montante de $ . ,225 600 00 . Em contrapartida, para manter inalterado o seu po- der de compra, o capital acumulado do aplica- dor deve atingir, ao final do período, a soma de R R$ . , $ . , ,218 400 00 200 000 00 1 092×( ) . Como o valor de resgate soma $ . ,225 600 00R , conclui-se pela exis- tência de um lucro real, em valores monetários, R R R$ . , $ . , $ . ,7 200 00 225 600 00 218 400 00−( ). Isto é, o aplicador obteve um ganho real, acima do princi- pal investido, corrigido pela inflação de R$ . ,7 200 00 . Em termos percentuais, o retorno real da ope- ração, determinado pela relação entre o lucro (ganho) e o valor aplicado, ambos expressos em moeda de mesmo poder de compra, é igual a 3 3 7 200 00 218 400 00, %($ . , / $ . , ). De uma forma geral, a fórmula de apuração da taxa real é a seguinte: Taxa real r taxa i taxa I r nominal de ção ( ) ( ) ( ) ( ) 1 1 1 11 0 128 1 0 092 1 1 128 1 092 1 3 3 3 3, , , , , % , % Assim, a partir da identidade da taxa real r� � , pode- -se calcular a taxa nominal i� � e a taxa de inflação I� � : Taxa real r taxanominal i taxadeinflação I � � � � � � � � �� � � � � � � � � � 1 1 1 ii r I I i r �� �� � � � � � � � �� � �� �� � �� � �� � � 1 1 1 1 1 1 1 Pode ocorrer, não obstante, de a da taxa real ser negativa, isto ocorre quando a inflação supera a variação nominal dos juros, por exemplo o aumen- to no dólar. Considere que o dólar apresentou au- mento de 7 5, %, abaixo da inflação de 9 2, %. Quem aplicou $ . ,200 000 00R neste ativo no período conse- guiu resgatar $ . , $ . , ,215 000 00 200 000 00 1 075×( )R . Como precisava obter um montante de $ . ,218 400 00R para manter o poder de compra da moeda com base na taxa de inflação da economia, conclui- -se que o investidor teve uma perda real de $ . , $ . , $ . ,3 400 00 215 000 00 218 400 00−( )R . Ou, em termos percentuais, a perda real atingiu a taxa negativa de 1 56 3 400 00 218 400 00, % $ . , / $ . ,�� �, isto é, o investidor obteve somente 98 44 215 000 00 218 400 00, % $ . , $ . ,� �do valor de seu investimento corrigido, perdendo, em consequência, 1 56, % em capacidade de compra. Pela expressão de cálculo da taxa real, tem-se: r variação nominal dodólar taxadeinflação 1 1 1 1 00 075 1 0 092 1 1 56, % Fonte: adaptado de Assaf Neto (2017). MATERIAL COMPLEMENTAR Matemática financeira com a utilização da HP-12C Arnaldo José Tosi Editora: Atlas Sinopse: este livro destina-se ao profissional ou estudante da área financeira que busca informações técnicas atualizadas sobre a matemática financeira e sua utilização na solução dos problemas que envolvem o atual mercado financeiro brasileiro. Apresenta a teoria de forma simples, objetiva e didática, amparada em inúmeros casos práticos e exemplos resolvidos. A obra enfoca os conceitos que regem a matemática financeira, como: juros simples e compostos, séries uniformes, equivalência de taxas, tipos de taxas, desconto de títulos, sistemas de amortização, métodos para avaliação de alternativas de investimentos, a utilização da calculadora HP-12C e algumas terminologias do mercado financeiro (CDI, Selic, Cetip, taxa over). MATERIAL COMPLEMENTAR Khan Academy é um dos recursos de internet que auxiliam cálculos matemáticos. O link a seguir corresponde a uma maneira simples de visualizar a aplicação de juros compostos de forma dedutiva. Web: <https://pt.khanacademy.org/ economics-finance-domain/core-finance/ interest-tutorial/compound-interest-tutorial/v/ introduction-to-compound-interest>. REFERÊNCIASREFERÊNCIAS ASSAF NETO, A. Matemática financeira e suas aplicações. [S.l]: Atlas, 2000. DE CASTRO, M. L.; DAL ZOT, W. Matemática Finan- ceira: fundamentos e aplicações. [S.I.]: Bookman Editora, 2015. MULLER, A. N.; ANTONIK, L. R. Matemática Fi- nanceira: instrumentos financeiros para a to- mada de decisão em Administração, Economia e Contabilidade. São Paulo: Saraiva, 2012. PARENTE, E. A. M. Matemática Comercial e Fi- nanceira. São Paulo: FTD, 1996. REFERÊNCIAS GABARITOGABARITOGABARITO 1. A. Resolução VF VP R n meses i VF VP i VF n = = = = = +( ) = + ? $ . , , % . , 25 000 00 26 3 5 1 25 000 1 0 0335 61 148 9626( ) = . , Utilizando a calculadora: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 1 035. ENTER� � 1 035. yx�� �� clear fin � � 26 yx�� � � 26x� � 3 5, i� � 25000 x� � 25000 = 26 n� � � � 61 148 96. , � � 61 148 96. , 2500 PV FV� �� � � � �61 148 96. , GABARITO 2. E. VP VF R n dias i a a = = = = ? $ . , . % . 95 000 00 1 440 45 Observe que, neste exemplo, o prazo está diferente da unidade de tempo da taxa. Por isso devemos con- verter o tempo pela regra do banqueiro. n anos= =1 440 360 4. Pois bem, agora resolveremos o exemplo: VP VF R n anos i a a = = = = ? $ . , % . . 95 000 00 4 45 VP � �� � � 95 000 1 0 45 21 490 754 . , . , GABARITO Assim, o capital inicial a ser investido deve ser R$ . ,21 490 75. Utilizando a calculadora temos: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 95000 ENTER� � 95000 �� � clear fin � � 1 45. ENTER� � 1 45 4. yx�� ��� � � 45 i� � 4 y��� � � � � 21 490 75. , 4 n� � �� � 95000 FV PV� �� � � � 21 490 75. , � � �21 490 75. , 3. C. i VP R VF R n meses = = = = ? $ . , $ . , 20 000 00 26 000 00 11 i VF VP i i n � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 1 1 11 1 26 000 20 000 1 26 000 20 000 . . . . �� � � � � � 1 11 1 0 02413 2 41, , % ou GABARITO Neste exemplo, a taxa de juros mensal foi de 2 41, % ao mês. RPN ALG FÓRMULA HP-12C 26000 ENTER� � 26000 �� � clear fin � � 20000 �� � 20000 yx�� �� 26000 FV� � 11 1 X� � 11 1 X� � 11 n� � yx�� � � − 20000 CHS PV� �� � 1 �� � � � 0 02413, I� � � � 0 02413, � � 2 41, 4. VP R VF n mês i aa = = = = $ . , ? , % 48 700 00 1 19 5 Para apurar a taxa efetiva mensal, é preciso aplicar a taxa equivalente: i ic i i eq nt nc eq eq = +( ) − = +( ) − = − = 1 1 1 0 195 1 1 0149563 1 1 12, , 11 49563, % .a.m GABARITO VF VP i VF R n) , $ . , 1 R$48.700 1 0 0149563 49 428 371 Utilizando a calculadora: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 1 014963, ENTER� � 1 014963, yX�� �� clear fin � � 1 yx�� � � 1 X� � 1 49563, i� � 48700 x� � 48700 = 1 n� � � � 49 428 370. , � � 49 428 370. , 48 700. PV FV� �� � � � �49 428 370. , 5. VP R VF n meses i am VF i VF n = = = = = +( ) = +( $ . , ? % . , 50 000 00 2 2 1 50 000 1 0 02 )) =2 52 020 00. , GABARITO Utilizando a calculadora: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 1 02, ENTER� � 1 02, yx�� �� clear fin � � 2 yx�� � � 2 x� � 2 i� � 50000 x� � 50000 = 2 n� � � � 52 020 00. , � � 52 020 00. , 50000 PV FV� �� � � � �52 020 00. , UNIDADE IV U N ID A D EIV Professoras Me. Marcela Gimenes Bera Oshita Me. Juliana Moraes da Silva RENDAS E ANUIDADES OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM ■ Explanar acerca da classificação de rendas e anuidades. ■ Ensinar o aluno a respeito das rendas certas. ■ Instruir o acadêmico com relação a rendas diferidas. ■ Explicar ao aluno os aspectos das rendas perpétuas. U N ID A D E PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Classificação de rendas e anuidades ■ Rendas certas ■ Rendas diferidas ■ Rendas perpétuas IV Professoras Me. Marcela Gimenes Bera Oshita Me. Juliana Moraes da Silva RENDAS E ANUIDADES RENDAS E ANUIDADES 189 INTRODUÇÃO Prezado(a) acadêmico(a), nesta unidade, você pas- sará a compreender algumas das operações com que têm contato diariamente, a partir de decisões pes- soais ou empresariais. Inicialmente, aprenderemos sobre a classificação de rendas em anuidades bem como a classificação das sequências de pagamentos. Aprofundaremos, de forma prática, os concei- tos sobre rendas certas, postecipadas e antecipadas, muito utilizadas em operações de empréstimos ou financiamentos do cotidiano, seja para pessoa física seja jurídica. Compreende-se como renda poste- cipada a prestação a ser paga em um período (por exemplo, 30 dias), após a realização do empréstimo ou financiamento. Por sua vez, a renda antecipada é aquela em que você dá a entrada em operação de financiamento, por exemplo. Desta forma, passare- mos a compreender as operações mais complexas na matemática financeira. Assim, aprenderemos, também, que há alguns tipos de financiamentos que envolvem rendas diferi- das, isto é, existe um prazo de carência para iniciar o pagamento das prestações. Este tipo de financiamento RENDAS E ANUIDADES 190 é muito comum em operações de financiamento para investimentos