Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

OS IRMÃOS KARAMAZOV - Fiódor Dostoiévski - 1880
SINÓPSE
A narrativa trata da história de uma conturbada família em uma cidade na Rússia. O patriarca da família é Fiódor Pavlovitch Karamázov, um palhaço devasso que subiu na vida principalmente devido aos dotes de suas duas mulheres, ambas mortas de forma precoce, e à sua mesquinharia. Com a primeira mulher tem um filho, Dmitri Fiodorovitch Karamázov, que é criado primeiramente pelo criado que mora na isbá ao lado de sua casa e depois por Miússov, parente de sua falecida mãe. Com a segunda mulher tem mais 2 filhos: Ivan e Aliêksei Fiodorovitch Karamázov, que são criados também por um parente da segunda mulher do pai de ambos. Ao passo que Ivan se torna um intelectual, atormentado justamente por sua inteligência, Aliêksei se torna uma pessoa mística e pura, entrando para um mosteiro na cidade.
De uma querela financeira entre o pai e seu primogênito, também devasso, porém honrado, nasce também a disputa por uma mulher, Gruchénka, que levará ambos a descomedidos atos que resultarão na morte de Fiódor Pavlovitch Karamázov.
Os irmãos Karamázov deveria ter uma continuação, onde o narrador exporia de melhor forma o caráter de seu herói, o filho mais novo Aliêksei Fiodorovitch Karamázov, para o qual esta narrativa seria a primeira parte de sua biografia, porém Dostoiévski morreu antes de finalizar a segunda parte de sua obra. Dostoiévski declara no início do prólogo que a obra é, de fato, sobre Alieksiéi:
Ao começar a biografia de meu herói, Alieksiéi Fiódorovitch, sinto-me um tanto perplexo. Com efeito, se bem que o chame meu herói, sei que ele não é um grande homem; prevejo também perguntas deste gênero: "Em que é notável Alieksiéi Fiódorovitch, para que tenha sido escolhido como seu herói? Que fez ele? Quem o conhece e por quê? Tenho eu, leitor, alguma razão para consagrar meu tempo a estudar-lhe a vida?"
PERSONAGENS
-  Fiódor Pavlovitch Karamázov – Pai
- Dmitri Fiodorovitch Karamázov – Filho mais velho e da primeira esposa, bom vivant
- Ivan Fiodorovitch Karamázov – Filho do segundo casamento, intelectual
- Aliêksei Fiodorovitch Karamázov - Filho do segundo casamento, religioso
- Smierdiakóv – filho de Lizavieta Smierdiáschaia, uma mulher louca que vivia na cidade, em que possivelmente Fiódor tenha engravidado. Com a morte da mulher, Fiódor leva a criança para ser criada por seu casal de funcionários
- Gruchénka – Mulher disputada por Fiódor e Dmitre
- Stárietz Zossima – Líder religioso da igreja ortodoxa russa, tido como um santo por muitos, inclusive por Aliêksei
- Catierina – noiva de Dmitri
CURIOSIDADES
- Provavelmente o nome Karamázov foi forjado a partir de "kara", "castigo" ou "punição", e do verbo "mázat", "sujar", "pintar", "não acertar". Significaria, então, aquele que com seu comportamento errante vai tecendo a sua própria desgraça, segundo nota dos tradutores da obra.
ENSINAMENTOS
- o capítulo intitulado "Rebelião", Ivan proclama que rejeita o mundo que Deus criou porque foi erguido sobre uma base de sofrimento. Em o "O Grande Inquisidor", poema escrito por Ivan, é narrado para Aliócha o poema imaginado que descreve um líder da Inquisição Espanhola e seu encontro com Jesus, que retornou à Terra. Aqui, Jesus é rejeitado pelo Inquisidor que o lança na prisão e depois diz:
“Por que achaste de aparecer agora para nos atrapalhar? Pois vieste nos atrapalhar e tu mesmo o sabes. [...] Faz muito tempo que já não estamos contigo, mas com ele [Satã] [...] Recebemos dele aquilo que rejeitaste com indignação, aquele último dom que ele te ofereceu ao te mostrar todos os reinos da Terra: recebemos dele Roma e a espada de César, e proclamamos apenas a nós mesmos como os reis da Terra, os únicos reis [...] mas nós o conseguiremos e seremos os Césares, e então pensaremos na felicidade universal dos homens.”
