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ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Instituição Credenciada pelo MEC – Portaria 4.385/05 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
2 
 
 
 
 
 
 
 
Unis - MG 
Centro Universitário do Sul de Minas 
Unidade de Gestão de Pós-graduação – GEPÓS 
Av. Cel. José Alves, 256 - Vila Pinto 
Varginha - MG - 37010-540 
 
 
 
 
Mantida pela 
Fundação de Ensino e Pesquisa do Sul de Minas – FEPESMIG 
Varginha/MG 
 
 
 
 
 
 
 
 
Todos os direitos desta edição reservados ao Unis-MG. 
É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou parte do mesmo, sob qualquer 
meio, sem autorização expressa do Unis-MG. 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BRANCO, André Haydt Castello 
Guia de estudo – Análise de Inteligência – A Produção do 
Conhecimento, Nível Básico - BRANCO, André Haydt 
Castello 
97 p 
1. Introdução à Atividade de Inteligência 2. A Lógica 3. 
A Produção do Conhecimento de Inteligência 4. A 
Formalização do Conhecimento Informe 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
4 
Reitor 
Prof. Ms. Stefano Barra Gazzola 
 
 
 
Gestão de Pós-graduação 
Prof. Ms. Guaracy Silva 
 
 
 
Design Instrucional e Diagramação 
Prof. Ms. Celso Augusto dos Santos Gomes 
 
 
Núcleo Pedagógico 
 Profª. Ms. Terezinha Nunes Gomes Garcia 
Profª. Drª. Gleicione Aparecida Dias Bagne de Souza 
 
 
 
 
 
Autor 
ANDRÉ HAYDT CASTELLO BRANCO 
Graduado Oficial do Exército pela Academia Militar das agulhas Negras – 1977; mestre 
pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais – 1987; especialização em Análise de 
Inteligência, pela Escola Nacional de Inteligência, em 1989; pós-graduado em 
Inteligência Estratégica pela Universidade Gama Filho – 2008 e 2009; Doutorado em 
Curso de Altos Estudos Militares pela Escola de Comando e Estado Maior do Exército - 
1992 e 1993; assessor na Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) – 2008 a 2012; 
professor universitário em cursos de graduação da Unisul Virtual; vasta experiência 
como profissional de Inteligência no Exército Brasileiro e na ABIN. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
5 
ÍCONES 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
6 
 
 
 
 
 
Ementa 
 
Introdução à Atividade de Inteligência. O que é Inteligência. A influência no Processo 
Decisório. Fundamentos da Atividade de Inteligência. Os Ramos da Atividade de 
Inteligência. Princípios Básicos da Atividade. As Fontes de Inteligência. A Lógica e a 
Atividade de Inteligência. O Processo do Pensamento Criador. A Linguagem de 
Inteligência. Tipos de Conhecimento: Informe, Informação, Apreciação e Estimativa. O 
Ciclo de Produção do Conhecimento. Metodologia e as Etapas do Pensamento Criador. 
Fases do Método da Produção do Conhecimento. Tipos de documentos de Inteligência. 
Estrutura Sugerida para os Documentos de Inteligência de qualquer Instituição. A 
Redação de Documentos de Inteligência. Redação do Conhecimento Informe na sua 
expressão mais simples. 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
7 
Apresentação 
 
Olá amigos, sejam todos bem vindos! A sociedade da informação e do conhecimento 
obriga as instituições a realizar uma atividade constante de obtenção, análise e 
formalização de conhecimento especializado para a tomada de decisões como resposta 
aos desafios de um mundo crescentemente interconectado e em constante modificação. 
Para satisfazer essa necessidade, é fundamental a formação de profissionais capazes de 
trabalhar como Analistas de Inteligência em unidades de produção de Inteligência, na 
área pública, ou na privada. Dessa maneira, o objetivo geral de nossa disciplina é 
fornecer os conhecimentos doutrinários fundamentais ao desempenho da função de 
Analista de Inteligência, profissional indispensável em qualquer organismo sério que se 
proponha a produzir conhecimentos necessários à tomada de decisões, por parte dos 
gestores públicos, ou privados. 
 
No primeiro módulo, vamos fazer a apresentação da Atividade de Inteligência, 
principalmente àqueles que não a conhecem. 
 
No segundo módulo, trataremos da Lógica e sua aplicação na Atividade de Inteligência, 
direcionada para a redação de um Conhecimento Informe. 
 
No terceiro módulo, vamos aprender a produzir o Conhecimento Informe, na sua forma 
mais simples. 
 
No quarto módulo, vamos apresentar a maneira como se formaliza um Conhecimento de 
Inteligência, em especial o denominado Informe. 
 
É muito importante que compreendam que os conhecimentos que serão aqui 
transmitidos referem-se à doutrina empregada no Sistema Brasileiro de Inteligência 
(SISBIN) e aplicado, consequentemente, nos órgãos públicos que o compõem. Então, se 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
8 
você pertence a alguma instituição privada, é necessário que faça as adaptações 
necessárias à realidade de sua organização. 
 
Desejo a todos muito sucesso neste novo desafio. Nunca é demais lembrá-los que a 
chave do sucesso na educação a distância é o comprometimento e a disciplina em um 
processo de aprendizagem colaborativa. 
 
É o que esperamos de vocês! 
 
Um forte abraço a todos, 
 
Professor André Haydt Castello Branco 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
9 
 
 
Sumário 
 
1. INTRODUÇÃO À ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA ................................................... 11 
1.1. Conceitos Fundamentais .........................................................................................................12 
1.2 O Que a Atividade de Inteligência não é ............................................................................19 
1.3. Caracterização da Atividade de Inteligência ...................................................................19 
1.4. Princìpios Básicos da Atividade de Inteligência ............................................................23 
1.5. Os Ramos da Atividade de Inteligência .............................................................................25 
1.6. As Relações entre as Agências de Inteligência ...............................................................27 
 
2. A LÓGICA E A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO DE INTELIGÊNCIA 
DENOMINADO “INFORME” ................................................................................................ 29 
2.1. Ambientação ...............................................................................................................................30 
2.2 A Lógica Formal ...........................................................................................................................32 
2.3 A Ideia .............................................................................................................................................33 
2.4. O Juízo ............................................................................................................................................37 
2.5. O Raciocínio.................................................................................................................................40 
2.6. A Lógica Material .......................................................................................................................40 
2.7 A Opinião, a Certeza, a Evidência e a Verdade...............................................................47 
 
3. PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO DE INTELIGÊNCIA .......................................... 51 
3.1. Considerações Iniciais .............................................................................................................52 
3.2 O Conhecimento de Inteligência ...........................................................................................53 
3.3 Situação de Produção ................................................................................................................53 
3.4. O Ciclo de Produção do Conhecimento (CPC) .................................................................54 
3.4.1. Fases do Ciclo de Produção do Conhecimento (CPC) ...............................................57 
3.5. Metodologia para a Produção do Conhecimento ..........................................................58 
3.5.1 Fases da Metodologia para a Produção do Conhecimento .....................................59 
3.5.2 Fase do Planejamento ...........................................................................................................60 
3.5.4. Fase da Análise e Síntese.....................................................................................................62 
3.5.4.1 Análise .....................................................................................................................................63 
3.5.4.2. A Técnica de Avaliação de Dados (TAD)....................................................................67 
3.5.4.3. Resultado da Avaliação ....................................................................................................72 
3.5.4.4. Síntese .....................................................................................................................................72 
3.5.5 Fase da Interpretação ............................................................................................................72 
3.5.6. Fase da Formalização e Difusão .......................................................................................73 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
10 
4. A FORMALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO DE INTELIGÊNCIA ............................. 74 
4.1. Considerações Iniciais .............................................................................................................75 
4.2 A “Ignorância do Usuário” .......................................................................................................76 
4.3. A Redação do Conhecimento de Inteligência ..................................................................77 
4.4. Tempos Verbais a Utilizar ......................................................................................................79 
4.5. O que não se de fazer................................................................................................................80 
4.6 Documentos de Inteligência ...................................................................................................82 
4.6.1. A Tramitação do Conhecimento .......................................................................................82 
4.6.2 Relatório de Inteligência (RELINT) ..................................................................................83 
4.6.2.1 Requisitos do RELINT ........................................................................................................86 
4.6.2.2 Modelo de RELINT ..............................................................................................................89 
4.7. Exercício Prático ........................................................................................................................90 
 
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................ 93 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
11 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO À ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA 
 
 
 
 
META DESTE MÓDULO 
 
 Apresentar a Atividade de Inteligência; 
 Abordar os conceitos principais da Atividade de Inteligência; 
 Expor os fundamentos da Atividade de Inteligência 
 
 
 
OBJETIVOS DESTE MÓDULO 
 
Ao final deste módulo você será capaz de: 
 Descrever a Atividade de Inteligência 
 Caracterizar os ramos da Atividade de Inteligência 
 Avaliar a importância da Atividade de Inteligência no contexto do processo 
decisório de sua instituição 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO À ATIVIDADE 
DE INTELIGÊNCIA 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
12 
 
1.1. Conceitos Fundamentais 
 
O que é “a Atividade de Inteligência (Atv Intlg)”? Para que serve? Como 
funciona? Qual sua participação no processo decisório do Poder Executivo? Onde mais 
pode ser utilizada? Suas técnicas de produção e proteção do conhecimento podem ser 
aplicadas na área privada? São “sigilosas”? 
Estas são perguntas que naturalmente vêm à mente quando iniciamos o estudo 
sobre a Atv Intlg. 
Comecemos entendendo que todos nós, pessoas comuns, autoridades, 
governantes, executivos, empresários, militares, etc, temos um problema em comum. E 
qual seria? Observe a figura abaixo e tente responder qual seria o problema comum de 
todas estas pessoas. 
 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
13 
 
 
 
Podemos dizer que o problema que aflige todas estas pessoas, todos os 
dias seria... NECESSIDADE DE DECIDIR SOBRE ALGO! 
 
 
Todos nós, todos os dias, somos instados a tomar decisões, desde as mais banais 
(com que roupa vou trabalhar? Vou de carro, ou de ônibus? Quem leva o filho na 
escola? A que horas vou no supermercado? O que tenho que comprar?), até as mais 
difíceis (como a do médico cirurgião que terá que decidir quem sobrevive em um parto 
de risco, caso haja algum problema: a mãe, ou o bebê?). 
Da mesma forma, governantes, autoridades, todos os dias são chamados a 
decidir sobre situações simples e complexas. Os militares, por sua vez, quando em 
campanha, precisam tomar decisões que influenciam no destino de uma guerra, podendo 
significar a derrota, ou a vitória de seu país! 
Os executivos têm que decidir sobre os destinos de suas empresas; resolver 
sobre aumento, ou diminuição de produção; sobre política de preços, etc. Então, fica 
patente que todos necessitam de informações para decidir; e de preferência informações 
que os façam decidir de maneira acertada! 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
14 
 
 
Ao consultarmos alguns estudiosos do assunto no âmbito acadêmico nacional e, 
também, no internacional, verificamos que o tema, além de apaixonante, suscita 
interpretações diversas. 
Primeiramente, é preciso entender que o desempenho da Atv Intlg sempre estará 
direcionado para a realidade que reflete uma época, um momento histórico, ou a 
conjuntura de um determinado país; e possuir a visão de futuro necessária. Por ser 
primordialmente uma atividade de Estado, a Atv Intlg deve focar sua ação na busca dos 
Objetivos Nacionais Permanentes, servindo, assim, aos interessesda nação brasileira e 
não aos governos de turno. 
Dessa maneira, precisamos ter muito cuidado ao lermos cada uma das 
interpretações que encontramos na literatura disponível sobre o tema, pois muitas delas 
expressam a opinião pessoal de um determinado estudioso, ou mesmo aquilo que, na 
visão dele, seria a destinação mais apropriada para a Atv Intlg. 
Por exemplo, há pessoas que consideram que a Atv Intlg se refere somente a 
“certos” (sem especificar quais) tipos de “informações” relacionadas à segurança do 
Estado, às atividades desempenhadas no sentido de obter essas informações, ou impedir 
que outros países a obtenham; e também que a Atv Intlg está ligada às organizações 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
15 
responsáveis pela realização e sua coordenação, na esfera estatal, para efetivação 
daquelas ações. 
Há aqueles, também, que afirmam serem os Serviços de Inteligência 
organizações governamentais especializadas na coleta, análise e disseminação de 
informações sobre problemas e alvos relevantes para a política externa, para a política 
de defesa nacional e a para a segurança pública de um país. 
Não se apercebem da ampla utilidade da Atv Intlg para resolver problemas 
orientando a formulação de políticas públicas; na atuação contra vulnerabilidades; e na 
identificação de oportunidades que são atuais, a par da visualização de situações 
potenciais (visão de futuro) para que elas não tornem a ocorrer, ou mesmo para que 
venham a se concretizar. 
Queremos destacar, também, que muitos estudiosos não aceitam a realidade da 
aplicação das técnicas ligadas à Atv Intlg na área privada, por exemplo. Só aceitam sua 
aplicação na área governamental, agindo na contramão da realidade mundial. 
Existiriam outras posições mais a citar, cada uma traduzindo um conceito, uma 
ideia própria, um pensamento, uma tese, uma visão, etc. Quem está certo, ou errado? 
Muito provavelmente, todos devem estar certos, em alguma medida, pois a Atv Intlg, no 
seu sentido mais amplo, abrange tudo isso que foi descrito acima nos últimos 
parágrafos. E muito mais! 
 