em infraestrutura ou bens de capital. Por fim, você passará a entender os aspectos que envolvem a renda perpétua de termos constantes ilimitados. Isto é, a perpetuidade é uma série uni- forme de fluxos de caixa com duração infinita. Entre outras formas, você poderá utilizar a renda perpétua como uma técnica de avaliação de empresas (valua- tion) que utiliza o método de valor descontado dos fluxos de caixa combinado com a perpetuidade. Pois bem, agora que já conhece o assunto que estudaremos nesta unidade, nós convidamos você a mergulhar nos estudos a fim de poder lidar com situa- ções que envolvem a tomada de decisões de realização de empréstimos, financiamentos ou investimentos. RENDAS E ANUIDADES 191 CLASSIFICAÇÃO DE RENDAS E ANUIDADES É denominado renda ou anuidade uma sequência de pagamentos ou recebimentos que incorrem em datas pré-estabelecidas, isto é, séries periódicas uni- formes. Podemos verificar as séries de pagamento por um diagrama de tempo ou fluxo de caixa, que podem ser pagos em uma ou várias parcelas. Vejamos, na Figura 1, um exemplo de um projeto cujo inves- timento é de R$ . ,50 000 00, que, nos próximos 4 anos, gera entradas de caixa de R$ . ,20 000 00. RENDAS E ANUIDADES 192 Figura 1 - Fluxo de caixa esquemático da operação Fonte: Assaf Neto (2017, p. 109). Observe que as sequências uniformes são muito comuns em operações comerciais de financiamento de veícu- los, viagens, eletroeletrônicos, empréstimos pessoais, entre outros (ASSAF NETO, 2017). Neste sentido, os pagamentos e recebimentos são representados por PMT (Periodic Payment). Quando a finalidade é inves- timento para resgatar numa data futura, a partir de depósitos sucessivos, tem-se o processo de capitali- zação. Por outro lado, quando o objetivo é pagar uma dívida, tem-se o processo de amortização (ASSAF NETO, 2017). Assim, as sequências de pagamentos podem ser classificadas: R$ 20.000,00 R$ 50.000,00 R$ 20.000,00 R$ 20.000,00 R$ 20.000,00 RENDAS E ANUIDADES 193 ■ Quanto ao prazo, como temporárias e perpétuas. ■ Quanto ao valor dos termos, como constantes e variáveis. ■ Quanto à forma termo imediato ou diferido. ■ Quanto à periodicidade, como periódicas e não periódicas. Conforme detalhado no Quadro 1: Quadro 1 - Classificação da sequência de pagamentos CLASSIFICAÇÃO DESCRIÇÃO Prazo Temporárias ou finitas: quando ocorrem durante um período predetermina- do de tempo (exemplo: fi- nanciamento de veículos). Perpétuas ou infinitas: quando ocorrem de forma ad aeternum, isto é, quando os pagamentos ou recebi- mentos duram infinitamen- te (exemplo: condomínio). RENDAS E ANUIDADES 194 Valor dos termos Constante ou uniforme: com todos os pagamentos ou recebimentos em valo- res iguais (exemplo: em- préstimo bancário). Variável ou não uniforme: quando os pagamentos ou recebimentos não são de valores iguais (exemplo: fi- nanciamento imobiliário pelo sistema de amortiza- ção crescente – Sacre). Forma Imediato: quando o primei- ro pagamento ou recebi- mento ocorre no primeiro período (postecipado ou antecipado). Diferido: quando o primeiro pagamento ou recebimen- to não ocorre no primeiro período (período de carên- cia). RENDAS E ANUIDADES 195 Periodicidade Periódica: quando todos os intervalos entre os paga- mentos ou recebimentos são iguais. Não periódica: quando os intervalos entre as parcelas não são iguais. Fonte: Assaf Neto (2017, p. 111). Agora, conheceremos as rendas temporárias, perió- dicas e constantes, em que o vencimento da primeira prestação pode ser postecipada, antecipada ou dife- rida (DE CASTRO; DAL ZOT, 2015). A postecipada é quando a primeira parcela ou prestação ocorre após o primeiro período (1 mês, 1 bimestre etc.), após a data do empréstimo, isto é, comumenteconhecido como empréstimo sem entrada. A antecipada ocorre na data da realização do empréstimo, isto é, quando você dá a entrada ao financiar algo. Por fim, é denominada diferida quando a data da primeira prestação ocorre mais de um período após a data do empréstimo (DE CASTRO; DAL ZOT, 2015). RENDAS E ANUIDADES 196 RENDAS CERTAS Uma renda pode ser exemplificada como a compra a prazo com pagamentos mensais e número deter- minado de parcelas de valor fixo, que pode, ainda, ser paga com ou sem entrada, isto é, antecipada ou postecipada, respectivamente. Esse tipo de renda, geralmente, é utilizado para pagamento de dívida contraída na aquisição de um bem. Outro exemplo pode ser sequência de certo número de depósitos em caderneta de poupança de valores iguais e em datas determinadas que vai sendo capitalizado com a inten- ção de acumular uma quantia em dinheiro no futuro. RENDAS E ANUIDADES 197 Rendas postecipadas Como vimos, as rendas postecipadas acontecem sem a entrada, isto é, você só começará a pagar, por exemplo, após 30 dias, conforme apresentado no diagrama a seguir: Cabe ressaltar que o valor atual da anuidade deve ser igual ao valor presente VP� � e as rendas posteci- padas são representadas por PMT . VP PMT i PMT i PMT i PMT in n � �� � � �� � � � �� � � �� ��1 1 1 11 2 1 VP PMT i i i i VP PMT n n� �� � � �� � � � �� � � �� � � � � � � � � � � � 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 1 ( ��� � i jj n )1 O somatório j n ji� � �� �1 1 1�� corresponde à soma dos n , pri- meiros termos de uma progressão geométrica, cujo primeiro termo é a i1 1 1 � � , em que a razão é q i � �� � 1 1�� , assim teremos: RENDAS E ANUIDADES 198 j n j n n n ni a q q a i i i i i i1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 ( ) = Desta forma, o relacionamento entre as variáveis valor presente VP� � , a prestação PMT� � , o número de prestações n e a taxa de juros i : VP PMT i i i n n� �� � � �� � 1 1 1 Observe que a taxa de juros utilizada em rendas é a taxa composta, devido aos juros compostos. Vejamos um exemplo em que calcularemos o valor do princi- pal em função da prestação: uma empresa financiou um conjunto de sofás em 4 prestações mensais iguais a R$ . ,1 500 00, sem entrada, sendo a primeira delas a ser paga 30 dias após a compra à taxa de juros de 3 5, % ao mês. Qual o valor à vista da compra? PMT R n i a m VP = = = ( ) = $ . , , % , . . ? 1 500 00 4 3 5 0 035 meses RENDAS E ANUIDADES 199 Resposta: R$ . ,5 509 62 Utilizando a calculadora, temos: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 1 035. ENTER� � 1 035. yx�� �� clear fin� � 4 1yx�� � � �� � 4 �� � 1500 PMT� � 1 035 4. ENTER yx� � �� �� 1 1 035�� � �� ��� �. yx 4 n� � 0 035. x� � �� � 4 0 035x x� � � �. 3 5. i� � 1500 x� � 1500 �� � PV� � � � 5 509 62. , � � 5 509 62. , � � �5 509 62. , Agora, imagine que o cliente de uma loja adquiriu uma geladeira no valor de R$ . ,3 000 00 à vista, em 5 prestações mensais iguais e sem entrada, com uma taxa de juros de 2% ao mês. Qual o valor da presta- ção que o cliente vai pagar? VP PMT i i i VP n n� �� � � �� � � �� � � �� � � 1 1 1 1500 1 0 035 1 0 035 1 0 035 15 4 4 , , , 000 0 147523 0 040163 5 509 62, , . ,� RENDAS E ANUIDADES 200 VP R n pm i PMT = = = = $ . , . % ? 3 000 00 5 2 Resposta: R$ , .636 47 Utilizando a calculadora, temos: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 1 02. ENTER� � 1 02. yx�� �� clear fin� � 5 0 02y xx�� � � � �, 5 x� � 3 000. PV� � 1 02 5. ENTER yx� � �� �� 0 02 1 02, .�� �� �� ��y x 5 n� � 1 �� � �� � 5 1�� � �� �x 5 i� � 3 000. x� � 3 000. �� � PMT� � � � 636 47, � � 636 47, � � �636 47, VP PMT i i i PMT VP i i i PMT n n n n� . , � �� � � �� � � � �� � �� � � � 1 1 1 1 1 1 3 000 0 02 1��� � �� � � � � � 0 02 1 0 02 1 3 000 0 022082 0 104081 636 47 5 5 , , . , , , PMT PMT RENDAS E ANUIDADES 201 Cálculo da taxa de juros Imagine o financiamento de um celular no valor de R$ . ,5 000 00, feito em 12 prestações mensais iguais a R$ ,500 00 , sendo a primeira com vencimento 30 dias após a compra. Qual a taxa de juros? VP R n p m PMT R i = = = = $ . , . $ , ? 5 000 00 12 500 00 Como podemos observar na equação: VP PMT i i i n n� �� �� � �� � � �� � 1 1 1 , é matematicamente impossível separar a taxa de juros, para resolver esse problema, podemos utilizar os recur- sos da calculadora financeira: FÓRMULA HP-12C clear fin� � 5 000. PV� � 12 n� � 500 CHS PMT� �� � i� � � � 2 922584. Resposta: 2 92, % .a m RENDAS E ANUIDADES 202 Agora, para saber a taxa de juros anual, basta conti- nuar a fórmula, conforme podemos observar a seguir: FÓRMULA HP-12C clear fin� � 5 000. PV� � 12 n� � 500 CHS PMT� �� � i� �� � 2 922854. 