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O Orientadores: Profª Dra. Aline Andrade de Sousa Profº Esp. Leonardo de Oliveira Rodrigues da Silva Profª Esp. Diana Sato Altamira/PA 2019 CURSO BACHARELADO EM MEDICINA 8º SEMESTRE UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE ALTAMIRA FACULDADE DE MEDICINA ROTEIRO DO LABORATÓRIO MORFOFUNCIONAL “Cuidado e Assistência à Criança e Adolescente” Dura-máter - A mais superficial das três meninges é uma espessa membrana formada por tecido conjuntivo denso irregular. A dura-máter forma um saco desde o forame magno, onde ela é contínua com a dura-máter do encéfalo, até a segunda vértebra sacral. Ela também é contínua com o epineuro dos nervos espinais e cranianos. Aracnoide-máter - Esta membrana intermediária, delgada e avascular é formada por células e fibras finas e dispersas de material elástico e de colágeno. Sua denominação denota a disposição de suas fibras em forma de uma teia de aranha. Entre a dura-máter e a aracnoide- máter existe um delgado espaço subdural, contendo líquido intersticial. Pia-máter - A meninge mais interna é uma fina camada de tecido conjuntivo transparente que adere à superfície da medula espinal e do encéfalo. A pia-máter é composta por finas células pavimentosas e cúbicas entrelaçadas com feixes de fibras de colágeno e algumas fibras elásticas delgadas. SEMANA 09 (13 - 20/11/2020) 1. Com o auxílio do livro de anatomia rever as características morfológicas das meninges e sua relação com os ventrículos cerebrais. MORFOLOGIA DAS MENINGES As meninges são três membranas protetoras, compostas por tecido conjuntivo, que envolvem a medula espinal e o encéfalo. Elas são compostas, da camada mais externa para a mais interna, a dura-máter, a aracnoide-máter e a pia-máter. Dependendo da localização as meninges possuem funções e morfologia distintas. As meninges encefálicas são contínuas às meninges espinais através do forame magno e semelhantes a elas, com uma distinção importante – a dura-máter parte encefálica consiste em duas camadas e apenas uma delas apresenta continuidade através do forame magno. MENINGES ENCEFÁLICAS As meninges encefálicas possuem como funções: Proteção ao encéfalo Compõem a estrutura de sustentação das artérias, veias e seios venosos Encerram uma cavidade preenchida por líquido, o espaço subaracnóideo, que é fundamental para a função normal do encéfalo. Dura-máter – parte encefálica A dura-máter parte encefálica é uma cobertura externa espessa e resistente do encéfalo. Ela consiste em uma camada periosteal externa e uma camada meníngea interna. Camada periosteal – Camada mais externa, firmemente presa ao crânio, que basicamente compreende ao periósteo da cavidade do crânio. Contém as artérias meníngeas. Camada meníngea – Camada mais interna, está em contato íntimo com a aracnoide-máter e é contínua com a dura-máter espinal pelo forame magno. As duas camadas da dura-máter se separam em numerosos locais formando dois tipos singulares de estrutura, as pregas da dura-máter e os seios durais Aracnoide e pia-máter – parte encefálica A aracnoide-máter é uma membrana avascular e fina que está em contato com a superfície profunda da dura-máter, mas não aderida a ela. A partir de sua superfície interna, finos processos (trabéculas aracnoideas), estendem-se para baixo, cruzam o espaço subaracnóideo e tornam-se contínuo à pia-máter. Em contraste com a pia-máter, a aracnoide-máter não penetra nos sulcos ou nas fissuras do cérebro, exceto pela fissura longitudinal entre os dois hemisférios cerebrais. Pia-máter – parte encefálica A pia-máter é uma membrana fina e delicada que reveste bem de perto a superfície do encéfalo. Ela acompanha os contornos do encéfalo, penetrando nos sulcos e nas fissuras sobre sua superfície, e se justapõe bem rente às raízes dos nervos cranianos em sua origem. Tentório do cerebelo - Projeção horizontal da dura-máter encefálica que cobre o cerebelo na fossa posterior do crânio e o separa das partes posteriores dos hemisférios cerebrais. Ele está preso posteriormente ao osso occipital, ao longo dos sulcos para os seios