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livro de laudo técnico de condições ambientais de trabalho

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Prévia do material em texto

2018
Prof.ª Paula Dittrich Corrêa
Laudo Técnico e 
condições do TrabaLho
Copyright © UNIASSELVI 2018
Elaboração:
Prof.ª Paula Dittrich Corrêa
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
B468l
 Corrêa, Paula Dittrich
 Laudo técnico e condições de trabalho. / Paula Dittrich Corrêa. 
– Indaial: UNIASSELVI, 2018.
 183 p.; il.
 ISBN 978-85-515-0232-7
1.Laudos periciais. – Brasil. 2.Segurança do trabalho. – Brasil. I. 
Corrêa, Paula Dittrich. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.
CDD 363
Impresso por:
III
ApresentAção
Para que você, acadêmico, possa ampliar seus conhecimentos, vamos 
iniciar nossos estudos sobre Laudo Técnico das Condições Ambientais do 
Trabalho. O conteúdo deste livro, bem como as orientações, contribuirão 
positivamente no direcionamento do processo ensino/aprendizagem.
A elaboração deste livro de estudos tem como objetivo direcioná-lo 
a ordenar os conteúdos e aspectos teóricos e o auxiliará no desenvolvimento 
global do seu estudo, agregando conhecimento e possibilitando, no final do 
curso, sua inserção no mercado de trabalho através do seu mérito e dedicação.
Cabe destacar que o Laudo Técnico das Condições Ambientais 
do Trabalho, também chamado de LTCAT, tem o objetivo de informar as 
condições ambientais do trabalho em que o trabalhador está inserido, diante 
dos agentes químicos, físicos, biológicos e ergonômicos, os quais podem 
causar enfermidades e afastamentos do trabalho, se estiverem acima dos 
níveis de tolerância.
Você também estudará que o Laudo Técnico de Condições Ambientais 
do Trabalho é um documento técnico de caráter pericial, que registra as 
condições ambientais do trabalho, avalia as funções do trabalhador diante 
da sua exposição a agentes nocivos à saúde e à segurança, de acordo com as 
Normas Regulamentadoras números 15 e 16, além de classificar as ativi dades 
com relação à salubridade, insalubridade, periculosidade e enquadramento 
da aposentadoria especial (INSS).
Os assuntos desenvolvidos e relacionados a essa disciplina, apesar de 
serem carregados de conteúdo, não serão esgotados, porém caberá a você, 
acadêmico, contribuir através da sua dedicação e esforço, a fim de estudar o 
conteúdo aqui apresentado. Assim, convidamos você a conhecer brevemente 
cada unidade que será abordada neste livro de estudos.
Na Unidade 1, você irá compreender sobre a evolução do trabalho, como 
surgiram os cuidados com a segurança do trabalhador e consequentemente como 
a legislação contribuiu para a aplicação das normas que garantiram, no decorrer 
das décadas, os direitos e obrigações do trabalhador. Também conhecerá sobre 
as condições ambientais do trabalho e aspectos gerais sobre o LTCAT.
Na Unidade 2, você aprenderá sobre legislação trabalhista e os 
aspectos que envolvem o acidente de trabalho, tanto para o empregado, 
quanto para o empregador. Além disso, entenderá sobre os limites de 
tolerância trazidos pela legislação trabalhista e os aspectos pertinentes à 
exposição do trabalhador, aos agentes nocivos.
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto 
para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
Na Unidade 3, você compreenderá sobre o surgimento de programas 
relacionados à saúde do trabalhador, para proteção da saúde de quem 
trabalha, bem como garantias e deveres. Também conhecerá sobre os 
equipamentos de proteção, mapa de risco e como os laudos se materializam, 
ou seja, ofereceremos alguns exemplos para que você tenha noção de como 
são estruturados.
Nesse contexto, delinearemos os assuntos importantes a serem 
conhecidos e dessa forma, convidamos você a iniciar as atividades, sendo 
multiplicador da boa ideia de trabalharmos juntos e focados nos aspectos 
que permeiam o Laudo Técnico e Condições Ambientais do Trabalho.
Prof.ª Paula Dittrich Corrêa
NOTA
V
Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos 
materiais ofertados a você e dinamizar ainda mais 
os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza materiais 
que possuem o código QR Code, que é um código 
que permite que você acesse um conteúdo interativo 
relacionado ao tema que você está estudando. Para 
utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos 
e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar 
mais essa facilidade para aprimorar seus estudos!
UNI
VI
VII
UNIDADE 1 - LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO ...... 1
TÓPICO 1 - SEGURANÇA DO TRABALHO .................................................................................. 3
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 3
2 EVOLUÇÃO DO TRABALHO HUMANO ................................................................................... 4
3 HISTÓRICO DA SEGURANÇA DO TRABALHO ..................................................................... 7
4 CONCEITO DE SEGURANÇA DO TRABALHO ........................................................................ 9
5 LEGISLAÇÃO APLICADA À SEGURANÇA DO TRABALHO ............................................. 12
5.1 REFERENCIAL NORMATIVO ................................................................................................. 12
5.2 ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO ..................................................... 15
5.3 RESUMO DA EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA BRASILEIRA ................ 18
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 21
TÓPICO 2 - CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO ...................................................... 23
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 23
2 HISTÓRICO E REGULAMENTAÇÃO ........................................................................................ 24
3 CONCEITO E OBJETIVO DO LTCAT ......................................................................................... 25
4 RECONHECIMENTO DOS RISCOS AMBIENTAIS ................................................................ 27
4.1 CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS ..................................................................... 29
4.1.1 Risco físico ........................................................................................................................... 29
4.1.1.1Ruído ..................................................................................................................................que transcreve os agentes 
agressivos encontrados nos ambientes de trabalho, sejam físicos, químicos, 
biológicos, ergonômicos e que possam causar perdas para os trabalhadores, como 
doenças, incapacitações, acidentes ou qualquer dano à integridade física. Além 
disso, saber se esses agentes ensejarão o direito ao adicional de insalubridade, 
periculosidade e, por conseguinte, aposentadoria especial.
TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
27
4 RECONHECIMENTO DOS RISCOS AMBIENTAIS
Conforme Barsano e Barbosa (2012), o trabalho é considerado uma 
satisfação pessoal, fazendo parte do rol de tópicos que auxiliam na melhoria 
da qualidade de vida das pessoas. Por meio dele, o indivíduo expressa sua 
criatividade e exercita seu conhecimento, criando uma importância de vida nas 
atividades que realiza. Afirmam ainda que algumas variáveis presentes no dia 
a dia de trabalho, como o ambiente, as ferramentas, as máquinas e as posturas 
assumidas, colocam a saúde do trabalhador à mercê de possíveis danos. Podemos 
estimar que há chances para que esses elementos contribuam para algum dano à 
saúde do trabalhador, e a essas oportunidades chamamos de riscos ambientais.
As pessoas que trabalham certamente estão expostas a riscos específicos 
para sua saúde, pois todo ambiente contém agentes prejudiciais ao organismo, 
quando está em desacordo com a legislação vigente.
O ambiente de trabalho é um conjunto de fatores interdependentes, 
que está relacionado com a qualidade de vida das pessoas, pois um ambiente 
hostil, ruim e com desarmonias influenciará diretamente na produção e 
desempenho do trabalhador.
Conforme Vieira (2008), fatores ou riscos ambientais são considerados um 
termo bem amplo, denominado e voltado aos possíveis agentes que provocam 
doenças ocupacionais, os quais podemos encontrar em uma determinada 
atividade ou local de trabalho.
A higiene ocupacional é responsável pelo reconhecimento, avaliação e 
controle dos riscos de saúde no ambiente de trabalho, com a intenção de proteger 
a saúde dos trabalhadores, considerando o ambiente de trabalho como forma de 
contágio da doença.
Ainda há locais de trabalho em que os agentes nocivos têm agido de forma 
descontrolada, afetando a saúde humana de maneira adversa e em intensidade 
variável. Em muitas ocasiões, a produção e o lucro têm exercido prioridade em 
algumas empresas, deixando a saúde humana e a qualidade de vida em um 
segundo plano, com efeitos desastrosos.
É importante esclarecer que apenas a presença dos agentes nocivos 
no ambiente de trabalho não causa prejuízos à saúde do trabalhador, pois há 
necessidade de vários fatores combinados, como exemplo podemos citar a 
concentração, o tempo de exposição e o nível de toxicidade.
Brevigliero (2011) aduz que os agentes físicos, químicos e biológicos 
existentes nos ambientes de trabalho, em função de sua natureza, concentração 
ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do 
trabalhador, constituindo os riscos ambientais.
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
28
Conforme Barbosa e Barsano (2012), quanto mais tempo o trabalhador 
permanecer exposto ao agente nocivo, maiores serão as possibilidades de se obter 
uma doença ocupacional, sendo que o tempo real de exposição será determinado 
em função da tarefa executada pelo trabalhador. 
Da mesma forma, quanto maior a concentração ou intensidade dos agentes 
nocivos no ambiente de trabalho, maior será a possibilidade de efeitos maléficos 
à saúde dos trabalhadores e doenças associadas (BARBOSA; BARSANO, 2012).
Desde o momento em que as doenças ocupacionais resultam da exposição 
a agentes no ambiente de trabalho, sua prevenção deverá ocorrer, através do 
desenvolvimento de programas de saúde ocupacional, bem como em nível educacional.
Enquanto o ambiente de trabalho “insalubre” permanece o mesmo, 
seu potencial para causar doenças continua, mas para isso é necessário fazer 
um diagnóstico e, consequentemente, a restauração do ambiente, através do 
reconhecimento, avaliação e controle dos riscos de saúde existentes, assegurando 
a possível ruptura do círculo vicioso no ambiente de trabalho.
A principal função da higiene ocupacional é assegurar um ambiente de 
trabalho saudável, através de uma supervisão contínua, porém, frente a algum 
sinistro relacionado a condições inadequadas de trabalho, deve-se realizar 
intervenção imediata de controle.
Conforme Curia et al. (2011), a NR 9, em seu artigo 9.1.5, informa que são 
considerados riscos ambientais aqueles causados por agentes físicos, químicos e 
biológicos capazes de danificar a saúde do trabalhador em função de sua natureza, 
concentração e tempo de exposição.
Além dos três agentes citados pela NR 9, é importante a constatação de mais 
dois agentes, ergonômicos e de acidentes, que completam a divisão tradicional 
das cinco classes de riscos, conforme Barbosa (2010), detalhadas a seguir.
TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
29
FIGURA 10 – CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS
FONTE: . Acesso em: 4 jul. 2017.
Os agentes ergonômicos e de acidentes são importantes no âmago 
da questão, pois oportunizam uma maior abrangência para análise e, por 
consequência, a extensão de cuidados e controle, em busca da proteção da saúde 
do trabalhador.
Dessa forma, podemos deduzir que em qualquer tipo de atividade exercida 
pelo trabalhador, é importante e necessário investigar o ambiente laboral, a fim 
de conhecer os riscos a que está exposto.
4.1 CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS
O homem interage com o ambiente constantemente, essa interação 
deveria ser positiva, ou seja, benéfica para ambos, porém, algumas vezes o 
ambiente pode causar prejuízos à saúde do homem. Vários autores classificam 
os riscos ambientais em cinco categorias, estudaremos essa divisão com suas 
particularidades inerentes à saúde ocupacional.
4.1.1 Risco físico
Para Ponzetto (2010), os agentes físicos são condições nocivas que 
encontramos no ambiente de trabalho, ou mesmo condições externas a esse 
ambiente. A característica do risco físico é que o agente não penetra no organismo, 
mas pode afetar o trabalhador, devido à nocividade do ambiente de trabalho.
Riscos
biológicos
Riscos
químicos
Riscos
ergônomicos
Riscos de
acidentes
Riscos
físicos
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
30
QUADRO 2 – FREQUÊNCIA SONORA
SERES VIVOS INTERVALOS DE FREQUÊNCIAS
Cachorro 15 Hz – 45.000 Hz
Ser humano 20 Hz – 20.000 Hz
Conforme Curia et al. (2011, p. 112), o artigo 9.1.5.1 da NR 9 descreve 
agentes físicos como sendo as “formas de energia a que possam estar expostos 
os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas 
extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o infrassom 
e o ultrassom”. 
Estudaremos cada agente físico que, exposto em concentrações acima dos 
valores permitidos pela legislação trabalhista, pode causar alguma perda para a 
saúde do trabalhador.
4.1.1.1Ruído
Conforme Ponzetto (2010), é considerado ruído qualquer tipo de som 
interno ou externo a um ambiente e que não seja harmonioso, ou seja, que seja 
desagradável para as pessoas ou funcionários que ficam expostos.
Dessa forma, o ruído em excesso, ou seja, acima dos níveis tolerados 
pela legislação, poderá causar deficiência auditiva, perda auditiva, cefaleia e, até 
mesmo, comprometimento do sistema nervoso central.
Ponzetto (2010) afirma que os efeitos do ruído podem manifestar-se no 
comportamento social dos indivíduos, dispersá-los, tirar sua atenção, provocar 
irritabilidade, cansaço e comportamentos anormais.
Barbosa (2010) alega que o ruído afeta o homem simultaneamente nos 
planos físico, psicológico e social, causando transtornos em outros sistemas, como: 
alterações gastrointestinais, dilatação da pupila, problemas cardiocirculatórios, 
alteração do sono, possibilidades de acidentes por alterar o sistema motor.
Oliveira (2009) complementa essas informaçõesdizendo que o ruído elevado 
influencia negativamente na produção do trabalhador, além de ser motivo da causa 
de acidentes, devido à distração ou por mascarar avisos ou sinais de alarme. Ele 
ainda relata que a exposição intensa e prolongada ao ruído afeta o estado emocional 
do indivíduo, provocando consequências no equilíbrio psicossomático. 
Em termos de curiosidade, visualize o quadro com intervalos de frequências 
audíveis, por diferentes seres vivos. Perceba que cada ser corresponde a um intervalo 
diferente, na realidade, esses intervalos correspondem à percepção do som.
TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
31
FONTE: . Acesso em: 4 jul. 2017.
Para considerar que a exposição ao ruído seja prejudicial à saúde do indivíduo 
é necessário permanecer por um determinado tempo, frente a uma determinada 
frequência, que, conforme a literatura, é enquadrada acima de 85 dB(A).
A frequência é a característica através da qual o ouvido distingue se um som é 
agudo ou grave. Esta característica está relacionada com as vibrações de uma onda sonora, 
que ocorre num período de um segundo, expressa em Hertz – Hz (VIEIRA, 2008). 
UNI
O quadro a seguir foi extraído da NR-15 e apresenta os limites de tolerância 
para ruído, a leitura indica a permanência máxima que poderá ser efetuada por 
um indivíduo sem proteção, de modo que não ocorra dano à saúde do trabalhador 
(BARBOSA, 2010).
QUADRO 3 – LIMITES DE TOLERÂNCIA AO RUÍDO
Nível de ruído dB (A) Máxima exposição diária permissível
85 8 horas
86 7 horas
87 6 horas
88 5 horas
89 4 horas e 30 minutos
90 4 horas
91 3 horas e 30 minutos
92 3 horas
93 2 horas e 30 minutos
94 2 horas
95 1 hora e 45 minutos
98 1 hora e 15 minutos
100 1 hora
102 45 minutos
104 35 minutos
Sapo 50 Hz – 10.000 Hz
Gato 60 Hz – 65.000 Hz
Morcego 1000 Hz – 120.000 Hz
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
32
FIGURA 11 – VIBRAÇÃO CAUSADA POR BRITADEIRA
FONTE: . Acesso em: 6 jul. 2017.
A vibração pode causar consequências danosas à saúde e, dependendo do 
tempo de exposição, pode ocasionar doenças ocupacionais. Assim, operações que 
exponham os trabalhadores a vibrações, sem as devidas recomendações legais, 
enquadram a atividade como insalubre.
Para Oliveira (2009), as vibrações recebem duas classificações:
a) Localizadas: quando o trabalhador utiliza ferramentas manuais elétricas ou 
pneumáticas, esse tipo de trabalho, com longo tempo de exposição, pode ocasionar 
osteoporose, problemas nas articulações, comprometimento nas mãos.
b) Vibrações de corpo inteiro: quando o trabalhador desenvolve seu trabalho 
em veículos, plataformas, navios, helicópteros, entre outros, com risco de 
ocasionar problemas na coluna vertebral, dores lombares e até lesões nos rins.
105 30 minutos
106 25 minutos
108 20 minutos
110 15 minutos
112 10 minutos
114 8 minutos
115 7 minutos
FONTE: .
Acesso em: 4 jul. 2017.
4.1.1.2 Vibrações
O conceito não é difícil de deduzir, pois o próprio nome sugere vibração, 
assim, vibração significa vibrar, ou seja, é quando o trabalhador desenvolve 
alguma atividade em que o corpo vibra, por exemplo, quando o trabalhador 
utiliza uma britadeira.
TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
33
Tanto a vibração localizada quanto a vibração de corpo inteiro podem 
causar problemas cardíacos, distúrbios visuais, perda de equilíbrio e efeitos 
psicológicos, como falta de concentração para o trabalho.
É importante lembrar que ambos os tipos, nas condições normalmente 
encontradas, não despertam preocupação para a saúde do trabalhador, 
entretanto, se as exposições forem contínuas e intensas, podem, em determinadas 
circunstâncias, causar diversos males, como os que acabamos de estudar.
Para Oliveira (2009), as vibrações são provocadas pela utilização de máquinas 
e equipamentos, os quais podem ser nocivos ao trabalhador. As vibrações localizadas 
são causadas por ferramentas manuais, elétricas e pneumáticas, já as vibrações de corpo 
inteiro são causadas por grandes máquinas, como caminhões, tratores, entre outros.
Ponzetto (2010) relata que para corrigir ou evitar consequências para a 
saúde do trabalhador com a vibração dos equipamentos, é interessante adotar 
medidas corretivas que visam reduzir os níveis de exposição a vibrações, como:
- Alteração do processo ou da operação de trabalho;
- Manutenção dos equipamentos;
- Diminuição do tempo de exposição diária;
- Rotatividade nas atividades ou operações que causam elevados níveis de vibração.
4.1.1.3 Pressões anormais
Para Ponzetto (2010), as pressões anormais são resultado da pressão 
atmosférica, a qual exerce força sobre todos os campos na superfície terrestre, 
com variações em função da altitude e temperatura.
Dessa forma, Oliveira (2009) explica que há várias atividades exercidas 
pelos trabalhadores que os fazem ficar sujeitos a pressões ambientais acima ou 
abaixo das pressões normais.
FIGURA 12 – TRABALHADORES DE TUBULÕES PRESSURIZADOS QUE
ATUAM EM CONDIÇÕES HIPERBÁRICAS
FONTE: . Acesso em: 6 jul. 2017.
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
34
FIGURA 13 – ESQUEMA DE ESCAVAÇÃO COM CAMPÂNULA DE AR COMPRIMIDO.
FONTE: .
Acesso em: 7 jul. 2017.
São vários os problemas que atingem os trabalhadores expostos a 
pressões elevadas, Ponzetto (2010) relata que dentre eles está a intoxicação pelo 
gás carbônico e diversos males conhecidos como doenças descompressivas, das 
quais a pior é a embolia causada pelo nitrogênio.
A doença descompressiva é um problema que ocorre com o mergulhador, 
pela descompressão inadequada, quanto à duração e profundidade do mergulho.
UNI
Podemos citar exemplos de trabalhos exercidos em pressões anormais, 
como os trabalhos submersos ou realizados abaixo do nível do lençol freático, 
caixões pneumáticos, campânulas, tubulões a ar comprimido, atividades 
submarinas e de mergulho (OLIVEIRA, 2009).
campânula
cachimbo
de saída do
material
NT
NA
guincho
TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
35
Para Ponzetto (2010), locais com pressões baixas são indicativos de baixa 
quantidade de oxigênio, atingindo diretamente o metabolismo das células do 
organismo, provocando falta de oxigênio. Normalmente, o primeiro sintoma 
ocasionado pela falta de oxigênio é a perda da visão noturna, iniciando esse 
sintoma a partir de uma altura de 1.800 metros, posteriormente ocorre perda 
momentânea da memória, coordenação, euforia e morte.
Em função desses problemas que podem ser letais, há necessidade de 
realizar os cuidados fundamentais de despressurização, a fim de manter condições 
de oxigênio para a pessoa que desempenha tal função.
Segundo Oliveira (2009), pressões atmosféricas abaixo do normal também 
podem produzir algumas alterações no organismo da pessoa, mas essas exposições 
ocupacionais não são frequentes no Brasil, pois não existem altitudes tão elevadas no 
país, a não ser aquelas que os pilotos de aviões com cabine despressurizada atingem.
4.1.1.4 Temperaturas extremas
As temperaturas extremas englobam o frio e o calor, normalmente 
identificados em fundições, metalúrgicas, frigoríficos e no setor alimentício em 
geral. Seu efeito sobre a saúde do trabalhador é refletido em danos ao sistema 
cardiorrespiratório e endócrino (BREVIGLIERO, 2011).
Essas temperaturas são condições térmicas altas ou baixas, em que os 
trabalhadores desenvolvem suas atividades. No Brasil, como o clima é tropical, 
predomina o trabalho exercido no calor intenso, que é mais frequente do que o 
exercido no frio intenso.
As temperaturas extremas atingem muitos trabalhadores, tanto em 
ambientesexternos quanto em ambientes internos, e esse desconforto térmico 
enseja vários problemas de saúde, ocasionando alterações fisiológicas.
O ser humano é chamado de homeotérmico, pois mantém a temperatura 
corporal estável em aproximadamente 36,5 ºC, apesar da variação térmica 
do ambiente, portanto, um local é considerado frio quando está abaixo da 
temperatura corporal humana.
De acordo com Barsano e Barbosa (2012), quando o indivíduo está exposto 
a uma temperatura alta, acontece uma sensação de mal-estar generalizado, 
acionando o funcionamento dos sistemas térmicos do organismo a fim de manter 
uma temperatura constante do corpo, iniciando o processo da sudorese, sendo 
que o suor evapora para resfriar a superfície corporal.
Conforme Barsano e Barbosa (2012), o limite de tolerância para exposições 
ao calor é determinado. Com base na NR 15, anexo 3, a exposição ao calor deve ser 
avaliada por meio do “Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo”, conhecido 
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
36
por IBUTG. Para medir a temperatura, deve-se considerar a presença ou não 
de carga solar no momento da medição, utilizando para ambientes internos ou 
externos, definido pelas seguintes equações:
Ambientes internos ou externos sem carga solar
IBUTG = 0,7tbn + 0,3tg
Ambientes externos com carga solar
IBUTG = 0,7tbn + 0,1tbs + 0,2tg
Sendo:
tbn = temperatura de bulbo úmido natural
tg = temperatura de globo
tbs = temperatura de bulbo seco
O instrumento adequado para fazer essa medição é o termômetro, que 
pode ser o de bulbo úmido natural, termômetro de globo ou termômetro de 
mercúrio comum. O local adequado para colocar o instrumento é no trabalhador, 
na altura do corpo em que é mais atingida (BREVIGLIERO, 2011).
Para Oliveira (2009), o calor intenso é prejudicial ao homem, ocasionando 
vários problemas, tanto de saúde quanto no rendimento laboral; entre as 
principais, encontram-se a insolação, o cansaço, a desidratação e as câimbras.
Já o frio extremamente baixo pode causar outros transtornos à saúde do 
indivíduo, como queda da temperatura, feridas na epiderme, falta de circulação, 
doenças do aparelho respiratório, desmaio, convulsão, doenças reumáticas e até 
amputações. Podemos citar como exemplo de local de trabalho a câmara fria, que 
pode englobar açougue, caminhões, indústrias alimentícias.
FIGURA 14 – RISCO FÍSICO (TEMPERATURA BAIXA) NA INDÚSTRIA FRIGORÍFICA 
FONTE: . Acesso em: 10 jul. 2017.
Uma forma de evitar males para a saúde do trabalhador que permanece 
exposto ao frio intenso na sua atividade laboral é a adoção de equipamento 
de proteção individual, como roupas térmicas, luvas, gorros, botas isolantes, 
óculos de proteção, além de revezamento da função e pausas compatíveis com o 
desempenho da atividade.
TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
37
FIGURA 15 – MODELO DE BOTA ISOLANTE
FONTE: .
Acesso em: 10 jul. 2017.
Além dos equipamentos de proteção individual, também existem os 
equipamentos de proteção coletiva para os trabalhadores sujeitos à exposição ao 
frio, a fim de impedir acidentes, doenças e lesões ocupacionais.
A empresa também pode fornecer orientações, colocar anúncios, cartazes 
e primar por alguns cuidados específicos, como:
• A empresa deve disponibilizar locais aquecidos durante os intervalos de 
trabalho.
• As portas das câmaras frias necessitam ter dispositivos que permitam abri-las 
por dentro.
• Quando o trabalhador estiver com a roupa molhada, a empresa deve possibilitar 
a troca da vestimenta.
4.1.1.5 Radiações
Na era da tecnologia, não conseguimos fugir das radiações que nos cercam 
diariamente, seja através do rádio, televisão, radares, sistemas de comunicação 
sem fio, como celular, walk talk, internet ou até do forno micro-ondas. Porém, 
alguns tipos de radiação interagem com os seres vivos de forma que não causam 
prejuízos para a saúde, como exemplo podemos citar as ondas de rádio.
Para Ponzetto (2010), radiação é definida como ondas de energia que são 
transmitidas pelo ar, como as ondas eletromagnéticas, sendo que a exposição 
do indivíduo frente às radiações sem os devidos equipamentos de proteção será 
altamente lesiva para a saúde.
As radiações são classificadas, na visão de vários autores, em dois tipos:
a) Ionizantes: esse tipo de radiação acabou fazendo parte da vida do homem, 
utilizada tanto na área da medicina como na área de equipamentos bélicos. Na 
área da saúde, está presente em aparelhos de Raio X e de radioterapia, porém 
são utilizados para gerar benefícios às pessoas, na prevenção e diagnóstico de 
patologias (BARSANO; BARBOSA, 2012).
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
38
Entretanto, os operadores desses equipamentos necessitam utilizar 
equipamentos de proteção individual e coletiva, para evitar a exposição em 
excesso, a fim de evitar danos ao organismo. Veja a representação das radiações 
alfa, beta e gama, conforme a Figura 16.
Nesse esquema podemos entender que as partículas alfa são as radiações mais 
ionizantes, mas sua penetração na matéria é pequena, não conseguem nem passar 
uma folha de papel, mas no organismo podem causar queimaduras. Já as partículas 
beta atravessam facilmente o papel e o corpo humano, mas não o aço, plástico e 
alumínio, por exemplo. As partículas gama são altamente penetrantes, atravessam o 
papel, o corpo humano e o aço e causam danos irreparáveis ao organismo. 
FIGURA 16 – TIPOS DE RADIAÇÃO IONIZANTES
FONTE: . Acesso em: 12 jul. 2017.
Para Barsano e Barbosa (2012), os efeitos da radiação ionizante podem ser 
relatados de acordo com o sistema atingido no organismo, por exemplo:
- Pele e anexos: pode causar vermelhidão, coceira, descamação, atrofia e necrose.
- Aparelho genital: esterilização temporária ou definitiva.
- Sangue: pode causar leucemia.
- Genes: mutações cromossômicas.
De acordo com Oliveira (2009), o Anexo nº 5 da NR-15, que trata dos 
Limites de Tolerância para Radiações Ionizantes, determina que o controle dos 
funcionários expostos a esse tipo de radiação deverá ser feito de acordo com as 
Normas CNEN-NE3.01 das Diretrizes Básicas de Radioproteção.
TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
39
FIGURA 17 – TIPOS DE RADIAÇÕES IONIZANTES E NÃO IONIZANTES
FONTE: .
Acesso em: 12 jul. 2017.
b) Não ionizantes: de acordo com Oliveira (2009), as radiações não ionizantes são 
de natureza eletromagnética e seus efeitos dependem de fatores com duração 
e intensidade da exposição, comprimento de onda da radiação, região do 
espectro em que se situam, entre outras condições.
As radiações não ionizantes são classificadas em quatro espécies:
- Radiação infravermelha: é uma radiação que age numa frequência além da 
capacidade humana de visão, ou seja, é invisível aos nossos olhos, também 
chamada de calor radiante. Ponzatto (2010) informa que esse tipo de radiação 
é bastante utilizado em indústrias, na fabricação de vidros, por exemplo.
Galafassi (1998) relata que essas radiações são provenientes de operações 
em fornos, soldas, fornos de micro-ondas, radares, ondas de rádio, raios laser etc., 
e os efeitos variam de acordo com o tempo de exposição, intensidade da radiação, 
área, frequência e comprimento da onda. 
Galafassi (1998) informa que os danos ao organismo podem ser em grande 
proporção, como perturbações visuais, queimadura na pele, catarata (que é uma 
doença irreversível), além do efeito carcinogênico. 
c) Radiação ultravioleta: muito prejudicial aos seres vivos. A natureza é tão 
perfeita que a atmosfera filtra a maior parte da radiação que o Sol emite, 
entretanto, em virtude da poluição ambiental, a camada de ozônio ficou 
degradada, permitindo passar uma grande porcentagem dessa radiação, 
incorrendo em risco para as pessoas.
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO40
Segundo Oliveira (2009), essa radiação é emitida em operações de solda 
elétrica, na fusão de metais e no controle de qualidade de algumas lâmpadas. Se o 
indivíduo for atingido, seus malefícios principais são queimaduras, conjuntivite 
e câncer de pele.
d) Radiação laser: Oliveira (2009) esclarece que cada vez mais está sendo 
utilizada essa radiação nas atividades profissionais, como em levantamentos 
topográficos e geodésicos, na medicina e nas comunicações. Seus principais 
efeitos danosos ao organismo são queimaduras na pele e olhos.
e) Radiação micro-ondas: Não causa mudanças na estrutura molecular, 
porém, dependendo do tempo de exposição, pode ocasionar hipertensão, 
alterações do sistema nervoso central e problemas de tireoide. São muito 
utilizadas na comunicação, sendo produzidas em instalações de radares e 
de radiotransmissão, utilizadas também no forno micro-ondas e processos 
químicos (BARSANO; BARBOSA, 2012).
4.1.2 Risco Químico 
Para Barsano e Barbosa (2012), a característica principal desse tipo de 
agente nocivo é o fato de ele penetrar no organismo por exposição crônica ou 
acidental, esse tipo de risco envolve substâncias, compostos ou produtos que, 
quando atingem o indivíduo, podem gerar diversos efeitos, como câncer, 
mutações, doenças, entre outras causas. 
Vieira (2008) afirma que os vários agentes químicos que atingem o 
organismo dos trabalhadores podem causar reações localizadas ou podem ser 
distribuídos aos diferentes órgãos e tecidos, produzindo uma reação generalizada. 
Muitos trabalhadores estão expostos a esse risco, pois são fáceis de serem 
encontrados na indústria química, produção de baterias, cloro-soda, petroquímica, 
amianto, metalurgia e siderurgia (BARSANO; BARBOSA, 2012).
Para Vieira (2008), as principais vias de penetração dessas substâncias no 
organismo humano são:
- Respiratória: quando a substância é inalada pelas vias aéreas, atuando na 
garganta e nos pulmões.
- Digestiva: por essa via a substância necessita ser ingerida para ocorrer a 
absorção.
- Cutânea: é absorvida pela pele e pode causar, além de intoxicação, lesões na 
pele e dermatoses ocupacionais.
Ponzetto (2010) relata que a toxicidade da substância, quando atinge o 
organismo, é determinada pelo quanto essa substância causa de malefícios ao 
corpo humano, chamada de nocividade. Cada substância tem um poder nocivo 
TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
41
que difere de cada espécie, por isso é importante determinar a quantidade ou 
concentração da substância, pois quanto maior a nocividade, mais fatal será a 
complicação. 
4.1.3 Risco Biológico
Acadêmico, lançamos uma pergunta para você, baseado em Barbosa e Nunes 
(2011): o que haveria de comum entre uma criação de aves e um laboratório de 
análises clínicas? O que tem em comum é que são profissionais que trabalham com 
os agentes biológicos, porque tanto o local da criação de aves quanto o laboratório 
possuem germes e bactérias, os quais podem trazer prejuízos à saúde humana.
Risco biológico é a possibilidade de exposição a micro-organismos que 
causam patologias à saúde humana, muitas vezes apenas desconforto com 
chances de prognóstico de cura, ou com possibilidade de morte.
Para Vieira (2008), os agentes biológicos são representados por várias 
espécies, como vírus, fungos, bactérias, parasitas, os quais, dependendo do tipo 
do agente, causam doenças diversas. Veja abaixo uma relação de atividades 
ligadas com:
- Animais: podem causar carbúnculo, febre aftosa, raiva, brucelose, tétano, 
malária e esquistossomose.
- Vegetais: micoses em geral, como blastomicose e actinomicose.
- Hospitais e clínicas: tuberculose, hepatite, AIDS.
- Trabalhadores industriais: moléstia de Weil em lixo e esgotos. 
Conforme a classificação da NR 32 Anexo 1, demonstrada por Curia et al. 
(2011), os agentes biológicos são dispostos em:
a) Classe de risco 1 – baixo risco individual para o trabalhador e para a coletividade, 
com baixa probabilidade de causar doença ao homem. Exemplo: Lactobacillus 
sp utilizados pela indústria para fazer iogurtes (CURIA et al., 2011).
b) Classe de risco 2 – risco individual moderado para o trabalhador e com baixa 
probabilidade de disseminação para a coletividade. Pode haver chances de o 
homem se contaminar, porém, há tratamento para combater o agente. Exemplo: 
vírus da febre amarela, é uma doença infecciosa transmitida por mosquitos 
contaminados e que causa mal-estar no corpo, com muita febre (CURIA et al., 
2011).
c) Classe de risco 3 – risco individual bem acentuado para o trabalhador e com 
grande possibilidade de disseminação para a coletividade. Podem causar 
doenças e infecções graves ao ser humano, porém com tratamento disponível 
para o diagnóstico. Exemplo: Bacilo de Koch, que provoca a tuberculose 
(CURIA et al., 2011).
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
42
d) Classe de risco 4 – risco individual elevado para o trabalhador e com grandes 
chances de contágio para a coletividade, a transmissão pode ocorrer de um 
indivíduo a outro. Podem causar doenças graves ao ser humano, para as quais 
não existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento. Exemplo: vírus Ebola, 
que causa febre hemorrágica, com risco elevado de óbito (CURIA et al., 2011).
4.1.4 Risco Ergonômico
Ponzetto (2010) relata que a ergonomia é uma ciência que adapta as 
necessidades funcionais do homem ao trabalho, com o objetivo de trazer conforto 
para sua saúde, melhorar a produtividade e gerar bem-estar.
Para Vieira (2008), a ergonomia é a ciência que comanda as relações entre 
homens, máquinas, objetos e mobiliário no trabalho. No dia a dia do ser humano, 
a ergonomia auxilia a identificar desconfortos na atividade laboral do homem, 
relacionados a aspectos de levantamento, transporte e descarga de materiais, 
mobiliário, equipamentos e condições ambientais do posto de trabalho.
Conforme Ponzetto (2010), a finalidade da ergonomia não se limita apenas 
às atividades relacionadas ao trabalho, mas também em busca da prevenção de 
doenças ocupacionais, proporcionando, acima de tudo, bem-estar ao trabalhador.
A ergonomia ajuda a prevenir lesões musculares, frequentes em 
trabalhadores, principalmente aqueles que passam a maior parte do tempo 
sentados trabalhando com computador e são acometidos por LER (Lesão por 
Esforço Repetitivo).
Para Ponzetto (2010), as LERs são doenças ocupacionais resultantes do 
trabalho que exigem os mesmos movimentos, posturas inadequadas, gestos 
acelerados e esforço físico, porém, os agentes psicossociais, como excesso de 
trabalho, cansaço, longas jornadas de trabalho, também interferem no mau 
desempenho físico.
Assim, uma empresa com responsabilidade e que busca produtividade, 
proporcionando bem-estar, conforto físico e psíquico ao trabalhador, irá se 
adequar às legislações trabalhistas e, dessa forma, proporcionará todas as 
condições favoráveis de trabalho.
4.1.5 Risco de Acidente
Risco de acidente é resultado da execução de um trabalho que é executado, 
na maioria das vezes, fora das regras e regulamentos da empresa, gerando risco 
de morte para o trabalhador, às vezes sendo fatal.
TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
43
Para Barsano e Barbosa (2012), os acidentes podem ocorrer em função da 
interação inadequada entre o ser humano, as atividades laborais e o ambiente 
de trabalho. O comportamento inadequado do operador pode desencadear um 
acidente, que também pode ser causado pelas inadequações do posto de trabalho, 
equipamentos mal projetados ou falhas nos equipamentos.
Ponzetto (2010) alega que riscos de acidentes são todos os fatores que 
colocam em perigo o trabalhador, tanto física como psicologicamente. Esses 
fatores podem ser considerados equipamentos sem proteção ao trabalhador, 
ferramentas inadequadas, falta de manutenção dos equipamentos, eletricidade 
ou armazenamento inadequado de materiais.
Os soldadores correm grandes riscos à sua saúde em função de choque 
elétrico ou intoxicação por substâncias. Damesma forma, os frentistas que 
trabalham em postos de gasolina correm risco de acidente diariamente, seja 
por queimaduras, seja por explosão, pois os combustíveis são inflamáveis 
(PONZETTO, 2010).
Portanto, é necessário eliminar o quanto possível os perigos a que as 
pessoas ficam expostas, bem como realizar um trabalho educativo de prevenção, 
para o uso de equipamentos de proteção individual, com o objetivo de evitar 
acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.
44
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que: 
• O Laudo Técnico das Condições de Trabalho é um documento ligado às 
condições de segurança no ambiente de trabalho.
• O laudo tem o objetivo de especificar as condições do ambiente de trabalho, 
evidenciando os agentes envolvidos.
• O LTCAT é uma declaração que objetiva demonstrar se há – ou não – riscos 
ambientais, em níveis ou concentrações que causem malefícios à saúde ou à 
integridade física do trabalhador.
• A higiene ocupacional é responsável pelo reconhecimento, avaliação e controle 
dos riscos de saúde no ambiente de trabalho.
• Os agentes nocivos no ambiente de trabalho não causam prejuízos à saúde do 
trabalhador, pois há necessidade de vários fatores combinados.
• Os agentes nocivos, como bactérias, fungos, radiação, luminosidade, frio ou 
calor em excesso, causam doenças e afastamentos do trabalho.
• Quanto mais tempo o trabalhador permanecer exposto ao agente nocivo, 
maiores serão as possibilidades de contrair uma doença ocupacional.
• São considerados riscos ambientais aqueles causados por agentes físicos, 
químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes.
45
1 Qual o objetivo do Laudo Técnico das Condições de Trabalho?
2 Agentes nocivos são aqueles que podem ocasionar danos à saúde ou à 
integridade física do trabalhador, em função da concentração, intensidade 
e do fator de exposição nos ambientes de trabalho. Diante dessa afirmativa, 
assinale a alternativa CORRETA quanto à classificação dos agentes nocivos:
a) ( ) Físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e acidentes.
b) ( ) Radiativos, químicos e biológicos.
c) ( ) Atômicos, físicos e ergonômicos.
d) ( ) Ecológicos, biológicos e mineração.
3 Riscos ambientais são muito debatidos e estudados na área de segurança e 
saúde do trabalho, principalmente para implementar programas na área de 
saúde ocupacional. Diante dessa afirmativa, explique o conceito de riscos 
ambientais.
 
