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MicroeconomiaMicroeconomia
Fundamentos de EconomiaFundamentos de Economia
C A P Í T U L O 2
Fundamentos de Economia 
Introdução
Neste Capítulo, você terá contato com os conceitos de microeconomia e com
a Teoria dos Preços. Você vai aprender os fatores que in�uenciam a
composição do preço de venda dos produtos do ponto de vista da economia
e da contabilidade. Também vai estudar as principais teorias econômicas
que formam os preços no mercado e a importância da demanda, da oferta e
da elasticidade. Você ainda terá contato com o funcionamento de
mecanismos de interferência no mercado por parte do governo e com a
questão das estruturas do mercado. O principal objetivo deste texto é lhe
propiciar conhecimentos su�cientes para que você tome decisões quando
estiver diante de conjecturas mercadológicas ou �nanceiras, especialmente
quanto a questões de variação de oferta e demanda. 
1. Conceito de Microeconomia
No primeiro Capítulo, você aprendeu que a economia é a ciência que visa
compreender o processo de alocação dos recursos escassos, de modo a
satisfazer as necessidades humanas. Também constatou, por meio do �uxo
circular da renda, que esse processo ocorre de maneira ininterrupta e por
meio do estabelecimento de relações entre dois agentes econômicos (�rmas
e famílias) nos mercados de fatores de produção e de bens e serviços.
No entanto, como já discutimos, essas relações ocorrem estabelecendo um
�uxo monetário. Esse, por sua vez, se dá mediante o estabelecimento de
preços: quando nos referimos ao mercado de fatores, o preço do trabalho,
por exemplo, é o salário; quando nos aludimos ao mercado de bens, temos
os preços dos produtos em si.
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Agora você se pergunta: como se estabelecem preços nos mercados através
dessas relações?
Trazendo para uma visão mais prática, por que mão de obra quali�cada e
rara tende a receber salários mais elevados? Por que a água, um bem tão
essencial à vida, é barata quando comparada a outros bens supér�uos? Por
que produtos diferenciados tendem a ter preços mais elevados?
Todos esses questionamentos que envolvem a formação de preços buscam
na microeconomia seus fundamentos e respostas. Mas, para respondê-los,
precisamos nos voltar às relações entre os agentes, entendendo como cada
um toma suas decisões. Daí estendemos à problemática microeconômica o
processo decisório de cada agente econômico.
No mercado de bens e serviços, as famílias assumem o papel de
consumidoras, enquanto as �rmas são as ofertantes/produtoras. Logo, a
microeconomia busca compreender a maneira como esses agentes se
relacionam em diferentes estruturas de mercado1, de modo a formar
preços. Por exemplo, não parece razoável supor que um monopólio tende a
ter preços mais elevados do que os mercados concorrenciais?
Imagine, por exemplo, se você for comprar um cachorro-quente em um
show fechado, onde há apenas uma barraca de comida. Natural que o preço
que você irá pagar seja mais elevado do que na saída do show, onde haverá
diversas barracas concorrendo entre si.
Por �m, quando �zermos a análise da e�ciência desse processo,
observaremos que naqueles mercados com preços mais elevados há menor
acesso dos consumidores às mercadorias, o que signi�ca que menos
necessidades estão sendo satisfeitas. Em outras palavras, será que podemos
considerar a alocação dos recursos produtivos mais e�ciente em estruturas
de mercado mais concentradas? Quais são as formas de intervenção do
governo nesse processo de alocação? Quando a intervenção resultará em
maior e�ciência?
Portanto, segue um breve resumo das principais vertentes de estudo da
microeconomia:
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Figura 1 – De que trata a microeconomia? 
Fonte: Autor.
Como o objetivo de qualquer ciência, seja ela pura ou social, é prever o
comportamento dos fenômenos avaliados, o intuito da teoria
microeconômica está em fornecer um instrumental capaz de prever o
comportamento dos agentes econômicos, bem como os movimentos dos
preços.
Para realizar esse processo, os autores do chamado mainstream econômico
se valem de teorias e modelos, os quais são simpli�cações de uma realidade
bastante complexa e utilizam um instrumental matemático para sua
representação. Você já deve ter notado isso através da construção da CPP.
Todo modelo exige que você molde as condições nas quais ele será testado,
ou seja, os pressupostos nos quais irá se fundamentar a teoria apresentada.
Seguem, portanto, alguns dos pressupostos da análise microeconômica que
utilizaremos ao longo da exposição do conteúdo deste Capítulo:
1.1 Pressupostos básicos da análise
microeco- nômica
1.1.1 Coeteris PARIBUS – e tudo o mais constante
Imagine que você é um sorveteiro que atua na Praia da Enseada, no Guarujá,
e precisa prever a quantidade de sorvetes de cada sabor que levará em seu
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carrinho. Seu processo de previsão deverá levar em consideração diversos
fatores que in�uenciam a demanda de sorvete: quanto custa o meu sorvete?
Quanto custa o queijo coalho e o chá mate? A praia estará cheia? Está
quente? Está chovendo? As pessoas preferem sorvetes de frutas ou de
chocolate nessa região? En�m, uma série de questionamentos lhe ajudará a
prever a quantidade necessária para um dia de trabalho. No entanto, em
termos cientí�cos, é absolutamente importante que você consiga detectar
de maneira isolada quanto cada um desses eventos impactam sua
demanda.
Por exemplo, se estiver quente, quanto mais sorvete eu vendo, mantenho
todos os outros fatores que afetam a minha demanda constantes? Esse
processo de isolar fenômenos para que se descubra a verdadeira relação de
causa-consequência das variáveis é cienti�camente chamado de coeteris
paribus (todo o restante permanecendo constante).
1.1.2 Preços relativos
Quando você precisa decidir se irá comprar suco ou refrigerante em uma
refeição que esteja realizando fora de casa, por exemplo, você normalmente
compara os preços e analisa suas preferências. Por exemplo, se você prefere
refrigerante, mas o suco está mais barato, talvez escolha o suco. Dessa
forma, suas decisões de compra em relação a um bem não dependem
somente do preço dele, e sim do preço de bens relacionados à sua escolha.
Nesse sentido, o preço relativo, que nada mais é do que o preço de um bem
em relação a outro, tem um papel muito mais importante para análise
microeconômica do que o preço absoluto dos bens (preço de uma
mercadoria).
Outro exemplo prático desse tipo de análise se dá na seguinte situação: se o
preço da gasolina cair 15% e a queda for acompanhada também pelo preço
do etanol, ou seja, o preço do etanol também cair 15%, nada deverá
acontecer no mercado. Porém, se apenas o preço da gasolina cair, haverá
uma redução automática na demanda do etanol e um consequente
aumento na demanda da gasolina. Nesse caso, apesar de o preço do etanol
se manter estável, seu preço absoluto não aumentou e seu preço em
relação à gasolina teve um aumento de 15%, o que provocou a queda na
demanda do produto.
1.1.3 Princípio da racionalidade
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Agora que já compreendemos alguns pressupostos do processo analítico da
microeconomia, é de fundamental importância que �que estabelecido o que
norteia o processo decisório dos agentes. Nos exemplos abordados, o que
norteia a decisão de quantos sorvetes de cada sabor levar no carrinho? O
que faz com que você escolha suco no lugar de refrigerante?
Na medida em que o mainstream econômico fundamenta-se nos princípios
�losó�cos utilitaristas, estabeleceremos que toda e qualquer decisão de um
agente econômico sempre visará maximizar sua satisfação e minimizar o
sofrimento. Assim, estaremos supondo que esse agente econômico é
racional em suas escolhas.
Quando nos atemos à escolha do consumidor, toda decisão visará
maximizar sua satisfação com o consumo da mercadoria. Esse processo de
escolha que maximiza a satisfação, por sua vez, deverá ser moldado pelas
preferências que este tem pelos bens, bem como pela restrição
orçamentária com que ele se defronta.
Quando aplicamoso princípio da racionalidade às �rmas, o processo
decisório passa a visar à maximização dos lucros, ou seja, a de�nição de
uma quantidade a ser produzida que torne o hiato entre receita e custo o
maior possível.
Na prática, observamos que muitas das decisões de curto prazo das �rmas
não maximizam o lucro. Por exemplo, você pode optar por reduzir lucros
para conquistar uma parcela de mercado maior. Ou, ainda, elevar custos no
curto prazo para reformular o negócio e, com isso, elevar a lucratividade
esperada no futuro. De qualquer forma, esse pressuposto parece bastante
razoável para um cenário de longo prazo.
