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Disciplina: Análises Bioquímicas Análises Bioquímicas Módulo 1 Prof. Wallace Pacienza Lima, PhD. wallaceplima@hotmail.com wallaceplima@unigranrio.edu.br Wallacepacienza Wallace Pacienza Lima Função Renal 2 AVALIAÇÃO LABORATORIAL DA FUNÇÃO RENAL O exame de urina proporciona ao clinico informações preciosas sobre patologia renal e do trato urinário. Simplicidade, baixo custo e facilidade na obtenção da amostra para análise. O exame de urina compreende em exame físico, exame químico, exame microscópico e exame bacteriológico. A cor da urina é um sinal de doença??? A urina normal varia de amarelo bem claro até amarelo escuro. http://3.bp.blogspot.com/_pMxMXFn7L-4/SVRPcMyUcfI/AAAAAAAAD6o/v6qC3gyCtEg/s1600-h/dark_urine.jpg 4 FUNÇÃO RENAL Funções do rim: Regulação do balanço de água, eletrólitos e equilíbrio ácido-básico Excreção dos produtos do metabolismo de proteínas e ácidos nucléicos: uréia, creatinina, ácido úrico, sulfato e fosfato Produção de hormônios: renina, calcitriol, eritropoetina. FUNÇÃO RENAL Os rins são órgãos duplos. Da bexiga, a urina drena através da uretra e é eliminada do organismo. Cada rim contém cerca de um milhão de unidades filtradoras, Néfrons. O néfron é constituído por uma estrutura redonda e oca, Cápsula de Bowman, que contém uma rede de vasos sanguíneos, glomérulos. O conjunto dessas estruturas é denominado Corpúsculo Renal. Cada rim possui um ureter, que drena a urina da área coletora central do rim para a bexiga. Sintomas de Distúrbios Renais Os sintomas variam de acordo com o tipo de distúrbio. A febre e a sensação de mal-estar generalizado são sintomas comuns. - Cistite geralmente não causar febre. - Pielonefrite causa febre alta. - Micção frequente sem aumento da quantidade diária total de urina é um sintoma de infecção de bexiga, ou corpo estranho como cálculos ou tumores. A maioria das pessoas urinam cerca de 4 a 6 vezes por dia - A micção frequente durante a noite (noctúria) pode ocorrer nos estágios iniciais de uma nefropatia, insuficiência cardíaca, insuficiência hepática ou diabetes. - Obstrução da uretra são o início hesitante da micção, a necessidade de esforço para urinar, o jato de urina fraco e irregular e o gotejamento no final da micção. DOENÇAS RENAIS GLOMERULONEFRITE AGUDA • Processo inflamatório asséptico que afeta os glomérulos. • Resultados da uroanálise: hematúria, alto nível de proteína, oligúria (diminuição do vol urinário), presença de cilindros hemáticos, hemácias dismórficas, cilindros hialinos, granulares e leucócitos. NEFRITE INTERSTICIAL AGUDA • Inflamação do interstício renal sem anormalidades glomerulares ou vasculares; • Achados laboratoriais: hematúria, leucócitos e cilindros leucocitários sem a presença de bactérias, proteinúria leve/moderada. GLOMERULONEFRITE CRÔNICA • Vários distúrbios que produzem lesões recidivantes ou permanentes nos glomérulos; • Achados laboratoriais: presença de sangue, proteínas e grandes variedades de cilindros – indica perda da capacidade de concentração renal e baixa taxa de filtração glomerular. SÍNDROME NEFRÓTICA • Proteinúria, edema, níveis séricos elevados de lípides e baixos de albumina; • Achados laboratoriais: proteinúria, gordura, células epiteliais do túbulo renal, cilindros, hematúria. DOENÇAS RENAIS PIELONEFRITE • Decorre muitas vezes de episódios não-tratados de cistite ou de infecções do trato urinário inferior; • Achados laboratoriais: leucócitos, cilindros, bactérias, reações positivas para nitrito, proteinúria e hematúria. INSUFICIÊNCIA RENAL • Resultado da necrose tubular aguda, pode decorres de vasoconstrição renal ou de lesão tubular; • Achados laboratoriais: baixa taxa de filtração glomerular, falta de capacidade de concentração renal e níveis elevados de nitrogênio e creatinina. O que é o EAS? • Para o leigo: o exame