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WEITZEL, Simone da Rocha. Elaboração de uma política de desenvolvimento de coleções em bibliotecas universitárias. 2. Ed. Niterói: Intertexto; Rio de Janeiro: Interciência, 2013. 110 p. CAPÍTULO 3 – O QUE VEM A SER DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES? Desenvolvimento de coleções é um Processo, que inclui 6 etapas de: Estudo de comunidade, políticas de seleção, seleção, aquisição, avaliação e desbastamento. Obs: Vergueiro (1989), Maciel e Mendonça (2006) e Evans (2000) inicialmente só apresentam essas 6 etapas. Política de desenvolvimento de coleções é um Instrumento, que garante a consistência dos procedimentos. Possui função estratégica e é um documento formal. É constituída de 9 etapas que incluem os processos e as suas respectivas políticas: 1. Estudo da comunidade 2. Política de seleção 3. Seleção 4. Aquisição 5. Política de Aquisição 6. Desbastamento 7. Avaliação 8. Política de Avaliação 9. Política de Desbastamento 3.1 O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES Os processos de desenvolvimento de coleções estão presentes por inteiro em todas as bibliotecas. Porém, cada uma irá priorizar e dar ênfase para um determinado processo de acordo com: tipo de biblioteca, objetivos institucionais, perfil do público-alvo e tipo de coleção. 3.1.1 Estudo da Comunidade Segundo Figueiredo (1994, p. 65 apud WEITZEL, 2013, p. 26): “é uma investigação de primeira mão, uma análise e coordenação dos aspectos econômicos, sociais e de outros aspectos interrelacionados de um grupo selecionado”. Caracteriza o público-alvo. Perfil e quantidade. Inclui os usuários reais e potenciais. “O Perfil da comunidade é [...] o resultado concreto do Estudo de comunidade” (p. 28). Em uma biblioteca universitária, por exemplo, pode ser um estudo com pesquisa em dados que já existem sobre a quantidade de alunos por cada curso, professores, projetos de pesquisa e extensão, etc. 3.1.2 Política de seleção Segundo Vergueiro (1995 apud WEITZEl, 2013) é o documento de trabalho destinado a dar suporte às decisões de seleção que deve informar sobre: a) Identificação dos responsáveis pela seleção de materiais: comissão de seleção, com atribuições, funções, número de participantes e período de mandato bem definidos. Serão os responsáveis por decidir, item por item, a seleção das obras sugeridas pela comunidade. b) Os critérios utilizados no processo de seleção: referentes a qualidade, interesse e relevância do documento. Vergueiro apresenta 13 critérios que auxiliam no processo de seleção e tomada de decisão. Cada critério, deve ser verificado através de perguntas em um formulário de seleção, por exemplo. Quanto ao documento em si: (1) autoridade, (2) atualidade, (3) precisão, (4) imparcialidade, (5) cobertura e tratamento do assunto. Quanto ao usuário: (6) estilo, (7) conveniência, (8) idioma, (9) relevância e interesse Quanto aos outros aspectos: (10) características físicas, (11) aspectos especiais, (12) contribuição potencial, (13) custos. c) Os instrumentos auxiliares: Fontes de seleção, que inclui as sugestões da comunidade, mas também, catálogo de editoras. Nesse item, devem ser especificados as fontes de informação utilizadas como instrumentos auxiliares de seleção. d) As políticas específicas: “Por exemplo, diretrizes para reunir a produção científica da comunidade, para coleções de obras raras, ou de materiais especiais [...]” (p. 35). Também englobam as políticas para recebimento de doações, para duplicação ou substituição de documentos, sobre os repositórios digitais, digitalização da produção científica impressa. “A forma de detalhamento das políticas específicas normalmente é por tipos de coleções ou de finalidades” (p. 35). e) Os documentos correlatos: fluxogramas, organogramas, matrizes curriculares, portarias, resoluções, outras legislações, formulários para sugestão de itens, doações, reclamações e reconsiderações da seleção, recibos de aceite das doações, etc. 3.1.3 Seleção Processo de tomada de decisão. Envolve: quem vai selecionar (comissão de seleção, para as bibliotecas universitárias), a elaboração da política de seleção, a transcrição dos itens selecionados e o controle das informações, a serem submetidos a comissão. (incluindo informações sobre os pareceres de avaliação dos itens aprovados e reprovados). Processo de seleção = FAZER Política de seleção = COMO FAZER (diretrizes) “O registro dos pareceres da comissão de seleção pode facilitar, ainda a revisão e desbastamento das coleções, uma vez que existe por escrito a razão pela qual um item faz parte da coleção. Dados sobre quem faz a sugestão e seus contatos também são úteis para estabelecer um canal de comunicação com o usuário” (p. 38). Produto final: lista desiderata. 