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Química Volume 7 Livro do Professor ©Editora Positivo Ltda., 2015 Dados Internacionais para Catalogação na Publicação (CIP) (Maria Teresa A. Gonzati / CRB 9-1584 / Curitiba, PR, Brasil) B333 Batista, Fábio Roberto. Química : ensino médio / Fábio Roberto Batista ; ilustrações Divo, Jack Art. – Curitiba : Positivo, 2016. v. 7 : il. Sistema Positivo de Ensino ISBN 978-85-467-0376-0 (Livro do aluno) ISBN 978-85-467-0377-7 (Livro do professor) 1. Química. 2. Ensino médio – Currículos. I. Divo. II. Art, Jack. III. Título. CDD 373.33 Presidente: Ruben Formighieri Diretor-Geral: Emerson Walter dos Santos Diretor Editorial: Joseph Razouk Junior Gerente Editorial: Júlio Röcker Neto Gerente de Arte e Iconografia: Cláudio Espósito Godoy Autoria: Fábio Roberto Batista Supervisão Editorial: Jeferson Freitas Edição de Conteúdo: Milena dos Passos Lima e (Coord.) Gabriela Ido Sabino Edição de Texto: Juliana Milani Revisão: Chisato Watanabe, Fernanda Marques Rodrigues e Mariana Bordignon Supervisão de Arte: Elvira Fogaça Cilka Edição de Arte: Angela Giseli de Souza Projeto Gráfico: YAN Comunicação Ícones: ©Shutterstock/ericlefrancais, ©Shutterstock/Goritza, ©Shutterstock/Lightspring, ©Shutterstock/Chalermpol, ©Shutterstock/Macrovector e ©Shutterstock/Blinka Imagens de Abertura: ©Wikipedia Commons/D-Kuru e ©Shutterstock/Sabphoto Editoração: Studio Layout Ltda. Ilustrações: Divo e Jack Art Pesquisa Iconográfica: Janine Perucci (Supervisão) e Lenon de Oliveira Araujo Engenharia de Produto: Solange Szabelski Druszcz Produção Editora Positivo Ltda. Rua Major Heitor Guimarães, 174 – Seminário 80440-120 – Curitiba – PR Tel.: (0xx41) 3312-3500 Site : www.editorapositivo.com.br Impressão e acabamento Gráfica e Editora Posigraf Ltda. 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Equilíbrio químico .................................... 4 Estado de equilíbrio e a constante de equilíbrio ............................................. 6 Cálculo da constante de equilíbrio .......................................................................................................... 9 Deslocamento de equilíbrio ........................................................................... 15 Alteração na temperatura ...................................................................................................................... 16 Alteração na pressão .............................................................................................................................. 18 Alteração na concentração ..................................................................................................................... 18 Ação do catalisador ................................................................................................................................ 19 Equilíbrio iônico ........................................ 29 Equilíbrio iônico e o caráter ácido-base .......................................................... 30 Equilíbrio iônico da água ........................................................................................................................ 34 Equilíbrio iônico de ácidos e bases fracos ............................................................................................... 37 Hidrólise salina .............................................................................................. 44 Sistema-tampão .................................................................................................................................... 47 Produto de solubilidade ................................................................................. 52 Solubilidade e Kps ................................................................................................................................... 53 13 14 Sumário O projeto gráfico atende aos objetivos da coleção de diversas formas. As ilustrações, os diagramas e as figuras contribuem para a construção correta dos conceitos e estimulam um envolvimento ativo com temas de estudo. Sendo assim, fique atento aos seguintes ícones: Fora de escala numéricaFormas em proporçãoColoração artificial Imagem ampliadaImagem microscópicaColoração semelhante ao natural Representação artísticaEscala numéricaFora de proporção Acesse o livro digital e conheça os objetos digitais e slides deste volume. Equilíbrio químico Ponto de partida 13 A descoberta de um processo industrial que converte o nitrogênio atmosférico em compostos nitrogenados como a amônia possibilitou que a Alemanha reduzisse o custo na fabricação de explosivos e, consequentemente, pro- longasse a Primeira Guerra Mundial. 1. Em 1908, o químico alemão Fritz Haber publicou o primeiro trabalho sugerindo a possibilidade técnica da síntese da amônia a partir do nitrogênio e do hidrogênio atmosféricos. Escreva a reação de síntese da amônia proposta por Haber. 2. Ao mesmo tempo que os períodos de guerra trouxeram uma enorme destruição ao mundo, a humanidade pre- senciou a maior revolução científica e tecnológica vista até então. Pesquise alguns acontecimentos científicos importantes na área da Química que ocorreram no período de 1914 a 1945. 1 ©Shutterstock/Everett Historical 4 O cientista Fritz Haber (1868-1934), nascido em Breslau, na então Prússia per- tencente à Alemanha, hoje Wroclaw, Polônia, desenvolveu um processo industrial chamado Fixação do Nitrogênio, que produzia compostos nitrogenados a partir do nitrogênio do ar. Tal descoberta não só permitiu que a Alemanha reduzisse considera- velmente o custo na fabricação de explosivos, e assim prolongasse a Primeira Guerra Mundial, como também possibilitou a produção de alimentos para bilhões de pessoas graças ao desenvolvimento de fertilizantes com menor custo. identificar o estado de equilíbrio pela análise de gráficos; compreender o significado da constante de equilíbrio e determinar os seus valores, com base em dados de concentração e vice-versa; identificar os principais fatores que podem alterar um sistema químico em equilíbrio, assim como prever o sentido do seu deslocamento, aplicando o Princípio de Le Chatelier. e de gráficos; equilíbrio e determinar os seus valores, com base em Objetivos da unidade: Carl Bosch foi presidente do complexo químico alem ão IG Farben, antes e durante o regime nazista. Nes se complexo, muitos judeus trabalharam como escravos e servira m de cobaias para experimentos químicos. Em 193 1, Bosch rece- beu o mesmo Prêmio Nobel de Química adquirido p or Haber em 1918. Esse prêmio foi dividido com Fri edrich Bergius. A possibilidade teórica prevista por Haber transformou-se em uma realidade prática com o trabalho de Carl Bosch (1874-1940), engenheiro metalúrgico da empresa Basf, que comprou a patente de Haber. Bosch aperfeiçoou o processo de Haber, aumentando a pressão do sistema, e, com isso, obteve altos rendimentos, permitindo que o processo se tornasse economicamente rentável. patente: (termo jurídico) título que assegura ao autor de uma invenção sua propriedade e uso exclusivos. La tin st oc k/ SP L Fritz Haber La tin st oc k/ A kg -I m ag es Carl Bosch Em 1918, Fritz Haber foi homenageado com o Prêmio Nobel de Química pela produção sintética de amônia a partir do nitrogênio e hidrogênio gasosos. Em razão da guerra, ele só recebeu o prêmio em 1920. Porém, tal acontecimento gerou indignação na comunidade científica, pois muitos o considera-vam um criminoso de guerra. Inclusive, vários ganhadores daquele ano se recusaram a participar da cerimônia de entrega do prêmio em sinal de protesto pela escolha de Haber. O processo desenvolvido por Haber-Bosch na síntese da amônia, mesmo com muitos efeitos negativos, é conside- rado por muitoscientistas a maior invenção do século XX e só foi possível em razão do grande empenho desses quí- micos na busca da compreensão sobre a reação química de síntese da amônia a partir do nitrogênio e do hidrogênio atmosféricos e dos fatores que pudessem melhorar o rendimento do processo. Até hoje, praticamente toda a produção mundial da amônia é proveniente dessa síntese, que em escala industrial ocorre pela manutenção de um sistema em equilíbrio entre gases: N2(g) + 3 H2(g) 2 NH3(g). 5 [...] Pode-se argumentar que a Primeira Guerra Mundial tornou-se possível devido à descoberta de Fritz Haber de um processo para fabricar amônia a baixo custo, matéria-prima com que eram feitos igualmente os fertilizantes sintéticos e os explosivos. Os fertilizantes tornaram a agricultura mais produtiva e com utilização de mão de obra menos intensiva, permitindo aos governos recrutar e manter exércitos cada vez maiores, como jamais ocorrera antes. Os explosivos baratos tornaram possíveis os grandes bombardeios de artilharia na frente ocidental. O impacto da ciência de Haber não passou despercebido pelos governos, que logo desenvolveram programas de pesquisa em química, rádio, aeronáutica, medicina (na Inglaterra, o Medical Research Council foi criado durante a Primeira Guerra Mundial) e, no devido tempo, em energia nuclear. Inicialmente, esses eram projetos, na maioria das vezes, militares. Entretanto, conforme o século avançava e os programas go- vernamentais de pesquisa se expandiam, cada vez mais projetos passavam para o setor civil. Após a Segunda Guerra Mundial, as nações vitoriosas deram início a vastos projetos governamentais de energia nuclear para uso pacífico. Essa seria também a era da “corrida espacial” entre os Estados Unidos e a União Soviética (mais tarde compartilhada em menor escala por outras nações). A tecnologia de foguetes tivera origem militar e a corrida para chegar à Lua e conquistar também “na frente” o espaço foi, pelo menos em parte, por motivos relacionados com a defesa, porém muitos dos programas espaciais americanos e russos estavam (e ainda estão) voltados para pesquisas científicas inteiramente pacíficas. A primeira metade do século presenciou uma enorme expansão nos campos da física e da química. A segunda metade viu a medicina e a biologia começar a alcançá-las. Historicamente, a pesquisa médica, dife- rentemente de outras ciências, era um trabalho para profissionais, mas, tal como ocorreu com outros setores científicos, recebeu pouquíssimos recursos até a segunda metade do século XIX, com o progresso ocorrendo de forma lenta e ocasional. No século XX, o grau de desenvolvimento cresceu bastante, e a “grande ciência” finalmente estendeu-se às ciências da vida, na década de 1930, quando uma equipe foi reunida na University of Oxford, sob a liderança do professor Howard Florey, a fim de encontrar um modo de tornar a recém-des- coberta penicilina um produto utilizável. Após a Segunda Guerra Mundial, a formação de grandes grupos de pesquisa tornou-se cada vez mais comum na biologia, como acontecia na física e na química. LEE, Rupert. Eureka!: 100 grandes descobertas científicas do século XX. Tradução de Gildarte Giambastiani da Silva. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. • Grife no texto o trecho que destaca como o processo de fabricação da amônia interferiu nos campos de batalha durante a Primeira Guerra Mundial. ConexõesConexões Estado de equilíbrio e a constante de equilíbrio No equilíbrio formado entre gases para a produção da amônia, há uma coexistência dinâmica entre os reagentes e o produto. Trata-se de uma reação reversível, em que os reagentes e o produto são consumidos e formados ao mesmo tempo, ou seja, a reação ocorre nos dois sentidos simultaneamente. Ao representar as reações reversíveis, reagente(s) e produto(s) são separados por uma dupla seta ( ). Quando o(s) reagente(s) dá(ão) origem ao(s) produto(s), tem-se a reação direta. Quando o(s) produto(s) reage(m) entre si, regenerando o(s) reagente(s), a reação é dita inversa. 1 2 reação direta (v ) reação inversa (v ) Reagente(s) Produto(s) De maneira geral, todas as reações são reversíveis. Porém, existem reações em que o sentido inverso ocorre em uma proporção tão baixa que são considera- das irreversíveis. 6 Volume 7 No início de um processo reversível, a reação ocorre no sentido de consumo do(s) reagente(s) e da formação do(s) produto(s). Nesse momento, a velocidade da reação dire- ta (v1) é máxima, pois a concentração do(s) reagente(s) é alta, e a velocidade da reação inversa (v2) é nula, pois ainda não foi(ram) formado(s) o(s) produto(s). À medida que há o processamento da reação e as moléculas do(s) produto(s) são formadas, a reação no sentido inverso começa a ocor- rer, diminuindo a velocidade da reação direta e aumentan- do a velocidade da reação inversa. Como as reações direta e inversa ocorrem simultaneamente, a diminuição de v1 e o aumento de v2 fazem com que em determinado instante as velocidades se igualem. Ou seja, a reação atinge o estado de equilíbrio, em que a temperatura é mantida rigorosamente constante. Em nível microscópico, ao se atingir o equilíbrio quí- mico, a reação continua a ocorrer nos dois sentidos, po- rém com a mesma velocidade. Dessa forma, diz-se que o equilíbrio é dinâmico e que as concentrações do(s) reagente(s) e do(s) produto(s) permanecem constantes no decorrer do tempo. Graficamente, tem-se a impressão de que a reação cessou em virtude de as concentrações do(s) reagente(s) e do(s) produto(s) permanecerem inalteradas. No entanto, as reações continuam ocorrendo; tão logo o(s) produto(s) seja(m) formado(s), começa(m) a reagir, produzindo nova- mente o(s) reagente(s). Uma reação química atinge o estado de equilíbrio químico no momento em que as velocidades das reações direta e inversa se igualam e as concentrações dos reagentes e dos produtos permanecem constantes, sob a mesma temperatura. Em resumo, uma das situações características do equilíbrio químico é o fato de manter constantes, com o passar do tempo, as concentrações do(s) reagente(s) e do(s) produto(s). Isto é, à medida que as moléculas do(s) reagente(s) são con- sumidas, são também regeneradas na mesma proporção. Com essa característica pode-se definir a expressão matemática denominada quociente de reação (Q), que relaciona as concentrações em mol/L do(s) reagente(s) e do(s) produto(s) no equilíbrio. 1 2 reação direta (v ) reação inversa (v ) x Reagente(s) y Produto(s) = y x [Produto(s)] Quociente de reação (Q) [Reagente(s)] Experimentalmente, comprovou-se que, quando uma reação atinge o equilíbrio, o quociente de reação (Q) apre- senta valor constante. Essa constante é denominada constante de equilíbrio (K). No equilíbrio: = = y x [Produto(s)] quociente de reação (Q) constante de equilíbrio (K) [Reagente(s)] A reação atinge um estado no qual as propriedades do sistema se estabilizam, como se não houvesse mais reação. V el o ci d ad e d a re aç ão tempo v direta Equilíbrio v = v direta inversa v inversa O equilíbrio é atingido no momento em que a velocidade da reação direta se iguala à velocidade da reação inversa. C o n ce n tr aç ão tempo Equilíbrio [Reagente(s)] [Produto(s)] Ao atingir o equilíbrio químico, as concentrações do(s) reagente(s) e do(s) produto(s) permanecem inalteradas. Daqui por diante, como os sistemas apresentados estarão em equilíbrio, a expres- são matemática será representada pela constante de equilíbrio (K). O quociente de reação e a constante de equilíbrio. 2 Química 7 A constante de equilíbrio expressa a relação entre as concentrações de produto(s) e de reagente(s) quando se atinge o equilíbrio químico, por isso seu valor informa a extensão com que ocorre uma reação química em dada tem- peratura, isto é, se o equilíbrio tende ao sentido direto ou inverso da reação. Assim, quanto maior o valor da constante, maior o rendimento dareação na formação do(s) produto(s), favorecendo o sentido da reação direta. E, quanto menor o valor da constante, maior o rendimento da reação na formação do(s) reagente(s), ou seja, favorece o sentido da reação inversa. O fato de o quociente da reação (Q) permanecer constante no equilíbrio, em razão da igualdade das velocidades das reações direta e inversa, permite que seja possível deduzir cineticamente a expressão matemática da constante de equilíbrio (K). 1 2 reação direta (v ) reação inversa (v ) x Reagente(s) y Produto(s) Considerando que as reações direta e inversa são elementares, aplica-se a Lei da Velocidade de Guldberg-Waage • para a reação direta: v1 = k1 ⋅ [Reagente(s)] x • para a reação inversa: v2 = k2 ⋅ [Produto(s)] y No equilíbrio: 1 2 x y 1 2 y 1 x 2 1 2 v v k . [Reagente(s)] k . [Produto(s)] k [Produto(s)] k [Reagente(s)] k Sendo K, então : k = = = = Pela expressão matemática da constante de equilíbrio obtida por meios termodinâmicos ou cinéticos, conclui-se que: • a(s) concentração(ões) do(s) produto(s) aparece(m) no numerador; • a(s) concentração(ões) do(s) reagente(s) aparece(m) no denominador; • cada concentração é elevada ao coeficiente estequiométrico da equação balanceada; • o valor da constante depende somente da temperatura. De acordo com a reação a que se referir, a constante receberá nomes específicos, porém sua representação mate- mática será sempre a mesma. Kc – constante de equilíbrio em termos da concentração Kp – constante de equilíbrio em termos da pressão parcial Ka – constante de ionização de ácidos Kb – constante de ionização de bases Kw – constante de autoionização da água Kps – constante do produto de solubilidade y c x [Produto(s)] K [Reagente(s)] = As constantes de ionização de ácidos e de bases podem ser representadas por Ki. Alterações na temperatura do sistema acarretam modificações no valor da constante de equilíbrio. Uma reação é dita elementar quando ocorre em u ma única eta- pa. A Lei da Velocidade para esse tipo de reação considera o(s) expoente(s) com o(s) mesmo(s) valor(es) do(s) coeficiente(s) do(s) reagente(s) da equação balanceada. É importante frisar que a constante cinética (k) é escrita com letra minúscula, e a constante de equilíbrio (K), em maiúscula. No decorrer deste volume, serão tratados os casos particulares das constantes de equilíbrio. Nesta unidade, são abordadas somente as constantes de equilíbrio em termos da concentração (Kc) e da pressão parcial (Kp). 8 Volume 7 Considere como exemplo a síntese de Haber-Bosch: N H NH v k N H e v k NH g g g2 2 2 1 3 1 1 2 2 3 2 2 3 2 2( ) ( ) ( ) [ ] [ ] [ ] + = ⋅ ⋅ = ⋅ 3 no equilíbrio ⇒ v1 = v2 então: k N H k NH k k NH N H K NH Nc 1 2 2 3 2 3 2 1 2 3 2 2 2 3 3 2 2 ⋅ ⋅ = ⋅ = ⋅ = ⋅ [ ] [ ] [ ] [ ] [ ] [ ] [ ] [ ] [[ ]H2 3 Substâncias puras líquidas e sólidas apresentam concentrações constantes e, por isso, não são representadas na Lei da Velocidade; por essa razão, não participam da expressão matemática da constante de equilíbrio Kc. Somente as substâncias que podem apresentar variações nas concentrações em quantidade de matéria, como as substâncias em solução aquosa ou no estado gasoso, é que são representadas na expressão da constante. Veja alguns exemplos: 2 NO2(g) 2 NO(g) + O2(g) K NO O NOc = ⋅[ ] [ ] [ ] 2 2 2 2 2 AgNO3(aq) + Zn(s) Zn(NO3)2(aq) + 2 Ag(s) K = [Zn(NO ) ] [AgNOc 3 2 3 ] 2 C(s) + O2(g) CO2(g) K CO Oc [ ] [ ] 2 2 Quando todos os participantes de um equilíbrio são substâncias no estado gasoso, é possível representar a cons- tante, em termos de pressões parciais, para cada componente. Observe os seguintes equilíbrios: 2 NO2(g) 2 NO(g) + O2(g) Kp NO O NO = ⋅( ) ( ) ( ) p p p 2 2 2 2 N2(g) + 3 H2(g) 2 NH3(g) Kp NH N H = ⋅ ( ) ( ) ( ) p p p 3 2 2 2 3 Com auxílio da Equação de Clapeyron e mediante deduções matemáticas, as constantes de equilíbrio Kc e Kp po- dem ser relacionadas pela expressão: K K p c (R T)= ⋅ Δn Em que: R = constante geral dos gases Para pressão em mmHg, R = 62,364 mmHg L mol–1 K–1 Para pressão em atm, R = 0,0821 atm L mol–1 K–1 T = temperatura absoluta Δn = variação da quantidade de matéria dos produtos e reagentes* *referente aos coeficientes estequiométricos presentes na equação Cálculo da constante de equilíbrio O valor da constante de equilíbrio é calculado pela expressão matemática que relaciona as concentrações do(s) reagente(s) e do(s) produto(s) no equilíbrio químico. Para exemplo do cálculo do valor da constante Kc, considere o equilíbrio estabelecido entre as substâncias gasosas: SO3, SO2 e O2. Química 9 Em determinadas condições de temperatura e pressão, encontram-se em equilíbrio: 3 mol L–1 de SO2(g), 2 mol L –1 de O2(g) e 2 mol L –1 de SO3(g), segundo a equação: 2 SO3(g) 2 SO2(g) + O2(g). Determine o valor da constante de equilíbrio em termos de concentração para essa reação. Resolução: Como as concentrações em mol/L estão no equilíbrio, o valor da constante Kc é diretamente calculado pela relação entre as concentrações dos produtos e do reagente. = = = 2 2 2 2 c c c2 2 3 (no equilíbrio) [SO ] . [O ] (3) .