Prévia do material em texto
W JU R0 24 6_ V2 .0 SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 2 Rafael Altafin Galli São Paulo Platos Soluções Educacionais S.A 2021 SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 1ª edição 3 2021 Platos Soluções Educacionais S.A Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César CEP: 01418-002— São Paulo — SP Homepage: https://www.platosedu.com.br/ Diretor Presidente Platos Soluções Educacionais S.A Paulo de Tarso Pires de Moraes Conselho Acadêmico Carlos Roberto Pagani Junior Camila Turchetti Bacan Gabiatti Camila Braga de Oliveira Higa Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Gislaine Denisale Ferreira Revisor Gustavo Pereira Faune Editorial Alessandra Cristina Fahl Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Mariana de Campos Barroso Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________________ Galli, Rafael Altafin G168s Segurança e saúde do trabalho / Rafael Altafin Galli, – São Paulo: Platos Soluções Educacionais S.A., 2021. 51 p. ISBN 978-65-89881-83-4 1. Segurança. 2. Trabalho. 3. Meio ambiente. I. Título. CDD 363.11 ____________________________________________________________________________________________ Evelyn Moraes – CRB 010289/O © 2021 por Platos Soluções Educacionais S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A. 4 SUMÁRIO Meio ambiente do trabalho. Noções de segurança e saúde do trabalhador no meio ambiente de trabalho __________________ 05 Acidente de trabalho: estabilidade, contrato a termo, reintegração _________________________________________________ 15 Adicional de insalubridade e periculosidade _________________ 27 Dano moral, assédio moral e sexual. Indenização ____________ 39 SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 5 Meio ambiente do trabalho. Noções de segurança e saúde do trabalhador no meio ambiente de trabalho Autoria: Rafael Altafin Galli Leitura crítica: Gustavo Pereira Faune Objetivos • Entender o meio ambiente do trabalho. • Compreender as normas referentes à saúde do trabalhador. • Analisar as leis de segurança no trabalho. 6 1. Introdução Figura 1–Conceito Fonte: nikom1234/iStock.com. Nesta leitura, abordaremos o tema do meio ambiente no contexto do trabalho. Para tanto, você estudará sobre o conceito de meio ambiente do trabalho e as noções de segurança e higiene do trabalho. Em um segundo momento, analisaremos as normas referentes à saúde do trabalhador no meio ambiente do trabalho. 2. Meio ambiente do trabalho Um dos princípios fundamentais do direito do trabalho é o princípio da dignidade da pessoa humana. Embora não seja específico do direito do trabalho, esse princípio tem um caráter universal e deve ser utilizado para elaboração e interpretação das leis trabalhistas. Segundo Barros (2020), a dignidade humana ocupa posição de destaque no exercício 7 dos direitos e deveres que se exteriorizam nas relações de trabalho e se aplica em várias situações, principalmente, para evitar tratamento degradante do trabalhador. Nesse sentido, quando falamos em meio ambiente do trabalho, devemos pensar no princípio da dignidade da pessoa humana. Nesse sentido, um ambiente de trabalho saudável, higiênico e harmônico contribui para o cumprimento do princípio da dignidade da pessoa humana. A CLT (BRASIL, 1943) traz em seu capítulo V, dos arts. 154 a 201, normas que regulamentam a segurança e a medicina do trabalho. Logo nos primeiros artigos do capítulo V, a norma regulamenta o papel de cada membro integrante de uma relação de emprego, trazendo ressalvas referentes à fiscalização do meio ambiente de trabalho a serem cumpridas pelo empregador e pelos empregados. A fiscalização quanto ao cumprimento das normas de segurança e de medicina do trabalho ficam a cargo das Delegacias Regionais do Trabalho. Nesse sentido, o art. 156 da CLT (BRASIL, 1943) afirma que: Art. 156–Compete especialmente às Delegacias Regionais do Trabalho, nos limites de sua jurisdição: I–promover a fiscalização do cumprimento das normas de segurança e medicina do trabalho; II–adotar as medidas que se tornem exigíveis, determinando as obras e reparos que, em qualquer local de trabalho, se façam necessárias; III–impor as penalidades cabíveis por descumprimento das normas constantes no Capítulo V da CLT. Desse modo, cabe às Delegacias Regionais do Trabalho a fiscalização quanto ao cumprimento, por parte das empresas e empregados, das normas de segurança e medicina do trabalho. 8 Ato contínuo, a CLT (BRASIL, 1943) também regulamenta o papel das empresas e dos empregados quanto ao cumprimento das normas de saúde e meio ambiente do trabalho. Nesse sentido, dispõe o art. 157 da CLT (BRASIL, 1943): Art. 157–Cabe às empresas: I–cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho; II–instruir os empregados, através de ordens de serviço, quanto às precauções a tomar no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais; III–adotar as medidas que lhes sejam determinadas pelo órgão regional competente; IV–facilitar o exercício da fiscalização pela autoridade competente. Com relação às obrigações do empregador, descritas anteriormente, vale destacar a obrigação de instruir os empregados quanto às precauções para evitar acidentes de trabalho. Nesse caso, o empregador, além de instruir o empregado, deve fornecer a ele, sem qualquer custo, todos os equipamentos de proteção individual necessários para o exercício do seu labor, bem como vigiar para que os empregados efetivamente utilizem os equipamentos de proteção. Nesse sentido, dispõe o art. 166 da CLT (BRASIL, 1943): Art. 166–A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, equipamento de proteção individual adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento, sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes e danos à saúde dos empregados. Ao empregador, por sua vez, cabe vigiar os atos de seus funcionários, sob pena de responderem por falta de diligência, vigilância, atenção, 9 diante de um acidente de trabalho. Trata-se da chamada culpa in vigilando, ou seja, culpa do empregador por não vigiar os atos de seus funcionários que possam acarretar algum acidente de trabalho. Quanto aos empregados, a CLT (BRASIL, 1943) também regulamenta as suas obrigações quanto ao meio ambiente de trabalho. Nesse sentido, dispõe o art. 158 (BRASIL, 1943): Art. 158–Cabe aos empregados: I–observar as normas de segurança e medicina do trabalho, inclusive as instruções de que trata o item II do artigo anterior, ou seja, tomar as precauções no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais; Il–colaborar com a empresa na aplicação dos dispositivos referentes à segurança e medicina do trabalho. Nesse contexto, é importante ressaltar que, a recusa quanto à utilização de equipamentos de proteção individual, bem como o cumprimento quanto às normas de segurança e medicina do trabalho, constitui ato faltoso do empregado. Em casos como esse, o empregador poderá aplicar ao empregado, advertência, suspensão ou, até mesmo, a dispensa por justa causa, nos termos do art. 482 da CLT (BRASIL, 1943). Além disso, a CLT (BRASIL, 1943) não traz uma regra específica quanto à aplicação de advertência ou suspensão, logo, não existe uma lei que determine, quandodeve ser aplicada a advertência ou a suspensão. A CLT (BRASIL, 1943) só dispõe, de forma expressa, em seu art. 482, as hipóteses de dispensa por justa causa. Assim, caberá a análise de cada caso concreto a aplicação de advertência ou suspensão do empregado, por um ato faltoso praticado por ele. 10 Nesse sentido, algumas convenções coletivas podem trazer parâmetros para a aplicação de advertência ou suspensão, porém, a CLT (BRASIL, 1943) nada dispõe a esse respeito. A doutrina e os tribunais entendem que, na ocorrência de um ato faltoso considerado leve, como uma falta injustificada, uma desobediência quanto à utilização de equipamentos de proteção individual, a ausência de uniforme (quando for regra da empresa a sua utilização), entre outros atos faltosos considerados leves se deve aplicar a advertência ao empregado. Entretanto, na ocorrência de atos faltosos mais graves, como a reincidência em atos de desobediência e insubordinação do empregado, poderá ser aplicada a suspensão, penalidade considerada mais grave, pois o empregado deixará de trabalhar e, dessa forma, não irá receber o salário correspondente ao período de suspensão, bem como será descontado o descanso semanal remunerado (DSR). Na ausência de uma legislação especifica para regulamentar situações de advertência ou suspensão, cabe às empresas elaborarem códigos de ética e conduta, estabelecendo as regras internas da empresa e as punições cabíveis quanto ao seu não cumprimento. 