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Aula 02 Direito Tributário p/ PC-MA (Delegado) Com videoaulas - Pós-Edital Professor: Fábio Dutra Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 1 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra AULA 02: Limitações ao Poder de Tributar (Imunidades) SUMÁRIO PÁGINA Observações sobre a aula 01 Imunidades 02 Espécies de Imunidades Tributárias 12 Outras Espécies de Imunidades Tributárias 51 Lista das Questões Comentadas em Aula 60 Gabarito das Questões Comentadas em Aula 72 Legislação Pertinente 73 Súmulas Abordadas Durante a Aula 75 Principais Jurisprudências Abordadas Durante a Aula 77 Resumo da Aula 84 Observações sobre a Aula Olá, amigo (a), tudo bem? Está pronto para mais uma aula? O assunto a ser tratado hoje é continuidade do que vimos na aula anterior. Dando prosseguimento ao estudo das limitações ao poder de tributar, estudaremos as imunidades tributárias. Fiz o máximo possível para tornar o conteúdo bastante claro, sem exigir conhecimento prévio de outros temas do Direito Tributário. Quando isso se fizer necessário, fazemos uma breve explicação do assunto. Caso você sinta dificuldade em compreender algum conceito, não deixe de nos notificar. O objetivo é trazer a você uma aula 100% compreensível! Chega de papo! Vamos começar? Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 2 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra 1 - IMUNIDADES O tema que será tratado nesta aula é de suma importância para concursos públicos. As bancas adoram cobrar imunidades tributárias nas provas de Direito Tributário. Desta forma, vamos abordar o assunto no grau de profundidade que ele merece, com o intuito de deixá-lo totalmente preparado para qualquer prova sobre o assunto. Assim, iniciaremos explicando o conceito de imunidade, isenção e não incidência. Posteriormente, serão abordadas as classificações doutrinárias das imunidades. Por fim, vamos estudar as imunidades em espécie! Vocês verão que o assunto é bem tranquilo, embora tenha certa riqueza de jurisprudência. Antes de estudarmos as imunidades, gostaria de deixar claro que, embora se trate de uma dispensa constitucional do pagamento de tributos, a imunidade não exime certo ente das obrigações acessórias instituídas pela legislação tributária. Nesse sentido, para o STF (RE 250.844), “exigir de entidade imune a manutenção de livros fiscais é consentâneo com o gozo da imunidade tributária (...)”. A manutenção de livros fiscais é um exemplo de obrigação acessória. A grosso modo, podemos dizer que as obrigações acessórias são condutas impostas ao contribuinte, que não possuem caráter pecuniário, criando obrigações de “fazer” ou “deixar de fazer” algo no interesse da arrecadação e fiscalização. Não se preocupe com detalhes por ora, pois isso é tema de outra aula. Ainda que em gozo de imunidade tributária, a pessoa jurídica não está dispensada de cumprir obrigações acessórias e de se submeter à fiscalização tributária. Vamos, então, estudar o tema “Imunidades”. 1.1 - Conceito de Imunidade, Isenção e Não Incidência A fim de compreendermos com exatidão a diferença entre os conceitos de imunidade, isenção e não incidência, é necessário que entendamos primeiramente o que vem a ser incidência tributária. Quando uma lei institui determinado tributo, ela prevê os elementos essenciais para que seja possível sua cobrança (hipótese de incidência, sujeitos ativo e passivo, base de cálculo e alíquota). Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 3 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Veja que a hipótese de incidência, como elemento essencial na instituição dos tributos, prevê na lei uma situação que, ocorrida no mundo real, dará origem ao fato gerador do tributo. Dessa forma, quando a situação prevista em lei se concretizar, houve incidência tributária (ocorre o fato gerador). Nós já vimos superficialmente isso na aula anterior, você se lembra? Agora que já sabemos o que é incidência tributária, o que poderia ser considerado não incidência? Podemos citar três situações: • A pessoa política não faz uso da competência tributária que lhe foi conferida. Podemos dizer que seria o caso de um tributo instituído “pela metade”, em que o ente não prevê todas as hipóteses de incidência capazes de gerar a tributação; • A pessoa política não possui competência tributária para determinar certas situações fáticas como hipótese de incidência. Esta hipótese se refere a situações que fogem do raio de incidência daquele tributo. Por exemplo, o IPVA não pode incidir sobre bicicletas; • A pessoa política é “barrada” pela CF/88. Ou seja, há certo dispositivo constitucional que inibe a possibilidade de o ente prever aquela situação como hipótese de incidência do tributo. Observação: Competência tributária é o poder conferido pela Constituição aos entes federados para instituírem tributos (impostos, taxas etc.), sempre por meio de lei. Como a CF/88 não cria tributos, é o exercício da competência tributária que torna possível a cobrança dos tributos. O tema será estudado em outra aula. Todas as três situações acima se referem à não incidência tributária. Contudo, a última pode ser considerada como hipótese de não incidência constitucionalmente qualificada. Por tal motivo, é denominada IMUNIDADE. A imunidade pode ser considerada uma incompetência tributária. Perceba, pela explicação inicial do tópico, que tanto na imunidade propriamente dita como nas demais situações que de não incidência, não há a ocorrência do fato gerador. Guarde isso! Precisamos nos atentar ainda para o conceito de isenção. Trata-se de um benefício fiscal concedido pelo ente político, por intermédio de lei. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 4 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Ou seja, é a dispensa legal do pagamento do tributo, sendo considerada uma decisão política. Neste caso, há uma hipótese de incidência prevista na lei que instituiu o tributo, e, por esse motivo, o fato gerador ocorre. Contudo, o tributo não vem a ser cobrado, pois a isenção é uma hipótese de exclusão do crédito tributário. Não iremos nos aprofundar neste conceito por enquanto, para não ter o risco de confundirmos. O momento irá chegar. O que importa, por enquanto, é saber que a isenção decorre do exercício da competência tributária e o fato gerador do tributo chega a ocorrer, e a obrigação tributária chega a existir. Isto é, o ente poderia cobrar aquele tributo, mas decide isentar os contribuintes, mediante a edição de uma lei. Nesta aula, estamos adotando a doutrina clássica, pois é o posicionamento adotado pelo STF (ADI 286). Há divergência doutrinária sobre a existência ou não da obrigação tributária nos casos de isenção. A doutrina clássica, preconizada por Amílcar de Araújo Falcão1, dentre outros, defende que a isenção constitui apenas em dispensa legal do pagamento do tributo, isto é, o fato gerador ocorre, a obrigação tributária chega a existir, mas não o crédito tributário, tendo em vista que ocorre a sua exclusão, nos termos do art. 175, I, do CTN. Esta é a linha adotada pelo STF (ADI 286). A doutrina mais moderna entende que, em casos de isenção, não há ocorrência do fato gerador, de forma que a obrigação tributária não chega a existir. Nesta linha, De acordo com o autor Roque Antônio Carraza2, “a isençãopode ser definida como limitação legal do âmbito de validade da norma jurídica tributária, que impede que o tributo nasça ou faz com que ele surja de modo mitigado.” Dando continuidade ao nosso estudo, por outro lado, a imunidade é uma delimitação da competência tributária, ou melhor, uma limitação constitucional ao poder de tributar, posicionando-se ao lado dos princípios constitucionais tributários. Ou seja, existe um limite além do qual o ente instituidor não 1 FALCÃO, Amílcar de Araújo. Fato gerador da obrigação tributária. 6ª Edição. 2002. Pág. 66 2 CARRAZA, Roque Antônio. ICMS. 9ª Edição. Editora Malheiros. 2003 Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 5 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra pode tributar, por expressa disposição constitucional. Vimos também que não ocorre o fato gerador neste caso. Por último, há que se ressaltar que não importa a terminologia utilizada pela CF/88 para tratar das imunidades, visto que o simples fato de estar no texto constitucional dá ao instituto o título de imunidade. Neste sentido, o STF (RMS 22.192/DF) já decidiu que, embora o art. 195, § 7°, da CF/88, mencione a palavra “isentas”, a interpretação que deve ser dada é a de que se trata de verdadeira imunidade. Repare que, embora diferenciamos não incidência de imunidade, esta está inserida dentro do conceito daquela, com a ressalva de que foi prevista constitucionalmente. Espero que o quadro abaixo possa auxiliá-los a entender melhor o que dissemos até agora. Por fim, cabe destacar o conceito de alíquota zero, que é mais uma hipótese em que o tributo acaba não sendo cobrado. Nesse caso, ocorre o fato gerador, contudo, o valor do tributo é nulo, já que a alíquota é zero. Isso ocorreria, por exemplo, se o Governo Federal decidisse reduzir a alíquota de Imposto de Importação a zero sobre determinados produtos essenciais ao País. 1.2 – Classificação das Imunidades Segundo a Doutrina Neste tópico, iremos abordar as principais classificações das imunidades adotadas pela doutrina. À medida que expusermos uma classificação, traremos exemplos estatuídos na própria CF/88, com o objetivo de facilitar a absorção do assunto. Não Incidência Imunidade Situação não prevista na lei instituidora ou impossível; Não há norma que preveja; Não ocorre fato gerador; a) Limitação ao poder de tributar; b) Previsão no texto constitucional; c) Não ocorre fato gerador; Isenção 1. Opção política do ente tributante; 2. Previsão em norma infraconstitucional; 3. Ocorre fato gerador; Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 6 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra 1. Classificação quanto ao parâmetro para concessão: subjetivas, objetivas ou mistas A Constituição Federal, ao instituir as imunidades, pode adotar como parâmetro tanto as pessoas (imunidade subjetiva) quanto as coisas (imunidade objetiva). Podemos ter ainda imunidades que consideram as coisas e as pessoas ao mesmo tempo, sendo estas denominadas imunidades mistas. As imunidades subjetivas podem ser exemplificadas pela imunidade recíproca. De acordo com o art. 150, VI, a, da CF/88, é vedado à União, aos Estados, ao DF e aos Municípios instituir impostos sobre o patrimônio, a renda ou serviços, uns dos outros. Observe que a imunidade é direcionada a pessoas políticas, mas não o é às empresas privadas, por exemplo. Com isso, fica clara a importância que tem a “pessoa” para se definir se haverá ou não imunidade. Cabe observar que a imunidade subjetiva não exime as pessoas por ela abrangidas da responsabilidade pela retenção de tributos, caso estejam designadas pela lei. Sendo assim, a União fica, a título de exemplo, responsável pela retenção do imposto de renda incidente sobre os rendimentos de seus servidores, pois estes não são imunes. Observação: Responsável tributário, como veremos em momento oportuno, é a pessoa que, embora não tenha relação pessoal com a situação que fez surgir o fato gerador, está a ela ligada por expressa disposição legal. Ainda que esteja imune, a “pessoa” pode estar sujeita por meio de lei a fazer retenção e recolhimento dos tributos devidos por outrem. Temos aqui mais um exemplo obrigação acessória: o fato de a empresa estar obrigada a descontar os tributos devidos por terceiros e recolhê-los. Veja que não há encargo financeiro, mas tão somente a obrigação de “fazer algo”. No que se refere às imunidades objetivas, o exemplo amplamente utilizado é o da imunidade cultural. De acordo com o art. 150, VI, d, da CF/88, é vedado a todos os entes federativos instituir impostos sobre os livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. Desta forma, não importa qual pessoa esteja vendendo um jornal, por exemplo. O que é relevante para a aplicação da imunidade é o bem que está sendo objeto de comercialização. Por último, as imunidades mistas podem ser ilustradas pela imunidade que impede a incidência do Imposto sobre Propriedade Territorial Rural sobre Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 7 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra as pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel. Atente para o fato de que as glebas rurais constituem o aspecto objetivo, e o fato de seu proprietário não poder possuir outro imóvel revela o aspecto subjetivo da referida imunidade. Até aqui, tudo compreendido? Passemos, pois, para a segunda classificação. 2. Classificação quanto à origem: ontológicas e políticas As imunidades ontológicas são aquelas que decorrem do princípio da isonomia e do pacto federativo. Ou seja, são imunidades que, ainda que não houvesse sua previsão constitucional, existiriam. Nesse sentido, podemos adotar como exemplo a imunidade recíproca. Repare que tal imunidade busca preservar a autonomia financeira dos entes federativos, protegendo, por isso mesmo, o pacto federativo. Por outro lado, as imunidades políticas são aquelas que só existem por decisão expressa do legislador constituinte. Isso não quer dizer que elas não protegem outros princípios constitucionais. Por exemplo a imunidade cultural impede a cobrança de imposto sobre os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão. 3. Classificação quanto à forma de previsão: explícitas ou implícitas Configuram-se explícitas as imunidades expressas no próprio texto constitucional. Trata-se das hipóteses que o legislador já previu, no momento da elaboração da Constituição Federal. É possível também que algumas imunidades não tenham sido reconhecidas expressamente, mas, por decorrerem de princípios constitucionais, a jurisprudência passe a aceitá-las da mesma forma que as que estão confeccionadas na CF. A essas imunidades, a doutrina denominou implícitas. Até o momento, não temos exemplos de imunidades implícitas. Perceba que podemos fazer uma interligação entre o que foi visto aqui e o que vimos na classificação quanto à origem das imunidades. As imunidades políticas são sempre explícitas, pois necessariamente devem estar previstas no texto da Constituição. Por outro lado, vimos que as imunidades ontológicas, ainda que não fossem previstas na CF, existiriam. Desta maneira, podemos afirmar que tais imunidades podem ser tanto explícitas como implícitas. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.brPágina 8 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra 4. Classificação quanto à necessidade de regulamentação: incondicionadas e condicionadas Esta classificação diz respeito à necessidade de que a imunidade, para surtir efeitos no mundo concreto, esteja regulamentada por norma infraconstitucional, ou seja, por leis. Neste contexto, se as imunidades forem incondicionadas, como, por exemplo, a imunidade recíproca, não há necessidade de edição de lei, produzindo efeitos imediatamente. Devemos lembrar que também há as imunidades condicionadas, que são aquelas que dependem de regulamentação por lei, para que possam produzir efeitos. Como exemplos, podemos citar a imunidade prevista no art. 150, VI, c, da CF/88. Trata-se da imunidade referente às instituições de educação e assistência social sem fins lucrativos. Estas só poderão gozar da benesse constitucional, caso haja regulamentação legal. Recuperando os seus estudos de Direito Constitucional, podemos dizer que as imunidades condicionadas constituem normas de eficácia limitada, pois se faz necessária uma regulamentação infraconstitucional. 5. Classificação quanto ao alcance: gerais e específicas Em alguns casos, o legislador constituinte optou por incluir vários tributos e todos os entes federativos dentro de certas imunidades. Por exemplo, a imunidade recíproca veda a instituição de diversos impostos (sobre patrimônio, renda ou serviços) e tal vedação é extensiva à União, aos Estados, ao DF e aos Municípios. Neste caso, tal imunidade é denominada geral ou genérica. Todas as imunidades previstas no art. 150, VI, da CF/88 são consideradas genéricas. Por outro lado, em algumas situações, as imunidades são mais restritas, alcançando tributos específicos e, por consequência, apenas o ente competente para instituí-los. Cite-se, por exemplo, o caso da imunidade concedida ao IPI sobre operações de exportação (art. 153, § 3°, III). Tal imunidade pode ser denominada específica, tópica ou especial. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 9 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Questão 01 – CESPE/TCE-PR-Analista de Controle Externo/2016 O estabelecimento das hipóteses de imunidade tributária é reservado a lei complementar. Comentário: A imunidade tributária, por ser limitação ao poder de tributar, somente é definida na própria CF/88. Questão errada. Questão 02 – CESPE/TCE-RN-Auditor/2015 A imunidade tributária visa preservar valores políticos, religiosos, sociais, econômicos e éticos da sociedade, com vistas a evitar que determinadas atividades sejam oneradas pela incidência dos tributos. Comentário: De fato, esse é o real objetivo das imunidades tributárias, isto é, preservar valores políticos, religiosos, sociais, econômicos e éticos da sociedade, com vistas a evitar que determinadas atividades sejam oneradas pela incidência dos tributos. Assim, por exemplo, a imunidade recíproca existe para proteger a autonomia financeira dos entes federados. Questão correta. Questão 03 – CESPE/PROCURADOR-MP-TCDF/2013 Reputa-se de natureza política a imunidade tributária recíproca. Comentário: A imunidade recíproca é um sustentáculo do pacto federativo, protegendo a autonomia financeira das entidades políticas. Sendo assim, ela tem natureza ontológica, e não política. Questão errada. Questão 04 – CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012 As entidades que gozem de isenção ou imunidade tributária não são passíveis de fiscalização, visto que a ação fiscalizadora constituiria abuso de poder do agente fiscalizador. Comentário: Não há exceções quanto à atividade de fiscalização tributária. Ainda que a entidade goze de imunidade ou mesmo de isenção, fica sujeita à fiscalização, devendo, ainda, cumprir obrigações acessórias a que estiver submetida. Questão errada. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 10 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Questão 05 – CESPE/PROMOTOR-MP-RR/2011 Ainda que em gozo de imunidade tributária, a pessoa jurídica não está dispensada de cumprir obrigações acessórias e de se submeter à fiscalização tributária. Comentário: Conforme entendimento esposado pelo STF, o fato de a pessoa jurídica gozar de imunidade tributária não a exime da obrigação de cumprir obrigações acessórias. Questão correta. Questão 06 – CESPE/PROCURADOR-PE/2009 A criação de imunidade tributária é matéria típica de lei ordinária. Comentário: A criação de imunidade tributária é matéria exclusiva da própria Constituição Federal, não podendo ser prevista em lei ordinária. Questão errada. Questão 07 – FCC/MPE-PA-Promotor de Justiça/2014 Sobre a Lei Complementar nº 87/96 - Lei Kandir, é correto afirmar que institui imunidades tributárias relativas ao ICMS dos Estados e Distrito Federal, dentre elas as operações com ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial e operações de arrendamento mercantil, não compreendida a venda do bem arrendado ao arrendatário. Comentário: A Lei Kandir tratou de diversos assuntos relacionados ao ICMS. Contudo, não é necessário conhecer nada sobre isso para que você acerte a questão acima. Basta saber que a imunidade tributária é definida apenas em norma constitucional. Portanto, lei complementar não pode instituir imunidades tributárias relativas ao ICMS ou a qualquer outro tributo. Questão errada. Questão 08 –FCC/TJ-PE-Titular de Serviços de Notas e de Registros/2013 A imunidade tributária a) pode vir definida em lei ou na Constituição Federal, mas nunca em decreto. b) para ser concedida depende de requerimento do interessado à autoridade administrativa competente. c) pode ser criada por lei do ente competente para instituir o tributo, podendo ser em caráter geral ou em caráter específico. d) é prevista na Constituição Federal, que fixa as hipóteses de incompetência para o ente instituir o tributo nas situações por ela definidas. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 11 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra e) é prevista na Constituição Federal, mas sua aplicação depende sempre de despacho de autoridade administrativa fiscal competente que reconheça a não incidência. Comentário: Alternativa A: A imunidade tributária apenas pode ser definida na Constituição Federal. Alternativa errada. Alternativa B: A imunidade não fica sujeita à deferimento por parte da autoridade administrativa. Alternativa errada. Alternativa C: Essa regra aplica-se à isenção, mas não à imunidade, visto que esta só pode ser definida na CF/88. Alternativa errada. Alternativa D: Realmente, a imunidade é prevista na Constituição Federal, fixando hipóteses de incompetência tributária para o ente instituir o tributo, ou seja, traça limites ao poder de tributar dos entes federativos. Alternativa correta. Alternativa E: Embora seja realmente prevista na CF, sua aplicação independe de despacho de autoridade administrativa. Alternativa errada. Gabarito: Letra D Questão 09 – FGV/TCM-SP-Agente de Fiscalização/2015 De acordo com o sistema constitucional tributário, a previsão de imunidade é: a) limitação à instituição de tributos estaduais e municipais, imposta pela União, através de lei complementar nacional; b) dispensa legal do pagamento do tributo ou penalidade pecuniária; c) modalidade especial de extinção do crédito tributário; d) não incidência qualificada pela lei; e) limitação constitucional aopoder de tributar. Comentário: Alternativa A: A imunidade constitui limitação ao poder de tributar, imposta única e exclusivamente pela Constituição Federal. Alternativa errada. Alternativa B: A dispensa legal do pagamento de tributo ou penalidade pecuniária denomina-se isenção e anistia, respectivamente. Alternativa errada. Alternativa C: A imunidade é uma forma de não incidência constitucionalmente qualificada, não se confundindo com modalidade de extinção do crédito tributário. Alternativa errada. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 12 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Alternativa D: A imunidade é uma forma de não incidência constitucionalmente qualificada, e não qualificada pela lei. Alternativa errada. Alternativa E: De fato, a imunidade tributária constitui limitação constitucional ao poder de tributar. Alternativa correta. Gabarito: Letra E 2 – ESPÉCIES DE IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS Neste tópico, abordaremos as principais imunidades de forma aprofundada, e mencionaremos as demais, previstas fora do Capítulo do Sistema Tributário Nacional, apenas para que você tenha conhecimento da existência delas. Ok? 2.1 – Imunidade Recíproca Mencionamos a imunidade recíproca em vários exemplos no estudo da classificação doutrinária das imunidades, certo? Por esse motivo, creio que vocês acabaram tendo uma noção do que se trata. Na verdade, tal imunidade – também denominada imunidade intergovernamental – existe para proteger a autonomia financeira dos entes federados e, consequentemente, o pacto federativo. Podemos afirmar, portanto, que ela configura uma cláusula pétrea, no entendimento da Suprema Corte (ADI 939). Como é viabilizada esta proteção que acabamos de dizer? Ora, de acordo com o art. 150, VI, a, da CF/88, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços uns dos outros. Você precisa estar atento ao fato de que a única espécie de tributo abrangida por esta imunidade são os impostos. Além disso, note que o conceito é ainda mais restrito: apenas os impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços foram alcançados pela imunidade recíproca. Para entender o assunto que vamos estudar, é necessário que você conheça o conceito de contribuinte de direito e contribuinte de fato. Esse tema toma relevância em situações nas quais as pessoas que arcam, de fato, com o ônus tributário não são as mesmas que recolhem o tributo ao erário. Isso ocorre nos denominados tributos indiretos. Imaginemos que determinado cidadão compra uma TV de LED em uma loja de eletrodomésticos. Sobre a incidência do ICMS nesta operação, a loja é Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 13 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra eleita pela lei como contribuinte, e é ela quem vai recolher tal imposto, correto? No entanto, quem sofre o ônus do tributo não é a loja, mas sim a pessoa física que adquiriu a TV. Isso ocorre, porque a loja simplesmente acrescenta o custo daquele tributo no valor da TV. Dessa forma, dizemos que contribuinte de direito é aquele eleito pela lei para recolher o tributo, e contribuinte de fato é o que arca realmente com o ônus do tributo. Entendido? Tudo isso será visto com maiores detalhes em outras aulas. O importante agora é que você saiba distinguir tais figuras, para entender com precisão o que será dito a seguir. Vejamos, então, como é o entendimento da Suprema Corte em relação à aplicabilidade da imunidade recíproca sobre os tributos indiretos: Ementa: TRIBUTÁRIO. ICMS. SERVIÇOS DE ENERGIA ELÉTRICA. MUNICÍPIO. CONTRIBUINTE DE FATO. IMUNIDADE RECÍPROCA. ART. 150, VI, A, DA CONSTITUIÇÃO. INAPLICABILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. I - A imunidade do art. 150, VI, a, da Constituição somente se aplica ao imposto incidente sobre serviço, patrimônio ou renda do próprio ente beneficiado, na qualidade de contribuinte de direito. II - Como o Município não é contribuinte de direito do ICMS relativo a serviços de energia elétrica, não tem o benefício da imunidade em questão, uma vez que esta não alcança o contribuinte de fato. Precedentes. III – Agravo regimental improvido. (STF, ARE 663.552-AgR/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Julgado em 28/02/2012) Para a Suprema Corte (ARE 663.552), a imunidade recíproca somente se aplica se o ente beneficiado estiver na condição de contribuinte de direito, não o alcançando como contribuinte de fato. Vejam que quem faz o recolhimento do tributo, relativo aos serviços de energia elétrica, são as próprias prestadoras de serviço, sendo elas denominadas contribuinte de direito. Por outro lado, a referida imunidade pode se aplicar em operações de importação de bens, quando o ente federado for o importador. Neste caso, perceba que há a identidade do contribuinte de fato e do contribuinte de direito, não havendo transferência do ônus tributário (STF, AI 518.405-AgR). Além destas situações, podemos acrescentar que o STF (AI AgR/RS 174.808 e RE 196.415/PR) já considerou ilegítima a incidência de IOF sobre aplicações financeiras dos entes federados, bem como a tributação da renda resultante de tais aplicações pelo IR. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 14 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra O reconhecimento da imunidade tributária às operações financeiras não impede a autoridade fiscal de examinar a correção do procedimento adotado pela entidade imune. Constatado desvio de finalidade, a autoridade fiscal tem o poder-dever de constituir o crédito tributário e de tomar as demais medidas legais cabíveis (STF, RE 259.976-AgR). Para fins de provas, é interessante visualizarmos toda a emenda deste julgado, conforme se transcreve abaixo: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROPÓSITO MODIFICATIVO. EXCEPCIONALIDADE AUSENTE. ALEGADA CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. ACÓRDÃO QUE TOMA COMO PREMISSA A VINCULAÇÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA À ATIVIDADE ESSENCIAL DA ENTIDADE PROTEGIDA. APLICAÇÃO AO PRODUTO DE OPERAÇÕES FINANCEIRAS PARA AFASTAR O IOF. 1. Conforme assentado em uma série de precedentes e no próprio acórdão embargado, a imunidade tributária é indiferente à integral gratuidade dos serviços prestados e abarca os meios de existência da entidade, ainda que inconfundíveis com a respectiva atuação institucional. 2. O benefício não será aplicável, dentre outros motivos, se ficar constatado (i) desvio de finalidade ou (ii) risco à concorrência e à livre iniciativa. 3. Tanto a decisão agravada como o acórdão recorrido indicaram explicitamente que as razões de recurso extraordinário basearam-se em meras presunções, que não são toleradas à luz do devido processo legal de constituição do crédito tributário. (...) (STF, RE 259.976 AgR-ED/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Joaquim Barbosa, Julgado em 19/10/2010) Observação: O caso concreto se referia à imunidade recíproca extensiva à OAB. Ainda hoje estudaremos mais detalhes sobre esta situação. Ressalte-se ainda que, para o STF (ADI 2.024 e RE 364.202/RS, respectivamente), a imunidade recíproca não pode ser invocada para as contribuições previdenciárias e para as taxas. Sendo assim, por exemplo, uma repartição federal poderia estar sujeita a pagar taxa pela coleta de lixo. Até aqui vimos a aplicabilidade da imunidade recíproca aos entes federados. No entanto, há que se lembrar de que esta limitação constitucional ao poder de tributar é extensiva a outras pessoas jurídicas, de acordocom o art. 150, § 2°, da CF/88, a seguir transcrito: “Art. 150: (...) Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 15 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra § 2º - A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.” A citada extensão é denominada “imunidade tributária recíproca extensiva” por parcela da doutrina . Note que há uma restrição neste parágrafo, que é a necessidade de que o patrimônio, a renda e os serviços das referidas entidades estejam vinculados às finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Perceba ainda que esta restrição não foi feita em relação aos entes políticos, como demonstra a ementa do seguinte julgado: "O julgado recorrido contempla a conclusão de que a União não está condicionada ao ônus de comprovar vinculação do bem tributado a uma finalidade pública, o que somente ocorre nos casos das autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo poder público no que se refere à tributação do patrimônio, renda e serviços vinculados a suas finalidades essenciais. (...)” (STF, RE 635.012/RJ, Decisão Monocrática, Rel. Min. Dias Toffoli, Julgado em 07/02/2013) De qualquer modo, é interessante destacar a jurisprudência do STJ, no sentido de que há presunção de que os imóveis pertencentes às entidades autárquicas se destinam aos seus fins institucionais: PROCESSUAL CIVIL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. IPTU. PRESUNÇÃO DE QUE O IMÓVEL SE DESTINA AOS FINS INSTITUCIONAIS DA ENTIDADE AUTÁRQUICA. ÔNUS DA PROVA EM CONTRÁRIO. INCUMBÊNCIA DO PODER TRIBUTANTE. 1. Conforme a jurisprudência dominante do STJ, presume-se que o imóvel de entidade autárquica esteja afetado a destinação compatível com seus objetivos e finalidades institucionais. Portanto, o ônus de provar que o patrimônio da autarquia está desvinculado dos seus objetivos institucionais e, portanto, não abrangido pela imunidade tributária prevista no art. 150 da Constituição, recai sobre o poder tributante. Com efeito, assim como cabe ao executado- embargante o ônus da prova de sua pretensão desconstitutiva, incumbe ao embargado, réu no processo de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Precedentes citados. 2. Recurso especial não provido. (STJ, Segunda Turma, REsp 1.335.220/RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Julgamento em 21/08/2012) Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 16 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Para o STJ, o ônus de provar que o patrimônio da autarquia está desvinculado dos seus objetivos institucionais é do ente tributante. Destaque-se que, muito embora o texto constitucional restrinja a aplicação desta imunidade às autarquias e às fundações públicas, o entendimento predominante no STF (RE 407.099/RS e AC 1.550-2) é o de que a benesse é extensível também às empresas públicas (EP) e às sociedades de economia mista (SEM) prestadoras de serviço público de prestação obrigatória e exclusiva do Estado. A princípio, você poderia pensar que isso seria proibido pelo art. 173, § 2°, da CF/88, segundo o qual “as empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado”. Contudo, o que deve ser considerado é que existem dois tipos de EP e SEM, isto é, há aquelas exploradoras de atividade econômicas (sujeitas ao art. 173, da CF/88) e há as prestadoras de serviços públicos (sujeitas ao art. 175, da CF/88). As únicas abrangidas pela imunidade recíproca são as prestadoras de serviço público. Nesse sentido, o STF já concedeu imunidade às seguintes EP e SEM: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) – (STF, RE 407.099); Infraero – (STF, RE 524.615-AgR); Companhia de Águas e Esgoto de Rondônia (CAERD) – (STF, AC 1.550-2/RO); Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) – (STF, RE 253.472) Casa da Moeda do Brasil (CMB) – (STF, RE 610.517) Observação: Em 2014, tivemos mais três decisões favoráveis à imunidade gozada pela ECT. Senão, vejamos: Em 15/10/2014, o STF reconheceu a imunidade relativa ao IPTU incidente sobre imóveis de propriedade da ECT, bem assim os por ela utilizados. Em 12/11/2014, o Plenário do STF decidiu que não incide o ICMS sobre o serviço de transporte de bens e mercadorias realizado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT. Em 26/11/2014, a Suprema Corte (ACO 879/PB) reafirmou sua jurisprudência a respeito da imunidade tributária relativa ao IPVA, gozada pela ECT. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 17 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Além dos casos acima citados, o entendimento do STF (RE 580.264/RS) tem sido o de que “as sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços de saúde, cujo capital social seja majoritariamente estatal, gozam da imunidade tributária prevista na alínea a do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal”. Na direção oposta do que vimos, o STF (RE 285.716-AgR) negou à Petrobrás, sociedade de economia mista destinada à exploração econômica em benefício de seus acionistas, a imunidade recíproca. De acordo com a Suprema Corte, “é irrelevante para definição da aplicabilidade da imunidade tributária recíproca a circunstância de a atividade desempenhada estar ou não sujeita a monopólio estatal”. Dessa forma, podemos memorizar que o fato de a atividade estar sujeita a monopólio estatal não traz como consequência a aplicação de imunidade. Ressalte-se que a OAB – entidade não integrante da administração pública indireta – também foi alcançada pela imunidade recíproca, no entendimento do STF (RE 259.976-AgR). De acordo com a Suprema Corte, a OAB desempenha atividade própria de Estado, motivo que faz com que ela também esteja imune. No entanto, o fato de a OAB estar inserida no seleto rol de entidades abrangidas pela imunidade recíproca, não faz com que a Caixa de Assistência dos Advogados, mesmo integrando a estrutura da OAB, esteja imune. Isto ocorre porque a atividade da Caixa de Assistência dos Advogados tem sua área de atuação voltada aos benefícios individuais dos associados (STF, RE 662.816/BA- AgR). A OAB é imune, mas a Caixa de Assistência dos Advogados não é! No que se refere à delegação de serviços públicos (prestação por particulares), cumpre destacar que se o patrimônio pertencer a um ente federado, independentemente de estar ocupado por empresa delegatária de serviços públicos, continua imune à tributação (STF, RE 253.394/SP). Contudo, a atividade delegada em si, caso seja exercida com intuito lucrativo, não há que se falar em imunidade. É o caso, por exemplo, dos serviços de registros públicos, cartorários e notariais, que, por terem intuito lucrativo e serem devidamente remunerados, não estão imunes (STF, ADI 3.089). Por conta desse entendimento, faz-se necessário transcrever trecho do voto do Min. Joaquim Barbosa, no julgamento da ADI 3.089: Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 18 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra “Nesse sentido, tanto os objetivos como os objetivos como os efeitos do reconhecimento da aplicação da imunidade recíproca são passíveis de submissão ao crivo jurisdicional,em um exame de ponderação e proporcionalidade não bastando a constatação objetiva de natureza pública do serviço que se está a tributar.” (Trecho do Voto do Min. Joaquim Barbosa) (STF, ADI 3.089/DF, Pleno, Rel. Min. carlos Britto, Julgado em 13/02/2008) O simples fato de o serviço ter natureza pública não basta para ficar caracterizada a imunidade! Para concluir o tema, precisamos estudar a última norma que versa sobre a imunidade recíproca, que é o § 3° do art. 150, que diz o seguinte: “Art. 150: (...) § 3º - As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel.” Uma leitura atenta do dispositivo permite inferir que há duas hipóteses que escapam da abrangência da imunidade recíproca. A primeira diz respeito a quando o patrimônio, a renda e os serviços são utilizados para exploração de atividades econômicas em concorrência com os empreendimentos privados. O que se deve ficar atento é ao motivo que fez o legislador constituinte inserir esta exceção, que é o fato de não permitir que haja concorrência desleal. Ou seja, seria injusto que determinadas entidades utilizassem da imunidade para concorrer no mercado, certo? Essa vedação é aplicável aos entes de direito público, pois as EP e SEM já possuem vedação própria no art. 173, § 2°. Há que se destacar que o STF (RE 242.827) já decidiu que a imunidade recíproca extensiva alcança o INCRA – autarquia federal -, desobrigando-o de pagar ICMS sobre a exploração de unidade Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 19 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra agroindustrial. No entendimento do tribunal, a exploração é ocasional e está inserida no âmbito de sua destinação social. Trata-se de um caso muito específico, mas é bom que você saiba que o STF assim já se posicionou. A segunda hipótese afirma que a imunidade recíproca não exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. A situação se refere a quando uma pessoa particular (promitente comprador) assina um contrato de compra e venda, adquirindo um imóvel de um ente imune. Lembre-se de que a mera assinatura do contrato não transfere a propriedade do bem, mas o comprador passa a ter sobre o bem o direito real de aquisição de coisa alheia, bastando, segundo a CF/88, para ser tributado normalmente. Nesse contexto, o STF já sumulou o seguinte entendimento: Súmula STF 583 - Promitente-comprador de imóvel residencial transcrito em nome de autarquia é contribuinte do imposto predial territorial urbano. Vamos esquematizar isso que vimos: Questão 10 – CESPE/TCE-RN-Auditor/2015 Há entendimento do STF segundo o qual é extensível, em alguns casos, a imunidade recíproca às empresas públicas, sob o argumento central de que elas reinvestem seus ganhos ou lucros na própria atividade-fim. IMUNIDADE RECÍRPOCA Impostos Patrimônio Renda Serviços Extensiva a autarquias e fundações públicas Vinculação a finalidades essenciais EP e SEM prestadoras de serviço público Não se aplica: Taxas Contr. Previd. Não se aplica: - Explor. Ativ. Econ. - Contrib. De fato - Caixa Assist. Adv. - Serv. Cartoriais d Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 20 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Comentário: O argumento central utilizado pelo STF para estender a imunidade recíproca às empresas públicas é o de que prestam serviços de caráter obrigatório e exclusivo de Estado. Questão errada. Questão 11 – CESPE/CGE-PI-Auditor Governamental/2015 A imunidade recíproca entre os entes tributantes estabelece a vedação da cobrança de impostos e taxas entre a União, os estados, o Distrito Federal (DF) e os municípios. Comentário: A imunidade recíproca se restringe aos impostos, não alcançando as taxas. Questão errada. Questão 12 – CESPE/PROCURADOR-MP-TCDF/2013 O princípio da imunidade recíproca, mediante o qual é vedado à União, aos estados, ao DF e aos municípios instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços uns dos outros, é extensivo às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo poder público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Comentário: Trata-se da imunidade recíproca extensiva, prevista no art. 150, § 2º, da CF/88, alcançando as autarquias e as fundações instituídas e mantidas pelo poder público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Questão correta. Questão 13 – CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2013 A imunidade tributária recíproca é princípio garantidor da Federação, motivo pelo qual não pode ser restringida nem mesmo por emenda constitucional. Comentário: Conforme estudamos, a imunidade recíproca constitui cláusula pétrea. Por esse motivo, não é possível haver proposta de emenda constitucional com o objetivo de abolir ou restringir tal princípio. Questão correta. Questão 14 – CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2013 A imunidade tributária recíproca é princípio garantidor da Federação, motivo pelo qual não pode ser restringida nem mesmo por emenda constitucional. Comentário: A imunidade recíproca é considerada cláusula pétrea por proteger a autonomia dos entes federados e, consequentemente, a Federação. 