de urina • Conceitualmente: Exame qualitativo de urina (EAS). Exame de elementos anormais da urina. Qual a utilidade do EAS • Doenças renais • Doenças do trato urinário • Doenças metabólicas • Outras doenças sistêmicas Em que consiste o EAS? • Verificação do aspecto e cor, pH e densidade • Pesquisa de proteínas e glicose • Pesquisa de corpos cetônicos • Pesquisa de urobilinogênio e bilirrubinas • Pesquisa de hemácias e leucócitos • Pesquisa de nitritos e esterases • Sedimentoscopia Como deve ser feita a coleta? • Primeira urina, pela manhã (mais concentrada) • Limpeza suave dos genitais, com antisépticos ou água e sabão neutro • Mulher: abrir os grandes lábios • Coletar o jato médio • Recipiente descartável, limpo, seco • Etiquetar com nome, data e hora da coleta • Examinar até 1 hora após a coleta (refrigerada/4horas) 14 • Para obter a urina de 24h, precede-se da seguinte maneira: esvazia-se a bexiga a dada hora (oito da manha, por exemplo), desprezando-se essa micção; daí por diante coleciona-se toda a urina emitida ate o dia seguinte inclusive à micção das oito horas, (ou da hora que iniciou a colheita do dia anterior). • A colheita em crianças pode ser feita por meio de coletor de plástico ou da punção suprapúbica. Como deve ser feita a coleta? EAS Usa-se urina recente que não tenha sido centrifugada. Não se deve esperar por mais de 2 horas até a realização do teste. A urinálise consiste na análise química para a detecção de proteínas, açúcar e cetonas e no exame microscópico para se detectar a presença de eritrócitos e de leucócitos. Usa-se uma tira de plástico fina, impregnada com substâncias químicas que reagem substâncias presentes na urina e mudam de cor. Elementos Anormais Aspecto: Classificam-se em: límpida, semiturva e turva. A urina normal é de aspecto límpido sem sinais de turvação; o aparecimento deste sinal indica a presença de bactérias, pus, sangue, cristais ou corpúsculos gordurosos livres, que deverão ser confirmados no exame microscópico. Cor: O principal pigmento responsável pela cor é o urobilinogênio. Volume: O volume urinário varia conforme o volume corporal, a ingesta de líquidos, as perdas de líquido através da pele e as condições ambientais. A média normal é de 1000 a 2000 ml nas 24 horas. Qual é o aspecto normal? • Claro, transparente, límpida – Não deve ser turva, opaca, conter coágulos, muco ou outros elementos estranhos Quais as cores comumente encontradas? • Amarelo claro ou incolor • Amarelo escuro ou castanho • Alaranjada ou avermelhada • Marrom escuro ou enegrecida • Azulada ou esverdeada • Esbranquiçada ou leitosa Amarelo claro ou incolor • Poliúria • Diabetes mellitus • Insuficiência renal • Hiperhidratação • Diuréticos • Álcool Amarelo escuro ou castanho • Oligúria ou anúria (diminuição e a ausência da produção de urina) • Anemia perniciosa • Febre • Início de icterícias • Exercício extenuante Alaranjada ou avermelhada • Hematúria, hemoglobinúria, mioglobinúria • Icterícias hemolíticas • Uso de anilina, eosina, fenolftaneína, rifocina, sulfanol, tetranol, trional, xantonina, beterraba, piridina, nitrofurantoína, vit. A, • Contaminação menstrual Marrom escura ou enegrecida • CA de bexiga • Meta-hemoglobinúria • Malária • Melanoma maligno • Uso de metildopa, levodopa, metronidazol, argirol, salicilatos Azulada ou esverdeada • Pseudomonas • Icterícias • Cólera • Uso de Azul de Evans, Azul de metileno, riboflavina, amitriptilina, metocarbamol, cloretos, fenol, santonina Esbranquiçada ou leitosa • Quilúria • Lipidúria maciça • Hiperoxalúria • Fosfatúria • Pús Cor da urina Densidade azul de bromotimol; ác etilenoglicoldiaminoetiletertetracético pH azul de bromotimol; vermelho de metila; fenolftaleína Leucócitos éster indoxil; salde diazônio metoxi-morfolinobenzeno Hemoglobina tetrametilbenzidina; dimetildihidroperoxihexana Nitrito