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Compreensão, Interpretação de Textos 
TEXTO – é um conjunto de idéias organizadas e 
relacionadas entre si, formando um todo significa-
tivo capaz de produzir INTERAÇÃO COMUNICA-
TIVA (capacidade de CODIFICAR E DECODIFI-
CAR). 
CONTEXTO – um texto é constituído por diversas 
frases. Em cada uma delas, há uma certa infor-
mação que a faz ligar-se com a anterior e/ou com 
a posterior, criando condições para a estruturação 
do conteúdo a ser transmitido. 
A essa interligação dá-se o nome de CONTEX-
TO. Nota-se que o relacionamento entre as frases 
é tão grande, que, se uma frase for retirada de 
seu contexto original e analisada separadamente, 
poderá ter um significado diferente daquele inicial. 
INTERTEXTO - comumente, os textos apresen-
tam referências diretas ou indiretas a outros auto-
res através de citações. Esse tipo de recurso 
denomina-se INTERTEXTO. 
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO - o primeiro obje-
tivo de uma interpretação de um texto é a identifi-
cação de sua idéia principal. A partir daí, locali-
zam-se as idéias secundárias, ou fundamenta-
ções, as argumentações, ou explicações, que 
levem ao esclarecimento das questões apresen-
tadas na prova. 
Normalmente, numa prova, o candidato é convi-
dado a: 
 
1. IDENTIFICAR – é reconhecer os elementos 
fundamentais de uma argumentação, de um pro-
cesso, de uma época (neste caso, procuram-se 
os verbos e os advérbios, os quais definem o 
tempo). 
2. COMPARAR – é descobrir as relações de se-
melhança ou de diferenças entre as situações do 
texto. 
3. COMENTAR - é relacionar o conteúdo apre-
sentado com uma realidade, opinando a respei-
to. 
4. RESUMIR – é concentrar as idéias centrais 
e/ou secundárias em um só parágrafo. 
5. PARAFRASEAR – é reescrever o texto com 
outras palavras. 
EXEMPLO 
 TÍTULO DO 
TEXTO 
 PARÁFRASES 
 "O HOMEM 
UNIDO‖ 
 A INTEGRAÇÃO DO MUN-
DO 
A INTEGRAÇÃO DA HUMA-
NIDADE 
A UNIÃO DO HOMEM 
HOMEM + HOMEM = MUN-
DO 
A MACACADA SE UNIU 
(SÁTIRA) 
 
CONDIÇÕES BÁSICAS PARA INTERPRETAR 
Fazem-se necessários: 
a) Conhecimento Histórico – literário (escolas e 
gêneros literários, estrutura do texto), leitura e 
prática; 
b) Conhecimento gramatical, estilístico (qualida-
des do texto) e semântico; 
OBSERVAÇÃO – na semântica (significado das 
palavras) incluem-se: homônimos e parônimos, 
denotação e conotação, sinonímia e antonimia, 
polissemia, figuras de linguagem, entre outros. 
c) Capacidade de observação e de síntese e 
d) Capacidade de raciocínio. 
INTERPRETAR x COMPREENDER 
INTERPRETAR 
SIGNIFICA 
 COMPREENDER SIG-
NIFICA 
- EXPLICAR, CO-
MENTAR, JULGAR, 
TIRAR CONCLU-
SÕES, DEDUZIR. 
- TIPOS DE ENUN-
CIADOS 
• Através do texto, 
INFERE-SE que... 
• É possível DEDU-
ZIR que... 
• O autor permite 
CONCLUIR que... 
• Qual é a INTEN-
ÇÃO do autor ao 
afirmar que... 
- INTELECÇÃO, EN-
TENDIMENTO, ATEN-
ÇÃO AO QUE REAL-
MENTE ESTÁ ESCRI-
TO. 
- TIPOS DE ENUNCIA-
DOS: 
• O texto DIZ que... 
• É SUGERIDO pelo 
autor que... 
• De acordo com o texto, 
é CORRETA ou ERRA-
DA a afirmação... 
• O narrador AFIRMA... 
 
ERROS DE INTERPRETAÇÃO 
 
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É muito comum, mais do que se imagina, a ocor-
rência de erros de interpretação. Os mais fre-
qüentes são: 
a) Extrapolação (viagem) 
Ocorre quando se sai do contexto, acrescentado 
idéias que não estão no texto, quer por conheci-
mento prévio do tema quer pela imaginação. 
b) Redução 
É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção ape-
nas a um aspecto, esquecendo que um texto é 
um conjunto de idéias, o que pode ser insuficiente 
para o total do entendimento do tema desenvolvi-
do. 
c) Contradição 
Não raro, o texto apresenta idéias contrárias às 
do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivo-
cadas e, conseqüentemente, errando a questão. 
 
OBSERVAÇÃO - Muitos pensam que há a ótica 
do escritor e a ótica do leitor. Pode ser que exis-
tam, mas numa prova de concurso qualquer, o 
que deve ser levado em consideração é o que o 
AUTOR DIZ e nada mais. 
COESÃO - é o emprego de mecanismo de sinta-
xe que relacionam palavras, orações, frases e/ou 
parágrafos entre si. Em outras palavras, a coesão 
dá-se quando, através de um pronome relativo, 
uma conjunção (NEXOS), ou um pronome oblí-
quo átono, há uma relação correta entre o que se 
vai dizer e o que já foi dito. 
OBSERVAÇÃO – São muitos os erros de coesão 
no dia-a-dia e, entre eles, está o mau uso do pro-
nome relativo e do pronome oblíquo átono. Este 
depende da regência do verbo; aquele do seu 
antecedente. Não se pode esquecer também de 
que os pronomes relativos têm, cada um, valor 
semântico, por isso a necessidade de adequação 
ao antecedente. 
Os pronomes relativos são muito importantes na 
interpretação de texto, pois seu uso incorreto traz 
erros de coesão. Assim sedo, deve-se levar em 
consideração que existe um pronome relativo 
adequado a cada circunstância, a saber: 
QUE (NEUTRO) - RELACIONA-SE COM QUAL-
QUER ANTECEDENTE. MAS DEPENDE DAS 
CONDIÇÕES DA FRASE. 
QUAL (NEUTRO) IDEM AO ANTERIOR. 
QUEM (PESSOA) 
CUJO (POSSE) - ANTES DELE, APARECE O 
POSSUIDOR E DEPOIS, O OBJETO POSSUÍ-
DO. 
COMO (MODO) 
ONDE (LUGAR) 
QUANDO (TEMPO) 
QUANTO (MONTANTE) 
EXEMPLO: 
 
Falou tudo QUANTO queria (correto) 
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, 
deveria aparecer o demonstrativo O ). 
 
• VÍCIOS DE LINGUAGEM – há os vícios de lin-
guagem clássicos (BARBARISMO, SOLECIS-
MO,CACOFONIA...); no dia-a-dia, porém , exis-
tem expressões que são mal empregadas, e, por 
força desse hábito cometem-se erros graves co-
mo: 
 
- ― Ele correu risco de vida ―, quando a verdade o 
risco era de morte. 
- ― Senhor professor, eu lhe vi ontem ―. Neste 
caso, o pronome correto oblíquo átono correto é 
O. 
- ‖No bar: ―ME VÊ um café‖. Além do erro de po-
sição do pronome, há o mau uso. 
Estruturação do Parágrafo 
Familiarizados com o tema a ser desenvolvido, 
elencadas todas as ideias a serem discorridas... 
finalmente estamos aptos a começarmos nossa 
produção. Mas ainda resta outro detalhe de ex-
trema relevância – a eficácia do texto dependerá 
da forma pela qual estas ideias se apresentarão 
mediante o transcorrer do discurso. 
Partindo deste pressuposto, temos a noção de 
quão importante é a estruturação dos parágrafos, 
que permitem que o pensamento seja distribuído 
de forma lógica e precisa, com vistas a permitir 
uma efetiva interação entre os interlocutores. 
Obviamente que outros fatores relacionados à 
competência linguística do emissor participam 
deste processo, entre estes: pontuação adequa-
da, utilização correta dos elementos coesivos, de 
modo a estabelecer uma relação harmônica entre 
uma ideia e outra, dentre outros. 
Esteticamente, o parágrafo se caracteriza como 
um sutil recuo em relação à margem esquerda da 
folha, atribuído por um conjunto de períodos que 
representam uma ideia central em consonância 
 
 3 
 
com outras secundárias, resultando num efetivo 
entrelaçamento e formando um todo coeso. 
Quanto à extensão, é bom que se diga que não 
se trata de uma receita pronta e acabada, visto 
que a habilidade do emissor determinará o mo-
mento de realizar a transição entre um posicio-
namento e outro, permitindo que o discurso seja 
compreendido em sua totalidade. 
Em se tratando de textos dissertativos, normal-
mente os parágrafos costumam ser assim distri-
buídos: 
* Introdução – também denominada de tópico 
frasal, constitui-se pela apresentação da ideia 
principal, feita de maneira sintética e definida 
pelos objetivos aos quais o emissor se propõe. 
* Desenvolvimento – fundamenta-se na amplia-
ção do tópico frasal, atribuído pelas ideias secun-
dárias, reconhecidas na exposição dos argumen-
tos com vistas areforçar e conferir credibilidade 
ora em discussão. 
* Conclusão – caracteriza-se pela retomada da 
ideia central associando-a aos pressupostos 
mencionados no desenvolvimento, procurando 
arrematá-los de forma plausível. Pode, na maioria 
das vezes, constar-se de uma solução por parte 
do emissor no que se refere ao instaurar dos fa-
tos. 
 
Quanto aos textos narrativos, os parágrafos cos-
tumam ser caracterizados pelo predomínio dos 
verbos de ação, retratando o posicionamento dos 
personagens mediante o desenrolar do enredo, 
bem como pela indicação de elementos circuns-
tanciais referentes à trama: quando, por que e 
com que ocorreram os fatos. 
Nesta modalidade, a ocorrência dos parágrafos 
também se atribui à transcrição do discurso dire-
to, em especial às falas dos personagens. 
Referindo-se aos textos descritivos, sua utilização 
está relacionada pela minuciosa exposição dos 
detalhes acerca do objeto descrito, representado 
por uma pessoa, objeto, animal, lugar, uma obra 
de arte, dentre outros, de modo a permitir que o 
leitor crie o cenário em sua mente. 
Colaborando na concretização destes propósitos, 
sobretudo pela finalidade discursiva – visando à 
caracterização de algo –, há o predomínio de 
verbos de ligação, bem como do uso de adjetivos 
e de orações coordenadas ou justapostas. 
Tipologia Textual 
1. Narração 
Modalidade em que se conta um fato, fictício ou 
não, que ocorreu num determinado tempo e lugar, 
envolvendo certos personagens. Refere-se a 
objetos do mundo real. Há uma relação de anteri-
oridade e posterioridade. O tempo verbal predo-
minante é o passado. Estamos cercados de nar-
rações desde as que nos contam histórias infantis 
até às piadas do cotidiano. É o tipo predominante 
nos gêneros: conto, fábula, crônica, romance, 
novela, depoimento, piada, relato, etc. 
2. Descrição 
Um texto em que se faz um retrato por escrito de 
um lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. 
A classe de palavras mais utilizada nessa produ-
ção é o adjetivo, pela sua função caracterizadora. 
Numa abordagem mais abstrata, pode-se até 
descrever sensações ou sentimentos. 
Não há relação de anterioridade e posterioridade. 
Significa "criar" com palavras a imagem do objeto 
descrito. É fazer uma descrição minuciosa do 
objeto ou da personagem a que o texto se Pega. 
É um tipo textual que se agrega facilmente aos 
outros tipos em diversos gêneros textuais. Tem 
predominância em gêneros como: cardápio, folhe-
to turístico, anúncio classificado, etc. 
3. Dissertação 
Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar 
um assunto, discorrer sobre ele. Dependendo do 
objetivo do autor, pode ter caráter expositivo ou 
argumentativo. 
3.1 Dissertação-Exposição 
Apresenta um saber já construído e legitimado, 
ou um saber teórico. Apresenta informações so-
bre assuntos, expõe, reflete, explica e avalia idéi-
as de modo objetivo. O texto expositivo apenas 
expõe ideias sobre um determinado assunto. A 
intenção é informar, esclarecer. Ex: aula, resu-
mo, textos científicos, enciclopédia, textos exposi-
tivos de revistas e jornais, etc. 
3.1 Dissertação-Argumentação 
Um texto dissertativo-argumentativo faz a defesa 
de ideias ou um ponto de vista do autor. O texto, 
além de explicar, também persuade o interlocutor, 
objetivando convencê-lo de algo. Caracteriza-se 
pela progressão lógica de ideias. Geralmente 
utiliza linguagem denotativa. É tipo predominante 
em: sermão, ensaio, monografia, dissertação, 
tese, ensaio, manifesto, crítica, editorial de jornais 
e revistas. 
4. Injunção/Instrucional 
Indica como realizar uma ação. Utiliza linguagem 
objetiva e simples. Os verbos são, na sua maiori-
 
 4 
 
a, empregados no modo imperativo, porém nota-
se também o uso do infinitivo e o uso do futuro do 
presente do modo indicativo. Ex: ordens; pedidos; 
súplica; desejo; manuais e instruções para mon-
tagem ou uso de aparelhos e instrumentos; textos 
com regras de comportamento; textos de orienta-
ção (ex: recomendações de trânsito); receitas, 
cartões com votos e desejos (de natal, aniversá-
rio, etc.). 
OBS: Os tipos listados acima são um consenso 
entre os gramáticos. Muitos consideram também 
que o tipo Predição possui características sufici-
entes para ser definido como tipo textual, e al-
guns outros possuem o mesmo entendimento 
para o tipo Dialogal. 
5. Predição 
Caracterizado por predizer algo ou levar o interlo-
cutor a crer em alguma coisa, a qual ainda está 
por ocorrer. É o tipo predominante nos gêneros: 
previsões astrológicas, previsões meteorológicas, 
previsões escatológicas/apocalípticas. 
6. Dialogal / Conversacional 
Caracteriza-se pelo diálogo entre os interlocuto-
res. É o tipo predominante nos gêneros: entrevis-
ta, conversa telefônica, chat, etc. 
Gêneros textuais 
Os Gêneros textuais são as estruturas com que 
se compõem os textos, sejam eles orais ou escri-
tos. Essas estruturas são socialmente reconheci-
das, pois se mantêm sempre muito parecidas, 
com características comuns, procuram atingir 
intenções comunicativas semelhantes e ocorrem 
em situações específicas. 
Pode-se dizer que se tratam das variadas formas 
de linguagem que circulam em nossa sociedade, 
sejam eles formais ou informais. Cada gênero 
textual tem seu estilo próprio, podendo então, ser 
identificado e diferenciado dos demais através de 
suas características. Exemplos: 
Carta: quando se trata de "carta aberta" ou "carta 
ao leitor", tende a ser do tipo dissertativo-
argumentativo com uma linguagem formal, em 
que se escreve à sociedade ou a leitores. Quando 
se trata de "carta pessoal", a presença de aspec-
tosnarrativos ou descritivos e uma linguagem 
pessoal é mais comum. 
Propaganda: é um gênero textual dissertativo-
expositivo onde há a o intuito de propagar infor-
mações sobre algo, buscando sempre atingir e 
influenciar o leitor apresentando, na maioria das 
vezes, mensagens que despertam as emoções e 
a sensibilidade do mesmo. 
Bula de remédio: é um gênero textual descritivo, 
dissertativo-expositivo e injuntivo que tem por 
obrigação fornecer as informações necessárias 
para o correto uso do medicamento. 
Receita: é um gênero textual descritivo e injuntivo 
que tem por objetivo informar a fórmula para pre-
parar tal comida, descrevendo os ingredientes e o 
preparo destes, além disso, com verbos no impe-
rativo, dado o sentido de ordem, para que o leitor 
siga corretamente as instruções. 
Tutorial: é um gênero injuntivo que consiste num 
guia que tem por finalidade explicar ao leitor, pas-
so a passo e de maneira simplificada, como fazer 
algo. 
Editorial: é um gênero textual dissertativo-
argumentativo que expressa o posicionamento da 
empresa sobre determinado assunto, sem a obri-
gação da presença da objetividade. 
Notícia: podemos perfeitamente identificar carac-
terísticas narrativas, o fato ocorrido que se deu 
em um determinado momento e em um determi-
nado lugar, envolvendo determinadas persona-
gens. Características do lugar, bem como dos 
personagens envolvidos são, muitas vezes, minu-
ciosamente descritos. 
Reportagem: é um gênero textual jornalístico de 
caráter dissertativo-expositivo. A reportagem tem, 
por objetivo, informar e levar os fatos ao leitor de 
uma maneira clara, com linguagem direta. 
Entrevista: é um gênero textual fundamentalmen-
te dialogal, representado pela conversação de 
duas ou mais pessoas, o entrevistador e o(s) 
entrevistado(s), para obter informações sobre ou 
do entrevistado, ou de algum outro assunto. 
Geralmente envolve também aspectos dissertati-
vo-expositivos, especialmente quando se trata de 
entrevista a imprensa ou entrevista jornalística. 
Mas pode também envolver aspectosnarrativos, 
como na entrevista de emprego, ou aspec-
tos descritivos, como na entrevista médica. 
História em quadrinhos:é um gênero narrativo 
que consiste em enredos contados em pequenos 
quadros através de diálogos diretos entre seus 
personagens, gerando uma espécie de conversa-
ção. 
 
Charge: é um gênero textual narrativo onde se 
faz uma espécie de ilustração cômica, através de 
caricaturas, com o objetivo de realizar uma sátira, 
crítica ou comentário sobre algum acontecimento 
atual, em sua grande maioria. 
 
 5 
 
Poema: trabalho elaborado e estruturado em 
versos. Além dos versos, pode ser estruturado 
em estrofes. Rimas e métrica também podem 
fazer parte de sua composição. Pode ou não ser 
poético. Dependendo de sua estrutura, pode re-
ceber classificações específicas, como haicai, 
soneto, epopeia, poema figurado, dramático, etc. 
Em geral, a presença de aspectos narrativos e 
descritivos são mais frequentes neste gênero. 
Poesia: é o conteúdo capaz de transmitir emo-
ções por meio de uma linguagem , ou seja, tudo o 
que toca e comove pode ser considerado como 
poético (até mesmo uma peça ou um filme podem 
ser assim considerados). Um subgênero é a pro-
sa poética, marcada pela tipologia dialogal. 
Gênero Narrativo: 
Na Antiguidade Clássica, os padrões literários 
reconhecidos eram apenas o épico, o lírico e o 
dramático. Com o passar dos anos, o gênero 
épico passou a ser considerado apenas uma va-
riante do gênero literário narrativo, devido ao sur-
gimento de concepções de prosa com caracterís-
ticas diferentes: o romance, a novela, o conto, a 
crônica, a fábula. 
Porém, praticamente todas as obras narrativas 
possuem elementos estruturais e estilísticos em 
comum e devem responder a questionamentos, 
como: quem? o que? quando? onde? por quê? 
Vejamos a seguir: 
Épico (ou Epopeia): os textos épicos são geral-
mente longos e narram histórias de um povo ou 
de uma nação, envolvem aventuras, guerras, 
viagens, gestos heroicos, etc. Normalmente apre-
sentam um tom de exaltação, isto é, de valoriza-
ção de seus heróis e seus feitos. Dois exemplos 
são Os Lusíadas, de Luís de Camões, e Odisséia, 
de Homero. 
Romance: é um texto completo, com tempo, es-
paço e personagens bem definidos e de caráter 
mais verossímil. Também conta as façanhas de 
um herói, mas principalmente uma história de 
amor vivida por ele e uma mulher, muitas vezes, 
―proibida‖ para ele. 
Apesar dos obstáculos que o separam, o casal 
vive sua paixão proibida, física, adúltera, pecami-
nosa e, por isso, costuma ser punido no final. É o 
tipo de narrativa mais comum na Idade Média. 
Ex: Tristão e Isolda. 
Novela: é um texto caracterizado por ser inter-
mediário entre a longevidade do romance e a 
brevidade do conto. Como exemplos de novelas, 
podem ser citadas as obras O Alienista, de Ma-
chado de Assis, e A Metamorfose, de Kafka. 
Conto: é um texto narrativo breve, e de ficção, 
geralmente em prosa, que conta situações rotinei-
ras, anedotas e até folclores. Inicialmente, fazia 
parte da literatura oral. Boccacio foi o primeiro a 
reproduzi-lo de forma escrita com a publicação 
de Decamerão. Diversos tipos do gênero textual 
conto surgiram na tipologia textual narrativa: con-
to de fadas, que envolve personagens do mundo 
da fantasia; contos de aventura, que envolvem 
personagens em um contexto mais próximo da 
realidade; contos folclóricos (conto popular); con-
tos de terror ou assombração, que se desenrolam 
em um contexto sombrio e objetivam causar me-
do no expectador; contos de mistério, que envol-
vem o suspense e a solução de um mistério. 
Fábula: é um texto de caráter fantástico que bus-
ca ser inverossímil. As personagens principais 
são não humanos e a finalidade é transmitir al-
guma lição de moral. 
Crônica: é uma narrativa informal, breve, ligada 
à vida cotidiana, com linguagem coloquial. Pode 
ter um tom humorístico ou um toque de crítica 
indireta, especialmente, quando aparece em se-
ção ou artigo de jornal, revistas e programas da 
TV.. 
 
Crônica narrativo-descritiva: Apresenta alter-
nância entre os momentos narrativos e manifes-
tos descritivos. 
Ensaio: é um texto literário breve, situado entre o 
poético e o didático, expondo ideias, críticas e 
reflexões morais e filosóficas a respeito de certo 
tema. É menos formal e mais flexível que o trata-
do. Consiste também na defesa de um ponto de 
vista pessoal e subjetivo sobre um tema (huma-
nístico, filosófico, político, social, cultural, moral, 
comportamental, etc.), sem que se paute em for-
malidades como documentos ou provas empíricas 
ou dedutivas de caráter científico. Exem-
plo: Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago 
e Ensaio sobre a tolerância, de John Locke. 
Gênero Dramático: Trata-se do texto escrito 
para ser encenado no teatro. Nesse tipo de texto, 
não há um narrador contando a história. Ela ―a-
contece‖ no palco, ou seja, é representada por 
atores, que assumem os papéis das personagens 
nas cenas. 
Tragédia: é a representação de um fato trágico, 
suscetível de provocar compaixão e terror. Aristó-
teles afirmava que a tragédia era "uma represen-
tação duma ação grave, de alguma extensão e 
completa, em linguagem figurada, com atores 
agindo, não narrando, inspirando dó e terror". 
Ex: Romeu e Julieta, de Shakespeare. 
 
 6 
 
Farsa: é uma pequena peça teatral, de caráter 
ridículo e caricatural, que critica a sociedade e 
seus costumes; baseia-se no lema latino ridendo 
castigat mores (rindo, castigam-se os costumes). 
A farsa consiste no exagero do cômico, graças ao 
emprego de processos grosseiros, como o absur-
do, as incongruências, os equívocos, os enganos, 
a caricatura, o humor primário, as situações ridí-
culas. 
Comédia: é a representação de um fato inspirado 
na vida e no sentimento comum, de riso fácil. Sua 
origem grega está ligada às festas populares. 
Tragicomédia: modalidade em que se misturam 
elementos trágicos e cômicos. Originalmente, 
significava a mistura do real com o imaginário. 
Poesia de cordel: texto tipicamente brasileiro em 
que se retrata, com forte apelo linguístico e cultu-
ral nordestinos, fatos diversos da sociedade e da 
realidade vivida por este povo. 
Gênero Lírico: 
É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz 
que fala no poema e que nem sempre correspon-
de à do autor) exprime suas emoções, ideias e 
impressões em face do mundo exterior. Normal-
mente os pronomes e os verbos estão em 1ª pes-
soa e há o predomínio da função emotiva da lin-
guagem. 
Elegia: é um texto de exaltação à morte de al-
guém, sendo que a morte é elevada como o pon-
to máximo do texto. O emissor expressa tristeza, 
saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É 
um poema melancólico. Um bom exemplo é a 
peça Roan e yufa, de william shakespeare. 
Epitalâmia: é um texto relativo às noites nupci-
ais líricas, ou seja, noites românticas com poe-
mas e cantigas. Um bom exemplo de epitalâmia é 
a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais. 
Ode (ou hino): é o poema lírico em que o emis-
sor faz uma homenagem à pátria (e aos seus 
símbolos), às divindades, à mulher amada, ou a 
alguém ou algo importante para ele. O hino é uma 
ode com acompanhamento musical; 
Idílio (ou écloga): é o poema lírico em que o 
emissor expressa uma homenagem à natureza, 
às belezas e às riquezas que ela dá ao homem. 
É o poema bucólico, ou seja, que expressa o 
desejo de desfrutar de tais belezas e riquezas ao 
lado da amada (pastora), que enriquece ainda 
mais a paisagem, espaço ideal para a paixão. A 
écloga é um idílio com diálogos (muito rara); 
Sátira: é o poema lírico em que o emissor faz 
uma crítica a alguém ou a algo, em tom sério ou 
irônico. 
Acalanto: ou canção de ninar; 
Acróstico: (akros = extremidade; stikos = linha), 
composição lírica na qual as letras iniciais de 
cada verso formam uma palavra ou frase; 
Balada: uma das mais primitivas manifestações 
poéticas, são cantigas de amigo (elegias)com 
ritmo característico e refrão vocal que se desti-
nam à dança; 
Canção (ou Cantiga, Trova): poema oral com 
acompanhamento musical; 
Gazal (ou Gazel): poesia amorosa dos persas e 
árabes; odes do oriente médio; 
Haicai: expressão japonesa que significa ―versos 
cômicos‖ (=sátira). E o poema japonês formado 
de três versos que somam 17 sílabas assim dis-
tribuídas: 1° verso= 5 sílabas; 2° verso = 7 síla-
bas; 3° verso 5 sílabas; 
Soneto: é um texto em poesia com 14 versos, 
dividido em dois quartetos e dois tercetos, com 
rima geralmente em a-ba-b a-b-b-a c-d-c d-c-d. 
Vilancete: são as cantigas de autoria dos poetas 
vilões (cantigas de escárnio e de maldizer); satíri-
cas, portanto. 
Informações Implícitas 
Muitas pessoas se perguntam como melhorar sua 
capacidade de interpretação dos textos. Primei-
ramente, é preciso ter em mente que um texto é 
formado por informações explícitas e implícitas. 
As informações explícitas são aquelas manifesta-
das pelo autor no próprio texto. 
As informações implícitas não são manifestadas 
pelo autor no texto, mas podem ser subentendi-
das. Muitas vezes, para efetuarmos uma leitura 
eficiente, é preciso ir além do que foi dito, ou seja, 
ler nas entrelinhas. Por exemplo, observe este 
enunciado: Patrícia parou de tomar refrigerante. 
A informação explícita é ―Patrícia parou de tomar 
refrigerante‖. A informação implícita é ―Patrícia 
tomava refrigerante antes‖.Agora, veja este outro 
exemplo: Felizmente, Patrícia parou de tomar 
refrigerante. 
A informação explícita é ―Patrícia parou de tomar 
refrigerante‖. A palavra ―felizmente‖ indica que o 
falante tem uma opinião positiva sobre o fato – 
essa é a informação implícita. 
 
 7 
 
Com esses exemplos, mostramos como podemos 
inferir informações a partir de um texto. Fazer 
uma inferência significa concluir alguma coisa a 
partir de outra já conhecida. Nos vestibulares, 
fazer inferências é uma habilidade fundamental 
para a interpretação adequada dos textos e dos 
enunciados. 
A seguir, veremos dois tipos de informações que 
podem ser inferidas: as pressupostas e as suben-
tendidas. 
Pressupostos 
Uma informação é considerada pressuposta 
quando um enunciado depende dela para fazer 
sentido. 
Considere, por exemplo, a seguinte pergunta: 
―Quando Patrícia voltará para casa?‖. Esse enun-
ciado só faz sentido se considerarmos que Patrí-
cia saiu de casa, ao menos temporariamente – 
essa é a informação pressuposta. Caso Patrícia 
se encontre em casa, o pressuposto não é válido, 
o que torna o enunciado sem sentido. 
Repare que as informações pressupostas estão 
marcadas através de palavras e expressões pre-
sentes no próprio enunciado e resultam de um 
raciocínio lógico. 
Portanto, no enunciado ―Patrícia ainda não voltou 
para casa‖, a palavra ―ainda‖ indica que a volta de 
Patrícia para casa é dada como certa pelo falan-
te. 
Subtendidos 
Ao contrário das informações pressupostas, as 
informações subentendidas não são marcadas no 
próprio enunciado, são apenas sugeridas, ou 
seja, podem ser entendidas como insinuações. 
O uso de subentendidos faz com que o enuncia-
dor se esconda atrás de uma afirmação, pois não 
quer se comprometer com ela. 
Por isso, dizemos que os subentendidos são de 
responsabilidade do receptor, enquanto os pres-
supostos são partilhados por enunciadores e re-
ceptores. 
Em nosso cotidiano, somos cercados por infor-
mações subentendidas. A publicidade, por exem-
plo, parte de hábitos e pensamentos da socieda-
de para criar subentendidos. Já a anedota é um 
gênero textual cuja interpretação depende a que-
bra de subentendidos. 
Quanto à significação, as palavras são divididas nas 
seguintes categorias: 
Sinônimos 
As palavras que possuem significados próximos 
são chamadas sinônimos. Exemplos: 
Casa - Lar - Moradia – Residência 
Longe – Distante 
Delicioso – Saboroso 
Carro - Automóvel 
Observe que o sentido dessas palavras 
são próximos, mas não são exatamente equiva-
lentes. Dificilmente encontraremos um sinônimo 
perfeito, uma palavra que signifique exatamente a 
mesma coisa que outra. 
Há uma pequena diferença de significado entre 
palavras sinônimas. Veja que, embora ca-
sa e lar sejam sinônimos, ficaria estranho se fa-
lássemos a seguinte frase: 
Comprei um novo lar. 
Obs: o uso de palavras sinônimas pode ser de 
grande utilidade nos processos de retomada de 
elementos que inter-relacionam as partes dos 
textos. 
Antônimos 
São palavras que possuem significados opostos, 
contrários. Exemplos: 
Mal / Bem 
Ausência / Presença 
Fraco / Forte 
Claro / Escuro 
Subir / Descer 
Cheio / Vazio 
Possível / Impossível 
Polissemia 
Polissemia é a propriedade que uma mesma pa-
lavra tem de apresentar mais de um significado 
nos múltiplos contextos em que aparece. Veja 
alguns exemplos de palavras polissêmicas: 
 
 8 
 
Cabo (posto militar, acidente geográfico, cabo da 
vassoura, da faca) 
Banco (instituição comercial financeira, assento) 
Manga (parte da roupa, fruta) 
Coerência e Articulação no Texto 
Na construção de um texto, assim como na fala, 
usamos mecanismos para garantir ao interlocutor 
a compreensão do que é dito, ou lido. 
Esses mecanismos linguísticos que estabelecem 
a conectividade e retomada do que foi escrito ou 
dito, são os referentes textuais e buscam garantir 
a coesão textual para que haja coerência, não só 
entre os elementos que compõem a oração, como 
também entre a sequência de orações dentro do 
texto. 
Essa coesão também pode muitas vezes se dar 
de modo implícito, baseado em conhecimentos 
anteriores que os participantes do processo têm 
com o tema. Por exemplo, o uso de uma determi-
nada sigla, que para o público a quem se dirige 
deveria ser de conhecimento geral, evita que se 
lance mão de repetições inúteis. 
Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha 
imaginária - composta de termos e expressões - 
que une os diversos elementos do texto e busca 
estabelecer relações de sentido entre eles. 
Dessa forma, com o emprego de diferentes pro-
cedimentos, sejam lexicais (repetição, substitui-
ção, associação), sejam gramaticais (emprego de 
pronomes, conjunções, numerais, elipses), cons-
troem-se frases, orações, períodos, que irão a-
presentar o contexto – decorre daí a coerência 
textual. 
Um texto incoerente é o que carece de sentido ou 
o apresenta de forma contraditória. Muitas vezes 
essa incoerência é resultado do mau uso daque-
les elementos de coesão textual. 
Na organização de períodos e de parágrafos, um 
erro no emprego dos mecanismos gramaticais e 
lexicais prejudica o entendimento do texto. Cons-
truído com os elementos corretos, confere-se a 
ele uma unidade formal. 
Nas palavras do mestre Evanildo Bechara (1), ―o 
enunciado não se constrói com um amontoado 
de palavras e orações. Elas se organizam segun-
do princípios gerais de dependência e indepen-
dência sintática e semântica, recobertos por uni-
dades melódicas e rítmicas que sedimentam es-
tes princípios‖. 
Desta lição, extrai-se que não se deve escrever 
frases ou textos desconexos – é imprescindível 
que haja uma unidade, ou seja, que essas frases 
estejam coesas e coerentes formando o texto. 
Além disso, relembre-se que, por coesão, enten-
de-se ligação, relação, nexo entre os elementos 
que compõem a estrutura textual. 
Há diversas formas de se garantir a coesão entre 
os elementos de uma frase ou de um texto: 
1. Substituição de palavras com o emprego de 
sinônimos, ou de palavras ou expressões do 
mesmo campo associativo. 
2. Nominalização – emprego alternativo entre um 
verbo, o substantivo ou o adjetivo correspondente 
(desgastar / desgaste / desgastante). 
3. Repetição na ligação semântica dos termos,empregada como recurso estilístico de intenção 
articulatória, e não uma redundância - resultado 
da pobreza de vocabulário. Por exemplo, ―Gran-
de no pensamento, grande na ação, grande na 
glória, grande no infortúnio, ele morreu desco-
nhecido e só.‖ (Rocha Lima) 
4. Uso de hipônimos – relação que se estabelece 
com base na maior especificidade do significado 
de um deles. Por exemplo, mesa (mais específi-
co) e móvel (mais genérico). 
5. Emprego de hiperônimos - relações de um 
termo de sentido mais amplo com outros de sen-
tido mais específico. Por exemplo, felino está 
numa relação de hiperonímia com gato. 
6. Substitutos universais, como os verbos vicários 
(ex.: Necessito viajar, porém só o farei no ano 
vindouro) A coesão apoiada na gramática dá-se 
no uso de conectivos, como certos pronomes, 
certos advérbios e expressões adverbiais, con-
junções, elipses, entre outros. 
A elipse se justifica quando, ao remeter a um 
enunciado anterior, a palavra elidida é facilmente 
identificável (Ex.: O jovem recolheu-se cedo. ... 
Sabia que ia necessitar de todas as suas forças. 
O termo o jovem deixa de ser repetido e, assim, 
estabelece a relação entre as duas orações.). 
Dêiticos são elementos lingüísticos que têm a 
propriedade de fazer referência ao contexto situa-
cional ou ao próprio discurso. Exercem, por exce-
lência, essa função de progressão textual, dada 
sua característica: são elementos que não signifi-
cam, apenas indicam, remetem aos componentes 
da situação comunicativa. 
 
 9 
 
Já os componentes concentram em si a significa-
ção. Elisa Guimarães (2) nos ensina a esse res-
peito: 
―Os pronomes pessoais e as desinências verbais 
indicam os participantes do ato do discurso. Os 
pronomes demonstrativos, certas locuções pre-
positivas e adverbiais, bem como os advérbios de 
tempo, referenciam o momento da enunciação, 
podendo indicar simultaneidade, anterioridade ou 
posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste 
momento (presente); ultimamente, recentemente, 
ontem, há alguns dias, antes de (pretérito); de 
agora em diante, no próximo ano, depois de (futu-
ro).‖ 
Esse conceito será de grande valia quando tra-
tarmos do uso dos pronomes demonstrati-
vos.Somente a coesão, contudo, não é suficiente 
para que haja sentido no texto, esse é o papel da 
coerência, e coerência se relaciona intimamente a 
contexto. 
Como nosso intuito nesta página é a apresenta-
ção de conceitos, sem aprofundá-los em demasi-
a, bastam-nos essas informações. 
Vejamos como o examinador tem abordado o 
assunto: 
Assinale a opção em que a estrutura sugerida 
para preenchimento da lacuna correspondente 
provoca defeito de coesão e incoerência nos sen-
tidos do texto. 
A violência no País há muito ultrapassou todos os 
limites. ___1___ dados recentes mostram o Brasil 
como um dos países mais violentos do mundo, 
levando-se em conta o risco de morte por homicí-
dio. 
Em 1980, tínhamos uma média de, aproximada-
mente, doze homicídios por cem mil habitantes. 
___2___, nas duas décadas seguintes, o grau de 
violência intencional aumentou, chegando a mais 
do que o dobro do índice verificado em 1980 – 
121,6% –, ___3___, ao final dos anos 90 foi supe-
rado o patamar de 25 homicídios por cem mil 
habitantes. ___4___, o PIB por pessoa em idade 
de trabalho decresceu 26,4%, isto é, em média, a 
cada queda de 1% do PIB a violência crescia 
mais do que 5% entre os anos 1980 e 1990. 
Estudos do Banco Interamericano de Desenvol-
vimento mostram que os custos da violência con-
sumiram, apenas no setor saúde, 1,9% do PIB 
entre 1996 e 1997. ___5___ a vitimização letal se 
distribui de forma desigual: são, sobretudo, os 
jovens pobres e negros, do sexo masculino, entre 
15 e 24 anos, que têm pago com a própria vida o 
preço da escalada da violência no Brasil. 
a) 1 – Tanto é assim que 
b) 2 – Lamentavelmente 
c) 3 – Ou seja 
d) 4 – Simultaneamente 
e) 5 – Se bem que 
COMENTÁRIO: As lacunas no texto ocultam pa-
lavras e expressões que atuam como conectores 
– ligam orações estabelecendo relações semânti-
cas entre os períodos. A banca sugere algumas 
opções de preenchimento. 
Dessas, a única que não atende ao solicitado é a 
de número 5, uma vez que a expressão ―Se bem 
que‖ deveria introduzir uma oração de valor con-
cessivo, estabelecendo, assim, idéia contrária à 
que foi apresentada até então pelo texto. 
Verifica-se, contudo, que o que se segue ratifica 
as informações anteriores ao fornecer dados 
complementares às estatísticas sobre homicídios. 
Sendo aceita a sugestão da banca, a coerência 
textual seria prejudicada. Por isso, o gabarito é a 
opção E. 
A Referenciarão/ Os Referentes/ Coerência E 
Coesão 
(Texto publicado no site da UFSC) 
A fala e também o texto escrito constituem-se não 
apenas numa seqüência de palavras ou de fra-
ses. A sucessão de coisas ditas ou escritas forma 
uma cadeia que vai muito além da simples se-
qüencialidade: há um entrelaçamento significativo 
que aproxima as partes formadoras do texto fala-
do ou escrito. 
Os mecanismos lingüísticos que estabelecem a 
conectividade e a retomada e garantem a coesão 
são os referentes textuais. Cada uma das coisas 
ditas estabelece relações de sentido e significado 
tanto com os elementos que a antecedem como 
com os que a sucedem, construindo uma cadeia 
textual significativa. 
Essa coesão, que dá unidade ao texto, vai sendo 
construída e se evidencia pelo emprego de dife-
rentes procedimentos, tanto no campo do léxico, 
como no da gramática. 
(Não esqueçamos que, num texto, não existem 
ou não deveriam existir elementos dispensáveis. 
Os elementos constitutivos vão construindo o 
texto, e são as articulações entre vocábulos, entre 
as partes de uma oração, entre as orações e en-
tre os parágrafos que determinam a referencia-
 
 10 
 
ção, os contatos e conexões e estabelecem sen-
tido ao todo.) 
Atenção especial concentram os procedimentos 
que garantem ao texto coesão ecoerência. São 
esses procedimentos que desenvolvem a dinâmi-
ca articuladora e garantem a progressão textual. 
A coesão é a manifestação lingüística da coerên-
cia e se realiza nas relações entre elementos 
sucessivos (artigos, pronomes adjetivos, adjetivos 
em relação aos substantivos; formas verbais em 
relação aos sujeitos; tempos verbais nas relações 
espaço-temporais constitutivas do texto etc.), na 
organização de períodos, de parágrafos, das par-
tes do todo, como formadoras de uma cadeia de 
sentido capaz de apresentar e desenvolver um 
tema ou as unidades de um texto. Construída 
com os mecanismos gramaticais e lexicais, confe-
re unidade formal ao texto. 
1. Considere-se, inicialmente, a coesão apoiada 
no léxico. Ela pode dar-se pelareiteração, pe-
la substituição e pela associação. 
É garantida com o emprego de: 
 Enlaces semânticos de frases por meio 
da repetição. A mensagem-tema do texto apoiada 
na conexão de elementos léxicos sucessivos 
pode dar-se por simples iteração (repetição). Ca-
be, nesse caso, fazer-se a diferenciação entre a 
simples redundância resultado da pobreza de 
vocabulário e o emprego de repetições como 
recurso estilístico, com intenção articulatória. Ex.: 
―as contas do patrão eram diferentes, arranjadas 
a tinta e contra o vaqueiro, mas fabiano sabia que 
elas estavam erradas e o patrão queria enganá-
lo.enganava.‖Vidas secas, p. 143); 
 Substituição léxica, que se dá tanto pelo 
emprego de sinônimos como de palavras quase 
sinônimas. Considerem-se aqui além das pala-
vras sinônimas, aquelas resultantes de famílias 
ideológicas e do campo associativo, como, por 
exemplo, esvoaçar, revoar, voar; 
 Hipônimos (relações de um termo específi-
co com um termo de sentido geral, 
ex.: gato, felino) e hiperônimos (relações de um 
termo de sentido mais amplo com outros de sen-
tidomais específico, ex.: felino, gato); 
 Nominalizações (quando um fato, uma 
ocorrência, aparece em forma de verbo e, mais 
adiante, reaparece como substantivo, 
ex.: consertar, o conserto; viajar,a viagem). É 
preciso distinguir-se entre nominalização estri-
ta e.generalizações (ex.: o cão < o animal) 
e especificações (ex.: planta > árvore > palmeira); 
 Substitutos universais (ex.: joão trabalha 
muito. Também o faço. O verbo fazer em substitu-
ição ao verbo trabalhar); 
 Enunciados que estabelecem a recapitula-
ção da idéia global. Ex.: o curraldeserto, o chi-
queiro das cabras arruinado e também deserto, a 
casa do vaqueiro fechada, tudo anunciava aban-
dono (vidas secas, p.11). Esse enunciado é 
chamado de anáfora conceptual. Todo um enun-
ciado anterior e a idéia global que ele refere são 
retomados por outro enunciado que os resume 
e/ou interpreta. Com esse recurso, evitam-se as 
repetições e faz-se o discurso avançar, manten-
do-se sua unidade. 
2. A coesão apoiada na gramática dá-se no uso 
de: 
 Certos pronomes (pessoais adjetivos ou 
substantivos). Destacam-se aqui os pronomes 
pessoais de terceira pessoa, empregados como 
substitutos de elementos anteriormente presentes 
no texto, diferentemente dos pronomes de 1
ª
 e 
2
ª
 pessoa que se referem à pessoa que fala e 
com quem esta fala. 
 Certos advérbios e expressões adverbiais; 
 Artigos; 
 Conjunções; 
 Numerais; 
 Elipses. 
A elipse se justifica quando, ao remeter a um 
enunciado anterior, a palavra elidida é facilmente 
identificável (Ex.: O jovem recolheu-se cedo.… 
Sabia que ia necessitar de todas as suas for-
ças. O termo o jovem deixa de ser repetido e, 
assim, estabelece a relação entre as duas ora-
ções.). É a própria ausência do termo que marca 
a inter-relação. 
A identificação pode dar-se com o próprio enunci-
ado, como no exemplo anterior, ou com elemen-
tos extraverbais, exteriores ao enunciado. Vejam-
se os avisos em lugares públicos (ex.: Perigo!) e 
as frases exclamativas, que remetem a uma situ-
ação não-verbal. Nesse caso, a articulação se dá 
entre texto e contexto (extratextual); 
 As concordâncias; 
 A correlação entre os tempos verbais. 
Os dêiticos exercem, por excelência, essa função 
de progressão textual, dada sua característica: 
são elementos que não significam, apenas indi-
 
 11 
 
cam, remetem aos componentes da situação 
comunicativa. Já os componentes concentram em 
si a significação. Referem os participantes do ato 
de comunicação, o momento e o lugar da enunci-
ação. 
Elisa Guimarães ensina a respeito dos dêiticos: 
Os pronomes pessoais e as desinências verbais 
indicam os participantes do ato do discurso. Os 
pronomes demonstrativos, certas locuções pre-
positivas e adverbiais, bem como os advérbios de 
tempo, referenciam o momento da enunciação, 
podendo indicar simultaneidade, anterioridade ou 
posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste 
momento (presente); ultimamente, recentemente, 
ontem, há alguns dias, antes de (pretérito); de 
agora em diante, no próximo ano, depois de (futu-
ro). 
Maria da Graça Costa Val lembra que ―esses 
recursos expressam relações não só entre os 
elementos no interior de uma frase, mas também 
entre frases e seqüências de frases dentro de um 
texto‖. 
Não só a coesão explícita possibilita a compreen-
são de um texto. Muitas vezes a comunicação se 
faz por meio de uma coesão implícita, apoiada no 
conhecimento mútuo anterior que os participantes 
do processo comunicativo têm da língua. 
Variação da Língua 
Pelo estudo da seleção vocabular e da sintaxe, 
objetivamos descrever as mudanças que podem 
ocorrer na produção textual escrita, a partir do 
vocabulário e do uso deste pelo emissor, nos 
processos de comunicação dos quais faz parte. 
Ao produzir seu texto, seja ele falado ou escrito, o 
emissor estará, mesmo sem ter consciência disto, 
envolvendo, além da seleção vocabular e da sin-
taxe, outros campos de pesquisa nesta produção. 
Referimo-nos à semântica e à estilística. 
Dessa forma, tentaremos desvendar a rede de 
relações que existe desde o momento em que o 
emissor pretende construir sua mensagem, pas-
sando pela influência que a oralidade pode exer-
cer sobre ela e pela sua escritura propriamente 
dita, até sua conseqüente interpretação por de-
terminado interlocutor. 
Para o falante, a sua língua materna é um instru-
mento de suma importância tanto para a sua prá-
tica comunicativa quanto para sua afirmação en-
quanto sujeito que exerce determinado papel na 
sociedade. 
O que existe por trás do ato comunicativo, da fala 
em si, não está explícito para o emissor. Porém, 
mesmo que o falante desconheça ou (re)conheça 
este fato, isto não fará com que sua mensagem 
seja menos eficiente, pois os sentidos das pala-
vras que emprega não se acham dissociados do 
próprio pensamento. Marx esclarece muito bem 
esta relação entre fala e pensamento/consciência: 
A fala é velha como a consciência, a fala é uma 
consciência prática, real, que existe tanto para os 
outros como para mim mesmo. E a fala, como a 
consciência, nasce apenas da necessidade, da 
imperiosidade de contato com outras pessoas. 
(Marx apud Schaff, 1968, p. 317.) 
A necessidade inegável de que o homem sente 
em se comunicar com o outro resulta em esco-
lhas: a quem falar, o que falar, como falar. O dis-
curso produzido a partir dessas escolhas será 
somente seu, visto que refletirá seus fracassos e 
conquistas, sua história, seu ―eu‖. 
Fazendo parte de uma sociedade, na qual estará 
em contato constante com outros, o indivíduo 
necessitará não apenas da linguagem oral para 
se comunicar. Dentre outras linguagens, a escrita 
será mais um instrumento à disposição dele para 
demonstrar sua competência lingüística. 
Acontece que esta competência é constantemen-
te colocada à prova, como se o usuário da língua 
nunca tivesse tido contato com ela. Referimo-nos 
especificamente ao ensino da língua. 
Ao tentar transportar os conhecimentos lingüísti-
cos que já possui e que emprega eficientemente, 
da linguagem oral para a linguagem escrita, reve-
la-se muitas vezes um fracassado. 
É difícil entender por que precisamos expressar-
mo-nos diferentemente na escrita. Por que exis-
tem tantas regras que já não traduzem a realida-
de do usuário da língua? Por que a cada esquina 
de uma página há tantas exceções, contradições? 
Há extrema urgência em se rever o ensino da 
língua nas escolas, principalmente de ensino 
fundamental, para que estas questões possam 
ser esclarecidas. E, antes de tudo, a reformulação 
precisa estar presente também nos cursos de 
formação de professores, para que esta nova 
visão ganhe o devido espaço. 
De outro modo, não vemos como o falante deixa-
rá de sentir-se perplexo diante de um ―Dê-me um 
cigarro‖ no lugar de um ―Me dá um cigarro‖. 
O estudo da seleção vocabular e da sintaxe na 
produção dos sentidos durante a textualização 
justifica-se tendo em vista que 
 
 12 
 
· é através da seleção vocabular que o emissor 
revela a sua intencionalidade ao produzir deter-
minado texto; 
· o contexto situacional do ato comunicativo de-
terminará, em parte, a escolha vocabular do sujei-
to escritor; 
· a organização das palavras selecionadas levará 
à interpretação desejada pelo emissor; 
· se faz necessário evitar as interferências negati-
vas no processo de produção textual escrita, uma 
vez que, por serem negativas, prejudicam o bom 
entendimento da mensagem. 
Estudo da Seleção Vocabular 
Chega mais perto e contempla as palavras. 
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neu-
tra e te pergunta, sem interesse pela resposta, 
pobre ou terrível, que lhe deres: 
Trouxeste a chave? 
Todo usuário da língua possui a chave que lhe dá 
acesso ao mundo das palavras. A capacidadeda 
linguagem humana é essa chave. Quando crian-
ça, o falante, de modo bastante natural, principia 
a utilizar o valioso instrumento da linguagem. 
Enquanto tímido aprendiz de palavras reproduz 
muito e cria pouco. 
Porém, seguindo um caminho irretornável, não 
mais necessita de que lhe digam o que falar como 
falar. Já se sente perfeitamente capaz de seguir 
sozinho. Sente-se seguro do conhecimento que 
possui, do acervo vocabular de que dispõe. O uso 
que fazemos desse acervo vocabular é determi-
nado pelas situações que vivenciamos. 
Dessa forma, em um dado contexto, a seleção 
vocabular da qual lançaremos mão para produzir 
um texto deverá estar de acordo com o sentido 
que queremos dar à nossa mensagem. Então, 
não nos causa espanto que o nosso alu-
no/usuário da língua queira manter-se fiel ao seu 
texto, reproduzindo na escrita aquilo que pensou 
e disse. Mesmo que esse texto passe a ser ―con-
denado‖ por não se ajustar aos padrões impostos 
pelas gramáticas normativas. Parece-lhe que, ao 
mexerem no seu texto, estão retirando o seu di-
reito de ser autêntico. 
O pessoal fizeram muita bagunça na sala, profes-
sora! 
A gente gostamos de aula vaga. 
É perfeitamente compreensível que tais constru-
ções sejam usadas pelo falante/escritor, uma vez 
que ele não quer deixar dúvidas de que está refe-
rindo-se a um grupo de várias pessoas. No seu 
entender, o verbo no singular soa de forma estra-
nha, não condiz com a verdade que ele quer ex-
pressar. 
Sobre o papel do sentido nas relações entre as 
palavras, afirma Guiraud (1972, p. 26-27): 
O sentido, tal como nos é comunicado no discur-
so, depende das relações da palavra com as ou-
tras palavras do contexto, e tais relações são 
determinadas pela estrutura do sistema lingüísti-
co. 
À estrutura do sistema lingüístico chamamos 
gramática internalizada por cada indivíduo, o 
mesmo que conhecimento implícito da língua, 
conforme Perini (2000, p. 12.). Por saber empre-
gá-la, o falante faz as relações que deseja com as 
palavras escolhidas de seu léxico, de forma que 
molda seu texto para este atenda às suas inten-
ções. 
A disposição em que coloca as palavras valoriza 
o significado delas. Wittgenstein (apud Rector, 
1980, p. 53.) corrobora esta idéia ao ―constatar 
que as palavras só significam na medida em que 
estão num contexto interativo, isto é, como se seu 
valor variasse em função de sua disposição face 
às demais‖. 
A interação da palavra com o contexto revela-se 
no discurso, pois é nele ―que se manifestam estas 
relações da linguagem, visto que o discurso é o 
lugar de encontro do significante e do significado 
e o lugar das distorções da comunicação que 
ocorrem devido à liberdade da comunicação.‖ 
(Rector, 1980, p. 130.) 
O falante não deseja perder a liberdade de comu-
nicar-se, de colocar no ato de comunicação do 
qual faz parte sua marca pessoal. Atentemos aqui 
para a questão do estilo próprio. 
Uma entonação diferente, uma determinada fle-
xão de grau, uma intencional ausência de flexão 
de número são exemplos de marcas pessoais 
que ocorrem na fala e que naturalmente se con-
cretizam na escrita. 
AMIGO 1: - Comprei um estojo ‗manero‘. Custou 
só dois ‗real‘! 
AMIGO 2: - Também, você é filhote de loja de um 
e noventa e nove! 
Há tendência, por parte do falante de língua por-
tuguesa, a reduzir ditongos em simples vogais, 
conforme atesta Coutinho em sua ―Gramática 
Histórica (COUTINHO, p. 108.). Assim, para o 
usuário da língua, é perfeitamente correto falar 
 
