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Este livro tem como objetivo que as pessoas, sejam elas estudantes ou profissionais atuantes no mercado financeiro, tenham à disposição os conceitos básicos de matemática financeira, que podem ajudá-las a tomar as decisões corretas e proporcionar excelentes resultados. Muitas pessoas não detêm conhecimentos sobre os cálculos utilizados nessa área, por isso, esta obra aborda diversos tópicos de maneira clara e didática, tendo em vista que, dessa maneira, o estudo se torna mais agradável e produtivo. Os conceitos observados aqui – como porcentagens, cálculos de juros e descontos, tipos de taxas, rendas e séries uniformes, indicadores financeiros, correção monetária e outros –, foram contextualizados em situações práticas comuns em nosso dia a dia. MATEMÁTICA FINANCEIRA LUIZ ROBERTO DIAS DE MACEDO Código Logístico 59329 Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6620-9 9 7 8 8 5 3 8 7 6 6 2 0 9 Matemática Financeira Luiz Roberto Dias de Macedo IESDE BRASIL 2020 © 2020 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito do autor e do detentor dos direitos autorais. Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: Flat Icon Todos os direitos reservados. IESDE BRASIL S/A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ M122m Macedo, Luiz Roberto Dias de Matemática financeira / Luiz Roberto Dias de Macedo. - 1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE, 2020. 220 p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-85-387-6620-9 1. Matemática financeira. I. Título. 20-62761 CDD: 513.2 CDU: 51-7 Luiz Roberto Dias de Macedo Mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Especialista em Magistério da Educação Básica pelo Instituto Brasileiro de Pós- Graduação e Extensão (IBPEX). Graduado em Matemática pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Professor no ensino básico e superior, nas modalidades de ensino presencial e a distância. Autor de obras nas áreas de matemática aplicada e matemática financeira. Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! SUMÁRIO 1 Capitalização simples 9 1.1 Porcentagens 9 1.2 Conceitos financeiros 11 1.3 Aplicações 13 1.4 Juro comercial e juro exato 15 1.5 A regra do banqueiro 17 1.6 Juro do cheque especial 18 2 Desconto simples 23 2.1 Desconto simples 23 2.2 Desconto bancário 28 2.3 Desconto racional simples 29 2.4 Títulos equivalentes 32 3 Capitalização composta 39 3.1 Capitalização composta 39 3.2 Equivalência de taxas 46 3.3 Tipos de taxa 49 4 Desconto composto 58 4.1 Desconto composto 58 4.2 Desconto composto comercial 59 4.3 Desconto racional composto 62 4.4 Títulos equivalentes 65 5 Rendas ou séries uniformes 75 5.1 Fluxo de caixa 75 5.2 Rendas ou séries de pagamentos 79 5.3 Modelo básico de renda 83 5.4 Renda antecipada 91 5.5 Rendas diferidas ou com carência 94 5.6 Séries perpétuas ou perpetuidade 97 5.7 Equivalência de fluxos de caixa 99 5.8 Arrendamento mercantil - leasing 103 6 Taxa interna de retorno e valor presente líquido 111 6.1 Taxa interna de retorno (TIR) 111 6.2 Valor presente líquido (VPL) 116 6.3 Índice de lucratividade e taxa de rentabilidade 119 6.4 Comparação entre os métodos de análise de investimentos para projetos independentes 122 7 Correção monetária, indicadores e depreciação 137 7.1 Moeda 137 7.2 Correção monetária 138 7.3 Depreciação 143 8 Sistema de amortizações 155 8.1 Sistemas de amortização 155 8.2 Amortização sem correção monetária 157 8.3 Amortizações com correção monetária 182 8.4 Sistema de amortização crescente (Sacre) 193 APRESENTAÇÃO Provavelmente, você já escutou algo parecido com a expressão “as boas decisões são aquelas que conduzem a bons resultados”. Devemos ter em mente que, para bons resultados serem atingidos, as decisões que levam a eles devem ser fundamentadas em conceitos corretos e bem conhecidos. Sendo assim, este livro tem como objetivo que as pessoas, sejam elas estudantes ou profissionais atuantes no mercado financeiro, tenham à disposição os conceitos básicos de matemática financeira, que podem ajudá-las a tomar as decisões corretas e proporcionar excelentes resultados. Muitas pessoas não detêm conhecimentos sobre os cálculos utilizados nessa área, por isso, esta obra aborda diversos tópicos de maneira clara e didática, tendo em vista que, dessa maneira, o estudo se torna mais agradável e produtivo. Os conceitos observados aqui foram contextualizados em situações práticas comuns em nosso dia a dia. Iniciamos este livro com as operações financeiras básicas, nos regimes de capitalização simples e composta, com foco nos cálculos de juros e de descontos, sem deixar de estudar antes, evidentemente, as diversas aplicações de porcentagens. É importante esclarecer que, nas diferentes situações abordadas, faz-se necessário que o leitor distinga corretamente os diversos tipos de taxas com as quais o mercado financeiro opera: taxas nominal, efetiva e real – também abordadas nesta obra. Na sequência, trataremos das rendas e das séries uniformes, estudo que, além de muito importante, leva a cálculos que proporcionam o discernimento necessário para as tomadas de decisões em relação a investimentos e empréstimos; também estudamos o modelo básico de renda, as rendas antecipadas e postecipadas (com ou sem carência), as equivalências de fluxos de caixa e o arrendamento mercantil, da taxa interna de retorno e do valor presente líquido. Tendo conhecimento desses importantes tópicos, podemos estudar a depreciação, os indicadores financeiros e a correção monetária, que faz o poder aquisitivo da moeda variar com o passar do tempo. Finalizamos com o estudo dos diversos sistemas de amortização existentes, com e sem correção monetária, sistemas esses aplicados a diversos tipos de financiamentos de bens de consumo, inclusive os habitacionais. Esperamos que com esta leitura seja possível que você desenvolva habilidades que possibilitem boas tomadas de decisões e que proporcionem excelentes resultados. Bom estudo! Capitalização simples 9 1 Capitalização simples Vamos pensar na seguinte situação: você pagou todas as suas contas e obrigações mensais e, ao final do mês, verificou que está com uma so- bra do seu salário. O que você pode fazer com esse dinheiro? Algumas das respostas a essa pergunta são: comprar algo que deseja e que nunca “sobrava” dinheiro para comprar ou guardar esse dinheiro para poder uti- lizá-lo em uma situação futura em que seja necessário. Se optar pela primeira opção, ótimo. Você adquirirá algo que lhe fará feliz. Mas, caso opte pela segunda, que tal ganhar mais dinheiro guardan- do essa sobra, ou seja, que tal lucrar algo? Vamos supor que você tenha optado pela segunda alternativa. Para não ser enganado ao decidir guar- dar o dinheiro e aplicá-lo, você deve saber como aplicar essa quantia. Basicamente, existem dois tipos de regimes para se fazer aplicações financeiras: o regime de capitalização simples e o de capitalização com- posta. Neste capítulo, nos dedicaremos ao primeiro. Para tanto, neces- sitamos saber trabalhar, corretamente, com porcentagens e conceitos financeiros básicos. Vamos, então, colocar a mão na massa! 1.1 Porcentagens Vídeo O primeiro conceito que veremos, neste capítulo, é o de porcentagem. “Porcen- tagem, ou percentagem, indica uma taxa ou proporção calculada em relação ao número 100 (por cem). A porcentagem consiste em uma fração em queo deno- minador é 100 e é representada pelo símbolo %” (SIGNIFICADOS, 2020, grifos do original). Portanto, podemos representar uma porcentagem utilizando o símbolo de porcentagem ou por uma fração com o denominador 100. Por exemplo: 2% = 2 100 = 0,02 9% = 9 100 = 0,0910% = 10 100 = 0,10 Essas porcentagens estão escritas em três formatos diferentes. O formato que aparece com o símbolo % é denominado formato percentual. Já o que aparece como uma fração de denominador 100, é denominado razão centesimal. E o formato que 10 Matemática Financeira aparece como número decimal (com vírgula) é denominado formato unitário ou formato centesimal. Mas, como se calcula uma porcentagem de um valor qualquer? Veremos, agora, que o cálculo da porcentagem de um valor qualquer é extremamente simples. Ob- serve, atentamente, os exemplos dados a seguir. 