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HOMEOSTASIA E REGULAÇÃO ALIMENTAR Profa. Liana Praça Objetivos da aula ▪ Analisar as características da regulação alimentar ▪ Identificar os principais mecanismos neurais da regulação alimentar ▪ Conhecer alguns distúrbios alimentares Qual é a importância da homeostase para o organismo? Como os neuromediadores influenciam no comportamento alimentar? FOME? • Você come porque tem fome? • Pára de comer porque está saciado? ➢ 1ª teoria = Déficit nutricional – fome – comer ➢ 2ª teoria = Impulso de comer constante – Inibido por sinais químicos e neurais do sistema digestório e encefálico A fome é o estado motivacional que provoca os comportamentos apetitivos de busca de alimento. Uma série de ajustes fisiológicos automáticos ocorridos capazes de manter o metabolismo das células – homeostasia alimentar Macronutrientes - Homeostasia Calórica Proteínas, Carboidratos, Lipídios Micronutrientes Aminoácidos, Vitaminas, Minerais Homeostasia alimentar Envolve o equilíbrio entre a ingestão dessas fontes! Fontes de energia metabólica Glicogênio Armazenamento controlado - Músculo esquelético e fígado TriglicerídeosGlicose Ilimitado - Células Adiposas ENERGIA O SNC recebe informações para controle dos nutrientes sobre a quantidade de alimento presentes no TGI, na corrente sanguínea e acumulados nos tecidos de reserva Homeostasia alimentar Balanço energético Balanço Energético Gordura Corporal Ingestão = gasto normal Ingestão > gasto obesidade Ingestão < gasto inanição ➢ Ingestão e armazenamento > gasto energético aumento da gordura corporal ou adiposidade ➢ Ingestão e Armazenamento < gasto energético diminuição do tecido adiposo Balanço energético Curto Prazo Longo Prazo Tecido adiposoHipoglicemia Cérebro Sinais fisiológicos – Regulação alimentar Responsáveis por cada refeição que iniciamos e paramos, resolvendo os problemas do dia-a-dia: sentir fome, buscar alimentos, comer e parar de comer (TEORIA GLICOSTÁTICA) Responsáveis pelo manutenção do metabolismo energético ao longo do tempo, destinado a controlar a estabilidade relativa de nosso peso e reservas energéticas (regulação de estoque). ▪ A ingestão de alimentos pode ser influenciada por variáveis externas e internas como: ✓ Fatores emocionais; ✓ Momento ao longo do dia; ✓ Disponibilidade e palatabilidade da comida; ✓ Ameaças do ambiente. Regulação a curto prazo Teoria Glicostática na regulação alimentar * Parece atuar como mecanismo de emergência para situações de grande carência nutricional Queda da glicose provocaria a ingestão alimentar e a restauração dos níveis glicêmicos normais, interromperia a refeição Controle neural da fome • Área lateral do hipotálamo - Lesões do hipotálamo lateral: ↓ da ingestão de alimentos - Comprometimento de vias dopaminérgicas: adipsia, inatividade motora Hormônio concentrador de melanina (HCM) Orexina A FOME Hipotálamo Lateral Núcleo arqueado: Neuropeptídeo Y ▪ Danos ao hipotálamo ventromedial – hiperfagia e obesidade ▪ Leptina é liberada pelo tecido adiposo – inibe a fome (estado motivacional) Controle neural da fome • a-MSH (H. estimulador de melanócitos) • CART (peptídeo de transcrição regulada por anfetamina e cocaína) Regulação a longo prazo Ativação Liberação de a-MSH e CART PEPTÍDEOS ANORÉTICOS (inibem o comport. alimentar) Localização a-MSH (a-hormônio estimulador de melanócitos) Núcleo Arqueado CART (peptídeo de transcrição regulada p/ anfetamina e cocaína) Núcleo Arqueado PEPTÍDEOS OREXÍGÊNICOS (estimulam o comportamento alimentar) Localização NPY (Neuropeptídeo Y) Núcleo Arqueado HCM (hormônio concentrador de melanina) Hipotálamo Lateral Orexina (produção elevada no jejum) Hipotálamo Lateral Regulação a longo prazo – hormônios envolvidos Controle neural da fome • FATORES COGNITIVOS são importantes para o controle da alimentação • Amígdala → preferências alimentares → HIPOTÁLAMO • Córtex pré-frontal inferior → ingestão alimentar relacionado a odores – recebe projeções do bulbo olfatório • PRAZER – Circuito de recompensa (vias dopaminérgicas) Fatores neuroquímicos • Período pós-absortivo os níveis de serotonina no hipotálamo são baixos, aumentam na fase cefálica e chegam ao pico durante a refeição - fase gástrica - especialmente em resposta a carboidratos • Anormalidades na regulação da serotonina – contribuem para distúrbios alimentares Produzida a partir do triptofano Outros hormônios • Glicose: ingestão de alimento é precedida por uma ligeira queda