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UNIVERSIDADE POTIGUAR – UnP PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – NEaD Matemática Financeira Livro-texto EaD Natal/RN 2011 DIRIGENTES DA UNIVERSIDADE POTIGUAR – UnP Reitoria Sâmela Soraya Gomes de Oliveira Pró-Reitoria de Graduação e Ação Comunitária Sandra Amaral de Araújo Pró-Reitoria de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação Aarão Lyra NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DA UNIVERSIDADE POTIGUAR – UnP Coordenação Geral Barney Silveira Arruda Luciana Lopes Xavier Coordenação Pedagógica Edilene Cândido da Silva Coordenação de Produção de Recursos Didáticos Michelle Cristine Mazzetto Betti Coordenação de Produção de Vídeos Bruna Werner Gabriel Coordenação de Logística Helionara Lucena Nunes Revisão de Linguagem e Estrutura em EaD Priscilla Carla Silveira Menezes Thalyta Mabel Nobre Barbosa Úrsula Andréa de Araújo Silva Apoio Acadêmico Flávia Helena Miranda de Araújo Freire Assistente Administrativo Eliane Ferreira de Santana Gabriella Souza de Azevedo Gibson Marcelo Galvão de Sousa Giselly Jordan Virginia Portella B715m Bonin, Maria Albertina Schmitz. nanceira / Maria Albertina Schmitz Bonin. – Natal: EdunP, 2011. 262p. : il. ; 20 cm Ebook – Livro eletrônico disponível on-line. ISBN 978-85-61140-80-9 nanceira. I.Título. 15 UDC FSCB/PnU/NR Maria Albertina Schmitz Bonin Matemática Financeira 1a edição Natal/RN 2011 EQUIPE DE PRODUÇÃO DE RECURSOS DIDÁTICOS DA UnP Coordenação de Produção de Recursos Didáticos Michelle Cristine Mazzetto Betti Revisão de Estrutura e Linguagem em EaD Úrsula Andréa de Araújo Silva Ilustração do Mascote Lucio Masaaki Matsuno EQUIPE DE PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO Delinea - Tecnologia Educacional Coordenação Pedagógica Margarete Lazzaris Kleis Coordenação de Editoração Charlie Anderson Olsen Larissa Kleis Pereira Coordenação de Revisão e Linguagem em EaD Simone Regina Dias Revisão Gramatical e Linguagem em EaD Jacqueline Iensen Coordenação de Diagramação Cristina Assumpção Diagramação Valdir Siqueira Ilustrações Alexandre Beck MARIA ALBERTINA SCHMITZ BONIN Olá! Sou graduada em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC (1998) e recebi o título de mestre em Administração, pela mesma universidade, no ano 2001. Em 2000, iniciei como docente no Curso de Administração da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI para ministrar as disciplinas de Teorias da Administração. Desde então, já conduzi as disciplinas de Estágio em Administração e Teorias da Administração. Atualmente, ministro as disciplinas voltadas para a área financeira, no mesmo curso, como Matemática Financeira, Avaliação Financeira de Investimentos, Administração Financeira e Administração Financeira e Orçamentos. No Curso de Logística, sou responsável pela disciplina de Avaliação de Investimentos. Também tive a oportunidade de atuar no Curso de Administração a distância como professora, de várias disciplinas, conteudista e webtutora. Em projetos de extensão participei de programa voltado para o associativismo no artesanato, com pessoas de baixo poder aquisitivo. No momento, em parceria com outra colega, desenvolvo um projeto semelhante, cujo objetivo é estruturar um grupo, em forma de cooperativa ou de associação, com mulheres do meio rural, para gerar emprego e renda. Além do que foi já apresentado, também orientei trabalhos de iniciação científica, em projetos denominados Art. 170. Ao longo do tempo que estou na UNIVALI, oriento trabalhos de conclusão de estágio nas áreas, financeira, planejamento estratégico, plano de marketing e plano de negócio. C O N H E C E N D O O A U T O R C O N H E C E N D O O A U T O R MATEMÁTICA FINANCEIRA Tenho muita satisfação em estar com você! Estamos iniciando a disciplina de Matemática Financeira. Ela foi elaborada com o propósito de fazê-lo compreender, de forma prática e didática, as atividades relacionadas aos juros simples e compostos, descontos, compras a prazo, como também decisões sobre investimentos. Para isto, foi elaborada e disponibilizada uma quantidade razoável de exemplos e atividades para você desenvolver no decorrer da disciplina. Talvez, neste começo, algumas questões pairam sobre sua mente: onde é possível aplicar o que irei estudar? Em quais situações de meu cotidiano eu poderei aplicar os conhecimentos que irei adquirir? Esta disciplina pode contribuir para a organização das minhas finanças? Posso afirmar que o campo de aplicação é bem amplo, porque suas técnicas e teorias são necessárias para operações realizadas nos bancos, nas lojas, nas indústrias, na agricultura e pecuária e entre as pessoas. Aplicamos nos financiamentos de qualquer modalidade, crédito a pessoas físicas e empresas, crédito ao consumidor ou outro contratante. Para melhor organização do estudo, a disciplina foi configurada em oito capítulos, cujo objetivo é apresentar os conceitos de Matemática Financeira e sua aplicação na resolução de problemas. Durante o desenvolvimento da disciplina, em algumas partes do material, você encontrará instrumentos para conhecer a utilização da Calculadora Financeira. Espero que você aproveite bem os conteúdos que serão trabalhados, pois eles lhe propiciarão conhecer e discutir aspectos econômico-financeiros que atingem não somente as empresas, mas as pessoas de modo geral. Gostaria de parabenizá-lo pela iniciativa de fazer um curso superior. Você já é um vitorioso, pois são poucas as pessoas que conseguem atingir este objetivo, e muitos gostariam de fazê-lo. Desejo bons estudos e muito sucesso! C O N H E C E N D O A D IS C IP L IN A C O N H E C E N D O A D IS C IP L IN A Capítulo 1 - Juros simples .......................................................................... 13 1.1 Contextualizando .......................................................................................................... 13 1.2 Conhecendo a teoria .................................................................................................... 14 1.2.1 Juros simples ......................................................................................................... 14 1.2.2 Conceito de juros ................................................................................................ 15 1.2.3 Regimes de capitalização ................................................................................. 18 1.2.4 Capitalização simples ........................................................................................ 19 1.2.5 Fluxo de caixa ....................................................................................................... 28 1.2.6 Cálculo dos juros, da taxa e do tempo ........................................................ 30 1.2.7 Montante e valor atual ...................................................................................... 34 1.3 Aplicando a teoria na prática .................................................................................... 36 1.4 Para saber mais .............................................................................................................. 38 1.5 Relembrando .................................................................................................................. 39 1.6 Testando os seus conhecimentos ............................................................................ 40 Onde encontrar ..................................................................................................................... 40 Capítulo 2 - Desconto simples ................................................................... 41 2.1 Contextualizando ........................................................................................................... 41 2.2 Conhecendo a teoria ..................................................................................................... 422.2.1 Conceito de desconto ........................................................................................ 42 2.2.2 Tipologia dos descontos .................................................................................... 45 2.2.3 Desconto simples comercial (ou bancário) ................................................ 46 Cálculo da taxa e do período do desconto bancário simples ............................................46 Cálculo do valor líquido (valor atual) ..........................................................................................50 Cálculo do valor nominal do título ..............................................................................................51 2.2.4 Desconto simples racional ................................................................................ 52 Cálculo do desconto simples racional ........................................................................................53 Cálculo dos componentes do desconto simples racional ...................................................53 2.2.5 Valor atual e valor nominal ............................................................................... 54 Cálculo do valor líquido ou do valor de resgate .....................................................................56 2.2.6 Cálculo do período de desconto .................................................................... 56 Cálculo da taxa e do período de desconto ...............................................................................58 2.3 Aplicando a teoria na prática ..................................................................................... 61 2.4 Para saber mais ............................................................................................................... 62 2.5 Relembrando ................................................................................................................... 62 2.6 Testando os seus conhecimentos ............................................................................. 64 Onde encontrar ...................................................................................................................... 64 Capítulo 3 - Capitalização composta ........................................................ 65 3.1 Contextualizando ........................................................................................................... 65 3.2 Conhecendo a teoria ..................................................................................................... 65 3.2.1 Características dos juros compostos ............................................................. 66 3.2.2 Comparação entre juros simples e juros compostos .............................. 66 3.2.3 Cálculo do montante .......................................................................................... 68 3.2.4 Taxas proporcionais e equivalentes .............................................................. 77 Taxa proporcional e nominal ........................................................................................................78 Taxa equivalente e efetiva ..............................................................................................................80 3.2.5 Cálculo da taxa nominal e efetiva .................................................................. 82 S U M Á R IO S U M Á R IO 3.2.6 Cálculo do tempo e do valor atual .......................................................................................... 83 3.2.7 Cálculo do período de capitalização ...................................................................................... 85 3.2.8 Operacionalização da calculadora fi nanceira ..................................................................... 89 3.3 Aplicando a teoria na prática .............................................................................................................. 89 3.4 Para saber mais ........................................................................................................................................ 91 3.5 Relembrando ............................................................................................................................................ 92 3.6 Testando os seus conhecimentos ...................................................................................................... 93 Onde encontrar ............................................................................................................................................... 94 Capítulo 4 - Desconto composto ................................................................................... 95 4.1 Contextualizando .................................................................................................................................... 95 4.2 Conhecendo a teoria .............................................................................................................................. 96 4.2.1 Conceito de desconto ................................................................................................................. 96 4.2.2 Tipologia de desconto composto ........................................................................................... 98 4.2.3 Desconto composto comercial (ou bancário) ................................................................... 98 Cálculo do valor nominal ou atual de um título ...................................................................................................99 Cálculo do valor presente ou valor atual ..............................................................................................................102 Cálculo do desconto ....................................................................................................................................................104 Cálculo da taxa e do período de antecipação ....................................................................................................106 4.2.4 Desconto composto racional ..................................................................................................110 Cálculo do valor nominal ...........................................................................................................................................110 Cálculo do desconto ....................................................................................................................................................112 4.2.5 Valor atual e valor nominal de um título ............................................................................115 Cálculo do valor presente ou valor atual ..............................................................................................................115 Cálculo do período de desconto .............................................................................................................................117 Comparação entre desconto simples e desconto composto .......................................................................120 4.2.6 Operacionalização da calculadora fi nanceira ...................................................................120 4.3 Aplicando a teoria na prática ............................................................................................................121 4.4 Para saber mais ......................................................................................................................................122 4.5 Relembrando ..........................................................................................................................................123 4.6 Testando os seus conhecimentos ....................................................................................................124 Onde encontrar .............................................................................................................................................125 Capítulo 5 - Séries fi nanceiras I ....................................................................................1275.1 Contextualizando ..................................................................................................................................127 5.2 Conhecendo a teoria ............................................................................................................................128 5.2.1 Séries antecipadas e postecipadas .......................................................................................129 Conceito e classifi cação de séries fi nanceiras .....................................................................................................131 5.2.2 Cálculo do valor presente (valor atual) ...............................................................................133 5.2.3 Cálculo do número de prestações .......................................................................................137 5.2.4 Cálculo da taxa .............................................................................................................................140 5.2.5 Cálculo do valor futuro (montante) ......................................................................................144 Cálculo do valor do depósito ....................................................................................................................................146 Cálculo da prestação ....................................................................................................................................................148 Cálculo da taxa de remuneração dos depósitos ................................................................................................150 Conceito de série antecipada ...................................................................................................................................151 Cálculo do valor presente de uma série antecipada ........................................................................................152 5.2.6 Operacionalização da calculadora fi nanceira ...................................................................154 5.3 Aplicando a teoria na prática ............................................................................................................154 5.4 Para saber mais ......................................................................................................................................156 5.5 Relembrando ..........................................................................................................................................156 5.6 Testando os seus conhecimentos ....................................................................................................157 Onde encontrar .............................................................................................................................................158 Capítulo 6 - Séries fi nanceiras II ..................................................................................159 6.1 Contextualizando ..................................................................................................................................159 6.2 Conhecendo a teoria ............................................................................................................................160 6.2.1 Séries diferidas e infi nitas (perpétuas) ................................................................................160 Classifi cação das séries fi nanceiras diferidas ......................................................................................................162 6.2.2 Cálculo do valor presente (valor atual) ...............................................................................162 Cálculo do valor das prestações ..............................................................................................................................165 6.2.3 Cálculo do número de prestações ........................................................................................167 6.2.4 Cálculo da taxa .............................................................................................................................169 6.2.5 Cálculo do valor futuro (montante) ......................................................................................171 Cálculo do valor do depósito ....................................................................................................................................175 Cálculo no número de depósitos ............................................................................................................................176 Conceito de séries infi nitas ou perpétuas ............................................................................................................178 Cálculo do valor presente de uma série infi nita ................................................................................................179 Cálculo do valor da prestação de uma renda perpétua ..................................................................................179 6.2.6 Séries variáveis (gradiente) ......................................................................................................180 Tipologia de séries em gradiente ............................................................................................................................180 Cálculo do valor presente (valor atual nas séries em gradiente) .................................................................180 6.2.7 Operacionalização da calculadora fi nanceira ...................................................................183 6.3 Aplicando a teoria na prática ............................................................................................................183 6.4 Para saber mais ......................................................................................................................................185 6.5 Relembrando ..........................................................................................................................................186 6.6 Testando os seus conhecimentos ....................................................................................................187 Onde encontrar .............................................................................................................................................187 Capítulo 7 - Noções de análise de investimentos I ....................................................189 7.1 Contextualizando .................................................................................................................................189 7.2 Conhecendo a teoria ............................................................................................................................190 7.2.1 Taxa mínima de atratividade (TMA) ......................................................................................197 7.2.2 Investimentos iniciais ................................................................................................................199 7.2.3 Fluxo de caixa ...............................................................................................................................199 7.2.4 Ingressos (receitas) .....................................................................................................................206 7.2.5 Desembolsos (custos) ................................................................................................................206 7.2.6 Valor residual ................................................................................................................................207 Etapas de uma análise de investimentos .............................................................................................................207 Métodos de análise de investimentos ...................................................................................................................208 7.2.7 Cálculo do valor presente líquido (VPL) .............................................................................2107.2.8 Operacionalização da calculadora fi nanceira ...................................................................212 7.3 Aplicando a teoria na prática ............................................................................................................213 7.4 Para saber mais ......................................................................................................................................215 7.5 Relembrando ..........................................................................................................................................216 7.6 Testando os seus conhecimentos ....................................................................................................217 Onde encontrar .............................................................................................................................................218 Capítulo 8 - Noções de análise de investimentos II ...................................................221 8.1 Contextualizando ..................................................................................................................................221 8.2 Conhecendo a teoria ............................................................................................................................222 8.2.1 Valor presente ..............................................................................................................................222 8.2.2 Taxa interna de retorno de um investimento ...................................................................228 8.2.3 Retorno do investimento (Payback) .....................................................................................239 8.2.4 Análise de cenários .....................................................................................................................243 Análise de sensibilidade .............................................................................................................................................245 8.2.5 Operacionalização da calculadora fi nanceira ..................................................................248 8.3 Aplicando a teoria na prática ............................................................................................................249 8.4 Para saber mais ......................................................................................................................................250 8.5 Relembrando ..........................................................................................................................................251 8.6 Testando os seus conhecimentos ....................................................................................................253 Onde encontrar .............................................................................................................................................254 Referências ....................................................................................................................257 Capítulo 1 13Matemática Financeira JUROS SIMPLES CAPÍTULO 11 1.1 Contextualizando Quando fazemos compras e pagamos a prazo, ou tomamos dinheiro emprestado, estamos usando um recurso que é de outros. Ao usar um valor de que não dispomos, pagamos uma certa quantia. Em situação semelhante, quando aplicamos um certo valor, também recebemos uma espécie de aluguel por disponibilizarmos nosso dinheiro a outros que estão necessitando. Nas duas situações, o valor pago ou recebido, dá-se o nome de juros. Existem duas formas de aplicação dos juros: o regime de capitalização simples (juros simples) e o regime de capitalização composta (juros compostos). Cada regime tem sua taxa, em função do prazo de aplicação e dos riscos envolvidos. Então, por meio do estudo dos juros, podemos avaliar as formas de aplicação do dinheiro, como também do pagamento de empréstimos. Neste capítulo você vai conhecer e interpretar os procedimentos para o cálculo dos juros simples. Também aprenderá a aplicar os conceitos sobre capitalização simples, calcular juros simples e montante, calcular taxas proporcionais e período de tempo envolvido nas situações problema. Dois componentes principais fazem parte do cálculo dos juros, o capital, que é o valor monetário que uma pessoa (física ou jurídica) aplica ou toma emprestado de outra, durante um certo período de tempo. A taxa de juros diz respeito à porcentagem que incide sobre o valor do capital, e é expressa em unidade de tempo. Capítulo 1 14 Matemática Financeira O capítulo 1 tem por objetivo conceituar juros e exercitar sua aplicação nas diversas situações que envolvem capitalização simples. Ao longo dos seus estudos, você entenderá os conceitos de capitalização composta aplicados à resolução de problemas de juros compostos nas várias situações que se apresentam. Espero que você compreenda e aplique o valor dos juros compostos, valor do principal, capital ou valor presente, valor futuro, taxa e período de capitalização. 1.2 Conhecendo a teoria A partir deste ponto, trataremos da capitalização simples, também conhecida como juros simples. São apresentados os fundamentos que sustentam os cálculos das várias situações em que o capital é aplicado ou emprestado, envolvendo determinado período de tempo e uma taxa de juros. Vamos começar entendendo o que significam juros simples. 1.2.1 Juros simples A capitalização simples consiste em adicionar os juros ao capital ao final do período que está sendo considerado. Segundo Hazzan e Pompeo (2007), neste regime, o juro gerado, em cada período, é constante e igual ao valor do capital multiplicado pela taxa, sendo os juros pagos somente ao final da operação. O possuidor do dinheiro, para Vieira Sobrinho (2000, p. 18), deve considerar alguns aspectos quando estiver disposto a emprestar uma quantia: • risco: probabilidade de o tomador do empréstimo não resgatar o dinheiro; • despesas: todas as despesas operacionais, contratuais e tributárias para a formalização do empréstimo e a efetivação da cobrança; • inflação: índice de desvalorização do poder aquisitivo da moeda previsto para o prazo de empréstimo; Capítulo 1 15Matemática Financeira • ganho (ou lucro): fixado em função das demais oportunidades de investimentos (custo de oportunidade); justifica-se pela privatização por parte do seu dono, da utilidade do capital. Sendo assim, para este autor, a receita de juros deve ser suficiente para cobrir o risco, as despesas e a perda do poder aquisitivo do capital emprestado, além de proporcionar algum lucro para quem está aplicando (VIEIRA SOBRINHO, 2000). Como você pode constatar, vários aspectos são observados na utilização dos juros simples. Então, já foi possível saber o que são juros. Agora, vamos conhecer o conceito de juros e os fatores principais que compõem este tema? O conceito de juros surgiu no momento em que o homem percebeu a existência de uma afinidade entre o dinheiro e o tempo. As situações de acúmulo de capital e desvalorização monetária davam a ideia de juros, pois isso acontecia devido ao valor momentâneo do dinheiro. Algumas tábuas matemáticas se caracterizavam pela organização dos dados e textos relatavam o uso e a repartição de insumos agrícolas através de operações matemáticas. Os sumérios registravam documentos em tábuas, como faturas, recibos, notas promissórias, operações de crédito, juros simples e compostos, hipotecas, escrituras de vendas e endossos. Essas tábuas retratavam documentos de empresas comerciais, algumas eram utilizadas como ferramentas auxiliares nos assuntos relacionados ao sistema de peso e medida. Havia tábuas para a multiplicação, inversos multiplicativos, quadrados, cubos e exponenciais. As exponenciais com certeza estavam diretamente ligadas aos cálculos relacionados a juros compostos e as de inverso eram utilizadas na redução da divisão para a multiplicação. CURIOSIDADE 1.2.2Conceito de juros Apresentaremos alguns conceitos importantes para o desenvolvimento de cálculos financeiros, e que estão direcionados ao tema em estudo, que são os juros simples. Capítulo 1 16 Matemática Financeira Para Vieira Sobrinho (2000, p. 19), “juros é a remuneração do capital emprestado, podendo ser entendido como o aluguel pago pelo uso do dinheiro”. Este autor ainda ressalta que quem possui recursos pode utilizá-lo na compra de bens de consumo, ou de serviços, na aquisição de bens de produção, na compra de imóveis para uso próprio ou venda futura. Ainda pode emprestá-lo a outras pessoas, ou adquirir títulos de renda fixa ou variável. Além destas opções, pode deixá-lo depositado para atender imprevistos e eventualidades. Ou também guardá-lo, na expectativa de uma oportunidade melhor para sua utilização, como também pela simples satisfação de ter dinheiro. Assim, podemos entender que o dinheiro possui um preço. Quem pede dinheiro emprestado, a um banco ou a uma financeira, deverá devolver a quantia recebida, acrescida de um valor extra por estar usando o dinheiro que não é seu. Este acréscimo pode ser entendido como um “aluguel” a ser pago pelo uso temporário do dinheiro. Então, esta quantia extra constitui, na prática, o preço do dinheiro, isto é, os juros. Para o cálculo dos juros, necessitamos conhecer melhor os elementos que estão diretamente relacionados: o capital, a taxa, o período de tempo previsto para sua utilização e o montante. Para Milone (2006), capital diz respeito à quantidade de moeda que uma pessoa (física ou jurídica) tem disponível para ceder a outra, durante certo período de tempo e certas condições de retorno. No mesmo sentido, Hazzan e Pompeo (2007) afirmam que capital é qualquer valor monetário que outra pessoa (física ou jurídica) empresta para outra durante certo tempo. Como você pode constatar, os autores apresentam ideias concordantes a respeito do que significa capital na operacionalização dos juros. Já a taxa de juros, segundo estes mesmos autores, é o valor do juro em uma certa quantidade de tempo, expresso como uma porcentagem do capital ou de forma decimal. Capítulo 1 17Matemática Financeira Segundo Milone (2006), a taxa de juros de uma operação é um referencial financeiro determinado pelo mercado e condicionado por uma série de distintos fatores, uns objetivos e outros subjetivos (estes últimos difíceis de transformar em dinheiro). A taxa de juros pode ser apresentada nas seguintes formas: Taxa percentual – exemplo: 12,25 % ao ano Taxa unitária (decimal) – exemplo: 0,1225 ao ano A conversão da taxa percentual em taxa unitária (decimal) é feita pela divisão da notação em porcentagem por 100. E para retornar à forma percentual, basta multiplicar por 100. Observe os exemplos a seguir. Taxa percentual Taxa unitária (decimal) 3,75% ao mês (percentual) 3,75%= 3,75 100 =0,0375 0,0375 ao mês (unitária) 36,18% ao ano (percentual) 36,18%= 36,18 100 =0,3618 0,3618 (unitária) A taxa de juros, geralmente expressa em termos percentuais, é o coeficiente que permite a determinação dos juros. Na determinação da taxa, deve-se observar os seguintes fatores: • risco; • despesas; • inflação; • desvalorização do poder aquisitivo da moeda; • ganho: fixado em função das demais oportunidades de investimentos (custo de oportunidade); justifica-se pela privação por parte de seu dono, da utilidade do capital. Capítulo 1 18 Matemática Financeira Nas fórmulas, todos os cálculos são realizados utilizando-se a taxa unitária (decimal). Tanto o prazo da operação (n) como a taxa de juros (i) devem obrigatoriamente estar expressos na mesma unidade de tempo. Assim, se o período de tempo estiver em meses, a taxa deverá ser expressa ao mês. Caso não esteja, deveremos converter um deles para que ambos estejam expressos na mesma unidade de tempo. SAIBA QUE O período de utilização do dinheiro é o intervalo de tempo em que o capital estará disponível. Corresponde ao número de períodos envolvidos na operação, que podem ser expressos em dias, meses, trimestres, bimestres, semestres e anos. E o montante é o valor resultante, ao final do período, do capital emprestado ou aplicado acrescido dos juros, tanto do empréstimo como de uma aplicação financeira. Depois de conhecermos os elementos que compõem os juros, vamos agora estudar os tipos de capitalização, isto é, como os juros podem ser aplicados. 1.2.3 Regimes de capitalização No entendimento de Hazzan e Pompeo (2007), quando um capital é aplicado por vários períodos, a uma certa taxa, por período, o montante poderá aumentar de acordo com duas convenções, denominadas regimes de capitalização. Existe o regime de capitalização simples (ou juros simples) e o regime de capitalização composta (ou juros compostos). Neste capítulo, estudaremos somente a capitalização simples e, mais à frente, vamos conhecer a capitalização composta. A maioria das operações envolvendo dinheiro utiliza juros compostos. Estão incluídos: compras a médio e longo prazo, compras com cartão de crédito, empréstimos bancários, as aplicações financeiras usuais como caderneta de poupança e aplicações em fundos de renda fixa, etc. Raramente encontramos uso para o regime de juros simples: é o caso das operações de curtíssimo prazo, e do processo de desconto simples de duplicatas. Capítulo 1 19Matemática Financeira Estes conceitos são importantes para o entendimento e aplicação dos assuntos que seguem. 1.2.4 Capitalização simples A capitalização simples, segundo Vieira Sobrinho (2000, p. 21), “é aquela em que a taxa de juros incide somente sobre o capital inicial; não incide, pois, sobre os juros acumulados”. Este autor ressalta que, neste regime de capitalização, a taxa varia linearmente em função do tempo. Então, podemos entender que o juro simples é caracterizado pelo fato de apenas o valor do principal, ou capital inicial, ser remunerado ao longo do tempo de aplicação. E a remuneração é diretamente proporcional ao seu valor e ao tempo de aplicação. A capitalização simples estabelece que se calcule o juro produzido em cada unidade de tempo sempre a partir do capital inicialmente aplicado. Uma das consequências disso é a impossibilidade de se incorporar os juros produzidos por cada unidade de tempo ao valor do capital para a apuração do valor da dívida ou do valor a que tem direito, no período seguinte (MILONE, 2006). Este autor ainda destaca que, por não prever a capitalização do juro, seja ele devido ao final de cada período ou ao final da operação, será sempre pago sem qualquer acréscimo. Então, você pode concluir que o montante, apurado ao final da operação a juros simples, corresponde ao capital investido, ou emprestado, acrescido de tantas unidades de juros quantos forem as unidades de tempo consideradas. Mas atenção! Na capitalização simples, a taxa de juros incide somente sobre o capital inicial, não há juros sobre juros. E segundo Braga (2008), a taxa de juros é linear: Taxa diária × 30 = taxa mensal; taxa mensal × 12 = taxa anual, etc. Capítulo 1 20 Matemática Financeira É importante você entender que os juros refletem o valor do dinheiro no tempo e estão associados a um sacrifício de consumo no presente, ao impedimento temporário de realizar outros negócios lucrativos com a quantia cedida e também à possibilidade de o devedor não pagar seu compromisso na data do vencimento (BRAGA, 2008). Vieira Sobrinho (2000) acrescenta que os indivíduos que possuem recursos podem utilizá-los para comprar bens de consumo, ou de serviços, na aquisição de bens de produção, na compra de imóveis para uso próprio ou venda futura; podem ainda emprestá-los a terceiros ou adquirir títulos de renda fixa ou variável, deixá-lo depositado para atender a eventualidades. E também guardá-lo na expectativade uma oportunidade melhor para sua utilização, ou ainda pela simples satisfação de ter dinheiro. Vieira Sobrinho (2000) nos apresenta a expressão que permite calcular o valor dos juros simples: J = Pxixn Em que: J = valor dos juros. P = valor do capital inicial ou principal. I = taxa de juros. n = prazo. (1) Dessa forma, para você encontrar o valor dos juros devidos em qualquer período, basta multiplicar a taxa de juros pelo capital inicial da operação e pelo número de períodos. A operação de adição dos juros ao capital recebe o nome de capitalização simples. Observe como ocorre com os juros por meio do exemplo a seguir. Exemplo 1: Um capital de R$ 1.000,00 foi entregue a um banco que lhe prometeu juros de 10% ao período. Qual será o saldo credor ao final de cada um dos próximos quatro anos? Capítulo 1 21Matemática Financeira PERÍODO SALDO NO INÍCIO DO PERÍODO (R$) JUROS EM CADA PERÍODO (R$) JUROS AO FINAL DO PERÍODO (R$) 0 - - 1.000,00 1 1.000,00 1.000,00 . 0,10 = 100,00 1.100,00 2 1.100,00 1.000,00 . 0,10 = 100,00 1.200,00 3 1.200,00 1.000,00 . 0,10 = 100,00 1.300,00 4 1.300,00 1.000,00 . 