1. Para determinarmos o valor que corresponde a 6% de R$ 1.248,00, pode- mos fazer a seguinte conta: 6% de 1.248 = 6 100 . 1.248 = 6 1 248 100 �. . = � .7 488 100 = 74,88. Ou seja, 6% de R$ 1.248,00 é igual a R$ 74,88. Também podemos usar o número decimal, ou seja, o formato unitário, para realizar a mesma conta, como no exemplo a seguir: 6% de 1.248 = 0,06 . 1.248 = 74,88. Resposta: o valor que corresponde a 6% de R$ 1.248,00 é R$ 74,88. 2. Para fixarmos as formas de calcular a porcentagem, dessa vez sem pensar em valores monetários, vamos ao segundo exemplo: quanto é 2,5% de 690? Assim como no primeiro exemplo, começaremos a conta com a razão cen- tesimal, ou seja, a porcentagem em fração de denominador 100. 2,5% de 690 = 2,5 100 . 690 = 2,5�.�690 100 = 1.725 100 = 17,25. Assim como no exemplo anterior, outra forma de resolvermos é: 2,5% de 690 = 0,025 . 690 = 17,25. 2,5% de 690, portanto, é equivalente a 17,25. Resposta: o valor de 2,5% de 690 é igual a 17,25. 3. Em uma loja, João viu um cartaz (Figura 1). Se João comprar duas gravatas, qual será o va- lor total de sua compra? Para resolvermos o problema, devemos, primeiramente, calcular o valor de descon- to que será aplicado na compra da segunda gravata. Para isso, fazemos: 12% de 48,5 = 12 100 . 48,5 = 12�.�48,5 100 = 582 100 = 5,82. Para realizarmos cálculos em fórmulas matemáticas, devemos colocar as porcentagens no formato unitário ou centesimal. Atenção Σxemρlos Você conhece a origem do sím- bolo %? Acesse o blog Origem dos símbolos matemáticos e descubra. Disponível em: https://sites. google.com/site/simbolosma- tematicosuninove2017/home/ simbolos/porcentagem. Acesso em: 13 abr. 2020. Curiosidade Figura 1 Exemplo de cartaz de promoção Gravata Na compra de duas, ganhe um desconto de 12% na segunda. R$48,50 GGG Exercite seus conhecimentos sobre porcentagens acessando o QR Code. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática Capitalização simples 11 Ou, usando o formato centesimal: 12% de 48,5 = 0,12 . 48,5 = 5,82. O preço da 2ª gravata será de R$ 48,50 – R$ 5,82, que é igual a R$ 42,68. Por- tanto, ao levar as duas gravatas, João gastará R$ 48,50 + R$ 42,68 = R$ 91,18. Resposta: João gastará, ao comprar duas gravatas, R$ 91,18. Viu como é fácil? 1.2 Conceitos financeiros Vídeo Além de sabermos operar corretamente com as porcentagens, devemos conhe- cer alguns conceitos financeiros básicos, como: capitalização, capital, juro, taxa ou taxa de juro, prazo ou período e montante. Alguns desses conceitos são intuitivos e abordaremos todos nesta seção. Capital É o valor que se dispõe para aplicar. Muitos autores, para a designação do capi- tal, utilizam outros termos, como: principal, valor atual, valor presente ou valor apli- cado. Nesta obra, utilizaremos a denominação Capital e a representaremos com a letra maiúscula C. Prazo ou período Também podemos denominar como prazo de aplicação ou período de aplicação. Representa o tempo que o capital ficará disponível para ser aplicado. Para sua repre- sentação, utilizaremos a letra minúscula n. Juros De acordo com o site Significados, Juros é o rendimento que se obtém quando se empresta dinheiro por um determinado período. Os juros são para o credor (aquele que tem algo a receber) uma compensação pelo tempo que ficará sem utilizar o dinheiro emprestado. Por outro lado, quem faz um empréstimo em dinheiro ou faz uma compra a crédito, geralmente terá que pagar um acréscimo pela utilização do dinheiro ou pelo parcelamento da totalidade do valor do bem. A esse acréscimo tam- bém dá-se o nome de juro. (2020, grifos do original) Utilizaremos, como representação dos juros, a letra maiúscula J, e, sempre que falarmos de juros, trataremos dos juros remuneratórios. 12 Matemática Financeira De acordo com Puccini (2017), os juros podem ser tan- to remuneratórios, quanto moratórios, os juros remune- ratórios representam: • a remuneração do capital do credor por este ficar privado do seu uso, não podendo usar o capital fi- nanciado até o dia do recebimento, com risco de não receber o capital de volta (inadimplência); • custo do capital financiado pelo tomador do finan- ciamento para este ter o direito de usar o capital em- prestado até o dia do pagamento; • a remuneração paga pelas instituições financeiras sobre o capital nelas aplicado (PUCCINI, 2017, p. 2). Sobre os juros moratórios, ainda que não sejam nosso foco ou da obra do autor, é importante sabermos que “eles constituem a indenização pelo prejuízo resultante do retar- damento do pagamento por parte do devedor” (2017, p. 2). Taxa ou taxa de juros É uma porcentagem que exprime o quanto se receberá de juros pela aplicação de um certo capital por um determinado tempo. Utilizaremos, para a representa- ção da taxa de juros, a letra minúscula i. Devemos estar atentos para o fato de que, ao nos referirmos a uma taxa de juros, temos que especificar a unidade de tempo (ao ano, ao semestre ou ao mês), ou seja, não podemos colocar somente um percentual, e essa unidade de tempo deve ser compatível com a unidade de tempo do prazo de aplicação. Ou seja, se colocarmos: • 12% a.a. (ao ano), o prazo de aplicação deve estar em anos; • 8% a.s. (ao semestre), o prazo de aplicação deve estar em semestres; • 4% a.m. (ao mês), o prazo de aplicação deve estar em meses. É muito importante prestar atenção nessa colocação, pois caso não haja essa compatibilidade de unidades, os cálculos estarão errados. Montante O montante nada mais é do que o resultado da soma do capital aplicado com os juros recebidos pela aplicação deste capital. Utilizaremos, para sua representação, a letra maiúscula M, representando esse cálculo pela seguinte fórmula matemática: M = C + J Entenda mais sobre a proporcio- nalidade das taxas acessando o QR Code. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática Capitalização simples 13 Capitalização De acordo com o site Significados (2020, grifos do original), capitalização é aplicação para acumulação de capital. É quando o capital é aplicado e sobre ele incide uma taxa de juros, que acaba por acumular mais capital. É um termo utilizado na economia para relacionar as formas de juntar valo- res, também chamado de capitalização de juros. Além disso, temos o regime de capitalização, que indica como os juros serão acrescentados ao capital. Nesse aspecto, existem duas possibilidades: o regime de capitalização simples e o regime de capitalização composta. Regime de capitalização simples Quando os juros obtidos incidem somente sobre o capital inicialmente aplicado. Regime de capitalização composta Quando os juros obtidos incidem sobre o capital acrescido dos juros do período considerado. É conveniente ressaltarmos que, nesta parte do estudo, trabalharemos espe- cificadamentecom o regime de capitalização simples. O regime de capitalização composta será abordado oportunamente. 1.3 Aplicações Vídeo Após termos visto os conceitos matemáticos básicos, podemos nos dedicar ao estudo de situações-problema envolvendo o cálculo de juros simples, no regime de capitalização simples. Para isso, utili- zaremos apenas duas fórmulas matemáticas. Para calcular os juros simples, usamos: J = C . i . n Já para calcular o montante: M = C + J Caso realizemos a substituição do valor dos juros (1ª fórmula) na fórmula do montante, encontraremos uma outra fórmula matemáti- ca que também poderá ser utilizada: M = C + J ∴ M = C + C . i . n ∴ M = C . (1 + i . n) Para fixação, observe os exemplos a seguir. ∴ é um símbolo matemático para indicar uma conclusão óbvia, pode ser lido como “por- tanto”, “logo” ou “em conclusão”. Atenção 14 Matemática Financeira Σxemρlos 1. Suponha que você tomou emprestada, em uma instituição financeira, a im- portância de R$ 5.500,00, para pagamento em um prazo de 2 anos, à taxa de 8% a.a. (ao ano). Qual será o valor dos juros que você deverá pagar à ins- tituição financeira que lhe emprestou o dinheiro? Qual é o montante a ser restituído para a instituição financeira no final do período do empréstimo? Devemos, em primeiro lugar, verificar se a taxa de juros e o período estão em unidades compatíveis. Como a taxa de juros do enunciado é de 8% a.a., e o prazo é de 2 anos, as unidades são compatíveis. Então, podemos calcular o valor dos juros que serão cobrados pelo empréstimo utilizando a seguinte fórmula: J = C . i . n ∴ J = 5.500 . 