2.1 Noções de segurança e saúde do trabalhador no meio ambiente de trabalho A saúde compreende um dos direitos sociais previstos no art. 6º da Constituição Federal (BRASIL, 1988), bem como, um dos objetivos da República Federativa do Brasil, previsto no art. 3º, inciso IV, da Constituição Federal (BRASIL, 1988). Consequentemente, a saúde compreende um direito social e constitucional, previsto, também, na Consolidação das Leis do Trabalho. 11 Para garantir a saúde do trabalhador, a CLT (BRASIL, 1943) determina que, as empresas estão obrigadas a manter serviços especializados em segurança e em medicina do trabalho (art. 162). Além disso, também é obrigatória, por parte das empresas, a constituição de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). A CIPA será formada por representantes dos empregadores e dos empregados, titulares e suplentes, os quais terão um mandato de um ano, sendo permitida uma reeleição. Figura 2 – Trabalho em equipe Fonte: alphaspirit/iStock.com. Os representantes dos empregadores serão escolhidos por eles para integrarem a comissão. Já os representantes dos empregados serão eleitos, em escrutínio secreto, independentemente de filiação sindical, os quais terão estabilidade no emprego (o representante dos empregados e seus suplentes), desde o momento da candidatura ao cargo da CIPA, até um ano após o término do mandato. É o que dispõe o art. 165 da CLT (BRASIL, 1943): 12 Art. 165–Os titulares da representação dos empregados nas CIPA (s) não poderão sofrer despedida arbitrária, entendendo-se como tal a que não se fundar em motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro. Parágrafo único–Ocorrendo a despedida, caberá ao empregador, em caso de reclamação à Justiça do Trabalho, comprovar a existência de qualquer dos motivos mencionados neste artigo, sob pena de ser condenado a reintegrar o empregado. A CLT (BRASIL, 1943), em seu capítulo V, seção V, traz as medidas preventivas de medicina do trabalho. Nas palavras de Barros (2020, p. 1072): A prevenção é, sem dúvida, o princípio inspirador de todas as normas de tutela à saúde, inclusive no local de trabalho. As medidas de proteção constituem o guia da realização e gestão prática dessa prevenção. Elas se subdividem em quatro grupos fundamentais: a) medidas estruturais atinentes à fase de projetos anteriores à atividade laboral, que reclama a intervenção estatal, exigindo a substituição do que é perigoso; b) medidas de gestão destinadas a regular a atividade operativa, não só pelo empregador, mas pelos empregados e seus representantes; c) medidas de emergência para se insurgir contra situação de perigo, como instituição de pronto socorro, escadas e extintores de incêndio, dentro outras; d) medidas de caráter participativo, envolvendo os empregadores e empregados. Entre as medidas preventivas descritas, é importante ressaltar o exame médico, sendo ele uma medida preventiva a ser adotada antes da contratação do empregado, no decorrer do seu contrato de trabalho e no seu eventual desligamento. Nesse contexto, o art. 168 da CLT (BRASIL, 1943) dispõe que: Art. 168–Será obrigatório exame médico, por conta do empregador, nas condições estabelecidas neste artigo e nas instruções complementares a serem expedidas pelo Ministério do Trabalho: I–a admissão; 13 II–na demissão; III–periodicamente. Além das normas acima descritas quanto à medicina do trabalho, a CLT (BRASIL, 1943) também traz regras sobre as edificações dos locais de trabalho (art. 170 a 174), iluminação (art. 175), conforto térmico (art. 176 a 178), instalações elétricas (art. 179 a 181), movimentação, armazenagem e manuseio de materiais (art. 182 a 186), caldeiras, fornos e recipientes sob pressão (art. 187 a 188), insalubridade e periculosidade (art. 189 a 197) e prevenção da fadiga (art. 198 a 199). Com relação à prevenção da fadiga, é importante ressaltar que, o homem pode carregar até 60 kg de peso durante o trabalho e a mulher, por sua vez, pode carregar 20 kg de forma contínua ou 25 kg de forma ocasional. Assim, a CLT (BRASIL, 1943) traz diversas normas de segurança e medicina do trabalho, em que além dessas normas acima descritas, cabe ao Ministério do Trabalho estabelecer regras complementares às dispostas na CLT (BRASIL, 1943), com relação à medicina e segurança no trabalho, em especial, sobre: [...] medidas de prevenção de acidentes e os equipamentos de proteção individual em obras de construção, demolição ou reparos; depósitos, armazenagem e manuseio de combustíveis, inflamáveis e explosivos; trabalho em escavações, túneis, galerias, minas e pedreiras; proteção contra incêndio; proteção contra insolação, calor, frio, umidade e ventos, sobretudo no trabalho a céu aberto; 14 proteção do trabalhador exposto a substâncias químicas nocivas; higiene nos locais de trabalho; emprego das cores nos locais de trabalho, inclusive nas sinalizações de perigo. (BRASIL, 1943, art. 200) Por fim, é importante destacar que, as infrações ao disposto na CLT (BRASIL, 1943) quanto à segurança e medicina do trabalho, serão punidas com multa prevista no artigo 201 da CLT. Diante do exposto, pode-se concluir que a CLT (BRASIL, 1943) traz em seu capítulo V diversas normas referentes à segurança e medicina do trabalho, além de direitos e obrigações, tanto para os empregados como para os empregadores, com o principal objetivo de zelar pela saúde do trabalhador, pela manutenção de um ambiente de trabalho saudável, digno e harmônico, respeitando um dos princípios basilares do direito, o princípio da dignidade da pessoa humana. Referências BARROS, Alice Monteiro. Curso de direito do trabalho. 19. ed. São Paulo: LTR, 2020. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 1 jul. 2021. BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Brasília, DF: Presidência da República, [1943]. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm. Acesso em: 1 jul. 2021. CORREIA, Henrique. Direito do trabalho para concursos TRT e MPU. Salvador: Juspodivm, 2018. DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. 18. ed. São Paulo: LTR, 2019. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm 15 Acidente de trabalho: estabilidade, contrato a termo, reintegração Autoria: : Rafael Altafin Galli Leitura crítica: Gustavo Pereira Faune Objetivos • Entender o conceito de acidente de trabalho. • Conhecer a estabilidade no emprego em casos de acidente de trabalho. • Analisar os contratos a termo. • Compreender as hipóteses de reintegração no emprego. 