 O que extraímos de Importante de tudo isso? 
 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
16 
A palavra-chave, pois, é cautela! Temos liberdade para pensar, discutir, analisar, 
contribuir com a melhoria de qualquer processo; mas aqueles que pertencem aos 
quadros do Poder Executivo, principalmente, devem ter a disciplina intelectual de 
executar aquilo que o governo brasileiro, no âmbito do Sistema Brasileiro de 
Inteligência (SISBIN), preconiza. 
E aqueles que não são do poder Executivo, têm a oportunidade de extrair 
conhecimentos plenamente aplicáveis às suas atividades, sejam elas quais forem, 
principalmente se ocuparem cargos onde exerçam a nobre função de assessorar aqueles 
que têm a árdua tarefa de “decidir”. 
O que todos nós devemos entender é que o mundo mudou; e dentro desta 
realidade verifica-se que o produto final da Atv Intlg, o Conhecimento de Inteligência, 
torna-se cada vez mais importante provendo governos, organizações e também pessoas 
de ferramentas para empreender ações voltadas para a execução (tempo real e atual), a 
antecipação e a prevenção (visão de futuro) visando as decisões que devem ser tomadas. 
A Atv Intlg tornou-se um elemento estratégico e sua gestão e utilização 
tornaram-se elementos básicos para que os governos atinjam seus objetivos e as 
organizações trilhem o caminho do desenvolvimento estratégico, contribuindo, assim, 
para que todos, governos e organizações, tenham condições de, mais rapidamente, 
responder às ameaças e aproveitar as oportunidades que se lhes apresentam. 
Como a própria Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) apregoa, a Atv Intlg 
constitui instrumento de Estado de que se valem os sucessivos governos no 
planejamento, na execução e no acompanhamento de suas políticas, em prol dos 
interesses nacionais. 
E para atender a esta finalidade, a Atv Intlg brasileira fundamenta-se na 
preservação da soberania nacional, na defesa do Estado Democrático de Direito, na 
dignidade da pessoa humana e na fiel observância à Constituição e às leis. 
 
 
 
A lei nº. 9.883 de 07 de dezembro de 1999, que criou o SISBIN, diz o seguinte: 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
17 
 § 2º Para os efeitos de aplicação desta Lei, entende-se como inteligência a 
atividade que objetiva a obtenção, análise e disseminação de conhecimentos dentro e 
fora do território nacional sobre fatos e situações de imediata ou potencial influência 
sobre o processo decisório e a ação governamental; e sobre a salvaguarda e a segurança 
da sociedade e do Estado. (grifo nosso) 
§ 3º Entende-se como contra-inteligência a atividade que objetiva neutralizar a 
inteligência adversa. 
Dessa lei, unindo estes dois conceitos, temos a definição de Atividade de 
Inteligência, mais conhecida e empregada na literatura disponível sobre o tema como 
“Inteligência de Estado”. 
 
 
 
 O que podemos depreender do acima exposto, sobre a Atv Intlg? 
- que é perene, pois está vinculada ao Estado e à sua própria existência; 
- que deve ser desempenhada por profissionais preparados, não sendo tarefa 
para amadores; 
- que deve estar voltada para fatos ou situações que sejam do interesse do 
processo decisório e da ação governamental, relacionadas à soberania nacional e à 
defesa do Estado, por serem portadores de fatores que possam influenciar nas decisões 
que estejam por ser tomadas para produzir efeitos imediatos; ou que possam vigorar em 
futuro próximo, ou mesmo em um futuro mais afastado; e 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
18 
- que também está preocupada com a proteção de tudo aquilo que interessa à 
sociedade e ao Estado, identificando as ameaças e contrapondo-se aos riscos delas 
advindos. 
Cabe ressaltar que a Atv Intlg deve ser desenvolvida, no que se refere aos limites 
de sua abrangência e ao uso de técnicas e meios sigilosos, com irrestrita observância aos 
direitos e garantias individuais, fidelidade às instituições e aos princípios éticos que 
regem os interesses e a segurança do Estado, como previsto no Parágrafo Único do art. 
3º da Lei 9.883/1999. 
Podemos, também, expandir o conceito acima trabalhado, para que a Atv Intlg 
possa ser aproveitada em todos os campos da atividade humana onde se requeira a 
produção de algum tipo de conhecimento com a finalidade de se tomar decisões. Assim 
teremos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
19 
1.2 O Que a Atividade de Inteligência não é 
A Atv Intlg frequentemente é ligada a diversos estereótipos. Podemos até 
entender que pessoas leigas possuam muitas ideias distorcidas. O problema é que 
muitos que se dizem “entendidos” em Inteligência também possuem visões afastadas da 
realidade, muitas vezes ligando a Atv Intlg a certas finalidades e possibilidades muito 
específicas, esquecendo-se da abrangência do tema. 
No momento, fiquemos com as ideias expressas no quadro abaixo. 
 
 
1.3. Caracterização da Atividade de Inteligência 
A Atv Intlg, em um sentido amplo, caracteriza-se pela identificação de fatos e 
situações que, de modo real ou potencial, signifiquem obstáculos (problemas) ou 
oportunidades (melhorias) à consecução de interesses nacionais (ou locais, ou 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
20 
empresariais), bem como o processamento dessesinsumos, com vistas a subsidiar 
decisões governamentais (empresariais, etc). 
 
 
 
 
Vamos dar um exemplo? 
 
 
Suponha que um determinado estado da federação implementou uma campanha 
de controle da meningite, em 2010. Entretanto, os resultados não foram os esperados. O 
Governador chama o Secretário de Saúde e diz que quer saber o que aconteceu de 
errado para que, no ano seguinte, tal não mais acontecesse. 
 
 
ISTO É UM PROBLEMA PARA A ATV INTLG!!!! Se o estado, ou a 
Secretaria de Saúde tivessem um Núcleo ou Seção de profissionais da 
área de Inteligência que pensasse e cuidasse para produzir conhecimentos 
que subsidiassem políticas públicas, esta seria sua tarefa. 
 
Suponhamos que este estado fictício possui esta fração em seu organograma (só 
ficção mesmo...). 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
21 
O que seria feito? 
 
 
 
 
Para facilitar o trabalho do analista, seriam listados os fatores do Campo do 
Poder que possivelmente tenham estado presentes, no evento. 
 
 
 
Cada um dos fatores dos Campos do Poder seria estudado; verificada sua 
influência (positiva, ou negativa) sobre o andamento da campanha para que, ao final, se 
chegasse a conclusões fundamentadas. De forma bem resumida, este é o trabalho da Atv 
Intlg. 
Assim é que a Atv Intlg segue este caminho básico, EM TODAS AS 
SITUAÇÕES onde existe a necessidade de se buscar dados para serem processados e, 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
22 
ao final, difundir o resultado do trabalho a alguém que tem a responsabilidade de 
decidir sobre algo. 
 
Podemos reproduzir essas ideias no seguinte organograma... 
 
 
A produção do Conhecimento de Inteligência, segunda etapa do organograma 
acima, implica, normalmente, o envolvimento do raciocínio do Analista de inteligência, 
ao se debruçar sobre os dados que possui (menos no Conhecimento denominado 
Informe, objeto deste nosso curso Básico de Análise de Inteligência). 
Entretanto, apesar de o analista nem sempre envolver o raciocínio na confecção 
de Conhecimentos de Inteligência, ele sempre utilizará seu intelecto de forma a 
transformar uma massa aparentemente disforme de dados em Conhecimento de 
Inteligência, representando este trabalho por meio de um documento, ou de uma 
apresentação oral. 
Este processo deve, forçosamente, envolver a utilização de uma metodologia 
para a produção do conhecimento e o apoio nos fundamentos de uma doutrina. A 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
23 
doutrina e a metodologia serão enfocadas, em sua plenitude, nos cursos Intermediário e 
Avançado de Análise de Inteligência. 
 
1.4. Princípios Básicos da Atividade de Inteligência 
 
São eles: 
 
• Objetividade 
 
• Segurança 
 
• Oportunidade
 
• Controle 
 
• Imparcialidade 
Consiste em planejar e executar as ações em 
consonância com os objetivos a alcançar e em perfeita 
sintonia com as finalidades da Atividade de Inteligência. 
Pressupõe a adoção de medidas de salvaguarda 
convenientes a cada caso. 
Consiste em desenvolver ações e apresentar resultados 
em prazo apropriado a sua utilização. 
Requer a supervisão e o acompanhamento 
adequados das ações. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
24 
 
• Simplicidade 
 
 
• Amplitude 
 
 
• Interação 
 
 
 
 
• Utilidade 
 
 
Significa precaver-se contra fatores que possam 
causar distorções nos resultados dos trabalhos. 
Implica executar as ações de modo a evitar custos, 
riscos desnecessários e retrabalho. 
Consiste em obter os mais completos resultados 
possíveis no trabalho desenvolvido, considerando 
o tempo disponível. 
Implica estabelecer e/ou adensar relações de 
cooperação que possibilitem otimizar esforços para a 
consecução dos objetivos. 
Consiste na importância dos trabalhos desenvolvidos 
para a tomada de decisão. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
25 
E o mais importante! 
 
 
 
 
• Ética 
 
 
 
1.5. Os Ramos da Atividade de Inteligência 
A Atv Intlg divide-se em dois ramos: a Inteligência e a Contrainteligência. Muitos 
confundem o ramo “Inteligência” com a própria “Atividade de Inteligência”, por causa 
das denominações. Muito cuidado! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Objetiva a obtenção e análise de dados e a produção e 
difusão de Conhecimentos, dentro e fora do território nacional, 
relativos a fatos e situações de imediata ou potencial influência 
sobre o processo decisório, a ação governamental, a salvaguarda e 
a segurança da sociedade e do Estado. 
 Decreto nº 4.376 de 13 de setembro de 2002 
 
Consiste na observância dos princípios da ética 
pelo agente público da área de Inteligência. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
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Vamos consolidar? 
 
 
Preste atenção que aqui, nesta figura, surgiu um novo elemento, denominado de 
“Elemento de operações”. O Elemento de Operações de um Serviço ou Agência de 
Inteligência é a fração encarregada de “buscar” dados para os dois ramos da Atv Intlg. 
“Buscar dados” implica utilizar elemento especializado para obter um dado que não se 
consegue ter por intermédio de fontes abertas ao público em geral. 
Objetiva prevenir, detectar, obstruir e neutralizar a 
inteligência adversa e ações de qualquer natureza que constituam 
ameaça à salvaguarda de dados e conhecimentos de interesse da 
segurança da sociedade e do estado, bem como das áreas e dos 
meios que os retenham ou em que transitem. 
 Decreto nº 4.376, de 13 de setembro de 2002 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
27 
1.6. As Relações entre as Agências de Inteligência 
E como deve se comportar qualquer sistema de inteligência, como o SISBIN, 
cujo órgão central é a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), no tocante às relações 
entre seus membros? 
Sabemos que as estruturas de Inteligência de Estado, de Defesa, Segurança 
Pública, ou qualquer outra, são criadas para servir, em primeiro lugar, a seu cliente 
preferencial que pode ser o Presidente da República, Ministros, Governadores, 
Secretários de Segurança, Comandantes das Forças Armadas, Comandantes das Polícias 
Militares, Chefes de Polícia Civil, etc. 
Da mesma forma sabe-se que dentro da Atv Intlg não existe subordinação entre 
agências de diversos órgãos, mesmo que componham um sistema único. O que existe é 
a cooperação. Esta é a palavra mágica na Inteligência. Nenhuma agência consegue 
obrigar outra congênere a compartilhar o conhecimento que detém, se a outra assim não 
desejar. Esta é a realidade da qual não podemos nos afastar, apesar de não ser a mais 
correta! 
 
 
 
Quer um exemplo? Um profissional de Inteligência que, por alguma razão, não 
quiser produzir um conhecimento de Inteligência sobre algo que tomou ciência, ou 
mesmo compartilhar aquilo que sabe, assim agirá, mesmo sabendo que estará 
infringindo a lei. 
E acrescentamos mais! Além da cooperação, os laços de amizade entre os 
integrantes de um Sistema de Inteligência, unidos aos procedimentos adequados de uma 
Agência de Inteligência (AI) certamente criarão laços indeléveis de confiança dentro de 
um Sistema de Inteligência. 
Uma AI que, por exemplo, não pratica regrasbásicas de contra-inteligência, 
sendo alvo de vazamentos constantes que fragilizam sua imagem, certamente não será 
incluída na lista de difusão formal de uma outra AI. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
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Conclui-se que a Atividade de Inteligência pode e deve ser 
implementada em qualquer tipo de organização, pois fornece os 
meios para que as melhores decisões sejam tomadas, diminuindo, 
em muito, o grau de incerteza que sempre ronda as grandes 
decisões. Entretanto, não deve ser feita por pessoas despreparadas 
pois se tal acontecer, o mal resultado do processamento de dados, 
apresentado a um gestor, pode levá-lo a decidir de maneira 
equivocada, o que pode ser desastroso para uma organização, ou 
até mesmo para o país. 
 
 
Resumo 
 
No módulo I, apresentamos a você o que é a Atividade de Inteligência e para quê 
serve. Vimos, também, de sua extrema utilidade para embasar decisões desde a mais 
simples até as mais complexas, que envolvem interesses de estado e de grandes 
corporações. 
 
 
Apontamentos para o próximo módulo 
 
No próximo Módulo, vamos ver como a Lógica está diretamente ligada aos 
trabalhos desenvolvidos pelo analista de Inteligência na produção do conhecimento de 
Inteligência. Pela proposta da disciplina, apresentaremos, apenas, os tópicos que ligam a 
Lógica à Produção do Conhecimento Informe, na sua forma mais simples. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
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2. A LÓGICA E A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO DE 
INTELIGÊNCIA DENOMINADO “INFORME” 
 
 
 
META DESTE MÓDULO 
 
 Apresentar a Lógica aplicada à Atividade de Inteligência; 
 Entender por que a Lógica é chamada de Ciência da Razão; e 
 Descrever as três operações fundamentais do espírito: a ideia, o juízo 
e o raciocínio. 
 
