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Revista Pensar Direito, v.6, n. 2, Jul./2015
A RESPONSABILIDADE DO EMPREGADOR ANTE A
AUSÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO NO USO DOS EQUIPAMENTOS DE
PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI´S)
Hellom Lopes Araújo 1
Francisco Gomes Machado Junior 2
RESUMO
O presente artigo trata da saúde e segurança nas relações de trabalho e
vem a aferir a responsabilidade do empregador diante da não
fiscalização dos equipamentos de proteção individual, apresentando os
institutos da insalubridade e periculosidade o que dá mister importância
a fim de proteger os trabalhadores dos acidentes de trabalho, não
obstante a apresentação do que vem a ser acidente de trabalho e a
denominação do que são os EPI´s, assim como a súmula 289 que nós
remete que o mero fornecimentos dos EPI´s não exime a
responsabilidade do empregador de fiscalizar as atividades laborais.
Palavras-chave: Direito do Trabalho, Responsabilidade Civil,
Insalubridade e Periculosidade, acidente de trabalho.
1 1 Graduado em Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos, Advogado inscrito na
Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Minas Gerais, Mestre em Direito Empresarial pela
Universidade FUMEC, Sócio do Escritório Tostes & De Paula Advocacia Empresarial,
Coordenador Adjunto e Professor de Direito Empresarial, Direito do Trabalho I e II, Prática
Trabalhista e Direito Civil da Faculdade Kennedy de Minas Gerais - FKMG, Professor de Direito
do Trabalho e Processo do Trabalho pela Escola Superior de Advocacia - ESA/MG, Professor
Convidado da Pós Graduação em Direito da Universidade FUMEC, Professor Convidado da Pós
Graduação em Direito do Trabalho no Instituto de Altos Estudos em Direito IAED/CEDIN
EDUCACIONAL.
2 Bacharelando em Direito na Faculdade Kennedy Minas Gerais .
Revista Pensar Direito, v.6, n. 2, Jul./2015
1. DA RESPONSABILIDADE CIVIL
O presente trabalho se preocupa com a segurança e saúde do
empregado com enfoque na Responsabilidade Objetiva do empregador diante
da não fiscalização devida do uso dos equipamentos de proteção individual
(EPI´s)3, que em regra incube ao empregador.
Para a adequada abordagem do tema proposto, faz-se necessária a
diferenciação dos dois tipos de responsabilidade civil, das quais enseja objetiva
e subjetiva de modo que, ao final, seja constatada a responsabilidade civil do
empregador em face da ausência de fiscalização dos usos de equipamentos de
proteção individual.
Assim, é importante ressaltar que a responsabilidade objetiva é
proveniente de ato lícito e que independe da existência de culpa, ou seja, será
necessário comprovar a existência do dano e do nexo de casualidade,
conforme dispõe o art. 927, parágrafo único do Código Civil, nos seguintes
termos:
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a
outrem, fica obrigado a repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano,
independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou
quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano
implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.
No ano de 2002 tivemos a primeira jornada de direito civil,
promovida pelo Conselho da Justiça Federal. Este Conselho aprovou o
enunciado de número 38 o qual dispõe sobre a responsabilidade civil inserida
no risco da atividade normalmente desenvolvida pelo autor. O dano acarretado,
por si só, e sem necessidade da culpa, será suportada pelo sujeito que se
beneficiou do evento danoso.
A responsabilidade que se baseia na culpa do autor do ilícito
denomina-se subjetiva por ter como base o elemento subjetivo, culpabilidade.
Revista Pensar Direito, v.6, n. 2, Jul./2015
Já a responsabilidade sem culpa recebe o nome de responsabilidade objetiva,
por se basear apenas na ocorrência do dano. César Fiúza (2014) pag.380
Ainda, Pablo Stolze Gagliano defende que “A responsabilidade
objetiva e a que independe de culpa do agente, o que se busca e apenas o
elemento objetivo que é o dano” (GAGLIANO, 2014, p.320).
Segundo Maria Helena Diniz:
A responsabilidade objetiva funda-se num princípio de eqüidade,
existente desde o direito romano: aquele que lucra com uma
situação deve responder pelo risco ou pelas desvantagens dela
resultantes (ubi emolumentum, ibionus; ubi commoda, ibi
incommoda)4.
A fundamentação desta responsabilidade está na atividade
exercida pelo agente, pelo perigo que pode causar dano à vida, à saúde ou a
outros bens, criando risco de dano para terceiros. São da mesma autora os
exemplos das atividades destinadas à produção de energia elétrica ou de
exploração de minas; à instalação de fios elétricos, telefônicos e telegráficos;
ao transporte aéreo, marítimo e terrestre.