 13 
 
―manero‖ em vez de ―maneiro‖. Tal tendência 
acaba por ser explicitada na escrita por influência 
da oralidade. Se ninguém praticamente fala ―man-
teiga‖, conseqüentemente estaremos diante da 
palavra ―mantega‖ nas redações de nossos alu-
nos. 
Quanto à questão da ausência de flexão de nú-
mero da palavra ―real‖, temos aqui duas coloca-
ções. Por um lado, poderíamos considerar a ex-
pressão ―dois real‖ apenas um caso de erro de 
concordância; por outro lado, estaríamos diante 
de uma seleção vocabular empregada para ex-
pressar, por exemplo, esperteza de quem compra 
um bom produto por um pequeno preço. 
Em nossa literatura, há muitos exemplos em que 
a seleção vocabular aliada à linguagem oral, só 
para determo-nos em assuntos objetos de nosso 
estudo, produzem obras originalíssimas. Citemos, 
para ilustrar, Mário de Andrade com ―Macunaíma‖ 
(texto em prosa) e Oswald de Andrade com o 
texto em verso que vai transcrito a seguir: 
brasil 
O Zé Pereira chegou de caravela 
E preguntou pro guarani da mata virgem 
- Sois cristão? 
- Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte 
Teterê tetê Quizá Quizá Quecê! 
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu! 
O negro zonzo saído da fornalha 
Tomou a palavra e respondeu 
- Sim pela graça de Deus 
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum! 
E fizeram o Carnaval. 
(Andrade apud Cereja & Magalhães, 1995, p. 
312.) 
Para o falante/usuário da língua o que conta é a 
praticidade. Se na linguagem oral, ele dispõe de 
tanta liberdade para comunicar-se, por que não 
fazer uso dessa liberdade também na escrita? 
Não queremos dizer com isso que devemos abo-
lir, no ensino da língua, as regras que estruturam 
nosso sistema lingüístico, mas que precisamos 
adaptá-las à realidade do falante. Por que não 
acompanhar na escrita a dinamicidade da língua? 
Concluindo, o ensino da língua pode contribuir 
para que o nosso aluno (falante competente da 
língua materna) aproprie-se de conhecimentos 
que permitam que ele não apenas chegue perto e 
contemple as palavras, mas que faça bom uso da 
chave que possui para que não dê respostas 
pobres ou terríveis às perguntas que lhe forem 
feitas. 
Sintaxe de Concordância 
A oralidade influencia constantemente a produção 
de um texto escrito. Muitas vezes, esta influência 
é considerada negativa, pois resulta nos chama-
dos ―erros de concordância‖. As gramáticas nor-
mativas costumam listar regras muitas vezes 
inflexíveis para determinar o que é certo e o que é 
errado. Porém, estudiosos mais modernos têm 
percebido e registrado casos passíveis de discus-
são. 
Perini (2000, p. 19.) cita o caso da expressão ―os 
relógio‖, comprovadamente utilizada por falantes 
―cultos e incultos‖. Não estamos diante de um 
mero caso de erro de concordância e sim de uma 
tendência lingüística da oralidade que vem sendo 
empregada também na escrita. Tendência esta 
que não pode ser ignorada pelos profissionais 
que lidam com o ensino da língua. 
Para Lapa (1991, p. 157.) o erro de concordância 
não existe, pois a construção de um texto reflete 
o estilo de cada um. Vejamos sua colocação so-
bre o assunto: 
...esses desvios aparentes de concordância se 
explicam sobretudo por três motivos: um que 
consiste em concordar com as palavras não se-
gundo a letra mas segundo a idéia; outro, segun-
do o qual a concordância varia conforme a posi-
ção dos termos do discurso; e um terceiro, que 
traduz o propósito de fazer a concordância com o 
termo que mais interessa acentuar ou valorizar. 
É preciso que analisemos bem os casos dos 
chamados ―erros de concordância‖ que surgem 
nos textos produzidos por nossos alunos. Muitas 
vezes, a produção do aluno revela textos coeren-
tes e coesos, dentro de seus propósitos, ―diferen-
tes‖ do que esperamos e desejamos encontrar. 
Observemos um trecho de uma redação de um 
aluno da 7ª. Série do ensino fundamental: 
Gosto de sair curto muitos bailes fanks todos os 
finais de semana vou ao baile. (sic) 
Ignorando em nosso comentário as questões da 
pontuação e da grafia equivocada da palavra 
―funk‖, vamos ao caso de concordância que aí se 
apresenta: ―curto muitos bailes fanks‖. Nós, pro-
fessores da língua, esperaríamos encontrar a 
seguinte construção: ―curto muito bailes funks‖, 
na qual a palavra muito estaria funcionando como14 
 
advérbio e não como pronome indefinido, tal co-
mo se encontra na redação do aluno. Para que se 
considere errada a construção do aluno, é preciso 
analisar seu texto com cuidado, tentando perce-
ber sua intenção, seu propósito. 
Acreditamos que a falta de organização do pen-
samento influencia a produção do discurso do 
nosso aluno, seja tal produção oral ou escrita. A 
forma como o ensino da língua ainda é tratado 
não tem oportunizado o exercício da organização 
do pensamento, uma vez que os conteúdos gra-
maticais são priorizados em detrimento de outros 
(produção oral e escrita, por exemplo), tornando a 
aula de português um ―amontoado de coisas sem 
sentido‖. 
Não temos dado ao nosso aluno espaço suficien-
te para que ele exerça seu direito de fala. Nor-
malmente, ele está na sala apenas para ouvir, 
para copiar, para reproduzir o que se espera dele. 
Ao ser solicitado a falar, muitas vezes, sua fala é 
truncada, inicia um assunto e não é capaz de 
concluí-lo. Questão de timidez? Em alguns casos, 
sim. Essa fala fragmentada, não desenvolvida, 
concretiza-se na escrita de forma bem clara: au-
sência de coesão e de coerência, fuga ao tema 
proposto, repetições excessivas, para citar ape-
nas os problemas mais encontrados. 
Prycila eu quero que você fiquei torcendo porque 
agora porque no dia 16 de outubro vou fazer pro-
va com padre para crisma porque no final do vou 
se alistar. (sic) (Trecho de um texto produzido por 
aluno de 6ª. Série do ensino fundamental.) 
Atentemos para a mistura de assuntos que o alu-
no realiza, utilizando basicamente um conectivo 
(porque). Que relação existe entre os dois fatos, o 
de ser crismado e o de se alistar no final do ano 
(palavra omitida, provavelmente sem que o aluno 
tenha tido esta intenção)? Acreditamos que aqui 
não estejamos diante de um caso de desconhe-
cimento do significado do conectivo apenas. E 
sim de incapacidade de relacionar idéias, de fazer 
conexão de sentidos. 
Por tudo o que foi exposto até aqui, cremos que o 
exercício da leitura e da escrita, como forma de 
desenvolver a competência lingüística, seria uma 
das estratégias numa tentativa de minimizar mui-
tos dos problemas citados. 
Sintaxe de Regência 
Na maioria das gramáticas normativas, o conceito 
de regência aborda a relação de dependência 
entre termos da oração. Fazer com que o nosso 
aluno, que traz influências (negativas e positivas) 
da oralidade, perceba e compreenda essa idéia 
de dependência é, por vezes, tarefa bastante 
árdua. 
Pesquisando em algumas gramáticas disponíveis 
aos nossos estudantes, observamos que alguns 
casos são tratados de forma diversa. Vejamos um 
caso: no ―Curso Prático de Gramática‖, de Ernani 
Terra (1996, p. 299.), há a seguinte afirmação 
referente à regência do verbo chegar: 
―O verbo chegar exige a preposição a e não a 
preposição em.‖ 
Já a ―Gramática‖, de Faraco e Moura (1999, p. 
514.), apresenta a seguinte colocação em relação 
ao mesmo verbo chegar: 
―É intransitivo no sentido de atingir data ou local. 
(...) Já é bastante comum o uso da preposi-
ção em nesta acepção.‖ 
Essas abordagens conflitantes apresentadas 
pelas gramáticas citadas acabam por confundir o 
nosso aluno e, até mesmo, por dificultar o enten-
dimento deste assunto. Que frase é mais comum 
nas redações de nossos alunos? ―Cheguei em 
casa muito tarde‖ ou Cheguei a minha casa muito 
tarde‖? Com certeza, a primeira. Portanto, não é 
mais cabível afirmar que o verbo chegar não exi-
ge a preposição em. Uma ou outra preposição é 
perfeitamente admissível. 
Reconhece-se que a língua falada no Brasil não é 
a mesma representada na escrita. É também 
dessa questão que temos tratado até então. O 
falante, com o propósito de passar adiante seu 
pensamento, suas idéias, seleciona as palavras 
que melhor representam sua intenção e arruma-
as de maneira que estas atendam aos seus dese-
jos. 
Altera, propositalmente ou não, a sintaxe de con-
cordância ou de regência, construindo seu próprio 
estilo. Sua mensagem poderá ou não ser com-
preendida da forma como gostaria de que fosse. 
As chances de que o entendimento ocorra tal 
como planejou são grandes. 
O estudo do emprego diversificado que se faz da 
língua falada (situações informais) e da língua 
escrita (situações formais) está cada vez mais 
ocupando espaço nos meios acadêmicos que 
tratam do ensino da língua. Algumas obras vêm 
acrescentar novas idéias que auxiliam o presente 
trabalho, como Mário Perini (Sofrendo a Gramáti-
ca), Celso Pedro Luft (Língua e Liberdade) e E-
vanildo Bechara (Ensino da Gramática. 
Opressão? Liberdade?). Porém, décadas de um 
ensino equivocado exigirão a adoção de um novo 
modo de ensinar a gramática, a partir de uma 
visão de linguagem que liberte, que permita a 
 
 15 
 
construção de um discurso de sujeito, e não de 
quem se sujeita. 
Voltando a mais um caso de sintaxe de regência. 
Se um dos significados da palavra ―com‖ é a idéia 
de companhia, como considerar errada a constru-
ção ―Namoro com Carlos‖? Para o falante/usuário 
da língua, a frase está corretíssima. 
Para tentarmos convencer este falante de que a 
sua construção é incorreta, só temos o argumento 
de que o verbo namorar é transitivo direto (não 
admitindo preposição), pois quem namora, namo-
ra alguém. Porém não é argumento forte o sufici-
ente para deslegitimar a sua intenção de transmi-
tir a idéia de um estar com o outro, de namo-
rar com o outro. 
Finalizando, a estrutura lingüística que cada usu-
ário da língua internaliza, dá-lhe subsídios para 
que ele elabore construções que, na escrita, são 
consideradas como erros de concordância, de 
regência, entre tantos outros ―erros‖. Cabe ampli-
ar, na sistematização das regras que estruturam a 
língua, o registro das possibilidades de constru-
ções de que o usuário da língua dispõe. Até por-
que as invariações dentro das variações é que 
dão vida à língua. 
Sintaxe de Colocação 
No início de nosso trabalho, comentamos a res-
peito de o falante sentir-se perplexo diante da 
construção ―Dê-me um cigarro‖, verso conheci-
díssimo do poema Pronominal‖, de Oswald de 
Andrade, muito usado para exemplificar casos de 
colocação pronominal. É claro que o usuário da 
língua estranha uma construção como essa, 
quando, no seu falar revela-se a tendência de 
fazer uso da próclise. 
O nosso aluno jamais empregaria a frase ―Em-
preste-me uma caneta‖ ao dirigir-se ao colega a 
seu lado. Até mesmo nós, professores e conhe-
cedores da língua, no dia a dia, empregamos a 
próclise com abundância em nossa fala. Ainda 
mais que a questão da colocação dos pronomes 
na frase está mais a serviço da estilística que da 
sintaxe. Observemos: 
A. Se atrasou hoje, professora. 
B. Atrasou-se hoje, professora. 
De acordo com as regras que norteiam o empre-
go da próclise, a frase A estaria fora dos padrões, 
porém, numa linguagem informal, falada ou escri-
ta, seria perfeitamente justificável, na medida em 
que representaria um estilo despojado e simples 
do locutor/escritor. Já a frase B exemplifica o 
correto emprego do pronome, mas na prática de 
nossos alunos é pouco utilizada. 
O emprego da mesóclise é ainda mais complica-
do. Em primeiro lugar, há a preferência de o usu-
ário da língua portuguesa no Brasil utilizar para o 
tempo futuro do presente do indicativo, por exem-
plo, a locução verbal: ―Vou fazer prova amanhã‖ 
no lugar de ―Farei prova amanhã‖; em segundo 
lugar, o emprego da mesóclise soa como pedan-
tismo, próprio da linguagem rebuscada, empola-
da: ―Far-te-ei uma proposta amanhã‖. O uso da 
mesóclise está reduzido à produção escrita de 
usuários com bom domínio da estrutura da língua. 
Façamos mais um comentário: 
―Está um calor! A janela está fechada, professora. 
Quer que abra ela?‖ 
É um tipo de construção amplamente empregada 
pelo falante.Devemos considerá-la totalmente 
errada? E o que podemos dizer de construções 
do tipo ―Professora, eu se machuquei!‖? Não se-
ria mais relevante preocuparmo-nos com frases 
desse tipo? E não é só uma questão de concor-
dância ou de colocação. 
É uma questão de identidade. O falante não se 
reconhece no próprio discurso. Não é capaz de 
reconhecer-se no me, pois é a partir do se que vê 
o mundo: ―Entre, sente-se, cale-se, saia e vire-se; 
a minha parte eu já fiz.‖ 
Organização Frasal 
Toda frase de uma língua consiste em uma orga-
nização, uma combinação de elementos lingüísti-
cos agrupados segundo certos princípios, que a 
caracterizam como uma estrutura. Para evidenci-
ar estas estruturas, temos uma estruturas, temos 
de decompor a frase/oração em unidades meno-
res, e substituir estas unidades, por aquelas e-
quivalentes, que desempenham a mesma função. 
Este procedimento denomina-se comunicação: 
Ex: 
Maria está na casa da vizinha 
Você fará o relatório como a professora pediu 
Aquela menininha de cabelo loiro gosta de doce 
de leite. 
Estes subconjuntos são blocos significativos e 
possuem equivalência entre si,pois a troca de um 
pelo outro,não destrói a integridade das orações, 
como demonstraram os exemplos. A estes blo-
cos, ou unidades significativas, chamamos: 
Sintagmas. 
Constituintes Oracionais > Os Sintagmas 
 
 16 
 
A Natureza do sintagma do sintagma depende 
por tanto do tipo de elemento que constitui o seu 
núcleo. 
Vantagens: 
* Ter controle sobre os mecanismos que utiliza-
mos nos usos da linguagem; 
* Aumentar a versatilidade no uso que podemos 
fazer desses mecanismos. 
Base da Oração {SN (subst) = SA > Sintagma 
Adjetiva, SV (verbo) SP > Sintagma Preposi-
cionado 
Sintagma: elementos constituintes das unidades 
significativas da oração – relaciona-se por depen-
dência e ordem. Possuem um núcleo em relação 
aos demais constituintes, mas pode compor-se de 
apenas um núcleo. 
Além das orações com os dois sintagmas obriga-
tórios: SN + SV, há ainda a possibilidade de ora-
ção com três partes: SN+SV+SP. 
Os Sintagmas Nominais e Verbais obrigatoria-
mente existem como unidades significativas nas 
frases. Por isso, as frases sempre podem ser 
decompostas nesses dois subconjuntos, mesmo 
que elas sejam longas, ou mesmo que o sujeito 
esteja oculto ou não seja lexicalmente preenchido 
(sujeito inexistente). 
Ex: SN/SV 
A irmã de uma conhecida de meu mari-
do/recebeu uma belíssima homenagem de seus 
companheiros de trabalho. 
A carrocinha de pão [que passava pela minha rua 
todos os dias]/pertencia a um antigo empregado 
da prefeitura municipal. 
Sintagma Preposicionado (SP) 
Os Sintagmas preposicionados, quando assu-
mem função de advérbio, são facultativos na es-
trutura sintática das frases; móveis, podendo ser 
deslocados de sua posição normal (após o SN e 
o SV);apresentam-se como modificadores cir-
cunstanciais,geralmente sob a forma de locuções 
adverbiais. 
Exs: 
As flores/ enfeitam os jardins/ na primavera. 
- SN, SV e SP 
O padeiro/ entrega o pão / na minha casa / de 
madrugada 
- SN, SV, SP e SP 
O que é Redação Oficial? 
Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial 
é a maneira pela qual o Poder Público redige atos 
normativos e comunicações. Interessa-nos tratá-
la do ponto de vista do Poder Executivo. 
A redação oficial deve caracterizar-se pela im-
pessoalidade, uso do padrão culto de linguagem, 
clareza, concisão, formalidade e uniformidade. 
Fundamentalmente esses atributos decorrem da 
Constituição, que dispõe, no artigo 37: "A admi-
nistração pública direta, indireta ou fundacional, 
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá 
aos princípios de legalidade, impessoalidade, 
moralidade, publicidade e eficiência (...)". 
Sendo a publicidade e a impessoalidade princí-
pios fundamentais de toda administração pública, 
claro está que devem igualmente nortear a elabo-
ração dos atos e comunicações oficiais. 
Não se concebe que um ato normativo de qual-
quer natureza seja redigido de forma obscura, 
que dificulte ou impossibilite sua compreensão. A 
transparência do sentido dos atos normativos, 
bem como sua inteligibilidade, são requisitos do 
próprio Estado de Direito: é inaceitável que um 
texto legal não seja entendido pelos cidadãos. A 
publicidade implica, pois, necessariamente, clare-
za e concisão. 
Além de atender à disposição constitucional, a 
forma dos atos normativos obedece a certa tradi-
ção. Há normas para sua elaboração que remon-
tam ao período de nossa história imperial, como, 
por exemplo, a obrigatoriedade – estabelecida por 
decreto imperial de 10 de dezembro de 1822 – de 
que se aponha, ao final desses atos, o número de 
anos transcorridos desde a Independência. Essa 
prática foi mantida no período republicano. 
Esses mesmos princípios (impessoalidade, clare-
za, uniformidade, concisão e uso de linguagem 
formal) aplicam-se às comunicações oficiais: elas 
devem sempre permitir uma única interpretação e 
ser estritamente impessoais e uniformes, o que 
exige o uso de certo nível de linguagem. 
Nesse quadro, fica claro também que as comuni-
cações oficiais são necessariamente uniformes, 
pois há sempre um único comunicador (o Serviço 
Público) e o receptor dessas comunicações ou é 
o próprio Serviço Público (no caso de expedientes 
dirigidos por um órgão a outro) – ou o conjunto 
dos cidadãos ou instituições tratados de forma 
homogênea (o público). 
 
 17 
 
Outros procedimentos rotineiros na redação de 
comunicações oficiais foram incorporados ao 
longo do tempo, como as formas de tratamento e 
de cortesia, certos clichês de redação, a estrutura 
dos expedientes, etc. Mencione-se, por exemplo, 
a fixação dos fechos para comunicações oficiais, 
regulados pela Portaria n
o
 1 do Ministro de Estado 
da Justiça, de 8 de julho de 1937, que, após mais 
de meio século de vigência, foi revogado pelo 
Decreto que aprovou a primeira edição deste 
Manual. 
Acrescente-se, por fim, que a identificação que se 
buscou fazer das características específicas da 
forma oficial de redigir não deve ensejar o enten-
dimento de que se proponha a criação – ou se 
aceite a existência – de uma forma específica de 
linguagem administrativa, o que coloquialmente e 
pejorativamente se chama burocratês. Este é 
antes uma distorção do que deve ser a redação 
oficial, e se caracteriza pelo abuso de expressões 
e clichês do jargão burocrático e de formas arcai-
cas de construção de frases. 
A redação oficial não é, portanto, necessariamen-
te árida e infensa à evolução da língua. É que sua 
finalidade básica – comunicar com impessoalida-
de e máxima clareza – impõe certos parâmetros 
ao uso que se faz da língua, de maneira diversa 
daquele da literatura, do texto jornalístico, da 
correspondência particular, etc. 
Apresentadas essas características fundamentais 
da redação oficial, passemos à análise pormeno-
rizada de cada uma delas. 
1.1. A Impessoalidade 
A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, 
quer pela escrita. Para que haja comunicação, 
são necessários: a) alguém que comunique, b) 
algo a ser comunicado, e c) alguém que receba 
essa comunicação. No caso da redação oficial, 
quem comunica é sempre o Serviço Público (este 
ou aquele Ministério, Secretaria, Departamento, 
Divisão, Serviço, Seção); o que se comunica é 
sempre algum assunto relativo às atribuições do 
órgão que comunica; o destinatário dessa comu-
nicação ou é o público, o conjunto dos cidadãos, 
ou outro órgão público, do Executivo ou dos ou-
tros Poderes da União. 
Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal 
que deve ser dado aos assuntos que constam 
das comunicações oficiais decorre: 
a) da ausência de impressões individuais de 
quem comunica:embora se trate, por exemplo, 
de um expediente assinado por Chefe de deter-
minada Seção, é sempre em nome do Serviço 
Público que é feita a comunicação. Obtém-se, 
assim, uma desejável padronização, que permite 
que comunicações elaboradas em diferentes se-
tores da Administração guardem entre si certa 
uniformidade; 
b) da impessoalidade de quem recebe a comuni-
cação, com duas possibilidades: ela pode ser 
dirigida a um cidadão, sempre concebido co-
mo público, ou a outro órgão público. Nos dois 
casos, temos um destinatário concebido de forma 
homogênea e impessoal; 
c) do caráter impessoal do próprio assunto trata-
do: se o universo temático das comunicações 
oficiais se restringe a questões que dizem respei-
to ao interesse público, é natural que não cabe 
qualquer tom particular ou pessoal. 
Desta forma, não há lugar na redação oficial para 
impressões pessoais, como as que, por exemplo, 
constam de uma carta a um amigo, ou de um 
artigo assinado de jornal, ou mesmo de um texto 
literário. A redação oficial deve ser isenta da inter-
ferência da individualidade que a elabora. 
A concisão, a clareza, a objetividade e a formali-
dade de que nos valemos para elaborar os expe-
dientes oficiais contribuem, ainda, para que seja 
alcançada a necessária impessoalidade. 
1.2. A Linguagem dos Atos e Comunicações 
Oficiais 
A necessidade de empregar determinado nível de 
linguagem nos atos e expedientes oficiais decor-
re, de um lado, do próprio caráter público desses 
atos e comunicações; de outro, de sua finalidade. 
Os atos oficiais, aqui entendidos como atos de 
caráter normativo, ou estabelecem regras para a 
conduta dos cidadãos, ou regulam o funciona-
mento dos órgãos públicos, o que só é alcançado 
se em sua elaboração for empregada a lingua-
gem adequada. O mesmo se dá com os expedi-
entes oficiais, cuja finalidade precípua é a de 
informar com clareza e objetividade. 
As comunicações que partem dos órgãos públi-
cos federais devem ser compreendidas por todo e 
qualquer cidadão brasileiro. Para atingir esse 
objetivo, há que evitar o uso de uma linguagem 
restrita a determinados grupos. Não há dúvida 
que um texto marcado por expressões de circula-
ção restrita, como a gíria, os regionalismos voca-
bulares ou o jargão técnico, tem sua compreen-
são dificultada. 
Ressalte-se que há necessariamente uma distân-
cia entre a língua falada e a escrita. Aquela é 
extremamente dinâmica, reflete de forma imediata 
qualquer alteração de costumes, e pode eventu-
almente contar com outros elementos que auxili-
 
 18 
 
em a sua compreensão, como os gestos, a ento-
ação, etc., para mencionar apenas alguns dos 
fatores responsáveis por essa distância. Já a 
língua escrita incorpora mais lentamente as trans-
formações, tem maior vocação para a permanên-
cia, e vale-se apenas de si mesma para comuni-
car. 
A língua escrita, como a falada, compreende dife-
rentes níveis, de acordo com o uso que dela se 
faça. Por exemplo, em uma carta a um amigo, 
podemos nos valer de determinado padrão de 
linguagem que incorpore expressões extrema-
mente pessoais ou coloquiais; em um parecer 
jurídico, não se há de estranhar a presença do 
vocabulário técnico correspondente. Nos dois 
casos, há um padrão de linguagem que atende ao 
uso que se faz da língua, a finalidade com que a 
empregamos. 
O mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu 
caráter impessoal, por sua finalidade de informar 
com o máximo de clareza e concisão, eles reque-
rem o uso do padrão culto da língua. Há consen-
so de que o padrão culto é aquele em que a) se 
observam as regras da gramática formal, e b) se 
emprega um vocabulário comum ao conjunto dos 
usuários do idioma. 
É importante ressaltar que a obrigatoriedade do 
uso do padrão culto na redação oficial decorre do 
fato de que ele está acima das diferenças lexi-
cais, morfológicas ou sintáticas regionais, dos 
modismos vocabulares, das idiossincrasias lin-
güísticas, permitindo, por essa razão, que se atin-
ja a pretendida compreensão por todos os cida-
dãos. 
Lembre-se que o padrão culto nada tem contra a 
simplicidade de expressão, desde que não seja 
confundida com pobreza de expressão. De ne-
nhuma forma o uso do padrão culto implica em-
prego de linguagem rebuscada, nem dos contor-
cionismos sintáticos e figuras de linguagem pró-
prios da língua literária. 
Pode-se concluir, então, que não existe propria-
mente um "padrão oficial de linguagem"; o que há 
é o uso do padrão culto nos atos e comunicações 
oficiais. É claro que haverá preferência pelo uso 
de determinadas expressões, ou será obedecida 
certa tradição no emprego das formas sintáticas, 
mas isso não implica, necessariamente, que se 
consagre a utilização de uma forma de linguagem 
burocrática. O jargão burocrático, como todo jar-
gão, deve ser evitado, pois terá sempre sua com-
preensão limitada. 
A linguagem técnica deve ser empregada apenas 
em situações que a exijam, sendo de evitar o seu 
uso indiscriminado. Certos rebuscamentos aca-
dêmicos, e mesmo o vocabulário próprio a deter-
minada área, são de difícil entendimento por 
quem não esteja com eles familiarizado. Deve-se 
ter o cuidado, portanto, de explicitá-los em comu-
nicações encaminhadas a outros órgãos da ad-
ministração e em expedientes dirigidos aos cida-
dãos. 
Outras questões sobre a linguagem, como o em-
prego de neologismo e estrangeirismo, são trata-
das em detalhe em 9.3. Semântica. 
1.3. Formalidade e Padronização 
As comunicações oficiais devem ser sempre for-
mais, isto é, obedecem a certas regras de forma: 
além das já mencionadas exigências de impesso-
alidade e uso do padrão culto de linguagem, é 
imperativo, ainda, certa formalidade de tratamen-
to. 
Não se trata somente da eterna dúvida quanto ao 
correto emprego deste ou daquele pronome de 
tratamento para uma autoridade de certo nível (v. 
a esse respeito2.1.3. Emprego dos Pronomes de 
Tratamento); mais do que isso, a formalidade diz 
respeito à polidez, à civilidade no próprio enfoque 
dado ao assunto do qual cuida a comunicação. 
A formalidade de tratamento vincula-se, também, 
à necessária uniformidade das comunicações. 
Ora, se a administração federal é una, é natural 
que as comunicações que expede sigam um 
mesmo padrão. O estabelecimento desse padrão, 
uma das metas deste Manual, exige que se aten-
te para todas as características da redação oficial 
e que se cuide, ainda, da apresentação dos tex-
tos. 
A clareza datilográfica, o uso de papéis uniformes 
para o texto definitivo e a correta diagramação do 
texto são indispensáveis para a padronização. 
Consulte o Capítulo II, As Comunicações Oficiais, 
a respeito de normas específicas para cada tipo 
de expediente. 
1.4. Concisão e Clareza 
A concisão é antes uma qualidade do que uma 
característica do texto oficial. Conciso é o texto 
que consegue transmitir um máximo de informa-
ções com um mínimo de palavras. Para que se 
redija com essa qualidade, é fundamental que se 
tenha, além de conhecimento do assunto sobre o 
qual se escreve, o necessário tempo para revisar 
o texto depois de pronto. É nessa releitura que 
muitas vezes se percebem eventuais redundân-
cias ou repetições desnecessárias de idéias. 
O esforço de sermos concisos atende, basica-
mente ao princípio de economia lingüística, à 
mencionada fórmula de empregar o mínimo de 
 
 19 
 
palavras para informar o máximo. Não se deve de 
forma alguma entendê-la como economia de pen-
samento, isto é, não se devem eliminar passa-
gens substanciais do texto no afã de reduzi-lo em 
tamanho. Trata-se exclusivamente de cortar pala-
vras inúteis, redundâncias, passagens que nada 
acrescentem ao que já foi dito. 
Procure perceber certa hierarquia de idéias que 
existe em todo texto de alguma complexidade: 
idéias fundamentais e idéias secundárias.Estas 
últimas podem esclarecer o sentido daquelas, 
detalhá-las, exemplificá-las; mas existem também 
idéias secundárias que não acrescentam informa-
ção alguma ao texto, nem têm maior relação com 
as fundamentais, podendo, por isso, ser dispen-
sadas. 
A clareza deve ser a qualidade básica de todo 
texto oficial, conforme já sublinhado na introdução 
deste capítulo. Pode-se definir como claro aquele 
texto que possibilita imediata compreensão pelo 
leitor. No entanto a clareza não é algo que se 
atinja por si só: ela depende estritamente das 
demais características da redação oficial. Para 
ela concorrem: 
a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de 
interpretações que poderia decorrer de um trata-
mento personalista dado ao texto; 
b) o uso do padrão culto de linguagem, em princí-
pio, de entendimento geral e por definição avesso 
a vocábulos de circulação restrita, como a gíria e 
o jargão; 
c) a formalidade e a padronização, que possibili-
tam a imprescindível uniformidade dos textos; 
d) a concisão, que faz desaparecer do texto os 
excessos lingüísticos que nada lhe acrescentam. 
É pela correta observação dessas características 
que se redige com clareza. Contribuirá, ainda, a 
indispensável releitura de todo texto redigido. A 
ocorrência, em textos oficiais, de trechos obscu-
ros e de erros gramaticais provém principalmente 
da falta da releitura que torna possível sua corre-
ção. 
Na revisão de um expediente, deve-se avaliar, 
ainda, se ele será de fácil compreensão por seu 
destinatário. O que nos parece óbvio pode ser 
desconhecido por terceiros. 
O domínio que adquirimos sobre certos assuntos 
em decorrência de nossa experiência profissional 
muitas vezes faz com que os tomemos como de 
conhecimento geral, o que nem sempre é verda-
de. Explicite, desenvolva, esclareça, precise os 
termos técnicos, o significado das siglas e abrevi-
ações e os conceitos específicos que não possam 
ser dispensados. 
A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. 
A pressa com que são elaboradas certas comuni-
cações quase sempre compromete sua clareza. 
Não se deve proceder à redação de um texto que 
não seja seguida por sua revisão. "Não há assun-
tos urgentes, há assuntos atrasados", diz a má-
xima. Evite-se, pois, o atraso, com sua indesejá-
vel repercussão no redigir. 
Estrutura e Formação de Palavras 
Observe as seguintes palavras: 
Escol-A 
Escol-Ar 
Escol-Arização 
Escol-Arizar 
Sub-Escol-Arização 
Observando-as, percebemos que há um elemento 
comum a todas elas: a forma escol-. 
Além disso, em todas há elementos destacáveis, 
responsáveis por algum detalhe de significação. 
Compare, por exemplo, escola e escolar: partindo 
de escola, formou-se escolar pelo acréscimo do 
elemento destacável-ar. 
Por meio desse trabalho de comparação entre as 
diversas palavras que selecionamos, podemos 
depreender a existência de diferentes elementos 
formadores. 
Cada um desses elementos formadores é uma 
unidade mínima de significação, um elemento 
significativo indecomponível, a que damos o no-
me de morfema. 
Classificação dos Morfemas: 
Radical 
Há um morfema comum a todas as palavras que 
estamos analisando: escol-. É esse morfema 
comum – o radical – que faz com que as conside-
remos palavras de uma mesma família de signifi-
cação – os cognatos. O radical é a parte da pala-
vra responsável por sua significação principal. 
 
Afixos 
Como vimos, o acréscimo do morfema –ar cria 
uma nova palavra a partir de escola. De maneira 
semelhante, o acréscimo dos morfemas sub- e –
arização à forma escol- criou subescolarização. 
 
 20 
 
Esses morfemas recebem o nome de afixos. 
Quando são colocados antes do radical, como 
acontece com sub-, os afixos recebem o nome 
deprefixos. Quando, como –arização, surgem 
depois do radical os afixos são chamados 
de sufixos. 
Prefixos e sufixos, além de operar mudança de 
classe gramatical, são capazes de introduzir mo-
dificações de significado no radical a que são 
acrescentados. 
Desinências 
Quando se conjuga o verbo amar, obtêm-se for-
mas como amava, amavas, amava, amávamos 
amáveis, amavam. Essas modificações ocorrem à 
medida que o verbo vai sendo flexionado em nú-
mero (singular e plural) e pessoa (primeira se-
gunda ou terceira). Também ocorrem se modifi-
carmos o tempo e o modo do verbo (amava, ama-
ra, amasse, por exemplo). 
Podemos concluir, assim, que existem morfemas 
que indicam as flexões das palavras. Esses mor-
femas sempre surgem no fim das palavras variá-
veis e recebem o nome de desinências. Há desi-
nências nominais e desinências verbais. 
• Desinências nominais: indicam o gênero e o 
número dos nomes. Para a indicação de gênero, 
o português costuma opor as desinências -o/-a: 
garoto/garota; menino/menina. 
Para a indicação de número, costuma-se utilizar o 
morfema –s, que indica o plural em oposição à 
ausência de morfema, que indica o singular: garo-
to/garotos; garota/garotas; menino/meninos; me-
nina/meninas. 
No caso dos nomes terminados em –r e –z, a 
desinência de plural assume a forma -es: 
mar/mares; revólver/revólveres; cruz/cruzes. 
• Desinências verbais: em nossa língua, as desi-
nências verbais pertencem a dois tipos distintos. 
Há aqueles que indicam o modo e o tempo (desi-
nências modo-temporais) e aquelas que indicam 
o número e a pessoa dos verbos (desinência 
número-pessoais): 
cant-á-va-mos cant-á-sse-is 
cant: radical 
cant: 
radical 
-á-: vogal temática -á-: vogal temática 
-va-: desinência modo-
temporal (caracteriza o 
-sse-:desinência modo-
temporal (caracteriza o 
pretérito imperfeito do 
indicativo) 
pretérito imperfeito do 
subjuntivo) 
-mos:desinência número-
pessoal (caracteriza a 
primeira pessoa do plu-
ral) 
-is: desinência número-
pessoal (caracteriza a 
segunda pessoa do 
plural) 
 
Vogal Temática 
Observe que, entre o radical cant- e a desinência 
verbal surge sempre o morfema –a. 
Esse morfema, que liga o radical às desinências, 
é chamado de vogal temática. Sua função é ligar-
se ao radical, constituindo o chamado tema. É ao 
tema (radical + vogal temática) que se acrescen-
tam as desinências. Tanto os verbos como os 
nomes apresentam vogais temáticas. 
• Vogais temáticas nominais: São -a, -e, e -o, 
quando átonas finais, como em mesa, artista, 
busca, perda, escola, triste, base, combate. Nes-
ses casos, não poderíamos pensar que essas 
terminações são desinências indicadoras de gê-
nero, pois a mesa, escola, por exemplo, não so-
frem esse tipo de flexão. É a essas vogais temáti-
cas que se liga a desinência indicadora de plural: 
mesa-s, escola-s, perda-s. Os nomes terminados 
em vogais tônicas (sofá, café, cipó, caqui, por 
exemplo) não apresentam vogal temática. 
• Vogais temáticas verbais: São -a, -e e -i, que 
caracterizam três grupos de verbos a que se dá o 
nome de conjugações. Assim, os verbos cuja 
vogal temática é -a pertencem à primeira conju-
gação; aqueles cuja vogal temática é -
e pertencem à segunda conjugação e os que têm 
vogal temática -i pertencem à terceira conjuga-
ção. 
Primeira conju-
gação 
Segunda conju-
gação 
Terceira conju-
gação 
Govern-a-va Estabelec-e-sse Defin-i-ra 
Atac-a-va Cr-e-ra Imped-i-sse 
Realiz-a-sse Mex-e-rá Ag-i-mos 
 
Vogal ou Consoante de Ligação 
As vogais ou consoantes de ligação são morfe-
mas que surgem por motivos eufônicos, ou seja, 
para facilitar ou mesmo possibilitar a leitura de 
uma determinada palavra. 
 
 21 
 
Temos um exemplo de vogal de ligação na pala-
vra escolaridade: o -i- entre os sufixos -ar- e -
dade facilita a emissão vocal da palavra. Outros 
exemplos: gasômetro, alvinegro, tecnocracia, 
paulada, cafeteira, chaleira, tricota. 
Os Elementos Mórficos 
 
Olá, ilustres! Como estão? Bem? I hope so!O título desta matéria é meio sinistro, não é? "Os 
elementos mórficos". 
É... "forte", mas não há motivos para medo; pro-
meto que essas coisas não irão assustá-los nem 
mordê-los nem deixá-los loucos; são apenas mais 
daqueles termos "pesados" da normatividade. 
Esta matéria dá início aos nossos estudos morfo-
lógicos; inofensiva; sério! Bem-vindos à Morfolo-
gia. 
Bom, se já está lendo este parágrafo, está na 
hora de saber uma coisinha: usei o título "elemen-
tos mórficos" só pra dar um pouco de tensão na 
matéria. Na verdade, essas coisas são mais co-
nhecidas como morfemas. Ah, agora sim, né? 
Muito bom… clareou, clareou. 
Em uma palavra temos os morfemas como uni-
dades possuidoras de significado. Há morfemas 
lexicais e morfemas gramaticais. 
Morfemas lexicais (lexemas ou semantemas): 
indicam o significado primitivo da palavra; a ideia 
básica. 
Morfemas gramaticais (gramemas ou forman-
tes): indicam as flexões da palavra quanto ao 
gênero, número, pessoa, modo e tempo. 
Vejamos a análise mórfica (uh!) da palavra linda. 
Onde estará o morfema lexical e o morfema gra-
matical? 
Linda = lind – este é o morfema lexical indicando 
o conceito básico da palavra: alguma coisa, ou 
alguém, homem ou mulher, de grande beleza. 
linda = lind-a – o ‗a‘ é o morfema gramatical 
que indica que a palavra está no gênero feminino 
e no singular. 
Vale observar aqui uma das propriedades dos 
morfemas. Se mudarmos o morfema gramatical 
‗a‘ para o morfema gramatical ‗o‘, a palavra flexi-
ona apenas o gênero, mantendo intacta a ideia de 
grande beleza. Se mexermos no morfema lexical, 
iremos alterar a raiz(1) da palavra e, consequen-
temente, seu conceito, sua ideia, seu significado 
primitivo; tire o morfema lexical „lind‟, colo-
que „fei‟ e verá o que acontece. 
Além disso, podemos brincar ainda mais. Inclua o 
morfema gramatical ‗s‘ no final e a palavra será 
flexionada em número. 
Fei – a lind – a 
Fei – a – s lind – a – s 
Fei – o lind – o 
Fei – o – s lind – o – s 
 
Radical, Desinência, Afixo, Vogal Temática e 
Tema 
Radical - (1) Falamos há pouco de raiz; sim, o 
morfema lexical é também chamado de raiz da 
palavra ou radical. O radical vem carregado de 
sentido dando significado e rumo à palavra. Com-
binando o radical com alguns vários morfemas 
gramaticais, é possível formar palavras cognatas. 
―Ó pai, ó‖: 
-a 
-eiro 
morfema lexical (radical) pedr- -
eira morfemas gramaticais 
-ada 
-ejar 
Desinência (morfemas flexionais) – as desi-
nências indicam as flexões das palavras. Temos: 
Desinências nominais – ‗o‘ indicando gênero 
masculino 
 
 22 
 
– ‗a‘ indicando gênero feminino 
– ‗s‘ indicando o plural (o singular é caracterizado 
pela ausência de uma desinência. Morfema-zero, 
Ø) 
Desinências verbais – indicam o modo, tempo, 
pessoa e número nas formas verbais: 
escrev – erão = indicativo / futuro / 3ª pessoa / 
plural 
escrev – i = indicativo / pretérito perfeito / 1ª pes-
soa / singular 
Afixos (morfemas derivacionais) – geralmente 
modificam o sentido da raiz à qual se agregam, 
formando palavras novas. Temos dois tipos de 
afixos, os prefixos e os sufixos. 
 
- Os prefixos são os afixos que se antepõem ao 
radical: 
Desleal 
- Os sufixos são os afixos que se pospõem ao 
radical: 
Terreiro 
Vogal temática – é a responsável pela ligação 
entre o radical e as demais desinências ou sufi-
xos. Analisemos os elementos formativos da pa-
lavra estudamos. 
estud – a – mos (o morfema ‗a‘ liga o radical ‗es-
tud‘ com a desinência verbal 'mos'; vogal temáti-
ca, portanto) 
Tema – este é fácil; é igual a uma fórmula mate-
mática: 
T = R + VT 
Onde: T = tema 
R = radical 
VT = vogal temática 
Sendo assim, localizemos o tema da pala-
vra estudamos. 
T = R + VT 
R = estud- 
VT = -a- 
Logo: T = estud + a 
Resposta: T = estuda- (quem disse que 
gramática não pode ser exata?) 
Ufa! Acho que basta por agora, né? 
Fala a verdade, não são tão assustadores, são? 
É um prazer saber que estás lendo estas últimas 
frases. A próxima matéria da parte de morfologia 
será formação das palavras. É melhor ter fôlego; 
vai ser uma saga. 
Sinonímia, Antonímia, Homonímia e Paronímia 
Sinonímia é um processo muito utilizado por 
falantes de uma língua. Sabe quando não quere-
mos repetir o mesmo termo ou palavra a todo 
momento? Uma das maneiras de sanarmos esse 
problema é com uso de sinônimos. 
Por exemplo, se digo: ―Passe um dia na mi-
nha casa.‖ e quiser referir-me novamente ao ter-
mo sublinhado ―casa‖, posso lançar mão de um 
sinônimo para não o ter que repetir: ―Passe um 
dia na minha casa e verá como meu lar é acon-
chegante.‖ 
Para saber se o candidato domina mais esse 
subterfúgio da Língua Portuguesa, a banca pede 
a ele que substitua palavras ou termos retirados 
do texto e assinale em qual opção encontram-se 
aqueles que não alteram o sentido, ou os que 
alteram. 
Para se resolver esse tipo de questão é importan-
te que o candidato tenha um certo domínio lexi-
cal, ou seja, que conheça muitas palavras, o que 
é possível conseguir por meio de muita, mas mui-
ta leitura. 
Pode-se ler de tudo. Jornais, revistas, livros, bu-
las de remédio, outdoors, placas de trânsito… o 
fundamental é ser um leitor crítico, aquele que 
busca informação, que reflete a respeito. 
Antonímia nada mais é do que palavras que 
possuem significados contrários, como largo e 
estreito, dentro e fora, grande e pequeno. O im-
portante, aqui, é saber que os significados 
são opostos, ou seja, excluem-se. 
Homonímia é a identidade fonética e/ou gráfica 
de palavras com significados diferentes. Existem 
três tipos de homônimos: 
 Homônimos homógrafos – palavras de 
mesma grafia e significado diferente. Exemplo: 
jogo (substantivo) e jogo (verbo). 
 Homônimos homófonos – palavras com 
mesmo som e grafia diferente. Exemplo: cessão 
 
 23 
 
(ato de ceder), sessão (atividade), seção (setor) e 
secção (corte). 
 Homônimos homógrafos e homófonos – 
palavras com mesma grafia e mesmo som. E-
xemplo: planta (substantivo) e planta (verbo); 
morro (substantivo) e morro (verbo). 
Paronímia é a semelhança gráfica e/ou fonética 
entre palavras. É o caso dos pares de palavras 
anteriormente expostas. 
Outros exemplos de parônimos: 
Acender (atear fogo) 
Ascender (subir), 
Acento (sinal gráfico) 
Assento (cadeira), 
Acerca de (a respeito de) 
A cerca de (distância aproximada) 
Há cerca de (aproximadamente), 
Afim (parente) 
A fim (para), 
Ao invés de (ao contrário de) 
Em vez de (em lugar de), 
Apreçar (tomar preço) 
Apressar (dar pressa), 
Asado (alado) 
Azado (oportuno), 
Assoar (limpar o nariz) 
Assuar (vaiar), 
À-toa (ruim) 
À toa (sem rumo), 
Descriminar (inocentar) 
Discriminar (separar), 
Despensa (depósito) 
Dispensa (licença), 
Flagrante (evidente) 
Fragrante (perfumoso), 
 Incipiente (principiante) 
Insipiente (ignorante), 
Incontinente (imoderado) 
Incontinenti (imediatamente), 
Mandado (ato de mandar) 
Mandato (procuração), 
Paço (palácio) 
Passo (marcha), 
Ratificar (validar) 
Retificar (corrigir), 
Tapar (fechar) 
Tampar (cobrir com tampa), 
Vultoso (volumoso) 
Vultuoso (rosto vermelho e inchado). 
Ortografia Oficial 
O objetivo deste guia é expor ao leitor, de manei-
ra objetiva, as alterações introduzidas na ortogra-
fia da língua portuguesa pelo Acordo Ortográfico 
da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 
16 de dezembro de 1990, por Portugal, Brasil, 
Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Gui-
né-Bissau, Moçambique e, posteriormente, por 
Timor Leste.No Brasil, o Acordo foi aprovado 
pelo Decreto Legislativo no 54, de 18 de abril de 
1995. 
Esse Acordo é meramente ortográfico; portanto, 
restringe-se à língua escrita, não afetando ne-
nhum aspecto da língua falada. Ele não elimina 
todas as diferenças ortográficas observadas nos 
países que têm a língua portuguesa como idioma 
oficial, mas é um passo em direção à pretendida 
unificação ortográfica desses países. 
Este guia foi elaborado de acordo com a 5.ª edi-
ção do Vocabulário Ortográfico da Língua Portu-
guesa (VOLP), publicado pela Academia Brasilei-
ra de Letras em março de 2009. 
Mudanças no alfabeto 
O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintrodu-
zidas as letras k, w e y. O alfabeto completo pas-
sa a ser: 
A B C D E F G H I J 
K L M N O P Q R S 
T U V W X Y Z 
 
 24 
 
As letras k, w e y, que na verdade não tinham 
desaparecido da maioria dos dicionários da nossa 
língua, são usadas em várias situações. Por e-
xemplo: 
 na escrita de símbolos de unidades de 
medida: km (quilômetro), kg (quilograma), W 
(watt); 
 na escrita de palavras e nomes estrangei-
ros (e seus derivados): show, playboy, play-
ground, windsurf, kung fu, yin, yang, William, kai-
ser, Kafka, kafkiano. 
Trema 
Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre 
a letra u para indicar que ela deve ser pronuncia-
da nos grupos gue, gui, que, qui. 
Como era Como fica 
Agüentar Aguentar 
Argüir Arguir 
Bilíngüe Bilíngue 
Cinqüenta Cinquenta 
Delinqüente Delinquente 
Eloqüente Eloquente 
Ensangüentado Ensanguentado 
Eqüestre Equestre 
Freqüente Frequente 
Lingüeta Lingueta 
Lingüiça Linguiça 
Qüinqüênio Quinquênio 
Sagüi Sagui 
Seqüência Sequência 
Seqüestro Sequestro 
Tranqüilo Tranquilo 
Atenção: o trema permanece apenas nas pala-
vras estrangeiras e em suas derivadas. Exem-
plos: Müller, mülleriano. 
Mudanças nas Regras de Acentuação 
1. Não se usa mais o acento dos ditongos abertos 
éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que 
têm acento tônico na penúltima sílaba). 
Como era Como fica 
Alcalóide Alcaloide 
Alcatéia Alcateia 
Andróide Androide 
Apóia (verbo apoiar)apoia 
Apóio (verbo apoiar)apoio 
Asteróide Asteroide 
Bóia Boia 
Celulóide Celuloide 
Clarabóia Claraboia 
Colméia Colmeia 
Coréia Coreia 
Debilóide Debiloide 
Epopéia Epopeia 
Estóico Estoico 
Estréia Estreia 
Estréio (verbo estrear) Estreio 
Geléia Geleia 
Heróico Heroico 
Idéia Ideia 
Jibóia Jiboia 
 
 25 
 
Jóia Joia 
Odisséia Odisseia 
Paranóia Paranoia 
Paranóico Paranoico 
Platéia Plateia 
Tramóia Tramoia 
Atenção: essa regra é válida somente para pala-
vras paroxítonas. Assim, continuam a ser acentu-
adas as palavras oxítonas e os monossílabos 
tônicos terminados em éis e ói(s). Exemplos: pa-
péis, herói, heróis, dói (verbo doer), sóis etc. 
2. Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o 
acento no i e no u tônicos quando vierem depois 
de um ditongo. 
Como era Como fica 
Baiúca Baiuca 
Bocaiúva Bocaiuva* 
Cauíla Cauila** 
* Bacaiuva = certo tipo de palmeira 
**Cauila = avarento 
Atenção: 
 Se a palavra for oxítona e o i ou o u estive-
rem em posição final (ou seguidos de s), o acento 
permanece. Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí; 
 Se o i ou o u forem precedidos de ditongo 
crescente, o acento permanece. Exemplos: guaí-
ba, Guaíra. 
 
3. Não se usa mais o acento das palavras termi-
nadas em êem e ôo(s). 
Como era Como fica 
Abençôo Abençoo 
Crêem (verbo crer) Creem 
Dêem (verbo dar) Deem 
Dôo (verbo doar) Doo 
Enjôo Enjoo 
Lêem (verbo ler) Leem 
Magôo (verbo magoar) Magoo 
Perdôo (verbo perdoar) Perdoo 
Povôo (verbo povoar) Povoo 
Vêem (verbo ver) Veem 
Vôos Voos 
Zôo Zoo 
 
4. Não se usa mais o acento que diferenciava os 
pares pára/para, péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s), 
pólo(s)/polo(s) e pêra/pera. 
Como era Como fica 
Ele pára o carro. Ele para o carro. 
Ele foi ao pólo Norte. Ele foi ao polo Norte. 
Ele gosta de jogar pólo. Ele gosta de jogar polo. 
Esse gato tem pêlos 
brancos. 
Esse gato tem pelos 
brancos. 
Comi uma pêra. Comi uma pera. 
Atenção: 
 Permanece o acento diferencial em pô-
de/pode. Pôde é a forma do passado do verbo 
poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3ª pes-
soa do singular. Pode é a forma do presente do 
indicativo, na 3ª pessoa do singular. 
Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, 
mas hoje ele pode. 
 