4 As radiações não ionizantes dependem de fatores com duração e intensidade 
da exposição, comprimento de onda da radiação, região do espectro em 
que se situam, entre outras condições. As radiações não ionizantes são 
classificadas em quatro tipos, cite a classificação.
5 Ao mencionarmos que há relação entre homens, máquinas, objetos e 
mobiliário no ambiente de trabalho e que muitas empresas primam 
para o bem-estar do trabalhador, a fim de evitar desconfortos e doenças 
ocupacionais, estamos falando de qual risco no ambiente de trabalho?
a) ( ) Ergonômico
b) ( ) Físico
c) ( ) Químico
d) ( ) Biológico
AUTOATIVIDADE
46
47
TÓPICO 3
 ASPECTOS GERAIS DO LTCAT
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Sabemos que muitas patologias atingem o homem, e as doenças ocupacionais 
não são diferentes, elas são conhecidas como doenças profissionais relacionadas à 
saúde do trabalhador. Nesse aspecto, podemos também considerar a possibilidade 
de um trabalhador ser acometido por algum acidente durante sua jornada laboral, 
causando uma perturbação tanto na saúde quanto na vida profissional.
A maioria das doenças ocupacionais, como já vimos, é causada por agentes 
nocivos. Nesta unidade estudaremos os fatores que expõem os trabalhadores a 
esses agentes, num limite de tolerância acima da previsão legal e que, por sua 
vez, podem gerar insalubridade ou periculosidade.
Veremos que os agentes nocivos são identificados por profissionais 
qualificados e aptos, pela legislação, para aferi-los e propor recomendações 
às empresas de como diminuí-los ou até saná-los. As medições são feitas por 
instrumentos próprios para cada tipo de agente nocivo, iremos caracterizar cada 
um deles, com seus respectivos modelos. 
Já estudamos sobre LTCAT, mas entenderemos o motivo de sua 
elaboração, como ele deve ser elaborado, quais os requisitos que o laudo deve 
conter e sua validade, pois, dependendo de determinadas circunstâncias, o 
LTCAT deve ser refeito.
Vamos nos engajar neste assunto e juntos caminhar em direção ao sucesso 
profissional.
Bons estudos.
2 DEFINIÇÕES LEGAIS
2.1 INSALUBRIDADE
Conforme Saliba (2013, p. 370), a palavra insalubre “vem do latim e significa 
tudo aquilo que origina doença, e a insalubridade é a qualidade de insalubre”. 
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
48
É importante esclarecer que as questões referentes à insalubridade 
e periculosidade possuem previsão expressa na Constituição Federal e CLT 
(Consolidação das Leis do Trabalho), e são elas que darão as diretrizes para essas 
questões legais. Já com relação aos aspectos técnicos, a previsão está vigente nas 
Normas Regulamentadoras.
No Dicionário Aurélio, o termo “insalubre” significa prejudicial à saúde, 
nocivo, e “insalubridade” significa inadequado à vida, nocivo (FERREIRA, 2010).
Já o conceito legal de insalubridade, conforme Saliba (2013, p. 371), é dado 
pelo art. 189 da CLT, nos seguintes termos:
Serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, 
por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os 
empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância 
fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo 
de exposição aos seus efeitos.
Falando em trabalho, o art. 7º da Constituição Federal de 1988, que trata 
sobre os direitos sociais dos trabalhadores urbanos e rurais, traz um rol de direitos 
a serem observados, dentre eles o inciso XXIII, com a seguinte redação: “adicional 
de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da 
lei” (BRASIL, 2004, p. 16).
Trabalho insalubre, segundo Paoleschi (2012), significa o desenvolvimento 
de uma atividade em que o trabalhador é exposto a agentes nocivos, acima dos 
limites tolerados, seja por sua natureza, intensidade ou tempo de exposição.
Segundo Martins (2013, p. 269): 
Para a caracterização da insalubridade é preciso: 
(a) Exposição a agentes nocivos à saúde do trabalhador. 
(b) Que essa exposição seja acima dos limites de tolerância fixados em razão 
da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição, pois se a 
exposição estiver nos limites de tolerância, não há direito ao adicional.
Rossete (2014, p. 27) traz uma definição sobre o que vem a ser trabalho 
insalubre: “[...] podemos dizer que trabalho insalubre é aquele em que o 
trabalhador se submete a determinado agente ambiental ao longo de anos de 
exposição, podendo desenvolver uma doença profissional ou do trabalho”.
Saliba (2013) informa que trabalhar em condições de insalubridade 
significa trabalhar em ambiente com agentes nocivos acima dos limites de 
tolerância, portanto, oportuniza ao trabalhador receber um adicional sobre o 
salário mínimo equivalente a:
40% para insalubridade de grau máximo;
20% para insalubridade de grau médio;
10% para insalubridade de grau mínimo.
TÓPICO 3 | ASPECTOS GERAIS DO LTCAT
49
No caso de incidência de mais de um fator de insalubridade, será considerado 
o grau mais elevado, conforme subitem 15.3 da NR-15 (SALIBA, 2013).
UNI
O Ministério do Trabalho instituiu os limites de tolerância das condições 
insalubres e a caracterização da atividade insalubre, perigosa ou penosa, que 
dependerá da realização de perícia por parte do agente.
Conforme Paoleschi (2012), o trabalhador tem direito ao adicional enquanto 
estiver exercendo atividades em ambientes de condições adversas, identificadas pela 
perícia. Se as condições insalubres forem eliminadas ou reduzidas pela adoção de 
medidas de segurança, com o fornecimento de equipamentos de proteção individual,o direito ao pagamento do valor de insalubridade cessa (se ocorrer eliminação) ou 
redução do percentual concedido (se ocorrer redução das condições insalubres).
O mesmo autor ainda explica que se a trabalhadora estiver grávida ou em 
período de amamentação, é obrigatório o seu afastamento da atividade insalubre, 
perigosa ou penosa, e dessa forma, não receberá o adicional de insalubridade 
pelo período em que estiver afastada da condição insalubre.
Independentemente da condição de estar ou não grávida, qualquer 
trabalhadora que se afastar, por algum motivo, perderá o direito ao adicional de 
insalubridade, durante o período de afastamento.
É importante esclarecer que o exercício de atividades em locais insalubres, 
com ou sem o recebimento do adicional, não reduz o tempo de serviço para a 
aposentadoria, e mesmo que o trabalhador tenha recebido o adicional de 
insalubridade, ele não será incorporado à aposentadoria (PAOLESCHI, 2012).
Podemos exemplificar como atividades insalubres aquelas em que o 
funcionário fica exposto a ruídos contínuos, calor, radiação, agentes químicos 
e biológicos fora do limite de tolerância, poeiras minerais e elevados níveis de 
frio e umidade.
Conforme indica Saliba (2013), o Ministério do Trabalho e Emprego, 
através da Portaria nº 3.214/78 da NR-15, regulamentou a matéria estabelecendo 
os critérios de caracterização, grau de insalubridade, entre outros. Essa norma 
possui 14 anexos, conforme o Quadro 4, sendo que em cada um deles foram 
definidos o respectivo agente insalubre e a metodologia de avaliação. 
Vamos analisar o quadro a seguir, que contém agentes nocivos, nele 
também encontramos suas respectivas percepções de insalubridade e os anexos 
dentro da NR-15. Os percentuais variam de 10%, 20% e 40%. 
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
50
Pegaremos um item do quadro para servir de exemplo, nesse caso 
falaremos do indivíduo que trabalha com ar comprimido, ou seja, aquela 
pessoa que trabalha em condições atmosféricas diferentes das nossas, como 
os mergulhadores e as pessoas que trabalham em câmaras hiperbáricas, essas 
recebem o grau máximo de insalubridade, ou seja, 40%.
QUADRO 4 – QUADRO QUE APRESENTA GRAUS DE INSALUBRIDADE
FONTE: . Acesso em: 18 jul. 2017.
Saliba (2013) faz um comentário bem relevante, quando informa que o 
grau de insalubridade depende do agente ou forma de exposição, mas não varia 
de acordo com a intensidade do agente, ou seja, uma concentração de poeira 20 
vezes superior ao limite de tolerância gera o mesmo grau de insalubridade que 
uma concentração duas vezes maior.
GRAUS DE INSALUBRIDADE
Anexo Atividades ou operações que exponham o trabalhador Percentual
1
Níveis de ruído contínuo ou intermitente superiores aos limites de 
tolerância fixados no Quadro constante do Anexo 1 e no item 6 do 
mesmo anexo.
20%
2 Níveis de ruído de impacto superiores aos limites de tolerância 
fixados nos itens 2 e 3 do Anexo 2. 20%
3 Exposição ao calor com valores de IBUTG superiores aos limites de 
tolerância fixados nos Quadros 1 e 2. 20%
4 (Revogado pela Portaria MTE nº 3.751. de 23 de novembro de 1990)
5 Níveis de radiações ionizantes com radioatividade superior aos 
limites de tolerância fixados neste Anexo. 40%
6 Ar comprimido. 40%
7 Radiações não ionizantes consideradas insalubres em decorrência 
de inspeção realizada no local de trabalho. 20%
8 Vibrações consideradas insalubres em decorrência de inspeção 
realizada no local de trabalho. 20%
9 Frio considerado insalubre em decorrência de inspeção realizada 
no local de trabalho. 20%
10 Unidade considerada insalubre em decorrência de inspeção 
realizada no local de trabalho. 20%
11 Agentes químicos cujas concentrações sejam superiores aos limites 
de tolerância fixados no Quadro 1. 10%, 20% e 40%
12 Poeiras minerais cujas concentrações sejam superiores aos limites 
de tolerância fixados neste Anexo. 40%
13
Atividades ou operações envolvendo agentes químicos, 
consideradas insalubres em decorrência de inspeção realizada no 
local de trabalho.
10%, 20% e 40%
14 Agentes biológicos. 20% e 40%
TÓPICO 3 | ASPECTOS GERAIS DO LTCAT
51
Para Paoleschi (2012), as atividades insalubres devem ser verificadas, 
analisadas, caracterizadas, quantificadas e classificadas, sendo que deve-se 
observar os seguintes pontos:
- Descrição do local onde a atividade é exercida.
- Descrição da atividade do trabalhador.
- Tempo de exposição ao risco.
- Descrição do método de trabalho executado.
- Descrição das condições ambientais.
- Descrição da aparelhagem, técnica empregada e método de avaliação referente 
à análise quantitativa.
- Quantificação do que for possível, com interpretação e análise dos resultados.
- Relação do equipamento de proteção utilizado.
- Avaliação dos exames necessários à verificação do uso e da efetividade da 
proteção utilizada.
- Verificar a fonte geradora quanto ao ruído, calor, poeiras etc.
- Verificar se o trabalhador utiliza EPI.
2.2 PERICULOSIDADE
Segundo Paoleschi (2012), por meio das normas jurídicas instituídas, 
o empregado receberá periculosidade quando ficar exposto a condições de 
risco à sua integridade física. Essas normas estabelecem o direito ao adicional 
somente para quatro agentes: explosivo, inflamável, energia elétrica e radiação 
ionizante, mesmo que existam situações até mais perigosas em algumas funções 
ou atividades exercidas.
Saliba (2013) diz que com relação à periculosidade, o artigo 193 da CLT 
estabelece que o valor do adicional é de 30% sobre o salário sem os acréscimos 
resultantes de gratificação ou participações nos lucros da empresa, assim, o 
empregado poderá escolher qual melhor lhe convier. Da mesma forma, podemos 
afirmar que os adicionais de insalubridade e periculosidade não podem ser 
somados, ou seja, o empregado, se estiver enquadrado nas duas categorias, 
deverá optar por apenas uma delas.
Você poderá estar questionando como é feita a distinção entre 
insalubridade e periculosidade, não é mesmo? Não é difícil de explicar, basta 
saber que a insalubridade afeta continuamente a saúde do trabalhador, enquanto 
a periculosidade está relacionada a um possível risco, um eventual sinistro, que 
poderá afetar a saúde do trabalhador.
Quem determina se o trabalhador ganhará ou não adicional de 
insalubridade ou periculosidade será o engenheiro ou médico do trabalho, 
registrados junto ao Ministério do Trabalho, através dos laudos emitidos 
(PAOLESCHI, 2012).
Se você ainda está em dúvida para diferenciar insalubridade e 
periculosidade, veja a figura a seguir, que auxiliará a distinguir cada uma delas.
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
52
FIGURA 18 – DIFERENÇA ENTRE INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE
FONTE: . Acesso em: 
18 jul. 2017.
Até agora estudamos quais trabalhadores têm direito ao adicional de 
periculosidade, mas tem uma novidade, veja a Figura 19 e descubra você mesmo. 
É isso aí, os motoboys conquistaram esse direito, através da Lei 12.997/2014, 
que alterou o artigo 193 da CLT, incluindo o parágrafo quarto, segue a nova 
redação do parágrafo: “§ 4º - São também consideradas perigosas as atividades 
de trabalhador em motocicleta” (BRASIL, 2014, s.p.).
Dessa forma, os motoboys terão direito ao adicional de 30% com base 
no salário, sem acréscimo de gratificações, prêmios ou participação dos lucros 
da empresa.
FIGURA 19 – MOTOBOYS CONQUISTAM DIREITO À PERICULOSIDADE
FONTE: Adaptado de: . Acesso em: 18 jul. 2017.
Além dos motoboys, os profissionais de segurança privada têm direito a 
periculosidade, pois a legislação considera perigosas as atividades ou operações 
que impliquem exposição dos profissionais de segurança pessoal ou patrimonial 
a roubos ou outras espécies de violência física.
AGORA É LEI!
Trabalhadores em
motocicletapossuem
direito a adicional
de periculosidade!
TÓPICO 3 | ASPECTOS GERAIS DO LTCAT
53
FIGURA 20 – SEGURANÇA PRIVADA TEM DIREITO A PERICULOSIDADE
FONTE: Adaptado de: . Acesso em: 18 jul. 2017.
De acordo com Saliba (2013), a caracterização do empregado que tem direito 
ao adicional de insalubridade ou periculosidade será realizada por meio do médico 
do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho, os quais estão aptos a fazer 
perícia. Veja a redação do artigo 195 da CLT que corrobora esta ideia:
§ 1º - É facultado às empresas e aos sindicatos das categorias 
profissionais interessadas requererem ao Ministério do 
Trabalho a realização de perícia em estabelecimento ou setor 
deste, com o objetivo de caracterizar e classificar ou delimitar 
as atividades insalubres ou perigosas.
§ 2º - Arguida em juízo insalubridade ou periculosidade, seja por 
empregado, seja por Sindicato em favor de grupo de associado, 
o juiz designará perito habilitado na forma deste artigo, e, 
onde não houver, requisitará perícia ao órgão competente ao 
Ministério do Trabalho (COSTA, 2015, p. 186) .
3 AVALIAÇÕES AMBIENTAIS 
A avaliação ambiental é importante e necessária para verificar os riscos 
ambientais ocupacionais, quando o trabalhador estiver desempenhando alguma 
atividade, sendo que a avaliação deve ser ampla, de modo a conter todos os ambientes.
Para Ponzetto (2010), é necessário que os profissionais que fazem a 
avaliação sejam coerentes com a realidade dos trabalhadores, a fim de que seja 
bem elaborada e não deixe nenhuma dúvida quanto aos riscos nos inúmeros 
ambientes profissionais. Assim, tornou-se necessário classificar a avaliação 
ambiental em dois tipos: avaliação qualitativa e avaliação quantitativa.
Os profissionais de segurança privada agora
têm direito ao recebimento do benefício no
valor de 30% do salário.
54
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
3.1 AVALIAÇÃO QUALITATIVA
Ponzetto (2010) a conceitua como sendo toda avaliação que não usa 
instrumentos científicos em sua elaboração, ou seja, é baseada no relato do 
indivíduo, no conhecimento do ambiente de trabalho, das práticas profissionais 
para o reconhecimento, no tempo de serviço, entre outros fatores.
O mesmo autor afirma que essa classificação se refere a uma avaliação 
subjetiva, pois o avaliador não só reconhece os riscos, mas também os identifica, 
com base em experiências do cotidiano, conhecimento científico ou qualquer 
outra condição necessária para sua execução.
Para Saad (2012), há alguns riscos que não são possíveis de serem medidos, 
sendo assim, não é adequado enquadrar o risco dentro de um limite de tolerância. 
Podemos exemplificar com o risco biológico, que conforme previsto no anexo 14 
da NR 15, não é necessário mensurar a quantidade de microrganismos, apenas a 
comparação do ambiente com a tabela já caracteriza a atividade como sendo insalubre.
Saad (2012, p. 297) complementa afirmando:
[...] há fatores de insalubridade que não são mensuráveis e que, 
portanto, não podem ser estabelecidos para eles limites de tolerância. 
Há, ainda, os casos de fatores que, passíveis de mensuração, ainda 
não convém amarrá-los a níveis de tolerância por motivos de ordem 
econômica ou tecnológica. Destarte, deveria o legislador admitir, 
expressamente, para esses casos, o critério qualitativo, o qual, como é 
óbvio, exclui o limite de tolerância. 
Saliba (2013) alerta que se deve considerar o tempo de exposição, a forma 
de contato com o agente e o tipo de proteção usada. O Ministério do Trabalho 
estabelece critérios para esse tipo de avaliação, definindo o contato permanente 
ou intermitente e o eventual, mas o fato de não ter fixado limites de tolerância não 
autoriza o perito a concluir que qualquer exposição é nociva à saúde.
3.2 AVALIAÇÃO QUANTITATIVA 
Para Ponzetto (2010), esse tipo de avaliação necessita de instrumentos 
científicos para sua realização, necessitando estarem calibrados e preparados 
para cada tipo de análise a ser realizada. Por meio dessa avaliação, consegue-se 
elaborar o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), pois através 
dela é possível estabelecer se o ambiente é insalubre ou não.
Saad (2012) afirma que nesse método o objetivo é encontrar um valor 
e comparar ao estabelecido na legislação, para identificar o risco como sendo 
insalubre ou não. Um exemplo é o ruído, que prevê os níveis de tolerância na 
NR15, assim, o avaliador terá um valor que, quando comparado à tabela da 
referida norma, informará se o risco é insalubre.
TÓPICO 3 | ASPECTOS GERAIS DO LTCAT
55
Esse método de avaliação leva em conta os limites de tolerância para os 
agentes agressivos fixados em razão da natureza, da intensidade e do tempo de 
exposição, assim, o perito necessitará fazer as medições quanto à intensidade ou 
concentração do agente e comparar com os limites de tolerância (SALIBA, 2013).
A avaliação quantitativa é realizada nos laudos de segurança do trabalho, 
a fim de obter avaliações confiáveis e precisas para demonstrar para as empresas 
as condições de trabalho a que seus funcionários estão sujeitos.
4 DESENVOLVIMENTO DO LTCAT
O LTCAT pode sofrer, a qualquer momento, fiscalização de auditores 
do INSS e deve refletir condições atuais de trabalho no momento da ação fiscal, 
dessa forma, sempre que houver mudança de função ou alteração da forma de 
trabalho, deve ser refeito, ou melhor, atualizado o laudo ambiental, a fim de evitar 
aplicação de penalidade.
4.1 ELABORAÇÃO DO LTCAT
Conforme Barsano e Barbosa (2012), o laudo deve ser elaborado medindo-
se o nível de ruído, calor, vibração, poeira, entre outros agentes, e para isso é 
necessário utilizar diversos instrumentos de medição, como:
Decibelímetro: é o instrumento utilizado para avaliar a exposição 
ocupacional ao ruído de forma precisa e pontual, é muito prático e já existem vários 
modelos, formas e tamanhos sendo comercializados. Esse instrumento possui 
um microfone interno que capta o som e o qualifica em uma medida chamada 
decibéis, a escala varia de modelo para modelo, normalmente estão entre 30 dB 
e 130 dB. Nem toda intensidade sonora é audível aos ouvidos humanos, por 
isso existe oscilação, é interessante destacar que algumas faixas são percebidas 
somente por animais, como morcegos e cachorros. 
FIGURA 21 – MODELO DE DECIBELÍMETRO DIGITAL
FONTE: . Acesso em: 19 jul. 2017.
56
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
Audiodosímetro ou dosímetro: avalia a exposição ocupacional do 
trabalhador ao ruído, também é medido em decibéis. É muito prático por ser 
portátil, utilizado em empresas e indústrias, sendo fixado em trabalhadores de 
diversas funções, próximo da área auditiva, durante sua jornada de trabalho. 
FIGURA 22 – MODELO DE DOSÍMETRO DIGITAL
FONTE: .
Acesso em: 19 jul. 2017.
Luxímetro: instrumento de medição que avalia a iluminância, que é a 
quantidade de luminosidade do ambiente de trabalho. Consiste em uma célula 
fotoelétrica que capta a luz, formando uma corrente, que é lida pelo aparelho e 
convertida em unidades lux, emitindo o valor do ambiente avaliado, a fim de 
verificar se há prejuízos ao olho humano. A análise deve ser realizada em vários 
locais do trabalho, para se ter uma medição precisa.
FIGURA 23 – MODELO DE UM LUXÍMETRO DIGITAL
FONTE: . Acesso em: 19 jul. 2017.
Termômetro de globo digital: é o instrumento de medição que avalia a 
exposição ocupacional ao calor, é composto por três termômetros: de bulbo seco, 
de bulbo úmido e de globo. Ele é formado por uma esfera metálica, em torno de 
15cm de diâmetro, dessa forma, recebe o calor do ambiente (radiação) e, através 
de um sensor existente no termômetro, acusa a temperatura local. 
TÓPICO 3 | ASPECTOS GERAIS DO LTCAT
57
FIGURA 24 – MODELO DE TERMÔMETRO DE GLOBO DIGITAL
FONTE: . Acesso em:19 jul. 2017.
O LTCAT é elaborado de acordo com os procedimentos técnicos 
referenciados na Instrução Normativa nº 11, de 20 de setembro de 2006, do INSS, 
e necessita ter uma linguagem clara, conteúdo preciso e evitar expressões que 
possam gerar ambiguidade. Além disso, deve ter coerência entre os parágrafos, 
com divisão de tópico, bem como letra e fonte legíveis (SALIBA, 2013).
Dessa forma, se o documento tiver coerência, transparência, clareza e 
ordem no seu conteúdo, de maneira a transmitir precisão das informações, a 
probabilidade de torná-lo duvidoso será praticamente inexistente.
Já falamos sobre a importância de os trabalhadores utilizarem equipamentos 
de proteção, a fim de cumprirem as exigências legais e evitar riscos de acidentes 
de trabalho. O parágrafo 2º da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, corrobora essa 
informação, quando diz que o LTCAT deve conter informações sobre a existência 
de tecnologia de proteção cole tiva ou individual que diminua a intensidade do 
agente agressivo a limites de tolerância (CURIA et al., 2011).
De acordo com Barsano e Barbosa (2012), o LTCAT, ao ser elaborado, deve 
conter alguns dados, como:
- Informações da empresa e do setor de trabalho.
- Descrição dos locais dos serviços realizados em cada setor, com pormenorização 
do ambiente de trabalho e das funções, passo a passo, desenvolvidas pelo 
segurado.
- Informação das condições ambientais do local de trabalho.
- Registro dos agentes nocivos, concentração, intensidade, tempo de exposição e 
metodologias utilizadas, conforme o caso.
- Se tratar de agentes químicos, deve ser informado o nome da substância 
ativa, não sendo aceitas citações de nomes comerciais, podendo ser anexada a 
respectiva ficha toxicológica.
- Duração do trabalho que expôs o funcionário aos agentes nocivos.
- Informação sobre a existência e aplicação efetiva de equipamentos de proteção 
individual e coletiva, que neutralizem ou atenuem os efeitos da nocividade dos 
58
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
agentes em relação aos limites de tolerância estabelecidos pela legislação vigente.
- Descrição dos métodos, técnicas, aparelhagens e equipamentos utilizados.
- Conclusão do médico do trabalho ou do engenheiro de segurança do trabalho 
responsável pela elaboração do laudo.
- Informação clara e precisa a respeito dos agentes nocivos, referentes à 
potencialidade de causar dano à saúde ou à integridade física e/ou psíquica do 
funcionário.
- Especificação, clara e objetiva, se o signatário do laudo técnico é ou foi contatado 
pela empresa, à época da confecção do laudo;
- Local e data da inspeção técnica da qual resultou o laudo técnico.
Já estudamos que o LTCAT foi uma exigência do INSS, entretanto, ele não 
permanece no INSS, mas deve estar sempre atualizado e dis ponível na empresa 
para a análise dos auditores fiscais da Previdência Social.
4.2 UTILIZAÇÃO E RESPONSABILIDADE PELA IMPLANTAÇÃO 
De acordo com Saliba (2013), a comprovação do trabalhador diante dos 
agentes nocivos será feita mediante formulário, conforme estabelecido pelo INSS, 
emitido pela empresa, com base no LTCAT expedido por médico do trabalho ou 
engenheiro de segurança do trabalho, de acordo com a legislação trabalhista. 
Dessa forma, a Lei nº 8.213, de 24/07/1991, que dispõe sobre os Planos 
de benefícios da Previdência Social, em seu art. 58, parágrafo 1º, com a redação 
dada pela Lei nº 9732/98, estabelece que somente o médico do Trabalho ou o 
engenheiro de Segurança do Trabalho, com o respectivo número da Anotação 
de Responsabilidade Técnica (ART) no Conselho Regional de Engenharia e 
Arquitetura (CREA), poderá assinar o LTCAT (BARSANO; BARBOSA, 2012).
Já estudamos que o LTCAT é um tipo de laudo que informa sobre os agentes 
nocivos existentes no ambiente de trabalho, a fim de indicar a possibilidade de 
gerar insalubridade quando o trabalhador estiver exposto, e que será renovado 
quando forem introduzidas modificações no ambiente laboral.
Saliba (2013) relata que conforme a Instrução Normativa INSS/DC nº 78, 
de 16/07/2002, o LTCAT deve estar sempre atualizado com relação aos agentes 
nocivos presentes no ambiente de trabalho, sendo renovado sempre que necessário. 
Dessa forma, o LTCAT necessitará ser guardado por pelo menos 20 anos e, nos 
casos em que os trabalhadores estão expostos a substâncias cancerígenas, o laudo 
deverá ser mantido por até 30 anos.
O LTCAT não é apenas um documento que vislumbra benefícios para o 
trabalhador, mas para o empregador também é importante, pois ele consegue 
provar e eximir a culpa do empregador quando ocorrer acidente de trabalho ou 
doença ocupacional, demonstrando que não foi em virtude do descumprimento 
das normas de saúde e segurança do trabalho.
TÓPICO 3 | ASPECTOS GERAIS DO LTCAT
59
Curia et al. (2011) demonstram que, conforme previsto no art. 133 da Lei 
nº 8.213/91, as empresas devem ter o LTCAT com a seguinte finalidade: 
- Para entregar ao trabalhador no encerramento de suas atividades laborais, 
quando a lei determinar.
- Provar ao INSS que não houve sonegação ou pagamento quanto ao recolhimento 
da alíquota destinada ao financiamento de aposentadoria especial pela empresa.
- Para cumprir a lei que exige atualização do LTCAT, pois o não atendimento da 
lei leva a empresa à multa fiscal.
- A fim de coletar dados que servirão de base para elaboração do PPP (Perfil 
Profissiográfico Previdenciário).
LEITURA COMPLEMENTAR
USO COMPROVADO: O fornecimento de EPIs pode e deve ser evidenciado 
por todos os meios de prova
Mateus Ferrarezi
A problemática exposta neste artigo aborda, em especial, uma condição 
que infelizmente vem se alastrando principalmente na esfera judicial, quando 
da análise de eventual pedido de reconhecimento do adicional de insalubridade.
Não obstante existir algumas situações insalubres que são tecnicamente e/
ou financeiramente inviáveis de serem eliminadas por Equipamentos de Proteção 
Coletiva, deve-se considerar a possibilidade de suprimir o pagamento da remuneração, 
advinda da exposição, por meio de Equipamentos de Proteção Individuais. 
Assim, considerando o exposto, questiona-se como as partes, em âmbito 
administrativo ou judicial, podem efetivamente demonstrar o fornecimento e a 
utilização de EPIs pelo funcionário, de modo a eliminar eventual condenação.
Para a análise da existência de prova efetiva, deve-se considerar, 
inicialmente, o disposto no artigo 365 do CPC/2015, que diz que todos os meios 
legais de prova e os moralmente legítimos, independentemente de previsão legal, 
são hábeis em demonstrar a veracidade dos fatos.
Ocorre que, após a introdução da alínea “h” ao item 6.6.1, na NR 6, 
que determina à empresa a organização de “registrar o seu fornecimento ao 
trabalhador, podendo ser adotados livros, fichas ou sistema eletrônico”, auditores 
fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, peritos judiciais, membros do 
Ministério Público do Trabalho, juízes do Trabalho, entre outros, passaram 
a desconsiderar a efetiva entrega de EPIs, caso não houvesse a respectiva 
anotação, ainda que efetivamente ocorresse a entrega de protetores auriculares, 
prejudicando e desconsiderando o trabalho do SESMT da empresa que procurou 
identificar e eliminar o risco ambiental.
60
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
INTERPRETAÇÃO
Apesar do disposto na norma supracitada, a conclusão sobre a inexistência 
da disponibilização é incorreta, pois carece de uma visão e interpretação sistemática 
de todo o ordenamento pátrio que, para a presente temática, inclui, não somente 
as Normas Regulamentadoras, mas também o exposto na Constituição Federal, 
Consolidação das Leis do Trabalho e no Código de Processo Civil, bem como 
regras hermenêuticas e princípios correlatos.
Inicialmente, deve-se considerar que a Carta Magna, em seu artigo 5º, 
inciso II, ao disciplinar dos direitos e garantias fundamentais, estabelece que 
“ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senãoem 
virtude de lei”, sendo que essa Lei é em sentido estrito, ou seja, não incluindo 
atos infralegais, como normas regulamentadoras, por exemplo.
Importante destacar ainda que os artigos 166 e 167 da CLT, que é Lei, 
no sentido técnico da palavra, ao regulamentarem sobre EPI, não exigem para a 
neutralização da insalubridade a anotação, bastando o fornecimento regular.
INFRAÇÃO
O que pode eventualmente existir é uma infração administrativa, situação 
que poderá, após decorrido o devido processo legal junto ao órgão competente, com 
respeito à ampla defesa e ao contraditório, ensejar multa administrativa, se for o caso, 
mas não a conclusão da existência ou não da insalubridade e/ou periculosidade.
Na verdade, em relação à demonstração da existência do fornecimento de 
EPIs, quer em processo judicial ou administrativo, deverá ser aceito todo o meio 
de prova em direito admitido, quer documental ou testemunhal.
VERDADE
Desse modo, tem-se que para a análise do fornecimento ou não de EPIs, 
não basta apenas a prova documental, sendo recomendável a análise do conjunto 
obrigatório, como o relato das testemunhas, inclusive quanto ao narrado pela 
perícia judicial.
Cita-se a título exemplificativo uma grande empresa, cujo corpo de 
empregados em uma linha de produção ultrapassa centenas de funcionários, 
sendo o SESMT efetivo de modo a controlar os riscos ambientais. Por lapso 
justificável, atrelado à correria do dia a dia, deixa de realizar todas as anotações 
sobre protetores auriculares entregues a determinado grupo de trabalhadores.
É incrível que em posterior ação trabalhista, a empresa, não obstante ter 
adotado todos os meios existentes para afastar a insalubridade, fornecendo EPIs, 
seja condenada a pagar o adicional de remuneração? Por óbvio que não, uma vez 
que poderá restar demonstrado o fornecimento de equipamentos de proteção por 
outros meios de prova em direito admitido.
TÓPICO 3 | ASPECTOS GERAIS DO LTCAT
61
Assim, ante todo o exposto, o fornecimento de EPIs pode e deve ser 
evidenciado por todos os meios de prova admitidos em direito, e não somente com 
eventuais registros em fichas de anotação de entrega de EPIs. Somente desta maneira 
estará se efetivando o princípio da primazia da realidade, concretizando a busca da 
verdade real, quer pela utilização de outros documentos da área de medicina e 
segurança do trabalho e/ou por depoimentos ou relatos das testemunhas.
FONTE: FERRAREZI, M. Demanda alta. PROTEÇÃO, n. 301, p. 58-59, jan. 2017.
62
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que: 
• Trabalho insalubre significa o desenvolvimento de uma atividade em que o 
trabalhador é exposto a agentes nocivos, acima dos limites tolerados.
• O trabalhador tem direito ao adicional de insalubridade enquanto estiver 
exercendo atividades em ambientes de condições adversas.
• O exercício de atividades em locais insalubres, com ou sem o recebimento do 
adicional, não reduz o tempo de serviço para a aposentadoria.
• O valor do adicional de periculosidade é de 30% sobre o salário, sem os 
acréscimos resultantes de gratificação ou participações nos lucros da empresa.
• A caracterização do empregado que tem direito ao adicional de insalubridade 
ou periculosidade será realizada por meio do médico do Trabalho ou engenheiro 
de Segurança do Trabalho.
• A avaliação ambiental é importante e necessária para verificar os riscos 
ambientais ocupacionais.
• Avaliação qualitativa não utiliza instrumentos científicos em sua elaboração, 
ou seja, é baseada no relato do indivíduo. 
• Avaliação quantitativa necessita de instrumentos científicos para sua realização, 
necessitando estar calibrados e preparados para cada tipo de análise a ser 
realizado.
• O laudo deve ser elaborado medindo os agentes nocivos e para isso é necessário 
utilizar diversos instrumentos de medição.
• A comprovação do trabalhador diante dos agentes nocivos será feita mediante 
formulário, conforme estabelecido pelo INSS.
63
AUTOATIVIDADE
1 Estabeleça os conceitos de insalubridade e periculosidade.
2 Cite pelo menos três requisitos que o LTCAT deve conter para sua elaboração.
3 O adicional de periculosidade é um valor devido ao empregado exposto 
a atividades periculosas, na forma da regulamentação aprovada pelo 
Ministério do Trabalho e Emprego, as quais impliquem risco acentuado em 
virtude de exposição permanente do trabalhador a alguns agentes previstos 
na legislação. Diante dessa afirmativa, assinale a alternativa CORRETA, 
referente ao valor do adicional de periculosidade.
a) ( ) 30% sobre o salário do empregado, sem os acréscimos resultantes de 
gratificações, prêmios ou participações de lucros da empresa.
b) ( ) 40% sobre o salário do empregado, com acréscimos de gratificações ou 
prêmios.
c) ( ) 20% sobre o salário do empregado sem acréscimos resultantes de 
gratificações.
d) ( ) 50% sobre o salário, sem os acréscimos resultantes de gratificações, 
prêmios ou participações de lucros da empresa.
4 Informe quais profissionais poderão assinar o LTCAT, com base na legislação 
trabalhista.
5 Cite uma finalidade para que as empresas devam possuir o LTCAT.
64
65
UNIDADE 2
RISCOS OCUPACIONAIS NO 
TRABALHO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conceituar o que é acidente de trabalho;
• entender quais fatores podem desencadear acidente de trabalho;
• assimilar quais são os benefícios acidentários;
• entender a diferença entre auxílio-doença e auxílio-acidente;
• compreender de quem é a responsabilidade num acidente de trabalho;
• entender o que é CAT;
• identificar o momento de reabertura da CAT;
• explicar quais são os excludentes de responsabilidade civil;
• compreender o que são primeiros socorros;
• entender a importância de prestar um atendimento eficiente;
• identificar quais são os materiais que deve conter um kit de primeiros so-
corros;
• compreender o conceito de higiene ocupacional;
• assimilar a importância da higiene ocupacional;
• estabelecer a importância da gestão da segurança e saúde do trabalho.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, você en-
contrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – ACIDENTE DE TRABALHO
TÓPICO 2 – EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA
TÓPICO 3 – AÇÕES E INTERVENÇÕES NO AMBIENTE LABORAL
66
67
TÓPICO 1
 ACIDENTE DE TRABALHO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Caro aluno, seja bem-vindo a esta caminhada para estudar, entender 
e discutir sobre segurança no ambiente de trabalho, presente no dia a dia do 
trabalhador. Aliás, o trabalho deve ser desenvolvido com consciência, concentração 
e análise de possíveis riscos para evitá-los, a fim de prevenir possíveis acidentes.
 
 A finalidade deste estudo é que você receba as informações e construa 
seu próprio conhecimento referente a esses temas, para discutir sobre segurança, 
visando ao aprimoramento para sua trajetória profissional.
Portanto, desenvolva suas atividades com prudência, baseado na sua 
competência e nos treinamentos qualificados.
A segurança, saúde e trabalho formam uma tríade perfeita e atuam 
diretamente nas condições em que o trabalhador labora, visando à proteção e 
promoção do bem-estar, em busca da qualidade de vida.
Os conteúdos que permeiam este tópico dizem respeito aos acidentes 
no ambiente de trabalho, seu conceito, tipos de acidente e benefícios que são 
garantidos por lei ao trabalhador que sofre acidente, na sua jornada de trabalho.
 