hidroxitetrahidrobenzoquinolina; sulfanilamida Corpos Cetônicos nitroprussiato de sódio; glicina Bilirrubina sal de diazônio diclorobenzeno Urobilinogênio sal de diazônio metoxibenzeno Proteínas tetraclorofenoltetrabromosulfoftaleína Glicose CI-APAC, GOD, POD Elementos Anormais O que é uma tira reagente? • São tiras plásticas que possuem substâncias, revelando a positividade por modificações de cor – Simples • (medem um único parâmetro) – Múltiplas Tira reagente multiparâmetros Qual é a técnica? • Submergir totalmente a tira na amostra de urina (máximo de 1 segundo) – Misturada, sem centrifugar • Retirar o excesso de urina por capilaridade, na borda do frasco • Comparar a cor das áreas reativas com a escala cromática correspondente. • Fazer a leitura em local com boa iluminação. Técnica Elementos Anormais Densidade 1.000 1.005 1.010 1.015 1.020 1.025 1.030 A densidade depende da concentração osmolar, resultante da ingestão de alimentos e bebidas, por um lado e da reabsorção de água por outro. Uma urina concentrada apresenta densidade alta, e uma urina diluída apresenta densidade baixa. Em um regime alimentar e de mobilização ideal, a densidade varia de 1.015 a 1.025 Em pacientes renais a densidade se mantém próximo a 1.010 Elementos Anormais pH 5.0 6.0 6.5 7.0 8.0 9.0 Os valores de pH encontrados com maior frequência em amostras de urina recentes em indivíduos saudáveis, situam-se entre 5.0 e 6.0 As alterações são devido principalmente aos metabolismo de alimentos, assim, refeições ricas em proteínas que formam produtos finais ácidos; baixam o pH, e a s dietas ricas em verduras e frutas formam bicarbonatos e elevam o pH. As alterações de pH urinário também podem ser produzidas com a utilização de drogas. Elementos Anormais Leucócitos Neg ca.15 ca.75 ca.125 ca.500 A reação detecta a presença de esterases existentes nos granulócitos. São detectados tanto os leucócitos íntegros quanto os lisados. Antibióticos que contenham imipenem, meropenem ou ácido clavulânico podem provocar reações positivas falsas. Se a urina apresentar uma cor forte, a cor da reação pode estar errada. Excreção protéica urinária acima de 500 mg/dl e a excreção de glicose acima de 2 g/dl podem diminuir a intensidade da cor da reação. Elementos Anormais A presença de eritrócitos na urina não está bem explicada, seja pela resistência da membrana glomerular, seja pelas paredes dos túbulos. O seu aparecimento geralmente está associado a um processo traumático na membrana, seja por contusão ou degeneração como na ruptura de capilares e pequenas arteríolas ou na glomerulonefrite. Pontos verdes dispersos ou compactados na zona de teste amarela indicam a presença de eritrócitos intactos. Uma coloração verde uniforme no teste indica a presença de hemoglobina ou mioglobina livres, ou de eritrócitos hemolisados na urina. Hemoglobina Neg ca.5-10 ca.10 ca.25 ca.25 ca.50 ca.50 ca.250 Elementos Anormais Nitritos Neg + ++ Os microorganismos que causam infecções do trato urinário, convertem o nitrato da dieta em nitrito, que produz uma coloração de rosa a vermelho na zona de teste. Portanto a reação detecta de forma indireta a presença de organismos formadores de nitrito na urina. Para um resultado válido, é essencial a retenção prolongada da urina na bexiga (4 - 8 horas) Elementos Anormais Corpos Cetônicos Neg 5 15 50 150 mg/dl A glicolise produz um grupo de substâncias compreendidas como corpos cetônicos, devido à relação de suas moléculas com a acetona. O excesso dessas substâncias desempenha um papel importante no coma diabético. Podem estar presentes nas intoxicações e no jejum prolongado. O Captopril e outras substâncias que contêm grupos sulfidril podem produzir resultados positivos falsos. Elementos Anormais Bilirrubina Neg + ++ +++ Normalmente não se observam pigmentos nem sais biliares na urina, denominando-se colúria o seu aparecimento