OBJETIVOS DESTE MÓDULO 
 
Ao final deste módulo você será capaz de: 
 Descrever a importância da Lógica para a Atividade de Inteligência; 
 Identificar a Lógica como a responsável pela aplicação correta do 
pensamento; e 
 Distinguir a verdade do erro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A LÓGICA E A PRODUÇÃO DO 
CONHECIMENTO DE INTELIGÊNCIA 
DENOMINADO “INFORME” 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
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2.1. Ambientação 
Por que estudar a Lógica? 
Neste Módulo, procuraremos demonstrar a importância da Lógica como a 
principal orientadora dos trabalhos do analista de Inteligência, na tarefa de 
organização do pensamento ao longo de todo o processo de produção do 
Conhecimento de Inteligência. 
 
Por isso, peço sua atenção, pois esta leitura é base para que você 
compreenda aquilo que, muitas vezes, intuitivamente, é feito nos labores 
cotidianos de uma Agência de Inteligência, no tocante à produção dos 
Conhecimentos de Inteligência, mas que alguns nem sabem a razão. 
 
 
Fig: Raciocínio Lógico 
 
Comecemos lembrando-o de que a Filosofia não se satisfaz com aquilo que a 
Ciência busca; ela vai mais além. Zela pela herança do passado, tenta entender o 
presente e, tanto quanto possível, busca vislumbrar o futuro. Lembrou? 
As indagações filosóficas, sem percebermos, fazem parte de nosso cotidiano. 
Quem sou? O que sei? Até onde posso atingir com o conhecimento que possuo? Posso 
ultrapassar os limites de minha capacidade de compreensão? Qual é minha situação com 
relação às coisas que me envolvem? Qual a relação dessas coisas entre si? Quem, ou o 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
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que organiza essas coisas? Quais são meus deveres? Qual minha origem verdadeira? 
Qual meu destino após a morte? E outras mais! 
Tudo isso, entretanto, sofre a influência constante do pensamento humano e, 
conduzido pela Filosofia, o homem estabelece uma contínua incursão no 
desconhecido, na busca incessante por essas respostas. 
Mas a par deste pioneirismo especulativo, a Filosofia ocupa-se de questões 
práticas: cuida do que o homem já sabe e vigia as atividades da Ciência para que o 
legado do saber não redunde em prejuízo para o próprio homem, mas sim para torná-lo 
mais sábio, sadio, próspero e feliz. 
A Filosofia quer conhecer a natureza profunda das coisas - suas causas 
supremas e seus fins derradeiros. Mas todo e qualquer estudo de Filosofia deve ser 
precedido do estudo da Lógica; afinal, já que o pensamento é a manifestação do 
conhecimento; e este busca a verdade, é preciso estabelecer algumas regras para que 
essa meta possa ser atingida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Lógica é o ramo da Filosofia que cuida das regras do 
bem pensar, ou do pensar correto, sendo, portanto, um 
instrumento do pensamento. 
A Lógica é a Ciência da Razão, das leis ideais do 
pensamento e da arte de aplicá-los corretamente visando a 
descoberta da verdade. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
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A Lógica se distingue das outras ciências, primeiro por estar integrada à 
Filosofia e, segundo, por não estar interessada em definir o que são, mas como devem 
ser as operações intelectuais para atender as exigências de um pensamento correto. 
A Lógica é também uma arte, ou seja, um método que permite construir, 
judiciosamente, uma “obra” segundo certas regras. Assim, na medida em que define-se 
as leis ideais do pensamento, estabelece-se regras para que este pensamento se 
desenvolva de maneira correta. 
Reunidas, estas duas operações constituem a “arte de pensar”. 
Ao estabelecer o que as operações intelectuais devem satisfazer para serem 
consideradas corretas, a Lógica desdobra-se em duas partes: 
 
 
 
 
2.2 A Lógica Formal 
Na primeira, a Lógica Formal, também conhecida como Coerência Interna do 
Pensamento, são estabelecidas as condições que asseguram o acordo do pensamento 
consigo mesmo. 
 
Fig: Coerência do Pensamento 
- a Lógica Formal 
- a Lógica Material 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
33 
Analisemos, inicialmente, a Lógica Formal - a coerência interna do 
pensamento. 
Pode ser definida como a que estabelece as regras às quais o espírito humano 
deve obedecer para evitar contradições e permanecer conforme consigo mesmo em suas 
diversas operações. 
O que é uma contradição? Acontece quando a mente aceita, ou estabelece, duas 
relações completamente distintas entre a ela e o objeto. 
Exemplos: uma pessoa não pode ser magra e gorda, ao mesmo tempo; um objeto 
não pode ser quadrado e cilíndrico, ao mesmo tempo; etc 
Para que não incorra em contradições, a Lógica Formal recorre a três operações 
fundamentais do espírito que são: a ideia, o juízo e o raciocínio. 
 
 
 
 
 
 
2.3 A Ideia 
A ideia, chamada também de noção ou conceito, é a representação intelectual de 
um objeto, ou seja, a representação de algo real por intermédio da projeção da mente 
sobre aquele objeto. Difere essencialmente da imagem, que é a representação visual de 
um objeto sensível (uma foto, um quadro, um cartaz, etc). 
Nesta operação intelectual do espírito, a ideia, o ser humano “apreende” 
(apanha, toma, captura), as características de um objeto. Esta apreensão, do ponto-de-
vista lógico, é o ato pelo qual o espírito concebe uma ideia, sem nada afirmar ou 
negar – é a simples concepção do objeto. 
 
 
 
As três operações fundamentais do espírito às quais 
a Lógica Formal recorre são: a ideia, o juízo e o 
raciocínio.Quando a mente (o espírito) concebe (forma) uma ideia, ele 
não afirma, ou nega, nada sobre o objeto sob observação. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
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Fig: Imagem 
 Inicialmente, quando nos é apresentada esta fotografia acima, ela nada mais é do 
que uma fotografia representando pessoas. Nada mais! Nenhum envolvimento de sua 
mente ainda ocorreu. 
Entretanto, nossa mente não funciona assim, com tal simplicidade, satisfazendo-
se com tão pouco. Logo começamos a nos questionar: quem são? Onde estão? O que 
estão fazendo? Etc... 
Então, vamos lá: qual sua ideia sobre essa imagem (o objeto - imagem) 
apresentado? Pense... Como expressar a ideia que você apreendeu? 
O termo é a expressão verbal da ideia. O termo é distinto da palavra, pois pode 
comportar várias palavras (grupo de jovens reunidos; efeito da queda, o bom Deus etc), 
mas mesmo composto de várias palavras, o termo constitui uma única ideia lógica. 
Vamos seguir com o exemplo. Você concorda com a ideia simples descrita 
abaixo? 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
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Ideia Termo 
 
Fig: A Ideia e a sua expressão verbal. 
 
 
 
 
Podemos considerar uma ideia do ponto-de-vista da compreensão e da extensão. 
Esta distinção é de importância capital para toda a Lógica Formal. 
A compreensão é o conteúdo de uma ideia, isto é, o conjunto de 
elementos que compõem uma ideia. Assim, a compreensão da ideia de “homem” 
implica os elementos seguintes: ser, vivente, sensível, racional, etc. 
A extensão é o conjunto de sujeitos a que a ideia diz respeito. É assim que ideia 
de “homem” diz respeito aos brasileiros, aos franceses, aos negros, aos brancos, a Maria 
João, a José, etc. 
Exemplo de extensão presente na última figura: seres humanos, viventes, 
sensíveis, racionais, etc 
 
Grupo de jovens 
reunidos 
Preste atenção! 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
36 
 
 
 
 
Vamos ver o que esta afirmação significa: 
- a ideia de “ser humano” é bem ampla; dificulta, pois, sua compreensão; 
- a ideia de “homem” se aplica a uma parte dos seres; melhora a compreensão, 
mas ainda é ampla; 
- as ideias de “brasileiros”, “portugueses” que acrescentam novos elementos à 
ideia de “homem”, já são mais restritas, começando a melhorar a compreensão; 
- enfim, a ideia de um indivíduo como Maria, Pedro, enriquece a compreensão, 
e, claro limita mais a extensão da ideia. 
 
 
BRASILEIROS PORTUGUESES MARIA PEDRO 
Fig: Relação entre compreensão e extensão. 
 
Viu como melhora a compreensão de algo, à medida que a extensão do objeto sob 
observação é menos abrangente? 
A compreensão de uma ideia está na razão inversa de sua 
extensão. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
37 
Assim, podemos representar que quanto maior a extensão de algo, menor é nossa 
compreensão desse algo. 
 
 
 
 
Esquema: representação da relação entre extensão e compreensão 
 
Aqui cabe uma observação importante. 
 
 
A única regra aplicável à ideia, dentro da Lógica Formal, é o princípio da não-
contradição, como já vimos. Lembra? 
 
2.4. O Juízo 
A segunda operação do espírito à qual recorre a Lógica Formal para evitar a 
contradição é o juízo. O juízo é o procedimento intelectual pelo qual o espírito afirma 
alguma coisa de outra. 
- "Deus é bom", o "homem não é imortal". Enquanto um afirma de Deus sua 
bondade, o outro nega do homem a imortalidade. 
Podemos dizer também que juízo é qualquer tipo de afirmação ou negação 
entre duas ideias ou conceitos. 
Ao afirmarmos, por exemplo, que “esta estrada (ideia) é revestida (afirmação) de 
asfalto (ideia)”, acabamos de formular um juízo. Fácil, não? 
COMPREENSÃO EXTENSÃO 
As ideias em si podem ser consideradas falsas ou verdadeiras, mas não 
podem ser contraditórias, quando examinadas do ponto de vista de possíveis 
relações mútuas que possam ter. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
38 
Vamos guardar estes conceitos: 
 
 
 
 
No juízo, há o confronto entre duas ideias, afirmando ou negando. Por exemplo: 
Maria é alta; Mário não é jovem. 
 
 
 
 
 
 
Idéias: Maria Pedro 
Juízo: Maria é loura Pedro não é gordo 
 
Chama-se proposição (ou premissa) a expressão verbal ou escrita do juízo. 
A proposição (ou premissa) terá entre os dois termos um elemento de ligação, 
que, em Lógica, sempre se dá por meio do verbo ser. Este verbo tem a única função de 
exprimir a relação (afirmação ou negação) que existe entre o sujeito e o predicado. 
 
 
Ideia + Ideia = Juízo 
Vamos dar uma paradinha e recuperar o 
exemplo já visto e ampliar para o juízo? 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
39 
 
 
As proposições, denro do nosso interesse, podem ser classificadas do ponto de 
vista da quantidade e da qualidade. 
Quanto à quantidade, as proposições dependem da extensão do sujeito, que 
podem ser universais, se for tomado no sentido mais amplo - ex: o homem (todo 
homem) é mortal. 
Ou, como no caso da imagem a seguir, caso isso fosse uma realidade em toda a 
sua extensão (a estrada toda está nestas condições), podemos expressar “A estrada (toda 
ela) é ruim!” 
 
Fig: Exemplo de imagem a qual podemos relacionar uma proposição universal. 
 
Mas se a proposição for tomada no sentido restrito será chamada de particular. 
Ex: Algum homem (nem todos) é virtuoso. 
 
Exemplos: 
No caso dos juízos que podemos formar a partir das fotos abaixo, temos, por 
exemplo, as seguintes proposições: “Alguma (parte da) estrada é boa” e “Alguma (parte 
da) estrada é ruim”. 
 
A proposição é a expressão verbal do juízo. 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
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Fig: Exemplo de imagens às quais podemos relacionar proposições particulares 
 
Já a qualidade de uma proposição depende da afirmação ou da negação que se 
faz do sujeito. Como toda proposição tem quantidade e qualidade, ela pode ser 
designada de quatro maneiras: 
- Universal Afirmativa: toda estrada é ruim. 
- Universal Negativa: nenhuma estrada é ruim. 
- Particular afirmativa: alguma estrada é boa. 
- Particular negativa: alguma estrada não é boa. 
 
2.5. O Raciocínio 
Esta operação do intelecto não é utilizada, pelo analista de inteligência, na 
produção do Conhecimento Informe. Por isso, trataremos dela nos cursos Intermediário 
e Avançado de Análise de Inteligência. 
 
2.6. A Lógica Material 
Na Doutrina de Inteligência também encontramos a presença da outra face da 
Lógica, a Lógica Material, ou a Coerência do Pensamento com o Objeto. A Lógica 
material trata de harmonizar, tentar coincidir o pensamento com os objetos que o 
cercam, indicando os processos que deve seguir para ajustar suas afirmações à 
realidade. 
Em outras palavras, é a parte da Lógica que determina as vias a seguir para 
chegar, segura e rapidamente, à verdade. Esta parte da Lógica também é conhecida 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
41 
como Metodologia porque constitui o estudo dos diferentes métodos empregados pelas 
ciências. 
Assim, fazendo intervir a noção de verdade como conformidade do espíritoàs 
coisas, a Lógica Material convida, incialmente, ao estudo das condições que permitiram 
ao espírito supor-se legitimamente certo, isto é, em harmonia com as coisas. 
 