Em contrapartida, a responsabilidade Subjetiva decorre de ato ilícito
e tem como pressuposto fundamental a existência da culpa, a qual deve ser
comprovada pela vítima para que surja o dever de indenizar.
Assim, em se tratando de responsabilidade subjetiva, não há que se
falar em responsabilização de um agente se não houver a efetiva comprovação
da culpa praticada.
No mesmo sentido, é importante transcrever o entendimento de
Ulhoa Coelho3 sobre este tema:
São duas as espécies de responsabilidade civil: subjetiva e objetiva.
Na primeira, o sujeito passivo da obrigação pratica ato ilícito e esta é
a razão de sua responsabilização; na segunda, ele só pratica ato ou
atos lícitos, mas se verifica em relação a ele o fato jurídico descrito na
Revista Pensar Direito, v.6, n. 2, Jul./2015
lei como ensejador da responsabilidade. Quem responde
subjetivamente fez algo que não deveria ter feito; quem responde
objetivamente fez só o que deveria fazer. A ilicitude ou licitude da
conduta do sujeito a quem se imputa a responsabilidade civil é que
define, respectivamente, a espécie subjetiva ou objetiva.
Além disso, a responsabilidade objetiva também e conhecida como
legal uma vez que se trata de imposição normativa, conforme salienta Carlos
Roberto Gonçalves54
Responsabilidade subjetiva
Em face da teoria clássica, a culpa era fundamento da
responsabilidade. Essa teoria, também chamada de teoria da culpa,
ou “subjetiva”, pressupõe a culpa como fundamento da
responsabilidade civil. Não havendo culpa, não há responsabilidade.
Diz-se, pois, ser “subjetiva” a responsabilidade quando se esteia na
ideia de culpa. A prova da culpa do agente passa a ser pressuposto
necessário do dano indenizável. Nessa concepção, a
responsabilidade do causador do dano somente se configura se agiu
com dolo ou culpa.
Responsabilidade objetiva
A lei impõe, entretanto, a certas pessoas, em determinadas
situações, a reparação de um dano cometido, independentemente de
culpa. Quando isso acontece, diz-se que a responsabilidade é legal
ou “objetiva”, porque prescinde da culpa e se satisfaz apenas com o
dano e o nexo de causalidade. Essa teoria, dita objetiva, ou do risco,
tem como postulado que todo dano é indenizável e deve ser reparado
por quem a ele se liga por um nexo de causalidade,
independentemente de culpa. (GONÇALVES 2014, p.55).
RESPONSABILIDADE CIVIL NO AMBIENTE DE TRABALHO
No que tange a responsabilidade civil no ambiente de trabalho é
cediço que o empregador tem o dever de zelar pela segurança do empregado.
A saúde e a segurança do trabalhador tem previsão constitucional
no preâmbulo da Carta Magna de 1988, além disso, os direitos sociais estão
expressamente estampados nos artigos 6º5 e 7º, inciso XXII, em que
3 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Civil: Obrigações – Responsabilidade civil. 5º ed. São
Paulo. Saraiva. 2012. Pág. 222.
4 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Esquematizado. Volume 3. São Paulo. Saraiva,
2014, pág. 55.
Revista Pensar Direito, v.6, n. 2, Jul./2015
preconizam a segurança e a saúde do trabalhador bem como o direito à
diminuição dos riscos inerentes a seu trabalho:
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o
trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a
proteção à maternidade e à infância, a assistência aos
desamparados, na forma desta Constituição.
Art. 7º São direitos dostrabalhadores urbanos e rurais, além de
outros que visem à melhoria de sua condição social.
(...)
XXII redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas
de saúde, higiene e segurança;
Muitos acidentes ocorrem durante o labor, e, muitas vezes, tais
acidentes acontecem pelo fato do empregado estar em horas extras ou pelo
cansaço físico e mental ao qual é exposto no ambiente de trabalho (BASILE,
2011).
Conforme consigna a NR 4.1, as empresas privadas e públicas, os
órgãos públicos da administração direta e indireta, que possuem empregados
regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT manterão,
obrigatoriamente, Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em
Medicina do Trabalho, com a finalidade de promover a saúde e proteger a
integridade do trabalhador no local de trabalho6.
Por esses motivos, o empregado deve estar sempre sob a
fiscalização de um técnico de segurança de trabalho.
Além do fornecimento, o empregador deve fiscalizar o uso dos EPI`s
e promover a segurança de seus subordinados, protegendo assim a saúde e a
segurança destes.