0,10 = 100,00 1.400,00 Tabela 1 - Capitalização simples Fonte: elaborada pelo autor. Para entendermos melhor como acontece a adição dos juros ao capital inicial, vamos saber o que é o fluxo de caixa. Também, na sequência, iremos desenvolver alguns exemplos que mostram o cálculo dos juros e seus componentes. Taxas equivalentes Na fórmula dos juros simples, sabemos que o prazo deve ser expresso na mesma unidade da taxa. Segundo Hazzan e Pompeo (2007), o procedimento inverso também pode ser adotado, ou seja, podemos converter a taxa na mesma unidade de tempo que está expresso o prazo. Então, para que isto ocorra, devemos saber converter taxas de um período para outro. Dizemos que duas taxas são equivalentes a juros simples quando aplicadas em um mesmo capital durante um mesmo prazo resultarem valores iguais (HAZZAN; POMPEO, 2007). Para você entender melhor, vamos acompanhar um exemplo? Exemplo - Qual a taxa anual equivalente a juros simples a 2% a.m.? Observe a resolução: Seja i a taxa anual procurada, P o capital (principal) e um ano o prazo. Então, devemos ter: Capítulo 1 22 Matemática Financeira P× i × 1 = P(0,02)×12 i = (0,02)×12= 0,24 = 24% a.a. Sendo assim, a taxa anual equivalente a 2% a.m. é 24% a.a. Observamos que se tivéssemos adotado outro prazo, por exemplo, dois anos, chegaríamos ao mesmo resultado. A equação correspondente seria: P× i × 2 = P(0,02)×24 (a taxa deve ser sempre dividida por 100) 2 × i = (0,02)×24 ×= = =(0,02) 24i 0,24 24%a.a. 2 Exemplo - Considerando os juros simples, qual a taxa mensal equivalente a 9% a.t.? Veja a resolução: Seja i a taxa mensal procurada, P o capital aplicado e um ano o prazo. Devemos ter: P× i × 12 = P×(0,09) × 4 ×= = =(0,02) 24i 0,24 24%a.a. 2 Como você pode comprovar nos exemplos que foram mostrados, as taxas equivalentes são proporcionais aos respectivos prazos a que se referem. Isto pode ser comprovado da seguinte forma: sejam i1 e i2 duas taxas equivalentes e sejam d1 e d2 os prazos (em dias) das referidas taxas. Como elas são equivalentes, considerando um capital P e um prazo de aplicação de um ano, devemos ter: Capítulo 1 23Matemática Financeira P × i1 × 360 = P × i2 × 360 d1 d2 i1 = d1 i2 d2 Assim, esta expressão comprova o fato de as duas taxas serem proporcionais aos respectivos prazos. Você observou que utilizamos o ano comercial (360 dias) e os prazos expressos em dias, sem prejudicar a generalidade (HAZZAN, POMPEO, 2007, p. 17). Desta forma, podemos escrever: • 4% a.b. (ao bimestre) é equivalente a 2% a.m. • 6% a.t. (ao trimestre) é equivalente a 2% a.m. • 12% a.s. (ao semestre) é equivalente a 2% a. m. • 24% a.a. (ao ano) é equivalente a 2% a.m. Vamos acompanhar mais um exemplo? Exemplo – Qual a taxa anual de juros simples que um fundo de investimento rendeu, sabendo-se que o capital aplicado foi de R$ 5.000,00 e que o valor de resgate foi de R$ 5.525,00 após sete meses? Vamos à resolução? Como você pode verificar, os juros da aplicação foram de R$ 525,00 (diferença entre o valor de resgate e o capital aplicado). Chamando de i a taxa mensal de juros, aplicamos a fórmula: J = P × i × n 525 = 5.000 × i × 7 525 = 35.000 × i 35.000 × i = 525 i = 525 35.000 i = 0,015 = 1,5% a.m. Capítulo 1 24 Matemática Financeira E se desejarmos a taxa anual, multiplicamos por 12, como segue, 12×(1,5%)= 18% ao ano. Veja outro exemplo a seguir. Exemplo - Quais os juros obtidos quando aplicamos o valor de R$5.000,00 pelo período de 2 anos, à taxa de 20% ao ano? Observe a resolução! Dados da questão: PV = 5.000 n = 2 anos i = 20% a. a. = 0,20 a. a. J = ? Aplicando a fórmula dos juros simples, teremos: J = P× i × n J = 5.000 × 0,20 × 2 J = 2.000 Utilizando os mesmos dados do problema anterior, porém alterando a taxa de juros para 5% ao trimestre. Vamos também converter o prazo de 2 anos para 8 trimestres, para fazer o prazo concordar com a taxa. Vejamos como fica o resultado. J = P× i × n J = 5.000 × 0,05 × 8 J = 2.000 Como as taxas de 20% ao ano e 5% ao trimestre quando aplicadas ao mesmo capital de R$ 5.000,00 durante o mesmo intervalo de tempo de 2 anos, produziram o mesmo juro de R$ 2000,00, podemos afirmar que elas são equivalentes. Na capitalização simples, as taxas proporcionais são também taxas equivalentes! Capítulo 1 25Matemática Financeira Juros ordinários Quando se utiliza o ano comercial para estabelecer a homogeneidade entre a taxa e o tempo, temos os juros ordinários. No entendimento de Kuhnen e Bauer (2001), em juros ordinários, todos os meses têm 30 dias e o ano tem 360 dias. Vamos ver um exemplo para saber como se calcula este tipo de juros? Posso afirmar que é da mesma forma que se calcula os juros simples. Exemplo – Calcule os juros ordinários produzidos por um capital de R$ 100.000,00, que foi aplicado durante os meses de junho, julho e agosto, a uma taxa de 12% a.a. Agora, vamos à resolução. Os dados da questão estão relacionados a seguir: P = 100.000,00 Juros = ? i = 12% a.a. = 0,12 n = 3 meses = 90 dias = 90÷360 = 0,250000 Agora que já temos a taxa e o prazo na mesma unidade de tempo, podemos calcular os juros, como é possível verificar a seguir. J = P × i × n J = 100.000 × 0,12 × 0,250000 J = 3.000,00 Então, os juros ordinários são de R$ 3.000,00. A partir de agora, vamos aprender a utilizar a calculadora financeira. Em alguns exercícios, mostraremos a sua operacionalização. Acompanhe, na sequência, os passos do cálculo quando utilizamos esta ferramenta. Para resolver esta questão utilizando a calculadora financeira, sugiro que você digite: Capítulo 1 26 Matemática Financeira f Fin f 2 100.000 CHS PV 12 i 3 enter 30× n f INT A sua calculadora vai mostrar no visor o mesmo valor que você encontrou resolvendo pela fórmula, isto é, R$ 3.000,00. Juros exatos Os juros exatos são os que se usa o tempo na mesma quantidade exata em dias, observando a quantidade de dias que tem cada mês, sendo a taxa expressa ao ano. Neste tipo de juros, utiliza-se o ano civil, que considera o ano com 365 dias para estabelecer a homogeneidade entre a taxa e o tempo. Caso o tempo não esteja em dias, devemos transformá-lo, e se a taxa não for anual, também devemos transformá-la. Vamos ver um exemplo para verificar como este tipo de juros é calculado? Exemplo – Calcule os juros exatos gerados por um capital de R$ 100.000,00, aplicado durante os meses de junho, julho e agosto a uma taxa de 12% a.a. Agora, acompanhe a resolução. Vamos primeiramente identificar os dados contidos na questão: P = 100.000,00 Juros = ? i = 12% a.a. = 0,12 a.a. n = 92 dias (dias exatos dos meses) = 92÷365 = 0,252055 Aplicando a fórmulados juros simples teremos: J = P× i × n J = 100.000 × 0,12 × 0,252055 J = 3.024,66 Sendo assim, os juros exatos desta aplicação são de R$ 3.024,66. Capítulo 1 27Matemática Financeira Este problema você pode resolver facilmente utilizando a calculadora financeira. Para isto, digite: f Fin f 2 100.000 CHS PV 12i 92 n f INT R X<>y Sua calculadora vai apontar no visor o valor de R$ 3.024,66, o mesmo valor encontrado por meio da fórmula. Juros simples pela regra dos banqueiros Este é o cálculo em que, para estabelecer a homogeneidade entre taxa e período de tempo, é usado o ano comercial, isto é, ano com 360 dias, como nos juros ordinários, mas o tempo (número de dias) segue o princípio dos juros exatos, ou seja, segue o calendário civil (KUHNEN; BAUER, 2001, p. 35). Exemplo – Determine os juros, pela regra dos banqueiros, gerados por um capital de R$ 100.000,00, aplicado durante os meses de junho, julho e agosto, a uma taxa de 12% a.a. Passemos à resolução. Inicialmente vamos conhecer os dados do problema: P = 100.000,00 Juros = ? i = 12% a.a. = 0,12 a.a. n = 92 dias (dias exatos dos meses) = 92÷360 = 0,255556 Capítulo 1 28 Matemática Financeira Aplicando a fórmula dos juros simples teremos: J = P× i × n J = 100.000 × 0,12 × 0,255556 J = 3.066,72 Você pode também resolver este problema utilizando a calculadora financeira. Digite então: f FIN f 2 100.000 CHS PV 12 i 92 n f INT Aparecerá no visor o mesmo valor que você encontrou calculando pela fórmula, ou seja, R$ 3.066,67. 1.2.5 Fluxo de caixa O fluxo de caixa tem por finalidade demonstrar, para certo horizonte de tempo, o comportamento dos ingressos e desembolsos de dinheiro em uma organização. O diagrama do fluxo de caixa de uma operação, segundo Hazzan e Pompeo (2007), é uma representação esquemática muito útil na resolução dos problemas. Basicamente, se resume em um eixo horizontal onde é marcado o tempo, a partir de um instante inicial (origem); a unidade de tempo pode ser (ano, meses, dias, etc.). As entradas de dinheiro, em um determinado instante, são indicadas por setas perpendiculares ao eixo horizontal, no instante considerado, com sentido voltado para cima. As saídas de dinheiro são indicadas da mesma forma, mas com o sentido das setas voltado para baixo. Para você entender melhor como é um diagrama de fluxo de caixa, vamos ver um exemplo. Capítulo 1 29Matemática Financeira Na extremidade de cada seta, você deve escrever o valor do capital. Pode entender da seguinte forma: quando recebemos algum dinheiro, esse capital é um valor positivo no nosso caixa “positi¬vo”, “para cima”, receber dinheiro. Entradas ou recebimentos de dinheiro (ou um valor positivo) são sempre representados por setas para cima. De modo similar, saiba que uma seta para baixo significa saída ou aplicação de dinheiro (um valor negativo). Para simplificar ainda mais a visualização, convenciona-se que entradas são representadas acima do eixo horizontal e saídas abaixo do mesmo. Não há um rigor quanto ao tamanho das setas, mas se você desejar, pode representar capitais maiores por setas maiores, sem necessariamente ser tão rigoroso com as proporções. Exemplo 2: Uma pessoa aplicou R$ 50.000,00 em um banco e recebeu R$ 6.500,00 de juros após 12 meses. O fluxo de caixa sob o ponto de vista do aplicador foi: 12 meses 50 000 56 500 Figura 1 - Diagrama do fl uxo de caixa Fonte: Hazzan; Pompeo (2007, p. 8). O diagrama que mostra o capital no horizonte de tempo depende do ponto de vista, assim, também, você pode apresentar sob o ponto de vista do banco. O fluxo de caixa sob o ponto de vista do banco foi: Capítulo 1 30 Matemática Financeira 12 meses 56 500 50 000 Figura 2 - Fluxo de caixa Fonte: Hazzan; Pompeo (2007, p. 8). Então, como você pode observar, as situações envolvendo juros também podem ser configuradas em forma de um diagrama representativo. Em vários assuntos que iremos estudar, faremos uso desta representação gráfica para melhor visualização das situações problema. 1.2.6 Cálculo dos juros, da taxa e do tempo A partir desta etapa, vamos aprender a calcular os juros e os demais componentes que compõe a capitalização simples. Como já apresentado, neste tipo de capitalização, os juros são iguais em todos os períodos, valendo o produto do capital pela taxa naquele período. Para entender melhor, vamos considerar um capital ou principal (P), aplicado a juros simples, à taxa i por período, durante n períodos de tempo. Vamos deduzir a fórmula dos juros, após os n períodos. Este desenvolvimento foi apresentado por Hazzan e Pompeo (2007, p. 10): Capítulo 1 31Matemática Financeira Juros após 1 período: J1 = P × i ×1 Juros após 2 período: J2 = P × i + P × i = P × i × 2 Juros após 3 período: J3 = P × i + P × i + P × i = P × i × 3 ... = ................................ Juros após n períodos Jn = P × i + P × i + P × i = P × i n Portanto, eliminando o índice n, teremos a fórmula: J = P × i × n (2) Para calcular os juros, é só multiplicar o valor do principal (capital) pelo valor da taxa e pelo período de tempo em que foi considerada a operação, que pode ser de empréstimo ou de aplicação. Para o cálculo da taxa você vai usar a mesma fórmula, porém isolando o (i). Veja como fica. J= P x i x n i J P n = x (3) O cálculo do período de tempo se procede de forma similar, isto é, isolando agora o (n). Observe como fica a fórmula: J= P × i × n n J P i = x (4) Capítulo 1 32 Matemática Financeira Para o cálculo do capital (principal) também podemos usar o mesmo procedimento. Observe o que é mostrado a seguir. J= P × i × n P J n i = × (5) Assim, temos como calcular cada elemento que compõe os juros simples. Você pode resolver alguns problemas pela fórmula, ou utilizando as teclas da calculadora financeira. Veja como é fácil a sua operacionalização. Exemplo – Calcule os juros produzidos por um capital de R$ 30.000,00, pelo período de 8 meses, a uma taxa de juros de 14,4% ao ano. Vamos resolver pela fórmula. Primeiramente, identificamos os dados da questão: P = 30.000,00 i = 14,4% a.a.= 0,144 a.a. n= 8 meses = 8÷12 = 0,666667 J =? J = P × i × n J = 30.000 × 0,144 × 0,666667 J = 2.880,00 Este resultado você pode obter utilizando a calculadora financeira. Para isto, digite: f FIN f 2 30.000 CHS PV 14,4 i 8 enter 30× n f INT Capítulo 1 33Matemática Financeira Como você pode verificar, o resultado obtido é o mesmo encontrado por meio da fórmula, isto é, R$ 2.880,00. Agora vamos ver um exemplo com o cálculo da taxa. Acompanhe o exercício. Exemplo - O valor de R$ 30.000,00 foi aplicado durante 8 meses, rendendo R$ 2.880,00 de juros. Qual a taxa de juros desta operação? Vamos identificar os dados e resolver a questão: P = 30.000,00 J = 2.880,00 n= 8 meses = 8÷12 = 0,666667 i =? J = P× i × n 2.880 = 30.000 × i × 0,666667 2880 = 20.000,01× i 20.000,01× i = 2.880 i = 2880 ÷ 20.000,01 i = 0, 144 × 100 = 14,4 % a.a Equivalência de capitais no regime de capitalização simples Vamos supor que aplicaremos hoje R$ 3000,00 por 1 ano à taxa simples de 5% ao ano. O montante (F) desta aplicação no final de um ano será: F = PV × (1 + i × n) = 3000,00 × (1 + 0,05 × 1) = 3.150 Podemos afirmar que, para a taxa de 5% ao ano, é indiferente receber R$ 3000,00 hoje ou R$ 3150,00 ao final de um ano, logo, R$ 3000,00 e R$ 3150,00 são equivalentes à taxa de 5% a.a, na data focal de um ano após a data de hoje. Um ano após a data de hoje é a data de avaliação, também dita data focal Se possuímos hoje R$ 3000,00, podemos aplicar, por um ano, à taxa de 5% a.a e teremos ao final do período R$ 3150,00. De modo análogo, se possuímos um título que vence daqui a um ano no valor de R$ 3150,00, perguntamos: que valor é equivalente hoje para a taxa dada? Capítulo 1 34 Matemática Financeira F = P × (1 +i × n), então, podemos escrever esta mesma fórmula, como apresentamos a seguir: P = F = 3.150 = 3150 = 3.000 1 + i×n 1+0,05 ×1 1,05 Concluímos, então, que dois capitais P e F são equivalentes a juros simples se, quando avaliados em determinada época (data focal), para a mesma taxa i de juros simples, apresentarem valores iguais. Importante saber que, devido ao regime linear dos juros simples, capitais equivalentes em determinada época (data focal) não serão equivalentes em outra data focal. É fundamental que você leve em conta que o problema econômico decorre da escassez, ou seja, do fato de que as necessidades das pessoas são satisfeitas por bens e serviços cuja oferta é limitada. Ao longo do processo de desenvolvimento das sociedades, o problema de satisfazer as necessidades foi solucionado por meio da especialização e do processo de troca de um bem pelo outro. A noção de juros decorre do fato de que a maioria das pessoas prefere consumir seus bens no presente e não no futuro. Em sendo assim, havendo uma preferência temporal para consumir, as pessoas querem uma recompensa pela abstinência. Este prêmio para que não haja consumo é o juro (MATHIAS; GOMES, 2000). SAIBA QUE 1.2.7 Montante e valor atual Quando um investidor ou qualquer pessoa aplica ou toma emprestado um capital (principal), a determinada taxa, no final do período ele tem a disposição ou uma dívida não só do valor inicial (principal ou capital), mas também os juros que incidiram sobre o valor. O total a ser pago ou recebido é chamado de montante. Capítulo 1 35Matemática Financeira Para Vieira Sobrinho (2000), montante (ou valor futuro), que vamos indicar por F, é igual a soma do capital inicial mais os juros referentes ao período da aplicação. Assim tem-se: F = P + J (6) Esta fórmula pode ser escrita de outra maneira, veja a seguir. F = P + P x i x n, pois J = P x i x n E a fórmula fica assim configurada: F = P + P × i × n = P(1 + in) (7) Exemplo 3: Calcular o montante da aplicação de um capital de R$ 20.000,00, pelo prazo de 12 meses à taxa de 3% ao mês. F= ? F P (1 + i . n) F = 20.000 (1 + 0,03 × 12) F = 20.000 × 1,36 = 27.200 Assim, o montante para este problema resultou em R$ 27.200,00. O valor atual (valor presente ou principal) que indicamos por P, é o valor do capital que, aplicado a uma determinada taxa e prazo, resulta o montante F. E como F = P(1 + i.n), a fórmula do valor atual é determinada como segue: P = F 1 + i x n (8) Capítulo 1 36 Matemática Financeira Vejamos um exemplo. Exemplo: Determinar o valor atual de um título cujo valor futuro (nominal) é de R$ 30.000,00, sabendo que a taxa de juros é de 36% ao ano, e que faltam quatro meses para o vencimento. F = 30.000 i = 36% ao ano i = 0,36 12 = 0 03, ao mês n = 4 meses Agora que a taxa e o tempo estão concordantes, podemos aplicar a fórmula (6) e teremos o seguinte resultado: P = 30000 = 30000 = 26.785,71 1+0,03×4 1,12 Então, o valor atual deste título é R$ 26.785,71. Tente resolver a questão descrita a seguir: João aplicou 3/5 de seu capital à taxa de 5,5% ao mês. O restante foi aplicado a 30% ao semestre. Decorrido 1 ano, 7 meses e 23 dias, recebeu R$ 18.650,00 de juros. Qual o capital total investido? DESAFIO 1.3 Aplicando a teoria na prática Afinal, é verdadeira a frase “tempo é dinheiro”? Ela tem algum fundamento na Matemática financeira? Capítulo 1 37Matemática Financeira Vejamos. Apresento a você um pequeno caso e convido a resolvê-lo. Tendo em vista que estava enfrentando problemas financeiros já há alguns meses, com atraso, inclusive, de dois meses de aluguel de sua moradia, Maria Joana tomou um empréstimo de R$8.000,00 no banco pelo prazo de 7 meses, à taxa de 1,5% ao mês. Mas Maria Joana ficou intrigada: quanto é que ela terá que pagar de juros? Mas não foi somente nisso que ela pensou: ela deseja saber também qual a função dos juros na economia? Por que o valor do dinheiro muda com o tempo? Será que você pode ajudar Maria Joana a responder tais questionamentos? Provavelmente você já usou boa parte dos conhecimentos adquiridos neste capítulo para auxiliar nas repostas que Maria Joana necessita. Primeiramente, vamos verificar quanto ela vai pagar de juros. E então, vamos à solução? Inicialmente, vamos identificar os dados do problema. P= R$ 8.000,00 n = 7 meses i = 1,5% ao mês j = ? Lembre-se de transformar a taxa em forma unitária (decimal), dividindo por 100. Como o prazo está expresso em meses, e a taxa está ao mês, não precisa fazer a transformação do período. Aplicando a fórmula dos juros simples, temos: j = P × i × n j = 8.000 × 0,015 × 7 j = 840 Portanto, o valor dos juros correspondente ao empréstimo de Maria Joana é de R$ 840,00. Capítulo 1 38 Matemática Financeira Você também deve ter considerado que a relação entre o mundo imaginário da matemática e o estudo da matemática financeira é fundamental para a análise de como o dinheiro se comporta com o transcorrer do tempo. Afinal de contas, o sujeito que possui dinheiro pode emprestá-lo àquele que não o possui. E para isso, terá de se privar dele por determinado tempo. Isso significa que o detentor do dinheiro (nesse caso de Maria Joana, o banco) ficará momentaneamente sem o valor emprestado. Como precisa se privar por um tempo de algo que lhe pertence, o proprietário do capital irá cobrar uma taxa pelo uso do valor emprestado daquele que for usá-lo, como se fosse um aluguel. E é por isso que o valor do dinheiro muda com o tempo. Lembre-se da explicação de Mathias e Gomes (2000): a noção de juros decorre do fato de que a maioria das pessoas prefere consumir seus bens no presente e não no futuro. Sendo assim, havendo uma preferência temporal para consumir, as pessoas querem uma recompensa pela abstinência. E fica o conselho a Maria Joana: que seja criteriosa em seus gastos para não ter de recorrer novamente ao empréstimo. 1.4 Para saber mais Você poderá aprofundar este estudo visitando os endereços da web e consultando os livros indicados nas referências. Também poderá pesquisar em outros livros que tratam deste tema, pois existe um farto material disponível. Este assunto, como você pode constatar, possui muita relação com o nosso cotidiano. Algumas das situações problema mencionadas e resolvidas no texto são extraídas de relatos da vida real. É possível traduzir estas situações e convertê-las para suas experiências pessoais. Sugiro que você consulte: Título: Matemática Financeira Autor: MATHIAS, W.F.; GOMES, J.M. Editora: Atlas, SP Ano: 2009 Ao potencializar seu conhecimento sobre juros, você tem condições de aplicá-lo em sua vida profissional, bem como melhorar suas finanças, utilizando corretamente os recursos e evitando pagamento de juros altos e desnecessários. Capítulo 1 39Matemática Financeira Título: Matemática Financeira Autor: VERAS, L.L. Editora: Atlas, SP Ano: 1999 Ao potencializar seu conhecimento sobre juros, você tem condições de aplicá-lo em sua vida profissional, bem como melhorar suas finanças, utilizando corretamente os recursos e evitando pagamento de juros altos e desnecessários. 1.5 Relembrando O capítulo 1 abordou: • as situações em que se toma dinheiro emprestado ou quando se aplica um certo valor, considerando a capitalização simples; • conceito de juros, capital, taxa e montante; • fluxo de caixa, que é a representação gráfica do cálculo dos juros; • como se procede para calcular os juros, a taxa de juros, o período de tempo, o capital e o montante; • ressaltou sobre a importância de compatibilizar a taxa e o tempo para o mesmo período de tempo. Resumo das fórmulas: Juros simples J = PV x i x n Montante simples FV = PV + J FV = PV × (1 + i x n) Cálculo da taxa iJ P n = x Cálculo do período de tempo n J P i = x Calculo do capital (Principal) P J n i = × Capítulo 1 40 Matemática Financeira 1.6 Testando os seus conhecimentos 1) Determinar o capital necessário para gerar um montante de R$ 8.950,00 ao final de 1 ano e 7 meses, a uma taxa de 6,5% ao trimestre. 2) Que quantia se deve investir à taxa de 4,5% ao mês, para que se tenha ao final de 9 meses e 27 dias um montante de R$ 4.350,00? 3) A que taxa de juros um capital aplicado durante 10 meses rende juros igual a 1/5 do seu valor? 4) Um capital ficou depositado durante 2 anos a juros simples de 4% ao ano. Findo este período, o montante foi reaplicado a juros simples de 6% ao ano, durante 18 meses. Determinar o capital inicial, sabendo que o montante final foi de R$ 17. 658,00. 5) Uma aplicação de R$ 800,00 a juros simples teve um resgate de R$ 908,00 após 135 dias. Determine a taxa mensal e anual desta aplicação. Onde encontrar HAZZAN, S.; POMPEO, J. N. Matemática financeira. São Paulo: Saraiva, 2007. MATHIAS, W. F.; GOMES, J. M. Matemática financeira. São Paulo: Atlas, 2000. MILONE, G. Matemática financeira. São Paulo: Thomson Learning, 2006. VIEIRA SOBRINHO, J. D. Matemática financeira. São Paulo: Atlas, 2006. Capítulo 2 41Matemática Financeira DESCONTO SIMPLES CAPÍTULO 22 2.1 Contextualizando Neste capítulo, você vai conhecer e interpretar as operações que envolvem descontos no regime de juros simples. Também aprenderá os tipos de descontos que são aplicados pelos bancos e agentes financeiros e poderá calcular os componentes destas operações. Alguns elementos merecem destaque nas operações de desconto: o valor nominal do título, valor líquido (valor atual), valor do desconto, a taxa cobrada e o tempo de antecipação de resgate. Ao contrair uma dívida para pagamento futuro, o devedor normalmente oferece um título que comprova tal obrigação. De posse desse título, o credor poderá negociar o seu resgate antecipado, junto às instituições financeiras. Títulos de crédito, na maioria das vezes, são negociados em operações de desconto junto a instituições financeiras: 1) notas promissórias; 4) cheques pré-datados; 2) duplicatas; 5) títulos nominais. 3) letras de câmbio; A operação de se liquidar um título, antes de seu vencimento, envolve geralmente uma recompensa, ou um desconto pelo pagamento antecipado. Desta maneira, desconto pode ser entendido como a diferença entre o valor futuro de um título e o seu valor atual apurado n períodos antes de seu vencimento (HAZZAN; POMPEO, 2007). Capítulo 2 42 Matemática Financeira Espero que, ao final deste capítulo, você seja capaz de aplicar os componentes de uma operação financeira. 2.2 Conhecendo a teoria Os títulos de crédito têm sempre um valor nominal ou de face que é o valor de resgate na data do vencimento e que está indicada no documento. Este valor pode sempre ser entendido como um valor futuro (FV). Caso o portador do título deseje resgatá-lo antes, esse sofrerá uma redução em seu valor que é o desconto. O valor líquido a ser recebido pelo portador do título é denominado de valor atual ou valor presente. 2.2.1 Conceito de desconto Segundo Kuhnen e Bauer (2001), desconto simples é o abatimento concedido sobre um título de crédito em virtude de seu resgate antecipado. Representa, então, os juros cobrados e descontados antecipadamente pelos bancos nas operações de desconto simples. Dando prosseguimento à abordagem de desconto simples, esses autores acrescentam que o valor nominal (FV) de um título é o valor de face, isto é, o valor expresso nele, representando o que deve ser pago na data de seu vencimento. Então, fique ligado! Quando falamos em descontos, é preciso ter claro que: • valor nominal menos o desconto é igual ao valor presente; • valor nominal menos o valor presente é igual ao desconto; • valor presente mais o desconto é igual ao valor nominal. Um documento muito usado é a nota promissória. Segundo Veras (1999), é um documento celebrado entre pessoas físicas, podendo também ser emitido por pessoa jurídica ou em favor de uma instituição. Na concepção de Hazzan e Pompeo (2007), as notas promissórias surgem quando, por alguma razão, um devedor assume uma dívida junto a um credor. A nota promissória, para esses autores, é um papel que representa uma promessa de pagamento ao credor, feita pelo devedor. Capítulo 2 43Matemática Financeira Figura 1 - Reprodução de nota promissória Fonte: <http://www.vitrinedocalcado.com.br/NP%20wvr.jpg>. A figura 1 mostra a imagem de uma nota promissória em que aparece o valor de face e as condições em que foi contratada. Constam, obrigatoriamente, da nota promissória, além da quantia a ser paga (valor nominal) e da data em que essa quantia será paga (data do vencimento), o nome e a assinatura do devedor ou emitente e o nome do credor ou portador. Já a duplicata é emitida por uma empresa (pessoa jurídica) contra seu cliente (pessoa física ou jurídica) para quem vendeu mercadorias ou prestou serviços a prazo (VERAS, 1999). Essa autora acrescenta que a emissão da duplicata decorre da emissão de uma nota fiscal. O cliente assina a duplicata dando o seu consentimento, isto é, declarando-se devedor daquela quantia e obrigando-se a pagar na data estabelecida. Figura 2 - Reprodução de duplicata Fonte: < http://www.grafi cajr.com/home/images/stories/Duplicata%20Coletora.jpg>. Capítulo 2 44 Matemática Financeira Na figura 2, podemos observar um modelo de duplicata, em que aparece o nome do credor ou emitente e do devedor ou sacado, o aceite deste último e o número da nota fiscal correspondentes às mercadorias vendidas ou serviços prestados. Como exemplo, temos uma situação em que uma empresa emitiu uma duplicata de R$ 5.000,00 para vencimento dentro de três meses. Necessitando de dinheiro, a empresa levou a duplicata a um banco, que lhe propôs um adiantamento de R$ 4.700,00 em troca da duplicata. Dizemos, neste caso, que o banco propôs um desconto de R$ 300,00 (R$ 5.000 menos R$ 4.700). Outro título de crédito é a letra de câmbio, emitida por uma empresa com aceite de uma sociedade de crédito, financiamento e investimento. Segundo Veras (1999), é colocada no mercado com a finalidade de captar recursos para serem aplicados no próprio mercado sob forma de financiamentos. Nesta operação, são cobradas taxas de juros maiores do que aquelas pagas por portadores das letras de câmbio. Como você pode observar por meio da figura 3, constam da letra de câmbio, além do valor nominal e da data de vencimento, o nome do órgão emissor e o nome de seu titular ou credor. Figura 3 - Letra de câmbio fonte:<http://www.tvletrasdecambio.com/2010/04/letra-de-cambio.html> A ideia de desconto, como já mencionada anteriormente por Kuhnen e Bauer (2001), está relacionada a um abatimento dado a um valor monetário em determinadas condições. Capítulo 2 45Matemática Financeira As operações de desconto de duplicatas e promissórias, sendo bastante comuns no sistema financeiro, possuem uma sistemática de cálculo bem caracterizada chamada desconto comercial ou bancário, que na sequência passaremos a estudar. Atividades similares a do desconto já podiam ser observadas na Antiguidade, como por exemplo, no período greco-romano. Claro que não podemos afirmar que a existência do fenômeno do desconto, tal qual o conhecemos atualmente, mas sim pequenas atividades isoladas de antecipações de somas em dinheiro, mediante o empréstimo de valores com vencimentos posteriores. No século 17, tornou-se comum na prática bancária inglesa a antecipação de soma pecuniária sobre letras de câmbio não vencidas que os clientes cediam ao banco por via de endosso. No fim desse século, quando se fundou o Banco da Inglaterra, o desconto foi previsto como operação essencial à nova instituição financeira, tomando seus contornos jurídicos atuais. Fonte: <http://academico.direitorio.fgv.br>CURIOSIDADE 2.2.2 Tipologia dos descontos A operacionalização do cálculo do desconto pode ser feita por duas formas. A primeira forma de se operacionalizar o desconto de títulos é denominada de desconto bancário, comercial ou “por fora”. Para se definir o desconto bancário ou comercial, será adotada a seguinte nomenclatura: • FV – valor nominal; • PV – valor atual ou valor descontado; • I – taxa de desconto por período; • n – tempo ou tempo de antecipação (tempo que decorre entre a data do desconto e a data de vencimento do título), em períodos; • Db – desconto comercial ou por fora. Capítulo 2 46 Matemática Financeira A segunda é chamada de desconto racional ou “por dentro” e para sua definição será adotada a seguinte nomenclatura: • FV – valor nominal; • PV – valor atual ou valor descontado; • i – taxa de juros de desconto por período; • n – tempo ou tempo de antecipação, em períodos; • Dr – desconto racional ou por dentro. CONCEITOCONCEITO Os títulos de crédito mais utilizados em operações financeiras são a nota promissória, a duplicata e a letra de câmbio. A nota promissória é um comprovante da aplicação de um capital com vencimento predeterminado. É um título muito usado entre pessoas físicas ou entre pessoa física e instituição financeira. A duplicata é um título emitido por uma pessoa jurídica contra seu cliente (pessoa física ou jurídica), para o qual ela vendeu mercadorias a prazo ou prestou serviços a serem pagos no futuro, segundo um contrato. A letra de câmbio, assim como a nota promissória, é um comprovante de uma aplicação de capital com vencimento predeterminado; porém, é um título ao portador, emitido exclusivamente por uma instituição financeira. 2.2.3 Desconto simples comercial (ou bancário) Cálculo de desconto bancário simples É o método utilizado pelos bancos para o cálculo de remunerações do capital, representa os juros simples calculados sobre o valor nominal (FV) do título de crédito (por fora) (KUHNEN; BAUER, 2001). Por ser mais usado nos bancos, chamaremos de desconto bancário (Db). Db = FV × i × n (1) Capítulo 2 47Matemática Financeira Conceitualmente, sabemos que Db = FV – PV (2), de onde deduzimos que PV = FV – Db (3) Substituindo o Db da equação (1), temos que: PV = FV – Db PV = FV – FV × i × n Estas equações são muito úteis para a solução dos problemas que iremos desenvolver. Vamos, então, conhecer um exemplo? Tenho certeza que você vai entender com muita facilidade, pois este assunto tem muita semelhança com os juros simples. Exemplo 1 – Uma empresa emitiu uma duplicata de R$ 8.000,00, com vencimento em 03 de novembro. No dia 16 de agosto, precisando do dinheiro, descontou o título num banco que cobra 2% ao mês de desconto bancário. Determine o valor do desconto bancário (KUHNEN; BAUER, 2001, p. 48). Veja como encontrar a solução para o problema. Inicialmente, vamos identificar o período de tempo que foi antecipado o resgate do dinheiro. Vamos utilizar os dias corridos que adota o ano civil (365 dias) para o cálculo. FV = R$ 8.000,00 i = 2% a.m. = 2/100 = 0,02 a.m. n = 16/08 a 03/11 = 79 dias (15+30+31+3) = 79/30 = 2,633333 Como já identificamos os dados informados no problema, vamos então aplicar a fórmula (1) para calcular o desconto bancário. PV = FV (1 – i × n) (4) Capítulo 2 48 Matemática Financeira Db = FV × i × n (1) Db = 8.000 × 0,02 × 2,633333 = Db = 421,33 Então, o valor procurado é R$ 421,33. Vamos, a partir de agora, aprender a operacionalizar a calculadora financeira. Veja como fica. f fin f 2 8.000 CHS PV 2 enter 12 × i 79 n f INT Com este procedimento, a calculadora fornecerá o desconto bancário simples: R$ 421,33. Cálculo da taxa e do período do desconto bancário simples Obtém-se o cálculo do valor da taxa aplicando a fórmula 1, pois ela contém todos os componentes do desconto. Vamos considerar o exemplo 2. Exemplo 2 – O desconto de uma duplicata gerou um crédito de R$ 70.200,00 na conta de uma empresa. Sabendo que o valor do título era de R$ 98.000,00 e que foi descontado 85 dias antes de seu vencimento, pelo desconto bancário simples, calcule o valor da taxa MENSAL cobrada pelo banco. Figura 4 - Calculadora fi nanceira Fonte: <http://www.hp.com>. Capítulo 2 49Matemática Financeira Acompanhe o raciocínio: inicialmente, sempre devemos identificar os dados fornecidos no problema. PV = R$ 70.200,00 FV = R$ 98.000,00 n = 85 dias (como a taxa deve ser expressa ao mês, l devemos converter o tempo em meses) = 2,83333 meses. i = ? Sabemos que Db = FV – P Db = 98.000 – 70.200 = 27.800 Utilizaremos a fórmula (1) para o cálculo do desconto e isolamos a taxa. Db = FV × i × n 27.800 = 98.000 × i × 2,83333 27.800 = 277.666,34 × i 27.800/277.666,34 = i 0,10008 = i i = 0,10×100 = 10% ao mês Então, a taxa cobrada nesta operação foi de 10% ao mês. Para o cálculo do período de tempo, também utilizaremos o mesmo procedimento, isto é, a aplicação da fórmula 1. Para você entender melhor o cálculo, vamos utilizar mais um exemplo: Exemplo 3 – Determine quantos dias faltam para o vencimento de uma duplicata, no valor de R$ 9.800,00, que sofreu um desconto bancário simples de R$ 548,50, à taxa de 32% ao ano. Fique ligado nas etapas! Vamos, então, identificar os dados do problema. FV = R$ 9.800,00 Db = 548,50 i = 32% ao ano = 32/100 = 0,32/360 = 0,000889 (para concordar com o período do tempo). Capítulo 2 50 Matemática Financeira Vamos novamente recorrer à fórmula (1): Db = FV × i × n 548,50 = 9.800 × 0,000889 × n 548,50 = 8,712200 × n 548,50/8,712200 = n n = 62,957690 63 dias Então, faltam 63 dias para o vencimento da duplicata. Cálculo do valor líquido (valor atual) O valor atual ou de resgate é calculado pela diferença entre o valor nominal (FV) e o valor do desconto bancário (Db), ou seja PV = FV – Db. Substituindo o desconto bancário por sua fórmula, Db= FV x i x n, teremos: PV = FV – FV × i × n Colocando FV em evidência a fórmula (4): PV = FV (1 – i × n) Acompanhe o problema e, em seguida, a solução. Exemplo 4 – Uma empresa emitiu uma duplicata de R$ 12.000,00, com vencimento futuro. Ao necessitar do valor, descontou a mesma, 5 meses e 10 dias antes de seu vencimento. Sabendo que o banco cobra 2% ao mês de desconto bancário, calcule o valor de resgate da duplicata. Solução Vamos inicialmente identificar os dados do problema. FV = R$12.000,00 i = 2% a. m.= 2/100= 0,02 a.m. n= 5 meses e 10 dias = 160 dias (ano comercial)= 160/30 = 5,333333 meses. Aplicando a fórmula 3, temos: PV = FV (1- i × n) PV = 12.000 (1 – 0,02 × 5,33333) Capítulo 2 51Matemática Financeira PV = 12.000 (1- 0,10667) PV = 12.000 × 0,89333 PV = 10.719,96 Então, o valor de resgate é R$ 10.719,96. Resolvendo por meio da calculadora financeira: F fin f2 12.000 CHS PV 2 enter 12 × i f INT CHS RCL PV CHS + Com este procedimento, a calculadora financeira fornece o valor atual (PV) em desconto bancário simples, neste caso, R$ 10.720,00, com o valor arredondado. Cálculo do valor nominal do título Para você entender como é o cálculo do valor nominal, vamos utilizar um exemplo. Exemplo 5 – Determine o valor nominal de uma letra de câmbio que, descontada pelo desconto bancário simples, 3 meses e 10 dias antes do seu vencimento, a uma taxa de 10% a.m., produziu um desconto bancário simples de R$ 400,00. Veja como encontrar a resposta para o cálculo. Identificando os dados do problema: FV = ? n = 3 meses e 10 dias = 100 dias = 3,333333 meses (convertemos o tempo em meses para concordar com a taxa) i = 10% ao mês. Db = R$ 400,00 Para o cálculo, aplicamos a fórmula (1) Db= FV × i × n 400 = FV . 0,10 × 3,33333 Capítulo 2 52 Matemática Financeira 400 = FV × 0,333333 400/ 0,33333 = FV FV = 1200 Então, o valor nominal da letra de câmbio é de R$ 1.200,00.2.2.4 Desconto simples racional É o desconto simples calculado sobre o valor atual (PV), da mesma maneira como são calculados os juros simples. O desconto racional simples será representado por Dr. Então, se o desconto racional é calculado sobre o valor atual (PV) e os juros também são calculados sobre o valor atual (PV), a maneira de calcular é bem semelhante. A única mudança é da denominação de juros (J) para desconto racional (Dr) (KHUNEN; BAUER, 2001). Como, na prática, o valor atual do título é sempre uma incógnita, sendo conhecido o nominal, o prazo e a taxa de desconto, utilizaremos as variáveis conhecidas para deduzir a fórmula do desconto simples. Assim, temos para o cálculo dos juros a seguinte fórmula: J = PV × i × n e em desconto racional simples, temos: Dr = PV × i × n Existe uma semelhança entre as fórmulas, porém há de se considerar a situação em que estão sendo aplicadas. CONCEITOCONCEITO Os títulos de crédito têm sempre um valor nominal, ou valor de face, que é o valor de resgate do título na data do vencimento que também é especi ficado no documento. Na prática, o valor nominal ou de face é sempre um valor futuro conhecido e saber o valor presente ou o valor do desconto. Desconto é a quantia a ser subtraída do valor nominal. Capítulo 2 53Matemática Financeira Cálculo do desconto simples racional Para o cálculo do desconto racional simples, podemos utilizar uma das fórmulas a seguir apresentadas: Dr = PV x i x n (5) Segundo Kuhnen e Bauer (2001), para calcular o valor do desconto (Dr), precisamos conhecer primeiro o valor de resgate ou valor líquido (valor atual), que podemos calcular de forma semelhante à forma dos juros simples. Se você observar cuidadosamente as fórmulas apresentadas, verá que o desconto racional corresponde ao juro simples (J) da operação proposta. Em síntese, o desconto racional se vale de todas as fórmulas estudadas para juros simples, por se apoiar neste tipo de capitalização. Cálculo dos componentes do desconto racional simples Podemos calcular o valor atual (PV), partindo do montante (FV), como visto no capítulo 1 em juros simples. PV FV i n = + ×1 (6) Vamos ver como é isso na prática? Exemplo 6 – Um título que vence daqui a 60 dias foi descontado em um banco e o valor do desconto foi R$ 370,37. O banco opera em desconto racional simples e cobra juros de 4% a.m. (ao mês). Qual o valor nominal e o valor líquido (valor atual) desse título? Solução Inicialmente, vamos identificar os elementos do problema. n = 60 dias (2 meses para concordar com a taxa) Dr = R$ 370,37 i = 4% a.m./100 = 0,04 Capítulo 2 54 Matemática Financeira (lembre-se que a taxa deve sempre estar na forma unitária) Utilizando a fórmula 5, podemos calcular o valor líquido (valor atual). Vejamos: 370,37 = PV × 0,04 × 2 370,37 = 0,08 PV 370,37 : 0,08 = PV PV = 4.630 Para o cálculo do valor nominal do título (FV), deduzimos que: Se Dr = FV – PV, então: FV = PV + Dr FV = 4.630 + 370,37 = 5.000 Concluímos que o Valor Nominal é R$ 5.000,00 e o Valor Atual é R$ 4.630,00. 2.2.5 Valor atual e valor nominal Para você entender melhor como é calculado o valor nominal de um título pelo desconto racional simples, vamos utilizar o exemplo a seguir. Exemplo 7 – Um título foi resgatado 145 dias antes do seu vencimento sendo negociado uma taxa de juros de 23% a.a., tendo sido recebido um valor líquido de R$ 1.921,95. Qual o valor nominal do título, pelo desconto racional simples? Solução: Identificamos inicialmente os dados informados no problema. n = 145 dias (vamos dividir por 360 e converter em ano para concordar com a taxa) = 145/360 = 0, 40278 ano i = 23% a.a. PV = R$ 1.921,95 FV ? Para o cálculo, vamos usar a fórmula 6, que com um pequeno ajuste poderemos obter o resultado facilmente. Vamos lá, então? PV FV i n PV i n FV = + × + ×( ) = 1 1 Capítulo 2 55Matemática Financeira Aplicando a fórmula: FV = PV (1+ i × n) FV = 1921,95 (1 + 0,23 × 0,40278) FV = 1921,95 (1+ 0,09264) FV= 1921,95 × 1,09264 FV = 2.099, 99 ou 2.100,00 Então, o Valor Nominal que estamos procurando é R$ 2.100,00. Para que você não tenha dúvidas ao calcular o valor nominal de um título, vamos desenvolver mais um exemplo. Tenho certeza de que você vai melhorar seu entendimento sobre este item. Vamos ver? Exemplo 8 – Numa operação de desconto de um título a vencer em 5 meses, o desconto racional é de R$ 1300,00. Qual será o valor nominal do título se a taxa de juros empregada nos descontos for de 24% a.a.? Vamos ver a solução desta questão? Identificamos os dados, como fazemos em todas as resoluções. n = 5 meses i = 24% a.a. (temos que converter ao mês dividindo por 100 e depois por 12)= 0,02 Dr = 1.300,00 F = ? Como você percebeu, não temos o valor líquido do título, assim não podemos aplicar a fórmula 5 e nem a fórmula 6. No entanto, sabemos que o desconto é a diferença entre o valor nominal do título e o valor líquido recebido. Então, acompanhe o raciocínio: FV = PV (1 + i × n) E Dr = FV – PV Assim podemos deduzir que Dr = PV(1 + i × n) – PV Dr = PV[(1+i × n) –1] (7) Capítulo 2 56 Matemática Financeira Substituindo os dados temos: 1300 = PV × [(1 + 0,02 × 5) - 1] 1300 = PV × [(1+0,10) -1] 1300 = PV × [1,10 -1] 1300 = PV × 0,10 1300 : 0,10 = PV PV = 13.000 Como também sabemos que: FV = PV + Dr Concluímos, então, que: FV = 1300+ 13.000 FV = 14.300 O valor nominal do título procurado é de R$ 14.300,00. Cálculo do valor líquido ou do valor de resgate A taxa de desconto, segundo Mathias e Gomes (1996, p. 66), é a taxa de juros que aplicada sobre o valor descontado, gera no período considerado um montante igual ao valor nominal. Sendo: i = taxa efetiva F = valor nominal do título Dr = valor do desconto racional n = número de períodos antes do vencimento Para você compreender a forma de se calcular a taxa e o período de tempo pelo desconto racional simples, nada melhor do que um exemplo, não é mesmo? Então, vamos considerar a situação a seguir para você aprender o cálculo da taxa. 2.2.6 Cálculo do período de desconto Exemplo 9 – O desconto racional para um título de valor líquido igual a R$ 600,00 e prazo de antecipação de 5 meses foi R$ 57,63. Qual é a taxa de juros aplicada? Capítulo 2 57Matemática Financeira Solução Identificando os dados do problema: PV = R$ 600,00 n = 5 meses Dr = 57,63 i = ? LEMBRETELEMBRETE Não esqueça! O resultado da taxa resultará SEMPRE na mesma unidade de tempo em que estiver expresso o tempo. Para o cálculo, a melhor opção é aplicar a fórmula 5. Dr = PV × i × n 57,63 = 600 × i × 5 57,63 = 3.000 × i 57,63 : 600 = i 0,01921 = i Se multiplicarmos o resultado por 100, temos a taxa em forma percentual. i = 0,01921 . 100 = 1,921 % a.m. ou, de forma aproximada, i = 1,92 % ao mês Então, o resultado da taxa é de 1,92% ao mês. Vamos mostrar mais um exemplo para você ter certeza de que entendeu o processo de cálculo da taxa. Vamos exercitar? Exemplo 10: Um título de valor nominal igual a R$ 25.000,00 a vencer foi resgatado com antecipação de 150 dias, pelo valor líquido de R$ 21.000,00. Qual a taxa anual cobrada nesta operação? Capítulo 2 58 Matemática Financeira Identificando os dados da questão: FV = 25.000,00 n = 150 dias (como a questão solicita a taxa ao ano, vamos converter o prazo de antecipação em uma fração do ano) = 150 : 360 = 0,41667 ano PV = 21.000,00 i = ? Como temos o valor do FV e do PV, podemos calcular facilmente o valor do desconto. Veja como fica: Dr = FV – PV Dr = 25.000 – 21.000 Dr = 4.000 Para o cálculo da taxa, basta aplicar a fórmula 5. Vamos resolver, então? Veja como é o procedimento: Dr = PV × i × n 4.000 = 21.000 × i × 0,41667 4.000 = 8.750,07 × i 4.000 : 8.750,07 = I i = 0,45714 × 100 (forma percentual) = 45,71 % a.a. A taxaanual procurada é 54,71% ao ano. Cálculo da taxa e do período de desconto Até esta etapa, você teve oportunidade de aprender a calcular os vários componentes do desconto bancário simples e do desconto racional simples. E para finalizar esta sequência de cálculos, vamos mostrar como é o cálculo do período de tempo de antecipação de um título, pelo desconto racional simples. Podemos começar? Exemplo 11 – Um título de valor nominal $ 1.300,00 foi resgatado antes de seu vencimento; o desconto racional foi de $ 238,78. Qual o prazo para o vencimento desse título se a taxa de juros aplicada foi 27% a.a.? Capítulo 2 59Matemática Financeira Solução Sempre identificamos os dados do problema apresentado. FV = R$1.300,00 Dr = R$ 238,78 n = ? i = 27% a.a. (dividir por 100)= 0,27 LEMBRETELEMBRETE Não esqueça! O resultado do período de tempo resultará SEMPRE na mesma unidade em que estiver expressa a taxa. Para o cálculo, vamos utilizar a fórmula 5, pois é mais fácil de aplicar. Antes, precisamos conhecer o valor do PV. Como sabemos que PV = FV – Dr, então: PV = 1.300 – 238,78 = 1.061,22 E agora, podemos aplicar a fórmula facilmente. Dr = PV × i × n 238,78 = 1.061,22 × 0,27 × n 238,78 = 286,52940 × n 238,78 : 286,52940 = n 0,83335 = n Não chegou a completar um ano. Para sabermos o resultado em meses, basta fazermos uma regra de três, como segue. Ano Meses 1 12 meses 0,83335 X Então, o prazo de antecipação do resgate do título foi de 10 meses. 