(2) K K K 4,5 [SO ] (2) Para o cálculo do valor da constante Kp, considere o seguinte equilíbrio: H2(g) + l2(g) 2 Hl(g). A certa temperatura, verifica-se que as pressões parciais do equilíbrio químico estabelecido entre os gases H2, I2 e HI são: pH2= 0,5 atm, pI2 = 0,4 atm e pHI = 0,6 atm. Tendo essas informações, determine o valor da constante de equilíbrio em termos de pressões parciais. Resolução: Como os valores das pressões parciais estão no equilíbrio, o valor da constante Kp é diretamente calculado pela relação entre as pressões do produto e do(s) reagente(s). = = = 2 2 HI p p p H I2 2 (no equilíbrio) (p ) (0,6) K K K 1,8 (p ). (p ) (0,5). (0,4) Quando as quantidades do(s) reagente(s) e do(s) produto(s) não correspondem aos valores em equilíbrio, é neces- sário organizar as informações de cada participante em cada etapa do processo. Isso pode ser feito com auxílio de uma tabela. Reagente(s) � Produto(s) Quantidade no INÍCIO Quantidade que REAGE/Quantidade que se FORMA (de acordo com a proporção estequiométrica entre os participantes da reação) Quantidade no EQUILÍBRIO Para encontrar as quantidades no equilíbrio, é importante considerar que somente uma parte inicial do(s) reagente(s) se transforma em produto(s). A diferença entre essa quantidade inicial e a quantidade que efetivamente reagiu corresponde ao valor no equilíbrio. Considere o seguinte exemplo para essa situação: A necessidade de se obter energia limpa está cada vez mais evidente. Uma fonte energética bem-aceita e utilizada atualmente é a célula combustível do gás hidrogênio. Um dos processos de fabricação de H2(g) consiste em mistu- rar monóxido de carbono e vapor-d’água com catalisador adequado. A reação é representada segundo a equação: CO(g) + H2O(g) CO2(g) + H2(g). 10 Volume 7 Em um recipiente de 2 L foram colocados 6 mols de CO(g) e 6 mols de H2O(g). Após aquecimento até 430 ºC, verifi- cou-se a presença de 2 mol/L de combustível. Calcule a constante de equilíbrio Kc para essa temperatura. Resolução: Para calcular a constante de equilíbrio em termos de concentração, é necessário determinar os valores das concentrações dos reagentes e dos produtos no estado de equilíbrio. Entre os dados fornecidos, somente a concentração do H2(g) está no equilíbrio. As quantidades iniciais dos reagentes devem ser convertidas em mol/L. Cálculo da concentração inicial de cada reagente: 6 mols de reagente — 2 L x — 1 L x = 3 mols de reagente ∴ 3 mol/L para cada reagente Portanto, CO(g) H2O(g) � CO2(g) H2(g) Início 3 mol/L 3 mol/L Reage/forma Equilíbrio 2 mol/L Se no equilíbrio há 2 mol/L de H2 e inicialmente não existe nenhum produto, pode-se dizer que esse valor corres- ponde também à quantidade formada. CO(g) H2O(g)� CO2(g) H2(g) Início 3 mol/L 3 mol/L 0 0 Reage/forma 2 mol/L Equilíbrio 2 mol/L Com a quantidade formada de um dos produtos, pode-se determinar a quantidade formada do outro produto, assim como os valores das concentrações de cada reagente consumido seguindo a relação estequiométrica da equação (1 : 1 : 1 : 1). CO(g) H2O(g) � CO2(g) H2(g) Início 3 mol/L 3 mol/L 0 0 Reage/forma 2 mol/L 2 mol/L 2 mol/L 2 mol/L Equilíbrio 2 mol/L A diferença entre as concentrações iniciais e as quantidades que reagem fornece a concentração em equilíbrio para cada reagente, CO e H2O. A concentração do CO2, no equilíbrio, corresponde ao valor da quantidade formada. CO(g) H2O(g) � CO2(g) H2(g) Início 3 mol/L 3 mol/L 0 0 Reage/forma 2 mol/L 2 mol/L 2 mol/L 2 mol/L Equilíbrio 1 mol/L 1 mol/L 2 mol/L 2 mol/L Com as concentrações no estado de equilíbrio, calcula-se a constante Kc pela expressão: ⎡ ⎤ ⎡ ⎤⎣ ⎦ ⎣ ⎦= = = ⎡ ⎤ ⎡ ⎤⎣ ⎦ ⎣ ⎦ 2 2 c c c 2 CO . H (2) . (2) K K K 4 CO . H O (1) . (1) Química 11 Para reforçar o cálculo da constante Kc quando as concentrações não estão no equilíbrio, considere mais um exemplo. As plantas contêm bactérias nas raízes capazes de retirar o nitrogênio do ar e fixá-lo em compostos conhecidos como nitratos, que são absorvidos por elas quando solubilizados em água. Outra forma de se obter nitrato é pela chu- va: os raios das tempestades fazem com que os gases nitrogênio e oxigênio reajam, produzindo o óxido de nitrogênio, que, em contato com a água, forma o nitrato. Observe a equação balanceada: N2(g) + O2(g) 2 NO(g) Calcule a quantidade de todos os participantes no equilíbrio sabendo que, a dada temperatura, a constante de equilíbrio é 1 ⋅ 10–6 e inicialmente havia 1 mol de N2 e 1 mol de O2 em um balão volumétrico de 1 L. Resolução: Sendo 1 L a capacidade do balão volumétrico, pode-se afirmar que, no início, há 1 mol/L de cada reagente. N2(g) O2(g) � 2 NO(g) Início 1 mol/L 1 mol/L 0 Reage/forma Equilíbrio Como no enunciado não há informações para determinar as concentrações no equilíbrio, utiliza-se pelo menos uma incógnita para estabelecer a relação entre os reagentes e o produto. N2(g) O2(g) � 2 NO(g) Início 1 mol/L 1 mol/L 0 Reage/forma x x 2 x Equilíbrio Com essas informações, obtêm-se as concentrações no equilíbrio dos reagentes e do produto. Para os reagentes, esse valor corresponde à diferença entre as concentrações iniciais e as quantidades que reagem. Para o produto, é a própria quantidade formada. N2(g) O2(g) � 2 NO(g) Início 1 mol/L 1 mol/L 0 Reage/forma x x 2 x Equilíbrio 1 – x 1 – x 2 x O valor de Kc fornecido permite determinar a incógnita utilizada e calcular as concentrações no equilíbrio. K O K 2x 1 x 1 x 1 c 2 2 2 c 2 = ⎡⎣ ⎤⎦ ⎡⎣ ⎤⎦ ⋅ ⎡⎣ ⎤⎦ = ( ) ( ) ⋅ ( ) = N N O – – –0 6 2x 1 x 1 2x 1 x 2 2 ( ) ( ) = ( ) – – –0 3 2 0 0 2 0 5 0 3 3 3 4 x x x x mol L = − = ≅ ⋅ 1 1 1 1 – – – – / Portanto, [N2] = 1 – x = 1 – 5 10 –4 ≅ 1 mol/L [O2] = 1 – x = 1 – 5 10 –4 ≅ 1 mol/L [NO] = 2 x = 2 5 10–4 = 1 10–3 mol/L Por ser um valor muito pequeno, comparado ao 2x, 10–3x é descon- siderado da equação. É importante destacar que a proporção estequiométrica en- tre os participantes da equação é de 1 : 1 : 2. Os exemplos correspondem a cálculos para a constante de equilíbrio em termos de concentração (Kc). No entanto, são válidos também para determinar o valor das outras constantes de equilíbrio.12 Volume 7 Grau de equilíbrio (α) Na reação química, as substâncias reagem entre si em proporção estequiométrica, definida pelos coeficientes da equação balanceada. Porém, em uma reação reversível, deve-se considerar que apenas certa quantidade efetivamente reage até atingir o equilíbrio químico. Esse valor é indicado pelo grau de equilíbrio (α), calculado pela relação: quantidade dematériaque reagiu quantidade dematéria inicial α = Observe o cálculo de constante que envolve o grau de equilíbrio por meio da questão a seguir. O pentacloreto de fósforo (PCℓ5) é um reagente bastante utilizado em laboratórios de Química Orgânica e pode ser preparado por meio de um processo reversível de cloração do gás tricloreto de fósforo (PCℓ3) em fase gasosa, de acordo com a equação: PCℓ3(g) + Cℓ2(g) PCℓ5(g). Em um recipiente fechado de 1 L foram adicionados 2 mols de PCℓ3 e 2 mols de Cℓ2. Determine a constante de equilíbrio dessa reação sabendo que o grau de equilíbrio é de 75%. Resolução: Com o grau de equilíbrio, calcula-se a quantidade de matéria que efetivamente reagiu. α = = = ∴ quantidade de matéria que reagiu x 0,75 quantidade de matéria inicial 2 x 1,5 mol 1,5 mol/L Ou 2 mols de reagente — 100% x — 75% x = 1,5 mol de reagente ∴ 1,5 mol/L (que reage) Com a quantidade que reage, encontram-se as concentrações no equilíbrio e calcula-se a constante Kc. PCℓ3(g) Cℓ2(g) � PCℓ5(g) Início 2 mol/L 2 mol/L 0 Reage/forma 1,5 mol/L 1,5 mol/L 1,5 mol/L Equilíbrio 0,5 mol/L 0,5 mol/L 1,5 mol/L K PC PC C K 15 5 5 K 6 c 5 3 2 c c = ⎡⎣ ⎤⎦ ⎡⎣ ⎤⎦ ⋅ ⎡⎣ ⎤⎦ = ⋅ = , , ,0 0 ℓ ℓ ℓ Atividades 3 Gabaritos. 1. Em uma reação, o equilíbrio é atingido no momento em que a velocidade da reação direta se iguala à velocidade da reação inversa. Isso ocorre quando as concentrações do(s) reagente(s) e do(s) produto(s), sob temperatura constante, não se alteram. Por meio de representações gráficas, demonstre a situação de equilíbrio. V el o ci d ad e d a re aç ão tempo v direta v = v direta inversa v inversa Equilíbrio Equilíbrio C o n ce n tr aç ão tempo [Reagente(s)] [Produto(s)] Química 13 2. Represente a expressão da constante de equilíbrio em termos de concentração e de pressão parcial para as reações reversíveis: a) 2 H2S(g) + 3 O2(g) 2 H2O(g) + 2 SO2(g) K H O SO H S O Kc H O SO H S O = ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ [ ] [ ] [ ] [ ] ( ) ( ) ( ) ( 2 2 2 2 2 2 2 3 2 2 2 2 2 2 2 p p p p p ))3 b) CaCℓ2(aq) + H2SO4(aq) CaSO4(s) + 2 HCℓ(aq) K = [HC ] [CaC [H SO c 2 2 2 4 ℓ ℓ ⋅ c) CaCO3(s) CaO(s) + CO2(g) K CO Kc CO[ ] ( )2 2p p d) FeO(s) + CO(g) Fe(s) + CO2(g) K CO CO K p c CO CO [ ] [ ] ( ) ( ) 2 2 p p e) Ca(HCO3)2(aq) CaCO3(s) + H2O(ℓ) + CO2(aq) K = [CO ] [Ca(HCO c 2 3 2) ] 3. Com a expressão da constante de equilíbrio represen- tada em cada item, escreva a reação reversível à qual está relacionada. a) K NO O NO c = ⋅[ ] [ ] [ ] 2 2 2 2 [ ]2 2 NO2(g) 2 NO(g) + O2(g) b) = 3 2 5 PC C p PC (p ) . (p ) K (p ) ℓ ℓ ℓ 5 PCℓ5(g) PCℓ3(g) + Cℓ2(g) c) K HI H I p p p p = ⋅ ( ) ( ) ( ) 2 2 2 2 2 H2(g) + I2(g) 2 HI(g) d) K CO CO O c = ⋅ [ ] [ ] [ ] 2 2 2 2 2 2 CO(g) + O2(g) 2 CO2(g) e) Kp CO H O H CO = ⋅ ⋅ ( ) ( ) ( ) ( ) p p p p 2 2 2 2 2 H2(g) + CO2(g) H2O(g) + CO(g) f) K NO N O p p p ( ) ( ) 2 2 4 2 N2O4(g) 2 NO2(g) 4. Os valores da constante de equilíbrio são influenciados diretamente pela temperatura em que ocorre uma rea- ção química. Observe os dados da tabela para a reação hipotética: A + B C + D. Temperatura (ºC) 25 100 300 500 1 000 Constante de equilíbrio (Kc) 10–3 10–2 1,02 1,2 1,8 Com base nessas informações, responda às questões. a) A reação direta é um processo endotérmico ou exo- térmico? Por quê? 14 Volume 7 b) Quais substâncias predominam a 25 ºC? Justifique sua resposta. c) Em qual temperatura as concentrações dos reagentes e dos produtos são praticamente as mesmas? Justifi- que sua resposta. d) Escreva a expressão da constante de equilíbrio em termos de concentração. 5. (UNIRIO – RJ) Um dos graves problemas ambientais que enfrenta a sociedade é, sem dúvida, a poluição causada por poluentes oriundos da queima de com- bustíveis fósseis, originando assim precipitação de chuvas ácidas. Um dos equilíbrios envolvidos na forma- ção deste tipo de poluição pode ser representado pela equação: 2 SO2(g) + O2(g) 2 SO3(g). Considerando, hipoteticamente,uma situação atmosférica onde estão presentes em equilíbrio: 3 mol/L de SO2, 4 mol/L de O2 e 4 mol/L de SO3, o valor da constante de equilíbrio seria: a) 9 4 c) 1 2 e) 1,0 b) 2 3 X d) 4 9 6. (UEG – GO) Quando um sistema atinge o equilíbrio, reagentes e produtos estão presentes no sistema. No entanto, a equação química que representa a reação não informa quanto de cada substância está presente no equilíbrio. Essa informação pode ser obtida através do cálculo da constante de equilíbrio da reação. A reação X + Y W + Z, em equilíbrio, apresenta o seguinte diagrama de concentração para reagentes e produtos numa determinada temperatura: C on ce nt ra çã o 1 3/4 1/4 X + Y W + Z tempo A constante desse equilíbrio, a essa temperatura, é: a) 42 c) 32 X e) 1 32 b) 3 22 d) 3 4 2 2 7. (UEG – GO) Diz-se que uma reação reversível atinge um equilíbrio químico quando as velocidades das reações direta e inversa se igualam. É importante notar que toda reação reversível sempre chega a um equilíbrio, embo- ra isso possa demorar um tempo maior ou menor. De acordo com a teoria de equilíbrio químico, foi elabo- rado o seguinte problema: Em um recipiente de 1 litro são introduzidos 5,0 mol de N2O4, que se transformam em NO2. Uma vez atin- gido o equilíbrio, N2O4(g) 2 NO2(g), resta no sistema 1,3 mol de reagente. Faça o que se pede: a) Dê a expressão da constante de equilíbrio da equa- ção acima. b) Calcule a constante de equilíbrio (Kc) desse experi- mento. Sugestão de atividades: questões de 1 a 11 da seção Hora de estudo. Deslocamento de equilíbrio Quando investigamos a natureza ou as propriedades de um ser por vários métodos de ensaio, quando aplicamos forças ou colocamos algumas causas em ação, observando quais efeitos elas produzem, esse tipo de observação é chamado de experimento. Isaac Watts Qualquer reação reversível tende a um estado de equilíbrio que é atingido quando a velocidade da reação direta se iguala à velocidade da reação inversa. Nesse instante, as concentrações do(s) reagente(s) e do(s) produto(s) permane- cem constantes. Assim, uma vez atingido o equilíbrio, caso não sofra a ação de nenhum agente externo, a tendência é que permaneça indefinidamente nessa situação. Porém, em alguns casos é possível, e até mesmo necessário, perturbar o Química 15 equilíbrio por uma ação externa como a temperatura, a pressão ou a concentração, para que seja possível uma maior produção ou um maior consumo de determinada substância até retornar ou atingir um novo estado de equilíbrio. No ano de 1888, o químico e engenheiro francês Henri Louis Le Chatelier (1850-1936) enunciou o princípio geral que resume a ideia de como cada um dos fatores externos atua em um sistema em equilíbrio. Quando ocorre alguma perturbação externa em um siste- ma em equilíbrio, ele se desloca no sentido de minimizar essa ação para retornar ao estado de equilíbrio anterior ou atingir uma nova situação de equilíbrio. Posteriormente, esse enunciado ficou conhecido como Princípio de Le Chatelier. A síntese da amônia, desenvolvida por Haber du- rante a Primeira Guerra Mundial, é um exemplo de reação em que foi necessário o entendimento teórico da natureza dinâmica do equilíbrio e de ideias bem- -sucedidas de como perturbá-lo. Princípio é um enunciado que expressa uma regularidade da natureza, após muitas observa- ções experimentais. © Sh u tt er st oc k/ N iv el le n 77 A amônia é um dos mais importantes compostos industriais. Além de ser usada como fertilizante, é matéria-prima para a fabricação de vários produtos. Alteração na temperatura Cineticamente, o aumento da temperatura afeta as velocidades das reações direta e inversa, pois provoca uma maior agitação nas moléculas, acelerando a reação em ambos os sentidos. Porém, experimentalmente, verifica-se que qualquer alteração na temperatura em um sistema em equilíbrio modifica as concentrações das substâncias presentes e origina um novo estado de equilíbrio que está associado ao conteúdo energético dessas substâncias. O aumento da temperatura favorece a substância com maior conteúdo de energia; a diminuição da temperatura, ao contrário, favore- ce a substância com menor conteúdo energético. De maneira geral, pode-se dizer que: • o aumento da temperatura desloca o equilíbrio no sentido ENDOtérmico (ΔH > 0). • a diminuição da temperatura desloca o equilíbrio no sentido EXOtérmico (ΔH < 0). Uma das estratégias vislumbradas por Fritz Haber para favorecer a produção da amônia consistiu na alteração da temperatura em que a reação é executada. N2(g) + 3 H2(g) 2 NH 3(g) H = –92,2 kJ Em uma reação reversível, se a reação direta é endotérmica, a reação inversa é exotérmica e vice-versa. G et ty Im ag es /R og er V io lle t/ M ar tin ie Le Chatelier contribuiu significativamente para o desenvolvimento da Termodinâmica. A amônia (NH3) é um gás tóxico de cheiro irritante. Os processos químicos nem sempre resultam em uma produção economicamente satisfatória. Por isso, o en- tendimento sobre como as reações químicas ocorr em é de grande importância para o mercado de trabalho . Pro- fissionais como engenheiros de produção, por exe mplo, assumem o compromisso de garantir a reproduçã o em série de um produto com menos desperdício possív el de matéria-prima e mais rendimento para o processo . 16 Volume 7 De acordo com a equação, a reação descrita irradia energia na forma de calor. Assim, o abaixamento na temperatura do sistema absorveria, genericamente, o calor, possibilitando um aumento no rendimento dessa reação. O decréscimo na temperatura favo- rece, então, o deslocamento do equilíbrio no sentido do NH3(g). Por meio de investigações experimentais, observou-se que, além de deslocar o equilíbrio químico, a variação na temperatura é a única ação externa que pode aumentar ou diminuir o valor da constante de equilíbrio de uma reação. A elevação da temperatura provoca aumento no valor da constante de equi- líbrio para as reações endotérmicas ( H > 0) e diminui esse valor para as reações exotérmicas ( H < 0). Experimento O efeito da temperatura no equilíbrio de ionização da amônia Como o experimento proposto envolve a queima, deve-se tomar cuida- do com a chama, já que podem ocorrer acidentes e há risco de incêndio se houver a manipulação incorreta do fogo. Materiais 1 béquer de 250 mL; 1 tubo de ensaio; bico de Bunsen; 1 conta-gotas; solução alcoólica de fenolftaleína; solu- ção amoniacal para limpeza; recipiente com mistura gelo/água. Como fazer 1. Coloque 200 mL de água no béquer. 2. Adicione 10 gotas da solução amoniacal e algumas gotas da solução alcoólica de fenolftaleína. 3. Observe. 4. Transfira um pouco dessa solução para um tubo de ensaio, ocupando no máximo um terço do volume do tubo. 5. Aqueça, cuidadosamente, o tubo na chama do bico de Bunsen. 6. Observe. 7. Coloque o tubo de ensaio no banho de gelo. 8. Observe. Resultados e conclusão Considerando que o equilíbrio de ionização da amônia pode ser descrito conforme equação NH3(aq) + H2O(ℓ) NH4 + (aq) + OH – (aq) H < 0 cor rosa responda às questões a seguir. a) O que foi observado após o aquecimento do tubo de ensaio? Explique o ocorrido pelo deslocamento do equilíbrio químico. b) O que foi observado após o resfriamento do tubo de ensaio? Explique o ocorrido pelo deslocamento do equilíbrio químico. 4 Gabaritos. O experimento proposto deve ser testado antecipadamente, pois a concentra- ção da amônia nos agentes de limpeza pode variar bastante. Concentrações elevadas, por exemplo, não permitem o deslocamento adequado do equilíbrio para que seja possível a verificação da descoloração do sistema. Descarte O material utilizado poderá ser descartado diretamente na pia, visto que as concentrações são reduzidas. Em Química, esse símbolo é utilizado quando uma ativida- de envolve riscode incêndio. Porém, a temperatura não pode ser muito b aixa, pois o número de colisões efetivas para a obtenç ão da amônia seria pequeno. E também não pode ser m uito alta, pois, de acordo com o Princípio de Le Chate lier, a elevação da temperatura favoreceria a decomposiç ão da amônia. Empiricamente, uma temperatura consid erada ideal está associada a outros fatores que podem tam- bém alterar o equilíbrio químico inicial. Para a sínte se da amônia, determinou-se que a temperatura ideal oscila em torno de 400 ºC a 500 ºC. Química 17 Alteração na pressão No início do século XIX, o químico e físico francês Joseph Louis Gay-Lussac (1778-1850) realizou uma série de experi- mentos medindo o volume de gases envolvidos em reações químicas. Com base em suas observações, estudou as rela- ções entre os volumes das substâncias no estado gasoso e, em sua tese, publicada em 1808, enunciou a Lei de Gay-Lussac. Quando medidos nas mesmas condições de temperatura e pressão, os volumes das substâncias gasosas têm entre si uma proporção fixa expressa por números inteiros e pequenos em uma reação. Na tentativa de explicar os resultados obtidos por Gay-Lussac, Avogadro complementou a lei sugerindo que o volume de um gás é proporcional à quantidade de moléculas. Essa proporcionalidade está relacionada à quantidade de matéria representada pelos coeficientes estequiométricos de uma equação química. De forma simplificada, tem-se que: • o aumento da pressão desloca o equilíbrio no sentido da reação em que há diminuição na quanti- dade de matéria das partículas gasosas presentes no sistema, isto é, no sentido da contração do volume. • a diminuição da pressão desloca o equilíbrio no sentido da reação em que há aumento na quan- tidade de matéria das partículas gasosas presentes no sistema, isto é, no sentido da expansão do volume. A alteração na pressão foi outro fator estratégico utilizado por Haber para garantir a produção da amônia. N2(g) + 3 H2(g) 2 NH 3(g) 4 volumes 2 volumes De acordo com a equação, a quantidade de moléculas gasosas dos reagentes (1 mol de N2 e 3 mols de H2) é maior que a do produto (2 mols de NH3). Uma vez que cada molécula ocupa aproximadamente o mesmo volume, o aumento na pressão do sistema possibilita maior produção de amônia. Em outras palavras, a elevação da pressão favorece o deslocamento do equilíbrio no sentido de menor volume, pois aumenta o número de colisões efetivas entre as moléculas. Em reações reversíveis, nas quais não há variação na quantidade de partículas gasosas, não ocorre o deslocamento do equilíbrio pela alteração na pressão do sistema. Observe o exemplo: N2(g) + O2(g) 2 NO(g) 2 volumes 2 volumes Alteração na concentração Ao considerar a teoria das colisões na Cinética Química, verifica-se que, quanto maior a frequência de choques entre as partículas, maior a probabilidade de colisões efetivas e, consequentemente, mais rápida a reação. Sendo as- sim, um dos fatores que alteram a velocidade de uma reação é o número de partículas das substâncias, normalmente indicado pela concentração da solução. Assim, ao adicionar ou retirar certa quantidade de determinada substância em uma reação química reversível, ou seja, ao aumentar ou diminuir sua concentração em um sistema em equilíbrio, ocorre uma perturbação para minimizar o efeito e restabelecer o equilíbrio. A variação na pressão não provoca alterações perceptíveis de volume em sistemas nos quais estão presentes apenas sólidos e/ou líquidos. O único problema, na época, era o fato de que a pressão não poderia superar as utilizadas em reatores químicos. Substâncias puras líquidas e sólidas apresentam concentração constante e, dessa forma, não alteram o equilíbrio. A variação na pressão influencia de forma significativa apenas equilíbrios químicos que apresentam partículas (moléculas ou átomos) no estado gasoso, sob temperatura constante. 