 Permanece o acento diferencial em pôr/por. 
Pôr é verbo. Por é preposição. Exemplo: Vou pôr 
o livro na estante que foi feita por mim. 
 
 Permanecem os acentos que diferenciam o 
singular do plural dos verbos ter e vir, assim co-
mo de seus derivados (manter, deter, reter, con-
ter, convir, intervir, advir etc.). 
 
 26 
 
 
Exemplos: 
Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros. 
Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm de Sorocaba. 
Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra. 
Ele convém aos estudantes. / Eles convêm aos 
estudantes. 
Ele detém o poder. / Eles detêm o poder. 
Ele intervém em todas as aulas. / Eles intervêm 
em todas as aulas. 
É facultativo o uso do acento circunflexo para 
diferenciar as palavras forma/fôrma. Em alguns 
casos, o uso do acento deixa a frase mais clara. 
Veja este exemplo: Qual é a forma da fôrma do 
bolo? 
5. Não se usa mais o acento agudo no u tônico 
das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles) arguem, 
do presente do indicativo dos verbos arguir e 
redarguir. 
6. Há uma variação na pronúncia dos verbos ter-
minados em guar, quar e quir, como aguar, ave-
riguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, 
delinquir etc. Esses verbos admitem duas pro-
núncias em algumas formas do presente do indi-
cativo, do presente do subjuntivo e também do 
imperativo. Veja: 
 Se forem pronunciadas com a ou i tônicos, 
essas formas devem ser acentuadas. 
Exemplos: 
verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, 
enxáguam; enxágue, enxágues, enxáguem. 
verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, 
delínquem; delínqua, delínquas, delínquam. 
 Se forem pronunciadas com u tônico, es-
sas formas deixam de ser acentuadas. 
Exemplos (a vogal sublinhada é tônica, isto é, 
deve ser pronunciada mais fortemente que as 
outras): 
verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua, 
enxaguam; enxague, enxagues, enxaguem. 
verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque, 
delinquem; delinqua, delinquas, delinquam. 
Atenção: no Brasil, a pronúncia mais corrente é a 
primeira, aquela com a e i tônicos. 
Uso Do Hífen Com Compostos 
1. Usa-se o hífen nas palavras compostas que 
não apresentam elementos de ligação. Exemplos: 
guarda-chuva, arco-íris, boa-fé, segunda-feira, 
mesa-redonda, vaga-lume, joão-ninguém, porta-
malas, porta-bandeira, pão-duro, bate-boca. 
*Exceções: Não se usa o hífen em certas pala-
vras que perderam a noção de composição, como 
girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, 
paraquedas, paraquedista, paraquedismo. 
2. Usa-se o hífen em compostos que têm pala-
vras iguais ou quase iguais, sem elementos de 
ligação. Exemplos: reco-reco, blá-blá-blá, zum-
zum, tico-tico, tique-taque, cri-cri, glu-glu, rom-
rom, pingue-pongue, zigue-zague, esconde-
esconde, pega-pega, corre-corre. 
3. Não se usa o hífen em compostos que apre-
sentam elementos de ligação. Exemplos: pé de 
moleque, pé de vento, pai de todos, dia a dia, fim 
de semana, cor de vinho, ponto e vírgula, camisa 
de força, cara de pau, olho de sogra. 
Incluem-se nesse caso os compostos de base 
oracional. Exemplos: maria vai com as outras, 
leva e traz, diz que diz que, deus me livre, deus 
nos acuda, cor de burro quando foge, bicho de 
sete cabeças, faz de conta. 
* Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-
de-rosa, mais-que-perfeito,pé-de-meia, ao deus-
dará, à queima-roupa. 
4. Usa-se o hífen nos compostos entre cujos ele-
mentos há o emprego do apóstrofo. Exemplos: 
gota-d'água, pé-d'água. 
5. Usa-se o hífen nas palavras compostas deriva-
das de topônimos (nomes próprios de lugares), 
com ou sem elementos de ligação. Exemplos: 
Belo Horizonte - belo-horizontino 
Porto Alegre - porto-alegrense 
Mato Grosso do Sul - mato-grossense-do-sul 
Rio Grande do Norte - rio-grandense-do-norte 
Õfrica do Sul - sul-africano 
6. Usa-se o hífen nos compostos que designam 
espécies animais e botânicos (nomes de plantas, 
flores, frutos, raízes, sementes), tenham ou não 
elementos de ligação. Exemplos: bem-te-vi, pei-
xe-espada, peixe-do-paraíso, mico-leão-dourado, 
andorinha-da-serra, lebre-da-patagônia, erva-
doce, ervilha-de-cheiro, pimenta-do-reino, peroba-
do-campo, cravo-da-índia. 
Obs.: não se usa o hífen, quando os compostos 
que designam espécies botânicas e zoológicas 
são empregados fora de seu sentido original. 
Observe a diferença de sentido entre os pares: 
a) bico-de-papagaio (espécie de planta orna-
mental) - bico de papagaio (deformação nas 
vértebras). 
 
 27 
 
b) olho-de-boi (espécie de peixe) - olho de boi 
(espécie de selo postal).Uso do hífen com prefi-
xos 
As observações a seguir referem-se ao uso do 
hífen em palavras formadas por prefixos (anti, 
super, ultra, sub etc.) ou por elementos que po-
dem funcionar como prefixos (aero, agro, auto, 
eletro, geo, hidro, macro, micro, mini, multi, neo 
etc.). 
Casos Gerais 
1. Usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h. 
Exemplos: 
Anti-higiênico 
Anti-histórico 
Macro-história 
Mini-hotel 
Proto-história 
Sobre-humano 
super-homem 
ultra-humano 
2. Usa-se o hÃfen se o prefixo terminar com a 
mesma letra com que se inicia a outra palavra. 
Exemplos: 
Micro-ondas 
anti-inflacionã¡rio 
sub-bibliotecã¡rio 
inter-regional 
3. Não se usa o hífen se o prefixo terminar com 
letra diferente daquela com que se inicia a outra 
palavra. 
Exemplos: 
Autoescola 
antiaéreo 
intermunicipal 
supersônico 
superinteressante 
agroindustrial 
aeroespacial 
semicírculo 
* Se o prefixo terminar por vogal e a outra palavra 
começar por r ou s, dobram-se essas letras. 
Exemplos: 
Minissaia 
antirracismo 
ultrassom 
semirreta 
Casos Particulares 
1. Com os prefixos sub e sob, usa-se o hífen 
também diante de palavra iniciada por r. Exem-
plos: 
Sub-região 
Sub-reitor 
Sub-regional 
Sob-roda 
2. Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen 
diante de palavra iniciada por m, n e vogal. E-
xemplos: 
Circum-murado 
Circum-navegação 
Pan-americano 
3. Usa-se o hífen com os prefixos ex, sem, além, 
aquém, recém, pós, pré, pró, vice. 
Exemplos: 
Além-mar 
além-túmulo 
aquém-mar 
ex-aluno 
ex-diretor 
ex-hospedeiro 
ex-prefeito 
ex-presidente 
pós-graduação 
pré-história 
pré-vestibular 
pró-europeu 
recém-casado 
recém-nascido 
sem-terra 
vice-rei 
4. O prefixo co junta-se com o segundo elemento, 
mesmo quando este se inicia por o ou h. Neste 
último caso, corta-se o h. Se a palavra seguinte 
começar com r ou s, dobram-se essas letras. 
Exemplos: 
coobrigação 
coedição 
coeducar 
cofundador 
coabitação 
coerdeiro 
corréu 
corresponsável 
cosseno 
5. Com os prefixos pre e re, não se usa o hífen, 
mesmo diante de palavras começadas por e. 
Exemplos: 
preexistente 
preelaborar 
 
 28 
 
reescrever 
reedição 
6. Na formação de palavras com ab, ob e ad, 
usa-se o hífen diante de palavra começada por b, 
d ou r. 
Exemplos: 
ad-digital 
ad-renal 
ob-rogar 
ab-rogar 
Outros Casos Do Uso Do Hífen 
1. Não se usa o hífen na formação de palavras 
com não e quase. 
Exemplos: 
(acordo de) não agressão 
(isto é um) quase delito 
2. Com mal*, usa-se o hífen quando a palavra 
seguinte começar por vogal, h ou l. 
Exemplos: 
mal-entendido 
mal-estar 
mal-humorado 
mal-limpo 
* Quando mal significa doença, usa-se o hífen se 
não houver elemento de ligação. Exemplo: mal-
francês. Se houver elemento de ligação, escreve-
se sem o hífen. Exemplos: mal de lázaro, mal de 
sete dias. 
3. Usa-se o hífen com sufixos de origem tupi-
guarani que representam formas adjetivas, como 
açu, guaçu, mirim. 
Exemplos: 
capim-açu 
amoré-guaçu 
anajá-mirim 
4. Usa-se o hífen para ligar duas ou mais pala-
vras que ocasionalmente se combinam, formando 
não propriamente vocábulos, mas encadeamen-
tos vocabulares. 
Exemplos: 
ponte Rio-Niterói 
eixo Rio-São Paulo 
5. Para clareza gráfica, se no final da linha a par-
tição de uma palavra ou combinação de palavras 
coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na 
linha seguinte. 
Exemplos: 
Na cidade, conta--se que ele foi viajar. 
O diretor foi receber os ex--alunos. 
Emprego de Letras 
O conjunto de letras empregadas na comunica-
ção escrita chama-se alfabeto. O alfabeto da 
Língua Portuguesa é composto de 23 letras sen-
do cinco vogais e dezoito consoantes. 
As letras K, W e Y não integram o nosso alfabeto, 
mas são aceitas em abreviaturas, símbolos e na 
grafia de palavras estrangeiras, habitualmente 
utilizadas no vocabulário cotidiano e que ainda 
não foram traduzidas para o nosso idioma. 
Divisão Silábica 
A divisão das sílabas em português se faz, de um 
modo geral, obedecendo à pronúncia das pala-
vras. Para tal, devem ser levadas em conta as 
seguintes regras. 
1. Não se separam os ditongos e tritongos. 
Ex.: pei-xe, pau-sa, te-sou-ro, en-cai-xar, i-guais, 
Pa-ra-guai, sa-guão 
2. Separam-se os hiatos. 
Ex.: ru-í-do, sa-ú-de, en-jô-o, co-or-de-nar 
3. Separam-se os dígrafos RR, SS, SC, SÇ e XC 
Ex.: car-ro, pas-so, nas-cer, nas-ça, ex-ce-der 
Obs.: Os demais dígrafos da língua (nh, lh, ch, qu 
etc.) não admitem separação. 
Ex.: fi-lho, que-ro, fi-cha 
4. Quanto aos encontros consonantais, temos: 
a. próprios ou inseparáveis (quando a última 
vogal é l ou r) 
Ex.: a-tle-ta, a-gra-dar, a-bra-çar (br) 
b. impróprios ou separáveis (deve ser separado, 
sendo a última consoante destacada para formar 
sílaba com a vogal seguinte) 
Ex.: rit-mo, ad-vo-ga-do, dig-no (gn), su-pers-tição 
(rst), felds-pa-to (ldsp) 
 
 29 
 
5. Separam-se as letras r e s dos prefixos quando 
a palavra a que eles se ligam começa por vogal. 
Ex.: su-pe-ra-bun-dan-te, bi-sa-vô, su-per-mer-ca-
do, bis-ne-to 
6) Separa-se a letra b do prefixo sub quando a 
palavra a que ele se liga começa por vogal. 
Ex.: su-ba-é-reo, su-bo-fi-ci-al, sub-se-ção, sub-
te-nen-te 
6. Quando a palavra termina em fonemas vocáli-
cos, temos várias possibilidades. 
I) Um ditongo Ex.: se-cre-tá-ria 
II) Um hiato Ex.: se-cre-ra-ri-a 
Emprego do Hífen 
O hífen é um sinal gráfico cujo emprego requer 
cuidado. 
I) Emprega-se o hífen em formas verbais com 
pronome átono enclítico ou mesoclítico. 
Ex.: admiti-lo, depô-los, levá-la-ei, pedi-las-á 
II) Usa-se o hífen em substantivos ou adjetivos 
compostos. 
Ex.: guarda-roupa, amor-perfeito, surdo-mudo 
III) Usa-se o hífen em palavras formadas por pre-
fixação, conforme as regras seguintes. 
1. pseudo, semi, infra, contra, auto, neo, extra, 
proto, intra, ultra, supra: antes de H, R, S, ou 
VOGAL. 
Ex.: proto-história, neo-romântico, pseudo-sábio, 
semi-árido 
A exceção é a palavra extraordinário. 
2. ante, anti, arqui, sobre: antes de H, R ou S. 
Ex.: sobre-humano, anti-rábico, ante-socrático 
São exceções: sobressair (e flexões), sobressal-
tar (e flexões), sobressalto. 
3. super, inter, hiper: antes de H ou R. 
Ex.: super-homem, inter-relacionamento 
4. mal, pan, circum: antes de H ou VOGAL. 
Ex.: mal-educado, pan-helenismo, circum-
hospitalar 
5. ab, ad, ob, sob, sub: antes de R. 
Ex.:ab-rogar, ad-rogar, ob-repção, 
6. pré, pró, pós, além, aquém, recém: sempre 
com hífen. 
Ex.: pré-militar, pós-guerra, além-túmulo, aquém-
mar, recém-casado 
Se os prefixos pré, pró e pós não forem acentua-
dos, não haverá hífen. 
Ex.: preexistente, prorrogar, pospor. 
São exceções as palavras alentejo, alentejano, 
aquentejo, aquentejano. 
7. bem, sem: sempre com hífen. 
Ex.: bem-aventurança, sem-teto. 
São exceções as palavras benfeitor, benfeitoria, 
benquisto, benfazejo. 
8. vice, ex (significando "o que não é mais"): 
sempre com hífen. 
Ex.: vice-presidente, ex-deputado 
9. sota, soto: sempre com hífen. 
Ex.: sota-piloto, soto-mestre 
Excetuam-se as palavras sotavento e sotopor 
10. bi, di, tri, poli, re, uni, macro, micro, mini: 
sempre sem hífen. 
Ex.: bicampeão, polissílabo, redistribuir, acroeco-
nomia, minissaia. 
Existem expressões em que se pode usar o hífen 
ou não, dependendo do sentido. Neste caso, 
ocorrerá o hífen se se tratar de um nome compos-
to: 
Fizeram tudo sem vergonha (destituídos de ver-
gonha) 
Meu vizinho é um sem-vergonha 
Ele é bem-educado. 
Ele foi bem educado pelos pais. 
O ar-condicionado está com defeito. 
Não me sinto bem no ar condicionado. 
As crianças brincavam de cabra-cega. 
Tenho uma cabra cega. 
Comprei um ótimo dois-quartos. 
 
 30 
 
Minha casa tem dois quartos. 
Aqui há um sem-número de equívocos. 
Era uma propriedade sem número. 
Era uma pessoa à-toa. 
Todos ali viviam à toa. 
Comi um delicioso pé-de-moleque. 
Pé de moleque está sempre machucado. 
O seu dia-a-dia foi complicado. 
Progrediremos dia a dia. 
O candidato partiu para o corpo-a-corpo. 
Os atletas disputaram corpo a corpo. 
Expressões que suscitam dúvidas: 
Com Hífen 
Azeite-de-dendê, erva-mate, bem-estar, jardim-
de-infância, bem-vindo, livre-arbítrio, boa-fé, má-
fé, capim-gordura, mala-direta, capim-limão, 
maus-tratos, cartão-postal, obra-de-arte, dona-de-
casa, pôr-do-sol, dor-de-cotovelo (gír.), tão-só, 
edifício-garagem, tão-somente, erva-cidreira, 
zero-quilômetro, erva-doce, 
Sem Hífen 
Aperto de mão, dor de ouvido, azeite de oliva, má 
vontade, boa vontade, marcha a ré, bom senso, 
meio ambiente, cadeira de balanço, óleo de soja, 
cartão de crédito, óleo de milho, chefe de família, 
olho mágico, disco voador, pai de família, dor de 
dente, ponto de vista, dor de garganta, sangue 
frio, ser humano. 
Pronomes 
Pronome é a palavra variável em gênero, número 
e pessoa que substitui ou acompanha o nome, 
indicando-o como pessoa do discurso. Quando o 
pronome substituir um substantivo, será deno-
minado pronome substantivo; quando acompa-
nhar um substantivo, será denominado pronome 
adjetivo. Por exemplo, na frase Aqueles garotos 
estudam bastante; eles serão aprovados com 
louvor. Aqueles é um pronome adjetivo, pois a-
companha o substantivo garotos eeles é um pro-
nome substantivo, pois substitui o mesmo subs-
tantivo. 
Pronome Substantivo X Pronome Adjetivo 
Esta classificação pode ser atribuída a qualquer 
tipo de pronome, podendo variar em função do 
contexto frasal. 
Pron. Substantivo: substitui um substantivo, re-
presentando-o. (ele prestou socorro) 
Pron. Adjetivo: acompanha um substantivo, de-
terminando-o. (Aquele rapaz é belo) 
Obs.: Os pronomes pessoais são sempre subs-
tantivos 
Pessoas Do Discurso 
São três: 
1ª pessoa: aquele que fala emissor 
2ª pessoa: aquele com quem se fala receptor 
3ª pessoa: aquele de que ou de quem se fala, 
referente 
Tipos De Pronomes 
· pessoal 
· possess
ivo 
· demonstra
tivo 
· relativo 
· indefinid
o 
· interroga
tivo 
Pessoal 
Indicam uma das três pessoas do discurso, subs-
tituindo um substantivo. Podem também repre-
sentar, quando na 3ª pessoa, uma forma nominal 
anteriormente expressa. 
Ex.:A moça era a melhor secretária, ela mesma 
agendava os compromissos do chefe. 
Apresentam variações de forma dependendo da 
função sintática que exercem na frase, dividindo-
se em retos e oblíquos. 
Pronomes pessoais 
Número Pessoa Pronomes 
retos 
Pronomes oblí-
quos 
 Tônicos Átonos 
 
Singular 
1a. 
2a. 
3a. 
Eu 
tu 
ele, ela 
Mim, 
comigo 
ti, contigo 
ele, ela, 
si, consi-
go 
Me 
te 
se, o, 
a, lhe 
 
 31 
 
 
Plural 
1a. 
2a. 
3a. 
Nós 
vós 
eles, elas 
Nós, 
conosco 
vós, con-
vosco 
eles, 
elas, si, 
consigo 
Nos 
vos 
se, os, 
as, 
lhes 
Os pron. pessoais retos desempenham, normal-
mente, função de sujeito; enquanto os oblíquos, 
geralmente, de complemento. 
Obs.: os pron. oblíquos tônicos devem vir regidos 
de preposição. 
Em comigo, contigo, conosco econvosco, a pre-
posição com já é parte integrante do pronome. 
Os pron. de tratamento estão enquadrados nos 
pron. pessoais. São empregados como referência 
à pessoa com quem se fala (2ª pess.), entretanto, 
a concordância é feita com a 3ª pess. 
Abrev. Tratamento Uso 
V. A. Vossa Alteza Príncipes, arqui-
duques, duques 
V. Em.ª Vossa Eminência Cardeais 
V. Ex.ª Vossa Excelência Altas autoridades 
do governo e das 
classes armadas 
V. Mag.ª Vossa Magnificên-
cia 
Reitores das uni-
versidades 
V. M. Vossa Majestade Reis, imperadores 
V. 
Rev.
ma
 
Vossa Reverendís-
sima 
Sacerdotes em 
geral 
V. S. Vossa Santidade Papas 
V. S.ª Vossa Senhoria Funcionários pú-
blicos graduados, 
oficiais até coro-
nel, pessoas de 
cerimônia 
Obs.: também são considerados pron. de trata-
mento as formas você, vocês (provenientes da 
redução de Vossa Mercê), Senhor, Senhora e 
Senhorita. 
Emprego 
· você hoje é usado no lugar das 2
as
 pessoas 
(tu/vós), levando o verbo para a 3ª pessoa 
· as formas de tratamento serão precedidas 
de Vossa, quando nos dirigirmos diretamente à 
pessoa e de Sua, quando fizermos referência a 
ela. Troca-se na abreviatura o V. pelo S. 
· quando precedidos de preposição, os pron. 
retos (exceto eu e tu) passam a funcionar como 
oblíquos 
· os pron. acompanhados das pala-
vras só ou todos assumem a forma reta (Estava 
só ele no banco / Encontramos todos eles ali) 
· as formas oblíquas o, a, os, as não vêm 
precedidas de preposição; enquan-
to lhe e lhes vêm regidos das preposi-
ções a ou para (não expressas) 
· eu e tu não podemos vir precedidos de 
preposição, exceto se funcionarem como sujeito 
de um verbo no infinitivo (Isto é para eu fazer ? 
para mim fazer) 
· me, te, se, nos, vos - podem ter valor refle-
xivo 
· se, nos, vos - podem ter valor reflexivo e 
recíproco 
· si e consigo - têm valor exclusivamente 
reflexivo 
· conosco e convosco devem aparecer na 
sua forma analítica (com nós e com vós) quando 
vierem com modificadores (todos, outros, mes-
mos, próprios ou um numeral) 
· o, a, os e as viram lo(a/s), quando associa-
dos a verbos terminados em r, s ou z e viram-
no(a/s), se a terminação verbal for em ditongo 
nasal 
· os pron. pess. retos podem desempenhar 
função de sujeito, predicativo do sujeito ou vocati-
vo, este último com tu e vós (Nós temos uma 
proposta / Eu sou eu e pronto / Ó, tu, Senhor 
Jesus) 
· pode-se omitir o pron. sujeito, pois as 
DNPs verbais bastam para indicar a pessoa gra-
matical 
· plural de modéstia - uso do "nós" em lugar 
do "eu", para evitar tom impositivo ou pessoal 
· num sujeito composto é de bom tom colo-
car o pron. de 1ª pess. por último (José, Maria e 
eu fomos ao teatro). Porém se for algo desagra-
dável ou que implique responsabilidade, usa-se 
inicialmente a 1ª pess. (Eu, José e Maria fomos 
os autores do erro) 
· não se pode contrair as preposi-ções de e em com pronomes que sejam sujeitos 
 
 32 
 
(Em vez de ele continuar, desistiu ? Vi as bolsas 
dele bem aqui) 
· os pronomes átonos podem assumir valor 
possessivo (Levaram-me o dinheiro) 
Obs.: as regras de colocação dos pronomes pes-
soais do caso oblíquos átonos serão vistas em 
separado 
Possessivo 
Fazem referência às pessoas do discurso, apre-
sentando-as como possuidoras de algo. Concor-
dam em gênero e número com a coisa possuída. 
Pronomes possessivos 
Pessoa Um possuidor Vários possui-
dores 
1ª Meu (s), minha 
(s) 
Nosso (a/s) 
2ª Teu (a/s) Vosso (a/s) 
3ª Seu (a/s) Seu (a/s) 
Emprego 
· normalmente, vem antes do nome a que se 
refere; podendo, também, vir depois do substanti-
vo que determina. Neste último caso, pode até 
alterar o sentido da frase 
· seu (a/s) pode causar ambigüidade, para 
desfazê-la, deve-se preferir o uso do dele 
(a/s)(Ele disse que Maria estava trancada 
em sua casa - casa de quem?) 
· pode indicar aproximação numérica (ele 
tem lá seus 40 anos) 
· nas expressões do tipo "Seu João", seu 
não tem valor de posse por ser uma alteração 
fonética de Senhor 
Demonstrativo 
Indicam posição de algo em relação às pessoas 
do discurso, situando-o no tempo e/ou no espaço. 
São: este (a/s), isto, esse (a/s), isso, aquele (a/s), 
aquilo. 
Mesmo, próprio, semelhante, tal e o (a/s) podem 
desempenhar papel de pron. demonstrativo. 
Emprego 
· indicando localização no espaço -
 este (aqui), esse (aí) e aquele (lá) 
· indicando localização temporal -
 este (presente), esse (passado próximo) 
e aquele (passado remoto ou bastante vago) 
· fazendo referência ao que já foi ou será 
dito no texto - este (ainda se vai falar) e esse (já 
mencionado) 
· o, a, os, as são demonstrativos quando 
equivalem a aquele (a/s) 
· tal é demonstrativo se puder ser substituído 
por esse (a), este (a) ou aquele (a) 
· mesmo e próprio são demonstrativos 
quando significarem "idêntico" ou "em pessoa". 
Concordam com o nome a que se referem 
· podem apresentar valor intensificador ou 
depreciativo, dependendo do contexto frasal (Ele 
estava com aquela paciência / Aquilo é um mari-
do de enfeite) 
· nisso e nisto (em + pron.) podem ser usa-
dos com valor de "então" ou "nesse momen-
to"(Nisso, ela entrou triunfante) 
Relativo 
Retoma um termo expresso anteriormente (ante-
cedente). 
São eles que, quem e onde - invariáveis; além 
de o qual (a/s), cujo (a/s) e quanto (a/s). 
Emprego 
· quem será precedido de preposição se 
estiver relacionado a pessoas ou seres personifi-
cados 
· quem = relativo indefinido quando é em-
pregado sem antecedente claro, não vindo prece-
dido de preposição 
· cujo (a/s) é empregado para dar a idéia de 
posse e não concorda com o antecedente e sim 
com seu conseqüente 
· quanto (a/s) normalmente tem por antece-
dente os pronomes indefinidos tudo, tanto (a/s) 
Indefinido 
Referem-se à 3ª pessoa do discurso quando con-
siderada de modo vago, impreciso ou genérico. 
Podem fazer referência a pessoas, coisas e luga-
res. Alguns também podem dar idéia de conjunto 
ou quantidade indeterminada. 
Pronomes indefinidos 
 
 33 
 
Pessoas Quem, alguém, ninguém, outrem 
Lugares Onde, algures, alhures, nenhures 
Coisas Que, qual, quais, algo, tudo, nada, 
todo (a/s), algum (a/s), vários (a), 
nenhum (a/s), certo (a/s), outro (a/s), 
muito (a/s), pouco (a/s), quanto (a/s), 
um (a/s), qualquer (s), cada 
Emprego 
· algum, após o substantivo a que se refere, 
assume valor negativo (= nenhum) (Computador 
algum resolverá o problema) 
· cada deve ser sempre seguido de um subs-
tantivo ou numeral (Elas receberam 3 balas cada 
uma) 
· certo é indefinido se vier antes do nome a 
que estiver se referindo. Caso contrário é adjetivo 
(Certas pessoas deveriam ter seus lugares cer-
tos) 
· bastante pode vir como adjetivo também, 
se estiver determinando algum substantivo 
· o pronome outrem equivale a "qualquer 
pessoa" 
· o pronome nada, colocado junto a verbos 
ou adjetivos, pode equivaler a advérbio (Ele não 
está nada contente hoje) 
· o pronome outro (a/s) ganha valor adjetivo 
se equivaler a diferente" (Ela voltou outra das 
férias) 
· existem algumas locuções pronominais 
indefinidas - quem quer que seja, seja quem for, 
cada um etc. 
Interrogativo 
Usados na formulação de uma pergunta direta ou 
indireta. Referem-se à 3ª pessoa do discurso. 
Na verdade, são os pronomes indefinidos que, 
quem, qual (a/s) e quanto (a/s) em frases interro-
gativas. (Quantos livros você tem? / Não sei 
quem lhe contou) 
Flexão 
É a variação de forma e, conseqüentemente, de 
significado de uma palavra. 
* Flexão de Gênero 
Gênero é o termo que a gramática utiliza para 
enquadrar as palavras variáveis da língua em 
masculinas e femininas. Temos os gêneros mas-
culinos e femininos. 
As classes de palavras que apresentam flexão de 
gênero são: substantivo, adjetivo, artigo, pronome 
e numeral. 
 - palavras do gênero masculino. 
Seres animais: moço, menino, leão, gato, cantor. 
Coisas: pente, lápis, disco, amor, mar. 
 - palavras do gênero feminino. 
Seres animais: moça, menina, leoa, gata, cantora. 
Coisas: colher, revista, fumaça, raiva, chuva. 
As demais palavras que admitem esse tipo de 
flexão (artigo, adjetivo, pronome e numeral) a-
companham o gênero do substantivo a que se 
referem. Exemplos: 
As crianças órfãs. 
Pequenos índios. 
Esses meninos. 
Duas crianças. 
* Flexão de Número 
As palavras variáveis podem mudar sua termina-
ção para indicar singular ou plural. Apresentam 
flexão de número: o substantivo, o artigo, o adje-
tivo, o numeral e o verbo. 
Exemplo: 
Sua irmã sofreu um arranhão. (singular) 
Suas irmãs sofreram uns arranhões. (plural) 
OBS: 
1) A flexão de gênero e de número do substantivo 
implica flexão correspondente do adjetivo. 
Alunos espertos 
Subst. Adj. 
Masc. Pl. Masc. Pl. 
2) Há casos de erro de concordância em que a 
concordância de número pode não acontecer de 
fato e um dos termos pode ficar sem flexão numé-
rica. 
Tinha mãos grande. 
Achei coisas meio esquisita por aqui... 
 
 34 
 
* Flexão de Grau 
São as mudanças efetuadas na terminação para 
indicar tamanho (nos substantivos) e intensidade 
(nos adjetivos). 
O menino estava nervoso. 
O menininho estava nervoso. 
O menino estava nervosíssimo. 
O grau pode expressar estado emotivo e não 
somente intensidade ou tamanho: 
Que doutorzinho, hein ! (ironia) 
Filhinho, venha cá. (carinho) 
O advérbio, embora seja uma palavra invariável, 
admite flexão de grau: 
O fato aconteceu cedo. (advérbio não flexionado) 
O fato aconteceu cedinho. (advérbio flexionado) 
Pronomes Pessoais 
Os pronomes pessoais são aqueles que indicam 
uma das três pessoas do discurso: a que fala, a 
com quem se fala e a de quem se fala. 
 
Pronomes Pessoais Do Caso Reto 
Pronomes pessoais do caso reto são os que de-
sempenham a função sintática de sujeito da ora-
ção. São os pronomes: eu, tu, ele, ela, nós, vós 
eles, elas. 
 
Pronomes Pessoais Do Caso Oblíquo 
São os que desempenham a função sintática de 
complemento verbal (objeto direto ou indireto), 
complemento nominal, agente da passiva, adjunto 
adverbial, adjunto adnominal ou sujeito acusativo 
(sujeito de oração reduzida). 
Os pronomes pessoais do caso oblíquo se subdi-
videm em dois tipos: os átonos, que não são 
antecedidos por preposição, e os tônicos, prece-
didos por preposição. 
Pronomes oblíquos átonos:Os pronomes oblíquos átonos são os seguin-
tes: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes. 
Pronomes oblíquos tônicos: 
Os pronomes oblíquos tônicos são os seguin-
tes: mim, comigo, ti, contigo, ele, ela, si, con-
sigo, nós, conosco, vós, convosco, eles, elas. 
Usos dos Pronomes Pessoais 
01) Eu, tu / Mim, ti 
Eu e tu exercem a função sintática de sujei-
to. Mim e ti exercem a função sintática de com-
plemento verbal ou nominal, agente da passiva 
ou adjunto adverbial e sempre são precedidos de 
preposição. 
 
Ex. 
Trouxeram aquela encomenda para mim. 
Era para eu conversar com o diretor, mas não 
houve condições. 
Agora, observe a oração Sei que não será fácil 
para mim conseguir o empréstimo. O prono-
me mim NÃO é sujeito do verbo conseguir, como 
à primeira vista possa parecer. 
Analisando mais detalhadamente, teremos o se-
guinte: O sujeito do verbo ser é a ora-
ção conseguir o empréstimo, pois que não 
será fácil? 
Resposta: conseguir o empréstimo, portanto há 
uma oração subordinada substantiva subjetiva 
reduzida de infinitivo, que é a oração que funcio-
na como sujeito, tendo o verbo no infinitivo. O 
verbo ser é verbo de ligação, portanto fácil é 
predicativo do sujeito. O adjetivo fácil exige um 
complemento, pois conseguir o empréstimo 
não será fácil para quem? 
Resposta: para mim, que funciona como com-
plemento nominal. Ademais a ordem direta da 
oração é esta: Conseguir o empréstimo não 
será fácil para mim. 
02) Se, si, consigo 
Se, si, consigo são pronomes reflexivos ou recí-
procos, portanto só poderão ser usados na voz 
reflexiva ou na voz reflexiva recíproca. 
Ex. 
Quem não se cuida, acaba ficando doente. 
Quem só pensa em si, acaba ficando sozinho. 
Gilberto trouxe consigo os três irmãos. 
03) Com nós, com vós / Conosco, convosco 
Usa-se com nós ou com vós, quando, à frente, 
surgir qualquer palavra que indique quem "somos 
nós" ou quem "sois vós". 
Ex. 
 
 35 
 
Ele conversou com nós todos a respeito de seus 
problemas. 
Ele disse que sairia com nós dois. 
04) Dele, do + subst. / De ele, de o + subst. 
 
Quando os pronomes pessoais ele(s), ela(s), ou 
qualquer substantivo, funcionarem como sujeito, 
não devem ser aglutinados com a preposição de. 
Ex. 
É chegada a hora de ele assumir a responsabili-
dade. 
No momento de o orador discursar, faltou-lhe a 
palavra. 
05) Pronomes Oblíquos Átonos 
Os pronomes oblíquos átonos são me, te, se, o, 
a, lhe, nos, vos, os as, lhes. Eles podem exercer 
diversas funções sintáticas nas orações. São 
elas: 
A) Objeto Direto 
Os pronomes que funcionam como objeto direto 
são me, te, se, o, a, nos, vos, os, as. 
Ex. 
Quando encontrar seu material, traga-o até mim. 
Respeite-me, garoto. 
Levar-te-ei a São Paulo amanhã. 
Notas: 
01) Se o verbo for terminado em M, ÃO ou ÕE, os 
pronomes o, a, os, as se transformarão emno, 
na, nos, nas. 
Ex. 
Quando encontrarem o material, tragam-no até 
mim. 
Os sapatos, põe-nos fora, para aliviar a dor. 
02) Se o verbo terminar em R, S ou Z, essas ter-
minações serão retiradas, e os pronomes o, a, 
os, as mudarão para lo, la, los, las. 
Ex. 
Quando encontrarem as apostilas, deverão trazê-
las até mim. 
As apostilas, tu perde-las toda semana. (Pronun-
cia-se pérde-las) 
As garotas ingênuas, o conquistador sedu-las 
com facilidade. 
03) Independentemente da predicação verbal, se 
o verbo terminar em mos, seguido de nos ou 
devos, retira-se a terminação -s. 
Ex. 
Encontramo-nos ontem à noite. 
Recolhemo-nos cedo todos os dias. 
04) Se o verbo for transitivo indireto terminado 
em s, seguido de lhe, lhes, não se retira a termi-
nação s. 
Ex. 
Obedecemos-lhe cegamente. 
Tu obedeces-lhe? 
B) Objeto Indireto 
Os pronomes que funcionam como objeto indireto 
são me, te, se, lhe, nos, vos, lhes. 
Ex. 
Traga-me as apostilas, quando as encontrar. 
Obedecemos-lhe cegamente. 
C) Adjunto adnominal 
Os pronomes que funcionam como adjunto ad-
nominal são me, te, lhe, nos, vos, lhes, quando 
indicarem posse (algo de alguém). 
Ex. 
Quando Clodoaldo morreu, Soraia recebeu-lhe a 
herança. (a herança dele) 
Roubaram-me os documentos. (os documentos 
de alguém - meus) 
D) Complemento nominal 
Os pronomes que funcionam como complemento 
nominal são me, te, lhe, nos, vos, lhes, quando 
complementarem o sentido de adjetivos, advér-
bios ou substantivos abstratos. (algo a alguém, 
não provindo a preposição a de um verbo). 
Ex. 
Tenha-me respeito. (respeito a alguém) 
É-me difícil suportar tanta dor. (difícil a alguém) 
E) Sujeito acusativo 
 
 36 
 
Os pronomes que funcionam como sujeito acusa-
tivo são me, te, se, o, a, nos, vos, os, as, quan-
do estiverem em um período composto formado 
pelos verbos fazer, mandar, ver, deixar, sen-
tir ou ouvir, e um verbo no infinitivo ou no ge-
rúndio. 
 
Ex. 
Deixei-a entrar atrasada. 
Mandaram-me conversar com o diretor. 
Pronomes Relativos 
O Pronome Relativo Que 
Este pronome deve ser utilizado com o intuito de 
substituir um substantivo (pessoa ou "coisa"), 
evitando sua repetição. Na montagem do período, 
deve-se colocá-lo imediatamente após o substan-
tivo repetido, que passará a ser chamado de e-
lemento antecedente. 
Por exemplo, nas orações Roubaram a peça. A 
peça era rara no Brasil há o substantivo peça-
repetido. Pode-se usar o pronome relativo que e, 
assim, evitar a repetição de peça. 
O pronome será colocado após o substantivo. 
Então teremos Roubaram a peça que... Es-
te que está no lugar da palavra peça da outra 
oração. Deve-se, agora, terminar a outra ora-
ção: ...era rara no Brasil, ficando 
Roubaram a peça que era rara no Brasil. 
Pode-se, também, iniciar o período pela outra 
oração, colocando o pronome após o substantivo. 
Então, tem-se A peça que... Este que está no 
lugar da palavra peça da outra oração. Deve-se, 
agora, terminar a outra oração: ...roubaram, fi-
cando A peça que roubaram... . Finalmente, 
conclui-se a oração que se havia iniciado: ...era 
rara no Brasil, ficando 
A peça que roubaram era rara no Brasil. 
Outros exemplos: 
01) Encontrei o garoto. Você estava procurando o 
garoto. 
Substantivo repetido = garoto 
Colocação do pronome após o substantivo = En-
contrei o garoto que ... 
Restante da outra oração = ... Você estava procu-
rando. 
Junção de tudo = Encontrei o garoto que você 
estava procurando. 
Começando pela outra oração: 
Colocação do pronome após o substantivo = Vo-
cê estava procurando o garoto que ... 
Restante da outra oração = ... Encontrei 
Junção de tudo = Você estava procurando o garo-
to que encontrei. 
02) Eu vi o rapaz. O rapaz era seu amigo. 
Substantivo repetido = rapaz 
Colocação do pronome após o substantivo = Eu vi 
o rapaz que ... 
Restante da outra oração = ... Era seu amigo. 
Junção de tudo = Eu vi o rapaz que era seu ami-
go. 
Começando pela outra oração: 
Colocação do pronome após o substantivo = O 
rapaz que ... 
Restante da outra oração = ... Eu vi ... 
Finalização da oração que se havia iniciado = ... 
Era seu amigo 
Junção de tudo = O rapaz que eu vi era seu ami-
go. 
03) Nós assistimos ao filme. Vocês perderam o 
filme. 
Substantivo repetido = filme 
Colocação do pronome após o substantivo = Nós 
assistimos ao filme que ... 
Restante da outra oração = ... Vocês perderam. 
Junção de tudo = Nós assistimos ao filme que 
vocês perderam. 
Começando pela outra oração: 
Colocação do pronome após o substantivo = Vo-
cês perderam o filme que ... 
Restante da outra oração = ... Nós assistimos 
Junção de tudo = Vocês perderam o filme que 
nós assistimos. 
Observe que, nesse último exemplo, a junção de 
tudo ficou incompleta, pois a primeira oraçãoénós assistimos ao filme, porém, na junção, a 
 
 37 
 
prep. A desapareceu. Portanto o período está 
inadequado gramaticalmente. 
A explicação é a seguinte: Quando o verbo do 
restante da outra oração exigir preposição, deve-
se colocá-la antes do pronome relativo. Então 
teremos: Vocês perderam o filme a que nós 
assistimos. 
04) O gerente precisa dos documentos. O asses-
sor encontrou os documentos 
Substantivo repetido = documentos 
Colocação do pronome após o substantivo = O 
gerente precisa dos documentos que ... 
Restante da outra oração = ... O assessor encon-
trou 
Junção de tudo = O gerente precisa dos docu-
mentos que o assessor encontrou. 
Começando pela outra oração: 
Colocação do pronome após o substantivo = O 
assessor encontrou os documentos que ... 
Restante da outra oração = ... O gerente precisa. 
O verbo precisar está usado com a prep. De, 
portanto ela será colocada antes do pronome 
relativo. 
Junção de tudo = O assessor encontrou os do-
cumentos de que o gerente precisa. 
Obs: O pronome que pode ser substituído por o 
qual, a qual, os quais e as quais sempre. O 
gênero e o número são de acordo com o substan-
tivo substituído. 
 
Os exemplos apresentados ficarão, então, assim, 
com o que substituído por qual: 
Encontrei o livro o qual você estava procurando. 
Você estava procurando o livro o qual encontrei. 
Eu vi o rapaz o qual é seu amigo. O rapaz o qual 
vi é seu amigo. 
Nós assistimos ao filme o qual vocês perderam. 
Vocês perderam o filme ao qual nós assistimos. 
O gerente precisa dos documentos os quais o 
assessor encontrou. O assessor encontrou os 
documentos dos quais o gerente precisa. 
Obs: Todos os pronomes relativos inici-
am Oração Subordinada Adjetiva, portanto to-
dos os períodos apresentados contêm oração 
subordinada adjetiva. 
O Pronome Relativo Cujo 
Este pronome indica posse (algo de alguém). 
Na montagem do período, deve-se colocá-lo entre 
o possuidor e o possuído (alguém cujo algo) 
Por exemplo, nas orações Antipatizei com o 
rapaz. Você conhece a namorada do rapaz. 
O substantivo repetido rapaz possui namorada. 
Deveremos, então usar o pronome relativo cujo, 
que será colocado entre o possuidor e o possuí-
do: Algo de alguém = Alguém cujo algo. Então, 
tem-se a namorada do rapaz = o rapaz cujo a 
namorada. 
Não se pode, porém, usar artigo (o, a, os, as) 
depois de cujo. Ele deverá contrair-se com o 
pronome, ficando: cujo + o = cujo; cujo + a = 
cuja; cujo + os = cujos; cujo + as = cujas. En-
tão a frase ficará o rapaz cuja namorada. So-
mando as duas orações, tem-se: 
Antipatizei com o rapaz cuja namorada você 
conhece. 
Outros exemplos: 
01) A árvore foi derrubada. Os frutos da árvore 
são venenosos. 
Substantivo repetido = árvore - o substantivo re-
petido possui algo. 
Algo de alguém = Alguém cujo algo: os frutos da 
árvore = a árvore cujos frutos. Somando as duas 
orações, tem-se: 
A árvore cujos frutos são venenosos foi derruba-
da. 
Começando pela outra oração: 
Colocação do pronome que após o substantivo = 
Os frutos da árvore que... 
Restante da outra oração = ...foi derrubada ... 
Finalização da oração que se havia iniciado = 
...são venenosos 
Junção de tudo = Os frutos da árvore que foi der-
rubada são venenosos. 
02) O artista morreu ontem. Eu falara da obra do 
artista. 
Substantivo repetido = artista - o substantivo re-
petido possui algo. 
 
 38 
 
Algo de alguém = Alguém cujo algo: a obra do 
artista = o artista cuja obra. Somando as duas 
orações, tem-se: 
O artista cuja obra eu falara morreu ontem. 
Observe que, nesse último exemplo, a junção de 
tudo ficou incompleta, pois a segunda oração é: 
Eu falara da obra do artista, porém, na junção, a 
prep. De desapareceu. Portanto o período está 
inadequado gramaticalmente. 
A explicação é a seguinte: Quando o verbo da 
oração subordinada adjetiva exigir preposição, 
deve-se colocá-la antes do pronome relativo. 
Então, tem-se: O artista de cuja obra eu falara 
morreu ontem. 
03) As pessoas estão presas. Eu acreditei nas 
palavras das pessoas. 
Substantivo repetido = pessoas - o substantivo 
repetido possui algo. 
Algo de alguém = Alguém cujo algo: as palavras 
das pessoas = as pessoas cujas palavras. So-
mando as duas orações, tem-se 
As pessoas cujas palavras acreditei estão 
presas. 
O verbo acreditar está usado com a prep. Em, 
portanto ela será colocada antes do pronome 
relativo. As pessoas em cujas palavras acredi-
tei estão presas. 
Começando pela outra oração: 
Colocação do pronome que após o substantivo = 
Eu acreditei nas palavras das pessoas que ... 
Restante da outra oração = ... Estão presas 
Junção de tudo = Eu acreditei nas palavras das 
pessoas que estão presas. 
Obs: Todos os pronomes relativos iniciam Oração 
Subordinada Adjetiva, portanto todos os períodos 
apresentados contêm oração subordinada adjeti-
va. 
O Pronome Relativo Quem 
Este pronome substitui um substantivo que repre-
senta uma pessoa, evitando sua repetição. So-
mente deve ser utilizado antecedido de preposi-
ção, inclusive quando funcionar como objeto dire-
to, Nesse caso, haverá a anteposição obrigatória 
da prep. 
A, e o pronome passará a exercer a função sintá-
tica de objeto direto preposicionado. Por e-
xemplo na oração A garota que conheci está 
em minha sala, o pronome que funciona como 
objeto direto. Substituindo pelo pronome quem, 
tem-se 
A garota a quem conheci ontem está em mi-
nha sala. 
Há apenas uma possibilidade de o prono-
me quem não ser precedido de preposição: 
quando funcionar como sujeito. Isso só ocorrerá, 
quando possuir o mesmo valor de o que, a que, 
os que, as que, aquele que, aquela que, aque-
les que, aquelas que, ou seja, quando puder ser 
substituído por pronome demonstrativo (o, a, os, 
as, aquele, aquela, aqueles, aquelas) mais o 
pronome relativo que. 
Por exemplo: Foi ele quem me disse a verdade 
= Foi ele o que me disse a verdade. Nesses 
casos o pronome quem será denominado de 
Pronome Relativo Indefinido. 
Na montagem do período, deve-se colocar o pro-
nome relativo quem imediatamente após o subs-
tantivo repetido, que passará a ser chamado de 
elemento antecedente. 
Por exemplo: nas orações Este é o artista. Eu 
me referi ao artista ontem, há o substantivoar-
tista repetido. Pode-se usar o pronome relati-
vo quem e, assim, evitar a repetição de artista. 
O pronome será colocado após o substantivo. 
Então, tem-se Este é o artista quem... Es-
te quem está no lugar da palavra artista da outra 
oração. Deve-se, agora, terminar a outra ora-
ção: ...eu me referi ontem, ficando Este é o ar-
tista quem me referi ontem. Como o ver-
bo referir-seexige a preposição a, ela será colo-
cada antes do pronome relativo. Então tem-se: 
Este é o artista a quem me referi ontem. 
Não se pode iniciar o período pela outra oração, 
pois o pronome relativo quem só funciona como 
sujeito, quando puder ser substituído por o que, a 
que, os que, as que, aquele que, aqueles que, 
aquela que, aquelas que. 
Outros exemplos: 
01) Encontrei o garoto. Você estava procuran-
do o garoto. 
Substantivo repetido = garoto 
Colocação do pronome após o substantivo = En-
contrei o garoto quem... 
 
 39 
 
Restante da outra oração = ...você estava procu-
rando. 
Junção de tudo = Encontrei o garoto quem você 
estava procurando. Como procurar é verbo tran-
sitivo direto, o pronome quem funciona como 
objeto direto. Então, deve-se antepor a prep.a ao 
pronome relativo, funcionando como objeto direto 
preposicionado. 
Encontrei o garoto a quem você estava procu-
rando. 
Começando pela outra oração: 
Colocação do pronome após o substantivo = Vo-
cê estava procurando o garoto quem ... 
Restante da outra oração = ... EncontreiJunção de tudo = Você estava procurando o garo-
to quem encontrei. Novamente objeto direto pre-
posicionado: 
Você estava procurando o garoto a quem en-
contrei. 
02) Aquele é o homem. Eu lhe falei do homem. 
Substantivo repetido = homem 
Colocação do pronome após o substantivo = A-
quele é o homem quem... 
Restante da outra oração = ...lhe falei. 
Junção de tudo = Aquele é o homem quem lhe 
falei. Como falar está usado com a prep. De, 
deve-se antepô-la ao pronome relativo, ficando 
Aquele é o homem de quem lhe falei. 
Não se esqueça disto: 
O pronome relativo quem somente deve ser utili-
zado antecedido de preposição; 
Quando for objeto direto, será antecedido da 
prep. A, transformando-se em objeto direto pre-
posicionado; 
 
Somente funciona como sujeito, quando puder 
ser substituído por o que, os que, a que, as que, 
aquele que, aqueles que, aquela que, aquelas 
que. 
O Pronome Relativo Qual 
Este pronome tem o mesmo valor de que e 
de quem. 
É sempre antecedido de artigo, que concorda 
com o elemento antecedente, ficando o qual, a 
qual, os quais, as quais. 
Se a preposição que anteceder o pronome relati-
vo possuir duas ou mais sílabas, só poderemos 
usar o pronome qual, e não que ou quem. Então 
só se pode dizer O juiz perante o qual testemu-
nhei. 
Os assuntos sobre os quais conversamos, e 
não O juiz perante quem testemunhei nem Os 
assuntos sobre que conversamos. 
Outro exemplo: 
Meu irmão comprou o restaurante. Eu falei a 
você sobre o restaurante. 
Substantivo repetido = restaurante 
Colocação do pronome após o substantivo = Meu 
irmão comprou o restaurante que ... 
Restante da outra oração = ... Eu falei a você. 
Junção de tudo = Meu irmão comprou o restau-
rante que eu falei a você. Observe que o verbofa-
lar, na oração apresentada, foi usado com a pre-
posição sobre, que deverá ser anteposta ao pro-
nome relativo: Meu irmão comprou o restauran-
te sobre que eu falei a você. 
Como a preposição sobre possui duas sílabas, 
não se pode usar o pronome que, e sim o qual, 
ficando, então: 
Meu irmão comprou o restaurante sobre o 
qual eu falei a você. 
O Pronome Relativo Onde 
Este pronome tem o mesmo valor de em que. 
 