0,08 . 2 ∴ J = 880. Para determinarmos o valor do montante a ser devolvido à instituição finan- ceira, temos: M = C + J ∴ M = 5.500 + 880 ∴ M = 6.380. Portanto, de acordo com os cálculos desenvolvidos, o valor de juros a ser pago é de R$ 880,00, e o total que deverá ser devolvido à instituição finan- ceira é de R$ 6.380,00. Resposta: será feito o pagamento de R$ 880,00 de juros e se devolverá à insti- tuição financeira, ao final do período do empréstimo, a quantia de R$ 6.380,00. 2. Suponha que você tenha recebido uma proposta para aplicar o capital de R$ 16.780,00 pelo prazo de 3 anos. Determine o valor da taxa da aplicação sugerida, sabendo que lhe informaram que você receberá R$ 1.258,50 de juros. Utilizando a fórmula que determina o valor dos juros, obtemos: J = C . i . n ∴ 1.258,5 = 16.780 . i . 3 ∴ 1.258,5 = 50.340 . i ∴ i = 1.258,5 50.340 ∴ i = 0,025. Para sabermos a porcentagem de aplicação necessária para chegar a esse valor de juros, devemos transformar a taxa que está no formato centesimal para o formato percentual, acrescentando a respectiva unidade de tempo, correspondente ao prazo de aplicação. Assim, a taxa anual será de 2,5% a.a., pois o tempo está dado em anos. Resposta: a taxa da aplicação que foi sugerida a você é de 2,5% a.a. 3. Uma aplicação de R$ 8.500,00 obteve um montante de R$ 9.647,50 pelo prazo de 9 meses. Qual é a taxa anual dessa aplicação? Utilizando a fórmula que determina o montante da aplicação, obtemos: M = C . (1 + i . n) ∴ 9.647,5 = 8.500 . ( 1 + i . 9 ) ∴ 9.647,5 8.500 = Para cálculos com fórmulas matemáticas, devemos colocar o valor da taxa de juros no for- mato decimal e não no formato percentual. Para isso, dividimos o valor da taxa percentual por 100. Atenção O folder Sonhos: a educa- ção financeira pode ajudar, publicado pelo Banco Central do Brasil, não fala especificadamente de capitalização simples, mas passa informações importantes que dizem respeito à educação financeira e, portanto, à matemática financeira. Banco Central do Brasil. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/ content/cidadaniafinanceira/ documentos_cidadania/Folhe- tos_Serie_II_Financas_Pessoais/ folder_serie_II_sonhos_a_educa- cao_financeira_pode_ajudar.pdf. Acesso em: 3 fev. 2020. Leitura Capitalização simples 15 1 + i . 9 ∴ 1,135 – 1 = 9 . i ∴ 0,135 = 9 . 1 ∴ 0,135 9 = i ∴ i = 0,015 ao mês. Como o problema pediu a taxa anual, devemos fazer a conversão para a unidade solicitada da seguinte maneira: 0,015 a.m. . 12 = 0,18 a.a. = 18% a.a. Resposta: a taxa anual da aplicação é de 18% a.a. 4. Qual é o capital que, aplicado durante 1 ano e 2 meses, à taxa de 0,75% ao mês, produz um montante de R$ 91.162,50? Utilizando a fórmula que determina o montante da aplicação, obtemos: M = C . (1 + i . n) ∴ 91.162,5 = C . (1 + 0,0075 . 14) ∴ 91.162,5 = C . 1,105 ∴ 91.162,5 1,105 = C ∴ C = 82.500. Resposta: o capital é de R$ 82.500,00. 5. Durante quanto tempo devemos aplicar o capital de R$ 4.500,00, à taxa de 12% a.a., para obtermos um montante de R$ 5.242,50? Utilizando a fórmula para determinar o montante da aplicação, obtemos: M = C . ( 1 + i . n ) ∴ 5.242,5 = 4.500 . ( 1 + 0,12 . n ) ∴ 5.242,5 4.500 = 1 + 0,12 . n ∴ 1,165 – 1 = 0,12 . n ∴ 0,165 0,12 ∴ n = 1,375. Como ninguém fala uma data com vírgula, ou seja, 1,375 ano, devemos rea- lizar uma alteração para que ela se transforme em uma data dita de uma maneira mais usual. Para realizar essa mudança, devemos multiplicar a par te decimal para a unidade imediatamente inferior a ano, que é mês, multi- plicando por 12. Assim, 0,375 . 12 = 4,5 meses. Como ainda aparece uma data com vírgula, procedemos da mesma maneira para transformar a parte decimal na unidade inferior, ou seja, dias. Por- tanto: 0,5 mês . 30 = 15 dias. Então, 1,375 anos = 1 ano, 4 meses e 15 dias. Logo, esse é o tempo necessário de aplicação do capital de R$ 4.500,00 para produzir o montante de R$ 5.242,50. Resposta: o valor de 2,5% de 690 é igual a 17,25. Exercite seus conhecimentos sobre aplicações acessando o QR Code. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática 1.4 Juro comercial e juro exato Vídeo O cálculo de juros simples é mais comum em cálculos de capitalização simples. Nessas contas utilizamos o ano comercial (para o qual o ano possui 12 meses, to- dos com 30 dias, o que totaliza 360 dias). Ao obtermos o número de dias por esse processo, obtemos o tempo aproximado entre as datas e estamos calculando o que é denominado juro simples comercial ou juro simples ordinário. 16 Matemática Financeira Entretanto, podemos calcular os juros fazendo uso do número exato de dias do ano, ou seja, o ano civil, com 12 meses, totalizando 365 ou 366 dias. Utilizando esse outro conceito, trabalharemos com o que é denominado juro simples exato. Ao reali- zar a contagem de dias por esse procedimento, trabalharemos com o tempo exato entre as datas. Σxemρlo Considere uma aplicação de capital no valor de R$ 25.800,00, realizada entre o dia 12 de maio de 2018 e o dia 27 de setembro de 2019, à taxa de 7,5% a.a. Deter- mine o valor do juro comercial e o valor do juro exato obtido com essa aplicação. 1°. Vamos determinar a quantidade de dias entre as duas datas: a) Cálculo da quantidade de dias aproximado, para calcular o juro comercial: • número de dias em que o capital ficou aplicado no mês de maio de 2018 – 18 dias; • número de dias dos meses de junho, julho, agosto, setembro, outubro, novem- bro e dezembro de 2018 (considerando meses com 30 dias cada um) – 210 dias; • número de dias dos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho e agosto de 2019 (considerando meses com 30 dias cada um) – 240 dias; • número de dias em que o capital ficou aplicado no mês de setembro de 2019 – 27 dias; • somando a quantidade de dias entre as duas datas, obtemos 495 dias (18 + 210 + 240 + 27 = 495). Para saber como determinar o número de dias comerciais, por intermédio da utilização de uma planilha do Microsoft Excel, você deve: digitar na célula A1: data mais antiga; digitar na célula A2: data mais recente; digitar na célula A3: n. de dias exatos; digitar na célula B1: 12/05/2018; digitar na célula B2: 27/09/2019; digitar na célula B3: =DIAS360(B1;B2). Aparecerá, na célula B3, o valor 495, que corresponde à quantidade de dias comerciais entre as duas datas digitadas nas células B1 e B2. Dica É importante cuidar da ordem na qual você deve digitar as células que correspondem às datas. A B 1 Data mais antiga 12/05/2018 2 Data mais recente 27/09/2019 3 N. de dias comerciais 495 b) Cálculo da quantidade de dias exatos para calcular o juro exato: • número de dias do mês de maio de 2018 – 19 dias; • número de dias dos meses de junho, setembro e novembro de 2018 (meses com 30 dias cada um) – 90 dias; • número de dias dos meses de julho, agosto, outubro e dezembro de 2018 (meses com 31 dias cada um) – 124 dias; • número de dias dos meses de janeiro, março, maio, julho e agosto de 2019 (me- ses com 31 dias cada um) – 155 dias; • número de dias dos meses de abril e junho de 2019 (meses com 30 dias cada um) – 60 dias; Capitalização simples 17 • número de dias do mês de fevereiro de 2019 – 28 dias; • número de dias do mês de setembro de 2019 – 27 dias; • somando a quantidade de dias entre as duas datas obtemos 503 dias (19 + 90 + 124 + 155 + 60 + 28 + 27 = 503). Assim como para determinar o número de dias comerciais, você pode calcular o número de dias exatos no Excel. Veja: digitar na célula A1: data mais antiga; digitar na célula A2: data mais recente; digitar na célula A3: n. de dias exatos; digitar na célula B1: 12/05/2018; digitar na célula B2: 27/09/2019; digitar na célula B3: = DIAS(B2; B1). Aparecerá na célula B3 o valor 503, que corresponde à quantidade tempo exato entre as duas datas digitadas nas células B1 e B2. Dica A B 1 Data mais antiga 12/05/2018 2 Data mais recente 27/09/2019 3 N. de dias exatos 503 2°. Determinação do juro comercial: J = C . i . n ∴ J = 25.800 . 0,075 360 . 495 ∴ J = 25.800 . 0,00020833... . 