Entretanto, e em caso de acidentes, resta a seguinte indagação,
qual a responsabilidade do empregador quando o mesmo se omite em
fiscalizar seus empregados no uso de equipamentos de proteção individuais
(EPI`s)?
6 http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr4.htm acessado no dia 20 de maio de 2015
Revista Pensar Direito, v.6, n. 2, Jul./2015
Nesse sentido traremos algumas jurisprudências que tratam sobre o
tema em tela.
ACIDENTE DE TRABALHO. CORTE NA LAVOURA DE CANA-DE-
AÇÚCAR. ATIVIDADE DE RISCO. RESPONSABILIDADE CIVIL
OBJETIVA. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL.
O texto constitucional (art. 7º, caput e XXVIII) consagra a
responsabilidade subjetiva, obrigação de o empregador indenizar o
dano que causar mediante comprovada culpa ou dolo, e o Código
Civil (art. 927), a responsabilidade objetiva, na qual não se faz
necessária tal comprovação, pois fundada na teoria do risco da
atividade econômica. A primeira, norma constitucional, trata de
garantia mínima do trabalhador e não exclui a segunda, que, por sua
vez, atribui maior responsabilidade civil ao empregador, aplicável de
forma supletiva no Direito do Trabalho, haja vista o princípio da norma
mais favorável, mais o fato de o Direito Laboral primar pela proteção
do trabalhador e pela segurança e medicina do trabalho, institutos
destinados a assegurar a dignidade e a integridade física e psíquica
do empregado no seu ambiente de labor. Discute-se, in casu , a
responsabilidade objetiva pela indenização por dano moral fixada em
R$ 7.000,00, decorrente da ocorrência de acidente de trabalho
durante a atividade do corte de cana-de-açúcar, tendo sido o
reclamante atingido, por instrumento cortante, no punho esquerdo,
com lesão na pelé, no tecido gorduroso e no músculo-tendíneo. Na
ocasião, conforme consignado no acórdão regional, o autor usava
equipamento de proteção individual. O Regional consigna que esse
fato elide a responsabilidade por culpa, mas também anota que os
EPI´s fornecidos eram insuficientes para impedir a lesão sofrida pelo
reclamante. A atividade do corte de cana de açúcar é considerada de
risco -mormente porque os trabalhadores desenvolvem esforço
anormal e trabalham com podão afiado. Esses fatos aliados ao
cansaço e ao recebimento por produção tornam perigosa a atividade
e atraem a responsabilidade objetiva prevista no artigo 927, § único,
do CC.- Assim, uma vez constatada a atividade de risco exercida,
conforme consigna a Turma Regional, aplica-se a responsabilidade
civil objetiva, e não a subjetiva. Recurso de revista não conhecido.
Processo: RR 220007720075150075 22000-77.2007.5.15.0075
Relator(a): Augusto César Leite de Carvalho
Órgão Julgador: 6ª Turma
Publicação: DEJT 24/05/2013
O empregador deve tomar os cuidados necessários para que não
incorra na culpa in vigilando7 em razão da imperícia em fiscalizar os seus
funcionários no uso dos equipamentos que se fazem necessários para
prevenção de acidentes.
7 culpa in vigilando a que se imputa à pessoa, em razão de prejuízo ou dano causado a outrem, por atos
de pessoas sob sua dependência ou por animais de sua propriedade, consequentes da falta de vigilância
ou atenção que deveria ter, de que resultaram os fatos motivadores dos danos e prejuízos. SILVA,
Plácido e. Vocabulário jurídico. 28. ed. São Paulo: Forense, 2009.
Revista Pensar Direito, v.6, n. 2, Jul./2015
Ademais o artigo segundo da CLT nós diz que:
Art 2º- Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que,
assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a
prestação pessoal de serviços, ou seja, quem deve arcar com o ônus do
empreendimento e o empregador.
Constatada a atividade de risco exercida pelo autor não há como
eximir a empresa da responsabilidade pela indenização do dano, conforme já
decidiu a 6.ª Turma do TST:
“Se existe nexo de causalidade entre a atividade de risco e o
efetivo dano, o empregador deve responder pelos prejuízos
causados à saúde do empregado, tendo em vista que a sua
própria atividade econômica já implica situação de risco para o
trabalhador. Assim, constatada a atividade de risco exercida pelo
autor, não há como se eliminar a responsabilidade do
empregador, pois a atividade por ele desenvolvida causou dano
ao empregado, que lhe emprestou a força de trabalho.”
