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2018 Prof.ª Paula Dittrich Corrêa Laudo Técnico e condições do TrabaLho Copyright © UNIASSELVI 2018 Elaboração: Prof.ª Paula Dittrich Corrêa Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. B468l Corrêa, Paula Dittrich Laudo técnico e condições de trabalho. / Paula Dittrich Corrêa. – Indaial: UNIASSELVI, 2018. 183 p.; il. ISBN 978-85-515-0232-7 1.Laudos periciais. – Brasil. 2.Segurança do trabalho. – Brasil. I. Corrêa, Paula Dittrich. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. CDD 363 Impresso por: III ApresentAção Para que você, acadêmico, possa ampliar seus conhecimentos, vamos iniciar nossos estudos sobre Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho. O conteúdo deste livro, bem como as orientações, contribuirão positivamente no direcionamento do processo ensino/aprendizagem. A elaboração deste livro de estudos tem como objetivo direcioná-lo a ordenar os conteúdos e aspectos teóricos e o auxiliará no desenvolvimento global do seu estudo, agregando conhecimento e possibilitando, no final do curso, sua inserção no mercado de trabalho através do seu mérito e dedicação. Cabe destacar que o Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho, também chamado de LTCAT, tem o objetivo de informar as condições ambientais do trabalho em que o trabalhador está inserido, diante dos agentes químicos, físicos, biológicos e ergonômicos, os quais podem causar enfermidades e afastamentos do trabalho, se estiverem acima dos níveis de tolerância. Você também estudará que o Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho é um documento técnico de caráter pericial, que registra as condições ambientais do trabalho, avalia as funções do trabalhador diante da sua exposição a agentes nocivos à saúde e à segurança, de acordo com as Normas Regulamentadoras números 15 e 16, além de classificar as ativi dades com relação à salubridade, insalubridade, periculosidade e enquadramento da aposentadoria especial (INSS). Os assuntos desenvolvidos e relacionados a essa disciplina, apesar de serem carregados de conteúdo, não serão esgotados, porém caberá a você, acadêmico, contribuir através da sua dedicação e esforço, a fim de estudar o conteúdo aqui apresentado. Assim, convidamos você a conhecer brevemente cada unidade que será abordada neste livro de estudos. Na Unidade 1, você irá compreender sobre a evolução do trabalho, como surgiram os cuidados com a segurança do trabalhador e consequentemente como a legislação contribuiu para a aplicação das normas que garantiram, no decorrer das décadas, os direitos e obrigações do trabalhador. Também conhecerá sobre as condições ambientais do trabalho e aspectos gerais sobre o LTCAT. Na Unidade 2, você aprenderá sobre legislação trabalhista e os aspectos que envolvem o acidente de trabalho, tanto para o empregado, quanto para o empregador. Além disso, entenderá sobre os limites de tolerância trazidos pela legislação trabalhista e os aspectos pertinentes à exposição do trabalhador, aos agentes nocivos. IV Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! Na Unidade 3, você compreenderá sobre o surgimento de programas relacionados à saúde do trabalhador, para proteção da saúde de quem trabalha, bem como garantias e deveres. Também conhecerá sobre os equipamentos de proteção, mapa de risco e como os laudos se materializam, ou seja, ofereceremos alguns exemplos para que você tenha noção de como são estruturados. Nesse contexto, delinearemos os assuntos importantes a serem conhecidos e dessa forma, convidamos você a iniciar as atividades, sendo multiplicador da boa ideia de trabalharmos juntos e focados nos aspectos que permeiam o Laudo Técnico e Condições Ambientais do Trabalho. Prof.ª Paula Dittrich Corrêa NOTA V Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você e dinamizar ainda mais os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza materiais que possuem o código QR Code, que é um código que permite que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar mais essa facilidade para aprimorar seus estudos! UNI VI VII UNIDADE 1 - LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO ...... 1 TÓPICO 1 - SEGURANÇA DO TRABALHO .................................................................................. 3 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 3 2 EVOLUÇÃO DO TRABALHO HUMANO ................................................................................... 4 3 HISTÓRICO DA SEGURANÇA DO TRABALHO ..................................................................... 7 4 CONCEITO DE SEGURANÇA DO TRABALHO ........................................................................ 9 5 LEGISLAÇÃO APLICADA À SEGURANÇA DO TRABALHO ............................................. 12 5.1 REFERENCIAL NORMATIVO ................................................................................................. 12 5.2 ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO ..................................................... 15 5.3 RESUMO DA EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA BRASILEIRA ................ 18 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 21 TÓPICO 2 - CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO ...................................................... 23 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 23 2 HISTÓRICO E REGULAMENTAÇÃO ........................................................................................ 24 3 CONCEITO E OBJETIVO DO LTCAT ......................................................................................... 25 4 RECONHECIMENTO DOS RISCOS AMBIENTAIS ................................................................ 27 4.1 CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS ..................................................................... 29 4.1.1 Risco físico ........................................................................................................................... 29 4.1.1.1Ruído ..................................................................................................................................que transcreve os agentes agressivos encontrados nos ambientes de trabalho, sejam físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e que possam causar perdas para os trabalhadores, como doenças, incapacitações, acidentes ou qualquer dano à integridade física. Além disso, saber se esses agentes ensejarão o direito ao adicional de insalubridade, periculosidade e, por conseguinte, aposentadoria especial. TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 27 4 RECONHECIMENTO DOS RISCOS AMBIENTAIS Conforme Barsano e Barbosa (2012), o trabalho é considerado uma satisfação pessoal, fazendo parte do rol de tópicos que auxiliam na melhoria da qualidade de vida das pessoas. Por meio dele, o indivíduo expressa sua criatividade e exercita seu conhecimento, criando uma importância de vida nas atividades que realiza. Afirmam ainda que algumas variáveis presentes no dia a dia de trabalho, como o ambiente, as ferramentas, as máquinas e as posturas assumidas, colocam a saúde do trabalhador à mercê de possíveis danos. Podemos estimar que há chances para que esses elementos contribuam para algum dano à saúde do trabalhador, e a essas oportunidades chamamos de riscos ambientais. As pessoas que trabalham certamente estão expostas a riscos específicos para sua saúde, pois todo ambiente contém agentes prejudiciais ao organismo, quando está em desacordo com a legislação vigente. O ambiente de trabalho é um conjunto de fatores interdependentes, que está relacionado com a qualidade de vida das pessoas, pois um ambiente hostil, ruim e com desarmonias influenciará diretamente na produção e desempenho do trabalhador. Conforme Vieira (2008), fatores ou riscos ambientais são considerados um termo bem amplo, denominado e voltado aos possíveis agentes que provocam doenças ocupacionais, os quais podemos encontrar em uma determinada atividade ou local de trabalho. A higiene ocupacional é responsável pelo reconhecimento, avaliação e controle dos riscos de saúde no ambiente de trabalho, com a intenção de proteger a saúde dos trabalhadores, considerando o ambiente de trabalho como forma de contágio da doença. Ainda há locais de trabalho em que os agentes nocivos têm agido de forma descontrolada, afetando a saúde humana de maneira adversa e em intensidade variável. Em muitas ocasiões, a produção e o lucro têm exercido prioridade em algumas empresas, deixando a saúde humana e a qualidade de vida em um segundo plano, com efeitos desastrosos. É importante esclarecer que apenas a presença dos agentes nocivos no ambiente de trabalho não causa prejuízos à saúde do trabalhador, pois há necessidade de vários fatores combinados, como exemplo podemos citar a concentração, o tempo de exposição e o nível de toxicidade. Brevigliero (2011) aduz que os agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador, constituindo os riscos ambientais. UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 28 Conforme Barbosa e Barsano (2012), quanto mais tempo o trabalhador permanecer exposto ao agente nocivo, maiores serão as possibilidades de se obter uma doença ocupacional, sendo que o tempo real de exposição será determinado em função da tarefa executada pelo trabalhador. Da mesma forma, quanto maior a concentração ou intensidade dos agentes nocivos no ambiente de trabalho, maior será a possibilidade de efeitos maléficos à saúde dos trabalhadores e doenças associadas (BARBOSA; BARSANO, 2012). Desde o momento em que as doenças ocupacionais resultam da exposição a agentes no ambiente de trabalho, sua prevenção deverá ocorrer, através do desenvolvimento de programas de saúde ocupacional, bem como em nível educacional. Enquanto o ambiente de trabalho “insalubre” permanece o mesmo, seu potencial para causar doenças continua, mas para isso é necessário fazer um diagnóstico e, consequentemente, a restauração do ambiente, através do reconhecimento, avaliação e controle dos riscos de saúde existentes, assegurando a possível ruptura do círculo vicioso no ambiente de trabalho. A principal função da higiene ocupacional é assegurar um ambiente de trabalho saudável, através de uma supervisão contínua, porém, frente a algum sinistro relacionado a condições inadequadas de trabalho, deve-se realizar intervenção imediata de controle. Conforme Curia et al. (2011), a NR 9, em seu artigo 9.1.5, informa que são considerados riscos ambientais aqueles causados por agentes físicos, químicos e biológicos capazes de danificar a saúde do trabalhador em função de sua natureza, concentração e tempo de exposição. Além dos três agentes citados pela NR 9, é importante a constatação de mais dois agentes, ergonômicos e de acidentes, que completam a divisão tradicional das cinco classes de riscos, conforme Barbosa (2010), detalhadas a seguir. TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 29 FIGURA 10 – CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS FONTE: . Acesso em: 4 jul. 2017. Os agentes ergonômicos e de acidentes são importantes no âmago da questão, pois oportunizam uma maior abrangência para análise e, por consequência, a extensão de cuidados e controle, em busca da proteção da saúde do trabalhador. Dessa forma, podemos deduzir que em qualquer tipo de atividade exercida pelo trabalhador, é importante e necessário investigar o ambiente laboral, a fim de conhecer os riscos a que está exposto. 4.1 CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS O homem interage com o ambiente constantemente, essa interação deveria ser positiva, ou seja, benéfica para ambos, porém, algumas vezes o ambiente pode causar prejuízos à saúde do homem. Vários autores classificam os riscos ambientais em cinco categorias, estudaremos essa divisão com suas particularidades inerentes à saúde ocupacional. 4.1.1 Risco físico Para Ponzetto (2010), os agentes físicos são condições nocivas que encontramos no ambiente de trabalho, ou mesmo condições externas a esse ambiente. A característica do risco físico é que o agente não penetra no organismo, mas pode afetar o trabalhador, devido à nocividade do ambiente de trabalho. Riscos biológicos Riscos químicos Riscos ergônomicos Riscos de acidentes Riscos físicos UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 30 QUADRO 2 – FREQUÊNCIA SONORA SERES VIVOS INTERVALOS DE FREQUÊNCIAS Cachorro 15 Hz – 45.000 Hz Ser humano 20 Hz – 20.000 Hz Conforme Curia et al. (2011, p. 112), o artigo 9.1.5.1 da NR 9 descreve agentes físicos como sendo as “formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o infrassom e o ultrassom”. Estudaremos cada agente físico que, exposto em concentrações acima dos valores permitidos pela legislação trabalhista, pode causar alguma perda para a saúde do trabalhador. 4.1.1.1Ruído Conforme Ponzetto (2010), é considerado ruído qualquer tipo de som interno ou externo a um ambiente e que não seja harmonioso, ou seja, que seja desagradável para as pessoas ou funcionários que ficam expostos. Dessa forma, o ruído em excesso, ou seja, acima dos níveis tolerados pela legislação, poderá causar deficiência auditiva, perda auditiva, cefaleia e, até mesmo, comprometimento do sistema nervoso central. Ponzetto (2010) afirma que os efeitos do ruído podem manifestar-se no comportamento social dos indivíduos, dispersá-los, tirar sua atenção, provocar irritabilidade, cansaço e comportamentos anormais. Barbosa (2010) alega que o ruído afeta o homem simultaneamente nos planos físico, psicológico e social, causando transtornos em outros sistemas, como: alterações gastrointestinais, dilatação da pupila, problemas cardiocirculatórios, alteração do sono, possibilidades de acidentes por alterar o sistema motor. Oliveira (2009) complementa essas informaçõesdizendo que o ruído elevado influencia negativamente na produção do trabalhador, além de ser motivo da causa de acidentes, devido à distração ou por mascarar avisos ou sinais de alarme. Ele ainda relata que a exposição intensa e prolongada ao ruído afeta o estado emocional do indivíduo, provocando consequências no equilíbrio psicossomático. Em termos de curiosidade, visualize o quadro com intervalos de frequências audíveis, por diferentes seres vivos. Perceba que cada ser corresponde a um intervalo diferente, na realidade, esses intervalos correspondem à percepção do som. TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 31 FONTE: . Acesso em: 4 jul. 2017. Para considerar que a exposição ao ruído seja prejudicial à saúde do indivíduo é necessário permanecer por um determinado tempo, frente a uma determinada frequência, que, conforme a literatura, é enquadrada acima de 85 dB(A). A frequência é a característica através da qual o ouvido distingue se um som é agudo ou grave. Esta característica está relacionada com as vibrações de uma onda sonora, que ocorre num período de um segundo, expressa em Hertz – Hz (VIEIRA, 2008). UNI O quadro a seguir foi extraído da NR-15 e apresenta os limites de tolerância para ruído, a leitura indica a permanência máxima que poderá ser efetuada por um indivíduo sem proteção, de modo que não ocorra dano à saúde do trabalhador (BARBOSA, 2010). QUADRO 3 – LIMITES DE TOLERÂNCIA AO RUÍDO Nível de ruído dB (A) Máxima exposição diária permissível 85 8 horas 86 7 horas 87 6 horas 88 5 horas 89 4 horas e 30 minutos 90 4 horas 91 3 horas e 30 minutos 92 3 horas 93 2 horas e 30 minutos 94 2 horas 95 1 hora e 45 minutos 98 1 hora e 15 minutos 100 1 hora 102 45 minutos 104 35 minutos Sapo 50 Hz – 10.000 Hz Gato 60 Hz – 65.000 Hz Morcego 1000 Hz – 120.000 Hz UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 32 FIGURA 11 – VIBRAÇÃO CAUSADA POR BRITADEIRA FONTE: . Acesso em: 6 jul. 2017. A vibração pode causar consequências danosas à saúde e, dependendo do tempo de exposição, pode ocasionar doenças ocupacionais. Assim, operações que exponham os trabalhadores a vibrações, sem as devidas recomendações legais, enquadram a atividade como insalubre. Para Oliveira (2009), as vibrações recebem duas classificações: a) Localizadas: quando o trabalhador utiliza ferramentas manuais elétricas ou pneumáticas, esse tipo de trabalho, com longo tempo de exposição, pode ocasionar osteoporose, problemas nas articulações, comprometimento nas mãos. b) Vibrações de corpo inteiro: quando o trabalhador desenvolve seu trabalho em veículos, plataformas, navios, helicópteros, entre outros, com risco de ocasionar problemas na coluna vertebral, dores lombares e até lesões nos rins. 105 30 minutos 106 25 minutos 108 20 minutos 110 15 minutos 112 10 minutos 114 8 minutos 115 7 minutos FONTE: . Acesso em: 4 jul. 2017. 4.1.1.2 Vibrações O conceito não é difícil de deduzir, pois o próprio nome sugere vibração, assim, vibração significa vibrar, ou seja, é quando o trabalhador desenvolve alguma atividade em que o corpo vibra, por exemplo, quando o trabalhador utiliza uma britadeira. TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 33 Tanto a vibração localizada quanto a vibração de corpo inteiro podem causar problemas cardíacos, distúrbios visuais, perda de equilíbrio e efeitos psicológicos, como falta de concentração para o trabalho. É importante lembrar que ambos os tipos, nas condições normalmente encontradas, não despertam preocupação para a saúde do trabalhador, entretanto, se as exposições forem contínuas e intensas, podem, em determinadas circunstâncias, causar diversos males, como os que acabamos de estudar. Para Oliveira (2009), as vibrações são provocadas pela utilização de máquinas e equipamentos, os quais podem ser nocivos ao trabalhador. As vibrações localizadas são causadas por ferramentas manuais, elétricas e pneumáticas, já as vibrações de corpo inteiro são causadas por grandes máquinas, como caminhões, tratores, entre outros. Ponzetto (2010) relata que para corrigir ou evitar consequências para a saúde do trabalhador com a vibração dos equipamentos, é interessante adotar medidas corretivas que visam reduzir os níveis de exposição a vibrações, como: - Alteração do processo ou da operação de trabalho; - Manutenção dos equipamentos; - Diminuição do tempo de exposição diária; - Rotatividade nas atividades ou operações que causam elevados níveis de vibração. 4.1.1.3 Pressões anormais Para Ponzetto (2010), as pressões anormais são resultado da pressão atmosférica, a qual exerce força sobre todos os campos na superfície terrestre, com variações em função da altitude e temperatura. Dessa forma, Oliveira (2009) explica que há várias atividades exercidas pelos trabalhadores que os fazem ficar sujeitos a pressões ambientais acima ou abaixo das pressões normais. FIGURA 12 – TRABALHADORES DE TUBULÕES PRESSURIZADOS QUE ATUAM EM CONDIÇÕES HIPERBÁRICAS FONTE: . Acesso em: 6 jul. 2017. UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 34 FIGURA 13 – ESQUEMA DE ESCAVAÇÃO COM CAMPÂNULA DE AR COMPRIMIDO. FONTE: . Acesso em: 7 jul. 2017. São vários os problemas que atingem os trabalhadores expostos a pressões elevadas, Ponzetto (2010) relata que dentre eles está a intoxicação pelo gás carbônico e diversos males conhecidos como doenças descompressivas, das quais a pior é a embolia causada pelo nitrogênio. A doença descompressiva é um problema que ocorre com o mergulhador, pela descompressão inadequada, quanto à duração e profundidade do mergulho. UNI Podemos citar exemplos de trabalhos exercidos em pressões anormais, como os trabalhos submersos ou realizados abaixo do nível do lençol freático, caixões pneumáticos, campânulas, tubulões a ar comprimido, atividades submarinas e de mergulho (OLIVEIRA, 2009). campânula cachimbo de saída do material NT NA guincho TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 35 Para Ponzetto (2010), locais com pressões baixas são indicativos de baixa quantidade de oxigênio, atingindo diretamente o metabolismo das células do organismo, provocando falta de oxigênio. Normalmente, o primeiro sintoma ocasionado pela falta de oxigênio é a perda da visão noturna, iniciando esse sintoma a partir de uma altura de 1.800 metros, posteriormente ocorre perda momentânea da memória, coordenação, euforia e morte. Em função desses problemas que podem ser letais, há necessidade de realizar os cuidados fundamentais de despressurização, a fim de manter condições de oxigênio para a pessoa que desempenha tal função. Segundo Oliveira (2009), pressões atmosféricas abaixo do normal também podem produzir algumas alterações no organismo da pessoa, mas essas exposições ocupacionais não são frequentes no Brasil, pois não existem altitudes tão elevadas no país, a não ser aquelas que os pilotos de aviões com cabine despressurizada atingem. 4.1.1.4 Temperaturas extremas As temperaturas extremas englobam o frio e o calor, normalmente identificados em fundições, metalúrgicas, frigoríficos e no setor alimentício em geral. Seu efeito sobre a saúde do trabalhador é refletido em danos ao sistema cardiorrespiratório e endócrino (BREVIGLIERO, 2011). Essas temperaturas são condições térmicas altas ou baixas, em que os trabalhadores desenvolvem suas atividades. No Brasil, como o clima é tropical, predomina o trabalho exercido no calor intenso, que é mais frequente do que o exercido no frio intenso. As temperaturas extremas atingem muitos trabalhadores, tanto em ambientesexternos quanto em ambientes internos, e esse desconforto térmico enseja vários problemas de saúde, ocasionando alterações fisiológicas. O ser humano é chamado de homeotérmico, pois mantém a temperatura corporal estável em aproximadamente 36,5 ºC, apesar da variação térmica do ambiente, portanto, um local é considerado frio quando está abaixo da temperatura corporal humana. De acordo com Barsano e Barbosa (2012), quando o indivíduo está exposto a uma temperatura alta, acontece uma sensação de mal-estar generalizado, acionando o funcionamento dos sistemas térmicos do organismo a fim de manter uma temperatura constante do corpo, iniciando o processo da sudorese, sendo que o suor evapora para resfriar a superfície corporal. Conforme Barsano e Barbosa (2012), o limite de tolerância para exposições ao calor é determinado. Com base na NR 15, anexo 3, a exposição ao calor deve ser avaliada por meio do “Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo”, conhecido UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 36 por IBUTG. Para medir a temperatura, deve-se considerar a presença ou não de carga solar no momento da medição, utilizando para ambientes internos ou externos, definido pelas seguintes equações: Ambientes internos ou externos sem carga solar IBUTG = 0,7tbn + 0,3tg Ambientes externos com carga solar IBUTG = 0,7tbn + 0,1tbs + 0,2tg Sendo: tbn = temperatura de bulbo úmido natural tg = temperatura de globo tbs = temperatura de bulbo seco O instrumento adequado para fazer essa medição é o termômetro, que pode ser o de bulbo úmido natural, termômetro de globo ou termômetro de mercúrio comum. O local adequado para colocar o instrumento é no trabalhador, na altura do corpo em que é mais atingida (BREVIGLIERO, 2011). Para Oliveira (2009), o calor intenso é prejudicial ao homem, ocasionando vários problemas, tanto de saúde quanto no rendimento laboral; entre as principais, encontram-se a insolação, o cansaço, a desidratação e as câimbras. Já o frio extremamente baixo pode causar outros transtornos à saúde do indivíduo, como queda da temperatura, feridas na epiderme, falta de circulação, doenças do aparelho respiratório, desmaio, convulsão, doenças reumáticas e até amputações. Podemos citar como exemplo de local de trabalho a câmara fria, que pode englobar açougue, caminhões, indústrias alimentícias. FIGURA 14 – RISCO FÍSICO (TEMPERATURA BAIXA) NA INDÚSTRIA FRIGORÍFICA FONTE: . Acesso em: 10 jul. 2017. Uma forma de evitar males para a saúde do trabalhador que permanece exposto ao frio intenso na sua atividade laboral é a adoção de equipamento de proteção individual, como roupas térmicas, luvas, gorros, botas isolantes, óculos de proteção, além de revezamento da função e pausas compatíveis com o desempenho da atividade. TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 37 FIGURA 15 – MODELO DE BOTA ISOLANTE FONTE: . Acesso em: 10 jul. 2017. Além dos equipamentos de proteção individual, também existem os equipamentos de proteção coletiva para os trabalhadores sujeitos à exposição ao frio, a fim de impedir acidentes, doenças e lesões ocupacionais. A empresa também pode fornecer orientações, colocar anúncios, cartazes e primar por alguns cuidados específicos, como: • A empresa deve disponibilizar locais aquecidos durante os intervalos de trabalho. • As portas das câmaras frias necessitam ter dispositivos que permitam abri-las por dentro. • Quando o trabalhador estiver com a roupa molhada, a empresa deve possibilitar a troca da vestimenta. 4.1.1.5 Radiações Na era da tecnologia, não conseguimos fugir das radiações que nos cercam diariamente, seja através do rádio, televisão, radares, sistemas de comunicação sem fio, como celular, walk talk, internet ou até do forno micro-ondas. Porém, alguns tipos de radiação interagem com os seres vivos de forma que não causam prejuízos para a saúde, como exemplo podemos citar as ondas de rádio. Para Ponzetto (2010), radiação é definida como ondas de energia que são transmitidas pelo ar, como as ondas eletromagnéticas, sendo que a exposição do indivíduo frente às radiações sem os devidos equipamentos de proteção será altamente lesiva para a saúde. As radiações são classificadas, na visão de vários autores, em dois tipos: a) Ionizantes: esse tipo de radiação acabou fazendo parte da vida do homem, utilizada tanto na área da medicina como na área de equipamentos bélicos. Na área da saúde, está presente em aparelhos de Raio X e de radioterapia, porém são utilizados para gerar benefícios às pessoas, na prevenção e diagnóstico de patologias (BARSANO; BARBOSA, 2012). UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 38 Entretanto, os operadores desses equipamentos necessitam utilizar equipamentos de proteção individual e coletiva, para evitar a exposição em excesso, a fim de evitar danos ao organismo. Veja a representação das radiações alfa, beta e gama, conforme a Figura 16. Nesse esquema podemos entender que as partículas alfa são as radiações mais ionizantes, mas sua penetração na matéria é pequena, não conseguem nem passar uma folha de papel, mas no organismo podem causar queimaduras. Já as partículas beta atravessam facilmente o papel e o corpo humano, mas não o aço, plástico e alumínio, por exemplo. As partículas gama são altamente penetrantes, atravessam o papel, o corpo humano e o aço e causam danos irreparáveis ao organismo. FIGURA 16 – TIPOS DE RADIAÇÃO IONIZANTES FONTE: . Acesso em: 12 jul. 2017. Para Barsano e Barbosa (2012), os efeitos da radiação ionizante podem ser relatados de acordo com o sistema atingido no organismo, por exemplo: - Pele e anexos: pode causar vermelhidão, coceira, descamação, atrofia e necrose. - Aparelho genital: esterilização temporária ou definitiva. - Sangue: pode causar leucemia. - Genes: mutações cromossômicas. De acordo com Oliveira (2009), o Anexo nº 5 da NR-15, que trata dos Limites de Tolerância para Radiações Ionizantes, determina que o controle dos funcionários expostos a esse tipo de radiação deverá ser feito de acordo com as Normas CNEN-NE3.01 das Diretrizes Básicas de Radioproteção. TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 39 FIGURA 17 – TIPOS DE RADIAÇÕES IONIZANTES E NÃO IONIZANTES FONTE: . Acesso em: 12 jul. 2017. b) Não ionizantes: de acordo com Oliveira (2009), as radiações não ionizantes são de natureza eletromagnética e seus efeitos dependem de fatores com duração e intensidade da exposição, comprimento de onda da radiação, região do espectro em que se situam, entre outras condições. As radiações não ionizantes são classificadas em quatro espécies: - Radiação infravermelha: é uma radiação que age numa frequência além da capacidade humana de visão, ou seja, é invisível aos nossos olhos, também chamada de calor radiante. Ponzatto (2010) informa que esse tipo de radiação é bastante utilizado em indústrias, na fabricação de vidros, por exemplo. Galafassi (1998) relata que essas radiações são provenientes de operações em fornos, soldas, fornos de micro-ondas, radares, ondas de rádio, raios laser etc., e os efeitos variam de acordo com o tempo de exposição, intensidade da radiação, área, frequência e comprimento da onda. Galafassi (1998) informa que os danos ao organismo podem ser em grande proporção, como perturbações visuais, queimadura na pele, catarata (que é uma doença irreversível), além do efeito carcinogênico. c) Radiação ultravioleta: muito prejudicial aos seres vivos. A natureza é tão perfeita que a atmosfera filtra a maior parte da radiação que o Sol emite, entretanto, em virtude da poluição ambiental, a camada de ozônio ficou degradada, permitindo passar uma grande porcentagem dessa radiação, incorrendo em risco para as pessoas. UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO40 Segundo Oliveira (2009), essa radiação é emitida em operações de solda elétrica, na fusão de metais e no controle de qualidade de algumas lâmpadas. Se o indivíduo for atingido, seus malefícios principais são queimaduras, conjuntivite e câncer de pele. d) Radiação laser: Oliveira (2009) esclarece que cada vez mais está sendo utilizada essa radiação nas atividades profissionais, como em levantamentos topográficos e geodésicos, na medicina e nas comunicações. Seus principais efeitos danosos ao organismo são queimaduras na pele e olhos. e) Radiação micro-ondas: Não causa mudanças na estrutura molecular, porém, dependendo do tempo de exposição, pode ocasionar hipertensão, alterações do sistema nervoso central e problemas de tireoide. São muito utilizadas na comunicação, sendo produzidas em instalações de radares e de radiotransmissão, utilizadas também no forno micro-ondas e processos químicos (BARSANO; BARBOSA, 2012). 4.1.2 Risco Químico Para Barsano e Barbosa (2012), a característica principal desse tipo de agente nocivo é o fato de ele penetrar no organismo por exposição crônica ou acidental, esse tipo de risco envolve substâncias, compostos ou produtos que, quando atingem o indivíduo, podem gerar diversos efeitos, como câncer, mutações, doenças, entre outras causas. Vieira (2008) afirma que os vários agentes químicos que atingem o organismo dos trabalhadores podem causar reações localizadas ou podem ser distribuídos aos diferentes órgãos e tecidos, produzindo uma reação generalizada. Muitos trabalhadores estão expostos a esse risco, pois são fáceis de serem encontrados na indústria química, produção de baterias, cloro-soda, petroquímica, amianto, metalurgia e siderurgia (BARSANO; BARBOSA, 2012). Para Vieira (2008), as principais vias de penetração dessas substâncias no organismo humano são: - Respiratória: quando a substância é inalada pelas vias aéreas, atuando na garganta e nos pulmões. - Digestiva: por essa via a substância necessita ser ingerida para ocorrer a absorção. - Cutânea: é absorvida pela pele e pode causar, além de intoxicação, lesões na pele e dermatoses ocupacionais. Ponzetto (2010) relata que a toxicidade da substância, quando atinge o organismo, é determinada pelo quanto essa substância causa de malefícios ao corpo humano, chamada de nocividade. Cada substância tem um poder nocivo TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 41 que difere de cada espécie, por isso é importante determinar a quantidade ou concentração da substância, pois quanto maior a nocividade, mais fatal será a complicação. 4.1.3 Risco Biológico Acadêmico, lançamos uma pergunta para você, baseado em Barbosa e Nunes (2011): o que haveria de comum entre uma criação de aves e um laboratório de análises clínicas? O que tem em comum é que são profissionais que trabalham com os agentes biológicos, porque tanto o local da criação de aves quanto o laboratório possuem germes e bactérias, os quais podem trazer prejuízos à saúde humana. Risco biológico é a possibilidade de exposição a micro-organismos que causam patologias à saúde humana, muitas vezes apenas desconforto com chances de prognóstico de cura, ou com possibilidade de morte. Para Vieira (2008), os agentes biológicos são representados por várias espécies, como vírus, fungos, bactérias, parasitas, os quais, dependendo do tipo do agente, causam doenças diversas. Veja abaixo uma relação de atividades ligadas com: - Animais: podem causar carbúnculo, febre aftosa, raiva, brucelose, tétano, malária e esquistossomose. - Vegetais: micoses em geral, como blastomicose e actinomicose. - Hospitais e clínicas: tuberculose, hepatite, AIDS. - Trabalhadores industriais: moléstia de Weil em lixo e esgotos. Conforme a classificação da NR 32 Anexo 1, demonstrada por Curia et al. (2011), os agentes biológicos são dispostos em: a) Classe de risco 1 – baixo risco individual para o trabalhador e para a coletividade, com baixa probabilidade de causar doença ao homem. Exemplo: Lactobacillus sp utilizados pela indústria para fazer iogurtes (CURIA et al., 2011). b) Classe de risco 2 – risco individual moderado para o trabalhador e com baixa probabilidade de disseminação para a coletividade. Pode haver chances de o homem se contaminar, porém, há tratamento para combater o agente. Exemplo: vírus da febre amarela, é uma doença infecciosa transmitida por mosquitos contaminados e que causa mal-estar no corpo, com muita febre (CURIA et al., 2011). c) Classe de risco 3 – risco individual bem acentuado para o trabalhador e com grande possibilidade de disseminação para a coletividade. Podem causar doenças e infecções graves ao ser humano, porém com tratamento disponível para o diagnóstico. Exemplo: Bacilo de Koch, que provoca a tuberculose (CURIA et al., 2011). UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 42 d) Classe de risco 4 – risco individual elevado para o trabalhador e com grandes chances de contágio para a coletividade, a transmissão pode ocorrer de um indivíduo a outro. Podem causar doenças graves ao ser humano, para as quais não existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento. Exemplo: vírus Ebola, que causa febre hemorrágica, com risco elevado de óbito (CURIA et al., 2011). 4.1.4 Risco Ergonômico Ponzetto (2010) relata que a ergonomia é uma ciência que adapta as necessidades funcionais do homem ao trabalho, com o objetivo de trazer conforto para sua saúde, melhorar a produtividade e gerar bem-estar. Para Vieira (2008), a ergonomia é a ciência que comanda as relações entre homens, máquinas, objetos e mobiliário no trabalho. No dia a dia do ser humano, a ergonomia auxilia a identificar desconfortos na atividade laboral do homem, relacionados a aspectos de levantamento, transporte e descarga de materiais, mobiliário, equipamentos e condições ambientais do posto de trabalho. Conforme Ponzetto (2010), a finalidade da ergonomia não se limita apenas às atividades relacionadas ao trabalho, mas também em busca da prevenção de doenças ocupacionais, proporcionando, acima de tudo, bem-estar ao trabalhador. A ergonomia ajuda a prevenir lesões musculares, frequentes em trabalhadores, principalmente aqueles que passam a maior parte do tempo sentados trabalhando com computador e são acometidos por LER (Lesão por Esforço Repetitivo). Para Ponzetto (2010), as LERs são doenças ocupacionais resultantes do trabalho que exigem os mesmos movimentos, posturas inadequadas, gestos acelerados e esforço físico, porém, os agentes psicossociais, como excesso de trabalho, cansaço, longas jornadas de trabalho, também interferem no mau desempenho físico. Assim, uma empresa com responsabilidade e que busca produtividade, proporcionando bem-estar, conforto físico e psíquico ao trabalhador, irá se adequar às legislações trabalhistas e, dessa forma, proporcionará todas as condições favoráveis de trabalho. 4.1.5 Risco de Acidente Risco de acidente é resultado da execução de um trabalho que é executado, na maioria das vezes, fora das regras e regulamentos da empresa, gerando risco de morte para o trabalhador, às vezes sendo fatal. TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 43 Para Barsano e Barbosa (2012), os acidentes podem ocorrer em função da interação inadequada entre o ser humano, as atividades laborais e o ambiente de trabalho. O comportamento inadequado do operador pode desencadear um acidente, que também pode ser causado pelas inadequações do posto de trabalho, equipamentos mal projetados ou falhas nos equipamentos. Ponzetto (2010) alega que riscos de acidentes são todos os fatores que colocam em perigo o trabalhador, tanto física como psicologicamente. Esses fatores podem ser considerados equipamentos sem proteção ao trabalhador, ferramentas inadequadas, falta de manutenção dos equipamentos, eletricidade ou armazenamento inadequado de materiais. Os soldadores correm grandes riscos à sua saúde em função de choque elétrico ou intoxicação por substâncias. Damesma forma, os frentistas que trabalham em postos de gasolina correm risco de acidente diariamente, seja por queimaduras, seja por explosão, pois os combustíveis são inflamáveis (PONZETTO, 2010). Portanto, é necessário eliminar o quanto possível os perigos a que as pessoas ficam expostas, bem como realizar um trabalho educativo de prevenção, para o uso de equipamentos de proteção individual, com o objetivo de evitar acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. 44 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • O Laudo Técnico das Condições de Trabalho é um documento ligado às condições de segurança no ambiente de trabalho. • O laudo tem o objetivo de especificar as condições do ambiente de trabalho, evidenciando os agentes envolvidos. • O LTCAT é uma declaração que objetiva demonstrar se há – ou não – riscos ambientais, em níveis ou concentrações que causem malefícios à saúde ou à integridade física do trabalhador. • A higiene ocupacional é responsável pelo reconhecimento, avaliação e controle dos riscos de saúde no ambiente de trabalho. • Os agentes nocivos no ambiente de trabalho não causam prejuízos à saúde do trabalhador, pois há necessidade de vários fatores combinados. • Os agentes nocivos, como bactérias, fungos, radiação, luminosidade, frio ou calor em excesso, causam doenças e afastamentos do trabalho. • Quanto mais tempo o trabalhador permanecer exposto ao agente nocivo, maiores serão as possibilidades de contrair uma doença ocupacional. • São considerados riscos ambientais aqueles causados por agentes físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. 45 1 Qual o objetivo do Laudo Técnico das Condições de Trabalho? 2 Agentes nocivos são aqueles que podem ocasionar danos à saúde ou à integridade física do trabalhador, em função da concentração, intensidade e do fator de exposição nos ambientes de trabalho. Diante dessa afirmativa, assinale a alternativa CORRETA quanto à classificação dos agentes nocivos: a) ( ) Físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e acidentes. b) ( ) Radiativos, químicos e biológicos. c) ( ) Atômicos, físicos e ergonômicos. d) ( ) Ecológicos, biológicos e mineração. 3 Riscos ambientais são muito debatidos e estudados na área de segurança e saúde do trabalho, principalmente para implementar programas na área de saúde ocupacional. Diante dessa afirmativa, explique o conceito de riscos ambientais. 4 As radiações não ionizantes dependem de fatores com duração e intensidade da exposição, comprimento de onda da radiação, região do espectro em que se situam, entre outras condições. As radiações não ionizantes são classificadas em quatro tipos, cite a classificação. 