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Aula 08 Direito Empresarial p/ PC-MA (Delegado) Pós-edital Professor: Paulo Guimarães http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães AULA 08 PROPRIEDADE INDUSTRIAL. Sumário Sumário ................................................................................................. 1 1 – Considerações Iniciais ......................................................................... 3 2 – Introdução. Direito de Propriedade Intelectual X Direito de Propriedade Industrial ............................................................................................... 3 2.1. Introdução .................................................................................... 3 2.2. Aspectos históricos ......................................................................... 4 3 – Disposições constitucionais .................................................................. 4 4 – A Lei n. 9.279/1996 – Lei de Propriedade Industrial ................................ 5 5 – Instituto Nacional da Propriedade Intelectual – INPI ................................ 7 6 – Patentes ........................................................................................... 8 6.1. Definições básicas .......................................................................... 8 6.2. Requisitos e patenteabilidade ........................................................... 9 6.3. Pedido de patente ......................................................................... 12 6.4. Análise dos requisitos .................................................................... 15 6.5. Concessão da patente .................................................................... 17 6.6. Vigência da patente ....................................................................... 18 6.7. Proteção conferida pela patente ...................................................... 18 6.8. Nulidade da patente ...................................................................... 20 6.9. Cessão de patente ......................................................................... 21 6.10. Licenciamento de patente ............................................................. 22 6.11. Patente de interesse da defesa nacional .......................................... 26 6.12. Retribuição anual ......................................................................... 26 6.13. Extinção da patente ..................................................................... 27 6.14. Adição de invenção ...................................................................... 28 6.15. Patentes pipeline ......................................................................... 28 7 – Desenho Industrial ............................................................................ 29 7.1. Conceito de desenho industrial ........................................................ 29 7.2. Requisitos de registrabilidade .......................................................... 30 7.3. Procedimento de registro ................................................................ 30 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 7.4. Concessão do registro .................................................................... 31 7.5. Vigência do registro ....................................................................... 32 7.6. Nulidade do registro ...................................................................... 32 7.7. Retribuição quinquenal ................................................................... 33 7.8. Extinção do registro ....................................................................... 34 8 – Marca .............................................................................................. 35 8.1. Conceitos básicos .......................................................................... 35 8.2. Limitações de registro .................................................................... 36 8.3. Nome de domínio .......................................................................... 42 8.4. Espécies de marca ......................................................................... 43 8.5. Registro de marca ......................................................................... 45 8.6. Princípio da especialidade ou especificidade ...................................... 47 8.7. Marca de alto renome .................................................................... 49 8.8. Uso indevido de marca registrada .................................................... 50 8.9. Cessão e licenciamento do registro de marca .................................... 51 8.10. Nulidade do registro de marca ....................................................... 51 8.11. Extinção do registro de marca ....................................................... 52 9 – Indicações Geográficas ...................................................................... 55 10 – Trade Dress (conjunto-imagem) ........................................................ 57 11 – Questões ........................................................................................ 58 11.1. Questões sem Comentários ........................................................... 58 11.2. Gabarito ..................................................................................... 67 11.3. Questões comentadas .................................................................. 68 12 – Resumo da Aula .............................................................................. 88 13 – Jurisprudência Aplicável ................................................................... 92 14 – Considerações Finais ...................................................................... 101 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães AULA 08 – PROPRIEDADE INDUSTRIAL. 1 – Considerações Iniciais Olá, futuro Delegado de Polícia! Hoje estudaremos a propriedade intelectual. É um tema que não aparece com tanta frequência provas de concursos, mas tem sido cada vez mais cobrado nos últimos anos. Não são termos complicados, mas você precisará dar uma atenção especial a este assunto para compreender todas as nuances desse interessante ramo da ciência jurídica. No final da aula, como de costume, teremos questões que o ajudarão a solidificar os seus conhecimentos. Bons estudos! 2 – Introdução. Direito de Propriedade Intelectual X Direito de Propriedade Industrial 2.1. Introdução O empresário, seja ele empresário individual ou sociedade empresária, precisará organizar um complexo de bens que servirão para o desempenho de sua atividade. Esse complexo de bens, como você já sabe, é chamado pelos doutrinadores de estabelecimento comercial. Importante mencionar, contudo, que o complexo de bens não envolve apenas objetos corpóreos, mas também bens e materiais, que muitas vezes são até mais importantes que os bens físicos. Tamanha importância desses bens materiais que ordenamento jurídico os confere proteção especial. Daí surgiu o chamado direito de propriedade industrial, que se presta a proteger bens materiais, a exemplo das marcas e desenhos industriais, além das invenções e modelos de utilidade. Alguns autores gastam páginas e páginas de suas obras tentando classificar tecnicamente o direito de propriedade industrial na qualidade de sub-ramo do direito empresarial. Particularmente, não considero esse esforço muito útil. Na minha modesta opinião, a única discussão que realmente importa diz respeito à nomenclatura adotada por esse sub-ramo. Podemos dizer que, segundo a maior parte da doutrina, o direito de propriedade industrial espécie do direito de propriedadeintelectual1, gênero que também incluiria o direito autoral, outros regimes de proteção de bens imateriais, e, segundo parte da doutrina, também o direito antitruste. O regime jurídico adotado depende da natureza do bem imaterial a ser protegido. A propriedade industrial deverá abarcar as invenções e as marcas, por exemplo, que certamente correspondem a obras do gênio humano. Por outro lado, uma 1 Esse entendimento é adotado por diversos doutrinadores, entre eles André Luiz Santa Cruz Ramos e Edilson Enedino das Chagas. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães composição musical, um romance ou um programa de computador também são expressões da imaginação e da criatividade, mas devem ser protegidas pelo regime do direito autoral. A diferenciação entre esses regimes será estudada por nós ao longo da aula de hoje, mas desde já você deve saber que o direito autoral protege a obra em si, enquanto o direito de propriedade industrial protege na técnica. 2.2. Aspectos históricos Aquela cidade humana obviamente sempre existiu, mas apontamos na Revolução Industrial o marco histórico a partir do qual ficou clara a realidade de que a criação é grande instrumento de poder e riqueza. O primeiro caso conhecido de proteção ao inventor, todavia, muito anterior a isso. Em 1236, na cidade de Bordeaux, na França, foi concedido à Bonafasus de Sancta e Companhia o direito de explorar com exclusividade, pelo período de 15 anos, o método flamengo de tecer e tingir tecidos de lã. Esse privilégio, porém, tal como outros concedidos ainda na Idade Média, não passavam da aplicação de critérios políticos de conveniência e oportunidade. Não havia ainda um regime jurídico instituído e aplicável à proteção das invenções. As mudanças de cenário começam a surgir com as codificações de patentes de Veneza (1474) e da Inglaterra (o statute of monopolies, de 1623/1624), que introduziram alguns princípios básicos até hoje observados no regime de propriedade industrial. O assunto, porém, somente ganhou corpo depois da Revolução Industrial. Em 1883 ocorreu a Convenção de Paris, ocasião em que diversas nações se reuniram para analisar e uniformizar o sistema internacional de proteção à propriedade industrial. O Brasil, diga-se de passagem, foi um dos países fundadores da Convenção de Paris, tendo sempre assumido posição de vanguarda no assunto. 3 – Disposições constitucionais Quase todas as concepções brasileiras, ao logo da história, concederam privilégio ao inventor para exploração de seus inventos. A Constituição Federal de 1988 trata da propriedade industrial na parte dos direitos e garantias individuais. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País; http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Importante mencionar também que desde 1994 o Brasil é signatário do acordo conhecido como TRIPS, ou, em português, Acordo Relativo aos Aspectos do Direito da Propriedade Intelectual Relacionados com Comércio (ADPIC). Aplicação desse acordo já gerou interessante polêmica na jurisprudência nacional. Isso porque o texto do Acordo TRIPS prevê a postergação da sua vigência por cinco anos nos países em desenvolvimento, a exemplo do Brasil. Os primeiros casos julgados a respeito do assunto, porém o Superior Tribunal de Justiça teve entendimento diferente. Segundo o Tribunal, a aplicação do acordo deveria ser imediata, já que o Brasil não havia manifestado expressamente a adesão à cláusula que previa A postergação da vigência do acordo. Devemos salientar, porém, que posteriormente o STJ alterou seu entendimento, adotando posicionamento no sentido de que a postergação da vigência do acordo seria válida para o Brasil independentemente de adesão expressa à cláusula do TRIPS. RECURSO ESPECIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. PRORROGAÇÃO DO PRAZO DE PATENTE CONCEDIDA NOS TERMOS DA LEI N. 5772/71 POR MAIS CINCO ANOS. ACORDO TRIPS. VIGÊNCIA NO BRASIL. I - O Acordo Internacional TRIPS - inserido no ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto n. 1.355/94 -, na parte que prevê a prorrogação do prazo de patente de 15 anos - nos termos da Lei n. 5.772/71 - para 20 anos, não tem aplicação imediata, ficando submetida a observância de suas normas a pelo menos duas restrições, em se tratando de países em desenvolvimento, como o caso do Brasil: a) prazo geral de um ano, a contar do início da vigência do Acordo no país (art. 65.1); b) prazo especial de mais quatro anos para os países em desenvolvimento (art. 65.2), além do prazo geral. II - A ausência de manifestação legislativa expressa, no sentido de postergar a vigência do Acordo no plano do direito interno por mais cinco anos (na modalidade 1 + 4), não pode ser interpretada como renúncia à faculdade oferecida pelo art. 65 às nações em desenvolvimento, uma vez que não havia nenhum dispositivo obrigando o país a declarar sua opção pelo prazo de transição. Precedente: REsp 960.728/RJ, Relª. Minª. NANCY ANDRIGHI, DJ 17.3.09. Recurso Especial provido. REsp 806.147/RJ, Rel. Min. Sidnei Benetti, 3a Turma, j. 15.12.2009, DJe 18.12.2009. 4 – A Lei n. 9.279/1996 – Lei de Propriedade Industrial Atualmente a Lei n. 9.279/1996 regula os direitos e obrigações relativos à propriedade industrial no Brasil. Se escopo é declarado logo nos primeiros dispositivos. Art. 2º A proteção dos direitos relativos à propriedade industrial, considerado o seu interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País, efetua-se mediante: I - concessão de patentes de invenção e de modelo de utilidade; II - concessão de registro de desenho industrial; III - concessão de registro de marca; http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães IV - repressão às falsas indicações geográficas; e V - repressão à concorrência desleal. Podemos dizer, portanto que são quatro os bens protegidos pelo direito de propriedade industrial: a invenção e o modelo de utilidade (protegidos mediante patente), e a marca e o desenho industrial (protegidos por meio de registro). Além disso, o direito de propriedade industrial também reprime as falsas indicações geográficas e a concorrência desleal. Como o Brasil é signatário tanto do TRIPS quanto da Convenção da União de Paris, é comum dizer que somos um país unionista no que se refere ao direito de proteção industrial. A Lei n. 9.279/1996 obedece justamente aos preceitos desses dois acordos internacionais. Art. 3º Aplica-se também o disposto nesta Lei: I - ao pedido de patente ou de registro proveniente do exterior e depositado no País por quem tenha proteção assegurada por tratado ou convenção em vigor no Brasil; e II - aos nacionais ou pessoas domiciliadas em país que assegure aos brasileiros ou pessoas domiciliadas no Brasil a reciprocidade de direitos iguais ou equivalentes. O art. 3o adota no ordenamento brasileiro ou os princípios da prioridade da assimilação. Além disso, a lei classifica os direitos de propriedade industrial como bens móveis, nos termos de seu art. 5o. Art. 5º Consideram-se bens móveis, para os efeitos legais, os direitos de propriedade industrial.PROTEÇÃO À PROPRIEDADE INDUSTRIAL Concessão de Patente De invençãoDe modelo de utilidade Registro De marcaDe desenho industrial Repressão às falsas indicações geográficas Repressão à concorrência desleal http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 5 – Instituto Nacional da Propriedade Intelectual – INPI O INPI é uma autarquia federal, vinculada ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior de Serviços (MDIC), que tem por atribuição a concessão de privilégios e garantias aos inventores e criadores. Como estamos falando de uma autarquia federal, as decisões do INPI podem ser revistas pelo Poder Judiciário. Nesse sentido, o STJ entende que as ações ajuizadas contra o INPI devem correr perante a Justiça Federal, no foro do Rio de Janeiro, onde fica localizada a sede do Instituto. Por outro lado, o STJ também entende que quando houver litisconsórcio passivo (mais de um réu) a ação pode ser proposta no Rio de Janeiro ou no domicílio do outro réu. Processual civil. Recurso especial. Ação na qual o INPI figura como parte. Foro competente para julgamento. O foro competente para julgamento de ação em que o INPI figure como parte é o de sua sede, a princípio. Contudo, o Código de Processo Civil faculta que o autor ajuize a ação no foro do domicílio do outro demandado na hipótese de pluralidade de réus, se assim preferir. Inteligência do art. 94, § 4.º, do CPC. REsp 346.628/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3a Turma, j. 13.11.2001, DJ 04.02.2002, p. 355. O INPI é uma autarquia federal, vinculada ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior de Serviços (MDIC), que tem por atribuição a concessão de privilégios e garantias aos inventores e criadores. O STJ entende que as ações ajuizadas contra o INPI devem correr perante a Justiça Federal, no foro do Rio de Janeiro, onde fica localizada a sede do Instituto. Por outro lado, o STJ também entende que quando houver litisconsórcio passivo (mais de um réu) a ação pode ser proposta no Rio de Janeiro ou no domicílio do outro réu. Esse entendimento acerca da competência da Justiça Federal do Rio de Janeiro, porém, não se aplica aos litígios entre particulares em razão de registro junto ao INPI, já que nestes casos a autarquia não é parte, e por isso a competência é, em regra, da Justiça Comum Estadual. Outro aspecto jurisprudencial que deve ser mencionado é a controvérsia, dentro do próprio STJ, acerca da possibilidade de o juízo estadual declarar incidentalmente a nulidade de patente ou registo de marca ou desenho industrial. O entendimento da 4a Turma é no sentido de que isso seria possível, mas há julgados mais recentes da 3a Turma no sentido de que a parte interessada precisaria propor ação anulatória própria perante a Justiça Federal. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 6 – Patentes A patente, instrumentalizada pela chamada carta-patente, é o instrumento jurídico de proteção da invenção e do modelo de utilidade. 6.1. Definições básicas A invenção é um ato original, fruto da criatividade humana. Segundo as regras da Lei de Propriedade Industrial, a invenção será patenteável desde que atenda aos requisitos de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial. O modelo de utilidade, por sua vez, tem definição legal, no art. 9o da lei. Art. 9º É patenteável como modelo de utilidade o objeto de uso prático, ou parte deste, suscetível de aplicação industrial, que apresente nova forma ou disposição, envolvendo ato inventivo, que resulte em melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação. Alguns autores dizem que o modelo de utilidade seria uma mini-invenção ou pequena-invenção, enquanto Edilson Enedino das Chagas o chama de “invenção melhorada”, dando como exemplo as novas tecnologias e carros elétricos e híbridos, que melhoram os automóveis, tradicionalmente movidos a combustão, mas que não representam exatamente um novo invento. Utilizando exemplos patenteados, podemos citar a cadeira de rodas vertical, utilizada para locomoção de pessoas com deficiência que não devam ficar sentadas, bem como o lacre para conservantes, muito comum em recipientes de tampa metálica, em que temos uma peça que é removida, geralmente no meio da tampa, que alivia a pressão interna e facilita a abertura da embalagem. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Por outro lado, o art. 10 da Lei de Propriedade Industrial determina o que não pode ser considerado como modelo de utilidade. Art. 10. Não se considera invenção nem modelo de utilidade: I - descobertas, teorias científicas e métodos matemáticos; II - concepções puramente abstratas; III - esquemas, planos, princípios ou métodos comerciais, contábeis, financeiros, educativos, publicitários, de sorteio e de fiscalização; IV - as obras literárias, arquitetônicas, artísticas e científicas ou qualquer criação estética; V - programas de computador em si; VI - apresentação de informações; VII - regras de jogo; VIII - técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou animal; e IX - o todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza, ou ainda que dela isolados, inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais. 6.2. Requisitos e patenteabilidade Para que o autor de uma invenção ou modelo de utilidade possa obter proteção por meio da patente, é necessário demonstrar o preenchimento dos requisitos de patenteabilidade: novidade, atividade inventiva, aplicação industrial (ou industriabilidade) e licitude (ou desimpedimento). Art. 11. A invenção e o modelo de utilidade são considerados novos quando não compreendidos no estado da técnica. O estado da técnica é tudo que está acessível ao público antes da data de depósito do pedido de patente, por descrição escrita ou oral, por uso ou qualquer outro meio, no Brasil ou no exterior. O requisito da novidade, portanto, será preenchido quando a invenção ou modelo de utilidade for algo desconhecido até mesmo para a comunidade científica especializada. A atividade inventiva, aqui descrita como um outro requisito, será atendida quando, para um técnico no assunto, a invenção não decorrer da maneira óbvia do estado da técnica, e o modelo de utilidade não decorrer de maneira evidente ou vulgar do estado da técnica. Em outras palavras, é preciso demonstrar que inventor chegou a um resultado novo, como consequência de um ato de criação. Nesse sentido, a intenção deve ser diferenciada da mera descoberta. Os norte- americanos chamam esses requisito de non-obviousness. A aplicação industrial, terceiro requisito de patenteabilidade, é preenchido quando a invenção ou o modelo de utilidade possam ser adotados por qualquer http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães tipo de indústria. O invento, portanto, precisa ser útil e factível. Se alguém queria algo novo, mas que não é possível produzir industrialmente, não poderá haver patente. O Outro requisito é a licitude ou desimpedimento, objeto do art. 18 da Lei de Propriedade Industrial. Art. 18. Não são patenteáveis: I - o que for contrário à moral, aos bons costumes e à segurança, à ordem e à saúde públicas; II - as substâncias, matérias, misturas, elementos ou produtos de qualquer espécie, bem como a modificação de suas propriedades físico-químicas e os respectivos processos de obtenção ou modificação, quando resultantes de transformação do núcleo atômico; e III - o todo ou partedos seres vivos, exceto os microorganismos transgênicos que atendam aos três requisitos de patenteabilidade - novidade, atividade inventiva e aplicação industrial - previstos no art. 8º e que não sejam mera descoberta. Parágrafo único. Para os fins desta Lei, microorganismos transgênicos são organismos, exceto o todo ou parte de plantas ou de animais, que expressem, mediante intervenção humana direta em sua composição genética, uma característica normalmente não alcançável pela espécie em condições naturais. Tome cuidado especialmente para não confundir o conteúdo do art. 18 com o do art. 10 da Lei de Propriedade Industrial. O art. 10 traz que a lei não considera como invenção bom modelo utilidade, enquanto o art. 18 tratar casos que até poderiam ser considerados como invenções ou modelos de utilidade, mas que o legislador preferiu não proteger por outras razões. Art. 229-C. A concessão de patentes para produtos e processos farmacêuticos dependerá da prévia anuência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. No regime anterior, não se previa a possibilidade de concessão de patente para inventos na área farmacêutica, sob a justificativa de universalizar o acesso da população aos avanços da ciência médica. A Lei de Propriedade Industrial, porém, prevê essa proteção, mas a concessão de patentes dependerá de prévia anuência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na época da implementação da lei surgiu controvérsia acerca da natureza da participação da Anvisa. A agência defendia que sua anuência consistiria na própria análise dos requisitos de patenteabilidade, enquanto o INPI argumentava que tal entendimento representava invasão de suas atribuições institucionais. O conflito de atribuições foi resolvido por meio do Parecer n. 210/PGF/AE/2009, da Procuradoria-Geral Federal, ratificado pelo Advogado-Geral da União. Segundo o referido parecer, não é atribuição da Anvisa promover exames (avaliação/reavaliação) dos critérios técnicos próprios da patenteabilidade (novidade, atividade inventiva e aplicação industrial) quando da atuação para anuência prévia (art. 229-C da Lei n. 9.279, de 1996), pois é uma atribuição http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães própria do INPI, conforme estabelecido pela própria lei (art. 2o da Lei n. 5.468/1970). Nesse sentido, a Anvisa deve atuar em conformidade com as suas atribuições institucionais (art. 6o da Lei n. 9.782/1999): impedir por meio do controle sanitário a produção e a comercialização de produtos e serviços potencialmente nocivos à saúde humana. Merece menção ainda o chamado “segundo uso” de substâncias farmacológicas, que se refere à reivindicação de patente de um fármaco já conhecido, mas para um novo uso terapêutico. O Escritório de Patentes Europeu sempre negava esse tipo de pedido em razão da proibição de patente de método de tratamento (proibição essa que também consta na Lei de Propriedade Industrial). Esse entendimento, porém, mudou com o caso Pharmuka, por ocasião do qual o Escritório de Patentes Europeu passou a entender que a questão poderia ser resolvida pela forma de reivindicação: em vez de “uso do composto A para tratar B”, o pedido deveria ser formulado como “uso do composto A para se obter um medicamento destinado ao tratamento de B”. Como essa solução surgiu inicialmente num caso tratado na Suíça, ficou conhecida como “fórmula suíça”, e esse entendimento também vem sendo adotado nos mesmos moldes pelo INPI. A Anvisa, por outro lado, tem manifestado oposição à patente do segundo uso, pois isso faz com que a exclusividade sobre um fármaco permaneça por mais tempo, prejudicando a entrada de genéricos no mercado e, em última análise, restringindo o acesso da população ao medicamento. Esse entendimento levou à apresentação de projeto de lei proibindo completamente a patente do segundo uso, e que ainda está em tramitação no Congresso Nacional. Outra controvérsia que merece menção específica é a que diz respeito à patente de biotecnologia. A Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU define biotecnologia como “qualquer aplicação tecnológica que utilize sistemas biológicos, organismos vivos, ou seus derivados, para fabricar ou modificar produtos ou processos para utilização específica”. Essas técnicas têm diversas aplicações hoje, a exemplo da produção de medicamentos, lavouras e combustíveis. A controvérsia aqui gira em torno do atendimento, ou não, do requisito da inventividade. Muitos dizem, por exemplo, que não se pode patentear uma sequência ou segmentos de DNA, pois isso configuraria mera descoberta, e não invento. Nos Estados Unidos, porém, o Escritório de Patentes e Marcas tem concedido patentes de DNA. O Acordo TRIPS prevê situações em que os países-membros poderão negar a patente nessa área: a)!Métodos diagnósticos, terapêuticos e cirúrgicos para o tratamento de seres humanos ou de animais; http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães b)!Plantas e animais, exceto micro-organismos e processos essencialmente biológicos para a produção de plantar ou animais, excetuando-se os processos não biológicos e microbiológicos. Podemos dizer que o Brasil adotou regras bastante restritivas no que se refere à patenteabilidade na área de biotecnologia. Releia os dispositivos a seguir. Art. 10. Não se considera invenção nem modelo de utilidade: [...] VIII - técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou animal; e IX - o todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza, ou ainda que dela isolados, inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais. Art. 18. Não são patenteáveis: [...] III - o todo ou parte dos seres vivos, exceto os microorganismos transgênicos que atendam aos três requisitos de patenteabilidade - novidade, atividade inventiva e aplicação industrial - previstos no art. 8º e que não sejam mera descoberta. Devemos ainda lembrar que, no caso das patentes de material biotecnológico, há uma exigência adicional na Lei de Propriedade Industrial, que é o depósito do material em instituição autorizada pelo INPI ou indicada em acordo internacional. Nesses casos, portanto, a mera descrição não é suficiente. Quanto aos limites éticos da manipulação biotecnológica, lembre-se de que a Lei de Propriedade Industrial prevê a negativa da patente nos casos contrários à moral, aos bons costumes e à segurança, à ordem e à saúde pública (art. 18, I). Os autores geralmente mencionam como exemplo desse tipo de negativa a clonagem humana. 6.3. Pedido de patente O ato de concessão da patente é precedido de um processo administrativo complexo e muitas vezes demorado. Art. 6º Ao autor de invenção ou modelo de utilidade será assegurado o direito de obter a patente que lhe garanta a propriedade, nas condições estabelecidas nesta Lei. [...] § 2º A patente poderá ser requerida em nome próprio, pelos herdeiros ou sucessores do autor, pelo cessionário ou por aquele a quem a lei ou o contrato de trabalho ou de prestação de serviços determinar que pertença a titularidade. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães § 3º Quando se tratar de invenção ou de modelo de utilidade realizado conjuntamente por duas ou mais pessoas, a patente poderá ser requerida por todas ou qualquer delas, mediante nomeação e qualificação das demais, para ressalva dos respectivos direitos. § 4º O inventor será nomeado e qualificado, podendo requerer a não divulgação de sua nomeação. O pedido de proteção deveráser feito ao INPI pelo próprio autor da invenção ou modelo de utilizado, ou ainda pelos herdeiros ou sucessores, pelo cessionário ou por aquele a quem a lei ou o contrato de trabalho ou de prestação de serviços determinar que pertença a titularidade. Se houver mais de um inventor, o pedido poderá ser feito por todos em conjunto ou por qualquer um deles isoladamente, desde que indique os nomes dos demais. Art. 7º Se dois ou mais autores tiverem realizado a mesma invenção ou modelo de utilidade, de forma independente, o direito de obter patente será assegurado àquele que provar o depósito mais antigo, independentemente das datas de invenção ou criação. Caso dois ou mais inventores pretendam a mesma patente, o critério utilizado para concessão da proteção será a data do depósito. Isso mesmo! Não importa quando houve o esforço de criação propriamente dito. O que importa é quando o inventor procurou o INPI. Esta é apontada pelos doutrinadores como a principal diferença entre a propriedade industrial e o direito autoral. Este é conferido desde o momento da criação da obra, tendo o seu registro efeito meramente declaratório. A propriedade industrial, por outro lado, toma por marco a data do depósito, tendo a patente ou registro efeito constitutivo da proteção jurídica. “Mas professor, e se o invento ou modelo de utilidade for de autoria de empregado de empresário? Como fica a proteção?” Esta é uma excelente pergunta, respondida pela Lei de Propriedade Industrial em seu art. 88. Art. 88. A invenção e o modelo de utilidade pertencem exclusivamente ao empregador quando decorrerem de contrato de trabalho cuja execução ocorra no Brasil e que tenha por objeto a pesquisa ou a atividade inventiva, ou resulte esta da natureza dos serviços para os quais foi o empregado contratado. Quando o empregado tiver a atividade criativa como sua atribuição prevista no contrato de trabalho, a invenção ou modelo de utilidade pertencem ao empregador. A não ser que haja disposição em contrário no contrato de trabalho, a retribuição pelo seu trabalho se resume ao salário. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Conferindo proteção ainda maior ao empregador nestes casos, a Lei de Propriedade Industrial determina ainda que, salvo prova em contrário, consideram-se desenvolvidos na vigência do contrato a invenção ou o modelo de utilidade, cuja patente seja requerida pelo empregado até 1 ano após a extinção do vínculo empregatício. A invenção e o modelo de utilidade pertencem exclusivamente ao empregador quando decorrerem de contrato de trabalho cuja execução ocorra no Brasil e que tenha por objeto a pesquisa ou a atividade inventiva, ou resulte esta da natureza dos serviços para os quais foi o empregado contratado. Salvo prova em contrário, consideram-se desenvolvidos na vigência do contrato a invenção ou o modelo de utilidade, cuja patente seja requerida pelo empregado até 1 ano após a extinção do vínculo empregatício. É prática comum nas empresas que se dedicam a pesquisa que haja acordos que preveem participação percentual do empregado na exploração da sua invenção ou modelo de utilidade, nas condições que estamos estudando. A Lei de Propriedade Industrial traz previsão específica nesse sentido, determinando ainda que essa participação não se incorpora ao salário do empregado. Por outro lado, o art. 90 prevê o caso em que o invento pertencerá exclusivamente ao empregador. Isso ocorrerá quando a invenção ou o modelo de utilidade não tiver qualquer vinculação com o contrato de trabalho e não decorrer da utilização de recursos, meios, dados, materiais, instalações ou equipamentos do empregador. Art. 91. A propriedade de invenção ou de modelo de utilidade será comum, em partes iguais, quando resultar da contribuição pessoal do empregado e de recursos, dados, meios, materiais, instalações ou equipamentos do empregador, ressalvada expressa disposição contratual em contrário. Esta é uma situação intermediária, em que a propriedade do invento é comum. Isso ocorrerá quando o empregado tiver concedido sua contribuição pessoal, e o empregador tiver provido recursos, dados, meios, materiais, instalações ou equipamentos. Por fim, devemos ainda mencionar o art. 93, segundo o qual as disposições que estamos estudando também se aplicam às entidades da Administração Pública, direta, indireta e fundacional, federal, estadual ou municipal. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 6.4. Análise dos requisitos Art. 19. O pedido de patente, nas condições estabelecidas pelo INPI, conterá: I - requerimento; II - relatório descritivo; III - reivindicações; IV - desenhos, se for o caso; V - resumo; e VI - comprovante do pagamento da retribuição relativa ao depósito. O procedimento de análise dos requisitos da patente se inicia com o depósito do pedido. Uma vez apresentado com todos os elementos previstos no art. 19, o pedido será submetido a análise formal preliminar e em seguida protocolizado. A data do depósito, que é útil por várias razões, será a data em que o pedido foi apresentado. Por outro lado, o INPI poderá identificar problemas do ponto vista formal, caso em que conferirá o prazo de 30 dias para que seja satisfeita a exigência, desde que estejam presentes os alimentos mínimos necessários para o pedido. Cumpridas as exigências formais, é possível passar à fase de análise das condições do pedido. Art. 22. O pedido de patente de invenção terá de se referir a uma única invenção ou a um grupo de invenções inter-relacionadas de maneira a compreenderem um único conceito inventivo. Art. 23. O pedido de patente de modelo de utilidade terá de se referir a um único modelo principal, que poderá incluir uma pluralidade de elementos distintos, adicionais ou variantes construtivas ou configurativas, desde que mantida a unidade técnico-funcional e corporal do objeto. Cada pedido deve corresponder a uma invenção ou a um modelo de utilidade, mas é possível que haja perigo conjunto quando as invenções ou modelos de utilidade forem partes de um todo. A Lei de Propriedade Industrial se preocupa ainda em estabelecer as condições para que os técnicos do INPI sejam capazes de avaliar a industriabilidade do invento, como podemos ver pela leitura do art. 24. Art. 24. O relatório deverá descrever clara e suficientemente o objeto, de modo a possibilitar sua realização por técnico no assunto e indicar, quando for o caso, a melhor forma de execução. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Por fim, o autor do pedido deve também apresentar no relatório descritivo suas reivindicações e fundamentá-las detalhadamente, definindo de modo claro o objeto de proteção. Art. 29. O pedido de patente retirado ou abandonado será obrigatoriamente publicado. § 1º O pedido de retirada deverá ser apresentado em até 16 (dezesseis) meses, contados da data do depósito ou da prioridade mais antiga. § 2º A retirada de um depósito anterior sem produção de qualquer efeito dará prioridade ao depósito imediatamente posterior. Essa regra tem por finalidade evitar que o depositante do pedido o retire durante e seu período de sigilo e logo depois o deposite novamente, prolongando, dessa forma, o período de proteção. Como o pedido retirado ou abandonado é necessariamente publicado, passa automaticamente a integrar o “estado da técnica”, e um novo depósito então padeceria do requisito da novidade. Art. 30. O pedido de patente será mantido em sigilo durante 18 (dezoito) meses contados da data de depósito ou da prioridade mais antiga, quando houver, após o que serápublicado, à exceção do caso previsto no art. 75. Vencida a fase de analise das condições do pedido, passa-se então ao processamento e exame. Uma vez feito e admitido o pedido, caberá ao INPI manter seu sigilo durante o período de 18 meses, promovendo, ao fim desse prazo, a publicação na Revista da Propriedade Industrial, exceto quando se tratar de patente de interesse da defesa nacional, conforme arts. 30 e 75 da Lei de Propriedade Industrial. Se houver material biológico, este também se tornará acessível ao público por ocasião da publicação. Essa publicação também poderá ser antecipada a pedido do depositante. Como o período de sigilo é um benefício concedido ao inventor, para que ele possa organizar melhor sua criação, nada mais justo do que possibilitar que ele abra mão desse período, acelerando o restante do processo. Deverão constar na publicação os dados identificadores do pedido de patente, ficando cópia do relatório descritivo, das reivindicações, do resumo e dos desenhos à disposição do público no INPI. A publicação é importante porque, a partir dela, outros empresários e o público poderão tomar conhecimento das reivindicações do autor do pedido, e eventualmente opor alguma resistência. Por outro lado, a publicação faz com que qualquer pessoa tenha acesso aos detalhes do invento, e por isso pode surgir dúvida para o empresário entre requerer a proteção ao invento ou explorá-lo no regime de segredo de empresa. Se optar pelo segredo de empresa, o empresário assume o risco de outra pessoa requerer a proteção legal ao invento, mas se optar pela proteção, caberá apenas a ele fiscalizar o uso indevido de sua propriedade industrial. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Art. 31. Publicado o pedido de patente e até o final do exame, será facultada a apresentação, pelos interessados, de documentos e informações para subsidiarem o exame. Parágrafo único. O exame não será iniciado antes de decorridos 60 (sessenta) dias da publicação do pedido. [...] Art. 33. O exame do pedido de patente deverá ser requerido pelo depositante ou por qualquer interessado, no prazo de 36 (trinta e seis) meses contados da data do depósito, sob pena do arquivamento do pedido. Parágrafo único. O pedido de patente poderá ser desarquivado, se o depositante assim o requerer, dentro de 60 (sessenta) dias contados do arquivamento, mediante pagamento de uma retribuição específica, sob pena de arquivamento definitivo. Feita a publicação, caberá ao depositante ou a qualquer interessado requerer o exame ao INPI. Esse requerimento deverá ser feito em 36 meses contados da data do depósito. Você deve estar se perguntando por que razão a lei exige que, após o depósito e a publicação, seja requerido o exame do invento. Na realidade isso ocorre para evitar o desperdício de energia por parte do INPI. O desenvolvimento tecnológico hoje é tão rápido, que depois do período de sigilo e da publicação, o invento pode não ser mais comercialmente interessante. O interessado pode não ser apenas o autor do invento, mas, por exemplo, alguém que tenha interesse em explorá-lo por meio do licenciamento da patente. Durante o período de exame, qualquer interessado também pode apresentar ao INPI documentos e informações capazes de auxiliar na análise do pedido. Se o prazo for ultrapassado sem que haja o requerimento de exame, o pedido será arquivado. É possível que seja pedido o desarquivamento, mas isso precisa ocorrer no prazo de 60 dias. Caso contrário, o arquivamento se tornará definitivo. Caso seja feito o requerimento de exame, o INPI analisará o pedido do autor, ocasião na qual será elaborado um parecer quanto à patenteabilidade, adaptação do pedido à natureza reivindicada, reformulação do pedido ou divisão, ou, ainda, exigências técnicas, nos termos do art. 35 da Lei de Propriedade Industrial. Se o parecer for pela não patenteabilidade, pelo não enquadramento do pedido na natureza reivindicada ou pela formulação de exigência, o depositante será intimado para manifestar-se no prazo de 90 dias. Não respondida a exigência, o pedido será arquivado. 6.5. Concessão da patente Art. 37. Concluído o exame, será proferida decisão, deferindo ou indeferindo o pedido de patente. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Da decisão pelo deferimento ou indeferimento da patente não caberá recurso administrativo. É possível, contudo, que o terceiro interessado requeira a nulidade administrativa da patente, nos termos do art. 51 da Lei de Propriedade Industrial. Uma vez deferido o pedido e paga a retribuição correspondente, a patente será concedida, expedindo-se a carta-patente, na qual deverão constar o número, o título e a natureza respectivos, o nome do inventor, a qualificação e o domicílio do titular, o prazo de vigência, o relatório descritivo, as reivindicações e os desenhos, bem como os dados relativos à prioridade, nos termos do art. 39. 6.6. Vigência da patente Art. 40. A patente de invenção vigorará pelo prazo de 20 (vinte) anos e a de modelo de utilidade pelo prazo 15 (quinze) anos contados da data de depósito. Parágrafo único. O prazo de vigência não será inferior a 10 (dez) anos para a patente de invenção e a 7 (sete) anos para a patente de modelo de utilidade, a contar da data de concessão, ressalvada a hipótese de o INPI estar impedido de proceder ao exame de mérito do pedido, por pendência judicial comprovada ou por motivo de força maior. Normalmente a patente de invenção dura 20 anos, e a de modelo de utilidade dura 15 anos, sempre contados da data do depósito. O legislador, porém, buscou garantir um período mínimo de vigência a partir da concessão, especialmente para os casos em que há uma demora excessiva na análise do pedido sem que haja culpa do autor, determinando que esse prazo de vigência não será inferior a 10 anos para a invenção e 7 anos para o modelo de utilidade, contados da data de concessão. Interessante mencionar aqui que está em tramitação junto ao Supremo Tribunal Federal uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o parágrafo único do art. 40, que inclusive conta com parecer do Procurador-Geral da República pela procedência do pedido. A ação, contudo, ainda não foi julgada. A patente de invenção vigorará pelo prazo de 20 anos e a de modelo de utilidade pelo prazo 15 anos contados da data de depósito 6.7. Proteção conferida pela patente Art. 42. A patente confere ao seu titular o direito de impedir terceiro, sem o seu consentimento, de produzir, usar, colocar à venda, vender ou importar com estes propósitos: I - produto objeto de patente; http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães II - processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. § 1º Ao titular da patente é assegurado ainda o direito de impedir que terceiros contribuam para que outros pratiquem os atos referidos neste artigo. § 2º Ocorrerá violação de direito da patente de processo, a que se refere o inciso II, quando o possuidor ou proprietário não comprovar, mediante determinação judicial específica, que o seu produto foi obtido por processo de fabricação diverso daquele protegido pela patente. Uma vez concedida a patente, seu detentor terá direito de exploração econômica exclusiva, e diante de exploração indevida por terceiros, poderá ingressar com ação judicial para obter indenização. Essa proteção, porém, não é absoluta. Há casos específicos em que a exploração da o invento ou modelo de utilidade é permitida, a exemplo da finalidade acadêmica ou meramente experimental, bem como da exploração não comercial, conforme previsão do art. 43. Art.43. O disposto no artigo anterior não se aplica: I - aos atos praticados por terceiros não autorizados, em caráter privado e sem finalidade comercial, desde que não acarretem prejuízo ao interesse econômico do titular da patente; II - aos atos praticados por terceiros não autorizados, com finalidade experimental, relacionados a estudos ou pesquisas científicas ou tecnológicas; III - à preparação de medicamento de acordo com prescrição médica para casos individuais, executada por profissional habilitado, bem como ao medicamento assim preparado; IV - a produto fabricado de acordo com patente de processo ou de produto que tiver sido colocado no mercado interno diretamente pelo titular da patente ou com seu consentimento; V - a terceiros que, no caso de patentes relacionadas com matéria viva, utilizem, sem finalidade econômica, o produto patenteado como fonte inicial de variação ou propagação para obter outros produtos; e VI - a terceiros que, no caso de patentes relacionadas com matéria viva, utilizem, ponham em circulação ou comercializem um produto patenteado que haja sido introduzido licitamente no comércio pelo detentor da patente ou por detentor de licença, desde que o produto patenteado não seja utilizado para multiplicação ou propagação comercial da matéria viva em causa. VII - aos atos praticados por terceiros não autorizados, relacionados à invenção protegida por patente, destinados exclusivamente à produção de informações, dados e resultados de testes, visando à obtenção do registro de comercialização, no Brasil ou em outro país, para a exploração e comercialização do produto objeto da patente, após a expiração dos prazos estipulados no art. 40. Outra exceção é a exploração de boa-fé por conta de terceiro que a iniciou antes do depósito do pedido de patente. Nesse caso a Lei de Propriedade Industrial assegura o direito de continuar a exploração, nos termos do art. 45. Art. 45. À pessoa de boa fé que, antes da data de depósito ou de prioridade de pedido de patente, explorava seu objeto no País, será assegurado o direito de continuar a exploração, sem ônus, na forma e condição anteriores. d http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães § 1º O direito conferido na forma deste artigo só poderá ser cedido juntamente com o negócio ou empresa, ou parte desta que tenha direta relação com a exploração do objeto da patente, por alienação ou arrendamento. § 2º O direito de que trata este artigo não será assegurado a pessoa que tenha tido conhecimento do objeto da patente através de divulgação na forma do art. 12, desde que o pedido tenha sido depositado no prazo de 1 (um) ano, contado da divulgação. 6.8. Nulidade da patente Apesar de não haver previsão legal de recurso administrativo contra a concessão de patente, é possível requerer sua nulidade total ou parcial, a depender de seu escopo: se a nulidade incidir sobre todas as reivindicações, será total; se incidir apenas sobre algumas, será parcial. O reconhecimento administrativo da nulidade da patente gera efeitos ex tunc. Em outras palavras, os efeitos da nulidade retroagem até a data do depósito do pedido. Uma peculiaridade é a possibilidade de adjudicação da patente, que ocorrerá quando for o caso de nulidade por ofensa ao art. 6o da Lei de Propriedade Industrial. Neste caso o argumento para a nulidade é o de que o beneficiário da patente não é seu legítimo titular. Diante desta situação será possível ingressar com ação judicial pedindo que a titularidade da patente seja modificada. O reconhecimento administrativo da nulidade da patente gera efeitos ex tunc. Em outras palavras, os efeitos da nulidade retroagem até a data do depósito do pedido. Art. 50. A nulidade da patente será declarada administrativamente quando: I - não tiver sido atendido qualquer dos requisitos legais; II - o relatório e as reivindicações não atenderem ao disposto nos arts. 24 e 25, respectivamente; III - o objeto da patente se estenda além do conteúdo do pedido originalmente depositado; ou IV - no seu processamento, tiver sido omitida qualquer das formalidades essenciais, indispensáveis à concessão. Parágrafo único. O processo de nulidade prosseguirá ainda que extinta a patente. Perceba que o art. 50 não determina que o INPI necessite de provocação para declarar a nulidade de patente quando estiverem presentes os requisitos necessários. Na realidade, o processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, desde que seja observado o prazo de 6 meses contados da concessão da patente. O parágrafo único do art. 50 determina ainda que o processo de nulidade prosseguirá ainda que extinta a patente. Isso ocorre porque, mesmo que já tenha b http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães sido extinta, a patente certamente produziu efeitos, e, se for o caso de nulidade da patente, esses efeitos também deverão ser anulados. Uma vez instaurado o processo administrativo, o titular da patente deverá ter a possibilidade de defender-se (contraditório). O procedimento está descrito nos arts. 52 a 54 da Lei de Propriedade Industrial. Art. 52. O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias. Art. 53. Havendo ou não manifestação, decorrido o prazo fixado no artigo anterior, o INPI emitirá parecer, intimando o titular e o requerente para se manifestarem no prazo comum de 60 (sessenta) dias. Art. 54. Decorrido o prazo fixado no artigo anterior, mesmo que não apresentadas as manifestações, o processo será decidido pelo Presidente do INPI, encerrando-se a instância administrativa. Quanto à possibilidade de ajuizamento da ação de nulidade, esta poderá ser proposta a qualquer tempo da vigência da patente, pelo INPI ou por qualquer pessoa com legítimo interesse. É possível também a declaração incidental da nulidade quando esta for tomada como matéria de defesa em outra ação judicial, ou, ainda, a suspensão cautelar dos efeitos da patente, atendidos os requisitos processuais próprios. Quando o INPI não for autor da ação de nulidade, deverá obrigatoriamente intervir no feito. Por isso a ação de nulidade deve ser proposta perante a Justiça Federal, como já mencionamos anteriormente. Lembre-se ainda de que, em regra, a competência é da seção judiciária do Rio de Janeiro, a não ser que haja outro réu, caso em que a ação também poderá ser proposta no domicílio deste. Art. 57. A ação de nulidade de patente será ajuizada no foro da Justiça Federal e o INPI, quando não for autor, intervirá no feito. § 1º O prazo para resposta do réu titular da patente será de 60 (sessenta) dias. § 2º Transitada em julgado a decisão da ação de nulidade, o INPI publicará anotação, para ciência de terceiros. Aqui cabe observação acerca do prazo para resposta do réu, que é especificamente previsto pela Lei de Propriedade Industrial, maior do que o prazo previsto pelo Código de Processo Civil. 6.9. Cessão de patente Art. 58. O pedido de patente ou a patente, ambos de conteúdo indivisível, poderão ser cedidos, total ou parcialmente. 6 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Art. 59. O INPI fará as seguintes anotações: I - da cessão, fazendo constar a qualificação completa do cessionário; II - de qualquer limitação ou ônus que recaia sobre o pedido ou a patente; e III - das alterações de nome, sede ou endereço do depositante ou titular. Art. 60. As anotações produzirão efeito em relação a terceiros a partir da data de sua publicação. Como a patente, assim como os demais direitos de propriedade industrial, é considerada um bemmóvel, é perfeitamente possível que seu titular dela disponha da maneira que bem entender. É possível, portanto, a cessão da patente, ou mesmo do pedido de patente. Os atos de disposição da patente, porém, deverão ser objeto de anotação pelo INPI. 6.10. Licenciamento de patente A licença para exploração da patente pode ser voluntária ou compulsória, a depender da forma como se dá. Art. 61. O titular de patente ou o depositante poderá celebrar contrato de licença para exploração. Parágrafo único. O licenciado poderá ser investido pelo titular de todos os poderes para agir em defesa da patente. O art. 61 prevê a o licenciamento voluntário, que deve dar-se mediante contrato de licença para exploração, que deverá ser averbado junto ao INPI para que produza efeitos em relação a terceiros. A contraprestação pela exploração da patente licenciada é o que normalmente chamamos de royalty. Interessante mencionar que, apesar de o licenciamento do pedido de patente ser admitido, o INPI não vem admitindo a previsão contratual de pagamento de royalties neste caso. Art. 63. O aperfeiçoamento introduzido em patente licenciada pertence a quem o fizer, sendo assegurado à outra parte contratante o direito de preferência para seu licenciamento. Segundo a regra do art. 63, se uma determinada patente foi licenciada e, posteriormente, o antigo titular aperfeiçoou o invento, o licenciado terá preferência para obter o licenciamento relacionado ao aperfeiçoamento realizado. Art. 64. O titular da patente poderá solicitar ao INPI que a coloque em oferta para fins de exploração. 9 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães § 1º O INPI promoverá a publicação da oferta. § 2º Nenhum contrato de licença voluntária de caráter exclusivo será averbado no INPI sem que o titular tenha desistido da oferta. § 3º A patente sob licença voluntária, com caráter de exclusividade, não poderá ser objeto de oferta. § 4º O titular poderá, a qualquer momento, antes da expressa aceitação de seus termos pelo interessado, desistir da oferta, não se aplicando o disposto no art. 66. Este é o caso em que o titular da patente não deseja negociar diretamente o seu licenciamento, delegando ao INPI a competência para promover uma oferta pública de licenciamento. Essa publicação da oferta será feita por meio da Revista da Propriedade Intelectual. Na falta de acordo entre o titular e o licenciado, as partes poderão requerer ao INPI o arbitramento da remuneração, que poderá ser revista decorrido 1 ano da sua fixação. Por fim, o titular da patente poderá requerer o cancelamento da licença se o licenciado não der início à exploração efetiva dentro de 1 ano da concessão, interromper a exploração por prazo superior a 1 ano, ou, ainda, se não forem obedecidas as condições para a exploração. Art. 68. O titular ficará sujeito a ter a patente licenciada compulsoriamente se exercer os direitos dela decorrentes de forma abusiva, ou por meio dela praticar abuso de poder econômico, comprovado nos termos da lei, por decisão administrativa ou judicial. § 1º Ensejam, igualmente, licença compulsória: I - a não exploração do objeto da patente no território brasileiro por falta de fabricação ou fabricação incompleta do produto, ou, ainda, a falta de uso integral do processo patenteado, ressalvados os casos de inviabilidade econômica, quando será admitida a importação; ou II - a comercialização que não satisfizer às necessidades do mercado. § 2º A licença só poderá ser requerida por pessoa com legítimo interesse e que tenha capacidade técnica e econômica para realizar a exploração eficiente do objeto da patente, que deverá destinar-se, predominantemente, ao mercado interno, extinguindo-se nesse caso a excepcionalidade prevista no inciso I do parágrafo anterior. § 3º No caso de a licença compulsória ser concedida em razão de abuso de poder econômico, ao licenciado, que propõe fabricação local, será garantido um prazo, limitado ao estabelecido no art. 74, para proceder à importação do objeto da licença, desde que tenha sido colocado no mercado diretamente pelo titular ou com o seu consentimento. § 4º No caso de importação para exploração de patente e no caso da importação prevista no parágrafo anterior, será igualmente admitida a importação por terceiros de produto fabricado de acordo com patente de processo ou de produto, desde que tenha sido colocado no mercado diretamente pelo titular ou com o seu consentimento. § 5º A licença compulsória de que trata o § 1º somente será requerida após decorridos 3 (três) anos da concessão da patente. 7 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Agora estamos falando do licenciamento compulsório, que será uma espécie de sanção, aplicada inicialmente ao titular da patente que abusa do privilégio geral de exploração a ele concedido. O processo de concessão da licença compulsória começa com o requerimento de um interessado, mas deve-se sempre dar oportunidade ao titular da patente para que se defenda de maneira adequada. Esta é a previsão do art. 69. Art. 69. A licença compulsória não será concedida se, à data do requerimento, o titular: I - justificar o desuso por razões legítimas; II - comprovar a realização de sérios e efetivos preparativos para a exploração; ou III - justificar a falta de fabricação ou comercialização por obstáculo de ordem legal. Há ainda uma outra hipótese de licenciamento compulsório, prevista no art. 70 da Lei de Propriedade Industrial. Art. 70. A licença compulsória será ainda concedida quando, cumulativamente, se verificarem as seguintes hipóteses: I - ficar caracterizada situação de dependência de uma patente em relação a outra; II - o objeto da patente dependente constituir substancial progresso técnico em relação à patente anterior; e III - o titular não realizar acordo com o titular da patente dependente para exploração da patente anterior. § 1º Para os fins deste artigo considera-se patente dependente aquela cuja exploração depende obrigatoriamente da utilização do objeto de patente anterior. § 2º Para efeito deste artigo, uma patente de processo poderá ser considerada dependente de patente do produto respectivo, bem como uma patente de produto poderá ser dependente de patente de processo. § 3º O titular da patente licenciada na forma deste artigo terá direito a licença compulsória cruzada da patente dependente. Neste caso as três condições devem ser observadas cumulativamente para que a licença compulsória seja concedida. Essa modalidade é chamada por alguns doutrinadores de licença de dependência. Art. 71. Nos casos de emergência nacional ou interesse público, declarados em ato do Poder Executivo Federal, desde que o titular da patente ou seu licenciado não atenda a essa necessidade, poderá ser concedida, de ofício, licença compulsória, temporária e não exclusiva, para a exploração da patente, sem prejuízo dos direitos do respectivo titular. Parágrafo único. O ato de concessão da licença estabelecerá seu prazo de vigência e a possibilidade de prorrogação. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Esta é a chamada licença por interesse público, que ocorre diante de situações de emergência ou interesse público. Esta modalidade de licença ganhou notoriedade em um caso no qual se discutia o licenciamento compulsório para uso do medicamento Efavirenz, empregado no tratamento dos portadores do vírus HIV. A “quebra da patente” foi determinada pelo Decreto n. 6.108/2007, que garantiu o licenciamento compulsório para uso público não comercial do medicamento, prevendo inclusive o pagamento de royaltiesao laboratório titular da patente. Por outro lado, a medida sofreu críticas de instituições ligadas à pesquisa, sob o argumento de que afugentaria empresas que investem em pesquisa tecnológica de ponta. O procedimento para concessão de licenciamento compulsório consta nos arts. 73 a 74 da Lei de Propriedade Industrial. Art. 73. O pedido de licença compulsória deverá ser formulado mediante indicação das condições oferecidas ao titular da patente. § 1º Apresentado o pedido de licença, o titular será intimado para manifestar-se no prazo de 60 (sessenta) dias, findo o qual, sem manifestação do titular, será considerada aceita a proposta nas condições oferecidas. § 2º O requerente de licença que invocar abuso de direitos patentários ou abuso de poder econômico deverá juntar documentação que o comprove. § 3º No caso de a licença compulsória ser requerida com fundamento na falta de exploração, caberá ao titular da patente comprovar a exploração. § 4º Havendo contestação, o INPI poderá realizar as necessárias diligências, bem como designar comissão, que poderá incluir especialistas não integrantes dos quadros da autarquia, visando arbitrar a remuneração que será paga ao titular. § 5º Os órgãos e entidades da administração pública direta ou indireta, federal, estadual e municipal, prestarão ao INPI as informações solicitadas com o objetivo de subsidiar o arbitramento da remuneração. § 6º No arbitramento da remuneração, serão consideradas as circunstâncias de cada caso, levando-se em conta, obrigatoriamente, o valor econômico da licença concedida. § 7º Instruído o processo, o INPI decidirá sobre a concessão e condições da licença compulsória no prazo de 60 (sessenta) dias. § 8º O recurso da decisão que conceder a licença compulsória não terá efeito suspensivo. Art. 74. Salvo razões legítimas, o licenciado deverá iniciar a exploração do objeto da patente no prazo de 1 (um) ano da concessão da licença, admitida a interrupção por igual prazo. § 1º O titular poderá requerer a cassação da licença quando não cumprido o disposto neste artigo. § 2º O licenciado ficará investido de todos os poderes para agir em defesa da patente. § 3º Após a concessão da licença compulsória, somente será admitida a sua cessão quando realizada conjuntamente com a cessão, alienação ou arrendamento da parte do empreendimento que a explore. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 6.11. Patente de interesse da defesa nacional Art. 75. O pedido de patente originário do Brasil cujo objeto interesse à defesa nacional será processado em caráter sigiloso e não estará sujeito às publicações previstas nesta Lei. § 1º O INPI encaminhará o pedido, de imediato, ao órgão competente do Poder Executivo para, no prazo de 60 (sessenta) dias, manifestar-se sobre o caráter sigiloso. Decorrido o prazo sem a manifestação do órgão competente, o pedido será processado normalmente. § 2º É vedado o depósito no exterior de pedido de patente cujo objeto tenha sido considerado de interesse da defesa nacional, bem como qualquer divulgação do mesmo, salvo expressa autorização do órgão competente. § 3º A exploração e a cessão do pedido ou da patente de interesse da defesa nacional estão condicionadas à prévia autorização do órgão competente, assegurada indenização sempre que houver restrição dos direitos do depositante ou do titular. A Lei de Propriedade Industrial não dá maiores explicações acerca do que seria a patente de interesse da defesa nacional, mas podemos imaginar que se trata de um invento ou modelo de utilidade considerado importante para as Forças Armadas, guarda de fronteiras ou outras atividades que envolvam a segurança nacional. 