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EXCELENTISSÍMO DOUTOR JUIZ PRESIDENTE DA 18ª VARA DO TRABALHO DE SÃO PAULO/SP. Processo n. XXXXXXX-XX.XXXX.X.XX.XXXX AÇOS TRICOLOR LTDA, já qualificada nos autos em epígrafe, por sua procuradora ao final assinada, conforme instrumento de mandato já acostados aos autos, vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência apresentar sua CONTESTAÇÃO à reclamação trabalhista proposta por LUCAS MOURA, igualmente qualificado pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos. DA SÍNTESE DOS FATOS NARRADOS NA EXORDIAL O Reclamante alega ter sido contratado pela Reclamada em data de 25/06/2010, sem registro em CTPS, vindo a ocorrer o devido registro somente após 90 dias, para exercer a função de torneiro mecânico, sendo dispensado sem justa causa em 01/09/2023, percebendo como último salário a quantia de R$ 1.200,00 e que lhe era pago a título de “suplementação” a quantia de “R$ 900,00”, totalizando-se R$ 2.130,00. Afirma que laborava de segunda-feira à sexta-feira das 07:30 às 18:00 horas, com 30 minutos de intervalo para refeição e descanso e aos sábados das 08:00 às 14:00 horas, sem intervalo. Aduz que trabalhava em condições insalubres devido ao barulho excessivo das ferramentas utilizadas pelo Reclamante para trabalhar, ser vítima de assédio sexual pela Reclamada. Requer, em suma, o pagamento das verbas rescisórias devidas, FGTS mais multa de 40%, insalubridade, danos morais pelo assédio sexual, horas extras, indenização pelo intervalo intrajornada não usufruído, mutla do art. 477 da CLT, entrega das guias do seguro desemprego, além de outros pedidos, atribuindo à causa o valor de R$ 393.853,46. PRELIMINARMENTE EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA RELATIVA A competência da justiça do Trabalho é determinada pelo local onde o empregado, reclamante ou reclamado, prestar serviços ao empregador, ainda que contratado em outro local, nos termos do art. 651 da CLT. Como a competência territorial é relativa, ela deve ser oposta, com suspensão do feito, nos termos do art. 799 da CLT, para que não ocorra a perpetuatio jurisdictionis, seguindo o rito do art. 800 do mesmo dispositivo. Como o Reclamante prestava serviços na sede da reclamada, situada à Av. Pastor Alemão, n. 900, Santo Amaro, São Paulo/SP, CEP: 00558-563, uma das Varas do Trabalho da Zona Sul de São Paulo é quem detém a competência para o julgamento da presente ação. Requer, portanto, o recebimento desta exceção de incompetência, com suspensão do feito, com a remessa dos autos à Vara do Trabalho da Zona Sul de São Paulo, juízo competente para julgar a presente demanda. INDICAÇÃO DE VALORES Enfatiza-se, outrossim, restam impugnados os valores apresentados pelo reclamante, eis que não condizem com a realidade dos fatos, requerendo-se que qualquer valor porventura deferido ao Reclamante deverá ser apurado em regular liquidação de sentença, sendo certo, de todo modo, que os valores, frações e percentuais apontados pelo Reclamante serão o limite máximo de toda e qualquer apuração, como decorrência do disposto os arts. 141, 322, § 1º e 492 do CPC. DA INEPCIA DA INICIAL – PEDIDO GENÉRICO – DANOS MORAIS EM VIRTUDE DO ASSÉDIO SEXUAL Pleiteia o reclamante a indenização de danos morais, alegando ter sido vítima de assédio sexual no ambiente de trabalho, mas sequer mencionou ou especificou quem era o assediador, não detalhou como se caracterizava esse crime, apenas fez pedido genérico. Sendo assim, a petição inicial deve ser indeferida quanto a estes pedidos, nos termos do art. do art. 330, I e § 1o, I do Código de Processo Civil, com a consequente extinção dos mesmos pedidos sem julgamento de mérito, nos termos do art. 485, I do mesmo diploma legal. DO MÉRITO Caso superadas as preliminares arguidas, o que ora se admite apenas por apego ao debate, no mérito, a Reclamada impugna as alegações tecidas na exordial, uma vez que não condizem com a realidade, conforme