patológico. A formação de espuma amarela ou amarelo-esverdeada, pela agitação, constitui um dos testes mais seguros para a pesquisa dos pigmentos biliares. Urobilinogênio Normal 1 (17) 4(70) 8(140) 12(200) mg/dl(nmol/l) Considera-se um resultado normal a não descoloração da área do teste Elementos Anormais A eliminação protéica do adulto atinge apenas 30 a 50 mg por 24 horas, das quais a terça parte se constitui de albumina e os 2 terços restantes de globulinas. A proteinúria é maior durante o dia e pode aumentar durante atividade física, e estado febril. Proteína Neg 15 30 100 300 1000 mg/dl Elementos Anormais Glicose Normal 100 300 1000 mg/dl A glicosúria, torna-se positiva na urina quando a glicemia atinge valores acima de 160 a 180 mg/dl no sangue circulante. Porém pode haver glicosúria sem hiperglicemia no sangue, neste caso está associada geralmente a disfunção tubular renal, pela não reabsorção da glicose, trata-se de uma forma benigna e em sua maioria transitória. Sedimentoscopia O exame microscópico do sedimento é sem dúvida um dos mais importantes para o estabelecimento do diagnóstico das afecções do trato urinário. O sedimento urinário poderá se apresentar pequeno, regular ou abundante, de coloração branca, amarelada ou avermelhada, e ainda de consistência flocosa ou viscosa. 43 Sedimentoscopia 44 Sedimentoscopia • Aplicação: – auxiliar no diagnóstico de uma doença; – triagem de uma população quanto a doenças assintomáticas, congênitas ou hereditárias; – monitorar a evolução de doença; – monitorar a efetividade ou as complicações de terapias. • O estudo da urina avalia alterações do trato urinário, da função renal, de doenças metabólicas, hemolíticas e hepáticas, além de possibilitar a identificação de condições e patologias raras. Quais as condições ideais para a sedimentoscopia? • Três condições são necessárias: • a) que a urina seja recente • b) que a urina seja concentrada • c) que a urina seja ácida – Risco de deterioração dos elementos formados O que pesquisar na sedimentoscopia? • Células epiteliais • Leucócitos • Hemácias • Cilindros • Muco Células epiteliais escamosas • São as mais comumente encontradas na urina e com menor significado. • Provêm do revestimento da vagina, da uretra feminina e das porções inferiores da uretra masculina. Células transicionais ou caudadas • O cálice renal, a pelve renal, ureter e bexiga são revestidos por várias camadas de epitélio transicional – Cateterização ou instrumentação urinária – Câncer Células dos túbulos renais • Isquemia aguda ou doença tubular renal, ou tóxica – Necrose tubular aguda por metais pesados ou drogas – Rejeição a transplante renal – Intoxicação por salicilatos Sedimentoscopia São denominadas células altas às células tubulares renais, com núcleo volumoso e geralmente excêntrico. Sua presença em número elevado é comum em recém nascidos normais. São denominadas células baixas às células epiteliais descamativas que pavimentam a uretra feminina e parte da uretra masculino. Apresentam-se ao microscópio com células grandes, achatadas de citoplasma refringente abundante e núcleo pequeno central. Estas células não apresentam valor diagnóstico, podendo sugerir, em casos de intensa descamação, processo inflamatório 51 ABNT NBR 15268:2005 Padronização do exame de sedimentação Amostra: jato médio Volume urinário mínimo: 10 mL Tempo de centrifugação:5 minutos Velocidade de centrifugação: 400 FCR (1.500-2.000 rpm) Volume de sedimento: 0,20 mL (200 L) Volume de sedimento observado: 0,02 mL (20 L) Lamínula padrão: 22 22 mm Ocular: 10 Objetivas : 10 e 40 Número de campos observados: 10 campos 52 • Homogeneizar e transferir 10 mL para tubo de centrífuga; • Centrifugar a 1.500 - 2.000 rpm por 5 minutos; • Retirar 9,8 mL do sobrenadante, deixando 0,20 mL no tubo; • Ressuspender com leves batidas no fundo do tubo; • Transferir 