Para tanto, será necessário distinguir a verdade do erro. 
Inicialmente, devemos nos perguntar: o objeto deve ajustar-se à mente, ou a esta 
deve submeter-se ao objeto? 
Vamos exemplificar? Pense em um pintor que vai pintar algo e imagina como 
será sua obra, neste nosso exemplo um barco. 
Ao pensar em sua obra, a ideia dela toma forma na sua mente. Sua tela (sua 
obra, a representação em imagem daquilo que ele formou na cabeça) - o objeto - vai ter 
que se moldar à ideia já existente na mente do pintor, ou seja, ele vai reproduzir na tela, 
da maneira mais exata possível, a ideia que ele JÁ tem na mente, procurando reproduzir 
cada detalhe imaginado 
Não há como a imagem que está na mente dele “se rebelar” e ser pintada como 
ela quer. Ela será pintada como ele, o pintor, quer. Certo? 
Então dizemos que, neste caso, quando a ideia já existe na mente da pessoa, ela 
será determinante (a que comanda, ativa) para o resultado de sua obra, enquanto o 
objeto será determinado (comandado, passivo), não influindo no resultado final. 
 
Fig: relação entre sujeito e objeto – objeto determinado e idéia determinante 
A Lógica Material nos permite organizar o pensamento e deixá-lo fluir 
na direção da busca da verdade, ideal de todo profissional de Inteligência. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
42 
 
Mas é esssa mesma a relação de quem vai ver esta obra já pronta? Ao apreciador 
da obra, que a vê terminada, cabe a tarefa de perceber seus detalhes, um a um, para 
formar na sua mente a imagem daquela pintura, ou objeto genericamente falando. 
Diferente, não? E não é isso que acontece na maior parte do tempo com tudo que 
chega à nossa percepção? A cada fato, situação, ou acontecimento (genericametne aqui 
denominado de objeto) que nos chama a atenção, instintivamente não procuramos 
conhecer seus detalhes para melhor compreendê-lo? 
Nesse nosso exemplo, o navio e todos os demais detalhes da cena (o objeto) é 
que vão determinar a imagem que se formará na cabeça do observador. 
Dizemos, pois, que neste caso o objeto é determinante (é ele que comanda as 
ações) e o observador determinado (conduzido, influenciado) por ele. 
 
 
Fig: Perspectiva do sujeito em relação ao objeto – objeto determinante; 
observador determinado 
 
Para nós, da Atividade de Inteligência, a imagem do objeto só será comsiderada 
verdadeira quando se conformar totalmente com o objeto. Se a ideia que temos 
daquele objeto já preexiste em nossa mente, fica mais fácil aproximar este objeto da 
realidade, da verdade. É a chamada verdade ontológica, que consiste na conformidade 
das coisas com o que já temos “em arquivo” em nossa mente. 
Quando acontece o contrário, ou seja, a busca da conformidade da mente com as 
coisas que percebemos, temos a chamada verdade lógica. 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
43 
 
 
 
 
 
 
 
 
Com relação à verdade lógica, o espírito ao estabelecer essa relação, explicitada 
no parágrafo anterior, pode encontrar-se no estado de ignorância, quando a verdade se 
afigura ao profissional como algo inexistente, ou seja, não há condições de formar na 
mente uma imagem daquilo que se está percebendo. 
 
 
 
 
Esse estado pode perdurar indefinidamente e, assim, invalidar qualquer 
procedimento para a atividade de assessoria, pois ninguém assessora uma autoridade 
sobre algo que nem ele sabe o que é. Não lhe é permitido levar sua ignorância para 
alguém. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para a Doutrina de Inteligência interessa a 
verdade lógica, na medida em que necessita-se 
estabelecer uma relação entre a mente do observador 
(sujeito) e um objeto (fatos e situações de interesse da 
Atividade de Inteligência). 
 
Não se produz conhecimentos de Inteligência no estado de 
ignorância! 
 
IGNORÂNCIA = VERDADE INEXISTENTE 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
44 
 
 O que são estes objetos? 
 
 
 
Não conseguimos ajustar nossa mente a nada do que nos é apresentado acima. 
Não é mesmo? Então, o estado de nossa mente é o de IGNORÂNCIA! 
 
Já o estado de dúvida acontece quando a verdade pode aparecer-lhe 
simplesmente como possível. Há aspectos que o levam a entender a imagem de uma 
maneira, mas há outros que o conduzem a formar a imagem de outra maneira. Existe a 
dúvida! 
Agora, cá para nós. Se você está em dúvida, você acha que deve levar à 
apreciação de algum gestor a sua dúvida, conduzindo-o à mesma situação? Como ele 
pode deicidir sobre algo nesta condição? Então, você já percebeu que este estado da 
mente não serve, também, para o analista produzir algum documento orientador. 
 
 
 
 
 
 
 
Não se produz conhecimentos de Inteligência no estado de dúvida! 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
45 
 Que são estes objetos? 
 
É um elefante bebendo água, ou uma rocha? 
 
 
 
É alguém admirando uma pintura, ou querendo suicidar-se? 
 
Honestamente, há como saber? Você não está no estado de ignorância sobre 
estas imagens, pois há indícios do que podem ser. Mas esses mesmos indícios o 
conduzem ao estado de DÚVIDA, pois há elementos que o conduzem para “achar” 
alguma coisa e outros que o levam a “achar” que as imagens representam outra coisa. 
 
Como na Atv Intlg não conjugamos o verbo ACHAR, você não deve assessorar 
ninguém quando sua mente se encontrar neste estado. 
 
Na Atv Intlg, não existe a conjugação do verbo “ACHAR”! 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
46 
Por outro lado, o estado de opinião acontece quando a verdade lhe parece 
provável, ou seja, quando você conseguiu apreender suficientes elementos que o 
tiraram do estado de dúvida e o levaram a ter uma opinião (não chute!) sobre a imagem 
daquele objeto observado. 
Dizemos que existe a probabilidade de que a imagem esteja, se não totalmente 
certa, mas próxima disso. Você não está totalmente seguro sobre a imagem formada, 
mas reuniu evidências que o levaram a ter uma opinião formada sobre o obejto em 
estudo. 
É a sua convicção sobre algo. E quanto mais perto nós chegarmos do ideal, ou 
seja, do estado de certeza, onde a verdade é evidente, melhor para nosso trabalho. 
 
 
 
 
 
Voltemos ao elefante? 
 
Conhecimentos de inteligência podem e devem ser produzidos 
com a mente do analista em estado de “opinião”! 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
47 
E agora? Melhorou o entendimento? Você já tem uma opinião formada? 
Se formos fazer uma relação desses estados da mente com a “matemática”, 
poderíamos dizer que a ignorância representaria 0% de imagem formada; a dúvida 
estaria na casa dos 50% (pode ser que sim, mas pode ser que não); já na opinião, o 
analista ultrapassou os 50% e está em busca da certeza e tem sua convicção sobre a 
imagem que se formou; passando a realizar todos os esforços possíveis para chegar à 
certeza, que corresponde aos 100% de correspondência entre o que ele percebe no 
mundo real e o que se forma na sua mente sobre isso. 
 
 
Fig: A relação entre a formação da imagem e os estados da mente. 
 
2.7 A Opinião, a Certeza, a Evidência e a Verdade 
Neste ponto, cabe ressaltarque para o profissional de Inteligência é fundamental 
o adequado entendimento do que seja opinião, certeza, evidência e verdade. Pois 
somente assim poderá estabelecer as devidas correlações entre esses conceitos e suas 
aplicações na produção dos Conhecimentos. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
48 
Na Atividade de Inteligência, a opinião e a certeza são qualidades do sujeito (do 
profissional de Inteligência); a evidência é a qualidade do objeto (fatos ou situações) e a 
verdade é a qualidade da relação entre eles (sujeito-objeto). 
 
Opinião e certeza Qualidades do Sujeito 
Evidência Qualidade do Objeto 
Verdade Qualidade da relação 
Sujeito-objeto 
 
Alcança-se a evidência quando o que se revela do objeto adquire um grau de 
garantia não mais propenso a desmentidos. É a convicção (convencimento intelectual) 
do analista de Inteligência. 
 
 
 
 
 
 
 
Isso está previsto para ser executado pela Investigação Policial. As evidências 
darão ao analista a convicção (o convencimento) de que seu trabalho está sendo feito 
de maneira correta. 
 
Os estados da mente na relação entre o objeto e a mente humana possuem 
estreita ligação com os tipos de Conhecimentos que a Atividade de Inteligência produz 
para assessorar as decisões, de qualquer nível, quais sejam o Informe, a Informação, a 
Apreciação e a Estimativa. 
A EVIDÊNCIA é o critério da verdade que interessa à 
Atividade de Inteligência pois produz a CONVICÇÃO do analista. 
A Atv Intlg não se interessa pela produção de “provas”. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
49 
No Conhecimento Informe, usaremos juízos formulados pelo profissional de 
Inteligência e que expressam sua certeza ou opinião sobre a a ocorrência de um fato ou 
situação do passado e/ou do presente. 
 
 
Fig: A opinião e a certeza, os estados da mente utilizados no Conhecimento 
Informe. 
 
 
Conclui-se que a Lógica vai dar ao analista de Inteligência a 
convicção sobre a imagem que se formou em sua mente, após 
observar um fato ou situação de interesse para a Atividade de 
Inteligência, ou para a sua organização. Diferentemente da polícia 
judiciária, o analista não precisa produzir provas; mas deve 
cercar-se de todos os cuidados para que seu pensamento se 
organize, utilizando as ferramentas proporcionadas pela Lógica, a 
fim de chegar ao melhor resultado possível, reduzindo, assim, a 
maior parte dos erros que podem influenciar seu trabalho. 
 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
50 
Resumo 
 No Módulo 2, vimos a Lógica como instrumento essencial ao trabalho do 
Analista de Inteligência. Percebemos como ela dá condições para que o profissional se 
aproxime, cada vez mais da certeza sobre algo que é objeto de seu estudo, pois esta é a 
principal finalidade da Atividade de inteligência: diminuir os riscos de uma decisão 
incorreta, por parte de algum gestor. 
 
 
Apontamentos para o próximo módulo 
 No próximo Módulo, vamos, efetivamente, aprender a produzir o Conhecimento 
de Inteligência utilizando a Metodologia para a produção do Conhecimento de 
Inteligência, percorrendo, passo a passo, todas as suas fases. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
51 
 
3. PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO DE INTELIGÊNCIA 
 
 
 
METAS DESTE MÓDULO 
 
 Entender o Ciclo de Produção do Conhecimento de Inteligência; 
 Apresentar a Metodologia para a Produção do Conhecimento; 
 
 
OBJETIVOS DESTE MÓDULO 
 
Ao final deste módulo você será capaz de: 
 Descrever as fases da Metodologia para a Produção do 
Conhecimento 
 Distinguir a fase do Ciclo de Produção do Conhecimento onde se 
aplica a Metodologia para a Produção do Conhecimento 
 Aplicar a Metodologia para a Produção do Conhecimento na 
confecção de Informes Simples 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO DE 
INTELIGÊNCIA 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
52 
 
3.1. Considerações Iniciais 
O exercício da Atv Intlg constitui fator indispensável de assessoria à tomada de 
decisão das instituições (públicas ou privadas), seja no nível que vamos chamar de 
“tático”, onde a Atv Intlg atua para identificar oportunidades e problemas que estão 
ocorrendo (no presente), ou que já ocorreram (no passado); seja no nível “estratégico”, 
onde a atividade age no sentido de embasar as decisões que podem maximizar 
oportunidades; e outras que visam evitar dificuldades para os governos e as 
organizações em geral (no futuro). 
No setor governamental, por ter esta importante participação no processo 
decisório, os órgãos de Inteligência oficiais não podem se esquecer que devem estar 
sempre voltados para a aplicação dos princípios doutrinários de Inteligência em 
consonância com o Estado Democrático de Direito. 
Por isso os órgãos de Inteligência devem ser submetidos a efetivos controles 
como forma de garantir que as suas ações não se sobreponham aos interesses da 
sociedade e do Estado. E assim acontece no Brasil. 
Entendidos os rigores da lei e da ética aos quais a Atv Intelg está submetida, fica 
fácil entender a razão da preocupação com o produto final - o Conhecimento de 
Inteligência - no sentido de que sua preparação seja realizada dentro de um rigor 
metodológico comprometido com a verdade. 
 
A produção do Conhecimento de Inteligência, como já vimos, utiliza uma 
metodologia adotada por algumas escolas do pensamento científico, devidamente 
adaptada para a Atv Intlg. 
O uso desta metodologia tem a finalidade de buscar reduzir os erros (não 
intencionais) que possam ocorrer durante a execução dos trabalhos e, 
Neste trabalho, não há espaço para intuições, opiniões pessoais desprovidas 
de qualquer fundamentação científica e ingerência política. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
53 
consequentemente, o grau de incerteza do produto final, o que influenciaria, 
negativamente, no resultado final dos conhecimentos produzidos e colocados à 
disposição de algum gestor. 
Neste curso, apresentaremos, apenas, alguns tópicos desta metodologia, pois 
nosso propósito é fornecer condições para que você redija um Informe bastante simples. 
Nada mais do que isso, por agora! 
 
3.2 O Conhecimento de Inteligência 
Por que dizemos que o documento final, produto da Atv Intlg, é um 
“Conhecimento”? 
Primeiramente, o que é mesmo o Conhecimento? 
O conhecimento humano é uma expressão usada para definir toda a experiência 
gerada pelo ser humano adquirida até o presente momento em que vivemos. Podemos 
dizer, também, que é a soma de todos os pensamentos, criações e invenções da mente 
humana. 
Ou seja, tudo que nos cerca e que foi produto da mente criativa do ser humano 
podemos chamar de Conhecimento Humano. O Conhecimento de Inteligência é um 
produto da mente humana. Dessa maneira, podemos dizer que o Conhecimento de 
Inteligência é científico, uma vez que também utiliza uma metodologia muito 
semelhante à aplicada na produção do Conhecimento Científico. 
Por fim, para que todos consigam produzir conhecimentos de qualidade, é 
necessário que os sistemas de Inteligência do país atuem de forma responsável, 
adotando os mesmos procedimentos, a mesma doutrina e a mesma metodologia. 
 
