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Anatomia Humana Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Dr. Carlos Eduardo de Oliveira Garcia Revisão Textual: Profa. Ms. Selma Aparecida Cesarin Sistemas circulatório, imune e respiratório 5 • Sistema circulatório • Pequena circulação • Grande circulação • Sistema linfático • Sistema respiratório · Compreender a importância dos estudos anatômicos de alguns dos principais sistemas, como o circulatório, imune e respiratório. · Ser capaz de reconhecer as principais estruturas de cada sistema e suas principais características, bem como suas funções. Prezado(a) aluno(a) Nesta Unidade, daremos início aos estudos de um importante e diverso ramo da Anatomia, a Ciência que estuda a organização estrutural do corpo dos organismos. Adiante, estudaremos os sistemas circulatório, imune e respiratório, bem como suas principais estruturas e funções. Para que você obtenha melhor aprendizagem e memorização do assunto apresentado, leia com atenção o conteúdo e os materiais complementares, como referências bibliográficas e vídeos. Recomendamos a pesquisa de mais fontes que, certamente irão contribuir para sua formação, melhor desempenho e maior aprendizado. Sucesso e bons estudos! “Se você quer ser bem sucedido, precisa ter dedicação total, buscar seu último limite e dar o melhor de si.” Ayrton Senna Sistemas circulatório, imune e respiratório 6 Unidade: Sistemas circulatório, imune e respiratório Contextualização Esta é uma das Disciplinas mais interessantes dentro da Biologia e que se dedica a estudar a organização estrutural do corpo. A partir da divisão dos sistemas e seus principais órgãos, temos esta importante e interessante Disciplina, cujo objetivo é estudar a disposição e a relação entre as estruturas anatômicas pertencentes a cada região, sistema ou mesmo órgão do corpo e como se estabelecem as relações dessas informações com os aspectos funcionais. Nesta Unidade, iremos aprender quais são as principais estruturas e órgãos que compõem cada sistema e de que forma atuam, para compreender o funcionamento do sistema. 7 Sistema circulatório O sistema circulatório ou vascular é composto por uma rede de vasos (canais) que se comunicam, através dos quais seu principal órgão, o coração, bombeia o sangue para todo o corpo e, após isso, retorna para o coração de onde é bombeado novamente. Esta rede de vasos é composta pelos vasos arteriais, os vasos venosos que contém o sangue. Este sistema possui diversas funções como, por exemplo: • transportar através do sangue inúmeras substâncias nutritivas, oxigênio, resíduos, gás carbônico; • atuar na regulação da temperatura do corpo; • transportar hormônios e sais minerais. Figura 1. Esquema geral da circulação sanguínea. Fonte: iStock/Getty Images 8 Unidade: Sistemas circulatório, imune e respiratório CORAÇÃO O coração é um órgão oco, formado por musculatura estriada especial, localizado no tórax, entre os dois pulmões e ocupa, juntamente, com os vasos que partem e chegam a ele, o mediastino médio. O coração é comumente definido como uma bomba muscular aspirante- premente que gera e conduz seus próprios impulsos excitadores. O coração possui três túnicas básicas: o miocárdio, que é a camada mais espessa ou túnica média, composta principalmente de músculo estriado cardíaco, sendo que este músculo é o principal responsável pela contração; o epicárdio, que é externo, formado principalmente por tecido fibro-seroso e delgado e, por fim, o endocárdio, que é o revestimento interno das câmaras, tem contato com o sangue, formado principalmente por epitélio pavimentoso simples apoiado sobre tecido conjuntivo, além de ser delgado e liso. Possui em média o tamanho de uma mão fechada, com massa de cerca de 250 gramas em um indivíduo adulto e possui seu maior crescimento nos primeiros 7 anos de vida. Sua forma se compara a de um cone oblíquo com a base voltada para trás e para a direita, e o ápice ou ponta dirigida para frente e para a esquerda, tocando a parede do tórax na altura da 5ª costela, cerca de 9 cm à esquerda do plano mediano do corpo. Figura 2. Visão geral do coração e suas principais camadas. Fonte: Adaptado de Tortora, 2009. 