1 0 83335 12 10 00023 , , = = X X meses Capítulo 2 60 Matemática Financeira Para reforçar a explicação do cálculo do prazo de antecipação, vamos desenvolver mais um exemplo. Exemplo 12 – Uma empresa descontou uma duplicata cujo valor é $ 15.000,00 e recebeu um valor líquido de R$ 11.000,00. Sabendo que a taxa cobrada é de 4,8% ao mês, calcule o prazo de antecipação. Para a solução desta questão, inicialmente precisamos identificar os dados. FV = 15.000,00 PV = 11.000,00 i = 4,8% a.m. (dividindo por 100) = 0,048 n =? Agora depois de identificados os dados, siga, então, o desenvolvimento a seguir. Como sabemos o valor do FV e do PV, podemos calcular o valor do Dr e calcular o prazo de antecipação aplicando a fórmula 5. Então, veja o resultado: Dr = FV – PV Dr = 15.000 – 11.000 Dr = 4.000 Agora podemos aplicar a fórmula r do desconto. Veja o desenvolvimento: Dr = PV × i × n 4.000 = 11.000 × 0,048 × n 4.000 = 528 × n 4.000 : 528 = n 7,57576 = n n = 7,6 meses (corresponde a 7 meses e 18 dias) Capítulo 2 61Matemática Financeira PRATICANDOPRATICANDO Uma nota promissória no valor nominal de R$ 16.800,00 foi descontada em um banco que cobra 1% de taxa de serviço. O valor descontado bancário recebido foi de R$ 215.000,00 e a taxa de juros considerada foi de 33% a.a. Com base nestas informações, pergunta-se: qual foi o prazo de antecipação do resgate? (MATHIAS; GOMES, 1996, p. 82) 2.3 Aplicando a teoria na prática Temos o seguinte caso. André Luiz possui uma nota promissória a ser descontada. Como ele está precisando de recursos financeiros, ele decidiu descontá-la antes do prazo. No caso, o valor líquido (atual) da referida nota descontada 3 meses antes do seu vencimento é de R$ 11.400,00. Qual será a taxa de juros efetiva, se a taxa de desconto bancário for de 27% a.a. e a taxa administrativa for de 1,25? (adaptado de MATHIAS; GOMES, 1996, p. 85) Inicialmente, vamos identificar os elementos do problema: PV = R$ 11.040,00 n = 3 meses (vamos converter em uma fração do ano) = 3 : 12 = 0,25 ano i = 27% a.a. h = 1,25 (taxa de administração) Como você verificou, temos mais um componente, que é a taxa de administração, e vamos ter que incluí-la no cálculo. Veja, então, como deveremos fazer. PV FV 1 (h in) 11.040 FV 1 (0,0125 0,27 0,25) 11.040 FV 1 = − +[ ] = − + ×[ ] = −− +[ ] = −[ ] = × = (0,0125 0,06750) 11.040 FV 1 0,08 11.040 FV 0,92 FV 11.0440 0,92 FV 12.000= Capítulo 2 62 Matemática Financeira O valor nominal do título é de R$ 12.000,00, porém precisamos saber qual foi a taxa efetiva cobrada nesta operação. A taxa efetiva if é obtida por meio da aplicação da fórmula 6 ajustada. FV = PV (1+in) 12 000 11 040 1 0 25 12 000 11 040 1 0 25 1 08696 1 0 25 . . , . . , , , = + ×( ) = + − = i i i 00 08696 0 25, ,= i 0 08696 0 25 0 34783 , , , = = i i Se multiplicarmos por 100, obtemos a taxa percentual, ou seja, 0,34783 × 100 = 34,78% ao ano. 2.4 Para saber mais Site: Somatematica URL: www.somatematica.com.br Você poderá solucionar suas dúvidas de matemática básica neste site. Este endereço é excelente para orientar o aprendizado de matemática em nível médio e superior. Site: Books google URL: http://books.google.com.br Alguns livros sobre finanças estão disponíveis na web que você poderá reproduzi-los ou salvar em sua pasta de arquivos. Estes livros estão disponíveis de forma gratuita e este é um dos sites para você encontrá-los. Recomendo também arquivos sobre a operacionalização da calculadora financeira que existem em forma de arquivo executável na web, que você pode salvar em seu computador e se divertir aplicando-os. 2.5 Relembrando No capítulo 2 você aprendeu que: • conceito de desconto: está relacionado ao desconto de duplicatas, promissórias, títulos, letras de câmbio, com um certo prazo de antecipação. Capítulo 2 63Matemática Financeira Ele é obtido exatamente da mesma forma que o juro simples, com a diferença que o desconto corresponde a uma descapitalização. O desconto simples incorpora os conceitos de juros simples. Ele é obtido multiplicando-se o valor atual do título pela taxa de desconto, e este produto pelo prazo a decorrer até o vencimento do título; • o entendimento de desconto bancário ou comercial: o desconto bancário é calculado sobre o valor do título, da promissória, da duplicata ou da letra de câmbio. Este é conhecido como desconto “por fora”. O desconto bancário simples é o tipo de desconto aplicado no comércio, e a taxa de desconto é única para cada prazo determinado; • os procedimentos para o cálculo dos componentes do desconto bancário. Neste aspecto, aprendemos as fórmulas que permitem solucionar as diversas situações que se apresentam sobre desconto. Para o desconto racional, aplicamos as seguintes fórmulas: Dr = PV × i × n FV = PV × (1 + i × n) Dr = PV × [(1 + in) –1] Para o cálculo do desconto bancário, aplicamos as fórmulas: D b = FV × i × n PV = FV (1 – i × n) FV PV = × (1- i n) • o desconto racional é calculado a partir do valor líquido, e também é conhecido por desconto “por dentro”. Você também aprendeu a calcular o prazo de antecipação de uma operação de desconto (n), bem como a taxa estipulada na negociação (i), por meio das fórmulas indicadas para cada tipo de desconto. Para o cálculo do prazo de antecipação, devemos estar atentos para o período que estiver indicada a taxa, pois o resultado é no mesmo período de tempo. Para o cálculo da taxa, ocorre o mesmo, resultará no mesmo período de tempo que estiver expresso o prazo de antecipação. Capítulo 2 64 Matemática Financeira Então, ao final deste capítulo, espero que você tenha entendido sobre as várias particularidades do tema desconto, e que não tenha ficado nenhuma dúvida. No próximo tópico, você terá oportunidade de exercitar sobre o que foi abordado. 2.6 Testando os seus conhecimentos 1) Um título de R$90.000,00 é descontado 8 meses antes do vencimento pelo desconto bancário simples, pelo valor de R$64.000,00. Considerando a capitalização bimestral, qual é a taxa? 2) Um título de R$ 398.000,00 é descontado antes do seu vencimento por desconto bancário simples pelo valor de R$ 303.000,00 a uma taxa de 3,0765% ao trimestre. Qual o tempo de antecipação do título? 3) Calcule o valor do desconto racional simples de um título de valor nominal de R$ 12.000,00, descontado 4 meses antesdo seu vencimento, à taxa de 2,5% a.m. 4) Uma empresa emitiu um título para ser pago em data futura, pelo desconto bancário, a uma taxa de 36% ao ano. Sabendo que este título foi resgatado 5 meses e 20 dias antes de seu vencimento pelo valor de R$ 7.578, 67, calcule o seu valor. 5) Um título a ser pago foi descontado 5 meses antes do seu vencimento. Sabendo-se que o valor nominal do título é de R$ 12.000,00 e a taxa de desconto racional utilizada é de 3,5% a.m. Calcule o valor líquido liberado na operação. Onde encontrar HAZZAN, S.; POMPEO, J. N. Matemática financeira. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. KUHNEN, O. L.; BAUER, U. R. Matemática financeira e aplicada e análise de investimentos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2001. MATHIAS, W. F.; GOMES, J. M. Matemática financeira. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1996. VERAS, l. l. Matemática financeira. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1999. Capítulo 3 65Matemática Financeira CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA CAPÍTULO 33 3.1 Contextualizando No regime de capitalização simples, apenas o capital inicial rende juros diretamente proporcional ao tempo e à taxa. Neste capítulo, você vai conhecer e interpretar as operações, e os componentes que integram a capitalização composta. Também aprenderá a calcular os componentes destas operações. Vamos trabalhar ainda vários conceitos relacionados com a capitalização composta, como o cálculo do montante, taxas proporcionais e nominais, taxas equivalentes e efetivas, cálculo do valor presente (capital), cálculo dos juros, da taxa e do período de capitalização. Este tipo de capitalização é o regime mais utilizado pelas instituições financeiras e tem grande importância porque retrata melhor a realidade. Os juros gerados pela aplicação são incorporados ao capital, passando a gerar novos juros no período seguinte. Vamos aos estudos! Ao fim deste capítulo, você vai estar apto a interpretar e executar as principais operações de capitalização composta. 3.2 Conhecendo a teoria Desde o ínicio da disciplina você já teve a oportunidade de conhecer os mecanismos básicos da matemática financeira como, por exemplo, o conceito de juros. O entendimento do tema é fundamental para que você prossiga os seus estudos. Capítulo 3 66 Matemática Financeira 3.2.1 Características dos juros compostos A capitalização composta, segundo Vieira Sobrinho (2000), é aquela em que a taxa de juros incide sobre o capital inicial, acrescido dos juros acumulados até o período anterior. Neste regime de capitalização, segundo o autor, os juros crescem em função do tempo. Na capitalização composta, os juros produzidos em um período são incorporados ao principal e passam a render juros também nos períodos subsequentes. A capitalização composta também é chamada de regime de juros sobre juros, considerando-se que a base de cálculo para os juros em um período é o valor capitalizado até o período imediatamente anterior, caracterizando-se por uma função exponencial (MATHIAS; GOMES, 2004). O intervalo, após o qual os juros serão acrescidos ao capital, é denominado de período de capitalização. Assim, se a capitalização for mensal, é após o período de um mês que os juros incorporam-se ao capital, passando a render juros para o mês seguinte. Se for trimestral, a cada três meses, os juros se incorporam ao capital e, assim, sucessivamente, de acordo com a capitalização dos juros especificada. Neste regime, a taxa varia exponencialmente em função do tempo, ou seja, para transformar uma taxa, de uma unidade para outra, é necessário usar equivalência. 3.2.2 Comparação entre juros simples e juros compostos Na capitalização simples, como você estudou no capítulo anterior, os juros incidem sempre sobre o capital inicial. Na capitalização composta, os juros são capitalizados não no final do prazo e, sim, no final de cada período. Isto é, o juro do primeiro período é adicionado ao capital inicial e, sobre o montante, é calculado o juro do segundo período, até o último período que está sendo considerado na questão. Capítulo 3 67Matemática Financeira Observe os quadros 1 e 2 a seguir e verifique a diferença! PERÍODO SALDO NO INÍCIO DO PERÍODO (R$) JUROS EM CASA PERÍODO (R$) JUROS AO FINAL DO PERÍODO (R$) 0 - - 1.000,00 1 1.000,00 100,00 1,100,00 2 1,100,00 100,00 1.300,00 3 1.200,00 100,00 1.300,00 4 1.300,00 100,00 1.400,00 Quadro 1 - Capitalização simples PERÍODO SALDO NO INÍCIO DO PERÍODO (R$) JUROS EM CASA PERÍODO (R$) JUROS AO FINAL DO PERÍODO (R$) 0 - - 1.000,00 1 1.000,00 100,00 1,100,00 2 1,100,00 110,00 1.210,00 3 1.210,00 121,00 1.331,00 4 1.331,00 133,10 1.464,10 Quadro 2 - Capitalização composta Observe que o montante do primeiro período foi utilizado para o cálculo dos juros do segundo período e, assim, até o final do prazo que está sendo considerado. Então, de forma resumida, a diferença entre a capitalização simples e a capitalização composta está na forma como são calculados os juros. Na capitalização simples, utiliza-se sempre o capital inicial e na capitalização composta, o capital será sempre o montante do período anterior. Capítulo 3 68 Matemática Financeira Em Nova York, o preso Michael Mathie tinha em 1999 uma renda bruta estimada em quase 900 mil dólares, além de investimentos em um imóvel e vários carros. Como ele fez fortuna? Por telefone. Ele afirmava que tinha conseguido negociar 8 milhões de dólares em ações na bolsa de valores. Ele realizava os negócios telefonando a cobrar para seu pai de um telefone público - mais de 10 vezes por dia - quando o mercado estava mais agitado. Então, seu pai realizava os negócios pela Internet. F o n t e : < w w w. g u i a d o s c u r i o s o s . c o m . b r / categorias/3467/1/deu-a-louca-no-mundo.html> CURIOSIDADE 3.2.3 Cálculo do montante Como você já observou no item anterior, o montante, que daqui para frente denominaremos (FV - Future Value), é resultante de uma aplicação do capital (PV- Present Value), que também denominaremos desta forma, a uma taxa de juros compostos i (por período de capitalização) durante n períodos de capitalização é resultante do desenvolvimento que apresentaremos na sequência. Vamos supor a aplicação de um capital (PV), durante n períodos, a uma taxa de juros compostos i ao período. Vamos calcular o montante (FV), no final de n períodos utilizando o processo a seguir (MATHIAS; GOMES, 2004): FV1 = PV(1 + i) FV2 = FV1 (1 + i) = PV(1+i)(1+i) = PV(1+i) 2 FV3 = FV2 (1 + i) = PV(1+i) 2(1 + i) = PV(1+i)3 Veja que, para o montante no primeiro período, fica: FV1= PV(1 + i) Para o montante do segundo período, encontramos: FV2= PV(1 + i) 2 Capítulo 3 69Matemática Financeira Para o montante do terceiro período, temos: FV3= PV(1 + i) 3 É fácil, então, concluir que a fórmula geral para o cálculo do montante em qualquer período é: FVn= PV(1 + i) n (1) Nesta fórmula, a taxa de juros i se refere à mesma medida de tempo utilizada para n períodos e, além disso, deve ser expressa na forma unitária porque estamos operando algebricamente. E, como você pode observar, a fórmula expressa o montante (FV) ao final de n períodos, é como uma função exponencial do capital inicial aplicado (MATHIAS; GOMES, 2004). Nesta fórmula, destacam Hazzan e Pompeo (2007), o fator (1 + i)n é chamado de fator de acumulação de capital para pagamento único. Pode ser obtido diretamente em uma calculadora ou ainda por meio de uma tabela financeira, encontrada em vários livros. Como já vimos, este fator guarda uma semelhança com o fator de acumulação de capital dos juros simples, dado pela expressão (1 + ixn). Tanto no regime de juros simples quanto no regime de juros compostos, o montante é dado pelo produto do capital pelo respectivo fator de acumulação. Lembre-se que n deve estar sempre expresso na mesma unidade de tempo estipulada na taxa. Se o período das capitalizações não coincidir com o da taxa, devemos calcular a taxapara o período dado pela capitalização. O procedimento para converter a taxa, para que ela fique de acordo com a unidade de tempo de n, será estudado nos próximos capítulos. A partir deste capítulo, também vamos utilizar a calculadora financeira para realizar os cálculos. As calculadoras financeiras permitem computar, diretamente, qualquer valor das quatro variáveis da fórmula, dados os valores das outras três. A terminologia utilizada é a seguinte: Capítulo 3 70 Matemática Financeira PV = (do inglês Present Value) representa o capital FV= (do inglês Future Value) representa o montante i = representa a taxa n = representa o número de períodos É importante destacar que, na maioria das calculadoras, os valores de PV e FV aparecem, um com sinal positivo e, o outro, com sinal negativo. Isto se deve ao fato de que nas teclas financeiras, uma entrada de caixa é representada por um valor positivo, ao passo que uma saída é representada por um número negativo. Assim, em uma operação a juros compostos com pagamento único, para o tomador do empréstimo, PV é positivo e FV é negativo. Para o emprestador, PV é negativo e FV é positivo. SAIBA QUE Daqui para frente, você vai acompanhar alguns exemplos para entender melhor a metodologia de cálculo. Inicialmente, vamos aprender como se calcula o montante. Exemplo 1 – Seja uma aplicação de R$ 10.000,00 a uma taxa de juros compostos de 8% a. m., pelo prazo de 2 anos, calcule o montante. Como já procedemos em outros exemplos, sempre vamos identificar os dados da questão. PV = R$ 10.000,00 i = 8% a. m. (dividimos por 100 para ficar unitária) = 0,08 a.m. n = 2 anos (24 meses para concordar com a taxa) Vamos encontrar a solução para este problema? Capítulo 3 71Matemática Financeira O primeiro passo é usar a fórmula 1. FVn= PV(1 + i) n FV = 10.000 (1+ 0,08)24 FV = 10.000 (1,08)24 FV = 10.000 × 6,34118 FV = 63.411,80 Então, o montante é R$ 63.411,81. Para você resolver o exemplo 1 na calculadora financeira, digite: f REG f 2 10.000 CHS PV 8 i 24 n FV, vai aparecer no visor o valor de 63.411,81. No próximo item, você vai aprender como devemos proceder se o prazo é fracionário. Vamos ver, então? Período fracionário Mesmo quando efetuamos cálculos, por meio de juros compostos, podemos ter um número de períodos de capitalização não inteiro. É possível ter, por exemplo, um valor aplicado durante 3 meses e 18 dias e a capitalização ser mensal. Neste caso, temos um período fracionário, afirmam Kuhnen e Bauer (2001). Então, para darmos início ao cálculo, vamos separar a parte inteira e a parte fracionária. Para a parte inteira, fazemos o cálculo normal, pois está tudo de acordo (taxa e prazo) para começar o processo. A parte fracionária vai necessitar de um tratamento diferente. Normalmente são admitidas duas alternativas. A primeira: • se o período for fracionário, calcula-se o montante composto até o último período inteiro. Em seguida, somam-se os juros da parte fracionária, que são calculados sobre o montante dos períodos inteiros, mas como juros simples. Capítulo 3 72 Matemática Financeira Para você entender melhor, vamos desenvolver um exemplo apresentado pelos autores Kuhnen e Bauer (2001, p. 83). Exemplo 2 – Calcule o montante de R$ 18.000,00, durante 2 anos, 4 meses e 8 dias, a juros de 5% ao trimestre, capitalizáveis trimestralmente, acrescentando juros simples na parte fracionária. Comece identificando os dados da questão: PV = 18.000,00 FV = ? i = 5% a.t. (dividindo por 100) = 0,05 a.t. n = 2 anos, 4 meses e 98 dias = 9 trimestres e 38 dias Vamos solucionar o problema? Inicialmente, é preciso calcular os juros compostos somente dos períodos inteiros, utilizando a fórmula 1. FV = PV × (1+ i)n FV = 18.000 × (1+ 0,05)9 FV = 18.000 × (1,05) 9 FV = 18.000 × 1,551328 FV = 27.923,91 Calculados os juros sobre a parte inteira, agora, vamos calcular os juros simples sobre o prazo fracionário, utilizando o montante calculado para o prazo inteiro. Para isto, vamos utilizar a fórmula do montante dos juros simples que você já conhece. FV = PV x (1 + i × n) FV = 27.923,91 × (1 + 0,05 . 38) 90 FV = 27.923,91 × (1+ 0,021111) FV = 27.923,91 × 1,021111 FV = 28.513,41 Esta metodologia de cálculo é também conhecida por convenção linear, que consiste em calcular o montante a juros compostos durante a parte inteira do período. Sobre o montante obtido, você deve aplicar juros Capítulo 3 73Matemática Financeira simples durante a parte não inteira do período considerado. Esta última convenção raramente é utilizada na prática (HAZZAN; POMPEO, 2007). Pela calculadora financeira calculadora financeira: f REF f 2 18.000 CHS PV 5 i 848 enter 90 : (divisão) n FV Com este comando FV, a calculadora fornecerá o resultado, neste caso, R$ 28.513,41. Fique ligado! Devemos observar que, no visor da calculadora financeira calculadora financeira, não deve estar visível a letra C, a qual, quando visível, estabelece que o cálculo será realizado utilizando a taxa efetiva e juros compostos também na parte fracionária. Para fazer parecer ou desaparecer a letra C no visor, devemos pressionar a sequência de teclas STO e EEX. Então, a resposta é R$ 28.513,41. Exemplo 3 – Calcule o montante de R$ 18.000,00, durante 2 anos, 4 meses e 8 dias, a juros de 5% ao trimestre, capitalizáveis trimestralmente, totalmente a juros compostos (KUHNEN; BAUER, 2001, p. 84). Vamos identificar os dados da questão? PV = 18.000,00 FV ? i = 5% a.t. (dividindo por 100) = 0,05 a.t n = 2 anos, 4 meses e 8 dias = 9 trimestres e 38 dias = 848 dias : 90 = 9,422222 trimestres. Agora aplique a fórmula 1, pois o tempo está concordando com o período da taxa. FV = PV × (1 + i)n FV = 18.000 × (1+ 0,05)9,422222 FV = 18.000 × (1,05) 9,422222 FV = 18.000 × 1,583617 FV = 28.505,11 Capítulo 3 74 Matemática Financeira Não esqueça! O tempo deve estar sempre em concordância com a taxa! O montante é de R$ 28.505,11, um pouco diferente do valor encontrado anteriormente. Isto se deve à diferença que há entre os juros simples e os juros compostos. • Na segunda alternativa, a forma de calcular é conhecida por convenção exponencial e adota o mesmo regime de capitalização para todo o período, tanto para a parte inteira como para a parte fracionária, como você pode constatar. A solução matemática dessa expressão pode ser obtida facilmente com o auxílio de uma calculadora que possua a função potência yx. Pela calculadora financeira: f REF f 2 18.000 CHS PV 5 i 848 enter 90:n FV Com este comando, a calculadora fornecerá o resultado. Neste caso, R$ 28.505,11. Observação: Existe uma diferença entre os montantes Pela convenção linear = R$ 28.513,41 Pela convenção exponencial = R$ 28.505,11 Diferença = R$ 8,30 Isto se deve à formação de juros simples no prazo fracionário da convenção linear. Capítulo 3 75Matemática Financeira LEMBRETELEMBRETE Você deve ficar atento, pois a calculadora financeira efetua os dois cálculos: aparecendo na parte inferior do visor o indicador de estado C, significa que todo o prazo, mesmo fracionário, foi calculado a juros compostos. Não estando presente este indicador, a parte fracionária estará sendo realizada a juros simples. Para fazer aparecer ou desaparecer no visor o indicador de estado C, basta pressionar a sequência de teclas STO e EEX. Exemplo 4 – Calcule o montante de um capital de R$ 1.500,00, aplicados a juros compostos de 60% a.a. durante 3 anos, 8 meses e 20 dias, totalmente a juros compostos. Inicialmente, vamos identificar os dados do problema: FV = ? PV= 1.500,00 i = 60% a.a. (vamos dividir por 100)= 0,60 n = 3 anos, 8 meses e 20 dias. Observe que o prazo não está pronto, pois existe mais de uma unidade de tempo. Então, a primeira etapa é converter o prazo em uma unidade única de tempo. E neste caso, o melhor é converter tudopara ano, pois a taxa está expressa ao ano. Você sabe que 8 meses constitui uma parte do ano e 20 dias também. Assim, podemos então ajustar estes prazos fazendo da seguinte forma: 8 : 12 = 0,666666 ano = 0,67ano (arredondado) 20:360 = 0,05555 ano = 0,056 ano (arredondado) Logo, fazendo o prazo total, teremos: n = 3 + 0,67 + 0,056 = 3,726 anos Capítulo 3 76 Matemática Financeira Agora sim, podemos aplicar a fórmula 1 e calcular o montante, pois temos somente uma unidade de tempo, e ainda, que concorda com o tempo em que está expressa a taxa. Vamos começar? FV = PV (1 + i)n FV = 1.500 × (1 + 0,60)3,726 FV = 1.500 × ( 1,60)3,726 FV = 1500 × 5,76171 FV = 8.642,57 O montante desta aplicação é R$ 8.642,57, totalmente calculado a juros compostos. Você pode calcular o montante usando a calculadora financeira. Digite os dados: f REG 1500 CHS PV 60 i 3,726 n FV = 8.642,57. Não esqueça de acionar as teclas para fazer com que apareça o C na parte inferior do visor. Para que ele fique visível, você deve digitar STO e EEX. Assim sua calculadora vai lhe dar o tempo fracionado, também em juros compostos. Se você não executar esta ação, sua calculadora vai realizar a operação do tempo fracionário como fosse juro simples. Espero que você tenha aprendido como se calcula o montante, tanto na convenção linear quanto na convenção exponencial. Na prática, como já ressaltaram os autores, utilizaremos sobretudo a convenção exponencial. Na sequência, você aprenderá os passos para calcular o valor investido, também conhecido por valor presente (PV) ou valor atual. Capítulo 3 77Matemática Financeira 3.2.4 Taxas proporcionais e equivalentes Para o cálculo do capital investido, ou tomado emprestado, ou ainda o valor do principal, procedemos de forma semelhante ao cálculo do montante. Vamos ver um exemplo. Exemplo 5 – Qual o capital aplicado a 10% ao semestre, produz o montante de R$ 1.331,00, após 3 semestres (KUHNEN; BAUER, 2001, p. 68)? Identificando os dados: PV = ? i = 10% a. s.(: por 100 para ficar unitária)= 0,10 a.s. FV = 1.331,00 n = 3 semestres (concorda com o período da taxa) Como a taxa e o tempo estão em concordância, já podemos calcular o PV utilizando a fórmula 1. Veja a solução! FVn= PV(1 + i) n 1.331 = PV(1 + 0,10)3 1.331 = PV × 1,331 1.331/1,331 = PV 1.000 = PV Assim, o valor do capital aplicado é R$ 1.000,00. Para você resolver o exemplo1 na calculadora financeira, digite: f REG 1.331 CHS FV 10 i 3 n PV, aparecendo no visor o valor de 1.000,00. Exemplo 6 – Qual o valor aplicado em uma operação a juros compostos, com prazo de 160 dias, resultando em um montante de R$ 170.000,00 à taxa de 2,2% a.m.? Capítulo 3 78 Matemática Financeira Hora de identificar os dados! PV = ? FV = 170.000,00 i = 2,2 % a.m. (dividindo-se por 100) = 0,022 n = 160 dias (convertendo em meses) = 5,33333 = 5,34 (arredondado) Nesta questão, você pode observar que o tempo não é inteiro e não concorda com a taxa. Ao aplicar a fórmula 1, podemos encontrar facilmente o resultado. Vamos resolver? Solução: FV = PV (1 + i)n 170.000= PV × (1 + 0,022)5,34 170.000 = PV × (1,022)5,34 170.000 = PV × 1,1232276 PV × 1,1232276 = 170.000 PV = 170 000 1 1232276 . . PV = 151.349,56 Então, o valor da aplicação é de R$ 151.349,56. Taxa proporcional e nominal Para Kuhnen e Bauer (2001), os juros são rendimentos produzidos por um capital em determinado tempo. Em capitalização composta, os juros aumentam a cada período de capitalização exatamente o valor dos juros produzidos pelos juros do período imediatamente anterior. Sabemos que o montante é o valor (PV) acrescido dos juros, logo: PV + J = PV(1 + i)n J = PV(1 + i)n - PV J = PV [(1 + i)n -1] (fórmula 2) Vamos ver dois exemplos para você aprender como são calculados os juros. Capítulo 3 79Matemática Financeira Exemplo 7 – Determine os juros produzidos por um capital de R$ 1.000,00, aplicado a juros compostos de 10% ao semestre, durante 1 ano e seis meses (adaptado de KUHNEN; BAUER, 2001). Identifique os dados: PV = 1.000,00 i = 10% a.s.= 0,10 (taxa unitária) n = 1 ano e seis meses (3 semestres para concordar com a taxa) Agora, vamos conhecer a solução! Utilizando a fórmula 2, vamos calcular o que a questão pede. J = PV [(1 + i)n –1] J = 1.000 [ (1 + 0,1)3 –1] J = 1.000 [(1,1)3 –1] J = 1.000[1,331 –1] J = 1.000[0,331] J = 331,00 Então, o valor dos juros é R$ 331,00. Para você resolver o exemplo 5 na calculadora financeira, digite: f REG f 2 1.000CHS PV 10 i 3 n FV RCL PV + Exemplo 8 – Um capital de R$ 20.000,00 foi aplicado durante um período de 9 meses à taxa de 12% ao trimestre. Quanto recebeu de juros nesta operação? Dados da questão: PV = 20.000,00 i = 12% a.t. (dividimos por 100 para tornar unitária)= 0,12 n = 9 meses (vamos ajustar para trimestres para concordar com o período Capítulo 3 80 Matemática Financeira da taxa)= 9 : 3 = 3 trimestres. J = ? Conheça a solução! Vamos aplicar a fórmula 2 e facilmente encontraremos o resultado. J = PV x [(1 + i)n –1] J = 20.000 × [(1 + 0,12)3 – 1] J = 20.000 × [(1,12)3 –1] J = 20.000 × [1,40493-1] J = 20.000 × 0,40493 J = 8.098,60 Então, o juro obtido nesta operação é de R$ 8.098,60. Para você resolver o exemplo 6 na calculadora financeira, digite: f REG f 2 20.000CHS PV 12 i 3 n FV RCL PV + Vai aparecer no visor o valor de 8.098,56, pois fizemos arredondamentos no valor da potência. Taxa equivalente e efetiva Você já aprendeu que a taxa é o percentual da remuneração do capital. Então, vamos aprender como se calcula o valor da taxa na capitalização composta, por meio de um exemplo. Exemplo 9 – A loja Preço Alto financia a venda de uma mercadoria no valor de R$ 16.000,00, sem entrada, para pagamento em uma única prestação de R$ 22.753,61 no final de 8 meses. Qual a taxa mensal cobrada pela loja? Identifique os dados da questão: Capítulo 3 81Matemática Financeira PV = R$ 16.000,00 FV = R$ 22.753,61 n = 8 meses i = ? Veja como calcular o resultado! Vamos utilizar a fórmula 1 para encontrar a solução: FV = PV(1 + i)n 22.753,61 = 16.000(1 + i)8 22 753 61 16 000 1 1 42210 1 8 8 . , . , = +( ) = +( ) i i A solução matemática dessa expressão pode ser obtida facilmente com o auxílio de uma calculadora que possua a função potência yx. Como se trata de uma igualdade, o valor de i pode ser obtido extraindo-se a raiz oitava de ambos os membros da igualdade. 1,42210 (1 i) 1,045 1 i 1 i 1,045 i 1,045 1 i 0,045 8 88 multip = + = + + = = − = llicando por 100 tornamos o resultado em valor percentual i == × = 0,045 100 i 4,5% a.m Então, o resultado para a taxa é 4,5% ao mês. Pela calculadora financeira: f REG f 2 16.000 CHS PV 22.753,61 FV 8 n i No visor aparecerá o valor de 4,5. Na calculadora financeira, o resultado sempre será em valor percentual. Então, é o mesmo que 4,5% a.m. Capítulo 3 82 Matemática Financeira Quando você calcula a taxa, o resultado sempre estará expresso na mesma unidade de tempo em que estiver indicado o prazo da questão. Resumindo: a periodicidade da taxa resulta sempre na unidade em que estiver expresso o tempo. Quando o tempo for fracionado, e você estiver utilizando a calculadora financeira, deverá digitar STO e depois EEX. No visor aparecerá a letra C. Quando aparecer na parte inferior o indicador de estado C, significa que todo o prazo, mesmo fracionário, foi calculado a juros compostos. Se não estiver presente este indicador, a parte fracionária estará sendo realizada a juros simples (KUHNEN; BAUER, 2001). SAIBA QUE Na sequência, você terá oportunidade de conhecer os procedimentos para operacionalizar a taxa nominal e a taxa proporcional. 3.2.5 Cálculo da taxa nominal e efetiva A taxa nominal é expressa, na maioria das vezes, para o período anual, sendo transformada em taxa para o período menor de forma proporcional, conforme mostrado a seguir:• 24% a.a.com capitalização trimestral; • 48% a.a. com capitalização mensal; • 10,5% a.s. com capitalização trimestral; • 13,5% a.t. com capitalização mensal; • 6% a.m. com capitalização diária. A transformação de uma taxa nominal, em efetiva na unidade do período de capitalização a que a taxa nominal se refere, é realizada aplicando-se a proporção. A proporcionalidade não altera o período de capitalização dos juros. Vamos converter as taxas anteriormente apresentadas? Capítulo 3 83Matemática Financeira • 24% a.a com capitalização trimestral 0,24/4 (o ano tem 4 trimestres)= 0,06 x 100= 6% a.t. • 48% a.a. com capitalização mensal. 0,48/12 (o ano tem 12 meses) = 0,04 x 100 = 4% a.m. • 10,5% a.s. com capitalização trimestral. 0,105/2 (o semestre tem 2 trimestres) = 0,0525 x 100 = 5,25% a.t. • 13,55 a.t. com capitalização mensal. 0,135/3 (o trimestre tem 3 meses) = 0,045 x100 = 4,5% a.m. • 6% a. m. com capitalização diária 0,06/30 (o mês tem 30 dias) = 0,002 x 100 = 0,02% a.d. A taxa nominal, geralmente, é fornecida em termos anuais. O período de capitalização pode ser diário, mensal, bimestral, trimestral, quadrimestral, semestral e anual. 3.2.6 Cálculo do tempo e do valor atual A taxa efetiva é aquela que realmente é paga no período em que foi fornecida, independente do período de capitalização. Isto quer dizer que se um capital foi aplicado durante um tempo, a determinada taxa, não importa o período de capitalização, que o resultado final, o montante será o mesmo. E quando queremos ajustar uma taxa ao período de capitalização, utilizamos a equivalência de taxas (KUHNEN; BAUER, 2001). Duas taxas são equivalentes quando aplicadas a um mesmo capital e durante o mesmo prazo de aplicação, produzem montantes iguais (HAZZAN; POMPEO, 2007). Por exemplo, as taxas i1 = 2% a.m. e i2 = 26,82418% a.a. são equivalentes, pois aplicadas ao mesmo capital de R$ 1.000,00, pelo prazo de dois anos, produzem montantes iguais. Vamos verificar se, de fato, isto ocorre? Calculando o montante para a primeira taxa, você tem: FV = PV(1+ i)n FV = 1.000(1+0,02)24 FV = 1.000 × 1,608437 FV = 1.608,437 Capítulo 3 84 Matemática Financeira Calculando o montante para a segunda taxa, temos: FV = PV(1+ i)n FV = 1.000(1+0,2682418)2 FV = 1.000 × 1,608437 FV = 1.608,437 O cálculo da taxa equivalente é dado pela fórmula: PV( 1 + ia) = PV(1 + im)12 meses Taxa mensal Taxa anual Estendendo para os demais períodos: ( 1 + is) = (1 + im) 6 ( 1 + it) = (1 + ib) 1,5 ( 1 + is) = (1 + it) 2 ( 1 + ia) = (1 + it) 4 ( 1 + ia) = (1 + iq) 3 ( 1 + ib) = (1 + im) 2 ( 1 + is) = (1 + iq) 1,5 ( 1 + ia) = (1 + ib) 6 ( 1 + is) = (1 + ib) 3 ( 1 + ia) = (1 + im) 12 Exemplo 10 – Calcule a taxa trimestral equivalente a taxa de 34,75% a.a. Dados da questão: ia = 34,75% a.a. = 0,3475 a.a it = ? (1 ano tem 4 trimestres) ( 1 + ia) = (1 + it) 4 (1 + 0,3475) = (1 + it)4 1,3475 (1 i ) 1,077413 1 i 1 i 1,077413 i 1,077413 1 i 4 t 44 t t t t = + = + + = = − = 00,077413 00 i 7,7413% a.t.t × = 1 Portanto, a taxa equivalente trimestral é 7,74% a.t. Capítulo 3 85Matemática Financeira Exemplo 11 – Determine a taxa para 210 dias equivalente a 18% ao semestre. Veja que este exemplo não se parece com nenhuma das questões propostas. Por isso mesmo escolhi este exercício: para você aprender como se calcula. Vamos, então, ver como se resolve? Dados do problema: is = 18% a.s. i210 = ? Para simplificar nosso cálculo, vamos converter 210 dias em uma parte do semestre, ou seja, 210/180=1,16667 semestres. Vamos, então, estabelecer a fórmula de cálculo. Assim, podemos proceder da seguinte forma: ( 1 + i1,16667) = (1 + is) 1,16667 ( 1 + i1,16667) = (1 + 0,18) 1,16667 1 + i1,16667 = 1,213004 i1,16667 = 1,213004 –1 i1,16667 = 0,213004 Multiplicando por 100 para tornar o resultado percentual, temos: i1,16667 = 21,30% para 210 dias 3.2.7 Cálculo do período de capitalização Os períodos de capitalização são os intervalos de tempo preestabelecidos, findos os quais são calculados os juros que, somados ao capital, forma um novo valor atual, valor presente, capital (PV), para o próximo período, ou ainda para o próximo intervalo. A capitalização pode ser diária, mensal, anual e outros (KUHNEN; BAUER, 2001). Em juros compostos, assinalam estes autores, o n não representa o número de dias, meses, anos, mas o número de períodos de capitalização. A este respeito, ainda destacam que a taxa e o tempo devem sempre ser homogêneos ao período de capitalização. Para calcularmos o período de capitalização, utilizaremos a fórmula 1, que você já conhece. FV = PV(1 + i)n Capítulo 3 86 Matemática Financeira Vamos, então, desenvolver um exemplo para você aprender como se calcula o período de capitalização. Exemplo 12 – Uma pessoa aplicou a quantia de R$ 1.000,00 e recebeu um montante de R$ 1331,00, à taxa de 10 % ao semestre. Calcule por quanto tempo este capital ficou aplicado. Veja os dados do problema: PV = R$ 1.000,00 FV = R$ 1.331,00 i = 10% a.s. (dividimos por 100 para transformá-la em taxa unitária) = 0,10 n = ? Aplicando a fórmula 1, podemos encontrar a solução. Acompanhe o raciocínio: FV = PV(1 + i)n 1.331 = 1.000(1+ 0,10)n 1 331 1000 110 1 331 110 . , , , = ( ) = ( ) n n Vamos agora utilizar o logaritmo neperiano (ln) para determinar o número de períodos de capitalização, pois a maioria das calculadoras tem esta operação. No entanto, se a calculadora que você estiver utilizando não dispuser desta ferramenta, pode usar o logaritmo decimal (log). Ao final, o resultado será o mesmo. ln(1,1)n= ln 1,331 Vamos recordar uma das propriedades do logaritmo: o logaritmo de uma potência é igual ao expoente multiplicado pelo logaritmo da base da potência. Em outras palavras, quando, por exemplo, o logaritmando tiver expoente, como neste caso (1,1)n, podemos multiplicar o expoente n pelo logaritmo de 1,1 (KUHNEN; BAUER, 2001). Capítulo 3 87Matemática Financeira n × ln 1,1 = ln 1,331 n × 0,095310 = 0,285931 n n = = 0 285931 0 095310 3 , , Pela calculadora financeira f REG 1.000 CHS PV 1.331 FV 10 i n aparece no visor o valor 3, ou seja, 3 semestres, pois a taxa resulta na mesma unidade do tempo que aparece a taxa. Exemplo 13 – O capital de R$ 1.000,00 aplicado à taxa de 3% ao mês resultou em um montante de R$ 3.892,34. Pergunta-se: quanto tempo foi necessário para conseguir este valor? Identificando os dados da questão: PV = 1.000,00 FV = 3.892,34 i = 3% a. m. (dividindo por 100) = 0,03 n = ? Para encontrarmos o resultado, vamos aplicar a fórmula 1. FV = PV × (1 + i)n 3.892,34 = 1.000(1 + 0,03)n 3 892 34 1 000 1 3 892 34 1 0 3 3 892 34 1 0 3 . , . . , , . , , = +( ) = +( ) = +( ) i In In n n n 33 892 34 1 0 3 1 359011 0 029559 0 029559 1 359011 . , , , , , , = × +( ) = × × = n n n n nn n = = 1 359011 0 029559 45 976217 , , , Capítulo 3 88 Matemática Financeira Então, o tempo necessário para conseguir o montante foi de 45,976217 meses, que se desejarmos ajustar para ano e meses podemos aplicar a regra de três, como segue: Ano Meses 1 12 x 45 Pela calculadora financeira: f REG 1.000 CHS PV 3.892,34 FV 3 i n = 46 meses A calculadora financeira não irá apresentar um resultado fracionário para n; caso isto ocorra o resultado aparecerá arredondado para o primeiro inteiro maior. Se desejarmos um resultado mais preciso, podemos ajustar a taxa para um período de capitalização menor. Por exemplo, se a taxa apresentada é anual, devemos transformá-la em taxa semestral, trimestral ou mensal, de forma equivalente e, então, realizar o cálculo novamente. Procederemos desta forma se estivermos utilizando a calculadora financeira. Uma pessoa depositou R$ 40.000,00 numa instituição financeira por 3 anos a uma taxa nominal de 36%a.a. Calcule o montante compostosabendo que, no primeiro ano, os juros são capitalizados semestralmente e, no segundo ano, trimestralmente. No terceiro ano, o juro será mensal. DESAFIO 1 12 45 12 45 45 12 3 8311351 3 9 29 x x x x meses anos meses e dias = = = = =, , Capítulo 3 89Matemática Financeira 3.2.8 Operacionalização da calculadora financeira Caro estudante: como você pode verificar, já desenvolvemos vários exemplos de aplicação da calculadora financeira. Esta ferramenta contribui sobremaneira para a obtenção da solução dos problemas de juros compostos. Mas fique atento(a), porque ela pode apontar falhas quando você utiliza as fórmulas, pois pode obter o resultado com maior facilidade. É mais uma forma que você tem para agregar novas informações que vão facilitar no seu aprendizado de matemática financeira. Apesar de algumas funções da calculadora financeira parecerem complexas, elas são relativamente fáceis de serem operacionalizadas se dominamos os conceitos da matemática financeira, sob o ponto de vista teórico e prático. Você deve estar atento para alguns detalhes da aplicação desta calculadora, porque ela guarda algumas diferenças em relação a outras calculadoras. Siga as recomendações que estão no texto, quando são apresentados os passos de operacionalização. Você também encontra na web diversos manuais sobre a operacionalização da calculadora financeira que vão auxiliar seus estudos. 3.3 Aplicando a teoria na prática Um determinado valor da empresa Pipoka´s, de Santarém, ficou depositado durante dois anos a juros simples de 4%a.a. Findo este período, o montante foi reaplicado a juros simples de 6%a.a. durante 18 meses. Determine o capital inicial, sabendo que o montante final foi de R$ 17.658,00. Vamos inicialmente identificar os dados da questão: PVinicial = ? FVfinal = 17.658,00 n1 = 2 anos i1 = 4% a.a. n2 = 18 meses = 1,5 ano i2 = 6 % a.a. Capítulo 3 90 Matemática Financeira Agora, vamos resolver esta questão utilizando o seguinte procedimento: como conhecemos somente o montante final (FVfinal), com este valor determinamos o capital final (PVfinal) que, por sua vez, é o montante da primeira aplicação (FV1). Isto é, resolvendo o problema começando do final. Vamos novamente utilizar a fórmula 1: FV= PV(1 + i)n 17.568 = PVfinal (1 + 0,06)1,5 PVfinal (1 + 0,06) 1,5 = 17.658 PVfinal . 1,09134 = 17658 PV PV final final = = 17 658 1 09134 16 180 16 . , . , Este valor é o montante da primeira aplicação que foi aplicado novamente. Sendo assim, vamos utilizá-lo como montante inicial para calcularmos o capital inicial. Segue o cálculo, então, utilizando a mesma fórmula. FV= PV(1 + i)n 16.180,16 = PVinicial (1 + 0,04) 2 PVinicial (1 + 0,04) 2 = 16.180,16 PVinicial × 1,0816 = 16.180,16 Pv Pv inicial inicial = = 16 180 16 1 0816 14 959 46 . , , . , Então o capital inicial procurado é R$ 14.959,46 Se você desejar calcular utilizando a calculadora financeira, é só digitar inicialmente a primeira parte e, depois, a segunda, como segue. 1ª Etapa 2ª Etapa f REG f REG 17.658 CHS FV 16.180,16CHS FV 6 i 4 i 1,5 n 2 n Capítulo 3 91Matemática Financeira PV 16.180,16 PV= 14.959,46 Você pode comprovar: o capital inicial é de R$ 14.459,46. 3.4 Para saber mais Você poderá consultar outros livros para aprofundar estes conhecimentos. Recomendo consultar as seguintes referências: Sites: Somatematica/Bertolo/Ibre URL: http://www.somatematica.com.br URL: http://www.bertolo.pro.br/matfi an/index.htm URL: http:/www.ibre.fgv.br Nestes endereços, você vai encontrar explicações e exemplos dos cálculos que desenvolvemos nesta unidade. Entre estes, você encontrará o cálculo do montante, do capital aplicado, da taxa e do período de tempo. Você poderá complementar seu entendimento sobre taxa nominal e taxa efetiva. Também vai encontrar vídeos-aulas com professores explicando o conteúdo apresentado neste capítulo. Título: Matemática financeira: objetiva e aplicada Autores: PUCCINI, A. de L.; PUCCINI, A. Editora: Saraiva, SP Ano: 2006 Neste livro, você pode complementar seus conhecimentos sobre juros compostos e suas aplicações. Por meio de exemplos e resoluções de casos referentes aos juros compostos, é possível sanar algumas dúvidas que ficaram em relação à aprendizagem da capitalização composta. Você encontra também explicações passo a passo da operacionalização da calculadora financeira. Título: Matemática financeira Autor: VIEIRA SOBRINHO, J. D. Editora: Atlas, SP Ano: 2000 A leitura desta obra orienta e explica sobre taxa nominal e taxa efetiva, e complementa com a aplicação da calculadora financeira. Por meio de inúmeros exercícios resolvidos, você pode complementar seu conhecimento de matemática financeira, principalmente, sobre o cálculo dos componentes da capitalização composta. Capítulo 3 92 Matemática Financeira 3.5 Relembrando No capítulo 3, você aprendeu que: • a capitalização composta é aquela em que a taxa de juros incide sobre o capital inicial, acrescido dos juros acumulados até o período anterior; • na capitalização simples utiliza-se sempre o capital inicial, e na capitalização composta, o capital será sempre o montante do período anterior; • o cálculo do montante denominado (FV- FutureValue) é resultante de uma aplicação do capital (PV- Present Value), a uma taxa de juros compostos i (por período de capitalização) durante n períodos de capitalização; • o valor presente (PV) é a quantia a ser aplicada em um investimento, como também pode ser uma dívida para se pagar no futuro. Para o cálculo do PV, precisamos da taxa que incide sobre o seu valor, do montante, como também do período que o capital ficou investido. Isto se aplica também quando se tratar de uma dívida; • a taxa de capitalização (i) é o percentual que incide sobre o capital (PV). Para calcular o seu valor, devemos extrair a raiz, cujo índice é igual ao período de tempo; • para o cálculo do período de tempo (n) de capitalização do capital (PV), necessitamos conhecer o valor do capital (PV), da taxa e do montante. Para a obtenção deste valor, aplicamos a operação do logaritmo, que nesta unidade optamos pelo (ln), logaritmo neperiano; • a taxa nominal é a que indica um período, mas é capitalizada em outro, e não pode ser aplicada de imediato, precisa ser convertida de forma proporcional para o período em que for capitalizada. A transformação de forma proporcional segue os procedimentos do cálculo de uma regra de três simples; Capítulo 3 93Matemática Financeira • a taxa efetiva é a que produz o mesmo montante, mesmo se estiver expressa em períodos diferentes. Caso seja necessário mudar o período em que está expressa, o fazemos de forma equivalente. Esta metodologia de cálculo segue a fórmula indicada a seguir: (1 + in) l = (1 + ib) n sendo n a quantidade de períodos contidos no período maior. Tem-se como exemplo: 1 ano corresponde a 12 meses, 6 bimestres, 4 trimestres, 3 quadrimestres e 2 semestres. Vamos ver agora se você aprendeu mesmo a calcular juros compostos. Então, é a sua vez de testar se as explicações e exemplos foram bem assimilados. Espero que consiga resolver os exercícios sem dificuldade. Bom trabalho! 3.6 Testando os seus conhecimentos 1) Quanto se obterá de juros em 2 anos, ao se aplicar R$ 1.500,00 a uma taxa de 24%a.a. capitalizado mensalmente? 2) Qual o montante acumulado em 5 anos, a uma taxa de 15%a.a., a partir de um principal que rendeu de juros US$ 424,36? 3) Um capital de US$ 3.000,00 foi aplicado a juros compostos, durante 10 meses, gerando um montante de US$ 4.500,00. Qual a taxa mensal? 