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Compreensão, Interpretação de Textos
TEXTO – é um conjunto de idéias organizadas e
relacionadas entre si, formando um todo significa-
tivo capaz de produzir INTERAÇÃO COMUNICA-
TIVA (capacidade de CODIFICAR E DECODIFI-
CAR).
CONTEXTO – um texto é constituído por diversas
frases. Em cada uma delas, há uma certa infor-
mação que a faz ligar-se com a anterior e/ou com
a posterior, criando condições para a estruturação
do conteúdo a ser transmitido.
A essa interligação dá-se o nome de CONTEX-
TO. Nota-se que o relacionamento entre as frases
é tão grande, que, se uma frase for retirada de
seu contexto original e analisada separadamente,
poderá ter um significado diferente daquele inicial.
INTERTEXTO - comumente, os textos apresen-
tam referências diretas ou indiretas a outros auto-
res através de citações. Esse tipo de recurso
denomina-se INTERTEXTO.
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO - o primeiro obje-
tivo de uma interpretação de um texto é a identifi-
cação de sua idéia principal. A partir daí, locali-
zam-se as idéias secundárias, ou fundamenta-
ções, as argumentações, ou explicações, que
levem ao esclarecimento das questões apresen-
tadas na prova.
Normalmente, numa prova, o candidato é convi-
dado a:
1. IDENTIFICAR – é reconhecer os elementos
fundamentais de uma argumentação, de um pro-
cesso, de uma época (neste caso, procuram-se
os verbos e os advérbios, os quais definem o
tempo).
2. COMPARAR – é descobrir as relações de se-
melhança ou de diferenças entre as situações do
texto.
3. COMENTAR - é relacionar o conteúdo apre-
sentado com uma realidade, opinando a respei-
to.
4. RESUMIR – é concentrar as idéias centrais
e/ou secundárias em um só parágrafo.
5. PARAFRASEAR – é reescrever o texto com
outras palavras.
EXEMPLO
TÍTULO DO
TEXTO
PARÁFRASES
"O HOMEM
UNIDO‖
A INTEGRAÇÃO DO MUN-
DO
A INTEGRAÇÃO DA HUMA-
NIDADE
A UNIÃO DO HOMEM
HOMEM + HOMEM = MUN-
DO
A MACACADA SE UNIU
(SÁTIRA)
CONDIÇÕES BÁSICAS PARA INTERPRETAR
Fazem-se necessários:
a) Conhecimento Histórico – literário (escolas e
gêneros literários, estrutura do texto), leitura e
prática;
b) Conhecimento gramatical, estilístico (qualida-
des do texto) e semântico;
OBSERVAÇÃO – na semântica (significado das
palavras) incluem-se: homônimos e parônimos,
denotação e conotação, sinonímia e antonimia,
polissemia, figuras de linguagem, entre outros.
c) Capacidade de observação e de síntese e
d) Capacidade de raciocínio.
INTERPRETAR x COMPREENDER
INTERPRETAR
SIGNIFICA
COMPREENDER SIG-
NIFICA
- EXPLICAR, CO-
MENTAR, JULGAR,
TIRAR CONCLU-
SÕES, DEDUZIR.
- TIPOS DE ENUN-
CIADOS
• Através do texto,
INFERE-SE que...
• É possível DEDU-
ZIR que...
• O autor permite
CONCLUIR que...
• Qual é a INTEN-
ÇÃO do autor ao
afirmar que...
- INTELECÇÃO, EN-
TENDIMENTO, ATEN-
ÇÃO AO QUE REAL-
MENTE ESTÁ ESCRI-
TO.
- TIPOS DE ENUNCIA-
DOS:
• O texto DIZ que...
• É SUGERIDO pelo
autor que...
• De acordo com o texto,
é CORRETA ou ERRA-
DA a afirmação...
• O narrador AFIRMA...
ERROS DE INTERPRETAÇÃO
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É muito comum, mais do que se imagina, a ocor-
rência de erros de interpretação. Os mais fre-
qüentes são:
a) Extrapolação (viagem)
Ocorre quando se sai do contexto, acrescentado
idéias que não estão no texto, quer por conheci-
mento prévio do tema quer pela imaginação.
b) Redução
É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção ape-
nas a um aspecto, esquecendo que um texto é
um conjunto de idéias, o que pode ser insuficiente
para o total do entendimento do tema desenvolvi-
do.
c) Contradição
Não raro, o texto apresenta idéias contrárias às
do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivo-
cadas e, conseqüentemente, errando a questão.
OBSERVAÇÃO - Muitos pensam que há a ótica
do escritor e a ótica do leitor. Pode ser que exis-
tam, mas numa prova de concurso qualquer, o
que deve ser levado em consideração é o que o
AUTOR DIZ e nada mais.
COESÃO - é o emprego de mecanismo de sinta-
xe que relacionam palavras, orações, frases e/ou
parágrafos entre si. Em outras palavras, a coesão
dá-se quando, através de um pronome relativo,
uma conjunção (NEXOS), ou um pronome oblí-
quo átono, há uma relação correta entre o que se
vai dizer e o que já foi dito.
OBSERVAÇÃO – São muitos os erros de coesão
no dia-a-dia e, entre eles, está o mau uso do pro-
nome relativo e do pronome oblíquo átono. Este
depende da regência do verbo; aquele do seu
antecedente. Não se pode esquecer também de
que os pronomes relativos têm, cada um, valor
semântico, por isso a necessidade de adequação
ao antecedente.
Os pronomes relativos são muito importantes na
interpretação de texto, pois seu uso incorreto traz
erros de coesão. Assim sedo, deve-se levar em
consideração que existe um pronome relativo
adequado a cada circunstância, a saber:
QUE (NEUTRO) - RELACIONA-SE COM QUAL-
QUER ANTECEDENTE. MAS DEPENDE DAS
CONDIÇÕES DA FRASE.
QUAL (NEUTRO) IDEM AO ANTERIOR.
QUEM (PESSOA)
CUJO (POSSE) - ANTES DELE, APARECE O
POSSUIDOR E DEPOIS, O OBJETO POSSUÍ-
DO.
COMO (MODO)
ONDE (LUGAR)
QUANDO (TEMPO)
QUANTO (MONTANTE)
EXEMPLO:
Falou tudo QUANTO queria (correto)
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE,
deveria aparecer o demonstrativo O ).
• VÍCIOS DE LINGUAGEM – há os vícios de lin-
guagem clássicos (BARBARISMO, SOLECIS-
MO,CACOFONIA...); no dia-a-dia, porém , exis-
tem expressões que são mal empregadas, e, por
força desse hábito cometem-se erros graves co-
mo:
- ― Ele correu risco de vida ―, quando a verdade o
risco era de morte.
- ― Senhor professor, eu lhe vi ontem ―. Neste
caso, o pronome correto oblíquo átono correto é
O.
- ‖No bar: ―ME VÊ um café‖. Além do erro de po-
sição do pronome, há o mau uso.
Estruturação do Parágrafo
Familiarizados com o tema a ser desenvolvido,
elencadas todas as ideias a serem discorridas...
finalmente estamos aptos a começarmos nossa
produção. Mas ainda resta outro detalhe de ex-
trema relevância – a eficácia do texto dependerá
da forma pela qual estas ideias se apresentarão
mediante o transcorrer do discurso.
Partindo deste pressuposto, temos a noção de
quão importante é a estruturação dos parágrafos,
que permitem que o pensamento seja distribuído
de forma lógica e precisa, com vistas a permitir
uma efetiva interação entre os interlocutores.
Obviamente que outros fatores relacionados à
competência linguística do emissor participam
deste processo, entre estes: pontuação adequa-
da, utilização correta dos elementos coesivos, de
modo a estabelecer uma relação harmônica entre
uma ideia e outra, dentre outros.
Esteticamente, o parágrafo se caracteriza como
um sutil recuo em relação à margem esquerda da
folha, atribuído por um conjunto de períodos que
representam uma ideia central em consonância
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com outras secundárias, resultando num efetivo
entrelaçamento e formando um todo coeso.
Quanto à extensão, é bom que se diga que não
se trata de uma receita pronta e acabada, visto
que a habilidade do emissor determinará o mo-
mento de realizar a transição entre um posicio-
namento e outro, permitindo que o discurso seja
compreendido em sua totalidade.
Em se tratando de textos dissertativos, normal-
mente os parágrafos costumam ser assim distri-
buídos:
* Introdução – também denominada de tópico
frasal, constitui-se pela apresentação da ideia
principal, feita de maneira sintética e definida
pelos objetivos aos quais o emissor se propõe.
* Desenvolvimento – fundamenta-se na amplia-
ção do tópico frasal, atribuído pelas ideias secun-
dárias, reconhecidas na exposição dos argumen-
tos com vistas areforçar e conferir credibilidade
ora em discussão.
* Conclusão – caracteriza-se pela retomada da
ideia central associando-a aos pressupostos
mencionados no desenvolvimento, procurando
arrematá-los de forma plausível. Pode, na maioria
das vezes, constar-se de uma solução por parte
do emissor no que se refere ao instaurar dos fa-
tos.
Quanto aos textos narrativos, os parágrafos cos-
tumam ser caracterizados pelo predomínio dos
verbos de ação, retratando o posicionamento dos
personagens mediante o desenrolar do enredo,
bem como pela indicação de elementos circuns-
tanciais referentes à trama: quando, por que e
com que ocorreram os fatos.
Nesta modalidade, a ocorrência dos parágrafos
também se atribui à transcrição do discurso dire-
to, em especial às falas dos personagens.
Referindo-se aos textos descritivos, sua utilização
está relacionada pela minuciosa exposição dos
detalhes acerca do objeto descrito, representado
por uma pessoa, objeto, animal, lugar, uma obra
de arte, dentre outros, de modo a permitir que o
leitor crie o cenário em sua mente.
Colaborando na concretização destes propósitos,
sobretudo pela finalidade discursiva – visando à
caracterização de algo –, há o predomínio de
verbos de ligação, bem como do uso de adjetivos
e de orações coordenadas ou justapostas.
Tipologia Textual
1. Narração
Modalidade em que se conta um fato, fictício ou
não, que ocorreu num determinado tempo e lugar,
envolvendo certos personagens. Refere-se a
objetos do mundo real. Há uma relação de anteri-
oridade e posterioridade. O tempo verbal predo-
minante é o passado. Estamos cercados de nar-
rações desde as que nos contam histórias infantis
até às piadas do cotidiano. É o tipo predominante
nos gêneros: conto, fábula, crônica, romance,
novela, depoimento, piada, relato, etc.
2. Descrição
Um texto em que se faz um retrato por escrito de
um lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto.
A classe de palavras mais utilizada nessa produ-
ção é o adjetivo, pela sua função caracterizadora.
Numa abordagem mais abstrata, pode-se até
descrever sensações ou sentimentos.
Não há relação de anterioridade e posterioridade.
Significa "criar" com palavras a imagem do objeto
descrito. É fazer uma descrição minuciosa do
objeto ou da personagem a que o texto se Pega.
É um tipo textual que se agrega facilmente aos
outros tipos em diversos gêneros textuais. Tem
predominância em gêneros como: cardápio, folhe-
to turístico, anúncio classificado, etc.
3. Dissertação
Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar
um assunto, discorrer sobre ele. Dependendo do
objetivo do autor, pode ter caráter expositivo ou
argumentativo.
3.1 Dissertação-Exposição
Apresenta um saber já construído e legitimado,
ou um saber teórico. Apresenta informações so-
bre assuntos, expõe, reflete, explica e avalia idéi-
as de modo objetivo. O texto expositivo apenas
expõe ideias sobre um determinado assunto. A
intenção é informar, esclarecer. Ex: aula, resu-
mo, textos científicos, enciclopédia, textos exposi-
tivos de revistas e jornais, etc.
3.1 Dissertação-Argumentação
Um texto dissertativo-argumentativo faz a defesa
de ideias ou um ponto de vista do autor. O texto,
além de explicar, também persuade o interlocutor,
objetivando convencê-lo de algo. Caracteriza-se
pela progressão lógica de ideias. Geralmente
utiliza linguagem denotativa. É tipo predominante
em: sermão, ensaio, monografia, dissertação,
tese, ensaio, manifesto, crítica, editorial de jornais
e revistas.
4. Injunção/Instrucional
Indica como realizar uma ação. Utiliza linguagem
objetiva e simples. Os verbos são, na sua maiori-
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a, empregados no modo imperativo, porém nota-
se também o uso do infinitivo e o uso do futuro do
presente do modo indicativo. Ex: ordens; pedidos;
súplica; desejo; manuais e instruções para mon-
tagem ou uso de aparelhos e instrumentos; textos
com regras de comportamento; textos de orienta-
ção (ex: recomendações de trânsito); receitas,
cartões com votos e desejos (de natal, aniversá-
rio, etc.).
OBS: Os tipos listados acima são um consenso
entre os gramáticos. Muitos consideram também
que o tipo Predição possui características sufici-
entes para ser definido como tipo textual, e al-
guns outros possuem o mesmo entendimento
para o tipo Dialogal.
5. Predição
Caracterizado por predizer algo ou levar o interlo-
cutor a crer em alguma coisa, a qual ainda está
por ocorrer. É o tipo predominante nos gêneros:
previsões astrológicas, previsões meteorológicas,
previsões escatológicas/apocalípticas.
6. Dialogal / Conversacional
Caracteriza-se pelo diálogo entre os interlocuto-
res. É o tipo predominante nos gêneros: entrevis-
ta, conversa telefônica, chat, etc.
Gêneros textuais
Os Gêneros textuais são as estruturas com que
se compõem os textos, sejam eles orais ou escri-
tos. Essas estruturas são socialmente reconheci-
das, pois se mantêm sempre muito parecidas,
com características comuns, procuram atingir
intenções comunicativas semelhantes e ocorrem
em situações específicas.
Pode-se dizer que se tratam das variadas formas
de linguagem que circulam em nossa sociedade,
sejam eles formais ou informais. Cada gênero
textual tem seu estilo próprio, podendo então, ser
identificado e diferenciado dos demais através de
suas características. Exemplos:
Carta: quando se trata de "carta aberta" ou "carta
ao leitor", tende a ser do tipo dissertativo-
argumentativo com uma linguagem formal, em
que se escreve à sociedade ou a leitores. Quando
se trata de "carta pessoal", a presença de aspec-
tosnarrativos ou descritivos e uma linguagem
pessoal é mais comum.
Propaganda: é um gênero textual dissertativo-
expositivo onde há a o intuito de propagar infor-
mações sobre algo, buscando sempre atingir e
influenciar o leitor apresentando, na maioria das
vezes, mensagens que despertam as emoções e
a sensibilidade do mesmo.
Bula de remédio: é um gênero textual descritivo,
dissertativo-expositivo e injuntivo que tem por
obrigação fornecer as informações necessárias
para o correto uso do medicamento.
Receita: é um gênero textual descritivo e injuntivo
que tem por objetivo informar a fórmula para pre-
parar tal comida, descrevendo os ingredientes e o
preparo destes, além disso, com verbos no impe-
rativo, dado o sentido de ordem, para que o leitor
siga corretamente as instruções.
Tutorial: é um gênero injuntivo que consiste num
guia que tem por finalidade explicar ao leitor, pas-
so a passo e de maneira simplificada, como fazer
algo.
Editorial: é um gênero textual dissertativo-
argumentativo que expressa o posicionamento da
empresa sobre determinado assunto, sem a obri-
gação da presença da objetividade.
Notícia: podemos perfeitamente identificar carac-
terísticas narrativas, o fato ocorrido que se deu
em um determinado momento e em um determi-
nado lugar, envolvendo determinadas persona-
gens. Características do lugar, bem como dos
personagens envolvidos são, muitas vezes, minu-
ciosamente descritos.
Reportagem: é um gênero textual jornalístico de
caráter dissertativo-expositivo. A reportagem tem,
por objetivo, informar e levar os fatos ao leitor de
uma maneira clara, com linguagem direta.
Entrevista: é um gênero textual fundamentalmen-
te dialogal, representado pela conversação de
duas ou mais pessoas, o entrevistador e o(s)
entrevistado(s), para obter informações sobre ou
do entrevistado, ou de algum outro assunto.
Geralmente envolve também aspectos dissertati-
vo-expositivos, especialmente quando se trata de
entrevista a imprensa ou entrevista jornalística.
Mas pode também envolver aspectosnarrativos,
como na entrevista de emprego, ou aspec-
tos descritivos, como na entrevista médica.
História em quadrinhos:é um gênero narrativo
que consiste em enredos contados em pequenos
quadros através de diálogos diretos entre seus
personagens, gerando uma espécie de conversa-
ção.
Charge: é um gênero textual narrativo onde se
faz uma espécie de ilustração cômica, através de
caricaturas, com o objetivo de realizar uma sátira,
crítica ou comentário sobre algum acontecimento
atual, em sua grande maioria.
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Poema: trabalho elaborado e estruturado em
versos. Além dos versos, pode ser estruturado
em estrofes. Rimas e métrica também podem
fazer parte de sua composição. Pode ou não ser
poético. Dependendo de sua estrutura, pode re-
ceber classificações específicas, como haicai,
soneto, epopeia, poema figurado, dramático, etc.
Em geral, a presença de aspectos narrativos e
descritivos são mais frequentes neste gênero.
Poesia: é o conteúdo capaz de transmitir emo-
ções por meio de uma linguagem , ou seja, tudo o
que toca e comove pode ser considerado como
poético (até mesmo uma peça ou um filme podem
ser assim considerados). Um subgênero é a pro-
sa poética, marcada pela tipologia dialogal.
Gênero Narrativo:
Na Antiguidade Clássica, os padrões literários
reconhecidos eram apenas o épico, o lírico e o
dramático. Com o passar dos anos, o gênero
épico passou a ser considerado apenas uma va-
riante do gênero literário narrativo, devido ao sur-
gimento de concepções de prosa com caracterís-
ticas diferentes: o romance, a novela, o conto, a
crônica, a fábula.
Porém, praticamente todas as obras narrativas
possuem elementos estruturais e estilísticos em
comum e devem responder a questionamentos,
como: quem? o que? quando? onde? por quê?
Vejamos a seguir:
Épico (ou Epopeia): os textos épicos são geral-
mente longos e narram histórias de um povo ou
de uma nação, envolvem aventuras, guerras,
viagens, gestos heroicos, etc. Normalmente apre-
sentam um tom de exaltação, isto é, de valoriza-
ção de seus heróis e seus feitos. Dois exemplos
são Os Lusíadas, de Luís de Camões, e Odisséia,
de Homero.
Romance: é um texto completo, com tempo, es-
paço e personagens bem definidos e de caráter
mais verossímil. Também conta as façanhas de
um herói, mas principalmente uma história de
amor vivida por ele e uma mulher, muitas vezes,
―proibida‖ para ele.
Apesar dos obstáculos que o separam, o casal
vive sua paixão proibida, física, adúltera, pecami-
nosa e, por isso, costuma ser punido no final. É o
tipo de narrativa mais comum na Idade Média.
Ex: Tristão e Isolda.
Novela: é um texto caracterizado por ser inter-
mediário entre a longevidade do romance e a
brevidade do conto. Como exemplos de novelas,
podem ser citadas as obras O Alienista, de Ma-
chado de Assis, e A Metamorfose, de Kafka.
Conto: é um texto narrativo breve, e de ficção,
geralmente em prosa, que conta situações rotinei-
ras, anedotas e até folclores. Inicialmente, fazia
parte da literatura oral. Boccacio foi o primeiro a
reproduzi-lo de forma escrita com a publicação
de Decamerão. Diversos tipos do gênero textual
conto surgiram na tipologia textual narrativa: con-
to de fadas, que envolve personagens do mundo
da fantasia; contos de aventura, que envolvem
personagens em um contexto mais próximo da
realidade; contos folclóricos (conto popular); con-
tos de terror ou assombração, que se desenrolam
em um contexto sombrio e objetivam causar me-
do no expectador; contos de mistério, que envol-
vem o suspense e a solução de um mistério.
Fábula: é um texto de caráter fantástico que bus-
ca ser inverossímil. As personagens principais
são não humanos e a finalidade é transmitir al-
guma lição de moral.
Crônica: é uma narrativa informal, breve, ligada
à vida cotidiana, com linguagem coloquial. Pode
ter um tom humorístico ou um toque de crítica
indireta, especialmente, quando aparece em se-
ção ou artigo de jornal, revistas e programas da
TV..
Crônica narrativo-descritiva: Apresenta alter-
nância entre os momentos narrativos e manifes-
tos descritivos.
Ensaio: é um texto literário breve, situado entre o
poético e o didático, expondo ideias, críticas e
reflexões morais e filosóficas a respeito de certo
tema. É menos formal e mais flexível que o trata-
do. Consiste também na defesa de um ponto de
vista pessoal e subjetivo sobre um tema (huma-
nístico, filosófico, político, social, cultural, moral,
comportamental, etc.), sem que se paute em for-
malidades como documentos ou provas empíricas
ou dedutivas de caráter científico. Exem-
plo: Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago
e Ensaio sobre a tolerância, de John Locke.
Gênero Dramático: Trata-se do texto escrito
para ser encenado no teatro. Nesse tipo de texto,
não há um narrador contando a história. Ela ―a-
contece‖ no palco, ou seja, é representada por
atores, que assumem os papéis das personagens
nas cenas.
Tragédia: é a representação de um fato trágico,
suscetível de provocar compaixão e terror. Aristó-
teles afirmava que a tragédia era "uma represen-
tação duma ação grave, de alguma extensão e
completa, em linguagem figurada, com atores
agindo, não narrando, inspirando dó e terror".
Ex: Romeu e Julieta, de Shakespeare.
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Farsa: é uma pequena peça teatral, de caráter
ridículo e caricatural, que critica a sociedade e
seus costumes; baseia-se no lema latino ridendo
castigat mores (rindo, castigam-se os costumes).
A farsa consiste no exagero do cômico, graças ao
emprego de processos grosseiros, como o absur-
do, as incongruências, os equívocos, os enganos,
a caricatura, o humor primário, as situações ridí-
culas.
Comédia: é a representação de um fato inspirado
na vida e no sentimento comum, de riso fácil. Sua
origem grega está ligada às festas populares.
Tragicomédia: modalidade em que se misturam
elementos trágicos e cômicos. Originalmente,
significava a mistura do real com o imaginário.
Poesia de cordel: texto tipicamente brasileiro em
que se retrata, com forte apelo linguístico e cultu-
ral nordestinos, fatos diversos da sociedade e da
realidade vivida por este povo.
Gênero Lírico:
É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz
que fala no poema e que nem sempre correspon-
de à do autor) exprime suas emoções, ideias e
impressões em face do mundo exterior. Normal-
mente os pronomes e os verbos estão em 1ª pes-
soa e há o predomínio da função emotiva da lin-
guagem.
Elegia: é um texto de exaltação à morte de al-
guém, sendo que a morte é elevada como o pon-
to máximo do texto. O emissor expressa tristeza,
saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É
um poema melancólico. Um bom exemplo é a
peça Roan e yufa, de william shakespeare.
Epitalâmia: é um texto relativo às noites nupci-
ais líricas, ou seja, noites românticas com poe-
mas e cantigas. Um bom exemplo de epitalâmia é
a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais.
Ode (ou hino): é o poema lírico em que o emis-
sor faz uma homenagem à pátria (e aos seus
símbolos), às divindades, à mulher amada, ou a
alguém ou algo importante para ele. O hino é uma
ode com acompanhamento musical;
Idílio (ou écloga): é o poema lírico em que o
emissor expressa uma homenagem à natureza,
às belezas e às riquezas que ela dá ao homem.
É o poema bucólico, ou seja, que expressa o
desejo de desfrutar de tais belezas e riquezas ao
lado da amada (pastora), que enriquece ainda
mais a paisagem, espaço ideal para a paixão. A
écloga é um idílio com diálogos (muito rara);
Sátira: é o poema lírico em que o emissor faz
uma crítica a alguém ou a algo, em tom sério ou
irônico.
Acalanto: ou canção de ninar;
Acróstico: (akros = extremidade; stikos = linha),
composição lírica na qual as letras iniciais de
cada verso formam uma palavra ou frase;
Balada: uma das mais primitivas manifestações
poéticas, são cantigas de amigo (elegias)com
ritmo característico e refrão vocal que se desti-
nam à dança;
Canção (ou Cantiga, Trova): poema oral com
acompanhamento musical;
Gazal (ou Gazel): poesia amorosa dos persas e
árabes; odes do oriente médio;
Haicai: expressão japonesa que significa ―versos
cômicos‖ (=sátira). E o poema japonês formado
de três versos que somam 17 sílabas assim dis-
tribuídas: 1° verso= 5 sílabas; 2° verso = 7 síla-
bas; 3° verso 5 sílabas;
Soneto: é um texto em poesia com 14 versos,
dividido em dois quartetos e dois tercetos, com
rima geralmente em a-ba-b a-b-b-a c-d-c d-c-d.
Vilancete: são as cantigas de autoria dos poetas
vilões (cantigas de escárnio e de maldizer); satíri-
cas, portanto.
Informações Implícitas
Muitas pessoas se perguntam como melhorar sua
capacidade de interpretação dos textos. Primei-
ramente, é preciso ter em mente que um texto é
formado por informações explícitas e implícitas.
As informações explícitas são aquelas manifesta-
das pelo autor no próprio texto.
As informações implícitas não são manifestadas
pelo autor no texto, mas podem ser subentendi-
das. Muitas vezes, para efetuarmos uma leitura
eficiente, é preciso ir além do que foi dito, ou seja,
ler nas entrelinhas. Por exemplo, observe este
enunciado: Patrícia parou de tomar refrigerante.
A informação explícita é ―Patrícia parou de tomar
refrigerante‖. A informação implícita é ―Patrícia
tomava refrigerante antes‖.Agora, veja este outro
exemplo: Felizmente, Patrícia parou de tomar
refrigerante.
A informação explícita é ―Patrícia parou de tomar
refrigerante‖. A palavra ―felizmente‖ indica que o
falante tem uma opinião positiva sobre o fato –
essa é a informação implícita.
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Com esses exemplos, mostramos como podemos
inferir informações a partir de um texto. Fazer
uma inferência significa concluir alguma coisa a
partir de outra já conhecida. Nos vestibulares,
fazer inferências é uma habilidade fundamental
para a interpretação adequada dos textos e dos
enunciados.
A seguir, veremos dois tipos de informações que
podem ser inferidas: as pressupostas e as suben-
tendidas.
Pressupostos
Uma informação é considerada pressuposta
quando um enunciado depende dela para fazer
sentido.
Considere, por exemplo, a seguinte pergunta:
―Quando Patrícia voltará para casa?‖. Esse enun-
ciado só faz sentido se considerarmos que Patrí-
cia saiu de casa, ao menos temporariamente –
essa é a informação pressuposta. Caso Patrícia
se encontre em casa, o pressuposto não é válido,
o que torna o enunciado sem sentido.
Repare que as informações pressupostas estão
marcadas através de palavras e expressões pre-
sentes no próprio enunciado e resultam de um
raciocínio lógico.
Portanto, no enunciado ―Patrícia ainda não voltou
para casa‖, a palavra ―ainda‖ indica que a volta de
Patrícia para casa é dada como certa pelo falan-
te.
Subtendidos
Ao contrário das informações pressupostas, as
informações subentendidas não são marcadas no
próprio enunciado, são apenas sugeridas, ou
seja, podem ser entendidas como insinuações.
O uso de subentendidos faz com que o enuncia-
dor se esconda atrás de uma afirmação, pois não
quer se comprometer com ela.
Por isso, dizemos que os subentendidos são de
responsabilidade do receptor, enquanto os pres-
supostos são partilhados por enunciadores e re-
ceptores.
Em nosso cotidiano, somos cercados por infor-
mações subentendidas. A publicidade, por exem-
plo, parte de hábitos e pensamentos da socieda-
de para criar subentendidos. Já a anedota é um
gênero textual cuja interpretação depende a que-
bra de subentendidos.
Quanto à significação, as palavras são divididas nas
seguintes categorias:
Sinônimos
As palavras que possuem significados próximos
são chamadas sinônimos. Exemplos:
Casa - Lar - Moradia – Residência
Longe – Distante
Delicioso – Saboroso
Carro - Automóvel
Observe que o sentido dessas palavras
são próximos, mas não são exatamente equiva-
lentes. Dificilmente encontraremos um sinônimo
perfeito, uma palavra que signifique exatamente a
mesma coisa que outra.
Há uma pequena diferença de significado entre
palavras sinônimas. Veja que, embora ca-
sa e lar sejam sinônimos, ficaria estranho se fa-
lássemos a seguinte frase:
Comprei um novo lar.
Obs: o uso de palavras sinônimas pode ser de
grande utilidade nos processos de retomada de
elementos que inter-relacionam as partes dos
textos.
Antônimos
São palavras que possuem significados opostos,
contrários. Exemplos:
Mal / Bem
Ausência / Presença
Fraco / Forte
Claro / Escuro
Subir / Descer
Cheio / Vazio
Possível / Impossível
Polissemia
Polissemia é a propriedade que uma mesma pa-
lavra tem de apresentar mais de um significado
nos múltiplos contextos em que aparece. Veja
alguns exemplos de palavras polissêmicas:
8
Cabo (posto militar, acidente geográfico, cabo da
vassoura, da faca)
Banco (instituição comercial financeira, assento)
Manga (parte da roupa, fruta)
Coerência e Articulação no Texto
Na construção de um texto, assim como na fala,
usamos mecanismos para garantir ao interlocutor
a compreensão do que é dito, ou lido.
Esses mecanismos linguísticos que estabelecem
a conectividade e retomada do que foi escrito ou
dito, são os referentes textuais e buscam garantir
a coesão textual para que haja coerência, não só
entre os elementos que compõem a oração, como
também entre a sequência de orações dentro do
texto.
Essa coesão também pode muitas vezes se dar
de modo implícito, baseado em conhecimentos
anteriores que os participantes do processo têm
com o tema. Por exemplo, o uso de uma determi-
nada sigla, que para o público a quem se dirige
deveria ser de conhecimento geral, evita que se
lance mão de repetições inúteis.
Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha
imaginária - composta de termos e expressões -
que une os diversos elementos do texto e busca
estabelecer relações de sentido entre eles.
Dessa forma, com o emprego de diferentes pro-
cedimentos, sejam lexicais (repetição, substitui-
ção, associação), sejam gramaticais (emprego de
pronomes, conjunções, numerais, elipses), cons-
troem-se frases, orações, períodos, que irão a-
presentar o contexto – decorre daí a coerência
textual.
Um texto incoerente é o que carece de sentido ou
o apresenta de forma contraditória. Muitas vezes
essa incoerência é resultado do mau uso daque-
les elementos de coesão textual.
Na organização de períodos e de parágrafos, um
erro no emprego dos mecanismos gramaticais e
lexicais prejudica o entendimento do texto. Cons-
truído com os elementos corretos, confere-se a
ele uma unidade formal.
Nas palavras do mestre Evanildo Bechara (1), ―o
enunciado não se constrói com um amontoado
de palavras e orações. Elas se organizam segun-
do princípios gerais de dependência e indepen-
dência sintática e semântica, recobertos por uni-
dades melódicas e rítmicas que sedimentam es-
tes princípios‖.
Desta lição, extrai-se que não se deve escrever
frases ou textos desconexos – é imprescindível
que haja uma unidade, ou seja, que essas frases
estejam coesas e coerentes formando o texto.
Além disso, relembre-se que, por coesão, enten-
de-se ligação, relação, nexo entre os elementos
que compõem a estrutura textual.
Há diversas formas de se garantir a coesão entre
os elementos de uma frase ou de um texto:
1. Substituição de palavras com o emprego de
sinônimos, ou de palavras ou expressões do
mesmo campo associativo.
2. Nominalização – emprego alternativo entre um
verbo, o substantivo ou o adjetivo correspondente
(desgastar / desgaste / desgastante).
3. Repetição na ligação semântica dos termos,empregada como recurso estilístico de intenção
articulatória, e não uma redundância - resultado
da pobreza de vocabulário. Por exemplo, ―Gran-
de no pensamento, grande na ação, grande na
glória, grande no infortúnio, ele morreu desco-
nhecido e só.‖ (Rocha Lima)
4. Uso de hipônimos – relação que se estabelece
com base na maior especificidade do significado
de um deles. Por exemplo, mesa (mais específi-
co) e móvel (mais genérico).
5. Emprego de hiperônimos - relações de um
termo de sentido mais amplo com outros de sen-
tido mais específico. Por exemplo, felino está
numa relação de hiperonímia com gato.
6. Substitutos universais, como os verbos vicários
(ex.: Necessito viajar, porém só o farei no ano
vindouro) A coesão apoiada na gramática dá-se
no uso de conectivos, como certos pronomes,
certos advérbios e expressões adverbiais, con-
junções, elipses, entre outros.
A elipse se justifica quando, ao remeter a um
enunciado anterior, a palavra elidida é facilmente
identificável (Ex.: O jovem recolheu-se cedo. ...
Sabia que ia necessitar de todas as suas forças.
O termo o jovem deixa de ser repetido e, assim,
estabelece a relação entre as duas orações.).
Dêiticos são elementos lingüísticos que têm a
propriedade de fazer referência ao contexto situa-
cional ou ao próprio discurso. Exercem, por exce-
lência, essa função de progressão textual, dada
sua característica: são elementos que não signifi-
cam, apenas indicam, remetem aos componentes
da situação comunicativa.
9
Já os componentes concentram em si a significa-
ção. Elisa Guimarães (2) nos ensina a esse res-
peito:
―Os pronomes pessoais e as desinências verbais
indicam os participantes do ato do discurso. Os
pronomes demonstrativos, certas locuções pre-
positivas e adverbiais, bem como os advérbios de
tempo, referenciam o momento da enunciação,
podendo indicar simultaneidade, anterioridade ou
posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste
momento (presente); ultimamente, recentemente,
ontem, há alguns dias, antes de (pretérito); de
agora em diante, no próximo ano, depois de (futu-
ro).‖
Esse conceito será de grande valia quando tra-
tarmos do uso dos pronomes demonstrati-
vos.Somente a coesão, contudo, não é suficiente
para que haja sentido no texto, esse é o papel da
coerência, e coerência se relaciona intimamente a
contexto.
Como nosso intuito nesta página é a apresenta-
ção de conceitos, sem aprofundá-los em demasi-
a, bastam-nos essas informações.
Vejamos como o examinador tem abordado o
assunto:
Assinale a opção em que a estrutura sugerida
para preenchimento da lacuna correspondente
provoca defeito de coesão e incoerência nos sen-
tidos do texto.
A violência no País há muito ultrapassou todos os
limites. ___1___ dados recentes mostram o Brasil
como um dos países mais violentos do mundo,
levando-se em conta o risco de morte por homicí-
dio.
Em 1980, tínhamos uma média de, aproximada-
mente, doze homicídios por cem mil habitantes.
___2___, nas duas décadas seguintes, o grau de
violência intencional aumentou, chegando a mais
do que o dobro do índice verificado em 1980 –
121,6% –, ___3___, ao final dos anos 90 foi supe-
rado o patamar de 25 homicídios por cem mil
habitantes. ___4___, o PIB por pessoa em idade
de trabalho decresceu 26,4%, isto é, em média, a
cada queda de 1% do PIB a violência crescia
mais do que 5% entre os anos 1980 e 1990.
Estudos do Banco Interamericano de Desenvol-
vimento mostram que os custos da violência con-
sumiram, apenas no setor saúde, 1,9% do PIB
entre 1996 e 1997. ___5___ a vitimização letal se
distribui de forma desigual: são, sobretudo, os
jovens pobres e negros, do sexo masculino, entre
15 e 24 anos, que têm pago com a própria vida o
preço da escalada da violência no Brasil.
a) 1 – Tanto é assim que
b) 2 – Lamentavelmente
c) 3 – Ou seja
d) 4 – Simultaneamente
e) 5 – Se bem que
COMENTÁRIO: As lacunas no texto ocultam pa-
lavras e expressões que atuam como conectores
– ligam orações estabelecendo relações semânti-
cas entre os períodos. A banca sugere algumas
opções de preenchimento.
Dessas, a única que não atende ao solicitado é a
de número 5, uma vez que a expressão ―Se bem
que‖ deveria introduzir uma oração de valor con-
cessivo, estabelecendo, assim, idéia contrária à
que foi apresentada até então pelo texto.
Verifica-se, contudo, que o que se segue ratifica
as informações anteriores ao fornecer dados
complementares às estatísticas sobre homicídios.
Sendo aceita a sugestão da banca, a coerência
textual seria prejudicada. Por isso, o gabarito é a
opção E.
A Referenciarão/ Os Referentes/ Coerência E
Coesão
(Texto publicado no site da UFSC)
A fala e também o texto escrito constituem-se não
apenas numa seqüência de palavras ou de fra-
ses. A sucessão de coisas ditas ou escritas forma
uma cadeia que vai muito além da simples se-
qüencialidade: há um entrelaçamento significativo
que aproxima as partes formadoras do texto fala-
do ou escrito.
Os mecanismos lingüísticos que estabelecem a
conectividade e a retomada e garantem a coesão
são os referentes textuais. Cada uma das coisas
ditas estabelece relações de sentido e significado
tanto com os elementos que a antecedem como
com os que a sucedem, construindo uma cadeia
textual significativa.
Essa coesão, que dá unidade ao texto, vai sendo
construída e se evidencia pelo emprego de dife-
rentes procedimentos, tanto no campo do léxico,
como no da gramática.
(Não esqueçamos que, num texto, não existem
ou não deveriam existir elementos dispensáveis.
Os elementos constitutivos vão construindo o
texto, e são as articulações entre vocábulos, entre
as partes de uma oração, entre as orações e en-
tre os parágrafos que determinam a referencia-
10
ção, os contatos e conexões e estabelecem sen-
tido ao todo.)
Atenção especial concentram os procedimentos
que garantem ao texto coesão ecoerência. São
esses procedimentos que desenvolvem a dinâmi-
ca articuladora e garantem a progressão textual.
A coesão é a manifestação lingüística da coerên-
cia e se realiza nas relações entre elementos
sucessivos (artigos, pronomes adjetivos, adjetivos
em relação aos substantivos; formas verbais em
relação aos sujeitos; tempos verbais nas relações
espaço-temporais constitutivas do texto etc.), na
organização de períodos, de parágrafos, das par-
tes do todo, como formadoras de uma cadeia de
sentido capaz de apresentar e desenvolver um
tema ou as unidades de um texto. Construída
com os mecanismos gramaticais e lexicais, confe-
re unidade formal ao texto.
1. Considere-se, inicialmente, a coesão apoiada
no léxico. Ela pode dar-se pelareiteração, pe-
la substituição e pela associação.
É garantida com o emprego de:
Enlaces semânticos de frases por meio
da repetição. A mensagem-tema do texto apoiada
na conexão de elementos léxicos sucessivos
pode dar-se por simples iteração (repetição). Ca-
be, nesse caso, fazer-se a diferenciação entre a
simples redundância resultado da pobreza de
vocabulário e o emprego de repetições como
recurso estilístico, com intenção articulatória. Ex.:
―as contas do patrão eram diferentes, arranjadas
a tinta e contra o vaqueiro, mas fabiano sabia que
elas estavam erradas e o patrão queria enganá-
lo.enganava.‖Vidas secas, p. 143);
Substituição léxica, que se dá tanto pelo
emprego de sinônimos como de palavras quase
sinônimas. Considerem-se aqui além das pala-
vras sinônimas, aquelas resultantes de famílias
ideológicas e do campo associativo, como, por
exemplo, esvoaçar, revoar, voar;
Hipônimos (relações de um termo específi-
co com um termo de sentido geral,
ex.: gato, felino) e hiperônimos (relações de um
termo de sentido mais amplo com outros de sen-
tidomais específico, ex.: felino, gato);
Nominalizações (quando um fato, uma
ocorrência, aparece em forma de verbo e, mais
adiante, reaparece como substantivo,
ex.: consertar, o conserto; viajar,a viagem). É
preciso distinguir-se entre nominalização estri-
ta e.generalizações (ex.: o cão < o animal)
e especificações (ex.: planta > árvore > palmeira);
Substitutos universais (ex.: joão trabalha
muito. Também o faço. O verbo fazer em substitu-
ição ao verbo trabalhar);
Enunciados que estabelecem a recapitula-
ção da idéia global. Ex.: o curraldeserto, o chi-
queiro das cabras arruinado e também deserto, a
casa do vaqueiro fechada, tudo anunciava aban-
dono (vidas secas, p.11). Esse enunciado é
chamado de anáfora conceptual. Todo um enun-
ciado anterior e a idéia global que ele refere são
retomados por outro enunciado que os resume
e/ou interpreta. Com esse recurso, evitam-se as
repetições e faz-se o discurso avançar, manten-
do-se sua unidade.
2. A coesão apoiada na gramática dá-se no uso
de:
Certos pronomes (pessoais adjetivos ou
substantivos). Destacam-se aqui os pronomes
pessoais de terceira pessoa, empregados como
substitutos de elementos anteriormente presentes
no texto, diferentemente dos pronomes de 1
ª
e
2
ª
pessoa que se referem à pessoa que fala e
com quem esta fala.
Certos advérbios e expressões adverbiais;
Artigos;
Conjunções;
Numerais;
Elipses.
A elipse se justifica quando, ao remeter a um
enunciado anterior, a palavra elidida é facilmente
identificável (Ex.: O jovem recolheu-se cedo.…
Sabia que ia necessitar de todas as suas for-
ças. O termo o jovem deixa de ser repetido e,
assim, estabelece a relação entre as duas ora-
ções.). É a própria ausência do termo que marca
a inter-relação.
A identificação pode dar-se com o próprio enunci-
ado, como no exemplo anterior, ou com elemen-
tos extraverbais, exteriores ao enunciado. Vejam-
se os avisos em lugares públicos (ex.: Perigo!) e
as frases exclamativas, que remetem a uma situ-
ação não-verbal. Nesse caso, a articulação se dá
entre texto e contexto (extratextual);
As concordâncias;
A correlação entre os tempos verbais.
Os dêiticos exercem, por excelência, essa função
de progressão textual, dada sua característica:
são elementos que não significam, apenas indi-
11
cam, remetem aos componentes da situação
comunicativa. Já os componentes concentram em
si a significação. Referem os participantes do ato
de comunicação, o momento e o lugar da enunci-
ação.
Elisa Guimarães ensina a respeito dos dêiticos:
Os pronomes pessoais e as desinências verbais
indicam os participantes do ato do discurso. Os
pronomes demonstrativos, certas locuções pre-
positivas e adverbiais, bem como os advérbios de
tempo, referenciam o momento da enunciação,
podendo indicar simultaneidade, anterioridade ou
posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste
momento (presente); ultimamente, recentemente,
ontem, há alguns dias, antes de (pretérito); de
agora em diante, no próximo ano, depois de (futu-
ro).
Maria da Graça Costa Val lembra que ―esses
recursos expressam relações não só entre os
elementos no interior de uma frase, mas também
entre frases e seqüências de frases dentro de um
texto‖.
Não só a coesão explícita possibilita a compreen-
são de um texto. Muitas vezes a comunicação se
faz por meio de uma coesão implícita, apoiada no
conhecimento mútuo anterior que os participantes
do processo comunicativo têm da língua.
Variação da Língua
Pelo estudo da seleção vocabular e da sintaxe,
objetivamos descrever as mudanças que podem
ocorrer na produção textual escrita, a partir do
vocabulário e do uso deste pelo emissor, nos
processos de comunicação dos quais faz parte.
Ao produzir seu texto, seja ele falado ou escrito, o
emissor estará, mesmo sem ter consciência disto,
envolvendo, além da seleção vocabular e da sin-
taxe, outros campos de pesquisa nesta produção.
Referimo-nos à semântica e à estilística.
Dessa forma, tentaremos desvendar a rede de
relações que existe desde o momento em que o
emissor pretende construir sua mensagem, pas-
sando pela influência que a oralidade pode exer-
cer sobre ela e pela sua escritura propriamente
dita, até sua conseqüente interpretação por de-
terminado interlocutor.
Para o falante, a sua língua materna é um instru-
mento de suma importância tanto para a sua prá-
tica comunicativa quanto para sua afirmação en-
quanto sujeito que exerce determinado papel na
sociedade.
O que existe por trás do ato comunicativo, da fala
em si, não está explícito para o emissor. Porém,
mesmo que o falante desconheça ou (re)conheça
este fato, isto não fará com que sua mensagem
seja menos eficiente, pois os sentidos das pala-
vras que emprega não se acham dissociados do
próprio pensamento. Marx esclarece muito bem
esta relação entre fala e pensamento/consciência:
A fala é velha como a consciência, a fala é uma
consciência prática, real, que existe tanto para os
outros como para mim mesmo. E a fala, como a
consciência, nasce apenas da necessidade, da
imperiosidade de contato com outras pessoas.
(Marx apud Schaff, 1968, p. 317.)
A necessidade inegável de que o homem sente
em se comunicar com o outro resulta em esco-
lhas: a quem falar, o que falar, como falar. O dis-
curso produzido a partir dessas escolhas será
somente seu, visto que refletirá seus fracassos e
conquistas, sua história, seu ―eu‖.
Fazendo parte de uma sociedade, na qual estará
em contato constante com outros, o indivíduo
necessitará não apenas da linguagem oral para
se comunicar. Dentre outras linguagens, a escrita
será mais um instrumento à disposição dele para
demonstrar sua competência lingüística.
Acontece que esta competência é constantemen-
te colocada à prova, como se o usuário da língua
nunca tivesse tido contato com ela. Referimo-nos
especificamente ao ensino da língua.
Ao tentar transportar os conhecimentos lingüísti-
cos que já possui e que emprega eficientemente,
da linguagem oral para a linguagem escrita, reve-
la-se muitas vezes um fracassado.
É difícil entender por que precisamos expressar-
mo-nos diferentemente na escrita. Por que exis-
tem tantas regras que já não traduzem a realida-
de do usuário da língua? Por que a cada esquina
de uma página há tantas exceções, contradições?
Há extrema urgência em se rever o ensino da
língua nas escolas, principalmente de ensino
fundamental, para que estas questões possam
ser esclarecidas. E, antes de tudo, a reformulação
precisa estar presente também nos cursos de
formação de professores, para que esta nova
visão ganhe o devido espaço.
De outro modo, não vemos como o falante deixa-
rá de sentir-se perplexo diante de um ―Dê-me um
cigarro‖ no lugar de um ―Me dá um cigarro‖.
O estudo da seleção vocabular e da sintaxe na
produção dos sentidos durante a textualização
justifica-se tendo em vista que
12
· é através da seleção vocabular que o emissor
revela a sua intencionalidade ao produzir deter-
minado texto;
· o contexto situacional do ato comunicativo de-
terminará, em parte, a escolha vocabular do sujei-
to escritor;
· a organização das palavras selecionadas levará
à interpretação desejada pelo emissor;
· se faz necessário evitar as interferências negati-
vas no processo de produção textual escrita, uma
vez que, por serem negativas, prejudicam o bom
entendimento da mensagem.
Estudo da Seleção Vocabular
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neu-
tra e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Todo usuário da língua possui a chave que lhe dá
acesso ao mundo das palavras. A capacidadeda
linguagem humana é essa chave. Quando crian-
ça, o falante, de modo bastante natural, principia
a utilizar o valioso instrumento da linguagem.
Enquanto tímido aprendiz de palavras reproduz
muito e cria pouco.
Porém, seguindo um caminho irretornável, não
mais necessita de que lhe digam o que falar como
falar. Já se sente perfeitamente capaz de seguir
sozinho. Sente-se seguro do conhecimento que
possui, do acervo vocabular de que dispõe. O uso
que fazemos desse acervo vocabular é determi-
nado pelas situações que vivenciamos.
Dessa forma, em um dado contexto, a seleção
vocabular da qual lançaremos mão para produzir
um texto deverá estar de acordo com o sentido
que queremos dar à nossa mensagem. Então,
não nos causa espanto que o nosso alu-
no/usuário da língua queira manter-se fiel ao seu
texto, reproduzindo na escrita aquilo que pensou
e disse. Mesmo que esse texto passe a ser ―con-
denado‖ por não se ajustar aos padrões impostos
pelas gramáticas normativas. Parece-lhe que, ao
mexerem no seu texto, estão retirando o seu di-
reito de ser autêntico.
O pessoal fizeram muita bagunça na sala, profes-
sora!
A gente gostamos de aula vaga.
É perfeitamente compreensível que tais constru-
ções sejam usadas pelo falante/escritor, uma vez
que ele não quer deixar dúvidas de que está refe-
rindo-se a um grupo de várias pessoas. No seu
entender, o verbo no singular soa de forma estra-
nha, não condiz com a verdade que ele quer ex-
pressar.
Sobre o papel do sentido nas relações entre as
palavras, afirma Guiraud (1972, p. 26-27):
O sentido, tal como nos é comunicado no discur-
so, depende das relações da palavra com as ou-
tras palavras do contexto, e tais relações são
determinadas pela estrutura do sistema lingüísti-
co.
À estrutura do sistema lingüístico chamamos
gramática internalizada por cada indivíduo, o
mesmo que conhecimento implícito da língua,
conforme Perini (2000, p. 12.). Por saber empre-
gá-la, o falante faz as relações que deseja com as
palavras escolhidas de seu léxico, de forma que
molda seu texto para este atenda às suas inten-
ções.