0,020 mL (20 L) para uma lâmina de microscopia; • Colocar uma lamínula padrão (22x22 mm); • Avaliar no mínimo, 10 campos microscópicos; • Calcular a média; • Expressar os resultados padronizados pelo Lab Clínico. ABNT NBR 15268:2005 Padronização do exame de sedimentação 53 Células Epiteliais 54 Células Epiteliais • São encontradas em praticamente todas as amostras urinárias, elas guarnecem o epitélio dos tratos urinário e genital e são eliminadas na urina devido a descamação ou esfoliação normal • Células epiteliais escamosas • Células do epitélio de transição • Células do epitélio renal • VR = algumas células (4 a 10) 55 • Células Epiteliais 56 Células Epiteliais 57 Células epiteliais cobertas com Gardnerella vaginalis 58 Células Epiteliais com Gardnerella vaginalis 59 Células Epiteliais de Transição 60 • Células Epiteliais Renais 61 A = Célula epitelial renal B = Leucócito 62 • Corpo Graxo Oval 63 Macrófagos 64 - “Clue cells”: vaginite cocobacilar por Gardnerella vaginalis – Células renais: >15 p/c doença renal ativa, lesão tubular – Corpo graxo oval: lipidúria (síndrome nefrótica, nefropatia do diabetes mellitus e lupóide, envenenamento por mercúrio ou etilenoglicol) SIGNIFICADO CLÍNICO DA PRESENÇA DE CÉLULAS EPITELIAIS Sedimentoscopia Leucócitos – Piócitos Leucócitos são glóbulos brancos que conservam suas características morfológicas intactas, piócito, são elementos degenerados que abundam nas infecções purulentas. A interpretação de piúria deverá se aliada a outros dados, tais como a presença de albumina, cilindros ou hemácias. O resultado será dado, expressando-se o número de elementos encontrados em média por campo microscópico em 400x SIGNIFICADO CLÍNICO DA PRESENÇA DE LEUCÓCITOS • A presença de mais de cinco leucócitos por campo é considerada anormal, é denominada piúria e indica inflamação no trato genitourinário. • A piúria pode ser devida a infecção bacteriana; pode ser causada por doenças intrínsecas renais, como a glomerulonefrite, a nefrite lupóide e tumores, ou ainda por doenças do trato urinário inferior ou do trato genital. 67 • Leucócitos: normalmente até 4 por campo 68 • Leucócito esterase 69 Leucócitos 70 Aglomerado de Leucócitos Sedimentoscopia Hemácias: Eritrócitos são encontrados tanto em doenças inflamatórias como não inflamatórias do aparelho urinário. A origem da hematúria é sempre duvidosa, sendo orientada em direção ao rim pelo encontro de cilindro hemáticos. 72 • Hemácias: normalmente 0 a 3 hemácias por campo – Isomórficas 73 Sangue Hemácias - Urina isotônica : hemácias aspecto usual - Urina diluída (hipotônica): hemácias maiores - Urina concentrada (hipertônica): hemácias crenadas Hemácias Isomórficas 74 • Hemácias Isomórficas 75 Aglomerado de Hemácias 76 77 • Dismorfismo eritrocitário Características: – Alterações da membrana celular – Presença de bulbos – Ruptura da membrana celular – Perda do conteúdo de hemoglobina – Perda do citoplasma – Presença de extrusões citoplasmáticas – Depósito de material fase-denso na região da membrana celular Fisiopatogênia: • Estresse mecânico: passagem pela membrana basal do glomérulo 78 Fisiopatogênia: Alteração osmótica por exposição ao filtrado hipotônico durante passagem ao longo dos néfrons Exposição à urina ácida e concentrada Influência de enzimas lisossomiais de células inflamatórias Tentativa de fagocitose por células epiteliais tubulares Dismorfismo eritrocitário 79 Hemácias Dismórficas: microscopia normal Hemácias Dismórficas: microscopia de contraste de fase 80 • Hemácias Dismórficas 1.000 X imersão 81 SIGNIFICADO CLÍNICO DA PRESENÇA DE HEMÁCIAS • Causas pré-renais: coagulopatias, terapia com anticoagulantes, anemia falciforme e hemoglobinopatias. • Causas renais glomerulares: glomerulonefrites agudas, glomerulonefrites crônicas, nefrite devido a lúpus e hematúria familiar benigna. • Causas renais