restará demonstrado na presente peça contestatória. No mais, mister frisar que cabe o Reclamante comprovar toda e qualquer alegação, de forma firme e robusta, nos termos dos artigos 818 da CLT e 373, inciso I do CPC, restando, no mais, invocado o artigo 5º, inciso II da CF. Porém, por cautela, tecerá considerações de direito acerca dos pedidos formulados. PREJUDICIAL DE MÉRITO – PRESCRIÇÃO QUINQUENAL Segundo a Constituição da República, em seu art. 7º, XXIX é assegurado à ação quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho. Em virtude do princípio da eventualidade e da impugnação específica, requer a prescrição quinquenal dos pedidos anteriores a 11/09/2018, com fundamento no dispositivo acima, com a extinção do processo com resolução do mérito sobre esses pedidos, nos termos do inc. II, do art. 487 do CPC. DA JORNADA DE TRABALHO O Reclamante afirma em sua exordial que laborava de segunda-feira à sexta-feira, das 07:30 às 18:00 hs, com 30 minutos de intervalo intrajornada, e aos sábados das 08:00 às 14:00, sem intervalo intrajornada. É possível extrair do contrato de trabalho e entre os demais documentos admissionais firmados entre empresa e trabalhador que a jornada de trabalho seria regida em consonância com a interpretação dada pela Carta Magna, em seu artigo 7º, XIII, que autoriza que o limite máximo de uma duração de 8 horas diárias e 44 horas semanais, sendo sua escala de 6x1, das 08:00 às 17:00 horas, com 01 hora de intervalo intrajornada, de segunda-feira à sexta-feira e das 08:00 às 12:00 horas, aos sábados, conforme se constata pelos cartões de ponto anexos, contendo variações diárias e ressalta-se que a jornada era anotada/lançada pelo próprio Reclamante. Nesta toada, e nos termos dos arts. 818 da CLT e 373, I, do CPC, compete ao autor o encargo probatório de suas alegações, sendo certo afirmar que o autor apenas limitou-se a apontar uma jornada totalmente alheia à realidade, o que por si só, já leva à improcedência do pleito. Ante o exposto, o pedido de pagamento das horas extras merece ser julgado integralmente improcedente, bem como, as integrações e reflexos nos consectários de direito, posto que, em não havendo a condenação no pagamento do principal, não há que se cogitar no pagamento do acessório. DO SALÁRIO Afirma o autor que recebia R$ 930,00 como “suplementação” o que totalizaria o valor de R$ 1.230,00 do seu salário, seguindo o princípio da primazia da realidade. Entretanto, referido valor era pago a título de bônus ao reclamante, não integrando a remuneração, conforme o § 2°, art. 457 da CLT. DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE O Reclamante alega em sua exordial que era exposto ao barulho excessivo produzido pelas ferramentas que utilizava para desempenhar suas atividades de torneiro mecânico, fazendo jus ao recebimento de adicional de insalubridade, contudo, tais alegações não condizem com a realidade, vivenciada no desempenho de suas atividades. Insta salientar que, as ferramentas utilizadas para executar as atividades supramencionadas não produziam barulho elevado e, ainda assim, era obrigatório o uso de EPI’s como óculos de proteção, luvas, capacete e protetores auriculares, entregues ao reclamante todos os meses, conforme recibos anexos. Desse modo, o pleito inicial não merece prosperar, já que a atividade desenvolvida pelo Reclamante durante o contrato de trabalho não havia qualquer condição perigosa que pudesse expor a sua saúde ou colocar a sua vida em risco, de forma intermitente ou continuamente, devendo tal pedido ser julgado improcedente. Por fim, requer seja o Reclamante compelido ao pagamento de eventuais honorários periciais, diante da probabilidade de sua sucumbência, conforme determina o art. 790-B da CLT. DA ANOTAÇÃO DA CTPS E SALÁRIO Não obstante, na inicial, o Reclamante alega que laborava para a Reclamada desde o dia 25/06/2010 sem registro na CTPS, o que não merece prosperar, haja vista o seguinte. É