8 Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 21 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Portanto, podemos dizer que não pode ser restringida nem mesmo por emenda constitucional. Questão correta. Questão 15 – CESPE/JUIZ-TJ-MA/2013 O princípio da imunidade tributária recíproca não pode, à luz do posicionamento firmado pelo STF, ser invocado na hipótese de contribuições previdenciárias. Comentário: A imunidade recíproca é aplicável aos impostos, não podendo ser invocado na hipótese de contribuições previdenciárias. Questão correta. Questão 16 – CESPE/JUIZ-TJ-MA/2013 O princípio da imunidade tributária recíproca não pode, à luz do posicionamento firmado pelo STF, ser invocado na hipótese de contribuições previdenciárias. Comentário: Questão bem tranquila. A imunidade recíproca não se aplica às contribuições previdenciárias. Questão correta. Questão 17 – CESPE/JUIZ-TJ-PA/2012 O princípio da imunidade recíproca, que veda à União, aos estados, ao DF e aos municípios instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços uns dos outros, não se aplica aos entes que compõem a administração indireta, como autarquias e fundações públicas. Comentário: A imunidade recíproca é extensiva às autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo poder público, observadas as condições previstas no art. 150, § 2º, da CF/88. Questão errada. Questão 18 – CESPE/JUIZ-TJ-CE/2012 Como a imunidade recíproca está inserida entre as denominadas imunidades genéricas, pode o legislador constituinte derivado afastar a aplicação desse instituto em determinada hipótese. Comentário: De fato, a imunidade recíproca é considerada genérica, mas essa característica não concede ao constituinte derivado (pela via da emenda constitucional) o poder de afastar a imunidade, haja vista ser consideradacláusula pétrea. Questão errada. 5 Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 22 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Questão 19 – CESPE/PROMOTOR-MP-PI/2012 Em razão do princípio da imunidade recíproca, é vedado à União, aos estados, ao DF e aos municípios instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços uns dos outros, inclusive quando houver contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário. Comentário: Consoante o disposto no art. 150, § 3º, da CF/88, a imunidade recíproca não se aplica ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário. Sendo assim, a questão está errada. Questão 20 – CESPE/JUIZ FEDERAL-1ª REGIÃO/2009 Considerando que um estado da Federação possua dois imóveis, um para abrigar um gerador de energia e outro que é a residência oficial do governador, assinale a opção correta. a) O imóvel que abriga o gerador de energia estará imune ao pagamento de imposto, caso sirva para propiciar luz à residência oficial do governador. b) A residência oficial será imune ao pagamento de imposto somente se estiver situada em área residencial e urbana. c) Se não for finalidade essencial do estado fornecer moradia para o governador, pode ser cobrado IPTU do imóvel residencial. d) Haverá imunidade recíproca do imóvel que abriga o gerador, caso este seja utilizado para abastecer parte da cidade e seja cobrado tributo para isso. e) Se a residência oficial for vendida, o comprador estará imune ao pagamento do imposto de transferência de sua propriedade. Comentário: Alternativa A: Se o imóvel que abriga o gerador de energia está servindo para propiciar luz à residência oficial do governador, certamente estará imune ao pagamento de IPTU. Alternativa correta. Alternativa B: Não importa se a residência está situada em área residencial ou comercial, urbana ou rural. De qualquer modo, a imunidade subsiste. Alternativa errada. Alternativa C: O ente federativo não está vinculado a destinar o imóvel ao cumprimento de sua finalidade essencial como condição para usufruir da imunidade, já que tal restrição somente se aplica às autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. Alternativa errada. Alternativa D: Não há necessidade que o gerador abasteça a cidade, e muito menos que seja cobrado tributo em razão do fornecimento de energia. Alternativa errada. d Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 23 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Alternativa E: Em caso de alienação do imóvel em que esteja situada a residência oficial do governador, o comprador não estará imune, devendo realizar o pagamento do imposto devido em face da transferência da propriedade do referido bem. Alternativa errada. Gabarito: Letra A Questão 21 – FCC/ICMS-PE/2014 Os serviços notariais e de registro, por serem exercidos em caráter público, por delegação do Poder Público, sujeitam-se à imunidade tributária recíproca. Comentário: O STF já decidiu que os serviços de registros públicos, cartorários e notariais, que, por terem intuito lucrativo e serem devidamente remunerados, não estão imunes. Questão errada. Questão 22 – FCC/ICMS-PE/2014 A sociedade de economia mista prestadora de serviço público de água e esgoto não é abrangida pela imunidade tributária recíproca. Comentário: O STF já se manifestou no sentido da extensão da imunidade tributária recíproca às sociedades de economia mista prestadora de serviços públicos. Assim, já foi concedida imunidade para a CAERD (Companhia de Águas e Esgoto de Rondônia), uma sociedade de economia mista prestadora de serviço público de água e esgoto. Questão errada. Questão 23 – FCC/ICMS-PE/2014 As sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços de saúde, ainda que seu capital social seja majoritariamente estatal, não gozam da imunidade tributária recíproca. Comentário: O STF já decidiu que as sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços de saúde, cujo capital social seja majoritariamente estatal, gozam da imunidade tributária prevista na alínea a do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Questão errada. Questão 24 – FCC/TRT-16ª Região – Analista Judiciário/2014 Facundo, Auditor Fiscal da Receita Federal, pretende multar a Fundação “Vida e Paz”, fundação instituída e mantida pelo Poder Público, haja vista que a mesma jamais pagou imposto sobre seu patrimônio, renda e serviços. Nesse caso, b Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 24 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra a) Facundo apenas pode cobrar tributo pelos serviços exercidos pela fundação, mas não sobre a renda e o patrimônio, os quais detém imunidade tributária. b) correta a postura de Facundo, vez que a citada fundação não detém imunidade tributária. c) correta a postura de Facundo, pois apenas as autarquias possuem imunidade tributária. d) incorreta a postura de Facundo, vez que a fundação possui imunidade tributária relativa aos impostos sobre seu patrimônio, renda e serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou as delas decorrentes. e) Facundo apenas pode cobrar tributo sobre a renda da fundação, mas não sobre seus serviços e patrimônio, os quais detém imunidade tributária. Comentário: Sabemos que a imunidade recíproca foi estendida às autarquias às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes, conforme determina o art. 150, § 2º, da CF/88. Portanto, Facundo não pode multar a referida fundação, sob o fundamento de que tal entidade jamais pagou imposto sobre seu patrimônio, renda e serviços. Gabarito: Letra D Questão 25 – FCC/ICMS-SP/2013 A imunidade tributária recíproca é aplicável às autarquias e empresas públicas que prestem inequívoco serviço público, desde que distribuam lucros e tenham por objetivo principal conceder acréscimo patrimonial ao poder público. Comentário: Não existe tal regra na CF/88 e nem mesmo na jurisprudência do STF, no sentido de que condicionar a concessão de imunidade à distribuição de lucros. Questão errada. Questão 26 – FCC/ICMS-SP/2013 É uma das limitações constitucionais do poder de tributar a imunidade recíproca entre os Entes da Federação - União, Estados, Distrito Federal e Municípios que garante a isonomia na distribuição de receitas tributárias. Comentário: Não se nega que a imunidade recíproca seja uma limitação constitucional ao poder de tributar. Contudo, não tem por objetivo garantir a isonomia na distribuição de receitas tributárias, mas sim proteger o pacto federativo, preservando a autonomia financeira dos entes federados. Questão errada. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 25 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Questão 27 – ESAF/MPOG-APO/2015 Compete à União instituir imposto sobre a renda e os proventos de qualquer natureza das autarquias e fundações públicas estaduais. Comentário: As autarquias e fundações públicas, ainda que estaduais, fazem jus à imunidade recíproca em relação aos impostos incidentes sobre a sua renda, conforme estabelece o art. 150, §2º. Questão errada. Questão 28 – ESAF/MPOG-APO/2015 Dentre as imunidades tributárias figura o impedimento à instituição de impostos por uma pessoa jurídica de direito público sobre o patrimônio, renda ou serviços de outras pessoas jurídicas de direito público. Comentário: Esta é a própria definição da imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, “a”, da CF/88. Questão correta. Questão 29 – ESAF/ATRFB/2012-Adaptada É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios cobrar imposto sobre o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros. Isso, em tese, impede à lei de um Município atribuir à União a condição de responsável pela retenção na fonte do imposto sobre serviços. Comentário: A obrigação de reter na fonte o imposto sobre serviços constitui obrigação acessória. Ainda que a União seja imune aos impostos sobre o patrimônio, a renda ou os serviços dos demais entes, subsiste a referida obrigação. Questão errada. Questão 30 – ESAF/ACE-MDIC/2012 Sobre a imunidade recíproca, que é a vedação constitucional à instituição e cobrança, por parte das pessoas políticas tributantes, de impostos sobre Patrimônio, renda e serviços uns dos outros, podem afirmar que: a) a imunidade tributária gozada pela Ordem dos Advogados do Brasil não é da espécie recíproca, na medida em que a OAB desempenha atividade própria de Estado. b) no caso de sociedades de economia mista controladas pela União, é relevante para definição da aplicabilidade da imunidade tributária recíproca a circunstância de a atividade desempenhada pela empresa estar ou não sujeita a monopólio estatal. c) a imunidade tributária recíproca não é extensiva às autarquias, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 26 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra d) as sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços de saúde, cujo capital social seja majoritariamente estatal, gozam da imunidade tributária recíproca. e) a imunidade tributária recíproca aplica-se, inclusive, às taxas. Comentário: Alternativa A: Foi justamente pelo fato de desempenhar atividade própria de Estado que fez com que o STF estendesse a imunidade recíproca à OAB. Item errado. Alternativa B: De acordo com a Suprema Corte, é irrelevante a circunstância de a atividade desempenhada estar ou não sujeita a monopólio estatal, para fins de aplicação da imunidade recíproca. Item errado. Alternativa C: Conforme prevê o art. 150, § 2º, da CF/88, a imunidade recíproca é extensiva às autarquias e às fundações públicas instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Item errado. Alternativa D: O posicionamento do STF é o de que as sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços de saúde, cujo capital social seja majoritariamente estatal, gozam da imunidade recíproca. Item correto. Alternativa E: De acordo com o texto constitucional, a imunidade recíproca somente se aplica aos impostos. O STF já decidiu expressamente que não se estende às taxas, nem mesmo às contribuições previdenciárias. Item errado. Gabarito: Letra D Questão 31 - FGV/ISS-Cuiabá/2014 Pretendendo adquirir, no mercado doméstico, caminhões para uso em serviço, o Município de Cuiabá pede ao Estado de Mato Grosso que afaste a incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nessa operação específica. Assinale a solução juridicamente adequada a ser dada ao caso exposto. a) O Estado deve acolher o pleito mediante prova cabal de que os veículos serão mesmo empregados em atividades inerentes às atribuições do Município, pois, mesmo inexistindo lei estadual nesse sentido, o caso é de isenção de tributos. b) O Estado deve acolher o pleito mediante prova cabal de que os veículos serão mesmo empregados em atividades inerentes às atribuições do Município, pois o caso é de imunidade de tributos. c) O Estado poderá acolher o pleito mediante decisão administrativa afastando a incidência do ICMS ao caso. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 27 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra d) O Estado não poderá acolher o pleito, ainda que os caminhões sejam mesmo empregados em atividades inerentes às atribuições do Município, pois é vedada a concessão de tratamento tributário diferenciado a entidades públicas que explorem a atividade econômica. e) O Estado não poderá acolher o pleito, pois a imunidade não favorece o Município neste caso concreto, já que ele é apenas o contribuinte de fato, e não o contribuinte de direito. Comentário: Esta questão cobra a jurisprudência do STF, no sentido de que a imunidade recíproca, em se tratando de tributos indiretos (como o ICMS), somente se aplica aos casos em que o ente imune está na condição de contribuinte de direito, e não na condição de contribuinte de fato, como foi apresentado no enunciado desta questão. Portanto, o Estado não pode acolher tal pleito, razão pela qual a alternativa correta é a Letra E. Gabarito: Letra E 2.2 – Imunidade Religiosa O art. 150, VI, b, da CF/88 veda que todos os entes federativos cobrem impostos sobre os templos de qualquer culto. Levando em consideração o disposto no art. 5°, VI, da CF/88, podemos dizer que a liberdade de culto é um direito individual, o que faz com que a imunidade ora analisada se configure uma cláusula pétrea. Verifica-se também que, pelo fato de o Brasil ser um país laico, a imunidade religiosa alcança todas as religiões, sem qualquer distinção. A imunidade religiosa é incondicionada! Grave isso! Há que se ressaltar, nesse contexto, que, da mesma forma como ocorre com as demais imunidades inseridas no art. 150, VI, da Magna Carta, a imunidade religiosa somente alcança os impostos, não sendo extensiva, no entendimento do STF (RE 129.930), às contribuições sindicais. Ainda seguindo o raciocínio do STF (RE 325.822), embora o texto constitucional mencione que a imunidade protege os “templos”, devemos entender que o legislador constituinte quis dizer que a vedação abrange também o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais da entidade religiosa. Neste rumo, ainda que um imóvel pertencente a determinada entidade religiosa encontre-se alugado para terceiros, a imunidade Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 28 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra subsiste, pois embora a atividade exercida não esteja de acordo com o disposto no art. 150, § 4°, da CF/88, para o STF, basta que os recursos gerados estejam sendo vertidos para as finalidades essenciais de tais entidades. Ademais, a Suprema Corte (RE 578.562), dando entendimento extensivo à imunidade religiosa, entende que os cemitérios que consubstanciam extensões destas entidades também são alcançados pela vedação constitucional em tela. Perceba que não são todos os cemitérios que estão abrangidos pela imunidade, mas apenas aqueles que são, de fato, mera extensão da entidade religiosa. Por fim, cabe-nos ressaltar a decisão do STF (RE 562.351) no sentido de que a maçonaria não é alcançada pela imunidade religiosa, já que nas lojas maçônicas não se professa qualquer religião. Vamos ao nosso esquema: Questão 32 – CESPE/Juiz-TJ-CE/2012 Ao interpretar o dispositivo constitucional queveda a instituição de imposto sobre templos de qualquer culto, o STF entende que a imunidade limita-se aos prédios destinados ao culto. IMUNIDADE RELIGIOSA Impostos Patrimônio Renda Serviços Alcança Imóveis Alugados a Terceiros Relacionados com finalidades essenciais RECURSOS GERADOS Cemitérios (Extensão) Não se aplica: Maçonaria Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 29 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Comentário: Como vimos, o entendimento do STF é o de que a imunidade religiosa alcança também o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades religiosas. Questão errada. Questão 33 – CESPE/JUIZ-TJ-PA/2012 Em razão da imunidade constitucional conferida aos templos de qualquer culto, os entes federativos são impedidos de cobrar ou instituir taxas e impostos sobre o patrimônio e os serviços relacionados com as finalidades essenciais dos templos, mas não sobre as rendas decorrentes das contribuições dos fiéis. Comentário: Em primeiro lugar, a imunidade diz respeito aos impostos, e não às taxas. Em segundo, a imunidade compreende os impostos sobre o patrimônio, serviços e rendas relacionados com as finalidades essenciais dos templos, conforme art. 150, VI, b, c/c art. 150, § 4º, da CF/88. Questão errada. Questão 34 – CESPE/JUIZ-TJ-ES/2011 A CF confere benefício de isenção tributária aos templos religiosos, ou seja, sobre eles é conferida, pela ordem constitucional, exoneração de obrigação de pagar tributos. Comentário: O que a CF/88 confere é imunidade, e não isenção. Outrossim, o benefício é extensível apenas aos impostos, e não de forma generalizada aos tributos. Questão errada. Questão 35 – CESPE/Delegado/RN/2009 Os cemitérios que consubstanciam extensões de entidades de cunho religioso não estão abrangidos pela imunidade tributária prevista na CF, uma vez que as normas que tratam de renúncia fiscal devem ser interpretadas restritivamente. Comentário: O STF entende que os cemitérios que consubstanciam extensões destas entidades também são alcançados pela vedação constitucional em tela. Questão errada. Questão 36 – FCC/TJ-PE-Juiz/2013 A imunidade sobre o templo de qualquer culto apenas alcança os impostos, sendo devidas, portanto, as taxas e contribuição de melhoria incidentes sobre o imóvel destinado ao templo. Comentário: De fato, a imunidade religiosa (sobre templos de qualquer culto) alcança tão somente os impostos, sendo devidas as taxas e contribuições de melhoria incidentes sobre as entidades religiosas. Questão correta. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 30 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Questão 37 – FCC/ICMS-SP/2013 É uma das limitações constitucionais do poder de tributar a imunidade aos impostos, taxas e contribuições de melhoria dos templos de qualquer culto. Comentário: A imunidade religiosa restringe-se apenas aos impostos, não alcançando as taxas e contribuições de melhoria. Questão errada. Questão 38 – ESAF/MPOG-APO/2015 Dentre as imunidades tributárias figura o impedimento à instituição de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais dos templos de qualquer culto. Comentário: Trata-se da imunidade religiosa, prevista no art. 150, VI, “b”, da CF/88. Questão correta. 2.3 Imunidade dos Partidos Políticos, Entidades Sindicais dos Trabalhadores, Instituições de Educação e de Assistência Social De acordo com o art. 150, VI, c, da CF/88, é vedado a todos os entes políticos cobrar impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços dos partidos políticos e suas fundações, dos sindicatos de trabalhadores e das instituições de educação e assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. O art. 150, VI, “c”, trata da imunidade de várias entidades. Qual é a extensão dos termos “sem fins lucrativos” e “atendidos os requisitos da lei”? De acordo com Regina Helena Costa3: sem fins lucrativos “Requisito a ser preenchido tão somente pelas instituições de educação e assistência social, uma vez que os partidos políticos e suas fundações, bem como as entidades sindicais de trabalhadores, são entes que, por sua própria natureza, não objetivam 3 COSTA, Regina Helena. Curso de direito tributário: Constituição e Código Tributário Nacional. 4ª Edição. 2014. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 31 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra lucro.” atendidos os requisitos da lei “Aplicável a todas as pessoas nele mencionadas.” Somente sindicatos de trabalhadores estão abrangidos pela imunidade. Os sindicatos dos empregadores ou de setores (ou categorias) econômicos não estão. O que nos chama a atenção – e por tal motivo eu o negritei – é o fato de a norma constitucional exigir a edição de uma lei, para que as instituições de educação e assistência social gozem da referida imunidade. Além disso, seria uma lei ordinária ou complementar? Para dirimir as dúvidas, será necessário recorrer ao entendimento do STF acerca do assunto, conforme vemos a seguir (grifos nossos): “Conforme precedente no STF (RE 93.770, Muñoz, RTJ 102/304) e na linha da melhor doutrina, o que a Constituição remete à lei ordinária, no tocante à imunidade tributária considerada, é a fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune; não, o que diga respeito aos lindes da imunidade, que, quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional, ficou reservado à lei complementar.” (STF, ADI-MC 1.802/DF, Plenário, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento em 27/08/1988) Perceba que, quando uma lei for fixar normas sobre a constituição e o funcionamento das referidas entidades, basta que se edite uma lei ordinária. É o que ocorreu com a edição da Lei 9.532/97, estabelecendo diversas regras relacionadas às entidades objeto da imunidade. No julgamento acima, o STF teve a oportunidade de analisar os requisitos previstos no § 2º, do art. 12, desta norma, e decidiu que a maioria deles se referiam à constituição e funcionamento dessas entidades, podendo, pois, serem regulados pela via de lei ordinária. Observação: De acordo com o art. 146, II, da CF/88, é necessária a edição de lei complementar para regular tais limitações ao poder de tributar. Outra pergunta pertinente seria qual lei complementar cumpre com esse papel? Ora, trata-se de uma lei muito conhecida por nós (ou que ainda o será), que é o CTN. Em seu art. 14, a Lei 5.172/66 elenca os requisitos para que as já mencionadas entidades gozem da imunidade: Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 32 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra “Art. 14 – (...) I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.” Na falta de cumprimento destes requisitos, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício da imunidade tributária, conforme preconiza o art. 14, § 1°. Perceba que, ao lermos na CF/88 quetais entidades não podem ter fins lucrativos, não quer dizer que elas não podem obter resultado financeiro positivo, pois isso é essencial para que qualquer entidade se desenvolva. No entanto, o que é vedado pelo CTN é que haja distribuição de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título, inclusive aos sócios, gerentes etc. Também não se pode confundir a repartição de lucros com a justa remuneração de seus colaboradores pelos trabalhos desenvolvidos na entidade. Isso é permitido. Outro ponto a ser discutido em nosso curso, de suma importância para o conhecimento amplo da imunidade estudada, é a restrição de que somente o patrimônio, a renda e os serviços vinculados às finalidades essenciais da entidade estarão imunes aos impostos sobre eles incidentes. Trata- se, pois, da mesma restrição feita à imunidade religiosa, disposta no art. 150, § 4°, da CF/88. Repare que a imunidade religiosa não se submete às restrições do art. 14 do CTN. Vale ressaltar que, da mesma forma como tem ocorrido com a imunidade religiosa, o STF tem sido bastante flexível na análise da vinculação asseverada na CF. Nesse sentido, vamos citar, a partir de agora, alguns julgados, da própria Corte, que já foram ou que há grandes chances de serem cobrados em prova. Portanto, atenção total! Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 33 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Súmula Vinculante 52 - Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas. Observação: Esta súmula vinculante possui a mesma redação da Súmula 724 do STF. Isso significa que já se tratava de entendimento pacífico no STF. A distinção é que, a partir da sua publicação, o posicionamento nela contido possui efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta. Semelhantemente ao que estudamos na imunidade religiosa, o STF também entende que se aplica a imunidade quando o imóvel, pertencente às entidades referidas no art. 150, VI, c, estiver alugado a terceiros. A única condição é que a renda gerada seja aplicada nas atividades essenciais das entidades. Além disso, de acordo com a mesma Corte (RE 144.900), são imunes os serviços não relacionados às finalidades essenciais das entidades, desde que a receita deles destine-se ao financiamento de tais finalidades. No caso concreto, foi considerado imune de ISS o serviço de estacionamento de veículos prestado por hospital em pátio interno. Vejamos a íntegra da ementa desse julgado: EMENTA: IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 150, VI, C, DA CONSTITUIÇÃO. INSTITUIÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. EXIGÊNCIA DE IMPOSTO SOBRE SERVIÇO CALCULADO SOBRE O PREÇO COBRADO EM ESTACIONAMENTO DE VEÍCULOS NO PÁTIO INTERNO DA ENTIDADE. Ilegitimidade. Eventual renda obtida pela instituição de assistência social mediante cobrança de estacionamento de veículos em área interna da entidade, destinada ao custeio das atividades desta, está abrangida pela imunidade prevista no dispositivo sob destaque. Precedente da Corte: RE 116.188-4. Recurso conhecido e provido. (STF, Primeira Turma, RE 144.900/SP, Rel. Min. Ilmar Galvão, Julgamento em 22/04/1997) Na esteira desse entendimento, também foi considerado imune do IPTU imóvel de propriedade de uma entidade beneficente, em cujas instalações era mantida uma livraria. A imunidade subsiste, neste caso, pois o que importa é que as rendas auferidas sejam revertidas para a manutenção de suas atividades institucionais. Sobre a renda destinada às finalidades essenciais, destaque-se que também já foi considerado imune pelo STF “a renda obtida pelo SESC na prestação de serviços de diversão pública, mediante a venda de ingressos de cinema ao público em geral”. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 34 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Para o STF, as escolas de ensino profissionalizante estão enquadradas no rol de entidades do art. 150, VI, c. Cite- se, como exemplo, o SENAC e o SENAI. Além disso, ainda que os imóveis estejam sendo utilizados como escritório e residência de membro da entidade, continuam imunes. Senão, vejamos: Instituições de educação e assistência social sem fins lucrativos (...). O fato de os imóveis estarem sendo utilizados como escritório e residência de membros da entidade não afasta a imunidade prevista no art. 150, VI, alínea c, § 4º, da CF." (STF, RE 221.395, Segunda Turma, Rel. Min. Marco Aurélio, Julgamento em 08/02/2000) Diferentemente do que acaba de ser visto, em 2010, a Segunda Turma do STF havia afastado a aplicação da imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, da CF/88, aos terrenos baldios sem vinculação às finalidades essenciais das entidades imunes. Contudo, em 2013, a Primeira Turma da Colenda Corte, de forma divergente, decidiu que a constatação de que imóvel vago ou sem edificação não seria suficiente, por si sóば, para destituir a garantia constitucional da imunidade tributária. A ementa do julgamento do RE 385.091/DF foi parcialmente transcrita abaixo: EMENTA: Imunidade. Entidade de assistência social. Artigo 150, VI, c, CF. Imóvel vago. Finalidades essenciais. Presunção. Ônus da prova. 1. A regra de imunidade compreende o reverso da atribuição de competência tributária. Isso porque a norma imunitória se traduz em um decote na regra de competência, determinando a não incidência da regra matriz nas áreas protegidas pelo beneplácito concedido pelo constituinte. (...) 3. No caso da imunidade das entidades beneficentes de assistência social, a Corte tem conferido interpretação extensiva à respectiva norma, ao passo que tem interpretado restritivamente as normas de isenção. (...) 5. A constatação de que um imóvel está vago ou sem edificação não é suficiente, por si só, para destituir a garantia constitucional da imunidade. A sua não utilização temporária deflagra uma neutralidade que não atenta contra os requisitos que autorizam o gozo e a fruição da imunidade. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 35 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra (STF, Primeira Turma, RE 385.091/DF, Min. Rel. Dias Toffoli, Julgamento em 06/08/2013) Certamente, essa divergência entre as turmas causa dúvidas no candidato sobre qual posicionamento levar para a prova. A orientação mais sensata é a de que seja seguido o mais recente julgamento, direcionado à manutenção da referida imunidade, em caso de imóvel vagos ou sem edificação. Ainda no que se refere à imunidade em tela, quando nossa análise recai sobre o ICMS (tributo indireto), há que se relembrar dos conceitos que já vimos sobre contribuinte de direito e de fato. Você se lembra, certo? Caso não tenha certeza, retorne ao tópico da imunidade recíproca e leia novamente. Vamos lá, então: “O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o RE 210.251 - EDv/SP, fixou entendimento segundo o qual as entidades de assistência social são imunes em relação ao ICMS incidente sobre a comercialização de bens por elas produzidos, nos termos do art. 150, VI, "c" da Constituição. Embargos de divergência conhecidos, mas improvidos.” (STF, RE 186.175 ED-EDv/SP, Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, Julgamento em 23/08/2006) Embora já tenha havido decisões em sentido contrário em ocasiõesanteriores, atualmente, o entendimento predominante no STF é o de que a imunidade das entidades de assistência social abrange o ICMS incidente sobre a comercialização de bens por elas produzidos. Esse posicionamento foi corroborado pelo STJ, no julgamento do RMS 46.170-MS, ao reafirmar que a jurisprudência do STF é firme no sentido de que a imunidade prevista no art. 150, VI, c, da CF também se aplica ao ICMS, desde que a atividade seja relacionada com as finalidades essenciais da entidade. Contudo, o STJ (RMS 46.170-MS, julgado em 23/10/2014) ressaltou que tal imunidade não se aplica em relação ao ICMS decorrente da prática econômica desenvolvida por entidade de assistência social sem fins lucrativos que tem por finalidade realizar ações que visem à promoção da pessoa com deficiência, quando desempenhar atividade franqueada da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Dessa forma, ainda que a renda obtida pela entidade seja revertida em prol de suas atividades essenciais, a imunidade em relação ao ICMS não pode ser concedida no caso, porquanto a atividade econômica fraqueada dos Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 36 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Correios foge dos fins institucionais da entidade, ou seja, o serviço prestado não possui relação com seus trabalhos na área de assistência social. Memorize para a prova: desempenho de atividade franqueada da ECT por entidade de assistência social sem fins lucrativos não a isenta do ICMS incidente sobre as operações. No que se refere à figura do contribuinte de fato (adquirente de mercadorias ou serviços), o entendimento do STF é o mesmo aplicável à imunidade recíproca (também visto nesta aula): EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. ICMS. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. IMUNIDADE RECÍPROCA. IMPOSSIBLIDADE. BENEFÍCIO DA IMUNIDADE NÃO ALCANÇA CONTRIBUINTE DE FATO. AGRAVO IMPROVIDO. I – Entidade educacional que não é contribuinte de direito do ICMS relativo a serviço de energia elétrica, não tem benefício da imunidade em questão, uma vez que esta não alcança o contribuinte de fato. (STF, AI 731.786-AgR/SC, Primeira Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Julgamento em 19/10/2010) Além de tais casos, devemos guardar que a imunidade prevista no art. 150, VI, c, da CF/88, também “abrange o Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados, que incidem sobre bens a serem utilizados na prestação de seus serviços específicos” (STF, RE 243.807). Destaque-se que tal imunidade estende-se ao Imposto sobre operações financeiras (IOF) (STF, RE 192.899-AgR): EMENTA: IOF. Imunidade tributária. Instituição de educação sem fins lucrativos. A imunidade tributária prevista no art. 150, VI, c, da Constituição, estende-se ao imposto sobre operações financeiras. Precedente: RE 230.128-AgR, 1ª T., 8.10.2002, Ellen Gracie, DJ 8.11.2002. (STF, RE 192.899/MG, Primeira Turma, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento em 20/06/2006) O ensino de línguas estrangeiras também caracteriza-se como atividade educacional para aplicação da imunidade tributária, consoante o entendimento firmado pelo STF no RMS 24.283. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 37 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra A cobrança de mensalidades pelas entidades educacionais não descaracteriza a imunidade, se não houver distribuição de rendas, lucro ou participação nos seus resultados. Com o intuito de finalizar este tópico, vamos discorrer agora sobre a possibilidade de as entidades fechadas de previdência social serem abrangidas pela imunidade ora em análise. Eis o posicionamento do STF para este assunto: Súmula STF 730 - A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, c, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. Nesse contexto, de acordo com a Suprema Corte, somente serão alcançadas pela imunidade conferida às entidades de assistência social as entidades fechadas de previdência social privada quando não houver contribuição dos beneficiários. As entidades fechadas de previdência social privada são aquelas criadas por certas organizações, com o intuito de complementar o valor que será pago de aposentadoria pelo INSS aos seus funcionários. Normalmente, a contribuição ocorre tanto parte do patrocinador (organização) como do beneficiário (empregado). Observe, entretanto, que a CF/88 não abarcou no art. 150, VI, c, as entidades de previdências, mas tão somente as de assistência social. Então, no entender do STF, somente se não houver contribuição dos beneficiários é que a entidade se caracterizará como assistencial, fazendo jus, assim, à imunidade. Outro ponto digno de nota é o que foi disposto no art. 202, § 3°, da CF/88, como vemos a seguir: “Art. 202 – (...) § 3º É vedado o aporte de recursos a entidade de previdência privada pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, suas autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista e outras entidades públicas, salvo na qualidade de patrocinador, situação na qual, em hipótese alguma, sua contribuição normal poderá exceder a do segurado.” O dispositivo menciona que os entes políticos e as entidades a eles vinculadas (administração indireta) somente contribuirão com entidades de Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 38 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra previdência privada na condição de patrocinadores, e, mesmo assim, as contribuições deles não podem exceder às dos segurados. Agora eu te pergunto: se as contribuições dos patrocinadores devem ser menores que a dos segurados, é porque sempre deve haver contribuições dos segurados, para que os entes públicos participem como patrocinadores, concorda? Fazendo uma relação, portanto, com o que acabamos de ver, não será possível que uma entidade tenha patrocinadores públicos e, ao mesmo tempo, goze da imunidade do art. 150, VI, c. Como de praxe nessa aula, vamos esquematizar a estudada imunidade (incluindo apenas o principal): Questão 39 – CESPE/JUIZ-TJ-CE/2012 A imunidade tributária conferida pela CF ao patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, às entidades sindicais dos trabalhadores, às instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, não se aplica aos imóveis alugados a terceiros, ainda que o valor deles decorrente seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades. Comentário: É fácil perceber o quanto a Súmula 724 do STF é cobrada em concursos, não é mesmo? A questão está errada. Questão 40 – CESPE/JUIZ-TJ-CE/2012 Está abrangida pela imunidade estabelecida na CF eventual renda que, obtida por instituição de assistência social mediante cobrança de estacionamento de veículos em área interna da entidade, destine-se ao custeio das atividades desta. IMUNIDADE Art. 150, VI, “c” Impostos Patrimônio Renda Serviços Partidos Políticos Sindicato Trab. Inst. Educacionais Inst. Assistenciais Abrange IOF Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 39 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Comentário: Se os recursos decorrentes da cobrança de estacionamento de veículosem área interna da entidade estão sendo utilizados para ao financiamento das finalidades essenciais da entidade, há imunidade. Questão correta. Questão 41 – CESPE/JUIZ-TJ-PA/2012 A imunidade tributária conferida pela CF a instituições de assistência social sem fins lucrativos somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se houver contribuição dos beneficiários. Comentário: Tal imunidade somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se NÃO houver contribuição dos beneficiários. Questão errada. Questão 42 – CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2011 A imunidade tributária conferida aos partidos políticos, às entidades sindicais dos trabalhadores e às instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, não abrange o imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou as relativas a títulos ou valores mobiliários. Comentário: De acordo com o que estudamos, a imunidade conferida aos partidos políticos, às entidades sindicais dos trabalhadores e às instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, abrange também o IOF - o imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou as relativas a títulos ou valores mobiliários. Portanto, questão errada. Questão 43 – CESPE/JUIZ-TJ-PA/2012 O imóvel pertencente a partido político permanece imune ao IPTU, ainda quando alugado a terceiros, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais dessa entidade. Comentário: No mesmo ano, o CESPE cobrou essa assertiva duas vezes. Na presente questão, a Súmula 724 foi transcrita, de forma que a questão está correta. Questão 44 – CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2011 A imunidade tributária conferida aos partidos políticos, às entidades sindicais dos trabalhadores e às instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, não abrange o imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou as relativas a títulos ou valores mobiliários. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 40 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Comentário: Conforme posicionamento do STF, a imunidade prevista no art. 150, VI, c, da CF/88, abrange o IOF. Questão errada. Questão 45 – CESPE/JUIZ-TJ-PA/2012 A imunidade tributária conferida pela CF a instituições de assistência social sem fins lucrativos somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se houver contribuição dos beneficiários. Comentário: Nos termos da Súmula nº 730 do STF, a imunidade conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. Questão errada. Questão 46 – FCC/ICMS-PE/2014 A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada, se não houver contribuição dos beneficiários. Comentário: De acordo com a Súmula 730, do STF, a imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, c, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. Questão correta. Questão 47 – FCC/ICMS-SP/2013 A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pela Constituição Federal somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. Comentário: De acordo com a Súmula 730, do STF, a imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, c, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. Questão correta. Questão 48 – FCC/ICMS-SP/2013 A imunidade tributária não abrange a renda obtida pelo SESC na prestação de serviços de diversão pública, mediante a venda de ingressos de cinema ao público em geral, e aproveitada em suas finalidades assistenciais. Comentário: Estudamos que já foi considerada imune pelo STF a renda obtida pelo SESC na prestação de serviços de diversão pública, mediante a venda de ingressos de cinema ao público em geral. Questão errada. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 41 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Questão 49 – FCC/ICMS-SP/2013 A imunidade tributária não abrange IPTU de imóvel pertencente a entidades sindicais dos trabalhadores, quando alugado a terceiros, mesmo que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades. Comentário: Ainda que o imóvel tenha sido alugado a terceiros, se a renda proveniente dessa locação estiver sendo utilizada nas atividades essenciais da entidade, o imóvel é considerado imune ao IPTU. Questão errada. Questão 50 – FCC/ICMS-SP/2013 A imunidade tributária não abrange renda obtida pela instituição de assistência social, por meio de cobrança de estacionamento de veículos em área interna da entidade, destinada ao custeio das atividades desta. Comentário: O STF já considerou imune da incidência de imposto a renda decorrente da cobrança de estacionamento de veículos em área interna da entidade de assistência social, destinada ao custeio das atividades desta. Questão errada. Questão 51 – FCC/ICMS-SP/2013 É uma das limitações constitucionais do poder de tributar a imunidade aos impostos que gravem o patrimônio, a renda ou os serviços das entidades de assistência social, sem fins lucrativos, desde que não distribuam qualquer parcela do seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título. Comentário: Esta questão cobrou a imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, da CF/88, juntamente com o art. 14, I, do CTN. Assim sendo, de fato é considerada uma limitação ao poder de tributar a imunidade aos impostos que gravem o patrimônio, a renda ou os serviços das entidades de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei, dentre os quais podemos citar a exigência que não distribuam qualquer parcela do seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título. Questão correta. Questão 52 – ESAF/MPOG-APO/2015 Dentre as imunidades tributárias figura o impedimento à instituição de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades sindicais, mas somente daquelas relacionadas aos trabalhadores. Comentário: De fato, existe imunidade impedindo a incidência de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 42 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra essenciais das entidades sindicais, conforme art. 150, VI, “c”, da CF/88. Contudo, apenas os sindicatos de trabalhadores estão imunes. Questão correta. Questão 53 – FGV/Pref. Recife-Auditor do Tesouro Municipal/2014 Determinada escola foi autuada pelo Fisco Municipal por não ter recolhido o imposto sobre os serviços que presta, apesar de ter recebido o título de instituição de utilidade pública, tendo sua imunidade reconhecida por meio de ato declaratório próprio, não possuindo fins lucrativos. A Fazenda alega que a escola não se cadastrou junto à Secretaria de Educação, órgão que estabelece os critérios para que um estabelecimento possa ser considerado “educacional” e, portanto, imune, sendo essa exigência ato privativo do Poder Executivo, quepode condicionar a fruição do benefício ao cumprimento de obrigações acessórias. Nesse caso, a Fazenda agiu a) incorretamente, uma vez que a exigência de cadastro representa limite, a ser fixado por lei complementar, à imunidade gozada pela escola. b) corretamente, já que cabe ao Poder Executivo fixar a organização das entidades imunes. c) corretamente, eis que cabe à Secretaria de Educação exercer controle sobre as escolas. d) incorretamente, já que as exigências quanto à organização das entidades imunes devem ser veiculadas por lei complementar. e) corretamente, uma vez que, mesmo imune, a escola tem que cumprir as obrigações acessórias. Comentário: Sabemos que a regulação das limitações ao poder de tributar, como a imunidade tributária, deve ser realizada apenas por meio de lei complementar, conforme estabelece o art. 146, II, da CF/88. Sendo assim, a Fazenda não pode exigir cadastro junto à Secretaria de Educação, pois isso representa uma condição para o gozo da imunidade, que deve ser fixado apenas em lei complementar. Gabarito: Letra A 2.4 – Imunidade Cultural O art. 150, VI, d, da CF/88 estabelece que é vedado a todos os entes federados instituírem impostos sobre os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão. Trata-se da imunidade cultural – também denominada imunidade de imprensa – cujo principal objetivo é favorecer o acesso aos meios culturais, como livros, jornais e periódicos. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 43 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra De imediato, percebemos uma grande diferença entre as demais imunidades já vistas durante a aula e a cultural: esta é objetiva, incidindo sobre “coisas”, ao passo que as demais são subjetivas, sendo parâmetro para concessão a “pessoa”. Seguindo essa linha de entendimento, poderíamos dizer que a imunidade não alcança o Imposto de Renda, por exemplo, incidente sobre os lucros auferidos pelas editoras: EMENTA: TRIBUTÁRIO. ANISTIA DO ART. 150, VI, D, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IPMF. EMPRESA DEDICADA À EDIÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE LIVROS, JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS. Imunidade que contempla, exclusivamente, veículos de comunicação e informação escrita, e o papel destinado a sua impressão, sendo, portanto, de natureza objetiva, razão pela qual não se estende às editoras, autores, empresas jornalísticas ou de publicidade -- que permanecem sujeitas à tributação pelas receitas e pelos lucros auferidos. Consequentemente, não há falar em imunidade ao tributo sob enfoque, que incide sobre atos subjetivados (movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira). Recurso conhecido e provido. (STF, RE 206.774, Rel. Min. Ilmar Galvão, Julgamento em 03/08/1999) No mesmo sentido, as operações financeiras realizadas pelas empresas que industrializam tais produtos não podem ser imunizadas do IOF (STF, RE 504.615-AgR). Ademais, a referida imunidade acaba por defender o direito à liberdade de expressão, caracterizado nos incisos IV, V, IX e XIV do art. 5º da CF/88, o que a torna uma cláusula pétrea. Vistos os conceitos iniciais da imunidade cultural, é necessário que conheçamos a jurisprudência a ela atinente, sendo de suma importância para as provas de concurso público. Assim sendo, a jurisprudência consagrada no STF era a de que, além dos livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão, também estavam imunes os outros insumos assimiláveis ao papel. Foi nessa linha que o STF demonstrou, por meio da Súmula 657, que a imunidade cultural abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos: Súmula STF 657 - A imunidade prevista no art. 150, VI, d, da CF abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos. Seguindo esse mesmo raciocínio, porém em direção oposta, o STF Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 44 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra também já considerou que não está a tinta para impressão de jornais: "Ementa: - Imposto de importação. Tinta especial para jornal. Não- ocorrência de imunidade tributária. - Esta Corte já firmou o entendimento (a título de exemplo, nos RREE 190.761, 174.476, 203.859, 204.234 e 178.863) de que apenas os materiais relacionados com o papel - assim, papel fotográfico, inclusive para fotocomposicão por laser, filmes fotográficos, sensibilizados, não impressionados, para imagens monocromáticas e papel para telefoto - estão abrangidos pela imunidade tributária prevista no artigo 150, VI, "d", da Constituição. (...)” (STF, RE 273.308/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Moreira Alves, Julgamento em 22/08/2000) Ocorre que, ao julgar o Recurso Extraordinário 202.149, a Primeira Turma do STF chegou a considerar que a imunidade tributária relativa a livros, jornais e periódicos é ampla, total, apanhando produto, maquinário e insumos. A referência, no preceito, a papel seria, então, meramente exemplificativa e não exaustiva. Contudo, recentemente o Min. Celso de Mello admitiu e julgou embargos de divergência (DJe 16/04/2015), apresentados pela União, ocasião em que demonstrou que a decisão tomada pela Primeira Turma divergia da jurisprudência consagrada do STF, conhecendo e dando provimento ao recurso extraordinário da União. Sem nos aprofundarmos neste momento no rito processual, para nossa prova, isso significa que, atualmente, é recomendável seguir o entendimento mais restritivo, qual seja o de que apenas estão imunes livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão, bem como outros insumos, desde que assimiláveis ao papel! Acrescente-se que, para a Suprema Corte, não há proteção constitucional à prestação de serviços de composição gráfica ou de impressão onerosos a terceiros (RE 723.018-AgR). Na linha desse mesmo entendimento, o STF (RE 630.462-AgR) também considerou que os serviços de distribuição de periódicos, revistas, publicações, jornais e livros não estão abrangidos pela imunidade cultural. Portanto, nesse caso, incide o ISS (Imposto sobre Serviços) normalmente. Além disso, não há que se falar em análise do valor cultural, como requisito para conceder a imunidade. De acordo com o STF, “os álbuns de figurinhas e os respectivos cromos adesivos estão alcançados pela imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal”. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 45 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra A concessão da imunidade sobre livros, jornais e periódicos independe da prova do valor cultural ou pedagógico da publicação. A referida imunidade também abrange as apostilas: “EMENTA: IMUNIDADE. IMPOSTOS. LIVROS, JORNAIS, PERIÓDICOS E PAPEL DESTINADO À IMPRESSÃO. APOSTILAS. O preceito da alínea "d" do inciso VI do artigo 150 da Carta da República alcança as chamadas apostilas, veículo de transmissão de cultura simplificado.” (STF,RE 183.403/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Marco Aurélio, Julgamento em 07/11/2000) Ainda no que diz respeito à imunidade cultural, destacamos o julgamento do aguardado Recurso Extraordinário 330.817/RJ, com repercussão geral reconhecida, no qual ficou decidido pelo Supremo Tribunal Federal que livros eletrônicos e os suportes próprios para sua leitura são alcançados pela imunidade. Assim, podemos dizer que não apenas os livros digitais (e-books) mas também os denominados e-readers, isto é, equipamentos eletrônicos elaborados exclusivamente paraviabilizar o acesso aos livros digitais. Livros digitais e os equipamentos eletrônicos destinados à sua leitura são imunes da incidência de impostos! Isso vai cair nas próximas provas! Destaque-se que a inserção de anúncios e publicidade em listas telefônicas, com o objetivo de permitir a divulgação das informações a custo zero para os assinantes, não descaracteriza a imunidade em tela (RE 199.183). No entanto, é de se ressaltar que os encartes de propaganda com exclusiva índole comercial não podem ser considerados imunes, como vemos a seguir: “EMENTA: TRIBUTÁRIO. ENCARTES DE PROPAGANDA DISTRIBUÍDOS COM JORNAIS E PERIÓDICOS. ISS. ART. 150, VI, d, DA CONSTITUIÇÃO. Veículo publicitário que, em face de sua natureza propagandística, de exclusiva índole comercial, não pode ser considerado como destinado à cultura e à educação, razão pela qual não está abrangido pela imunidade de impostos prevista no dispositivo constitucional sob referência, a qual, ademais, não se estenderia, de qualquer forma, às empresas por eles Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 46 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra responsáveis, no que concerne à renda bruta auferida pelo serviço prestado e ao lucro líquido obtido.” (RE 213.094/ES, Rel. Min. Ilmar Galvão, julgamento em 22/6/1999) Observação: Mais uma vez podemos perceber o caráter objetivo da imunidade, a qual não alcançou as empresas! Nesse caso, excepcionalmente, a imunidade não alcançou nem mesmo os bens, por terem exclusiva índole comercial! Esquematizando: Questão 54 – CESPE/JUIZ-TJ-CE/2012 A imunidade tributária conferida aos livros, jornais, periódicos e papel destinado à sua impressão estende-se aos serviços de composição gráfica necessários à composição do produto final. Comentário: Conforme o entendimento do STF, não há extensão da imunidade cultural aos serviços de composição gráfica. Dessa forma, a questão está errada. Questão 55– CESPE/ANATEL-Especialista Em Regulação/2014 Segundo o STF, a imunidade tributária sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão alcança álbum de figurinhas e os respectivos cromos adesivos, já que o constituinte não fez distinção de conteúdo, valor artístico ou didático das informações. Comentário: De fato, o entendimento do STF é o de que a imunidade alcança álbum de figurinhas e os respectivos cromos adesivos, já que o constituinte IMUNIDADE CULTURAL Impostos Livros, Jornais e Periódicos Papel destinado sua impressão As pessoas jurídicas não estão protegidas. Incide: IOF/IR/ISS Abrange: Álbum de Figurinhas/ Apostilas/Filmes e papéis fotográficos Não Abrange: Tinta/Encartes de propag./Serv. Composição Gráfica Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 47 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra não fez distinção de conteúdo, valor artístico ou didático das informações. Questão correta. Questão 56 – CESPE/JUIZ FEDERAL-1ª REGIÃO/2009 A imunidade constitucional de livros não se estende à COFINS. Comentário: Como já foi mais do que repetido, a imunidade não se estende a contribuições para seguridade social. Portanto, esta questão está correta. Questão 57 – FCC/ICMS-PE/2014 A imunidade tributária sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão não se aplica ao álbum de figurinhas. Comentário: Vimos durante a aula que o STF já decidiu favoravelmente à extensão da imunidade cultural ao álbum de figurinhas. Questão errada. Questão 58 – FCC/TJ-PE-Juiz/2013 Há isenção de imposto sobre comercialização de livro, jornal, periódico e sobre a comercialização de papel destinado a impressão destes produtos. Comentário: O que há, na verdade, é imunidade de imposto sobre os livros, jornais, periódicos, bem como sobre o papel destinado a impressão destes produtos. Questão errada. Questão 59 – ESAF/ANAC-Especialista em Regulação/2016 Quanto à imunidade tributária, assinale a opção correta. a) Os templos de qualquer culto são imunes a todos os tributos. b) A imunidade dos partidos políticos alcança impostos e taxas. c) A imunidade das entidades educacionais é descaracterizada pela cobrança de mensalidades. d) A imunidade dos livros, dos jornais e dos periódicos é subjetiva. e) O sujeito passivo imune não é dispensado do cumprimento de obrigações acessórias. Comentário: Temos aqui uma questão bastante ampla, cobrando várias imunidades. Vamos analisar cada alternativa: Alternativa A: A imunidade das entidades religiosas é relativa apenas aos impostos. Alternativa errada. Alternativa B: A imunidade dos partidos políticos alcança apenas os impostos. Alternativa errada. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 48 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Alternativa C: A cobrança de mensalidades não descaracteriza a entidade imune, se não há distribuição de rendas, lucro ou participação nos seus resultados. A imunidade das entidades educacionais apenas define que tais entidades não tenham finalidade lucrativa, não vedando a cobrança de mensalidades. Alternativa errada. Alternativa D: Trata-se de imunidade claramente objetiva, já que o que está sendo protegido é o objeto (livro, jornal, periódicos e o papel destinado à sua impressão). Alternativa errada. Alternativa E: Ainda que imune, a pessoa fica submetida ao cumprimento de obrigações acessórias perante o Fisco. Alternativa correta. Gabarito: Letra E Questão 60 – FGV/TJ-AP-Juiz/2008 A imunidade dos livros, jornais, periódicos e do papel destinado a sua impressão abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos. Comentário: De acordo com a Súmula 657 do STF, a imunidade cultural abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos. Questão correta. 2.5 – Imunidade em favor da produção musical brasileira Nesse momento, vamos tratar de uma emenda constitucional, que acrescentou mais uma imunidade ao texto constitucional, que afeta diretamente o tema estudado na aula de hoje. Trata-se da EC 75/2013, cujo projeto foi denominado PEC da Música. Vamos ver o que diz o seu texto: “Art. 1º O inciso VI do art. 150 da Constituição Federal passa a vigorar acrescido da seguinte alínea e: VI . instituir impostos sobre: e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser.” O que isso significa? A emenda trouxe mais uma imunidade tributária. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 49 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Lembre-se do que estudamos na semana passada: é permitido que uma emenda constitucional venha acrescentar novos direitos aos contribuintes, instituindo outras limitações ao poder de tributar! Vamos entender os termos mencionados no dispositivo constitucional: Fonogramas Registro sonoro em suporte material (CDs ou disco de vinil) Videofonogramas Registro de imagem e som em suporte material (DVDs). Obras Musicais Relativas a música. Obras Literomusicais Espetáculos ou reunião social em que se leem trechosliterários ou poemas e que há apresentações musicais. Sabendo-se que imunidade é uma forma de não incidência constitucionalmente qualificada, qual seria, portanto, a limitação imposta ao Estado pela EC 75/2013? Ora, está vedado a todos os entes federativos instituir impostos (e não tributos, como as bancas adoram cobrar) sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham. Destaque-se que a etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser foi excepcionada, não estando imune aos impostos. Para facilitar a memorização de tal exceção, faz-se necessário entender o motivo de ela ter sido incluída no texto constitucional. Levando em consideração que a grande maioria dos CDs e DVDs fabricados no Brasil sai da Zona Franca de Manaus, o que houve foi a tentativa de manter aquele pólo industrial atrativo para as empresas. Explique-se melhor: caso o processo de replicação se tornasse imune, não haveria motivo para as fábricas responsáveis por esta etapa industrial continuarem instaladas naquela longínqua região, já que o benefício fiscal lá concedido, hoje estaria imune em todo o território nacional. Entendeu? O principal aspecto sobre essa novidade é saber como as bancas podem cobrar este assunto. Eu diria que elas vão permanecer estendendo aos tributos a imunidade que só abrange impostos, considerando incorreta a assertiva. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 50 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Outra possibilidade é cobrar a exceção que nós vimos (sobre a replicação das mídias), bem como a restrição de que apenas os fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil e que contenham obras de autores brasileiros – e/ou interpretadas por artistas brasileiros – estão imunes aos impostos. Enfim, você deve saber o seguinte: 1. Os fonogramas e videofonogramas devem ser produzidos no Brasil; 2. As obras não precisam ser dos autores brasileiros. Entretanto, devem ser, no mínimo, interpretadas por artistas brasileiros; 3. Abrange os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham; 4. A etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser não está imune. Questão 61 – CESPE/TCE-RN-Assessor Técnico Jurídico/2015 Os fonogramas musicais produzidos no Brasil, contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros, salvo na etapa de replicação industrial de mídias óticas de leitura a laser, são imunes às contribuições de intervenção econômica e aos impostos em geral, mas não às contribuições para a seguridade social, como as contribuições previdenciárias. Comentário: Na realidade, tal imunidade se restringe aos impostos, ressalvada etapa de replicação industrial de mídias óticas de leitura a laser. Questão errada. Questão 62 – ESAF/MPOG-APO/2015 A imunidade tributária concernente ao impedimento à instituição de impostos sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros compreende a etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. Comentário: No art. 150, VI, “e”, da CF/88, foi prevista a referida imunidade, estando, contudo, excepcionada a etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. Questão errada. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 51 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra 3 - OUTRAS ESPÉCIES DE IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS Além das imunidades até agora estudadas, há várias outras espalhadas pela Constituição. Em alguns casos, como no art. 195, § 7, o texto constitucional trata tais limitações ao poder de tributar como isenção. Não obstante tais previsões, de acordo com o STF, são consideradas imunidades. Como já vimos, a isenção seria a dispensa legal do pagamento do tributo, e não um preceito constitucional, condicionando o exercício da competência tributária. Feitas tais observações e revisões, seguem abaixo as demais imunidades mencionadas no corpo do texto constitucional: São a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: (a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; (b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal (art. 5°, XXXIV); Ação popular, salvo comprovada má-fé, é isento (imune) de custas judiciais, as quais são consideradas taxas pelo STF (art. 5°, LXXIII); São gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei, o registro civil de nascimento e a certidão de óbito (art.5°, LXXVI); São gratuitas as ações de “habeas-corpus” e “habeas-data”, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania (art. 5°, LXXVII); As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação (art. 149, §2°, I); O IPI não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior (art. 153, §3°, III); O ITR não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, §3°, II); O ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, sujeita-se exclusivamente à incidência do IOF, sendo imune de qualquer outro tributo (art. 153, §5°); O ICMS não incidirá (art. 155, §2°, X): a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior; Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 52 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra b) sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica; c) nas prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita; À exceção do II, IE e ICMS nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País (art. 155, §3°); Observação: A imunidade se refere a todos os demais impostos, com exceção do II, IE e ICMS. Nesse sentido, vejamos uma importante súmula do STF: Súmula STF 659 - É legítima a cobrança da COFINS, do PIS e do FINSOCIAL sobre as operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País. O ITBI não incidirá sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão, incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se, nesses casos, a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil (art. 156, §2°,I); São isentas (imunes) de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária (art. 184, §5°); A contribuição previdenciária não incide sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social (art. 195, II); São isentas (imunes) de contribuição para a seguridadesocial as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, §7°); A celebração do casamento é gratuita, portanto, imune a taxas (art. 226, § 1º). Antes que você se desespere, pensando que não vai conseguir decorar tudo isso, posso garantir que durante o curso veremos todas as principais imunidades que são cobradas nas provas de Direito Tributário (as que foram inseridas dentro do capítulo que se dedica ao trato do Sistema Tributário Nacional. Portanto, à medida que formos explicando a matéria, você verá que a “decoreba” será quase que natural. Não se desespere, pois o objetivo deste Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 53 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra tópico é que você tenha conhecimento da existência de tais imunidades. Tudo bem? Antes de partirmos para as questões, vamos estudar a seguir a imunidade prevista no art. 195, § 7º. 3.1 – A imunidade das entidades assistenciais, relativas a contribuição para a seguridade social Digno de tópico específico, sobretudo por ser cobrado com certa riqueza de detalhes pelas bancas examinadoras, o art. 195, § 7º, da CF/88, estabelece o seguinte: Art. 195 - (...): § 7º - São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Inicialmente, cumpre-nos destacar que, muito embora o legislador constituinte tenha dito que tais entidades são “isentas”, podemos afirmar, com base nos conceitos vistos no início da aula, que se trata de imunidade (STF, RMS 22.192/DF). Observação: Tenha muito cuidado com as questões literais, que podem transcrever a literalidade do texto constitucional, algo que será indubitavelmente correto. Destaque-se que o benefício é concedido às entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, conforme prevê o art. 1º, da Lei 12.101/2009: Art. 1º - A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. Não são imunes apenas as entidades com a finalidade de prestação de serviços na área de assistência social, mas também na área da saúde ou educação. Cabe ressaltar também que o art. 2º da mesma norma dispõe que tais entidades deverão obedecer ao princípio da universalidade do Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 54 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra atendimento, sendo vedado dirigir suas atividades exclusivamente a seus associados ou a categoria profissional. Para gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7º, a Lei 12.101/2009 estabelece que a entidade beneficente deve estar certificada e que, para isso (certificação ou renovação), é necessário observar os seguintes requisitos : Art. 3º - A certificação ou sua renovação será concedida à entidade beneficente que demonstre, no exercício fiscal anterior ao do requerimento, observado o período mínimo de 12 (doze) meses de constituição da entidade, o cumprimento do disposto nas Seções I, II, III e IV deste Capítulo, de acordo com as respectivas áreas de atuação, e cumpra, cumulativamente, os seguintes requisitos: I - seja constituída como pessoa jurídica nos termos do caput do art. 1º; e II - preveja, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, a destinação do eventual patrimônio remanescente a entidade sem fins lucrativos congêneres ou a entidades públicas. Parágrafo único. O período mínimo de cumprimento dos requisitos de que trata este artigo poderá ser reduzido se a entidade for prestadora de serviços por meio de contrato, convênio ou instrumento congênere com o Sistema Único de Saúde (SUS) ou com o Sistema Único de Assistência Social (Suas), em caso de necessidade local atestada pelo gestor do respectivo sistema. (Redação dada pela Lei nº 12.868, de 2013) Observação: As sessões I, II, III e IV trazem regras específicas sobre a certificação das entidades da área da saúde, assistência social e educação, fugindo do escopo desse curso. O certificado ao qual estamos nos referindo é o CEBAS (Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social). Trata-se de um certificado que, basicamente, comprova que a entidade preenche as condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o benefício constitucional. Retornando à redação do dispositivo constitucional (art. 195, § 7º), é dito que a imunidade só alcança as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Neste momento, uma pergunta que deve ser feita é a seguinte: a lei exigida pelo constituinte seria ordinária ou complementar? Da mesma forma como foi explicado na imunidade prevista no art. 150, VI, c, da CF/88 (já estudada por nós), você deve memorizar o seguinte: Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 55 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Lei Ordinária Fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune (Requisitos formais para o gozo da imunidade); Lei Complementar Lindes da imunidade (Condições materiais para o gozo da imunidade) Observação: De acordo com o art. 146, II, cabe à lei complementar regular as limitações constitucionais ao poder de tributar. A imunidade, como já estudamos, é uma limitação ao poder de tributar. Por analogia, a lei complementar aplicável ao caso é aquela prevista no art. 14 do CTN, que se refere à imunidade do art. 150, VI, c. Destaque-se que a emissão do CEBAS significa o mero reconhecimento de que a entidade preenche as condições de constituição e funcionamento, estando apta a gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da CF/88. Portanto, os requisitos para receber o CEBAS podem ser definidos em lei ordinária (Lei 12.101/2009). Sendo assim, o STF (RMS 27.093/DF) entende que não ofende a CF/88 a exigência de emissão e renovação periódica do CEBAS. Neste caso, não há direito adquirido ao regime jurídico relativo à imunidade tributária, isto é, em caso de renovação, a entidade se sujeita às novas leis que porventura tenham alterado os requisitos e condições para renovação do CEBAS. Explique-se melhor: para a emissão do CEBAS, a entidade deve se adequar aos requisitos legais naquele momento. Posteriormente, na época da renovação, não há alegação de direito adquirido ao regime jurídico anterior, ou seja, devendo se sujeitar à legislação superveniente. Além disso, o STF também decidiu que a exigência de renovação periódica do CEBAS não ofende o disposto no art. 146, II, da CF/88, que reserva à lei complementar regulação das limitações ao poder de tributar. Nesse contexto, é válido citar a Súmula 352 do STJ: Súmula STJ 352 - A obtenção ou a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) não exime a entidade do cumprimento dos requisitos legais supervenientes. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 56 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria eQuestões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Cabe ressaltar que a Lei 12.101/2009 também determina alguns requisitos para fruição da imunidade, previstos em seu art. 29. Ao que parece, o legislador ordinário segue à risca o previsto na CF/88, entendendo tratar-se de isenção, e não de imunidade. Isso porque, se considerasse o dispositivo como imunidade que é, deveria haver lei complementar para regular os requisitos para o gozo da cláusula de não incidência constitucionalmente qualificada. Em vista dessa problemática, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB) propôs, no Supremo Tribunal Federal (STF), a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4891, pendente de julgamento. Por fim, ressaltamos o entendimento do STF no sentido de que a entidade que satisfaz os requisitos da lei, faz jus à imunidade, não podendo ser obstada por autoridade administrativa, com o objetivo de restringir a eficácia do disposto no art. 195, § 7º, da CF/88 (norma que prevê a imunidade): A Associação Paulista da Igreja Adventista do Sétimo Dia, por qualificar-se como entidade beneficente de assistência social - e por também atender, de modo integral, as exigências estabelecidas em lei - tem direito irrecusável ao benefício extraordinário da imunidade subjetiva relativa às contribuições pertinentes à seguridade social. (...) Tratando-se de imunidade - que decorre, em função de sua natureza mesma, do próprio texto constitucional -, revela-se evidente a absoluta impossibilidade jurídica de a autoridade executiva, mediante deliberação de índole administrativa, restringir a eficácia do preceito inscrito no art. 195, § 7º, da Carta Política, para, em função de exegese que claramente distorce a teleologia da prerrogativa fundamental em Referência, negar, à entidade beneficente de assistência social que satisfaz os requisitos da lei, o benefício que lhe é assegurado no mais elevado plano normativo. (STF, Primeira Turma, RMS 22.192/DF, Rel. Min. Celso de Mello, Julgamento em 28/11/1995) Questão 63 – CESPE/PROCURADOR-MP-TCDF/2013 Conforme jurisprudência do STF fundamentada no princípio da seletividade, operações e bens relacionados à saúde são imunes a tributação. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 57 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Comentário: Não há que se alegar que os bens essenciais ao ser humano devem ser imunes, por conta do princípio da seletividade. Há outros princípios que devem ser levados em consideração, como o da capacidade contributiva, da concorrência e da livre iniciativa. Questão errada. Questão 64– CESPE/JUIZ-TJ-BA/2012 A CF concede imunidade em relação ao ICMS apenas às operações que destinem ao exterior produtos industrializados. Comentário: Na verdade, a CF imuniza o ICMS, dentre outras hipóteses, nas operações que destinem mercadorias para o exterior e sobre serviços prestados a destinatários no exterior. Questão errada. Questão 65 – FCC/Pref. Campinas-SP-Procurador/2016 Existe imunidade de ITBI para, dentre outras, a hipótese de incorporação de uma pessoa jurídica por outra, desde que a atividade preponderante da incorporadora não seja a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil. Comentário: De acordo com o art. 156, § 2º, I, da CF/88, O ITBI não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão, incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se, nesses casos, a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil. Portanto, a questão está correta. Questão 66 – FCC/PGE-RN-Procurador/2014 O exercício do direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder é protegido por meio de imunidade específica que impede a cobrança de taxas. Comentário: Conforme previsão no art. 5°, XXXIV, da CF/88, o direito de petição pode ser exercido independentemente do pagamento de taxas. Portanto, trata-se de imunidade. Questão correta. Questão 67 – FCC/TJ-PE-Juiz/2013 A Constituição Federal assegura isenção no pagamento de taxa para obtenção de certidões em repartições públicas e privadas que prestam serviço público, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 58 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Comentário: O direito à obtenção de certidões é protegido por imunidade, em conformidade com o disposto no art. 5°, XXXIV, “b”, da CF/88. Portanto, não há que se falar em isenção. Questão errada. Questão 68 – FGV/ISS-CUIABÁ/2016 As imunidades tributárias são consideradas regras negativas de competência, estabelecidas pela Constituição Federal, afastando a tributação de determinadas pessoas ou bases econômicas. Sobre as imunidades tributárias, analise as afirmativas a seguir. I. São imunes de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. II. A imunidade dos templos de qualquer culto não alcança a COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) e a Contribuição ao PIS (Programas de Integração Social). III. É imune de taxas o exercício do direito de obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. Assinale: a) se somente a afirmativa I estiver correta. b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas. d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. e) se todas as afirmativas estiverem corretas. Comentário: Item I: Trata-se da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da CF/88. Não obstante o dispositivo faça referência à isenção dessas contribuições, trata-se de cristalino caso de imunidade tributária. Item correto. Item II: A imunidade religiosa, prevista no art. 150, VI, “b”, da CF/88, se restringe aos impostos, não alcançando COFINS e PIS. Item correto. Item III: Embora se trate de uma norma alocada fora do capítulo que trata do Sistema Tributário Nacional, caracteriza-se como imunidade tributária, constituindo direito individual previsto no art. 5º, XXXIV, “b”, da CF/88. Item correto. Gabarito: Letra E Chegamos ao fim da aula! Até nosso próximo encontro! Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 59 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Prof. Fábio Dutra Email: fabiodutra08@gmail.com Facebook: http://www.facebook.com/ProfFabioDutra Periscope: @ProfFabioDutra Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 60 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra 4 – LISTA DAS QUESTÕES COMENTADAS EM AULA Questão 01 – CESPE/TCE-PR-Analista de Controle Externo/2016 O estabelecimento das hipóteses de imunidade tributária é reservado a lei complementar. Questão 02 – CESPE/TCE-RN-Auditor/2015 A imunidade tributária visa preservar valores políticos, religiosos, sociais, econômicos e éticos da sociedade, com vistas a evitar que determinadas atividades sejam oneradaspela incidência dos tributos. Questão 03 – CESPE/PROCURADOR-MP-TCDF/2013 Reputa-se de natureza política a imunidade tributária recíproca. Questão 04 – CESPE/JUIZ-TJ-PI/2012 As entidades que gozem de isenção ou imunidade tributária não são passíveis de fiscalização, visto que a ação fiscalizadora constituiria abuso de poder do agente fiscalizador. Questão 05 – CESPE/PROMOTOR-MP-RR/2011 Ainda que em gozo de imunidade tributária, a pessoa jurídica não está dispensada de cumprir obrigações acessórias e de se submeter à fiscalização tributária. Questão 06 – CESPE/PROCURADOR-PE/2009 A criação de imunidade tributária é matéria típica de lei ordinária. Questão 07 – FCC/MPE-PA-Promotor de Justiça/2014 Sobre a Lei Complementar nº 87/96 - Lei Kandir, é correto afirmar que institui imunidades tributárias relativas ao ICMS dos Estados e Distrito Federal, dentre elas as operações com ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial e operações de arrendamento mercantil, não compreendida a venda do bem arrendado ao arrendatário. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 61 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Questão 08 –FCC/TJ-PE-Titular de Serviços de Notas e de Registros/2013 A imunidade tributária a) pode vir definida em lei ou na Constituição Federal, mas nunca em decreto. b) para ser concedida depende de requerimento do interessado à autoridade administrativa competente. c) pode ser criada por lei do ente competente para instituir o tributo, podendo ser em caráter geral ou em caráter específico. d) é prevista na Constituição Federal, que fixa as hipóteses de incompetência para o ente instituir o tributo nas situações por ela definidas. e) é prevista na Constituição Federal, mas sua aplicação depende sempre de despacho de autoridade administrativa fiscal competente que reconheça a não incidência. Questão 09 – FGV/TCM-SP-Agente de Fiscalização/2015 De acordo com o sistema constitucional tributário, a previsão de imunidade é: a) limitação à instituição de tributos estaduais e municipais, imposta pela União, através de lei complementar nacional; b) dispensa legal do pagamento do tributo ou penalidade pecuniária; c) modalidade especial de extinção do crédito tributário; d) não incidência qualificada pela lei; e) limitação constitucional ao poder de tributar. Questão 10 – CESPE/TCE-RN-Auditor/2015 Há entendimento do STF segundo o qual é extensível, em alguns casos, a imunidade recíproca às empresas públicas, sob o argumento central de que elas reinvestem seus ganhos ou lucros na própria atividade-fim. Questão 11 – CESPE/CGE-PI-Auditor Governamental/2015 A imunidade recíproca entre os entes tributantes estabelece a vedação da cobrança de impostos e taxas entre a União, os estados, o Distrito Federal (DF) e os municípios. Questão 12 – CESPE/PROCURADOR-MP-TCDF/2013 O princípio da imunidade recíproca, mediante o qual é vedado à União, aos estados, ao DF e aos municípios instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços uns dos outros, é extensivo às autarquias e às fundações instituídas e Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 62 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra mantidas pelo poder público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Questão 13 – CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2013 A imunidade tributária recíproca é princípio garantidor da Federação, motivo pelo qual não pode ser restringida nem mesmo por emenda constitucional. Questão 14 – CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2013 A imunidade tributária recíproca é princípio garantidor da Federação, motivo pelo qual não pode ser restringida nem mesmo por emenda constitucional. Questão 15 – CESPE/JUIZ-TJ-MA/2013 O princípio da imunidade tributária recíproca não pode, à luz do posicionamento firmado pelo STF, ser invocado na hipótese de contribuições previdenciárias. Questão 16 – CESPE/JUIZ-TJ-MA/2013 O princípio da imunidade tributária recíproca não pode, à luz do posicionamento firmado pelo STF, ser invocado na hipótese de contribuições previdenciárias. Questão 17 – CESPE/JUIZ-TJ-PA/2012 O princípio da imunidade recíproca, que veda à União, aos estados, ao DF e aos municípios instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços uns dos outros, não se aplica aos entes que compõem a administração indireta, como autarquias e fundações públicas. Questão 18 – CESPE/JUIZ-TJ-CE/2012 Como a imunidade recíproca está inserida entre as denominadas imunidades genéricas, pode o legislador constituinte derivado afastar a aplicação desse instituto em determinada hipótese. Questão 19 – CESPE/PROMOTOR-MP-PI/2012 Em razão do princípio da imunidade recíproca, é vedado à União, aos estados, ao DF e aos municípios instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços uns dos outros, inclusive quando houver contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 63 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Questão 20 – CESPE/JUIZ FEDERAL-1ª REGIÃO/2009 Considerando que um estado da Federação possua dois imóveis, um para abrigar um gerador de energia e outro que é a residência oficial do governador, assinale a opção correta. a) O imóvel que abriga o gerador de energia estará imune ao pagamento de imposto, caso sirva para propiciar luz à residência oficial do governador. b) A residência oficial será imune ao pagamento de imposto somente se estiver situada em área residencial e urbana. c) Se não for finalidade essencial do estado fornecer moradia para o governador, pode ser cobrado IPTU do imóvel residencial. d) Haverá imunidade recíproca do imóvel que abriga o gerador, caso este seja utilizado para abastecer parte da cidade e seja cobrado tributo para isso. e) Se a residência oficial for vendida, o comprador estará imune ao pagamento do imposto de transferência de sua propriedade. Questão 21 – FCC/ICMS-PE/2014 Os serviços notariais e de registro, por serem exercidos em caráter público, por delegação do Poder Público, sujeitam-se à imunidade tributária recíproca. Questão 22 – FCC/ICMS-PE/2014 A sociedade de economia mista prestadora de serviço público de água e esgoto não é abrangida pela imunidade tributária recíproca. Questão 23 – FCC/ICMS-PE/2014 As sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços de saúde, ainda que seu capital social seja majoritariamente estatal, não gozam da imunidade tributária recíproca. Questão 24 – FCC/TRT-16ª Região – Analista Judiciário/2014 Facundo, Auditor Fiscal da Receita Federal, pretende multar a Fundação “Vida e Paz”, fundação instituída e mantida pelo Poder Público, haja vista que a mesma jamais pagou imposto sobre seu patrimônio, renda e serviços. Nesse caso, a) Facundo apenas pode cobrar tributo pelos serviços exercidos pela fundação, mas não sobre a renda e o patrimônio, os quais detém imunidade tributária. b) correta a postura de Facundo, vez que a citada fundação não detém imunidade tributária. c) correta a postura de Facundo, pois apenas as autarquias possuem imunidade tributária. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 64 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra d) incorreta a posturade Facundo, vez que a fundação possui imunidade tributária relativa aos impostos sobre seu patrimônio, renda e serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou as delas decorrentes. e) Facundo apenas pode cobrar tributo sobre a renda da fundação, mas não sobre seus serviços e patrimônio, os quais detém imunidade tributária. Questão 25 – FCC/ICMS-SP/2013 A imunidade tributária recíproca é aplicável às autarquias e empresas públicas que prestem inequívoco serviço público, desde que distribuam lucros e tenham por objetivo principal conceder acréscimo patrimonial ao poder público. Questão 26 – FCC/ICMS-SP/2013 É uma das limitações constitucionais do poder de tributar a imunidade recíproca entre os Entes da Federação - União, Estados, Distrito Federal e Municípios que garante a isonomia na distribuição de receitas tributárias. Questão 27 – ESAF/MPOG-APO/2015 Compete à União instituir imposto sobre a renda e os proventos de qualquer natureza das autarquias e fundações públicas estaduais. Questão 28 – ESAF/MPOG-APO/2015 Dentre as imunidades tributárias figura o impedimento à instituição de impostos por uma pessoa jurídica de direito público sobre o patrimônio, renda ou serviços de outras pessoas jurídicas de direito público. Questão 29 – ESAF/ATRFB/2012-Adaptada É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios cobrar imposto sobre o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros. Isso, em tese, impede à lei de um Município atribuir à União a condição de responsável pela retenção na fonte do imposto sobre serviços. Questão 30 – ESAF/ACE-MDIC/2012 Sobre a imunidade recíproca, que é a vedação constitucional à instituição e cobrança, por parte das pessoas políticas tributantes, de impostos sobre Patrimônio, renda e serviços uns dos outros, podem afirmar que: a) a imunidade tributária gozada pela Ordem dos Advogados do Brasil não é da espécie recíproca, na medida em que a OAB desempenha atividade própria de Estado. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 65 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra b) no caso de sociedades de economia mista controladas pela União, é relevante para definição da aplicabilidade da imunidade tributária recíproca a circunstância de a atividade desempenhada pela empresa estar ou não sujeita a monopólio estatal. c) a imunidade tributária recíproca não é extensiva às autarquias, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. d) as sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços de saúde, cujo capital social seja majoritariamente estatal, gozam da imunidade tributária recíproca. e) a imunidade tributária recíproca aplica-se, inclusive, às taxas. Questão 31 - FGV/ISS-Cuiabá/2014 Pretendendo adquirir, no mercado doméstico, caminhões para uso em serviço, o Município de Cuiabá pede ao Estado de Mato Grosso que afaste a incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nessa operação específica. Assinale a solução juridicamente adequada a ser dada ao caso exposto. a) O Estado deve acolher o pleito mediante prova cabal de que os veículos serão mesmo empregados em atividades inerentes às atribuições do Município, pois, mesmo inexistindo lei estadual nesse sentido, o caso é de isenção de tributos. b) O Estado deve acolher o pleito mediante prova cabal de que os veículos serão mesmo empregados em atividades inerentes às atribuições do Município, pois o caso é de imunidade de tributos. c) O Estado poderá acolher o pleito mediante decisão administrativa afastando a incidência do ICMS ao caso. d) O Estado não poderá acolher o pleito, ainda que os caminhões sejam mesmo empregados em atividades inerentes às atribuições do Município, pois é vedada a concessão de tratamento tributário diferenciado a entidades públicas que explorem a atividade econômica. e) O Estado não poderá acolher o pleito, pois a imunidade não favorece o Município neste caso concreto, já que ele é apenas o contribuinte de fato, e não o contribuinte de direito. Questão 32 – CESPE/Juiz-TJ-CE/2012 Ao interpretar o dispositivo constitucional que veda a instituição de imposto sobre templos de qualquer culto, o STF entende que a imunidade limita-se aos prédios destinados ao culto. Questão 33 – CESPE/JUIZ-TJ-PA/2012 Em razão da imunidade constitucional conferida aos templos de qualquer culto, os entes federativos são impedidos de cobrar ou instituir taxas e impostos Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 66 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra sobre o patrimônio e os serviços relacionados com as finalidades essenciais dos templos, mas não sobre as rendas decorrentes das contribuições dos fiéis. Questão 34 – CESPE/JUIZ-TJ-ES/2011 A CF confere benefício de isenção tributária aos templos religiosos, ou seja, sobre eles é conferida, pela ordem constitucional, exoneração de obrigação de pagar tributos. Questão 35 – CESPE/Delegado/RN/2009 Os cemitérios que consubstanciam extensões de entidades de cunho religioso não estão abrangidos pela imunidade tributária prevista na CF, uma vez que as normas que tratam de renúncia fiscal devem ser interpretadas restritivamente. Questão 36 – FCC/TJ-PE-Juiz/2013 A imunidade sobre o templo de qualquer culto apenas alcança os impostos, sendo devidas, portanto, as taxas e contribuição de melhoria incidentes sobre o imóvel destinado ao templo. Questão 37 – FCC/ICMS-SP/2013 É uma das limitações constitucionais do poder de tributar a imunidade aos impostos, taxas e contribuições de melhoria dos templos de qualquer culto. Questão 38 – ESAF/MPOG-APO/2015 Dentre as imunidades tributárias figura o impedimento à instituição de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais dos templos de qualquer culto. Questão 39 – CESPE/JUIZ-TJ-CE/2012 A imunidade tributária conferida pela CF ao patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, às entidades sindicais dos trabalhadores, às instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, não se aplica aos imóveis alugados a terceiros, ainda que o valor deles decorrente seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades. Questão 40 – CESPE/JUIZ-TJ-CE/2012 Está abrangida pela imunidade estabelecida na CF eventual renda que, obtida por instituição de assistência social mediante cobrança de estacionamento de Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 67 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra veículos em área interna da entidade, destine-se ao custeio das atividades desta. Questão 41 – CESPE/JUIZ-TJ-PA/2012 A imunidade tributária conferida pela CF a instituições de assistência social sem fins lucrativos somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se houver contribuição dos beneficiários. Questão 42 – CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2011 A imunidade tributária conferida aos partidos políticos, às entidades sindicais dos trabalhadores e às instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, não abrange o imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou as relativas a títulos ou valores mobiliários. Questão 43 – CESPE/JUIZ-TJ-PA/2012 O imóvel pertencente a partido político permanece imune ao IPTU, ainda quando alugado a terceiros, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividadesessenciais dessa entidade. Questão 44 – CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2011 A imunidade tributária conferida aos partidos políticos, às entidades sindicais dos trabalhadores e às instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, não abrange o imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou as relativas a títulos ou valores mobiliários. Questão 45 – CESPE/JUIZ-TJ-PA/2012 A imunidade tributária conferida pela CF a instituições de assistência social sem fins lucrativos somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se houver contribuição dos beneficiários. Questão 46 – FCC/ICMS-PE/2014 A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada, se não houver contribuição dos beneficiários. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 68 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Questão 47 – FCC/ICMS-SP/2013 A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pela Constituição Federal somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. Questão 48 – FCC/ICMS-SP/2013 A imunidade tributária não abrange a renda obtida pelo SESC na prestação de serviços de diversão pública, mediante a venda de ingressos de cinema ao público em geral, e aproveitada em suas finalidades assistenciais. Questão 49 – FCC/ICMS-SP/2013 A imunidade tributária não abrange IPTU de imóvel pertencente a entidades sindicais dos trabalhadores, quando alugado a terceiros, mesmo que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades. Questão 50 – FCC/ICMS-SP/2013 A imunidade tributária não abrange renda obtida pela instituição de assistência social, por meio de cobrança de estacionamento de veículos em área interna da entidade, destinada ao custeio das atividades desta. Questão 51 – FCC/ICMS-SP/2013 É uma das limitações constitucionais do poder de tributar a imunidade aos impostos que gravem o patrimônio, a renda ou os serviços das entidades de assistência social, sem fins lucrativos, desde que não distribuam qualquer parcela do seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título. Questão 52 – ESAF/MPOG-APO/2015 Dentre as imunidades tributárias figura o impedimento à instituição de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades sindicais, mas somente daquelas relacionadas aos trabalhadores. Questão 53 – FGV/Pref. Recife-Auditor do Tesouro Municipal/2014 Determinada escola foi autuada pelo Fisco Municipal por não ter recolhido o imposto sobre os serviços que presta, apesar de ter recebido o título de instituição de utilidade pública, tendo sua imunidade reconhecida por meio de Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 69 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra ato declaratório próprio, não possuindo fins lucrativos. A Fazenda alega que a escola não se cadastrou junto à Secretaria de Educação, órgão que estabelece os critérios para que um estabelecimento possa ser considerado “educacional” e, portanto, imune, sendo essa exigência ato privativo do Poder Executivo, que pode condicionar a fruição do benefício ao cumprimento de obrigações acessórias. Nesse caso, a Fazenda agiu a) incorretamente, uma vez que a exigência de cadastro representa limite, a ser fixado por lei complementar, à imunidade gozada pela escola. b) corretamente, já que cabe ao Poder Executivo fixar a organização das entidades imunes. c) corretamente, eis que cabe à Secretaria de Educação exercer controle sobre as escolas. d) incorretamente, já que as exigências quanto à organização das entidades imunes devem ser veiculadas por lei complementar. e) corretamente, uma vez que, mesmo imune, a escola tem que cumprir as obrigações acessórias. Questão 54 – CESPE/JUIZ-TJ-CE/2012 A imunidade tributária conferida aos livros, jornais, periódicos e papel destinado à sua impressão estende-se aos serviços de composição gráfica necessários à composição do produto final. Questão 55– CESPE/ANATEL-Especialista Em Regulação/2014 Segundo o STF, a imunidade tributária sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão alcança álbum de figurinhas e os respectivos cromos adesivos, já que o constituinte não fez distinção de conteúdo, valor artístico ou didático das informações. Questão 56 – CESPE/JUIZ FEDERAL-1ª REGIÃO/2009 A imunidade constitucional de livros não se estende à COFINS. Questão 57 – FCC/ICMS-PE/2014 A imunidade tributária sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão não se aplica ao álbum de figurinhas. Questão 58 – FCC/TJ-PE-Juiz/2013 Há isenção de imposto sobre comercialização de livro, jornal, periódico e sobre a comercialização de papel destinado a impressão destes produtos. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 70 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Questão 59 – ESAF/ANAC-Especialista em Regulação/2016 Quanto à imunidade tributária, assinale a opção correta. a) Os templos de qualquer culto são imunes a todos os tributos. b) A imunidade dos partidos políticos alcança impostos e taxas. c) A imunidade das entidades educacionais é descaracterizada pela cobrança de mensalidades. d) A imunidade dos livros, dos jornais e dos periódicos é subjetiva. e) O sujeito passivo imune não é dispensado do cumprimento de obrigações acessórias. Questão 60 – FGV/TJ-AP-Juiz/2008 A imunidade dos livros, jornais, periódicos e do papel destinado a sua impressão abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos. Questão 61 – CESPE/TCE-RN-Assessor Técnico Jurídico/2015 Os fonogramas musicais produzidos no Brasil, contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros, salvo na etapa de replicação industrial de mídias óticas de leitura a laser, são imunes às contribuições de intervenção econômica e aos impostos em geral, mas não às contribuições para a seguridade social, como as contribuições previdenciárias. Questão 62 – ESAF/MPOG-APO/2015 A imunidade tributária concernente ao impedimento à instituição de impostos sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros compreende a etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. Questão 63 – CESPE/PROCURADOR-MP-TCDF/2013 Conforme jurisprudência do STF fundamentada no princípio da seletividade, operações e bens relacionados à saúde são imunes a tributação. Questão 64– CESPE/JUIZ-TJ-BA/2012 A CF concede imunidade em relação ao ICMS apenas às operações que destinem ao exterior produtos industrializados. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 71 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Questão 65 – FCC/Pref. Campinas-SP-Procurador/2016 Existe imunidade de ITBI para, dentre outras, a hipótese de incorporação de uma pessoa jurídica por outra, desde que a atividade preponderante da incorporadora não seja a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil. Questão 66 – FCC/PGE-RN-Procurador/2014 O exercício dodireito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder é protegido por meio de imunidade específica que impede a cobrança de taxas. Questão 67 – FCC/TJ-PE-Juiz/2013 A Constituição Federal assegura isenção no pagamento de taxa para obtenção de certidões em repartições públicas e privadas que prestam serviço público, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. Questão 68 – FGV/ISS-CUIABÁ/2016 As imunidades tributárias são consideradas regras negativas de competência, estabelecidas pela Constituição Federal, afastando a tributação de determinadas pessoas ou bases econômicas. Sobre as imunidades tributárias, analise as afirmativas a seguir. I. São imunes de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. II. A imunidade dos templos de qualquer culto não alcança a COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) e a Contribuição ao PIS (Programas de Integração Social). III. É imune de taxas o exercício do direito de obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. Assinale: a) se somente a afirmativa I estiver correta. b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas. d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. e) se todas as afirmativas estiverem corretas. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 72 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra 5 – GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS EM AULA 1 Errada 24 Letra D 47 Correta 2 Correta 25 Errada 48 Errada 3 Errada 26 Errada 49 Errada 4 Errada 27 Errada 50 Errada 5 Correta 28 Correta 51 Correta 6 Errada 29 Errada 52 Correta 7 Errada 30 Letra D 53 Letra A 8 Letra D 31 Letra E 54 Errada 9 Letra E 32 Errada 55 Correta 10 Errada 33 Errada 56 Correta 11 Errada 34 Errada 57 Errada 12 Correta 35 Errada 58 Errada 13 Correta 36 Correta 59 Letra E 14 Correta 37 Errada 60 Correta 15 Correta 38 Correta 61 Errada 16 Correta 39 Errada 62 Errada 17 Errada 40 Correta 63 Errada 18 Errada 41 Errada 64 Errada 19 Errada 42 Errada 65 Correta 20 Letra A 43 Correta 66 Correta 21 Errada 44 Errada 67 Errada 22 Errada 45 Errada 68 Letra e 23 Errada 46 Correta - - Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 73 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra 6 – LEGISLAÇÃO PERTINENTE CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 150, VI, “a”: imunidade recíproca Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; § 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 3º As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. Art. 150, VI, “b”: imunidade religiosa Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: b) templos de qualquer culto; Art. 150, VI, “c”: imunidade dos partidos políticos, entidades sindicais dos trabalhadores, instituições de educação e de assistência social Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 74 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Art. 150, VI, “d”: imunidade cultural Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. Art. 150, VI, “e”: imunidade em favor da produção musical brasileira Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 75, de 15.10.2013) CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Art. 14: requisitos para o gozo da imunidade prevista no art. 150, VI, “c” Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001) II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. ==d85db== Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 75 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra 7 – SÚMULAS ABORDADAS DURANTE A AULA Súmula STF 583: A imunidade recíproca não exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel: Súmula STF 583 - Promitente-comprador de imóvel residencial transcrito em nome de autarquia é contribuinte do imposto predial territorial urbano. Súmula Vinculante 52: Súmula Vinculante 52 - Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas. Súmula STF 730: Súmula STF 730 - A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, c, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. Súmula STF 657: Súmula STF 657 - A imunidade prevista no art. 150, VI, d, da CF abrange os filmes e papéis fotográficosnecessários à publicação de jornais e periódicos. Súmula STF 659: Na CF/88, consta que, à exceção do II, IE e ICMS nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País. A vedação diz respeito aos impostos, não alcançando as contribuições: Súmula STF 659 - É legítima a cobrança da COFINS, do PIS e do FINSOCIAL sobre as operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País. Além disso, o STF também decidiu que a exigência de renovação periódica do CEBAS não ofende o disposto no art. 146, II, da CF/88, que reserva à lei complementar regulação das limitações ao poder de tributar. O certificado ao qual estamos nos referindo é o CEBAS (Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social). Trata-se de um certificado que, basicamente, comprova que a entidade preenche as condições de constituição Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 76 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o benefício constitucional. Súmula STF 352: O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) comprova que a entidade preenche as condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o benefício constitucional: Súmula STJ 352 - A obtenção ou a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) não exime a entidade do cumprimento dos requisitos legais supervenientes. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 77 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra 8 – PRINCIPAIS JURISPRUDÊNCIAS ABORDADAS DURANTE A AULA O STF decidiu que a imunidade recíproca não alcança o contribuinte de fato: Ementa: TRIBUTÁRIO. ICMS. SERVIÇOS DE ENERGIA ELÉTRICA. MUNICÍPIO. CONTRIBUINTE DE FATO. IMUNIDADE RECÍPROCA. ART. 150, VI, A, DA CONSTITUIÇÃO. INAPLICABILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. I - A imunidade do art. 150, VI, a, da Constituição somente se aplica ao imposto incidente sobre serviço, patrimônio ou renda do próprio ente beneficiado, na qualidade de contribuinte de direito. II - Como o Município não é contribuinte de direito do ICMS relativo a serviços de energia elétrica, não tem o benefício da imunidade em questão, uma vez que esta não alcança o contribuinte de fato. Precedentes. III – Agravo regimental improvido. (STF, ARE 663.552-AgR/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Julgado em 28/02/2012) O STF decidiu que é ilegítima a incidência de IOF sobre aplicações financeiras dos entes federados, bem como a tributação da renda resultante de tais aplicações pelo IR (AI AgR/RS 174.808 e RE 196.415/PR). O STF decidiu que o reconhecimento da imunidade tributária às operações financeiras não impede a autoridade fiscal de examinar a correção do procedimento adotado pela entidade imune. Constatado desvio de finalidade, a autoridade fiscal tem o poder-dever de constituir o crédito tributário e de tomar as demais medidas legais cabíveis: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROPÓSITO MODIFICATIVO. EXCEPCIONALIDADE AUSENTE. ALEGADA CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. ACÓRDÃO QUE TOMA COMO PREMISSA A VINCULAÇÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA À ATIVIDADE ESSENCIAL DA ENTIDADE PROTEGIDA. APLICAÇÃO AO PRODUTO DE OPERAÇÕES FINANCEIRAS PARA AFASTAR O IOF. 1. Conforme assentado em uma série de precedentes e no próprio acórdão embargado, a imunidade tributária é indiferente à integral gratuidade dos serviços prestados e abarca os meios de existência da entidade, ainda que inconfundíveis com a respectiva atuação institucional. 2. O benefício não será aplicável, dentre outros motivos, se ficar constatado (i) desvio de finalidade ou (ii) risco à concorrência e à livre iniciativa. 