3.3 Situação de Produção 
O Conhecimento de Inteligência será produzidopelas Agências de Inteligência (AI) nas 
seguintes situações: 
a. No âmbito do poder Executivo 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
54 
1) de acordo com um Plano de Inteligência. 
O órgão de Inteligência obedece a especificações de um Plano de Inteligência, 
tais como os assuntos a serem trabalhados, observando a oportunidade em que os 
Conhecimentos devem ser produzidos. 
2) em atendimento à solicitação de uma agência congênere. 
O órgão de Inteligência é acionado por uma agência congênere, de dentro ou de 
fora de seu próprio sistema, para produzir um conhecimento sobre determinado fato ou 
situação. 
3) em atendimento à determinação da autoridade competente. 
O órgão de Inteligência é acionado por uma autoridade ou gestor 
(governamental ou empresarial) para analisar determinado fato ou situação. 
4) por iniciativa própria. 
A Agência de Inteligência decide, com base nas Diretrizes de Inteligência, que o 
usuário ou um órgão congênere deve conhecer determinado fato ou situação. 
b. Fora da esfera do Poder Executivo 
1) em atendimento à determinação da autoridade competente. 
O Núcleo de Inteligência é acionado por uma autoridade ou gestor 
(governamental ou empresarial) para analisar determinado fato ou situação. 
2) por iniciativa própria. 
O Núcleo de Inteligência decide, com base nas Diretrizes que possui, que o 
usuário (governamental ou empresarial) deve conhecer determinado fato ou situação. 
 
3.4. O Ciclo de Produção do Conhecimento (CPC) 
O Ciclo de Produção de Conhecimento (CPC) é um processo intelectual em que 
a capacidade humana, auxiliada por metodologia própria, possibilita a elaboração de 
um Conhecimento especializado e estruturado a partir de dados, devidamente avaliados 
e analisados, para atender as demandas do processo decisório em qualquer dos seus 
níveis. 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
55 
 
 Mas o que são DADOS? 
 
 
 
 
 
 
 
Exemplos de dados 
 
 
 
Relatórios Agendas Livros, teses, etc 
 
 
 
 Fichas Imprensa em geral 
 
E Conhecimento? 
Dado é toda e qualquer representação de fato, situação, comunicação, notícia, 
documento, extrato de documento, fotografia, gravação, relato, denúncia, etc, ainda 
não submetida, pelo profissional de Inteligência, à metodologia de Produção de 
Conhecimento. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
56 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Assim, para Atv Intlg, produzir Conhecimento é transformar dados e/ou 
Conhecimentos (suas frações pertinentes) em um Conhecimento avaliado, significativo, 
útil, oportuno e seguro, de acordo com metodologia própria e específica. 
 
 
OBTER DADOS 
PRODUZIR 
CONHECIMENTOS 
 
DIFUNDIR 
(ASSESSORAR) 
 
 
Para a Atv Intlg, Conhecimento é o resultado final (a 
representação de um fato, ou objeto, de interesse para a Atividade) na 
forma escrita, ou oral, elaborado pelo profissional de Inteligência, 
após a utilização e aplicação da Metodologia de Produção de 
Conhecimento sobre dados e/ou conhecimentos anteriormente 
reunidos. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
57 
 
3.4.1. Fases do Ciclo de Produção do Conhecimento (CPC) 
O CPC possui três fases. Inicialmente, existe a fase da Orientação, que se 
fundamenta por intermédio das Necessidades de Conhecimentos da autoridade ou 
gestor, as quais estão consubstanciadas no Plano de Inteligência, ou não, dependendo 
das circunstâncias. 
Uma vez entendidas, perfeitamente, aquelas necessidades, dá-se a “Produção do 
Conhecimento” que culmina com a “Utilização” pelo interessado, que, por sua vez, 
pode realimentar o sistema com novas necessidades. 
 
 
 CICLO DE PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO (CPC) 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
58 
 
Existe uma confusão muito comum, feita por acadêmicos de respeito, que é a de 
misturar os conceitos de Ciclo de Produção do Conhecimento com as fases da 
Metodologia da Produção do Conhecimento (Planejamento, Reunião, Análise e 
Síntese, Interpretação, e Formalização e Difusão) 
 
. 
 
 
 
 
3.5. Metodologia para a Produção do Conhecimento 
A metodologia consiste na sequência ordenada de procedimentos executados 
pelo analista, com vistas à produção de um Conhecimento de Inteligência de forma 
racional e com melhores resultados. 
O emprego da metodologia, entretanto, não garante o êxito no trabalho, pois 
outros fatores concorrem para o sucesso, tais como: a experiência pessoal, os atributos 
pessoais do analista, sua preparação profissional, sua experiência e o seu embasamento 
cultural. 
A metodologia, entretanto, garante que o analista: 
- considere todos os aspectos do problema; 
- produza um conhecimento em bases científicas; 
- uniformize procedimentos no âmbito da Atv Intlg; e 
- ofereça, ao usuário, um trabalho pleno de credibilidade. 
 
Como você vai perceber, o emprego da Metodologia para a 
produção do Conhecimento acontece na fase da Produção do CPC. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
59 
 
 
3.5.1 Fases da Metodologia para a Produção do 
Conhecimento 
 
A Metodologia de Produção do Conhecimento compreende cinco fases: 
 
 
 
Estas fases normalmente são aplicadas, por questão de sequência lógica, na 
ordem em que foram apresentadas acima, mas isso não implica procedimentos rígidos, 
nem impões limites precisos entre as fases. 
São fases que se relacionam e que dependem uma das outras. Abaixo, vemos um 
esquema de como transcorrerá o trabalho do analista de Inteligência, desde a chegada de 
uma demanda, que pode até não existir (vide situações de produção), até a entrega do 
Conhecimento ao usuário. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
60 
 
 Fig: Esquema das fases da Metodologia para a Produção do 
Conhecimento 
 
Neste curso, onde nossa proposta é bem menos ambiciosa, não entraremos em 
detalhes sobre cada fase da Metodologia para a produção do Conhecimento, pois a 
redação de um “Informe” enquadrado como “Simples” não exige que o analista 
percorra, obrigatoriamente, todos os passos da metodologia. 
Entretanto, ele deverá ter alguns cuidados ao formalizar seu Conhecimento, pois 
mesmo sendo um documento de confecção simplificada, pode conter assuntos de alta 
relevância e, por isso, não podem ser feitos sem critério. 
Vamos ver as fases que o Analista, mesmo ao produzir um Conhecimento 
Informe simples deverá percorrer, mesmo expeditamente. 
 
3.5.2 Fase do Planejamento 
É a fase na qual são ordenadas, de forma sistematizada e lógica, as etapas do 
trabalho a ser desenvolvido. Nesta etapa são estabelecidos os objetivos, as necessidades, 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
61 
prazos, prioridades e a cronologia, sendo, também, definidos os parâmetros e as técnicas 
a serem utilizadas, partindo-se dos procedimentos mais simples para os mais 
complexos. 
 
A Fase do Planejamento deve seguir algumas etapas para que, ao final, o 
analista esteja seguro de que realizou todos os estudos preliminares e estabeleceu todos 
os procedimentos para cumprir a tarefa. 
Delas, selecionamos as seguintes, que deverão ser atendidas pelo analistamesmo 
para confeccionar Informes Simples. 
a. Determinação do usuário do conhecimento 
Aqui, o analista identifica a autoridade ou o órgão congênere que, pelo menos 
potencialmente, utilizará o Conhecimento que está sendo produzido. Identificando isso, 
o analista pode ter uma idéia do nível de profundidade do Conhecimento a ser 
produzido. 
Atenção! Conhecer o usuário final nem sempre será possível. 
b. Determinação da finalidade do conhecimento 
Diz respeito à virtual utilização, pelo usuário, do Conhecimento que está sendo 
produzido. Mas isso também nem sempre é possível, por causa do que chamamos de 
Compartimentação. Neste caso, o planejamento é orientado para esgotar o assunto 
tratado, de tal modo, que o usuário venha a encontrar em algum ponto do Conhecimento 
produzido subsídios úteis a sua atuação. 
Obs: o conceito de “compartimentação” encerra em si a necessidade de 
conhecer. Ou seja, nem todos, mesmo dentro de um serviço de inteligência, têm 
necessidade de saber de tudo. 
c. Determinação do prazo disponível 
A fase do Planejamento serve para 
organizar o pensamento: como vou fazer meu 
trabalho? 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
62 
Nos casos de produção do Conhecimento em obediência a Planos de 
Inteligência ou estímulos específicos, é normal que os prazos estejam previamente 
estabelecidos. 
Quando isso não ocorrer ou quando a iniciativa de produção do Conhecimento é 
da própria Agência de Inteligência, os prazos são estabelecidos observando-se o 
princípio da oportunidade. 
3.5.3 Fase da Reunião 
A Fase da Reunião será abreviada pelo fato de o assunto, na confecção de um 
Informe simples, se restringir, normalmente, a um fato específico, sem que haja a 
necessidade de acionar outras agências de inteligência, nem realizar a busca de dados 
negados. As ações do analista serão baseadas na chamada COLETA de dados, que são 
ações realizadas pelo analista de Inteligência acessando fontes abertas e dados que lhe 
chegam ao conhecimento. 
3.5.4. Fase da Análise e Síntese 
Compreende duas etapas: a determinação do valor dos Conhecimentos e dados 
reunidos (ANÁLISE) e a posterior integração (SÍNTESE) daquilo que restou, ao final 
da fase. 
 
 
 
 
 
Esta fase é especialmente utilizada na redação de conhecimentos mais 
complexos e a ela voltaremos, posteriormente, com mais detalhes, no Curso 
Intermediário de Produção do Conhecimento. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
63 
 
3.5.4.1 Análise 
a. Determinação do Valor dos Dados Reunidos 
Compreende a verificação da pertinência, da significância e da 
credibilidade dos Conhecimentos e Dados reunidos. 
 
 
Fig: determinação do valor do que foi reunido 
1) Verificação da pertinência 
É o exame preliminar dos Conhecimentos e dados obtidos e a 
determinação de sua relação com o assunto delimitado. 
 
Uma vez reunidos todos os Conhecimentos e dados, das mais diversas 
fontes, este trabalho inicial determinará, de uma maneira geral, qual documento ou 
fração de documento (parágrafos), ou dado(s) serve(m) e qual não é (são) útil (teis), pois 
não diz (em) respeito ao problema. 
2) Verificação da significância 
Depois do trabalho preliminar da identificação da pertinência, ou seja do 
reconhecimento dos dados e conhecimentos que têm relação com o assunto (isso “serve, 
isso não serve”), o analista separa as frações significativas (nome dado aos parágrafos 
que compõem um texto de um Conhecimento de inteligência, ou de dados reunidos, e 
Pergunta do analista: de tudo que disponho, o que é pertinente ao meu assunto? 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
64 
que significam algo para o trabalho ), as quais atendem aos aspectos que lhe interessam 
conhecer, quer dizer que “significam” algo perante as questões levantadas na Fase do 
Planejamento. 
3) Verificação da Credibilidade dos Dados 
Quando o analista receber os dados para a montagem de seu 
Conhecimento, o Informe simples, somente pelo tempo verbal empregado é que vai 
saber, dentre as frações significativas presentes, quais as que expressam certeza (tempo 
verbal pretérito perfeito e presente do indicativo) e as que denotam a opinião do analista 
(tempo verbal futuro do pretérito). 
 
 
 
 
 
 
Esta primeira seleção dará ao analista várias frações significativas de 
credibilidade diferente: CERTEZA ou OPINIÃO. E assim, com este grau de 
credibilidade, é que essas frações deverão compor, inicialmente, os trabalhos em curso. 
Além disso, há outros cuidados a tomar. No tocante aos dados, busca-se 
avaliar a Fonte que detém o dado e o Conteúdo daquilo que foi transmitido. Para isso, 
aplica-se a chamada Técnica de Avaliação de Dados (TAD). 
 