4) Um certo investidor colocou R$ 25.000,00 a juros compostos de 7%a.m., durante 3 meses e 20 dias. Em seguida, reaplicou o montante obtido a juros compostos de 10%a.m. No final da operação, recebeu 38.500,00. Qual o período total que o capital ficou aplicado? 5) Identifique astaxas semestrais proporcionais e equivalentes a: a) 5% a.m. b) 8% a.t. Capítulo 3 94 Matemática Financeira Onde encontrar HAZZAN, S; POMPEO. Matemática financeira. 6 ed. São Paulo: Saraiva, 2007. KUHNEN, O. L.; BAUER, U. R. Matemática financeira e aplicada e análise de investimentos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2001. MATHIAS, W. F.; GOMES, J. M. Matemática financeira. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2004. VERAS, l. l. Matemática financeira. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1999. VIEIRA SOBRINHO, J. D. Matemática financeira. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2000. Capítulo 4 95Matemática Financeira DESCONTO COMPOSTO CAPÍTULO 44 4.1 Contextualizando Vamos continuar nosso estudo sobre matemática financeira com a abordagem de desconto composto. Vamos aplicar os conceitos que foram estudados. A partir de agora vamos aplicar sobre desconto simples, e também o desconto composto, alterando apenas o regime de capitalização. Você aprendeu que, quando trabalhamos juros simples, eles aumentam proporcionalmente com o tempo de aplicação. No mesmo sentido, quando trabalhamos os juros compostos, percebemos que o crescimento dos juros é exponencial. Então, vamos verificar como se comporta o desconto composto? O capítulo 4 tem como principal propósito distinguir, no regime de capitalização composta, desconto racional (ou por dentro) de desconto comercial (ou bancário ou por fora); calcular o desconto comercial, bem como o valor nominal, taxa, tempo e valor atual das operações. Vamos identificar situações reais para aplicação destes fundamentos. Ao finalizarmos este capítulo, somado ao que já estudamos até aqui, você terá condições de aplicar corretamente os conceitos de desconto composto nas modalidades racional e bancário, na resolução de problemas, bem como calcular o valor dos descontos, valor nominal de um título ou valor atual, taxa de desconto e período de desconto. Então, bons estudos e aproveite para aplicar suas aprendizagens na resolução dos exercícios. Capítulo 4 96 Matemática Financeira 4.2 Conhecendo a teoria O entendimento do desconto composto é bastante semelhante ao estudado no regime de juros simples. Já sabemos que o desconto é o abatimento concedido sobre um título por seu resgate antecipado, ou a venda de um título antes de seu vencimento. Ao tratar do regime de desconto composto, é preciso observar os critérios da capitalização composta. Da mesma forma que no desconto simples, no desconto composto também é preciso considerar a existência dos descontos, comercial ou bancário (por fora) e o racional (por dentro). Vamos recordar os elementos principais do desconto composto, que são os mesmos já estudados no desconto simples: FV = valor nominal do título que deve ser descontado; PV = valor atual ou valor descontado ou valor líquido; D = valor do desconto; i = taxa de desconto; n = número de períodos de antecipação. 4.2.1 Conceito de desconto Você já sabe que o desconto é o abatimento concedido sobre um título por seu resgate antecipado ou a venda de um título antes de seu vencimento. Ao tratar do regime de desconto composto, é preciso observar os critérios da capitalização composta. Segundo Veras (1999), os descontos compostos podem ser considerados como uma sucessão de descontos simples calculados período a período. No sistema de capitalização composta, também devem ser estabelecidos os dois tipos de desconto que foram definidos para o regime de capitalização simples, qual seja, o desconto bancário e o desconto racional. Para Vieira Sobrinho (2000, p. 55), “desconto composto é aquele que a taxa de desconto incide sobre o montante ou valor futuro, deduzido dos descontos acumulados até o período imediatamente anterior”. Capítulo 4 97Matemática Financeira O autor ainda enfatiza que, no caso do desconto simples, a taxa de desconto incide somente sobre o valor futuro dos títulos, tantas vezes quantos forem os períodos unitários, ou seja, D = FV × i × n Como PV = FV – D, deduzimos que PV = FV (1- i x n) (desconto bancário). Já no caso do desconto bancário composto, para n períodos unitários, a taxa de desconto incide, no primeiro período, sobre o valor futuro do título; no segundo período, sobre o valor futuro do título menos o valor correspondente ao primeiro período; no terceiro período, sobre o valor futuro do título menos os valores dos descontos referentes ao primeiro e ao segundo período e assim, sucessivamente, até o período desejado, isto é, o enésimo período. De forma resumida, o desconto é o preço a pagar para se dispor de um capital em um momento de tempo anterior ao do seu vencimento. Segundo Veras (1999), no sistema de capitalização composta, também podem ser definidos os dois tipos de descontos que foram fixados para o regime de capitalização simples, isto é, o desconto bancário ou comercial e o desconto racional. Na sequência, você terá oportunidade de aprender como são calculados estes dois tipos de desconto. LEMBRETELEMBRETE Para os casos em que a taxa de desconto e o prazo não estiverem na mesma unidade de tempo, é sempre mais fácil alterar o prazo. No entanto, quando estivermos estudando as séries uniformes, isso não será mais possível, pois não podemos alterar a forma de pagamento. Sendo assim, você poderá converter a taxa, como foi explicado nos juros compostos. Se a taxa for nominal, é só fazer um ajuste de forma proporcional. Se a taxa for efetiva, utilize a equivalência para converter a taxa de acordo com o período de antecipação informado no enunciado da questão. Sugiro que você revisite o capítulo 3 para lembrar como se faz a conversão de taxas. Capítulo 4 98 Matemática Financeira 4.2.2 Tipologia de desconto composto Quando você estudou o regime de capitalização simples, definimos dois tipos de descontos, o desconto racional, que é calculado sobre o valor atual do título, e o desconto comercial, que é calculado sobre o valor nominal do título. Para o regime de capitalização composta, são definidos os mesmos dois tipos de descontos (racional e o bancário ou comercial) já apresentados quando estudamos o re¬gime de capitalização simples. Agora, é importante que você tenha claro que existe uma diferença na aplicação do tipo de desconto. O desconto bancário é utilizado em depreciação enquanto o racional é utilizado para equivalência de capitais a juros compostos. FV = valor nominal do título que deve ser descontado PV = valor atual ou valor descontado ou valor líquido D = valor do desconto i = taxa de desconto n = número de períodos de antecipação O desconto racional é calculado sobre o valor atual, as fórmulas se equivalem às de juros compostos, considerando, é claro, que o desconto significa o abatimento sobre títulos de crédito. 4.2.3 Desconto composto bancário O desconto bancário composto, ou “por fora”, é calculado sobre o valor nominal do título. Suponha que um título de valor nominal FV vai ser descontado pelo desconto bancário composto n períodos antes de seu vencimento com taxa de desconto i. Seu valor atual PV poderá ser calculado como se o seu valor nominal sofresse n descontos comerciais sucessivos, um para cada período que falta para o seu vencimento (VERAS, 1999). Capítulo 4 99Matemática Financeira Vamos ver como se desenvolve a expressão que permite calcular qualquer componente do desconto composto, por meio da descrição a seguir. PV1 = FV - FV × i = FV(1 - i) PV2 = FV(1 - i) - FV(1 - i) × i = FV(1 - i)(1 - i) = FV(1 - i) 2 PV3 = FV(1 - i) 2 - FV(1 - i)2 × i = FV(1 – i)2(1 - i) = FV(1 - i)3 PVn = FV(1 - i) n -1 - FV(1 - i)n-1 × i = FV(1 - i)n-1(1- i) = FV(1 - i )n Assim, o valor líquido de um título, de prazo igual a n períodos unitários, calculado com base no desconto composto, é dado pela expressão; PV =FV(1 - i)n (1) Vamos, então, aprender como se aplica esta fórmula e como se resolve os problemas deste tipo de desconto. Cálculo do valornominal ou atual de um título Antes de começar o desenvolvimento de alguns problemas que vão esclarecer melhor todo o processo de cálculo, vamos recordar o que estudamos sobre desconto bancário simples? Ao contrair uma dívida para pagamento futuro, o devedor normalmente oferece um título que comprova tal obrigação. De posse desse título, o credor poderá negociar o seu resgate antecipado, junto às instituições financeiras. Títulos de crédito são normalmente negociados em operações de desconto junto a instituições financeiras: • notas promissórias; • duplicatas; • letras de câmbio; • cheques pré-datados; • títulos nominais. Capítulo 4 100 Matemática Financeira Para você entender melhor o cálculo do valor nominal, vamos desenvolver o exemplo 1? Exemplo 1 – Qual o valor nominal do título que foi descontado um ano antes de seu vencimento pelo valor de R$ 16.290,13, à taxa de desconto bancário composto, de 5% ao trimestre, capitalizável trimestralmente (KUHNEN; BAUER, 2001)? Vamos resolver esta questão? A primeira etapa é identificar os dados do problema. Em seguida, aplique a fórmula 1 que você já conhece. PV = 16.290,13 Calculadora financeira FV = ? F fin2 i= 5% a.t. = 0,05 a.t. 16.290,13CHS FV n = 1 ano = 4 trimestres 4n PV =FV(1 – i)n 5 CHS i 16.290,13 = FV(1 - 0,05)4 PV = 20.000 16.290,13 = FV × 0,814506 16 290 13 0 814506 . , , = FV FV = 20.000,00 Com este comando PV, a calculadora fornecerá o resultado, neste caso, R$ 20.000,00. Não estranhe a operacionalização da calculadora financeira: é a forma definida pela calculadora. No desconto bancário, é assim que devemos proceder. O valor nominal é de R$ 20.000,00. Vamos desenvolver mais um exemplo para você realmente fixar bem esta forma de cálculo? Exemplo 2 – Um título foi resgatado 8 meses antes de seu vencimento, pelo valor líquido de R25.000,00. Sabendo que a taxa de desconto bancário foi de 18% a.a. capitalizável mensalmente, calcule o valor nominal do título. Capítulo 4 101Matemática Financeira Neste exemplo, você pode verificar se aprendeu realmente a calcular o valor nominal pelo desconto bancário composto. Vamos identificar os dados? PV = 25.000,00 n = 8 meses i = 18 % a.a capitalizável mensalmente (taxa nominal) FV = ? Neste exemplo, a taxa não concorda com o período de antecipação, então devemos ajustá-la. Como é uma taxa nominal por meio da proporção, para converter ao mês, basta fazer uma simples divisão. Neste caso, não basta alterar o tempo, pois se trata de uma taxa nominal. i = 18% a.a = 0,18/12 = 0,015 = 1,5% a.m. Agora sim, podemos pensar em aplicar a fórmula 1. Vamos começar? PV = FV(1 – i)n 25.000 = FV(1- 0,015)8 25.000 = FV(0,985)8 25.000 = FV . 0,886115 25 000 0 886115 28 213 05 . , . , = = FV FV Calculadora financeira F fin2 25.000 CHS FV 8 n 1,5 CHS i PV = 28.213,05 O resultado do valor do título FV é R$ 28.213,05. Mesmo que lhe pareça errado a forma de cálculo pela calculadora financeira, é assim que se calcula, acionando a tecla PV ao final. Isto só ocorre para o desconto bancário. Capítulo 4 102 Matemática Financeira Os juros têm sido utilizados ao longo da história desde que o homem percebeu que existia uma relação entre dinheiro e tempo. Os juros eram uma prática na sociedade antiga. Um dos primeiros indícios apareceu na Babilônia no ano 2000 a.C. quando eram pagos pelo uso de sementes ou de outras mercadorias emprestadas. Os juros eram condenados pela Igreja Católica no século 10. Apesar de o clero lutar contra os juros, com maldições e ameaças como fogo eterno, não pode conter a avidez por ganhos e lucros das pessoas. Tanto que o desenvolvimento do comércio, com a evolução do capitalismo, passou a fazer parte do sistema, fortalecido com a criação das redes bancárias nos séculos 10 a 15. Fonte: <www.diaadiaeducacao.pr.gov.br>. CURIOSIDADE Cálculo do valor presente ou valor atual Como nos juros compostos, aqui podemos fazer uma sucessão de descontos simples para chegar ao valor atual do título. Mas, utilizando a fórmula 1, facilmente encontraremos o resultado. Por meio de um exemplo, vamos aprender como se calcula este valor? Exemplo 3 – Calcule o valor atual de um título de R$ 20.000,00, descontado um ano antes do vencimento, com uma taxa de desconto bancário composto de 5% ao trimestre. Acompanhe o raciocínio! PV ? Calculadora financeira FV = 20.000,00 20.000CHS PV i = 5% a. t. 4 n n = 1 ano = 4 trimestres 5 CHS i PV= FV(1 - i )n FV PV = 20.000,00(1 - 0,05)4 FV=16.290,13 Então, com o comando FV, o resultado do valor atual PV é R$ 16.290,13. Você deve estar se questionando sobre este procedimento, porém, nos cálculos do desconto bancário, é desta forma que devemos proceder. Capítulo 4 103Matemática Financeira Acompanhe mais um exemplo de cálculo do valor atual para você não ficar com dúvidas! Exemplo 4 – Calcule o valor atual de um título de R$ 258.000,00, descontado um ano, 2 meses e 18 dias antes do vencimento com uma taxa de desconto bancário composto de 3 % ao mês. Vamos acompanhar a solução? Identifique os dados, pois assim fica mais fácil de resolver. PV = ? FV = 258.000,00 n= 1 ano, 2 meses e 18 dias i = 3% ao mês = 0,03 a.m Antes de iniciarmos o cálculo, precisamos ajustar o tempo à taxa. Como temos o período de antecipação igual a 1 ano, 2 meses e 18 dias, vamos converter tudo em meses. 1 ano = 12 meses 2 meses 18 dias = 18: 30 = 0,6 meses Total – 14,6 meses Agora podemos aplicar a fórmula 1 para encontrar o resultado. PV = FV(1 – i)n PV = 258.000(1-0,03)14,6 PV = 258.000(0,97)14,6 PV = 258.000 × 0,641014 PV = 165.381,61 Calculadora financeira 258.000 CHS PV 14,6 n 3 CHS i FV= 165.381,54 Então, com o comando FV, temos o resultado do valor atual PV igual a R$ 165.381,54. Temos uma pequena diferença devido ao arredondamento do período de antecipação. Capítulo 4 104 Matemática Financeira Espero que você tenha entendido o procedimento do cálculo do valor atual, mesmo que pela calculadora financeira pareça estranho. Veja o lembrete a seguir indicado pelos autores. LEMBRETELEMBRETE As calculadoras financeiras foram programadas para cálculo de juros compostos ou desconto racional composto. Para utilizarmos as calculadoras financeiras em desconto bancário composto, é necessário observarmos os seguintes passos: • na tecla FV é digitado o valor atual (presente) ou seja, o valor líquido recebido; • na tecla PV digita-se o valor nominal do título ou o valor futuro (FV); • a taxa de juros deve ser informada com sinal negativo; • os demais itens são normais (KUHNEN; BAUER, 2001). Cálculo do desconto Como já aprendemos, no desconto bancário simples, o valor do desconto bancário composto é a diferença entre o valor nominal do título e o valor atual. Então, podemos escrever a fórmula, que nos permite calcular o desconto bancário sem precisar conhecer os valores de FV e de PV. Basta saber o valor de FV, isto é, do valor do título. Db = FV - PV Db = FV - FV(1 - i)n Db = FV × [1 - (1 - i)n] fórmula 2 Para você aprender a calcular o valor do desconto bancário, vamos demonstrar um exemplo. Exemplo 5 – Calcule o valor do desconto bancário composto de um título de R$ 42.000,00, resgatado um ano antes de seu vencimento com uma taxa de 15% ao semestre capitalizável mensalmente. Fique ligado na solução desta questão! Mas antes, vamos identificar os dados e fazer os ajustes no período de antecipação. Capítulo 4 105Matemática Financeira FV = 42.000,00 n =1 ano = 12 meses i = 15% a.s. capitalizável mensalmente = 0,15 : 6 = 0,025 a. m. Db = ? Agora é só aplicar a fórmula 2: Db = FV [1 - (1 - i)n ] Calculadora financeira Db = 42.000 [1 - (1 - 0,025)12] 42.000 PV Db = 42.000 [1 - 0,73800] 2,5 CHS i Db = 42.000 × 0,26200 12 n Db = 11.004,00 FV RCL PV + Ao acionar a tecla RCL PV + na sua calculadora financeira, obterá o mesmo valor calculado pela fórmula, isto é, R$ 11.004,00. Exemplo 6 – Calcule o valor do desconto bancário composto de um título, cujo valor é de R$ 20.000,00, descontado um ano antes do vencimento a uma taxa de 5% a trim., capitalizável trimestralmente. Vamos, então, acompanhar a solução? Identifique os dados. FV = 20.000,00 i = 5% a. t. n = 1 ano = 4 trimestres (para concordar com a taxa) Db = ? Agora é só aplicar a fórmula 2! Db = FV [1 - (1 - i)n ] Pela calculadora financeira Db = 20.000 [1 - (1 - 0,05)4] 20.000 CHS PV Db = 20.000 [1 - 0,814503] 5 CHS i Db = 3.709,88 4 n FV RCL PV + Então, você pode perceber que, com este comando RCL PV +, o valor do desconto é de R$ - 3.709,88. Capítulo 4 106 Matemática Financeira Observe que o valor registrado em PV (CHS) é negativo e o resultado apresentado pela calculadora, quando comandamos para calcular o valor futuro, será positivo. Logo, a soma de um valor negativo mais (+) um valor positivo será a diferença entre eles. Obtemos, assim, o resultado, neste caso, – 3.709,88, que será apresentado com sinal negativo porque informamos o valor nominal do título negativo. Como este valor é maior, o resultado assumirá este sinal, o que não significa que o desconto bancário é negativo, mas é apenas uma consequência da forma como utilizamos os valores quando os informamos para a calculadora (KUHNEN; BAUER, 2001, p. 95). SAIBA QUE Cálculo da taxa e do período de antecipação A taxa de desconto é o percentual que incide sobre o valor nominal do título. Para você entender como se calcula a taxa de desconto, acompanhe um exemplo. Pode-se calcular a taxa utilizando a fórmula 1 do desconto bancário composto. PV = FV(1 - i )n (1) Exemplo 7 – Agora, seu desafio é calcular a taxa de desconto bancário composto de um título de R$ 20.000,00, descontado 4 meses antes do vencimento, recebendo o valor líquido de R$ 16.290,13. Veja como é o procedimento do cálculo da taxa. Inicialmente, vamos identificar os dados da questão. FV = 20.000,00 PV = 16.290,13 n = 4 meses i = ? Aplicando a fórmula 1, temos: Capítulo 4 107Matemática Financeira PV= FV( 1 - i )n 16.290,13 = 20.000(1 - i)4 16.290,13 : 20.000 = (1 - i)4 0,81451 = (1 - i)4 0 81451 1 0 95 1 1 0 95 1 0 95 0 05 1 0 05 100 5 4 44, , , , , , = −( ) = − − = − = = = × = i i i i i %% .am Pela calculadora financeira 20.000 CHS PV 16.290, 13 FV 4 n i Então, o resultado da taxa é 5% a.m. Dando continuidade ao estudo do desconto bancário composto, vamos desenvolver um exemplo de cálculo do período de antecipação. Exemplo 8 – Um título de R$ 398.000,00 é descontado antes do seu vencimento por desconto bancário composto por R$ 303.000,00 a uma taxa de 6,12085% ao trimestre. De quantos meses foi o prazo de antecipação do título? A primeira etapa é identificar os dados da questão. FV = 398.000,00 PV = 303.000,00 i = 6,12085% ao trimestre= 0,0612085 a.t. Como a resposta deve ser em meses, já vamos converter a taxa ao mês. Você observou que a taxa é efetiva? Pois bem, então vamos aplicar a fórmula para a transformação da taxa ao mês, para que a resposta resulte em meses. Vamos lá, então? Capítulo 4 108 Matemática Financeira (1 + im) 3 = (1 + it) 1 (1 + im) 3 = (1 + 0,0612085) 1 1 0612085 1 1 020000 1 020000 1 0 02 0 0 33 3+( ) = +( ) = = − = = i i i i m m m m , , , , , 22 100 2× = % . .am n = ? Depois de convertermos a taxa, já podemos aplicar a fórmula 1 para calcularmos o período de antecipação. PV = FV × ( 1 - i )n 303.000 = 398.000,00 . (1 - 0,02)n 303.000 : 398.000= (0,98)n 0,761307 = (0,98)n Aplicando o logaritmo para encontrarmos o resultado: ln 0,761307 = ln(0,98)n - 0,272719 = n × (-0,020203) × (-1) 0,272719 : 0,020203 = n 13,498936 = n Portanto, o prazo de antecipação, em meses, é de 13 meses e meio, o que equivale a 1 ano, 1 mês e 15 dias aproximadamente. Pela calculadora financeira: 303.000 CHS FV 398.000 PV 2 CHS i n = 14 Lembre-se que, para o cálculo dos componentes do desconto bancário, sempre vamos inverter a ordem de digitação do PV e FV. Caso contrário, a calculadora apresentará erro. Com o comando n, a calculadora nos fornecerá o resultado inteiro igual a 14 meses. A calculadora financeira sempre dá o resultado com o número inteiro imediatamente superior. Capítulo 4 109Matemática Financeira Para ter certeza de que você assimilou o processo de cálculo do período de antecipação, vamos desenvolver mais um exemplo? Exemplo 9 – Um título de R$ 20.000,00 foi descontado em um banco, pelo desconto bancário composto, a uma taxa de 5% a.m, sendo creditada, na conta do cliente, a importância de R$ 16.290,13. Quanto tempo antes do vencimento foi descontado este título (KUHNEN; BAUER, 2001, p. 96)? Vamos ver como fica? Comece sempre identificando os dados da questão para facilitar a resolução do problema. FV = 20.000,00 PV = 16.290,13 i = 5% a.m. = 0,05 a.m. n =? Aplicando a formula 1 que você já conhece, temos: PV= FV x ( 1 - i )n Pela calculadora financeira digite: 16.290,13 = 20.000 . (1 – 0,05)n 20.000 CHS PV 16.290,13 : 20.000 = (0,95)n 16.290,13 FV (0,95)n = 16.290,13 : 20.000 5 CHS i (0,95)n = 0,814507 n = 4 ln(0,95)n = ln 0,814507 n . ln 0,95 = ln 0,814507 n . - 0,051293 = - 0,205173 (x -1) n n n meses = = = 0 205173 0 051293 3 999994 4 , , , Com o comando n, aparecerá no visor o número 4, correspondente a 4 meses. Portanto, o prazo de antecipação foi de 4 meses. Agora que você já aprendeu como calcular o desconto bancário composto, vamos ver como acontece o processo de cálculo do desconto racional composto. Capítulo 4 110 Matemática Financeira 4.2.4 Desconto composto racional Este tipo de desconto também é conhecido como “desconto por dentro”. Segundo Kuhnen e Bauer (2001), o valor do desconto é calculado sobre o valor atual, assim como no desconto racional simples, divergindo apenas pelo fato de agora considerarmos uma capitalização, ou seja, usarmos potenciação como em capitalização composta. CONCEITOCONCEITO Desconto racional ou desconto por dentro composto é a diferença entre o valor nominal e o valor atual de um título descontado n períodos antes de seu vencimento, ou seja, Dr = FV – PV (KUHNEN; BAUER, 2001). Já aprendemos, nos juros compostos, que FV = PV(1 +i )n. Para o cálculo dos elementos do desconto racional composto, vamos utilizar esta fórmula. Então, deste ponto em diante, vamos aprender a calcular os componentes do desconto racional composto, como já procedemos para o desconto racional simples. Cálculo do valor nominal CONCEITOCONCEITO Valor nominal é o montante a ser pago no final da operação, caso seja cumprido o prazo estabelecido na negociação e que consta no título. E como nos juros compostos, vamos utilizar a fórmula FV = PV(1 +i)n. (Vamos denominá-la fórmula 3). Para você entender o procedimento de cálculo, vamos desenvolver um exemplo. Capítulo 4 111Matemática Financeira Exemplo 10 – Uma nota promissória gerou uma quantia líquida de R$ 4.300,00, tendo sido descontada pelo desconto racional composto a uma taxa de 5,4%a.m., faltando 135 diaspara o seu vencimento. Calcule o valor nominal da promissória. Para facilitar a resolução, vamos identificar os dados da questão! F = ? Pela calculadora financeira PV = 4.300,00 4.300 CHS PV i = 5,4 % a.m.= 0,054 a. m. 5,4 i n = 135 dias (135 : 30 = 4,5 meses) 4,5 n FV = PV × (1 + i)n FV = 5.448,10 FV = 4.300 × (1 + 0,054)4,5 FV = 4.300 × (1,054)4,5 FV = 4.300 × 1,267018 FV = 5.448,18 Observe que, no desconto racional composto, a operacionalização da calculadora é igual ao dos juros compostos. Os sinais de FV e PV se comportam de forma semelhante. Existe uma pequena diferença nos centavos, devido à aproximação dos resultados. Vamos fazer mais um exercício? Exemplo 11 – Uma promissória a ser paga daqui a 280 dias foi descontada 4 meses antes de seu vencimento, pelo desconto racional composto à taxa de 18% a.a., com capitalização mensal e produziu R$ 20.726,00 de valor líquido. Qual o valor desta promissória? Vamos identificar os dados para organizar a resolução da questão. Fique ligado na resolução! FV = ? PV = 20.726,00 i = 18% a.a. com capitalização mensal Como é uma taxa nominal, vamos convertê-la em taxa efetiva de forma proporcional, isto é, dividindo por 12, pois o ano tem 12 meses. Capítulo 4 112 Matemática Financeira 0,18 : 12 = 0,015 a.m. n = 280 dias = 280 : 30 = 9,333334 meses Aplicando a fórmula 3, temos: FV = PV × (1 + i)n 20.726 CHS PV FV = 20.726 × (1, 015)9,333334 1,5 i FV = 20.726 × 1,149079 9,333334 n FV = 23.815,80 FV = 23.815,80 Cálculo do desconto A diferença entre o valor nominal, o valor futuro e o valor atual, valor presente ou valor líquido, resulta o desconto racional composto, cujo compromisso foi saldado antes do vencimento. Então, já sabemos que Dr = FV-PV, como já abordado no desconto racional simples. Se fizermos algumas operações na expressão, podemos obter a fórmula que nos permite calcular o desconto racional composto. Acompanhe o raciocínio. Dr = FV – PV, mas FV = PV(1 +i)n (fórmula 3) Dr = PV x (1 +i)n - PV Dr = PV x [(1 +i)n - 1] (5) Por decorrência também podemos escrever: Dr FV FV (1 i) Dr FV 1 1 1 i Dr FV [1 1 i ] n n n = − + = − +( ) ⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = − +( )− (6) Capítulo 4 113Matemática Financeira Para você aprender a calcular o valor do desconto racional composto, vamos desenvolver um exemplo. Exemplo 13 – Um título de valor nominal de R$ 155.000,00 foi resgatado 5 meses e 20 dias antes de seu vencimento, tendo sido contratado à taxa de 4,5 % a.m., qual o desconto racional composto concedido? Como sempre fazemos, vamos identificar primeiro os dados da questão. FV = 155.000,00 i = 4,5% a. m.= 0,045 a.m. n=5 meses e 20 dias = 170 dias = 5,666667 meses. Dr = ? Aplicando a fórmula 6, pois não temos o valor de PV, fica: Dr = FV × [1 - (1 +i)-n] Dr = 155.000 × [1 - (1+0,045)-5,666667] Dr = 155.000 × [1 - (1,045)-5,666667] Dr = 155.000 × [1 - 0,779246] Dr = 155.000 × 0,220754 Dr = 34.216,87 Calculando pela calculadora financeira: 155.000 FV 4,5 i 5,666666 n PV RCL FV + Com este comando PV RCL FV +, a calculadora financeira nos fornecerá o resultado, neste caso, R$ 34.216,92. Como o tempo é fracionado, existe uma pequena diferença nos centavos. Exemplo 14 – Agora você vai determinar o valor do desconto racional composto de um título resgatado pelo valor de R$ 25.860,00, 3 trimestres antes de seu vencimento, a uma taxa de 46,41% a.a. Vamos inicialmente identificar os dados da questão: Capítulo 4 114 Matemática Financeira PV = 25.860,00 i = 46,41% a.a n = 3 trimestres Para resolver esta questão, podemos converter o tempo em ano para fazer concordar com a taxa. É a forma mais fácil. Veja como fica: 4 trimestres = 1 ano 3 trimestres = 3: 4 = 0,75 ano E agora, com o período de antecipação em concordância com a taxa, é só aplicar a fórmula 5 a seguir. Dr = PV × [(1 +i)n - 1] Dr = 25.860 × [(1+ 0,4641)0,75 - 1] Dr = 25.860 × [(1,4641)0,75 - 1] Dr = 25.860 × [ 1,331 -1] Dr = 25.860 × 0,331 Dr = 8.559, 66 Pela calculadora financeira , o cálculo fica assim: 25.860 PV 46,41 i 0,75 n FV RCL PV + Com este comando FV RCL PV +, a calculadora financeira informará o resultado 8.559,66, que é o valor do desconto procurado. Então, você pode calcular o desconto racional composto conhecendo somente o valor nominal, como também conhecendo somente o valor atual ou valor líquido. Nos dois casos, devemos ter os valores da taxa e do período de antecipação. O próximo tópico aborda o cálculo da taxa e do período de antecipação para o desconto racional composto. Capítulo 4 115Matemática Financeira 4.2.5 Valor atual e valor nominal de um título CONCEITOCONCEITO Cálculo do valor presente é o valor do resgate, valor líquido ou valor presente de um título, resgatado ou descontado antes de seu vencimento (KUHNEN, BAUER, 2001, p. 98). Já sabemos que FV = PV(1+i)n (3) Cálculo do valor presente ou valor atual Então, fazendo algumas modificações, podemos utilizar a mesma fórmula para calcular o valor atual, valor líquido ou valor presente. Veja como fica: FV = PV(1+ i)n PV(1+i)n = FV PV FV i n = +( )1 (4) Exemplo 12 – Qual o valor de resgate (valor atual) de um título de valor nominal igual a R$ 16.504,00, vencível daqui a nove meses, à taxa efetiva de desconto racional composto de 46,5761% a.a. Vamos começar, então? Para resolver a questão, sempre vamos identificar os dados. Observe como é a resolução. FV= 16.504 PV = ? i = 42,5761 % a.a. (taxa efetiva, vamos convertê-la ao mês de forma equivalente). Capítulo 4 116 Matemática Financeira n = 9 meses Conversão da taxa ao mês (1 + im) 12 = (1 + ia) (1 + im) 12 = (1 + 0,425761) ( ajuste sempre a taxa para a forma unitária - decimal) (1 + im) 12 = (1,425761) 1 1 425761 1 1 030000 1 030000 1 0 03 1 1212 12+( ) = +( ) = = − = × i i i i m m m m , , , , 000 3= % . .am Agora que ajustamos a taxa já podemos aplicar a fórmula 4. Vamos ver como fica? PV FV i PV PV PV n = +( ) = +( ) = ( ) = 1 16 504 1 0 03 16 504 1 03 16 504 1 30 9 9 . , . , . , 44773 12 648 94PV = . , Calculando pela calculadora financeira: 16.504 CHs FV 3 i 9 n PV = 12.648,94 Então, acionando o comando PV, a calculadora indicará o valor atual de R$ 12.648,94. Capítulo 4 117Matemática Financeira Ao estudarmos o sistema financeiro, notamos que o mecanismo atualmente utilizado nas operações é o juro composto, ou seja, juros sobre juros. Aplicações financeiras e empréstimos são efetuados por inúmeras pessoas no dia a dia, as quais utilizam os produtos oferecidos pelo mercado financeiro, como: promissórias, letras de câmbio, ações de empresas, títulos do tesouro nacional, financiamentos, leasing, consórcios entre outros. Ao realizarmos uma aplicação, nosso dinheiro é submetido a um fator de capitalização, que depende do valor da taxa de juros e do tempo da aplicação. Nas situações de desconto, utiliza-se um fator de descapitalização, conhecido pela expressão (1 + i)–n. SAIBA QUE Cálculo do período de desconto A taxa de juros i do desconto racional composto é o percentual que vai incidir sobre o valor atual pelo período de antecipação n. Pode ser calculada pela fórmula 3, que vimos anteriormente. Para você entender melhor, acompanhe mais um exemplo. Exemplo 15 – Determine a taxa de desconto racional composto, tomando-se por base os seguintes dados: um título de R$ 16.504,00 foi descontado 3 meses antes do vencimento por R$ 12.400,00 (KUHNEN; BAUER, 2001). Vamos identificar os dados da questão, como fazemos sempre. FV = 16.504,40 PV = 12.400,00 n = 3 meses i = ? FV = PV(1+i)n 16.504,40 = 12.400(1+i)3 Capítulo 4 118 Matemática Financeira 16.504,40 12.400 (1 i) 1,331 (1 i) 1,331 (1 i) 1,10 1 i 1 3 3 3 33 = + = + = + = + + ii 1,10 i 1,10 1 i 0,10 x 100 i 10%a.m. = = − = = Calculando pela calculadora financeira:16.504,40 CHS FV 12.400PV 3 n i = 10% Com o comando i, a calculadora informa o resultado, neste caso, 10% a.m. Cabe lembrá-lo que o período de tempo do período de antecipação está diretamente relacionado ao período da taxa. Se o período de tempo está em meses, a taxa resultará ao mês. Para você entender o processo de cálculo do período de antecipação, vamos acompanhar o exemplo a seguir. Exemplo 16 – Uma promissória de R$ 7.450,00 com desconto racional composto teve uma redução de R$1.400,00. Considerando uma taxa de 6% a. m, calcule o prazo da operação. Para resolver esta questão, vamos primeiro identificar os dados. Fique ligado na resolução. FV = 7.450,00 Dr = 1.400,00 i = 6% a.m. n= ? Nessa questão, vamos aplicar a fórmula 3, pois como temos o valor do desconto e do valor nominal, é só fazer PV = FV – Dr, para sabermos o valor de PV. Veja como fica: Capítulo 4 119Matemática Financeira PV= 7.450 - 1400 PV = 6.050 Agora aplicando a fórmula 3: FV = PV(1+ i)n 7.450 = 6050(1 + 0,06)n 7.450 6050 (1,06) 1,231405 (1,06) ln1,231405 ln(1,06) ln1,2 n n n = = = 331405 n x l n(1,06) 0,208156 n x 0,058269 n x 0,058269 = = == = = 0,208156 n 0,208156 0,058269 n 3,572328 Como o tempo ficou fracionado podemos ajustar para meses e dias. O resultado então é 3 meses e meio aproximadamente. Veja o cálculo pela calculadora financeira: 7.450 FV 6.050 PV 6 i n Com o comando n a calculadora financeira vai fornecer o resultado do período de antecipação, porém arredondando para o valor inteiro maior, teremos 4 meses. A calculadora financeira não calcula tempo fracionado. PRATICANDOPRATICANDO Um título no valor nominal de R$ 8.500,00 com vencimento para 6 meses é trocado por outro de R$ 7.890,00 com vencimento para 4 meses. Sabendo-se que a taxa de juros do mercado é de 48% a.a. com capitalização mensal, pergunta-se: são os dois títulos equivalentes pelo desconto racional composto? Capítulo 4 120 Matemática Financeira Comparação entre desconto simples e desconto composto Com tantas fórmulas de desconto, você pode acabar se confundindo na hora de aplicá-las, principalmente se forem em um momento de pressão, como é o da prova ou de um concurso. Então, para facilitar a sua memorização, indicamos um quadro resumo, em que são apresentadas as fórmulas do valor atual (líquido), para todas as modalidades de desconto. O quadro 1, a seguir, vai ajudá-lo a memorizar as fórmulas e facilitar o seu uso, em qualquer das situações apresentadas. O conceito fundamental é D = FV - PV. VALOR ATUAL RACIONAL BANCÁRIO SIMPLES PV FV 1 i x n = + PV FV i n= − ×( )1 COMPOSTO PV FV (1 i)n = + PV FV i n= −( )1 Quadro 1 - Fórmulas para o cálculo do desconto composto Fonte: adaptado de Veras (1999, p. 116-118). 4.2.6 Operacionalização da calculadora fi nanceira Nos seus estudos, você já percebeu que a calculadora financeira é uma excelente ferramenta de apoio para a solução dos problemas sobre séries. Mas como toda ferramenta, tem as suas limitações. Nos cálculos dos elementos das séries infinitas, por exemplo, não é possível usar a calculadora financeira porque não existem comandos que levem ao resultado correto. No entanto, quando você precisa calcular séries gradientes, utilizamos as teclas azuis e o fluxo de caixa na calculadora. Estas questões você teve oportunidade de aprender e testar durante o desenvolvimento do conteúdo. Capítulo 4 121Matemática Financeira 4.3 Aplicando a teoria na prática Um empresário, necessitando de dinheiro para aplicar em uma oportunidade de negócio imperdível, dirige-se ao banco para antecipar o resgate de um título cujo valor nominal é igual a R$ 7.500,00. Como o resgate ocorreu dois anos antes de seu vencimento, a uma taxa de 25% a.a. com capitalização trimestral, precisamos que você o ajude a calcular o valor do desconto utilizando o desconto bancário composto. E também lhe explique o que é o desconto composto. Vamos, então, acompanhar o desenvolvimento da solução? Você deve ter explicado ao empresário que o conceito de desconto composto é aquele em que a taxa de desconto incide sobre o montante ou valor futuro, deduzido dos descontos acumulados até o período imediatamente anterior. Vimos que no caso do desconto simples, a taxa de desconto incide somente sobre o valor futuro dos títulos, tantas vezes quantos forem os períodos unitários, ao passo que no caso do desconto bancário composto, para n períodos unitários, a taxa de desconto incide, no primeiro período, sobre o valor futuro do título; no segundo período, sobre o valor futuro do título menos o valor correspondente ao primeiro período; no terceiro período, sobre o valor futuro do título menos os valores dos descontos referentes ao primeiro e ao segundo período e assim, sucessivamente, até o período desejado, isto é, o enésimo período. De forma resumida, o desconto é o preço a pagar para se dispor de um capital em um momento de tempo anterior ao do seu vencimento. Para ajudar o empresário a calcular o valor do desconto, primeiramente, você deve ter identificado os dados: FV = 7.500,00 n= 2 anos = 8 trimestres i = 25% a.a. com capitalização trimestral (taxa nominal) = 0,25: 4 = 0, 0625 Db = ? Capítulo 4 122 Matemática Financeira Como conhecemos o valor nominal, vamos aplicar a fórmula 2. Db = FV x [1 - (1 – i)n] fórmula 2 Db= 7.500 x [1 – (1 – 0,0625)8] Db = 7.500 x [1 – (0,9375)8] Db = 7.500 x [1 – 0,596719] Db = 7.500 x 0,403281 Db = 3.024,60 Acompanhe o cálculo pela calculadora financeira: 7.500 PV 6,25CHS i 8 n FV RCL PV + Observe que se digitamos o PV sem o CHS, o desconto resultará positivo. Isto é, R$ 3.024,60, como o resultado realizado por meio da fórmula. 4.4 Para saber mais Você poderá consultar outros livros para aprofundar estes conhecimentos. Recomendo consultar as seguintes referências. Título: Matemática financeira Autor: MILONE, G. Editora: Thompson Learning, SP Ano: 2006 No livro, os assuntos foram organizados em uma sequência lógico- didática, a fim de orientar o estudo e facilitar a compreensão das demonstrações de fórmulas. A obra traz 120 exemplos e 741 exercícios, resolvidos de modo algébrico e com uso da calculadora financeira, ajudando a fixar os conteúdos. Para tornar o assunto mais leve, procurou- se dar aos exemplos e exercícios credibilidade e humor, apresentando-os em linguagem coloquial e ilustrando-os com personagens e histórias emprestadas da literatura e da música, tanto popular como erudita. Capítulo 4 123Matemática Financeira Título: Fundamentos e técnicas de administração fi nanceira Autor: BRAGA, R. Editora: Atlas, SP Ano: 2008 Organizado para transmitir conceitos e técnicas de eficácia comprovada, imprime ao tema uma visão prática, tornando-o adequado para os profissionais que necessitam dominar os fundamentos da disciplina no contexto da realidade empresarial brasileira. Site: Somatematica URL: http://www.somatematica.com.br Neste site você encontra textos de matemática financeira básica, jogos e exercícios. Site: Bertolo URL: http:///www.bertolo.pro.br Assinado pelo professor Luiz Bertolo, contém as informações relevantes para a disciplina de matemática financeira, incluindo apostilas, gabaritos de exercícios e questionários. O site é atualizado periodicamente. 4.5 Relembrando Neste capítulo, aprendemos sobre o cálculo e particularidades do desconto composto. Existem duas categorias de desconto composto, o desconto bancário, que é conhecido por desconto por fora. E o desconto racional, que também recebe o nome de desconto por dentro. O desconto bancário composto é calculado sobre o valor nominal do título, duplicata, promissória ou letra de câmbio. Já o desconto racional composto incide sobre o valor atual, valor presente ou valor líquido. Para o desconto bancário, foram utilizadas as seguintes fórmulas: PV = FV × (1 - i)n FV PV (1 i)n = − Db = FV [1 - (1- i)n ] Capítulo 4 124 Matemática Financeira Você aprendeu também a calcular o valor do desconto, tanto o desconto bancário como o desconto racional composto. O desconto é a quantia que se diminui quando ocorre uma antecipação do pagamento de uma dívida, como também pelo resgate antecipado de um valor que deve ser recebido no futuro. Para o desconto racional, aplicamos as fórmulas apresentadas na sequência: FV = PV(1 + i)n PV FV (1 i)n = + Dr = PV × [(1 +i)n - 1] Foram desenvolvidos também exemplos sobre o cálculo da taxa de desconto, bem como do período de antecipação. Nesses itens, ressaltamos os tempos dos resultados, tanto da taxa como do período de antecipação. Resumindo: o tempo depende da taxa e, por sua vez, a taxa é dependente do tempo. Espero que, com a variedade de exemplos apresentados, você tenha assimilado o conteúdo sobre desconto composto. Agora é a sua vez de testar o que aprendeu, resolvendo os exercícios sugeridos a seguir. Bom trabalho! 4.6 Testando os seus conhecimentos 1) O banco libera a um cliente R$ 680.000,00 proveniente do desconto bancário composto de um título de valor nominal de R$ 900.000,00 descontado a taxa de 18% a. a. com capitalização bimestral. Calcule o prazo em (anos, meses e dias) de antecipação que foi descontado este título. 2) Numa antecipação de 6 meses, calcule o valor do desconto racional composto, sabendo que o valor do título é de R$ 550.000,0 e que a taxa de juros é 72% a.a. com capitalização mensal. 3) Um título de valor nominal de R$ 120.000,00 foi resgatado 8 meses antes de seu vencimento, tendo sido contratado à taxa de 4,5 % a.m., qual o desconto racional composto concedido? Capítulo 4 125Matemática Financeira 4) Um título de R$740.000,00 é descontado 8 meses antes do vencimento por desconto racional composto, pelo valor de R$ 642.000,00. Considerando a capitalização bimestral, qual é a taxa anual cobrada? Onde encontrar HAZZAN, S.; POMPEO, J. N. Matemática financeira. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. KUHNEN, O. L.; BAUER, U. R. Matemática financeira e aplicada e análise de investimentos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2001. MATHIAS, W. F.; GOMES, J. M. Matemática financeira. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2006. VERAS, l. l. Matemática financeira. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1999. VIEIRA SOBRINHO, J. D. Matemática financeira. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2000. Capítulo 4 126 Matemática Financeira Capítulo 5 127Matemática Financeira SÉRIES FINANCEIRAS I CAPÍTULO 55 5.1 Contextualizando Você estudou nos juros simples e compostos, situações em que um capital era aplicado para a formação de um montante ou uma dívida era saldada de uma única vez. Nas mesmas condições também realizamos operações financeiras de descontos de títulos. Neste capítulo, vamos estudar o pagamento ou o recebimento do dinheiro, por meio de uma sucessão de operações. Quando você efetua uma compra a prazo, ocorre o processo de amortização da dívida. Já quando você quer constituir uma quantia para uma data futura, acontece o processo de capitalização. Este capítulo lhe apresentará os modelos de séries financeiras ou anuidades, também conhecidas por rendas, que são as bases para os principais modelos de financiamentos de dívidas que são praticadas no nosso dia a dia. Você também vai conhecer, por meio de exemplos, as relações existentes entre os diversos elementos que compõem uma série financeira. Estes elementos são: número de pagamentos, valor dos pagamentos, taxa de juros e as equivalências financeiras que permitem determinar o valor presente, que podemos interpretar também por valor à vista, e o valor futuro equivalente da série. Então, vamos estudar as operações financeiras que envolvem conjuntos de capitais disponíveis em datas diferentes. Além disso, sabemos que, em algumas operações financeiras, o capital pode ser recebido de uma só vez ou, ainda, por meio de parcelas. Isto é, por meio de uma série finita ou infinita de pagamentos ou recebimentos. Capítulo 5 128 Matemática Financeira Como resultado do seu esforço, espero que você conheça o significado de séries diferidas e aplique nas várias situações de compras a prazo e depósitos com diferimento. Depois de aprender sobre as séries perpétuas ou infinitas, ao final deste capítulo, você será capaz de resolver as situações-problemas sobre taxa, valor das prestações e valor presente. Bons estudos! 5.2 Conhecendo a teoria Em determinada oportunidade de sua vida, você já deve ter estado à frente de um ou de dois fatos seguintes: • você financiou a compra de um bem em 24 prestações mensais iguais, ou outro número; ou • resolveu fazer doze (12) depósitos mensais iguais numa caderneta de poupança para, com o resultado, comprar algum produto. Nesses dois casos, tem-se uma sucessão de pagamentos (ou recebimentos) que se dá, genericamente, o nome de séries financeiras, séries e também rendas. No primeiro fato, você se valeu do conjunto de pagamentos para amortizar uma dívida, e no segundo, para acumular uma poupança. Acumular uma poupança significa efetuar vários pagamentos ou depósitos sucessivos numa conta para utilização futura do resultado; esse resultado é o montante equivalente da renda (FV). Já o pagamento de uma dívida significa que o gasto ou dispêndio inicial foi substituído por um conjunto de pagamentos futuros que lhe é equivalente; assim, o valor presente da renda (PV) equivale ao conjunto de prestações futuras que serão pagas (KUHNEN; BAUER, 2001). Pode ocorrer o caso em que tenhamos pagamento pelo uso sem que tenhamos amortização, como é o caso dos aluguéis. Estas situações caracterizam a existência de rendas ou séries de pagamentos ou de recebimentos. Capítulo 5 129Matemática Financeira 5.2.1 Séries antecipadas e postecipadas Chamamos de série de pagamentos ou recebimentos, séries de prestações ou anuidades, a toda sequência finita ou infinita de pagamentos ou recebimentos em datas previamente estipuladas. Consideremos a sequência de capitais y1, y2, y3, y4 .......... yn respectivamente nas datas 1, 2, 3, 4....n (a unidade de tempo pode ser mês, semestre, ano, etc.). Dizemos que esse conjunto constitui uma sequência uniforme se y1 = y2 = y3 =y4 = ........ = yn = R Isto é, se todos os capitais são iguais, indicando esse capital constante por R, (A ou PMT para a calculadora financeira. A representação gráfica da sequência uniforme é a seguinte: R R R R R ......... R 1 2 3 4 5 ......... n 0 Por definição, segundo Hazzan e Pompeo (2007, p. 151), o valor atual (na data 0) da sequência uniforme, a uma taxa de juros i na unidade de tempo considerada, é: PV R i R i R i R i R i PV R n n= + + +( ) + + + + + + = × + −( ) ( ) ..... ( ) ( ) ( 1 1 1 1 1 1 1 1 2 3 1 ii i i i in n) ( ) ( ) .... ( ) ( )1 2 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 + + + + + + + + ⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥− O valor entre os colchetes poderia ser calculado somando-se termo a termo. Contudo, para valores altos de n, este procedimento se tornaria um procedimento demorado. Os autores ressaltam que simplificações podem ser feitas e, como você pode observar, a expressão que está entre colchetes é a soma dos termos de uma progressão geométrica (PG) cujo primeiro termo (a1) é igual a 1 1+ i Capítulo 5 130 Matemática Financeira e cuja razão é q i = + 1 1 .Utilizando a expressão da soma dos termos de uma progressão geométrica S a q q i n = −( ) − 1 1 e considerando a1 = 1 1+ i e q i = + 1 1 podemos representar a expressão atual ou do valor presente da seguinte forma: Pv R i i i n n = +( ) − +( ) × 1 1 1 . Esta expressão pode ser resumida por meio de operações matemáticas e ficar ainda mais simples. Vamos, então, adotar para as nossas resoluções este novo formato. Veja como fica: PV PMT 1 1 i i n = − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ − (1) Você deve ter observado que trocamos a letra R, que significa recebimentos paraPMT. Fizemos isso para seguirmos a nomenclatura da calculadora financeira, em que PMT é a abreviatura de payment, uma palavra em inglês que significa pagamento (HAZZAN; POMPEO, 2007). O valor presente, ou seja, o valor atual pode ser calculado pela fórmula, pela calculadora financeira ou ainda pelas tabelas financeiras que você encontra no final de alguns livros que foram referenciados em nosso material. As calculadoras financeiras permitem encontrar qualquer uma das variáveis (PV, PMT, i e n), dados os valores das outras três. As teclas usadas são: • PV – Present Value, que corresponde a V (valor atual, valor presente ou valor à vista). • PMT – Payment, que corresponde a R (valor de cada prestação); • i – que corresponde à taxa de juros na unidade de tempo adotada; • n – que corresponde ao número de pagamentos. Para você entender melhor e visualizar a situação apresentada nas questões, vamos esboçar a situação problema por meio do diagrama de fluxo de caixa, mostrado na figura 1, a seguir, que aprendemos no início desta disciplina. Capítulo 5 131Matemática Financeira R R R R R R R 1 2 3 4 5 6 n 0 PV Figura 1 - Modelo de fl uxo de caixa Fonte: adaptada de Kuhnen e Bauer (2000). LEMBRETELEMBRETE Este modelo de série é o mais importante e nele se baseiam os demais. Ele apresenta as seguintes características e pode ser visualizado na figura 1. • o número de termos é limitado; • os termos são todos iguais; • os períodos entre dois termos consecutivos são sempre iguais; • a série é postecipada (também chamada de vencida) – quando o primeiro desembolso é efetuado no final do primeiro período e os desembolsos ocorrem sempre no final de cada período de tempo. Observe que a primeira das n prestações acontece no final do primeiro período de tempo (data 1); todas as n prestações possuem valores iguais a R ou PMT (payments em inglês) e a periodicidade é constante. Conceito e classificação de séries financeiras As séries, também denominadas por anuidades, segundo Kuhnen e Bauer (2001, p. 123), “poderão ser classificadas em certas e aleatórias. Anuidades certas são aquelas cuja duração e pagamentos são predeterminados, não dependendo de condições externas”. Já nas anuidades aleatórias, conforme estes mesmos autores, os valores e/ou datas de pagamentos ou recebimentos podem ser variáveis. Para ilustrar, Mathias e Gomes (1996) citam como exemplo o que ocorre com os seguros de vida: os valores são certos, mas são aleatórios o valor do seguro a receber e a data de recebimento. Estes tipos de séries são estudados no segmento da matemática atuarial. Capítulo 5 132 Matemática Financeira As séries, segundo Kuhnen e Bauer (2001), podem ser classificadas de acordo com quatro dados: prazo, o valor, a forma e o período. Quanto ao prazo, as séries podem ser: • temporárias – com duração limitada; • perpétuas – com duração ilimitada, como aluguel, condomínio e outros. Já quanto ao valor, as séries, tanto de recebimentos quanto de pagamentos, podem ser: • constantes – com todos os pagamentos e recebimentos em valores iguais; • variáveis – quando os pagamentos e os recebimentos não são de valores iguais. No que diz respeito à forma de pagamentos, recebimentos ou depósitos podemos ser: • imediatas – quando o primeiro pagamento, recebimento ou depósito ocorre no primeiro período. Elas podem ser postecipadas (ocorrem no final do período, sem entrada) ou antecipadas (no início do período, ou seja, com entrada igual às das demais prestações); • diferidas (com carência) – quando o primeiro pagamento, recebimento ou depósito não ocorre no primeiro período. Nessa categoria, elas podem ser postecipadas ou antecipadas. Quando desconsiderada a carência, temos uma situação idêntica a das séries imediatas postecipadas. Isto é, o primeiro pagamento, recebimento ou depósito ocorre um período após o término da carência ou deferimento. Nas diferidas antecipadas é também desconsiderada a carência e temos uma situação idêntica a das séries imediatas antecipadas. A diferença é que o primeiro pagamento ou recebimento coincide com o final da carência ou diferimento. Quanto ao período, as séries podem ser: • periódicas – quando todos os intervalos entre os pagamentos, recebimentos ou depósitos são iguais; Capítulo 5 133Matemática Financeira • não periódicas – quando os intervalos não são iguais entre as parcelas. 5.2.2 Cálculo do valor presente (valor atual) Para determinarmos o valor atual ou valor presente (PV) de uma sucessão de pagamentos ou recebimentos, somamos o valor atual do desconto racional composto de cada parcela da série, ou seja, calculamos o valor atual de cada parcela da série de pagamento ou recebimento pelo desconto racional composto, e, em seguida, somamos os valores assim encontrados (KUHNEN; BAUER, 2001). Cada parcela de uma série de pagamentos ou recebimento é denominada prestação (PMT). Para você entender melhor, vamos ver o exemplo a seguir. Exemplo 1 – Uma loja vende um eletrodoméstico a prazo, em 6 pagamentos mensais e iguais de R$ 540,00, vencendo o primeiro um mês após a compra. Se a loja cobra uma taxa de juros de 5% ao mês, qual o seu preço à vista? Vamos proceder como já fizemos em outros exercícios, identificando os dados informados na questão. n = 6 pagamentos mensais R = PMT = 540,00 i = 5 % ao mês.= 0,05 (forma decimal) PV = ? Vamos ver como fica o desenvolvimento da solução? Para encontrarmos o resultado, vamos aplicar a fórmula 1, que mostramos anteriormente. Capítulo 5 134 Matemática Financeira Pv PMT i i Pv Pv n = − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = − − 1 1 540 1 1 0 05 0 05 1 6, , 5540 1 1 05 0 05 540 1 0 746215 0 05 540 6− ( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = −⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = −, , , , Pv Pv 00 253785 0 05 540 5 075700 2 740 88 , , , . , ⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = × = Pv Pv Então, o valor à vista é de R$ 2.740,87. Você pode também resolver esta questão utilizando a calculadora financeira. Para encontrar o resultado, digite: fn f2 540 CHS PMT 5 i 6 n PV = 2.740,87 Observe como é simples resolver a questão pela calculadora financeira. Esta calculadora é mesmo uma beleza, você concorda? Para ficar bem entendido, vamos ver mais um exemplo? Siga, então, o desenvolvimento. Exemplo 2 – Determine o valor presente para a série postecipada constituída por 8 (oito) prestações semestrais de $ 1.000,00 e taxa de juros de 6% a.s. O primeiro passo é identificar os dados da questão: PV = ? i = 6% a.s.= 0,06 (forma unitária) n= 8 prestações semestrais PM T = 1.000,00 Capítulo 5 135Matemática Financeira Aplicando a fórmula 1, encontraremos o resultado. PV PMT i i PV PV n = − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ − − 1 1 1000 1 1 0 06 0 06 1 8, , == − ( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = −⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = − 1000 1 1 06 0 06 1000 1 0 627412 0 06 8, , , , PV PV 11000 0 372588 0 06 1000 6 209800 6 209 80 , , , . , ⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = × = PV PV Como você pode verificar, o resultado do valor presente da série é R$ 6.209,80. Resolvendo por meio da calculadora financeira, temos: fn f2 1.000CHS PMT 6 i 8 n PV = 6.209,80 LEMBRETELEMBRETE Na resolução das questões sobre séries, também devemos fazer a taxa concordar com o número de prestações. E, neste caso, a forma de pagamento não pode ser alterada, isto é, se forem 20 prestações semestrais, não poderemos fazer 10 prestações anuais. Temos que respeitar a forma de pagamento. Sendo assim, vamos sempre ajustar a taxa, como ela estiver indicada, tanto de forma proporcional, se for taxa nominal, como de forma equivalente, se for efetiva. Capítulo 5 136 Matemática Financeira O valor da prestação é a quantia que o cliente vai pagar ou receber, conforme o que reza no contrato de compra ou de recebimento. Para calcular o valor da prestação, vamos resgatar fórmula 1 e fazer alguns ajustes e obter a fórmula que nospermitirá encontrar a prestação PMT. PV PMT 1 1 i i PMT PV 1 1 i i PMT PV n n = × − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = − − ×× − +( )⎡⎣ ⎤⎦ − i 1 1 i n fórmula 2 Para entendermos melhor o cálculo do valor da prestação, vejamos um exemplo. Exemplo 3 – Uma mercadoria à vista custa R$ 101.530,00, podendo ser adquirida em 10 prestações mensais, sendo a primeira paga um mês após a compra, à taxa de 4% ao mês. Calcule o valor de cada prestação. Como sempre fazemos, vamos identificar os dados da questão. PV = 101.530,00 i = 4% a.m. = 0,04 a.m. n = 10 prestações mensais. PMT = ? Siga agora o raciocínio: PMT PV i i PMT n = × − +( )⎡⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = × − +( )⎡⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ − − 1 1 101 530 0 04 1 1 0 04 10 . , , PPMT PMT PMT = − +( )⎡⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = − = − 4 061 20 1 1 0 04 4 061 20 1 0 675564 10 . , , . , . 44 061 20 0 324436 12 517 72 . , , . ,PMT = Capítulo 5 137Matemática Financeira Pela calculadora financeira, digite: fnf2 101.530CHS PV 4 i 10n PMT = 12.517,72 Como pode constatar, o valor da prestação é de $ 12.517,72. O uso do cheque como meio de pagamento está perdendo espaço desde 1994, ano do Plano Real, que controlou a inflação. Mas uma projeção da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS) indica que o meio de pagamento baseado em papel timbrado por um banco com a assinatura do portador deverá ficar relegado a situações específicas. Até 2018, apenas 3% dos pagamentos vão ser realizados com cheques, metade do que foi registrado em 2008. Os brasileiros assinaram 1,23 bilhão de cheques no ano de 2009 – um número 37% menor do que em 2004, segundo dados do Banco Central. Fonte: <www.meionorte.com.br/noticias/economia> CURIOSIDADE 5.2.3 Cálculo do número de prestações Podemos verificar que, como ocorre com o valor da prestação (PMT), o número de prestações (n) também pode ser calculado partindo-se do valor atual ou do montante, dependendo da situação problema que temos, embora sejam raras as situações reais onde se deseja calcular o número de prestações para atingir um determinado montante. Vamos, então, acompanhar algumas situações para você entender o processo de cálculo. Fique ligado na resolução! Exemplo 4 – Um aparelho de televisão custa R$ 500,00 à vista, mas será vendido em parcelas mensais de R$ 134,51. Sabendo que a taxa efetiva de mercado é 42,5761% a.a., em quantas prestações mensais foi vendido? Vamos inicialmente identificar os dados da questão. Vamos ver como fica? Capítulo 5 138 Matemática Financeira PV = 500,00 i = 42,5761% a.a. (taxa efetiva) n = ? PMT = 134,51 Como você pode verificar, a taxa é efetiva, e não está na mesma unidade de tempo que as prestações. Sendo assim, precisamos converter a taxa para mês. Acompanhe, então: Conversão da taxa 1 1 1 1 0 425761 1 1 425761 12 1 12 1212 12 +( ) = +( ) +( ) = +( ) +( ) = i i i i m a m m , , 11 1 030000 1 0 03 100 3 + = − = × = i i i am m m m , , % . . Deste ponto em diante, podemos aplicar a fórmula que nos permite encontrar o resultado. Vamos começar? PV PMT i i n n = − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = × − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ − − 1 1 500 134 51 1 1 0 3 0 03 , , , 5500 134 51 1 1 0 3 0 03 3 717196 0 03 1 1 03 , , , , , , = − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ × = − ( ) − − n n⎡⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = − ( ) ( ) = − ( ) = − − − 0 111516 1 1 03 1 03 1 0 111516 1 03 0 88 , , , , , , n n n 88484 Você deve lembrar que, no cálculo do n nos juros compostos, nós aplicamos o logaritmo. Para o cálculo do número de prestações nas séries financeiras também procederemos da mesma forma. Vamos adotar o (ln), que é o logaritmo neperiano, e que a maioria das calculadoras tem disponível. Veja: Capítulo 5 139Matemática Financeira ln(1,03)-n = ln 0,888484 -n × ln (1,03) = ln 0,888484 -n × 0,029559 = - 0,118224 n = − − 0 118224 0 029559 , , n = 4 prestações Você pode também obter este resultado por meio da calculadora financeira. fn f2 500 CHS PV 134,51 PMT 3 i n Como você pode constatar, o resultado são 4 prestações. E para que você não fique com dúvidas, vamos desenvolver mais um exemplo. Exemplo 5 – Em quantas prestações trimestrais de R$ 8.000,00, sem entrada, pode ser liquidada uma dívida de R$ 60.848,64 se a taxa contratada for de 10%a.t.? Então, você já pode tentar resolver esta questão sem dificuldade. Vamos identificar os dados e resolver a questão? PMT = 8.000,00 PV = 60.848,64 i = 10% a.t.= 0,10 a. t n = ? Como a questão considera prestações trimestrais, não precisamos fazer nenhuma transformação na taxa. Vamos somente aplicar a fórmula das séries postecipadas. Capítulo 5 140 Matemática Financeira PV PMT 1 1 i i 60.848,64 8.000 1 1 0,10 n = × − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = × − +( ) − −− − ⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = −⎡ ⎣ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ n n 0,10 60.848,64 8.000 1 (1,10) 0,10 7,606080 0,10 1 (1,10) 0,760608 1 (1,10) (1,10) 1 0,760 n n n × = −⎡⎣ ⎤⎦ = − = − − − − 6608 (1,10) 0,239392 ln (1,10) ln 0,239392 -n ln1,10 l n -n − = = = nn 0,239392 Vamos ver como se calcula pela calculadora financeira? fn f 2 60.848,64 CHS PV 8.000 PMT, 10 i n Como você teve a oportunidade de verificar, o resultado são 15 prestações. A calculadora sempre arredonda o n para o inteiro imediatamente superior. Agora que você já sabe calcular o número de prestações das séries postecipadas, vamos aprender no próximo item como se calcula a taxa. 5.2.4 Cálculo da taxa Aqui temos a opção de calcular pela tabela financeira, fazendo uma interpolação nos casos em que não encontramos o índice na tabela, por tentativa e erro, ou pela calculadora financeira, em que, por estar preparada para os cálculos financeiros, somente precisamos inserir os dados dos quais dispomos e o restante é calculado por ela (KUHNEN; BAUER, 2001). Deduzimos fórmulas para cálculo de PV, PMT, e para n, mas não é possível criar uma fórmula para o cálculo de i, quando conhecemos as demais variáveis. -n x 0,095310 -1,429653 n - 1,429653 - 0,095310 n = = ==15 Capítulo 5 141Matemática Financeira O cálculo de i só é possível por aproximações sucessi vas. Quando temos em mãos uma calculadora financeira, podemos procurar o valor que mais se aproxima do fator FAP n i PV PMT /( ) = Vamos acompanhar um exemplo? Exemplo 6 – Um aparelho que custa R$ 101.513,84, à vista, será vendido em 6 prestações mensais de R$ 20.000,00, sendo a primeira paga um mês após a compra. Qual é a taxa de juros? Comece identificando os dados da questão: PV = 101.513,84 PMT = 20.000,00 n = 6 i =? (a taxa vai resultar ao mês, pois as parcelas são mensais) Pela tabela financeira, teremos: FAP i FAP i 6 101 513 84 20 000 6 5 075692 / . , . / , ( ) = ( ) = Conhecendo este fator, procuramos na tabela, no encontro de n que, no caso, é 6, com FAP(6/i) para encontrar o número 5,075692. Na linha correspondente ao valor 5,075692, encontraremos a taxa procurada, ou seja, 5%.Podemos facilmente encontrar o resultado utilizando a calculadora financeira. f finf 2 101.513,84 CHS PV 20.000 PMT 6 n i No visor da calculadora vai aparecer 5, que corresponde a 5%, que no caso é ao mês. Capítulo 5 142 Matemática Financeira Nem sempre encontramos a taxa exata pela tabela financeira, que você visualiza no apêndice de alguns livros. Quando não encontramos o fator procurado na tabela financeira, podemos procurar uma taxa aproximada fazendo a interpolação linear. Vamos ver como é a forma de cálculo? Exemplo 7 – Um objeto que custa, à vista, R$ 1.000,00, está sendo vendido em 10 prestações mensais de R$ 200,00. Qual será a taxa de juros cobrada? Vamos identificar os dados da questão e seguir o desenvolvimento da resolução. PV = 1.000,00 PMT = 200,00 n = 10 i = ? a.m. Para a resolução, vamos utilizar a tabela financeira e depois fazer a aproximação pela interpolação linear. FAP(n/i) = 1 000 200 . FAP(10/i)= 5,00000. Depois de conseguirmos este dado, procuramos na tabela financeira este fator. Se você não encontrar, busque um fator com valor superior e outro com valor inferior. Depois de encontrados os dois valores, um maior e um menor, podemos concluir que a taxa está situada entre as duas taxas que formam estes dois fatores, pois qualquer índice, como neste exemplo, que seja menor que 15% e maior que 16%, não chegará ao fator procurado, 5,00000 (KUHNEN; BAUER, 2001). Encontrados os dois índices, é hora de montar a regra de três para calcular a interpolação linear. Veja como fica. FAP(10/15%) -------------- 5,018769 FAP(10/15%) -------------- 5,018769 FAP(10/16%) -------------- 4,833227 FAP(10/i) -------------------- 5,000000 Capítulo 5 143Matemática Financeira 1% __________________ 0,185542 Δ______________ 0,018769 E chegamos aos seguintes dados: 1% __________________ 0,185542 Δ___________________ 0,018769 Logo: Δ. 0,185542 = 1 . 0,018769 Δ = Δ = 1 0 018769 0 185542 0 101157689 . , , , Como vimos anteriormente, a taxa fica entre 15% e 16%; necessitamos agora somar o valor de Ä ao ponto de análise, logo: 15% + 0,101157689 = 15,101157689% a.m., sendo a taxa procurada. Não vamos desenvolver a questão por tentativa e erro porque é um trabalho exaustivo e leva muito tempo. Então, se você dispõe de uma calculadora financeira, poderá obter o resultado de forma bem simples, como já foi mostrado no exercício anterior e como mostraremos na sequência. Pela calculadora financeira, temos: f fin f2 1.000 CHS PV 200 PMT 10 n i = 15,0984145 % Como você pode observar, há uma pequena diferença entre o resultado obtido pela interpolação linear e pela calculadora financeira. Ocorre que a calculadora processa o cálculo de forma exponencial e a interpolação, de forma linear. Capítulo 5 144 Matemática Financeira LEMBRETELEMBRETE Lembre-se que a limpeza das memórias financeiras da calculadora financeira, que recomenda realizar antes da utilização da calculadora financeira, é feita acionando as teclas amarelas f. CLEAR FIN, ou então, f CLEAR REG. 5.2.5 Cálculo do valor futuro (montante) O montante ou valor futuro (FV) de um fluxo de caixa nada mais é do que a soma dos valores futuros de cada um dos pagamentos da anuidade, ou seja, a soma dos valores de todos os pagamentos capitalizados para a data focal n para uma dada taxa de juros i (KUHNEN; BAUER, 2001). Estudaremos agora as parcelas, também denominadas de depósitos, que se relacionam com um valor futuro, um montante após determinado número de depósitos. Devemos observar quando a série é postecipada ou antecipada, pois nas séries postecipadas, o valor futuro ocorre na data do último depósito. Já nas séries antecipadas, o valor futuro ocorre um período antes, necessitando de um ajuste. Para Hazzan e Pompeo (2007, p. 174), “chamamos de montante da série, na data n, a soma dos montantes de cada capital R (PMT), aplicado desde a data considerada até a data n”. Assim, se denominarmos FV o montante, teremos: FV = PMT(1+i)n-1+ PMT(1+i)n-2 + PMT(1+i)n-3 +...+ PMT O segundo membro dessa expressão é a soma dos termos de uma progressão geométrica (PG) finita, em que: q i = + 1 1 e a1= PMT(1+i)n-1 Capítulo 5 145Matemática Financeira Lembrando a fórmula da soma da PG finita, S a q q i n = −( ) − 1 1 Resulta, no caso de nossa expressão, em: FV PMT (1 i) 1 i n = + −⎡ ⎣ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ fórmula 4 O fator 1 1+( ) −i i n é chamado de fator de acumulação de capital. As calculadoras financeiras permitem obter diretamente o valor de qualquer uma das quatro variáveis (FV, PMT, n, i), dados os valores das outros três. As teclas utilizadas são: FV – (Future Value) que corresponde ao montante; PMT – (Payment) que corresponde às prestações; I – que corresponde à taxa de juros; n – corresponde ao número de depósitos. Para você entender como é o procedimento do cálculo, vamos a mais um exemplo. Exemplo 7 – Um investidor aplica mensalmente a quantia de R$ 2.000,00 em um fundo de investimentos que remunera as aplicações à taxa de juros compostos de 2% a.m. Se o investidor fizer sete (7) aplicações, qual o montante no instante do último depósito? Identifique os dados da questão: PMT = 2.000 i = 2% a.m.= 0,02 a.m. (forma unitária) n = 7 aplicações mensais FV = Aplicando a fórmula 4, teremos: Capítulo 5 146 Matemática Financeira FV PMT (1 i) 1 i FV 2.000 (1 0,02) 1 0,02 FV n 7 = × + −⎡ ⎣ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ = × + −⎡ ⎣ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ == × −⎡ ⎣ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ = × −⎡ ⎣⎢ ⎤ 2.000 (1,02) 1 0,02 FV 2.000 1,148686 1 0,02 7 ⎦⎦⎥ = × ⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = × = FV 2.000 0,148686 0,02 FV 2.000 7,4343 FV 14.868,,60 Vamos obter este resultado utilizando a calculadora financeira: f finf2 2.000 CHS PMT 2 i 7 n FV Você vai ter no visor o resultado que obtivemos aplicando a fórmula, ou seja, R$ 14.868,60. Cálculo do valor do depósito O valor das prestações também pode ser calculado a partir do montante de séries, apenas posicionando antes da igualdade o PMT, que é a representação do valor do depósito (KUHNEN; BAUER, 2001). Vamos utilizar a fórmula do montante ou valor futuro e fazer alguns ajustes para efetuar o cálculo dos depósitos. Capítulo 5 147Matemática Financeira FV PMT i i PMT FV i i PMT FV i i n n = +( ) −⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = +( ) −⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = × +( 1 1 1 1 1 )) −n 1 fórmula 5 Vamos ver um exemplo para você aprender como fazer o cálculo? Exemplo 8 – Uma pessoa deseja comprar daqui a 5 meses mercadorias no valor de R$ 35.678,00. Quanto deverá depositar mensalmente se a instituição financeira paga juros de 5,5% a.m. Vamos ver como fica o cálculo? Inicialmente, precisamos identificar os dados. PMT = ? FV = 35.678,00 i = 5,5% a.m. = 0,055 a.m. n= 5 meses Aplicando a fórmula 5, teremos: PMT FV i i PMT PMT n = × +( ) − = × +( ) − = 1 1 35 678 0 055 1 0 055 1 1 962 29 1 5 . , , , , ,0055 1 1 962 29 1 306960 1 1 962 29 0 306960 6 3 5( ) − = − = = PMT PMT PMT , , , , , , . 992 66, Capítulo 5 148 Matemática Financeira Resolvendo pela calculadora financeira: f fin f2 35.678 CHS FV 5,5 i 5 n PMT Como você pode constatar, o resultado é R$ 6.392,66. Cálculo da prestação Podemos determinar o número de depósitos aplicando a fórmula 4. FV PMT i i n = +( ) −⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ 1 1 Vamos acompanhar um exemplo para que você aprenda a calcular. Exemplo 9 – Quantos depósitos mensais de R$ 6.000,00 deverá realizar uma pessoa para que tenha no ato do último depósito o saldo de R$ 38.457,00, recebendo uma taxa de 3,5% a.m.? Identificando os dados do problema, temos: PMT = 6.000,00 FV = 38.457 i = 3,5% a.m. n = ? Vamos aplicar a fórmula 4 para encontrar o resultado. Fique atento à resolução! Capítulo 5 149Matemática Financeira 38 457 6 000 1 0 035 1 0 035 6 409500 1 035 1 0 . . , , , , = +( ) −⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = ( ) − n n i ,, , , , , , 035 6 409500 0 035 1 035 1 0 224333 1 035 1 0 ⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ × = ( ) − = ( ) − n n ,, , , , , , , 224333 1 1 035 1 224333 1 035 1 035 1 224333 1 0 + = ( ) = ( ) ( ) = n n n In 335 1 224333 1 035 1 224333 0 0344014 0 202396 ( ) = = × = = n In n In In n n , , , , , 55 883365, Podemos concluir que são necessários 6 depósitos (valor arredondado) para formar o montante desejado. Este cálculo pode ser realizado pela calculadora financeira. Digite, então: f fin f2 38.457 CHS FV 6.000PMT 3,5 i n Como você pode constatar, a calculadora apontou também 6 depósitos, confirmando o cálculo realizado pela fórmula. LEMBRETELEMBRETE Você deve ter em mente que a calculadora financeira sempre arredonda o número de períodos para o inteiro maior, que nas séries financeiras são os depósitos, pagamentos e recebimentos. Capítulo 5 150 Matemática Financeira Cálculo da taxa de remuneração dos depósitos O cálculo da taxa utilizando o valor futuro também é um poucotrabalhoso, a exemplo do que ocorreu no cálculo da taxa, com a fórmula do valor presente (valor atual). Para melhor entendimento, neste tipo de cálculo podemos aplicar, também, a interpolação linear por meio da tentativa e erro, e pela calculadora financeira. Neste capítulo, não utilizaremos o formato da tentativa e erro, por ser um cálculo demorado e exaustivo. Vamos ver um exemplo, então? Exemplo 10 – Uma pessoa deposita mensalmente a quantia de R$ 5.000,00 em uma caderneta de poupança e, no momento do quinto (50) depósito, seu saldo era de R$ 28.753,70. Determine a taxa de juros paga pelo banco. O primeiro passo você já sabe: identifique os dados da questão. FV = R$ 28.573,70 PMT = 5.000,00 n= 5 depósitos mensais i= ? Aplicando o cálculo do fator e utilizando a tabela financeira, temos: FMP n i FV PMT FMP i FMP i / / . , . / , ( ) = ( ) = ( ) = 5 28 753 70 5 000 5 5 750740 Neste caso, procurando na tabela financeira, encontraremos FMP (5,7%)= 5,750739, que apresenta uma diferença que não é significativa e não precisamos nos preocupar. O valor da taxa se obtém adotando o mesmo procedimento adotado para o cálculo da taxa quando se utiliza o valor presente. Relembrando: No encontro do n, que neste caso é 5 com linha correspondente ao valor de 5,750739 encontramos a taxa 7%. Capítulo 5 151Matemática Financeira Se quisermos saber com exatidão a taxa, deveremos utilizar o método de tentativa e erro, como foi mencionado quando calculamos a taxa pelo valor atual. Isto é, experimentando os valores até encontrar o valor exato que satisfaça a igualdade. Mas você pode obter a taxa de uma maneira bem fácil utilizando a calculadora financeira. Siga os passos: F finf2 28.753,70 CHS FV 5.000 PMT 5 n i Isto é, a taxa procurada é de 7% ao mês. Todas as fórmulas só podem ser usadas se a taxa “i” for efetiva e o período de capitalização for igual ao período entre dois termos consecutivos, ou seja, se as prestações forem trimestrais, a taxa i deverá ser efe tiva trimestral; se as prestações forem semestrais, a taxa deverá ser semestral, e, assim sucessivamente. Lembre-se também que a taxa deve ser unitária. SAIBA QUE Conceito de série antecipada As series antecipadas são aquelas nas quais os pagamentos se dão ao início de cada período; exemplos deste tipo de séries são as compras financiadas em que o primeiro pagamento se dá no ato da compra (entrada) ou uma operação de arrendamento mercantil (leasing) na qual os pagamentos se dão no início de cada período (KUHNEN; BAUER, 2001). As anuidades antecipadas possuem as características a seguir: • o número de termos é limitado; • os termos são todos iguais; • os períodos entre dois termos consecutivos são sempre iguais. Capítulo 5 152 Matemática Financeira O primeiro desembolso é efetuado no ato (data zero). Os desem bolsos ocorrem sempre no início de cada período (antes) e essa é a razão do nome “antecipada”. São exemplos de anuidades antecipadas as compras a prazo, em prestações iguais, onde a primeira é dada no ato (entrada) e os contratos de aluguel onde o valor é pago um mês antes da utilização do imóvel (aluguéis pagos antecipadamente). Procedendo-se aos descontos dos pagamentos (PMT) e somando-se os valores, tem-se: PV PMT (1 i) PMT (1 i) PMT (1 i) ..... PMT (1 i)0 1 3 n 1 = + + + + + + + + − Observe que o primeiro pagamento não sofre desconto por estar na data focal 0. Tratando-se algebricamente essa expressão, conforme já visto anteriormente, chega-se a: PV PMT i i i n = × − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ × +( ) −1 1 1 fórmula 6 Como você pode perceber, a determinação da relação entre valor dos pagamentos e valor atual é semelhante à forma do cálculo das séries postecipadas. Isto é, com o raciocínio de que o valor presente da série é a soma dos valores de todos os pagamentos, devidamente descontados para a data focal 0 (zero). Então, por meio desta fórmula e realizados alguns ajustes, podemos calcular qualquer componente da série antecipada. Vamos, então, aprender como procedemos para obter o resultado do valor presente ou valor à vista. Cálculo do valor presente de uma série antecipada Se você comparar esta fórmula com aquela deduzida para o modelo postecipado, vai perceber que elas são muito semelhantes e diferem apenas pelo fator (1 + i). Este fato pode lhe ajudar para facilitar o cálculo do PV do modelo antecipado. Capítulo 5 153Matemática Financeira Para que você aprenda, com mais facilidade, o cálculo do valor presente de uma série antecipada, vamos acompanhar a resolução da questão a seguir. Exemplo 11 – Considere uma série antecipada constituída por uma série de 4 pagamentos mensais, iguais, antecipados e sucessivos, no valor de R$ 3.000,00. Determine o valor à vista desta série, considerando uma taxa efetiva de 2,5% ao mês. Vamos identificar os dados da questão e aplicar a fórmula 6: n = 4 pagamentos mensais PMT = 3.000,00 i = 2,5% a. m = 0,025 a.m. PV = ? PV PMT i i i PV n = × − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ × +( ) = × − +( ) − − 1 1 1 3 000 1 1 0 025 0 025 4 . , , ⎡⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ × +( ) = × − ( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ × − 1 0 025 3 000 1 1 025 0 025 1 025 4 , . , , ,PV (( ) = × −⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ × ( )PV 3 000 1 0 905951 0 025 1 025. , , , = ×PV 3 000 0 94049 0 . , ,, , . , , . , 025 1 025 3 000 3 76196 1 025 11 568 03 ⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ × ( ) = × × = PV PV Este cálculo você pode realizar utilizando a calculadora financeira, porém deverá acionar a tecla g (azul) BEGIN (beg).Vamos, então, comprovar o resultado? f finf2 g beg 3.000 CHS PMT 2,5 i 4 n PV Capítulo 5 154 Matemática Financeira Como você pode ver, o resultado que apareceu no visor é R$ 11.568,07, com pequena diferença em relação ao resultado obtido manualmente pela fórmula. Para você excluir a função g BEGIN, basta digitar g END (tecla 8). PRATICANDOPRATICANDO Pedro está interessado em comprar um carro cujo preço à vista é de R$ 40.000,00. Se a entrada for de R$ 5.000,00 e o restante for parcelado em 24 prestações mensais iguais, qual o valor das prestações se a taxa acertada foi de 30% a.s. com capitalização mensal? 5.2.6 Operacionalização da calculadora fi nanceira Como você já notou, desenvolvemos vários exemplos de aplicação da calculadora financeira, ferramenta que contribui para a obtenção da solução dos problemas de juros compostos. Ela pode apontar falhas no momento do desenvolvimento da questão, quando utilizamos as fórmulas, pois podemos obter o resultado mais facilmente. Apesar de algumas funções da calculadora financeira parecerem complexas, elas são relativamente fáceis de serem operacionalizadas se dominamos os conceitos da matemática financeira, sob o ponto de vista teórico e prático. Já vimos que esta ferramenta pode auxiliar na agilidade dos cálculos. Mas é preciso, obviamente, saber operá-la. E então, já está habituado ao uso da calculadora financeira? 5.3 Aplicando a teoria na prática Vamos a um estudo de caso? João Loureiro tem uma padaria. O negócio está dando certo e cada dia, ele observa que e precisa investir R$ 10.000,00 para dar conta da demanda dos clientes pelos produtos que fabrica. Ele pretende juntar a soma com oito depósitos trimestrais. Capítulo 5 155Matemática Financeira Determine o valor de oito (8) depósitos trimestrais de um fluxo de caixa, capaz de produzir o montante de R$ 10.000,00, com uma taxa de 1,96128% a.m. E então, arriscou responder ao problema? Bem, como observamos por meio dos exemplos, é uma série postecipada, pois os depósitos não são antecipados. Para a resolução, vamos identificar os dados da questão. FV = 10.000,00 i = 1,96128% a.m. ( como os depósitos são trimestrais, vamos converter a taxa ao trimestre = 0,0196128 a.m= 0,06 = 6% a.t.) PMT = ? n = 8 depósitos trimestrais Aplicando a fórmula 5, temos: PMT FV i i PMT PMT n = × +( ) −⎡⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = × +( ) −⎡⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = 1 1 10000 0 06 1 0 06 18 . , , 6600 1 06 1 600 1 593848 1 600 0 593848 101 8, , , ( ) −⎡⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = − = = PMT PMT PMT 00 36, Vamos resolver a questão pela calculadora financeira: f fin f2 10.000 CHS FV 6 i 8 n PMT Você pode perceber: o resultado que aparece no visor é o mesmo que encontramos no cálculo realizado pela fórmula, isto é, R$ 1010,36. Capítulo 5 156 Matemática Financeira 5.4 Para saber mais Site: Proativams URL: http://wwwproativams.com.br Neste site do professor Ernesto Coutinho Puccini, você vai encontrar downloads de livros, manual para calculadora financeira e tabelas financeiras. A página também disponibiliza vídeos, comentários e outras informações que vão auxiliar na sua formação. Boa pesquisa! 5.5 Relembrando Neste capítulo, você aprendeu que séries financeiras, ou anuidades, são sucessões de pagamentos ou recebimentos, como também depósitos de valores. Aprendeu também que as séries podem ser classificadas em: • quanto ao valor dos termos da renda – sob este ponto de vista, as séries podem ser classificadas em: – séries constantes – quando os valores dos termos que as compõem são constantes. Exemplo: prestações iguais em uma compra a crédito; e, – séries variáveis – quando os valores dos termos que as compõem são variáveis. Exemplo: depósitos crescentes em uma conta de poupança; • quanto à periodicidade dos pagamentos – as rendas podem ser classificadas em: – séries periódicas – quando o intervalo entre dois termos consecutivos é constante (pagamentos mensais, semestrais ou anuais, por exemplo); e, – séries não periódicas – quando o intervalo entre dois termos consecutivos é variável; • quanto ao vencimento dos termos – as rendas podem ser classificadas em: Capítulo 5 157Matemática Financeira – séries postecipadas – quando os pagamentos ocorrem no fim de cada período. Exemplo: compra financiada em três pagamentos mensais, ocorrendo o primeiro pagamento 30 dias após a compra; – séries antecipadas – quando os pagamentos ocorrem no início de cada período. Exemplo: compra financiada em três pagamentos mensais, ocorrendo o primeiro pagamento no ato da compra; • quanto ao início dos pagamentos – sob este ponto de vista, as rendas podem ser classificadas em: – séries imediatas – quando o primeiro pagamento é devido no primeiro período contado da origem da renda; – séries diferidas – quando o primeiro pagamento só é devido no período subsequente ao período m, denominado período de diferimento. Quando os pagamentos são devidos ao início de cada período, tem-se um modelo de série diferida antecipada; quando os pagamentos são devidos ao final de cada período, tem-se um modelo de série diferida postecipada. 5.6 Testando os seus conhecimentos 1) Quantos depósitos mensais de R$ 12.000,00 deverá realizar uma pessoa que tenha no ato do último depósito o saldo de R$ 337.588,62, sabendo que a instituição paga juros de 5%a.m.? 2) Uma pessoa deposita trimestralmente em caderneta de poupança o valor de R$ 2.000,00. Sabendo que o banco paga juros de 24% a.a. com capitalização trimestral, quanto possuirá no momento do terceiro depósito, incluindo o mesmo? 3) Depositando R$ 2.620,00 no início de cada mês em uma instituição que paga juros de 5% a.m., qual será o montante no final de 30 meses? 4) A que taxa devo aplicar mensalmente a quantia de R$ 2.500,00 para obter R$ 48.417,60 ao final de 15 meses, sabendo-se que as aplicações são feitas ao final de cada mês? Capítulo 5 158 Matemática Financeira Onde encontrar HAZZAN, S.; POMPEO, J. N. Matemática financeira. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. KUHNEN, O. L.; BAUER, U. R. Matemática financeira e aplicada e análise de investimentos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2001. MATHIAS, W. F.; GOMES, J. M. Matemática financeira. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1996. PUCCINI, A. C. Matemática financeira. Disponível em <www.find-docs.com>. Acesso em: 05 out. 2010. VERAS, l. l. Matemática financeira. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1999. VIEIRA SOBRINHO, J. D. Matemática financeira. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2000. Capítulo 6 159Matemática Financeira SÉRIES FINANCEIRAS II CAPÍTULO 66 6.1 Contextualizando Quando efetuamos uma compra a prazo, temos várias opções para efetuar o pagamento. No mesmo sentido, quando fazemos depósitos, também temos possibilidades de realizar estas movimentações em nossa conta corrente ou de investimento. Em algumas formas de pagamento, é disponibilizado um prazo antes de iniciar o pagamento, (pelo menos do segundo período em diante). Nos investimentos em agronegócio esta operação ocorre com frequência. O banco financia a compra de uma máquina, insumos de produção, ou um tipo de beneficiamento para pecuária e concede ao financiado um prazo para o início do pagamento das parcelas do financiamento. A este prazo, que antecede o início dos pagamentos, chama-se prazo de carência ou diferimento. Para você entender como ocorre a capitalização e o cálculo das séries diferidas, discorremos ao longo deste capítulo sobre as questões que envolvem este tema. Ao final deste capítulo, espero que você conheça o significado de séries diferidas e aplique nas várias situações de compras a prazo e depósitos com diferimento. Você também estará apto a trabalhar com as séries perpétuas ou infinitas e resolver os exercícios sobre taxa, valor das prestações e valor presente. Bons estudos! Capítulo 6 160 Matemática Financeira 6.2 Conhecendo a teoria 6.2.1 Séries diferidas e infinitas (perpétuas) Como já estudamos na classificação do capítulo anterior, as séries financeiras são aquelas em que existe um prazo de carência, também denominado de diferimento. As séries diferidas possuem as características a seguir: • o número de termos é limitado; • os termos são todos iguais; • os períodos entre dois termos consecutivos são sempre iguais; • o primeiro desembolso é efetuado após o primeiro período (pelo me- nos, do segundo período em diante). É como se a primeira prestação fosse exigível a partir de certo período de carência. Imagine que estamos pegando o conjunto de prestações do modelo básico e deslocando o bloco todo de um intervalo de tempo igual à carência. Observe que as três primeiras características são iguais no modelo das séries postecipadas. A única diferença entre o modelo das séries postecipadas e o modelo diferido está no fato de que: no modelo das séries postecipadas, o primeiro desembolso é efetuado ao final do primeiro período (data 1), enquanto no diferido, ele ocorre do segundo período em diante (data 2 ou após). Por meio da figura 1, você pode observar a diferença entre o modelo de série postecipada e o modelo diferido. Observe o diagrama. Modelos de séries postecipadas PV PMT 1 1 i i n = − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ − Capítulo 6 161Matemática Financeira Modelo de séries diferidas PMT PVmodelo diferido = ??? 1 2 3 m - 1 m m + 1 m + 2 m + 3 m + 4 m + 5 m + m 0 1 2 3 4 5 n - 1 n 0 PV PMT 1 1 i) imodelo postecipado n = × − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ ⎥ − Figura 1 – Modelo das séries postecipadas e diferidas Fonte: adaptada de Veras (1999). Como mostra a figura 1, a primeira prestação ocorre após o período de carência. Sendo assim, o valor presente para série postecipada ocorre no período m, que corresponde ao último período de carência. Na sequência, serão explicadas as particularidades das séries diferidas. DEFINIÇÃODEFINIÇÃO Se pesquisarmos no dicionário Aurélio, encontraremos uma definição de carência no sentido econômico, como sendo: “período entre a concessão de um empréstimo ou financiamento e o princípio de uma amortização: o pagamento do empréstimo será em 20 prestações mensais após dois anos de carência.” Na mesma referência, encontramos o sinônimo de diferimento como sendo adiamento (FERREIRA, 1985). Capítulo 6 162 Matemática Financeira Classificação das séries financeiras diferidas As séries diferidastambém podem ser postecipadas ou antecipadas. As séries diferidas antecipadas, segundo Kuhnen e Bauer (2001), em relação a um valor atual, “são aquelas em que a primeira parcela vence juntamente com a carência, enquanto as séries postecipadas são aquelas em que a primeira parcela vence um período após a carência”. Neste capítulo, vamos somente trabalhar com as séries diferidas postecipadas. Quando estamos calculando algum componente das séries diferidas, utilizaremos as fórmulas do modelo de séries postecipadas e as fórmulas de capitalização composta, com alguns ajustes, como você poderá constatar. Vamos trabalhar as séries diferidas fazendo referência às séries postecipadas e, assim, adaptaremos as principais fórmulas das séries postecipadas às séries diferidas. Você deve ter em mente que consideraremos para as séries diferidas os componentes das séries postecipadas, de acordo com o que segue: n é o número de prestações; PV é o valor presente - valor atual, na data focal zero (um período antes da primeira prestação); PMT é o valor das prestações; FV é o montante, imediatamente, após (na data da) última prestação e i é a taxa efetiva da mesma periodicidade da prestação. 