(TST, 6.ª T., RR 155/2003-045-03-00.1, Aloysio Veiga, DJ
8/6/2007)8
Como se vê é atribuído ao empregador o poder de fiscalizar e
controlar as atividades dos empregados no ambiente laboral. Sendo certo que
cabe ao empregador, através do seu poder diretivo, verificar se o trabalhador
está cumprindo com o regulamento interno e com as normas impostas pela
CLT, ademais, busca-se proteger e observar o rendimento, aproveitamento do
empregado na empresa.
Sobre o tema o grande doutrinador Maurício Godinho Delgado
(2006, p. 634), sopesa que:
“Poder fiscalizatório (ou poder de controle) seria o conjunto de
prerrogativas dirigidas a propiciar o acompanhamento contínuo da
prestação de trabalho e a própria vigilância efetivada ao longo do
8 http://www.bomdia.adv.br/artigos.php?id_artigo=368 acessado no dia 13 de maio de
2015
Revista Pensar Direito, v.6, n. 2, Jul./2015
espaço empresarial interno. Medidas como o controle de portarias,
as revistas, o circuito interno de televisão, o controle de horário e de
frequência, e prestação de contas ( em certas funções e profissões )
e outras providências correlatas e que seriam manifestação do poder
de controle.”
Ademais, não se pretende aqui averiguar se o trabalhador tem o
objetivo de causar o dano mais sim de proteger de todas as formas cabíveis a
saúde e segurança do trabalhador.
E inegável que foram alcançados significativos avanços no
ordenamento jurídico ao longo da história. Tais circunstâncias foram
percebidas principalmente no período da revolução industrial a qual passou do
feudalismo para o capitalismo, nesta época as mulheres e crianças
trabalhavam sem controle de horas, chegando a trabalhar cerca de 20 horas
diárias, em atividades que colocavam em risco e não condizentes com as suas
características fisiológicas.
São vários os institutos que objetivam a proteção do trabalhador,
entre eles, podemos destacar o da insalubridade e periculosidade a qual
passaremos a expor a seguir:
2. DA INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE
2.1 INSALUBRIDADE
A insalubridade tem previsão legal no artigo 7º, XXIII, da carta
magna de 1988, sendo disciplinados nos artigos 189 a 192 da CLT que
dispõem sua definição e aplicabilidade.
Ademais, a atividade insalubre deve estar prevista em quadro
aprovado no Ministério do trabalho por meio da norma regulamentadora
(NR15). De acordo com a referida norma regulamentadora, são atividades
insalubres aquelas que por sua natureza, condição ou métodos de trabalho
expõem os empregados a agentes químicos, físicos ou biológicos nocivos à
Revista Pensar Direito, v.6, n. 2, Jul./2015
saúde, acima dos limites de tolerância conformeinteligência do artigo 189 da
consolidação das leis do trabalho.
Conforme Alice Monteiro de Barros (2013), os casos de
insalubridade devem estar classificados na portaria do ministério do trabalho,
ou seja, se não estiver devidamente qualificado, o trabalhador não fará fazer
jus ao adicional (OJ n.4,inciso I,II, da SDI-I do TST)96
No entanto, já existem decisões favoráveis a trabalhadores que se
encontravam em condições insalubres, que não estavam previstas de forma
expressa na portaria do ministério do trabalho, senão vejamos:
RECURSO DE REVISTA. COBRADOR DE ÔNIBUS URBANO.
ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. EXPOSIÇÃO À
VIBRAÇÕES. ANEXO 8 DA NR 15 DO MTE. É suficiente para
a concessão de adicional de insalubridade, em grau médio, a
comprovação, por perícia técnica de que a atividade laboral é
exercida e10m condições de insalubridade por vibrações,
conforme anexo 8 da NR 15 do MTE. Precedentes. Recurso de
revista conhecido e provido.
Processo: TST-RR-1955-47.2011.5.03.0010
Relator(a): /2006) WALMIR OLIVEIRA DA COSTA
Órgão Julgador: 1ª Turma do TST
Publicação: 19/12/2014
Nesse mesmo sentido, o Ilustre desembargador Gilvan Sá Barreto
da 3º Turma do tribunal Região do Trabalho, da 6º Região já reconheceu a
incidência de insalubridade não elencada na NR15 menciona, conforme será
demonstrado a seguir.
EMENTA: Adicional de insalubridade. Exposição a agentes
insalubre. Atividade não prevista na NR 15.