Vamos aos estudos!
2 ACIDENTES NO AMBIENTE DE TRABALHO
Quando se fala em acidente de trabalho, estamos nos referindo a todos 
os acidentes que ocorrem no exercício da atividade laboral, ou seja, durante a 
execução do trabalho. Neste ínterim, o trabalhador pode estar inserido tanto no 
mercado formal como no mercado informal de trabalho.
O indivíduo que sofre algum tipo de acidente de trabalho pode estar 
sujeito à morte ou a algum tipo de lesão, com redução temporária ou permanenteda capacidade para o trabalho.
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
68
FIGURA 1 – CHARGE QUE DEMONSTRA A EXIGÊNCIA DE PRODUTIVIDADE
RITMO
ALUCINANTE?!
IMAGINA!
PEGUE SEU BRAÇO
E PRODUZA!
FONTE: . Acesso em: 24 jul. 2018.
Alguns fatores podem desencadear esse evento adverso, como: arranjo 
físico inadequado no ambiente de trabalho, esforço físico intenso, falta de 
equipamento de proteção individual ou coletivo, levantamento manual de peso, 
exigência de produtividade, postura inadequada, ferramentas defeituosas, 
entre outros.
FIGURA 2 – EXEMPLO DE ATO (CARREGAR ITENS ACIMA DA
CAPACIDADE) + CONDIÇÃO INSEGURA 
FONTE: . Acesso em: 1º nov. 2018.
2.1 CONCEITO
De acordo com o artigo 19 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, entende-
se como acidente de trabalho “aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a 
serviço de empresa ou de empregador doméstico ou pelo exercício do trabalho 
dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão 
corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, 
permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho". (BRASIL, Lei no 
8.213, de 1991, p. 1415).
TÓPICO 1 | ACIDENTE DE TRABALHO
69
De acordo com essa definição, o pensamento remonta a uma ideia 
ligada a uma fatalidade, a acontecimentos anormais, com resultados negativos e 
inconvenientes ao sujeito.
Podemos perceber que o legislador se preocupou com a caracterização do 
acidente de trabalho, como forma de proteção ao trabalhador, se reportando a 
uma garantia de indenização, por lesão à saúde.
A lesão é identificada pelo prejuízo físico ou mental, ou seja, é o dano 
permanente ou transitório da atividade fisiológica ou psíquica, tal como a 
dor, perda da visão, diminuição da audição, convulsões, espasmos, tremores, 
paralisia, entre outros, relacionada com órgãos ou funções específicas. Já a doença 
se caracteriza pelo estado mórbido de perturbação da saúde física ou mental, com 
sintomas específicos em cada caso.
Do ponto de vista prevencionista, acidente de trabalho é qualquer 
ocorrência não programada, inesperada ou não, que afeta o processo normal de 
uma atividade, trazendo como consequência a perda de tempo, dano material ou 
lesões ao homem.
Mesmo os acidentes que não acarretam lesões são considerados para fins 
de prevenção.
FIGURA 3 – DEMONSTRAÇÃO DO CONCEITO PREVENCIONISTA, QUE ENVOLVE TANTO O 
INCIDENTE (QUASE ACIDENTE) QUANTO O ACIDENTE
FONTE: . Acesso em: 24 jul. 2018.
Ferreira e Peixoto (2012) esclarecem que a diferença entre os dois conceitos 
está no fato de que para o conceito legal, obrigatoriamente deve haver lesão física, 
já no conceito prevencionista, além das lesões físicas, deve haver a perda de tempo 
e de materiais.
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
70
Um acidente sem lesão se torna importante porque, durante a identificação 
da causa, aparecerão medidas capazes de impedir sua recidiva, assim ocorrerá a 
prevenção contra acidentes de trabalho.
Os acidentes podem resultar em quase-acidentes, danos materiais e 
lesões. O quase-acidente é qualquer evento ou fato negativo com potencialidade 
de provocar dano, por exemplo: queda de um eletroímã do sistema de fixação, 
ele se desprende da estrutura e rola pela rua interna de uma unidade industrial, 
parando do outro lado da rua, sem machucar ninguém (FERREIRA; PEIXOTO, 
2012).
Conforme Salem (2007), a definição de acidente de trabalho se reporta 
ao acontecimento dentro do ambiente de trabalho ou durante a prestação de 
serviços, ou ainda no percurso de ida e volta para o trabalho. 
Oliveira (2013) objetiva esse conceito e aponta que, para a caracterização 
de acidente do trabalho, é essencial a presença dos seguintes requisitos: evento 
danoso, decorrente do exercício do trabalho ou perturbação funcional e que 
resulte em morte ou na perda ou na redução, permanente ou temporária, da 
capacidade para exercer atividade laborativa.
Com o decorrer dos estudos, perceberemos que o acidente ganhará 
um sentido mais amplo, abrangendo as doenças ocupacionais ou moléstias 
profissionais, a fim de reparação de dano sofrido pelo trabalhador.
Martins (2008) define o acidente de trabalho como o acontecimento 
imprevisto ou algo de maior impacto, que acarreta dano à pessoa ou coisa, e sugere 
mudanças para que o artigo 19 da Lei no 8.213/1991 definisse acidente de trabalho 
como uma contingência e não um evento, e utilizasse o termo empregador (que 
poderia ser tanto pessoa física quanto jurídica) em vez de empresa, pois oferece 
uma conotação de obscuridade, objetivando a organização, para a produção de 
bens e serviços, que pode ou não ter empregados.
No Brasil, 700 mil pessoas sofrem acidentes de trabalho anualmente, 
sendo que de 2012 a 2016 houve 3,5 milhões de casos, com 13,3 mil mortes 
somente no país. Para piorar o cenário, os afastamentos por licença médica 
custaram R$ 22 bilhões aos cofres públicos, sendo que os operários da construção 
civil e caminhoneiros estão entre as vítimas mais frequentes (CORREIO 
BRAZILIENSE, 2017).
TÓPICO 1 | ACIDENTE DE TRABALHO
71
FIGURA 4 – SETORES COM MAIOR INCIDÊNCIA DE ACIDENTE DE TRABALHO
MAPA DO PERIGO
Saiba quais são os setores mais perigosos, responsáveis
pelo maior número de acidentes por ano
Setor/profissão Acidentes
Serviços 76.256
Indústria extrativa e da construção civil 46.673
Transformação de metais e de compósitos 11.808
Escriturários 40.371
Exploração agropecuária 33.990
Técnicos das ciências biológicas, bioquímicas, da saúde 29,718
Trabalhadores da fabricação de alimentos, bebidas e fumo 23.351
Fonte: Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho
e Anuário Estatístico da Previdência Social
FONTE: . Acesso em: 24 jul. 2018.
Nosso país sai disparado no quesito acidente de trabalho, taxado como o 
quarto país do mundo que mais registra acidentes durante atividades laborais, 
atrás de China, Índia e Indonésia. De acordo com o Ministério da Fazenda, entre 
2012 e 2016 foram registrados 3,5 milhões de casos de acidente de trabalho, em 
26 estados e no Distrito Federal, gerando uma despesa enorme ao governo, com 
gastos da Previdência Social, relacionados às concessões de benefícios (CORREIO 
BRAZILIENSE, 2017).
Dessa forma, estudamos que as taxas de acidentes que ocorrem anualmente 
são bem altas, mas não podemos esquecer das doenças de trabalho, que também 
possuem registros, elevando os custos e prejuízos humanos, sociais e econômicos, 
onerando o país. Nessa perspectiva, são contados para as estatísticas apenas os 
dados do trabalho formal, pois os informais não entram nessa contagem.
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
72
FIGURA 5 – ILUSTRAÇÃO DO CUSTO ONEROSO QUE OCORRE EM
FUNÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO
FONTE: . Acesso em: 1º nov. 2018.
3 TIPOS DE ACIDENTES
Não é possível dizer que a legislação acidentária no Brasil é precária, mas 
ocorrem diversos tipos de acidentes, tornando difícil esgotar esses infortúnios 
laborais, que podem ocasionar a incapacidade laboral.
A Previdência Social e o Ministério do Trabalho lançam, anualmente, 
estatísticas quanto ao número de casos de acidentes de trabalho, porém, nessas 
divulgações, os principais tipos de acidente são: o acidente típico e as doenças 
ocupacionais (OLIVEIRA, 2013). Entretanto, estudaremos uma ampla classificação 
para esses acidentes, conforme veremos a seguir:
3.1 TÍPICO
Hertz (2009) entende que nesse tipo de acidente, que ocorre em função do 
exercício do trabalho, se conhece o instante em que a lesão ocorre, oportunizando 
a cronologia entre as lesões, quando forem sucessivas. 
Um fato é certo, que na maioria das vezes há lesão corporal ou distúrbio 
funcional, causando30
4.1.1.2 Vibrações ........................................................................................................................... 32
4.1.1.3 Pressões anormais ............................................................................................................ 33
4.1.1.4 Temperaturas extremas ................................................................................................... 35
4.1.1.5 Radiações .......................................................................................................................... 37
4.1.2 Risco Químico .................................................................................................................... 40
4.1.3 Risco Biológico .................................................................................................................... 41
4.1.4 Risco Ergonômico ............................................................................................................... 42
4.1.5 Risco de Acidente ................................................................................................................ 42
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 45
TÓPICO 3 - ASPECTOS GERAIS DO LTCAT ............................................................................... 47
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 47
2 DEFINIÇÕES LEGAIS ..................................................................................................................... 47
2.1 INSALUBRIDADE ....................................................................................................................... 47
2.2 PERICULOSIDADE ..................................................................................................................... 51
3 AVALIAÇÕES AMBIENTAIS ....................................................................................................... 53
3.1 AVALIAÇÃO QUALITATIVA .................................................................................................... 54
3.2 AVALIAÇÃO QUANTITATIVA ............................................................................................... 54
4 DESENVOLVIMENTO DO LTCAT .............................................................................................. 55
4.1 ELABORAÇÃO DO LTCAT ....................................................................................................... 55
4.2 UTILIZAÇÃO E RESPONSABILIDADE PELA IMPLANTAÇÃO ...................................... 58
LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................................... 59
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 63
sumário
VIII
UNIDADE 2 - RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO...................................................... 65
TÓPICO 1 - ACIDENTE DE TRABALHO ...................................................................................... 67
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 67
2 ACIDENTES NO AMBIENTE DE TRABALHO ......................................................................... 67
2.1 CONCEITO ................................................................................................................................... 68
3 TIPOS DE ACIDENTES .................................................................................................................. 72
3.1 TÍPICO ........................................................................................................................................... 72
3.2 DOENÇAS OCUPACIONAIS .................................................................................................... 73
3.2.1 Doença profissional ............................................................................................................ 74
3.2.2 Doença do trabalho............................................................................................................. 75
3.3 CONCAUSA .............................................................................................................................. 76
4 BENEFÍCIOS ACIDENTÁRIOS .................................................................................................... 77
4.1 AUXÍLIO-DOENÇA .................................................................................................................... 78
4.2 AUXÍLIO-ACIDENTE ................................................................................................................. 79
4.3 APOSENTADORIA POR INVALIDEZ ..................................................................................... 81
4.4 PENSÃO POR MORTE .............................................................................................................. 82
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 84
TÓPICO 2 - EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 87
2 REGISTROS NA CARTEIRA DE TRABALHO E PREVIDÊNCIA SOCIAL ....................... 87
2.1 EXIGÊNCIAS E CONSEQUÊNCIAS LEGAIS ......................................................................... 89
3 COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO ................................................................ 90
3.1 PREENCHIMENTO DA CAT .................................................................................................... 93
4 REABERTURA DA CAT .................................................................................................................. 95
5 RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR PELO ACIDENTE DE 
TRABALHO .......................................................................................................................................... 96
5.1 RESPONSABILIDADE CIVIL SUBJETIVA .............................................................................. 98
5.2 RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA .............................................................................. 100
6 EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE ........................................................................... 102
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................................... 105
TÓPICO 3 - AÇÕES E INTERVENÇÕES NO AMBIENTE LABORAL .................................. 107
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 107
2 TIPOS DE ACIDENTES E ATENDIMENTO IMEDIATO ..................................................... 109
2.1 QUEIMADURAS POR ELETRICIDADE ............................................................................... 109
2.2 FRATURAS ................................................................................................................................. 110
2.3 TONTURA E DESMAIO ........................................................................................................... 110
2.4 DOR NO PEITO ........................................................................................................................ 111
2.5 PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA ................................................................................... 111
3 NORMAS DE HIGIENE OCUPACIONAL ............................................................................... 113
3.1 PROGRAMAS DE HIGIENE OCUPACIONAL .................................................................... 114
LEITURA COMPLEMENTAR .........................................................................................................prejuízo ao trabalhador e impedindo seu retorno à atividade 
laboral provisoriamente, ou até mesmo de maneira temporária, havendo a 
possibilidade de óbito em alguns casos.
Para tornar a teoria mais clara, podemos exemplificar essa classificação de 
acidente indicando alguns casos típicos: 
• Perda de dedos da mão, de um açougueiro, devido ao maquinário não estar de 
acordo com as Normas Regulamentadoras.
TÓPICO 1 | ACIDENTE DE TRABALHO
73
• Queda de um pedreiro no andaime, realizando suas atividades.
• Perda total da mão, em máquina de serrar madeira.
• Bombeiro que sofre queimaduras apagando incêndio.
Hertz (2009, p. 82) ainda faz um comentário importante, complementando 
o assunto, quando diz que “o acidente do trabalho não deixará de ser típico, 
ainda que seus efeitos venham a ser tardios”. Como exemplo, cita um trabalhador 
que, em função de um acidente, sofreu rompimento de algum órgão interno, 
sem diagnóstico de lesão no momento em que o infortúnio ocorreu, mas sendo 
descoberta posteriormente e relacionada com a atividade laboral. 
A constatação do nexo de causalidade, ou nexo etiológico, também se 
faz necessária para a caracterização do infortúnio, ou seja, está relacionado ao 
“acontecimento que surge comumente no ambiente de trabalho ou em razão da 
execução dele”, ocorrendo também prejuízos de ordem psíquica ou física, como 
características essenciais do acidente de trabalho (HERTZ, 2009, p. 78).
Oliveira (2013, p. 41) faz um apanhado de vários conceitos e sintetiza a questão, 
ressaltando que: 
o fato gerador do acidente típico mostra-se como evento súbito, 
inesperado, externo ao trabalhador e fortuito no sentido de que não 
foi provocado pela vítima. Os eventos danosos normalmente são 
imediatos e o evento é perfeitamente identificável, tanto com relação 
ao local da ocorrência quanto no que tange ao momento do sinistro, 
diferentemente do que ocorre nas doenças ocupacionais.
Dessa forma, conforme consta no art. 19 da Lei 8.213/91, os elementos 
caracterizadores do acidente do trabalho típico são: 
a) a existência de evento danoso decorrente do exercício do trabalho, este prestado 
pelo empregado ou pelos segurados especiais; 
b) a lesão corporal ou perturbação funcional decorrente desse evento danoso; e, 
por fim, 
c) a constatação de perda total ou parcial da capacidade.
3.2 DOENÇAS OCUPACIONAIS
Souza (2013) informa que essa categoria não é considerada um acidente 
de trabalho típico, porém, as doenças ocupacionais se dividem em doença 
profissional e do trabalho, que podem desencadear uma incapacidade laboral do 
trabalhador, comprometendo suas atividades.
As doenças ocupacionais não são decorrentes de um fato abrupto, de 
uma lesão perceptível e imediata, mas resultam de um aparecimento lento, 
imperceptível muitas vezes, mas progressivo, com resultado posterior ao evento.
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
74
3.2.1 Doença profissional
São conhecidas por ergopatias, caracterizadas por fatores específicos 
no exercício de determinada atividade, ou seja, seu aparecimento se destaca 
em algumas profissões, por meio de agentes nocivos. Importante destacar que 
a Previdência Social reconhece essas atividades como sendo insalubres, dessa 
forma, se houver nexo de causalidade, o acidente será presumido (SOUZA, 2013).
A fim de exemplificar esse quadro que afeta certas profissões, podemos 
citar:
• Digitadores que são acometidos na sua grande maioria por Lesão por Esforço 
Repetitivo (LER).
• Telefonistas que podem sofrer de Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR).
• Cavadores de poços ou mineradores, podem sofrer silicose, doença 
caracterizada pela inalação do pó de sílica, causando fibrose pulmonar.
QUADRO 1 – RECOMENDAÇÕES PARA PREVENIR DOENÇAS PROFISSIONAIS
Aspectos Físicos Aspectos Organizacionais
– Enclausuramento e automação dos 
processos e máquinas;
– Rotatividade das tarefas;
– Exaustão; – Pausas;
– Ventilação do ambiente de trabalho; – Redução da carga horária;
– Alterações de processos; – Evitar premiações por produtividade que 
traga prejuízo à saúde do trabalhador;
– Utilização dos equipamentos de proteção 
individuais e coletivos;
– Maior participação dos trabalhadores nas 
decisões;
– Móveis adequados às características físicas 
dos trabalhadores;
– Flexibilidade dos horários;
– Técnicas de relaxamento;
– Limpeza regular dos aparelhos de ar-
condicionado;
– Conhecimento do perigo;
– Quando da concepção da instalação, 
aproveitar da melhor forma possível a 
ventilação natural.
– Manter sob controle os exames médicos 
dos trabalhadores que desenvolvem 
atividades com grande perigo;
FONTE: . Acesso em: 25 jul. 2018.
No quadro acima, precisamos entender que mencionar enclausuramento e 
automação dos processos e máquinas refere-se, por exemplo, a colocar máquinas 
industriais em locais que não gerem som excessivo, além disso, programá-las 
para funcionar na ausência de um trabalhador.
Da mesma maneira, quando se menciona exaustão, esse termo está 
relacionado à ventilação nos ambientes de trabalho. 
TÓPICO 1 | ACIDENTE DE TRABALHO
75
3.2.2 Doença do trabalho
Também conhecida por mesopatia, é aquela que ocorre por meio de 
condições especiais, em que as atividades laborais são produzidas e, por 
serem doenças atípicas, exigem a comprovação do nexo causal com trabalho 
(SOUZA, 2013).
Os trabalhadores acometidos por doenças do trabalho são mais facilmente 
encontrados em empresas de pequeno porte, pois, infelizmente, muitas delas 
negligenciam a segurança do trabalhador e também a condição do ambiente 
aonde ele está inserido, favorecendo o aparecimento de doenças do trabalho com 
maior frequência.
O inciso II do art. 20 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, define doença 
do trabalho como:
“A adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que 
o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante no anexo II 
do Decreto nº 3.048/1999” (BRASIL, 1991). 
A fim de exemplificar esse quadro que afeta certos trabalhadores, podemos 
citar:
• Alergias respiratórias provenientes de locais com ar-condicionado sem 
manutenção satisfatória, principalmente limpeza de filtros e dutos de 
circulação de ar. 
• Ansiedade.
• Alergias de pele.
• Problemas na visão.
• Estresse.
Algumas pessoas não entendem por que o estresse é enquadrado nessa 
categoria, porém, ele aparece como sendo uma resposta do organismo diante de 
uma situação tensa, ameaçadora, que gere angústia ou ansiedade, dessa forma, o 
organismo tenta se defender produzindo o estresse. 
Tanto as Doenças Profissionais como as Doenças do Trabalho são equiparadas 
ao Acidente do Trabalho quando delas decorrer a incapacidade para o trabalho.
NOTA
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
76
FIGURA 6 – DERMATITE PROVOCADA PELA MANIPULAÇÃO DO CIMENTO
FONTE: . Acesso em: 10 nov. 2018.
Não são consideradas como doença do trabalho:
• doença degenerativa, inerente a grupo etário;
• a que não produz incapacidade laborativa;
• doença endêmica adquirida por segurado, habitante de região em que ela se 
desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato 
direto determinado pela natureza do trabalho.
3.3 CONCAUSA
Entre as hipóteses de equiparação a acidente de trabalho, há as concausas, 
que estão previstas no artigo 21, I da Lei no 8.213/9 (BRASIL, 1991), que diz: 
Equiparam-se também ao acidente do trabalho, para efeitos desta Lei: 
I - o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa 
única, haja contribuído diretamente para a morte do segurado, para 
redução ou perda da sua capacidade para o trabalho, ou produzido 
lesão que exija atenção médica para a sua recuperação.
 
Dessa forma, mesmo que a atividade executada no trabalho não tenha 
sido a única causa do acidente, ainda assim será considerada como acidente de 
trabalho, quando os fatores do trabalho colaboraremde maneira direta para o 
ocorrido.
Vamos exemplificar por meio de um trabalhador eletricista, portador 
de diabetes, e que durante a sua jornada de trabalho deixou uma peça cair no 
dedo da mão, provocando um ferimento, mas em virtude da doença já existente, 
TÓPICO 1 | ACIDENTE DE TRABALHO
77
faleceu devido à infecção generalizada, porque a ferida foi porta de entrada para 
bactérias.
Souza (2013) contribui com um exemplo de concausa explicando que, se 
um trabalhador no local de trabalho quebrar um braço e devido ao surgimento 
de uma gangrena for necessário amputá-lo, entende-se que, se o trabalhador não 
tivesse quebrado o braço, o quadro não evoluiria para uma gangrena.
Assim, afirmamos que a concausa necessita, obrigatoriamente, relacionar-
se ao acidente e à incapacidade laborativa, pois precisa haver relação com o 
problema antecedente, ou seja, acidente e doença do trabalho.
Para Cavalieri Filho (2008), as condições pessoais de saúde do acidentado, 
bem como as suas predisposições patológicas, ou fatores preexistentes, embora 
agravantes do resultado, em nada diminuem a responsabilidade do agente.
São considerados fatores preexistentes aqueles “em que o trabalhador 
apresenta uma predisposição latente, que se evidencia mais tarde com o 
infortúnio” (SOUZA, 2013, p. 87).
Através dos exames periódicos da empresa, é necessário identificar 
e colocar no prontuário do trabalhador a predisposição das doenças, a fim de 
não permitir que esse trabalhador execute suas funções em áreas propensas a 
aumentar os riscos de doenças e infortúnios laborais. 
As concausas consistem em circunstâncias que “concorrem para 
o agravamento do dano, mas que não têm a virtude de excluir o nexo causal 
desencadeado pela conduta principal, nem de, por si sós, produzir o dano” 
(CAVALIERI FILHO, 2008, p. 58).
4 BENEFÍCIOS ACIDENTÁRIOS
Em algum momento na jornada de trabalho, o empregado pode sofrer um 
acidente de trabalho, mesmo que atualmente haja tecnologia em seu favor. Esses 
acidentes causam desde lesões que incapacitam o trabalhador até sua morte.
No Brasil, os trabalhadores que sofrem acidentes são amparados pela 
Previdência Social, respaldados pela Constituição Federal de 1988, assim, os gastos 
previdenciários devem ser suportados pelo governo, empresas e trabalhadores, 
então, vamos conhecê-los.
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
78
4.1 AUXÍLIO-DOENÇA
Apesar de estudarmos o conceito de auxílio-doença, é importante saber 
que ele não é um benefício concedido apenas a empregados acidentados, veja o 
que diz Cabral Júnior (2003, p. 92):
Sendo concedido sempre que ocorrer qualquer evento que resulte 
em incapacidade para o trabalho por período superior a quinze dias. 
[...] Na prática, o auxílio-doença apresenta-se como substituição à 
remuneração do empregado que se encontra, temporariamente, sem 
condições de trabalhar. 
A confusão entre auxílio-doença e auxílio-doença acidentário é grande, 
de maneira simples, podemos dizer que o primeiro é concedido na maioria das 
hipóteses de doença e o segundo é em função de acidentes do trabalho, tanto 
doenças do trabalho quanto profissionais.
O auxílio-doença será devido ao segurado que ficar incapacitado para o seu 
trabalho ou para a atividade habitual, por mais de 15 dias consecutivos, portanto, 
a partir do 16º dia, quem irá pagar o trabalhador será a Previdência Social. Se, por 
exemplo, o trabalhador ficar doente e incapacitado temporariamente por 10 dias, 
o salário será pago pelo empregador.
Para que o trabalhador tenha direito ao benefício auxílio-doença, deverá 
ser segurado da Previdência Social, esta condição impõe que ele tenha no mínimo 
12 meses de contribuição. Para ter direito ao auxílio-doença, é necessária a 
comprovação da incapacidade através de exames feitos pelo perito médico da 
Previdência Social.
Com relação ao auxílio-doença acidentário, não há prazo de carência, ou 
seja, ele não precisa ter 12 meses de contribuição, para ter direito ao benefício. 
Porém é importante saber que o segurado terá estabilidade de 12 meses no 
trabalho, ou seja, após receber alta, não poderá ser demitido sem justa causa por 
pelo menos um ano.
Carência é um tempo mínimo de contribuição para ter direito ao benefício, 
geralmente 12 meses.
NOTA
Esse benefício é provisório, porque quando o segurado estiver apto ao 
retorno de suas atividades laborais, o benefício cessa, entretanto, diante de um 
caso em que não seja possível a recuperação da saúde, o auxílio-doença cessará 
mesmo assim, para que o mesmo seja aposentado por invalidez.
TÓPICO 1 | ACIDENTE DE TRABALHO
79
FIGURA 7 – CESSAÇÃO DO AUXÍLIO-DOENÇA
Auxílio-doença
O auxílio é
cessado quando:
Destinado ao segurado da Previdência Social
que ficar incapacitado para o trabalho,
mesmo que temporariamente, por
mais de 15 dias consecutivos.
• alta médica, recuperação
do trabalhador
• benefício se transforma em
aposentadoria por invalidez
• falecimento do segurado
• retorno voluntário
ao trabalho
FONTE: .
Acesso em: 26 jul. 2018.
Com relação ao valor do benefício em questão, para os empregados com 
carteira assinada, o valor é igual ao salário, respeitando o teto de R$ 5.645,80 
(valor previsto para o ano de 2018). Para os autônomos e empregados domésticos, 
o benefício é proporcional à contribuição do trabalhador ao INSS, ou seja, se a 
contribuição da pessoa for de um salário mínimo, por exemplo, receberá o valor 
de um salário mínimo (BRASIL, 2018).
4.2 AUXÍLIO-ACIDENTE
Esse benefício será concedido ao trabalhador quando sofrer um acidente 
e permanecer com sequelas, impedindo sua capacidade de trabalho que 
habitualmente exercia. O direito está assegurado aos empregados, trabalhadores 
avulsos e segurador especial, em contrapartida, o empregado doméstico, 
contribuinte individual e o facultativo não terão direito a este benefício.
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
80
FIGURA 8 – CONCEITO DE AUXÍLIO-DOENÇA ACIDENTÁRIO
FONTE: . Acesso em: 1º nov. 2018.
Está estabelecido no parágrafo 1º do art. 104 do Decreto nº 3.048/99 o 
valor para recebimento deste benefício, que será de 50% do salário de benefício 
que deu origem ao auxílio-doença do segurado, corrigido até o mês anterior ao 
do início do auxílio-acidente, e será devido até a véspera de início de qualquer 
aposentadoria ou até a data do óbito do segurado. 
Não há período de carência para o recebimento do auxílio-acidente.
O valor que o trabalhador receberá será de 50% referente ao salário 
benefício e será pago no dia seguinte em que cessar o auxílio-doença até o 
momento da aposentadoria ou do óbito do segurado (ABRAHÃO, 2008).
Para existir benefício do auxílio-acidente, deve haver obrigatoriamente 
um acidente, podendo ser de qualquer natureza, em função ou não do trabalho. 
Mas para liberação, é necessário que o segurado comprove que recebeu do INSS 
o benefício de auxílio-doença, ou comprovar que recebeu alta médica e, por 
conseguinte, cancelamento do auxílio-doença.
Para obter auxílio-acidente, o trabalhador pode marcar a perícia e entrega de 
documentos pelo site da Previdência Social ou pelo número 135 do INSS.
DICAS
TÓPICO 1 | ACIDENTE DE TRABALHO
81
4.3 APOSENTADORIA POR INVALIDEZ
O artigo 475 da CLT dispõe que “o empregado que for aposentado por 
invalidez terá suspenso o seu contrato de trabalho durante o prazo fixado pelas 
leis de previdência social para efetivação do benefício” (SOUZA, 2013).
Muitas pessoas pensam que, ao receber o benefício de aposentadoria por 
invalidez, nunca mais voltarão a trabalhar, entretanto, não é bem assim, porque 
caso o trabalhador recupere sua função e a capacidade para trabalhar, terá direito de 
reingressar novamente à função que ocupava, no seu local de trabalho. Entretanto, 
o empregador poderá rescindir o contrato nos termos dos arts. 477 e 478 da CLT, 
salvo na hipótese de ser o empregadoportador de estabilidade (SOUZA, 2013).
Martins (2008, p. 325) complementa esta questão afirmando que: 
Recuperando o empregado a capacidade de trabalho e sendo a 
aposentadoria cancelada, terá o direito de retornar à função que 
anteriormente ocupava, facultado, contudo, ao empregador indenizá-
lo pela rescisão do contrato de trabalho, nos termos do art. 477 e 478 da 
CLT ou mediante pagamento de indenização em dobro, se for estável. 
Caso o empregador haja admitido substituto para o aposentado, 
poderá rescindir o contrato de trabalho do substituto, desde que este 
tivesse ciência da interinidade do pacto celebrado, sem pagamento de 
nenhuma indenização.
Não há, na norma, prazo para impor período da aposentadoria por 
invalidez, dessa forma, o contrato torna-se suspenso até que de fato o médico 
perito do INSS informe que a invalidez é permanente, sem chance de recuperação.
FIGURA 9 – INFORMAÇÕES SOBRE APOSENTADORIA POR INVALIDEZ
FONTE: Disponível em:. Acesso em: 1º nov. 2018.
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
82
Quando o segurado não conseguir fazer suas atividades habituais sozinho 
(tomar banho, fazer as refeições, deambular, entre outros atos) e necessitar da 
ajuda de terceiros, poderá ser requerido o acréscimo de 25% sobre o valor da 
aposentadoria.
4.4 PENSÃO POR MORTE 
Não é difícil de entender o conceito, pois se torna autoexplicativo, 
de qualquer forma, significa que quando o segurado morre, os dependentes 
terão direito a um valor de pensão. Caso haja filhos, será disponibilizada até 
completarem a maioridade e dividida proporcionalmente.
É importante destacar que, em 2014, a concessão do benefício de pensão 
por morte sofreu alterações, através da Lei nº 13.135, de 2015.
Através dessa medida, a pensão por morte passa a ter carência de 24 meses, 
portanto, o benefício será concedido, se o falecido contribuiu por esse período. 
Anteriormente a essa mudança, o benefício não possuía período de carência, 
assim sendo, o beneficiário tinha o direito de receber a pensão a partir de uma 
única contribuição mensal do segurado. Mas, preste atenção, nessa medida há 
exceções, pois ela não se aplica aos casos em que a morte do segurado decorrer 
de acidente de trabalho ou doença profissional ou de trabalho. Da mesma forma, 
está fora dessa regra o segurado que, no momento do óbito, estava recebendo 
auxílio-doença ou qualquer espécie de aposentadoria.
Antes da medida citada, a pensão era vitalícia, porém, houve mudanças 
e, depois de 2014, só será concedida de maneira vitalícia para o cônjuge ou 
companheiro que tenha sobrevida de até 35 anos. Já aqueles que tiverem 
expectativa além dos 35 anos, o período de duração da pensão será de 15 anos. 
83
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que: 
• Acidente de trabalho é a ocorrência imprevista e indesejável, instantânea ou 
não, relacionada ao exercício do trabalho.
• Do ponto de vista prevencionista, acidente de trabalho é qualquer ocorrência 
não programada, inesperada ou não, que afeta o processo normal de uma 
atividade, trazendo, como consequência, a perda de tempo, dano material ou 
lesões ao homem.
• Mesmo os acidentes que não acarretam lesões são considerados para fins de 
prevenção.
• O acidente classificado como concausa necessita, obrigatoriamente, relacionar-
se ao acidente e à incapacidade laborativa, pois precisa haver relação com o 
problema antecedente, ou seja, acidente e doença do trabalho.
• Doença do trabalho é aquela que ocorre por meio de condições especiais, 
em que as atividades laborais são produzidas e, por serem doenças atípicas, 
exigem a comprovação do nexo causal com trabalho.
• O auxílio-doença será devido ao segurado que ficar incapacitado para o seu 
trabalho ou para a atividade habitual por mais de 15 dias consecutivos.
• Auxílio-acidente será concedido ao trabalhador quando sofrer um acidente 
e permanecer com sequelas, reduzindo sua capacidade de trabalho que 
habitualmente exercia.
• Em 2014, a concessão do benefício de pensão por morte sofreu alterações 
através da Lei nº 13.135, de 2015.
84
AUTOATIVIDADE
1 A saúde no trabalho tem ligação às doenças ocupacionais e profissionais, 
que possam aflorar no organismo humano, portanto, a adoção de medidas 
preventivas garante a proteção no ambiente laboral, evitando acidentes de 
trabalho. De acordo com essa afirmação, assinale a alternativa CORRETA 
para o conceito de acidente de trabalho.
a) ( ) Aquele que ocorre no exercício do trabalho, normalmente ocasionando 
alguma lesão, que pode ou não incapacitar o trabalhador ao exercício de 
suas atividades.
b) ( ) Aquele que acontece na residência, ao executar atividades no jardim ou 
até mesmo na cozinha.
c) ( ) Ocorrência de danos físicos e emocionais, em acidentes que ocorreram 
24 horas após a saída do trabalhador do seu ambiente laboral.
d) ( ) Ocorrência de eventos fisiológicos, durante o lazer, mas após a saída da 
atividade laboral.
2 O acidente de trabalho é considerado um evento danoso, causando 
transtorno não somente ao empregado, mas ao empregador e até mesmo 
ao Estado, pois, dependendo do tipo de acidente, há afastamento e gastos 
para a reabilitação e manutenção da saúde. De acordo com essa afirmativa, 
assinale a alternativa CORRETA, que indique tipos de acidentes de trabalho. 
a) ( ) Doença profissional.
b) ( ) Pediculose.
c) ( ) Acidente de automóvel que tenha ocorrido nas férias do empregado.
d) ( ) Gestação.
3 O Auxílio-Doença é um benefício oportunizado ao segurado do INSS, em que 
o trabalhador esteja temporariamente incapaz para o exercício do trabalho 
em decorrência de doença ou acidente. De acordo com essa afirmativa, 
classifique (V) para verdadeiro e (F) para falso:
a) ( ) Para receber o benefício do auxílio-doença, é necessário que o trabalhador 
tenha a qualidade de segurado.
b) ( ) É necessário comprovação através da perícia médica, de que a doença 
ou acidente tornou o trabalhador temporariamente incapaz para o seu 
trabalho.
c) ( ) O auxílio-acidente não deve estar ligado a nenhum tipo de acidente 
para que o trabalhador se beneficie dele.
d) ( ) O auxílio-doença cessa quando há morte do segurado.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
85
a) ( ) V – V – F – V.
b) ( ) V – F – F – V.
c) ( ) F – V – V – F.
d) ( ) V – V – V – F.
4 O auxílio-acidente é um benefício concedido ao trabalhador que sofrer algum 
acidente, com algum dano e reduzindo sua capacidade de trabalho, porém, 
terá que comprovar, por meio de perícia médica, que está temporariamente 
incapaz para o trabalho em decorrência de doença ou acidente. De acordo 
com essa afirmativa, assinale a alternativa CORRETA no que diz respeito a 
auxílio-acidente. 
a) ( ) Não há período de carência para o recebimento desse benefício. 
b) ( ) O contribuinte individual e o facultativo terão direito a este benefício.
c) ( ) O valor que o trabalhador receberá será de 80% do salário mínimo.
d) ( ) Esse benefício é estendido aos sobrinhos e netos de menores.
86
87
TÓPICO 2
EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA 
TRABALHISTA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Ao longo da sua vida profissional, você encontrará vários entendimentos 
relacionados ao ambiente de trabalho, dos quais necessitará ter conhecimento 
para interagir com as nuances da vida em prol da segurança no ambiente laboral. 
Nesta unidade, estudaremos os registros na carteira de trabalho e 
previdência social, comunicação de acidente de trabalho, preenchimento da 
CAT, reabertura da CAT, responsabilidade civil do empregador pelo acidente 
de trabalho, responsabilidade civil subjetiva e objetiva, além dos excludentes de 
responsabilidade.
Lembre-se de que conhecimento é um processo contínuo e nunca terá 
fim, a pesquisa e o aprender devem ser uma busca constante em nossas vidas 
profissionais, dessa forma, corroboramos o entendimento da educadora Isabel 
Alarcão(2004), quando diz que “a pesquisa é um processo privilegiado de 
construção do conhecimento”. 
Convidamos você, acadêmico, a continuar nessa trajetória de estudos, 
então vamos em frente!
2 REGISTROS NA CARTEIRA DE TRABALHO E 
PREVIDÊNCIA SOCIAL
A carteira de trabalho e previdência social, conhecida por CTPS, foi criada 
em 1943, sendo que toda empresa que contrata empregado deve preencher a 
CTPS, pois se o empregador não registrar a contratação na carteira de trabalho, 
sua contratação é vedada (NASCIMENTO, 2002).
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
88
FIGURA 10 – INFORMAÇÕES SOBRE A CARTEIRA DE TRABALHO
FONTE: . Acesso em: 1º nov. 2018
De acordo com Matos (2018), deve haver uma regra para que a empresa 
faça as anotações na CTPS, pois não é permitido qualquer tipo de registro, 
portanto, devem ser especificados: 
• Razão social do empregador e número no CNPJ.
• Endereço completo do empregador.
• Especialidade e ramo do empreendimento contratante.
• Cargo e função a ser ocupado pelo empregado na empresa.
• Classificação do respectivo cargo.
• Data de admissão na empresa, que corresponde ao primeiro dia trabalhado, 
incluindo o contrato de experiência, se existente.
• Número de registro do trabalhador na empresa.
• Valor da remuneração em numerais e por extenso e a frequência da remuneração.
• Anotações do contrato de experiência.
• Anotação de contrato por prazo determinado, conforme o disposto na Lei nº 
9.601/98.
• Alterações salariais.
• Registro das férias.
• Anotações do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
• Cadastro no Programa de Integração Social (PIS), quando for o primeiro 
emprego do funcionário.
• Detalhes e declaração de contrato de experiência.
• Promoções.
• Mudanças e alterações nos dados do empregador.
• Atestados médicos com período de dispensa.
• Alterações em contrato de trabalho.
TÓPICO 2 | EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA
89
Você sabia que a CTPS deve ser devolvida no prazo máximo de 48 horas? 
Sim, a empresa que não devolver neste prazo ficará sujeita a multa de valor igual 
à metade do salário mínimo. Dessa forma, quando o empregador entregar a CTPS, 
deverá fazer por meio de recibo com data e assinatura do empregado e que deverá 
ficar arquivado e disponibilizado ao Ministério do Trabalho, diante de alguma 
fiscalização.
FIGURA 11 – PRAZO LEGAL PARA DEVOLUÇÃO DA CARTEIRA DE
TRABALHO AO EMPREGADO
FONTE: . Acesso em: 27 jul. 2018.
2.1 EXIGÊNCIAS E CONSEQUÊNCIAS LEGAIS
Quando o empregador não efetua o registro do seu funcionário de maneira 
legal e devida, esse ato pode repercutir na seara trabalhista, se o trabalhador se 
sentir lesado e decidir ingressar judicialmente contra o empregador ou empresa.
Para Matos (2018), todas as consequências decorrentes de ações trabalhistas 
contra uma empresa têm por base o vínculo empregatício, portanto, a empresa 
necessita atender a todas as obrigações trabalhistas e previdenciárias previstas 
na legislação, para o funcionário que teve seu vínculo empregatício reconhecido.
A Justiça do Trabalho resolve as causas que demandam problemas 
trabalhistas, pois poderá ser acionada em várias situações, desde a contratação 
até o desligamento, aliás, muitas vezes essas causas trabalhistas se estendem 
posteriormente ao desligamento.
 As ações trabalhistas iniciam através da reclamação trabalhista, referente 
aos direitos e obrigações do empregador e empregado, porém, elas podem ser 
evitadas, basta que a empresa siga os trâmites legais, de registro, treinamento, 
fornecimento de equipamentos de proteção individual e coletivo, além da 
prevenção em segurança e medicina do trabalho.
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
90
Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza 
não eventual a empregador, sob dependência deste e mediante salário.
NOTA
FIGURA 12 – DIMINUEM AÇÕES TRABALHISTAS PARA QUEM ATENDE ÀS EXIGÊNCIAS LEGAIS
FONTE: . Acesso em: 9 ago. 2018.
Dessa forma, como relata Matos (2018), todas as consequências legais e 
divergências entre empregadores e empregados que se sintam prejudicados em 
seus direitos podem ser resolvidas na Justiça do Trabalho, para resolução de seus 
problemas.
3 COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO
A Comunicação de Acidente do Trabalho, conhecida pela sigla CAT, 
é preenchida pela empresa à Previdência Social, dentro de um prazo legal, 
independentemente se há ou não afastamento do trabalhador. Além de ser 
uma obrigação legal do empregador, a CAT também serve para fins estatísticos 
(BURSANO, 2012).
Neste sentido, a Lei no 8.213/91 (BRASIL, 1991), artigo 22, prevê:
A empresa ou o empregador doméstico deverão comunicar o acidente 
do trabalho à Previdência Social até o primeiro dia útil seguinte ao da 
ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, 
sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do 
salário de contribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, 
aplicada e cobrada pela Previdência Social. 
TÓPICO 2 | EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA
91
A CAT é um documento preenchido pela empresa, informando a 
ocorrência de acidente do trabalho ou doença profissional do empregado para o 
Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS).
Dessa forma, ao ocorrer o acidente de trabalho, grave ou não, o empregador 
tem a obrigação de comunicar o INSS, ou seja, ele não tem opção de escolha, isso é 
considerado um dever que gera a obrigação. A CAT servirá para o reconhecimento 
legal do acidente e para assegurar ao acidentado todos os direitos legais.
Para Saliba (2008), essa comunicação visa informar à Previdência sobre o 
acidente, para fins de concessão do benefício, evitando prejuízos ao trabalhador. 
Se a empresa não comunicar a Previdência, o próprio acidentado pode comunicar, 
bem como seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que deu 
assistência ao acidentado ou outra autoridade pública, com o objetivo de proteger 
o trabalhador.
Para sua comodidade, o INSS disponibiliza um aplicativo que permite o 
Registro da CAT de forma on-line, desde que preenchidos todos os campos obrigatórios.
DICAS
Oliveira (2013) coloca que, se o empregado vem a falecer em razão do 
acidente, a empresa deverá comunicar a ocorrência imediatamente à autoridade 
policial, além da comunicação ao INSS. A razão desta comunicação é em virtude 
da necessidade de se investigar, no inquérito, se há delito a ser punido na esfera 
criminal.
FIGURA 13 – DATA NACIONAL DA PREVENÇÃO DE ACIDENTES DE TRABALHO
FONTE: . Acesso em: 1º nov. 2018.
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
92
A emissão da CAT pela empresa não garante o benefício de auxílio-
acidente ao empregado, pois é a Previdência Social que assegura a concessão do 
benefício, como assevera Oliveira (2013, p. 63):
A emissão da CAT não significa automaticamente que houve uma 
confissão da empresa quanto à ocorrência do acidente do trabalho, 
porquanto a caracterização oficial do infortúnio é feita pela Previdência 
Social, depois de comprovar o liame causal entre o acidente e o 
trabalho exercido. 
É importante critério e razoabilidade na hora da emissão da CAT, a fim 
de evitar sobrecarga à Previdência Social. Assim, corrobora Oliveira (2013, p. 62) 
quando diz que: 
Assim, a partir do momento em que surge a “suspeita diagnóstica” 
da doença relacionada ao trabalho, é dever do empregador e direito 
do empregado a emissão da CAT. De qualquer forma, é necessário 
que haja alguma alteração, sintoma ou sinal clínico que possa levar 
à suspeita, para não cair no excesso oposto de emissão da CAT pela 
simples desconfiança ou mero capricho por partedo empregado. 
Cabe salientar que o conceito de acidente do trabalho não está vinculado 
necessariamente à concessão do benefício previdenciário por incapacidade, pois 
se o acidente for identificado quando o trabalhador estiver desempregado, a CAT 
deverá ser emitida pela ex-empregadora.
FIGURA 14 – CHARGE DA VISÃO MERCANTILISTA DO EMPREGADOR
FONTE: .
Acesso em: 1º nov. 2018.
TÓPICO 2 | EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA
93
Mesmo que o acidente não gere o benefício, esta comunicação terá efeitos 
do ponto de vista estatístico, epidemiológico e tributário, conforme aduz Oliveira 
(2013, p. 64):
o acidente ou doença comunicado pela empresa pode ser ou não 
caracterizado tecnicamente como acidente do trabalho. Se a Perícia 
indicar que não há nexo causal do acidente ocorrido com o trabalho, o 
INSS reconhecerá apenas o acidente de qualquer natureza, conferindo 
à vítima os benefícios previdenciários cabíveis, mas não os direitos 
acidentários. Igual desfecho ocorrerá se a doença, mesmo considerando-
se as possíveis causas, não estiver relacionada ao trabalho. 
Conforme Saliba (2008, p. 29), considera-se o dia que aconteceu a doença 
profissional ou do trabalho como “a data do início da incapacidade laborativa 
para o exercício da atividade laboral, ou o dia da segregação compulsória, ou 
ainda o dia em que for realizado o diagnóstico, valendo o que ocorrer primeiro”. 
3.1 PREENCHIMENTO DA CAT
É sempre bom recorrer ao manual de instruções para o preenchimento 
correto da CAT, a fim de garantir que não haja erros, principalmente para quem 
fará o documento pela primeira vez ou até mesmo para proporcionar segurança 
aos leigos no assunto. 
Essa comunicação que deve ser encaminhada à Previdência Social tem 
previsão na Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e no Instituto Nacional do Seguro 
Social.
O preenchimento deve seguir as diretrizes legais, para tanto, recomenda-
se que sejam tomadas algumas precauções, como (BRASIL, 2018):
• Não assinar a CAT em branco.
• Verificar se todos os itens de identificação foram devidamente preenchidos.
• Lembrar que o atestado médico da CAT é de competência somente do médico.
• Preencher sem rasuras e, se for manuscrito, deve ser com letra de forma e de 
preferência, caneta esferográfica preta.
• Evitar deixar campos em branco.
• Apresentar a CAT impressa em papel e em duas vias ao INSS.
A comunicação será feita ao INSS por intermédio do formulário CAT, 
preenchido em seis vias, sendo que o INSS irá reter a primeira via e destinará as 
demais, conforme descrição:
1ª via – ao INSS;
2ª via – à empresa; 
3ª via – ao segurado ou dependente; 
4ª via – ao sindicato de classe do trabalhador;
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
94
5ª via – ao Sistema Único de Saúde – SUS;
6ª via – à Delegacia Regional do Trabalho.
FIGURA 15 – ROTEIRO DE EMISSÃO E REGISTRO DE COMUNICAÇÃO
DE ACIDENTE DO TRABALHO (CAT)
Segurado se acidenta ou adquire doença do trabalho, e leva
ao conhecimento da empresa para emissão de CAT (1)
Empresa preenche o Quadro I 
"EMITENTE" da CAT e encaminhada 
ao médico
Acidentado, sindicato de classe, 
médico assistente ou autoridade 
pública, preenche o Qadro I 
"EMITENTE" da CAT e encaminha 
ao médico.
O emitente ou SUS encaminha a 
CAT ao INSS para registro
Serviço médico da empresa, 
próprio, contratado, ou da rede SUS 
examina o acidentado, preenche o 
Quadro II "ATESTADO MÉDICO"
INSS gera relatório para 
acompanhamento do setor de 
fiscalização, após caracterizado o
acidente e constatada a omissão.
INSS emite relatório de registro de 
CAT para informação à empresa 
para ciencia do registro da CAT
Empresa ou SUS encaminha a 
CAT ao INSS para registro
Serviço médico contratado ou da 
Rede SUS examina o acidentado, 
preenche o Quadro II "ATESTADO 
MÉDICO"
Empresa
emite CAT
Sim Não
FONTE: . Acesso em: 9 ago. 2018.
Nos termos da Subseção II da Seção VI, do Capítulo V da Instrução 
Normativa nº 77/PRES/INSS, de 21 de janeiro de 2015, a empresa deverá 
comunicar ao INSS o acidente de trabalho ocorrido por meio da CAT, de acordo 
com as seguintes ocorrências (BRASIL, 2015):
I- CAT inicial: acidente do trabalho típico, doença profissional, do trabalho ou 
óbito imediato; 
II- CAT de reabertura: afastamento por agravamento de lesão de acidente do 
trabalho ou de doença profissional ou do trabalho; ou 
III- CAT de comunicação de óbito: falecimento decorrente de acidente ou doença 
profissional ou do trabalho, após o registro da CAT inicial. 
TÓPICO 2 | EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA
95
A CAT deverá ser registrada preferencialmente no sítio eletrônico www.
previdencia.gov.br ou em uma das unidades de atendimento, sendo válida para 
todos os fins perante o INSS. 
O emitente deverá entregar cópia da CAT ao acidentado, ao sindicato da 
categoria e à empresa. Nos casos de óbito, a CAT também deverá ser entregue aos 
dependentes e à autoridade competente. 
O formulário da CAT poderá ser substituído por impresso da própria 
empresa, desde que contenha todos os campos necessários ao seu preenchimento.
 Para fins de cadastramento da CAT, caso o campo “atestado médico” 
não esteja preenchido e assinado por um médico, será aceito um atestado médico 
anexado ao formulário, desde que nele conste a descrição do atendimento 
realizado, a CID, o período provável para o tratamento, a data, a assinatura do 
médico e o número do seu registro no Conselho Regional de Medicina. 
Com relação ao preenchimento da data de ocorrência do acidente de 
trabalho, é simples, porém para a doença ocupacional não é tão simples assim, 
então vale transcrever a lição de Oliveira (2013, p. 61):
Diante da impossibilidade prática de precisar o “momento do 
adoecimento”, o legislador estabeleceu, por presunção legal, como 
dia do acidente: a data do início da incapacidade laborativa para o 
exercício da atividade habitual, ou o dia da segregação compulsória, 
ou o dia em que for realizado o diagnóstico, valendo o que ocorrer 
primeiro. Como é necessário emitir a CAT quando houver suspeita de 
doença ocupacional, a data a ser colocada na comunicação será aquela 
em que o médico formulou a suspeita diagnóstica.
4 REABERTURA DA CAT
A reabertura da CAT é a forma de oferecer continuidade à análise de uma 
lesão decorrente de acidente do trabalho ou doença ocupacional, sendo que o 
objetivo é simples, é de comunicar ao INSS e às demais autoridades que houve 
um acidente, na verdade, significa que o acidente resultou em consequências que 
levaram à necessidade de novo afastamento do empregado.
Consideram-se autoridades públicas reconhecidas para tal finalidade: os 
magistrados em geral, os membros do Ministério Público e dos Serviços Jurídicos 
da União e dos estados, os comandantes de unidades militares do Exército, da 
Marinha, da Aeronáutica e das Forças Auxiliares (Corpo de Bombeiros e Polícia 
Militar), prefeitos, delegados de polícia, diretores de hospitais e de asilos oficiais 
e servidores da Administração Direta e Indireta Federal, Estadual, do Distrito 
Federal ou Municipal, quando investidos de função (OLIVEIRA, 2013).
Não devem constar as mesmas informações da época do acidente, com 
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
96
exceção das informações do afastamento, como: último dia trabalhado, atestado 
médico e data da emissão. A assistência médica ou afastamento, com menos de 15 
dias consecutivos, não serão considerados como CAT de reabertura.
A CAT de reabertura deverá ser realizada quando houver afastamento 
por agravamento de lesão do acidente do trabalho ou doença profissional, nesse 
caso, o empregado terá direito ao auxílio-acidente.
Oliveira (2013) destaca que o cadastro da CAT não gera estabilidade, para 
isso ocorrer é necessário cumprir três requisitos:
• ter sofrido acidente de trabalho ou doença profissional;
• ter recebido auxílio-doença acidentário em funçãode afastamento por mais de 
15 dias;
• ter recebido alta pela perícia médica.
FIGURA 16 – INFORMAÇÕES QUANTO À ESTABILIDADE EM ACIDENTE DE TRABALHO
FONTE: .
Acesso em: 1º nov. 2018.
Portanto, para haver estabilidade, o que realmente importa é que esses três 
requisitos tenham sido cumpridos, assim, havendo reabertura, necessariamente 
deve haver agravamento da lesão, liberação do auxílio-doença acidentário e, por 
fim, o direito à estabilidade, que será gerado a partir da alta médica.
5 RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR PELO 
ACIDENTE DE TRABALHO
A responsabilidade civil é invocada com o objetivo de proporcionar a 
TÓPICO 2 | EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA
97
uma pessoa a restauração do dano patrimonial ou moral de terceiros, em virtude 
de alguma ação por ela mesmo praticada, ou de pessoa ou coisa.
É interessante destacar que, diante da ocorrência por longas décadas 
dos acidentes de trabalho, “a responsabilidade civil foi o primeiro instrumento 
capaz de oferecer às vítimas uma chance de reparação perante o empregador” 
(SANTOS, 2005, p. 67).
À medida que o sistema de seguridade social diminui, a responsabilidade 
civil perde o seu espaço, veja o que Santos (2005, p. 69) fala sobre o assunto:
Na era do Estado social, em que as vítimas com danos corporais devem 
ser amparadas pelo sistema de seguridade social, a responsabilidade 
civil tende ao desaparecimento. A recíproca é verdadeira: na medida 
em que o sistema de seguridade social se reduz ou se torna inexistente, 
a responsabilidade civil avança, expandindo-se no vazio deixado pela 
seguridade social.
Para Gagliano e Pamplona Filho (2011, p. 51), a responsabilidade civil tem 
como objetivo reparar o dano que o trabalhador sofreu, partindo de um preceito 
que esteja dentro de uma situação de ilegalidade, onde o empregado sofreu um 
acidente de trabalho e a condução para este ato por parte da empresa não foi 
devidamente estabelecida.
Segundo Maria Helena Diniz (2011, p. 51): 
Responsabilidade civil é a aplicação de medidas que obriguem uma 
pessoa a reparar dano moral ou patrimonial causado a terceiros, 
em razão de ato por ela mesmo praticado, por pessoa por quem ela 
responde, por alguma coisa a ela pertencente ou de simples imposição 
legal. 
A finalidade da responsabilidade civil é de garantir a reparação do dano 
que o trabalhador sofreu, geralmente condenando o agente causador em uma 
prestação em pecúnia, quando não puder restabelecer o que foi lesionado.
Assim, acarretará responsabilidade ao empregador quando a sua ação 
ou omissão culposa (caso não cumpra com as obrigações referentes às formas 
de prevenção em segurança, higiene e medicina do trabalho) gere dano, como 
consequência do acidente do trabalho, acarretando “prejuízo material e moral 
ao patrimônio do empregado, devendo indenizá-lo como equivalente de 
forma reparatória ou compensatória, restabelecendo o equilíbrio abalado pelo 
infortúnio” (CAIRO, 2015, p. 69).
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
98
FIGURA 17 – DE QUEM É A RESPONSABILIDADE EM UM ACIDENTE DE TRABALHO
FONTE: . Acesso em: 1º nov. 2018.
Dessa forma, Oliveira (2013, p. 23) dispõe que:
Existe responsabilidade se o empregador, ainda que cumprindo 
todas as obrigações do contrato de trabalho, deixar, por culpa 
ou dolo, de observar preceitos legais ou normativos a respeito de 
segurança e medicina do trabalho, e com isso causar dano a seu 
emprego, configurando o cometimento do ilícito civil ou, até mesmo, 
do ilícito penal.
A responsabilidade civil do empregador, diante de acidente do trabalho, 
ocasiona grandes conflitos no mundo jurídico. Normalmente é difícil delimitar 
a extensão da responsabilidade civil do empregador, porque a justiça brasileira 
entende que há dois tipos de responsabilidade civil: a subjetiva e a objetiva.
5.1 RESPONSABILIDADE CIVIL SUBJETIVA
A responsabilidade subjetiva acontece quando o agente age de maneira 
consciente, ou seja, age sabendo o que está fazendo, então se diz que a pessoa atua 
com dolo. Quem age de maneira não intencional, mas por omissão, negligência 
ou imprudência, atua com culpa.
Oliveira (2013, p. 185) traz o conceito das três modalidades de culpa que 
já foram citadas. 
A conduta imprudente consiste em agir o sujeito sem as cautelas 
necessárias, com açodamento e arrojo, e implica sempre pequena 
consideração pelos interesses alheios. A negligência é a falta de 
atenção, a ausência de reflexão necessária, uma espécie de preguiça 
psíquica, em virtude da qual deixa o agente de prever o resultado 
TÓPICO 2 | EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA
99
que podia e devia ser previsto. A imperícia consiste sobretudo na 
inaptidão técnica, na ausência de conhecimentos para a prática de um 
ato, ou omissão de providência que se fazia necessária; é, em suma, a 
culpa profissional. 
A responsabilidade civil do empregador, por danos ocasionados ao 
empregado, em virtude de acidente de trabalho, é subjetiva, necessitando ser 
provada a conduta culposa de sua parte, por omissão, negligência ou imprudência.
Culpa, no direito civil, é sinônimo de negligência, falta de cuidado, ou seja, 
não prever o que poderia ser previsível, porém sem intenção de agir de maneira ilícita e 
sem conhecimento do caráter ilícito da própria ação.
NOTA
Portanto, a responsabilidade baseia-se na ideia da culpa e, assim, a prova 
da culpa do agente passa a ser pressuposto indispensável do dano indenizável 
em função de dolo (intenção de produzir o resultado) ou culpa (negligência, 
imprudência ou imperícia), ocasionado pelo agente, produzindo prejuízos a 
terceiros.
Podemos esclarecer, dizendo que na responsabilidade subjetiva, a 
presunção da vontade consciente de cometer um ato ilícito ou de violar a lei é 
evidente e sua consequência será de prejudicar outro indivíduo, havendo, por 
conseguinte, necessidade de indenizá-lo.
Podemos constatar que a responsabilidade civil subjetiva, também 
conhecida como teoria da culpa, firma-se na ideia de culpa, como informa a 
Constituição Federal Brasileira, consagrando como direitos dos trabalhadores 
urbanos e rurais:
 