Sempre indica lugar, por isso funciona sintatica-
mente como Adjunto Adverbial de Lugar. 
Se a preposição em for substituída pela prep. 
A ou pela prep. De, substituiremos onde por a-
ondee donde, respectivamente. 
Por exemplo: O sítio aonde fui é aprazível. A 
cidade donde vim fica longe. 
Será Pronome Relativo Indefinido, quando puder 
ser substituído por O lugar em que. Por exemplo, 
na frase: Eu nasci onde você nasceu. = Eu 
nasci no lugar em que você nasceu. 
Outro exemplo: 
 
 40 
 
Eu conheço a cidade. Sua sobrinha mora na 
cidade. 
Substantivo repetido = cidade 
Colocação do pronome após o substantivo = Eu 
conheço a cidade que... 
Restante da outra oração = ... Sua sobrinha mora. 
Junção de tudo = Eu conheço a cidade que sua 
sobrinha mora. O verbo morar exige a prep.em, 
pois quem mora, mora em algum lugar. Então: 
Eu conheço a cidade em que sua sobrinha 
mora. 
Eu conheço a cidade na qual sua sobrinha 
mora. 
Eu conheço a cidade onde sua sobrinha mora. 
O Pronome Relativo Quanto 
Este pronome é sempre antecedido de tudo, 
todos ou todas, concordando com esses ele-
mentos (quanto, quantos, quantas). 
Ex: 
Fale tudo quanto quiser falar. 
Traga todos quantos quiser trazer. 
Beba todas quantas quiser beber. 
Pronomes de Tratamento 
São pronomes empregados no trato com as pes-
soas, familiarmente ou respeitosamente. Embora 
opronome de tratamento se dirija à segunda 
pessoa, toda a concordância deve ser feita com 
aterceira pessoa. Usa-se Vossa, quando con-
versamos com a pessoa, e Sua, quan-
do falamos da pessoa. 
Ex. 
Vossa Senhoria deveria preocupar-se com suas 
responsabilidades e não com as dele. 
Sua Excelência, o Prefeito, que se encontra au-
sente. 
Eis uma pequena lista de pronomes de tratamen-
to: 
Autoridades De Estado 
Civis 
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado 
para 
1 - Vossa Excelência - V. Ex.
a
 - Presidente da 
República, Senadores da República, Ministro de 
Estado, Governadores, Deputados Federais e 
Estaduais, Prefeitos, Embaixadores, Vereadores, 
Cônsules, Chefes das Casas Civis e Casas Milita-
res. 
2 - Vossa Magnificência - V. M. - Reitores de 
Universidade 
3 - Vossa Senhoria - V. S.
a
 - Diretores de Autar-
quias Federais, Estaduais e Municipais. 
Judiciárias 
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado 
para 
1 - Vossa Excelência - V. Ex.
a
 - Desembargador 
da Justiça, curador, promotor 
2 - Meritíssimo Juiz - M. - Juiz, Juízes de Direito 
3 - Vossa Senhoria - V. S.
a
 - Diretores de Autar-
quias Federais, Estaduais e Municipais 
Militares 
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado 
para 
1 - Vossa Excelência - V. Ex.
a
 - Oficiais generais 
(até coronéis) 
2 - Vossa Senhoria - V. S.
a
 - Outras patentes 
militares 
3 - Vossa Senhoria - V. S.
a
 - Diretores de Autar-
quias Federais, Estaduais e Municipais 
Autoridades Eclesiásticas 
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado 
para 
1 - Vossa Santidade - V. S. - Papa 
2 - Vossa Eminência Reverendíssima - V. 
Em.
a
 Revm.
a
 - Cardeais, arcebispos e bispos 
3 - Vossa Reverendíssima - V. Revm
a
 - Abades, 
superiores de conventos, outras autoridades e-
clesiásticas e sacerdotes em geral 
Autoridades Monárquicas 
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado 
para 
1 - Vossa Majestade - V. M. - Reis e Imperadores 
2 - Vossa Alteza - V. A. - Príncipe, Arquiduques e 
Duques 
 
 41 
 
3 - Vossa Reverendíssima - V. Revm
a
 - Abades, 
superiores de conventos, outras autoridades e-
clesiásticas e sacerdotes em geral 
Outras Autoridades 
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado 
para 
1 - Vossa Senhoria - V. S.
a
 - Dom 
2 - Doutor - Dr. - Doutor 
3 – Comendador - Com. - Comendador 
 4 – Professor - Prof. – Professor 
Pronomes Possessivos 
São aqueles que indicam posse, em relação às 
três pessoas do discurso. São eles: meu(s), mi-
nha(s), teu(s), tua(s), seu(s), sua(s), nosso(s), 
nossa(s), vosso(s), vossa(s). 
Empregos dos pronomes possessivos: 
01) O emprego dos possessivos de terceira pes-
soa seu, sua, seus, suas pode dar duplo sentido 
à frase (ambigüidade). Para evitar isso, coloca-se 
à frente do substantivo dele, dela, deles, delas, ou 
troca-se o possessivo por esses elementos. 
Ex. 
Joaquim contou-me que Sandra desaparecera 
com seus documentos. 
De quem eram os documentos? Não há como 
saber. Então a frase está ambígua. Para tirar a 
ambigüidade, coloca-se, após o substantivo, o 
elemento referente ao dono dos documentos: se 
for Joaquim: Joaquim contou-me que Sandra 
desaparecera com seus documentos dele; se for 
Sandra: Joaquim contou-me que Sandra desapa-
recera com seus documentos dela. 
Pode-se, ainda, eliminar o pronome possessivo: 
Joaquim contou-me que Sandra desaparecera 
com os documentos dele (ou dela). 
02) É facultativo o uso de artigo diante dos pos-
sessivos. 
Ex. 
Trate bem seus amigos. Ou Trate bem os seus 
amigos. 
03) Não se devem usar pronomes possessivos 
diante de partes do próprio corpo. 
Ex. 
Amanhã, irei cortar os cabelos. 
Vou lavar as mãos. 
Menino! Cuidado para não machucar os pés! 
04) Não se devem usar pronomes possessivos 
diante da palavra casa, quando for a residência 
da pessoa que estiver falando. 
Ex. 
Acabei de chegar de casa. 
Estou em casa, tranqüilo. 
Pronomes Demonstrativos 
Pronomes demonstrativos são aqueles que situ-
am os seres no tempo e no espaço, em relação 
às pessoas do discurso. São osseguintes: 
01) Este, esta, isto: 
São usados para o que está próximo da pessoa 
que fala e para o tempo presente. 
Ex. 
Este chapéu que estou usando é de couro. 
Este ano está sendo cheio de surpresas. 
02) Esse, essa, isso: 
São usados para o que está próximo da pessoa 
com quem se fala, para o tempo passado recente 
e para o futuro. 
Ex. 
Esse chapéu que você está usando é de couro? 
2003. Esse ano será envolto em mistérios. 
Em novembro de 2001, inauguramos a loja. Até 
esse mês, nada sabíamos sobre comércio. 
03) Aquele, aquela, aquilo: 
São usados para o que está distante da pessoa 
que fala, e da pessoa com quem se fala e para o 
tempo passado remoto. 
Ex. 
Aquele chapéu que ele está usando é de couro? 
Em 1974, eu tinha 15 anos. Naquela época, Lon-
drina era uma cidade pequena. 
Outros usos dos demonstrativos: 
01) Em uma citação oral ou escrita, usa-se este, 
esta, isto para o que ainda vai ser dito ou escrito, 
e esse, essa, isso para o que já foi dito ou escri-
to. 
 
 42 
 
Ex. 
Esta é a verdade: existe a violência, porque a 
sociedade a permitiu. 
Existe a violência, porque a sociedade a permitiu. 
A verdade é essa. 
02) Usa-se este, esta, isto em referência a um 
termo imediatamente anterior. 
Ex. 
O fumo é prejudicial à saúde, e esta deve ser 
preservada. 
Quando interpelei Roberval, este assustou-se 
inexplicavelmente. 
03) Para estabelecer-se a distinção entre dois 
elementos anteriormente citados, usa-se este, 
esta, isto em relação ao que foi mencionado por 
último e aquele, aquela, aquilo, em relação ao 
que foi nomeado em primeiro lugar. 
Ex. 
Sabemos que a relação entre o Brasil e os Esta-
dos Unidos é de domínio destes sobre aquele. 
Os filmes brasileiros não são tão respeitados 
quanto as novelas, mas eu prefiro aqueles a es-
tas. 
04) O, a, os, as são pronomes demonstrativos, 
quando equivalem a isto, isso, aquilo ou aque-
le(s), aquela(s). 
Ex. 
Não concordo com o que ele falou. (aquilo que 
ele falou) 
Tudo o que aconteceu foi um equívoco. (aquilo 
que aconteceu) 
Pronomes Indefinidos 
Os pronomes indefinidos referem-se à terceira 
pessoa do discurso de uma maneira vaga, impre-
cisa, genérica. 
São eles: alguém, ninguém, tudo, nada, algo, 
cada, outrem, mais, menos, demais, algum, 
alguns, alguma, algumas, nenhum, nenhuns, 
nenhuma, nenhumas, todo, todos, toda, todas, 
muito, muitos, muita, muitas, bastante, bas-
tantes, pouco, poucos, pouca, poucas, certo, 
certos, certa, certas, tanto, tantos, tanta, tan-
tas, quanto, quantos, quanta, quantas, um, 
uns, uma, umas, qualquer, quaisquer, (além 
das locuções pronominais indefinidas): cada 
um, cada qual, quem quer que, todo aquele 
que, tudo o mais... 
Usos de alguns pronomes indefinidos: 
01) Todo: 
O pronome indefinido todo deve ser usado com 
artigo, se significar inteiro e o substantivo à sua 
frente o exigir; caso signifique cada ou todos não 
terá artigo, mesmo que o substantivo exija. 
Ex. 
Todo dia telefono a ela. (Todos os dias) 
Fiquei todo o dia em casa. (O dia inteiro) 
Todo ele ficou machucado. (Ele inteiro, mas a 
palavra ele não admite artigo) 
02) Todos, todas: 
Os pronomes indefinidos todos e todas devem ser 
usados com artigo, se o substantivo à sua frente 
o exigir. 
Ex. 
Todos os colegas o desprezam. 
Todas as meninas foram à festa. 
Todos vocês merecem respeito. 
03) Algum: 
O pronome indefinido algum tem sentido afirmati-
vo, quando usado antes do substantivo; passa a 
ter sentido negativo, quando estiver depois do 
substantivo. 
Ex. 
Amigo algum o ajudou. (Nenhum amigo) 
Algum amigo o ajudará. (Alguém) 
04) Certo: 
A palavra certo será pronome indefinido, quando 
anteceder substantivo e será adjetivo, quando 
estiver posposto a substantivo. 
Ex 
Certas pessoas não se preocupam com os de-
mais. 
As pessoas certas sempre nos ajudam. 
05) Qualquer: 
O pronome indefinido qualquer não deve ser usa-
do em sentido negativo. Em seu lugar, deve-se 
 
 43 
 
usar algum, posteriormente ao substantivo, ou 
nenhum. 
Ex. 
Ele entrou na festa sem qualquer problema. Essa 
frase está inadequada gramaticalmente. O ade-
quado seria: 
Ele entrou na festa sem problema algum. 
Ele entrou na festa sem nenhum problema. 
Pronomes Interrogativos 
São os pronomes que, quem, qual e quanto 
usados em frases interrogativas diretas ou indire-
tas. 
Ex. 
Que farei agora? - Interrogativa direta. 
Quanto te devo, meu amigo? - Interrogativa dire-
ta. 
Qual é o seu nome? - Interrogativa direta. 
Não sei quanto devo cobrar por esse trabalho. - 
Interrogativa indireta. 
Notas: 
01) Na expressão interrogativa Que é de? Suben-
tende-se a palavra feito: Que é do sorriso? (= 
Que é feito do sorriso? ), Que é dele? (= Que é 
feito dele?). 
Nunca se deve usar quédê, quedê ou cadê, pois 
essas palavras oficialmente não existem, apesar 
de, no Brasil, o uso de cadê ser cada dia mais 
constante. 
02) Não se deve usar a forma o que como pro-
nome interrogativo; usa-se apenas que, a não ser 
que o pronome seja colocado depois do verbo. 
Ex. 
Que você fará hoje à noite? E não: O que você 
fará hoje à noite? 
Que queres de mim? E não: O que queres de 
mim? 
Você fará o quê? 
Classes 
gramaticais 
Função ou sentido 
Advérbio Palavra que modifica o verbo, o 
adjetivo ou outro advérbio, ex-
pressando uma circunstância. 
Exemplos: 
Ali:lá,naquele lugar. 
Não: expressa negação. 
Logo: prontamente, imediata-
mente. 
Preposição Termo que subordina uma pala-
vra a outra. Exemplos: 
Livro de João, peso sobre o 
papel, espaço entre as árvores, 
morava em Belo Horizonte. 
Conjunção Termo que liga duas palavras, 
dois membros de uma oração 
ou duas orações. Exemplos: 
E: exprime ideia de adição (adi-
tiva). 
Mas: relaciona pensamentos em 
contraste ou oposição. 
Quando: conjunção temporal. 
Se: conjunção que exprime con-
dição. 
 
Flexão Verbal 
Dentre todas as classe gramaticais, a que mais 
se apresenta passível de flexões é a representa-
da pelos verbos. Flexões estas relacionadas a: 
Pessoa– Indica as três pessoas relacionadas ao 
discurso, representadas tanto no modo singular, 
quanto no plural. 
Número – Representa a forma pela qual o verbo 
se refere a essas pessoas gramaticais. 
 
Por meio dos exemplos em evidência, podemos 
constatar que o processo verbal se encontra de-
vidamente flexionado, tendo em vista as pessoas 
do discurso (eu, tu, ele, nós, vós, eles). 
Tempo – Relaciona-se ao momento expresso 
pela ação verbal, denotando a ideia de um pro-
cesso ora concluído, em fase de conclusão ou 
que ainda está para concluir, representado pelo 
tempo presente, pretérito e futuro. 
 
 44 
 
Modo – Revela a circunstância em que o fato 
verbal ocorre. Assim expresso: 
Modo indicativo – exprime um fato certo, con-
creto. 
Modo subjuntivo – exprime um fato hipotético, 
duvidoso. 
Modo imperativo – exprime uma ordem, ex-
pressa um pedido. 
Para que possamos constatar acerca de todos 
esses pressupostos, basear-nos-emos no caso 
do verbo cantar, tendo em vista o modo indicati-
vo. 
Modo Indicativo 
Voz 
A voz verbal caracteriza a ação expressa pelo 
verbo em relação ao sujeito, classificada em: 
Voz ativa – o sujeito é o agente da ação verbal. 
Os professores aplicaram as provas. 
Voz passiva – o sujeito sofre a ação expressa 
pelo verbo. 
As provas foram aplicadas pelos professores. 
Voz reflexiva – o sujeito, de forma simultânea, 
pratica e recebe a ação verbal. 
O garoto feriu-se com o instrumento. 
Voz reflexiva recíproca – representa uma ação 
mútua entre os elementos expressos pelo sujeito. 
Os formandos cumprimentaram-se respeito-
samente. 
Compartilhecom outro link que explora sobre as 
vozes verbais de modo mais aprofundado. 
Passaremos a estudar agora o verbo, sob o ponto 
de vista da semântica. 
Mas o que é semântica? 
Quando falamos em semântica, falamos 
em significação. Ora, quando digo que vamos 
estudar a semântica dos modos e tempos ver-
bais, quero dizer que estudaremos o que eles 
significam, quais os significados que carregam. 
Estudaremos as semânticas dos modos e tempos 
verbais, isto quer dizer que estudaremos o que 
cada modo e cada tempo significam. 
Semântica dos MODOS e TEMPOS Verbais 
O modo verbal é aquilo que vai mostrar minha 
posição de dúvida, de certeza, de desejo, de 
ordem a respeito da ação expressa pelo verbo. 
Vamos ver como funciona na prática? 
Modo Imperativo 
O que é imperar? Segundo o dicionário 
é dominar, governar, reinar, estabelecer. Pensan-
do assim, entendemos a semântica (agora que já 
sabemos que semântica é o mesmo que signifi-
cação) deste modo. O imperativo é o modo que 
dá uma ordem, um conselho, uma dica, uma 
súplica, uma sugestão ou faz um pedido. 
Ex.: Faça o dever. 
Leia com atenção. 
Pare. 
Não faça isso. 
Não confiemos tanto nas pessoas. 
Não desistamos de nossos ideais. 
~> Estudamos o tipo textual injuntivo e vemos 
que ele é o tipo textual usado por quem dá uma-
ordem. Dissemos que ele utiliza o modo verbal 
imperativo. Agora tudo ficou mais claro, não? 
~> Outra observação a respeito do imperativo é a 
confusão que podemos fazer ao usá-lo no ―nós‖, 
por não estarmos acostumados a conjuga-lo des-
ta maneira. Uma dica é transpor para a segunda 
ou terceira pessoa do singular, para que vejamos 
com mais clareza que é uma forma imperativa e 
não confundamos com o subjuntivo. Além disso, 
veremos mais à frente que o subjuntivo depende 
sempre de uma subordinação, o que não ocorre 
com o subjuntivo. 
 
 45 
 
Não desistamos de nossos ideais. ~> Não desista 
de seus ideais. 
Não confiemos tanto nas pessoas. ~> Não confie 
tanto nas pessoas. 
O modo imperativo é formado a partir do presente 
do indicativo e ele não se subdivide em tempos. 
Modo Subjuntivo 
O modo subjuntivo está ligado à subjetividade. 
Subjetividade diz respeito aos nossos julgamen-
tos de valor, às nossas opiniões, à nossa singula-
ridade de pensamento. O modo subjuntivo sem-
pre vai exprimir uma avaliação subjetiva das a-
ções expressas pelo verbo; portanto, ele é o mo-
do da incerteza, do desejo, da possibilidade. A 
semântica do subjuntivo nunca será de certeza, 
mas sempre de possibilidade, dúvida, irrealidade. 
Ex.: 
Espero que ele venha. 
Quero que ele venha. 
Se ele viesse seria muito bom. 
Se você fizesse o dever regularmente, tudo seria 
mais fácil. 
~> Como já dissemos antes, o verbo no subjunti-
vo tem uma particularidade. Ele ocorre somente 
em estruturas subordinadas. O que isso quer 
dizer? Isso quer dizer que ele vai aparecer em 
uma estrutura dependente de um outro verbo –
quero (verbo do qual o subjuntivo depende) que 
elevenha (subjuntivo), ou dependente de um no-
me – talvez (nome do qual o subjuntivo depende) 
elevenha (subjuntivo). 
~> O modo subjuntivo se subdivide em três tem-
pos: presente, futuro e pretérito imperfeito. Não 
daremos tanta importância à semântica desses 
tempos pois não é o foco do vestibular; falaremos 
apenas das marcas formais que os identificam. 
Presente do Subjuntivo 
Marcas formais que o identificam: E/A 
Ex.: 
Quero que você trabalhe. 
Tomara que ele venha. 
Futuro do Subjuntivo 
Marca formal que o identifica: R 
Ex.: 
Quando eu chegar, abra a porta. 
Se eu for, te avisarei antes. 
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo 
Marcas formais que o identificam: SSE 
Ex.: 
Se você deixasse, eu iria. 
Se eu pudesse, eu faria. 
Modo Indicativo 
O modo indicativo é o mais versátil. Ele é 
o único que afirma, que fala com certeza. Porém, 
isso não impede que ele possa trabalhar também 
com a dúvida e com a possibilidade. 
Ex.: 
Eu sei que ele vem. 
Eu acho que tudo dará certo. 
Eu fiz todo o dever. 
Eu não saí ontem. 
Além disso, vimos que o modo subjuntivo so-
mente ocorre em uma estrutura subordinada, 
dependente de um nome ou de um outro verbo. O 
indicativo, por sua vez, pode ou não ocorrer em 
uma estrutura subordinada. 
Ex.: 
Eu não sei nada da matéria! (estrutura sem su-
bordinação, não depende de nenhuma outra) 
Eu quero que tudo dê certo. 
O dê está subordinado ao verbo quero, não po-
deria existir sem ele. Não existe a frase tudo dê 
certo, parece que falta algo, não é? Essa sensa-
ção de que falta algo é por causa da subordina-
ção. 
 
 46 
 
O modo indicativo se divide em presente, pretérito 
e futuro e os tempos pretérito e futuro se subdivi-
dem também. Vamos ver. 
Presente do Indicativo 
Tempo verbal é a categoria que indica quando 
aconteceu a ação expressa pelo verbo, em rela-
ção a outro marco temporal. Em geral, os fatos 
são considerados no tempo em relação à enunci-
ação, ou seja, ao momento em que se fala. Po-
rém, há dois tempos no modo indicativo um pou-
co diferentes e que veremos mais à frente. Por 
enquanto, vamos nos deter ao presente do indica-
tivo. 
Vimos que o modo indicativo é o mais versátil, 
devido às variadas semânticas que ele possui em 
relação aos outros modos. 
Agora vamos ver que o presente do indicativo é 
o tempo mais versátil em relação aos outros 
tempos, é o que possui a maior quantidade de 
possibilidades semânticas, é o que pode adquirir 
maior quantidade de significados. 
a) Rotina 
O presente do indicativo pode indicar um fato 
rotineiro, que costuma acontecer com frequência. 
Ex.: 
Sempre acordo às 6 da manhã. 
Eu estudo todos os dias. 
b) Fato simultâneo ao momento da fala 
O presente do indicativo pode indicar um fato que 
está acontecendo no momento em que se fala. 
Ex.: 
Vagner Love chuta a bola para o gol. 
Estou na casa de uma amiga. 
c) Passado 
O presente do indicativo pode indicar um fato que 
já ocorreu. Em geral, o tipo textual narrativo usa 
muito o presente com a intenção de aproximar a 
história do leitor, fazer com que o leitor sinta que 
está assistindo à história, participando dela. 
Ex.: 
Em 1808, a família real chega ao Brasil. 
Após falar isso, Isabela sai, sem ao menos olhar 
pra trás. 
d) Futuro 
O presente do indicativo pode indicar um fato que 
ainda vai ocorrer, este uso é muito comum na 
linguagem coloquial, no nosso falar cotidiano. 
Ex.: Na próxima semana eu vou à sua casa. 
Amanhã eu te ligo sem falta. 
e) Verdade absoluta 
O presente do indicativo pode indicar uma verda-
de absoluta, um fato constante e que todos con-
cordam uma verdade universal. 
Ex.: 
A terra gira em torno do sol. 
A água ferve a 100ºC. 
Pretérito Perfeito do Indicativo 
O pretérito perfeito do indicativo, assim como o 
presente do indicativo, não possui marca formal-
de modo ou tempo que o identifique. Passemos, 
então, à análise de seus possíveis significados. 
O pretérito perfeito do indicativo é o tempo que 
indica um passado pontual, um fato que aconte-
ceu e já está acabado. Porém, ele pode também 
indicar um fato com aspecto durativo, com uma 
semântica de continuidade. Vejamos. 
a) Fato pontual no passado 
Fato pontual no passado é um fato que aconteceu 
em um momento e terminou, não teve uma dura-
ção estendida, sendo, por isto, pontual. 
Ex.: 
 Ele pulou alto. 
Joguei futebol ontem. 
b) Fato durativo no passado 
Fato durativo é aquele que teve uma duração, ou 
seja, ocorreu durante algum tempo, mesmo que 
pequeno.47 
 
Ex.: 
Falei no telefone por horas. 
Ela leu durante três horas. 
Pretérito Imperfeito do Indicativo 
Enquanto o pretérito perfeito pode indicar uma 
ação que foi concluída no passado, com aspecto 
durativo ou não, o pretérito imperfeito só pode 
indicar uma ação com aspecto durativo, uma a-
ção que ocorreu por certo tempo, por isso se 
chama imperfeito, pois a ação que ele indica não 
foi finalizada imediatamente, mas demorou algum 
tempo para ser finalizada ou a ação costumava 
acontecer. 
Ex.: 
Eu jogava bola todos os dias. 
Eu lia muito na biblioteca. 
Marcas formais que o identificam: VA/VE/IA/IE 
Ex.: Eu cantava muito no karaokê antigamente. 
Vós faláveis demais. 
Ela lia sem parar Harry Potter. 
 
Vós vendíeis bem antigamente. 
Pretérito Mais Que Perfeito do Indicativo 
Quando começamos nossa conversa so-
bre tempo verbal, dissemos que a maioria dos 
tempos se refere ao momento em que se fala, 
porém temos exceções. São duas as exceções, 
uma é o futuro do pretérito, que veremos mais à 
frente e a outra exceção é o pretérito mais que 
perfeito. Esses dois tempos não se referem ao 
momento da enunciação, ou seja, ao momento 
em que se fala, mas se referem a um momen-
to indicado por um outro verbo. 
O pretérito mais que perfeito do indicativo não 
está em relação ao momento da fala, mas a um 
outro verbo também no pretérito. A ação que o 
pretérito mais que perfeito indica, ocorreu antes-
de uma outra, também no passado, por isso ele é 
chamado de pretérito mais que perfeito, pois 
ele é passado em relação a um outro fato tam-
bém ocorrido no passado. 
Ex.: O pai chegou ao local em que o aciden-
te acontecera. 
A ação expressa pelo verbo no pretérito mais que 
perfeito acontecera, ocorreu antes da ação ex-
pressa pelo verbo no pretérito perfeito chegou. 
Ex.: 
Ela já fizera o que lhe pedi quando lhe telefonei. 
Nós já partíramos quando você chegou, descul-
pe-nos! 
~> Atualmente, o pretérito mais que perfeito não é 
utilizado na fala e tem sido pouco utilizado, inclu-
sive, na escrita, se restringindo à linguagem poé-
tica (Pudera não ser tão voluptuosa!); na fala, 
tende a ser substituído por uma locução de parti-
cípio com verbo auxiliar ter ou haver no pretérito 
imperfeito: 
Ex.: Ela já fora quando eu cheguei. (pretérito 
mais que perfeito) 
Ela já tinha ido quando eu cheguei. (locução 
verbal: auxiliar ter no pretérito imperfeito + particí-
pio) 
Ele já fizera o trabalho quando lhe telefonei. (pre-
térito mais que perfeito) 
Ele já havia feito o trabalho quando lhe telefonei. 
(locução verbal: auxiliar haver no pretérito imper-
feito + particípio) 
~> O pretérito mais que perfeito tem outra particu-
laridade. Além de ele ocorrer em relação a um 
outro passado, ele pode também ocorrer em ex-
pressões exclamativas, algumas cristalizadas, 
como,por exemplo, Quem me dera! Algumas 
dessas expressões exclamativas ainda permane-
cem em uso. 
Marcas formais que o identificam: RA/RE (átonos) 
Ex.: 
Eu já fizera todo o trabalho sozinha quando você 
me ofereceu ajuda. 
Vós vendêreis todo o estoque antes de o novo 
chegar. 
2.3.5 Futuro do Presente do Indicativo 
 
 48 
 
O futuro do presente do indicativo representa uma 
ação posterior ao momento em que se fala. Ele 
pode ter três semânticas. Vejamos 
a) Futuro em relação ao momento em que se 
fala 
O futuro do presente pode indicar um fato que 
ocorrerá após o momento da enunciação 
Ex.: 
Amanhã vencerei o jogo, não há dúvida. 
Amanhã irei à sua casa pela manhã. 
b) Dúvida 
O futuro do presente pode indicar dúvida de quem 
fala em relação a um fato. Ocorre em frases inter-
rogativas. 
Ex.: 
Será ela a pessoa certa? 
Tudo dará certo amanhã? 
c) Ordem 
O futuro do presente pode indicar uma ordem, 
equivalendo semanticamente ao imperativo. 
Ex.: 
Não matarás. 
Não roubarás. 
Marcas formais que identificam o futuro do pre-
sente do indicativo: RA/RE (tônicos) 
Ex.: 
Amanhã estudarei o dia inteiro. 
Tem certeza de que fará isso? 
Futuro do Pretérito do Indicativo 
O futuro do pretérito não indica um fato futuro em 
relação ao momento da enunciação, mas um fato 
futuro em relação a um fato expresso por um 
outro verbo. Por isso se chama futuro do pretérito, 
pois ocorreu depois de uma ação do passado; é 
futuro em relação a esta ação. 
Ex.: Eu sabia que ela iria à casa de minha amiga. 
O verbo no futuro do pretérito iria refere-se a um 
fato que aconteceu depois do fato expresso pelo 
verbo no pretérito imperfeito sabia. Ir, portanto, é 
futuro em relação a saber. 
Ex.: 
Eu tinha certeza de que ela faria isso. 
Ele contaria tudo se eu não chegasse a tempo. 
~> Atualmente, o futuro do pretérito não é utiliza-
do na fala, sendo substituído pelo pretérito imper-
feito do indicativo: 
Ex.: 
Eu sabia que ela iria à casa de minha amiga. 
(futuro do pretérito) 
Eu sabia que ela ia à casa de minha amiga. (pre-
térito imperfeito) 
Se ele soubesse os detalhes, contaria-me tudo. 
(futuro do pretérito) 
Se ele soubesse de detalhes, contava-me tudo. 
(pretérito imperfeito) 
O futuro do pretérito pode ter, ainda, outras signi-
ficações 
a) Polidez 
O futuro do pretérito pode ser utilizado para pedir 
um favor, fazer uma solicitação de forma educa-
da. 
Ex.: 
Você me emprestaria sua caneta? 
Você me faria esse favor? 
b) Dúvida 
O futuro do pretérito poder indicar dúvida, incerte-
za. 
Ex.: 
Seria ela a pessoa ideal para o cargo? 
Seríamos nós os vencedores? 
c) Afastamento do que está sendo dito 
 
 49 
 
O futuro do pretérito pode ser utilizado com a 
finalidade de afastamento do que se diz, o enun-
ciador (quem fala) produz uma sentença de dúvi-
da, mas como se aquela opinião não fosse dele, 
como se aquela opinião fosse de outras pessoas 
e ele apenas a estaria transmitindo. 
Ex.: Segundo alguns disseram, João seria o cul-
pado. 
Ana disse que Mariana viria aqui, eu não sei. 
Marcas formais que identificam o futuro do pre-
sente do indicativo: RIA/RIE 
Ex.: 
Ele acreditou que chegaria a tempo. 
Comeríeis melhor se não fosseis a um restauran-
te fast food. 
Correlação Verbal 
Damos o nome de correlação verbal à coerência 
que, em uma frase ou sequência de frases, deve 
haver entre as formas verbais utilizadas. Ou seja, 
é preciso que haja articulação temporal entre os 
verbos, que eles se correspondam, de maneira a 
expressar as ideias com lógica. Tempos e modos 
verbais devem, portanto, combinar entre si. 
Vejamos este exemplo: 
 · Seu eu dormisse durante as aulas, ja-
mais aprenderia a lição. 
Parece complicado – mas não é. 
Para tornar mais clara a questão, vejamos o 
mesmo exemplo, mas sem correlação verbal: 
 · Se eu dormisse durante as aulas, ja-
mais aprenderei a lição. 
Temos dormir no subjuntivo, novamente. 
Mas aprender está conjugado no futuro do pre-
sente, um tempo verbal que expressa, dentre 
outras ideias, fatos certos ou prováveis. 
Correlações Verbais Corretas: 
A seguir, veja alguns casos em que os tempos 
verbais são concordantes: 
 · Presente do indicativo + Presente 
do subjuntivo: 
Exijo que você faça o dever. 
 · Pretérito perfeito do indicativo + Pretérito 
imperfeito do subjuntivo: 
Exigi que ele fizesse o dever. 
 · Presente do indicativo + Pretérito perfeito 
composto do subjuntivo: 
Espero que ele tenha feito o dever. 
 · Pretérito imperfeito do indicativo + Mais-
que-perfeito composto do subjuntivo: 
Queria que ele tivesse feito o dever. 
 · Futuro do subjuntivo + Futuro do presen-
te do indicativo: 
Se você fizero dever, eu ficarei feliz. 
 · Pretérito imperfeito do subjuntivo + Futu-
ro do pretérito do indicativo: 
Se você fizesse o dever, eu leria suas respostas. 
 · Pretérito mais-que-perfeito composto do 
subjuntivo + Futuro do pretérito composto do indi-
cativo: 
Se você tivesse feito o dever, eu teria lido suas 
respostas. 
 · Futuro do subjuntivo + Futuro do presen-
te do indicativo: 
Quando você fizer o dever, dormirei. 
 · Futuro do subjuntivo + Futuro do presen-
te composto do indicativo: 
Quando você fizer o dever, já terei dormido. 
Correlação dos Tempos Verbais 
Eis as combinações mais frequentes com o Modo 
Subjuntivo: Presente; Pretérito Imperfeito; o Futu-
ro do Presente e o Mais-que-Perfeito Composto. 
Emprega-se o Presente do Subjuntivo na oração 
subordinada em correlação com um Indicativo 
Presente e o Futuro do Presente do Modo Indica-
tivo na oração principal. 
Exemplos: Solicito que viaje logo. Solicitarei que 
viaje logo. 
Emprega-se o Pretérito Imperfeito do Subjunti-
vo na oração subordinada em correlação com 
umtempo passado do Modo Indicativo na oração 
principal. 
Solici-
tei que viajasse logo. Solicitava que viajasse logo.
 
 50 
 
 Solicita-
ra que viajasse logo. Solicitaria queviajasse logo. 
 Usa-se o Futuro do Presente do Subjuntivo na 
oração subordinada em correlação com o Futuro 
de Presente do Indicativo na oração principal. 
Se você viajar, solicitarei imediatamente sua dis-
pensa. 
 O Mais-que-Perfeito Composto do Subjuntivo é 
formado com o auxiliar (ter ou haver) tirado deri-
vado do Imperfeito do Subjuntivo mais o verbo 
principal, que se está conjugando. Usa-se quando 
se quer indicar uma ação passada anterior a ou-
tra ação também passada. Aponta-se uma ação 
que ocorreu antes de outra ação passada. 
Emprega-se o Mais-que-Perfeito Composto do 
Subjuntivo na oração subordinada que tem na 
oração principal um Pretérito Imperfeito do Indica-
tivo ou um Futuro do Pretérito Composto do Modo 
Indicativo. 
Esperava que já tivesse viajado ontem. Teria 
pedido permissão, se houvesse viajado ontem. 
Outros exemplos de combinações com o Modo 
Subjuntivo no Presente, no Pretérito Imperfei-
to, no Futuro do Presente e no Mais-que-Perfeito 
Composto na oração subordinada: 
a) Com o Presente do Subjuntivo (oração subor-
dinada) – Presente do Indicativo (na oração prin-
cipal): 
Peço que não minta novamente para mim. 
b) Com o Presente do Subjuntivo (oração subor-
dinada) – Futuro do Presente do Indicativo (na 
oração principal): 
Pedirei que conte honestamente toda a verdade 
c) Com o Pretérito Imperfeito do Subjunti-
vo (oração subordinada) – Tempo passado do 
Modo Indicativo (na oração principal): 
Apelei que escrevesse. Pedia que falasse. Solici-
tara que permanecesse conosco. Gostaria que 
nãoreclamasse tanto! 
d) Com o Futuro do Presente do Subjuntivo na 
oração subordinada em correlação com o Futuro 
de Presente do Indicativo na oração principal. 
Estarei disponível, quando você quiser. 
e) Com o Mais-que-Perfeito Composto do Subjun-
tivo na oração subordinada e o Pretérito Imperfei-
to do Indicativo ou um Futuro do Pretérito Com-
posto do Modo Indicativo na oração principal. 
Desejava que houvessem feito uma boa pro-
va. Teria feito uma grande festa, se tivessem 
passadono concurso. 
Concordância Verbal 
Ocorre quando o verbo se flexiona para concor-
dar com seu sujeito. 
a) Sujeito Simples 
Regra Geral 
O sujeito sendo simples, com ele concordará o 
verbo em número e pessoa. Veja os exemplos: 
A orquestra tocou uma valsa longa. 
3ª p. Singular 3ª p. Singular 
Os pares que rodeavam a nós dançavam bem. 
3ª p. Plural 3ª p. Plural 
Observe: 
As crianças estão animadas 
Crianças animadas. 
No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra 
na terceira pessoa do plural, concordando com o 
seu sujeito, as crianças. No segundo exemplo, o 
adjetivo animado está concordando em gênero 
(feminino) e número (plural) com o substantivo a 
que se refere: crianças. Nesses dois exemplos, 
as flexões de pessoa, número e gênero se cor-
respondem. 
Concordância é a correspondência de flexão en-
tre dois termos, podendo ser verbal ou nominal. 
Casos Particulares 
Há muitos casos em que o sujeito simples é cons-
tituído de forma que fazem o falante hesitar no 
momento de estabelecer a concordância com o 
verbo. 
Às vezes, a concordância puramente gramatical é 
contaminada pelo significado de expressões que 
nos transmitem noção de plural, apesar de terem 
forma de singular ou vice-versa. Por isso, convém 
analisar com cuidado os casos a seguir. 
1) Quando o sujeito é formado por uma expres-
são partitiva (parte de, uma porção de, o grosso 
de, metade de, a maioria de, a maior parte de, 
grande parte de...) seguida de um substantivo ou 
pronome no plural, o verbo pode ficar no singular 
ou no plural. 
Por Exemplo: 
 
 51 
 
A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a 
ideia. 
Metade dos candidatos não apresentou / apre-
sentaram nenhuma proposta interessante. 
Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos 
casos dos coletivos, quando especificados: 
Por Exemplo: 
Um bando de vândalos destruiu / destruíram o 
monumento. 
Flexão de Número 
Concordância Nominal 
Concordância nominal nada mais é que o ajuste 
que fazemos aos demais termos da oração para 
que concordem em gênero e número com 
o substantivo. 
Teremos que alterar, portanto, o artigo, o adjetivo, 
o numeral e o pronome. 
Além disso, temos também o verbo, que se flexi-
onará à sua maneira, merecendo um estudo 
separado de concordância verbal. 
REGRA GERAL: O artigo, o adjetivo, o numeral e 
o pronome, concordam em gênero e número com 
o substantivo. 
- A pequena criança é uma gracinha. 
- O garoto que encontrei era muito gentil e simpá-
tico. 
CASOS ESPECIAIS: Veremos alguns casos que 
fogem à regra geral, mostrada acima. 
a) Um adjetivo após vários substantivos 
1 - Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai 
para o plural ou concorda com o substantivo mais 
próximo. 
- Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui. 
- Irmão e primo recém-chegados estiveram aqui. 
2 - Substantivos de gêneros diferentes: vai para o 
plural masculino ou concorda com o substantivo 
mais próximo. 
- Ela tem pai e mãe louros. 
- Ela tem pai e mãe loura. 
3 - Adjetivo funciona como predicativo: vai obriga-
toriamente para o plural. 
- O homem e o menino estavam perdidos. 
- O homem e sua esposa estiveram hospedados 
aqui. 
b) Um adjetivo anteposto a vários substanti-
vos 
1 - Adjetivo anteposto normalmente: concorda 
com o mais próximo. 
Comi delicioso almoço e sobremesa. 
Provei deliciosa fruta e suco. 
2 - Adjetivo anteposto funcionando como predica-
tivo: concorda com o mais próximo ou vai para o 
plural. 
Estavam feridos o pai e os filhos. 
Estava ferido o pai e os filhos. 
c) Um substantivo e mais de um adjetivo 
1- antecede todos os adjetivos com um artigo. 
Falava fluentemente a língua inglesa e a espa-
nhola. 
2- coloca o substantivo no plural. 
Falava fluentemente as línguas inglesa e espa-
nhola. 
d) Pronomes de tratamento 
1 - sempre concordam com a 3ª pessoa. 
Vossa santidade esteve no Brasil. 
e) Anexo, incluso, próprio, obrigado 
1 - Concordam com o substantivo a que se refe-
rem. 
As cartas estão anexas. 
A bebida está inclusa. 
Precisamos de nomes próprios. 
Obrigado, disse o rapaz. 
f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a) 
1 - Após essas expressões o substantivo fica 
sempre no singular e o adjetivo no plural. 
Renato advogou um e outro caso fáceis. 
Pusemos numa e noutra bandeja rasas o peixe. 
g) É bom, é necessário, é proibido 
 
 52 
 
1- Essas expressões não variamse o sujeito não 
vier precedido de artigo ou outro determinante. 
Canja é bom. / A canja é boa. 
É necessário sua presença. / É necessária a sua 
presença. 
É proibido entrada de pessoas não autorizadas. / 
A entrada é proibida. 
h) Muito, pouco, caro 
1- Como adjetivos: seguem a regra geral. 
Comi muitas frutas durante a viagem. 
Pouco arroz é suficiente para mim. 
Os sapatos estavam caros. 
2- Como advérbios: são invariáveis. 
Comi muito durante a viagem. 
Pouco lutei, por isso perdi a batalha. 
Comprei caro os sapatos. 
i) Mesmo, bastante 
1- Como advérbios: invariáveis 
Preciso mesmo da sua ajuda. 
Fiquei bastante contente com a proposta de em-
prego. 
2- Como pronomes: seguem a regra geral. 
Seus argumentos foram bastantes para me con-
vencer. 
Os mesmos argumentos que eu usei, você copi-
ou. 
j) Menos, alerta 
1- Em todas as ocasiões são invariáveis. 
Preciso de menos comida para perder peso. 
Estamos alerta para com suas chamadas. 
k) Tal Qual 
1- ―Tal‖ concorda com o antecedente, ―qual‖ con-
corda com o conseqüente. 
As garotas são vaidosas tais qual a tia. 
Os pais vieram fantasiados tais quais os filhos. 
l) Possível 
1- Quando vem acompanhado de ―mais‖, ―me-
nos‖, ―melhor‖ ou ―pior‖, acompanha o artigo que 
precede as expressões. 
A mais possível das alternativas é a que você 
expôs. 
Os melhores cargos possíveis estão neste setor 
da empresa. 
As piores situações possíveis são encontradas 
nas favelas da cidade. 
m) Meio 
1- Como advérbio: invariável. 
Estou meio insegura. 
2- Como numeral: segue a regra geral. 
Comi meia laranja pela manhã. 
n) Só 
1- apenas, somente (advérbio): invariável. 
Só consegui comprar uma passagem. 
2- sozinho (adjetivo): variável. 
Estiveram sós durante horas. 
Regência Nominal e Verbal 
Regência Nominal 
É o campo da gramática que estuda a relação 
sintática que se dá entre os nomes e os respecti-
vos termos regidos por esse nome. 
Em português, alguns nomes (substantivos, adje-
tivos e advérbios) exigem um complemento pre-
cedido por preposição.
 
Tal complemento exerce a função de integrar o 
sentido da palavra completada, enriquecendo 
assim a semântica da oração em questão.
2
 O 
conjunto de complemento regido pela preposição 
é denominado ―complemento nominal‖, no qual a 
preposição é definida pela ―regência nominal‖. 
Regência Nominal é o nome da relação entre um 
substantivo, adjetivo ou advérbio transitivo e seu 
respectivo complemento nominal. Essa relação é 
intermediada por uma preposição. 
No estudo da regência nominal, deve-se levar em 
conta que muitos nomes seguem exatamente o 
mesmo regime dos verbos correspondentes. 
Conhecer o regime de um verbo significa, nesses 
casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. 
- alheio a, de - liberal com 
- ambicioso de - apto a, para 
- análogo a - grato a 
 
 53 
 
- bacharel em - indeciso em 
- capacidade de, para - natural de 
- contemporâneo a, de - nocivo a 
- contíguo a - paralelo a 
- curioso a, de - propício a 
- falto de - sensível a 
- incompatível com - próximo a, de 
- inepto para 
- satisfeito com, de, 
em, por 
- misericordioso com, 
para com 
- suspeito de 
- preferível a - longe de 
- propenso a, para - perto de 
- hábil em 
Exemplos: 
 
Está alheio a tudo. 
Está apto ao trabalho. 
Gente ávida por dominar. 
Contemporâneo da Revolução Francesa. 
É coisa curiosa de ver. 
Homem inepto para a matemática. 
Era propenso ao magistério. 
Regência Verbal 
É a relação sintática de dependência que se es-
tabelece entre o verbo — termo regente — e o 
seu complemento — termo regido. A regência 
determina se uma preposição é necessária para 
ligar o verbo a seu complemento. 
Os termos, quando exigem a presença de outro 
chamam-se regentes ou subordinantes; os que 
completam a significação dos anteriores chamam-
seregidos ou subordinados. 
Quando o termo regente é um nome (substantivo, 
adjetivo ou advérbio), ocorre a regência nominal. 
Quando o termo regente é um verbo, ocorre a 
regência verbal. 
Na regência verbal, o termo regido pode ser ou 
não preposicionado. Na regência nominal, ele é 
obrigatoriamente preposicionado. 
Regência vem do significado gramatical de reger, 
ou seja, de determinar a flexão de algum termo. 
Na regência verbal, o verbo é o regente da ora-
ção, enquanto o seu complemento é o termo re-
gido, logo é o que irá ser flexionado. 
Então, podemos entender por regência verbal a 
relação que o verbo estabelece com seu com-
plemento (objeto direto ou indireto). Vejamos: 
 
1. O menino levou o livro à biblioteca. 
2. A garota comeu o bolo. 
Na segunda oração, o verbo ―comeu‖ é transitivo 
e exige complemento, veja: comeu o quê? O bo-
lo. 
Logo, ―comeu‖ é transitivo direto e ―o bolo‖ é obje-
to direto. 
Na primeira oração, o verbo ―levou‖ é transitivo 
direto e exige o complemento (objeto direto) ―o 
livro‖. O termo que o sucede se refere a um ad-
junto adverbial de lugar - à bilblioteca. 
Na análise sintática das orações acima podemos 
constatar que há uma relação de dependência 
entre o termo regente (que no caso é um verbo) 
com o termo regido (complemento). O primeiro 
precisa do segundo para que tenha sentido. 
Vejamos mais um exemplo: 
1. O menino levou – o. (o= o livro) 
2. Ele abdicou do trono. 
Na primeira oração temos o pronome oblíquo ―o‖ 
como complemento do verbo ―levou‖ e responde 
a pergunta: Levou o que? O = o livro. ―O‖, portan-
to, é um objeto direto. 
Já na segunda oração o verbo ―abdicou‖ transitivo 
indireto, pois exige um complemento, porém , 
precedido de preposição: Abdicou de que? Do 
trono. A expressão ―do trono‖ é objeto indireto, 
pois é iniciado com a preposição ―do‖ (preposição 
de + artigo o). 
Crase 
Temos vários tipos de contração ou combinação 
na Língua Portuguesa. A contração se dá na jun-
ção de uma preposição com outra palavra. 
 
 
 54 
 
Na combinação, as palavras não perdem nenhu-
ma letra quando feita a união. Observe: 
• Aonde (preposição a + advérbio onde) 
• Ao (preposição a + artigo o) 
Na contração, as palavras perdem alguma letra 
no momento da junção. Veja: 
• da (preposição de + artigo a) 
• na (preposição em + artigo a) 
Agora, há um caso de contração que gera muitas 
dúvidas quanto ao uso nas orações: a crase. 
Crase é a junção da preposição ―a‖ com o artigo 
definido ―a(s)‖, ou ainda da preposição ―a‖ com as 
iniciais dos pronomes demonstrativos aquela(s), 
aquele(s), aquilo ou com o pronome relativo a 
qual (as quais). 
Graficamente, a fusão das vogais ―a‖ é represen-
tada por um acento grave, assinalado no sentido 
contrário ao acento agudo: à. 
Como saber se devo empregar a crase? Uma 
dica é substituir a crase por ―ao‖ e o substantivo 
feminino por um masculino, caso essa preposição 
seja aceita sem prejuízo de sentido, então com 
certeza há crase. 
Veja alguns exemplos: Fui à farmácia, substituin-
do o ―à‖ por ―ao‖ ficaria Fui ao supermercado. 
Logo, o uso da crase está correto. 
Outro exemplo: Assisti à peça que está em car-
taz, substituindo o ―à‖ por ―ao‖ ficaria Assisti ao 
jogo de vôlei da seleção brasileira. 
É importante lembrar dos casos em que a crase é 
empregada, obrigatoriamente: nas expressões 
que indicam horas ou nas locuções à medida que, 
às vezes, à noite, dentre outras, e ainda na ex-
pressão ―à moda‖. Veja: 
Exemplos: Sairei às duas horas da tarde. 
À medida que o tempo passa, fico mais feliz por 
você estar no Brasil. 
Quero uma pizza à moda italiana. 
Importante: A crase não ocorre: antes de pala-
vras masculinas; antes de verbos, de pronomes 
pessoais, de nomes de cidade que não utilizam o 
artigo feminino,da palavra casa quando tem sig-
nificado do próprio lar, da palavra terra quando 
tem sentido de solo e de expressões com pala-
vras repetidas (dia a dia). 
A crase caracteriza-se como a fusão de duas 
vogais idênticas, relacionadas ao emprego da 
preposição ―a‖ com o artigo feminino a (s), com o 
―a‖ inicial referente aos pronomes demonstrativos 
– aquela (s), aquele (s), aquilo e com o ―a‖ per-
tencente ao pronome relativo a qual (as quais). 
Casos estes em que tal fusão se encontra demar-
cada pelo acento grave (`): à(s), àquela, àquele, 
àquilo, à qual, às quais. 
Trata-se de uma particularidade gramatical de 
relevante importância, dado o seu uso de modo 
frequente. 
Diante disso, compreendermos os aspectos que 
lhe são peculiares, bem como sua correta utiliza-
ção é, sobretudo, sinal de competência linguísti-
ca, em se tratando dos preceitos conferidos pelo 
padrão formal que norteia a linguagem escrita. 
 
Há que se mencionar que esta competência lin-
guística, a qual se restringe a crase, está condi-
cionada aos nossos conhecimentos acerca da 
regência verbal e nomimal, mais precisamente ao 
termo regente e termo regido. 
Ou seja, o termo regente é o verbo ou nome que 
exige complemento regido pela preposição ―a‖, e 
o temo regido é aquele que completa o sentido do 
termo regente, admitindo a anteposição do artigo 
a(s). 
Como explicitamente nos revela os exemplos a 
seguir: 
 
Refiro-me a(a) funcionária antiga, e não a(a)quela 
contratada recentemente. 
Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela con-
tratada recentemente. 
 
Notamos que o verbo referir, analisado de acordo 
com sua transitividade, classifica-se como transi-
tivo indireto, pois sempre nos referimos a alguém. 
Constatamos que o fenômeno se aplicou median-
te os casos anteriormente mencionados, ou seja, 
fusão da preposição a + o artigo feminino (à) e 
com o artigo feminino a + o pronome demonstrati-
vo aquela (àquela). 
 
 
A fim de ampliarmos nossos conhecimentos so-
bre as circunstâncias em que se requer ou não o 
uso da crase, analisaremos: 
 
 
# O termo regente deve prescindir-se de com-
plemento regido da preposição “a”, e o temo 
regido deve admitir o artigo feminino “a” (s): 
 
 
 55 
 
Exemplos: 
 
As informações foram solicitadas à diretora. 
(preposição + artigo) 
Nestas férias, faremos uma visita à Bahia. 
(preposição + artigo) 
Observação Importante: 
Alguns recursos nos servem de subsídios para 
que possamos confirmar a ocorrência ou não da 
crase. Eis alguns deles: 
a) Substitui-se a palavra feminina por uma mas-
culina equivalente. Caso ocorra a combinação 
a+o(s), a crase está confirmada. 
Exemplos: 
 
As informações foram solicitadas à diretora. 
As informações foram solicitadas ao diretor. 
b) No caso de nomes próprios geográficos, subs-
titui-se o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso 
resulte na expressão ―voltar da‖, há a confirmação 
da crase. 
Exemplos: 
Faremos uma visita à Bahia. 
Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase con-
firmada) 
 
Não me esqueço da viagem a Roma. 
Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momen-
tos jamais vividos. 
Atenção: 
Nas situações em que o nome geográfico apre-
sentar-se modificado por um adjunto adnominal, a 
crase está confirmada. 
Exemplos: 
Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades de 
suas praias. 
# A letra ―a‖ dos pronomes demonstrativos aque-
le(s), aquela(s) e aquilo receberão o acento grave 
se o temo regente exigir complemento regido da 
preposição ―a‖. 
Exemplos: 
 
Entregamos a encomenda àquela menina. 
(preposição + pronome demonstrativo) 
Iremos àquela reunião. 
(preposição + pronome demonstrativo) 
 
Sua história é semelhante às que eu ouvia quan-
do criança. (àquelas que eu ouvia quando crian-
ça) 
(preposição + pronome demonstrativo) 
# A letra “a” que acompanha locuções femini-
nas (adverbiais, prepositivas e conjuntivas) 
recebe o acento grave: 
Exemplos: 
* locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, 
às pressas, à vontade... 
* locuções prepositivas: à frente, à espera de, à 
procura de... 
* Locuções conjuntivas: à proporção que, à medi-
da que. 
Casos passíveis de nota: 
* Em virtude da heterogênea posição entre 
autores, o uso da crase torna-se optativo 
quando se referir a locuções adverbiais que 
representem meio ou instrumento. 
Exemplos: 
 
O marginal foi morto a bala pelos policiais. (Pode-
ríamos dizer que ele foi morto a tiro) 
Marcela redige todos os seus trabalhos a máqui-
na. (Poderia ser a lápis) 
 
* Constata-se o uso da crase se as locuções 
prepositivas à moda de, à maneira de apresen-
tarem-se implícitas, mesmo diante de nomes 
masculinos. 
Exemplos: 
 
Tenho compulsão por comprar sapatos à Luis XV. 
(à moda de Luís XV) 
* Não se efetiva o uso da crase diante da locução 
adverbial ―a distância‖. 
Na praia de Copacabana, observamos a queima 
de fogos a distância. 
Entretanto, se o referido termo se constituir de 
forma determinada, teremos uma locução pre-
positiva. Mediante tal ocorrência, a crase está 
confirmada. 
Exemplo: 
 
O pedestre foi arremessado à distância de cem 
metros. 
 
- De modo a evitar o duplo sentido, faz-se ne-
cessário o emprego da crase. 
 