16 1. Acidente de Trabalho Figura 1 – Edifício industrial Fonte: gorodenkoff/iStock.com. Esta Leitura Digital abordará o tema acidente de trabalho e será analisado o conceito de acidente de trabalho, suas peculiaridades e suas características. Em um segundo momento, abordaremos a análise de contrato a termo, as situações de reintegração do empregado que sofreu acidente de trabalho e o período de sua estabilidade. As regras referentes ao acidente de trabalho não estão dispostas de forma expressa na CLT (BRASIL, 1943). Elas são regulamentadas pela Lei nº 8.213 (BRASIL, 1991), que dispõe sobre os planos de benefícios da previdência social. Nesse sentido, o art. 19 da Lei nº 8.213 (BRASIL, 1991) conceitua acidente de trabalho como o acidente que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou do empregador doméstico, provocando lesão 17 corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. Desse conceito de acidente de trabalho, pode-se extrair que, ele compreende qualquer acidente ocorrido pelo exercício do trabalho do empregado, a serviço do seu empregador, ou seja, não necessariamente nas dependências da empresa, mas uma atividade realizada por ordem do empregador, que cause qualquer tipo de lesão ao empregado, sua morte ou a perda permanente ou temporária da capacidade para o trabalho. Note que, o art. 19 (BRASIL, 1943) utiliza o termo “qualquer tipo de lesão”, isso significa que, qualquer acidente, mesmo que de natureza leve, será considerado acidente de trabalho. As empresas são responsáveis e obrigadas a tomar todas as medidas necessárias, de forma coletiva ou individual, para proteção e segurança da saúde do trabalhador. Em seu art. 157, a CLT (BRASIL, 1943) reforça essa obrigação: Art. 157–Cabe às empresas: I–cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho; II–instruir os empregados, através de ordens de serviço, quanto às precauções a tomar no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais; III–adotar as medidas que lhes sejam determinadas pelo órgão regional competente; IV–facilitar o exercício da fiscalização pela autoridade competente. O empregador que não cumprir com as normas de segurança e higiene do trabalho responderão, nos termos da legislação trabalhista, pelos danos causados aos seus empregados, além de responder na esfera 18 criminal, pois tal prática é considerada contravenção penal punível com multa. Nesse sentido, cabe ao Ministério do Trabalho, bem como aos sindicatos das respectivas categorias fiscalizar os empregadores quanto ao cumprimento das normas de segurança e higiene do trabalho, em especial, no tocante às medidas de prevenção aos acidentes de trabalho. As doenças profissionais, ou seja, aquelas adquiridas no exercício do labor, também, podem ser consideradas acidentes de trabalho. A Lei nº 8.213 (BRASIL, 1991), que dispõe sobre a previdência social, em seu art. 20, traz o rol de doenças consideradas acidentes de trabalho, sendo elas: I–doença profissional, ou seja, aquela desenvolvida ou adquirida pelo exercício do trabalho próprio a determinada atividade profissional; II–doença do trabalho, assim compreendida, com a doença adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, tais como, as lesões por esforço repetitivo (LER). Em resumo, acidente de trabalho compreende qualquer lesão corporal, permanente ou temporária, nos termos do art. 19 da Lei nº 8.213 (BRASIL, 1991) e, também, doenças adquiridas no exercício do labor ou desencadeadas tendo em vista, as condições em que o trabalho é desenvolvido, conforme art. 20 da Lei nº 8.213 (BRASIL, 1991). Esse rol de doenças descrito no art. 20 (BRASIL, 1991), não é taxativo, ou seja, em caráter excepcional, a Previdência Social poderá considerar acidente de trabalho, uma doença que não esteja especificamente prevista no artigo descrito anteriormente, quando comprovada que resultou das condições especiais em que o trabalho foi executado e está relacionado diretamente com ele. 19 Nesse caso, ainda, é necessária a realização de uma perícia para constatação de que a doença adquirida pelo empregado está relacionada ao trabalho ou às condições de trabalho exercidas por ele. Ato contínuo, esse mesmo art. 20 (BRASIL, 1991), em seu parágrafo primeiro, elenca as doenças que não são consideradas acidentes de trabalho: [...] doenças degenerativas; inerentes a grupos etários; as que não produzem incapacidade laborativa; as endêmicas adquirida por segurado habitante de região em que ela se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho. (BRASIL, 1991, art. 20) Além disso, equipara-se ao acidente de trabalho, conforme disposto no art. 21 da Lei nº 8.213 (BRASIL, 1991): [...] o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído diretamente para a morte do segurado, para redução ou perda da sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação (conhecido como concausa); o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em consequência de: a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de trabalho; b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada ao trabalho; 20 c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de companheiro de trabalho; d) ato de pessoa privada do uso da razão; e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior; III–a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua atividade; IV–o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de trabalho: a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa; b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito; c) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando financiada por esta dentro de seus planos para melhor capacitação da mão-de-obra, independentemente do meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do segurado; d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado, o qual a doutrina classifica como acidente de trajeto. Desse artigo (BRASIL, 1991, art. 21), é importante ressaltar o chamado acidente de trajeto, disposto em seu inciso IV, alínea d. Diante disso, a reforma trabalhista de 2017, embora tenha, em seu art. 58, parágrafo 2º, extinta a chamada horas in itinere, nada dispôs, de forma expressa, sobre o acidente de trajeto. Assim, analisando o aspecto legal, o nosso ordenamento jurídico reconhece a existência de acidente 21 de trabalho, quando ele ocorre no percurso da residência para o local de trabalho ou vice e versa. Nesse sentido, é importante destacar o que dispõe o art. 58, parágrafo segundo, da CLT (BRASIL, 1943): O tempo despendido pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de trabalho e para o seu retorno, caminhando ou por qualquer meio de transporte, inclusive o fornecido pelo empregador (chamada de horas in itinere), não será computado na jornada de trabalho, por não ser tempo à disposição do empregador. Ou seja,o tempo despedido pelo empregado de sua residência ao local de trabalho, nos temos acima descritos, não serão mais computados na jornada de trabalho, porém, ocorrendo o acidente de trajeto nos termos do art. 20, inciso IV, alínea “d” da Lei nº 8.213 (BRASIL, 1991), que será entendido como acidente de trabalho. Além disso, também é considerado acidente de trabalho quando ocorre o mesmo no período destinado à alimentação e/ou ao descanso (intervalo intrajornada), no local de trabalho ou fora dele. Havendo um acidente de trabalho, o empregador deverá comunicar o acidente à Previdência Social até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência, por meio do CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho). O CAT, em apertada síntese, compreende um documento a ser preenchido pelo empregador para comunicar ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a ocorrência de algum acidente de trabalho. Esse documento deve ser preenchido pelo empregador, no próprio site do INSS, de cunho obrigatório, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e máximo do salário de contribuição. Reflexões: art. 22, § 2º, da Lei nº 8.213 (BRASIL, 1991): 22 Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá- la o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo nestes casos o prazo previsto neste artigo. 