Artigo 7º caput aduz que são direitos dos trabalhadores urbanos e 
rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social. 
Já o inciso XXVIII informa que o seguro contra acidentes de trabalho, 
a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está 
obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa (BRASIL, 2013, p. 221). 
Essa teoria da culpa admite que quem cria o risco tem a obrigação de 
evitar que haja um resultado prejudicial ao empregado, mas, caso aconteça, terá o 
dever de reparar o dano. Portanto, quem aufere lucros da atividade e cria o risco 
deve indenizar.
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
100
5.2 RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA
A concepção da responsabilidade civil objetiva surgiu no Direito do 
Trabalho, pois o número dos acidentes no ambiente laboral estava aumentando, 
em função da industrialização e modernização das máquinas, na época da 
Revolução Industrial. Portanto, foi no âmbito do Direito que a questão da culpa 
se mostrou insuficiente:
Na medida em que a produção passou a ser mecanizada, aumentou 
vertiginosamente o número de acidentes, não só em razão do despreparo 
dos empregados, mas, também, e principalmente, pelo empirismo das 
máquinas então utilizadas, expondo os trabalhadores a grandes riscos. 
O operário ficava desamparado diante da dificuldade — não raro, 
impossibilidade — de provar a culpa do patrão. A injustiça que esse 
desamparo representava estava a exigir uma revisão dos fundamentos 
da responsabilidade civil (CAVALIERI FILHO, 2008, p. 135).
Dessa forma, a solicitação exigida para a responsabilização do empregador 
em casos de acidentes de trabalho será o nexo causal e o dano à vítima, deixando 
de ser relevante a culpa do empregador. Esse sistemafoi favorável ao trabalhador, 
pois ele estava ficando em desvantagem, no sentido de não conseguir provar que 
não havia culpa no acidente, prejudicando o trabalhador, pois muitos deixavam 
de receber indenização.
De acordo com Gonçalves (2012, p. 22), pode-se afirmar que: 
Nos casos de responsabilidade objetiva, não se exige prova de culpa 
do agente para que seja obrigado a reparar o dano. Em alguns, ela 
é presumida pela lei. Em outros é de todo prescindível, porque a 
responsabilidade se funda no risco.
Na responsabilidade civil objetiva, aceita-se a teoria do risco, que não leva 
em consideração o dolo ou a culpa do agente, para se obter a reparação pelo dano 
causado.
FIGURA 18 – CHARGE RESPONSABILIDADE OBJETIVA
Não precisa
demonstrar culpa
1. Responsabilidade objetiva
FONTE: . 
Acesso em: 1º nov. 2018.
TÓPICO 2 | EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA
101
Entretanto, é necessário que haja comprovação do nexo causal entre o 
dano e o ato do agente. Portanto, a responsabilidade objetiva tem como premissa 
o dano, a autoria do evento danoso e o nexo causal entre eles. Não há requisito 
de investigar se a conduta foi culposa ou dolosa, o que se exige é a ocorrência 
(PEREIRA, 2002).
Assim, entende-se que há necessidade de existir a culpa presumida na 
responsabilidade civil subjetiva, já na responsabilidade objetiva não há essa 
exigência. Dessa forma, não haverá a inversão do ônus da prova, tendo em vista 
que se a atividade normalmente exercida pelo empregador produzir grande 
risco, ele obrigatoriamente responderá pelo ato e não conseguirá esquivar-se de 
tal responsabilidade. Esse entendimento é exposto por Brandão (2009, p. 86):
Por isso, não procede a observação feita por José Cairo Júnior 
quando, após afirmar o acolhimento, no Código Civil, da teoria da 
responsabilidade objetiva, admite a possibilidade de o empregador 
dela afastar-se, demonstrando que adotou todas as medidas 
contratuais, legais e convencionais que tratam da segurança, Medicina 
e higiene do trabalho, o que equivaleria à teoria da culpa presumida, 
hipótese afastada na novel legislação, ao tratar do tema.
Inversão do ônus da prova: consiste em isentar-se de provar uma afirmação 
feita, exigindo que o outro faça a prova da veracidade da afirmação.
NOTA
FIGURA 19 – DIFERENÇA DA RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA E SUBJETIVA
NEXO CAUSAL
RC - Subjetiva
RC - Objetiva
• Dano
• Culpa
• Nexo Causal
• Dano
• Atividade de Risco
• Nexo Causal
FONTE: . Acesso em: 10 nov. 2018.
Já diz o ditado que em toda regra existe exceção, nesta seara há situações 
em que mesmo havendo acidente de trabalho, a indenização não é devida. São as 
causas em que o empregador se exime da responsabilidade, as quais conhecemos 
por excludentes da responsabilidade.
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
102
6 EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE
Para entender melhor esse assunto, as excludentes da responsabilidade do 
empregador não permitem a imputação da responsabilidade civil do empregador, 
diante de um acidente de trabalho. 
As excludentes de responsabilidade civil são eventos capazes de eximir 
o empregador da obrigação de indenizar. São suposições que eliminam o nexo 
de causalidade nos acidentes de trabalho. Oliveira (2013, p. 144) colabora com o 
seguinte:
Nas hipóteses de exclusão da causalidade os motivos do acidente 
não têm relação direta com o exercício do trabalho e nem podem ser 
evitados ou controlados pelo empregador. São fatores que rompem 
o liame causal e, portanto, o dever de indenizar, porquanto não há 
constatação de que o empregador ou a prestação do serviço tenham 
sido os causadores do infortúnio.
O empregador, diante das relações de trabalho e frente ao trabalhador, 
possui responsabilidades, deveres e obrigações, portanto, caso não sejam 
seguidos, acarretam várias consequências, para ele próprio e para o trabalhador, 
gerando prejuízos, principalmente no que diz respeito aos acidentes de trabalho. 
Neste sentido, o empregador deve recorrer às medidas de prevenção e 
proteção ao trabalhador, diante do ambiente de trabalho, a fim de oferecer à sua 
equipe toda a proteção adequada para a execução do serviço, com objetivo de se 
resguardar da ocorrência de prejuízos ao trabalhador.
Nesta ótica, Martins (2008, p. 421) afirma que: 
Cabe à empresa também cumprir e fazer cumprir as normas de 
segurança e medicina do trabalho; instruir seus empregados, por meio 
de ordens de serviço, quanto às precauções a tomar no sentido de 
evitar acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais; adotar medidas 
que lhe sejam determinadas pelo Ministério do Trabalho, por meio 
do órgão regional competente; facilitar o exercício da fiscalização pela 
autoridade competente.
Dessa forma, é essencial que os empregadores ofereçam produtos de 
segurança aos empregados, bem como proporcionem o devido treinamento, no 
que diz respeito ao uso dos equipamentos.
Entretanto, se o empregado se recusar a utilizar qualquer equipamento 
de proteção individual ou coletiva e sofrer algum tipo de acidente de trabalho, 
o empregador não será responsável pelo acidente e, consequentemente, o 
empregado não será indenizado, diz-se que a culpa é exclusiva do empregado.
TÓPICO 2 | EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA
103
FIGURA 20 – EXEMPLO DE CULPA EXCLUSIVA
FONTE: . Acesso em: 14 ago. 2018.
É importante destacar que mesmo identificada a excludente de 
responsabilidade, a vítima terá direito aos benefícios previdenciários. Nesse 
sentido, vários autores demonstram que nos acidentes causados por culpa 
exclusiva da vítima, fato exclusivo de terceiro, e caso fortuito ou força maior, o 
empregado recebe benefício previdenciário.
Oliveira (2013, p. 145) demonstra, através de um exemplo, a culpa 
exclusiva da vítima, em um acidente de trabalho: 
Se o empregado, por exemplo, numa atitude inconsequente, desliga 
o sensor de segurança automática de um equipamento perigoso e 
posteriormente sofre acidente por essa conduta, não há como atribuir 
culpa em qualquer grau ao empregador, pelo que não se pode falar 
em indenização.
Pode surgir culpa da vítima e do empregador diante de um acidente de 
trabalho, nesse caso chama-se culpa concorrente e esta situação normalmente 
é avaliada pelo juiz, com o objetivo de possibilitar a definição do valor de 
ressarcimento, geralmente a indenização é pela metade. 
Sobre esse assunto, podemos oferecer como exemplo um empregado 
que decepou os dedos da mão numa serra elétrica, ao cumprir as ordens do 
empregador; ao investigar o caso, verifica-se a culpa concorrente do empregado, 
que não utilizava EPI e que também não possuía preparo técnico para manipular 
a máquina de serralheria.
104
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• A carteira de trabalho e previdência social, conhecida por CTPS, foi criada em 
1943.
• A CTPS deve ser devolvida pelo empregador ao empregado no prazo máximo 
de 48 horas.
• A CAT é um documento preenchido pela empresa, informando a ocorrência 
de acidente do trabalho ou doença profissional do empregado, para o Instituto 
Nacional da Seguridade Social (INSS).
• A CAT servirá para o reconhecimento legal do acidente e para assegurar ao 
acidentado todos os direitos legais.
• O conceito de acidente do trabalho não está vinculado necessariamente à 
concessão do benefício previdenciário por incapacidade.
• O preenchimento deve seguir as diretrizes legais.
• Reabertura da CAT significa fornecer continuidade à análise de uma lesão, 
decorrente de acidente do trabalho ou doença ocupacional.
• Responsabilidade civil é o emprego de meios, que proporcionam a uma pessoa 
restaurar o dano patrimonial ou moral de terceiros, em virtude de alguma ação 
por ela mesmo praticada, ou de terceiros.
• A finalidade da responsabilidade civil é de garantira reparação do dano que o 
trabalhador sofreu.
• A responsabilidade subjetiva acontece quando a pessoa age de maneira 
consciente, atuando com dolo.
• Na responsabilidade subjetiva, a presunção da vontade consciente de cometer 
um ato ilícito é clara e sua consequência será de indenização ao indivíduo.
• Na responsabilidade civil objetiva, aceita-se a teoria do risco, que não leva em 
consideração o dolo ou a culpa do agente, para se obter a reparação pelo dano 
causado.
• As excludentes de responsabilidade civil são eventos capazes de eximir o 
empregador da obrigação de indenizar.
105
AUTOATIVIDADE
1 A comunicação de acidente de trabalho é um documento que a empresa 
deve preencher, informando sobre a ocorrência de acidente do trabalho ou 
doença profissional do empregado, ao Instituto Nacional da Seguridade 
Social. De acordo com essa afirmativa, classifique (V) para verdadeiro e (F) 
para falso:
 
a) ( ) A CAT de reabertura é preenchida quando houver afastamento por 
agravamento de lesão do acidente do trabalho ou doença profissional. 
b) ( ) O emitente deverá entregar cópia da CAT ao acidentado, ao sindicato da 
categoria e à empresa.
c) ( ) Se o empregado falecer em função do acidente de trabalho, a empresa 
deverá comunicar a ocorrência à autoridade policial e ao INSS.
d) ( ) Mesmo que o acidente não gere o benefício, a CAT não terá validade 
para efeitos estatísticos.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – V – V – F.
b) ( ) V – V – F – V.
c) ( ) F – F – V – F.
d) ( ) V – V – F – F.
2 A carteira de trabalho e previdência social é um documento importante para 
qualquer trabalhador, neste documento constam o local de identificação 
profissional e onde são anotadas diversas informações sobre o contrato 
de trabalho e também o tempo de serviço para fins previdenciários. Neste 
sentido, assinale a alternativa CORRETA, indicando o que acontece se o 
empregador não registrar a contratação do trabalhador na carteira de trabalho:
a) ( ) Sua contratação é vedada. 
b) ( ) Sua contratação é permitida, mas o empregado sofrerá sanções.
c) ( ) A contratação ficará suspensa por apenas cinco dias e continuará tendo 
validade.
d) ( ) Tanto o empregado quanto o empregador sofrerão penalidades, mas a 
contratação terá validade.
3 Quando ocorrer algum acidente de trabalho, a CAT deve ser emitida no 
primeiro dia útil após o diagnóstico médico. Caso a empresa se negue a 
emitir a CAT, constituirá crime. Além de a empresa realizar a notificação 
da doença do trabalho perante o INSS, o médico que assistiu o trabalhador, 
autoridade pública, sindicato ou o próprio trabalhador poderão fazer. De 
acordo com essa afirmativa, classifique (V) para verdadeiro e (F) para falso:
106
a) ( ) O benefício de auxílio-acidente não é garantido ao empregado através da 
emissão da CAT pela empresa, pois é a Previdência Social que assegura 
a concessão do benefício. 
b) ( ) Somente o cadastro da CAT não gera estabilidade, pois há necessidade 
de cumprir outros requisitos. 
c) ( ) Em caso de doença ocupacional, não é necessária abertura de CAT.
d) ( ) Somente o INSS faz o cadastramento da CAT, pois o preenchimento dos 
dados é complexo e não existe manual de instruções.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – V – F – F.
b) ( ) F – V – V – V.
c) ( ) F – F – V – F.
d) ( ) V – V – V – V.
4 Quando o agente age sabendo o que está fazendo, ele está consciente do seu 
ato, então se diz que a pessoa atua com dolo, pois se agisse por omissão, 
negligência ou imprudência, estaria atuando com culpa. Dessa forma, 
assinale a alternativa CORRETA, que indique o conceito para essa afirmação:
a) ( ) Responsabilidade civil subjetiva. 
b) ( ) Responsabilidade civil objetiva.
c) ( ) Excludente de responsabilidade.
d) ( ) Excludente de ilicitude.
107
TÓPICO 3
AÇÕES E INTERVENÇÕES NO AMBIENTE 
LABORAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Até agora, abordamos assuntos voltados à segurança e garantia do bem-
estar do trabalhador, bem como a proteção da vida contra possíveis acidentes no 
ambiente laboral, entretanto, os acidentes acontecem e, para isso, é necessário 
que se tenha o mínimo de noção do que fazer ou não fazer, a fim de preservar a 
saúde da vítima. 
Toda empresa, independentemente da quantidade de funcionários, 
segmento ou ramo, tem o dever legal de manter um kit de primeiros socorros. 
Conforme Moraes e Cosmos (2014, p. 98), vejamos o que diz a NR7.5.1:
Todo estabelecimento deverá estar equipado com material necessário 
à prestação dos primeiros socorros, considerando-se as características 
da atividade desenvolvida. O material deve ser guardado em local 
adequado e aos cuidados de pessoa treinada para esse fim.
A empresa deve oferecer treinamento aos responsáveis pelo kit, dessa 
forma, há necessidade de saber manusear equipamentos, fazer curativos e prestar 
atendimento. 
É importante destacar que prestar o atendimento eficiente aumenta a 
chance de uma recuperação segura, entretanto, quando o atendimento é precário, 
coloca-se em risco a vida da vítima, com possibilidade de ocasionar inclusive 
paralisia e hemiplegia.
Uma boa ideia é utilizar o treinamento da CIPA, para treinar uma equipe, 
a fim de prestar assistência diante de acidentes na empresa.
Até agora, estudamos como os acidentes de trabalho acontecem e as 
normas e determinações frente à Previdência Social. Já, neste tópico, estudaremos 
de forma generalista as normas de higiene ocupacional e os programas de higiene 
ocupacional. 
108
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
Vamos dar uma dica de kit básico de primeiros socorros, pois, como já 
vimos na NR7, os itens devem estar adequados de acordo com a atividade da 
empresa. Dessa forma, torna-se evidente que o kit de primeiros socorros de uma 
empreiteira será diferente de uma lavanderia, então vejamos o que não pode 
faltar no kit básico:
– caixa para acondicionamento do kit;
– pinça;
– tesoura;
– luvas cirúrgicas;
– máscara facial;
– óculos de proteção;
– bolsas térmicas para compressas quentes ou frias;
– gaze;
– esparadrapo;
– band-aid;
– atadura de crepe;
– soro fisiológico ou solução iodada;
– antisséptico.
FIGURA 21 – MATERIAL DE PRIMEIROS SOCORROS
FONTE: Disponível em:. Acesso em: 16 ago. 2018.
Após o primeiro atendimento, a vítima deve ser levada imediatamente 
ao hospital, clínica ou posto de saúde, para dar continuidade ao tratamento pelo 
profissional de saúde.
Alguém pode estar se questionando: e onde estão os medicamentos? Eles 
podem fazer parte do kit de primeiros socorros? O Decreto no 20.931, de 1932, 
que regulamenta o exercício da medicina, deixa claro que somente profissionais 
habilitados podem prescrever medicamentos, pois possuem responsabilidade 
técnica para isso (BRASIL, 1932). Portanto, o kit de primeiros socorros não pode 
conter medicamentos de uso oral, nem para dor de barriga ou dor de cabeça.
TÓPICO 3 | AÇÕES E INTERVENÇÕES NO AMBIENTE LABORAL
109
Portanto, o decreto deixa claro que é crime prescrever medicamentos sem 
ter responsabilidade técnica para isso, dessa forma, o Código Penal corrobora 
imputando penalidade para quem o faz de maneira imprópria, ou seja, no 
exercício ilegal da profissão.
FIGURA 22 – EXERCÍCIO ILEGAL DA MEDICINA CONFORME DECRETO No 20.931, de 1932
Exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica.
Art. 282 – Exercer, ainda que a título gratuito, a profissão de médico, dentista ou farmacêutico, 
sem autorização legal ou excedendo-lhe os limites:
Pena – detenção, de seis meses a dois anos.
Art. 284 – Exercer o curandeirismo:
I– prescrevendo, ministrando ou aplicando, habitualmente, qualquer substância;
II– usando gestos, palavras ou qualquer outro meio;
III– fazendo diagnósticos:
Pena – detenção, de seis meses a dois anos.
FONTE: .Acesso em: 20 ago. 2018.
2 TIPOS DE ACIDENTES E ATENDIMENTO IMEDIATO
Vamos estudar, de maneira breve, acidentes mais comuns que ocorrem 
nas empresas, que vitimam muitos trabalhadores. Saber o que fazer e o que não 
fazer é fundamental para evitar traumas além dos que já foram sofridos.
2.1 QUEIMADURAS POR ELETRICIDADE
Para Santos (2005), a eletricidade é a energia que pode fluir sob a forma de 
corrente elétrica entre dois pontos; nos condutores esta corrente flui com maior 
facilidade, como água, metais e seres vivos.
Com eletricidade deve-se ter extremo cuidado, sempre prestando atenção 
ao perigo e nunca tentando experimentar para ver se está dando choque ou não 
(SANTOS, 2005).
Lesões produzidas pela passagem de corrente elétrica através do corpo de 
uma pessoa podem ser de grande ou pequena extensão, mas isso varia de acordo 
com a intensidade da corrente, resistência, voltagem e do tempo que a pessoa fica 
exposta à corrente.
Os tipos de lesões podem resultar em ferimentos incisivos isquêmicos, 
carbonizados ou amarelo-esbranquiçados. Muitas vezes acontece que, olhando a 
110
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
pele, parece que nada aconteceu, mas o problema é que a descarga gera traumas 
musculares e lesão nos nervos, dessa forma, pode haver lesão, queimadura ou até 
mesmo fraturas, devido aos espasmos musculares e arremessos da vítima.
Para socorrer uma vítima com choque elétrico, de maneira alguma pode 
haver contato direto com a vítima, assim, se ela estiver sofrendo choque, deve-
se desligar a fonte de energia ou, em último caso, afastar a vítima da fonte de 
corrente, com um cabo de madeira e chamar a emergência.
2.2 FRATURAS
É a ruptura de um ou mais ossos, ela é classificada em fechada (quando 
não há rompimento da pele) ou exposta (quando o osso aparece). 
A vítima sente dor no local, normalmente há edema que significa inchaço, 
o local da fratura pode adquirir a coloração roxa e é comum haver deformidade, 
com dificuldade de efetuar algum movimento do membro.
Para Santos (2012), o atendimento nesse tipo de incidente deve ser 
específico: 
• não movimentar o membro fraturado; 
• se a fratura for em braço, dedo ou perna, é importante retirar objetos, como 
anéis, relógios, calçados, que possam interferir na circulação; 
• se a fratura exposta tiver sangramento, é necessário proteger a área com 
um pano limpo ou enrolar uma atadura no local do sangramento e jamais 
movimentar o membro;
• nunca recolocar o osso no lugar.
2.3 TONTURA E DESMAIO
Pode acometer qualquer pessoa em qualquer momento e pode ser 
provocado por emoções repentinas, hipoglicemia, fadiga, nervosismo, entre 
outros fatores. 
Os sinais característicos de tontura são: pele fria, sudorese, palidez, 
respiração fraca, podendo evoluir para o desmaio. 
O que devemos fazer diante de tontura ou desmaio?
• deitar a vítima de costas, com a cabeça colocada para o lado, pois em caso de 
vômito, essa posição evitará broncoaspiração;
• levantar as pernas, acima da altura do tórax;
• afrouxar as roupas;
• chamar a emergência, em caso de a vítima não retomar a consciência em dois 
ou três minutos.
TÓPICO 3 | AÇÕES E INTERVENÇÕES NO AMBIENTE LABORAL
111
2.4 DOR NO PEITO 
É comum as pessoas associarem dor no peito com problemas de coração, 
mas nem toda dor no peito é culpa do coração, porém, se não houver nenhuma 
batida, trauma ou pancada, é importante suspeitar de infarto.
Você sabe quais são os sintomas de infarto? Vamos ver os sinais mais 
comuns, segundo Santos (2012):
• pressão no peito ou nas costas, que pode ser acompanhada de tonturas, suor, 
náusea, respiração curta, falta de ar e, às vezes, perda de consciência; 
• a dor do infarto geralmente avança para a boca, pescoço, ombros, braços ou 
estômago; 
• inquietação e ansiedade.
 