A disposição em que coloca as palavras valoriza
o significado delas. Wittgenstein (apud Rector,
1980, p. 53.) corrobora esta idéia ao ―constatar
que as palavras só significam na medida em que
estão num contexto interativo, isto é, como se seu
valor variasse em função de sua disposição face
às demais‖.
A interação da palavra com o contexto revela-se
no discurso, pois é nele ―que se manifestam estas
relações da linguagem, visto que o discurso é o
lugar de encontro do significante e do significado
e o lugar das distorções da comunicação que
ocorrem devido à liberdade da comunicação.‖
(Rector, 1980, p. 130.)
O falante não deseja perder a liberdade de comu-
nicar-se, de colocar no ato de comunicação do
qual faz parte sua marca pessoal. Atentemos aqui
para a questão do estilo próprio.
Uma entonação diferente, uma determinada fle-
xão de grau, uma intencional ausência de flexão
de número são exemplos de marcas pessoais
que ocorrem na fala e que naturalmente se con-
cretizam na escrita.
AMIGO 1: - Comprei um estojo ‗manero‘. Custou
só dois ‗real‘!
AMIGO 2: - Também, você é filhote de loja de um
e noventa e nove!
Há tendência, por parte do falante de língua por-
tuguesa, a reduzir ditongos em simples vogais,
conforme atesta Coutinho em sua ―Gramática
Histórica (COUTINHO, p. 108.). Assim, para o
usuário da língua, é perfeitamente correto falar
13
―manero‖ em vez de ―maneiro‖. Tal tendência
acaba por ser explicitada na escrita por influência
da oralidade. Se ninguém praticamente fala ―man-
teiga‖, conseqüentemente estaremos diante da
palavra ―mantega‖ nas redações de nossos alu-
nos.
Quanto à questão da ausência de flexão de nú-
mero da palavra ―real‖, temos aqui duas coloca-
ções. Por um lado, poderíamos considerar a ex-
pressão ―dois real‖ apenas um caso de erro de
concordância; por outro lado, estaríamos diante
de uma seleção vocabular empregada para ex-
pressar, por exemplo, esperteza de quem compra
um bom produto por um pequeno preço.
Em nossa literatura, há muitos exemplos em que
a seleção vocabular aliada à linguagem oral, só
para determo-nos em assuntos objetos de nosso
estudo, produzem obras originalíssimas. Citemos,
para ilustrar, Mário de Andrade com ―Macunaíma‖
(texto em prosa) e Oswald de Andrade com o
texto em verso que vai transcrito a seguir:
brasil
O Zé Pereira chegou de caravela
E preguntou pro guarani da mata virgem
- Sois cristão?
- Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
- Sim pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval.
(Andrade apud Cereja & Magalhães, 1995, p.
312.)
Para o falante/usuário da língua o que conta é a
praticidade. Se na linguagem oral, ele dispõe de
tanta liberdade para comunicar-se, por que não
fazer uso dessa liberdade também na escrita?
Não queremos dizer com isso que devemos abo-
lir, no ensino da língua, as regras que estruturam
nosso sistema lingüístico, mas que precisamos
adaptá-las à realidade do falante. Por que não
acompanhar na escrita a dinamicidade da língua?
Concluindo, o ensino da língua pode contribuir
para que o nosso aluno (falante competente da
língua materna) aproprie-se de conhecimentos
que permitam que ele não apenas chegue perto e
contemple as palavras, mas que faça bom uso da
chave que possui para que não dê respostas
pobres ou terríveis às perguntas que lhe forem
feitas.
Sintaxe de Concordância
A oralidade influencia constantemente a produção
de um texto escrito. Muitas vezes, esta influência
é considerada negativa, pois resulta nos chama-
dos ―erros de concordância‖. As gramáticas nor-
mativas costumam listar regras muitas vezes
inflexíveis para determinar o que é certo e o que é
errado. Porém, estudiosos mais modernos têm
percebido e registrado casos passíveis de discus-
são.
Perini (2000, p. 19.) cita o caso da expressão ―os
relógio‖, comprovadamente utilizada por falantes
―cultos e incultos‖. Não estamos diante de um
mero caso de erro de concordância e sim de uma
tendência lingüística da oralidade que vem sendo
empregada também na escrita. Tendência esta
que não pode ser ignorada pelos profissionais
que lidam com o ensino da língua.
Para Lapa (1991, p. 157.) o erro de concordância
não existe, pois a construção de um texto reflete
o estilo de cada um. Vejamos sua colocação so-
bre o assunto:
...esses desvios aparentes de concordância se
explicam sobretudo por três motivos: um que
consiste em concordar com as palavras não se-
gundo a letra mas segundo a idéia; outro, segun-
do o qual a concordância varia conforme a posi-
ção dos termos do discurso; e um terceiro, que
traduz o propósito de fazer a concordância com o
termo que mais interessa acentuar ou valorizar.
É preciso que analisemos bem os casos dos
chamados ―erros de concordância‖ que surgem
nos textos produzidos por nossos alunos. Muitas
vezes, a produção do aluno revela textos coeren-
tes e coesos, dentro de seus propósitos, ―diferen-
tes‖ do que esperamos e desejamos encontrar.
Observemos um trecho de uma redação de um
aluno da 7ª. Série do ensino fundamental:
Gosto de sair curto muitos bailes fanks todos os
finais de semana vou ao baile. (sic)
Ignorando em nosso comentário as questões da
pontuação e da grafia equivocada da palavra
―funk‖, vamos ao caso de concordância que aí se
apresenta: ―curto muitos bailes fanks‖. Nós, pro-
fessores da língua, esperaríamos encontrar a
seguinte construção: ―curto muito bailes funks‖,
na qual a palavra muito estaria funcionando como14
advérbio e não como pronome indefinido, tal co-
mo se encontra na redação do aluno. Para que se
considere errada a construção do aluno, é preciso
analisar seu texto com cuidado, tentando perce-
ber sua intenção, seu propósito.
Acreditamos que a falta de organização do pen-
samento influencia a produção do discurso do
nosso aluno, seja tal produção oral ou escrita. A
forma como o ensino da língua ainda é tratado
não tem oportunizado o exercício da organização
do pensamento, uma vez que os conteúdos gra-
maticais são priorizados em detrimento de outros
(produção oral e escrita, por exemplo), tornando a
aula de português um ―amontoado de coisas sem
sentido‖.
Não temos dado ao nosso aluno espaço suficien-
te para que ele exerça seu direito de fala. Nor-
malmente, ele está na sala apenas para ouvir,
para copiar, para reproduzir o que se espera dele.
Ao ser solicitado a falar, muitas vezes, sua fala é
truncada, inicia um assunto e não é capaz de
concluí-lo. Questão de timidez? Em alguns casos,
sim. Essa fala fragmentada, não desenvolvida,
concretiza-se na escrita de forma bem clara: au-
sência de coesão e de coerência, fuga ao tema
proposto, repetições excessivas, para citar ape-
nas os problemas mais encontrados.
Prycila eu quero que você fiquei torcendo porque
agora porque no dia 16 de outubro vou fazer pro-
va com padre para crisma porque no final do vou
se alistar. (sic) (Trecho de um texto produzido por
aluno de 6ª. Série do ensino fundamental.)
Atentemos para a mistura de assuntos que o alu-
no realiza, utilizando basicamente um conectivo
(porque). Que relação existe entre os dois fatos, o
de ser crismado e o de se alistar no final do ano
(palavra omitida, provavelmente sem que o aluno
tenha tido esta intenção)? Acreditamos que aqui
não estejamos diante de um caso de desconhe-
cimento do significado do conectivo apenas. E
sim de incapacidade de relacionar idéias, de fazer
conexão de sentidos.
Por tudo o que foi exposto até aqui, cremos que o
exercício da leitura e da escrita, como forma de
desenvolver a competência lingüística, seria uma
das estratégias numa tentativa de minimizar mui-
tos dos problemas citados.
Sintaxe de Regência
Na maioria das gramáticas normativas, o conceito
de regência aborda a relação de dependência
entre termos da oração. Fazer com que o nosso
aluno, que traz influências (negativas e positivas)
da oralidade, perceba e compreenda essa idéia
de dependência é, por vezes, tarefa bastante
árdua.
Pesquisando em algumas gramáticas disponíveis
aos nossos estudantes, observamos que alguns
casos são tratados de forma diversa. Vejamos um
caso: no ―Curso Prático de Gramática‖, de Ernani
Terra (1996, p. 299.), há a seguinte afirmação
referente à regência do verbo chegar:
―O verbo chegar exige a preposição a e não a
preposição em.‖
Já a ―Gramática‖, de Faraco e Moura (1999, p.
514.), apresenta a seguinte colocação em relação
ao mesmo verbo chegar:
―É intransitivo no sentido de atingir data ou local.
(...) Já é bastante comum o uso da preposi-
ção em nesta acepção.‖
Essas abordagens conflitantes apresentadas
pelas gramáticas citadas acabam por confundir o
nosso aluno e, até mesmo, por dificultar o enten-
dimento deste assunto. Que frase é mais comum
nas redações de nossos alunos? ―Cheguei em
casa muito tarde‖ ou Cheguei a minha casa muito
tarde‖? Com certeza, a primeira. Portanto, não é
mais cabível afirmar que o verbo chegar não exi-
ge a preposição em. Uma ou outra preposição é
perfeitamente admissível.
Reconhece-se que a língua falada no Brasil não é
a mesma representada na escrita. É também
dessa questão que temos tratado até então. O
falante, com o propósito de passar adiante seu
pensamento, suas idéias, seleciona as palavras
que melhor representam sua intenção e arruma-
as de maneira que estas atendam aos seus dese-
jos.
Altera, propositalmente ou não, a sintaxe de con-
cordância ou de regência, construindo seu próprio
estilo. Sua mensagem poderá ou não ser com-
preendida da forma como gostaria de que fosse.
As chances de que o entendimento ocorra tal
como planejou são grandes.
O estudo do emprego diversificado que se faz da
língua falada (situações informais) e da língua
escrita (situações formais) está cada vez mais
ocupando espaço nos meios acadêmicos que
tratam do ensino da língua. Algumas obras vêm
acrescentar novas idéias que auxiliam o presente
trabalho, como Mário Perini (Sofrendo a Gramáti-
ca), Celso Pedro Luft (Língua e Liberdade) e E-
vanildo Bechara (Ensino da Gramática.
Opressão? Liberdade?). Porém, décadas de um
ensino equivocado exigirão a adoção de um novo
modo de ensinar a gramática, a partir de uma
visão de linguagem que liberte, que permita a
15
construção de um discurso de sujeito, e não de
quem se sujeita.
Voltando a mais um caso de sintaxe de regência.
Se um dos significados da palavra ―com‖ é a idéia
de companhia, como considerar errada a constru-
ção ―Namoro com Carlos‖? Para o falante/usuário
da língua, a frase está corretíssima.
Para tentarmos convencer este falante de que a
sua construção é incorreta, só temos o argumento
de que o verbo namorar é transitivo direto (não
admitindo preposição), pois quem namora, namo-
ra alguém. Porém não é argumento forte o sufici-
ente para deslegitimar a sua intenção de transmi-
tir a idéia de um estar com o outro, de namo-
rar com o outro.
Finalizando, a estrutura lingüística que cada usu-
ário da língua internaliza, dá-lhe subsídios para
que ele elabore construções que, na escrita, são
consideradas como erros de concordância, de
regência, entre tantos outros ―erros‖. Cabe ampli-
ar, na sistematização das regras que estruturam a
língua, o registro das possibilidades de constru-
ções de que o usuário da língua dispõe. Até por-
que as invariações dentro das variações é que
dão vida à língua.
Sintaxe de Colocação
No início de nosso trabalho, comentamos a res-
peito de o falante sentir-se perplexo diante da
construção ―Dê-me um cigarro‖, verso conheci-
díssimo do poema Pronominal‖, de Oswald de
Andrade, muito usado para exemplificar casos de
colocação pronominal. É claro que o usuário da
língua estranha uma construção como essa,
quando, no seu falar revela-se a tendência de
fazer uso da próclise.
O nosso aluno jamais empregaria a frase ―Em-
preste-me uma caneta‖ ao dirigir-se ao colega a
seu lado. Até mesmo nós, professores e conhe-
cedores da língua, no dia a dia, empregamos a
próclise com abundância em nossa fala. Ainda
mais que a questão da colocação dos pronomes
na frase está mais a serviço da estilística que da
sintaxe. Observemos:
A. Se atrasou hoje, professora.
B. Atrasou-se hoje, professora.
De acordo com as regras que norteiam o empre-
go da próclise, a frase A estaria fora dos padrões,
porém, numa linguagem informal, falada ou escri-
ta, seria perfeitamente justificável, na medida em
que representaria um estilo despojado e simples
do locutor/escritor. Já a frase B exemplifica o
correto emprego do pronome, mas na prática de
nossos alunos é pouco utilizada.
O emprego da mesóclise é ainda mais complica-
do. Em primeiro lugar, há a preferência de o usu-
ário da língua portuguesa no Brasil utilizar para o
tempo futuro do presente do indicativo, por exem-
plo, a locução verbal: ―Vou fazer prova amanhã‖
no lugar de ―Farei prova amanhã‖; em segundo
lugar, o emprego da mesóclise soa como pedan-
tismo, próprio da linguagem rebuscada, empola-
da: ―Far-te-ei uma proposta amanhã‖. O uso da
mesóclise está reduzido à produção escrita de
usuários com bom domínio da estrutura da língua.
Façamos mais um comentário:
―Está um calor! A janela está fechada, professora.
Quer que abra ela?‖
É um tipo de construção amplamente empregada
pelo falante.Devemos considerá-la totalmente
errada? E o que podemos dizer de construções
do tipo ―Professora, eu se machuquei!‖? Não se-
ria mais relevante preocuparmo-nos com frases
desse tipo? E não é só uma questão de concor-
dância ou de colocação.
É uma questão de identidade. O falante não se
reconhece no próprio discurso. Não é capaz de
reconhecer-se no me, pois é a partir do se que vê
o mundo: ―Entre, sente-se, cale-se, saia e vire-se;
a minha parte eu já fiz.‖
Organização Frasal
Toda frase de uma língua consiste em uma orga-
nização, uma combinação de elementos lingüísti-
cos agrupados segundo certos princípios, que a
caracterizam como uma estrutura. Para evidenci-
ar estas estruturas, temos uma estruturas, temos
de decompor a frase/oração em unidades meno-
res, e substituir estas unidades, por aquelas e-
quivalentes, que desempenham a mesma função.
Este procedimento denomina-se comunicação:
Ex:
Maria está na casa da vizinha
Você fará o relatório como a professora pediu
Aquela menininha de cabelo loiro gosta de doce
de leite.
Estes subconjuntos são blocos significativos e
possuem equivalência entre si,pois a troca de um
pelo outro,não destrói a integridade das orações,
como demonstraram os exemplos. A estes blo-
cos, ou unidades significativas, chamamos:
Sintagmas.
Constituintes Oracionais > Os Sintagmas
16
A Natureza do sintagma do sintagma depende
por tanto do tipo de elemento que constitui o seu
núcleo.
Vantagens:
* Ter controle sobre os mecanismos que utiliza-
mos nos usos da linguagem;
* Aumentar a versatilidade no uso que podemos
fazer desses mecanismos.
Base da Oração {SN (subst) = SA > Sintagma
Adjetiva, SV (verbo) SP > Sintagma Preposi-
cionado
Sintagma: elementos constituintes das unidades
significativas da oração – relaciona-se por depen-
dência e ordem. Possuem um núcleo em relação
aos demais constituintes, mas pode compor-se de
apenas um núcleo.
Além das orações com os dois sintagmas obriga-
tórios: SN + SV, há ainda a possibilidade de ora-
ção com três partes: SN+SV+SP.
Os Sintagmas Nominais e Verbais obrigatoria-
mente existem como unidades significativas nas
frases. Por isso, as frases sempre podem ser
decompostas nesses dois subconjuntos, mesmo
que elas sejam longas, ou mesmo que o sujeito
esteja oculto ou não seja lexicalmente preenchido
(sujeito inexistente).
Ex: SN/SV
A irmã de uma conhecida de meu mari-
do/recebeu uma belíssima homenagem de seus
companheiros de trabalho.
A carrocinha de pão [que passava pela minha rua
todos os dias]/pertencia a um antigo empregado
da prefeitura municipal.
Sintagma Preposicionado (SP)
Os Sintagmas preposicionados, quando assu-
mem função de advérbio, são facultativos na es-
trutura sintática das frases; móveis, podendo ser
deslocados de sua posição normal (após o SN e
o SV);apresentam-se como modificadores cir-
cunstanciais,geralmente sob a forma de locuções
adverbiais.
Exs:
As flores/ enfeitam os jardins/ na primavera.
- SN, SV e SP
O padeiro/ entrega o pão / na minha casa / de
madrugada
- SN, SV, SP e SP
O que é Redação Oficial?
Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial
é a maneira pela qual o Poder Público redige atos
normativos e comunicações. Interessa-nos tratá-
la do ponto de vista do Poder Executivo.
A redação oficial deve caracterizar-se pela im-
pessoalidade, uso do padrão culto de linguagem,
clareza, concisão, formalidade e uniformidade.
Fundamentalmente esses atributos decorrem da
Constituição, que dispõe, no artigo 37: "A admi-
nistração pública direta, indireta ou fundacional,
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá
aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência (...)".
Sendo a publicidade e a impessoalidade princí-
pios fundamentais de toda administração pública,
claro está que devem igualmente nortear a elabo-
ração dos atos e comunicações oficiais.
Não se concebe que um ato normativo de qual-
quer natureza seja redigido de forma obscura,
que dificulte ou impossibilite sua compreensão. A
transparência do sentido dos atos normativos,
bem como sua inteligibilidade, são requisitos do
próprio Estado de Direito: é inaceitável que um
texto legal não seja entendido pelos cidadãos. A
publicidade implica, pois, necessariamente, clare-
za e concisão.
Além de atender à disposição constitucional, a
forma dos atos normativos obedece a certa tradi-
ção. Há normas para sua elaboração que remon-
tam ao período de nossa história imperial, como,
por exemplo, a obrigatoriedade – estabelecida por
decreto imperial de 10 de dezembro de 1822 – de
que se aponha, ao final desses atos, o número de
anos transcorridos desde a Independência. Essa
prática foi mantida no período republicano.
Esses mesmos princípios (impessoalidade, clare-
za, uniformidade, concisão e uso de linguagem
formal) aplicam-se às comunicações oficiais: elas
devem sempre permitir uma única interpretação e
ser estritamente impessoais e uniformes, o que
exige o uso de certo nível de linguagem.
Nesse quadro, fica claro também que as comuni-
cações oficiais são necessariamente uniformes,
pois há sempre um único comunicador (o Serviço
Público) e o receptor dessas comunicações ou é
o próprio Serviço Público (no caso de expedientes
dirigidos por um órgão a outro) – ou o conjunto
dos cidadãos ou instituições tratados de forma
homogênea (o público).
17
Outros procedimentos rotineiros na redação de
comunicações oficiais foram incorporados ao
longo do tempo, como as formas de tratamento e
de cortesia, certos clichês de redação, a estrutura
dos expedientes, etc. Mencione-se, por exemplo,
a fixação dos fechos para comunicações oficiais,
regulados pela Portaria n
o
1 do Ministro de Estado
da Justiça, de 8 de julho de 1937, que, após mais
de meio século de vigência, foi revogado pelo
Decreto que aprovou a primeira edição deste
Manual.
Acrescente-se, por fim, que a identificação que se
buscou fazer das características específicas da
forma oficial de redigir não deve ensejar o enten-
dimento de que se proponha a criação – ou se
aceite a existência – de uma forma específica de
linguagem administrativa, o que coloquialmente e
pejorativamente se chama burocratês. Este é
antes uma distorção do que deve ser a redação
oficial, e se caracteriza pelo abuso de expressões
e clichês do jargão burocrático e de formas arcai-
cas de construção de frases.
A redação oficial não é, portanto, necessariamen-
te árida e infensa à evolução da língua. É que sua
finalidade básica – comunicar com impessoalida-
de e máxima clareza – impõe certos parâmetros
ao uso que se faz da língua, de maneira diversa
daquele da literatura, do texto jornalístico, da
correspondência particular, etc.
Apresentadas essas características fundamentais
da redação oficial, passemos à análise pormeno-
rizada de cada uma delas.
1.1. A Impessoalidade
A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala,
quer pela escrita. Para que haja comunicação,
são necessários: a) alguém que comunique, b)
algo a ser comunicado, e c) alguém que receba
essa comunicação. No caso da redação oficial,
quem comunica é sempre o Serviço Público (este
ou aquele Ministério, Secretaria, Departamento,
Divisão, Serviço, Seção); o que se comunica é
sempre algum assunto relativo às atribuições do
órgão que comunica; o destinatário dessa comu-
nicação ou é o público, o conjunto dos cidadãos,
ou outro órgão público, do Executivo ou dos ou-
tros Poderes da União.
Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal
que deve ser dado aos assuntos que constam
das comunicações oficiais decorre:
a) da ausência de impressões individuais de
quem comunica:embora se trate, por exemplo,
de um expediente assinado por Chefe de deter-
minada Seção, é sempre em nome do Serviço
Público que é feita a comunicação. Obtém-se,
assim, uma desejável padronização, que permite
que comunicações elaboradas em diferentes se-
tores da Administração guardem entre si certa
uniformidade;
b) da impessoalidade de quem recebe a comuni-
cação, com duas possibilidades: ela pode ser
dirigida a um cidadão, sempre concebido co-
mo público, ou a outro órgão público. Nos dois
casos, temos um destinatário concebido de forma
homogênea e impessoal;
c) do caráter impessoal do próprio assunto trata-
do: se o universo temático das comunicações
oficiais se restringe a questões que dizem respei-
to ao interesse público, é natural que não cabe
qualquer tom particular ou pessoal.
Desta forma, não há lugar na redação oficial para
impressões pessoais, como as que, por exemplo,
constam de uma carta a um amigo, ou de um
artigo assinado de jornal, ou mesmo de um texto
literário. A redação oficial deve ser isenta da inter-
ferência da individualidade que a elabora.
A concisão, a clareza, a objetividade e a formali-
dade de que nos valemos para elaborar os expe-
dientes oficiais contribuem, ainda, para que seja
alcançada a necessária impessoalidade.
1.2. A Linguagem dos Atos e Comunicações
Oficiais
A necessidade de empregar determinado nível de
linguagem nos atos e expedientes oficiais decor-
re, de um lado, do próprio caráter público desses
atos e comunicações; de outro, de sua finalidade.
Os atos oficiais, aqui entendidos como atos de
caráter normativo, ou estabelecem regras para a
conduta dos cidadãos, ou regulam o funciona-
mento dos órgãos públicos, o que só é alcançado
se em sua elaboração for empregada a lingua-
gem adequada. O mesmo se dá com os expedi-
entes oficiais, cuja finalidade precípua é a de
informar com clareza e objetividade.
As comunicações que partem dos órgãos públi-
cos federais devem ser compreendidas por todo e
qualquer cidadão brasileiro. Para atingir esse
objetivo, há que evitar o uso de uma linguagem
restrita a determinados grupos. Não há dúvida
que um texto marcado por expressões de circula-
ção restrita, como a gíria, os regionalismos voca-
bulares ou o jargão técnico, tem sua compreen-
são dificultada.
Ressalte-se que há necessariamente uma distân-
cia entre a língua falada e a escrita. Aquela é
extremamente dinâmica, reflete de forma imediata
qualquer alteração de costumes, e pode eventu-
almente contar com outros elementos que auxili-
18
em a sua compreensão, como os gestos, a ento-
ação, etc., para mencionar apenas alguns dos
fatores responsáveis por essa distância. Já a
língua escrita incorpora mais lentamente as trans-
formações, tem maior vocação para a permanên-
cia, e vale-se apenas de si mesma para comuni-
car.
A língua escrita, como a falada, compreende dife-
rentes níveis, de acordo com o uso que dela se
faça. Por exemplo, em uma carta a um amigo,
podemos nos valer de determinado padrão de
linguagem que incorpore expressões extrema-
mente pessoais ou coloquiais; em um parecer
jurídico, não se há de estranhar a presença do
vocabulário técnico correspondente. Nos dois
casos, há um padrão de linguagem que atende ao
uso que se faz da língua, a finalidade com que a
empregamos.
O mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu
caráter impessoal, por sua finalidade de informar
com o máximo de clareza e concisão, eles reque-
rem o uso do padrão culto da língua. Há consen-
so de que o padrão culto é aquele em que a) se
observam as regras da gramática formal, e b) se
emprega um vocabulário comum ao conjunto dos
usuários do idioma.
É importante ressaltar que a obrigatoriedade do
uso do padrão culto na redação oficial decorre do
fato de que ele está acima das diferenças lexi-
cais, morfológicas ou sintáticas regionais, dos
modismos vocabulares, das idiossincrasias lin-
güísticas, permitindo, por essa razão, que se atin-
ja a pretendida compreensão por todos os cida-
dãos.
Lembre-se que o padrão culto nada tem contra a
simplicidade de expressão, desde que não seja
confundida com pobreza de expressão. De ne-
nhuma forma o uso do padrão culto implica em-
prego de linguagem rebuscada, nem dos contor-
cionismos sintáticos e figuras de linguagem pró-
prios da língua literária.
Pode-se concluir, então, que não existe propria-
mente um "padrão oficial de linguagem"; o que há
é o uso do padrão culto nos atos e comunicações
oficiais. É claro que haverá preferência pelo uso
de determinadas expressões, ou será obedecida
certa tradição no emprego das formas sintáticas,
mas isso não implica, necessariamente, que se
consagre a utilização de uma forma de linguagem
burocrática. O jargão burocrático, como todo jar-
gão, deve ser evitado, pois terá sempre sua com-
preensão limitada.
A linguagem técnica deve ser empregada apenas
em situações que a exijam, sendo de evitar o seu
uso indiscriminado. Certos rebuscamentos aca-
dêmicos, e mesmo o vocabulário próprio a deter-
minada área, são de difícil entendimento por
quem não esteja com eles familiarizado. Deve-se
ter o cuidado, portanto, de explicitá-los em comu-
nicações encaminhadas a outros órgãos da ad-
ministração e em expedientes dirigidos aos cida-
dãos.
Outras questões sobre a linguagem, como o em-
prego de neologismo e estrangeirismo, são trata-
das em detalhe em 9.3. Semântica.
1.3. Formalidade e Padronização
As comunicações oficiais devem ser sempre for-
mais, isto é, obedecem a certas regras de forma:
além das já mencionadas exigências de impesso-
alidade e uso do padrão culto de linguagem, é
imperativo, ainda, certa formalidade de tratamen-
to.
Não se trata somente da eterna dúvida quanto ao
correto emprego deste ou daquele pronome de
tratamento para uma autoridade de certo nível (v.
a esse respeito2.1.3. Emprego dos Pronomes de
Tratamento); mais do que isso, a formalidade diz
respeito à polidez, à civilidade no próprio enfoque
dado ao assunto do qual cuida a comunicação.
A formalidade de tratamento vincula-se, também,
à necessária uniformidade das comunicações.
Ora, se a administração federal é una, é natural
que as comunicações que expede sigam um
mesmo padrão. O estabelecimento desse padrão,
uma das metas deste Manual, exige que se aten-
te para todas as características da redação oficial
e que se cuide, ainda, da apresentação dos tex-
tos.
A clareza datilográfica, o uso de papéis uniformes
para o texto definitivo e a correta diagramação do
texto são indispensáveis para a padronização.
Consulte o Capítulo II, As Comunicações Oficiais,
a respeito de normas específicas para cada tipo
de expediente.
1.4. Concisão e Clareza
A concisão é antes uma qualidade do que uma
característica do texto oficial. Conciso é o texto
que consegue transmitir um máximo de informa-
ções com um mínimo de palavras. Para que se
redija com essa qualidade, é fundamental que se
tenha, além de conhecimento do assunto sobre o
qual se escreve, o necessário tempo para revisar
o texto depois de pronto. É nessa releitura que
muitas vezes se percebem eventuais redundân-
cias ou repetições desnecessárias de idéias.
O esforço de sermos concisos atende, basica-
mente ao princípio de economia lingüística, à
mencionada fórmula de empregar o mínimo de
19
palavras para informar o máximo. Não se deve de
forma alguma entendê-la como economia de pen-
samento, isto é, não se devem eliminar passa-
gens substanciais do texto no afã de reduzi-lo em
tamanho. Trata-se exclusivamente de cortar pala-
vras inúteis, redundâncias, passagens que nada
acrescentem ao que já foi dito.
Procure perceber certa hierarquia de idéias que
existe em todo texto de alguma complexidade:
idéias fundamentais e idéias secundárias.Estas
últimas podem esclarecer o sentido daquelas,
detalhá-las, exemplificá-las; mas existem também
idéias secundárias que não acrescentam informa-
ção alguma ao texto, nem têm maior relação com
as fundamentais, podendo, por isso, ser dispen-
sadas.
A clareza deve ser a qualidade básica de todo
texto oficial, conforme já sublinhado na introdução
deste capítulo. Pode-se definir como claro aquele
texto que possibilita imediata compreensão pelo
leitor. No entanto a clareza não é algo que se
atinja por si só: ela depende estritamente das
demais características da redação oficial. Para
ela concorrem:
a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de
interpretações que poderia decorrer de um trata-
mento personalista dado ao texto;
b) o uso do padrão culto de linguagem, em princí-
pio, de entendimento geral e por definição avesso
a vocábulos de circulação restrita, como a gíria e
o jargão;
c) a formalidade e a padronização, que possibili-
tam a imprescindível uniformidade dos textos;
d) a concisão, que faz desaparecer do texto os
excessos lingüísticos que nada lhe acrescentam.
É pela correta observação dessas características
que se redige com clareza. Contribuirá, ainda, a
indispensável releitura de todo texto redigido. A
ocorrência, em textos oficiais, de trechos obscu-
ros e de erros gramaticais provém principalmente
da falta da releitura que torna possível sua corre-
ção.
Na revisão de um expediente, deve-se avaliar,
ainda, se ele será de fácil compreensão por seu
destinatário. O que nos parece óbvio pode ser
desconhecido por terceiros.
O domínio que adquirimos sobre certos assuntos
em decorrência de nossa experiência profissional
muitas vezes faz com que os tomemos como de
conhecimento geral, o que nem sempre é verda-
de. Explicite, desenvolva, esclareça, precise os
termos técnicos, o significado das siglas e abrevi-
ações e os conceitos específicos que não possam
ser dispensados.
A revisão atenta exige, necessariamente, tempo.
A pressa com que são elaboradas certas comuni-
cações quase sempre compromete sua clareza.
Não se deve proceder à redação de um texto que
não seja seguida por sua revisão. "Não há assun-
tos urgentes, há assuntos atrasados", diz a má-
xima. Evite-se, pois, o atraso, com sua indesejá-
vel repercussão no redigir.
Estrutura e Formação de Palavras
Observe as seguintes palavras:
Escol-A
Escol-Ar
Escol-Arização
Escol-Arizar
Sub-Escol-Arização
Observando-as, percebemos que há um elemento
comum a todas elas: a forma escol-.
Além disso, em todas há elementos destacáveis,
responsáveis por algum detalhe de significação.
Compare, por exemplo, escola e escolar: partindo
de escola, formou-se escolar pelo acréscimo do
elemento destacável-ar.
Por meio desse trabalho de comparação entre as
diversas palavras que selecionamos, podemos
depreender a existência de diferentes elementos
formadores.
Cada um desses elementos formadores é uma
unidade mínima de significação, um elemento
significativo indecomponível, a que damos o no-
me de morfema.
Classificação dos Morfemas:
Radical
Há um morfema comum a todas as palavras que
estamos analisando: escol-. É esse morfema
comum – o radical – que faz com que as conside-
remos palavras de uma mesma família de signifi-
cação – os cognatos. O radical é a parte da pala-
vra responsável por sua significação principal.
Afixos
Como vimos, o acréscimo do morfema –ar cria
uma nova palavra a partir de escola. De maneira
semelhante, o acréscimo dos morfemas sub- e –
arização à forma escol- criou subescolarização.
20
Esses morfemas recebem o nome de afixos.
Quando são colocados antes do radical, como
acontece com sub-, os afixos recebem o nome
deprefixos. Quando, como –arização, surgem
depois do radical os afixos são chamados
de sufixos.
Prefixos e sufixos, além de operar mudança de
classe gramatical, são capazes de introduzir mo-
dificações de significado no radical a que são
acrescentados.
Desinências
Quando se conjuga o verbo amar, obtêm-se for-
mas como amava, amavas, amava, amávamos
amáveis, amavam. Essas modificações ocorrem à
medida que o verbo vai sendo flexionado em nú-
mero (singular e plural) e pessoa (primeira se-
gunda ou terceira). Também ocorrem se modifi-
carmos o tempo e o modo do verbo (amava, ama-
ra, amasse, por exemplo).
Podemos concluir, assim, que existem morfemas
que indicam as flexões das palavras. Esses mor-
femas sempre surgem no fim das palavras variá-
veis e recebem o nome de desinências. Há desi-
nências nominais e desinências verbais.
• Desinências nominais: indicam o gênero e o
número dos nomes. Para a indicação de gênero,
o português costuma opor as desinências -o/-a:
garoto/garota; menino/menina.
Para a indicação de número, costuma-se utilizar o
morfema –s, que indica o plural em oposição à
ausência de morfema, que indica o singular: garo-
to/garotos; garota/garotas; menino/meninos; me-
nina/meninas.
No caso dos nomes terminados em –r e –z, a
desinência de plural assume a forma -es:
mar/mares; revólver/revólveres; cruz/cruzes.
• Desinências verbais: em nossa língua, as desi-
nências verbais pertencem a dois tipos distintos.
Há aqueles que indicam o modo e o tempo (desi-
nências modo-temporais) e aquelas que indicam
o número e a pessoa dos verbos (desinência
número-pessoais):
cant-á-va-mos cant-á-sse-is
cant: radical
cant:
radical
-á-: vogal temática -á-: vogal temática
-va-: desinência modo-
temporal (caracteriza o
-sse-:desinência modo-
temporal (caracteriza o
pretérito imperfeito do
indicativo)
pretérito imperfeito do
subjuntivo)
-mos:desinência número-
pessoal (caracteriza a
primeira pessoa do plu-
ral)
-is: desinência número-
pessoal (caracteriza a
segunda pessoa do
plural)
Vogal Temática
Observe que, entre o radical cant- e a desinência
verbal surge sempre o morfema –a.
Esse morfema, que liga o radical às desinências,
é chamado de vogal temática. Sua função é ligar-
se ao radical, constituindo o chamado tema. É ao
tema (radical + vogal temática) que se acrescen-
tam as desinências. Tanto os verbos como os
nomes apresentam vogais temáticas.
• Vogais temáticas nominais: São -a, -e, e -o,
quando átonas finais, como em mesa, artista,
busca, perda, escola, triste, base, combate. Nes-
ses casos, não poderíamos pensar que essas
terminações são desinências indicadoras de gê-
nero, pois a mesa, escola, por exemplo, não so-
frem esse tipo de flexão. É a essas vogais temáti-
cas que se liga a desinência indicadora de plural:
mesa-s, escola-s, perda-s. Os nomes terminados
em vogais tônicas (sofá, café, cipó, caqui, por
exemplo) não apresentam vogal temática.
• Vogais temáticas verbais: São -a, -e e -i, que
caracterizam três grupos de verbos a que se dá o
nome de conjugações. Assim, os verbos cuja
vogal temática é -a pertencem à primeira conju-
gação; aqueles cuja vogal temática é -
e pertencem à segunda conjugação e os que têm
vogal temática -i pertencem à terceira conjuga-
ção.
Primeira conju-
gação
Segunda conju-
gação
Terceira conju-
gação
Govern-a-va Estabelec-e-sse Defin-i-ra
Atac-a-va Cr-e-ra Imped-i-sse
Realiz-a-sse Mex-e-rá Ag-i-mos
Vogal ou Consoante de Ligação
As vogais ou consoantes de ligação são morfe-
mas que surgem por motivos eufônicos, ou seja,
para facilitar ou mesmo possibilitar a leitura de
uma determinada palavra.
21
Temos um exemplo de vogal de ligação na pala-
vra escolaridade: o -i- entre os sufixos -ar- e -
dade facilita a emissão vocal da palavra. Outros
exemplos: gasômetro, alvinegro, tecnocracia,
paulada, cafeteira, chaleira, tricota.
Os Elementos Mórficos
Olá, ilustres! Como estão? Bem? I hope so!O título desta matéria é meio sinistro, não é? "Os
elementos mórficos".
É... "forte", mas não há motivos para medo; pro-
meto que essas coisas não irão assustá-los nem
mordê-los nem deixá-los loucos; são apenas mais
daqueles termos "pesados" da normatividade.
Esta matéria dá início aos nossos estudos morfo-
lógicos; inofensiva; sério! Bem-vindos à Morfolo-
gia.
Bom, se já está lendo este parágrafo, está na
hora de saber uma coisinha: usei o título "elemen-
tos mórficos" só pra dar um pouco de tensão na
matéria. Na verdade, essas coisas são mais co-
nhecidas como morfemas. Ah, agora sim, né?
Muito bom… clareou, clareou.
Em uma palavra temos os morfemas como uni-
dades possuidoras de significado. Há morfemas
lexicais e morfemas gramaticais.
Morfemas lexicais (lexemas ou semantemas):
indicam o significado primitivo da palavra; a ideia
básica.
Morfemas gramaticais (gramemas ou forman-
tes): indicam as flexões da palavra quanto ao
gênero, número, pessoa, modo e tempo.
Vejamos a análise mórfica (uh!) da palavra linda.
Onde estará o morfema lexical e o morfema gra-
matical?
Linda = lind – este é o morfema lexical indicando
o conceito básico da palavra: alguma coisa, ou
alguém, homem ou mulher, de grande beleza.
linda = lind-a – o ‗a‘ é o morfema gramatical
que indica que a palavra está no gênero feminino
e no singular.
Vale observar aqui uma das propriedades dos
morfemas. Se mudarmos o morfema gramatical
‗a‘ para o morfema gramatical ‗o‘, a palavra flexi-
ona apenas o gênero, mantendo intacta a ideia de
grande beleza. Se mexermos no morfema lexical,
iremos alterar a raiz(1) da palavra e, consequen-
temente, seu conceito, sua ideia, seu significado
primitivo; tire o morfema lexical „lind‟, colo-
que „fei‟ e verá o que acontece.
Além disso, podemos brincar ainda mais. Inclua o
morfema gramatical ‗s‘ no final e a palavra será
flexionada em número.
Fei – a lind – a
Fei – a – s lind – a – s
Fei – o lind – o
Fei – o – s lind – o – s
Radical, Desinência, Afixo, Vogal Temática e
Tema
Radical - (1) Falamos há pouco de raiz; sim, o
morfema lexical é também chamado de raiz da
palavra ou radical. O radical vem carregado de
sentido dando significado e rumo à palavra. Com-
binando o radical com alguns vários morfemas
gramaticais, é possível formar palavras cognatas.
―Ó pai, ó‖:
-a
-eiro
morfema lexical (radical) pedr- -
eira morfemas gramaticais
-ada
-ejar
Desinência (morfemas flexionais) – as desi-
nências indicam as flexões das palavras. Temos:
Desinências nominais – ‗o‘ indicando gênero
masculino
22
– ‗a‘ indicando gênero feminino
– ‗s‘ indicando o plural (o singular é caracterizado
pela ausência de uma desinência. Morfema-zero,
Ø)
Desinências verbais – indicam o modo, tempo,
pessoa e número nas formas verbais:
escrev – erão = indicativo / futuro / 3ª pessoa /
plural
escrev – i = indicativo / pretérito perfeito / 1ª pes-
soa / singular
Afixos (morfemas derivacionais) – geralmente
modificam o sentido da raiz à qual se agregam,
formando palavras novas. Temos dois tipos de
afixos, os prefixos e os sufixos.
- Os prefixos são os afixos que se antepõem ao
radical:
Desleal
- Os sufixos são os afixos que se pospõem ao
radical:
Terreiro
Vogal temática – é a responsável pela ligação
entre o radical e as demais desinências ou sufi-
xos. Analisemos os elementos formativos da pa-
lavra estudamos.
estud – a – mos (o morfema ‗a‘ liga o radical ‗es-
tud‘ com a desinência verbal 'mos'; vogal temáti-
ca, portanto)
Tema – este é fácil; é igual a uma fórmula mate-
mática:
T = R + VT
Onde: T = tema
R = radical
VT = vogal temática
Sendo assim, localizemos o tema da pala-
vra estudamos.
T = R + VT
R = estud-
VT = -a-
Logo: T = estud + a
Resposta: T = estuda- (quem disse que
gramática não pode ser exata?)
Ufa! Acho que basta por agora, né?
Fala a verdade, não são tão assustadores, são?
É um prazer saber que estás lendo estas últimas
frases. A próxima matéria da parte de morfologia
será formação das palavras. É melhor ter fôlego;
vai ser uma saga.
Sinonímia, Antonímia, Homonímia e Paronímia
Sinonímia é um processo muito utilizado por
falantes de uma língua. Sabe quando não quere-
mos repetir o mesmo termo ou palavra a todo
momento? Uma das maneiras de sanarmos esse
problema é com uso de sinônimos.
Por exemplo, se digo: ―Passe um dia na mi-
nha casa.‖ e quiser referir-me novamente ao ter-
mo sublinhado ―casa‖, posso lançar mão de um
sinônimo para não o ter que repetir: ―Passe um
dia na minha casa e verá como meu lar é acon-
chegante.‖
Para saber se o candidato domina mais esse
subterfúgio da Língua Portuguesa, a banca pede
a ele que substitua palavras ou termos retirados
do texto e assinale em qual opção encontram-se
aqueles que não alteram o sentido, ou os que
alteram.
Para se resolver esse tipo de questão é importan-
te que o candidato tenha um certo domínio lexi-
cal, ou seja, que conheça muitas palavras, o que
é possível conseguir por meio de muita, mas mui-
ta leitura.
Pode-se ler de tudo. Jornais, revistas, livros, bu-
las de remédio, outdoors, placas de trânsito… o
fundamental é ser um leitor crítico, aquele que
busca informação, que reflete a respeito.
Antonímia nada mais é do que palavras que
possuem significados contrários, como largo e
estreito, dentro e fora, grande e pequeno. O im-
portante, aqui, é saber que os significados
são opostos, ou seja, excluem-se.
Homonímia é a identidade fonética e/ou gráfica
de palavras com significados diferentes. Existem
três tipos de homônimos:
Homônimos homógrafos – palavras de
mesma grafia e significado diferente. Exemplo:
jogo (substantivo) e jogo (verbo).
Homônimos homófonos – palavras com
mesmo som e grafia diferente. Exemplo: cessão
23
(ato de ceder), sessão (atividade), seção (setor) e
secção (corte).
Homônimos homógrafos e homófonos –
palavras com mesma grafia e mesmo som. E-
xemplo: planta (substantivo) e planta (verbo);
morro (substantivo) e morro (verbo).
Paronímia é a semelhança gráfica e/ou fonética
entre palavras. É o caso dos pares de palavras
anteriormente expostas.
Outros exemplos de parônimos:
Acender (atear fogo)
Ascender (subir),
Acento (sinal gráfico)
Assento (cadeira),
Acerca de (a respeito de)
A cerca de (distância aproximada)
Há cerca de (aproximadamente),
Afim (parente)
A fim (para),
Ao invés de (ao contrário de)
Em vez de (em lugar de),
Apreçar (tomar preço)
Apressar (dar pressa),
Asado (alado)
Azado (oportuno),
Assoar (limpar o nariz)
Assuar (vaiar),
À-toa (ruim)
À toa (sem rumo),
Descriminar (inocentar)
Discriminar (separar),
Despensa (depósito)
Dispensa (licença),
Flagrante (evidente)
Fragrante (perfumoso),
Incipiente (principiante)
Insipiente (ignorante),
Incontinente (imoderado)
Incontinenti (imediatamente),
Mandado (ato de mandar)
Mandato (procuração),
Paço (palácio)
Passo (marcha),
Ratificar (validar)
Retificar (corrigir),
Tapar (fechar)
Tampar (cobrir com tampa),
Vultoso (volumoso)
Vultuoso (rosto vermelho e inchado).
Ortografia Oficial
O objetivo deste guia é expor ao leitor, de manei-
ra objetiva, as alterações introduzidas na ortogra-
fia da língua portuguesa pelo Acordo Ortográfico
da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em
16 de dezembro de 1990, por Portugal, Brasil,
Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Gui-
né-Bissau, Moçambique e, posteriormente, por
Timor Leste.No Brasil, o Acordo foi aprovado
pelo Decreto Legislativo no 54, de 18 de abril de
1995.
Esse Acordo é meramente ortográfico; portanto,
restringe-se à língua escrita, não afetando ne-
nhum aspecto da língua falada. Ele não elimina
todas as diferenças ortográficas observadas nos
países que têm a língua portuguesa como idioma
oficial, mas é um passo em direção à pretendida
unificação ortográfica desses países.
Este guia foi elaborado de acordo com a 5.ª edi-
ção do Vocabulário Ortográfico da Língua Portu-
guesa (VOLP), publicado pela Academia Brasilei-
ra de Letras em março de 2009.
Mudanças no alfabeto
O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintrodu-
zidas as letras k, w e y. O alfabeto completo pas-
sa a ser:
A B C D E F G H I J
K L M N O P Q R S
T U V W X Y Z
24
As letras k, w e y, que na verdade não tinham
desaparecido da maioria dos dicionários da nossa
língua, são usadas em várias situações. Por e-
xemplo:
na escrita de símbolos de unidades de
medida: km (quilômetro), kg (quilograma), W
(watt);
na escrita de palavras e nomes estrangei-
ros (e seus derivados): show, playboy, play-
ground, windsurf, kung fu, yin, yang, William, kai-
ser, Kafka, kafkiano.
Trema
Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre
a letra u para indicar que ela deve ser pronuncia-
da nos grupos gue, gui, que, qui.
Como era Como fica
Agüentar Aguentar
Argüir Arguir
Bilíngüe Bilíngue
Cinqüenta Cinquenta
Delinqüente Delinquente
Eloqüente Eloquente
Ensangüentado Ensanguentado
Eqüestre Equestre
Freqüente Frequente
Lingüeta Lingueta
Lingüiça Linguiça
Qüinqüênio Quinquênio
Sagüi Sagui
Seqüência Sequência
Seqüestro Sequestro
Tranqüilo Tranquilo
Atenção: o trema permanece apenas nas pala-
vras estrangeiras e em suas derivadas. Exem-
plos: Müller, mülleriano.
Mudanças nas Regras de Acentuação
1. Não se usa mais o acento dos ditongos abertos
éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que
têm acento tônico na penúltima sílaba).
Como era Como fica
Alcalóide Alcaloide
Alcatéia Alcateia
Andróide Androide
Apóia (verbo apoiar)apoia
Apóio (verbo apoiar)apoio
Asteróide Asteroide
Bóia Boia
Celulóide Celuloide
Clarabóia Claraboia
Colméia Colmeia
Coréia Coreia
Debilóide Debiloide
Epopéia Epopeia
Estóico Estoico
Estréia Estreia
Estréio (verbo estrear) Estreio
Geléia Geleia
Heróico Heroico
Idéia Ideia
Jibóia Jiboia
25
Jóia Joia
Odisséia Odisseia
Paranóia Paranoia
Paranóico Paranoico
Platéia Plateia
Tramóia Tramoia
Atenção: essa regra é válida somente para pala-
vras paroxítonas. Assim, continuam a ser acentu-
adas as palavras oxítonas e os monossílabos
tônicos terminados em éis e ói(s). Exemplos: pa-
péis, herói, heróis, dói (verbo doer), sóis etc.
2. Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o
acento no i e no u tônicos quando vierem depois
de um ditongo.
Como era Como fica
Baiúca Baiuca
Bocaiúva Bocaiuva*
Cauíla Cauila**
* Bacaiuva = certo tipo de palmeira
**Cauila = avarento
Atenção:
Se a palavra for oxítona e o i ou o u estive-
rem em posição final (ou seguidos de s), o acento
permanece. Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí;
Se o i ou o u forem precedidos de ditongo
crescente, o acento permanece. Exemplos: guaí-
ba, Guaíra.
3. Não se usa mais o acento das palavras termi-
nadas em êem e ôo(s).
Como era Como fica
Abençôo Abençoo
Crêem (verbo crer) Creem
Dêem (verbo dar) Deem
Dôo (verbo doar) Doo
Enjôo Enjoo
Lêem (verbo ler) Leem
Magôo (verbo magoar) Magoo
Perdôo (verbo perdoar) Perdoo
Povôo (verbo povoar) Povoo
Vêem (verbo ver) Veem
Vôos Voos
Zôo Zoo
4. Não se usa mais o acento que diferenciava os
pares pára/para, péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s),
pólo(s)/polo(s) e pêra/pera.
Como era Como fica
Ele pára o carro. Ele para o carro.
Ele foi ao pólo Norte. Ele foi ao polo Norte.