0 7 064 99PMT FV� �� �� . , 1 41 299898n i� �� �� � , Podemos, a partir das rendas postecipadas, calcular também o valor futuro dos n termos de uma anui- dade (DE CASTRO; DAL ZOT, 2015). Por exemplo: imagine que José transfere R$ ,500 00 do seu salário para uma conta poupança que remunera a taxa de 10% ao mês. Qual seria o valor da poupança de José após a décima segunda transferência? PMT R n p m i a m VF = = = ( ) = $ , . . % , . . ? 500 00 10 10 0 10 RENDAS E ANUIDADES 203 Resposta: R$ . , .10 692 14 Utilizando a calculadora, temos: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 1 10. ENTER� � 1 10. yx�� �� clear fin� � 12 yx�� � � 12 �� � 500 PMT� � 1[-] 1[] 12 n� � 0 10, �� � 0 10, �� � 0 10, i� � 500 �� � 500 �� � FV� � � �10 692 14. , � �10 692 14. , � � �10 692 14. , VF VP i VP PMT i i i VF PMT i i VF n n n n � �� � � �� � � �� � � �� � � � � 1 1 1 1 1 1 500 1 0 1, 00 1 0 10 10 692 14 12� � � � , . ,VF RENDAS E ANUIDADES 204 Você sabia que podemos calcular também a presta- ção em função do valor futuro? Pois bem, vejamos um exemplo: quanto é necessário depositar mensal- mente num fundo de investimentos cuja taxa de juros é de 2% ao mês para que, após o trigésimo mês, se alcance um saldo de R$ . , .50 000 00 VF PMT i i PMT VF i PMT i n n . , , 1 1 50 000 0 02 1 0 02 1 1 30 11 1 232 49PMT . , Resposta: R$ . , .1 232 49 VF R n p m i a m PMT = = = ( ) = $ . , . . % , . . ? 50 000 00 30 2 0 02 RENDAS E ANUIDADES 205 Utilizando a calculadora, temos: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 0 02. ENTER� � 0 02 1 01. .�� � �� ��� yx clear fin� � 1 02. ENTER� � 30 1�� � � �� � 50000 FV� � 30 yx�� � � 50000 �� � 30 n� � 1 �� � �� � 2 i� � 50000 �� � PMT� � � �1 232 49. , � �1 232 49. , � � �1 232 49. , Rendas Antecipadas As rendas antecipadas ocorrem na data da realização do empréstimo, ou seja, quando se dá entrada ao financiar algo (DE CASTRO; DAL ZOT, 2015). Assim, temos: PMT VP i i i n n� �� �� � �� � �� � � �1 1 1 1 Vejamos um exemplo em que João adquiriu uma televisão cujo valor à vista é de R$ . ,1 300 00 , em 3 prestações mensais, a primeira na entrada, com uma taxa de juros de 3% . .a m Vamos calcular o valor da prestação: RENDAS E ANUIDADES 206 VP R n i a m PMT = = = ( ) = $ . , % , . . ? 1 300 00 3 3 0 03 PMT VP i i i PMT n n . , , , 1 1 1 1 300 0 03 1 0 03 1 0 03 1 3 1 3 1 446 10PMT R$ , Resposta: R$ , .446 10 Utilizando a calculadora, temos: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 1 03. ENTER� � 1 03. yx�� �� clear fin g� � � �BEG 2 0 03yx�� � � �� �. 2 �� � 1300 PV� � 1 03. ENTER� � 0 03 1 03. .�� �� �� ��y x 3 n� � 3 1yx�� � � �� � �� � 3 1�� � � �� � 3 i� � 1300 �� � 1300 �� � PMT� � � � 446 20, � � 446 20, � � �446 20, RENDAS E ANUIDADES 207 Agora, calcularemos o valor presente VP� � em função da prestação PMT� �. Para isso, considere um financia- mento com 6 prestações mensais iguais a R$ ,650 00 , a primeira entrada, sabendo que a taxa de juros foi de 2 5, %. VP R n i a m PMT R = = = ( ) = $? , % , . . $ , 6 2 5 0 025 650 00 Observe que, para realizar o cálculo na calculado- ra financeira, é necessário utilizar a opção begin. Assim, ao trabalhar com rendas antecipadas, você terá que acionaras teclas azuis g� � depois BEG� �. Entretanto, ao finalizar a utilização para calcula- dora voltar ao normal, é necessário acionar as te- clas azuis g� � depois END� � . Fonte: as autoras. RENDAS E ANUIDADES 208 Resposta: R$ . ,3 669 78 Utilizando a calculadora, temos: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 1 025. ENTER� � 1 025. yx�� �� clear fin g� � � �BEG 6 1yx�� � � �� � 6 �� � 650 PMT� � 1 025. ENTER� � 1 1 025�� � �� ��� . yx 6 n� � 5 0 025yx�� � � �� � �� �, 5 0 025�� � � �� �, 2 5. i� � 650 �� � 650 �� � PV� � � � 3 669 78. , � � 3 669 78. , � � �3 669 78. , PMT VP i i i VP PMT i i i VP n n n n 1 1 1 1 1 1 650 1 1 1 0 025 1 0 025 1 0 025 650 0 159693 0 025285 3 66 6 6 1 , , , , , . VP VP 99 78, RENDAS E ANUIDADES 209 Calculando a taxa de juros De acordo com De Castro e Dal Zot (2015), con- sidere um financiamento no valor de R$ . ,4 000 00 , realizado em 12 prestações iguais de R$ ,400 00 , a primeira entrada. Calculemos a taxa de juros da operação: VP R n i PMT R = = = = $ . , ? $ , 4 000 00 12 400 00 Como no caso das postecipadas, a taxa deve satisfazer a equação VP PMT�= 1 1 1 1 �� �� �� � � �� � � i i i n n , em que não é possível iso- lar a taxa i . Por isso, realizaremos, os cálculos na calculadora financeira. FÓRMULA HP-12C clear fin g BEG � � � � 4000 PV� � 12 n� � 4000 CHS PMT� �� � i� � � � 3 503153. Resposta: 3 5, % RENDAS E ANUIDADES 210 Podemos, também, realizar o cálculo do valor futuro dos n de uma unidade, em que a data focal é um perí- odo após o último termo da anuidade (DE CASTRO; DAL ZOT, 2015). Para isso, considere um valor de R$ ,600 00 depositado mensalmente em um fundo que remunera a taxa de juros de 2 4, % ao mês. Agora, calcu- laremos o saldo acumulado um mês após o trigésimo período. VF n i a m PMT R = = = ( ) = ? , % , . . $ , 30 2 4 0 024 600 00 Resposta: R$ . ,26 548 12 VF VP i VP PMT i i VF PMT i i i VF n n n � �� � � �� � � � �� � � �� � � � 1 1 1 1 1 1 600 1 0 02, 44 1 0 024 1 0 024 600 1 03703598 0 024 1 024 600 4 30� � � �� � � � � � � , , . , ,VF VF 33 2 1 024 26 548 12 , , . , � � �VF RENDAS E ANUIDADES 211 Utilizando a calculadora, temos: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 1 024. ENTER� � 1 024. yx�� �� clear fin g BEG � � � � 30 1yx�� � � �� � 30 �� � 600 PMT� � 0 024. �� � 1 0 024�� � �� �. 30 n� � 1 024. �� � 1 024. �� � 2 4. i� � 600 �� � 600 �� � FV� � � � 26 548 12. , � � 26 548 12. , � � �26 548 12. , RENDAS E ANUIDADES 212 RENDAS DIFERIDAS As rendas diferidas ocorrem quando há um prazo dila- tado para o primeiro pagamento. Desta forma, ocorre um período maior para pagamento da primeira parcela do financiamento ou empréstimo. Por exemplo, compre hoje e comece a pagar daqui a 120 dias (ASSAF, NETO, 2017). Em juros simples, a conversão de taxa ocorre por meio de divisão ou por multiplicação, em juros compostos por meio de taxa equivalente. Em rendas e anuidades que, obrigatoriamente, realizasse conversão de taxas, e não de prazos. RENDAS E ANUIDADES 213 As rendas diferidas possuem um intervalo de perío- dos em que não ocorrem pagamentos. Intervalo esse que se dá o nome de carência, simbolizado, nesta dis- ciplina, pela letra k . Assim, o ponto de referência é a anuidade postecipada cuja carência k é zero. Logo, quando o primeiro termo de uma anuidade vence a dois períodos do ponto zero, diz-se que a carência k é igual a 1 (DE CASTRO; DAL ZOT, 2015). Considerando que k é o número de períodos entre o ponto zero e o vencimento do termo, temos: PMT VP i i i n k n� �� �� � �� � �� � � �1 1 1 Onde k +1 é igual a prazo da primeira prestação, iso- lando o VP , obtendo a fórmula: VP PMT i i i n n k ) ) 1 1 1 Considere uma loja que financia um carro no valor de R$ . ,13 000 00 , em 12 prestações mensais iguais, a pri- meira vencendo após 4 meses depois da compra com RENDAS E ANUIDADES 214 uma taxa de juros de 3% . .a m Vamos calcular o valor da prestação: VP R n k m m i a m PMT = = = −( ) = = ( ) = $ . , % , . ? 13 000 00 12 4 1 3 3 0 03 PMT VP i i i n k n . , , , 1 1 1 13 000 0 03 1 0 03 1 0 03 12 3 12 1 13 000 0 04673902 0 42576089 1 427 11 . , , . ,PMT Resposta: R$ . ,1 427 10 RENDAS E ANUIDADES 215 Utilizando a calculadora, temos: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 1 03. ENTER� � 1 03. yx�� �� clear fin g END � � � � 15 0 03yx�� � � �� �, 15 �� � 13000 12 3PV n i� � � � � � 1 03. ENTER� � 0 03 1 03. .�� � �� ��� yx PMT STO VP� �� �� � 12 yx�� � � 12 1�� � � 0 PMT� � 1 1300�� � �� � �� � �� � �� �1300 3 n FV� �� � � �1 427 10. , � �1 427 10. , � �1 427 10. , Agora, considere um financiamento de uma casa, rea- lizado em 48 prestações mensais iguais a R$ . ,3 000 00, a primeira vencendo 13 meses após a compra. Sabendo que a taxa de juros utilizada foi de 1 5, % . .a m Segue o cálculo do valor à vista do imóvel: VP n k m m i a m PMT R = = = − = = ( ) = ? . , % , . $ . , 48 13 1 12 1 5 0 015 3 000 00 RENDAS E ANUIDADES 216 VP PMT i i i VP n n k� �� � � �� � � �� � � �� � � 1 1 1 3 000 1 0 015 1 0 015 1 0 015 48 . , , , 448 12 3 000 1 04347829 0 03664830 85 418 28� � �. . , . , Resultado: R$ . , .85 418 28 Utilizando a calculadora, temos: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 1 015. ENTER� � 1 015. yx�� �� clear fin� � � �g END 48 1yx�� � � �� � 48 1�� � �� � 3000 48 1 5PMT n i� � � � � �. 