transversos. Lateralmente, ele está preso à borda superior da parte petrosa do osso temporal, terminando anteriormente nos processos clinoides anterior e posterior. As bordas anterior e medial do tentório do cerebelo são livres, formando uma abertura oval na linha mediana (a incisura do tentório), através da qual passa o mesencéfalo. Diafragma da sela - Pequena saliência horizontal da dura-máter encefálica cobre a fossa hipofisial na sela turca do osso esfenoide. Há uma abertura no centro do diafragma da sela pela qual passa o infundíbulo, que liga a glândula hipófise à base do cérebro e quaisquer vasos sanguíneos associados. Pregas, invaginações ou reflexões da dura-máter Projeções internas da dura-máter que separam de maneira incompleta partes do encéfalo Foice do cérebro - Projeção descendente, em forma de lua crescente, da dura-máter encefálica que reveste a calvária, passando entre os dois hemisférios cerebrais. Ela está presa anteriormente à crista etmoidal do osso etmoide e à crista frontal do osso frontal. Posteriormente, ela está presa ao tentório do cerebelo e se funde a ele. Foice do cerebelo - Pequena projeção na linha mediana da dura-máter encefálica, na fossa posterior do crânio. Ela está presa posteriormente à crista occipital interna do osso occipital e superiormente ao tentório do cerebelo. Sua borda anterior é livre e está entre os dois hemisférios cerebelares. Dura-máter – parte espinal Ela é formada principalmente por tecido fibroso resistente com algumas fibras elásticas e é a membrana de revestimento mais externa da medula espinal. Ela é separada do osso coberto por periósteo e dos ligamentos que formam as paredes do canal vertebral pelo espaço extradural (epidural), sendo este por uma matriz adiposa (gordura extradural). A dura-máter espinal forma o saco dural espinal, uma longa bainha tubular dentro do canal vertebral. Esse saco adere à margem do forame magno do crânio, onde é contínuo com a parte encefálica da dura-máter. Inferiormente, o saco dural se estreita bastante ao nível da borda inferior da vértebra SII e está fixado ao cóccix pelo filamento terminal. O saco dural espinal é evaginado por cada par de raízes posteriores e anteriores que se estendem lateralmente em direção à sua saída do canal vertebral. Distalmente aos gânglios sensitivos de nervos espinais, essas bainhas fundem-se ao epineuro que adere ao periósteo que reveste os forames intervertebrais. Estruturas venosas intracranianas (Seios da Dura-máter) Espaços revestidos por endotélio entre as lâminas periosteal e meníngea da dura. Formam-se nos locais onde os septos durais se fixam ao longo da margem livre da foice do cérebro e em relação às formações do assoalho do crânio. Os seios venosos da dura-máter incluem os seios sagital superior, sagital inferior, reto, transverso, sigmoide e occipital, a confluência de seios e os seios cavernoso, esfenoparietal, petroso superior, petroso inferior e basilar. Grandes veias da superfície do encéfalo drenam para esses seios e a maior parte do sangue do encéfalo drena finalmente através deles para as veia jugular interna. Representação da sequência de drenagem: MENINGES ESPINAIS As meninges espinais possuem como funções: Circundar, sustentar e proteger a medula espinal e as raízes dos nervos espinais, inclusive as da cauda equina. Contêm o LCS no qual essas estruturas estão suspensas Aracnoide-máter – parte espinal A parte espinal da aracnoide-máter é uma membrana avascular delicada, formada por tecido fibroso e elástico que reveste o saco dural espinal e as bainhasdurais da raiz. Envolve o espaço subaracnóideo preenchido por LCR, que contém a medula espinal, raízes dos nervos espinais e gânglios sensitivos de nervos espinais Pia-máter – parte espinal Membrana mais interna de revestimento da medula espinal, é fina e transparente, e acompanha de perto todos os acidentes anatômicos da medula espinal. A parte espinal da pia-máter também cobre diretamente as raízes dos nervos espinais e os vasos sanguíneos espinais. Abaixo do cone medular, a parte espinal da pia-máter continua como filamento terminal. A medula espinal