5 Ao mencionarmos que há relação entre homens, máquinas, objetos e mobiliário no ambiente de trabalho e que muitas empresas primam para o bem-estar do trabalhador, a fim de evitar desconfortos e doenças ocupacionais, estamos falando de qual risco no ambiente de trabalho? a) ( ) Ergonômico b) ( ) Físico c) ( ) Químico d) ( ) Biológico AUTOATIVIDADE 46 47 TÓPICO 3 ASPECTOS GERAIS DO LTCAT UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Sabemos que muitas patologias atingem o homem, e as doenças ocupacionais não são diferentes, elas são conhecidas como doenças profissionais relacionadas à saúde do trabalhador. Nesse aspecto, podemos também considerar a possibilidade de um trabalhador ser acometido por algum acidente durante sua jornada laboral, causando uma perturbação tanto na saúde quanto na vida profissional. A maioria das doenças ocupacionais, como já vimos, é causada por agentes nocivos. Nesta unidade estudaremos os fatores que expõem os trabalhadores a esses agentes, num limite de tolerância acima da previsão legal e que, por sua vez, podem gerar insalubridade ou periculosidade. Veremos que os agentes nocivos são identificados por profissionais qualificados e aptos, pela legislação, para aferi-los e propor recomendações às empresas de como diminuí-los ou até saná-los. As medições são feitas por instrumentos próprios para cada tipo de agente nocivo, iremos caracterizar cada um deles, com seus respectivos modelos. Já estudamos sobre LTCAT, mas entenderemos o motivo de sua elaboração, como ele deve ser elaborado, quais os requisitos que o laudo deve conter e sua validade, pois, dependendo de determinadas circunstâncias, o LTCAT deve ser refeito. Vamos nos engajar neste assunto e juntos caminhar em direção ao sucesso profissional. Bons estudos. 2 DEFINIÇÕES LEGAIS 2.1 INSALUBRIDADE Conforme Saliba (2013, p. 370), a palavra insalubre “vem do latim e significa tudo aquilo que origina doença, e a insalubridade é a qualidade de insalubre”. UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 48 É importante esclarecer que as questões referentes à insalubridade e periculosidade possuem previsão expressa na Constituição Federal e CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), e são elas que darão as diretrizes para essas questões legais. Já com relação aos aspectos técnicos, a previsão está vigente nas Normas Regulamentadoras. No Dicionário Aurélio, o termo “insalubre” significa prejudicial à saúde, nocivo, e “insalubridade” significa inadequado à vida, nocivo (FERREIRA, 2010). Já o conceito legal de insalubridade, conforme Saliba (2013, p. 371), é dado pelo art. 189 da CLT, nos seguintes termos: Serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos. Falando em trabalho, o art. 7º da Constituição Federal de 1988, que trata sobre os direitos sociais dos trabalhadores urbanos e rurais, traz um rol de direitos a serem observados, dentre eles o inciso XXIII, com a seguinte redação: “adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei” (BRASIL, 2004, p. 16). Trabalho insalubre, segundo Paoleschi (2012), significa o desenvolvimento de uma atividade em que o trabalhador é exposto a agentes nocivos, acima dos limites tolerados, seja por sua natureza, intensidade ou tempo de exposição. Segundo Martins (2013, p. 269): Para a caracterização da insalubridade é preciso: (a) Exposição a agentes nocivos à saúde do trabalhador. (b) Que essa exposição seja acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição, pois se a exposição estiver nos limites de tolerância, não há direito ao adicional. Rossete (2014, p. 27) traz uma definição sobre o que vem a ser trabalho insalubre: “[...] podemos dizer que trabalho insalubre é aquele em que o trabalhador se submete a determinado agente ambiental ao longo de anos de exposição, podendo desenvolver uma doença profissional ou do trabalho”. Saliba (2013) informa que trabalhar em condições de insalubridade significa trabalhar em ambiente com agentes nocivos acima dos limites de tolerância, portanto, oportuniza ao trabalhador receber um adicional sobre o salário mínimo equivalente a: 40% para insalubridade de grau máximo; 20% para insalubridade de grau médio; 10% para insalubridade de grau mínimo. TÓPICO 3 | ASPECTOS GERAIS DO LTCAT 49 No caso de incidência de mais de um fator de insalubridade, será considerado o grau mais elevado, conforme subitem 15.3 da NR-15 (SALIBA, 2013). UNI O Ministério do Trabalho instituiu os limites de tolerância das condições insalubres e a caracterização da atividade insalubre, perigosa ou penosa, que dependerá da realização de perícia por parte do agente. Conforme Paoleschi (2012), o trabalhador tem direito ao adicional enquanto estiver exercendo atividades em ambientes de condições adversas, identificadas pela perícia. Se as condições insalubres forem eliminadas ou reduzidas pela adoção de medidas de segurança, com o fornecimento de equipamentos de proteção individual,o direito ao pagamento do valor de insalubridade cessa (se ocorrer eliminação) ou redução do percentual concedido (se ocorrer redução das condições insalubres). O mesmo autor ainda explica que se a trabalhadora estiver grávida ou em período de amamentação, é obrigatório o seu afastamento da atividade insalubre, perigosa ou penosa, e dessa forma, não receberá o adicional de insalubridade pelo período em que estiver afastada da condição insalubre. Independentemente da condição de estar ou não grávida, qualquer trabalhadora que se afastar, por algum motivo, perderá o direito ao adicional de insalubridade, durante o período de afastamento. É importante esclarecer que o exercício de atividades em locais insalubres, com ou sem o recebimento do adicional, não reduz o tempo de serviço para a aposentadoria, e mesmo que o trabalhador tenha recebido o adicional de insalubridade, ele não será incorporado à aposentadoria (PAOLESCHI, 2012). Podemos exemplificar como atividades insalubres aquelas em que o funcionário fica exposto a ruídos contínuos, calor, radiação, agentes químicos e biológicos fora do limite de tolerância, poeiras minerais e elevados níveis de frio e umidade. Conforme indica Saliba (2013), o Ministério do Trabalho e Emprego, através da Portaria nº 3.214/78 da NR-15, regulamentou a matéria estabelecendo os critérios de caracterização, grau de insalubridade, entre outros. Essa norma possui 14 anexos, conforme o Quadro 4, sendo que em cada um deles foram definidos o respectivo agente insalubre e a metodologia de avaliação. Vamos analisar o quadro a seguir, que contém agentes nocivos, nele também encontramos suas respectivas percepções de insalubridade e os anexos dentro da NR-15. Os percentuais variam de 10%, 20% e 40%. UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 50 Pegaremos um item do quadro para servir de exemplo, nesse caso falaremos do indivíduo que trabalha com ar comprimido, ou seja, aquela pessoa que trabalha em condições atmosféricas diferentes das nossas, como os mergulhadores e as pessoas que trabalham em câmaras hiperbáricas, essas recebem o grau máximo de insalubridade, ou seja, 40%. QUADRO 4 – QUADRO QUE APRESENTA GRAUS DE INSALUBRIDADE FONTE: . Acesso em: 18 jul. 2017. Saliba (2013) faz um comentário bem relevante, quando informa que o grau de insalubridade depende do agente ou forma de exposição, mas não varia de acordo com a intensidade do agente, ou seja, uma concentração de poeira 20 vezes superior ao limite de tolerância gera o mesmo grau de insalubridade que uma concentração duas vezes maior. GRAUS DE INSALUBRIDADE Anexo Atividades ou operações que exponham o trabalhador Percentual 1 Níveis de ruído contínuo ou intermitente superiores aos limites de tolerância fixados no Quadro constante do Anexo 1 e no item 6 do mesmo anexo. 20% 2 Níveis de ruído de impacto superiores aos limites de tolerância fixados nos itens 2 e 3 do Anexo 2. 20% 3 Exposição ao calor com valores de IBUTG superiores aos limites de tolerância fixados nos Quadros 1 e 2. 20% 4 (Revogado pela Portaria MTE nº 3.751. de 23 de novembro de 1990) 5 Níveis de radiações ionizantes com radioatividade superior aos limites de tolerância fixados neste Anexo. 40% 6 Ar comprimido. 40% 7 Radiações não ionizantes consideradas insalubres em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho. 20% 8 Vibrações consideradas insalubres em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho. 20% 9 Frio considerado insalubre em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho. 20% 10 Unidade considerada insalubre em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho. 20% 11 Agentes químicos cujas concentrações sejam superiores aos limites de tolerância fixados no Quadro 1. 10%, 20% e 40% 12 Poeiras minerais cujas concentrações sejam superiores aos limites de tolerância fixados neste Anexo. 40% 13 Atividades ou operações envolvendo agentes químicos, consideradas insalubres em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho. 10%, 20% e 40% 14 Agentes biológicos. 20% e 40% TÓPICO 3 | ASPECTOS GERAIS DO LTCAT 51 Para Paoleschi (2012), as atividades insalubres devem ser verificadas, analisadas, caracterizadas, quantificadas e classificadas, sendo que deve-se observar os seguintes pontos: - Descrição do local onde a atividade é exercida. - Descrição da atividade do trabalhador. - Tempo de exposição ao risco. - Descrição do método de trabalho executado. - Descrição das condições ambientais. - Descrição da aparelhagem, técnica empregada e método de avaliação referente à análise quantitativa. - Quantificação do que for possível, com interpretação e análise dos resultados. - Relação do equipamento de proteção utilizado. - Avaliação dos exames necessários à verificação do uso e da efetividade da proteção utilizada. - Verificar a fonte geradora quanto ao ruído, calor, poeiras etc. - Verificar se o trabalhador utiliza EPI. 2.2 PERICULOSIDADE Segundo Paoleschi (2012), por meio das normas jurídicas instituídas, o empregado receberá periculosidade quando ficar exposto a condições de risco à sua integridade física. Essas normas estabelecem o direito ao adicional somente para quatro agentes: explosivo, inflamável, energia elétrica e radiação ionizante, mesmo que existam situações até mais perigosas em algumas funções ou atividades exercidas. Saliba (2013) diz que com relação à periculosidade, o artigo 193 da CLT estabelece que o valor do adicional é de 30% sobre o salário sem os acréscimos resultantes de gratificação ou participações nos lucros da empresa, assim, o empregado poderá escolher qual melhor lhe convier. Da mesma forma, podemos afirmar que os adicionais de insalubridade e periculosidade não podem ser somados, ou seja, o empregado, se estiver enquadrado nas duas categorias, deverá optar por apenas uma delas. Você poderá estar questionando como é feita a distinção entre insalubridade e periculosidade, não é mesmo? Não é difícil de explicar, basta saber que a insalubridade afeta continuamente a saúde do trabalhador, enquanto a periculosidade está relacionada a um possível risco, um eventual sinistro, que poderá afetar a saúde do trabalhador. Quem determina se o trabalhador ganhará ou não adicional de insalubridade ou periculosidade será o engenheiro ou médico do trabalho, registrados junto ao Ministério do Trabalho, através dos laudos emitidos (PAOLESCHI, 2012). Se você ainda está em dúvida para diferenciar insalubridade e periculosidade, veja a figura a seguir, que auxiliará a distinguir cada uma delas. UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 52 FIGURA 18 – DIFERENÇA ENTRE INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE FONTE: . Acesso em: 18 jul. 2017. Até agora estudamos quais trabalhadores têm direito ao adicional de periculosidade, mas tem uma novidade, veja a Figura 19 e descubra você mesmo. É isso aí, os motoboys conquistaram esse direito, através da Lei 12.997/2014, que alterou o artigo 193 da CLT, incluindo o parágrafo quarto, segue a nova redação do parágrafo: “§ 4º - São também consideradas perigosas as atividades de trabalhador em motocicleta” (BRASIL, 2014, s.p.). Dessa forma, os motoboys terão direito ao adicional de 30% com base no salário, sem acréscimo de gratificações, prêmios ou participação dos lucros da empresa. FIGURA 19 – MOTOBOYS CONQUISTAM DIREITO À PERICULOSIDADE FONTE: Adaptado de: . Acesso em: 18 jul. 2017. Além dos motoboys, os profissionais de segurança privada têm direito a periculosidade, pois a legislação considera perigosas as atividades ou operações que impliquem exposição dos profissionais de segurança pessoal ou patrimonial a roubos ou outras espécies de violência física. AGORA É LEI! Trabalhadores em motocicletapossuem direito a adicional de periculosidade! TÓPICO 3 | ASPECTOS GERAIS DO LTCAT 53 FIGURA 20 – SEGURANÇA PRIVADA TEM DIREITO A PERICULOSIDADE FONTE: Adaptado de: . Acesso em: 18 jul. 2017. De acordo com Saliba (2013), a caracterização do empregado que tem direito ao adicional de insalubridade ou periculosidade será realizada por meio do médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho, os quais estão aptos a fazer perícia. Veja a redação do artigo 195 da CLT que corrobora esta ideia: § 1º - É facultado às empresas e aos sindicatos das categorias profissionais interessadas requererem ao Ministério do Trabalho a realização de perícia em estabelecimento ou setor deste, com o objetivo de caracterizar e classificar ou delimitar as atividades insalubres ou perigosas. § 2º - Arguida em juízo insalubridade ou periculosidade, seja por empregado, seja por Sindicato em favor de grupo de associado, o juiz designará perito habilitado na forma deste artigo, e, onde não houver, requisitará perícia ao órgão competente ao Ministério do Trabalho (COSTA, 2015, p. 186) . 3 AVALIAÇÕES AMBIENTAIS A avaliação ambiental é importante e necessária para verificar os riscos ambientais ocupacionais, quando o trabalhador estiver desempenhando alguma atividade, sendo que a avaliação deve ser ampla, de modo a conter todos os ambientes. Para Ponzetto (2010), é necessário que os profissionais que fazem a avaliação sejam coerentes com a realidade dos trabalhadores, a fim de que seja bem elaborada e não deixe nenhuma dúvida quanto aos riscos nos inúmeros ambientes profissionais. Assim, tornou-se necessário classificar a avaliação ambiental em dois tipos: avaliação qualitativa e avaliação quantitativa. Os profissionais de segurança privada agora têm direito ao recebimento do benefício no valor de 30% do salário. 54 UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 3.1 AVALIAÇÃO QUALITATIVA Ponzetto (2010) a conceitua como sendo toda avaliação que não usa instrumentos científicos em sua elaboração, ou seja, é baseada no relato do indivíduo, no conhecimento do ambiente de trabalho, das práticas profissionais para o reconhecimento, no tempo de serviço, entre outros fatores. O mesmo autor afirma que essa classificação se refere a uma avaliação subjetiva, pois o avaliador não só reconhece os riscos, mas também os identifica, com base em experiências do cotidiano, conhecimento científico ou qualquer outra condição necessária para sua execução. Para Saad (2012), há alguns riscos que não são possíveis de serem medidos, sendo assim, não é adequado enquadrar o risco dentro de um limite de tolerância. Podemos exemplificar com o risco biológico, que conforme previsto no anexo 14 da NR 15, não é necessário mensurar a quantidade de microrganismos, apenas a comparação do ambiente com a tabela já caracteriza a atividade como sendo insalubre. Saad (2012, p. 297) complementa afirmando: [...] há fatores de insalubridade que não são mensuráveis e que, portanto, não podem ser estabelecidos para eles limites de tolerância. Há, ainda, os casos de fatores que, passíveis de mensuração, ainda não convém amarrá-los a níveis de tolerância por motivos de ordem econômica ou tecnológica. Destarte, deveria o legislador admitir, expressamente, para esses casos, o critério qualitativo, o qual, como é óbvio, exclui o limite de tolerância. Saliba (2013) alerta que se deve considerar o tempo de exposição, a forma de contato com o agente e o tipo de proteção usada. O Ministério do Trabalho estabelece critérios para esse tipo de avaliação, definindo o contato permanente ou intermitente e o eventual, mas o fato de não ter fixado limites de tolerância não autoriza o perito a concluir que qualquer exposição é nociva à saúde. 3.2 AVALIAÇÃO QUANTITATIVA Para Ponzetto (2010), esse tipo de avaliação necessita de instrumentos científicos para sua realização, necessitando estarem calibrados e preparados para cada tipo de análise a ser realizada. Por meio dessa avaliação, consegue-se elaborar o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), pois através dela é possível estabelecer se o ambiente é insalubre ou não. Saad (2012) afirma que nesse método o objetivo é encontrar um valor e comparar ao estabelecido na legislação, para identificar o risco como sendo insalubre ou não. Um exemplo é o ruído, que prevê os níveis de tolerância na NR15, assim, o avaliador terá um valor que, quando comparado à tabela da referida norma, informará se o risco é insalubre. TÓPICO 3 | ASPECTOS GERAIS DO LTCAT 55 Esse método de avaliação leva em conta os limites de tolerância para os agentes agressivos fixados em razão da natureza, da intensidade e do tempo de exposição, assim, o perito necessitará fazer as medições quanto à intensidade ou concentração do agente e comparar com os limites de tolerância (SALIBA, 2013). A avaliação quantitativa é realizada nos laudos de segurança do trabalho, a fim de obter avaliações confiáveis e precisas para demonstrar para as empresas as condições de trabalho a que seus funcionários estão sujeitos. 4 DESENVOLVIMENTO DO LTCAT O LTCAT pode sofrer, a qualquer momento, fiscalização de auditores do INSS e deve refletir condições atuais de trabalho no momento da ação fiscal, dessa forma, sempre que houver mudança de função ou alteração da forma de trabalho, deve ser refeito, ou melhor, atualizado o laudo ambiental, a fim de evitar aplicação de penalidade. 4.1 ELABORAÇÃO DO LTCAT Conforme Barsano e Barbosa (2012), o laudo deve ser elaborado medindo- se o nível de ruído, calor, vibração, poeira, entre outros agentes, e para isso é necessário utilizar diversos instrumentos de medição, como: Decibelímetro: é o instrumento utilizado para avaliar a exposição ocupacional ao ruído de forma precisa e pontual, é muito prático e já existem vários modelos, formas e tamanhos sendo comercializados. Esse instrumento possui um microfone interno que capta o som e o qualifica em uma medida chamada decibéis, a escala varia de modelo para modelo, normalmente estão entre 30 dB e 130 dB. Nem toda intensidade sonora é audível aos ouvidos humanos, por isso existe oscilação, é interessante destacar que algumas faixas são percebidas somente por animais, como morcegos e cachorros. FIGURA 21 – MODELO DE DECIBELÍMETRO DIGITAL FONTE: . Acesso em: 19 jul. 2017. 56 UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO Audiodosímetro ou dosímetro: avalia a exposição ocupacional do trabalhador ao ruído, também é medido em decibéis. É muito prático por ser portátil, utilizado em empresas e indústrias, sendo fixado em trabalhadores de diversas funções, próximo da área auditiva, durante sua jornada de trabalho. FIGURA 22 – MODELO DE DOSÍMETRO DIGITAL FONTE: . Acesso em: 19 jul. 2017. Luxímetro: instrumento de medição que avalia a iluminância, que é a quantidade de luminosidade do ambiente de trabalho. Consiste em uma célula fotoelétrica que capta a luz, formando uma corrente, que é lida pelo aparelho e convertida em unidades lux, emitindo o valor do ambiente avaliado, a fim de verificar se há prejuízos ao olho humano. A análise deve ser realizada em vários locais do trabalho, para se ter uma medição precisa. FIGURA 23 – MODELO DE UM LUXÍMETRO DIGITAL FONTE: . Acesso em: 19 jul. 2017. Termômetro de globo digital: é o instrumento de medição que avalia a exposição ocupacional ao calor, é composto por três termômetros: de bulbo seco, de bulbo úmido e de globo. Ele é formado por uma esfera metálica, em torno de 15cm de diâmetro, dessa forma, recebe o calor do ambiente (radiação) e, através de um sensor existente no termômetro, acusa a temperatura local. TÓPICO 3 | ASPECTOS GERAIS DO LTCAT 57 FIGURA 24 – MODELO DE TERMÔMETRO DE GLOBO DIGITAL FONTE: . Acesso em:19 jul. 2017. O LTCAT é elaborado de acordo com os procedimentos técnicos referenciados na Instrução Normativa nº 11, de 20 de setembro de 2006, do INSS, e necessita ter uma linguagem clara, conteúdo preciso e evitar expressões que possam gerar ambiguidade. Além disso, deve ter coerência entre os parágrafos, com divisão de tópico, bem como letra e fonte legíveis (SALIBA, 2013). Dessa forma, se o documento tiver coerência, transparência, clareza e ordem no seu conteúdo, de maneira a transmitir precisão das informações, a probabilidade de torná-lo duvidoso será praticamente inexistente. Já falamos sobre a importância de os trabalhadores utilizarem equipamentos de proteção, a fim de cumprirem as exigências legais e evitar riscos de acidentes de trabalho. O parágrafo 2º da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, corrobora essa informação, quando diz que o LTCAT deve conter informações sobre a existência de tecnologia de proteção cole tiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância (CURIA et al., 2011). De acordo com Barsano e Barbosa (2012), o LTCAT, ao ser elaborado, deve conter alguns dados, como: - Informações da empresa e do setor de trabalho. - Descrição dos locais dos serviços realizados em cada setor, com pormenorização do ambiente de trabalho e das funções, passo a passo, desenvolvidas pelo segurado. - Informação das condições ambientais do local de trabalho. - Registro dos agentes nocivos, concentração, intensidade, tempo de exposição e metodologias utilizadas, conforme o caso. - Se tratar de agentes químicos, deve ser informado o nome da substância ativa, não sendo aceitas citações de nomes comerciais, podendo ser anexada a respectiva ficha toxicológica. - Duração do trabalho que expôs o funcionário aos agentes nocivos. - Informação sobre a existência e aplicação efetiva de equipamentos de proteção individual e coletiva, que neutralizem ou atenuem os efeitos da nocividade dos 58 UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO agentes em relação aos limites de tolerância estabelecidos pela legislação vigente. - Descrição dos métodos, técnicas, aparelhagens e equipamentos utilizados. - Conclusão do médico do trabalho ou do engenheiro de segurança do trabalho responsável pela elaboração do laudo. - Informação clara e precisa a respeito dos agentes nocivos, referentes à potencialidade de causar dano à saúde ou à integridade física e/ou psíquica do funcionário. - Especificação, clara e objetiva, se o signatário do laudo técnico é ou foi contatado pela empresa, à época da confecção do laudo; - Local e data da inspeção técnica da qual resultou o laudo técnico. Já estudamos que o LTCAT foi uma exigência do INSS, entretanto, ele não permanece no INSS, mas deve estar sempre atualizado e dis ponível na empresa para a análise dos auditores fiscais da Previdência Social. 4.2 UTILIZAÇÃO E RESPONSABILIDADE PELA IMPLANTAÇÃO De acordo com Saliba (2013), a comprovação do trabalhador diante dos agentes nocivos será feita mediante formulário, conforme estabelecido pelo INSS, emitido pela empresa, com base no LTCAT expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho, de acordo com a legislação trabalhista. Dessa forma, a Lei nº 8.213, de 24/07/1991, que dispõe sobre os Planos de benefícios da Previdência Social, em seu art. 58, parágrafo 1º, com a redação dada pela Lei nº 9732/98, estabelece que somente o médico do Trabalho ou o engenheiro de Segurança do Trabalho, com o respectivo número da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), poderá assinar o LTCAT (BARSANO; BARBOSA, 2012). Já estudamos que o LTCAT é um tipo de laudo que informa sobre os agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho, a fim de indicar a possibilidade de gerar insalubridade quando o trabalhador estiver exposto, e que será renovado quando forem introduzidas modificações no ambiente laboral. Saliba (2013) relata que conforme a Instrução Normativa INSS/DC nº 78, de 16/07/2002, o LTCAT deve estar sempre atualizado com relação aos agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho, sendo renovado sempre que necessário. Dessa forma, o LTCAT necessitará ser guardado por pelo menos 20 anos e, nos casos em que os trabalhadores estão expostos a substâncias cancerígenas, o laudo deverá ser mantido por até 30 anos. O LTCAT não é apenas um documento que vislumbra benefícios para o trabalhador, mas para o empregador também é importante, pois ele consegue provar e eximir a culpa do empregador quando ocorrer acidente de trabalho ou doença ocupacional, demonstrando que não foi em virtude do descumprimento das normas de saúde e segurança do trabalho. TÓPICO 3 | ASPECTOS GERAIS DO LTCAT 59 Curia et al. (2011) demonstram que, conforme previsto no art. 133 da Lei nº 8.213/91, as empresas devem ter o LTCAT com a seguinte finalidade: - Para entregar ao trabalhador no encerramento de suas atividades laborais, quando a lei determinar. - Provar ao INSS que não houve sonegação ou pagamento quanto ao recolhimento da alíquota destinada ao financiamento de aposentadoria especial pela empresa. - Para cumprir a lei que exige atualização do LTCAT, pois o não atendimento da lei leva a empresa à multa fiscal. - A fim de coletar dados que servirão de base para elaboração do PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário). LEITURA COMPLEMENTAR USO COMPROVADO: O fornecimento de EPIs pode e deve ser evidenciado por todos os meios de prova Mateus Ferrarezi A problemática exposta neste artigo aborda, em especial, uma condição que infelizmente vem se alastrando principalmente na esfera judicial, quando da análise de eventual pedido de reconhecimento do adicional de insalubridade. Não obstante existir algumas situações insalubres que são tecnicamente e/ ou financeiramente inviáveis de serem eliminadas por Equipamentos de Proteção Coletiva, deve-se considerar a possibilidade de suprimir o pagamento da remuneração, advinda da exposição, por meio de Equipamentos de Proteção Individuais. Assim, considerando o exposto, questiona-se como as partes, em âmbito administrativo ou judicial, podem efetivamente demonstrar o fornecimento e a utilização de EPIs pelo funcionário, de modo a eliminar eventual condenação. Para a análise da existência de prova efetiva, deve-se considerar, inicialmente, o disposto no artigo 365 do CPC/2015, que diz que todos os meios legais de prova e os moralmente legítimos, independentemente de previsão legal, são hábeis em demonstrar a veracidade dos fatos. Ocorre que, após a introdução da alínea “h” ao item 6.6.1, na NR 6, que determina à empresa a organização de “registrar o seu fornecimento ao trabalhador, podendo ser adotados livros, fichas ou sistema eletrônico”, auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, peritos judiciais, membros do Ministério Público do Trabalho, juízes do Trabalho, entre outros, passaram a desconsiderar a efetiva entrega de EPIs, caso não houvesse a respectiva anotação, ainda que efetivamente ocorresse a entrega de protetores auriculares, prejudicando e desconsiderando o trabalho do SESMT da empresa que procurou identificar e eliminar o risco ambiental. 60 UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO INTERPRETAÇÃO Apesar do disposto na norma supracitada, a conclusão sobre a inexistência da disponibilização é incorreta, pois carece de uma visão e interpretação sistemática de todo o ordenamento pátrio que, para a presente temática, inclui, não somente as Normas Regulamentadoras, mas também o exposto na Constituição Federal, Consolidação das Leis do Trabalho e no Código de Processo Civil, bem como regras hermenêuticas e princípios correlatos. Inicialmente, deve-se considerar que a Carta Magna, em seu artigo 5º, inciso II, ao disciplinar dos direitos e garantias fundamentais, estabelece que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senãoem virtude de lei”, sendo que essa Lei é em sentido estrito, ou seja, não incluindo atos infralegais, como normas regulamentadoras, por exemplo. Importante destacar ainda que os artigos 166 e 167 da CLT, que é Lei, no sentido técnico da palavra, ao regulamentarem sobre EPI, não exigem para a neutralização da insalubridade a anotação, bastando o fornecimento regular. INFRAÇÃO O que pode eventualmente existir é uma infração administrativa, situação que poderá, após decorrido o devido processo legal junto ao órgão competente, com respeito à ampla defesa e ao contraditório, ensejar multa administrativa, se for o caso, mas não a conclusão da existência ou não da insalubridade e/ou periculosidade. Na verdade, em relação à demonstração da existência do fornecimento de EPIs, quer em processo judicial ou administrativo, deverá ser aceito todo o meio de prova em direito admitido, quer documental ou testemunhal. VERDADE Desse modo, tem-se que para a análise do fornecimento ou não de EPIs, não basta apenas a prova documental, sendo recomendável a análise do conjunto obrigatório, como o relato das testemunhas, inclusive quanto ao narrado pela perícia judicial. Cita-se a título exemplificativo uma grande empresa, cujo corpo de empregados em uma linha de produção ultrapassa centenas de funcionários, sendo o SESMT efetivo de modo a controlar os riscos ambientais. Por lapso justificável, atrelado à correria do dia a dia, deixa de realizar todas as anotações sobre protetores auriculares entregues a determinado grupo de trabalhadores. É incrível que em posterior ação trabalhista, a empresa, não obstante ter adotado todos os meios existentes para afastar a insalubridade, fornecendo EPIs, seja condenada a pagar o adicional de remuneração? Por óbvio que não, uma vez que poderá restar demonstrado o fornecimento de equipamentos de proteção por outros meios de prova em direito admitido. TÓPICO 3 | ASPECTOS GERAIS DO LTCAT 61 Assim, ante todo o exposto, o fornecimento de EPIs pode e deve ser evidenciado por todos os meios de prova admitidos em direito, e não somente com eventuais registros em fichas de anotação de entrega de EPIs. Somente desta maneira estará se efetivando o princípio da primazia da realidade, concretizando a busca da verdade real, quer pela utilização de outros documentos da área de medicina e segurança do trabalho e/ou por depoimentos ou relatos das testemunhas. FONTE: FERRAREZI, M. Demanda alta. PROTEÇÃO, n. 301, p. 58-59, jan. 2017. 62 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • Trabalho insalubre significa o desenvolvimento de uma atividade em que o trabalhador é exposto a agentes nocivos, acima dos limites tolerados. • O trabalhador tem direito ao adicional de insalubridade enquanto estiver exercendo atividades em ambientes de condições adversas. • O exercício de atividades em locais insalubres, com ou sem o recebimento do adicional, não reduz o tempo de serviço para a aposentadoria. • O valor do adicional de periculosidade é de 30% sobre o salário, sem os acréscimos resultantes de gratificação ou participações nos lucros da empresa. • A caracterização do empregado que tem direito ao adicional de insalubridade ou periculosidade será realizada por meio do médico do Trabalho ou engenheiro de Segurança do Trabalho. • A avaliação ambiental é importante e necessária para verificar os riscos ambientais ocupacionais. • Avaliação qualitativa não utiliza instrumentos científicos em sua elaboração, ou seja, é baseada no relato do indivíduo. • Avaliação quantitativa necessita de instrumentos científicos para sua realização, necessitando estar calibrados e preparados para cada tipo de análise a ser realizado. • O laudo deve ser elaborado medindo os agentes nocivos e para isso é necessário utilizar diversos instrumentos de medição. • A comprovação do trabalhador diante dos agentes nocivos será feita mediante formulário, conforme estabelecido pelo INSS. 63 AUTOATIVIDADE 1 Estabeleça os conceitos de insalubridade e periculosidade. 2 Cite pelo menos três requisitos que o LTCAT deve conter para sua elaboração. 3 O adicional de periculosidade é um valor devido ao empregado exposto a atividades periculosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, as quais impliquem risco acentuado em virtude de exposição permanente do trabalhador a alguns agentes previstos na legislação. Diante dessa afirmativa, assinale a alternativa CORRETA, referente ao valor do adicional de periculosidade. a) ( ) 30% sobre o salário do empregado, sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participações de lucros da empresa. b) ( ) 40% sobre o salário do empregado, com acréscimos de gratificações ou prêmios. c) ( ) 20% sobre o salário do empregado sem acréscimos resultantes de gratificações. d) ( ) 50% sobre o salário, sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participações de lucros da empresa. 4 Informe quais profissionais poderão assinar o LTCAT, com base na legislação trabalhista. 5 Cite uma finalidade para que as empresas devam possuir o LTCAT. 64 65 UNIDADE 2 RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • conceituar o que é acidente de trabalho; • entender quais fatores podem desencadear acidente de trabalho; • assimilar quais são os benefícios acidentários; • entender a diferença entre auxílio-doença e auxílio-acidente; • compreender de quem é a responsabilidade num acidente de trabalho; • entender o que é CAT; • identificar o momento de reabertura da CAT; • explicar quais são os excludentes de responsabilidade civil; • compreender o que são primeiros socorros; • entender a importância de prestar um atendimento eficiente; • identificar quais são os materiais que deve conter um kit de primeiros so- corros; • compreender o conceito de higiene ocupacional; • assimilar a importância da higiene ocupacional; • estabelecer a importância da gestão da segurança e saúde do trabalho. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, você en- contrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – ACIDENTE DE TRABALHO TÓPICO 2 – EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA TÓPICO 3 – AÇÕES E INTERVENÇÕES NO AMBIENTE LABORAL 66 67 TÓPICO 1 ACIDENTE DE TRABALHO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Caro aluno, seja bem-vindo a esta caminhada para estudar, entender e discutir sobre segurança no ambiente de trabalho, presente no dia a dia do trabalhador. Aliás, o trabalho deve ser desenvolvido com consciência, concentração e análise de possíveis riscos para evitá-los, a fim de prevenir possíveis acidentes. A finalidade deste estudo é que você receba as informações e construa seu próprio conhecimento referente a esses temas, para discutir sobre segurança, visando ao aprimoramento para sua trajetória profissional. Portanto, desenvolva suas atividades com prudência, baseado na sua competência e nos treinamentos qualificados. A segurança, saúde e trabalho formam uma tríade perfeita e atuam diretamente nas condições em que o trabalhador labora, visando à proteção e promoção do bem-estar, em busca da qualidade de vida. Os conteúdos que permeiam este tópico dizem respeito aos acidentes no ambiente de trabalho, seu conceito, tipos de acidente e benefícios que são garantidos por lei ao trabalhador que sofre acidente, na sua jornada de trabalho. Vamos aos estudos! 2 ACIDENTES NO AMBIENTE DE TRABALHO Quando se fala em acidente de trabalho, estamos nos referindo a todos os acidentes que ocorrem no exercício da atividade laboral, ou seja, durante a execução do trabalho. Neste ínterim, o trabalhador pode estar inserido tanto no mercado formal como no mercado informal de trabalho. O indivíduo que sofre algum tipo de acidente de trabalho pode estar sujeito à morte ou a algum tipo de lesão, com redução temporária ou permanenteda capacidade para o trabalho. UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO 68 FIGURA 1 – CHARGE QUE DEMONSTRA A EXIGÊNCIA DE PRODUTIVIDADE RITMO ALUCINANTE?! IMAGINA! PEGUE SEU BRAÇO E PRODUZA! FONTE: . Acesso em: 24 jul. 2018. Alguns fatores podem desencadear esse evento adverso, como: arranjo físico inadequado no ambiente de trabalho, esforço físico intenso, falta de equipamento de proteção individual ou coletivo, levantamento manual de peso, exigência de produtividade, postura inadequada, ferramentas defeituosas, entre outros. FIGURA 2 – EXEMPLO DE ATO (CARREGAR ITENS ACIMA DA CAPACIDADE) + CONDIÇÃO INSEGURA FONTE: . Acesso em: 1º nov. 2018. 