 56 
 
Exemplo: 
Ensino à distância. 
Ensino a distância. 
# Em locuções adverbiais formadas por pala-
vras repetidas, não há ocorrência da crase. 
Exemplo: 
 
Ela ficou frente a frente com o agressor. 
Casos em que não se admite o emprego da 
crase: 
# Antes de vocábulos masculinos. 
Exemplos: 
 
As produções escritas a lápis não serão corrigi-
das. 
Esta caneta pertence a Pedro. 
# Antes de verbos no infinitivo. 
Exemplos: 
 
Ele estava a cantar quando seu pai apareceu 
repentinamente. 
No momento em que preparávamos para sair, 
começou a chover. 
 
# Antes de numeral. 
Exemplo 
Cegou a cento e vinte o número de feridos daque-
le acidente. 
Observação: 
 
- Nos casos em que o numeral indicar horas, con-
figurar-se-á como uma locução adverbial femini-
na, ocorrendo, portanto, a crase. 
Os passageiros partirão às dezenove horas. 
- Diante de numerais ordinais femininos a crase 
está confirmada, visto que estes não podem ser 
empregados sem o artigo. 
As saudações foram direcionadas à primeira alu-
na da classe. 
# Antes da palavra casa, quando essa não se 
apresentar determinada. 
Exemplo: 
Chegamos todos exaustos a casa. 
Entretanto, se a palavra casa vier acompanhada 
de um adjunto adnominal, a crase estará confir-
mada. 
Chegamos todos exaustos à casa de Marcela. 
# Antes da palavra “terra”, quando essa indi-
car chão firme. 
Exemplo: 
 
Quando os navegantes regressaram a terra, já 
era noite. 
Contudo, se o referido termo estiver precedido 
por um determinante ou referir-se ao planeta Ter-
ra, ocorrerá a crase. 
Paulo viajou rumo à sua terra natal. 
 
# Quando os pronomes indefinidos “alguma, 
certa e qualquer” estiverem subentendidos 
entre a preposição “a” e o substantivo, não 
ocorrerá a crase. 
Exemplo: 
 
Caso esteja certo, não se submeta a humilhação. 
(a qualquer humilhação) 
 
# Antes de pronomes que requerem o uso do 
artigo. 
Exemplos: 
 
Os livros foram entregues a mim. 
 
Dei a ela a merecida recompensa. 
 
Observação: 
 
Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos 
à senhora, senhorita e madame admitirem artigo, 
o uso da crase está confirmado no ―a‖ que os 
antecede, no caso de o termo regente exigir a 
preposição. 
Equivalência e Transformação 
Notadamente, a construção textual é concebida 
como um procedimento dotado de grande com-
plexidade, haja vista que o fato de as ideias e-
mergirem com uma certa facilidade não significa 
transpô-las para o papel sem a devidaordenação. 
Tal complexidade nos remete à noção das com-
petências inerentes ao emissor diante da elabo-
ração do discurso, dada a necessidade de este se 
perfazer pela clareza e precisão. 
 
Infere-se, portanto, que as competências estão 
relacionadas aos conhecimentos que o usuário 
 
 57 
 
tem dos fatos linguísticos, aplicando-os de acordo 
com o objetivo pretendido pela enunciação. De 
modo mais claro, ressaltamos a importância da 
estrutura discursiva se pautar pela pontuação, 
concordância, coerência, coesão e demais requi-
sitos necessários à objetividade retratada pela 
mensagem. 
 
Atendo-nos de forma específica aos inúmeros 
aspectos que norteiam os já citados fatos linguís-
ticos, ressaltamos determinados recursos cuja 
função se atribui por conferirem estilo à constru-
ção textual – o paralelismo sintático e semântico. 
Caracterizam-se pelas relações de semelhança 
existente entre palavras e expressões que se 
efetivam tanto de ordem morfológica (quando 
pertencem à mesma classe gramatical), sintática 
(quando há semelhança entre frases ou orações) 
e semântica (quando há correspondência de sen-
tido entre os termos). 
 
Casos recorrentes se manifestam no momento da 
escrita indicando que houve a quebra destes re-
cursos, tornando-se imperceptíveis aos olhos de 
quem a produz, interferindo de forma negativa na 
textualidade como um todo. Como podemos con-
ferir por meio dos seguintes casos: 
 
Durante as quartas-de-final, o time do Brasil 
vai enfrentar a Holanda. 
 
Constatamos a falta de paralelismo semântico, ao 
analisarmos que o time brasileiro não enfrentará o 
país, e sim a seleção que o representa. Reestru-
turando a oração, obteríamos: 
 
Durante as quartas-de-final, o time do Brasil 
vai enfrentar a seleção da Holanda. 
 
Se eles comparecessem à reunião, ficaremos 
muito agradecidos. 
 
Eis que estamos diante de um corriqueiro proce-
dimento linguístico, embora considerado incorre-
to, sobretudo, pela incoerência conferida pelos 
tempos verbais (comparecessem/ficaremos). O 
contrário acontece se disséssemos: 
 
Se eles comparecessem à reunião, ficaríamos 
muito agradecidos. 
Ambos relacionados à mesma ideia, denotando 
uma incerteza quanto à ação. 
 
Ampliando a noção sobre a correta utilização 
destes recursos, analisemos alguns casos em 
que eles se aplicam: 
 
não só... mas (como) também: 
 
A violência não só aumentou nos grandes 
centros urbanos, mas também no interior. 
 
Percebemos que tal construção confere-nos a 
ideia de adição em comparar ambas as situações 
em que a violência se manifesta. 
 
Quanto mais... (tanto) mais: 
 
Atualmente, quanto mais se aperfeiçoa o pro-
fissionalismo, mais chances tem de se pro-
gredir. 
 
Ao nos atermos à noção de progressão, podemos 
identificar a construção paralelística. 
 
Seja... Seja; Quer... Quer; Ora... Ora: 
 
A cordialidade é uma virtude aplicável em 
quaisquer circunstâncias, seja no ambiente 
familiar, seja no trabalho. 
 
Confere-se a aplicabilidade do recurso mediante 
a ideia de alternância. 
 
Tanto... Quanto: 
 
As exigências burocráticas são as mesmas, 
tanto para os veteranos, quanto para os calou-
ros. 
 
Mediante a ideia de adição, acrescida àquela de 
equivalência, constata-se a estrutura paralelísti-
ca. 
 
Não... E não/nem: 
 
Não poderemos contar com o auxílio de nin-
guém, nem dos alunos, nem dos funcionários 
da secretaria. 
 
Recurso este empregado quando se quer atribuir 
uma sequência negativa. 
 
Por um lado... Por outro: 
 
Se por um lado, a desistência da viagem im-
 
 58 
 
plicou economia, por outro, desagradou aos 
filhos que estavam no período de férias. 
 
O paralelismo efetivou-se em virtude da referên-
cia a aspectos negativos e positivos relacionados 
a um determinado fato. 
 
Tempos verbais: 
 
Se a maioria colaborasse, haveria mais orga-
nização. 
 
Como dito anteriormente, houve a concordância 
de sentido proferida pelos verbos e seus respecti-
vos tempos. 
Reescrita de Frases 
Antes de discorrermos acerca de um assunto tão 
importante, convidamos você, caro (a) estudante, 
a se enlevar mediante as palavras do grandioso 
mestre de nossas letras, João Cabral de Melo 
Neto, que, por meio de uma metalinguagem, 
cumpre bem seu trabalho de lidar com as pala-
vras e deixar claro para nós, leitores, quão gran-
dioso e magnífico é o exercício da escrita. Volte-
mo-nos a elas, portanto: 
Catar Feijão 
1. 
Catar feijão se limita com escrever: 
joga-se os grãos na água do alguidar 
e as palavras na folha de papel; 
e depois, joga-se fora o que boiar. 
Certo, toda palavra boiará no papel, 
água congelada, por chumbo seu verbo: 
pois para catar esse feijão, soprar nele, 
e jogar fora o leve e oco, palha e eco. 
2. 
Ora, nesse catar feijão entra um risco: 
o de que entre os grãos pesados entre 
um grão qualquer, pedra ou indigesto, 
um grão imastigável, de quebrar dente. 
Certo não, quando ao catar palavras: 
a pedra dá à frase seu grão mais vivo: 
obstrui a leitura fluviante, flutual, 
açula a atenção, isca-a como o risco. 
Poema intitulado ―Catar feijão‖, parte constituinte 
do livro ―Educação pela pedra‖, publicado em 
1965. 
A comparação ora estabelecida parece casar 
perfeitamente diante daquele momento em que 
as ideias são elencadas. No entanto, é preciso 
ser hábil para escolher palavra por palavra, de 
modo a fazer com que o discurso (as orações, os 
períodos, os parágrafos) torne-se claro e preciso, 
atendendo às expectativas de nosso interlocutor. 
Dessa forma, como aqueles grãos que boiam 
fora, desnecessários por sinal, algumas palavras 
também parecem não se encaixar, pois por um 
motivo ou outro acabam escapando aos nossos 
olhos. 
O porquê de escaparem? É simples, haja vista 
que nesse momento essa habilidade antes men-
cionada entra em ação e, em meio a esse ínterim, 
conhecimentos de toda ordem parecem se rela-
cionar, sejam eles de ordem ortográfica, semânti-
ca, sintática e, sobretudo, aqueles indispensáveis 
a todo bom redator: o conhecimento de mundo. 
Dada essa manifestação, é impossível não abor-
dar um procedimento, tão útil quanto necessá-
rio: a reescrita textual. Acredite que, por meio 
dele, você, enquanto emissor, encontrará os 
grãos pesados entre um grão qualquer, pedra ou 
indigesto, um grão imastigável, de quebrar den-
te. Vale dizer, contudo, que essa reescrita não 
deve se dar somente no âmbito de corrigir aque-
les possíveis erros... digamos assim... gramati-
cais. Importantes eles? Sim, sem dúvida alguma, 
mas não são tudo. Cumpre afirmar que a reescri-
ta deve ir além, haja vista que nos permite reco-
nhecer aquelas ―falhas‖ que certamente seriam 
reconhecidas por outra pessoa, sobretudo em se 
tratando do ―teor‖, da ―essência‖ discursiva. 
Tendo em vista que a coesão representa um dos 
principais aspectos na produção textual, muitas 
vezes, mediante a leitura daquilo que escreve-
mos, constatamos que os parágrafos não se en-
contram assim tão harmoniosamente ligados co-
mo deveriam. Às vezes, uma conjunção ali, um 
advérbio acolá e um pronome adiante não se 
encontram bem distribuídos. Outras vezes, 
percebemos uma quebra de simetria (revelada 
pela falta de paralelismo), em que uma ideia 
poderia ter sido expressa de outra forma. 
Assim, de modo a constatar como esse aspecto 
assimétrico se manifesta na prática, analise o 
seguinte enunciado: 
A leitura é importante, necessária, útil e traz 
benefícios a todo emissor que deseja aprimorar 
ainda mais a competência discursiva. 
Inferimos que com o uso de ―traz benefícios‖hou-
ve uma quebra de simetria dos adjetivos explici-
tados (importante, necessária, útil...). Não que 
isso seja considerado uma falha de grande exten-
são, mas a ideia ficaria mais clara se outro adjeti-
vo tivesse sido utilizado, justamente para acom-
panhar o raciocínio antes firmado, ou seja: 
 
 59 
 
A leitura é importante, necessária, útil e bené-
fica a todo emissor que deseja aprimorar ainda 
mais a competência discursiva. 
Outro aspecto, não menos importante, materiali-
za-se pela ―abundância‖ de orações intercaladas, 
as quais corroboram para a extensão da ideia, 
fazendo com que o interlocutor perca o ―fio da 
meada‖ e passe a não entender mais o que se 
afirma no início da oração. Dessa forma, para que 
fique um pouco mais claro, analisemos o parágra-
fo que segue, revelando ser um bom exemplo da 
ocorrência em questão: 
A leitura, esse importante instrumento – o 
qual o torna mais culto, mais apto a expressar 
seus pensamentos –, pois amplia significati-
vamente seu vocabulário, contribui para o 
aperfeiçoamento da escrita. 
Tudo aquilo que se afirma acerca da eficácia da 
leitura, ainda que relevante, tornou extensa e 
cansativa a ideia abordada. Dessa forma, retifi-
cando a oração, poderíamos obter como essenci-
al somente estes dizeres, os quais seguem ex-
pressos: 
A leitura contribui para o aperfeiçoamento da 
escrita. 
Mediante os pressupostos aqui elencados, acredi-
tamos ter contribuído de forma significativa para 
que você aprimore ainda mais suas habilidades 
no que tange à construção textual. E que, por 
meio da reescrita de suas ideias, possa ser hábil 
em jogar fora o leve o oco, assim mesmo como 
ressalta nosso grande mestre, e reelabore seu 
discurso pautando-se na concretude das pala-
vras, tornando-as claras, precisas, objetivas. 
Empregos dos Sinais de Pontuação 
Os sinais de pontuação são sinais gráficos em-
pregados na língua escrita para tentar recuperar 
recursos específicos da língua falada, tais como: 
entonação, jogo de silêncio, pausas, etc… 
Veja abaixo a divisão e emprego dos sinais de 
pontuação: 
 PONTO ( . ) 
a) indicar o final de uma frase declarativa. 
Ex.: Lembro-me muito bem dele. 
b) separar períodos entre si. 
Ex.: Fica comigo. Não vá embora. 
c) nas abreviaturas. 
Ex.: Av.; V. Ex.ª 
DOIS-PONTOS ( : ) 
a) iniciar a fala dos personagens: 
Ex.: Então o padre respondeu: 
– Parta agora. 
b) antes de aposto ou orações apositivas, enume-
rações ou seqüência de palavras que explicam, 
resumem idéias anteriores. 
Ex.: Meus amigos são poucos: Fátima, Rodrigo e 
Gilberto. 
c) antes de citação. 
Ex.: Como já dizia Vinícius de Morais: ―Que o 
amor não seja eterno posto que é chama, mas 
que seja infinito enquanto dure.‖ 
RETICÊNCIAS ( … ) 
a) indicar dúvidas ou hesitação do falante. 
Ex.: Sabe…eu queria te dizer que…esquece. 
b) interrupção de uma frase deixada gramatical-
mente incompleta. 
Ex.: – Alô! João está? 
– Agora não se encontra. Quem sabe se ligar 
mais tarde… 
c) ao fim de uma frase gramaticalmente completa 
com a intenção de sugerir prolongamento de idéi-
a. 
Ex.: ―Sua tez, alva e pura como um foco de algo-
dão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-
rosa…‖ (Cecília- José de Alencar) 
d) indicar supressão de palavra (s) numa frase 
transcrita. 
Ex.: ―Quando penso em você (…) menos a felici-
dade.‖ (Canteiros – Raimundo Fagner) 
PARÊNTESES ( () ) 
a) isolar palavras, frases intercaladas de caráter 
explicativo e datas. 
Ex.: Na 2ª Guerra Mundial (1939-1945), ocorreu 
inúmeras perdas humanas. 
―Uma manhã lá no Cajapió ( Joca lembrava-se 
como se fora na véspera), acordara depois duma 
grande tormenta no fim do verão. ― (O milagre das 
chuvas no nordeste- Graça Aranha) 
Os parênteses também podem substituir a vírgula 
ou o travessão. 
PONTO DE EXCLAMAÇÃO ( ! ) 
a) Após vocativo. 
Ex.: ―Parte, Heliel! ― ( As violetas de Nossa Sra.- 
Humberto de Campos). 
b) Após imperativo. 
Ex.: Cale-se! 
 
 60 
 
c) Após interjeição. 
Ex.: Ufa! Ai! 
d) Após palavras ou frases que denotem caráter 
emocional. 
Ex.: Que pena! 
PONTO DE INTERROGAÇÃO ( ? ) 
a) Em perguntas diretas. 
Ex.: Como você se chama? 
b) Às vezes, juntamente com o ponto de excla-
mação. 
Ex.: – Quem ganhou na loteria? 
– Você. 
– Eu?! 
VÍRGULA ( , ) 
É usada para marcar uma pausa do enunciado 
com a finalidade de nos indicar que os termos por 
ela separados, apesar de participarem da mesma 
frase ou oração, não formam uma unidade sintáti-
ca. 
Ex.: Lúcia, esposa de João, foi a ganhadora única 
da Sena. 
Podemos concluir que, quando há uma relação 
sintática entre termos da oração, não se pode 
separá-los por meio de vírgula. 
Não se separam por vírgula: 
 predicado de sujeito; 
 objeto de verbo; 
 adjunto adnominal de nome; 
 complemento nominal de nome; 
 predicativo do objeto do objeto; 
 oração principal da subordinada substanti-
va (desde que esta não seja apositiva nem apa-
reça na ordem inversa). 
A vírgula no interior da oração 
É utilizada nas seguintes situações: 
a) separar o vocativo. Ex.: Maria, traga-me uma 
xícara de café. 
A educação, meus amigos, é fundamental para o 
progresso do país. 
b) separar alguns apostos. Ex.: Valdete, minha 
antiga empregada, esteve aqui ontem. 
c) separar o adjunto adverbial antecipado ou in-
tercalado. 
Ex.: Chegando de viagem, procurarei por você. 
As pessoas, muitas vezes, são falsas. 
d) separar elementos de uma enumeração. 
Ex.: Precisa-se de pedreiros, serventes, mestre-
de-obras. 
e) isolar expressões de caráter explicativo ou 
corretivo. 
Ex.: Amanhã, ou melhor, depois de amanhã po-
demos nos encontrar para acertar a viagem. 
f) separar conjunções intercaladas. 
Ex.: Não havia, porém, motivo para tanta raiva. 
g) separar o complemento pleonástico antecipa-
do. 
Ex.: A mim, nada me importa. 
h) isolar o nome de lugar na indicação de datas. 
Ex.: Belo Horizonte, 26 de janeiro de 2001. 
i) separar termos coordenados assindéticos. 
Ex.: ―Lua, lua, lua, lua, 
por um momento meu canto contigo compactu-
a…‖ (Caetano Veloso) 
j) marcar a omissão de um termo (normalmente o 
verbo). 
Ex.: Ela prefere ler jornais e eu, revistas. (omis-
são do verbo preferir) 
Termos coordenados ligados pelas conjunções e, 
ou, nem dispensam o uso da vírgula. Ex.: Con-
versaram sobre futebol, religião e política. 
Não se falavam nem se olhavam./ Ainda não me 
decidi se viajarei para Bahia ou Ceará. 
Entretanto, se essas conjunções aparecerem 
repetidas, com a finalidade de dar ênfase, o uso 
da vírgula passa a ser obrigatório. 
Ex.: Não fui nem ao velório, nem ao enterro, nem 
à missa de sétimo dia. 
A vírgula entre orações 
É utilizada nas seguintes situações: 
a) separar as orações subordinadas adjetivas 
explicativas. 
Ex.: Meu pai, de quem guardo amargas lembran-
ças, mora no Rio de Janeiro. 
b) separar as orações coordenadas sindéticas e 
assindéticas (exceto as iniciadas pela conjunção 
e ). Ex.: Acordei, tomei meu banho, comi algo e 
saí para o trabalho. Estudou muito, mas não foi 
aprovado no exame. 
Há três casos em que se usa a vírgula antes da 
conjunção: 
 
 61 
 
1) quando as orações coordenadas tiverem sujei-
tos diferentes. 
Ex.: Os ricos estão cada vez mais ricos, e os po-
bres, cada vez mais pobres. 
2) quando a conjunção e vier repetida com a fina-
lidade de dar ênfase (polissíndeto). Ex.: E chora, 
e ri, e grita, e pula de alegria. 
3) quando a conjunção e assumir valores distintos 
que não seja da adição (adversidade, conse-
qüência, por exemplo) Ex.: Coitada! Estudou mui-
to, e ainda assim não foi aprovada. 
c) separar orações subordinadas adverbiais (de-
senvolvidas ou reduzidas), principalmente se 
estiverem antepostas à oração principal. 
Ex.: ―No momentoem que o tigre se lançava, 
curvou-se ainda mais; e fugindo com o corpo 
apresentou o gancho.‖( O selvagem – José de 
Alencar) 
d) separar as orações intercaladas. Ex.: ―- Se-
nhor, disse o velho, tenho grandes contentamen-
tos em a estar plantando…‖ 
Essas orações poderão ter suas vírgulas substitu-
ídas por duplo travessão. Ex.: ―Senhor – disse o 
velho – tenho grandes contentamentos em a estar 
plantando…‖ 
e) separar as orações substantivas antepostas à 
principal. 
Ex.: Quanto custa viver, realmente não sei. 
PONTO-E-VÍRGULA ( ; ) 
a) separar os itens de uma lei, de um decreto, de 
uma petição, de uma seqüência, etc. 
Ex.: Art. 127 – São penalidades disciplinares: 
I- advertência; 
II- suspensão; 
III- demissão; 
IV- cassação de aposentadoria ou disponibilida-
de; 
V- destituição de cargo em comissão; 
VI- destituição de função comissionada. ( cap. V 
das penalidades Direito Administrativo) 
b) separar orações coordenadas muito extensas 
ou orações coordenadas nas quais já tenham tido 
utilizado a vírgula. 
Ex.: ―O rosto de tez amarelenta e feições inex-
pressivas, numa quietude apática, era pronuncia-
damente vultuoso, o que mais se acentuava no 
fim da vida, quando a bronquite crônica de que 
sofria desde moço se foi transformando em o-
pressora asma cardíaca; os lábios grossos, o 
inferior um tanto tenso (…) ‖ (O visconde de I-
nhomerim – Visconde de Taunay) 
TRAVESSÃO ( – ) 
a) dar início à fala de um personagem. 
Ex.: O filho perguntou: 
– Pai, quando começarão as aulas? 
b) indicar mudança do interlocutor nos diálogos. 
– Doutor, o que tenho é grave? 
– Não se preocupe, é uma simples infecção. É só 
tomar um antibiótico e estará bom. 
c) unir grupos de palavras que indicam itinerário. 
Ex.: A rodovia Belém-Brasília está em péssimo 
estado. 
Também pode ser usado em substituição à virgu-
la em expressões ou frases explicativas. 
Ex.: Xuxa – a rainha dos baixinhos – será mãe. 
ASPAS ( “ ” ) 
a) isolar palavras ou expressões que fogem à 
norma culta, como gírias, estrangeirismos, pala-
vrões, neologismos, arcaísmos e expressões 
populares. 
Ex.: Maria ganhou um apaixonado ―ósculo‖ do 
seu admirador. 
A festa na casa de Lúcio estava ―chocante‖. 
Conversando com meu superior, dei a ele um 
―feedback‖ do serviço a mim requerido. 
b) indicar uma citação textual. 
Ex.: ―Ia viajar! Viajei. Trinta e quatro vezes, às 
pressas, bufando, com todo o sangue na face, 
desfiz e refiz a mala‖. ( O prazer de viajar – Eça 
de Queirós) 
Se, dentro de um trecho já destacado por aspas, 
se fizer necessário a utilização de novas aspas, 
estas serão simples. ( ‗ ‗ ) 
Recursos alternativos para pontuação: 
Parágrafo ( § ) 
Chave ( { } ) 
Colchete ( [ ] ) 
Barra ( / ) 
Denotação e Conotação 
 
 62 
 
Você sabe o que é denotação? E conotação? 
Para entender melhor esses importantes elemen-
tos da linguagem, observe as tirinhas: 
 Hagar, o Horrível. Criação de Chris Browne. É 
comum encontrarmos nas tirinhas recursos ex-
pressivos da linguagem, como a conotação 
 
Calvin e Haroldo, criação de Bill Watterson. O uso 
da conotação confere o efeito de humor da tirinha 
No terceiro quadrinho da primeira tirinha, é possí-
vel notar um diálogo interessante entre os amigos 
Hagar e Eddie Sortudo. A pergunta metafórica 
feita por Hagar ganhou uma resposta inesperada, 
visto que seu amigo não compreendeu o sentido 
conotativo empregado em sua linguagem. A res-
posta ―Você está aqui porque o dono do bar deixa 
você pendurar a conta até o fim do mês‖ também 
utiliza uma linguagem figurativa, pois ―pendurar a 
conta‖ quer dizer, na verdade, consumir e protelar 
o pagamento, certo? 
Na tirinha de Calvin e Haroldo, também encon-
tramos uma expressão empregada em seu senti-
do metafórico: Quando o valentão Moe diz para 
Calvin que ele ―vai comer asfalto‖, não esperamos 
que a ameaça seja cumprida ao pé da letra, mas 
sabemos que o sentido dado à expressão é nega-
tivo. Moe usou o sentido figurado para dizer que 
Calvin vai passar por ―maus pedaços‖ no quinto 
ano. Pois bem, temos aí bons exemplos de deno-
tação e conotação. 
Pois bem, a denotação e a conotação dizem res-
peito às variações de significado que ocorrem 
no signo linguístico — elemento que representa o 
significado e o significante. Em outras palavras, 
podemos dizer que nem sempre os vocábulos 
apresentam apenas um significado, podendo 
apresentar uma variedade deles de acordo com o 
contexto em que são empregados. Observe o 
exemplo: 
Os donos soltaram os cachorros para que eles 
pudessem passear na fazenda. 
Eles soltaram os cachorros quando percebe-
ram que foram enganados! 
Você diria que a expressão ―soltaram os cachor-
ros‖ foi empregada com a mesma intenção nas 
duas orações? Na primeira, a expres-
são ―soltaram os cachorros‖ foi utilizada em seu 
sentido literal, isto é, no sentido denotativo, pois 
de fato os animais foram liberados para passear. 
E na segunda oração? Qual sentido você atribuiu 
à expressão ―soltaram os cachorros‖? Provavel-
mente você percebeu que ela foi empregada em 
seu sentido conotativo, pois naquele contexto 
representou que alguém ficou bravo e acabou se 
exaltando, perdendo a paciência. 
Geralmente, a conotação é empregada em uma 
linguagem específica, que não tenha compromis-
so em ser objetiva ou literal. Ela é muito encon-
trada na literatura, que utiliza diversos recursos 
expressivos para realçar um elaborado trabalho 
com a linguagem. Nos textos informativos, por 
exemplo, a conotação dá lugar à denotação, pois 
a informação deve ser transmitida da maneira 
mais clara possível, para assim evitar interpreta-
ções equivocadas e o efeito de ambiguidade. 
Sintetizando: 
Conotação: Sentido mais geral que se pode atri-
buir a um termo abstrato, além da significação 
própria. Sentido figurado, metafórico. 
Denotação: Significado de uma palavra ou ex-
pressão mais próximo do seu sentido literal. Sen-
tido real, denotativo. 
Uso e Sentido das Figuras de Palavras 
O que são Figuras de Linguagem: 
As figuras de linguagem são recursos usados 
na fala ou na escrita para tornar mais expressi-
va a mensagem transmitida. 
É muito importante saber identificar as diversas 
figuras de linguagem, porque desta forma é pos-
sível compreender melhor diferentes textos. 
Compreender e saber usar figuras de estilo nos 
capacita a usar de forma mais eficaz a linguagem 
como fenômeno social e nos ajuda a vislumbrar o 
simbolismo de algumas conversas e obras escri-
tas. 
As figuras de linguagem podem ser subdivididas 
em figuras de palavras, figuras de pensamen-
to e figuras de construção. 
Figuras de Palavras 
 
 63 
 
Catacrese: emprego de uma palavra no sentido 
figurado por não haver um termo próprio. Ex.: a 
perna dos óculos. 
Metáfora: estabelece uma relação de semelhan-
ça ao usar um termo com significado diferente do 
habitual. Ex.: A menina é uma flor. 
Comparação: parecida com a metáfora, a com-
paração é uma figura de linguagem usada para 
qualificar 1 característica parecida entre dois ou 
mais elementos. No entanto, no caso da compa-
ração, existe uma palavra de conexão (como, 
parecia, tal, qual, assim, etc). Ex: "O olhar dela é 
como a lua, brilha maravilhosamente.". 
Metonímia: substituição lógica de uma palavra 
por outra semelhante. Ex.: Beber um copo de 
vinho. 
Onomatopeia: imitação de um som. 
Ex.: trrrimmmmm (telefone) 
Perífrase: uso de uma palavra ou expressão para 
designar algo ou alguém. Ex.:Cidade Luz (Paris) 
Sinestesia: mistura de diferentes impressões 
sensoriais. Ex.: o doce som da flauta 
Figuras de Pensamento 
Antítese: palavras de sentidos opostos. Ex.: 
bom/mau 
Paradoxo: referente a duas idéias contraditórias 
em uma só frase ou pensamento. Ex: "Ainda me 
lembro daquelesilêncio ensurdecedor." 
Eufemismo: intenção de suavizar um fato ou 
atitude. Ex.: Foi para o céu (morreu) 
Hipérbole: exagero intencional. Ex.: morto de 
sono 
Ironia: afirmação contrária daquilo que se pensa. 
Ex.: É um santo! (para alguém com mau compor-
tamento) 
Prosopopeia ou Personificação: atribuição de 
predicativos próprios de seres animados a seres 
inanimados. Ex.: O sol está tímido. 
Figuras de Construção 
Aliteração: repetição de um determinado som 
nos versos ou frases. Ex: o rato roeu a roupa... 
Anacoluto: alteração da construção normal da 
frase. Ex.: O homem, não sei o que pretendia. 
Anáfora: repetição intencional de uma palavra ou 
expressão para reforçar o sentido. Ex.: ―Noite-
montanha. Noite vazia. Noite indecisa. Confu-
sa noite.Noite à procura, mesmo sem alvo.‖ (Car-
los Drummond de Andrade) 
Elipse: omissão de um termo que pode ser identi-
ficado facilmente. Ex.: no trânsito, carros e mais 
carros. (há) 
Pleonasmo: repetição de um termo, redundância. 
Ex.: subir para cima 
Polissíndeto: repetição da conjunção entre os 
termos da oração. Ex.: ―nem o céu, nem o 
mar, nem o brilho das estrelas‖ 
Zeugma: omissão de um termo já expresso ante-
riormente. Ex: Ele gosta de Inglês; eu, (gosto) de 
Alemão. 
Gêneros Textuais Como Práticas Sócio-
Históricas. 
Segundo Marcuschi os gêneros textuais são fe-
nômenos históricos, profundamente vinculados à 
vida cultural e social, portanto, são entidades 
sócio-discurssivas e formas de ação social em 
qualquer situação comunicativa. 
Caracterizam-se como eventos textuais altamente 
maleáveis e dinâmicos. 
Passemos para uma simples observação histórica 
do surgimento dos gêneros que revela um conjun-
to limitado dos mesmos. Após a invenção da es-
crita alfabética por volta do século VII a.C., multi-
plicam-se os gêneros, surgindo os tipos da escri-
ta; os gêneros expandem-se com o surgimento da 
cultura impressa e atualmente a fase denominada 
cultura eletrônica, particularmente computador 
(internet) aparece como uma explosão de novo 
gênero e forma de comunicação, tanto na orali-
dade como na escrita. 
Os gêneros textuais caracterizam-se muito mais 
por suas funções comunicativas; cognitivas e 
institucionais, do que por suas peculiaridades 
lingüísticas e estruturais. 
Este artigo trás estudos sobre três gêneros textu-
ais relacionados ao meio de comunicação e ana-
lisa-os em sua funcionalidade, apontando aspec-
tos de interesse do educador e do educando. 
Definição E Funcionalidade. 
Muito se tem falado sobre a diferença entre ―tipos 
textuais‖ e ―gêneros textuais‖. 
Alguns teóricos denominam narração; descrição e 
dissertação como ―modos de organização textu-
al‖, diferenciando-os das terminologias que são 
considerados ―gêneros textuais‖. 
Partindo desse pressuposto e pautando-se no 
estudo de Marcuschi definimos a seguir: 
 
 64 
 
 Tipos textuais: seqüência definida pela 
natureza lingüística de sua composição (narra-
ção, descrição e dissertação); 
 Gêneros textuais: são os textos encontra-
dos no nosso cotidiano e apresentam característi-
cas sócio-comunicativas (carta pessoal ou co-
mercial, diários, agendas, e-mail, orkut, lista de 
compras, cardápio entre outros). 
Com referência a Bakhtin (1997), concluímos que 
é impossível se comunicar verbalmente a não ser 
por um texto e obriga-nos a compreender tanto as 
características estruturais (como ele é feito) como 
as condições sociais (como ele funciona na soci-
edade). 
 TIPOS TEXTUAIS VOLTADOS PARA AS 
FUNÇÕES SOCIAIS DOS TEXTOS. 
 Informativos; 
 Expositivos; 
 Numerados; 
 Prescritivos; 
 Literário; 
 Argumentativo. 
Segundo Bakhtin (1997), os gêneros são tipos 
relativamente estáveis de enunciados elaborados 
pelas mais diversas esferas da atividade humana. 
Por essa relatividade a que se refere o autor, 
pode-se entender que o gênero permite certa 
flexibilidade quanto à sua composição, favore-
cendo uma categorização no próprio gênero, isto 
é, a criação de um subgênero. 
Tipos Textuais Como Ferramenta. 
Para Bakhtin (1997), quando um indivíduo utiliza 
a língua, sempre o faz por meio de um tipo de 
texto ainda que possa não ter consciência dessa, 
ou seja, a escolha de um tipo é um dos passos- 
se não o primeiro- a ser seguido no processo de 
comunicação. 
Por isso, os tipos textuais podem ser uma ferra-
menta que está a disposição do falante, sendo 
por ele escolhidos da maneira que melhor lhe 
convém para, no processo de comunicação, auxi-
liá-lo na sua expressão lingüística. 
Tomar um tipo textual como uma estrutura básica 
normalmente usada em uma determinada situa-
ção o torna uma valiosa ―ferramenta‖ que o falan-
te procura, guia e controla para poder expressar a 
função maior da linguagem que é atingir uma 
comunicação, em maior ou menor grau argumen-
tativo, ou seja, uma comunicação cujo objetivo é 
efetivamente alcançado e concretizado; daí dizer 
que a argumentação está inscrita no uso da lín-
gua. 
5 Observações Sobre Gêneros Textuais: 
O presente trabalho fundamenta-se teoricamente 
em reflexões feitas por Bakhtin (2000), Marcuschi 
(2002), Bronckart (1999) entre outros. 
De acordo com diversas pesquisas voltadas para 
a questão dos gêneros textuais e segundo os 
autores citados acima, já se tornou evidente que 
os gêneros são fenômenos históricos ligados à 
vida cultural e social, os quais contribui para a 
ordenar e estabilizar as atividades comunicativas 
do dia-a-dia. 
Bronckart (1999) diz ―Conhecer um gênero de 
texto também é conhecer suas condições de uso, 
sua pertinência, sua eficácia, ou de forma mais 
geral, sua adequação em relação às característi-
cas desse contexto social.‖ (BRONCKART, 1999, 
p. 48). 
Como afirmou Bronckart (1999) ―a apropriação 
dos gêneros é um mecanismo fundamental de 
socialização, ―o que permite dizer que os gêneros 
textuais operam como formas de legitimação dis-
cursiva. 
QUADRO 1 – Tipos de composição textual: 
Descrição 
É um texto narrativo com predomínio de verbos 
de ligação que retratam detalhadamente perso-
nagens, ambientes e objetos. 
Narração 
Texto narrativo em 1ª ou 3ª pessoa que contém 
enredo, conflito, cenário, tempo e espaço com 
predomínio de verbos de ação, portanto o diálogo 
direto é freqüente. 
Dissertação 
É um texto de defesa de um argumento ―tese‖ 
que possui introdução, desenvolvimento e con-
clusão; a linguagem é objetiva prevalecendo à 
denotação; ele pode ser expositivo ou argumenta-
tivo de caráter científico. 
 Retrato de pessoas, ambientes, objetos; 
 
 Predomínio de atributos; 
 
 Uso de verbos de ligação; 
 
 
 65 
 
 Frequente emprego de metáforas, compa-
rações e outras figuram de linguagem; 
 
 Tem como resultado a imagem física e 
psicológica. 
Domínio da Ortografia Oficial 
É a parte da gramática que trata do emprego 
correto das letras e dos sinais gráficos na língua 
escrita. É a maneira correta de escrever as pala-
vras. 
Emprego das letras. 
Palavras que se escrevem com “ESA” 
Burguesa, chinesa, despesa, escocesa, francesa, 
inglesa, japonesa, holandesa, mesa, pequinesa, 
portuguesa etc. 
Se conseguirmos completar a frase ―ELA É‖, a 
palavra será sempre com ―S‖. Ex. Ela é chinesa. 
Ela é pequinesa. 
Palavras que se escrevem com “EZA”. 
Alteza, avareza, beleza, crueza, fineza, firmeza, 
lerdeza, proeza, pureza, singeleza, tristeza, rijeza 
etc. 
Palavras que se escrevem com “ÊS” 
Burguês, chinês, cortês, escocês, francês, inglês, 
irlandês, montanhês, pedrês, português etc. 
Se conseguirmos completar a frase ―ELE É‖, a 
palavra será com ―S‖. 
Ex: Ele é cortês. Ele é burguês. Ele é francês. 
Palavras que se escrevem com “EZ” 
Altivez, embriaguez, estupidez, intrepidez, pali-
dez, morbidez, pequenez, talvez, vez, viuvez,sisudez, rigidez, surdez, maciez. 
Palavras que se escrevem com “OSO”, “OSA” 
Audacioso, brioso, cauteloso, delicioso, formoso, 
gostoso, perigoso, pomposo, teimoso, valioso etc 
Palavras que se escrevem com “ISAR” 
Alisar, analisar, bisar, paralisar, pesquisar, pisar 
etc. 
Para que estes vocábulos se escrevam com ―S‖, 
é necessário que no próprio radical já haja a letra 
―S‖. 
Ex.: AVISAR-AVISO, ANALISAR-ANÁLISE, BI-
SAR-BIS, PARALISAR-PARALISIA, CATÁLISE-
CATALISADOR-CATALIZANTE, PORTUGUÊS-
PORTUGUESINHO, CASA-CASEBRE.. 
Palavras que se escrevem com “IZAR” (for-
mador de verbos) “IZAÇÃO” (formador de 
substantivos). 
Amenizar, avalizar, catequizar, desmobilizar, des-
personalizar, esterilizar, estigmatizar, finalizar, 
generalizar, harmonizar, poetizar, profetizar, ra-
cionalizar, sensacionalizar, civilizar, civilização; 
humanizar, humanização; colonizar, colonização; 
realizar, realização. 
Obs. Não confunda com os casos em que se 
acrescenta o sufixo -ar a palavras que já apresen-
tam S: analisar, pequisar, avisar. 
Apesar de CATEQUIZAR se derivar de CATE-
QUESE, aquele termo se escreve com Z e este, 
com S. 
As palavras POETIZAR e PROFETIZAR não se 
derivam de POETISA e PROFETISA, mas sim de 
POETA e PROFETA. Por isso as primeiras se 
escrevem com Z e as últimas, com S. 
Palavras que se escrevem com “S” 
A letra S representa o fonema /z/ quando é inter-
volálica: asa, mesa, riso. 
Usa-se a letra S: 
a) nas palavras que derivam de outra em que já 
existe S. (bizu 1.7) 
b) nos sufixos: 
-ês, -esa (para indicação de nacionalidade, título, 
origem) 
-ense, -oso, -osa (formadores de adjetivos) 
-isa (indicador de ocupação feminina): poetisa, 
profetisa, papisa 
c) após ditongos: lousa, coisa, Neusa, ausência, 
náusea. 
d) nas formas dos verbos pôr (e derivados) 
e querer: pus, pusera, pusesse; repus, repusera, 
repusesse; quis, quisera, quisesse. 
Algumas palavras 
anis, atrás, brasa, compreensão, conversível, 
coser(costurar), esôfago, esotérico, esoterismo, 
espectador, esplêndido, esterco, estéril, estorvo, 
extravasar, fusível, gás, gasolina, guisado, here-
sia, hesitar, hipnose, hipocrisia, imersão, misto, 
revés, sesta, asilo, isolar, isquemia, oscular, que-
rosene, quis, quiser, puser, siso, poetisa, profeti-
 
 66 
 
sa, sacerdotisa, submerso, usina, usufruir, usura, 
usurpar, versátivel, inserto (inserido), conser-
tar(reparar), servo (servente), serração (ato de 
serrar), intensão (intensidade), colisão, impulso, 
imersão, inversão, maisena, pretensão, expan-
são, pretensioso, obsessão (mas obcecado), lilás, 
revisão, vaso, através, Isabel, ourivesaria. 
Palavras que se escrevem com “Z” 
azar, azenha, azeitona, azeite, azinhavre, balizar, 
bizantino, bizarro, buzina, cozer (cozinhar), deze-
na, dizimar, fuzil, aprazível, deslize, falaz, fezes, 
fugaz, gazeta, giz, gozar, hipnotizar, tez, algazar-
ra, foz, prazerosamente, ojeriza, perspicaz, proe-
za, desprezar, vazar, revezar, xadrez, azia, azia-
go, talvez, cuscuz, coalizão, assaz, bissetriz. 
Palavras que se escrevem com “X” 
bexiga, coxo, engraxar, sintaxe, caxumba, faxina, 
maxixe, muxoxo, paxá, praxe, xale, xícara, exci-
tante, xavante, xereta, baixo, trouxe, enxada, 
enxaguar, enxame, enxaqueca, enxerto, enxortar, 
enxoval, enxugar, enxurrada, enxuto, seixo, faixa, 
exacerbar, exotérmico, exorcismo, expletivo, expi-
rar, expelir, expectativa, expor, explicar, extasiar, 
exterminar, extensão, extenso, extorsivo, exube-
rante, exalar, exaltar, exame, exarar, exaustão, 
exéquias, exílio, exímio, êxito, êxodo, exonerar, 
exótico, exumação, broxa(pincel), buxo (arbusto 
ornamental), xá (título de soberano do Oriente), 
xeque (incidente no xadrez), xampu, xangai, ex-
piar, baixeza, graxa, exsurgir, extirpar, extorsão, 
roxo, xavante. 
Palavras que se escrevem com “CH” 
enchova, encharcar, encher, enchiqueirar, encho-
çar, enchente, enchouriçar, chave, chuchu, chico-
te, chifre, chispar, chimpanzé, choupana, choru-
mela, chulo, chumaço, chusma, chavão, charuto, 
champanha, chacina, chantagem, chaminé, chi-
cana, chibata, chiar, bricha (prego), bucho (estô-
mago de animais), chá (arbusto), cheque (ordem 
de pagamento), cocha (gamela), tacha (prego), 
debochar, fachada, fantoche, linchar, arrocho, 
brecha, pechincha, pichar, salsicha, chicória, ca-
chimbo, broche, bochecha, flecha, mochila, chute, 
chope, apetrecho, comichão. 
Palavras que se escrevem com “Ç” ou “C” 
à beça, almoço, terçol, ressurreição, exceção, 
cessação, açucena, joça, camurça, mormaço, 
presunção, torção, trança, soçobrar, troço, joça, 
pança, maçarico, maciço, ruço (grisalho), aguçar, 
caçula, seção(departamento), retenção, absten-
ção, disfarçar, cerração (nevoeiro), cervo (veado), 
decertar (lutar), empoçar (formar poça), intenção 
(propósito), oaço (palácio), sucinto, silêncio. 
Palavras que se escrevem com “SS” 
admissão, demissionário, transmissão, emissor, 
expressão, expresso, impressionismo, compres-
sor, assado, passar, ingressar, progresso, suces-
so, discussão, repercussão, promessa, remessa, 
agressivo, transgressão, antiqüíssimo, tenacíssi-
mo, excesso, dissensão, sossego, pêssego, mas-
sagem, secessão, necessário, escasso, escas-
sez, sessão (reunião), cessão (ceder), sessar 
(peneirar), russo (natural da Rússia), passo (pas-
sada), empossar (dar posse), cassar (anular) 
dissertar (discorrer). 
Palavras que se escrevem com “SC” 
abscissa, abscesso, adolescente, ascensão, a-
crescentar, acréscimo, ascese, ascetismo, ascen-
sorista, consciência, cônscio, descendente, des-
censão, descentralizar, descente (vazante), dis-
cente, disciplina, discípulo, fascículo, fascínio, 
fascinante, isósceles, nascer, obsceno, oscilação, 
piscina, piscicultura, imprescindível, intumescer, 
irascível, miscigenação, seiscentos, transcen-
der, rescindir, rescisão, ressuscitar, suscitar. 
Palavras que se escrevem com “G” 
a) nos substantivos terminados em agem, igem, 
ugem: aragem, barragem, contagem, coragem, 
malandragem, miragem, fuligem, origem, verti-
gem, ferrugem, lanugem, rabugem. Cuidado com 
as exceções pajem e lambujem. 
b) nas palavras terminadas em ágio, égio, ígio, 
ógio, úgio: adágio, contágio, estágio, pedágio; 
colégio, egrégio; litígio, prestígio; necrológico, 
relógio; refúgio, subterfúgio. 
Outras 
angelical, aborígine, agilidade, algema, agir, agio-
ta, apogeu, argila, bege, cogitar, drágea, faringe, 
fugir, geada, gengibre, gíria, tigela, rigidez, mon-
ge, ogiva, herege, genuíno, algemas, gergelim, 
gesso, egípcio, gironda, infrigir, bugiganga, via-
gem (substantivo), vagem, estiagem, folhagem, 
geringonça, ginete, gengiva, sargento, coragem, 
ferrugem, tragédia, gesto. 
Palavras que se escrevem com “J” 
a) nas formas dos verbos terminados em -jar: 
arranjar (arranjo, arrajem, por exemplo); enferru-
jar (enferruje, enferrujem), viajar (verbo -> viajo, 
viaje, viajem); 
b) nas palavras oriundas do Tupi, africana e ára-
be ou de origem exótica: Jibóia, pajé, jirau, alfan-
je, alforje, canjica, jerico, manjericão, Moji. 
 
 67 
 
OUTRAS igrejinha, laje, lajeado, varejista, sarjeta, 
gorjeta, anjinho, canjica, viajem (verbo), encora-
jem (verbo), enferrujem (verbo), cafajeste, cerejei-
ra, injeção, enrijecer, berinjela, jejuar, jérsei, inter-
jeição, jesuíta, jibóia, lambujem, majestade, jirau, 
ultraje, traje, ojeriza, jenipano, pajé, pajem, jeito, 
granja, projétil (ou projetil), rejeição, sarjeta, traje, 
jerimum. 
A letra “H” 
hálito, hangar, harmonia, harpa, haste, hediondo, 
hélice, hemisfério, hemorragia, herbívoro (mas 
ervas), hérnia, herói, hesitar, hífen, hipismo, hipo-
condria, hilaridade, hipocrisia, hipótese, histeria, 
homenagem, horror, horta, hostil, humor, húmus. 
Em ―Bahia‖, o H sobrevive por tradição histórica. 
Observe que nos derivados ele nãoé usado: bai-
ano, baianismo. 
Domínio dos Mecanismos de Coesão Textual 
A Coesão Referencial como já foi dito se mani-
festa por meio de itens lingüísticos que não po-
dem ser interpretados semanticamente por si 
mesmos, como pronomes pessoais, demonstrati-
vos e relativos. A Coesão por Substituição ocorre 
quando um dado elemento lingüístico é retomado 
ou precedido por um outro elemento. No caso da 
retomada, tem-se a anáfora. Ex.: ―Carla tem um 
automóvel. Ele é verde‖. No caso da antecipação, 
tem-se a catáfora. Ex.: ―Quero dizer-te uma coisa: 
gosto de você‖. A Coesão por Reiteração é a 
repetição de expressões que têm a mesma refe-
rência no texto. A Repetição do mesmo item lexi-
cal ocorre quando a retomada da informação se 
dá pela repetição das mesmas expressões lexi-
cais. 
Um processo importante na produção textual é a 
Sinonímia, que ocorre quando a repetição se dá 
pelo emprego de sinônimos. Ex.: ―O barulho é um 
dos problemas mais graves que afligem nossa 
civilização nesse século. Os milhões de ruídos 
que rodeiam o homem diariamente, em quase 
todos os cantos, em sua maior parte, são produ-
zidos por ele mesmo‖. Na aula também foram 
apresentado o conceito e alguns exemplos 
de Hiperonímia/hiponímia, no qual o primeiro 
elemento de uma seqüência lingüística mantém 
com um segundo uma relação todo/parte, clas-
se/elemento, tem-se um hiperônimo. Quando o 
primeiro elemento mantém com o segundo uma 
relação parte/todo, elemento/classe, tem-se 
o hipônimo. 
As Expressões nominais definidas ocorrem quan-
do há retomadas de um mesmo referente por 
meio de expressões de natureza diversa, relacio-
nadas com o nosso conhecimento de mundo. Os 
Nomes genéricos ocorrem quando há reintegra-
ção do item lexical pela utilização de nomes ge-
néricos, como: pessoa, coisa, fato, gente, negó-
cio, lugar, idéia, funcionando como itens de refe-
rência anafórica. 
 
 O conceito de Coesão Recorrencial é quando as 
retomadas de estruturas lingüísticas visam à pro-
gressão do discurso. Constitui um meio de articu-
lar a informação nova àquela já conhecida no 
contexto. Também tem as Retomada de termos 
que é quando a repetição de um mesmo termo 
exerce uma função determinada, de ênfase, in-
tensificação etc. No Paralelismo ocorre quando 
os elementos lingüísticos são reutilizados em 
enunciados com sentidos diferentes. 
Coesão textual: associação e conexão 
A Coesão Seqüencial tem a mesma função da 
coesão recorrencial fazendo progredir o texto, 
impulsionando o fluxo informacional. Difere da 
recorrencial por não apresentar retomadas de 
itens, sentenças ou estruturas. A Conexão das 
orações é estabelecida por Condição que estabe-
lece uma relação de dependência entre proposi-
ções. Por Causa no qual ocorre quando há entre 
duas proposições uma relação de causa- conse-
qüência. Pela Finalidade que estabelece a cone-
xão entre as duas orações estabelece uma rela-
ção meio-fim. Outro fator é a Conformidade que 
exprime a conexão das duas orações mostra a 
conformidade de conteúdo de uma oração em 
relação à outra. A Explicação exerce a conexão 
das duas orações mostra que a segunda explica 
a primeira e a Adição é responsável pela conexão 
das duas orações mostra um conjunto de ideias 
entre as proposições. 
Na aula ficou bem clara a Conexão de enuncia-
dos em textos: por meio de encadeamentos su-
cessivos e diferentes entre dois ou mais períodos 
e entre parágrafos de um texto. Os elementos 
formais responsáveis por esse tipo de conexão 
são chamados operadores argumentativos. São 
operadores argumentativos: com o propósito de, 
com a intenção de, pelo contrário, em vez disso, 
em contrapartida, em suma, em síntese, em con-
clusão, para resumir, para concluir etc. 
Seleção do vocabulário 
 A aula inicia com pergunta: O QUE É FA-
MIGERADO? Do conto de Guimarães Rosa. 
Ao fazer a escolha de vocábulos, temos de ter em 
mente a adequação do uso de tal vocábulo, e isso 
certamente vai contribuir para a melhor compre-
ensão da nossa mensagem. O vocábulo deve ser 
 
 68 
 
adequado à pessoa que fala e, nessa situação, 
podemos ter os regionalismos, o jargão profissio-
nal, os vocábulos cultos e populares; em outros 
casos, devem ser adequados ao ponto de vista 
do autor do texto e, nesta situação, aparecem os 
vocábulos positivos, neutros ou negativos; em 
alguns textos podem ser empregados vocábulos 
que representam uma época determinada e as-
sim por diante. 
O conceito de Vocabulário: Codificação da tota-
lidade ou seleção de palavra de uma língua e 
seus significados. (dicionário Houaiss) 
Tipos de Vocabulários: Grupos de palavras; 
Fórmulas fixas; Expressões idiomáticas; Constru-
ções convencionais 
Grupos de palavras: 
 Água sanitária 
 Meio ambiente 
 Ar condicionado 
 Corpo docente 
 Fórmulas fixas: 
 Bom dia! 
 Boa noite! 
 Com licença! 
 Por favor! 
 Muito obrigada! 
Expressões idiomáticas: Deviso as mudanças e 
variações linguisticas as expressões idiomáticas 
variam de país para país, região para região, 
cultura para cultura, entre outras variações de 
tempo e espaço. 
Exemplos de expressões idiomáticas: 
 Abandonar o barco: desistir de uma situa-
ção difícil que se repete cotidianamente. 
 