1.1 Estabilidade Após a ocorrência do acidente de trabalho e elaboração do CAT, o empregado deverá ser afastado da empresa. Nesse caso, nos primeiros quinze dias de afastamento, a empresa deverá manter o pagamento do salário do empregado (trata-se de uma hipótese de interrupção do contrato de trabalho), em que, a partir do décimo sexto dia, a responsabilidade pelo pagamento de uma remuneração (auxílio-doença acidentário) passa a ser do INSS (hipótese de suspensão do contrato de trabalho). Desse modo, é importante ressaltar que, durante o afastamento do empregado por acidente de trabalho, mesmo a partir do décimo sexto dia, onde a responsabilidade pelo pagamento do auxílio-doença acidentário passa a ser do INSS, o recolhimento do FGTS se mantém obrigatório por parte do empregador. Segundo o art. 86 da Lei nº 8.213 (BRASIL, 1991), o auxílio-acidente será concedido como indenização ao segurado quando, após consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem sequelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia. Assim, o auxílio-acidente mensal corresponderá a cinquenta por cento do salário-de-benefício e será devido até a véspera do início de qualquer aposentadoria ou até a data do óbito do segurado (BRASIL, 1991, § 1º). 23 Então, o empregado que sofreu acidente de trabalho terá estabilidade de 12 meses no emprego após a cessação do auxílio-doença acidentário, conforme disposto no art. 118, da Lei nº 8.213 (BRASIL, 1991). 1.2 Contrato a termo O contrato a termo, na CLT (BRASIL, 1943), compreende os contratos de trabalho por prazo determinado. Em seu art. 443, parágrafo 1º, a CLT (BRASIL, 1943) considera como prazo determinado o contrato de trabalho cuja vigência dependa de termo prefixado ou da execução de serviços especificados ou, ainda, da realização de certo acontecimento suscetível de previsão aproximada. E ainda complementa no parágrafo 2º, do mesmo art. 443 (BRASIL, 1943), em que o contrato por prazo determinado só será válido em se tratando de serviço cuja natureza ou transitoriedade justifique a predeterminação do prazo; de atividades empresariais de caráter transitório e de contrato de experiência. Assim, temos como requisitos para a existência de contratos por prazo determinado: a) serviço cuja natureza ou transitoriedade justifique a predeterminação do prazo; b) atividades empresariais de caráter transitório; c) contrato de experiência. (BRASIL, 1943, art. 443) Em geral, são considerados contratos a termo, além do contrato de experiência, o contrato de safra, de atleta profissional, de aprendizagem desde que em caráter provisório e de empregado admitido acima do quadro fixo da empresa. 24 Os empregados contratados por prazo determinado, também, possuem a estabilidade provisória descrita no art. 118, da Lei nº 8.213 (BRASIL, 1991), ou seja, de 12 meses após a cessação do auxílio-doença acidentário. É o que dispõe a Súmula 378 do TST: Súmula nº 378 do TST–ESTABILIDADE PROVISÓRIA. ACIDENTE DO TRABALHO. I–É constitucional o artigo 118 da Lei nº 8.213/1991 que assegura o direito à estabilidade provisória por período de 12 meses após a cessação do auxílio-doença ao empregado acidentado. II–São pressupostos para a concessão da estabilidade o afastamento superior a 15 dias e a consequente percepção do auxílio-doença acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença profissional que guarde relação de causalidade com a execução do contrato de emprego. III–O empregado submetido a contrato de trabalho por tempo determinado goza da garantia provisória de emprego decorrente de acidente de trabalho prevista no art. 118 da Lei nº 8.213/91. 1.3 Reintegração Figura 2–Evento relacionado ao transporte Fonte: Halfpoint/iStock.com. 25 Após a cessação do auxílio-doença acidentário, o empregado deverá ser reintegrado à empresa e voltar a exercer o seu labor nas mesmas condições as quais o exercia antes do acidente. Assim, ao empregador cabe reintegrar o empregado para a mesma função a qual exercia antes do acidente, com o recebimento do mesmo salário e vantagens anteriormente recebidas e descritas em seu contrato de trabalho. Nesse caso, quando constatada a incapacidade de retorno do empregado à mesma função que exercia antes do acidente, cabe ao empregador proporcionar ao empregado o retorno ao labor em função compatível com eventual limitação adquirida após o acidente de trabalho. Isso porque, conforme descrito no tópico anterior, o empregado tem direito à estabilidade no emprego por um período de 12 meses após a cessação do auxílio-doença acidentário. Se a empresa não reintegrar o empregado, ela terá que pagar ao colaborador uma indenização equivalente ao período de estabilidade. Diante do exposto, pode-se concluir que a legislação previdenciária regulamenta o acidente de trabalho, suas peculiaridades, características e consequências, em que o empregado que sofreu acidente de trabalho terá direito à estabilidade no emprego, de 12 meses, após a cessação do auxílio-doença acidentário, mesmo em se tratando de contrato a termo, devendo ser reintegrado ao emprego, ainda que em função diversa à exercida antes do acidente. Além disso, cabe ao empregador cumprir todas as normas de segurança e medicina do trabalho, com o objetivo de evitar a ocorrência de acidentes de trabalho, os quais, infelizmente, acarretam sérios danos físicos e psíquicos ao empregado. 26 Referências BARROS, Alice Monteiro. Curso de direito do trabalho. 19. ed. São Paulo: LTR, 2020. BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Brasília, DF: Presidência da República, [1943]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm. Acesso em: 1 jul. 2021. BRASIL. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [1991]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/l8213cons.htm. Acesso em: 1 jul. 2021. CORREIA, Henrique. Direito do trabalho para concursos TRT e MPU. Salvador: Juspodivm, 2018. DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. 18. ed. São Paulo: LTR, 2019. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm 27 Adicional de insalubridade e periculosidade Autoria: Rafael Altafin Galli Leitura crítica: Gustavo Pereira Faune Objetivos• Entender o conceito de insalubridade. • Analisar as atividades consideradas insalubres. • Conhecer o adicional de insalubridade. • Compreender as atividades consideradas perigosas. • Estudar o adicional de periculosidade. 28 1. Adicional de insalubridade e periculosidade Esta Leitura Digital abordará o adicional de insalubridade e periculosidade. Para isso, você estudará sobre o conceito de insalubridade, as atividades consideradas insalubres segundo a legislação vigente e seus respectivos adicionais. Em um segundo momento, abordaremos o adicional de periculosidade, as atividades consideradas perigosas, suas peculiaridades e demais aspectos que envolver o respectivo adicional previsto em lei. 1.1 Adicional de Insalubridade Os empregados que trabalham em contato com agentes insalubres, ou seja, em contato com agentes nocivos à sua saúde, têm direito à um adicional sobre o salário contratual. Esse adicional, por sua vez, é chamado de adicional de insalubridade. O conceito de insalubridade está descrito no art. 189 da CLT (BRASIL, 1943), o qual dispõe: Serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos. Diante disso, percebe-se que, o empregado trabalha em condições insalubres quando, pela natureza do trabalho ou pelas condições ou métodos de trabalho, ele fica exposto ou em contato com agentes que fazem mal à sua saúde, acima dos limites de tolerância fixados pelo Ministério do Trabalho. 