2. Demanda, Oferta e Equilíbrio de
Mercado
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Você já parou para pensar como caracterizar um mercado? De acordo com
Pindyck e Rubinfeld (2006, p. 7), o mercado é o “grupo de compradores e
vendedores que, por meio de suas interações efetivas ou potenciais,
determinam o preço de um produto ou de um conjunto de produtos”.
Nesse sentido, a oferta e a demanda são os principais fatores de in�uência
do mercado. Talvez existam poucas coisas que in�uenciem mais o nosso dia
a dia do que a oferta e a demanda. Elas in�uenciam desde o nível dos preços
dos alimentos até os nossos salários ou o lucro das empresas, bem como o
volume da produção das empresas, o volume das vendas e a velocidade de
geração de empregos.
Mas o que signi�ca demanda? Demanda nada mais é do que a uma
representação do quanto os consumidores desejam demandar de um bem
para cada nível de preço especí�co. A representação grá�ca desse conceito é
dada pela curva de demanda. Trabalharemos melhor esses conceitos a
seguir.
E o que signi�ca oferta? Se demanda é desejo de aquisição, oferta é a
disposição do produtor em produzir os bens para o mercado. Naturalmente,
essa disposição em ofertar também tem uma relação direta com o preço do
bem. Nesse sentido, sua representação grá�ca é estabelecida por meio da
curva de oferta.
Se as de�nições de oferta e demanda relacionam quantidades (a serem
demandadas e/ou ofertadas) com os possíveis preços que o bem em
questão pode ter, a representação grá�ca do mercado levará em conta
essas duas variáveis para a sua composição. Veremos a seguir com maior
detalhe esses pontos.
2.1 Demanda
Agora que você já sabe ao menos super�cialmente o que signi�cam oferta e
demanda, e como esses elementos in�uenciam os estudos do mercado e
nossa vida particularmente, vamos aprofundá-los mais e estabelecer a
relação entre ambos.
Vamos iniciar pela demanda, fator que está mais ligado a você enquanto
consumidor. Você age como consumidor toda vez que se dirige ao mercado
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para adquirir bens e serviços que deseja ou necessita. Essa ação é
corriqueira na nossa vida, não é mesmo?
Você já viu anteriormente a de�nição de demanda, mas é sempre bom
reforçar. A demanda é também chamada de procura, porém é preciso levar
em consideração que essa igualdade dos termos é válida quando encaramos
a demanda como desejo de consumo, e não como aquilo que é
efetivamente demandado, pois existe a procura apenas para consulta, ou
seja, o consumidor manifesta o desejo de obter um determinado bem,
consulta as condições de aquisição e, por uma série de razões, não con�rma
a compra.
Todo consumidor tem a sua própria curva de demanda individual. Por sua
vez, como um mercado é composto de um grupo de consumidores, se
somarmos as curvas de demanda individuais de todos eles, chegaremos à
curva de demanda do mercado.
Vamos compreender esses conceitos através de um exemplo prático.
Imagine que Maria tem o seguinte desejo de consumo de sorvete de
casquinha para cada preço possível:
Tabela 1 – Escala de demanda de sorvetes de casquinha de Maria 
Fonte: MANKIW, 2009, p. 66.
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Figura 2 – Curva de demanda de Maria. 
Fonte: MANKIW, 2009, p. 66.
Conforme podemos observar, existe uma relação inversa entre a procura e o
preço do bem, denominada Lei Geral da Demanda.
É evidente que a demanda de Maria por sorvete (assim como de qualquer
consumidor por qualquer bem) não é in�uenciada somente pelo preço. Seu
desejo por adquirir sorvete muda com as estações do ano (o que caracteriza
a sazonalidade), pelo local onde está (talvez queira consumir mais sorvete na
praia), pelas suas preferências, pela sua renda etc.
Dessa forma, diversos estudos apontam que a demanda individual e de
mercado de um bem é determinada da seguinte forma:
, onde:
 = Quantidade procurada (demandada) do bem A em determinado
período de tempo
= Preço do bem no período
= Preço do bem substituto no período
 = Preço do bem complementar no período
R = Renda do consumidor no período
G = Gostos e preferências no período
= ƒ( , , ,R,G)qd  A PA PS PC
qd  A
PA
PS
PC
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Para entender a demanda individual e suas variáveis, vamos expor um outro
exemplo: imagine o caso de um colecionador de discos de vinil chamado
Paulo. Isso mesmo, aqueles discos pretos que seus pais, ou você mesmo,
dependendo da sua idade, utilizavam para ouvir música. Quais fatores
in�uenciam a decisão de compra do colecionador?
Preço: se o preço do disco aumentar por unidade, provavelmente Paulo
comprará menos discos. Essa relação é dada pela Lei Geral da
Demanda e é bastante intuitiva: quanto mais barato o bem, mais se
demanda dele, e vice-versa.
Preço dos bens substitutos: imagine que o preço do vinil não se alterou,
mas houve queda no preço do CD; ou, ainda, houve uma �exibilização
das leis de direito autoral, de modo que está mais fácil e mais barato
baixar música pela internet. É natural que Paulo agora migre parte de
sua renda que antes era destinada à aquisição de vinis para esses tipos
de bens. A magnitude dessa queda tem uma relação direta com a
existência dos chamados bens subtitutos e a análise dos preços
relativos. Assim, mesmo mantendo o preço do vinil constante, o fato de
um bem substituto estar mais barato pressiona para baixo a demanda
desses. Mas se a curva de demanda representa a procura para
diferentes níveis de preços, e, nesse caso, não tivemos alteração do
preço do bem que estamos analisando, a saber, vinil, como
representamos esse evento gra�camente?
Figura 3 – Efeito da queda do preço do bem substituto. 
Fonte: Autor.
Preço dos bens complementares: e se o preço das vitrolas diminuísse?
Provavelmente Paulo, que é a�cionado por vinis, compraria mais
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vitrolas, com diferentes características, e �caria mais ansioso por
demandar mais vinis. Nesse sentido, quando houver uma queda no
preço de um bem complementar (bens que são consumidos
conjuntamente), ocorrerá uma elevação da demanda do bem analisado.
Assim como no caso do bem substituto, gra�camente ocorrerá um
deslocamento da curva de demanda, mas agora é preciso mostrar que
houve elevação da demanda de vinil. Isso signi�ca que o sentido do
deslocamento será “para cima e para a direita”.
Renda: o que acontecerá com a demanda por discos de vinil se o
colecionador perder o emprego? Não precisa pensar muito.
Desempregado, certamente deixará de comprar discos de vinil. Se tiver
sua renda diminuída por alguma razão, a demanda pelos chamados
“bens normais” também diminuirá. Agora, existem bens que terão sua
demanda aumentada com a redução da renda dos consumidores. São
os chamados “bens inferiores”. Imagine o uso do serviço de transporte
coletivo. Se as pessoas �cam desempregadas, elas deixam de utilizar o
carro particular ou táxi e passam a adotar o ônibus.
Gostos e preferências: imagine que a paixão de Paulo por vinis veio
antes de ele descobrir que esse tipo de bem é altamente poluidor2.
Depois de ler o estudo que chegou a tais conclusões, Paulo diminui seu
desejo de compra; tal evento também será representado por um
deslocamento da curva de demanda. Você saberia em qual sentido?
Vale lembrar que a economia não tenta explicar os gostos dos
consumidores, uma vez que isso pertence ao campo de estudo da
psicologia e do marketing. Mas é importante entender o que acontece
no mercado, em especial com a demanda, quandoos gostos mudam.
S A I B A M A I S
1. Por que quando o preço dos computadores cai, a demanda por
softwares aumenta?
2. Por que quando o preço do café aumenta, a demanda por chá também
aumenta?
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Agora que você já sabe como a demanda se comporta em relação ao
comportamento do consumidor, já está em condições de responder à
seguinte propositura:
Qual a diferença entre o aumento da demanda e o aumento da
quantidade demandada?
A demanda individual estabelece o quanto um único consumidor deseja
demandar de um bem para cada possível preço. Isso signi�ca que a
efetivação depende do estabelecimento de um nível de preços, ou seja, a
quantidade demandada só ocorre depois de se estabelecer um preço para
esse bem.
No exemplo apresentado de Maria, vemos que quando o preço da
casquinha chega a $3,00, Maria não está mais disposta a adquirir aquele
bem. Ou seja, quando o preço é $3,00, a quantidade que Maria irá consumir
é igual a zero. Em compensação, quando o preço for $1,50, Maria
demandará 6 sorvetes.
No entanto, será que podemos a�rmar que essa relação entre desejo e
efetivação de consumo deverá ser igual para todos os consumidores desse
mercado? Aqui entra em questão a distinção entre demanda individual e de
mercado. Conforme vemos na tabela 2, o João ainda demanda, mesmo que
apenas 1 unidade, sorvete quando o preço é $3,00.