2.1 CONCEITO De acordo com o artigo 19 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, entende- se como acidente de trabalho “aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço de empresa ou de empregador doméstico ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho". (BRASIL, Lei no 8.213, de 1991, p. 1415). TÓPICO 1 | ACIDENTE DE TRABALHO 69 De acordo com essa definição, o pensamento remonta a uma ideia ligada a uma fatalidade, a acontecimentos anormais, com resultados negativos e inconvenientes ao sujeito. Podemos perceber que o legislador se preocupou com a caracterização do acidente de trabalho, como forma de proteção ao trabalhador, se reportando a uma garantia de indenização, por lesão à saúde. A lesão é identificada pelo prejuízo físico ou mental, ou seja, é o dano permanente ou transitório da atividade fisiológica ou psíquica, tal como a dor, perda da visão, diminuição da audição, convulsões, espasmos, tremores, paralisia, entre outros, relacionada com órgãos ou funções específicas. Já a doença se caracteriza pelo estado mórbido de perturbação da saúde física ou mental, com sintomas específicos em cada caso. Do ponto de vista prevencionista, acidente de trabalho é qualquer ocorrência não programada, inesperada ou não, que afeta o processo normal de uma atividade, trazendo como consequência a perda de tempo, dano material ou lesões ao homem. Mesmo os acidentes que não acarretam lesões são considerados para fins de prevenção. FIGURA 3 – DEMONSTRAÇÃO DO CONCEITO PREVENCIONISTA, QUE ENVOLVE TANTO O INCIDENTE (QUASE ACIDENTE) QUANTO O ACIDENTE FONTE: . Acesso em: 24 jul. 2018. Ferreira e Peixoto (2012) esclarecem que a diferença entre os dois conceitos está no fato de que para o conceito legal, obrigatoriamente deve haver lesão física, já no conceito prevencionista, além das lesões físicas, deve haver a perda de tempo e de materiais. UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO 70 Um acidente sem lesão se torna importante porque, durante a identificação da causa, aparecerão medidas capazes de impedir sua recidiva, assim ocorrerá a prevenção contra acidentes de trabalho. Os acidentes podem resultar em quase-acidentes, danos materiais e lesões. O quase-acidente é qualquer evento ou fato negativo com potencialidade de provocar dano, por exemplo: queda de um eletroímã do sistema de fixação, ele se desprende da estrutura e rola pela rua interna de uma unidade industrial, parando do outro lado da rua, sem machucar ninguém (FERREIRA; PEIXOTO, 2012). Conforme Salem (2007), a definição de acidente de trabalho se reporta ao acontecimento dentro do ambiente de trabalho ou durante a prestação de serviços, ou ainda no percurso de ida e volta para o trabalho. Oliveira (2013) objetiva esse conceito e aponta que, para a caracterização de acidente do trabalho, é essencial a presença dos seguintes requisitos: evento danoso, decorrente do exercício do trabalho ou perturbação funcional e que resulte em morte ou na perda ou na redução, permanente ou temporária, da capacidade para exercer atividade laborativa. Com o decorrer dos estudos, perceberemos que o acidente ganhará um sentido mais amplo, abrangendo as doenças ocupacionais ou moléstias profissionais, a fim de reparação de dano sofrido pelo trabalhador. Martins (2008) define o acidente de trabalho como o acontecimento imprevisto ou algo de maior impacto, que acarreta dano à pessoa ou coisa, e sugere mudanças para que o artigo 19 da Lei no 8.213/1991 definisse acidente de trabalho como uma contingência e não um evento, e utilizasse o termo empregador (que poderia ser tanto pessoa física quanto jurídica) em vez de empresa, pois oferece uma conotação de obscuridade, objetivando a organização, para a produção de bens e serviços, que pode ou não ter empregados. No Brasil, 700 mil pessoas sofrem acidentes de trabalho anualmente, sendo que de 2012 a 2016 houve 3,5 milhões de casos, com 13,3 mil mortes somente no país. Para piorar o cenário, os afastamentos por licença médica custaram R$ 22 bilhões aos cofres públicos, sendo que os operários da construção civil e caminhoneiros estão entre as vítimas mais frequentes (CORREIO BRAZILIENSE, 2017). TÓPICO 1 | ACIDENTE DE TRABALHO 71 FIGURA 4 – SETORES COM MAIOR INCIDÊNCIA DE ACIDENTE DE TRABALHO MAPA DO PERIGO Saiba quais são os setores mais perigosos, responsáveis pelo maior número de acidentes por ano Setor/profissão Acidentes Serviços 76.256 Indústria extrativa e da construção civil 46.673 Transformação de metais e de compósitos 11.808 Escriturários 40.371 Exploração agropecuária 33.990 Técnicos das ciências biológicas, bioquímicas, da saúde 29,718 Trabalhadores da fabricação de alimentos, bebidas e fumo 23.351 Fonte: Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho e Anuário Estatístico da Previdência Social FONTE: . Acesso em: 24 jul. 2018. Nosso país sai disparado no quesito acidente de trabalho, taxado como o quarto país do mundo que mais registra acidentes durante atividades laborais, atrás de China, Índia e Indonésia. De acordo com o Ministério da Fazenda, entre 2012 e 2016 foram registrados 3,5 milhões de casos de acidente de trabalho, em 26 estados e no Distrito Federal, gerando uma despesa enorme ao governo, com gastos da Previdência Social, relacionados às concessões de benefícios (CORREIO BRAZILIENSE, 2017). Dessa forma, estudamos que as taxas de acidentes que ocorrem anualmente são bem altas, mas não podemos esquecer das doenças de trabalho, que também possuem registros, elevando os custos e prejuízos humanos, sociais e econômicos, onerando o país. Nessa perspectiva, são contados para as estatísticas apenas os dados do trabalho formal, pois os informais não entram nessa contagem. UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO 72 FIGURA 5 – ILUSTRAÇÃO DO CUSTO ONEROSO QUE OCORRE EM FUNÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO FONTE: . Acesso em: 1º nov. 2018. 3 TIPOS DE ACIDENTES Não é possível dizer que a legislação acidentária no Brasil é precária, mas ocorrem diversos tipos de acidentes, tornando difícil esgotar esses infortúnios laborais, que podem ocasionar a incapacidade laboral. A Previdência Social e o Ministério do Trabalho lançam, anualmente, estatísticas quanto ao número de casos de acidentes de trabalho, porém, nessas divulgações, os principais tipos de acidente são: o acidente típico e as doenças ocupacionais (OLIVEIRA, 2013). Entretanto, estudaremos uma ampla classificação para esses acidentes, conforme veremos a seguir: 3.1 TÍPICO Hertz (2009) entende que nesse tipo de acidente, que ocorre em função do exercício do trabalho, se conhece o instante em que a lesão ocorre, oportunizando a cronologia entre as lesões, quando forem sucessivas. Um fato é certo, que na maioria das vezes há lesão corporal ou distúrbio funcional, causando30 4.1.1.2 Vibrações ........................................................................................................................... 32 4.1.1.3 Pressões anormais ............................................................................................................ 33 4.1.1.4 Temperaturas extremas ................................................................................................... 35 4.1.1.5 Radiações .......................................................................................................................... 37 4.1.2 Risco Químico .................................................................................................................... 40 4.1.3 Risco Biológico .................................................................................................................... 41 4.1.4 Risco Ergonômico ............................................................................................................... 42 4.1.5 Risco de Acidente ................................................................................................................ 42 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 45 TÓPICO 3 - ASPECTOS GERAIS DO LTCAT ............................................................................... 47 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 47 2 DEFINIÇÕES LEGAIS ..................................................................................................................... 47 2.1 INSALUBRIDADE ....................................................................................................................... 47 2.2 PERICULOSIDADE ..................................................................................................................... 51 3 AVALIAÇÕES AMBIENTAIS ....................................................................................................... 53 3.1 AVALIAÇÃO QUALITATIVA .................................................................................................... 54 3.2 AVALIAÇÃO QUANTITATIVA ............................................................................................... 54 4 DESENVOLVIMENTO DO LTCAT .............................................................................................. 55 4.1 ELABORAÇÃO DO LTCAT ....................................................................................................... 55 4.2 UTILIZAÇÃO E RESPONSABILIDADE PELA IMPLANTAÇÃO ...................................... 58 LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................................... 59 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 63 sumário VIII UNIDADE 2 - RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO...................................................... 65 TÓPICO 1 - ACIDENTE DE TRABALHO ...................................................................................... 67 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 67 2 ACIDENTES NO AMBIENTE DE TRABALHO ......................................................................... 67 2.1 CONCEITO ................................................................................................................................... 68 3 TIPOS DE ACIDENTES .................................................................................................................. 72 3.1 TÍPICO ........................................................................................................................................... 72 3.2 DOENÇAS OCUPACIONAIS .................................................................................................... 73 3.2.1 Doença profissional ............................................................................................................ 74 3.2.2 Doença do trabalho............................................................................................................. 75 3.3 CONCAUSA .............................................................................................................................. 76 4 BENEFÍCIOS ACIDENTÁRIOS .................................................................................................... 77 4.1 AUXÍLIO-DOENÇA .................................................................................................................... 78 4.2 AUXÍLIO-ACIDENTE ................................................................................................................. 79 4.3 APOSENTADORIA POR INVALIDEZ ..................................................................................... 81 4.4 PENSÃO POR MORTE .............................................................................................................. 82 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 84 TÓPICO 2 - EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 87 2 REGISTROS NA CARTEIRA DE TRABALHO E PREVIDÊNCIA SOCIAL ....................... 87 2.1 EXIGÊNCIAS E CONSEQUÊNCIAS LEGAIS ......................................................................... 89 3 COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO ................................................................ 90 3.1 PREENCHIMENTO DA CAT .................................................................................................... 93 4 REABERTURA DA CAT .................................................................................................................. 95 5 RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR PELO ACIDENTE DE TRABALHO .......................................................................................................................................... 96 5.1 RESPONSABILIDADE CIVIL SUBJETIVA .............................................................................. 98 5.2 RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA .............................................................................. 100 6 EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE ........................................................................... 102 AUTOATIVIDADE ........................................................................................................................... 105 TÓPICO 3 - AÇÕES E INTERVENÇÕES NO AMBIENTE LABORAL .................................. 107 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 107 2 TIPOS DE ACIDENTES E ATENDIMENTO IMEDIATO ..................................................... 109 2.1 QUEIMADURAS POR ELETRICIDADE ............................................................................... 109 2.2 FRATURAS ................................................................................................................................. 110 2.3 TONTURA E DESMAIO ........................................................................................................... 110 2.4 DOR NO PEITO ........................................................................................................................ 111 2.5 PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA ................................................................................... 111 3 NORMAS DE HIGIENE OCUPACIONAL ............................................................................... 113 3.1 PROGRAMAS DE HIGIENE OCUPACIONAL .................................................................... 114 LEITURA COMPLEMENTAR .........................................................................................................prejuízo ao trabalhador e impedindo seu retorno à atividade laboral provisoriamente, ou até mesmo de maneira temporária, havendo a possibilidade de óbito em alguns casos. Para tornar a teoria mais clara, podemos exemplificar essa classificação de acidente indicando alguns casos típicos: • Perda de dedos da mão, de um açougueiro, devido ao maquinário não estar de acordo com as Normas Regulamentadoras. TÓPICO 1 | ACIDENTE DE TRABALHO 73 • Queda de um pedreiro no andaime, realizando suas atividades. • Perda total da mão, em máquina de serrar madeira. • Bombeiro que sofre queimaduras apagando incêndio. Hertz (2009, p. 82) ainda faz um comentário importante, complementando o assunto, quando diz que “o acidente do trabalho não deixará de ser típico, ainda que seus efeitos venham a ser tardios”. Como exemplo, cita um trabalhador que, em função de um acidente, sofreu rompimento de algum órgão interno, sem diagnóstico de lesão no momento em que o infortúnio ocorreu, mas sendo descoberta posteriormente e relacionada com a atividade laboral. A constatação do nexo de causalidade, ou nexo etiológico, também se faz necessária para a caracterização do infortúnio, ou seja, está relacionado ao “acontecimento que surge comumente no ambiente de trabalho ou em razão da execução dele”, ocorrendo também prejuízos de ordem psíquica ou física, como características essenciais do acidente de trabalho (HERTZ, 2009, p. 78). Oliveira (2013, p. 41) faz um apanhado de vários conceitos e sintetiza a questão, ressaltando que: o fato gerador do acidente típico mostra-se como evento súbito, inesperado, externo ao trabalhador e fortuito no sentido de que não foi provocado pela vítima. Os eventos danosos normalmente são imediatos e o evento é perfeitamente identificável, tanto com relação ao local da ocorrência quanto no que tange ao momento do sinistro, diferentemente do que ocorre nas doenças ocupacionais. Dessa forma, conforme consta no art. 19 da Lei 8.213/91, os elementos caracterizadores do acidente do trabalho típico são: a) a existência de evento danoso decorrente do exercício do trabalho, este prestado pelo empregado ou pelos segurados especiais; b) a lesão corporal ou perturbação funcional decorrente desse evento danoso; e, por fim, c) a constatação de perda total ou parcial da capacidade. 3.2 DOENÇAS OCUPACIONAIS Souza (2013) informa que essa categoria não é considerada um acidente de trabalho típico, porém, as doenças ocupacionais se dividem em doença profissional e do trabalho, que podem desencadear uma incapacidade laboral do trabalhador, comprometendo suas atividades. As doenças ocupacionais não são decorrentes de um fato abrupto, de uma lesão perceptível e imediata, mas resultam de um aparecimento lento, imperceptível muitas vezes, mas progressivo, com resultado posterior ao evento. UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO 74 3.2.1 Doença profissional São conhecidas por ergopatias, caracterizadas por fatores específicos no exercício de determinada atividade, ou seja, seu aparecimento se destaca em algumas profissões, por meio de agentes nocivos. Importante destacar que a Previdência Social reconhece essas atividades como sendo insalubres, dessa forma, se houver nexo de causalidade, o acidente será presumido (SOUZA, 2013). A fim de exemplificar esse quadro que afeta certas profissões, podemos citar: • Digitadores que são acometidos na sua grande maioria por Lesão por Esforço Repetitivo (LER). • Telefonistas que podem sofrer de Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR). • Cavadores de poços ou mineradores, podem sofrer silicose, doença caracterizada pela inalação do pó de sílica, causando fibrose pulmonar. QUADRO 1 – RECOMENDAÇÕES PARA PREVENIR DOENÇAS PROFISSIONAIS Aspectos Físicos Aspectos Organizacionais – Enclausuramento e automação dos processos e máquinas; – Rotatividade das tarefas; – Exaustão; – Pausas; – Ventilação do ambiente de trabalho; – Redução da carga horária; – Alterações de processos; – Evitar premiações por produtividade que traga prejuízo à saúde do trabalhador; – Utilização dos equipamentos de proteção individuais e coletivos; – Maior participação dos trabalhadores nas decisões; – Móveis adequados às características físicas dos trabalhadores; – Flexibilidade dos horários; – Técnicas de relaxamento; – Limpeza regular dos aparelhos de ar- condicionado; – Conhecimento do perigo; – Quando da concepção da instalação, aproveitar da melhor forma possível a ventilação natural. – Manter sob controle os exames médicos dos trabalhadores que desenvolvem atividades com grande perigo; FONTE: . Acesso em: 25 jul. 2018. No quadro acima, precisamos entender que mencionar enclausuramento e automação dos processos e máquinas refere-se, por exemplo, a colocar máquinas industriais em locais que não gerem som excessivo, além disso, programá-las para funcionar na ausência de um trabalhador. Da mesma maneira, quando se menciona exaustão, esse termo está relacionado à ventilação nos ambientes de trabalho. TÓPICO 1 | ACIDENTE DE TRABALHO 75 3.2.2 Doença do trabalho Também conhecida por mesopatia, é aquela que ocorre por meio de condições especiais, em que as atividades laborais são produzidas e, por serem doenças atípicas, exigem a comprovação do nexo causal com trabalho (SOUZA, 2013). Os trabalhadores acometidos por doenças do trabalho são mais facilmente encontrados em empresas de pequeno porte, pois, infelizmente, muitas delas negligenciam a segurança do trabalhador e também a condição do ambiente aonde ele está inserido, favorecendo o aparecimento de doenças do trabalho com maior frequência. O inciso II do art. 20 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, define doença do trabalho como: “A adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante no anexo II do Decreto nº 3.048/1999” (BRASIL, 1991). A fim de exemplificar esse quadro que afeta certos trabalhadores, podemos citar: • Alergias respiratórias provenientes de locais com ar-condicionado sem manutenção satisfatória, principalmente limpeza de filtros e dutos de circulação de ar. • Ansiedade. • Alergias de pele. • Problemas na visão. • Estresse. Algumas pessoas não entendem por que o estresse é enquadrado nessa categoria, porém, ele aparece como sendo uma resposta do organismo diante de uma situação tensa, ameaçadora, que gere angústia ou ansiedade, dessa forma, o organismo tenta se defender produzindo o estresse. Tanto as Doenças Profissionais como as Doenças do Trabalho são equiparadas ao Acidente do Trabalho quando delas decorrer a incapacidade para o trabalho. NOTA UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO 76 FIGURA 6 – DERMATITE PROVOCADA PELA MANIPULAÇÃO DO CIMENTO FONTE: . Acesso em: 10 nov. 2018. Não são consideradas como doença do trabalho: • doença degenerativa, inerente a grupo etário; • a que não produz incapacidade laborativa; • doença endêmica adquirida por segurado, habitante de região em que ela se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho. 3.3 CONCAUSA Entre as hipóteses de equiparação a acidente de trabalho, há as concausas, que estão previstas no artigo 21, I da Lei no 8.213/9 (BRASIL, 1991), que diz: Equiparam-se também ao acidente do trabalho, para efeitos desta Lei: I - o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído diretamente para a morte do segurado, para redução ou perda da sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação. Dessa forma, mesmo que a atividade executada no trabalho não tenha sido a única causa do acidente, ainda assim será considerada como acidente de trabalho, quando os fatores do trabalho colaboraremde maneira direta para o ocorrido. Vamos exemplificar por meio de um trabalhador eletricista, portador de diabetes, e que durante a sua jornada de trabalho deixou uma peça cair no dedo da mão, provocando um ferimento, mas em virtude da doença já existente, TÓPICO 1 | ACIDENTE DE TRABALHO 77 faleceu devido à infecção generalizada, porque a ferida foi porta de entrada para bactérias. Souza (2013) contribui com um exemplo de concausa explicando que, se um trabalhador no local de trabalho quebrar um braço e devido ao surgimento de uma gangrena for necessário amputá-lo, entende-se que, se o trabalhador não tivesse quebrado o braço, o quadro não evoluiria para uma gangrena. Assim, afirmamos que a concausa necessita, obrigatoriamente, relacionar- se ao acidente e à incapacidade laborativa, pois precisa haver relação com o problema antecedente, ou seja, acidente e doença do trabalho. Para Cavalieri Filho (2008), as condições pessoais de saúde do acidentado, bem como as suas predisposições patológicas, ou fatores preexistentes, embora agravantes do resultado, em nada diminuem a responsabilidade do agente. São considerados fatores preexistentes aqueles “em que o trabalhador apresenta uma predisposição latente, que se evidencia mais tarde com o infortúnio” (SOUZA, 2013, p. 87). Através dos exames periódicos da empresa, é necessário identificar e colocar no prontuário do trabalhador a predisposição das doenças, a fim de não permitir que esse trabalhador execute suas funções em áreas propensas a aumentar os riscos de doenças e infortúnios laborais. As concausas consistem em circunstâncias que “concorrem para o agravamento do dano, mas que não têm a virtude de excluir o nexo causal desencadeado pela conduta principal, nem de, por si sós, produzir o dano” (CAVALIERI FILHO, 2008, p. 58). 4 BENEFÍCIOS ACIDENTÁRIOS Em algum momento na jornada de trabalho, o empregado pode sofrer um acidente de trabalho, mesmo que atualmente haja tecnologia em seu favor. Esses acidentes causam desde lesões que incapacitam o trabalhador até sua morte. No Brasil, os trabalhadores que sofrem acidentes são amparados pela Previdência Social, respaldados pela Constituição Federal de 1988, assim, os gastos previdenciários devem ser suportados pelo governo, empresas e trabalhadores, então, vamos conhecê-los. UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO 78 4.1 AUXÍLIO-DOENÇA Apesar de estudarmos o conceito de auxílio-doença, é importante saber que ele não é um benefício concedido apenas a empregados acidentados, veja o que diz Cabral Júnior (2003, p. 92): Sendo concedido sempre que ocorrer qualquer evento que resulte em incapacidade para o trabalho por período superior a quinze dias. [...] Na prática, o auxílio-doença apresenta-se como substituição à remuneração do empregado que se encontra, temporariamente, sem condições de trabalhar. A confusão entre auxílio-doença e auxílio-doença acidentário é grande, de maneira simples, podemos dizer que o primeiro é concedido na maioria das hipóteses de doença e o segundo é em função de acidentes do trabalho, tanto doenças do trabalho quanto profissionais. O auxílio-doença será devido ao segurado que ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a atividade habitual, por mais de 15 dias consecutivos, portanto, a partir do 16º dia, quem irá pagar o trabalhador será a Previdência Social. Se, por exemplo, o trabalhador ficar doente e incapacitado temporariamente por 10 dias, o salário será pago pelo empregador. Para que o trabalhador tenha direito ao benefício auxílio-doença, deverá ser segurado da Previdência Social, esta condição impõe que ele tenha no mínimo 12 meses de contribuição. Para ter direito ao auxílio-doença, é necessária a comprovação da incapacidade através de exames feitos pelo perito médico da Previdência Social. Com relação ao auxílio-doença acidentário, não há prazo de carência, ou seja, ele não precisa ter 12 meses de contribuição, para ter direito ao benefício. Porém é importante saber que o segurado terá estabilidade de 12 meses no trabalho, ou seja, após receber alta, não poderá ser demitido sem justa causa por pelo menos um ano. Carência é um tempo mínimo de contribuição para ter direito ao benefício, geralmente 12 meses. NOTA Esse benefício é provisório, porque quando o segurado estiver apto ao retorno de suas atividades laborais, o benefício cessa, entretanto, diante de um caso em que não seja possível a recuperação da saúde, o auxílio-doença cessará mesmo assim, para que o mesmo seja aposentado por invalidez. TÓPICO 1 | ACIDENTE DE TRABALHO 79 FIGURA 7 – CESSAÇÃO DO AUXÍLIO-DOENÇA Auxílio-doença O auxílio é cessado quando: Destinado ao segurado da Previdência Social que ficar incapacitado para o trabalho, mesmo que temporariamente, por mais de 15 dias consecutivos. • alta médica, recuperação do trabalhador • benefício se transforma em aposentadoria por invalidez • falecimento do segurado • retorno voluntário ao trabalho FONTE: . Acesso em: 26 jul. 2018. Com relação ao valor do benefício em questão, para os empregados com carteira assinada, o valor é igual ao salário, respeitando o teto de R$ 5.645,80 (valor previsto para o ano de 2018). Para os autônomos e empregados domésticos, o benefício é proporcional à contribuição do trabalhador ao INSS, ou seja, se a contribuição da pessoa for de um salário mínimo, por exemplo, receberá o valor de um salário mínimo (BRASIL, 2018). 4.2 AUXÍLIO-ACIDENTE Esse benefício será concedido ao trabalhador quando sofrer um acidente e permanecer com sequelas, impedindo sua capacidade de trabalho que habitualmente exercia. O direito está assegurado aos empregados, trabalhadores avulsos e segurador especial, em contrapartida, o empregado doméstico, contribuinte individual e o facultativo não terão direito a este benefício. UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO 80 FIGURA 8 – CONCEITO DE AUXÍLIO-DOENÇA ACIDENTÁRIO FONTE: . Acesso em: 1º nov. 2018. Está estabelecido no parágrafo 1º do art. 104 do Decreto nº 3.048/99 o valor para recebimento deste benefício, que será de 50% do salário de benefício que deu origem ao auxílio-doença do segurado, corrigido até o mês anterior ao do início do auxílio-acidente, e será devido até a véspera de início de qualquer aposentadoria ou até a data do óbito do segurado. Não há período de carência para o recebimento do auxílio-acidente. O valor que o trabalhador receberá será de 50% referente ao salário benefício e será pago no dia seguinte em que cessar o auxílio-doença até o momento da aposentadoria ou do óbito do segurado (ABRAHÃO, 2008). Para existir benefício do auxílio-acidente, deve haver obrigatoriamente um acidente, podendo ser de qualquer natureza, em função ou não do trabalho. Mas para liberação, é necessário que o segurado comprove que recebeu do INSS o benefício de auxílio-doença, ou comprovar que recebeu alta médica e, por conseguinte, cancelamento do auxílio-doença. Para obter auxílio-acidente, o trabalhador pode marcar a perícia e entrega de documentos pelo site da Previdência Social ou pelo número 135 do INSS. DICAS TÓPICO 1 | ACIDENTE DE TRABALHO 81 4.3 APOSENTADORIA POR INVALIDEZ O artigo 475 da CLT dispõe que “o empregado que for aposentado por invalidez terá suspenso o seu contrato de trabalho durante o prazo fixado pelas leis de previdência social para efetivação do benefício” (SOUZA, 2013). Muitas pessoas pensam que, ao receber o benefício de aposentadoria por invalidez, nunca mais voltarão a trabalhar, entretanto, não é bem assim, porque caso o trabalhador recupere sua função e a capacidade para trabalhar, terá direito de reingressar novamente à função que ocupava, no seu local de trabalho. Entretanto, o empregador poderá rescindir o contrato nos termos dos arts. 477 e 478 da CLT, salvo na hipótese de ser o empregadoportador de estabilidade (SOUZA, 2013). Martins (2008, p. 325) complementa esta questão afirmando que: Recuperando o empregado a capacidade de trabalho e sendo a aposentadoria cancelada, terá o direito de retornar à função que anteriormente ocupava, facultado, contudo, ao empregador indenizá- lo pela rescisão do contrato de trabalho, nos termos do art. 477 e 478 da CLT ou mediante pagamento de indenização em dobro, se for estável. Caso o empregador haja admitido substituto para o aposentado, poderá rescindir o contrato de trabalho do substituto, desde que este tivesse ciência da interinidade do pacto celebrado, sem pagamento de nenhuma indenização. Não há, na norma, prazo para impor período da aposentadoria por invalidez, dessa forma, o contrato torna-se suspenso até que de fato o médico perito do INSS informe que a invalidez é permanente, sem chance de recuperação. FIGURA 9 – INFORMAÇÕES SOBRE APOSENTADORIA POR INVALIDEZ FONTE: Disponível em:. Acesso em: 1º nov. 2018. UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO 82 Quando o segurado não conseguir fazer suas atividades habituais sozinho (tomar banho, fazer as refeições, deambular, entre outros atos) e necessitar da ajuda de terceiros, poderá ser requerido o acréscimo de 25% sobre o valor da aposentadoria. 4.4 PENSÃO POR MORTE Não é difícil de entender o conceito, pois se torna autoexplicativo, de qualquer forma, significa que quando o segurado morre, os dependentes terão direito a um valor de pensão. Caso haja filhos, será disponibilizada até completarem a maioridade e dividida proporcionalmente. É importante destacar que, em 2014, a concessão do benefício de pensão por morte sofreu alterações, através da Lei nº 13.135, de 2015. Através dessa medida, a pensão por morte passa a ter carência de 24 meses, portanto, o benefício será concedido, se o falecido contribuiu por esse período. Anteriormente a essa mudança, o benefício não possuía período de carência, assim sendo, o beneficiário tinha o direito de receber a pensão a partir de uma única contribuição mensal do segurado. Mas, preste atenção, nessa medida há exceções, pois ela não se aplica aos casos em que a morte do segurado decorrer de acidente de trabalho ou doença profissional ou de trabalho. Da mesma forma, está fora dessa regra o segurado que, no momento do óbito, estava recebendo auxílio-doença ou qualquer espécie de aposentadoria. Antes da medida citada, a pensão era vitalícia, porém, houve mudanças e, depois de 2014, só será concedida de maneira vitalícia para o cônjuge ou companheiro que tenha sobrevida de até 35 anos. Já aqueles que tiverem expectativa além dos 35 anos, o período de duração da pensão será de 15 anos. 83 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu que: • Acidente de trabalho é a ocorrência imprevista e indesejável, instantânea ou não, relacionada ao exercício do trabalho. • Do ponto de vista prevencionista, acidente de trabalho é qualquer ocorrência não programada, inesperada ou não, que afeta o processo normal de uma atividade, trazendo, como consequência, a perda de tempo, dano material ou lesões ao homem. • Mesmo os acidentes que não acarretam lesões são considerados para fins de prevenção. • O acidente classificado como concausa necessita, obrigatoriamente, relacionar- se ao acidente e à incapacidade laborativa, pois precisa haver relação com o problema antecedente, ou seja, acidente e doença do trabalho. • Doença do trabalho é aquela que ocorre por meio de condições especiais, em que as atividades laborais são produzidas e, por serem doenças atípicas, exigem a comprovação do nexo causal com trabalho. • O auxílio-doença será devido ao segurado que ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a atividade habitual por mais de 15 dias consecutivos. • Auxílio-acidente será concedido ao trabalhador quando sofrer um acidente e permanecer com sequelas, reduzindo sua capacidade de trabalho que habitualmente exercia. • Em 2014, a concessão do benefício de pensão por morte sofreu alterações através da Lei nº 13.135, de 2015. 84 AUTOATIVIDADE 1 A saúde no trabalho tem ligação às doenças ocupacionais e profissionais, que possam aflorar no organismo humano, portanto, a adoção de medidas preventivas garante a proteção no ambiente laboral, evitando acidentes de trabalho. De acordo com essa afirmação, assinale a alternativa CORRETA para o conceito de acidente de trabalho. a) ( ) Aquele que ocorre no exercício do trabalho, normalmente ocasionando alguma lesão, que pode ou não incapacitar o trabalhador ao exercício de suas atividades. b) ( ) Aquele que acontece na residência, ao executar atividades no jardim ou até mesmo na cozinha. c) ( ) Ocorrência de danos físicos e emocionais, em acidentes que ocorreram 24 horas após a saída do trabalhador do seu ambiente laboral. d) ( ) Ocorrência de eventos fisiológicos, durante o lazer, mas após a saída da atividade laboral. 2 O acidente de trabalho é considerado um evento danoso, causando transtorno não somente ao empregado, mas ao empregador e até mesmo ao Estado, pois, dependendo do tipo de acidente, há afastamento e gastos para a reabilitação e manutenção da saúde. De acordo com essa afirmativa, assinale a alternativa CORRETA, que indique tipos de acidentes de trabalho. a) ( ) Doença profissional. b) ( ) Pediculose. c) ( ) Acidente de automóvel que tenha ocorrido nas férias do empregado. d) ( ) Gestação. 3 O Auxílio-Doença é um benefício oportunizado ao segurado do INSS, em que o trabalhador esteja temporariamente incapaz para o exercício do trabalho em decorrência de doença ou acidente. De acordo com essa afirmativa, classifique (V) para verdadeiro e (F) para falso: a) ( ) Para receber o benefício do auxílio-doença, é necessário que o trabalhador tenha a qualidade de segurado. b) ( ) É necessário comprovação através da perícia médica, de que a doença ou acidente tornou o trabalhador temporariamente incapaz para o seu trabalho. c) ( ) O auxílio-acidente não deve estar ligado a nenhum tipo de acidente para que o trabalhador se beneficie dele. d) ( ) O auxílio-doença cessa quando há morte do segurado. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: 85 a) ( ) V – V – F – V. b) ( ) V – F – F – V. c) ( ) F – V – V – F. d) ( ) V – V – V – F. 4 O auxílio-acidente é um benefício concedido ao trabalhador que sofrer algum acidente, com algum dano e reduzindo sua capacidade de trabalho, porém, terá que comprovar, por meio de perícia médica, que está temporariamente incapaz para o trabalho em decorrência de doença ou acidente. De acordo com essa afirmativa, assinale a alternativa CORRETA no que diz respeito a auxílio-acidente. a) ( ) Não há período de carência para o recebimento desse benefício. b) ( ) O contribuinte individual e o facultativo terão direito a este benefício. c) ( ) O valor que o trabalhador receberá será de 80% do salário mínimo. d) ( ) Esse benefício é estendido aos sobrinhos e netos de menores. 86 87 TÓPICO 2 EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Ao longo da sua vida profissional, você encontrará vários entendimentos relacionados ao ambiente de trabalho, dos quais necessitará ter conhecimento para interagir com as nuances da vida em prol da segurança no ambiente laboral. Nesta unidade, estudaremos os registros na carteira de trabalho e previdência social, comunicação de acidente de trabalho, preenchimento da CAT, reabertura da CAT, responsabilidade civil do empregador pelo acidente de trabalho, responsabilidade civil subjetiva e objetiva, além dos excludentes de responsabilidade. Lembre-se de que conhecimento é um processo contínuo e nunca terá fim, a pesquisa e o aprender devem ser uma busca constante em nossas vidas profissionais, dessa forma, corroboramos o entendimento da educadora Isabel Alarcão(2004), quando diz que “a pesquisa é um processo privilegiado de construção do conhecimento”. Convidamos você, acadêmico, a continuar nessa trajetória de estudos, então vamos em frente! 2 REGISTROS NA CARTEIRA DE TRABALHO E PREVIDÊNCIA SOCIAL A carteira de trabalho e previdência social, conhecida por CTPS, foi criada em 1943, sendo que toda empresa que contrata empregado deve preencher a CTPS, pois se o empregador não registrar a contratação na carteira de trabalho, sua contratação é vedada (NASCIMENTO, 2002). UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO 88 FIGURA 10 – INFORMAÇÕES SOBRE A CARTEIRA DE TRABALHO FONTE: . Acesso em: 1º nov. 2018 De acordo com Matos (2018), deve haver uma regra para que a empresa faça as anotações na CTPS, pois não é permitido qualquer tipo de registro, portanto, devem ser especificados: • Razão social do empregador e número no CNPJ. • Endereço completo do empregador. • Especialidade e ramo do empreendimento contratante. • Cargo e função a ser ocupado pelo empregado na empresa. • Classificação do respectivo cargo. • Data de admissão na empresa, que corresponde ao primeiro dia trabalhado, incluindo o contrato de experiência, se existente. • Número de registro do trabalhador na empresa. • Valor da remuneração em numerais e por extenso e a frequência da remuneração. • Anotações do contrato de experiência. • Anotação de contrato por prazo determinado, conforme o disposto na Lei nº 9.601/98. • Alterações salariais. • Registro das férias. • Anotações do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). • Cadastro no Programa de Integração Social (PIS), quando for o primeiro emprego do funcionário. • Detalhes e declaração de contrato de experiência. • Promoções. • Mudanças e alterações nos dados do empregador. • Atestados médicos com período de dispensa. • Alterações em contrato de trabalho. TÓPICO 2 | EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA 89 Você sabia que a CTPS deve ser devolvida no prazo máximo de 48 horas? Sim, a empresa que não devolver neste prazo ficará sujeita a multa de valor igual à metade do salário mínimo. Dessa forma, quando o empregador entregar a CTPS, deverá fazer por meio de recibo com data e assinatura do empregado e que deverá ficar arquivado e disponibilizado ao Ministério do Trabalho, diante de alguma fiscalização. FIGURA 11 – PRAZO LEGAL PARA DEVOLUÇÃO DA CARTEIRA DE TRABALHO AO EMPREGADO FONTE: . Acesso em: 27 jul. 2018. 2.1 EXIGÊNCIAS E CONSEQUÊNCIAS LEGAIS Quando o empregador não efetua o registro do seu funcionário de maneira legal e devida, esse ato pode repercutir na seara trabalhista, se o trabalhador se sentir lesado e decidir ingressar judicialmente contra o empregador ou empresa. Para Matos (2018), todas as consequências decorrentes de ações trabalhistas contra uma empresa têm por base o vínculo empregatício, portanto, a empresa necessita atender a todas as obrigações trabalhistas e previdenciárias previstas na legislação, para o funcionário que teve seu vínculo empregatício reconhecido. A Justiça do Trabalho resolve as causas que demandam problemas trabalhistas, pois poderá ser acionada em várias situações, desde a contratação até o desligamento, aliás, muitas vezes essas causas trabalhistas se estendem posteriormente ao desligamento. As ações trabalhistas iniciam através da reclamação trabalhista, referente aos direitos e obrigações do empregador e empregado, porém, elas podem ser evitadas, basta que a empresa siga os trâmites legais, de registro, treinamento, fornecimento de equipamentos de proteção individual e coletivo, além da prevenção em segurança e medicina do trabalho. UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO 90 Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob dependência deste e mediante salário. NOTA FIGURA 12 – DIMINUEM AÇÕES TRABALHISTAS PARA QUEM ATENDE ÀS EXIGÊNCIAS LEGAIS FONTE: . Acesso em: 9 ago. 2018. Dessa forma, como relata Matos (2018), todas as consequências legais e divergências entre empregadores e empregados que se sintam prejudicados em seus direitos podem ser resolvidas na Justiça do Trabalho, para resolução de seus problemas. 