1 015. ENTER� � 1 015.� �� ��y x PV STO FV� �� �� � 60 yx�� � � 60 0 015x� � �. 0 PMT� � 0 015 3000. �� � �� � �� � �� � �� �3000 12 n PV� �� � � � 85 418 28. , � � 85 418 28. , � � 85 418 28. , RENDAS E ANUIDADES 217 RENDAS PERPÉTUAS Renda perpétua é a anuidade que não tem previ- são de término. O número de termos é infinito, por exemplo, o pagamento de aluguel ou das despesas de um condomínio residencial. O valor do termo ou prestação é exatamente o valor dos juros ou remu- neração sobre o determinado capital. VA PMT i �= RENDAS E ANUIDADES 218 Exemplo 1: Qual o valor da renda perpétua mensal de R$ ,100 00 , considerando que a taxa de juros apli- cada sobre o capital seja de 1 2, %a.m? VA PMT i VA VA , . , � � � 100 0 012 8 333 33 Exemplo 2: Um apartamento que vale R$ . ,60 000 00 está alugado por R$ ,900 00. Qual a taxa correspondente? VA PMT i i i a m . , , . = = = 60 000 900 0 015 1 5 ou Prezado(a) estudante, nesta unidade, pudemos conhecer, de forma prática, as rendas e anuidades, vimos as rendas pos- tecipadas e antecipadas bem como a renda diferida, em que há um período de carência para o pagamento da primeira prestação. Neste sentido, esse ensinamento permitirá a você avançar na disciplina, conhecendo a dinâmica das rendas e anuidades, de forma a ter a base para realizar as operações com sistemas de amortização. Assim desejamos bons estudos! RENDAS E ANUIDADES 219 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, você passou a entender algumas das operações que comumente temos contato no nosso cotidiano, como ao realizamos uma compra a prazo. Ela pode ocorrer mediante entrada no momento da compra, ou a primeira parcela paga 30 dias após a aquisição. Isto é, inicialmente, passamos a com- preender a classificação de rendas em anuidades antecipadas e postecipadas. Aprofundamos, de forma prática, nos concei- tos sobre rendas certas, postecipadas e antecipadas, constantemente utilizadas em operações do coti- diano das pessoas ou empresas. Desta forma, a renda postecipada ocorre quando na operação a presta- ção passa ser paga no período subsequente. Por sua vez, a renda antecipada é aquela em que você dá a entrada numa operação de financiamento. Assim, passamos a compreender as operações mais com- plexas na matemática financeira. Aprendemos, também, que em alguns tipos de financiamentos podemos envolver as rendas diferi- das, ou seja, aquelas que exigem um prazo de carência para iniciar o pagamento das prestações. Este tipo de financiamento é muito utilizado em operações RENDAS E ANUIDADES 220 de financiamentohabitacionais, quando você finan- cia um apartamento, e a obra ainda está inacabada, ou também nos casos em que as empresas realizam investimentos em infraestrutura ou bens de capital. Você passou a compreender os aspectos que envol- vem a perpetuidade em que é uma série uniforme de fluxos de caixa com duração infinita, isto é, perpé- tua. Agora, você poderá utilizar este conhecimento como uma técnica de avaliação de imóveis, empre- sas ou investimentos em geral, que utiliza o método de valor descontado dos fluxos de caixa combinado com a perpetuidade. Assim, agora que já se aprofundou no assunto desta unidade, nós o (a) convidamos a praticar por meio das atividades, Bons estudos! 1. Um produto é vendido à vista por R$ . ,1 000 00 ou em até 12 prestações mensais, sem entrada, cobrando-se, porém, 5%a.m de juros. Qual de- verá ser o valor das prestações para um cliente que propõe comprar em 10 prestações mensais e iguais, iniciando os pagamentos somente 90 dias após a data da compra? 2. Uma pessoa efetuou 8 depósitos mensais de R$ . ,20 000 00 cada, recebendo uma taxa de 10% a.m de juros. Quanto terá esta pessoa 4 me- ses após o último depósito? 3. Euler adquire um carro para ser pago nas se- guintes condições: 4 parcelas mensais, iguais e sucessivas de R$ . ,2 626 24 cada, sem entrada, cujo vencimento se dará no fim de cada mês a partir do mês seguinte à aquisição, com juros compostos contratados de 2% a.m. Qual foi o preço negociado à vista? 4. Um televisor em cores custa, à vista, R$ . ,2 000 00, mas pode ser pleiteado nas seguintes condições: sem entrada e 10 pagamentos mensais com ven- cimento no fim de cada mês, à taxa de 3% a.m. Calcular o valor de cada parcela. 5. Um aparelho celular está em promoção sob as seguintes condições: R$ ,150 00 de entrada e 3 parcelas mensais iguais de R$ ,122 55 , todas a vencer no final do mês. Se o juro cobrado no mercado for 2 5, %a.m para esse tipo de financia- mento, qual o valor à vista do aparelho? Matemática financeira e engenharia econômica Você sabia que a engenharia econômica é o estudo dos métodos e das técnicas usados para a análise econômico-financeira de investimentos? Pois bem, esses métodos e essas técnicas devem ter base científica e encontram na matemática financeira as suas justificativas. Isto é, a necessidade de analisar investimentos propõe os problemas, a engenharia econômica apresenta as técnicas de solução e a matemática financeira justifica essas técnicas. Neste sentido, a análise de investimentos compre- ende não apenas as alternativas entre dois ou mais investimentos para escolha do melhor, mas tam- bém a análise de um único investimento com a fi- nalidade de julgar se é de seu interesse, ou não. Na análise de investimentos, só serão levados em conta os fatores quantificáveis, ou seja, que pude- rem ser expressos em unidades de capital. Se fatores não quantificáveis vão influir na tomada de decisão, essa análise não poderá ser feita com um estudo ma- temático. Desta forma, na escolha entre dois bens de capital, por exemplo, não teria sentido uma aná- lise matemática que envolvesse preços, capacidade de produção, custos operacionais, durabilidade etc., se a pretensão fosse adquirir o mais estético ou o de menor porte. Também não teria sentido analisar investimentos que não apresentassem viabilidade de escolha por falta de recursos financeiros ou de quaisquer outras condições. Quando apenas um investimento é analisado quanto à sua rentabilidade, costuma-se fazer uma comparação entre a sua taxa de renda e uma taxa ideal, ou seja, que o investidor estabelece como a taxa mínima de renda para que o investimento seja considerado atraente do ponto de vista financeiro. Essa taxa ideal chama-se taxa mínima de atrativi- dade (TMA) ou apenas taxa de atratividade do in- vestidor. É comum adotar como taxa de atrativida- de a taxa de mercado, isto é, a taxa a qual qualquer capital pode ser aplicado sem dificuldade. Há diversos métodos para análise de investimen- tos, mas somente os chamados métodos exatos são dignos de credibilidade, pois só estes se baseiam nos princípios de equivalência de capitais. São eles: o método do valor presente líquido, o método do valor periódico uniforme e o método da taxa inter- na de retorno. Assim, os três métodos, citados anteriormente, são equivalentes. Logo, se forem aplicados com proprie- dade, conduzirão ao mesmo resultado. Conforme o tipo de análise que se quer fazer, um método pode ser mais apropriado que os outros ou simplesmen- te mais cômodo por envolver menos cálculos. Fonte: Veras (2012). MATERIAL COMPLEMENTAR Matemática financeira Assaf Neto Editora: Atlas Sinopse: este livro foi elaborado para atender plenamente ao programa de ensino de cursos superiores em que a disciplina de Matemática Financeira é oferecida. A principal contribuição do livro é oferecer conteúdo de qualidade e atualizado, que permita um estudo mais direcionado de acordo com as necessidades e objetivos definidos pelas escolas brasileiras. Por fim, o livro é rico em exercícios propostos e resolvidos. Livro-texto para a disciplina Matemática Financeira dos cursos de Administração de Empresas, Ciências Contábeis, Economia e Engenharia de Produção. Livro complementar para as disciplinas Engenharia Econômica, Elaboração e Análise de Projetos, Administração Financeira e Mercado de Capitais dos cursos de Administração, Economia, Ciências Contábeis e Engenharia. É indicado também para cursos intensivos de treinamento e cursos de MBA. REFERÊNCIASREFERÊNCIAS ASSAF NETO, A. Matemática financeira. Edição Universitária. São Paulo: Atlas, 2017. DE CASTRO, M. L.; DAL ZOT, W. Matemática Finan- ceira: fundamentos e aplicações. [S.l]: Bookman Editora, 2015. VERAS, L. L. Matemática financeira: uso de cal- culadoras financeiras, Aplicações ao Mercado Fi- nanceiro, introdução à Engenharia Econômica, 300 exercícios resolvidos e propostos com res- postas. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2012. REFERÊNCIAS GABARITOGABARITOGABARITO 1. ANTECIPADA 0 1 2 3 RESOLUÇÃO NA CALCULADORA HP 12C Primeiro: 1 000 3 5 . [ ][ ] [ ] [ ] CHS PV n i O FV de R$ 1.157,625 é o VP da segunda operação. Segundo: [ ] [ ][ ] [ ][ ] [ ][ ] . , [ ][ ] [ ] [ ] CLx f CLx f x y g CHS PV n i PMT �� 7 1 157 625 10 5 Resposta: PMT = R$ 142,78 GABARITO RESOLUÇÃO ALGÉBRICA M C i M M n� � � � � ( ) . ( , ) . , 1 1 000 1 0 05 1 157 62 3 PV PMT i i i PMT n n� � � � � � � � � � � � � � � � ( ) ( ) . , ( , ) , 1 1 1 1 157 625 1 0 05 1 0 1 10 005 1 0 05 1 157 625 8 10780497 142 78 9 ( , ) . , . , , � � � � � � � � � � � PMT PMT POSTECIPADA 0 1 2 3 GABARITO RESOLUÇÃO NA CALCULADORA HP 12C Primeiro: [ ] [ ][ ] [ ][ ] . [ ][ ] [ ] [ ] CLx f CLx f x y CHS PV n i FV �� 1 000 2 5 O FV de R$ 1.102,50 é o PV da segunda operação. Segundo: [ ] [ ][ ] [ ][ ] . , [ ][ ] [ ] [ ] CLx f CLx f x y CHS PV n i PMT �� 1 102 50 10 5 Resposta: PMT = R$ 142,78 GABARITO RESOLUÇÃO ALGÉBRICA M C i M M n� � � � � ( ) . ( , ) . , 1 1 000 1 0 05 1 102 50 2 PMT PV i i i PMT n n� � � � � � � � � � � � � � ( ) . ( ) . , ( , ) . , ( 1 1 1 1 102 50 1 0 05 0 05 10 11 0 05 1 1 102 50 0 129504 142 78 10� � � � � � � � � � � � , ) . , . , , PMT PMT 2. 20 000 10 8 4 334 865 68 . $ . , CHS PMT i n m FV R � �� � � � � � � � � � � GABARITO 3. 4 2626 24 2 10 000 01n CHS PMT i PV� � � �� � � � � �; , ; ; . , 4. 10 3 200 234 46n i CHS PV PMT� � � � � �� � � �; ; ; , 5. 3 122 55 2 5 350 150 500 00 n CHS PMT i PV� � � �� � � � � � � � ; , ; , ; , UNIDADE V U N ID A D E V Professoras Me. Marcela Gimenes Bera Oshita Me. Juliana Moraes da Silva SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM ■ Instruir o discente com relação ao sistema de amortização constante ■ Ensinar o acadêmico quanto ao sistema francês de amortização e orientaro aluno acerca do sistema Price ■ Instruir o discente sobre as aplicações dos sistemas de amortização U N ID A D E PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Sistema de amortização constante (SAC). ■ Sistema francês de amortização (SAF). ■ Aplicações dos sistemas de amortização. V Professoras Me. Marcela Gimenes Bera Oshita Me. Juliana Moraes da Silva SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 236 INTRODUÇÃO Nesta unidade, você terá a oportunidade de conhe- cer alguns sistemas de amortizações de pagamentos. Assim, passará a compreender as formas de devolu- ção do principal e dos juros deste principal, isto é, quanto deve ser pago em cada parcela de um deter- minado empréstimo. Nesta perspectiva, há inúmeras formas de pagar os empréstimos, devendo as con- dições de cada operação estarem estabelecidas em contrato entre o credor e devedor. Veremos agora, as seguintes formas de se amortizar: Sistema de Amortização Constante (SAC) e Sistema Francês de Amortização (SAF), isto é, o Sistema Price. Cabe ressaltar que nessas modalidades de pagamen- tos a serem estudadas é a utilização exclusiva do critério de juros compostos em que os juros incidi- rão sobre o montante apurado no período anterior. O Sistema de Amortização Constante (SAC) é muito utilizado em financiamentos imobiliários, pois compreende em amortizações iguais de parte do valor emprestado. Veja que, neste sistema, você reduz a dívida a cada pagamento de forma igual. O Sistema Francês de Amortização (SAF) é conhecido pelas características das prestações serem sempre iguais. SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 237 Este tipo de amortização é muito usado quando você adquire um automóvel financiado ou pega um empréstimo pessoal. Por fim, realizaremos as apli- cações dos sistemas de amortização. Pois bem, caro(a) aluno(a), veremos que, para cada sistema de amortização, SAC ou SAF, deve ser construída uma planilha financeira, que contenha os diversos fluxos de pagamentos e recebimentos, dentro de certa padronização. Haja vista que já exploramos um pouco do assunto que estudaremos nesta unidade, convidamos você a ini- ciar esta jornada, aplicando os conhecimentos no seu cotidiano. Para isso, veja se conhece um amigo ou um familiar que está pensando em realizar um financia- mento e faça a simulação para ele. Assim, você acabará aplicando os conceitos com que estamos trabalhando, o que permitirá consolidar o seu conhecimento. SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 238 SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO CONSTANTE (SAC) Prezado(a) acadêmico(a), quando se fala em emprés- timo e financiamento, a diferença entre eles é que, no financiamento, o valor liberado tem uma finalidade específica, por exemplo, para a compra de imóvel, automóvel ou importação. Por sua vez, o emprés- timo é um recurso concedido sem a necessidade de vinculá-lo a alguma finalidade, por exemplo, conta garantida, cheque especial, desconto de duplicata, entre outros (MASAKAZU, 2016). Assim, antes de iniciarmos os estudos sobre os sistemas de amortização, é importante conhecer alguns termos empregados em operações que envol- vem empréstimos e financiamentos, de acordo com SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 239 Assaf Neto (2017): ■ Os encargos financeiros representam os juros da operação, isto é, representam um custo para o devedor e uma receita para o credor. ■ A amortização refere-se ao pagamento do capi- tal emprestado, realizado de forma periódica (mensal, trimestral etc.). ■ O saldo devedor é o valor da dívida em deter- minado momento, após redução do valor já pago ao credor. ■ Prestação é composto pelo valor da amortiza- ção adicionado os encargos financeiros. ■ A carência refere-se ao tempo para início dos pagamentos. Por exemplo, em um empréstimo, o primeiro pagamento iniciar somente após 2, 3 ou até mais meses após a liberação dos recursos. Pois bem, agora que você já conhece alguns ter- mos com que trabalharemos na nossa unidade, iniciaremos nosso conteúdo tratando do sistema de amortização constante (SAC). Como o nome já diz, os valores das amortizações são constantes, con- forme apresentado na Tabela 1. SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 240 Tabela 1 - Sistema de Amortização Constante (SAC) SALDO INICIAL JUROS CALC. SALDO APÓS JUROS PGTO. AMORT. JUROS PAGOS SALDO FINAL n Sn−1 Jn Sn j Rn = An + Jn Sn S in−1. S Jn n� �1 � A Jn n+ � S Rnj n− � 1 800 00, 80 00, 880 00, 280 00, 200 00, 80 00, 600 00, 2 600 00, 60 00, 660 00, 260 00, 200 00, 60 00, 400 00, 3 400 00, 40 00, 440 00, 240 00, 200 00, 40 00, 200 00, 4 200 00, 20 00, 220 00, 220 00, 200 00, 20 00, 0 Totais 200 00, 1 000 00. , 800 00, 200 00, Fonte: De Castro e Dal Zot (2015, p. 99). SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 241 Ademais, é importante conhecer outra caracterís- tica além da amortização constante, os valores das prestações são decrescentes e dos juros também (MASAKAZU, 2016). Nesta perspectiva, o valor refe- rente à amortização é calculado da seguinte forma: A P n = . Onde, P é igual o principal e o n é o tempo. Então, temos: Observe, na Tabela 1, que a coluna das amortiza- ções pode ser preenchida em primeiro lugar. Desta forma, o pagamento de cada ano é dado pela soma da amortização mais os juros. Por isso, depois de calcular o valor da amortização, calcula-se os juros sobre o saldo devedor: A = =800 00 4 200 00, , j VP i� �� � j � � �800 00 10 80 00, % , SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 242 Agora, o valor da prestação é a soma da amortiza- ção e o juro: No período seguinte, o valor dos juros será: Assim, o valor da prestação do período será: E assim consecutivamente. Observe que, se somarmos a coluna da amortização, o valor final será 8000 00, . Exemplo 01: Mário procurou o gerente do Banco Marcondes S/A querendo financiar uma casa no valor de R$ .150 000 para pagar em 5 meses. O gerente pas- sou a taxa de financiamento que era de 1% . .a m e o sistema de amortização era o SAC. Qual é o valor da prestação mensal que Mário terá que pagar? PMT A j PMT , , ,200 00 80 00 280 00 j � � �600 00 10 60 00, % , PMT � � �200 00 60 00 260 00, , , SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 