6.2.2Cálculo do valor presente (valor atual) Para calcular o valor atual, utilizaremos como recursos as fórmulas das anuidades postecipadas, como você estudou no capítulo 5, e o montante composto, correspondente ao tema do capítulo 3. Então, para calcularmos o valor presente na data zero, precisamos trazer o valor presente da série postecipada (que resultou em um valor futuro FV, pois está localizado no período m) para a data zero. A operação que traz o valor presente da série postecipada para a data zero é o cálculo do PV de uma operação de juros compostos. Parece complicado, não é mesmo? Mas você vai perceber que, na prática, é fácil de entender. A fórmula 1 vai nos permitir calcular o valor presente e os demais componentes das séries diferidas. Capítulo 6 163Matemática Financeira Se você observar a figura 1, poderá verificar que o PVsérie postecipada é um valor futuro FV em relação ao PVsérie diferida, e para calcularmos o PVsérie diferida, basta descapitalizarmos o PVsérie postecipada m períodos de tempo. Sendo assim, podemos escrever PVsérie diferida m= +( ) PV 1 i série postecipada . E assim, podemos escrever que: PV PVsériediferida sériepostecipada m= +( ) 1 1 i . O item “m”, que aparece na fórmula, vamos utilizar a nomenclatura “carência”, pois fica mais compreensível. Reforçando o que foi colocado anteriormente, na parte referente às prestações das séries diferidas, Kuhnen e Bauer (2001) recomendam aplicar a fórmula da série postecipada, e no período de carência, o cálculo do PV pela fórmula dos juros compostos, como é mostrado a seguir: PV PMT x 1 1 i i 1 i n n= − +( ) +( ) − fórmula 1 A fórmula 1 pode ser simplificada escrevendo da seguinte forma: PV PMT 1 1 i i x 1 1 i n carência = − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ +( ) − (1) Para você entender todo este processo de cálculo, vamos ver um exemplo. Exemplo 1 – Determine o valor de um empréstimo, que deverá ser devolvido em de 5 pagamentos mensais e consecutivos de $ 500,00, sabendo-se que o primeiro pagamento ocorre 4 meses após o empréstimo. A taxa de juros cobrada na operação é de 18% ao trimestre com capitalização mensal. Vamos começar? Identifique os dados da questão. PV = ? PMT = 500,00 Capítulo 6 164 Matemática Financeira n= 5 i = 18% a. t com capitalização mensal. carência = 3 meses Como você pode verificar, a taxa é nominal e precisamos convertê-la ao mês para torná-la efetiva, pelo fato das prestações também serem mensais. Para ajustar a taxa, devemos utilizar a proporção, que nada mais é do que uma regra de três simples. De forma simplificada, basta dividir a taxa (já na forma decimal, por 3), pois cada trimestre tem 3 meses. O resultado é 0,18 : 3 = 0,06 (forma decimal). Aplicando a fórmula 1, temos: PV PMT 1 1 i i 1 1 i PV 500 1 1 0,06 0 n carência 5 = − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ × +( ) = − +( ) − − ,,06 1 1 0,06 PV 500 1 0,747258 0,06 1 1,19101 3 ⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ × +( ) = −⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ × 66 PV 500 0,252742 0,06 0,839619 PV 500 4,212367 0,83961 = ⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ × = × × 99 PMT 1.768,39= Você pode realizar este cálculo utilizando a calculadora financeira. Só que faremos em duas etapas, pois a calculadora não dispõe de um comando para obter o resultado em um único processo. Para obter o primeiro resultado, digite: 500 CHS PMT 6 i 5n PV O visor da calculadora mostrou o valor de 2.106,18. Este valor representa o valor atual da série postecipada que, por sua vez, é um valor futuro para série diferida. Logo, falta ainda calcular o valor presente da carência, que é a segunda etapa do processo de cálculo. Para isso, você deve considerar o resultado encontrado na primeira etapa como Capítulo 6 165Matemática Financeira o valor futuro do período da carência. E para encontrar o resultado final, você vai acionar as mesmas teclas de quando calculava o valor presente nos juros compostos. Siga o raciocínio: 2.106,18 CHS FV 6 i 3 n PV Assim, o resultado que aparece no visor é o resultado final do PV, ou seja, R$ 1.768,39, que é o mesmo valor encontrado por meio da fórmula. Cálculo do valor das prestações O cálculo do valor das prestações segue a mesma metodologia de cálculo do valor presente, isto é, aplicando a fórmula 1, só que destacando a PMT. E nada melhor do que um exemplo para que você entenda como se chega ao resultado. Exemplo 2 – Uma TV no valor de R$ 2.500,00 pode ser comprada à vista, mas a loja abriu a possibilidade de pagar em cinco pagamentos iguais, mensais, sendo o primeiro pagamento efetuado quatro meses após a compra. Se a taxa de juros vigente for 2% a.m, qual será o valor de cada prestação pagamento? Para a resolução deste problema, vamos identificar os dados. PV = 2.500,00 i = 2% n = 4 prestações carência = 3 meses PMT = ? Aplicando a fórmula 1, temos: Capítulo 6 166 Matemática Financeira PV PMT x 1 1 i i x 1 1 i 2.500 PMT x 1 n carência = − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ +( ) = − − 11 0,02 0,02 x 1 1 0,2 2.500 PMT x 1 0,905731 0 5 3 +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ +( ) = − − ,,02 x 1 1,061208 2.500 PMT x 0,094269 0,02 x 094 ⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = ⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ 22322 2.500 PMT x 4,71345 x 0,942322 2.500 PMT x 4,441588 P = = MMT x 4,441588 2.500 PMT 2.500 4,441588 PMT 562,86 = = = Para calcular as prestações pela calculadora financeira, devemos desenvolver o cálculo em duas etapas. 1a etapa – levar a valor futuro o valor da TV à vista, pois as prestações só iniciam após três meses. 2500 CHS PV 2i 3n FV O visor vai mostrar o valor de 2.653. Este valor é o novo valor presente, depois de transcorrida a carência de três meses. Para encontrar o valor das prestações, basta digitar as teclas para o cálculo das prestações, como é explicado a seguir. 2a etapa – calcular o valor das prestações. Para obter o resultado, digite: 2.653 CHS PV 2i 5n PMT No visor, vai aparecer o valor de 562,86. O mesmo valor que encontramos desenvolvendo por meio da fórmula. Capítulo 6 167Matemática Financeira Espero que você não tenha dificuldades em resolver este tipo de questão. No próximo item, vamos aprender como se calcula o número de prestações pelo modelo de séries diferidas 6.2.3 Cálculo do número de prestações Para calcular o número de prestações, devemos capitalizar o valor presente (PV) até um período antes da primeira prestação e então proceder como se estivéssemos calculando o valor de cada prestação ou anuidade do modelo das séries postecipadas (KUHNEN; BAUER, 2001). Para você aprender o processo do cálculo, vamos desenvolver um exemplo. Exemplo 3 – A loja “Torra Tudo” está financiando certo tipo de móveis de cozinha para serem pagos em oito prestações mensais, sem entrada. Sabendo-seque a taxa cobrada é de 18% a.a. composta mensalmente; que as prestações são de R$4.000,00, a primeira vencerá seis meses após a data do contrato, calcule o valor à vista dos móveis. Acompanhe o desenvolvimento. Antes, vamos identificar os dados. PV = 27.795,57 i = 18% a.a. composta mensalmente. (taxa nominal)= 0,18: 12 = 0,015 a.m. PMT = 4.000,00 n = ? Carência = 5 meses Para obtermos o resultado, vamos aplicar a fórmula 1. Capítulo 6 168 Matemática Financeira 27.795,57 PMT x 1 1 i i x 1 1 i 27.795, n carência= − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ +( ) − 557 4.000 1 1 0,015 0,015 x 1 1 0,015 6,948893 n 5= − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ +( ) = − 1 1,015 0,015 x 1 1,077284 6,948893 1- 1,015 -n− ( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = ( )−− − ⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = − ( ) n n 0,015 x 0,928260 6,948893 0,928260 1 1,015 0,0115 7,485934 x 0,015 1 1,015 0,112289 1 1,015 1,015 n n = − ( ) = − ( ) ( − − )) = −−n 1 0,112289 Aplicando o logarítmo neperiano vamos obterr n . ln1,015 ln 0,887711 n .0,0148886 0,119109 . ( 1) n − = − = − − = 00,119109 0,0148886 n 8= Este resultado você pode obter utilizando a calculadora financeira. Vamos ver como fica? Como é uma série diferida, vamos fazer em duas etapas. 1a etapa – calcular o valor futuro do PV até o início das prestações f fin f2 27.795,57CHS PV 1,5 i 5 n FV O visor lhe mostrará o valor de 29.943,72. Com este valor, vamos chegar ao valor das prestações. Vamos calcular? F fin f2 29.943,72 CHS PV 4.000 PMT 1,5 i n Capítulo 6 169Matemática Financeira Com esses comandos, você obterá o 8, que é número de prestações desta compra. LEMBRETELEMBRETE No cálculo das séries diferidas, você deve estar atento aos detalhes que já estudamos nas séries postecipadas. A taxa deve sempre estar concordante com o período de tempo. Se a taxa for nominal, devemos fazer a conversão de forma proporcional, e se for efetiva, de forma equivalente. A fórmula da equivalência é (1+ia) = (1+ib) n , sendo n o número de períodos que está contido na taxa de período maior. 6.2.4 Cálculo da taxa Podemos calcular a taxa em série postecipada diferida utilizando uma tabela financeira, por tentativa e erro, ou por meio da calculadora financeira. Vejamos um exemplo. Exemplo 4 – Uma mercadoria que custa R$ 121.927,30 à vista foi vendida em 12 prestações mensais de R$ 20.000,00, sendo a primeira prestação paga 12 meses após a compra. Qual foi a taxa de juros cobrada? (KUHNEN; BAUER, 2001). Vamos aos dados da questão? PV= 121.927,30 PMT = 20.000,00 n = 12 prestações mensais carência = 11 meses i = ? Utilizando o fator da tabela, fazemos: Capítulo 6 170 Matemática Financeira FAP(n) 1 i n PV PMT FAP( ) 1 i 121.927,30 20.000 FAP( ) 1 11 i n i n i +( ) = +( ) = ++( ) = i 6,09636511 Devemos agora procurar substituir a taxa i, nos dois lugares, para satisfazer a igualdade. Encontramos na tabela financeira, no apêndice, o FAP (12/4%)= a 9,385074, que dividimos pelo resultado (!+0,04)11, que é 1,539454, encontrando a igualdade. Encontramos, então, a taxa, que é 4% a.m. Para utilizar a calculadora financeira, deveremos proceder de forma diferente, tendo em vista que pela fórmula a variável ï aparece em dois lugares, não possibilitando a separação em dois cálculos, como fizemos nos outros cálculos com séries diferidas. Vamos, portanto, usar o fluxo de caixa na calculadora. Digite, então: f fin f2 121.927,30 CHS g CF0 0 g CFj 11 g Nj 20.000g CFj 12 g NJ f IRR Com o comando f IRR na calculadora financeira, você obterá o resultado, neste caso, 4,00 ou 4% a.m. Capítulo 6 171Matemática Financeira Na calculadora financeira, quando pressionamos a sequência de teclas “g” ”CF0”, informamos para a calculadora que este é o valor da data 0 (zero), no ato da realização da operação. Ressalta- se que a sequência “g” “CFj”i nforma os demais valores, devendo ser obedecida rigorosamente a ordem cronológica. Quando temos o mesmo valor repetido várias vezes seguidas, digitamos o número correspondente a quantas vezes ocorre o valor informado por meio da g CFj anterior, pressionando a sequência “g””Nj”. A calculadora financeira tem a capacidade de suportar um fluxo de 7 a 20 valores para a função g CFj, além do valor a ser informado para g CF0 . Para cada vez que é usado Nj, o número máximo a ser informado é de 99 (KUHNEN; BAUER, 2001). SAIBA QUE Na sequência, você vai estudar o cálculo do montante das séries diferidas, bem como do valor e número de depósitos. 6.2.5 Cálculo do valor futuro (montante) Para o montante, a carência não existe antes dos depósitos; se considerarmos alguma carência, esta deverá ser após o último depósito, afirmam Kuhnen e Bauer (2001). A fórmula do montante equivalente das séries postecipadas foi deduzida para calcular o montante na data da última prestação. Se fossem depósitos, seria como se nós fizéssemos o último depósito e sacássemos tudo minutos após o depósito. Para o modelo diferido, também desejamos o montante logo após a data da última prestação, logo, é o mesmo montante do modelo das séries postecipadas e a fórmu la não necessita de nenhuma adaptação. Compare as datas dos montantes confrontando os dois fluxos da figura a seguir e certifique-se de que “estão” na mesma data. São datas dos seus valores futuros. Capítulo 6 172 Matemática Financeira Modelo de série postecipada FV PMT x 1 i 1 isériepostecipada n = +( ) −⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ PMT FV 1 2 3 4 5 n - 1 n Modelo de séries diferidas FV PMT x 1 i) 1 imocelo póstecipado n = + −( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ ⎥ PMT FV 1 2 3 m - 1 m m + 1 m + 2 m + 3 m + 4 m + 5 m + m 0 1 2 3 4 5 n - 1 n 0 Figura 3 – Comparação entre o montante das séries postecipadas e montante das séries diferidas Fonte: adaptado de Milone (2006, p. 174). FV FV PMT 1 i 1 imodelodiferido seriepostecipada n = = +( ) −⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ (2) Capítulo 6 173Matemática Financeira Assim, podemos calcular o montante FV utilizando a fórmula do valor futuro das séries postecipadas, como você estudou no capítulo 5. Vamos, na sequência, acompanhar um exemplo. Para calcular o montante da parte que se refere aos depósitos, podemos utilizar a fórmula das séries postecipadas. Somente devemos ter o cuidado de identificar a época do montante calculado. Vamos acompanhar o desenvolvimento de um exemplo? Exemplo 5 – Uma pessoa efetua sete depósitos mensais de R$ 4.000,00, a uma taxa de 3% ao mês de juros. Quanto terá esta pessoa quatro meses após o último depósito? Dados da questão: n = 7 depósitos i = 3% a.m. (dividimos por 100) = 0,03 a. m. PMT = 4.000,00 carência = 4 meses Inicialmente, aplicamos a fórmula do cálculo do montante das séries postecipadas, sem considerar a carência. FV PMT 1 i 1 i FV 4.000 1 0,03 1 0,03 FV 4 n 7 = +( ) −⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = +( ) −⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = ..000 1,229874 1 0,03 FV 4.000 0,229874 0,03 FV 4.00 −⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = ⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = 00 7,662467 FV 30.649,87 × = Capítulo 6 174 Matemática Financeira Agora, necessitamos calcular o montante do período de carência, que neste caso é de 4 meses. Vamos ver como fica? FV=PV(1+i)n FV=30.649,87(1+0,03)4 FV=30.649,87x1,125509 FV=34.496,70 Agora, vamos realizar o mesmo cálculo pela calculadora financeira. f fin f2 4.000 CHS PMT 3 i 7 n FV O visor mostrará o valor de R$ 30.649,87. Este é o montante calculado pelo modelo das séries postecipadas. Necessitamos, agora, calcular o montante para o período após o último depósito que é a carência. Digite, então: f fin f2 30.649,87 CHS PV 3 i 4 n FV O visor mostrará o valor de 34.496,7. Este valor tem uma pequena diferença em relação ao cálculo realizado por meio da fórmula devido aos arredondamentos. Na sequência, vamos aprender o cálculo do valor dos depósitos, considerando o montante nas séries diferidas. Capítulo 6 175Matemática Financeira Cálculo do valor do depósito Para o cálculo dovalor do depósito nas séries diferidas, também utilizaremos as fórmulas das séries postecipadas e da capitalização composta. Vejamos um exemplo. Exemplo 6 – O saldo em uma conta, quatro meses após o oitavo depósito mensal, era de R$ 334.865,68. Sabendo que os juros são de 4% a.m., qual foi o valor depositado mensalmente? Dados da questão: FV = 334.865,68 i = 4% a.m. n= 8 depósitos carência = 4 meses PMT = ? Calculamos inicialmente o valor atual ou valor presente do período da carência, pois o valor de R$ 334.865,68 é o montante final, utilizando a fórmula da capitalização composta. Vamos seguir o raciocínio. FV PV 1 i 334.865,68 PV 1 0,04 334.865,68 PV.1,169859 1,1 n 4 = +( ) = +( ) = 669859PV 334.865,68 PV 334.865,68 1,169859 PV 286.244,48 = = = O valor encontrado é o valor no momento do último depósito, valor atual do período de carência e, portanto, o montante da série de depósitos. Necessitamos calcular agora o valor dos depósitos. Vamos, então, aplicar a fórmula do montante das séries postecipadas. Capítulo 6 176 Matemática Financeira FV PMT 1 i = +( ) −⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = +( ) −⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ 1 286 244 48 1 0 04 1 0 04 8 i PMT n . , . , ⎥⎥ ⎥ = −⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = 286 244 48 1 368569 1 0 04 286 244 48 0 36856 . , , , . , , PMT PMT 99 0 04 286 244 48 9 214225 9 214225 286 244 48 , . , , , . , ⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = × × = PMT PMT PPMT PMT = = 286 244 48 9 214225 31 065 50 . , , . , Resolvendo agora pela calculadora financeira, temos: f fin f2 286.244,48 CHS FV 4 i 8 n PMT Você terá no visor o valor de R$ 31.065,50, que é o valor da prestação. Cálculo do número de depósitos Para o cálculo do número de depósitos das séries diferidas, considerando o montante, vamos usar também as fórmulas da capitalização composta e das anuidades das séries postecipadas. Vejamos um exemplo. Exemplo 7 – Uma pessoa depositou parcelas mensais e iguais de R$ 4.000,00, recebendo 3% a.m. de juros. Sabendo que quatro meses após o último depósito seu saldo era de R$ 334.865,68, quantos depósitos foram feitos? Dados da questão: FV = 334.865,68 PMT = 4.000,00 Capítulo 6 177Matemática Financeira i = 4% a.m. carência = 4 meses Vamos inicialmente calcular o valor presente, que neste caso é o valor atual do período de carência, e, portanto o montante da série de depósitos. FV PV 1 i 334.865,68 PV 1 0,04 334.865,68 PV.1,169859 PV. n 4 = +( ) = +( ) = 11,169859 334.865,68 PV 334.865,68 1,169859 PV 286.244,48 = = = Agora, para saber quantos depósitos foram feitos, utilizamos a fórmula do montante das séries postecipadas. FV PMT 1 i 1 i 286.244,48 4.000 1 0,04 1 0,04 n n = +( ) −⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = +( ) −⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = ( ) −⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = 286.244,48 4.000 1,04 1 0,04 286.244,48 4.000 n 11,04 1 0,04 71,56112 0,04 1,04 1 2,862445 1 1,04 1,0 n n n ( ) − × = ( ) − + = ( ) 44 3,862445 nln1,04 ln3,862445 n 0,039221 1,351300 n 1,351 n( ) = = × = = 3300 0,039221 n 35 depósitos= Dando sequência, vamos estudar agora as séries infinitas ou perpétuas. Capítulo 6 178 Matemática Financeira Conceito de séries infinitas ou perpétuas Para Kuhnen e Bauer (2001), são as séries, cujo prazo é ilimitado, que não tem previsão de terminar. Não podemos calcular o montante das séries infinitas por não termos a quantidade de prestações definidas. São as séries cujo número de pagamentos é infinito (ou, em casos práticos, é muito grande). Nesse caso, só há interesse em determinar a relação entre o valor presente da série e a série periódica associada. Para uma série postecipada, basta determinar matematicamente o valor de PV quando n tende para infinito. Não vamos mostrar este cálculo, pois envolve conhecimento da teoria de limites.O valor atual da sequência é: PV PMT 1 i PMT 1 i PMT 1 i ....... PMT 1 i ......1 2 3 n= +( ) + +( ) + +( ) + +( ) + Segundo Hazzan e Pompeo (2007), o segundo membro dessa expressão é a soma dos termos de uma progressão geométrica infinita, em que o primeiro termo é a PMT i1 1 = + e a razão é q i = + 1 1 . Como a razão está entre 0 e 1 e a matemática elementar ensina que a soma desses infinitos termos é dada por S a i = + 1 1 , segue que: PV PMT 1 i 1 1 1 i PMT 1 i i 1 i PMT i PV PMT i = + − + = + + = = Por meio desta fórmula, vamos calcular o valor presente, o valor da prestação e o valor da taxa. Capítulo 6 179Matemática Financeira Cálculo do valor presente de uma série infinita Para você entender o processo de cálculo das séries infinitas, vamos demonstrar um exemplo, como segue. Exemplo 8 – Quanto um investidor deverá aplicar hoje em uma caderneta de poupança, que rende uma taxa efetiva de 0,75% ao mês, para ter uma renda perpétua mensal (infinita) de R$4.500,00? Considere a primeira retirada um mês após a aplicação. Acompanhe a solução. PMT = 4.500,00 I = 0,75% a.m.= 0,0075 a.m. PV = ? PV PMT i PV PV = = = 4 500 0 0075 600 000 . , . Então, este investidor deverá aplicar na poupança a quantia de R$ 600.000,00, para ter uma renda perpétua de R$4.500,00 mensais. Cálculo do valor da prestação de uma renda perpétua O cálculo do valor da prestação segue o mesmo procedimento do cálculo do valor presente ou valor atual. Vamos utilizar um exemplo para você conhecer o procedimento de cálculo. Exemplo 9 – Calcule o valor do rendimento mensal perpétuo (infinito) de uma aplicação, cujo valor foi de R$ 200.000,00, considerando uma taxa de juros anual de 18 % a.a. com capitalização mensal. Acompanhe a resolução, observando os dados. PV = 200.000,00 i = 18% a.a.com capitalização mensal (taxa nominal) = 0,18: 12 = 1,5% a. m.= 0,015 Capítulo 6 180 Matemática Financeira PMT =? PV PMT i 200.000 PMT 0,015 PMT 0,015 200.000 PMT 200.000 0,015 PM = = = = × TT 3.000= A aplicação renderá o valor de R$ 3.000,00 mensais por um período infinito. 6.2.6 Séries variáveis (gradiente) Na concepção Kuhnen e Bauer (2002, p. 245), denomina-se série em gradiente “as anuidades variáveis, que variam na forma de progressão aritmética”. Na progressão aritmética, temos a razão, que é a quantidade que uma parcela aumenta ou diminui em relação à imediatamente seguinte ou anterior, e na série em gradiente, a diferença entre duas parcelas chamaremos de gradiente (KUHNEN; BAUER, 2001, p. 245). Tipologia de séries em gradiente As séries em gradiente podem ser crescentes e decrescentes. Nas séries em gradiente crescente, as parcelas aumentam segundo um mesmo valor, que denominamos gradiente. Em nosso estudo, vamos considerar os intervalos entre as parcelas constantes. Já as séries em gradiente decrescente são as que diminuem em progressão aritmética, cuja razão é o gradiente. Cálculo do valor presente (valor atual nas séries em gradiente) O primeiro exemplo vai abordar a série gradiente crescente. A fórmula que utilizaremos para o cálculo é a que segue. Não apresentaremos a dedução desta fórmula devido à complexidade dos cálculos. Capítulo 6 181Matemática Financeira PV PMT 1 i 1 1 i i G i 1 i 1 1 i i n 1 i n n n n n= +( ) − +( ) × ⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ +( ) − +( ) × − +( ) ⎡ ⎣⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ (4) Exemplo 10 – Um financiamento foi amortizado mediante os seguintes pagamentos mensais subseqüentes: R$ 500,00, R$650,00, R$ R$ 800,00, R$ 950,00, R$ 1.100,00 e R$ 1.250,00. A taxa cobrada é de 3,5% a.m. Então, qual o valor financiado? Siga a identificação dos dados e o desenvolvimento da resolução. PMT = 500,00 G = 150 n = 6 i = 3,5% a.m.= 0,035 a. m. PV = ? PV PMT 1 i 1 1 i i G i 1 i 1 1 i i n 1 i n n n n n= +( ) − +( ) × ⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ + +( ) − +( ) × − +( ) ⎡⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = +( ) − +( ) × ⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ +PV 500 1 0,035 1 1 0,035 0,035 150 0,0 6 6 335 1 0,035 1 (1 0,035 0,035 6 1 0,035 PV 500 6 6 6 +( ) − +( ) × − +( ) ⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = 00,229255 0,043024 4.285,71 0,229255 0,0430246 1,229255 ⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ + −⎡⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = + −[ ] = PV 500.5,328538 4.285,7 5,328538 4,881005 PV 2.664,227 4.285,7.0,447533 PV 2.664,27 1918,00 PV 4.582,27 + = + = Para você obter este resultado pela calculadora financeira, deverá proceder da seguinte forma: f fin f2 500 g CFJ 650 g CFJ 800 g CFJ 950 g CFj 1.100 g Cfj 1.250 g CFj 3,5 i f NPV Capítulo 6 182 Matemática Financeira Com pequena diferença nos centavos, devido aos arredondamentos, obtemos o resultado obtido pela fórmula, ou seja, R$ 4.582,34. Exemplo 11 – Qual o valor atual de uma série de sete pagamentos cujo primeiro valor é de R$ 1.000,00 e os demais decrescem em uma razão de R$100,00. A taxa cobrada é de 7,5% ao mês. Vamos, então, acompanhar a resolução. Você observou que o cálculo é um tanto trabalhoso. Devemos ter cuidado neste cálculo, pois a série é decrescente, e devemos diminuir ao invés de somar. Aplicando a fórmula 4 ajustada, teremos: PV PMT 1 i 1 1 i i G i 1 i 1 1 i i n 1 i n n n n n= +( ) − +( ) × ⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ − +( ) − +( ) × − +( ) ⎡⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = +( ) − +( ) × ⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ −PV 1.000 1 0,075 1 1 0,075 0,075 100 0 7 7 ,,075 1 0,075 1 (1 0,075 0,075 7 1 0,075 PV 1 7 7 7 +( ) − +( ) × − +( ) ⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = ..000 0,659049 0,124429 1.333,34 0,659049 0,124429 7 1,65 ⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ − − 99049 PV 1.000.5,296587 1.333,34 5,296587 4,219285 PV ⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = − −[ ] == − × = − = 5.296,59 1.333,34 1,077302 PV 5.296,59 1.436,41 PV 3.860,188 Utilizando a calculadora financeira, vamos desenvolver o mesmo cálculo. Digite, então: f fin f2 1.000 gCFj 900 g CFj 800 g CFj 700 g CFj 600 g CFj 500 g CFj 400 g CFj 7,5 i F NPV Capítulo 6 183Matemática Financeira Você pode perceber que o visor lhe mostrará o mesmo valor encontrado por meio da fórmula, ou seja, o valor de R$ 3.860,18. O Sr. Luiz resolve fazer 17 aplicações mensais, à taxa de 3,5% ao mês. Sabendo-se que o valor da 1a parcela será de R$ 6.000,00 e que as seguintes decrescerão a uma razão constante de R$ 200,00, calcule o montante no final do 17o mês. DESAFIO 6.2.7 Operacionalização da calculadora fi nanceira A calculadora financeira é uma excelente auxiliar para o cálculo dos temas que foram trabalhados neste capítulo como as séries diferidas e infinitas, cálculo do valor presente (valor atual), valor futuro e valor presente de uma série infinita, entre outros temas trabalhados neste capítulo. Mas atenção! Para que você desfrute de todas as possibilidades de uso que o equipamento oferece é importante que além de conhecer o manual, você busque na web dicas de uso para sua calculadora financeira. Boa pesquisa! 6.3 Aplicando a teoria na prática Observe o seguinte caso: Joaquim Medeiros cursa Psicologia e está gostando muito do Curso. Desejando acumular uma determinada quantia para investir na festa de sua formatura, que será em grande estilo e que ocorrerá daqui a 20 meses, ele deposita, mensalmente, a quantia de R$ 1.800,00. Sabendo que a primeira parcela será feita de forma postecipada, isto é, após 30 dias e que serão feitos 14 depósitos iguais, mensais e consecutivos, e a taxa contratada é de 3,5% ao mês, o acadêmico deseja saber quanto terá no final de 20 meses. Então, você, que conhece matemática financeira, pode ajudá-lo a calcular. Vamos inicialmente identificar os dados da questão? Capítulo 6 184 Matemática Financeira FV = ? n = 14 meses PMT = 1.800 i = 3,5 % a.m. carência = 6 meses Vamos calcular o valor do montante, sem considerar que existe carência, aplicando a fórmula do cálculo do montante das séries postecipadas. FV PMT 1 i FV 1.800 1 0,035 1 0,035 F 14 = +( ) −⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ = +( ) −⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ 1 i n VV 1,618695 1 0,035 FV 0,618695 0,035 FV = −⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ = ⎡ ⎣⎢ ⎤ ⎦⎥ 1 800 1 800 . . == × = 1.800 17,6770 FV 31.818,60 Agora, para calcularmos o montante depois de 20 meses, necessitamos aplicar a fórmula dos juros compostos para obter o resultado. Vamos ver o desenvolvimento? FV PV 1 i FV 31.818,60 1 0,035 FV 31.818,60 1,229255 FV n 6 = +( ) = × +( ) = × = 339.113,17 E resolvendo este problema pela calculadora financeira, temos: Cálculo do montante da série postecipada f fin f2 1800 CHS PMT 3,5 i 14 n FV Capítulo 6 185Matemática Financeira No visor aparecerá o valor de 31.818,57. Com este valor, você vai calcular o montante do período da carência. Siga, então, os passos. 31.818,57 CHS PV 3,5 i 6 n FV Encontramos o mesmo valor calculado pela fórmula, ou seja, R$ 39.113,15. 6.4 Para saber mais Você poderá melhorar o entendimento dos conteúdos estudados, consultando os materiais referenciados a seguir. Título: Matemática fi nanceira URL: http://www.fi nd-docs.com/baixar-livro-matematica-fi nanceira-puccini.html Autor: PUCCINI, A.C. Você acessa este livro facilmente pela web e também pode reproduzi- lo. Nele vai encontrar explicações e exercícios sobre as séries uniformes, tanto postecipadas, como antecipadas e diferidas. Neste livro você também encontra links para acessar outros materiais da web. Título: Matemática fi nanceira: objetiva e aplicada Autor: PUCCINI, A. de L.; PUCCINI, A. Editora: Saraiva Ano: 2006 Esta obra contém a resolução de exercícios por meio da calculadora financeira. Você poderá melhorar seu entendimento sobre operacionalização da calculadora financeira. Estão disponíveis também vários exemplos resolvidos para você consultar. Título: Matemática fi nanceira Autor: MILONE, G. Editora: Thomson Learning Ano: 2006 Este livro oferece explicações e exercícios resolvidos sobre os componentes de uma série. O autor trabalha o valor presente diferido, o montante diferido e a partir destes os cálculos dos outros componentes como valor da prestação, valor do depósito, número de prestações ou de depósitos, como também o cálculo da taxa. Espero que você tenha conseguido assimilar estes conhecimentos, que constituem uma parte substancial no aprendizado da matemática financeira. Capítulo 6 186 Matemática Financeira Site: Unifel URL: http://www.iepg.unifei.edu.br/edson Neste endereço, clique em download e você terá a exposição de vários temas da matemática financeira, não somente sobre o assunto abordado neste capítulo. Você poderá consultar para complementar seu conhecimento e entendimento dos assuntos abordados até aqui. 6.5 Relembrando Neste capítulo, você teve a oportunidade de aprender sobre os vários aspectos do cálculo das séries diferidas, o cálculo das séries com carência, cálculo das séries infinitas ou perpétuas e o cálculo do valor atual das séries em forma de gradiente. Você aprendeu que: • as séries diferidas são aquelas cujo primeiro pagamento ocorre após um período sempre igual a dois ou superior. Estas séries são comumente utilizadas pelos bancos que, ao concederem empréstimos oferecem um período, anterior ao início do pagamento da dívida. O comércio também utiliza esta forma como meio de pagamento; • para o cálculo do valor presente, do valor da prestação, do número da prestação e da taxa, utilizamos a fórmula das séries postecipadas ajustadas para o modelo diferido. Isto é, descapitalizando o período da carência; • para os cálculos referentes ao montante, ao valor dos depósitos e do número de depósitos, utilizamos a fórmula do montante das séries postecipadas e para a carência usamos também a fórmula da capitalização composta; • as séries infinitas são aquelas que não têm limite para terminar, e por isso não podemos calcular o montante nem o número de prestações, calculamos somente o valor presente, a prestação e da taxa; • as séries em gradiente são aquelas que, nos instantes 1, 2, 3, ...,n, os capitais constituem uma progressão aritmética (PA), cujo primeiro termo é zero e cuja razão é G. O valor presente é calculado pela Capítulo 6 187Matemática Financeira seguinte fórmula: PV PMT 1 i 1 1 i i G i 1 i 1 1 i i n 1 i n n n n n= +( ) −+( ) × ⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ +( ) − +( ) × − +( ) ⎡ ⎣⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ . 6.6 Testando os seus conhecimentos 1) Qual o valor da prestação mensal referente a um financiamento de R$25.000,00, a ser liquidado em dois anos, à taxa de 1,2% a.m., sendo que a 1ª prestação vence 120 dias da data do contrato? 2) Determine o valor presente de uma renda infinita de depósitos de R$ 1.000,00, os quais ocorrem a cada ano, sabendo-se que a taxa de juros é de 5,8300524% ao semestre. 3) Determine o valor atual de cinco pagamentos mensais e consecutivos de R$ 500,00, R$ 400,00, R$ 300,00, R$ 200,00 e R$ 100,00, respectivamente, sabendo-se que a taxa de juros é de 18% ao trimestre com capitalização mensal. 4) Uma pessoa efetua 30 depósitos de R$ 1.450,00 mensais, recebendo uma taxa de 5% a.m. de juros. Qual o valor que terá esta pessoa oito meses após o último depósito? Onde encontrar HAZZAN, S.; POMPEO, J. N. Matemática financeira. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. KUHNEN, O. L.; BAUER, U. R. Matemática financeira e aplicada e análise de Investimentos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2001. MATHIAS, W. F.; GOMES, J. M. Matemática financeira. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1996. VERAS, l. l. Matemática financeira. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1999. VIEIRA SOBRINHO, J. D. Matemática financeira. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2000 Capítulo 6 188 Matemática Financeira . Capítulo 7 189Matemática Financeira NOÇÕES DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS I CAPÍTULO 77 7.1 Contextualizando A análise de investimentos é uma atividade que permite conhecer, antecipadamente, o sucesso ou o fracasso de um investimento. Atualmente, considerando-se a competitividade das empresas, não é permitido errar por falta de informações a respeito dos resultados de um investimento. O tema reveste-se de importância, dado que o mesmo se aplica a várias áreas que desejam avaliar se um empreendimento é atrativo e o momento certo de realizá-lo. Vamos desenvolver os conteúdos visando perceber como uma decisão, pautada em dados consistentes e na escolha de técnicas acertadas, pode fazer a diferença no momento de realizar um investimento, ou na aplicação de recursos para uma organização. Na prática, consiste em discutir e analisar os fatores que norteiam a análise de investimentos e trata de aplicar os métodos mais conhecidos para a seleção de alternativas. O estudo envolve decisões de aplicação de recursos, normalmente de longo prazo, com o objetivo de verificar se o retorno dos recursos aplicados vão dar retorno adequado aos proprietários. Você sabe que qualquer empreendimento necessita de fatores de produção. Precisamos conhecer as relações que se estabelecem entre estes fatores de produção e o mercado. Compete ao administrador a coordenação e conjunção desses fatores, com vistas à maximização da produção e minimização dos riscos, à obtenção de uma produtividade compatível com os requisitos dos produtos frente ao mercado e à rentabilidade do investimento. Capítulo 7 190 Matemática Financeira Ao final deste capítulo, você estará apto a discriminar o processo de análise de investimentos por meio de um método amplamente conhecido e aplicado, o Valor Presente Líquido (VPL). Você vai ter oportunidade de conhecer os vários aspectos que são considerados na análise de um investimento, como fluxo de caixa, taxa mínima de atratividade, suas particularidades e componentes, bem como a relação que se estabelece entre eles. 7.2 Conhecendo a teoria Em qualquer modalidade de investimento, o processo de decisão deve ser o mesmo. Em empresas organizadas, o processo de decisão de investimento está formalizado na política que estabelece o procedimento de apresentação de uma proposta de investimento. Este ato inclui os níveis de aprovação da proposta de acordo com a estimativa de desembolso requerido pelo investimento (LAPPONI, 2000). No entendimento desse autor, para manter a empresa operando de forma saudável e crescendo, os gerentes e administradores devem investir em projetos que criem valor para a empresa e para os acionistas. Se for uma pequena empresa, formada por um único dono ou grupo de sócios, as tarefas mais importantes, e que tomam a maior parte do tempo disponível, estão relacionadas com as operações e com o faturamento. Já em uma empresa maior, existe espaço e tempo para preparar o orçamento anual, incluindo o orçamento de capital com os projetos de investimento. As decisões de investimento de capital, em sua maioria, estão subordinadas ao planejamento operacional que, por sua vez, deve ser uma parte do planejamento global ou do planejamento estratégico da empresa. Uma das decisões que pode ser considerada mais complexa pelos administradores são os investimentos a longo prazo. Estes recursos envolvem desembolsos consideráveis e, em grande parte, são irreversíveis. Um investimento de longo prazo representa o compromisso da empresa com determinada linha de ação. E os retornos são incertos, eles dependem de eventos futuros, muitos deles fora do controle da administração. Capítulo 7 191Matemática Financeira Considerando que as empresas façam uma série de investimentos a longo prazo, o mais significativo para uma empresa industrial é o investimento em ativos fixos, ou seja, em ativos imobilizados. Sob a concepção de Gitman (2002), os ativos, na maioria das situações, são denominados de ativos rentáveis, pois fornecem a base de geração de lucros e valor para a empresa. Neste capítulo, serão discutidos os critérios de avaliação de investimento em longo prazo, suas particularidades e componentes, bem como a relação que se estabelece entre eles. Na concepção de Kuhnen e Bauer (2001), o conceito de análise de investimento pode ser hoje um conjunto de técnicas que permitem a comparação entre os resultados de tomada de decisões referentes a alternativas diferentes de uma maneira científica. Ao se fazer comparações, as diferenças que marcam as alternativas devem ser apresentadas, tanto quanto possível, em termos quantitativos. Para expressar em termos quantitativos estas diferenças entre as alternativas em uma tomada de decisões, vamos recorrer aos fundamentos da ferramenta denominada matemática financeira. Nesse sentido, estes autores ressaltam que muitos teóricos consideram a engenharia econômica, que estuda as operações que envolvem análise de investimentos, é, em parte, uma aplicação das técnicas de matemática financeira. E que tratam dos problemas de tomada de decisões, envolvendo análise de investimentos, substituição de equipamentos e mesmo o estudo da depreciação. O objetivo final da análise de investimento é a fundamentação de um processo decisório do qual resulta uma ação. Frequentemente, a decisão é simplesmente aceitar ou rejeitar uma proposta de investimento, sendo baseada em comparações que devem responder a questão: “Qual a melhor das alternativas?”, ou, algumas vezes, responder a dúvida do tipo: “A melhor alternativa é suficientemente atrativa?” A iniciativa para a realização de um investimento pode decorrer de diversas motivações, entre as quais as mais frequentes são um novo empreendimento, expansão ou ampliação, modernização, necessidades sociais, exigências governamentais. Capítulo 7 192 Matemática Financeira Um investimento para a empresa é um desembolso feito visando gerar um fluxo de benefícios futuros, usualmente superior a um ano. Na perspectiva de Souza e Clemente (2008), em tempos recentes, devido à dinâmica dos negócios, as técnicas de análise de investimentos estão sendo usadas para a avaliação de empresas, de unidades de negócios e para investimentos de porte. Também estão sendo utilizadas nas operações de curto prazo, como é o caso das compras à vista versus compras a prazo. Segundo Sousa (2007, p. 27), “estuda-se investir em um novo empreendimento quando se está criando um negócio ou montando uma sociedade”. Sendo assim, sob essas circunstâncias,recomenda-se maior critério nas previsões de médio e de longo prazo, como também a realização de pesquisas sobre negócios equivalentes com resultados favoráveis. Sob a mesma concepção, Souza e Clemente (2008, p. 66) consideram que “a decisão de fazer investimentos de capital é parte de um processo que envolve a geração e a avaliação das diversas alternativas que atendam as especificações técnicas dos investimentos”. Depois de relacionadas as alternativas viáveis tecnicamente é que se analisa quais delas são atrativas financeiramente. E é sobre esta última parte que os indicadores gerados auxiliarão o processo decisório. Segundo Clemente (2002), um aspecto fundamental para a decisão de investimento é a estimativa de retorno esperado e do grau de risco associado a este retorno. Este autor ainda destaca que, embora não seja possível eliminar o risco e enquadrá-lo em uma escala, o investidor pode melhorar a sua percepção do risco elevando o nível de informação a respeito do projeto e analisando os indicadores associados ao risco. O grande campo de aplicação das técnicas de análise de investimentos está associado ao processo de geração de indicadores utilizados na seleção de alternativas de investimentos e, mais recentemente, na avaliação de impacto desses investimentos no EVA (Economic Value Added ou valor econômico agregado) de unidade de negócio. SAIBA QUE Capítulo 7 193Matemática Financeira Para a realização de uma análise de investimentos, alguns princípios devem ser respeitados. A seguir, o quadro 1 apresenta uma síntese explicativa destes princípios apresentados pelos autores. PRINCÍPIO DESCRIÇÃO • Não existe decisão com alternativa única. Isto significa que para tomar qualquer decisão devemos analisar todas as alternativas viáveis, sendo estas, no mínimo, duas. • Só se pode comparar alternativas homogêneas. Não é possível estabelecer comparações se não conseguirmos a homogeneidade de dados. • Apenas as diferenças de alternativas são relevantes. Se em duas alternativas tivermos uma série de custos ou receitas iguais, eles não são necessários para decidir qual das alternativas é melhor, uma vez que existindo nas duas alternativas no mesmo momento, sua diferença se anula. • Os critérios para decisão de alternativas econômicas devem reconhecer o valor do dinheiro no tempo. Para fazer a comparação, temos que igualar o tempo de vida ou de utilização das alternativas. Como exemplo ilustrativo, não se pode comparar simplesmente se a alternativa A de investir 1 milhão e receber 3 milhões em 2 anos, é melhor do que a alternativa B, investir 1 milhão e receber 5 milhões em 4 anos, porque existe uma defasagem das alternativas com relação ao tempo. • Não se pode esquecer o problema do capital escasso. De nada adianta existir uma alternativa excepcionalmente rentável, se o capital próprio mais o capital conseguido com terceiros não são suficientes para cobrir as necessidades de capital dessa alternativa. • Decisões separáveis devem ser tratadas separadamente. Este princípio requer que todos os problemas e alternativas econômicas de investimento sejam cuidadosamente avaliados para determinar o número, tipo e seqüência de decisões necessárias. • Deve-se sempre atribuir certo peso para os graus relativos de incerteza associados às previsões efetuadas. Como em todas as alternativas de investimento, sempre temos valores estimativos; deve-se tomar a precaução de atribuir a cada um destes eventos certo grau de incerteza. Capítulo 7 194 Matemática Financeira PRINCÍPIO DESCRIÇÃO • As decisões devem também levar em consideração os eventos qualitativos não quantificáveis monetariamente. A seleção de alternativas requer que as possíveis diferenças entre alternativas sejam claramente especificadas e, se possível, quantificadas em uma unidade comum, geralmente unidade monetária, para fornecer uma base para a seleção dos investimentos. Os eventos não quantificáveis devem ser, entretanto, claramente especificados a fim de que os responsáveis pelas decisões tenham todos os dados necessários. • Realimentação de informações. A realimentação de informações para os técnicos que avaliam os investimentos constitui um processo vital, para um possível reajuste das alternativas realizadas, além de permitir o aumento do grau de sensibilidade, bem como para prevenir erros nas decisões futuras. • Dados econômicos/ gerenciais. No estudo de alternativas, deve-se ter sempre presente que os valores e os dados que interessam são sempre os econômicos e gerenciais. Os dados contábeis econômicos só são importantes na avaliação após o imposto de renda. Quadro 1 - Princípios fundamentais do estudo de viabilidade Fonte: Kuhnen e Bauer (2001, p. 389-392). Complementando esta abordagem, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) acrescenta que, antes que se tome uma decisão sobre determinado investimento, alguns dados básicos devem ser ponderados. Para o primeiro trabalho de campo, não se espera que você prepare um estudo de viabilidade, mas que tenha respostas a indicadores da viabilidade do projeto. Tais indicadores incluem os seguintes aspectos: Viabilidade mercadológica: • produto; • mercado alvo; • tamanho do mercado alvo; • situação de oferta e demanda; • concorrência; • práticas de marketing. Capítulo 7 195Matemática Financeira Viabilidade técnica: • tecnologia; • fonte de tecnologia; • matéria-prima; • infraestrutura e instalações; • localização; • habilidades; • custo. Viabilidade administrativa e organizacional: • habilidades, competências, capacidades, valores e motivações dos principais funcionários, da administração, frente aos requisitos do projeto; • personalidade jurídica adequada e organização. Viabilidade financeira: • custo do projeto; • fontes de financiamento; • lucratividade; • retorno sobre o investimento; • prazo de recuperação do investimento; • taxa de remuneração do investimento. • análise de sensibilidade; • outros métodos para situações de riscos e incertezas. Para estudos de viabilidade econômica e financeira de um investimento, existem vários critérios, como os mencionados, para a tomada de decisão. Vamos conhecê-los em sua maioria, porém, vamos aprofundar os mais utilizados. Investimentos mutuamente exclusivos Esta modalidade corresponde aos investimentos concorrentes com o mesmo objetivo. A aceitação de um dos investimentos em estudo implica desconsiderar a possibilidade de realizar alternativas existentes (SOUSA, 2007). A compreensão deste conceito é importante porque o analista ou o investidor fará uma aposta definitiva, pelo menos em princípio, por uma entre Capítulo 7 196 Matemática Financeira outras opções. E neste sentido, somente o futuro confirmará se a decisão foi a melhor ou se ele desprezou a que poderia ter sido a melhor. Quando a opção que venha a ser feita eliminar as demais é a que caracteriza os investimentos como mutuamente exclusivos. E, neste caso, a escolha deve se pautar em técnicas consistentes, que embasem a decisão e permitam sinalizar a melhor alternativa. Para Sousa (2007), na avaliação de investimentos independentes, o analista deve trabalhar com a possibilidade de todas as alternativas serem aceitáveis. Sua análise será concluída com a ordenação dos investimentos estudados em ordem de classificação, segundo algum critério previamente definido. Dentre os critérios que podem ser adotados para a seleção, citam- se: o valor presente líquido (VPL), a taxa interna de retorno (TIR), o período de recuperação do Investimento (período de payback) ou outro que seja defensável. Estes métodos serão abordados com mais profundidade, em parte, ainda neste capítulo e os demais no capítulo 8. Investimentos independentes Estes investimentos, no entendimento de Sousa (2007), caracterizam-se pela elevada interdependência recíproca, um complementao outro para que ambos sejam viáveis. As condições de acesso podem ser fatores decisivos para a viabilização de um hotel, um parque de diversão ou mesmo uma fábrica. Estas condições podem ser de natureza ampla, com infraestrutura produzida pelo setor público e colocada à disposição de toda a sociedade: estradas, aeroportos, terminais de carga ou de passageiros. O autor ainda destaca que podem ser identificáveis como parte do empreendimento objeto de estudo. Desta forma, podemos citar alguns investimentos que dependiam de obras públicas para serem viabilizados, como o complexo hoteleiro Costa do Sauípe, que buscou formas de acesso menos penosas aos turistas. Outro exemplo é o Hotel Transamérica da Ilha de Comandatuba, na Bahia, onde foi necessário construir um aeroporto para atender especificamente ao hotel. Isto porque a rodovia de acesso era deficiente e penalizava os turistas com visuais indesejáveis de paisagens devastadas e de núcleos habitacionais precários localizados nas proximidades do destino. Capítulo 7 197Matemática Financeira Esses exemplos são típicos de investimentos complementares, que precisam ser estudados em conjunto com o investimento principal, dado que não se viabilizam individualmente, mas tem um papel decisivo no resultado de todo o empreendimento (SOUSA, 2007). 