 Abotoar o paletó: Morrer 
 
 Amigo da onça – amigo interesseiro, trai-
dor. 
 
 Andar nas nuvens – estar desatento, distra-
ído. 
 
 Arregaçar as mangas – dar início a um 
trabalho ou a uma atividade. 
 
 Bater na mesma tecla – insistir demais no 
mesmo assunto. 
 
 Boca de siri – manter segredo sobre algo. 
 
 Cara de pau – descarado, sem-vergonha. 
Construções convencionais 
 Você quer vim a ser casar comigo? 
 
 Você quer casar-se comigo? 
 
 Você quer casar comigo? 
Denotação 
A denotação é a relação existente entre o plano 
de expressão e o plano de conteúdo, ou seja, o 
significado denotativo é o conceito ao qual nos 
remete certo significante. Nos textos literários 
nem sempre a linguagem apresenta um único 
sentido, aquele apresentado pelo dicionário. Em-
pregadas em alguns contextos, elas ganham no-
vos sentidos, figurados, carregados de valores 
afetivos ou sociais. Quando a palavra é utilizada 
com seu sentido comum (o que aparece no dicio-
nário) dizemos que foi empregada denotativa-
mente. 
Conotativa 
Esses novos valores constituem aquilo que de-
nominamos sentido conotativo, ou seja, o acrés-
cimo de um novo valor constitui a conotação, que 
consiste num novo plano de conteúdo para o 
signo que já tinha um significado denotati-
vo.Provocando reação Quando é utilizada com 
um sentido diferente daquele que lhe é comum, 
dizemos que foi empregada conotativamen-
te. Este recurso é muito explorado na Literatura, é 
empregada em letras de música, anúncios publici-
tários, conversas do dia a dia, etc. Observe um 
trecho da canção “Dois rios”, de Samuel Rosa, 
Lô Borges e Nando Reis. 
Note a caracterização do sol: ele foi empregado 
conotativamente. 
Exemplos: 
 A Garota Não Fez Um Bom Papel (conota-
tivo) 
 Pegue Papel E Caneta (denotativo) 
Familias: Ideologica E Campos Associativos 
Associados a um vocábulo, por exemplo: Lazer: 
esporte, diversão, viagem, alegria... 
Tipos De Vocabulo 
Imagem de futebol: língua falada ou coloquial 
Imagem digitada: linguagem escrita- formal 
 
 69 
 
Imagem de uma noticia: vocabulário leitura- não 
precisa pesquisar 
Imagem de leitura de livro: tem que realizar con-
sulta ao dicionário. 
Domínio e Rendimentos: 
A dificuldade apresentada é pelos entulhamentos 
de itens desconhecidas( jurídica, médica) que 
dificultam a leitura, sendo assim não é vantajosa. 
Alguns vocábulos comprometem toda leitura. 
Exemplo: bula de remédio. Linguagem hermética 
Exemplo o conto PREBICITO de Arthur Azeve-do. Eles não sabiam o significado da palavra, isso 
causou uma grande confusão. 
Evitar o uso de chavões, guichês, termos genéri-
cos e vagos exemplo a Vaguidão Específica de 
Millôr Fernandes: Falando de qualquer coisa, o 
que causou humor no texto. 
Como Ampliar Vocabulário: 
 Recuso Do Dicionário 
 Inferencia Lexical 
 Resolver Cruzadas 
 Brincadeira Em Grupo 
 Leitura De Diversos Textos 
A dificuldade em realizar a leitura é tida como um 
dos maiores obstáculos enfrentados pelos alunos. 
Preocupados com essa questão, vários educado-
res estão em busca de o melhor caminho a se-
guir, contribuindo para um melhor desenvolvimen-
to da leitura. 
Parágrafos: 
Nessa aula aprendemos como formar um para-
gráfo coerente, utilizando a criatividade que é 
muito importante para desenvolver qualquer ativi-
dade. No que diz respeito à escrita, para criar um 
parágrafo é necessário que os estudantes saibam 
o conceito de parágrafo, para depois começar a 
construir um texto. O primeiro parágrafo de um 
texto deve ser escrito da maneira mais simples 
possível. É ele quem vai atrair a atenção do lei-
tor e despertar sua curiosidade para a leitura do 
texto. O parágrafo é o conjunto de frases que 
formam uma sequência com sentido, com lógica. 
Pode ser assinalado graficamente, como exposto 
acima, ou ainda oralmente, quando se faz uma 
pausa maior dos fatos ou quando iniciamos um 
novo assunto. 
Tipos de Parágrafos: 
 Os textos são estruturados geralmente em uni-
dades menores, os parágrafos, identificados por 
um ligeiro afastamento de sua primeira linha em 
relação à margem esquerda da folha. Possuem 
extensão variada: há parágrafos longos e pará-
grafos curtos. O que vai determinar sua extensão 
é a unidade temática, já que cada idéia exposta 
no texto deve corresponder a um parágrafo. 
É muito comum nos textos de natureza dissertati-
va, que trabalham com idéias e exigem maior 
rigor e objetividade na composição, que o pará-
grafo-padrão apresente a seguinte estrutu-
ra: Introdução - também denominada tópico fra-
sal, é constituída de uma ou duas frases curtas, 
que expressam, de maneira sintética, a idéia prin-
cipal do parágrafo, definindo seu objeti-
vo; Desenvolvimento - corresponde a uma am-
pliação do tópico frasal, com apresentação de 
idéias secundárias que o fundamentam ou escla-
recem; conclusão - nem sempre presente, espe-
cialmente nos parágrafos mais curtos e simples, a 
conclusão retoma a idéia central, levando em 
consideração os diversos aspectos selecionados 
no desenvolvimento. 
Nas dissertações, os parágrafos são estruturados 
a partir de uma idéia que normalmente é apresen-
tada em sua introdução, desenvolvida e reforçada 
por uma conclusão.As dissertações escolares, 
normalmente, costumam ser estruturadas em 
quatro ou cinco parágrafos (um parágrafo para a 
introdução, dois ou três para o desenvolvimento e 
um para a conclusão). 
É claro que essa divisão não é absoluta. Depen-
dendo do tema proposto e da abordagem que se 
dê a ele, ela poderá sofrer variações. Mas é fun-
damental que você perceba o seguinte: a divisão 
de um texto em parágrafos (cada um correspon-
dendo a uma determinada idéia que nele se de-
senvolve) tem a função de facilitar, para quem 
escreve, a estruturação coerente do texto e de 
possibilitar, a quem lê, uma melhor compreensão 
do texto em sua totalidade. 
Parágrafo Narrativo: Nas narrações, a idéia cen-
tral do parágrafo é um incidente, isto é, um episó-
dio curto.Nos parágrafos narrativos, há o predo-
mínio dos verbos de ação que se referem as per-
sonagens, além de indicações de circunstâncias 
relativas ao fato: onde ele ocorreu, quando ocor-
reu, por que ocorreu. O que falamos se aplica ao 
parágrafo narrativo propriamente dito, ou seja, 
aquele que relata um fato. Nas narrações existem 
também parágrafos que servem para reproduzir 
as falas dos personagens. No caso do discurso 
direto (em geral antecedido por dois-pontos e 
introduzido por travessão), cada fala de um per-
 
 70 
 
sonagem deve corresponder a um parágrafo para 
que essa fala não se confunda com a do narrador 
ou com a de outro personagem. Parágrafo Des-
critivo: A ideia central do parágrafo descritivo é 
um quadro, ou seja, um fragmento daquilo que 
está sendo descrito (uma pessoa, uma paisagem, 
um ambiente, etc.), visto sob determinada pers-
pectiva, num determinado momento. Alterado 
esse quadro, teremos novo parágrafo. O parágra-
fo descritivo vai apresentar as mesmas caracte-
rísticas da descrição: predomínio de verbos de 
ligação, emprego de adjetivos que caracterizam o 
que está sendo descrito, ocorrência de orações 
justapostas ou coordenadas. 
A Estruturação do Parágrafo: 
O parágrafo-padrão é uma unidade de composi-
ção constituída por um ou mais de um período, 
em que se desenvolve determinada idéia central, 
ou nuclear, a que se agregam outras, secundá-
rias, intimamente relacionadas pelo sentido e 
logicamente decorrentes dela. O parágrafo é indi-
cado por um afastamento da margem esquerda 
da folha. Ele facilita ao escritor a tarefa de isolar e 
depois ajustar convenientemente as idéias princi-
pais de sua composição, permitindo ao leitor a-
companhar-lhes o desenvolvimento nos seus 
diferentes estágios. 
Os parágrafos são moldáveis conforme o tipo de 
redação, o leitor e o veículo de comunicação on-
de o texto vai ser divulgado. Em princípio, o pará-
grafo é mais longo que o período e menor que 
uma página impressa no livro, e a regra geral 
para determinar o tamanho é o bom sen-
so. Parágrafos curtos: próprios para textos pe-
quenos, fabricados para leitores de pouca forma-
ção cultural. A notícia possui parágrafos curtos 
em colunas estreitas, já artigos e editoriais cos-
tumam ter parágrafos mais longos. Revistas po-
pulares, livros didáticos destinados a alunos inici-
antes, geralmente, apresentam parágrafos curtos. 
Quando o parágrafo é muito longo, o escritor de-
ve dividi-lo em parágrafos menores, seguindo 
critério claro e definido. O parágrafo curto tam-
bém é empregado para movimentar o texto, no 
meio de longos parágrafos, ou para enfatizar uma 
ideia. 
Parágrafos médios: comuns em revistas e livros 
didáticos destinados a um leitor de nível médio (2º 
grau). Cada parágrafo médio construído com três 
períodos que ocupam de 50 a 150 palavras. Em 
cada página de livro cabem cerca de três pará-
grafos médios. 
Parágrafos longos: em geral, as obras científi-
cas e acadêmicas possuem longos parágrafos, 
por três razões: os textos são grandes e conso-
mem muitas páginas; as explicações são comple-
xas e exigem várias idéias e especificações, ocu-
pando mais espaço; os leitores possuem capaci-
dade e fôlego para acompanhá-los. 
Estrutura Das Frases 
Estruturas das frases foi uma aula muito impor-
tante, no qual aprendemos o que era uma frase 
é um enunciado que por si mesmo estabelecer 
sentido, por meio das orações ou período. A ora-
ção possui dois termos essenciais, o sujeito e 
o predicado. 
Nessa aula ficou bem claro que as transposições 
da oralidade prejudicam a leitura, e que as carac-
terísticas sintáticas das frases devem ser: curtas 
ou longas. 
Emprego Funcional Das Classes Das Palavras 
Classe de palavras variáveis 
 Substantivos: Classe de palavras variá-
veis com que se designam e nomeiam os seres 
em geral. 
 Verbos: Classe de palavras de forma vari-
ável que exprimem o que se passa, isto é, um 
acontecimento representado no tempo. Indicam 
ação, fato, estado ou fenômeno. Toda palavra 
que se pode conjugar. 
 Adjetivos: Classe de palavras que indicam 
as qualidades, origem e estado do ser. O adjetivo 
é essencialmente um modificador do substantivo. 
 Numerais: Classe de palavras quantitati-
vas. Indica-nos uma quantidade exata de pessoas 
ou coisas, ou o lugar que elas ocupam numa sé-
rie. Também podedeterminar a quantia de objec-
tos em geral. 
 Pronomes: Classe de palavras com função 
de substituir o nome ou ser; como também de 
substituir a sua referência. Servem para represen-
tar um substantivo e para o acompanhar determi-
nando-lhe a extensão do significado. 
 Artigos: Palavra que se coloca antes do 
substantivo, determinando-o e indicando seu gé-
nero musical e número. 
 Nomes: São palavras que nomeiam ações, 
desejos, sentimentos, e seres, visiveis ou não, 
animados ou não. 
Invariáveis 
 Advérbios: Classe de palavras invariáveis 
indicadoras de circunstâncias diversas; é funda-
mentalmente um modificador do verbo, podendo 
 
 71 
 
também modificar um adjetivo, outro advérbio ou 
uma oração inteira. 
 Preposições: Classe de palavras invariá-
veis que ligam outras duas subordinando a se-
gunda à primeira palavra. 
 Conjunções: Classe de palavras invariá-
veis que ligam outras duas palavras ou duas ora-
ções. 
 Interjeições: Classe de palavras invariá-
veis não usadas para substituir frases de signifi-
cado emotivo ou sentimental. 
Substantivo 
Classificação do Substantivo 
Os substantivos podem ser classificados como 
próprios e comuns,concretos e abstratos, coletivo, 
primitivos e derivados,simples e composto veja 
mais: 
Comuns e próprios 
Comuns são aqueles que dão nome a 
espécie: pessoa, rio, planeta; próprios são 
aqueles que designam um indivíduo da espécie: 
João, Amazonas, Marte. 
Concretos e abstratos 
Concretos são aqueles que designam os seres 
propriamente ditos, isto é, os nomes de pessoas, 
de animais, vegetais, lugares e coisas: homem, 
cão, árvore, Brasil, caneta; abstratos são aqueles 
que designam ações, estados e qualidades: 
beleza, colheita, doença, bondade, juventude. 
Coletivos 
São substantivos comuns que, no singular, 
designam um conjunto de seres ou coisas da 
mesma espécie. No substantivo coletivo, trata-se 
de um único ser uma pluralidade de indivíduos: 
elenco (conjunto de atores); matilha (conjunto de 
cães de caça) ,. etc. 
Primitivos e Derivados 
Primitivos são aqueles de que derivam outros 
vocábulos: ferro é um substantivo primitivo 
porque dele derivam outras palavras (ferreiro, 
ferraria, ferradura); derivados são aqueles que 
procedem de outras palavras (guerreiro é 
derivado por vir de guerra, guerra + eiro). 
Simples e Composto 
Simples são aqueles substantivos constituídos de 
um só radical: casa, casarão; compostos são 
aqueles formados na união de dois ou mais 
radicais: boca-de-leão, couve-flor, passatempo. 
Flexão do Substantivo 
Os substantivos podem ser flexionados de três 
maneiras distintas: quanto ao gênero, quanto 
ao número e quanto ao grau. 
Flexão Genérica 
Gênero gramatical é a indicação do sexo real ou 
suposto dos seres. 
O gênero gramatical é um critério puramente 
linguístico, convencional, que divide os 
substantivos em duas classes: masculino e 
feminino. 
 Masculino: são do gênero masculino todos 
os substantivos a que se pode antepor o artigo o: 
o aluno, o amor, o galho, o poema. Geralmente 
são masculinos os nomes de homens ou funções 
exercidas por eles; os nomes de animais 
do sexo masculino; os nomes de lagos, montes, 
rios e ventos; os nomes de meses e pontos 
cardeais; 
 Feminino: são do gênero feminino todos 
os substantivos a que se pode antepor o artigo a: 
a casa, a vida, a árvore, a canção. Geralmente 
são femininos os nomes de mulheres ou de 
funções exercidas por elas; os nomes de animais 
do sexo feminino; os nomes de cidades e ilhas; 
as partes do mundo; as ciências e as artes 
liberais. 
3
 
4
 
Substantivos Uniformes 
Substantivos epicenos: denominam-se 
epicenos os nomes de animais que possuem um 
só gênero gramatical para designar um e outro 
sexo: a águia, a baleia, a mosca, a pulga, o 
besouro, o polvo, o tatu, etc. 
 Substantivos sobrecomuns: denominam-
se sobrecomuns os substantivos que têm um só 
gênero gramatical para designar pessoas de 
ambos os sexos: o apóstolo, o cônjuge, a criança, 
a testemunha, etc. 
 Substantivos comuns de dois gêneros: 
alguns substantivos possuem uma só forma para 
os dois gêneros, mas distinguem-se o masculino 
do feminino pelo gênero do artigo: o agente, 
a agente; ocolega, a colega; o gerente, a gerente; 
o presidente. a presidente; o mártir, a mártir; etc. 
 Substantivos de gênero vacilante: em 
alguns substantivos notam-se vacilação de 
gênero: diabete, suéter, omoplata, etc. 
3
 
 
 72 
 
Flexão Numérica 
Quanto à flexão de número, os substantivos 
podem estar no singular ou plural: 
 Singular: é a forma não flexionada do 
substantivo, que indica apenas um ser: casa, 
homem, doce; 
 Plural: é a forma flexionada, que indica 
mais de um ser: casas, homens, doces. 
Flexão Gradual 
O que substancialmente existe pode ter tamanhos 
diversos; pode ter tamanho normal, comum, como 
pode ser grande ou pequeno. 
Três são os graus dos substantivos: normal, 
aumentativo e diminutivo. 
 Normal: designa o ser no seu tamanho 
natural: casa, livro; 
 Aumentativo: designa o ser aumentado do 
seu tamanho normal: casarão, livrão; 
 Diminutivo: designa o ser diminuído do 
seu tamanho normal: casebre, livrinho. 
Função Sintática 
O substantivo pode figurar na oração como 
núcleo do sujeito, predicativo, objeto direto, objeto 
indireto, complemento nominal, adjunto adverbial, 
agente da passiva, aposto, vocativo e 
excepcionalmente como adjunto adnominal. 
3
 Os 
adjetivos referentes a cores podem ser 
modificados por um substantivo que melhor 
precise uma de suas tonalidades, um de seus 
matizes: amarelo-canário; verde canário, etc. 
Neste emprego, o substantivo equivale a 
um advérbio de modo. As frases nominais têm o 
substantivo como núcleo da frase: "Ó minha 
amada/Que olhos os teus" (Vinícius de Moraes) 
 
Verbo 
Verbo são palavras que exprimem ações, estado, 
mudança de estado e fenômenos meteorológicos, 
sempre em determinado tempo.
1
 A palavra verbo 
vem do latim verbum, que significa palavra. 
Quanto à Semântica 
Verbos Transitivos 
Designam ações voluntárias, causadas por um ou 
mais indivíduos, e que afetam outro(s) 
indivíduo(s) ou alguma coisa, exigindo um ou 
mais objetos na ação. Podendo ser transitivo 
direto, quando não exigir preposição depois do 
verbo, ou transitivo indireto, quando exigir 
preposição depois do verbo. Ou ainda transitivo 
direto e indireto. 
Verbos Intransitivos 
Designam ações que não afetam outros 
indivíduos (ex.: andar, existir, nadar, voar etc.). 
Verbos Impessoais 
São verbos que designam ações involuntárias. 
Geralmente (mas nem sempre) designam 
fenômenos da natureza e, portanto, não têm 
sujeito nem objeto na ação (ex.: chover, 
anoitecer, nevar, haver(no sentido de existência) 
etc.). 
Verbos de Ligação 
São os verbos que não designam ações; apenas 
servem para ligar o sujeito ao predicativo 
(ex.: ser, estar, parecer, permanecer, continuar, a
ndar, tornar-se, ficar, viver, virar etc.). 
Conjugações 
Primeira Conjugação 
Pertencem a esta conjugação os verbos cuja 
vogal temática é a (cantar, falar, pensar, brincar, 
conversar, etc.) 
Segunda Conjugação 
Pertencem a esta conjugação os verbos cuja 
vogal temática é e (vender, ler, correr, etc.). 
Terceira Conjugação 
Pertencem a esta conjugação os verbos cuja 
vogal temática é i (partir, dormir, pedir, conseguir, 
etc.). 
Flexiona sempre de acordo com os paradigmas 
da conjugação a que pertencem (ex.: amar, 
vender, partir, etc.) 
Verbos irregulares 
Sofrem modificações em relação aos paradigmas 
da conjugação a que pertencem, tendo 
modificações no radical e nas terminações (ex.: 
resfolegar, caber, medir, etc.). 
Verbos anômalosSão verbos irregulares, sendo que muitas vezes o 
radical é diferente em cada conjugação (ex.: ir, 
ser, ter, pôr). 
Verbos defectivos 
 
 73 
 
Verbos que não têm uma ou mais formas 
conjugadas (ex.: precaver). 
Verbos abundantes 
Verbos que apresentam mais de uma forma de 
conjugação (ex.: encher, fixar). 
Flexão 
Os verbos têm as seguintes categorias de flexão: 
 Número: plural e imperativo 
 Pessoa: primeira (transmissor), segunda 
(receptor), terceira (mensagem). 
 Modo: indicativo,subjuntivo e imperativo, 
além das formas nominais (infinitivo, gerúndio e 
particípio). 
 Tempo: presente, pretérito perfeito, 
pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, 
futuro do presente, futuro do pretérito. 
 Voz: ativa, passiva (analítica ou sintética), 
reflexiva. 
 Ativa: o sujeito da oração é que faz a ação 
(ex.: Os alunos resolveram todas questões). 
 Passiva: o sujeito recebe a ação 
(ex.: Todas questões foram resolvidas pelos 
alunos). 
 Reflexiva: o sujeito faz e também recebe a 
ação (ex.: Ana se cortou e se machucou). 
Formas Nominais 
 Infinitivos são terminados em r (ex.: amar, 
comer, latir). 
 Particípios são terminados 
em ado, ada, ido ou ida (ex.: amado, amada, 
comido, comida, latido, latida). 
 Gerúndios são terminados em ndo (ex.: 
amando, comendo, latindo). 
Adjetivo 
Adjetivo é toda palavra que se refere a 
um substantivo indicando-lhe um atributo. 
Flexionam-se em gênero, número e grau. 
Sua função gramatical pode ser comparada com 
a do advérbio em relação aos verbos, aos 
adjetivos e a outros advérbios. 
Exemplos: 
 A borboleta é branca. 
Da mesma forma que os substantivos, os 
adjetivos contribuem para a organização e 
descrição do mundo em que vivemos. Assim, 
distinguimos uma fruta azeda de umdoce, por 
exemplo. 
Pronome 
Em linguística, os pronomes são um conjunto 
fechado de palavras de uma língua que podem 
substituir substantivos variados, ou frases 
derivadas deles, na formação de sentenças 
1
 , 
tratando-se de um tipo particular de proforma. Em 
geral, os empregos de cada pronome podem 
depender da natureza gramatical ou semântica do 
substantivo representado, de sua função 
gramatical na sentença, e das palavras próximas. 
A associação (dêixis) entre o pronome e a 
entidade que ele representa é geralmente 
definida pelo contexto e pode mudar ao longo do 
discurso. 
Na língua portuguesa, em particular, há algumas 
dezenas de pronomes, como "eu", "lhe", "que", 
"cujo" e "isto", que podem substituir substantivos 
ou frases preposicionais derivadas deles. 
Pronomes podem portanto ter as funções típicas 
de substantivos (sujeito, objeto e complemento), 
de adjetivos (modificadores de substantivos) e de 
advérbios (modificadores de verbos e adjetivos). 
A escolha do pronome depende do número 
(singular ou plural) do substantivo representado e 
às vezes do seu gênero (masculino ou feminino); 
bem como de sua pessoa verbal (primeira, 
segunda, terceira) e sua função gramatical. 
A classe dos pronomes é presente na maior parte 
das gramáticas das línguas indo-européias desde 
pelo menos o século II AEC, quando apareceu no 
tratado grego A Arte da Gramática. No entanto, 
devido à grande heterogeneidade na classes, 
alguns autores preferem desmembrá-la em 
classes menores 
Artigo (Gramática) 
Dá-se o nome de artigo às palavras que se ante-
põem aos substantivos para indicar se esses têm 
um sentido individual, já determinado pelo discur-
so ou pelas circunstâncias, chamados definidos, 
ou se os substantivos não são determinados, 
chamados indefinidos. 
Por exemplo, quando se diz o príncipe, o arti-
go o indica que o substantivo príncipe deve ser 
tomado em um sentido individual, que a circuns-
tância do Reino e da Nação, em que vive o autor 
da frase, o determina. 
 
 74 
 
Por outro lado, quando se diz um príncipe é digno 
de casar com uma princesa, ou um crime tão 
horrendo merece a morte, etc, o artigo um indica 
que se fala, no primeiro caso, de um indivíduo e, 
no segundo caso, de um crime individual, porém 
o sentido é vago, e não se deseja nomear este 
príncipe ou este crime. 
Os artigos devem concordar com substantivo 
em gênero e grau. 
Os artigos são: 
Artigo definido 
São: o, a, os, as. 
Artigo indefinido 
São: um, uma, uns, umas. 
O artigo indefinido não deve ser confundido com 
o numeral um, que é usado para expressar quan-
tidade. Nos exemplos um homem da corte / uma 
mulher da corte tem mais espírito e viveza que 
um aldeão, um vassalo deve obedecer ao rei, um 
rei deve ser o pai de seu povo, um homem de 
juízo deve ser senhor de suas paixões,António é 
um Cícero, Cícero é um bom orador, o arti-
go um pode, em alguns casos, ser substituído 
pelo artigo o, porém nunca pela expressão exa-
tamente um. 
Advérbio 
É a classe gramatical das palavras que modificam 
um verbo, um adjetivo ou um outro advérbio. Ra-
ramente modifica um substantivo. É a palavra 
invariável que indica as circunstâncias em que 
ocorre a ação verbal. 
Apenas os advérbios de intensidade, de lugar e 
de modo são flexionados, sendo que os demais 
são todos invariáveis. A única flexão propriamen-
te dita que existe na categoria dos advérbios é a 
de grau, a saber: 
Relativo: 
Superlativo Relativo de Superioridade 
Aumenta a intensidade (ex.: longe → longíssimo, 
pouco → pouquíssimo, inconstitucionalmente → 
inconstitucionalissimamente, etc.). 
Superlativo Relativo de Inferioridade 
Diminui a intensidade (ex.: perto → pertinho, pou-
co → pouquinho, devagar → devagarinho, etc.). 
Os advérbios bem e mal admitem ainda o grau 
comparativo, respectivamente, melhor e pior. 
Existem também as formas analíticas de repre-
sentar o grau, que não são flexionadas, mas sim, 
representadas por advérbios de intensidade co-
mo mais, muito, etc. Nesse caso, existe o grau 
comparativo (de igualdade, de superioridade, de 
inferioridade) e o grau superlativo (absoluto e 
relativo). 
Preposição 
É uma palavra invariável que liga dois elementos 
da oração, subordinando o segundo ao primei-
ro, ou seja, o regente e o regido. Isso significa 
que a preposição é o termo que relaciona subs-
tantivo a substantivo, verbo a substantivo, subs-
tantivo a verbo, adjetivo a substantivo, advérbio a 
substantivo, etc. Junto com as posposições e as 
raríssimas circumposições, as preposições for-
mam o grupo das adposições. 
Exemplos: 
Os alunos do colégio assistiram ao filme de Wal-
ter Salles e ficaram inspirados. 
Obs.: 
Teremos como elementos da oração os alunos, o 
colégio, o verbo assistir, o filme, Walter Salles e a 
qualidade dos alunos comovidos. O restante é 
preposição. Observe: "do" liga "alunos" a "colé-
gio", "ao" liga "assistiram" a "filme", "de" liga "fil-
me" a "Walter Salles". Portanto são preposições. 
O termo que antecede a preposição é denomina-
do regente e o termo que a sucede, regido. 
Conjunção 
É uma das classes de palavras definidas pe-
la gramática geral. As conjunções são palavras 
invariáveis que servem para conectar orações ou 
dois termos de mesma função sintática, estabele-
cendo entre eles uma relação de dependência ou 
de simples coordenação. 
Exemplos: 
Portan-
to, logo, pois, como, mas, e, embora, porque, entr
etan-
to, nem, quando, ora, que, porém, todavia, quer, c
ontudo, seja, conforme. 
Quando conectam duas orações que apresentem 
diferentes níveis sintáticos, ou seja, uma oração é 
um membro sintático da outra, são chamadas de 
conjunções subordinativas. 
Saiba que: 
 
 75 
 
As conjunções "e"," antes", "agora"," quando" são 
adversativas quando equivalema "mas". 
Carlos fala, e não faz. 
O bom educador não proíbe, antes orienta. 
Sou muito bom; agora, bobo não sou. 
Foram mal na prova, quando poderiam ter ido 
muito bem. 
"Senão" é conjunção adversativa quando equivale 
a "mas sim". 
Conseguimos vencer não por protecionismo, se-
não por capacidade. 
Das conjunções adversativas, "mas" deve ser 
empregada sempre no início da oração: as outras 
(porém, todavia, contudo, etc.) podem vir no início 
ou no meio. 
Ninguém respondeu a pergunta, mas os alunos 
sabiam a resposta. 
Ninguém respondeu a pergunta; os alunos, po-
rém, sabiam a resposta. 
A palavra "pois", quando é conjunção conclusiva, 
vem geralmente após um ou mais termos da ora-
ção a que pertence. 
Você o provocou com essas palavras; não se 
queixe, pois, de seus ataques. 
Quando é conjunção explicativa," pois" vem, ge-
ralmente, após um verbo no imperativo e sempre 
no início da oração a que pertence. 
Não tenha receio, pois eu a protegerei... 
Interjeição 
As interjeições são palavras invariáveis que ex-
primem estados emocionais 
1
 , ou mais abrangen-
te: sensações e estados de espírito; ou até mes-
mo servem como auxiliadoras expressivas para o 
interlocutor, já que, lhe permitem a adoção de um 
comportamento que pode dispensar estruturas 
linguísticas mais elaboradas. 
Ora bolas! Cruz credo! Poxa vida! Valha-me 
Deus! Se Deus quiser! Macacos me mordam! 
A interjeição é considerada palavra-frase, carac-
terizando-se como uma estrutura à parte. Não 
desempenha função sintática. 
Note que toda interjeição deve vir acompanhada 
de um ponto de exclamação. 
Emprego do Sinal Indicativo de Crase 
CRASE: é uma palavra de origem grega e signifi-
ca "mistura", "fusão". Nos estudos de Língua Por-
tuguesa, é o nome dado à fusão ou contração de 
duas letras "a" em uma só. A crase é indicada 
pelo acento grave (`) sobre o "a". Crase, portan-
to, NÃO é o nome do acento, mas do fenômeno 
(junção a +a) representado através do acento 
grave. 
A crase pode ser a fusão da preposição a com: 
1) o artigo feminino definido a (ou as): Fomos à 
cidade e assistimos às festas. 
2) o pronome demonstrativo a (ou as): Irei à (loja) 
do centro. 
3) os pronomes demonstrativos aquele(s), aque-
la(s), aquilo: Refiro-me àquele fato. 
4) o a dos pronomes relativos a qual e as quais: 
Há cidades brasileiras às quais não é possível 
enviar correspondência. 
Observe que a ocorrência da crase depende da 
verificação da existência de duas vogais 
"a" (preposição + artigo ou preposição + prono-
me) no contexto sintático. 
Regras Práticas 
1 - Substitua a palavra feminina por uma masculi-
na, de mesma natureza. Se aparecer a combina-
ção ao, é certo que OCORRERÁ crase antes do 
termo feminino: 
Amanhã iremos ao colégio / à escola. 
Prefiro o futebol ao voleibol / à natação. 
Resolvi o problema / a questão. 
Vou ao campo / à praia. 
Eles foram ao parque / à praça. 
2 - Substitua o termo regente da preposição a por 
outro que exija uma preposição diferente 
(de, em, por). Se essas preposições não se con-
traírem com o artigo, ou seja, se não surgirem as 
formas da(s), na(s) ou pela(s), não haverá crase: 
Refiro-me a você. (sem crase) - Gosto de você / 
Penso em você / Apaixonei-me por você. 
Refiro-me à menina. (com crase) - Gosto da me-
nina / Penso na menina / Apaixonei-me pela me-
nina. 
Começou a gritar. (sem crase) - Gosta de gritar / 
Insiste em gritar / Optou por gritar. 
 
 76 
 
3 - Substitua verbos que transmitem a idéia de 
movimento (ir, voltar, vir, chegar etc.) pelo verbo 
voltar. Ocorrendo a preposição "de", NÃO haverá 
crase. E se ocorrer a preposição "da", HAVERÁ 
crase: 
Vou a Roma. / Voltei de Roma. 
Vou à Roma dos Césares. / Voltei da Roma dos 
Césares. 
Voltarei a Paris e à Suiça. / Voltarei de Paris 
e da Suiça. 
Ocorrendo a preposição "de", NÃO haverá crase. 
E se ocorrer a preposição "da", HAVERÁ crase: 
Vou a Roma. / Voltei de Roma. 
Vou à Roma dos Césares. / Voltei da Roma dos 
Césares. 
Voltarei a Paris e à Suiça. / Voltarei de Paris 
e da Suiça. 
4 - A crase deve ser usada no caso de locuções, 
ou seja, reunião de palavras que equivalem a 
uma só idéia. Se a locução começar por preposi-
ção e se o núcleo da locução for palavra feminina, 
então haverá crase: 
Gente à toa. 
Vire à direita. 
Tudo às claras. 
Hoje à noite. 
Navio à deriva. 
Tudo às avessas. 
No caso da locução "à moda de", a expres-
são "moda de" pode vir subentendida, deixando 
apenas o "à" expresso, como nos exemplos que 
seguem: 
Sapatos à Luiz XV. 
Relógios à Santos Dummont. 
Filé à milanesa. 
Churrasco à gaúcha. 
No caso de locuções relativas a horá-
rios, somente no caso de horas definidas e espe-
cificadas ocorrerá a crase: 
À meia-noite. 
À uma hora. 
À duas horas. 
Às três e quarenta. 
Emprego de Tempos e Modos Verbais 
O verbo pode se flexionar de quatro maneiras: 
PESSOA, NÚMERO, TEMPO e MODO. É a clas-
se mais rica em variações de forma ou acidentes 
gramaticais. Através de um morfema chamado 
DESINÊNCIA MODO TEMPORAL, são marcados 
o tempo e o modo de um verbo. Vejamos mais 
detalhadamente... 
O MODO VERBAL caracteriza as várias maneiras 
como podemos utilizar o verbo, dependendo da 
significação que pretendemos dar a ele. Rigoro-
samente, são três os modos verbais: INDICATI-
VO, SUBJUNTIVO e IMPERATIVO. Porém, al-
guns gramáticos incluem, também como modos 
verbais, o PARTICÍPIO, o GERÚNDIO e o INFI-
NITIVO. Alguns autores, no entanto, as denomi-
nam FORMAS NOMINAIS DO VERBO. 
Segundo o gramático Rocha Lima, existem algu-
mas particularidades em cada uma destas formas 
que podem impedir-nos de considerá-las modos 
verbais: 
 INFINITIVO: tem características de um 
substantivo, podendo assumir a função de sujeito 
ou de complemento de um outro verbo, e até 
mesmo ser precedido por um artigo. 
 GERÚNDIO: assemelha-se mais a um 
advérbio, já que exprime condições de tempo, 
modo, condição e lugar. 
 PARTICÍPIO: possui valor e forma de 
adjetivo, pois além de modificar o substantivo, 
apresenta ainda concordância em gênero e nú-
mero. 
Mas voltemos aos modos verbais, propriamente 
ditos: 
 MODO INDICATIVO: O verbo expressa 
uma ação que provavelmente acontecerá, uma 
certeza, trabalhando com reais possibilidades de 
concretização da ação verbal ou com a certeza 
comprovada da realização daquela ação. 
 MODO SUBJUNTIVO: Ao contrário do 
indicativo, é o modo que expressa a dúvida, a 
incerteza, trabalhando com remotas possibilida-
des de concretização da ação verbal. 
 MODO IMPERATIVO: Apresenta-se na 
forma afirmativa e na forma negativa. Com ele 
nos dirigimos diretamente a alguém, em segunda 
pessoa, expressando o que queremos que esta(s) 
pessoa(s) faça(m). Pode indicar uma ordem, um 
 
 77 
 
pedido, um conselho etc., dependendo da ento-
nação e do contexto em que é aplicado. 
Já o TEMPO VERBAL informa, de uma maneira 
geral, se o verbo expressa algo que já aconteceu, 
que acontece no momento da fala ou que ainda 
irá acontecer. São essencialmente três tempos: 
PRESENTE, PASSADO ou PRETÉRITO e FU-
TURO. 
Os tempos verbais são: 
 PRESENTE SIMPLES (amo) – expressa 
algo que acontece no momento da fala. 
 PRETÉRITO PERFEITO (amei) - expres-
sa uma ação pontual, ocorrida em um momento 
anterior à fala. 
 PRETÉRITO IMPERFEITO (amava) - 
expressa uma ação contínua, ocorrida em um 
intervalo de tempo anterior à fala. 
 PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO (a-
mara) – contrasta um acontecimento no passado 
ocorrido anteriormente a outro fato também ante-
rior ao momento da fala. 
 FUTURO DO PRESENTE (amarei) - ex-
pressa algo que possivelmente acontecerá em 
um momento posterior ao da fala. 
 FUTURODO PRETÉRITO (amaria) - 
expressa uma ação que era esperada no passa-
do, porém que não aconteceu. 
Exemplo 2 
O verbo indica um processo localizado no tempo. 
Podemos distinguir: presente, pretérito e futuro. 
 
Tempo presente: exprime um fato que ocorre no 
momento da fala. 
Ex.: Estou fazendo exercícios diariamente. 
Tempo passado: exprime um fato que ocorreu 
antes do momento da fala. 
Ex.: Ontem eu fiz uma série de exercícios. 
Tempo futuro: exprime um fato que irá ocorrer 
depois do ato da fala. 
Ex.: Daqui a quinze minutos irei para a academia 
fazer exercícios. 
O pretérito (ou passado) subdivide-se em: 
• Pretérito perfeito: indica um fato passado total-
mente concluído 
Ex.: Ninguém relatou o seu delírio. 
• Pretérito imperfeito: indica um processo passado 
não totalmente concluído, revela o fato em sua 
duração. 
Ex.: Ele conversava muito durante a palestra. 
• Pretérito mais-que-perfeito: indica um processo 
passado anterior a outro também passado. 
Ex.: ―... sempre nos faltara aquele aproveitamento 
da vida...‖ (Mário de Andrade) 
O futuro subdivide-se em: 
• Futuro do presente: indica um fato posterior ao 
momento em que se fala. 
Ex.: Não tenho a intenção de esconder nada, 
assim que seus pais chegarem contarei o fato 
ocorrido. 
 
• Futuro do pretérito: indica um processo futuro 
tomado em relação a um fato passado. 
Ex.: Ontem você ligou dizendo que viria ao hospi-
tal. 
 
Empregos especiais: 
• Presente: 
- pode ocorrer com valor de perfeito, indicando 
um processo já ocorrido no passado (presente 
histórico). 
Ex.: Em 15 de agosto de 1769 nasce Napoleão 
Bonaparte. (nasce = nasceu) 
- pode indicar futuro próximo. 
Ex.: Amanhã eu compro o doce pra você. (com-
pro = comprarei) 
- pode indicar um processo habitual, ininterrupto. 
Ex.: Os animais nascem, crescem, se reprodu-
zem e morrem. 
• Imperfeito: 
- pode ocorrer com valor de futuro do pretérito. 
Ex.: Se eu não tivesse motivo, calava. (calava = 
calaria) 
• Mais-que-perfeito: 
- pode ser usado no lugar do futuro do pretérito 
ou do imperfeito do subjuntivo. 
Ex.: Mais fizera se não fora pouco o dinheiro que 
dispunha. (fizera = faria, fora = fosse) 
 
 78 
 
- pode ser usado em orações optativas. 
Quem me dera ter um novo amor! 
• Futuro do presente: 
- pode exprimir ideia de dúvida, incerteza. 
Ex.: O rapaz que processou o patrão por 
racismo, receberá uns trinta mil de indenização. 
- pode ser usado com valor de imperativo. 
Ex.: Não levantarás falso testemunho. 
• Futuro do pretérito: 
- pode ocorrer com valor de presente, exprimindo 
polidez ou cerimônia. 
Ex.: Você me faria uma gentileza? 
Modos verbais 
• Modo indicativo: exprime certeza, precisão do 
falante perante o fato. 
Ex.: Eu gosto de chocolate. 
• Modo subjuntivo: exprime atitude de incerteza, 
dúvida, imprecisão do falante perante o fato. 
Ex.: Espero que você esteja bem. 
• Modo imperativo: exprime atitude de ordem, 
solicitação, convite ou conselho. 
Exs.: Não cante agora! 
Empreste-me 10 reais, por favor. 
Venha ao hospital agora, seu amigo vai ser ope-
rado. 
Não ponha tanto sal, isso pode lhe fazer mal. 
Infinitivo pessoal ou impessoal 
• Infinitivo impessoal: terminado em r para qual-
quer pessoa. 
Ex.: comprar, comer, partir. 
Emprega-se o infinitivo impessoal: 
a) Quando ele não estiver se referindo a sujeito 
algum. 
Ex.: É preciso amar. 
b) Na função de complemento nominal (regido de 
preposição). 
Ex.: Esses exercícios não são fáceis de resolver. 
c) Quando faz parte de uma locução verbal. 
Ex.: Ele deve ir ao dentista. 
d) Quando, dependente dos verbos deixar, fazer, 
ouvir, sentir, mandar, ver, tiver por sujeito um 
pronome oblíquo. 
Sujeito 
Deixei-as passear. 
= eles 
e) Quando tiver valor de imperativo. 
Ex.: Não fumar neste recinto. 
• Infinitivo pessoal: além da desinência r vem 
marcado com desinência de pessoa e número. 
 
Ex.: cantar – ø 
Cantar – es 
Cantar – ø 
Cantar – mos 
Cantar – des 
Cantar – em 
Ex.: Com esse calor convém tomarmos um sorve-
te. 
- Usa-se o infinitivo pessoal quando o seu sujeito 
é diferente do sujeito do verbo da oração princi-
pal. 
Ex.: A única solução era ficarmos em casa. 
Concordância Verbal e Nominal 
Observe: 
As crianças estão animadas 
Crianças animadas. 
No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra 
na terceira pessoa do plural, concordando com o 
seu sujeito, as crianças. No segundo exemplo, o 
adjetivo animado está concordando em gênero 
(feminino) e número (plural) com o substantivo a 
que se refere: crianças. Nesses dois exemplos, 
as flexões de pessoa, número e gênero se cor-
respondem. 
Concordância é a correspondência de flexão en-
tre dois termos, podendo ser verbal ou nominal. 
Concordância Verbal 
 
 79 
 
Ocorre quando o verbo se flexiona para concor-
dar com seu sujeito. 
a) Sujeito Simples 
Regra Geral 
O sujeito sendo simples, com ele concordará o 
verbo em número e pessoa. Veja os exemplos: 
A orquestra tocou uma valsa longa. 
3ª p. Singular 3ª p. Singular 
Os pares que rodeavam a nós dançavam bem. 
3ª p. Plural 3ª p. Plural 
Casos Particulares 
Há muitos casos em que o sujeito simples é cons-
tituído de forma que fazem o falante hesitar no 
momento de estabelecer a concordância com o 
verbo. Às vezes, a concordância puramente gra-
matical é contaminada pelo significado de ex-
pressões que nos transmitem noção de plural, 
apesar de terem forma de singular ou vice-versa. 
Por isso, convém analisar com cuidado os casos 
a seguir. 
1) Quando o sujeito é formado por uma expres-
são partitiva (parte de, uma porção de, o grosso 
de, metade de, a maioria de, a maior parte de, 
grande parte de...) seguida de um substantivo ou 
pronome no plural, o verbo pode ficar no singu-
lar ou no plural. 
Por Exemplo: 
A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a 
ideia. 
Metade dos candidatos não apresentou / apre-
sentaram nenhuma proposta interessante. 
Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos 
casos dos coletivos, quando especificados: 
Por Exemplo: 
Um bando de vândalos destruiu / destruíram o 
monumento. 
Regência Nominal e Verbal 
Regência Nominal 
É o campo da gramática que estuda a relação 
sintática que se dá entre os nomes e os respecti-
vos termos regidos por esse nome. 
Em português, alguns nomes (substantivos, adje-
tivos e advérbios) exigem um complemento pre-
cedido por preposição.
 
Tal complemento exerce a função de integrar o 
sentido da palavra completada, enriquecendo 
assim a semântica da oração em questão.
2
 O 
conjunto de complemento regido pela preposição 
é denominado ―complemento nominal‖, no qual a 
preposição é definida pela ―regência nominal‖. 
Regência Nominal é o nome da relação entre um 
substantivo, adjetivo ou advérbio transitivo e seu 
respectivo complemento nominal. Essa relação é 
intermediada por uma preposição. 
No estudo da regência nominal, deve-se levar em 
conta que muitos nomes seguem exatamente o 
mesmo regime dos verbos correspondentes. 
Conhecer o regime de um verbo significa, nesses 
casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. 
- alheio a, de - liberal com 
- ambicioso de - apto a, para 
- análogo a - grato a 
- bacharel em - indeciso em 
- capacidade de, para - natural de 
- contemporâneo a, de - nocivo a 
- contíguo a - paralelo a 
- curioso a, de - propício a 
- falto de - sensível a 
- incompatível com - próximo a, de 
- inepto para 
- satisfeito com, de, 
em, por 
- misericordioso com, 
para com 
- suspeito de 
- preferível a - longe de 
- propenso a, para - perto de 
- hábil em 
Exemplos: 
 
Estáalheio a tudo. 
Está apto ao trabalho. 
Gente ávida por dominar. 
Contemporâneo da Revolução Francesa. 
 
 80 
 
É coisa curiosa de ver. 
Homem inepto para a matemática. 
Era propenso ao magistério. 
Regência Verbal 
É a relação sintática de dependência que se es-
tabelece entre o verbo — termo regente — e o 
seu complemento — termo regido. A regência 
determina se uma preposição é necessária para 
ligar o verbo a seu complemento. 
Os termos, quando exigem a presença de outro 
chamam-se regentes ou subordinantes; os que 
completam a significação dos anteriores chamam-
seregidos ou subordinados. 
Quando o termo regente é um nome (substantivo, 
adjetivo ou advérbio), ocorre a regência nominal. 
Quando o termo regente é um verbo, ocorre a 
regência verbal. 
Na regência verbal, o termo regido pode ser ou 
não preposicionado. Na regência nominal, ele é 
obrigatoriamente preposicionado. 
Regência vem do significado gramatical de reger, 
ou seja, de determinar a flexão de algum termo. 
Na regência verbal, o verbo é o regente da ora-
ção, enquanto o seu complemento é o termo re-
gido, logo é o que irá ser flexionado. 
Então, podemos entender por regência verbal a 
relação que o verbo estabelece com seu com-
plemento (objeto direto ou indireto). 
Vejamos: 
 
1. O menino levou o livro à biblioteca. 
2. A garota comeu o bolo. 
Na segunda oração, o verbo ―comeu‖ é transitivo 
e exige complemento, veja: comeu o quê? O bo-
lo. 
Logo, ―comeu‖ é transitivo direto e ―o bolo‖ é obje-
to direto. 
Na primeira oração, o verbo ―levou‖ é transitivo 
direto e exige o complemento (objeto direto) ―o 
livro‖. O termo que o sucede se refere a um ad-
junto adverbial de lugar - à biblioteca. 
Na análise sintática das orações acima podemos 
constatar que há uma relação de dependência 
entre o termo regente (que no caso é um verbo) 
com o termo regido (complemento). O primeiro 
precisa do segundo para que tenha sentido. 
Vejamos mais um exemplo: 
1. O menino levou – o. (o= o livro) 
2. Ele abdicou do trono. 
Na primeira oração temos o pronome oblíquo ―o‖ 
como complemento do verbo ―levou‖ e responde 
a pergunta: Levou o que? O = o livro. ―O‖, portan-
to, é um objeto direto. 
Já na segunda oração o verbo ―abdicou‖ transitivo 
indireto, pois exige um complemento, porém , 
precedido de preposição: Abdicou de que? Do 
trono. A expressão ―do trono‖ é objeto indireto, 
pois é iniciado com a preposição ―do‖ (preposição 
de + artigo o). 
Crase 
Temos vários tipos de contração ou combinação 
na Língua Portuguesa. A contração se dá na jun-
ção de uma preposição com outra palavra. 
Na combinação, as palavras não perdem nenhu-
ma letra quando feita a união. Observe: 
• Aonde (preposição a + advérbio onde) 
• Ao (preposição a + artigo o) 
Na contração, as palavras perdem alguma letra 
no momento da junção. Veja: 
• da (preposição de + artigo a) 
• na (preposição em + artigo a) 
Agora, há um caso de contração que gera muitas 
dúvidas quanto ao uso nas orações: a crase. 
Crase é a junção da preposição ―a‖ com o artigo 
definido ―a(s)‖, ou ainda da preposição ―a‖ com as 
iniciais dos pronomes demonstrativos aquela(s), 
aquele(s), aquilo ou com o pronome relativo a 
qual (as quais). 
Graficamente, a fusão das vogais ―a‖ é represen-
tada por um acento grave, assinalado no sentido 
contrário ao acento agudo: à. 
 
Como saber se devo empregar a crase? Uma 
dica é substituir a crase por ―ao‖ e o substantivo 
feminino por um masculino, caso essa preposição 
seja aceita sem prejuízo de sentido, então com 
certeza há crase. 
Veja alguns exemplos: Fui à farmácia, substituin-
do o ―à‖ por ―ao‖ ficaria Fui ao supermercado. 
Logo, o uso da crase está correto. 
 