29 Nesse sentido, o Ministério do Trabalho possui uma norma regulamentadora NR 15 (BRASIL, 1978), a qual traz um quadro de atividades e operações consideradas insalubres, os limites de tolerância, os critérios para a caracterização da insalubridade, os meios de proteção, o percentual a ser pago de adicional e o tempo máximo em que o empregado pode ficar exposto aos agentes nocivos e insalubres. O empregado que trabalha em condições insalubres tem direito a um adicional sobre a sua remuneração, podendo ser de 10%, 20% ou 40% sobre o salário mínimo da região. Desse modo, é importante ressaltar que, o Ministério do Trabalho, por meio da NR 15, traz o rol de atividades consideradas insalubres, e o seu respectivo adicional, de 10%, 20% ou 40% sobre o salário mínimo, de acordo com os critérios e grau de insalubridade identificado pelo Ministério do Trabalho, nos seguintes termos: 15.2 O exercício de trabalho em condições de insalubridade, assegura ao trabalhador a percepção de adicional, incidente sobre o salário mínimo da região, equivalente a: 15.2.1 40% (quarenta por cento), para insalubridade de grau máximo; 15.2.2 20% (vinte por cento), para insalubridade de grau médio; 15.2.3 10% (dez por cento), para insalubridade de grau mínimo. (BRASIL, 1978, p. 2) Assim, o trabalho em condições insalubres, mesmo que de forma intermitente, acarreta o pagamento ao adicional de insalubridade, conforme dispõe a Súmula n. 47 do Tribunal Superior do Trabalho. Outro ponto importante se refere à cessação da insalubridade, em que se a empresa adotar medidas capazes de neutralizar ou eliminar 30 o contato do empregado com agentes nocivos a sua saúde, cessará a obrigação ao pagamento do adicional de insalubridade. Nesse contexto, a Norma Regulamentadora n. 15, do Ministério do Trabalho, dispõe: 15.4 A eliminação ou neutralização da insalubridade determinará: a cessação do pagamento do adicional respectivo. 15.4.1 A eliminação ou neutralização da insalubridade deverá ocorrer: a) com a adoção de medidas de ordem geral que conservem o ambiente de trabalho dentro dos limites de tolerância; b) com a utilização de equipamento de proteção individual. (BRASIL, 1978, p. 3) Assim, a utilização de Equipamentos de Proteção Individual pelos empregados, conhecidos como EPIs, devidamente regulamentados e aprovados pelo Ministério do Trabalho e os demais órgãos de fiscalização, poderá cessar a obrigação do empregador, ao pagamento do respectivo adicional, desde que comprovada a sua eficiência e eficácia na eliminação dos agentes nocivos à saúde do trabalhador. É o que dispõe também a CLT (BRASIL, 1943), em seu artigo 191: Art. 191–A eliminação ou a neutralização da insalubridade ocorrerá: I– com a adoção de medidas que conservem o ambiente de trabalho dentro dos limites de tolerância; II–com a utilização de equipamentos de proteção individual ao trabalhador, que diminuam a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância. Nesses casos, a Justiça do Trabalho já consolidou o entendimento de que a simples existência de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) não presumem, por si só, a ausência de contato do empregado com agentes insalubres. 31 Em muitos casos, se mostra necessária a realização de uma perícia judicial para a análise da existência ou não de trabalho em condições insalubres, mesmo com a existência de Equipamentos de Proteção Individual. Na prática, no decorrer de um processo trabalhista, por exemplo, quando há pedido de adicional de insalubridade, o Juiz deverá nomear um perito judicial, o qual realizará uma perícia na empresa para analisar se o empregado trabalhava ou não em condições insalubres. Nesse caso, o perito agendará com as partes, reclamante e reclamado, dia e hora para comparecimento ao local de trabalho para realização de uma perícia judicial. Na data marcada, o perito analisará os equipamentos de proteção individual fornecidos pelo empregador, sua validade e aprovação junto aos órgãos regulamentadores, o local onde o empregado exercia o seu labor, a eficácia ou eficiência dos equipamentos de proteção individual quanto à eliminação da insalubridade, bem como outros aspectos e peculiaridades que envolvem o labor do empregado. Após a realização da perícia, o perito realizará um laudo pericial e juntará ao processo para a análise do Juiz, o qual poderá auxiliá-lo na decisão quanto à existência ou não de insalubridade. Dessa forma, vale ressaltar que, o Juiz não está obrigado a decidir conforme o laudo pericial, porém, a perícia deve auxiliar o Magistrado para a formação do seu convencimento. Além disso, as partes poderão nomear peritos assistentes para acompanharem a perícia e realizaram os seus respectivos laudos, bem como poderão, ou melhor, deverão apresentar quesitos, ou seja, perguntas a serem respondidas pelo perito quando da elaboração do seu laudo 32 Por fim, é importante ressaltar que, além da Norma Regulamentadora n 15 do Ministério do Trabalho (BRASIL, 1978), a CLT (BRASIL, 1943), em seu artigo 192, também dispõe de forma expressa que o adicional de insalubridade será de 40%, 20% ou 10% sobre o salário mínimo da região, conforme classificação da insalubridade em grau máximo, mínimo e médio. Quadro 1–Insalubridade Insalubridade em grau máximo Adicional de 40% sobre o salário mínimo da região. Insalubridade em grau médio Adicional de 20% sobre o salário mínimo da região. Insalubridade em grau mínimo Adicional de 10% sobre o salário mínimo da região. Fonte: elaborado pelo autor. Reflexões: O adicional de insalubridade é devido tanto para os empregados urbanos como para os empregados rurais e, também, os trabalhadores avulsos, nos termos do art. 7º (caput) e inciso XXXIV, da Constituição Federal (BRASIL, 1988). 1.2 Adicional de Periculosidade O empregado que trabalha em condições perigosas, que tragam risco à sua vida, terá direito ao adicional de periculosidade. A CLT, assim como, o Ministério do Trabalho, através da Norma Regulamentadora n. 16 (NR 16), regulamentam e trazem o rol de atividades consideradas perigosas. Nesse sentido, dispõe o art. 193 da CLT (BRASIL, 1943): Art. 193. São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, aquelas que, porsua natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco acentuado 33 em virtude de exposição permanente do trabalhador a: I–inflamáveis, explosivos ou energia elétrica; II–roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial. Figura 1–Conceito Fonte: Migrenart/iStock.com. O empregado que trabalha em condições perigosas, de forma permanente, fará jus à um adicional em sua remuneração, no importe de 30% sobre o salário contratual, não incidindo sobre os acréscimos oriundos de gratificações, prêmios ou participações nos lucros da empresa. Contudo, essa regra não se aplica aos empregados eletricitários. Segundo Barros (2009), os empregados que trabalham no setor de energia elétrica terão direito ao adicional de periculosidade, de 30%, o qual deverá incidir sobre o salário e seus componentes (art. 457, parágrafo 1º, da CLT), nos termos da Lei nº 7.369, de 1985. 