18 Volume 7 aclimatação: ato ou efeito de aclimatar(-se); adaptação, ajustamento, aclimação. Em resumo: • a adição de uma substância ao sistema, isto é, o aumento da sua concentração, desloca o equilíbrio no sentido de consumir parte da quantidade adicionada. • a remoção de uma substância ao sistema, isto é, a diminuição da sua concentração, desloca o equilíbrio no sentido de repor parte da quantidade retirada. Para o processo de Haber-Bosch, o sistema em equilíbrio foi alterado com a retirada de NH3(g). N2(g) + 3 H2(g) 2 NH 3(g) Dessa maneira, a diminuição da concentração do produto desloca o equilíbrio no sentido de repor parte da quan- tidade retirada, formando mais amônia. ConexõesConexões No corpo humano, um exemplo de reação reversível influenciada pela concen- tração é o transporte de oxigênio no sangue pela hemoglobina, representada pela equação: Hemoglobina + O2(g) oxi-hemoglobina O fornecimento contínuo de oxigênio ao organismo é necessário para a manutenção da integridade e função normal das diversas células. Por isso, antes de subir a grandes altitudes, por exemplo, é necessária a correta aclimatação. Para disponibilizar mais oxigênio às células, o próprio corpo estimula uma série de mecanismos, aumentando, por exemplo, a respiração e a pulsação. Aos poucos, o organismo pode se adaptar favorecendo a produção da oxi- -hemoglobina (reação direta) e minimizando a sensação de mal-estar. Porém, quando ocorrem sintomas mais graves, é necessário buscar auxílio médico e iniciar imediatamente a descida para um local com menor altitude possível. Ação do catalisador A rapidez de uma reação pode ser alterada com o uso do catalisador – reagente que fornece um caminho alter- nativo mais simples para que a reação se efetive sem ser modificada, qualitativa ou quantitativamente. Nesse novo mecanismo, a energia de ativação diminui, e a velocidade aumenta. Energia de ativação (Ea) é a mí- nima quantidade de energia ne- cessária para romper as ligações entre os átomos no(s) reagente(s) e formar novas ligações entre os átomos no(s) produto(s). E n er g ia E (direta) a com catalisador E (direta) a sem catalisador Reagente(s) �E a E (inversa) a com catalisador E (inversa) a sem catalisador Caminho da reação Produto(s) �H ccen- a ©S hu tte rst oc k/M ika du n Os alpinistas, quando têm de realizar uma escalada muito alta, normalmente, passam alguns dias se aclimatando no local para diminuir os desconfortos provocados pela falta de oxigênio em grandes altitudes. 5 Interferência da altitude no organismo. Química 19 O aumento na velocidade da reação direta, assim como da inversa, permite concluir que a adição do catalisador não interfere no equilíbrio químico da reação nem no rendimento do processo. O único efeito provocado pelo catalisador é a diminuição do tempo necessário para que seja atingido o equilíbrio. C o n ce n tr aç ão e m q u an ti d ad e d e m at ér ia p o r vo lu m e Produto(s) Reagente(s) 1 C o n ce n tr aç ão e m q u an ti d ad e d e m at ér ia p o r vo lu m e Produto(s) Reagente(s) 2 tempo tempot eq t eq t eq t eq 21 < Reagente(s) Produto(s) (sem catalisador) Reagente(s) Produto(s) (com catalisador) De modo contrário ao catalisador, age o inibidor catalítico, cuja função é diminuir a velocidade de ocorrência de uma reação. Ao interagir com as moléculas dos reagentes, o inibidor fornece um caminho alternativo que exige mais energia para que a reação se efetive, e a presença de um inibidor adequado diminui a velocidade da reação em ambos os sentidos. Organize as ideias De acordo com os fatores externos que podem perturbar o equilíbrio, complete o quadro com o efeito dessa perturbação. Perturbação Efeito sobre o deslocamento no equilíbrio Adição de reagente* No sentido do(s) produto(s) Adição de produto* No sentido do(s) reagente(s) Remoção de reagente* No sentido do(s) reagente(s) Remoção de produto* No sentido do(s) produto(s) Aumento da pressão**No sentido da contração de volume (menor quantidade de matéria) Diminuição da pressão** No sentido da expansão de volume (maior quantidade de matéria) Aumento da temperatura No sentido da reação endotérmica (absorve calor) Diminuição da temperatura No sentido da reação exotérmica (libera calor) Adição de catalisador Não desloca o equilíbrio *Não se aplica quando se adiciona reagente líquido ou sólido. **Para equilíbrios químicos que envolvem gases. 20 Volume 7 Atividades 1. As lâmpadas halógenas, como as dicroicas, apresen- tam o mesmo princípio que as lâmpadas incandescen- tes comuns. Porém, em termos de economia, oferecem mais luz com potência menor ou igual. A luz mais bran- ca, uniforme e brilhante, possibilita realçar as cores e os objetos com maior eficiência energética. © Sh u tt er st oc k/ n sm Essas lâmpadas incandescentes apresentam um fila- mento de tungstênio contido em um bulbo com gás inerte e uma pequena quantidade de halogênio, iodo ou bromo. A presença de um desses elementos diminui a deposição de tungstênio, que se desprende do filamen- to durante a passagem de corrente elétrica, conforme o equilíbrio químico: W(s) + 3 I2(g) WI6(g) ΔH < 0 Com base nessas informações, indique o sentido do deslocamento do equilíbrio quando ocorre o resfria- mento do bulbo. Justifique sua resposta. 2. (IFCE) O monóxido de carbono é formado, quando o dió- xido de carbono reage com o carbono sólido (grafita). CO2(g) + C(grafita) 2 CO(g) H o = 172,5 kJ Que é mais favorável à formação do monóxido de car- bono, a temperatura elevada ou a temperatura mais baixa? Justifique a resposta. 3. (UFRJ) A reação de síntese do metanol a partir de mo- nóxido de carbono e hidrogênio é: CO(g) + 2 H2(g) 1 2 � ⇀�↽ �� CH3OH(g). Admita que a ental- pia-padrão dessa reação seja constante e igual a –90 kJ/mol de metanol formado e que a mistura reacional tenha comportamento de um gás ideal. A partir de um sistema inicialmente em equilíbrio, expli- que como aumentos independentes de temperatura e pressão afetam o equilíbrio dessa reação. ( 4. O ácido sulfúrico é utilizado como matéria-prima na fa- bricação de fertilizantes, detergentes, explosivos, papel, corantes, cosméticos e baterias de automóveis. Tem uso intenso nas indústrias metalúrgicas, petroquímicas e de galvanoplastia. Em virtude dessa intensa aplicabilidade, é considerado o mais importante entre os ácidos. Tem ação altamente desidratante e corrosiva. Sua manipu- lação deve ser sempre cautelosa, pois, uma vez em contato com a pele, pode provocar graves queimaduras. Uma das etapas da fabricação desse ácido consiste na reação do dióxido de enxofre com o oxigênio para for- mar o trióxido de enxofre. Entalpia (H) 2 SO + O2(g) 2(g) 2 SO3(g) Caminho da reação (tempo) Pela análise do diagrama, responda às questões. a) Com o objetivo de favorecer o rendimento da rea- ção, que alteração deve ser realizada com a tempe- ratura do sistema? Justifique sua resposta. Como a variação de entalpia é negativa, a reação é exotér- mica no sentido da reação direta. Portanto, para aumentar a concentração de SO3(g), é necessário diminuir a temperatura do sistema. b) Ao manter a temperatura constante e diminuir a pressão do sistema, para qual sentido o equilíbrio é deslocado? Justifique sua resposta. A diminuição da pressão desloca o equilíbrio no sentido da reação em que ocorre o aumento da quantidade de matéria dos gases, ou seja, para a expansão do volume. Nesse caso, no sentido da reação inversa. 6 Gabaritos. Química 21 5. O principal minério de ferro encontrado no Brasil é a hematita (Fe2O3), considerada de boa qualidade em razão dos baixos índices de fósforo e enxofre. A partir desse minério, é possível obter ferro em fornos siderúrgicos, conforme a equação: Fe2O3(s) + 3 CO(g) 2 Fe(s) + 3 CO2(g) Determine o sentido do deslocamento do equilíbrio quando: a) for adicionado CO(g) ao sistema; b) for retirado CO2(g) do sistema; c) houver aumento na pressão sobre o sistema. Justifique sua resposta. 6. (UFES) Compostos nitrogenados são utilizados em diversos segmentos da sociedade. Na produção agrícola, por exem- plo, NH3, NH4NO3, (NH4)2SO4 e H2NCONH2 são utilizados como adubos. Para suprir a demanda desses compostos, Fritz Haber e Carl Bosh desenvolveram um processo industrial que converte o nitrogênio atmosférico em amônia. Esse processo, conhecido como Haber-Bosh, pode ser representado através da equação química: N2(g) + 3 H2(g) 2 NH3(g) H = –92,4 kJ/mol Dado: Kc = 1,5 10 –5 (500 °C) De acordo com os dados acima, a) escreva a expressão da constante de equilíbrio (Kc) para essa reação e explique o efeito da temperatura sobre o equilíbrio; b) explique por que o processo Haber-Bosh é mais vantajoso, industrialmente, quando são utilizadas pressões elevadas. 7. A flatulência é a saída de gases intestinais produzidos principalmente pela digestão dos alimentos. Entre os vários gases intestinais que podem ser produzidos durante a digestão encontram-se gases sem cheiro, como o dióxido de carbono (CO2), o oxigênio (O2), o nitrogênio (N2) e o metano (CH4). O odor desagradável da flatulência é decorrente das bactérias existentes no intestino, que liberam pequenas quantidades de compostos contendo enxofre, como o gás sulfídrico (H2S), o metanotiol (H3C–S–H), o dimetil sulfeto (H3C–S–CH3) e mercaptanas. O sistema gasoso envolvendo alguns gases intestinais é dado pela seguinte expressão da constante de equilíbrio: Kc CH H S CS H = ⎡⎣ ⎤⎦⋅⎡⎣ ⎤⎦ ⎡⎣ ⎤⎦⋅⎡⎣ ⎤⎦ 4 2 2 2 2 4 De acordo com essa informação, responda às questões. a) Qual é a equação química que representa o sistema em equilíbrio? b) Qual é o efeito do aumento da pressão total sobre esse sistema? 8. (UEPA) O trióxido de enxofre constitui um dos poluentes atmosféricos proveniente da queima de derivados de petróleo, como a gasolina e o óleo diesel, que possuem enxofre como impureza. Sua formação se dá segundo as etapas: Etapa 1: S(s) + O2(g) → SO2(g) H = –296,8 kJ Etapa 2: SO2(g) + 1 2 O2(g) SO3(g) H = –97,8 kJ Com base na análise das etapas 1 e 2, responda ao que se pede: a) Na etapa (1), que efeito provoca na energia de ativação a adição de um catalisador? b) Cite 3 fatores que na etapa (2), alterando o estado de equilíbrio, provocam aumento da concentração de SO3. c) Em qual etapa a reação é mais exotérmica? Sugestão de atividades: questões de 12 a 26 da seção Hora de estudo. 22 Volume 7 Química em foco O período compreendido entre o final do século XIX e o início do século XX foi de intensas transformações na agricultura, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. As diversas descobertas científicas, como o uso de fertili- zantes químicos para aumentar a eficiência na produção de alimentos, aliadas ao grande desenvolvimento tecnológico impuseram um novo padrão de evolução nessa área. Com o conhecimento de que a amônia poderia ser utilizada como matéria-prima básica para a produção de fertilizantes nitrogenados, alguns cientistas começaram a desenvolver processos para a sua obtenção a partir dos gases nitrogênio e hidrogênio: N2(g) + 3 H2(g) 2 NH 3(g) H < 0 A equação anteriormente descrita parecia a maneira óbvia para se conseguir um suprimento estável de nitrogênio fixo – a amônia. Porém, o rendimento da produção do composto, em pressão e temperatura ambientes, era baixo, e a elevação da temperatura não contribuía de forma significativa para aumentar a síntese. Para resolver esse problema, o cientista alemão Fritz Haber utilizou-se de estratégias que envolviam a apreciação da natureza dinâmica do equilíbrio químico e de ideias sobre como perturbar essa condição de equilíbrio. Mais tarde, os problemas técnicos para a produ- ção industrial foram resolvidos por Carl Bosch. Até hoje a indústria química sintetiza a amônia pelo processo conhecido como Haber-Bosch, para aprodução de fertilizantes nitrogenados. NH3 + HNH3 + H2SO4 + CO2 + H3PO4 + H2O Nitrato de amônio – NH4NO3 Sulfato de amônio – (NH4)2SO4 Ureia – (NH2)2CO Fosfatos de amônia – MAP, DAP Hidróxido de amônio – NH4OH Produção de alguns fertilizantes nitrogenados comercializados no Brasil. Com base no conhecimento sobre o assunto, responda às questões: a) Estudos da Cinética comprovam que o aumento na temperatura de um sistema aumenta a rapidez de uma reação, independentemente se é exotérmica ou endotérmica. No entanto, a elevação da temperatura para a síntese da amônia não contribuía de forma significativa para aumentar a sua produção. Por quê? b) Embora a diminuição da temperatura favoreça o rendimento da produção da amônia, é necessário o aquecimento para que ocorra a síntese dessa substância, pois, a baixas temperaturas, a reação se processa lentamente, o que torna sua produção economicamente inviável. Consequentemente, para compensar o fato de o aquecimento di- minuir o rendimento da produção de NH3(g), utiliza-se alta pressão. Explique o que ocorre com o equilíbrio químico quando há um aumento de pressão no sistema. c) Para favorecer o processo de produção da amônia, Haber utilizou estratégias para perturbar o equilíbrio químico. Uma dessas ideias estava relacionada com a própria substância de interesse. Que alteração na amônia foi vislum- brada pelo cientista alemão e como essa mudança influencia, de acordo com o Princípio de Le Chatelier, o processo dinâmico proposto por ele? d) Se a presença do catalisador não altera um sistema em equilíbrio nem o seu rendimento, qual a importância da sua utilização em reações reversíveis? 7 Gabaritos. Química 23 Hora de estudo 1. (UFPE) Quando o equilíbrio químico é alcançado por um sistema: a) as concentrações de todas as espécies reagentes e produtos tornam-se iguais. X b) os produtos reagem com a mesma velocidade na qual são formados. X c) ambas, as reações direta e inversa, continuam após o equilíbrio ser atingido, com a mesma velocidade. X d) as concentrações das espécies nos reagentes e pro- dutos permanecem constantes. e) todas as espécies químicas param de reagir. 2. (UFRN) O equilíbrio químico se caracteriza por ser uma dinâmica em nível microscópico. Para se ter uma infor- mação quantitativa da extensão do equilíbrio químico, usa-se a grandeza constante de equilíbrio. Considere a tirinha a seguir. FELTRE, Ricardo. Fundamentos da Química, volume único. São Paulo: Moderna, 1996. p. 351. [Adaptado] Aplicada ao equilíbrio químico, a ideia que o persona- gem tem sobre equilíbrio a) é correta, pois, no equilíbrio químico, metade das quantidades sempre é de produtos, e a outra meta- de é de reagentes. X b) não é correta, pois, no equilíbrio químico, as con- centrações de produtos e as de reagentes podem ser diferentes, mas são constantes. c) é correta, pois, no equilíbrio químico, as concen- trações de reagentes e as de produtos sempre são iguais, desde que o equilíbrio não seja perturbado por um efeito externo. d) não é correta, pois, no equilíbrio químico, as con- centrações dos produtos sempre são maiores que as dos reagentes, desde que o equilíbrio não seja afetado por um fator externo. 8 Gabaritos. 3. (UFG – GO) Os seguintes gráficos representam variá- veis de uma reação química. Co nc en tr aç ão 0 t1 t2 1 2 tempo Ve lo ci da de 0 t1 t2 3 4 tempo Os gráficos indicam que a) no instante t1, a velocidade da reação direta é igual a da inversa. b) após t2, não ocorre reação. c) no instante t1, a reação atingiu o equilíbrio. X d) a curva 4 corresponde à velocidade da reação inversa. e) no ponto de intersecção das curvas 3 e 4, a concen- tração de produtos é igual à de reagentes. 4. (UEPG – PR) Sobre as características de uma reação que atinge o estado de equilíbrio químico, a uma dada temperatura, assinale o que for correto. (01) A temperatura do sistema em que ocorre a reação permanece igual à do ambiente. X (02) As reações direta e inversa apresentam, no esta- do de equilíbrio, a mesma velocidade. (04) Os participantes da reação em equilíbrio encon- tram-se todos na mesma fase: aquosa, gasosa ou sólida. X (08) No estado de equilíbrio, as concentrações dos participantes da reação não se alteram. X (16) Trata-se de uma reação reversível que ocorre si- multaneamente nos dois sentidos. A resolução das questões desta seção deve ser feita no caderno. 24 Volume 7 5. (UFS – SE) Para a reação química representada por: C6H5COOH 1 2 (C6H5COOH)2 (monômero) (dímero) obteve-se, a dada temperatura, o seguinte diagrama que dá a variação das concentrações (em mol/L) do monômero e do dímero, em função do tempo de reação. Nesse diagrama: ( F ) C4 indica a concentração do dímero no tempo zero. ( V ) A curva Y dá a concentração do dímero em função do tempo. ( F ) Em cada tempo, o decréscimo na concentração do monômero é igual ao acréscimo na concentração do dímero. ( F ) No tempo t3 foi atingido o equilíbrio: monômero 1 2 dímero. ( V ) Em cada instante, até atingir o equilíbrio, a veloci- dade de formação do dímero é a metade da velo- cidade de desaparecimento do monômero. 