Ele gosta de jogar pólo. Ele gosta de jogar polo.
Esse gato tem pêlos
brancos.
Esse gato tem pelos
brancos.
Comi uma pêra. Comi uma pera.
Atenção:
Permanece o acento diferencial em pô-
de/pode. Pôde é a forma do passado do verbo
poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3ª pes-
soa do singular. Pode é a forma do presente do
indicativo, na 3ª pessoa do singular.
Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo,
mas hoje ele pode.
Permanece o acento diferencial em pôr/por.
Pôr é verbo. Por é preposição. Exemplo: Vou pôr
o livro na estante que foi feita por mim.
Permanecem os acentos que diferenciam o
singular do plural dos verbos ter e vir, assim co-
mo de seus derivados (manter, deter, reter, con-
ter, convir, intervir, advir etc.).
26
Exemplos:
Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros.
Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm de Sorocaba.
Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra.
Ele convém aos estudantes. / Eles convêm aos
estudantes.
Ele detém o poder. / Eles detêm o poder.
Ele intervém em todas as aulas. / Eles intervêm
em todas as aulas.
É facultativo o uso do acento circunflexo para
diferenciar as palavras forma/fôrma. Em alguns
casos, o uso do acento deixa a frase mais clara.
Veja este exemplo: Qual é a forma da fôrma do
bolo?
5. Não se usa mais o acento agudo no u tônico
das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles) arguem,
do presente do indicativo dos verbos arguir e
redarguir.
6. Há uma variação na pronúncia dos verbos ter-
minados em guar, quar e quir, como aguar, ave-
riguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar,
delinquir etc. Esses verbos admitem duas pro-
núncias em algumas formas do presente do indi-
cativo, do presente do subjuntivo e também do
imperativo. Veja:
Se forem pronunciadas com a ou i tônicos,
essas formas devem ser acentuadas.
Exemplos:
verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua,
enxáguam; enxágue, enxágues, enxáguem.
verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque,
delínquem; delínqua, delínquas, delínquam.
Se forem pronunciadas com u tônico, es-
sas formas deixam de ser acentuadas.
Exemplos (a vogal sublinhada é tônica, isto é,
deve ser pronunciada mais fortemente que as
outras):
verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua,
enxaguam; enxague, enxagues, enxaguem.
verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque,
delinquem; delinqua, delinquas, delinquam.
Atenção: no Brasil, a pronúncia mais corrente é a
primeira, aquela com a e i tônicos.
Uso Do Hífen Com Compostos
1. Usa-se o hífen nas palavras compostas que
não apresentam elementos de ligação. Exemplos:
guarda-chuva, arco-íris, boa-fé, segunda-feira,
mesa-redonda, vaga-lume, joão-ninguém, porta-
malas, porta-bandeira, pão-duro, bate-boca.
*Exceções: Não se usa o hífen em certas pala-
vras que perderam a noção de composição, como
girassol, madressilva, mandachuva, pontapé,
paraquedas, paraquedista, paraquedismo.
2. Usa-se o hífen em compostos que têm pala-
vras iguais ou quase iguais, sem elementos de
ligação. Exemplos: reco-reco, blá-blá-blá, zum-
zum, tico-tico, tique-taque, cri-cri, glu-glu, rom-
rom, pingue-pongue, zigue-zague, esconde-
esconde, pega-pega, corre-corre.
3. Não se usa o hífen em compostos que apre-
sentam elementos de ligação. Exemplos: pé de
moleque, pé de vento, pai de todos, dia a dia, fim
de semana, cor de vinho, ponto e vírgula, camisa
de força, cara de pau, olho de sogra.
Incluem-se nesse caso os compostos de base
oracional. Exemplos: maria vai com as outras,
leva e traz, diz que diz que, deus me livre, deus
nos acuda, cor de burro quando foge, bicho de
sete cabeças, faz de conta.
* Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-
de-rosa, mais-que-perfeito,pé-de-meia, ao deus-
dará, à queima-roupa.
4. Usa-se o hífen nos compostos entre cujos ele-
mentos há o emprego do apóstrofo. Exemplos:
gota-d'água, pé-d'água.
5. Usa-se o hífen nas palavras compostas deriva-
das de topônimos (nomes próprios de lugares),
com ou sem elementos de ligação. Exemplos:
Belo Horizonte - belo-horizontino
Porto Alegre - porto-alegrense
Mato Grosso do Sul - mato-grossense-do-sul
Rio Grande do Norte - rio-grandense-do-norte
Õfrica do Sul - sul-africano
6. Usa-se o hífen nos compostos que designam
espécies animais e botânicos (nomes de plantas,
flores, frutos, raízes, sementes), tenham ou não
elementos de ligação. Exemplos: bem-te-vi, pei-
xe-espada, peixe-do-paraíso, mico-leão-dourado,
andorinha-da-serra, lebre-da-patagônia, erva-
doce, ervilha-de-cheiro, pimenta-do-reino, peroba-
do-campo, cravo-da-índia.
Obs.: não se usa o hífen, quando os compostos
que designam espécies botânicas e zoológicas
são empregados fora de seu sentido original.
Observe a diferença de sentido entre os pares:
a) bico-de-papagaio (espécie de planta orna-
mental) - bico de papagaio (deformação nas
vértebras).
27
b) olho-de-boi (espécie de peixe) - olho de boi
(espécie de selo postal).Uso do hífen com prefi-
xos
As observações a seguir referem-se ao uso do
hífen em palavras formadas por prefixos (anti,
super, ultra, sub etc.) ou por elementos que po-
dem funcionar como prefixos (aero, agro, auto,
eletro, geo, hidro, macro, micro, mini, multi, neo
etc.).
Casos Gerais
1. Usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h.
Exemplos:
Anti-higiênico
Anti-histórico
Macro-história
Mini-hotel
Proto-história
Sobre-humano
super-homem
ultra-humano
2. Usa-se o hÃfen se o prefixo terminar com a
mesma letra com que se inicia a outra palavra.
Exemplos:
Micro-ondas
anti-inflacionã¡rio
sub-bibliotecã¡rio
inter-regional
3. Não se usa o hífen se o prefixo terminar com
letra diferente daquela com que se inicia a outra
palavra.
Exemplos:
Autoescola
antiaéreo
intermunicipal
supersônico
superinteressante
agroindustrial
aeroespacial
semicírculo
* Se o prefixo terminar por vogal e a outra palavra
começar por r ou s, dobram-se essas letras.
Exemplos:
Minissaia
antirracismo
ultrassom
semirreta
Casos Particulares
1. Com os prefixos sub e sob, usa-se o hífen
também diante de palavra iniciada por r. Exem-
plos:
Sub-região
Sub-reitor
Sub-regional
Sob-roda
2. Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen
diante de palavra iniciada por m, n e vogal. E-
xemplos:
Circum-murado
Circum-navegação
Pan-americano
3. Usa-se o hífen com os prefixos ex, sem, além,
aquém, recém, pós, pré, pró, vice.
Exemplos:
Além-mar
além-túmulo
aquém-mar
ex-aluno
ex-diretor
ex-hospedeiro
ex-prefeito
ex-presidente
pós-graduação
pré-história
pré-vestibular
pró-europeu
recém-casado
recém-nascido
sem-terra
vice-rei
4. O prefixo co junta-se com o segundo elemento,
mesmo quando este se inicia por o ou h. Neste
último caso, corta-se o h. Se a palavra seguinte
começar com r ou s, dobram-se essas letras.
Exemplos:
coobrigação
coedição
coeducar
cofundador
coabitação
coerdeiro
corréu
corresponsável
cosseno
5. Com os prefixos pre e re, não se usa o hífen,
mesmo diante de palavras começadas por e.
Exemplos:
preexistente
preelaborar
28
reescrever
reedição
6. Na formação de palavras com ab, ob e ad,
usa-se o hífen diante de palavra começada por b,
d ou r.
Exemplos:
ad-digital
ad-renal
ob-rogar
ab-rogar
Outros Casos Do Uso Do Hífen
1. Não se usa o hífen na formação de palavras
com não e quase.
Exemplos:
(acordo de) não agressão
(isto é um) quase delito
2. Com mal*, usa-se o hífen quando a palavra
seguinte começar por vogal, h ou l.
Exemplos:
mal-entendido
mal-estar
mal-humorado
mal-limpo
* Quando mal significa doença, usa-se o hífen se
não houver elemento de ligação. Exemplo: mal-
francês. Se houver elemento de ligação, escreve-
se sem o hífen. Exemplos: mal de lázaro, mal de
sete dias.
3. Usa-se o hífen com sufixos de origem tupi-
guarani que representam formas adjetivas, como
açu, guaçu, mirim.
Exemplos:
capim-açu
amoré-guaçu
anajá-mirim
4. Usa-se o hífen para ligar duas ou mais pala-
vras que ocasionalmente se combinam, formando
não propriamente vocábulos, mas encadeamen-
tos vocabulares.
Exemplos:
ponte Rio-Niterói
eixo Rio-São Paulo
5. Para clareza gráfica, se no final da linha a par-
tição de uma palavra ou combinação de palavras
coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na
linha seguinte.
Exemplos:
Na cidade, conta--se que ele foi viajar.
O diretor foi receber os ex--alunos.
Emprego de Letras
O conjunto de letras empregadas na comunica-
ção escrita chama-se alfabeto. O alfabeto da
Língua Portuguesa é composto de 23 letras sen-
do cinco vogais e dezoito consoantes.
As letras K, W e Y não integram o nosso alfabeto,
mas são aceitas em abreviaturas, símbolos e na
grafia de palavras estrangeiras, habitualmente
utilizadas no vocabulário cotidiano e que ainda
não foram traduzidas para o nosso idioma.
Divisão Silábica
A divisão das sílabas em português se faz, de um
modo geral, obedecendo à pronúncia das pala-
vras. Para tal, devem ser levadas em conta as
seguintes regras.
1. Não se separam os ditongos e tritongos.
Ex.: pei-xe, pau-sa, te-sou-ro, en-cai-xar, i-guais,
Pa-ra-guai, sa-guão
2. Separam-se os hiatos.
Ex.: ru-í-do, sa-ú-de, en-jô-o, co-or-de-nar
3. Separam-se os dígrafos RR, SS, SC, SÇ e XC
Ex.: car-ro, pas-so, nas-cer, nas-ça, ex-ce-der
Obs.: Os demais dígrafos da língua (nh, lh, ch, qu
etc.) não admitem separação.
Ex.: fi-lho, que-ro, fi-cha
4. Quanto aos encontros consonantais, temos:
a. próprios ou inseparáveis (quando a última
vogal é l ou r)
Ex.: a-tle-ta, a-gra-dar, a-bra-çar (br)
b. impróprios ou separáveis (deve ser separado,
sendo a última consoante destacada para formar
sílaba com a vogal seguinte)
Ex.: rit-mo, ad-vo-ga-do, dig-no (gn), su-pers-tição
(rst), felds-pa-to (ldsp)
29
5. Separam-se as letras r e s dos prefixos quando
a palavra a que eles se ligam começa por vogal.
Ex.: su-pe-ra-bun-dan-te, bi-sa-vô, su-per-mer-ca-
do, bis-ne-to
6) Separa-se a letra b do prefixo sub quando a
palavra a que ele se liga começa por vogal.
Ex.: su-ba-é-reo, su-bo-fi-ci-al, sub-se-ção, sub-
te-nen-te
6. Quando a palavra termina em fonemas vocáli-
cos, temos várias possibilidades.
I) Um ditongo Ex.: se-cre-tá-ria
II) Um hiato Ex.: se-cre-ra-ri-a
Emprego do Hífen
O hífen é um sinal gráfico cujo emprego requer
cuidado.
I) Emprega-se o hífen em formas verbais com
pronome átono enclítico ou mesoclítico.
Ex.: admiti-lo, depô-los, levá-la-ei, pedi-las-á
II) Usa-se o hífen em substantivos ou adjetivos
compostos.
Ex.: guarda-roupa, amor-perfeito, surdo-mudo
III) Usa-se o hífen em palavras formadas por pre-
fixação, conforme as regras seguintes.
1. pseudo, semi, infra, contra, auto, neo, extra,
proto, intra, ultra, supra: antes de H, R, S, ou
VOGAL.
Ex.: proto-história, neo-romântico, pseudo-sábio,
semi-árido
A exceção é a palavra extraordinário.
2. ante, anti, arqui, sobre: antes de H, R ou S.
Ex.: sobre-humano, anti-rábico, ante-socrático
São exceções: sobressair (e flexões), sobressal-
tar (e flexões), sobressalto.
3. super, inter, hiper: antes de H ou R.
Ex.: super-homem, inter-relacionamento
4. mal, pan, circum: antes de H ou VOGAL.
Ex.: mal-educado, pan-helenismo, circum-
hospitalar
5. ab, ad, ob, sob, sub: antes de R.
Ex.:ab-rogar, ad-rogar, ob-repção,
6. pré, pró, pós, além, aquém, recém: sempre
com hífen.
Ex.: pré-militar, pós-guerra, além-túmulo, aquém-
mar, recém-casado
Se os prefixos pré, pró e pós não forem acentua-
dos, não haverá hífen.
Ex.: preexistente, prorrogar, pospor.
São exceções as palavras alentejo, alentejano,
aquentejo, aquentejano.
7. bem, sem: sempre com hífen.
Ex.: bem-aventurança, sem-teto.
São exceções as palavras benfeitor, benfeitoria,
benquisto, benfazejo.
8. vice, ex (significando "o que não é mais"):
sempre com hífen.
Ex.: vice-presidente, ex-deputado
9. sota, soto: sempre com hífen.
Ex.: sota-piloto, soto-mestre
Excetuam-se as palavras sotavento e sotopor
10. bi, di, tri, poli, re, uni, macro, micro, mini:
sempre sem hífen.
Ex.: bicampeão, polissílabo, redistribuir, acroeco-
nomia, minissaia.
Existem expressões em que se pode usar o hífen
ou não, dependendo do sentido. Neste caso,
ocorrerá o hífen se se tratar de um nome compos-
to:
Fizeram tudo sem vergonha (destituídos de ver-
gonha)
Meu vizinho é um sem-vergonha
Ele é bem-educado.
Ele foi bem educado pelos pais.
O ar-condicionado está com defeito.
Não me sinto bem no ar condicionado.
As crianças brincavam de cabra-cega.
Tenho uma cabra cega.
Comprei um ótimo dois-quartos.
30
Minha casa tem dois quartos.
Aqui há um sem-número de equívocos.
Era uma propriedade sem número.
Era uma pessoa à-toa.
Todos ali viviam à toa.
Comi um delicioso pé-de-moleque.
Pé de moleque está sempre machucado.
O seu dia-a-dia foi complicado.
Progrediremos dia a dia.
O candidato partiu para o corpo-a-corpo.
Os atletas disputaram corpo a corpo.
Expressões que suscitam dúvidas:
Com Hífen
Azeite-de-dendê, erva-mate, bem-estar, jardim-
de-infância, bem-vindo, livre-arbítrio, boa-fé, má-
fé, capim-gordura, mala-direta, capim-limão,
maus-tratos, cartão-postal, obra-de-arte, dona-de-
casa, pôr-do-sol, dor-de-cotovelo (gír.), tão-só,
edifício-garagem, tão-somente, erva-cidreira,
zero-quilômetro, erva-doce,
Sem Hífen
Aperto de mão, dor de ouvido, azeite de oliva, má
vontade, boa vontade, marcha a ré, bom senso,
meio ambiente, cadeira de balanço, óleo de soja,
cartão de crédito, óleo de milho, chefe de família,
olho mágico, disco voador, pai de família, dor de
dente, ponto de vista, dor de garganta, sangue
frio, ser humano.
Pronomes
Pronome é a palavra variável em gênero, número
e pessoa que substitui ou acompanha o nome,
indicando-o como pessoa do discurso. Quando o
pronome substituir um substantivo, será deno-
minado pronome substantivo; quando acompa-
nhar um substantivo, será denominado pronome
adjetivo. Por exemplo, na frase Aqueles garotos
estudam bastante; eles serão aprovados com
louvor. Aqueles é um pronome adjetivo, pois a-
companha o substantivo garotos eeles é um pro-
nome substantivo, pois substitui o mesmo subs-
tantivo.
Pronome Substantivo X Pronome Adjetivo
Esta classificação pode ser atribuída a qualquer
tipo de pronome, podendo variar em função do
contexto frasal.
Pron. Substantivo: substitui um substantivo, re-
presentando-o. (ele prestou socorro)
Pron. Adjetivo: acompanha um substantivo, de-
terminando-o. (Aquele rapaz é belo)
Obs.: Os pronomes pessoais são sempre subs-
tantivos
Pessoas Do Discurso
São três:
1ª pessoa: aquele que fala emissor
2ª pessoa: aquele com quem se fala receptor
3ª pessoa: aquele de que ou de quem se fala,
referente
Tipos De Pronomes
· pessoal
· possess
ivo
· demonstra
tivo
· relativo
· indefinid
o
· interroga
tivo
Pessoal
Indicam uma das três pessoas do discurso, subs-
tituindo um substantivo. Podem também repre-
sentar, quando na 3ª pessoa, uma forma nominal
anteriormente expressa.
Ex.:A moça era a melhor secretária, ela mesma
agendava os compromissos do chefe.
Apresentam variações de forma dependendo da
função sintática que exercem na frase, dividindo-
se em retos e oblíquos.
Pronomes pessoais
Número Pessoa Pronomes
retos
Pronomes oblí-
quos
Tônicos Átonos
Singular
1a.
2a.
3a.
Eu
tu
ele, ela
Mim,
comigo
ti, contigo
ele, ela,
si, consi-
go
Me
te
se, o,
a, lhe
31
Plural
1a.
2a.
3a.
Nós
vós
eles, elas
Nós,
conosco
vós, con-
vosco
eles,
elas, si,
consigo
Nos
vos
se, os,
as,
lhes
Os pron. pessoais retos desempenham, normal-
mente, função de sujeito; enquanto os oblíquos,
geralmente, de complemento.
Obs.: os pron. oblíquos tônicos devem vir regidos
de preposição.
Em comigo, contigo, conosco econvosco, a pre-
posição com já é parte integrante do pronome.
Os pron. de tratamento estão enquadrados nos
pron. pessoais. São empregados como referência
à pessoa com quem se fala (2ª pess.), entretanto,
a concordância é feita com a 3ª pess.
Abrev. Tratamento Uso
V. A. Vossa Alteza Príncipes, arqui-
duques, duques
V. Em.ª Vossa Eminência Cardeais
V. Ex.ª Vossa Excelência Altas autoridades
do governo e das
classes armadas
V. Mag.ª Vossa Magnificên-
cia
Reitores das uni-
versidades
V. M. Vossa Majestade Reis, imperadores
V.
Rev.
ma
Vossa Reverendís-
sima
Sacerdotes em
geral
V. S. Vossa Santidade Papas
V. S.ª Vossa Senhoria Funcionários pú-
blicos graduados,
oficiais até coro-
nel, pessoas de
cerimônia
Obs.: também são considerados pron. de trata-
mento as formas você, vocês (provenientes da
redução de Vossa Mercê), Senhor, Senhora e
Senhorita.
Emprego
· você hoje é usado no lugar das 2
as
pessoas
(tu/vós), levando o verbo para a 3ª pessoa
· as formas de tratamento serão precedidas
de Vossa, quando nos dirigirmos diretamente à
pessoa e de Sua, quando fizermos referência a
ela. Troca-se na abreviatura o V. pelo S.
· quando precedidos de preposição, os pron.
retos (exceto eu e tu) passam a funcionar como
oblíquos
· os pron. acompanhados das pala-
vras só ou todos assumem a forma reta (Estava
só ele no banco / Encontramos todos eles ali)
· as formas oblíquas o, a, os, as não vêm
precedidas de preposição; enquan-
to lhe e lhes vêm regidos das preposi-
ções a ou para (não expressas)
· eu e tu não podemos vir precedidos de
preposição, exceto se funcionarem como sujeito
de um verbo no infinitivo (Isto é para eu fazer ?
para mim fazer)
· me, te, se, nos, vos - podem ter valor refle-
xivo
· se, nos, vos - podem ter valor reflexivo e
recíproco
· si e consigo - têm valor exclusivamente
reflexivo
· conosco e convosco devem aparecer na
sua forma analítica (com nós e com vós) quando
vierem com modificadores (todos, outros, mes-
mos, próprios ou um numeral)
· o, a, os e as viram lo(a/s), quando associa-
dos a verbos terminados em r, s ou z e viram-
no(a/s), se a terminação verbal for em ditongo
nasal
· os pron. pess. retos podem desempenhar
função de sujeito, predicativo do sujeito ou vocati-
vo, este último com tu e vós (Nós temos uma
proposta / Eu sou eu e pronto / Ó, tu, Senhor
Jesus)
· pode-se omitir o pron. sujeito, pois as
DNPs verbais bastam para indicar a pessoa gra-
matical
· plural de modéstia - uso do "nós" em lugar
do "eu", para evitar tom impositivo ou pessoal
· num sujeito composto é de bom tom colo-
car o pron. de 1ª pess. por último (José, Maria e
eu fomos ao teatro). Porém se for algo desagra-
dável ou que implique responsabilidade, usa-se
inicialmente a 1ª pess. (Eu, José e Maria fomos
os autores do erro)
· não se pode contrair as preposi-ções de e em com pronomes que sejam sujeitos
32
(Em vez de ele continuar, desistiu ? Vi as bolsas
dele bem aqui)
· os pronomes átonos podem assumir valor
possessivo (Levaram-me o dinheiro)
Obs.: as regras de colocação dos pronomes pes-
soais do caso oblíquos átonos serão vistas em
separado
Possessivo
Fazem referência às pessoas do discurso, apre-
sentando-as como possuidoras de algo. Concor-
dam em gênero e número com a coisa possuída.
Pronomes possessivos
Pessoa Um possuidor Vários possui-
dores
1ª Meu (s), minha
(s)
Nosso (a/s)
2ª Teu (a/s) Vosso (a/s)
3ª Seu (a/s) Seu (a/s)
Emprego
· normalmente, vem antes do nome a que se
refere; podendo, também, vir depois do substanti-
vo que determina. Neste último caso, pode até
alterar o sentido da frase
· seu (a/s) pode causar ambigüidade, para
desfazê-la, deve-se preferir o uso do dele
(a/s)(Ele disse que Maria estava trancada
em sua casa - casa de quem?)
· pode indicar aproximação numérica (ele
tem lá seus 40 anos)
· nas expressões do tipo "Seu João", seu
não tem valor de posse por ser uma alteração
fonética de Senhor
Demonstrativo
Indicam posição de algo em relação às pessoas
do discurso, situando-o no tempo e/ou no espaço.
São: este (a/s), isto, esse (a/s), isso, aquele (a/s),
aquilo.
Mesmo, próprio, semelhante, tal e o (a/s) podem
desempenhar papel de pron. demonstrativo.
Emprego
· indicando localização no espaço -
este (aqui), esse (aí) e aquele (lá)
· indicando localização temporal -
este (presente), esse (passado próximo)
e aquele (passado remoto ou bastante vago)
· fazendo referência ao que já foi ou será
dito no texto - este (ainda se vai falar) e esse (já
mencionado)
· o, a, os, as são demonstrativos quando
equivalem a aquele (a/s)
· tal é demonstrativo se puder ser substituído
por esse (a), este (a) ou aquele (a)
· mesmo e próprio são demonstrativos
quando significarem "idêntico" ou "em pessoa".
Concordam com o nome a que se referem
· podem apresentar valor intensificador ou
depreciativo, dependendo do contexto frasal (Ele
estava com aquela paciência / Aquilo é um mari-
do de enfeite)
· nisso e nisto (em + pron.) podem ser usa-
dos com valor de "então" ou "nesse momen-
to"(Nisso, ela entrou triunfante)
Relativo
Retoma um termo expresso anteriormente (ante-
cedente).
São eles que, quem e onde - invariáveis; além
de o qual (a/s), cujo (a/s) e quanto (a/s).
Emprego
· quem será precedido de preposição se
estiver relacionado a pessoas ou seres personifi-
cados
· quem = relativo indefinido quando é em-
pregado sem antecedente claro, não vindo prece-
dido de preposição
· cujo (a/s) é empregado para dar a idéia de
posse e não concorda com o antecedente e sim
com seu conseqüente
· quanto (a/s) normalmente tem por antece-
dente os pronomes indefinidos tudo, tanto (a/s)
Indefinido
Referem-se à 3ª pessoa do discurso quando con-
siderada de modo vago, impreciso ou genérico.
Podem fazer referência a pessoas, coisas e luga-
res. Alguns também podem dar idéia de conjunto
ou quantidade indeterminada.
Pronomes indefinidos
33
Pessoas Quem, alguém, ninguém, outrem
Lugares Onde, algures, alhures, nenhures
Coisas Que, qual, quais, algo, tudo, nada,
todo (a/s), algum (a/s), vários (a),
nenhum (a/s), certo (a/s), outro (a/s),
muito (a/s), pouco (a/s), quanto (a/s),
um (a/s), qualquer (s), cada
Emprego
· algum, após o substantivo a que se refere,
assume valor negativo (= nenhum) (Computador
algum resolverá o problema)
· cada deve ser sempre seguido de um subs-
tantivo ou numeral (Elas receberam 3 balas cada
uma)
· certo é indefinido se vier antes do nome a
que estiver se referindo. Caso contrário é adjetivo
(Certas pessoas deveriam ter seus lugares cer-
tos)
· bastante pode vir como adjetivo também,
se estiver determinando algum substantivo
· o pronome outrem equivale a "qualquer
pessoa"
· o pronome nada, colocado junto a verbos
ou adjetivos, pode equivaler a advérbio (Ele não
está nada contente hoje)
· o pronome outro (a/s) ganha valor adjetivo
se equivaler a diferente" (Ela voltou outra das
férias)
· existem algumas locuções pronominais
indefinidas - quem quer que seja, seja quem for,
cada um etc.
Interrogativo
Usados na formulação de uma pergunta direta ou
indireta. Referem-se à 3ª pessoa do discurso.
Na verdade, são os pronomes indefinidos que,
quem, qual (a/s) e quanto (a/s) em frases interro-
gativas. (Quantos livros você tem? / Não sei
quem lhe contou)
Flexão
É a variação de forma e, conseqüentemente, de
significado de uma palavra.
* Flexão de Gênero
Gênero é o termo que a gramática utiliza para
enquadrar as palavras variáveis da língua em
masculinas e femininas. Temos os gêneros mas-
culinos e femininos.
As classes de palavras que apresentam flexão de
gênero são: substantivo, adjetivo, artigo, pronome
e numeral.
- palavras do gênero masculino.
Seres animais: moço, menino, leão, gato, cantor.
Coisas: pente, lápis, disco, amor, mar.
- palavras do gênero feminino.
Seres animais: moça, menina, leoa, gata, cantora.
Coisas: colher, revista, fumaça, raiva, chuva.
As demais palavras que admitem esse tipo de
flexão (artigo, adjetivo, pronome e numeral) a-
companham o gênero do substantivo a que se
referem. Exemplos:
As crianças órfãs.
Pequenos índios.
Esses meninos.
Duas crianças.
* Flexão de Número
As palavras variáveis podem mudar sua termina-
ção para indicar singular ou plural. Apresentam
flexão de número: o substantivo, o artigo, o adje-
tivo, o numeral e o verbo.
Exemplo:
Sua irmã sofreu um arranhão. (singular)
Suas irmãs sofreram uns arranhões. (plural)
OBS:
1) A flexão de gênero e de número do substantivo
implica flexão correspondente do adjetivo.
Alunos espertos
Subst. Adj.
Masc. Pl. Masc. Pl.
2) Há casos de erro de concordância em que a
concordância de número pode não acontecer de
fato e um dos termos pode ficar sem flexão numé-
rica.
Tinha mãos grande.
Achei coisas meio esquisita por aqui...
34
* Flexão de Grau
São as mudanças efetuadas na terminação para
indicar tamanho (nos substantivos) e intensidade
(nos adjetivos).
O menino estava nervoso.
O menininho estava nervoso.
O menino estava nervosíssimo.
O grau pode expressar estado emotivo e não
somente intensidade ou tamanho:
Que doutorzinho, hein ! (ironia)
Filhinho, venha cá. (carinho)
O advérbio, embora seja uma palavra invariável,
admite flexão de grau:
O fato aconteceu cedo. (advérbio não flexionado)
O fato aconteceu cedinho. (advérbio flexionado)
Pronomes Pessoais
Os pronomes pessoais são aqueles que indicam
uma das três pessoas do discurso: a que fala, a
com quem se fala e a de quem se fala.
Pronomes Pessoais Do Caso Reto
Pronomes pessoais do caso reto são os que de-
sempenham a função sintática de sujeito da ora-
ção. São os pronomes: eu, tu, ele, ela, nós, vós
eles, elas.
Pronomes Pessoais Do Caso Oblíquo
São os que desempenham a função sintática de
complemento verbal (objeto direto ou indireto),
complemento nominal, agente da passiva, adjunto
adverbial, adjunto adnominal ou sujeito acusativo
(sujeito de oração reduzida).
Os pronomes pessoais do caso oblíquo se subdi-
videm em dois tipos: os átonos, que não são
antecedidos por preposição, e os tônicos, prece-
didos por preposição.
Pronomes oblíquos átonos:Os pronomes oblíquos átonos são os seguin-
tes: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes.
Pronomes oblíquos tônicos:
Os pronomes oblíquos tônicos são os seguin-
tes: mim, comigo, ti, contigo, ele, ela, si, con-
sigo, nós, conosco, vós, convosco, eles, elas.
Usos dos Pronomes Pessoais
01) Eu, tu / Mim, ti
Eu e tu exercem a função sintática de sujei-
to. Mim e ti exercem a função sintática de com-
plemento verbal ou nominal, agente da passiva
ou adjunto adverbial e sempre são precedidos de
preposição.
Ex.
Trouxeram aquela encomenda para mim.
Era para eu conversar com o diretor, mas não
houve condições.
Agora, observe a oração Sei que não será fácil
para mim conseguir o empréstimo. O prono-
me mim NÃO é sujeito do verbo conseguir, como
à primeira vista possa parecer.
Analisando mais detalhadamente, teremos o se-
guinte: O sujeito do verbo ser é a ora-
ção conseguir o empréstimo, pois que não
será fácil?
Resposta: conseguir o empréstimo, portanto há
uma oração subordinada substantiva subjetiva
reduzida de infinitivo, que é a oração que funcio-
na como sujeito, tendo o verbo no infinitivo. O
verbo ser é verbo de ligação, portanto fácil é
predicativo do sujeito. O adjetivo fácil exige um
complemento, pois conseguir o empréstimo
não será fácil para quem?
Resposta: para mim, que funciona como com-
plemento nominal. Ademais a ordem direta da
oração é esta: Conseguir o empréstimo não
será fácil para mim.
02) Se, si, consigo
Se, si, consigo são pronomes reflexivos ou recí-
procos, portanto só poderão ser usados na voz
reflexiva ou na voz reflexiva recíproca.
Ex.
Quem não se cuida, acaba ficando doente.
Quem só pensa em si, acaba ficando sozinho.
Gilberto trouxe consigo os três irmãos.
03) Com nós, com vós / Conosco, convosco
Usa-se com nós ou com vós, quando, à frente,
surgir qualquer palavra que indique quem "somos
nós" ou quem "sois vós".
Ex.
35
Ele conversou com nós todos a respeito de seus
problemas.
Ele disse que sairia com nós dois.
04) Dele, do + subst. / De ele, de o + subst.
Quando os pronomes pessoais ele(s), ela(s), ou
qualquer substantivo, funcionarem como sujeito,
não devem ser aglutinados com a preposição de.
Ex.
É chegada a hora de ele assumir a responsabili-
dade.
No momento de o orador discursar, faltou-lhe a
palavra.
05) Pronomes Oblíquos Átonos
Os pronomes oblíquos átonos são me, te, se, o,
a, lhe, nos, vos, os as, lhes. Eles podem exercer
diversas funções sintáticas nas orações. São
elas:
A) Objeto Direto
Os pronomes que funcionam como objeto direto
são me, te, se, o, a, nos, vos, os, as.
Ex.
Quando encontrar seu material, traga-o até mim.
Respeite-me, garoto.
Levar-te-ei a São Paulo amanhã.
Notas:
01) Se o verbo for terminado em M, ÃO ou ÕE, os
pronomes o, a, os, as se transformarão emno,
na, nos, nas.
Ex.
Quando encontrarem o material, tragam-no até
mim.
Os sapatos, põe-nos fora, para aliviar a dor.
02) Se o verbo terminar em R, S ou Z, essas ter-
minações serão retiradas, e os pronomes o, a,
os, as mudarão para lo, la, los, las.
Ex.
Quando encontrarem as apostilas, deverão trazê-
las até mim.
As apostilas, tu perde-las toda semana. (Pronun-
cia-se pérde-las)
As garotas ingênuas, o conquistador sedu-las
com facilidade.
03) Independentemente da predicação verbal, se
o verbo terminar em mos, seguido de nos ou
devos, retira-se a terminação -s.
Ex.
Encontramo-nos ontem à noite.
Recolhemo-nos cedo todos os dias.
04) Se o verbo for transitivo indireto terminado
em s, seguido de lhe, lhes, não se retira a termi-
nação s.
Ex.
Obedecemos-lhe cegamente.
Tu obedeces-lhe?
B) Objeto Indireto
Os pronomes que funcionam como objeto indireto
são me, te, se, lhe, nos, vos, lhes.
Ex.
Traga-me as apostilas, quando as encontrar.
Obedecemos-lhe cegamente.
C) Adjunto adnominal
Os pronomes que funcionam como adjunto ad-
nominal são me, te, lhe, nos, vos, lhes, quando
indicarem posse (algo de alguém).
Ex.
Quando Clodoaldo morreu, Soraia recebeu-lhe a
herança. (a herança dele)
Roubaram-me os documentos. (os documentos
de alguém - meus)
D) Complemento nominal
Os pronomes que funcionam como complemento
nominal são me, te, lhe, nos, vos, lhes, quando
complementarem o sentido de adjetivos, advér-
bios ou substantivos abstratos. (algo a alguém,
não provindo a preposição a de um verbo).
Ex.
Tenha-me respeito. (respeito a alguém)
É-me difícil suportar tanta dor. (difícil a alguém)
E) Sujeito acusativo
36
Os pronomes que funcionam como sujeito acusa-
tivo são me, te, se, o, a, nos, vos, os, as, quan-
do estiverem em um período composto formado
pelos verbos fazer, mandar, ver, deixar, sen-
tir ou ouvir, e um verbo no infinitivo ou no ge-
rúndio.
Ex.
Deixei-a entrar atrasada.
Mandaram-me conversar com o diretor.
Pronomes Relativos
O Pronome Relativo Que
Este pronome deve ser utilizado com o intuito de
substituir um substantivo (pessoa ou "coisa"),
evitando sua repetição. Na montagem do período,
deve-se colocá-lo imediatamente após o substan-
tivo repetido, que passará a ser chamado de e-
lemento antecedente.
Por exemplo, nas orações Roubaram a peça. A
peça era rara no Brasil há o substantivo peça-
repetido. Pode-se usar o pronome relativo que e,
assim, evitar a repetição de peça.
O pronome será colocado após o substantivo.
Então teremos Roubaram a peça que... Es-
te que está no lugar da palavra peça da outra
oração. Deve-se, agora, terminar a outra ora-
ção: ...era rara no Brasil, ficando
Roubaram a peça que era rara no Brasil.
Pode-se, também, iniciar o período pela outra
oração, colocando o pronome após o substantivo.
Então, tem-se A peça que... Este que está no
lugar da palavra peça da outra oração. Deve-se,
agora, terminar a outra oração: ...roubaram, fi-
cando A peça que roubaram... . Finalmente,
conclui-se a oração que se havia iniciado: ...era
rara no Brasil, ficando
A peça que roubaram era rara no Brasil.
Outros exemplos:
01) Encontrei o garoto. Você estava procurando o
garoto.
Substantivo repetido = garoto
Colocação do pronome após o substantivo = En-
contrei o garoto que ...
Restante da outra oração = ... Você estava procu-
rando.
Junção de tudo = Encontrei o garoto que você
estava procurando.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = Vo-
cê estava procurando o garoto que ...
Restante da outra oração = ... Encontrei
Junção de tudo = Você estava procurando o garo-
to que encontrei.
02) Eu vi o rapaz. O rapaz era seu amigo.
Substantivo repetido = rapaz
Colocação do pronome após o substantivo = Eu vi
o rapaz que ...
Restante da outra oração = ... Era seu amigo.
Junção de tudo = Eu vi o rapaz que era seu ami-
go.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = O
rapaz que ...
Restante da outra oração = ... Eu vi ...
Finalização da oração que se havia iniciado = ...
Era seu amigo
Junção de tudo = O rapaz que eu vi era seu ami-
go.
03) Nós assistimos ao filme. Vocês perderam o
filme.
Substantivo repetido = filme
Colocação do pronome após o substantivo = Nós
assistimos ao filme que ...
Restante da outra oração = ... Vocês perderam.
Junção de tudo = Nós assistimos ao filme que
vocês perderam.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = Vo-
cês perderam o filme que ...
Restante da outra oração = ... Nós assistimos
Junção de tudo = Vocês perderam o filme que
nós assistimos.
Observe que, nesse último exemplo, a junção de
tudo ficou incompleta, pois a primeira oraçãoénós assistimos ao filme, porém, na junção, a
37
prep. A desapareceu. Portanto o período está
inadequado gramaticalmente.
A explicação é a seguinte: Quando o verbo do
restante da outra oração exigir preposição, deve-
se colocá-la antes do pronome relativo. Então
teremos: Vocês perderam o filme a que nós
assistimos.
04) O gerente precisa dos documentos. O asses-
sor encontrou os documentos
Substantivo repetido = documentos
Colocação do pronome após o substantivo = O
gerente precisa dos documentos que ...
Restante da outra oração = ... O assessor encon-
trou
Junção de tudo = O gerente precisa dos docu-
mentos que o assessor encontrou.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = O
assessor encontrou os documentos que ...
Restante da outra oração = ... O gerente precisa.
O verbo precisar está usado com a prep. De,
portanto ela será colocada antes do pronome
relativo.
Junção de tudo = O assessor encontrou os do-
cumentos de que o gerente precisa.
Obs: O pronome que pode ser substituído por o
qual, a qual, os quais e as quais sempre. O
gênero e o número são de acordo com o substan-
tivo substituído.
Os exemplos apresentados ficarão, então, assim,
com o que substituído por qual:
Encontrei o livro o qual você estava procurando.
Você estava procurando o livro o qual encontrei.
Eu vi o rapaz o qual é seu amigo. O rapaz o qual
vi é seu amigo.
Nós assistimos ao filme o qual vocês perderam.
Vocês perderam o filme ao qual nós assistimos.
O gerente precisa dos documentos os quais o
assessor encontrou. O assessor encontrou os
documentos dos quais o gerente precisa.
Obs: Todos os pronomes relativos inici-
am Oração Subordinada Adjetiva, portanto to-
dos os períodos apresentados contêm oração
subordinada adjetiva.
O Pronome Relativo Cujo
Este pronome indica posse (algo de alguém).
Na montagem do período, deve-se colocá-lo entre
o possuidor e o possuído (alguém cujo algo)
Por exemplo, nas orações Antipatizei com o
rapaz. Você conhece a namorada do rapaz.
O substantivo repetido rapaz possui namorada.
Deveremos, então usar o pronome relativo cujo,
que será colocado entre o possuidor e o possuí-
do: Algo de alguém = Alguém cujo algo. Então,
tem-se a namorada do rapaz = o rapaz cujo a
namorada.
Não se pode, porém, usar artigo (o, a, os, as)
depois de cujo. Ele deverá contrair-se com o
pronome, ficando: cujo + o = cujo; cujo + a =
cuja; cujo + os = cujos; cujo + as = cujas. En-
tão a frase ficará o rapaz cuja namorada. So-
mando as duas orações, tem-se:
Antipatizei com o rapaz cuja namorada você
conhece.
Outros exemplos:
01) A árvore foi derrubada. Os frutos da árvore
são venenosos.
Substantivo repetido = árvore - o substantivo re-
petido possui algo.
Algo de alguém = Alguém cujo algo: os frutos da
árvore = a árvore cujos frutos. Somando as duas
orações, tem-se:
A árvore cujos frutos são venenosos foi derruba-
da.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome que após o substantivo =
Os frutos da árvore que...
Restante da outra oração = ...foi derrubada ...
Finalização da oração que se havia iniciado =
...são venenosos
Junção de tudo = Os frutos da árvore que foi der-
rubada são venenosos.
02) O artista morreu ontem. Eu falara da obra do
artista.
Substantivo repetido = artista - o substantivo re-
petido possui algo.
38
Algo de alguém = Alguém cujo algo: a obra do
artista = o artista cuja obra. Somando as duas
orações, tem-se:
O artista cuja obra eu falara morreu ontem.
Observe que, nesse último exemplo, a junção de
tudo ficou incompleta, pois a segunda oração é:
Eu falara da obra do artista, porém, na junção, a
prep. De desapareceu. Portanto o período está
inadequado gramaticalmente.
A explicação é a seguinte: Quando o verbo da
oração subordinada adjetiva exigir preposição,
deve-se colocá-la antes do pronome relativo.
Então, tem-se: O artista de cuja obra eu falara
morreu ontem.
03) As pessoas estão presas. Eu acreditei nas
palavras das pessoas.
Substantivo repetido = pessoas - o substantivo
repetido possui algo.
Algo de alguém = Alguém cujo algo: as palavras
das pessoas = as pessoas cujas palavras. So-
mando as duas orações, tem-se
As pessoas cujas palavras acreditei estão
presas.
O verbo acreditar está usado com a prep. Em,
portanto ela será colocada antes do pronome
relativo. As pessoas em cujas palavras acredi-
tei estão presas.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome que após o substantivo =
Eu acreditei nas palavras das pessoas que ...
Restante da outra oração = ... Estão presas
Junção de tudo = Eu acreditei nas palavras das
pessoas que estão presas.
Obs: Todos os pronomes relativos iniciam Oração
Subordinada Adjetiva, portanto todos os períodos
apresentados contêm oração subordinada adjeti-
va.
O Pronome Relativo Quem
Este pronome substitui um substantivo que repre-
senta uma pessoa, evitando sua repetição. So-
mente deve ser utilizado antecedido de preposi-
ção, inclusive quando funcionar como objeto dire-
to, Nesse caso, haverá a anteposição obrigatória
da prep.
A, e o pronome passará a exercer a função sintá-
tica de objeto direto preposicionado. Por e-
xemplo na oração A garota que conheci está
em minha sala, o pronome que funciona como
objeto direto. Substituindo pelo pronome quem,
tem-se
A garota a quem conheci ontem está em mi-
nha sala.
Há apenas uma possibilidade de o prono-
me quem não ser precedido de preposição:
quando funcionar como sujeito. Isso só ocorrerá,
quando possuir o mesmo valor de o que, a que,
os que, as que, aquele que, aquela que, aque-
les que, aquelas que, ou seja, quando puder ser
substituído por pronome demonstrativo (o, a, os,
as, aquele, aquela, aqueles, aquelas) mais o
pronome relativo que.
Por exemplo: Foi ele quem me disse a verdade
= Foi ele o que me disse a verdade. Nesses
casos o pronome quem será denominado de
Pronome Relativo Indefinido.
Na montagem do período, deve-se colocar o pro-
nome relativo quem imediatamente após o subs-
tantivo repetido, que passará a ser chamado de
elemento antecedente.
Por exemplo: nas orações Este é o artista. Eu
me referi ao artista ontem, há o substantivoar-
tista repetido. Pode-se usar o pronome relati-
vo quem e, assim, evitar a repetição de artista.
O pronome será colocado após o substantivo.
Então, tem-se Este é o artista quem... Es-
te quem está no lugar da palavra artista da outra
oração. Deve-se, agora, terminar a outra ora-
ção: ...eu me referi ontem, ficando Este é o ar-
tista quem me referi ontem. Como o ver-
bo referir-seexige a preposição a, ela será colo-
cada antes do pronome relativo. Então tem-se:
Este é o artista a quem me referi ontem.
Não se pode iniciar o período pela outra oração,
pois o pronome relativo quem só funciona como
sujeito, quando puder ser substituído por o que, a
que, os que, as que, aquele que, aqueles que,
aquela que, aquelas que.
Outros exemplos:
01) Encontrei o garoto. Você estava procuran-
do o garoto.
Substantivo repetido = garoto
Colocação do pronome após o substantivo = En-
contrei o garoto quem...
39
Restante da outra oração = ...você estava procu-
rando.
Junção de tudo = Encontrei o garoto quem você
estava procurando. Como procurar é verbo tran-
sitivo direto, o pronome quem funciona como
objeto direto. Então, deve-se antepor a prep.a ao
pronome relativo, funcionando como objeto direto
preposicionado.
Encontrei o garoto a quem você estava procu-
rando.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = Vo-
cê estava procurando o garoto quem ...
Restante da outra oração = ... EncontreiJunção de tudo = Você estava procurando o garo-
to quem encontrei. Novamente objeto direto pre-
posicionado:
Você estava procurando o garoto a quem en-
contrei.
02) Aquele é o homem. Eu lhe falei do homem.
Substantivo repetido = homem
Colocação do pronome após o substantivo = A-
quele é o homem quem...
Restante da outra oração = ...lhe falei.
Junção de tudo = Aquele é o homem quem lhe
falei. Como falar está usado com a prep. De,
deve-se antepô-la ao pronome relativo, ficando
Aquele é o homem de quem lhe falei.
Não se esqueça disto:
O pronome relativo quem somente deve ser utili-
zado antecedido de preposição;
Quando for objeto direto, será antecedido da
prep. A, transformando-se em objeto direto pre-
posicionado;
Somente funciona como sujeito, quando puder
ser substituído por o que, os que, a que, as que,
aquele que, aqueles que, aquela que, aquelas
que.
O Pronome Relativo Qual
Este pronome tem o mesmo valor de que e
de quem.
É sempre antecedido de artigo, que concorda
com o elemento antecedente, ficando o qual, a
qual, os quais, as quais.
Se a preposição que anteceder o pronome relati-
vo possuir duas ou mais sílabas, só poderemos
usar o pronome qual, e não que ou quem. Então
só se pode dizer O juiz perante o qual testemu-
nhei.
Os assuntos sobre os quais conversamos, e
não O juiz perante quem testemunhei nem Os
assuntos sobre que conversamos.
Outro exemplo:
Meu irmão comprou o restaurante. Eu falei a
você sobre o restaurante.
Substantivo repetido = restaurante
Colocação do pronome após o substantivo = Meu
irmão comprou o restaurante que ...
Restante da outra oração = ... Eu falei a você.
Junção de tudo = Meu irmão comprou o restau-
rante que eu falei a você. Observe que o verbofa-
lar, na oração apresentada, foi usado com a pre-
posição sobre, que deverá ser anteposta ao pro-
nome relativo: Meu irmão comprou o restauran-
te sobre que eu falei a você.
Como a preposição sobre possui duas sílabas,
não se pode usar o pronome que, e sim o qual,
ficando, então:
Meu irmão comprou o restaurante sobre o
qual eu falei a você.
O Pronome Relativo Onde
Este pronome tem o mesmo valor de em que.
Sempre indica lugar, por isso funciona sintatica-
mente como Adjunto Adverbial de Lugar.
Se a preposição em for substituída pela prep.
A ou pela prep. De, substituiremos onde por a-
ondee donde, respectivamente.
Por exemplo: O sítio aonde fui é aprazível. A
cidade donde vim fica longe.
Será Pronome Relativo Indefinido, quando puder
ser substituído por O lugar em que. Por exemplo,
na frase: Eu nasci onde você nasceu. = Eu
nasci no lugar em que você nasceu.
Outro exemplo:
40
Eu conheço a cidade. Sua sobrinha mora na
cidade.
Substantivo repetido = cidade
Colocação do pronome após o substantivo = Eu
conheço a cidade que...
Restante da outra oração = ... Sua sobrinha mora.
Junção de tudo = Eu conheço a cidade que sua
sobrinha mora. O verbo morar exige a prep.em,
pois quem mora, mora em algum lugar. Então:
Eu conheço a cidade em que sua sobrinha
mora.
Eu conheço a cidade na qual sua sobrinha
mora.
Eu conheço a cidade onde sua sobrinha mora.
O Pronome Relativo Quanto
Este pronome é sempre antecedido de tudo,
todos ou todas, concordando com esses ele-
mentos (quanto, quantos, quantas).
Ex:
Fale tudo quanto quiser falar.
Traga todos quantos quiser trazer.
Beba todas quantas quiser beber.
Pronomes de Tratamento
São pronomes empregados no trato com as pes-
soas, familiarmente ou respeitosamente. Embora
opronome de tratamento se dirija à segunda
pessoa, toda a concordância deve ser feita com
aterceira pessoa. Usa-se Vossa, quando con-
versamos com a pessoa, e Sua, quan-
do falamos da pessoa.
Ex.
Vossa Senhoria deveria preocupar-se com suas
responsabilidades e não com as dele.
Sua Excelência, o Prefeito, que se encontra au-
sente.