7.2.1 Taxa mínima de atratividade (TMA) Ao começar um estudo de viabilidade, é recomendável que se defina a taxa a ser utilizada para descontar os fluxos de caixa de um projeto, antes de se passar à descrição destes critérios de análise. Na avaliação de investimentos, é preciso definição prévia de alguns parâmetros mínimos de comparabilidade, como por exemplo, a taxa mínima de atratividade (TMA), período mínimo de atratividade, entre outros. DEFINIÇÃODEFINIÇÃO Segundo Souza e Clemente (2008, p. 74), entende-se por taxa de mínima atratividade a melhor taxa, com reduzido grau de risco, disponível para a aplicação do capital em análise. A decisão de investir terá sempre, pelo menos, duas alternativas para serem apreciadas: investir no projeto ou “investir na taxa de mínima atratividade”. A base para estabelecer uma estimativa da TMA é a taxa de juros praticada no mercado. Quando analisamos uma proposta de investimento, devemos considerar a possibilidade de estar perdendo a oportunidade de alcançar retornos pela aplicação, do mesmo capital, em outros projetos (CASAROTTO FILHO; KOPITTKE, 2000). Sendo assim, a nova proposta deve render, no mínimo, a taxa de juros equivalente à rentabilidade das aplicações correntes e de pouco risco. Para estes autores, esta é a TMA. As taxas de juros que mais impactam a TMA são: taxa básica financeira (TBF); taxa referencial (TR); taxa de juros de longo prazo (TJLP) e a taxa do sistema especial de liquidação e custódia (Selic). Capítulo 7 198 Matemática Financeira Para pessoas físicas, no Brasil, é comum considerar como TMA a rentabilidade da caderneta de poupança. Já para as empresas, a determinação da TMA é mais complexa e depende do prazo ou da importância estratégica das alternativas. O entrelaçamento das diversas taxas de captação e de aplicação existentes no mercado confirma a dificuldade de estabelecer um valor exato para a TMA a ser utilizada na descapitalização do fluxo esperado de benefícios de um projeto de investimento. A razão dessa dificuldade é a oscilação, ao longo do tempo, das taxas que servem de piso e de teto para a TMA (SOUZA; CLEMENTE, 2008, p. 74). Ao abordar os parâmetros de viabilidade, Kassai et al. (2000, p. 58) destacam que “o rendimento das cadernetas de poupança pode, em diversas situações, ser considerado como um parâmetro mínimo sobre o qual deve ser acrescido o risco da alternativa da TMA que pode ser adotado pelas pessoas físicas”. Já para as pessoas jurídicas ou para investimentos de grandes proporções, a determinação da TMA é mais complexa. Nesses casos, enfatizam estes autores, deve-se levar em consideração não apenas taxas de remuneração de capital, como CDBs ou custo médio de captação, mas também uma taxa para remunerar o risco envolvido. A esse respeito, o risco de uma empresa se origina de duas fontes: risco operacional (risco do negócio) e risco financeiro (estrutura de capital) (KASSAI et al., 2000). Outro aspecto de significativa importância é o conhecimento dos fatores que compõem o fluxo de caixa, que abordaremos a seguir. Na análise de investimentos, deve-se buscar o equilíbrio operacional e o equilíbrio financeiro. Um investimento que cubra todos os aspectos operacionais e passe a gerar resultados a partir, por exemplo, de 30% da capacidade instalada terá os outros 70% para gerar lucros operacionais. Seria uma situação mais confortável do que se precisasse comprometer, por exemplo, 80% da capacidade instalada apenas para equilibrar-se operacionalmente e ficasse apenas com 20% para a geração de lucros operacionais (SOUSA, 2007, p. 21). SAIBA QUE Capítulo 7 199Matemática Financeira 7.2.2 Investimentos iniciais Você terá a oportunidade de saber o significado de investimento inicial e suas particularidades, quando abordamos o item fluxo de caixa. Para Souza e Clemente (2008), fluxo de caixa significa todo o aporte de capital necessário para colocar o projeto em funcionamento. Geralmente, é composto pelos investimentos em ativos fixos, despesas pré-operacionais e aporte inicial em capital de giro. Então, fique ligado no item a seguir! 7.2.3 Fluxo de caixa Conceito de fluxo de caixa Na concepção de Hoji (2007), o fluxo de caixa é um esquema que representa os ingressos e desembolsos de caixa ao longo do tempo. Em um fluxo de caixa, deve existir pelo menos uma entrada e uma saída. Sob a mesma perspectiva, Zdanowicz (2004) denomina fluxo de caixa o conjunto de ingressos e desembolsos ao longo de um período projetado. Levando em consideração todas as fontes de recursos e as aplicações em itens do ativo, o fluxo de caixa consiste na representação da situação financeira da empresa. Elaboração do fluxo de caixa A elaboração do fluxo de caixa em determinado período de tempo, pelo investidor, necessita de informações relevantes, tais como os principais ingressos e desembolsos, para que ele possa visualizar possíveis déficits ou sobras. Capítulo 7 200 Matemática Financeira A figura 1, a seguir, mostra a movimentação de ingressos e desembolsos de recursos que possam ocorrer por conta das atividades da empresa, quer de serviços ou de bens. CF0 CF1 CF2 CF3 CF4 CF5 CF1 CF1 nn - 154321 Figura 1 - Diagrama do fl uxo de caixa Fonte: Souza e Clemente (2008). O símbolo CF0 representa o investimento inicial e cada CFj (j= 1,2,3...n- 1, n) significa o ingresso ou saída de caixa no período j. A obtenção desses valores se faz aplicando as informações necessárias para a projeção do fluxo de caixa que se descreve a seguir. Vamos explicar o que significa o investimento inicial. Para Souza e Clemente (2008), significa todo o aporte de capital necessário para colocar o projeto em funcionamento. Geralmente, é composto pelos investimentos em ativos fixos, despesas pré-operacionais e aporte inicial em capital de giro. Os ativos fixos compreendem os terrenos, obras civis, máquinas e equipamentos, veículos, ferramentas, infraestrutura de comunicação, hardware e software, móveis e utensílios, etc. É a infraestrutura básica. As edificações são, em geral, parte significativa das obras civis e abrangem a administração, a fábrica ou setor de produção, os depósitos, cozinha industrial, refeitórios, entre outros. Já as instalações elétricas, hidráulicas e cabeamentos de comunicação não fazem parte das obras civis, por apresentarem vida útil e taxa de depreciação distintas (SOUZA; CLEMENTE, 2008). Capítulo 7 201Matemática Financeira A tabela 1, a seguir, mostra um exemplo de itens que compõem os investimentos iniciais. Tabela 1 - Investimento inicial DESCRIÇÃO VALOR Ativofixo na área industrial 240.000 Ativo fixo na área administrativa 25.000 Ativo fixo na área comercial 30.000 Ativos fixos de uso compartilhado 25.000 Capital de giro 40.000 Despesas pré-operacionais 20.000 Total 380.000 Fonte: Souza e Clemente (2008, p.108). As despesas pré-operacionais compreendem os desembolsos realizados antes de o projeto entrar em funcionamento. Eles representam gastos que seriam lançados como despesas operacionais, caso o projeto já estivesse em funcionamento. Os itens que compõem esta categoria são pesquisa e desenvolvimento, ponto, marcas, direitos e patentes industriais, obras preliminares e complementares (SOUZA; CLEMENTE, 2008). Esses autores destacam que as últimas despesas citadas abrangem todos os melhoramentos e obras integradas aos terrenos, bem como os serviços e instalações provisórias, necessários à construção e ao andamento das obras, como limpeza do terreno, terraplenagem, drenagem, arruamento, pátios, cercas, muros, jardins, portões, guaritas, instalações elétricas e hidráulicas. Capítulo 7 202 Matemática Financeira A tabela 2, a seguir, mostra um exemplo com os itens que podem compor as despesas operacionais. Tabela 2 - Despesas operacionais DESCRIÇÃO VALOR Obras preliminares 11.000 Pesquisa de marketing 6.000 Material de expediente 800 Procedimentos legais e contábeis 700 Registro de marcas e patentes 600 Visitas a fornecedores 500 Outros 400 Total 20.000 Fonte: Souza e Clemente (2008). O capital de giro inicial, destacam Souza e Clemente (2008), é o volume de recursos para a empresa se sustentar até que seu volume de vendas proporcione caixa suficiente para fazer face aos desembolsos decorrentes de sua operação. São necessários recursos para pagamento de fornecedores, inclusive dos serviços (luz, água, gás e outros), para sustentar a folha de pagamentos, as despesas administrativas e comerciais, para pagar os serviços terceirizados e saldar outros compromissos periódicos. Estes autores ainda enfatizam que o capital de giro inicial ainda é influenciado pelos níveis médios de estoques de matérias-primas, de produtos em elaboração e de produtos acabados, como também pelos prazos médios de pagamento de fornecedores e de recebimento de vendas. Outro item que deve ser considerado é a depreciação. Embora não se caracterize como desembolso, a depreciação afeta a renda tributável e, portanto, os desembolsos referentes ao imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido. Então, a depreciação influencia o demonstrativo de resultados do exercício e, por decorrência, o fluxo de caixa (SOUZA; CLEMENTE, 2008). Capítulo 7 203Matemática Financeira O quadro 2, a seguir, mostra uma estrutura genérica do demonstrativo de resultados do exercício, em que aparece também a depreciação. RECEITA R$ Custo do produto vendido R$ Material direto R$ Mão de obra direta R$ Custos indiretos de fabricação R$ Mão de obra indireta R$ Material indireto R$ Depreciação de equipamentos R$ = Lucro bruto R$ - Despesas administrativas R$ - Despesas comerciais R$ - Despesas financeiras R$ = Lucro líquido R$ - Imposto de Renda R$ - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido R$ = Lucro após o I.R. e CSLL R$ Quadro 2 - Demonstrativo de resultado do exercício Fonte: adaptado de Souza e Clemente (2008, p.109). Objetivos do fluxo de caixa Zdanowicz (2004, p. 23) argumenta que o fluxo de caixa tem como objetivo básico a projeção das entradas e saídas de recursos financeiros para determinado período, cujo propósito é prognosticar a necessidade de captar empréstimos ou aplicar excedentes de caixa nas operações mais rentáveis para a empresa. Complementando sua justificativa, Zdanowicz (2004, p. 24) afirma que outros objetivos podem ser considerados na elaboração de um fluxo de caixa, sendo estes os principais: • proporcionar o levantamento de recursos financeiros necessários para a execução do plano geral de operações, bem como na realização das transações econômico-financeiras da empresa; • empregar da melhor forma possível os recursos financeiros disponíveis na empresa, evitando que fiquem ociosos e estudando, antecipadamente, a melhor aplicação, o tempo e a segurança dos mesmos; Capítulo 7 204 Matemática Financeira • planejar e controlar os recursos financeiros da empresa, em termos de ingressos e desembolsos de caixa, por meio das informações constantes nas projeções de vendas, produção e despesas operacionais; • saldar as obrigações da empresa na data de vencimento; • buscar o perfeito equilíbrio entre ingressos e desembolsos de caixa da empresa; • analisar as fontes de crédito que oferecem empréstimos menos onerosos, em caso de necessidade de recursos pela empresa; • evitar desembolsos vultosos pela empresa, em época de baixo encaixe; • desenvolver o controle dos saldos de caixa e dos créditos a receber pela empresa; • permitir a coordenação entre recursos que serão alocados em ativo circulante, vendas, investimentos e débitos. Para a facilidade, ou não, da aplicação dos métodos quantitativos, os fluxos de caixa podem ser convencionais ou não convencionais, acrescentam Kassai et al. (2000). Os fluxos de caixa convencionais são os fluxos cujo padrão convencional consiste numa saída inicial (-Si) de caixa seguida por uma série de entradas (+E), ou seja, com apenas uma inversão de sinal. A figura 2 mostra um exemplo deste tipo de fluxo. Figura 2 - Diagrama de fl uxo de caixa convencional Fonte: Kassai et al. (2000, p. 61). -Si E1 E2 E3 E4 E5 E6 E7 E8 Capítulo 7 205Matemática Financeira Os fluxos de caixa não convencionais são aqueles em que ocorrem saídas alternadas com as entradas, além da saída inicial. Quando isso ocorre, surgem sérias dificuldades para se avaliarem projetos, conforme mostrado na figura 3, no exemplo a seguir. -Si E1 E2 E3 E4 E5 E6 E7 E8 Figura 3 - Diagrama de fl uxo de caixa não convencional Fonte: Kassai et al. (2000, p. 61). Zdanowicz (2004, p. 146) apresenta uma descrição dos principais itens que devem compor o fluxo de caixa: • ingressos: “são as entradas de caixa e bancos em qualquer período, como as vendas à vista que serão lançadas diretamente no fluxo, ou as vendas a prazo que necessitam de mapas auxiliares de recebimento”; • desembolsos: “são todas as operações financeiras decorrentes de pagamentos gerados pelo processo de produção, comercialização e distribuição de produtos pela empresa”. E composto pelas compras à vista e a prazo, os salários, com os encargos sociais de mão-de-obra direta e indireta, despesas indiretas de fabricação e despesas operacionais; • diferença do período: é a comparação dos ingressos com os desembolsos, ou seja, o resultado entre os recebimentos e pagamentos da empresa num determinado período; • saldo inicial de caixa: é o mesmo valor do saldo final do exercício anterior; • disponibilidade acumulada: “é o resultado da diferença do período apurada, mais o saldo inicial de caixa”; Capítulo 7 206 Matemática Financeira • nível desejado de caixa: “é a projeção do disponível para o período seguinte, ou seja, a determinação do capital de giro líquido necessário pela empresa, em função do volume de ingressos e desembolsos futuros”; • empréstimos ou aplicações de recursos financeiros: são empréstimos captados para suprir as necessidades de caixa, a partir do saldo da disponibilidade acumulada; • amortizações ou resgates das aplicações: “amortizações são as devoluções do principal tomado emprestado, enquanto que os resgates das aplicações financeiras constituem-se nos recebimentos do principal”; • saldo final de caixa: é o nível de caixa projetado para o período seguinte, sendo este o saldo inicial do próximo período. Para Kassai et al. (2000), uma vez dimensionado o fluxo de caixa do projeto, com todos os valores econômicos envolvidos, pode-se aplicar as ferramentas disponíveis de análise de investimento,que são apresentados a seguir. 7.2.4 Ingressos (receitas) Os ingressos correspondem às entradas positivas do fluxo de caixa, provenientes das receitas oriundas das operações de venda de bens e serviços bem como de retorno de aplicações financeiras, em forma de juros, em dinheiro. Para Gitman (2004), entradas de caixa são ingressos de caixa incrementais, após os impostos, originadas do projeto por toda sua vida. 7.2.5 Desembolsos (custos) Os desembolsos, também considerados como saídas de caixa, dizem respeito aos pagamentos efetuados em decorrência de compras e amortização de dívidas provenientes de empréstimos. Zdanowicz (2000) complementa que, em sua elaboração, devem ser discriminados todos os valores a serem recebidos e pagos pela organização. Quanto mais específica for a descrição dos itens, melhor será o controle sobre as entradas e saídas de caixa, verificando assim suas defasagens. Capítulo 7 207Matemática Financeira 7.2.6 Valor residual Algumas vezes, pode ser necessário depreciar alguns bens para um valor residual ou valor de sucata. Portanto, é possível estimar o valor residual final para imóveis ou mesmo equipamentos e máquinas. Valor residual consiste no fluxo de caixa não-operacional; após o imposto de renda, são ocorridas no final do projeto, decorrentes de sua liquidação (ZDANOWICZ, 2000). Etapas de uma análise de investimentos Para o estudo, implantação e acompanhamento de projetos de viabilidade, Chiavenato (2000) descreve as etapas que devem ser percorridas até a decisão final. O processo de escolha, segundo este autor, percorre as fases descritas a seguir: • percepção da situação: descreve as características do problema; • análise e definição do problema: especificação detalhada das características do problema ou do objetivo, incluindo as restrições, definição dos critérios e sua ponderação para posterior análise das alternativas; • definição dos objetivos: devem ser classificados em obrigatórios e desejáveis e, se possível, ponderados; • procura de alternativas de solução ou de curso de ação: identificação de alternativas que atendam as especificações e restrições; • escolha (seleção) da alternativa mais adequada ao alcance dos objetivos: confronto dos resultados quantitativos e qualitativos por meio de critérios estipulados na fase de análise do problema, analisando-se igualmente o grau de adequação às restrições e após a análise, elege-se a melhor solução; • implantação da alternativa escolhida. Capítulo 7 208 Matemática Financeira Após a realização das etapas, a empresa se encarrega das duas últimas fases do processo implantando os projetos segundo os planos recomendados, acompanhando e ajustando os resultados. Em situações reais, a sequência das etapas envolvidas em quase todos os problemas de análise de viabilidade e análises econômicas, em geral, são as mesmas, contudo, muitas etapas permitem uma superposição em suas execuções. Métodos de análise de investimentos Na sequência, iremos descrever os principais métodos utilizados quando se deseja verificar a viabilidade de um investimento, seguindo os conceitos de alguns autores, que são largamente utilizados pelas empresas e outras entidades institucionais para avaliarem seus investimentos. O quadro 3, a seguir, mostra a descrição de cada um deles. MÉTODOS DE ANÁLISE DE VIABILIDADE DESCRIÇÃO Valor presente líquido (VPL) É um dos métodos mais conhecidos e descrito como o que procura concentrar na data zero, isto é na data atual, o valor presente de todos os fluxos de caixa do investimento, descontados a uma taxa previamente estabelecida, Valor presente anualizado – valor anual uniforme equivalente – (VAUE) Consiste determinar a serei uniforme anual (A) equivalente a todos os custos e receitas para cada projeto utilizando a taxa requerida (TMA). Índice benefício/custo (IBC) Também chamado de índice de lucratividade, mostra o retorno que a empresa obtém para cada R$1,00 investido em um determinado projeto. O índice de lucratividade faz uma comparação entre o valor presente das entradas de caixa futuras com o investimento inicial numa base relativa. Taxa interna de retorno (TIR) Este indicador requer o cálculo da taxa que zera o valor presente dos fluxos de caixa doas alternativas. A TIR é a taxa de remuneração que se obtém sobre determinado fluxo de caixa. Taxa interna de retorno modificada Refere-se à modificação no cálculo da TIR, utilizando-se taxas diferentes na análise do fluxo. Capítulo 7 209Matemática Financeira MÉTODOS DE ANÁLISE DE VIABILIDADE DESCRIÇÃO Ponto de Fisher O ponto de Fisher representa a taxa de remuneração exata que torna duas alternativas de investimentos indiferentes, por proporcionar o mesmo ganho, ou seja, um VPL igual. Taxa média de retorno (TMeR) É uma taxa que utiliza os lucros gerados, e não os fluxos de caixa. Permite aproximar a avaliação do retorno dos investimentos já feitos pela empresa em seus orçamentos operacionais. Resulta da divisão do lucro líquido médio pelo investimento médio. Payback simples Este indicador se obtém utilizando as entradas de caixa nas datas em que se espera que ocorram, sem a aplicação de nenhuma taxa de desconto. Payback descontado Período do payback é o tempo necessário para a empresa recuperar o investimento inicial em um projeto calculado, a partir de seus fluxos de caixa de entrada, considerando uma taxa de desconto. Ponto de equilíbrio É o ponto em que não há lucro nem prejuízo. A receita proveniente das vendas equivale à soma dos custos fixos e variáveis. Pode-se calcular o ponto de equilíbrio em unidades e em valores monetários. Quadro 3 - Métodos de análise de investimentos Fonte: Lapponi (2000); Sousa (2007); Casarotto; Kopittke (2000). Alguns destes métodos serão abordados neste capítulo e no próximo, ocasião em que aprenderemos a aplicá-los por meio de casos práticos e exemplos, tornando mais compreensivos os conteúdos desenvolvidos. Destaca-se que serão estudados os métodos mais utilizados pelos administradores e consultores. Capítulo 7 210 Matemática Financeira 7.2.7 Cálculo do valor presente líquido (VPL) O valor presente líquido (VPL) ocorre quando são somados os valores do fluxo de caixa, ou seja, as entradas e saídas na data inicial (HOJI, 2007). Dornelas (2008, p. 160) apresenta a fórmula para o cálculo do Valor Presente Líquido na figura 4: VLP F K F K F K Fn K INV n = +( ) + +( ) + +( ) + + +( ) ⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ − 1 1 2 1 3 1 11 2 3 … Figura 4 - Fórmula para o cálculo do VPL Fonte: Dornelas (2008, p. 160). Onde: VPL = valor presente líquido Fn = fluxo de caixa após imposto no ano n n = vida do projeto em anos K = taxa de desconto (taxa de retorno exigido para o projeto). INV = investimento inicial Na figura anterior, vemos que a soma de vários períodos de fluxo de caixa resulta no VPL, após o imposto no ano, dividido pela taxa de desconto exigida mais um, sendo que o investimento inicial é subtraído após o último período. Para Souza e Clemente (2008), o método do valor presente líquido (VPL) é a técnica robusta de análise de investimento mais conhecida e mais utilizada. O valor presente líquido, como o próprio nome indica, nada mais é do que a concentração de todos os valores esperados de um fluxo de caixa na data zero. Para tal, utiliza-se como taxa de desconto a taxa mínima de atratividade (TMA), estipulada pelos investidores ou proprietário que desejam conhecer a viabilidade do investimento. Capítulo 7 211Matemática Financeira Segundo estes mesmos autores, o VPL é a operacionalização mais simples do conceito de atratividade de um projeto. A figura 5, a seguir, mostra o cálculo do VPL de um fluxo de caixa. VPL 380 30 1,12 50 1,12 70 1,12 90 1,12 110 1,121 2 31 4 = − + ( ) + ( ) + ( ) + ( ) + ( )) + ( ) + ( ) + ( ) + ( )5 6 7 8 9 130 1,12 130 1,12 130 1,12 130 1,12 Figura 5 - Cálculodo VPL Fonte: Souza e Clemente (2008, p.74). O resultado do cálculo do VPL apresentado na figura 7 é R$ 80,14. O cálculo do VPL pode ser realizado de forma mais rápida com o auxílio da calculadora financeira. Veja como é fácil. Digite f fin 380 CHS g CF0 30 g CFj 50 g CFj 70 g CFj 90 g CFj 110 g CFj 130 g CFj 4 g Nj 12 i FNPV O visor vai mostrar o mesmo valor calculado pela fórmula, ou seja, R$ 80,14. Você também poderá realizar o cálculo utilizando os comandos do aplicativo Excel. E, para isto, basta ativar a função fx financeira (VPL) e preencher os argumentos da função, mas antes digite os dados em uma planilha para depois acionar os comandos descritos. Experimente esta nova modalidade de cálculo. Tenho certeza de que você irá gostar de utilizar esta nova forma! Capítulo 7 212 Matemática Financeira O Sr. José quer se aposentar nos próximos anos e: • pretende comprar um táxi = R$ 25.000,00; • pretende colocar uma placa comercial = R$ 10.000,00; • pretende contratar um motorista para trabalhar nos próximos 5 anos = R$ 6.000,00 por ano; • estimam-se as despesas = R$ 6.000,00 para o 1º ano e acréscimo de R$ 1.000,00 nos próximos anos; • estima-se que o faturamento anual será de R$ 24.000,00. Ao final, o Sr. José pretende vender a placa pelo mesmo valor de aquisição e o veículo por um valor residual de 40% do valor inicial. O negócio que o Sr. José pretende fazer é economicamente viável, considerando uma taxa mínima de atratividade de 15% ao ano? DESAFIO 7.2.8 Operacionalização da calculadora fi nanceira A calculadora financeira é uma ferramenta de apoio para a solução dos problemas sobre séries. Já para os cálculos dos elementos das séries infinitas não é possível, pois não existem comandos que levem ao resultado. No caso das séries gradientes utilizamos as teclas azuis e o fluxo de caixa na calculadora. Estas questões você teve a oportunidade de aprender e testar durante o desenvolvimento do conteúdo. E já vimos que para o uso adequado da calculadora financeira, é preciso que você conheça os detalhes de suas funções. Ao treinar o uso com atenção, ela pode lhe auxiliar em muitas tarefas. Capítulo 7 213Matemática Financeira 7.3 Aplicando a teoria na prática A Skinred S.A. precisa trocar uma de suas prensas. A Maquibrasa lhe oferece dois modelos: • modelo M1: com vida útil de três anos, custa R$ 115.000,00 e proporciona um lucro líquido mensal de R$ 9.000,00, sem valor residual; • modelo M2: custa R$ 128.000,00, com vida útil de quatro anos e proporciona lucro líquido mensal de R$ 11.000,00. Não apresenta valor residual. Utilizando o método do Valor Presente Líquido, analise qual das propostas é mais atrativa. A taxa mínima de atratividade é de 2,35% a.m. E então, resolveu a questão? Afinal, qual a proposta mais atrativa? Vamos aos dados do modelo M1: Investimento Inicial = 115.000 Lucro líquido mensal (modelo 1) = R$ 9.000,00 TMA = 2,35% a.m. n1 = 3 anos = 36 meses Cálculo do VPL do modelo 1 VPL M VPL M ( ) . . , , ( ) 1 115 000 9 000 1 1 0 0235 0 0235 1 36 = − + − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ − == − + = 115 000 217 015 39 1 102 015 39 . . , ( ) . ,VPL M VPL(M1) = 102 015,39 Capítulo 7 214 Matemática Financeira Solução pela calculadora financeira Modelo 1 115.000 CHS gCF0 9.000 g CFJ 36 g Nj 2,35 i f NPV VPL (M1) = 102 015,39 Cálculo do VPL do modelo 2: Identificação dos dados Modelo M2 Investimento inicial = 128.000 Lucro líquido mensal (modelo 1) = R$ 11.000,00 TMA = 2,35% a.m. n2 = 4 anos = 48 meses VPL(M2) 128.000 11.000 1 1 0,0235 0,0235 VPL(M2 48 = − + − +( )⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ − )) 128.000 314.585,18 VPL(M2) 128.000 314.585,18 = − + = − + = 186 585 1, 88 VPL (M2) = -128 000 + 314 585,18 = 186 585,18 Solução pela calculadora financeira Modelo 2 128.000CHS gCF0 11.000 g CFj 48 g Nj 2,35 i f NPV VPL(M1) = 186 585,18 A proposta mais atrativa, então, é a do modelo 2, pois apresenta maior valor presente líquido (VPL). Capítulo 7 215Matemática Financeira 7.4 Para saber mais Você observou que incluímos novas referências em nosso estudo. Isto se fez necessário, pois a análise de investimentos está alicerçada em bases mais complexas e requer uma fundamentação mais consistente. Além dos autores já trabalhados neste capítulo, recomendo consultar as seguintes referências: Título: Análise de investimentos: matemática fi nanceira; engenharia econômica; tomada de decisão. Estratégia empresarial Autores: CASAROTTO FILHO, N.; KOPITTKE, B. H. Editora: Atlas Ano: 2000 Este livro já foi referenciado no texto, mas recomendo que você o leia, pois mostra muitas particularidades e outros métodos não convencionais de se analisar um investimento. Entre estes métodos, os autores trabalham os modelos probabilísticos, análise sob condições de risco ou incerteza, uso da árvore de decisão e de programação linear. Os autores ainda oportunizam um apoio computacional na análise de investimento, sendo mais uma metodologia que você pode se utilizar. Site: Sebrae URL: http://www.sebraesp.com.br Neste endereço, os consultores ensinam detalhadamente como você deve proceder para identificar os vários itens que compõem um plano de negócio. As várias áreas de uma empresa são descritas detalhadamente, incluindo projeção dos investimentos iniciais, projeção de receitas e despesas, além do demonstrativo de resultado e as técnicas de análise de investimento. Título: Projetos de investimento: construção e avaliação do fl uxo de caixa Autor: LAPPONI, J. C. Editora: Lapponi Ano: 2000 Este livro apresenta detalhadamente as técnicas de análise de investimentos e as várias particularidades envolvidas na tarefa de se implantar uma nova organização. A obra dá ênfase na área financeira, e você pode então aprender detalhes sobre o levantamento e cálculos envolvidos em uma análise de investimentos. Capítulo 7 216 Matemática Financeira 7.5 Relembrando Neste capítulo, você estudou alguns conceitos que embasam a análise de investimentos. Vimos: • TMA: taxa mínima de atratividade, que é a melhor taxa, com reduzido grau de risco, disponível para a aplicação do capital em análise; • os objetivos da análise de investimentos, que devem estar em consonância com os objetivos da organização, se já estiver em atividade, como também para uma nova que será instalada; • as etapas que compõem a análise de um investimento, como: a percepção da situação, análise e definição do problema, definição dos objetivos, a procura de alternativas de solução, a avaliação e comparação dessas alternativas, a escolha da alternativa mais adequada e a implementação da alternativa escolhida; • a projeção do fluxo de caixa, que mostra em valores os resultados obtidos com a implantação do investimento. Sobre estes valores, serão aplicadas as técnicas de análise que apontarão se o investimento é atrativo ou não; • as técnicas de análise de investimentos mais recorrentemente utilizadas, como: o valor presente líquido (VPL), que traz para a data de hoje a projeção futura das receitas e de custos decorrentes do novo investimento; taxa interna de retorno (TIR), que é a taxa que remunera o investimento. É uma taxa que, se comparada com a TMA, deve ser sempre superior, caso contrário, o investimento não é atrativo; e o prazo de retorno do investimento (Payback) que indica em quanto tempo o investimento será recuperado. Estes últimos serão estudados no próximo capítulo. • que o valor presente líquido é um método intensivamente utilizado em análise de investimentos. Esta taxa permite visualizar antecipadamente se o investimento trará resultados positivos, mostrando se é atrativo ou não. Este cálculo requer a indicação de uma taxa de desconto e, nesse caso, utiliza-se a TMA. Bem! Chegamos ao final de mais um capítulo. Você entendeu bem todos os pontos abordados? Cumpriu todas as atividades? Se realizou as ações Capítulo 7 217Matemática Financeirapropostas, está uma vez mais de parabéns e apto a ir para o oitavo e último capítulo da disciplina. 7.6 Testando os seus conhecimentos 1) A gerência de uma fábrica está considerando a possibilidade de instalar uma nova máquina. A proposta de investimento envolve um gasto inicial de R$ 10.000,00, objetivando uma redução de custo na ordem de R$ 2.000,00 por ano, durante os próximos dez anos. Sendo a taxa mínima de atratividade para a empresa igual a 10%a.a., deseja-se saber se é atrativo o investimento. 2) Um investidor dispõe de um capital de R$ 500.000,00 e pode aplicá-lo num empreendimento que lhe renderá R$ 190.000,00 em cada um dos próximos cinco anos. Uma outra alternativa para o investidor é aplicar os mesmos R$ 500.000,00 e receber R$ 880.000,00 após três anos. Sabendo que o investidor consegue aplicar seu dinheiro a 15% a.a., qual a melhor alternativa? 3) Numa análise realizada em determinada empresa, foram detectados custos operacionais excessivamente elevados numa linha de produção, em decorrência da utilização de equipamentos velhos e obsoletos. Os engenheiros responsáveis pelo problema propuseram à gerência duas soluções alternativas. Primeira, consistindo numa reforma geral da linha, exigindo investimentos estimados em R$ 10.000,00, cujo resultado será uma redução anual de custos igual a R$ 2.000,00 durante 10 anos, após os quais os equipamentos seriam sucateados sem nenhum valor residual. A segunda proposição foi a aquisição de uma nova linha de produção no valor de R$ 35.000,00 para substituir os equipamentos existentes que seriam sucateados e cujo valor líquido de revenda é estimado em R$ 5.000,00. Esta alternativa deverá proporcionar ganhos de R$ 4.700,00 por ano, apresentando ainda um valor residual de R$ 10.705,00 após dez anos. A TMA é de 8% a.a. 4) Um fabricante estuda a possibilidade de lançamento de um novo produto. Pesquisas de mercado indicam a possibilidade de demanda anual de 30.000 unidades a um preço de 10 UM por unidade. Alguns equipamentos existentes seriam utilizados, sem interferir na produção Capítulo 7 218 Matemática Financeira atual, com um custo adicional de 4.000 UM por ano. Novos equipamentos no valor de 300.000 UM seriam necessários, sendo a sua vida econômica de 5 anos. O valor da revenda aos 5 anos seria de 20.000 UM e o custo de manutenção estimado é de 10.000 UM por ano. A mão de obra direta e o custo da matéria-prima seriam, respectivamente, de 4 UM e 3UM por unidade, não havendo alteração de despesas de administração, vendas, etc. Impostos municipais montarão a 3% do investimento inicial, anualmente. Onde encontrar CASAROTTO FILHO, N.; KOPPTTKE, B. H. Análise de investimentos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 1993. CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 6. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2000. CLEMENTE, A. Projetos empresariais e públicos. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002. DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. Rio de Janeiro: Campus, 2001. HAZZAN, S.; POMPEO, J. N. Matemática financeira. 6 ed. São Paulo: Saraiva, 2007. GITMAN, L. Princípios de administração financeira. 7. ed. São Paulo: Harbra, 2002. HOJI, M. Administração financeira: uma abordagem prática: matemática financeira aplicada, estratégias financeiras, análise, planejamento e controle financeiro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2007. KASSAI, J. R. et al. Retorno de investimento: abordagem matemática e contábil do lucro empresarial. São Paulo: Atlas, 2000. KUHNEN, O. L.; BAUER, U. R. Matemática financeira e aplicada e análise de investimentos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2001. LAPPONI, J. C. Avaliação de projetos de investimento. São Paulo: Lapponi Treinamentos e Editora, 2000. Capítulo 7 219Matemática Financeira SOUSA, A. F. Avaliação de investimentos: uma abordagem prática. São Paulo: Saraiva, 2007. SOUZA, A.; CLEMENTE, A. Decisões financeiras e análise de investimentos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2007. ZDANOWICZ, J. E. Fluxo de caixa: uma decisão de planejamento e controle financeiro. 10. ed. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 2004. Capítulo 7 220 Matemática Financeira Capítulo 8 221Matemática Financeira NOÇÕES DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS II CAPÍTULO 88 8.1 Contextualizando Depois de conhecer e aprender sobre os aspectos que permeiam a análise de investimentos, neste capítulo você terá oportunidade de aprofundar o conhecimento sobre outros métodos mais utilizados para identificar se determinado investimento é viável para a empresa. Nesse sentido, o conhecimento que você vai adquirir fornece a qualquer instituição governamental as informações necessárias para conhecer o desempenho financeiro antes mesmo de implementá-lo. Ao aplicar corretamente os métodos de análise, existe uma significativa possibilidade de se obter êxito. De um modo geral, chamamos de investimentos toda aplicação de dinheiro visando ganhos. A aplicação pode ser no mercado financeiro, como caderneta de poupança, fundos de investimentos e ações, como também em unidades produtivas de empresas em geral. Para auxiliar a tomada de decisão, foram desenvolvidos métodos de comparação entre alternativas envolvendo desembolsos financeiros. Esses métodos, como você já estudou sobre o valor presente líquido, consideram o custo de posse de dinheiro e procuram identificar qual a melhor maneira de empregá-lo. Os métodos não conseguem eliminar por completo os riscos dos fatores imponderáveis. Entre estes riscos, temos as eventuais ações governamentais, que podem, durante o tempo de desenvolvimento do projeto, mudar a conjuntura econômica, influenciando os resultados que já tinham sido Capítulo 8 222 Matemática Financeira estimados previamente. No entanto, estes métodos permitem perceber quais resultados podem ser esperados para cada uma das opções de que se dispõe e selecionar a que traz resultados mais atrativos. Neste capítulo, serão abordados os métodos mais utilizados pelos avaliadores e consultores de investimentos. Ao final deste capítulo, você estará apto a identificar alguns métodos de avaliação de investimentos e mostrar o desenvolvimento dos cálculos em situações simuladas da taxa interna de retorno, isto é o cálculo da taxa que remunera o fluxo de caixa esperado para o projeto em estudo. Inicialmente, vamos relembrar e reforçar o que estudamos no capítulo 7 com relação ao método do Valor Presente Líquido – VPL. Depois, estudaremos os demais métodos, bem como a análise de cenários, finalizando com o estudo da análise de sensibilidade. 8.2 Conhecendo a teoria 8.2.1 Valor presente Este método consiste em determinar o valor atual (valor presente) de todos os valores que compõem o fluxo de caixa das alternativas disponíveis e, a partir destes valores, empregando a taxa mínima de atratividade (TMA), selecionar a mais atrativa. Consiste, então, na comparação de todas as entradas e saídas de dinheiro de um fluxo de caixa na data atual (data zero). Alguns critérios são considerados no momento de decisão, quando se adota o método do VPL. Se a soma de todos os retornos do projeto na data zero for maior que o investimento I, então o VPL do projeto de investimento será positivo. O critério do método do VPL estabelece que sempre que o valor presente dos retornos for maior que o valor presente do investimento, calculando com a taxa mínima de atratividade, o projeto deverá ser aceito (LAPPONI, 2000, p. 91). Capítulo 8 223Matemática Financeira Se VPL > 0, então haverá um ganho adicional ou lucro extra gerado pelo projeto (expresso em valores de hoje), e pode-se afirmar que o investimento será atrativo e o mesmo deverá ser aceito. Se o VPL < 0, então terá uma perda (expressa em valores de hoje), o investimento não será atrativo e o projeto não deve ser aceito. Se o VPL = 0, seria indiferente aceitar ou não o projeto. Entretanto, Lapponi (2000) ressalta que é preferível incluir essapossibilidade como parte da decisão de rejeitar o projeto. Então, em síntese, como na análise de investimentos trabalhamos com estimativas futuras, podemos dizer que se o VPL > 0, o investimento será: • recuperado; • remunerado, com a taxa mínima de atratividade – TMA; • o projeto gerará um lucro extra na data zero igual ao VPL. Você deve se lembrar da expressão do VPL estudada no capítulo 7, mostrada a seguir: VPL FC (1 K) It t t 1 n = + − = ∑ (1) Esta expressão mostra que o VPL de um projeto de investimento convencional é o resultado da soma do investimento e os valores presentes dos retornos calculados com a taxa mínima de atratividade. Vou destacar, a partir de agora, alguns exemplos para facilitar seu entendimento sobre este método de análise de investimento. Exemplo 1 – A gerência de novos investimentos da empresa está realizando a análise preliminar do lançamento de um novo tipo de cotonetes. Depois de consultar os setores da empresa envolvidos no projeto, o analista conseguiu estabelecer as seguintes estimativas: Capítulo 8 224 Matemática Financeira • prazo de análise do investimento fixada em cinco anos; • valor total do investimento R$ 400.000,00, ocorrendo na data zero; • retornos anuais depois dos impostos iguais a R$100.000,00; • taxa mínima de atratividade igual a 10% ao ano. Verifique se o projeto deve ser aceito, aplicando o método do VPL. Vamos buscar a solução? Com os dados, construímos o fluxo de caixa do projeto, registrados na tabela a seguir. Tabela 1 - Fluxo de caixa do projeto ANOS CAPITAIS 0 (R$ 4000.000) 1 R$ 100.000,00 2 R$ 100.000,00 3 R$ 100.000,00 4 R$ 100.000,00 5 R$ 100.000,00 Fonte: Lapponi (2000, p. 94). Substituindo os dados do exemplo no modelo matemático do VPL (observe que só estamos considerando o saldo positivo dos retornos), obtemos: VPL FC (1 K) I VPL 100.000 1 0,10 400.000 V t t t 1 n 5 t 1 5 = + − = +( ) − = = ∑ ∑ PPL 379.078,68 400.000 VPL (20.921,32) negativo = − = Este resultado você também pode obter utilizando a calculadora financeira. Veja como se faz. f fin 400.000 CHS g CF0 100.000 g CFj 5 g Nj Capítulo 8 225Matemática Financeira 10 i F NPV O visor mostrará o valor de (R$ 20.921,32). Os parênteses identificam o valor como negativo. Como o VPL é negativo, a gerência de novos investimentos da empresa recomendará que o projeto de investimento não seja aceito (LAPPONI, 2000, p. 94). Vamos utilizar o exemplo 1 e tentar melhorar o resultado. O gerente de novos projetos sugeriu incluir o valor residual do equipamento na data terminal do projeto, de valor estimado igual a R$ 90.000,00. Verifique se o projeto deve ser aceito. Solução: o novo fluxo de caixa está registrado na tabela 2 a seguir. Tabela 2 - Fluxo de caixa com valor residual ANOS CAPITAIS 0 (R$ 4000.000) 1 R$ 100.000,00 2 R$ 100.000,00 3 R$ 100.000,00 4 R$ 100.000,00 5 R$ 100.000,00 5 R$ 90.000,00 Fonte: Lapponi (2000, p. 94). O valor residual de R$ 90.000,00 foi registrado em uma nova linha da tabela, mantendo a mesma data cinco, para mostrar a existência do valor residual. O valor residual pode ser incorporado ao retorno do quinto ano, formando uma única parcela de R$ 190.000,00. Substituindo os dados do exemplo no modelo matemático do VPL, mantendo o valor residual separado, fica da seguinte forma: Capítulo 8 226 Matemática Financeira VPL 100.000 1 010 190.000 1 0,10 400.000 VPL 316.9 4 t 1 4 5= +( ) + +( ) − = = ∑ 886,54 117.975,05 400.000 VPL 424.961,59 400.000 VPL 34.961, + − = − = 660 Incorporando o valor residual no retorno do quinto ano, obteremos o mesmo VPL mudando apenas o procedimento de cálculo, como é desenvolvido a seguir. VPL 100.000 1 010 190.000 1 0,10 400.000 VPL 316.9 4 t 1 4 5= +( ) + +( ) − = = ∑ 886,54 117.975,05 400.000 VPL 424.961,59 400.000 VPL 34.961, + − = − = 660 Este cálculo pode ser desenvolvido também pela calculadora financeira. Siga os passos: f fin 400.000 CHS g CF0 100.000 g CFj 4 g Nj 190.000 g CFj (temos que incorporar R$ 90.000,00 para que fique na data cinco). 