na glicemia (teoria glicostática) – Transporte fácil para dentro dos neurônios – Outras células do corpo requer insulina • Insulina: liberação máxima quando o alimento é absorvido pelo intestino – Níveis circulantes de insulina são proporcionais ao tamanho do tecido adiposo (medida da reserva energética) Qual é a diferença entre anorexia nervosa e bulimia nervosa? Fisiopatologias – ANOREXIA NERVOSA • Manutenção voluntária do peso corporal em nível anormalmente baixo • Caracterizada por uma imagem distorcida do próprio corpo e um medo mórbido de engordar → negação em manter um peso minimamente normal/saudável • Restrição dietética progressiva → carboidratos • FATORES: • Genéticos/fisiológicos • Psicológicos/familiares • Sociais/ambientais Fisiopatologias – ANOREXIA NERVOSA • SINTOMATOLOGIA: • Medo intenso de engordar/fobia ao alimento • Perda do senso crítico em relação ao seu esquema corporal/ alteração da imagem corporal • Dificuldade em comer em locais públicos • TIPOS: • Restritivo • Purgativo DIETA JEJUM EXERCÍCIO FÍSICO EPISÓDIO COMPULSIVO ALIMENTAR VOMITOS AUTO-INDUZIDOS USO ABUSIXO DE LAXATIVOS, DIURÉTICOS E INIB. DO APETITE Fisiopatologias – ANOREXIA NERVOSA • DIAGNÓSTICO: redução de 15% do peso original, sem doença física intercorrente • COMPLICAÇÕES: • Desnutrição/Caquexia - < tecido adiposo, < massa muscular, fraqueza, fadiga) • Cardiovasculares - bradicardia, arritmia, hipotensão) • Gastrintestinais - hipomotilidade intestinal, dor abdominal, constipação • Alterações metabólicas e endócrinas - hipoglicemia, hipotermia, osteoporose e redução do metabolismo basal • Hormonais - infertilidade, atraso na maturação sexual • Dermatológicas - pele/cabelo secos, alopécia • Hematológicas - anemia, leucopenia • Comportamentais - ansiedade e depressão Fisiopatologias – BULIMIA NERVOSA • Compulsão periódica para ingestão de grande quantidade alimentar, em período limitado de tempo (em geral em segredo) • Caracterizado por comportamento alimentar excessivo, compulsivo e episódico • Mecanismo de compensação: vômitos auto-induzidos • Prevalência: • Sexo feminino (90%) • Idade 18-40 anos • Pode estar associada a moda, dança e atletismo BOUS (boi) + LIMOS (fome) BULIMIA = fome de boi Fisiopatologias – BULIMIA NERVOSA • FATORES: • Presença de problemas afetivos • Transtornos ansiosos • Abuso e dependência de drogas • Genéticos • Físicos • CARACTERÍSTICAS: • Grandes oscilações de peso • Exageradas restrições alimentares (comportamentos paradoxais) • Provocam o vômito; uso de laxantes, diuréticos e anorexigênicos • Sinais de autopunição, flagelação, (sentimentos de intensa vergonha e culpa) • Medo em não controlar os ataques de fome PSICOLÓGICOS E SOCIAIS Fisiopatologias – BULIMIA NERVOSA • SINTOMATOLOGIA • Irritações graves do esôfago – acidez gástrica • Fadiga e fraqueza muscular • Irregularidade menstrual / amenorréia • Rompimento de vasos (fragilidade capilar) • Sinal de “Russell” • Emotividade e depressão • Alterações de humor • Auto-criticismo severo; necessidade de aprovação dos outros • Auto-estima determinada pelo peso • Sentimento de auto-censura após o episódio bulímico • Isolamento social • COMPLICAÇÕES • Desnutrição, fadiga • Cardiovasculares - bradicardia, arritmia, hipotensão • Gastrintestinais e orofaríngeas - úlceras, dilatação e ruptura gástrica, Irritação crônica da garganta• Metabólicas, endócrinas e hormonais - atrofias irreversíveis, alopécia, menstruação irregular ou inexistente • Dermatológicas - desidratação • Hematológicas - anemia e leucopenia • Neurológicas – depressão e ansiedade • Osteoarticulares - escoriações nas mãos e nas articulações, enfraquecimento da estrutura óssea Fisiopatologias – OBESIDADE • Peso excessivo → ATÉ 20% acima do normal • OBESIDADE → acima de 20% • Resultado de aumento no balanço energético acumulado ao longo do tempo • FATORES: • Ambientais • Genéticos • Comportamentais INTERAÇÃO!!! CLASSIFICAÇÃO Fisiopatologias – OBESIDADE • OUTRAS CAUSAS ASSOCIADAS • Hipotireoidismo • Síndrome de Cushing • Depressão, esgotamento ou problemas neurológicos que levem a mudanças de vida • Fármacos (efeitos secundários) • COMPLICAÇÕES • Ortopédicas • Distúrbios respiratórios - apnéia do sono, asma • Diabetes tipo 2 • Hipertensão arterial • Dislipidemias • Perturbações na puberdade ou menarca • Psicossociais redução da auto- estima/auto-imagem, isolamento, depressão e sedentarismo • Esteatose hepática não alcoólica, hiperandrogenismo e ginecomastia Obrigada!