Tabela 2 – Demandas individuais e do mercado de sorvetes de casquinha 
Fonte: Adaptado de MANKIW, 2009, p. 67.
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Figura 4 – Curvas de demanda individual e de mercado. 
Fonte: Adaptado de MANKIW, 2009, p. 67.
2.2 Oferta
Mas existe também outro fator de in�uência do mercado tanto quanto a
demanda: a oferta. A demanda trata dos consumidores, e a oferta cuida dos
fabricantes e vendedores. Conforme discutimos inicialmente, toda tomada
de decisão do ofertante vem no sentido de maximizar o seu lucro. O lucro
(π), por sua vez, é a diferença entre Receita Total (R) e Custo Total (C).
π = R – C, onde:
R = P x Q, onde Receita Total é o montante de unidades monetárias que
decorre da venda do bem, ou seja, a quantidade vendida (Q) multiplicada
pelo Preço (P).
Se quanto maior o lucro, maior a disposição em ofertar mercadorias, temos
que toda vez que o preço se eleva, coeteris paribus, há uma maior disposição
em ofertar bens, pois o lucro por unidade de produto aumenta. A partir
dessa lógica, surge a Lei Geral da Oferta, que estabelece uma relação direta
entre preço e quantidade ofertada: quando o preço de um bem aumenta, a
quantidade ofertada desse mesmo bem também aumenta, e vice-versa.
Assim, gra�camente teremos uma curva que relaciona preço e quantidade
ofertada, mas cujo formato é positivamente inclinado, re�etindo essa
relação positiva entre as variáveis:
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Tabela 3 – Escala de oferta de sorvetes de casquinha 
Fonte: MANKIW, 2009, p. 72.
Figura 5 – Curva de oferta de sorvetes de casquinha. 
Fonte: MANKIW, 2009, p. 72.
Assim como a demanda, a oferta tem seus determinantes:
, onde:
qOA = Quantidade ofertada do bem A em determinado período de tempo PA
= Preço do bem no período
Pi = Preço do insumos/fatores de produção T = Tecnologia
E = Expectativa futura
Para que você entenda melhor, imagine que é o diretor geral da Discos
Copacabana, um fabricante de discos de vinil. O que iria determinar a
quantidade de discos de vinil que você fosse produzir ou vender? Você
somente teria condições de responder a essa pergunta após analisar os
determinantes citados da oferta:
= ƒ( , , T , E)qO  A PA Pi
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Preço: imagine que o preço do disco de vinil está elevado e
proporcionando excelentes ganhos sob a forma de lucros. Isso o
incentivará a adquirir mais máquinas, contratar mais operários e
trabalhar initerruptamente no sentido de produzir mais e poder ofertar
mais discos. Mas, se por alguma razão, o preço do disco de vinil
diminuir e o produto deixar de ser lucrativo, isso fará com que você
�que desestimulado a produzir e o levará a produzir cada vez menos
até que o negócio se encerre. Basicamente, esta é a “Lei da oferta”.
Preço dos insumos: é claro que, para produzir discos, você utiliza vários
tipos de insumos: vinil, papel, prensas, prédio onde funciona a fábrica,
mão de obra dos funcionários etc. Quando o preço de um desses
insumos aumenta e a empresa não consegue repassar o aumento para
o consumidor, a operação se torna menos lucrativa e você menos
motivado a produzir, diminuindo assim a oferta. Como representar isso
gra�camente? Deslocando a curva de oferta!
Tecnologia: o uso de equipamentos mais so�sticados aumenta a
produtividade das empresas através da redução da dependência do
homem nas etapas produtivas. Esse aumento de produtividade se dá
por meio da redução de custos e, nesse caso, vem acompanhado de um
aumento da lucratividade. Isso vai motivar a produzir mais,
aumentando a oferta dos discos.
Expectativas: imagine que você, de alguma forma, identi�cou a
possibilidade de aumento nos preços futuros do disco de vinil. O que
faria? Poderia investir em melhorias da produtividade (em capital) para
que possa reduzir ainda mais seus custos de produção, de modo a ter
um lucro futuro ainda melhor. No entanto, se você acreditar que esse
mercado está fadado à estagnação, talvez decida reduzir suas
operações, de modo a investir esses recursos em outra atividade mais
promissora. No caso exposto, a diferença entre tecnologia e expectativa
se dá em relação ao horizonte temporal. A mudança tecnológica traz
alterações no curto prazo; no entanto, uma decisão de investimento em
tecnologia se refere a um horizonte temporal de longo prazo.
Assim como na demanda, a oferta pode ser representada individualmente,
isto é, por �rmas, ou pelo somatório das �rmas, compondo a oferta de
mercado. Imaginemos que, no caso dos sorvetes, uma determinada região
seja abastecida pelas �rmas Ben e Jerry. Assim, teremos:
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Tabela 6 – Escalas de oferta de Ben, Jerry e mercado 
Fonte: MANKIW, 2009, p. 73.
Figura 6 – Curvas de oferta individuais e de mercado. 
Fonte: MANKIW, 2009, p. 73.
Até aqui, você já aprendeu sobre oferta e demanda e tem plenas condições
de entender como uma funciona em relação à outra, bastando para tanto
estabelecer um comparativo entre os fatores de in�uência de uma e de
outra.
Mas, em todos os casos estudados, utilizamos o raciocínio da coeteris
paribus, ou seja, �xamos todas as variáveis e analisamos apenas uma
isoladamente. Porém, o mercado não se comporta dessa forma, e todas as
variáveis, tanto da demanda quanto da oferta, agem ao mesmo tempo.
Assim, vale o conceito de oferta de mercado e demanda de mercado.
S A I B A M A I S
Fundamentos de Economia 
1. Você acha que as mudanças na oferta e as mudanças na quantidade
ofertada são a mesma coisa?
2. Você acha que o aumento da demanda e o aumento da quantidade
demandada são a mesma coisa?
2.3 Equilíbrio de mercado
Sob um olhar mais super�cial, oferta e demanda parecem estar em lados
opostos, divergindo sempre. Se o consumidor sempre estiver à procura do
menor preço e o produtor sempre desejar o maior lucro, como chegar a um
meio-termo entre situações tão diferentes?
Se você colocar em um grá�co as curvas de demanda e de oferta, o
cruzamento das duas é o ponto de equilíbrio do mercado. Observe que o
ponto de cruzamento das duas curvas, o ponto de equilíbrio, re�ete que os
consumidores desejam adquirir exatamente as quantidades que os
produtores estão dispostos a vender. Nesse ponto não existe excesso ou
escassez, e sim convergência de desejos.
Figura 7 – Equilíbrio de mercado de sorvetes de casquinha. 
Fonte: MANKIW, 2009, p. 76.
Os preços são os responsáveis por carregar a economia ao ponto de
equilíbrio de forma natural. Quando existe excesso de oferta, os vendedores
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com maiores volumes de estoques serão forçados a diminuir os preços para
aumentar a concorrência pelos consumidores. Por outro lado, quando há
excesso de demanda, ou seja, muitos consumidoresprocurando produtos
escassos, eles são obrigados a pagar mais para obtê-los.
Figura 8 – Desequilíbrios de mercado. 
Fonte: Adaptado de MANKIW, 2009, p. 77.
Temos, aqui, uma representação do conceito da “mão invisível” de Adam
Smith, que parece “empurrar” o mercado, sem qualquer interferência do
governo, rumo ao ponto de equilíbrio, não é mesmo? Pois é, essa “mão
invisível” atende pelo nome de mecanismo de preços.
Mas nem tudo no mercado é festa. Você precisa entender que o equilíbrio é
muito volátil, e qualquer detalhe pode tirar o mercado do equilíbrio. Imagine
se os consumidores tiverem um aumento de renda. Isso será su�ciente para
desequilibrar o mercado.
S A I B A M A I S
Você consegue representar gra�camente o impacto para o equilbrio de
mercado, a saber, preço e quantidade, de uma alteração de cada um dos
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determinantes da oferta e da demanda, estabelecendo a hipótese coeteris
paribus?
3. Interferência do Governo
Os governos, são capazes de afetar a economia através da formulação de
políticas que afetam tanto a esfera microeconômica, ou seja, a decisão dos
agentes e os mercados, bem como a macroeconomia.
Com a missão de evitar o uso abusivo do poderio econômico de algumas
empresas sobre o mercado, o governo adota algumas ações que in�uem
diretamente no equilíbrio da oferta e da demanda.
Naturalmente, a demanda de mercado em baixa desmotiva o investimento,
diminuindo a oferta de mercado e gerando desemprego, que, por sua vez,
diminui ainda mais a demanda, impulsionando a economia como um todo
para uma espiral descendente.