não glomerulares: nefroesclerose, infarto renal, tuberculose renal, pielonefrite, rim policístico, nefrite intersticial, tumores, mal formações vasculares, traumatismo, necroses intersticiais, hematomas perirenais, abuso de analgésicos e nefropatias secundárias (irradiação, hipercalcemia, hiperuricemia). • Causas pós-renais: cálculos, tumores do trato urinário inferior, cistites, prostatites, epididimites, estenose da uretra, uretrites, hipertrofia da próstata, endometriose, exercícios físicos intensos e obstruções do fluxo urinário. Sedimentoscopia Cilindros: São formações de precipitação de proteína na luz tubular. Podem formar-se em qualquer região dos túbulos, mas o mais comum é a região distal devido a concentração máxima do filtrado. 83 Cilindro Hialino Cilindros hialinos: formações incolores, transparentes ou ligeiramente opacos. Surgem após exercícios físicos, períodos febris, uso de diuréticos sem que esteja relacionado a doença renal 84 Cilindros hialinos 85 • Cilindros de hemácias dentro dos túbulos renais Cilindros Hemáticos: Possuem hemácias em seu interior, indicam hemorragia no néfron, resultado de lesão glomerular como a nefrite hemorrágica 86 Cilindro Hemático 87 Cilindros Hemáticos 88 Cilindros Leucocitários Cilindros Leucocitários: Contém leucócitos na sua estrutura, indicam doença renal, processos inflamatórios, pielonefrite. 89 Cilindro Leucocitário 90 Cilindro Leucocitário 91 Cilindros Granulosos: Possuem a mesma estrutura dos hialinos, contudo contém granulações, provenientes de resíduos celulares epiteliais e de leucócitos ou ainda resíduos de proteína. Aparecem nas nefrites agudas • Cilindro Epitelial / granuloso 92 Cilindro Epitelial 93 – Hialino: normal até 2 cilindros (100 x) – Hemático: glomerulonefrite – Leucócitos: pielonefrite – Epiteliais: destruição, descamação epitélio tubular (glomerulonefrite, pielonefrite, infecções virais, exposição a nefrotóxicos) – Granulosos: desintegração cilindros celulares estase urinária – Céreos: estase renal prolongada insuficiência renal – Gordurosos: síndrome nefrótica (diabetes mellitus, degeneração renal, nefrotóxicos) SIGNIFICADO CLÍNICO DA PRESENÇA DOS CILINDROS: 94 • Proteína Sedimentoscopia Sedimentos Inorgânicos É representado pelos cristais e sua presença no sedimento é valorizado pelo pH urinário e a litíase renal. A litíase renal é uma doença manifestada pela formação de cálculo renal. A presença de cálculos nos rins, ureteres ou bexiga, além de causar forte dor pode infringir sérios danos teciduais. Cálculos são precipitações como agregados de vários componentes de baixa solubilidade normais da urina. Sedimentoscopia Urinas Ácidas: Uratos Amorfos: são pequenas granulações incolores, amorfas, podendo ser amarelas ou avermelhadas, isoladas ou reunidas. Podem ser de Sódio, Potássio, Magnésio ou cálcio. Sedimentoscopia Urinas Ácidas: Ácido Úrico: são os que apresentam maior número de formas: losangos, isolados, cruzados, roseta, como pedra de afiar, estrelas, Comum na gota, leucemia eafecções febris 98 Ácido Úrico Sedimentoscopia Oxalato de Cálcio: são incolores, brilhantes possuindo na maioria das vezes forma característica, assemelhando-se a um envelope. Surgem após alimentação rica em ácido oxálico, contido no tomate, espinafre, aspargo. 