34 Ainda, destaca-se que, para receber o adicional de periculosidade, o contato com agentes perigosos deve ocorrer de forma permanente e não eventual. Além disso, o adicional de 30% está previsto na CLT (BRASIL, 1943), em que não é válida, qualquer cláusula de acordo ou convenção coletiva, que traga um adicional inferior ao estabelecido pela norma. É o que dispõe a Súmula 364 do TST: Súmula nº 364 do TST. Adicional de Periculosidade. Exposição Eventual, Permanente e Intermitente: I–Tem direito ao adicional de periculosidade o empregado exposto permanentemente ou que, de forma intermitente, sujeita-se a condições de risco. Indevido, apenas, quando o contato dá-se de forma eventual, assim considerado o fortuito, ou o que, sendo habitual, dá-se por tempo extremamente reduzido. II–Não é válida a cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho fixando o adicional de periculosidade em percentual inferior ao estabelecido em lei e proporcional ao tempo de exposição ao risco, pois tal parcela constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantida por norma de ordem pública (arts. 7º, XXII e XXIII, da CF e 193, §1º, da CLT). Nesse sentido, muito se discute nos Tribunais sobre a possibilidade de o empregado trabalhar em condições insalubre e perigosas e, assim, fazer jus ao pagamento dos dois adicionais, de insalubridade e periculosidade. Porém, a jurisprudência e doutrina majoritária entendem não ser possível acumular os dois adicionais, devendo, pois, o empregado optar por aquele que é mais vantajoso. É o que dispõe, também, o artigo 193, parágrafo segundo da CLT (1943, art. 193): “§ 2º–O empregado poderá optar pelo adicional de insalubridade que porventura lhe seja devido”. 35 O empregado que trabalha com motocicletas, os motoboys, por exemplo, também fazem jus ao pagamento do adicional de periculosidade, como dispõe o art. 193, parágrafo 4º, da CLT (1943). Reflexões: Importante destacar que, o pagamento ao adicional de insalubridade ou periculosidade não acarreta direito adquirido ou incorporação ao salário. Logo, os adicionais devem ser pagos enquanto perdurarem o trabalho do empregado em condições insalubres ou perigosas. Se o empregador eliminar o risco à saúde ou integridade física do empregado, no exercício do seu labor, nos termos das normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho e outros órgãos de fiscalização, o adicional de insalubridade ou periculosidade poderá cessar. As normas regulamentadoras, n. 15 e 16, do Ministério do Trabalho, dentre outras determinações, trazem o rol de atividades consideradas insalubres e perigosas, bem como, no caso da insalubridade, o grau de insalubridade, máximo, médio ou mínimo e seus respectivos adicionais. Essa caracterização e classificação da insalubridade e periculosidade deve ser realizada por meio de perícia, a cargo do próprio Ministério do Trabalho. Assim, conforme o art. 195 da CLT (1943) dispõe: Art.195–A caracterização e a classificação da insalubridade e da periculosidade, segundo as normas do Ministério do Trabalho, far-se- ão através de perícia a cargo de Médico do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho, registrados no Ministério do Trabalho. § 1º–É facultado às empresas e aos sindicatos das categorias profissionais interessadas requererem ao Ministério do Trabalho a realização de perícia em estabelecimento ou setor deste, com o objetivo de caracterizar e classificar ou delimitar as atividades insalubres ou perigosas. § 2º–Arguida em juízo insalubridade ou periculosidade, seja por empregado, seja por Sindicato em favor de grupo de associado, o juiz designará perito habilitado na forma deste artigo, e, onde não houver, requisitará perícia ao órgão competente do Ministério do Trabalho. 36 O parágrafo 2º, do artigo acima descrito, deixa claro que, a insalubridade ou periculosidade podem ser arguidas em juízo. Nesse caso, será nomeado um perito judicial para analisar a existência ou não do trabalho em condições insalubres ou perigosas. Na prática, assim como ocorre com o adicional de insalubridade, já acima descrito, o empregado poderá pleitear em juízo o pagamento de adicional de periculosidade. Nesse caso, o juiz, no curso do processo, nomeará um perito judicial, de sua confiança, para a realização de uma perícia no local de trabalho do empregado. Figura 2 – Papel humano Fonte: shironosov/iStock.com. O perito analisará o local onde o empregado exercia o seu labor, a existência ou não de riscos à sua integridade física e os equipamentos de proteção individual. 37 Além disso, essa perícia também poderá ser acompanhada por peritos assistentes, contratados pelas partes, bem como deverão ser realizados quesitos (perguntas) a serem respondidos pelo perito judicial. Ao final, o perito realizará um laudo, que será encaminhado ao Juiz, o qual utilizará, junto com as demais provas existentes no processo, para a sua livre convicção e decisão judicial. Diante do exposto, pode-se concluir que, os empregados que trabalham em condições insalubres, ou seja, em contato com agentes perigosos à sua saúde, terão direito a um adicional sobre a sua remuneração, que deverá ser de 40%, 20% ou 10% sobre o salário mínimo da região, de acordo com a classificação do grau de insalubridade, máximo, médio ou mínimo. Além da CLT (BRASIL, 1943), o Ministério do Trabalho, através da Norma Regulamentadora n. 15 (NR 15), regulamenta as atividades consideradas insalubres e seus respectivos adicionais. Os empregados que trabalham em contato permanente com agentes perigosos, que trazem risco à sua integridade física, terão direito à um adicional de periculosidade de 30%, sobre o salário contratual, sem incidência dos adicionais (com exceção dos eletricitários). Além da CLT (BRASIL, 1943), o Ministério do Trabalho, através da Norma Regulamentadora n. 16 (NR 16), regulamenta as atividades consideradas perigosas. Referências BARROS, Alice Monteiro. Curso de direito do trabalho. 5. ed. São Paulo: LTR, 2009. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 1 jul. 2021. BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Brasília, DF: Presidência da República, [1943]. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm. Acesso em: 1 jul. 2021. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm 38 BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 15–Atividades e operações insalubres. Brasília, DF: Ministério do Trabalho, 1978. HIRIGOYEN, Marie-France. Assédio moral: a violência perversa no cotidiano. São Paulo: Bertrand Brasil, 2002. MIESSA, Élisson. Processo do Trabalho para concursos. 4. ed. Salvador: Juspodivm,2017. 39 Dano moral, assédio moral e sexual. Indenização Autoria: Rafael Altafin Galli Leitura crítica: Gustavo Pereira Faune Objetivos • Entender o dano moral no ambiente de trabalho. • Compreender o conceito de assédio moral. • Estudar a diferença entre assédio moral e sexual. • Analisar a indenização por danos morais na Justiça do Trabalho. 40 1. Dano moral, assédio moral e sexual: indenização Figura 1 – Justiça Fonte: utah778/iStock.com.com. Esta Leitura Digital abordará o dano moral no ambiente de trabalho. Para tanto, você estudará o conceito de assédio moral, as hipóteses, as peculiaridades e as consequências jurídicas desta prática abusiva. Além disso, abordaremos a diferença entre assédio moral e sexual, bem como a indenização por danos morais na Justiça do Trabalho. 1.1 Dano moral Antes de analisarmos o dano moral no ambiente de trabalho, o direito à integridade moral, a honra e a vida íntima do empregado, é importante analisarmos o poder de direção do empregador e seus limites. 