O Grande Inquisidor diz que Jesus não deveria ter dado aos humanos a "carga" do livre arbítrio. Portanto, aos que não viram a Jesus vivo resta apenas crer, ter fé que ele existiu e em seus ensinamentos, TUDO UMA QUESTÃO DE ESCOLHA DEVIDO AO LIVRE ARBÍTRIO. Todavia, aí se encontra o problema, pois muitos já não viram a Jesus, há milênios, desta forma, entende o Grande Inquisidor, fazer o papel que Jesus deveria ter feito, não deixando ao homem o livre arbítrio, o que possibilitaria a escolha para o mal.
Tal questão vem a tona novamente na obra no momento da morte do Stárietz Zossima, pois muitos acreditavam que o mesmo seria um santo, portanto, ao morrer seu corpo seria incorruptível, porém não é o que ocorre, em algum tempo, o defunto começa a entrar em estado de decomposição. Muitos começam a questionar sua santidade e vida íntegra, No entanto, assim como Jesus que apenas agiu milagrosamente em sua época, não tendo voltado a aparecer após milênios de sua morta, para que fosse mais fácil a conversão de todos, resta unicamente o livre arbítrio, a fé a escolha em acreditar.
- Em nenhum momento há, explicitamente, no livro a frase “se Deus não existe, então tudo é permitido?”, no entanto, o sentido se encontra presente, há, na verdade, uma forma parafraseada de um trecho do livro onde narram a respeito de um artigo que o personagem Ivan Karamazov acaba de publicar numa revista:
“... ele (Ivan Fiodorovitch Karamazov) declarou em tom solene que em toda a face da terra não existe absolutamente nada que obrigue os homens a amarem seus semelhantes, que essa lei da natureza, que reza que o homem ame a humanidade, não existe em absoluto e que, se até hoje existiu o amor na Terra, este não se deveu a lei natural mas tão-só ao fato de que os homens acreditavam na própria imortalidade. Ivan Fiodorovitch acrescentou, entre parenteses, que é nisso que consiste toda a lei natural, de sorte que, destruindo-se nos homens a fé em sua imortalidade, neles se exaure de imediato não só o amor como também toda e qualquer força para que continue a vida no mundo. E mais: então não haverá mais nada amoral, tudo será permitido, até a antropofagia. Mas isso ainda é pouco, ele concluiu afirmando que, para cada indivíduo particular, por exemplo, como nós aqui, que não acreditamos em Deus nem na própria imortalidade, a lei moral da natureza deve ser imediatamente convertida no oposto total da lei religiosa anterior, e que o egoísmo, chegando até ao crime, não só deve ser permitido ao homem mas até mesmo reconhecido como a saída indispensável, a mais racional e quase a mais nobre para a situação.”
Mais à frente no livro, Ivan considera outra possibilidade. Se Deus não existisse, e a religião fosse extinta de todas as formas, o que aconteceria?
Quando a humanidade, sem exceção, tiver renegado Deus (e creio que essa era virá), então cairá por si só, sem antropofagia, toda a velha concepção de mundo e, principalmente, toda a velha moral, e começará o inteiramente novo. Os homens se juntarão para tomar da vida tudo o que ela pode dar, mas visando unicamente à felicidade e à alegria neste mundo. O homem alcançará sua grandeza imbuindo-se do espírito de uma divina e titânica altivez, e surgirá o homem-deus. Vencendo, a cada hora, com sua vontade e ciência, uma natureza já sem limites, o homem sentirá assim e a cada hora um gozo tão elevado que este lhe substituirá todas as antigas esperanças no gozo celestial. Cada um saberá que é plenamente mortal, não tem ressurreição, e aceitará a morte com altivez e tranquilidade, como um deus. Por altivez compreenderá que não há razão para reclamar de que a vida é um instante, e amará seu irmão já sem esperar qualquer recompensa. O amor satisfará apenas um instante da vida, mas a simples consciência de sua fugacidade reforçará a chama desse amor tanto quanto ela antes se dissipava na esperança de um amor além-túmulo e infinito.
- Hubris (grego) ou Soberba (cristianismo), trata-se do excesso de orgulho, pior pecado para os gregos, em que os deuses puniam os humanos com o excesso de tal pecado, vide o exemplo de Narciso. De igual modo no cristianismo, em inúmeras passagens bíblicas é retratada a questão da soberba, tais como “A soberba precede a ruína,e a altivez do espírito precede a queda. Melhor é ser humilde de espírito com os mansos do que repartir o despojo com os soberbos. (provérbios 16:18-19)” ou em “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas, mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor. (Jeremias 9:23,24)”
- A CULPA é o princípio fundamental da saúde mental, a dor é o aviso que há um problema em seu corpo, enquanto que a culpa é o aviso da alma que a pessoa possuí um problema MORAL. Quem não sente culpa já se tornou alguém sem consciência moral, grau de degeneração da humanidade da pessoa.

Mais conteúdos dessa disciplina