3.1.4 Aquisição Compra, permuta ou doação. Rapidez, precisão, economia nos gastos. Atividades dos bibliotecários, envolvidas com o processo de aquisição: Conhecimento dos trâmites burocráticos institucionais; Acompanhamento direto e constante dos processos; Conhecimento das dotações orçamentárias e outras fontes de investimentos; Cumprimento de prazos; Supervisão e controle de gastos para futura prestação de contas; Gerenciamento do serviço de permuta e doações. Fases: a) Organização de listas de pedidos provenientes da seleção (lista desiderata); b) Complementação dos dados documentários; c) Nova verificação da existência do item na biblioteca, do item pedido, bem como se o mesmo já foi encomendado, a fim de evitar duplicações desnecessárias; d) Seleção dos fornecedores que apresentem melhores condições para atendimento; e) Pedido de cotação aos fornecedores; f) Escolha dos fornecedores e da modalidade de compra; Recomenda-se manter um bando de dados com informações dos fornecedores. Um mapa de cotação. E um controle sobre os pedidos com informações sobre a cotação, datas de pedido e entrega e conferência do material. POLÍTICA DE AQUISIÇÃO a) Responsabilidade pela atividade; b) Definição das prioridades da aquisição (de acordo com a política de seleção e as demandas e necessidades identificadas por meio do estudo de comunidade e diagnóstico das coleções/acervo); c) Determinação de fontes de financiamento e captação de recursos; d) Estabelecimento de diretrizes para alocação de recursos (com base na política de seleção e por área prioritária); e) Detalhamento dos procedimentos e rotinas para compra, doação e permuta; f) Definição dos instrumentos auxiliares aplicáveis para a aquisição (ex: Acqweb); g) Orientações e critérios para a escolha dos fornecedores; h) Definir critérios para o registro das diferentes coleções para fins de identificação do patrimônio (número de registro e número de patrimônio, uso de carimbo ou etiquetas, usar lápis ou caneta, procedimento para obras raras e especiais pensando na preservação do material); i) Descrição da participação da biblioteca em planos ou programas de aquisição cooperativa (contratos e assinaturas de serviços, periódicos, etc); j) Adoção de programas para o controle e acompanhamento automatizado dos processos de aquisição. 3.1.5 Avaliação Avaliação no sentido de medir o desempenho e êxito da biblioteca em cumprir com sua missão institucional e de interface entre os recursos informacionais disponíveis e a comunidade de usuários (LANCASTER, 1996). É a avaliação da coleção. PROCESSO Exige domínio de metodologias quantitativas, técnicas de pesquisa, coleta e tabulação de dados e habilidades relativas a concentração e capacidade crítica. “A rotina do processo de avaliação envolve planejamento, diagnóstico das coleções, aplicação de padrões e critérios, e controle de dados de uso, valor e qualidade, de um modo geral. A avaliação deve, conforme recomenda Lancaster (1996), verificar o desempenho da interface, nesse caso, das coleções” (p. 58). Diagnóstico = mapear áreas e subáreas do acervo, idiomas e idades. Modelo Conspectus 1º Elemento Código Nível da coleção 0 A coleção não possui nenhum documento sobre o assunto em análise 1 Nível mínimo – com obras elementares 2 Nível de informação básica – com obras que definem a temática3 Nível de apoio curricular - com obras que permitem realizar estudos independentes 4 Nível de pesquisa - contém documentos que permitem a realização de uma tese ou trabalho de pesquisa 5 Nível máximo – acervo com exaustividade temática 2º Elemento Código Língua dos documentos E Os documentos estão escritos basicamente na língua inglesa (ou outra língua nativa do país) F Além do inglês (ou língua nativa), existe uma seleção de documentos em outras línguas, principalmente europeias (espanhol, Francês, Alemão, Inglês) W Existe uma completa seleção de todas as línguas Y Todos os documentos estão escritos na língua inglesa (língua nativa). Níveis de coleções da ALA (apresentado na p. 82-83): · Nível de completeza, que deve incluir todos os trabalhos significativos de uma área; · Nível de pesquisa, que se refere aos materiais que apoiam a pesquisa, especialmente relacionados com descobertas recentes, experimentos, relatos e comunicações; · Nível