100 Oxalato de cálcio (dihidratado) 101 Oxalato de cálcio (monohidratado) Sedimentoscopia Urinas Alcalinas Fosfatos amorfos: são de aspecto granuloso, amorfo e incolores, podem ser de cálcio, surgindo em urinas alcalinas, neutras e também fracamente ácidas. Sedimentoscopia Urinas Alcalinas Fostato Triplo: geralmente aparecem após a fermentação amoniacal da uréia. São incolores em forma de prisma. – Fosfato triplo amoníaco-magnesiano Sedimentoscopia Urinas Alcalinas Carbonato de Cálcio: são amorfos, podendo cristalizar. Biurato de amônio 105 • Cristais de origem metabólica Tirosinemia hepato-renal: EIM, AR 1/120.000, Fumarilacetoacetato hidrolase Insuficiência hepática e tubulopatia Tirosina 106 Cistina Cistinúria: EIM, AR, 1/10.000 Reabsorção tubular alterada: Cys, Arg, Lys, Ort Lesão renal por cálculos de cys 107 Colesterol 108 Sedimento corado pela Bilirrubina Cilindro epitelial Cristais de Bilirrubina 109 • Bilirrubina Normal 110 Cristais de origem iatrogênica Sulfadiazina 111 Sulfonamida Amoxicilina 112 Indinavir Aciclovir 113 Contraste radiográfico 114 Ácido Úrico 115 Oxalato de Cálcio 116 Fostato Triplo http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=fosfato+triplo&source=images&cd=&cad=rja&docid=q06wLlN4hHHNaM&tbnid=Hmp4TGwMBtQN_M:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.biomedicinapadrao.com/2010/05/cristais-na-urina.html&ei=i2ZTUZ78Ooj28gSd6oG4DA&bvm=bv.44342787,d.eWU&psig=AFQjCNGm2diPEoZJMxGWYqtXc_cMnrmxIA&ust=1364506613890705 http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=fosfato+triplo&source=images&cd=&cad=rja&docid=Vn1KDPtgMMPW0M&tbnid=R0aHMDuoEPHqLM:&ved=0CAUQjRw&url=http://labmedvet.blogspot.com/2011/09/urinalise.html&ei=42ZTUcunHInc8wTV6IHYAQ&bvm=bv.44342787,d.eWU&psig=AFQjCNGm2diPEoZJMxGWYqtXc_cMnrmxIA&ust=1364506613890705 117 • Muco 118 Flora Bacteriana 119 • Nitrito Flora Bacteriana Normal 120 Gotas de Gordura Corpo Graxo Oval Cilindro Gorduroso 121 • Contaminantes e Artefatos Espermatozóides 122 123 Hifas e células leveduriformes com aspecto morfológico de Candida sp 124 Trichomonas vaginalis 125 Ovos de parasitas Enterobius vermiculares Schistossoma haematobium 126 Larvas de parasitas 127 Fibras 128 LIBERAÇÃO DO RESULTADO • Leucócitos e Hemácias: – Resultado por campo: registrar o número médio de elementos por campo, média de 10 campos, no aumento de 400x; – Resultado por mililitro: observar no mínimo 10 campos, calcular a média e expressar o número de elementos por mililitro, multiplicando por 5040; – Quando o campo microscópico estiver tomado por estes elementos, e não sendo possível visualizar outros, relatar como presença maciça. 129 Células Epiteliais e Cilindros: identificar o tipo e registrar o número médio por campo no aumento de 100x, expressos conforme a seguir: – Raros: até 3 por campo – Alguns: de 4 a 10 por campo – Numerosos: acima de 10 por campo 130 • Citar a presença de: – Leveduras – Cristais (com identificação) – Trichomonas sp – Muco 132 Avaliação da Função Renal Funções do rim: Regulação do balanço de água, eletrólitos e equilíbrio ácido-básico Excreção dos produtos do metabolismo de proteínas e ácidos nucléicos: uréia, creatinina, ácido úrico, sulfato e fosfato Produção de hormônios: renina, calcitriol, eritropoetina. 133 Testes da função glomerular Filtrado glomerular (ultrafiltrado): composição do plasma sem proteínas (140 mL/min). Taxa de filtração glomerular: fluxo sanguíneo renal e pressão normais Queda na FG: destruição dos néfrons ou restrição de suprimento sanguíneo renal, retenção de excretas (uréia e creatinina). 134 • Creatinina • Uréia • Ph urinário • Densidade/Osmolaridade • Proteinúria • Glicosúria • Sedimento urinário Avaliação da Função Renal 135 • A concentração de ureia do soro não é útil como medida da FG. A ingestão de proteínas da dieta e sangramento gastrintestinal podem afetar a concentração de uréia sérica. • A ureia é reabsorvida pelos túbulos renais e essa reabsorção aumenta com taxas de fluxo de urina baixas. • A ureia oferece importante informação sobre o grau de catabolismo proteico. Uréia 136 Valores de referência Dosagem de uréia sérica Adultos : 10 a 20 mg/dL (elevado em idosos) Crianças: 5 a 18 mg/dL Diferencia entre azotemia ou uremia pré-renal e renal Pré-renal: uréia tem maior aumento que a creatinina Uréia Uréia A uréia é a principal forma excretora do nitrogênio proveniente do catabolismo protéico. Sua dosagem é a forma mais