fica suspensa no saco dural pelo filamento terminal e pelos ligamentos denticulados direito e esquerdo, que seguem longitudinalmente de cada lado da medula espinal. O ligamento denticulado consiste em uma lâmina fibrosa de pia-máter que se estende a meio caminho entre as raízes nervosas posteriores e anteriores, a partir das faces laterais da medula espinal. Cisterna cerebelobulbar: a maior das cisternas subaracnóideas, localizada entre o cerebelo e o bulbo; recebe LCS das aberturas do quarto ventrículo. É dividida em cisterna cerebelobulbar posterior e duas cisternas cerebelobulbares laterais. Cisterna pontocerebelar: um amplo espaço ventral à ponte, contínuo inferiormente com o espaço subaracnóideo espinal Cisterna interpeduncular: localizada na fossa interpeduncular entre os pedúnculos cerebrais do mesencéfalo Cisterna quiasmática: inferior e anterior ao quiasma óptico, o ponto de cruzamento ou decussação das fibras dos nervos ópticos Cisterna colicular: localizada entre a parte posterior do corpo caloso e a face superior do cerebelo; contém partes da veia cerebral magna Cisterna circundante: localizada na face lateral do mesencéfalo e contínua posteriormente com a cisterna colicular. Cisterna lombar: Trata-se do aumento do espaço subaracnóideo no saco dural, caudalmente ao cone medular e contendo LCR e a cauda equina. ESPAÇOS MENÍNGEOS Espaço Extradural, Epidural ou Peridural - Espaço potencial entre a dura-máter e o osso. Esse espaço potencial entre a dura-máter e o osso pode se tornar um espaço real cheio de líquido quando um evento traumático acarreta uma hemorragia vascular (hematoma extradural). Espaço Subdural – Espaço potencial entre a dura-máter e a aracnoide-máter. O sangue que se acumula nessa região (hematoma subdural) devido a uma lesão representa uma dissecção da camada celular da borda dural, que representa o revestimento mais interno da dura-máter encefálica. Espaço Subaracnoide – Localizado entre a aracnoide-máter e a pia-máter, contendo líquido de ocorrência natural nas meninges denominado de líquido cerebroespinal (LCR). O espaço subaracnóideo circunda o encéfalo e a medula espinal e em alguns locais ele se dilata nas áreas expandidas, denominadas de cisternas subaracnóideas. As principais cisternas subaracnóideas intracranianas são: Dois ventrículos laterais - São as maiores cavidades do sistema ventricular e ocupam grandes áreas dos hemisférios cerebrais. Possuem formato semelhante a letra “C”, sendo a parte anterossuperior localizada no lobo frontal (corno frontal) e a parte anteroinferior localizada no lobo temporal (corno temporal) com uma projeção posterior denominada de corno occipital. Na margem inferior de cada corno frontal há o forame interventricular (de Monro) que conecta os ventrículos laterais ao terceiro ventrículo Terceiro Ventrículo - Cavidade em forma de fenda entre as metades direita e esquerda do diencéfalo, é contínuo em sentido posteroinferior com o aqueduto do mesencéfalo, que une o terceiro e o quarto ventrículos. Quarto ventrículo – Cavidade menor, com característica piramidal na parte posterior da ponte e bulbo. Inferiormente, afila-se até formar um canal estreito que continua até a região cervical da medula espinal como o canal central. O LCE drena do quarto ventrículo para o espaço subaracnóideo (cisternas cerebelobulbares) através de uma abertura mediana única e um par de aberturas laterais. MENINGES E A RELAÇÃO COM OS VENTRICULOS A única relação entre os ventrículos cerebrais e as meninges é por meio do espaço subaracnóide. O LCE produzido nos plexos coroide dos ventrículos, terá acesso ao espaço subaracnoide por meio das aberturas mediana e duas laterais do quarto ventrículo. Por esse motivo o espaço subaracnoide compõe com os ventrículos cerebrais e o canal central da medula o sistema ventricular. 