495 ∴ J = 2.660,625 ∴ J = 2.660,63. 3°. Determinação do juro exato: J = C . i . n J = 25.800 . . 503 J = 25.800 . 0,00,075 365 ∴ 00020548... .503∴ J = 2.666,5890411 ∴ J = 2.666,59. Resposta: o valor do juro comercial a receber é de R$ 2.660,63 e do juro exato é de R$ 2.666,59. Exercite seus conhecimentos sobre juro comercial e juro exato acessando o QR Code. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática 1.5 A regra do banqueiro Vídeo Uma outra opção para calcularmos o valor do juro simples é utilizando a regra do banqueiro. Para realizarmos o cálculo pela aplicação dessa regra, devemos utilizar a taxa de aplicação (i), determinada pela utilização do ano comercial, mas o período de tempo (n), determinado pelo ano civil. Σxemρlos 1. Determinar, utilizando a regra do banqueiro, o valor do juro da aplicação do capital de R$ 5.600,00, sabendo que a taxa da aplicação é de 8% a.a. e o período da aplicação é de 15 de julho de 2019 a 23 de dezembro de 2019. Precisamos, primeiro, determinar a quantidade de dias entre as duas datas, utilizando o ano civil, obtendo 161 dias. Utilizando a fórmula que determina o valor dos juros, obtemos: J = C . i . n J = 5.600 J = 5.600 . 0,00022222... ,0 08 360 ∴ .. . 161∴ J = 200,35555556... ∴ J = 200,36. 18 Matemática Financeira Resposta: o valor do juro da aplicação, calculado pela regra do banqueiro, é de R$ 200,36. 2. Suponha que você tenha aplicado a quantia de R$ 3.800,00 em uma institui- ção que lhe ofereceu a aplicação a uma taxa de 11,5% a.a., pelo período que compreendeu os meses de agosto, setembro e outubro de 2019. Quanto você recebeu de juros, sabendo que foram calculados pela regra do banqueiro? Utilizando a fórmula que determina o valor dos juros, obtemos: J = C . i . n J = 3.800 . . 92 J = 3.800 . 0,00030,115 360 11944... . 92∴ J = 111,67777778... ∴ J = 111,68. Resposta: o valor do juro que você recebeu pela aplicação, calculado pela regra do banqueiro, foi de R$ 111,68. 1.6 Juro do cheque especial Vídeo Muitas pessoas têm a curiosidade de saber – mas a maioria ainda não sabe – como os bancos fazem os cálculos dos juros cobrados quando um correntista utiliza o limite do seu cheque especial. Primeiro, é bom saber que o método utilizado é denominado de método hamburguês. Para a utilização desse método de cálculo de juros simples, utilizamos a seguinte fórmula matemática: J�=�i�. C .n k�=�1 n k k� ��� � � Em que: • i → taxa de juros a ser utilizada; • Ck → diversos capitais utilizados. No caso do cálculo dos juros do cheque es- pecial, são os diversos valores do limite de crédito que o correntista possui e que utilizou para algum tipo de transação financeira; • nk → diversos prazos utilizados. No caso do cálculo da utilização do limite do cheque especial, correspondem aos períodos em que o correntista ficou com seu saldo de conta-corrente negativo. Σxemρlo Vamos ver o cálculo da aplicação do método hamburguês por intermédio de um exemplo: ao verificar o saldo bancário de sua conta-corrente, você percebeu que, em um determinado mês, sua conta apresentou os seguintes saldos: Saldo Quantidade de dias + R$ 250,00 5 – R$ 420,00 3 + R$ 310,00 12 – R$ 405,00 8 + R$ 95,00 2 Exercite seus conhecimentos sobre a regra do banqueiro acessando o QR Code. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática Segundo publicação do Banco Central do Brasil, desde 6 de janeiro, os juros cobrados de pessoas físicas e Microempreen- dedores Individuais (MEIs), em todas as novas operações de cré- dito com cheque especial, estão limitados a 8% ao mês (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2020). Saiba mais Capitalização simples 19 Sabendo que o banco em que você possui conta-corrente opera com uma taxa de juros simples de 6,75% a.m., sobre a utilização do limite do cheque especial, quanto você deverá pagar de juros por ter utilizado seu limite? Em primeiro lugar, devemos perceber que os juros serão cobrados apenas du- rante os períodos em que o saldo de sua conta-corrente ficou negativo. Utilizando a fórmula matemática para o cálculo dos juros pelo método hamburguês, temos: J�=�i�. C �.n �J�=�0,0675 30 .� 420�.�3�+�405�.�8 k�=�1 n k k� � � � ��� ��� J�=�0,00225�.� 1.260�+�3.240 � �J�=�0,00225�.�4.500� �J�=�� � � � 110,125. Resposta: você pagará ao banco, por ter utilizado o limite do cheque especial por 11 dias, o valor de R$ 10,13. Exercite seus conhecimentos sobre juro do cheque especial acessando o QR Code. Esses exercícios são atividades-ex- tras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo você iniciou seu estudo no campo da Matemática Financeira e viu como trabalhar com as diversas maneiras de se realizar cálculos para obter juros no regime de capitalização simples. Esperamos que este capítulo tenha despertado sua curiosidade para enfrentar os demais conteúdos desta importante ferramenta: a ma- temática financeira. ATIVIDADES 1. Suponha que você tenha visto o preço de um produto no supermercado. Ele custava R$ 12,85. Havia, também, um cartaz que informava que, se levasse três produtos, pagaria pelos três o total de R$ 36,00. Se você levar os três, de quanto será o percentual de redução de preço de um produto? 2. Caroline ganha 12% a mais que Marcio. Se Caroline tiver o valor de seu salário reajustado em 8% enquanto Marcio não recebeu nenhum aumento, qual será o percentual da diferença entre os salários dos dois? 3. Determine as taxas proporcionais solicitadas: a) 30% a.a. (ao ano) = ? a.m. (ao mês). b) 0,08% a.d. (ao dia) = ? a.m. (ao mês). c) 8% a.t. (ao trimestre) = ? a.a. (ao ano). d) 24% a.s. (ao semestre) = ? a.m. (ao mês). 4. Você realizou a compra de um objeto, que custa R$ 750,00, para pagar em 2 meses emeio. A loja financia essa compra a uma taxa de juros simples de 12,6% a.a. Quanto você deverá pagar de juros por ter feito a compra? 5. Você aplicou R$ 22.580,00 em uma instituição financeira. Quanto você receberá de juro, ao fim de 3 anos, 4 meses e 15 dias, se a taxa de juros simples com qual a instituição financeira trabalha é de 0,4% ao mês? 20 Matemática Financeira 6. Se você realizar uma aplicação financeira em um banco, que opera com uma taxa de juros simples de 9,8% a.a., no valor de R$ 10.280,00, pelo período de 5 meses, quanto você resgatará ao final do período de aplicação do valor que você aplicou? 7. Uma blusa feminina é oferecida em uma determinada loja de departamentos por R$ 108,00 à vista ou com 15% de entrada e um pagamento de R$ 123,00, quarenta dias após a compra. Calcule a taxa mensal de juros simples cobrada pela loja. 8. Durante quanto tempo você tem que aplicar qualquer capital, à taxa de juros simples de 5% ao mês, para que ele triplique de valor? 9. Foi proposto que você fizesse uma aplicação financeira cujo valor de resgate seria de R$ 53.500,00, após 4 meses de aplicação. Você perguntou o valor da taxa de juros simples a ser aplicada e lhe informaram que essa taxa é de 21% a.a. Nessas condições, de quanto deve ser o valor que você precisa disponibilizar para realizar a aplicação? 10. O capital de R$ 9.850,00 foi aplicado em uma instituição financeira de 20 de março de 2018 a 20 de maio de 2019. Se a instituição financeira opera com a taxa semestral de 4,2%, determine o montante exato obtido com essa aplicação. 11. Uma aplicação financeira foi realizada entre 10 de abril a 25 de novembro de 2019. Se o capital aplicado foi de R$ 6.000,00 e a instituição financeira trabalha com a taxa de 15% a.a., determine o valor do montante obtido, considerando como processo de cálculo a regra do banqueiro. 12. Verificando o extrato de sua conta-corrente, você percebeu que o saldo dela permaneceu 6 dias com R$ 272,65 negativo e 10 dias com saldo negativo de R$ 156,85. Se o banco em que você é correntista cobra a taxa de juros de 7,25% quando o limite do cheque especial é utilizado, calcule quanto você pagará de juros no mês em questão. REFERÊNCIAS BANCO CENTRAL DO BRASIL. Limite de juros do cheque especial começa a valer. Brasília, 2020. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/402/noticia. Acesso em: 3 fev. 2020. PUCCINI, A. de L. Matemática Financeira: objetiva e aplicada. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. SIGNIFICADOS. 