Nessa situação, o governo adota medidas de incentivo à demanda de
mercado, por exemplo, a ampliação do crédito. Esse fator, por sua vez, altera
a renda disponível para consumo. Ou seja, re�ete no deslocamento da curva
de demanda. No outro extremo do mercado, o governo pode agir
oferecendo subsídios para que o produtor se motive a investir, aumentando,
assim, a oferta.
Vamos abordar a seguir algumas formas de intervenção, com foco no
entendimento dessas ações no equilíbrio de mercado. A partir dessa análise,
vamos compreender por que o mainstream econômico é a favor da
intervenção mínima do Estado nos mercados competitivos (mercados onde
não há concentração).
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3.1 Políticas de controle de preços
Visando atender aos anseios de um agente econômico, �rmas ou
consumidores, o governo pode estabelecer arti�cialmente o preço de um
mercado por meio de medida provisória. Dessa forma, vamos avaliar os
impactos do estabelecimento de preços máximos e mínimos.
3.1.1 Preços mínimos
Quando o governo estabelece a obrigatoriedade de um preço mínimo, ele
quer forçar o mercado a comprar uma determinada mercadoria a partir de
um preço. Na medida em que os preços �utuam quando há desequilíbrio
entre oferta e demanda, o estabelecimento de preços mínimos só fará
sentido quando estes estiverem acima do preço de equilíbrio.
Para que você entenda o porquê, imagine que o governo estabeleça um
preço mínimo abaixo do preço de equilíbrio. Nesse caso, haverá excesso de
demanda, o que fará com que os produtores encontrem margem para
elevar os preços. Nesse sentido, o preço tenderia naturalmente ao preço de
equilíbrio. No entanto, se o governo estabelecer o preço mínimo acima do
preço de equilíbrio, haverá um excesso de oferta, que não poderá ser
resolvido pela queda dos preços. Ou seja, a imposição de um preço mínimo,
apesar de ajudar o lado do produtor, tende a reduzir o acesso dos
consumidores a esse bem, gerando inclusive estoques que não conseguem
ser escoados.
Vejamos este exemplo através de uma medida prática: imposição de um
salário mínimo. Na medida em que salário é o preço da mão de obra, vamos
transpor o mercado de bens e serviços para o mercado de trabalho. No
mercado de trabalho, os responsáveis pela oferta são os trabalhadores, ao
passo que a demanda é representada pelas �rmas.
Imaginando que o salário de equilíbrio da nossa economia �ctícia seja igual
a $ 700,00. Com esse salário, o nível de emprego corresponde a 1.500 postos
de trabalho. Visando melhorar as condições da classe trabalhadora, o
governo impõe um salário mínimo de $ 965,00.
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Figura 9 – Efeitos da imposição de salário mínimo no mercado de trabalho. 
Fonte: Adaptado de MANKIW, 2009, p. 121.
Note que, mesmo que a intenção fosse melhorar as condições da classe
trabalhadora, na realidade, tal medida repercutiu em uma redução dos
postos de trabalho, pois agora as empresas estão empregando menos. Para
entendermos melhor, vamos quebrar os impactos desse evento em dois:
No lado da oferta de trabalho, temos uma elevação da disposição em
trabalhar; isso ocorreu, pois uma parcela da população, que antes optava,
por exemplo, por estudar apenas, agora quer trabalhar em função dos
salários mais atrativos. Concomitante a isso, a elevação dos salários
aumenta os custos de produção das �rmas, o que tende a diminuir a
disposição em empregar. Nesse sentido, o número de postos de trabalho
disponíveis se reduz.
Logo, chega-se à conclusão que a medida gerou, na prática, desemprego,
representado pela diferença entre oferta e demanda de trabalho.
3.1.2 Preços máximos
Conforme o raciocínio aplicado para o preço mínimo, só faz sentido o
governo estabelecer arti�cialmente um preço máximo se este se situar
abaixo do preço de equilíbrio.
Imagine que o governo acredita que a escalada no preço dos aluguéis tem
pressionado os custos de produção em diversos segmentos, bem como o
custo de vida da população, o que tem pressionado a in�ação dessa
economia. Visando controlar esse movimento, o governo estabelece um
preço máximo a ser cobrado pelos aluguéis.
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Em um cenário de curto prazo, como podemos observar na Figura 10, a
oferta de imóveis não responde às alterações do preço. Isso signi�ca que o
excesso de demanda de imóveis para alugar mediante a imposição do preço
máximo é menor do que em um cenário de longo prazo. Nesse horizonte
temporal, as pessoas podem se desfazer dos imóveis, ou mesmo optar por
não realizar novos lançamentos, aplicando o capital em outras fontes de
renda. Isso signi�ca que a manutenção desse tipo de medida tende a ser
bastante desastrosa no longo prazo.
Figura 10 – Impacto do preço máximo no mercado de imóveis para locação. 
Fonte: MANKIW, 2009, p. 118.
S A I B A M A I S
Ao longo da década de 1980 e início da década de 1990, o Brasil enfrentou
uma grave espiral in�acionária. O governo, na ânsia de resolver o problema,
lançou uma série de planos econômicos. Alguns desses planos, como o
Plano Cruzado, estabelecia como medida de controle o congelamento de
preços.
O resultado foi bastante desastroso, com escassez de diversos produtos
essenciais, como a carne bovina.
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Com base no instrumental teórico apresentado, você consegue explicar por
que isso aconteceu?
4. Conceito de Elasticidade
Quando os preços de um determinado produto sobem, a demanda cai
naturalmente e a oferta aumenta, mas será que todos os produtos estão
sujeitos a essas leis? E a quantidade demandada cai com o aumento dos
preços proporcionalmente para todos os produtos?
Vamos explicar melhor: lembra-se do colecionador de discos? Você já sabe
que um aumento no preço dos CDs diminui a quantidade demandada desse
produto pelo colecionador. Suponha que um aumento de preço nos CDs
reduziu a quantidade demandada em 25%. Agora, suponha ainda que o
colecionador de discos goste muito de pizza. Será que um aumento no preço
da pizza também causará uma redução da quantidade demandada de 25%?
Certamente, você irá concluir que tanto a pizza quanto os CDs serão menos
consumidos, porém o impacto do aumento dos preços nos dois produtos
causará efeitos diferentes nas quantidades demandadas.
Assim, elasticidade é a medida da intensidade da reação dos consumidores
e dos vendedores e produtores às alterações na oferta e na demanda. É
possível medir as respostas tanto dos consumidores quanto dos produtores
para as variaçõesde preços, para a mudança da renda dos consumidores,
para as mudanças tecnológicas etc.
Em razão de existirem vários fatores que afetam a demanda e a oferta, você
vai encontrar diversas formas de calcular a elasticidade do mercado:
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4.1 Elasticidade – Preço da demanda
Através da Elasticidade – Preço da demanda, você conseguirá calcular a
intensidade da mudança da quantidade demandada para cada alteração de
preço dos produtos. Você estará buscando a resposta para a questão: se o
preço da pizza e o preço do CD aumentarem 20%, qual será a redução da
quantidade demandada de cada produto individualmente?
O comportamento dos consumidores varia de um produto para outro, isto é,
a Lei da Demanda não obedece ao mesmo per�l para todos os bens e
serviços oferecidos pelo mercado, existindo uma Elasticidade – Preço da
demanda para cada produto individualmente.
Determinar a elasticidade para um produto especí�co é uma tarefa
relativamente fácil. Basta você dividir o percentual da queda da quantidade
demandada pela percentagem do aumento de preço.
Elasticidade – Preço da demanda (Epd) = ∆%Qd/∆%P, onde ∆%Qd = variação
percentual da quantidade demandada e ∆%P = variação percentual do
preço.
Se você considerar que o preço da pizza subiu de R$ 40,00 para R$ 48,00 e
que os consumidores diminuíram suas compras de 10.000 para 7.000
unidades por mês, então basta fazer os seguintes cálculos para encontrar a
Elasticidade – Preço da demanda para a pizza:
∆%P = -30%
∆%Q = 20%
Epd = -30%/20% = – 1,5 → I Epd I = 1,5
Portanto, o valor da Elasticidade – Preço da demanda para a pizza é –1,5.
Observe que esse é um número puro, pois não comporta unidade. Mais do
que isso, na medida em que a Lei da Demanda estabelece um movimento
inverso entre preço e quantidade, o resultado �nal da Elasticidade – Preço
da demanda será sempre negativo, razão pela qual sua análise deverá ser
realizada em módulo.
