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RESENHA CRÍTICA DO TEXTO: Antropologia, saúde e doença: uma introdução ao conceito de cultura aplicada às ciências da saúde. Autores: Esther Jean Langdon e Flávio Braune Wilk. Os autores do texto vão discorrer sobre a cultura e sua relação com a saúde. Iniciam o texto argumentando as diversas possibilidades que o termo “cultura” pode denotar, contudo apresentam a cultura neste artigo como um conceito que é a base dos estudos antropológicos. A apresentação da cultura e sua relação com a saúde é refletida tanto para os profissionais da área da saúde como aqueles que pesquisam a saúde. Para esses autores ras questões relacionas da saúde e a doença são construídas sociolculturalmente, por isso a importância destes profissionais se ater e entender as influências que ela possui nas vivências de trabalho em saúde. A importância de relacionar os estudos culturais com a saúde também parte do pressuposto de que a cultura em uma determinada sociedade “é aprendida, compartilhada e padronizada”. Assim sendo, práticas ligadas direta e indiretamente a saúde são associadas a esses aprendizados e, portanto devem ser conhecidas pelos profissionais que atuam nessa área. Para ilustrar como esses termos se relacionam, os autores trazem o exemplo da alimentação. Em cada sociedade existe uma cultura alimentar diferente que vai corresponder a práticas saudáveis, práticas de higiene, aquilo que alimenta, aquilo que é prejudicial. Citam o exemplo de como é o almoço dos e das brasileiras e sua diferença em relação as demais culturas. Essa ilustração serve para aderir o entendimento de que é necessário compreender as origem de determinadas práticas nas sociedades. Além de trazer a importância de, “ao se deparar com culturas diferentes, não se faça julgamentos de valor tomados com base no próprio sistema cultural.” Para a antropologia esse exercício chama-se de relativismo cultural. Trabalhar com o relativismo cultural torna-se importante uma vez que o modelo de saúde brasileiro é sustentado pela visão biomédica. Essa proposta não abarca as visões das diversas culturas no Brasil sobre suas próprias situações de cura e doença, portanto, o esforço para não “cair” no lugar que desconsidere e entenda como inadequado o outro é necessário. Os autores trazem a discussão que esse entendimento cultural não deve ser direcionado apenas para regiões distantes e/ou comunidades indigenas, mas para o contexto urbano também, uma vez que nas cidades existe uma diversidade de crenças, religiões e aspectos que não são homogêneos e que devem ser considerados dentro dessa amplitude. Em um dado momento, os autores argumentam que “a doença e as preocupações para com a saúde são universais na vida humana, presentes em todas as sociedades”, contudo a forma como se percebe as práticas curativas e de bem estar demonstram distinções que só entendendo a diversidade cultural que se pode travar um bom diálogo e cuidados nessa área.