9 Visão externa Podemos observar externamente as cavidades do coração por meio da presença de sulcos ou depressões existentes em sua superfície; o sulco interatrial, pouco marcado, vertical, separando o átrio direito do átrio esquerdo, o sulco atrioventricular, transversal, mais aparente que, por sua vez, separa os átrios dos ventrículos. O sulco interventricular, como o próprio nome refere, separa verticalmente os ventrículos direito e esquerdo. Os átrios são separados dos ventrículos devido à presença de duas valvas denominadas valvas atrioventriculares direita e esquerda, também conhecida por tricúspide e a valva que separa o átrio do ventrículo e a válvula bicúspide ou mitral, que por sua vez separa o átrio esquerdo do ventrículo esquerdo. Figura 3. Visão externa do coração humano com suas principais estruturas. Fonte: Adaptado de Tortora, 2009. Visão interna Internamente, cada metade do coração é dividida em duas partes, uma superior e outra inferior, formando 4 cavidades cardíacas: à direita, átrio e ventrículo direito e à esquerda, átrio e ventrículo esquerdo. Com isso, podemos dividir o coração na parte direita e na esquerda, sendo a parte direita conhecida por venosa, por onde circula o sangue sem oxigênio, e a esquerda ou arterial, que é por onde circula o sangue oxigenado. 10 Unidade: Sistemas circulatório, imune e respiratório Átrio direito Esta cavidade ocupa a área direita da base do coração e é o local de chegada das veias cava inferior e superior, responsáveis por trazer ao coração o sangue venoso dos membros inferiores, abdome (veia cava inferior) e dos membros superiores (veia cava superior). No átrio direito ainda chegam o seio coronário, responsável por conduzir o sangue venoso da própria musculatura do coração. O átrio direito e esquerdo são separados pelo septo cardíaco ou interatrial. Neste septo, localiza uma conhecida depressão chamada de fossa oval, que é o local onde, no feto, localiza-se o forame oval que comunica os dois átrios e permite a mistura do sangue venoso do átrio direito com o sangue arterial do átrio esquerdo. A parte interna do átrio é lisa em uma parte e rugosa na outra, devido a elevações musculares de sua parede, os músculos pectíneos. O átrio direito comunica-se com o ventrículo direito através do óstio atrioventricular, limitado por um anel fibroso que sustenta a valva atrioventricular ou tricúspide, cuja função consiste em permitir a passagem do sangue para o ventrículo e impedir seu refluxo para o átrio. Ventrículo direito Esta cavidade representa a maior parte da região anterior do coração. A espessura da parede do ventrículo direito é 1/3 da espessura do ventrículo esquerdo e seu interior é revestido por relevos musculares chamados de trabéculas cárneas. O ventrículo direito está separado do esquerdo pelo septo interventricular que, aliado ao septo interatrial, forma o septo cardíaco que, por sua vez, irá separar os átrio e ventrículo direitos (coração venoso) do átrio e ventrículo esquerdo (coração arterial). Do ventrículo direito surge o tronco pulmonar, que irá se dividir em artéria pulmonar direita e artéria pulmonar esquerda, de onde partirá o sangue venoso rumo aos pulmões, onde irão realizar as trocas gasosas, que consiste na eliminação do CO2 e absorção do O2. No início do tronco pulmonar está localizados um aparelho valvular, que existe para evitar o refluxo do sangue bombeado durante o relaxamento do ventrículo. Este aparelho valvular é constituído de 3 válvulas semilunares que em conjunto irão formar a valva pulmonar. Átrio esquerdo O átrio esquerdo compõe quase a totalidade da base do coração e possui um apêndice ou aurícula que se estende para a região anterior. Possui as paredes similares às do átrio direito e é olocal de entrada das 4 veias pulmonares (duas direitas e duas esquerdas) que irão conduzir o sangue arterial vindo do coração após a hematose, ao contrário das demais veias do organismo. Vale lembrar que esta cavidade se comunica com o ventrículo esquerdo pelo óstio atrioventricular, limitado pelo anel fibroso onde se encontra a valva atrioventricular esquerda, bicúspide ou mitral. 11 Ventrículo esquerdo Esta cavidade corresponde à maior parte da região posterior e à ponta (ápice) do coração. Possui suas paredes cerca de 3 vezes mais espessas que o direito e é dele que parte o sangue arterial que irá ser distribuído para todo o organismo. No ventrículo esquerdo, localizam-se as cúspides anterior e posterior da valva mitral. Além disso, é dele que parte a artéria de maior calibre e mais conhecida do organismo, a aorta. No local de partida da aorta, localiza-se a valva aórtica, que é similar ao tronco pulmonar, de onde partem 3 valvas semilunares. O espaço entre a parede da aorta e as válvulas semilunares chama-se seio aórtico, local de onde partem as primeiras ramificações da aorta, as artérias coronárias, que irão nutrir o músculo cardíaco, o coração. Figura 4. Visão interna do coração humano com suas principais estruturas. Fonte: Adaptado de Netter, 2011. 