6. (UEM – PR) Em um recipiente de 500 mL, encontram- -se, em condições de equilíbrio, 10 mol/L de H2(g) e 0,01 mol/L de I2(g). Qual é a concentração do HI(g), sa- bendo-se que, nas condições do experimento, a cons- tante de equilíbrio (Kc) é 10 –3? H2(g) + I2(g) 2 HI(g) a) 50 mol/L b) 100 mol/L c) 0,1 mol/L d) 5 mol/L X e) 0,01 mol/L 7. (UFPE) Quando glicose (açúcar do milho) e frutose (açúcar da fruta) são dissolvidos em água, se estabele- ce o seguinte equilíbrio: frutose glicose Um químico preparou uma solução de frutose 0,244 M a 25 °C. Ao atingir o equilíbrio, a concentração de fru- tose diminuiu para 0,113 M. A constante de equilíbrio para a reação a 25 °C será: a) 2,16 b) 0,113 c) 0,46 d) 46 X e) 1,16 8. (UFERSA – RN) Partindo de PCℓ5(g), com concentração 4,0 mol/L, verifica-se que o processo PCℓ5(g) PCℓ3(g) + + Cℓ2(g) é atingido com um grau de equilíbrio de 20%. Nessas condições, a constante de equilíbrio é igual a X a) 0,2 b) 0,8 c) 1,6 d) 3,2 9. (UESPI) Se 1 mol de H2 e 1 mol de I2 em recipiente de 1 L, atingirem a condição de equilíbrio a 500 °C, a concentração de HI no equilíbrio será: Dado: Kc = 64 a) 1,60 b) 1,80 c) 3,60 d) 2,54 X e) 0,80 10. (UFAC) Considere uma reação em equilíbrio como mos- trada a seguir: 2 H2(g) + O2(g) 2 H2O(g) Se 4 mols de moléculas de O2 são injetados em um equipamento com capacidade volumétrica de 4 litros contendo 5 mols de moléculas de hidrogênio em con- dições experimentais que permitam que apenas 60% das moléculas de O2 reajam, pergunta-se: qual o valor aproximado da constante de equilíbrio (Kc) para a for- mação de água? a) 700 b) 4 000 c) 660 d) 2 000 X e) 1 440 11. (UFPA) A uma certa temperatura, a constante de equilí- brio, Kc, para a reação representada abaixo, é igual a 9,0. NO2(g) + NO(g) N2O(g) + O2(g) Suponha que 0,06 moI de cada um dos reagentes es- tão misturados com 0,10 moI de cada um dos pro- dutos, em um recipiente de 1,0 litro de capacidade. Assim, quando a mistura alcançar o equilíbrio, na tem- peratura do experimento, a massa de N2O, em gramas, obtida será igual a Dados: Massas molares (g/mol): N = 14; O = 16 X a) 5,28 b) 32,4 c) 88,0 d) 126,5 e) 200,8 25Química 12. (UFAC) Considere que a seguinte reação da fotossínte- se esteja em equilíbrio em uma célula vegetal: 6 CO2(g) + 6 H2O(ℓ) C6H12O6(s) + 6 O2(g) A diminuição da concentração de oxigênio nas redon- dezas da célula: X a) desloca o equilíbrio da esquerda para a direita, favo- recendo a ocorrência da fotossíntese. b) aumenta a concentração de gás carbônico nas re- dondezas da célula. c) desloca o equilíbrio da esquerda para a direita,dimi- nuindo a concentração de oxigênio. d) aumenta a concentração de água. e) não afetará o equilíbrio da reação. 13. (IFTO) De acordo com Princípio de Le Chatelier “Quando um sistema em equilíbrio sofre a ação de forças exter- nas, o sistema tende a se deslocar no sentido de mini- mizar a ação da força aplicada, procurando uma nova situação de equilíbrio.” Entre os equilíbrios abaixo, o que não sofre deslocamento por aumento de pressão é: a) SO2Cℓ2(g) SO2(g) + Cℓ2(g) X b) FeO(s) + CO2(g) Fe(s) + CO2(g) c) H2(g) + 1 2 O2(g) H2O(g) d) H2(g) + 3 N2(g) 2 NH3(g) e) 2 SO2(g) + O2(g) 2 SO3(g) 14. (UFV – MG) O metanol usado como combustível pode ser obtido industrialmente pela hidrogenação do monóxido de carbono, de acordo com a equação representada abaixo: CO(g) + 2 H2(g) CH3OH(g) H < 0 Assinale a afirmativa incorreta: a) A diminuição da temperatura favorece a produção do metanol. X b) O aumento da pressão total sobre o sistema favore- ce a produção do monóxido de carbono. c) O aumento da concentração de H2 aumenta a con- centração de metanol no equilíbrio. d) Trata-se de uma reação exotérmica. 15. (UNIMONTES – MG) Quatro substâncias gasosas − HCℓ, I2, HI, Cℓ2 − são misturadas em um balão fecha- do, deixadas em repouso, resultando o equilíbrio da reação à temperatura constante. 2 HCℓ(g) + I2(g) 2 HI(g) + Cℓ2(g) Alterações realizadas nessa mistura podem ter efeitos que resultam em mudanças nesse equilíbrio. Ação e efeito estão corretamente relacionados em: Ação Efeito X a) Adição de HCℓ Aumento da quantidade de HI b) Adição de I2 Redução da quantidade de Cℓ2 c) Remoção de Cℓ2 Não altera o equilíbrio d) Remoção de HI Aumenta o valor de Kc 16. (UFPR) Considere o equilíbrio abaixo, que representa a síntese industrial da amônia. N2(g) + 3 H2(g) catalisador� ⇀����↽ ������ 2 NH3(g) H < 0 Para aumentar o rendimento da reação, basta deslocar o equilíbrio para a direita. Um aluno propôs os seguin- tes procedimentos para que isso ocorra: I. Aumento da temperatura, sob pressão constante. II. Aumento da pressão, sob temperatura constante. III. Adição de mais catalisador ao sistema reacional. IV. Remoção da amônia, à medida que for sendo formada. O deslocamento do equilíbrio para a direita ocorre com os procedimentos descritos: a) somente em I e II; b) somente em I e III; c) somente em I e IV; X d) somente em II e IV; e) somente em III e IV. 17. (UEMG) Halogênios reagem com hidrogênio formando hidretos, em reações reversíveis que atingem o equilí- brio químico em sistema fechado. Abaixo, estão repre- sentadas as equações termoquímicas da formação do hidreto de cloro e do hidreto de iodo. H2(g) + Cℓ2(g) 2 HCℓ(g) H = –185 kJ H2(g) + I2(g) 2 HI(g) H = +52 kJ Considerando essas equações, após atingirem o equi- líbrio químico, é correto afirmar que: a) a variação da temperatura não desloca o equilíbrio químico; X b) a variação da pressão não desloca o equilíbrio químico; c) a variação da concentração dos hidretos não deslo- ca o equilíbrio químico; d) a variação da concentração dos halogênios não des- loca o equilíbrio químico. 26 Volume 7 18. (UFES) A constante de equilíbrio Kc é igual a 10,50 para a seguinte reação, a 227 °C: CO(g) + 2 H2(g) CH3OH(g) O valor de Kc para a reação abaixo, na mesma tempe- ratura, é 2 CO(g) + 4 H2(g) 2 CH3OH(g) a) 3,25 b) 5,25 X c) 10,50 d) 21,00 e) 110,25 19. (UERN) O engenheiro metalúrgico e químico, Henry Louis Chatelier, 1850-1936, foi professor da Escola de Minas de Paris, em 1877. Ao estudar as reações químicas, percebeu que era possível prever a formação de um novo estado de equilíbrio químico a partir das alterações da velocidade da reação direta ou da reação inversa por meio de modificações nas concentrações de reagentes ou de produtos. O resultado desse estudo passou a ser conhecido como Princípio de Le Chatelier. Assim, a partir da análise do sistema em equilíbrio quí- mico representado pela equação química, de acordo com esse Princípio, é correto afirmar: 2 H2S(g) + 3 O2(g) 2 H2O(g) + 2 SO2(g) Hº = –1 037,0 kJ (01) O aquecimento do sistema em equilíbrio químico provoca aumento da velocidade da reação direta. (02) A diminuição da concentração de oxigênio, no sistema, acarreta diminuição da concentração de H2S(g) na reação química representada. X (03) A remoção de H2S(g) do sistema implica diminui- ção da concentração de H2O(g) e de SO2(g). (04) O aumento da pressão total do sistema não causa alteração no estado de equilíbrio. 20. (UESPI) A chuva ácida pode destruir estátuas, prédios ou monumentos da cidade. O principal constituinte dos mármores, utilizados na construção de prédios e mo- numentos, é o calcário (carbonato de cálcio – CaCO3) que reage com os ácidos presentes na chuva ácida. Considerando a reação CaCO3(s) + H2SO4(aq) CaSO4(aq) + H2CO3(aq) em um sistema fechado e o Princípio de Le Chatelier, se for adicionado mais carbonato de cálcio à reação, a constante de equilíbrio X a) não será afetada. b) aumentará, e a reação deslocará para esquerda. c) aumentará, e a reação deslocará para direita. d) diminuirá, e a reação deslocará para esquerda. e) diminuirá, e a reação deslocará para direita. 21. (UFPE) Industrialmente, a síntese da amônia é realizada através da reação: N2(g) + 3 H2(g) 2 NH3(g) Assumindo que esta reação tenha atingido o equilíbrio, podemos dizer que: X (0-0) a adição de mais nitrogênio provocará a formação de mais amônia. X (1-1) a remoção de amônia provocará a formação de mais amônia. (2-2) a adição de um catalisador irá provocar a forma- ção de mais amônia. (3-3) um aumento de temperatura irá favorecer a rea- ção no sentido exotérmico. X (4-4) uma diminuição do volume reacional irá provocar a formação de mais amônia. 22. (UFC – CE) A amônia (NH3), utilizada em refrigeração e em diferentes processos químicos industriais, atual- mente se tornou uma das matérias-primas fundamen- tais. O processo catalítico industrial Haber-Bosch para sua produção é conduzido a 550 ºC e 200 atm. De acor- do com a reação química N2(g) + 3 H2(g) 2 NH3(g), assinale a alternativa correta. a) A taxa de consumo de N2 é desfavorecida em altas pressões. b) A taxa de formação de NH3 é favorecida em baixas pressões. c) A taxa de consumo de H2 é igual à taxa de formação do NH3. d) A taxa de consumo de N2 é três vezes superior à taxa de consumo do H2. X e) A taxa de formação de NH3 é duas vezes superior à taxa de consumo do N2. 27Química 23. (IFSul – RS) No antigo Egito, por aquecimento do es- terco de camelo, era obtido um sal que ficou conhe- cido como sal amoníaco (NH4Cℓ), em homenagem ao deus Amon. Na decomposição desse sal, forma-se a amônia (NH3), que é utilizada como matéria-prima para a fabricação de, entre outras coisas, produtos de limpeza, fertilizantes, explosivos, náilon e espumas para colchões. A síntese da amônia se dá pelo seguin- te processo: N2(g) + 3 H2(g) 2 NH3(g) H = –91,8 kJ Em relação ao equilíbrio acima, é correto afirmar que a) se aumentarmos a pressão sobre o sistema, dimi- nuiremos o rendimento da reação. b) se adicionarmos catalisador, deslocaremos o equilí- brio favorecendo a reação direta. c) ao reagirmos 6 mols de gás hidrogênio, produzire- mos cerca de 34 g de amônia. X d) a formação de NH3 é favorecida pela diminuição da temperatura do sistema. 24. (UFAL) O monóxido de dinitrogênio, ao ser inalado em pequenas doses, produz uma espécie de euforia e por isso é chamado de gás hilariante. Ele pode ser obtido por meio da decomposição do nitrato de amônio, de acordo com a equação química: NH4NO3(s) N2O(g) + 2 H2O(g) ΔH = –36,03 kJ/mol Com relação a essa reação em equilíbrio, para aumen- tar a quantidade de: a) monóxido de dinitrogênio deve-se adicionar água. b) nitrato de amônio deve-se diminuira temperatura. c) água deve-se adicionar monóxido de dinitrogênio. X d) monóxido de dinitrogênio deve-se diminuir a tempe- ratura. e) monóxido de dinitrogênio deve-se adicionar um ca- talisador. 25. (UNIFAL – MG) Assinale a alternativa correta. a) A presença do catalisador aumenta a velocidade da reação, pois aumenta a sua entalpia. b) Após atingir o equilíbrio, as velocidades das reações direta e inversa são iguais a zero. c) Na reação 2 A(g) B(g) + C(g), um aumento na pres- são desloca o equilíbrio para a esquerda. d) Na decomposição do tetróxido de nitrogênio em dió- xido de nitrogênio, há o consumo de 28,3 kJ mol–1. Nessas condições, pode-se afirmar que a reação é exotérmica. X e) A reação C(s) + O2(g) CO2(g) é um exemplo de reação de formação. 26. (UDESC) O processo industrial de produção de amônia (NH3) envolve o seguinte equilíbrio químico: N2(g) + 3 H2(g) 2 NH3(g). O gráfico abaixo mostra, aproximadamente, as porcentagens de amônia em equilíbrio com os gases nitrogênio e hidrogênio na mis- tura da reação. Pe rc en ta ge m d e am on ía co De acordo com o gráfico e as informações acima, ana- lise as proposições: I. A formação da amônia é favorecida em condições de alta pressão e baixa temperatura. II. A reação de formação da amônia é um processo endotérmico. III. Em um recipiente fechado, à pressão constante, o aumento da temperatura favorece a decomposição da amônia. IV. Um aumento na concentração de gás nitrogênio causará um deslocamento do equilíbrio químico no sentido dos reagentes. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras. b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. c) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras. d) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras. X e) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. 28 Volume 7 Equilíbrio iônico Ponto de partida 14 Inúmeros processos químicos que ocorrem ao nosso redor dependem da análise do caráter ácido-base, como o preparo do solo para o plantio. A coloração das hortênsias, por exemplo, varia conforme a acidez do solo: a cor azul predomina em valores de pH menores que 5,5, e a cor rosa, em pH maior que 6,5. 1. Qual é o caráter do solo (ácido, básico ou neutro) quando a cor azul predomina nas hortênsias? 2. Ao adquirir uma muda de hortênsia, após um tempo, há mudança na coloração de suas flores. Por que isso pode ocorrer? 3. Além de influenciar na coloração das hortênsias, a acidez do solo também está relacionada com a sua produtivi dade. Para neutralizar o pH do solo, é costume dos agricultores queimar a terra após grande exploração. Por que esse procedimento pode corrigir o excesso de acidez? 1 © Sh u tt er st o ck /O rh an C am 29 determinar os valores de pH e pOH, com base nas concentrações dos íons correspondentes, clas- sificando os sistemas em ácido, básico ou neutro; escrever as equações de ionização dos ácidos e de dissociação das bases e representar as ex- pressões da constante de equilíbrio Ka e Kb, associando os valores à força dos ácidos e das bases, respectivamente; analisar os principais casos envolvendo hidrólise salina; interpretar o Princípio de Le Chatelier para equilíbrios iônicos e heterogêneos; compreender o conceito de produto de solubilidade. e nas concentrações dos íons correspondentes, clas- eutro; Objetivos da unidade: A acidez dos solos brasileiros é reconhecidamente um dos principais fatores para a sua baixa produtividade, sendo necessária a sua correção para aumentar o pH. A faixa ideal de pH nos solos brasileiros é de 5,8 a 6,2, ou seja, ligeira- mente ácido. Equilíbrio iônico e o caráter ácido-base O potencial hidrogeniônico, representado pelo símbolo pH, é uma importante grandeza química que serve, por exemplo, para avaliar as condições de um solo – ácido, neutro ou alcalino. A disponibilidade de nutrientes essenciais para o desenvolvimento de uma plantação, inclusive, tem influência direta sobre esse potencial. Em geral sob temperatura ambiente, a escala de pH varia de 0 (soluções muito ácidas) a 14 (soluções muito bási- cas), sendo neutra a solução com pH igual a 7. 1,0 2,0 2,4 2,5 2,9 3,5 4,5 5,0 5,5 < 5,6 6,5 7,0 6,5 – 7,47,3 – 7,5 8,0 9,0 – 10 11,5 12,5 13,5 Ác id o cl or íd ric o 0 Ác id o de b at er ia Su co g ás tri co Su co d e lim ão Re fri ge ra nt e de c ol a Vi na gr e Su co d e la ra nj a Ce rv ej a Ca fé Ch á Ch uv a ác id a Le ite Ág ua p ur a Sa liv a hu m an a Sa ng ue Ág ua d o m ar Sa bo ne te Am ôn ia Cl or o Hi dr óx id o de s ód io Em Funções Inorgânicas, estudou-se que: Ácidos são substâncias que, quando dissolvidas em água, aumentam a concentração de íons H+. Bases são substâncias que, quando dissolvidas em água, aumentam a concentração de íons OH–. É possível dizer que o aumento na concentração de íons H+ identifica substâncias ou soluções ácidas, assim como o aumento na concentração de íons OH– indica substâncias ou soluções básicas. O “p” vem do alemão potenz, que significa poder de concentração, o “H” é a indicação para o íon hidrogênio (H+), assim como o “OH” se refere ao íon OH–. Embora difíceis de serem medidas experimentalmente, há soluções com pH abaixo de 0 (ou seja, pH negativo) e, também, soluções com pH acima de 14. Alguns valores comuns de pH 30 Volume 7 Com o intuito de quantificar os valores das concentra- ções dos íons H+ e OH– para soluções diluídas, em geral de 10–1 mol/L a 10–14 mol/L, o bioquímico dinamarquês Sören Peter Lauritz Sörensen (1868-1939), no ano de 1909, propôs o uso da função logarítmica para expressar a con- centração e facilitar a indicação numérica da acidez e da alcalinidade das soluções. Matematicamente, esses potenciais são definidos da seguinte forma: Durante sua pesquisa, Sörensen visava me- lhorar os métodos de controle de qualidade em indústrias de fermentação, uma vez que a concentração de íons hidrogênio tem papel fundamental nas reações enzimáticas. La tin st oc k/ SP L Sören Sörensen ficou famoso por suas pesquisas sobre as proteínas. ConexõesConexões Para relembrar, de forma geral, a função logarítmica, seguem algumas informações matemáticas. O logaritmo x, de um número N, é o expoente a que se deve elevar um número a para que a igualdade ax = N seja verificada. ax = N ⇔ loga N = x (com N > 0, a > 0 e a ≠ 1) Em que: N = antilogaritmo ou logaritmando a = base x = logaritmo Dessa forma, para M > 0, N > 0, a > 0 e a ≠ 1, são válidas as propriedades: • Logaritmo do produto loga (M ⋅ N) = loga M + loga N • Logaritmo do quociente loga M N ⎛ ⎝⎜ ⎞ ⎠⎟ = loga M – loga N • Logaritmo da potência loga M n = n ⋅ loga M No caso da Química, a base é decimal (a = 10). Recordar que log 1 = 0. Os valores das concentrações dos íons H+ e OH– e, consequentemente, o pH e o pOH da solução, podem ser uti- lizados para classificar um meio em ácido, neutro ou básico. No entanto, para facilitar a classificação utiliza-se como referência a escala dos valores correspondentes ao pH. Observe os exemplos a seguir: a) [H+] = 1 10–5 mol/L pH = –log [H+] pH = –log 10–5 pH = –(–5) log 10 1 pH = 5 Quando [H+] = 1 10–x, em que x é um número inteiro de 0 a 14, o valor do pH é simplesmente x. A relação pH = x ∴ [H+] = 10–x mol/L também é válida. Simplificadamente, [H+] = 10–5 mol/L pH = 5 ∴ meio ácido pH + pOH = 14 pOH = 14 – 5 pOH = 9 Os alunos já estudaram esse tema em Matemática. Porém, para os conceitos químicos, será utilizado somente o logaritmo decimal (base 10). pH = –log [H+] pOH = –log [OH –] Química 31 b) [OH–] = 1 10–13 mol/L pOH = –log [OH–] pOH = –log 10–13 pOH = –(–13) log 10 1 pOH = 13 Quando [OH–] = 1 10–y, em que y é um número inteiro de 0 a 14, o valor do pOH é simplesmente y. A relação pOH = y ∴ [H+] = 10–y mol/L também é válida. c) [H+] = 5 10–4 mol/L;sendo log 5 = 0,7 pH = –log [H+] pH = –(log 5 10–4) pH = –(log 5 + log 10–4) pH = –(0,7 – 4) pH = 3,3 ∴ meio ácido pH + pOH = 14 pOH = 14 – 3,3 pOH = 10,7 d) [OH–] = 0,00002 mol/L; sendo log 2 = 0,3 [OH–] = 2 10–5 mol/L pOH = –log [OH–] pOH = –(log 2 10–5) pOH = –(log 2 + log 10–5) pOH = –(0,30 – 5) pOH = 4,7 pH + pOH = 14 pH = 14 – 4,7 pH = 9,3 ∴ meio básico e) [H3PO4] = 3 10 –3 mol/L; sendo log 3 = 0,47 H3PO4 → 3 H + + PO4 3– 3 10–3 mol/L 3 3 10–3 mol/L 3 10–3 mol/L [H+] = 9 10–3 = 32 10–3 mol/L pH = –log [H+] pH = –(log 32 10–3) pH = –(2 log 3 + log 10–3) pH = –(2 0,47 – 3) pH = 2,06 ∴ meio ácido pH + pOH = 14 pOH = 14 – 2,06 pOH = 11,94 Nos laboratórios, a determinação do pH pode ser feita com o auxílio de substâncias conhecidas como indicadores ácido-base. Os indicadores mais comuns são os colorimétricos – substâncias que têm a capacidade de mudar de cor dependendo das propriedades do meio. Simplificadamente, [OH–] = 10–13 mol/L pOH = 13 pH + pOH = 14 pH = 14 – 13 pH = 1 ∴ meio ácido 32 Volume 7 A tabela a seguir indica a tendência na variação da cor da solução, adquirida pela ação de alguns indicadores sin- téticos utilizados comumente. Indicador Cor abaixo da faixa de viragem Faixa de viragem (pH) Cor acima da faixa de viragem Azul de timol (1ª. transição) vermelho 1,2-2,8 amarelo Vermelho do congo azul 3,0-5,2 vermelho Alaranjado de metila vermelho 3,1-4,4 amarelo Verde de bromocresol amarelo 3,8-5,4 azul Vermelho de metila vermelho 4,4-6,2 amarelo Tornassol vermelho 5,0-8,0 azul Púrpura de bromocresol amarelo 5,2-6,8 vermelho Azul de bromotimol amarelo 6,0-7,6 azul Vermelho de fenol amarelo 6,4-8,2 vermelho Vermelho de cresol amarelo 7,0-8,8 vermelho Azul de timol (2ª. transição) amarelo 8,0-9,6 azul Fenolftaleína incolor 8,2-9,8 vermelho-violáceo Timolftaleína incolor 9,3-10,5 azul Amarelo de alizarina amarelo-claro 10,0-12,1 pardo Azul de épsilon alaranjado 11,6-13,0 violeta *faixa de viragem: faixa de pH em que o indicador muda de cor. Por meio do conhecimento da faixa de viragem do pH, é possível determinar se uma solução tem caráter ácido ou básico, isso porque, ao analisar o valor da solução, verifica-se se o pH é menor ou maior que o valor da faixa de viragem. Porém, nem sempre a mudança na cor da faixa de viragem é exata, por exemplo, o tornassol muda de cor na vi- zinhança do pH 7. Mas, em pH de aproximadamente 5 ou mais baixo, o tornassol adquire cor vermelha e, em pH de aproximadamente 8 ou maior, cor azul. De maneira geral, o comportamento de um indicador pode ser representado pelo seguinte equilíbrio iônico: HInd(aq) + H2O(ℓ) H3O + (aq) + Ind – (aq) cor 1 (ácida) cor 2 (básica) Em meio ácido, em razão do aumento na concentração do íon H+ pelo chamado efeito do íon comum, o equilíbrio é deslocado no sentido da reação inversa (à esquerda), em que predomina a cor 1 do indicador. Ao contrário, em meio alcalino, com a diminuição na concentração do íon H+ em razão do efeito do íon não comum – o OH–, o equilíbrio é deslocado no sentido da reação direta (à direita), predominando a cor 2 do indicador. O indicador de timol apresenta duas faixas de viragem. A tran- sição de cor em solução ocorre de vermelho para amarelo em pH 1,2-2,8 e de ama- relo para azul em pH 8,0-9,6. Em geral, os indicadores ácido-base são ácidos orgânicos. O equilíbrio iônico é um caso particular de equilíbrio no qual, além de moléculas, estão presentes íons. Química 33 © Sh u tt er st oc k/ Sa b in e Ka p p el Em laboratórios, também é muito comum o uso do in- dicador universal – uma mistura de indicadores, normal- mente