6.12. Retribuição anual Art. 84. O depositante do pedido e o titular da patente estão sujeitos ao pagamento de retribuição anual, a partir do início do terceiro ano da data do depósito. § 1º O pagamento antecipado da retribuição anual será regulado pelo INPI. § 2º O pagamento deverá ser efetuado dentro dos primeiros 3 (três) meses de cada período anual, podendo, ainda, ser feito, independente de notificação, dentro dos 6 (seis) meses subsequentes, mediante pagamento de retribuição adicional. Art. 85. O disposto no artigo anterior aplica-se aos pedidos internacionais depositados em virtude de tratado em vigor no Brasil, devendo o pagamento das retribuições anuais vencidas antes da data da entrada no processamento nacional ser efetuado no prazo de 3 (três) meses dessa data. Art. 86. A falta de pagamento da retribuição anual, nos termos dos arts. 84 e 85, acarretará o arquivamento do pedido ou a extinção da patente. O art. 84 prevê a obrigação do titular da patente ou depositante do pedido de pagar um valor a título de retribuição anual, a partir do terceiro ano contado do depósito. Trata-se de uma espécie de taxa cobrada pelo INPI para custear suas atividades. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 6.13. Extinção da patente Art. 78. A patente extingue-se: I - pela expiração do prazo de vigência; II - pela renúncia de seu titular, ressalvado o direito de terceiros; III - pela caducidade; IV - pela falta de pagamento da retribuição anual, nos prazos previstos no § 2º do art. 84 e no art. 87; e V - pela inobservância do disposto no art. 217. Parágrafo único. Extinta a patente, o seu objeto cai em domínio público. Quanto à extinção pela expiração do prazo de vigência, você já sabe que a vigência da patente é improrrogável. Quanto à renúncia, a própria Lei de Propriedade Industrial determina que ela só será admitida se não prejudicar direito de terceiros (art. 79). Quanto à caducidade, esta atingirá a patente, de ofício ou a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, se, decorridos 2 anos da concessão da primeira licença compulsória, esse prazo não tiver sido suficiente para prevenir ou sanar o abuso ou desuso, salvo motivos justificáveis (art. 80). Trata-se de mais uma hipótese de instauração de processo administrativo junto ao INPI, com previsão de ampla defesa e contraditório para o titular da patente. Quando estivermos diante da extinção da patente por falta de pagamento da retribuição anual, é interessante notar que o STJ entende que deve haver a notificação do titular, para que ele possa, ou não, exercer o direito de restauração previsto no art. 87. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. PATENTES. FALTA DE PAGAMENTO DE RETRIBUIÇÃO ANUAL. OBRIGATORIEDADE DE NOTIFICAÇÃO DO ARQUIVAMENTO DO PEDIDO OU DA EXTINÇÃO DA PATENTE. RESTAURAÇÃO GARANTIDA PELO ART. 87 DA LEI N. 9.279/96 ATÉ TRÊS MESES CONTADOS DA NOTIFICAÇÃO. Discute-se acerca da necessidade de notificação prévia da extinção da patente pela falta de pagamento de duas retribuições anuais. Inicialmente, cabe pontuar que esse pagamento configura requisito imprescindível para que o titular de uma patente goze do monopólio, garantido pelo Estado, de exploração comercial do objeto patenteado durante o seu prazo de vigência. De acordo com o art. 84 da Lei de Propriedade Industrial (Lei n. 9.279/96), a retribuição anual é devida a partir do início do terceiro ano do depósito e deve ser paga nos três primeiros meses de cada período anual. Nesse contexto, a falta do pagamento da retribuição acarreta, como regra, o arquivamento do pedido de patente, ou, caso já concedida, a sua extinção. Porém, a regra do art. 87 do referido diploma legal prevê, como forma de preservar o direito do titular da patente, o instituto da restauração. Estabelece o dispositivo aludido que, notificado do arquivamento do pedido ou da extinção da patente em razão do não pagamento da retribuição anual, o depositante ou o titular pode, no prazo de três meses contados dessa notificação, restaurar o pedido ou apatente, por meio do pagamento de retribuição específica. Infere-se desse dispositivo legal que, na hipótese de inadimplemento da retribuição anual, a notificação do arquivamento do pedido ou da http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães extinção da patente é obrigatória, porquanto necessária para o exercício do direito à restauração. REsp 1.669.131-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 27.06.2017, DJe 01.08.2017. 6.14. Adição de invenção Art. 76. O depositante do pedido ou titular de patente de invenção poderá requerer, mediante pagamento de retribuição específica, certificado de adição para proteger aperfeiçoamento ou desenvolvimento introduzido no objeto da invenção, mesmo que destituído de atividade inventiva, desde que a matéria se inclua no mesmo conceito inventivo. § 1º Quando tiver ocorrido a publicação do pedido principal, o pedido de certificado de adição será imediatamente publicado. § 2º O exame do pedido de certificado de adição obedecerá ao disposto nos arts. 30 a 37, ressalvado o disposto no parágrafo anterior. § 3º O pedido de certificado de adição será indeferido se o seu objeto não apresentar o mesmo conceito inventivo. § 4º O depositante poderá, no prazo do recurso, requerer a transformação do pedido de certificado de adição em pedido de patente, beneficiando-se da data de depósito do pedido de certificado, mediante pagamento das retribuições cabíveis. Art. 77. O certificado de adição é acessório da patente, tem a data final de vigência desta e acompanha-a para todos os efeitos legais. Parágrafo único. No processo de nulidade, o titular poderá requerer que a matéria contida no certificado de adição seja analisada para se verificar a possibilidade de sua subsistência, sem prejuízo do prazo de vigência da patente. A adição de invenção serve para proteger o conceito inventivo do inventor, ou seja, sua criação em si. Diante de um aperfeiçoamento ou desenvolvimento introduzido no invento, este poderá ser protegido por meio do procedimento de adição. 6.15. Patentes pipeline Art. 230. Poderá ser depositado pedido de patente relativo às substâncias, matérias ou produtos obtidos por meios ou processos químicos e as substâncias, matérias, misturas ou produtos alimentícios, químico-farmacêuticos e medicamentos de qualquer espécie, bem como os respectivos processos de obtenção ou modificação, por quem tenha proteção garantida em tratado ou convenção em vigor no Brasil, ficando assegurada a data do primeiro depósito no exterior, desde que seu objeto não tenha sido colocado em qualquer mercado, por iniciativa direta do titular ou por terceiro com seu consentimento, nem tenham sido realizados, por terceiros, no País, sérios e efetivos preparativos para a exploração do objeto do pedido ou da patente. [...] http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Art. 231. Poderá ser depositado pedido de patente relativo às matérias de que trata o artigo anterior, por nacional ou pessoa domiciliada no País, ficando assegurada a data de divulgação do invento, desde que seu objeto não tenha sido colocado em qualquer mercado, por iniciativa direta do titular ou por terceiro com seu consentimento, nem tenham sido realizados, por terceiros, no País, sérios e efetivos preparativos para a exploração do objeto do pedido. No regime de propriedade industrial anterior não era permitida a patente de produtos farmacêuticos ou alimentícios, mas a atual Lei de Propriedade Industrial os permite. Diante dessa situação, após a entrada em vigor da nova lei, os inventores que haviam requerido essas patentes no exterior poderiam requerer as chamadas patentes pipeline. Os arts. 230 e 231 preveem essa possibilidade, mas há muita controvérsia, incluindo aí o ajuizamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade ainda não julgada pelo STF. Na prática, muitos titulares de patentes pipeline (em sua maioria laboratórios) tentam estender o prazo de vigência da patente brasileira quando tais prazos, no país de origem, são mais longos ou são prorrogados por algum motivo. O entendimento do STJ, porém, é no sentido de que as patentes pipelines revalidadas no Brasil vigoram pelo prazo remanescente no país de origem, mas limitado ao prazo máximo previsto em nossa legislação, que atualmente é de 20 anos para patentes de invenção e de 15 anos para patentes de modelo de utilidade. 7 – Desenho Industrial Enquanto a proteção do invento e do modelo de utilidade se dá mediante concessão de patente, a proteção do desenho industrial se dá mediante registro, da mesma forma que ocorre com as marcas. 7.1. Conceito de desenho industrial Art. 95. Considera-se desenho industrial a forma plástica ornamental de um objeto ou o conjunto ornamental de linhas e cores que possa ser aplicado a um produto, proporcionando resultado visual novo e original na sua configuração externa e que possa servir de tipo de fabricação industrial. O primeiro ponto aqui é saber diferenciar o desenho industrial da obra de arte, e já quero deixar claro que isso é importante porque essas obras estão, como você já sabe, protegidas por diferentes regimes jurídicos. A grande diferença está na chamada função utilitária do desenho industrial, que nada mais é do que a sua aplicação mercadológica. A obra de arte, por outro lado, é uma figura meramente estética ou decorativa. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães É importante ainda salientar que, diferentemente do modelo de utilidade, o desenho industrial não guarda nenhuma relação com a funcionalidade do produto, já que é uma criação estética. 7.2. Requisitos de registrabilidade Os requisitos necessários para o registro do desenho industrial são: a)!novidade; b)!originalidade; c)! aplicação industrial; e d)! licitude (ou desimpedimento). A novidade é o requisito atendido quando o desenho industrial não está compreendido no estado da técnica. Já tratamos do tema quando estudamos os inventos e os modelos de utilidade, então não precisamos mais nos aprofundar e explicar o que isso significa, não é mesmo!? O requisito da originalidade, por sua vez, será cumprido quando do desenho industrial resultar uma “configuração visual distintiva, em relação a outros objetos anteriores” (art. 97). É importante salientar ainda que esse resultado original poderá ser decorrente da combinação de elementos conhecidos. Em palavras mais simples, o desenho industrial precisa ser significativamente diferente dos outros existentes no mercado. A aplicação industrial é justamente o que diferencia o desenho industrial das obras de arte. O desenho industrial é aplicável a um produto, e, apesar de também ter caráter estético, tem finalidades que vão além do puro deleite. Quanto à licitude, a própria Lei de Propriedade Industrial estabelece em seu art. 100 hipóteses de desenho industrial não registráveis. Art. 100. Não é registrável como desenho industrial: I - o que for contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas, ou atente contra liberdade de consciência, crença, culto religioso ou ideia e sentimentos dignos de respeito e veneração; II - a forma necessária comum ou vulgar do objeto ou, ainda, aquela determinada essencialmente por considerações técnicas ou funcionais. 7.3. Procedimento de registro O procedimento é muito parecido com o que estudamos quando falamos das patentes, mas com algumas pequenas adaptações. Como você já sabe, considera-se o requerente legitimado para obter o registro. Este poderá ser requerido em nome próprio, pelos herdeiros ou sucessores do autor, pelo cessionário ou por aquele a quem a leiou o contrato de trabalho ou de prestação de serviços determinar que pertença a titularidade. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Além disso, quando estivermos falando de desenho industrial realizado conjuntamente por duas ou mais pessoas, o registro poderá ser requerido por todas ou qualquer delas, mediante nomeação e qualificação das demais, para ressalva dos respectivos direitos. Se dois ou mais autores tiverem realizado o mesmo desenho industrial de forma independente, o direito de obter o registro será assegurado àquele que provar o depósito mais antigo, independentemente da data de criação. São também aplicáveis ao desenho industrial as disposições que estudamos acerca de inventos realizados por funcionários do empresário (art. 88 a 93). Art. 101. O pedido de registro, nas condições estabelecidas pelo INPI, conterá: I - requerimento; II - relatório descritivo, se for o caso; III - reivindicações, se for o caso; IV - desenhos ou fotografias; V - campo de aplicação do objeto; e VI - comprovante do pagamento da retribuição relativa ao depósito. Parágrafo único. Os documentos que integram o pedido de registro deverão ser apresentados em língua portuguesa. Como você já deve ter percebido, os requisitos para o pedido de registro são os mesmos exigidos para a patente. Da mesma forma, o pedido de registro do desenho industrial deve ser, em seguida, submetido a exame formal preliminar, conforme art. 102 da Lei de Propriedade Industrial. O INPI, por sua vez, poderá receber o pedido mesmo que contenha pequenas irregularidades, determinando, neste caso, que as exigências formais sejam cumpridas no prazo de 5 dias, nos termos do art. 103. De forma semelhante ao que já estudamos, o desenho industrial deve representar clara e suficientemente objeto e suas variações, se houver, de modo a possibilitar sua reprodução por técnico no assunto (art. 104, parágrafo único). 7.4. Concessão do registro Art. 106. Depositado o pedido de registro de desenho industrial e observado o disposto nos arts. 100, 101 e 104, será automaticamente publicado e simultaneamente concedido o registro, expedindo-se o respectivo certificado. Aqui o procedimento de registro do desenho industrial assume algumas peculiaridades, pois a publicação e a concessão neste caso são automáticas, e o registro é despedido imediatamente. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Também é importante notar que não há previsão do período de sigilo de 18 meses. Por outro lado, a concessão do sigilo é possível mediante requerimento do autor, pelo prazo de 180 dias. Como publicação do pedido de registro e a concessão do certificado são automáticas, O exame do mérito do pedido somente ocorrerá mediante requerimento do titular ou de terceiros interessados. Por essa razão dizemos que, no registro do desenho industrial, o exame de mérito do pedido é eventual e diferido. 7.5. Vigência do registro Art. 108. O registro vigorará pelo prazo de 10 (dez) anos contados da data do depósito, prorrogável por 3 (três) períodos sucessivos de 5 (cinco) anos cada. O prazo de vigência do registro de desenho industrial é de 10 anos, contados da data do depósito. Esse prazo, porém, poderá ser prorrogado por três períodos sucessivos, de 5 anos cada. O requerimento de prorrogação deve ser feito no último ano da vigência do registro, e depende do pagamento da respectiva retribuição. Se o pedido não for feito no prazo previsto, o titular poderá fazê-lo nos 180 dias subsequentes, mediante o pagamento de retribuição adicional. O titular do registro, então, terá o direito de exploração econômica exclusiva do seu objeto, assim como ocorre na patente de invenção e de modelo de utilidade. A Lei de Propriedade Industrial aqui também protege o terceiro de boa-fé que já explorava o objeto antes da data do depósito, conforme art. 110. Art. 110. À pessoa que, de boa fé, antes da data do depósito ou da prioridade do pedido de registro explorava seu objeto no País, será assegurado o direito de continuar a exploração, sem ônus, na forma e condição anteriores. § 1º O direito conferido na forma deste artigo só poderá ser cedido juntamente com o negócio ou empresa, ou parte deste, que tenha direta relação com a exploração do objeto do registro, por alienação ou arrendamento. § 2º O direito de que trata este artigo não será assegurado a pessoa que tenha tido conhecimento do objeto do registro através de divulgação nos termos do § 3º do art. 96, desde que o pedido tenha sido depositado no prazo de 6 (seis) meses contados da divulgação. 7.6. Nulidade do registro Assim como ocorre com as patentes, também é possível a decretação de nulidade do registro de desenho industrial nos casos de desobediência à Lei de Propriedade Industrial. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Caso a nulidade decorra de ofensa à regra do art. 94, que tata dos legítimos titulares do registro, o interessado poderá optar por ingressar em juízo para requerer a adjudicação do registro. Quando a nulidade for decorrente de ofensa a outros dispositivos da lei, a novidade deverá ser requerida ao INPI, que deverá instaurar processo administrativo próprio, medida que também poderá ser tomada de ofício, no prazo de 5 anos contados da concessão do registro. A declaração de nulidade produz efeitos ex tunc, e por isso é possível que o processo administrativo prossiga, ainda que o registro já tenha sido extinto. Parte fundamental do processo administrativo diz respeito ao contraditório, em razão do qual o titular do registro poderá exercer seu direito de defesa, produzidas provas necessárias para influenciar a seu favor a decisão final. O procedimento está descrito nos arts. 114 a 116 da Lei de Propriedade Industrial, seguindo a mesma lógica do procedimento para declaração de nulidade de patente. Art. 114. O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias contados da data da publicação. Art. 115. Havendo ou não manifestação, decorrido o prazo fixado no artigo anterior, o INPI emitirá parecer, intimando o titular e o requerente para se manifestarem no prazo comum de 60 (sessenta) dias. Art. 116. Decorrido o prazo fixado no artigo anterior, mesmo que não apresentadas as manifestações, o processo será decidido pelo Presidente do INPI, encerrando-se a instância administrativa. Art. 117. O processo de nulidade prosseguirá, ainda que extinto o registro. Art. 118. Aplicam-se à ação de nulidade de registro de desenho industrial, no que couber, as disposições dos arts. 56 e 57. 7.7. Retribuição quinquenal Art. 120. O titular do registro está sujeito ao pagamento de retribuição quinquenal, a partir do segundo quinquênio da data do depósito. Da mesma forma que o titular da patente, o titular do registro do desenho industrial também deve pagar ao INPI determinados valores. Entretanto, aqui há uma diferença interessante: enquanto a retribuição referente a patente anual, o titular do registro de desenho Industrial obrigado pagamento de retribuição quinquenal. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 7.8. Extinção do registro As hipóteses de extinção do registo do desenho industrial encontram previsão no art. 119 da Lei de Propriedade Industrial. Art. 119. O registro extingue-se: I - pela expiração do prazo de vigência; II - pela renúncia de seu titular, ressalvado o direito de terceiros; III - pela falta de pagamento da retribuição prevista nos arts. 108 e 120; ou IV - pela inobservânciado disposto no art. 217. O art. 217 se refere à obrigação imposta à pessoa domiciliada no exterior, de constituir e manter procurador devidamente qualificado e domiciliado no País, com poderes para representá-la administrativa e judicialmente, inclusive para receber citações. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 8 – Marca 8.1. Conceitos básicos A marca também um bem protegido pelo regime jurídico da propriedade industrial. A definição está no art. 122 da Lei de Propriedade Industrial. Art. 122. São suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis, não compreendidos nas proibições legais. Perceba, portanto, que a principal finalidade da marca é diferenciar o produto de outros semelhantes. Sobre esses elementos diferenciadores, vale mencionar dois interessantes julgados do STJ: em um a Corte entende que um condomínio fechado que usa marca semelhante à de um produto não ofende a proteção à marca, pois não se refere a atos da vida comercial. Em outra ocasião, o Tribunal entendeu que, mesmo com um nome diferente, determinado produto violava a proteção à marca porque tentava se posicionar no mesmo mercado do detentor do registro. CIVIL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. DIREITO DE MARCAS. NOME DE CONDOMÍNIO FECHADO (ACQUAMARINA SERNAMBETIBA 3.360). EXISTÊNCIA DE REGISTRO DE MARCA (ACQUAMARINE) NA CLASSE DE SERVIÇOS DE ADMINISTRAÇAO, LOCAÇAO E AUXILIARES AO COMÉRCIO DE BENS IMÓVEIS. AUSÊNCIA DE COLIDÊNCIA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. DISTINÇAO ENTRE ATO CIVIL E ATO COMERCIAL. COMPOSIÇAO DOS SIGNOS. MERCADO CONSUMIDOR. INOCORRÊNCIA DE CONFUSAO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 07/STJ. RECURSO DESPROVIDO. 1. A marca é um sinal distintivo, visualmente perceptível, que visa a identificar um produto ou serviço no mercado consumidor. Para se obter o registro da marca e, consequentemente, sua propriedade, é necessária a observância de certos requisitos como a novidade relativa, distinguibilidade, veracidade e licitude, de molde a evitar que o consumidor seja induzido a engano, ante a existência de repetições ou imitações de signos protegidos. 2. Produtos ou serviços diferentes podem apresentar marcas semelhantes, dado que incide, no direito marcário, em regra, o princípio da especialidade; ou seja, a proteção da marca apenas é assegurada no âmbito das atividades do registro, ressalvada a hipótese de marca notória. 3. O nome de um condomínio fechado, a semelhança de nome de edifício, não viola os direitos de propriedade industrial inerentes a uma marca registrada e protegida, ainda que seja no ramo de serviços de administração, locação e auxiliares ao comércio de bens imóveis. 4. Os nomes de edifícios ou de condomínios fechados não são marcas nem são atos da vida comercial, mas, ao revés, são atos da vida civil, pois promovem a individualização da coisa, não podendo ser enquadrados como serviços ou, ainda, produtos, mesmo porque, para estes últimos, a marca serve para distinguir séries (de mercadorias) - e não objetos singulares. 5. O fato de uma empresa construir um edifício ou um condomínio fechado, ao particularizar o empreendimento colocando-lhe um nome (que se mantém, havendo comercialização ou não de unidades habitacionais), não torna o ato civil http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães em comercial, tampouco coloca em risco, por confusão, os efeitos jurídicos de marca registrada no ramo de serviços, pois o signo protegido é restrito à atividade, não repercutindo na nomeação de coisas. Incidência do princípio da especialidade. 6. Faz-se necessário, para o exame do fenômeno da colisão de marcas, não somente a aferição do ramo de atividade comercial das empresas combatentes, mas deve-se apreciar também a composição marcária como um todo. É que a proteção da marca é limitada à sua forma de composição, porquanto as partes e/ou afixos de dado signo - ainda mais quando essencialmente nominativo - podem ser destacados e combinados com outros sinais, resultando em um outro conjunto simbólico essencialmente distinto. É o fenômeno da justaposição ou aglutinação de afixos em nomes, que podem constituir outras marcas válidas, no mesmo ramo de atividade econômica ( v.g. : Coca-Cola e Pepsi Cola). 7. Se o Tribunal estadual, examinando os elementos de fato e de prova dos autos, concluiu pela ausência de risco de erro, engano ou confusão entre as marcas pelo consumidor, não havendo também qualquer ato de concorrência desleal praticado pela demandada, sendo inexistente a má-fé, chegar a conclusão diversa encontra óbice na Súmula 07 do STJ. 8. Recurso especial a que se nega provimento. REsp 862.067/RJ, Rel. Min. Vasco Della Giustina (Desembargador convocado do TJ/RS), 3a Turma, j. 26.04.2011, DJe 10.05.2011. DIREITO COMERCIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. USO DE MARCA COM ELEMENTOS SEMELHANTES. NOMES QUE, EMBORA COMUNS, DISTINGUEM MARCA DE PRODUTO ESPECÍFICO CONSAGRADO NO MERCADO. EXCLUSIVIDADE DE USO. PROVIMENTO. I - A exclusividade da marca "Leite de Rosas" é violada pelo uso da expressão "Desodorante Creme de Rosas", mormente em embalagem semelhante II - Embora composta por palavras comuns, a marca deve ter distinção suficiente no mercado de modo a nomear um produto específico. Marcas semelhantes em produtos da mesma classe induzem o consumidor a erro e violam direito do titular da marca original. III - Recurso Especial provido. REsp 929.604/SP, Rel. Min. Sidnei Beneti, 3a Turma, j. 22.03.2011, DJe 06.05.2011. 8.2. Limitações de registro Assim como os outros bens protegidos pela propriedade industrial, a marca também encontra limitações nas possibilidades de registro, conforme art. 124 da Lei de Propriedade Industrial. Art. 124. Não são registráveis como marca: I - brasão, armas, medalha, bandeira, emblema, distintivo e monumento oficiais, públicos, nacionais, estrangeiros ou internacionais, bem como a respectiva designação, figura ou imitação; II - letra, algarismo e data, isoladamente, salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva; III - expressão, figura, desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente contra liberdade de consciência, crença, culto religioso ou idéia e sentimento dignos de respeito e veneração; http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães IV - designação ou sigla de entidade ou órgão público, quando não requerido o registro pela própria entidade ou órgão público; V - reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros, suscetível de causar confusão ou associação com estes sinais distintivos; VI - sinal de caráter genérico, necessário, comum, vulgar ou simplesmente descritivo, quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir, ou aquele empregado comumente para designar uma característica do produto ou serviço, quanto à natureza, nacionalidade, peso, valor, qualidade e época de produção ou de prestação do serviço, salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva; VII - sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda; VIII - cores e suas denominações, salvo se dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo; IX - indicação geográfica, sua imitação suscetível de causar confusão ou sinal que possa falsamente induzir indicação geográfica; X - sinal que induza a falsa indicação quanto à origem, procedência, natureza, qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se destina; XI - reprodução ou imitação de cunho oficial, regularmente adotada para garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza;XII - reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como marca coletiva ou de certificação por terceiro, observado o disposto no art. 154; XIII - nome, prêmio ou símbolo de evento esportivo, artístico, cultural, social, político, econômico ou técnico, oficial ou oficialmente reconhecido, bem como a imitação suscetível de criar confusão, salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento; XIV - reprodução ou imitação de título, apólice, moeda e cédula da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios, dos Municípios, ou de país; XV - nome civil ou sua assinatura, nome de família ou patronímico e imagem de terceiros, salvo com consentimento do titular, herdeiros ou sucessores; XVI - pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos, nome artístico singular ou coletivo, salvo com consentimento do titular, herdeiros ou sucessores; XVII - obra literária, artística ou científica, assim como os títulos que estejam protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar confusão ou associação, salvo com consentimento do autor ou titular; XVIII - termo técnico usado na indústria, na ciência e na arte, que tenha relação com o produto ou serviço a distinguir; XIX - reprodução ou imitação, no todo ou em parte, ainda que com acréscimo, de marca alheia registrada, para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico, semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia; XX - dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou serviço, salvo quando, no caso de marcas de mesma natureza, se revestirem de suficiente forma distintiva; XXI - a forma necessária, comum ou vulgar do produto ou de acondicionamento, ou, ainda, aquela que não possa ser dissociada de efeito técnico; XXII - objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de terceiro; e XXIII - sinal que imite ou reproduza, no todo ou em parte, marca que o requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua atividade, cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou em país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocidade de tratamento, se a marca se destinar a distinguir produto ou http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães serviço idêntico, semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou associação com aquela marca alheia. A marca deve individualizar o produto ou serviço, diferenciando-o de outros. Por isso não se admite o registro de marca que contenha expressão comum ou genérica (art. 124, VI). Nesse sentido, o STJ já entendeu que o termo “Brasil” se enquadra nessa proibição de registro quando for o principal elemento de nome empresarial. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. CONFLITO ENTRE NOME FANTASIA E NOME EMPRESARIAL. REGISTRO DE MARCA SUPERVENIENTE. VOCÁBULO DE USO COMUM. [...] 4. Em princípio, os elementos que formam o nome da empresa, devidamente arquivado na Junta Comercial, não podem ser registrados à título de marca, salvo pelo titular da denominação ou terceiros autorizados. 5. O termo "Brasil", principal elemento do nome empresarial, é, contudo, vocábulo de uso comum, podendo, em função de seu caráter genérico, ser objeto de registro de marca até mesmo por empresas que atuem no mesmo ramo comercial, pois carece da proteção firmada nos termos do art. 124, V, da Lei Lei 9.279/96. 6. Recurso especial conhecido em parte e, na extensão, provido, para julgar improcedentes os pedidos iniciais, invertendo os ônus sucumbenciais. REsp 1.082.734/RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, 4a Turma, j. 03.09.2009, DJe 28.09.2009. Em outra ocasião, o STJ decidiu que expressões de pouca originalidade ou fraco potencial criativo (marcas evocativas), bem como expressões que designem o componente principal do produto, não merecem proteção como marca. COMERCIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. MARCA EVOCATIVA. REGISTRO NO INPI. EXCLUSIVIDADE. MITIGAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. Marcas fracas ou evocativas, que constituem expressão de uso comum, de pouca originalidade, atraem a mitigação da regra de exclusividade decorrente do registro, admitindo-se a sua utilização por terceiros de boa-fé. 2. O monopólio de um nome ou sinal genérico em benefício de um comerciante implicaria uma exclusividade inadmissível, a favorecer a detenção e o exercício do comércio de forma única, com prejuízo não apenas à concorrência empresarial - impedindo os demais industriais do ramo de divulgarem a fabricação de produtos semelhantes através de expressões de conhecimento comum, obrigando-os à busca de nomes alternativos estranhos ao domínio público - mas sobretudo ao mercado em geral, que teria dificuldades para identificar produtos similares aos do detentor da marca. 