243 SISTEMA FRANCÊS DE AMORTIZAÇÃO (SAF) O Sistema Francês de Amortização (SFA) ou Sistema Price é o mais utilizado no mercado financeiro e no comércio. Neste sistema, as prestações são uniformes e com periodicidade constante. Assim, o devedor, ao obter o financiamento, passa a pagar prestações comumente mensais de valores iguais até o final do financiamento, constituídas de amortização e de juros (MASAKAZU, 2016), conforme podemos observar na Tabela 2: SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 244 Tabela 2 - Sistema Francês de Amortização SALDO INICIAL JUROS CALC. SALDO APÓS JUROS PGTO. AMORT. JUROS PAGOS SALDO FINAL n Sn−1 Jn Snj Rn = An + Jn Sn S in−1. S Jn n� �1 � A Jn n+ � S Rn j n− � 1 800 00, 80 00, 880 00, 252 38, 172 38, 80 00, 627 62, 2 627 62, 62 76, 690 38, 252 38, 189 62, 62 76, 438 00, 3 438 00, 43 80, 481 80, 252 38, 208 58, 43 80, 229 42, 4 229 42, 22 94, 252 36, 252 36, 229 42, 22 94, 0 Totais 209 50, 1 009 50. , 800 00, 209 50, Fonte: De Castro e Dal Zot (2015, p. 96) SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 245 Assim, o cálculo da anuidade postecipada é obtido mediante a seguinte fórmula: 4 4 (1 ) 0,10(1 0,10) 800 252,38 (1 ) 1 (1 0,10) 1 n n i iPMT VP i + + = = = + − + − . Observe que, ao montar-se o plano financeiro, a coluna dos pagamentos deve ser a primeira a ser preenchida, conforme podemos verificar na Tabela 2. Veja, que o primeiro pagamento ainda é a soma da amortiza- ção 172 38, mais os juros do período 80 00, , totalizando o valor de 252 38, . Utilizando a calculadora temos: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 1 10. ENTER� � 1 10. yx�� �� clear fin� � 4 0 10yx�� � � �� �. 4 �� � 800 PV� � 1 10 4. ENTERyx� � �� �� 0 10 1 10, .�� �� �� ��y x 4 n� � 1 �� � �� � 4 1 10�� � �� ��� . yx 10 i� � 800 �� � 800 �� � PMT� � � � 252 38, � � 252 38, � � �252 38, SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 246 Exemplo 02: Mário procurou o banco Marcondes S/A, pois quer comprar um carro no valor de R$ . ,60 000 00 para pagar em 60 prestações mensais iguais. O gerente do banco informou que a taxa mensal é de 2% . Qual o valor da prestação a ser paga pelo comprador? E qual o valor do montante final que Mário vai ter que pagar? Utilizando a calculadora temos: RPN ALG FÓRMULA HP-12C 1 02. ENTER� � 1 02. yx�� �� clear fin� � 60 0 02yx�� � � �� �. 60 �� � 60000 PV� � 1 02 60, ENTER yx� � �� �� 0 02 1 02, .�� � �� ��� yx 60 n� � 1 �� � �� � 60 1�� � �� �x 2 i� � 60000 �� � 60000 �� � PMT� � � �1 726 07. , � �1 726 07. , � � �1 726 07. , 1 0 60 1 1 PMT VP i i i n n ) . ( ) , 1 000 0 02 1 0 02 02 60 ) . ,60 1 1 726 07 SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 247 Valor presente da dívida Você sabia que, muitas vezes, não basta saber o valor da prestação de um financiamento visto que a qual- quer momento você poderá quitá-lo? Por isso é importante saber calcular o valor presente da dívida. Considere o exemplo: Ana paga R$ ,500 00 reais de prestação de um carro. Restam ainda, 18 parcelas para quitá-lo. Assim, ela foi ao Banco Marcondes S/A com um montante para quitá-lo na hora. Qual seria o valor presente da dívida de Ana se a taxa de juros é de 1 62, % .a m ? FÓRMULA HP-12C clear fin� � 500 PMT� � 18 n� � 1 62, i� � PV� � � � �7 752 52. , Você sabia que pode calcular o saldo devedor, amor- tização e juro em um período qualquer no tempo? Pois bem, você pode. Para isso, considere t como a quantidade de períodos vencidos, saldo devedor SDt� � , amortização At� �e juro Jt� � então, vejamos: SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 248 SD VP i i i VP i A t n t n t � �� � �� � �� � � � � � � � � � � � � � � � � �� � � � � � � �� 1 1 1 1 1 � � �� � �� � � � � � � � � � � � �� � �� � � � � �� � � � t n t n t i J i i VP i i i 1 1 1 1 1 1 1 � � � � � �� nn � � � � � � � � �1 Exemplo 03: José emprestou R$ . ,120 000 00 a ser pago em 12 prestações mensais, sem entrada, com juros de 3% . .a m Vamos calcular as prestações mensais e o saldo devedor no oitavo mês, isto é, após o pagamento da oitava prestação. 1. Prestações PMT� � 1 01 1 PMT VP i i i n n . .1 120 000 0 03 1 0 03 03 12 12 1 120 000 0 04277283 0 42576089 12 055 45 . . . . ,PMT SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 249 FÓRMULA HP-12C clear fin� � 120.000 PV 12 n� � 3 i� � PMT� � � � �12 055 45. , 2. Saldo devedor 1 0 120 1 1 1 1 SD VP i i i SD t n t n t 000 11 0 03 1 0 03 03 1 120 12 8 12 , SDt 0000 44 811 29 1 42576089 1 26677008 0 42576089 . , . . . SDt SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 250 FÓRMULA HP-12C clear fin� � 120.000 CHS PV 12 n� � 3 i� � PMT� � 8 f AMORT� �� � RCL PV� �� � � � �44 881 29. , 3. Juro a ser pago no quinto mês J VP i i i i J t n t n t � � �� � � �� � �� � � � � � � � � � � � � � �1 1 1 1 120 000 0 03 1 0 0 1 . , , 33 1 0 03 1 0 03 1 120 000 0 03 1 425 12 5 1 12 � � � �� � �� � � � � � � � � � � � � � , , . , .Jt 776089 1 1250881 0 42576089 2 538 76 �� �� � �� � . . . ,Jt SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 251 FÓRMULA HP-12C clear fin� � 120.000 CHS PV 12 n� � 3 i� � PMT� � 4 f AMORT� �� � 1 f AMORT� �� � � � 2 538 76. , 4. Amortização do décimo mês A i i i A t t n t � �� � � �� � � � � � � � � � � � �� � � � � � 1 1 1 120 000 1 0 03 0 03 1 1 10 1 . , , 00 03 1 120 000 0 03914320 0 42576089 12 , . , , � � � � � � � � � � � � � �� � �� � A A t t 111 032 44. , SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 252 FÓRMULA HP-12C clear fin� � 120.000 CHS PV 12 n� � 3 i� � PMT� � 9 f AMORT� �� � 1 f AMORT� �� � X Y�� 11 032 44. , SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 253 Considere um apartamento no valor de R$ . ,747 029 12 , que está sendo financiado por oito anos, à taxa de juros de 22 4744887, % ao semes- tre. As amortizações anuais são realizadas pelo SAF. Qual o momento aproximado em que o sal- do devedor da dívida esteja reduzido a 2 3 do va- lor financiado? Solução: Taxa anual taxa semestrali i � � � �� � � � � � � � � 1 1 1 22474487 1 0 52 2, , �� � � � �� � � �� � �� � � � � � � � � � � � � � � 0 5 50 1 1 1 1 2 3 1 5 18 , % , SD VP i i i VP t n t n ,, , , , , , , 5 1 5 1 2 3 1 5 1 5 16 4193 1 5 9 209 8 8 � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � t t t 66 t t anos � � � � log , log , , 9 2096 1 5 5 48 Fonte: adaptado de Azevedo (2015, p. 134). SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 254 SISTEMA PRICE (DERIVAÇÃO DO SAF) O sistema Price de Amortização representa uma variante do sistema francês. O sistema Price, fun- damentalmente adotado quando os períodos das prestações (normalmente mensais, mas não neces- sariamente) apresentarem-se menores que o da taxa de juros, tem como característica básica o uso da taxa proporcional (linear) simples em vez da taxa equivalente composta de juros. Exemplo 04: Considere uma série de pagamentos com prestações mensais, iguais e sucessivas. Considerando que a taxa contratada seja de 30% .a.a a. Qual a taxa mensal aplicada no Sistema Francês de Amortização? No SAF, a conversão de taxa corresponde à taxa equivalente composta, logo: i i i eq eq eq 1 1 1 0 30 1 1 0221045 1 12 ic nt nc/ /, , 11 2 2104, % . .a m SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 255 A taxa de 2 2104, % a.m é a taxa aplicada para apu- rar as prestações mensais no SAF.; b. Qual a taxa mensal aplicada na Tabela Price? Na Tabela Price, utiliza-se taxa proporcionar linear, logo: 30% a.a: 12 meses = 2 5, % a.m A taxa de 2 5, % a.m é a taxa aplicada para apurar as prestações mensais na Tabela Price.] SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 256 APLICAÇÕES DOS SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO Caro(a) aluno(a), trataremos de algo muito presente em nosso cotidiano: as compras a crédito. Quando um vendedor nos oferece um financia- mento para a compra de um objeto, ele está fazendo uso de tabelas que foram produzidas por sua gerên- cia financeira, com base nos tópicos que trataremos. a. Saldo devedor: é a diferença entre o valor financiado reajustado e o valor total que já foi amortizado (pago) até o momento. É o valor que ainda resta a ser pago. b. Amortização: é a redução gradual do valor de uma dívida, por meio do pagamento de prestações regulares até que o montante total emprestado tenha sido reembolsado. SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 