2. Com o auxílio do livro de anatomia rever as características morfológicas dos ventrículos cerebrais, observando: localização, tamanho, conexões, produção e absorção de LCR. E o período de renovação completa. SISTEMA VENTRICULAR (LOCALIZAÇÃO, TAMANHO, CONEXÕES) O sistema ventricular do encéfalo consiste em cavidades encefálicas em contiguidade com o canal central da medula e o espaço subaracnóideo do encéfalo e da medula espinal, todos preenchidos com LCE. As principais estruturas que compões esse sistema são: SISTEMA DE PRODUÇÃO, ABSORÇÃO E PERÍODO DE RENOVAÇÃO COMPLETA No interior do sistema ventricular há o LCR, este secretado (400 a 500 ml/dia) principalmente pelos plexos corioideos dos ventrículos que consistem em franjas vasculares de pia-máter cobertas por células epiteliais cúbicas (ependimárias modificadas). O LCR é um líquido claro, incolor, desprovido de células, que circula pelo espaço subaracnoideo em torno do encéfalo e da medula espinal. Ele retorna ao sistema venoso por vilosidades aracnoideas. Estas se projetam como aglomerados (granulações aracnoideas) no seio sagital superior. A circulação do LCR no sistema ventricular está descrito a seguir: Quanto a renovação completa: Normalmente, o LCR é reabsorvido tão rapidamente quanto é produzido pelos plexos corióideos, a uma taxa de 20 mℓ/h (480 mℓ/dia). Como as taxas de produção e de reabsorção se equivalem, a pressão liquórica geralmente é constante. Pela mesma razão, o volume do LCR permanece constante. O LCR tem três funções básicas: Proteção mecânica - O LCR funciona como um meio amortecedor que protege os delicados tecidos do encéfalo e da medula espinal de cargas que, de outra forma, causariam o impacto destas estruturas contra as paredes ósseas da cavidade craniana e do canal vertebral. O líquido cerebrospinal também permite que o encéfalo “flutue” na cavidade craniana. Função homeostática - O pH do LCR influencia a ventilação pulmonar e o fluxo sanguíneo encefálico, o que é importante para a manutenção do controle homeostático para o tecido encefálico. O LCR também funciona como um sistema de transporte para hormônios polipeptídicos secretados pelos neurônios hipotalâmicos que agem em locais remotos do encéfalo. Circulação. O LCR é um meio para trocas secundárias de nutrientes e excretas entre o sangue e o tecido encefálico adjacente. 3. Com o auxílio do livro de patologia caracterizar a fisiopatologia da meningite bacteriana (neonatal), estabelecendo as principais diferenças entre a meningite viral e bacteriana. Em modo geral, há dois tipos de meningite infecciosa aguda: meningite purulenta aguda (em geral bacteriana) e meningite linfocítica aguda (em geral viral). Os fatores responsáveis pela gravidade da meningite incluem fatores de virulência do patógeno, fatores do hospedeiro, edema cerebral e presença de sequelas neurológicas permanentes. MENINGITE BACTERIANA AGUDA (MBA) NEONATAL Conceito de Meningite: trata-se da inflamação da pia-máter, da aracnoide e do espaço subaracnoide repleto de LCR. A inflamação se dissemina rapidamente por causa da circulação de LCR em torno do cérebro e da medula espinal. Os patógenos envolvendo a Meningite Bacteriana Aguda (MBA) neonatal predomina agentes pertencentesda flora perineal materna, como: Streptococcus agalactiae (grupo B), Bacilos Gram-negativos (E. coli, Klebsiela), Listeria monocytogenes e Enterococcus sp. Os fatores de risco associados a contrair a meningite incluem fístula licórica (por traumatismo na base do cranio com fraturas cranianas basilares, otite média, sinusite ou mastoidite, neurocirurgia, fístulas do seio dérmico, sepse sistêmica ou imunocomprometimento. A fisiopatologia da MBA tem início após colonização nasofaríngea, invasão local e bacteremia com invasão meníngea. A replicação bacteriana no espaço subaracnoide e a liberação de componentes bacterianos atingem o endotélio cerebral, desencadeando um processo inflamatório intenso com liberação de citocinas. Há aumento da permeabilidade vascular, o que resulta em edema vasogênico, inflamação do espaço subaracnóideo e aumento da resistência ao fluxo liquórico com edema intersticial e hidrocefalia, além de vasculite com infarto cerebral. O edema citotóxico decorre da liberação de produtos tóxicos de neutrófilos e bactérias. Esses eventos causam aumento da pressão intracraniana, redução do fluxo cerebral e perda da autorregulação