2020. Disponível em: https://www.significados.com.br/. Acesso em: 3 fev. 2020. GABARITO 1. Nessa questão, deve-se calcular, em primeiro lugar, qual é o preço a ser pago por um produto quando se levam os três. Devemos fazer: 36 3 = 12. Vamos, agora, calcular o valor de redução do preço em um produto: 12,85 – 12 = 0,85. Então, o percentual de redução do preço em um produto: �0,85�.�100 12,85 = 6,61478599%. Resposta: o percentual de redução que ocorreu no preço de um produto foi de 6,61%. 2. Supondo que o valor do salário de Marcio seja de R$ 1.000,00. Então, o valor do salário de Caroline seria de R$ 1.120,00 (12% superior ao valor do salário de Marcio). Capitalização simples 21 Caso Caroline tenha um aumento de 8% em seus vencimentos, receberá um aumento de: 8% . 1.120 = 8 100 . 1.120 = 8�.�1.120 100 = 8.960 100 = 89,60. Então, o valor de seu salário passará a ser de R$ 1.120,00 + R$ 89,60 = R$ 1.209,60. A diferença entre os salários passará a ser de: 1.209,6 – 1.000 = 209,6 que corresponde ao percentual de: 209,6 1.000 = 0,2096 ∴ 20,96%. Resposta: a diferença percentual entre os dois salários será de 20,96%. 3. a) Devemos, em primeiro lugar, passar o percentual dado para formato unitário e depois dividir pela quantidade de meses que um ano possui. Posteriormente, passamos o resultado obtido para o for- mato percentual novamente: 30% a.a. = 0,30 12 = 0,025 a.m. = 2,5% a.m. b) Devemos, em primeiro lugar, passar o percentual dado para o formato unitário e depois multiplicar o resultado obtido pela quantidade de dias que o mês possui: 0,08% a.d. = 0,0008 . 30 = 0,024 a.d. = 2,4% a.m. c) Devemos, em primeiro lugar, passar o percentual dado para o formato unitário e depois multiplicar o resultado obtido pela quantidade de trimestres que o ano possui: 8% a.t. = 0,08 . 4 = 0,32 a.d. = 32% a.a. d) Devemos, em primeiro lugar, passar o percentual dado para o formato unitário e depois dividir o resultado obtido pela quantidade de meses que o semestre possui: 24% a.s. = 0,24 6 = 0,04 a.m. = 4% a.m. 4. Vamos transformar a taxa dada, anual, em taxa mensal e no formato unitário: 12,6% a.a. = 0,126 12 a.m. = 0,0105 a.m. Determinando o valor dos juros simples da operação financeira, obtemos: J = C . i . n ∴ J = 750 . 0,0105 . 2,5 ∴ J = 19,6875. Resposta: você deverá pagar R$ 19,69 de juros simples na compra realizada. 5. Devemos, em primeiro lugar, transformar o período de aplicação em dias: 3 anos, 4 meses e 15 dias = 3 . 360 + 4 . 30 + 15 = 1.215 dias. Agora, vamos transformar a taxa dada mensal em taxa diária e no formato unitário: 0,4% a.m. = 0,004 30 a.d. = 0,000133333... a.d. Aplicaremos, então, a fórmula de cálculo para a obtenção do valor dos juros. J = C . i . n ∴ J = 22.580 . 0,00133333... . 1.215 ∴ J = 3.657,96. Resposta: você receberá R$ 26.237,96 de juro pela aplicação que realizou. 6. Em primeiro lugar, devemos deixar o período de aplicação compatível com a taxa de juros simples que o banco opera. Assim, como o período de tempo está em meses, devemos passar a taxa de juros simples para uma taxa mensal. Portanto: 9,8% a.a. = 0,098 12 a.m. = 0,00816667 a.m. Agora, podemos aplicar a fórmula de juros simples: J = C . i . n ∴ J = 10.280 . 0,00816667 . 5 ∴ J = 419,766667. Determinando o valor do montante, temos: M = C + J ∴ M = 10.280 + 419,77 ∴ M = 10.699,77. Ou você pode fazer: M = C . (1 + i . n) ∴ M = 10.280 . (1 + 0,00816667 . 5) ∴ M = 10.699,7667. Resposta: você resgatará, ao final do período de aplicação, R$ 10.699,77. 22 Matemática Financeira 7. Determinando o valor que foi dado como entrada, obtemos: 15% . 108 = 15 100 � . 108 = 16,20. Restaram, portanto, R$ 108,00 – R$ 16,20 = R$ 91,80 para ser pago após quarenta dias da data da compra. Aplicando a fórmula de juros simples, teremos: J = C . i . n ∴ 123 – 91,8 = 91,8 . i . 40 ∴ 31,2 = 3.672 . i ∴ i = 31 2 3 672 , . � ∴ i = 0,00849673... a.d. ∴ i = 0,8496732... % a.d. Assim: i = 0,8496732... % a.d. . 30 = 25,49019608... % a.m. Resposta: a taxa mensal de juros simples cobrada pela loja foi de 25,49% a.m. 8. Pelo dito no enunciado do problema, um capital deve triplicar de valor, ou seja, o montante a ser recebido deve ser igual a três vezes o valor do capital aplicado. Portanto, devemos aplicar a fórmula do cálculo do valor do montante. Assim: M = C . (1 + i . n) ∴ 3 . C = C . (1 + 0,05 . n) ∴ 3�.�C C = 1 + 0,05 . n ∴ 3 = 1 + 0,05 . n ∴ 3 – 1 = 0,05 . n ∴ 2 = 0,05 . n ∴ n = 2 0,05 �∴ n = 40 meses. Como 40 meses é igual a 3 anos e 4 meses, você deve aplicar qualquer capital por 3 anos e 4 meses para que triplique de valor, à taxa de juros simples de 5% a.m. Resposta: você deve aplicar qualquer capital, à taxa de juros simples de 5% a.m., por 3 anos e 4 me- ses para que triplique de valor. 9. Determinando o valor da taxa mensal da aplicação, no formato unitário, já que o período de tempo está em meses, obtemos: 21% a.a. = 0,21 12 = 0,0175 a.m. Utilizando a fórmula para o cálculo do valor do montante, obteremos: M = C . (1 + i . n) ∴ 53.500 = C . (1 + 0,0175 . 4) ∴ 53.500 = C . 1,07 ∴ C = 53.500 1,07 ∴ C = 50.000. Resposta: o valor que você deverá aplicar deve ser de R$ 50.000,00. 10. Determinando a quantidade exata de dias entre as duas datas, obtemos 426 dias. Encontrando a taxa diária da aplicação, temos: 4,2% a.s. = 0,042 180 = 0,00023333 a.d. Aplicando a fórmula para determinar o montante da aplicação, temos: M = C . (1 + i . n) ∴ M = 9.850 . (1 +0,00023333 . 426) ∴ M = 9.850 . 1,0994 ∴ M = 10.829,09. Resposta: o montante exato obtido com a aplicação será de R$ 10.829,09. 11. Determinando a quantidade exata de dias entre as duas datas, obtemos 229 dias. Encontrando a taxa diária da aplicação, vem: 4,2% a.s. = 0,15 360 = 0,00041667 a.d. Aplicando a fórmula para determinar o montante da aplicação, temos: M = C . (1 + i . n) ∴ M = 6.000 . (1 + 0,00041666... . 229) ∴ M = 6.000 . 1,09541666... ∴ M = 6.572,50. Resposta: o montante exato obtido com a aplicação foi de R$ 6.572,50. 12. Utilizando a fórmula matemática para o cálculo dos juros pelo método hamburguês, temos: J�=�i�. C �.n �J�=�0,0725 30 .� 272,65�.�6�+�156,85� k�=�1 n k k� � �� ..�10 �� � J�=�0,00241667�.� 1.635,9�+�1.568,5 ��J�=�0,00241667�.�3.2� � 004,4� J�=�7,74397735. Resposta: você pagará ao banco, por ter utilizado o limite do cheque especial por 16 dias, o valor de R$ 7,74. Desconto simples 23 2 Desconto simples Dentre as operações que movimentam dinheiro, seja entre pessoas, entre pessoas e instituições financeiras ou apenas entre as instituições financeiras, os empréstimos bancários são muito comuns. Muitas dessas transações envolvem os denominados títulos de crédito, instrumentos legais de crédito que têm garantias legais e, por possuírem essas garantias, podem ser comercializados livremente, desde que antes da data de vencimento. A troca de papéis, isto é, a troca de um documento de crédito por outro, é uma transação financeira muito comum no mercado financeiro; e, nesses tipos de transações, o mais usual é a prática de descontos. Fica evidente que quem vai receber o título de crédito de outro deve receber algum tipo de compensação para realizar esse tipo de transação financei- ra. Essa vantagem, em grande parte das negociações, vem em forma de desconto. Neste capítulo conheceremos os tipos de descontos e como são aplicados. 