 81 
 
Outro exemplo: Assisti à peça que está em car-
taz, substituindo o ―à‖ por ―ao‖ ficaria Assisti ao 
jogo de vôlei da seleção brasileira. 
É importante lembrar dos casos em que a crase é 
empregada, obrigatoriamente: nas expressões 
que indicam horas ou nas locuções à medida que, 
às vezes, à noite, dentre outras, e ainda na ex-
pressão ―à moda‖. Veja: 
Exemplos: Sairei às duas horas da tarde. 
À medida que o tempo passa, fico mais feliz por 
você estar no Brasil. 
Quero uma pizza à moda italiana. 
Importante: A crase não ocorre: antes de palavras 
masculinas; antes de verbos, de pronomes pes-
soais, de nomes de cidade que não utilizam o 
artigo feminino, da palavra casa quando tem sig-
nificado do próprio lar, da palavra terra quando 
tem sentido de solo e de expressões com pala-
vras repetidas (dia a dia). 
A crase caracteriza-se como a fusão de duas 
vogais idênticas, relacionadas ao emprego da 
preposição ―a‖ com o artigo feminino a (s), com o 
―a‖ inicial referente aos pronomes demonstrativos 
– aquela (s), aquele (s), aquilo e com o ―a‖ per-
tencente ao pronome relativo a qual (as quais). 
Casos estes em que tal fusão se encontra demar-
cada pelo acento grave (`): à(s), àquela, àquele, 
àquilo, à qual, às quais. 
Trata-se de uma particularidade gramatical de 
relevante importância, dado o seu uso de modo 
frequente. 
Diante disso, compreendermos os aspectos que 
lhe são peculiares, bem como sua correta utiliza-
ção é, sobretudo, sinal de competência linguísti-
ca, em se tratando dos preceitos conferidos pelo 
padrão formal que norteia a linguagem escrita. 
Há que se mencionar que esta competência lin-
guística, a qual se restringe a crase, está condi-
cionada aos nossos conhecimentos acerca da 
regência verbal e nomimal, mais precisamente ao 
termo regente e termo regido. 
Ou seja, o termo regente é o verbo ou nome que 
exige complemento regido pela preposição ―a‖, e 
o temo regido é aquele que completa o sentido do 
termo regente, admitindo a anteposição do artigo 
a(s). 
Como explicitamente nos revela os exemplos a 
seguir: 
 
Refiro-me a(a) funcionária antiga, e não a 
(a)quela contratada recentemente. 
Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela con-
tratada recentemente. 
Notamos que o verbo referir, analisado de acordo 
com sua transitividade, classifica-se como transi-
tivo indireto, pois sempre nos referimos a alguém. 
Constatamos que o fenômeno se aplicou median-
te os casos anteriormente mencionados, ou seja, 
fusão da preposição a + o artigo feminino (à) e 
com o artigo feminino a + o pronome demonstrati-
vo aquela (àquela). 
A fim de ampliarmos nossos conhecimentos so-
bre as circunstâncias em que se requer ou não o 
uso da crase, analisaremos: 
# O termo regente deve prescindir-se de comple-
mento regido da preposição ―a‖, e o temo regido 
deve admitir o artigo feminino ―a‖ (s): 
Exemplos: 
As informações foram solicitadas à diretora. 
(preposição + artigo) 
Nestas férias, faremos uma visita à Bahia. 
(preposição + artigo) 
Observação importante: 
Alguns recursos nos servem de subsídios para 
que possamos confirmar a ocorrência ou não da 
crase. Eis alguns deles: 
a) Substitui-se a palavra feminina por uma mas-
culina equivalente. Caso ocorra a combinação 
a+o(s), a crase está confirmada. 
Exemplos: 
As informações foram solicitadas à diretora. 
As informações foram solicitadas ao diretor. 
b) No caso de nomes próprios geográficos, subs-
titui-se o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso 
resulte na expressão ―voltar da‖, há a confirmação 
da crase. 
Exemplos: 
Faremos uma visita à Bahia. 
Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase con-
firmada) 
Não me esqueço da viagem a Roma. 
Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momen-
tos jamais vividos. 
Atenção: 
 
 82 
 
Nas situações em que o nome geográfico apre-
sentar-se modificado por um adjunto adnominal, a 
crase está confirmada. 
Exemplos: 
Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades desuas praias. 
# A letra ―a‖ dos pronomes demonstrativos aque-
le(s), aquela(s) e aquilo receberão o acento grave 
se o temo regente exigir complemento regido da 
preposição ―a‖. 
Exemplos: 
Entregamos a encomenda àquela menina. 
(preposição + pronome demonstrativo) 
Iremos àquela reunião. 
(preposição + pronome demonstrativo) 
Sua história é semelhante às que eu ouvia quan-
do criança. (àquelas que eu ouvia quando crian-
ça) 
(preposição + pronome demonstrativo) 
# A letra ―a‖ que acompanha locuções femininas 
(adverbiais, prepositivas e conjuntivas) recebe o 
acento grave: 
Exemplos: 
 
* locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, 
às pressas, à vontade... 
* locuções prepositivas: à frente, à espera de, à 
procura de... 
* Locuções conjuntivas: à proporção que, à medi-
da que. 
Casos passíveis de nota: 
* Em virtude da heterogênea posição entre auto-
res, o uso da crase torna-se optativo quando se 
referir a locuções adverbiais que representem 
meio ou instrumento. 
Exemplos: 
O marginal foi morto a bala pelos policiais. 
(Poderíamos dizer que ele foi morto a tiro) 
Marcela redige todos os seus trabalhos a máqui-
na. (Poderia ser a lápis) 
* Constata-se o uso da crase se as locuções pre-
positivas à moda de, à maneira de apresentarem-
se implícitas, mesmo diante de nomes masculi-
nos. 
Exemplos: 
 
Tenho compulsão por comprar sapatos à Luis XV. 
(à moda de Luís XV) 
* Não se efetiva o uso da crase diante da locução 
adverbial ―a distância‖. 
Na praia de Copacabana, observamos a queima 
de fogos a distância. 
Entretanto, se o referido termo se constituir de 
forma determinada, teremos uma locução prepo-
sitiva. Mediante tal ocorrência, a crase está con-
firmada. 
Exemplo: 
 
O pedestre foi arremessado à distância de cem 
metros. 
 
- De modo a evitar o duplo sentido, faz-se neces-
sário o emprego da crase. 
Exemplo: 
# Em locuções adverbiais formadas por palavras 
repetidas, não há ocorrência da crase. 
Exemplo: 
Ela ficou frente a frente com o agressor. 
Casos em que não se admite o emprego da cra-
se: 
 
# Antes de vocábulos masculinos. 
Exemplos: 
As produções escritas a lápis não serão corrigi-
das. 
Esta caneta pertence a Pedro. 
# Antes de verbos no infinitivo. 
Exemplos: 
Ele estava a cantar quando seu pai apareceu 
repentinamente. 
No momento em que preparávamos para sair, 
começou a chover. 
# Antes de numeral. 
Exemplo 
Cegou a cento e vinte o número de feridos daque-
le acidente. 
 
 83 
 
Observação: 
 
- Nos casos em que o numeral indicar horas, con-
figurar-se-á como uma locução adverbial femini-
na, ocorrendo, portanto, a crase. 
Os passageiros partirão às dezenove horas. 
- Diante de numerais ordinais femininos a crase 
está confirmada, visto que estes não podem ser 
empregados sem o artigo. 
As saudações foram direcionadas à primeira alu-
na da classe. 
# Antes da palavra casa, quando essa não se 
apresentar determinada. 
Exemplo: 
 
Chegamos todos exaustos a casa. 
Entretanto, se a palavra casa vier acompanhada 
de um adjunto adnominal, a crase estará confir-
mada. 
 
Chegamos todos exaustos à casa de Marcela. 
 
# Antes da palavra ―terra‖, quando essa indicar 
chão firme. 
Exemplo: 
Quando os navegantes regressaram a terra, já 
era noite. 
Contudo, se o referido termo estiver precedido 
por um determinante ou referir-se ao planeta Ter-
ra, ocorrerá a crase. 
Paulo viajou rumo à sua terra natal. 
# Quando os pronomes indefinidos ―alguma, certa 
e qualquer‖ estiverem subentendidos entre a pre-
posição ―a‖ e o substantivo, não ocorrerá a crase. 
Exemplo: 
 
Caso esteja certo, não se submeta a humilhação. 
(a qualquer humilhação) 
# Antes de pronomes que requerem o uso do 
artigo. 
Exemplos: 
Os livros foram entregues a mim. 
Dei a ela a merecida recompensa. 
Observação: 
 
Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos 
à senhora, senhorita e madame admitirem artigo, 
o uso da crase está confirmado no ―a‖ que os 
antecede, no caso de o termo regente exigir a 
preposição. 
Significação das Palavras 
Quanto à significação, as palavras são divididas 
nas seguintes categorias: 
Sinônimos 
As palavras que possuem significados próximos 
são chamadas sinônimas. 
Exemplos: 
Casa - lar - moradia – residência 
Longe – distante 
Delicioso – saboroso 
Carro – automóvel 
Observe que o sentido dessas palavras é próxi-
mo, mas não são exatamente equivalentes. Difi-
cilmente encontraremos um sinônimo perfeito, 
uma palavra que signifique exatamente a mesma 
coisa que outra. 
Há uma pequena diferença de significado entre 
palavras sinônimas. Veja que, embora casa 
e lar sejam sinônimos, ficaria estranho se falás-
semos a seguinte frase: 
Comprei um novo lar. 
Obs.: o uso de palavras sinônimas pode ser de 
grande utilidade nos processos de retomada de 
elementos que inter-relacionam as partes dos 
textos. 
Antônimos 
São palavras que possuem significados opostos, 
contrários. 
Exemplos: 
Mal / bem 
Ausência / presença 
Fraco / forte 
Claro / escuro 
Subir / descer 
Cheio / vazio 
Possível / impossível 
 
 84 
 
Polissemia 
Polissemia é a propriedade que uma mesma pa-
lavra tem de apresentar mais de um significado 
nos múltiplos contextos em que aparece. Veja 
alguns exemplos de palavras polissêmicas: 
Cabo (posto militar, acidente geográfico, cabo da 
vassoura, da faca) 
Nanco (instituição comercial financeira, assento) 
Manga (parte da roupa, fruta). 
Elementos de Sequenciação Textual 
Palavras como preposições, conjunções e pro-
nomes possuem a função de criar um sistema de 
relações, referências e retomadas no interior de 
um texto; garantindo unidade entre as diversas 
partes que o compõe. Essa relação, esse entre-
laçamento de elementos no texto recebe o nome 
de Coesão Textual. 
Há, portanto, coesão, quando seus vários ele-
mentos estão articulados entre si, estabelecento 
unidade em cada uma das partes, ou seja, entre 
os períodos e entre os parágrafos. 
Tal unidade se dá pelo emprego de conecti-
vos ou elementos coesivos, cuja função é evi-
denciar as várias relações de sentido entre os 
enunciados. Veja um exemplo de um texto coe-
so: 
―O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse 
neste domingo que o Brasil não vai atender ao 
governo interino de Honduras, que deu prazo de 
dez dias para uma definição sobre a situação do 
presidente deposto Manuel Zelaya, abrigado na 
embaixada brasileira desde que retornou a Te-
gucigalpa, há uma semana. Caso contrário, o 
governo de Micheletti ameaça retirar a imunidade 
diplomática da embaixada brasileira no país, 
segundo informou comunicado da chancelaria 
hondurenha divulgado na noite de sábado, em 
Tegucigalpa‖. 
(Jornal O Globo – 27/09/2009) 
Quando um conectivo não é usado corretamente, 
há prejuízo na coesão. Observe: 
A escola possui um excelente time de fute-
bol, portanto até hoje não conseguiu vencer o 
campeonato. O conectivo ―portanto‖ confere ao 
período valor de conclusão, porém não há ver-
dadeira relação de sentido entre as duas frases: 
a conclusão de não vencer não é possuir um 
excelente time de futebol. Analisaremos, a se-
guir, o problema na coesão: 
É óbvio que existem duas ideias que se opõem, 
são elas: possuir um time de futebol x não ven-
cer o campeonato. 
Logo, só podemos empregar um conector que 
expresse ideia adversativa, são eles: mas, po-
rém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, 
não obstante. 
O período reescrito de forma adequada, fica 
assim: A escola possui um excelente time de 
futebol, mas até hoje não conseguiu vencer o 
campeonato….,porém até hoje não conseguiu 
vencer o campeonato. 
…,contudo até hoje não conseguiu vencero-
campeonato. 
…todavia até hoje não conseguiu vencer o cam-
peonato. 
…entretanto até hoje não conseguiu vencer o 
campeonato. 
…no entanto até hoje não conseguiu vencer o 
campeonato. 
…não obstante até hoje não conseguiu vencer o 
campeonato. 
A palavra texto provém do latim‖textum‖, que 
significa tecido, entrelaçamento. Expondo de 
forma prática, podemos dizer que texto é um 
entrelaçamento de enunciados oracionais e não 
oracionais organizados de acordo com a lógica 
do autor. 
Há de se convir que um texto também deve ser 
claro, estando essa qualidade relacionada dire-
tamente aos elementos coesivos (ligação entre 
as partes). 
Falar em coesão é necessariamente falar 
em endófora e exófora. Aquela se impõe no em-
prego de pronomes e expressões que se referem 
a elementos nominais presentes na superfície 
textual; esta faz remissão a um elemento fora 
dos limites do texto. Vejamos as principais carac-
terísticas de cada uma delas: 
 Endófora é dividida em: anáfora e catáfo-
ra. 
a) Anáfora: expressão que retoma uma ideia 
anteriormente expressa. 
―Secretária de Educação escreve pichação com 
―x‖. Ela justifica a gafe pela pressa‖. 
Observe que o pronome ―Ela‖ retoma uma ex-
pressão já citada anteriormente – Secretária de 
Educação –, portanto trata-se de uma retomada 
 
 85 
 
por anáfora. Dica: vale lembrar que a expressão 
retomada (no exemplo acima representado pela 
porção Secretária de Educação) é, também, 
chamada, em provas de Concurso, de referente 
ideológico. 
b) Catáfora: pronome ou expressão nominal que 
antecipa uma expressão presente em por-
ção posterior do texto. Observe: 
Só queremos isto: a aprovação! 
No exemplo, o pronome ―isto‖ só pode ser recu-
perado se identificarmos o termo aprovação, que 
aparece na porção posterior à estrutura. É, por-
tanto, um exemplo clássico de catáfora. Vejamos 
outros: 
Eu quero ajuda de alguém: pode ser de você. 
(catáfora ou remissão catafórica)Não viu seu 
amigo na festa. 
(catáfora ou remissão catafórica) 
―A manicure Vanessa foi baleada na Tiju-
ca. Ela levou um tiro no abdome‖. (anáfora ou 
remissão anafórica) 
Três homens e uma mulher tentaram roubar 
um Xsara Picasso na Tijuca: deram 10 tiros no-
carro, mas não conseguiram levá-lo. (anáfora ou 
remissão anafórica) 
 Exófora: a remissão é feita a algum ele-
mento da situação comunicativa, ou seja, o refe-
rente está fora da superfície textual. 
Mecanismos de coesão: é meio pelo qual ocor-
re a coesão em um texto. Os principais são: 
1) Coesão por substituição: consiste na colo-
cação de um item em lugar de outro(s) elemen-
to(s) do texto, ou até mesmo de uma oração 
inteira. 
Ele comprou um carro. Eu também quero com-
prar um. 
Ele comprou um carro novo e eu também. 
Observe que ocorre uma redifinição, ou seja, não 
há identidade entre o item de referência e o item 
pressuposto. O que existe, na verdade, é uma 
nova definição nos termos: um, também. Compa-
remos com outro exemplo: 
Comprei um carro vermelho, mas Pedro prefe-
riu um verde. 
O termo ―vermelho‖ é o adjunto adnominal de 
carro. Ele é, então, o modificador dosubstantivo. 
Todavia, esse termo é silenciado e, em seu lu-
gar, faz-se presente a porção especificativa ―ver-
de‖. Logo, trata-se de uma redefinição do refe-
rente.2) Coesão por elipse: ocorre quando ele-
mento do texto é omitido em algum dos contex-
tos em que deveria ocorrer. 
-Pedro vai comprar o carro? 
-Vai! 
Houve a omissão dos termos Paulo (sujeito) 
e comprar o carro (predicado verbal), todavia 
essa não prejudicou nem a correção gramatical 
nem a clareza do texto. Exemplo clássico de 
coesão por elipse. 
3) Coesão por Conjunção: estabelece relações 
significativas entre os elementos ou orações do 
texto, através do uso de marcadores formais – as 
conjunções. Essas podem exprimir valor semân-
tico de adição, adversidade, causa, tempo… 
Perdeu as forças e caiu. (adição) 
Perdeu as forças, mas permaneceu firme. (ad-
versidade) 
Perdeu as forças, porque não se alimentou. 
(causa) 
Perdeu as forças, quando soube a verdade. 
(tempo) 
Observe que todas as relações de sentido esta-
belecidas entre as duas porções textuais são 
feitas por meio dos conectores: e, mas, porque, 
quando. 
4) Coesão Lexical: é obtida pela seleção voca-
bular. Tal mecanismo é garantido por dois tipos 
de procedimentos: 
a)Reiteração: ocorre por repetição do mesmo 
item lexical ou através de hiperônimos, sinôni-
mos ou nomes genéricos. 
O aluno estava nervoso. O aluno havia sido as-
saltado. (repetição do mesmo item lexical)Uma 
menina desapareceu. 
A garota estava envolvida com drogas. (coesão 
resultante do uso de sinônimo) Havia mui-
tas ferramentas espalhadas, mas só precisava 
achar o martelo. (coesão por hiperônimo: ferra-
mentas é o gênero de que martelo é a espécie) 
Todos ouviram um barulho atrás da porta. Abri-
ram-na e viram uma coisa em cima da mesa. 
(coesão resultante de um nome genérico) 
Observação: nos exemplos acima, observamos 
que retomar um referente por meio de uma ex-
 
 86 
 
pressão genérica ou por hiperônimo é um recur-
so natural de um texto. 
Muitos estudantes de concursos ou vestibulares 
perguntam se é errado repetir palavras em suas 
redações. A resposta é simples: se houver, na 
repetição, finalidade enfática você não será pe-
nalizado. 
Todavia, a escolha dos recursos coesivos mais 
adequados deve ser feita, levando-se em consi-
deração a articulação geral do texto e, eventual-
mente, os efeitos estilísticos que se deseja obter. 
b) Coesão por colocação ou contiguida-
de: consiste no uso de termos pertencentes a um 
mesmo campo semântico. 
Domínio Da Estrutura Morfossintática Do Pe-
ríodo 
Coordenação e Subordinação. 
Período Composto 
Período composto é aquele formado por duas ou 
mais orações. Há dois tipos de períodos compos-
tos: 
1) Período composto por coordenação: 
quando as orações não mantêm relação sintática 
entre si, ou seja, quando o período é formado por 
orações sintaticamente independentes entre si. 
Ex. Estive à sua procura, mas não o encontrei. 
2) Período composto por subordinação: 
quando uma oração, chamada subordinada, man-
tém relação sintática com outra, chamada princi-
pal. 
Ex. Sabemos que eles estudam muito. (oração 
que funciona como objeto direto) 
Relações De Subordinação Entre Orações E 
Entre Termos Da Oração. 
Período Composto Por Subordinação 
A uma oração principal podem relacionar-se sin-
taticamente três tipos de orações subordinadas: 
substantivas, adjetivas e adverbiais. 
I. Orações Subordinadas Substantivas:São 
seis as orações subordinadas substantivas, que 
são iniciadas por uma conjunção subordinativa 
integrante (que, se) 
A) Subjetiva: funciona como sujeito da oração 
principal.Existem três estruturas de oração princi-
pal que se usam com subordinadasubstantiva 
subjetiva:verbo de ligação + predicativo + oração 
subordinada substantiva subjetiva. 
Ex. É necessário que façamos nossos deveres. 
verbo unipessoal + oração subordinada substanti-
va subjetiva.Verbo unipessoal só é usado na 3ª 
pessoa do singular; os mais comuns são convir, 
constar, parecer, importar, interessar, suceder, 
acontecer. 
Ex. Convém que façamos nossos deveres. 
verbo na voz passiva + oração subordinada subs-
tantiva subjetiva. 
Ex. Foi afirmado que você subornou o guarda. 
B) Objetiva Direta: funciona como objeto direto 
da oração principal.(sujeito) + VTD + oração su-
bordinada substantiva objetiva direta. 
Ex. Todos desejamos que seu futuro seja brilhan-
te. 
C) Objetiva Indireta: funciona como objeto indire-
to da oração principal.(sujeito) + VTI + prep. + 
oração subordinada substantiva objetiva indireta. 
Ex. Lembro-me de que tu me amavas. 
D) Completiva Nominal:funciona como comple-
mento nominal de um termo da oração princi-
pal.(sujeito) + verbo + termo intransitivo + prep. + 
oração subordinadasubstantiva completiva nomi-
nal. 
Ex. Tenho necessidade de que me elogiem. 
E) Apositiva: funciona como aposto da oração 
principal; em geral, a oração subordinada subs-
tantiva apositiva vem após dois pontos, ou mais 
raramente, entre vírgulas.oração principal + : + 
oração subordinada substantiva apositiva. 
Ex. Todos querem o mesmo destino: que atinja-
mos a felicidade. 
F) Predicativa: funciona como predicativo do 
sujeito do verbo de ligação daoração princi-
pal.(sujeito) + VL + oração subordinada substanti-
va predicativa. 
Ex. A verdade é que nunca nos satisfazemos com 
nossas posses. 
Nota: As subordinadas substantivas podem vir 
introduzidas por outras palavras: 
Pronomes interrogativos (quem, que, qual…) 
Advérbios interrogativos (onde, como, quando…) 
 
 87 
 
Perguntou-se quando ele chegaria.Não sei onde 
coloquei minha carteira. 
II. Orações Subordinadas Adjetivas 
As orações subordinadas adjetivas são sempre 
iniciadas por um pronome relativo. 
São duas as orações subordinadas adjetivas: 
A) Restritiva: é aquela que limita, restringe o 
sentido do substantivo ou pronome a que se refe-
re. A restritiva funciona como adjunto adnominal 
de um termo da oração principal e não pode ser 
isolada por vírgulas. 
Ex. A garota com quem simpatizei está à sua 
procura. 
Os alunos cujas redações foram escolhidas rece-
berão um prêmio. 
B) Explicativa: serve para esclarecer melhor o 
sentido de um substantivo, explicando mais deta-
lhadamente uma característica geral e própria 
desse nome. A explicativa funciona como aposto 
explicativo e é sempre isolada por vírgulas. 
Ex. Londrina, que é a terceira cidade do região 
Sul do país, está muito bem cuidada. 
III. Orações Subordinadas Adverbiais 
São nove as orações subordinadas adverbiais, 
que são iniciadas por uma conjunção subordinati-
va 
A) Causal: funciona como adjunto adverbial de 
causa. 
Conjunções: porque, porquanto, visto que, já que, 
uma vez que, como, que. 
Ex. Saímos rapidamente, visto que estava ar-
mando um tremendo temporal. 
B) Comparativa: funciona como adjunto adverbi-
al de comparação. Geralmente, o verbo fica sub-
entendido 
Conjunções: (mais) … que, (menos)… que, 
(tão)… quanto, como. 
Ex. Diocresildo era mais esforçado que o ir-
mão(era). 
C) Concessiva: funciona como adjunto adverbial 
de concessão. 
Conjunções: embora, conquanto, inobstante, não 
obstante, apesar de que, sebem que, mesmo 
que, posto que, ainda que, em que pese. 
Ex. Todos se retiraram, apesar de não terem ter-
minado a prova. 
D) Condicional: funciona como adjunto adverbial 
de condição. 
Conjunções: se, a menos que, desde que, caso, 
contanto que. 
Ex. Você terá um futuro brilhante, desde que se 
esforce. 
E) Conformativa: funciona como adjunto adver-
bial de conformidade. 
Conjunções: como, conforme, segundo. 
Ex. Construímos nossa casa, conforme as especi-
ficações dadas pela Prefeitura. 
F) Consecutiva: funciona como adjunto adverbial 
de conseqüência. 
Conjunções: (tão)… que, (tanto)… que, (tama-
nho)… que.Ex. Ele fala tão alto, que não precisa 
do microfone. 
G) Temporal: funciona como adjunto adverbial de 
tempo. 
Conjunções: quando, enquanto, sempre que, 
assim que, desde que, logo que,mal. 
Ex. Fico triste, sempre que vou à casa de Juve-
nildo. 
H) Final: funciona como adjunto adverbial de 
finalidade. 
Conjunções: a fim de que, para que, porque. 
Ex. Ele não precisa do microfone, para que todos 
o ouçam. 
I) Proporcional: funciona como adjunto adverbial 
de proporção. 
Conjunções: à proporção que, à medida que, 
tanto mais.À medida que o tempo passa, mais 
experientes ficamos. 
IV. Orações Reduzidas 
Quando uma oração subordinada se apresenta 
sem conjunção ou pronome relativo e com o ver-
bo no infinitivo, no particípio ou no gerún-
dio,dizemos que ela é uma oração reduzida, a-
crescentando-lhe o nome de infinitivo, de particí-
pio ou de gerúndio. 
Ex. Ele não precisa de microfone, para o ouvirem. 
Emprego dos Sinais de Pontuação 
 
 88 
 
Os sinais de pontuação são sinais gráficos em-
pregados na língua escrita para tentar recuperar 
recursos específicos da língua falada, tais como: 
entonação, jogo de silêncio, pausas, etc… 
Veja abaixo a divisão e emprego dos sinais de 
pontuação: 
 PONTO ( . ) 
a) indicar o final de uma frase declarativa. 
Ex.: Lembro-me muito bem dele. 
b) separar períodos entre si. 
Ex.: Fica comigo. Não vá embora. 
c) nas abreviaturas. 
Ex.: Av.; V. Ex.ª 
DOIS-PONTOS ( : ) 
 
a) iniciar a fala dos personagens: 
Ex.: Então o padre respondeu: 
– Parta agora. 
b) antes de aposto ou orações apositivas, enume-
rações ou seqüência de palavras que explicam, 
resumem idéias anteriores. 
Ex.: Meus amigos são poucos: Fátima, Rodrigo e 
Gilberto. 
c) antes de citação. 
Ex.: Como já dizia Vinícius de Morais: ―Que o 
amor não seja eterno posto que é chama, mas 
que seja infinito enquanto dure.‖ 
RETICÊNCIAS ( … ) 
a) indicar dúvidas ou hesitação do falante. 
Ex.: Sabe…eu queria te dizer que…esquece. 
b) interrupção de uma frase deixada gramatical-
mente incompleta. 
Ex.: – Alô! João está? 
– Agora não se encontra. Quem sabe se ligar 
mais tarde… 
c) ao fim de uma frase gramaticalmente completa 
com a intenção de sugerir prolongamento de idéi-
a. 
Ex.: ―Sua tez, alva e pura como um foco de algo-
dão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-
rosa…‖ (Cecília- José de Alencar) 
d) indicar supressão de palavra (s) numa frase 
transcrita. 
Ex.: ―Quando penso em você (…) menos a felici-
dade.‖ (Canteiros – Raimundo Fagner) 
PARÊNTESES ( () ) 
a) isolar palavras, frases intercaladas de caráter 
explicativo e datas. 
Ex.: Na 2ª Guerra Mundial (1939-1945), ocorreu 
inúmeras perdas humanas. 
―Uma manhã lá no Cajapió ( Joca lembrava-se 
como se fora na véspera), acordara depois duma 
grande tormenta no fim do verão. ― (O milagre das 
chuvas no nordeste- Graça Aranha) 
Os parênteses também podem substituir a vírgula 
ou o travessão. 
PONTO DE EXCLAMAÇÃO ( ! ) 
a) Após vocativo. 
Ex.: ―Parte, Heliel! ― ( As violetas de Nossa Sra.- 
Humberto de Campos). 
b) Após imperativo. 
Ex.: Cale-se! 
c) Após interjeição. 
Ex.: Ufa! Ai! 
d) Após palavras ou frases que denotem caráter 
emocional. 
Ex.: Que pena! 
PONTO DE INTERROGAÇÃO ( ? ) 
a) Em perguntas diretas. 
Ex.: Como você se chama? 
 
 89 
 
b) Às vezes, juntamente com o ponto de excla-
mação. 
Ex.: – Quem ganhou na loteria? 
– Você. 
– Eu?! 
VÍRGULA ( , ) 
É usada para marcar uma pausa do enunciado 
com a finalidade de nos indicar que os termos por 
ela separados, apesar de participarem da mesma 
frase ou oração, não formam uma unidade sintáti-
ca. 
Ex.: Lúcia, esposa de João, foi a ganhadora única 
da Sena. 
Podemos concluir que, quando há uma relação 
sintática entre termos da oração, não se pode 
separá-los por meio de vírgula. 
Não se separam por vírgula: 
 Predicado de sujeito; 
 Objeto de verbo; 
 Adjunto adnominal de nome; 
 complemento nominal de nome; 
 Predicativo do objeto do objeto; 
 Oração principal da subordinada substantiva 
(desde que esta não seja apositiva nem apare-
ça na ordem inversa). 
A Vírgula no Interior da Oração 
É utilizada nas seguintes situações: 
a) separar o vocativo. 
Ex.: Maria, traga-me uma xícara de café. 
A educação, meus amigos, é fundamental para o 
progresso do país. 
b) separar alguns apostos. 
Ex.: Valdete, minha antiga empregada, esteve 
aqui ontem. 
c) separar o adjunto adverbial antecipado ou in-
tercalado. 
Ex.: Chegando deviagem, procurarei por você. 
As pessoas, muitas vezes, são falsas. 
d) separar elementos de uma enumeração. 
Ex.: Precisa-se de pedreiros, serventes, mestre-
de-obras. 
e) isolar expressões de caráter explicativo ou 
corretivo. 
Ex.: Amanhã, ou melhor, depois de amanhã po-
demos nos encontrar para acertar a viagem. 
f) separar conjunções intercaladas. 
Ex.: Não havia, porém, motivo para tanta raiva. 
g) separar o complemento pleonástico antecipa-
do. 
Ex.: A mim, nada me importa. 
h) isolar o nome de lugar na indicação de datas. 
Ex.: Belo Horizonte, 26 de janeiro de 2001. 
i) separar termos coordenados assindéticos. 
Ex.: ―Lua, lua, lua, lua, por um momento meu 
canto contigo compactua…‖ (Caetano Veloso) 
j) marcar a omissão de um termo (normalmente o 
verbo). 
Ex.: Ela prefere ler jornais e eu, revistas. (omis-
são do verbo preferir) 
Termos coordenados ligados pelas conjunções e, 
ou, nem dispensam o uso da vírgula. 
Ex.: Conversaram sobre futebol, religião e políti-
ca. 
Não se falavam nem se olhavam./ Ainda não me 
decidi se viajarei para Bahia ou Ceará. 
Entretanto, se essas conjunções aparecerem 
repetidas, com a finalidade de dar ênfase, o uso 
da vírgula passa a ser obrigatório. 
Ex.: Não fui nem ao velório, nem ao enterro, nem 
à missa de sétimo dia. 
A vírgula entre orações 
É utilizada nas seguintes situações: 
a) separar as orações subordinadas adjetivas 
explicativas. 
Ex.: Meu pai, de quem guardo amargas lembran-
ças, mora no Rio de Janeiro. 
 
 90 
 
b) separar as orações coordenadas sindéticas e 
assindéticas (exceto as iniciadas pela conjunção 
e). 
Ex.: Acordei, tomei meu banho, comi algo e saí 
para o trabalho. Estudou muito, mas não foi apro-
vado no exame. 
Há três casos em que se usa a vírgula antes da 
conjunção: 
1) quando as orações coordenadas tiverem sujei-
tos diferentes. 
Ex.: Os ricos estão cada vez mais ricos, e os po-
bres, cada vez mais pobres. 
2) quando a conjunção e vier repetida com a fina-
lidade de dar ênfase (polissíndeto). Ex.: E chora, 
e ri, e grita, e pula de alegria. 
3) quando a conjunção e assumir valores distintos 
que não seja da adição (adversidade, conse-
qüência, por exemplo) 
Ex.: Coitada! Estudou muito, e ainda assim não 
foi aprovada. 
c) separar orações subordinadas adverbiais (de-
senvolvidas ou reduzidas), principalmente se 
estiverem antepostas à oração principal. 
Ex.: ―No momento em que o tigre se lançava, 
curvou-se ainda mais; e fugindo com o corpo 
apresentou o gancho.‖ (O selvagem – José de 
Alencar) 
d) separar as orações intercaladas. 
Ex.: ―- Senhor, disse o velho, tenho grandes con-
tentamentos em a estar plantando…‖ 
Essas orações poderão ter suas vírgulas substitu-
ídas por duplo travessão. 
Ex.: ―Senhor – disse o velho – tenho grandes 
contentamentos em a estar plantando…‖ 
e) separar as orações substantivas antepostas à 
principal. 
Ex.: Quanto custa viver, realmente não sei. 
PONTO-E-VÍRGULA ( ; ) 
a) separar os itens de uma lei, de um decreto, de 
uma petição, de uma seqüência, etc. 
Ex.: Art. 127 – São penalidades disciplinares: 
I- advertência; 
II- suspensão; 
III- demissão; 
IV- cassação de aposentadoria ou disponibilida-
de; 
V- destituição de cargo em comissão; 
VI- destituição de função comissionada. ( cap. V 
das penalidades Direito Administrativo) 
b) separar orações coordenadas muito extensas 
ou orações coordenadas nas quais já tenham tido 
utilizado a vírgula. 
Ex.: ―O rosto de tez amarelenta e feições inex-
pressivas, numa quietude apática, era pronuncia-
damente vultuoso, o que mais se acentuava no 
fim da vida, quando a bronquite crônica de que 
sofria desde moço se foi transformando em o-
pressora asma cardíaca; os lábios grossos, o 
inferior um tanto tenso (…) ‖ (O visconde de I-
nhomerim – Visconde de Taunay) 
TRAVESSÃO ( – ) 
a) dar início à fala de um personagem. 
Ex.: O filho perguntou: 
– Pai, quando começarão as aulas? 
b) indicar mudança do interlocutor nos diálogos. 
– Doutor, o que tenho é grave? 
– Não se preocupe, é uma simples infecção. É só 
tomar um antibiótico e estará bom. 
c) unir grupos de palavras que indicam itinerário. 
Ex.: A rodovia Belém-Brasília está em péssimo 
estado. 
Também pode ser usado em substituição à virgu-
la em expressões ou frases explicativas. 
Ex.: Xuxa – a rainha dos baixinhos – será mãe. 
ASPAS ( “ ” ) 
a) isolar palavras ou expressões que fogem à 
norma culta, como gírias, estrangeirismos, pala-
vrões, neologismos, arcaísmos e expressões 
populares. 
Ex.: Maria ganhou um apaixonado ―ósculo‖ do 
seu admirador. 
A festa na casa de Lúcio estava ―chocante‖. 
Conversando com meu superior, dei a ele um 
―feedback‖ do serviço a mim requerido. 
b) indicar uma citação textual. 
 
 91 
 
Ex.: ―Ia viajar! Viajei. Trinta e quatro vezes, às 
pressas, bufando, com todo o sangue na face, 
desfiz e refiz a mala‖. ( O prazer de viajar – Eça 
de Queirós) 
Se, dentro de um trecho já destacado por aspas, 
se fizer necessário a utilização de novas aspas, 
estas serão simples. ( ‗ ‗ ) 
Recursos alternativos para pontuação: 
Parágrafo ( § ) 
Chave ( { } ) 
Colchete ( [ ] ) 
Barra ( / ) 
Colocação dos Pronomes Átonos 
Os pronomes oblíquos átonos são: me, nos, te, 
vos, o, a, os, as, lhe, lhes, se. Estes pronomes 
podem se encontrar em três posições diferentes, 
em relação ao verbo: 
Próclise: pronomes oblíquos átonos antes do 
verbo 
Ex.: Não se imaginava o tamanho daquele ôni-
bus. 
Ênclise: pronomes oblíquos átonos depois do 
verbo 
Ex.: Vou buscá-la na escola hoje. 
Mesóclise: pronomes oblíquos átonos entre o 
verbo 
Ex.: Dar-lhe-ei tudo o que você quiser. 
Alguns casos em que ocorre próclise 
• Quando o verbo estiver antecedido de palavras 
com sentido negativo (nem, não, ninguém, nada, 
jamais e etc.). 
Exemplo: 
Jamais se pode falar mal dos outros. 
Nunca me preocupei com isso. 
• Quando o verbo estiver antecedido de 
um advérbio: 
Exemplo: 
Realmente, preocupei-me com isso. 
Exemplo: 
Pouco me importa o que você pensa. 
Quando houver pausa (vírgula) entre o advérbio e 
o verbo usa-se a ênclise. 
• Em orações com palavras exclamativas, ou em 
orações que exprimem desejos (optativas): 
Exemplo: 
Como nos divertiu este palhaço! 
Que seu novo amor lhe faça feliz! 
• Em orações iniciadas por palavras que tenham 
sentido de perguntas interrogativas. 
Exemplo: 
Quem lhe deu este anel? 
• Quando o gerúndio estiver antecedido de u-
ma preposição, geralmente ―em‖. 
Exemplo: 
Em se tratando de casamento, quero o mais rápi-
do possível. 
Alguns casos em que ocorre mesóclise 
• Somente usamos a mesóclise em verbos no 
futuro do pretérito do indicativo ou no futuro 
do presente, e quando não ocorrer na frase pró-
clise. 
Ex.: Os advogados entregar-nos-ão os documen-
tos amanhã. 
• Casa houver a necessidade de ter uma próclise 
na frase, a mesóclise será desconsiderada, mes-
mo o verbo estando no futuro. 
Exemplo: 
Ninguém lhe mostraria, pois você não foi sincera. 
Alguns casos em que ocorre ênclise 
• No inicio de uma frase, ou depois de uma vírgu-
la (pausa) 
Exemplo: 
Ex.: Vi-me apaixonado por aquela linda moça. 
Quase chorei quando a vi, emocionei-me com sua 
presença. 
• Em verbos sem preposição (em) e no gerúndio. 
Exemplo: 
Ex.: Já estava esquecendo-me do seu aniversá-
rio. 
• Em orações coordenadas. 
 
 92 
 
Exemplo: 
Ex.: Eles dirigiram-se até a festa de um amigo. 
• Quando um substantivo ou pronome precedido 
do verbo estiver representando o sujeito: 
Exemplo: 
O cliente queixou-se do pouco caso do atendente. 
Reescrituração de textos 
Figuras de estilo, figuras ouDesvios de lingua-
gem são nomes dados a alguns processos que 
priorizam a palavra ou o todo para tornar o texto 
mais rico e expressivo ou buscar um novo signifi-
cado, possibilitando uma reescritura correta de 
textos. 
Podem ser: 
Figuras De Palavras 
As figuras de palavra consistem no emprego de 
um termo com sentido diferente daquele conven-
cionalmente empregado, a fim de se conseguir 
um efeito mais expressivo na comunicação. 
São figuras de palavras: 
Comparação: 
Ocorre comparação quando se estabelece apro-
ximação entre dois elementos que se identificam, 
ligados por conectivos comparativos explícitos – 
feito, assim como, tal, como, tal qual, tal como, 
qual, que nem – e alguns verbos – parecer, as-
semelhar-se e outros. 
Exemplos: ―Amou daquela vez como se fosse 
máquina. / Beijou sua mulher como se fosse lógi-
co.‖ (Chico Buarque); 
―As solteironas, os longos vestidos negros fecha-
dos no pescoço, negros xales nos ombros, pare-
ciam aves noturnas paradas…‖ (Jorge Amado). 
Metáfora: 
Ocorre metáfora quando um termo substitui outro 
através de uma relação de semelhança resultante 
da subjetividade de quem a cria. A metáfora tam-
bém pode ser entendida como uma comparação 
abreviada, em que o conectivo não está expres-
so, mas subentendido. 
Exemplo: ―Supondo o espírito humano uma vasta 
concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso 
extrair pérolas, que é a razão.‖ (Machado de As-
sis). 
Metonímia: 
Ocorre metonímia quando há substituição de uma 
palavra por outra, havendo entre ambas algum 
grau de semelhança, relação, proximidade de 
sentido ou implicação mútua. Tal substituição 
fundamenta-se numa relação objetiva, real, reali-
zando-se de inúmeros modos: 
– o continente pelo conteúdo e vice-versa: Antes 
de sair, tomamos um cálice (o conteúdo de um 
cálice) de licor. 
– a causa pelo efeito e vice-versa: ―E assim o 
operário ia / Com suor e com cimento (com traba-
lho) / Erguendo uma casa aqui / Adiante um apar-
tamento.‖ (Vinicius de Moraes). 
– o lugar de origem ou de produção pelo produto: 
Comprei uma garrafa do legítimo porto (o vinho 
da cidade do Porto). 
– o autor pela obra: Ela parecia ler Jorge Amado 
(a obra de Jorge Amado). 
– o abstrato pelo concreto e vice-versa: Não de-
vemos contar com o seu coração (sentimento, 
sensibilidade). 
– o símbolo pela coisa simbolizada: A coroa (o 
poder) foi disputada pelos revolucionários. 
– a matéria pelo produto e vice-versa: Lento, o 
bronze (o sino) soa. 
– o inventor pelo invento: Edson (a energia elétri-
ca) ilumina o mundo. 
– a coisa pelo lugar: Vou à Prefeitura (ao edifício 
da Prefeitura). 
– o instrumento pela pessoa que o utiliza: Ele é 
um bom garfo (guloso, glutão). 
Sinédoque: 
Ocorre sinédoque quando há substituição de um 
termo por outro, havendo ampliação ou redução 
do sentido usual da palavra numa relação quanti-
tativa. Encontramos sinédoque nos seguintes 
casos: 
– o todo pela parte e vice-versa: ―A cidade inteira 
(o povo) viu assombrada, de queixo caído, o pis-
toleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos (parte 
das patas) de seu cavalo.‖ (J. Cândido de Carva-
lho) 
– o singular pelo plural e vice-versa: O paulista 
(todos os paulistas) é tímido; o carioca (todos os 
cariocas), atrevido. 
 
 93 
 
– o indivíduo pela espécie (nome próprio pelo 
nome comum): Para os artistas ele foi um mece-
nas (protetor). 
Catacrese: 
A catacrese é um tipo de especial de metáfora, ―é 
uma espécie de metáfora desgastada, em que já 
não se sente nenhum vestígio de inovação, de 
criação individual e pitoresca. É a metáfora torna-
da hábito lingüístico, já fora do âmbito estilístico.‖ 
(Othon M. Garcia). 
São exemplos de catacrese: folhas de livro / pele 
de tomate / dente de alho / montar em burro / céu 
da boca / cabeça de prego / mão de direção / 
ventre da terra / asa da xícara / sacar dinheiro no 
banco. 
Sinestesia: 
A sinestesia consiste na fusão de sensações dife-
rentes numa mesma expressão. Essas sensa-
ções podem ser físicas (gustação, audição, visão, 
olfato e tato) ou psicológicas (subjetivas). 
Exemplo: ―A minha primeira recordação é um 
muro velho, no quintal de uma casa indefinível. 
Tinha várias feridas no reboco e veludo de mus-
go. Milagrosa aquela mancha verde [sensação 
visual] e úmida, macia [sensações táteis], quase 
irreal.‖ (Augusto Meyer) 
Antonomásia: 
Ocorre antonomásia quando designamos uma 
pessoa por uma qualidade, característica ou fato 
que a distingue. 
Na linguagem coloquial, antonomásia é o mesmo 
que apelido, alcunha ou cognome, cuja origem é 
um aposto (descritivo, especificativo etc.) do no-
me próprio. 
Exemplos: ―E ao rabi simples (Cristo), que a i-
gualdade prega, / Rasga e enlameia a túnica in-
consútil; (Raimundo Correia). / Pelé (= Edson 
Arantes do Nascimento) / O Cisne de Mântua (= 
Virgílio) / O poeta dos escravos (= Castro Alves) / 
O Dante Negro (= Cruz e Souza) / O Corso (= 
Napoleão) 
Alegoria: 
A alegoria é uma acumulação de metáforas refe-
rindo-se ao mesmo objeto; é uma figura poética 
que consiste em expressar uma situação global 
por meio de outra que a evoque e intensifique o 
seu significado. Na alegoria, todas as palavras 
estão transladadas para um plano que não lhes é 
comum e oferecem dois sentidos completos e 
perfeitos – um referencial e outro metafórico. 
Exemplo: ―A vida é uma ópera, é uma grande 
ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, 
em presença do baixo e dos comprimários, quan-
do não são o soprano e o contralto que lutam pelo 
tenor, em presença do mesmo baixo e dos mes-
mos comprimários. Há coros numerosos, muitos 
bailados, e a orquestra é excelente…‖ (Machado 
de Assis). 
Figuras de sintaxe ou de construção: 
As figuras de sintaxe ou de construção dizem 
respeito a desvios em relação à concordância 
entre os termos da oração, sua ordem, possíveis 
repetições ou omissões. 
Elas podem ser construídas por: 
a) omissão: assíndeto, elipse e zeugma; 
b) repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto; 
c) inversão: anástrofe, hipérbato, sínquise e hipá-
lage; 
d) ruptura: anacoluto; 
e) concordância ideológica: silepse. 
Portanto, são figuras de construção ou sintaxe: 
Assíndeto: 
Ocorre assíndeto quando orações ou palavras 
deveriam vir ligadas por conjunções coordenati-
vas, aparecem justapostas ou separadas por 
vírgulas. 
Exigem do leitor atenção maior no exame de cada 
fato, por exigência das pausas rítmicas (vírgulas). 
Exemplo: ―Não nos movemos, as mãos é que se 
estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegan-
do-se, apertando-se, fundindo-se.‖ (Machado de 
Assis). 
Elipse: 
Ocorre elipse quando omitimos um termo ou ora-
ção que facilmente podemos identificar ou suben-
tender no contexto. Pode ocorrer na supressão de 
pronomes, conjunções, preposições ou verbos. É 
um poderoso recurso de concisão e dinamismo. 
Exemplo: ―Veio sem pinturas, em vestido leve, 
sandálias coloridas.‖ (elipse do pronome ela (Ela 
veio) e da preposição de (de sandálias…). 
Zeugma: 
Ocorre zeugma quando um termo já expresso na 
frase é suprimido, ficando subentendida sua repe-
tição. 
 
 94 
 
Exemplo: ―Foi saqueada a vida, e assassinados 
os partidários dos Felipes.‖ (Zeugma do verbo: ―e 
foram assassinados…‖) (Camilo Castelo Branco). 
Anáfora: 
Ocorre anáfora quando há repetição intencional 
de palavras no início de um período, frase ou 
verso. 
Exemplo: ―Depois o areal extenso… / Depois o 
oceano de pó… / Depois no horizonte imenso / 
Desertos… desertos só…‖ (Castro Alves). 
Pleonasmo: 
Ocorre pleonasmo quando há repetição da mes-
ma idéia, isto é, redundância de significado. 
a) Pleonasmo literário: 
É o uso de palavras redundantes para reforçar 
uma idéia, tanto do ponto de vista semântico 
quanto do ponto de vista sintático.Usado como 
um recurso estilístico, enriquece a expressão, 
dando ênfase à mensagem. 
Exemplo: ―Iam vinte anos desde aquele dia / 
Quando com os olhos eu quis ver de perto / 
Quando em visão com os da saudade via.‖ (Alber-
to de Oliveira). 
―Morrerás morte vil na mão de um forte.‖ (Gonçal-
ves Dias) 
―Ó mar salgado, quando do teu sal / São lágrimas 
de Portugal‖ (Fernando Pessoa). 
b) Pleonasmo Vicioso: 
É o desdobramento de idéias que já estavam 
implícitas em palavras anteriormente expressas. 
Pleonasmos viciosos devem ser evitados, pois 
não têm valor de reforço de uma idéia, sendo 
apenas fruto do descobrimento do sentido real 
das palavras. 
Exemplos: subir para cima / entrar para dentro / 
repetir de novo / ouvir com os ouvidos / hemorra-
gia de sangue / monopólio exclusivo / breve alo-
cução / principal protagonista. 
Polissíndeto: 
Ocorre polissíndeto quando há repetição enfática 
de uma conjunção coordenativa mais vezes do 
que exige a norma gramatical (geralmente a con-
junção e). É um recurso que sugere movimentos 
ininterruptos ou vertiginosos. 
Exemplo: ―Vão chegando as burguesinhas po-
bres, / e as criadas das burguesinhas ricas / e as 
mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza.‖ 
(Manuel Bandeira). 
Anástrofe: 
Ocorre anástrofe quando há uma simples inver-
são de palavras vizinhas (determinan-
te/determinado). 
Exemplo: ―Tão leve estou (estou tão leve) que 
nem sombra tenho.‖ (Mário Quintana). 
Hipérbato: 
Ocorre hipérbato quando há uma inversão com-
pleta de membros da frase. 
Exemplo: ―Passeiam à tarde, as belas na Aveni-
da. ‖ (As belas passeiam na Avenida à tarde.) 
(Carlos Drummond de Andrade). 
Sínquise: 
Ocorre sínquise quando há uma inversão violenta 
de distantes partes da frase. É um hipérbato exa-
gerado. 
Exemplo: ―A grita se alevanta ao Céu, da gente. ‖ 
(A grita da gente se alevanta ao Céu ) (Camões). 
Hipálage: 
Ocorre hipálage quando há inversão da posição 
do adjetivo: uma qualidade que pertence a um 
objeto é atribuída a outro, na mesma frase. 
Exemplo: ―… as lojas loquazes dos barbeiros.‖ 
(as lojas dos barbeiros loquazes.) (Eça de Quei-
ros). 
Anacoluto: 
Ocorre anacoluto quando há interrupção do plano 
sintático com que se inicia a frase, alterando-lhe a 
seqüência lógica. A construção do período deixa 
um ou mais termos – que não apresentam função 
sintática definida – desprendidos dos demais, 
geralmente depois de uma pausa sensível. 
Exemplo: ―Essas empregadas de hoje, não se 
pode confiar nelas.‖ (Alcântara Machado). 
Silepse: 
Ocorre silepse quando a concordância não é feita 
com as palavras, mas com a idéia a elas associa-
da. 
a) Silepse de gênero: 
Ocorre quando há discordância entre os gêneros 
gramaticais (feminino ou masculino). 
 
 95 
 
Exemplo: ―Quando a gente é novo, gosta de fazer 
bonito.‖ (Guimarães Rosa). 
b) Silepse de número: 
Ocorre quando há discordância envolvendo o 
número gramatical (singular ou plural). 
Exemplo: Corria gente de todos lados, e grita-
vam.‖ (Mário Barreto). 
c) Silepse de pessoa: 
Ocorre quando há discordância entre o sujeito 
expresso e a pessoa verbal: o sujeito que fala ou 
escreve se inclui no sujeito enunciado. 
Exemplo: ―Na noite seguinte estávamos reunidas 
algumas pessoas.‖ (Machado de Assis). 
Figuras de pensamento: 
As figuras de pensamento são recursos de lin-
guagem que se referem ao significado das pala-
vras, ao seu aspecto semântico. 
São figuras de pensamento: 
Antítese: 
Ocorre antítese quando há aproximação de pala-
vras ou expressões de sentidos opostos. 
Exemplo: ―Amigos ou inimigos estão, amiúde, em 
posições trocadas. Uns nos querem mal, e fazem-
nos bem. Outros nos almejam o bem, e nos tra-
zem o mal.‖ (Rui Barbosa). 
Apóstrofe: 
Ocorre apóstrofe quando há invocação de uma 
pessoa ou algo, real ou imaginário, que pode 
estar presente ou ausente. Corresponde ao voca-
tivo na análise sintática e é utilizada para dar 
ênfase à expressão. 
Exemplo: ―Deus! ó Deus! onde estás, que não 
respondes?‖ (Castro Alves). 
Paradoxo: 
Ocorre paradoxo não apenas na aproximação de 
palavras de sentido oposto, mas também na de 
idéias que se contradizem referindo-se ao mesmo 
termo. É uma verdade enunciada com aparência 
de mentira. Oxímoro (ou oximoron) é outra desig-
nação para paradoxo. 
Exemplo: ―Amor é fogo que arde sem se ver; / É 
ferida que dói e não se sente; / É um contenta-
mento descontente; / É dor que desatina sem 
doer;‖ (Camões) 
Eufemismo: 
Ocorre eufemismo quando uma palavra ou ex-
pressão é empregada para atenuar uma verdade 
tida como penosa, desagradável ou chocante. 
Exemplo: ―E pela paz derradeira (morte) que en-
fim vai nos redimir Deus lhe pague‖. (Chico Buar-
que). 
Gradação: 
Ocorre gradação quando há uma seqüência de 
palavras que intensificam uma mesma idéia. 
Exemplo: ―Aqui… além… mais longe por onde eu 
movo o passo.‖ (Castro Alves). 
Hipérbole: 
Ocorre hipérbole quando há exagero de uma 
idéia, a fim de proporcionar uma imagem emocio-
nante e de impacto. 
Exemplo: ―Rios te correrão dos olhos, se chora-
res!‖ (Olavo Bilac). 
Ironia: 
Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela entona-
ção, pela contradição de termos, sugere-se o 
contrário do que as palavras ou orações parecem 
exprimir. A intenção é depreciativa ou sarcástica. 
Exemplo: ―Moça linda, bem tratada, / três séculos 
de família, / burra como uma porta: / um amor.‖ 
(Mário de Andrade). 
Prosopopéia: 
Ocorre prosopopéia (ou animização ou personifi-
cação) quando se atribui movimento, ação, fala, 
sentimento, enfim, caracteres próprios de seres 
animados a seres inanimados ou imaginários. 
Também a atribuição de características humanas 
a seres animados constitui prosopopéia o que é 
comum nas fábulas e nos apólogos, como este 
exemplo de Mário de Quintana: ―O peixinho (…) 
silencioso e levemente melancólico…‖ 
Exemplos: ―… os rios vão carregando as queixas 
do caminho.‖ (Raul Bopp) 
Um frio inteligente (…) percorria o jardim…‖ (Cla-
rice Lispector) 
Perífrase: 
Ocorre perífrase quando se cria um torneio de 
palavras para expressar algum objeto, acidente 
geográfico ou situação que não se quer nomear. 
 