3 COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO A Comunicação de Acidente do Trabalho, conhecida pela sigla CAT, é preenchida pela empresa à Previdência Social, dentro de um prazo legal, independentemente se há ou não afastamento do trabalhador. Além de ser uma obrigação legal do empregador, a CAT também serve para fins estatísticos (BURSANO, 2012). Neste sentido, a Lei no 8.213/91 (BRASIL, 1991), artigo 22, prevê: A empresa ou o empregador doméstico deverão comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do salário de contribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e cobrada pela Previdência Social. TÓPICO 2 | EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA 91 A CAT é um documento preenchido pela empresa, informando a ocorrência de acidente do trabalho ou doença profissional do empregado para o Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS). Dessa forma, ao ocorrer o acidente de trabalho, grave ou não, o empregador tem a obrigação de comunicar o INSS, ou seja, ele não tem opção de escolha, isso é considerado um dever que gera a obrigação. A CAT servirá para o reconhecimento legal do acidente e para assegurar ao acidentado todos os direitos legais. Para Saliba (2008), essa comunicação visa informar à Previdência sobre o acidente, para fins de concessão do benefício, evitando prejuízos ao trabalhador. Se a empresa não comunicar a Previdência, o próprio acidentado pode comunicar, bem como seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que deu assistência ao acidentado ou outra autoridade pública, com o objetivo de proteger o trabalhador. Para sua comodidade, o INSS disponibiliza um aplicativo que permite o Registro da CAT de forma on-line, desde que preenchidos todos os campos obrigatórios. DICAS Oliveira (2013) coloca que, se o empregado vem a falecer em razão do acidente, a empresa deverá comunicar a ocorrência imediatamente à autoridade policial, além da comunicação ao INSS. A razão desta comunicação é em virtude da necessidade de se investigar, no inquérito, se há delito a ser punido na esfera criminal. FIGURA 13 – DATA NACIONAL DA PREVENÇÃO DE ACIDENTES DE TRABALHO FONTE: . Acesso em: 1º nov. 2018. UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO 92 A emissão da CAT pela empresa não garante o benefício de auxílio- acidente ao empregado, pois é a Previdência Social que assegura a concessão do benefício, como assevera Oliveira (2013, p. 63): A emissão da CAT não significa automaticamente que houve uma confissão da empresa quanto à ocorrência do acidente do trabalho, porquanto a caracterização oficial do infortúnio é feita pela Previdência Social, depois de comprovar o liame causal entre o acidente e o trabalho exercido. É importante critério e razoabilidade na hora da emissão da CAT, a fim de evitar sobrecarga à Previdência Social. Assim, corrobora Oliveira (2013, p. 62) quando diz que: Assim, a partir do momento em que surge a “suspeita diagnóstica” da doença relacionada ao trabalho, é dever do empregador e direito do empregado a emissão da CAT. De qualquer forma, é necessário que haja alguma alteração, sintoma ou sinal clínico que possa levar à suspeita, para não cair no excesso oposto de emissão da CAT pela simples desconfiança ou mero capricho por partedo empregado. Cabe salientar que o conceito de acidente do trabalho não está vinculado necessariamente à concessão do benefício previdenciário por incapacidade, pois se o acidente for identificado quando o trabalhador estiver desempregado, a CAT deverá ser emitida pela ex-empregadora. FIGURA 14 – CHARGE DA VISÃO MERCANTILISTA DO EMPREGADOR FONTE: . Acesso em: 1º nov. 2018. TÓPICO 2 | EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA 93 Mesmo que o acidente não gere o benefício, esta comunicação terá efeitos do ponto de vista estatístico, epidemiológico e tributário, conforme aduz Oliveira (2013, p. 64): o acidente ou doença comunicado pela empresa pode ser ou não caracterizado tecnicamente como acidente do trabalho. Se a Perícia indicar que não há nexo causal do acidente ocorrido com o trabalho, o INSS reconhecerá apenas o acidente de qualquer natureza, conferindo à vítima os benefícios previdenciários cabíveis, mas não os direitos acidentários. Igual desfecho ocorrerá se a doença, mesmo considerando- se as possíveis causas, não estiver relacionada ao trabalho. Conforme Saliba (2008, p. 29), considera-se o dia que aconteceu a doença profissional ou do trabalho como “a data do início da incapacidade laborativa para o exercício da atividade laboral, ou o dia da segregação compulsória, ou ainda o dia em que for realizado o diagnóstico, valendo o que ocorrer primeiro”. 3.1 PREENCHIMENTO DA CAT É sempre bom recorrer ao manual de instruções para o preenchimento correto da CAT, a fim de garantir que não haja erros, principalmente para quem fará o documento pela primeira vez ou até mesmo para proporcionar segurança aos leigos no assunto. Essa comunicação que deve ser encaminhada à Previdência Social tem previsão na Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e no Instituto Nacional do Seguro Social. O preenchimento deve seguir as diretrizes legais, para tanto, recomenda- se que sejam tomadas algumas precauções, como (BRASIL, 2018): • Não assinar a CAT em branco. • Verificar se todos os itens de identificação foram devidamente preenchidos. • Lembrar que o atestado médico da CAT é de competência somente do médico. • Preencher sem rasuras e, se for manuscrito, deve ser com letra de forma e de preferência, caneta esferográfica preta. • Evitar deixar campos em branco. • Apresentar a CAT impressa em papel e em duas vias ao INSS. A comunicação será feita ao INSS por intermédio do formulário CAT, preenchido em seis vias, sendo que o INSS irá reter a primeira via e destinará as demais, conforme descrição: 1ª via – ao INSS; 2ª via – à empresa; 3ª via – ao segurado ou dependente; 4ª via – ao sindicato de classe do trabalhador; UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO 94 5ª via – ao Sistema Único de Saúde – SUS; 6ª via – à Delegacia Regional do Trabalho. FIGURA 15 – ROTEIRO DE EMISSÃO E REGISTRO DE COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DO TRABALHO (CAT) Segurado se acidenta ou adquire doença do trabalho, e leva ao conhecimento da empresa para emissão de CAT (1) Empresa preenche o Quadro I "EMITENTE" da CAT e encaminhada ao médico Acidentado, sindicato de classe, médico assistente ou autoridade pública, preenche o Qadro I "EMITENTE" da CAT e encaminha ao médico. O emitente ou SUS encaminha a CAT ao INSS para registro Serviço médico da empresa, próprio, contratado, ou da rede SUS examina o acidentado, preenche o Quadro II "ATESTADO MÉDICO" INSS gera relatório para acompanhamento do setor de fiscalização, após caracterizado o acidente e constatada a omissão. INSS emite relatório de registro de CAT para informação à empresa para ciencia do registro da CAT Empresa ou SUS encaminha a CAT ao INSS para registro Serviço médico contratado ou da Rede SUS examina o acidentado, preenche o Quadro II "ATESTADO MÉDICO" Empresa emite CAT Sim Não FONTE: . Acesso em: 9 ago. 2018. Nos termos da Subseção II da Seção VI, do Capítulo V da Instrução Normativa nº 77/PRES/INSS, de 21 de janeiro de 2015, a empresa deverá comunicar ao INSS o acidente de trabalho ocorrido por meio da CAT, de acordo com as seguintes ocorrências (BRASIL, 2015): I- CAT inicial: acidente do trabalho típico, doença profissional, do trabalho ou óbito imediato; II- CAT de reabertura: afastamento por agravamento de lesão de acidente do trabalho ou de doença profissional ou do trabalho; ou III- CAT de comunicação de óbito: falecimento decorrente de acidente ou doença profissional ou do trabalho, após o registro da CAT inicial. TÓPICO 2 | EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA 95 A CAT deverá ser registrada preferencialmente no sítio eletrônico www. previdencia.gov.br ou em uma das unidades de atendimento, sendo válida para todos os fins perante o INSS. O emitente deverá entregar cópia da CAT ao acidentado, ao sindicato da categoria e à empresa. Nos casos de óbito, a CAT também deverá ser entregue aos dependentes e à autoridade competente. O formulário da CAT poderá ser substituído por impresso da própria empresa, desde que contenha todos os campos necessários ao seu preenchimento. Para fins de cadastramento da CAT, caso o campo “atestado médico” não esteja preenchido e assinado por um médico, será aceito um atestado médico anexado ao formulário, desde que nele conste a descrição do atendimento realizado, a CID, o período provável para o tratamento, a data, a assinatura do médico e o número do seu registro no Conselho Regional de Medicina. Com relação ao preenchimento da data de ocorrência do acidente de trabalho, é simples, porém para a doença ocupacional não é tão simples assim, então vale transcrever a lição de Oliveira (2013, p. 61): Diante da impossibilidade prática de precisar o “momento do adoecimento”, o legislador estabeleceu, por presunção legal, como dia do acidente: a data do início da incapacidade laborativa para o exercício da atividade habitual, ou o dia da segregação compulsória, ou o dia em que for realizado o diagnóstico, valendo o que ocorrer primeiro. Como é necessário emitir a CAT quando houver suspeita de doença ocupacional, a data a ser colocada na comunicação será aquela em que o médico formulou a suspeita diagnóstica. 4 REABERTURA DA CAT A reabertura da CAT é a forma de oferecer continuidade à análise de uma lesão decorrente de acidente do trabalho ou doença ocupacional, sendo que o objetivo é simples, é de comunicar ao INSS e às demais autoridades que houve um acidente, na verdade, significa que o acidente resultou em consequências que levaram à necessidade de novo afastamento do empregado. Consideram-se autoridades públicas reconhecidas para tal finalidade: os magistrados em geral, os membros do Ministério Público e dos Serviços Jurídicos da União e dos estados, os comandantes de unidades militares do Exército, da Marinha, da Aeronáutica e das Forças Auxiliares (Corpo de Bombeiros e Polícia Militar), prefeitos, delegados de polícia, diretores de hospitais e de asilos oficiais e servidores da Administração Direta e Indireta Federal, Estadual, do Distrito Federal ou Municipal, quando investidos de função (OLIVEIRA, 2013). Não devem constar as mesmas informações da época do acidente, com UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO 96 exceção das informações do afastamento, como: último dia trabalhado, atestado médico e data da emissão. A assistência médica ou afastamento, com menos de 15 dias consecutivos, não serão considerados como CAT de reabertura. A CAT de reabertura deverá ser realizada quando houver afastamento por agravamento de lesão do acidente do trabalho ou doença profissional, nesse caso, o empregado terá direito ao auxílio-acidente. Oliveira (2013) destaca que o cadastro da CAT não gera estabilidade, para isso ocorrer é necessário cumprir três requisitos: • ter sofrido acidente de trabalho ou doença profissional; • ter recebido auxílio-doença acidentário em funçãode afastamento por mais de 15 dias; • ter recebido alta pela perícia médica. FIGURA 16 – INFORMAÇÕES QUANTO À ESTABILIDADE EM ACIDENTE DE TRABALHO FONTE: . Acesso em: 1º nov. 2018. Portanto, para haver estabilidade, o que realmente importa é que esses três requisitos tenham sido cumpridos, assim, havendo reabertura, necessariamente deve haver agravamento da lesão, liberação do auxílio-doença acidentário e, por fim, o direito à estabilidade, que será gerado a partir da alta médica. 5 RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR PELO ACIDENTE DE TRABALHO A responsabilidade civil é invocada com o objetivo de proporcionar a TÓPICO 2 | EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA 97 uma pessoa a restauração do dano patrimonial ou moral de terceiros, em virtude de alguma ação por ela mesmo praticada, ou de pessoa ou coisa. É interessante destacar que, diante da ocorrência por longas décadas dos acidentes de trabalho, “a responsabilidade civil foi o primeiro instrumento capaz de oferecer às vítimas uma chance de reparação perante o empregador” (SANTOS, 2005, p. 67). À medida que o sistema de seguridade social diminui, a responsabilidade civil perde o seu espaço, veja o que Santos (2005, p. 69) fala sobre o assunto: Na era do Estado social, em que as vítimas com danos corporais devem ser amparadas pelo sistema de seguridade social, a responsabilidade civil tende ao desaparecimento. A recíproca é verdadeira: na medida em que o sistema de seguridade social se reduz ou se torna inexistente, a responsabilidade civil avança, expandindo-se no vazio deixado pela seguridade social. Para Gagliano e Pamplona Filho (2011, p. 51), a responsabilidade civil tem como objetivo reparar o dano que o trabalhador sofreu, partindo de um preceito que esteja dentro de uma situação de ilegalidade, onde o empregado sofreu um acidente de trabalho e a condução para este ato por parte da empresa não foi devidamente estabelecida. Segundo Maria Helena Diniz (2011, p. 51): Responsabilidade civil é a aplicação de medidas que obriguem uma pessoa a reparar dano moral ou patrimonial causado a terceiros, em razão de ato por ela mesmo praticado, por pessoa por quem ela responde, por alguma coisa a ela pertencente ou de simples imposição legal. A finalidade da responsabilidade civil é de garantir a reparação do dano que o trabalhador sofreu, geralmente condenando o agente causador em uma prestação em pecúnia, quando não puder restabelecer o que foi lesionado. Assim, acarretará responsabilidade ao empregador quando a sua ação ou omissão culposa (caso não cumpra com as obrigações referentes às formas de prevenção em segurança, higiene e medicina do trabalho) gere dano, como consequência do acidente do trabalho, acarretando “prejuízo material e moral ao patrimônio do empregado, devendo indenizá-lo como equivalente de forma reparatória ou compensatória, restabelecendo o equilíbrio abalado pelo infortúnio” (CAIRO, 2015, p. 69). UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO 98 FIGURA 17 – DE QUEM É A RESPONSABILIDADE EM UM ACIDENTE DE TRABALHO FONTE: . Acesso em: 1º nov. 2018. Dessa forma, Oliveira (2013, p. 23) dispõe que: Existe responsabilidade se o empregador, ainda que cumprindo todas as obrigações do contrato de trabalho, deixar, por culpa ou dolo, de observar preceitos legais ou normativos a respeito de segurança e medicina do trabalho, e com isso causar dano a seu emprego, configurando o cometimento do ilícito civil ou, até mesmo, do ilícito penal. A responsabilidade civil do empregador, diante de acidente do trabalho, ocasiona grandes conflitos no mundo jurídico. Normalmente é difícil delimitar a extensão da responsabilidade civil do empregador, porque a justiça brasileira entende que há dois tipos de responsabilidade civil: a subjetiva e a objetiva. 5.1 RESPONSABILIDADE CIVIL SUBJETIVA A responsabilidade subjetiva acontece quando o agente age de maneira consciente, ou seja, age sabendo o que está fazendo, então se diz que a pessoa atua com dolo. Quem age de maneira não intencional, mas por omissão, negligência ou imprudência, atua com culpa. Oliveira (2013, p. 185) traz o conceito das três modalidades de culpa que já foram citadas. A conduta imprudente consiste em agir o sujeito sem as cautelas necessárias, com açodamento e arrojo, e implica sempre pequena consideração pelos interesses alheios. A negligência é a falta de atenção, a ausência de reflexão necessária, uma espécie de preguiça psíquica, em virtude da qual deixa o agente de prever o resultado TÓPICO 2 | EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA 99 que podia e devia ser previsto. A imperícia consiste sobretudo na inaptidão técnica, na ausência de conhecimentos para a prática de um ato, ou omissão de providência que se fazia necessária; é, em suma, a culpa profissional. A responsabilidade civil do empregador, por danos ocasionados ao empregado, em virtude de acidente de trabalho, é subjetiva, necessitando ser provada a conduta culposa de sua parte, por omissão, negligência ou imprudência. Culpa, no direito civil, é sinônimo de negligência, falta de cuidado, ou seja, não prever o que poderia ser previsível, porém sem intenção de agir de maneira ilícita e sem conhecimento do caráter ilícito da própria ação. NOTA Portanto, a responsabilidade baseia-se na ideia da culpa e, assim, a prova da culpa do agente passa a ser pressuposto indispensável do dano indenizável em função de dolo (intenção de produzir o resultado) ou culpa (negligência, imprudência ou imperícia), ocasionado pelo agente, produzindo prejuízos a terceiros. Podemos esclarecer, dizendo que na responsabilidade subjetiva, a presunção da vontade consciente de cometer um ato ilícito ou de violar a lei é evidente e sua consequência será de prejudicar outro indivíduo, havendo, por conseguinte, necessidade de indenizá-lo. Podemos constatar que a responsabilidade civil subjetiva, também conhecida como teoria da culpa, firma-se na ideia de culpa, como informa a Constituição Federal Brasileira, consagrando como direitos dos trabalhadores urbanos e rurais: Artigo 7º caput aduz que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social. Já o inciso XXVIII informa que o seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa (BRASIL, 2013, p. 221). Essa teoria da culpa admite que quem cria o risco tem a obrigação de evitar que haja um resultado prejudicial ao empregado, mas, caso aconteça, terá o dever de reparar o dano. Portanto, quem aufere lucros da atividade e cria o risco deve indenizar. UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO 100 5.2 RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA A concepção da responsabilidade civil objetiva surgiu no Direito do Trabalho, pois o número dos acidentes no ambiente laboral estava aumentando, em função da industrialização e modernização das máquinas, na época da Revolução Industrial. Portanto, foi no âmbito do Direito que a questão da culpa se mostrou insuficiente: Na medida em que a produção passou a ser mecanizada, aumentou vertiginosamente o número de acidentes, não só em razão do despreparo dos empregados, mas, também, e principalmente, pelo empirismo das máquinas então utilizadas, expondo os trabalhadores a grandes riscos. O operário ficava desamparado diante da dificuldade — não raro, impossibilidade — de provar a culpa do patrão. A injustiça que esse desamparo representava estava a exigir uma revisão dos fundamentos da responsabilidade civil (CAVALIERI FILHO, 2008, p. 135). Dessa forma, a solicitação exigida para a responsabilização do empregador em casos de acidentes de trabalho será o nexo causal e o dano à vítima, deixando de ser relevante a culpa do empregador. Esse sistemafoi favorável ao trabalhador, pois ele estava ficando em desvantagem, no sentido de não conseguir provar que não havia culpa no acidente, prejudicando o trabalhador, pois muitos deixavam de receber indenização. De acordo com Gonçalves (2012, p. 22), pode-se afirmar que: Nos casos de responsabilidade objetiva, não se exige prova de culpa do agente para que seja obrigado a reparar o dano. Em alguns, ela é presumida pela lei. Em outros é de todo prescindível, porque a responsabilidade se funda no risco. Na responsabilidade civil objetiva, aceita-se a teoria do risco, que não leva em consideração o dolo ou a culpa do agente, para se obter a reparação pelo dano causado. FIGURA 18 – CHARGE RESPONSABILIDADE OBJETIVA Não precisa demonstrar culpa 1. Responsabilidade objetiva FONTE: . Acesso em: 1º nov. 2018. TÓPICO 2 | EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA 101 Entretanto, é necessário que haja comprovação do nexo causal entre o dano e o ato do agente. Portanto, a responsabilidade objetiva tem como premissa o dano, a autoria do evento danoso e o nexo causal entre eles. Não há requisito de investigar se a conduta foi culposa ou dolosa, o que se exige é a ocorrência (PEREIRA, 2002). Assim, entende-se que há necessidade de existir a culpa presumida na responsabilidade civil subjetiva, já na responsabilidade objetiva não há essa exigência. Dessa forma, não haverá a inversão do ônus da prova, tendo em vista que se a atividade normalmente exercida pelo empregador produzir grande risco, ele obrigatoriamente responderá pelo ato e não conseguirá esquivar-se de tal responsabilidade. Esse entendimento é exposto por Brandão (2009, p. 86): Por isso, não procede a observação feita por José Cairo Júnior quando, após afirmar o acolhimento, no Código Civil, da teoria da responsabilidade objetiva, admite a possibilidade de o empregador dela afastar-se, demonstrando que adotou todas as medidas contratuais, legais e convencionais que tratam da segurança, Medicina e higiene do trabalho, o que equivaleria à teoria da culpa presumida, hipótese afastada na novel legislação, ao tratar do tema. Inversão do ônus da prova: consiste em isentar-se de provar uma afirmação feita, exigindo que o outro faça a prova da veracidade da afirmação. NOTA FIGURA 19 – DIFERENÇA DA RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA E SUBJETIVA NEXO CAUSAL RC - Subjetiva RC - Objetiva • Dano • Culpa • Nexo Causal • Dano • Atividade de Risco • Nexo Causal FONTE: . Acesso em: 10 nov. 2018. Já diz o ditado que em toda regra existe exceção, nesta seara há situações em que mesmo havendo acidente de trabalho, a indenização não é devida. São as causas em que o empregador se exime da responsabilidade, as quais conhecemos por excludentes da responsabilidade. UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO 102 6 EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE Para entender melhor esse assunto, as excludentes da responsabilidade do empregador não permitem a imputação da responsabilidade civil do empregador, diante de um acidente de trabalho. As excludentes de responsabilidade civil são eventos capazes de eximir o empregador da obrigação de indenizar. São suposições que eliminam o nexo de causalidade nos acidentes de trabalho. Oliveira (2013, p. 144) colabora com o seguinte: Nas hipóteses de exclusão da causalidade os motivos do acidente não têm relação direta com o exercício do trabalho e nem podem ser evitados ou controlados pelo empregador. São fatores que rompem o liame causal e, portanto, o dever de indenizar, porquanto não há constatação de que o empregador ou a prestação do serviço tenham sido os causadores do infortúnio. O empregador, diante das relações de trabalho e frente ao trabalhador, possui responsabilidades, deveres e obrigações, portanto, caso não sejam seguidos, acarretam várias consequências, para ele próprio e para o trabalhador, gerando prejuízos, principalmente no que diz respeito aos acidentes de trabalho. Neste sentido, o empregador deve recorrer às medidas de prevenção e proteção ao trabalhador, diante do ambiente de trabalho, a fim de oferecer à sua equipe toda a proteção adequada para a execução do serviço, com objetivo de se resguardar da ocorrência de prejuízos ao trabalhador. Nesta ótica, Martins (2008, p. 421) afirma que: Cabe à empresa também cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho; instruir seus empregados, por meio de ordens de serviço, quanto às precauções a tomar no sentido de evitar acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais; adotar medidas que lhe sejam determinadas pelo Ministério do Trabalho, por meio do órgão regional competente; facilitar o exercício da fiscalização pela autoridade competente. Dessa forma, é essencial que os empregadores ofereçam produtos de segurança aos empregados, bem como proporcionem o devido treinamento, no que diz respeito ao uso dos equipamentos. Entretanto, se o empregado se recusar a utilizar qualquer equipamento de proteção individual ou coletiva e sofrer algum tipo de acidente de trabalho, o empregador não será responsável pelo acidente e, consequentemente, o empregado não será indenizado, diz-se que a culpa é exclusiva do empregado. TÓPICO 2 | EXIGÊNCIAS LEGAIS NA SEARA TRABALHISTA 103 FIGURA 20 – EXEMPLO DE CULPA EXCLUSIVA FONTE: . Acesso em: 14 ago. 2018. É importante destacar que mesmo identificada a excludente de responsabilidade, a vítima terá direito aos benefícios previdenciários. Nesse sentido, vários autores demonstram que nos acidentes causados por culpa exclusiva da vítima, fato exclusivo de terceiro, e caso fortuito ou força maior, o empregado recebe benefício previdenciário. Oliveira (2013, p. 145) demonstra, através de um exemplo, a culpa exclusiva da vítima, em um acidente de trabalho: Se o empregado, por exemplo, numa atitude inconsequente, desliga o sensor de segurança automática de um equipamento perigoso e posteriormente sofre acidente por essa conduta, não há como atribuir culpa em qualquer grau ao empregador, pelo que não se pode falar em indenização. Pode surgir culpa da vítima e do empregador diante de um acidente de trabalho, nesse caso chama-se culpa concorrente e esta situação normalmente é avaliada pelo juiz, com o objetivo de possibilitar a definição do valor de ressarcimento, geralmente a indenização é pela metade. Sobre esse assunto, podemos oferecer como exemplo um empregado que decepou os dedos da mão numa serra elétrica, ao cumprir as ordens do empregador; ao investigar o caso, verifica-se a culpa concorrente do empregado, que não utilizava EPI e que também não possuía preparo técnico para manipular a máquina de serralheria. 104 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • A carteira de trabalho e previdência social, conhecida por CTPS, foi criada em 1943. • A CTPS deve ser devolvida pelo empregador ao empregado no prazo máximo de 48 horas. • A CAT é um documento preenchido pela empresa, informando a ocorrência de acidente do trabalho ou doença profissional do empregado, para o Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS). • A CAT servirá para o reconhecimento legal do acidente e para assegurar ao acidentado todos os direitos legais. • O conceito de acidente do trabalho não está vinculado necessariamente à concessão do benefício previdenciário por incapacidade. • O preenchimento deve seguir as diretrizes legais. • Reabertura da CAT significa fornecer continuidade à análise de uma lesão, decorrente de acidente do trabalho ou doença ocupacional. • Responsabilidade civil é o emprego de meios, que proporcionam a uma pessoa restaurar o dano patrimonial ou moral de terceiros, em virtude de alguma ação por ela mesmo praticada, ou de terceiros. • A finalidade da responsabilidade civil é de garantira reparação do dano que o trabalhador sofreu. • A responsabilidade subjetiva acontece quando a pessoa age de maneira consciente, atuando com dolo. • Na responsabilidade subjetiva, a presunção da vontade consciente de cometer um ato ilícito é clara e sua consequência será de indenização ao indivíduo. • Na responsabilidade civil objetiva, aceita-se a teoria do risco, que não leva em consideração o dolo ou a culpa do agente, para se obter a reparação pelo dano causado. • As excludentes de responsabilidade civil são eventos capazes de eximir o empregador da obrigação de indenizar. 105 AUTOATIVIDADE 1 A comunicação de acidente de trabalho é um documento que a empresa deve preencher, informando sobre a ocorrência de acidente do trabalho ou doença profissional do empregado, ao Instituto Nacional da Seguridade Social. De acordo com essa afirmativa, classifique (V) para verdadeiro e (F) para falso: a) ( ) A CAT de reabertura é preenchida quando houver afastamento por agravamento de lesão do acidente do trabalho ou doença profissional. b) ( ) O emitente deverá entregar cópia da CAT ao acidentado, ao sindicato da categoria e à empresa. c) ( ) Se o empregado falecer em função do acidente de trabalho, a empresa deverá comunicar a ocorrência à autoridade policial e ao INSS. d) ( ) Mesmo que o acidente não gere o benefício, a CAT não terá validade para efeitos estatísticos. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – V – V – F. b) ( ) V – V – F – V. c) ( ) F – F – V – F. d) ( ) V – V – F – F. 2 A carteira de trabalho e previdência social é um documento importante para qualquer trabalhador, neste documento constam o local de identificação profissional e onde são anotadas diversas informações sobre o contrato de trabalho e também o tempo de serviço para fins previdenciários. Neste sentido, assinale a alternativa CORRETA, indicando o que acontece se o empregador não registrar a contratação do trabalhador na carteira de trabalho: a) ( ) Sua contratação é vedada. b) ( ) Sua contratação é permitida, mas o empregado sofrerá sanções. c) ( ) A contratação ficará suspensa por apenas cinco dias e continuará tendo validade. d) ( ) Tanto o empregado quanto o empregador sofrerão penalidades, mas a contratação terá validade. 3 Quando ocorrer algum acidente de trabalho, a CAT deve ser emitida no primeiro dia útil após o diagnóstico médico. Caso a empresa se negue a emitir a CAT, constituirá crime. Além de a empresa realizar a notificação da doença do trabalho perante o INSS, o médico que assistiu o trabalhador, autoridade pública, sindicato ou o próprio trabalhador poderão fazer. De acordo com essa afirmativa, classifique (V) para verdadeiro e (F) para falso: 106 a) ( ) O benefício de auxílio-acidente não é garantido ao empregado através da emissão da CAT pela empresa, pois é a Previdência Social que assegura a concessão do benefício. b) ( ) Somente o cadastro da CAT não gera estabilidade, pois há necessidade de cumprir outros requisitos. c) ( ) Em caso de doença ocupacional, não é necessária abertura de CAT. d) ( ) Somente o INSS faz o cadastramento da CAT, pois o preenchimento dos dados é complexo e não existe manual de instruções. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – V – F – F. b) ( ) F – V – V – V. c) ( ) F – F – V – F. d) ( ) V – V – V – V. 4 Quando o agente age sabendo o que está fazendo, ele está consciente do seu ato, então se diz que a pessoa atua com dolo, pois se agisse por omissão, negligência ou imprudência, estaria atuando com culpa. Dessa forma, assinale a alternativa CORRETA, que indique o conceito para essa afirmação: a) ( ) Responsabilidade civil subjetiva. b) ( ) Responsabilidade civil objetiva. c) ( ) Excludente de responsabilidade. d) ( ) Excludente de ilicitude. 107 TÓPICO 3 AÇÕES E INTERVENÇÕES NO AMBIENTE LABORAL UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Até agora, abordamos assuntos voltados à segurança e garantia do bem- estar do trabalhador, bem como a proteção da vida contra possíveis acidentes no ambiente laboral, entretanto, os acidentes acontecem e, para isso, é necessário que se tenha o mínimo de noção do que fazer ou não fazer, a fim de preservar a saúde da vítima. Toda empresa, independentemente da quantidade de funcionários, segmento ou ramo, tem o dever legal de manter um kit de primeiros socorros. Conforme Moraes e Cosmos (2014, p. 98), vejamos o que diz a NR7.5.1: Todo estabelecimento deverá estar equipado com material necessário à prestação dos primeiros socorros, considerando-se as características da atividade desenvolvida. O material deve ser guardado em local adequado e aos cuidados de pessoa treinada para esse fim. A empresa deve oferecer treinamento aos responsáveis pelo kit, dessa forma, há necessidade de saber manusear equipamentos, fazer curativos e prestar atendimento. É importante destacar que prestar o atendimento eficiente aumenta a chance de uma recuperação segura, entretanto, quando o atendimento é precário, coloca-se em risco a vida da vítima, com possibilidade de ocasionar inclusive paralisia e hemiplegia. Uma boa ideia é utilizar o treinamento da CIPA, para treinar uma equipe, a fim de prestar assistência diante de acidentes na empresa. Até agora, estudamos como os acidentes de trabalho acontecem e as normas e determinações frente à Previdência Social. Já, neste tópico, estudaremos de forma generalista as normas de higiene ocupacional e os programas de higiene ocupacional. 108 UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO Vamos dar uma dica de kit básico de primeiros socorros, pois, como já vimos na NR7, os itens devem estar adequados de acordo com a atividade da empresa. Dessa forma, torna-se evidente que o kit de primeiros socorros de uma empreiteira será diferente de uma lavanderia, então vejamos o que não pode faltar no kit básico: – caixa para acondicionamento do kit; – pinça; – tesoura; – luvas cirúrgicas; – máscara facial; – óculos de proteção; – bolsas térmicas para compressas quentes ou frias; – gaze; – esparadrapo; – band-aid; – atadura de crepe; – soro fisiológico ou solução iodada; – antisséptico. FIGURA 21 – MATERIAL DE PRIMEIROS SOCORROS FONTE: Disponível em:. Acesso em: 16 ago. 2018. Após o primeiro atendimento, a vítima deve ser levada imediatamente ao hospital, clínica ou posto de saúde, para dar continuidade ao tratamento pelo profissional de saúde. Alguém pode estar se questionando: e onde estão os medicamentos? Eles podem fazer parte do kit de primeiros socorros? O Decreto no 20.931, de 1932, que regulamenta o exercício da medicina, deixa claro que somente profissionais habilitados podem prescrever medicamentos, pois possuem responsabilidade técnica para isso (BRASIL, 1932). Portanto, o kit de primeiros socorros não pode conter medicamentos de uso oral, nem para dor de barriga ou dor de cabeça. TÓPICO 3 | AÇÕES E INTERVENÇÕES NO AMBIENTE LABORAL 109 Portanto, o decreto deixa claro que é crime prescrever medicamentos sem ter responsabilidade técnica para isso, dessa forma, o Código Penal corrobora imputando penalidade para quem o faz de maneira imprópria, ou seja, no exercício ilegal da profissão. FIGURA 22 – EXERCÍCIO ILEGAL DA MEDICINA CONFORME DECRETO No 20.931, de 1932 Exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica. Art. 282 – Exercer, ainda que a título gratuito, a profissão de médico, dentista ou farmacêutico, sem autorização legal ou excedendo-lhe os limites: Pena – detenção, de seis meses a dois anos. Art. 284 – Exercer o curandeirismo: I– prescrevendo, ministrando ou aplicando, habitualmente, qualquer substância; II– usando gestos, palavras ou qualquer outro meio; III– fazendo diagnósticos: Pena – detenção, de seis meses a dois anos. FONTE: .Acesso em: 20 ago. 2018. 2 TIPOS DE ACIDENTES E ATENDIMENTO IMEDIATO Vamos estudar, de maneira breve, acidentes mais comuns que ocorrem nas empresas, que vitimam muitos trabalhadores. Saber o que fazer e o que não fazer é fundamental para evitar traumas além dos que já foram sofridos. 2.1 QUEIMADURAS POR ELETRICIDADE Para Santos (2005), a eletricidade é a energia que pode fluir sob a forma de corrente elétrica entre dois pontos; nos condutores esta corrente flui com maior facilidade, como água, metais e seres vivos. Com eletricidade deve-se ter extremo cuidado, sempre prestando atenção ao perigo e nunca tentando experimentar para ver se está dando choque ou não (SANTOS, 2005). Lesões produzidas pela passagem de corrente elétrica através do corpo de uma pessoa podem ser de grande ou pequena extensão, mas isso varia de acordo com a intensidade da corrente, resistência, voltagem e do tempo que a pessoa fica exposta à corrente. Os tipos de lesões podem resultar em ferimentos incisivos isquêmicos, carbonizados ou amarelo-esbranquiçados. Muitas vezes acontece que, olhando a 110 UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO pele, parece que nada aconteceu, mas o problema é que a descarga gera traumas musculares e lesão nos nervos, dessa forma, pode haver lesão, queimadura ou até mesmo fraturas, devido aos espasmos musculares e arremessos da vítima. Para socorrer uma vítima com choque elétrico, de maneira alguma pode haver contato direto com a vítima, assim, se ela estiver sofrendo choque, deve- se desligar a fonte de energia ou, em último caso, afastar a vítima da fonte de corrente, com um cabo de madeira e chamar a emergência. 2.2 FRATURAS É a ruptura de um ou mais ossos, ela é classificada em fechada (quando não há rompimento da pele) ou exposta (quando o osso aparece). A vítima sente dor no local, normalmente há edema que significa inchaço, o local da fratura pode adquirir a coloração roxa e é comum haver deformidade, com dificuldade de efetuar algum movimento do membro. Para Santos (2012), o atendimento nesse tipo de incidente deve ser específico: • não movimentar o membro fraturado; • se a fratura for em braço, dedo ou perna, é importante retirar objetos, como anéis, relógios, calçados, que possam interferir na circulação; • se a fratura exposta tiver sangramento, é necessário proteger a área com um pano limpo ou enrolar uma atadura no local do sangramento e jamais movimentar o membro; • nunca recolocar o osso no lugar. 2.3 TONTURA E DESMAIO Pode acometer qualquer pessoa em qualquer momento e pode ser provocado por emoções repentinas, hipoglicemia, fadiga, nervosismo, entre outros fatores. Os sinais característicos de tontura são: pele fria, sudorese, palidez, respiração fraca, podendo evoluir para o desmaio. O que devemos fazer diante de tontura ou desmaio? • deitar a vítima de costas, com a cabeça colocada para o lado, pois em caso de vômito, essa posição evitará broncoaspiração; • levantar as pernas, acima da altura do tórax; • afrouxar as roupas; • chamar a emergência, em caso de a vítima não retomar a consciência em dois ou três minutos. TÓPICO 3 | AÇÕES E INTERVENÇÕES NO AMBIENTE LABORAL 111 2.4 DOR NO PEITO É comum as pessoas associarem dor no peito com problemas de coração, mas nem toda dor no peito é culpa do coração, porém, se não houver nenhuma batida, trauma ou pancada, é importante suspeitar de infarto. Você sabe quais são os sintomas de infarto? Vamos ver os sinais mais comuns, segundo Santos (2012): • pressão no peito ou nas costas, que pode ser acompanhada de tonturas, suor, náusea, respiração curta, falta de ar e, às vezes, perda de consciência; • a dor do infarto geralmente avança para a boca, pescoço, ombros, braços ou estômago; • inquietação e ansiedade. Importante destacar que, em algumas pessoas, aparecem todos os sintomas, mas tem outras em que os sinais são isolados ou combinados. E se você identificar alguém enfartando, sabe o que fazer? • colocar a pessoa em posição confortável, porém, semissentado normalmente é melhor; • afrouxar roupa ou cinto que estejam apertados, a fim de facilitar a respiração; • tranquilizar a pessoa; • chamar a emergência. 2.5 PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA É conceituada como ausência de batimentos cardíacos e dos movimentos respiratórios. Hoje sabe-se que esse evento não significa morte, pois há inúmeros recursos para reverter o quadro, com destaque para reanimação cardiopulmonar, medicamentos, equipamentos e capacitação de pessoas leigas, que são fundamentais para salvar vidas. Você não pode treinar a RCP em pessoas saudáveis, pois podem ocorrer graves problemas cardíacos, pratique em manequins ou simuladores. IMPORTANTE 112 UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO O socorro tem como objetivo retornar as funções ou mantê-las por meio de massagem cardíaca e respiração boca a boca até a chegada do socorro especializado, evitando assim a morte da vítima. Fique atento a estes sinais e sintomas: • ausência de consciência; • ausência da respiração; • ausência de pulso; • palidez, pele fria e úmida, pele arroxeada nas mãos. Saiba o que fazer, de acordo com Martins (2015): • chame a vítima, veja se ela responde com movimentos ou sons; • cheque o pulso, verifique o tórax a fim de constatar se tem ou não movimentos; • se não responder e estiver sem respirar e movimentos no tórax, posicione a vítima de barriga para cima em um lugar duro; • incline a cabeça da vítima e empurre o queixo para trás, para facilitar a passagem de ar; • ajoelhe-se ao lado da vítima; • use a mão para percorrer a parte interior das costelas, em direção ao peito, com os dedos médio e indicador, até sentir a ponta do apêndice xifoide (extremidade inferior do esterno), é mais ou menos na linha dos mamilos; • coloque o calcanhar de uma mão no centro do peito da vítima e a outra mão em cima da primeira; • comprima o centro do peito forte e rápido, efetuando 30 compressões torácicas, por duas ventilações, em até dois minutos; • feche o nariz da vítima enquanto insufla o pulmão; • verifique o pulso a cada dois minutos e, se não houver pulso, continue com a manobra até a ajuda especializada chegar. FIGURA 23 – POSICIONAMENTO DAS MÃOS PARA INÍCIO DA REANIMAÇÃO CARDÍACA FONTE: . Acesso em: 20 ago. 2018. TÓPICO 3 | AÇÕES E INTERVENÇÕES NO AMBIENTE LABORAL 113 3 NORMAS DE HIGIENE OCUPACIONAL Saliba (2008) relata que o termo higiene ocupacional está compreendido no campo da saúde ocupacional, trazendo como tema a avaliação, o reconhecimento, a antecipação, o controle dos fatores geradores de doenças e desconforto aos trabalhadores. O Ministério do Trabalho criou as Normas Regulamentadoras a fim de garantir a segurança no trabalho, entretanto, além delas, existem as Normas de Higiene Ocupacional (NHO), cuja finalidade é estabelecer limites de tolerância e os critérios técnicos dos equipamentos utilizados nas avaliações de riscos ocupacionais. São importantes na identificação dos agentes ambientais, no controle e na prevenção de doenças ocupacionais e disponibilizam metodologias para avaliações ocupacionais, nesse sentido, a Fundacentro é o órgão responsável em estabelecer as Normas de Higiene Ocupacional. Vamos conhecer as NHO’s, listadas no quadro a seguir: FIGURA 24 – NORMAS DE HIGIENE OCUPACIONAL Nº Norma de Higiene Ocupacional NHO 01 Procedimento Técnico - Avaliação da Exposição Ocupacional ao Ruído NHO 02 Análise qualitativa da fração volátil em colas, tintas e vernizes NHO 03 Método de Ensaio: Análise Gravimétrica de Aerodispersoides Sólidos Coletados Sobre Filtros e Membrana NHO 04 Método de Ensaio: Método de Coleta e a Análise de Fibras em Locais de Trabalho NHO 05 Procedimento Técnico - Avaliação da Exposição Ocupacional aos Raios X nos Serviços de Radiologia NHO 06 Avaliação da Exposição Ocupacional ao Calor NHO 07 Calibração de Bombas de AmostragemIndividual pelo Método da Bolha de Sabão NHO 08 Coleta de Material Particulado Sólido Suspenso no Ar de Ambientes de Trabalho NHO 09 Procedimento Técnico - Avaliação da Exposição Ocupacional a Vibração de Corpo Inteiro NHO 10 Procedimento Técnico - Avaliação da Exposição Ocupacional a Vibração em Mãos e Braços FONTE: . Acesso em: 20 ago. 2018. 