3. A linha que divide as marcas genéricas - não sujeitas a registro - das evocativas é extremamente tênue, por vezes imperceptível, fruto da própria evolução ou desenvolvimento do produto ou serviço no mercado. Há expressões que, não obstante estejam diretamente associadas a um produto ou serviço, de início não estabelecem com este uma relação de identidade tão próxima ao ponto de serem empregadas pelo mercado http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães consumidor como sinônimas. Com o transcorrer do tempo, porém, à medida em que se difunde no mercado, o produto ou serviço pode vir a estabelecer forte relação com a expressão, que passa a ser de uso comum, ocasionando sensível redução do seu caráter distintivo. Nesses casos, expressões que, a rigor, não deveriam ser admitidas como marca por força do óbice contido no art. 124, VI, da LPI, acabam sendo registradas pelo INPI, ficando sujeitas a terem sua exclusividade mitigada. 4. Recurso especial a que se nega provimento. REsp 1.315.621/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3a Turma, j. 04.06.2013, DJe 13.06.2013. Nesse sentido, também não é possível a concessão de registro para proteção de cores e suas denominações. O STJ já reconheceu que a expressão “amarelas”, que por muito tempo foi conhecida por indicar os registros comerciais das listas telefônicas, não poderia ser apropriada por uma empresa na qualidade de marca. O resumo do julgado é um pouco longo, mas a leitura vale a pena. RECURSO ESPECIAL - PROPRIEDADE INTELECTUAL - AÇÃO ORDINÁRIA DE ANULAÇÃO DE ATO ADMINISTRATIVO EMANADO DO INPI - PEDIDO JULGADO IMPROCEDENTE, MANTENDO O INDEFERIMENTO E ARQUIVAMENTO DO REQUERIMENTO DE REGISTRO DE MARCA - SENTENÇA REFORMADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM, A FIM DE RESTABELECER O CURSO REGULAR DO PROCEDIMENTO DE REGISTRO DO SINAL DISTINTIVO - IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE ELEMENTO COMUM - PROTEÇÃO À LIVRE INICIATIVA E COMBATE À CONCORRÊNCIA DESLEAL - MARCA FRACA, SEM ORIGINALIDADE MARCANTE OU CRIATIVIDADE EXUBERANTE - IMPOSIÇÃO DE CONVIVÊNCIA COM OUTRAS SEMELHANTES - PRECEDENTES - RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. Ação ordinária de anulação de ato administrativo proferido pelo INPI que indeferiu e arquivou o requerimento de registro de sinal distintivo: "CLASSIFICADAS AMARELAS". Pedido julgado improcedente, a fim de manter a exclusão registral determinada pelo órgão administrativo. Sentença reformada pelo Tribunal de origem, determinando o restabelecimento do curso regular do procedimento instaurado perante o INPI para o registro da marca - "CLASSIFICADAS AMARELAS" -, ao fundamento de ser signo distintivo formado por elemento comum inapropriável. 1. Conflito entre marcas: "PÁGINAS AMARELAS" e "LISTAS AMARELAS" versus "CLASSIFICADAS AMARELAS". Os sinais distintivos em análise são constituídos por elemento comum inapropriável que expressa característica essencial do objeto comercializado, razão pela qual dar exclusividade ao seu uso a bem da recorrente atenta contra a livreiniciativa, tendo em vista a inexorável dificuldade de inserção de novos bens de consumo congêneres no mercado, mormente, pela impossibilidade de denomina-los por aquilo que eles realmente são em sua essência. 1.1 Registre-se que o uso de elemento comum descritivo do serviço prestado - "AMARELAS" - traz à mente do consumidor a imediata associação de característica do objeto comercializado. Contudo a vantagem comercial advinda deste expediente atrai, em contra partida, o ônus de se criar um sinal distintivo fraco, sem originalidade marcante ou criatividade exuberante, o que, em última análise, impõe a sua convivência com outros símbolos comerciais formados pela expressão comum - "AMARELAS". 2. Importa assinalar ser possível o registro perante o Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI de marca formada pela combinação de dois ou mais termos genéricos, desde que esta junção se revista de caráter original e distintivo. Embora este tipo de signo comercial seja passível de proteção jurídica, a tutela destinada a ele tem abrangência menor, por ter a nova marca em sua gênese elementos comuns inapropriáveis. Isto é, mesmo sendo defeso a reprodução e a utilização integral de marca composta por elementos http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães comuns, este sinal comercial terá que conviver no mercado com outros signos comerciais semelhantes a ele, pois a vantagem de incorporar à marca característica descritiva do objeto comercializado atrai, em contra partida, o ônus de se criar um sinal distintivo fraco, sem originalidade marcante ou criatividade exuberante. 3. É notório que o contraste estabelecido pela superposição da cor preta sobre a amarela tem o efeito de destacar as informações inseridas em texto assim formatado. Não é de hoje que esta técnica é usada por revistas, jornais e demais periódicos, sobretudo quando se destina a anúncios comerciais, pois dá maior legibilidade à publicação, favorecendo a concentração do leitor. 3.1. Embora a recorrente alegue ser pioneira na utilização deste tipo de recurso gráfico para vinculação de notícias, não é possível obstar a criação e o registro de outras marcas semelhantes, pois os signos marcários em análise são compostos por elementos comuns, cujo uso é impossível vedar ou dar exclusividade, daí que não há como conceder tutela à pretensão que objetiva a apropriação de coisa inexoravelmente comum. 4. Proibir o registro e a utilização da marca "CLASSIFICADAS AMARELAS", segundo a pretensão da recorrente, prejudicaria a livre concorrência, pois a recorrida e, de maneira reflexa, todos os demais empresários que comercializam anúncios em folhas de cor amarela teriam grandes dificuldades para inserirem seus produtos no mercado, uma vez que a expressão "AMARELAS" designa característica essencial do objeto comercializado 5. Aponte- se, ainda, a suficiência da distintividade das marcas em análise. Os elementos "PÁGINAS" e "LISTAS" possuem conteúdo fonético e gráfico aptos a se distinguir da expressão "CLASSIFICADAS", razão pela qual os sinais distintivos "PÁGINAS AMARELAS" e "LISTAS AMARELAS" podem conviver com a marca "CLASSIFICADAS AMARELAS". 6. Ademais, não se vislumbra confusão apta a conduzir o consumidor a erro, pois os símbolos marcários em questão têm distinguibilidade própria, uma vez que a utilização das expressões "PÁGINAS", "LISTAS" e "CLASSIFICADAS" mostra-se satisfatória para discriminar os empresários fornecedores de serviços congêneres, bem como possuem habilidade suficiente a particularizar cada produto posto no mercado. 7. Recurso especial desprovido. REsp 1.107.588/RJ, Rel. Min. Marco Buzzi, 4a Turma, j. 01.10.2013, DJe 06.11.2013. Em outra ocasião, o STJ decidiu que a cervejaria Itaipava poderia comercializar suas bebidas em latas vermelhas, ainda que a Brahma argumentasse que isso poderia confundir o consumidor e minimizar os efeitos de sua campanha publicitária. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. MARCA. COMERCIALIZAÇÃO DE CERVEJA. LATA COM COR VERMELHA. ART. 124, VIII, DA LEI N. 9.279/1996 (LPI). SINAIS NÃO REGISTRÁVEIS COMO MARCA. PRÁTICA DE ATOS TIPIFICADOS NO ART. 195, III E IV, DA LPI. CONCORRÊNCIA DESLEAL. DESCARACTERIZAÇÃO. OFENSA AO DIREITO DE MARCA. NÃO OCORRÊNCIA. CONDENAÇÃO INDENIZATÓRIA. AFASTAMENTO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. 1. Por força do art. 124, VIII, da Lei n. 9.279/1996 (LPI), a identidade de cores de embalagens, principalmente com variação de tons, de um produto em relação a outro, sem constituir o conjunto da imagem ou trade dress da marca do concorrente - isto é, cores "dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo" -, não é hipótese legalmente capitulada como concorrência desleal ou parasitária. 2. A simples cor da lata de cerveja não permite nenhuma relação com a distinção do produto nem designa isoladamente suas características - natureza, época de produção, sabor, etc. -, de modo que não enseja a confusão entre as marcas, sobretudo quando suficiente o seu principal e notório elemento distintivo, a denominação. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 3. Para que se materialize a concorrência desleal, além de visar à captação da clientela de concorrente, causando-lhe danos e prejuízos ao seu negócio, é preciso que essa conduta se traduza em manifesto emprego de meio fraudulento, voltado tanto para confundir o consumidor quanto para obter vantagem ou proveito econômico. 4. O propósito ou tentativa de vincular produtos à marca de terceiros, que se convencionou denominar de associação parasitária, não se configura quando inexiste ato que denote o uso por uma empresa da notoriedade e prestígio mercadológico alheios para se destacar no âmbito de sua atuação concorrencial. 5. A norma prescrita no inciso VIII do art. 124 da LPI - Seção II, "Dos Sinais Não Registráveis como Marca" - é bastante, por si só, para elidir a prática de atos de concorrência desleal tipificados no art. 195, III e IV, do mesmo diploma, cujo alcance se arrefece ainda mais em face da inexistência de elementos fático-jurídicos caracterizadores de proveito parasitário que evidenciem que a empresa, por meio fraudulento, tenha criado confusão entre produtos no mercado com o objetivo de desviar a clientela de outrem em proveito próprio. 6. Descaracterizada a concorrência desleal, não há falar em ofensa ao direito de marca, impondo-se o afastamento da condenação indenizatória por falta de um dos elementos essenciais à constituição da responsabilidade civil - o dano. 7. Recurso especial conhecido e provido. REsp 1.376.264/RJ, Rel. Min. João Otávio de Noronha, 3a Turma, j. 09.12.2014, DJe 04.02.2015. No art. 124 há ainda a vedação ao registro de marca que colida com nome empresarial. Por outro lado, temos precedentes do STJ no sentido de que isso é permitido quando estivermos diante de ramos de atividade distintos. DIREITO COMERCIAL. MARCA E NOME COMERCIAL. COLIDÊNCIA DE MARCA "ETEP" (REGISTRADA NO INPI) COM NOME COMERCIAL (ARQUIVAMENTO DOS ATOS CONSTITUTIVOS DA SOCIEDADE NA JUNTA COMERCIAL). CLASSE DE ATIVIDADE. PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE. INTERPRETAÇÃO LÓGICO- SISTEMÁTICA. RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE. I - Não há confundir-se marca e nome comercial. A primeira, cujo registro é feito junto ao INPI, destina-se a identificar produtos, mercadorias e serviços. O nome comercial, por seu turno, identifica a própria empresa, sendo bastante para legitimá-lo e protegê-lo, em âmbito nacional e internacional, o arquivamento dos atos constitutivos no Registro do Comércio. II - Sobre eventual conflito entre uma e outro, tem incidência, por raciocínio integrativo, o princípio da especificidade, corolário do nosso direito marcário. Fundamental, assim, a determinação dos ramos de atividadedas empresas litigantes. Se distintos, de molde a não importar confusão, nada obsta possam conviver concomitantemente no universo mercantil. III - No sistema jurídico nacional, tanto a marca, pelo Código de Propriedade Industrial, quanto o nome comercial, pela Convenção de Paris, ratificada pelo Brasil por meio do Decreto 75.572/75, são protegidos juridicamente, conferindo ao titular respectivo o direito de sua utilização. IV - Havendo colidência entre marca e parte do nome comercial, sendo distintas as atividades das duas empresas, a fim de garantir a proteção jurídica tanto a uma quanto a outro, determina-se ao proprietário do nome que se abstenha de utilizar isoladamente a expressão que constitui a marca registrada pelo outro, terceiro, de propriedade desse, sem prejuízo da utilização do seu nome comercial por inteiro. REsp 119.998/SP, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, 4a Turma, j. 09.03.1999, DJ 10.05.1999, p. 177. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Segundo a jurisprudência do STJ, devem ser observadas as seguintes condições para que seja impedido o registro de marca que conflite com nome empresarial: a)!Que a proteção ao nome empresarial não goze somente de tutela restrita a alguns Estados, mas detenha a exclusividade sobre o uso do nome em todo o território nacional; b)!Que a reprodução ou imitação seja “suscetível de causar confusão ou associação com estes sinais distintivos”. Se essas condições não estiverem presentes, o STJ entende que não deverá ser aplicada a proibição de registro da marca. Entre as proibições há ainda a proibição da imitação de parte da marca. Um caso concreto a respeito dessa possibilidade ganhou certa notoriedade na imprensa há alguns anos. Na ocasião, o INPI negou o registro da marca de sorvetes Eski Quello, a pedido do titular da marca Eski-bon, também associada a sorvetes. Essa decisão administrativa foi confirmada por julgado do Tribunal Regional Federal da 2a Região. 8.3. Nome de domínio O nome de domínio, como você já saber, nada mais é do que o popular endereço eletrônico, por meio do qual a página do empreendimento na internet é identificada. O crescimento massivo dos negócios na internet nos últimos anos levou a diversas práticas relacionadas à atribuição desses nomes. Isso porque, diferentemente das marcas, o registro do nome de domínio se dá de uma só vez no mundo todo, e, consequentemente, os procedimentos e regras precisam ser mais simples, adotando-se o princípio First Come, First Served. Em outras palavras, o domínio é registrado a quem primeiro o requerer. A questão que surge, então, diz respeito à relação entre o registro da marca e o nome de domínio. Segundo a jurisprudência do STJ, o fato de o empresário ou sociedade empresária ter registro um nome empresarial ou marca que contenha uma determinada expressão não significa que ele tenha automaticamente o direito exclusivo de usar essa expressão como nome de domínio. Caso o nome de domínio já tenha sido registro, o empresário somente poderá invalidar esse registro se conseguir comprovar a má-fé do titular do domínio. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE ABSTENÇÃO DE USO. NOME EMPRESARIAL. NOME DE DOMÍNIO NA INTERNET. REGISTRO. LEGITIMIDADE. CONTESTAÇÃO. AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. 1. A anterioridade do registro no nome empresarial no órgão competente não assegura, por si só, ao seu titular o direito de exigir a abstenção de uso do nome de domínio na rede mundial de computadores (internet) registrado por estabelecimento empresarial que também ostenta direitos acerca do mesmo signo distintivo. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 2. No Brasil, o registro de nomes de domínio na internet é regido pelo princípio "First Come, First Served", segundo o qual é concedido o domínio ao primeiro requerente que satisfizer as exigências para o registro. 3. A legitimidade do registro do nome do domínio obtido pelo primeiro requerente pode ser contestada pelo titular de signo distintivo similar ou idêntico anteriormente registrado - seja nome empresarial, seja marca. 4. Tal pleito, contudo, não pode prescindir da demonstração de má-fé, a ser aferida caso a caso, podendo, se configurada, ensejar inclusive o cancelamento ou a transferência do domínio e a responsabilidade por eventuais prejuízos. 5. No caso dos autos, não é possível identificar nenhuma circunstância que constitua sequer indício de má-fé na utilização do nome pelo primeiro requerente do domínio. 6. A demonstração do dissídio jurisprudencial pressupõe a ocorrência de similitude fática entre o acórdão atacado e os paradigmas. 7. Recurso especial não provido. REsp 594.404, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, 3a Turma, j. 05.09.2013, DJe 11.09.2013. 8.4. Espécies de marca Art. 123. Para os efeitos desta Lei, considera-se: I - marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico, semelhante ou afim, de origem diversa; II - marca de certificação: aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas, notadamente quanto à qualidade, natureza, material utilizado e metodologia empregada; e III - marca coletiva: aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. A marca de produto ou serviço é a ideia geral de marca que as pessoas normalmente têm, que são usadas pelos empresários para identificar produtos ou serviços. Esta marca é registrada pelo próprio empresário que irá utilizá-la. A marca de certificação serve para atestar a qualidade de determinado produto ou serviço conforme normas técnicas estabelecidas por institutos especializados. Esta marca é registrada pela instituição certificadora. A marca coletiva, por sua vez, serve para atestar a proveniência de determinado produto ou serviço. Esse tipo de marca pode indicar, por exemplo, que os empresários que a utilizam são membros de determinada associação, e que seus produtos ou serviços estão em conformidade com as regulamentações técnicas dessa entidade. Esta marca será registrada pela entidade que congrega os membros que irão utilizá-la. A marca de certificação e a marca coletiva são chamadas pelos doutrinadores de marcas de identificação indireta, em razão de normalmente não serem utilizadas pelo titular do registro. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Devemos ainda mencionar a classificação das marcas segundo a sua forma de apresentação. Nesse sentido, temos: a)!Marcas nominativas. Criadas a partir de palavras e/ou números, que podem ser expressões já existentes ou criações originais; b)!Marcas figurativas. São constituídas por desenhos, símbolos ou figuras que apresentam configuração gráfica decorativa incomum; c)!Marcas mistas. São constituídas pela combinação das duas espécies anteriores; d)!Marcas tridimensionais. São constituídas pela forma plástica do produto, ou seja, sua configuração física, com capacidade distintiva e dissociada de efeitos técnicos (por exemplo, um vidro de perfume). Classificação das marcas, segundo a lei Marca de produto ou serviço Marca de certificação Marca coletiva Classificação das marcas, segundo a form,a de apresentação Marcas nominativas Marcas figurativas Marcas mistas Marcas tridimensionais http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 8.5. Registro de marca Art. 129. A propriedade da marca adquire-se pelo registrovalidamente expedido, conforme as disposições desta Lei, sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional, observado quanto às marcas coletivas e de certificação o disposto nos arts. 147 e 148. Qualquer pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, poderá requerer o registo de marca. No caso da pessoa de direito privado, porém, há uma limitação: estas só podem requerer registro de marca relativo à atividade que exerçam efetiva e licitamente, de modo direto ou através de empresas que controlem direta ou indiretamente. Não se permite o registro de marca estranha às atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica. Podem requerer registro de marca as pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou de direito privado. As pessoas de direito privado, porém, só podem requerer registro de marca relativo à atividade que exerçam efetiva e licitamente, de modo direto ou através de empresas que controlem direta ou indiretamente. O registro de marca coletiva só poderá ser requerido por pessoa jurídica representativa de coletividade, a qual poderá exercer atividade distinta da de seus membros. O registro da marca de certificação só poderá ser requerido por pessoa sem interesse comercial ou industrial direto no produto ou serviço atestado. Art. 129, § 1º Toda pessoa que, de boa fé, na data da prioridade ou depósito, usava no País, há pelo menos 6 (seis) meses, marca idêntica ou semelhante, para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico, semelhante ou afim, terá direito de precedência ao registro. O §1o do art. 129 da Lei de Propriedade Industrial trata do chamado direito de precedência, que ocorre quando alguém cria uma marca e começa a utilizá-la sem requerer seu registro ao INPI. É importante salientar, porém, que, segundo o entendimento de alguns Tribunais Regionais Federais, o direito de precedência deve ser exercido antes da concessão do registro da marca ao seu requerente. Após o registro da marca não há mais que se falar em direito de precedência. Art. 155. O pedido deverá referir-se a um único sinal distintivo e, nas condições estabelecidas pelo INPI, conterá: I - requerimento; http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães II - etiquetas, quando for o caso; e III - comprovante do pagamento da retribuição relativa ao depósito. Além dos elementos previstos no art. 155, quando se tratar de registro de marca coletiva é preciso ainda que sejam apresentadas as seguintes informações: a)!as características do produto ou serviço objeto de certificação; e b)!as medidas de controle que serão adotadas pelo titular. Apresentado o pedido, este será submetido a exame formal preliminar e, se devidamente instruído, será protocolizado, considerada a data de depósito a da sua apresentação. Aqui há também a possibilidade já mencionada de o INPI estabelecer exigências formais, que deverão ser cumpridas no prazo de 5 dias. Recebido o pedido, passa-se ao seu exame, que se inicia com a sua publicação. Esta possibilita que os interessados, se houver, possam apresentar oposição no prazo de 60 dias. Encerrado este prazo, será feito o exame, durante o qual poderão ser formuladas exigências, que deverão ser respondidas no prazo de 60 dias. Após o exame do pedido, o INPI deverá então indeferir ou deferir o registro, conferindo o certificado ao titular do registro da marca. Do certificado deverão constar a marca, o número e data do registro, nome, nacionalidade e domicílio do titular, os produtos ou serviços, as características do registro e a prioridade estrangeira. Art. 133. O registro da marca vigorará pelo prazo de 10 (dez) anos, contados da data da concessão do registro, prorrogável por períodos iguais e sucessivos. O prazo de vigência do registo da marca é de 10 anos, contado da data de concessão, podendo ser prorrogado por períodos iguais e sucessivos. Perceba que aqui o prazo se inicia da concessão, e não do depósito. Uma peculiaridade do registro de marca é a possibilidade ilimitada de prorrogação, diferentemente do que acontece com o desenho industrial. O pedido de prorrogação deverá ser formulado durante o último ano de vigência do registro, instruído com o comprovante do pagamento da respectiva retribuição. Se o pedido de prorrogação não tiver sido efetuado até o termo final da vigência do registro, o titular poderá fazê-lo nos 6 meses subsequentes, mediante o pagamento de retribuição adicional. O registro confere ao titular da marca o seu uso exclusivo em todo o território nacional, sendo possível a cessão do registro ou pedido de registro, bem como o licenciamento de uso. Essa proteção abrange o uso da marca em papéis, impressos, propaganda e documentos relativos à atividade do titular, mas também encontra limitações, como vemos nas situações previstas no art. 132. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Art. 132. O titular da marca não poderá: I - impedir que comerciantes ou distribuidores utilizem sinais distintivos que lhes são próprios, juntamente com a marca do produto, na sua promoção e comercialização; II - impedir que fabricantes de acessórios utilizem a marca para indicar a destinação do produto, desde que obedecidas as práticas leais de concorrência; III - impedir a livre circulação de produto colocado no mercado interno, por si ou por outrem com seu consentimento, ressalvado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. 68; e IV - impedir a citação da marca em discurso, obra científica ou literária ou qualquer outra publicação, desde que sem conotação comercial e sem prejuízo para seu caráter distintivo. 8.6. Princípio da especialidade ou especificidade A proteção conferida à marca é ampla do ponto de vista territorial, abrangendo todo o território nacional, mas é materialmente limitada. Por isso dizemos que a proteção à marca registrada se submete ao princípio da especialidade ou especificidade, sendo restrita ao ramo de atividade em que o seu titular atua. Esse entendimento é chancelado pela jurisprudência do STJ. Segundo a jurisprudência do STJ, a proteção conferida à marca é ampla do ponto de vista territorial, abrangendo todo o território nacional, mas é materialmente limitada, sendo restrita ao ramo de atividade em que o seu titular atua. Precisamos trabalhar um pouco melhor a noção de especialidade aqui mencionada. A restrição à proteção significa, por óbvio, que produtos semelhantes não possam ser identificados pela mesma marca. O entendimento do STJ, porém, vai um pouco mais além, compreendendo também na proteção os produtos afins. Um caso específico que foi julgado pelo Tribunal diz respeito ao uso da marca TIC TAC, que era pretendido pela empresa Cory, fabricante de biscoitos recheados. O registro, porém, foi negado em razão de a marca ser utilizada pela Ferrero para identificar uma linha de balas refrescantes. Você sabe que é impossível confundir biscoitos recheados com balas refrescantes, não é mesmo!? Por outro lado, o STJ considerou que esses produtos são afins, pois referem-se a um mesmo nicho comercial. RECURSO ESPECIAL. DIREITO EMPRESARIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. DIREITO MARCÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ART. 124, XIX, DA LEI N. 9.279/96. IMPOSSIBILIDADE DE REGISTRO DE MARCA IDÊNTICA À OUTRA JÁ REGISTRADA PARA PRODUTO AFIM. TIC TAC (BOLACHA RECHEADA) CONSTITUI REPRODUÇÃO DA MARCA TIC TAC (BALA). PRODUTOS QUE GUARDAM RELAÇÃO DE AFINIDADE. INDEFERIMENTO DO REGISTRO QUE DEVE SER MANTIDO. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 1. Pretensão da autora de anular o ato do INPI que indeferiu o registro da marca TIC TAC paraa distinção de biscoitos recheados. 2. Marca nominativa que configura reprodução de marca já registrada, TIC TAC, distintiva de bala. 3. Produtos que guardam relação de afinidade, pois se inserem no mesmo nicho comercial, visando a um público consumidor semelhante e utilizando os mesmo canais de comercialização. 4. Aplicação do princípio da especialidade que não deve se ater de forma mecânica à Classificação Internacional de Produtos e Serviços, podendo extrapolar os limites de uma classe sempre que, pela relação de afinidade dos produtos, houver possibilidade de se gerar dúvida no consumidor. 5. Caso concreto em que a concessão do registro pleiteado pela autora ensejaria, no consumidor, uma provável e inverídica associação dos biscoitos recheados com as pastilhas TIC TAC comercializadas pelas rés. 6. Indeferimento do registro que deve ser mantido, à luz do art. 124, XIX, da Lei n. 9.279/96. 7. RECURSOS ESPECIAIS PROVIDOS. REsp 1.340.933/SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, 3a Turma, j. 10.03.2015, DJe 17.03.2015. Em outro caso interessante, o STJ não considerou afins dois produtos alimentícios. O conflito aqui foi entre a marca Chester, da BRF, utilizada para designar aves especiais, e a marca Chester Cheetah, da Pepsico. Neste caso o Tribunal entendeu que, apesar de haver algum grau de afinidade, a coexistência das marcas não era possível gerar confusão e/ou prejuízos. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. ART. 124, XIX, DA LEI Nº 9.279/96. COLISÃO DE MARCAS. MARCA NOMINATIVA CHESTER E MARCA MISTA CHESTER CHEETAH. REGISTRO CONCEDIDO SEM EXCLUSIVIDADE DO USO DA PALAVRA "CHESTER". POSSIBILIDADE DE CONVIVÊNCIA DAS MARCAS. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO ENTRE CONSUMIDORES. REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 07/STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Para a caracterização da infringência de marca, não é suficiente que se demonstrem a semelhança dos sinais e a sobreposição ou afinidade das atividades. É necessário que a coexistência das marcas seja apta a causar confusão no consumidor ou prejuízo ao titular da marca anterior, configurando concorrência desleal. Precedentes. 2. A doutrina criou parâmetros para a aplicação do 124, XIX, da Lei nº 9.279/96 ao caso concreto, listando critérios para a avaliação da possibilidade de confusão de marcas: a) grau de distintividade intrínseca das marcas; b) grau de semelhança das marcas; c) legitimidade e fama do suposto infrator; d) tempo de convivência das marcas no mercado; e) espécie dos produtos em cotejo; f) especialização do público-alvo; e) diluição. 3. Com base nos elementos fático-probatórios dos autos, o Tribunal de origem concluiu pela possibilidade de coexistência no mercado da marca nominativa CHESTER e da marca mista CHESTER CHEETAH. 4. A primeira é um produto derivado de uma ave para festas; a outra, um produto do ramo de salgadinhos. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 5. A revisão do entendimento firmado na instância ordinária atrai a incidência da Súmula nº 7 do STJ. 6. Agravo regimental não provido. 8.7. Marca de alto renome Art. 125. À marca registrada no Brasil considerada de alto renome será assegurada proteção especial, em todos os ramos de atividade. Art. 126. A marca notoriamente conhecida em seu ramo de atividade nos termos do art. 6º bis (I), da Convenção da União de Paris para Proteção da Propriedade Industrial, goza de proteção especial, independentemente de estar previamente depositada ou registrada no Brasil. § 1º A proteção de que trata este artigo aplica-se também às marcas de serviço. § 2º O INPI poderá indeferir de ofício pedido de registro de marca que reproduza ou imite, no todo ou em parte, marca notoriamente conhecida. A marca de alto renome é aquela que goza de proteção em qualquer ramo de atividade, não se submetendo ao princípio da especialidade. Na jurisprudência temos entendimentos interessante sobre o tema, como, por exemplo, o reconhecimento pelo STJ do renome da marca Ford, enquanto a Corte negou a proteção à marca Yahoo!. Vale ressaltar ainda um importante entendimento do TRF da 2a Região (que é especializado na matéria de Propriedade Industrial, pois sua jurisdição abrange o Rio de Janeiro, onde é sediado o INPI). Segundo tal entendimento, não cabe ao Poder Judiciário definir o que é renome da marca e em que casos esse elemento estaria presente. Tal prerrogativa cabe apenas ao INPI. Há também precedentes do STJ no mesmo sentido. Outro conceito importante, que devemos conhecer, é de marca notoriamente conhecida. Esta goza de proteção especial no ramo de atividade do seu titular, independentemente de estar registrada no Brasil. Nesses casos o INPI poderá inclusive negar o registro. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 8.8. Uso indevido de marca registrada Caso alguém infrinja a proteção conferida à marca por meio do registro junto ao INPI, estará sujeita ao pagamento de perdas e danos. Nesse sentido devemos mencionar o Enunciado 143 da Súmula do STJ, segundo o qual a ação de perdas e danos pelo uso da marca comercial prescreve em 5 anos. Súmula 143 do STJ Propriedade comercial. Prazo prescricional. Prescrição. Perdas e danos. Responsabilidade civil. Lei 5.772/71, art. 59. CCB, art. 178, § 10, IX. Prescreve em cinco anos a ação de perdas e danos pelo uso de marca comercial. O STJ entende também que o uso indevido da marca pode resultar na condenação por danos morais, quando houver prova de vulgarização da marca registrada que está sendo indevidamente utilizada por terceiro. Por fim, é importante mencionar outro entendimento do STJ, segundo o qual a simples contrafação (simulação) da marca já é suficiente para gerar o direito à indenização por danos materiais, ainda que o produto “falsificado” não seja vendido. Regimes especiais de proteção de marcas Marca de alto renome Precisa estar registrada no Brasil. Goza de proteção em qualquer ramo de atividade, não se submetendo ao princípio da especialidade. Apenas o INPI pode definir o que é alto renome e como este pode ser identificado. Marca notoriamente conhecida Goza de proteção apenas no ramo de atividade, ainda que não registrada no Brasil. Pode justificar a negativa de registro pelo INPI. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 8.9. Cessão e licenciamento do registro de marca Você já sabe que o registro em si, assim como o pedido de registro, poderá ser cedido a terceiros. Entretanto, é importante salientar que o cessionário, que passará a deter os direitos sobre a marca, deverá preencher os requisitos do art. 128, ou seja, se for pessoa de direito privado deverá submeter-se ao princípio da especialidade, além dos requisitos específicos para registro de marca coletiva e de marca de certificação. Art. 135. A cessão deverá compreender todos os registros ou pedidos, em nome do cedente, de marcas iguais ou semelhantes, relativas a produto ou serviço idêntico, semelhante ou afim, sob pena de cancelamento dos registros ou arquivamento dos pedidos não cedidos. Se houver mais de um pedido de marcas iguais ou semelhantes, a cessão deve compreender todos os pedidos ou registros, conforme regra do art. 135. Isso para evitar que o titular ceda uma marca, mas permaneça com os direitos sobre outra marca semelhante. Art. 139. O titular de registro ou o depositante de pedido de registro poderá celebrar contrato de licença para uso da marca, sem prejuízo de seu direito de exercer controle efetivo sobre as especificações, natureza e qualidade dos respectivos produtos ou serviços.Neste caso o titular licencia o uso da marca, mas mantém certo controle sobre a forma como essa marca será utilizada. O licenciado poderá ser investido pelo titular de todos os poderes para agir em defesa da marca, sem prejuízo dos seus próprios direitos. Por fim, para que seja eficaz, o contrato de licença deverá obrigatoriamente averbado no INPI. Essa averbação, além de fazer o licenciamento produzir efeitos erga omnes, permite a remessa de royalties para o exterior e autoriza dedução fiscal dos valores pagos pelo licenciado. 8.10. Nulidade do registro de marca Assim como ocorre com as patentes e o desenho industrial, a nulidade da marca produz efeitos ex tunc, retroagindo à data do depósito do pedido. Caso a nulidade seja decorrente do fato de ela já ser registrada em outro país signatário da Convenção da União de Paris, o interessado pode ingressar em juízo e requerer a adjudicação do registro, obtendo assim a transferência da titularidade da marca. As demais regras acerca da nulidade são muito semelhantes ao que já estudamos em relação às patentes e ao desenho industrial. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Art. 168. A nulidade do registro será declarada administrativamente quando tiver sido concedida com infringência do disposto nesta Lei. Art. 169. O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contados da data da expedição do certificado de registro. Art. 170. O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias. Art. 171. Decorrido o prazo fixado no artigo anterior, mesmo que não apresentada a manifestação, o processo será decidido pelo Presidente do INPI, encerrando-se a instância administrativa. Art. 172. O processo de nulidade prosseguirá ainda que extinto o registro. Art. 173. A ação de nulidade poderá ser proposta pelo INPI ou por qualquer pessoa com legítimo interesse. Parágrafo único. O juiz poderá, nos autos da ação de nulidade, determinar liminarmente a suspensão dos efeitos do registro e do uso da marca, atendidos os requisitos processuais próprios. Art. 174. Prescreve em 5 (cinco) anos a ação para declarar a nulidade do registro, contados da data da sua concessão. Art. 175. A ação de nulidade do registro será ajuizada no foro da justiça federal e o INPI, quando não for autor, intervirá no feito. § 1º O prazo para resposta do réu titular do registro será de 60 (sessenta) dias. § 2º Transitada em julgado a decisão da ação de nulidade, o INPI publicará anotação, para ciência de terceiros. 8.11. Extinção do registro de marca Art. 142. O registro da marca extingue-se: I - pela expiração do prazo de vigência; II - pela renúncia, que poderá ser total ou parcial em relação aos produtos ou serviços assinalados pela marca; III - pela caducidade; ou IV - pela inobservância do disposto no art. 217. O inciso IV menciona o art. 217, que se refere à exigência da pessoa domiciliada no exterior constituir e manter procurador devidamente qualificado e domiciliado no País, com poderes para representá-la administrativa e judicialmente, inclusive para receber citações. Além das causas de extinção previstas no art. 142, temos ainda outras previstas no art. 151. Art. 151. Além das causas de extinção estabelecidas no art. 142, o registro da marca coletiva e de certificação extingue-se quando: I - a entidade deixar de existir; ou http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães II - a marca for utilizada em condições outras que não aquelas previstas no regulamento de utilização. Perceba que o desrespeito às condições de utilização da marca, notadamente ligadas ao princípio da especialidade, também justifica a extinção do registro. Quando estivermos falando de uma marca coletiva, a renúncia obviamente cabe à entidade, e não aos seus membros. Pois bem, segundo o art. 152 da Lei de Propriedade Industrial, a entidade só pode renunciar ao registro da marca coletiva quando o fizer “nos termos do contrato social ou estatuto da própria entidade, ou, ainda, conforme o regulamento de utilização”. Art. 143 - Caducará o registro, a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se, decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão, na data do requerimento: I - o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil; ou II - o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos, ou se, no mesmo prazo, a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original, tal como constante do certificado de registro. O art. 143 prevê a caducidade do registro, que basicamente ocorre quando a marca não é utilizada. Isso acontecerá se o titular do registro não começar a utilizá-la em 5 anos a partir da concessão (e não a partir do depósito!), ou se seu uso tiver sido interrompido por 5 anos. Quanto à marca coletiva, a caducidade será declarada se esta não for usada por mais de uma pessoa autorizada. Essa regra se justifica porque a marca é coletiva, e por isso não faz sentido seu uso por apenas uma pessoa. Importante salientar que a caducidade é declarada pelo INPI, mediante processo administrativo próprio, devendo ser o titular intimado para se manifestar no prazo de 60 dias, cabendo-lhe o ônus de provar o uso da marca ou justificar seu desuso por razões legítimas. É possível ainda a caducidade parcial, nos termos do art. 144. Isso ocorrerá quando a marca não for utilizada em todos os produtos ou serviços constantes no registro. Art. 144. O uso da marca deverá compreender produtos ou serviços constantes do certificado, sob pena de caducar parcialmente o registro em relação aos não semelhantes ou afins daqueles para os quais a marca foi comprovadamente usada. Da decisão que declarar a caducidade caberá recurso, mas a Lei de Propriedade Industrial não indica quem é a autoridade competente para recebe-lo. É interessante ainda mencionar que o STJ entende que o reconhecimento da caducidade da marca, ao contrário da declaração de sua nulidade, produz efeitos ex nunc, não retroagindo. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. DESERÇÃO E AUSÊNCIA DE REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL INOCORRENTES. CIVIL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. MARCA. CADUCIDADE. EFEITOS PROSPECTIVOS (EX NUNC). FINALIDADE DA LEI. [...] 4. A nulidade do registro de marca industrial ocorre quando se reconhece a existência de determinado vício apto a macular a concessão do registro desde seu início. Quando for impossível manter a validade de algo nulo ab ovo, operam-se efeitos retroativos (ex tunc). 5. Já a caducidade do registro implica a declaração de determinada circunstância fática, que pode ser verificada pela inexistência de uso da marca desde seu registro ou pela interrupção do uso por prazo além do limite legal. Quando a condição para manutenção do registro deixa de existir, operam-se efeitos prospectivos (ex nunc). 6. A prospectividade dos efeitos da caducidade é a mais adequada à finalidade do registro industrial, pois confere maior segurança jurídica aos agentes econômicos e desestimula a contrafação. 7. Embargos de divergência acolhidos para prevalecer a orientação do REsp 330.175/PR, que reconhece efeitos prospectivos (ex nunc) da declaração de caducidade da marca industrial. EREsp 964.780/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, 2a Seção, j. 10.08.2011, DJe 29.08.2011. Outro julgado interessante do STJ sobre o assunto é o que diz respeito à produção de bens voltados à exportação. Segundo o entendimentodo Tribunal, simples fato de o produto elaborado e fabricado no Brasil ser destinado ao mercado externo não demonstra a caducidade do registro de marca por desuso. RECURSO ESPECIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. AÇÃO DE ANULAÇÃO DE REGISTRO DE MARCA. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. OCORRÊNCIA. CADUCIDADE DO REGISTRO (LEI 9.279/96, ART. 143). EXPORTAÇÃO DO PRODUTO. COMPROVAÇÃO DO USO NO BRASIL. EFETIVA COMERCIALIZAÇÃO EM TERRITÓRIO NACIONAL. ARGUMENTO DIVERSO LEVANTADO EM CONTRARRAZÕES. AUSÊNCIA DE USO EFETIVO DA MARCA. MANUTENÇÃO DA CADUCIDADE RECONHECIDA. RECURSO DESPROVIDO. I - O aresto recorrido, ainda que admitindo a ocorrência da prescrição quinquenal da pretensão de anulação do registro, analisou o pedido inicial de declaração de caducidade da marca Colorado, por desuso. II - De acordo com a Lei de Propriedade Industrial, uma vez passados cinco anos da concessão do registro, se requerida a sua caducidade, deve o titular da marca demonstrar que, na data do requerimento, já iniciou seu uso no Brasil, ou que, ainda que interrompido o seu uso, a interrupção não ultrapassou mais de cinco anos consecutivos, ou que não tenha, nesse prazo, feito uso com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original, sem que apresentadas razões legítimas. III - Se o titular da marca registrada no Brasil industrializa, fabrica, elabora o produto em território nacional claramente inicia e faz uso da marca no Brasil, merecendo toda proteção legal, pois aqui empreende, gerando produção, empregos e riqueza, sendo indiferente que a mercadoria aqui produzida seja destinada ao mercado interno ou exclusivamente ao externo. Produzir no País o produto com a marca aqui registrada atende suficientemente ao requisito legal de "uso da marca iniciado no Brasil". http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães IV - Ocorre que a recorrida, em suas contrarrazões, aduz outro argumento capaz de superar a violação de lei invocada pela recorrente, o de que não houve comprovação do uso efetivo da marca. V - In casu, o volume de vendas do produto da marca em discussão, nas exportações comprovadas, é inexpressivo dentro da magnitude das operações bilionárias realizadas pela recorrente, insuficiente, portanto, para configurar e comprovar o uso efetivo da marca apto a afastar a caducidade por desuso. VI - Recurso especial desprovido. REsp 1.236.218/RJ, Rel. Min. Raul Araújo, 4a Turma, j. 05.02.2015, DJe 11.06.2015. 9 – Indicações Geográficas Art. 176. Constitui indicação geográfica a indicação de procedência ou a denominação de origem. A Lei de Propriedade Industrial protege as indicações geográficas porque a repressão à falsidade dessas informações é muito importante. A indicação incorreta do local de origem ou procedência de um produto pode facilmente levar o consumidor a erro. Um ponto importante aqui é saber diferenciar a indicação de procedência da denominação de origem. As duas informações são definidas pela própria Lei de Propriedade Industrial. A denominação de origem é adotada quando o produto é específico daquela localidade devido às suas características. É o caso da região de Champagne, na França, que é uma denominação de origem porque se refere a produto específico cujas características se devem àquele local. Uma curiosidade interessante é a expressão “cachaça do Brasil”, que é considerada denominação de origem for força do Decreto n. 4.062/2001. INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS Indicação de Procedência Nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que se tenha tornado conhecido como centro de extração, produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço. Denominação de origem Nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que designe produto ou serviço cujas qualidades ou características se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães A proteção conferida pela Lei de Propriedade Industrial se estender à representação gráfica ou figurativa da indicação geográfica, bem como à representação geográfica de país, cidade, região ou localidade de seu território cujo nome seja indicação geográfica. O art. 180, porém, faz uma ressalva à proteção legal, determinando que, quando o nome geográfico se houver tornado de uso comum, designando produto ou serviço, não será considerado indicação geográfica. Afora essa limitação, o uso da indicação geográfica é restrito aos produtores e prestadores de serviço estabelecidos no local, exigindo-se, ainda, em relação às denominações de origem, o atendimento de requisitos de qualidade. Há decisão do STJ no sentido de que o nome de um local considerado indicação geográfica não pode ser registrado como marca. Direito Civil. Direito Empresarial. Recurso especial. Nome empresarial. Lei 8.934/94. Proteção. Nome previamente registrado. Termo que remete a localização geográfica. Ausência de direito de uso exclusivo. Marca. Lei 9.279/96. LPI. CDC. CF. CC/02. Nome geográfico. Possibilidade de registro como sinal evocativo. Impossibilidade de causar confusão ou levar o público consumidor a erro. Ausência de violação ao direito de uso exclusivo da marca. Dissídio jurisprudencial. Cotejo analítico. Ausência. - O registro de termo que remete a determinada localização geográfica no nome empresarial, por se referir a lugar, não confere o direito de uso exclusivo desse termo. - É permitido o registro de marca que utiliza nome geográfico, desde que esse nome seja utilizado como sinal evocativo e que não constitua indicação de procedência ou denominação de origem. - A proteção da marca tem um duplo objetivo. Por um lado, garante o interesse de seu titular. Por outro, protege o consumidor, que não pode ser enganado quanto ao produto que compra ou ao serviço que lhe é prestado. - Para que haja violação ao art. 129 da LPI e seja configurada a reprodução ou imitação de marca pré-registrada, é necessário que exista efetivamente risco de ocorrência de dúvida, erro ou confusão no mercado, entre os produtos ou serviços dos empresários que atuam no mesmo ramo. - O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. Recurso especial não provido. REsp 989.105/PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3a Turma, j. 08.09.2009, DJe 28.09.2009. Como a indicação geográfica se refere a uma região, geralmente o pedido de reconhecimento ao INPI é feito por uma entidade que congrega os interesses dos produtores ou prestadores de serviço da localidade. A partir daí, apenas os produtores que cumprirem os requisitos determinados pela entidade poderão identificar seus produtos com a indicação geográfica correspondente. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 10 – Trade Dress (conjunto-imagem) O trade dress é um assunto ainda pouco falado no Brasil, mas já conta com normas próprias em outros países, e tem cada vez mais chamado a atenção da doutrina especializada. A violação desse elemento ocorre quando um concorrente não copia exatamente a marca ou o desenho industrial de outrem, mas imita sutilmente características do produto ou até mesmo o modus operandi da prestação de um serviço. Temos um julgado interessante do STJ sobre o assunto. Na ocasião foi julgado conflito envolvendo os sabonetes Protex e Francis Protection, este acusado de imitar o trade dress daquele. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CONCORRÊNCIA DESLEAL. CONCESSÃO DE LIMINAR PARA DETERMINAR A SUBSTITUIÇÃO, EM PRAZO RAZOÁVEL,DAS EMBALAGENS DE PRODUTOS POSSÍVEIS DE SEREM CONFUNDIDAS COM AS UTILIZADAS POR MARCA CONCORRENTE. POSSIBILIDADE. REEXAME DE PROVAS, EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. INVIABILIDADE. 1. A antecipação de tutela, nos moldes do disposto no artigo 273 do Código de Processo Civil, constitui relevante instrumentário de que dispõe o magistrado para que, existindo prova inequívoca e verossimilhança das alegações, dentro de seu prudente arbítrio, preste tutela jurisdicional oportuna e adequada que, efetivamente, confira proteção ao bem jurídico tutelado, abreviando, ainda que em caráter provisório, os efeitos práticos do provimento definitivo. [...] 3. Dessarte, como o artigo 209, § 1º, da Lei 9.279/96 expressamente prevê a possibilidade de o juiz, em casos de violação de direitos de propriedade industrial ou prática de atos de concorrência desleal, "nos autos da própria ação, para evitar dano irreparável ou de difícil reparação, determinar liminarmente a sustação da violação ou de ato que a enseje", a revisão da decisão recorrida encontra óbice intransponível na Súmula 7/STJ. [...] REsp 1.306.690/SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, 4a Turma, j. 10.04.2012, DJe 23.04.2012. Houve ainda outros casos semelhantes, que envolveram disputas entre as empresas Mr. Cat e Mr. Foot, tendo sido esta acusada de imitar as embalagens e o layout das lojas, bem como entre as empresas Spoleto e Gepeto, tendo sido esta última obrigada a modificar o layout de suas lojas. Um julgado interessante do STJ é o que diz respeito à necessidade de perícia técnica para verificação da violação à proteção do trade dress. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães PROPRIEDADE INDUSTRIAL. CONJUNTO-IMAGEM (TRADE DRESS). COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO AFIM. EMBALAGENS ASSEMELHADAS. CONCORRÊNCIA DESLEAL. PERÍCIA TÉCNICA. NECESSIDADE. A caracterização de concorrência desleal por confusão, apta a ensejar a proteção ao conjunto-imagem (trade dress) de bens e produtos é questão fática a ser examinada por meio de perícia técnica. REsp 1.353.451-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, por unanimidade, julgado em 19.09.2017, DJe 28.09.2017. 11 – Questões 11.1. Questões sem Comentários 1. TRT 1ª Região (RJ) – Juiz do Trabalho – 2016 – FCC. Quanto à patenteabilidade, considera-se invenção: a) ato decorrente de atividade inventiva e desde que com aplicação industrial. b) objeto que apresente nova forma ou disposição, envolvendo ato inventivo, que resulte em melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação. c) plano publicitário. d) programa de computador em si. e) método de diagnóstico para aplicação no corpo humano. 2. TJ-PR – Juiz de Direito – 2017 – Cespe. Caso dois autores tenham realizado a mesma invenção de forma independente, a) qualquer um deles poderá requerer a patente, mediante nomeação e qualificação do outro. b) aquele que comprovar a data de invenção mais antiga terá direito ao privilégio temporário para a utilização. c) aquele que primeiro obtiver o registro usufruirá do privilégio temporário para a utilização da invenção. d) aquele que provar o depósito mais antigo terá direito a obter a patente. 3. TJ-RJ – Juiz de Direito – 2016 – VUNESP. No tocante às marcas, conforme disciplina em lei específica, é correto afirmar que a) o registro da marca vigorará pelo prazo de 15 anos, contados da data da concessão, prorrogável por dois períodos iguais e sucessivos. b) ao seu titular ou depositante é assegurado, dentre outros, o direito de impedir que comerciantes ou distribuidores utilizem sinais distintivos que lhe http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães são próprios, juntamente com a marca do produto, na sua promoção e comercialização. c) se considera marca de produto ou serviço aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas, notadamente quanto à qualidade, natureza, material utilizado e metodologia empregada. d) ao seu titular ou depositante é assegurado, dentre outros, o direito de ceder seu registro ou pedido de registro. e) caducará o registro da marca, salvo justificado o desuso por seu titular, a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se, decorridos 10 anos de sua concessão, o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 anos consecutivos. 4. TELEBRÁS – Advogado – 2015 – Cespe. Passados cinco anos da concessão do registro de marca, determinada pessoa, com legítimo interesse, solicitou ao INPI que fosse declarada a caducidade do registro das marcas de duas sociedades empresárias, com base nos seguintes fatos: o produto elaborado e fabricado no Brasil pela primeira sociedade era destinado exclusivamente ao mercado externo; a marca da segunda sociedade era de uso esporádico, com escassas negociações no mercado e rentabilidade ínfima nos cinco anos anteriores. Com relação a essa situação hipotética, julgue o item subsecutivo acerca do registro das marcas, nos termos da jurisprudência do STJ. O INPI deverá denegar o pedido de caducidade do registro de marca da primeira sociedade empresária, pois o simples fato de o produto elaborado e fabricado no Brasil ser destinado ao mercado externo não demonstra a caducidade do registro de marca por desuso. 5. TJ –PB – Juiz de Direito – 2015 – Cespe. No que se refere a nome empresarial, marca e propriedade industrial, assinale a opção correta com base na jurisprudência do STJ. a) De acordo com o princípio first come, first served, com base no qual se concede o domínio eletrônico ao primeiro requerente que satisfizer as exigências para o registro de nomes comerciais na rede mundial de computadores, é incabível contestação do titular de signo distintivo similar ou idêntico que anteriormente tenha registrado o nome ou a marca na junta comercial e no INPI. b) Para que a reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciado de nome empresarial de terceiros constitua óbice ao registro de marca — que possui proteção nacional —, é necessário que a reprodução ou imitação seja suscetível de causar confusão ou associação com esses sinais distintivos e que a proteção ao nome empresarial não goze somente de tutela restrita a alguns estados, mas detenha a exclusividade sobre o uso do nome em todo o território nacional. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães c) As formas de proteção ao uso das marcas e do nome de empresa têm como único propósito resguardar a marca ou o nome da empresa contra usurpação. d) No caso de colidência entre denominações e marcas de sociedades empresárias diversas, o conflito deve ser dirimido com base no princípio da anterioridade, que prepondera em princípio da especificidade. e) O pedido de arquivamento dos atos constitutivos da empresa nas juntas comerciais das demais unidades da Federação, de forma complementar ao registro inicialmente realizado, não induz à possibilidade de proteção nacional ao seu nome comercial. 6. TJDFT – Juiz de Direito – 2015 – Cespe. Com referência à propriedade industrial da marca, assinale a opção correta. a) A proteção especial prevista para marca de notoriedade reconhecida em seu respectivo ramo de atividade depende de registro ou depósito dessa marca no INPI. b) Embora o reconhecimento de marca como de alto renome se dê por declaração do INPI, uma sentença judicial dada em ação movida pelo interessado nesse reconhecimento poderá substituir essa declaração e desencadear por si só a proteção legal devida a essa espécie de marca. c) Ao ceder o uso de marca mediante contrato que não estabeleça condições nem efeitos limitadores, o titular do registro renunciaao controle sobre essa marca, inclusive no que se refere à natureza e à qualidade dos serviços e produtos a ela vinculados. d) De acordo com a jurisprudência do STJ e com a doutrina nacional majoritária, apesar de ser prática comum no exterior, a veiculação de propaganda em que sejam comparados produtos ou serviços concorrentes é condenável por ser considerada violação dos direitos de proteção às marcas envolvidas. e) Caso uma marca registrada constitua expressão que passe a ser de uso comum no segmento mercadológico do produto, a regra da exclusividade decorrente do registro poderá ser mitigada, como forma de proteger a concorrência e o mercado em geral. 7. TRT 1ª Região (RJ) – Juiz do Trabalho Substituto – 2015 – FCC Segundo o disposto no art. 2o da Lei no 9.279/1996, a proteção dos direitos relativos à propriedade industrial, considerado o seu interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País, pode efetuar-se mediante a) concessão de registro de invenção. b) repressão às falsas indicações geográficas. c) concessão de patente de desenho industrial. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães d) concessão de patente de marca. e) concessão de registro de modelo de utilidade. 8. DPE-PE – Defensor Público– 2015 – CESPE Julgue o item a seguir, a respeito de empresa de pequeno porte e de propriedade industrial. Ao requerente de licença compulsória que invoque abuso de direitos patentários ou abuso de poder econômico será concedida, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, licença com iguais privilégios concedidos ao inventor, como, por exemplo, a exclusividade para a exploração da licença. 9. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Julgue o item, relativo a titularidade das patentes, invenções patenteáveis, patenteabilidade e vigência de patentes. Considere a seguinte situação hipotética. Oscar, angiologista renomado, após ter desenvolvido trabalhos de pesquisa em vários centros médicos de países da Europa, desenvolveu um método cirúrgico inédito de uso do laser no tratamento de pacientes com varizes. Nessa situação hipotética, caso venha a requerer ao INPI seu pedido de patente de invenção, esse instituto poderá conceder a respectiva carta- patente se o invento não estiver compreendido no estado da técnica. 10. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Julgue o item, relativo a titularidade das patentes, invenções patenteáveis, patenteabilidade e vigência de patentes. Considere a seguinte situação hipotética. Cláudio realizou uma invenção em 20/10/2012 e depositou o pedido de patente no INPI em 10/5/2014. Fabiano, de forma independente, realizou a mesma invenção em 3/2/2013 e depositou seu pedido de patente no INPI em 10/12/2013. Nessa situação hipotética, o INPI deve conceder a titularidade da patente de invenção a Cláudio, por ter ele realizado a invenção antes de Fabiano. 11. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Julgue o item, relativo a titularidade das patentes, invenções patenteáveis, patenteabilidade e vigência de patentes. Considere a seguinte situação hipotética. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Patrícia, que é cidadã nacional do Brasil, reside atualmente em outro país, onde realizou uma invenção. Nessa situação hipotética, é possível que Patrícia apresente requerimento de patente em organização internacional, com efeito de depósito nacional, sendo-lhe assegurado, inclusive, direito de prioridade. 12. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Julgue o item, relativo a titularidade das patentes, invenções patenteáveis, patenteabilidade e vigência de patentes. Os pedidos de patentes de invenção e de modelo de utilidade que forem aceitos pelo INPI vigorarão pelo mesmo prazo, contado da data de depósito de cada um deles. 13. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Julgue o item, relativo a titularidade das patentes, invenções patenteáveis, patenteabilidade e vigência de patentes. Caso uma empresa pretenda patentear certo microrganismo transgênico, ela deverá comprovar a novidade, a atividade inventiva e a aplicação industrial desse microrganismo e, adicionalmente, terá de provar que não se trata de mera descoberta. 14. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Com referência à proteção conferida às patentes, às respectivas licenças e aos modelos de utilidade realizados por empregado, cada um dos próximos itens apresenta uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada. Tiago, que é titular de patente de modelo de utilidade, exerceu de forma abusiva os direitos decorrentes dessa titularidade. Nessa situação, Tiago estará sujeito a ter a patente licenciada compulsoriamente, por decisão tanto administrativa quanto judicial. 15. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Com referência à proteção conferida às patentes, às respectivas licenças e aos modelos de utilidade realizados por empregado, cada um dos próximos itens apresenta uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada. Adalgisa requereu ao INPI pedido de patente de invenção em 14/6/2013, tendo a patente sido concedida em 3/1/2014. No mês de outubro de 2013, ou seja, no curso do processo de concessão da patente, ocorreu exploração http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães indevida da referida invenção. Nessa situação, a despeito de a exploração indevida ter ocorrido em data anterior à da concessão da patente, é possível que Adalgisa obtenha indenização pela referida exploração indevida. 16. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Com referência à proteção conferida às patentes, às respectivas licenças e aos modelos de utilidade realizados por empregado, cada um dos próximos itens apresenta uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada. Beatriz, que é empregada de determinada sociedade empresária, desenvolveu certo modelo de utilidade. Nessa situação, para que o modelo pertença exclusivamente a Beatriz, será necessário que ele esteja desvinculado do contrato de trabalho e que não tenha decorrido da utilização de recursos, meios, dados, materiais, instalações ou equipamentos do empregador. 17. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Julgue o item seguinte, acerca da propriedade industrial e do direito autoral. Os programas de computador não são protegidos pelo direito de propriedade industrial, mas pelo direito autoral. 18. TRT 1ª Região (RJ) – Juiz do Trabalho – 2014 – FCC. O médico Dr. Pitágoras cria um método novo para operar verrugas, retirando-as de modo rápido e indolor. Baseia-se em um corte piramidal, energético, com origem em teorias egípcias. Verificando o sucesso dessa sua técnica, resolve patenteá-la. A resposta será a) negativa, pois não se consideram invenção nem modelo de utilidade patenteáveis as técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou animal. b) negativa, pois embora se trate de modelo de utilidade, suscetível de aplicação industrial, trata-se também de método cirúrgico baseado em teorias antigas, que não apresentam nova forma ou disposição. c) positiva, pois se trata de modelo de utilidade, suscetível de aplicação industrial e que apresenta nova forma ou disposição envolvendo ato inventivo, que, por sua vez, resultará em melhoria funcional no seu uso ou em sua implementação. d) positiva, pois se trata de invenção que atende aos requisitos de novidade,havendo ainda atividade inventiva e aplicação industrial. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães e) negativa, pois embora se trate de invenção, com aplicação industrial, remete-se a teorias antigas e não atende aos requisitos de novidade e de atividade inventiva. 19. IPT-SP – Advogado – 2014 – VUNESP. Após o protocolo de um pedido de patente de invenção, o período de sigilo determinado pela Lei n.º 9.279/96 é de a) doze meses, contados da data de invenção, como determinado pela Convenção da União de Paris. b) seis meses, contados da data de invenção, quando se tratar de um pedido de modelo de utilidade. c) doze meses, contados da data de depósito ou da prioridade mais antiga. d) dezoito meses, contados da data de depósito ou da prioridade mais antiga. e) cento e oitenta dias, contados da data de depósito. 20. IPT-SP – ADVOGADO – 2014 – VUNESP. No curso de doutorado de uma faculdade estadual de Medicina, um pesquisador desenvolveu um novo método cirúrgico para corrigir casos de hérnia inguinal. De acordo com a Lei da Propriedade Industrial, esse novo método a) não é uma invenção nem modelo de utilidade. b) não é patenteável, por ter sido criado na faculdade de medicina. c) não é patenteável, por ser contrário à saúde pública. d) deve ser identificado pelo nome da universidade, porque é uma faculdade estatal. e) pode ser patenteável quando distinguido por uma marca registrada que identifique e individualize corretamente o método. 21. IPT-SP – Advogado – 2014 – VUNESP. Se um novo pedido de patente reivindica exatamente a invenção já reivindicada por um pedido anterior de outro titular que está em sigilo, após a publicação do pedido anterior: a) o protocolo do pedido posterior será automaticamente considerado uma infração ao pedido anterior. b) a invenção do pedido posterior estará no estado da técnica e o pedido não será considerado novo. c) o inventor do pedido anterior deverá provar que criou a invenção antes do inventor do pedido posterior. d) o INPI publicará uma exigência para que os titulares comprovem as datas de invenção e os motivos do protocolo posterior pelo segundo inventor. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães e) o pedido posterior demonstra que houve uma falha de sigilo no INPI e a empresa que protocolou o segundo pedido responderá por perdas e danos. 22. MPE-PE – Promotor de Justiça – 2014 – FCC. Considerando a disciplina legal da propriedade industrial, é correto afirmar: a) A patente de invenção vigorará pelo prazo de 20 (vinte) anos contados da data do depósito. Todavia, o prazo de vigência da patente não poderá ser inferior a 10 (dez) anos contados da data da sua concessão, ressalvada a hipótese de o INPI ter ficado impedido de proceder ao exame de mérito do pedido, por pendência judicial comprovada ou por motivo de força maior. b) É patenteável a invenção que atender aos requisitos de novidade e atividade inventiva, ainda que não possua aplicação industrial. c) Os sucessores do coautor da invenção têm legitimidade para requerer a patente, mas desde que obtenham anuência prévia dos demais coautores, já que a patente das invenções feitas conjuntamente por duas ou mais pessoas deve ser requerida por todos os autores da invenção. d) Se mais de uma pessoa realizar a mesma invenção de forma independente, o direito de obter a patente será assegurado àquele que comprovar que sua invenção é mais antiga, sendo irrelevante para esse fim a data do depósito da invenção no INPI. e) Para ser considerada dotada de atividade inventiva, basta que a invenção não esteja compreendida no estado da técnica, ainda que dela decorra de forma evidente. 23. TJ-SE – Titular de Serviços de Notas e de Registros - 2014 – Cespe. Com base no disposto na Lei n.º 9279/1996, assinale a opção correta acerca da propriedade industrial e do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). a) A marca de certificação é usada para identificar os produtos ou serviços provenientes de membros de determinada entidade, como a marca de certificação de origem controlada. b) Todos os direitos de propriedade industrial são considerados bens móveis, sendo cabível ação judicial para reparação de dano causado a tais direitos, com prazo prescricional de cinco anos. c) A lei impede que o INPI indefira de ofício pedido de registro de marca que reproduza ou imite, no todo ou em parte, marca notoriamente conhecida. d) O registro da propriedade industrial não se extingue pela falta de pagamento da retribuição quinquenal. e) Os programas de computador são protegidos pela referida lei. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 24. TJ-SE – Titular de Serviços de Notas e de Registros – 2014 – Cespe. Com base nas disposições da Lei n.º 9.279/1996, assinale a opção correta acerca de propriedade industrial. a) A criação de marcas comerciais olfativo-aromáticas é amparada pela lei brasileira, o que viabiliza o registro de fragrâncias que identifiquem estabelecimentos comerciais. b) O prazo de vigência de um registro de marca é de dez anos, contados da data da concessão do registro e, a partir de então, prorrogável por quinquênios sucessivos. c) Constituem espécies de indicação de procedência a indicação geográfica e a denominação de origem. d) Ao registro de desenho industrial não cabe o direito de prioridade, pois o requerimento no exterior não produz efeitos de depósito nacional. e) O titular da patente tem direito de pleitear indenização contra quem explorar indevidamente o objeto patenteado, inclusive em relação a período anterior à própria concessão da patente. 25. TJ-PA – Juiz de Direito Substituto – 2014 – VUNESP. No que se refere a patentes, assinale a alternativa correta. a) Reputa-se concedida a patente na data de deferimento do pedido, devendo conter da carta-patente o número, o título e a natureza respectivos, o nome do inventor, a qualificação e o domicílio do titular, o prazo de vigência, o relatório descritivo, as reivindicações e os desenhos, bem como os dados relativos à prioridade. b) O pedido de patente será mantido em sigilo durante 18 (dezoito) meses contados da data de depósito ou da prioridade mais antiga, quando houver, após o que será publicado, à exceção daquele originário do Brasil, cujo objeto interesse à defesa nacional, sendo processado em caráter sigiloso. c) A patente de invenção vigorará pelo prazo de 15 (quinze) anos e a de modelo de utilidade pelo prazo 20 (vinte) anos contados da data de depósito. d) O prazo de vigência não será inferior a 5 (cinco) anos para a patente de invenção e a 10 (dez) anos para a patente de modelo de utilidade, a contar da data de concessão. e) A patente será concedida depois de deferido o pedido e comprovado o pagamento da retribuição correspondente no prazo de 120 (cento e vinte) dias contados do deferimento, expedindo-se a respectiva carta-patente. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 11.2. Gabarito 1. A 14. CERTA 2. D 15. CERTA 3. D 16. CERTA 4. CERTA 17. CERTA 5. B 18. A 6. E 19. D 7. B 20. A 8. ERRADA 21. B 9. ERRADA 22. A 10. ERRADA 23. B 11. CERTA 24. E 12. ERRADA 25. B 13. CERTA http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 11.3. Questões comentadas 1. TRT 1ª Região (RJ) – Juiz do Trabalho – 2016 – FCC. Quanto à patenteabilidade, considera-se invenção: a) ato decorrente de atividade inventiva e desde que comaplicação industrial. b) objeto que apresente nova forma ou disposição, envolvendo ato inventivo, que resulte em melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação. c) plano publicitário. d) programa de computador em si. e) método de diagnóstico para aplicação no corpo humano. Comentários: A alternativa A está correta e é a nossa resposta, nos termos do art. 8º da Lei de Propriedade Industrial. Art. 8º É patenteável a invenção que atenda aos requisitos de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial. A alternativa B está incorreta. A definição trazida aqui é a de modelo de utilidade, que também é patenteável. Art. 9º É patenteável como modelo de utilidade o objeto de uso prático, ou parte deste, suscetível de aplicação industrial, que apresente nova forma ou disposição, envolvendo ato inventivo, que resulte em melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação. As alternativas C, D e E estão incorretas. O art. 10 da Lei de Propriedade Industrial traz as limitações de patenteabilidade, que você deve conhecer para acertar as questões da sua prova. Art. 10. Não se considera invenção nem modelo de utilidade: I - descobertas, teorias científicas e métodos matemáticos; II - concepções puramente abstratas; III - esquemas, planos, princípios ou métodos comerciais, contábeis, financeiros, educativos, publicitários, de sorteio e de fiscalização; IV - as obras literárias, arquitetônicas, artísticas e científicas ou qualquer criação estética; V - programas de computador em si; VI - apresentação de informações; VII - regras de jogo; VIII - técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou animal; e IX - o todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza, ou ainda que dela isolados, inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães GABARITO: A 2. TJ-PR – Juiz de Direito – 2017 – Cespe. Caso dois autores tenham realizado a mesma invenção de forma independente, a) qualquer um deles poderá requerer a patente, mediante nomeação e qualificação do outro. b) aquele que comprovar a data de invenção mais antiga terá direito ao privilégio temporário para a utilização. c) aquele que primeiro obtiver o registro usufruirá do privilégio temporário para a utilização da invenção. d) aquele que provar o depósito mais antigo terá direito a obter a patente. Comentários: A alternativa A está incorreta. Essa possibilidade se refere à patente de invenção da qual participarão duas ou mais pessoas, mas a questão se refere à situação em que duas pessoas chegaram à mesma invenção independentemente uma da outra. A alternativa B está incorretas. Caso dois ou mais inventores pretendam a mesma patente, o critério utilizado para concessão da proteção será a data do depósito. Isso mesmo! Não importa quando houve o esforço de criação propriamente dito. O que importa é quando o inventor procurou o INPI. A alternativa C está incorreta. A alternativa menciona o registro, que não é aplicável à invenção. Letra D - Lei 9.279/96- Art. 7º Se dois ou mais autores tiverem realizado a mesma invenção ou modelo de utilidade, de forma independente, o direito de obter patente será assegurado àquele que provar o depósito mais antigo, independentemente das datas de invenção ou criação. GABARITO: D 3. TJ-RJ – Juiz de Direito – 2016 – VUNESP. No tocante às marcas, conforme disciplina em lei específica, é correto afirmar que a) o registro da marca vigorará pelo prazo de 15 anos, contados da data da concessão, prorrogável por dois períodos iguais e sucessivos. b) ao seu titular ou depositante é assegurado, dentre outros, o direito de impedir que comerciantes ou distribuidores utilizem sinais distintivos que lhe são próprios, juntamente com a marca do produto, na sua promoção e comercialização. c) se considera marca de produto ou serviço aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães especificações técnicas, notadamente quanto à qualidade, natureza, material utilizado e metodologia empregada. d) ao seu titular ou depositante é assegurado, dentre outros, o direito de ceder seu registro ou pedido de registro. e) caducará o registro da marca, salvo justificado o desuso por seu titular, a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se, decorridos 10 anos de sua concessão, o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 anos consecutivos. Comentários: A alternativa A está incorreta. Nos termos do art. 133 da Lei de Propriedade Industrial, o registro da marca vigorará pelo prazo de 10 anos, contados da data da concessão do registro, prorrogável por períodos iguais e sucessivos. A alternativa B está incorreta. O art. 132 da Lei de Propriedade Industrial traz algumas proibições impostas ao titular da marca, dentre elas a de impedir que comerciantes ou distribuidores utilizem sinais distintivos que lhes são próprios, juntamente com a marca do produto, na sua promoção e comercialização. A alternativa C está incorreta. A definição trazida pela alternativa é a de marca de certificação. A alternativa D está correta e é a nossa resposta. Entre os direitos assegurados ao titular da marca pelo art. 130 da Lei de Propriedade Industrial conta o de ceder seu registro ou pedido de registro. A alternativa E está incorreta. As hipóteses de caducidade se encontram previstas no art. 143 da Lei de Propriedade Industrial. Art. 143 - Caducará o registro, a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se, decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão, na data do requerimento: I - o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil; ou II - o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos, ou se, no mesmo prazo, a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original, tal como constante do certificado de registro. § 1º Não ocorrerá caducidade se o titular justificar o desuso da marca por razões legítimas. § 2º O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias, cabendo- lhe o ônus de provar o uso da marca ou justificar seu desuso por razões legítimas. GABARITO: D 4. TELEBRÁS – Advogado – 2015 – Cespe. Passados cinco anos da concessão do registro de marca, determinada pessoa, com legítimo interesse, solicitou ao INPI que fosse declarada a caducidade do registro das marcas de duas sociedades empresárias, com base nos seguintes fatos: o produto elaborado e fabricado no Brasil pela primeira sociedade era destinado exclusivamente ao mercado externo; a marca da segunda sociedade era de uso esporádico, com escassas negociações no mercado e rentabilidade ínfima nos cinco anos anteriores. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Com relação a essa situação hipotética, julgue o item subsecutivo acerca do registro das marcas, nos termos da jurisprudência do STJ. O INPI deverá denegar o pedido de caducidade do registro de marca da primeira sociedade empresária, pois o simples fato de o produto elaborado e fabricado no Brasil ser destinado ao mercado externo não demonstra a caducidade do registro de marca por desuso. Comentários: Segundo entendimento corrente do STJ, o simples fato de a mercadoria ser produzida para exportação não justifica a caducidade da marca. Se o titular da marca registrada no Brasil industrializa, fabrica, elabora o produto em território nacional claramenteinicia e faz uso da marca no Brasil, merecendo toda proteção legal, pois aqui empreende, gerando produção, empregos e riqueza, sendo indiferente que a mercadoria aqui produzida seja destinada ao mercado interno ou exclusivamente ao externo. GABARITO: CERTA 5. TJ –PB – Juiz de Direito – 2015 – Cespe. No que se refere a nome empresarial, marca e propriedade industrial, assinale a opção correta com base na jurisprudência do STJ. a) De acordo com o princípio first come, first served, com base no qual se concede o domínio eletrônico ao primeiro requerente que satisfizer as exigências para o registro de nomes comerciais na rede mundial de computadores, é incabível contestação do titular de signo distintivo similar ou idêntico que anteriormente tenha registrado o nome ou a marca na junta comercial e no INPI. b) Para que a reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciado de nome empresarial de terceiros constitua óbice ao registro de marca — que possui proteção nacional —, é necessário que a reprodução ou imitação seja suscetível de causar confusão ou associação com esses sinais distintivos e que a proteção ao nome empresarial não goze somente de tutela restrita a alguns estados, mas detenha a exclusividade sobre o uso do nome em todo o território nacional. c) As formas de proteção ao uso das marcas e do nome de empresa têm como único propósito resguardar a marca ou o nome da empresa contra usurpação. d) No caso de colidência entre denominações e marcas de sociedades empresárias diversas, o conflito deve ser dirimido com base no princípio da anterioridade, que prepondera em princípio da especificidade. e) O pedido de arquivamento dos atos constitutivos da empresa nas juntas comerciais das demais unidades da Federação, de forma complementar ao registro inicialmente realizado, não induz à possibilidade de proteção nacional ao seu nome comercial. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Comentários: A alternativa A está incorreta. No Brasil, o registro de nomes de domínio na internet é regido pelo princípio “First Come, First Served”, segundo o qual é concedido o domínio ao primeiro requerente que satisfizer as exigências para o registro. De acordo com a jurisprudência do STJ, a legitimidade do registro do nome do domínio obtido pelo primeiro requerente pode ser contestada pelo titular de signo distintivo similar ou idêntico anteriormente registrado – seja nome empresarial, seja marca. Tal pleito, contudo, depende da demonstração de má- fé, a ser aferida caso a caso, podendo, se configurada, ensejar inclusive o cancelamento ou a transferência do domínio e a responsabilidade por eventuais prejuízos. A alternativa B está correta. A marca deve individualizar o produto ou serviço, diferenciando-o de outros. Por isso não se admite o registro de marca que contenha expressão comum ou genérica (art. 124, VI). Nesse sentido, o STJ já entendeu que o termo “Brasil” se enquadra nessa proibição de registro quando for o principal elemento de nome empresarial. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. CONFLITO ENTRE NOME FANTASIA E NOME EMPRESARIAL. REGISTRO DE MARCA SUPERVENIENTE. VOCÁBULO DE USO COMUM. [...] 4. Em princípio, os elementos que formam o nome da empresa, devidamente arquivado na Junta Comercial, não podem ser registrados à título de marca, salvo pelo titular da denominação ou terceiros autorizados. 5. O termo "Brasil", principal elemento do nome empresarial, é, contudo, vocábulo de uso comum, podendo, em função de seu caráter genérico, ser objeto de registro de marca até mesmo por empresas que atuem no mesmo ramo comercial, pois carece da proteção firmada nos termos do art. 124, V, da Lei Lei 9.279/96. 6. Recurso especial conhecido em parte e, na extensão, provido, para julgar improcedentes os pedidos iniciais, invertendo os ônus sucumbenciais. REsp 1.082.734/RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, 4a Turma, j. 03.09.2009, DJe 28.09.2009. A alternativa C está incorreta. Na realidade, um dos principais propósitos da proteção conferida às marcas é a defesa do consumidor, que não pode ser enganado, achando que está adquirindo um produto ou serviço de um empresário quando na realidade a marca está sendo utilizada por outra pessoa. A alternativa D está incorreta. Num eventual conflito, deve ser aplicado inicialmente o princípio da especialidade. Se os titulares forem de ramos de atuação diferentes, sem a possibildade de causar confusão ao consumidor, não há que se falar em conflito. A alternativa E está incorreta. A proteção ao nome empresarial segue sistemática própria, mas há a possibilidade de conferir-se ao nome proteção em âmbito nacional. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães GABARITO: B 6. TJDFT – Juiz de Direito – 2015 – Cespe. Com referência à propriedade industrial da marca, assinale a opção correta. a) A proteção especial prevista para marca de notoriedade reconhecida em seu respectivo ramo de atividade depende de registro ou depósito dessa marca no INPI. b) Embora o reconhecimento de marca como de alto renome se dê por declaração do INPI, uma sentença judicial dada em ação movida pelo interessado nesse reconhecimento poderá substituir essa declaração e desencadear por si só a proteção legal devida a essa espécie de marca. c) Ao ceder o uso de marca mediante contrato que não estabeleça condições nem efeitos limitadores, o titular do registro renuncia ao controle sobre essa marca, inclusive no que se refere à natureza e à qualidade dos serviços e produtos a ela vinculados. d) De acordo com a jurisprudência do STJ e com a doutrina nacional majoritária, apesar de ser prática comum no exterior, a veiculação de propaganda em que sejam comparados produtos ou serviços concorrentes é condenável por ser considerada violação dos direitos de proteção às marcas envolvidas. e) Caso uma marca registrada constitua expressão que passe a ser de uso comum no segmento mercadológico do produto, a regra da exclusividade decorrente do registro poderá ser mitigada, como forma de proteger a concorrência e o mercado em geral. Comentário: A alternativa A está incorreta. Um conceito importante, que devemos conhecer, é de marca notoriamente conhecida. Esta goza de proteção especial no ramo de atividade do seu titular, independentemente de estar registrada no Brasil. Nesses casos o INPI poderá inclusive negar o registro. A alternativa B está incorreta. Aqui vale ressaltar ainda um importante entendimento do TRF da 2a Região (que é especializado na matéria de Propriedade Industrial, pois sua jurisdição abrange o Rio de Janeiro, onde é sediado o INPI). Segundo tal entendimento, não cabe ao Poder Judiciário definir o que é renome da marca e em que casos esse elemento estaria presente. Tal prerrogativa cabe apenas ao INPI. Há também precedentes do STJ no mesmo sentido. A alternativa C está incorreta. Nos termos do art. 139 da Lei de Propriedade Industrial, o titular de registro ou o depositante de pedido de registro poderá celebrar contrato de licença para uso da marca, sem prejuízo de seu direito de exercer controle efetivo sobre as especificações, natureza e qualidade dos respectivos produtos ou serviços. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães A alternativa D está incorreta. Segundo o posicionamento adotado pelo STJ, é lícita a propaganda comparativa entre produtos alimentícios de marcas distintas e de preços próximos no caso em que: a) a comparação tenha por objetivo principal o esclarecimento do consumidor; b) as informações vinculadas sejam verdadeiras, objetivas, não induzam o consumidor a erro, não depreciem o produtoou a marca, tampouco sejam abusivas (art. 37, § 2o, do CDC); e c) os produtos e marcas comparados não sejam passíveis de confusão. Para que a propaganda comparativa viole o direito de propriedade industrial do concorrente, as marcas devem ser passíveis de confusão ou a menção à marca do concorrente deve ser feita de forma depreciativa, acarretando a degradação (desgaste do outro produto) e o consequente desvio de clientela. A alternativa E está correta. O STJ já decidiu que marcas fracas ou evocativas, que constituem expressão de uso comum, de pouca originalidade, atraem a mitigação da regra de exclusividade decorrente do registro, admitindo-se a sua utilização por terceiros de boa-fé. Com o transcorrer do tempo, porém, à medida em que se difunde no mercado, o produto ou serviço pode vir a estabelecer forte relação com a expressão, que passa a ser de uso comum, ocasionando sensível redução do seu caráter distintivo. Nesses casos, expressões que, a rigor, não deveriam ser admitidas como marca por força do óbice contido no art. 124, VI, da LPI, acabam sendo registradas pelo INPI, ficando sujeitas a terem sua exclusividade mitigada. GABARITO: E 7. TRT 1ª Região (RJ) – Juiz do Trabalho Substituto – 2015 – FCC Segundo o disposto no art. 2o da Lei no 9.279/1996, a proteção dos direitos relativos à propriedade industrial, considerado o seu interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País, pode efetuar-se mediante a) concessão de registro de invenção. b) repressão às falsas indicações geográficas. c) concessão de patente de desenho industrial. d) concessão de patente de marca. e) concessão de registro de modelo de utilidade. Comentários: Essa foi fácil, não é!? Depois da aula de hoje você já está cansado de saber que a invenção e o modelo de utilidade são protegidos por meio de patente, enquanto o desenho industrial e a marca se submetem a registro. GABARITO: B http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 8. DPE-PE – Defensor Público– 2015 – CESPE Julgue o item a seguir, a respeito de empresa de pequeno porte e de propriedade industrial. Ao requerente de licença compulsória que invoque abuso de direitos patentários ou abuso de poder econômico será concedida, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, licença com iguais privilégios concedidos ao inventor, como, por exemplo, a exclusividade para a exploração da licença. Comentários: Art. 68. O titular ficará sujeito a ter a patente licenciada compulsoriamente se exercer os direitos dela decorrentes de forma abusiva, ou por meio dela praticar abuso de poder econômico, comprovado nos termos da lei, por decisão administrativa ou judicial. § 1º Ensejam, igualmente, licença compulsória: I - a não exploração do objeto da patente no território brasileiro por falta de fabricação ou fabricação incompleta do produto, ou, ainda, a falta de uso integral do processo patenteado, ressalvados os casos de inviabilidade econômica, quando será admitida a importação; ou II - a comercialização que não satisfizer às necessidades do mercado. § 2º A licença só poderá ser requerida por pessoa com legítimo interesse e que tenha capacidade técnica e econômica para realizar a exploração eficiente do objeto da patente, que deverá destinar-se, predominantemente, ao mercado interno, extinguindo-se nesse caso a excepcionalidade prevista no inciso I do parágrafo anterior. § 3º No caso de a licença compulsória ser concedida em razão de abuso de poder econômico, ao licenciado, que propõe fabricação local, será garantido um prazo, limitado ao estabelecido no art. 74, para proceder à importação do objeto da licença, desde que tenha sido colocado no mercado diretamente pelo titular ou com o seu consentimento. § 4º No caso de importação para exploração de patente e no caso da importação prevista no parágrafo anterior, será igualmente admitida a importação por terceiros de produto fabricado de acordo com patente de processo ou de produto, desde que tenha sido colocado no mercado diretamente pelo titular ou com o seu consentimento. § 5º A licença compulsória de que trata o § 1º somente será requerida após decorridos 3 (três) anos da concessão da patente. Agora estamos falando do licenciamento compulsório, que será uma espécie de sanção, aplicada inicialmente ao titular da patente que abusa do privilégio geral de exploração a ele concedido. O processo de concessão da licença compulsória começa com o requerimento de um interessado, mas deve-se sempre dar oportunidade ao titular da patente para que se defenda de maneira adequada. Esta é a previsão do art. 69. Art. 69. A licença compulsória não será concedida se, à data do requerimento, o titular: I - justificar o desuso por razões legítimas; II - comprovar a realização de sérios e efetivos preparativos para a exploração; ou III - justificar a falta de fabricação ou comercialização por obstáculo de ordem legal. Há ainda uma outra hipótese de licenciamento compulsório, prevista no art. 70 da Lei de Propriedade Industrial. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Art. 70. A licença compulsória será ainda concedida quando, cumulativamente, se verificarem as seguintes hipóteses: I - ficar caracterizada situação de dependência de uma patente em relação a outra; II - o objeto da patente dependente constituir substancial progresso técnico em relação à patente anterior; e III - o titular não realizar acordo com o titular da patente dependente para exploração da patente anterior. § 1º Para os fins deste artigo considera-se patente dependente aquela cuja exploração depende obrigatoriamente da utilização do objeto de patente anterior. § 2º Para efeito deste artigo, uma patente de processo poderá ser considerada dependente de patente do produto respectivo, bem como uma patente de produto poderá ser dependente de patente de processo. § 3º O titular da patente licenciada na forma deste artigo terá direito a licença compulsória cruzada da patente dependente. Neste caso as três condições devem ser observadas cumulativamente para que a licença compulsória seja concedida. Essa modalidade é chamada por alguns doutrinadores de licença de dependência. GABARITO: ERRADA 9. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Julgue o item, relativo a titularidade das patentes, invenções patenteáveis, patenteabilidade e vigência de patentes. Considere a seguinte situação hipotética. Oscar, angiologista renomado, após ter desenvolvido trabalhos de pesquisa em vários centros médicos de países da Europa, desenvolveu um método cirúrgico inédito de uso do laser no tratamento de pacientes com varizes. Nessa situação hipotética, caso venha a requerer ao INPI seu pedido de patente de invenção, esse instituto poderá conceder a respectiva carta- patente se o invento não estiver compreendido no estado da técnica. Comentários: Neste caso a patente não poderá ser concedida, pois não se trata propriamente de um invento, mas sim de um método cirúrgico, técnica que não pode ser considerada invenção e nem modelo de utilidade, por força do art. 10 da Lei de Propriedade Industrial. Art. 10. Não se considera invenção nem modelo de utilidade: VIII - técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou animal. GABARITO: ERRADA ==db697== http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 10. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Julgue o item, relativo a titularidade das patentes, invenções patenteáveis, patenteabilidade e vigência de patentes. Considere a seguintesituação hipotética. Cláudio realizou uma invenção em 20/10/2012 e depositou o pedido de patente no INPI em 10/5/2014. Fabiano, de forma independente, realizou a mesma invenção em 3/2/2013 e depositou seu pedido de patente no INPI em 10/12/2013. Nessa situação hipotética, o INPI deve conceder a titularidade da patente de invenção a Cláudio, por ter ele realizado a invenção antes de Fabiano. Comentários: Caso dois ou mais inventores pretendam a mesma patente, o critério utilizado para concessão da proteção será a data do depósito. Isso mesmo! Não importa quando houve o esforço de criação propriamente dito. O que importa é quando o inventor procurou o INPI. Esta é apontada pelos doutrinadores como a principal diferença entre a propriedade industrial e o direito autoral. Este é conferido desde o momento da criação da obra, tendo o seu registro efeito meramente declaratório. A propriedade industrial, por outro lado, toma por marco a data do depósito, tendo a patente ou registro efeito constitutivo da proteção jurídica. GABARITO: ERRADA 11. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Julgue o item, relativo a titularidade das patentes, invenções patenteáveis, patenteabilidade e vigência de patentes. Considere a seguinte situação hipotética. Patrícia, que é cidadã nacional do Brasil, reside atualmente em outro país, onde realizou uma invenção. Nessa situação hipotética, é possível que Patrícia apresente requerimento de patente em organização internacional, com efeito de depósito nacional, sendo-lhe assegurado, inclusive, direito de prioridade. Comentários: A Lei de Propriedade Industrial prevê expressamente essa possibilidade em seu art. 16. Art. 16. Ao pedido de patente depositado em país que mantenha acordo com o Brasil, ou em organização internacional, que produza efeito de depósito nacional, será assegurado direito de prioridade, nos prazos estabelecidos no acordo, não sendo o depósito invalidado nem prejudicado por fatos ocorridos nesses prazos. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães § 1º A reivindicação de prioridade será feita no ato de depósito, podendo ser suplementada dentro de 60 (sessenta) dias por outras prioridades anteriores à data do depósito no Brasil. § 2º A reivindicação de prioridade será comprovada por documento hábil da origem, contendo número, data, título, relatório descritivo e, se for o caso, reivindicações e desenhos, acompanhado de tradução simples da certidão de depósito ou documento equivalente, contendo dados identificadores do pedido, cujo teor será de inteira responsabilidade do depositante. GABARITO: CERTA 12. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Julgue o item, relativo a titularidade das patentes, invenções patenteáveis, patenteabilidade e vigência de patentes. Os pedidos de patentes de invenção e de modelo de utilidade que forem aceitos pelo INPI vigorarão pelo mesmo prazo, contado da data de depósito de cada um deles. Comentários: Nos termos do art. 40 da Lei de Propriedade Industrial, a patente de invenção vigorará pelo prazo de 20 anos e a de modelo de utilidade pelo prazo 15 anos contados da data de depósito. GABARITO: ERRADA 13. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Julgue o item, relativo a titularidade das patentes, invenções patenteáveis, patenteabilidade e vigência de patentes. Caso uma empresa pretenda patentear certo microrganismo transgênico, ela deverá comprovar a novidade, a atividade inventiva e a aplicação industrial desse microrganismo e, adicionalmente, terá de provar que não se trata de mera descoberta. Comentário: O art. 18 da Lei de Propriedade Industrial estabelece algumas restrições à patenteabilidade, entre eles o todo ou parte dos seres vivos, exceto os microorganismos transgênicos que atendam aos três requisitos de patenteabilidade - novidade, atividade inventiva e aplicação industrial - previstos no art. 8º e que não sejam mera descoberta. GABARITO: CERTA http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 14. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Com referência à proteção conferida às patentes, às respectivas licenças e aos modelos de utilidade realizados por empregado, cada um dos próximos itens apresenta uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada. Tiago, que é titular de patente de modelo de utilidade, exerceu de forma abusiva os direitos decorrentes dessa titularidade. Nessa situação, Tiago estará sujeito a ter a patente licenciada compulsoriamente, por decisão tanto administrativa quanto judicial. Comentários: A resposta nos é dada pelo art. 68 da Lei de Propriedade Industrial. Art. 68. O titular ficará sujeito a ter a patente licenciada compulsoriamente se exercer os direitos dela decorrentes de forma abusiva, ou por meio dela praticar abuso de poder econômico, comprovado nos termos da lei, por decisão administrativa ou judicial. GABARITO: CERTA 15. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Com referência à proteção conferida às patentes, às respectivas licenças e aos modelos de utilidade realizados por empregado, cada um dos próximos itens apresenta uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada. Adalgisa requereu ao INPI pedido de patente de invenção em 14/6/2013, tendo a patente sido concedida em 3/1/2014. No mês de outubro de 2013, ou seja, no curso do processo de concessão da patente, ocorreu exploração indevida da referida invenção. Nessa situação, a despeito de a exploração indevida ter ocorrido em data anterior à da concessão da patente, é possível que Adalgisa obtenha indenização pela referida exploração indevida. Comentários: Para responder corretamente à questão você precisa conhecer a regra do art. 44 da Lei de Propriedade Industrial Art. 44. Ao titular da patente é assegurado o direito de obter indenização pela exploração indevida de seu objeto, inclusive em relação à exploração ocorrida entre a data da publicação do pedido e a da concessão da patente. [...] § 3º O direito de obter indenização por exploração indevida, inclusive com relação ao período anterior à concessão da patente, está limitado ao conteúdo do seu objeto, na forma do art. 41. GABARITO: CERTA http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 16. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Com referência à proteção conferida às patentes, às respectivas licenças e aos modelos de utilidade realizados por empregado, cada um dos próximos itens apresenta uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada. Beatriz, que é empregada de determinada sociedade empresária, desenvolveu certo modelo de utilidade. Nessa situação, para que o modelo pertença exclusivamente a Beatriz, será necessário que ele esteja desvinculado do contrato de trabalho e que não tenha decorrido da utilização de recursos, meios, dados, materiais, instalações ou equipamentos do empregador. Comentários: De acordo com o art. 90 da Lei de Propriedade Industrial, pertencerá exclusivamente ao empregado a invenção ou o modelo de utilidade por ele desenvolvido, desde que desvinculado do contrato de trabalho e não decorrente da utilização de recursos, meios, dados, materiais, instalações ou equipamentos do empregador. GABARITO: CERTA 17. INPI – Pesquisador em Propriedade Industrial – 2014 – Cespe. Julgue o item seguinte, acerca da propriedade industrial e do direito autoral. Os programas de computador não são protegidos pelo direito de propriedade industrial, mas pelo direito autoral. Comentários: O art. 7o da Lei n.9.610/1998 determina o que deve ser protegido por direitos autorais. Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: I - os textos de obras literárias, artísticas ou científicas; II - as conferências, alocuções, sermões e outras obras da mesma natureza; III - as obras dramáticas e dramático-musicais; IV - as obras coreográficas e pantomímicas, cuja execução cênica se fixe por escrito ou por outra qualquer forma; V - as composições musicais, tenham ou não letra; VI - as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas; VII - as obras fotográficas e as produzidas por qualquer processo análogo ao da fotografia; VIII - as obras de desenho, pintura, gravura, escultura, litografia e arte cinética; http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães IX - as ilustrações, cartas geográficas e outras obras da mesma natureza; X - os projetos, esboços e obras plásticas concernentes à geografia, engenharia, topografia, arquitetura, paisagismo, cenografia e ciência; XI - as adaptações, traduções e outras transformações de obras originais, apresentadas como criação intelectual nova; XII - os programas de computador; XIII - as coletâneas ou compilações, antologias, enciclopédias, dicionários, bases de dados e outras obras, que, por sua seleção, organização ou disposição de seu conteúdo, constituam uma criação intelectual. GABARITO: CERTA 18. TRT 1ª Região (RJ) – Juiz do Trabalho – 2014 – FCC. O médico Dr. Pitágoras cria um método novo para operar verrugas, retirando-as de modo rápido e indolor. Baseia-se em um corte piramidal, energético, com origem em teorias egípcias. Verificando o sucesso dessa sua técnica, resolve patenteá-la. A resposta será a) negativa, pois não se consideram invenção nem modelo de utilidade patenteáveis as técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou animal. b) negativa, pois embora se trate de modelo de utilidade, suscetível de aplicação industrial, trata-se também de método cirúrgico baseado em teorias antigas, que não apresentam nova forma ou disposição. c) positiva, pois se trata de modelo de utilidade, suscetível de aplicação industrial e que apresenta nova forma ou disposição envolvendo ato inventivo, que, por sua vez, resultará em melhoria funcional no seu uso ou em sua implementação. d) positiva, pois se trata de invenção que atende aos requisitos de novidade, havendo ainda atividade inventiva e aplicação industrial. e) negativa, pois embora se trate de invenção, com aplicação industrial, remete-se a teorias antigas e não atende aos requisitos de novidade e de atividade inventiva. Comentários: Neste caso a patente não poderá ser concedida, pois não se trata propriamente de um invento, mas sim de um método cirúrgico, técnica que não pode ser considerada invenção e nem modelo de utilidade, por força do art. 10 da Lei de Propriedade Industrial. Art. 10. Não se considera invenção nem modelo de utilidade: VIII - técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou animal. GABARITO: A http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 19. IPT-SP – Advogado – 2014 – VUNESP. Após o protocolo de um pedido de patente de invenção, o período de sigilo determinado pela Lei n.º 9.279/96 é de a) doze meses, contados da data de invenção, como determinado pela Convenção da União de Paris. b) seis meses, contados da data de invenção, quando se tratar de um pedido de modelo de utilidade. c) doze meses, contados da data de depósito ou da prioridade mais antiga. d) dezoito meses, contados da data de depósito ou da prioridade mais antiga. e) cento e oitenta dias, contados da data de depósito. Comentários: Nossa resposta é dada pelo art. 30 da Lei de Propriedade Industrial. Art. 30. O pedido de patente será mantido em sigilo durante 18 (dezoito) meses contados da data de depósito ou da prioridade mais antiga, quando houver, após o que será publicado, à exceção do caso previsto no art. 75. Vencida a fase de analise das condições do pedido, passa-se então ao processamento e exame. Uma vez feito e admitido o pedido, caberá ao INPI manter seu sigilo durante o período de 18 meses, promovendo, ao fim desse prazo, a publicação na Revista da Propriedade Industrial, exceto quando se tratar de patente de interesse da defesa nacional, conforme arts. 30 e 75 da Lei de Propriedade Industrial. Se houver material biológico, este também se tornará acessível ao público por ocasião da publicação. Essa publicação também poderá ser antecipada a pedido do depositante. Como o período de sigilo é um benefício concedido ao inventor, para que ele possa organizar melhor sua criação, nada mais justo do que possibilitar que ele abra mão desse período, acelerando o restante do processo. GABARITO: D 20. IPT-SP – ADVOGADO – 2014 – VUNESP. No curso de doutorado de uma faculdade estadual de Medicina, um pesquisador desenvolveu um novo método cirúrgico para corrigir casos de hérnia inguinal. De acordo com a Lei da Propriedade Industrial, esse novo método a) não é uma invenção nem modelo de utilidade. b) não é patenteável, por ter sido criado na faculdade de medicina. c) não é patenteável, por ser contrário à saúde pública. d) deve ser identificado pelo nome da universidade, porque é uma faculdade estatal. e) pode ser patenteável quando distinguido por uma marca registrada que identifique e individualize corretamente o método. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Comentários: Mais uma vez temos uma questão que invoca o art. 10 da Lei de Propriedade Industrial, que traz uma lista de itens que não são considerados invenções e nem modelos de utilidade, entre eles métodos cirúrgicos. Art. 10. Não se considera invenção nem modelo de utilidade: I - descobertas, teorias científicas e métodos matemáticos; II - concepções puramente abstratas; III - esquemas, planos, princípios ou métodos comerciais, contábeis, financeiros, educativos, publicitários, de sorteio e de fiscalização; IV - as obras literárias, arquitetônicas, artísticas e científicas ou qualquer criação estética; V - programas de computador em si; VI - apresentação de informações; VII - regras de jogo; VIII - técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou animal; e IX - o todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza, ou ainda que dela isolados, inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais. GABARITO: A 21. IPT-SP – Advogado – 2014 – VUNESP. Se um novo pedido de patente reivindica exatamente a invenção já reivindicada por um pedido anterior de outro titular que está em sigilo, após a publicação do pedido anterior: a) o protocolo do pedido posterior será automaticamente considerado uma infração ao pedido anterior. b) a invenção do pedido posterior estará no estado da técnica e o pedido não será considerado novo. c) o inventor do pedido anterior deverá provar que criou a invenção antes do inventor do pedido posterior. d) o INPI publicará uma exigência para que os titulares comprovem as datas de invenção e os motivos do protocolo posterior pelo segundo inventor. e) o pedido posterior demonstra que houve uma falha de sigilo no INPI e a empresa que protocolou o segundo pedido responderá porperdas e danos. Comentários: Nos termos do art. 11, § 2º da Lei de Propriedade Industrial, para fins de aferição da novidade, o conteúdo completo de pedido depositado no Brasil, e ainda não publicado, será considerado estado da técnica a partir da data de depósito, ou da prioridade reivindicada, desde que venha a ser publicado, mesmo que subsequentemente. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães GABARITO: B 22. MPE-PE – Promotor de Justiça – 2014 – FCC. Considerando a disciplina legal da propriedade industrial, é correto afirmar: a) A patente de invenção vigorará pelo prazo de 20 (vinte) anos contados da data do depósito. Todavia, o prazo de vigência da patente não poderá ser inferior a 10 (dez) anos contados da data da sua concessão, ressalvada a hipótese de o INPI ter ficado impedido de proceder ao exame de mérito do pedido, por pendência judicial comprovada ou por motivo de força maior. b) É patenteável a invenção que atender aos requisitos de novidade e atividade inventiva, ainda que não possua aplicação industrial. c) Os sucessores do coautor da invenção têm legitimidade para requerer a patente, mas desde que obtenham anuência prévia dos demais coautores, já que a patente das invenções feitas conjuntamente por duas ou mais pessoas deve ser requerida por todos os autores da invenção. d) Se mais de uma pessoa realizar a mesma invenção de forma independente, o direito de obter a patente será assegurado àquele que comprovar que sua invenção é mais antiga, sendo irrelevante para esse fim a data do depósito da invenção no INPI. e) Para ser considerada dotada de atividade inventiva, basta que a invenção não esteja compreendida no estado da técnica, ainda que dela decorra de forma evidente. Comentários: A alternativa A está correta. Normalmente a patente de invenção dura 20 anos, e a de modelo de utilidade dura 15 anos, sempre contados da data do depósito. O legislador, porém, buscou garantir um período mínimo de vigência a partir da concessão, especialmente para os casos em que há uma demora excessiva na análise do pedido sem que haja culpa do autor, determinando que esse prazo de vigência não será inferior a 10 anos para a invenção e 7 anos para o modelo de utilidade, contados da data de concessão. A alternativa B está incorreta. De acordo com o art. 8o da Lei de Propriedade Industrial, é patenteável a invenção que atenda aos requisitos de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial. A alternativa C está incorreta. Nos termos do art. 6o, §2o, a patente poderá ser requerida em nome próprio, pelos herdeiros ou sucessores do autor, pelo cessionário ou por aquele a quem a lei ou o contrato de trabalho ou de prestação de serviços determinar que pertença a titularidade. De acordo com o § 3º, quando se tratar de invenção ou de modelo de utilidade realizado conjuntamente por duas ou mais pessoas, a patente poderá ser requerida por todas ou qualquer delas, mediante nomeação e qualificação das demais, para ressalva dos respectivos direitos. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães A alternativa D está incorreta. Nos termos do art. 7o da Lei de Propriedade Industrial, se dois ou mais autores tiverem realizado a mesma invenção ou modelo de utilidade, de forma independente, o direito de obter patente será assegurado àquele que provar o depósito mais antigo, independentemente das datas de invenção ou criação. A alternativa E está incorreta. De acordo com o art. 13, a invenção é dotada de atividade inventiva sempre que, para um técnico no assunto, não decorra de maneira evidente ou óbvia do estado da técnica. GABARITO: A 23. TJ-SE – Titular de Serviços de Notas e de Registros - 2014 – Cespe. Com base no disposto na Lei n.º 9279/1996, assinale a opção correta acerca da propriedade industrial e do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). a) A marca de certificação é usada para identificar os produtos ou serviços provenientes de membros de determinada entidade, como a marca de certificação de origem controlada. b) Todos os direitos de propriedade industrial são considerados bens móveis, sendo cabível ação judicial para reparação de dano causado a tais direitos, com prazo prescricional de cinco anos. c) A lei impede que o INPI indefira de ofício pedido de registro de marca que reproduza ou imite, no todo ou em parte, marca notoriamente conhecida. d) O registro da propriedade industrial não se extingue pela falta de pagamento da retribuição quinquenal. e) Os programas de computador são protegidos pela referida lei. Comentários: A alternativa A está incorreta. De acordo com o art. 123, marca de certificação é aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas, notadamente quanto à qualidade, natureza, material utilizado e metodologia empregada. A alternativa B está correta. Nos termos do art. 5o, os direitos de propriedade industrial são considerados bens móveis, e, de acordo com o art. 225 da Lei de Propriedade Industrial, prescreve em 5 anos a ação para reparação de dano causado ao direito de propriedade industrial. A alternativa C está incorreta. A marca notoriamente conhecida, como você já sabe, fgoza de proteção especial, independentemente de estar previamente depositada ou registrada no Brasil. Nesse sentido, o INPI poderá indeferir de ofício pedido de registro de marca que reproduza ou imite, no todo ou em parte, marca notoriamente conhecida. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães A alternativa D está incorreta. Uma das hipóteses de extinção do registro é justamente a falta de pagamento da retribuição, nos termos do art. 119. A alternativa E está incorreta. O programa de computador não é considerado invenção e nem modelo de utilidade, mas é protegido pelo direito autoral. GABARITO: B 24. TJ-SE – Titular de Serviços de Notas e de Registros – 2014 – Cespe. Com base nas disposições da Lei n.º 9.279/1996, assinale a opção correta acerca de propriedade industrial. a) A criação de marcas comerciais olfativo-aromáticas é amparada pela lei brasileira, o que viabiliza o registro de fragrâncias que identifiquem estabelecimentos comerciais. b) O prazo de vigência de um registro de marca é de dez anos, contados da data da concessão do registro e, a partir de então, prorrogável por quinquênios sucessivos. c) Constituem espécies de indicação de procedência a indicação geográfica e a denominação de origem. d) Ao registro de desenho industrial não cabe o direito de prioridade, pois o requerimento no exterior não produz efeitos de depósito nacional. e) O titular da patente tem direito de pleitear indenização contra quem explorar indevidamente o objeto patenteado, inclusive em relação a período anterior à própria concessão da patente. Comentários: A alternativa A está incorreta. Nos termos do art. 122 da Lei de Propriedade Industrial, são suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis, não compreendidos nas proibições legais. Não se fala nada sobre marcas olfativas. A alternativa B está incorreta. De acordo com o art. 133, o registro da marca vigorará pelo prazo de 10 anos, contados da data da concessão do registro, prorrogável por períodos iguais e sucessivos. A alternativa C está incorreta. Nos termos do art. 176, constitui indicação geográfica a indicação de procedência ou a denominação de origem. A alternativa D está incorreta. De acordo com o art. 99, aplicam-se ao pedido de registro, no que couber, as disposições do art. 16, exceto o prazo previsto no seu § 3º, que será de 90 dias. O art. 16, por sua vez, tratajustamente o pedido de prioridade. Art. 16. Ao pedido de patente depositado em país que mantenha acordo com o Brasil, ou em organização internacional, que produza efeito de depósito nacional, será assegurado direito de prioridade, nos prazos estabelecidos no acordo, não sendo o depósito invalidado nem prejudicado por fatos ocorridos nesses prazos. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães § 1º A reivindicação de prioridade será feita no ato de depósito, podendo ser suplementada dentro de 60 (sessenta) dias por outras prioridades anteriores à data do depósito no Brasil. § 2º A reivindicação de prioridade será comprovada por documento hábil da origem, contendo número, data, título, relatório descritivo e, se for o caso, reivindicações e desenhos, acompanhado de tradução simples da certidão de depósito ou documento equivalente, contendo dados identificadores do pedido, cujo teor será de inteira responsabilidade do depositante. § 3º Se não efetuada por ocasião do depósito, a comprovação deverá ocorrer em até 180 (cento e oitenta) dias contados do depósito. § 4º Para os pedidos internacionais depositados em virtude de tratado em vigor no Brasil, a tradução prevista no § 2º deverá ser apresentada no prazo de 60 (sessenta) dias contados da data da entrada no processamento nacional. § 5º No caso de o pedido depositado no Brasil estar fielmente contido no documento da origem, será suficiente uma declaração do depositante a este respeito para substituir a tradução simples. § 6º Tratando-se de prioridade obtida por cessão, o documento correspondente deverá ser apresentado dentro de 180 (cento e oitenta) dias contados do depósito, ou, se for o caso, em até 60 (sessenta) dias da data da entrada no processamento nacional, dispensada a legalização consular no país de origem. § 7º A falta de comprovação nos prazos estabelecidos neste artigo acarretará a perda da prioridade. § 8º Em caso de pedido depositado com reivindicação de prioridade, o requerimento para antecipação de publicação deverá ser instruído com a comprovação da prioridade. A alternativa E está correta. De acordo com o art. 44, ao titular da patente é assegurado o direito de obter indenização pela exploração indevida de seu objeto, inclusive em relação à exploração ocorrida entre a data da publicação do pedido e a da concessão da patente. GABARITO: E 25. TJ-PA – Juiz de Direito Substituto – 2014 – VUNESP. No que se refere a patentes, assinale a alternativa correta. a) Reputa-se concedida a patente na data de deferimento do pedido, devendo conter da carta-patente o número, o título e a natureza respectivos, o nome do inventor, a qualificação e o domicílio do titular, o prazo de vigência, o relatório descritivo, as reivindicações e os desenhos, bem como os dados relativos à prioridade. b) O pedido de patente será mantido em sigilo durante 18 (dezoito) meses contados da data de depósito ou da prioridade mais antiga, quando houver, após o que será publicado, à exceção daquele originário do Brasil, cujo objeto interesse à defesa nacional, sendo processado em caráter sigiloso. c) A patente de invenção vigorará pelo prazo de 15 (quinze) anos e a de modelo de utilidade pelo prazo 20 (vinte) anos contados da data de depósito. d) O prazo de vigência não será inferior a 5 (cinco) anos para a patente de invenção e a 10 (dez) anos para a patente de modelo de utilidade, a contar da data de concessão. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães e) A patente será concedida depois de deferido o pedido e comprovado o pagamento da retribuição correspondente no prazo de 120 (cento e vinte) dias contados do deferimento, expedindo-se a respectiva carta-patente. Comentários: A alternativa A está incorreta. A patente é concedida no dia da publicação do respectivo ato, nos termos do art. 38, §3o da Lei de Propriedade Industrial. A alternativa B está correta. Vencida a fase de analise das condições do pedido, passa-se então ao processamento e exame. Uma vez feito e admitido o pedido, caberá ao INPI manter seu sigilo durante o período de 18 meses, promovendo, ao fim desse prazo, a publicação na Revista da Propriedade Industrial, exceto quando se tratar de patente de interesse da defesa nacional, conforme arts. 30 e 75 da Lei de Propriedade Industrial. A alternativa C está incorreta. De acordo com o art. 40, a patente de invenção vigorará pelo prazo de 20 anos e a de modelo de utilidade pelo prazo 15 anos contados da data de depósito. D. Art. 40, Parágrafo único. O prazo de vigência não será inferior a 10 (dez) anos para a patente de invenção e a 7 (sete) anos para a patente de modelo de utilidade, a contar da data de concessão, ressalvada a hipótese de o INPI estar impedido de proceder ao exame de mérito do pedido, por pendência judicial comprovada ou por motivo de força maior. A alternativa E está incorreta Nos termos do art. 38, a patente será concedida depois de deferido o pedido, e comprovado o pagamento da retribuição correspondente, expedindo-se a respectiva carta-patente. De acordo com o §1º, o pagamento da retribuição e respectiva comprovação deverão ser efetuados no prazo de 60 dias contados do deferimento. GABARITO: B 12 – Resumo da Aula Para finalizar o estudo da matéria, trazemos um resumo dos principais aspectos estudados ao longo da aula. Nossa sugestão é a de que esse resumo seja utilizado nos dias que antecederem a prova para “refrescar” os principais pontos do conteúdo teórico. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães PROPRIEDADE INDUSTRIAL Patente Invenção Duração de 20 anos Não admite prorrogação Cabe licença compulsória Requisitos: - Novidade - Atividade inventiva - Aplicação industrial - Licitude Modelo de Utilidade Duração de 15 anos Não admite prorrogação Cabe licença compulsória Requisitos: - Novidade - Atividade inventiva - Aplicação industrial - Licitude Registro Desenho Industrial Duração de 10 anos Prorrogável por até 3 períodos de 5 anos cada Requisitos: - Novidade - Originalidade - Licitude Marca Duração de 10 anos Prorrogável indefinidamente (precisa ser requerida 1 ano antes do término) Não admite licença compulsória Requisitos: - Novidade relativa - Não colidência - Licitude http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães O INPI é uma autarquia federal, vinculada ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior de Serviços (MDIC), que tem por atribuição a concessão de privilégios e garantias aos inventores e criadores. O STJ entende que as ações ajuizadas contra o INPI devem correr perante a Justiça Federal, no foro do Rio de Janeiro, onde fica localizada a sede do Instituto. Por outro lado, o STJ também entende que quando houver litisconsórcio passivo (mais de um réu) a ação pode ser proposta no Rio de Janeiro ou no domicílio do outro réu. A invenção e o modelo de utilidade pertencem exclusivamente ao empregador quando decorrerem de contrato de trabalho cuja execução ocorra no Brasil e que tenha por objeto a pesquisa ou a atividade inventiva, ou resulte esta da natureza dos serviços para os quais foi o empregado contratado. Salvo prova em contrário, consideram-se desenvolvidos na vigência do contrato a invenção ou o modelo de utilidade, cuja patente seja requerida pelo empregado até 1 ano após a extinção do vínculo empregatício. A patente de invenção vigorará pelo prazo de 20 anos e a de modelo de utilidade pelo prazo 15 anos contados da data de depósito O reconhecimento administrativo da nulidade da patente gera efeitos ex tunc.Em outras palavras, os efeitos da nulidade retroagem até a data do depósito do pedido. PROTEÇÃO À PROPRIEDADE INDUSTRIAL Concessão de Patente De invençãoDe modelo de utilidade Registro De marcaDe desenho industrial Repressão às falsas indicações geográficas Repressão à concorrência desleal http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Podem requerer registro de marca as pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou de direito privado. As pessoas de direito privado, porém, só podem requerer registro de marca relativo à atividade que exerçam efetiva e licitamente, de modo direto ou através de empresas que controlem direta ou indiretamente. Classificação das marcas, segundo a lei Marca de produto ou serviço Marca de certificação Marca coletiva Classificação das marcas, segundo a form,a de apresentação Marcas nominativas Marcas figurativas Marcas mistas Marcas tridimensionais INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS Indicação de Procedência Nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que se tenha tornado conhecido como centro de extração, produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço. Denominação de origem Nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que designe produto ou serviço cujas qualidades ou características se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 13 – Jurisprudência Aplicável RECURSO ESPECIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. PRORROGAÇÃO DO PRAZO DE PATENTE CONCEDIDA NOS TERMOS DA LEI N. 5772/71 POR MAIS CINCO ANOS. ACORDO TRIPS. VIGÊNCIA NO BRASIL. I - O Acordo Internacional TRIPS - inserido no ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto n. 1.355/94 -, na parte que prevê a prorrogação do prazo de patente de 15 anos - nos termos da Lei n. 5.772/71 - para 20 anos, não tem aplicação imediata, ficando submetida a observância de suas normas a pelo menos duas restrições, em se tratando de países em desenvolvimento, como o caso do Brasil: a) prazo geral de um ano, a contar do início da vigência do Acordo no país (art. 65.1); b) prazo especial de mais quatro anos para os países em desenvolvimento (art. 65.2), além do prazo geral. II - A ausência de manifestação legislativa expressa, no sentido de postergar a vigência do Acordo no plano do direito interno por mais cinco anos (na modalidade 1 + 4), não pode ser interpretada como renúncia à faculdade oferecida pelo art. 65 às nações em desenvolvimento, uma vez que não havia nenhum dispositivo obrigando o país a declarar sua opção pelo prazo de transição. Precedente: REsp 960.728/RJ, Relª. Minª. NANCY ANDRIGHI, DJ 17.3.09. Recurso Especial provido. REsp 806.147/RJ, Rel. Min. Sidnei Benetti, 3a Turma, j. 15.12.2009, DJe 18.12.2009. Processual civil. Recurso especial. Ação na qual o INPI figura como parte. Foro competente para julgamento. O foro competente para julgamento de ação em que o INPI figure como parte é o de sua sede, a princípio. Contudo, o Código de Processo Civil faculta que o autor ajuize a ação no foro do domicílio do outro demandado na hipótese de pluralidade de réus, se assim preferir. Inteligência do art. 94, § 4.