41 O empregador possui um poder de direção sobre o empregado, ou seja, o empregado está subordinado às ordens do empregador. Esse poder de direção compreende, inclusive, um dos requisitos da relação de emprego, previsto no art. 3º da CLT (BRASIL, 1943). O art. 3º da CLT (BRASIL, 1943) traz o conceito de empregado, e assim dispõe: “Considera-se empregado, toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”. Desse conceito de empregado, extraímos os quatro requisitos de uma relação de emprego: Quadro 1 – Requisitos de uma relação de emprego Pessoa física O empregado compreende toda pessoa física e não jurídica. Continuidade O empregado trabalha de forma contínua e não eventual. Subordinação O empregado trabalha sob a dependência do empregador, ou seja, o empregador possui um poder de direção sobre o empregado. Salário O empregado trabalha em contrapartida à uma remuneração a ser paga pelo empregador. Fonte: elaborado pelo autor. Há um quinto requisito, a pessoalidade, prevista no conceito de empregador, o qual dispõe que, o empregado presta pessoalmente o serviço ao empregador. Então, note que, um dos requisitos da relação de emprego, ou seja, da existência de um vínculo empregatício é a subordinação. O empregado está subordinado ao empregador. Por sua vez, o empregador possui um poder de direção do empregado. 42 Porém, quando ocorre o abuso desse poder de direção estar diante de um assédio moral, o qual, consequentemente, acarreta um dano moral ao empregador. Nesse sentido, muitos autores conceituam o dano moral, cada um trazendo uma peculiaridade sobre o tema. Dentre esses autores, é importante destacar o conceito de Barros (2009), a qual conceitua o dano moral, como sendo o rebaixamento moral sofrido por alguém ou por um grupo de pessoas, como consequência de um ato ilegal ou imoral, cometido por outrem, capaz de atingir direitos de personalidade, tais como, vida, honra, liberdade e princípios axiológicos do direito, independentemente de repercussão econômica. Em uma apertada síntese, pode-se entender o dano moral no ambiente de trabalho como a dor experimentada pelo empregado, quando o seu empregador fere a sua honra, sua intimidade, sua vida privada, violando assim, um dos princípios fundamentais do direito do trabalho, qual seja o princípio da dignidade da pessoa humana. O dano moral está previsto em nossa Constituição Federal (BRASIL, 1988), em seu art. 5º, inciso X, o qual dispõe: Art. 5º, CF: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: X–são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; O Código Civil de 2002 (BRASIL, 2002), também, faz menção, de forma expressa ou implícita, ao dano moral, em seus art. 186, 953 e 954, os quais dispõem: Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. 43 Art. 953. A indenização por injúria, difamação ou calúnia consistirá na reparação do dano que delas resulte ao ofendido. Art. 954. A indenização por ofensa à liberdade pessoal consistirá no pagamento das perdas e danos que sobrevierem ao ofendido, e se este não puder provar prejuízo, tem aplicação o disposto no parágrafo único do artigo antecedente. A CLT, quando da sua elaboração em 1943, não trazia em seu bojo um artigo específico sobre danos morais. Porém, a Justiça do Trabalho, mesmo sem um artigo específico da CLT sobre o tema, há tempos, reconheceu a existência de danos morais no ambiente de trabalho, utilizando, de forma supletiva ou subsidiária, a previsão legal sobre o tema disposta na Constituição Federal, bem como, no Código Civil. Porém, a reforma trabalhista de 2017, ocorrida com a publicação da Lei nº 13.467 (BRASIL, 2017), incluiu o Título II-A na CLT, trazendo de forma expressa o dano extrapatrimonial (dano moral) no direito do trabalho. Nesse sentido, é importante transcrevermos as principais inovações que a reforma trabalhista de 2017 trouxe sobre esse tema quando inseriu na CLT os seguintes artigos: Art. 223-A. Aplicam-se à reparação de danos de natureza extrapatrimonial decorrentes da relação de trabalho apenas os dispositivos deste Título. Art. 223-B. Causa dano de natureza extrapatrimonial a ação ou omissão que ofenda a esfera moral ou existencial da pessoa física ou jurídica, as quais são as titulares exclusivas do direito à reparação. Art. 223-C. A honra, a imagem, a intimidade, a liberdade de ação, a autoestima, a sexualidade, a saúde, o lazer e a integridade física são os bens juridicamente tutelados inerentes à pessoa física. Art. 223-E. São responsáveis pelo dano extrapatrimonial todos os que tenham colaborado para a ofensa ao bem jurídico tutelado, na proporção da ação ou da omissão. 44 Art. 223-F. A reparação por danos extrapatrimoniais pode ser pedida cumulativamente com a indenização por danos materiais decorrentes do mesmo ato lesivo. (BRASIL, 2017, art. 223) Reflexões: A reforma trabalhista de 2017 também inovou, ao trazer, de forma expressa a possibilidade de dano extrapatrimonial ou moral do empregador. Nesse sentido, o art. 223-D dispõe que, “a imagem, a marca, o nome, o segredo empresarial e o sigilo da correspondência são bens juridicamente tutelados inerentes à pessoa jurídica” (BRASIL, 2017). 1.2 Assédio moral e sexual O assédio moral pode ser conceituado como toda e qualquer conduta abusiva, manifestando-se, sobretudo, por comportamento, palavras, atos, gestos, escritos que possam trazer dano à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa, pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho (HIRRIGOYEN, 2002). Ou seja, o assédio moral compreende toda e qualquer prática do empregador, capaz de ferir a honra, a imagem, a vida privada, a dignidade, ou a personalidade do empregado, causando forte abalo à integridade física e psíquica do mesmo, prejudicando o seu desempenho no trabalho e, principalmente, a sua saúde. Nesse sentido, pode-se citar como exemplo de assédio moral situações em que o empregador expõe o empregado perante os outros colaboradores, com apelidos pejorativos, xingamentos e situações humilhantes que ferem a dignidade do trabalhador. Qualquer atitude contra os direitos da personalidade do empregado pode caracterizar o chamado assédio moral por parte do empregador. Logo, ele compreende uma prática extremamente abusiva do empregador, que extrapola o seu poder de direção, ferindo o 45 empregado, nos moldes acima descritos, especialmente, para prejudicar o seu desempenhono trabalho, para forçá-lo a abandonar o emprego ou pedir demissão. Reflexão: A doutrina diferencia agressão moral e o assédio moral. Agressão moral seria um único ato contra a dignidade do empregado, enquanto o Assédio Moral seria a reiteração de agressões morais, ou seja, de atos contra a dignidade do empregado. O assédio moral pode ocorrer entre empregado e empregador ou, até mesmo, entre dois colegas de trabalho que ocupam a mesma posição na empresa. Quadro 1 – Três tipo de assédio moral Assédio moral vertical descendente Considerado o mais comum, ocorre quando o assédio é praticado por um trabalhador hierarquicamente superior, um chefe ou super- visor, ao empregado assediado. Assédio moral vertical ascendente Não tão comum, porém, pode acontecer. Ocorre quando um fun- cionário hierarquicamente inferior assedia seu superior, seu chefe ou supervisor. Assédio moral horizontal Ocorre entre colegas de trabalho, ou seja, entre colaboradores que ocupam a mesma posição hierárquica dentro da empresa. Nesse caso, vale destacar que, o empregador poderá ser respon- sabilizado pelo dano experimentado pelo empregado assediado, visto que, o empregador tem o dever de vigiar os atos de seus funcionários. No direito, esta responsabilidade é chamada de cul- pa in vigilando. Fonte: elaborado pelo autor. O assédio moral se diferencia do assédio sexual. Dessa forma, o assédio moral compreende qualquer ato atentatório à dignidade e à honra do empregado, enquanto o assédio sexual, embora também venha a ferir 46 a honra e intimidade do empregado, tem um objetivo específico, ou seja, um cunho sexual. Contudo, é importante ressaltar que, ambas as situações acarretam danos morais à vítima. O assédio sexual não está descrito de forma expressa na CLT (BRASIL, 1943). Porém, é considerado crime e está disposto no art. 216-A do Código Penal (BRASIL, 1940) o qual dispõe: Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função. Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. § 2o A pena é aumentada em até um terço se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos. Embora não esteja previsto de forma expressa na CLT (BRASIL, 1943), o assédio sexual, além de ser crime, também é rechaçado pela Justiça do Trabalho, restando constatado o assédio sexual no ambiente de trabalho, a justiça do trabalho tem condenado o assediador a pagar uma indenização pelo dano moral experimentado pela vítima, o empregado. Assim, tanto o assédio moral como o assédio sexual, em um ambiente de trabalho, traz consequências gravíssimas à saúde física e psíquica do empregado, acarretando doenças psicológicas graves, como: depressão, síndrome do pânico, síndrome de Burnout, entre outras. Por isso, a Justiça do Trabalho tem rechaçado veemente práticas como essa, condenando o empregador assediador, em indenizações de grande monta, não para um enriquecimento da vítima, mas como um caráter pedagógico, a fim de conscientizar e evitar práticas futuras que agridem a saúde e a idoneidade do trabalhador. 47 Nesse sentido, é importante que, o empregador tome medidas para evitar o assédio moral no ambiente trabalho, tais como: • Transparência na relação entre empregador e empregador. • A existência de regras claras no contrato de trabalho quanto às práticas abusivas não permitidas na empresa. • A elaboração de um Código de Ética ou Código de Conduta na empresa. • A realização de treinamentos entre os funcionários, conscientizando-os sobre o conceito de assédio moral e sexual, os tipos de assédio moral (assédio moral horizontal, por exemplo), e as consequência jurídicas de eventuais práticas ilícitas. • Mecanismos de denúncia para que o funcionário possa denunciar a existência de assédio moral na empresa em que trabalha. • Sigilo na apuração das denúncias recebidas, com a realização de sindicâncias internas para análise do ocorrido. • Punição dos assediadores, com dispensas por justa causa, por exemplo. 1.3 Indenização Conforme descrito, ocorrendo assédio moral ou sexual no ambiente de trabalho, tal prática acarreta um dano moral experimentado pelo empregado e consequentemente, uma indenização pelos danos morais sofridos. Antes da reforma trabalhista que ocorreu em 2017, a CLT não trazia, em seu bojo, regras específicas quanto à valor (quantum) da indenização por danos morais. Dessa forma, para a apuração do quantum indenizatório, 48 o Juiz levava em consideração, o dano experimentado pela vítima, sua repercussão, a condição financeira das partes, a doutrina especializada, bem como a jurisprudência dos Tribunais. Porém, a reforma trabalhista de 2017 inovou mais uma vez, trazendo parâmetros objetivos para a apuração do valor da indenização por danos morais. Em primeiro lugar, a reforma trabalhista inseriu na CLT (BRASIL, 1943), o art. 223-G, elencando, de forma objetiva, os parâmetros a serem analisados pelo Juiz, para a apreciação do pedido de indenização por danos morais. Assim, dispõe este artigo que, o Juiz, ao apreciar o pedido, deverá considerar: • A natureza do bem jurídico tutelado. • A intensidade do sofrimento ou da humilhação. • A possibilidade de superação física ou psicológica. • Os reflexos pessoais e sociais da ação ou da omissão. • A extensão e a duração dos efeitos da ofensa. • As condições em que ocorreu a ofensa ou o prejuízo moral. • O grau de dolo ou culpa. • A ocorrência de retratação espontânea. • O esforço efetivo para minimizar a ofensa. • O perdão, tácito ou expresso. • A situação social e econômica das partes envolvidas. • O grau de publicidade da ofensa. 49 Além de trazer os parâmetros para a apuração do pedido de danos morais, a reforma trabalhista também trouxe, de forma objetiva, os parâmetros para a fixação da indenização por danos morais. Nesse sentido, dispõe o parágrafo 1º, do mesmo art. 223-G da CLT (BRASIL, 1943): § 1o Se julgar procedente o pedido, o juízo fixará a indenização a ser paga, a cada um dos ofendidos, em um dos seguintes parâmetros, vedada a acumulação: I–ofensa de natureza leve, até três vezes o último salário contratual do ofendido; II–ofensa de natureza média, até cinco vezes o último salário contratual do ofendido; III–ofensa de natureza grave, até vinte vezes o último salário contratual do ofendido; IV–ofensa de natureza gravíssima, até cinquenta vezes o último salário contratual do ofendido. Vale ressaltar que, a inclusão deste art. 223-G na CLT (BRASIL, 1943) tem gerado críticas dos operadores do direito do trabalho, tendo em vista a inviabilidade de se fixar parâmetros para a indenização dos danos morais, diante da peculiaridade de cada caso concreto e, tão pouco, a possibilidade de, praticamente, “tabelar” o valor da indenização por danos morais, tendo como base, o salário contratual do ofendido, mostrando-se, pois, discriminatório esses parâmetros utilizados. Porém, o referido artigo está disposto de forma expressa na CLT, devendo ser apreciado pelo Magistrado, quando da apuração da indenização por danos extrapatrimoniais. Diante do exposto, pode-se concluir que, a CLT (BRASIL, 1943), com a reforma trabalhista, regulamentou o dano extrapatrimonial, também 50 conhecido como dano moral, no ambiente de trabalho, trazendo o seu conceito, hipóteses e consequências Jurídicas. Além disso, é importante esclarecer mais uma vez que, o assédio moral ou sexual no ambiente de trabalho é extremamente nocivo ao trabalhador, causando danos à sua integridade física e psíquica, devendo, pois, ser evitado em um ambiente de trabalho e rechaçado pela Justiça do Trabalho. Referências BARROS, Alice Monteiro. Curso de direito do trabalho. 19. ed. São Paulo: LTR, 2020. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 1 jul. 2021. BRASIL. Decreto-lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Brasília, DF: Presidência da República, [1940]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm. Acesso em: 1 jul. 2021. BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Brasília, DF: Presidência da República, [1943]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm. Acesso em: 1 jul. 2021. BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Brasília, DF: Presidência da República, [2002]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/2002/L10406compilada.htm. Acesso em: 1 jul. 2021. BRASIL. Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017. Altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e as Leis n º 6.019, de 3 de janeiro de 1974, 8.036, de 11 de maio de 1990, e 8.212, de 24 de julho de 1991, a fim de adequar a legislação às novas relações de trabalho. Brasília, DF: Presidência da República, [2017]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm. Acesso em: 1 jul. 2021. CORREIA, Henrique. Direito do trabalho para concursos TRT e MPU. Salvador: Juspodivm, 2018. DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. 18. ed. São Paulo: LTR, 2019. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406compilada.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406compilada.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm 51 BONS ESTUDOS! Sumário Meio ambiente do trabalho. Noções de segurança e saúde do trabalhador no meio ambiente de trabalho Objetivos 1. Introdução 2. Meio ambiente do trabalho Referências Acidente de trabalho: estabilidade, contrato a termo, reintegração Objetivos 1. Acidente de Trabalho Referências Adicional de insalubridade e periculosidade Objetivos 1. Adicional de insalubridade e periculosidade Referências Dano moral, assédio moral e sexual. Indenização Objetivos 1. Dano moral, assédio moral e sexual: indenização Referências