114 UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO 3.1 PROGRAMAS DE HIGIENE OCUPACIONAL Esse tipo de programa estabelece ações permanentes, com o objetivo de atingir fins específicos, como exemplo, podemos citar a prevenção de acidentes e doenças do trabalho, portanto, a legislação brasileira e normas internacionais de Saúde e Segurança do Trabalho estabelecem os seguintes instrumentos: • PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (NR-09); • PCMSO – Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (NR-07). Estudaremos esses programas na Unidade 3, mas é interessante saber que eles são executados ao mesmo tempo, por fazerem parte de uma dimensão maior, chamada de Gestão das Questões de Saúde e Segurança do Trabalho. Essa questão de Gestão é complexa, pois está ligada a um conjunto de sistematização de práticas gerenciais atreladas ao processo de planejamento, avaliação, controle e monitoramento dos processos de produção das empresas. A implantação de um sistema de gestão da segurança e saúde do trabalho auxilia a administrar as competências necessárias para a execução das atividades, privilegiando o trabalho em equipe, oferecendo segurança e saúde no trabalho e, como retribuição, há maior confiabilidade no processo de produção. A OHSAS 18001 é uma norma da Série de Avaliação da Segurança e Saúde Ocupacional, palavra de origem inglesa, Occupational Health and Safety Assessment Series (OHSAS), e fornece “os requisitos para um sistema de gestão da SST, para permitir a uma organização controlar seus riscos de acidentes e doenças ocupacionais e melhorar seu desempenho [...]” (Bureau, 2007). Portanto, a Figura 26 a seguir mostra a estrutura do Modelo de Sistema de Gestão da SST, proposto pela OHSAS 18001. Recentemente, a ISO 45001:2018 - Sistemas de gestão de segurança e saúde ocupacional - Requisitos com orientação para uso, foi publicada. Assim, a ISO 45001 substituirá a OHSAS 18001. Deste modo, as empresas certificadas nesta norma terão um prazo de três anos para cumprir a nova norma. Conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2018) “a ISO 45001 foi projetada para se integrar com outros padrões de sistemas de gerenciamento ISO, garantindo a compatibilidade com as novas versões da ISO 9001 (gestão da qualidade) e ISO 14001 (gestão ambiental)” (ABNT, s.d.). TÓPICO 3 | AÇÕES E INTERVENÇÕES NO AMBIENTE LABORAL 115 FIGURA 25 – MODELO DE SISTEMA DE GESTÃO DA SST Melhoria Contínua Política de SST Planejamento Implementação e Operação Análise Crítica pela Administração Verificação e Ação Corretiva FONTE: Disponível em:. Acesso em: 20 ago. 2018. Para Weber (2012, p. 102), a Figura 26 “ilustra uma espiral ascendente em que as políticas de SST, equivalente a cultura, definem os programas que demandam implementação e posterior checagem para tomar ações de melhorias”. Esse modelo tem por base o Ciclo do PDCA (Plan, Do, Check, Act, ou seja, Planejar, Executar, Verificar e Atuar), objetivando a Melhoria Contínua da organização. Então concretizamos a ideia de que um Sistema de Gestão em Saúde Ocupacional tem a finalidade de reduzir e eliminar os riscos e perdas em incidentes e acidentes e, por conseguinte, a diminuição do processo de custos e absenteísmo, proporcionando práticas seguras aos trabalhadores. LEITURA COMPLEMENTAR A importância em manter as mãos sempre protegidas João Marcio Tosmann Você já tentou realizar uma simples tarefa como colocar água em um copo, mas sem usar uma das mãos? Ou então trocar uma lâmpada ou abotoar uma camisa? Nós não sabemos a real importância das nossas mãos para realizar atividades do dia a dia até que algo aconteça – desde um pequeno corte, uma fratura ou até algo mais grave, como a perda de movimentos de um ou mais dedos. 116 UNIDADE 2 | RISCOS OCUPACIONAIS NO TRABALHO As mãos são essenciais para qualquer coisa que fazemos, desde tarefas domésticas até atividades profissionais. Parece até desnecessário repetir, mas é com elas que podemos escrever, segurar objetos, apertar, sinalizar e tatear (diferenciando texturas, temperaturas etc.). E você sabia que mais de 30% dos acidentes de trabalho envolvem as mãos? É por isso que o cuidado com as mãos é tão destacado nos treinamentos realizados em todos os tipos de indústrias. Tipos de acidentes com as mãos Um funcionário que trabalha operando máquinas e equipamentos em uma indústria pode estar diante de diversos riscos associados às mãos. – Cortes; – Contusões; – Ferimentos e mutilações; – Prensamentos; – Esfolamentos; – Choques; – Perfurações; – Queimaduras; – Fraturas. Diante de todos estes riscos, é dever de toda empresa orientar, treinar e garantir a segurança dos seus funcionários. É importante que a empresa ofereça capacitações constantes, garanta o correto uso dos Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs) e exija que os trabalhadores utilizem os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Relaciono abaixo algumas fontes de risco para as mãos e como evitá-los: Situação 1: limpeza, manutenção e reparo de máquinas automatizadas: para todas essas atividades, o trabalhador precisa estar muito atento e se certificar de que o equipamento está desligado. Mesmo assim, acidentes podem ocorrer se a máquina voltar a funcionar antes do término da atividade (como por acionamento do sistema por outro operador desavisado, por exemplo). Solução: o uso de EPCs (bloqueio tipo cadeado e garra que servem para impedir o religamento de máquinas, equipamentos ou painéis elétricos) e EPIs (luvas e mangotes para a proteção das mãos e braços). Além da realização de DDS (treinamento contínuo sobre as condutas a serem realizadas nesta situação). Situação 2: partes de máquinas que possibilitam a preensão das mãos Alguns equipamentos possuem espaços entre as engrenagens que podem causar a preensão de dedos ou da mão toda. TÓPICO 3 | AÇÕES E INTERVENÇÕES NO AMBIENTE LABORAL 117 Solução: além do uso de EPCs e EPIs, é importante orientar o trabalhador sobre os riscos de colocar a mão nestes espaços e de ter atenção redobrada durante a execução da atividade. Caso seja necessário que isso aconteça, elaborar procedimentos de segurança e treinamentos específicos para a prevenção de acidentes. Situação 3: atividades que envolvam riscos associados ao calor Tubulações de vapor, máquinas de solda, motores e outros são locais onde há a produção muito alta de calor, gerando o risco de queimaduras. Solução: os riscos devem ser controlados para evitar acidentes. Assim, é fundamental respeitar as normas e os procedimentos de segurança de cada atividade. A falta de processos é um dos principais problemas! Situação 4: uso de acessórios e/ou equipamentos inadequados Acessórios que usamos no dia a dia (pulseiras, brincos etc.) e EPIs inadequados (macacões largos, por exemplo) podem ser perigosos para o trabalho com algumas máquinas, como as engrenagens. Solução: retirar sempre todos os acessórios e ter equipamentos de uso individual em boas condições sempre. Muitas outras situações podem ser perigosas na rotina de uma indústria. O importante é que o trabalhador seja treinado e constantemente lembrado da importância da prevenção. Algumas dicas para evitar acidentes com as mãos: – Nunca compartilhar equipamentos de proteção individual. – Só realizar atividades com total atenção no que está sendo feito. – Seguir todos os processos estabelecidos pela área de Segurança do Trabalho, mesmo que não tenha ocorrido acidente nesta situação. – Nunca utilizar115 AUTOATIVIDADE ........................................................................................................................... 119 IX UNIDADE 3 - PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO .................... 121 TÓPICO 1 - SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO ................................................ 123 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 123 2 SESMT ............................................................................................................................................... 123 2.1 COMPOSIÇÃO ........................................................................................................................... 124 2.2 COMPETÊNCIA ........................................................................................................................ 125 2.3 DIMENSIONAMENTO ............................................................................................................ 126 3 CIPA ................................................................................................................................................... 127 3.1 HISTÓRICO DA CIPA .............................................................................................................. 128 3.2 ORGANIZAÇÃO ...................................................................................................................... 130 3.3 ESTRUTURA .............................................................................................................................. 132 3.4 PROCESSO ELEITORAL .......................................................................................................... 135 3.5 TREINAMENTO DOS CIPEIROS ........................................................................................... 137 3.6 ATRIBUIÇÕES DOS CIPEIROS ............................................................................................... 138 4 PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RISCOS (PGR)................................................... 139 AUTOATIVIDADE ........................................................................................................................... 141 TÓPICO 2 - SEGURANÇA DO TRABALHO .............................................................................. 143 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 143 2 PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS .............................................. 143 2.1 ESTRUTURA .............................................................................................................................. 145 2.2 DESENVOLVIMENTO DO PPRA ........................................................................................... 146 2.3 RESPONSABILIDADES ............................................................................................................ 147 3 MAPA DE RISCOS ......................................................................................................................... 148 3.1 HISTÓRICO ................................................................................................................................ 148 3.2 CONCEITO ................................................................................................................................. 149 3.3 ETAPAS DO MAPEAMENTO ................................................................................................. 149 3.4 IDENTIFICAÇÃO DOS RISCOS PELAS CORES .................................................................. 150 4 A IMPORTÂNCIA DOS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO ............................................. 153 4.1 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI) ................................................... 153 4.2 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO COLETIVA (EPC) ...................................................... 155 AUTOATIVIDADE ........................................................................................................................... 158 TÓPICO 3 - PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO ......... 159 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 159 2 PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO E SAÚDE OCUPACIONAL ............................... 159 2.1 ASPECTOS CONCEITUAIS ..................................................................................................... 160 2.2 OBJETIVO ................................................................................................................................... 161 2.3 RESPONSABILIDADES DO EMPREGADOR REFERENTE AO PCMSO ........................ 162 2.4 DESENVOLVIMENTO DO PCMSO ....................................................................................... 164 3 RELAÇÃO ENTRE O PPRA E O LTCAT ................................................................................... 167 4 PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO .............................................................. 169 4.1 CONCEITO ................................................................................................................................. 169 4.2 OBJETIVOS DO PPP .................................................................................................................. 169 4.3 ASPECTOS RELEVANTES DO PPP ........................................................................................ 170 5 APRESENTAÇÃO DE LAUDOS E PROGRAMAS TÉCNICOS ........................................... 172 LEITURA COMPLEMENTAR ......................................................................................................... 175 AUTOATIVIDADE ........................................................................................................................... 178 X 1 UNIDADE 1 LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • compreender a importância do laudo técnico; • conceituar o laudo técnico e condições de trabalho; • entender como ocorreu a evolução do trabalho humano; • assimilar a definição de segurança do trabalho; • compreender a importância da segurança do trabalho; • acompanhar a evolução das leis de proteção ao trabalhador; • elencar alguns direitos criados em prol do trabalhador; • compreender a importância da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para o trabalhador; • citar alguns objetivos da OIT; • identificar o local da sede da OIT; • explicar a importância das convenções na segurança do trabalho; • identificar quais são os agentes nocivos; • compreender qual a importância da avaliação ambiental; • entender a importância do LTCAT; • saber os requisitos para elaboração do LTCAT. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO TÓPICO 2 – CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO TÓPICO 3 – ASPECTOS GERAIS DO LTCAT 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 SEGURANÇA DO TRABALHO 1 INTRODUÇÃO Caro acadêmico, seja bem-vindo a esta caminhada para estudar e entender sobre a segurança do trabalho, presente no nosso dia a dia. A finalidade deste estudo é que você receba as informações e construa seu próprio conhecimento referente ao tema central, para assim discutir a importância das condições do trabalho, com vistas à segurança do trabalhador, visando o aprimoramento para sua trajetória profissional. Diariamente somos postos à prova, basta você pensar num caso prático: você, como engenheiro, vai até um canteiro de obras para verificar o andamento dos trabalhos, então, seu colega percebe que você não está usando capacete e o oferece, em seguida vem a reflexão: mas para que utilizar capacete se nunca aconteceu nenhum acidente comigo? Você acredita quemáquinas e equipamentos que estejam com algum problema. – Nunca operar um equipamento que não domine 100% do seu funcionamento. – Estar atento sempre que movimentar uma carga, protegendo as mãos para que não fiquem presas. – Para manusear um produto químico, sempre utilizar a luva adequada para o procedimento seguro. – Em caso de dúvidas, não faça. Peça orientação! FONTE: . Acesso em: 12 ago. 2018. 118 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • O Ministério do Trabalho criou as NRs, a fim de garantir a segurança no trabalho, entretanto, além delas, existem as Normas de Higiene Ocupacional (NHO). • Um Sistema de Gestão em Saúde Ocupacional tem a finalidade de reduzir e eliminar os riscos e perdas em incidentes e acidentes. • A ISO 45001:2018 - Sistemas de gestão de segurança e saúde ocupacional - Requisitos com orientação para uso substituirá a OHSAS 18001. 119 1 Qual é a importância das normas de higiene ocupacional para a segurança e saúde do trabalho? AUTOATIVIDADE 120 121 UNIDADE 3 PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • entender a importância do dimensionamento do SESMT; • conceituar o SESMT; • assimilar a responsabilidade dos integrantes do SESMT; • entender como surgiu a CIPA; • compreender como funciona o processo eleitoral da CIPA; • entender a estrutura da CIPA; • identificar as funções dos cipeiros; • explicar a importância do PGR; • compreender o desenvolvimento do PPRA; • entender a importância do mapa de riscos; • identificar os tipos de agentes pelas cores; • compreender o conceito de PCMSO e sua importância; • estabelecer a relação entre o PPRA e o LTCAT; • assimilar os objetivos do PPP; • conhecer modelos de laudos e programas. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO TÓPICO 2 – SEGURANÇA DO TRABALHO TÓPICO 3 – PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO 122 123 TÓPICO 1 SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Estudaremos, neste tópico, aspectos gerais relacionados à CIPA, como seu surgimento, o objetivo, o funcionamento, o processo eleitoral, os componentes dessa comissão e a função dos cipeiros. Também abordaremos sobre o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho, também conhecido por SESMT, regido pela NR-4, dispondo que empresas, órgãos e poderes que possuam empregados regidos pela CLT precisam manter este serviço. Veremos que o Ministério do Trabalho, por meio da NR-4, estabeleceu alguns assuntos pertinentes, como dimensionamento, qualificação dos profissionais, e também as atribuições do SESMT e jornada de trabalho. Compreenderemos que o dimensionamento do SESMT será realizado de acordo com o grau de risco da atividade principal e o número total de empregados do estabelecimento, também de acordo com a NR-4. Por fim, estudaremos o Plano de Gerenciamento de Riscos, depreendendo que este plano está relacionado à prevenção de riscos ambientais, que, por conseguinte, irá prevenir possíveis acidentes e sinistros à saúde do trabalhador. Então vamos continuar nessa jornada de estudos! 2 SESMT Como já estudamos, os trabalhadores brasileiros, por muitas décadas, sofreram acidentes e foram acometidos por doenças relacionadas ao trabalho. Esses trabalhadores foram desprezados por longos anos, desenvolvendo suas atividades em condições absurdamente insalubres e perigosas. O Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho, também conhecido por SESMT, é regido pela NR-4, e determina que as empresas privadas e públicas, órgãos públicos da administração direta e indireta e dos poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos pela CLT, devem manter este serviço, de acordo com o grau de risco em que estiverem enquadrados e o número de empregados. UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 124 Os serviços especializados em engenharia de segurança e medicina do trabalho objetivam promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho. A legislação trabalhista brasileira exige que as empresas, de acordo com normas expedidas pelo Ministério do Trabalho, sejam obrigadas a manter esses serviços. 2.1 COMPOSIÇÃO Bensoussan et al. (2010) afirmam que a composição e o dimensionamento do SESMT são definidos em função do risco da atividade principal e do número total de empregados na empresa, ambos devem seguir a determinação da NR-4, quadro 2. Para Bensoussan et al. (2010), o SESMT é composto pelos seguintes profissionais: médico do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho, enfermeiro do trabalho, técnico de segurança do trabalho e auxiliar ou técnico de enfermagem do trabalho, com atribuições, carga horária e requisitos definidos pela NR-4, da Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978, do Ministério do Trabalho e Emprego. Dessa forma, podemos entender que o SESMT é composto por profissionais da saúde em segurança e medicina do trabalho, com objetivo de promoção da saúde física e integral, nos ambientes laborais. Conforme Barsano e Barbosa (2012), as empresas e órgãos públicos e privados, bem como os poderes Legislativo e Judiciário, cujos empregados possuem o regime de CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), devem manter obrigatoriamente o SESMT, sendo que os profissionais que o integram necessitam satisfazer os seguintes requisitos: • Engenheiro de segurança do trabalho: deve ser formado em Engenharia ou Arquitetura com especialização (pós-graduação) em Engenharia de Segurança do Trabalho. • Médico do trabalho: Médico com especialização (pós-graduação) em medicina do trabalho ou residência em saúde do trabalhador. • Enfermeiro do trabalho: enfermeiro com especialização (pós-graduação) em Enfermagem do trabalho. • Auxiliar ou Técnico de enfermagem: auxiliar ou técnico de enfermagem que realizou curso de nível técnico, reconhecido pelo Ministério da Educação. • Técnico de segurança do trabalho: técnico de segurança do trabalho, portador de comprovação de registro profissional, expedido pelo Ministério do Trabalho. Esses profissionais devem estar em treinamento constante para revisão, atualização de seus conhecimentos e troca de experiências, além disso, não podem exercer outras atividades na empresa durante o horário de sua atuação no SESMT. TÓPICO 1 | SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO 125 2.2 COMPETÊNCIA Vamos verificar que a norma regulamentadora n° 4, em seu item 4.12, elenca as competências dos profissionais do SESMT, as quais devem ser cumpridas pelo empregado e oportunizadas pelo empregador, para o bom desenvolvimento das suas atividades. Os profissionais que integram o SESMT precisam desempenhar competências para o bom desenvolvimento de suas atividades, para isso, precisam ter as seguintes atribuições, conforme Bensoussan et al. (2010, p. 72): • Aplicar os conhecimentos técnicos ao ambiente de trabalho a fim de evitar ou diminuir os riscos existentes à saúde do trabalhador. • Utilizar todos os meios possíveis e legais para reduzir o risco de acidentes de trabalho, e se o agente persistir, o trabalhador deverá utilizar EPI. • Quando solicitado, o profissional deverá colaborar nos projetos e implantação de novas instalações físicas e tecnológicas da empresa. • Responsabilizar-se tecnicamente pela orientação quanto ao cumprimento do disposto nas NRs. • Estar disposto a atender a CIPA, conforme NR-5. • Promover atividades de conscientização, educação e orientação dos trabalhadores para a prevenção de acidentes e doenças do trabalho. • Orientar os empregadores sobre acidentes e doenças do trabalho. • Realizar o registro de todos os acidentes ocorridos no ambiente de trabalho. • Manteros registros dos acidentes de trabalho na sede dos SESMT, sob qualquer forma de arquivamento, desde que seja de fácil localização. Barsano e Barbosa (2012) destacam a importância de esclarecer que o empregador se responsabilizará por toda a despesa decorrente da instalação e manutenção do SESMT, além disso, os profissionais ligados a esse serviço necessitam ter liberdade para sua atuação, mas havendo alguma irregularidade que os impeça de desenvolver seu exercício profissional, acarretará à empresa infrações e punições, conforme previsto nas normas regulamentadoras. Os profissionais que compõem o SESMT necessitam cumprir uma determinada carga horária na empresa. Podemos citar, por exemplo, que o técnico de segurança do trabalho e o auxiliar de enfermagem do trabalho deverão permanecer oito horas por dia. Já o engenheiro de segurança do trabalho, o médico do trabalho e o enfermeiro do trabalho poderão estar, no mínimo, três horas (tempo parcial) por dia ou seis horas (tempo integral) por dia, nas atividades do SESMT (BARSANO; BARBOSA, 2012). Fica estabelecido e proibido que o profissional de segurança e medicina do trabalho tenha outras atividades na empresa, durante o horário de dedicação no SESMT (BARSANO; BARBOSA, 2012). UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 126 2.3 DIMENSIONAMENTO Precisamos saber de onde vem a orientação para o dimensionamento dos integrantes do SESMT, e isso não é difícil de entender, pois a CLT contém a previsão legal para dispor sobre o SESMT e também de suas atribuições dentro da legislação trabalhista. Conforme Barsano e Barbosa (2012), o dimensionamento do SESMT está relacionado ao grau do risco da atividade principal, bem como ao número total de empregados da empresa a que o trabalhador está vinculado. Dessa forma, dependendo da atividade realizada pela empresa, existe uma classificação de risco em que esta estará enquadrada, de acordo com as suas atividades, assim, para chegarmos na composição do SESMT, é imprescindível conhecer a Classificação Nacional da Atividade Econômica – CNAE da empresa, a fim de identificar o grau de risco estabelecido pelo Ministério do Trabalho (BENSOUSSAN et al., 2010). Vamos conhecer o quadro da NR-4, é necessário primeiramente conhecer a quantidade de funcionários da empresa ou organização, o grau de risco que a empresa está classificada, para então procurar na tabela os profissionais que devem integrar o SESMT. QUADRO 1 – NR-4 Nº de empregados no estabelecimento 50 a 100 101 a 250 251 a 500 501 a 1.000 1.001 a 2.000 2.001 a 3.500 3.501 a 5.000 Acima de 5.000 para cada grupo de 4.000 ou fração acima de 2.000** 1 Técnicos Técnico Seg. Trabalho - - - 1 1 1 2 1 Engenheiro Seg. Trabalho - - - - - 1* 1 1* Aux. Enfermagem Trabalho - - - - - 1 1 1 Enfermeiro do Trabalho - - - - - - 1* - Médico do Trabalho - - - - 1* 1* 1 1* 2 Técnico Seg. Trabalho - - - 1 1 2 5 1 Engenheiro Seg. Trabalho - - - - 1* 1 1 1* Aux. Enfermagem Trabalho - - - - 1 1 1 1 Enfermeiro do Trabalho - - - - - - 1 - Médico do Trabalho - - - - 1* 1 1 1 TÓPICO 1 | SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO 127 3 Técnico Seg. Trabalho - 1 2 3 4 6 8 3 Engenheiro Seg. Trabalho - - - 1* 1 1 2 1 Aux. Enfermagem Trabalho - - - - 1 2 1 1 Enfermeiro do Trabalho - - - - - - 1 - Médico do Trabalho - - - 1* 1 1 2 1 4 Técnico Seg. Trabalho 1 2 3 4 5 8 10 3 Engenheiro Seg. Trabalho - 1* 1* 1 1 2 3 1 Aux. Enfermagem Trabalho - - - 1 1 2 1 1 Enfermeiro do Trabalho - - - - - - 1 - Médico do Trabalho 1* 1* 1 1 2 3 1 FONTE: . Acesso em: 18 ago. 2017. (*) Tempo parcial (mínimo três horas). (**) O dimensionamento total deverá ser feito levando-se em consideração o dimensionamento de faixas de 3501 a 5000 mais o dimensionamento dos grupos de 4000 ou fração acima de 2000. Você já pensou qual é a importância do dimensionamento do SESMT? Ele é importante para identificar problemas existentes com funcionários, a fim de fazer suas correções, aplicando soluções práticas e evitando gravidades maiores. Saiba que se a empresa desrespeitar o número de profissionais na composição do SESMT, será imposta a ela penalidade através de multas. 3 CIPA Várias instituições, empresas e organizações não conseguem compreender que quando ocorrem acidentes em função da atividade laboral, isso acaba acarretando aumento de custos e certamente não conseguem compreender a extensão desses custos, pois o déficit da mão de obra em função do afastamento do trabalho, para o restabelecimento da saúde do trabalhador, influencia diretamente no processo produtivo. É fácil de entender que os acidentes não são eventos normais em um processo de produção, pois são possíveis de serem evitados através de medidas preventivas. É importante destacar que além das possíveis perdas de produtividade e qualidade, também poderá haver prejuízos para a imagem da empresa, causando perdas incalculáveis. UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 128 3.1 HISTÓRICO DA CIPA Conforme Paoleschi (2009), a CIPA surgiu em 1921 a partir de uma ideia e sugestão da Organização Internacional do Trabalho. A OIT organizou um comitê para estudos de assuntos de segurança e higiene do trabalho e de recomendações de medidas preventivas de doenças e acidentes do trabalho que passariam a ser adotadas pelos países, conforme o interesse de cada um, objetivando prevenir o aumento significativo do número de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. Essa preocupação surgiu em virtude da Revolução Industrial, pois os trabalhadores desenvolviam suas atividades em condições insalubres, como jornada extensa de trabalho, alimentação e repouso inadequados, condições perigosas de trabalho e insalubridade. Assim, em decorrência do aparecimento das máquinas e pela ausência de treino aos operadores, houve quantidade significativa de acidentes, aspirando com urgência por sugestões para a sua prevenção. FIGURA 1 – AVISO PARA DIMINUIR ACIDENTES DE TRABALHO FONTE: . Acesso em: 18 ago. 2017. Saliba (2013) também acredita que, como forma de consolidar o marco da Revolução Industrial, no final do século XIX e início do século XX, foi necessária a criação de instrumentos que unissem empregados e empregadores em busca da prevenção de acidentes do trabalho e de doenças ocupacionais. Em virtude disso, as equipes de segurança das empresas instituídas nos países europeus que tomaram a frente do processo de industrialização representam o embrião da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, nos moldes em que hoje se encontra no Brasil. Segundo Paoleschi (2009), uma das recomendações do comitê, organizado pela OIT, foi a organização de comissão de segurança do trabalho em estabelecimentos industriais. Saliba (2013) informa que a OIT demonstrou uma grande preocupação com os acidentes de trabalho que estavam acontecendo, portanto aprovou, em 1921, recomendações no sentido de que todos os estabelecimentos industriais, que empreguem pelo menos 25 trabalhadores, deveriam possuir um comitê de segurança. TÓPICO 1 | SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO 129 No Brasil, em 1944, houve a promulgação do Decreto-Lei nº 7036, intitulado como Nova Lei da Prevenção de Acidentes. É interessante destacar o artigo 82 dessa lei, pois a partir dele ocorreu efetivamente o nascimento da CIPA, conforme referido a seguir: Os empregadores, cujo número de empregados seja superior a 100, deverão providenciar a organização, em seus estabelecimentos, de comissões internas, com representantes dos empregados, para o fim de estimular o interesse pelas questões de prevenção de acidentes, apresentar sugestões quanto à orientação e fiscalização das medidas de proteção ao trabalho, realizar palestras instrutivas, propor a instituição de concursos e prêmios e tomar outras providências tendentes a educar o empegado na prática de prevenir acidentes (PAOLESCHI,2009, p. 16). Saliba (2013) corrobora essa informação, quando afirma que por meio do Decreto nº 7.036, de 10 de novembro de 1944, foi instituída a obrigatoriedade de as empresas brasileiras criarem organismos internos, confirmando a reunião de esforços dos trabalhadores e de empregadores objetivando a prevenção dos acidentes de trabalho. Para Oliveira (2009), muitas legislações surgiram em função da CIPA, dentre elas a Portaria número 3.214, que aprovou as normas regulamentadoras, inclusive a NR-5, que trata do dimensionamento das atribuições e do funcionamento da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. Posteriormente, em 1999, a Portaria nº 8 altera a NR-5, dispondo sobre o dimensionamento da CIPA e o grau de risco do ramo de atividade econômica, regulamentando a estabilidade dos suplentes eleitos e alterando as atribuições comuns ao presidente e vice-presidente (OLIVEIRA, 2009). VOCÊ PODE ACESSAR O CONTEÚDO DA NR-5 ATRAVÉS DO SITE: . UNI Portanto, a CIPA foi criada pelo Decreto nº 7.036, de 10 de novembro de 1944, e passando oficialmente a ser obrigatória, nas empresas regidas pela Consolidação da Leis do Trabalho, somente a partir de 1945, através da Portaria nº 229 do antigo Departamento Nacional do Trabalho (DNT), Ministério do Trabalho (SALIBA, 2013). Com o surgimento da CIPA, as questões relacionadas aos acidentes de trabalho no Brasil passaram a ser regidas por legislações, deixando de ser uma ideia embrionária e se tornando uma medida de segurança para muitos trabalhadores. UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 130 3.2 ORGANIZAÇÃO Oliveira (2009) cita que a CIPA deve ser mantida em regular funcionamento nas organizações públicas, privadas, sociedades de economia mista, órgãos da administração direta e indireta, instituições beneficentes, associações recreativas, cooperativas, bem como outras instituições que admitam trabalhadores, conforme subitem 5.2 da NR 5, que, além disso, ainda oferece outras previsões: 5.3 As disposições contidas nesta NR aplicam-se, no que couber, aos trabalhadores avulsos e às entidades que lhes tomem serviços, observadas as disposições estabelecidas em Normas Regulamentadoras de setores econômicos específicos. 5.4 A empresa que possuir em um mesmo município dois ou mais estabelecimentos, deverá garantir a integração das CIPAs e dos designados, conforme o caso, com o objetivo de harmonizar as políticas de segurança e saúde no trabalho. (Revogado pela Portaria SIT 247/2011) 5.5 As empresas instaladas em centro comercial ou industrial estabelecerão, através de membros de CIPA ou designados, mecanismos de integração com objetivo de promover o desenvolvimento de ações de prevenção de acidentes e doenças decorrentes do ambiente e instalações de uso coletivo, podendo contar com a participação da administração do mesmo (NUNES, 2016, p. 196). Para Barsano e Barbosa (2012), a organização que tiver até 19 colaboradores fica desobrigada de fazer eleição para a constituição da CIPA, porém deverá designar um representante para atender aos dispositivos da norma NR-5, podendo ser adotados mecanismos de participação dos empregados, através de negociação coletiva. Conforme Paoleschi (2009), as ideias de prevenção de acidentes tornaram- se cada vez mais fortes, a partir da iniciativa privada, pois houve uma percepção grande, por parte dos empresários, de que o poder econômico estava em queda em função dos acidentes de trabalho. É fácil deduzir a relação entre produtividade e acidentes de trabalho, pois na medida em que os acidentes acontecem, eles geram afastamentos do trabalhador e, por conseguinte, a produtividade cai e dessa forma há perdas financeiras para o empregador. Os acidentes de trabalho são uma das maiores preocupações das empresas; assim, conscientemente, elas acabam investindo em políticas de prevenção para evitar acidentes. A implantação da CIPA contou com o apoio de órgãos do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, da Associação Brasileira para Prevenção de Acidentes e do Serviço Social da Indústria, bem como de empresas privadas e de particulares, que não mediram esforços para que a CIPA se tornasse realidade (PAOLESCHI, 2009). TÓPICO 1 | SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO 131 Conforme Oliveira (2009), a CIPA será composta de representantes do empregador e dos empregados, de acordo com o dimensionamento previsto no quadro 1 da NR, ressalvadas as alterações disciplinadas em atos normativos para setores econômicos específicos. Paoleschi (2009) diz que o presidente da CIPA será indicado pelo empregador dentre os seus representantes titulares, enquanto o vice-presidente da comissão será escolhido pelos representantes dos empregados, entre seus titulares. FIGURA 2 – LOGOMARCA DA CIPA FONTE: . Acesso em: 18 ago. 2017. Deverão compor a CIPA membros eleitos pelos empregados e membros indicados pelo empregador, titulares e suplentes para ambos os casos (SALIBA, 2013). FIGURA 3 – FLUXOGRAMA PARA FORMAÇÃO DA CIPA Empregador Suplente Designação Empregados Eleição Suplente Titular (Vice-Presidente) Titular (Presidente) FONTE: . Acesso em: 18 ago. 2017. O mandato dos membros eleitos da CIPA terá a duração de um ano, permitida uma reeleição. Nas áreas rural e portuária, a duração do mandato dos membros será de dois anos, permitida uma recondução ou reeleição (SALIBA, 2013). Conforme Barsano e Barbosa (2012), é vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa do empregado eleito para cargo de direção de Comissões Internas de UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 132 O empregado que participa da CIPA tem garantia do emprego a partir do registro da candidatura até o fim do mandato, desde que não se enquadre em uma demissão por justa causa. UNI Conforme Barsano e Barbosa (2012), o empregador deverá proporcionar condições para que seus indicados tenham a representação necessária para discussão e poder de resolubilidade de soluções, quanto às questões de segurança e saúde no trabalho. Para fazer as indicações, o empregador designará entre seus representantes o presidente da CIPA e os representantes dos empregados escolherão entre os titulares o vice-presidente (OLIVEIRA, 2009). 