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04/05/20 1 Eletrocardiograma (ECG) Traçado que representa a atividade elétrica do coração. Esse traçado é construído em um papel milimetrado a uma velocidade padrão de 25mm/s. Cada onda deste traçado representa um acontecimento cardíaco em uma determinada região do coração. Há três ondas características no eletrocardiograma: onda P, complexo QRS e onda T. A onda P consiste na despolarização atrial, o complexo QRS compreende a despolarização ventricular em conjunto com a repolarização atrial e, por fim, a onda T representa a repolarização ventricular. A voltagem do registro elétrico do coração apresenta uma amplitude de aproximadamente 1mV. Já o potencial de ação da célula ventricular representa cerca de 110 mV. Essa diferença de voltagens entre o eletrocardiograma e as células ventriculares ocorre, pois o eletrocardiograma representa uma visão geral da atividade elétrica de todo o coração, ou seja, mensura a atividade elétrica de um órgão que está submerso a uma cavidade repleta de líquido e tecidos através de eletrodos na superfície corporal que detectam a atividade elétrica desse órgão. Portanto, o ECG não apresenta uma visão específica de cada célula, mas detecta a atividade elétrica abrangente de todo o coração. Enquanto isso, o potencial de ação mede a atividade elétrica no interior de uma única célula, sendo a voltagem muito maior, pois é detectada com uma precisão muito grande por ser apenas em uma única célula. O eletrocardiograma é aferido a partir de eletrodos presentes na superfície corporal. Esses eletrodos são responsáveis por detectar a atividade elétrica do coração. A parede torácica, os ossos, músculos, pulmão, líquido da cavidade torácica funcionam como isolantes elétricos, sendo o registro do ECG um traçado com ondas que representam o comportamento do coração com uma amplitude de 1mV, ou seja, uma visão geral da atividade elétrica do coração. Existem alguns eletrocardiogramas que são considerados de baixa ou de alta voltagem. Essas voltagens estão relacionadas com o biotipo do indivíduo. Indivíduos que apresentam características físicas como ser obeso ou apresentam enfisema pulmonar (líquido nos pulmões), todo o líquido e gordura que envolve a cavidade torácica acaba sendo uma espécie de barreira e a atividade elétrica do coração será de baixa voltagem, devido à presença dessas barreiras que funcionam como isolantes interferindo na percepção da voltagem elétrica do coração. O complexo QRS é maior do que a onda P e T, pois compreende dois acontecimentos: a despolarização ventricular e a repolarização atrial. Além disso, os ventrículos apresentam uma massa muscular muito maior quando comparado com os átrios. Portanto, qualquer acontecimento de despolarização nos ventrículos resultará em uma amplitude maior de ondas elétricas, pois refletem a movimentação e funcionamento de células cardíacas. Assim, se há um volume maior de células, consequentemente há uma atividade elétrica maior e amplitude maior no traçado do eletrocardiograma. Antes da despolarização a célula encontra-se em repouso, ou seja, não apresenta mudança elétrica. Assim, se não há mudança elétrica celular não há mudança do traçado no eletrocardiograma que permanecerá na linha de base, ou seja, 04/05/20 2 estará isoelétrica (comportamento neutro). Na despolarização (mudança de carga elétrica entre o meio intra e extracelular), no eletrocardiograma é representado o complexo QRS, ou seja, forma-se uma onda que se desloca da linha de base. Quando a membrana celular adquire carga positiva (platô) não havendo inversão de cargas na célula, no eletrocardiograma o traçado retorna para a linha de base. Por fim na repolarização, devido a inversão de cargas, é representado no eletrocardiograma uma onda, ou seja, há mudança da linha de base. Portanto, sempre que houver despolarização ou repolarização, o eletrocardiograma apresentará alguma atividade, ou seja, toda a vez que houver uma mudança da linha de base, no interior da cavidade torácica, há uma região do coração que estará sofrendo uma repolarização ou uma despolarização que quer dizer que uma área celular está sofrendo um potencial de ação. Dipolos Uma célula, durante a propagação do potencial de ação, pode apresentar uma área ativa e uma área em repouso. A área celular em repouso, apresenta valor negativo no interior e positivo no exterior. Já na área ativa, o interior celular estará positivo e o exterior