2.1 Desconto simples Vídeo Caso você precise de dinheiro, pode dirigir-se a uma instituição financeira e solicitar um empréstimo. Se seu cadastro for aprovado para receber o valor necessário, o agente financeiro pedirá que você assine um contrato, no qual constará um documento que estipula a devolução da quantia emprestada em uma data futura. Neste capí- tulo, estudaremos a situação da devolução do valor emprestado em uma única vez, em uma data futura. Como já dito, a instituição financeira fará com que você assine alguns documentos para a realização do empréstimo e um deles é denominado título de crédito. Esses títulos de crédito podem ser, basicamente, de três tipos: Nota promissória Título muito usado entre pessoas físicas ou entre pessoas físicas e instituição financeira. De acordo com o site Significados, na promissória, uma pessoa assume que deve determinado montante a outra, e se compromete a pagar esse valor em dia e local específicos. (2020, grifos do original) Esse título de crédito ao qual a lei, através do artigo 585, I, do De acordo com o Dicionário Finan- ceiro (2020), “o título de crédito é um documento que contém um direito de crédito e representa a obrigação desta dívida com as informações nele inscritas”. Disponível em: https://www.dicio- nariofinanceiro.com/titulos-de-cre- dito/. Acesso em: 26 fev. 2020. Importante 24 Matemática Financeira Código de Processo Civil, atribuiu eficácia executiva extrajudicial, consiste ba- sicamente em uma promessa de pagamento que depende de duas partes para existir: • Emitente ou subscritor: é o devedor; a pessoa responsável por emitir a nota promissória. • Beneficiário ou tomador: é o credor do montante em dívida; a pessoa que receberá o pagamento do valor devido. A promissória é um documento que tem valor judicial, ou seja, é reconhecido pela justiça. Duplicata Título emitido por uma pessoa jurídica, contra seu cliente, que pode ser pessoa física ou jurídica, como forma de cobrança por serviços prestados ou produtos ven- didos que devem ser pagos futuramente. Segundo o site Significados (2020, grifos do original), duplicata é um título de crédito, pelo qual o comprador se obriga a pagar dentro do prazo a importância representada na fatura. A Duplicata ou du- plicata mercantil é um documento nominal emitido pelo comerciante, com o valor global e o vencimento da fatura. A duplicata é uma ordem de pagamento emitida pelo credor, ao vender uma mercadoria ou serviço que prestou e que estão representados em uma fatu- ra, que deve ser paga pelo comprador das mercadorias ou pelo tomador dos serviços. Uma duplicata só pode corresponder a uma única fatura e deve ser apresentada ao devedor em no máximo 30 dias. Letra de câmbio É um título de crédito ao portador, emitido por uma instituição financeira. Conforme o site Dicionário Financeiro (2020, grifos do original): a letra de câmbio, também conhecida como LC, é um tipo de título de crédito feito por escrito que vincula uma ordem de pagamento de uma pessoa para outra. As LCs são uma das opções de investimento de renda fixa realizadas através de instituições financeiras, ou seja, empresas que atuam com oferecimento de crédito, sendo assim, de rentabilidade maior do que a poupança. No contrato desses títulos devem estar especificadas várias informações, entre elas a data de vencimento. Quando o devedor faz o pagamento do título antes dessa data, temos o que chamamos de desconto simples, que reflete o abatimento que será dado ao tomador de um empréstimo pelo pagamento antecipado de sua dívida. Esse tipo de desconto tem por base os conceitos de capitalização simples, dos juros simples. O cálculo do valor do desconto simples envolve alguns dados que devem ser entendidos: • O valor de face (valor nominal ou valor de resgate) do título de crédito, seja uma nota promissória ou uma duplicata. • A taxa de juros simples envolvida na operação de concessão do empréstimo. • O período de antecipação do pagamento da dívida. Devemos estar atentos, pois é frequente a confusão entre juros e descontos. Trata-se de dois critérios distintos, claramente caracterizados. Enquanto no cálculo Para conhecer as infor- mações que devem estar presentes em uma Letra de Câmbio, Nota Promis- sória e Duplicata, acesse o Decreto n. 57.663, de 24 de janeiro de 1966. BRASIL. Brasília: Diário Oficial da União,1966. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/decreto/Antigos/ D57663.htm. Acesso em: 26 fev. 2020. Saiba mais Empréstimo ou finan- ciamento é um contrato entre o cliente e uma ins- tituição financeira (banco, cooperativa de crédito, caixa econômica) pelo qual o cliente recebe uma quan- tia em dinheiro que deverá ser devolvida em prazo determinado, acrescida dos juros acertados (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2020). Saiba mais Desconto simples 25 dos juros simples a taxa de juros referente ao período da operação incide sobre o capital inicial, na operação de desconto simples a taxa do período de antecipação incide sobre o valor de face (montante). Devemos saber que existem duas maneiras de se realizar os cálculos para ob- ter o valor do abatimento que será dado pela antecipação do pagamento de uma dívida, ou seja, existem dois tipos diferentes de desconto simples: o desconto co- mercial e o desconto racional. 2.1.1 Desconto comercial simples Esse tipo de desconto também é denominado desconto por fora, e, nessa cate- goria, o abatimento incide sobre o valor de face do título de crédito. É amplamente utilizado no Brasil nas operações financeiras de curto prazo, seja em desconto de duplicatas, notas promissórias ou cheques. Devemos saber, também, que nas operações de desconto comercial existe, ain- da, a inclusão de outros custos, tais como: • Taxa de despesas administrativas, calculada sobre o valor de face do título de crédito. • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que incide sobre as remunera- ções de todas as atividades bancárias e financeiras, com exceção dos juros. É recolhido aos cofres do Governo Federal. Vamos, agora, compreendercomo é que devemos proceder para realizar os cálculos que envolvem desconto comercial simples. 2.1.1.1 Fórmulas matemáticas para calcular o desconto comercial simples Faremos a representação do desconto comercial simples por DC; o valor de face do título de crédito por VF; o valor a ser pago para a quitação da dívida, ou seja, o valor atual da dívida ou valor líquido da dívida, por VA; a taxa de desconto co- mercial simples por i; e o período de antecipação do pagamento da dívida por n. Devemos lembrar, como já foi dito, que o valor do desconto comercial simples deve ser calculado sobre o valor de face do título de crédito no dia de seu venci- mento. Portanto, a fórmula de cálculo é: DC = VF . i . n Depois de encontrarmos o valor do desconto comercial, para obter o valor atual do título de crédito, fazemos: VA = VF – DC ou VA = VF – (VF . i . n) ∴ VA = VF . (1 – i . n) Agora, vamos a alguns exemplos, mostrando a você como solucionar situações que envolvem esse tipo de desconto. Acesse a página Taxas de Juros, disponível no site do Banco Central do Brasil e conheça as taxas de juros pré-fixadas para diversas operações financeiras. Disponível em: https://www.bcb.gov. br/estatisticas/txjuros. Acesso em: 26 fev. 2020. Saiba mais De acordo com o site Dicionário Financeiro (2020, grifos do original), “o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) é um tributo federal que incide sobre operações de crédito, câmbio, seguros, ou operações com títulos ou valores mobiliários. É regulamentado, atualmente, pelo decreto n. 6.306 de 2007, que o denomina como Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários”. Saiba mais Quando as situações problemas não especificarem o tipo de desconto que deve ser calculado, devemos calcular o desconto comercial simples. Importante No cálculo do desconto comercial simples, o valor de n correspon- de ao tempo que falta para o vencimento do título de crédito, ou seja, é o tempo que falta para vencer a dívida. Atenção 26 Matemática Financeira Σxemρlos 1. Uma duplicata no valor de R$ 580,00 foi descontada 3 meses antes do ven- cimento, à taxa de desconto de 4% a.m. Determine o valor do desconto e o valor líquido pago. Dados do problema: VF = 580; n = 3 meses; i = 4% a.m. = 0,04 a.m. Utilizando a fórmula de desconto comercial simples, teremos: DC = VF . i . n ∴ DC = 580 . 0,04 . 3 ∴ DC = 69,6 e VA = VF . (1 – i . n) ∴ VA = 580 . (1 – 0,04 . 3) ∴ VA = 580 . (1 – 0,12) ∴ VA = 580 . 0,88 ∴ VA = 510,4 ou DC = VF – VA ∴ 69,6 = 580 – VA ∴ VA = 580 – 69,6 ∴ VA = 510,4. Resposta: o valor do desconto foi de R$ 69,60 e o valor líquido pago, o valor atual do título no momento da liquidação do título, foi de R$ 510,40. 2. Qual é o valor do desconto que você receberá sobre um título de crédito no valor de R$ 756,00, caso realize o pagamento 2 meses e 10 dias antes do ven- cimento, considerando que o agente financeiro lhe concederá uma taxa de desconto de 2,5% a.m.? Dados do problema: VF = 756; i = 2,5% a.m. = 0,00083333... a.d.; n = 2 meses e 10 dias = 70 dias. Aplicando a fórmula para chegarmos ao valor do desconto comercial sim- ples, obtemos: DC = VF . i . n ∴ DC = 756 . 