3.3 ESTRUTURA Para iniciar a composição da comissão, o responsável indicado para tal atividade deve consultar a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), contida no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), conforme exemplo dado a seguir. Prevenção de Acidentes, desde o registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato. É interessante destacar que a CLT, em seu art. 165, dispõe: Os titulares da representação dos empregados nas CIPAs não poderão sofrer despedida arbitrária, entendendo-se como tal a que não se fundar em motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro. Parágrafo único. Ocorrendo a despedida, caberá ao empregador, em caso de reclamação à Justiça do Trabalho, comprovar a existência de qualquer dos motivos mencionados neste artigo, sob pena de ser condenado a reintegrar o empregado (BRASIL, 2015, p. 321). Assim, fica claro que a referência não é para estabilidade de emprego, mas a questão é a proteção contra despedida arbitrária. Se ocorrer demissão com motivo justo, por exemplo: disciplinar, técnico, econômico ou financeiro, não haverá nulidade, a não ser que seja comprovada a demissão imotivada. TÓPICO 1 | SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO 133 FIGURA 4 – MODELO DE CNAE FONTE: . Acesso em: 18 ago. 2017. De posse dessa informação, deve-se verificar no Quadro 2 da NR–5, em qual grupo a empresa se enquadra, conforme figura a seguir: QUADRO 2 – AGRUPAMENTO DE SETORES ECONÔMICOS QUADRO II Agrupamento de setores econômicos pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE, para dimensionamento de CIPA. C-9 - SOM E IMAGEM18.30-0 59.11-1 59.12-0 59.13-8 59.14-6 59.20-1 60.10-1 60.21-7 60.22-5 74.20-0 90.01-9 90.02-7 90.03-5 FONTE: . Acesso em: 18 ago. 2017. Nesse caso, identificamos que o grupo é C-9, pois nele encontramos o CNAE 60.10-1, e considerando o número de empregados da empresa, verifica- se a quantidade de representantes efetivos e suplentes necessários, conforme disposto na NR–5, Quadro I. UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 134 GRUPOS nº d e em pr eg ad o s no e st ab el ec im en to nº . d e m em br o s da C IP A 0 a 19 2 0 a 2 9 3 0 a 5 0 5 1 a 8 0 8 1 a 10 0 10 1 a 12 0 12 1 a 14 0 14 1 a 3 0 0 3 0 1 a 5 0 0 5 0 1 a 1. 0 0 0 1. 0 0 1 a 2 .5 0 0 2. 50 1 a 10 .0 0 0 5. 0 1 a 10 .0 0 0 ac im a de 10 .0 0 0 p ar a ca da g ru po de 2 .5 0 0 ac re sc en ta r C -7 e fe tiv o s 1 1 2 2 2 2 3 4 5 6 1 su p le n te s 1 1 2 2 2 2 3 3 4 4 1 C -7 a e fe tiv o s 1 1 2 2 3 3 4 5 6 8 9 10 2 su p le n te s 1 1 2 2 3 3 3 4 5 7 8 8 2 C -8 e fe tiv o s 1 1 2 2 3 3 4 5 6 7 8 10 1 su p le n te s 1 1 2 2 3 3 3 4 4 5 6 8 1 C -9 e fe tiv o s 1 1 1 2 2 2 3 5 6 7 1 su p le n te s 1 1 1 2 2 2 3 4 4 5 1 C -1 0 e fe tiv o s 1 1 2 2 3 3 4 4 5 8 9 10 2 su p le n te s 1 1 2 2 3 3 3 4 4 6 7 8 2 FI G U R A 5 – Q U A D R O I - D IM E N SI O N A M E N T O D A C IP A FO N T E : . A c e ss o e m : 2 2 a g o . 2 0 17 . TÓPICO 1 | SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO 135 Portanto, precisamos saber a quantidade de funcionários da empresa, para conseguirmos enquadrar no quadro I da NR5, objetivando a identificação da quantidade de cipeiros na empresa. Assim, a CIPA será composta por representantes do empregador e dos empregados, de acordo com o dimensionamento que acabamos de estudar. 3.4 PROCESSO ELEITORAL Saliba (2013) reitera que cabe ao empregador convocar eleições para escolha dos representantes dos empregados na CIPA, no prazo mínimo de 60 dias antes do término do mandato em curso. A empresa estabelecerá mecanismos para comunicar o início do processo eleitoral ao sindicato da categoria profissional. Assim, prosseguindo com o pleito, o presidente e o vice-presidente da CIPA constituirão dentre seus membros, no prazo mínimo de 45 dias antes do término do mandato em curso, a Comissão Eleitoral, que será a responsável pela organização e acompanhamento do processo eleitoral (BARSANO; BARBOSA, 2012). FIGURA 6 – MODELO DE CÉDULA PARA VOTAÇÃO FONTE: . Acesso em: 22 ago. 2017. Barsano e Barbosa (2012, p. 113) informam que o processo eleitoral deve seguir alguns quesitos, como: • O edital deve ser fixado para divulgação onde todos os trabalhadores tenham facilidade de acesso, com 45 dias antes do término do último mandato. • O período mínimo para inscrição será de 15 dias, sendo que a inscrição e a eleição devem ser individuais. • Qualquer empregado pode se inscrever, independente do setor. UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 136 • Há garantia de emprego para os inscritos até a eleição. • A eleição deve ser realizada 30 dias antes do término do mandato anterior. • A eleição deve ser realizada em dias normais de trabalho, respeitando os horários dos turnos e de preferência que possibilite a participação da maioria dos empregados. • O voto deve ser secreto. • A contagem dos votos deve ser realizada também em horário normal de trabalho, sendo acompanhada por representante do empregador e dos empregados. • Pode ser feita a votação por cédula ou meio eletrônico. • O empregador necessitará guardar todos os documentos que dizem respeito à eleição por um período mínimo de cinco anos. O processo eletrônico é informatizado, incluindo desde a divulgação para as eleições até a apuração dos resultados. Não será usada cédula em papel e também os trabalhadores não precisam se deslocar até o local para a votação, dessa forma, o processo eleitoral é célere, ou seja, é rápido, gerando economia de recursos, além da confiabilidade que proporciona para a eleição. FIGURA 7 – VANTAGEM DA VOTAÇÃO ELETRÔNICA PARA CIPA PROCESSO ÁGIL E DINÂMICO. FONTE: . Acesso em: 22 ago. 2017. Ocorrendo falta de quórum para votação, ou seja, quantidade de empregados inferior a 50%, não haverá contagem dos votos e a comissão eleitoral necessitará realizar outra votação, dentro do prazo máximo de 10 dias (SALIBA, 2013). Barsano e Barbosa (2012) afirmam que caso o empregado queira fazer denúncia sobre o processo eleitoral, esta deverá ser protocolada no Ministério do Trabalho, até 30 dias após a data da posse dos novos membros da CIPA. Diante da confirmação de irregularidades no processo eleitoral, o Ministério do Trabalho deverá determinar sua correção ou realizar a anulação, quando efetivamente comprovada a irregularidade. Para Saliba (2013), caso haja anulação da eleição, a empresa deve convocar nova eleição no prazo de cinco dias a contar da data de ciência, mantendo as inscrições anteriores. TÓPICO 1 | SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO 137 Assista ao vídeo bem interessante que aborda o assunto da CIPA, disponível em: . UNI 3.5 TREINAMENTO DOS CIPEIROS O estabelecimento como empresa, indústria, fábrica, deve promover treinamento para os membros da CIPA, titulares e suplentes, antes da posse. E quando for o primeiro mandato de CIPA, o treinamento será realizado no prazo máximo de 30 dias, contados a partir da data da posse (BARSANO; BARBOSA, 2012). O treinamento deve ser realizado para todos os membros da CIPA, independentemente se estão no segundo mandato e já participaram anteriormente, ou se o membro já o fez em algum momento. Conforme Barsano e Barbosa (2012, p. 114), o treinamento para a CIPA, obrigatoriamente, deve conter, no mínimo, os seguintes aspectos: • Estudo do ambiente das condições de trabalho, bem como dos riscos originados do processo produtivo. • Metodologia de investigação e análise de acidentes e doenças do trabalho. • Noções sobre acidentes e doenças do trabalho decorrentes de exposição aos riscos existentes na empresa. • Noções sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e medida de prevenção. • Noções sobre as legislações trabalhista e previdenciária referentes a segurança e saúde no trabalho. • Princípios gerais de higiene do trabalho e de medidas de controle dos riscos. • Organização da CIPA e outros assuntos pertinentes ao exercício das atribuições da comissão. Paoleschi (2009) relata que quando for comprovado que o treinamento não contemplou os itens acima mencionados, o Ministério do Trabalho determinará a complementação ou realização de outro curso, que será realizado no prazo máximo de 30 dias, a partir do momento em que a empresa souber da decisão. Assumirão a condição de membros titulares e suplentes os candidatos mais votados. Em caso de empate, assumirá aquele que tiver maior tempo de serviço no estabelecimento. Os candidatos votados que não forem eleitos permanecerão em uma lista em ordem decrescente de votos, para que haja nomeação em caso de vacância dos titulares (BARSANO; BARBOSA, 2012). UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 138 O treinamento terá carga horária máxima de 20 horas, distribuídas num teto máximo de oito horas diárias e deverá ser realizado durante o expediente de trabalho. Será ministrado pelo SESMT da empresa, entidade patronal, entidade de trabalhadores ou por profissional que possua conhecimentos sobre os temas ministrados (BARSANO; BARBOSA, 2012). A realização do treinamento deve ocorrer no prazo máximo de 30 dias. As empresas que não se enquadrarem no Quadro I da NR-5 devempromover anualmente o treinamento para o responsável designado, em cumprimento desta NR (PAOLESCHI, 2009). Quem ministrar o treinamento não necessariamente precisa ter vínculo com a empresa, podendo ser uma empresa ou profissional contratado, sendo que sua avaliação será feita pelos integrantes da CIPA. Caso o curso tenha sido realizado de maneira incompleta, o Ministério do Trabalho poderá determinar a complementação ou ministração de um novo treinamento (PAOLESCHI, 2009). 3.6 ATRIBUIÇÕES DOS CIPEIROS As principais atribuições da CIPA, conforme Barsano e Barbosa (2012, p. 115), são as seguintes: • Discutir os acidentes ocorridos. • Sugerir medidas de prevenção de acidentes. • Promover a divulgação e zelar pela observância das normas de Segurança e Medicina do Trabalho. • Despertar o interesse dos empregados pela prevenção de acidentes e de doenças profissionais, estimulando-os a adotar comportamento preventivo durante o trabalho. • Promover anualmente a Semana Interna de Prevenção de Acidentes, além de participar da campanha permanente de prevenção de acidentes promovida pela empresa. • Investigar ou participar com o Serviço de Segurança e Medicina do Trabalho da empresa (SESMT) na investigação de causas, circunstâncias e consequências dos acidentes e doenças profissionais, acompanhando a execução de medida corretiva. • Realizar, mediante prévio aviso ao empregador e ao SESMT, inspeção nas dependências da empresa, dando conhecimento dos riscos encontrados ao responsável pelo setor, ao SESMT e ao empregador. • Sugerir realização de cursos, treinamentos e campanhas visando melhoria das condições de segurança do trabalho. • Elaborar fichas de informações e de análise de acidentes conforme modelo estabelecido pelo Ministério do Trabalho, arquivando-as e permitindo fácil acesso a essas. • Elaborar com a ajuda do SESMT, após ouvir os trabalhadores, o mapa de risco, que deverá ser refeito a cada gestão da CIPA. Quando ocorre algum acidente, a CIPA também atua. Dessa forma, imediatamente após a ocorrência, a CIPA deve investigar as causas, não com o TÓPICO 1 | SEGURANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO 139 4 PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RISCOS (PGR) Para que este programa nasça e cresça dentro de uma empresa, é importante estar alinhado com a diretoria, Recursos Humanos e com os profissionais da segurança do trabalho. O PGR faz parte da política de prevenção da empresa, ou seja, a empresa precisa adotar medidas preventivas que controlem os riscos de possíveis acidentes e, por conseguinte, se faz a prevenção de perdas, pois acidentes de trabalho envolvem, muitas vezes, o afastamento do funcionário, gerando perdas na produtividade da empresa. Corroborando esse pensamento, Fruhauf et al. (2005, p. 29) acreditam que “na implementação de Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho, a Gestão de Riscos constitui o aspecto essencial a ter em conta na política de prevenção integrada definida pelas empresas”. Se a empresa se adequar ao programa de gerenciamento de riscos, terá muitas vantagens, como satisfação por parte do empregado no desenvolvimento de suas atividades e, por conseguinte, acaba refletindo na qualidade e produtividade do trabalho. Conforme Belasco (2011), o PGR tem a finalidade de evitar que o número de acidentes de trabalho aumente, permanecendo baixo diante das estatísticas da organização. Por outro lado, o que ajuda a manter os riscos abaixo nos níveis de tolerância é estar em constante avaliação, chamada de avaliação de riscos. Belasco (2011) afirma que, para que não se perca o foco do gerenciamento de riscos, é importante fazer um planejamento quanto à análise de riscos, sempre olhando para o CNAE e a classificação de risco da empresa. É importante relatar que os riscos podem mudar e, por isso, a constante análise é imprescindível. Podemos entender que o PGR tem o objetivo de manter a integridade física e emocional do trabalhador, com a consequente preservação da vida, através de um ambiente saudável, com monitoramento permanente, evitando também perdas financeiras ao empregador. objetivo de culpabilizar a vítima, mas para investigar as causas do acidente, a fim de evitar acidentes futuros. Embora o Serviço de Medicina e Segurança do Trabalho da empresa tenha também como objetivo esta investigação, é importante a participação da Comissão, que deverá elaborar ficha própria de análise dos acidentes (PAOLESCHI, 2009). 140 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu que: • O Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho, também conhecido por SESMT, é regido pela NR-4. • O SESMT é composto pelos seguintes profissionais: médico do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho, enfermeiro do trabalho, técnico de segurança do trabalho e auxiliar ou técnico de enfermagem do trabalho. • É de responsabilidade do empregador toda a despesa decorrente da instalação e manutenção do SESMT. • Os profissionais que compõem o SESMT necessitam cumprir uma determinada carga horária na empresa. • A CIPA surgiu em 1921, a partir de uma ideia e sugestão da Organização Internacional do Trabalho. • A CIPA foi criada pelo Decreto nº 7.036, de 10 de novembro de 1944, passando oficialmente a ser obrigatória nas empresas regidas pela CLT, a partir de 1945. • O mandato dos membros eleitos da CIPA terá a duração de um ano, permitida uma reeleição. • O PGR faz parte da política de prevenção da empresa. • O PGR tem a finalidade de evitar que os números de acidentes de trabalho aumentem. 141 AUTOATIVIDADE 1 O Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho, também conhecido por SESMT, envolve profissionais com conhecimentos técnicos na área de segurança e saúde no trabalho. Com relação a essa afirmativa, analise as sentenças: I– O dimensionamento do SESMT ocorre em função do risco da atividade principal e do número total de empregados na empresa. II– Somente os órgãos públicos devem manter o SESMT. III– Somente o Poder Legislativo deve manter o SESMT. IV– O médico do trabalho faz parte da composição do SESMT. Agora, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e IV estão corretas. b) ( ) As sentenças I, III e IV estão corretas. c) ( ) As sentenças III e IV estão corretas. d) ( ) As sentenças I e II estão corretas. 2 Cite quais são os itens que uma empresa deve considerar para realizar o dimensionamento do SESMT, ou seja, chegar à composição do SESMT. 3 A CIPA foi criada no Brasil em 1944 e colocada em prática em 1945, com o objetivo de diminuir o número de acidentes de trabalho, através da prevenção, principalmente por meio de palestras educativas e mudança de comportamento. Diante dessa afirmativa, assinale a alternativa CORRETA referente à CIPA: a) ( ) A CIPA é composta por representantes do empregador e dos empregados. b) ( ) O mandato dos membros eleitos terá duração de cinco anos. c) ( ) É permitida a dispensa arbitrária ou sem justa causa do empregado, eleito para a CIPA. d) ( ) A CIPA tem o objetivo somente de prevenir doenças decorrentes do trabalho. 4 Os cipeiros possuem várias atribuições, cite duas delas. 5 Uma das atribuições do Plano de Gerenciamento de Riscos está voltada à prevenção de riscos ambientais, evitando possíveis acidentes de trabalho aos trabalhadores e, por conseguinte, mantendo a produtividade na empresa, órgão ou instituição. Diante dessa afirmativa, assinale a alternativa CORRETA referente ao PGR: 142 a) ( ) O PGR faz parte da política de prevenção da empresa. b) ( ) O PGR não se importa em fazer um planejamento quanto à análise de riscos. c) ( ) A gestão de riscos não constitui um aspecto importante como política de prevenção das empresas. d) ( ) Esse plano só é aplicado em empresas públicas. 143 TÓPICO 2 SEGURANÇA DO TRABALHO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Uma das principais prioridades da segurança e saúde do trabalhador é prevenir a possibilidade de ocorrências de caráterdesastroso a quem dedica seu tempo e esforço na atividade laboral. Durante muitos anos, a preocupação dos profissionais de segurança e saúde do trabalho esteve voltada para o reconhecimento dos agentes que causam desconforto ao homem. Felizmente, muitas legislações e programas surgiram para estarem ao lado dos trabalhadores. É necessária consciência para que os trabalhadores sigam as legislações a fim de que o risco ainda existente no ambiente de trabalho não seja nocivo à saúde do trabalhador, para isso é preciso a participação de todos os envolvidos na empresa. O mapa de risco cabe dentro desse propósito, ou seja, o de demonstrar sem subterfúgios a realidade do ambiente em que o trabalhador vive. Outro programa que veremos é o programa de prevenção de riscos ambientais, conhecido por PPRA. O PPRA também objetiva a saúde do trabalhador, mas a execução é diferente, ele trabalha por meio da antecipação, reconhecimento, avaliação e, consequentemente, o controle da ocorrência de riscos ambientais existentes. 2 PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS Para Barsano e Barbosa (2012), o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, também chamado de PPRA, tem seu regulamento e definição regidos pela NR nº 9, estabelecida pela Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978, do Ministério do Trabalho e Emprego. Esta NR visa a obrigatoriedade quanto à elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que contratam empregados por meio da CLT. Este programa tem o objetivo de prevenir a saúde e integridade dos trabalhadores, através da precaução dos riscos ambientais que existam no ambiente laboral, seja pelo reconhecimento, avaliação e controle desses. 144 UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO Saliba (2013) afirma que o PPRA é um programa importante para realizar a prevenção de doenças ocupacionais e acidentes de trabalho, necessitando de apoio da hierarquia da empresa, mas, por outro lado, deve haver comprometimento deles com os objetivos do programa. Para Campos (2016), o PPRA não deve ser um instrumento somente para mostrar ao Ministério do Trabalho, quando requisitado, mas precisa ter a finalidade de oferecer a melhor alternativa para diminuir e acabar com as perdas e, acima de tudo, para cumprir com a proposta de prevenir transtornos de saúde e realizar as devidas correções. Você sabia que a NR-9 desconsidera riscos ergonômicos? É verdade, mas cabe o bom senso. Deve-se utilizar a prevenção, como forma de evitar o seu aparecimento. UNI FIGURA 8 – EXEMPLO DE RISCO ERGONÔMICO: EXCESSO DE PESO FONTE: . Acesso em: 24 ago. 2017. Segundo Oliveira (2009), de acordo com as disposições estabelecidas na NR-9, o PPRA tem a finalidade de manter a saúde dos trabalhadores mediante a antecipação, avaliação, reconhecimento e controle dos riscos do ambiente, sendo de obrigatoriedade das empresas implementar este programa. TÓPICO 2 | SEGURANÇA DO TRABALHO 145 FIGURA 9 – OBJETIVO DO PPRA FONTE: . Acesso em: 24 ago. 2017. O PPRA segue o que está estabelecido na NR-9, bem como está alinhado com as normas regulamentadoras, de modo especial ao Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, previsto na NR-7. Dessa forma, o PPRA segue as diretrizes da NR-9, estabelecendo os parâmetros que devem ser aceitos e obedecidos na sua execução, mas existe a possibilidade de ser ampliado, mediante negociação coletiva de trabalho (BARSANO; BARBOSA, 2012). O documento base do PPRA deve estar sempre à disposição das autoridades que fiscalizam as empresas. UNI Barsano e Barbosa (2012) salientam que as ações do PPRA precisam ser executadas nas empresas de acordo com as características dos riscos e das necessidades de controle, sob a responsabilidade do empregador, mas com a participação dos trabalhadores. 2.1 ESTRUTURA O PPRA necessita possuir um planejamento com suas atividades e ações, dessa forma, deve estabelecer metas para que as ideias sejam executadas, seguindo um cronograma. 146 UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO Esse planejamento auxiliará na concretização das estratégias estipuladas, visando a prevenção da saúde e integridade dos trabalhadores, através do controle dos riscos ambientais. De acordo com Campos (2016), a empresa pode estipular o tipo de registro do PPRA, dessa forma, pode ser por meio físico ou digital, como também a guarda do documento. Entretanto, deverá ser mantido arquivado por no mínimo 20 anos. Para Barsano e Barbosa (2012), todo e qualquer programa possui uma estrutura essencial e o PPRA não é diferente, assim, vamos conhecer a sua estrutura: a) Planejamento anual com estabelecimento de metas, prioridades e cronograma. b) Estratégia e metodologia de ação. c) Forma do registro, manutenção e divulgação dos dados. d) Periodicidade e forma de avaliação do desenvolvimento do PPRA. Deve ser realizada anualmente, ou quando necessário, uma análise geral do PPRA a fim de ajustar as metas e as devidas prioridades. Todo o conteúdo do PPRA deve ser apresentado e discutido na CIPA da empresa, de acordo com a NR-5, sendo sua cópia anexada ao livro de atas dessa comissão (BARSANO; BARBOSA, 2012). 2.2 DESENVOLVIMENTO DO PPRA O PPRA deve incluir as seguintes etapas, de acordo com Barsano e Barbosa (2012): a) Antecipação e reconhecimentos dos riscos. b) Estabelecimento de prioridades e metas de avaliação e controle. c) Avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores. d) Implantação de medidas de controle e avaliação de sua eficácia. e) Monitoramento da exposição aos riscos: o objetivo é realizar um acompanhamento sistemático e periódico da exposição de algum risco identificado. f) Registro e divulgação dos dados: todos os dados do PPRA devem estar contidos no documento base, conforme a NR-9, no item 9.2.1. TÓPICO 2 | SEGURANÇA DO TRABALHO 147 FIGURA 10 – FLUXOGRAMA DO DESENVOLVIMENTO DO PPRA Antecipação dos riscos Implantação Treinamento Documentação Medidas de Controle e Monitoramento Avaliação dos Riscos Reconhecimento dos Riscos FONTE: . Acesso em: 24 ago. 2017. Para Barsano e Barbosa (2012), a elaboração, a implementação, o acompanhamento e a avaliação do PPRA poderão ser feitos pelo SESMT ou, ainda, por alguém da equipe, por escolha do empregador, que tenha condições de desenvolver os quesitos constantes nas normas regulamentadoras. 2.3 RESPONSABILIDADES O empregador, além de várias obrigações impostas pela legislação brasileira, tem como principais incumbências estabelecer, implementar e assegurar o cumprimento do PPRA, como atividade permanente da empresa ou instituição. Os empregados contam com a participação direita dos empregadores, no sentido de avisá-los sobre os riscos ambientais que possam aparecer nos locais de trabalho e sobre os meios disponíveis para preveni-los ou limitá-los (CAMPOS, 2016). Caso ocorra algum acidente ou incapacitação dos trabalhadores, o empregador deve oferecer todo o suporte para restabelecimento da sua saúde, ou afastar o trabalhador da fonte de risco. O empregador deve oferecer proteção, seja através de equipamentos de proteção individual (EPI) e equipamentos de proteção coletiva (EPC). Os trabalhadores também possuem responsabilidades, pois precisam colaborar e participar na implementação e execução do programa, obedecer quanto às orientações recebidas e informar ao superior hierárquico direto quando houver alguma ocorrência que possa afetar a sua saúde (BARSANO; BARBOSA, 2012). 148 UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO Barsano e Barbosa (2012) afirmam que o conhecimento e a percepção que os trabalhadores têm do processo de trabalho e dos riscos ambientais presentes deverão ser considerados para o planejamento, elaboração e execução do PPRA. 3 MAPA DE RISCOS Já estudamose compreendemos que o ambiente de trabalho pode oferecer riscos ao trabalhador, causando até mortes, doenças e incapacidades. Tudo isso ocorreu e ainda acontece ao longo da trajetória de vida da humanidade. Vieira (2008) salienta que os dados estatísticos brasileiros colocam os trabalhadores em posições campeãs de acidentes de trabalho, apesar de todos os esforços que as legislações impõem a fim de reverter o quadro. Entretanto, é necessária a colaboração dos trabalhadores, para que o ambiente de trabalho não cause prejuízos nocivos à saúde dessa classe. Dessa forma, os trabalhadores precisarão participar ativamente das questões de segurança e conservação da sua saúde. 3.1 HISTÓRICO Ponzetto (2010) relatou que houve um movimento na Itália na década de 70, em que os trabalhadores reivindicaram por melhores condições de trabalho e saúde. A repressão nessa época foi desencadeada por um grupo de indústrias de Turim, que lutaram contra as condições perigosas e nocivas de trabalho, surgindo o “Modelo Operário Italiano”, também conhecido por MOI. O MOI tinha como objetivo auxiliar os operários das indústrias do ramo metal-mecânico na investigação e controle dos ambientes de trabalho. Por fim, esse modelo possibilitou a participação dos trabalhadores no planejamento a fim de evitar acidentes, contribuindo no controle da saúde do indivíduo (PONZETTO, 2010). Vieira (2008) afirma que esse modelo foi importante para o Brasil, pois a FUNDACENTRO, com a ideia de ajudar a CIPA para ter expressão dentro das empresas e indústrias, teve contato com o Modelo Operário Italiano, originando o Mapa de Risco. Ponzetto (2010) informa que o mapa de riscos chegou ao Brasil no início da década de 1980, e através da Portaria nº 5, de 18/08/1992, do Departamento Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador do Ministério do Trabalho (DNSST), se tornou obrigatório, alterando ainda a NR-9 e determinando a obrigatoriedade da elaboração de mapas de riscos nas empresas que possuíssem CIPA. A NR-5 não estabelece a metodologia, ela apenas informa que a CIPA TÓPICO 2 | SEGURANÇA DO TRABALHO 149 deverá identificar os riscos com a participação do maior número de trabalhadores, com ajuda do SESMT, quando existir (BARSANO; BARBOSA, 2012). 3.2 CONCEITO O mapa consiste em um levantamento dos pontos de risco existentes nos diferentes setores das empresas, a fim de identificar situações e locais potencialmente perigosos. Para Barsano e Barbosa (2012), o mapa de riscos é uma representação gráfica de como os trabalhadores percebem o seu ambiente de trabalho, necessitando ser simples e objetivo, a fim de que qualquer trabalhador com qualquer instrução consiga entendê-lo. A partir de uma planta baixa de cada seção, levantam-se todos os tipos de riscos, classificados de acordo com o grau de perigo em pequeno, médio e grande. Esses riscos são agrupados em cinco grupos de cores: vermelho, verde, marrom, amarelo e azul, sendo que cada grupo corresponde a um tipo de agente: químico, físico, biológico, ergonômico e de acidentes (VIEIRA, 2008). Os fatores de risco a que o trabalhador está sujeito são originados à medida que o processo do trabalho é evidenciado, com a atuação de equipamentos que auxiliam os trabalhadores. 3.3 ETAPAS DO MAPEAMENTO Conforme Vieira (2008), a CIPA ouvirá os trabalhadores que irão se manifestar quanto aos agentes e as situações que lhes causam incômodo, desconforto, mal-estar, irritação, acidentes, enfim, tudo o que causa desconforto e que interfere no seu ambiente laboral. Barsano e Barbosa (2012) corroboram esse entendimento e complementam que se deve perguntar ao trabalhador “o que” o incomoda e “quanto” o incomoda, a fim de conseguir retratar sua realidade. Além desse detalhe, deve-se ainda: a) Conhecer o processo de trabalho no local analisado, identificando a quantidade de trabalhadores, o sexo, idade, instrumentos e materiais de trabalho, bem como as atividades exercidas. b) Identificar os riscos existentes no local analisado: agentes físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. c) Identificar as medidas preventivas existentes e sua eficácia: proteções coletivas, individuais, de higiene (banheiro, lavatórios, vestuários, armários, bebedouros e refeitório), além da organização do trabalho. 150 UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 3.4 IDENTIFICAÇÃO DOS RISCOS PELAS CORES Conforme Barsano e Barbosa (2012), deverão ser desenhados os círculos próximo à fonte geradora do risco, com o tamanho que represente a gravidade mensurada pelos trabalhadores. Esses círculos serão da cor padronizada, conforme a seguir, de acordo com o grupo a que pertence o risco. d) Identificar os indicadores de saúde: queixas, acidentes de trabalho ocorridos, doenças diagnosticadas e causas mais frequentes de ausência de trabalho. e) Elaborar o mapa de riscos sobre o layout da empresa, indicando através de círculos o grau de risco encontrado (grave, médio e leve). De acordo com Vieira (2008), os riscos serão representados no mapa por meio de círculos de diferentes cores, conforme o grupo a que pertencem, e em três tamanhos, conforme sua gravidade. Vieira (2008) ainda expõe que a gravidade dos riscos também refletirá o descontentamento do trabalhador, pois quanto mais desagradável for o trabalho, maior será o círculo, porém, esta gradação será feita através do consenso dos trabalhadores expostos ao agente. Após discussão e aprovação pela CIPA, o mapa de riscos deverá ser colocado em cada local analisado, de forma visível e de fácil acesso, a fim de alertar sobre os perigos existentes naquela área. A ausência do mapa de riscos poderá implicar em multas de alto valor (OLIVEIRA, 2009). QUADRO 3 – CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS OCUPACIONAIS EM GRUPOS E CORES GRUPO 1 VERDE GRUPO 2 VERMELHO GRUPO 3 MARROM GRUPO 4 AMARELO GRUPO 5 AZUL Riscos Físicos Riscos Químicos Riscos Biológicos Riscos Ergonômicos Riscos de Acidentes Ruídos Poeiras Vírus Esforço físico intenso Arranjo físico inadequado Vibrações Fumos Bactérias Levantamento e transporte manual de peso Máquinas e equipamentos sem proteção Radiações ionizantes Névoas Protozoários Exigência de postura inadequada Ferramentas inadequadas ou defeituosas TÓPICO 2 | SEGURANÇA DO TRABALHO 151 FONTE: . Acesso em: 25 ago. 2017. Radiações não ionizantes Neblinas Fungos Controle rígido de produtividade Iluminação inadequada Frio Gases Parasitas Imposição de ritmos excessivos Eletricidade Calor Vapores Bacilos Trabalho em turno e noturno Probabilidade de incêndio ou explosão Pressões anormais Produtos químicos em geral Jornadas de trabalho prolongadas Armazenamento inadequado Umidade Monotonia e repetitividade Animais peçonhentos Outras situações causadoras de estresse físico e/ ou psíquico Outras situações de risco que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes Os riscos serão simbolizados por círculos de três tamanhos distintos: pequeno, médio e grande. Assim, após o levantamento de todas as informações importantes para elaboração do mapa de risco, a empresa receberá o levantamento e terá o prazo de 30 dias para analisar e negociar com os membros da CIPA, ou do SESMT, prazos para realizar as alterações propostas. (OLIVEIRA, 2009) 152 UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO QUADRO 4 – TABELA DE GRAVIDADE E CORES USADAS NO MAPA DE RISCOS FONTE: . Acesso em: 25 ago. 2017. Quando um risco afeta a seção inteira, por exemplo, vibração, uma forma de representá-lo no mapa é colocá-lo no meio do setor e acrescentar setas nas bordas, indicando que o problema se espalha por todo o local (PONZETTO, 2010). LEGENDA - MAPA DE RISCO Tipos de Agentes Cor Riscos (Proporção) Exemplos Elevado (4) Médio (2) Pequeno (1) Químicos Vermelho Poeiras, fumos, gazes,vapores, névoas, neblinas, etc. Físicos Verde Ruído, calor, frio, pressões, umidade, radiações ionizantes e não ionizantes, etc. Biológicos Marrom Fungos, vírus, parasitas, bactérias, protozoários, insetos, etc. Ergonômicos Amarelo Levantamento e transporte manual de peso, repetitividade, ritmo excessivo, etc. Acidentes ou Mecânicos Azul Arranjo físico e iluminação inadequada, incêndio e explosão, eletricidade, etc. FIGURA 11 – REPRESENTAÇÃO DE RISCO QUE AFETA TODO O SETOR DE TRABALHO FONTE: . Acesso em: 25 ago. 2017. Outra situação que pode acontecer é a existência de riscos de grupos diferentes, mas com a mesma gravidade, num mesmo ponto. Nesse caso, divide- se o círculo conforme a quantidade de grupos em duas, três, quatro e até cinco partes iguais, cada parte com sua respectiva cor (VIEIRA, 2008). TÓPICO 2 | SEGURANÇA DO TRABALHO 153 FIGURA 12 – REPRESENTAÇÃO DE RISCO COM GRUPOS DIFERENTES FONTE: . Acesso em: 25 ago. 2017. 4 A IMPORTÂNCIA DOS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO Quando se fala em segurança do trabalho, existe a relação direta com a segurança do trabalhador, pois a prioridade é prevenir doenças e acidentes relacionados à atividade laboral. Apesar de haver legislações, normas regulamentadoras e programas voltados à saúde e prevenção do trabalhador, outra proposta bem interessante é representada pelos equipamentos de proteção, tanto individual como coletivo. O equipamento de proteção individual, também conhecido por EPI, tem previsão na NR-6, sendo considerado um objeto utilizado individualmente com a finalidade de proteger o trabalhador de riscos que possam ameaçar e comprometer a segurança e a saúde no trabalho. Segundo Barsano e Barbosa (2012), de acordo com essa NR, os EPIs podem apresentar fabricação nacional ou importada, porém só podem ser comercializados com a indicação do Certificado de Aprovação (CA), expedido pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho do Ministério do Trabalho. Para Pantaleão (2017), o EPI deverá ser utilizado quando não houver possibilidade de eliminar os riscos do ambiente de trabalho ou quando as medidas de proteção coletiva não forem viáveis, eficientes e suficientes para acabar com os riscos. Barsano e Barbosa (2012) corroboram essa ideia, pois a decisão de utilizar EPI deve ser a última alternativa, após ser constatado o tipo de risco, por meio de avaliações quantitativas ou qualitativas, definindo o quanto o risco irá comprometer a saúde do trabalhador. Os autores citam ainda alguns exemplos de EPI: capacetes, luvas, máscaras e óculos de proteção, sendo que eles devem 4.1 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI) 154 UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO FIGURA 13 – EXEMPLOS DE EPI FONTE: . Acesso em: 25 ago. 2017. Portanto, se os agentes nocivos não forem eliminados e o EPI puder ser utilizado, o empregador tem a obrigação de fornecer gratuitamente ao trabalhador e repor sempre que for necessário. Em contrapartida, o trabalhador terá a obrigação de utilizá-lo. Não basta somente o empregador entregar o EPI ao empregado, este deverá receber treinamento para saber a maneira correta de utilizá-lo, a fim de neutralizar de maneira eficaz a ação do agente agressivo. Um exemplo bem fácil de entender é o uso de luvas, não basta somente entregar as luvas ao empregado, é necessário saber que cada luva é específica para um tamanho de mão; assim, não é correto entregar uma luva tamanho G para uma mão pequena, pois poderá haver acidente de trabalho em função do tamanho errado. Através desse exemplo, podemos dizer que é importante que o empregado utilize o EPI de maneira correta, necessitando estar à disposição e em número suficiente nos postos de trabalho. O EPI é considerado uma medida de baixo custo em relação aos prejuízos que podem ser causados por meio da sua ausência. Já vimos que o empregado tem a obrigação de utilizá-lo, mas a empresa deve incentivar, através de cursos, palestras e cartazes, o seu uso, necessitando ser uma prática constante e incorporada na rotina da empresa, além de ser uma obrigação legal. ser usados quando o risco físico, químico e biológico estiver acima dos limites de tolerância, colocando em perigo a saúde física e psíquica do trabalhador. TÓPICO 2 | SEGURANÇA DO TRABALHO 155 4.2 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO COLETIVA (EPC) Conforme Barsano e Barbosa (2012), os EPCs são procedimentos ou equipamentos utilizados e projetados para a proteção de um grupo de pessoas, a fim de realizar uma determinada tarefa ou qualquer atividade. De acordo com Oliveira (2009), assim como os EPIs, os EPCs precisam estar alinhados ao seu objetivo e condizer com algumas premissas, como: • Ser eficientes para o risco que irão neutralizar. • Cumprir totalmente com sua finalidade. • Ser resistentes às agressividades de impactos, corrosão, desgastes etc., a que estiverem sujeitos. • Permitir limpeza adequada para cada material com que foi confeccionado o equipamento. • Não criar outros tipos de riscos, como cantos vivos. Dessa forma, podemos entender que o EPC é utilizado como proteção e não atrapalha o trabalhador no desempenho de suas atividades. São dispositivos que ajudam e podem até aumentar a produção do trabalhador, utilizados no ambiente de trabalho, com o objetivo de proteger os trabalhadores em sua coletividade. Cabe salientar que um trabalho é bem desenvolvido quando tudo funciona dentro das normas e condições indicadas. Podemos citar como exemplos de EPC: corrente, fita zebrada, cone, pedestais, demarcação de solo, placas e cavaletes. Estes dispositivos atuam diretamente no controle das fontes geradoras de agentes agressores tanto ao homem, quanto ao meio ambiente, necessitando de atenção prioritária dos profissionais da área de segurança. Também são usados para controle de riscos do ambiente em geral, por exemplo: exaustores, paredes corta fogo, etc. (VIEIRA, 2008). Conforme Oliveira (2009), os EPCs não prejudicam a eficiência do trabalho, FIGURA 14 – EXEMPLOS DE EPC FONTE: . Acesso em: 25 ago. 2017. 156 UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO pelo contrário, eles atuam auxiliando no conforto e segurança da atividade laboral quando utilizados da maneira adequada. Entretanto, eles devem seguir algumas recomendações importantes: • Precisam estar de acordo com as normas do INMETRO. • Necessitam corresponder com a função para a qual estão propostos. • Ter resistência aos impactos que poderão sofrer. • Permitir facilidade de limpeza e manutenção. • Não proporcionar outros riscos ao já existentes, principalmente mecânicos. 157 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • O PPRA tem seu regulamento e definição regidos pela Norma Regulamentadora número 9. • PPRA é um programa importante para realizar a prevenção de doenças ocupacionais e acidentes de trabalho. • O PPRA deve possuir um planejamento com suas atividades e ações. • Caso ocorra algum acidente ou incapacitação dos trabalhadores, o empregador deve oferecer todo o suporte para restabelecimento da sua saúde. • Os trabalhadores também possuem responsabilidades, pois precisam colaborar e participar na implementação e execução do PPRA. • O mapa consiste em um levantamento dos pontos de risco existentes nos diferentes setores das empresas, a fim de identificar situações e locais potencialmente perigosos. • O mapa de riscos é uma representação gráfica de como os trabalhadores percebem o seu ambiente de trabalho. • Após discussão e aprovação pela CIPA, o mapa de riscos deverá ser colocado em cada local analisado, de forma visível e de fácil acesso. • Os riscos serão simbolizados por círculos de três tamanhos distintos: pequeno, médio e grande. • O equipamento de proteção individual, também conhecido por EPI, tem previsão na NR-6. • A finalidadedo EPI é de proteger o trabalhador de riscos que possam ameaçar e comprometer a segurança e a saúde no trabalho. • EPCs são dispositivos usados no ambiente de trabalho com o objetivo de proteger os trabalhadores em sua coletividade. 