 96 
 
Exemplo: ―Cidade maravilhosa / Cheia de encan-
tos mil / Cidade maravilhosa / Coração do meu 
Brasil.‖ (André Filho). 
Até este ponto retirei informações do site PCI 
cursos 
Vícios de Linguagem 
Ambiguidade 
Ambiguidade é a possibilidade de uma mensa-
gem ter dois sentidos. Ela geralmente é provoca-
da pela má organização das palavras na frase. A 
ambiguidade é um caso especial de polissemia, a 
possibilidade de uma palavra apresentar vários 
sentidos em um contexto. 
Ex: 
―Onde está a vaca da sua avó?‖ (Que vaca? A 
avó ou a vaca criada pela avó?) 
―Onde está a cachorra da sua mãe?‖ (Que ca-
chorra? A mãe ou a cadela criada pela mãe?) 
―Este líder dirigiu bem sua nação‖(―Sua‖? Nação 
da 2ª ou 3ª pessoa (o líder)?). 
Obs 1: O pronome possessivo ―seu(ua)(s)‖ gera 
muita confusão por ser geralmente associado ao 
receptor da mensagem. 
Obs 2: A preposição ―como‖ também gera confu-
são com o verbo ―comer‖ na 1ª pessoa do singu-
lar. 
A ambiguidade normalmente é indesejável na 
comunicação unidirecional, em particular na escri-
ta, pois nem sempre é possível contactar o emis-
sor da mensagem para questioná-lo sobre sua 
intenção comunicativa original e assim obter a 
interpretação correta da mensagem. 
Barbarismo 
Barbarismo, peregrinismo, idiotismo ou estrangei-
rismo (para os latinos qualquer estrangeiro era 
bárbaro) é o uso de palavra, expressão ou cons-
trução estrangeira no lugar de equivalente verná-
cula. 
De acordo com a língua de origem, os estrangei-
rismos recebem diferentes nomes: 
 Galicismo ou francesismo, quando proveni-entes do francês (de Gália, antigo nome 
da França); 
 Anglicismo, quando do inglês; 
 Castelhanismo, quando vindos 
do espanhol; 
Ex: 
Mais penso, mais fico inteligente (galicismo; o 
mais adequado seria ―quanto mais penso, (tanto) 
mais fico inteligente‖); 
Comeu um roast-beef (anglicismo; o mais ade-
quado seria ―comeu um rosbife―); 
Havia links para sua página (anglicismo; o mais 
adequado seria ―Havia ligações(ou vínculos) para 
sua página‖. 
Eles têm serviço de delivery. (anglicismo; o mais 
adequado seria ―Eles têm serviço de entrega‖). 
Premiê apresenta prioridades da Presidência lusa 
da UE (galicismo, o mais adequado seria Primei-
ro-ministro) 
Nesta receita gastronômica usaremos Blueberri-
es e Grapefruits. (anglicismo, o mais adequado 
seria Mirtilo e Toranja) 
Convocamos para a Reunião do Conselho 
de DA‘s (plural da sigla de Diretório Acadêmico). 
(anglicismo, e mesmo nesta língua não se u-
sa apóstrofo ‗s‘ para pluralizar; o mais adequado 
seria DD.AA. ou DAs.) 
Há quem considere barbarismo também diver-
gências de pronúncia, grafia, morfologia, etc., tais 
como ―adevogado‖ ou ―eu sabo―, pois seriam ati-
tudes típicas de estrangeiros, por eles dificilmente 
atingirem alta fluência no dialeto padrão da lín-
gua. 
Em nível pragmático, o barbarismo normalmente 
é indesejável porque os receptores da mensagem 
frequentemente conhecem o termo em questão 
na língua nativa de sua comunidade linguística, 
mas nem sempre conhecem o termo correspon-
dente na língua ou dialeto estrangeiro à comuni-
dade com a qual ele está familiarizado. Em nível 
político, um barbarismo também pode ser inter-
pretado como uma ofensa cultural por alguns 
receptores que se encontram ideologicamente 
inclinados a repudiar certos tipos de influência 
sobre suas culturas. Pode-se assim concluir que 
o conceito de barbarismo é relativo ao receptor da 
mensagem. 
Em alguns contextos, até mesmo uma palavra da 
própria língua do receptor poderia ser considera-
da como um barbarismo. Tal é o caso de um cul-
tismo (ex: ―abdômen‖) quando presente em uma 
mensagem a um receptor que não o entende (por 
exemplo, um indivíduo não escolarizado, que 
poderia compreender melhor os sinônimos ―barri-
ga‖, ―pança‖ ou ―bucho‖). 
Cacofonia 
 
 97 
 
A cacofonia é um som desagradável ou obsceno 
formado pela união das sílabas de palavras con-
tíguas. Por isso temos que cuidar quando falamos 
sobre algo para não ofendermos a pessoa que 
ouve. São exemplos desse fato: 
―Ele beijou a boca dela.‖ 
―Bata com um mamão para mim, por favor.‖ 
―Deixe ir-me já, pois estou atrasado.‖ 
―Não tem nada de errado a cerca dela― 
―Vou-me já que está pingando. Vai chover!‖ 
―Instrumento para socar alho.‖ 
―Daqui vai, se for dai.‖ 
Não são cacofonia: 
―Eu amo ela demais !!!‖ 
―Eu vi ela.‖ 
―você veja‖ 
Como cacofonias são muitas vezes cômicas, elas 
são algumas vezes usadas de propósito em cer-
tas piadas, trocadilhos e ―pegadinhas‖. 
Plebeísmo 
O plebeísmo normalmente utiliza palavras de 
baixo calão, gírias e termos considerados infor-
mais. 
Exemplos: 
―Ele era um tremendo mané!‖ 
―Tô ferrado!‖ 
―Tá ligado nas quebradas, meu chapa?‖ 
―Esse bagulho é ‗radicaaaal‘!!! Tá ligado mano?‖ 
‗Vô piálá‘mais tarde ‗ !!! Se ligou maluko ? 
Por questões de etiqueta, convém evitar o uso de 
plebeísmos em contextos sociais que requeiram 
maior formalismo no tratamento comunicativo. 
Prolixidade 
É a exposição fastidiosa e inútil de palavras ou 
argumentos e à sua superabundância. É o exces-
so de palavras para exprimir poucas idéias. Ao 
texto prolixo falta objetividade, o qual quase sem-
pre compromete a clareza e cansa o leitor. 
A prevenção à prolixidade requer que se tenha 
atenção à concisão e precisão da mensagem. 
Concisão é a qualidade de dizer o máximo possí-
vel com o mínimo de palavras. Precisão é a qua-
lidade de utilizar a palavra certa para dizer exa-
tamente o que se quer. 
Pleonasmo Vicioso 
O pleonasmo é uma figura de linguagem. Quando 
consiste numa redundância inútil e desnecessária 
de significado em uma sentença, é considerado 
um vício de linguagem. A esse tipo de pleonasmo 
chamamos pleonasmo vicioso. 
Ex: 
―Ele vai ser o protagonista principal da peça‖. 
(Um protagonista é, necessariamente, a persona-
gem principal) 
―Meninos, entrem já para dentro!‖ (O verbo ―en-
trar‖ já exprime ideia de ir para dentro) 
―Estou subindo para cima.‖ (O verbo ―subir‖ já 
exprime ideia de ir para cima) 
―Não deixe de comparecer pessoalmente.‖ (É 
impossível comparecer a algum lugar de outra 
forma que não pessoalmente) 
―Meio-ambiente‖ – o meio em que vivemos = o 
ambiente em que vivemos. 
Não é pleonasmo: 
―As palavras são de baixo calão―. Palavras podem 
ser de baixo ou de alto calão. 
O pleonasmo nem sempre é um vício de lingua-
gem, mesmo para os exemplos supra citados, a 
depender do contexto. Em certos contextos, ele é 
um recurso que pode ser útil para se fornecer 
ênfase a determinado aspecto da mensagem. 
Especialmente em contextos literários, musicais e 
retóricos, um pleonasmo bem colocado pode 
causar uma reação notável nos receptores (como 
a geração de uma frase de efeito ou mesmo o 
humor proposital). A maestria no uso do pleo-
nasmo para que ele atinja o efeito desejado no 
receptor depende fortemente do desenvolvimento 
da capacidade de interpretação textual do emis-
sor. Na dúvida, é melhor que seja evitado para 
não se incorrer acidentalmente em um uso vicio-
so. 
Solecismo 
Solecismo é uma inadequação na estrutura sintá-
tica da frase com relação à gramática normativa 
do idioma. Há três tipos de solecismo: 
De concordância: 
 
 98 
 
―Fazem três anos que não vou ao médico.‖ (Faz 
três anos que não vou ao médico.) 
―Aluga-se salas nesse edifício.‖ (Alugam-se salas 
nesse edifício.) 
De regência: 
―Ontem eu assisti um filme de época.‖ (Ontem eu 
assisti a um filme de época.) 
De colocação: 
―Me empresta um lápis, por favor.‖ (Empresta-me 
um lápis, por favor.) 
―Me parece que ela ficou contente.‖ (Parece-me 
que ela ficou contente.) 
―Eu não respondi-lhe nada do que perguntou.‖ 
(Eu não lhe respondi nada do que perguntou.) 
Eco 
O Eco vem a ser a própria rima que ocorre quan-
do há na frase terminações iguais ou semelhan-
tes, provocando dissonância. 
―Falar em desenvolvimento é pensar em alimento, 
saúde e educação.‖ 
―O aluno repetente mente alegremente.‖ 
O presidente tinha dor de dente constantemente. 
Colisão 
O uso de uma mesma vogal ou consoante em 
várias palavras é denominado aliteração. 
Aliterações são preciosos recursos estilísticos 
quando usados com a intenção de se atingir efei-
to literário ou para atrair a atenção do receptor. 
Entretanto, quando seus usos não são intencio-
nais ou quando causam um efeito estilístico ruim 
ao receptor da mensagem, a aliteração torna-se 
um vício de linguagem e recebe nesse contexto o 
nome de colisão. Exemplos: 
―E-
ram comunidades camponesas com cultivos coleti
vos.‖ 
―O papa Paulo VI pediu a paz.‖ 
Uma colisão pode ser remediada com a reestrutu-
ração sintática da frase que a contém ou com a 
substituição de alguns termos ou expressões por 
outras similares ou sinônimas. 
Correspondência Oficial 
Adequação da linguagem ao tipo de documento. 
Adequação do formato do texto ao gênero. 
Redação Oficial 
A redação oficial é caracterizada pela impessoali-
dade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, 
concisão, formalidade e uniformidade. 
Esses mesmos princípios aplicam-se às comuni-
cações oficiais: elas devem sempre permitir uma 
única interpretação e ser estritamente impessoais 
e uniformes, o que exige o uso de certo nível de 
linguagem. 
1. A Impessoalidade: 
O tratamento impessoal que deve ser dado aosassuntos que constam das comunicações oficiais 
decorre: 
a) da ausência de impressões individuais de 
quem comunica; 
b) da impessoalidade de quem recebe a comuni-
cação, com duas possibilidades: 
c) do caráter impessoal do próprio assunto trata-
do: 
A concisão, a clareza, a objetividade e a formali-
dade de que nos valemos para elaborar os expe-
dientes oficiais contribuem, ainda, para que seja 
alcançada a necessária impessoalidade. 
2. A Linguagem dos Atos e Comunicações 
Oficiais: 
A necessidade de empregar determinado nível de 
linguagem nos atos e expedientes oficiais decor-
re, de um lado, do próprio caráter público desses 
atos e comunicações; de outro, de sua finalidade. 
Por seu caráter impessoal, por sua finalidade de 
informar com o máximo de clareza e concisão, 
eles requerem o uso do padrão culto da língua. 
Há consenso de que o padrão culto é aquele em 
que: 
a) se observam as regras da gramática formal e 
b) se emprega um vocabulário comum ao conjun-
to dos usuários do idioma. 
3. Formalidade e Padronização: 
A formalidade diz respeito à polidez, à civilidade 
no próprio enfoque dado ao assunto do qual cuida 
a comunicação. 
A clareza datilográfica, o uso de papéis uniformes 
para o texto definitivo e a correta diagramação do 
texto são indispensáveis para a padronização. 
 
 99 
 
4. Concisão e Clareza: 
Conciso é o texto que consegue transmitir um 
máximo de informações com um mínimo de pala-
vras. 
A clareza deve ser a qualidade básica de todo 
texto oficial. Para ela concorrem: 
a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de 
interpretações que poderia decorrer de um trata-
mento personalista dado ao texto; 
b) o uso do padrão culto de linguagem, em princí-
pio, de entendimento geral e por definição avesso 
a vocábulos de circulação restrita, como a gíria e 
o jargão; 
c) a formalidade e a padronização, que possibili-
tam a imprescindível uniformidade dos textos; 
d) a concisão, que faz desaparecer do texto os 
excessos lingüísticos que nada lhe acrescentam. 
5. Pronomes de Tratamento: 
O emprego dos pronomes de tratamento obedece 
a secular tradição. São de uso consagrado: 
Vossa Excelência, para as seguintes autoridades: 
a) do Poder Executivo: Presidente da República 
/ Vice-Presidente da República / Ministros de 
Estado / Governadores e Vice-Governadores de 
Estado e do Distrito Federal / Oficiais-Generais 
das Forças Armadas / Embaixadores / Secretá-
rios-Executivos de Ministérios e demais ocupan-
tes de cargos de natureza especial / Secretários 
de Estado dos Governos Estaduais / Prefeitos 
Municipais. 
b) do Poder Legislativo: Deputados Federais e 
Senadores / Ministros do Tribunal de Contas da 
União / Deputados Estaduais e Distritais / Conse-
lheiros dos Tribunais de Contas Estaduais / Pre-
sidentes das Câmaras Legislativas Municipais. 
c) do Poder Judiciário: Ministros dos Tribunais 
Superiores / Membros de Tribunais / Juízes / Au-
ditores da Justiça Militar. 
O vocativo a ser empregado em comunicações 
dirigidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo 
Senhor, seguido do cargo respectivo: Excelentís-
simo Senhor Presidente da República, / Excelen-
tíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacio-
nal, / Excelentíssimo Senhor Presidente do Su-
premo Tribunal Federal. 
As demais autoridades serão tratadas com o vo-
cativo Senhor, seguido do cargo respectivo: Se-
nhor Senador, / Senhor Juiz, / Senhor Ministro, / 
Senhor Governador. 
No envelope, o endereçamento das comunica-
ções dirigidas às autoridades tratadas por Vossa 
Excelência, terá a seguinte forma: 
A Sua Excelência o Senhor 
Fulano de Tal 
Secretário de Estado da Saúde 
00000-000 – Natal. RN 
A Sua Excelência o Senhor 
Fulano de Tal 
Juiz de Direito da 10ª Vara Cível 
Rua ABC, nº 123 
01010-000 – Natal. RN 
A Sua Excelência o Senhor 
Deputado Fulano de Tal 
Assembléia Legislativa 
00000-000 – Natal. RN 
Em comunicações oficiais, está abolido o uso do 
tratamento digníssimo (DD), às autoridades arro-
ladas na lista anterior. A dignidade é pressuposto 
para que se ocupe qualquer cargo público, sendo 
desnecessária sua repetida evocação. 
Vossa Senhoria é empregado para as demais 
autoridades e para particulares. O vocativo ade-
quado é: 
Senhor Fulano de Tal, 
(…) 
No envelope, deve constar do endereçamento: 
Ao Senhor 
Fulano de Tal 
Rua ABC, nº 123 
12345-000 – Natal. RN 
Como se depreende do exemplo acima, fica dis-
pensado o emprego do superlativo ilustríssimo 
para as autoridades que recebem o tratamento de 
Vossa Senhoria e para particulares. É suficiente o 
uso do pronome de tratamento Senhor. 
 
 100 
 
Acrescente-se que doutor não é forma de trata-
mento, e sim título acadêmico. Evite usá-lo indis-
criminadamente. Como regra geral, empregue-o 
apenas em comunicações dirigidas a pessoas 
que tenham tal grau por terem concluído curso 
universitário de doutorado. É costume designar 
por doutor os bacharéis, especialmente os bacha-
réis em Direito e em Medicina. Nos demais casos, 
o tratamento Senhor confere a desejada formali-
dade às comunicações. 
Mencionemos, ainda, a forma Vossa Magnificên-
cia, empregada por força da tradição, em comuni-
cações dirigidas a reitores de universidade. Cor-
responde-lhe o vocativo: 
Magnífico Reitor, 
(…) 
Os pronomes de tratamento para religiosos, de 
acordo com a hierarquia eclesiástica, são: 
Vossa Santidade, em comunicações dirigidas ao 
Papa. O vocativo correspondente é: 
Santíssimo Padre, 
(…) 
Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reveren-
díssima, em comunicações aos Cardeais. Cor-
responde-lhe o vocativo: 
Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou 
Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Carde-
al, 
(…) 
Vossa Excelência Reverendíssima é usado em 
comunicações dirigidas a Arcebispos e Bispos; 
Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reve-
rendíssima para Monsenhores, Cônegos e supe-
riores religiosos. Vossa Reverência é empregado 
para sacerdotes, clérigos e demais religiosos. 
6. Fechos para Comunicações: 
O fecho das comunicações oficiais possui, além 
da finalidade óbvia de arrematar o texto, a de 
saudar o destinatário. A legislação federal estabe-
leceu o emprego de somente dois fechos diferen-
tes para todas as modalidades de comunicação 
oficial: 
a) para autoridades superiores, inclusive o Presi-
dente da República: 
Respeitosamente, 
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de 
hierarquia inferior: 
Atenciosamente, 
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações 
dirigidas a autoridades estrangeiras, que atendem 
a rito e tradição próprios, devidamente disciplina-
dos no Manual de Redação do Ministério das 
Relações Exteriores. 
7. Identificação do Signatário: 
Excluídas as comunicações assinadas pelo Pre-
sidente da República, todas as demais comunica-
ções oficiais devem trazer o nome e o cargo da 
autoridade que as expede, abaixo do local de sua 
assinatura. A forma da identificação deve ser a 
seguinte: 
(espaço para assinatu-
ra) 
NOME 
Chefe de Gabinete do 
Tribunal de Contas 
(espaço para assina-
tura) 
NOME 
Secretário de Estado 
da Tributação 
Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar 
a assinatura em página isolada do expediente. 
Transfira para essa página ao menos a última 
frase anterior ao fecho. 
NORMAS GERAIS DE ELABORAÇÃO: 
Ao se elaborar uma correspondência deverão ser 
observadas as seguintes regras: 
− utilizar as espécies documentais, de acordo 
com as finalidades expostas nas estruturas dos 
modelos adiante expostos; 
− utilizar os pronomes de tratamento, os vocati-
vos, os destinatários e os endereçamentos corre-
tamente; 
− utilizar a fonte do tipo Times New Roman de 
corpo 12 no texto em geral, 11 nas citações, e 10 
nas notas de rodapé; 
− parasímbolos não existentes na fonte Times 
New Roman poder-se-á utilizar as fontes Symbol 
e Wingdings; 
− é obrigatório constar a partir da segunda página 
o número da página. 
No caso de Comunicação Interna, o destinatário 
deverá ser identificado pelo cargo, não necessi-
tando do nome de seu ocupante. Exceção para 
casos em que existir um mesmo cargo para vá-
rios ocupantes, sendo necessário, então, um vo-
 
 101 
 
cativo composto pelo cargo e pelo nome do desti-
natário em questão. 
Exemplo: 
Ao Senhor Assessor 
José Amaral 
Quando um documento estiver respondendo à 
solicitação de um outro documento, fazer referên-
cia à espécie, ao número e à data ao qual este se 
refere. 
O assunto que motivou a comunicação deve ser 
introduzido no primeiro parágrafo, seguido do 
detalhamento e conclusão. Se contiver mais de 
uma idéia deve-se tratar dos diferentes assuntos 
em parágrafos distintos. 
A referência ao ano do documento deverá ser 
feita após a espécie e número do expediente, 
seguido de sigla do órgão que o expede. 
CERTO: Ofício nº 23/2005-DAI/TCE 
ERRADO: Ofício nº 23/TCE/DAI-2005 
Os pronomes de tratamento (ou de segunda pes-
soa indireta) embora se refiram à segunda pes-
soa gramatical (à pessoa com quem se fala, ou a 
quem se dirige à comunicação), levam a concor-
dância para a terceira pessoa. 
Exemplos: 
 Vossa Senhoria nomeará o substituto. 
 Vossa Excelência conhece o assunto. 
Da mesma forma, os pronomes possessivos refe-
ridos a pronomes de tratamento são sempre os 
da terceira pessoa: ―Vossa Senhoria nomeará seu 
substituto‖ (e não ―Vossa… vosso…‖). 
Já quanto aos adjetivos referidos a esses prono-
mes, o gênero gramatical deve coincidir com o 
sexo da pessoa a que se refere, e não com o 
substantivo que compõe a locução. Assim, se o 
interlocutor for homem, o correto é ―Vossa Exce-
lência está atarefado‖; se for mulher,‖Vossa Exce-
lência está atarefada‖. 
Siglas e Acrônimos: 
Sigla é a representação de um nome por meio de 
suas iniciais – Exemplos: INSS. Apesar de obe-
decer às mesmas regras dispostas para as siglas, 
os acrônimos são distintos delas, ou seja, são 
palavras formadas das primeiras letras ou de 
sílabas de outras palavras – Exemplos: Bradesco; 
 Em geral não se coloca ponto nas siglas; 
 Grafam-se em caixa alta as compostas 
apenas de consoante: fgts; 
 Grafam-se em caixa alta as siglas que, 
apesar de compostas de consoante e de vogal, 
são pronunciadas mediante a acentuação das 
letras: iptu, ipva, dou; 
 Grafam-se em caixa alta e em caixa baixa 
os compostos de mais de três letras (vogais e 
consoantes) que formam palavra: bandern, co-
hab, ibama, ipea, embrapa. 
Siglas e acrônimos devem vir precedidos de res-
pectivo significado e de travessão em sua primei-
ra ocorrência no texto (Exemplos: Diário Oficial do 
Estado – DOE). 
Destaques: 
Recurso tipográfico que estabelece contrastes, 
com o objetivo de propiciar saliências no texto. Os 
mais comuns são os a seguir comentados. 
Itálico – Convencionalmente, grafa-se em itálico 
títulos de livros, de periódicos, de peças, de ópe-
ras, de música, de pintura e de escultura; 
Assim como nomes de eventos e estrangeirismos 
citados no corpo do texto. Lembrar, no entanto, 
que na grafia de nome de instituição estrangeira 
não se deve usar o itálico. 
Contudo, no caso de o texto já estar todo ele gra-
fado em itálico, o destaque de palavras e de locu-
ções de outros idiomas, ainda não adaptadas ao 
português, pode ser obtido com o efeito contrário, 
ou seja, com a grafia delas sem o itálico; recursos 
esse conhecido como ―redondo‖. 
Usa-se ainda o itálico na grafia de nomes científi-
cos, de animais e vegetais (Exemplos: Canis fa-
miliaris; Apis mellifera). 
Pode-se adotar também, desde que sem exage-
ros, o destaque do itálico na grafia de palavras 
e/ou de expressões às quais se queira da ênfase. 
Aspas – Usa-se grafar entre as aspas simples: a 
citação dentro de uma citação. 
Já as aspas duplas, essas são adotadas para: 
 Delimitar a indicação de citações diretas de 
até três linhas; 
 Destacar neologismos – sentido inusitado 
de uma palavra ou de uma expressão, ou termos 
formados a partir de palavras de outra língua – 
 
 102 
 
―ajanelar o coração‖; ―deletar‖; ―zebra‖, como ex-
pressão de azar; 
 Indicar um sentido não habitual – exem-
plos: havia um ―porém‖ no olhar do diretor; 
 Destacar o valor – irônico ou afetivo de um 
termo – exemplos: ela era a ―queridinha‖ do pa-
pai. 
Negrito – O destaque do negrito é mais comu-
mente usado na transcrição de entrevistas, para 
separar perguntas de respostas; assim como, 
conforme antes mencionado, na indicação de 
títulos e de subtítulos. Contudo, o negrito pode 
ser utilizado também, comedidamente, na grafia 
de termos e/ou de expressões a que se queira 
dar ênfase. 
Maiúsculas – Além de sempre usada no início de 
períodos, nos títulos de obras artísticas ou técni-
co-científicas, a letra maiúsculas (caixa alta – CA) 
é convencionalmente usada na grafia de: 
 Nomes próprios e de sobrenomes (José 
Ferreira) de cognomes (Ivan, o Terrível); de alcu-
nhas (Sete Dedos); de pseudônimos (Joãozinho 
Trinta); de nomes dinásticos (os Médici); 
 Topônimos (Brasília, Paris); 
 Regiões (Nordeste, Sul); 
 Nomes de instituições culturais, profissio-
nais e de empresa (Fundação Getúlio Vargas, 
Associação Brasileira de Jornalistas, Lojas Ame-
ricanas); 
 Nome de divisão e de subdivisão das For-
ças Armadas (Marinha, Polícia Militar); 
 Nome de período e de episódio histórico 
(Idade Média, Estado Novo); 
 Nome de festividade ou de comemoração 
cívica (Natal, Quinze de Novembro); 
 Designação de nação política organizada, 
de conjunto de poderes ou de unidades da Fede-
ração (golpe de Estado, Estado de São Paulo); 
 Nome de pontos cardeais (Sul, Norte, Les-
te, Oeste); 
 Nome de zona geoeconômica e de desig-
nações de ordem geográfica ou político-
administrativa (Agreste, Zona da Mata, Triângulo 
Mineiro); 
 Nome de logradouros e de endereço (Av. 
Rui Barbosa, Rua Cesário Alvim); nome de edifí-
cio, de monumento e de estabelecimento público 
(edifício Life Center, Estádio do Maracanã, Aero-
porto de Cumbica, Igreja do São José); 
 Nome de imposto e de taxa (Imposto de 
Renda); 
 Nome de corpo celeste, quando designati-
vo astronômico (―A Terra gira em torno do Sol‖); 
 Nome de documento ao qual se integra um 
nome próprio (Lei Áurea, Lei Afonso Arinos). 
Minúsculas – Além de sempre usada na grafia 
dos termos que designam as estações do ano, os 
dias da semana e os meses do ano, a letra mi-
núscula (comumente chamada de caixa baixa – 
Cb), é também usada na grafia de: 
 Cargos e títulos nobiliárquicos (rei, dom); 
dignitários (comendador, cavaleiro); axiônimos 
correntes (você, senhor); culturais (reitor, bacha-
rel); profissionais (ministro, médico, general, pre-
sidente, diretor); eclesiásticos (papa, pastor, frei-
ra); 
 Gentílicos e de nomes étnicos (franceses, 
paulistas, iorubas); 
 Nome de doutrina e de religiões (espiritis-
mo, protestantismo); 
 Nome de grupo ou de movimento político e 
religioso (petistas, umbandistas); 
 Na palavra governo (governo fernando 
henrique, governo de são paulo); 
 Nos termos designativos de instituições, 
quando esses não estão integrados no nome 
delas – exemplos: a agência nacional de águas 
tem por missão (…), no entanto, a referida agên-
cia não exclui de suas metas os compromissos 
relacionados a…; 
 Nome de acidente geográfico que não seja 
parte integrante do nome próprio: rio amazonas, 
serra do mar, cabo norte (mas, cabo frio, rio de 
janeiro, serra do salitre); 
 Prefixo exemplos: ex-ministro do meio am-
biente, ex-presidente da república; nome de deri-
vado: weberiano, nietzschiano,keynesiano, apo-
líneo; 
 Pontos cardeais, quando indicam direção 
ou limite: o norte de minas gerais, o sul do pará – 
observe: ―é bom morar na região norte do brasil, 
mas muitos preferem o sul de são paulo‖. 
Enumerações: 
 
 103 
 
O trecho que anuncia uma enumeração geral-
mente vem sucedido por dois-pontos; situação 
em que a relação de itens que se segue deve ser 
introduzida por letras minúsculas – Exemplos: a), 
b), c) – ou por um outro tipo de marcador (,□, , 
…etc.), ser grafada com inicial minúscula e con-
cluída com ponto-e-vírgula até o penúltimo item, 
pois que o último deverá vir seguido de ponto 
final. 
Caso o trecho anunciativo da enumeração termi-
ne com um ponto final, os itens que o sucedem 
devem vir grafados com inicial maiúscula, assim 
como ser finalizados, todos eles, com um ponto 
final. 
Grafia De Numerais: 
Os numerais são geralmente grafados com alga-
rismos arábicos. Todavia, em algumas situações 
especiais é regra grafá-los, no texto, por extenso. 
Confira a seguir algumas dessas situações: 
 De zero a nove: três livros, quatro milhões; 
 Dezenas redondas: trinta cadernos, setenta 
bilhões; 
 Centenas redondas: trezentos mil, novecentos 
trilhões, seiscentas pessoas. 
Em todos os casos, porém, só se usam palavras 
quando não há nada nas ordens ou nas classes 
inferiores (Exemplos: 14 mil, mas 14.200 e não 14 
mil e duzentos; 247.320 e não 247 mil e trezentos 
e vinte). 
Acima do milhar, no entanto, dois recursos são 
possíveis: 
 Aproximação de número fracionário, como 
em 23,7 milhões; 
 Desdobramento dos dois primeiros termos, 
como em 47 milhões e 642 mil. 
As classes são separadas por pontos (Exemplos: 
1.750 páginas), exceto no caso de ano (Exem-
plos: em 1750), de código postal (Exemplos: CEP 
70342-070) e de especificação de caixa postal 
(Exemplos: 1011). 
As frações são sempre indicadas por algarismos, 
exceto no caso de os dois elementos dela se 
situarem entre um e dez (Exemplos: dois terços, 
um quarto, mas 2/12, 5/11 etc.). 
Já as porcentagens, essas são indicadas (exceto 
no início de frase) por algarismos, os quais são, 
por sua vez, sucedidos do símbolo próprio sem 
espaço: 86%, 135% etc.). 
Os ordinais são grafados por extenso de primeiro 
a décimo, os demais devem ser representados de 
forma numérica: terceiro, quinto, mas 13º, 47º etc. 
As quantias são grafadas por extenso de um a 
dez (seis centavos, nove milhões de francos) e 
com algarismos daí em diante (11 centavos, 51 
milhões de francos). Porém, quando ocorrem 
frações, registra-se a quantia exclusivamente de 
forma numérica (US$ 325,60). 
Os algarismos romanos são usados nos seguin-
tes casos: 
 Na designação de séculos: século XXI, 
século II a.C; 
 Na designação de reis, de imperadores, de 
papas etc.: Felipe IV, Napoleão II, João XXIII; 
 Na designação de grandes divisões das 
Forças Armadas: IV Distrito Naval, I Exército; 
 No nome de eventos repetidos periodica-
mente: IX Bienal de São Paulo, XII Copa do Mun-
do; 
 Na especificação de dinastias: II dinastia, 
IV dinastia. 
Em se tratando de horas (hora legal), recomenda-
se o uso de algarismos arábico, seguido de abre-
viatura, sem espaço (Exemplos: 12h; das 13 às 
18h30). 
As datas devem ser grafadas por extenso, sem o 
numeral zero à esquerda. Exemplo: ―4 de março 
de 1998, 1º de maio de 1998.‖ 
Na ementa, no preâmbulo, na primeira remissão e 
na cláusula de revogação a data do ato normativo 
deve ser grafada por extenso. Exemplo: Lei nº 
8.112, de 11 de dezembro de 1990. Nas demais 
remissões, a citação deve ser feita de forma re-
duzida. Exemplo: Lei nº 8112, de 1990. 
A identificação do ano não deve conter ponto 
entre a classe do milhar e a da centena. 
Exemplo: 
CERTO: 2005 
ERRADO: 2.005 
Convém que as décadas sejam grafadas em al-
garismos arábicos, e com a especificação do 
século, para que não haja ambigüidades: década 
de 1920; década de 1870. 
O Padrão Ofício: 
 
 104 
 
Há três tipos de expedientes que se diferenciam 
antes pela finalidade do que pela forma: o ofício, 
o aviso e o memorando. Para uniformizá-los, ado-
tou-se uma diagramação única, que segue o pa-
drão ofício. 
Partes do documento no Padrão Ofício: 
O aviso, o ofício e o memorando devem conter as 
seguintes partes: 
a) tipo e número do expediente, seguido da sigla 
do órgão que o expede: 
Exemplos: 
Mem. 123/2002-TCE Aviso 123/2002-TCE Of. 
123/2002-SG/TCE 
b) local e data em que foi assinado, por extenso, 
com alinhamento à direita: 
Exemplo: 
Brasília, 15 de março de 1991. 
c) assunto: resumo do teor do documento 
Exemplos: 
Assunto: Produtividade do órgão em 2002. 
Assunto: Necessidade de aquisição de novos 
computadores. 
d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a 
quem é dirigida a comunicação. No caso do ofício 
deve ser incluído também o endereço. 
e) texto: nos casos em que não for de mero en-
caminhamento de documentos, o expediente 
deve conter a seguinte estrutura: 
– introdução, que se confunde com o parágrafo 
de abertura, na qual é apresentado o assunto que 
motiva a comunicação. Evite o uso das formas: 
―Tenho a honra de‖, ―Tenho o prazer de‖, ―Cum-
pre-me informar que‖, empregue a forma direta; 
– desenvolvimento, no qual o assunto é detalha-
do; se o texto contiver mais de uma idéia sobre o 
assunto, elas devem ser tratadas em parágrafos 
distintos, o que confere maior clareza à exposi-
ção; 
– conclusão, em que é reafirmada ou simples-
mente reapresentada a posição recomendada 
sobre o assunto. 
Os parágrafos do texto devem ser numerados, 
exceto nos casos em que estes estejam organi-
zados em itens ou títulos e subtítulos. 
Já quando se tratar de mero encaminhamento de 
documentos a estrutura é a seguinte: 
– introdução: deve iniciar com referência ao ex-
pediente que solicitou o encaminhamento. Se a 
remessa do documento não tiver sido solicitada, 
deve iniciar com a informação do motivo da co-
municação, que é encaminhar, indicando a seguir 
os dados completos do documento encaminhado 
(tipo, data, origem ou signatário, e assunto de que 
trata), e a razão pela qual está sendo encaminha-
do, segundo a seguinte fórmula: 
―Em resposta ao Aviso nº 12, de 1º de fevereiro 
de 1991, encaminho, anexa, cópia do Ofício nº 
34, de 3 de abril de 1990, do Departamento Geral 
de Administração, que trata da requisição do ser-
vidor Fulano de Tal.‖ 
ou 
―Encaminho, para exame e pronunciamento, a 
anexa cópia do telegrama no 12, de 1º de feverei-
ro de 1991, do Presidente da Confederação Na-
cional de Agricultura, a respeito de projeto de 
modernização de técnicas agrícolas na região 
Nordeste.‖ 
– desenvolvimento: se o autor da comunicação 
desejar fazer algum comentário a respeito do 
documento que encaminha, poderá acrescentar 
parágrafos de desenvolvimento; em caso contrá-
rio, não há parágrafos de desenvolvimento em 
aviso ou ofício de mero encaminhamento. 
f) fecho; 
g) assinatura do autor da comunicação; e 
h) identificação do signatário. 
Forma de diagramação: 
Os documentos do Padrão Ofícial devem obede-
cer à seguinte forma de apresentação: 
a) deve ser utilizada fonte do tipo Times New 
Roman de corpo 12 no texto em geral, 11 nas 
citações, e 10 nas notas de rodapé; 
b) para símbolos não existentes na fonte Times 
New Roman poder-se-á utilizar as fontes Symbol 
e Wingdings; 
c) é obrigatório constar a partir da segunda pági-
na o número da página; 
d) os ofícios, memorandos e anexos destes pode-
rão ser impressos em ambas as faces do papel. 
Neste caso, as margens esquerda e direita terão 
as distâncias invertidas nas páginas pares (―mar-
gem espelho‖); 
 
 105 
 
e) o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 
cm de distância da margem esquerda; 
f) o campodestinado à margem lateral esquerda 
terá, no mínimo, 3,0 cm de largura; 
g) o campo destinado à margem lateral direita 
terá 1,5 cm; 
h) deve ser utilizado espaçamento simples entre 
as linhas e de 6 pontos após cada parágrafo, ou, 
se o editor de texto utilizado não comportar tal 
recurso, de uma linha em branco; 
i) não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, 
sublinhado, letras maiúsculas, sombreado, som-
bra, relevo, bordas ou qualquer outra forma de 
formatação que afete a elegância e a sobriedade 
do documento; 
j) a impressão dos textos deve ser feita na cor 
preta em papel branco. A impressão colorida de-
ve ser usada apenas para gráficos e ilustrações; 
l) todos os tipos de documentos do Padrão Ofício 
devem ser impressos em papel de tamanho A-4, 
ou seja, 29,7 x 21,0 cm; 
m) deve ser utilizado, preferencialmente, o forma-
to de arquivo Rich Text nos documentos de texto; 
n) dentro do possível, todos os documentos ela-
borados devem ter o arquivo de texto preservado 
para consulta posterior ou aproveitamento de 
trechos para casos análogos; 
o) para facilitar a localização, os nomes dos ar-
quivos devem ser formados da seguinte maneira: 
tipo do documento + número do documento + 
palavras-chaves do conteúdo 
Exemplos: ―Of. 123 – relatório produtividade ano 
2002″ 
Aviso e Ofício: 
Definição e Finalidade 
Aviso e ofício são modalidades de comunicação 
oficial praticamente idênticas. A única diferença 
entre eles é que o aviso é expedido exclusiva-
mente por Ministros de Estado, para autoridades 
de mesma hierarquia, ao passo que o ofício é 
expedido para e pelas demais autoridades. Am-
bos têm como finalidade o tratamento de assun-
tos oficiais pelos órgãos da Administração Pública 
entre si e, no caso do ofício, também com particu-
lares. 
Forma e Estrutura 
Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o mo-
delo do padrão ofício, com acréscimo do vocativo, 
que invoca o destinatário, seguido de vírgula. 
Exemplos: 
Excelentíssimo Senhor Presidente da República 
Senhora Ministra 
Senhor Chefe de Gabinete 
Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do 
ofício as seguintes informações do remetente: 
– nome do órgão ou setor; 
– endereço postal; 
– telefone e endereço de correio eletrônico. 
Memorando: 
Definição e Finalidade 
O memorando é a modalidade de comunicação 
entre unidades administrativas de um mesmo 
órgão, que podem estar hierarquicamente em 
mesmo nível ou em níveis diferentes. Trata-se, 
portanto, de uma forma de comunicação eminen-
temente interna. 
Pode ter caráter meramente administrativo, ou ser 
empregado para a exposição de projetos, idéias, 
diretrizes, etc. a serem adotados por determinado 
setor do serviço público. 
Sua característica principal é a agilidade. A trami-
tação do memorando em qualquer órgão deve 
pautar-se pela rapidez e pela simplicidade de 
procedimentos burocráticos. Para evitar desne-
cessário aumento do número de comunicações, 
os despachos ao memorando devem ser dados 
no próprio documento e, no caso de falta de es-
paço, em folha de continuação. Esse procedimen-
to permite formar uma espécie de processo sim-
plificado, assegurando maior transparência à 
tomada de decisões, e permitindo que se historie 
o andamento da matéria tratada no memorando. 
Forma e Estrutura 
Quanto a sua forma, o memorando segue o mo-
delo do padrão ofício, com a diferença de que o 
seu destinatário deve ser mencionado pelo cargo 
que ocupa. 
Exemplos: 
Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração 
Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos 
 
 106 
 
Redação: 
A elaboração de correspondências e atos oficiais 
deve caracterizar-se pela impessoalidade, uso do 
padrão culto da linguagem, clareza, concisão, 
formalidade e uniformidade. 
No caso da redação oficial, quem comunica é 
sempre a Administração Pública; o que e comuni-
ca é sempre algum assunto relativo às atribuições 
do órgão ou entidade que comunica; o destinatá-
rio dessa comunicação é o público, o conjunto de 
cidadãos, ou outro órgão ou entidade pública. A 
redação oficial deve ser isenta de interferência da 
individualidade de quem a elabora. 
As comunicações oficiais devem ser sempre for-
mais, isto é, obedecerem a certas regras de for-
ma. A clareza do texto, possibilitando imediata 
compreensão pelo leitor, o uso de papéis unifor-
mes e a correta diagramação são indispensáveis 
para a padronização das comunicações oficiais. 
O texto deve ser conciso, transmitindo um máxi-
mo de informações com um mínimo de palavras. 
Identidade Visual: 
Todos os papéis de expediente, bem como os 
convites e as publicações oficiais deverão possuir 
a logomarca da TCE conforme disposto na Reso-
lução nº 19, de 18 de maio de 2001, ou com nor-
ma que a suceder. 
Logomarca, é a marca que reúne graficamente 
letras do nome de uma instituição e elementos 
formais puros, abstratos. Pode-se ainda defini-la 
como qualquer representação gráfica padroniza-
da e distintiva utilizada como marca. 
Artigos: 
Na numeração de artigos em leis, decretos, porta-
rias e outros textos legais, proceder-se-á da for-
ma como se segue: 
Do artigo primeiro até o artigo nono, usa-se o 
numeral ordinal, ou seja 1º, 2º, 3º até o 9°, prece-
dido da forma abreviada de artigo – ―Art.‖. 
Exemplo: 
―Art. 1º, Art. 2º, Art. 3º…. Art. 9º ―. 
Do artigo dez (inclusive) em diante, usa-se nume-
ral cardinal, ou seja 10, 11, 12, 13 etc, precedido 
da forma abreviada de Artigo – ―Art.‖, e o numeral 
cardinal acompanhado de ponto – ―.‖ 
Exemplo: 
―Art. 10.‖, ―Art. 11.‖, ―Art. 99.‖, ―Art. 150.‖ etc. 
A indicação de artigo será separada do texto por 
dois espaços em branco, sem traços ou outros 
sinais. 
Exemplo: 
Art. 1º Ao (nome do órgão) compete… 
O texto de um artigo inicia-se sempre por letra 
maiúscula e termina com ponto, salvo nos casos 
em que contiver incisos, quando deverá terminar 
por dois-pontos. 
Em remissões a outros artigos do texto normativo, 
deve-se empregar a forma abreviada ―art.‖ segui-
da do número correspondente. 
Exemplo: 
―… o art. 8º, no art. 15…‖. 
Quando o número for substituído por um adjetivo 
(anterior, seguinte etc), a palavra artigo deverá 
ser grafada por extenso. 
Exemplo: 
―… no artigo anterior…‖ 
O agrupamento de artigos poderá constituir Sub-
seções; o de Subseções, a Seção; o de Seções, 
o Capítulo; o de Capítulos, o Título; o de Títulos, 
o Livro; o de Livros a Parte. 
Podem também ser subdivididos em ―Disposições 
Preliminares‖, ―Disposições Gerais‖, ―Disposições 
Finais‖ e ―Disposições Transitórias‖. 
As Subseções e Seções serão identificadas em 
algarismos romanos, grafadas em letras minúscu-
las e em negrito. 
Os Capítulos, os Títulos, os Livros e as Partes 
serão gravados em letras maiúsculas e identifica-
dos por algarismos romanos. As Partes poderão 
desdobrar-se em Parte Geral e Parte Especial, ou 
em parte expressas em numeral ordinal, por ex-
tenso. 
O artigo desdobra-se em parágrafos ou em inci-
sos. 
Parágrafos: 
O parágrafo constitui a imediata divisão de um 
artigo, em que se explica ou modifica a disposi-
ção principal. 
Quando um artigo contiver mais de um parágrafo, 
estes serão designados pelo símbolo §, seguido 
de numeração ordinal até o nono parágrafo, in-
clusive. 
 
 107 
 
Exemplo: 
―§ 1º , § 2º, …..§ 9º… 
A partir do parágrafo de número 10 (inclusive), 
usa-se o símbolo §, seguido de numeração cardi-
nal e de ponto. 
Exemplo: 
―§ 10., § 11.‖ etc. 
Se houver apenas um parágrafo deve-se grafá-lo 
como ―Parágrafo único‖ e não ―§ único‖, seguido 
de ponto e separado do texto normativo por 2 
espaços em branco. 
Nas referências ―Parágrafo único‖, ―Parágrafo 
anterior‖, ―Parágrafo seguinte‖ e semelhantes, a 
grafia é por extenso. O texto dos parágrafos inici-a-se com maiúscula e encerra-se com ponto, 
salvo se for desdobrado em incisos, caso em que 
deverá findar por dois-pontos. 
Os parágrafos desdobram-se em incisos. 
Incisos: 
O inciso é utilizado como elemento discriminativo 
de artigo, se o assunto nele tratado não puder ser 
condensado no próprio artigo ou se mostrar ade-
quado a constituir parágrafo. 
O inciso serve para divisão imediata do artigo ou 
do parágrafo. 
Os incisos dos artigos devem ser designados por 
algarismos romanos, seguidos de hífen, o qual é 
separado do algarismo e do texto por um espaço 
em branco, e iniciados por letra minúscula, salvo 
quando se tratar de nome próprio. 
Ao final os incisos são pontuados com ponto-e-
vírgula exceto o último, que se encerra em ponto, 
e aquele que contiver desdobramento em alíneas, 
encerra-se por dois-pontos. 
Os incisos desdobram-se em alíneas. 
As alíneas (ou letras) são os desdobramentos dos 
incisos e deverão ser grafadas com a letra minús-
cula seguindo o alfabeto e acompanhada de pa-
rêntese, separado do texto por um espaço em 
branco. 
Exemplo: ―a), b)‖ etc. 
Quando houver necessidade de desdobramento 
de alíneas em itens, estes deverão ser grafados 
em algarismos arábicos, seguidos de ponto e 
separados do texto por um espaço em branco. 
O texto dos itens inicia-se por letra minúscula, 
salvo quando se tratar de nome próprio, e termina 
em ponto-e-vírgula, dois pontos, quando se des-
dobrar em itens, salvo o último, que se encerra 
por ponto. 
Exemplo: 
a) Representação do Ministério do……. tem a 
seguinte estrutura: 
1. serviço de Planejamento e Desenvolvimento de 
Programas Educacionais; 
2. serviço de Análise, Registro e Apoio Técnico; 
3. serviço de Administração. 
b) etc. 
As alíneas se desdobram em itens. 
O texto do item inicia-se com letra minúscula, 
salvo quando se tratar de nome próprio, e termina 
com ponto-e-vírgula ou ponto, caso seja o último 
e anteceda artigo ou parágrafo. 
Nas seqüências de incisos, alíneas ou itens, o 
penúltimo elemento será pontuado com ponto e 
vírgula, seguido da conjunção ―e‖, quando de 
caráter cumulativo, ou da conjunção ―ou‖, se a 
seqüência for disjuntiva. 
Utiliza-se um espaço simples entre capítulos, 
seções, artigos, parágrafos, incisos, alíneas e 
itens. 
Quaisquer referências a números e percentuais 
feitas no texto, devem ser grafadas por extenso 
(trinta, quinze, zero, vírgula zero, vinte e dois por 
cento), exceto data, número de ato normativo e 
em casos em que houver prejuízo para a com-
preensão do texto. 
Encaminhamento: 
Os atos que forem encaminhados para publica-
ção no Diário Oficial da União – DOU deverão 
obedecer aos critérios estabelecidos pela Impren-
sa Nacional – IN, por meio da Portaria nº 310, de 
16 de dezembro de 2002, ou pela legislação que 
a suceder. 
Os projetos de atos normativos de competência 
dos órgãos do Poder Executivo Federal devem 
obedecer aos critérios estabelecidos pelo Decreto 
nº 4.176, de 28 de março de 2002 ou pela legisla-
ção que o suceder. 
Aspectos gerais da Redação Oficial 
 
 108 
 
Veja a seguir as principais características da Re-
dação Oficial: 
Características: 
1 – Impessoalidade 
2 – Linguagem culta padrão 
3 – Clareza 
4 – Concisão 
5 – Formalidade 
6 – Uniformidade 
Linguagem 
 Os atos e comunicações têm um caráter 
público: estabelecem normas: informação clara e 
objetiva 
 Evitar uso de linguagem restrita/técnica 
(gírias e jargões): a comunicação pública deve 
ser entendida por todos os cidadãos 
>> Se muito necessário, a linguagem técnica 
pode até ser usada, mas com cuidado e com os 
devidos esclarecimentos dos termos específicos. 
 Usar o padrão culto: de acordo com as 
regras gramaticais e com vocabulário comum a 
todos. 
>> Não há um padrão oficial de linguagem, há 
padrão culto da língua 
Formalidade 
 Ser formal significa obedecer a certas 
regras de forma: impessoalidade, padrão culto, 
formalidade de tratamento 
 Formalidade requer: 
......................- Polidez e civilidade: enfoque dado 
ao assunto 
......................- Uniformidade, padronização (cla-
reza datilográfica, papeis uniformes e diagrama-
ção correta) 
Concisão 
 A concisão é uma qualidade do texto 
 Envolve o conceito de economia lingüísti-
ca: menos palavras para mais informações 
Clareza 
 A clareza é uma qualidade básica: possi-
bilitar a compreensão imediata 
 Depende da impessoalidade, do padrão 
culto, da formalidade, da padronização e da con-
cisão. 
Adequação do Formato de Texto ao Gênero 
1.1 A adequação é a propriedade da textualidade 
que dá conta da relação do texto e do seu contex-
to e de como o texto, como unidade comunicativa, 
se interpreta em relação a uma série de elemen-
tos extralinguísticos como sejam os interlocuto-
res, a relação entre ambos, o espaço e o tempo 
da enunciação, a intenção comunicativa, o mundo 
compartilhado, o papel e o lugar social. 
Estas variáveis são relevantes porque a sua cor-
reta consideração implica decisões linguísticas no 
campo da coesão. De especial importância é o 
que diz respeito aos saberes compartilhados en-
tre emissor e receptor. 
1.2 A coerência exige que se abordem os enunci-
ados como discursos. Cada enunciado é produzi-
do com a intenção de comunicar alguma coisa a 
alguém. Este acordo tácito é consubstancial à 
atividade verbal e pressupõe um saber mutua-
mente partilhado. Cada um — (receptor e produ-
tor da mensagem) postula e se conforma a estas 
regras que não são obrigatórias e inconscientes 
(como as da sintaxe e as da morfologia) mas 
convenções tácitas. 
Estas ―leis do discurso‖, que regem a comunica-
ção verbal e que se lhe aplicam, devem adaptar-
se às especificidades de cada gênero discursivo 
(por exemplo, falar em tom professoral pode a-
meaçar a face positiva do interlocutor) e de cada 
protótipo textual (um texto argumentativo opinati-
vo mobiliza mais inferências que um texto narrati-
vo). 
O fato de todo o enunciado ser modalizado pelo 
enunciador mostra que o discurso só pode repre-
sentar o mundo se o enunciador, diretamente ou 
não, marcar a sua presença através do que ele 
diz. 
Tendo em conta todos estes fatores enunciados, 
a coerência sustenta-se nas seguintes proprie-
dades: 
- tema do texto (de que é que o texto fala) 
- informação (qual a informação selecionada) 
- organização da informação (qual o protótipo 
textual e qual o gênero discursivo) 
 
 109 
 
- progressão temática (relação entre a informação 
conhecida e a informação nova) 
- modalização implementada (que marcas modais 
indicadoras de atitudes, de sentimentos, de pon-
tos de vista). 
1.3. A coesão é a propriedade da textualidade 
que dá conta dos mecanismos linguísticos e gra-
maticais que se articulam, que se retomam e se 
relacionam entre si estrategicamente dentro do 
texto. 
Sendo a coesão uma espécie de sintaxe textual, 
há que conectá-la com as propriedades da coe-
rência (o sentido global que se transmite) e da 
adequação (condicionamento das peculiaridades 
linguísticas de acordo com o contexto). Convém, 
no entanto, recordar que cada protótipo textual 
tem as suas próprias exigências quanto aos mo-
dos de manutenção do referente, de explicitação 
da conexão, de atualização e relação das formas 
verbais dentro do texto. 
Sendo que cada uma destas características se 
atualizam e realizam de modo diferencial, de a-
cordo com o tipo de texto (o protótipo narrativo 
diferencia-se do argumentativo pelos elementos 
linguísticos e gramaticais à superfície dos textos), 
o gênero discursivo (dentro do tipo argumentativo 
os gêneros discursivos ―artigo de opinião‖ e ―pu-
blicidade‖ realizam-se de modo diferenciado), a 
forma do texto (oral ou escrito). 
A coesão textual rege-sepelos seguintes meca-
nismos: a dêixis: a anáfora (lexical e gramatical): 
a elipse; a conexão; a modalização (incluindo o 
relato de discurso): a relação dos tempos verbais. 
ANOTAÇÕES 
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