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Laís R. Saad – T9 1. hematopoese LOCAIS OBS: A hematopoese definitiva deriva de uma população de células-tronco presente na aorta-dorsal, designada região AGM (aorta-gônadas-mesonefros). Acredita-se que essas células se juntem na medula óssea, fígado e baço. OBS 2: A medula óssea gordurosa é capaz de reverter para hematopoética e, em muitas doenças, haver expansão da hematopoese ao longo dos ossos longos. Assim como o fígado e baço também podem retomar seu papel. CÉLULAS TRONCO E CÉLULAS PROGENITORAS O processo se inicia com uma célula progenitora, ou seja, célula pluripotente com capacidade de autorrenovação e de originar as diferentes linhagens celulares. Ao exame imunológico são: CD34+ e CD38-, têm aparência de um linfócito pequeno ou médio. A diferenciação passa por uma etapa com potencial de desenvolvimento restrito – progenitores comprometidos – que vão originar as linhagens linfoide e mieloide. Quando as células comprometidas atingem um grau de diferenciação ainda maior elas se tornam unipotentes e são capazes de dar origem a apenas uma determinada série sanguínea. ESTROMA MEDULAR No microambiente da medula óssea, as células pluripotentes encontram condições favoráveis para sua sobrevida. Esse meio é composto por células do estroma e uma rede microvascular. As células do estroma são formadas por adipócitos, fibroblastos, células endoteliais e macrófagos. Juntas, essas células secretam moléculas extracelulares, como colágeno, glicoproteínas e glicosaminoglicanos (ácido hialurônico e derivados condroitínicos) para formar uma matriz extracelular. Fatores de crescimento também são secretados pelas células do estroma. As células do estroma são oriundas das células-tronco mesenquimais, que, junto com os osteoblastos, formam nichos e fornecem os fatores de crescimento, moléculas de adesão e citocinas que dão suporte às células-tronco hematopoiéticas. Ou seja, permitem a fixação das células pluripotentes, trazidas pela circulação periférica, ao estroma medular e propiciam o contato íntimo entre essas células e os fatores de crescimento hemopoiéticos. A fixação de células hematopoiéticas pluripotentes no estroma medular é mediada por moléculas de adesão e seus respectivos receptores situados na membrana dessas células. São exemplos de receptores: o CD44, o CD11, o CD18 e a fibronectina. Além do receptor NOTCH1 que, ao fazer a ligação entre a proteína das células estromais e das células-tronco, torna-se um fator de transcrição envolvido no ciclo celular. Para deixar a medula óssea, as células-tronco devem atravessar o endotélio vascular, esse processo de mobilização é aumentado pela administração dos fatores de crescimento, como o G-CSF (fator estimulante de colônias granulocíticas). Já o processo reverso, homing, depende do gradiente quimiocinético, no qual tem papel o fator derivado do estroma (SDF-1). REGULAÇÃO DA HEMATOPOESE A hematopoese começa com mitoses das célula-tronco. Em cada divisão, uma célula- filha repõe a célula-tronco (autorrenovação) e a outra se compromete em diferenciação. As células que irão se diferenciar, possuem baixo nível de fatores de transcrição, por isso, ficam comprometidas com cerca linhagem. A seleção da linhagem ocorre por variação tanto na alocação aleatória como por sinais externos recebidos pelas células progenitoras. FATORES DE CRESCIMENTO São hormônios glicoproteicos que regulam a proliferação, a diferenciação, maturação e a função das células sanguíneas maduras, além de prevenir a apoptose celular. Eles podem agir no local em que são produzidos por contato célula a célula ou podem circular no plasma. Também podem se ligar à matriz extracelular, formando nichos ao quais aderem células-tronco e as células progenitoras. Esses fatores compartilham certo número de propriedades e agem em diferentes etapas da hematopoiese. De maneira geral eles: B Agem em concentrações muito baixas e hierarquicamente; B São produzidos por muitos tipos celulares e afetam mais de uma linhagem; B Exercem efeito sobre as células-tronco e as células funcionais finais; B Tem interações sinérgicas ou aditivas com outros fatores de crescimento. Com exceção da eritropoetina, que é sintetizada pelo rim em sua maior parte, e da trombopoetina, sintetizada no fígado, os fatores de crescimento são oriundos, Feto 0-2 meses (saco vitelino) 2-7 meses → 2 sem. após nascimento (fígado, baço) 5-9 meses (medula óssea) De 0 a 2 anos medula óssea; no resto da infância há substituição da medula dos ossos longos por gordura Adultos vértebras, costelas, crânio, esterno, sacro e pelve, extremidades proximais dos fêmures e úmero hematopoese Laís R. Saad – T9 principalmente, das células estromais. Eles podem agir sinergicamente no estímulo de proliferação ou diferenciação de uma célula particular ou ainda estimular a produção de outro fator de crescimento ou de um receptor de fator. d CFU-GEMM: unidade ou célula capaz de formar vários tipos de precursores das linhagens granulocítica, eritrocitária, monocitária e megacariocitária. d CFU-GM: unidade ou célula formadora de colônias constituídas apenas de neutrófilos (G) e monócitos (M). d CFU-E: unidade ou célula formadora de colônias de eritroblastos (E). d CFU-Eo: unidade ou célula formadora de colônias constituídas apenas por eosínófilos (Eos). d CFU-Meg: unidade ou célula formadora de colônias só de megacariócitos. d BFU-E: fator estimulador da proliferação de progenitores eritroblásticos. d BFU-EMeg: fator estimulador da proliferação de progenitores eritroblásticos e megacariócitos. FATORES DE INIBIÇÃO Essas substâncias podem ser denominadas reguladores ou modulares, pois, até certo ponto, impedem a produção de quantidade excessiva de células. São produzidas por vários tipos de células presentes no estroma de sustentação da medula óssea. d Interferon Gama (INF-γ): É uma linfocina produzida por linfócitos T que tem efeito inibidor sobre a proliferação das células imaturas normais. d Prostaglandina E: É produzida por macrófagos e tem ação inibidora sobre as CFU-GM (unidade ou célula formadora de colônias constituídas apenas de neutrófilos [G] e monócitos [M].) d Lactoferrina: É um constituinte normal das granulações citoplasmáticas específicas dos segmentados neutrófilos. Sua eliminação a partir dessas granulações tem efeito inibidor sobre a proliferação das células jovens da medula óssea. Laís R. Saad – T9 d Fator de Necrose Tumoral Alfa (TNF-α): Tem ação inibidora sobre precursores da mielopoiese quando colocado em cultura de medula óssea. Esse efeito parece ser sinérgico com o do INF-γ. d Fatores Transformadores de Crescimento (TGF-ẞ): Constituem um grupo de polipeptídeos de ação reguladora, tanto de mielopoiese como da linfopoiese (TGF ẞ1, ẞ2, ẞ3). Essas citocinas são produzidas por várias células da medula óssea e liberas no processo de degranulação das plaquetas. Têm efeito inibidor intenso sobre a megacariocitopoiese, mas inibem também a eritropoiese e a granulocito-monocitopoiese. 2. composição sanguínea O sangue é constituído de duas frações combinadas: PLASMA: compõe 55% do sangue; é a porção acelular e fluida do sangue não coagulado; contém fatores da coagulação, exceto aquele removido pelo anticoagulante. Constituído de 91,5% de água que serve de solvente das substâncias orgânicas e minerais e ainda de veículo para as células, moléculas e íons, assim, é formado às custas da ingestão de água, de alimentos, da difusão e trocas líquidas entre os vários compartimentos do organismo. Os 8% restantes são formados por proteínas, sais e outros constituintes orgânicos em dissolução. CÉLULAS: apresenta três tipos de células em suspensão no plasma: B Glóbulos vermelhos, hemácias ou eritrócitos. B Glóbulos brancos ou leucócitos. B Plaquetas ou trombócitos. 3. características morfológicas da hemácia ERITROPOESE A partir da célula-tronco, a eritropoiesepassa pelas células progenitoras CFU-GEMM, BFU-E e CFU-E até o primeiro precursor eritroide com estrutura identificável na medula óssea, o proeritroblasto. Essa célula três divisões celulares sucessivas. Como resultado dessas divisões, o tamanho das células diminui progressivamente, mas há aumento do conteúdo de hemoglobina no citoplasma. Assim, o volume do parênquima eritroblástico da medula óssea cresce após o estímulo da eritropoiese. O número de eritroblastos basófilos corresponde ao dobro dos proeritroblastos, e o número de células seguintes, eritroblastos policromatófilos e eritroblastos ortocromáticos também dobra. Os eritroblastos ortocromáticos são incapazes de se dividir, embora continuem a acumular hemoglobina. O núcleo dessas células é degenerado em um processo denominado cariorréxis. O conteúdo de DNA nuclear é então cercado por uma fina camada hemoglobínica do citoplasma celular, sendo expulso envolto numa capa