12 Unidade: Sistemas circulatório, imune e respiratório ARTÉRIAS As artérias são vasos que partem do coração e, portanto, enviam o sangue para o organismos, ou seja, possuem uma condução centrífuga. Transportam o sangue rico em oxigênio ou sangue arterial e nutrientes. As artérias vão se ramificando e reduzindo seu calibre ao atingir os órgãos e tecidos até atingirem calibres pequenos como o dos capilares, nível esse em que são realizadas as trocas de substâncias e/ou nutrientes trazidos com os resíduos celulares. VEIAS As veias se originam a partir dos capilares venosos e vão formando vasos maiores que confluem para o coração. A partir do aumento desses capilares, eles vão se unindo e formando as veias, atuando na condução centrípeta do sangue. Figura 5. Esquema representando as camadas das artérias e das veias. Fonte: Adaptado de Tortora, 2009. 13 Pequena circulação A pequena circulação ou circulação pulmonar também conhecida por funcional inicia-se quando o sangue é bombeado do ventrículo direito através do tronco pulmonar e será conduzido pela bifurcação que forma as artérias pulmonares direita e esquerda, que conduzirão o sangue venoso até o pulmão. Dentro dos pulmões estas artérias vão se dividindo até chegar aos capilares, local onde, juntamente, com os alvéolos pulmonares, será realizada a troca do CO2 pelo O2 e segue pelos capilares venosos que, por sua vez, irão formar as veias pulmonares que agora carrega o sangue arterial. A partir daí, há duas veias pulmonares que, de cada pulmão, irão conduzir o sangue até o átrio esquerdo, fechando assim a pequena circulação ou circulação pulmonar. Grande circulação A grande circulação parte do ventrículo esquerdo do coração através da artéria aorta. Vale lembrar que ainda partem do ventrículo esquerdo dois ramos que são as artérias coronárias direita e esquerda que irão abastecer o próprio coração. A aorta parte do ventrículo em um trajeto ascendente e em seguida descendente, onde forma um arco e se divide em 3 grandes artérias; o tronco braquiocefálico, a artéria carótida comum esquerda e a subclávica esquerda. Essas irão se subdividir em uma grande rede de artérias que irão abastecer os membros inferiores, superiores e órgãos internos. Com isso, este sangue irá retornar ao coração através das veias cava superior e inferior, que irão se formar a partir da reunião de todas as veias de organismos. Assim, as cavidades cardíacas do lado esquerdo, a aorta e suas ramificações, redes capilares e veias correspondentes formam a grande circulação ou circulação sistêmica. Figura 6. Esquema representando a pequena e a grande circulação sanguínea. Fonte: iStock/Getty Images 14 Unidade: Sistemas circulatório, imune e respiratório Sistema linfático O sistema linfático é um sistema vascular diferente do sistema vascular sanguíneo. O sistema linfático possui como principais características a drenagem auxiliar do sistema venoso formado por vasos e linfonodos, que são distribuídos por todo o corpo, e é nesses vasos e linfonodos que circula a linfa, um líquido incolor que provém do interstício celular. Além dos vasos e linfonodos, existe o baço que atua em ambos os sistemas vasculares, sanguíneo e linfático. As células do sistema linfático protegem o organismo contra substâncias estranhas, bactérias, vírus e outros possíveis patógenos, além de destruir e eliminar células com alterações, células do sangue envelhecidas ou danificadas. Os tecidos precisam estar imersos em um líquido intersticial, que é renovado constantemente. Este líquido é chamado de linfa e possui composição similar a do plasma sanguíneo. Este líquido é constantemente produzido e drenado, pois os tecidos necessitam de um constante fluxo de nutrientes, bem como necessitam que os produtos catabólicos sejam retirados desses tecidos. Desta forma, este líquido será absorvido pelo sistema linfático que é formado por uma rede de capilares linfáticos cegos, emaranhados com a rede de capilares sanguíneos, com estrutura endotelial similar, no entanto, de