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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ TITULAR DA VARA DO TRABALHO DE CARUARU Processo nº 000020-20.2020.5.06.0311 171 LTDA (qualificação e endereço completo), nos autos da RECLAMAÇÃO TRABALHISTA em epígrafe, movida por Afonso Pena, vem, por seu advogado infra- firmado, conforme instrumento de mandato em anexo, que receberá intimações no “(endereço)” com fundamento no art. 847 da CLT, apresentar sua CONTESTAÇÃO E RECONVENÇÃO Pelos motivos de fatos e de direito adiante descritos: 1 PRELIMINARES/PREJUDICIAIS 1.1 DA INÉPCIA Com as mudanças estabelecidas pelo novo Código de Processo Civil, deu- se redação ao artigo 337, prevendo nele, hipóteses que devem ser alegadas antes de se passar ao estudo do mérito. Por isso, passou-se a chamar tais matérias de defesa de “preliminares”. Se aceita qualquer uma das preliminares constantes no referido dispositivo, o processo deverá ser extinto sem a resolução do mérito. De conformidade com o artigo 337, inciso IV do Código de Processo Civil, é hipótese de preliminar a inépcia da inicial, devendo ser alegada antes de discutir o mérito, conforme assim prevê: Artigo 301: Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: [...] IV – inépcia da petição inicial. A consequência natural da inépcia da inicial é o indeferimento da petição inicial, segundo o artigo 330, inciso I, do Código de Processo Civil, assim redigido: Art. 330. A petição inicial será indeferida quando: I – quando for inepta; [...]. Estabelecidas as bases teóricas, é preciso que se discuta a preliminar presente da inicial. Dos fatos narrados na petição inicial, cabe salientar que o requerente deixou de juntar aos autos o fato de que possuía um débito de R$ 1.500,00 decorrente de adiantamento salarial que iniciaria o pagamento no mês da demissão, além de multas de trânsito no valor de R$ 1.800,00, decorrente do uso de motocicleta da empresa para prestação dos serviços, as quais foram recebidas após sua demissão. Portanto, de acordo com o que fora narrado, não se discorre qualquer conclusão lógica da culpa do Requerido, hipótese elencada no artigo 330, § 1º, III do Código de Processo Civil, da mesma forma que a Inicial carece de fundamentação jurídica e plausível, caracterizando notável falta de documentos idôneos e essências para comprovar que os prejuízos do Requerente são reais. Art. 330. A petição inicial será indeferida quando: § 1º Considera-se inepta a petição inicial quando: I – Ihe faltar pedido ou causa de pedir; [...] III – da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão. Por fim, é manifesta a inépcia da petição inicial do Requerente, devendo ser julgado extinto o processo sem resolução de mérito, nos termos do artigo 330, I, c/c 330, § 1º, I e III, c/c 337, IV, ambos do CPC e acima devidamente mencionados. 1.2 PREJUDICIAIS DE MÉRITO: PRESCRIÇÃO QUINQUENAL Conforme consta dos autos, o Reclamante foi admitido para laborar junto a Ré em 15/02/2010, exercendo a função de vendedor até a data de sua demissão, que se deu no dia 15/02/2020. A Constituição Federal, em seu art. 7º, XXIX, prevê a prescrição nas relações trabalhistas, tanto no que se relaciona ao prazo para a ação, bem como para a cobrança dos créditos trabalhistas, nesses termos: São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: Ação, quanto aos créditos resultantes das relações, comprazo prescricional de cinco anos para trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho. Deste modo, não há de se incorporar no pleito a análise das verbas trabalhistas que excedem o período de 05 anos contato da data do ajuizamento da ação, em conformidade com a Súmula 308, do Tribunal Superior do Trabalho. 2 RESUMO DOS FATOS O Reclamante trabalhou na empresa reclamada no período de 15/02/2010 a 15/02/2020, exercendo a função de vendedor. Recebia o valor de R$ 1.045,00 com acréscimo de comissão no total de 10% sobre as vendas. Alegou que cumpria jornada de 12h diárias, com intervalo intrajornada de 30minutos, de segunda a sexta, sem nunca ter recebido o respectivo adicional de horas extras Com base nisso, ajuizou ação trabalhista pleiteando: a) requerendo o pagamento das horas extras + 50%, pelo labor extraordinário diariamente e o pagamento de 1h extra diária = 50%, pela supressão dos intervalos intrajornadas, tudo com os respectivos reflexos das horas extras; b) Que recebia salário mínimo, de R$ 1.045,00 (mil e quarenta e cinco reais), acrescido de comissões de 10%, mas tratava-se de valor inferior ao valor recebido por outro funcionário contratado pela filial, localizada na cidade do Recife – PE, que era de R$ 1.800,00, acrescido de comissões de 10%, requerendo, portanto a Equiparação salarial e o pagamento da diferença respectiva. 