Outra observação interessante é que o número da Elasticidade – Preço da
demanda é maior que 1, o que indica que a pizza é um produto elástico. Se o
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número da Elasticidade – Preço da demanda fosse menor que 1, indicaria
que a pizza é um produto inelástico.
Como interpretamos esses números?
Toda vez que a variação percentual da quantidade for maior do que a
variação percentual do preço, o valor da elasticidade será maior do
que 1:
I Epd I > 1: minha demanda responde mais do que
proporcionalmente às alterações no preço.
Interpretação do valor: Epd = 1,5 → a cada 10% de variação do meu
preço, a minha quantidade varia 15%.
Toda vez que variação percentual da quantidade for menor do que a
variação percentual do preço, o valor da elasticidade será menor do
que 1:
0 < I Epd I < 1: minha demanda responde menos do que
proporcionalmente às alterações no preço.
Interpretação do valor: Epd = 0,5 → a cada 10% de variação do meu
preço, a minha quantidade varia apenas 5%.
Toda vez que variação percentual da quantidade for exatamente igual à
variação percentual do preço, o valor da elasticidade será igual a 1:
I Epd I = 1: minha demanda responde proporcionalmente às
alterações no preço.
Interpretação do valor: Epd = 1 → a cada 10% de variação do meu
preço, a minha quantidade varia apenas 10%.
Toda vez que a minha demanda não responder às variações no preço, o
valor da elasticidade será igual a 0:
I Epd I = 0: minha demanda não responde às alterações nos
preços.
Interpretação do valor: Epd = 1 → a cada 10% de variação do meu
preço, a minha quantidade varia apenas 0%.
Toda vez que a variação percentual da quantidade for in�nitamente
maior do que a variação percentual do preço, o valor da elasticidade
tenderá ao ∞:
Fundamentos de Economia 
I Epd I = ∞ : minha demanda responde muito intensamente aos
preços. 
Interpretação do valor: Epd = ∞ → a cada 10% de variação do meu
preço, a minha quantidade varia in�nitamente.
S A I B A M A I S
Não deixe de pesquisar na bibliogra�a recomendada desta disciplina a
representação grá�ca dos diferentes tipos de elasticidade.
É interessante notar que cada uma delas traz uma implicação para o
formato das curvas de demanda, mais especi�camente para a sua
inclinação.
Como regra geral, quanto mais elástica for a demanda, mais próxima da
horizontal estará a curva; e quanto mais inelástica for a curva, mais próxima
da vertical estará a curva.
4.1.1 Determinantes da Elasticidade – Preço da
demanda
A magnitude da resposta da demanda em relação às alterações no preço, ou
seja, a Elasticidade – Preço da demanda, depende de três fatores:
Disponibilidade de bens substitutos: quando o bem é facilmente
substituído por outro, qualquer alteração nos preços faz com que os
consumidores reduzam drasticamente as quantidade demandadas do
bem. Aqui, cabe uma re�exão acerca da importância das estratégias de
diferenciação: quanto mais você torna o seu bem único, menos sensível
ao preço se torna a sua demanda. Você consegue perceber?
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Essencialidade do bem: quanto mais essencial for o bem, menores
serão as respostas às variações nos preços. Imagine, por exemplo, se o
preço do sapato sobe. É natural que haja uma redução da demanda. No
entanto, se o preço da insulina subir, os portadores de diabetes não
poderão deixar de demandá-la. Logo, mesmo sem calcular a
Elasticidade – Preço da demanda de cada um dos mercados, podemos
a�rmar com segurança que a insulina tem uma demanda mais
inelástica do que os sapatos.
Importância do bem no orçamento do consumidor: quanto maior o
peso do bem no orçamento do consumidor, maior tende a ser a
elasticidade. Vamos re�etir sobre a Elasticidade – Preço da demanda de
automóveis. Na medida em que o �nanciamento de um veículo
automotor tende a comprometer uma parcela relativamente grande do
salário de um consumidor, a decisão de compra é mais facilmente
in�uenciada pelo seu preço. Se houver elevação, talvez esse
consumidor resolva aguardar os próximos meses para tomar a decisão
de compra, aguardando melhores condições. Assim, na medida em que
bens duráveis costumam ser mais caros do que bens de consumo, é
possível inferir que eles são mais elásticos.
4.2 Elasticidade – Preço da oferta
Por meio da Elasticidade – Preço da oferta, você conseguirá calcular a
intensidade da mudança da quantidade ofertada para cada alteração de
preço dos produtos. Como você já sabe, preços mais altos incentivam o
produtor a aumentar a oferta, mas será que o fornecedor de pizza reage da
mesma forma que o fabricante de CDs com a alta dos preços?
O cálculo da Elasticidade – Preço da oferta é semelhante ao cálculo da
Elasticidade – Preço da demanda, porém, segundo a Lei da Oferta, o preço e
a quantidade têm uma relação direta, ou seja, seu sinal será sempre
positivo, não havendo necessidade de análise em módulo.
Considere que o preço do CD aumentou de R$ 40,00 para R$ 50,00, e isso
motivou os fabricantes a elevarem a oferta de 100.000 para 130.000
unidades por mês. Agora, basta você fazer os cálculos a seguir para obter o
número da Elasticidade – Preço da oferta:
∆%P = 25%
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∆%Q = 30%
Eps = 1,2
Você pode concluir que a produção de CDs é elástica em relação ao preço,
uma vez que apresenta um resultado ligeiramente superior a 1.
As interpretações da Elasticidade – Preço da oferta são iguais às da
demanda, lembrando que agora a perspectiva está no impacto na
quantidade ofertada:
Figura 11 – Elasticidade – Preço da oferta. 
Fonte: Adaptado de CARVALHO, 2015.
4.3 Elasticidade – Renda da Demanda
Também é comum medir a intensidade da variação da demanda a partir das
mudanças na renda do consumidor. A esse tipo de medida se dá o nome de
Elasticidade – Renda da demanda. Esse tipo de medida serve para você
identi�car se um bem é normal, inferior ou de consumo saciado.
Bem normal: demanda acompanha movimento da renda → Se renda
aumenta, quantidade demandada também aumenta; se renda diminui,
quantidade demandada também diminui;
Bem inferior: demanda estabelece movimento contrário ao da renda →
Se renda aumenta,quantidade demandada diminui; se renda diminui,
quantidade demandada aumenta;
Bem de consumo saciado: alterações na renda não alteram a demanda
pelo bem. Exemplo: sal, papel higiênico etc.
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O processo de cálculo é o mesmo das elasticidades já apresentadas, sendo
sua base de cálculo: Er = ∆%R/∆%Q, onde ∆%R = variação percentual da
renda.
Logo, teremos:
Quadro 1 – Classificação dos bens de acordo com a elasticidade-renda da
demanda 
Fonte: Adaptado de CARVALHO, 2015.
4.4 Elasticidade – Cruzada da Demanda
A Elasticidade – Cruzada da demanda serve para veri�car o impacto na
demanda de um bem em função das alterações no preço de um outro bem.
Portanto, serve para identi�car se um bem será substituto ou complementar
em relação a outro.
Você se lembra da relação entre o CD e o disco de vinil? Eles são produtos
substitutos, pois o consumidor pode optar por um ou outro quando resolve
adquirir arquivos musicais. Sendo assim, passa a ser lógico que as variações
no preço de um dos produto afetem também a demanda do outro produto.
E, mais do que isso, se a queda no preço do CD faz com que o preço do vinil
�que relativamente mais caro, o movimento da demanda de vinil
acompanhará o sentido da alteração no preço do CD. Isso sempre ocorrerá
quando tivermos bens substitutos.
Vamos compreender essa relação através do cálculo da Elasticidade –
Cruzada da demanda.
 , onde = Elasticidade – Cruzada da demanda do bem A; 
 = variação percentual na quantidade demandada do bem A e 
E = ΔpAB EpAB
Δ%Qa
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 = variação percentual no preço do bem B.
Conforme discutimos anteriormente, uma redução dos preços do CD
implicou uma queda na demanda de vinil. Isso signi�ca que as duas
variações percentuais que entrarão na fórmula são negativas. Quando se
divide um número negativo por outro negativo, o resultado �nal tende a ser
positivo.
Como uma alteração no preço de um bem substituto gera o mesmo
movimento na demanda do outro, chega-se à conclusão de que sempre que
a Elasticidade – Cruzada da demanda for positiva, os bens em questão são
substitutos.
 bens substitutos.
No entanto, quando os bens são complementares, como o caso da vitrola e
do vinil, o sentido do movimento do preço de um impacta de maneira
inversa a quantidade demandada do outro. Considerando que o preço da
vitrola caiu, a demanda por essa aumenta; se há mais vitrolas em circulação,
há mais demanda por vinil. Ou seja, a redução no preço da vitrola aumentou
a demanda por vinis.