calibre maior. Destes capilares linfáticos vão emergindo vasos pequenos que por confluência vão formando outros vasos maiores, satélites das veias na maioria das partes do corpo e, por fim, estes vasos linfáticos vão formar dois dos maiores coletores linfáticos do corpo, o ducto torácico e o ducto torácico direito. Os vasos linfáticos, assim como as, veias possuem valvas; no entanto, possuem paredes mais finas. Com isso, sabemos que o sistema linfático é formado pelo tecido linfoide, que é um tecido conjuntivo constituído de diversas células reticulares e células de defesa, como os linfócitos, plasmócitos e macrófagos. Este tecido se distribui pelos locais do corpo sujeitos à penetração de substâncias patogênicas, como, por exemplo, o tecido conjuntivo das vias respiratórias, o tubo digestório e o trato urogenital. Este tecido é o principal componente dos órgãos linfoides, que são os responsáveis pela produção dos linfócitos e resposta imunológica. 15 Figura 7. Esquema geral do sistema linfático. Fonte: iStock/Getty Images 16 Unidade: Sistemas circulatório, imune e respiratório Órgãos linfóides Os órgãos que compõem o sistema linfático são os linfonodos, baço, timo, medula óssea e o tecido linfoide associado às mucosas – MALT, e existem ainda estruturas menores que são classificadas como nódulos linfoides como, por exemplo, as tonsilas, placas de Peyer e apêndices. Os tecidos linfoides podem ser classificados como primários como, por exemplo, o timo e a medula óssea, onde são produzidas respectivamente as células T e os linfócitos B. Os órgãos são considerados primários, pois neles os linfócitos expressam inicialmente os receptores de antígenos, desenvolvem-se e maturam, tornando-se funcionais. Os órgãos linfoides secundários compreendem os linfonodos, baço, sistema imunológico cutâneo e o sistema imunológico associado às mucosas. Figura 8. Principais órgãos do sistema linfático. Fonte: Adaptado de Tortora, 2009 17 Órgãos linfóides primários Medula óssea A medula óssea está presente na medula dos ossos chatos e na cavidade dos ossos esponjosos. Podem ser de dois tipos principais, a medula óssea hematopoiética e medula amarela. As células originárias da hematopoiese surgem como células pluripotentes que originam células-filhas com potencial restrito e são conhecidas por células progenitoras. Essas células possuem uma diferenciação particular e podem originar uma linhagem de células, como eritroide, megacariocítica, granulocítica, monocítica e linfocítica que pode originar linfócitos B e células natural Killers (NK). A medula óssea ainda produz moléculasquímicas como as citocinas que estimulam a expansão e desenvolvimento de leucócitos e eritrócitos, além de também produzir anticorpos. Figura 9. Esquema geral da medula óssea e suas principais células. Fonte: iStock/Getty Images Timo O timo também é um órgão linfoide primário, pois é nele que se desenvolvem os linfócitos T; é bilobado (bilateral) e se localiza no mediastino. Pode ser dividido internamente em córtex (zona escura) e medula (zona clara). O timo produz os linfócitos T, realiza a diferenciação desses linfócitos e ainda faz a remoção dos linfócitos T reativos contra auto-antígenos. 18 Unidade: Sistemas circulatório, imune e respiratório Órgãos linfoides secundários Linfonodos Ao longo dos vasos linfáticos surgem os nodos linfáticos ou linfonodos (gânglios linfáticos) que se distribuem de forma irregular e podem apresentar tamanho variável, desde milímetros até dimensões de um grão de feijão. Os linfonodos atuam tanto na filtragem da linfa quanto produzindo linfócitos e evitando a progressão de infecções. Quando estes se apresentam entumecidos, devido à alguma inflamação, podem ser apalpados tanto na região inguinal quanto no pescoço. Os linfonodos recebem os vasos linfáticos aferentes de regiões distais a ele. A linfa então é filtrada pela esponja reticular do nodo e sai pelos vasos linfáticos eferentes, passando pelo hilo do nodo. O tecido linfoide que compõe o linfonodo é caracterizado pelos nódulos ou folículos e cordões medulares que são envoltos por uma rede reticular de capilares pelos quais a linfa passa. Os nódulos estão localizados na periferia do linfonodo, o córtex, que são os produtores dos linfócitos. Na região ventral do linfonodo está a medula, onde estão os cordões medulares que armazenam os linfócitos. Por fim, a linfa é filtrada e depurada de