Importante destacar que, em algumas pessoas, aparecem todos os 
sintomas, mas tem outras em que os sinais são isolados ou combinados. E se você 
identificar alguém enfartando, sabe o que fazer?
• colocar a pessoa em posição confortável, porém, semissentado normalmente é 
melhor; 
• afrouxar roupa ou cinto que estejam apertados, a fim de facilitar a respiração; 
• tranquilizar a pessoa; 
• chamar a emergência. 
2.5 PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA 
É conceituada como ausência de batimentos cardíacos e dos movimentos 
respiratórios.
Hoje sabe-se que esse evento não significa morte, pois há inúmeros 
recursos para reverter o quadro, com destaque para reanimação cardiopulmonar, 
medicamentos, equipamentos e capacitação de pessoas leigas, que são 
fundamentais para salvar vidas.
Você não pode treinar a RCP em pessoas saudáveis, pois podem ocorrer 
graves problemas cardíacos, pratique em manequins ou simuladores.
IMPORTANTE
112
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
O socorro tem como objetivo retornar as funções ou mantê-las por 
meio de massagem cardíaca e respiração boca a boca até a chegada do socorro 
especializado, evitando assim a morte da vítima. 
Fique atento a estes sinais e sintomas:
• ausência de consciência; 
• ausência da respiração; 
• ausência de pulso;
• palidez, pele fria e úmida, pele arroxeada nas mãos. 
Saiba o que fazer, de acordo com Martins (2015):
• chame a vítima, veja se ela responde com movimentos ou sons;
• cheque o pulso, verifique o tórax a fim de constatar se tem ou não movimentos;
• se não responder e estiver sem respirar e movimentos no tórax, posicione a 
vítima de barriga para cima em um lugar duro; 
• incline a cabeça da vítima e empurre o queixo para trás, para facilitar a passagem 
de ar; 
• ajoelhe-se ao lado da vítima;
• use a mão para percorrer a parte interior das costelas, em direção ao peito, com 
os dedos médio e indicador, até sentir a ponta do apêndice xifoide (extremidade 
inferior do esterno), é mais ou menos na linha dos mamilos;
• coloque o calcanhar de uma mão no centro do peito da vítima e a outra mão em 
cima da primeira;
• comprima o centro do peito forte e rápido, efetuando 30 compressões torácicas, 
por duas ventilações, em até dois minutos;
• feche o nariz da vítima enquanto insufla o pulmão;
• verifique o pulso a cada dois minutos e, se não houver pulso, continue com a 
manobra até a ajuda especializada chegar.
FIGURA 23 – POSICIONAMENTO DAS MÃOS PARA INÍCIO DA REANIMAÇÃO CARDÍACA
FONTE: . 
Acesso em: 20 ago. 2018.
TÓPICO 3 | AÇÕES E INTERVENÇÕES NO AMBIENTE LABORAL
113
3 NORMAS DE HIGIENE OCUPACIONAL 
Saliba (2008) relata que o termo higiene ocupacional está compreendido no 
campo da saúde ocupacional, trazendo como tema a avaliação, o reconhecimento, 
a antecipação, o controle dos fatores geradores de doenças e desconforto aos 
trabalhadores. 
O Ministério do Trabalho criou as Normas Regulamentadoras a fim de 
garantir a segurança no trabalho, entretanto, além delas, existem as Normas de 
Higiene Ocupacional (NHO), cuja finalidade é estabelecer limites de tolerância 
e os critérios técnicos dos equipamentos utilizados nas avaliações de riscos 
ocupacionais.
São importantes na identificação dos agentes ambientais, no controle e 
na prevenção de doenças ocupacionais e disponibilizam metodologias para 
avaliações ocupacionais, nesse sentido, a Fundacentro é o órgão responsável em 
estabelecer as Normas de Higiene Ocupacional.
Vamos conhecer as NHO’s, listadas no quadro a seguir:
FIGURA 24 – NORMAS DE HIGIENE OCUPACIONAL
Nº Norma de Higiene Ocupacional
NHO 01 Procedimento Técnico - Avaliação da Exposição Ocupacional ao Ruído
NHO 02 Análise qualitativa da fração volátil em colas, tintas e vernizes
NHO 03
Método de Ensaio: Análise Gravimétrica de Aerodispersoides Sólidos Coletados 
Sobre Filtros e Membrana
NHO 04 Método de Ensaio: Método de Coleta e a Análise de Fibras em Locais de Trabalho
NHO 05
Procedimento Técnico - Avaliação da Exposição Ocupacional aos Raios X nos 
Serviços de Radiologia
NHO 06 Avaliação da Exposição Ocupacional ao Calor
NHO 07 Calibração de Bombas de AmostragemIndividual pelo Método da Bolha de Sabão
NHO 08 Coleta de Material Particulado Sólido Suspenso no Ar de Ambientes de Trabalho
NHO 09
Procedimento Técnico - Avaliação da Exposição Ocupacional a Vibração de 
Corpo Inteiro
NHO 10
Procedimento Técnico - Avaliação da Exposição Ocupacional a Vibração em Mãos 
e Braços
FONTE: .
Acesso em: 20 ago. 2018.
114
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
3.1 PROGRAMAS DE HIGIENE OCUPACIONAL
Esse tipo de programa estabelece ações permanentes, com o objetivo de 
atingir fins específicos, como exemplo, podemos citar a prevenção de acidentes e 
doenças do trabalho, portanto, a legislação brasileira e normas internacionais de 
Saúde e Segurança do Trabalho estabelecem os seguintes instrumentos: 
• PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (NR-09); 
• PCMSO – Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (NR-07).
Estudaremos esses programas na Unidade 3, mas é interessante saber que 
eles são executados ao mesmo tempo, por fazerem parte de uma dimensão maior, 
chamada de Gestão das Questões de Saúde e Segurança do Trabalho. 
Essa questão de Gestão é complexa, pois está ligada a um conjunto de 
sistematização de práticas gerenciais atreladas ao processo de planejamento, 
avaliação, controle e monitoramento dos processos de produção das empresas. 
A implantação de um sistema de gestão da segurança e saúde do trabalho 
auxilia a administrar as competências necessárias para a execução das atividades, 
privilegiando o trabalho em equipe, oferecendo segurança e saúde no trabalho e, 
como retribuição, há maior confiabilidade no processo de produção.
A OHSAS 18001 é uma norma da Série de Avaliação da Segurança e Saúde 
Ocupacional, palavra de origem inglesa, Occupational Health and Safety Assessment 
Series (OHSAS), e fornece “os requisitos para um sistema de gestão da SST, 
para permitir a uma organização controlar seus riscos de acidentes e doenças 
ocupacionais e melhorar seu desempenho [...]” (Bureau, 2007). Portanto, a Figura 
26 a seguir mostra a estrutura do Modelo de Sistema de Gestão da SST, proposto 
pela OHSAS 18001.
Recentemente, a ISO 45001:2018 - Sistemas de gestão de segurança e 
saúde ocupacional - Requisitos com orientação para uso, foi publicada. Assim, a 
ISO 45001 substituirá a OHSAS 18001. Deste modo, as empresas certificadas nesta 
norma terão um prazo de três anos para cumprir a nova norma.
Conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2018) 
“a ISO 45001 foi projetada para se integrar com outros padrões de sistemas de 
gerenciamento ISO, garantindo a compatibilidade com as novas versões da ISO 
9001 (gestão da qualidade) e ISO 14001 (gestão ambiental)” (ABNT, s.d.).
TÓPICO 3 | AÇÕES E INTERVENÇÕES NO AMBIENTE LABORAL
115
FIGURA 25 – MODELO DE SISTEMA DE GESTÃO DA SST 
Melhoria Contínua
Política de SST
Planejamento
Implementação
e Operação
Análise Crítica pela
Administração
Verificação e Ação
Corretiva
FONTE: Disponível em:.
Acesso em: 20 ago. 2018.
Para Weber (2012, p. 102), a Figura 26 “ilustra uma espiral ascendente 
em que as políticas de SST, equivalente a cultura, definem os programas 
que demandam implementação e posterior checagem para tomar ações de 
melhorias”. Esse modelo tem por base o Ciclo do PDCA (Plan, Do, Check, Act, ou 
seja, Planejar, Executar, Verificar e Atuar), objetivando a Melhoria Contínua da 
organização. 
Então concretizamos a ideia de que um Sistema de Gestão em Saúde 
Ocupacional tem a finalidade de reduzir e eliminar os riscos e perdas em 
incidentes e acidentes e, por conseguinte, a diminuição do processo de custos e 
absenteísmo, proporcionando práticas seguras aos trabalhadores. 
LEITURA COMPLEMENTAR
A importância em manter as mãos sempre protegidas
João Marcio Tosmann 
Você já tentou realizar uma simples tarefa como colocar água em um 
copo, mas sem usar uma das mãos? Ou então trocar uma lâmpada ou abotoar 
uma camisa? Nós não sabemos a real importância das nossas mãos para realizar 
atividades do dia a dia até que algo aconteça – desde um pequeno corte, uma 
fratura ou até algo mais grave, como a perda de movimentos de um ou mais 
dedos.
116
UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO
As mãos são essenciais para qualquer coisa que fazemos, desde tarefas 
domésticas até atividades profissionais. Parece até desnecessário repetir, mas 
é com elas que podemos escrever, segurar objetos, apertar, sinalizar e tatear 
(diferenciando texturas, temperaturas etc.).
E você sabia que mais de 30% dos acidentes de trabalho envolvem as 
mãos? É por isso que o cuidado com as mãos é tão destacado nos treinamentos 
realizados em todos os tipos de indústrias.
 
Tipos de acidentes com as mãos
Um funcionário que trabalha operando máquinas e equipamentos em 
uma indústria pode estar diante de diversos riscos associados às mãos.
– Cortes;
– Contusões;
– Ferimentos e mutilações;
– Prensamentos;
– Esfolamentos;
– Choques;
– Perfurações;
– Queimaduras;
– Fraturas.
Diante de todos estes riscos, é dever de toda empresa orientar, treinar e 
garantir a segurança dos seus funcionários. É importante que a empresa ofereça 
capacitações constantes, garanta o correto uso dos Equipamentos de Proteção 
Coletiva (EPCs) e exija que os trabalhadores utilizem os Equipamentos de 
Proteção Individual (EPIs).
Relaciono abaixo algumas fontes de risco para as mãos e como evitá-los:
 
Situação 1: limpeza, manutenção e reparo de máquinas automatizadas: 
para todas essas atividades, o trabalhador precisa estar muito atento e se certificar 
de que o equipamento está desligado. Mesmo assim, acidentes podem ocorrer se a 
máquina voltar a funcionar antes do término da atividade (como por acionamento 
do sistema por outro operador desavisado, por exemplo).
Solução: o uso de EPCs (bloqueio tipo cadeado e garra que servem para 
impedir o religamento de máquinas, equipamentos ou painéis elétricos) e EPIs 
(luvas e mangotes para a proteção das mãos e braços). Além da realização de DDS 
(treinamento contínuo sobre as condutas a serem realizadas nesta situação).
 
Situação 2: partes de máquinas que possibilitam a preensão das mãos
Alguns equipamentos possuem espaços entre as engrenagens que podem 
causar a preensão de dedos ou da mão toda.
TÓPICO 3 | AÇÕES E INTERVENÇÕES NO AMBIENTE LABORAL
117
Solução: além do uso de EPCs e EPIs, é importante orientar o trabalhador 
sobre os riscos de colocar a mão nestes espaços e de ter atenção redobrada 
durante a execução da atividade. Caso seja necessário que isso aconteça, elaborar 
procedimentos de segurança e treinamentos específicos para a prevenção de 
acidentes.
 
Situação 3: atividades que envolvam riscos associados ao calor
Tubulações de vapor, máquinas de solda, motores e outros são locais onde 
há a produção muito alta de calor, gerando o risco de queimaduras.
Solução: os riscos devem ser controlados para evitar acidentes. Assim, 
é fundamental respeitar as normas e os procedimentos de segurança de cada 
atividade. A falta de processos é um dos principais problemas!
 
Situação 4: uso de acessórios e/ou equipamentos inadequados
Acessórios que usamos no dia a dia (pulseiras, brincos etc.) e EPIs 
inadequados (macacões largos, por exemplo) podem ser perigosos para o trabalho 
com algumas máquinas, como as engrenagens.
Solução: retirar sempre todos os acessórios e ter equipamentos de uso 
individual em boas condições sempre.
 
Muitas outras situações podem ser perigosas na rotina de uma indústria. 
O importante é que o trabalhador seja treinado e constantemente lembrado da 
importância da prevenção. Algumas dicas para evitar acidentes com as mãos:
– Nunca compartilhar equipamentos de proteção individual.
– Só realizar atividades com total atenção no que está sendo feito.
– Seguir todos os processos estabelecidos pela área de Segurança do Trabalho, 
mesmo que não tenha ocorrido acidente nesta situação.
– Nunca utilizar115
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................................... 119
IX
UNIDADE 3 - PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO .................... 121
TÓPICO 1 - SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO ................................................ 123
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 123
2 SESMT ............................................................................................................................................... 123
2.1 COMPOSIÇÃO ........................................................................................................................... 124
2.2 COMPETÊNCIA ........................................................................................................................ 125
2.3 DIMENSIONAMENTO ............................................................................................................ 126
3 CIPA ................................................................................................................................................... 127
3.1 HISTÓRICO DA CIPA .............................................................................................................. 128
3.2 ORGANIZAÇÃO ...................................................................................................................... 130
3.3 ESTRUTURA .............................................................................................................................. 132
3.4 PROCESSO ELEITORAL .......................................................................................................... 135
3.5 TREINAMENTO DOS CIPEIROS ........................................................................................... 137
3.6 ATRIBUIÇÕES DOS CIPEIROS ............................................................................................... 138
4 PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RISCOS (PGR)................................................... 139
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................................... 141
TÓPICO 2 - SEGURANÇA DO TRABALHO .............................................................................. 143
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 143
2 PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS .............................................. 143
2.1 ESTRUTURA .............................................................................................................................. 145
2.2 DESENVOLVIMENTO DO PPRA ........................................................................................... 146
2.3 RESPONSABILIDADES ............................................................................................................ 147
3 MAPA DE RISCOS ......................................................................................................................... 148
3.1 HISTÓRICO ................................................................................................................................ 148
3.2 CONCEITO ................................................................................................................................. 149
3.3 ETAPAS DO MAPEAMENTO ................................................................................................. 149
3.4 IDENTIFICAÇÃO DOS RISCOS PELAS CORES .................................................................. 150
4 A IMPORTÂNCIA DOS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO ............................................. 153
4.1 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI) ................................................... 153
4.2 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO COLETIVA (EPC) ...................................................... 155
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................................... 158
TÓPICO 3 - PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO ......... 159
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 159
2 PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO E SAÚDE OCUPACIONAL ............................... 159
2.1 ASPECTOS CONCEITUAIS ..................................................................................................... 160
2.2 OBJETIVO ................................................................................................................................... 161
2.3 RESPONSABILIDADES DO EMPREGADOR REFERENTE AO PCMSO ........................ 162
2.4 DESENVOLVIMENTO DO PCMSO ....................................................................................... 164
3 RELAÇÃO ENTRE O PPRA E O LTCAT ................................................................................... 167
4 PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO .............................................................. 169
4.1 CONCEITO ................................................................................................................................. 169
4.2 OBJETIVOS DO PPP .................................................................................................................. 169
4.3 ASPECTOS RELEVANTES DO PPP ........................................................................................ 170
5 APRESENTAÇÃO DE LAUDOS E PROGRAMAS TÉCNICOS ........................................... 172
LEITURA COMPLEMENTAR ......................................................................................................... 175
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................................... 178
X
1
UNIDADE 1
LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES 
AMBIENTAIS DO TRABALHO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender a importância do laudo técnico;
• conceituar o laudo técnico e condições de trabalho;
• entender como ocorreu a evolução do trabalho humano;
• assimilar a definição de segurança do trabalho;
• compreender a importância da segurança do trabalho;
• acompanhar a evolução das leis de proteção ao trabalhador;
• elencar alguns direitos criados em prol do trabalhador;
• compreender a importância da Organização Internacional do Trabalho 
(OIT) para o trabalhador;
• citar alguns objetivos da OIT;
• identificar o local da sede da OIT;
• explicar a importância das convenções na segurança do trabalho;
• identificar quais são os agentes nocivos;
• compreender qual a importância da avaliação ambiental;
• entender a importância do LTCAT;
• saber os requisitos para elaboração do LTCAT.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO
TÓPICO 2 – CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
TÓPICO 3 – ASPECTOS GERAIS DO LTCAT
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
 SEGURANÇA DO TRABALHO
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, seja bem-vindo a esta caminhada para estudar e entender 
sobre a segurança do trabalho, presente no nosso dia a dia.
 
A finalidade deste estudo é que você receba as informações e construa seu 
próprio conhecimento referente ao tema central, para assim discutir a importância 
das condições do trabalho, com vistas à segurança do trabalhador, visando o 
aprimoramento para sua trajetória profissional.
 