Portanto, quando o sinal de um termo da divisão é negativo, o outro será
necessariamente positivo, implicando uma Elasticidade – Cruzada da
demanda menor do que zero (negativa).
 bens complementares.
Assim, o resultado da Elasticidade – Cruzada da demanda nos auxilia
identi�car o tipo de relação que dois bens podem ter entre si.
Δ%Pb
E > 0 →pAB
E < 0 →pAB
5. Produção e Custos
A chamada Teoria da Oferta da Firma Individual é dividida em Teoria da
Produção e Teoria dos Custos de Produção. Essas teorias são fundamentais
Fundamentos de Economia 
para a formação e a análise dos preços e para a alocação dos fatores de
produção.
A Teoria da Produção estuda a relação técnica entre as quantidades
produzidas e os fatores de produção, enquanto a Teoria dos Custos de
Produção foca o relacionamento entre as quantidades produzidas e os
preços dos fatores de produção.
5.1 Teoria da Produção
Se você aprofundar uma pesquisa para entender melhor o que signi�ca
produção, vai descobrir que todos os especialistas concordam em um ponto:
o conceito de produção é amplo e atinge todas as atividades humanas, não
se restringindo apenas às atividades industriais, como pode parecer no
primeiro instante. Assim, as atividades de serviços, atividades �nanceiras,
atividades comerciais, atividades agrícolas e outras atividades também são
consideradas atividades de produção.
A produção de bens perpassa combinar insumos de produção em estruturas
produtivas, de modo a transformar insumos primários em bens �nais. A
forma como os insumos são combinados constituem os métodos de
produção, que podem ser de mão de obra intensiva, tecnologia intensiva,
capital intensivo etc.
O método de produção mais adequado é escolhido pela e�ciência, podendo
ser esta com ênfase tecnológica ou econômica. Um método é considerado
tecnologicamente e�ciente quando utiliza menos insumos que outros
métodos para produzir quantidades de produtos ou serviços equivalentes.
Já um método é considerado economicamente e�ciente quando produz as
mesmas quantidades de produtos ou serviços e é mais barato que outros
métodos, ou seja, os custos de produção são menores.
Ao produtor cabe decidir “o que, como e quando produzir”, tomando por
base as necessidades manifestadas do mercado consumidor. Assim, poderá
variar a quantidade de inputs e provocar a variação das quantidades de
outputs obtidas.
Nesse momento, entra em cena a “Função de produção”, tida como a
relação técnica entre a quantidade inputs (fatores de produção) e a
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quantidade de outputs (produtos e serviços) em um determinado período de
tempo.
q = ƒ(L,K,T)
Onde: q = quantidade produzida por período de tempo 
             L = mão de obra utilizada por período de tempo 
             K = capital físico utilizado por período de tempo 
             T = área utilizada por período de tempo
Para �ns de simpli�cação, adotaremos que a quantidade a ser produzida
dependerá de combinações possíveis entre capital e trabalho, somente.
5.1.1 Horizonte temporal
A de�nição de curto prazo e longo prazo não se dá de maneira linear entre
os distintos mercados. Por exemplo, o que será um cenário de curto prazo
para a Embraer e para a AmBev? Você vende com a mesma facilidade
bebidas e aeronaves? O prazo para a entrega do produto �nal desses dois
tipos de bens a partir da assinatura de um contrato é o mesmo?
Como já era de imaginar, não podemos equalizar esses horizontes
temporais simplesmente contando o tempo. Por isso, de�niremos como
curto prazo aquele cenário em que o tomador de decisão não consegue
variar a quantidade de todos os insumos de produção dentro da função de
produção, sendo obrigado a manter ao menos uma constante.
Por exemplo, dentro da perspectiva do horizonte temporal de cada
organização, nem AmBev, nem Embraer conseguem construir uma fábrica
nova no curto prazo, portanto, estaríamos supondo que, em ambas, o
capital é mantido constante dentro da função de produção. No entanto,
para elevar a produção, é possível que se estabeleça um terceiro turno de
trabalho nas suas fábricas. Nesse sentido, a produção se elevaria no curto
prazo por meio da contratação de mais trabalhadores.
Vale ressaltar que o insumo que é �xo em um cenário de curto prazo não
precisa ser, necessariamente, o capital, conforme o exemplo exposto.
Peguemos como exemplo uma consultoria. Se encararmos que uma
unidade de capital físico de uma consultoria seja um notebook, por exemplo,
você consegue elevar a quantidade de capital quase que instantaneamente.
No entanto, o componente da função que exige um prazo maior para
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elevação é justamente o trabalho: achar a mão de obra quali�cada é mais
difícil e demorado do que comprar o computador.
Em um cenário de longo prazo, contudo, as decisões preveem a
possibilidade de alteração da quantidade de todos os insumos dentro da
função de produção. Ou seja, podemos alterar a nossa capacidade de
produção.
Tenha esses conceitos bem sedimentados, pois eles dizem respeito tanto à
Lei dos Rendimentos Decrescentes quanto à de�nição de Economia de
Escala.
5.1.2 Lei dos Rendimentos Decrescentes
Antes que você mergulhe fundo na Lei dos Rendimentos Decrescentes, é
bom que três conceitos sejam analisados: Produto Total, Produtividade
Média do Fator de Produção e Produtividade Marginal do Fator de Produção:
Produto Total: quantidade a ser produzida em um cenário de curto
prazo;
Produtividade Média do Fator de Produção (PMe): quanto cada
unidade do insumo variável produz.Se considerarmos o trabalho como
insumo variável, essa medida me diz o quanto cada unidade de
trabalho3 gera de produto no processo produtivo. Assim, temos a
produtividade expressa da seguinte forma: PMeL = q/L, onde PMeL =
produtividade média do trabalho; q = quantidade produzida; L =
quantidade de trabalho; e PMeK = q/K, onde PMeK= produtividade
média do capital; q = quantidade produzida; K = quantidade de capital;
Produtividade Marginal do Fator: medida que diz quanto a adição de
uma unidade de insumo variável agrega no meu produto total. Ou seja,
se eu quiser saber quanto elevarei minha produção ao contratar um
funcionário a mais, por exemplo, terei de compreender a produtividade
marginal desse trabalhador.
Algebricamente temos: PMgL  =  ∆q/∆L, onde PMgL = produtividade
marginal do trabalho; ∆q = variação da quantidade produzida; ∆L = variação
da quantidade de trabalho; e PMgK= ∆q/∆K, onde PMgK = produtividade
marginal do capital; ∆q = variação da quantidade produzida; ∆K = variação
da quantidade de capital.
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Imaginando que nosso cenário de curto prazo é caracterizado pela
quantidade �xa de máquinas, ou seja, capital, ao passo que o insumo
trabalho é variável, você será confrontado com um dos principais conceitos
da Teoria da Produção: a Lei dos Rendimentos Decrescentes. Por essa lei,
você não poderá aumentar inde�nidamente um determinado fator de
produção, mantendo-se os demais �xos, com o objetivo de aumentar cada
vez mais os rendimentos. Se você agir dessa forma, perceberá que, depois
de algum tempo, a situação se inverte e você terá rendimentos decrescentes
com a curva dos rendimentos apontando para zero.
Ou seja, não adianta você elevar inde�nidamente a quantidade de
trabalhadores: a produtividade deles está associada diretamente à estrutura
física do seu negócio. Chega um dado momento que eles não têm mais
condições de trabalho. Imagine que você tem um quiosque de café
expresso: o capital representará a quantidade de máquinas de café
expresso, e o trabalho, o número de atendentes.
Quando você contrata o primeiro atendente, tem um ganho bastante
expressivo de produção: tanto o produto médio do trabalho quanto o
marginal foram bastante positivos. Essa contratação fez com que você
passasse a vender 60 cafés por hora. Empolgado, resolveu contratar um
segundo atendente. Para sua surpresa, esse segundo atendente “adicionou”
80 cafés por hora, e agora você consegue servir, em uma hora, 140 cafés.
Isso signi�ca que o produto marginal foi de 80 cafés, e que, na média, cada
atendente está servindo 70 cafés.
Você poderia pensar que essa elevação da produtividade marginal decorre
de um recurso produtivo melhor, ou seja, de um trabalhador mais
capacitado para executar sua função. Vale ressaltar que a Teoria da
Produção não prevê diferença na qualidade dos trabalhadores. Esse
resultado acima da média anterior decorreu da melhor especialização dos
recursos produtivos: enquanto você tinha somente um atendente, ele
precisava tirar o pedido e servir o café. Com a contratação do segundo, os
recursos puderam se especializar, de modo que agora um atendente
somente retira pedidos (e �ca cada vez melhor nessa função), ao passo que
outro apenas serve, conferindo ganhos de produtividade.