º, do CPC. REsp 346.628/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3a Turma, j. 13.11.2001, DJ 04.02.2002, p. 355. CIVIL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. DIREITO DE MARCAS. NOME DE CONDOMÍNIO FECHADO (ACQUAMARINA SERNAMBETIBA 3.360). EXISTÊNCIA DE REGISTRO DE MARCA (ACQUAMARINE) NA CLASSE DE SERVIÇOS DE ADMINISTRAÇAO, LOCAÇAO E AUXILIARES AO COMÉRCIO DE BENS IMÓVEIS. AUSÊNCIA DE COLIDÊNCIA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. DISTINÇAO ENTRE ATO CIVIL E ATO COMERCIAL. COMPOSIÇAO DOS SIGNOS. MERCADO CONSUMIDOR. INOCORRÊNCIA DE CONFUSAO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 07/STJ. RECURSO DESPROVIDO. 1. A marca é um sinal distintivo, visualmente perceptível, que visa a identificar um produto ou serviço no mercado consumidor. Para se obter o registro da marca e, consequentemente, sua propriedade, é necessária a observância de certos requisitos como a novidade relativa, distinguibilidade, veracidade e licitude, de molde a evitar que o consumidor seja induzido a engano, ante a existência de repetições ou imitações de signos protegidos. 2. Produtos ou serviços diferentes podem apresentar marcas semelhantes, dado que incide, no direito marcário, em regra, o princípio da especialidade; ou seja, a proteção da marca apenas é assegurada no âmbito das atividades do registro, ressalvada a hipótese de marca notória. 3. O nome de um condomínio fechado, a semelhança de nome de edifício, não viola os direitos de propriedade industrial inerentes a uma marca registrada e protegida, ainda que seja no ramo de serviços de administração, locação e auxiliares ao comércio de bens imóveis. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 4. Os nomes de edifícios ou de condomínios fechados não são marcas nem são atos da vida comercial, mas, ao revés, são atos da vida civil, pois promovem a individualização da coisa, não podendo ser enquadrados como serviços ou, ainda, produtos, mesmo porque, para estes últimos, a marca serve para distinguir séries (de mercadorias) - e não objetos singulares. 5. O fato de uma empresa construir um edifício ou um condomínio fechado, ao particularizar o empreendimento colocando-lhe um nome (que se mantém, havendo comercialização ou não de unidades habitacionais), não torna o ato civil em comercial, tampouco coloca em risco, por confusão, os efeitos jurídicos de marca registrada no ramo de serviços, pois o signo protegido é restrito à atividade, não repercutindo na nomeação de coisas. Incidência do princípio da especialidade. 6. Faz-se necessário, para o exame do fenômeno da colisão de marcas, não somente a aferição do ramo de atividade comercial das empresas combatentes, mas deve-se apreciar também a composição marcária como um todo. É que a proteção da marca é limitada à sua forma de composição, porquanto as partes e/ou afixos de dado signo - ainda mais quando essencialmente nominativo - podem ser destacados e combinados com outros sinais, resultando em um outro conjunto simbólico essencialmente distinto. É o fenômeno da justaposição ou aglutinação de afixos em nomes, que podem constituir outras marcas válidas, no mesmo ramo de atividade econômica ( v.g. : Coca-Cola e Pepsi Cola). 7. Se o Tribunal estadual, examinando os elementos de fato e de prova dos autos, concluiu pela ausência de risco de erro, engano ou confusão entre as marcas pelo consumidor, não havendo também qualquer ato de concorrência desleal praticado pela demandada, sendo inexistente a má-fé, chegar a conclusão diversa encontra óbice na Súmula 07 do STJ. 8. Recurso especial a que se nega provimento. REsp 862.067/RJ, Rel. Min. Vasco Della Giustina (Desembargador convocado do TJ/RS), 3a Turma, j. 26.04.2011, DJe 10.05.2011. DIREITO COMERCIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. USO DE MARCA COM ELEMENTOS SEMELHANTES. NOMES QUE, EMBORA COMUNS, DISTINGUEM MARCA DE PRODUTO ESPECÍFICO CONSAGRADO NO MERCADO. EXCLUSIVIDADE DE USO. PROVIMENTO. I - A exclusividade da marca "Leite de Rosas" é violada pelo uso da expressão "Desodorante Creme de Rosas", mormente em embalagem semelhante II - Embora composta por palavras comuns, a marca deve ter distinção suficiente no mercado de modo a nomear um produto específico. Marcas semelhantes em produtos da mesma classe induzem o consumidor a erro e violam direito do titular da marca original. III - Recurso Especial provido. REsp 929.604/SP, Rel. Min. Sidnei Beneti, 3a Turma, j. 22.03.2011, DJe06.05.2011. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. CONFLITO ENTRE NOME FANTASIA E NOME EMPRESARIAL. REGISTRO DE MARCA SUPERVENIENTE. VOCÁBULO DE USO COMUM. [...] 4. Em princípio, os elementos que formam o nome da empresa, devidamente arquivado na Junta Comercial, não podem ser registrados à título de marca, salvo pelo titular da denominação ou terceiros autorizados. 5. O termo "Brasil", principal elemento do nome empresarial, é, contudo, vocábulo de uso comum, podendo, em função de seu caráter genérico, ser objeto de registro de marca até mesmo por empresas que atuem no mesmo ramo comercial, pois carece da proteção firmada nos termos do art. 124, V, da Lei Lei 9.279/96. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 6. Recurso especial conhecido em parte e, na extensão, provido, para julgar improcedentes os pedidos iniciais, invertendo os ônus sucumbenciais. REsp 1.082.734/RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, 4a Turma, j. 03.09.2009, DJe 28.09.2009. COMERCIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. MARCA EVOCATIVA. REGISTRO NO INPI. EXCLUSIVIDADE. MITIGAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. Marcas fracas ou evocativas, que constituem expressão de uso comum, de pouca originalidade, atraem a mitigação da regra de exclusividade decorrente do registro, admitindo-se a sua utilização por terceiros de boa-fé. 2. O monopólio de um nome ou sinal genérico em benefício de um comerciante implicaria uma exclusividade inadmissível, a favorecer a detenção e o exercício do comércio de forma única, com prejuízo não apenas à concorrência empresarial - impedindo os demais industriais do ramo de divulgarem a fabricação de produtos semelhantes através de expressões de conhecimento comum, obrigando-os à busca de nomes alternativos estranhos ao domínio público - mas sobretudo ao mercado em geral, que teria dificuldades para identificar produtos similares aos do detentor da marca. 3. A linha que divide as marcas genéricas - não sujeitas a registro - das evocativas é extremamente tênue, por vezes imperceptível, fruto da própria evolução ou desenvolvimento do produto ou serviço no mercado. Há expressões que, não obstante estejam diretamente associadas a um produto ou serviço, de início não estabelecem com este uma relação de identidade tão próxima ao ponto de serem empregadas pelo mercado consumidor como sinônimas. Com o transcorrer do tempo, porém, à medida em que se difunde no mercado, o produto ou serviço pode vir a estabelecer forte relação com a expressão, que passa a ser de uso comum, ocasionando sensível redução do seu caráter distintivo. Nesses casos, expressões que, a rigor, não deveriam ser admitidas como marca por força do óbice contido no art. 124, VI, da LPI, acabam sendo registradas pelo INPI, ficando sujeitas a terem sua exclusividade mitigada. 4. Recurso especial a que se nega provimento. REsp 1.315.621/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3a Turma, j. 04.06.2013, DJe 13.06.2013. RECURSO ESPECIAL - PROPRIEDADE INTELECTUAL - AÇÃO ORDINÁRIA DE ANULAÇÃO DE ATO ADMINISTRATIVO EMANADO DO INPI - PEDIDO JULGADO IMPROCEDENTE, MANTENDO O INDEFERIMENTO E ARQUIVAMENTO DO REQUERIMENTO DE REGISTRO DE MARCA - SENTENÇA REFORMADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM, A FIM DE RESTABELECER O CURSO REGULAR DO PROCEDIMENTO DE REGISTRO DO SINAL DISTINTIVO - IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE ELEMENTO COMUM - PROTEÇÃO À LIVRE INICIATIVA E COMBATE À CONCORRÊNCIA DESLEAL - MARCA FRACA, SEM ORIGINALIDADE MARCANTE OU CRIATIVIDADE EXUBERANTE - IMPOSIÇÃO DE CONVIVÊNCIA COM OUTRAS SEMELHANTES - PRECEDENTES - RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. Ação ordinária de anulação de ato administrativo proferido pelo INPI que indeferiu e arquivou o requerimento de registro de sinal distintivo: "CLASSIFICADAS AMARELAS". Pedido julgado improcedente, a fim de manter a exclusão registral determinada pelo órgão administrativo. Sentença reformada pelo Tribunal de origem, determinando o restabelecimento do curso regular do procedimento instaurado perante o INPI para o registro da marca - "CLASSIFICADAS AMARELAS" -, ao fundamento de ser signo distintivo formado por elemento comum inapropriável. 1. Conflito entre marcas: "PÁGINAS AMARELAS" e "LISTAS AMARELAS" versus "CLASSIFICADAS AMARELAS". Os sinais distintivos em análise são constituídos por http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães elemento comum inapropriável que expressa característica essencial do objeto comercializado, razão pela qual dar exclusividade ao seu uso a bem da recorrente atenta contra a livre iniciativa, tendo em vista a inexorável dificuldade de inserção de novos bens de consumo congêneres no mercado, mormente, pela impossibilidade de denomina-los por aquilo que eles realmente são em sua essência. 1.1 Registre-se que o uso de elemento comum descritivo do serviço prestado - "AMARELAS" - traz à mente do consumidor a imediata associação de característica do objeto comercializado. Contudo a vantagem comercial advinda deste expediente atrai, em contra partida, o ônus de se criar um sinal distintivo fraco, sem originalidade marcante ou criatividade exuberante, o que, em última análise, impõe a sua convivência com outros símbolos comerciais formados pela expressão comum - "AMARELAS". 2. Importa assinalar ser possível o registro perante o Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI de marca formada pela combinação de dois ou mais termos genéricos, desde que esta junção se revista de caráter original e distintivo. Embora este tipo de signo comercial seja passível de proteção jurídica, a tutela destinada a ele tem abrangência menor, por ter a nova marca em sua gênese elementos comuns inapropriáveis. Isto é, mesmo sendo defeso a reprodução e a utilização integral de marca composta por elementos comuns, este sinal comercial terá que conviver no mercado com outros signos comerciais semelhantes a ele, pois a vantagem de incorporar à marca característica descritiva do objeto comercializado atrai, em contra partida, o ônus de se criar um sinal distintivo fraco, sem originalidade marcante ou criatividade exuberante. 3. É notório que o contraste estabelecido pela superposição da cor preta sobre a amarela tem o efeito de destacar as informações inseridas em texto assim formatado. Não é de hoje que esta técnica é usada por revistas, jornais e demais periódicos, sobretudo quando se destina a anúncios comerciais, pois dá maior legibilidade à publicação, favorecendo a concentração do leitor. 3.1. Embora a recorrente alegue ser pioneira na utilização deste tipo de recurso gráfico para vinculação de notícias, não é possível obstar a criação e o registro de outras marcas semelhantes, pois os signos marcários em análise são compostos por elementos comuns, cujo uso é impossível vedar ou dar exclusividade, daí que não há como conceder tutela à pretensão que objetiva a apropriação de coisa inexoravelmente comum. 4. Proibir o registro e a utilização da marca "CLASSIFICADAS AMARELAS", segundo a pretensão da recorrente, prejudicaria a livre concorrência, pois a recorrida e, de maneira reflexa, todos os demais empresários que comercializam anúncios em folhas de cor amarela teriam grandes dificuldades para inserirem seus produtos no mercado, uma vez que a expressão "AMARELAS" designa característica essencial do objeto comercializado 5. Aponte- se, ainda, a suficiência da distintividade das marcas em análise. Os elementos "PÁGINAS" e "LISTAS" possuem conteúdo fonético e gráfico aptos a se distinguir da expressão "CLASSIFICADAS", razão pela qual os sinais distintivos "PÁGINAS AMARELAS" e "LISTAS AMARELAS" podem conviver com a marca "CLASSIFICADAS AMARELAS". 6. Ademais, não se vislumbra confusão apta a conduzir o consumidor a erro, pois os símbolos marcários em questão têm distinguibilidade própria, uma vez que a utilizaçãodas expressões "PÁGINAS", "LISTAS" e "CLASSIFICADAS" mostra-se satisfatória para discriminar os empresários fornecedores de serviços congêneres, bem como possuem habilidade suficiente a particularizar cada produto posto no mercado. 7. Recurso especial desprovido. REsp 1.107.588/RJ, Rel. Min. Marco Buzzi, 4a Turma, j. 01.10.2013, DJe 06.11.2013. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. MARCA. COMERCIALIZAÇÃO DE CERVEJA. LATA COM COR VERMELHA. ART. 124, VIII, DA LEI N. 9.279/1996 (LPI). SINAIS NÃO REGISTRÁVEIS COMO MARCA. PRÁTICA DE ATOS TIPIFICADOS NO ART. 195, III E IV, DA LPI. CONCORRÊNCIA DESLEAL. DESCARACTERIZAÇÃO. OFENSA AO DIREITO DE MARCA. NÃO OCORRÊNCIA. CONDENAÇÃO INDENIZATÓRIA. AFASTAMENTO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 1. Por força do art. 124, VIII, da Lei n. 9.279/1996 (LPI), a identidade de cores de embalagens, principalmente com variação de tons, de um produto em relação a outro, sem constituir o conjunto da imagem ou trade dress da marca do concorrente - isto é, cores "dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo" -, não é hipótese legalmente capitulada como concorrência desleal ou parasitária. 2. A simples cor da lata de cerveja não permite nenhuma relação com a distinção do produto nem designa isoladamente suas características - natureza, época de produção, sabor, etc. -, de modo que não enseja a confusão entre as marcas, sobretudo quando suficiente o seu principal e notório elemento distintivo, a denominação. 3. Para que se materialize a concorrência desleal, além de visar à captação da clientela de concorrente, causando-lhe danos e prejuízos ao seu negócio, é preciso que essa conduta se traduza em manifesto emprego de meio fraudulento, voltado tanto para confundir o consumidor quanto para obter vantagem ou proveito econômico. 4. O propósito ou tentativa de vincular produtos à marca de terceiros, que se convencionou denominar de associação parasitária, não se configura quando inexiste ato que denote o uso por uma empresa da notoriedade e prestígio mercadológico alheios para se destacar no âmbito de sua atuação concorrencial. 5. A norma prescrita no inciso VIII do art. 124 da LPI - Seção II, "Dos Sinais Não Registráveis como Marca" - é bastante, por si só, para elidir a prática de atos de concorrência desleal tipificados no art. 195, III e IV, do mesmo diploma, cujo alcance se arrefece ainda mais em face da inexistência de elementos fático-jurídicos caracterizadores de proveito parasitário que evidenciem que a empresa, por meio fraudulento, tenha criado confusão entre produtos no mercado com o objetivo de desviar a clientela de outrem em proveito próprio. 6. Descaracterizada a concorrência desleal, não há falar em ofensa ao direito de marca, impondo-se o afastamento da condenação indenizatória por falta de um dos elementos essenciais à constituição da responsabilidade civil - o dano. 7. Recurso especial conhecido e provido. REsp 1.376.264/RJ, Rel. Min. João Otávio de Noronha, 3a Turma, j. 09.12.2014, DJe 04.02.2015. DIREITO COMERCIAL. MARCA E NOME COMERCIAL. COLIDÊNCIA DE MARCA "ETEP" (REGISTRADA NO INPI) COM NOME COMERCIAL (ARQUIVAMENTO DOS ATOS CONSTITUTIVOS DA SOCIEDADE NA JUNTA COMERCIAL). CLASSE DE ATIVIDADE. PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE. INTERPRETAÇÃO LÓGICO- SISTEMÁTICA. RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE. I - Não há confundir-se marca e nome comercial. A primeira, cujo registro é feito junto ao INPI, destina-se a identificar produtos, mercadorias e serviços. O nome comercial, por seu turno, identifica a própria empresa, sendo bastante para legitimá-lo e protegê-lo, em âmbito nacional e internacional, o arquivamento dos atos constitutivos no Registro do Comércio. II - Sobre eventual conflito entre uma e outro, tem incidência, por raciocínio integrativo, o princípio da especificidade, corolário do nosso direito marcário. Fundamental, assim, a determinação dos ramos de atividade das empresas litigantes. Se distintos, de molde a não importar confusão, nada obsta possam conviver concomitantemente no universo mercantil. III - No sistema jurídico nacional, tanto a marca, pelo Código de Propriedade Industrial, quanto o nome comercial, pela Convenção de Paris, ratificada pelo Brasil por meio do Decreto 75.572/75, são protegidos juridicamente, conferindo ao titular respectivo o direito de sua utilização. IV - Havendo colidência entre marca e parte do nome comercial, sendo distintas as atividades das duas empresas, a fim de garantir a proteção jurídica tanto a uma quanto a outro, determina-se ao proprietário do nome que se abstenha de utilizar isoladamente a http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães expressão que constitui a marca registrada pelo outro, terceiro, de propriedade desse, sem prejuízo da utilização do seu nome comercial por inteiro. REsp 119.998/SP, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, 4a Turma, j. 09.03.1999, DJ 10.05.1999, p. 177. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE ABSTENÇÃO DE USO. NOME EMPRESARIAL. NOME DE DOMÍNIO NA INTERNET. REGISTRO. LEGITIMIDADE. CONTESTAÇÃO. AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. 1. A anterioridade do registro no nome empresarial no órgão competente não assegura, por si só, ao seu titular o direito de exigir a abstenção de uso do nome de domínio na rede mundial de computadores (internet) registrado por estabelecimento empresarial que também ostenta direitos acerca do mesmo signo distintivo. 2. No Brasil, o registro de nomes de domínio na internet é regido pelo princípio "First Come, First Served", segundo o qual é concedido o domínio ao primeiro requerente que satisfizer as exigências para o registro. 3. A legitimidade do registro do nome do domínio obtido pelo primeiro requerente pode ser contestada pelo titular de signo distintivo similar ou idêntico anteriormente registrado - seja nome empresarial, seja marca. 4. Tal pleito, contudo, não pode prescindir da demonstração de má-fé, a ser aferida caso a caso, podendo, se configurada, ensejar inclusive o cancelamento ou a transferência do domínio e a responsabilidade por eventuais prejuízos. 5. No caso dos autos, não é possível identificar nenhuma circunstância que constitua sequer indício de má-fé na utilização do nome pelo primeiro requerente do domínio. 6. A demonstração do dissídio jurisprudencial pressupõe a ocorrência de similitude fática entre o acórdão atacado e os paradigmas. 7. Recurso especial não provido. REsp 594.404, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, 3a Turma, j. 05.09.2013, DJe 11.09.2013. Segundo a jurisprudência do STJ, a proteção conferida à marca é ampla do ponto de vista territorial, abrangendo todo o território nacional, mas é materialmente limitada, sendo restrita ao ramo de atividade em que o seu titular atua. RECURSO ESPECIAL. DIREITO EMPRESARIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. DIREITO MARCÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ART. 124, XIX, DA LEI N. 9.279/96. IMPOSSIBILIDADE DE REGISTRO DE MARCA IDÊNTICA À OUTRA JÁ REGISTRADA PARA PRODUTO AFIM. TIC TAC (BOLACHA RECHEADA) CONSTITUI REPRODUÇÃO DA MARCA TIC TAC (BALA). PRODUTOS QUE GUARDAM RELAÇÃO DE AFINIDADE. INDEFERIMENTO DO REGISTRO QUE DEVE SER MANTIDO. 1. Pretensão da autora de anular o ato do INPI que indeferiu o registro da marca TIC TAC para a distinção de biscoitos recheados. 2. Marca nominativa que configura reprodução de marca já registrada, TIC TAC, distintiva de bala. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães 3. Produtos que guardam relação de afinidade, pois se inserem no mesmo nicho comercial, visando a um públicoconsumidor semelhante e utilizando os mesmo canais de comercialização. 4. Aplicação do princípio da especialidade que não deve se ater de forma mecânica à Classificação Internacional de Produtos e Serviços, podendo extrapolar os limites de uma classe sempre que, pela relação de afinidade dos produtos, houver possibilidade de se gerar dúvida no consumidor. 5. Caso concreto em que a concessão do registro pleiteado pela autora ensejaria, no consumidor, uma provável e inverídica associação dos biscoitos recheados com as pastilhas TIC TAC comercializadas pelas rés. 6. Indeferimento do registro que deve ser mantido, à luz do art. 124, XIX, da Lei n. 9.279/96. 7. RECURSOS ESPECIAIS PROVIDOS. REsp 1.340.933/SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, 3a Turma, j. 10.03.2015, DJe 17.03.2015. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. ART. 124, XIX, DA LEI Nº 9.279/96. COLISÃO DE MARCAS. MARCA NOMINATIVA CHESTER E MARCA MISTA CHESTER CHEETAH. REGISTRO CONCEDIDO SEM EXCLUSIVIDADE DO USO DA PALAVRA "CHESTER". POSSIBILIDADE DE CONVIVÊNCIA DAS MARCAS. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO ENTRE CONSUMIDORES. REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 07/STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Para a caracterização da infringência de marca, não é suficiente que se demonstrem a semelhança dos sinais e a sobreposição ou afinidade das atividades. É necessário que a coexistência das marcas seja apta a causar confusão no consumidor ou prejuízo ao titular da marca anterior, configurando concorrência desleal. Precedentes. 2. A doutrina criou parâmetros para a aplicação do 124, XIX, da Lei nº 9.279/96 ao caso concreto, listando critérios para a avaliação da possibilidade de confusão de marcas: a) grau de distintividade intrínseca das marcas; b) grau de semelhança das marcas; c) legitimidade e fama do suposto infrator; d) tempo de convivência das marcas no mercado; e) espécie dos produtos em cotejo; f) especialização do público-alvo; e) diluição. 3. Com base nos elementos fático-probatórios dos autos, o Tribunal de origem concluiu pela possibilidade de coexistência no mercado da marca nominativa CHESTER e da marca mista CHESTER CHEETAH. 4. A primeira é um produto derivado de uma ave para festas; a outra, um produto do ramo de salgadinhos. 5. A revisão do entendimento firmado na instância ordinária atrai a incidência da Súmula nº 7 do STJ. 6. Agravo regimental não provido. Súmula 143 do STJ Propriedade comercial. Prazo prescricional. Prescrição. Perdas e danos. Responsabilidade civil. Lei 5.772/71, art. 59. CCB, art. 178, § 10, IX. Prescreve em cinco anos a ação de perdas e danos pelo uso de marca comercial. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. DESERÇÃO E AUSÊNCIA DE REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL INOCORRENTES. CIVIL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. MARCA. CADUCIDADE. EFEITOS PROSPECTIVOS (EX NUNC). FINALIDADE DA LEI. [...] 4. A nulidade do registro de marca industrial ocorre quando se reconhece a existência de determinado vício apto a macular a concessão do registro desde seu início. Quando for impossível manter a validade de algo nulo ab ovo, operam-se efeitos retroativos (ex tunc). 5. Já a caducidade do registro implica a declaração de determinada circunstância fática, que pode ser verificada pela inexistência de uso da marca desde seu registro ou pela interrupção do uso por prazo além do limite legal. Quando a condição para manutenção do registro deixa de existir, operam-se efeitos prospectivos (ex nunc). 6. A prospectividade dos efeitos da caducidade é a mais adequada à finalidade do registro industrial, pois confere maior segurança jurídica aos agentes econômicos e desestimula a contrafação. 7. Embargos de divergência acolhidos para prevalecer a orientação do REsp 330.175/PR, que reconhece efeitos prospectivos (ex nunc) da declaração de caducidade da marca industrial. EREsp 964.780/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, 2a Seção, j. 10.08.2011, DJe 29.08.2011. RECURSO ESPECIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. AÇÃO DE ANULAÇÃO DE REGISTRO DE MARCA. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. OCORRÊNCIA. CADUCIDADE DO REGISTRO (LEI 9.279/96, ART. 143). EXPORTAÇÃO DO PRODUTO. COMPROVAÇÃO DO USO NO BRASIL. EFETIVA COMERCIALIZAÇÃO EM TERRITÓRIO NACIONAL. ARGUMENTO DIVERSO LEVANTADO EM CONTRARRAZÕES. AUSÊNCIA DE USO EFETIVO DA MARCA. MANUTENÇÃO DA CADUCIDADE RECONHECIDA. RECURSO DESPROVIDO. I - O aresto recorrido, ainda que admitindo a ocorrência da prescrição quinquenal da pretensão de anulação do registro, analisou o pedido inicial de declaração de caducidade da marca Colorado, por desuso. II - De acordo com a Lei de Propriedade Industrial, uma vez passados cinco anos da concessão do registro, se requerida a sua caducidade, deve o titular da marca demonstrar que, na data do requerimento, já iniciou seu uso no Brasil, ou que, ainda que interrompido o seu uso, a interrupção não ultrapassou mais de cinco anos consecutivos, ou que não tenha, nesse prazo, feito uso com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original, sem que apresentadas razões legítimas. III - Se o titular da marca registrada no Brasil industrializa, fabrica, elabora o produto em território nacional claramente inicia e faz uso da marca no Brasil, merecendo toda proteção legal, pois aqui empreende, gerando produção, empregos e riqueza, sendo indiferente que a mercadoria aqui produzida seja destinada ao mercado interno ou exclusivamente ao externo. Produzir no País o produto com a marca aqui registrada atende suficientemente ao requisito legal de "uso da marca iniciado no Brasil". IV - Ocorre que a recorrida, em suas contrarrazões, aduz outro argumento capaz de superar a violação de lei invocada pela recorrente, o de que não houve comprovação do uso efetivo da marca. V - In casu, o volume de vendas do produto da marca em discussão, nas exportações comprovadas, é inexpressivo dentro da magnitude das operações bilionárias realizadas pela recorrente, insuficiente, portanto, para configurar e comprovar o uso efetivo da marca apto a afastar a caducidade por desuso. VI - Recurso especial desprovido. REsp 1.236.218/RJ, Rel. Min. Raul Araújo, 4a Turma, j. 05.02.2015, DJe 11.06.2015. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães Direito Civil. Direito Empresarial. Recurso especial. Nome empresarial. Lei 8.934/94. Proteção. Nome previamente registrado. Termo que remete a localização geográfica. Ausência de direito de uso exclusivo. Marca. Lei 9.279/96. LPI. CDC. CF. CC/02. Nome geográfico. Possibilidade de registro como sinal evocativo. Impossibilidade de causar confusão ou levar o público consumidor a erro. Ausência de violação ao direito de uso exclusivo da marca. Dissídio jurisprudencial. Cotejo analítico. Ausência. - O registro de termo que remete a determinada localização geográfica no nome empresarial, por se referir a lugar, não confere o direito de uso exclusivo desse termo. - É permitido o registro de marca que utiliza nome geográfico, desde que esse nome seja utilizado como sinal evocativo e que não constitua indicação de procedência ou denominação de origem. - A proteção da marca tem um duplo objetivo. Por um lado, garante o interesse de seu titular. Por outro, protege o consumidor, que não pode ser enganado quanto ao produto que compra ou ao serviço que lhe é prestado. - Para que haja violação ao art. 129 da LPI e seja configurada a reprodução ou imitação de marca pré-registrada, é necessário que exista efetivamente risco de ocorrência de dúvida, erro ou confusão no mercado, entre os produtos ou serviços dos empresários que atuam no mesmo ramo. - O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado medianteo cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. Recurso especial não provido. REsp 989.105/PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3a Turma, j. 08.09.2009, DJe 28.09.2009. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CONCORRÊNCIA DESLEAL. CONCESSÃO DE LIMINAR PARA DETERMINAR A SUBSTITUIÇÃO, EM PRAZO RAZOÁVEL, DAS EMBALAGENS DE PRODUTOS POSSÍVEIS DE SEREM CONFUNDIDAS COM AS UTILIZADAS POR MARCA CONCORRENTE. POSSIBILIDADE. REEXAME DE PROVAS, EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. INVIABILIDADE. 1. A antecipação de tutela, nos moldes do disposto no artigo 273 do Código de Processo Civil, constitui relevante instrumentário de que dispõe o magistrado para que, existindo prova inequívoca e verossimilhança das alegações, dentro de seu prudente arbítrio, preste tutela jurisdicional oportuna e adequada que, efetivamente, confira proteção ao bem jurídico tutelado, abreviando, ainda que em caráter provisório, os efeitos práticos do provimento definitivo. [...] 3. Dessarte, como o artigo 209, § 1º, da Lei 9.279/96 expressamente prevê a possibilidade de o juiz, em casos de violação de direitos de propriedade industrial ou prática de atos de concorrência desleal, "nos autos da própria ação, para evitar dano irreparável ou de difícil reparação, determinar liminarmente a sustação da violação ou de ato que a enseje", a revisão da decisão recorrida encontra óbice intransponível na Súmula 7/STJ. [...] REsp 1.306.690/SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, 4a Turma, j. 10.04.2012, DJe 23.04.2012. http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO EMPRESARIAL – PC-MA (DELEGADO DE POLÍCIA) Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo Guimarães PROPRIEDADE INDUSTRIAL. CONJUNTO-IMAGEM (TRADE DRESS). COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO AFIM. EMBALAGENS ASSEMELHADAS. CONCORRÊNCIA DESLEAL. PERÍCIA TÉCNICA. NECESSIDADE. A caracterização de concorrência desleal por confusão, apta a ensejar a proteção ao conjunto-imagem (trade dress) de bens e produtos é questão fática a ser examinada por meio de perícia técnica. REsp 1.353.451-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, por unanimidade, julgado em 19.09.2017, DJe 28.09.2017. 14 – Considerações Finais Chegamos ao final da nossa aula de hoje! Se tiver alguma dúvida estou disponível no nosso fórum...! J Grande abraço! Paulo Guimarães professorpauloguimaraes@gmail.com Não deixe de me seguir nas redes sociais! www.facebook.com/profpauloguimaraes @profpauloguimaraes (61) 99607-4477 http://www.iceni.com/infix.htm