Eis uma pequena lista de pronomes de tratamen-
to:
Autoridades De Estado
Civis
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado
para
1 - Vossa Excelência - V. Ex.
a
- Presidente da
República, Senadores da República, Ministro de
Estado, Governadores, Deputados Federais e
Estaduais, Prefeitos, Embaixadores, Vereadores,
Cônsules, Chefes das Casas Civis e Casas Milita-
res.
2 - Vossa Magnificência - V. M. - Reitores de
Universidade
3 - Vossa Senhoria - V. S.
a
- Diretores de Autar-
quias Federais, Estaduais e Municipais.
Judiciárias
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado
para
1 - Vossa Excelência - V. Ex.
a
- Desembargador
da Justiça, curador, promotor
2 - Meritíssimo Juiz - M. - Juiz, Juízes de Direito
3 - Vossa Senhoria - V. S.
a
- Diretores de Autar-
quias Federais, Estaduais e Municipais
Militares
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado
para
1 - Vossa Excelência - V. Ex.
a
- Oficiais generais
(até coronéis)
2 - Vossa Senhoria - V. S.
a
- Outras patentes
militares
3 - Vossa Senhoria - V. S.
a
- Diretores de Autar-
quias Federais, Estaduais e Municipais
Autoridades Eclesiásticas
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado
para
1 - Vossa Santidade - V. S. - Papa
2 - Vossa Eminência Reverendíssima - V.
Em.
a
Revm.
a
- Cardeais, arcebispos e bispos
3 - Vossa Reverendíssima - V. Revm
a
- Abades,
superiores de conventos, outras autoridades e-
clesiásticas e sacerdotes em geral
Autoridades Monárquicas
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado
para
1 - Vossa Majestade - V. M. - Reis e Imperadores
2 - Vossa Alteza - V. A. - Príncipe, Arquiduques e
Duques
41
3 - Vossa Reverendíssima - V. Revm
a
- Abades,
superiores de conventos, outras autoridades e-
clesiásticas e sacerdotes em geral
Outras Autoridades
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado
para
1 - Vossa Senhoria - V. S.
a
- Dom
2 - Doutor - Dr. - Doutor
3 – Comendador - Com. - Comendador
4 – Professor - Prof. – Professor
Pronomes Possessivos
São aqueles que indicam posse, em relação às
três pessoas do discurso. São eles: meu(s), mi-
nha(s), teu(s), tua(s), seu(s), sua(s), nosso(s),
nossa(s), vosso(s), vossa(s).
Empregos dos pronomes possessivos:
01) O emprego dos possessivos de terceira pes-
soa seu, sua, seus, suas pode dar duplo sentido
à frase (ambigüidade). Para evitar isso, coloca-se
à frente do substantivo dele, dela, deles, delas, ou
troca-se o possessivo por esses elementos.
Ex.
Joaquim contou-me que Sandra desaparecera
com seus documentos.
De quem eram os documentos? Não há como
saber. Então a frase está ambígua. Para tirar a
ambigüidade, coloca-se, após o substantivo, o
elemento referente ao dono dos documentos: se
for Joaquim: Joaquim contou-me que Sandra
desaparecera com seus documentos dele; se for
Sandra: Joaquim contou-me que Sandra desapa-
recera com seus documentos dela.
Pode-se, ainda, eliminar o pronome possessivo:
Joaquim contou-me que Sandra desaparecera
com os documentos dele (ou dela).
02) É facultativo o uso de artigo diante dos pos-
sessivos.
Ex.
Trate bem seus amigos. Ou Trate bem os seus
amigos.
03) Não se devem usar pronomes possessivos
diante de partes do próprio corpo.
Ex.
Amanhã, irei cortar os cabelos.
Vou lavar as mãos.
Menino! Cuidado para não machucar os pés!
04) Não se devem usar pronomes possessivos
diante da palavra casa, quando for a residência
da pessoa que estiver falando.
Ex.
Acabei de chegar de casa.
Estou em casa, tranqüilo.
Pronomes Demonstrativos
Pronomes demonstrativos são aqueles que situ-
am os seres no tempo e no espaço, em relação
às pessoas do discurso. São osseguintes:
01) Este, esta, isto:
São usados para o que está próximo da pessoa
que fala e para o tempo presente.
Ex.
Este chapéu que estou usando é de couro.
Este ano está sendo cheio de surpresas.
02) Esse, essa, isso:
São usados para o que está próximo da pessoa
com quem se fala, para o tempo passado recente
e para o futuro.
Ex.
Esse chapéu que você está usando é de couro?
2003. Esse ano será envolto em mistérios.
Em novembro de 2001, inauguramos a loja. Até
esse mês, nada sabíamos sobre comércio.
03) Aquele, aquela, aquilo:
São usados para o que está distante da pessoa
que fala, e da pessoa com quem se fala e para o
tempo passado remoto.
Ex.
Aquele chapéu que ele está usando é de couro?
Em 1974, eu tinha 15 anos. Naquela época, Lon-
drina era uma cidade pequena.
Outros usos dos demonstrativos:
01) Em uma citação oral ou escrita, usa-se este,
esta, isto para o que ainda vai ser dito ou escrito,
e esse, essa, isso para o que já foi dito ou escri-
to.
42
Ex.
Esta é a verdade: existe a violência, porque a
sociedade a permitiu.
Existe a violência, porque a sociedade a permitiu.
A verdade é essa.
02) Usa-se este, esta, isto em referência a um
termo imediatamente anterior.
Ex.
O fumo é prejudicial à saúde, e esta deve ser
preservada.
Quando interpelei Roberval, este assustou-se
inexplicavelmente.
03) Para estabelecer-se a distinção entre dois
elementos anteriormente citados, usa-se este,
esta, isto em relação ao que foi mencionado por
último e aquele, aquela, aquilo, em relação ao
que foi nomeado em primeiro lugar.
Ex.
Sabemos que a relação entre o Brasil e os Esta-
dos Unidos é de domínio destes sobre aquele.
Os filmes brasileiros não são tão respeitados
quanto as novelas, mas eu prefiro aqueles a es-
tas.
04) O, a, os, as são pronomes demonstrativos,
quando equivalem a isto, isso, aquilo ou aque-
le(s), aquela(s).
Ex.
Não concordo com o que ele falou. (aquilo que
ele falou)
Tudo o que aconteceu foi um equívoco. (aquilo
que aconteceu)
Pronomes Indefinidos
Os pronomes indefinidos referem-se à terceira
pessoa do discurso de uma maneira vaga, impre-
cisa, genérica.
São eles: alguém, ninguém, tudo, nada, algo,
cada, outrem, mais, menos, demais, algum,
alguns, alguma, algumas, nenhum, nenhuns,
nenhuma, nenhumas, todo, todos, toda, todas,
muito, muitos, muita, muitas, bastante, bas-
tantes, pouco, poucos, pouca, poucas, certo,
certos, certa, certas, tanto, tantos, tanta, tan-
tas, quanto, quantos, quanta, quantas, um,
uns, uma, umas, qualquer, quaisquer, (além
das locuções pronominais indefinidas): cada
um, cada qual, quem quer que, todo aquele
que, tudo o mais...
Usos de alguns pronomes indefinidos:
01) Todo:
O pronome indefinido todo deve ser usado com
artigo, se significar inteiro e o substantivo à sua
frente o exigir; caso signifique cada ou todos não
terá artigo, mesmo que o substantivo exija.
Ex.
Todo dia telefono a ela. (Todos os dias)
Fiquei todo o dia em casa. (O dia inteiro)
Todo ele ficou machucado. (Ele inteiro, mas a
palavra ele não admite artigo)
02) Todos, todas:
Os pronomes indefinidos todos e todas devem ser
usados com artigo, se o substantivo à sua frente
o exigir.
Ex.
Todos os colegas o desprezam.
Todas as meninas foram à festa.
Todos vocês merecem respeito.
03) Algum:
O pronome indefinido algum tem sentido afirmati-
vo, quando usado antes do substantivo; passa a
ter sentido negativo, quando estiver depois do
substantivo.
Ex.
Amigo algum o ajudou. (Nenhum amigo)
Algum amigo o ajudará. (Alguém)
04) Certo:
A palavra certo será pronome indefinido, quando
anteceder substantivo e será adjetivo, quando
estiver posposto a substantivo.
Ex
Certas pessoas não se preocupam com os de-
mais.
As pessoas certas sempre nos ajudam.
05) Qualquer:
O pronome indefinido qualquer não deve ser usa-
do em sentido negativo. Em seu lugar, deve-se
43
usar algum, posteriormente ao substantivo, ou
nenhum.
Ex.
Ele entrou na festa sem qualquer problema. Essa
frase está inadequada gramaticalmente. O ade-
quado seria:
Ele entrou na festa sem problema algum.
Ele entrou na festa sem nenhum problema.
Pronomes Interrogativos
São os pronomes que, quem, qual e quanto
usados em frases interrogativas diretas ou indire-
tas.
Ex.
Que farei agora? - Interrogativa direta.
Quanto te devo, meu amigo? - Interrogativa dire-
ta.
Qual é o seu nome? - Interrogativa direta.
Não sei quanto devo cobrar por esse trabalho. -
Interrogativa indireta.
Notas:
01) Na expressão interrogativa Que é de? Suben-
tende-se a palavra feito: Que é do sorriso? (=
Que é feito do sorriso? ), Que é dele? (= Que é
feito dele?).
Nunca se deve usar quédê, quedê ou cadê, pois
essas palavras oficialmente não existem, apesar
de, no Brasil, o uso de cadê ser cada dia mais
constante.
02) Não se deve usar a forma o que como pro-
nome interrogativo; usa-se apenas que, a não ser
que o pronome seja colocado depois do verbo.
Ex.
Que você fará hoje à noite? E não: O que você
fará hoje à noite?
Que queres de mim? E não: O que queres de
mim?
Você fará o quê?
Classes
gramaticais
Função ou sentido
Advérbio Palavra que modifica o verbo, o
adjetivo ou outro advérbio, ex-
pressando uma circunstância.
Exemplos:
Ali:lá,naquele lugar.
Não: expressa negação.
Logo: prontamente, imediata-
mente.
Preposição Termo que subordina uma pala-
vra a outra. Exemplos:
Livro de João, peso sobre o
papel, espaço entre as árvores,
morava em Belo Horizonte.
Conjunção Termo que liga duas palavras,
dois membros de uma oração
ou duas orações. Exemplos:
E: exprime ideia de adição (adi-
tiva).
Mas: relaciona pensamentos em
contraste ou oposição.
Quando: conjunção temporal.
Se: conjunção que exprime con-
dição.
Flexão Verbal
Dentre todas as classe gramaticais, a que mais
se apresenta passível de flexões é a representa-
da pelos verbos. Flexões estas relacionadas a:
Pessoa– Indica as três pessoas relacionadas ao
discurso, representadas tanto no modo singular,
quanto no plural.
Número – Representa a forma pela qual o verbo
se refere a essas pessoas gramaticais.
Por meio dos exemplos em evidência, podemos
constatar que o processo verbal se encontra de-
vidamente flexionado, tendo em vista as pessoas
do discurso (eu, tu, ele, nós, vós, eles).
Tempo – Relaciona-se ao momento expresso
pela ação verbal, denotando a ideia de um pro-
cesso ora concluído, em fase de conclusão ou
que ainda está para concluir, representado pelo
tempo presente, pretérito e futuro.
44
Modo – Revela a circunstância em que o fato
verbal ocorre. Assim expresso:
Modo indicativo – exprime um fato certo, con-
creto.
Modo subjuntivo – exprime um fato hipotético,
duvidoso.
Modo imperativo – exprime uma ordem, ex-
pressa um pedido.
Para que possamos constatar acerca de todos
esses pressupostos, basear-nos-emos no caso
do verbo cantar, tendo em vista o modo indicati-
vo.
Modo Indicativo
Voz
A voz verbal caracteriza a ação expressa pelo
verbo em relação ao sujeito, classificada em:
Voz ativa – o sujeito é o agente da ação verbal.
Os professores aplicaram as provas.
Voz passiva – o sujeito sofre a ação expressa
pelo verbo.
As provas foram aplicadas pelos professores.
Voz reflexiva – o sujeito, de forma simultânea,
pratica e recebe a ação verbal.
O garoto feriu-se com o instrumento.
Voz reflexiva recíproca – representa uma ação
mútua entre os elementos expressos pelo sujeito.
Os formandos cumprimentaram-se respeito-
samente.
Compartilhecom outro link que explora sobre as
vozes verbais de modo mais aprofundado.
Passaremos a estudar agora o verbo, sob o ponto
de vista da semântica.
Mas o que é semântica?
Quando falamos em semântica, falamos
em significação. Ora, quando digo que vamos
estudar a semântica dos modos e tempos ver-
bais, quero dizer que estudaremos o que eles
significam, quais os significados que carregam.
Estudaremos as semânticas dos modos e tempos
verbais, isto quer dizer que estudaremos o que
cada modo e cada tempo significam.
Semântica dos MODOS e TEMPOS Verbais
O modo verbal é aquilo que vai mostrar minha
posição de dúvida, de certeza, de desejo, de
ordem a respeito da ação expressa pelo verbo.
Vamos ver como funciona na prática?
Modo Imperativo
O que é imperar? Segundo o dicionário
é dominar, governar, reinar, estabelecer. Pensan-
do assim, entendemos a semântica (agora que já
sabemos que semântica é o mesmo que signifi-
cação) deste modo. O imperativo é o modo que
dá uma ordem, um conselho, uma dica, uma
súplica, uma sugestão ou faz um pedido.
Ex.: Faça o dever.
Leia com atenção.
Pare.
Não faça isso.
Não confiemos tanto nas pessoas.
Não desistamos de nossos ideais.
~> Estudamos o tipo textual injuntivo e vemos
que ele é o tipo textual usado por quem dá uma-
ordem. Dissemos que ele utiliza o modo verbal
imperativo. Agora tudo ficou mais claro, não?
~> Outra observação a respeito do imperativo é a
confusão que podemos fazer ao usá-lo no ―nós‖,
por não estarmos acostumados a conjuga-lo des-
ta maneira. Uma dica é transpor para a segunda
ou terceira pessoa do singular, para que vejamos
com mais clareza que é uma forma imperativa e
não confundamos com o subjuntivo. Além disso,
veremos mais à frente que o subjuntivo depende
sempre de uma subordinação, o que não ocorre
com o subjuntivo.
45
Não desistamos de nossos ideais. ~> Não desista
de seus ideais.
Não confiemos tanto nas pessoas. ~> Não confie
tanto nas pessoas.
O modo imperativo é formado a partir do presente
do indicativo e ele não se subdivide em tempos.
Modo Subjuntivo
O modo subjuntivo está ligado à subjetividade.
Subjetividade diz respeito aos nossos julgamen-
tos de valor, às nossas opiniões, à nossa singula-
ridade de pensamento. O modo subjuntivo sem-
pre vai exprimir uma avaliação subjetiva das a-
ções expressas pelo verbo; portanto, ele é o mo-
do da incerteza, do desejo, da possibilidade. A
semântica do subjuntivo nunca será de certeza,
mas sempre de possibilidade, dúvida, irrealidade.
Ex.:
Espero que ele venha.
Quero que ele venha.
Se ele viesse seria muito bom.
Se você fizesse o dever regularmente, tudo seria
mais fácil.
~> Como já dissemos antes, o verbo no subjunti-
vo tem uma particularidade. Ele ocorre somente
em estruturas subordinadas. O que isso quer
dizer? Isso quer dizer que ele vai aparecer em
uma estrutura dependente de um outro verbo –
quero (verbo do qual o subjuntivo depende) que
elevenha (subjuntivo), ou dependente de um no-
me – talvez (nome do qual o subjuntivo depende)
elevenha (subjuntivo).
~> O modo subjuntivo se subdivide em três tem-
pos: presente, futuro e pretérito imperfeito. Não
daremos tanta importância à semântica desses
tempos pois não é o foco do vestibular; falaremos
apenas das marcas formais que os identificam.
Presente do Subjuntivo
Marcas formais que o identificam: E/A
Ex.:
Quero que você trabalhe.
Tomara que ele venha.
Futuro do Subjuntivo
Marca formal que o identifica: R
Ex.:
Quando eu chegar, abra a porta.
Se eu for, te avisarei antes.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo
Marcas formais que o identificam: SSE
Ex.:
Se você deixasse, eu iria.
Se eu pudesse, eu faria.
Modo Indicativo
O modo indicativo é o mais versátil. Ele é
o único que afirma, que fala com certeza. Porém,
isso não impede que ele possa trabalhar também
com a dúvida e com a possibilidade.
Ex.:
Eu sei que ele vem.
Eu acho que tudo dará certo.
Eu fiz todo o dever.
Eu não saí ontem.
Além disso, vimos que o modo subjuntivo so-
mente ocorre em uma estrutura subordinada,
dependente de um nome ou de um outro verbo. O
indicativo, por sua vez, pode ou não ocorrer em
uma estrutura subordinada.
Ex.:
Eu não sei nada da matéria! (estrutura sem su-
bordinação, não depende de nenhuma outra)
Eu quero que tudo dê certo.
O dê está subordinado ao verbo quero, não po-
deria existir sem ele. Não existe a frase tudo dê
certo, parece que falta algo, não é? Essa sensa-
ção de que falta algo é por causa da subordina-
ção.
46
O modo indicativo se divide em presente, pretérito
e futuro e os tempos pretérito e futuro se subdivi-
dem também. Vamos ver.
Presente do Indicativo
Tempo verbal é a categoria que indica quando
aconteceu a ação expressa pelo verbo, em rela-
ção a outro marco temporal. Em geral, os fatos
são considerados no tempo em relação à enunci-
ação, ou seja, ao momento em que se fala. Po-
rém, há dois tempos no modo indicativo um pou-
co diferentes e que veremos mais à frente. Por
enquanto, vamos nos deter ao presente do indica-
tivo.
Vimos que o modo indicativo é o mais versátil,
devido às variadas semânticas que ele possui em
relação aos outros modos.
Agora vamos ver que o presente do indicativo é
o tempo mais versátil em relação aos outros
tempos, é o que possui a maior quantidade de
possibilidades semânticas, é o que pode adquirir
maior quantidade de significados.
a) Rotina
O presente do indicativo pode indicar um fato
rotineiro, que costuma acontecer com frequência.
Ex.:
Sempre acordo às 6 da manhã.
Eu estudo todos os dias.
b) Fato simultâneo ao momento da fala
O presente do indicativo pode indicar um fato que
está acontecendo no momento em que se fala.
Ex.:
Vagner Love chuta a bola para o gol.
Estou na casa de uma amiga.
c) Passado
O presente do indicativo pode indicar um fato que
já ocorreu. Em geral, o tipo textual narrativo usa
muito o presente com a intenção de aproximar a
história do leitor, fazer com que o leitor sinta que
está assistindo à história, participando dela.
Ex.:
Em 1808, a família real chega ao Brasil.
Após falar isso, Isabela sai, sem ao menos olhar
pra trás.
d) Futuro
O presente do indicativo pode indicar um fato que
ainda vai ocorrer, este uso é muito comum na
linguagem coloquial, no nosso falar cotidiano.
Ex.: Na próxima semana eu vou à sua casa.
Amanhã eu te ligo sem falta.
e) Verdade absoluta
O presente do indicativo pode indicar uma verda-
de absoluta, um fato constante e que todos con-
cordam uma verdade universal.
Ex.:
A terra gira em torno do sol.
A água ferve a 100ºC.
Pretérito Perfeito do Indicativo
O pretérito perfeito do indicativo, assim como o
presente do indicativo, não possui marca formal-
de modo ou tempo que o identifique. Passemos,
então, à análise de seus possíveis significados.
O pretérito perfeito do indicativo é o tempo que
indica um passado pontual, um fato que aconte-
ceu e já está acabado. Porém, ele pode também
indicar um fato com aspecto durativo, com uma
semântica de continuidade. Vejamos.
a) Fato pontual no passado
Fato pontual no passado é um fato que aconteceu
em um momento e terminou, não teve uma dura-
ção estendida, sendo, por isto, pontual.
Ex.:
Ele pulou alto.
Joguei futebol ontem.
b) Fato durativo no passado
Fato durativo é aquele que teve uma duração, ou
seja, ocorreu durante algum tempo, mesmo que
pequeno.47
Ex.:
Falei no telefone por horas.
Ela leu durante três horas.
Pretérito Imperfeito do Indicativo
Enquanto o pretérito perfeito pode indicar uma
ação que foi concluída no passado, com aspecto
durativo ou não, o pretérito imperfeito só pode
indicar uma ação com aspecto durativo, uma a-
ção que ocorreu por certo tempo, por isso se
chama imperfeito, pois a ação que ele indica não
foi finalizada imediatamente, mas demorou algum
tempo para ser finalizada ou a ação costumava
acontecer.
Ex.:
Eu jogava bola todos os dias.
Eu lia muito na biblioteca.
Marcas formais que o identificam: VA/VE/IA/IE
Ex.: Eu cantava muito no karaokê antigamente.
Vós faláveis demais.
Ela lia sem parar Harry Potter.
Vós vendíeis bem antigamente.
Pretérito Mais Que Perfeito do Indicativo
Quando começamos nossa conversa so-
bre tempo verbal, dissemos que a maioria dos
tempos se refere ao momento em que se fala,
porém temos exceções. São duas as exceções,
uma é o futuro do pretérito, que veremos mais à
frente e a outra exceção é o pretérito mais que
perfeito. Esses dois tempos não se referem ao
momento da enunciação, ou seja, ao momento
em que se fala, mas se referem a um momen-
to indicado por um outro verbo.
O pretérito mais que perfeito do indicativo não
está em relação ao momento da fala, mas a um
outro verbo também no pretérito. A ação que o
pretérito mais que perfeito indica, ocorreu antes-
de uma outra, também no passado, por isso ele é
chamado de pretérito mais que perfeito, pois
ele é passado em relação a um outro fato tam-
bém ocorrido no passado.
Ex.: O pai chegou ao local em que o aciden-
te acontecera.
A ação expressa pelo verbo no pretérito mais que
perfeito acontecera, ocorreu antes da ação ex-
pressa pelo verbo no pretérito perfeito chegou.
Ex.:
Ela já fizera o que lhe pedi quando lhe telefonei.
Nós já partíramos quando você chegou, descul-
pe-nos!
~> Atualmente, o pretérito mais que perfeito não é
utilizado na fala e tem sido pouco utilizado, inclu-
sive, na escrita, se restringindo à linguagem poé-
tica (Pudera não ser tão voluptuosa!); na fala,
tende a ser substituído por uma locução de parti-
cípio com verbo auxiliar ter ou haver no pretérito
imperfeito:
Ex.: Ela já fora quando eu cheguei. (pretérito
mais que perfeito)
Ela já tinha ido quando eu cheguei. (locução
verbal: auxiliar ter no pretérito imperfeito + particí-
pio)
Ele já fizera o trabalho quando lhe telefonei. (pre-
térito mais que perfeito)
Ele já havia feito o trabalho quando lhe telefonei.
(locução verbal: auxiliar haver no pretérito imper-
feito + particípio)
~> O pretérito mais que perfeito tem outra particu-
laridade. Além de ele ocorrer em relação a um
outro passado, ele pode também ocorrer em ex-
pressões exclamativas, algumas cristalizadas,
como,por exemplo, Quem me dera! Algumas
dessas expressões exclamativas ainda permane-
cem em uso.
Marcas formais que o identificam: RA/RE (átonos)
Ex.:
Eu já fizera todo o trabalho sozinha quando você
me ofereceu ajuda.
Vós vendêreis todo o estoque antes de o novo
chegar.
2.3.5 Futuro do Presente do Indicativo
48
O futuro do presente do indicativo representa uma
ação posterior ao momento em que se fala. Ele
pode ter três semânticas. Vejamos
a) Futuro em relação ao momento em que se
fala
O futuro do presente pode indicar um fato que
ocorrerá após o momento da enunciação
Ex.:
Amanhã vencerei o jogo, não há dúvida.
Amanhã irei à sua casa pela manhã.
b) Dúvida
O futuro do presente pode indicar dúvida de quem
fala em relação a um fato. Ocorre em frases inter-
rogativas.
Ex.:
Será ela a pessoa certa?
Tudo dará certo amanhã?
c) Ordem
O futuro do presente pode indicar uma ordem,
equivalendo semanticamente ao imperativo.
Ex.:
Não matarás.
Não roubarás.
Marcas formais que identificam o futuro do pre-
sente do indicativo: RA/RE (tônicos)
Ex.:
Amanhã estudarei o dia inteiro.
Tem certeza de que fará isso?
Futuro do Pretérito do Indicativo
O futuro do pretérito não indica um fato futuro em
relação ao momento da enunciação, mas um fato
futuro em relação a um fato expresso por um
outro verbo. Por isso se chama futuro do pretérito,
pois ocorreu depois de uma ação do passado; é
futuro em relação a esta ação.
Ex.: Eu sabia que ela iria à casa de minha amiga.
O verbo no futuro do pretérito iria refere-se a um
fato que aconteceu depois do fato expresso pelo
verbo no pretérito imperfeito sabia. Ir, portanto, é
futuro em relação a saber.
Ex.:
Eu tinha certeza de que ela faria isso.
Ele contaria tudo se eu não chegasse a tempo.
~> Atualmente, o futuro do pretérito não é utiliza-
do na fala, sendo substituído pelo pretérito imper-
feito do indicativo:
Ex.:
Eu sabia que ela iria à casa de minha amiga.
(futuro do pretérito)
Eu sabia que ela ia à casa de minha amiga. (pre-
térito imperfeito)
Se ele soubesse os detalhes, contaria-me tudo.
(futuro do pretérito)
Se ele soubesse de detalhes, contava-me tudo.
(pretérito imperfeito)
O futuro do pretérito pode ter, ainda, outras signi-
ficações
a) Polidez
O futuro do pretérito pode ser utilizado para pedir
um favor, fazer uma solicitação de forma educa-
da.
Ex.:
Você me emprestaria sua caneta?
Você me faria esse favor?
b) Dúvida
O futuro do pretérito poder indicar dúvida, incerte-
za.
Ex.:
Seria ela a pessoa ideal para o cargo?
Seríamos nós os vencedores?
c) Afastamento do que está sendo dito
49
O futuro do pretérito pode ser utilizado com a
finalidade de afastamento do que se diz, o enun-
ciador (quem fala) produz uma sentença de dúvi-
da, mas como se aquela opinião não fosse dele,
como se aquela opinião fosse de outras pessoas
e ele apenas a estaria transmitindo.
Ex.: Segundo alguns disseram, João seria o cul-
pado.
Ana disse que Mariana viria aqui, eu não sei.
Marcas formais que identificam o futuro do pre-
sente do indicativo: RIA/RIE
Ex.:
Ele acreditou que chegaria a tempo.
Comeríeis melhor se não fosseis a um restauran-
te fast food.
Correlação Verbal
Damos o nome de correlação verbal à coerência
que, em uma frase ou sequência de frases, deve
haver entre as formas verbais utilizadas. Ou seja,
é preciso que haja articulação temporal entre os
verbos, que eles se correspondam, de maneira a
expressar as ideias com lógica. Tempos e modos
verbais devem, portanto, combinar entre si.
Vejamos este exemplo:
· Seu eu dormisse durante as aulas, ja-
mais aprenderia a lição.
Parece complicado – mas não é.
Para tornar mais clara a questão, vejamos o
mesmo exemplo, mas sem correlação verbal:
· Se eu dormisse durante as aulas, ja-
mais aprenderei a lição.
Temos dormir no subjuntivo, novamente.
Mas aprender está conjugado no futuro do pre-
sente, um tempo verbal que expressa, dentre
outras ideias, fatos certos ou prováveis.
Correlações Verbais Corretas:
A seguir, veja alguns casos em que os tempos
verbais são concordantes:
· Presente do indicativo + Presente
do subjuntivo:
Exijo que você faça o dever.
· Pretérito perfeito do indicativo + Pretérito
imperfeito do subjuntivo:
Exigi que ele fizesse o dever.
· Presente do indicativo + Pretérito perfeito
composto do subjuntivo:
Espero que ele tenha feito o dever.
· Pretérito imperfeito do indicativo + Mais-
que-perfeito composto do subjuntivo:
Queria que ele tivesse feito o dever.
· Futuro do subjuntivo + Futuro do presen-
te do indicativo:
Se você fizero dever, eu ficarei feliz.
· Pretérito imperfeito do subjuntivo + Futu-
ro do pretérito do indicativo:
Se você fizesse o dever, eu leria suas respostas.
· Pretérito mais-que-perfeito composto do
subjuntivo + Futuro do pretérito composto do indi-
cativo:
Se você tivesse feito o dever, eu teria lido suas
respostas.
· Futuro do subjuntivo + Futuro do presen-
te do indicativo:
Quando você fizer o dever, dormirei.
· Futuro do subjuntivo + Futuro do presen-
te composto do indicativo:
Quando você fizer o dever, já terei dormido.
Correlação dos Tempos Verbais
Eis as combinações mais frequentes com o Modo
Subjuntivo: Presente; Pretérito Imperfeito; o Futu-
ro do Presente e o Mais-que-Perfeito Composto.
Emprega-se o Presente do Subjuntivo na oração
subordinada em correlação com um Indicativo
Presente e o Futuro do Presente do Modo Indica-
tivo na oração principal.
Exemplos: Solicito que viaje logo. Solicitarei que
viaje logo.
Emprega-se o Pretérito Imperfeito do Subjunti-
vo na oração subordinada em correlação com
umtempo passado do Modo Indicativo na oração
principal.
Solici-
tei que viajasse logo. Solicitava que viajasse logo.
50
Solicita-
ra que viajasse logo. Solicitaria queviajasse logo.
Usa-se o Futuro do Presente do Subjuntivo na
oração subordinada em correlação com o Futuro
de Presente do Indicativo na oração principal.
Se você viajar, solicitarei imediatamente sua dis-
pensa.
O Mais-que-Perfeito Composto do Subjuntivo é
formado com o auxiliar (ter ou haver) tirado deri-
vado do Imperfeito do Subjuntivo mais o verbo
principal, que se está conjugando. Usa-se quando
se quer indicar uma ação passada anterior a ou-
tra ação também passada. Aponta-se uma ação
que ocorreu antes de outra ação passada.
Emprega-se o Mais-que-Perfeito Composto do
Subjuntivo na oração subordinada que tem na
oração principal um Pretérito Imperfeito do Indica-
tivo ou um Futuro do Pretérito Composto do Modo
Indicativo.
Esperava que já tivesse viajado ontem. Teria
pedido permissão, se houvesse viajado ontem.
Outros exemplos de combinações com o Modo
Subjuntivo no Presente, no Pretérito Imperfei-
to, no Futuro do Presente e no Mais-que-Perfeito
Composto na oração subordinada:
a) Com o Presente do Subjuntivo (oração subor-
dinada) – Presente do Indicativo (na oração prin-
cipal):
Peço que não minta novamente para mim.
b) Com o Presente do Subjuntivo (oração subor-
dinada) – Futuro do Presente do Indicativo (na
oração principal):
Pedirei que conte honestamente toda a verdade
c) Com o Pretérito Imperfeito do Subjunti-
vo (oração subordinada) – Tempo passado do
Modo Indicativo (na oração principal):
Apelei que escrevesse. Pedia que falasse. Solici-
tara que permanecesse conosco. Gostaria que
nãoreclamasse tanto!
d) Com o Futuro do Presente do Subjuntivo na
oração subordinada em correlação com o Futuro
de Presente do Indicativo na oração principal.
Estarei disponível, quando você quiser.
e) Com o Mais-que-Perfeito Composto do Subjun-
tivo na oração subordinada e o Pretérito Imperfei-
to do Indicativo ou um Futuro do Pretérito Com-
posto do Modo Indicativo na oração principal.
Desejava que houvessem feito uma boa pro-
va. Teria feito uma grande festa, se tivessem
passadono concurso.
Concordância Verbal
Ocorre quando o verbo se flexiona para concor-
dar com seu sujeito.
a) Sujeito Simples
Regra Geral
O sujeito sendo simples, com ele concordará o
verbo em número e pessoa. Veja os exemplos:
A orquestra tocou uma valsa longa.
3ª p. Singular 3ª p. Singular
Os pares que rodeavam a nós dançavam bem.
3ª p. Plural 3ª p. Plural
Observe:
As crianças estão animadas
Crianças animadas.
No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra
na terceira pessoa do plural, concordando com o
seu sujeito, as crianças. No segundo exemplo, o
adjetivo animado está concordando em gênero
(feminino) e número (plural) com o substantivo a
que se refere: crianças. Nesses dois exemplos,
as flexões de pessoa, número e gênero se cor-
respondem.
Concordância é a correspondência de flexão en-
tre dois termos, podendo ser verbal ou nominal.
Casos Particulares
Há muitos casos em que o sujeito simples é cons-
tituído de forma que fazem o falante hesitar no
momento de estabelecer a concordância com o
verbo.
Às vezes, a concordância puramente gramatical é
contaminada pelo significado de expressões que
nos transmitem noção de plural, apesar de terem
forma de singular ou vice-versa. Por isso, convém
analisar com cuidado os casos a seguir.
1) Quando o sujeito é formado por uma expres-
são partitiva (parte de, uma porção de, o grosso
de, metade de, a maioria de, a maior parte de,
grande parte de...) seguida de um substantivo ou
pronome no plural, o verbo pode ficar no singular
ou no plural.
Por Exemplo:
51
A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a
ideia.
Metade dos candidatos não apresentou / apre-
sentaram nenhuma proposta interessante.
Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos
casos dos coletivos, quando especificados:
Por Exemplo:
Um bando de vândalos destruiu / destruíram o
monumento.
Flexão de Número
Concordância Nominal
Concordância nominal nada mais é que o ajuste
que fazemos aos demais termos da oração para
que concordem em gênero e número com
o substantivo.
Teremos que alterar, portanto, o artigo, o adjetivo,
o numeral e o pronome.
Além disso, temos também o verbo, que se flexi-
onará à sua maneira, merecendo um estudo
separado de concordância verbal.
REGRA GERAL: O artigo, o adjetivo, o numeral e
o pronome, concordam em gênero e número com
o substantivo.
- A pequena criança é uma gracinha.
- O garoto que encontrei era muito gentil e simpá-
tico.
CASOS ESPECIAIS: Veremos alguns casos que
fogem à regra geral, mostrada acima.
a) Um adjetivo após vários substantivos
1 - Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai
para o plural ou concorda com o substantivo mais
próximo.
- Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui.
- Irmão e primo recém-chegados estiveram aqui.
2 - Substantivos de gêneros diferentes: vai para o
plural masculino ou concorda com o substantivo
mais próximo.
- Ela tem pai e mãe louros.
- Ela tem pai e mãe loura.
3 - Adjetivo funciona como predicativo: vai obriga-
toriamente para o plural.
- O homem e o menino estavam perdidos.
- O homem e sua esposa estiveram hospedados
aqui.
b) Um adjetivo anteposto a vários substanti-
vos
1 - Adjetivo anteposto normalmente: concorda
com o mais próximo.
Comi delicioso almoço e sobremesa.
Provei deliciosa fruta e suco.
2 - Adjetivo anteposto funcionando como predica-
tivo: concorda com o mais próximo ou vai para o
plural.
Estavam feridos o pai e os filhos.
Estava ferido o pai e os filhos.
c) Um substantivo e mais de um adjetivo
1- antecede todos os adjetivos com um artigo.
Falava fluentemente a língua inglesa e a espa-
nhola.
2- coloca o substantivo no plural.
Falava fluentemente as línguas inglesa e espa-
nhola.
d) Pronomes de tratamento
1 - sempre concordam com a 3ª pessoa.
Vossa santidade esteve no Brasil.
e) Anexo, incluso, próprio, obrigado
1 - Concordam com o substantivo a que se refe-
rem.
As cartas estão anexas.
A bebida está inclusa.
Precisamos de nomes próprios.
Obrigado, disse o rapaz.
f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a)
1 - Após essas expressões o substantivo fica
sempre no singular e o adjetivo no plural.
Renato advogou um e outro caso fáceis.
Pusemos numa e noutra bandeja rasas o peixe.
g) É bom, é necessário, é proibido
52
1- Essas expressões não variamse o sujeito não
vier precedido de artigo ou outro determinante.
Canja é bom. / A canja é boa.
É necessário sua presença. / É necessária a sua
presença.
É proibido entrada de pessoas não autorizadas. /
A entrada é proibida.
h) Muito, pouco, caro
1- Como adjetivos: seguem a regra geral.
Comi muitas frutas durante a viagem.
Pouco arroz é suficiente para mim.
Os sapatos estavam caros.
2- Como advérbios: são invariáveis.
Comi muito durante a viagem.
Pouco lutei, por isso perdi a batalha.
Comprei caro os sapatos.
i) Mesmo, bastante
1- Como advérbios: invariáveis
Preciso mesmo da sua ajuda.
Fiquei bastante contente com a proposta de em-
prego.
2- Como pronomes: seguem a regra geral.
Seus argumentos foram bastantes para me con-
vencer.
Os mesmos argumentos que eu usei, você copi-
ou.
j) Menos, alerta
1- Em todas as ocasiões são invariáveis.
Preciso de menos comida para perder peso.
Estamos alerta para com suas chamadas.
k) Tal Qual
1- ―Tal‖ concorda com o antecedente, ―qual‖ con-
corda com o conseqüente.
As garotas são vaidosas tais qual a tia.
Os pais vieram fantasiados tais quais os filhos.
l) Possível
1- Quando vem acompanhado de ―mais‖, ―me-
nos‖, ―melhor‖ ou ―pior‖, acompanha o artigo que
precede as expressões.
A mais possível das alternativas é a que você
expôs.
Os melhores cargos possíveis estão neste setor
da empresa.
As piores situações possíveis são encontradas
nas favelas da cidade.
m) Meio
1- Como advérbio: invariável.
Estou meio insegura.
2- Como numeral: segue a regra geral.
Comi meia laranja pela manhã.
n) Só
1- apenas, somente (advérbio): invariável.
Só consegui comprar uma passagem.
2- sozinho (adjetivo): variável.
Estiveram sós durante horas.
Regência Nominal e Verbal
Regência Nominal
É o campo da gramática que estuda a relação
sintática que se dá entre os nomes e os respecti-
vos termos regidos por esse nome.
Em português, alguns nomes (substantivos, adje-
tivos e advérbios) exigem um complemento pre-
cedido por preposição.
Tal complemento exerce a função de integrar o
sentido da palavra completada, enriquecendo
assim a semântica da oração em questão.
2
O
conjunto de complemento regido pela preposição
é denominado ―complemento nominal‖, no qual a
preposição é definida pela ―regência nominal‖.
Regência Nominal é o nome da relação entre um
substantivo, adjetivo ou advérbio transitivo e seu
respectivo complemento nominal. Essa relação é
intermediada por uma preposição.
No estudo da regência nominal, deve-se levar em
conta que muitos nomes seguem exatamente o
mesmo regime dos verbos correspondentes.
Conhecer o regime de um verbo significa, nesses
casos, conhecer o regime dos nomes cognatos.
- alheio a, de - liberal com
- ambicioso de - apto a, para
- análogo a - grato a
53
- bacharel em - indeciso em
- capacidade de, para - natural de
- contemporâneo a, de - nocivo a
- contíguo a - paralelo a
- curioso a, de - propício a
- falto de - sensível a
- incompatível com - próximo a, de
- inepto para
- satisfeito com, de,
em, por
- misericordioso com,
para com
- suspeito de
- preferível a - longe de
- propenso a, para - perto de
- hábil em
Exemplos:
Está alheio a tudo.
Está apto ao trabalho.
Gente ávida por dominar.
Contemporâneo da Revolução Francesa.
É coisa curiosa de ver.
Homem inepto para a matemática.
Era propenso ao magistério.
Regência Verbal
É a relação sintática de dependência que se es-
tabelece entre o verbo — termo regente — e o
seu complemento — termo regido. A regência
determina se uma preposição é necessária para
ligar o verbo a seu complemento.
Os termos, quando exigem a presença de outro
chamam-se regentes ou subordinantes; os que
completam a significação dos anteriores chamam-
seregidos ou subordinados.
Quando o termo regente é um nome (substantivo,
adjetivo ou advérbio), ocorre a regência nominal.
Quando o termo regente é um verbo, ocorre a
regência verbal.
Na regência verbal, o termo regido pode ser ou
não preposicionado. Na regência nominal, ele é
obrigatoriamente preposicionado.
Regência vem do significado gramatical de reger,
ou seja, de determinar a flexão de algum termo.
Na regência verbal, o verbo é o regente da ora-
ção, enquanto o seu complemento é o termo re-
gido, logo é o que irá ser flexionado.
Então, podemos entender por regência verbal a
relação que o verbo estabelece com seu com-
plemento (objeto direto ou indireto). Vejamos:
1. O menino levou o livro à biblioteca.
2. A garota comeu o bolo.
Na segunda oração, o verbo ―comeu‖ é transitivo
e exige complemento, veja: comeu o quê? O bo-
lo.
Logo, ―comeu‖ é transitivo direto e ―o bolo‖ é obje-
to direto.
Na primeira oração, o verbo ―levou‖ é transitivo
direto e exige o complemento (objeto direto) ―o
livro‖. O termo que o sucede se refere a um ad-
junto adverbial de lugar - à bilblioteca.
Na análise sintática das orações acima podemos
constatar que há uma relação de dependência
entre o termo regente (que no caso é um verbo)
com o termo regido (complemento). O primeiro
precisa do segundo para que tenha sentido.
Vejamos mais um exemplo:
1. O menino levou – o. (o= o livro)
2. Ele abdicou do trono.
Na primeira oração temos o pronome oblíquo ―o‖
como complemento do verbo ―levou‖ e responde
a pergunta: Levou o que? O = o livro. ―O‖, portan-
to, é um objeto direto.
Já na segunda oração o verbo ―abdicou‖ transitivo
indireto, pois exige um complemento, porém ,
precedido de preposição: Abdicou de que? Do
trono. A expressão ―do trono‖ é objeto indireto,
pois é iniciado com a preposição ―do‖ (preposição
de + artigo o).
Crase
Temos vários tipos de contração ou combinação
na Língua Portuguesa. A contração se dá na jun-
ção de uma preposição com outra palavra.
54
Na combinação, as palavras não perdem nenhu-
ma letra quando feita a união. Observe:
• Aonde (preposição a + advérbio onde)
• Ao (preposição a + artigo o)
Na contração, as palavras perdem alguma letra
no momento da junção. Veja:
• da (preposição de + artigo a)
• na (preposição em + artigo a)
Agora, há um caso de contração que gera muitas
dúvidas quanto ao uso nas orações: a crase.
Crase é a junção da preposição ―a‖ com o artigo
definido ―a(s)‖, ou ainda da preposição ―a‖ com as
iniciais dos pronomes demonstrativos aquela(s),
aquele(s), aquilo ou com o pronome relativo a
qual (as quais).
Graficamente, a fusão das vogais ―a‖ é represen-
tada por um acento grave, assinalado no sentido
contrário ao acento agudo: à.
Como saber se devo empregar a crase? Uma
dica é substituir a crase por ―ao‖ e o substantivo
feminino por um masculino, caso essa preposição
seja aceita sem prejuízo de sentido, então com
certeza há crase.
Veja alguns exemplos: Fui à farmácia, substituin-
do o ―à‖ por ―ao‖ ficaria Fui ao supermercado.
Logo, o uso da crase está correto.
Outro exemplo: Assisti à peça que está em car-
taz, substituindo o ―à‖ por ―ao‖ ficaria Assisti ao
jogo de vôlei da seleção brasileira.
É importante lembrar dos casos em que a crase é
empregada, obrigatoriamente: nas expressões
que indicam horas ou nas locuções à medida que,
às vezes, à noite, dentre outras, e ainda na ex-
pressão ―à moda‖. Veja:
Exemplos: Sairei às duas horas da tarde.
À medida que o tempo passa, fico mais feliz por
você estar no Brasil.
Quero uma pizza à moda italiana.
Importante: A crase não ocorre: antes de pala-
vras masculinas; antes de verbos, de pronomes
pessoais, de nomes de cidade que não utilizam o
artigo feminino,da palavra casa quando tem sig-
nificado do próprio lar, da palavra terra quando
tem sentido de solo e de expressões com pala-
vras repetidas (dia a dia).
A crase caracteriza-se como a fusão de duas
vogais idênticas, relacionadas ao emprego da
preposição ―a‖ com o artigo feminino a (s), com o
―a‖ inicial referente aos pronomes demonstrativos
– aquela (s), aquele (s), aquilo e com o ―a‖ per-
tencente ao pronome relativo a qual (as quais).
Casos estes em que tal fusão se encontra demar-
cada pelo acento grave (`): à(s), àquela, àquele,
àquilo, à qual, às quais.
Trata-se de uma particularidade gramatical de
relevante importância, dado o seu uso de modo
frequente.
Diante disso, compreendermos os aspectos que
lhe são peculiares, bem como sua correta utiliza-
ção é, sobretudo, sinal de competência linguísti-
ca, em se tratando dos preceitos conferidos pelo
padrão formal que norteia a linguagem escrita.
Há que se mencionar que esta competência lin-
guística, a qual se restringe a crase, está condi-
cionada aos nossos conhecimentos acerca da
regência verbal e nomimal, mais precisamente ao
termo regente e termo regido.
Ou seja, o termo regente é o verbo ou nome que
exige complemento regido pela preposição ―a‖, e
o temo regido é aquele que completa o sentido do
termo regente, admitindo a anteposição do artigo
a(s).
Como explicitamente nos revela os exemplos a
seguir:
Refiro-me a(a) funcionária antiga, e não a(a)quela
contratada recentemente.
Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela con-
tratada recentemente.
Notamos que o verbo referir, analisado de acordo
com sua transitividade, classifica-se como transi-
tivo indireto, pois sempre nos referimos a alguém.
Constatamos que o fenômeno se aplicou median-
te os casos anteriormente mencionados, ou seja,
fusão da preposição a + o artigo feminino (à) e
com o artigo feminino a + o pronome demonstrati-
vo aquela (àquela).
A fim de ampliarmos nossos conhecimentos so-
bre as circunstâncias em que se requer ou não o
uso da crase, analisaremos:
# O termo regente deve prescindir-se de com-
plemento regido da preposição “a”, e o temo
regido deve admitir o artigo feminino “a” (s):
55
Exemplos:
As informações foram solicitadas à diretora.
(preposição + artigo)
Nestas férias, faremos uma visita à Bahia.
(preposição + artigo)
Observação Importante:
Alguns recursos nos servem de subsídios para
que possamos confirmar a ocorrência ou não da
crase. Eis alguns deles:
a) Substitui-se a palavra feminina por uma mas-
culina equivalente. Caso ocorra a combinação
a+o(s), a crase está confirmada.
Exemplos:
As informações foram solicitadas à diretora.
As informações foram solicitadas ao diretor.
b) No caso de nomes próprios geográficos, subs-
titui-se o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso
resulte na expressão ―voltar da‖, há a confirmação
da crase.
Exemplos:
Faremos uma visita à Bahia.
Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase con-
firmada)
Não me esqueço da viagem a Roma.
Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momen-
tos jamais vividos.
Atenção:
Nas situações em que o nome geográfico apre-
sentar-se modificado por um adjunto adnominal, a
crase está confirmada.
Exemplos:
Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades de
suas praias.
# A letra ―a‖ dos pronomes demonstrativos aque-
le(s), aquela(s) e aquilo receberão o acento grave
se o temo regente exigir complemento regido da
preposição ―a‖.
Exemplos:
Entregamos a encomenda àquela menina.
(preposição + pronome demonstrativo)
Iremos àquela reunião.
(preposição + pronome demonstrativo)
Sua história é semelhante às que eu ouvia quan-
do criança. (àquelas que eu ouvia quando crian-
ça)
(preposição + pronome demonstrativo)
# A letra “a” que acompanha locuções femini-
nas (adverbiais, prepositivas e conjuntivas)
recebe o acento grave:
Exemplos:
* locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite,
às pressas, à vontade...
* locuções prepositivas: à frente, à espera de, à
procura de...
* Locuções conjuntivas: à proporção que, à medi-
da que.
Casos passíveis de nota:
* Em virtude da heterogênea posição entre
autores, o uso da crase torna-se optativo
quando se referir a locuções adverbiais que
representem meio ou instrumento.
Exemplos:
O marginal foi morto a bala pelos policiais. (Pode-
ríamos dizer que ele foi morto a tiro)
Marcela redige todos os seus trabalhos a máqui-
na. (Poderia ser a lápis)
* Constata-se o uso da crase se as locuções
prepositivas à moda de, à maneira de apresen-
tarem-se implícitas, mesmo diante de nomes
masculinos.
Exemplos:
Tenho compulsão por comprar sapatos à Luis XV.
(à moda de Luís XV)
* Não se efetiva o uso da crase diante da locução
adverbial ―a distância‖.
Na praia de Copacabana, observamos a queima
de fogos a distância.
Entretanto, se o referido termo se constituir de
forma determinada, teremos uma locução pre-
positiva. Mediante tal ocorrência, a crase está
confirmada.
Exemplo:
O pedestre foi arremessado à distância de cem
metros.
- De modo a evitar o duplo sentido, faz-se ne-
cessário o emprego da crase.
56
Exemplo:
Ensino à distância.
Ensino a distância.