cerebrovascular. DIFERENÇAS ENTRE MENINGITE VIRAL E BACTERIANA Essa diferença pode ser expressa na avaliação clínica e na análise licórica. Na clínica Bacteriana: pode ter apresentação clínica em forma de três síndromes: síndrome toxêmica, síndrome de hipertensão intracraniana e síndrome de irritação meníngea. Pode ter quadros fulminantes evoluindo para gravidade devido a septicemia meningocócica, apresentando prostração intensa, palidez, sinais de toxemia, exantema e/ou petéquias, sufusões hemorrágicas, hipotensão e rebaixamento do sensório. Viral: levando em consideração ao vírus mais frequente, o enterovírus em modo geral pode apresentar bom estado geral, sem grandes eventos de comprometimento neurológico e apresenta recuperação completa. Tende a ser autolimitada, a duração do quadro é geralmente inferior a uma semana. A exceção é a meningite herpética podendo ter sinais de encefalite grave. Na Análise Licórica É possível identificar alteração não só de patologias bacterianas e virais, mas também de outras que servem como diagnóstico diferencial, estão apresentadas no quadro abaixo. Quadro: Secretaria de Vigilância em Saúde/MS. 4. Com o auxílio do atlas de embriologia caracterizar a formação dos ventrículos cerebrais e das meninges. FORMAÇÃO DOS VENTRÍCULOS Surge com a formação e desenvolvimento encefálico, a partir da evolução da placa e tubo neural provenientes da neuroectoderma. Esse processo de formação surge de três vesículas encefálicas primarias decorrente da fusão das pregas neurais na região cranial e o fechamento do neuroporo rostral. Ventrículos laterais: O crescimento e a curvatura dos hemisférios cerebrais afetam o formato dos ventrículos laterais, tornando-se cavidades em formato de C preenchidas por líquor. Quando a extremidade caudal de cada hemisfério curva-se ventral e rostralmente forma o lobo temporal e também o corno temporal do ventrículo lateral juntamente com a fissura corióidea. Terceiro ventrículo: a parte rostral se forma da cavidade do telencéfalo, sendo que a maior parte é derivada da cavidade do diencéfalo. Quarto ventrículo: surge da cavidade do rombencéfalo (que é dividido em mielencéfalo e metencéfalo). A cavidade dessa parte do mielencéfalo (parte do futuro quarto ventrículo) se torna de algum modo romboide (em formato de diamante). Conforme as paredes do bulbo se movem lateralmente, as placas alares se tornam laterais às placas basais. Como as posições das placas se alteram, o núcleo motor se desenvolve medialmente ao núcleo sensorial (figura C). A cavidade do metencéfalo forma a parte superior do quarto ventrículo. Na porção rostral do mielencéfalo, a flexura pontina causa divergência das paredes laterais da ponte, que espalha a substância cinzenta no assoalho do quarto ventrículo. As intumescências cerebelares se projetam no quarto ventrículo. Conforme as intumescências aumentam e se fundem no plano mediano, encobrem a metade rostral do quarto ventrículo e se sobrepõem à ponte e ao bulbo. O assoalho delgado (figura B-D) do quarto ventrículo é coberto externamente pela pia-máter, que é derivada do mesênquima associado ao rombencéfalo. Trata-se de uma membrana vascular, em conjunto com o teto ependimário, forma a tela corióidea, uma lâmina da pia que cobre a parte inferior do quarto ventrículo. Por causa da proliferação ativa da pia, a tela corióidea invagina-se no quarto ventrículo, e se diferencia no plexo corióideo, invaginações de artérias corióides da pia. O teto delgado do quarto ventrículo se evagina em três localizações, que ao se romperem formam aberturas, as aberturas mediana e lateral (forame de Magendie e forame de Luschka), permitindo que o líquor entre no espaço subaracnóideo no quarto ventrículo. Obs: Plexos similares se desenvolvem no teto do terceiro ventrículo e nas paredes mediais dos ventrículos laterais. FORMAÇÃO DAS MENINGES As meninges desenvolvem-se das células da crista neural e do mesênquima entre o 20° e o 35° dias. As células migram para circundar o tubo neural e formam as meninges primordiais. A camada externa dessas membranas se espessa para formar a dura-máter, e a camada interna, a pia-aracnoide, é composta pela pia-máter e aracnoide-máter, essas ultimas são membranas contínuas que, juntas, formam a leptomeninge, pois ambas advieram da mesma camada mesenquimal. Os espaços preenchidos por líquido aparecem nas leptomeninges que em breve coalescem para formar o espaço subaracnoide. A origem da pia-máter e aracnóidea partir de uma camada única é indicada no adulto pelas trabéculas aracnoides, as quais são delicadas e numerosas fibras de tecido conjuntivo que passam entre a pia e a aracnoide. O líquido cerebrospinhal (LCE) começa a se formar durante a quinta semana. 