257 As formas de pagamentos de dívidas, na prática, podem ocorrer como: a. SAC – Sistema de Amortização Constante b. SAF – Sistema Francês de Amortização c. SAM – Sistema de Amortização Misto d. SAA – Sistema de Amortização Americano e. Price – Tabela Price (derivação do sistema SAF) O sistema de amortização constante não é muito praticado no Brasil, mas em operações de financia- mento habitacional ainda é encontrado. São características do sistema de Amortização Constante: a. Amortizações iguais b. Juros decrescentes c. Amortizações decrescentes O sistema Francês de amortização é amplamente utilizado, mas se deve tomar muito cuidado para não confundir com a Tabela Price. Em ambos os sistemas, as prestações são iguais e constantes, no entanto diferem na conversão de taxa de juros praticadas. SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 258 Operações de financiamentos ■ Características do contrato. ■ Condições contratadas. ■ Valor do Bem. ■ IOC ou IOF – Imposto sobre Operação Financeira. ■ TAC – Tarifa de Abertura de Crédito. ■ TEC – Tarifa de Emissão de Carnê. ■ Serviços de Terceiros. ■ Número de parcelas. ■ Taxa de juros mensais. ■ Taxa de juros anual. Tanto no SAF como na Tabela Price, a sériede paga- mentos tem prestações constantes (iguais). Como diferenciar? Enquanto no SAF utiliza-se a taxa equi- valente composta, na Tabela Price, utiliza-se a taxa proporcional simples. SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 259 Exemplo 01: considere que você assinou um con- trato de financiamento em uma instituição financeira em 01/09/20XX, com as seguintes características: Valor do principal: R$ . ,1 000 00 Sistema de amortização: Tabela Price Taxa de juros: 12% .a a , capitalizada mensalmente Prazo de amortização: 12 meses Seguros: R$ ,50 00 mensais Taxa de administração: R$ ,20 00 por parcela Pede-se: Monte a planilha de evolução do financiamento. Resolução: Como o sistema é de Tabela Price, a taxa mensal é a proporcional simples, ou seja, 1% ao mês. SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 260 N JUROS AMORT PARCELA SEGURO TX ADM DESEMBOLSO SALDO A B=C-A C D E F=C+D+E G 1.000,00 1 10,00 78,85 88,85 50,00 20,00 158,85 921,15 2 9,21 79,64 88,85 50,00 20,00 158,85 841,21 3 8,42 80,43 88,85 50,00 20,00 158,85 761,08 4 7,61 81,24 88,85 50,00 20,00 158,85 679,84 5 6,80 82,05 88,85 50,00 20,00 158,85 597,79 6 5,98 82,87 88,85 50,00 20,00 158,85 514,92 7 5,15 83,70 88,85 50,00 20,00 158,85 431,22 8 4,31 84,54 88,85 50,00 20,00 158,85 346,68 9 3,47 85,38 88,85 50,00 20,00 158,85 261,30 10 2,61 86,24 88,85 50,00 20,00 158,85 175,07 11 1,75 87,10 88,85 50,00 20,00 158,85 87,97 12 0,88 87,97 88,85 50,00 20,00 158,85 0,00 SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 261 Exemplo 02: considere que você assinou um contrato de financiamento de sua bicicleta em uma institui- ção financeira, em 01/09/20XX, com as seguintes características: Valor da bicicleta: R$ . ,1 000 00 Sistema de amortização: SAC Taxa de juros: 12% .a a, capitalizada semestralmente Prazo de amortização: 12 meses Seguros: R$ ,50 00 mensais Taxa de administração: R$ ,20 00 Pede-se: Monte a planilha de evolução do financiamento Resolução: 12%a.a, capitalizada semestralmente = taxa nominal 12%a.a: 2 semestres no ano = 6% ao semestre = taxa efetiva i ic i i eq nt nc eq eq 1 1 1 0 06 1 1 0097588 1 1 6 / /, , 00 97588, % .a m A taxa de 0 97588, % a.m é a taxa aplicada sobre saldo devedor no sistema SAC. SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 262 N JUROS AMOST PARCELA SEGURO TX ADM DESEMBOLSO SALDO A B=SD:12 C=A+B D E F=C+D+E G 0 1.000,00 1 9,76 83,33 93,09 50,00 20,00 163,09 916,67 2 8,95 83,33 92,28 50,00 20,00 162,28 833,33 3 8,13 83,33 91,47 50,00 20,00 161,47 750,00 4 7,32 83,33 90,65 50,00 20,00 160,65 666,67 5 6,51 83,33 89,84 50,00 20,00 159,84 583,33 6 5,69 83,33 89,03 50,00 20,00 159,03 500,00 7 4,88 83,33 88,21 50,00 20,00 158,21 416,67 8 4,07 83,33 87,40 50,00 20,00 157,40 333,33 9 3,25 83,33 86,59 50,00 20,00 156,59 250,00 10 2,44 83,33 85,77 50,00 20,00 155,77 166,67 11 1,63 83,33 84,96 50,00 20,00 154,96 83,33 12 0,81 83,33 84,15 50,00 20,00 154,15 - SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 263 Exemplo 03: Considere que você tenha assinado um contrato de financiamento em uma instituição finan- ceira, em 01/09/20XX, com as seguintes características: Valor do bem: R$ . ,1 000 00 Sistema de amortização: SAF Taxa de juros: 12% .a a , capitalizada anualmente Prazo de amortização: 12 meses IOF financiado: 2% do valor do bem Seguros: R$ ,50 00 mensais Pede-se: Monte a planilha de evolução do financiamento. Resolução: i ic i i eq nt nc eq eq � �� ��� � � � � �� ��� � � � � � 1 1 1 0 12 1 1 0094888 1 1 12 / / , , �� 0 94888, % . .a m A taxa de 0 94888, % a.m é a taxa aplicada aplicada sobre saldo devedor no sistema SAF. SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 264 N JUROS AMORT PARCELA SEGURO IOF DESEMBOLSO SALDO A B=C-A C D E F=C+D+E G 0 20,00 1.020,00 1 9,68 80,65 90,33 50,00 - 140,33 939,35 2 8,91 81,42 90,33 50,00 - 140,33 857,93 3 8,14 82,19 90,33 50,00 - 140,33 775,73 4 7,36 82,97 90,33 50,00 - 140,33 692,76 5 6,57 83,76 90,33 50,00 - 140,33 609,00 6 5,78 84,55 90,33 50,00 - 140,33 524,45 7 4,98 85,36 90,33 50,00 - 140,33 439,09 8 4,17 86,17 90,33 50,00 - 140,33 352,92 9 3,35 86,98 90,33 50,00 - 140,33 265,94 10 2,52 87,81 90,33 50,00 - 140,33 178,13 11 1,69 88,64 90,33 50,00 - 140,33 89,48 12 0,85 89,48 90,33 50,00 - 140,33 0,00 SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 265 Caro(a) acadêmico(a), nesta unidade, conseguimos mostrar a utilização prática e contínua da mate- mática financeira nos negócios realizados no dia a dia das empresas. Neste momento, você está apto a efetuar cálculos de juros, descontos, séries de paga- mentos e sistemas de amortização, operações estas presentes nas finanças dos negócios e também nas finanças pessoais. SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 266 CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), nesta unidade, você teve a opor- tunidade de avançar nos seus conhecimentos sobre o assunto de matemática financeira, a partir dos sis- temas de amortização de empréstimos. Agora, você passou a compreender o funcionamento das formas de financiamento a longo prazo, em que se obtém um recurso emprestado e as formas de devolução incluem o principal adicionados, os juros. Ou seja, o valor total de cada parcela de um determinado empréstimo. Neste contexto, você pode conhecer as duas for- mas mais utilizadas no mercado para financiamento de longo prazo, isto é, o Sistema de Amortização Constante (SAC) e Sistema Francês de Amortização (SAF), isto é, o Sistema Price. Ainda, você pode cons- tatar que nessas modalidades de pagamentos que foram estudadas é de utilização exclusiva do crité- rio de juros compostos. Aprendemos que o SAC é mais voltado para financiamentos imobiliários, já que compreende amortizações iguais de parte do valor emprestado, isto é, reduz-se a dívida a cada pagamento de forma igual. Por sua vez, vimos que o SAF é muito utilizado no SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO E APLICAÇÕES 267 mercado na aquisição de empréstimos pessoais e também em financiamentos corriqueiros, como o de automóveis. Desta forma, aprendemos que o sis- tema SAF tem como características as prestações serem iguais. Portanto, aprendemos que cada sistema de amor- tização, SAC ou SAF, tem suas características e especificidades. Por isso, deve-se construir uma planilha financeira padronizada, que contenha os diversos fluxos de pagamentos e recebimentos. Agora que você já conhece os principais elementos da matemática financeira, é hora de sair pratican- do-a, visto que você utilizará esses conhecimentos em toda a sua jornada, seja profissional seja pes- soal. Os empréstimos e financiamentos bem como os investimentos estão toda hora batendo à porta. Por isso, esperamos que você faça um bom uso da matemática financeira para tomar as melhores deci- sões pessoais ou profissionais. 1. Construa a tabela de amortização de um emprés- timo de R$ . ,10 000 00 para ser pago em 4 presta- ções mensais, com taxa de juros de 2%a.m, pelo Sistema de Amortização Constante. 2. Construa a tabela de amortização de um emprés- timo de R$ . ,10 000 00 para ser pago em 4 presta- ções mensais, com taxa de juros de 2%a.m, pelo Sistema de Amortização Constante. Carência de Juros e Principal de 2 meses. 