 
A “opinião” do analista estará expressa no texto sob a 
forma do tempo verbal Futuro do Pretérito. Sua “certeza” estará 
estabelecida pelo uso dos tempos verbais Presente do Indicativo, 
ou Pretérito Perfeito) 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
65 
Antes de entrarmos, propriamente, na TAD, vamos comentar alguns 
conceitos muito importantes. 
 
 
a) Fonte de dados 
 
Os dados que chegam a uma AI têm origens, que na linguagem da Atv 
Intlg, são conhecidas como “fontes”. As “fontes” podem ser: 
- PESSOAS – aquelas que detêm a autoria do dado, por terem percebido, 
memorizado e descrito um fato, ou situação. 
- ORGANIZAÇÕES – são aquelas que detêm a responsabilidade do 
dado, por tê-lo veiculado, não nos sendo possível identificar o autor. 
- DOCUMENTOS – são os que contêm os dados, mas não fornecem 
indicações que permitam identificar o autor, ou a organização responsável. Nesta 
categoria se incluem filmes, gravações de áudio, fotografias, panfletos apócrifos, etc. 
Este tipo de dado dever ser avaliado com muito critério. 
- EQUIPAMENTOS – capazes de captar imagens e sinais. 
 
 
b) A comunicação de dados 
 
O analista deve estar muito atento para saber como o dado chegou a seu 
conhecimento, ou seja, em que condições o emissor (a fonte – o elemento que 
apreendeu o dado originalmente) o entregou ao receptor (o destinatário). 
O cuidado que se deve ter, então, é procurar saber se entre a fonte e o 
destinatário não existiu um outro elemento intermediário, que também possui a 
capacidade de perceber, memorizar e transmitir um dado e o fez, só que obtendo o dado 
do mesmo emissor que o passou ao destinatário. Isto pode levar o profissional a 
conclusões infundadas. Esta pessoa é chamada de “Canal de Transmissão”. 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
66 
Veja o exemplo abaixo: 
 
 No exemplo acima, a Fonte observou o fato e o contou para o 
Destinatário e, também, para uma outra pessoa. Esta, usando de sua habilidade de 
perceber detalhes, memorizar e transmitir dados relatou o fato, também, ao Destinatário, 
sem especificar como o tinha obtido. Estas suas características pessoais podem acabar 
emprestando uma credibilidade que não existe aos olhos dos menos avisados. 
Se o profissional de Inteligência não aplicar, corretamente, a TAD, no tocante à 
Fonte, corre o risco de confirmar este dado que, em sua origem, teve a mesma fonte. 
 
 
c) O Ponto de Interesse 
 
Antes de submeter um dado ao processo de avaliação, uma das 
preocupações do analista deve ser com a definição do chamado “ponto de interesse”. 
 
O ponto de interesse 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO(NÍVEL BÁSICO) 
 
67 
Definir o “ponto de interesse” significa determinar qual o ponto do 
conteúdo de um dado recebido, que interessa efetivamente ao analista para o 
desempenho de seu trabalho. 
A importância da definição prévia do ponto de interesse relativo a um 
dado decorre, de como isto auxiliará na identificação da fonte a ser avaliada, bem 
como, determinará o enfoque a ser adotado pelo analista, por ocasião de sua utilização 
para a elaboração de um Conhecimento de Inteligência. 
 
3.5.4.2. A Técnica de Avaliação de Dados (TAD) 
Agora, sim. Vamos à Técnica de Avaliação de Dados (TAD). Como já 
vimos, ela se refere ao julgamento do conteúdo do dado e da fonte que o transmitiu. 
Este trabalho deve ser feito todas as vezes que o profissional receber um dado, seja lá 
de quem foi (seu irmão, vizinho, amigo de longa data, um desconhecido, alguém 
indicado por um amigo, etc). 
 
1) Julgamento do conteúdo do dado 
 
No julgamento do conteúdo, devem ser verificados três aspectos: 
 
a) Coerência: verifica-se se o dado apresenta contradições em seu 
conteúdo, ou no encadeamento lógico. Busca-se verificar a harmonia interna do dado. 
 
Exemplo de dado incoerente: 
Na primeira conversa, ela viu que Alexandre e Anna queriam convencê-
la da existência de uma situação que os excluísse de suspeita. “Eles falavam, e eu 
ponderava: ´Por que um ladrão vai jogar uma criança da janela?”. O diálogo 
prosseguiu. Aqui, ele é reproduzido de acordo com o relato da delegada: 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
68 
- Se o ladrão percebe que o morador chegou, a primeira coisa que faz é 
fugir do local. Por que despertar uma criança que estava dormindo e jogar pela 
janela? — questiona Renata. 
- Ela pode ter acordado — diz o pai. 
- Se ela acordou, ele sai correndo. Uma criança de 5 anos não vai 
conseguir segurar um ladrão. 
- Então ela pode ter reconhecido ele. 
- Nesse caso, por que criar tanta dificuldade? Se ele tem uma faca, dá 
uma facada. Sabendo que o pai ia à garagem e voltava, o que demora dois minutos, ele 
não teria todo esse trabalho de procurar a tesoura, a faca, asfixiar a menina, jogar, 
guardar a faca e a tesoura, sair e ainda trancar a porta. 
O casal admitiu, diz a delegada, que nada fora levado do apartamento. E 
passou para outra hipótese: vingança. (“O fim do silêncio sobre Isabella” in Revista 
Época, 01/09/08. p. 73-77) 
Perceberam que o primeiro relato feito pelos pais de Isabella Nardoni, 
apesar de cronologicamente perfeito, estava cheio de contradições, e que, por isso, não 
“entrava na cabeça” da delegada. 
 
b) Compatibilidade: verifica-se o grau de harmonia com que o dado se 
relaciona com outros dados já conhecidos, ou com que já se conhece sobre o fato ou 
situação. 
Em palavras mais simples: para um dado ter compatibilidade, basta que 
ele não esteja destoando de maneira contundente dos demais que falam sobre o mesmo 
assunto. 
Exemplo: 
Obs: Considere a cor dos retângulos como se fossem assuntos afins 
Você reuniu os seguintes dados, provenientes das mais diversas fontes 
(Fontes 1, 2, 3 e 4), e os comparou quanto à Compatibilidade. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
69 
 
Qual fonte forneceu um dado que não “se encaixou”? Que foi flagrantemente 
distinto de todos os demais? A fonte 3, certo? 
Este dado deverá ser descartado por encerrar conteúdo que destoa dos 
demais. 
c) Semelhança: verifica-se se há outro dado, oriundo de fonte 
diversa, que venha reforçar, por semelhança, os elementos do dado sob observação. Em 
outras palavras, significa verificar se o dado recebido pode ser confirmado por outro 
recebido de fonte diferente (que não seja “canal”, claro!) 
Exemplos 
 
 
FONTE 1 
 
FONTE 2 
 
FONTE 3 
 
FONTE 4 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
70 
 
 
RESUMO 
 
 
 
 
2) Julgamento da fonte do dado 
 
No julgamento da fonte do dado (pessoas, organização ou documentos), 
busca-se avaliar seu grau de idoneidade, verificando-se três aspectos: 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
71 
a) Autenticidade: verifica-se se o dado ou conhecimento provém 
realmente da fonte presumida, ou de intermediários (“canal”). Esta verificação pode ser 
realizada mediante o estudo das peculiaridades e dos possíveis indícios que permitam 
caracterizar a fonte como sendo a detentora do dado. 
 
b) Confiança: observa-se a fonte, os seus antecedentes criminais; 
posicionamento político; comportamento social: colaboração anterior procedente; e 
motivação de ordem ética ou profissional. Pode-se considerar, ainda, o grau de 
instrução, valores, convicções e sua maturidade. 
 
c) Competência: verifica-se se a fonte é habilitada (técnica, intelectual e 
fisicamente) para se pronunciar sobre o tema e/ou se estava em local apropriado para 
obter aquele dado específico. 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
72 
 
3.5.4.3. Resultado da Avaliação 
Agora, o analista dispõe de frações significativas devidamente graduadas em 
credibilidade (Certeza e Opinião) 
 
3.5.4.4. Síntese 
A síntese é a operação que procede do simples para o complexo, reunindo as 
partes até então sob estudo em um todo, buscando-se compor um conhecimento 
coerente. 
Como já vimos, a credibilidade (CERTEZA E OPINIÃO) das frações agora 
disponíveis, que vão compor o conhecimento quando de sua formalização, será 
traduzida por meio de recursos de linguagem que expressam o estado de certeza ou de 
opinião do profissional de inteligência. 
O analista procede, agora, o trabalho conhecido como INTEGRAÇÃO, 
onde vai montar um conjunto coerente, ordenado, lógico e cronológico, com base nas 
frações significativas, já devidamente avaliadas. 
O aproveitamento de uma fração significativa varia de acordo com o tipo 
de conhecimento que se pretende produzir, porém é desejável que sejam aproveitadas, 
com prioridade, as frações significativas com grau máximo de credibilidade - certeza. 
 
3.5.5 Fase da Interpretação 
Não é utilizada na confecção de informes, pois sua aplicação restringe-se a 
Conhecimentos de Inteligência onde o analista faz uso do “raciocínio” para produzi-los; 
o que não acontece no informe, onde o analista usa “juízos”. 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
73 
3.5.6. Fase da Formalização e Difusão 
Nesta fase, o conhecimento produzido será formalizado em Documentos de 
Inteligência, e difundido (disponibilizado) para o usuário ou outras Agências de 
Inteligência - atendidos os princípios do sigilo e da oportunidade e a necessidade de 
conhecer - e posteriormente arquivado. 
Em atendimento ao princípio da oportunidade admite-se a difusão informal, 
previamente à sua formalização. 
 
Conclui-se que a Atividade de Inteligência está solidamente 
embasada em uma doutrina comum e em uma Metodologia para a 
produção do Conhecimento que dá suporte a que o analista percorra 
o Ciclo de Produção do Conhecimento com segurança, objetivando a 
formalização de um Conhecimento de Inteligência produzido dentro 
de bases científicas. 
 
Resumo 
 
No módulo 3, apresentamos a você o Ciclo de Produção do Conhecimento e a 
Metodologia para a Produção do Conhecimento de Inteligência onde exploramos, com 
ênfase, cada fase da metodologia, em detalhes.Apontamentos para o próximo módulo 
 
No próximo Módulo, vamos ver como se formaliza um Conhecimento de 
Inteligência, aqui explorado o Informe, oferecendo uma proposta de modelo de 
Relatório de Inteligência, documento por onde se veiculam os Comnehcimentos de 
Inteligência. 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
74 
4. A FORMALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO DE INTELIGÊNCIA 
 
 
 
 
 
 
 
METAS DESTE MÓDULO 
 
 Identificar os tempos verbais a utilizar em um Conhecimento 
Info 
 Apresentar os erros mais comuns cometidos na redação de 
Conhecimentos de Inteligência; 
 Expor o documento Relatório de Inteligência (RELINT) 
 
 
 
OBJETIVOS DESTE MÓDULO 
 
Ao final deste módulo você será capaz de: 
 Entender a finalidade e as condicionantes envolvidas na 
formalização e na difusão de um Conhecimento de Inteligência 
 Redigir um Conhecimento de Inteligência do tipo Informe 
 
 
 
 
 
 
A FORMALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO DE 
INTELIGÊNCIA 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
75 
 
4.1. Considerações Iniciais 
 
“A Atividade de Inteligência (Atv Intlg) é o exercício permanente e sistemático 
de ações especializadas para a identificação, acompanhamento e avaliação de ameaças 
reais ou potenciais na esfera do Poder Executivo, basicamente orientadas para produção 
e salvaguarda de conhecimentos necessários para subsidiar o governo federal a tomada 
de decisões”. 
 
Lembrada essa definição, está claro que a Atv Intlg tem como missão produzir 
para seus usuários. Se isso não for verdade, a atividade não tem razão de existir. E 
quem produz Conhecimentos de Inteligência são os Analistas de uma Agência de 
Inteligência! Por isso, a extrema importância deste profissional para qualquer Sistema 
de Inteligência. 
 
Para bem cumprir sua tarefa, esse profissional deve percorrer o chamado Ciclo 
de Produção de Conhecimento (CPC), que é um processo intelectual em que a 
capacidade humana, auxiliada por metodologia própria, possibilita a elaboração de 
Conhecimentos especializados e estruturados a partir de dados devidamente avaliados e 
analisados, para atender as demandas do processo decisório em qualquer dos seus 
níveis. 
 
Como visto, a Doutrina utilizada na Atv Intlg preconiza as seguintes fases da 
Metodologia para a Produção do Conhecimento: Planejamento, Reunião, Análise e 
Síntese, Interpretação e Formalização e Difusão. 
 
Vamos tratar, então, da fase da Formalização e Difusão, que é aquela na qual o 
analista efetivamente senta-se para redigir o documento final e o envia, posteriormente, 
ao usuário. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
76 
 
Fig: formalização do documento 
 
Torna-se até desnecessário dizer que o resultado final do trabalho do analista 
deve ficar em perfeitas condições de ser visualizado, percebido e, principalmente, 
entendido por qualquer outra pessoa, no caso, nosso usuário final. 
 
Diante dessa importância, a redação dos diversos tipos de Conhecimentos de 
Inteligência deve seguir regras bem definidas, a fim de que cumpra a finalidade de 
qualquer Sistema de Inteligência – assessorar no nível tático, ou estratégico. É dessas 
regras que vamos tratar nesta leitura. 
 
Primeiro lembrete importante... 
 
 
 
 
 
 
Antes, vamos comentar sobre alguns tópicos que devem estar presentes na 
rotina da confecção de um Conhecimento de Inteligência, por parte dos analistas, 
para os quais chamo sua atenção. 
 
4.2 A “Ignorância do Usuário” 
Quando você estiver redigindo seus Conhecimentos, tenha em conta que o 
futuro leitor de seu trabalho, o usuário, ou cliente, pode ser um leigo no assunto, ou 
Você escreve um Conhecimento de Inteligência para outra 
pessoa ler! 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
77 
mesmo uma pessoa pouco experiente e que, com certeza, não domina o tema como 
você. 
Assim, ao longo de seu texto, você vai ter que cuidar de ambientá-lo em muito 
do que está sendo exposto e, principalmente, tomar o cuidado de conduzi-lo para um 
perfeito entendimento das partes constitutivas do documento e, quando houver, de 
sua conclusão. 
Entretanto, cuidado: não se trata de ser prolixo. O segredo é ser conciso, sem 
omitir determinadas informações que não são do domínio do usuário, mas que devem 
chegar até ele. Como construir este equilíbrio? 
Na fase do Planejamento da metodologia, o analista deve procurar saber quem 
é o usuário e qual o objetivo do documento a ser produzido. Com essas informações, 
ele determina o grau de entendimento do usuário sobre o assunto e a profundidade 
que deve buscar em seu documento. 
Para cumprir a segunda parte, conduzir o leitor, você terá que, por intermédio 
de parágrafos bem redigidos, ser objetivo, claro e conciso, nunca deixando dúvidas 
da ligação de sua redação com a finalidade de seu documento. 
Se ao ler seu documento o usuário começar a fazer a si mesmo, a toda hora, a 
pergunta: “o que é que este cara está querendo dizer com isso?” Meu amigo, seu 
documento não foi bem redigido... 
Não deixe para o usuário a tarefa de “procurar” suas idéias, nem de decifrar o 
que você está querendo transmitir. 
 