negativo. O eletrodo presente na superfície corporal detecta a carga presente no exterior celular. Assim, na região externa da área ativa da célula há um negativo que se desloca em direção ao positivo (vetor aponta para o polo positivo). Essa área negativa em direção a positiva determina o chamado dipolo e a atividade elétrica será percebida na superfície corporal sendo registrada pelo eletrodo. O potencial de ação inicia no nodo sinoatrial dando início da formação da onda P. Quando os átrios estão totalmente despolarizados, a onda P está completamente formada ocorrendo logo em seguida a contração do átrio. Posteriormente forma-se o complexo QRS que compreende uma atividade ventricular de condução ocorrendo a despolarização do feixe de His e fibras de Purkinje, e logo em seguida a contração ventricular. Por último, surge a onda T onde ocorre a repolarização ventricular. A frequência cardíaca através do eletrocardiograma Por ser representado em um papel milimetrado e apresentar uma velocidade padrão de 25mm/s é possível calcular a frequência cardíaca no eletrocardiograma. O papel milimetrado é construído por quadrados grandes que contém quadrados menores. Cada quadrado grande contém 20 quadrados menores e o tempo para percorrer esses quadrados grandes é de 0,2 s, ou seja, 5 quadrados grandes representam 1s. Para calcular a frequência cardíaca sempre é selecionado como regra o intervalo RR que compreende a distância entre dois complexos QRS. Para isso são utilizadas duas fórmulas: O número 1500 é utilizado, pois representa a quantidade de quadrados pequenos que seria percorrida em 1 minuto (60 segundos). Esse número será dividido pelo número de quadrados pequenos existente no intervalo RR, ou seja, entre dois complexos QRS. O número 300 indica a quantidade de quadrados grandes que seria percorrida em 1 minuto (60 segundos). Esse número deverá ser dividido pela quantidade de quadrados grandes entre dois complexos QRS (intervalo RR). É recomendado utilizar a forma que abrange os quadrados pequenos, pois o resultado obtido será mais exato. Derivações Em um eletrocardiograma há 12 linhas representadas. Em cada uma dessas linhas haverá um registro diferenciado com características específicas no seu traçado. Essa diferença existe, pois, cada registro é detectado por um eletrodo localizado em diferentes regiões. Essas 12 linhas são as 04/05/20 3 chamadas derivações que aferem o comportamento elétrico do coração de formas diferentes. As derivações são classificadas em: derivações do plano frontal (6) e derivações do plano horizontal (6). As 6 derivações do plano horizontal são: DI, DII, DIII, aVR, aVL e aVF. As 6 derivações do plano horizontal são: V1, V2, V3, V4, V5 e V6. Derivações do plano frontal O triângulo de Einthoven é um triângulo de representa as três derivações bipolares dos membros: DI, DII e DIII. No centro desse triângulo está localizado o coração, no qual tem como ponto central o nodo atrioventricular. Na DI, um eletrodo é colocado no braço direito e outro no braço esquerdo. O eletrodo colocado no braço esquerdo representa o terminal positivo e o colocado no braço direito consiste no terminal negativo. Na DII, um eletrodo é colocado no brado direito e outro na perna esquerda. O eletrodo colocado no braço direito representa o terminal negativo e o eletrodo na perna esquerda consiste no terminal positivo.Na DIII, um eletrodo é colocado no braço esquerdo e outro na perna esquerda. O eletrodo localizado no braço esquerdo consiste no terminal negativo e o eletrodo na perna esquerda compreende o terminal positivo. Cada uma dessas derivações apresenta um registro diferenciado. Todas essas derivações são representadas passando pelo nodo atrioventricular (ponto central do triângulo), ou seja, é neste ponto que há a intersecção das três derivações. A DI consiste em uma linha horizontal onde no lado direito (braço direito) está o terminal negativo e no lado esquerdo (braço esquerdo) o positivo. Nessa linha uma seta que aponta para o positivo, pois busca o sentido da despolarização que consiste do negativo para o positivo. Da mesma forma acontece com as outras duas derivações dos membros, onde DII representa uma seta direcionada para diagonal em busca do terminal positivo, em que o terminal negativo consiste no braço direto e o positivo a perna esquerda. Em DIII a seta também aponta para o terminal positivo e, o braço direito consiste no terminal negativo e a perna esquerda o terminal