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Questões 36,37, 38 36) Proposta de emenda à Constituição é apresentada por cerca de 10% (dez por cento) dos Deputados Federais, cujo teor é criar novo dispositivo constitucional que determine a submissão de todas as decisões do Supremo Tribunal Federal, no controle abstrato de normas, ao crivo do Congresso Nacional, de modo que a decisão do Tribunal somente produziria efeitos após a aprovação da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional em sessão unicameral. A proposta é discutida e votada nas duas casas do Congresso Nacional, onde recebe a aprovação da maioria absoluta dos Deputados e Senadores nos dois turnos de votação. Encaminhada para o Presidente da República, este resolve sancionar a proposta, publicando a nova emenda no Diário Oficial. Cinco dias após a publicação da emenda constitucional, a Mesa da Câmara dos Deputados apresenta perante o Supremo Tribunal Federal ação declaratória de constitucionalidade em que pede a declaração de constitucionalidade desta emenda com eficácia erga omnes e efeito vinculante. A partir da hipótese apresentada, responda justificadamente aos questionamentos a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e apresentando a fundamentação legal pertinente ao caso. a. A ação declaratória de constitucionalidade poderia ser conhecida e julgada pelo Supremo Tribunal Federal? b. A Mesa da Câmara dos Deputados tem legitimidade para ajuizar a ação? A) Há diversas inconstitucionalidades formais. Inicialmente a PEC não poderia ser apresentada por 10% (dez por cento) dos Deputados Federais, já que, segundo o Art. 60, I da Constituição, esta só pode ser emendada por proposta de, no mínimo, um terço dos membros da Câmara dos Deputados. A proposta deveria ser aprovada por três quintos dos membros de cada casa do Congresso Nacional (Art. 60, § 2º da Constituição) e não pela maioria absoluta dos Deputados e Senadores. Por fim, não cabe sanção ou veto de proposta de emenda à Constituição, pois, conforme Art. 60, § 3º da Constituição, as emendas deverão ser promulgadas pelas Mesas da Câmara e do Senado. Materialmente também há inconstitucionalidade, uma vez que o teor da proposta, ao submeter todas as decisões do STF, no controle abstrato, ao crivo do Congresso Nacional, é atentatório contra a cláusula pétrea da separação dos poderes (Art. 60, § 4º, III da Constituição), pois esta cláusula pressupõe um sistema de freios e contrapesos, com controle e vigilância dos poderes constituídos entre si, sendo a emenda tendente a abolir tal cláusula. B) Não. A ação não poderia ser conhecida pelo Supremo Tribunal Federal por ausência do requisito legal da existência de controvérsia judicial relevante (Art. 14, III da Lei n. 9.868/1999), já que não houve tempo hábil para que o Judiciário questionasse a norma objeto da referida ação. 37) Em 2005, o STF julgou procedente ADC ajuizada pelo Procurador-Geral da República visando à declaração de constitucionalidade de uma lei federal que estava sendo questionada em diversos processos judiciais pelo país, gerando uma controvérsia judicial em torno da sua adequação ao texto constitucional. Nas eleições ocorridas em outubro de 2010, um determinado parti do político conseguiu, pela primeira vez em sua história, eleger um parlamentar, no caso um deputado federal, graças à coligação partidária firmada com um partido político de maior expressão e base eleitoral. O diretório nacional do referido partido político pretende, no próximo ano, após o início da sessão legislativa, ajuizar uma ADI contra a mencionada lei federal, a partir de argumentos que não foram enfrentados pelos ministros do STF em 2005. Analise a validade da pretensão do partido político, considerando os seguintes tópicos e respondendo de forma fundamentada sobre a possibilidade de o STF declarar a inconstitucionalidade da lei, abordando o caráter dúplice da ação. Partidos políticos com representação no Congresso Nacional são um dos legitimados para a propositura tanto da Ação Direta de Inconstitucionalidade quanto da Ação Direta de Constitucionalidade, conforme se depreende da leitura do art. 103 da Constituição Federal, na redação dada pela EC/45. No caso em questão, o fato do partido político ter representação apenas na Câmara dos Deputados e não no Senado Federal em nada interfere em sua legitimidade, pois segundo entendimento do STF basta ter representação em uma das casas do Congresso Nacional. O Supremo Tribunal Federal pode considerar a lei inconstitucional por ocasião do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pelo partido político. Isso porque o julgamento anterior não vincula o próprio STF, que pode, diante de novos argumentos, alterar seu posicionamento. Ao declarar a inconstitucionalidade de uma norma, o STF pode fazê-lo com ou sem modulação de efeitos. Assinale a alternativa INCORRETA: a. A Ação Declaratória de Constitucionalidade visa a segurança jurídica acabando com as decisões divergentes no controle difuso. b. A competência para julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade é do Supremo Tribunal Federal. c. A legitimidade da Ação Declaratória de Constitucionalidade é igual à legitimidade da Ação Direta de Inconstitucionalidade. d. No campo material, podem ser objeto da ADC lei ou ato normativo federal e estadual.