3 DO MÉRITO 3.1 DAS HORAS INTERVALARES E SEUS REFLEXOS Alega o Reclamante que desde o início do contrato dispunha de apenas 30 minutos para refeição de descanso, pleiteando o recebimento de uma hora extra diária com acréscimo de 50% sobre o valor da hora normal trabalhada, com fundamento no art. 71, da CLT. Não assiste razão ao Reclamante, porquanto o art. 71, §3º, da CLT, assegura a possibilidade da redução do período destinado ao repouso e refeição, nestes termos: O limite mínimo de uma hora para repouso ou refeição poderá ser reduzido por ato do Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, quando ouvido o Serviço de Alimentação de Previdência Social, se verificar que o estabelecimento atende integralmente às exigências concernentes à organização dos refeitórios, e quando os respectivos empregados não estiverem sob regime de trabalho prorrogado a horas suplementares. Ademais, o TST, em análise a Recurso de Revista, já se posicionou no sentido de se possível a redução do intervalo intrajornada, sem violar o art. 7º, XXII e XXVI, da CF, com fundamento na Portaria TEM 1.095/2010. (TST – RR: 1224005220135210001) Adicionalmente, com a atual redação do art. 71, §4º, da CLT, alterada pela Lei nº 13.467/2017, a não concessão parcial do intervalo intrajornada concederia o acréscimo, fosse o caso, sobre o tempo estritamente laborado, diferente do que estabelecia a legislação anterior, na qual o Reclamante embasou seu pedido. Em virtude do exposto, não merece prosperar o alegado pelo Reclamante, não sendo devidas, por conseguinte, as horas extras diárias com o acréscimo de 50% sobre o valor da hora normal de trabalho, nem os seus reflexos nas demais verbas. 3.2 DA EQUIPARAÇÃO SALÁRIAL Alega o Reclamante que recebia salário mínimo, de R$ 1.045,00 (mil e quarenta e cinco reais), acrescido de comissões de 10%, mas tratava-se de valor inferior ao valor recebido por outro funcionário contratado pela filial, localizada na cidade do Recife – PE, que era de R$ 1.800,00, acrescido de comissões de 10%, requerendo, portanto a Equiparação salarial e o pagamento da diferença respectiva. Reportou que realizava atividades externas além de sua função. Não obstante oque alega e se propõe a provar, razão ao Reclamante sequer existir, em conformidade com o que se demonstra em sequência. A CLT, em seu parágrafo único do art. 456: “ A falta de prova ou inexistindo cláusula expressa e tal respeito, entender-se-á que o empregado se obrigou a todo e qualquer serviço compatível com a sua condição pessoal.” Além do mais ela demonstra em seu art 461 a seguridade da equiparação salarial, mas traça alguns requisitos, que atuam de forma cumulativa, cuja ausência de algum deles impede o precitado direito, em consonância com a Súmula nº 6, do TST. Em consequência disso, requer a improcedência do pedido de equiparação salarial, porquanto inexistente na situação em apreço os diversos requisitos exigidos pela lei e pela jurisprudência pátria. 3.3 RECONVENÇÃO Conforme está disposto no art 343 do CPC,pode o Réu na contestação propor Reconvenção, o que faz pelas razões de fato e de direito a seguir: O Reclamante no momento de sua dispensa possuía um débito de R$ 1.500,00 decorrente de adiantamento salarial que iniciaria o pagamento no mês da demissão, além de multas de trânsito no valor de R$ 1.800,00, decorrente do uso de motocicleta da empresa para prestação dos serviços, as quais foram recebidas após sua demissão. Conforme provas documentadas nos autos. Diante do exposto, requer o recebimento desta Reconvenção, para fins de condenar o Reclamante os valores que possuí em débito com o Reclamado. Requer também a condenação de honorários advocatícios na reconvenção, conforme o art. 791-A e §5º, da CLT. 4 PEDIDOS Em sede de contestação, requer: De acordo com os fatos e fundamento acima apresentados, em sede de Contestação, requer ao MM. o acolhimento de preliminar de inépcia que tange as pretensões em relação aos débitos que possuía na empresa. Por fim, no mérito, requer que as pretensões apresentadas na Reclamatória trabalhista sejam julgadas totalmente improcedentes e o Reclamante seja condenado a pagar as custas processuais e demais cominações legais conferidas à presente causa. Requer também a impugnação de: A) Horas intervalares e seus reflexos; B) Equiparação salarial; C) Verbas já prescritas, consoante a prescrição quinquenal no tópico 2º Em sede de Reconvenção, requer: A) O recebimento das razões de reconvenção para o seu devido processamento, de acordo com o art. 343 do CPC; B) Seja intimado o Reclamante para apresentar resposta, nos termos do art. 343, §1º, do CPC C) Total procedência na Reconvenção para o fim de condenar o Reclamante aos valores que possuí em débito com o Reclamado. D) Requer também a condenação do reconvinte ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios nos termos do art. 791-a da CLT. 5 DAS PROVAS Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial o depoimento pessoal da Reclamante, que fica desde já requerido, sob pena de confissão, bem como pela juntada de documentos, oitiva de testemunhas, perícias e o que mais for necessário à elucidação dos fatos. Dar-se à causa, na reconvenção, o valor de XXXXX Nestes termos, pede deferimento. Local e data Advogado.