No entanto, dada a limitação do espaço físico e das quantidades de
máquinas de café disponíveis para operação, é possível que a adição de um
terceiro trabalhador implicasse uma desaceleração da produção (ou seja,
continua crescendo, mas a taxas cada vez menores). Quando o produto
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marginal de um trabalhador começa a apresentar valores cada vez menores
é que observamos a incidência da Lei dos Rendimentos Decrescentes.
Esse fenômeno ocorre do esgotamento do fator de produção variável em
produzir rendimentos. Você não pode contratar uma quantidade de pessoas
inde�nidamente, com o propósito de aumentar a produção, se não
aumentar também os demais recursos.
Quando o produto marginal do insumo variável se tornar negativo, teremos
alcançado o valor máximo de produção da sua estrutura produtiva, de modo
que a adição de insumos variáveis gera queda no produto total.
É óbvio pressupor que em uma pequena, ou até mesmo média empresa, os
diretores ou gerentes gerais jamais permitirão que a situação caminhe para
o produto marginal negativo. Investir em instalações e em equipamentos é
uma excelente alternativa para recolocar os rendimentos em ascendência
novamente. Assim, basta transformar mais um dos fatores de produção em
fator variável.
5.1.3 Rendimentos de escala
Os rendimentos são calculados a partir das variações na quantidade
produzida pela variação da quantidade utilizada de todos os fatores de
produção disponíveis. Nesse sentido, a empresa consegue inferir a melhor
estratégia de crescimento em função de sua tecnologia de produção.
Mas quais são as razões que determinam a geração dos rendimentos
crescentes em escala? Se você aprofundar uma pesquisa sobre o assunto,
irá identi�car pelo menos dois bons motivos que geram rendimentos
crescentes em escala:
a. Com o crescimento da empresa e consequente aumento dos volumes
de produção, torna-se necessária maior especialização no trabalho;
b. Alguns fatores de produção são indivisíveis, e, quando a empresa
adquire um novo equipamento, ocorre um grande aumento da
produção.
Assim, impulsionadas pela tecnologia ou pelo próprio mercado, as empresas
procuram ganhar escala de produção, auferindo rendimentos de escala, que
são classi�cados como determinado na Figura 12.
Fundamentos de Economia 
Figura 12 – Definição dos rendimentos. 
Fonte: VASCONCELLOS; GARCIA, 1998.
6. Custos de Produção
Conforme já discutimos anteriormente, a maior parte dos dirigentes das
empresas, grandes ou pequenas, toma suas decisões visando à
maximização de lucros.
Se o lucro é a diferença entre Receita e Custos, também podemos enxergar
esse processo de maximização dos lucros através da minimização dos
custos.
Se você conhecer os preços dos fatores de produção, determinará com
relativa facilidade o custo total de produção considerado ótimo para cada
nível ou volume de produção. Assim, o custo total de produção é de�nido
como o total dos gastos realizados pela empresa para utilizar uma
combinação de fatores de produção e obter uma certa quantidade de
produtos.
Assim, os custos totais de produção podem ser subdivididos em duas
classi�cações:
Fundamentos de Economia 
a. Custos �xos totais: são todos aqueles que correspondem a parte dos
custos totais que não dependem ou não variam em relação às
quantidades produzidas ou vendidas;
b. Custos variáveis totais: são todos aqueles que correspondem a parte
dos custos totais que dependem ou variam em relação às quantidades
produzidas ou vendidas.
Na Teoria da Produção, os custos também são divididos em:
a. Custos totais de curto prazo: são os custos incorridos pelo uso de
fatores �xos e fatores variáveis na produção de uma quantidade de
produtos;
b. Custos totais de longo prazo: são os custos incorridos pelo uso
unicamente de fatores variáveis na produção de uma quantidade de
produtos.
Agora, você saberia responder por que existe tanta classi�cação e
reclassi�cação dos custos dessa forma? O dinheiro sai da empresa sob a
forma de pagamentos de fatores de produção sempre?
Essas respostas não são triviais; os custos são divididos e subdivididos de
várias formas para facilitar o empresário na tomada de decisão. A isso tudo
juntam-se ainda os diversos pontos de vista que formam o conjunto de
técnicas de gestão empresarial, como a contabilidade, a economia, as
�nanças etc.
As principais diferenças entre os diversos tipos de visão dos custos de
produção são:
    a. Custos de oportunidade versus custos contábeis
Os custos contábeis são os chamados custos explícitos, ou seja, aqueles que
envolvem um desembolso monetário e representam um gasto efetivo da
empresa no esforço produtivo, desde a aquisição de insumos e matérias-
primas até o aluguel de imóveis para a produção.
Já os custos de oportunidaderepresentam os valores dos insumos e
matérias-primas usados no processo produtivo que não envolvem
desembolso, pois pertencem à empresa. São os chamados custos implícitos
e somente podem ser estimados para avaliar o que a empresa poderia
ganhar se �zesse uso alternativo dos fatores de produção.
Fundamentos de Economia 
Os custos de oportunidade não podem ser contabilizados no balanço da
empresa, por exemplo, o capital que �ca parado no caixa da empresa
deixando de render como se fosse aplicado no mercado �nanceiro.
Somente se você considerar os custos de oportunidade somados aos custos
contábeis, poderá ter ideia de quanto custa efetivamente para a sociedade o
uso do recurso utilizado para a produção de bens e serviços.
    b. Externalidades
As externalidades são os custos e benefícios impostos à sociedade como
resultado da produção de bens e serviços pelas empresas, ou alterações nos
custos e despesas da empresa devido a fatores externos.
Quando uma empresa gera benefícios para as demais sem receber nada em
troca, atribui- se o nome de externalidade positiva. Imagine o que acontece
quando uma grande loja de departamentos se instala em um local de
comércio de bairro. Toda a região acaba sendo valorizada, não é mesmo? A
loja de departamentos trouxe um benefício para as demais lojas instaladas
na região, porém não recebeu nada em troca.
Mas existe também a externalidade negativa, ou seja, quando uma empresa
cria custos para outras sem pagar um centavo por isso. Por exemplo, uma
empresa que polui as águas de um rio e impõe custos à sociedade no
tratamento daquela água para �ns de consumo doméstico.
Essas externalidades são reequilibradas com a aplicação de políticas �scais
adequadas, impondo multas ou subsídios sobre as fontes geradoras,
subsídios para as empresas geradoras de externalidades positivas e multas
para as empresas geradoras de externalidades negativas.
    c. Custos versus despesas
Apenas do ponto de vista contábil é que existe uma distinção rigorosa entre
custos e despesas.
Para a contabilidade, custos são gastos relativos a um bem ou serviço
utilizado na produção de outros bens e serviços, e despesas são gastos
relativos a um bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para a
obtenção de receitas. Os custos têm uma conotação totalmente identi�cada
com a produção, ao passo que as despesas estão mais associadas ao
exercício social da empresa.
Fundamentos de Economia 
É possível classi�car os custos em diretos e indiretos, �xos e variáveis, e as
despesas em �xas e variáveis. Você poderá veri�car que alguns custos
podem ser diretamente apropriados aos produtos, bastando haver uma
medida de consumo, sendo estes classi�cados como custos diretos com
relação aos produtos.
Outros realmente não oferecem condição de uma medida objetiva, e
qualquer tentativa de alocação deve ser feita de maneira estimada e muitas
vezes arbitrária, por exemplo: o aluguel, a supervisão, as che�as etc. São os
custos indiretos com relação aos produtos.
Observe que na Teoria Econômica não existem distinções tão acentuadas,
uma vez que para a economia o conceito de custo �xo envolve as despesas
�nanceiras, comerciais e administrativas.
7. Maximização dos Lucros
A Teoria Neoclássica propõe que as empresas tenham como objetivo maior
a maximização do lucro, entendendo-se por lucro a diferença entre os
valores apurados com a venda dos produtos (receita) e os custos de
produção (gastos).
Com o objetivo de maximizar seus lucros, a empresa escolhe o nível de
produção mais adequado, de tal forma que a diferença entre a receita total
de vendas e o custo total de produção seja positiva e a maior possível.
Aqui cabe também o conceito de receita marginal, que é de�nido como o
acréscimo na receita total, quando a empresa vende uma unidade adicional
de produto. O custo marginal segue a mesma lógica, ou seja, é o acréscimo
no custo total de produção quando a empresa produz uma unidade
adicional de seu produto.
