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OXIGENOTERAPIA Consiste na administração de oxigênio com finalidade terapêutica. Existem vários tipos de sistemas para administração de oxigênio, classificados de acordo com a concentração e fluxo do gás. Os sistemas podem ser abertos ou fechados, de baixo ou alto fluxo, e utilizar cateteres ou máscaras. INDICAÇÃO: Combater a deficiência de oxigênio e corrigir hipoxemia; Auxiliar na administração de medicamentos no trato respiratório; Fluidificar secreções e facilitar expectoração; Diminuir os processos inflamatórios das vias respiratórias; Prevenir trabalho cardiopulmonar excessivo. SISTEMAS DE BAIXO FLUXO DE CONCENTRAÇÃO DE O2 Cânula nasal dupla (óculos); Cateter nosofaringeo; Máscaras faciais para nebulização; OXIGENOTERAPIA COM CÂNULA NASAL DUPLA FINALIDADE: Oferecer aporte de oxigênio umidificado. Este meio fornece uma quantidade moderada de oxigênio (20 a 28%) com um fluxo de 1 a 8 litros por minuto. MATERIAL: Cânula nasal dupla estéril; Umidificador; Extensão; Fluxômetro; Água destilada; OXIGENOTERAPIA COM CÂNULA NASAL DUPLA PROCEDIMENTO: Lavar as mãos e reunir material; Explicar ao paciente o procedimento e sua finalidade; Instalar o fluxômetro na rede de O2; Colocar AD no copo umidificador, fechar bem e conectá-lo ao fluxômetro; Conectar a extensão ao umidificador; Instalar e ajustar a cânula nasal no paciente, evitando tracionar as asas do nariz; Conectar a cânula à extensão, abrir e regular o fluxômetro conforme prescrição; Trocar a cânula nasal diariamente; Trocar o umidificador e a extensão a cada 48h; Anotar o procedimento e intercorrências CÂNULA NASAL DUPLA Vantagens: É leve e bem tolerada; Não interfere com a fala e a alimentação. Desvantagens: Quantidade incerta de oxigênio fornecida; Resseca a mucosa nasal, pois fornece pequena umidade; Pode ser irritante e incomodo com o uso prolongado; Fluxos rápidos podem provocar dor nos seios nasais. OXIGENOTERAPIA COM CATETER NASOFARÍNGEO FINALIDADE: Oferecer aporte de oxigênio umidificado. O cateter nasofaríngeo fornece quantidade moderada de oxigênio (30 a 50%) a um fluxo de até 8 L/min. É freqüentemente utilizado para pacientes com infarto do miocárdio, pneumonia e choque. MATERIAL: Cateter nasofaríngeo estéril; Esparadrapo; Gaze; Lubrificante; Umidificador; Extensão; OXIGENOTERAPIA COM CATETER NASOFARÍNGEO PROCEDIMENTO: Lavar as mãos e reunir o material; Explicar o procedimento ao paciente e posicioná-lo; Instalar fluxômetro; Colocar AD no copo e instalá-lo junto ao fluxômetro; Medir o tamanho do cateter da ponta do nariz ao inicio do canal auditivo externo; Lubrificar o cateter em uma das narinas até aproximadamente 2 cm da marca de esparadrapo; Conectar o cateter à extensão, abrir o fluxômetro e regular o fluxo; Trocar o cateter diariamente; Trocar o umidificador e a extensão a cada 48h; Anotar o procedimento e intercorrências; CATETER NASOFARÍNGEO Vantagens: O paciente recebe oxigênio mesmo respirando pela boca ou pelo nariz. A quantidade de oxigênio fornecida geralmente é adequada. Desvantagens: Resseca a mucosa Não permite um alto grau de umidificação. Se mal posicionada pode insuflar o estômago. CATETER NASOFARÍNGEO NEBULIZAÇÃO FINALIDADE: Umidificar o ar inspirado; Oferecer aporte de oxigênio; Fluidificar secreções; MATERIAL: Fluxômetro; Mascara; Nebulizador; 250 ml de água destilada estéril; Extensão; NEBULIZAÇÃO Procedimento: Lavar as mãos e reunir o material; Explicar o procedimento ao paciente Instalar o fluxômetro na rede de oxigênio. Colocar água destilada ou SF 0,9% no copo do nebulizador, fechar e conectar ao fluxômetro de oxigênio. Conectar a máscara ao látex e este ao nebulizador. Colocar a máscara no rosto do paciente e ajustá-la, evitando compressões. Regular o fluxo de oxigênio conforme prescrição médica. Identificar o nebulizador. Recolher o material e fazer anotações no prontuário do paciente. Trocar a água do nebulizador a cada 6 horas. Trocar o conjunto de nebulização a cada 48 horas. SISTEMAS DE ALTO FLUXO DE CONCENTRAÇÃO DE O2 Máscara “Venturi” Pode ser realizada por meio de: Sistema de umidificação; Sistema de nebulização Máscara “Venturi” A máscara de Venturi fornece uma concentração de oxigênio de 24% a 50%. O fluxo geralmente utilizado é de 4 a 12 litros por minuto, conectada diretamente a rede de O2. Com umidificador usa-se 15L/min. A umidificação do oxigênio é recomendada sempre que o gás for administrado por mais de 10 minutos; Vantagens: É leve e bem tolerada pelo paciente. Protege contra dosagens nocivas de oxigênio. Desvantagens: Desloca-se facilmente. Dificulta a fala. Impossibilita o paciente de comer enquanto usa. Traqueostomia O termo traqueostomia refere-se à operação que realiza uma abertura e exteriorização da luz traqueal. Indicações: Obstrução das vias aéreas Disfunção laríngea Trauma Queimaduras e corrosivos Corpos estranhos Anomalias congênitaS Infecções Neoplasias Manejo pós-operatórioApnéia do sono Limpeza das vias aéreas Doenças neuromusculares Suporte ventilatório Traqueostomia Complicações: Intra-operatórias: Sangramento Mau posicionamento do tubo Laceração traqueal e fístula traqueoesofágica Lesão do nervo laríngeo recorrente Pneumotórax Parada cardiorespiratória Complicações precoces: Sangramento Infecção da ferida Enfisema Obstrução da cânula Deslocamento do cateter (traqueóstomo) Disfagia Traqueostomia Complicações tardias: Estenose traqueal; Fístula traqueoesofágica; Fístula traqueocutânea; Dificuldade de extubação. Fixação: A fixação foi bem colocada se couber exatamente o seu dedo indicador entre a fixação e o pescoço; Troque sempre o local do laço para que não cause irritações na pele; Nunca amarre com nó, mas sim com um laço. Traqueostomia COLAR DE TRAQUEOSTOMIA Fornece oxigênio e umidade diretamente à traquéia. É utilizado com freqüência para pacientes que estão sendo retirados do respirador mecânico. Vantagens: É muito bem tolerado e permite ajuste adequado de umidade. Desvantagens: Se administrado em temperatura inadequada (concentrador de oxigênio) pode provocar queimadura. Tubo endotraqueal (TOT / TNT) Intubação endotraqueal é a introdução de um tubo através do nariz, boca ou incisão cirúrgica, em direção a traquéia do paciente. Indicações: Manutenção de oxigenação adequada; Proteção das vias respiratórias; Acesso para aspiração de secreções pulmonares; Insuficiência respiratória; Conexão a um ventilador mecânico. Tubo endotraqueal (TOT/TNT) Material para a intubação endotraqueal: Material para paramentação; Laringoscópio completo; Tubo endotraqueal; Lubrificante hidrossolúvel; Seringa de 10 ou 20 ml; Cadarço de fixação; Cânula de Guedel; Luva estéril; Ambú; Estetoscópio; Material para aspiração de secreção; Tubo endotraqueal (TOT/tnt) Complicações da IOT As mais comuns são: Perfuração ou laceração da faringe, laringe e esôfago. Intubação esofágica ou seletiva Lesão de dentes e cordas vocais Aspiração de conteúdo gástrico As tardias são: Traumatismo, infecção, necrose e estenose traqueal e fístula esôfago-traqueal. Aspiração Objetivo: Manter as vias aéreas do paciente com TOT ou traqueostomizado, permeáveis e livre de secreções. Indicações: Presença de sons adventícios (roncos) à ausculta; Aumento do pico de pressão no ventilador; Movimentação audível de secreções. Aspiração Material: Aspirador montado com frasco redutor, coletor de secreções e extensões; Frasco com SF 0,9%; Gaze estéril; Ambú conectado à rede de Oxigênio; Par de luva estéril; Sondas de aspiração (diâmetro recomendado: metade da cânula traqueal); Máscara; Óculos de proteção; Avental de manga longa não estéril; Seringa 5ml; Aspiração Procedimento: Explique o procedimento ao paciente; Verifique as condições ventilatórias e hemodinâmicas do paciente; Coloque a máscara, óculos avental e lave as mãos; Abra a embalagem da luva e coloque a sonda de aspiração na parte interna do pacote (estéril); Calçar as luvas; Abrir a embalagemda sonda de aspiração e conectá-la à extremidade da extensão; Utilize a mão dominante para pegar a sonda e mão não dominante para segurar o látex e conectá-lo a sonda; Ligar o aspirador; Dobrar a FiO2 ou regular a 100%; Ventilar o paciente; (ambú ou VMA) Aspiração Continuação: Desconecte o ventilador mecânico com a mão enluvada não-estéril; Com a mão enluvada estéril, introduza