de se aclarar, a princípio, que a alegação supracitada aplica-se na prescrição quinquenal, conforme o art. 7º, XXIX da CF,já aludido preliminarmente. DAS FÉRIAS Necessário destacar que não há que se falar em indenização das férias não gozadas, uma vez que os cartões de ponto juntado nos autos constam que o reclamante sempre gozou de suas férias integralmente anualmente, todas devidamente remuneradas em espécie em conformidade com a preferência do obreiro, recibos assinados anexos, conforme o art. 29 da CLT. DA MULTA DO ART. 477 DA CLT Em contrariedade ao alegado pelo reclamante, a reclamada afirma e comprova ter realizado o pagamento das verbas rescisórias em espécie, novamente preferência do autor, no dia 10/09/2023, dentro do prazo legal, recibo assinado anexo. Diante disso, evidente é a má fé do autor em face da reclamada. DO ÔNUS DA PROVA No caso sub judice, tem aplicação o art. 818 da CLT, que transfere ao reclamante o ônus de comprovar a sua tese: "Art. 818 –A provadas alegações incumbe à parte que as fizer." Portanto, a Reclamada requer sejam indeferidos os pedidos formulados pela parte contrária que não forem provados de forma inequívoca. DO VALOR DA CAUSA Ficam expressamente impugnados os valores apresentados na vestibular, posto que não corresponda à realidade dos autos. Ademais, deverão ser extintos sem resolução de mérito, todos os pedidos que não estejam com valores individualizados, certos e determinados, conforme preceitua o §3º do art. 840, da CLT. DO PEDIDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA E HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA O Reclamante não comprova que atualmente encontra-se em situação de pobreza, devendo, para todo caso, ser observada a disposição da nova redação do art. 789-B, § 4º da CLT, sopesando-se, ainda, que não há nos autos credencial sindical. Assim, requer sejam indeferidos os pedidos de JG, AJG e julgado improcedente o pedido de condenação de honorários advocatícios de AJ, condenando-se o reclamante ao pagamento das custas processuais. Todavia, uma vez sucumbente o reclamante (ainda que parcialmente), merecem ser arbitrados honorários de sucumbência em favor deste patrono, fulcro disposições do art. 791-A da CLT. Impugna-se, por cautela, qualquer alegação contrária. DA IMPUGNAÇÃO DOS PEDIDOS Impugna-se TODOS os pedidos constantes na exordial, eis que manifestamente improcedentes, não merecendo guarida, conforme restou demonstrado na presente peça contestatória. DOS REQUERIMENTOS Diante do exposto, requer se digne Vossa Excelência o recebimento da presente contestação, bem como a sua apreciação para acolher a preliminar arguida, bem como julgar IMPROCEDENTE a presente demanda, com extinção do feito com resolução do mérito, condenando o Reclamante ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios. Protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial depoimento pessoal do Reclamante, sob pena de confissão, juntada de documentos, inquirição de testemunhas. Requer, caso Vossa Excelência entenda pela procedência parcial ou total, o que se admite apenas por argumentar, seja aplicado os preceitos do artigo 767 da CLT e Súmula 48 do TST, no tocante a dedução/compensação de valores já alcançados pelo Reclamante; Seja corrigido o valor da causa e dos pedidos apontados em preliminar supra, de maneira que na remota eventualidade de sucumbência da reclamada, sejam as verbas respectivas calculadas com base no real proveito econômico pretendido pela parte autora e não nos absurdos valores atribuídos genérica e aleatoriamente aos pedidos; Impugna-se o pedido de Assistência Judiciária Gratuita, eis que o Reclamante não cumpre com os requisitos legais para tal concessão e a prescrição quinquenal dos pedidos anteriores a 11/09/2019 com fundamento no art. 7º, inc. XXIV, CF, com a resolução de mérito. Termos em que, Pede deferimento. São Paulo, 18 de setembro de 2023. NOME DO ADVOGADO OAB/UF XXXXXXX Página 5 de 5