0,00083333 . 70 ∴ DC = 44,1 e VA = VF . (1 – i . n) ∴ VA = 756 . (1 – 0,00083333 . 70) ∴ VA = 756 . (1 – 0,05833333) ∴ VA = 756 . 0,94166667 ∴ VA = 711,9 ou DC = VF – VA ∴ 44,1 = 756 – VA ∴ VA = 756 – 44,1 ∴ VA = 711,9. Resposta: você obterá o desconto comercial de R$ 44,10 e pagará, pela an- tecipação do pagamento, o valor atual de R$ 711,90. 3. A empresa em que você trabalha descontou, junto a um dos bancos em que possui conta, uma duplicata no valor de R$ 600,00, 3 meses antes da data de vencimento. Foi creditado na conta da empresa o valor de R$ 480,00. De- termine qual foi a taxa de desconto comercial anual utilizada na operação. Na realização de cálculo mate- máticos devemos trabalhar com todas as casas decimais. Atenção Desconto simples 27 Dados do problema: VF = 600; n = 3 meses; DC = 120; VA = 480,00. Com a utilização das fórmulas de desconto comercial simples, que já são de nosso conhecimento, obtemos: DC = VF . i . n ∴ 120 = 600 . i . 3 ∴ i = 120 600 3�.�� ∴ i = 0,0666666... a.m. Como o enunciado solicita a taxa anual de desconto comercial, devemos fazer: i = 0,066666667... . 12 . 100 = 80% a.a. ou VA = VF . (1 – i . n) ∴ 480 = 600 . (1 – i . 3) ∴ 480 600 = 1 – 3 . i ∴ 0,80 – 1 = -3 . i ∴ 0,20 = 3 . i ∴ i = 0,20 3 ∴ i = 0,06666666... ∴ i = 80% a.a. Resposta: a taxa oferecida na transação foi de 80% a.a. 4. Uma duplicata no valor de R$ 120,00 foi descontada em um banco, gerando um crédito de R$ 90,00. Sabendo que a taxa de desconto foi de 6% a.m., qual foi o prazo da operação em dias? De acordo com o enunciado, temos: VF = 120,00; i = 6% a.m. = 0,002 a.d.; DC = 30,00; VA = 90,00. Utilizando as fórmulas matemáticas que já são de nosso conhecimento, obtemos: DC = VF . i . n ∴ 30 = 120 . 0,002 . n ∴ n = 30 20�.�0,002 � ∴ n = 125 dias ou VF = VA . (1 – i . n) ∴ 90 = 120 . (1 – 0,002 . n) ∴ 90 120 = 1 – 0,002 . n ∴ 0,75 – 1 = – 0,002 . n ∴ 0,25 = 0,002 . n ∴ n = 0,25 0,002 ∴ n = 125 dias. Resposta: o título foi resgatado 125 dias (4 meses e 5 dias) antes de seu vencimento. 5. Foi resgatado, em 16 de abril de 2019, uma nota promissória cujo venci- mento estava marcado para 11 de junho de 2019. O desconto obtido foi de R$ 122,76, calculado com uma taxa mensal de desconto comercial de 2,7%. Qual é o valor nominal da promissória? Dados do problema: n = 16/04/2019 a 11/06/2019 = 55 dias; i = 2,7% a.m. = 0,0009 a.d.; DC = 122,76 Vamos utilizar a fórmula de desconto comercial simples: DC = VF . i . n ∴ 122,76 = VF . 0,0009 . 55 ∴ VF = 122,76 0,0009 . 55 ∴ VF = 2480. Resposta: a nota promissória tinha o valor de face de R$ 2.480,00. Acesse o QR Code e exercite seus conhecimentos sobre os cálculos que envolvem o desconto comer- cial simples. Esses exercícios são atividades-ex- tras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática Utilize o procedimento para o cálculo do número de dias entre duas datas. Importante 28 Matemática Financeira 2.2 Desconto bancário Vídeo Já vimos que o desconto simples comercial pode vir acompanhado de uma taxa cobrada pela instituição financeira – taxa de despesa administrativa, chamada de ta. Quando o caso for esse, o desconto comercial simples passará a ser denomina- do de desconto bancário simples, que trataremos por DB. Assim, o valor atual do título de crédito passará a ser calculado por: VA = VF – DC – VF . ta ou VA = VF . (1 – i . n – ta) Sendo assim, o valor do desconto bancário será dado por: DB = VF – VA Σxemρlos Vamos resolver alguns exemplos de cálculo envolvendo desconto bancário, quando aplicada a taxa de despesa administrativa e, também, quando envolve esse tipo de taxa com o IOF. 1. Um título de crédito de R$ 9.400,00 foi descontado 2 meses antes de seu vencimento. Se a taxa de desconto comercial simples for de 15% a.a., qual é o desconto bancário e o valor a ser pago ao dono do título de crédito, sabendo que o banco cobra, a título de taxa de despesa administrativa, 0,75% sobre o valor do título? Verificando os dados do problema, percebemos que temos: VF = 9.400; i = 0,15 a.a = 0,0125 a.m.; n = 2; ta = 0,75% Por intermédio da fórmula de desconto comercial simples, obtemos: DC = VF . i . n ∴ DC = 9.400 . 0,0125 . 2 ∴ DC = 235 Para calcularmos o valor atual do título, fazemos: VA = VF – DC – VF . ta ∴ VA = 9.400 – 235 – 9.400 . 0,0075 ∴ VA = 9.400 – 235 – 70,5 ∴ VA = 9.094,5 ou VA = VF . (1 – i . n – ta) ∴ VA = 9.400 . (1 – 0,0125 . 2 – 0,0075) ∴ VA = 9.400 . (1 – 0,025 – 0,0075) ∴ VA = 9.400 . 0,9675 ∴ VA = 9.094,5. O valor do desconto bancário será de: DB = VF – VA ∴ DB = 9.400 – 9.094,5 ∴ DB = 305,5. Resposta: o valor do desconto bancário é de R$ 305,50e será pago ao dono do título de crédito o valor de R$ 9.094,50. 2. Um correntista de uma instituição financeira possui uma duplicata que tem valor de face de R$ 14.000,00. Essa duplicata foi descontada 50 dias antes de seu vencimento. A instituição financeira em que foi realizado o desconto da duplicata opera com uma taxa de desconto comercial simples de 1,75% a.m. e cobra uma taxa de despesa administrativa de 1,5%. Sobre a operação de Acesse o QR Code e exercite seus conhecimentos sobre cálculos que envolvem desconto bancário. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática Desconto simples 29 desconto é cobrado, ainda, o IOF de 0,38% mais 0,0082% ao dia. Determine o valor líquido liberado para o detentor da duplicata. Dados do problema: VF = 14.000; n = 50 dias; i = 0,0175 a.m. = 0,00058333 a.d.; ta = 1,5% = 0,015; IOF = 0,38% + 0,0082% . 50 = 0,0038 + 0,0041 = 0,0079. Vamos calcular o valor do desconto comercial simples: DC = VF . i . n ∴ DC = 14.000 . 0,00058333 . 50 ∴ DC = 408,33333333... Determinando o valor atual pago pelo resgate da duplicata: VA = VF – DC – VF . ta – VF . IOF ∴ VA = 14.000 – 408,3333333... – 14.000 . 0,015 – 14.000 . 0,0079 ∴ VA = 14.000 – 408,3333333... – 210 – 110,6 ∴ VA = 13.271,0666666... Resposta: o valor líquido liberado para o correntista, o detentor da duplica- ta, é de R$ 13.271,07. Esses tipos de problemas requerem um pouco mais de atenção e envolvem um número maior de cálculos, mas é só prestar atenção que você acertará. Devemos multiplicar a taxa cobrada por dia pela quantidade de dias da antecipação do desconto da duplicata. Atenção 2.3 Desconto racional simples Vídeo O desconto racional simples também reflete um abatimento so- bre o valor de um título de crédito, mas corresponde ao equivalente ao juro simples calculado sobre o valor atual (VA) do título. Rece- be, também, a denominação de desconto real (verdadeiro) ou descon- to por dentro. Representa a diferença entre o valor de face do título de crédito e o valor real que esse título possui. 2.3.1 Fórmulas matemáticas para calcular o desconto racional simples Para o cálculo do desconto racional simples, que representare- mos por DR; VA é o valor atual do título; VF é o valor de face do títu- lo; i é a taxa de desconto racional simples aplicada; e n é o período de tempo de antecipação em relação à data do resgate do título. As fórmulas matemáticas utilizadas para o cálculo do desconto racional (ou desconto por dentro) são as seguintes: DR = VA . i . n ou DR = VF – VA ou DR = VF�.�i�.�n 1�+�i�.�n Esse tipo de desconto raramente é utilizado no Brasil. Curiosidade 30 Matemática Financeira Σxemρlos Vamos, agora, resolver vários exemplos utilizando esse tipo de desconto. 1. Um título de crédito, cujo valor de face é de R$ 10.000,00, foi resgatado 25 dias antes do seu vencimento com a taxa de desconto racional simples de 15% a.a. Qual é o valor do desconto dado pela instituição financeira ao portador do título e o valor de resgate creditado na conta-corrente do pro- prietário do título de crédito? Verificando os dados do problema, percebemos que: VF = 10.000; n = 25 dias; i = 15% a.a. = 0,000416666... % a.d. Vamos calcular o valor do desconto racional simples. DR = VF�.�i�.�n 1�+�i�.�n ∴ DR = 10.000�.�0,000416666�.�25 1�+�0,000416666�.�25 ∴ DR = 104,16666667 1,01041667 ∴ DR = 103,09278351. Determinando o valor atual do título de crédito, obtemos: VA = VF – DR ∴ VA = 10.000,00 – 103,09278351 ∴ VA = 9.896,90721649. Resposta: o valor do desconto racional simples dado pela instituição finan- ceira é de R$ 103,09 e o valor atual, valor creditado para o detentor do título, é igual a R$ 9.896,91. 