secos, em tiras de papel. Ao ser mergulhada na solução em análise, a tira adquire cor conforme uma escala-padrão que corresponde a deter- minado valor de pH. Para determinar o pH de uma solução com mais rapidez e precisão, utiliza-se o peagâmetro digital – medidor que realiza a leitura do pH em função da condutividade elétrica da solução, no qual se tem um eletrodo, conectado a um aparelho chama- do voltímetro, imerso em uma solução registrando o pH eletro- nicamente. Equilíbrio iônico da água A água pura, que consiste basicamente em moléculas de H2O, apresenta condutividade elétrica, comprovando a presença de íons. Porém, sob temperatura ambiente (25 ºC), verifica-se que apenas duas moléculas de água por bilhão (109) estão ionizadas, conduzindo eletricidade em uma escala muito pequena. Medidas experimentais demonstram que a água pura ou mesmo em solução se ioniza fracamente segundo a equação: H2O(ℓ) + H2O(ℓ) H3O + (aq) + OH – (aq) ou, simplesmente, H2O(ℓ) H + (aq) + OH – (aq) Essas espécies – moléculas de H2O e íons H+ e OH– – coexistem em um estado de equilíbrio dinâmico conhecido como au- toionização da água. Considerando esse sistema reversível, é possível escrever a expressão da sua cons- tante de equilíbrio. K H OH H O c = ⋅+[ ] [ ] [ ] − 2 Como a água pura tem concentração constante, o denominador [H2O] na expres- são da constante de equilíbrio deve ser in- cluído no valor do próprio Kc. K H OH H O K H O H OH H OHc c Kw w= ⋅ ∴ ⋅ = ⋅ = ⋅ + + +[ ] [ ] [ ] [ ] [ ] [ ] K [ ] [ ] − − − 2 2��� � eletrodo: condutor metálico imerso em uma solução que contém íons, por meio do qual há entrada e saída da corrente elétrica de um sistema. Quando não há informação sobre a tem- peratura, considera-se ambiente (25 ºC). A partir desse momento, o íon H3O + (aq) será representado de forma simplificada, H+(aq). Quando um líquido, como a água, atua como s olvente, a concentração é sempre constante e independe do volume da amostra. Iss o ocorre porque o estado líquido se caracteriza por apresentar volume próprio. Ou seja, independe do volume do recipiente que o contém. Dessa maneira, a relação entre o n úmero de partículas e o volume no qual estão dispersas é constante. © Sh u tt er st oc k/ p h ot on g (aq) O equilíbrio iônico da água foi demonstrado pelo físico alemão Friedrich Kohlrausch (1840-1910). Assim como Arrhenius, ele estudou a condutivi- dade elétrica das soluções. Kohlrausch descobriu que, mesmo purificada, a água conduz eletricida- de em uma escala muito pequena. Friedrich Kohlrausch i nvestigou as propriedades condutiv as de eletrólitos. La tin st oc k/ A kg -i m ag es 34 Volume 7 A 25 ºC, o produto iônico da água – Kw (w de water) – é igual a 1 10 –14. Por ser uma constante de equilíbrio, o produto iônico da água (Kw) só é afetado pela variação da temperatura. Sendo a rea- ção de autoionização endotérmica, pode-se afirmar que Kw aumenta com a elevação na temperatura. ºC Kw 10 0,29 10–14 15 0,45 10–14 20 0,68 10–14 25 1,01 10–14 30 1,47 10–14 50 5,48 10–14 Fonte: KOTZ, John C.; TREICHEL JR., Paul M. Química geral e reações químicas. 5. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2009. p. 92. Kw = [H +] [OH–] = 1 10–14 (a 25 ºC) Ao aplicar o logaritmo em ambos os lados do produto iônico da água, tem-se que: Kw = [H +] [OH–] log Kw = log [H +] + log [OH–] –log Kw = (–log [H +]) + (–log [OH–]) Como, a 25 ºC, Kw é igual a 1 10 –14, então: Kw = [H +] ⋅ [OH–] = 1 ⋅ 10–14 pH + pOH = 14 –log 10–14 = –(log [H+] + log [OH–]) 14 = –log [H+] + (–log [OH–]) 14 = pH + pOH Como a autoionização produz quantidades iguais de íons H+(aq) e OH – (aq), pode-se concluir que, na água pura, a concentração de íons H+(aq) é igual à concentração de íons OH – (aq), sendo considerada um meio neutro. [H+] = [OH–] [H+] = 1 10–7 mol/L ∴ pH = 7 [OH–] = 1 10–7 mol/L ∴ pOH = 7 O equilíbrio entre os íons H+(aq) e OH – (aq) pode ser perturbado pela presença de íons adicionais. Com isso, à medida que a concentração de um desses íons aumenta, a concentração do outro deve diminuir, de maneira que o produto das concentrações, a 25 ºC, se mantenha 1 10–14. A adiçãode um ácido, por exemplo, aumenta a concentração de íons H+ e, segundo o Princípio de Le Chatelier, para se opor a esse aumento, o equilíbrio é deslocado no sentido da reação inversa. H2O(ℓ) Reação direta Reação inversa H+(aq) + OH – (aq) Em consequência, ocorre uma diminuição na concentração de íons OH– para que o produto iônico (Kw), a 25 ºC, seja igual a 1 10–14. Ao final, um novo estado de equilíbrio é atingido com quantidade de H+ maior que OH–. Assim, em meio ácido: De acordo com a expressão matemática, co- nhecendo-se o pH da solução, tem-se o pOH pela subtração desse valor de 14. Química 35 Observe os exemplos: [H+] = 1 10–6 mol/L ∴ [OH–] = 1 10–8 mol/L [H+] = 1 10–3 mol/L ∴ [OH–] = 1 10–11 mol/L De maneira semelhante, a adição de uma base aumenta a concentração de íons OH–. Pelo Princípio de Le Chatelier, o equilíbrio iônico é deslocado no sentido da reação inversa para se opor a esse aumento. H2O(ℓ) Reação direta Reação inversa H+(aq) + OH – (aq) O aumento da concentração de íons OH– acarreta uma diminuição na concentração de íons H+ até atingir um novo estado de equilíbrio. Portanto, em meio básico: Veja os exemplos: [OH–] = 1 10–1 mol/L ∴ [H+] = 1 10–13 mol/L [OH–] = 1 10–4 mol/L ∴ [H+] = 1 10–10 mol/L Como o produto iônico [H+] [OH–] é sempre constante, conclui-se que, quanto maior a concentração de H+, me- nor o pH da solução e, consequentemente, maior o pOH. O inverso também é válido: quanto menor a concentração de H+, maior o pH e menor o pOH. [H+] > [OH–] [H+] > 1 10–7 mol/L ∴ pH < 7 [OH–] < 1 10–7 mol/L ∴ pOH > 7 Se conhecida a concentração de íon H+, calcula-se a concentração de íon OH– e vice-versa. [H+] < [OH–] [H+] < 1 10–7 mol/L ∴ pH > 7 [OH–] > 1 10–7 mol/L ∴ pOH < 7 Organize as ideias Na maioria das soluções, as concentrações de H+ e OH– não são iguais. Dessa forma, a 25 ºC, além de um meio neutro, é possível ter um meio ácido ou básico. a) Complete o esquema a seguir indicando a classificação da solução para cada situação. b) As concentrações de H+ e de OH–, nas soluções aquosas, variam normalmente em uma faixa extensa de nú- meros com expoentes negativos. Por isso, é mais fácil indicar a acidez ou a alcalinidade de uma solução com números pequenos e positivos obtidos pela escala de pH. Complete o esquema a seguir, considerando a tempe- ratura ambiente. –141,0 ∙ 10 14,00 –131,0 ∙ 10 12,00 –111,0 ∙ 10 9,00 –8 1,0 ∙ 10 0,00 1,00 4,00 5,00 01,0 ∙ 10 –21,0 ∙ 10 –61,0 ∙ 10 –9 1,0 ∙ 10+ [H ] pH –[OH ] –7 1,0 ∙ 10 7,00 pOH 7,00 BÁSICONEUTRO –7 1,0 ∙ 10 –61,0 ∙ 10 6,00 –51,0 ∙ 10 –31,0 ∙ 10 –21,0 ∙ 10 01,0 ∙ 10 0,00 8,00 10,00 12,00 13,00 14,00 –111,0 ∙ 10 –131,0 ∙ 10 –141,0 ∙ 10 MAIS ÁCIDO ÁCIDO MAIS BÁSICO 5,00 1,0 ∙ 10–9 9,00 1,0 ∙ 10–8 1,0 ∙ 10–4 4,00 1,0 ∙ 10–10 3,00 11,00 2,00 1,0 ∙ 10–12 1,0 ∙ 10–1 1,00 13,00 1,0 ∙ 10–1 2,00 1,0 ∙ 10–12 11,00 3,00 10,00 1,0 ∙ 10–3 1,0 ∙ 10–10 1,0 ∙ 10–4 1,0 ∙ 10–5 8,00 6,00 36 Volume 7 O conceito da força de um eletrólito foi criado por Arrhenius. As substâncias que conduzem corrente elé- trica quando dissolvidas em água são cha- madas de eletrólitos. O grau de ionização ou dissociação indica o percentual de moléculas que, ao serem dis- solvidas em água, se ionizam ou dissociam. Equilíbrio iônico de ácidos e bases fracos Por meio de numerosas experiências relacionadas à passagem de corrente elétrica em soluções, Arrhenius formu- lou a hipótese de que ácidos e bases deveriam conter partículas com cargas positivas e negativas – íons. A existência de cargas elétricas livres seria responsável pela condução de corrente elétrica. Ao testar a condutividade elétrica de substâncias em solução, Arrhenius percebeu que soluções ácidas de mesma con- centração apresentavam intensidade diferente no brilho de uma lâmpada. Isso ocorria em razão da força dos eletrólitos, medida pelo grau de ionização ou dissociação (α) da substância. De acordo com o α, os eletrólitos podem ser: • fortes – com grau de ionização/dissociação superior a 50% (α > 50%) • moderados – com grau de ionização/dissociação entre 5% e 50% (5% ≤ α ≤ 50%) • fracos – com grau de ionização/dissociação inferior a 5% (0 < α < 5%) Quanto mais intenso é o brilho da lâmpada, maior é a quantidade de íons livres em solução, maior é o seu grau de ionização e mais forte é o eletrólito. A ionização de ácidos fortes e a dissociação de bases fortes são processos irreversíveis e, como nesses casos a reação inversa não se processa, não há equilíbrio entre as moléculas e seus íons. Para ácidos e bases fracos, há equilíbrio que envolve a participação de íons. Esse tipo de sistema dinâmico é deno- minado equilíbrio iônico. Observe os seguintes equilíbrios entre moléculas e íons. H2O H2S(aq) 2 H3O + (aq) + S 2– (aq) NH4OH(aq) NH4 + (aq) + OH–(aq) Constante de ionização ácida e constante de dissociação básica A maioria das substâncias ácidas é ácido fraco, isto é, nem todas se ionizam em água na mesma extensão. Para expressar a dimensão na qual um ácido fraco se ioniza, utiliza-se a constante de equilíbrio. Porém, como a concentração do solvente – [H2O] – é omitida da expressão da constante de equilíbrio, de acordo com a equação genérica, tem-se: HxA(aq) + x H2O(ℓ) x H3O + (aq) + A x– (aq) ou HxA(aq) x H + (aq) + A x– (aq) K H O H A ou K H H A c x x c x = ⋅ = ⋅+ +[ ] [A ] [ ] [A ]x x x3 − − A água, por ser um solvente puro, apresenta concentração constan- te. Em razão disso, a [H2O] é in- cluída no valor do próprio Kc. 2 Resgatando informações so- bre a constante de equilíbrio. Química 37 Para denominar o tipo de equação ao qual a constante de equilíbrio se refere, troca-se o índice inferior. Assim, Ka é chamado de constante de ionização ácida. K H O H A ou K H H A a x x a x = ⋅ = ⋅+ +[ ] [A ] [ ] [A ]x x x3 − − Exemplos: HCN(aq) H + (aq) + CN – (aq) K H CN HCN a = ⋅+[ ] [ ] [ ] − H2S(aq) 2 H + (aq) + S 2– (aq) K H S H S a = ⋅+[ ] [ ] [ ] 2 2 2 − Com os valores das constantes de ionização ácida, é possível avaliar a intensidade de ionização dos ácidos e, con- sequentemente, a força desses eletrólitos. Quanto maior a constante de ionização de um ácido (Ka), maior a força do eletrólito e maior a [H +] na solução. A U M EN TA A F O R Ç A D O Á C ID O ALGUNS ÁCIDOS EM ÁGUA A 25 ºC Ácido Equilíbrio Ka Ácido sulfuroso (H2SO3) H2SO3(aq) 2 H + (aq) + SO3 2– (aq) 1,5 10 –2 Ácido cloroso (HCℓO2) HCℓO2(aq) H + (aq) + CℓO2 – (aq) 1,0 10 –2 Ácido fosfórico (H3PO4) H3PO4(aq) 3 H + (aq) + PO4 3– (aq) 7,6 10 –3 Ácido nitroso (HNO2) HNO2(aq) H + (aq) + NO2 – (aq) 4,3 10 –4 Ácido fluorídrico (HF) HF(aq) H + (aq) + F – (aq) 3,5 10 –4 Ácido carbônico (H2CO3) H2CO3(aq) 2 H + (aq) + CO3 2– (aq) 4,3 10 –7 Ácido hipocloroso (HCℓO) HCℓO(aq) H + (aq) + CℓO – (aq) 3,0 10 –8 Ácido bórico (H3BO3) H3BO3(aq) 3 H + (aq) + BO3 3– (aq) 7,2 10 –10 Ácido cianídrico (HCN) HCN(aq) H + (aq) + CN – (aq) 4,9 10 –10 Fonte: ATKINS, Peter; JONES, Loretta. Princípios de Química: questionando a vida moderna e o meio ambiente. Porto Alegre: Bookman, 2006. p. 523. Muitos ácidos apresentam mais de um hidrogênio ionizável e, por isso, a ionização é representada em várias etapas. Conhecidos como ácidos polipróticos, cada uma das etapas desse eletrólito tem a respectiva constante de ionização. Observe, por exemplo, as etapas envolvidas em cada uma das ionizações do ácido sulfuroso (H2SO3): H2SO3(aq) H + (aq) + HSO3 – (aq) Ka1 = 1,7 10 –2 HSO3 – (aq) H + (aq) + SO3 2– (aq) Ka2 = 6,4 10 –8 Em razão da atração eletrostática, o próton é mais facilmente perdido da molécula neutra de H2SO3 do que do íon HSO3 – carregado negativamente. Pode-se concluir que Ka2 é muito menor que Ka1. Em geral, é sempre mais fácil remover o primeiro próton de um ácido poliprótico do que o segundo, e assim sucessivamente. Em razão disso, os valoresde Ka tornam-se menores à medida que os prótons são removidos. A primeira ionização acontece de forma mais intensa que as subsequentes e isso ocorre porque, a partir da segunda etapa, a atração elétrica do íon que ainda pode ionizar é mais forte que a anterior, sendo mais difícil formar outro cátion hidrogênio. A escala logarítmica também pode ser usada para comparar a força dos eletrólitos. Para ácidos, por exemplo, pKa = –log Ka. Dessa forma, Quanto maior o valor da constante de ionização ácida, menor o pKa e mais forte o eletrólito. Como Ka1 é muito maior que as outras constantes de ionização para os ácidos polipróticos, quase todos os íons H+(aq) na solução vêm da primeira ionização. 3 Valor da constante de ionização total. 38 Volume 7 Assim como os ácidos fracos, as bases fracas também apresentam equilíbrio entre moléculas e íons, e também é possível expressar a dimensão da dissociação deste eletrólito pela constante de equilíbrio. C(OH)x(s) + x H2O(ℓ) C x+ (aq) + x OH – (aq) ou C(OH)x C x+ (aq) + x OH – (aq) K C OH H c x x x = ⋅+[ ] [ ] [C(O ) ] − A base fraca mais comum é a amônia – única base que não tem íon OH– na sua fórmula. Pelo fato de não apresentar metal em sua composição, ao contrário das demais bases que se dissociam, a amônia se ioniza na água. A expressão da constante de equilíbrio para essa reação é representada da seguinte maneira: NH 3(aq) + H2O(ℓ) NH4 + (aq) + OH – (aq) K NH OH NH b = ⋅+[ ] [ ] [ ] 4 3 − Em Kb, o índice inferior b indica que essa constante de equilíbrio se refere a um tipo particular de reação – a io- nização ou dissociação de uma base fraca em água. Tem-se, então, que a constante Kb é chamada de constante de dissociação básica. Quanto maior a constante de dissociação de uma base (Kb), maior a força do eletrólito e maior a [OH –] na solução. As constantes de ionização ácida (Ka) e de dissociação básica (Kb) também podem ser generalizadas por Ki – constante de ionização ou constante de dissociação iônica. Lei da Diluição de Ostwald Assim como as constantes de ionização ou de dissocia- ção iônica (Ka ou Kb), o grau de ionização ou de dissociação (α) também pode ser utilizado para comparar a força entre os eletrólitos. Porém, além da temperatura, seu valor depende da concentração da solução analisada. A expressão matemática que relaciona a constante de ioni- zação (Ki) com a concentração em quantidade de matéria por volume ([ ]) e o grau de ionização (α) de um ácido ou uma base foi deduzida pela primeira vez no final do século XIX, pelo químico germânico Friedrich Wilhelm Ostwald (1853-1932). O produto da ionização da amônia também pode ser representado pela fórmula NH4OH (hidróxido de amônio). W ik im ed ia C om m on s/ St ef i~ co m m on sw ik i Friedrich Wilhelm Ostwald estudou as constantes de afinidade de ácidos e bases e as velocidades de reação. No ano de 1909, Ostwald foi homenageado com o Prêmio Nobel de Química por suas pesquisas pioneiras sobre catálise, velocidades de reações e equilíbrios químicos. O cientista também foi responsável pelas primeiras definições para o mol, associando-o à massa molar dos elementos químicos. Química 39 Ao estudar os equilíbrios iônicos de monoácidos e monobases fracos, Ostwald estabeleceu a Lei da Diluição. Para deduzir a expressão que traduz essa lei, considere o equilíbrio simplificado de um monoácido: HA(aq) H + (aq) + A – (aq) HA(aq) H + (aq) A – (aq) Quantidade de matéria inicial n 0 0 Quantidade de matéria que se ioniza ou se dissocia/quantidade de matéria que se forma n n n Quantidade de matéria final n – (n ) n n Concentração em quantidade de matéria no equilíbrio n n V − − ( ) [ ] ( ) α α ⋅ ⋅ 1 ��� � ( ) [ ] α α ⋅ ⋅ n V ( ) [ ] α α ⋅ ⋅ n V +� Assim, no equilíbrio há: [HA] = [ ] (1 – ) [H+] = [ ] [A–] = [ ] Portanto, K H A HA K i i = ⋅ = ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ +[ ] [ ] [ ] [ ] [ ] [ ] ( ) − − α α α1 Ki = ⋅α α 2 1 [ ] ( )− Para eletrólitos cujo grau de ionização é inferior a 5% (0 < α < 5%), considera-se que o valor de (1 – ) seja aproxi- madamente igual a 1, simplificando a Equação de Ostwald. Ki = 2 ⋅ [ ] Em qualquer constante de equilíbrio, o seu valor está diretamente relacionado à temperatura do sistema. Dessa maneira, pela expressão matemática da Lei de Diluição, verifica-se que, sob mesma temperatura, o produto 2 [ ] deve permanecer constante. Consequentemente, quando uma solução de um monoácido fraco ou de uma monobase fraca é diluída, a concentração em quantidade de matéria ([ ]) diminui, e o grau de ionização ou de dissociação ( ) aumenta. Quanto mais diluída a solução, ou seja, quanto menor a concentração de um monoácido fraco ou de uma monobase fraca, maior o seu grau de ionização ou de dissociação, a dada temperatura. Independentemente do equilíbrio que representa um ácido ou uma base, a concentração dos íons é determinada por meio da multiplicação do grau de ionização pela concentração (em mol/L) inicial do eletrólito. Assim, [íons] = α ⋅ [ ]. A expressão matemática que traduz a Lei da Diluição de Ostwald é válida para monoáci- dos e monobases fracos. Por meio dela, é possível prever o que ocorre quando se dilui uma solução de ácido fraco ou de base fraca. 40 Volume 7 Atividades 1. Complete as frases com as informações adequadas: a) A água pura é considerada um meio neutro, pois as concentrações de íons H+ e OH– são iguais . b) Soluções em que [H+] > 10–7 mol/L são ácidas e apresentam pH < 7. Soluções em que [OH–] > 10–7mol/L são básicas e apresentam pH > 7. 2. Complete o quadro com as concentrações dos íons presentes em solução, com o pH e o pOH de cada material e o seu caráter, considerando a temperatura a 25 °C. Material [H+] [OH–] pH pOH Caráter © Sh u tt er st oc k/ C ar lo s H or ta Suco de laranja 1 10–3 mol/L 1 10–11 mol/L 3 11 Ácido P. Im ag en s/ Vi m o M oa ci r F ra n ci sc o Leite de magnésia 1 10–10 mol/L 1 10–4 mol/L 10 4 Básico © Sh u tt er st oc k/ p ix fly Água destilada 1 10–7 mol/L 1 10–7 mol/L 7 7 Neutro © Sh u tt er st oc k/ SP -P h ot o Café expresso 1 10–5 mol/L 1 10–9 mol/L 5 9 Ácido © Sh u tt er st oc k/ ig or .s te va n ov ic Água sanitária 1 10–11 mol/L 1 10–3 mol/L 11 3 Básico 4 Gabaritos. Química 41 3. Determine o pH e o pOH de um suco de tomate cuja con- centração de íons hidrogênio é igual a 0,001 mol/L. Clas- sifique essa solução em meio ácido, neutro ou básico. [H+] = 0,001 = 10–3 mol/L pH = –log [H+] pH = –(log 10–3) pH = 3 ∴ meio ácido pH + pOH = 14 pOH = 14 – 3 pOH = 11 4. Uma solução de vinagre apresenta pH = 3. Determine as concentrações dos íons hidrogênio e hidroxila pre- sentes nessa solução. pH = –log [H+] 3 = –log [H+] [H+] = 10–3 mol/L Kw = [H +] [OH–] 1 10–14 = 10–3 [OH–] [OH–] = 1 10–11 mol/L 5. Uma alíquota de água do mar tem pH = 8. Calcule a concentração de íons hidroxila presente nessa amostra e indique se a solução é ácida, neutra ou básica. pH = 8 ∴ solução básica pH + pOH = 14 pOH = 14 – 8 pOH = 6 pOH = –log [OH–] 6 = –log [OH–] [OH–] = 10–6 mol/L 6. Calcule o pOH da solução cuja concentração hidroge- niônica é igual a 8 10–6 mol/L. Classifique-a em meio ácido, neutro ou básico. (Dado: log 2 = 0,3) [H+] = 8 10–6 mol/L pH = –log [H+] pH = –(log 8 10–6) pH = –(log 8 + log 10–6) pH = –(log 23 + log 10–6) pH = –(3 log 2 + log 10–6) pH = –(3 0,3 – 6) pH = 5,1 ∴ meio ácido pH + pOH = 14 pOH = 14 – 5,1 pOH = 8,9 Comente com os alunos que, mesmo sendo uma solução de ácido acético (ácida), há íons hi- droxila provenientes da água. Se necessário, relembre-os de que toda solução aquosa é formada por soluto(s) e solvente (H2O). 7. Sabendo que o ácido nítrico se ioniza completamente, determine o pH e o pOH de uma solução de HNO3 comconcentração igual a 0,002 mol/L. HNO3 → H + + NO3 – 0,002 mol/L 0,002 mol/L 0,002 mol/L [H+] = 0,002 = 2 10–3 mol/L pH = –log [H+] pH = –(log 2 10–3) pH = –(log 2 + log 10–3) pH = –(0,30 – 3) pH = 2,7 pH + pOH = 14 pOH = 14 – 2,7 pOH = 11,3 8. (UFRN) Um estudante determinou as concentrações hi- drogeniônicas de soluções aquosas de dois produtos, conforme o quadro abaixo: Produto [H3O +] mol/L Desinfetante com amônia 1 10–11 Vinagre 1 10–4 a) Se pH = –log [H3O +], calcule o pH da solução aquo- sa do desinfetante com amônia e explicite a infor- mação que esse valor de pH fornece. pH = –log [H3O +] pH = –(log 1 10–11) pH = –(log 1 + log 10–11) pH = –(0 – 11) pH = 11 Considerando-se 25 ºC, esse valor de pH indica que a solução tem caráter básico. b) Considere o vinagre como uma solução que apre- senta o equilíbrio representado por: CH3COOH(aq) + H2O(ℓ) CH3COO – (aq) + H3O + (aq) Explique como são afetados o equilíbrio e o pH da solução aquosa de vinagre quando adicionadas go- tas de solução aquosa de hidróxido de sódio (NaOH). Ao adicionar gotas de solução aquosa de hidróxido de sódio à solução aquosa de vinagre, há um consumo de íons H3O + em virtude da neutralização entre as soluções. A diminuição da concentração de íons H3O + e o consequente aumento do pH deslocam o equilíbrio para o sentido da reação direta. 