# Em locuções adverbiais formadas por pala-
vras repetidas, não há ocorrência da crase.
Exemplo:
Ela ficou frente a frente com o agressor.
Casos em que não se admite o emprego da
crase:
# Antes de vocábulos masculinos.
Exemplos:
As produções escritas a lápis não serão corrigi-
das.
Esta caneta pertence a Pedro.
# Antes de verbos no infinitivo.
Exemplos:
Ele estava a cantar quando seu pai apareceu
repentinamente.
No momento em que preparávamos para sair,
começou a chover.
# Antes de numeral.
Exemplo
Cegou a cento e vinte o número de feridos daque-
le acidente.
Observação:
- Nos casos em que o numeral indicar horas, con-
figurar-se-á como uma locução adverbial femini-
na, ocorrendo, portanto, a crase.
Os passageiros partirão às dezenove horas.
- Diante de numerais ordinais femininos a crase
está confirmada, visto que estes não podem ser
empregados sem o artigo.
As saudações foram direcionadas à primeira alu-
na da classe.
# Antes da palavra casa, quando essa não se
apresentar determinada.
Exemplo:
Chegamos todos exaustos a casa.
Entretanto, se a palavra casa vier acompanhada
de um adjunto adnominal, a crase estará confir-
mada.
Chegamos todos exaustos à casa de Marcela.
# Antes da palavra “terra”, quando essa indi-
car chão firme.
Exemplo:
Quando os navegantes regressaram a terra, já
era noite.
Contudo, se o referido termo estiver precedido
por um determinante ou referir-se ao planeta Ter-
ra, ocorrerá a crase.
Paulo viajou rumo à sua terra natal.
# Quando os pronomes indefinidos “alguma,
certa e qualquer” estiverem subentendidos
entre a preposição “a” e o substantivo, não
ocorrerá a crase.
Exemplo:
Caso esteja certo, não se submeta a humilhação.
(a qualquer humilhação)
# Antes de pronomes que requerem o uso do
artigo.
Exemplos:
Os livros foram entregues a mim.
Dei a ela a merecida recompensa.
Observação:
Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos
à senhora, senhorita e madame admitirem artigo,
o uso da crase está confirmado no ―a‖ que os
antecede, no caso de o termo regente exigir a
preposição.
Equivalência e Transformação
Notadamente, a construção textual é concebida
como um procedimento dotado de grande com-
plexidade, haja vista que o fato de as ideias e-
mergirem com uma certa facilidade não significa
transpô-las para o papel sem a devidaordenação.
Tal complexidade nos remete à noção das com-
petências inerentes ao emissor diante da elabo-
ração do discurso, dada a necessidade de este se
perfazer pela clareza e precisão.
Infere-se, portanto, que as competências estão
relacionadas aos conhecimentos que o usuário
57
tem dos fatos linguísticos, aplicando-os de acordo
com o objetivo pretendido pela enunciação. De
modo mais claro, ressaltamos a importância da
estrutura discursiva se pautar pela pontuação,
concordância, coerência, coesão e demais requi-
sitos necessários à objetividade retratada pela
mensagem.
Atendo-nos de forma específica aos inúmeros
aspectos que norteiam os já citados fatos linguís-
ticos, ressaltamos determinados recursos cuja
função se atribui por conferirem estilo à constru-
ção textual – o paralelismo sintático e semântico.
Caracterizam-se pelas relações de semelhança
existente entre palavras e expressões que se
efetivam tanto de ordem morfológica (quando
pertencem à mesma classe gramatical), sintática
(quando há semelhança entre frases ou orações)
e semântica (quando há correspondência de sen-
tido entre os termos).
Casos recorrentes se manifestam no momento da
escrita indicando que houve a quebra destes re-
cursos, tornando-se imperceptíveis aos olhos de
quem a produz, interferindo de forma negativa na
textualidade como um todo. Como podemos con-
ferir por meio dos seguintes casos:
Durante as quartas-de-final, o time do Brasil
vai enfrentar a Holanda.
Constatamos a falta de paralelismo semântico, ao
analisarmos que o time brasileiro não enfrentará o
país, e sim a seleção que o representa. Reestru-
turando a oração, obteríamos:
Durante as quartas-de-final, o time do Brasil
vai enfrentar a seleção da Holanda.
Se eles comparecessem à reunião, ficaremos
muito agradecidos.
Eis que estamos diante de um corriqueiro proce-
dimento linguístico, embora considerado incorre-
to, sobretudo, pela incoerência conferida pelos
tempos verbais (comparecessem/ficaremos). O
contrário acontece se disséssemos:
Se eles comparecessem à reunião, ficaríamos
muito agradecidos.
Ambos relacionados à mesma ideia, denotando
uma incerteza quanto à ação.
Ampliando a noção sobre a correta utilização
destes recursos, analisemos alguns casos em
que eles se aplicam:
não só... mas (como) também:
A violência não só aumentou nos grandes
centros urbanos, mas também no interior.
Percebemos que tal construção confere-nos a
ideia de adição em comparar ambas as situações
em que a violência se manifesta.
Quanto mais... (tanto) mais:
Atualmente, quanto mais se aperfeiçoa o pro-
fissionalismo, mais chances tem de se pro-
gredir.
Ao nos atermos à noção de progressão, podemos
identificar a construção paralelística.
Seja... Seja; Quer... Quer; Ora... Ora:
A cordialidade é uma virtude aplicável em
quaisquer circunstâncias, seja no ambiente
familiar, seja no trabalho.
Confere-se a aplicabilidade do recurso mediante
a ideia de alternância.
Tanto... Quanto:
As exigências burocráticas são as mesmas,
tanto para os veteranos, quanto para os calou-
ros.
Mediante a ideia de adição, acrescida àquela de
equivalência, constata-se a estrutura paralelísti-
ca.
Não... E não/nem:
Não poderemos contar com o auxílio de nin-
guém, nem dos alunos, nem dos funcionários
da secretaria.
Recurso este empregado quando se quer atribuir
uma sequência negativa.
Por um lado... Por outro:
Se por um lado, a desistência da viagem im-
58
plicou economia, por outro, desagradou aos
filhos que estavam no período de férias.
O paralelismo efetivou-se em virtude da referên-
cia a aspectos negativos e positivos relacionados
a um determinado fato.
Tempos verbais:
Se a maioria colaborasse, haveria mais orga-
nização.
Como dito anteriormente, houve a concordância
de sentido proferida pelos verbos e seus respecti-
vos tempos.
Reescrita de Frases
Antes de discorrermos acerca de um assunto tão
importante, convidamos você, caro (a) estudante,
a se enlevar mediante as palavras do grandioso
mestre de nossas letras, João Cabral de Melo
Neto, que, por meio de uma metalinguagem,
cumpre bem seu trabalho de lidar com as pala-
vras e deixar claro para nós, leitores, quão gran-
dioso e magnífico é o exercício da escrita. Volte-
mo-nos a elas, portanto:
Catar Feijão
1.
Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.
2.
Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.
Poema intitulado ―Catar feijão‖, parte constituinte
do livro ―Educação pela pedra‖, publicado em
1965.
A comparação ora estabelecida parece casar
perfeitamente diante daquele momento em que
as ideias são elencadas. No entanto, é preciso
ser hábil para escolher palavra por palavra, de
modo a fazer com que o discurso (as orações, os
períodos, os parágrafos) torne-se claro e preciso,
atendendo às expectativas de nosso interlocutor.
Dessa forma, como aqueles grãos que boiam
fora, desnecessários por sinal, algumas palavras
também parecem não se encaixar, pois por um
motivo ou outro acabam escapando aos nossos
olhos.
O porquê de escaparem? É simples, haja vista
que nesse momento essa habilidade antes men-
cionada entra em ação e, em meio a esse ínterim,
conhecimentos de toda ordem parecem se rela-
cionar, sejam eles de ordem ortográfica, semânti-
ca, sintática e, sobretudo, aqueles indispensáveis
a todo bom redator: o conhecimento de mundo.
Dada essa manifestação, é impossível não abor-
dar um procedimento, tão útil quanto necessá-
rio: a reescrita textual. Acredite que, por meio
dele, você, enquanto emissor, encontrará os
grãos pesados entre um grão qualquer, pedra ou
indigesto, um grão imastigável, de quebrar den-
te. Vale dizer, contudo, que essa reescrita não
deve se dar somente no âmbito de corrigir aque-
les possíveis erros... digamos assim... gramati-
cais. Importantes eles? Sim, sem dúvida alguma,
mas não são tudo. Cumpre afirmar que a reescri-
ta deve ir além, haja vista que nos permite reco-
nhecer aquelas ―falhas‖ que certamente seriam
reconhecidas por outra pessoa, sobretudo em se
tratando do ―teor‖, da ―essência‖ discursiva.
Tendo em vista que a coesão representa um dos
principais aspectos na produção textual, muitas
vezes, mediante a leitura daquilo que escreve-
mos, constatamos que os parágrafos não se en-
contram assim tão harmoniosamente ligados co-
mo deveriam. Às vezes, uma conjunção ali, um
advérbio acolá e um pronome adiante não se
encontram bem distribuídos. Outras vezes,
percebemos uma quebra de simetria (revelada
pela falta de paralelismo), em que uma ideia
poderia ter sido expressa de outra forma.
Assim, de modo a constatar como esse aspecto
assimétrico se manifesta na prática, analise o
seguinte enunciado:
A leitura é importante, necessária, útil e traz
benefícios a todo emissor que deseja aprimorar
ainda mais a competência discursiva.
Inferimos que com o uso de ―traz benefícios‖hou-
ve uma quebra de simetria dos adjetivos explici-
tados (importante, necessária, útil...). Não que
isso seja considerado uma falha de grande exten-
são, mas a ideia ficaria mais clara se outro adjeti-
vo tivesse sido utilizado, justamente para acom-
panhar o raciocínio antes firmado, ou seja:
59
A leitura é importante, necessária, útil e bené-
fica a todo emissor que deseja aprimorar ainda
mais a competência discursiva.
Outro aspecto, não menos importante, materiali-
za-se pela ―abundância‖ de orações intercaladas,
as quais corroboram para a extensão da ideia,
fazendo com que o interlocutor perca o ―fio da
meada‖ e passe a não entender mais o que se
afirma no início da oração. Dessa forma, para que
fique um pouco mais claro, analisemos o parágra-
fo que segue, revelando ser um bom exemplo da
ocorrência em questão:
A leitura, esse importante instrumento – o
qual o torna mais culto, mais apto a expressar
seus pensamentos –, pois amplia significati-
vamente seu vocabulário, contribui para o
aperfeiçoamento da escrita.
Tudo aquilo que se afirma acerca da eficácia da
leitura, ainda que relevante, tornou extensa e
cansativa a ideia abordada. Dessa forma, retifi-
cando a oração, poderíamos obter como essenci-
al somente estes dizeres, os quais seguem ex-
pressos:
A leitura contribui para o aperfeiçoamento da
escrita.
Mediante os pressupostos aqui elencados, acredi-
tamos ter contribuído de forma significativa para
que você aprimore ainda mais suas habilidades
no que tange à construção textual. E que, por
meio da reescrita de suas ideias, possa ser hábil
em jogar fora o leve o oco, assim mesmo como
ressalta nosso grande mestre, e reelabore seu
discurso pautando-se na concretude das pala-
vras, tornando-as claras, precisas, objetivas.
Empregos dos Sinais de Pontuação
Os sinais de pontuação são sinais gráficos em-
pregados na língua escrita para tentar recuperar
recursos específicos da língua falada, tais como:
entonação, jogo de silêncio, pausas, etc…
Veja abaixo a divisão e emprego dos sinais de
pontuação:
PONTO ( . )
a) indicar o final de uma frase declarativa.
Ex.: Lembro-me muito bem dele.
b) separar períodos entre si.
Ex.: Fica comigo. Não vá embora.
c) nas abreviaturas.
Ex.: Av.; V. Ex.ª
DOIS-PONTOS ( : )
a) iniciar a fala dos personagens:
Ex.: Então o padre respondeu:
– Parta agora.
b) antes de aposto ou orações apositivas, enume-
rações ou seqüência de palavras que explicam,
resumem idéias anteriores.
Ex.: Meus amigos são poucos: Fátima, Rodrigo e
Gilberto.
c) antes de citação.
Ex.: Como já dizia Vinícius de Morais: ―Que o
amor não seja eterno posto que é chama, mas
que seja infinito enquanto dure.‖
RETICÊNCIAS ( … )
a) indicar dúvidas ou hesitação do falante.
Ex.: Sabe…eu queria te dizer que…esquece.
b) interrupção de uma frase deixada gramatical-
mente incompleta.
Ex.: – Alô! João está?
– Agora não se encontra. Quem sabe se ligar
mais tarde…
c) ao fim de uma frase gramaticalmente completa
com a intenção de sugerir prolongamento de idéi-
a.
Ex.: ―Sua tez, alva e pura como um foco de algo-
dão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-
rosa…‖ (Cecília- José de Alencar)
d) indicar supressão de palavra (s) numa frase
transcrita.
Ex.: ―Quando penso em você (…) menos a felici-
dade.‖ (Canteiros – Raimundo Fagner)
PARÊNTESES ( () )
a) isolar palavras, frases intercaladas de caráter
explicativo e datas.
Ex.: Na 2ª Guerra Mundial (1939-1945), ocorreu
inúmeras perdas humanas.
―Uma manhã lá no Cajapió ( Joca lembrava-se
como se fora na véspera), acordara depois duma
grande tormenta no fim do verão. ― (O milagre das
chuvas no nordeste- Graça Aranha)
Os parênteses também podem substituir a vírgula
ou o travessão.
PONTO DE EXCLAMAÇÃO ( ! )
a) Após vocativo.
Ex.: ―Parte, Heliel! ― ( As violetas de Nossa Sra.-
Humberto de Campos).
b) Após imperativo.
Ex.: Cale-se!
60
c) Após interjeição.
Ex.: Ufa! Ai!
d) Após palavras ou frases que denotem caráter
emocional.
Ex.: Que pena!
PONTO DE INTERROGAÇÃO ( ? )
a) Em perguntas diretas.
Ex.: Como você se chama?
b) Às vezes, juntamente com o ponto de excla-
mação.
Ex.: – Quem ganhou na loteria?
– Você.
– Eu?!
VÍRGULA ( , )
É usada para marcar uma pausa do enunciado
com a finalidade de nos indicar que os termos por
ela separados, apesar de participarem da mesma
frase ou oração, não formam uma unidade sintáti-
ca.
Ex.: Lúcia, esposa de João, foi a ganhadora única
da Sena.
Podemos concluir que, quando há uma relação
sintática entre termos da oração, não se pode
separá-los por meio de vírgula.
Não se separam por vírgula:
predicado de sujeito;
objeto de verbo;
adjunto adnominal de nome;
complemento nominal de nome;
predicativo do objeto do objeto;
oração principal da subordinada substanti-
va (desde que esta não seja apositiva nem apa-
reça na ordem inversa).
A vírgula no interior da oração
É utilizada nas seguintes situações:
a) separar o vocativo. Ex.: Maria, traga-me uma
xícara de café.
A educação, meus amigos, é fundamental para o
progresso do país.
b) separar alguns apostos. Ex.: Valdete, minha
antiga empregada, esteve aqui ontem.
c) separar o adjunto adverbial antecipado ou in-
tercalado.
Ex.: Chegando de viagem, procurarei por você.
As pessoas, muitas vezes, são falsas.
d) separar elementos de uma enumeração.
Ex.: Precisa-se de pedreiros, serventes, mestre-
de-obras.
e) isolar expressões de caráter explicativo ou
corretivo.
Ex.: Amanhã, ou melhor, depois de amanhã po-
demos nos encontrar para acertar a viagem.
f) separar conjunções intercaladas.
Ex.: Não havia, porém, motivo para tanta raiva.
g) separar o complemento pleonástico antecipa-
do.
Ex.: A mim, nada me importa.
h) isolar o nome de lugar na indicação de datas.
Ex.: Belo Horizonte, 26 de janeiro de 2001.
i) separar termos coordenados assindéticos.
Ex.: ―Lua, lua, lua, lua,
por um momento meu canto contigo compactu-
a…‖ (Caetano Veloso)
j) marcar a omissão de um termo (normalmente o
verbo).
Ex.: Ela prefere ler jornais e eu, revistas. (omis-
são do verbo preferir)
Termos coordenados ligados pelas conjunções e,
ou, nem dispensam o uso da vírgula. Ex.: Con-
versaram sobre futebol, religião e política.
Não se falavam nem se olhavam./ Ainda não me
decidi se viajarei para Bahia ou Ceará.
Entretanto, se essas conjunções aparecerem
repetidas, com a finalidade de dar ênfase, o uso
da vírgula passa a ser obrigatório.
Ex.: Não fui nem ao velório, nem ao enterro, nem
à missa de sétimo dia.
A vírgula entre orações
É utilizada nas seguintes situações:
a) separar as orações subordinadas adjetivas
explicativas.
Ex.: Meu pai, de quem guardo amargas lembran-
ças, mora no Rio de Janeiro.
b) separar as orações coordenadas sindéticas e
assindéticas (exceto as iniciadas pela conjunção
e ). Ex.: Acordei, tomei meu banho, comi algo e
saí para o trabalho. Estudou muito, mas não foi
aprovado no exame.
Há três casos em que se usa a vírgula antes da
conjunção:
61
1) quando as orações coordenadas tiverem sujei-
tos diferentes.
Ex.: Os ricos estão cada vez mais ricos, e os po-
bres, cada vez mais pobres.
2) quando a conjunção e vier repetida com a fina-
lidade de dar ênfase (polissíndeto). Ex.: E chora,
e ri, e grita, e pula de alegria.
3) quando a conjunção e assumir valores distintos
que não seja da adição (adversidade, conse-
qüência, por exemplo) Ex.: Coitada! Estudou mui-
to, e ainda assim não foi aprovada.
c) separar orações subordinadas adverbiais (de-
senvolvidas ou reduzidas), principalmente se
estiverem antepostas à oração principal.
Ex.: ―No momentoem que o tigre se lançava,
curvou-se ainda mais; e fugindo com o corpo
apresentou o gancho.‖( O selvagem – José de
Alencar)
d) separar as orações intercaladas. Ex.: ―- Se-
nhor, disse o velho, tenho grandes contentamen-
tos em a estar plantando…‖
Essas orações poderão ter suas vírgulas substitu-
ídas por duplo travessão. Ex.: ―Senhor – disse o
velho – tenho grandes contentamentos em a estar
plantando…‖
e) separar as orações substantivas antepostas à
principal.
Ex.: Quanto custa viver, realmente não sei.
PONTO-E-VÍRGULA ( ; )
a) separar os itens de uma lei, de um decreto, de
uma petição, de uma seqüência, etc.
Ex.: Art. 127 – São penalidades disciplinares:
I- advertência;
II- suspensão;
III- demissão;
IV- cassação de aposentadoria ou disponibilida-
de;
V- destituição de cargo em comissão;
VI- destituição de função comissionada. ( cap. V
das penalidades Direito Administrativo)
b) separar orações coordenadas muito extensas
ou orações coordenadas nas quais já tenham tido
utilizado a vírgula.
Ex.: ―O rosto de tez amarelenta e feições inex-
pressivas, numa quietude apática, era pronuncia-
damente vultuoso, o que mais se acentuava no
fim da vida, quando a bronquite crônica de que
sofria desde moço se foi transformando em o-
pressora asma cardíaca; os lábios grossos, o
inferior um tanto tenso (…) ‖ (O visconde de I-
nhomerim – Visconde de Taunay)
TRAVESSÃO ( – )
a) dar início à fala de um personagem.
Ex.: O filho perguntou:
– Pai, quando começarão as aulas?
b) indicar mudança do interlocutor nos diálogos.
– Doutor, o que tenho é grave?
– Não se preocupe, é uma simples infecção. É só
tomar um antibiótico e estará bom.
c) unir grupos de palavras que indicam itinerário.
Ex.: A rodovia Belém-Brasília está em péssimo
estado.
Também pode ser usado em substituição à virgu-
la em expressões ou frases explicativas.
Ex.: Xuxa – a rainha dos baixinhos – será mãe.
ASPAS ( “ ” )
a) isolar palavras ou expressões que fogem à
norma culta, como gírias, estrangeirismos, pala-
vrões, neologismos, arcaísmos e expressões
populares.
Ex.: Maria ganhou um apaixonado ―ósculo‖ do
seu admirador.
A festa na casa de Lúcio estava ―chocante‖.
Conversando com meu superior, dei a ele um
―feedback‖ do serviço a mim requerido.
b) indicar uma citação textual.
Ex.: ―Ia viajar! Viajei. Trinta e quatro vezes, às
pressas, bufando, com todo o sangue na face,
desfiz e refiz a mala‖. ( O prazer de viajar – Eça
de Queirós)
Se, dentro de um trecho já destacado por aspas,
se fizer necessário a utilização de novas aspas,
estas serão simples. ( ‗ ‗ )
Recursos alternativos para pontuação:
Parágrafo ( § )
Chave ( { } )
Colchete ( [ ] )
Barra ( / )
Denotação e Conotação
62
Você sabe o que é denotação? E conotação?
Para entender melhor esses importantes elemen-
tos da linguagem, observe as tirinhas:
Hagar, o Horrível. Criação de Chris Browne. É
comum encontrarmos nas tirinhas recursos ex-
pressivos da linguagem, como a conotação
Calvin e Haroldo, criação de Bill Watterson. O uso
da conotação confere o efeito de humor da tirinha
No terceiro quadrinho da primeira tirinha, é possí-
vel notar um diálogo interessante entre os amigos
Hagar e Eddie Sortudo. A pergunta metafórica
feita por Hagar ganhou uma resposta inesperada,
visto que seu amigo não compreendeu o sentido
conotativo empregado em sua linguagem. A res-
posta ―Você está aqui porque o dono do bar deixa
você pendurar a conta até o fim do mês‖ também
utiliza uma linguagem figurativa, pois ―pendurar a
conta‖ quer dizer, na verdade, consumir e protelar
o pagamento, certo?
Na tirinha de Calvin e Haroldo, também encon-
tramos uma expressão empregada em seu senti-
do metafórico: Quando o valentão Moe diz para
Calvin que ele ―vai comer asfalto‖, não esperamos
que a ameaça seja cumprida ao pé da letra, mas
sabemos que o sentido dado à expressão é nega-
tivo. Moe usou o sentido figurado para dizer que
Calvin vai passar por ―maus pedaços‖ no quinto
ano. Pois bem, temos aí bons exemplos de deno-
tação e conotação.
Pois bem, a denotação e a conotação dizem res-
peito às variações de significado que ocorrem
no signo linguístico — elemento que representa o
significado e o significante. Em outras palavras,
podemos dizer que nem sempre os vocábulos
apresentam apenas um significado, podendo
apresentar uma variedade deles de acordo com o
contexto em que são empregados. Observe o
exemplo:
Os donos soltaram os cachorros para que eles
pudessem passear na fazenda.
Eles soltaram os cachorros quando percebe-
ram que foram enganados!
Você diria que a expressão ―soltaram os cachor-
ros‖ foi empregada com a mesma intenção nas
duas orações? Na primeira, a expres-
são ―soltaram os cachorros‖ foi utilizada em seu
sentido literal, isto é, no sentido denotativo, pois
de fato os animais foram liberados para passear.
E na segunda oração? Qual sentido você atribuiu
à expressão ―soltaram os cachorros‖? Provavel-
mente você percebeu que ela foi empregada em
seu sentido conotativo, pois naquele contexto
representou que alguém ficou bravo e acabou se
exaltando, perdendo a paciência.
Geralmente, a conotação é empregada em uma
linguagem específica, que não tenha compromis-
so em ser objetiva ou literal. Ela é muito encon-
trada na literatura, que utiliza diversos recursos
expressivos para realçar um elaborado trabalho
com a linguagem. Nos textos informativos, por
exemplo, a conotação dá lugar à denotação, pois
a informação deve ser transmitida da maneira
mais clara possível, para assim evitar interpreta-
ções equivocadas e o efeito de ambiguidade.
Sintetizando:
Conotação: Sentido mais geral que se pode atri-
buir a um termo abstrato, além da significação
própria. Sentido figurado, metafórico.
Denotação: Significado de uma palavra ou ex-
pressão mais próximo do seu sentido literal. Sen-
tido real, denotativo.
Uso e Sentido das Figuras de Palavras
O que são Figuras de Linguagem:
As figuras de linguagem são recursos usados
na fala ou na escrita para tornar mais expressi-
va a mensagem transmitida.
É muito importante saber identificar as diversas
figuras de linguagem, porque desta forma é pos-
sível compreender melhor diferentes textos.
Compreender e saber usar figuras de estilo nos
capacita a usar de forma mais eficaz a linguagem
como fenômeno social e nos ajuda a vislumbrar o
simbolismo de algumas conversas e obras escri-
tas.
As figuras de linguagem podem ser subdivididas
em figuras de palavras, figuras de pensamen-
to e figuras de construção.
Figuras de Palavras
63
Catacrese: emprego de uma palavra no sentido
figurado por não haver um termo próprio. Ex.: a
perna dos óculos.
Metáfora: estabelece uma relação de semelhan-
ça ao usar um termo com significado diferente do
habitual. Ex.: A menina é uma flor.
Comparação: parecida com a metáfora, a com-
paração é uma figura de linguagem usada para
qualificar 1 característica parecida entre dois ou
mais elementos. No entanto, no caso da compa-
ração, existe uma palavra de conexão (como,
parecia, tal, qual, assim, etc). Ex: "O olhar dela é
como a lua, brilha maravilhosamente.".
Metonímia: substituição lógica de uma palavra
por outra semelhante. Ex.: Beber um copo de
vinho.
Onomatopeia: imitação de um som.
Ex.: trrrimmmmm (telefone)
Perífrase: uso de uma palavra ou expressão para
designar algo ou alguém. Ex.:Cidade Luz (Paris)
Sinestesia: mistura de diferentes impressões
sensoriais. Ex.: o doce som da flauta
Figuras de Pensamento
Antítese: palavras de sentidos opostos. Ex.:
bom/mau
Paradoxo: referente a duas idéias contraditórias
em uma só frase ou pensamento. Ex: "Ainda me
lembro daquelesilêncio ensurdecedor."
Eufemismo: intenção de suavizar um fato ou
atitude. Ex.: Foi para o céu (morreu)
Hipérbole: exagero intencional. Ex.: morto de
sono
Ironia: afirmação contrária daquilo que se pensa.
Ex.: É um santo! (para alguém com mau compor-
tamento)
Prosopopeia ou Personificação: atribuição de
predicativos próprios de seres animados a seres
inanimados. Ex.: O sol está tímido.
Figuras de Construção
Aliteração: repetição de um determinado som
nos versos ou frases. Ex: o rato roeu a roupa...
Anacoluto: alteração da construção normal da
frase. Ex.: O homem, não sei o que pretendia.
Anáfora: repetição intencional de uma palavra ou
expressão para reforçar o sentido. Ex.: ―Noite-
montanha. Noite vazia. Noite indecisa. Confu-
sa noite.Noite à procura, mesmo sem alvo.‖ (Car-
los Drummond de Andrade)
Elipse: omissão de um termo que pode ser identi-
ficado facilmente. Ex.: no trânsito, carros e mais
carros. (há)
Pleonasmo: repetição de um termo, redundância.
Ex.: subir para cima
Polissíndeto: repetição da conjunção entre os
termos da oração. Ex.: ―nem o céu, nem o
mar, nem o brilho das estrelas‖
Zeugma: omissão de um termo já expresso ante-
riormente. Ex: Ele gosta de Inglês; eu, (gosto) de
Alemão.
Gêneros Textuais Como Práticas Sócio-
Históricas.
Segundo Marcuschi os gêneros textuais são fe-
nômenos históricos, profundamente vinculados à
vida cultural e social, portanto, são entidades
sócio-discurssivas e formas de ação social em
qualquer situação comunicativa.
Caracterizam-se como eventos textuais altamente
maleáveis e dinâmicos.
Passemos para uma simples observação histórica
do surgimento dos gêneros que revela um conjun-
to limitado dos mesmos. Após a invenção da es-
crita alfabética por volta do século VII a.C., multi-
plicam-se os gêneros, surgindo os tipos da escri-
ta; os gêneros expandem-se com o surgimento da
cultura impressa e atualmente a fase denominada
cultura eletrônica, particularmente computador
(internet) aparece como uma explosão de novo
gênero e forma de comunicação, tanto na orali-
dade como na escrita.
Os gêneros textuais caracterizam-se muito mais
por suas funções comunicativas; cognitivas e
institucionais, do que por suas peculiaridades
lingüísticas e estruturais.
Este artigo trás estudos sobre três gêneros textu-
ais relacionados ao meio de comunicação e ana-
lisa-os em sua funcionalidade, apontando aspec-
tos de interesse do educador e do educando.
Definição E Funcionalidade.
Muito se tem falado sobre a diferença entre ―tipos
textuais‖ e ―gêneros textuais‖.
Alguns teóricos denominam narração; descrição e
dissertação como ―modos de organização textu-
al‖, diferenciando-os das terminologias que são
considerados ―gêneros textuais‖.
Partindo desse pressuposto e pautando-se no
estudo de Marcuschi definimos a seguir:
64
Tipos textuais: seqüência definida pela
natureza lingüística de sua composição (narra-
ção, descrição e dissertação);
Gêneros textuais: são os textos encontra-
dos no nosso cotidiano e apresentam característi-
cas sócio-comunicativas (carta pessoal ou co-
mercial, diários, agendas, e-mail, orkut, lista de
compras, cardápio entre outros).
Com referência a Bakhtin (1997), concluímos que
é impossível se comunicar verbalmente a não ser
por um texto e obriga-nos a compreender tanto as
características estruturais (como ele é feito) como
as condições sociais (como ele funciona na soci-
edade).
TIPOS TEXTUAIS VOLTADOS PARA AS
FUNÇÕES SOCIAIS DOS TEXTOS.
Informativos;
Expositivos;
Numerados;
Prescritivos;
Literário;
Argumentativo.
Segundo Bakhtin (1997), os gêneros são tipos
relativamente estáveis de enunciados elaborados
pelas mais diversas esferas da atividade humana.
Por essa relatividade a que se refere o autor,
pode-se entender que o gênero permite certa
flexibilidade quanto à sua composição, favore-
cendo uma categorização no próprio gênero, isto
é, a criação de um subgênero.
Tipos Textuais Como Ferramenta.
Para Bakhtin (1997), quando um indivíduo utiliza
a língua, sempre o faz por meio de um tipo de
texto ainda que possa não ter consciência dessa,
ou seja, a escolha de um tipo é um dos passos-
se não o primeiro- a ser seguido no processo de
comunicação.
Por isso, os tipos textuais podem ser uma ferra-
menta que está a disposição do falante, sendo
por ele escolhidos da maneira que melhor lhe
convém para, no processo de comunicação, auxi-
liá-lo na sua expressão lingüística.
Tomar um tipo textual como uma estrutura básica
normalmente usada em uma determinada situa-
ção o torna uma valiosa ―ferramenta‖ que o falan-
te procura, guia e controla para poder expressar a
função maior da linguagem que é atingir uma
comunicação, em maior ou menor grau argumen-
tativo, ou seja, uma comunicação cujo objetivo é
efetivamente alcançado e concretizado; daí dizer
que a argumentação está inscrita no uso da lín-
gua.
5 Observações Sobre Gêneros Textuais:
O presente trabalho fundamenta-se teoricamente
em reflexões feitas por Bakhtin (2000), Marcuschi
(2002), Bronckart (1999) entre outros.
De acordo com diversas pesquisas voltadas para
a questão dos gêneros textuais e segundo os
autores citados acima, já se tornou evidente que
os gêneros são fenômenos históricos ligados à
vida cultural e social, os quais contribui para a
ordenar e estabilizar as atividades comunicativas
do dia-a-dia.
Bronckart (1999) diz ―Conhecer um gênero de
texto também é conhecer suas condições de uso,
sua pertinência, sua eficácia, ou de forma mais
geral, sua adequação em relação às característi-
cas desse contexto social.‖ (BRONCKART, 1999,
p. 48).
Como afirmou Bronckart (1999) ―a apropriação
dos gêneros é um mecanismo fundamental de
socialização, ―o que permite dizer que os gêneros
textuais operam como formas de legitimação dis-
cursiva.
QUADRO 1 – Tipos de composição textual:
Descrição
É um texto narrativo com predomínio de verbos
de ligação que retratam detalhadamente perso-
nagens, ambientes e objetos.
Narração
Texto narrativo em 1ª ou 3ª pessoa que contém
enredo, conflito, cenário, tempo e espaço com
predomínio de verbos de ação, portanto o diálogo
direto é freqüente.
Dissertação
É um texto de defesa de um argumento ―tese‖
que possui introdução, desenvolvimento e con-
clusão; a linguagem é objetiva prevalecendo à
denotação; ele pode ser expositivo ou argumenta-
tivo de caráter científico.
Retrato de pessoas, ambientes, objetos;
Predomínio de atributos;
Uso de verbos de ligação;
65
Frequente emprego de metáforas, compa-
rações e outras figuram de linguagem;
Tem como resultado a imagem física e
psicológica.
Domínio da Ortografia Oficial
É a parte da gramática que trata do emprego
correto das letras e dos sinais gráficos na língua
escrita. É a maneira correta de escrever as pala-
vras.
Emprego das letras.
Palavras que se escrevem com “ESA”
Burguesa, chinesa, despesa, escocesa, francesa,
inglesa, japonesa, holandesa, mesa, pequinesa,
portuguesa etc.
Se conseguirmos completar a frase ―ELA É‖, a
palavra será sempre com ―S‖. Ex. Ela é chinesa.
Ela é pequinesa.
Palavras que se escrevem com “EZA”.
Alteza, avareza, beleza, crueza, fineza, firmeza,
lerdeza, proeza, pureza, singeleza, tristeza, rijeza
etc.
Palavras que se escrevem com “ÊS”
Burguês, chinês, cortês, escocês, francês, inglês,
irlandês, montanhês, pedrês, português etc.
Se conseguirmos completar a frase ―ELE É‖, a
palavra será com ―S‖.
Ex: Ele é cortês. Ele é burguês. Ele é francês.
Palavras que se escrevem com “EZ”
Altivez, embriaguez, estupidez, intrepidez, pali-
dez, morbidez, pequenez, talvez, vez, viuvez,sisudez, rigidez, surdez, maciez.
Palavras que se escrevem com “OSO”, “OSA”
Audacioso, brioso, cauteloso, delicioso, formoso,
gostoso, perigoso, pomposo, teimoso, valioso etc
Palavras que se escrevem com “ISAR”
Alisar, analisar, bisar, paralisar, pesquisar, pisar
etc.
Para que estes vocábulos se escrevam com ―S‖,
é necessário que no próprio radical já haja a letra
―S‖.
Ex.: AVISAR-AVISO, ANALISAR-ANÁLISE, BI-
SAR-BIS, PARALISAR-PARALISIA, CATÁLISE-
CATALISADOR-CATALIZANTE, PORTUGUÊS-
PORTUGUESINHO, CASA-CASEBRE..
Palavras que se escrevem com “IZAR” (for-
mador de verbos) “IZAÇÃO” (formador de
substantivos).
Amenizar, avalizar, catequizar, desmobilizar, des-
personalizar, esterilizar, estigmatizar, finalizar,
generalizar, harmonizar, poetizar, profetizar, ra-
cionalizar, sensacionalizar, civilizar, civilização;
humanizar, humanização; colonizar, colonização;
realizar, realização.
Obs. Não confunda com os casos em que se
acrescenta o sufixo -ar a palavras que já apresen-
tam S: analisar, pequisar, avisar.
Apesar de CATEQUIZAR se derivar de CATE-
QUESE, aquele termo se escreve com Z e este,
com S.
As palavras POETIZAR e PROFETIZAR não se
derivam de POETISA e PROFETISA, mas sim de
POETA e PROFETA. Por isso as primeiras se
escrevem com Z e as últimas, com S.
Palavras que se escrevem com “S”
A letra S representa o fonema /z/ quando é inter-
volálica: asa, mesa, riso.
Usa-se a letra S:
a) nas palavras que derivam de outra em que já
existe S. (bizu 1.7)
b) nos sufixos:
-ês, -esa (para indicação de nacionalidade, título,
origem)
-ense, -oso, -osa (formadores de adjetivos)
-isa (indicador de ocupação feminina): poetisa,
profetisa, papisa
c) após ditongos: lousa, coisa, Neusa, ausência,
náusea.
d) nas formas dos verbos pôr (e derivados)
e querer: pus, pusera, pusesse; repus, repusera,
repusesse; quis, quisera, quisesse.
Algumas palavras
anis, atrás, brasa, compreensão, conversível,
coser(costurar), esôfago, esotérico, esoterismo,
espectador, esplêndido, esterco, estéril, estorvo,
extravasar, fusível, gás, gasolina, guisado, here-
sia, hesitar, hipnose, hipocrisia, imersão, misto,
revés, sesta, asilo, isolar, isquemia, oscular, que-
rosene, quis, quiser, puser, siso, poetisa, profeti-
66
sa, sacerdotisa, submerso, usina, usufruir, usura,
usurpar, versátivel, inserto (inserido), conser-
tar(reparar), servo (servente), serração (ato de
serrar), intensão (intensidade), colisão, impulso,
imersão, inversão, maisena, pretensão, expan-
são, pretensioso, obsessão (mas obcecado), lilás,
revisão, vaso, através, Isabel, ourivesaria.
Palavras que se escrevem com “Z”
azar, azenha, azeitona, azeite, azinhavre, balizar,
bizantino, bizarro, buzina, cozer (cozinhar), deze-
na, dizimar, fuzil, aprazível, deslize, falaz, fezes,
fugaz, gazeta, giz, gozar, hipnotizar, tez, algazar-
ra, foz, prazerosamente, ojeriza, perspicaz, proe-
za, desprezar, vazar, revezar, xadrez, azia, azia-
go, talvez, cuscuz, coalizão, assaz, bissetriz.
Palavras que se escrevem com “X”
bexiga, coxo, engraxar, sintaxe, caxumba, faxina,
maxixe, muxoxo, paxá, praxe, xale, xícara, exci-
tante, xavante, xereta, baixo, trouxe, enxada,
enxaguar, enxame, enxaqueca, enxerto, enxortar,
enxoval, enxugar, enxurrada, enxuto, seixo, faixa,
exacerbar, exotérmico, exorcismo, expletivo, expi-
rar, expelir, expectativa, expor, explicar, extasiar,
exterminar, extensão, extenso, extorsivo, exube-
rante, exalar, exaltar, exame, exarar, exaustão,
exéquias, exílio, exímio, êxito, êxodo, exonerar,
exótico, exumação, broxa(pincel), buxo (arbusto
ornamental), xá (título de soberano do Oriente),
xeque (incidente no xadrez), xampu, xangai, ex-
piar, baixeza, graxa, exsurgir, extirpar, extorsão,
roxo, xavante.
Palavras que se escrevem com “CH”
enchova, encharcar, encher, enchiqueirar, encho-
çar, enchente, enchouriçar, chave, chuchu, chico-
te, chifre, chispar, chimpanzé, choupana, choru-
mela, chulo, chumaço, chusma, chavão, charuto,
champanha, chacina, chantagem, chaminé, chi-
cana, chibata, chiar, bricha (prego), bucho (estô-
mago de animais), chá (arbusto), cheque (ordem
de pagamento), cocha (gamela), tacha (prego),
debochar, fachada, fantoche, linchar, arrocho,
brecha, pechincha, pichar, salsicha, chicória, ca-
chimbo, broche, bochecha, flecha, mochila, chute,
chope, apetrecho, comichão.
Palavras que se escrevem com “Ç” ou “C”
à beça, almoço, terçol, ressurreição, exceção,
cessação, açucena, joça, camurça, mormaço,
presunção, torção, trança, soçobrar, troço, joça,
pança, maçarico, maciço, ruço (grisalho), aguçar,
caçula, seção(departamento), retenção, absten-
ção, disfarçar, cerração (nevoeiro), cervo (veado),
decertar (lutar), empoçar (formar poça), intenção
(propósito), oaço (palácio), sucinto, silêncio.
Palavras que se escrevem com “SS”
admissão, demissionário, transmissão, emissor,
expressão, expresso, impressionismo, compres-
sor, assado, passar, ingressar, progresso, suces-
so, discussão, repercussão, promessa, remessa,
agressivo, transgressão, antiqüíssimo, tenacíssi-
mo, excesso, dissensão, sossego, pêssego, mas-
sagem, secessão, necessário, escasso, escas-
sez, sessão (reunião), cessão (ceder), sessar
(peneirar), russo (natural da Rússia), passo (pas-
sada), empossar (dar posse), cassar (anular)
dissertar (discorrer).
Palavras que se escrevem com “SC”
abscissa, abscesso, adolescente, ascensão, a-
crescentar, acréscimo, ascese, ascetismo, ascen-
sorista, consciência, cônscio, descendente, des-
censão, descentralizar, descente (vazante), dis-
cente, disciplina, discípulo, fascículo, fascínio,
fascinante, isósceles, nascer, obsceno, oscilação,
piscina, piscicultura, imprescindível, intumescer,
irascível, miscigenação, seiscentos, transcen-
der, rescindir, rescisão, ressuscitar, suscitar.
Palavras que se escrevem com “G”
a) nos substantivos terminados em agem, igem,
ugem: aragem, barragem, contagem, coragem,
malandragem, miragem, fuligem, origem, verti-
gem, ferrugem, lanugem, rabugem. Cuidado com
as exceções pajem e lambujem.
b) nas palavras terminadas em ágio, égio, ígio,
ógio, úgio: adágio, contágio, estágio, pedágio;
colégio, egrégio; litígio, prestígio; necrológico,
relógio; refúgio, subterfúgio.
Outras
angelical, aborígine, agilidade, algema, agir, agio-
ta, apogeu, argila, bege, cogitar, drágea, faringe,
fugir, geada, gengibre, gíria, tigela, rigidez, mon-
ge, ogiva, herege, genuíno, algemas, gergelim,
gesso, egípcio, gironda, infrigir, bugiganga, via-
gem (substantivo), vagem, estiagem, folhagem,
geringonça, ginete, gengiva, sargento, coragem,
ferrugem, tragédia, gesto.
Palavras que se escrevem com “J”
a) nas formas dos verbos terminados em -jar:
arranjar (arranjo, arrajem, por exemplo); enferru-
jar (enferruje, enferrujem), viajar (verbo -> viajo,
viaje, viajem);
b) nas palavras oriundas do Tupi, africana e ára-
be ou de origem exótica: Jibóia, pajé, jirau, alfan-
je, alforje, canjica, jerico, manjericão, Moji.
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OUTRAS igrejinha, laje, lajeado, varejista, sarjeta,
gorjeta, anjinho, canjica, viajem (verbo), encora-
jem (verbo), enferrujem (verbo), cafajeste, cerejei-
ra, injeção, enrijecer, berinjela, jejuar, jérsei, inter-
jeição, jesuíta, jibóia, lambujem, majestade, jirau,
ultraje, traje, ojeriza, jenipano, pajé, pajem, jeito,
granja, projétil (ou projetil), rejeição, sarjeta, traje,
jerimum.
A letra “H”
hálito, hangar, harmonia, harpa, haste, hediondo,
hélice, hemisfério, hemorragia, herbívoro (mas
ervas), hérnia, herói, hesitar, hífen, hipismo, hipo-
condria, hilaridade, hipocrisia, hipótese, histeria,
homenagem, horror, horta, hostil, humor, húmus.
Em ―Bahia‖, o H sobrevive por tradição histórica.
Observe que nos derivados ele nãoé usado: bai-
ano, baianismo.
Domínio dos Mecanismos de Coesão Textual
A Coesão Referencial como já foi dito se mani-
festa por meio de itens lingüísticos que não po-
dem ser interpretados semanticamente por si
mesmos, como pronomes pessoais, demonstrati-
vos e relativos. A Coesão por Substituição ocorre
quando um dado elemento lingüístico é retomado
ou precedido por um outro elemento. No caso da
retomada, tem-se a anáfora. Ex.: ―Carla tem um
automóvel. Ele é verde‖. No caso da antecipação,
tem-se a catáfora. Ex.: ―Quero dizer-te uma coisa:
gosto de você‖. A Coesão por Reiteração é a
repetição de expressões que têm a mesma refe-
rência no texto. A Repetição do mesmo item lexi-
cal ocorre quando a retomada da informação se
dá pela repetição das mesmas expressões lexi-
cais.
Um processo importante na produção textual é a
Sinonímia, que ocorre quando a repetição se dá
pelo emprego de sinônimos. Ex.: ―O barulho é um
dos problemas mais graves que afligem nossa
civilização nesse século. Os milhões de ruídos
que rodeiam o homem diariamente, em quase
todos os cantos, em sua maior parte, são produ-
zidos por ele mesmo‖. Na aula também foram
apresentado o conceito e alguns exemplos
de Hiperonímia/hiponímia, no qual o primeiro
elemento de uma seqüência lingüística mantém
com um segundo uma relação todo/parte, clas-
se/elemento, tem-se um hiperônimo. Quando o
primeiro elemento mantém com o segundo uma
relação parte/todo, elemento/classe, tem-se
o hipônimo.
As Expressões nominais definidas ocorrem quan-
do há retomadas de um mesmo referente por
meio de expressões de natureza diversa, relacio-
nadas com o nosso conhecimento de mundo. Os
Nomes genéricos ocorrem quando há reintegra-
ção do item lexical pela utilização de nomes ge-
néricos, como: pessoa, coisa, fato, gente, negó-
cio, lugar, idéia, funcionando como itens de refe-
rência anafórica.
O conceito de Coesão Recorrencial é quando as
retomadas de estruturas lingüísticas visam à pro-
gressão do discurso. Constitui um meio de articu-
lar a informação nova àquela já conhecida no
contexto. Também tem as Retomada de termos
que é quando a repetição de um mesmo termo
exerce uma função determinada, de ênfase, in-
tensificação etc. No Paralelismo ocorre quando
os elementos lingüísticos são reutilizados em
enunciados com sentidos diferentes.
Coesão textual: associação e conexão
A Coesão Seqüencial tem a mesma função da
coesão recorrencial fazendo progredir o texto,
impulsionando o fluxo informacional. Difere da
recorrencial por não apresentar retomadas de
itens, sentenças ou estruturas. A Conexão das
orações é estabelecida por Condição que estabe-
lece uma relação de dependência entre proposi-
ções. Por Causa no qual ocorre quando há entre
duas proposições uma relação de causa- conse-
qüência. Pela Finalidade que estabelece a cone-
xão entre as duas orações estabelece uma rela-
ção meio-fim. Outro fator é a Conformidade que
exprime a conexão das duas orações mostra a
conformidade de conteúdo de uma oração em
relação à outra. A Explicação exerce a conexão
das duas orações mostra que a segunda explica
a primeira e a Adição é responsável pela conexão
das duas orações mostra um conjunto de ideias
entre as proposições.
Na aula ficou bem clara a Conexão de enuncia-
dos em textos: por meio de encadeamentos su-
cessivos e diferentes entre dois ou mais períodos
e entre parágrafos de um texto. Os elementos
formais responsáveis por esse tipo de conexão
são chamados operadores argumentativos. São
operadores argumentativos: com o propósito de,
com a intenção de, pelo contrário, em vez disso,
em contrapartida, em suma, em síntese, em con-
clusão, para resumir, para concluir etc.
Seleção do vocabulário
A aula inicia com pergunta: O QUE É FA-
MIGERADO? Do conto de Guimarães Rosa.
Ao fazer a escolha de vocábulos, temos de ter em
mente a adequação do uso de tal vocábulo, e isso
certamente vai contribuir para a melhor compre-
ensão da nossa mensagem. O vocábulo deve ser
68
adequado à pessoa que fala e, nessa situação,
podemos ter os regionalismos, o jargão profissio-
nal, os vocábulos cultos e populares; em outros
casos, devem ser adequados ao ponto de vista
do autor do texto e, nesta situação, aparecem os
vocábulos positivos, neutros ou negativos; em
alguns textos podem ser empregados vocábulos
que representam uma época determinada e as-
sim por diante.
O conceito de Vocabulário: Codificação da tota-
lidade ou seleção de palavra de uma língua e
seus significados. (dicionário Houaiss)
Tipos de Vocabulários: Grupos de palavras;
Fórmulas fixas; Expressões idiomáticas; Constru-
ções convencionais
Grupos de palavras:
Água sanitária
Meio ambiente
Ar condicionado
Corpo docente
Fórmulas fixas:
Bom dia!
Boa noite!
Com licença!
Por favor!
Muito obrigada!
Expressões idiomáticas: Deviso as mudanças e
variações linguisticas as expressões idiomáticas
variam de país para país, região para região,
cultura para cultura, entre outras variações de
tempo e espaço.
Exemplos de expressões idiomáticas:
Abandonar o barco: desistir de uma situa-
ção difícil que se repete cotidianamente.
Abotoar o paletó: Morrer
Amigo da onça – amigo interesseiro, trai-
dor.
Andar nas nuvens – estar desatento, distra-
ído.
Arregaçar as mangas – dar início a um
trabalho ou a uma atividade.
Bater na mesma tecla – insistir demais no
mesmo assunto.