de estudo, voltada para apoiar o ensino da graduação e da pós-graduação; · Nível básico, se refere a “uma coleção altamente seletiva para introduzir e definir um assunto e indicar as variedades de informações disponíveis em outro lugar” (FIGUEIREDO, 1998, p. 43). · Nível mínimo, “é uma área de assunto que é fora do escopo para as coleções da biblioteca e para as quais poucas seleções são feitas além dos instrumentos de referência básicos” (FIGUEIREDO, 1998, p. 42). Dimensões de Miranda (1980) – apresentada nas páginas 85-87: 1. Coleção de referência 2. Coleção de “lastro” ou básica (obras fundamentais, clássicos da área, traduções, lista básica dos currículos). Obras essenciais e não introdutórias. 3. Coleção didática (leitura obrigatória nas bibliografias) 4. Literatura corrente Avaliação do MEC para as bibliotecas universitárias. POLÍTICA - Quem será o responsável; - Definição de padrões e critérios (variáveis institucionais e governamentais. Ex: listas de bibliografias básicas dos cursos, média de exemplares e alunos, duplicações, assinaturas de periódicos como o Portal de Periódicos da CAPES, etc.); - Definição de metodologias e métodos a serem empregados (estatísticas de uso, metodologias quantitativas e qualitativas. “A avaliação de coleções é um recurso fundamental para ajustar as políticas de desenvolvimento de coleções de um modo geral, e as de seleção, aquisição e desbastamento, em particular” (p. 63). 3.1.6 Desbastamento Ajuste e renovação do acervo e espaço às necessidades e desejos da comunidade e à missão institucional. Consequência: renovação dos espaços de armazenamento, contribuindo para melhorar o acesso. PROCESSO Maciel e Mendonça (2000, p. 25 apud WEITZEL, 2013, p. 65): O desbastamento consiste na retirada de documentos pouco utilizados pelos usuários, de uma coleção de uso frequente para outros locais – os depósitos especialmente criados para abrigar este material de consultas eventuais. Já o descarte, consiste na retirada definitiva do material do acervo da biblioteca, com a correspondente baixa nos arquivos de registro da mesma. Remanejamento (de obras raras ou especiais, obras que necessitam de reparos, coleções retrospectivas, obras de relevância, mas com pouco uso) e descarte (quando a obra não atende mais ao perfil da instituição/comunidade POLÍTICA Deve conter: responsabilidade pelo processo, critérios (de acordo com os critérios de seleção, além de inadequação do conteúdo e baixo uso, critérios de conservação e preservação). Critérios ALA: uso, valor e quantidade, duplicação indesejável e deterioração. Critérios Evans (2000): duplicatas, doações não solicitadas ou indesejadas, obras obsoletas, edições antigas, obras infestadas, sujas e gastas, obras com letras pequenas, papéis frágeis ou sem algumas páginas, obras sem uso ou desnecessárias. métodos (empregados em conjunto com os critérios): Métodos de Lancaster (baseado em datas de publicação, aquisição e circulação). Método de Slote (1997) - avaliação sistemática de coleções, baixa circulação dos materiais e desbastamento contínuo. e Aspectos legais e administrativos (controle e segurança do patrimônio, descarte de itens no serviço público, etc.). 3.1.7 Processos e políticas articulados “Fatores como missão e objetivos da Biblioteca e da Universidade, disponibilidade de verba, relacionamento de um item com os demais do acervo, a função da biblioteca para a comunidade, bem como o seu potencial para ser uma referência para futuras gerações, entre outros fatores demonstram a importância de realizar o processo de desenvolvimento de coleções como um todo” (p. 72). “[...] cada processo da etapa é como uma ação, e a respectiva política de cada etapa, um conjunto de regras para orientar a ação [...]” (p. 72). 3.2 A POLÍTICA PARA O DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES 1ª Passo: identificação da missão, objetivos e metas institucionais 2º Passo: perfil da comunidade (usuários reais e potenciais) 3º Passo: perfil das coleções (estado atual, quantidade e conteúdo) 4º Passo: descrição das áreas (prioritárias e secundárias) e formatos cobertos pela biblioteca 5º Passo: descrever a política de seleção 6º Passo: descrever o processo de seleção 7º Passo: descrever o processo e a política de aquisição 8º Passo: descrever o processo e a política de desbastamento, incluindo descarte 9º Passo: descrever o processo e a política de avaliação 10º Passo: detalhamento de outros aspectos importantes 11º Passo: documentos correlatos 12º Passo: avaliação da política