158 AUTOATIVIDADE 1 As ações do PPRA devem ser desenvolvidas no âmbito de cada estabelecimento da empresa, sob a responsabilidade do empregador, com a participação dos trabalhadores, sendo sua abrangência e profundidade dependentes das características dos riscos e das necessidades de controle. Com relação a essa afirmativa, analise as sentenças referentes ao PPRA: I– O PPRA segue o que está estabelecido na NR-9, como também com o que está alinhado com as normas regulamentadoras. II– PPRA é um programa importante para realizar a prevenção de doenças ocupacionais e acidentes de trabalho. III– Não existe nenhuma obrigação entre o empregador e o PPRA. IV– O registro do PPRA sempre deve ser por meio digital. Agora, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) As sentenças I, III e IV estão corretas. c) ( ) As sentenças III e IV estão corretas. d) ( ) As sentenças II e IV estão corretas. 2 Explique a importância de utilizar equipamento de proteção individual. 3 O Mapa de Riscos é atribuição da CIPA, ela deverá representar sobre a planta baixa da empresa os riscos encontrados, e deverá desenhar círculos, os quais terão cores padronizadas, conforme o grupo a que pertencem. De acordo com essa afirmativa, analise as sentenças: I– Cor verde representa risco físico. II– Cor marrom representa risco de acidentes. III– Cor azul representa risco ergonômico. IV– Cor vermelha representa risco químico. Agora, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e IV estão corretas. b) ( ) As sentenças I e II estão corretas. c) ( ) As sentenças III e IV estão corretas. d) ( ) As sentenças II e III estão corretas. 4 Cite alguns equipamentos de proteção coletiva. 159 TÓPICO 3 PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Os programas voltados à saúde do trabalhador foram surgindo gradativamente, de acordo com a necessidade vivenciada na atividade laboral, em que os trabalhadores estavam expostos aos riscos, os quais desencadeavam várias patologias. Esses programas passaram a representar atenção especial dos trabalhadores e organizações sindicais, das empresas, dos profissionais e também por parte da comunidade. Uma preocupação que normalmente surge é com relação ao profissional que estará à frente dos programas, pois obrigatoriamente deve ser um técnico responsável, competente e não resistente às mudanças que surgem. Dessa forma, estudaremos o Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional e descobriremos sua importância, a responsabilidade do empregador nesse programa e os quesitos para conseguir elaborá-lo. Parabéns por chegar até aqui na sua jornada de estudos, tenha foco nos seus objetivos, pois certamente alcançará vitória nos seus ideais. 2 PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO E SAÚDE OCUPACIONAL Esse programa foi e continua sendo importantíssimo para a saúde do trabalhador, entretanto, causou grande polêmica para o meio empresarial, pois normalmente mudanças significam investimentos, e investimentos mexem com o lado financeiro do empregador. Apesar de muitas discussões, a legislação impõe normas e condutas, assim, o empresário não pode se esquivar de suas obrigações e, diante de um novo cenário na medicina do trabalho, foi imprescindível o PCMSO para a melhoria do processo produtivo e de prevenção do trabalhador. UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 160 2.1 ASPECTOS CONCEITUAIS Desde sua edição, a Portaria nº 24, de 29 de dezembro de 1994, do Ministério do Trabalho, visando modernizar as medidas preventivas na área de saúde ocupacional, obrigou as empresas, órgãos e instituições, a elaborar e implantar o Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional, conhecido por PCMSO (BENSOUSSAN et al., 2010). Portaria é um documento de ato administrativo de qualquer autoridade pública e que contém instruções sobre a aplicação de leis ou regulamentos, recomendações de caráter geral, normas de execução de serviços, dentre outras. UNI De acordo com Oliveira (2009), a legislação ordinária, através dos arts. 168 e 169 da CLT, garantiu a manutenção da NR-7, que determina a obrigação de elaborar e implementar o PCMSO por todas as empresas, órgãos e instituições que admitam trabalhadores como empregados, para garantir a saúde dos trabalhadores. Esta norma estabelece um direcionamento na elaboração do PCMSO, sendo esta obrigatória em todas as empresas, independentemente do número de empregados ou grau de risco de sua atividade. Entretanto, deve ser elaborado de acordo com os riscos a que os trabalhadores estão sujeitos, principalmente com base naqueles identificados nas avaliações previstas no PPRA. Para Campos (2016), além do cumprimento da norma para prevenção da saúde do trabalhador, o empregador também deverá disponibilizar a realização de exames demissionais para todos os funcionários, pois anteriormente a obrigação era apenas para os funcionários que desempenhavam atividades insalubres, mudança de função, retorno ao trabalho e periódico, que poderá ser feito bienalmente. Além dos exames citados, a novidade que surgiu foi a realização do exame de espirometria, exigido a todos os trabalhadores expostos a poeiras, feito geralmente a cada dois anos. TÓPICO 3 | PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO 161 Espirometria é um teste que mede a quantidade de ar que uma pessoa é capaz de inspirar ou expirar a cada vez que respira. É realizado através de um espirômetro, conectado por um tubo, com um bocal em que a pessoa sopra. Esse exame auxiliará no diagnóstico ou acompanhamento quanto à evolução de doenças pulmonares. UNI FIGURA 15 – REPRESENTAÇÃO DE UM EXAME DE ESPIROMETRIA FONTE: . Acesso em: 2 set. 2017. Conforme Barsano e Barbosa (2012), o PCMSO deve ser coordenado por um médico, com especialização em medicina do trabalho, que será o responsável pela elaboração ou execução do programa. Dessa forma, com exceção das empresas que estão desobrigadas em manter um médico do trabalho, de acordo com a NR-4, as demais terão que indicar um profissional médico para coordenar o programa. 2.2 OBJETIVO Para Sherique (2015), o PCMSO tem a finalidade de realizar a prevenção e o diagnóstico de forma preventiva, com relação aos problemas de saúde que dizem respeito ao trabalho, e deve ser planejado e implantado por meio das identificações de riscos à saúde de todos os empregados da empresa, com base no mapa de riscos e no PPRA. Nesse mesmo sentido, Mattos et al. (2011, p. 138) ensinam que o PCMSO: [...] é um programa que especifica procedimentos e condutas a serem adotados pelas empresas em função dos riscos a que os empregados se expõem no ambiente de trabalho. O objetivo é prevenir, detectar precocemente, monitorar e controlar possíveis danos à saúde do empregado. UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 162 Ainda para o mesmo autor, além de o PCMSO ser um programa voltado à saúde do trabalhador, deve: • Considerar as questões incidentes sobre o indivíduo e a coletividade de trabalhadores, privilegiando o instrumento clínico-epidemiológico. • Ter caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho, inclusive de natureza subclínica, além da constatação da existência de casos de doenças profissionais ou danos irreversíveis à saúde dos trabalhadores. • Se basear nos riscos à saúde dos trabalhadores, especialmente os identificados nas avaliações previstas nas demais normas regulamentadoras. • Seguir um planejamento em que estejam previstas as ações de saúde a serem executadas durante o ano, devendo estas ser objeto derelatório anual. Para Bensoussan et al. (2010), a empresa deve estar diretamente comprometida com os objetivos da NR-7 no que diz respeito ao campo da saúde dos trabalhadores, já o programa deve estar articulado com as demais normas regulamentadoras e auxiliando na epidemiologia, com a abordagem da relação entre a saúde e o trabalho. Conseguimos compreender que este programa é essencial para preservar e controlar, detectar e monitorar a saúde do trabalhador, especificando os procedimentos que devem ser realizados, bem como os prazos nele inseridos, seguindo as especificações contidas nas legislações. O objetivo do PCMSO, segundo Sherique (2015), é a prevenção e diagnóstico antecipado dos problemas de saúde relacionados ao trabalho, e deve ser planejado e implantado com base nas identificações de riscos à saúde de todos os empregados da empresa, sendo que as medidas preventivas previstas no PCMSO devem contemplar o mapa de riscos, o PPRA e os planos de ações de saúde. Benssousan et al. (2010) afirmam que é um programa de controle médico relacionado à higiene, segurança e saúde dos trabalhadores. Além de fazer a prevenção, também objetiva realizar a constatação de doenças profissionais, ou danos irreversíveis à saúde do trabalhador. 2.3 RESPONSABILIDADES DO EMPREGADOR REFERENTES AO PCMSO O empregador deve garantir não apenas a elaboração, mas também a implementação do PCMSO, que, conforme a NR-7, deve seguir um planejamento que necessita contemplar ações de saúde a serem desenvolvidas ao longo do ano, para que posteriormente se faça um relatório anual. Podemos observar pela figura a seguir que o relatório anual deve conter setores da empresa, o número e a natureza dos exames médicos, estatísticas dos resultados considerados anormais e o número de exames para o próximo ano. TÓPICO 3 | PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO 163 QUADRO III PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL RELATÓRIO ANUAL Responsável: Data: Assinatura: Setor Natureza do Exame Nº Anual de Exames Realizados Nº de Resultados Anormais Nº de Resultados Anormais x 100 ______________ Nº Anual de Exames Nº de Exames para o Ano Seguinte FONTE: . Acesso em: 3 set. 2017. QUADRO 5 – RELATÓRIO ANUAL O relatório anual deverá discriminar, por setores da empresa, o número e a natureza dos exames médicos, incluindo avaliações clínicas e exames complementares, estatísticas de resultados considerados anormais, assim como o planejamento para o ano seguinte. Para Bensoussan et al. (2010), deve ser estabelecido um conjunto de exames clínicos e complementares específicos, para prevenção ou detecção precoces dos agravos da saúde dos trabalhadores, explicando a forma que foi utilizada para interpretar os exames e articulando condutas quando constatadas alterações. É importante esclarecer que com as implementações objetivando a promoção da saúde dos trabalhadores, o empregador deve custear todos os procedimentos, sem cobrar nada do empregado. Para Saliba (2013), é importante entender que o PCMSO complementa o PPRA, dessa forma, o reconhecimento, a avaliação e controle dos riscos ambientais serão eficazes com a elaboração dos exames médicos. Dessa forma, a NR-09 informa que, se ficar evidenciada, através de exame médico, a relação do agravo da saúde do trabalhador com a exposição do risco, as medidas de controle deverão ser implementadas independentemente de outras avaliações. Conforme Barsano e Barbosa (2012, p. 219), a Norma Regulamentadora número 7, item 7.3.1, estabelece que cabe ao empregador: UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 164 a) Garantir a elaboração e efetiva implementação do PCMSO, bem como zelar pela sua eficácia. b) Custear sem ônus para o empregado todos os procedimentos relacionados ao PCMSO. c) Indicar, dentre os médicos dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho - SESMT, da empresa, um coordenador responsável pela execução do PCMSO. d) No caso de a empresa estar desobrigada de manter médico do trabalho, de acordo com a NR-4, deverá o empregador indicar médico do trabalho, empregado ou não da empresa, para coordenar o PCMSO. e) Inexistindo médico do trabalho na localidade, o empregador poderá contratar médico de outra especialidade para coordenar o PCMSO. Para Barsano e Barbosa (2012), a empresa está desobrigada de possuir médico coordenador quando for classificada com grau de risco 1 e 2, conforme quadro 1 da NR-4 (com até 25 empregados) e com graus de risco 3 e 4, conforme o quadro 1 da NR-4 (com até 10 empregados). 2.4 DESENVOLVIMENTO DO PCMSO A legislação não especificou um modelo para ser seguido a fim de elaborar o programa. Tudo irá depender dos riscos existentes na empresa, do esforço realizado e das características de cada grupo de empregados. Para algumas empresas, poderá existir apenas a realização de avaliações clínicas de rotina; para outras, poderá ser aprofundado, contendo avaliações clínicas, exames toxicológicos, avaliações epidemiológicas, entre outros (BARSANO; BARBOSA, 2012). Bensoussan et al. (2010) afirmam que qualquer que seja a estrutura utilizada, ela sempre deverá existir, e não é porque não há necessidade de um modelo padrão que será admitida a redução a um simples parágrafo, e mesmo havendo ausência de riscos ambientais e ergonômicos, deverá haver algum respaldo de metodologia. Inicialmente é necessário realizar um estudo prévio para identificar se há riscos e nominá-los, por meio de visitas, exames, conversas com os trabalhadores e análise das informações contidas no PPRA. Por meio desse levantamento de riscos, alia-se exames clínicos e complementares próprios para cada grupo de trabalhadores. Vamos seguir a ideia de Bensoussan et al. (2010) para sugerir modelo de estruturação do PCMSO: IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA RECONHECIMENTO DE RISCOS PROCEDIMENTOS TÓPICO 3 | PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO 165 Dessa forma, vamos especificar quais os itens que necessitam constar em cada categoria: a) Identificação da empresa: razão social, endereço, CGC, ramo de atividade e seu respectivo grau de risco, quantidade de trabalhadores e sua distribuição por sexo, horários de trabalho e turnos. b) Reconhecimento de risco: realizar visita no local, fazer a coleta de informações, verificar as condições de trabalho, utilizar a CIPA e o PPRA como auxílio. c) Procedimentos: verificar a necessidade de avaliação clínica, exames complementares e elaborar relatório anual. Conforme Barsano e Barbosa (2012), o PCMSO deve incluir a realização obrigatória dos seguintes exames: a) Admissional: realizado antes de o trabalhador assumir suas atividades na empresa. b) Periódico: realizado de acordo com o cronograma do médico do trabalho, baseado na análise de riscos por setor e função, bem como a idade da pessoa. c) Retorno ao trabalho: é realizado quando o trabalhador retorna ao trabalho, após 30 dias, em função de doença ou acidente, este exame deve ser feito no primeiro dia da volta ao trabalho. d) Mudança de função: realizado obrigatoriamente, antes da data da mudança. e) Demissional: deverá ser feito até a data da homologação da dispensa, desde que o último exame médico ocupacional tenha sido realizado há mais de 135 dias para as empresas de grau de risco 1 e 2 e 90 dias para as de grau de risco 3 e 4. Mudança de função é toda e qualquer alteração de atividade, posto de trabalho ou de setor, que exponha o trabalhador a risco diferente do que estava exposto antes da mudança. UNI Para cada um desses exames realizados, o médico emitirá um Atestado de Saúde Ocupacional, também conhecido por ASO, em duas vias, sendo que uma ficará arquivada na empresa e a outra deve ser entregue ao trabalhador. UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 166 FIGURA 16 – MODELO DE ASO FONTE: . Acesso em: 3 set. 2017. Todas as informaçõeseste pensamento, que pode gerar uma conduta errônea, está correto? É claro que não, você simplesmente deve pegar o equipamento de proteção individual e utilizar, a fim de protegê-lo de eventual sinistro. A segurança do trabalho tem exatamente esse foco, de oferecer proteção ao trabalhador em seu local de atuação profissional, abrangendo aspectos relacionados à segurança e à higiene ocupacional, prevenindo acidentes e mantendo a integridade da pessoa humana. Dessa forma, a segurança do trabalho é um ramo da engenharia que tem a função de reconhecer, avaliar e controlar as condições do trabalho e as atitudes do trabalhador, com o intuito de evitar acidentes e sinistros indesejáveis para a saúde do trabalhador. Os conteúdos que permeiam esta unidade dizem respeito à evolução do trabalho, ao histórico e conceito de segurança do trabalho, à contribuição de Getúlio Vargas para o trabalhador brasileiro, às mudanças trabalhistas com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e conhecimento sobre Organização Internacional do Trabalho. Vamos aos estudos! UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 4 2 EVOLUÇÃO DO TRABALHO HUMANO A segurança do trabalho é uma área da engenharia que estuda as causas da ocorrência dos acidentes e incidentes que surgem durante a jornada de trabalho do empregado. Seu maior objetivo é a prevenção de acidentes, doenças ocupacionais e demais sinistros na saúde do trabalhador. Nesse sentido, havendo prevenção, também haverá um ambiente saudável e seguro tanto para o empregado quanto para o empregador. Segundo Curia et al. (2011), sob o ponto de vista legal, acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda ou redução, permanente ou temporária, da ca pacidade para o trabalho (art. 19 da Lei nº 8.213/91). Barsano e Barbosa (2012) acreditam que algumas áreas, como medicina do trabalho, ergonomia, saúde ocupacional e segurança patrimonial, auxiliam na identificação dos fatores de risco que geram os acidentes e doenças ocupacionais, bem como na avaliação dos seus efeitos na saúde do trabalhador, e também propõem medidas de intervenção técnica a serem implantadas nos ambientes de trabalho. Há uma relação direta entre o trabalho, a saúde e a doença, comprovada pelos relatos históricos, pois onde não havia normas, regras, leis, os trabalhadores eram assolados por jornadas longas de trabalho, ambientes insalubres, alimentação inadequada e, por conseguinte, devastados por doenças, normalmente pestes que se proliferavam em ambientes sombrios e com má higiene. Neves (2011) relata que na antiguidade o trabalho não era considerado uma tarefa digna, pelo contrário, era caracterizado como sendo um trabalho escravo, com regime servil, inexistindo preocupação com a saúde dos trabalhadores, emergindo a ideia de castigo ou estigma. Dessa forma, o trabalho surgiu como sinal de humilhação, desonra e degradação do ser humano, um castigo divino, imposto por Deus ao homem, o qual lutava diariamente para sobreviver em meio à escravidão, em que pessoas menos afortunadas eram vítimas de uma sociedade preconceituosa. Conforme Neves (2011), a origem da palavra trabalho vem do latim tripalium, que significa madeira, pois era com um instrumento feito de madeira que os escravos apanhavam e eram torturados, quando não desempenhavam bem o seu trabalho ou quando simplesmente o seu “dono” tinha prazer em surrá-los. Para Cassar (2010), o vocábulo “trabalho” indica algo penoso ao homem, em linguagem cotidiana tem inúmeros significados, algumas vezes lembra dor, sofrimento, e outras vezes designa operação humana de transformação da matéria. TÓPICO 1 | SEGURANÇA DO TRABALHO 5 Tripalium era o nome de um instrumento de tortura constituído de três estacas de madeira bastante afiadas, em forma de pirâmide e que era cravada no chão, no qual os escravos eram torturados. As três madeiras significavam sofrimento, esforço e luta. FIGURA 1 – REPRESENTAÇÃO DE UM ESCRAVO AMARRADO NO TRIPALIUM FONTE: . Acesso em: 29 jun. 2017. Sobre a evolução do trabalho, Cassar (2010, p. 10) afirma que: Se no passado o trabalho tinha conotação de tortura, atualmente significa toda energia física ou intelectual empregada pelo homem com finalidade produtiva. Todavia, nem toda atividade humana produtiva constitui objeto do Direito do Trabalho, pois somente a atividade feita em favor de terceiros interessa ao nosso estudo, e não a energia despendida para si próprio. Depois de vários séculos de sofrimento das condições precárias de trabalho, por volta de 1760, na Inglaterra, surgiu a Revolução Industrial, que provocou grandes mudanças nas condições de trabalho. Antes considerado uma pessoa sem escrúpulo, tratado como animal, sem objetivos, perspectivas, anseios e sem desejos próprios, o trabalhador começou a ter o seu valor. As alterações nas condições de trabalho envolvem vários fatores, como o ambiente, ferramentas, máquinas, equipamentos, jornada de trabalho e forma de organização, bem como as relações interpessoais entre chefes e subordinados. O principal destaque dessa revolução foi a substituição do trabalho escravo pelo trabalho assalariado, através da utilização de máquinas, inicialmente as de fiar. UNI UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 6 Neves (2011) relata que uma máquina de fiar era muito mais rápida do que o melhor artesão, e a maioria dos artesões não podia comprar uma máquina. Dessa forma, o empregador viu a oportunidade de ganhar dinheiro, comprou a máquina e empregou o trabalhador, assim surgiu o capitalismo. Entretanto, em meio a um estopim de pretensões boas por parte do trabalhador, aconteceu um desastre no ambiente de trabalho, pois as fábricas foram instaladas em galpões velhos, sendo que as condições de luminosidade, ventilação e higiene eram precárias, as máquinas, sem segurança, se tornaram perigosas e a jornada de trabalho chegava a 14 ou 16 horas. FIGURA 2 – TRABALHO INSALUBRE NAS FÁBRICAS FONTE: . Acesso em: 29 jun. 2017. Essa jornada de trabalho era alta, pois agora o trabalhador estava envolvido pelo capitalismo, sendo que quanto mais trabalhava, mais dinheiro ganhava, além disso, a indústria precisava de mão de obra e, dessa forma, acabou contratando crianças, homens, mulheres e idosos. FIGURA 3 – CRIANÇAS TRABALHANDO EM MÁQUINA DE FIAR FONTE: . Acesso em: 29 jun. 2017. TÓPICO 1 | SEGURANÇA DO TRABALHO 7 Esse ambiente hostil, em que os trabalhadores totalmente despreparados gastavam boa parte de sua vida, inevitavelmente gerou vítimas de constantes acidentes de trabalho e de doenças infectocontagiosas. As doenças adquiridas no trabalho só eram percebidas em estágio avançado, primeiro porque eram confundidas com doenças corriqueiras e porque as pessoas se preocupavam com a produtividade, deixando a doença em segundo plano. Em virtude da queda da produtividade e perda econômica, devido às pestes que acometiam os trabalhadores, o governo começou a intervir com a intenção de ajudar essa classe desfavorecida, introduzindo médicos dentro das fábricas, surgindo posteriormente as primeiras leis de saúde pública. É visível que, ao longo dos séculos, o homem evoluiu dos seus ancestrais, melhorando seus hábitos de saúde e higiene, evidenciando a preocupação de ser acometido por menos doenças e pestes. Evoluindo para um cuidado coletivo, adotando-se a segurança em prol dos trabalhadores, de modo a evitar alguns hábitos danosos à saúde, como também evitando sua repetição e, por conseguinte, passando a garantir melhores condições de vida. 3 HISTÓRICO DA SEGURANÇA DO TRABALHO Doenças e acidentes sempre se fizeram presentes na evolução do homem,dos trabalhadores, adquiridas por meio dos exames, ficarão sob responsabilidade do médico coordenador e deverão ser mantidas por um período mínimo de 20 anos, após o desligamento do trabalhador (CAMPOS, 2016). Não confunda a periodicidade do PCMSO, que é de um ano, e do exame periódico, pois são prazos diferentes, veja na figura a seguir. NOME E ENDEREÇO ATESTADO DE SAÚDE OCUPACIONAL - ASO Tipo de exame: [ ] Admissional [ ] Periódico [ ] Demissonal [ ] De retorno ao trabalho [ ] De mudança de função Atestamos que o(a) Sr(a) ______________________________ , identidade n° _________________ submeteu-se a avaliação de saúde em conformidade com a NR-7 da Portaria n° 3214/78, sendo o(a) mesmo(a) considerado(a) [ ] apto [ ] inapto(a) para a função de: A presente avaliação constou dos procedimentos abaixo discriminados: Exames realizados Data Riscos ocupacionais específicos existentes na atividade do empregado: Observações: 1. A 1ª via deste atestado deverá ficar arquivada no local de trabalho à disposição da fiscalização do trabalho, sendo que a 2ª via deverá ser obrigatoriamente entregue ao trabalhador; 2. Os dados obtidos na presente avaliação estão registrados em prontuário clínico individual sob responsabilidade do médico encarregado do exame. Nome e CRM do médico-coordenador do PCMSO: ____________________________________________________________________________________ , de de _____________________________________ DR. CRM n° ____________________________________________________________________________________ Declaro que recebi a 2ª via deste documento. Em ___/____/_____. _____________________________________ Ass. Empregado TÓPICO 3 | PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO 167 FIGURA 17 – PERIODICIDADE DO EXAME PERIÓDICO FONTE: . Acesso em: 6 set. 2017. 3 RELAÇÃO ENTRE O PPRA E O LTCAT Já estudamos o que é LTCAT e PPRA, então você já consegue estabelecer uma relação entre eles? Certamente você consegue conceituar cada um deles, então vamos começar relembrando que LTCAT é um laudo e PPRA é um programa. Muito bem, primeiramente estabelecemos uma diferença entre eles, então vamos continuar estabelecendo o que há de diferente, conforme a figura abaixo: FIGURA 18 – DIFERENÇA ENTRE LTCAT E PPRA FONTE: . Acesso em: 6 set. 2017. UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 168 Então, após essas observações, podemos continuar nossos estudos com propriedade e dizer que o PPRA é um programa com a finalidade de identificar, reduzir e eliminar os riscos existentes no ambiente de trabalho, servindo de base para a elaboração do PCMSO. Programa é uma proposição de um projeto que se pretende executar. UNI Mas a pergunta principal é: qual a relação entre o PPRA e o LTCAT? Já que o PPRA é um programa que tem a finalidade de prevenir a saúde dos trabalhadores, isso é feito por meio do reconhecimento dos agentes agressores nos postos de trabalho, dessa forma, são elaboradas ações para atingir a meta do programa. É importante destacar que o LTCAT pode ser um dos documentos que integram as ações do PPRA. Laudo é um texto em que um especialista emite sua opinião em resposta a uma consulta. UNI O LTCAT surge para retratar as condições do ambiente de trabalho, de acordo com as avaliações dos riscos e verificar se os agentes podem gerar insalubridade para os trabalhadores expostos, dessa forma ele é considerado um documento técnico, de caráter pericial (CAMPOS, 2016). Finalizando o pensamento, o PPRA mostra os riscos e os agentes que podem provocar agravos à saúde do trabalhador, enquanto que o LTCAT quantifica os agentes agressivos, indicando o direito à insalubridade, bem como o direito à aposentadoria especial. TÓPICO 3 | PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO 169 4 PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO 4.1 CONCEITO Para Campos (2016), o Perfil Profissiográfico Previdenciário, também mais facilmente conhecido por PPP, é um documento histórico laboral e individual do trabalhador que presta serviço à empresa. Bensoussan at al. (2010) complementam esse conceito indicando que o PPP é um formulário com campos que deve ser preenchido pela empresa com a qual o trabalhador tem vínculo, não esquecendo de colocar todas as informações referentes ao histórico laboral do empregado, como a atividade que exerce, o tipo de agente nocivo a que ficou exposto, exames médicos, além de outros dados relevantes. Conforme Campos (2016), o preenchimento do formulário PPP está embasado pelo artigo 68, parágrafo 8º do Decreto nº 4.032/2001, do INSS, sendo que o modelo foi fornecido pelo INSS, e, entre várias funções, deve conter registros ambientais, resultado de monitoração biológica e dados administrativos. Dessa forma, entendemos que o PPP é um documento histórico, ligado à atividade laboral do empregado, cujo formulário a ser preenchido é instituído pelo INSS, com vários campos a serem preenchidos referentes ao ambiente de trabalho do trabalhador e com informações administrativas. Bensoussan et al. (2010) sinalizam que o formulário deve ser preenchido pelas empresas em que o trabalhador teve vínculo e ficou exposto aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde, visando a concessão de aposentadoria especial após 15, 20 ou 25 anos de contribuição, dependendo da comprovação quanto à exposição do agente. É interessante destacar que o PPP será exigido para os períodos de atividade exercida sob condições especiais, apenas a partir de 14 de outubro de 1996, com exceção do agente nocivo ruído, que exige demonstração do laudo para todos os períodos declarados (BENSOUSSAN et al., 2010). 4.2 OBJETIVOS DO PPP O PPP surgiu, inicialmente, para assegurar as garantias dos trabalhadores que desenvolveram sua atividade laboral diante de agentes nocivos, sendo entregue ao trabalhador na rescisão contratual e também servirá para a perícia médica nos casos de solicitação de benefício por incapacidade (BENSOUSSAN et al., 2010). Campos (2016) afirma que o PPP nasceu da necessidade do segurado comprovar seu trabalho sob condições que ensejassem a aposentadoria especial, uma vez que, ao longo do tempo, fatalmente tais condições seriam descaracterizadas ou alteradas, inclusive em razão do encerramento de atividades da empresa. UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 170 Havendo alterações no posto de trabalho ou função ao longo do contrato de trabalho, deverá ser lançado no perfil profissiográfico, de maneira analítica e sequencial. Caso não sejam feitas as alterações no PPP, nem mesmo a revisão periódica, isso implicará em multa à empresa (BENSOUSSAN et al., 2010). Campos (2016) também comenta quanto à atualização, pois sempre que houver alteração implicando em mudanças das informações, necessitará constar no perfil do profissional. Além disso, o perfil profissiográfico deverá ser atualizado uma vez por ano, quando suas informações não forem alteradas. Outra finalidade do PPP é fornecer à empresa informações em tempo real, com o objetivo deorganizar e individualizar as informações contidas em seus diversos setores ao longo dos anos, permitindo que a empresa se esquive de ações judiciais indevidas relativas a seus trabalhadores (BARSANO; BARBOSA, 2012). 4.3 ASPECTOS RELEVANTES DO PPP Conforme Campos (2016), a partir de 1º de janeiro de 2004, a empresa ou equiparada a empresa passou a ter a obrigação de elaborar o PPP, conforme Anexo XV (IN 118/2005), de forma individual para empregados, trabalhadores avulsos e cooperados expostos aos agentes nocivos. Para Campos (2016), o PPP é um documento bem elaborado e cheio de informações referentes ao trabalhador, retiradas dos seguintes documentos: • PPRA. • PCMSO. • LTCAT. • Perfil de cargos da empresa. • Pasta do funcionário nos Recursos Humanos. • Carteira de Trabalho do funcionário. Podemos dizer que a comprovação efetiva da exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário denominado PPP, estabelecido pelo INSS, emitido pela empresa, com base no LTCAT. Importante destacar que o perfil profissiográfico deverá ser fornecido por cópia autêntica, no prazo de 30 dias da rescisão do seu contrato de trabalho, sob pena de sujeição às sanções previstas na legislação aplicável, conforme artigo 68, parágrafo 8º do Decreto nº 8.123/2013, do INSS (CAMPOS, 2016). TÓPICO 3 | PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO 171 FIGURA 19 – MODELO DE PPP FONTE: . Acesso em: 12 set. 2017. UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 172 1. Identificação da empresa com CNPJ, endereço, CNAE, função, setor, jornada de trabalho e data da visita. 2. Objetivo. 3. Identificação do local periciado. 4. Descrição do ambiente de trabalho. 5. Descrição das atividades do trabalhador. 6. Análise qualitativa de possíveis riscos ocupacionais: físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. 7. Tempo de exposição aos riscos. 8. Equipamentos de proteção individual: verificar se a empresa fornece. 9. Equipamentos de proteção coletiva: verificar se a empresa fornece. 10. Metodologia de Avaliação Ambiental. 11. Métodos, técnicas, instrumentos e aparelhos utilizados. 12. Conclusão. 13. Nome da pessoa e data da realização, cidade e assinatura do engenheiro. QUADRO 6 – ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DO LTCAT FONTE: A autora (2017) Esse roteiro é uma forma de planejar o trabalho, pois serve como guia para a construção do LTCAT, assim, deve-se verificar a realidade da empresa, para aplicar os itens cabíveis. Na figura a seguir podemos entender como fica o layout do LTCAT, é apenas a primeira página, pois, como o laudo é bem extenso, serve apenas como demonstração. 5 APRESENTAÇÃO DE LAUDOS E PROGRAMAS TÉCNICOS Finalizamos esta unidade com a certeza de que estudamos laudos técnicos relevantes, os quais contribuirão para enriquecer seu conhecimento. Sendo assim, iremos expor em forma de exemplos o início da elaboração de alguns laudos e programas que achamos interessantes você conhecer. TÓPICO 3 | PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO 173 FIGURA 20 – MODELO DE LTCAT FONTE: . Acesso em: 12 set. 2017. QUADRO 7 – ROTEIRO PARA CONSTRUÇÃO DO PPRA UNIDADE: SETOR/MAQ. DATA: 1 - RISCO 2 - AGENTE 3 - FONTE GERADORA 4 - MEIOS DE PROPAGAÇÃO NO AMBIENTE DE TRABALHO 5 - No DE TRABALHADORES EXPOSTOS 6- FUNÇÕES UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 174 7- ATIVIDADES E TIPO DE EXPOSIÇÃO 8- POSSÍVEIS DANOS À SAÚDE 9- DANOS RELATIVOS À SAÚDE 10- AVALIAÇÃO QUANTITATIVA 11- LIMITE DE TOLERÂNCIA 12- TEMPO EXPOSIÇÃO LEGISLAÇÃO 13- MEDIDAS DE CONTROLE EXISTENTES 14- MEDIDAS DE CONTROLE PROPOSTAS 15- PRAZO DE EXECUÇÃO 16- CONCLUÍDO EM ASS. RESPONS. FONTE: . Acesso em: 12 set. 2017. FIGURA 21 – MODELO DE MAPA DE RISCOS FONTE: . Acesso em: 12 set. 2017. TÓPICO 3 | PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO 175 LEITURA COMPLEMENTAR Saúde ocupacional e segurança do trabalho em foco Yuri Fernandes Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgados em 2013 e mencionados no boletim quadrimestral sobre benefícios por incapacidade da Previdência Social apontam que 321 mil pessoas morrem anualmente como consequência de acidentes no trabalho. Ainda segundo a Previdência Social, em 2015 foram 612.632 acidentes de trabalho no Brasil, uma queda de 14% em relação ao ano anterior. Apesar da redução nos números, o assunto é sério e merece atenção de todos. “Evitar acidentes de trabalho não é uma tarefa fácil, visto que estes ocorrem por múltiplas causalidades. Porém, existem formas de instruir os trabalhadores visando à proteção e a redução dos acidentes”, explica o analista em Segurança do Trabalho do Porto Seguro Saúde Ocupacional, Yuri Fernandes. Veja algumas dicas que podem auxiliar as empresas: – Treinamentos: São essenciais para levar ao trabalhador o entendimento dos possíveis riscos que a atividade exercida apresenta, a necessidade do uso dos equipamentos de proteção e a importância de seguir os procedimentos de trabalho e profissionalização para execução. – Realização de DDS (Diálogo Diário de Segurança): DDS é um breve diálogo diário com os trabalhadores sobre questões de segurança. É importante para lembrá-los constantemente sobre as ações que devem ser adotadas para prevenção de acidentes, como uso, conservação, higienização e troca de Equipamentos de Proteção Individual, além da orientação sobre o cuidado com o uso dos celulares, que podem desprender a atenção do colaborador, entre outros temas que a área de segurança julgar necessários. – Medidas de Proteção: As medidas de proteção assumem uma grande responsabilidade na prevenção dos acidentes de trabalho, colaborando com a integridade física e a saúde dos trabalhadores. Tais medidas envolvem o sistema de Equipamentos de Proteção Coletiva; medidas administrativas (ação de alterar ou alternar um colaborador entre setores de trabalho); equipamentos de proteção individual e outras medidas de controle que protegem o trabalhador, como entrega de protetor solar para funcionários que trabalham no sol. Cabe reforçar que o protetor solar não é caracterizado um EPI, por não possuir certificado de aprovação do Ministério do Trabalho e Emprego. UNIDADE 3 | PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 176 – Monitoramento constante dos trabalhadores: A atenção nas ações dos trabalhadores e o feedback sobre os desvios são muito importantes. “Muitas vezes, os trabalhadores, por executarem uma tarefa há muito tempo, possuem confiança e isso os deixa mais suscetíveis a acidentes de trabalho”, esclarece o especialista. As causas dos acidentes de trabalho podem estar relacionadas a uma série de fatores, como negligência na instrução ao trabalhador, falta de conhecimento técnico, atitudes imprudentes, não cumprimento de leis trabalhistas, falta de manutenção ou reposição de maquinários, entre outras. De acordo com Yuri Fernandes, a ausência de segurança do trabalhador pode provocar diversas perdas à empresa. “Ausência de mão de obra especializada, afastamento do colaborador, sobrecarga de tarefas para os demais funcionários, multas e indenizações, caso ocorram acidentes de trabalho que causem perda ou diminuição da capacidade do trabalhador de exercer seu ofício, são alguns exemplos que as companhias podem enfrentar”, afirma. Já se as organizações adotarem uma cultura de segurança, as perdas se revertem para benefícios. “A companhia agrega valor à sua marca no mercado como empresa responsável, potencializa suas vendas, não apresenta problemas com órgãos fiscalizadores e mantém um local de trabalho salubre e seguro para seus funcionários”. FONTE: . Acesso em: 25 set. 2017. 177 Neste tópico,você aprendeu que: • A coordenação do PCMSO é feita por um médico, com especialização em medicina do trabalho, que será o responsável pela elaboração ou execução do programa. • O PCMSO utiliza como base o PPRA. • A finalidade do PCMSO é de realizar a prevenção e o diagnóstico dos problemas de saúde relacionados ao trabalho. • O PCMSO complementa o PPRA. • PPRA mostra os riscos e os agentes que podem provocar agravos à saúde do trabalhador. • O LTCAT quantifica os agentes agressivos, indicando o direito à insalubridade, bem como o direito à aposentadoria especial. • LTCAT é um laudo e PPRA é um programa. • O PPP é um documento que contempla o histórico laboral do empregado. • O PPP é um documento laboral e individual do trabalhador, que presta serviço à empresa. RESUMO DO TÓPICO 3 178 AUTOATIVIDADE 1 O PCMSO é um programa médico que deve ter caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce, conforme o conceito adotado pela Organização Mundial de Saúde. Nesse sentido, cite qual foi a Norma Regulamentadora que estabeleceu obrigatoriedade para esse programa. 2 Descreva quais são os parâmetros quanto ao número de funcionários para implantar o PCMSO em uma empresa. 3 No que se refere à prevenção de doenças, o PCMSO prevê a realização obrigatória de alguns exames e a sua ausência nos prazos sujeitará o empregador a responder judicialmente. De acordo com essa afirmativa, analise as alternativas abaixo. I– Exame demissional. II– Exame admissional. III– Exame de intervalo do trabalho. IV– Exame oftalmológico. Agora, assinale a alternativa CORRETA, indicando quais são os exames médicos de realização obrigatória dentro do PCMSO: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) As sentenças I, II e IIII estão corretas. c) ( ) As sentenças II e IV estão corretas. d) ( ) As sentenças III e IV estão corretas. 4 Existe relação entre PPRA e LTCAT? Em caso positivo, explique qual é a relação existente. 179 REFERÊNCIAS ABRAHÃO, L. F. Segurança e medicina do trabalho e sua contribuição na prevenção de acidentes. 