positivo. Essas derivações apresentam registros diferentes, pois os eletrodos estão colocados em situações que muitas vezes não acompanham o sentido usual da propagação do impulso elétrico, que consiste do nodo sinoatrial para o nodo atrioventricular, feixe de His e, por fim, fibras de Purkinje. Portanto o vetor do coração consiste em um vetor cardíaco diagonal da direita para esquerda que aponta para baixo. Assim, a propagação elétrica do coração é para a inferior, sendo mais próxima a derivação DII que, por este motivo, apresenta a maior amplitude de registro, pois percebe um nível maior da atividade elétrica do coração (mais próxima da propagação elétrica usual do coração). As derivações unipolares aumentadas dos membros consistem na: aVR, aVL e aVF. A aVR é construída pelo braço esquerdo e a perna esquerda representando o terminal negativo e no braço direito representando o terminal positivo. O vetor apontará para o braço direito, por este ser o terminal positivo. 04/05/20 4 A aVL é constituída por um terminal negativo representado pela perna esquerda e braço direito e um terminal positivo representado pelo braço esquerdo. O vetor apontará para o terminal positivo, ou seja, o braço esquerdo. Na aVF o terminal positivo é representado pelo braço esquerdo e direito e o terminal positivo pela perna esquerda. O vetor apontará para baixo, pois a perna esquerda consiste no terminal positivo. Das três derivações unipolares a aVR apresenta um padrão negativo e muito diferenciado da representação das demais derivações. O sentido da seta, que sempre aponta para o positivo, é contrário ao sentido de propagação do coração (inferior esquerdo). As 6 derivações do plano frontal são representadas na chamada rosa dos ventos que consiste, portanto, no conjunto das três derivações unipolares e bipolares dos membros. A derivação que mais se assemelha com a representação padrão do eletrocardiograma consiste na DII, pois esta é uma derivação que apresenta um sentido muito parecido com o sentido usual de condução elétrica do coração. Derivações torácicas ou precordiais São 6 as derivações do plano horizontal (observar o coração de trás para frente): V1, V2, V3, V4, V5 e V6. Cada uma dessas derivações apresenta localizações específicas no tórax. Todos os 6 pontos estão associados ao eletrodo que apresenta terminal positivo. O terminal negativo está conectado a perna esquerda. V4, V5 e V6 apresentam marcações positivas do complexo QRS e V4 consiste na de maior amplitude. Nessas derivações, pois o sentido usual da condução elétrica do coração se aproxima desses terminais. Já V1, V2 e V3, possuem registros diferenciados, pois os terminais estão localizados mais próximos a linha média e não seguem o sentido usual da propagação elétrica do coração. Vetor cardíaco médio A partir dessas derivações é possível calcular o vetor cardíaco médio. Exemplo: DI, DII e DIII. Dessas derivações são selecionados os complexos QRS para determinar o vetor cardíaco médio. Há um papel milimetrado com o registro de DI, DII e DIII. Cada uma dessas derivações apresenta um tamanho desse complexo 04/05/20 5 representado por um vetor. Cada quadro no papel milimetrado corresponde a 1mm. Assim, são selecionadas duas derivações para serem representadas no papel milimetrado. Essas representações deverão seguir o direcionamento correto correspondente a cada uma delas. Após traçadas, no final de cada seta é representada uma linha imaginária perpendicular à ponta da seta havendo um ponto de intersecção entre elas. O vetor cardíaco médio é representado do ponto central (nodo atrioventricular) até este ponto de intersecção. Através do cálculo do vetor cardíaco médio é possível reconhecer se o coração está seguindo a linha normal de propagação elétrica do coração (em torno de 59°/60°). Caso o vetor não esteja seguindo o sentido usual, poderá indicar patologias como hipertrofia ventricular esquerda ou direita (Vetor direcionado para cima). Não necessariamente um indivíduo apresentará alguma alteração se o vetor cardíaco médio não apresentar 60°, pois há uma variação de amplitude de 0° a 90° considerada normal. Essa variação de amplitude do vetor cardíaco médio depende da estrutura de cada indivíduo. Indivíduos altos e magros apresentam um coração mais verticalizado e, portando o vetor cardíaco médio será mais inferior. Indivíduos baixos e mais gordos apresentam um coração mais horizontalizado e, portanto o vetor cardíaco médio será mais superior.