Boca de siri – manter segredo sobre algo.
Cara de pau – descarado, sem-vergonha.
Construções convencionais
Você quer vim a ser casar comigo?
Você quer casar-se comigo?
Você quer casar comigo?
Denotação
A denotação é a relação existente entre o plano
de expressão e o plano de conteúdo, ou seja, o
significado denotativo é o conceito ao qual nos
remete certo significante. Nos textos literários
nem sempre a linguagem apresenta um único
sentido, aquele apresentado pelo dicionário. Em-
pregadas em alguns contextos, elas ganham no-
vos sentidos, figurados, carregados de valores
afetivos ou sociais. Quando a palavra é utilizada
com seu sentido comum (o que aparece no dicio-
nário) dizemos que foi empregada denotativa-
mente.
Conotativa
Esses novos valores constituem aquilo que de-
nominamos sentido conotativo, ou seja, o acrés-
cimo de um novo valor constitui a conotação, que
consiste num novo plano de conteúdo para o
signo que já tinha um significado denotati-
vo.Provocando reação Quando é utilizada com
um sentido diferente daquele que lhe é comum,
dizemos que foi empregada conotativamen-
te. Este recurso é muito explorado na Literatura, é
empregada em letras de música, anúncios publici-
tários, conversas do dia a dia, etc. Observe um
trecho da canção “Dois rios”, de Samuel Rosa,
Lô Borges e Nando Reis.
Note a caracterização do sol: ele foi empregado
conotativamente.
Exemplos:
A Garota Não Fez Um Bom Papel (conota-
tivo)
Pegue Papel E Caneta (denotativo)
Familias: Ideologica E Campos Associativos
Associados a um vocábulo, por exemplo: Lazer:
esporte, diversão, viagem, alegria...
Tipos De Vocabulo
Imagem de futebol: língua falada ou coloquial
Imagem digitada: linguagem escrita- formal
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Imagem de uma noticia: vocabulário leitura- não
precisa pesquisar
Imagem de leitura de livro: tem que realizar con-
sulta ao dicionário.
Domínio e Rendimentos:
A dificuldade apresentada é pelos entulhamentos
de itens desconhecidas( jurídica, médica) que
dificultam a leitura, sendo assim não é vantajosa.
Alguns vocábulos comprometem toda leitura.
Exemplo: bula de remédio. Linguagem hermética
Exemplo o conto PREBICITO de Arthur Azeve-do. Eles não sabiam o significado da palavra, isso
causou uma grande confusão.
Evitar o uso de chavões, guichês, termos genéri-
cos e vagos exemplo a Vaguidão Específica de
Millôr Fernandes: Falando de qualquer coisa, o
que causou humor no texto.
Como Ampliar Vocabulário:
Recuso Do Dicionário
Inferencia Lexical
Resolver Cruzadas
Brincadeira Em Grupo
Leitura De Diversos Textos
A dificuldade em realizar a leitura é tida como um
dos maiores obstáculos enfrentados pelos alunos.
Preocupados com essa questão, vários educado-
res estão em busca de o melhor caminho a se-
guir, contribuindo para um melhor desenvolvimen-
to da leitura.
Parágrafos:
Nessa aula aprendemos como formar um para-
gráfo coerente, utilizando a criatividade que é
muito importante para desenvolver qualquer ativi-
dade. No que diz respeito à escrita, para criar um
parágrafo é necessário que os estudantes saibam
o conceito de parágrafo, para depois começar a
construir um texto. O primeiro parágrafo de um
texto deve ser escrito da maneira mais simples
possível. É ele quem vai atrair a atenção do lei-
tor e despertar sua curiosidade para a leitura do
texto. O parágrafo é o conjunto de frases que
formam uma sequência com sentido, com lógica.
Pode ser assinalado graficamente, como exposto
acima, ou ainda oralmente, quando se faz uma
pausa maior dos fatos ou quando iniciamos um
novo assunto.
Tipos de Parágrafos:
Os textos são estruturados geralmente em uni-
dades menores, os parágrafos, identificados por
um ligeiro afastamento de sua primeira linha em
relação à margem esquerda da folha. Possuem
extensão variada: há parágrafos longos e pará-
grafos curtos. O que vai determinar sua extensão
é a unidade temática, já que cada idéia exposta
no texto deve corresponder a um parágrafo.
É muito comum nos textos de natureza dissertati-
va, que trabalham com idéias e exigem maior
rigor e objetividade na composição, que o pará-
grafo-padrão apresente a seguinte estrutu-
ra: Introdução - também denominada tópico fra-
sal, é constituída de uma ou duas frases curtas,
que expressam, de maneira sintética, a idéia prin-
cipal do parágrafo, definindo seu objeti-
vo; Desenvolvimento - corresponde a uma am-
pliação do tópico frasal, com apresentação de
idéias secundárias que o fundamentam ou escla-
recem; conclusão - nem sempre presente, espe-
cialmente nos parágrafos mais curtos e simples, a
conclusão retoma a idéia central, levando em
consideração os diversos aspectos selecionados
no desenvolvimento.
Nas dissertações, os parágrafos são estruturados
a partir de uma idéia que normalmente é apresen-
tada em sua introdução, desenvolvida e reforçada
por uma conclusão.As dissertações escolares,
normalmente, costumam ser estruturadas em
quatro ou cinco parágrafos (um parágrafo para a
introdução, dois ou três para o desenvolvimento e
um para a conclusão).
É claro que essa divisão não é absoluta. Depen-
dendo do tema proposto e da abordagem que se
dê a ele, ela poderá sofrer variações. Mas é fun-
damental que você perceba o seguinte: a divisão
de um texto em parágrafos (cada um correspon-
dendo a uma determinada idéia que nele se de-
senvolve) tem a função de facilitar, para quem
escreve, a estruturação coerente do texto e de
possibilitar, a quem lê, uma melhor compreensão
do texto em sua totalidade.
Parágrafo Narrativo: Nas narrações, a idéia cen-
tral do parágrafo é um incidente, isto é, um episó-
dio curto.Nos parágrafos narrativos, há o predo-
mínio dos verbos de ação que se referem as per-
sonagens, além de indicações de circunstâncias
relativas ao fato: onde ele ocorreu, quando ocor-
reu, por que ocorreu. O que falamos se aplica ao
parágrafo narrativo propriamente dito, ou seja,
aquele que relata um fato. Nas narrações existem
também parágrafos que servem para reproduzir
as falas dos personagens. No caso do discurso
direto (em geral antecedido por dois-pontos e
introduzido por travessão), cada fala de um per-
70
sonagem deve corresponder a um parágrafo para
que essa fala não se confunda com a do narrador
ou com a de outro personagem. Parágrafo Des-
critivo: A ideia central do parágrafo descritivo é
um quadro, ou seja, um fragmento daquilo que
está sendo descrito (uma pessoa, uma paisagem,
um ambiente, etc.), visto sob determinada pers-
pectiva, num determinado momento. Alterado
esse quadro, teremos novo parágrafo. O parágra-
fo descritivo vai apresentar as mesmas caracte-
rísticas da descrição: predomínio de verbos de
ligação, emprego de adjetivos que caracterizam o
que está sendo descrito, ocorrência de orações
justapostas ou coordenadas.
A Estruturação do Parágrafo:
O parágrafo-padrão é uma unidade de composi-
ção constituída por um ou mais de um período,
em que se desenvolve determinada idéia central,
ou nuclear, a que se agregam outras, secundá-
rias, intimamente relacionadas pelo sentido e
logicamente decorrentes dela. O parágrafo é indi-
cado por um afastamento da margem esquerda
da folha. Ele facilita ao escritor a tarefa de isolar e
depois ajustar convenientemente as idéias princi-
pais de sua composição, permitindo ao leitor a-
companhar-lhes o desenvolvimento nos seus
diferentes estágios.
Os parágrafos são moldáveis conforme o tipo de
redação, o leitor e o veículo de comunicação on-
de o texto vai ser divulgado. Em princípio, o pará-
grafo é mais longo que o período e menor que
uma página impressa no livro, e a regra geral
para determinar o tamanho é o bom sen-
so. Parágrafos curtos: próprios para textos pe-
quenos, fabricados para leitores de pouca forma-
ção cultural. A notícia possui parágrafos curtos
em colunas estreitas, já artigos e editoriais cos-
tumam ter parágrafos mais longos. Revistas po-
pulares, livros didáticos destinados a alunos inici-
antes, geralmente, apresentam parágrafos curtos.
Quando o parágrafo é muito longo, o escritor de-
ve dividi-lo em parágrafos menores, seguindo
critério claro e definido. O parágrafo curto tam-
bém é empregado para movimentar o texto, no
meio de longos parágrafos, ou para enfatizar uma
ideia.
Parágrafos médios: comuns em revistas e livros
didáticos destinados a um leitor de nível médio (2º
grau). Cada parágrafo médio construído com três
períodos que ocupam de 50 a 150 palavras. Em
cada página de livro cabem cerca de três pará-
grafos médios.
Parágrafos longos: em geral, as obras científi-
cas e acadêmicas possuem longos parágrafos,
por três razões: os textos são grandes e conso-
mem muitas páginas; as explicações são comple-
xas e exigem várias idéias e especificações, ocu-
pando mais espaço; os leitores possuem capaci-
dade e fôlego para acompanhá-los.
Estrutura Das Frases
Estruturas das frases foi uma aula muito impor-
tante, no qual aprendemos o que era uma frase
é um enunciado que por si mesmo estabelecer
sentido, por meio das orações ou período. A ora-
ção possui dois termos essenciais, o sujeito e
o predicado.
Nessa aula ficou bem claro que as transposições
da oralidade prejudicam a leitura, e que as carac-
terísticas sintáticas das frases devem ser: curtas
ou longas.
Emprego Funcional Das Classes Das Palavras
Classe de palavras variáveis
Substantivos: Classe de palavras variá-
veis com que se designam e nomeiam os seres
em geral.
Verbos: Classe de palavras de forma vari-
ável que exprimem o que se passa, isto é, um
acontecimento representado no tempo. Indicam
ação, fato, estado ou fenômeno. Toda palavra
que se pode conjugar.
Adjetivos: Classe de palavras que indicam
as qualidades, origem e estado do ser. O adjetivo
é essencialmente um modificador do substantivo.
Numerais: Classe de palavras quantitati-
vas. Indica-nos uma quantidade exata de pessoas
ou coisas, ou o lugar que elas ocupam numa sé-
rie. Também podedeterminar a quantia de objec-
tos em geral.
Pronomes: Classe de palavras com função
de substituir o nome ou ser; como também de
substituir a sua referência. Servem para represen-
tar um substantivo e para o acompanhar determi-
nando-lhe a extensão do significado.
Artigos: Palavra que se coloca antes do
substantivo, determinando-o e indicando seu gé-
nero musical e número.
Nomes: São palavras que nomeiam ações,
desejos, sentimentos, e seres, visiveis ou não,
animados ou não.
Invariáveis
Advérbios: Classe de palavras invariáveis
indicadoras de circunstâncias diversas; é funda-
mentalmente um modificador do verbo, podendo
71
também modificar um adjetivo, outro advérbio ou
uma oração inteira.
Preposições: Classe de palavras invariá-
veis que ligam outras duas subordinando a se-
gunda à primeira palavra.
Conjunções: Classe de palavras invariá-
veis que ligam outras duas palavras ou duas ora-
ções.
Interjeições: Classe de palavras invariá-
veis não usadas para substituir frases de signifi-
cado emotivo ou sentimental.
Substantivo
Classificação do Substantivo
Os substantivos podem ser classificados como
próprios e comuns,concretos e abstratos, coletivo,
primitivos e derivados,simples e composto veja
mais:
Comuns e próprios
Comuns são aqueles que dão nome a
espécie: pessoa, rio, planeta; próprios são
aqueles que designam um indivíduo da espécie:
João, Amazonas, Marte.
Concretos e abstratos
Concretos são aqueles que designam os seres
propriamente ditos, isto é, os nomes de pessoas,
de animais, vegetais, lugares e coisas: homem,
cão, árvore, Brasil, caneta; abstratos são aqueles
que designam ações, estados e qualidades:
beleza, colheita, doença, bondade, juventude.
Coletivos
São substantivos comuns que, no singular,
designam um conjunto de seres ou coisas da
mesma espécie. No substantivo coletivo, trata-se
de um único ser uma pluralidade de indivíduos:
elenco (conjunto de atores); matilha (conjunto de
cães de caça) ,. etc.
Primitivos e Derivados
Primitivos são aqueles de que derivam outros
vocábulos: ferro é um substantivo primitivo
porque dele derivam outras palavras (ferreiro,
ferraria, ferradura); derivados são aqueles que
procedem de outras palavras (guerreiro é
derivado por vir de guerra, guerra + eiro).
Simples e Composto
Simples são aqueles substantivos constituídos de
um só radical: casa, casarão; compostos são
aqueles formados na união de dois ou mais
radicais: boca-de-leão, couve-flor, passatempo.
Flexão do Substantivo
Os substantivos podem ser flexionados de três
maneiras distintas: quanto ao gênero, quanto
ao número e quanto ao grau.
Flexão Genérica
Gênero gramatical é a indicação do sexo real ou
suposto dos seres.
O gênero gramatical é um critério puramente
linguístico, convencional, que divide os
substantivos em duas classes: masculino e
feminino.
Masculino: são do gênero masculino todos
os substantivos a que se pode antepor o artigo o:
o aluno, o amor, o galho, o poema. Geralmente
são masculinos os nomes de homens ou funções
exercidas por eles; os nomes de animais
do sexo masculino; os nomes de lagos, montes,
rios e ventos; os nomes de meses e pontos
cardeais;
Feminino: são do gênero feminino todos
os substantivos a que se pode antepor o artigo a:
a casa, a vida, a árvore, a canção. Geralmente
são femininos os nomes de mulheres ou de
funções exercidas por elas; os nomes de animais
do sexo feminino; os nomes de cidades e ilhas;
as partes do mundo; as ciências e as artes
liberais.
3
4
Substantivos Uniformes
Substantivos epicenos: denominam-se
epicenos os nomes de animais que possuem um
só gênero gramatical para designar um e outro
sexo: a águia, a baleia, a mosca, a pulga, o
besouro, o polvo, o tatu, etc.
Substantivos sobrecomuns: denominam-
se sobrecomuns os substantivos que têm um só
gênero gramatical para designar pessoas de
ambos os sexos: o apóstolo, o cônjuge, a criança,
a testemunha, etc.
Substantivos comuns de dois gêneros:
alguns substantivos possuem uma só forma para
os dois gêneros, mas distinguem-se o masculino
do feminino pelo gênero do artigo: o agente,
a agente; ocolega, a colega; o gerente, a gerente;
o presidente. a presidente; o mártir, a mártir; etc.
Substantivos de gênero vacilante: em
alguns substantivos notam-se vacilação de
gênero: diabete, suéter, omoplata, etc.
3
72
Flexão Numérica
Quanto à flexão de número, os substantivos
podem estar no singular ou plural:
Singular: é a forma não flexionada do
substantivo, que indica apenas um ser: casa,
homem, doce;
Plural: é a forma flexionada, que indica
mais de um ser: casas, homens, doces.
Flexão Gradual
O que substancialmente existe pode ter tamanhos
diversos; pode ter tamanho normal, comum, como
pode ser grande ou pequeno.
Três são os graus dos substantivos: normal,
aumentativo e diminutivo.
Normal: designa o ser no seu tamanho
natural: casa, livro;
Aumentativo: designa o ser aumentado do
seu tamanho normal: casarão, livrão;
Diminutivo: designa o ser diminuído do
seu tamanho normal: casebre, livrinho.
Função Sintática
O substantivo pode figurar na oração como
núcleo do sujeito, predicativo, objeto direto, objeto
indireto, complemento nominal, adjunto adverbial,
agente da passiva, aposto, vocativo e
excepcionalmente como adjunto adnominal.
3
Os
adjetivos referentes a cores podem ser
modificados por um substantivo que melhor
precise uma de suas tonalidades, um de seus
matizes: amarelo-canário; verde canário, etc.
Neste emprego, o substantivo equivale a
um advérbio de modo. As frases nominais têm o
substantivo como núcleo da frase: "Ó minha
amada/Que olhos os teus" (Vinícius de Moraes)
Verbo
Verbo são palavras que exprimem ações, estado,
mudança de estado e fenômenos meteorológicos,
sempre em determinado tempo.
1
A palavra verbo
vem do latim verbum, que significa palavra.
Quanto à Semântica
Verbos Transitivos
Designam ações voluntárias, causadas por um ou
mais indivíduos, e que afetam outro(s)
indivíduo(s) ou alguma coisa, exigindo um ou
mais objetos na ação. Podendo ser transitivo
direto, quando não exigir preposição depois do
verbo, ou transitivo indireto, quando exigir
preposição depois do verbo. Ou ainda transitivo
direto e indireto.
Verbos Intransitivos
Designam ações que não afetam outros
indivíduos (ex.: andar, existir, nadar, voar etc.).
Verbos Impessoais
São verbos que designam ações involuntárias.
Geralmente (mas nem sempre) designam
fenômenos da natureza e, portanto, não têm
sujeito nem objeto na ação (ex.: chover,
anoitecer, nevar, haver(no sentido de existência)
etc.).
Verbos de Ligação
São os verbos que não designam ações; apenas
servem para ligar o sujeito ao predicativo
(ex.: ser, estar, parecer, permanecer, continuar, a
ndar, tornar-se, ficar, viver, virar etc.).
Conjugações
Primeira Conjugação
Pertencem a esta conjugação os verbos cuja
vogal temática é a (cantar, falar, pensar, brincar,
conversar, etc.)
Segunda Conjugação
Pertencem a esta conjugação os verbos cuja
vogal temática é e (vender, ler, correr, etc.).
Terceira Conjugação
Pertencem a esta conjugação os verbos cuja
vogal temática é i (partir, dormir, pedir, conseguir,
etc.).
Flexiona sempre de acordo com os paradigmas
da conjugação a que pertencem (ex.: amar,
vender, partir, etc.)
Verbos irregulares
Sofrem modificações em relação aos paradigmas
da conjugação a que pertencem, tendo
modificações no radical e nas terminações (ex.:
resfolegar, caber, medir, etc.).
Verbos anômalosSão verbos irregulares, sendo que muitas vezes o
radical é diferente em cada conjugação (ex.: ir,
ser, ter, pôr).
Verbos defectivos
73
Verbos que não têm uma ou mais formas
conjugadas (ex.: precaver).
Verbos abundantes
Verbos que apresentam mais de uma forma de
conjugação (ex.: encher, fixar).
Flexão
Os verbos têm as seguintes categorias de flexão:
Número: plural e imperativo
Pessoa: primeira (transmissor), segunda
(receptor), terceira (mensagem).
Modo: indicativo,subjuntivo e imperativo,
além das formas nominais (infinitivo, gerúndio e
particípio).
Tempo: presente, pretérito perfeito,
pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito,
futuro do presente, futuro do pretérito.
Voz: ativa, passiva (analítica ou sintética),
reflexiva.
Ativa: o sujeito da oração é que faz a ação
(ex.: Os alunos resolveram todas questões).
Passiva: o sujeito recebe a ação
(ex.: Todas questões foram resolvidas pelos
alunos).
Reflexiva: o sujeito faz e também recebe a
ação (ex.: Ana se cortou e se machucou).
Formas Nominais
Infinitivos são terminados em r (ex.: amar,
comer, latir).
Particípios são terminados
em ado, ada, ido ou ida (ex.: amado, amada,
comido, comida, latido, latida).
Gerúndios são terminados em ndo (ex.:
amando, comendo, latindo).
Adjetivo
Adjetivo é toda palavra que se refere a
um substantivo indicando-lhe um atributo.
Flexionam-se em gênero, número e grau.
Sua função gramatical pode ser comparada com
a do advérbio em relação aos verbos, aos
adjetivos e a outros advérbios.
Exemplos:
A borboleta é branca.
Da mesma forma que os substantivos, os
adjetivos contribuem para a organização e
descrição do mundo em que vivemos. Assim,
distinguimos uma fruta azeda de umdoce, por
exemplo.
Pronome
Em linguística, os pronomes são um conjunto
fechado de palavras de uma língua que podem
substituir substantivos variados, ou frases
derivadas deles, na formação de sentenças
1
,
tratando-se de um tipo particular de proforma. Em
geral, os empregos de cada pronome podem
depender da natureza gramatical ou semântica do
substantivo representado, de sua função
gramatical na sentença, e das palavras próximas.
A associação (dêixis) entre o pronome e a
entidade que ele representa é geralmente
definida pelo contexto e pode mudar ao longo do
discurso.
Na língua portuguesa, em particular, há algumas
dezenas de pronomes, como "eu", "lhe", "que",
"cujo" e "isto", que podem substituir substantivos
ou frases preposicionais derivadas deles.
Pronomes podem portanto ter as funções típicas
de substantivos (sujeito, objeto e complemento),
de adjetivos (modificadores de substantivos) e de
advérbios (modificadores de verbos e adjetivos).
A escolha do pronome depende do número
(singular ou plural) do substantivo representado e
às vezes do seu gênero (masculino ou feminino);
bem como de sua pessoa verbal (primeira,
segunda, terceira) e sua função gramatical.
A classe dos pronomes é presente na maior parte
das gramáticas das línguas indo-européias desde
pelo menos o século II AEC, quando apareceu no
tratado grego A Arte da Gramática. No entanto,
devido à grande heterogeneidade na classes,
alguns autores preferem desmembrá-la em
classes menores
Artigo (Gramática)
Dá-se o nome de artigo às palavras que se ante-
põem aos substantivos para indicar se esses têm
um sentido individual, já determinado pelo discur-
so ou pelas circunstâncias, chamados definidos,
ou se os substantivos não são determinados,
chamados indefinidos.
Por exemplo, quando se diz o príncipe, o arti-
go o indica que o substantivo príncipe deve ser
tomado em um sentido individual, que a circuns-
tância do Reino e da Nação, em que vive o autor
da frase, o determina.
74
Por outro lado, quando se diz um príncipe é digno
de casar com uma princesa, ou um crime tão
horrendo merece a morte, etc, o artigo um indica
que se fala, no primeiro caso, de um indivíduo e,
no segundo caso, de um crime individual, porém
o sentido é vago, e não se deseja nomear este
príncipe ou este crime.
Os artigos devem concordar com substantivo
em gênero e grau.
Os artigos são:
Artigo definido
São: o, a, os, as.
Artigo indefinido
São: um, uma, uns, umas.
O artigo indefinido não deve ser confundido com
o numeral um, que é usado para expressar quan-
tidade. Nos exemplos um homem da corte / uma
mulher da corte tem mais espírito e viveza que
um aldeão, um vassalo deve obedecer ao rei, um
rei deve ser o pai de seu povo, um homem de
juízo deve ser senhor de suas paixões,António é
um Cícero, Cícero é um bom orador, o arti-
go um pode, em alguns casos, ser substituído
pelo artigo o, porém nunca pela expressão exa-
tamente um.
Advérbio
É a classe gramatical das palavras que modificam
um verbo, um adjetivo ou um outro advérbio. Ra-
ramente modifica um substantivo. É a palavra
invariável que indica as circunstâncias em que
ocorre a ação verbal.
Apenas os advérbios de intensidade, de lugar e
de modo são flexionados, sendo que os demais
são todos invariáveis. A única flexão propriamen-
te dita que existe na categoria dos advérbios é a
de grau, a saber:
Relativo:
Superlativo Relativo de Superioridade
Aumenta a intensidade (ex.: longe → longíssimo,
pouco → pouquíssimo, inconstitucionalmente →
inconstitucionalissimamente, etc.).
Superlativo Relativo de Inferioridade
Diminui a intensidade (ex.: perto → pertinho, pou-
co → pouquinho, devagar → devagarinho, etc.).
Os advérbios bem e mal admitem ainda o grau
comparativo, respectivamente, melhor e pior.
Existem também as formas analíticas de repre-
sentar o grau, que não são flexionadas, mas sim,
representadas por advérbios de intensidade co-
mo mais, muito, etc. Nesse caso, existe o grau
comparativo (de igualdade, de superioridade, de
inferioridade) e o grau superlativo (absoluto e
relativo).
Preposição
É uma palavra invariável que liga dois elementos
da oração, subordinando o segundo ao primei-
ro, ou seja, o regente e o regido. Isso significa
que a preposição é o termo que relaciona subs-
tantivo a substantivo, verbo a substantivo, subs-
tantivo a verbo, adjetivo a substantivo, advérbio a
substantivo, etc. Junto com as posposições e as
raríssimas circumposições, as preposições for-
mam o grupo das adposições.
Exemplos:
Os alunos do colégio assistiram ao filme de Wal-
ter Salles e ficaram inspirados.
Obs.:
Teremos como elementos da oração os alunos, o
colégio, o verbo assistir, o filme, Walter Salles e a
qualidade dos alunos comovidos. O restante é
preposição. Observe: "do" liga "alunos" a "colé-
gio", "ao" liga "assistiram" a "filme", "de" liga "fil-
me" a "Walter Salles". Portanto são preposições.
O termo que antecede a preposição é denomina-
do regente e o termo que a sucede, regido.
Conjunção
É uma das classes de palavras definidas pe-
la gramática geral. As conjunções são palavras
invariáveis que servem para conectar orações ou
dois termos de mesma função sintática, estabele-
cendo entre eles uma relação de dependência ou
de simples coordenação.
Exemplos:
Portan-
to, logo, pois, como, mas, e, embora, porque, entr
etan-
to, nem, quando, ora, que, porém, todavia, quer, c
ontudo, seja, conforme.
Quando conectam duas orações que apresentem
diferentes níveis sintáticos, ou seja, uma oração é
um membro sintático da outra, são chamadas de
conjunções subordinativas.
Saiba que:
75
As conjunções "e"," antes", "agora"," quando" são
adversativas quando equivalema "mas".
Carlos fala, e não faz.
O bom educador não proíbe, antes orienta.
Sou muito bom; agora, bobo não sou.
Foram mal na prova, quando poderiam ter ido
muito bem.
"Senão" é conjunção adversativa quando equivale
a "mas sim".
Conseguimos vencer não por protecionismo, se-
não por capacidade.
Das conjunções adversativas, "mas" deve ser
empregada sempre no início da oração: as outras
(porém, todavia, contudo, etc.) podem vir no início
ou no meio.
Ninguém respondeu a pergunta, mas os alunos
sabiam a resposta.
Ninguém respondeu a pergunta; os alunos, po-
rém, sabiam a resposta.
A palavra "pois", quando é conjunção conclusiva,
vem geralmente após um ou mais termos da ora-
ção a que pertence.
Você o provocou com essas palavras; não se
queixe, pois, de seus ataques.
Quando é conjunção explicativa," pois" vem, ge-
ralmente, após um verbo no imperativo e sempre
no início da oração a que pertence.
Não tenha receio, pois eu a protegerei...
Interjeição
As interjeições são palavras invariáveis que ex-
primem estados emocionais
1
, ou mais abrangen-
te: sensações e estados de espírito; ou até mes-
mo servem como auxiliadoras expressivas para o
interlocutor, já que, lhe permitem a adoção de um
comportamento que pode dispensar estruturas
linguísticas mais elaboradas.
Ora bolas! Cruz credo! Poxa vida! Valha-me
Deus! Se Deus quiser! Macacos me mordam!
A interjeição é considerada palavra-frase, carac-
terizando-se como uma estrutura à parte. Não
desempenha função sintática.
Note que toda interjeição deve vir acompanhada
de um ponto de exclamação.
Emprego do Sinal Indicativo de Crase
CRASE: é uma palavra de origem grega e signifi-
ca "mistura", "fusão". Nos estudos de Língua Por-
tuguesa, é o nome dado à fusão ou contração de
duas letras "a" em uma só. A crase é indicada
pelo acento grave (`) sobre o "a". Crase, portan-
to, NÃO é o nome do acento, mas do fenômeno
(junção a +a) representado através do acento
grave.
A crase pode ser a fusão da preposição a com:
1) o artigo feminino definido a (ou as): Fomos à
cidade e assistimos às festas.
2) o pronome demonstrativo a (ou as): Irei à (loja)
do centro.
3) os pronomes demonstrativos aquele(s), aque-
la(s), aquilo: Refiro-me àquele fato.
4) o a dos pronomes relativos a qual e as quais:
Há cidades brasileiras às quais não é possível
enviar correspondência.
Observe que a ocorrência da crase depende da
verificação da existência de duas vogais
"a" (preposição + artigo ou preposição + prono-
me) no contexto sintático.
Regras Práticas
1 - Substitua a palavra feminina por uma masculi-
na, de mesma natureza. Se aparecer a combina-
ção ao, é certo que OCORRERÁ crase antes do
termo feminino:
Amanhã iremos ao colégio / à escola.
Prefiro o futebol ao voleibol / à natação.
Resolvi o problema / a questão.
Vou ao campo / à praia.
Eles foram ao parque / à praça.
2 - Substitua o termo regente da preposição a por
outro que exija uma preposição diferente
(de, em, por). Se essas preposições não se con-
traírem com o artigo, ou seja, se não surgirem as
formas da(s), na(s) ou pela(s), não haverá crase:
Refiro-me a você. (sem crase) - Gosto de você /
Penso em você / Apaixonei-me por você.
Refiro-me à menina. (com crase) - Gosto da me-
nina / Penso na menina / Apaixonei-me pela me-
nina.
Começou a gritar. (sem crase) - Gosta de gritar /
Insiste em gritar / Optou por gritar.
76
3 - Substitua verbos que transmitem a idéia de
movimento (ir, voltar, vir, chegar etc.) pelo verbo
voltar. Ocorrendo a preposição "de", NÃO haverá
crase. E se ocorrer a preposição "da", HAVERÁ
crase:
Vou a Roma. / Voltei de Roma.
Vou à Roma dos Césares. / Voltei da Roma dos
Césares.
Voltarei a Paris e à Suiça. / Voltarei de Paris
e da Suiça.
Ocorrendo a preposição "de", NÃO haverá crase.
E se ocorrer a preposição "da", HAVERÁ crase:
Vou a Roma. / Voltei de Roma.
Vou à Roma dos Césares. / Voltei da Roma dos
Césares.
Voltarei a Paris e à Suiça. / Voltarei de Paris
e da Suiça.
4 - A crase deve ser usada no caso de locuções,
ou seja, reunião de palavras que equivalem a
uma só idéia. Se a locução começar por preposi-
ção e se o núcleo da locução for palavra feminina,
então haverá crase:
Gente à toa.
Vire à direita.
Tudo às claras.
Hoje à noite.
Navio à deriva.
Tudo às avessas.
No caso da locução "à moda de", a expres-
são "moda de" pode vir subentendida, deixando
apenas o "à" expresso, como nos exemplos que
seguem:
Sapatos à Luiz XV.
Relógios à Santos Dummont.
Filé à milanesa.
Churrasco à gaúcha.
No caso de locuções relativas a horá-
rios, somente no caso de horas definidas e espe-
cificadas ocorrerá a crase:
À meia-noite.
À uma hora.
À duas horas.
Às três e quarenta.
Emprego de Tempos e Modos Verbais
O verbo pode se flexionar de quatro maneiras:
PESSOA, NÚMERO, TEMPO e MODO. É a clas-
se mais rica em variações de forma ou acidentes
gramaticais. Através de um morfema chamado
DESINÊNCIA MODO TEMPORAL, são marcados
o tempo e o modo de um verbo. Vejamos mais
detalhadamente...
O MODO VERBAL caracteriza as várias maneiras
como podemos utilizar o verbo, dependendo da
significação que pretendemos dar a ele. Rigoro-
samente, são três os modos verbais: INDICATI-
VO, SUBJUNTIVO e IMPERATIVO. Porém, al-
guns gramáticos incluem, também como modos
verbais, o PARTICÍPIO, o GERÚNDIO e o INFI-
NITIVO. Alguns autores, no entanto, as denomi-
nam FORMAS NOMINAIS DO VERBO.
Segundo o gramático Rocha Lima, existem algu-
mas particularidades em cada uma destas formas
que podem impedir-nos de considerá-las modos
verbais:
INFINITIVO: tem características de um
substantivo, podendo assumir a função de sujeito
ou de complemento de um outro verbo, e até
mesmo ser precedido por um artigo.
GERÚNDIO: assemelha-se mais a um
advérbio, já que exprime condições de tempo,
modo, condição e lugar.
PARTICÍPIO: possui valor e forma de
adjetivo, pois além de modificar o substantivo,
apresenta ainda concordância em gênero e nú-
mero.
Mas voltemos aos modos verbais, propriamente
ditos:
MODO INDICATIVO: O verbo expressa
uma ação que provavelmente acontecerá, uma
certeza, trabalhando com reais possibilidades de
concretização da ação verbal ou com a certeza
comprovada da realização daquela ação.
MODO SUBJUNTIVO: Ao contrário do
indicativo, é o modo que expressa a dúvida, a
incerteza, trabalhando com remotas possibilida-
des de concretização da ação verbal.
MODO IMPERATIVO: Apresenta-se na
forma afirmativa e na forma negativa. Com ele
nos dirigimos diretamente a alguém, em segunda
pessoa, expressando o que queremos que esta(s)
pessoa(s) faça(m). Pode indicar uma ordem, um
77
pedido, um conselho etc., dependendo da ento-
nação e do contexto em que é aplicado.
Já o TEMPO VERBAL informa, de uma maneira
geral, se o verbo expressa algo que já aconteceu,
que acontece no momento da fala ou que ainda
irá acontecer. São essencialmente três tempos:
PRESENTE, PASSADO ou PRETÉRITO e FU-
TURO.
Os tempos verbais são:
PRESENTE SIMPLES (amo) – expressa
algo que acontece no momento da fala.
PRETÉRITO PERFEITO (amei) - expres-
sa uma ação pontual, ocorrida em um momento
anterior à fala.
PRETÉRITO IMPERFEITO (amava) -
expressa uma ação contínua, ocorrida em um
intervalo de tempo anterior à fala.
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO (a-
mara) – contrasta um acontecimento no passado
ocorrido anteriormente a outro fato também ante-
rior ao momento da fala.
FUTURO DO PRESENTE (amarei) - ex-
pressa algo que possivelmente acontecerá em
um momento posterior ao da fala.
FUTURODO PRETÉRITO (amaria) -
expressa uma ação que era esperada no passa-
do, porém que não aconteceu.
Exemplo 2
O verbo indica um processo localizado no tempo.
Podemos distinguir: presente, pretérito e futuro.
Tempo presente: exprime um fato que ocorre no
momento da fala.
Ex.: Estou fazendo exercícios diariamente.
Tempo passado: exprime um fato que ocorreu
antes do momento da fala.
Ex.: Ontem eu fiz uma série de exercícios.
Tempo futuro: exprime um fato que irá ocorrer
depois do ato da fala.
Ex.: Daqui a quinze minutos irei para a academia
fazer exercícios.
O pretérito (ou passado) subdivide-se em:
• Pretérito perfeito: indica um fato passado total-
mente concluído
Ex.: Ninguém relatou o seu delírio.
• Pretérito imperfeito: indica um processo passado
não totalmente concluído, revela o fato em sua
duração.
Ex.: Ele conversava muito durante a palestra.
• Pretérito mais-que-perfeito: indica um processo
passado anterior a outro também passado.
Ex.: ―... sempre nos faltara aquele aproveitamento
da vida...‖ (Mário de Andrade)
O futuro subdivide-se em:
• Futuro do presente: indica um fato posterior ao
momento em que se fala.
Ex.: Não tenho a intenção de esconder nada,
assim que seus pais chegarem contarei o fato
ocorrido.
• Futuro do pretérito: indica um processo futuro
tomado em relação a um fato passado.
Ex.: Ontem você ligou dizendo que viria ao hospi-
tal.
Empregos especiais:
• Presente:
- pode ocorrer com valor de perfeito, indicando
um processo já ocorrido no passado (presente
histórico).
Ex.: Em 15 de agosto de 1769 nasce Napoleão
Bonaparte. (nasce = nasceu)
- pode indicar futuro próximo.
Ex.: Amanhã eu compro o doce pra você. (com-
pro = comprarei)
- pode indicar um processo habitual, ininterrupto.
Ex.: Os animais nascem, crescem, se reprodu-
zem e morrem.
• Imperfeito:
- pode ocorrer com valor de futuro do pretérito.
Ex.: Se eu não tivesse motivo, calava. (calava =
calaria)
• Mais-que-perfeito:
- pode ser usado no lugar do futuro do pretérito
ou do imperfeito do subjuntivo.
Ex.: Mais fizera se não fora pouco o dinheiro que
dispunha. (fizera = faria, fora = fosse)
78
- pode ser usado em orações optativas.
Quem me dera ter um novo amor!
• Futuro do presente:
- pode exprimir ideia de dúvida, incerteza.
Ex.: O rapaz que processou o patrão por
racismo, receberá uns trinta mil de indenização.
- pode ser usado com valor de imperativo.
Ex.: Não levantarás falso testemunho.
• Futuro do pretérito:
- pode ocorrer com valor de presente, exprimindo
polidez ou cerimônia.
Ex.: Você me faria uma gentileza?
Modos verbais
• Modo indicativo: exprime certeza, precisão do
falante perante o fato.
Ex.: Eu gosto de chocolate.
• Modo subjuntivo: exprime atitude de incerteza,
dúvida, imprecisão do falante perante o fato.
Ex.: Espero que você esteja bem.
• Modo imperativo: exprime atitude de ordem,
solicitação, convite ou conselho.
Exs.: Não cante agora!
Empreste-me 10 reais, por favor.
Venha ao hospital agora, seu amigo vai ser ope-
rado.
Não ponha tanto sal, isso pode lhe fazer mal.
Infinitivo pessoal ou impessoal
• Infinitivo impessoal: terminado em r para qual-
quer pessoa.
Ex.: comprar, comer, partir.
Emprega-se o infinitivo impessoal:
a) Quando ele não estiver se referindo a sujeito
algum.
Ex.: É preciso amar.
b) Na função de complemento nominal (regido de
preposição).
Ex.: Esses exercícios não são fáceis de resolver.
c) Quando faz parte de uma locução verbal.
Ex.: Ele deve ir ao dentista.
d) Quando, dependente dos verbos deixar, fazer,
ouvir, sentir, mandar, ver, tiver por sujeito um
pronome oblíquo.
Sujeito
Deixei-as passear.
= eles
e) Quando tiver valor de imperativo.
Ex.: Não fumar neste recinto.
• Infinitivo pessoal: além da desinência r vem
marcado com desinência de pessoa e número.
Ex.: cantar – ø
Cantar – es
Cantar – ø
Cantar – mos
Cantar – des
Cantar – em
Ex.: Com esse calor convém tomarmos um sorve-
te.
- Usa-se o infinitivo pessoal quando o seu sujeito
é diferente do sujeito do verbo da oração princi-
pal.
Ex.: A única solução era ficarmos em casa.
Concordância Verbal e Nominal
Observe:
As crianças estão animadas
Crianças animadas.
No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra
na terceira pessoa do plural, concordando com o
seu sujeito, as crianças. No segundo exemplo, o
adjetivo animado está concordando em gênero
(feminino) e número (plural) com o substantivo a
que se refere: crianças. Nesses dois exemplos,
as flexões de pessoa, número e gênero se cor-
respondem.
Concordância é a correspondência de flexão en-
tre dois termos, podendo ser verbal ou nominal.
Concordância Verbal
79
Ocorre quando o verbo se flexiona para concor-
dar com seu sujeito.
a) Sujeito Simples
Regra Geral
O sujeito sendo simples, com ele concordará o
verbo em número e pessoa. Veja os exemplos:
A orquestra tocou uma valsa longa.
3ª p. Singular 3ª p. Singular
Os pares que rodeavam a nós dançavam bem.
3ª p. Plural 3ª p. Plural
Casos Particulares
Há muitos casos em que o sujeito simples é cons-
tituído de forma que fazem o falante hesitar no
momento de estabelecer a concordância com o
verbo. Às vezes, a concordância puramente gra-
matical é contaminada pelo significado de ex-
pressões que nos transmitem noção de plural,
apesar de terem forma de singular ou vice-versa.
Por isso, convém analisar com cuidado os casos
a seguir.
1) Quando o sujeito é formado por uma expres-
são partitiva (parte de, uma porção de, o grosso
de, metade de, a maioria de, a maior parte de,
grande parte de...) seguida de um substantivo ou
pronome no plural, o verbo pode ficar no singu-
lar ou no plural.
Por Exemplo:
A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a
ideia.
Metade dos candidatos não apresentou / apre-
sentaram nenhuma proposta interessante.
Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos
casos dos coletivos, quando especificados:
Por Exemplo:
Um bando de vândalos destruiu / destruíram o
monumento.
Regência Nominal e Verbal
Regência Nominal
É o campo da gramática que estuda a relação
sintática que se dá entre os nomes e os respecti-
vos termos regidos por esse nome.
Em português, alguns nomes (substantivos, adje-
tivos e advérbios) exigem um complemento pre-
cedido por preposição.
Tal complemento exerce a função de integrar o
sentido da palavra completada, enriquecendo
assim a semântica da oração em questão.
2
O
conjunto de complemento regido pela preposição
é denominado ―complemento nominal‖, no qual a
preposição é definida pela ―regência nominal‖.
Regência Nominal é o nome da relação entre um
substantivo, adjetivo ou advérbio transitivo e seu
respectivo complemento nominal. Essa relação é
intermediada por uma preposição.
No estudo da regência nominal, deve-se levar em
conta que muitos nomes seguem exatamente o
mesmo regime dos verbos correspondentes.
Conhecer o regime de um verbo significa, nesses
casos, conhecer o regime dos nomes cognatos.
- alheio a, de - liberal com
- ambicioso de - apto a, para
- análogo a - grato a
- bacharel em - indeciso em
- capacidade de, para - natural de
- contemporâneo a, de - nocivo a
- contíguo a - paralelo a
- curioso a, de - propício a
- falto de - sensível a
- incompatível com - próximo a, de
- inepto para
- satisfeito com, de,
em, por
- misericordioso com,
para com
- suspeito de
- preferível a - longe de
- propenso a, para - perto de
- hábil em
Exemplos:
Estáalheio a tudo.
Está apto ao trabalho.
Gente ávida por dominar.
Contemporâneo da Revolução Francesa.
80
É coisa curiosa de ver.
Homem inepto para a matemática.
Era propenso ao magistério.
Regência Verbal
É a relação sintática de dependência que se es-
tabelece entre o verbo — termo regente — e o
seu complemento — termo regido. A regência
determina se uma preposição é necessária para
ligar o verbo a seu complemento.
Os termos, quando exigem a presença de outro
chamam-se regentes ou subordinantes; os que
completam a significação dos anteriores chamam-
seregidos ou subordinados.
Quando o termo regente é um nome (substantivo,
adjetivo ou advérbio), ocorre a regência nominal.
Quando o termo regente é um verbo, ocorre a
regência verbal.
Na regência verbal, o termo regido pode ser ou
não preposicionado. Na regência nominal, ele é
obrigatoriamente preposicionado.
Regência vem do significado gramatical de reger,
ou seja, de determinar a flexão de algum termo.
Na regência verbal, o verbo é o regente da ora-
ção, enquanto o seu complemento é o termo re-
gido, logo é o que irá ser flexionado.
Então, podemos entender por regência verbal a
relação que o verbo estabelece com seu com-
plemento (objeto direto ou indireto).
Vejamos:
1. O menino levou o livro à biblioteca.
2. A garota comeu o bolo.
Na segunda oração, o verbo ―comeu‖ é transitivo
e exige complemento, veja: comeu o quê? O bo-
lo.
Logo, ―comeu‖ é transitivo direto e ―o bolo‖ é obje-
to direto.
Na primeira oração, o verbo ―levou‖ é transitivo
direto e exige o complemento (objeto direto) ―o
livro‖. O termo que o sucede se refere a um ad-
junto adverbial de lugar - à biblioteca.
Na análise sintática das orações acima podemos
constatar que há uma relação de dependência
entre o termo regente (que no caso é um verbo)
com o termo regido (complemento). O primeiro
precisa do segundo para que tenha sentido.
Vejamos mais um exemplo:
1. O menino levou – o. (o= o livro)
2. Ele abdicou do trono.
Na primeira oração temos o pronome oblíquo ―o‖
como complemento do verbo ―levou‖ e responde
a pergunta: Levou o que? O = o livro. ―O‖, portan-
to, é um objeto direto.
Já na segunda oração o verbo ―abdicou‖ transitivo
indireto, pois exige um complemento, porém ,
precedido de preposição: Abdicou de que? Do
trono. A expressão ―do trono‖ é objeto indireto,
pois é iniciado com a preposição ―do‖ (preposição
de + artigo o).
Crase
Temos vários tipos de contração ou combinação
na Língua Portuguesa. A contração se dá na jun-
ção de uma preposição com outra palavra.
Na combinação, as palavras não perdem nenhu-
ma letra quando feita a união. Observe:
• Aonde (preposição a + advérbio onde)
• Ao (preposição a + artigo o)
Na contração, as palavras perdem alguma letra
no momento da junção. Veja:
• da (preposição de + artigo a)
• na (preposição em + artigo a)
Agora, há um caso de contração que gera muitas
dúvidas quanto ao uso nas orações: a crase.
Crase é a junção da preposição ―a‖ com o artigo
definido ―a(s)‖, ou ainda da preposição ―a‖ com as
iniciais dos pronomes demonstrativos aquela(s),
aquele(s), aquilo ou com o pronome relativo a
qual (as quais).
Graficamente, a fusão das vogais ―a‖ é represen-
tada por um acento grave, assinalado no sentido
contrário ao acento agudo: à.
Como saber se devo empregar a crase? Uma
dica é substituir a crase por ―ao‖ e o substantivo
feminino por um masculino, caso essa preposição
seja aceita sem prejuízo de sentido, então com
certeza há crase.
Veja alguns exemplos: Fui à farmácia, substituin-
do o ―à‖ por ―ao‖ ficaria Fui ao supermercado.
Logo, o uso da crase está correto.
81
Outro exemplo: Assisti à peça que está em car-
taz, substituindo o ―à‖ por ―ao‖ ficaria Assisti ao
jogo de vôlei da seleção brasileira.
É importante lembrar dos casos em que a crase é
empregada, obrigatoriamente: nas expressões
que indicam horas ou nas locuções à medida que,
às vezes, à noite, dentre outras, e ainda na ex-
pressão ―à moda‖. Veja:
Exemplos: Sairei às duas horas da tarde.
À medida que o tempo passa, fico mais feliz por
você estar no Brasil.
Quero uma pizza à moda italiana.
Importante: A crase não ocorre: antes de palavras
masculinas; antes de verbos, de pronomes pes-
soais, de nomes de cidade que não utilizam o
artigo feminino, da palavra casa quando tem sig-
nificado do próprio lar, da palavra terra quando
tem sentido de solo e de expressões com pala-
vras repetidas (dia a dia).
A crase caracteriza-se como a fusão de duas
vogais idênticas, relacionadas ao emprego da
preposição ―a‖ com o artigo feminino a (s), com o
―a‖ inicial referente aos pronomes demonstrativos
– aquela (s), aquele (s), aquilo e com o ―a‖ per-
tencente ao pronome relativo a qual (as quais).
Casos estes em que tal fusão se encontra demar-
cada pelo acento grave (`): à(s), àquela, àquele,
àquilo, à qual, às quais.
Trata-se de uma particularidade gramatical de
relevante importância, dado o seu uso de modo
frequente.
Diante disso, compreendermos os aspectos que
lhe são peculiares, bem como sua correta utiliza-
ção é, sobretudo, sinal de competência linguísti-
ca, em se tratando dos preceitos conferidos pelo
padrão formal que norteia a linguagem escrita.
Há que se mencionar que esta competência lin-
guística, a qual se restringe a crase, está condi-
cionada aos nossos conhecimentos acerca da
regência verbal e nomimal, mais precisamente ao
termo regente e termo regido.
Ou seja, o termo regente é o verbo ou nome que
exige complemento regido pela preposição ―a‖, e
o temo regido é aquele que completa o sentido do
termo regente, admitindo a anteposição do artigo
a(s).
Como explicitamente nos revela os exemplos a
seguir:
Refiro-me a(a) funcionária antiga, e não a
(a)quela contratada recentemente.
Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela con-
tratada recentemente.
Notamos que o verbo referir, analisado de acordo
com sua transitividade, classifica-se como transi-
tivo indireto, pois sempre nos referimos a alguém.
Constatamos que o fenômeno se aplicou median-
te os casos anteriormente mencionados, ou seja,
fusão da preposição a + o artigo feminino (à) e
com o artigo feminino a + o pronome demonstrati-
vo aquela (àquela).
A fim de ampliarmos nossos conhecimentos so-
bre as circunstâncias em que se requer ou não o
uso da crase, analisaremos:
# O termo regente deve prescindir-se de comple-
mento regido da preposição ―a‖, e o temo regido
deve admitir o artigo feminino ―a‖ (s):
Exemplos:
As informações foram solicitadas à diretora.
(preposição + artigo)
Nestas férias, faremos uma visita à Bahia.
(preposição + artigo)
Observação importante:
Alguns recursos nos servem de subsídios para
que possamos confirmar a ocorrência ou não da
crase. Eis alguns deles:
a) Substitui-se a palavra feminina por uma mas-
culina equivalente. Caso ocorra a combinação
a+o(s), a crase está confirmada.