2008. Monografia (Bacharel em Direito). Universidade do Vale do Itajaí. Itajaí, 2008. ALARCÃO, Isabel. Professores reflexivos em uma escola reflexiva. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). Publicada ISO 45001. Disponível em: . Acesso em: 6 dez. 2018. BARBOSA, A. N. F. Segurança do trabalho & gestão ambiental. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2010. BARROS, A. M. Curso de direito do trabalho. 7. ed. São Paulo: LTr, 2011. BARSANO, P. R.; BARBOSA, R. P. 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Dissertação (Pós-Graduação em Administração) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS.desde o período pré-histórico até os dias atuais. As evidências entre a associação do trabalho e doença provêm de papiros egípcios, bem como de referências da Grécia e Roma quanto ao relato de doenças que ocorriam em trabalhadores expostos a poeiras em minas e a utilização de membranas de bexiga de carneiros como máscaras (SALIBA, 2013). No ano de 2360 a.C., no Egito, vários trabalhadores que desenvolviam suas atividades nas minas de cobre foram a óbito, preocupando o faraó, visto que ele não poderia perder trabalhadores, pois precisava da mão de obra desses escravos. Então o soberano percebeu a importância de melhorar as condições de trabalho, pois dessa forma manteria sua exploração de mão de obra (SALIBA, 2013). Você já pensou como a segurança do trabalho surgiu no Brasil, em meio a um cenário caótico de más condições de trabalho, precárias condições de higiene e saúde? Para isso, você precisa entender o contexto histórico em que o país estava vivendo. Dessa forma, vamos relatar brevemente o cenário econômico no início do século XIX. Nessa época, o Brasil estava exportando alguns produtos agrícolas para os Estados Unidos, como café, borracha e açúcar, assim, com o dinheiro dos negócios, o Brasil comprava produtos manufaturados dos Estados Unidos, como carros, máquinas, roupas e até medicamentos, como a aspirina. UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 8 Portanto, o modo de produção no Brasil era a agricultura, enquanto que a nação norte-americana estava vivenciando um outro momento, o da industrialização, que, aliás, estava em franco desenvolvimento, exportando produtos para vários países. Essa relação comercial do Brasil com os Estados Unidos ficou abalada com a queda da Bolsa de Valores de Nova York em 1929, pois o principal parceiro deixou de comprar e, dessa forma, o Brasil ficou em situação delicada. Foi nesse período que Getúlio Vargas assumiu o controle do país. Uma das primeiras atitudes do presidente Getúlio Vargas foi regulamentar o trabalho no país, para isso, ele valorizou o produto principal de venda, que era o café, mesmo que para isso precisasse queimar toneladas, com o objetivo de manter o preço alto. Além disso, incentivou a entrada das indústrias, e dessa forma a mão de obra se tornou qualificada, assim, trouxe um novo cenário aos trabalhadores que estavam adoecendo, devido ao risco de agentes físicos e biológicos. FIGURA 4 – QUEIMA DO CAFÉ EM SÃO PAULO NO INÍCIO DOS ANOS 30 FONTE: . Acesso em: 30 jun. 2017. Após quatro anos no poder, ele criou a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), que é a base para todas as NR (Normas Regulamentadoras). Também criou vários benefícios, dentre eles o descanso semanal, salário mínimo, carteira de trabalho, entre outros. Tudo isso em função do atendimento das normas internacionais traçadas pela Organização Internacional do Trabalho – OIT, por meio da Organização das Nações Unidas – ONU, para oferecer atendimento com vistas à promoção da saúde, segurança dos trabalhadores, igualdade social e qualidade de vida no trabalho (SANTOS, 2013). Conforme Basile (2010, p. 14), após a morte de Getúlio Vargas houve a promulgação da Constituição de 1967, e com ela foi estabelecido um período crítico de limitações aos direitos e liberdades dos indivíduos. Após esses impasses, no ano de 1988 foi divulgada outra Constituição, que perdura até os dias de hoje e que marcou a história com os direitos sociais dos trabalhadores, princípios TÓPICO 1 | SEGURANÇA DO TRABALHO 9 da dignidade da pessoa humana e dos valores sociais do trabalho, baseados no artigo 1º da Carta Magna. 4 CONCEITO DE SEGURANÇA DO TRABALHO Barsano e Barbosa (2012) entendem que a segurança do trabalho é a ciência que estuda as possíveis causas dos acidentes e incidentes originados durante a atividade laboral do trabalhador. Sua função é a de prevenir acidentes, doenças ocupacionais e atuar como agente de mudança de comportamento. Ainda para estes autores, a segurança do trabalho tem o objetivo não só de propor um ambiente harmonioso de trabalho, tanto para o empregado quanto para o empregador, mas identificar os fatores de risco que levam às ocorrências de acidentes e doenças ocupacionais, bem como avaliar seus efeitos na saúde do trabalhador. Cardella (2014) acredita que a intenção da segurança do trabalho é de utilizar técnicas para diminuir os acidentes no ambiente de trabalho, evitando afastamentos e, por conseguinte, mantendo a produção laboral em um nível satisfatório para o empregador. Segundo Malta (2004, p. 44), segurança do trabalho é: [...] o conjunto de ações planejadas e tecnológicas que buscam a proteção do trabalhador em seu local de trabalho, no que se refere à questão da segurança e da higiene do trabalho, com a finalidade de prevenir riscos de acidentes nas atividades de trabalho visando a defesa da saúde da pessoa humana. Para Miguel (2014), a segurança do trabalho é um aglomerado de normas técnicas, comportamentais, médicas e psicológicas, que são empregadas com o objetivo de prevenir acidentes e eliminar condições perigosas do ambiente, orientando os trabalhadores a aderirem à implantação de práticas preventivas. Saliba (2013) entende que a segurança do trabalho nada mais é do que uma coletânea de Normas Regulamentadoras, as quais são respaldadas na legislação de Segurança do Trabalho e objetivam dirimir as doenças ocupacionais, possibilitando buscar a prevenção. Você sabe por quem são criadas as normas regulamentadoras? São criadas por uma comissão do governo e também por patrões e funcionários, com posterior publicação pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MIGUEL, 2014, p. 104). UNI UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 10 O objetivo primordial da Segurança do Trabalho é proporcionar a prevenção da saúde do trabalhador, felizmente este ideal mudou com a evolução tecnológica, pois há décadas era visto como um tema que se relacionava somente a equipamentos de proteção do trabalhador. Muitas normas e legislações surgiram em prol do trabalhador, inclusive o Ministério do Trabalho lançou várias portarias, dentre elas a Portaria nº 3.214/1978, a qual aprovou as Normas Regulamentadoras, que são um conjunto de requisitos e procedimentos relativos à segurança e medicina do trabalho. Vejamos o que diz a portaria: A Portaria nº. 3.214 do Ministério do Trabalho, editada em 8 de junho de 1978, aprovou as normas regulamentadoras (NRs) relativas à segurança e medicina do trabalho, que, no decorrer do tempo, foram sofrendo diversas alterações e acréscimos (BASILE, 2010, p. 152). Conforme Miguel (2014), há 36 normas regulamentadoras na área de Segurança do Trabalhado, sendo que cada uma se reporta a um determinado assunto, entretanto, elas se complementam, pois são carregadas com aspectos indispensáveis de proteção ao trabalhador. FIGURA 5 – AS NORMAS REGULAMENTADORAS FONTE: . Acesso em: 29 jun. 2017. A segurança do trabalho pode ser classificada, de acordo com Basile (2010), como ausência de riscos indesejáveis nos ambientes de trabalho, proporcionando bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores, evitando perdas físicas e desconforto para o empregador, em virtude dos afastamentos do trabalho. TÓPICO 1 | SEGURANÇA DO TRABALHO 11 Vieira (2008) entende que a segurança no trabalho é um agrupamento de vários fatores, em que o campo da engenharia se faz presente, pois ela identificará fatores em desacordo com a legislação, com o intuito de sanar o problema, mas também atuará principalmente de maneira preventiva, evitando acidentes de trabalho, utilizando controle de riscos associados ao local de trabalho e ao processo produtivo. Fruhauf et al. (2005) corroboram as ideias dos autores citados e aduzem que a segurança e saúde do trabalho são o conjuntode medidas que visam diminuir os acidentes de trabalho e as doenças ocupacionais, protegendo assim a integridade física do trabalhador e sua capacidade de trabalho. Dessa forma, um trabalhador poderá utilizar sua força-tarefa de maneira segura e sem riscos para sua saúde, podendo aumentar sua produtividade com menos equívocos. Fruhauf et al. (2005) acreditam que os ideais dos empregados e empregadores são opostos, apesar de se assemelharem no final, pois ambos têm o objetivo de evitar doenças ocupacionais e acidentes do trabalho, porém, os empregados visam sua integridade física, já o empregador idealiza a redução dos custos que os acidentes causam. Segurança do trabalho tem o objetivo principal de prevenir acidentes do trabalho, doenças ocupacionais, evitando danos à saúde do trabalhador e, dessa forma, protegendo a integridade e a capacidade laboral das pessoas. FIGURA 6 – UTILIZAÇÃO DE EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO PARA PREVENÇÃO DE ACIDENTES FONTE: . Acesso em: 30 jun. 2017. CAPACETE PARA QUÊ? NUNCA ACONTECEU NADA COMIGO! UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 12 Podemos conceituar segurança do trabalho como um mix de normas ou medidas técnicas nas áreas da saúde, educação e administração, as quais auxiliam na prevenção de acidentes, bem como na eliminação de ambientes perigosos, protegendo a integridade física, emocional e psicológica do trabalhador. Para proporcionar esse ambiente saudável no local de trabalho é necessária a participação de todas as pessoas envolvidas, desde o alto escalão até os menos favorecidos, diminuindo ou eliminando os riscos ocupacionais, gerando segurança ao trabalhador. 5 LEGISLAÇÃO APLICADA À SEGURANÇA DO TRABALHO Na sociedade onde vivemos somos contemplados por normas que regem nossa conduta e nossas atitudes, indispensáveis ao convívio social, preservando o bem mais precioso e indisponível, que é a vida. Assim como na vida privada, há regras específicas de boas maneiras e convivência e na vida laboral elas também existem e visam garantir a saúde e a segurança dos trabalhadores. 5.1 REFERENCIAL NORMATIVO A segurança do trabalho no Brasil, antes da promulgação da Constituição Federal de 1988, era vista pelo empregador como uma condição desnecessária para o empregado. As condições de saúde do trabalhador pouco importavam para o empregador. Nessa época, funcionário bom era considerado aquela pessoa que não faltava, que não ficava doente ou não deixava transparecer que estivesse doente, não se queixava de problemas, não reclamava, apenas trabalhava (BARSANO; BARBOSA, 2012). O trabalhador que faltava por motivo de doença era visto como um indivíduo preguiçoso, malandro, folgado, que não tinha intenção de produzir, de trabalhar. Além de sofrer em virtude de sua saúde, também sofria retaliações quando retornava à sua jornada de trabalho, tanto pelo empregador quanto por colegas de trabalho, tornando o ambiente hostil. O assédio moral era normal na esfera de trabalho, pois não havia penalidade para quem o praticasse, assim, os trabalhadores eram desfavorecidos. Quando convalescidos por alguma patologia, só restava se recuperar de sua doença rapidamente, voltar ao trabalho e torcer para que não fosse demitido. TÓPICO 1 | SEGURANÇA DO TRABALHO 13 FIGURA 7 – EXPLICAÇÃO ILUSTRATIVA SOBRE ASSÉDIO MORAL FONTE: . Acesso em: 30 jun. 2017. Essas considerações nos reportam a um ditado popular da relação do homem com o porco, que diz: “O porco acorda sete vezes por noite pensando em matar o tratador, porque sabe que a mão que traz a lavagem um dia trará o facão” (CARDELLA, 2014, p. 256). Você pode estar questionando, o que tem isso a ver com a segurança do trabalho? Então vamos contar a história: há alguns anos, os jornais de São Paulo noticiaram que um tratador de aproximadamente 60 anos estava abaixado para repor a lavagem dos animais, na zona rural da região, quando um porco rapidamente se aproximou dele e, sem que o tratador pudesse se defender, o matou. ASSÉDIO MORAL DENUNCIE! Autoritarismo Isolamento Ameaça Pressão Humilhação E NÃO ESFREGUE O NARIZ NO MEU DEDO QUANDO FALAR COMIGO! FIGURA 8 – SÁTIRA DA RELAÇÃO ENTRE HOMEM E O PORCO FONTE: . Acesso em: 1º jul. 2017. Essa história traz um comparativo muito real que algumas empresas fazem com o trabalhador, pois demitem muitos funcionários sem justificativa, somente para auferir mão de obra mais barata e livre de impostos, ao invés de registrá- los, treiná-los e conscientizá-los. Fazendo uma analogia com a história, é assim que o empregador faz com o empregado, desenvolve exatamente o sentimento que o porco nutre pelo tratador, dessa forma, o salário representa a lavagem, UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 14 que não é suficiente para desenvolver relações de amizade entre empregador e empregado, pois é apenas um mecanismo de segurar o trabalhador, e, por outro lado, o facão traz a conotação da demissão, pois a mão que traz o salário, um dia trará a demissão (BARSANO; BARBOSA, 2012). Com a entrada da Constituição Federal de 1988, chamada também de Carta Magna, considerada legislação soberana e que está acima de qualquer lei brasileira, ficando abaixo dela os decretos e normas da segurança do trabalho, mas que necessitam se ajustar e se remodelar à nova Constituição, foram criadas garantias trabalhistas e inovados os preceitos de segurança e medicina do trabalho, até então esquecidos pela legislação pátria, e, dessa forma, garantindo a saúde física, mental e laboral do trabalhador (BARSANO; BARBOSA, 2012). Conforme os mesmos autores, há vários dispositivos legais que tentam buscar na prática a eficácia dessas tão almejadas garantias. Se pensarmos nos três poderes, sendo estes o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, podemos dizer que o primeiro é responsável pelas leis, o Executivo é responsável pelos decretos, regulamentos, regimentos internos, portarias, instruções e resoluções, que auxiliam na segurança, direitos e garantias dos trabalhadores, e o Poder Judiciário tem a função defender os direitos de cada cidadão, com justiça e resolutividade de conflitos da sociedade. Martins (2013) aduz que foi com a Constituição Federal de 1988 que ocorreu a valorização do trabalho humano, onde o homem ascendeu para ter garantida a dignidade social e direito à integridade física e mental, atingindo um equilíbrio na sua vida pessoal e profissional. Conforme Brasil (2004), a Constituição Federal foi promulgada em 5 de outubro de 1988 e foi resultado dos pedidos, anseios e necessidades da população, que aspirava por direitos e garantias de trabalho. Dessa forma, ela consolidou, ampliou e criou direitos trabalhistas. Falar em condições dignas de trabalho é falar de questões fundamentais para o alcance de uma vida equilibrada, segura e saudável, assim, podemos elencar alguns pontos importantes referentes à segurança e à saúde do trabalhador que o artigo 7º da Constituição Federal trouxe, a saber: • duração do trabalho normal não superior a 8 horas diárias e 44 semanais, facultada a compensação de horários (inciso XIII); • jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva (inciso XIV); • repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos (inciso XV); • gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal (inciso XVII); • redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança (inciso XXII); • seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa (inciso XXVIII); • proibição de trabalho noturno, perigoso, ou insalubre a menores de 18 anos e de qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos (inciso XXXIII)(BRASIL, 2004, p. 19). TÓPICO 1 | SEGURANÇA DO TRABALHO 15 Conforme Barsano e Barbosa (2012), a segurança do trabalho é composta por normas e leis, como exemplo podemos citar as NRs, portarias, decretos e também as convenções da Organização Internacional do Trabalho – OIT. A seguir, relacionamos alguns exemplos de convenções aplicadas à segurança do trabalho: QUADRO 1 – EXEMPLOS DE CONVENÇÕES DA OIT Convenção Nº Título Adoção OIT Ratificação Brasil Status 167 Sobre a segurança e saúde na construção 1988 19/05/2006 Em vigor 168 Promoção do emprego e proteção contra o desemprego 1988 24/03/1993 Em vigor 169 Sobre povos indígenas e tribais 1989 25/07/2002 Em vigor 170 Segurança no trabalho com produtos químicos 1990 23/12/1996 Em vigor 171 Trabalho noturno 1990 18/12/2002 Em vigor 174 Sobre a prevenção de acidentes industriais maiores 1993 02/08/2001 Em vigor 176 Sobre segurança e saúde nas minas 1995 18/05/2006 Em vigor 178 Relativa à inspeção das condições de vida e de trabalho dos trabalhadores marítimos 1996 21/12/2007 Em vigor 182 Sobre proibição das piores formas de trabalho infantil e ação imediata para sua eliminação 1999 02/02/2000 Em vigor FONTE: Acesso em: 1º jul. 2017. As convenções exercem papel relevante na segurança do trabalho, pois são utilizadas como referências normativas para criar, modificar e até excluir as Normas Regulamentadoras. Depois de ratificadas pela autoridade nacional competente, elas ganham força de lei em todo o território nacional (BARSANO; BARBOSA, 2012). 5.2 ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO A Organização Internacional do Trabalho – OIT foi criada em 1919, como parte do Tratado de Versalhes, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial, ela é responsável pela formulação e aplicação das normas internacionais do trabalho, que são as convenções e recomendações. O Brasil está no rol dos membros fundadores da OIT e participa da Conferência Internacional do Trabalho desde sua primeira reunião (CASSAR, 2010). UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 16 O Brasil ratificou um total de 82 das 189 convenções da OIT (MARTINS, 2013, p. 68). UNI Para Sussekind (2010, p. 64), o principal objetivo da OIT era a universalização dos princípios da justiça social, como descreve, “[...] com a finalidade de promover a universalização dos princípios da justiça social, especialmente daqueles consagrados por esse tratado como fundamentais ao Direito do Trabalho e à Previdência Social”. Para o mesmo autor, a justiça social desempenha uma função importante, a fim de fornecer uma harmonia e apaziguamento aos trabalhadores que sofriam exploração por parte das empresas, no desempenho de suas funções. Conforme Martins (2013), o papel desempenhado por esta organização foi propulsor na definição das legislações trabalhistas, na implantação de políticas econômicas, sociais e trabalhistas, atuando como um instrumento de fiscalização mundial do trabalho, principalmente através da Recomendação nº 5, que incentivava a implantação de uma fiscalização eficiente de trabalho dentro das fábricas. As convenções, uma vez ratificadas por decisão soberana de um país, passam a fazer parte de seu ordenamento jurídico, vejamos a seguir a quantidade de convenções que foram adotadas: Desde a sua criação, os membros tripartites da OIT adotaram 189 Convenções Internacionais de Trabalho e 200 Recomendações sobre diversos temas (emprego, proteção social, recursos humanos, saúde e segurança no trabalho, trabalho marítimo etc.). Em 1998, a Conferência Internacional do Trabalho aprovou a Declaração dos Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho. A Declaração estabelece quatro princípios fundamentais a que todos os membros da OIT estão sujeitos: liberdade sindical e reconhecimento efetivo do direito de negociação coletiva; eliminação de todas as formas de trabalho forçado; abolição efetiva do trabalho infantil; eliminação de todas as formas de discriminação no emprego ou na ocupação (BRASIL, 2017). A OIT nasce com o intuito de auxiliar a sociedade, objetivando focar seus interesses na justiça social, alicerçados na paz universal, além de reconhecer que o trabalho não é uma mercadoria, e sim deve ser visto de uma forma digna. TÓPICO 1 | SEGURANÇA DO TRABALHO 17 Vejamos no Brasil como a OIT está atuando: Ela tem mantido representação desde a década de 1950, com programas e atividades que refletem os objetivos da Organização ao longo de sua história. Além da promoção permanente das Normas Internacionais do Trabalho, do emprego, da melhoria das condições de trabalho e da ampliação da proteção social, a atuação da OIT no Brasil tem se caracterizado, no período recente, pelo apoio ao esforço nacional de promoção do trabalho decente em áreas tão importantes como o combate ao trabalho forçado, ao trabalho infantil e ao tráfico de pessoas para fins de exploração sexual e comercial, à promoção da igualdade de oportunidades e tratamento de gênero e raça no trabalho e à promoção de trabalho decente para os jovens, entre outras (BRASIL, 2017, p. 20 ). Estar entre os países-membros é questão de orgulho, é questão de ordem, disciplina, pois invoca um ambiente de trabalho agradável e produtivo para os trabalhadores, proporcionando equilíbrio nas condições de saúde, pois são normas internacionais, estabelecidas em prol do indivíduo, em que os países membros participam favoravelmente às mudanças das condições trabalhistas em todo o mundo. FIGURA 9 – 102ª CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DO TRABALHO EM 2013, EM GENEBRA FONTE: . Acesso em: 1º jul. 2017. A OIT desenvolve alguns programas e dentre eles está o trabalho decente, que objetiva promover oportunidade para que homens e mulheres tenham um trabalho produtivo e de qualidade, em condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade humana, sendo considerado condição fundamental para a superação da pobreza, a redução das desigualdades sociais, a garantia da governabilidade democrática e o desenvolvimento sustentável. Seu eixo central está alicerçado em quatro objetivos estratégicos, conforme Barsano e Barbosa (2012, p. 43 ): UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 18 5.3 RESUMO DA EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA BRASILEIRA Vamos verificar, na visão de Neto e Buono (2011), a evolução da legislação brasileira em relação às normas de segurança e saúde do trabalho, a partir do século XIX, sendo que o marco para regulamentação da Segurança e Medicina do Trabalho no Brasil foi em 1943, através da CLT, e em 1978 foram aprovadas as Normas Regulamentadoras. Essa evolução ocorreu por meio de órgãos auxiliares e fiscalizadores que ajudaram não somente no desenvolvimento dos direitos sociais, mas num nível mais elevado, ou seja, na promoção dos direitos sociais no âmbito internacional, que são a OMS (Organização Mundial da Saúde) e OIT (Organização Internacional do Trabalho), vejamos abaixo: A partir do ano de 1960, o Brasil mudou substancialmente em termos de Legislação da Segurança e Saúde do Trabalho (SST), sendo dividido em cinco fases: Primeira fase: De 1966 a 1970, nessa época os empresários não consideravam prioritários assuntos que reportassem à segurança do trabalho. Naquela época surgiram os primeiros dados estatísticos internacionais sobre o número de acidentes e mortes no trabalho: o Brasil aparecia como “campeão” mundial de acidentes do trabalho. A OIT, na ocasião, pressionou o Brasil no sentido de que • Respeito às normas internacionais do trabalho, em especial aos princípios e direitos fundamentais do trabalho. • Promoção do emprego de qualidade. • Extensão da proteção social. • Fortalecimento do diálogo social. Conforme Barsano e Barbosa (2012, p. 43 ), o trabalho decente é o ponto de convergência dos quatro objetivos estratégicos da OIT: • Liberdade sindical e reconhecimento efetivo do direitode negociação coletiva. • Eliminação de todas as formas de trabalho forçado. • Abolição efetiva do trabalho infantil. • Eliminação de todas as formas de discriminação em matéria de emprego e ocupação, a promoção do emprego produtivo e de qualidade, a extensão da proteção social e o fortalecimento do diálogo social. A OIT é composta atualmente por 189 estados-membros, está localizada em Genebra, na Suíça, porém se faz presente em todos os continentes e em vários países por meio de escritórios, a exemplo temos os da Etiópia, do Líbano, Estados Unidos, Peru, Tailândia e Suíça (MARTINS, 2013). Dessa forma, podemos entender que a OIT surgiu em virtude da necessidade da proteção da saúde do trabalhador, promovendo dignidade humana no trabalho e justiça social. TÓPICO 1 | SEGURANÇA DO TRABALHO 19 fossem providenciadas medidas emergentes de controle da saúde dos trabalhadores. Como a Previdência Social se encontrava segmentada em vários institutos, o governo unificou todos esses e criou o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), estatizando o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) e modificando a estrutura da Comissão Interna da Prevenção de Acidentes (CIPA). Segunda fase: De 1971 a 1977 houve considerável mudança nos assuntos concernentes à preocupação com a saúde do trabalhador no Brasil; a legislação foi implementada no sentido de corrigir condições inseguras. Começou a segurança e higiene do trabalho no Brasil. Terceira fase: De 1979 a 1986, implementou-se a Portaria nº 3.214, de junho de 1978, com ênfase para as Atividades Insalubres, por meio da Norma Regulamentadora (NR) nº 15. Quarta fase: De 1987 a 1990, aprofundaram-se as ideias sobre a responsabilidade civil e criminal, assim como as reivindicações coletivas por melhores condições de trabalho e questionamentos dos papéis das CIPAs e das NR pelos trabalhadores. Um marco importante foi a nova Constituição. O INPS muda para Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Quinta fase: A partir dos anos 1990, as alterações das normas referentes às práticas de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) são sensíveis, principalmente com o PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA (NR 9) e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO (NR 7). O PPRA visa a preservar a saúde e a integridade física dos trabalhadores por meio da antecipação, do reconhecimento, da avaliação e do consequente controle da ocorrência de riscos reais ou potenciais do ambiente de trabalho. O PCMSO, que deve estar em sintonia com o PPRA, tem como objetivo promover e preservar a saúde do conjunto dos trabalhadores. Outra evolução ocorre com a modificação da Comissão Interna de Prevenção de Acidente (CIPA, NR 5), pela ação dos próprios trabalhadores, promover a melhoria das condições dos ambientes de trabalho, por exemplo, mediante a elaboração do Mapa de Risco. Não se deve esquecer do Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção – PCMAT (NR 18), que melhorou sensivelmente as condições de trabalho nos canteiros de obras (NETO; BUONO, 2011, p. 128-130). Por meio desse apanhado da legislação, conseguimos perceber que, desde a Revolução Industrial, o trabalho sofreu constantes transformações, e podemos arriscar em dizer, se compararmos essa trajetória até os dias atuais, que foi um saldo bem favorável para o trabalhador. Obtivemos muitos direitos conquistados e garantidos por meio da Constituição Federal de 1988, Consolidação das Leis do Trabalho, entre outras legislações infraconstitucionais, todas apontando para a evolução do trabalho humano, digno e com muitas vitórias. 20 Neste tópico, você aprendeu que: • A segurança do trabalho é uma área da engenharia que estuda as causas da ocorrência dos acidentes e incidentes que surgem durante a jornada de trabalho do empregado. • Getúlio Vargas criou a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), que é a base para todas as NR (Normas Regulamentadoras). • A OIT desenvolve alguns programas e dentre eles está o trabalho decente, que objetiva promover oportunidade para que homens e mulheres tenham um trabalho produtivo e de qualidade. • Segurança do trabalho tem o objetivo principal de prevenir acidentes, doenças ocupacionais, evitando danos à saúde do trabalhador. • Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, foram criadas garantias trabalhistas e inovados os preceitos de segurança e medicina do trabalho. • Por meio da Constituição Federal de 1988, ocorreu a valorização do trabalho humano. • A OIT é responsável pela formulação e aplicação das normas internacionais do trabalho, que são as convenções e recomendações. • A OIT é composta atualmente por 189 estados-membros, está localizada em Genebra, na Suíça, porém se faz presente em todos os continentes. RESUMO DO TÓPICO 1 21 1 A segurança do trabalho é importante para a preservação da saúde do trabalhador, sendo definida por regulamentos, leis e composta por normas regulamentadoras, leis complementares, como portarias, decretos e convenções internacionais da Organização Internacional do Trabalho. Diante dessa afirmativa, conceitue segurança do trabalho. 2 Há muitos séculos, o trabalho foi considerado um castigo, uma forma de o homem pagar pelos seus pecados, o regime era em forma de escravidão e não havia nenhuma preocupação com a saúde dos trabalhadores. Diante dessa afirmativa, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Tripalium era um instrumento de tortura, utilizado nos escravos, quando não desempenhavam bem o seu trabalho. b) ( ) Na antiguidade, o trabalho não era considerado um castigo divino. c) ( ) A Revolução Industrial não contribuiu para o progresso das conquistas trabalhistas. d) ( ) A jornada de trabalho, desde a antiguidade, sempre foi respeitada e de, no máximo, 40 horas por semana. 3 Com a promulgação da Constituição de 1988 foi assegurada aos brasileiros a garantia de direitos sociais essenciais ao exercício da cidadania e estabelecidos mecanismos para garantir o cumprimento desses direitos. Dessa forma, cite três direitos conquistados pela sociedade, a partir da promulgação da Carta Magna. 4 A Organização Internacional do Trabalho (OIT) surgiu em meio a um clamor dos trabalhadores, a fim de garantir a saúde e promover direitos trabalhistas em condições justas no seu labor, através da formulação e aplicação das normas internacionais do trabalho. Diante de tantos aspectos importantes realizados pela OIT, ela também desenvolve alguns programas e dentre eles está o trabalho decente, explique a importância desse programa. AUTOATIVIDADE 22 23 TÓPICO 2 CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO O Laudo Técnico das Condições de Trabalho é um documento ligado às condições de segurança no ambiente de trabalho, ele é redigido em função do ambiente em que os trabalhadores executam suas atividades, a fim de documentar sobre os agentes nocivos que podem causar doenças ou complicações para a saúde dos trabalhadores. Dessa forma, o laudo tem o objetivo de especificar as condições do ambiente de trabalho, evidenciando os agentes envolvidos: químicos, físicos e biológicos existentes na empresa e que causam ameaça à saúde do trabalhador. Esses agentes nocivos existentes no ambiente devem ser monitorados, com o objetivo de permanecer dentro de um limite de tolerância exigido por lei, para não causarem perdas aos trabalhadores. Muitas vezes, os agentes nocivos, como bactérias, fungos, radiação, luminosidade, frio ou calor em excesso, causam doenças e afastamentos do trabalho, gerando insalubridade para os trabalhadores que são expostos de maneira indevida. O LTCAT é um documento a que as empresas necessitam estar atentas, assim como às informações e recomendações previstas pela legislação trabalhista, o qual deve permanecer na empresa e deve ser alterado quando forem introduzidas modificações no ambiente de trabalho, a fim de que a empresa não sofra penalidade frente aos órgãosde fiscalização e regulação. O parágrafo 3º do Art. 58 da Lei nº 8.213/91, com o texto dado pela Lei nº 9.528/97, diz que se a empresa não atualizar o laudo técnico referente aos agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho ou emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo, estará sujeita à penalidade prevista no Art. 133 desta Lei (CURIA et al., 2011). Podemos afirmar que o LTCAT é um documento considerado pericial, pois sinaliza as condições do ambiente em que o trabalhador executa suas atividades, avaliando as funções de cada pessoa e documentando quanto à exposição frente aos agentes nocivos à saúde. Além disso, classifica as funções dos trabalhadores quanto à insalubridade, à periculosidade e enquadramento para a aposentadoria especial. UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 24 2 HISTÓRICO E REGULAMENTAÇÃO Acadêmico, você sabe como surgiu o LTCAT? Ele surgiu em 1991, com a Lei nº 8.213 da Previdência Social, pois o Instituto Nacional da Seguridade Social, conhecido por INSS, necessitou definir critérios de verificação referentes às condições do ambiente de trabalho das empresas, para conceder o benefício da aposentadoria especial. Dessa forma, o INSS consegue verificar, por meio do LTCAT, as condições insalubres ou periculosas a que os trabalhadores estão sujeitos na sua atividade laboral, nas empresas, indústrias, fábricas, clínicas, hospitais, supermercados, entre outros. Diante da constatação do INSS frente aos agentes nocivos a que os trabalhadores estão expostos, ele consegue emitir a aposentadoria especial, conforme a legislação prevista para casos específicos. Além de o INSS conceder benefícios como o de insalubridade e periculosidade, por meio das informações do LTCAT as empresas também ficarão cientes quanto à necessidade de implantar prevenção, com o intuito de eliminar ou neutralizar os agentes agressivos que prejudicam a saúde dos trabalhadores. O LTCAT era exigido através do artigo 153 da Instrução Normativa nº 84 do INSS, conforme transcrito abaixo: Deverá ser exigida a apresentação do LTCAT para os períodos de atividade exercida sob condições especiais a partir de 29abr95, exceto no caso do agente nocivo ruído ou outro não arrolado nos decretos regulamentares, os quais exigem apresentação de laudo para todos os períodos declarados (VENDRAME, 2005, p. 51). Apenas a comprovação quanto aos agentes nocivos não era a única exigência que o INSS solicitava para que fosse concedida a aposentadoria especial, pois necessitava de tempo de contribuição do segurado no trabalho, conforme disposição abaixo, baseada no artigo 57 da Instrução Normativa nº 84 do INSS: A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudi quem a saúde ou a integridade física durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme a lei. § 3º A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo segurado, perante o Instituto Na cional do Seguro Social — INSS, do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condi ções especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado. § 4º O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, exposição aos agentes nocivos químicos, físi cos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou integridade física, pelo período exigido para a concessão do benefício (VENDRAME, 2005, p. 51). TÓPICO 2 | CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 25 Entretanto, a exigência da apresentação do LTCAT foi dispensada a partir de 1º de julho de 2003, pois o INSS obrigou as empresas a se adequarem ao novo programa, o Perfil Profissiográfico Previdenciário, chamado de PPP. Com essa determinação, o LTCAT necessitou ser realizado apenas para permanecer na empresa e à disposição da previdência social. Portanto, para concessão da aposentadoria especial, será analisado cada segurado exposto ao agente nocivo, de acordo com o LTCAT e o PPP da empresa, a fim de analisar se o direito à aposentadoria é devido, para alterar os códigos que permitem tal benefício. 3 CONCEITO E OBJETIVO DO LTCAT Para Barsano e Barbosa (2012), o LTCAT pode ser definido como um parecer técnico, verificado, analisado e concluído, referente às condições ambientais a que o trabalhador foi exposto durante sua jornada de trabalho na empresa. O que se espera desse documento é que ele reflita a realidade ambiental a que o trabalhador está exposto. O LTCAT é um documento que visa demonstrar a presença ou não de riscos ambientais, em níveis ou concentrações que causem malefícios à saúde ou à integridade física do trabalhador, informando tanto a nocividade do agente quanto o tempo de exposição. As condições do ambiente de trabalho declaradas no LTCAT devem estar comprovadas através das análises realizadas e demonstradas por meio dos seguintes documentos (SESI, 2017): • Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA (NR-9). • Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO (NR-7). • Comunicação de Acidente do Trabalho – CAT. Por intermédio do LTCAT é possível demonstrar se o ambiente da empresa está de acordo com a legislação vigente, controlando os agentes ou eliminando- os, sejam eles físicos, químicos ou biológicos e, dessa forma, manter um local de trabalho seguro e sem incorrer em problemas de saúde para seus trabalhadores. Assim, podemos nos certificar de que após as avaliações ambientais e análise de cada ambiente aferido, se faz o levantamento dos agentes nocivos, caracterizando funções insalubres ou perigosas, e, estando em desacordo com as normas regulamentadoras, é necessário estabelecer um planejamento, para corrigir os erros e estipular medidas preventivas, a fim de minimizar ou neutralizar os agentes prejudiciais ao organismo. UNIDADE 1 | LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO 26 O Laudo Técnico de Condições Ambientais é um documento instituído pelo INSS e não pelo Ministério do Trabalho. UNI O LTCAT é um documento técnico, de caráter pericial, instituído pelo INSS, que explora as condições ambientais do trabalho e averigua as funções dos trabalhadores quanto à exposição de agentes nocivos à saúde, além de classificar as atividades para concessão de possíveis benefícios. Vejamos a seguir a legislação pertinente ao laudo: O LTCAT é fundamentado na Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977, do MTE e regulamentada pela Portaria nº 3.214, de 08 de junho de 1978, do MTE e pelo Decreto nº 3048/99, de 12 de maio de 1999, e pela Instrução Normativa nº 99, de 10 de dezembro de 2003 do INSS. Artigos 189 a 192 da (CLT) e de acordo com o Artigo 57 da Lei 8.213/91 e os Artigos 64 e 65 do Decreto Lei nº 3048/99 (MIGUEL, 2014, p. 239). Este documento é importante para apontar se o trabalhador terá direito ao adicional de insalubridade ou periculosidade, baseado nas normas regulamentadoras números 15 e 16 do Ministério do Trabalho. O laudo nada mais é do que uma análise do ambiente em que o funcionário está trabalhando, ou seja, é um levantamento realizado no local de trabalho em que a pessoa executa suas atividades laborais, a fim de verificar se há alguma irregularidade frente à legislação trabalhista. Havendo algum quesito que não esteja de acordo com os termos da legislação trabalhista, é necessário estabelecer recomendações para que os agentes nocivos sejam eliminados ou enquadrados dentro dos limites estabelecidos pelas INs. É importante enfatizar que o LTCAT não foi criado exclusivamente para informar sobre a existência ou não de insalubridade ou periculosidade no ambiente de trabalho, ele foi instituído com o objetivo de ser um instrumento mediador do INSS, para auxiliar a estabelecer aposentadoria especial ao segurado. Podemos resumir o conceito do LTCAT, fazendo um apanhado do que estudamos até agora, como sendo um documento