bactérias, substâncias estranhas e tóxicas nessa passagem pelos linfonodos. Baço O baço é o maior órgão linfoide do organismo, altamente vascularizado, que atua inicialmente na vida fetal produzindo células sanguíneas vermelhas e brancas, no entanto, após essa fase atua na produção de linfócitos e monócitos. Está envolvido na filtragem do sangue contra antígenos presentes na linfa e possui atuação dos macrófagos além de grande atuação na destruição de eritrócitos, velhos processo conhecido por hemocaterese. O baço é principalmente composto de tecido reticular, vários linfócitos, células do sangue, macrófagos e, assim como em outros órgãos linfóides, o baço produz linfócitos e anticorpos. Pode ser dividido em polpa branca, que possui como função o desenvolvimento da resposta imunológica no baço, e a polpa vermelha, que contém os macrófagos que atuam no combate aos microrganismos e outras partículas no sangue. 19 Sistema respiratório O sistema respiratório é o responsável por transportar o ar para dentro e para fora dos pulmões. Pode ser dividido na parte condutora, que é responsável por transportar o ar, filtrá-lo, purificá-lo, aquecê-lo e umedecê-lo até a parte respiratória, que é a responsável pelas trocas gasosas, ou seja, trocar o dióxido de carbono pelo oxigênio. A parte condutora deste sistema é constituída por nariz, cavidade nasal, seios paranasais, faringe, laringe, traqueia e brônquios. Figura 10. Esquema do sistema respiratório e suas principais estruturas. Fonte: Wikimedia Commons 20 Unidade: Sistemas circulatório, imune e respiratório Vias respiratórias superiores Cavidade nasal A cavidade nasal ou fossas nasais representa a parte inicial do sistema respiratório e contém o vestíbulo, a área olfatória e a área respiratória. A cavidade se inicia nas narinas e se estende até as coanas, que comunicam a cavidade com a parte nasal da faringe. A cavidade nasal é dividida pelo septo nasal em duas partes e é formada por uma parte óssea e outra cartilaginosa. Nas paredes da cavidade, estão localizadas as conchas nasais e os seios paranasais, que são cavidades nos ossos da face em comunicação com a cavidade nasal. A maior parte da cavidade nasal é a área respiratória e possui esta denominação devido à sua constituição, epitélio pseudoestratificado colunar ciliado com células caliciformes. Estas células são responsáveis pela secreção de muco que retém as partículas sólidas e as desloca para a faringe pelos cílios. Além disso, a parte interna da cavidade nasal e dos seios paranasais contém tecido conjuntivo que é ricamente vascularizado, o que permite a umidificação e o aquecimento da mucosa e do ar inspirado. Faringe A faringe é um órgão comum ao sistema digestório e se localiza posteriormente à cavidade nasal, comunicando-se com as coanas e pode ser dividida em três partes principais, a nasofaringe, a bucofaringe e a laringofaringe A nasofaringe é a continuação das fossas nasais que possui epitélio similar ao encontrado na cavidade nasal. Superiormente a ela, situa-se a tonsila faríngica ou adenoide. A bucofaringe é a continuação da boca e se inicia nos arcos que limitam a garganta, local onde se encontram as tonsilas palatinas (amígdalas) e termina na epiglote. Superiormente à bucofaringe, está a úvula, localizada no palato mole. A laringofaringe é um segmento modificado do sistema respiratório que é a laringe, órgão responsável pela fonação. Laringe A laringe é um tubo com 4 cm de comprimento e diâmetro, que está situada no pescoço e tem como função impedir a entrada de alimentos e líquidos para o sistema respiratório e é o órgão responsável pela fonação. Seu epitélio é pseudoestratificado colunar ciliado com células caliciformes, mas possui epitélio pavimentoso na superfície superior e lateral da epiglote e nas pregas vocais. Possui peças de cartilagem como a tireoide, cricoide e as aritenoides, que são hialinas, e a epiglote, que são elásticas. Essas cartilagens mantêm a laringe aberta, permitindo a passagem do ar, e podem se mover também, graças à contração de músculos da laringe, que impedem a entrada de líquidos e alimentos durante a deglutição, além de permitir a movimentação das pregas vocais graças à movimentação do músculo vocal, formado principalmente de musculatura estriada esquelética. 