3. Construa a tabela de amortização de um emprés- timo de R$ . ,10 000 00 para ser pago em 4 presta- ções mensais, com taxa de juros de 2%a.m, pelo Sistema de Amortização Constante. Carência so- mente de Principal de 2 meses. 4. Construa a tabela de amortização de um emprés- timo de R$ . ,10 000 00 para ser pago em 4 presta- ções mensais, com taxa de juros de 2%a.m, pelo Sistema Francês de Amortização. 5. Construa a tabela de amortização de um emprés- timo de R$ . ,10 000 00 para ser pago em 4 presta- ções mensais, com taxa de juros de 2%a.m, pelo Sistema Francês de Amortização. Carência de Juros e Principal de 2 meses. 6. Construa a tabela de amortização de um emprés- timo de R$ . ,10 000 00 para ser pago em 4 presta- ções mensais, com taxa de juros de 2%a.m, pelo Sistema Francês de Amortização. Carência so- mente de Principal de2 meses. Sistema de Amortização Crescente - Sacre Podemos encontrar, além do Sistema SAC e o Price, também o Sacre, em financiamento de imóveis. As prestações pelo Sacre são determinadas a cada período de 12 meses, pela soma do valor da amor- tização e dos juros, calculadas como segue: Valor daamortização Saldodo financiamento Númerode pres � � � � � � � = ttações remanescentes� Valor dos juros = Saldo do �nanciamento taxa de juros� Valor da prestação = Valor da amortização � valor dos juros Por exemplo: utilizando o conjunto de fórmulas da 1ª à 12ª: Valor da amortização Valor dos juros 100 100 000 36 2 777 78. . , ..000 0,986358%=986,36 Valor da prestação 2 777 78 986 36 3. , , .. ,764 14 Agora vamos obter o valor da 13ª à 24ª prestação: Valor da amortização Valor dos juros 70 280 75 24 2 928 36 7 . , . , 00.280 0,986358%=693,22 Valor da prestação 2 928 36 693 22. , , 33 621 58. , Agora vamos obter o valor da 24ª à 36ª prestação: Valor da amortização Valor dos juros 37 475 81 12 3 122 98 3 . , . , 77 3 122 98 369 .475,81 0,986358%=369,65 Valor da prestação . , ,665 3 492 63. , Sistema de Amortização Americano (SAA) No SAA, o valor do empréstimo ou financiamento é li- quidado somente ao final da operação, isto é, em uma única vez. Neste tipo de amortização, os juros são pa- gos comumente durante o período de carência. No en- tanto podem ocorrer operações em que os juros são integrados ao capital e pagos no vencimento da ope- ração. Ainda, o SAA possui as seguintes características: a) A amortização ocorre, geralmente, ao final da operação. b) Os valores dos juros são constantes. c) Os valores das prestações são constantes e com- postos somente de juros, com exceção da última prestação. Características comuns a todos os sistemas de amortização Como pudemos observar, o sistema de amortiza- ção é um fluxo de caixa concedido no início do prazo da operação financeira, e esse valor, acresci- do de juros (e “atualização monetária”, em algumas modalidades), é amortizado até o (ou no) venci- mento da operação. Do ponto de vista do fluxo de caixa, a diferença entre os diversos sistemas de amortização de em- préstimos e financiamentos está tão somente na forma de determinação do valor das prestações PMT� � , que pode ser “postecipada”, antecipada ou diferida. Com exceção deste item, todos os siste- mas de amortização possuem as seguintes carac- terísticas comuns: a) Os juros J� � são devidos sempre sobre o saldo devedor do mês anterior SDj�� �1 ; logo, se não há saldo devedor, não há juro. b) O saldo devedor do mês corrente SDj� � é calcu- lado como segue: Saldo anterior: (+) Juros (–) Prestação (=) Saldo atual c) Em financiamentos de médio e longo prazo, o sal- do devedor SD� � do mês corrente (mês n ) é atuali- zado, monetariamente, com um índice predetermi- nado TR TJLP etc, ,� � antes de calcular os juros. d) A amortização A� � é a diferença entre a prestação PMT� � e o juro j� � ; portanto, a soma das amortiza- ções e juros é igual à soma das prestações. e) O saldo devedor, ao final da operação, deve ze- rar com a fórmula: Saldo inicial: (–) Soma das amortizações (=) Saldo final f ) Caso exista atualização monetária, o cálculo é feito mediante a seguinte fórmula: Saldo inicial: (+) Soma das parcelas de atualização monetária (–) Soma das amortizações (=) Saldo final Fonte: adaptado de Masakazu (2016). MATERIAL COMPLEMENTAR Matemática financeira com ênfase em produtos bancários Armando José Tosi Editora: Atlas Sinopse: este livro destina-se ao profissional ou estudante da área financeira que busca informações técnicas atualizadas sobre a matemática financeira e sua utilização na solução dos problemas que envolvem o atual mercado financeiro brasileiro. REFERÊNCIASREFERÊNCIAS ASSAF NETO, A. Matemática financeira. Edição universitária. São Paulo: Atlas, 2017. AZEVEDO, G. H. W. Matemática financeira: prin- cípios e aplicações. São Paulo: Saraiva, 2015. DE CASTRO, M. L.; DAL ZOT, W. Matemática Finan- ceira: fundamentos e aplicações. [S.l]: Bookman Editora, 2015. MASAKAZU, H. Matemática financeira: didática, objetiva e prática. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2016. GABARITO 1. n JUROS AMORTIZAÇÃO PRESTAÇÃO SALDO DEVEDOR 0 10.000,00 1 20,00 2.500,00 2.700,00 7.500,00 2 150,00 2.500,00 2.650,00 5.000,00 3 100,00 2.500,00 2.600,00 2.500,00 4 50,00 2.500,00 2.550,00 - 2. JUROS AMORTIZAÇÃO PRESTAÇÃO SALDO DEVEDOR 0 10.000,00 1 200,00 10.200,00 2 204,00 10.200,00 3 208,08 2.601,00 2.809,08 7.803,00 4 156,06 2.601,00 2.757,06 5.202,00 5 104,04 2.601,00 2.705,04 2.601,00 6 52,01 2.601,00 2.653,02 - 3. JUROS AMORTIZAÇÃO PRESTAÇÃO SALDO DEVEDOR 0 10.000,00 1 200,00 200,00 10.000,00 2 200,00 200,00 10.000,00 3 200,00 2.500,00 2.700,00 7.500,00 4 150,00 2.500,00 2.650,00 5.000,00 5 100,00 2.500,00 2.600,00 2.500,00 6 50,00 2.500,00 2.550,00 - GABARITO 4. JUROS AMORTIZAÇÃO PRESTAÇÃO SALDO DEVEDOR 0 10.000,00 1 200,00 2.426,24 2.626,24 7.573,76 2 151,48 2.474,76 2.626,24 5.099,00 3 101,98 2.524,26 2.626,24 2.574,74 4 51,49 2.574,74 2.626,24 - 5. JUROS AMORTIZAÇÃO PRESTAÇÃO SALDO DEVEDOR 0 10.000,00 1 200,00 10.200,00 2 204,00 10.404,00 3 208,08 2.524,26 2.732,34 7.879,74 4 157,59 2.574,74 2.732,34 5.305,00 5 106,10 2.626,24 2.732,34 2.678,76 6 53,58 2.678,76 2.732,34 - 0,00 6. JUROS AMORTIZAÇÃO PRESTAÇÃO SALDO DEVEDOR 0 10.000,00 1 200,00 200,00 10.000,00 2 200,00 200,00 10.000,00 3 200,00 2.426,24 2.626,24 7.573,76 4 151,48 2.474,76 2.626,24 5.099,00 5 151,48 2.474,76 2.626,24 2.574,74 6 51,49 2.574,74 2.626,24 - CONCLUSÃO Neste livro, caro(a) aluno(a), descobrimos que a matemática financeira está mais próxima do nos- so cotidiano do que imaginávamos. Vimos que ela está o tempo todo presente em nossas tomadas de decisões sobre investimentos ou financiamentos. Assim, durante a nossa disciplina, pudemos com- preender que a matemática financeira nos dá em- basamento para conhecer como os juros são apli- cados no mercado, dando subsídios conceituais e ferramentas para que se tomem decisões racionais sobre as operações financeiras, considerando o va- lor que o dinheiro apresenta ao longo do tempo. Iniciamos os nossos estudos conhecendo os con- ceitos e os aspectos iniciais sobre os juros sim- ples, o valor do dinheiro no tempo, os conceitos dos elementos financeiros, as taxas de juros, os sistemas de capitalização e o fluxo de caixa. Na sequência, tivemos a oportunidade de apren- dermos, na prática, os sistemas de capitalização simples, como: os juros simples, a equivalência simples e o desconto simples. Posteriormente, avançamos para o sistema de capitalização com- posta, os juros compostos, a equivalência com- posta e o desconto composto. CONCLUSÃO CONCLUSÃO Neste livro, você passou a ter o entendimento so- bre as abordagens de rendas e anuidades, com- preendeu rendas certas, rendas diferidas e rendas perpétuas. Por fim, passamos a entender os siste- mas de amortização (SAC e SAF) e suas aplicações. Agora que você já aprendeu sobre as aplicações da matemática financeira, está apto para iniciar um mergulho no seu horizonte profissional. Es- peramos que, a partir do seu avanço no conhe- cimento sobre a área, você já tenha começado a praticar a matemática financeira, mesmo que em decisões pessoais, ou seja numa compra a prazo, no financiamento de um bem ou imóvel ou até em investimentos no mercado financeiro. Deseja- mos a você muito sucesso neste universo fantásti- co da matemática financeira.