Irrelevância. Detectado pelo Perito a exposição do recorrido a
agentes insalubres, sem a utilização dos Equipamentos de
Proteção Individual, é cabível a condenação da reclamada ao
6 4. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. LIXO URBANO (cancelada em decorrência da sua conversão na
Súmula Nº 448) – Res. 194/2014, DEJT divulgado em 21, 22 e 23.05.2014
I - Não basta a constatação da insalubridade por meio de laudo pericial para que o empregado tenha
direito ao respectivo adicional, sendo necessária a classificação da atividade insalubre na relação oficial
elaborada pelo Ministério do Trabalho.
II - A limpeza em residências e escritórios e a respectiva coleta de lixo não podem ser consideradas
atividades insalubres, ainda que constatadas por laudo pericial, porque não se encontram dentre as
classificadas como lixo urbano na Portaria do Ministério do Trabalho.
Revista Pensar Direito, v.6, n. 2, Jul./2015
pagamento do adicional de insalubridade, sendo irrelevante o
fato da atividade desempenhada pelo recorrido encontrar-se ou
não incluída entre aquelas previstas como insalubres no quadro
elaborado pelo Ministério do Trabalho, consoante inteligência
do art. 195, caput da CLT. Honorários periciais. Valor
excessivo. Considerando o tempo dispendido no trabalho do
expert, afigura-se excessivo o valor arbitrado para os
honorários periciais. Recurso ordinário provido em parte.
Processo: RO 578200301106008 PE 2003.011.06.00.8
Relator(a): DESEMBARGADOR GILVAN SÁ BARRETO
Órgão Julgador: TRT 6º REGIAO
Publicação: 11/06/2004
A insalubridade ocorre quando o empregado é submetido a laborar
em ambiente nocivo a sua saúde pelas condições ou métodos de trabalho.
Assim, para se averiguar a intensidade da insalubridade é indispensável a
apuração através de prova técnica podendo ocorrer nos casos de grau
mínimos sendo 10% grau médio 20% e máximo 40% sendo a base de cálculo o
salário mínimo, importância fixa.
É importante ressaltar que em casos de cumulação de agentes
insalubres, como exemplo de ruído/calor, não poderão ser somados para fins
de acréscimo salarial, devendo ser considerado o de maior grau entre estes
(BARROS, 2013)
Apesar de não ser possível à acumulação dos agentes insalubres, a
desembargadora e doutrinadora Alice Monteiro de Barros apresenta
entendimento divergente, entendendo ser cumulada a soma dos graus de
insalubridade conforme destacado abaixo:
ADICIONAL DE INSALUBRIDADE - Faz jus ao adicional de
insalubridade assegurado no art. 192da CLT o empregado que
trabalha com agente biológico, devido ao contato com pacientes
portadores de moléstia contagiosa. Essa circunstância não o impede
de receber também o intitulado "adicional de risco de vida e
insalubridade" previsto na Lei7394/85 e que lhe é assegurado pelo
fato de operar raio x, sujeitando-o, portanto, a radiações perigosas.
Os agentes agressivos são diversos e, em consequência, poderão
lesar a saúde do trabalhador, ocasionando-lhe danos a órgãos
distintos do corpo humano. Raciocínio em sentido contrário acabará
por incentivar o empregador a não eliminar os agentes agressivos
existentes, enriquecendo-se, ilicitamente, em detrimento da saúde
do trabalhador.
Processo: RO 740590 7405/90
Relator(a): Alice Monteiro de Barros
Revista Pensar Direito, v.6, n. 2, Jul./2015
Órgão Julgador: Segunda Turma
Publicação: 31/01/1992
2.2 PERICULOSIDADE
A periculosidade, por sua vez, está descrita no artigo 7º da
constituição, inciso XXIII, e 193 da CLT.
Conforme NASCIMENTO (2014, p.836) destaca:
O adicional de periculosidade: a) é devido ao empregado que presta
serviços em contato permanente com inflamáveis em condições de
risco acentuado (CLT, art. 193); b) foi estendido para atividades com
explosivos (CLT, art. 193), energia elétrica (Lei n. 7.369/85) e
radiações ionizantes (Portaria do então Ministério do Trabalho n.
3.393/87); c) é de 30% sobre o salário contratual e integra a
remuneração do empregado, salvo para fins de gratificações, prêmios
e participação nos lucros (CLT, art. 193, § 1º).
Diante da explanação de Amauri Mascaro Nascimento11, verifica-se
que para a configuração da periculosidade é imprescindível a perícia técnica,
sem a qual, não se pode falar em periculosidade ou até mesmo sobre o
pagamento do relativo adicional.