4.3. A Redação do Conhecimento de Inteligência 
 
Tudo o que se escreve recebe o nome genérico de redação (ou composição). 
Existem três tipos de redação: descrição, narração e dissertação. Essas duas últimas 
são a que nos interessam de perto. 
O Conhecimento Informe, por exemplo, é feito utilizando-se a “Narração”. Narrar 
é relatar fatos e acontecimentos, reais ou fictícios, envolvendo ação e movimento. Na 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
78 
composição narrativa, o enredo gira em torno dos fatos do passado, ou do presente. O 
relato de algo ou alguma coisa implica a existência dos seguintes elementos: o fato, o 
personagem, o ambiente, as condições e o momento. 
 
Guarde muito bem essas perguntas, pois em todo Informe redigido, você 
tentará respondê-las para que seu documento fique mais completo. 
Entretanto, não há necessidade de que todas sejam respondidas, nem 
mesmo que sejam apresentadas, na redação, na ordem apresentada. 
 
Então, recordando as perguntas. Decore! 
 
 
 
 
 
 
a) “o fato”, que deve ter seqüência ordenada e responde a 
pergunta: “o quê”? 
b) “o personagem”, que responde a pergunta: “quem”? 
c) “o ambiente”, o lugar onde ocorreu o fato, que responde a 
pergunta: “onde”? 
d) “as condições”, que explica como se deu o fato; responde a 
pergunta “como”? 
e) “o momento”, que é o tempo da ação, que responde a 
pergunta: “quando”? 
 
O quê? 
Quem? 
Onde? 
Como? 
Quando? 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
79 
 
Já a “Dissertação” é o tipo de composição na qual expomos idéias gerais, 
seguidas da apresentação de argumentos que as comprovem (preste atenção nisso). 
Esta é a modalidade de trabalho escrito, que deve ser executado pelo analista de 
Inteligência para redigir seus Conhecimentos Informação, Apreciação e Estimativa, 
que não são objeto de nossa preocupação agora. 
 
4.4. Tempos Verbais a Utilizar 
Prezado amigo, preste muita atenção no que vamos dizer neste tópico, pois ele é 
FUNDAMENTAL para a compreensão, por parte de qualquer tipo de leitor, de seu 
trabalho. 
Sabemos que o analista, ao produzir um Conhecimento de Inteligência, podeestar com sua mente em estado de opinião, ou certeza. Não é mesmo? Sabemos, 
também, que analista em estado de ignorância ou dúvida não representa isso em 
documentos, ou seja, não transfere esses dois estados ao usuário, pois isso nada 
acrescenta a um processo decisório. 
Assim, qual o artifício que, no linguajar da Atv Intlg, o analista utiliza para 
traduzir o estado de sua mente (de seu espírito) para o usuário? Por meio dos tempos 
verbais adequados. 
Para frações significativas (parágrafos) onde o analista não tem certeza, está em 
estado de opinião, o tempo verbal é o FUTURO DO PRETÉRITO. 
Exemplo: “João teria se encontrado com Antonio no escritório da padaria, na 
noite de 25 de março do corrente.” 
O que isso significa? Que ele está em dúvida se o encontro aconteceu? NÂO! 
Ele sabe que aconteceu; tem EVIDÊNCIAS de que aconteceu, mas só não tem certeza. 
Assim, ao identificar no Informe, ou Apreciação este tempo verbal, o usuário já poderá 
inferir o estado do analista, nesta parte de seu conhecimento. 
Para frações significativas onde o estado da mente do analista seja de certeza, os 
tempos verbais utilizados deverão ser o PRESENTE e o PRETÉRITO PERFEITO. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
80 
- João encontrou-se com José no bar São Pedro, no dia 24 de março do 
corrente. 
- A causa do fracasso da vacinação de dengue no município de Fortaleza 
foi a falta de colaboração da secretaria de saúde municipal. 
- O maior problema para a implantação do programa de controle dos 
veículos via satélite tem sido o despreparo dos profissionais da área. 
 
4.5. O que não se de fazer 
a. Usar Gírias 
Essa modalidade de redação pressupõe uma linguagem formal, não 
necessariamente erudita, mas certamente bem elaborada. 
 
b. Usar provérbios ou ditos populares 
Esses recursos empobrecem a redação, fazendo com que pareça que o autor 
não tem criatividade. 
 
c. Incluir-se na dissertação 
Dissertar é falar sobre um assunto proposto, emitindo opiniões gerais, de 
modo impessoal e com objetividade. Essa visão se perde quando autor confunde 
a problemática tratada com seus problemas até de ordem pessoal e / ou opiniões 
estereotipadas. 
 
d. Propagar doutrinas de qualquer ordem 
Nas últimas décadas, o homem vem assistindo a vários conflitos 
localizados, que podem redundar em uma guerra mundial. A solução é 
JESUS CRISTO! 
Os países que emergiram do comunismo vêm adotando, apesar de alguma 
dificuldade, a democracia, porque ela, realmente, é o melhor caminho a 
seguir para aqueles que sempre viveram oprimidos. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
81 
e. Mover-se por emoções exageradas 
 
Os temas devem ser tratados de forma isenta, sem deixar que as suas 
convicções (nem sempre certas) e suas emoções influenciem seu trabalho. 
Somente a argumentação lógica dará um bom resultado. 
 
Os noticiários, todos os dias, relatam crimes hediondos, cometidos por 
verdadeiros animais, que deveriam sentar-se na cadeira elétrica por tudo que 
cometeram. Morte aos monstros do crime! 
 
f. Utilizar exemplos que não sejam de domínio público 
 
A PETROBRÁS, a fim de aumentar sua produção, assinou um convênio 
com instituições privadas, nos mesmos moldes daquele que foi assinado 
com Angola, no ano passado. (qual ?) 
 
g. Usar abreviações 
 
 ....falou c/ o seu assistente e disse p/ assinar o contrato... 
 
 
h. “Inventar” siglas 
 
Utilize, apenas, as siglas de domínio público, como URSS, EUA, 
PETROBRÁS, ONU, etc. Na primeira vez que aparecer no texto, a sigla deverá 
ser especificada ao leitor. Só a partir daí é que poderá ser usada sozinha. 
 
...os Estados Unidos da América (EUA) são os maiores produtores... (A 
partir daí, a sigla EUA já estará identificada ao leitor). 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
82 
i. Repetir várias vezes a mesma palavra 
 
Os empresários têm encontrado problemas para contratar mão-de-obra 
especializada. O problema da mão-de-obra é conseqüência de um problema 
maior: os altos níveis de desemprego. Enfrentando problemas para conseguir 
empregos nas fábricas onde trabalhavam, os operários dedicam-se a outras 
atividades, criando o problema da mão-de-obra não específica. Demorará algum 
tempo para que esse problema de mão-de-obra seja solucionado. 
 
j. Utilizar a 1ª pessoa do singular 
 
Use a 3ª. pessoa do plural. 
 
Verificamos que......É nossa opinião que.....Acreditamos 
que......Entendemos, assim, ....Esperamos que................. 
 
 
4.6 Documentos de Inteligência 
4.6.1. A Tramitação do Conhecimento 
Em um Sistema de Inteligência, são produzidos e transitam diversos tipos de 
documentos específicos da Atividade de Inteligência (Atv Intlg), cuja utilização e a 
competência de produção e difusão variam de acordo com os níveis das Agências , as 
necessidades dos usuários e os objetivos de cada órgão integrante do sistema. 
Podemos definir “Documentos de Inteligência” como sendo os documentos 
padronizados, que recebam a classificação sigilosa prevista em lei específica, redigidos 
em texto simples, ordenado e objetivo, devidamente classificados e controlados, que 
circulam internamente ou entre as Agências de Inteligência (AI), a fim de veicular ou 
solicitar Conhecimentos de Inteligência. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
83 
A finalidade dos documentos que circulam no Sistema é propiciar um adequado 
fluxo de conhecimento específico de Inteligência (não administrativo) entre as AI que 
integram um Sistema de Inteligência e atender às peculiaridades do exercício da Atv 
Intlg. 
Os documentos de Inteligência, por sua natureza e pelas características 
peculiares de sua confecção e destinação, não devem ser utilizados em quaisquer ações 
estranhas à Atv Intlg. 
Os documentos externos mais comuns, difundidos entre as AI, ressalvadas as 
peculiaridades de cada Sistema de Inteligência, são: 
o Relatório de Inteligência (RELINT) 
o Pedido de Busca (PB) 
o Ordem de Busca 
Alguns Sistemas de Inteligência não utilizam o RELINT, nomeando seus 
documentos de Inteligência pelo nome do Conhecimento: Informe, Informação, 
Apreciação e Estimativa. 
Os Núcleos de Inteligência, ou organismos afins, existentes na iniciativa privada 
devem adotar o(s) modelo(s) de documentos que melhor atenderem seus objetivos. O 
aqui oferecido, pode servir como orientação, por serem documentos utilizados desde os 
primórdios da Atv Intl, no Brasil, e por terem provado sua eficácia como transmissores 
de Conhecimentos de Inteligência. 
Nesta disciplina, apenas o RELINT será objeto de nosso interesse. 
 
4.6.2 Relatório de Inteligência (RELINT) 
É o documento padronizado no qual o analista transmite Conhecimentos de 
Inteligência para o usuário, ou para outras AI, dentro ou fora de seu sistema. 
O RELINT serve para veicular todos os tipos de conhecimentos - Informes, 
Informações, Apreciações e Estimativas – crescendo de importância, pois, a 
formalização de sua redação de forma que o usuário possa perceber, sem possibilidade 
de erro, o tipo de Conhecimento que nele está inserido. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
84 
Para isso, o emprego dos tempos verbais adequados é fundamental para 
esclarecer qualquer dúvida que possa existir, por parte do usuário, sobre qual tipo de 
documento está em suas mãos. 
É nossa opinião que este documento - o RELINT - idealizado dentro do SistemaBrasileiro de Inteligência (SISBIN), pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) não 
cumpre sua finalidade como veículo transmissor dos Conhecimentos de Inteligência 
quando direcionado a algum usuário pouco experiente, ou mesmo quando este gestor 
nada conhece de Inteligência. 
O grande objetivo de um documento de Inteligência, seja de que tipo de 
Conhecimento for, é permitir que o usuário receba as informações por ele desejadas sem 
que paire qualquer dúvida. Entretanto, como vimos, nem todos os usuários são pessoas 
que militam na Atividade de Inteligência tendo, portanto, dificuldade em entender o 
emprego dos tempos verbais – indicadores do tipo de conhecimento – a única 
sinalização mais clara do RELINT sobre qual Conhecimento contém. 
A outra demonstração do tipo de Conhecimento é a existência, ou não, de 
conclusão ao final do texto. Mas isso, para um leitor inexperiente pouco significa 
ajudando mais a confundir do que esclarecer. 
Anteriormente à criação do RELINT, dentro do SISBIN veiculavam 
Documentos de Inteligência que levavam o nome do respectivo Conhecimento que 
portava. Assim tínhamos: Informe nº __; Informação nº__; Apreciação nº__ e 
Estimativa nº ___. 
Restava alguma dúvida, para o usuário, sobre qual tipo de Conhecimento tinha 
nas mãos? Agora, o RELINT não faz essa menção explícita em seu corpo, cabendo ao 
usuário “descobrir” do que se trata. 
Ou seja, o RELINT não foi um documento pensado para ser utilizado para um 
usuário de fora do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), ou mesmo por um 
cliente não muito acostumado às coisas da Atv Intlg. 
Pela falta de clareza deste tipo de documento, alguns órgãos integrantes do 
SISBIN não o adotaram, continuando a veicular os Conhecimentos de Inteligência com 
o seu próprio nome no cabeçalho do documento (Informe nº; Apreciação nº, etc). 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
85 
É, pois, uma vulnerabilidade do documento RELINT que deve ser levado muito 
em conta quando de sua difusão ao usuário, ou mesmo para outros interessados, dentro 
ou fora do SISBIN e, principalmente, quando se produz Conhecimentos de Inteligência 
no meio empresarial, por exemplo. 
Os integrantes do SISBIN que não adotaram o RELINT, e continuam a nomear 
seus Conhecimentos, utilizam a tabela abaixo no Conhecimento Informe. Esta tabela 
ajuda, ao leitor, identificar o convencimento do analista, ao longo de seu trabalho, com 
relação às fontes e aos conteúdos dos dados recebidos e que serviram para compor seu 
trabalho. 
 