5. Com o auxílio do livro de histologia rever as características histológicas dos plexos coróides, observando: organização (papilifera) e tipos celulares CARACTERISTICAS HISTOLÓGICAS E CELULARES O plexo corióide possui muitas pequenas dobras e é revestido por um epitélio cúbico simples o qual é responsável pelo transporte do líquido. A imagem é de uma região do plexo corióide situada na superfície do sistema ventricular ou canal central da medula espinhal, podendo estar presente em torno das estruturas que compõem o sistema nervoso central. ORGANIZAÇÃO PAPILÍFERA É constituído por monocamada de células secretoras cúbicas apoiadas sobre tecido conjuntivo frouxo ricamente vascular. Característica celular: são neuroectodérmicas, e assemelham-se às do epêndima, mas são tipicamente epiteliais, citoplasma com limites nítidos, sem prolongamentos citoplasmáticos indo a vasos. Superfície apical das células coróides é característico, onde há superfície secretora, ou seja, é voltada para o líquor, seja arredondada ou cupuliforme, dando um perfil classicamente comparado a 'pedras de calçamento' ou a 'lápides tumulares'. O citoplasma é róseo e abundante, o núcleo redondo, com cromatina bem distribuída, sem nucléolo evidente. Arquitetura Papilífera Quanto ao capilar central: São capilares delgados constituídos por células endoteliais de paredes finas, sem proliferação ou empilhamento. Uma delicada baínha de tecido conjuntivo frouxo se interpõe entre as células coróides e os capilares. 6. Com o auxílio do livro de Neuroanatomia e fisiologia conceitue Neuroplasticidade. Marta Pires Relvas, 2009, estudiosa do cérebro, define plasticidade neural da seguintemaneira: “As capacidades adaptativas do SNC- sua habilidade para modificar sua organização estrutural própria e funcionamento. É a propriedade do sistema nervoso que permite o desenvolvimento de alterações estruturais em resposta à experiência e como adaptações a condições mutantes e a estímulos repetidos. ” Neurocientistas declaram que existe um período crítico ou janelas de oportunidades de desenvolvimento do cérebro e consequentemente de plasticidade, o qual compreende a primeira infância até os 10 (dez) anos de idade. Assim considera-se que o período de maior plasticidade do cérebro é na infância, diminuindo a intensidade de acordo com o crescimento ou envelhecimento, porém nunca é findada, pois perdura até o momento da morte. Há descrições de que o cérebro em desenvolvimento é plástico, ou seja, capaz de reorganizar padrões e sistemas de conexões sinápticas com vista à readequação do crescimento do organismo às novas capacidades intelectuais e comportamentais da criança. Assim considera-se que os neurônios em desenvolvimento apresentam uma maior capacidade de adaptabilidade do que as células já maduras, e, durante o período crítico, tem-se uma plasticidade mais acentuada. O que explica a plasticidade mais acentuada no período crítico? Compreende esse período do nascimento até os 10 (dez) anos de vida como o tempo mais propício para o desenvolvimento de habilidades importantes, as quais aprendemos nesta faixa etária e nos acompanham pela vida toda. Momento que se forma a maioria das habilidades necessárias para a existência humana, como descritos no quadro abaixo: “Um neurônio normalmente pode estabelecer sinapses com centenas de outros neurônios, ao mesmo tempo em que recebe informações vindas de outras centenas de células” Após entender o funcionamento dos neurônios e seu conjunto de células, pode-se