Diariamente somos postos à prova, basta você pensar num caso prático: 
você, como engenheiro, vai até um canteiro de obras para verificar o andamento 
dos trabalhos, então, seu colega percebe que você não está usando capacete e 
o oferece, em seguida vem a reflexão: mas para que utilizar capacete se nunca 
aconteceu nenhum acidente comigo? Você acredita quemáquinas e equipamentos que estejam com algum problema.
– Nunca operar um equipamento que não domine 100% do seu funcionamento.
– Estar atento sempre que movimentar uma carga, protegendo as mãos para que 
não fiquem presas.
– Para manusear um produto químico, sempre utilizar a luva adequada para o 
procedimento seguro.
– Em caso de dúvidas, não faça. Peça orientação!
FONTE: . Acesso 
em: 12 ago. 2018.
118
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• O Ministério do Trabalho criou as NRs, a fim de garantir a segurança no 
trabalho, entretanto, além delas, existem as Normas de Higiene Ocupacional 
(NHO).
• Um Sistema de Gestão em Saúde Ocupacional tem a finalidade de reduzir e 
eliminar os riscos e perdas em incidentes e acidentes.
• A ISO 45001:2018 - Sistemas de gestão de segurança e saúde ocupacional - 
Requisitos com orientação para uso substituirá a OHSAS 18001.
119
1 Qual é a importância das normas de higiene ocupacional para a segurança e 
saúde do trabalho?
AUTOATIVIDADE
120
121
UNIDADE 3
PROGRAMAS DE SEGURANÇA E 
SAÚDE DO TRABALHO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• entender a importância do dimensionamento do SESMT;
• conceituar o SESMT;
• assimilar a responsabilidade dos integrantes do SESMT;
• entender como surgiu a CIPA;
• compreender como funciona o processo eleitoral da CIPA;
• entender a estrutura da CIPA;
• identificar as funções dos cipeiros;
• explicar a importância do PGR;
• compreender o desenvolvimento do PPRA;
• entender a importância do mapa de riscos;
• identificar os tipos de agentes pelas cores;
• compreender o conceito de PCMSO e sua importância;
• estabelecer a relação entre o PPRA e o LTCAT;
• assimilar os objetivos do PPP;
• conhecer modelos de laudos e programas.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO
TÓPICO 2 – SEGURANÇA DO TRABALHO
TÓPICO 3 – PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO 
 TRABALHO
122
123
TÓPICO 1
SEGURANÇA NO AMBIENTE DE 
TRABALHO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Estudaremos, neste tópico, aspectos gerais relacionados à CIPA, como seu 
surgimento, o objetivo, o funcionamento, o processo eleitoral, os componentes 
dessa comissão e a função dos cipeiros. Também abordaremos sobre o Serviço 
Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho, também 
conhecido por SESMT, regido pela NR-4, dispondo que empresas, órgãos e poderes 
que possuam empregados regidos pela CLT precisam manter este serviço.
Veremos que o Ministério do Trabalho, por meio da NR-4, estabeleceu 
alguns assuntos pertinentes, como dimensionamento, qualificação dos 
profissionais, e também as atribuições do SESMT e jornada de trabalho.
Compreenderemos que o dimensionamento do SESMT será realizado de 
acordo com o grau de risco da atividade principal e o número total de empregados 
do estabelecimento, também de acordo com a NR-4.
Por fim, estudaremos o Plano de Gerenciamento de Riscos, depreendendo 
que este plano está relacionado à prevenção de riscos ambientais, que, por 
conseguinte, irá prevenir possíveis acidentes e sinistros à saúde do trabalhador.
Então vamos continuar nessa jornada de estudos!
2 SESMT
Como já estudamos, os trabalhadores brasileiros, por muitas décadas, 
sofreram acidentes e foram acometidos por doenças relacionadas ao trabalho. 
Esses trabalhadores foram desprezados por longos anos, desenvolvendo suas 
atividades em condições absurdamente insalubres e perigosas. 
O Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do 
Trabalho, também conhecido por SESMT, é regido pela NR-4, e determina que as 
empresas privadas e públicas, órgãos públicos da administração direta e indireta 
e dos poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos pela 
CLT, devem manter este serviço, de acordo com o grau de risco em que estiverem 
enquadrados e o número de empregados.
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
124
Os serviços especializados em engenharia de segurança e medicina do 
trabalho objetivam promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador 
no local de trabalho. A legislação trabalhista brasileira exige que as empresas, de 
acordo com normas expedidas pelo Ministério do Trabalho, sejam obrigadas a 
manter esses serviços.
2.1 COMPOSIÇÃO
Bensoussan et al. (2010) afirmam que a composição e o dimensionamento do 
SESMT são definidos em função do risco da atividade principal e do número total de 
empregados na empresa, ambos devem seguir a determinação da NR-4, quadro 2.
Para Bensoussan et al. (2010), o SESMT é composto pelos seguintes 
profissionais: médico do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho, 
enfermeiro do trabalho, técnico de segurança do trabalho e auxiliar ou técnico 
de enfermagem do trabalho, com atribuições, carga horária e requisitos definidos 
pela NR-4, da Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978, do Ministério do Trabalho 
e Emprego.
Dessa forma, podemos entender que o SESMT é composto por profissionais 
da saúde em segurança e medicina do trabalho, com objetivo de promoção da 
saúde física e integral, nos ambientes laborais.
Conforme Barsano e Barbosa (2012), as empresas e órgãos públicos e 
privados, bem como os poderes Legislativo e Judiciário, cujos empregados 
possuem o regime de CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), devem manter 
obrigatoriamente o SESMT, sendo que os profissionais que o integram necessitam 
satisfazer os seguintes requisitos:
• Engenheiro de segurança do trabalho: deve ser formado em Engenharia ou 
Arquitetura com especialização (pós-graduação) em Engenharia de Segurança 
do Trabalho.
• Médico do trabalho: Médico com especialização (pós-graduação) em medicina 
do trabalho ou residência em saúde do trabalhador.
• Enfermeiro do trabalho: enfermeiro com especialização (pós-graduação) em 
Enfermagem do trabalho.
• Auxiliar ou Técnico de enfermagem: auxiliar ou técnico de enfermagem que 
realizou curso de nível técnico, reconhecido pelo Ministério da Educação.
• Técnico de segurança do trabalho: técnico de segurança do trabalho, portador 
de comprovação de registro profissional, expedido pelo Ministério do Trabalho.
Esses profissionais devem estar em treinamento constante para revisão, 
atualização de seus conhecimentos e troca de experiências, além disso, não 
podem exercer outras atividades na empresa durante o horário de sua atuação 
no SESMT. 
TÓPICO 1 | SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO
125
2.2 COMPETÊNCIA
Vamos verificar que a norma regulamentadora n° 4, em seu item 4.12, 
elenca as competências dos profissionais do SESMT, as quais devem ser cumpridas 
pelo empregado e oportunizadas pelo empregador, para o bom desenvolvimento 
das suas atividades.
Os profissionais que integram o SESMT precisam desempenhar 
competências para o bom desenvolvimento de suas atividades, para isso, precisam 
ter as seguintes atribuições, conforme Bensoussan et al. (2010, p. 72):
• Aplicar os conhecimentos técnicos ao ambiente de trabalho a fim de evitar ou 
diminuir os riscos existentes à saúde do trabalhador.
• Utilizar todos os meios possíveis e legais para reduzir o risco de acidentes de 
trabalho, e se o agente persistir, o trabalhador deverá utilizar EPI.
• Quando solicitado, o profissional deverá colaborar nos projetos e implantação 
de novas instalações físicas e tecnológicas da empresa.
• Responsabilizar-se tecnicamente pela orientação quanto ao cumprimento do 
disposto nas NRs.
• Estar disposto a atender a CIPA, conforme NR-5.
• Promover atividades de conscientização, educação e orientação dos 
trabalhadores para a prevenção de acidentes e doenças do trabalho.
• Orientar os empregadores sobre acidentes e doenças do trabalho.
• Realizar o registro de todos os acidentes ocorridos no ambiente de trabalho.
• Manteros registros dos acidentes de trabalho na sede dos SESMT, sob qualquer 
forma de arquivamento, desde que seja de fácil localização.
Barsano e Barbosa (2012) destacam a importância de esclarecer que o 
empregador se responsabilizará por toda a despesa decorrente da instalação 
e manutenção do SESMT, além disso, os profissionais ligados a esse serviço 
necessitam ter liberdade para sua atuação, mas havendo alguma irregularidade 
que os impeça de desenvolver seu exercício profissional, acarretará à empresa 
infrações e punições, conforme previsto nas normas regulamentadoras.
Os profissionais que compõem o SESMT necessitam cumprir uma 
determinada carga horária na empresa. Podemos citar, por exemplo, que o 
técnico de segurança do trabalho e o auxiliar de enfermagem do trabalho deverão 
permanecer oito horas por dia. Já o engenheiro de segurança do trabalho, o médico 
do trabalho e o enfermeiro do trabalho poderão estar, no mínimo, três horas 
(tempo parcial) por dia ou seis horas (tempo integral) por dia, nas atividades do 
SESMT (BARSANO; BARBOSA, 2012).
Fica estabelecido e proibido que o profissional de segurança e medicina 
do trabalho tenha outras atividades na empresa, durante o horário de dedicação 
no SESMT (BARSANO; BARBOSA, 2012).
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
126
2.3 DIMENSIONAMENTO
Precisamos saber de onde vem a orientação para o dimensionamento 
dos integrantes do SESMT, e isso não é difícil de entender, pois a CLT contém a 
previsão legal para dispor sobre o SESMT e também de suas atribuições dentro 
da legislação trabalhista.
Conforme Barsano e Barbosa (2012), o dimensionamento do SESMT está 
relacionado ao grau do risco da atividade principal, bem como ao número total 
de empregados da empresa a que o trabalhador está vinculado.
Dessa forma, dependendo da atividade realizada pela empresa, existe 
uma classificação de risco em que esta estará enquadrada, de acordo com as suas 
atividades, assim, para chegarmos na composição do SESMT, é imprescindível 
conhecer a Classificação Nacional da Atividade Econômica – CNAE da empresa, 
a fim de identificar o grau de risco estabelecido pelo Ministério do Trabalho 
(BENSOUSSAN et al., 2010).
Vamos conhecer o quadro da NR-4, é necessário primeiramente conhecer 
a quantidade de funcionários da empresa ou organização, o grau de risco que 
a empresa está classificada, para então procurar na tabela os profissionais que 
devem integrar o SESMT.
QUADRO 1 – NR-4
 Nº de 
empregados no 
estabelecimento
50 
a 
100
101 
a 
250
251 
a 
500
501 
a 
1.000
1.001 
a 
2.000
2.001 
a 
3.500
3.501 
a 
5.000
Acima de 5.000 
para cada grupo 
de 4.000 ou fração 
acima de 2.000**
1
Técnicos 
Técnico Seg. 
Trabalho - - - 1 1 1 2 1
Engenheiro Seg. 
Trabalho - - - - - 1* 1 1*
Aux. Enfermagem 
Trabalho - - - - - 1 1 1
Enfermeiro do 
Trabalho - - - - - - 1* -
Médico do 
Trabalho - - - - 1* 1* 1 1*
2
Técnico Seg. 
Trabalho - - - 1 1 2 5 1
Engenheiro Seg. 
Trabalho - - - - 1* 1 1 1*
Aux. Enfermagem 
Trabalho - - - - 1 1 1 1
Enfermeiro do 
Trabalho - - - - - - 1 -
Médico do 
Trabalho - - - - 1* 1 1 1
TÓPICO 1 | SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO
127
3
Técnico Seg. 
Trabalho - 1 2 3 4 6 8 3
Engenheiro Seg. 
Trabalho - - - 1* 1 1 2 1
Aux. Enfermagem 
Trabalho - - - - 1 2 1 1
Enfermeiro do 
Trabalho - - - - - - 1 -
Médico do 
Trabalho - - - 1* 1 1 2 1
4
Técnico Seg. 
Trabalho 1 2 3 4 5 8 10 3
Engenheiro Seg. 
Trabalho - 1* 1* 1 1 2 3 1
Aux. Enfermagem 
Trabalho - - - 1 1 2 1 1
Enfermeiro do 
Trabalho - - - - - - 1 -
Médico do 
Trabalho 1* 1* 1 1 2 3 1
FONTE: . Acesso em: 18 ago. 2017.
(*) Tempo parcial (mínimo três horas).
(**) O dimensionamento total deverá ser feito levando-se em consideração o 
dimensionamento de faixas de 3501 a 5000 mais o dimensionamento dos grupos 
de 4000 ou fração acima de 2000.
Você já pensou qual é a importância do dimensionamento do SESMT? 
Ele é importante para identificar problemas existentes com funcionários, a fim de 
fazer suas correções, aplicando soluções práticas e evitando gravidades maiores. 
Saiba que se a empresa desrespeitar o número de profissionais na composição do 
SESMT, será imposta a ela penalidade através de multas.
3 CIPA
Várias instituições, empresas e organizações não conseguem compreender 
que quando ocorrem acidentes em função da atividade laboral, isso acaba 
acarretando aumento de custos e certamente não conseguem compreender a 
extensão desses custos, pois o déficit da mão de obra em função do afastamento 
do trabalho, para o restabelecimento da saúde do trabalhador, influencia 
diretamente no processo produtivo.
É fácil de entender que os acidentes não são eventos normais em 
um processo de produção, pois são possíveis de serem evitados através de 
medidas preventivas. É importante destacar que além das possíveis perdas de 
produtividade e qualidade, também poderá haver prejuízos para a imagem da 
empresa, causando perdas incalculáveis.
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
128
3.1 HISTÓRICO DA CIPA
Conforme Paoleschi (2009), a CIPA surgiu em 1921 a partir de uma ideia e 
sugestão da Organização Internacional do Trabalho. A OIT organizou um comitê 
para estudos de assuntos de segurança e higiene do trabalho e de recomendações 
de medidas preventivas de doenças e acidentes do trabalho que passariam a ser 
adotadas pelos países, conforme o interesse de cada um, objetivando prevenir o 
aumento significativo do número de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.
Essa preocupação surgiu em virtude da Revolução Industrial, pois os 
trabalhadores desenvolviam suas atividades em condições insalubres, como 
jornada extensa de trabalho, alimentação e repouso inadequados, condições 
perigosas de trabalho e insalubridade. Assim, em decorrência do aparecimento das 
máquinas e pela ausência de treino aos operadores, houve quantidade significativa 
de acidentes, aspirando com urgência por sugestões para a sua prevenção.
FIGURA 1 – AVISO PARA DIMINUIR ACIDENTES DE TRABALHO
FONTE: . Acesso em: 18 ago. 2017.
Saliba (2013) também acredita que, como forma de consolidar o marco da 
Revolução Industrial, no final do século XIX e início do século XX, foi necessária 
a criação de instrumentos que unissem empregados e empregadores em busca da 
prevenção de acidentes do trabalho e de doenças ocupacionais.
Em virtude disso, as equipes de segurança das empresas instituídas 
nos países europeus que tomaram a frente do processo de industrialização 
representam o embrião da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, nos 
moldes em que hoje se encontra no Brasil.
Segundo Paoleschi (2009), uma das recomendações do comitê, 
organizado pela OIT, foi a organização de comissão de segurança do trabalho em 
estabelecimentos industriais.
Saliba (2013) informa que a OIT demonstrou uma grande preocupação 
com os acidentes de trabalho que estavam acontecendo, portanto aprovou, em 
1921, recomendações no sentido de que todos os estabelecimentos industriais, que 
empreguem pelo menos 25 trabalhadores, deveriam possuir um comitê de segurança. 
TÓPICO 1 | SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO
129
No Brasil, em 1944, houve a promulgação do Decreto-Lei nº 7036, 
intitulado como Nova Lei da Prevenção de Acidentes. É interessante destacar o 
artigo 82 dessa lei, pois a partir dele ocorreu efetivamente o nascimento da CIPA, 
conforme referido a seguir: 
Os empregadores, cujo número de empregados seja superior a 100, 
deverão providenciar a organização, em seus estabelecimentos, de 
comissões internas, com representantes dos empregados, para o fim 
de estimular o interesse pelas questões de prevenção de acidentes, 
apresentar sugestões quanto à orientação e fiscalização das medidas de 
proteção ao trabalho, realizar palestras instrutivas, propor a instituição 
de concursos e prêmios e tomar outras providências tendentes a educar 
o empegado na prática de prevenir acidentes (PAOLESCHI,2009, p. 16).
Saliba (2013) corrobora essa informação, quando afirma que por meio do 
Decreto nº 7.036, de 10 de novembro de 1944, foi instituída a obrigatoriedade 
de as empresas brasileiras criarem organismos internos, confirmando a reunião 
de esforços dos trabalhadores e de empregadores objetivando a prevenção dos 
acidentes de trabalho.
Para Oliveira (2009), muitas legislações surgiram em função da CIPA, dentre 
elas a Portaria número 3.214, que aprovou as normas regulamentadoras, inclusive 
a NR-5, que trata do dimensionamento das atribuições e do funcionamento da 
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes.
Posteriormente, em 1999, a Portaria nº 8 altera a NR-5, dispondo sobre o 
dimensionamento da CIPA e o grau de risco do ramo de atividade econômica, 
regulamentando a estabilidade dos suplentes eleitos e alterando as atribuições 
comuns ao presidente e vice-presidente (OLIVEIRA, 2009).
VOCÊ PODE ACESSAR O CONTEÚDO DA NR-5 ATRAVÉS DO SITE: .
UNI
Portanto, a CIPA foi criada pelo Decreto nº 7.036, de 10 de novembro 
de 1944, e passando oficialmente a ser obrigatória, nas empresas regidas pela 
Consolidação da Leis do Trabalho, somente a partir de 1945, através da Portaria 
nº 229 do antigo Departamento Nacional do Trabalho (DNT), Ministério do 
Trabalho (SALIBA, 2013).
Com o surgimento da CIPA, as questões relacionadas aos acidentes de 
trabalho no Brasil passaram a ser regidas por legislações, deixando de ser uma ideia 
embrionária e se tornando uma medida de segurança para muitos trabalhadores.
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
130
3.2 ORGANIZAÇÃO 
Oliveira (2009) cita que a CIPA deve ser mantida em regular funcionamento 
nas organizações públicas, privadas, sociedades de economia mista, órgãos da 
administração direta e indireta, instituições beneficentes, associações recreativas, 
cooperativas, bem como outras instituições que admitam trabalhadores, conforme 
subitem 5.2 da NR 5, que, além disso, ainda oferece outras previsões:
5.3 As disposições contidas nesta NR aplicam-se, no que couber, 
aos trabalhadores avulsos e às entidades que lhes tomem serviços, 
observadas as disposições estabelecidas em Normas Regulamentadoras 
de setores econômicos específicos. 
5.4 A empresa que possuir em um mesmo município dois ou mais 
estabelecimentos, deverá garantir a integração das CIPAs e dos 
designados, conforme o caso, com o objetivo de harmonizar as 
políticas de segurança e saúde no trabalho. (Revogado pela Portaria 
SIT 247/2011) 
5.5 As empresas instaladas em centro comercial ou industrial 
estabelecerão, através de membros de CIPA ou designados, mecanismos 
de integração com objetivo de promover o desenvolvimento de 
ações de prevenção de acidentes e doenças decorrentes do ambiente 
e instalações de uso coletivo, podendo contar com a participação da 
administração do mesmo (NUNES, 2016, p. 196).
Para Barsano e Barbosa (2012), a organização que tiver até 19 colaboradores 
fica desobrigada de fazer eleição para a constituição da CIPA, porém deverá 
designar um representante para atender aos dispositivos da norma NR-5, 
podendo ser adotados mecanismos de participação dos empregados, através de 
negociação coletiva.
Conforme Paoleschi (2009), as ideias de prevenção de acidentes tornaram-
se cada vez mais fortes, a partir da iniciativa privada, pois houve uma percepção 
grande, por parte dos empresários, de que o poder econômico estava em queda 
em função dos acidentes de trabalho.
É fácil deduzir a relação entre produtividade e acidentes de trabalho, 
pois na medida em que os acidentes acontecem, eles geram afastamentos do 
trabalhador e, por conseguinte, a produtividade cai e dessa forma há perdas 
financeiras para o empregador. Os acidentes de trabalho são uma das maiores 
preocupações das empresas; assim, conscientemente, elas acabam investindo em 
políticas de prevenção para evitar acidentes.
A implantação da CIPA contou com o apoio de órgãos do Ministério 
do Trabalho, Indústria e Comércio, da Associação Brasileira para Prevenção de 
Acidentes e do Serviço Social da Indústria, bem como de empresas privadas e de 
particulares, que não mediram esforços para que a CIPA se tornasse realidade 
(PAOLESCHI, 2009).
TÓPICO 1 | SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO
131
Conforme Oliveira (2009), a CIPA será composta de representantes do 
empregador e dos empregados, de acordo com o dimensionamento previsto no 
quadro 1 da NR, ressalvadas as alterações disciplinadas em atos normativos para 
setores econômicos específicos.
Paoleschi (2009) diz que o presidente da CIPA será indicado pelo empregador 
dentre os seus representantes titulares, enquanto o vice-presidente da comissão 
será escolhido pelos representantes dos empregados, entre seus titulares.
FIGURA 2 – LOGOMARCA DA CIPA
FONTE: .
Acesso em: 18 ago. 2017.
Deverão compor a CIPA membros eleitos pelos empregados e membros 
indicados pelo empregador, titulares e suplentes para ambos os casos (SALIBA, 
2013).
FIGURA 3 – FLUXOGRAMA PARA FORMAÇÃO DA CIPA
Empregador
Suplente
Designação
Empregados
Eleição
Suplente
Titular
(Vice-Presidente)
Titular
(Presidente)
FONTE: . Acesso em: 18 ago. 2017.
O mandato dos membros eleitos da CIPA terá a duração de um ano, permitida 
uma reeleição. Nas áreas rural e portuária, a duração do mandato dos membros será 
de dois anos, permitida uma recondução ou reeleição (SALIBA, 2013).
Conforme Barsano e Barbosa (2012), é vedada a dispensa arbitrária ou sem 
justa causa do empregado eleito para cargo de direção de Comissões Internas de 
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
132
O empregado que participa da CIPA tem garantia do emprego a partir do 
registro da candidatura até o fim do mandato, desde que não se enquadre em uma demissão 
por justa causa.
UNI
Conforme Barsano e Barbosa (2012), o empregador deverá proporcionar 
condições para que seus indicados tenham a representação necessária para 
discussão e poder de resolubilidade de soluções, quanto às questões de segurança 
e saúde no trabalho.
Para fazer as indicações, o empregador designará entre seus 
representantes o presidente da CIPA e os representantes dos empregados 
escolherão entre os titulares o vice-presidente (OLIVEIRA, 2009).
3.3 ESTRUTURA
Para iniciar a composição da comissão, o responsável indicado para tal 
atividade deve consultar a Classificação Nacional de Atividades Econômicas 
(CNAE), contida no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), conforme 
exemplo dado a seguir.
Prevenção de Acidentes, desde o registro de sua candidatura até um ano após o 
final de seu mandato. 
É interessante destacar que a CLT, em seu art. 165, dispõe:
Os titulares da representação dos empregados nas CIPAs não poderão 
sofrer despedida arbitrária, entendendo-se como tal a que não se 
fundar em motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro.
Parágrafo único. Ocorrendo a despedida, caberá ao empregador, em 
caso de reclamação à Justiça do Trabalho, comprovar a existência 
de qualquer dos motivos mencionados neste artigo, sob pena de ser 
condenado a reintegrar o empregado (BRASIL, 2015, p. 321).
Assim, fica claro que a referência não é para estabilidade de emprego, 
mas a questão é a proteção contra despedida arbitrária. Se ocorrer demissão 
com motivo justo, por exemplo: disciplinar, técnico, econômico ou financeiro, 
não haverá nulidade, a não ser que seja comprovada a demissão imotivada. 
TÓPICO 1 | SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO
133
FIGURA 4 – MODELO DE CNAE
FONTE: .
Acesso em: 18 ago. 2017.
De posse dessa informação, deve-se verificar no Quadro 2 da NR–5, em 
qual grupo a empresa se enquadra, conforme figura a seguir:
QUADRO 2 – AGRUPAMENTO DE SETORES ECONÔMICOS
QUADRO II
Agrupamento de setores econômicos pela Classificação Nacional de 
Atividades Econômicas - CNAE, para dimensionamento de CIPA.
C-9 - SOM E IMAGEM18.30-0 59.11-1 59.12-0 59.13-8 59.14-6 59.20-1 60.10-1 60.21-7 60.22-5 74.20-0 
90.01-9 90.02-7 90.03-5
FONTE: . Acesso em: 18 ago. 2017.
Nesse caso, identificamos que o grupo é C-9, pois nele encontramos o 
CNAE 60.10-1, e considerando o número de empregados da empresa, verifica-
se a quantidade de representantes efetivos e suplentes necessários, conforme 
disposto na NR–5, Quadro I.
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
134
GRUPOS
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.
TÓPICO 1 | SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO
135
Portanto, precisamos saber a quantidade de funcionários da empresa, 
para conseguirmos enquadrar no quadro I da NR5, objetivando a identificação 
da quantidade de cipeiros na empresa.
Assim, a CIPA será composta por representantes do empregador e dos 
empregados, de acordo com o dimensionamento que acabamos de estudar.
3.4 PROCESSO ELEITORAL
Saliba (2013) reitera que cabe ao empregador convocar eleições para 
escolha dos representantes dos empregados na CIPA, no prazo mínimo de 60 
dias antes do término do mandato em curso.
A empresa estabelecerá mecanismos para comunicar o início do processo 
eleitoral ao sindicato da categoria profissional. Assim, prosseguindo com o pleito, 
o presidente e o vice-presidente da CIPA constituirão dentre seus membros, no 
prazo mínimo de 45 dias antes do término do mandato em curso, a Comissão 
Eleitoral, que será a responsável pela organização e acompanhamento do processo 
eleitoral (BARSANO; BARBOSA, 2012).
FIGURA 6 – MODELO DE CÉDULA PARA VOTAÇÃO
FONTE: . 
Acesso em: 22 ago. 2017.
Barsano e Barbosa (2012, p. 113) informam que o processo eleitoral deve 
seguir alguns quesitos, como:
• O edital deve ser fixado para divulgação onde todos os trabalhadores tenham 
facilidade de acesso, com 45 dias antes do término do último mandato.
• O período mínimo para inscrição será de 15 dias, sendo que a inscrição e a 
eleição devem ser individuais.
• Qualquer empregado pode se inscrever, independente do setor.
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
136
• Há garantia de emprego para os inscritos até a eleição.
• A eleição deve ser realizada 30 dias antes do término do mandato anterior.
• A eleição deve ser realizada em dias normais de trabalho, respeitando os 
horários dos turnos e de preferência que possibilite a participação da maioria 
dos empregados.
• O voto deve ser secreto.
• A contagem dos votos deve ser realizada também em horário normal de trabalho, 
sendo acompanhada por representante do empregador e dos empregados.
• Pode ser feita a votação por cédula ou meio eletrônico.
• O empregador necessitará guardar todos os documentos que dizem respeito à 
eleição por um período mínimo de cinco anos.
O processo eletrônico é informatizado, incluindo desde a divulgação 
para as eleições até a apuração dos resultados. Não será usada cédula em papel 
e também os trabalhadores não precisam se deslocar até o local para a votação, 
dessa forma, o processo eleitoral é célere, ou seja, é rápido, gerando economia de 
recursos, além da confiabilidade que proporciona para a eleição.
FIGURA 7 – VANTAGEM DA VOTAÇÃO ELETRÔNICA PARA CIPA
PROCESSO ÁGIL
E DINÂMICO.
FONTE: . Acesso em: 22 ago. 2017.
Ocorrendo falta de quórum para votação, ou seja, quantidade de empregados 
inferior a 50%, não haverá contagem dos votos e a comissão eleitoral necessitará 
realizar outra votação, dentro do prazo máximo de 10 dias (SALIBA, 2013).
Barsano e Barbosa (2012) afirmam que caso o empregado queira fazer 
denúncia sobre o processo eleitoral, esta deverá ser protocolada no Ministério do 
Trabalho, até 30 dias após a data da posse dos novos membros da CIPA. Diante 
da confirmação de irregularidades no processo eleitoral, o Ministério do Trabalho 
deverá determinar sua correção ou realizar a anulação, quando efetivamente 
comprovada a irregularidade.
Para Saliba (2013), caso haja anulação da eleição, a empresa deve convocar 
nova eleição no prazo de cinco dias a contar da data de ciência, mantendo as 
inscrições anteriores.
TÓPICO 1 | SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO
137
Assista ao vídeo bem interessante que aborda o assunto da CIPA, disponível 
em: .
UNI
3.5 TREINAMENTO DOS CIPEIROS
O estabelecimento como empresa, indústria, fábrica, deve promover 
treinamento para os membros da CIPA, titulares e suplentes, antes da posse. E quando 
for o primeiro mandato de CIPA, o treinamento será realizado no prazo máximo de 
30 dias, contados a partir da data da posse (BARSANO; BARBOSA, 2012).
O treinamento deve ser realizado para todos os membros da CIPA, 
independentemente se estão no segundo mandato e já participaram anteriormente, 
ou se o membro já o fez em algum momento.
Conforme Barsano e Barbosa (2012, p. 114), o treinamento para a CIPA, 
obrigatoriamente, deve conter, no mínimo, os seguintes aspectos:
• Estudo do ambiente das condições de trabalho, bem como dos riscos originados 
do processo produtivo.
• Metodologia de investigação e análise de acidentes e doenças do trabalho.
• Noções sobre acidentes e doenças do trabalho decorrentes de exposição aos 
riscos existentes na empresa.
• Noções sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e medida de 
prevenção.
• Noções sobre as legislações trabalhista e previdenciária referentes a segurança 
e saúde no trabalho. 
• Princípios gerais de higiene do trabalho e de medidas de controle dos riscos.
• Organização da CIPA e outros assuntos pertinentes ao exercício das atribuições 
da comissão.
Paoleschi (2009) relata que quando for comprovado que o treinamento não 
contemplou os itens acima mencionados, o Ministério do Trabalho determinará 
a complementação ou realização de outro curso, que será realizado no prazo 
máximo de 30 dias, a partir do momento em que a empresa souber da decisão.
Assumirão a condição de membros titulares e suplentes os candidatos mais 
votados. Em caso de empate, assumirá aquele que tiver maior tempo de serviço 
no estabelecimento. Os candidatos votados que não forem eleitos permanecerão 
em uma lista em ordem decrescente de votos, para que haja nomeação em caso de 
vacância dos titulares (BARSANO; BARBOSA, 2012).
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
138
O treinamento terá carga horária máxima de 20 horas, distribuídas num 
teto máximo de oito horas diárias e deverá ser realizado durante o expediente de 
trabalho. Será ministrado pelo SESMT da empresa, entidade patronal, entidade 
de trabalhadores ou por profissional que possua conhecimentos sobre os temas 
ministrados (BARSANO; BARBOSA, 2012).
A realização do treinamento deve ocorrer no prazo máximo de 30 dias. 
As empresas que não se enquadrarem no Quadro I da NR-5 devempromover 
anualmente o treinamento para o responsável designado, em cumprimento desta 
NR (PAOLESCHI, 2009).
Quem ministrar o treinamento não necessariamente precisa ter vínculo 
com a empresa, podendo ser uma empresa ou profissional contratado, sendo 
que sua avaliação será feita pelos integrantes da CIPA. Caso o curso tenha sido 
realizado de maneira incompleta, o Ministério do Trabalho poderá determinar a 
complementação ou ministração de um novo treinamento (PAOLESCHI, 2009).
3.6 ATRIBUIÇÕES DOS CIPEIROS
As principais atribuições da CIPA, conforme Barsano e Barbosa (2012, p. 
115), são as seguintes:
• Discutir os acidentes ocorridos.
• Sugerir medidas de prevenção de acidentes.
• Promover a divulgação e zelar pela observância das normas de 
Segurança e Medicina do Trabalho.
• Despertar o interesse dos empregados pela prevenção de acidentes 
e de doenças profissionais, estimulando-os a adotar comportamento 
preventivo durante o trabalho.
• Promover anualmente a Semana Interna de Prevenção de Acidentes, 
além de participar da campanha permanente de prevenção de 
acidentes promovida pela empresa.
• Investigar ou participar com o Serviço de Segurança e Medicina do 
Trabalho da empresa (SESMT) na investigação de causas, circunstâncias 
e consequências dos acidentes e doenças profissionais, acompanhando 
a execução de medida corretiva.
• Realizar, mediante prévio aviso ao empregador e ao SESMT, inspeção 
nas dependências da empresa, dando conhecimento dos riscos 
encontrados ao responsável pelo setor, ao SESMT e ao empregador.
• Sugerir realização de cursos, treinamentos e campanhas visando 
melhoria das condições de segurança do trabalho.
• Elaborar fichas de informações e de análise de acidentes conforme 
modelo estabelecido pelo Ministério do Trabalho, arquivando-as e 
permitindo fácil acesso a essas.
• Elaborar com a ajuda do SESMT, após ouvir os trabalhadores, o 
mapa de risco, que deverá ser refeito a cada gestão da CIPA.
Quando ocorre algum acidente, a CIPA também atua. Dessa forma, 
imediatamente após a ocorrência, a CIPA deve investigar as causas, não com o 
TÓPICO 1 | SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO
139
4 PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RISCOS (PGR)
Para que este programa nasça e cresça dentro de uma empresa, é importante 
estar alinhado com a diretoria, Recursos Humanos e com os profissionais da 
segurança do trabalho. O PGR faz parte da política de prevenção da empresa, 
ou seja, a empresa precisa adotar medidas preventivas que controlem os riscos 
de possíveis acidentes e, por conseguinte, se faz a prevenção de perdas, pois 
acidentes de trabalho envolvem, muitas vezes, o afastamento do funcionário, 
gerando perdas na produtividade da empresa.
Corroborando esse pensamento, Fruhauf et al. (2005, p. 29) acreditam que 
“na implementação de Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho, 
a Gestão de Riscos constitui o aspecto essencial a ter em conta na política de 
prevenção integrada definida pelas empresas”. 
Se a empresa se adequar ao programa de gerenciamento de riscos, terá 
muitas vantagens, como satisfação por parte do empregado no desenvolvimento 
de suas atividades e, por conseguinte, acaba refletindo na qualidade e 
produtividade do trabalho.
Conforme Belasco (2011), o PGR tem a finalidade de evitar que o número 
de acidentes de trabalho aumente, permanecendo baixo diante das estatísticas da 
organização. Por outro lado, o que ajuda a manter os riscos abaixo nos níveis de 
tolerância é estar em constante avaliação, chamada de avaliação de riscos.
Belasco (2011) afirma que, para que não se perca o foco do gerenciamento 
de riscos, é importante fazer um planejamento quanto à análise de riscos, sempre 
olhando para o CNAE e a classificação de risco da empresa. É importante relatar 
que os riscos podem mudar e, por isso, a constante análise é imprescindível.
Podemos entender que o PGR tem o objetivo de manter a integridade 
física e emocional do trabalhador, com a consequente preservação da vida, através 
de um ambiente saudável, com monitoramento permanente, evitando também 
perdas financeiras ao empregador.
objetivo de culpabilizar a vítima, mas para investigar as causas do acidente, a fim 
de evitar acidentes futuros. 
Embora o Serviço de Medicina e Segurança do Trabalho da empresa tenha 
também como objetivo esta investigação, é importante a participação da Comissão, 
que deverá elaborar ficha própria de análise dos acidentes (PAOLESCHI, 2009).
140
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que: 
• O Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho, 
também conhecido por SESMT, é regido pela NR-4.
• O SESMT é composto pelos seguintes profissionais: médico do trabalho, 
engenheiro de segurança do trabalho, enfermeiro do trabalho, técnico de 
segurança do trabalho e auxiliar ou técnico de enfermagem do trabalho.
• É de responsabilidade do empregador toda a despesa decorrente da instalação 
e manutenção do SESMT.
• Os profissionais que compõem o SESMT necessitam cumprir uma determinada 
carga horária na empresa.
• A CIPA surgiu em 1921, a partir de uma ideia e sugestão da Organização 
Internacional do Trabalho.
• A CIPA foi criada pelo Decreto nº 7.036, de 10 de novembro de 1944, passando 
oficialmente a ser obrigatória nas empresas regidas pela CLT, a partir de 1945.
• O mandato dos membros eleitos da CIPA terá a duração de um ano, permitida 
uma reeleição.
• O PGR faz parte da política de prevenção da empresa.
• O PGR tem a finalidade de evitar que os números de acidentes de trabalho 
aumentem.
141
AUTOATIVIDADE
1 O Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do 
Trabalho, também conhecido por SESMT, envolve profissionais com 
conhecimentos técnicos na área de segurança e saúde no trabalho. Com 
relação a essa afirmativa, analise as sentenças:
I– O dimensionamento do SESMT ocorre em função do risco da atividade 
principal e do número total de empregados na empresa.
II– Somente os órgãos públicos devem manter o SESMT.
III– Somente o Poder Legislativo deve manter o SESMT.
IV– O médico do trabalho faz parte da composição do SESMT.
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e IV estão corretas.
b) ( ) As sentenças I, III e IV estão corretas.
c) ( ) As sentenças III e IV estão corretas.
d) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
2 Cite quais são os itens que uma empresa deve considerar para realizar o 
dimensionamento do SESMT, ou seja, chegar à composição do SESMT.
3 A CIPA foi criada no Brasil em 1944 e colocada em prática em 1945, com 
o objetivo de diminuir o número de acidentes de trabalho, através da 
prevenção, principalmente por meio de palestras educativas e mudança de 
comportamento. Diante dessa afirmativa, assinale a alternativa CORRETA 
referente à CIPA:
a) ( ) A CIPA é composta por representantes do empregador e dos empregados.
b) ( ) O mandato dos membros eleitos terá duração de cinco anos.
c) ( ) É permitida a dispensa arbitrária ou sem justa causa do empregado, 
eleito para a CIPA.
d) ( ) A CIPA tem o objetivo somente de prevenir doenças decorrentes do 
trabalho.
4 Os cipeiros possuem várias atribuições, cite duas delas.
5 Uma das atribuições do Plano de Gerenciamento de Riscos está voltada à 
prevenção de riscos ambientais, evitando possíveis acidentes de trabalho 
aos trabalhadores e, por conseguinte, mantendo a produtividade na 
empresa, órgão ou instituição. Diante dessa afirmativa, assinale a alternativa 
CORRETA referente ao PGR:
142
a) ( ) O PGR faz parte da política de prevenção da empresa.
b) ( ) O PGR não se importa em fazer um planejamento quanto à análise de 
riscos.
c) ( ) A gestão de riscos não constitui um aspecto importante como política de 
prevenção das empresas.
d) ( ) Esse plano só é aplicado em empresas públicas.
143
TÓPICO 2
SEGURANÇA DO TRABALHO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Uma das principais prioridades da segurança e saúde do trabalhador é 
prevenir a possibilidade de ocorrências de caráterdesastroso a quem dedica seu 
tempo e esforço na atividade laboral.
Durante muitos anos, a preocupação dos profissionais de segurança e 
saúde do trabalho esteve voltada para o reconhecimento dos agentes que causam 
desconforto ao homem. Felizmente, muitas legislações e programas surgiram 
para estarem ao lado dos trabalhadores.
É necessária consciência para que os trabalhadores sigam as legislações a fim 
de que o risco ainda existente no ambiente de trabalho não seja nocivo à saúde do 
trabalhador, para isso é preciso a participação de todos os envolvidos na empresa.
O mapa de risco cabe dentro desse propósito, ou seja, o de demonstrar sem 
subterfúgios a realidade do ambiente em que o trabalhador vive. Outro programa 
que veremos é o programa de prevenção de riscos ambientais, conhecido por PPRA. 
O PPRA também objetiva a saúde do trabalhador, mas a execução é 
diferente, ele trabalha por meio da antecipação, reconhecimento, avaliação e, 
consequentemente, o controle da ocorrência de riscos ambientais existentes.
2 PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS 
Para Barsano e Barbosa (2012), o Programa de Prevenção de Riscos 
Ambientais, também chamado de PPRA, tem seu regulamento e definição 
regidos pela NR nº 9, estabelecida pela Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978, 
do Ministério do Trabalho e Emprego. Esta NR visa a obrigatoriedade quanto à 
elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições 
que contratam empregados por meio da CLT.
Este programa tem o objetivo de prevenir a saúde e integridade dos 
trabalhadores, através da precaução dos riscos ambientais que existam no 
ambiente laboral, seja pelo reconhecimento, avaliação e controle desses.
144
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
Saliba (2013) afirma que o PPRA é um programa importante para realizar a 
prevenção de doenças ocupacionais e acidentes de trabalho, necessitando de apoio 
da hierarquia da empresa, mas, por outro lado, deve haver comprometimento deles 
com os objetivos do programa. 
Para Campos (2016), o PPRA não deve ser um instrumento somente 
para mostrar ao Ministério do Trabalho, quando requisitado, mas precisa ter a 
finalidade de oferecer a melhor alternativa para diminuir e acabar com as perdas 
e, acima de tudo, para cumprir com a proposta de prevenir transtornos de saúde 
e realizar as devidas correções.
Você sabia que a NR-9 desconsidera riscos ergonômicos? É verdade, mas cabe 
o bom senso. Deve-se utilizar a prevenção, como forma de evitar o seu aparecimento.
UNI
FIGURA 8 – EXEMPLO DE RISCO ERGONÔMICO: EXCESSO DE PESO
FONTE: . Acesso em: 24 ago. 2017.
Segundo Oliveira (2009), de acordo com as disposições estabelecidas na 
NR-9, o PPRA tem a finalidade de manter a saúde dos trabalhadores mediante a 
antecipação, avaliação, reconhecimento e controle dos riscos do ambiente, sendo 
de obrigatoriedade das empresas implementar este programa.
TÓPICO 2 | SEGURANÇA DO TRABALHO
145
FIGURA 9 – OBJETIVO DO PPRA
FONTE: . 
Acesso em: 24 ago. 2017.
O PPRA segue o que está estabelecido na NR-9, bem como está alinhado 
com as normas regulamentadoras, de modo especial ao Programa de Controle 
Médico de Saúde Ocupacional, previsto na NR-7.
Dessa forma, o PPRA segue as diretrizes da NR-9, estabelecendo os 
parâmetros que devem ser aceitos e obedecidos na sua execução, mas existe 
a possibilidade de ser ampliado, mediante negociação coletiva de trabalho 
(BARSANO; BARBOSA, 2012).
O documento base do PPRA deve estar sempre à disposição das autoridades 
que fiscalizam as empresas.
UNI
Barsano e Barbosa (2012) salientam que as ações do PPRA precisam 
ser executadas nas empresas de acordo com as características dos riscos e das 
necessidades de controle, sob a responsabilidade do empregador, mas com a 
participação dos trabalhadores.
2.1 ESTRUTURA
O PPRA necessita possuir um planejamento com suas atividades e 
ações, dessa forma, deve estabelecer metas para que as ideias sejam executadas, 
seguindo um cronograma.
146
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
Esse planejamento auxiliará na concretização das estratégias estipuladas, 
visando a prevenção da saúde e integridade dos trabalhadores, através do 
controle dos riscos ambientais.
De acordo com Campos (2016), a empresa pode estipular o tipo de registro 
do PPRA, dessa forma, pode ser por meio físico ou digital, como também a guarda 
do documento. Entretanto, deverá ser mantido arquivado por no mínimo 20 anos.
Para Barsano e Barbosa (2012), todo e qualquer programa possui uma 
estrutura essencial e o PPRA não é diferente, assim, vamos conhecer a sua estrutura:
a) Planejamento anual com estabelecimento de metas, prioridades e cronograma.
b) Estratégia e metodologia de ação.
c) Forma do registro, manutenção e divulgação dos dados.
d) Periodicidade e forma de avaliação do desenvolvimento do PPRA.
Deve ser realizada anualmente, ou quando necessário, uma análise geral do 
PPRA a fim de ajustar as metas e as devidas prioridades. Todo o conteúdo do PPRA 
deve ser apresentado e discutido na CIPA da empresa, de acordo com a NR-5, sendo 
sua cópia anexada ao livro de atas dessa comissão (BARSANO; BARBOSA, 2012).
2.2 DESENVOLVIMENTO DO PPRA
O PPRA deve incluir as seguintes etapas, de acordo com Barsano e Barbosa 
(2012):
a) Antecipação e reconhecimentos dos riscos.
b) Estabelecimento de prioridades e metas de avaliação e controle.
c) Avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores.
d) Implantação de medidas de controle e avaliação de sua eficácia.
e) Monitoramento da exposição aos riscos: o objetivo é realizar um acompanhamento 
sistemático e periódico da exposição de algum risco identificado.
f) Registro e divulgação dos dados: todos os dados do PPRA devem estar contidos 
no documento base, conforme a NR-9, no item 9.2.1.
TÓPICO 2 | SEGURANÇA DO TRABALHO
147
FIGURA 10 – FLUXOGRAMA DO DESENVOLVIMENTO DO PPRA
Antecipação
dos riscos
Implantação
Treinamento
Documentação
Medidas de Controle
e Monitoramento
Avaliação dos Riscos
Reconhecimento 
dos Riscos
FONTE: . 
Acesso em: 24 ago. 2017.
Para Barsano e Barbosa (2012), a elaboração, a implementação, o 
acompanhamento e a avaliação do PPRA poderão ser feitos pelo SESMT ou, 
ainda, por alguém da equipe, por escolha do empregador, que tenha condições 
de desenvolver os quesitos constantes nas normas regulamentadoras.
2.3 RESPONSABILIDADES
O empregador, além de várias obrigações impostas pela legislação 
brasileira, tem como principais incumbências estabelecer, implementar e assegurar 
o cumprimento do PPRA, como atividade permanente da empresa ou instituição.
Os empregados contam com a participação direita dos empregadores, no 
sentido de avisá-los sobre os riscos ambientais que possam aparecer nos locais de 
trabalho e sobre os meios disponíveis para preveni-los ou limitá-los (CAMPOS, 2016).
Caso ocorra algum acidente ou incapacitação dos trabalhadores, o 
empregador deve oferecer todo o suporte para restabelecimento da sua saúde, 
ou afastar o trabalhador da fonte de risco. O empregador deve oferecer proteção, 
seja através de equipamentos de proteção individual (EPI) e equipamentos de 
proteção coletiva (EPC).
Os trabalhadores também possuem responsabilidades, pois precisam 
colaborar e participar na implementação e execução do programa, obedecer quanto 
às orientações recebidas e informar ao superior hierárquico direto quando houver 
alguma ocorrência que possa afetar a sua saúde (BARSANO; BARBOSA, 2012).
148
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
Barsano e Barbosa (2012) afirmam que o conhecimento e a percepção que 
os trabalhadores têm do processo de trabalho e dos riscos ambientais presentes 
deverão ser considerados para o planejamento, elaboração e execução do PPRA.
3 MAPA DE RISCOS
Já estudamose compreendemos que o ambiente de trabalho pode oferecer 
riscos ao trabalhador, causando até mortes, doenças e incapacidades. Tudo isso 
ocorreu e ainda acontece ao longo da trajetória de vida da humanidade.
Vieira (2008) salienta que os dados estatísticos brasileiros colocam os 
trabalhadores em posições campeãs de acidentes de trabalho, apesar de todos os 
esforços que as legislações impõem a fim de reverter o quadro.
Entretanto, é necessária a colaboração dos trabalhadores, para que o 
ambiente de trabalho não cause prejuízos nocivos à saúde dessa classe. Dessa 
forma, os trabalhadores precisarão participar ativamente das questões de 
segurança e conservação da sua saúde.
3.1 HISTÓRICO
Ponzetto (2010) relatou que houve um movimento na Itália na década de 
70, em que os trabalhadores reivindicaram por melhores condições de trabalho e 
saúde. A repressão nessa época foi desencadeada por um grupo de indústrias de 
Turim, que lutaram contra as condições perigosas e nocivas de trabalho, surgindo 
o “Modelo Operário Italiano”, também conhecido por MOI. 
O MOI tinha como objetivo auxiliar os operários das indústrias do ramo 
metal-mecânico na investigação e controle dos ambientes de trabalho. Por fim, esse 
modelo possibilitou a participação dos trabalhadores no planejamento a fim de evitar 
acidentes, contribuindo no controle da saúde do indivíduo (PONZETTO, 2010).
Vieira (2008) afirma que esse modelo foi importante para o Brasil, pois a 
FUNDACENTRO, com a ideia de ajudar a CIPA para ter expressão dentro das 
empresas e indústrias, teve contato com o Modelo Operário Italiano, originando 
o Mapa de Risco.
Ponzetto (2010) informa que o mapa de riscos chegou ao Brasil no início da 
década de 1980, e através da Portaria nº 5, de 18/08/1992, do Departamento Nacional 
de Segurança e Saúde do Trabalhador do Ministério do Trabalho (DNSST), se 
tornou obrigatório, alterando ainda a NR-9 e determinando a obrigatoriedade da 
elaboração de mapas de riscos nas empresas que possuíssem CIPA.
A NR-5 não estabelece a metodologia, ela apenas informa que a CIPA 
TÓPICO 2 | SEGURANÇA DO TRABALHO
149
deverá identificar os riscos com a participação do maior número de trabalhadores, 
com ajuda do SESMT, quando existir (BARSANO; BARBOSA, 2012).
3.2 CONCEITO
O mapa consiste em um levantamento dos pontos de risco existentes 
nos diferentes setores das empresas, a fim de identificar situações e locais 
potencialmente perigosos.
Para Barsano e Barbosa (2012), o mapa de riscos é uma representação gráfica 
de como os trabalhadores percebem o seu ambiente de trabalho, necessitando ser 
simples e objetivo, a fim de que qualquer trabalhador com qualquer instrução 
consiga entendê-lo.
A partir de uma planta baixa de cada seção, levantam-se todos os tipos de 
riscos, classificados de acordo com o grau de perigo em pequeno, médio e grande. 
Esses riscos são agrupados em cinco grupos de cores: vermelho, verde, marrom, 
amarelo e azul, sendo que cada grupo corresponde a um tipo de agente: químico, 
físico, biológico, ergonômico e de acidentes (VIEIRA, 2008).
Os fatores de risco a que o trabalhador está sujeito são originados à medida 
que o processo do trabalho é evidenciado, com a atuação de equipamentos que 
auxiliam os trabalhadores.
3.3 ETAPAS DO MAPEAMENTO
Conforme Vieira (2008), a CIPA ouvirá os trabalhadores que irão se 
manifestar quanto aos agentes e as situações que lhes causam incômodo, 
desconforto, mal-estar, irritação, acidentes, enfim, tudo o que causa desconforto 
e que interfere no seu ambiente laboral.
Barsano e Barbosa (2012) corroboram esse entendimento e complementam 
que se deve perguntar ao trabalhador “o que” o incomoda e “quanto” o incomoda, 
a fim de conseguir retratar sua realidade. Além desse detalhe, deve-se ainda:
a) Conhecer o processo de trabalho no local analisado, identificando a quantidade 
de trabalhadores, o sexo, idade, instrumentos e materiais de trabalho, bem 
como as atividades exercidas.
 
b) Identificar os riscos existentes no local analisado: agentes físicos, químicos, 
biológicos, ergonômicos e de acidentes.
c) Identificar as medidas preventivas existentes e sua eficácia: proteções coletivas, 
individuais, de higiene (banheiro, lavatórios, vestuários, armários, bebedouros 
e refeitório), além da organização do trabalho.
150
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
3.4 IDENTIFICAÇÃO DOS RISCOS PELAS CORES
Conforme Barsano e Barbosa (2012), deverão ser desenhados os círculos 
próximo à fonte geradora do risco, com o tamanho que represente a gravidade 
mensurada pelos trabalhadores. Esses círculos serão da cor padronizada, 
conforme a seguir, de acordo com o grupo a que pertence o risco.
 
d) Identificar os indicadores de saúde: queixas, acidentes de trabalho ocorridos, 
doenças diagnosticadas e causas mais frequentes de ausência de trabalho.
 
e) Elaborar o mapa de riscos sobre o layout da empresa, indicando através de 
círculos o grau de risco encontrado (grave, médio e leve).
De acordo com Vieira (2008), os riscos serão representados no mapa por 
meio de círculos de diferentes cores, conforme o grupo a que pertencem, e em três 
tamanhos, conforme sua gravidade.
Vieira (2008) ainda expõe que a gravidade dos riscos também refletirá o 
descontentamento do trabalhador, pois quanto mais desagradável for o trabalho, 
maior será o círculo, porém, esta gradação será feita através do consenso dos 
trabalhadores expostos ao agente.
Após discussão e aprovação pela CIPA, o mapa de riscos deverá ser 
colocado em cada local analisado, de forma visível e de fácil acesso, a fim de 
alertar sobre os perigos existentes naquela área. A ausência do mapa de riscos 
poderá implicar em multas de alto valor (OLIVEIRA, 2009).
QUADRO 3 – CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS OCUPACIONAIS EM GRUPOS E CORES
GRUPO 1
VERDE
 GRUPO 2 
VERMELHO
GRUPO 3 
MARROM 
GRUPO 4
AMARELO
 GRUPO 5
AZUL
Riscos
Físicos
Riscos
Químicos
Riscos
Biológicos
Riscos
Ergonômicos
Riscos de 
Acidentes 
Ruídos Poeiras Vírus Esforço físico
intenso
Arranjo físico
inadequado
Vibrações Fumos Bactérias
Levantamento e
transporte 
manual
de peso
Máquinas e
equipamentos
 sem proteção
Radiações
ionizantes Névoas Protozoários
Exigência de
postura
inadequada
Ferramentas 
inadequadas ou 
defeituosas 
TÓPICO 2 | SEGURANÇA DO TRABALHO
151
FONTE: .
Acesso em: 25 ago. 2017.
Radiações
não
ionizantes
Neblinas Fungos
Controle rígido 
de
produtividade
Iluminação
inadequada
Frio Gases Parasitas Imposição de
ritmos excessivos Eletricidade
Calor Vapores Bacilos
Trabalho em
turno
e noturno
Probabilidade de
incêndio ou 
explosão
Pressões
anormais
Produtos 
químicos
em geral
Jornadas de
trabalho
prolongadas
Armazenamento
inadequado
Umidade Monotonia e
repetitividade
Animais 
peçonhentos 
Outras situações
causadoras de
estresse físico e/
ou
psíquico
Outras situações
de risco que
poderão 
contribuir
para a ocorrência
de acidentes 
Os riscos serão simbolizados por círculos de três tamanhos distintos: 
pequeno, médio e grande. Assim, após o levantamento de todas as informações 
importantes para elaboração do mapa de risco, a empresa receberá o levantamento 
e terá o prazo de 30 dias para analisar e negociar com os membros da CIPA, ou do 
SESMT, prazos para realizar as alterações propostas. (OLIVEIRA, 2009)
152
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
QUADRO 4 – TABELA DE GRAVIDADE E CORES USADAS NO MAPA DE RISCOS
FONTE: .
Acesso em: 25 ago. 2017.
Quando um risco afeta a seção inteira, por exemplo, vibração, uma forma 
de representá-lo no mapa é colocá-lo no meio do setor e acrescentar setas nas 
bordas, indicando que o problema se espalha por todo o local (PONZETTO, 2010).
LEGENDA - MAPA DE RISCO
Tipos de 
Agentes Cor Riscos (Proporção) Exemplos
Elevado
(4)
Médio
(2)
Pequeno
(1)
Químicos Vermelho
Poeiras, fumos, gazes,vapores, névoas,
neblinas, etc.
Físicos Verde
Ruído, calor, frio,
pressões, umidade,
radiações ionizantes e
não ionizantes, etc.
Biológicos Marrom
Fungos, vírus,
parasitas, bactérias, 
protozoários, insetos,
etc.
Ergonômicos Amarelo
Levantamento e
transporte manual de 
peso, repetitividade,
ritmo excessivo, etc.
Acidentes ou
Mecânicos Azul
Arranjo físico e
iluminação 
inadequada,
incêndio e explosão,
eletricidade, etc.
FIGURA 11 – REPRESENTAÇÃO DE RISCO QUE AFETA TODO O SETOR DE TRABALHO
FONTE: . Acesso em: 25 ago. 2017.
Outra situação que pode acontecer é a existência de riscos de grupos 
diferentes, mas com a mesma gravidade, num mesmo ponto. Nesse caso, divide-
se o círculo conforme a quantidade de grupos em duas, três, quatro e até cinco 
partes iguais, cada parte com sua respectiva cor (VIEIRA, 2008).
TÓPICO 2 | SEGURANÇA DO TRABALHO
153
FIGURA 12 – REPRESENTAÇÃO DE RISCO COM GRUPOS DIFERENTES
FONTE: .
Acesso em: 25 ago. 2017.
4 A IMPORTÂNCIA DOS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO 
Quando se fala em segurança do trabalho, existe a relação direta com 
a segurança do trabalhador, pois a prioridade é prevenir doenças e acidentes 
relacionados à atividade laboral.
Apesar de haver legislações, normas regulamentadoras e programas 
voltados à saúde e prevenção do trabalhador, outra proposta bem interessante 
é representada pelos equipamentos de proteção, tanto individual como coletivo. 
O equipamento de proteção individual, também conhecido por EPI, tem 
previsão na NR-6, sendo considerado um objeto utilizado individualmente com a 
finalidade de proteger o trabalhador de riscos que possam ameaçar e comprometer 
a segurança e a saúde no trabalho.
Segundo Barsano e Barbosa (2012), de acordo com essa NR, os EPIs 
podem apresentar fabricação nacional ou importada, porém só podem ser 
comercializados com a indicação do Certificado de Aprovação (CA), expedido 
pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho do 
Ministério do Trabalho.
Para Pantaleão (2017), o EPI deverá ser utilizado quando não houver 
possibilidade de eliminar os riscos do ambiente de trabalho ou quando as 
medidas de proteção coletiva não forem viáveis, eficientes e suficientes para 
acabar com os riscos.
Barsano e Barbosa (2012) corroboram essa ideia, pois a decisão de 
utilizar EPI deve ser a última alternativa, após ser constatado o tipo de risco, por 
meio de avaliações quantitativas ou qualitativas, definindo o quanto o risco irá 
comprometer a saúde do trabalhador. Os autores citam ainda alguns exemplos 
de EPI: capacetes, luvas, máscaras e óculos de proteção, sendo que eles devem 
4.1 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI) 
154
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
FIGURA 13 – EXEMPLOS DE EPI
FONTE: . Acesso em: 25 ago. 2017.
Portanto, se os agentes nocivos não forem eliminados e o EPI puder 
ser utilizado, o empregador tem a obrigação de fornecer gratuitamente ao 
trabalhador e repor sempre que for necessário. Em contrapartida, o trabalhador 
terá a obrigação de utilizá-lo.
Não basta somente o empregador entregar o EPI ao empregado, este deverá 
receber treinamento para saber a maneira correta de utilizá-lo, a fim de neutralizar 
de maneira eficaz a ação do agente agressivo. Um exemplo bem fácil de entender 
é o uso de luvas, não basta somente entregar as luvas ao empregado, é necessário 
saber que cada luva é específica para um tamanho de mão; assim, não é correto 
entregar uma luva tamanho G para uma mão pequena, pois poderá haver acidente 
de trabalho em função do tamanho errado. Através desse exemplo, podemos dizer 
que é importante que o empregado utilize o EPI de maneira correta, necessitando 
estar à disposição e em número suficiente nos postos de trabalho.
O EPI é considerado uma medida de baixo custo em relação aos prejuízos 
que podem ser causados por meio da sua ausência. Já vimos que o empregado 
tem a obrigação de utilizá-lo, mas a empresa deve incentivar, através de 
cursos, palestras e cartazes, o seu uso, necessitando ser uma prática constante e 
incorporada na rotina da empresa, além de ser uma obrigação legal.
ser usados quando o risco físico, químico e biológico estiver acima dos limites de 
tolerância, colocando em perigo a saúde física e psíquica do trabalhador.
TÓPICO 2 | SEGURANÇA DO TRABALHO
155
4.2 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO COLETIVA (EPC) 
Conforme Barsano e Barbosa (2012), os EPCs são procedimentos ou 
equipamentos utilizados e projetados para a proteção de um grupo de pessoas, a 
fim de realizar uma determinada tarefa ou qualquer atividade.
De acordo com Oliveira (2009), assim como os EPIs, os EPCs precisam 
estar alinhados ao seu objetivo e condizer com algumas premissas, como:
• Ser eficientes para o risco que irão neutralizar.
• Cumprir totalmente com sua finalidade.
• Ser resistentes às agressividades de impactos, corrosão, desgastes etc., a que 
estiverem sujeitos.
• Permitir limpeza adequada para cada material com que foi confeccionado o 
equipamento.
• Não criar outros tipos de riscos, como cantos vivos. 
Dessa forma, podemos entender que o EPC é utilizado como proteção e 
não atrapalha o trabalhador no desempenho de suas atividades. São dispositivos 
que ajudam e podem até aumentar a produção do trabalhador, utilizados 
no ambiente de trabalho, com o objetivo de proteger os trabalhadores em sua 
coletividade. Cabe salientar que um trabalho é bem desenvolvido quando 
tudo funciona dentro das normas e condições indicadas. Podemos citar como 
exemplos de EPC: corrente, fita zebrada, cone, pedestais, demarcação de solo, 
placas e cavaletes. 
Estes dispositivos atuam diretamente no controle das fontes geradoras de 
agentes agressores tanto ao homem, quanto ao meio ambiente, necessitando de 
atenção prioritária dos profissionais da área de segurança. Também são usados 
para controle de riscos do ambiente em geral, por exemplo: exaustores, paredes 
corta fogo, etc. (VIEIRA, 2008).
Conforme Oliveira (2009), os EPCs não prejudicam a eficiência do trabalho, 
FIGURA 14 – EXEMPLOS DE EPC
FONTE: . Acesso em: 25 ago. 2017.
156
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
pelo contrário, eles atuam auxiliando no conforto e segurança da atividade laboral 
quando utilizados da maneira adequada. Entretanto, eles devem seguir algumas 
recomendações importantes: 
• Precisam estar de acordo com as normas do INMETRO.
• Necessitam corresponder com a função para a qual estão propostos.
• Ter resistência aos impactos que poderão sofrer.
• Permitir facilidade de limpeza e manutenção.
• Não proporcionar outros riscos ao já existentes, principalmente mecânicos.
157
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que: 
• O PPRA tem seu regulamento e definição regidos pela Norma Regulamentadora 
número 9.
• PPRA é um programa importante para realizar a prevenção de doenças 
ocupacionais e acidentes de trabalho.
• O PPRA deve possuir um planejamento com suas atividades e ações.
• Caso ocorra algum acidente ou incapacitação dos trabalhadores, o empregador 
deve oferecer todo o suporte para restabelecimento da sua saúde.
• Os trabalhadores também possuem responsabilidades, pois precisam colaborar 
e participar na implementação e execução do PPRA.
• O mapa consiste em um levantamento dos pontos de risco existentes nos 
diferentes setores das empresas, a fim de identificar situações e locais 
potencialmente perigosos.
• O mapa de riscos é uma representação gráfica de como os trabalhadores 
percebem o seu ambiente de trabalho.
• Após discussão e aprovação pela CIPA, o mapa de riscos deverá ser colocado 
em cada local analisado, de forma visível e de fácil acesso.
• Os riscos serão simbolizados por círculos de três tamanhos distintos: pequeno, 
médio e grande.
• O equipamento de proteção individual, também conhecido por EPI, tem 
previsão na NR-6.
• A finalidadedo EPI é de proteger o trabalhador de riscos que possam ameaçar 
e comprometer a segurança e a saúde no trabalho.
• EPCs são dispositivos usados no ambiente de trabalho com o objetivo de 
proteger os trabalhadores em sua coletividade.
158
AUTOATIVIDADE
1 As ações do PPRA devem ser desenvolvidas no âmbito de cada estabelecimento 
da empresa, sob a responsabilidade do empregador, com a participação dos 
trabalhadores, sendo sua abrangência e profundidade dependentes das 
características dos riscos e das necessidades de controle. Com relação a essa 
afirmativa, analise as sentenças referentes ao PPRA:
I– O PPRA segue o que está estabelecido na NR-9, como também com o que 
está alinhado com as normas regulamentadoras.
II– PPRA é um programa importante para realizar a prevenção de doenças 
ocupacionais e acidentes de trabalho.
III– Não existe nenhuma obrigação entre o empregador e o PPRA.
IV– O registro do PPRA sempre deve ser por meio digital.
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) As sentenças I, III e IV estão corretas.
c) ( ) As sentenças III e IV estão corretas.
d) ( ) As sentenças II e IV estão corretas.
2 Explique a importância de utilizar equipamento de proteção individual.
3 O Mapa de Riscos é atribuição da CIPA, ela deverá representar sobre a 
planta baixa da empresa os riscos encontrados, e deverá desenhar círculos, 
os quais terão cores padronizadas, conforme o grupo a que pertencem. De 
acordo com essa afirmativa, analise as sentenças:
I– Cor verde representa risco físico.
II– Cor marrom representa risco de acidentes.
III– Cor azul representa risco ergonômico.
IV– Cor vermelha representa risco químico.
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e IV estão corretas.
b) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
c) ( ) As sentenças III e IV estão corretas.
d) ( ) As sentenças II e III estão corretas.
 