 
Tabela de julgamento da fonte Tabela de julgamento do conteúdo 
A: inteiramente idônea 1: confirmado por outras fontes 
B: normalmente idônea 2: provavelmente verdadeiro 
C: regularmente idônea 3: possivelmente verdadeiro 
D: normalmente inidônea 4: duvidoso 
E: inidônea 5: improvável 
F: não pôde ser avaliada 6: não pôde ser avaliado 
 
Claro que um leitor inexperiente também terá dificuldade em entender esse 
código alfanumérico, mas, na verdade, isso em nada prejudicará o entendimento do tipo 
de documento que ele possui em mãos. 
Essa avaliação acima será uma síntese das diversas avaliações de julgamento 
que o analista fez nas várias oportunidades em que teve de julgar a credibilidade das 
diversas fontes e o conteúdo dos dados trabalhados. 
Por exemplo, se ele atribuir a classificação “A1”, estará indicando ao leitor, ou a 
outra AI do sistema, que todo o documento é de fonte(s) idônea(s) e todos os dados 
foram confirmados, e que todas as fontes por ele consultadas e todos os dados 
trabalhados levaram esta classificação. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
86 
Se o analista classifica seu documento de “B1”, ele quer dizer ao usuário que 
a(s) fonte(s) consultada(s) quase sempre têm demonstrado idoneidade, e que os dados 
foram confirmados por outra(s) fonte(s). 
Esse é o espírito! 
Alertamos, apenas, para as letras “C” e “D” do julgamento da fonte, e para os 
números “3” e “4”, do julgamento do conteúdo que, uma vez combinados, podem 
causar muita confusão. 
É melhor ater-se aos outros números e letras que, combinados de maneira 
correta, já garantem o perfeito entendimento da posição do analista. 
 
4.6.2.1 Requisitos do RELINT 
A padronização dos documentos é muito necessária para se obter unidade de 
entendimento e uniformidade de procedimentos entre os órgãos que integram um 
sistema. Por isso, os documentos contêm um conjunto mínimo de itens sobre a sua 
classificação, conteúdo, destinatário e obrigatoriamente conterão: 
 
a) logomarca do Estado Federado ou da União: deverá ser impressa na 
primeira página do documento, em posição centralizada, imediatamente abaixo da 
margem superior, nas cores originais, ou em preto e branco. 
 
b) designação e timbre: da AI produtora e sua subordinação. 
 
c) classificação sigilosa: a marcação do grau de sigilo deverá ser feita em 
todas as páginas do documento, em posição centralizada, em negrito, na primeira linha 
do cabeçalho e do rodapé, emoldurado por um retângulo, com um espaço entre as letras 
e na cor vermelha. 
 
Para se classificar um documento de Inteligência, deve-se observar os artigos 24 
e 27 da Lei Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, que trata do acesso às 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
87 
informações geradas pelos órgãos públicos, aí incluída a Atv Intlg. Nestes artigos são 
indicados os graus de sigilo existentes (reservado, secreto e ultra-secreto) e elencadas 
quais as autoridades que podem classificar um documento. 
 
d) designação do tipo do documento: é composta pela especificação do 
tipo (RELINT) e do número do documento; pelo indicativo da AI que o produziu e a 
data de sua elaboração. 
 
e) numeração sequencial: por ano 
 
f) cabeçalho contendo: 
Data: a da remessa do documento. 
 Assunto: Consiste em uma expressão que sintetize o conteúdo do 
texto. O assunto deverá ser apresentado com todas as letras maiúsculas, em negrito. 
 Origem: unidade responsável pela produção 
 Difusão: deverão ser indicados os usuários do RELINT (cargo da 
autoridade ou AI) 
 Difusão Anterior: deverão ser relacionados órgão(s) e 
autoridade(s) que já tenham tido conhecimento do conteúdo do texto do RELINT, por 
ter sido esse conteúdo difundido anteriormente pela AI que o produziu ou por qualquer 
outro órgão. 
 Referência: deverão ser listados os documentos ou eventos que, 
de algum modo, se relacionem com o assunto objeto do RELINT. É obrigatório que eles 
já sejam conhecidos tanto pelo remetente quanto pelo destinatário do documento. 
 Anexo: quando for o caso, o RELINT poderá conter anexos, isto 
é, documentos ou objetos que o acompanharão visando a oferecer compreensão mais 
ampla de algum ponto do texto. 
 
 g) Expressão: “Continuação do...” A partir da segunda página, a 
expressão deverá ser colocada no cabeçalho, abaixo da classificação sigilosa, seguida 
dos indicativos e separada do texto por uma linha. 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
88 
 
 
h) texto: seguindo o preconizado pela Metodologia da Produção do 
Conhecimento, na fase da Formalização do Conhecimento. 
 
i) numeração das folhas: cada página deverá ser marcada com seu 
número sequencial seguido do total de páginas do documento, separados por 
barra (1/3, 2/3, etc.). 
 
j) autenticação: marca própria da AI que confere autenticidade ao 
documento. 
 
k) recomendação legal sobre quebra de sigilo: deve ser inserida em 
quadropróprio dentro do rodapé (na segunda linha, após o grau de sigilo), na cor 
vermelha, em negrito, a seguinte expressão: “Todo aquele que tiver conhecimento 
(...) de assuntos sigilosos fica sujeito às sanções administrativas, civis e penais 
decorrentes da eventual divulgação dos mesmos.” (§ 1º do art. 37 do Decreto 
4.553, de 27 de dezembro de 2002.) 
 
 
“Todo aquele que tiver conhecimento (...) de assuntos sigilosos fica sujeito às sanções 
administrativas, civis e penais decorrentes da eventual divulgação dos mesmos.” (§ 1º do art. 37 do 
Decreto 4.553, de 27 de dezembro de 2002.) 
 
 
Obs: a nova Lei de Acesso à Informação, a LEI Nº 12.527, DE 18 DE 
NOVEMBRO DE 2011, sancionada pela Presidente, ao entrar um vigor em breve, 
modificará vários itens hoje previstos no Dec 4.553. 
 
 
Continuação do Relatório de Inteligência n° 0112/DEIC/SSPRJ/03 Jun. 
2009 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
89 
4.6.2.2 Modelo de RELINT 
 
 
 
 
 
 
CLASSIFICAÇÃO SIGILOSA 
 
LOGOMARCA DO ESTADO OU DA UNIÃO 
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL OU GOVERNO DO ESTADO DO... 
INSTITUIÇÃO ... 
ÓRGÃO DE INTELIGÊNCIA (OI) 
RELATÓRIO DE INTELIGÊNCIA Nº ___ DE (DATA) 
 
1. DATA: 
2. ASSUNTO: 
3. ORIGEM: 
4. DIFUSÃO: 
5. DIFUSÃO ANTERIOR: 
6. REFERÊNCIA: 
7. ANEXO: 
 
TEXTO 
CLASSIFICAÇÃO SIGILOSA 
 
“Todo aquele que tiver conhecimento (...) de assuntos sigilosos fica sujeito às sanções 
administrativas, civis e penais decorrentes da eventual divulgação dos mesmos.” (§ 1º do art. 37 do 
Decreto 4.553, de 27 de dezembro de 2002.) 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
90 
4.7. Exercício Prático 
As situações que compõem este exercício não devem ser comparadas com 
nenhuma outra que expresse a realidade vivida em nosso país, o Brasil, pois foram 
elaboradas com o único fim de atender o objetivo didático a que o exercício se propõe. 
 
 
EXERCÍCIO DE INFORME 
 
 
Leia o relato abaixo 
Você é o delegado titular da Delegacia do município de Antonio Estanislau (Del 
AnEst), estado de Piratu, Departamento da República Federativa da Rutênia, 
responsável pela confecção dos Relatórios de Inteligência - RELINT. 
Você resolveu redigir um RELINT contendo um Conhecimento de Inteligência 
do tipo “Informe” à Diretoria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública 
(DInt/SSP) do estado de Piratu, por causa do fato abaixo descrito, ocorrido na cidade de 
Antonio Estanislau. 
“A polícia de Antonio Estanislau, cidade localizada no oeste do estado de Piratu, 
fronteira com o país denominado Esboslávia, efetuou a prisão de algumas pessoas, 
segundo os elementos descritos abaixo. 
a) o fato: prisão por tráfico internacional de drogas. 
b) os personagens: indígenas Saité Malé e Sarau Pitu, da terra indígena 
Carandiru, situada ao norte do município de Antonio Estanislau, compradores da droga, 
e Isidro Saavedra, cidadão do país vizinho, Esboslávia, traficante. 
c) o ambiente: local da prisão - restaurante São Benedito, localizado na praça 
central do município de Antonio Estanislau, que fica no oeste do estado de Pirantu. 
d) o momento: por volta de 15:00 h de 30 de setembro de 2009 
e) as condições: 
o delegado recebeu denúncia anônima sobre a transação na manhã do dia 
do evento; 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
91 
o todos foram presos e encaminhados ao presídio regional. 
o antes da chegada dos envolvidos, agentes policiais postaram-se por todo 
o ambiente do restaurante; 
o os indígenas, portanto uma sacola, chegaram às 15:00 h e sentaram-se em 
uma mesa no centro do restaurante 
o Isidro Saavedra chegou pouco depois; 
o Isidro Saavedra estava armado com uma pistola 9 mm, possuía uma 
mochila e estava acompanhado de dois seguranças, que ficaram de pé, ao lado da mesa 
dos índios; 
o a prisão foi no momento em que realizavam a troca de dinheiro dos 
índios (US 5.000,00) pela droga trazida por Isidro Saavedra (10 Kg de cocaína); 
o apesar de armados de pistolas 9 mm, os seguranças não tiveram tempo de 
utilizá-las; 
o RELINT nº 034 
f) estado da mente do analista – certeza 
g) data da confecção do RELINT – 30 de setembro de 2009 
h) data da expedição do RELINT - 01 de outubro de 2009 
i) Anexos: fotos de Saité Malé , Sarau Pitu e Isidro Saavedra. 
 
Saité Malé Sarau Pitu Isidro Saavedra 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
92 
MODELO DO RELINT A SER PREENCHIDO 
(CLASSIFICAÇÃO SIGILOSA) 
Logomarca do Estado 
Governo do Estado de Piratu 
Secretaria de Estado da Segurança Pública 
Delegacia de Antonio Estanislau 
Relatório de inteligência Nº 
1. Data: 
2. Assunto: 
3. Origem: 
4. Difusão: 
5. Difusão Anterior: XXX 
6. Referência: 
7. Anexo: 
________________________________________________________________ 
Texto (redija o seu texto do RELINT) 
 
(CLASSIFICAÇÃO SIGILOSA) 
 
Conclui-se que a redação do Conhecimento de Inteligência possui várias 
formalidades que, se seguidas pelo analista, darão ao usuário, mesmo 
leigo em assuntos de Inteligência, a garantia do entendimento de seu 
conteúdo, pois a linguagem dos documentos de inteligência é 
diferenciada, mas plenamente compreensível a todos que a eles tenham 
acesso. 
 
Resumo 
 
No módulo 4, apresentamos as técnicas para se redigir um Conhecimento de 
Inteligência, exercitando esta etapa com a confecção de um Informe simples.
 
 
 
ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA - A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
(NÍVEL BÁSICO) 
 
93 
REFERÊNCIAS 
- Obs: todas as opiniões aqui formuladas devem ser creditadas ao autor da leitura, Cel 
André Haydt Castello Branco, mesmo que algumas estejam expressas em trabalhos e 
documentos abaixo citados. 
BRASIL. Constituição da república Federativa do Brasil. Aprovada em 05 de outubro 
de 1988. Disponível em 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm. 
- BRASIL. Lei 9883/1999, de 7 de dezembro de 1999 instituiu o Sistema Brasileiro de 
Inteligência e criou a Agência Brasileira de Inteligência – ABIN. Disponível em 
http://www.abin.gov.br/modules/mastop_publish/?tac=Institucional#legislacao. 
BRASIL. Decreto nº 4.376, de 13 de setembro de 2002, dispõe sobre a organização e 
o funcionamento do Sistema Brasileiro de Inteligência, instituído pela Lei nº 9.883, de 7 
de dezembro de 1999. Disponível em 
http://www.abin.gov.br/modules/mastop_publish/?tac=Institucional#legislacao, 
- de França Cassio Luiz: Formação de Agenda e Processo Decisório nos Governos FHC 
e LULA: Uma análise sobre a dinâmica e as oportunidades de negociação no processo 
de tomada de decisão do setor elétrico, disponível em 
http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/2491/49418.pdf?sequence
=2 
- A EVOLUÇÃO DO PROCESSO DECISÓRIO, Carlos Alberto Ferreira Bispo e Prof. 
Dr. EdsonWalmir Cazarini, disponível em 
http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP1998_ART094.pdf 
- Manual Básico da Escola Superior de Guerra – Elementos Fundamentais, disponível 
em http://www.esg.br/uploads/2011/01/Manual-B%C3%A1sico-Vol-I.pdf 
- PROCESSO DECISÓRIO, trabalho de Gilberto de Oliveira Moritz e de Maurício 
Fernandes Pereira, disponível em 
http://www.uapi.ufpi.br/conteudo/disciplinas/pro_dec/download/Processo_Decisorio_fi
nal_18_12_06.pdf 
- Aplicação da Atividade de Inteligência no cotidiano, de Francisco José Fonseca de 
Medeiros, disponível em 
http://www.abraic.org.br/v2/arquivos/APLICA%C3%87%C3%83O%20DA%20ATIVIDADE%20DE%20INTELIG%C3%8ANCIA%20NO%20COTIDIANO18920091832.p
df 
 
 
 
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(NÍVEL BÁSICO) 
 
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- Etapas do planejamento estratégico, texto de Avellar e Duarte Consultoria e Design 
disponível em 
http://www.avellareduarte.com.br/projeto/conceitos/planejamentoestrategico/planejame
ntoestrategico_etapas.htm 
DULLES, Allen. A arte das informações. Tradução SNI, EsNI, 1977 - não disponível ao 
público em geral. 
BRANCO André Haydt Castello - Orientações para a montagem de questões para o 
concurso de admissão da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. Rio de 
Janeiro. 1996.

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