21 Figura 11. Esquema geral das vias aéreas superiores. Fonte: iStock/Getty Images Vias aéreas inferiores Traqueia A traqueia possui cerca de 10-12 cm de comprimento e 2-3 cm de diâmetro e é formada por semi anéis de cartilagem hialina, sendo revestida por epitélio pseudoestratificado colunar ciliado com células caliciformes. Esses semi-anéis possuem formato de “C” e cada semi-anel é completado por musculatura lisa e tecido elástico. Essa união é feita, também, por tecido conjuntivo que irá permitir elasticidade ao órgão. A traqueia possui entre 15 a 20 semi-anéis. Brônquios A traqueia se bifurca ao seu final e dá origem aos brônquios. Cada brônquio principal se destina a um pulmão, sendo o brônquio principal direito mais curto e de maior calibre que o esquerdo. Cada brônquio principal divide-se nos brônquios lobares ou de 2ª ordem, que se conectam com cada lobo pulmonar. Sendo assim, o brônquio principal direito irá originar um brônquio lobar superior, médio e um inferior, enquanto o brônquio esquerdo irá originar o brônquio lobar superior e inferior e a língula, que é uma divisão do brônquio lobar superior. Cada brônquio lobar irá se dividir formando brônquios menores ou de 3ª ordem, que irão ventilar uma determinada área do pulmão. Essa área de penetração de cada um desses brônquios chama-se segmento bronco pulmonar. O pulmão direito possui 10 segmentos, enquanto o esquerdo possui 9 segmentos. 22 Unidade: Sistemas circulatório, imune e respiratório Bronquíolos Os brônquios irão se dividir dando origem aos bronquíolos e cada bronquíolo ramifica-se em cerca de 7 branquíolos terminais. Cada um destes irá originar um ou mais bronquíolos respiratórios que irão se dividir dando origem aos dúctulos alveolares que continuam com os sáculos, que possuem os alvéolos pulmonares. O alvéoloé uma área que possui epitélio simples pavimentoso, formado pelos pneumócitos tipo I e II. Estes pneumócitos tipo I são células pavimentosas, que por sua fina espessura facilitam a difusão de O2 para o sangue e os pneumócitos tipo II são células cúbicas que possuem surfactante pulmonar que é exocitado da célula e cobre a superfície dos alvéolos diminuindo a tensão superficial facilitando a expansão na expiração e evitando o colabamento na expiração. Pulmões Os pulmões são os principais órgãos do sistema respiratório. Estes ocupam grande parte da cavidade abdominal, sendo o pulmão direito dividido em três lobos (superior, médio e inferior) e o pulmão esquerdo dividido em dois lobos (superior e inferior), e estes são visivelmente divididos por sulcos denominados fissuras. O pulmão direito pesa entre 275-550 gramas, enquanto o pulmão esquerdo, que é menor devido à presença do coração, pesa entre 225 e 450 gramas. Entre os pulmões direito e esquerdo, situa-se o mediastino, que é um espaço no qual se localiza o coração. Além disso, os pulmões são revestidos por uma membrana serosa chamada pleura, que também circunda a cavidade torácica. Figura 12. Esquema representando as vias aéreas inferiores. Fontes: Adaptado de Tortora, 2009. 23 Material Complementar Para aprofundar seus conhecimentos, leia os livros e assista aos vídeos indicados a seguir: Livros: Sobotta. Atlas de Anatomia Humana. 23.ed. 2013. 3 volumes. Netter. Atlas de Anatomia Humana. 6.ed. 2015 Sites: https://www.youtube.com/watch?v=vlY3AOnqLtk; https://www.youtube.com/watch?v=B5Avv2Zhc4I; https://www.youtube.com/watch?v=_p9wLEj5QZc; https://www.youtube.com/watch?v=nCRUBvzE2hE; https://www.youtube.com/watch?v=73THGXdeKsY; https://www.youtube.com/watch?v=5TRI1oHVtLA. https://www.youtube.com/watch?v=vlY3AOnqLtk https://www.youtube.com/watch?v=B5Avv2Zhc4I https://www.youtube.com/watch?v=_p9wLEj5QZc https://www.youtube.com/watch?v=nCRUBvzE2hE https://www.youtube.com/watch?v=73THGXdeKsY https://www.youtube.com/watch?v=5TRI1oHVtLA 24 Unidade: Sistemas circulatório, imune e respiratório Referências JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 11.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. p.339-58. FATTINI, C. A., DANGELO, J. G. Anatomia Humana Sistêmica e Segmentar. 3.ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2007. NETTER, F. H. Atlas de Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. TORTORA, Gerald J.; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. TORTORA, Gerard J.; DERRICKSON, Bryan. Principles of Anatomy and Physiology. 12.ed. New Jersey: John Wiley & Sons, Inc., 2009. SOBOTTA, J. Atlas de Anatomia Humana. 23.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. 3 volumes. 25 Anotações