considerar que a plasticidade não está presente apenas no desenvolvimento do cérebro normal ou como resposta à experiência, pois também ocorre em reação a uma lesão cerebral, na tentativa de reorganização do SNC. Desta forma, dados da neurociência apontam que quanto mais precoce for a lesão, ou seja, ainda na infância, o cérebro lesado tem maior capacidade de regeneração devido a maior plasticidade em cérebros “novos”, quando as funções neurais são limitadas, por consequência de alguma lesão, os neurônios podem se adaptar e assumir outras funções, regenerando suas células e criando novas conexões sinápticas. Lent (2010) discorre sobre a plasticidade maléfica e a plasticidade benéfica. A maléfica apresenta evidências que a plasticidade pode ser danosa ao indivíduo, pois ao perder um membro do corpo o cérebro recorda e faz sentir o membro, isso é definido como dor fantasma do membro ausente, o que é considerado causa de sofrimento. Já a plasticidade benéfica pode ser compreendida como a adaptabilidade a uma função ausente, por exemplo, um indivíduo que perdeu a visão desenvolve outros sentidos mais aguçados que o auxiliam na compreensão do mundo, que é o caso da audição e do sistema tátil apurado, o que permite a compreensão e velocidade na leitura braile. Conclusão: A neuroplasticidade é a capacidade que o cérebro tem de se adaptar a mudanças por meio das funções neurais do sistema nervoso central. O sistema nervoso está preparado para se modificar conforme as nossas vivências, necessidades, estímulos e o ambiente em que estamos inseridos. Também é a neuroplasticidade que permite que o cérebro seja maleável ao ponto de compensar lesões e traumas sofridas por um indivíduo. 7. Com o auxílio do livro de Neuroanatomia e fisiologia caracterizar a localização e o funcionamento dos Centros de Controle neurais envolvidos em crises convulsivas e epiléticas. CRISES EPILÉTICAS CRISES CONVULSIVAS Convulsão não é uma doença, e sim um sintoma de disfunção subjacente do SNC, pode ser definida como a apresentação de sinais ou sintomas focais ou generalizados transitórios devido a uma atividade anormalmente excessiva ou sincrônica dos neurônios cerebrais. A crise convulsiva é uma crise epiléptica na qual existe abalo motor. Estima-se que uma em cada dez pessoas experimentará um episódio de convulsão durante a vida e, na maioria dos casos, este evento não estará associado a epilepsia. Situações de insulto agudo cerebral podem evoluir com um ou mais evento convulsivo sem que isso represente uma tendência do paciente em recorrer cronicamente. Exemplo disso são os eventos desencadeados por traumas, distúrbios metabólicos, intoxicação e situação de resposta inflamatória sistêmica aguda exacerbada, diante de infecções e febre elevada. Convulsão focais: atividades neuronais anormais originada e limitada em apenas um hemisfério cerebral. Convulsão generalizada: afetam uma ampla rede neuronal em ambos hemisférios cerebrais, resultando em manifestações consistentes de envolvimento bilateral. LOCALIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DOS CENTROS DE CONTROLE NEURONAIS ENVOLVIDOS NAS CRISES Os distúrbios neurológicos que se manifestam na forma de epilepsia e de convulsão são diversos e a etiologia do processo é uma importante característica para definir a classificação dessas condições neurológicas. Pode-se classificar as epilepsias em três grupos distintos de acordo com a etiologia: genéticas, estruturais/metabólicas e de causa desconhecida. Atribui-se a estas classificações etiológicas, sub- classificações baseadas nas faixas etárias de apresentação clínica. Diferentes graus da atividade cerebral sobre o ritmo básico do eletroencefalograma. A atividade excessiva neuronal descontrolada de qualquer parte ou de todo o sistema nervoso central, surge quando o nível basal de excitabilidade do sistema nervoso central se eleva acima do certo limiar crítico. O grau de excitabilidade mantido abaixo desse limiar, não predispõe a nenhum ataque. Os centros de controles neuronais nas crises epilépticas são melhor descritos e caracterizados dentro das síndromes: As manifestações físicas das crises epilépticas foram correlacionadas com a localização cerebral que dá origem às convulsões (focos epilépticos): Focos no córtex motor: causam movimentos no lado contralateral, os movimentos relacionam-se com a localização somatotópica do foco epiléptico. Focos no córtex somatossensorial: causam aura epiléptica, em que o indivíduo tem determinada sensação. Convulsões originárias do córtex visual causam aura visual (brilhos, cores); as de origem no córtex auditivo causam aura auditiva (zumbido) e as de origem no córtex vestibular causam sensação de rotação. Focos de lobo temporal: envolve comportamentos complexos, além disso pode haver aura com cheiro desagradável pelo acometimento do córtex olfativo. Síndrome do tipo grande mal Descargas neuronais extremas em todas as áreas do encéfalo: no córtex cerebral, nas partes profundas do prosencéfalo e até mesmo no tronco cerebral. São descargas transmitidas para toda a medula espinhal, podendo causar convulsões tônicas generalizadas de todo o corpo e ao fim do ataque, apresentar contrações musculares espasmódicas e tônicas, chamada de convulsão tônico-clônica. Pode haver transmissão de sinais p/ vísceras provocando micção e defecação. O que provoca? Predisposição hereditária p/ epilepsia sobe fatores que aumentam a excitabilidade do circuito epileptogenico: estímulo emocional forte, alcalose causada pelo aumento da frequência respiratória, fármacos, febre, barulhos altos ou luzes piscantes. Das não geneticamente predispostas pode ser lesões traumáticas, gerando excesso de excitabilidade local. O que interrompe? Superatividade neuronal extrema provoca ativação simultânea de vias neuronais reverberantes através do cérebro, provocando interrupção pela fadiga neuronal e pela inibição ativa por neurôniosinibitórios ativados pelo ataque. Tem duração de alguns segundos, máximo de 3 a 4 minutos. Após a crise pode ter depressão pós- convulsão de todo o sistema nervoso, presença de estupor, fatigada e adormecida por horas. No EEG típico apresenta descarga de alta voltagem e de alta frequência por todo o córtex. Podendo ocorrer em ambos os lados do cérebro ao mesmo tempo, de modo que os circuitos neuronais anormais envolvem intensamente as regiões basais do cérebro que coordenam simultaneamente os dois lados do prosencéfalo. Síndrome do tipo pequeno mal Envolve ativação do sistema cerebral talamocortical. Caracterizada por 3 a 30 segundos de inconsistência, provocando contrações bruscas dos músculos em geral na região da cabeça e piscar de olhos, é seguido com retorno da consciência e às atividades prévias (sínd. de ausência). O padrão de ondas cerebrais é do tipo ponta-onda, podendo ser registrado por quase todo o córtex cerebral, demonstrando o envolvimento do sistema ativador talamocortical do cérebro. O que provoca? Neurônios excitatórios talamocorticais e corticotalâmicos O que interrompe? Neurônios reticulares talâmicos inibitórios (produtores de ácido gama-aminobutírico, GABA). Síndrome do tipo Focal Pode envolver qualquer parte do encéfalo, como córtex cerebral, estruturas profundas do prosencéfalo e tronco cerebral. Causas: Lesões orgânicas ou anormalidades funcionais locais: tecido cicatricial cerebral, compressão de áreas por tumor, destruição de tecido cerebral e anormalidades congênitas. O que provoca? Descargas extremamente rápidas nos neurônios locais, forma ondas sincronizadas – circuito locais reverberantes que disseminam para regiões corticais adjacentes. Pode ser confinado a uma área do cérebro ou em porção mesocefálica do sistema ativador cerebral, podendo reproduzir um ataque do tipo grande mal. O que interrompe? Zona de descarga das regiões próximas. Onda disseminada para o córtex motor causa “marcha” de contrações musculares pelo lado oposto do corpo (inicia pela boca e evoluindo para os membros inferiores). Exemplo do tipo focal: convulsão psicomotora, envolve a porção límbica, como hipocampo, amigdala, área septal e/ou porção do córtex temporal. Apresentação: amnesia, ataque anormal de raiva, ansiedade/ medo súbito, fala incoerentes ou resmungos.