grosseira do estado de funcionamento renal A taxa normal de uréia no plasma ou soro varia de 20 a 40 mg/100ml. Hiperazotemia: pode ser por causas renais, pré-renais e pós-renais. Pré-renal: oferta deficiente de sangue no rim ou superprodução de resíduos nitrogenados. Como na insuficiência cardíaca, desidratação, choque, hemorragias digestivas, quadros neurológicos agudos Uréia Renais:glomerulonefrite aguda, na qual só se observam aumentos moderados, nefrite crônica, rim policístico, nefrosclerose e coma diabético. Pós-renais: são constituídas de qualquer obstrução acentuada do trato urinário A baixa de uréia, ocorre na insuficiência hepática grave, nefrose não complicada de insuficiência renal, caquexia, hemodiluição. 139 Creatinina • A capacidade dos rins de filtrar o plasma nos glomérulos pode ser avaliada medindo-se a depuração de creatinina, que se aproxima da taxa de filtração glomerular. • A concentração de creatinina no soro é um índice insensível da função renal, porque ela pode elevar-se só quando a FG tenha caído para 50% do normal. • Quando encontra-se creatinina sérica anormal, as mudanças na concentração refletem mudanças na FG. 140 • O valor da creatinina sérica está relacionado à produção endógena, e esta é proporcional à massa muscular, à dieta e ao ritmo de filtração glomerular. • Valores de referência: - Crianças até 12 anos: 0,2 a 0,6 mg/mL - Mulheres: 0,5 a 1,1 mg/mL - Homens: 0,6 a 1,3 mg/mL Creatinina Creatinina É eliminado do plasma por filtração glomerular e não é reabsorvida nos túbulos em grau significativo. A taxa normal de creatinina no plasma ou soro é de 1,2 mg/100ml. A elevação da taxa de creatinina é mais tardia que a da uréia, portanto possui maior valor prognóstico, para os quadros de insuficiência renal Creatininas acima de 5 mg/100ml, o prognóstico é fatal a curto prazo. TESTES DE FILTRAÇÃO GLOMERULAR • É o da depuração: avalia a capacidade de filtração glomerular; • Avalia com que os rins são capazes de depurar (retirar) uma substância filtrável do sangue; • Portanto, a substância analisada não deve fazer parte das que são reabsorvidas ou secretadas pelos túbulos; • Também: a escolha da substância analisada deve-se considerar sua estabilidade na urina durante 24h, a constância do nível plasmático, disponibilidade e facilidade na análise bioquímica. TESTE DA DEPURAÇÃO - CLEARENCE • Antigamente: uréia – teste em desuso; • Atual: creatinina, inulina, microglobulina, radioisótopos; • INULINA: polímero de frutose, estável, não é reabsorvida ou secretada pelos túbulos, não é uma substância que constitui o organismo, prescisando ser injetada por via intravenosa durante o período do exame, não usado na rotina. • INJEÇÃO DE RADIONUCLEOTÍDEOS: determina afiltração glomerular por meio do desaparecimento de um material radioativo no plasma. • MICROGLOBULINA: dissocia-se dos antígenos dos leucócitos em velocidade constante e é rapidamente removida do plasma por filtração glomerular, seu nível elevado indica uma queda na taxa de filtração glomerular. TESTE DA DEPURAÇÃO - CLEARENCE • Grande ingestão de carne durante o período de coleta de urina, influenciando os resultados; • Não é confiável em pacientes com atrofia muscular (resíduo do metabolismo muscular); • Então: os resultados anormais devem ser investigados por exames mais sofisticados TESTE DA DEPURAÇÃO - CLEARENCE CÁLCULO: • Conversão das medidas laboratoriais em velocidade de filtração glomerular; • Mililitros por minuto; • Determinar o número de mililitros de plasma do qual a substância a ser depurada (creatinina) é retirada durante o tempo de 1 minuto; • É preciso conhecer o volume de urina em mililitros (V) por minuto, a concentração de creatinina na urina em miligramas por decilitro (U) e a concentração de creatinina no plasma em miligramas por decilitro (P) • D=UV / P TESTE DA DEPURAÇÃO - CLEARENCE