42 Volume 7 9. Por meio das equações de ionização ou de dissociação iônica em solução aquosa para os eletrólitos represen- tados a seguir, escreva as suas constantes de equilíbrio. a) H2S H2S(aq) � 2 H+(aq) + S2–(aq) K H S H S a = ⋅+[ ] [ ] [ ] 2 2 2 − b) H2CO3 H2CO3(aq) � 2 H+(aq) + CO32–(aq) K H CO H CO a = ⋅+[ ] [ ] [ ] 2 3 2 2 3 − c) H3BO3 H3BO3 � 3 H+ + BO33– K H BO H BO a = ⋅+[ ] [ ] [ ] 3 3 3 3 3 − 10. (UFLA – MG) Em um frasco estão contidos 1 000 mL de uma solução de um ácido fraco hipotético HA. a) Escreva a equação de ionização de HA em água e indique em que sentido o equilíbrio está deslocado. b) Dê a expressão que define a constante de ionização desse ácido. c) O que ocorre com o equilíbrio se um sal hipotético BA for adicionado à solução? 11. Com os valores das constantes de ionização (Ka) dos ácidos, organize-os em ordem decrescente de força. Ácido hipobromoso (HBrO) Ka = 2,0 10 –9 Ácido hipoiodoso (HIO) Ka = 2,3 10 –11 Ácido carbônico (H2CO3) Ka = 4,3 10 –7 Ácido sulfuroso (H2SO3) Ka = 1,5 10 –2 Quanto maior é o valor de Ka, mais forte é o ácido. Portanto, a ordem decrescente quanto à força é: H2SO3 > H2CO3 > HBrO > HIO. 12. (UFPE) Analisando a tabela a seguir, com valores de constantes de basicidade, Kb, a 25 °C para diversas bases, podemos afirmar que: Base Kb Dimetilamina, (CH3)2NH 5,4 10 –4 Amônia, NH3 1,8 10 –5 Hidróxido de zinco, Zn(OH)2 1,2 10 –9 Piridina, C5H5N 1,8 10 –9 Anilina, C6H5NH2 4,3 10 –10 a) a amônia é uma base mais fraca que o hidróxido de zinco. b) a anilina é a base mais forte. c) a piridina e a amônia têm a mesma força básica. X d) a dimetilamina é a base mais forte. e) a anilina é mais básica que a piridina. 13. (UESPI) Os halogênios pertencem a uma classe de elemen- tos com acentuada reatividade. Estão presentes na com- posição química de muitos ácidos como o HF, HCℓ, HBr e HI. Considerando os dados mostrados na tabela a seguir: Equilíbrio de transferência de prótons Constante de acidez a 25 °C HF(aq) + H2O(ℓ) H3O + (aq) + F – (aq) 3,5 10 –4 HCℓ(aq) + H2O(ℓ) H3O + (aq) + Cℓ – (aq) ≅ 1,0 10 7 HBr(aq) + H2O(ℓ) H3O + (aq) + Br – (aq) ≅ 1,0 10 9 HI(aq) + H2O(ℓ) H3O + (aq) + I – (aq) ≅ 3,0 10 9 é correto afirmar que a) o ácido com maior capacidade de liberar H3O + é o HBr. b) o ácido clorídrico, ao sofrer ionização, apresenta mais espécies não ionizadas. c) a ordem de acidez crescente é: HCℓ < HBr < HI < HF. d) o ácido iodídrico é mais fraco que o ácido bromídrico. X e) o ácido fluorídrico é o ácido mais fraco. 14. Determine a constante de ionização de um monoácido HA, de concentração 0,2 mol/L, sabendo que esse áci- do apresenta grau de ionização 0,2%. Ka = α 2 ⋅ [ ] Ka = (2 ⋅ 10 –3)2 0,2 Ka = 8 ⋅ 10 –7 Sugestão de atividades: questões de 1 a 16 da seção Hora de estudo. Química 43 Hidrólise salina Em geral, quando os sais se dissolvem em água, dissociam-se completamente em íons. Muitos desses íons são capazes de reagir com o solvente e, como consequência, determinar o comportamento ácido ou alcalino da solução aquosa do sal. A interação entre os íons provenientes do sal com a água é denominada hidrólise salina. Como os sais, originalmente, são formados por reações ácido-base, considera-se que a hidrólise de um sal é um processo inverso ao da neutralização. Sal + H2O Hidrólise Neutralização Ácido + Base A hidrólise é uma reação de equilíbrio que ocorre em pequena extensão entre a água e os cátions e/ou ânions provenientes da dissociação de um sal. Assim, para prever o comportamento de um sal hidrolisado, é imprescindível conhecer a força dos principais ácidos e bases. Em Funções Inorgânicas, estudou-se que: De maneira simplificada, é possível verificar a força de um ácido inorgânico por meio de regras práticas. • Entre os hidrácidos, são considerados fortes os ácidos: clorídrico (HCℓ), bromídrico (HBr) e iodídrico (HI). O ácido fluorídrico (HF) é moderado, e os demais, fracos. • Para os oxiácidos, a força pode ser prevista pela diferença entre o número de oxigênios presentes na fórmula (y) e o número de hidrogênios ionizáveis (x). Entretanto, é importante lembrar que nem sempre o número de hidrogênios indicados na fórmula do respectivo ácido corresponde ao número de hidrogênios ionizáveis. Em geral, considera-se que: HxEOy y – x = 3 ou 2 ∴ forte Exemplos: HBrO4, H2SO4, HCℓO3 e HCℓO4 y – x = 1 ∴ moderado Exemplos: H3PO4, H2SO3, HNO2 e HCℓO2 y – x = 0 ∴ fraco Exemplos: H3BO3 e HCℓO Essa regra é baseada em observações experimentais e funciona para a maioria dos casos, exceção ao ácido car- bônico (H2CO3), que não é moderado. Por ser instável, esse ácido se decompõe em gás carbônico e água. Como a decomposição ocorre mais facilmente que a ionização, esse ácido é considerado fraco. A força de uma base está relacionada ao seu grau de dissociação. Simplificadamente: • Bases fortes – bases de metais alcalinos (grupo 1) e as de alguns metais alcalinoterrosos (grupo 2), como Ca(OH)2, Sr(OH)2 e Ba(OH)2. • Bases fracas – bases dos metais de transição (grupos 3 a 12), dos metais dos grupos 13, 14 e 15 e de alguns alcalinoterrosos (grupo 2), como o Mg(OH)2 e o hidróxido de amônio. 44 Volume 7 © Sh u tt er st oc k/ G em en ac om Empresas que comercializam água mineral precisam inserir no rótulo infor- mações a respeito das propriedades físico-químicas do produto, destacando sua composição química predominante. Essa composição costuma ser bastan- te variada, pois as águas são obtidas de diferentes fontes, filtradas por diversifi- cados tipos de rochas e sujeitas a diferentes logísticas de envase, controles de qualidade e de distribuição. Esse somatório de fatores influencia diretamente no pH da água, que pode apresentar valores ácidos ou alcalinos. A presença de bicarbonatos e carbonatos na água, por exemplo, pode determinar sua al- calinidade, enquanto o gás carbônico pode ser responsável por valores ácidos de pH. A interação entre um dos íons provenientes do sal e as moléculas de água faz com que as propriedades da solução salina sejam indicadas pelo comportamento do seu cátion e/ou ânion constituinte. Com isso, o pH de uma solução aquosa de um sal pode ser previsto qualitativamente considerando-se os íons dos quais o sal é composto. ConexõesConexões De acordo com essa interação, os sais podem ser agrupados da seguinte maneira. • Sal derivado de ácido forte e base fraca Ao se dissolver o brometo de amônio na água, por exemplo, seus íons se dissociam do retículo cristalino, conformea equação: NH4Br(s) H2O(ℓ) NH4 + (aq) + Br – (aq) Porém, deve-se considerar a presença de íons H+ e OH– provenientes da autoionização da água. H2O(ℓ) H + (aq) + OH – (aq) A água, ao interagir com os íons liberados na dissociação do sal, forma um ácido e uma base, conforme a seguinte hidrólise: NH4Br(aq) + H2O(ℓ) NH4OH(aq) + H + (aq) + Br – (aq) O ácido bromídrico, por ser forte, se mantém ionizado. E o hidróxido de amônio, base fraca, prevalece na forma associada. Com isso, a solução formada apresenta maior concentração de íons H+ do que íons OH–, ou seja, seu caráter é ácido (pH < 7). Esses fatos comprovam que ocorre a hidrólise do cátion derivado da base fraca. A equação iônica do processo representa melhor a reação com a água, justificando a acidez da solução. NH4 + (aq) + Br – (aq) + H2O(ℓ) NH4OH(aq) + H + (aq) + Br – (aq) NH4 + (aq) + H2O(ℓ) H + (aq) + NH4OH(aq) 5 Considerações para a representação dos compostos na equação iônica da hidrólise. Química 45 • Sal derivado de ácido fraco e base forte Para esse caso, considere a dissolução do cianeto de sódio na água, conforme a equação: NaCN(s) H2O(ℓ) Na + (aq) + CN – (aq) A presença de íons H+ e OH–, provenientes da autoionização da água, produz, com os íons liberados do retículo cristalino, um ácido e uma base. H2O(ℓ) H + (aq) + OH – (aq) NaCN(aq) + H2O(ℓ) Na + (aq) + OH – (aq) + HCN(aq) Nessa hidrólise, o ácido cianídrico, fraco, se mantém na forma molecular. E o hidróxido de sódio, base forte, se disso- cia. Por apresentar concentração de íons OH– maior que a concentração de íons H+, a solução tem caráter básico (pH > 7). Para melhor representar a hidrólise do ânion derivado do ácido fraco, tem-se a seguinte equação iônica, que jus- tifica a alcalinidade da solução. Na+(aq) + CN – (aq) + H2O(ℓ) Na + (aq) + OH – (aq) + HCN(aq) CN–(aq) + H2O(ℓ) OH – (aq) + HCN(aq) • Sal derivado de ácido fraco e base fraca A dissolução do cianeto de amônio na água exemplifica essa situação. NH4CN(s) H2O(ℓ) NH4 + (aq) + CN – (aq) H2O(ℓ) H + (aq) + OH – (aq) A análise da solução aquosa de cianeto de amônio indica a presença de um ânion e de um cátion, ambos capazes de reagir com a água. NH4CN(aq) + H2O(ℓ) NH4OH(aq) + HCN(aq) Dessa maneira, pode-se dizer que a interação entre os íons existentes na solução e nas moléculas da água ocorre pela hidrólise do cátion e do ânion, derivados do ácido e da base, ambos fracos. NH4 + (aq) + CN(aq) + H2O(ℓ) NH4OH(aq) + HCN(aq) Kb = 1,8 10 –5 Ka = 4,9 10 –10 Para definir, nesse tipo de hidrólise, o caráter da solução, é necessário comparar as constantes de ionização do ácido (Ka) e da base (Kb). No exemplo, como a constante da base é maior que a constante do ácido, a solução é básica. • Sal derivado de ácido forte e base forte Para sais de ácido e base, ambos fortes, os íons se encontram cercados pelas moléculas de água em um processo chamado de solvatação. Dissociação do sal: NaBr(s) H2O(ℓ) Na + (aq) + Br – (aq) Autoionização da água: H2O(ℓ) H + (aq) + OH – (aq) Os íons Na+(aq) e OH – (aq) praticamente não se associam, pois o hidróxido de sódio é uma base forte. Da mesma forma, os íons H+(aq) e Br – (aq) não se agregam, pois o ácido bromídrico é forte. Em razão disso, não ocorre hidrólise significativa nem do cátion nem do ânion, e o meio permanece neutro (pH = 7). NaBr(aq) + H2O(ℓ) Na + (aq) + OH – (aq) + H + (aq) + Br – (aq) Na+(aq) + Br – (aq) + H2O(ℓ) Na + (aq) + OH – (aq) + H + (aq) + Br – (aq) H2O(ℓ) H + (aq) + OH – (aq) Como as concentrações de H+ e de OH– são iguais entre si, confirma-se que a solução é neutra. 46 Volume 7 Organize as ideias A reação dos íons de um sal com a água resulta em uma variação de pH que caracteriza a solução. Com base nos diferentes tipos de interação que podem ou não resultar em uma hidrólise salina, complete o esquema a seguir: Sal derivado de Equação iônica genérica simplificada Classificação da solução e seu pH ânion de ácido forte + cátion de base fraca C+(aq) + H2O(ℓ) � C(OH)(aq) + H+(aq) solução ácida pH < 7 ânion de ácido fraco + cátion de base forte A–(aq) + H2O(ℓ) � HA(aq) + OH–(aq) solução básica pH > 7 ânion de ácido fraco + cátion de base fraca C+(aq) + A – (aq) + H2O(ℓ) HA(aq) + C(OH)(aq) depende: solução básica (pH > 7) se Kb > Ka solução ácida (pH < 7) se Ka > Kb ânion de ácido forte + cátion de base forte não ocorre hidrólise solução neutra pH = 7 Sistema-tampão Em quase todos os processos biológicos, em medicamentos e em muitos processos químicos, é importante que o pH não desvie muito de determinado valor, mantendo-se praticamente constante. Um sistema (em geral, solução) com a propriedade de manter o pH prati- camente constante mesmo quando é adicionado a ele um ácido ou uma base forte é chamado de tampão. Muitas das reações que ocorrem nos seres vivos são extremamente sensíveis ao pH. Por essa razão, o corpo humano mantém um considerável e complexo sistema de tampões. Química 47 ConexõesConexões O plasma sanguíneo, parte aquosa do sangue, é considerado um dos exemplos mais notáveis da importância dos tampões nos seres vivos. Ligeiramente básico, apresenta um pH normal entre 7,35 a 7,45. Assim, qualquer alte- ração nessa faixa pode ocasionar efeitos que rompem significativamente a estabilidade das membranas das células, estruturas das proteínas e das atividades enzimáticas. Uma diminuição do pH, chamada de acidose, ou um aumento, denominado alcalose, pode causar sérios problemas. Se o pH cair abaixo de 6,8 ou subir acima de 7,8 pode ser fatal. © Sh u tt er st oc k/ Fo to sr 52 O sangue é um sistema-tampão cujo pH é mantido entre 7,35 e 7,45. Para que não ocorram variações bruscas de pH no sistema sanguíneo, há tampões que permitem o controle do pH do sangue quando são adicionadas a ele pequenas quantidades de ácido ou base fortes. A resistência às variações no pH acontecem porque o sangue contém tanto espécies ácidas que são capazes de neutralizar os íons OH–, quando adicionados, quanto espécies básicas para neutralizar os íons H+. Os tampões são geralmente formados por um ácido ou uma base fraca e o sal correspondente. • Tampão ácido – ácido fraco e o sal do ácido Exemplo: ácido carbônico (H2CO3)/hidrogenocarbonato (HCO3 –) • Tampão básico – base fraca e o sal da base Exemplo: hidróxido de amônio (NH4OH)/íon amônio (NH4 +) Para compreender o funcionamento de um sistema-tampão, considere as equações genéricas que representam uma solução formada por um ácido fraco (HA) e o sal desse ácido (CA). HA(aq) H + (aq) + A – (aq) CA(aq) → C + (aq) + A – (aq) Ao adicionar a esse tampão uma base forte, o íon OH–, proveniente dessa base, consome o íon H+ do equilíbrio. Isso faz com que o ácido não ionizado se ionize para repor o H+ consumido e evitar grandes variações de pH. Ao contrário, ao adicionar um ácido forte, a concentração de íon H+ aumenta. Dessa maneira, o H+, proveniente do ácido que foi acrescentado, consome o íon A– do sal, originando o ácido não ionizado para evitar grandes variações de pH. Esse exemplo corresponde a um dos tampões do siste- ma sanguíneo. 48 Volume 7 Experimento Demonstração do efeito tampão de comprimidos efervescentes com extrato de repolho roxo Soluções contendo extrato de repolho roxo funcionando como indicadores de pH. D iv o. 2 01 1. D ig ita l. [...] O pH do suco gástrico situa-se normalmente na faixa de 1,0 a 3,0. É comum, entretanto, esse suco tornar- -se mais ácido que o normal, causando a chamada azia e prejudicando a digestão. Quando isso acontece, faz-se uso de comprimidos antiácidos, que têm como função elevar o pH até a faixa da normalidade. Por que não se pode usar bases como a soda cáustica (NaOH) para elevar o pH do estômago? Que diferençahá entre as proprie- dades de um comprimido efervescente e as propriedades da soda cáustica? Estas questões serão investigadas neste experimento. Materiais 2 béqueres de 50 mL 3 tubos de ensaio estante para tubos de ensaio 2 conta-gotas Reagentes 1 comprimido antiácido efervescente água destilada 10 mL de extrato de repolho roxo 100 mL de solução de ácido clorídrico, 0,1 mol/L 100 mL de solução de hidróxido de sódio, 0,1 mol/L Procedimentos • Coloque, até 3 cm de altura em um dos tubos de ensaio, ácido clorídrico; em outro, água destilada e, no último, solução de hidróxido de sódio. • Adicione a cada um 5 gotas do extrato de repolho roxo. Registre a coloração adquirida pela solução de cada tubo. • Coloque, em um tubo de ensaio, ácido clorídrico, algumas gotas de extrato de repolho e vá adicionando solução de hidróxido de sódio. • Coloque nos béqueres 50 mL de água. Em um deles, acrescente o comprimido efervescente. Coloque 20 gotas de extrato de repolho em cada béquer. • Adicione às duas soluções 10 gotas de solução de hidróxido de sódio. Agite e registre suas observações. • Acrescente à solução que contém o comprimido efervescente mais gotas de solução de hidróxido de sódio. Vá agitando e contando o número de gotas até observar mudança. Questões propostas a) A variação de pH da solução inicial de ácido clorídrico é mais brusca quando se acrescenta solução de NaOH ou de comprimido efervescente? b) Por que a ingestão de excesso de antiácidos também pode trazer consequências altamente indesejáveis para o organismo? Gabaritos.6 LIMA, Viviani Alves de et al. Demonstração do efeito tampão de comprimidos efervescentes com extrato de repolho roxo. Química Nova na Escola, São Paulo, SBQ, n. 1, maio 1995. Química 49 Atividades 1. Para os sais indicados a seguir, escreva, se houver, as equações de hidrólise e indique o caráter da solução. a) NH4Cℓ NH4Cℓ(aq) + H2O(ℓ) � NH4OH(aq) + H+(aq) + Cℓ–(aq) NH4 + (aq) + Cℓ – (aq) + H2O(ℓ) � NH4OH(aq) + H+(aq) + Cℓ–(aq) NH4 + (aq) + H2O(ℓ) � NH4OH(aq) + H+(aq) ∴ caráter ácido b) NaHCO3 NaHCO3(aq) + H2O(ℓ) � NaOH(aq) + H2CO3(aq) Na+(aq) + HCO3 – (aq) + H2O(ℓ) � Na+(aq) + OH–(aq) + H2CO3(aq) HCO3 – (aq) + H2O(ℓ) � OH–(aq) + H2CO3(aq) ∴ caráter básico c) K2SO4 Não ocorre hidrólise. 2. Com base na força do ácido e da base que deriva o sal correspondente, indique o seu caráter. a) NaCℓ NaOH (base forte) + HCℓ (ácido forte) ∴ caráter neutro b) Aℓ2(SO4)3 Aℓ(OH)3 (base fraca) + H2SO4 (ácido forte) ∴ caráter ácido c) FeBr2 Fe(OH)2 (base fraca) + HBr (ácido forte) ∴ caráter ácido d) KNO3 KOH (base forte) + HNO3 (ácido forte) ∴ caráter neutro e) NaCℓO NaOH (base forte) + HCℓO (ácido fraco) ∴ caráter básico 3. Na ausência de gás carbônico (CO2) dissolvido, a basi- cidade de algumas águas minerais pode ser atribuída a sais como o carbonato de sódio (Na2CO3) e o carbonato de bário (BaCO3), presentes em sua composição. Jus- tifique essa característica escrevendo as equações de hidrólise desses sais. Na2CO3 + 2 H2O � 2 NaOH + H2CO3 2 Na+ + CO3 2– + 2 H2O � 2 Na+ + 2 OH– + H2CO3 CO3 2– + 2 H2O � H2CO3 + 2 OH– ∴ caráter básico BaCO3 + 2 H2O � Ba(OH)2 + H2CO3 Ba2+ + CO3 2– + 2 H2O � Ba2+ + 2 OH– + H2CO3 CO3 2– + 2 H2O � H2CO3 + 2 OH– ∴ caráter básico 4. (UFRN) Antônio presta serviços de manutenção em pis- cinas, aproveitando os conhecimentos adquiridos no En- sino Médio. No processo de cloração da água, ele utiliza hipoclorito de sódio (NaCℓO), um sal originário de base forte e ácido fraco. Ao dissolver certa quantidade dessa substância na água de uma piscina, o valor do pH: a) diminui, pela acidificação da solução; b) aumenta, pela ionização do sal; X c) aumenta, pela hidrólise do sal; d) diminui, pela neutralização da solução. 5. (UEMA) Os sais têm sido de grande utilidade na corre- ção do pH de solos. Culturas como arroz e milho neces- sitam de solos básicos, o que não é comum no Brasil. Sais como o bicarbonato de sódio (NaHCO3), cloreto férrico (FeCℓ3) e nitrato de potássio (KNO3), apesar de pertencerem à mesma função química, apresentam reações de hidrólise diferentes, o que os classifica, respectivamente, em sais de reações: X a) básica; ácida; neutra. b) ácida; básica; neutra. c) neutra; ácida; básica. d) básica; neutra; ácida. e) ácida; neutra; básica. 7 Gabaritos. 