Exemplos:
As informações foram solicitadas à diretora.
As informações foram solicitadas ao diretor.
b) No caso de nomes próprios geográficos, subs-
titui-se o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso
resulte na expressão ―voltar da‖, há a confirmação
da crase.
Exemplos:
Faremos uma visita à Bahia.
Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase con-
firmada)
Não me esqueço da viagem a Roma.
Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momen-
tos jamais vividos.
Atenção:
82
Nas situações em que o nome geográfico apre-
sentar-se modificado por um adjunto adnominal, a
crase está confirmada.
Exemplos:
Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades desuas praias.
# A letra ―a‖ dos pronomes demonstrativos aque-
le(s), aquela(s) e aquilo receberão o acento grave
se o temo regente exigir complemento regido da
preposição ―a‖.
Exemplos:
Entregamos a encomenda àquela menina.
(preposição + pronome demonstrativo)
Iremos àquela reunião.
(preposição + pronome demonstrativo)
Sua história é semelhante às que eu ouvia quan-
do criança. (àquelas que eu ouvia quando crian-
ça)
(preposição + pronome demonstrativo)
# A letra ―a‖ que acompanha locuções femininas
(adverbiais, prepositivas e conjuntivas) recebe o
acento grave:
Exemplos:
* locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite,
às pressas, à vontade...
* locuções prepositivas: à frente, à espera de, à
procura de...
* Locuções conjuntivas: à proporção que, à medi-
da que.
Casos passíveis de nota:
* Em virtude da heterogênea posição entre auto-
res, o uso da crase torna-se optativo quando se
referir a locuções adverbiais que representem
meio ou instrumento.
Exemplos:
O marginal foi morto a bala pelos policiais.
(Poderíamos dizer que ele foi morto a tiro)
Marcela redige todos os seus trabalhos a máqui-
na. (Poderia ser a lápis)
* Constata-se o uso da crase se as locuções pre-
positivas à moda de, à maneira de apresentarem-
se implícitas, mesmo diante de nomes masculi-
nos.
Exemplos:
Tenho compulsão por comprar sapatos à Luis XV.
(à moda de Luís XV)
* Não se efetiva o uso da crase diante da locução
adverbial ―a distância‖.
Na praia de Copacabana, observamos a queima
de fogos a distância.
Entretanto, se o referido termo se constituir de
forma determinada, teremos uma locução prepo-
sitiva. Mediante tal ocorrência, a crase está con-
firmada.
Exemplo:
O pedestre foi arremessado à distância de cem
metros.
- De modo a evitar o duplo sentido, faz-se neces-
sário o emprego da crase.
Exemplo:
# Em locuções adverbiais formadas por palavras
repetidas, não há ocorrência da crase.
Exemplo:
Ela ficou frente a frente com o agressor.
Casos em que não se admite o emprego da cra-
se:
# Antes de vocábulos masculinos.
Exemplos:
As produções escritas a lápis não serão corrigi-
das.
Esta caneta pertence a Pedro.
# Antes de verbos no infinitivo.
Exemplos:
Ele estava a cantar quando seu pai apareceu
repentinamente.
No momento em que preparávamos para sair,
começou a chover.
# Antes de numeral.
Exemplo
Cegou a cento e vinte o número de feridos daque-
le acidente.
83
Observação:
- Nos casos em que o numeral indicar horas, con-
figurar-se-á como uma locução adverbial femini-
na, ocorrendo, portanto, a crase.
Os passageiros partirão às dezenove horas.
- Diante de numerais ordinais femininos a crase
está confirmada, visto que estes não podem ser
empregados sem o artigo.
As saudações foram direcionadas à primeira alu-
na da classe.
# Antes da palavra casa, quando essa não se
apresentar determinada.
Exemplo:
Chegamos todos exaustos a casa.
Entretanto, se a palavra casa vier acompanhada
de um adjunto adnominal, a crase estará confir-
mada.
Chegamos todos exaustos à casa de Marcela.
# Antes da palavra ―terra‖, quando essa indicar
chão firme.
Exemplo:
Quando os navegantes regressaram a terra, já
era noite.
Contudo, se o referido termo estiver precedido
por um determinante ou referir-se ao planeta Ter-
ra, ocorrerá a crase.
Paulo viajou rumo à sua terra natal.
# Quando os pronomes indefinidos ―alguma, certa
e qualquer‖ estiverem subentendidos entre a pre-
posição ―a‖ e o substantivo, não ocorrerá a crase.
Exemplo:
Caso esteja certo, não se submeta a humilhação.
(a qualquer humilhação)
# Antes de pronomes que requerem o uso do
artigo.
Exemplos:
Os livros foram entregues a mim.
Dei a ela a merecida recompensa.
Observação:
Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos
à senhora, senhorita e madame admitirem artigo,
o uso da crase está confirmado no ―a‖ que os
antecede, no caso de o termo regente exigir a
preposição.
Significação das Palavras
Quanto à significação, as palavras são divididas
nas seguintes categorias:
Sinônimos
As palavras que possuem significados próximos
são chamadas sinônimas.
Exemplos:
Casa - lar - moradia – residência
Longe – distante
Delicioso – saboroso
Carro – automóvel
Observe que o sentido dessas palavras é próxi-
mo, mas não são exatamente equivalentes. Difi-
cilmente encontraremos um sinônimo perfeito,
uma palavra que signifique exatamente a mesma
coisa que outra.
Há uma pequena diferença de significado entre
palavras sinônimas. Veja que, embora casa
e lar sejam sinônimos, ficaria estranho se falás-
semos a seguinte frase:
Comprei um novo lar.
Obs.: o uso de palavras sinônimas pode ser de
grande utilidade nos processos de retomada de
elementos que inter-relacionam as partes dos
textos.
Antônimos
São palavras que possuem significados opostos,
contrários.
Exemplos:
Mal / bem
Ausência / presença
Fraco / forte
Claro / escuro
Subir / descer
Cheio / vazio
Possível / impossível
84
Polissemia
Polissemia é a propriedade que uma mesma pa-
lavra tem de apresentar mais de um significado
nos múltiplos contextos em que aparece. Veja
alguns exemplos de palavras polissêmicas:
Cabo (posto militar, acidente geográfico, cabo da
vassoura, da faca)
Nanco (instituição comercial financeira, assento)
Manga (parte da roupa, fruta).
Elementos de Sequenciação Textual
Palavras como preposições, conjunções e pro-
nomes possuem a função de criar um sistema de
relações, referências e retomadas no interior de
um texto; garantindo unidade entre as diversas
partes que o compõe. Essa relação, esse entre-
laçamento de elementos no texto recebe o nome
de Coesão Textual.
Há, portanto, coesão, quando seus vários ele-
mentos estão articulados entre si, estabelecento
unidade em cada uma das partes, ou seja, entre
os períodos e entre os parágrafos.
Tal unidade se dá pelo emprego de conecti-
vos ou elementos coesivos, cuja função é evi-
denciar as várias relações de sentido entre os
enunciados. Veja um exemplo de um texto coe-
so:
―O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse
neste domingo que o Brasil não vai atender ao
governo interino de Honduras, que deu prazo de
dez dias para uma definição sobre a situação do
presidente deposto Manuel Zelaya, abrigado na
embaixada brasileira desde que retornou a Te-
gucigalpa, há uma semana. Caso contrário, o
governo de Micheletti ameaça retirar a imunidade
diplomática da embaixada brasileira no país,
segundo informou comunicado da chancelaria
hondurenha divulgado na noite de sábado, em
Tegucigalpa‖.
(Jornal O Globo – 27/09/2009)
Quando um conectivo não é usado corretamente,
há prejuízo na coesão. Observe:
A escola possui um excelente time de fute-
bol, portanto até hoje não conseguiu vencer o
campeonato. O conectivo ―portanto‖ confere ao
período valor de conclusão, porém não há ver-
dadeira relação de sentido entre as duas frases:
a conclusão de não vencer não é possuir um
excelente time de futebol. Analisaremos, a se-
guir, o problema na coesão:
É óbvio que existem duas ideias que se opõem,
são elas: possuir um time de futebol x não ven-
cer o campeonato.
Logo, só podemos empregar um conector que
expresse ideia adversativa, são eles: mas, po-
rém, contudo, todavia, entretanto, no entanto,
não obstante.
O período reescrito de forma adequada, fica
assim: A escola possui um excelente time de
futebol, mas até hoje não conseguiu vencer o
campeonato….,porém até hoje não conseguiu
vencer o campeonato.
…,contudo até hoje não conseguiu vencero-
campeonato.
…todavia até hoje não conseguiu vencer o cam-
peonato.
…entretanto até hoje não conseguiu vencer o
campeonato.
…no entanto até hoje não conseguiu vencer o
campeonato.
…não obstante até hoje não conseguiu vencer o
campeonato.
A palavra texto provém do latim‖textum‖, que
significa tecido, entrelaçamento. Expondo de
forma prática, podemos dizer que texto é um
entrelaçamento de enunciados oracionais e não
oracionais organizados de acordo com a lógica
do autor.
Há de se convir que um texto também deve ser
claro, estando essa qualidade relacionada dire-
tamente aos elementos coesivos (ligação entre
as partes).
Falar em coesão é necessariamente falar
em endófora e exófora. Aquela se impõe no em-
prego de pronomes e expressões que se referem
a elementos nominais presentes na superfície
textual; esta faz remissão a um elemento fora
dos limites do texto. Vejamos as principais carac-
terísticas de cada uma delas:
Endófora é dividida em: anáfora e catáfo-
ra.
a) Anáfora: expressão que retoma uma ideia
anteriormente expressa.
―Secretária de Educação escreve pichação com
―x‖. Ela justifica a gafe pela pressa‖.
Observe que o pronome ―Ela‖ retoma uma ex-
pressão já citada anteriormente – Secretária de
Educação –, portanto trata-se de uma retomada
85
por anáfora. Dica: vale lembrar que a expressão
retomada (no exemplo acima representado pela
porção Secretária de Educação) é, também,
chamada, em provas de Concurso, de referente
ideológico.
b) Catáfora: pronome ou expressão nominal que
antecipa uma expressão presente em por-
ção posterior do texto. Observe:
Só queremos isto: a aprovação!
No exemplo, o pronome ―isto‖ só pode ser recu-
perado se identificarmos o termo aprovação, que
aparece na porção posterior à estrutura. É, por-
tanto, um exemplo clássico de catáfora. Vejamos
outros:
Eu quero ajuda de alguém: pode ser de você.
(catáfora ou remissão catafórica)Não viu seu
amigo na festa.
(catáfora ou remissão catafórica)
―A manicure Vanessa foi baleada na Tiju-
ca. Ela levou um tiro no abdome‖. (anáfora ou
remissão anafórica)
Três homens e uma mulher tentaram roubar
um Xsara Picasso na Tijuca: deram 10 tiros no-
carro, mas não conseguiram levá-lo. (anáfora ou
remissão anafórica)
Exófora: a remissão é feita a algum ele-
mento da situação comunicativa, ou seja, o refe-
rente está fora da superfície textual.
Mecanismos de coesão: é meio pelo qual ocor-
re a coesão em um texto. Os principais são:
1) Coesão por substituição: consiste na colo-
cação de um item em lugar de outro(s) elemen-
to(s) do texto, ou até mesmo de uma oração
inteira.
Ele comprou um carro. Eu também quero com-
prar um.
Ele comprou um carro novo e eu também.
Observe que ocorre uma redifinição, ou seja, não
há identidade entre o item de referência e o item
pressuposto. O que existe, na verdade, é uma
nova definição nos termos: um, também. Compa-
remos com outro exemplo:
Comprei um carro vermelho, mas Pedro prefe-
riu um verde.
O termo ―vermelho‖ é o adjunto adnominal de
carro. Ele é, então, o modificador dosubstantivo.
Todavia, esse termo é silenciado e, em seu lu-
gar, faz-se presente a porção especificativa ―ver-
de‖. Logo, trata-se de uma redefinição do refe-
rente.2) Coesão por elipse: ocorre quando ele-
mento do texto é omitido em algum dos contex-
tos em que deveria ocorrer.
-Pedro vai comprar o carro?
-Vai!
Houve a omissão dos termos Paulo (sujeito)
e comprar o carro (predicado verbal), todavia
essa não prejudicou nem a correção gramatical
nem a clareza do texto. Exemplo clássico de
coesão por elipse.
3) Coesão por Conjunção: estabelece relações
significativas entre os elementos ou orações do
texto, através do uso de marcadores formais – as
conjunções. Essas podem exprimir valor semân-
tico de adição, adversidade, causa, tempo…
Perdeu as forças e caiu. (adição)
Perdeu as forças, mas permaneceu firme. (ad-
versidade)
Perdeu as forças, porque não se alimentou.
(causa)
Perdeu as forças, quando soube a verdade.
(tempo)
Observe que todas as relações de sentido esta-
belecidas entre as duas porções textuais são
feitas por meio dos conectores: e, mas, porque,
quando.
4) Coesão Lexical: é obtida pela seleção voca-
bular. Tal mecanismo é garantido por dois tipos
de procedimentos:
a)Reiteração: ocorre por repetição do mesmo
item lexical ou através de hiperônimos, sinôni-
mos ou nomes genéricos.
O aluno estava nervoso. O aluno havia sido as-
saltado. (repetição do mesmo item lexical)Uma
menina desapareceu.
A garota estava envolvida com drogas. (coesão
resultante do uso de sinônimo) Havia mui-
tas ferramentas espalhadas, mas só precisava
achar o martelo. (coesão por hiperônimo: ferra-
mentas é o gênero de que martelo é a espécie)
Todos ouviram um barulho atrás da porta. Abri-
ram-na e viram uma coisa em cima da mesa.
(coesão resultante de um nome genérico)
Observação: nos exemplos acima, observamos
que retomar um referente por meio de uma ex-
86
pressão genérica ou por hiperônimo é um recur-
so natural de um texto.
Muitos estudantes de concursos ou vestibulares
perguntam se é errado repetir palavras em suas
redações. A resposta é simples: se houver, na
repetição, finalidade enfática você não será pe-
nalizado.
Todavia, a escolha dos recursos coesivos mais
adequados deve ser feita, levando-se em consi-
deração a articulação geral do texto e, eventual-
mente, os efeitos estilísticos que se deseja obter.
b) Coesão por colocação ou contiguida-
de: consiste no uso de termos pertencentes a um
mesmo campo semântico.
Domínio Da Estrutura Morfossintática Do Pe-
ríodo
Coordenação e Subordinação.
Período Composto
Período composto é aquele formado por duas ou
mais orações. Há dois tipos de períodos compos-
tos:
1) Período composto por coordenação:
quando as orações não mantêm relação sintática
entre si, ou seja, quando o período é formado por
orações sintaticamente independentes entre si.
Ex. Estive à sua procura, mas não o encontrei.
2) Período composto por subordinação:
quando uma oração, chamada subordinada, man-
tém relação sintática com outra, chamada princi-
pal.
Ex. Sabemos que eles estudam muito. (oração
que funciona como objeto direto)
Relações De Subordinação Entre Orações E
Entre Termos Da Oração.
Período Composto Por Subordinação
A uma oração principal podem relacionar-se sin-
taticamente três tipos de orações subordinadas:
substantivas, adjetivas e adverbiais.
I. Orações Subordinadas Substantivas:São
seis as orações subordinadas substantivas, que
são iniciadas por uma conjunção subordinativa
integrante (que, se)
A) Subjetiva: funciona como sujeito da oração
principal.Existem três estruturas de oração princi-
pal que se usam com subordinadasubstantiva
subjetiva:verbo de ligação + predicativo + oração
subordinada substantiva subjetiva.
Ex. É necessário que façamos nossos deveres.
verbo unipessoal + oração subordinada substanti-
va subjetiva.Verbo unipessoal só é usado na 3ª
pessoa do singular; os mais comuns são convir,
constar, parecer, importar, interessar, suceder,
acontecer.
Ex. Convém que façamos nossos deveres.
verbo na voz passiva + oração subordinada subs-
tantiva subjetiva.
Ex. Foi afirmado que você subornou o guarda.
B) Objetiva Direta: funciona como objeto direto
da oração principal.(sujeito) + VTD + oração su-
bordinada substantiva objetiva direta.
Ex. Todos desejamos que seu futuro seja brilhan-
te.
C) Objetiva Indireta: funciona como objeto indire-
to da oração principal.(sujeito) + VTI + prep. +
oração subordinada substantiva objetiva indireta.
Ex. Lembro-me de que tu me amavas.
D) Completiva Nominal:funciona como comple-
mento nominal de um termo da oração princi-
pal.(sujeito) + verbo + termo intransitivo + prep. +
oração subordinadasubstantiva completiva nomi-
nal.
Ex. Tenho necessidade de que me elogiem.
E) Apositiva: funciona como aposto da oração
principal; em geral, a oração subordinada subs-
tantiva apositiva vem após dois pontos, ou mais
raramente, entre vírgulas.oração principal + : +
oração subordinada substantiva apositiva.
Ex. Todos querem o mesmo destino: que atinja-
mos a felicidade.
F) Predicativa: funciona como predicativo do
sujeito do verbo de ligação daoração princi-
pal.(sujeito) + VL + oração subordinada substanti-
va predicativa.
Ex. A verdade é que nunca nos satisfazemos com
nossas posses.
Nota: As subordinadas substantivas podem vir
introduzidas por outras palavras:
Pronomes interrogativos (quem, que, qual…)
Advérbios interrogativos (onde, como, quando…)
87
Perguntou-se quando ele chegaria.Não sei onde
coloquei minha carteira.
II. Orações Subordinadas Adjetivas
As orações subordinadas adjetivas são sempre
iniciadas por um pronome relativo.
São duas as orações subordinadas adjetivas:
A) Restritiva: é aquela que limita, restringe o
sentido do substantivo ou pronome a que se refe-
re. A restritiva funciona como adjunto adnominal
de um termo da oração principal e não pode ser
isolada por vírgulas.
Ex. A garota com quem simpatizei está à sua
procura.
Os alunos cujas redações foram escolhidas rece-
berão um prêmio.
B) Explicativa: serve para esclarecer melhor o
sentido de um substantivo, explicando mais deta-
lhadamente uma característica geral e própria
desse nome. A explicativa funciona como aposto
explicativo e é sempre isolada por vírgulas.
Ex. Londrina, que é a terceira cidade do região
Sul do país, está muito bem cuidada.
III. Orações Subordinadas Adverbiais
São nove as orações subordinadas adverbiais,
que são iniciadas por uma conjunção subordinati-
va
A) Causal: funciona como adjunto adverbial de
causa.
Conjunções: porque, porquanto, visto que, já que,
uma vez que, como, que.
Ex. Saímos rapidamente, visto que estava ar-
mando um tremendo temporal.
B) Comparativa: funciona como adjunto adverbi-
al de comparação. Geralmente, o verbo fica sub-
entendido
Conjunções: (mais) … que, (menos)… que,
(tão)… quanto, como.
Ex. Diocresildo era mais esforçado que o ir-
mão(era).
C) Concessiva: funciona como adjunto adverbial
de concessão.
Conjunções: embora, conquanto, inobstante, não
obstante, apesar de que, sebem que, mesmo
que, posto que, ainda que, em que pese.
Ex. Todos se retiraram, apesar de não terem ter-
minado a prova.
D) Condicional: funciona como adjunto adverbial
de condição.
Conjunções: se, a menos que, desde que, caso,
contanto que.
Ex. Você terá um futuro brilhante, desde que se
esforce.
E) Conformativa: funciona como adjunto adver-
bial de conformidade.
Conjunções: como, conforme, segundo.
Ex. Construímos nossa casa, conforme as especi-
ficações dadas pela Prefeitura.
F) Consecutiva: funciona como adjunto adverbial
de conseqüência.
Conjunções: (tão)… que, (tanto)… que, (tama-
nho)… que.Ex. Ele fala tão alto, que não precisa
do microfone.
G) Temporal: funciona como adjunto adverbial de
tempo.
Conjunções: quando, enquanto, sempre que,
assim que, desde que, logo que,mal.
Ex. Fico triste, sempre que vou à casa de Juve-
nildo.
H) Final: funciona como adjunto adverbial de
finalidade.
Conjunções: a fim de que, para que, porque.
Ex. Ele não precisa do microfone, para que todos
o ouçam.
I) Proporcional: funciona como adjunto adverbial
de proporção.
Conjunções: à proporção que, à medida que,
tanto mais.À medida que o tempo passa, mais
experientes ficamos.
IV. Orações Reduzidas
Quando uma oração subordinada se apresenta
sem conjunção ou pronome relativo e com o ver-
bo no infinitivo, no particípio ou no gerún-
dio,dizemos que ela é uma oração reduzida, a-
crescentando-lhe o nome de infinitivo, de particí-
pio ou de gerúndio.
Ex. Ele não precisa de microfone, para o ouvirem.
Emprego dos Sinais de Pontuação
88
Os sinais de pontuação são sinais gráficos em-
pregados na língua escrita para tentar recuperar
recursos específicos da língua falada, tais como:
entonação, jogo de silêncio, pausas, etc…
Veja abaixo a divisão e emprego dos sinais de
pontuação:
PONTO ( . )
a) indicar o final de uma frase declarativa.
Ex.: Lembro-me muito bem dele.
b) separar períodos entre si.
Ex.: Fica comigo. Não vá embora.
c) nas abreviaturas.
Ex.: Av.; V. Ex.ª
DOIS-PONTOS ( : )
a) iniciar a fala dos personagens:
Ex.: Então o padre respondeu:
– Parta agora.
b) antes de aposto ou orações apositivas, enume-
rações ou seqüência de palavras que explicam,
resumem idéias anteriores.
Ex.: Meus amigos são poucos: Fátima, Rodrigo e
Gilberto.
c) antes de citação.
Ex.: Como já dizia Vinícius de Morais: ―Que o
amor não seja eterno posto que é chama, mas
que seja infinito enquanto dure.‖
RETICÊNCIAS ( … )
a) indicar dúvidas ou hesitação do falante.
Ex.: Sabe…eu queria te dizer que…esquece.
b) interrupção de uma frase deixada gramatical-
mente incompleta.
Ex.: – Alô! João está?
– Agora não se encontra. Quem sabe se ligar
mais tarde…
c) ao fim de uma frase gramaticalmente completa
com a intenção de sugerir prolongamento de idéi-
a.
Ex.: ―Sua tez, alva e pura como um foco de algo-
dão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-
rosa…‖ (Cecília- José de Alencar)
d) indicar supressão de palavra (s) numa frase
transcrita.
Ex.: ―Quando penso em você (…) menos a felici-
dade.‖ (Canteiros – Raimundo Fagner)
PARÊNTESES ( () )
a) isolar palavras, frases intercaladas de caráter
explicativo e datas.
Ex.: Na 2ª Guerra Mundial (1939-1945), ocorreu
inúmeras perdas humanas.
―Uma manhã lá no Cajapió ( Joca lembrava-se
como se fora na véspera), acordara depois duma
grande tormenta no fim do verão. ― (O milagre das
chuvas no nordeste- Graça Aranha)
Os parênteses também podem substituir a vírgula
ou o travessão.
PONTO DE EXCLAMAÇÃO ( ! )
a) Após vocativo.
Ex.: ―Parte, Heliel! ― ( As violetas de Nossa Sra.-
Humberto de Campos).
b) Após imperativo.
Ex.: Cale-se!
c) Após interjeição.
Ex.: Ufa! Ai!
d) Após palavras ou frases que denotem caráter
emocional.
Ex.: Que pena!
PONTO DE INTERROGAÇÃO ( ? )
a) Em perguntas diretas.
Ex.: Como você se chama?
89
b) Às vezes, juntamente com o ponto de excla-
mação.
Ex.: – Quem ganhou na loteria?
– Você.
– Eu?!
VÍRGULA ( , )
É usada para marcar uma pausa do enunciado
com a finalidade de nos indicar que os termos por
ela separados, apesar de participarem da mesma
frase ou oração, não formam uma unidade sintáti-
ca.
Ex.: Lúcia, esposa de João, foi a ganhadora única
da Sena.
Podemos concluir que, quando há uma relação
sintática entre termos da oração, não se pode
separá-los por meio de vírgula.
Não se separam por vírgula:
Predicado de sujeito;
Objeto de verbo;
Adjunto adnominal de nome;
complemento nominal de nome;
Predicativo do objeto do objeto;
Oração principal da subordinada substantiva
(desde que esta não seja apositiva nem apare-
ça na ordem inversa).
A Vírgula no Interior da Oração
É utilizada nas seguintes situações:
a) separar o vocativo.
Ex.: Maria, traga-me uma xícara de café.
A educação, meus amigos, é fundamental para o
progresso do país.
b) separar alguns apostos.
Ex.: Valdete, minha antiga empregada, esteve
aqui ontem.
c) separar o adjunto adverbial antecipado ou in-
tercalado.
Ex.: Chegando deviagem, procurarei por você.
As pessoas, muitas vezes, são falsas.
d) separar elementos de uma enumeração.
Ex.: Precisa-se de pedreiros, serventes, mestre-
de-obras.
e) isolar expressões de caráter explicativo ou
corretivo.
Ex.: Amanhã, ou melhor, depois de amanhã po-
demos nos encontrar para acertar a viagem.
f) separar conjunções intercaladas.
Ex.: Não havia, porém, motivo para tanta raiva.
g) separar o complemento pleonástico antecipa-
do.
Ex.: A mim, nada me importa.
h) isolar o nome de lugar na indicação de datas.
Ex.: Belo Horizonte, 26 de janeiro de 2001.
i) separar termos coordenados assindéticos.
Ex.: ―Lua, lua, lua, lua, por um momento meu
canto contigo compactua…‖ (Caetano Veloso)
j) marcar a omissão de um termo (normalmente o
verbo).
Ex.: Ela prefere ler jornais e eu, revistas. (omis-
são do verbo preferir)
Termos coordenados ligados pelas conjunções e,
ou, nem dispensam o uso da vírgula.
Ex.: Conversaram sobre futebol, religião e políti-
ca.
Não se falavam nem se olhavam./ Ainda não me
decidi se viajarei para Bahia ou Ceará.
Entretanto, se essas conjunções aparecerem
repetidas, com a finalidade de dar ênfase, o uso
da vírgula passa a ser obrigatório.
Ex.: Não fui nem ao velório, nem ao enterro, nem
à missa de sétimo dia.
A vírgula entre orações
É utilizada nas seguintes situações:
a) separar as orações subordinadas adjetivas
explicativas.
Ex.: Meu pai, de quem guardo amargas lembran-
ças, mora no Rio de Janeiro.
90
b) separar as orações coordenadas sindéticas e
assindéticas (exceto as iniciadas pela conjunção
e).
Ex.: Acordei, tomei meu banho, comi algo e saí
para o trabalho. Estudou muito, mas não foi apro-
vado no exame.
Há três casos em que se usa a vírgula antes da
conjunção:
1) quando as orações coordenadas tiverem sujei-
tos diferentes.
Ex.: Os ricos estão cada vez mais ricos, e os po-
bres, cada vez mais pobres.
2) quando a conjunção e vier repetida com a fina-
lidade de dar ênfase (polissíndeto). Ex.: E chora,
e ri, e grita, e pula de alegria.
3) quando a conjunção e assumir valores distintos
que não seja da adição (adversidade, conse-
qüência, por exemplo)
Ex.: Coitada! Estudou muito, e ainda assim não
foi aprovada.
c) separar orações subordinadas adverbiais (de-
senvolvidas ou reduzidas), principalmente se
estiverem antepostas à oração principal.
Ex.: ―No momento em que o tigre se lançava,
curvou-se ainda mais; e fugindo com o corpo
apresentou o gancho.‖ (O selvagem – José de
Alencar)
d) separar as orações intercaladas.
Ex.: ―- Senhor, disse o velho, tenho grandes con-
tentamentos em a estar plantando…‖
Essas orações poderão ter suas vírgulas substitu-
ídas por duplo travessão.
Ex.: ―Senhor – disse o velho – tenho grandes
contentamentos em a estar plantando…‖
e) separar as orações substantivas antepostas à
principal.
Ex.: Quanto custa viver, realmente não sei.
PONTO-E-VÍRGULA ( ; )
a) separar os itens de uma lei, de um decreto, de
uma petição, de uma seqüência, etc.
Ex.: Art. 127 – São penalidades disciplinares:
I- advertência;
II- suspensão;
III- demissão;
IV- cassação de aposentadoria ou disponibilida-
de;
V- destituição de cargo em comissão;
VI- destituição de função comissionada. ( cap. V
das penalidades Direito Administrativo)
b) separar orações coordenadas muito extensas
ou orações coordenadas nas quais já tenham tido
utilizado a vírgula.
Ex.: ―O rosto de tez amarelenta e feições inex-
pressivas, numa quietude apática, era pronuncia-
damente vultuoso, o que mais se acentuava no
fim da vida, quando a bronquite crônica de que
sofria desde moço se foi transformando em o-
pressora asma cardíaca; os lábios grossos, o
inferior um tanto tenso (…) ‖ (O visconde de I-
nhomerim – Visconde de Taunay)
TRAVESSÃO ( – )
a) dar início à fala de um personagem.
Ex.: O filho perguntou:
– Pai, quando começarão as aulas?
b) indicar mudança do interlocutor nos diálogos.
– Doutor, o que tenho é grave?
– Não se preocupe, é uma simples infecção. É só
tomar um antibiótico e estará bom.
c) unir grupos de palavras que indicam itinerário.
Ex.: A rodovia Belém-Brasília está em péssimo
estado.
Também pode ser usado em substituição à virgu-
la em expressões ou frases explicativas.
Ex.: Xuxa – a rainha dos baixinhos – será mãe.
ASPAS ( “ ” )
a) isolar palavras ou expressões que fogem à
norma culta, como gírias, estrangeirismos, pala-
vrões, neologismos, arcaísmos e expressões
populares.
Ex.: Maria ganhou um apaixonado ―ósculo‖ do
seu admirador.
A festa na casa de Lúcio estava ―chocante‖.
Conversando com meu superior, dei a ele um
―feedback‖ do serviço a mim requerido.
b) indicar uma citação textual.
91
Ex.: ―Ia viajar! Viajei. Trinta e quatro vezes, às
pressas, bufando, com todo o sangue na face,
desfiz e refiz a mala‖. ( O prazer de viajar – Eça
de Queirós)
Se, dentro de um trecho já destacado por aspas,
se fizer necessário a utilização de novas aspas,
estas serão simples. ( ‗ ‗ )
Recursos alternativos para pontuação:
Parágrafo ( § )
Chave ( { } )
Colchete ( [ ] )
Barra ( / )
Colocação dos Pronomes Átonos
Os pronomes oblíquos átonos são: me, nos, te,
vos, o, a, os, as, lhe, lhes, se. Estes pronomes
podem se encontrar em três posições diferentes,
em relação ao verbo:
Próclise: pronomes oblíquos átonos antes do
verbo
Ex.: Não se imaginava o tamanho daquele ôni-
bus.
Ênclise: pronomes oblíquos átonos depois do
verbo
Ex.: Vou buscá-la na escola hoje.
Mesóclise: pronomes oblíquos átonos entre o
verbo
Ex.: Dar-lhe-ei tudo o que você quiser.
Alguns casos em que ocorre próclise
• Quando o verbo estiver antecedido de palavras
com sentido negativo (nem, não, ninguém, nada,
jamais e etc.).
Exemplo:
Jamais se pode falar mal dos outros.
Nunca me preocupei com isso.
• Quando o verbo estiver antecedido de
um advérbio:
Exemplo:
Realmente, preocupei-me com isso.
Exemplo:
Pouco me importa o que você pensa.
Quando houver pausa (vírgula) entre o advérbio e
o verbo usa-se a ênclise.
• Em orações com palavras exclamativas, ou em
orações que exprimem desejos (optativas):
Exemplo:
Como nos divertiu este palhaço!
Que seu novo amor lhe faça feliz!
• Em orações iniciadas por palavras que tenham
sentido de perguntas interrogativas.
Exemplo:
Quem lhe deu este anel?
• Quando o gerúndio estiver antecedido de u-
ma preposição, geralmente ―em‖.
Exemplo:
Em se tratando de casamento, quero o mais rápi-
do possível.
Alguns casos em que ocorre mesóclise
• Somente usamos a mesóclise em verbos no
futuro do pretérito do indicativo ou no futuro
do presente, e quando não ocorrer na frase pró-
clise.
Ex.: Os advogados entregar-nos-ão os documen-
tos amanhã.
• Casa houver a necessidade de ter uma próclise
na frase, a mesóclise será desconsiderada, mes-
mo o verbo estando no futuro.
Exemplo:
Ninguém lhe mostraria, pois você não foi sincera.
Alguns casos em que ocorre ênclise
• No inicio de uma frase, ou depois de uma vírgu-
la (pausa)
Exemplo:
Ex.: Vi-me apaixonado por aquela linda moça.
Quase chorei quando a vi, emocionei-me com sua
presença.
• Em verbos sem preposição (em) e no gerúndio.
Exemplo:
Ex.: Já estava esquecendo-me do seu aniversá-
rio.
• Em orações coordenadas.
92
Exemplo:
Ex.: Eles dirigiram-se até a festa de um amigo.
• Quando um substantivo ou pronome precedido
do verbo estiver representando o sujeito:
Exemplo:
O cliente queixou-se do pouco caso do atendente.
Reescrituração de textos
Figuras de estilo, figuras ouDesvios de lingua-
gem são nomes dados a alguns processos que
priorizam a palavra ou o todo para tornar o texto
mais rico e expressivo ou buscar um novo signifi-
cado, possibilitando uma reescritura correta de
textos.
Podem ser:
Figuras De Palavras
As figuras de palavra consistem no emprego de
um termo com sentido diferente daquele conven-
cionalmente empregado, a fim de se conseguir
um efeito mais expressivo na comunicação.
São figuras de palavras:
Comparação:
Ocorre comparação quando se estabelece apro-
ximação entre dois elementos que se identificam,
ligados por conectivos comparativos explícitos –
feito, assim como, tal, como, tal qual, tal como,
qual, que nem – e alguns verbos – parecer, as-
semelhar-se e outros.
Exemplos: ―Amou daquela vez como se fosse
máquina. / Beijou sua mulher como se fosse lógi-
co.‖ (Chico Buarque);
―As solteironas, os longos vestidos negros fecha-
dos no pescoço, negros xales nos ombros, pare-
ciam aves noturnas paradas…‖ (Jorge Amado).
Metáfora:
Ocorre metáfora quando um termo substitui outro
através de uma relação de semelhança resultante
da subjetividade de quem a cria. A metáfora tam-
bém pode ser entendida como uma comparação
abreviada, em que o conectivo não está expres-
so, mas subentendido.
Exemplo: ―Supondo o espírito humano uma vasta
concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso
extrair pérolas, que é a razão.‖ (Machado de As-
sis).
Metonímia:
Ocorre metonímia quando há substituição de uma
palavra por outra, havendo entre ambas algum
grau de semelhança, relação, proximidade de
sentido ou implicação mútua. Tal substituição
fundamenta-se numa relação objetiva, real, reali-
zando-se de inúmeros modos:
– o continente pelo conteúdo e vice-versa: Antes
de sair, tomamos um cálice (o conteúdo de um
cálice) de licor.
– a causa pelo efeito e vice-versa: ―E assim o
operário ia / Com suor e com cimento (com traba-
lho) / Erguendo uma casa aqui / Adiante um apar-
tamento.‖ (Vinicius de Moraes).
– o lugar de origem ou de produção pelo produto:
Comprei uma garrafa do legítimo porto (o vinho
da cidade do Porto).
– o autor pela obra: Ela parecia ler Jorge Amado
(a obra de Jorge Amado).
– o abstrato pelo concreto e vice-versa: Não de-
vemos contar com o seu coração (sentimento,
sensibilidade).
– o símbolo pela coisa simbolizada: A coroa (o
poder) foi disputada pelos revolucionários.
– a matéria pelo produto e vice-versa: Lento, o
bronze (o sino) soa.
– o inventor pelo invento: Edson (a energia elétri-
ca) ilumina o mundo.
– a coisa pelo lugar: Vou à Prefeitura (ao edifício
da Prefeitura).
– o instrumento pela pessoa que o utiliza: Ele é
um bom garfo (guloso, glutão).
Sinédoque:
Ocorre sinédoque quando há substituição de um
termo por outro, havendo ampliação ou redução
do sentido usual da palavra numa relação quanti-
tativa. Encontramos sinédoque nos seguintes
casos:
– o todo pela parte e vice-versa: ―A cidade inteira
(o povo) viu assombrada, de queixo caído, o pis-
toleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos (parte
das patas) de seu cavalo.‖ (J. Cândido de Carva-
lho)
– o singular pelo plural e vice-versa: O paulista
(todos os paulistas) é tímido; o carioca (todos os
cariocas), atrevido.
93
– o indivíduo pela espécie (nome próprio pelo
nome comum): Para os artistas ele foi um mece-
nas (protetor).
Catacrese:
A catacrese é um tipo de especial de metáfora, ―é
uma espécie de metáfora desgastada, em que já
não se sente nenhum vestígio de inovação, de
criação individual e pitoresca. É a metáfora torna-
da hábito lingüístico, já fora do âmbito estilístico.‖
(Othon M. Garcia).
São exemplos de catacrese: folhas de livro / pele
de tomate / dente de alho / montar em burro / céu
da boca / cabeça de prego / mão de direção /
ventre da terra / asa da xícara / sacar dinheiro no
banco.
Sinestesia:
A sinestesia consiste na fusão de sensações dife-
rentes numa mesma expressão. Essas sensa-
ções podem ser físicas (gustação, audição, visão,
olfato e tato) ou psicológicas (subjetivas).
Exemplo: ―A minha primeira recordação é um
muro velho, no quintal de uma casa indefinível.
Tinha várias feridas no reboco e veludo de mus-
go. Milagrosa aquela mancha verde [sensação
visual] e úmida, macia [sensações táteis], quase
irreal.‖ (Augusto Meyer)
Antonomásia:
Ocorre antonomásia quando designamos uma
pessoa por uma qualidade, característica ou fato
que a distingue.
Na linguagem coloquial, antonomásia é o mesmo
que apelido, alcunha ou cognome, cuja origem é
um aposto (descritivo, especificativo etc.) do no-
me próprio.
Exemplos: ―E ao rabi simples (Cristo), que a i-
gualdade prega, / Rasga e enlameia a túnica in-
consútil; (Raimundo Correia). / Pelé (= Edson
Arantes do Nascimento) / O Cisne de Mântua (=
Virgílio) / O poeta dos escravos (= Castro Alves) /
O Dante Negro (= Cruz e Souza) / O Corso (=
Napoleão)
Alegoria:
A alegoria é uma acumulação de metáforas refe-
rindo-se ao mesmo objeto; é uma figura poética
que consiste em expressar uma situação global
por meio de outra que a evoque e intensifique o
seu significado. Na alegoria, todas as palavras
estão transladadas para um plano que não lhes é
comum e oferecem dois sentidos completos e
perfeitos – um referencial e outro metafórico.
Exemplo: ―A vida é uma ópera, é uma grande
ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano,
em presença do baixo e dos comprimários, quan-
do não são o soprano e o contralto que lutam pelo
tenor, em presença do mesmo baixo e dos mes-
mos comprimários. Há coros numerosos, muitos
bailados, e a orquestra é excelente…‖ (Machado
de Assis).
Figuras de sintaxe ou de construção:
As figuras de sintaxe ou de construção dizem
respeito a desvios em relação à concordância
entre os termos da oração, sua ordem, possíveis
repetições ou omissões.
Elas podem ser construídas por:
a) omissão: assíndeto, elipse e zeugma;
b) repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto;
c) inversão: anástrofe, hipérbato, sínquise e hipá-
lage;
d) ruptura: anacoluto;
e) concordância ideológica: silepse.
Portanto, são figuras de construção ou sintaxe:
Assíndeto:
Ocorre assíndeto quando orações ou palavras
deveriam vir ligadas por conjunções coordenati-
vas, aparecem justapostas ou separadas por
vírgulas.
Exigem do leitor atenção maior no exame de cada
fato, por exigência das pausas rítmicas (vírgulas).
Exemplo: ―Não nos movemos, as mãos é que se
estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegan-
do-se, apertando-se, fundindo-se.‖ (Machado de
Assis).
Elipse:
Ocorre elipse quando omitimos um termo ou ora-
ção que facilmente podemos identificar ou suben-
tender no contexto. Pode ocorrer na supressão de
pronomes, conjunções, preposições ou verbos. É
um poderoso recurso de concisão e dinamismo.
Exemplo: ―Veio sem pinturas, em vestido leve,
sandálias coloridas.‖ (elipse do pronome ela (Ela
veio) e da preposição de (de sandálias…).
Zeugma:
Ocorre zeugma quando um termo já expresso na
frase é suprimido, ficando subentendida sua repe-
tição.
94
Exemplo: ―Foi saqueada a vida, e assassinados
os partidários dos Felipes.‖ (Zeugma do verbo: ―e
foram assassinados…‖) (Camilo Castelo Branco).
Anáfora:
Ocorre anáfora quando há repetição intencional
de palavras no início de um período, frase ou
verso.
Exemplo: ―Depois o areal extenso… / Depois o
oceano de pó… / Depois no horizonte imenso /
Desertos… desertos só…‖ (Castro Alves).
Pleonasmo:
Ocorre pleonasmo quando há repetição da mes-
ma idéia, isto é, redundância de significado.
a) Pleonasmo literário:
É o uso de palavras redundantes para reforçar
uma idéia, tanto do ponto de vista semântico
quanto do ponto de vista sintático.Usado como
um recurso estilístico, enriquece a expressão,
dando ênfase à mensagem.
Exemplo: ―Iam vinte anos desde aquele dia /
Quando com os olhos eu quis ver de perto /
Quando em visão com os da saudade via.‖ (Alber-
to de Oliveira).
―Morrerás morte vil na mão de um forte.‖ (Gonçal-
ves Dias)
―Ó mar salgado, quando do teu sal / São lágrimas
de Portugal‖ (Fernando Pessoa).
b) Pleonasmo Vicioso:
É o desdobramento de idéias que já estavam
implícitas em palavras anteriormente expressas.
Pleonasmos viciosos devem ser evitados, pois
não têm valor de reforço de uma idéia, sendo
apenas fruto do descobrimento do sentido real
das palavras.
Exemplos: subir para cima / entrar para dentro /
repetir de novo / ouvir com os ouvidos / hemorra-
gia de sangue / monopólio exclusivo / breve alo-
cução / principal protagonista.
Polissíndeto:
Ocorre polissíndeto quando há repetição enfática
de uma conjunção coordenativa mais vezes do
que exige a norma gramatical (geralmente a con-
junção e). É um recurso que sugere movimentos
ininterruptos ou vertiginosos.
Exemplo: ―Vão chegando as burguesinhas po-
bres, / e as criadas das burguesinhas ricas / e as
mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza.‖
(Manuel Bandeira).
Anástrofe:
Ocorre anástrofe quando há uma simples inver-
são de palavras vizinhas (determinan-
te/determinado).
Exemplo: ―Tão leve estou (estou tão leve) que
nem sombra tenho.‖ (Mário Quintana).
Hipérbato:
Ocorre hipérbato quando há uma inversão com-
pleta de membros da frase.
Exemplo: ―Passeiam à tarde, as belas na Aveni-
da. ‖ (As belas passeiam na Avenida à tarde.)
(Carlos Drummond de Andrade).
Sínquise:
Ocorre sínquise quando há uma inversão violenta
de distantes partes da frase. É um hipérbato exa-
gerado.
Exemplo: ―A grita se alevanta ao Céu, da gente. ‖
(A grita da gente se alevanta ao Céu ) (Camões).
Hipálage:
Ocorre hipálage quando há inversão da posição
do adjetivo: uma qualidade que pertence a um
objeto é atribuída a outro, na mesma frase.
Exemplo: ―… as lojas loquazes dos barbeiros.‖
(as lojas dos barbeiros loquazes.) (Eça de Quei-
ros).
Anacoluto:
Ocorre anacoluto quando há interrupção do plano
sintático com que se inicia a frase, alterando-lhe a
seqüência lógica. A construção do período deixa
um ou mais termos – que não apresentam função
sintática definida – desprendidos dos demais,
geralmente depois de uma pausa sensível.
Exemplo: ―Essas empregadas de hoje, não se
pode confiar nelas.‖ (Alcântara Machado).
Silepse:
Ocorre silepse quando a concordância não é feita
com as palavras, mas com a idéia a elas associa-
da.
a) Silepse de gênero:
Ocorre quando há discordância entre os gêneros
gramaticais (feminino ou masculino).
95
Exemplo: ―Quando a gente é novo, gosta de fazer
bonito.‖ (Guimarães Rosa).
b) Silepse de número:
Ocorre quando há discordância envolvendo o
número gramatical (singular ou plural).
Exemplo: Corria gente de todos lados, e grita-
vam.‖ (Mário Barreto).
c) Silepse de pessoa:
Ocorre quando há discordância entre o sujeito
expresso e a pessoa verbal: o sujeito que fala ou
escreve se inclui no sujeito enunciado.
Exemplo: ―Na noite seguinte estávamos reunidas
algumas pessoas.‖ (Machado de Assis).
Figuras de pensamento:
As figuras de pensamento são recursos de lin-
guagem que se referem ao significado das pala-
vras, ao seu aspecto semântico.
São figuras de pensamento:
Antítese:
Ocorre antítese quando há aproximação de pala-
vras ou expressões de sentidos opostos.
Exemplo: ―Amigos ou inimigos estão, amiúde, em
posições trocadas. Uns nos querem mal, e fazem-
nos bem. Outros nos almejam o bem, e nos tra-
zem o mal.‖ (Rui Barbosa).
Apóstrofe:
Ocorre apóstrofe quando há invocação de uma
pessoa ou algo, real ou imaginário, que pode
estar presente ou ausente. Corresponde ao voca-
tivo na análise sintática e é utilizada para dar
ênfase à expressão.
Exemplo: ―Deus! ó Deus! onde estás, que não
respondes?‖ (Castro Alves).
Paradoxo:
Ocorre paradoxo não apenas na aproximação de
palavras de sentido oposto, mas também na de
idéias que se contradizem referindo-se ao mesmo
termo. É uma verdade enunciada com aparência
de mentira. Oxímoro (ou oximoron) é outra desig-
nação para paradoxo.
Exemplo: ―Amor é fogo que arde sem se ver; / É
ferida que dói e não se sente; / É um contenta-
mento descontente; / É dor que desatina sem
doer;‖ (Camões)
Eufemismo:
Ocorre eufemismo quando uma palavra ou ex-
pressão é empregada para atenuar uma verdade
tida como penosa, desagradável ou chocante.
Exemplo: ―E pela paz derradeira (morte) que en-
fim vai nos redimir Deus lhe pague‖. (Chico Buar-
que).
Gradação:
Ocorre gradação quando há uma seqüência de
palavras que intensificam uma mesma idéia.
Exemplo: ―Aqui… além… mais longe por onde eu
movo o passo.‖ (Castro Alves).
Hipérbole:
Ocorre hipérbole quando há exagero de uma
idéia, a fim de proporcionar uma imagem emocio-
nante e de impacto.
Exemplo: ―Rios te correrão dos olhos, se chora-
res!‖ (Olavo Bilac).
Ironia:
Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela entona-
ção, pela contradição de termos, sugere-se o
contrário do que as palavras ou orações parecem
exprimir. A intenção é depreciativa ou sarcástica.
Exemplo: ―Moça linda, bem tratada, / três séculos
de família, / burra como uma porta: / um amor.‖
(Mário de Andrade).
Prosopopéia:
Ocorre prosopopéia (ou animização ou personifi-
cação) quando se atribui movimento, ação, fala,
sentimento, enfim, caracteres próprios de seres
animados a seres inanimados ou imaginários.
Também a atribuição de características humanas
a seres animados constitui prosopopéia o que é
comum nas fábulas e nos apólogos, como este
exemplo de Mário de Quintana: ―O peixinho (…)
silencioso e levemente melancólico…‖
Exemplos: ―… os rios vão carregando as queixas
do caminho.‖ (Raul Bopp)
Um frio inteligente (…) percorria o jardim…‖ (Cla-
rice Lispector)
Perífrase:
Ocorre perífrase quando se cria um torneio de
palavras para expressar algum objeto, acidente
geográfico ou situação que não se quer nomear.
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Exemplo: ―Cidade maravilhosa / Cheia de encan-
tos mil / Cidade maravilhosa / Coração do meu
Brasil.‖ (André Filho).
Até este ponto retirei informações do site PCI
cursos
Vícios de Linguagem
Ambiguidade
Ambiguidade é a possibilidade de uma mensa-
gem ter dois sentidos. Ela geralmente é provoca-
da pela má organização das palavras na frase. A
ambiguidade é um caso especial de polissemia, a
possibilidade de uma palavra apresentar vários
sentidos em um contexto.
Ex:
―Onde está a vaca da sua avó?‖ (Que vaca? A
avó ou a vaca criada pela avó?)
―Onde está a cachorra da sua mãe?‖ (Que ca-
chorra? A mãe ou a cadela criada pela mãe?)
―Este líder dirigiu bem sua nação‖(―Sua‖? Nação
da 2ª ou 3ª pessoa (o líder)?).