Acompanhe o raciocínio da maximização dos lucros. Imagine uma empresa
com a produção posicionada, de tal forma que a receita marginal seja maior
Fundamentos de Economia 
que o custo marginal. Nos casos em que isso acontece, o empreendedor
tem interesse em aumentar a produção, pois um aumento de unidades
produzidas representa um aumento nos seus lucros, uma vez que a receita
marginal é maior que o custo marginal.
De forma análoga, o empreendedor irá diminuir a produção sempre que a
receita marginal for menor que o custo marginal, o que signi�ca que cada
unidade que deixa de ser produzida aumenta seu lucro, uma vez que o custo
marginal é maior que a receita marginal.
Consequentemente, a melhor escolha, ou seja, a escolha que proporciona a
operação da empresa com lucro máximo, é aquela cuja receita marginal é
igual ao custo marginal.
8. Estruturas de Mercado
Você deve estar preocupado com nosso estudo, pois, até o momento, todas
as suas conclusões foram tiradas dentro do mercado ideal, porém isso nem
sempre espelha a realidade. Na verdade, existem vários tipos de mercado e,
dentro deles, as coisas acontecem de forma diferente, especialmente as
questões que in�uem no equilíbrio do mercado.
Entre os mercados mais conhecidos, destacam-se:
Concorrência perfeita: trata-se do modelo ideal, o qual estamos
estudando até aqui. A formação do mercado de concorrência perfeita
exige algumas premissas:
a. Grande número de produtores e consumidores: essa premissa
impossibilita que qualquer parte imponha preços ao mercado. Os
produtores não podem elevar os preços dos produtos impunemente,
pois, se assim o �zerem, estarão arriscando perder o cliente para a
concorrência. O consumidor perde a capacidade de “pechinchar” os
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preços, pois existem muitos outros consumidores interessados no
mesmo produto;
b. Os produtos são homogêneos: não existem grandes diferenças entre os
produtos ofertados por um ou outro produtor, o que faz com que o
preço seja o único diferencial de atração do consumidor;
c. Nível de informações disseminadas: tanto o consumidor quanto o
produtor possuem as mesmas informações sobre o produto e o
mercado, não sendo possível uma das partes levar vantagem sobre a
outra pelo uso de informações privilegiadas.
Monopólio: trata-se de uma situação de mercado oposta à concorrência
perfeita. Nessa situação, existe apenas um único produtor que controla
e abastece todo o mercado. Os consumidores somente decidem se
compram ou renunciam ao produto. Assim, o produtor consegue se
impor no mercado, estabelecendo os preços, �xando quantidades e
buscando lucro máximo, a despeito de satisfazer ou não às
necessidades do consumidor. A qualidade do produto também pode
�car prejudicada.
Na ocorrência de uma redução da demanda, o produtor prefere reduzir a
produção e manter os preços, uma vez que o consumidor não tem
alternativa por outros produtos.
Vários fatores permitem a criação de mercados monopolizados:
a. Monopólio natural: a produção de alguns bens ou serviços requerem
uso de capital intensivo, ou seja, grandes investimentos em
infraestrutura e, em contrapartida, a característica social do bem ou
serviço não permite a cobrança de preços elevados. Assim, somente
uma escala muito elevada de produção e venda irá compensar os altos
custos do capital investido. Portanto, se não houver garantia de
mercado, não aparecerão empreendedores dispostos a ofertar o bem
ou serviço. Essa é uma situação típica da distribuição de energia elétrica
ou das companhias de saneamento básico;
b. Monopólio social ou político: a sociedade, por razões políticas,
estratégicas ou sociais, outorga, através de legislação, a concessão de
um monopólio para alguma empresa. Um caso típico do Brasil é a
Petrobras e o monopólio do setor petrolífero;
c. Monopólio de poder �nanceiro: nesse caso, empresas mais fortes
montam um poderoso esquema de controle do mercado, afastando os
concorrentes e não incentivando novos entrantes, pois ninguém se
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arrisca a penetrar nesse mercado. Essepoder �nanceiro é tão forte que
permite a uma empresa operar com preços inferiores aos custos de
produção até afastar um concorrente, quando o preço passa a ser
estabelecido pela empresa monopolista.
Apesar de o monopólio causar danos para o consumidor, sua existência é
usada para justi�car as regulamentações governamentais que envolvem
desde políticas de preços até tarifas, quantidades e qualidade.
No Brasil, existem as agências reguladoras governamentais, que têm a
incumbência de �scalizar as atividades das empresas prestadoras de
serviços públicos privatizados. O CADE, por sua vez, tem a missão de
�scalizar e impedir o exercício do poderio �nanceiro de algumas empresas,
evitando a monopolização do mercado.
Agora, o monopólio pode se manifestar também na ponta do consumo.
Pode existir apenas um grande comprador que impõe sua política de
compras aos seus fornecedores (produtores e vendedores). Esse mercado é
denominado monopsonio, com danos parecidos ao monopólio. O
comprador impõe preços desfavoráveis aos produtores, exigências de
qualidade impossíveis de serem atendidas pelos preços negociados, prazos
de entrega irreais, quantidades que sufocam o produtor e ameaças de
incorporação do produtor pelo comprador. Isso também requer ação
governamental no sentido de coibir os abusos de poderio econômico.
S A I B A M A I S
Você já ouviu falar em John D. Rockefeller? Ele teve o monopólio do setor de
petróleo nos Estados Unidos, por meio da Standard Oil, se estabelecendo
como um dos empresários mais ricos de todo o mundo. O poder econômico
da Standard Oil foi tão elevado que motivou a criação da lei federal dos
monopólios.
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Oligopólio: esta é uma situação intermediária entre o monopólio e a
concorrência perfeita. Aqui, em vez de uma empresa dominar o
mercado, algumas poucas empresas o fazem, de�nindo as políticas de
preços praticadas por todas, estabelecendo as mesmas quantidades
ofertadas e a mesma qualidade. As empresas participantes do
oligopólio chegam mesmo a dividir o mercado entre si. A indústria
automobilística brasileira é um exemplo de mercado oligopolizado.
No caso do oligopólio, para que as empresas estabeleçam o controle do
mercado, duas estratégias são seguidas:
a. Cartel: as empresas entram em uma espécie de acordo, dividindo o
mercado, evitando concorrência entre si e estabelecendo preço,
qualidades e quotas de produção para manter a oferta sob controle.
Esse tipo de ação oligopolista é expressamente proibido no Brasil e em
muitos países;
b. Liderança de preços: a empresa mais e�ciente do oligopólio estabelece
o preço que lhe proporcione a maior lucratividade e as demais
empresas a seguem, embora contabilizando taxas de lucro menores.
P R A T I Q U E
Existe concorrência entre empresas oligopolistas?
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Síntese
Neste Capítulo, você estudou microeconomia envolvendo desde os
conceitos de demanda, oferta e equilíbrio de mercado. Você viu como
funciona o mercado em termos de elasticidade e a in�uência da demanda e
da oferta sobre a economia, entendendo o comportamento dos
consumidores e dos produtores.
Você veri�cou também o processo de formação dos preços e deve ter
percebido que eles não são formados apenas a partir dos custos de
produção, mas também com base nas necessidades e desejos dos
consumidores, ou seja, nos fatores geradores de demanda e, ainda, na
capacidade produtiva das empresas e na adequação dos fatores de
produção ao mercado, o que interfere na oferta.
Você pôde perceber também que o equilíbrio é uma tendência do mercado
onde vigora a concorrência plena, muito embora o governo precise lançar
mão de mecanismos de ajuste e �scalização para coibir abusos por parte do
poderio econômico concentrado.
Por �m, você viu as questões relativas aos custos e à maximização dos
lucros por parte das empresas, que formam a base para a tomada de
decisão quanto aos novos investimentos em infraestrutura e ao aumento da
produção ou à redução dos investimentos em fatores de produção e
consequente diminuição das quantidades produzidas.
É importante que você faça algumas re�exões sobre o material estudado,
principalmente nos assuntos destacados nos boxes de conteúdo.
Aconselho a releitura, especialmente das dicas, pois isso facilitará seu
desempenho nos demais temas do curso e nos demais capítulos. 
Referências Bibliográficas
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g
PINHO, D. B. A ciência econômica do século XXI às suas origens. In:
PINHO, D. B.; VASCONCELLOS, M. A. S.; TONETO JR, R. (Org.). Introdução à
Economia. São Paulo: Saraiva, 2011.
ROSSETTI, J. P. Introdução à economia. 16. ed. São Paulo: Atlas, 1994.
VASCONCELLOS, M. A. S; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. São
Paulo: Saraiva, 1998.
ROSTOW, W.W. Etapas do desenvolvimento econômico: um manifesto
não comunista. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1961.
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