Conforme a súmula 364 do Tribunal Superior do Trabalho “faz jus ao
adicional de periculosidade o empregado exposto permanentemente ou que, de
forma intermitente, se sujeita a condições de risco. Indevido, apenas, quando o
contato dá-se de forma eventual, assim considerado o fortuito, ou o que, sendo
habitual, dá-se por tempo extremamente reduzido” e “afixação do adicional de
periculosidade12, em percentual inferior ao legal e proporcional ao tempo de
exposição ao risco, deve ser respeitada, desde que pactuada em acordos ou
convenções coletivos”.
11 NASCIMENTO, Amauri Mascavo do. Curso de Direito do Trabalho. 26ª ed. São Paulo. Editora
Saraiva,2014 .pg836
Revista Pensar Direito, v.6, n. 2, Jul./2015
Além disso, a Súmula TST n. 132 dispõe que “o adicional de
periculosidade, pago em caráter permanente, integra o cálculo de indenização
e de horas extras” e “durante as horas de sobreaviso, o empregado não se
encontra em condições de risco, razão pela qual é incabível a integração do
adicional de periculosidade sobre as mencionadas horas”.
Não podemos deixar de mencionar o advento do §4 do artigo 193 da
CLT a qual foi acrescentado pela lei 12.997 de 18/06/2014 que incluiu a
atividade de trabalhador em motocicleta. Cabe resaltar que não é qualquer
atividade que envolva a motocicleta, mais sim a qual dela se faz necessário
para exercer a atividade, grosso modo um instrumento do trabalho.
Assim dispõe o tribunal regional trabalho da terceira região sobre o
adicional de periculosidade sobre a atividade de motoboy:
EMENTA: MOTOCICLISTA ENTREGADOR ? ACIDENTE DE TRABALHO ? RESPONSABILIDADE
OBJETIVA. A previsão de responsabilidade subjetiva do empregador, constante do art. 7º, XXVIII, da
Constituição Federal, não constitui óbice à aplicação do art. 927, parágrafo único, do Código Civil. A
jurisprudência do Colendo TST tem se posicionado no sentido de admitir a responsabilidade objetiva do
empregador, quando demonstrado que a atividade desempenhada implique risco à integridade física e
psíquica do trabalhador. No caso dos autos, a atividade de motociclista entregador exercida pelo
reclamante configura-se como atividade de risco, que atrai a responsabilidade objetiva do empregador,
nos moldes do parágrafo único do art. 927 do Código Civil, tendo em vista a frequência com que
exercia essa atividade,o tipo de veículo que diria e a periculosidade das vias urbanas em que
trafegava.
Processo: 4. 0001183-04.2012.5.03.0090 RO (01183-2012-090-03-00-1 RO)
Relator(a): Rosemary de O.Pires
Órgão Julgador: Sexta Turma
Publicação: 28/04/2014
13
2.3 O USO DOS EPI´S PARA MINIMIZAÇÃO DOS IMPACTOS DOS
AGENTES GRAVOSOS;
13 https://as1.trt3.jus.br/juris/detalhe.htm?conversationId=46457 acesso em 08 de junho de 2015.
Revista Pensar Direito, v.6, n. 2, Jul./2015
A saúde e a segurança do trabalho têm previsão constitucional no
preâmbulo da Carta Magna de 1988. Assim, como nos direitos sociais,
estampados em seu artigo 6º, temos a segurança e a saúde do trabalhador,
dando grande conotação ao artigo 7º, inciso XXII: os trabalhadores têm direito
à diminuição dos riscos inerentes a seu trabalho.
Para essa diminuição dos riscos se necessário o uso de
Equipamento de Proteção Individual que podem ser capacetes, protetor de
olhos e face como óculos, protetor auditivo como os protetores auriculares,
protetores para respiração como as mascaras de ar, luvas, botas entre outros.
Segundo a Norma Regulamentadora (NR 6) considera-se
Equipamento de Proteção Individual - EPI, todo dispositivo ou produto, de uso
individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis
de ameaçar a segurança e a saúde no trabalhador.
Diante da necessidade de minimizar as ações dos agentes nocivos
as vidas dos trabalhadores têm-se os EPI´S que reduzem o impacto direto nos
empregados como no caso da insalubridade e periculosidade.
Nesse sentido o recente posicionamento adotado pelo Tribunal
Superior do Trabalho, no tocante à legislação trabalhista:
ADICIONAL DE INSALUBRIDADE - FORNECIMENTO DE EPI-
S. - A eliminação da insalubridade mediante fornecimento de
aparelhos protetores aprovados pelo órgão competente do
Poder Executivo exclui a percepção do respectivo adicional.-
(Súmula nº 80 desta Corte). Recurso de revista conhecido e
provido.