4 Cite alguns equipamentos de proteção coletiva.
159
TÓPICO 3
PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM 
SAÚDE DO TRABALHO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Os programas voltados à saúde do trabalhador foram surgindo 
gradativamente, de acordo com a necessidade vivenciada na atividade laboral, 
em que os trabalhadores estavam expostos aos riscos, os quais desencadeavam 
várias patologias.
Esses programas passaram a representar atenção especial dos 
trabalhadores e organizações sindicais, das empresas, dos profissionais e também 
por parte da comunidade.
Uma preocupação que normalmente surge é com relação ao profissional 
que estará à frente dos programas, pois obrigatoriamente deve ser um técnico 
responsável, competente e não resistente às mudanças que surgem.
Dessa forma, estudaremos o Programa de Controle Médico e Saúde 
Ocupacional e descobriremos sua importância, a responsabilidade do empregador 
nesse programa e os quesitos para conseguir elaborá-lo. 
Parabéns por chegar até aqui na sua jornada de estudos, tenha foco nos 
seus objetivos, pois certamente alcançará vitória nos seus ideais.
2 PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO E SAÚDE 
OCUPACIONAL
Esse programa foi e continua sendo importantíssimo para a saúde do 
trabalhador, entretanto, causou grande polêmica para o meio empresarial, pois 
normalmente mudanças significam investimentos, e investimentos mexem com o 
lado financeiro do empregador.
Apesar de muitas discussões, a legislação impõe normas e condutas, 
assim, o empresário não pode se esquivar de suas obrigações e, diante de um novo 
cenário na medicina do trabalho, foi imprescindível o PCMSO para a melhoria do 
processo produtivo e de prevenção do trabalhador.
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
160
2.1 ASPECTOS CONCEITUAIS
Desde sua edição, a Portaria nº 24, de 29 de dezembro de 1994, do 
Ministério do Trabalho, visando modernizar as medidas preventivas na área 
de saúde ocupacional, obrigou as empresas, órgãos e instituições, a elaborar e 
implantar o Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional, conhecido por 
PCMSO (BENSOUSSAN et al., 2010).
Portaria é um documento de ato administrativo de qualquer autoridade pública 
e que contém instruções sobre a aplicação de leis ou regulamentos, recomendações de 
caráter geral, normas de execução de serviços, dentre outras.
UNI
De acordo com Oliveira (2009), a legislação ordinária, através dos arts. 168 e 
169 da CLT, garantiu a manutenção da NR-7, que determina a obrigação de elaborar 
e implementar o PCMSO por todas as empresas, órgãos e instituições que admitam 
trabalhadores como empregados, para garantir a saúde dos trabalhadores.
Esta norma estabelece um direcionamento na elaboração do PCMSO, 
sendo esta obrigatória em todas as empresas, independentemente do número de 
empregados ou grau de risco de sua atividade. Entretanto, deve ser elaborado de 
acordo com os riscos a que os trabalhadores estão sujeitos, principalmente com 
base naqueles identificados nas avaliações previstas no PPRA.
Para Campos (2016), além do cumprimento da norma para prevenção da 
saúde do trabalhador, o empregador também deverá disponibilizar a realização 
de exames demissionais para todos os funcionários, pois anteriormente a 
obrigação era apenas para os funcionários que desempenhavam atividades 
insalubres, mudança de função, retorno ao trabalho e periódico, que poderá ser 
feito bienalmente.
Além dos exames citados, a novidade que surgiu foi a realização do 
exame de espirometria, exigido a todos os trabalhadores expostos a poeiras, feito 
geralmente a cada dois anos.
TÓPICO 3 | PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO
161
Espirometria  é um teste que mede a quantidade de ar que uma pessoa é 
capaz de inspirar ou expirar a cada vez que respira. É realizado através de um espirômetro, 
conectado por um tubo, com um bocal em que a pessoa sopra. Esse exame auxiliará no 
diagnóstico ou acompanhamento quanto à evolução de doenças pulmonares.
UNI
FIGURA 15 – REPRESENTAÇÃO DE UM EXAME DE ESPIROMETRIA
FONTE: . Acesso em: 2 set. 2017.
Conforme Barsano e Barbosa (2012), o PCMSO deve ser coordenado por 
um médico, com especialização em medicina do trabalho, que será o responsável 
pela elaboração ou execução do programa. Dessa forma, com exceção das empresas 
que estão desobrigadas em manter um médico do trabalho, de acordo com a NR-4, 
as demais terão que indicar um profissional médico para coordenar o programa. 
2.2 OBJETIVO
Para Sherique (2015), o PCMSO tem a finalidade de realizar a prevenção 
e o diagnóstico de forma preventiva, com relação aos problemas de saúde que 
dizem respeito ao trabalho, e deve ser planejado e implantado por meio das 
identificações de riscos à saúde de todos os empregados da empresa, com base 
no mapa de riscos e no PPRA.
Nesse mesmo sentido, Mattos et al. (2011, p. 138) ensinam que o PCMSO:
[...] é um programa que especifica procedimentos e condutas a serem 
adotados pelas empresas em função dos riscos a que os empregados 
se expõem no ambiente de trabalho. O objetivo é prevenir, detectar 
precocemente, monitorar e controlar possíveis danos à saúde do 
empregado.
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
162
Ainda para o mesmo autor, além de o PCMSO ser um programa voltado 
à saúde do trabalhador, deve:
• Considerar as questões incidentes sobre o indivíduo e a coletividade de 
trabalhadores, privilegiando o instrumento clínico-epidemiológico.
• Ter caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos agravos 
à saúde relacionados ao trabalho, inclusive de natureza subclínica, além 
da constatação da existência de casos de doenças profissionais ou danos 
irreversíveis à saúde dos trabalhadores.
• Se basear nos riscos à saúde dos trabalhadores, especialmente os identificados 
nas avaliações previstas nas demais normas regulamentadoras.
• Seguir um planejamento em que estejam previstas as ações de saúde a serem 
executadas durante o ano, devendo estas ser objeto derelatório anual.
Para Bensoussan et al. (2010), a empresa deve estar diretamente 
comprometida com os objetivos da NR-7 no que diz respeito ao campo da saúde 
dos trabalhadores, já o programa deve estar articulado com as demais normas 
regulamentadoras e auxiliando na epidemiologia, com a abordagem da relação 
entre a saúde e o trabalho.
Conseguimos compreender que este programa é essencial para preservar 
e controlar, detectar e monitorar a saúde do trabalhador, especificando os 
procedimentos que devem ser realizados, bem como os prazos nele inseridos, 
seguindo as especificações contidas nas legislações.
O objetivo do PCMSO, segundo Sherique (2015), é a prevenção e diagnóstico 
antecipado dos problemas de saúde relacionados ao trabalho, e deve ser planejado 
e implantado com base nas identificações de riscos à saúde de todos os empregados 
da empresa, sendo que as medidas preventivas previstas no PCMSO devem 
contemplar o mapa de riscos, o PPRA e os planos de ações de saúde.
Benssousan et al. (2010) afirmam que é um programa de controle médico 
relacionado à higiene, segurança e saúde dos trabalhadores. Além de fazer a 
prevenção, também objetiva realizar a constatação de doenças profissionais, ou 
danos irreversíveis à saúde do trabalhador.
2.3 RESPONSABILIDADES DO EMPREGADOR REFERENTES 
AO PCMSO
O empregador deve garantir não apenas a elaboração, mas também a 
implementação do PCMSO, que, conforme a NR-7, deve seguir um planejamento 
que necessita contemplar ações de saúde a serem desenvolvidas ao longo do ano, 
para que posteriormente se faça um relatório anual. 
Podemos observar pela figura a seguir que o relatório anual deve conter 
setores da empresa, o número e a natureza dos exames médicos, estatísticas dos 
resultados considerados anormais e o número de exames para o próximo ano.
TÓPICO 3 | PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO
163
QUADRO III
PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL
RELATÓRIO ANUAL
Responsável: Data: Assinatura:
Setor Natureza 
do Exame
Nº Anual 
de
Exames 
Realizados
Nº de 
Resultados
Anormais
Nº de Resultados
Anormais x 100
______________
Nº Anual de 
Exames
Nº de Exames
para o Ano
Seguinte
FONTE: . Acesso em: 3 set. 2017.
QUADRO 5 – RELATÓRIO ANUAL
O relatório anual deverá discriminar, por setores da empresa, o número 
e a natureza dos exames médicos, incluindo avaliações clínicas e exames 
complementares, estatísticas de resultados considerados anormais, assim como o 
planejamento para o ano seguinte.
Para Bensoussan et al. (2010), deve ser estabelecido um conjunto de exames 
clínicos e complementares específicos, para prevenção ou detecção precoces dos 
agravos da saúde dos trabalhadores, explicando a forma que foi utilizada para 
interpretar os exames e articulando condutas quando constatadas alterações.
É importante esclarecer que com as implementações objetivando a 
promoção da saúde dos trabalhadores, o empregador deve custear todos os 
procedimentos, sem cobrar nada do empregado.
Para Saliba (2013), é importante entender que o PCMSO complementa 
o PPRA, dessa forma, o reconhecimento, a avaliação e controle dos riscos 
ambientais serão eficazes com a elaboração dos exames médicos. Dessa forma, a 
NR-09 informa que, se ficar evidenciada, através de exame médico, a relação do 
agravo da saúde do trabalhador com a exposição do risco, as medidas de controle 
deverão ser implementadas independentemente de outras avaliações.
Conforme Barsano e Barbosa (2012, p. 219), a Norma Regulamentadora 
número 7, item 7.3.1, estabelece que cabe ao empregador:
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
164
a) Garantir a elaboração e efetiva implementação do PCMSO, bem 
como zelar pela sua eficácia.
b) Custear sem ônus para o empregado todos os procedimentos 
relacionados ao PCMSO.
c) Indicar, dentre os médicos dos Serviços Especializados em 
Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho - SESMT, da 
empresa, um coordenador responsável pela execução do PCMSO.
d) No caso de a empresa estar desobrigada de manter médico do 
trabalho, de acordo com a NR-4, deverá o empregador indicar médico 
do trabalho, empregado ou não da empresa, para coordenar o PCMSO.
e) Inexistindo médico do trabalho na localidade, o empregador poderá 
contratar médico de outra especialidade para coordenar o PCMSO.
Para Barsano e Barbosa (2012), a empresa está desobrigada de possuir 
médico coordenador quando for classificada com grau de risco 1 e 2, conforme 
quadro 1 da NR-4 (com até 25 empregados) e com graus de risco 3 e 4, conforme 
o quadro 1 da NR-4 (com até 10 empregados).
2.4 DESENVOLVIMENTO DO PCMSO
A legislação não especificou um modelo para ser seguido a fim de elaborar o 
programa. Tudo irá depender dos riscos existentes na empresa, do esforço realizado 
e das características de cada grupo de empregados. Para algumas empresas, poderá 
existir apenas a realização de avaliações clínicas de rotina; para outras, poderá 
ser aprofundado, contendo avaliações clínicas, exames toxicológicos, avaliações 
epidemiológicas, entre outros (BARSANO; BARBOSA, 2012).
Bensoussan et al. (2010) afirmam que qualquer que seja a estrutura utilizada, 
ela sempre deverá existir, e não é porque não há necessidade de um modelo padrão 
que será admitida a redução a um simples parágrafo, e mesmo havendo ausência 
de riscos ambientais e ergonômicos, deverá haver algum respaldo de metodologia.
Inicialmente é necessário realizar um estudo prévio para identificar se há 
riscos e nominá-los, por meio de visitas, exames, conversas com os trabalhadores 
e análise das informações contidas no PPRA. Por meio desse levantamento de 
riscos, alia-se exames clínicos e complementares próprios para cada grupo de 
trabalhadores.
Vamos seguir a ideia de Bensoussan et al. (2010) para sugerir modelo de 
estruturação do PCMSO:
IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA
RECONHECIMENTO DE RISCOS
PROCEDIMENTOS
TÓPICO 3 | PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO
165
Dessa forma, vamos especificar quais os itens que necessitam constar em 
cada categoria:
a) Identificação da empresa: razão social, endereço, CGC, ramo de atividade e 
seu respectivo grau de risco, quantidade de trabalhadores e sua distribuição 
por sexo, horários de trabalho e turnos.
b) Reconhecimento de risco: realizar visita no local, fazer a coleta de informações, 
verificar as condições de trabalho, utilizar a CIPA e o PPRA como auxílio.
c) Procedimentos: verificar a necessidade de avaliação clínica, exames 
complementares e elaborar relatório anual.
Conforme Barsano e Barbosa (2012), o PCMSO deve incluir a realização 
obrigatória dos seguintes exames:
a) Admissional: realizado antes de o trabalhador assumir suas atividades na 
empresa.
b) Periódico: realizado de acordo com o cronograma do médico do trabalho, 
baseado na análise de riscos por setor e função, bem como a idade da pessoa.
c) Retorno ao trabalho: é realizado quando o trabalhador retorna ao trabalho, 
após 30 dias, em função de doença ou acidente, este exame deve ser feito no 
primeiro dia da volta ao trabalho.
d) Mudança de função: realizado obrigatoriamente, antes da data da mudança.
e) Demissional: deverá ser feito até a data da homologação da dispensa, desde que 
o último exame médico ocupacional tenha sido realizado há mais de 135 dias 
para as empresas de grau de risco 1 e 2 e 90 dias para as de grau de risco 3 e 4.
Mudança de função é toda e qualquer alteração de atividade, posto de trabalho ou 
de setor, que exponha o trabalhador a risco diferente do que estava exposto antes da mudança.
UNI
Para cada um desses exames realizados, o médico emitirá um Atestado de 
Saúde Ocupacional, também conhecido por ASO, em duas vias, sendo que uma 
ficará arquivada na empresa e a outra deve ser entregue ao trabalhador.
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
166
FIGURA 16 – MODELO DE ASO
FONTE: .
Acesso em: 3 set. 2017.
Todas as informaçõeseste pensamento, que 
pode gerar uma conduta errônea, está correto? É claro que não, você simplesmente 
deve pegar o equipamento de proteção individual e utilizar, a fim de protegê-lo 
de eventual sinistro.
A segurança do trabalho tem exatamente esse foco, de oferecer proteção 
ao trabalhador em seu local de atuação profissional, abrangendo aspectos 
relacionados à segurança e à higiene ocupacional, prevenindo acidentes e 
mantendo a integridade da pessoa humana.
Dessa forma, a segurança do trabalho é um ramo da engenharia que tem 
a função de reconhecer, avaliar e controlar as condições do trabalho e as atitudes 
do trabalhador, com o intuito de evitar acidentes e sinistros indesejáveis para a 
saúde do trabalhador.
Os conteúdos que permeiam esta unidade dizem respeito à evolução 
do trabalho, ao histórico e conceito de segurança do trabalho, à contribuição de 
Getúlio Vargas para o trabalhador brasileiro, às mudanças trabalhistas com a 
promulgação da Constituição Federal de 1988 e conhecimento sobre Organização 
Internacional do Trabalho.
 
Vamos aos estudos!
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
4
2 EVOLUÇÃO DO TRABALHO HUMANO
A segurança do trabalho é uma área da engenharia que estuda as causas 
da ocorrência dos acidentes e incidentes que surgem durante a jornada de 
trabalho do empregado. Seu maior objetivo é a prevenção de acidentes, doenças 
ocupacionais e demais sinistros na saúde do trabalhador. Nesse sentido, 
havendo prevenção, também haverá um ambiente saudável e seguro tanto para 
o empregado quanto para o empregador.
Segundo Curia et al. (2011), sob o ponto de vista legal, acidente do trabalho 
é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando 
lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda ou redução, 
permanente ou temporária, da ca pacidade para o trabalho (art. 19 da Lei nº 8.213/91).
Barsano e Barbosa (2012) acreditam que algumas áreas, como medicina 
do trabalho, ergonomia, saúde ocupacional e segurança patrimonial, auxiliam na 
identificação dos fatores de risco que geram os acidentes e doenças ocupacionais, 
bem como na avaliação dos seus efeitos na saúde do trabalhador, e também propõem 
medidas de intervenção técnica a serem implantadas nos ambientes de trabalho.
Há uma relação direta entre o trabalho, a saúde e a doença, comprovada 
pelos relatos históricos, pois onde não havia normas, regras, leis, os trabalhadores 
eram assolados por jornadas longas de trabalho, ambientes insalubres, alimentação 
inadequada e, por conseguinte, devastados por doenças, normalmente pestes que 
se proliferavam em ambientes sombrios e com má higiene.
Neves (2011) relata que na antiguidade o trabalho não era considerado 
uma tarefa digna, pelo contrário, era caracterizado como sendo um trabalho 
escravo, com regime servil, inexistindo preocupação com a saúde dos 
trabalhadores, emergindo a ideia de castigo ou estigma. Dessa forma, o trabalho 
surgiu como sinal de humilhação, desonra e degradação do ser humano, um 
castigo divino, imposto por Deus ao homem, o qual lutava diariamente para 
sobreviver em meio à escravidão, em que pessoas menos afortunadas eram 
vítimas de uma sociedade preconceituosa.
Conforme Neves (2011), a origem da palavra trabalho vem do latim 
tripalium, que significa madeira, pois era com um instrumento feito de madeira 
que os escravos apanhavam e eram torturados, quando não desempenhavam bem 
o seu trabalho ou quando simplesmente o seu “dono” tinha prazer em surrá-los.
Para Cassar (2010), o vocábulo “trabalho” indica algo penoso ao homem, 
em linguagem cotidiana tem inúmeros significados, algumas vezes lembra dor, 
sofrimento, e outras vezes designa operação humana de transformação da matéria. 
TÓPICO 1 | SEGURANÇA DO TRABALHO
5
Tripalium era o nome de um instrumento de tortura constituído de três estacas 
de madeira bastante afiadas, em forma de pirâmide e que era cravada no chão, no qual os 
escravos eram torturados. As três madeiras significavam sofrimento, esforço e luta.
FIGURA 1 – REPRESENTAÇÃO DE UM ESCRAVO AMARRADO NO TRIPALIUM
FONTE: . 
Acesso em: 29 jun. 2017.
Sobre a evolução do trabalho, Cassar (2010, p. 10) afirma que:
Se no passado o trabalho tinha conotação de tortura, atualmente 
significa toda energia física ou intelectual empregada pelo homem 
com finalidade produtiva. Todavia, nem toda atividade humana 
produtiva constitui objeto do Direito do Trabalho, pois somente a 
atividade feita em favor de terceiros interessa ao nosso estudo, e não a 
energia despendida para si próprio.
Depois de vários séculos de sofrimento das condições precárias de 
trabalho, por volta de 1760, na Inglaterra, surgiu a Revolução Industrial, que 
provocou grandes mudanças nas condições de trabalho. Antes considerado uma 
pessoa sem escrúpulo, tratado como animal, sem objetivos, perspectivas, anseios 
e sem desejos próprios, o trabalhador começou a ter o seu valor.
As alterações nas condições de trabalho envolvem vários fatores, como 
o ambiente, ferramentas, máquinas, equipamentos, jornada de trabalho e forma 
de organização, bem como as relações interpessoais entre chefes e subordinados. 
O principal destaque dessa revolução foi a substituição do trabalho escravo pelo 
trabalho assalariado, através da utilização de máquinas, inicialmente as de fiar.
UNI
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
6
Neves (2011) relata que uma máquina de fiar era muito mais rápida do 
que o melhor artesão, e a maioria dos artesões não podia comprar uma máquina. 
Dessa forma, o empregador viu a oportunidade de ganhar dinheiro, comprou a 
máquina e empregou o trabalhador, assim surgiu o capitalismo.
Entretanto, em meio a um estopim de pretensões boas por parte do 
trabalhador, aconteceu um desastre no ambiente de trabalho, pois as fábricas 
foram instaladas em galpões velhos, sendo que as condições de luminosidade, 
ventilação e higiene eram precárias, as máquinas, sem segurança, se tornaram 
perigosas e a jornada de trabalho chegava a 14 ou 16 horas.
FIGURA 2 – TRABALHO INSALUBRE NAS FÁBRICAS
FONTE: . Acesso em: 29 jun. 2017.
Essa jornada de trabalho era alta, pois agora o trabalhador estava 
envolvido pelo capitalismo, sendo que quanto mais trabalhava, mais dinheiro 
ganhava, além disso, a indústria precisava de mão de obra e, dessa forma, acabou 
contratando crianças, homens, mulheres e idosos.
FIGURA 3 – CRIANÇAS TRABALHANDO EM MÁQUINA DE FIAR
FONTE: . Acesso em: 29 jun. 2017.
TÓPICO 1 | SEGURANÇA DO TRABALHO
7
Esse ambiente hostil, em que os trabalhadores totalmente despreparados 
gastavam boa parte de sua vida, inevitavelmente gerou vítimas de constantes 
acidentes de trabalho e de doenças infectocontagiosas.
As doenças adquiridas no trabalho só eram percebidas em estágio avançado, 
primeiro porque eram confundidas com doenças corriqueiras e porque as pessoas 
se preocupavam com a produtividade, deixando a doença em segundo plano.
Em virtude da queda da produtividade e perda econômica, devido às 
pestes que acometiam os trabalhadores, o governo começou a intervir com a 
intenção de ajudar essa classe desfavorecida, introduzindo médicos dentro das 
fábricas, surgindo posteriormente as primeiras leis de saúde pública.
É visível que, ao longo dos séculos, o homem evoluiu dos seus ancestrais, 
melhorando seus hábitos de saúde e higiene, evidenciando a preocupação de ser 
acometido por menos doenças e pestes. Evoluindo para um cuidado coletivo, 
adotando-se a segurança em prol dos trabalhadores, de modo a evitar alguns 
hábitos danosos à saúde, como também evitando sua repetição e, por conseguinte, 
passando a garantir melhores condições de vida.
3 HISTÓRICO DA SEGURANÇA DO TRABALHO
Doenças e acidentes sempre se fizeram presentes na evolução do homem,dos trabalhadores, adquiridas por meio dos exames, 
ficarão sob responsabilidade do médico coordenador e deverão ser mantidas por um 
período mínimo de 20 anos, após o desligamento do trabalhador (CAMPOS, 2016).
Não confunda a periodicidade do PCMSO, que é de um ano, e do exame 
periódico, pois são prazos diferentes, veja na figura a seguir.
NOME E ENDEREÇO
ATESTADO DE SAÚDE OCUPACIONAL - ASO
Tipo de exame:
[ ] Admissional [ ] Periódico [ ] Demissonal
 
[ ] De retorno ao trabalho [ ] De mudança de função 
Atestamos que o(a) Sr(a) ______________________________ , identidade n° _________________ 
submeteu-se a avaliação de saúde em conformidade com a NR-7 da Portaria n° 3214/78, sendo 
o(a) mesmo(a) considerado(a) [ ] apto [ ] inapto(a) para a função de: 
A presente avaliação constou dos procedimentos abaixo discriminados:
Exames realizados Data
Riscos ocupacionais específicos existentes na atividade do empregado:
Observações:
1. A 1ª via deste atestado deverá ficar arquivada no local de trabalho à disposição da fiscalização 
 do trabalho, sendo que a 2ª via deverá ser obrigatoriamente entregue ao trabalhador;
2. Os dados obtidos na presente avaliação estão registrados em prontuário clínico individual 
 sob responsabilidade do médico encarregado do exame.
Nome e CRM do médico-coordenador do PCMSO:
____________________________________________________________________________________
 , de de
 _____________________________________
 DR.
 CRM n°
____________________________________________________________________________________
Declaro que recebi a 2ª via deste documento.
Em ___/____/_____.
 _____________________________________
 Ass. Empregado
TÓPICO 3 | PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO
167
FIGURA 17 – PERIODICIDADE DO EXAME PERIÓDICO
FONTE: . Acesso em: 6 set. 2017.
3 RELAÇÃO ENTRE O PPRA E O LTCAT
Já estudamos o que é LTCAT e PPRA, então você já consegue estabelecer 
uma relação entre eles? Certamente você consegue conceituar cada um deles, então 
vamos começar relembrando que LTCAT é um laudo e PPRA é um programa. 
Muito bem, primeiramente estabelecemos uma diferença entre eles, então vamos 
continuar estabelecendo o que há de diferente, conforme a figura abaixo:
FIGURA 18 – DIFERENÇA ENTRE LTCAT E PPRA
FONTE: .
Acesso em: 6 set. 2017.
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
168
Então, após essas observações, podemos continuar nossos estudos com 
propriedade e dizer que o PPRA é um programa com a finalidade de identificar, 
reduzir e eliminar os riscos existentes no ambiente de trabalho, servindo de base 
para a elaboração do PCMSO.
Programa é uma proposição de um projeto que se pretende executar.
UNI
Mas a pergunta principal é: qual a relação entre o PPRA e o LTCAT? 
Já que o PPRA é um programa que tem a finalidade de prevenir a saúde 
dos trabalhadores, isso é feito por meio do reconhecimento dos agentes agressores 
nos postos de trabalho, dessa forma, são elaboradas ações para atingir a meta do 
programa. É importante destacar que o LTCAT pode ser um dos documentos que 
integram as ações do PPRA.
Laudo é um texto em que um especialista emite sua opinião em resposta a 
uma consulta.
UNI
O LTCAT surge para retratar as condições do ambiente de trabalho, 
de acordo com as avaliações dos riscos e verificar se os agentes podem gerar 
insalubridade para os trabalhadores expostos, dessa forma ele é considerado um 
documento técnico, de caráter pericial (CAMPOS, 2016).
Finalizando o pensamento, o PPRA mostra os riscos e os agentes que 
podem provocar agravos à saúde do trabalhador, enquanto que o LTCAT 
quantifica os agentes agressivos, indicando o direito à insalubridade, bem como 
o direito à aposentadoria especial.
TÓPICO 3 | PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO
169
4 PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO
4.1 CONCEITO
Para Campos (2016), o Perfil Profissiográfico Previdenciário, também mais 
facilmente conhecido por PPP, é um documento histórico laboral e individual do 
trabalhador que presta serviço à empresa.
Bensoussan at al. (2010) complementam esse conceito indicando que o PPP 
é um formulário com campos que deve ser preenchido pela empresa com a qual o 
trabalhador tem vínculo, não esquecendo de colocar todas as informações referentes 
ao histórico laboral do empregado, como a atividade que exerce, o tipo de agente 
nocivo a que ficou exposto, exames médicos, além de outros dados relevantes.
 