50 Volume 7 6. (UFMG) A cor das hortênsias depende da acidez do solo. A cor azul predomina em pH menor que 5,5 e a cor rosa, em pH maior que 6,5. Três vasos, contendo o mesmo tipo de solo com pH igual a 7,5, foram tratados para o cultivo de hortênsias, da seguinte forma: Vaso I – adição de CaCO3 (sal de comportamento bási- co em meio aquoso) Vaso II – adição de Aℓ2(SO4)3 (sal de comportamento ácido em meio aquoso) Vaso III – adição de KNO3 (sal de comportamento neu- tro em meio aquoso) Assim sendo, é correto afirmar que a predominância da cor azul pode ocorrer: a) apenas nos vasos I e III; b) apenas nos vasos II e III; X c) apenas no vaso II; d) apenas no vaso I. 7. (UFSCAR – SP) Em um laboratório químico, um aluno identificou três recipientes com as letras A, B e C. Utilizando água destilada (pH = 7), o aluno dissolveu quantidades suficientes para obtenção de soluções aquosas 0,1 mol/L de cloreto de sódio, NaCℓ, acetato de sódio, CH3COONa, e cloreto de amônio, NH4Cℓ, nos recipientes A, B e C, respectivamente. Após a dissolução, o aluno mediu o pH das soluções dos re- cipientes A, B, C. Os valores corretos obtidos foram, respectivamente, X a) = 7, > 7 e < 7 b) = 7, < 7 e > 7 c) > 7, > 7 e > 7 d) < 7, < 7 e < 7 e) = 7, = 7 e < 7 8. (UFSCAR – SP) Em um experimento de laboratório, um alu- no adicionou algumas gotas do indicador azul de bromoti- mol em três soluções aquosas incolores: A, B e C. A faixa de pH de viragem desse indicador é de 6,0 a 7,6, sendo que o mesmo apresenta cor amarela em meio ácido e cor azul em meio básico. As soluções A e C ficaram com coloração azul e a solução B ficou com coloração amarela. As solu- ções A, B e C foram preparadas, respectivamente, com: X a) NaHCO3, NH4Cℓ e NaCℓO; b) NH4Cℓ, HCℓ e NaOH; c) NaHCO3, HCℓ e NH4Cℓ; d) NaOH, NaHCO3 e NH4Cℓ; e) NaCℓO, NaHCO3 e NaOH. 9. (UNIFESP) O metabolismo humano utiliza diversos tampões. No plasma sanguíneo, o principal deles é o equilíbrio entre ácido carbônico e íon bicarbonato, re- presentado na equação: CO2(g) + H2O(ℓ) H2CO3(aq) H + (aq) + HCO3 – (aq) A razão [ ] [ ] HCO H CO 3 2 3 − é 20 1 . Considere duas situações: I. No indivíduo que se excede na prática de exercí- cios físicos, ocorre o acúmulo de ácido lático, que se difunde rapidamente para o sangue, produzindo cansaço e cãibras. II. O aumento da quantidade de ar que ventila os pul- mões é conhecido por hiperventilação, que tem como consequência metabólica a hipocapnia, diminuição da concentração de gás carbônico no sangue. a) O que ocorre com a razão [ ] [ ] HCO H CO 3 2 3 − no plasma sanguíneo do indivíduo que se excedeu na prática de exercícios físicos? Justifique. De acordo com a situação I, quando um indivíduo se exce- de na prática de exercícios físicos, ocorre um acúmulo de ácido lático, que se difunde para o sangue, aumentando a concentração de íons H+(aq). Esse aumento faz com que o equilíbrio seja deslocado no sentido da reação inversa, pro- duzindo H2CO3(aq) e consumindo HCO3 – (aq). Com isso, a razão [ ] [ ] HCO H CO 3 2 3 no plasma diminui. b) O que ocorre com o pH do sangue do indivíduo que apresenta hipocapnia? Justifique. Hipocapnia é a diminuição da concentração de gás carbônico no sangue. Portanto, um indivíduo submetido a essa altera- ção apresenta uma perturbação no sistema-tampão do plasma sanguíneo. Como a concentração de gás carbônico diminui, o equilíbrio é deslocado no sentido da reação inversa, con- sumindo o íon H+(aq). Dessa forma, o meio se torna menos ácido, ou seja, o pHaumenta. Sugestão de atividades: questões de 17 a 21 da seção Hora de estudo. Química 51 Produto de solubilidade ConexõesConexões Justiça condena 2 por mortes por Celobar O chefe da divisão química do laboratório Enila, [...], foi condenado pela Justiça do Rio a 22 anos de prisão pela con- taminação do medicamento Celobar, que causou a morte de pelo menos nove pessoas em 2003 – uma no Rio de Janeiro e oito em Goiás. O diretor-presidente do laboratório Enila, [...], também foi condenado – a 20 anos de prisão. Eles podem recorrer da sentença em liberdade. A decisão é do juiz [...] da 38ª Vara Criminal do Rio, em ação movida pelo Ministério Público. Substâncias nocivas O Celobar era usado para permitir o contraste durante exames de raio-X. Para baratear a produção do medicamento, o laboratório usou substâncias nocivas à saúde humana. No lugar de adicionar sulfato de bário, o princípio ativo correto do medicamento, o laboratório usou carbonato de bá- rio, usado em veneno para ratos. Laudo da Fundação Oswaldo Cruz detectou a presença de 14% de carbonato de bário em 100 g, sendo que o limite máximo permitido é de 0,001%. Em 16 de abril de 2003, o laboratório iniciou a venda de um lote contaminado [...], que foi distribuído em nove Estados e no Distrito Federal. Após as primeiras mortes, o Enila foi interditado pela Anvisa (Agên- cia Nacional de Vigilância Sanitária) e faliu. A maior quantidade de frascos foi para Goiás, onde ocorreu a maioria das mortes. [...] Além das ações criminais, também tramitam na Justiça processos em que as famílias das vítimas pedem indenizações ao laboratório. [...]. JUSTIÇA condena 2 por mortes por Celobar. Folha de S. Paulo. Cotidiano. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ ult95u496291.shtml>. Acesso em: 25 maio 2015. La tin st oc k/ Ph ot or es ea rc h er s/ Bi op h ot o A ss oc ia te s A suspensão é um tipo de disper- são em que há uma heterogenei- dade de aglomerados de átomos, íons ou moléculas que podem ser visivelmente observados a olho nu ou com o auxílio de instrumentos ópticos simples. De acordo com o texto, um erro em uma indústria farmacêutica pode provo- car a intoxicação em dezenas de pessoas e até ser fatal. O laboratório em ques- tão, ao contrário do que vinha fazendo rotineiramente, no lugar de comprar sulfato de bário para preparar a suspensão, decidiu por sintetizá-lo a partir de carbonato de bário e ácido sulfúrico. Pela análise feita no produto final, a rea- ção do ácido com o carbonato não foi completa e, no lote do medicamento Celobar®, havia carbonato de bário (BaCO3). Apesar de pouco solúvel em água, esse sal reage com o ácido clorídrico presente no estômago (o que não acontece com o BaSO4), formando um sal solúvel, o cloreto de bário (BaCℓ2). Ao se dissolver, o sal solúvel se dissocia e libera íons bário para o organismo, provocando a intoxicação. 8 Refletindo sobre o caso Celobar®. 52 Volume 7 9 Produção da suspensão de sulfato de bário para que não ocorra a absorção de íons bário pelo organismo. O sulfato de bário (BaSO4), normalmente administrado via oral em suspensão aquosa, é bastante utilizado como agente de contraste para imagens clínicas por ser opaco aos raios X e, também, para outros procedimentos de diag- nósticos, como tomografia e ressonância magnética. Apesar de ser constituído por um metal de íon tóxico (Ba2+), sua ingestão é inofensiva, pois a baixa solubilidade do sal, apenas 1 10–5 mol/L, faz com que não seja absorvido pelo organismo. Sem dissolução, praticamente não há dis- sociação do sal e, como os íons bário não são liberados para serem absorvidos, o paciente é protegido de seus efeitos nocivos. Processos envolvendo a dissolução e a precipitação de sais ou bases pouco solúveis correspondem a equilíbrios heterogêneos em que as espécies estão em fases diferentes. Corpo de fundo(s) dissolução do corpo de fundo precipitação do corpo de fundo y Cátionx+(aq) + x Ânion y– (aq) Para uma abordagem quantitativa sobre quanto do sal ou da base tende a se dissolver, utiliza-se a constante do produto de solubilidade (Kps). Matematicamente, o Kps é o produto das concentrações, em mol/L, dos íons existentes em uma solução saturada, cada um elevado à potência que corresponde ao respectivo coeficiente estequiométrico obtido pela equação química balanceada. Kps = [Cátion x+]y [Âniony–]x Entretanto, quando se tem uma solução saturada com corpo de fundo, existe um equilíbrio dinâmico entre os íons positivo (cátion) e negativo (ânion) presentes na solução e o sólido depositado no fundo do recipiente. O equilíbrio heterogêneo da solução aquosa saturada de sulfato de bário (BaSO4) com o soluto não dissolvido é representado da se- guinte maneira: BaSO4(s) Ba 2+ (aq) + SO4 2– (aq) soluto iônico solução saturada Assim, a constante do produto de solubilidade é: Kps = [Ba 2+] [SO4 2–] Solubilidade e Kps Em princípio, é possível utilizar o valor de Kps para calcular a solubilidade sob uma variedade de condições e vice- -versa. Porém, para determinar esses cálculos, é importante distinguir, cuidadosamente, a solubilidade do produto de solubilidade. A solubilidade é a propriedade que as substâncias têm de se dissolverem espontaneamente em outra substân- cia, o solvente. É definida como a máxima quantidade de soluto que pode ser dissolvida em certa quantidade de solvente e em determinadas condições de temperatura e pressão. 10 Regras para a expressão da constan- te do produto de solubilidade (Kps). A solução saturada é obtida quando o so- luto atinge, a determinada pressão e tempe- ratura, a solubilidade. Solução saturada em equilíbrio com o corpo de fundo Química 53 O produto de solubilidade corresponde à constante de equilíbrio relacionada entre um sólido iônico e sua solução saturada. A tabela contém os valores de Kps para alguns compostos iônicos, determinados experimentalmente a 25 ºC. Composto iônico Kps Hidróxido de alumínio – Aℓ(OH)3 1,0 ⋅ 10 –33 Carbonato de bário – BaCO3 8,1 ⋅ 10 –9 Sulfato de bário – BaSO4 1,1 ⋅ 10 –10 Sulfeto de bismuto – Bi2S3 1,0 ⋅ 10 –97 Carbonato de cálcio – CaCO3 8,7 ⋅ 10 –9 Fluoreto de cálcio – CaF2 4,0 ⋅ 10 –11 Sulfato de cálcio – CaSO4 2,4 ⋅ 10 –5 Cloreto de chumbo II – PbCℓ2 1,6 ⋅ 10 –5 Hidróxido de ferro III – Fe(OH)3 2,0 ⋅ 10 –39 Sulfeto de ferro II – FeS 6,3 ⋅ 10–18 Hidróxido de magnésio – Mg(OH)2 1,1 ⋅ 10 –11 Cloreto de prata – AgCℓ 1,6 ⋅ 10–10 Hidróxido de prata – AgOH 1,5 ⋅ 10–8 Sulfeto de prata – Ag2S 6,3 ⋅ 10 –51 Sulfeto de zinco – ZnS 1,6 ⋅ 10–24 Fonte: ATKINS, Peter; JONES, Loretta. Princípios de Química: questionando a vida moderna e o meio ambiente. Porto Alegre: Bookman, 2006. p. 584. A solubilidade é geralmente expressa em gramas de soluto por litro de solução (g/L), mas também pode ser repre- sentada em função da quantidade de matéria por volume (mol/L). Com o valor do Kps, pode-se calcular a solubilidade molar de determinado composto pela expressão matemática dessa constante. Veja alguns exemplos: A causa principal dos buracos de escoamento de água é a dissolução do calcário (carbonato de cálcio) pela água do subsolo. Apesar de CaCO3 ter uma constante de produto de solubilidade relativamente baixa, ele é bastante solúvel na presença de ácido. CaCO3(s) Ca 2+ (aq) + CO3 2– (aq) Kps = 8,7 10 –9 A água da chuva é naturalmente ácida, com um pH na faixa de 5 a 6, podendo tornar-se ainda mais áci- da quando em contato com matéria orgânica em decomposição. Uma vez que o íon carbonato é a base con- jugada do ácido fraco, o íon hidrogenocarbonato (HCO3 –) combina-se rapidamente com o íon hidrogênio. CO3 2– (aq) + H + (aq) → HCO3 – (aq) O consumo de íon carbonato desloca o equilíbrio de dissolução para a direita, aumentando assim a solubilidade de CaCO3. Isso pode ter consequências profundas nas áreas onde o terreno consiste em leitos rochosos de carbonato de cálcio porosocoberto por uma camada relativamente fina de argila e/ou solo ará- vel. À proporção que a água ácida infiltra-se e gradualmente dissolve o calcário, ela cria lacunas no subsolo. BROWN, Theodore et al. Química: a ciência central. Tradução de Robson Matos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. p. 633. Quanto menor o va- lor de Kps, conside- rando que os íons presentes nas solu- ções estão na mes- ma proporção e na mesma temperatura, menos solúvel será o composto iônico. 54 Volume 7 Com base nas informações, determine a solubilidade (mol/L) do carbonato de cálcio na temperatura de 25 ºC. Resolução: CaCO3(s) Ca 2+ (aq) + CO3 2– (aq) Kps = [Ca 2+] [CO3 2–] 8,7 10–9 = [Ca2+] [CO3 2–] 8,7 10–9 = x x x2 = 87 10–10 x ≅ 9,3 10–5 mol/L = [CaCO3] O cálculo renal, conhecido popularmente como “pedra nos rins”, é um problema que atinge em média 5% da população mundial, sendo a maior incidência em homens. É formado quando o excesso de algum componente da urina é agregado na forma de cristais. O fosfato de cálcio, um dos principais componentes da urina, quando excretado, apre- senta concentração média de íons Ca2+(aq) igual a 2 10 –3 mol L–1. Determine a concentração de íons PO4 3– (aq) que inicia a precipitação de (Ca3(PO4)2(s)). Dados: Kps= 1 10 –25 e 0 125, = 0,354 Resolução: Ca3(PO4)2(s) 3 Ca 2+ (aq) + 2 PO4 3– (aq) Kps = [Ca 2+]3 [PO4 3–]2 1 10–25 = (2 10–3)3 [PO4 3–]2 [ ] [ ] , [ ] , PO PO PO 4 3 2 25 9 4 3 2 16 4 3 1 10 8 10 0 125 10 0 125 10 − − − − − − = ⋅ ⋅ = ⋅ = ⋅ −− − − 162 4 3 80 354 10[ ] , /PO mol L= ⋅ Com a solubilidade molar de um sal ou de uma base pouco solúvel, é possível determinar o Kps. Observe os exemplos: O brometo de prata (AgBr) é um sal amplamente utilizado no campo da fotografia, em razão da sua sensibilidade à luz e da baixa solubilidade em água. Sabendo que a solubilidade desse sal em água, a 25 ºC, é 8,8 10–7 mol/L, deter- mine o valor do seu produto de solubilidade (Kps). Resolução: AgBr(s) Ag + (aq) + Br – (aq) 8,8 10–7 mol/L 8,8 10–7 mol/L 8,8 10–7 mol/L Kps = [H +] [Br–] Kps = (8,8 10 –7) (8,8 10–7) Kps = 7,7 10 –13 O hidróxido de magnésio – Mg(OH)2 – é o principal componente do leite de magnésia, utilizado como antiácido estomacal e laxante. No rótulo desse medicamento, encontra-se a indicação “agite antes de usar”, pois se trata de uma base pouco solúvel, formando assim uma suspensão. Determine o valor da constante de solubilidade para essa base, considerando que sua solubilidade em água, a 25 ºC, é igual a 10–4 mol/L. Resolução: Mg(OH)2(s) Mg 2+ (aq) + 2 OH – (aq) 10–4 mol/L 10–4 mol/L 2 10–4 mol/L Kps = [Mg 2+] [OH–]2 Kps = 10 –4 (2 10–4)2 Kps = 4 10 –12 Química 55 Atividades 1. Por meio das equações corretamente balanceadas dos compostos iônicos apresentados, escreva a expressão da constante do produto de solubilidade. a) Ag2S Ag2S(s) � 2 Ag+(aq) + S2–(aq) Kps = [Ag +]2 [S2–] b) Aℓ(OH)3 Aℓ(OH)3(s) � Aℓ3+(aq) + 3 OH–(aq) Kps = [Aℓ 3+] [OH–]3 c) CaSO4 CaSO4(s) � Ca2+(aq) + SO42–(aq) Kps = [Ca 2+] [SO4 2–] d) Zn(OH)2 Zn(OH)2(s) � Zn2+(aq) + 2 OH–(aq) Kps = [Zn 2+] [OH–]2 e) Pb3(PO4)2 Pb3(PO4)2(s) � 3 Pb2+(aq) + 2 PO43–(aq) Kps = [Pb 2+]3 [PO4 3–]2 11 Gabaritos. 2. O produto de solubilidade do hidróxido de ferro III (Fe(OH)3), a 25 °C, é igual a 2,0 10 –39. Nessa tempe- ratura, determine a solubilidade dessa base. Fe(OH)3(s) � Fe3+(aq) + 3 OH–(aq) x x 3 x Kps = [Fe 3+] [OH–]3 Kps = x (3 x) 3 Kps = 27 x 4 2,0 10–39 = 27 x4 x x x 4 39 4 41 11 2 0 10 27 7 4 10 9 27 10 = ⋅ = ⋅ ≅ ⋅ , , , − − − 3. (UFRGS – RS) Se o produto de solubilidade do cloreto de césio é Ks, a solubilidade desse sal será igual a: a) K s 2 X b) K s c) Ks 2 d) 2 Ks e) Ks 4. A solubilidade do fluoreto de magnésio MgF2, em de- terminada temperatura, corresponde a 1,2 10–3 mol/L. Determine o produto de solubilidade desse sal nas mes- mas condições. MgF2(s) � Mg2+(aq) + 2 F–(aq) 1,2 10–3 mol/L 1,2 10 –3 mol/L 2 1,2 10 –3 mol/L Kps = [Mg 2+] [F–]2 Kps = 1,2 10 –3 2,4 10–3 2 Kps = 1,2 10 –3 5,76 10–6 Kps ≅ 6,9 10 –9 56 Volume 7 5. (UEG – GO) O diretor-presidente do laboratório Enila responsabilizou o químico da empresa [...] e confirmou que fez experiências para transfor- mar o carbonato de bário em sulfato de bário – princípio ativo do Celobar. O carbonato é usado como veneno de rato e somente quatro laboratórios do mundo têm capacidade para sintetizá-lo. “A mesma bomba e o mesmo en- canamento móvel que eram usados para trans- portar o Celobar do tanque de produção ao en- vasamento podem ter servido para dispensar o sulfato de bário que ele (o químico) obteve do carbonato de bário”, explicou o delegado Rena- to Nunes, titular da Delegacia de Repressão a Crimes contra a Saúde Pública (DRCCSP), que investiga o caso. Disponível em: http://www.na.com.br. Acesso em: 10 jun. 2003. Sobre o carbonato de bário, contaminante do Celobar, faça o que se pede: a) Escreva a equação balanceada da reação do carbo- nato de bário, ingerido por alguns pacientes com o ácido clorídrico, existente no estômago. BaCO3(s) + 2 HCℓ(aq) → BaCℓ2(aq) + H2O(ℓ) + CO2(g) b) Determine a solubilidade molar do carbonato de bá- rio. A constante do produto de solubilidade, a 25 °C, é Kps = 1,6 10 −9. p BaCO3(s) � Ba2+(aq) + CO32–(aq) x x x [Ba2+] = [CO3 2–] = x Kps = [Ba 2+] [CO3 2–] 1,6 10–9 = x x x2 = 16 10–10 x = 4 10–5 mol/L 6. (UEG – GO) Considere uma solução contendo 1,0 mol L–1, dos íons Cℓ– e Br– e não contendo íons Ag+. Nessa solução dissolveram-se cristais de AgNO3. Considere que o volume da solução permaneceu constante durante a adição do sal de prata e, nesse caso, de posse dos valores dos produtos de solubilidade dos sais de prata que se formam nesse processo, responda: Sal de prata Kps AgCℓ 1,6 10–10 AgBr 7,7 10–13 a) Qual sal se precipitará primeiro? Explique. Precipitará primeiro o sal que tiver o menor valor de solubili- dade molar. Como os dois sais apresentam a mesma relação de cátions e ânions, a solubilidade não precisa ser calculada. De acordo com o Kps, o AgBr precipitará antes. b) Qual a concentração mínima de Ag+ necessária para iniciar a precipitação do sal do composto iden- tificado no item a. Kps = [Ag +] [Br–] 7,7 10–13 = [Ag+] 1 [Ag+] = 7,7 10–13 mol/L 7. (UFES) A presença de alguns íons metálicos em águas de rios, de lagos e de oceanos é bastante prejudicial aos seres vivos. Uma das formas de diminuir a con- centração desses íons no corpo de água é provocar a sua reação com sulfeto, formando compostos muito pouco solúveis. Adicionando-se uma solução de sulfeto de sódio a uma água contendo Hg2+, Ni2+, Zn2+, Cu2+ e Pb2+ em concentrações iguais, haverá precipitação, em primeiro lugar, de Dados: as constantes do produto de solubilidade (Kps) Composto Kps a 25 ºC HgS 1,6 10–54 ZnS 1,2 10–23 CuS 9,0 10–37 NiS 7,0 10–16 PbS 2,0 10–29 X a) HgS b) NiS c) ZnS d) CuS e) PbS Sugestão de atividades: questões de 22 a 29 da seção Hora de estudo. Química 57 Química em foco Alcalose e acidose O sangue humano é uma solução tamponada, ou seja, possui mecanismos que evitam que o seu pH se altere muito. Um desses mecanismos ocorre quando o CO2, um produto terminal de nosso metabolismo, dissolve-se no sangue e forma o seguinte equilíbrio químico: CO2 + H2O H2CO3 H + + HCO3 – Desse modo, o pH do sangue arterial é mantido em cerca de 7,4. O pH do sangue venoso é de 7,35, porque possui maior concentração de CO2. Algumas situações podem fazer com que essa concentração se altere, principalmente questões respirató- rias. Por exemplo, quando uma pessoa tem enfisema pulmonar, pneumonia, bronquite ou asma, ela pode passar por momentos em que a respiração é deficiente. Em virtude, então, dessa hipoventilação, a transferên- cia de CO2 para o exterioré reduzida e a sua concentração aumenta no sangue, diminuindo o pH sanguíneo. Se o pH do sangue arterial atingir valores menores que 7,4, temos uma situação que se configura como um quadro de acidose e alguns sintomas são falta de ar, diminuição ou supressão da respiração e desorientação, podendo levar a pessoa ao coma. Se o pH ficar abaixo de 6,8, há risco de morte. Outras situações que levam à acidose estão ligadas ao uso de drogas, alterações no sistema nervoso central e lesões no sistema respiratório. No entanto, se ocorrer o contrário e a pessoa respirar muito rapidamente, como em casos de histeria, de ansiedade, em virtude do uso de drogas, de exercícios físicos excessivos, overdose em razão do uso de aspirina e em casos de doenças pulmonares, a concentração de CO2 diminuirá e o pH do sangue aumentará. Nesses casos, em que o pH do sangue arterial fica acima de 7,4, temos um caso de alcalose. O risco de morte ocorre se o pH atingir valores acima de 7,8. A alcalose pode acontecer também no caso de alpinistas que atingem altitudes muito elevadas. Nesses lugares, a pressão atmosférica é menor e a baixa pressão parcial do oxigênio aumenta a ventilação pulmonar, levando à perda excessiva de CO2. Os principais sintomas da alcalose são respiração ofegante, entorpecimento, rigidez muscular e convulsões. A alcalose e a acidose não são desencadeadas somente por problemas de natureza respiratória, mas também podem surgir em face de anormalidades metabólicas, como aumento da formação de ácidos metabólicos, per- da excessiva de álcalis, como em diarreias e vômitos intensos, doenças renais e diabetes. FOGAÇA, Jennifer. Alcalose e acidose. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/quimica/alcalose-acidose.htm>. Acesso em: 25 maio 2015. Com o conhecimento sobre o tampão sanguíneo, responda às questões: a) A concentração de íons hidrogênio no sangue é regulada por meio do sistema-tampão, conforme representado no texto. Explique como ocorre o deslocamento de equilíbrio quando um indivíduo apresenta perda excessiva de CO2. b) A situação exposta acima corresponde a uma acidose ou alcalose? Justifique sua resposta pela alteração que ocorre com o pH sanguíneo. 12 Gabaritos. 58 Volume 7 Hora de estudo 1. (UFAL) Um exemplo do impacto humano sobre o meio ambiente é o efeito da chuva ácida sobre a biodiversi- dade. A água da chuva em uma região poluída tem pH igual a 3,0. Considere a tabela a seguir: Mistura pH Suco de limão 2,2 Suco de tomate 4,3 Leite 6,8 Leite de magnésia 11 Com base nessas informações, é correto afirmar que: a) a chuva é menos ácida que o suco de tomate. b) a chuva é mais ácida que o suco de limão. X c) a [H3O +] na chuva é igual a 0,001 mol/L. d) a [H3O +] no suco de limão é menor do que no suco de tomate. e) são considerados misturas básicas o leite e o leite de magnésia. 