(RR - 106300-93.2001.5.09.0092, Relator Ministro: Renato de
Lacerda Paiva, 2ª Turma, Publicação: 14/05/2010).
ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. A eliminação da
insalubridade mediante fornecimento de aparelhos protetores
aprovados pelo órgão competente do Poder Executivo exclui a
percepção do respectivo adicional, nos termos da Súmula 80
desta Corte. Recurso de revista conhecido e provido, no
particular.
(RR - 163100-81.2004.5.17.0006, Relatora Ministra: Dora Maria
da Costa, 8ª Turma, Publicação: 07/05/2010).
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E certo que a utilização dos Epi´s não exclui totalmente os acidentes
trabalhistas mais minimizam os efeitos e diminuem sua incidência tanto no
meio rural como no urbano.
Aqui vale resaltar à definição de acidente de trabalho, e a indicação
da responsabilidade do empregador prevista na lei 8213/91 que dispõe em seu
artigo:
Art. 19 – Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do
trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho
dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei,
provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause
a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da
capacidade para o trabalho.
§ 1º A empresa é responsável pela adoção e uso das medidas
coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do
trabalhador.
§ 2º Constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a
empresa de cumprir as normas de segurança e higiene do
trabalho.
§ 3º É dever da empresa prestar informações pormenorizadas
sobre os riscos da operação a executar e do produto a
manipular.
§ 4º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social
fiscalizará e os sindicatos e entidades representativas de
classe acompanharão o fiel cumprimento do disposto nos
parágrafos anteriores, conforme dispuser o Regulamento.
Deixando claro assim o entendimento que o empregador deve
sempre proporcionar os equipamentos para minimizar os danos a este em caso
de acidente, assim preestabelece o entendimento majoritário da doutrina, não
obstante temos o entendimento da súmula 289 do TST14 a qual será
apresentada a seguir no próximo tópico.
14 O simples fornecimento do aparelho de proteção pelo empregador
não o exime do pagamento do adicional de insalubridade. Cabe-lhe
tomar as medidas que conduzam à diminuição ou eliminação da
nocividade, entre as quais as relativas ao uso efetivo do equipamento
pelo empregado.
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3. DA RESPONSABILIDADE DO EMPREGADOR
O empregador tem o dever de fiscalizar seus subordinados, visando
à proteção e prevenção aos acidentes a qual podem ser infelicitados ao
decorrer do labor.
Durante o labor são vários os riscos a qual este pode se submeter,
no ambiente de trabalho, pensando nisso é obrigatório que o empregador
disponibilize para os empregados os EPI´s que visam a excluir e diminuir os
riscos da atividade laboral, não bastando o seu fornecimento mais a
fiscalização.
Muitos empregadores contratam um técnico de segurança do
trabalho a qual delegam esta obrigação no intuído de se resguardar da
aplicação da responsabilidade, sendo uma forma velada de imputação de
responsabilidade.
Quando o empregador não fiscaliza a utilização dos EPI´s coloca em
risco a vida de seus subordinados, assumindo, o risco de tal conduta omissiva.
Evidencia-se o dever de indenizar, pois prova o descaso da empregadora
quanto ao uso de equipamentos de proteção individual.
Cabe ressaltar que a súmula 289 do TST destaca que:
O simples fornecimento do aparelho de proteção pelo
15empregador não o exime do pagamento do adicional de
insalubridade. Cabe-lhe tomar as medidas que conduzam
à diminuição ou eliminação da nocividade, entre as quais
as relativas ao uso efetivo do equipamento pelo
empregado.
Conforme inteligência da referida súmula, o empregador deve fornecer
o uso dos EPI´s, mas simples fornecimento não exclui o dever de fiscalizar o
uso destes ou até mesmo indenizar o empregado em caso de eventual
acidente de trabalho.