3. Tanto a decisão agravada como o acórdão recorrido indicaram explicitamente que as razões de recurso extraordinário basearam-se em meras presunções, que não são toleradas à luz do devido processo legal de constituição do crédito tributário. (...) Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 78 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra (STF, RE 259.976 AgR-ED/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Joaquim Barbosa, Julgado em 19/10/2010) O STF decidiu que a União não está condicionada ao ônus de comprovar vinculação do bem tributado a uma finalidade pública, o que somente ocorre nos casos das autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo poder público no que se refere à tributação do patrimônio, renda e serviços vinculados a suas finalidades essenciais: "O julgado recorrido contempla a conclusão de que a União não está condicionada ao ônus de comprovar vinculação do bem tributado a uma finalidade pública, o que somente ocorre nos casos das autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo poder público no que se refere à tributação do patrimônio, renda e serviços vinculados a suas finalidades essenciais. (...)” (STF, RE 635.012/RJ, Decisão Monocrática, Rel. Min. Dias Toffoli, Julgado em 07/02/2013) O STJ já decidiu que há presunção de que os imóveis pertencentes às entidades autárquicas se destinam aos seus fins institucionais: PROCESSUAL CIVIL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. IPTU. PRESUNÇÃO DE QUE O IMÓVEL SE DESTINA AOS FINS INSTITUCIONAIS DA ENTIDADE AUTÁRQUICA. ÔNUS DA PROVA EM CONTRÁRIO. INCUMBÊNCIA DO PODER TRIBUTANTE. 1. Conforme a jurisprudência dominante do STJ, presume-se que o imóvel de entidade autárquica esteja afetado a destinação compatível com seus objetivos e finalidades institucionais. Portanto, o ônus de provar que o patrimônio da autarquia está desvinculado dos seus objetivos institucionais e, portanto, não abrangido pela imunidade tributária prevista no art. 150 da Constituição, recai sobre o poder tributante. Com efeito, assim como cabe ao executado- embargante o ônus da prova de sua pretensão desconstitutiva, incumbe ao embargado, réu no processo de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Precedentes citados. 2. Recurso especial não provido. (STJ, Segunda Turma, REsp 1.335.220/RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Julgamento em 21/08/2012) O STF já concedeu imunidade às seguintes empresas públicas e sociedades de economia mista: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) – (STF, RE 407.099); Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 79 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Infraero – (STF, RE 524.615-AgR); Companhia de Águas e Esgoto de Rondônia (CAERD) – (STF, AC 1.550-2/RO); Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) – (STF, RE 253.472) Casa da Moeda do Brasil (CMB) – (STF, RE 610.517) O STF já decidiu que apenas lei complementar pode regular a imunidade condicionada, prevista art. 150, VI, “c”, da CF/88: “Conforme precedente no STF (RE 93.770, Muñoz, RTJ 102/304) e na linha da melhor doutrina, o que a Constituição remete à lei ordinária, no tocante à imunidade tributária considerada, é a fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune; não, o que diga respeito aos lindes da imunidade, que, quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional,ficou reservado à lei complementar.” (STF, ADI-MC 1.802/DF, Plenário, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento em 27/08/1988) O STF decidiu que são imunes os serviços não relacionados às finalidades essenciais das entidades assistenciais, desde que a receita deles destine-se ao financiamento de tais finalidades. No caso concreto, foi considerado imune de ISS o serviço de estacionamento de veículos prestado por hospital em pátio interno: EMENTA: IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 150, VI, C, DA CONSTITUIÇÃO. INSTITUIÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. EXIGÊNCIA DE IMPOSTO SOBRE SERVIÇO CALCULADO SOBRE O PREÇO COBRADO EM ESTACIONAMENTO DE VEÍCULOS NO PÁTIO INTERNO DA ENTIDADE. Ilegitimidade. Eventual renda obtida pela instituição de assistência social mediante cobrança de estacionamento de veículos em área interna da entidade, destinada ao custeio das atividades desta, está abrangida pela imunidade prevista no dispositivo sob destaque. Precedente da Corte: RE 116.188-4. Recurso conhecido e provido. (STF, Primeira Turma, RE 144.900/SP, Rel. Min. Ilmar Galvão, Julgamento em 22/04/1997) O STF decidiu que os imóveis estejam sendo utilizados como escritório e residência de membro de entidade de educação e assistência social sem fins lucrativos continuam imunes. Senão, vejamos: Instituições de educação e assistência social sem fins lucrativos (...). O fato de os imóveis estarem sendo utilizados como escritório e residência Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 80 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra de membros da entidade não afasta a imunidade prevista no art. 150, VI, alínea c, § 4º, da CF." (STF, RE 221.395, Segunda Turma, Rel. Min. Marco Aurélio, Julgamento em 08/02/2000) Em 2013, a Primeira Turma da Colenda Corte, de forma divergente, decidiu que a constatação de que imóvel vago ou sem edificação não seria suficiente, por si sóば, para destituir a garantia constitucional da imunidade tributária. A ementa do julgamento do RE 385.091/DF foi parcialmente transcrita abaixo: EMENTA: Imunidade. Entidade de assistência social. Artigo 150, VI, c, CF. Imóvel vago. Finalidades essenciais. Presunção. Ônus da prova. 1. A regra de imunidade compreende o reverso da atribuição de competência tributária. Isso porque a norma imunitória se traduz em um decote na regra de competência, determinando a não incidência da regra matriz nas áreas protegidas pelo beneplácito concedido pelo constituinte. (...) 3. No caso da imunidade das entidades beneficentes de assistência social, a Corte tem conferido interpretação extensiva à respectiva norma, ao passo que tem interpretado restritivamente as normas de isenção. (...) 5. A constatação de que um imóvel está vago ou sem edificação não é suficiente, por si só, para destituir a garantia constitucional da imunidade. A sua não utilização temporária deflagra uma neutralidade que não atenta contra os requisitos que autorizam o gozo e a fruição da imunidade. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (STF, Primeira Turma, RE 385.091/DF, Min. Rel. Dias Toffoli, Julgamento em 06/08/2013) O STF decidiu que as entidades de assistência social são imunes em relação ao ICMS incidente sobre a comercialização de bens por elas produzidos: “O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o RE 210.251 - EDv/SP, fixou entendimento segundo o qual as entidades de assistência social são imunes em relação ao ICMS incidente sobre a comercialização de bens por elas produzidos, nos termos do art. 150, VI, "c" da Constituição. Embargos de divergência conhecidos, mas improvidos.” (STF, RE 186.175 ED-EDv/SP, Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, Julgamento em 23/08/2006) Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 81 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra No que se refere à figura do contribuinte de fato (adquirente de mercadorias ou serviços), o entendimento do STF é o mesmo aplicável à imunidade recíproca: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. ICMS. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. IMUNIDADE RECÍPROCA. IMPOSSIBLIDADE. BENEFÍCIO DA IMUNIDADE NÃO ALCANÇA CONTRIBUINTE DE FATO. AGRAVO IMPROVIDO. I – Entidade educacional que não é contribuinte de direito do ICMS relativo a serviço de energia elétrica, não tem benefício da imunidade em questão, uma vez que esta não alcança o contribuinte de fato. (STF, AI 731.786-AgR/SC, Primeira Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Julgamento em 19/10/2010) O STF decidiu que a imunidade relativa à instituição de educação sem fins lucrativos estende-se ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): EMENTA: IOF. Imunidade tributária. Instituição de educação sem fins lucrativos. A imunidade tributária prevista no art. 150, VI, c, da Constituição, estende-se ao imposto sobre operações financeiras. Precedente: RE 230.128-AgR, 1ª T., 8.10.2002, Ellen Gracie, DJ 8.11.2002. (STF, RE 192.899/MG, Primeira Turma, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento em 20/06/2006) O STF decidiu que a imunidade cultural é objetiva, não alcançando editoras, autores, empresas jornalísticas ou de publicidade: EMENTA: TRIBUTÁRIO. ANISTIA DO ART. 150, VI, D, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IPMF. EMPRESA DEDICADA À EDIÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE LIVROS, JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS. Imunidade que contempla, exclusivamente, veículos de comunicação e informação escrita, e o papel destinado a sua impressão, sendo, portanto, de natureza objetiva, razão pela qual não se estende às editoras, autores, empresas jornalísticas ou de publicidade -- que permanecem sujeitas à tributação pelas receitas e pelos lucros auferidos. Consequentemente, não há falar em imunidade ao tributo sob enfoque, que incide sobre atos subjetivados (movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira). Recurso conhecido e provido. (STF, RE 206.774, Rel. Min. Ilmar Galvão, Julgamento em 03/08/1999) O STF também já decidiu que a tinta para impressão de jornais não está imune: Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 82 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra "Ementa: - Imposto de importação. Tinta especial para jornal. Não- ocorrência de imunidade tributária. - Esta Corte já firmou o entendimento (a título de exemplo, nos RREE 190.761, 174.476, 203.859, 204.234 e 178.863) de que apenas os materiais relacionados com o papel - assim, papel fotográfico, inclusive para fotocomposicão por laser, filmes fotográficos, sensibilizados, não impressionados, para imagens monocromáticas e papel para telefoto - estão abrangidos pela imunidade tributária prevista no artigo 150, VI, "d", da Constituição. (...)” (STF, RE 273.308/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Moreira Alves, Julgamento em 22/08/2000) O STF já decidiu que não há proteção constitucional à prestação de serviços de composição gráfica ou de impressão onerosos a terceiros (RE 723.018-AgR). O STF decidiu que a imunidade cultural também abrange as apostilas: “EMENTA: IMUNIDADE. IMPOSTOS. LIVROS, JORNAIS, PERIÓDICOS E PAPEL DESTINADO À IMPRESSÃO. APOSTILAS. O preceito da alínea "d" do inciso VI do artigo 150 da Carta da República alcança as chamadas apostilas, veículo de transmissão de cultura simplificado.” (STF,RE 183.403/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Marco Aurélio, Julgamento em 07/11/2000) O Supremo Tribunal Federal que livros eletrônicos e os suportes próprios para sua leitura são alcançados pela imunidade. Assim, podemos dizer que não apenas os livros digitais (e-books)mas também os denominados e-readers, isto é, equipamentos eletrônicos elaborados exclusivamente para viabilizar o acesso aos livros digitais (RE 330.817/RJ) O STF já decidiu que a inserção de anúncios e publicidade em listas telefônicas, com o objetivo de permitir a divulgação das informações a custo zero para os assinantes, não descaracteriza a imunidade cultural (RE 199.183). O STF já decidiu que os encartes de propaganda com exclusiva índole comercial não podem ser considerados imunes, como vemos a seguir: “EMENTA: TRIBUTÁRIO. ENCARTES DE PROPAGANDA DISTRIBUÍDOS COM JORNAIS E PERIÓDICOS. ISS. ART. 150, VI, d, DA CONSTITUIÇÃO. Veículo publicitário que, em face de sua natureza propagandística, de exclusiva índole comercial, não pode ser considerado como destinado à cultura e à educação, razão pela qual não está abrangido pela imunidade de impostos prevista no dispositivo constitucional sob referência, a qual, Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 83 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra ademais, não se estenderia, de qualquer forma, às empresas por eles responsáveis, no que concerne à renda bruta auferida pelo serviço prestado e ao lucro líquido obtido.” (RE 213.094/ES, Rel. Min. Ilmar Galvão, julgamento em 22/6/1999) O STF decidiu que a entidade que satisfaz os requisitos da lei, faz jus à imunidade, não podendo ser obstada por autoridade administrativa, com o objetivo de restringir a eficácia do disposto no art. 195, § 7º, da CF/88 (norma que prevê a imunidade): A Associação Paulista da Igreja Adventista do Sétimo Dia, por qualificar-se como entidade beneficente de assistência social - e por também atender, de modo integral, as exigências estabelecidas em lei - tem direito irrecusável ao benefício extraordinário da imunidade subjetiva relativa às contribuições pertinentes à seguridade social. (...) Tratando-se de imunidade - que decorre, em função de sua natureza mesma, do próprio texto constitucional -, revela-se evidente a absoluta impossibilidade jurídica de a autoridade executiva, mediante deliberação de índole administrativa, restringir a eficácia do preceito inscrito no art. 195, § 7º, da Carta Política, para, em função de exegese que claramente distorce a teleologia da prerrogativa fundamental em Referência, negar, à entidade beneficente de assistência social que satisfaz os requisitos da lei, o benefício que lhe é assegurado no mais elevado plano normativo. (STF, Primeira Turma, RMS 22.192/DF, Rel. Min. Celso de Mello, Julgamento em 28/11/1995) Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 84 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra 9 – RESUMO DA AULA 9.1 – IMUNIDADES A imunidade não exime certo ente das obrigações acessórias instituídas pela legislação tributária. As obrigações acessórias são condutas impostas ao contribuinte, que não possuem caráter pecuniário, criando obrigações de “fazer” ou “deixar de fazer” algo no interesse da arrecadação e fiscalização. A não incidência tributária pode ocorrer de formas distintas, a saber: a pessoa política não faz uso da competência tributária que lhe foi conferida; a pessoa política não possui competência tributária para determinar certas situações fáticas como hipótese de incidência; e a pessoa política é impedir de tributar determinado fato pela própria CF/88. Neste último caso, temos a imunidade tributária. A isenção, por outro lado, decorre do exercício da competência tributária. Trata-se de situação que, a princípio seria tributada, mas que, por decorrência de lei específica do ente competente para instituir o tributo, se torna isenta. 9.2 – ESPÉCIES DE IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS 9.2.1 – Imunidade Recíproca A imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, a, da CF/88, veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços uns dos outros. Tal imunidade existe com o intuito de proteger a autonomia financeira dos entes federados e, consequentemente, o pacto federativo. No que se refere aos tributos indiretos, o entendimento do STF é o de que a imunidade recíproca aplica-se apenas quando a entidade imune se encontra na situação de contribuinte de direito. Vale destacar que, por decorrência de previsão na própria CF/88, a imunidade recíproca é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Outro aspecto importante sobre a imunidade recíproca é que não se aplica a ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 85 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra Apresentamos a seguir um breve esquema sobre a imunidade recíproca: 9.2.2 – Imunidade Religiosa A denominada imunidade religiosa, prevista no art. 150, VI, “b”, da CF/88, veda que todos os entes federativos cobrem impostos sobre os templos de qualquer culto. Levando em consideração o disposto no art. 5°, VI, da CF/88, podemos dizer que a liberdade de culto é um direito individual, o que faz com que a imunidade ora analisada se configure uma cláusula pétrea. De acordo com o art. 150, § 4º, da CF/88, a referida imunidade compreende somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades religiosas. Apresentamos a seguir um breve esquema sobre a imunidade religiosa: IMUNIDADE RECÍRPOCA Impostos Patrimônio Renda Serviços Extensiva a autarquias e fundações públicas Vinculação a finalidades essenciais EP e SEM prestadoras de serviço público Não se aplica: Taxas Contr. Previd. Não se aplica: - Explor. Ativ. Econ. - Contrib. De fato - Caixa Assist. Adv. - Serv. Cartoriais IMUNIDADE RELIGIOSA Impostos Patrimônio Renda Serviços Alcança Imóveis Alugados a Terceiros Relacionados com finalidades essenciais RECURSOS GERADOS Cemitérios (Extensão) Não se aplica: Maçonaria Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 86 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra 9.2.3 Imunidade dos Partidos Políticos, Entidades Sindicais dos Trabalhadores, Instituições de Educação e de Assistência Social De acordo com o art. 150, VI, c, da CF/88, é vedado a todos os entes políticos cobrar impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços dos partidos políticos e suas fundações, dos sindicatos de trabalhadores e das instituições de educação e assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. Apresentamos a seguir um breve esquema sobre tal imunidade: 9.2.4 – Imunidade Cultural A imunidade cultural, prevista no art. 150, VI, “d”, da CF/88, estabelece que é vedado a todos os entes federados instituírem impostos sobre os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão. Trata-se de imunidade objetiva, alcançando apenas o objeto imune, e não a pessoaque o produz ou comercializa. Apresentamos a seguir um breve esquema sobre a imunidade religiosa: IMUNIDADE Art. 150, VI, “c” Impostos Patrimônio Renda Serviços Partidos Políticos Sindicato Trab. Inst. Educacionais Inst. Assistenciais Abrange IOF IMUNIDADE CULTURAL Impostos Livros, Jornais e Periódicos Papel destinado sua impressão As pessoas jurídicas não estão protegidas. Incide: IOF/IR/ISS Abrange: Álbum de Figurinhas/ Apostilas/Filmes e papéis fotográficos Não Abrange: Tinta/Encartes de propag./Serv. Composição Gráfica Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 87 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra 9.2.5 – Imunidade em favor da produção musical brasileira A imunidade em favor da produção musical brasileira, contida no art. 150, VI, “e”, da CF/88, estabelece que é vedado a todos os entes federativos instituir impostos (e não tributos, como as bancas adoram cobrar) sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham. Acerca dessa imunidade tributária, você deve saber o seguinte: Os fonogramas e videofonogramas devem ser produzidos no Brasil; As obras não precisam ser dos autores brasileiros. Entretanto, devem ser, no mínimo, interpretadas por artistas brasileiros; Abrange os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham; A etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser não está imune. 9.3 - OUTRAS ESPÉCIES DE IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS São a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: (a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; (b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal (art. 5°, XXXIV); Ação popular, salvo comprovada má-fé, é isento (imune) de custas judiciais, as quais são consideradas taxas pelo STF (art. 5°, LXXIII); São gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei, o registro civil de nascimento e a certidão de óbito (art.5°, LXXVI); São gratuitas as ações de “habeas-corpus” e “habeas-data”, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania (art. 5°, LXXVII); As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação (art. 149, §2°, I); O IPI não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior (art. 153, §3°, III); O ITR não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, §3°, II); O ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, sujeita-se exclusivamente à incidência do IOF, sendo imune de qualquer outro tributo (art. 153, §5°); Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 88 de 88 DIREITO TRIBUTÁRIO – PC-MA - DELEGADO Curso de Teoria e Questões Comentadas Aula 02 - Prof. Fábio Dutra O ICMS não incidirá (art. 155, §2°, X): sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior; sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica; nas prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita; À exceção do II, IE e ICMS nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País (art. 155, §3°); O ITBI não incidirá sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão, incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se, nesses casos, a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil (art. 156, §2°,I); São isentas (imunes) de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária (art. 184, §5°); A contribuição previdenciária não incide sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social (art. 195, II); São isentas (imunes) de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, §7°); A celebração do casamento é gratuita, portanto, imune a taxas (art. 226, § 1º).