2. (UDESC) O ácido sulfúrico, um componente muito uti- lizado na indústria química, é fabricado em grandes quantidades. Ele é empregado na produção de fertili- zantes, explosivos, corantes dentre outros materiais. É comum avaliar o desenvolvimento industrial de um país pelo consumo desse ácido. Assinale a alternativa que contém o pH de uma solução de ácido sulfúrico 0,005 mol L–1. a) pH = 1,5 X b) pH = 2,0 c) pH = 3,0 d) pH = 2,3 e) pH = 4,0 3. (UFES) Uma solução de hidróxido de sódio com um pH aproximadamente igual a 12 tem concentração em mol/L igual a: X a) 0,01 b) 0,10 c) 0,20 d) 1,00 e) 2,00 4. (FMN – PE) Qual o pH de uma solução de NaOH (hidró- xido de sódio) 5,0 10–4 M? Dados: log 2 = 0,30 e log 5 = 0,70 a) 9,0 b) 11,4 c) 12,3 X d) 10,7 e) 13,8 5. (EMESCAM – ES) A concentração hidrogeniônica em um suco de limão é 1,0 10–3 mol/L. Utilizando-se de 100 mL desse suco para fazer uma limonada e diluindo-se para 1,0 L com água, o pH aproximado do refresco será: a) 1,0 b) 2,0 X c) 4,0 d) 6,0 e) 7,0 6. (UEPG – PR) A determinação qualitativa do pH pode ser feita por meio de substâncias denominadas indi- cadores, que têm a propriedade de indicar a coloração de acordo com o meio: ácido ou básico. Com base na tabela abaixo, que apresenta alguns indicadores comu- mente utilizados em laboratório, com suas respectivas colorações, assinale o que for correto. Indicador Coloração Meio ácido Meio básico Fenolftaleína Incolor Vermelha Vermelho de metila Vermelha Amarela Vermelho congo Violeta Vermelho Verde de bromocresol Amarelo Azul Alaranjado de metila Vermelho Amarelo (01) Uma amostra de um efluente aquoso de uma in- dústria, com [OH–] = 10–10 mol/L, apresenta colo- ração vermelha em presença de fenolftaleína. X (02) Uma amostra de clara de ovo cujo pOH é igual a 6 apresenta coloração azul em presença de verde de bromocresol. X (04) Um sabonete líquido com alto teor alcalino apre- senta coloração amarela em presença do alaran- jado de metila. X (08) Uma amostra de um determinado refrigerante incolor cuja concentração de íons [H+] é igual a 10–4 mol/L apresenta coloração violeta quando em presença de vermelho congo. (16) Uma amostra de água do mar com pH igual a 8 apresenta coloração vermelha em presença de vermelho de metila. 7. (ENEM) A chuva em locais não poluídos é levemente ácida. Em locais onde os níveis de poluição são altos, os valores do pH da chuva podem ficar abaixo de 5,5, recebendo, então, a denominação de “chuva ácida”. Este tipo de chuva causa prejuízos nas mais diversas áreas: construção civil, agricultura, monumentos histó- ricos, entre outras. A acidez da chuva está relacionada ao pH da seguinte forma: concentração de íons hidro- 13 Gabaritos. A resolução das questões desta seção deve ser feita no caderno. Química 59 gênio = 10–pH, sendo que o pH pode assumir valores entre 0 e 14. Ao realizar o monitoramento do pH da chuva em Cam- pinas (SP) nos meses de março, abril e maio de 1998, um centro de pesquisa coletou 21 amostras, das quais quatro têm seus valores mostrados na tabela: Mês Amostra pH Março 6a 4 Abril 8a 5 Abril 14a 6 Maio 18a 7 A análise da fórmula e da tabela permite afirmar que: I. da 6.ª para a 14.ª amostra ocorreu um aumento de 50% na acidez; II. a 18.ª amostra é a menos ácida dentre as expostas; III. a 8.ª amostra é dez vezes mais ácida que a 14.ª; IV. as únicas amostras de chuvas denominadas ácidas são a 6.ª e a 8.ª. São corretas apenas as afirmativas: a) I e II; b) II e IV; c) I, II e IV; d) I, III e IV; X e) II, III e IV. 8. (FUVEST – SP) As figuras a seguir representam, de ma- neira simplificada, as soluções aquosas de três ácidos, HA, HB e HC, de mesmas concentrações. As moléculas de água não estão representadas. Considerando essas representações, foram feitas as seguintes afirmações sobre os ácidos: I. HB é um ácido mais forte do que HA e HC. II. Uma solução aquosa de HA deve apresentar maior condutibilidade elétrica do que uma solução aquosa de mesma concentração de HC. III. Uma solução aquosa de HC deve apresentar pH maior do que uma solução aquosa de mesma con- centração de HB. Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) II e III, apenas. d) I e III, apenas. X e) I, II e III. 9. (ENEM) O botulismo, intoxicação alimentar que pode levar à morte, é causado por toxinas produzidas por certas bactérias, cuja reprodução ocorre nas seguintes condições: é inibida por pH inferior a 4,5 (meio ácido), temperaturas próximas a 100 °C, concentrações de sal superiores a 10% e presença de nitritos e nitratos como aditivos. Levando-se em conta os fatores que favorecem a repro- dução das bactérias responsáveis pelo botulismo, men- cionadas no item anterior, conclui-se que as toxinas que o causam têm maior chance de ser encontradas: X a) em conservas com concentração de 2 g de sal em 100 g de água; b) nas linguiças fabricadas com nitrito e nitrato de sódio; c) nos alimentos logo após terem sido fervidos; d) no suco de limão, cujopH varia de 2,5 a 3,6; e) no charque (carne salgada e seca ao sol). 10. (ACAFE – SC) O Princípio de Le Chatelier estabelece que a posição do equilíbrio sempre mudará na direção que contrabalance ou minimize a ação de uma força externa aplicada ao sistema. Um exemplo típico é o equilíbrio entre as formas cor-de-rosa e azul dos íons cobalto. [Co(H2O)6] 2+ (aq) + 4 Cℓ – (aq) [CoCℓ4] 2+ (aq) + 6 H2O(ℓ) Rosa Incolor Azul Dado: H = +120 cal mol–1 (reação direta) Assinale a alternativa correta que apresenta uma ação sobre o sistema que favorece a formação da solução de cor rosa. a) Adição de cloreto de sódio aquoso. b) Aumento da temperatura. c) Diminuição da concentração de água. X d) Diminuição da concentração de íons Cℓ–. 11. (CEFET – PI) Galinhas não transpiram e, no verão, a frequência de sua respiração aumenta para resfriar seu corpo. A maior eliminação de gás carbônico, através da respiração, faz com que as cascas de seus ovos, constituídas principalmente de carbonato de cálcio, se tornem mais finas. Para entender tal fenômeno, consi- dere os seguintes equilíbrios químicos: 60 Volume 7 1. Ca+(aq) + CO3 2– (aq) CaCO3(s) 2. CO3 2– (aq) + H2O(ℓ) HCO3 – (aq) + OH – (aq) 3. HCO3 – (aq) + H2O(ℓ) H2CO3(aq) + OH – (aq) 4. H2CO3(aq) CO2(g) + H2O(ℓ) para que as cascas dos ovos das galinhas não dimi- nuam de espessura no verão, as galinhas devem ser alimentadas: a) em atmosfera que contenha apenas gás carbônico. b) com água que contenha vinagre. c) com ração com baixo teor de cálcio. d) com água que contenha sal de cozinha. X e) com água enriquecida de gás carbônico. 12. (UFRN) Nutricionistas têm afirmado que alimentos ricos em ácido oxálico (H2C2O4), como acelga, soja e cacau, dificultam a absorção dos íons Ca2+ pelo intestino. Considere a informação acima e o equilíbrio a seguir: Ca2+(aq) + C2O 2– 4 (aq) CaC2O4(s) forma forma assimilável não assimilável Esse equilíbrio está relacionado com as formas do cál- cio assimilável pelo intestino humano e com as do não assimilável. Uma quantidade elevada de alimentos ricos em oxalato dificulta a absorção de Ca2+ porque a) o ácido oxálico reage com os íons C2O4 2– (aq), deslo- cando o equilíbrio para os produtos. b) o ácido oxálico dissolve o CaC2O4(s), deslocando o equilíbrio para os reagentes. X c) o aumento da concentração dos íons oxalato (C2O4 2– (aq)) desloca o equilíbrio, aumentando a quantidade de CaC2O4(s). d) o aumento da concentração de íons (C2O4 2– (aq)) des- loca o equilíbrio no sentido de aumentar a quantidade de Ca2+(aq). 13. (ENEM) Sabões são sais de ácidos carboxílicos de ca- deia longa utilizados com a finalidade de facilitar, du- rante processos de lavagem, a remoção de substâncias de baixa solubilidade em água, por exemplo, óleos e gorduras. A figura a seguir representa a estrutura de uma molécula de sabão. Em solução, os cátions do sabão podem hidrolisar a água e, desse modo, formar o ácido carboxílico cor- respondente. Por exemplo, para o estearato de sódio, é estabelecido o seguinte equilíbrio: CH3(CH2)16COO – + H2O CH3(CH2)16COOH + OH – Uma vez que o ácido carboxílico formado é pouco solú- vel em água e menos eficiente na remoção de gorduras, o pH do meio deve ser controlado de maneira a evitar que o equilíbrio acima seja deslocado para a direita. Com base nas informações do texto, é correto concluir que os sabões atuam de maneira X a) mais eficiente em pH básico. b) mais eficiente em pH ácido. c) mais eficiente em pH neutro. d) eficiente em qualquer faixa de pH. e) mais eficiente em pH ácido ou neutro. 14. (UDESC) Na água líquida ocorre o processo conhecido como autoionização da água (H2O H + (aq) + OH – (aq)). A ionização da água permitiu o cálculo do produto iôni- co da água (Kw = [H+] [OH–]) e, por consequência, a definição de meio neutro, ácido e básico. Assinale a alternativa correta, considerando a capaci- dade de ionização da água. a) [H+] [OH–] = 1,0 10–7 e pH + pOH = 14 X b) À temperatura de 25 ºC, o valor da constante de equilíbrio Kw é de 1,0 10–14 c) Em meio ácido a [H+] < 1,0 10–7 e pH < 7,0 d) Em meio básico a [H+] > 1,0 10–7 e pH > 7,0 e) Em meio neutro [H+] > 1,0 10–7 e pH = 7,0 15. (UESPI) A força de ácidos e bases pode ser estimada pela análise das constantes de ionização Ka e Kb, respectiva- mente. Observando a tabela a seguir (primeira constante de ionização a 25 ºC), podemos afirmar que o ácido mais fraco e a base mais forte, são respectivamente: Composto Constante de ionização HCN Ka = 4,9 10 –10 H2CO3 Ka = 4,6 10 –7 H3CNH2 Kb = 3,9 10 –4 CH3COOH Ka = 1,8 10 –5 H3PO4 Ka = 7,5 10 –3 NH4OH Kb = 2,0 10 –5 61Química X a) HCN e H3CNH2 b) H2CO3 e NH4OH c) H2CO3 e H3CNH2 d) CH3COOH e NH4OH e) H3PO4 e NH4OH 16. (UEL – PR) Os conservantes químicos de alimentos que controlam o crescimento de micro-organismos estão relacionados com o pH do meio e a forma não disso- ciada da molécula do ácido. “Quanto maior a concen- tração da forma não dissociada, maior a eficiência de um conservante.” O quadro a seguir mostra três ácidos utilizados como conservantes na indústria de alimentos, com suas res- pectivas constantes de dissociação e as porcentagens de ácido não dissociado em diferentes pH. Ácido Ka (constante de dissociação) % ácido não dissociado pH 7 pH 5 pH 3 propiônico 1,3 10–5 0,70 42,0 99,0 sórbico 1,6 10–5 0,50 30,0 98,0 benzoico 6,3 10–5 0,15 13,0 94,0 Dados: suco de laranja: pH = 3; suco de tomate: pH entre 4 e 5. Com base no enunciado e no quadro, considere as afirmativas. I. A eficiência de um conservante é favorecida quanto menores forem o valor de Ka e o pH do meio. II. O ácido propiônico é o mais indicado como conser- vante para o suco de laranja. III. O ácido sórbico é o mais indicado como conservante para o suco de tomate. IV. Os ácidos com 50% das moléculas na forma não dissociada encontram-se na faixa de pH neutro. Assinale a alternativa correta. X a) Somente as afirmativas I e II estão corretas. b) Somente as afirmativas II e III estão corretas. c) Somente as afirmativas I e IV estão corretas. d) Somente as afirmativas I, III e IV estão corretas. e) Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas. 17. (CEFET – RJ) A tabela abaixo apresenta compostos, como são conhecidos no cotidiano, nomes comuns e valores de pH que podem ou não estar corretamente associados. Composto Nome comum pH I Ca(OH)2 soda cáustica > 7 II CaSO4 gesso = 7 III CH3COOH vinagre = 7 IV NH4Cℓ sal amoníaco < 7 V HCℓ ácido muriático < 7 A alternativa que contém as associações corretas é a) I – II – III b) II – III – IV c) II – III – V X d) II – IV – V 18. (UNESP – SP) Em uma bancada de laboratório en- contram-se três tubos de ensaios numerados de I a III, contendo volumes iguais de água. Alguns cristais de acetato de sódio (A), cloreto de sódio (B) e cloreto de amônio (C) são adicionados nos tubos I, II e III, respectivamente. Ao medir o pH das soluções aquosas resultantes nos tubos de ensaio I, II e III, deve-se verificar que: a) I < 7; II = 7; III > 7. b) I < 7; II < 7; III = 7. X c) I > 7; II = 7; III < 7. d) I = 7; II = 7; III > 7. e) I > 7; II < 7; III = 7. 19. (FUVEST – SP) Um botânico observou que uma mesma espécie de planta podia gerar flores azuis ou rosadas. Decidiu então estudar se a natureza do solo poderia influenciar a cor das flores. Para isso, fez alguns expe- rimentos e anotou as seguintes observações: I. Transplantada para um solo cujo pH era 5,6, uma planta com flores rosadas passou a gerar flores azuis. II. Ao adicionar um pouco de nitrato de sódio ao solo, em que estava a planta com flores azuis, a cor das flores permaneceu a mesma. III. Ao adicionar calcário moído (CaCO3) ao solo, em que estava a planta com flores azuis, ela passou a gerar flores rosadas. Considerando essasobservações, o botânico pôde concluir que X a) em um solo mais ácido do que aquele de pH 5,6, as flores da planta seriam azuis. 62 Volume 7 b) a adição de solução diluída de NaCℓ ao solo, de pH 5,6, faria a planta gerar flores rosadas. c) a adição de solução diluída de NaHCO3 ao solo, em que está a planta com flores rosadas, faria com que ela gerasse flores azuis. d) em um solo de pH 5,0, a planta com flores azuis geraria flores rosadas. e) a adição de solução diluída de Aℓ(NO3)3 ao solo, em que está uma planta com flores azuis, faria com que ela gerasse flores rosadas. 20. (IFSP) Em estudos ligados à medicina e à biologia é muito importante o conceito de solução-tampão, pois os fluidos biológicos (animais ou vegetais) são, em ge- ral, meios aquosos tamponados. Marque quais dentre os seguintes pares de substâncias, quando em solução aquosa, produzem uma solução-tampão. a) HCℓ + NaOH b) NaOH + NaCℓ c) NaCN + HCℓO X d) NH4Cℓ + NH4OH e) CH3COOH + NaCℓ 21. (EMESCAM – ES) Profissionais de saúde como enfer- meiros, médicos, farmacêuticos, cada um no desem- penho de suas funções, usam ou preparam soluções que têm a propriedade de impedir variações súbitas do pH. Quais das soluções aquosas [...], desde que em concentração adequada, constituem sistemas- -tampões? I. NaCℓ / HCℓ II. H2CO3 / HCO3 – III. NH4Cℓ / NH4OH IV. H2CO3 / NaCℓ / H2SO4 V. CH3COOH / H2CO3 VI. acetato de sódio / ácido acético A resposta correta é: a) II, IV, V, VI b) I, III, V c) III, IV, VI X d) II, III, VI e) III, IV, V 22. (UEA – AM) Uma das grandes preocupações dos go- vernantes do mundo inteiro é a preservação do meio ambiente. Atualmente, existem várias substâncias po- luidoras; como exemplo, não devem ser lançadas em cursos de água naturais, soluções aquosas com alto teor de íons Hg2+. Uma recomendação para remover esses íons altamente tóxicos é precipitá-los sob a for- ma de sulfeto de mercúrio II, HgS. Qual dos resultados refere-se à solubilidade do sal, em mol/L? Dado: Kps (HgS em água) = 10 –54 a) 1,8 10–10 b) 5,2 10–13 c) 1,3 10–8 X d) 1,0 10–27 e) 8,1 10–17 23. (UPE) A concentração de cátions alumínio em águas naturais é muito pequena. A baixa solubilidade do alu- mínio ocorre pelo fato de que, na faixa de pH entre 6 e 9, usual em águas naturais, a solubilidade do alumí- nio presente em rochas e solos, aos quais a água en- contra-se em contato, é muito baixa. A solubilidade do alumínio é controlada pela insolubilidade do hidróxido de alumínio. A solubilidade do Aℓ3+, em mol/L, numa amostra de água natural de pH = 4, é igual a: Dado: Kps = 10 –33 (Hidróxido de alumínio) a) 10–8 X b) 10–3 c) 10–23 d) 103 e) 108 24. (UFPR) A dureza da água é um problema que afeta resi- dências e indústrias por gerar acúmulo mineral nas tu- bulações e dificultar a formação de espumas de sabão e detergentes. Relacione os elementos da coluna [...] que apresenta as constantes de produto de solubilida- de de carbonatos com as afirmativas [...]. Kps 1. CaCO3 10 –9 2. MgCO3 10 –5 3. FeCO3 10 –11 4. SrCO3 10 –10 ( 3 ) É o carbonato menos solúvel dos listados. ( 4 ) Uma solução saturada possui concentração de 10–5 mol L–1 do cátion e 10–5 mol L–1 do ânion. ( 1 ) Se a concentração do cátion é da ordem de 4,0 10–3 mol L–1, para ocorrer precipitação a concentração do carbonato deve ser de pelo me- nos 2,5 10–7 mol L–1. ( 2 ) Se a concentração do cátion é da ordem de 3,0 10–3 mol L–1, para ocorrer precipitação a concentração do carbonato deve ser de pelo me- nos 3,4 10–3 mol L–1. Assinale a alternativa que apresenta a numeração cor- reta, de cima para baixo. X a) 3 – 4 – 1 – 2. b) 3 – 2 – 1 – 4. c) 4 – 2 – 3 – 1. d) 3 – 1 – 4 – 2. 63Química 25. (UNICAMP – SP) Para fazer exames de estômago usan- do a técnica de raios-X, os pacientes devem ingerir, em jejum, uma suspensão aquosa de sulfato de bário, BaSO4, que é pouco solúvel em água. Essa suspensão é preparada em uma solução de sulfato de potássio, K2SO4, que está totalmente dissolvido e dissociado na água. Os íons bário, Ba2+, são prejudiciais à saúde hu- mana. A constante do produto de solubilidade do sulfa- to de bário em água a 25 ºC é igual a 1,6 10–9. a) Calcule a concentração de íons bário dissolvidos numa suspensão de BaSO4 em água. b) Por que, para a saúde humana, é melhor fazer a suspensão de sulfato de bário em uma solução de sulfato de potássio, do que em água apenas? Consi- dere que o K2SO4 não é prejudicial à saúde. 26. (UNESP – SP) A cada um de quatro frascos foi adi- cionado um mol de hidróxido de metal alcalinoterroso, conforme a tabela seguinte. A cada um deles foi adi- cionada água até que os volumes finais em todos os frascos fossem de 1 litro. A tabela também apresenta os valores para a solubilidade de cada um dos hidróxi- dos à mesma temperatura. Frasco Hidróxido Solubilidade (mol/L) 1 Mg(OH)2 0,00015 2 Ca(OH)2 0,023 3 Sr(OH)2 0,063 4 Ba(OH)2 0,216 a) Escreva a equação para a reação de dissociação e calcule a concentração dos íons hidroxila, em mol/L, para a solução resultante no frasco 2. b) Em qual dos frascos a solução terá valor de pH mais elevado? Justifique. 27. (UFPR) Uma solução saturada de Ag3PO4, a 25 °C, con- tém 1,2 miligrama desse sal por litro de solução. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, as concen- trações, em mol L–1, dos íons Ag+ e PO4 3– e o valor da constante produto de solubilidade (Kps) do Ag3PO4. Massas molares: Ag = 107,9 g mol–1; P = 31,0 g mol–1; O = 16,0 g mol–1. a) 8,7 10–6, 2,9 10–6 e 7,6 10–11. b) 2,9 10–6, 2,9 10–6 e 8,4 10–12. c) 2,9 10–6, 2,9 10–6 e 7,1 10–23. d) 2,9 10–6, 8,7 10–6 e 8,4 10–12. X e) 8,7 10–6, 2,9 10–6 e 2,0 10–21. 28. (UFMS) Em quatro frascos contendo, cada um deles, 500 mL de água destilada, à temperatura de 25 ºC, foram adicionadas as seguintes porções de CdC2O4: Frasco A B C D Massa (g) 3,0 10–2 5,0 10–2 7,0 10–3 9,0 10–3 Sabendo-se que a constante do produto de solubilida- de (Kps) do CdC2O4, a 25 ºC, é 9,0 10 –8, assinale a alternativa que contém o(s) sistema(s) onde se observa um equilíbrio entre uma solução saturada e o precipita- do correspondente. Dado: massa molar CdC2O4 (g/mol) = 200. a) Somente em A X b) Somente em B c) Somente em C d) Somente em D e) Somente em C e D 29. (UEPB) Cândido Portinari é considerado um dos maio- res pintores brasileiros, sendo o de maior projeção internacional. No ano de 1954 começou a sentir o efeito do contato diuturno com as tintas, apresen- tando doses anormais de chumbo no organismo. En- tretanto, mesmo contra as recomendações médicas, voltou a usar tinta a óleo para pintar quadros, quando seu estado de saúde se agravava, vindo a falecer em 1962. O chumbo pode ser encontrado em uma gran- de quantidade de tintas em forma de sais e óxidos, dentre os quais o cromato de chumbo (amarelo) e o tetróxido de trichumbo (vermelho). Uma reação de identificação do íon Pb (II) é sua precipitação em meio aquoso, que consiste na conversão de um composto de chumbo relativamente solúvel em um composto praticamente insolúvel. TABELA 1 Composto Fórmula Kps Cloreto de chumbo PbCℓ2 1,7 10 –5 Cromato de chumbo PbCrO4 3,0 10 –13 Fluoreto de chumbo PbF2 3,7 10 –8 Sulfato de chumbo PbSO4 1,6 10 –8 Com base nas informações acima escolha a alternativa que contém a substância mais indicada para a identifi- cação do chumbo II por precipitação em meio aquoso. Considere que todos os sais de metais alcalinos são muito solúveis em água. a) PbCrO4 b) LiCℓ c) Na2SO4 X d) K2CrO4 e) RbF 64 Volume 7