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Cabe ressaltar que os tribunais têm entendimentos divergentes
sobre esta matéria uma vez que ora há juízes que se pronunciam a favor do
empregado, ora há aqueles que são favoráveis ao empregador como
evidenciado nós enunciados abaixo:
Jurisprudência do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
aponta caso em que o empregado faltou no dia da instrução de
como usar os EPIs e não usou o equipamento durante o
trabalho. Nesse caso, julgado em abril deste ano, a 9ª Turma
entendeu que a falta de fiscalização não pode transferir para a
empregadora a responsabilidade total pelos danos. “Se o
empregado recebe óculos de proteção e não o usa, cabe-lhe
grande parcela de culpa por ferimentos ocorridos na região que
seria protegida pelo EPI”, diz o acórdão. (Recurso Ordinário
0128100-04.2008.5.01.0013)
Há decisões no sentido de que a falta de fiscalização impede a
dispensa por justa causa. É o caso de duas decisões do TRT-24
que entenderam que se não havia rígida fiscalização ou
exigência da utilização dos equipamentos durante o trabalho, e
as empresas descumpriam obrigação legal de assegurar a
integridade física de seus empregados — o que impede a
dispensa por justa causa. (RO 205-84.2012.5.24.0076 e RO 204-
02.2012.5.24.0076)16
O que se percebe é que inobstante as previsões normativas e
jurisprudenciais sobre a responsabilidade do empregador é certo que o
posicionamento da legislação nacional declina na mesma direção das
determinações da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que através da
sua Convenção nº 174, firmada na Reunião de Genebra em 02/06/1993
estabeleceu que:
Art. 1º A presente Convenção tem por objeto a prevenção de
acidentes industriais maiores que envolvam substâncias perigosas
e a limitação das consequências desses acidentes.
[...]
Art. 2º Onde surgirem problemas especiais de relevante
importância, que tornem impossível pôr imediatamente em prática
todas as medidas preventivas e de proteção previstas pelo
Convenção,todo Estado-membro,apósse consultar com
organizações de empregadores e trabalhadores e outras partes
interessadas que possam ser afetadas deverá criar planos para
progressiva implementação das citadas medidas num determinado
espaço de tempo.
16 http://www.conjur.com.br/2014-abr-15/responsabilizacao-nao-uso-epis-ainda-varia-decisoes-judiciais
acessado as 13:20 dia 19 de maio de 2015.
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Como se observa, os países membros da OIT, por meio da
Convenção nº. 174 de 1993, forma claros e taxativos ao reafirmarem o
interesse e a preocupação em se preservar um ambiente de trabalho seguro e
condizente com as medidas de segurança do local de trabalho, conferindo ao
empregador o poder de fiscalizar e proporcionar um ambiente seguro e
saudável para o empregado.
3 CONCLUSÃO
Como pôde ser percebido ao longo da presente exposição, é certo
que a adoção de todas as medidas de segurança e proteção do empregado,
além de um direito assegurado pela legislação trabalhista, espelha uma
obrigação do empregador, que deverá adotar todas as condições propícias
para proteger a integridade física do obreiro.
Ademais é certo que ao empregado não se pode possibilitar colher
a consequências dos riscos do empreendimento, que devem ser sempre
suportados pelo empregador. E quanto as condições de trabalho é ainda mais
certo que o empregador tem por obrigação adotar todas as condições dignas
de trabalho, assegurando a integridade física do empregado, dentro dos
princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana.
O princípio jus trabalhista da proteção do trabalhador além de
amplo e geral, possibilita ao Estado atribuir ao mau empregador as
responsabilidades reparatórias pelos danos sofridos pelo obreiro no local de
trabalho, decorrentes das condições gravosas (insalubridade e/ou
periculosidade) suportadas, mesmo quando do fornecimento dos equipamentos
de proteção individual.
Como se viu é do empregador o ônus de fornecer os EPI’s, bem
como de fiscalizar a sua efetiva utilização, sendo certo que só se pode cogitar
verdadeira proteção da saúde do empregado quando este está utilizando todos
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os meios protetivos postos em seu poder, no caso os equipamentos de
proteção individual.
Diante de tais fatos é certo que o empregador só ira arcar com a
responsabilidade nos acidentes de trabalho, quando deixar de fiscalizar o
devido uso dos EPI´S, inerentes ao trabalho do qual visa à aferição de lucros,
assim ficando desobrigado quando tomar as devidas providencia quanto ao uso
dos referidos equipamentos.
REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA:
BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. 9ª ed. São Paulo. LTR.
2013.
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Saúde. 4º ed. São Paulo. Saraiva, 2011.
COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Civil: Obrigações – Responsabilidade
civil. 5º ed. São Paulo. Saraiva, 2012.
FIUZA, César.Direito Civil Curso Completo. 17ªed. São Paulo. Revista dos
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GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Esquematizado. São Paulo. Saraiva,
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GAGLIANO, Pablo Stolze. Novo Curso De Direito Civil. 12ªed. Vol.3. São Paulo.
Saraiva, 2012.
DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro. São Paulo: Editora Saraiva,
2004,v.7,p.48.
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Paulo. Editora Saraiva 2014.

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