de membrana. Os eritroblastos ortocromáticos também podem perder os núcleos pelo processo de expulsão dos mesmos através do citoplasma. O que sobra da célula sem núcleo é o eritrócito jovem recém formado, carregado de hemoglobina: o reticulócito, que ainda contém pequena quantidade de RNA ribossômico e com capacidade de sintetizar hemoglobina. O reticulócito já pode circular, porém ainda contém restos de corpúsculos citoplasmáticos e excesso de membranas que precisam ser eliminados. Por isso, os reticulócitos atravessam os capilares sinusóides do baço para sofrerem a ação dos macrófagos esplênicos e, assim, tornarem eritrócitos maduros. O principal fator que regula a emissão dos eritrócitos para o sangue é o nível das trocas de gases que ocorre entre as células e os tecidos. Em condições de baixa tensão de O2 ocorre estímulo para a eritropoiese, enquanto o aumento da tensão de O2 a deprime. A diminuição da quantidade de oxigênio cedida pelo sangue aos tecidos leva à secreção de uma substância de nominada eritropoetina (EPO), que atua sobre a medula óssea, levando ao aumento da produção de eritrócitos. A EPO é secretada por células tubulares ou células endoteliais peritubulares dos rins, que possuem receptores capazes de detectar variações na concentração de oxigênio no sangue. Cerca de 10% da EPO é produzida no fígado ou mesmo por macrófagos da medula óssea. MORFOLOGIA As hemácias são células anucleadas, em formato de disco bicôncavo que contém grande quantidade de hemoglobina. A forma bicôncava proporciona grande superfície em relação ao volume, o que facilita as trocas de gases. Esta forma é mantida por proteínas estruturais do citoesqueleto e ligadas à membrana da hemácia. Os eritrócitos são flexíveis, passando facilmente pelas bifurcações dos capilares mais finos, onde sofrem SORO X PLASMA O plasma possui todos os componentes acima citados, enquanto que o soro não possui os fatores de coagulação, nem o fibrinogênio. Dessa forma, pode-se dizer que o soro é um plasma que não coagula. Quando se fala de sorologia, por exemplo, se trata do estudo analítico do soro liberado após a coagulação do sangue. É assim que se realiza testes sorológicos para HIV, HBV (hepatite B), HCV (hepatite C), VDRL (sífilis) e outros. Laís R. Saad – T9 deformações temporárias. A deformação, em termos relativos, não distende muito a membrana e por isso não causa ruptura nas células. QUANTO AO TAMANHO: d Macrocitose: é causada por hiperregeneração da medula ou síntese alterada do DNA. VCM > 98 fL; alcoolismo, drogas, anemia aplástica, déficit de B12 ou ác. fólico. d Microcitose: deficiência na síntese de hemoglobina. VCM < 80 fL; anemia ferropriva, talassemias. d Anisocitose: presença de macro e microcitose ao mesmo tempo. QUANTO À COR: d Hipocromia: redução da CHCM, qualquer uma das causas de microcitose p0de causam hipocromia. d Policromatocitose: eritrócitos acinzentados ou azulados; presente após 0 4º dia na regeneração pós-hemorrágica, sempre nas anemias hemolíticas. d Policromasia e reticulocitose: eritrócitos jovens com DNA citoplasmático corados em azulados na coloração usual (eritrócitos policromáticos). QUANTO À FORMA (poiquilocitose/pecilocitose) d Esferóticos: defeito na membrana por alteração da espectrina ou agressão por anticorpos, não possuem área central pálida; anemias hemolíticas auto- imune. d Eliptócitos ou ovalócitos: defeito na membrana por anemias microcíticas, megaloblásticas e síndromes mieloproliferativas. d Estomatócitos: membrana retraída em cúpula; raramente tem significado clínico. d Drepanócitos/falciformes: têm forma de foice ou banana; síndromes falcêmicas. d Dacriócitos: forma de gota/lágrimas, deformam-se principalmente no baço, ao passarem pelos sinusóides; anemias megaloblásticas. d Leptócitos: eritrócitos delgados e hiprocrômicos, podem adquirir forma de sino ou alvos; hemoglobinopatia. d Equinócitos: hemácias crenadas, podem ocorrer por substâncias alcalinas na lâmina. Hemácias fragmentadas: d Esquizócitos: pedaços cortados por trauma, podem ser triangulares, meia lua; anemias megaloblásticas, hemólise, queimaduras... d Queratócitos: células mordidas ou em forma de capacete; anemias hemolíticas. 4. hemograma x coagulograma Proporciona a avaliação dos três componentes principais do sangue periférico: eritrócitos, leucócitos e plaquetas. O exame é divido em três partes, que podem sofrer alterações: Laís R. Saad – T9