Conforme Campos (2016), o preenchimento do formulário PPP está 
embasado pelo artigo 68, parágrafo 8º do Decreto nº 4.032/2001, do INSS, sendo 
que o modelo foi fornecido pelo INSS, e, entre várias funções, deve conter registros 
ambientais, resultado de monitoração biológica e dados administrativos.
Dessa forma, entendemos que o PPP é um documento histórico, ligado 
à atividade laboral do empregado, cujo formulário a ser preenchido é instituído 
pelo INSS, com vários campos a serem preenchidos referentes ao ambiente de 
trabalho do trabalhador e com informações administrativas. 
Bensoussan et al. (2010) sinalizam que o formulário deve ser preenchido 
pelas empresas em que o trabalhador teve vínculo e ficou exposto aos agentes 
nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à 
saúde, visando a concessão de aposentadoria especial após 15, 20 ou 25 anos de 
contribuição, dependendo da comprovação quanto à exposição do agente.
É interessante destacar que o PPP será exigido para os períodos de 
atividade exercida sob condições especiais, apenas a partir de 14 de outubro de 
1996, com exceção do agente nocivo ruído, que exige demonstração do laudo 
para todos os períodos declarados (BENSOUSSAN et al., 2010).
4.2 OBJETIVOS DO PPP
O PPP surgiu, inicialmente, para assegurar as garantias dos trabalhadores 
que desenvolveram sua atividade laboral diante de agentes nocivos, sendo entregue 
ao trabalhador na rescisão contratual e também servirá para a perícia médica nos 
casos de solicitação de benefício por incapacidade (BENSOUSSAN et al., 2010).
Campos (2016) afirma que o PPP nasceu da necessidade do segurado 
comprovar seu trabalho sob condições que ensejassem a aposentadoria especial, 
uma vez que, ao longo do tempo, fatalmente tais condições seriam descaracterizadas 
ou alteradas, inclusive em razão do encerramento de atividades da empresa.
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
170
Havendo alterações no posto de trabalho ou função ao longo do contrato 
de trabalho, deverá ser lançado no perfil profissiográfico, de maneira analítica 
e sequencial. Caso não sejam feitas as alterações no PPP, nem mesmo a revisão 
periódica, isso implicará em multa à empresa (BENSOUSSAN et al., 2010).
Campos (2016) também comenta quanto à atualização, pois sempre que 
houver alteração implicando em mudanças das informações, necessitará constar 
no perfil do profissional. Além disso, o perfil profissiográfico deverá ser atualizado 
uma vez por ano, quando suas informações não forem alteradas. 
Outra finalidade do PPP é fornecer à empresa informações em tempo real, 
com o objetivo deorganizar e individualizar as informações contidas em seus 
diversos setores ao longo dos anos, permitindo que a empresa se esquive de ações 
judiciais indevidas relativas a seus trabalhadores (BARSANO; BARBOSA, 2012).
4.3 ASPECTOS RELEVANTES DO PPP
Conforme Campos (2016), a partir de 1º de janeiro de 2004, a empresa 
ou equiparada a empresa passou a ter a obrigação de elaborar o PPP, conforme 
Anexo XV (IN 118/2005), de forma individual para empregados, trabalhadores 
avulsos e cooperados expostos aos agentes nocivos.
Para Campos (2016), o PPP é um documento bem elaborado e cheio de 
informações referentes ao trabalhador, retiradas dos seguintes documentos:
• PPRA.
• PCMSO.
• LTCAT.
• Perfil de cargos da empresa.
• Pasta do funcionário nos Recursos Humanos.
• Carteira de Trabalho do funcionário.
Podemos dizer que a comprovação efetiva da exposição do segurado aos 
agentes nocivos será feita mediante formulário denominado PPP, estabelecido 
pelo INSS, emitido pela empresa, com base no LTCAT.
Importante destacar que o perfil profissiográfico deverá ser fornecido por 
cópia autêntica, no prazo de 30 dias da rescisão do seu contrato de trabalho, sob 
pena de sujeição às sanções previstas na legislação aplicável, conforme artigo 68, 
parágrafo 8º do Decreto nº 8.123/2013, do INSS (CAMPOS, 2016).
TÓPICO 3 | PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO
171
FIGURA 19 – MODELO DE PPP
FONTE: . Acesso em: 12 set. 2017.
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
172
1. Identificação da empresa com CNPJ, endereço, CNAE, função, setor, jornada de 
trabalho e data da visita.
2. Objetivo.
3. Identificação do local periciado. 
4. Descrição do ambiente de trabalho.
5. Descrição das atividades do trabalhador.
6. Análise qualitativa de possíveis riscos ocupacionais: físicos, químicos, biológicos, 
ergonômicos e de acidentes.
7. Tempo de exposição aos riscos.
8. Equipamentos de proteção individual: verificar se a empresa fornece.
9. Equipamentos de proteção coletiva: verificar se a empresa fornece.
10. Metodologia de Avaliação Ambiental.
11. Métodos, técnicas, instrumentos e aparelhos utilizados. 
12. Conclusão.
13. Nome da pessoa e data da realização, cidade e assinatura do engenheiro.
QUADRO 6 – ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DO LTCAT
FONTE: A autora (2017)
Esse roteiro é uma forma de planejar o trabalho, pois serve como guia 
para a construção do LTCAT, assim, deve-se verificar a realidade da empresa, 
para aplicar os itens cabíveis. Na figura a seguir podemos entender como fica o 
layout do LTCAT, é apenas a primeira página, pois, como o laudo é bem extenso, 
serve apenas como demonstração.
5 APRESENTAÇÃO DE LAUDOS E PROGRAMAS TÉCNICOS
Finalizamos esta unidade com a certeza de que estudamos laudos técnicos 
relevantes, os quais contribuirão para enriquecer seu conhecimento. Sendo assim, 
iremos expor em forma de exemplos o início da elaboração de alguns laudos e 
programas que achamos interessantes você conhecer.
TÓPICO 3 | PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO
173
FIGURA 20 – MODELO DE LTCAT
FONTE: .
Acesso em: 12 set. 2017.
QUADRO 7 – ROTEIRO PARA CONSTRUÇÃO DO PPRA
UNIDADE: SETOR/MAQ. DATA:
1 - RISCO 2 - AGENTE 3 - FONTE GERADORA
4 - MEIOS DE 
PROPAGAÇÃO NO 
AMBIENTE DE TRABALHO
5 - No DE TRABALHADORES 
EXPOSTOS
6- FUNÇÕES
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
174
7- ATIVIDADES E TIPO DE 
EXPOSIÇÃO
8- POSSÍVEIS DANOS À 
SAÚDE
9- DANOS RELATIVOS 
À SAÚDE
10- AVALIAÇÃO 
QUANTITATIVA
11- LIMITE DE TOLERÂNCIA
12- TEMPO 
EXPOSIÇÃO 
LEGISLAÇÃO
13- MEDIDAS DE 
CONTROLE EXISTENTES
14- MEDIDAS DE 
CONTROLE PROPOSTAS
15- PRAZO DE 
EXECUÇÃO
16- CONCLUÍDO EM ASS. RESPONS. 
FONTE: . Acesso em: 12 set. 2017.
FIGURA 21 – MODELO DE MAPA DE RISCOS 
FONTE: .
Acesso em: 12 set. 2017.
TÓPICO 3 | PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO
175
LEITURA COMPLEMENTAR
Saúde ocupacional e segurança do trabalho em foco
Yuri Fernandes
Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgados em 
2013 e mencionados no boletim quadrimestral sobre benefícios por incapacidade 
da Previdência Social apontam que 321 mil pessoas morrem anualmente como 
consequência de acidentes no trabalho. Ainda segundo a Previdência Social, em 
2015 foram 612.632 acidentes de trabalho no Brasil, uma queda de 14% em relação 
ao ano anterior.
Apesar da redução nos números, o assunto é sério e merece atenção de 
todos. “Evitar acidentes de trabalho não é uma tarefa fácil, visto que estes ocorrem 
por múltiplas causalidades. Porém, existem formas de instruir os trabalhadores 
visando à proteção e a redução dos acidentes”, explica o analista em Segurança 
do Trabalho do Porto Seguro Saúde Ocupacional, Yuri Fernandes.
Veja algumas dicas que podem auxiliar as empresas:
– Treinamentos: São essenciais para levar ao trabalhador o entendimento dos 
possíveis riscos que a atividade exercida apresenta, a necessidade do uso dos 
equipamentos de proteção e a importância de seguir os procedimentos de 
trabalho e profissionalização para execução.
– Realização de DDS (Diálogo Diário de Segurança): DDS é um breve diálogo 
diário com os trabalhadores sobre questões de segurança. É importante para 
lembrá-los constantemente sobre as ações que devem ser adotadas para 
prevenção de acidentes, como uso, conservação, higienização e troca de 
Equipamentos de Proteção Individual, além da orientação sobre o cuidado 
com o uso dos celulares, que podem desprender a atenção do colaborador, 
entre outros temas que a área de segurança julgar necessários.
– Medidas de Proteção: As medidas de proteção assumem uma grande 
responsabilidade na prevenção dos acidentes de trabalho, colaborando com a 
integridade física e a saúde dos trabalhadores. Tais medidas envolvem o sistema 
de Equipamentos de Proteção Coletiva; medidas administrativas (ação de 
alterar ou alternar um colaborador entre setores de trabalho); equipamentos de 
proteção individual e outras medidas de controle que protegem o trabalhador, 
como entrega de protetor solar para funcionários que trabalham no sol. Cabe 
reforçar que o protetor solar não é caracterizado um EPI, por não possuir 
certificado de aprovação do Ministério do Trabalho e Emprego.
UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
176
– Monitoramento constante dos trabalhadores: A atenção nas ações dos 
trabalhadores e o feedback sobre os desvios são muito importantes. “Muitas vezes, 
os trabalhadores, por executarem uma tarefa há muito tempo, possuem confiança 
e isso os deixa mais suscetíveis a acidentes de trabalho”, esclarece o especialista.
As causas dos acidentes de trabalho podem estar relacionadas a uma série 
de fatores, como negligência na instrução ao trabalhador, falta de conhecimento 
técnico, atitudes imprudentes, não cumprimento de leis trabalhistas, falta de 
manutenção ou reposição de maquinários, entre outras.
De acordo com Yuri Fernandes, a ausência de segurança do trabalhador 
pode provocar diversas perdas à empresa. “Ausência de mão de obra especializada, 
afastamento do colaborador, sobrecarga de tarefas para os demais funcionários, 
multas e indenizações, caso ocorram acidentes de trabalho que causem perda 
ou diminuição da capacidade do trabalhador de exercer seu ofício, são alguns 
exemplos que as companhias podem enfrentar”, afirma.
Já se as organizações adotarem uma cultura de segurança, as perdas se 
revertem para benefícios. “A companhia agrega valor à sua marca no mercado 
como empresa responsável, potencializa suas vendas, não apresenta problemas 
com órgãos fiscalizadores e mantém um local de trabalho salubre e seguro para 
seus funcionários”.
FONTE: . Acesso em: 25 set. 2017.
177
Neste tópico,você aprendeu que: 
• A coordenação do PCMSO é feita por um médico, com especialização em 
medicina do trabalho, que será o responsável pela elaboração ou execução do 
programa.
• O PCMSO utiliza como base o PPRA.
• A finalidade do PCMSO é de realizar a prevenção e o diagnóstico dos problemas 
de saúde relacionados ao trabalho.
• O PCMSO complementa o PPRA.
• PPRA mostra os riscos e os agentes que podem provocar agravos à saúde do 
trabalhador. 
• O LTCAT quantifica os agentes agressivos, indicando o direito à insalubridade, 
bem como o direito à aposentadoria especial.
• LTCAT é um laudo e PPRA é um programa.
• O PPP é um documento que contempla o histórico laboral do empregado.
• O PPP é um documento laboral e individual do trabalhador, que presta serviço 
à empresa.
RESUMO DO TÓPICO 3
178
AUTOATIVIDADE
1 O PCMSO é um programa médico que deve ter caráter de prevenção, 
rastreamento e diagnóstico precoce, conforme o conceito adotado pela 
Organização Mundial de Saúde. Nesse sentido, cite qual foi a Norma 
Regulamentadora que estabeleceu obrigatoriedade para esse programa.
2 Descreva quais são os parâmetros quanto ao número de funcionários para 
implantar o PCMSO em uma empresa.
3 No que se refere à prevenção de doenças, o PCMSO prevê a realização 
obrigatória de alguns exames e a sua ausência nos prazos sujeitará o 
empregador a responder judicialmente. De acordo com essa afirmativa, 
analise as alternativas abaixo.
I– Exame demissional.
II– Exame admissional.
III– Exame de intervalo do trabalho.
IV– Exame oftalmológico.
Agora, assinale a alternativa CORRETA, indicando quais são os exames 
médicos de realização obrigatória dentro do PCMSO:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) As sentenças I, II e IIII estão corretas.
c) ( ) As sentenças II e IV estão corretas.
d) ( ) As sentenças III e IV estão corretas.
4 Existe relação entre PPRA e LTCAT? Em caso positivo, explique qual é a 
relação existente.
179
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Administração) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS.desde o período pré-histórico até os dias atuais. As evidências entre a associação 
do trabalho e doença provêm de papiros egípcios, bem como de referências da 
Grécia e Roma quanto ao relato de doenças que ocorriam em trabalhadores 
expostos a poeiras em minas e a utilização de membranas de bexiga de carneiros 
como máscaras (SALIBA, 2013).
No ano de 2360 a.C., no Egito, vários trabalhadores que desenvolviam 
suas atividades nas minas de cobre foram a óbito, preocupando o faraó, visto 
que ele não poderia perder trabalhadores, pois precisava da mão de obra desses 
escravos. Então o soberano percebeu a importância de melhorar as condições de 
trabalho, pois dessa forma manteria sua exploração de mão de obra (SALIBA, 
2013).
Você já pensou como a segurança do trabalho surgiu no Brasil, em meio a 
um cenário caótico de más condições de trabalho, precárias condições de higiene 
e saúde? Para isso, você precisa entender o contexto histórico em que o país estava 
vivendo. Dessa forma, vamos relatar brevemente o cenário econômico no início 
do século XIX.
Nessa época, o Brasil estava exportando alguns produtos agrícolas para 
os Estados Unidos, como café, borracha e açúcar, assim, com o dinheiro dos 
negócios, o Brasil comprava produtos manufaturados dos Estados Unidos, como 
carros, máquinas, roupas e até medicamentos, como a aspirina.
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
8
Portanto, o modo de produção no Brasil era a agricultura, enquanto 
que a nação norte-americana estava vivenciando um outro momento, o da 
industrialização, que, aliás, estava em franco desenvolvimento, exportando 
produtos para vários países.
Essa relação comercial do Brasil com os Estados Unidos ficou abalada 
com a queda da Bolsa de Valores de Nova York em 1929, pois o principal parceiro 
deixou de comprar e, dessa forma, o Brasil ficou em situação delicada. Foi nesse 
período que Getúlio Vargas assumiu o controle do país.
Uma das primeiras atitudes do presidente Getúlio Vargas foi regulamentar 
o trabalho no país, para isso, ele valorizou o produto principal de venda, que era o 
café, mesmo que para isso precisasse queimar toneladas, com o objetivo de manter 
o preço alto. Além disso, incentivou a entrada das indústrias, e dessa forma a mão 
de obra se tornou qualificada, assim, trouxe um novo cenário aos trabalhadores 
que estavam adoecendo, devido ao risco de agentes físicos e biológicos.
FIGURA 4 – QUEIMA DO CAFÉ EM SÃO PAULO NO INÍCIO DOS ANOS 30
FONTE: . Acesso em: 30 jun. 2017.
Após quatro anos no poder, ele criou a CLT (Consolidação das Leis do 
Trabalho), que é a base para todas as NR (Normas Regulamentadoras). Também 
criou vários benefícios, dentre eles o descanso semanal, salário mínimo, carteira 
de trabalho, entre outros. Tudo isso em função do atendimento das normas 
internacionais traçadas pela Organização Internacional do Trabalho – OIT, por 
meio da Organização das Nações Unidas – ONU, para oferecer atendimento com 
vistas à promoção da saúde, segurança dos trabalhadores, igualdade social e 
qualidade de vida no trabalho (SANTOS, 2013).
Conforme Basile (2010, p. 14), após a morte de Getúlio Vargas houve a 
promulgação da Constituição de 1967, e com ela foi estabelecido um período 
crítico de limitações aos direitos e liberdades dos indivíduos. Após esses impasses, 
no ano de 1988 foi divulgada outra Constituição, que perdura até os dias de hoje 
e que marcou a história com os direitos sociais dos trabalhadores, princípios 
TÓPICO 1 | SEGURANÇA DO TRABALHO
9
da dignidade da pessoa humana e dos valores sociais do trabalho, baseados no 
artigo 1º da Carta Magna.
4 CONCEITO DE SEGURANÇA DO TRABALHO
Barsano e Barbosa (2012) entendem que a segurança do trabalho é a ciência 
que estuda as possíveis causas dos acidentes e incidentes originados durante a 
atividade laboral do trabalhador. Sua função é a de prevenir acidentes, doenças 
ocupacionais e atuar como agente de mudança de comportamento.
Ainda para estes autores, a segurança do trabalho tem o objetivo não só de 
propor um ambiente harmonioso de trabalho, tanto para o empregado quanto para o 
empregador, mas identificar os fatores de risco que levam às ocorrências de acidentes 
e doenças ocupacionais, bem como avaliar seus efeitos na saúde do trabalhador.
Cardella (2014) acredita que a intenção da segurança do trabalho é de 
utilizar técnicas para diminuir os acidentes no ambiente de trabalho, evitando 
afastamentos e, por conseguinte, mantendo a produção laboral em um nível 
satisfatório para o empregador. 
Segundo Malta (2004, p. 44), segurança do trabalho é:
[...] o conjunto de ações planejadas e tecnológicas que buscam a 
proteção do trabalhador em seu local de trabalho, no que se refere 
à questão da segurança e da higiene do trabalho, com a finalidade 
de prevenir riscos de acidentes nas atividades de trabalho visando a 
defesa da saúde da pessoa humana.
Para Miguel (2014), a segurança do trabalho é um aglomerado de normas 
técnicas, comportamentais, médicas e psicológicas, que são empregadas com 
o objetivo de prevenir acidentes e eliminar condições perigosas do ambiente, 
orientando os trabalhadores a aderirem à implantação de práticas preventivas.
Saliba (2013) entende que a segurança do trabalho nada mais é do que 
uma coletânea de Normas Regulamentadoras, as quais são respaldadas na 
legislação de Segurança do Trabalho e objetivam dirimir as doenças ocupacionais, 
possibilitando buscar a prevenção.
Você sabe por quem são criadas as normas regulamentadoras? São criadas por 
uma comissão do governo e também por patrões e funcionários, com posterior publicação 
pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MIGUEL, 2014, p. 104).
UNI
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
10
O objetivo primordial da Segurança do Trabalho é proporcionar a 
prevenção da saúde do trabalhador, felizmente este ideal mudou com a evolução 
tecnológica, pois há décadas era visto como um tema que se relacionava somente 
a equipamentos de proteção do trabalhador. Muitas normas e legislações 
surgiram em prol do trabalhador, inclusive o Ministério do Trabalho lançou 
várias portarias, dentre elas a Portaria nº 3.214/1978, a qual aprovou as Normas 
Regulamentadoras, que são um conjunto de requisitos e procedimentos relativos 
à segurança e medicina do trabalho. Vejamos o que diz a portaria:
A Portaria nº. 3.214 do Ministério do Trabalho, editada em 8 de junho 
de 1978, aprovou as normas regulamentadoras (NRs) relativas à 
segurança e medicina do trabalho, que, no decorrer do tempo, foram 
sofrendo diversas alterações e acréscimos (BASILE, 2010, p. 152).
Conforme Miguel (2014), há 36 normas regulamentadoras na área de 
Segurança do Trabalhado, sendo que cada uma se reporta a um determinado 
assunto, entretanto, elas se complementam, pois são carregadas com aspectos 
indispensáveis de proteção ao trabalhador.
FIGURA 5 – AS NORMAS REGULAMENTADORAS
FONTE: .
Acesso em: 29 jun. 2017.
A segurança do trabalho pode ser classificada, de acordo com Basile (2010), 
como ausência de riscos indesejáveis nos ambientes de trabalho, proporcionando 
bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores, evitando perdas físicas e 
desconforto para o empregador, em virtude dos afastamentos do trabalho.
TÓPICO 1 | SEGURANÇA DO TRABALHO
11
Vieira (2008) entende que a segurança no trabalho é um agrupamento de 
vários fatores, em que o campo da engenharia se faz presente, pois ela identificará 
fatores em desacordo com a legislação, com o intuito de sanar o problema, mas 
também atuará principalmente de maneira preventiva, evitando acidentes 
de trabalho, utilizando controle de riscos associados ao local de trabalho e ao 
processo produtivo.
Fruhauf et al. (2005) corroboram as ideias dos autores citados e aduzem 
que a segurança e saúde do trabalho são o conjuntode medidas que visam 
diminuir os acidentes de trabalho e as doenças ocupacionais, protegendo assim a 
integridade física do trabalhador e sua capacidade de trabalho. Dessa forma, um 
trabalhador poderá utilizar sua força-tarefa de maneira segura e sem riscos para 
sua saúde, podendo aumentar sua produtividade com menos equívocos.
Fruhauf et al. (2005) acreditam que os ideais dos empregados e 
empregadores são opostos, apesar de se assemelharem no final, pois ambos têm 
o objetivo de evitar doenças ocupacionais e acidentes do trabalho, porém, os 
empregados visam sua integridade física, já o empregador idealiza a redução dos 
custos que os acidentes causam.
Segurança do trabalho tem o objetivo principal de prevenir acidentes do 
trabalho, doenças ocupacionais, evitando danos à saúde do trabalhador e, dessa 
forma, protegendo a integridade e a capacidade laboral das pessoas.
FIGURA 6 – UTILIZAÇÃO DE EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO PARA PREVENÇÃO DE ACIDENTES
FONTE: . Acesso em: 30 jun. 2017.
CAPACETE PARA QUÊ?
NUNCA ACONTECEU
NADA COMIGO!
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
12
Podemos conceituar segurança do trabalho como um mix de normas ou 
medidas técnicas nas áreas da saúde, educação e administração, as quais auxiliam 
na prevenção de acidentes, bem como na eliminação de ambientes perigosos, 
protegendo a integridade física, emocional e psicológica do trabalhador.
Para proporcionar esse ambiente saudável no local de trabalho é 
necessária a participação de todas as pessoas envolvidas, desde o alto escalão 
até os menos favorecidos, diminuindo ou eliminando os riscos ocupacionais, 
gerando segurança ao trabalhador.
5 LEGISLAÇÃO APLICADA À SEGURANÇA DO TRABALHO
Na sociedade onde vivemos somos contemplados por normas que regem 
nossa conduta e nossas atitudes, indispensáveis ao convívio social, preservando o 
bem mais precioso e indisponível, que é a vida. Assim como na vida privada, há 
regras específicas de boas maneiras e convivência e na vida laboral elas também 
existem e visam garantir a saúde e a segurança dos trabalhadores.
5.1 REFERENCIAL NORMATIVO 
A segurança do trabalho no Brasil, antes da promulgação da Constituição 
Federal de 1988, era vista pelo empregador como uma condição desnecessária 
para o empregado. As condições de saúde do trabalhador pouco importavam 
para o empregador. Nessa época, funcionário bom era considerado aquela pessoa 
que não faltava, que não ficava doente ou não deixava transparecer que estivesse 
doente, não se queixava de problemas, não reclamava, apenas trabalhava 
(BARSANO; BARBOSA, 2012).
O trabalhador que faltava por motivo de doença era visto como um 
indivíduo preguiçoso, malandro, folgado, que não tinha intenção de produzir, 
de trabalhar. Além de sofrer em virtude de sua saúde, também sofria retaliações 
quando retornava à sua jornada de trabalho, tanto pelo empregador quanto por 
colegas de trabalho, tornando o ambiente hostil.
O assédio moral era normal na esfera de trabalho, pois não havia 
penalidade para quem o praticasse, assim, os trabalhadores eram desfavorecidos. 
Quando convalescidos por alguma patologia, só restava se recuperar de sua 
doença rapidamente, voltar ao trabalho e torcer para que não fosse demitido.
TÓPICO 1 | SEGURANÇA DO TRABALHO
13
FIGURA 7 – EXPLICAÇÃO ILUSTRATIVA SOBRE ASSÉDIO MORAL
FONTE: . Acesso em: 30 jun. 2017.
Essas considerações nos reportam a um ditado popular da relação do 
homem com o porco, que diz: “O porco acorda sete vezes por noite pensando em 
matar o tratador, porque sabe que a mão que traz a lavagem um dia trará o facão” 
(CARDELLA, 2014, p. 256).
Você pode estar questionando, o que tem isso a ver com a segurança do 
trabalho? Então vamos contar a história: há alguns anos, os jornais de São Paulo 
noticiaram que um tratador de aproximadamente 60 anos estava abaixado para 
repor a lavagem dos animais, na zona rural da região, quando um porco rapidamente 
se aproximou dele e, sem que o tratador pudesse se defender, o matou.
ASSÉDIO MORAL
DENUNCIE!
Autoritarismo
Isolamento
Ameaça
Pressão
Humilhação
E NÃO ESFREGUE
O NARIZ NO MEU
DEDO QUANDO
FALAR COMIGO!
FIGURA 8 – SÁTIRA DA RELAÇÃO ENTRE HOMEM E O PORCO
FONTE: . Acesso em: 1º jul. 2017.
Essa história traz um comparativo muito real que algumas empresas fazem 
com o trabalhador, pois demitem muitos funcionários sem justificativa, somente 
para auferir mão de obra mais barata e livre de impostos, ao invés de registrá-
los, treiná-los e conscientizá-los. Fazendo uma analogia com a história, é assim 
que o empregador faz com o empregado, desenvolve exatamente o sentimento 
que o porco nutre pelo tratador, dessa forma, o salário representa a lavagem, 
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
14
que não é suficiente para desenvolver relações de amizade entre empregador e 
empregado, pois é apenas um mecanismo de segurar o trabalhador, e, por outro 
lado, o facão traz a conotação da demissão, pois a mão que traz o salário, um dia 
trará a demissão (BARSANO; BARBOSA, 2012). 
Com a entrada da Constituição Federal de 1988, chamada também de 
Carta Magna, considerada legislação soberana e que está acima de qualquer lei 
brasileira, ficando abaixo dela os decretos e normas da segurança do trabalho, 
mas que necessitam se ajustar e se remodelar à nova Constituição, foram criadas 
garantias trabalhistas e inovados os preceitos de segurança e medicina do 
trabalho, até então esquecidos pela legislação pátria, e, dessa forma, garantindo a 
saúde física, mental e laboral do trabalhador (BARSANO; BARBOSA, 2012).
Conforme os mesmos autores, há vários dispositivos legais que tentam buscar 
na prática a eficácia dessas tão almejadas garantias. Se pensarmos nos três poderes, 
sendo estes o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, podemos dizer que o primeiro 
é responsável pelas leis, o Executivo é responsável pelos decretos, regulamentos, 
regimentos internos, portarias, instruções e resoluções, que auxiliam na segurança, 
direitos e garantias dos trabalhadores, e o Poder Judiciário tem a função defender os 
direitos de cada cidadão, com justiça e resolutividade de conflitos da sociedade.
Martins (2013) aduz que foi com a Constituição Federal de 1988 que 
ocorreu a valorização do trabalho humano, onde o homem ascendeu para ter 
garantida a dignidade social e direito à integridade física e mental, atingindo um 
equilíbrio na sua vida pessoal e profissional.
Conforme Brasil (2004), a Constituição Federal foi promulgada em 5 de 
outubro de 1988 e foi resultado dos pedidos, anseios e necessidades da população, 
que aspirava por direitos e garantias de trabalho. Dessa forma, ela consolidou, 
ampliou e criou direitos trabalhistas. Falar em condições dignas de trabalho é 
falar de questões fundamentais para o alcance de uma vida equilibrada, segura e 
saudável, assim, podemos elencar alguns pontos importantes referentes à segurança 
e à saúde do trabalhador que o artigo 7º da Constituição Federal trouxe, a saber:
• duração do trabalho normal não superior a 8 horas diárias e 44 
semanais, facultada a compensação de horários (inciso XIII); 
• jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos 
de revezamento, salvo negociação coletiva (inciso XIV);
• repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos 
(inciso XV);
• gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a 
mais do que o salário normal (inciso XVII);
• redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de 
saúde, higiene e segurança (inciso XXII);
• seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem 
excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em 
dolo ou culpa (inciso XXVIII); 
• proibição de trabalho noturno, perigoso, ou insalubre a menores de 18 
anos e de qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição 
de aprendiz, a partir dos 14 anos (inciso XXXIII)(BRASIL, 2004, p. 19).
TÓPICO 1 | SEGURANÇA DO TRABALHO
15
Conforme Barsano e Barbosa (2012), a segurança do trabalho é composta 
por normas e leis, como exemplo podemos citar as NRs, portarias, decretos e 
também as convenções da Organização Internacional do Trabalho – OIT. A seguir, 
relacionamos alguns exemplos de convenções aplicadas à segurança do trabalho:
QUADRO 1 – EXEMPLOS DE CONVENÇÕES DA OIT
Convenção
Nº Título Adoção 
OIT
Ratificação 
Brasil Status
167 Sobre a segurança e saúde na construção 1988 19/05/2006 Em 
vigor
168 Promoção do emprego e proteção contra o 
desemprego 1988 24/03/1993 Em 
vigor
169 Sobre povos indígenas e tribais 1989 25/07/2002 Em 
vigor
170 Segurança no trabalho com produtos 
químicos 1990 23/12/1996 Em 
vigor
171 Trabalho noturno 1990 18/12/2002 Em 
vigor
174 Sobre a prevenção de acidentes industriais 
maiores 1993 02/08/2001 Em 
vigor
176 Sobre segurança e saúde nas minas 1995 18/05/2006 Em 
vigor
178 Relativa à inspeção das condições de vida e 
de trabalho dos trabalhadores marítimos 1996 21/12/2007 Em 
vigor
182
Sobre proibição das piores formas de 
trabalho infantil e ação imediata para sua 
eliminação 
1999 02/02/2000 Em 
vigor
FONTE: Acesso em: 1º jul. 2017.
As convenções exercem papel relevante na segurança do trabalho, pois 
são utilizadas como referências normativas para criar, modificar e até excluir 
as Normas Regulamentadoras. Depois de ratificadas pela autoridade nacional 
competente, elas ganham força de lei em todo o território nacional (BARSANO; 
BARBOSA, 2012).
5.2 ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO 
A Organização Internacional do Trabalho – OIT foi criada em 1919, como 
parte do Tratado de Versalhes, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial, ela é 
responsável pela formulação e aplicação das normas internacionais do trabalho, 
que são as convenções e recomendações. O Brasil está no rol dos membros 
fundadores da OIT e participa da Conferência Internacional do Trabalho desde 
sua primeira reunião (CASSAR, 2010).
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
16
O Brasil ratificou um total de 82 das 189 convenções da OIT (MARTINS, 
2013, p. 68). 
UNI
Para Sussekind (2010, p. 64), o principal objetivo da OIT era a 
universalização dos princípios da justiça social, como descreve, “[...] com a 
finalidade de promover a universalização dos princípios da justiça social, 
especialmente daqueles consagrados por esse tratado como fundamentais ao 
Direito do Trabalho e à Previdência Social”.
 
Para o mesmo autor, a justiça social desempenha uma função importante, 
a fim de fornecer uma harmonia e apaziguamento aos trabalhadores que sofriam 
exploração por parte das empresas, no desempenho de suas funções.
 
Conforme Martins (2013), o papel desempenhado por esta organização foi 
propulsor na definição das legislações trabalhistas, na implantação de políticas 
econômicas, sociais e trabalhistas, atuando como um instrumento de fiscalização 
mundial do trabalho, principalmente através da Recomendação nº 5, que incentivava 
a implantação de uma fiscalização eficiente de trabalho dentro das fábricas.
As convenções, uma vez ratificadas por decisão soberana de um país, 
passam a fazer parte de seu ordenamento jurídico, vejamos a seguir a quantidade 
de convenções que foram adotadas: 
Desde a sua criação, os membros tripartites da OIT adotaram 189 
Convenções Internacionais de Trabalho e 200 Recomendações sobre 
diversos temas (emprego, proteção social, recursos humanos, saúde e 
segurança no trabalho, trabalho marítimo etc.). Em 1998, a Conferência 
Internacional do Trabalho aprovou a Declaração dos Princípios e 
Direitos Fundamentais no Trabalho. A Declaração estabelece quatro 
princípios fundamentais a que todos os membros da OIT estão 
sujeitos: liberdade sindical e reconhecimento efetivo do direito de 
negociação coletiva; eliminação de todas as formas de trabalho 
forçado; abolição efetiva do trabalho infantil; eliminação de todas as 
formas de discriminação no emprego ou na ocupação (BRASIL, 2017).
A OIT nasce com o intuito de auxiliar a sociedade, objetivando focar seus 
interesses na justiça social, alicerçados na paz universal, além de reconhecer que 
o trabalho não é uma mercadoria, e sim deve ser visto de uma forma digna. 
TÓPICO 1 | SEGURANÇA DO TRABALHO
17
Vejamos no Brasil como a OIT está atuando: 
Ela tem mantido representação desde a década de 1950, com 
programas e atividades que refletem os objetivos da Organização ao 
longo de sua história. Além da promoção permanente das Normas 
Internacionais do Trabalho, do emprego, da melhoria das condições 
de trabalho e da ampliação da proteção social, a atuação da OIT no 
Brasil tem se caracterizado, no período recente, pelo apoio ao esforço 
nacional de promoção do trabalho decente em áreas tão importantes 
como o combate ao trabalho forçado, ao trabalho infantil e ao tráfico 
de pessoas para fins de exploração sexual e comercial, à promoção 
da igualdade de oportunidades e tratamento de gênero e raça no 
trabalho e à promoção de trabalho decente para os jovens, entre outras 
(BRASIL, 2017, p. 20 ).
 
Estar entre os países-membros é questão de orgulho, é questão de ordem, 
disciplina, pois invoca um ambiente de trabalho agradável e produtivo para 
os trabalhadores, proporcionando equilíbrio nas condições de saúde, pois são 
normas internacionais, estabelecidas em prol do indivíduo, em que os países 
membros participam favoravelmente às mudanças das condições trabalhistas em 
todo o mundo.
FIGURA 9 – 102ª CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DO TRABALHO EM 2013, EM GENEBRA
FONTE: . Acesso em: 1º jul. 2017.
A OIT desenvolve alguns programas e dentre eles está o trabalho decente, 
que objetiva promover oportunidade para que homens e mulheres tenham 
um trabalho produtivo e de qualidade, em condições de liberdade, equidade, 
segurança e dignidade humana, sendo considerado condição fundamental para 
a superação da pobreza, a redução das desigualdades sociais, a garantia da 
governabilidade democrática e o desenvolvimento sustentável. Seu eixo central 
está alicerçado em quatro objetivos estratégicos, conforme Barsano e Barbosa 
(2012, p. 43 ):
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
18
5.3 RESUMO DA EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA 
BRASILEIRA
Vamos verificar, na visão de Neto e Buono (2011), a evolução da legislação 
brasileira em relação às normas de segurança e saúde do trabalho, a partir do 
século XIX, sendo que o marco para regulamentação da Segurança e Medicina 
do Trabalho no Brasil foi em 1943, através da CLT, e em 1978 foram aprovadas as 
Normas Regulamentadoras. 
Essa evolução ocorreu por meio de órgãos auxiliares e fiscalizadores que 
ajudaram não somente no desenvolvimento dos direitos sociais, mas num nível 
mais elevado, ou seja, na promoção dos direitos sociais no âmbito internacional, 
que são a OMS (Organização Mundial da Saúde) e OIT (Organização Internacional 
do Trabalho), vejamos abaixo:
A partir do ano de 1960, o Brasil mudou substancialmente em 
termos de Legislação da Segurança e Saúde do Trabalho (SST), sendo 
dividido em cinco fases: Primeira fase: De 1966 a 1970, nessa época os 
empresários não consideravam prioritários assuntos que reportassem 
à segurança do trabalho. Naquela época surgiram os primeiros dados 
estatísticos internacionais sobre o número de acidentes e mortes no 
trabalho: o Brasil aparecia como “campeão” mundial de acidentes 
do trabalho. A OIT, na ocasião, pressionou o Brasil no sentido de que 
• Respeito às normas internacionais do trabalho, em especial aos 
princípios e direitos fundamentais do trabalho.
• Promoção do emprego de qualidade.
• Extensão da proteção social.
• Fortalecimento do diálogo social.
Conforme Barsano e Barbosa (2012, p. 43 ), o trabalho decente é o ponto de 
convergência dos quatro objetivos estratégicos da OIT:
• Liberdade sindical e reconhecimento efetivo do direitode negociação 
coletiva.
• Eliminação de todas as formas de trabalho forçado.
• Abolição efetiva do trabalho infantil.
• Eliminação de todas as formas de discriminação em matéria de 
emprego e ocupação, a promoção do emprego produtivo e de 
qualidade, a extensão da proteção social e o fortalecimento do 
diálogo social.
A OIT é composta atualmente por 189 estados-membros, está localizada 
em Genebra, na Suíça, porém se faz presente em todos os continentes e em vários 
países por meio de escritórios, a exemplo temos os da Etiópia, do Líbano, Estados 
Unidos, Peru, Tailândia e Suíça (MARTINS, 2013).
Dessa forma, podemos entender que a OIT surgiu em virtude da 
necessidade da proteção da saúde do trabalhador, promovendo dignidade 
humana no trabalho e justiça social.
TÓPICO 1 | SEGURANÇA DO TRABALHO
19
fossem providenciadas medidas emergentes de controle da saúde dos 
trabalhadores. Como a Previdência Social se encontrava segmentada 
em vários institutos, o governo unificou todos esses e criou o Instituto 
Nacional de Previdência Social (INPS), estatizando o Seguro de 
Acidente do Trabalho (SAT) e modificando a estrutura da Comissão 
Interna da Prevenção de Acidentes (CIPA). Segunda fase: De 1971 
a 1977 houve considerável mudança nos assuntos concernentes à 
preocupação com a saúde do trabalhador no Brasil; a legislação foi 
implementada no sentido de corrigir condições inseguras. Começou 
a segurança e higiene do trabalho no Brasil. Terceira fase: De 1979 a 
1986, implementou-se a Portaria nº 3.214, de junho de 1978, com ênfase 
para as Atividades Insalubres, por meio da Norma Regulamentadora 
(NR) nº 15. Quarta fase: De 1987 a 1990, aprofundaram-se as ideias 
sobre a responsabilidade civil e criminal, assim como as reivindicações 
coletivas por melhores condições de trabalho e questionamentos dos 
papéis das CIPAs e das NR pelos trabalhadores. Um marco importante 
foi a nova Constituição. O INPS muda para Instituto Nacional do 
Seguro Social (INSS). Quinta fase: A partir dos anos 1990, as alterações 
das normas referentes às práticas de Segurança e Saúde no Trabalho 
(SST) são sensíveis, principalmente com o PPRA – Programa de 
Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA (NR 9) e o Programa de 
Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO (NR 7). O PPRA 
visa a preservar a saúde e a integridade física dos trabalhadores 
por meio da antecipação, do reconhecimento, da avaliação e do 
consequente controle da ocorrência de riscos reais ou potenciais do 
ambiente de trabalho. O PCMSO, que deve estar em sintonia com o 
PPRA, tem como objetivo promover e preservar a saúde do conjunto 
dos trabalhadores. Outra evolução ocorre com a modificação da 
Comissão Interna de Prevenção de Acidente (CIPA, NR 5), pela ação 
dos próprios trabalhadores, promover a melhoria das condições dos 
ambientes de trabalho, por exemplo, mediante a elaboração do Mapa 
de Risco. Não se deve esquecer do Programa de Condições e Meio 
Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção – PCMAT (NR 18), 
que melhorou sensivelmente as condições de trabalho nos canteiros de 
obras (NETO; BUONO, 2011, p. 128-130).
Por meio desse apanhado da legislação, conseguimos perceber que, desde 
a Revolução Industrial, o trabalho sofreu constantes transformações, e podemos 
arriscar em dizer, se compararmos essa trajetória até os dias atuais, que foi um 
saldo bem favorável para o trabalhador. Obtivemos muitos direitos conquistados 
e garantidos por meio da Constituição Federal de 1988, Consolidação das Leis do 
Trabalho, entre outras legislações infraconstitucionais, todas apontando para a 
evolução do trabalho humano, digno e com muitas vitórias.
20
Neste tópico, você aprendeu que:
• A segurança do trabalho é uma área da engenharia que estuda as causas da 
ocorrência dos acidentes e incidentes que surgem durante a jornada de trabalho 
do empregado.
• Getúlio Vargas criou a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), que é a base 
para todas as NR (Normas Regulamentadoras).
• A OIT desenvolve alguns programas e dentre eles está o trabalho decente, que 
objetiva promover oportunidade para que homens e mulheres tenham um 
trabalho produtivo e de qualidade.
• Segurança do trabalho tem o objetivo principal de prevenir acidentes, doenças 
ocupacionais, evitando danos à saúde do trabalhador.
• Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, foram criadas garantias 
trabalhistas e inovados os preceitos de segurança e medicina do trabalho.
• Por meio da Constituição Federal de 1988, ocorreu a valorização do trabalho 
humano.
• A OIT é responsável pela formulação e aplicação das normas internacionais do 
trabalho, que são as convenções e recomendações.
• A OIT é composta atualmente por 189 estados-membros, está localizada em 
Genebra, na Suíça, porém se faz presente em todos os continentes.
RESUMO DO TÓPICO 1
21
1 A segurança do trabalho é importante para a preservação da saúde 
do trabalhador, sendo definida por regulamentos, leis e composta por 
normas regulamentadoras, leis complementares, como portarias, decretos 
e convenções internacionais da Organização Internacional do Trabalho. 
Diante dessa afirmativa, conceitue segurança do trabalho.
2 Há muitos séculos, o trabalho foi considerado um castigo, uma forma de o 
homem pagar pelos seus pecados, o regime era em forma de escravidão e 
não havia nenhuma preocupação com a saúde dos trabalhadores. Diante 
dessa afirmativa, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Tripalium era um instrumento de tortura, utilizado nos escravos, quando 
não desempenhavam bem o seu trabalho.
b) ( ) Na antiguidade, o trabalho não era considerado um castigo divino.
c) ( ) A Revolução Industrial não contribuiu para o progresso das conquistas 
trabalhistas.
d) ( ) A jornada de trabalho, desde a antiguidade, sempre foi respeitada e de, 
no máximo, 40 horas por semana.
3 Com a promulgação da Constituição de 1988 foi assegurada aos brasileiros 
a garantia de direitos sociais essenciais ao exercício da cidadania e 
estabelecidos mecanismos para garantir o cumprimento desses direitos. 
Dessa forma, cite três direitos conquistados pela sociedade, a partir da 
promulgação da Carta Magna.
4 A Organização Internacional do Trabalho (OIT) surgiu em meio a um clamor 
dos trabalhadores, a fim de garantir a saúde e promover direitos trabalhistas 
em condições justas no seu labor, através da formulação e aplicação das 
normas internacionais do trabalho. Diante de tantos aspectos importantes 
realizados pela OIT, ela também desenvolve alguns programas e dentre eles 
está o trabalho decente, explique a importância desse programa.
AUTOATIVIDADE
22
23
TÓPICO 2
CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO 
TRABALHO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
O Laudo Técnico das Condições de Trabalho é um documento ligado às 
condições de segurança no ambiente de trabalho, ele é redigido em função do 
ambiente em que os trabalhadores executam suas atividades, a fim de documentar 
sobre os agentes nocivos que podem causar doenças ou complicações para a 
saúde dos trabalhadores.
Dessa forma, o laudo tem o objetivo de especificar as condições do 
ambiente de trabalho, evidenciando os agentes envolvidos: químicos, físicos e 
biológicos existentes na empresa e que causam ameaça à saúde do trabalhador.
Esses agentes nocivos existentes no ambiente devem ser monitorados, 
com o objetivo de permanecer dentro de um limite de tolerância exigido por lei, 
para não causarem perdas aos trabalhadores.
Muitas vezes, os agentes nocivos, como bactérias, fungos, radiação, 
luminosidade, frio ou calor em excesso, causam doenças e afastamentos do 
trabalho, gerando insalubridade para os trabalhadores que são expostos de 
maneira indevida.
O LTCAT é um documento a que as empresas necessitam estar atentas, 
assim como às informações e recomendações previstas pela legislação trabalhista, 
o qual deve permanecer na empresa e deve ser alterado quando forem 
introduzidas modificações no ambiente de trabalho, a fim de que a empresa não 
sofra penalidade frente aos órgãosde fiscalização e regulação.
O parágrafo 3º do Art. 58 da Lei nº 8.213/91, com o texto dado pela Lei nº 
9.528/97, diz que se a empresa não atualizar o laudo técnico referente aos agentes 
nocivos presentes no ambiente de trabalho ou emitir documento de comprovação 
de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo, estará sujeita à 
penalidade prevista no Art. 133 desta Lei (CURIA et al., 2011).
Podemos afirmar que o LTCAT é um documento considerado pericial, 
pois sinaliza as condições do ambiente em que o trabalhador executa suas 
atividades, avaliando as funções de cada pessoa e documentando quanto à 
exposição frente aos agentes nocivos à saúde. Além disso, classifica as funções 
dos trabalhadores quanto à insalubridade, à periculosidade e enquadramento 
para a aposentadoria especial.
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
24
2 HISTÓRICO E REGULAMENTAÇÃO
Acadêmico, você sabe como surgiu o LTCAT? Ele surgiu em 1991, com 
a Lei nº 8.213 da Previdência Social, pois o Instituto Nacional da Seguridade 
Social, conhecido por INSS, necessitou definir critérios de verificação referentes 
às condições do ambiente de trabalho das empresas, para conceder o benefício da 
aposentadoria especial.
Dessa forma, o INSS consegue verificar, por meio do LTCAT, as condições 
insalubres ou periculosas a que os trabalhadores estão sujeitos na sua atividade 
laboral, nas empresas, indústrias, fábricas, clínicas, hospitais, supermercados, 
entre outros.
Diante da constatação do INSS frente aos agentes nocivos a que os 
trabalhadores estão expostos, ele consegue emitir a aposentadoria especial, 
conforme a legislação prevista para casos específicos. 
Além de o INSS conceder benefícios como o de insalubridade e 
periculosidade, por meio das informações do LTCAT as empresas também ficarão 
cientes quanto à necessidade de implantar prevenção, com o intuito de eliminar 
ou neutralizar os agentes agressivos que prejudicam a saúde dos trabalhadores.
O LTCAT era exigido através do artigo 153 da Instrução Normativa nº 84 
do INSS, conforme transcrito abaixo:
Deverá ser exigida a apresentação do LTCAT para os períodos de 
atividade exercida sob condições especiais a partir de 29abr95, exceto 
no caso do agente nocivo ruído ou outro não arrolado nos decretos 
regulamentares, os quais exigem apresentação de laudo para todos os 
períodos declarados (VENDRAME, 2005, p. 51).
Apenas a comprovação quanto aos agentes nocivos não era a única 
exigência que o INSS solicitava para que fosse concedida a aposentadoria especial, 
pois necessitava de tempo de contribuição do segurado no trabalho, conforme 
disposição abaixo, baseada no artigo 57 da Instrução Normativa nº 84 do INSS:
A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência 
exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições 
especiais que prejudi quem a saúde ou a integridade física durante 15 
(quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme a lei.
§ 3º A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação 
pelo segurado, perante o Instituto Na cional do Seguro Social — INSS, 
do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, 
em condi ções especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade 
física, durante o período mínimo fixado.
§ 4º O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, exposição 
aos agentes nocivos químicos, físi cos, biológicos ou associação de 
agentes prejudiciais à saúde ou integridade física, pelo período exigido 
para a concessão do benefício (VENDRAME, 2005, p. 51).
TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
25
Entretanto, a exigência da apresentação do LTCAT foi dispensada a partir 
de 1º de julho de 2003, pois o INSS obrigou as empresas a se adequarem ao novo 
programa, o Perfil Profissiográfico Previdenciário, chamado de PPP. Com essa 
determinação, o LTCAT necessitou ser realizado apenas para permanecer na 
empresa e à disposição da previdência social.
Portanto, para concessão da aposentadoria especial, será analisado cada 
segurado exposto ao agente nocivo, de acordo com o LTCAT e o PPP da empresa, 
a fim de analisar se o direito à aposentadoria é devido, para alterar os códigos que 
permitem tal benefício.
3 CONCEITO E OBJETIVO DO LTCAT
Para Barsano e Barbosa (2012), o LTCAT pode ser definido como um 
parecer técnico, verificado, analisado e concluído, referente às condições 
ambientais a que o trabalhador foi exposto durante sua jornada de trabalho na 
empresa. O que se espera desse documento é que ele reflita a realidade ambiental 
a que o trabalhador está exposto.
O LTCAT é um documento que visa demonstrar a presença ou não de 
riscos ambientais, em níveis ou concentrações que causem malefícios à saúde ou 
à integridade física do trabalhador, informando tanto a nocividade do agente 
quanto o tempo de exposição. 
As condições do ambiente de trabalho declaradas no LTCAT devem 
estar comprovadas através das análises realizadas e demonstradas por meio dos 
seguintes documentos (SESI, 2017):
• Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA (NR-9).
• Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO (NR-7).
• Comunicação de Acidente do Trabalho – CAT.
Por intermédio do LTCAT é possível demonstrar se o ambiente da empresa 
está de acordo com a legislação vigente, controlando os agentes ou eliminando-
os, sejam eles físicos, químicos ou biológicos e, dessa forma, manter um local de 
trabalho seguro e sem incorrer em problemas de saúde para seus trabalhadores.
 
Assim, podemos nos certificar de que após as avaliações ambientais e 
análise de cada ambiente aferido, se faz o levantamento dos agentes nocivos, 
caracterizando funções insalubres ou perigosas, e, estando em desacordo 
com as normas regulamentadoras, é necessário estabelecer um planejamento, 
para corrigir os erros e estipular medidas preventivas, a fim de minimizar ou 
neutralizar os agentes prejudiciais ao organismo.
UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO
26
O Laudo Técnico de Condições Ambientais é um documento instituído pelo 
INSS e não pelo Ministério do Trabalho.
UNI
O LTCAT é um documento técnico, de caráter pericial, instituído pelo 
INSS, que explora as condições ambientais do trabalho e averigua as funções dos 
trabalhadores quanto à exposição de agentes nocivos à saúde, além de classificar 
as atividades para concessão de possíveis benefícios. Vejamos a seguir a legislação 
pertinente ao laudo: 
O LTCAT é fundamentado na Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 
1977, do MTE e regulamentada pela Portaria nº 3.214, de 08 de junho 
de 1978, do MTE e pelo Decreto nº 3048/99, de 12 de maio de 1999, e 
pela Instrução Normativa nº 99, de 10 de dezembro de 2003 do INSS. 
Artigos 189 a 192 da (CLT) e de acordo com o Artigo 57 da Lei 8.213/91 
e os Artigos 64 e 65 do Decreto Lei nº 3048/99 (MIGUEL, 2014, p. 239).
Este documento é importante para apontar se o trabalhador terá 
direito ao adicional de insalubridade ou periculosidade, baseado nas normas 
regulamentadoras números 15 e 16 do Ministério do Trabalho.
O laudo nada mais é do que uma análise do ambiente em que o funcionário 
está trabalhando, ou seja, é um levantamento realizado no local de trabalho em 
que a pessoa executa suas atividades laborais, a fim de verificar se há alguma 
irregularidade frente à legislação trabalhista.
Havendo algum quesito que não esteja de acordo com os termos da legislação 
trabalhista, é necessário estabelecer recomendações para que os agentes nocivos 
sejam eliminados ou enquadrados dentro dos limites estabelecidos pelas INs.
É importante enfatizar que o LTCAT não foi criado exclusivamente para 
informar sobre a existência ou não de insalubridade ou periculosidade no ambiente 
de trabalho, ele foi instituído com o objetivo de ser um instrumento mediador do 
INSS, para auxiliar a estabelecer aposentadoria especial ao segurado.
Podemos resumir o conceito do LTCAT, fazendo um apanhado do que 
estudamos até agora, como sendo um documento

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