a sonda de aspiração na cânula traqueal, rapidamente, sem forçar, a inserção deve ser o suficiente para estimular o reflexo de tosse; Retirar a sonda de 1 a 2 cm antes de aplicar sucção; Solte o látex para sugar as secreções, trazendo a sonda para fora em movimentos circulares em menos de 20 segundos; Conecte o ventilador mecânico ao paciente ou utilize o ambú para promover a oxigenação; Repetir o procedimento quantas vezes forem necessárias; Interromper a aspiração e ventilar o paciente em caso de arritmias ou queda da SpO2, cianose ou sangramento; Aspiração Continuação: Se necessário aspire nariz e cavidade oral depois de completar a aspiração traqueal; Proteja a extensão em embalagem limpa e seca; Despreze a sonda de aspiração e lave a extensão do látex; Retire as luvas, desligue o aspirador e lave as mãos; Auscultar os pulmões e reavaliar suas condições clínicas; Anotar o procedimento realizado e as características das secreções aspiradas. TENDA DE OXIGÊNCIO/CAPACETE DE OXIGÊNIO/HOOD Fornece uma concentração de oxigênio muito variável e não muito alta, sendo geralmente indicado para recém-nascidos (HOOD). Vantagens: Fornece uma atmosfera fresca e úmida. Desvantagens: A concentração de oxigênio cai para valores de ar ambiente, toda vez que se abre a tenda; O paciente fica permanentemente molhado pela umidade; Gera pânico em pacientes que não suportam locais fechados. TENDA DE OXIGÊNCIO/CAPACETE DE OXIGÊNIO/HOOD Indicações: RN respirando espontaneamente. RN a termo sem grande esforço respiratório. Hipoxemia sem hipercapnia. No desmame do CPAP. CPAP NASAL O CPAP precoce diminui muito as chances de precisar de ventilação mecânica. Ele é um do dez avanços mais significativos da Neonatologia. A maioria dos RN com menos de 34 semanas de Idade Gestacional apresenta algum grau de insuficiência respiratória devido à síntese insuficiente de surfactante. Esses bebês nascem com complacência pulmonar diminuída e desenvolvem Insuficiência respiratória precoce. CPAP NASAL O CPAP nasal é uma pressão positiva continua indicado em: Insuficiência respiratória leve ou moderada com diminuição da capacidade de insuflação do alvéolo; Diminuição da complacência pulmonar com queda de saturação. As indicações mais freqüentes são: Doença da membrana hialina; Apnéia do prematuro; Pneumonia congênita; Aspiração de mecônio; Taquipnéia transitória; Maturidade pulmonar; Desmame ventilatório. CPAP NASAL Efeitos do CPAP: Aumenta a oxigenação com menos barotrauma; Previne atelectasia pulmonar; Reduz esforço respiratório; Melhora padrão respiratório; Efeito protetor sobre o surfactante. CPAP NASAL Complicações: Pneumotórax 1-2 %; Diminuição do retorno venoso e debito cardíaco; Lesão e necrose de narina; Obstrução nasal – hipersecreção; Sangramento nasal; Distensão gástrica; Aumento pressão intracraniana – risco hemorragias; CPAP NASAL Tamanho das prongas: Tamanhos inadequados prejudicam a ventilação. Com prongas pequenas a pressão não é transmitida adequadamente ocorrendo escape entre as narinas. Prongas grandes lesão as narinas causando necrose e hemorragias. Tamanho Peso: 0 Menor 700 gr 1 Entre 700 e 1200 gr 2 Entre 1250 e 2000 gr 3 Entre 2000 e 3000 gr CPAP NASAL Cuidados de Enfermagem: Usar a pronga do tamanho correto; Lubrificar o pronga com soro fisiológico antes de introduzi-la na narina; Se necessário dilatar a narina com cotonete embebido em solução fisiológica; Monitorar para que o fluxo não seja maior que 10 litros; Retirar excesso de água dos tubos; Aspirar narinas delicadamente; Instilar soro a cada 2 horas; Lavar a pronga com água e sabão diariamente; Manter a fixação da pronga adequada, evitando lesões na narina; Proteger o septo com curativo de hidrocoloide; Manter a cabeceira elevada; Monitorar parâmetros do saturometro. CPAP NASAL "A enfermagem é uma arte; e para realizá-la como arte, requer uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso, como a obra de qualquer pintor ou escultor; pois o que é tratar da tela morte ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo ''0 templo de espirito de Deus'. É ums das artes; pode-se-ia dizer, a mais bela das artes" Florence Nighthingale