10 i f NPV O visor mostrará o mesmo valor obtido com a aplicação da fórmula, confirmando o resultado, isto é, R$ 34.961,60. Deve-se analisar de forma crítica a relevância das informações, se estão ou não completas, se são ou não consistentes, ajustá-las e, finalmente, condensar tudo em uma previsão. Não devemos tomar como base os resultados contábeis, pois estes consideram as responsabilidades assumidas e não quando ocorrem. Devem ser contempladas as entradas e saídas efetivas de caixa (FONSECA; BRUNI, 2010). SAIBA QUE Capítulo 8 227Matemática Financeira Exemplo 2 – As pesquisas de mercado antecipam que o lançamento de um sabonete líquido terá sucesso, pois atenderá a expectativa de novidades no mercado de cosméticos. As estimativas de mercado, de produção e de engenharia definiram o fluxo de caixa do projeto de investimento, depois dos impostos, registrado na tabela 3, a seguir. O retorno do sétimo ano é de R$ 750.000,00. No entanto, o valor registrado na tabela 4 é de R$ 1.000.000,00, pois inclui o valor residual do investimento estimado em R$ 250.000,00. Verifique se este projeto de investimento deve ser aceito aplicando o método VPL, considerando a taxa mínima de atratividade de 10%. Tabela 3 - Fluxo de caixa ANOS CAPITAIS 0 (R$ 2.500.000,00) 1 R$ 350.000,00 2 R$ 450.000,00 3 R$ 500.000,00 4 R$ 750.000,00 5 R$ 750.000,00 6 R$ 800.000,00 7 R$ 1.000.000,00 Fonte: Lapponi (2000, p. 95). Vamos calcular a solução? Substituindo os dados no modelo matemático do VPL, temos: VPL 350.000 1 0,10 450.000 1 0,10 2 500.000 1 0,10 750 1 3 ..000 1 0,10 750.000 1 0,10 800.000 1 0,10 1.000.000 4 5 6 11 0,10 2.500.000 VPL 318.181,82 371.900,83 375.657,40 5 7 112.260,09 465.690,99 451.579,14 513.158,12 2.500.000 VPL 3 ..008.428,39 2.500.000 VPL 508.428,39 O projeto de investimento deve ser aceito, pois VPL > 0. Concluindo, podemos afirmar que o capital investido de R$ 2.500.000,00 será recuperado, remunerado à taxa de juros de 10% ao ano, e o projeto aponta um lucro extra de R$ 508.428,39, na data zero. Este resultado pode ser obtido por meio da aplicação da calculadora financeira. Veja como é feito: Capítulo 8 228 Matemática Financeira f fin 2.500.000 g CF0 350.000 g CFj 450.000 g CFj 500.000 g CFj 750.000 g CFj 750.000 g CFj 800.000 g CFj 1.000.000 g CFj 10 i f NPV O visor irá mostrar o valor de R$ 508.428,39, o que confirma o resultado obtido pelo cálculo por meio da fórmula. A técnica de análise pelo critério do VPL permite aos administradores ou proprietários de uma empresa identificar o custo ou benefício exato da decisão de investir ou obter financiamento. De acordo com Bruni e Famá (2001, p. 32), as principais vantagens do VPL são: • identifica se há aumento ou não do valor da empresa; • analisa todos os fluxos de caixa do projeto; • permite a adição de todos os fluxos de caixa na data zero; • considera o custo de capital; • embute o risco no custo de capital. A principal dificuldade da utilização deste método consiste na definição da taxa de atratividade do mercado - custo de oportunidade do capital -, principalmente quando o fluxo é muito longo. 8.2.2 Taxa interna de retorno de um investimento O método consiste em determinar, para cada investimento que se pretenda realizar, a taxa de juros que remunera o fluxo de caixa esperado para o investimento. Na concepção de Gitman (2001, p. 330), “a TIR é definida como a taxa de Capítulo 8 229Matemática Financeira desconto que iguala o valor presente das entradas de caixa ao investimento inicial de um projeto”. Para a tomada de decisão entre aceitar ou rejeitar, Gitman (2001, p. 303) apresenta os seguintes critérios: • se a TIR é maior do que o custo de capital, aceitaro projeto; • se a TIR é menor do que o custo de capital, rejeitar o projeto. “Esses critérios garantem que a empresa consiga pelo menos seu retorno exigido. Tal resultado deve aumentar o valor de mercado da empresa e, por conseguinte, a riqueza de seus proprietários.” (GITMAN, 2001, p. 303) Souza e Clemente (2008) conceituam a TIR como a taxa que torna o valor presente líquido (VPL) de um fluxo de caixa igual a zero. Assim, para um fluxo de caixa genérico, tal como apresentado na figura 1, a seguir. CF0 CF1 CF2 1 CF3 CFN - 1 CFN 2 n - 13 n Fluxo esperado de benefícios Tempo Figura 1 - Diagrama do fl uxo de caixa Fonte: Souza e Clemente (2008). A taxa interna de retorno é conhecida, também, como taxa de desconto de fluxo de caixa. É uma taxa de juros implícita entre pagamentos e recebimentos, que tem como função descontar um valor futuro ou aplicar o fator de juros sobre um valor presente, onde a soma das saídas deve ser igual à soma das entradas, para se anularem (HOJI, 2000). Cabe destacar que o investimento é atrativo quando a taxa de retorno é maior que a taxa mínima de atratividade (TMA). Capítulo 8 230 Matemática Financeira Exemplo 3 – Calcule a TIR mensal de um projeto cujo investimento é R$100.000,00 a ser liquidado em três pagamentos mensais de R$ 30.000,00, R$ 50.000,00 e R$40.000,00. Elabore o fluxo de caixa, tomando-se como referência o doador de recursos. = − + +( ) + +( ) + +( ) Vamos determinar a taxa i que anula o VPL. O único procedimento possível de ser aplicado utilizando a definição de TIR, que procura a taxa de juros que anula o VPL do fluxo de caixa, é um método numérico de tentativa e erro ou método de aproximações sucessivas. O método consiste em atribuir valores de TIR até conseguir que o VPL seja igual a zero. É um trabalho relativamente demorado quando realizado de forma manual, aplicando diretamente a fórmula do VPL. Entretanto, com as calculadoras financeiras ou os recursos do Excel, é possível reduzir o trabalho de cálculo (LAPPONI, 2000, p. 161). SAIBA QUE O cálculo manual da TIR consiste em calcular VPL’s para diversas taxas de juros, até conseguir a mudança no sinal do VPL que permita uma interpolação linear. Assim, a solução desse problema é feita como segue: • construa uma tabela, e veja o exemplo a seguir, em que mostra os resultados do VPL quando a taxa i varia, por exemplo, de 0% a 12% em intervalos de 3%; Capítulo 8 231Matemática Financeira TAXAS VPL 0% 20.000,00 3% 12.861,68 6% 6.386,48 9% 494,27 12% (4.883,38) • a TIR procurada está no intervalo de 9% a 12%; • fazendo a interpolação linear, você encontra a TIR, assim: 9% VPL = 494,27 i VPL = 0 12% VPL = - 4.883,38 i 12% 9% 0 494,27 4.883,38 494,27 i 3% 494,27 5.377,65 5.377, − = − − − = − − 665i 1.482,81 i 1.482,81 5.377,65 = = TIR = 9% + 0,27 = 9,27% ao mês Portanto, a taxa interna de retorno deste investimento é 9,27% a.m. Quanto mais próximas estiverem as taxas do intervalo, mais preciso será o resultado. Exemplo 4 – Caetano dispõe de R$ 105.000,00; ele se encanta com um empreendimento que promete R$ 9.000,00 nos dois primeiros anos, R$ 12.000,00 nos três anos seguintes e, no demais anos, R$ 15.000,00 até atingir nove anos. Ofereceram outra proposta, sendo um título nominal igual a R$ 153.000,00, com vencimento em nove anos. A taxa mínima de atratividade que está sendo considerada é de 1,0% a.a. Pergunta-se: qual das propostas é mais economicamente atrativa? Utilize o método da taxa interna de retorno para a análise. Para calcular a TIR, procederemos da mesma forma que no exemplo anterior. Neste exemplo, temos que comparar as duas propostas e, além disso, verificar se são maiores ou menores que a taxa mínima de atratividade (TMA). Capítulo 8 232 Matemática Financeira Vamos analisar a primeira proposta? Siga os passos: • construa uma tabela para cada proposta, em que mostre os resultados do VPL quando a taxa i varia, por exemplo, de 0% em intervalos de 0,5%; TAXAS VPL 0% 9.000,00 0,5% 5.953,06 1,0% 3.018,78 1,5% 192,17 2,0% (2.531,51) • a TIR procurada está no intervalo de 1,5 e 2%; • fazendo a interpolação linear, você encontra a TIR, assim: 1,5% VPL = 192,17 i VPL = 0 2% VPL = - 2.531,51 i 2% 1,5% 0 192,17 2.531,51 192,17 i 0,5% 192,17 2.723,68 2.7 − = − − − = − − 223,68i 96,085 i 96,085 2.723,68 0,035 = = = TIR = 3% + 0,55 = 3,55% a.a. Para calcular a taxa interna de retorno pela calculadora financeira, você usa a função IRR (Internal Rate Return). Logo, a solução deste exemplo é feita como segue: f fin 105 000CHS g CF0 9 000 g CFj 2 g Nj 12 000 g CFj 3 g Nj Capítulo 8 233Matemática Financeira 15 000 g CFj 4 g Nj f IRR, aparece no visor 1,53% O visor da calculadora mostrará o valor de 1,54; como os períodos são anuais, a taxa resultará ao ano, ou seja, 1,54% a.a. E se Caetano optar pela segunda proposta? Será que ela é mais atrativa? Como temos um valor presente e um valor futuro em um horizonte de tempo, basta utilizar a fórmula dos juros compostos. Vamos ver como fica? Vamos aos dados da questão! PV = 105.000,00 FV = 153.000,00 n = 9 anos TIR =? Agora, aplique a fórmula dos juros compostos, siga então o raciocínio. FV = PV × (1 + i)n 153.000 = 105.000(1 + i)9 153.000 : 105.000 = (1 + I)9 1,45714 = (1+ i)9 1 457149 , = +( ) = + + = = − = 1 i 1,04272 1 i 1 i 1,04272 i 1,04272 1 i 0,04272 99 x 100 i 4,27% a.a.= Este cálculo é obtido pela calculadora financeira procedendo da seguinte forma: f fin 105.000 CHS PV 153.000FV 9n i Capítulo 8 234 Matemática Financeira O visor mostrará o valor 4,27%. , pois a calculadora financeira já calcula, em percentual, o mesmo valor obtido pela fórmula. Por meio da aplicação deste método, escolheremos a alternativa dois, pois apresenta uma taxa interna de retorno maior. Além disso, esta taxa é superior à taxa mínima de atratividade – TMA, que é de 1,0 % a.a. Exemplo 5 – A Inglaterra emprestou uma importância de US$ 200.000.000,00 para a Islândia. O plano de pagamento estabelecido foi o seguinte: • durante os três primeiros anos não seria feito qualquer pagamento; • no fim de cada ano, a contar do 4º até o 18º, ambos inclusive, seria pago US$10.000.000,00; • no fim do 18º ano seria pago US$ 180.000.000,00; • qual a taxa de juros cobrada pela Inglaterra? Hora de calcular a solução! Construa uma tabela para cada proposta em que mostre os resultados do VPL quando a taxa i varia, por exemplo, de 0% em intervalos de 1%. E note que: TAXAS VPL 0% 130.000,00 1% 85.055.950,29 2% 47.110167,28 3% 14.980.046,62 4% (12.304.878,80) • a TIR procurada está no intervalo de 3% e 4%, pois o VPL muda de sinal. Para encontrarmos a TIR que torna o VPL igual a zero, podemos fazer por meio de tentativas sucessivas ou utilizar a interpolação linear; • fazendo a interpolação linear, você encontra a TIR, assim: 3% VPL = 14.980.046,62 i VPL = 0 4% VPL = -12.304.878,80 Capítulo 8 235Matemática Financeira i 4% 3% 0 14.980.046,62 -12.304.878,80 -14.980.046,62 i 1% 14. − = − = − 9980.046,62 27.284.925,42 27.284.925,42 i 14.980.046,62 i 14 − = = ..980.046,62 27.284.925,42 0,55= TIR = 9% + 0,53 = 3,55% ao ano Cálculo utilizando calculadora financeira Para calcular a taxa de retorno pela calculadora financeira, você usa a função IRR (Internal Rate Return). Logo, a solução deste exemplo é feita como segue: f fin 200 000.000CHS g CF0 0 g CFj 3 g Nj 10 000 000 g CFj 14g Nj 190. 000 000 g CFj f IRR, aparece no visor 3,53% Como você pode constatar, a resposta obtida por meio da interpolação linear é a mesma obtida pela calculadora financeira, a de 3,53% a.a. O cálculo da calculadora financeira apresenta pequena diferença, pois o cálculo que ela realiza é mais preciso. Taxa Interna de Retorno Modificada (TIRM) Partindo do conceito de que, em um fluxo de caixa, a TIR calculada, segundo Kassai et al.(2000), é a taxa que remunera todos os valores, quer seja para trazer os fluxos de caixa a valor presente, ou levá-los a valor futuro, podemos modificar o diagrama de fluxo de caixa e calcular a TIR modificada. A TIRM é uma taxa interna de retorno em que os lucros são remunerados a uma taxa condizente com a realidade da empresa e os investimentos são financiados a taxas compatíveis com as do mercado; consequentemente, a uma taxa de retorno de investimento mais realista. Assim, utilizam-se as seguintes taxas: Capítulo 8 236 Matemática Financeira • taxa de reinvestimento (TR) – representa a taxa média do período do fluxo de caixa mais conveniente para reaplicar os lucros gerados em cada ano, isto é, a taxa condizente para reaplicar os lucros gerados no decorrer do projeto; • taxa de financiamento (TF) – representa a taxa média do período do fluxo de caixa mais compatível com a captação de recursos financeiros para os investimentos, isto é, refere-se a uma taxa que julgamos razoável para ajustar os fluxos negativos de caixa (investimentos). A TIRM é uma nova versão da TIR, melhorada, e que elimina aqueles problemas matemáticos da existência de raízes múltiplas e das taxas de financiamento e reinvestimento divergentes da realidade do mercado (KASSAI et al., 2000). Enquanto a comparação numérica da TIR com a TMA não apresenta um significado real, no caso da TIRM, essa relação é possível e fácil de entender. O excedente é 0 % ao ano, que é apurado excluindo-se a TMA da TIRM, da seguinte forma: (1 + TIRM) / (1 + TMA) - 1 = sendo 23,91% TIRM e 15,00% TMA 1,2391 / 1,15 - 1 = 7,75% Esse excedente de 7,75% representa ganho real do projeto. Exemplo 6 – Certa alternativa de investimento requer um dispêndio integral de capital de R$ 250.000,00, estimando-se um retorno de R$ 75.000,00, R$ 80.000,00, R$ 100.000,00, R$ 120.000,00 e R$ 140.000,00, respectivamente, ao final de cada um dos próximos cinco anos. Admitindo-se que os quatro primeiros fluxos de caixa possam ser reinvestidos até o prazo final da vida da alternativa às taxas de 24%, 22%, 20%, e 18%, respectivamente, determine a TIR dessa operação, considerando as diferentes taxas de reinvestimentos. Solução: Capítulo 8 237Matemática Financeira 75.000 80.000 100.000 120.000 140.000 250.000 1 2 43 5 Inicialmente, vamos calcular o FV do primeiro valor, aplicando à taxa indicada, e depois, o segundo e, assim, sucessivamente até o último, que será o quarto, pois o valor de R$ 140.000,00 já está no último período e não é possível calcular o valor futuro. FV1 = 75.000(1 + 0,24) 4 = 177.316,03 FV2 = 80.000(1 + 0,22) 3 = 145.267,84 FV3 = 100.000(1 + 0,20) 2 = 144.000,00 FV4 = 120.000(1 + 0,18) 1 = 141.600,00 FV5 = 140.000 Vamos agora calcular o montante total, somando os montantes parciais. FVtotal = 748.183,87 A TIR pode ser calculada aplicando a fórmula dos juros compostos como segue: FV = PV (1 + i)n 748183,87 = 250.000(1 + i)5 Capítulo 8 238 Matemática Financeira FV PV i i n= +( ) = +( ) = + 1 250 000 1 5748183,87 748183,87 250.000 (1 i) 2 5 . ,,992735 (1 i) 2,992735 (1 i) 1,245127 1 i 1,245127 1 i i 5 5 55 = + = + = + − = == =0,245127x100 24,51% a.a. Assim, a TIR Modificada com o reinvestimento dos valores do fluxo de caixa resultou em 24,51% a.a. Cálculo utilizando calculadora financeira Em primeira etapa, calculamos os valores futuros de cada reaplicação, como já fizemos anteriormente com o auxílio da fórmula. Vamos lá! Vou colocar em uma tabela para o cálculo ficar mais organizado. f fin 75.000 CHS PV 24 i 4 n FV = 177.316,03 f fin 80.000 CHS PV 22 i 3 n FV = 145.267,84 f fin 100.000 CHS PV 20 i 2 n FV = 144.000,00 f fin 120.000 CHS PV 18 i 1 n FV = 141.600,00 140.000,00 FVTOTAL = 748.183,87 A calculadora financeira não realiza este cálculo em um único procedimento, sendo assim, devemos, novamente, acionar as teclas para obter o resultado final, para isso utilizaremos a metodologia de cálculo dos juros compostos como já fizemos pela fórmula. Vamos ver, então, como fica. Capítulo 8 239Matemática Financeira F fin 748.183,87 CHS FV 250.000PV 5 n I O visor da calculadora mostrará o valor de 24,51% a.a., o mesmo resultado calculado pela fórmula. Agora que você já aprendeu a calcular o valor presente líquido, a taxa interna de retorno e a taxa de retorno com reinvestimentos – TIRM, vamos estudar o prazo de retorno do investimento. 8.2.3 Retorno do investimento (Payback) A técnica do payback corresponde ao período de recuperação de um investimento e consiste na identificação do prazo em que o montante do dispêndio de capital efetuado seja recuperado por meio dos fluxos líquidos de caixa gerados pelo investimento. Payback simples Souza e Clemente (2004, p. 91) afirmam que o payback é outro indicador de risco de projetos de investimentos. O payback nada mais é do que o período de recuperação do investimento. Segundo esses autores, o payback é o número de períodos necessários para que o fluxo de benefícios supere o capital investido. O payback ou prazo para recuperação do capital é um indicador voltado à medida do tempo necessário para que um projeto recupere o capital investido, a partir do fluxo de caixa estimado. Existem dois métodos de avaliação: o simples e o descontado, também chamado de econômico. O método de payback simples (PBS) compara o tempo necessário para recuperar o investimento com o máximo de tempo tolerado pela empresa para o tipo de investimento. O método PBS requer que sejam observados certos preceitos: Capítulo 8 240 Matemática Financeira • o primeiro capital do fluxo de caixa deverá ser um investimento; • os capitais do fluxo de caixa do investimento deverão apresentar uma única mudança de sinal, ou seja, um fluxo simples ou convencional; • definir o TMT – Tempo Máximo Tolerado pela empresa para recuperar o capital investido (este é um valor arbitrado, pois surge de considerações práticas). A rejeição de projetos pelo PBS pode ser realizada comparando-se o valor do indicador obtido ao tempo máximo tolerado. O projeto seria descartado por esse critério caso se verifique que o valor PBS de um projeto seja superior ao valor do TMT; se o valor PBS for igual ao TMT, o projeto poderá ou não ser aceito e se PBS inferior ao TMT. Exemplo 7 – Seja um projeto de investimento de $ 25.000,00, cujas receitas líquidas encontram-se configuradas na tabela a seguir. Tabela 4 - Fluxo de caixa de um projeto de investimento ANOS CAPITAIS ACUMULADO 0 25.000 -25.000 1 12.000 -13.000 2 11.000 -2.000 3 10.000 8.000 4 15.000 23.000 5 24.000 47.000 Fonte: Kassai et al. (2000, p. 85-86). Segundo Kassai et al. (2000), visualmente, o investimento será recuperado no terceiro ano. Ao final do segundo ano, faltava recuperar $ 2.000,00 de capital investido e, no ano seguinte, ocorreu um lucro de $ 8.000,00. Para sabermos o prazo exato, basta aplicarmos uma regra de três (interpolação linear): dinheiro tempo (ano) Falta recuperar R$2.000 x Recuperado no terceiro ano R$10.000 1 2.000 10.000 x 1 10.000x 2.000 x 2.000 10.000 x 0,2 = ⇒ = = = Capítulo 8 241Matemática Financeira Portanto, o payback simples deste projeto de investimento é de 2,2 anos, ou ainda dois anos, 2 meses e 12 dias. Payback descontado Para Souza e Clemente (2006, p.91), o payback “é o número de períodos necessários para que o fluxo de benefícios supere o capital investido”. Pode ser interpretado como uma medida de risco do projeto. Quando o payback se aproxima do final de sua vida econômica, o projeto apresenta alto grau de risco. Sob esta mesma perspectiva, Gitman (2001, p. 300) menciona que o “período do payback é o exato montante de tempo necessário para a empresa recuperar seu investimentoinicial em um projeto calculado a apartir de seus fluxos de caixa de entrada”. Este autor ainda argumenta que para tomar decisões entre aceitar ou rejeitar o período do payback, é necessário analisar os seguintes critérios: • se o período de payback é menor do que o período de payback máximo aceitável, aceitar o projeto; • se o período de payback é maior do que o período máximo aceitável, rejeitar o projeto. O método do payback descontado (PBD) busca contornar a deficiência do PBS de não considerar o valor do dinheiro no tempo. A ideia é simples, como os fundos alocados no investimento. Exemplo 8 – Uma empresa está analisando um projeto, cujo fluxo de caixa é apresentado no quadro a seguir. O custo de capital da empresa é de 14% a.a. Calcule o payback descontado pra este projeto. Analise, por meio dos resultados obtidos, se este projeto é viável. Capítulo 8 242 Matemática Financeira Tabela 5 - Fluxo de caixa de um projeto ANOS CAPITAIS 0 - 600.000 1 120.000 2 150.000 3 200.000 4 150.000 5 150.000 6 180.000 7 80.000 Vamos calcular a solução? Tabela 6 - Fluxo de caixa de um projeto ANOS CAPITAIS VP DOS CAPITAIS BALANÇO DO PROJETO 0 - 600.000 - 600.000 -600.000 1 120.000 107.143 -492.857 2 150.000 119.579 -373.278 3 200.000 142.356 -230.922 4 220.000 139.814 -91.108 5 150.000 85.114 -5.994 6 180.000 91.194 85.200 7 80.000 36.188 121.388 Taxa mínima de atratividade 12% a.a. Para o cálculo do payback descontado, procede-se da mesma forma que para o cálculo do payback simples. dinheiro tempo (ano) Falta recuperar $5.994 x Recuperado no terceiro ano $91.194 1 Capítulo 8 243Matemática Financeira 5.994 91.194 x 1 91.194x 5.994 x 5.994 91.194 x 0,0657 = ⇒ = = = Portanto, o payback descontado (PBD) deste projeto de investimento é de 5,0657 anos, ou ainda 5 anos e 24 dias. A rejeição de projetos pelo PBD pode ser realizada comparando-se o valor do indicador obtido ao tempo máximo tolerado. O projeto é descartado por esse critério caso se verifique que o valor PBD de um projeto seja superior ao valor do TMT; se o valor PBS for igual ao TMT, o projeto poderá ou não ser aceito, e se o PBD for inferior ao TMT, deverá ser aceito. 8.2.4 Análise de cenários A análise de cenários considera desde as identificações, ordenações e avaliações de variáveis ambientais usadas como base para o desempenho de ações organizacionais (TAVARES, 2000). Para Lapponi (2000), a técnica começa definindo três valores possíveis de cada uma das estimativas participantes do projeto, denominadas como estimativas: mais provável, otimista e pessimista. Como escolher os valores dos cenários mais provável, otimista e pessimista? Lapponi (2000, p. 330) recomenda o seguinte procedimento: • o cenário mais provável é aquele que nasce de estimativas realizadas por pessoas experientes no ramo ao qual se destina o projeto. É o valor esperado ou média de cada estimativa; • o cenário otimista tem uma probabilidade de 5% de serem excedidas ou melhoradas; • o cenário pessimista tem uma probabilidade de 5% de serem pioradas e 95% de serem melhoradas. Complementando esta abordagem, Gitman (2001) afirma que a análise de cenários tem a finalidade de avaliar o impacto causado por variáveis Capítulo 8 244 Matemática Financeira simultâneas como entradas de caixa, saídas de caixa e custo de capital no retorno da empresa. Exemplo 9 – Os analistas prepararam os três cenários: otimista, mais provável e pessimista, indicados na tabela 7. Tabela 7 - Cenários PESSIMISTA MAIS PROVÁVEL OTIMISTA Investimento $ 75.000 $ 60.000 $ 54.000 Receitas $25.000 $28.000 $30.000 Custos $13.000 $10.000 $9.000 Taxa requerida 17% 15% 14% Fonte: Lapponi (2000, p. 331). Calcule e analise os VPL’s dos três cenários do projeto, considerando os outros dados informados na tabela 6. Busque a solução! Os resultados registrados na tabela 8 mostram o Fluxo de Caixa e o VPL dos três cenários. Tabela 8 - Fluxo de caixa nos três cenários PESSIMISTA MAIS PROVÁVEL OTIMISTA Investimento $ 75.000 $ 60.000 $ 54.000 Prazo de análise 10 10 10 Receitas $25.000 $28.000 $30.000 Custos $13.000 $10.000 $9.000 Taxa requerida 17% 15% 14% Depreciação $ 7.500 $ 6.000 $ 5.400 Fluxo de caixa $ 10.425 $13.800 $15.540 VPL ($ 26.434) $ 9.259 $ 27.058 Fonte: Lapponi (2000, p. 331). No cenário pessimista, o VPL é negativo (R$ 26.434), não devendo ser aceito o projeto de investimento. Nos cenários mais provável e otimista, respectivamente, R$ 9.259 e R$ 27.058, o VPL é positivo, recomenda-se aceitar o projeto de investimento. O VPL verdadeiro estará entre os valores extremos de VPL definidos pelos três cenários (LAPPONI, 2000, p. 331). Capítulo 8 245Matemática Financeira Você achou interessante esta forma de análise? Então, para aprofundar ainda mais como se procede para analisar um investimento, vamos aprender agora sobre a análise de sensibilidade. Análise de sensibilidade A análise de sensibilidade tem por objetivo trazer mais segurança para as decisões financeiras, os valores obtidos fornecem variáveis mais críticas no projeto e o grau de risco que uma ou outra variável pode apresentar (AJZENTAL; CECCONELLO, 2008). Segundo estes mesmos autores (2008, p. 267), essa análise baseia-se nas seguintes variáveis-chave: • volume de vendas; • preços unitários; • gastos variáveis; • gastos fixos; • investimentos em permanente. Bordeaux-Rêgo et al. (2007, p. 116) afirmam “que ela é útil em ambientes de negociação (comprador versus fornecedor), na solicitação de descontos ou de condições mais favoráveis, examinando em tempo real os seus reflexos na viabilidade do projeto”. Já como fator negativo, esses mesmos autores (2007, p. 116) apontam que a “análise de sensibilidade não considera a gama de valores que podem assumir as suas variáveis em sua distribuição de probabilidades”. Para Camargo (2007, p. 130), a análise de sensibilidade “é uma maneira popular de descobrirmos como a situação de viabilidade de um investimento muda se as receitas, os gastos, a taxa de desconto ou outros fatores variarem ao longo do tempo”. O ponto mais importante da análise de sensibilidade é a análise de retorno a diferentes taxas de reaplicação, por meio de cálculo da TIRM e também as variações cambiais, pois em países com instabilidade econômica, deve ser efetuada a análise de sensibilidade a variações diferenciadas de inflação para cada componente do fluxo de caixa (CASAROTTO FILHO, 2002). Capítulo 8 246 Matemática Financeira Para uma melhor compreensão deste modelo de análise, é mostrado o exemplo a seguir. Exemplo 9 – Dois projetos de investimentos independentes estão sendo estudados com base em seus fluxos de caixa, os quais podem ser visualizados na tabela 9. Ocorre que a taxa de desconto do mercado pode variar entre 7% e 9% ao período, sendo mais provável ficar na média entre estes valores. Sendo assim, determine qual dos projetos é mais sensível e, portanto, mais arriscado em função da variação da taxa de juros. Tabela 9 - Fluxo de caixa dos investimentos A e B 0 1 2 3 4 5 6 7 Projeto A - 8.000 1.250 1.250 1.250 1.250 1.250 1.250 4.150 Projeto B - 23.000 4.250 4.000 4.000 4.500 4.500 4.500 7.000 Fonte: Camargo (2007, p. 130). A solução desta questão envolve o cálculo do retorno do investimento (VPL) para diversas taxas situadas entre 7% e 9% ao período. Assim, a tabela que segue nos mostra os resultados de lucro econômico encontrado com as variações na TMA. Tabela 10 - Análise de sensibilidade com variação da TMA VPL PROJETO A PROJETO B TMA = 7,00% R$ 542,59 R$ 1.730,16 TMA = 7,25% R$ 455,00 R$ 1.500,41 TMA = 7,50% R$ 368,74R$ 1.273,89 TMA = 7,75% R$ 283,78 R$ 1.050,55 TMA = 8,00% R$ 200,08 R$ 830,32 TMA = 8,25% R$ 117,64 R$ 613,17 TMA = 8,50% R$ 36,43 R$ 399,03 TMA = 8,75% - R$ 43,58 R$ 187,85 TMA = 9% - R$ 122,41 - R$ 20,42 Fonte: Camargo (2007, p. 131). Capítulo 8 247Matemática Financeira Como destacado na tabela 10, a taxa média de 8% é a mais provável de ocorrer, destaca Camargo (2008). Assim, iremos analisar a variação dos resultados em relação ao retorno obtido com a taxa de 8%. Isso possibilitará a verificação da variabilidade dos retornos sem a análise de seus valores absolutos. Para encontrar a variação percentual entre os VPL’s, devemos utilizar a seguinte fórmula, a qual será aplicada em seguida. (variação) % valoratual base 1 .100Δ = −⎛ ⎝ ⎜ ⎞ ⎠ ⎟ (2) PROJETO A PROJETO B TMA = 7,00% R$ 542,59 R$ 1.730,16 TMA = 8,00% R$ 200,08 R$ 830,32 Variação A% , , . ,= −⎛ ⎝ ⎜ ⎞ ⎠ ⎟ = + 542 59 200 08 1 100 17119 Variação A% , , . , %= −⎛ ⎝ ⎜ ⎞ ⎠ ⎟ = + 1730 16 830 32 1 100 108 37 Todas as variações do VPL estão apresentadas na tabela 11, a seguir: Tabela 11 - Variação percentual nos resultados da análise de sensibilidade VPL PROJETO A PROJETO B TMA = 7,00% + 171,19 % + 108,37 % TMA = 7,25% + 127,41 % + 80,70 % TMA = 7,50% + 84,30 % + 53,42 % TMA = 7,75% + 41,83 % + 26,52 % TMA = 8,00% 100 % 100 % TMA = 8,25% - 41,20 % - 26,15 % TMA = 8,50% - 81,79 % - 51,94 % TMA = 8,75% - 121,78 % - 77,38 % TMA = 9% - 161,18 % - 102,46 % Fonte: Camargo (2008, p. 132). Capítulo 8 248 Matemática Financeira Por meio dos valores relativos, torna-se mais fácil visualizar a variabilidade dos resultados em relação ao seu valor médio. É possível constatar, então, que o projeto A é mais sensível a pequenas modificações na taxa de juros, pois seus resultados se distanciam mais da média quando fazemos suposições sobre esta variável. Se analisarmos comparativamente, o projeto A é mais arriscado (CAMARGO, 2008, p.132) PRATICANDOPRATICANDO Certa alternativa de investimento requer um dispêndio integral de R$ 280.000,00, estimando-se um retorno de R$ 65.000,00, R$ 85.000,00, R$ 95.000,00, R$105.000,00 e R$ 120.000,00, respectivamente, ao final de cada um dos próximos cinco anos. Admitindo-se que os quatro primeiros fluxos de caixa possam ser reinvestidos até o prazo final da vida da alternativa, às taxas de 28%, 26%, 24% e 22%, respectivamente, determine a taxa interna de retorno dessa operação considerando as diferentes taxas de reinvestimentos. 8.2.5 Operacionalização da calculadora fi nanceira Como você já notou, desenvolvemos vários exemplos de aplicação da calculadora financeira, ferramenta que pode ser sua aliada na execução dos cálculos. Ela pode apontar falhas no momento do desenvolvimento da questão, quando utilizamos as fórmulas, pois podemos obter o resultado mais facilmente. Apesar de algumas funções da calculadora financeira parecerem complexas, já assinalamos que elas são relativamente fáceis de serem operacionalizadas se dominamos os conceitos da matemática financeira, sob o ponto de vista teórico e prático. Obviamente, você deve estar atento para alguns detalhes da aplicação desta calculadora, seguindo as recomendações colocadas no texto, quando são apresentados os passos de operacionalização. E então, já está apto a utilizá-la? Capítulo 8 249Matemática Financeira 8.3 Aplicando a teoria na prática José é um investidor. Necessitando de um financiamento de R$ 10.000,00, recorre a Pedro dos Anjos e propõe devolver o valor em três parcelas mensais consecutivas de R$ 2.800,00, R$ 3.500,00 e R$ 4.500,00. Para que Pedro aceite a proposta, necessita conhecer o custo efetivo mensal deste financiamento. Então, ele recorre a você, que conhece bem como se calcula a taxa interna de retorno, e solicita que lhe explique como se calcula este custo. Sente-se apto em ajudá-lo? Espero que sim! Vamos calcular a solução? O custo efetivo mensal do financiamento é a taxa de retorno do fluxo de caixa (sob o ponto de vista de quem emprestou o dinheiro), mostrado na tabela a seguir. Anos 0 1 2 3 CAPITAIS (R$) (10.000,00) 2.800,00 3.500,00 4.500,00 Precisamos calcular a taxa i que vai zerar o VPL, como mostramos a seguir: VPL i i i = − + +( ) + +( ) + +( ) =10 000 2 800 1 3 500 1 4 500 1 0 2 3 . . . . Para calcular a taxa interna de retorno, vamos inicialmente utilizar a interpolação linear, aplicando o VPL a algumas taxas como segue: TAXAS VPL 0% 800,00 1% 570,97 2% 349,64 3% 135,67 4% (-71,26) Como a taxa de 4% fez o VPL ficar negativo, isto indica que a taxa procurada está entre 3% e 4%, basta somente encontrar o valor mais próximo. Capítulo 8 250 Matemática Financeira 3% VPL = 135,67 i VPL = 0 4% VPL = - 71,26 i 4% 3% 0 135,67 -71,26 -135,67 i 1% 135,67 206,93 206,93 i − = − = − − = 135,,67 i 135,67 206,93 0,65 TIR 3% 0,65 3,65% ao ano = = = + = Agora, para calcular a taxa interna de retorno na calculadora financeira, você digita: f fin 10.000 CHS g CF0 2.800 g CFj 3.500 g CFj 4.500 g CFj F IRR. No visor, aparecerá o valor de 3,65%, pois na calculadora financeira o resultado é percentual. Assim, o custo efetivo do financiamento é de 3,65% ao mês. 8.4 Para saber mais Você poderá consultar os materiais relacionados a seguir para complementar seu estudo. Você deve ter observado que foram acrescentadas novas referências neste capítulo. Isto é porque este assunto requer uma abordagem mais aprofundada e alicerçada nas ideias de outros autores. Capítulo 8 251Matemática Financeira Título: Análise de investimentos: demonstrativos fi nanceiros Autor: CAMARGO, C. Editora: IBPEX Ano: 2007 Este livro apresenta exemplos e explicações para você ampliar seus conhecimentos sobre os métodos de análise de investimentos. A autora aborda os assuntos de matemática financeira de forma clara e didática. Além dos métodos que foram explicados, o livro ensina outros métodos de análise como: o ponto de Ficher, taxa média de retorno e índice de benefício custo. Título: Avaliação de investimentos: com calculadora fi nanceira e Excel Autores: BRUNI, A. Editora: Atlas Ano: 2008 Apresenta o processo de avaliação de investimentos de forma simples, com muitos exemplos e exercícios, facilitados por meio do uso da calculadora financeira e da planilha eletrônica Microsoft Excel. O texto discute inicialmente o papel e as decisões usuais em Finanças, apresentando em seguida a importância da projeção dos fluxos de caixa livres e do cálculo do custo de capital. Posteriormente, aborda o uso das diferentes técnicas, como as técnicas de avaliação contábil e as técnicas financeiras mais usuais, como o payback, o VPL e a TIR. Mais adiante, discute aspectos relativos à avaliação de empresa e ao estudo das decisões sob incerteza e risco. Ao final, o texto discute o processo de modelagem financeira no Excel, apresentando tópicos avançados, como o uso do método de Monte Carlo ou o uso de opções reais em avaliação de investimentos. Para tornar o aprendizado mais efetivo, diversos modelos prontos estão apresentados. Site: Mundo dos sites/ciências exatas URL: http://www.mundosites.net/cienciasexatas/matematica.htm Neste endereço eletrônico, você tem explicações e exemplos que podem sanar suas dúvidas, se elas existirem. Aborda os métodos de investimentos estudados aplicando-os em estudo de caso. 8.5 Relembrando Neste capítulo, trabalhamos os diferentes métodos que podem ser utilizados quando estamos diante de alternativas de investimento. Estudamos sobre os métodos mais intensivamente utilizados, como o valor presente líquido, conhecido pela sigla VPL. Você aprendeu também que: • este método permite determinar na data presente se o fluxo de caixa gerado pelas atividades do investimento trará lucro ou prejuízo. Capítulo 8 252 Matemática Financeira Este valor é calculado fazendo o desconto de uma taxa, chamada de taxa mínima de atratividade, que o investidor,proprietário ou empreendedor considere uma taxa referência para o seu negócio. Alguns empresários utilizam a taxa SELIC muito utilizada em cálculos financeiros. Esta taxa, segundo o Banco Central (2010) “é a obtida mediante o cálculo da taxa média ponderada e ajustada, das operações de financiamento por um dia, lastreadas em títulos públicos federais e cursadas no referido sistema ou em câmaras de compensação e liquidação de ativos, na forma de operações compromissadas”. Também pode-se acrescentar a esta taxa um percentual de risco, livrando assim de algum imprevisto no decorrer da vida útil do projeto; • a taxa de retorno de investimento, também conhecida por TIR, que representa a taxa de remuneração do investimento. Esta taxa traduz a rentabilidade dos recursos investidos. O cálculo da TIR se faz aplicando o método VPL, pois é a taxa que torna o VPL igual a zero. Obtemos por meio de tentativas sucessivas, pela interpolação linear e mais facilmente pelas funções da calculadora financeira. Você pode também determinar esta taxa utilizando o aplicativo Excel, acionando a função fx. No meio empresarial e acadêmico, é considerada uma taxa confiável; • o prazo de retorno de investimento (payback) é uma técnica que indica em quanto tempo o investimento será recuperado. É um referencial que o investidor, empresário ou empreendedor podem se valer para conhecer se o investimento levará pouco ou muito tempo para retornar. Caso o investimento não seja recuperado dentro do prazo máximo tolerado, rejeita-se a proposta, pois não é possível esperar um longo tempo para começar a ter lucro. O payback simples não considera a taxa de desconto, ou TMA, é uma técnica simples. Já o payback descontado revela com mais precisão o tempo que levará para o investimento ser recuperado. Neste capítulo, ainda foram mostradas duas abordagens distintas, como a análise de cenários e a análise de sensibilidade, que complementam o estudo sobre a análise de investimentos. Destaca-se que este tema é muito amplo e não se resume aos tópicos abordados no capítulo. Existem outras metodologias mais complexas, que não cabem ser apresentadas pelo grau de dificuldade e aprofundamento. Capítulo 8 253Matemática Financeira Espero que você tenha conseguido assimilar os conteúdos apresentados para esta disciplina e não somente cumprir uma mera formalidade de completar a matriz, mas que sirva de orientação para o planejamento das finanças pessoais. 8.6 Testando os seus conhecimentos 1) Uma empresa está analisando um projeto. O fluxo de caixa é apresentado na tabela a seguir. O custo de capital da empresa é 16% a.a. Calcule o período de payback descontado e payback simples para este projeto para os dois projetos. Indique se o projeto é viável considerando seu tempo de vida. ANOS CAPITAIS 0 - 400.000 1 120.000 2 150.000 3 200.000 4 220.000 5 150.000 2) Certa alternativa de investimento requer um dispêndio integral de capital de R$ 150.000,00, estimando-se um retorno de R$ 45.000,00, R$ 60.000,00, R$ 70.000,00, R$ 80.000,00 e R$ 100.000,00, respectivamente, ao final de cada um dos próximos cinco anos. Admitindo-se que os quatro primeiros fluxos de caixa possam ser reinvestidos até o prazo final da vida da alternativa, às taxas de 28%, 26%, 24%, e 22% respectivamente, determine a TIR dessa operação, considerando as diferentes taxas de reinvestimentos. 3) A gerência de certa empresa está considerando a mecanização de seus serviços de embalagem. Atualmente, os produtos são acondicionados manualmente a um custo anual de R$ 30.000,00. Dois tipos de equipamentos capazes de executar a mesma função encontram-se disponíveis no mercado, apresentando as seguintes características: Capítulo 8 254 Matemática Financeira DISCRIMINAÇÃO EQUIPAMENTO A EQUIPAMENTO B Custo inicial R$ 100.000,00 R$ 90.000,00 Receita anual R$18.000,00 R$15.000,00 Custo operacional anual R$ 9.000,00 R$ 11.000,00 Valor residual R$ 23.000,00 R$ 25.000,00 Vida econômica 10 anos 10 anos Verifique, por meio do valor presente líquido, se algum equipamento deve ser adquirido, considerando uma taxa mínima de atratividade – TMA de 12% ao ano. Em caso afirmativo, qual equipamento deve ser escolhido? Onde encontrar BANCO CENTRAL DO BRASIL. Taxas de juros, cálculos, índices e cotações · Câmbio e capitais internacionais · Indicadores econômicos: Normas e manuais do BC e do CMN... Banco Central do Brasil. Disponível em: <www.bcb.org.br. Acesso em: 16 dez. 2010. BORDEAUX-RÊGO, R. et al. Viabilidade econômico-financeira de projetos. Rio de Janeiro: FGV, 2007. BRUNI, A. L; FAMÁ, R. Matemática das finanças: com aplicações na calculadora financeira e Excel. São Paulo: Atlas, 2008. CASAROTTO FILHO, N. Projeto de negócio: estratégias e estudos de viabilidade: redes de empresa, engenharia simultânea, plano de negócio. São Paulo: Atlas, 2002. CECCONELLO, A. R.; AJZENTAL, A. A construção do plano de negócio. São Paulo: Saraiva, 2008. FONSECA, Y. D.; BRUNI, A. L. l. Técnicas de análise de investimentos: uma breve revisão da literatura. Disponível em: <www.desenbahia.ba.gov.br>. Acesso em: 10 mar. 2010. GITMAN, L. J. Princípios da administração financeira essencial. 2. ed. Porto Alegre: Bookman Editora, 2001. Capítulo 8 255Matemática Financeira HOJI, M. Administração financeira: uma abordagem prática: matemática financeira aplicada, estratégias financeiras, análise, planejamento e controle financeiro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000. KASSAI, J. R. et al. Retorno de investimento: abordagem matemática contábil do lucro empresarial. São Paulo: Atlas, 2000. LAPPONI, J. C. Avaliação de projetos de investimento. São Paulo: Lapponi Treinamentos e Editora, 2000. SOUZA, A.; CLEMENTE, A. Decisões financeiras e análises de investimentos: fundamentos, técnicas e aplicações. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2006. TAVARES, M. C. Gestão estratégica. São Paulo: Atlas, 2000. Capítulo 8 256 Matemática Financeira 257 Referências BANCO CENTRAL DO BRASIL. Taxas de juros, cálculos, índices e cotações. Câmbio e capitais internacionais. Disponível em: <www.bcb. org.br>. Acesso em: 16 dez. 2010. BORDEAUX-RÊGO, R. et al. Viabilidade econômico-financeira de projetos. Rio de Janeiro: FGV, 2007. BRUNI, A. L.; FAMÁ, R. Matemática das finanças: com aplicações na HP 12C e Excel. São Paulo: Atlas, 2008. CASAROTTO FILHO, N. Projeto de negócio: estratégias e estudos de viabilidade: redes de empresa, engenharia simultânea, plano de negócio. São Paulo: Atlas, 2002. CECCONELLO, A. R.; AJZENTAL, A. A construção do plano de negócio. 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Matemática financeira. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. KUHNEN, O. L.; BAUER, U. R. Matemática financeira e aplicada e análise de investimentos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2001. LAPPONI, J. C. Avaliação de projetos de investimento. São Paulo: Lapponi Treinamentos e Editora, 2000. MATHIAS, W. F.; GOMES, J. M. Matemática financeira.2. ed. São Paulo: Atlas, 2002. MILONE, G. Matemática financeira. São Paulo: Thomson Learning, 2006. PUCCINI, A. C. Matemática financeira. Disponível em: <http://www.find-docs. com/baixar-livro-matematica-financeira-puccini.html>. Acesso em: 05 out. 2010. SEBRAE. Estudo de viabilidade e pesquisa de campo. Sebrae. Disponível em: <www.sebrae.sp.gov.br>. Acesso em: 30 jan. 2010. SOUSA, A. F. de. Avaliação de investimentos: uma abordagem prática. São Paulo: Saraiva, 2007. SOUZA, A.; CLEMENTE, A. Decisões financeiras e análise de investimentos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008. TAVARES, M. C. Gestão estratégica. São Paulo: Atlas, 2000. VERAS, l. l. 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