Obs 1: O pronome possessivo ―seu(ua)(s)‖ gera
muita confusão por ser geralmente associado ao
receptor da mensagem.
Obs 2: A preposição ―como‖ também gera confu-
são com o verbo ―comer‖ na 1ª pessoa do singu-
lar.
A ambiguidade normalmente é indesejável na
comunicação unidirecional, em particular na escri-
ta, pois nem sempre é possível contactar o emis-
sor da mensagem para questioná-lo sobre sua
intenção comunicativa original e assim obter a
interpretação correta da mensagem.
Barbarismo
Barbarismo, peregrinismo, idiotismo ou estrangei-
rismo (para os latinos qualquer estrangeiro era
bárbaro) é o uso de palavra, expressão ou cons-
trução estrangeira no lugar de equivalente verná-
cula.
De acordo com a língua de origem, os estrangei-
rismos recebem diferentes nomes:
Galicismo ou francesismo, quando proveni-entes do francês (de Gália, antigo nome
da França);
Anglicismo, quando do inglês;
Castelhanismo, quando vindos
do espanhol;
Ex:
Mais penso, mais fico inteligente (galicismo; o
mais adequado seria ―quanto mais penso, (tanto)
mais fico inteligente‖);
Comeu um roast-beef (anglicismo; o mais ade-
quado seria ―comeu um rosbife―);
Havia links para sua página (anglicismo; o mais
adequado seria ―Havia ligações(ou vínculos) para
sua página‖.
Eles têm serviço de delivery. (anglicismo; o mais
adequado seria ―Eles têm serviço de entrega‖).
Premiê apresenta prioridades da Presidência lusa
da UE (galicismo, o mais adequado seria Primei-
ro-ministro)
Nesta receita gastronômica usaremos Blueberri-
es e Grapefruits. (anglicismo, o mais adequado
seria Mirtilo e Toranja)
Convocamos para a Reunião do Conselho
de DA‘s (plural da sigla de Diretório Acadêmico).
(anglicismo, e mesmo nesta língua não se u-
sa apóstrofo ‗s‘ para pluralizar; o mais adequado
seria DD.AA. ou DAs.)
Há quem considere barbarismo também diver-
gências de pronúncia, grafia, morfologia, etc., tais
como ―adevogado‖ ou ―eu sabo―, pois seriam ati-
tudes típicas de estrangeiros, por eles dificilmente
atingirem alta fluência no dialeto padrão da lín-
gua.
Em nível pragmático, o barbarismo normalmente
é indesejável porque os receptores da mensagem
frequentemente conhecem o termo em questão
na língua nativa de sua comunidade linguística,
mas nem sempre conhecem o termo correspon-
dente na língua ou dialeto estrangeiro à comuni-
dade com a qual ele está familiarizado. Em nível
político, um barbarismo também pode ser inter-
pretado como uma ofensa cultural por alguns
receptores que se encontram ideologicamente
inclinados a repudiar certos tipos de influência
sobre suas culturas. Pode-se assim concluir que
o conceito de barbarismo é relativo ao receptor da
mensagem.
Em alguns contextos, até mesmo uma palavra da
própria língua do receptor poderia ser considera-
da como um barbarismo. Tal é o caso de um cul-
tismo (ex: ―abdômen‖) quando presente em uma
mensagem a um receptor que não o entende (por
exemplo, um indivíduo não escolarizado, que
poderia compreender melhor os sinônimos ―barri-
ga‖, ―pança‖ ou ―bucho‖).
Cacofonia
97
A cacofonia é um som desagradável ou obsceno
formado pela união das sílabas de palavras con-
tíguas. Por isso temos que cuidar quando falamos
sobre algo para não ofendermos a pessoa que
ouve. São exemplos desse fato:
―Ele beijou a boca dela.‖
―Bata com um mamão para mim, por favor.‖
―Deixe ir-me já, pois estou atrasado.‖
―Não tem nada de errado a cerca dela―
―Vou-me já que está pingando. Vai chover!‖
―Instrumento para socar alho.‖
―Daqui vai, se for dai.‖
Não são cacofonia:
―Eu amo ela demais !!!‖
―Eu vi ela.‖
―você veja‖
Como cacofonias são muitas vezes cômicas, elas
são algumas vezes usadas de propósito em cer-
tas piadas, trocadilhos e ―pegadinhas‖.
Plebeísmo
O plebeísmo normalmente utiliza palavras de
baixo calão, gírias e termos considerados infor-
mais.
Exemplos:
―Ele era um tremendo mané!‖
―Tô ferrado!‖
―Tá ligado nas quebradas, meu chapa?‖
―Esse bagulho é ‗radicaaaal‘!!! Tá ligado mano?‖
‗Vô piálá‘mais tarde ‗ !!! Se ligou maluko ?
Por questões de etiqueta, convém evitar o uso de
plebeísmos em contextos sociais que requeiram
maior formalismo no tratamento comunicativo.
Prolixidade
É a exposição fastidiosa e inútil de palavras ou
argumentos e à sua superabundância. É o exces-
so de palavras para exprimir poucas idéias. Ao
texto prolixo falta objetividade, o qual quase sem-
pre compromete a clareza e cansa o leitor.
A prevenção à prolixidade requer que se tenha
atenção à concisão e precisão da mensagem.
Concisão é a qualidade de dizer o máximo possí-
vel com o mínimo de palavras. Precisão é a qua-
lidade de utilizar a palavra certa para dizer exa-
tamente o que se quer.
Pleonasmo Vicioso
O pleonasmo é uma figura de linguagem. Quando
consiste numa redundância inútil e desnecessária
de significado em uma sentença, é considerado
um vício de linguagem. A esse tipo de pleonasmo
chamamos pleonasmo vicioso.
Ex:
―Ele vai ser o protagonista principal da peça‖.
(Um protagonista é, necessariamente, a persona-
gem principal)
―Meninos, entrem já para dentro!‖ (O verbo ―en-
trar‖ já exprime ideia de ir para dentro)
―Estou subindo para cima.‖ (O verbo ―subir‖ já
exprime ideia de ir para cima)
―Não deixe de comparecer pessoalmente.‖ (É
impossível comparecer a algum lugar de outra
forma que não pessoalmente)
―Meio-ambiente‖ – o meio em que vivemos = o
ambiente em que vivemos.
Não é pleonasmo:
―As palavras são de baixo calão―. Palavras podem
ser de baixo ou de alto calão.
O pleonasmo nem sempre é um vício de lingua-
gem, mesmo para os exemplos supra citados, a
depender do contexto. Em certos contextos, ele é
um recurso que pode ser útil para se fornecer
ênfase a determinado aspecto da mensagem.
Especialmente em contextos literários, musicais e
retóricos, um pleonasmo bem colocado pode
causar uma reação notável nos receptores (como
a geração de uma frase de efeito ou mesmo o
humor proposital). A maestria no uso do pleo-
nasmo para que ele atinja o efeito desejado no
receptor depende fortemente do desenvolvimento
da capacidade de interpretação textual do emis-
sor. Na dúvida, é melhor que seja evitado para
não se incorrer acidentalmente em um uso vicio-
so.
Solecismo
Solecismo é uma inadequação na estrutura sintá-
tica da frase com relação à gramática normativa
do idioma. Há três tipos de solecismo:
De concordância:
98
―Fazem três anos que não vou ao médico.‖ (Faz
três anos que não vou ao médico.)
―Aluga-se salas nesse edifício.‖ (Alugam-se salas
nesse edifício.)
De regência:
―Ontem eu assisti um filme de época.‖ (Ontem eu
assisti a um filme de época.)
De colocação:
―Me empresta um lápis, por favor.‖ (Empresta-me
um lápis, por favor.)
―Me parece que ela ficou contente.‖ (Parece-me
que ela ficou contente.)
―Eu não respondi-lhe nada do que perguntou.‖
(Eu não lhe respondi nada do que perguntou.)
Eco
O Eco vem a ser a própria rima que ocorre quan-
do há na frase terminações iguais ou semelhan-
tes, provocando dissonância.
―Falar em desenvolvimento é pensar em alimento,
saúde e educação.‖
―O aluno repetente mente alegremente.‖
O presidente tinha dor de dente constantemente.
Colisão
O uso de uma mesma vogal ou consoante em
várias palavras é denominado aliteração.
Aliterações são preciosos recursos estilísticos
quando usados com a intenção de se atingir efei-
to literário ou para atrair a atenção do receptor.
Entretanto, quando seus usos não são intencio-
nais ou quando causam um efeito estilístico ruim
ao receptor da mensagem, a aliteração torna-se
um vício de linguagem e recebe nesse contexto o
nome de colisão. Exemplos:
―E-
ram comunidades camponesas com cultivos coleti
vos.‖
―O papa Paulo VI pediu a paz.‖
Uma colisão pode ser remediada com a reestrutu-
ração sintática da frase que a contém ou com a
substituição de alguns termos ou expressões por
outras similares ou sinônimas.
Correspondência Oficial
Adequação da linguagem ao tipo de documento.
Adequação do formato do texto ao gênero.
Redação Oficial
A redação oficial é caracterizada pela impessoali-
dade, uso do padrão culto de linguagem, clareza,
concisão, formalidade e uniformidade.
Esses mesmos princípios aplicam-se às comuni-
cações oficiais: elas devem sempre permitir uma
única interpretação e ser estritamente impessoais
e uniformes, o que exige o uso de certo nível de
linguagem.
1. A Impessoalidade:
O tratamento impessoal que deve ser dado aosassuntos que constam das comunicações oficiais
decorre:
a) da ausência de impressões individuais de
quem comunica;
b) da impessoalidade de quem recebe a comuni-
cação, com duas possibilidades:
c) do caráter impessoal do próprio assunto trata-
do:
A concisão, a clareza, a objetividade e a formali-
dade de que nos valemos para elaborar os expe-
dientes oficiais contribuem, ainda, para que seja
alcançada a necessária impessoalidade.
2. A Linguagem dos Atos e Comunicações
Oficiais:
A necessidade de empregar determinado nível de
linguagem nos atos e expedientes oficiais decor-
re, de um lado, do próprio caráter público desses
atos e comunicações; de outro, de sua finalidade.
Por seu caráter impessoal, por sua finalidade de
informar com o máximo de clareza e concisão,
eles requerem o uso do padrão culto da língua.
Há consenso de que o padrão culto é aquele em
que:
a) se observam as regras da gramática formal e
b) se emprega um vocabulário comum ao conjun-
to dos usuários do idioma.
3. Formalidade e Padronização:
A formalidade diz respeito à polidez, à civilidade
no próprio enfoque dado ao assunto do qual cuida
a comunicação.
A clareza datilográfica, o uso de papéis uniformes
para o texto definitivo e a correta diagramação do
texto são indispensáveis para a padronização.
99
4. Concisão e Clareza:
Conciso é o texto que consegue transmitir um
máximo de informações com um mínimo de pala-
vras.
A clareza deve ser a qualidade básica de todo
texto oficial. Para ela concorrem:
a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de
interpretações que poderia decorrer de um trata-
mento personalista dado ao texto;
b) o uso do padrão culto de linguagem, em princí-
pio, de entendimento geral e por definição avesso
a vocábulos de circulação restrita, como a gíria e
o jargão;
c) a formalidade e a padronização, que possibili-
tam a imprescindível uniformidade dos textos;
d) a concisão, que faz desaparecer do texto os
excessos lingüísticos que nada lhe acrescentam.
5. Pronomes de Tratamento:
O emprego dos pronomes de tratamento obedece
a secular tradição. São de uso consagrado:
Vossa Excelência, para as seguintes autoridades:
a) do Poder Executivo: Presidente da República
/ Vice-Presidente da República / Ministros de
Estado / Governadores e Vice-Governadores de
Estado e do Distrito Federal / Oficiais-Generais
das Forças Armadas / Embaixadores / Secretá-
rios-Executivos de Ministérios e demais ocupan-
tes de cargos de natureza especial / Secretários
de Estado dos Governos Estaduais / Prefeitos
Municipais.
b) do Poder Legislativo: Deputados Federais e
Senadores / Ministros do Tribunal de Contas da
União / Deputados Estaduais e Distritais / Conse-
lheiros dos Tribunais de Contas Estaduais / Pre-
sidentes das Câmaras Legislativas Municipais.
c) do Poder Judiciário: Ministros dos Tribunais
Superiores / Membros de Tribunais / Juízes / Au-
ditores da Justiça Militar.
O vocativo a ser empregado em comunicações
dirigidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo
Senhor, seguido do cargo respectivo: Excelentís-
simo Senhor Presidente da República, / Excelen-
tíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacio-
nal, / Excelentíssimo Senhor Presidente do Su-
premo Tribunal Federal.
As demais autoridades serão tratadas com o vo-
cativo Senhor, seguido do cargo respectivo: Se-
nhor Senador, / Senhor Juiz, / Senhor Ministro, /
Senhor Governador.
No envelope, o endereçamento das comunica-
ções dirigidas às autoridades tratadas por Vossa
Excelência, terá a seguinte forma:
A Sua Excelência o Senhor
Fulano de Tal
Secretário de Estado da Saúde
00000-000 – Natal. RN
A Sua Excelência o Senhor
Fulano de Tal
Juiz de Direito da 10ª Vara Cível
Rua ABC, nº 123
01010-000 – Natal. RN
A Sua Excelência o Senhor
Deputado Fulano de Tal
Assembléia Legislativa
00000-000 – Natal. RN
Em comunicações oficiais, está abolido o uso do
tratamento digníssimo (DD), às autoridades arro-
ladas na lista anterior. A dignidade é pressuposto
para que se ocupe qualquer cargo público, sendo
desnecessária sua repetida evocação.
Vossa Senhoria é empregado para as demais
autoridades e para particulares. O vocativo ade-
quado é:
Senhor Fulano de Tal,
(…)
No envelope, deve constar do endereçamento:
Ao Senhor
Fulano de Tal
Rua ABC, nº 123
12345-000 – Natal. RN
Como se depreende do exemplo acima, fica dis-
pensado o emprego do superlativo ilustríssimo
para as autoridades que recebem o tratamento de
Vossa Senhoria e para particulares. É suficiente o
uso do pronome de tratamento Senhor.
100
Acrescente-se que doutor não é forma de trata-
mento, e sim título acadêmico. Evite usá-lo indis-
criminadamente. Como regra geral, empregue-o
apenas em comunicações dirigidas a pessoas
que tenham tal grau por terem concluído curso
universitário de doutorado. É costume designar
por doutor os bacharéis, especialmente os bacha-
réis em Direito e em Medicina. Nos demais casos,
o tratamento Senhor confere a desejada formali-
dade às comunicações.
Mencionemos, ainda, a forma Vossa Magnificên-
cia, empregada por força da tradição, em comuni-
cações dirigidas a reitores de universidade. Cor-
responde-lhe o vocativo:
Magnífico Reitor,
(…)
Os pronomes de tratamento para religiosos, de
acordo com a hierarquia eclesiástica, são:
Vossa Santidade, em comunicações dirigidas ao
Papa. O vocativo correspondente é:
Santíssimo Padre,
(…)
Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reveren-
díssima, em comunicações aos Cardeais. Cor-
responde-lhe o vocativo:
Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou
Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Carde-
al,
(…)
Vossa Excelência Reverendíssima é usado em
comunicações dirigidas a Arcebispos e Bispos;
Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reve-
rendíssima para Monsenhores, Cônegos e supe-
riores religiosos. Vossa Reverência é empregado
para sacerdotes, clérigos e demais religiosos.
6. Fechos para Comunicações:
O fecho das comunicações oficiais possui, além
da finalidade óbvia de arrematar o texto, a de
saudar o destinatário. A legislação federal estabe-
leceu o emprego de somente dois fechos diferen-
tes para todas as modalidades de comunicação
oficial:
a) para autoridades superiores, inclusive o Presi-
dente da República:
Respeitosamente,
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de
hierarquia inferior:
Atenciosamente,
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações
dirigidas a autoridades estrangeiras, que atendem
a rito e tradição próprios, devidamente disciplina-
dos no Manual de Redação do Ministério das
Relações Exteriores.
7. Identificação do Signatário:
Excluídas as comunicações assinadas pelo Pre-
sidente da República, todas as demais comunica-
ções oficiais devem trazer o nome e o cargo da
autoridade que as expede, abaixo do local de sua
assinatura. A forma da identificação deve ser a
seguinte:
(espaço para assinatu-
ra)
NOME
Chefe de Gabinete do
Tribunal de Contas
(espaço para assina-
tura)
NOME
Secretário de Estado
da Tributação
Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar
a assinatura em página isolada do expediente.
Transfira para essa página ao menos a última
frase anterior ao fecho.
NORMAS GERAIS DE ELABORAÇÃO:
Ao se elaborar uma correspondência deverão ser
observadas as seguintes regras:
− utilizar as espécies documentais, de acordo
com as finalidades expostas nas estruturas dos
modelos adiante expostos;
− utilizar os pronomes de tratamento, os vocati-
vos, os destinatários e os endereçamentos corre-
tamente;
− utilizar a fonte do tipo Times New Roman de
corpo 12 no texto em geral, 11 nas citações, e 10
nas notas de rodapé;
− parasímbolos não existentes na fonte Times
New Roman poder-se-á utilizar as fontes Symbol
e Wingdings;
− é obrigatório constar a partir da segunda página
o número da página.
No caso de Comunicação Interna, o destinatário
deverá ser identificado pelo cargo, não necessi-
tando do nome de seu ocupante. Exceção para
casos em que existir um mesmo cargo para vá-
rios ocupantes, sendo necessário, então, um vo-
101
cativo composto pelo cargo e pelo nome do desti-
natário em questão.
Exemplo:
Ao Senhor Assessor
José Amaral
Quando um documento estiver respondendo à
solicitação de um outro documento, fazer referên-
cia à espécie, ao número e à data ao qual este se
refere.
O assunto que motivou a comunicação deve ser
introduzido no primeiro parágrafo, seguido do
detalhamento e conclusão. Se contiver mais de
uma idéia deve-se tratar dos diferentes assuntos
em parágrafos distintos.
A referência ao ano do documento deverá ser
feita após a espécie e número do expediente,
seguido de sigla do órgão que o expede.
CERTO: Ofício nº 23/2005-DAI/TCE
ERRADO: Ofício nº 23/TCE/DAI-2005
Os pronomes de tratamento (ou de segunda pes-
soa indireta) embora se refiram à segunda pes-
soa gramatical (à pessoa com quem se fala, ou a
quem se dirige à comunicação), levam a concor-
dância para a terceira pessoa.
Exemplos:
Vossa Senhoria nomeará o substituto.
Vossa Excelência conhece o assunto.
Da mesma forma, os pronomes possessivos refe-
ridos a pronomes de tratamento são sempre os
da terceira pessoa: ―Vossa Senhoria nomeará seu
substituto‖ (e não ―Vossa… vosso…‖).
Já quanto aos adjetivos referidos a esses prono-
mes, o gênero gramatical deve coincidir com o
sexo da pessoa a que se refere, e não com o
substantivo que compõe a locução. Assim, se o
interlocutor for homem, o correto é ―Vossa Exce-
lência está atarefado‖; se for mulher,‖Vossa Exce-
lência está atarefada‖.
Siglas e Acrônimos:
Sigla é a representação de um nome por meio de
suas iniciais – Exemplos: INSS. Apesar de obe-
decer às mesmas regras dispostas para as siglas,
os acrônimos são distintos delas, ou seja, são
palavras formadas das primeiras letras ou de
sílabas de outras palavras – Exemplos: Bradesco;
Em geral não se coloca ponto nas siglas;
Grafam-se em caixa alta as compostas
apenas de consoante: fgts;
Grafam-se em caixa alta as siglas que,
apesar de compostas de consoante e de vogal,
são pronunciadas mediante a acentuação das
letras: iptu, ipva, dou;
Grafam-se em caixa alta e em caixa baixa
os compostos de mais de três letras (vogais e
consoantes) que formam palavra: bandern, co-
hab, ibama, ipea, embrapa.
Siglas e acrônimos devem vir precedidos de res-
pectivo significado e de travessão em sua primei-
ra ocorrência no texto (Exemplos: Diário Oficial do
Estado – DOE).
Destaques:
Recurso tipográfico que estabelece contrastes,
com o objetivo de propiciar saliências no texto. Os
mais comuns são os a seguir comentados.
Itálico – Convencionalmente, grafa-se em itálico
títulos de livros, de periódicos, de peças, de ópe-
ras, de música, de pintura e de escultura;
Assim como nomes de eventos e estrangeirismos
citados no corpo do texto. Lembrar, no entanto,
que na grafia de nome de instituição estrangeira
não se deve usar o itálico.
Contudo, no caso de o texto já estar todo ele gra-
fado em itálico, o destaque de palavras e de locu-
ções de outros idiomas, ainda não adaptadas ao
português, pode ser obtido com o efeito contrário,
ou seja, com a grafia delas sem o itálico; recursos
esse conhecido como ―redondo‖.
Usa-se ainda o itálico na grafia de nomes científi-
cos, de animais e vegetais (Exemplos: Canis fa-
miliaris; Apis mellifera).
Pode-se adotar também, desde que sem exage-
ros, o destaque do itálico na grafia de palavras
e/ou de expressões às quais se queira da ênfase.
Aspas – Usa-se grafar entre as aspas simples: a
citação dentro de uma citação.
Já as aspas duplas, essas são adotadas para:
Delimitar a indicação de citações diretas de
até três linhas;
Destacar neologismos – sentido inusitado
de uma palavra ou de uma expressão, ou termos
formados a partir de palavras de outra língua –
102
―ajanelar o coração‖; ―deletar‖; ―zebra‖, como ex-
pressão de azar;
Indicar um sentido não habitual – exem-
plos: havia um ―porém‖ no olhar do diretor;
Destacar o valor – irônico ou afetivo de um
termo – exemplos: ela era a ―queridinha‖ do pa-
pai.
Negrito – O destaque do negrito é mais comu-
mente usado na transcrição de entrevistas, para
separar perguntas de respostas; assim como,
conforme antes mencionado, na indicação de
títulos e de subtítulos. Contudo, o negrito pode
ser utilizado também, comedidamente, na grafia
de termos e/ou de expressões a que se queira
dar ênfase.
Maiúsculas – Além de sempre usada no início de
períodos, nos títulos de obras artísticas ou técni-
co-científicas, a letra maiúsculas (caixa alta – CA)
é convencionalmente usada na grafia de:
Nomes próprios e de sobrenomes (José
Ferreira) de cognomes (Ivan, o Terrível); de alcu-
nhas (Sete Dedos); de pseudônimos (Joãozinho
Trinta); de nomes dinásticos (os Médici);
Topônimos (Brasília, Paris);
Regiões (Nordeste, Sul);
Nomes de instituições culturais, profissio-
nais e de empresa (Fundação Getúlio Vargas,
Associação Brasileira de Jornalistas, Lojas Ame-
ricanas);
Nome de divisão e de subdivisão das For-
ças Armadas (Marinha, Polícia Militar);
Nome de período e de episódio histórico
(Idade Média, Estado Novo);
Nome de festividade ou de comemoração
cívica (Natal, Quinze de Novembro);
Designação de nação política organizada,
de conjunto de poderes ou de unidades da Fede-
ração (golpe de Estado, Estado de São Paulo);
Nome de pontos cardeais (Sul, Norte, Les-
te, Oeste);
Nome de zona geoeconômica e de desig-
nações de ordem geográfica ou político-
administrativa (Agreste, Zona da Mata, Triângulo
Mineiro);
Nome de logradouros e de endereço (Av.
Rui Barbosa, Rua Cesário Alvim); nome de edifí-
cio, de monumento e de estabelecimento público
(edifício Life Center, Estádio do Maracanã, Aero-
porto de Cumbica, Igreja do São José);
Nome de imposto e de taxa (Imposto de
Renda);
Nome de corpo celeste, quando designati-
vo astronômico (―A Terra gira em torno do Sol‖);
Nome de documento ao qual se integra um
nome próprio (Lei Áurea, Lei Afonso Arinos).
Minúsculas – Além de sempre usada na grafia
dos termos que designam as estações do ano, os
dias da semana e os meses do ano, a letra mi-
núscula (comumente chamada de caixa baixa –
Cb), é também usada na grafia de:
Cargos e títulos nobiliárquicos (rei, dom);
dignitários (comendador, cavaleiro); axiônimos
correntes (você, senhor); culturais (reitor, bacha-
rel); profissionais (ministro, médico, general, pre-
sidente, diretor); eclesiásticos (papa, pastor, frei-
ra);
Gentílicos e de nomes étnicos (franceses,
paulistas, iorubas);
Nome de doutrina e de religiões (espiritis-
mo, protestantismo);
Nome de grupo ou de movimento político e
religioso (petistas, umbandistas);
Na palavra governo (governo fernando
henrique, governo de são paulo);
Nos termos designativos de instituições,
quando esses não estão integrados no nome
delas – exemplos: a agência nacional de águas
tem por missão (…), no entanto, a referida agên-
cia não exclui de suas metas os compromissos
relacionados a…;
Nome de acidente geográfico que não seja
parte integrante do nome próprio: rio amazonas,
serra do mar, cabo norte (mas, cabo frio, rio de
janeiro, serra do salitre);
Prefixo exemplos: ex-ministro do meio am-
biente, ex-presidente da república; nome de deri-
vado: weberiano, nietzschiano,keynesiano, apo-
líneo;
Pontos cardeais, quando indicam direção
ou limite: o norte de minas gerais, o sul do pará –
observe: ―é bom morar na região norte do brasil,
mas muitos preferem o sul de são paulo‖.
Enumerações:
103
O trecho que anuncia uma enumeração geral-
mente vem sucedido por dois-pontos; situação
em que a relação de itens que se segue deve ser
introduzida por letras minúsculas – Exemplos: a),
b), c) – ou por um outro tipo de marcador (,□, ,
…etc.), ser grafada com inicial minúscula e con-
cluída com ponto-e-vírgula até o penúltimo item,
pois que o último deverá vir seguido de ponto
final.
Caso o trecho anunciativo da enumeração termi-
ne com um ponto final, os itens que o sucedem
devem vir grafados com inicial maiúscula, assim
como ser finalizados, todos eles, com um ponto
final.
Grafia De Numerais:
Os numerais são geralmente grafados com alga-
rismos arábicos. Todavia, em algumas situações
especiais é regra grafá-los, no texto, por extenso.
Confira a seguir algumas dessas situações:
De zero a nove: três livros, quatro milhões;
Dezenas redondas: trinta cadernos, setenta
bilhões;
Centenas redondas: trezentos mil, novecentos
trilhões, seiscentas pessoas.
Em todos os casos, porém, só se usam palavras
quando não há nada nas ordens ou nas classes
inferiores (Exemplos: 14 mil, mas 14.200 e não 14
mil e duzentos; 247.320 e não 247 mil e trezentos
e vinte).
Acima do milhar, no entanto, dois recursos são
possíveis:
Aproximação de número fracionário, como
em 23,7 milhões;
Desdobramento dos dois primeiros termos,
como em 47 milhões e 642 mil.
As classes são separadas por pontos (Exemplos:
1.750 páginas), exceto no caso de ano (Exem-
plos: em 1750), de código postal (Exemplos: CEP
70342-070) e de especificação de caixa postal
(Exemplos: 1011).
As frações são sempre indicadas por algarismos,
exceto no caso de os dois elementos dela se
situarem entre um e dez (Exemplos: dois terços,
um quarto, mas 2/12, 5/11 etc.).
Já as porcentagens, essas são indicadas (exceto
no início de frase) por algarismos, os quais são,
por sua vez, sucedidos do símbolo próprio sem
espaço: 86%, 135% etc.).
Os ordinais são grafados por extenso de primeiro
a décimo, os demais devem ser representados de
forma numérica: terceiro, quinto, mas 13º, 47º etc.
As quantias são grafadas por extenso de um a
dez (seis centavos, nove milhões de francos) e
com algarismos daí em diante (11 centavos, 51
milhões de francos). Porém, quando ocorrem
frações, registra-se a quantia exclusivamente de
forma numérica (US$ 325,60).
Os algarismos romanos são usados nos seguin-
tes casos:
Na designação de séculos: século XXI,
século II a.C;
Na designação de reis, de imperadores, de
papas etc.: Felipe IV, Napoleão II, João XXIII;
Na designação de grandes divisões das
Forças Armadas: IV Distrito Naval, I Exército;
No nome de eventos repetidos periodica-
mente: IX Bienal de São Paulo, XII Copa do Mun-
do;
Na especificação de dinastias: II dinastia,
IV dinastia.
Em se tratando de horas (hora legal), recomenda-
se o uso de algarismos arábico, seguido de abre-
viatura, sem espaço (Exemplos: 12h; das 13 às
18h30).
As datas devem ser grafadas por extenso, sem o
numeral zero à esquerda. Exemplo: ―4 de março
de 1998, 1º de maio de 1998.‖
Na ementa, no preâmbulo, na primeira remissão e
na cláusula de revogação a data do ato normativo
deve ser grafada por extenso. Exemplo: Lei nº
8.112, de 11 de dezembro de 1990. Nas demais
remissões, a citação deve ser feita de forma re-
duzida. Exemplo: Lei nº 8112, de 1990.
A identificação do ano não deve conter ponto
entre a classe do milhar e a da centena.
Exemplo:
CERTO: 2005
ERRADO: 2.005
Convém que as décadas sejam grafadas em al-
garismos arábicos, e com a especificação do
século, para que não haja ambigüidades: década
de 1920; década de 1870.
O Padrão Ofício:
104
Há três tipos de expedientes que se diferenciam
antes pela finalidade do que pela forma: o ofício,
o aviso e o memorando. Para uniformizá-los, ado-
tou-se uma diagramação única, que segue o pa-
drão ofício.
Partes do documento no Padrão Ofício:
O aviso, o ofício e o memorando devem conter as
seguintes partes:
a) tipo e número do expediente, seguido da sigla
do órgão que o expede:
Exemplos:
Mem. 123/2002-TCE Aviso 123/2002-TCE Of.
123/2002-SG/TCE
b) local e data em que foi assinado, por extenso,
com alinhamento à direita:
Exemplo:
Brasília, 15 de março de 1991.
c) assunto: resumo do teor do documento
Exemplos:
Assunto: Produtividade do órgão em 2002.
Assunto: Necessidade de aquisição de novos
computadores.
d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a
quem é dirigida a comunicação. No caso do ofício
deve ser incluído também o endereço.
e) texto: nos casos em que não for de mero en-
caminhamento de documentos, o expediente
deve conter a seguinte estrutura:
– introdução, que se confunde com o parágrafo
de abertura, na qual é apresentado o assunto que
motiva a comunicação. Evite o uso das formas:
―Tenho a honra de‖, ―Tenho o prazer de‖, ―Cum-
pre-me informar que‖, empregue a forma direta;
– desenvolvimento, no qual o assunto é detalha-
do; se o texto contiver mais de uma idéia sobre o
assunto, elas devem ser tratadas em parágrafos
distintos, o que confere maior clareza à exposi-
ção;
– conclusão, em que é reafirmada ou simples-
mente reapresentada a posição recomendada
sobre o assunto.
Os parágrafos do texto devem ser numerados,
exceto nos casos em que estes estejam organi-
zados em itens ou títulos e subtítulos.
Já quando se tratar de mero encaminhamento de
documentos a estrutura é a seguinte:
– introdução: deve iniciar com referência ao ex-
pediente que solicitou o encaminhamento. Se a
remessa do documento não tiver sido solicitada,
deve iniciar com a informação do motivo da co-
municação, que é encaminhar, indicando a seguir
os dados completos do documento encaminhado
(tipo, data, origem ou signatário, e assunto de que
trata), e a razão pela qual está sendo encaminha-
do, segundo a seguinte fórmula:
―Em resposta ao Aviso nº 12, de 1º de fevereiro
de 1991, encaminho, anexa, cópia do Ofício nº
34, de 3 de abril de 1990, do Departamento Geral
de Administração, que trata da requisição do ser-
vidor Fulano de Tal.‖
ou
―Encaminho, para exame e pronunciamento, a
anexa cópia do telegrama no 12, de 1º de feverei-
ro de 1991, do Presidente da Confederação Na-
cional de Agricultura, a respeito de projeto de
modernização de técnicas agrícolas na região
Nordeste.‖
– desenvolvimento: se o autor da comunicação
desejar fazer algum comentário a respeito do
documento que encaminha, poderá acrescentar
parágrafos de desenvolvimento; em caso contrá-
rio, não há parágrafos de desenvolvimento em
aviso ou ofício de mero encaminhamento.
f) fecho;
g) assinatura do autor da comunicação; e
h) identificação do signatário.
Forma de diagramação:
Os documentos do Padrão Ofícial devem obede-
cer à seguinte forma de apresentação:
a) deve ser utilizada fonte do tipo Times New
Roman de corpo 12 no texto em geral, 11 nas
citações, e 10 nas notas de rodapé;
b) para símbolos não existentes na fonte Times
New Roman poder-se-á utilizar as fontes Symbol
e Wingdings;
c) é obrigatório constar a partir da segunda pági-
na o número da página;
d) os ofícios, memorandos e anexos destes pode-
rão ser impressos em ambas as faces do papel.
Neste caso, as margens esquerda e direita terão
as distâncias invertidas nas páginas pares (―mar-
gem espelho‖);
105
e) o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5
cm de distância da margem esquerda;
f) o campodestinado à margem lateral esquerda
terá, no mínimo, 3,0 cm de largura;
g) o campo destinado à margem lateral direita
terá 1,5 cm;
h) deve ser utilizado espaçamento simples entre
as linhas e de 6 pontos após cada parágrafo, ou,
se o editor de texto utilizado não comportar tal
recurso, de uma linha em branco;
i) não deve haver abuso no uso de negrito, itálico,
sublinhado, letras maiúsculas, sombreado, som-
bra, relevo, bordas ou qualquer outra forma de
formatação que afete a elegância e a sobriedade
do documento;
j) a impressão dos textos deve ser feita na cor
preta em papel branco. A impressão colorida de-
ve ser usada apenas para gráficos e ilustrações;
l) todos os tipos de documentos do Padrão Ofício
devem ser impressos em papel de tamanho A-4,
ou seja, 29,7 x 21,0 cm;
m) deve ser utilizado, preferencialmente, o forma-
to de arquivo Rich Text nos documentos de texto;
n) dentro do possível, todos os documentos ela-
borados devem ter o arquivo de texto preservado
para consulta posterior ou aproveitamento de
trechos para casos análogos;
o) para facilitar a localização, os nomes dos ar-
quivos devem ser formados da seguinte maneira:
tipo do documento + número do documento +
palavras-chaves do conteúdo
Exemplos: ―Of. 123 – relatório produtividade ano
2002″
Aviso e Ofício:
Definição e Finalidade
Aviso e ofício são modalidades de comunicação
oficial praticamente idênticas. A única diferença
entre eles é que o aviso é expedido exclusiva-
mente por Ministros de Estado, para autoridades
de mesma hierarquia, ao passo que o ofício é
expedido para e pelas demais autoridades. Am-
bos têm como finalidade o tratamento de assun-
tos oficiais pelos órgãos da Administração Pública
entre si e, no caso do ofício, também com particu-
lares.
Forma e Estrutura
Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o mo-
delo do padrão ofício, com acréscimo do vocativo,
que invoca o destinatário, seguido de vírgula.
Exemplos:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República
Senhora Ministra
Senhor Chefe de Gabinete
Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do
ofício as seguintes informações do remetente:
– nome do órgão ou setor;
– endereço postal;
– telefone e endereço de correio eletrônico.
Memorando:
Definição e Finalidade
O memorando é a modalidade de comunicação
entre unidades administrativas de um mesmo
órgão, que podem estar hierarquicamente em
mesmo nível ou em níveis diferentes. Trata-se,
portanto, de uma forma de comunicação eminen-
temente interna.
Pode ter caráter meramente administrativo, ou ser
empregado para a exposição de projetos, idéias,
diretrizes, etc. a serem adotados por determinado
setor do serviço público.
Sua característica principal é a agilidade. A trami-
tação do memorando em qualquer órgão deve
pautar-se pela rapidez e pela simplicidade de
procedimentos burocráticos. Para evitar desne-
cessário aumento do número de comunicações,
os despachos ao memorando devem ser dados
no próprio documento e, no caso de falta de es-
paço, em folha de continuação. Esse procedimen-
to permite formar uma espécie de processo sim-
plificado, assegurando maior transparência à
tomada de decisões, e permitindo que se historie
o andamento da matéria tratada no memorando.
Forma e Estrutura
Quanto a sua forma, o memorando segue o mo-
delo do padrão ofício, com a diferença de que o
seu destinatário deve ser mencionado pelo cargo
que ocupa.
Exemplos:
Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração
Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos
106
Redação:
A elaboração de correspondências e atos oficiais
deve caracterizar-se pela impessoalidade, uso do
padrão culto da linguagem, clareza, concisão,
formalidade e uniformidade.
No caso da redação oficial, quem comunica é
sempre a Administração Pública; o que e comuni-
ca é sempre algum assunto relativo às atribuições
do órgão ou entidade que comunica; o destinatá-
rio dessa comunicação é o público, o conjunto de
cidadãos, ou outro órgão ou entidade pública. A
redação oficial deve ser isenta de interferência da
individualidade de quem a elabora.
As comunicações oficiais devem ser sempre for-
mais, isto é, obedecerem a certas regras de for-
ma. A clareza do texto, possibilitando imediata
compreensão pelo leitor, o uso de papéis unifor-
mes e a correta diagramação são indispensáveis
para a padronização das comunicações oficiais.
O texto deve ser conciso, transmitindo um máxi-
mo de informações com um mínimo de palavras.
Identidade Visual:
Todos os papéis de expediente, bem como os
convites e as publicações oficiais deverão possuir
a logomarca da TCE conforme disposto na Reso-
lução nº 19, de 18 de maio de 2001, ou com nor-
ma que a suceder.
Logomarca, é a marca que reúne graficamente
letras do nome de uma instituição e elementos
formais puros, abstratos. Pode-se ainda defini-la
como qualquer representação gráfica padroniza-
da e distintiva utilizada como marca.
Artigos:
Na numeração de artigos em leis, decretos, porta-
rias e outros textos legais, proceder-se-á da for-
ma como se segue:
Do artigo primeiro até o artigo nono, usa-se o
numeral ordinal, ou seja 1º, 2º, 3º até o 9°, prece-
dido da forma abreviada de artigo – ―Art.‖.
Exemplo:
―Art. 1º, Art. 2º, Art. 3º…. Art. 9º ―.
Do artigo dez (inclusive) em diante, usa-se nume-
ral cardinal, ou seja 10, 11, 12, 13 etc, precedido
da forma abreviada de Artigo – ―Art.‖, e o numeral
cardinal acompanhado de ponto – ―.‖
Exemplo:
―Art. 10.‖, ―Art. 11.‖, ―Art. 99.‖, ―Art. 150.‖ etc.
A indicação de artigo será separada do texto por
dois espaços em branco, sem traços ou outros
sinais.
Exemplo:
Art. 1º Ao (nome do órgão) compete…
O texto de um artigo inicia-se sempre por letra
maiúscula e termina com ponto, salvo nos casos
em que contiver incisos, quando deverá terminar
por dois-pontos.
Em remissões a outros artigos do texto normativo,
deve-se empregar a forma abreviada ―art.‖ segui-
da do número correspondente.
Exemplo:
―… o art. 8º, no art. 15…‖.
Quando o número for substituído por um adjetivo
(anterior, seguinte etc), a palavra artigo deverá
ser grafada por extenso.
Exemplo:
―… no artigo anterior…‖
O agrupamento de artigos poderá constituir Sub-
seções; o de Subseções, a Seção; o de Seções,
o Capítulo; o de Capítulos, o Título; o de Títulos,
o Livro; o de Livros a Parte.
Podem também ser subdivididos em ―Disposições
Preliminares‖, ―Disposições Gerais‖, ―Disposições
Finais‖ e ―Disposições Transitórias‖.
As Subseções e Seções serão identificadas em
algarismos romanos, grafadas em letras minúscu-
las e em negrito.
Os Capítulos, os Títulos, os Livros e as Partes
serão gravados em letras maiúsculas e identifica-
dos por algarismos romanos. As Partes poderão
desdobrar-se em Parte Geral e Parte Especial, ou
em parte expressas em numeral ordinal, por ex-
tenso.
O artigo desdobra-se em parágrafos ou em inci-
sos.
Parágrafos:
O parágrafo constitui a imediata divisão de um
artigo, em que se explica ou modifica a disposi-
ção principal.
Quando um artigo contiver mais de um parágrafo,
estes serão designados pelo símbolo §, seguido
de numeração ordinal até o nono parágrafo, in-
clusive.
107
Exemplo:
―§ 1º , § 2º, …..§ 9º…
A partir do parágrafo de número 10 (inclusive),
usa-se o símbolo §, seguido de numeração cardi-
nal e de ponto.
Exemplo:
―§ 10., § 11.‖ etc.
Se houver apenas um parágrafo deve-se grafá-lo
como ―Parágrafo único‖ e não ―§ único‖, seguido
de ponto e separado do texto normativo por 2
espaços em branco.
Nas referências ―Parágrafo único‖, ―Parágrafo
anterior‖, ―Parágrafo seguinte‖ e semelhantes, a
grafia é por extenso. O texto dos parágrafos inici-a-se com maiúscula e encerra-se com ponto,
salvo se for desdobrado em incisos, caso em que
deverá findar por dois-pontos.
Os parágrafos desdobram-se em incisos.
Incisos:
O inciso é utilizado como elemento discriminativo
de artigo, se o assunto nele tratado não puder ser
condensado no próprio artigo ou se mostrar ade-
quado a constituir parágrafo.
O inciso serve para divisão imediata do artigo ou
do parágrafo.
Os incisos dos artigos devem ser designados por
algarismos romanos, seguidos de hífen, o qual é
separado do algarismo e do texto por um espaço
em branco, e iniciados por letra minúscula, salvo
quando se tratar de nome próprio.
Ao final os incisos são pontuados com ponto-e-
vírgula exceto o último, que se encerra em ponto,
e aquele que contiver desdobramento em alíneas,
encerra-se por dois-pontos.
Os incisos desdobram-se em alíneas.
As alíneas (ou letras) são os desdobramentos dos
incisos e deverão ser grafadas com a letra minús-
cula seguindo o alfabeto e acompanhada de pa-
rêntese, separado do texto por um espaço em
branco.
Exemplo: ―a), b)‖ etc.
Quando houver necessidade de desdobramento
de alíneas em itens, estes deverão ser grafados
em algarismos arábicos, seguidos de ponto e
separados do texto por um espaço em branco.
O texto dos itens inicia-se por letra minúscula,
salvo quando se tratar de nome próprio, e termina
em ponto-e-vírgula, dois pontos, quando se des-
dobrar em itens, salvo o último, que se encerra
por ponto.
Exemplo:
a) Representação do Ministério do……. tem a
seguinte estrutura:
1. serviço de Planejamento e Desenvolvimento de
Programas Educacionais;
2. serviço de Análise, Registro e Apoio Técnico;
3. serviço de Administração.
b) etc.
As alíneas se desdobram em itens.
O texto do item inicia-se com letra minúscula,
salvo quando se tratar de nome próprio, e termina
com ponto-e-vírgula ou ponto, caso seja o último
e anteceda artigo ou parágrafo.
Nas seqüências de incisos, alíneas ou itens, o
penúltimo elemento será pontuado com ponto e
vírgula, seguido da conjunção ―e‖, quando de
caráter cumulativo, ou da conjunção ―ou‖, se a
seqüência for disjuntiva.
Utiliza-se um espaço simples entre capítulos,
seções, artigos, parágrafos, incisos, alíneas e
itens.
Quaisquer referências a números e percentuais
feitas no texto, devem ser grafadas por extenso
(trinta, quinze, zero, vírgula zero, vinte e dois por
cento), exceto data, número de ato normativo e
em casos em que houver prejuízo para a com-
preensão do texto.
Encaminhamento:
Os atos que forem encaminhados para publica-
ção no Diário Oficial da União – DOU deverão
obedecer aos critérios estabelecidos pela Impren-
sa Nacional – IN, por meio da Portaria nº 310, de
16 de dezembro de 2002, ou pela legislação que
a suceder.
Os projetos de atos normativos de competência
dos órgãos do Poder Executivo Federal devem
obedecer aos critérios estabelecidos pelo Decreto
nº 4.176, de 28 de março de 2002 ou pela legisla-
ção que o suceder.
Aspectos gerais da Redação Oficial
108
Veja a seguir as principais características da Re-
dação Oficial:
Características:
1 – Impessoalidade
2 – Linguagem culta padrão
3 – Clareza
4 – Concisão
5 – Formalidade
6 – Uniformidade
Linguagem
Os atos e comunicações têm um caráter
público: estabelecem normas: informação clara e
objetiva
Evitar uso de linguagem restrita/técnica
(gírias e jargões): a comunicação pública deve
ser entendida por todos os cidadãos
>> Se muito necessário, a linguagem técnica
pode até ser usada, mas com cuidado e com os
devidos esclarecimentos dos termos específicos.
Usar o padrão culto: de acordo com as
regras gramaticais e com vocabulário comum a
todos.
>> Não há um padrão oficial de linguagem, há
padrão culto da língua
Formalidade
Ser formal significa obedecer a certas
regras de forma: impessoalidade, padrão culto,
formalidade de tratamento
Formalidade requer:
......................- Polidez e civilidade: enfoque dado
ao assunto
......................- Uniformidade, padronização (cla-
reza datilográfica, papeis uniformes e diagrama-
ção correta)
Concisão
A concisão é uma qualidade do texto
Envolve o conceito de economia lingüísti-
ca: menos palavras para mais informações
Clareza
A clareza é uma qualidade básica: possi-
bilitar a compreensão imediata
Depende da impessoalidade, do padrão
culto, da formalidade, da padronização e da con-
cisão.
Adequação do Formato de Texto ao Gênero
1.1 A adequação é a propriedade da textualidade
que dá conta da relação do texto e do seu contex-
to e de como o texto, como unidade comunicativa,
se interpreta em relação a uma série de elemen-
tos extralinguísticos como sejam os interlocuto-
res, a relação entre ambos, o espaço e o tempo
da enunciação, a intenção comunicativa, o mundo
compartilhado, o papel e o lugar social.
Estas variáveis são relevantes porque a sua cor-
reta consideração implica decisões linguísticas no
campo da coesão. De especial importância é o
que diz respeito aos saberes compartilhados en-
tre emissor e receptor.
1.2 A coerência exige que se abordem os enunci-
ados como discursos. Cada enunciado é produzi-
do com a intenção de comunicar alguma coisa a
alguém. Este acordo tácito é consubstancial à
atividade verbal e pressupõe um saber mutua-
mente partilhado. Cada um — (receptor e produ-
tor da mensagem) postula e se conforma a estas
regras que não são obrigatórias e inconscientes
(como as da sintaxe e as da morfologia) mas
convenções tácitas.
Estas ―leis do discurso‖, que regem a comunica-
ção verbal e que se lhe aplicam, devem adaptar-
se às especificidades de cada gênero discursivo
(por exemplo, falar em tom professoral pode a-
meaçar a face positiva do interlocutor) e de cada
protótipo textual (um texto argumentativo opinati-
vo mobiliza mais inferências que um texto narrati-
vo).
O fato de todo o enunciado ser modalizado pelo
enunciador mostra que o discurso só pode repre-
sentar o mundo se o enunciador, diretamente ou
não, marcar a sua presença através do que ele
diz.
Tendo em conta todos estes fatores enunciados,
a coerência sustenta-se nas seguintes proprie-
dades:
- tema do texto (de que é que o texto fala)
- informação (qual a informação selecionada)
- organização da informação (qual o protótipo
textual e qual o gênero discursivo)
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- progressão temática (relação entre a informação
conhecida e a informação nova)
- modalização implementada (que marcas modais
indicadoras de atitudes, de sentimentos, de pon-
tos de vista).
1.3. A coesão é a propriedade da textualidade
que dá conta dos mecanismos linguísticos e gra-
maticais que se articulam, que se retomam e se
relacionam entre si estrategicamente dentro do
texto.
Sendo a coesão uma espécie de sintaxe textual,
há que conectá-la com as propriedades da coe-
rência (o sentido global que se transmite) e da
adequação (condicionamento das peculiaridades
linguísticas de acordo com o contexto). Convém,
no entanto, recordar que cada protótipo textual
tem as suas próprias exigências quanto aos mo-
dos de manutenção do referente, de explicitação
da conexão, de atualização e relação das formas
verbais dentro do texto.
Sendo que cada uma destas características se
atualizam e realizam de modo diferencial, de a-
cordo com o tipo de texto (o protótipo narrativo
diferencia-se do argumentativo pelos elementos
linguísticos e gramaticais à superfície dos textos),
o gênero discursivo (dentro do tipo argumentativo
os gêneros discursivos ―artigo de opinião‖ e ―pu-
blicidade‖ realizam-se de modo diferenciado), a
forma do texto (oral ou escrito).
A coesão textual rege-sepelos seguintes meca-
nismos: a dêixis: a anáfora (lexical e gramatical):
a elipse; a conexão; a modalização (incluindo o
relato de discurso): a relação dos tempos verbais.
ANOTAÇÕES
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