2. Considere um título de crédito de valor de face igual a R$ 4.000,00, vencível em um ano. Esse título está sendo liquidado 3 meses antes de seu venci- mento. Sabendo que a taxa de desconto racional simples praticada na ope- ração é de 24% a.a., determine o valor do desconto e o valor atual do título de crédito resultante dessa operação. Verificando o enunciado do problema, temos os seguintes dados: VF = 4.000; n = 3 meses; i = 24% a.a. = 0,02 a.m. Determinando o valor do desconto racional simples: DR = VF�.�i�.�n 1+�i�.�n ∴ DR = 4.000�.�0,02�.�3 1+�0,02�.�3 ∴ DR = 240� 1,06� ∴ DR = 226,41509434. Então, o valor descontado será obtido fazendo: DR = VF – VA ∴ 226,41509434 = 4.000 – VA ∴ VA = 4.000 – 226,41509434 ∴ VA = 3.773,58490566. Resposta: o valor do desconto racional simples será de R$ 226,42 e o valor atual do título de crédito será de R$ 3.773,58. Desconto simples 31 3. Qual é a taxa mensal de desconto racional simples de um título negociado 2 meses e 18 dias antes de seu vencimento, sendo seu valor de face igual a R$ 22.640,00 e o valor atual, na data em que foi descontado, de R$ 21.494,35? Observando o enunciado do problema, percebemos que os dados são: VF = 22.640,00; n = 2 meses e 18 dias = 78 dias; VA = 21.494,35. Vamos determinar o valor do desconto racional simples: DR = VF – VA ∴ DR = 22.640 – 21.494,35 ∴ DR = 1.145,65 Para o cálculo do valor da taxa, devemos fazer: DR = VF�.�i�.�n 1+�i�.�n ∴ 1.145,65 = 22.640�.�i�.�78 1+�i�.�78 ∴ 1.145,65 . (1 + i . 78) = 1.765.920 . i ∴ 1 + i . 78 = 1.765.920�.�i�� 1.145,65� ∴ 1 + i . 78 = 1.541,41317156 . i ∴ 1.541,41317156 . i – 78 . i = 1 ∴ i = 1�� 1.463,41317156� ∴ i = 0,00068333... a.d. ∴ i = 0,00068333... . 30 a.m. ∴ i = 2,05000205% a.m. Resposta: a taxa mensal de desconto racional simples foi de 2,05% a.m. 4. Calcule o desconto comercial, ou por fora, de um título de crédito vencível em 45 dias, à taxa simples de 6,3% ao mês, sabendo que o desconto racio- nal, ou por dentro, é de R$ 450,00. Pelo enunciado do problema, percebemos que os dados são: DR = 450; n = 45 dias; i = 6,3% a.m. = 0,21 % a.d. Vamos, primeiro, calcular o valor de face do título: DR = VF�.�i�.�n 1+�i�.�n ∴ 450 = VF�.�0,0021�.�45 1+�0,0021�.�45 ∴ 450 . 1,0945 = 0,0945 . VF ∴ VF = 492,525�� 0,0945� ∴ VF = 5.211,9047619048. DC = VF . i . n ∴ DC = 5.211,9047619048 . 0,0021 . 45 ∴ DC = 492,525 ! Resposta: o valor do desconto comercial para esse título de crédito é igual a R$ 492,53. 2.3.2 Relação entre desconto comercial simples e desconto racional simples Subtraindo o valor do desconto racional simples do valor do desconto comercial simples, teremos: Perceba que este valor é idêntico ao numerador da fórmula do desconto racional. Atenção Acesse o QR Code e exercite seus conhecimentos sobre os cálculos que envolvem desconto racional simples. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática 32 Matemática Financeira DC – DR = VF . i . n – VA . i . n ∴ DC – DR = i . n . (VF – VA) ∴ DC – DR = i . n . DR ∴ DC = DR + DR . i . n ∴ DC = DR . (1 + i . n) Por essa fórmula, verificamos que o desconto comercial simples é maior do que o desconto racional simples, ou seja: DC > DR Dessa relação, podemos deduzir que: VAC < VAR Ou seja, o valor atual de um título de crédito calculado pelo processo de des- conto comercial simples é menor do que o valor atual calculado pelo processo de desconto racional simples. 2.4 Títulos equivalentes Vídeo É muito comum necessitarmos substituir um título de crédito por outro. Esse tipo de situação normalmente ocorre quando percebemos que não conseguiremos pagar o título de crédito na data de vencimento ou por querermos antecipar a data de vencimento do título. Para realizarmos essa substituição, devemos ter a certeza de que os títulos se- rão títulos equivalentes. É importante salientar que para os títulos serem conside- rados equivalentes, a taxa de desconto deve ser a mesma, ou seja, se as taxas de desconto foremdiferentes, a equivalência entre os títulos desaparecerá. Na prática mercadológica, dizemos que desejamos realizar uma troca de pa- péis. Para que possamos estabelecer a equivalência de títulos de crédito é necessá- rio, como um primeiro passo, escolhermos uma data para a realização dos cálculos. Essa data é denominada de data de referência ou, mais comumente, data focal. Na data escolhida, a data focal e os valores atuais dos dois títulos de crédito devem, obrigatoriamente, ser iguais. Vamos trabalhar a equivalência de títulos para o caso de desconto comercial simples. Pela fórmula que determina o VA de um título de crédito, calculado pelo processo de desconto comercial simples, temos: VA = VF . (1 – i . n) Na equivalência de dois títulos de crédito, teremos: VA = VA1 ∴ VF . (1 – i . n) = VF1 . (1 – i . n1) ∴ VF1 = VF�.�(1� �i�.�n) 1� �i�.�n1 − − , que é a fórmula matemática utilizada para realizar a equivalência entre dois títulos vencíveis em períodos de tempo diferentes: n e n1. Veremos, agora, como resolver situações que envolvem esse conceito. Saiba mais sobre liquida- ção antecipada acessando o FAQ (perguntas fre- quentes) do site do Banco Central do Brasil. Disponível em: https://www.bcb.gov. br/acessoinformacao/perguntasfre- quentes-respostas/faq_liquidacaoan- tecipada. Acesso em: 27 fev. 2020. Saiba mais Desconto simples 33 Σxemρlos 1. Você possui um título de crédito de valor de face igual a R$ 5.200,00, vencí- vel em 4 meses. Verificando que não conseguirá liquidá-lo no vencimento, propõe à instituição financeira a troca por outro título de crédito que seja vencível em 6 meses. Se a instituição financeira opera com uma taxa de desconto comercial de 1,25% a.m., determine qual deve ser o valor de face do novo título. Pelo enunciado do problema, temos: VF = 5.200; n = 4 meses; i = 1,25% a.m. = 0,0125 a.m.; n1 = 6 meses. Se aplicarmos a fórmula de equivalência de títulos, obtemos: VF1 = VF�.�(1� �i�.�n) 1� �i�.�n1 − − ∴ VF1 = 5.200�.�(1� �0,0125�.�4) 1� �0,0125�.�6 − − ∴ VF1 = 4.940 0,925 ∴ VF1 = 5.340,54054054. Resposta: o novo título deverá ter valor de face de R$ 5.340,54 para que seja equivalente ao título original. 2. Você é o proprietário de uma empresa que deve pagar duas duplicatas a um determinado banco. A primeira duplicata possui valor de face de R$ 2.560,00 e vencerá em 2 meses. A segunda duplicata tem valor de face de R$ 3.440,00 e vencerá em 5 meses. Como você está prevendo que não conseguirá liqui- dá-las nos seus respectivos vencimentos, propõe ao banco credor que elas sejam substituídas por uma única duplicata com vencimento para daqui 8 meses. Determine o valor de face da nova duplicata, considerando que o ban- co opera com uma taxa de desconto comercial simples de 14,4% a.a. Pelos dados do problema, sabemos que: VF1 = 2.560; n1 = 2 meses; VF2 = 3.440; n2 = 5 meses; i = 14,4% a.a. = 0,012 a.m. Dessa maneira, teremos: VF = VF �.�(1� �i�.�n ) 1� �i�.�n 1 1− − + VF �.�(1� �i�.�n ) 1� �i�.�n 2 2− − ∴ VF = 2.560�.�(1� �0,012�.�2) 1� �0,012�.�8 − − + 3.440�.�(1� �0,012�.�5) 1� �0,012�.�8 − − ∴ VF = 2.498,56 0,904 + 3.233,6 0,904 ∴ VF = 2.763,89380531 + 3.576,99115044 ∴ VF = 6.340,88495575. Resposta: o valor da duplicata equivalente às outras duas duplicatas é igual a R$ 6.340,88. Acesse o QR Code e exercite seus conhecimentos sobre títulos equivalentes. Esses exercícios são atividades- -extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apre- sentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática 34 Matemática Financeira CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro aluno, neste capítulo você verificou como se trabalha com os diversos tipos de descontos de títulos de crédito no regime de capitalização simples. Esperamos que tenha gostado e que se sinta cada vez mais motivado para os conteúdos que virão pela frente, ampliando cada vez mais seus conhecimentos. ATIVIDADES 1. A empresa da qual você é proprietário possui uma duplicata com valor de face de R$ 37.600,00. Você verifica que poderá pagá-la 25 dias antes do vencimento. Se a taxa de desconto comercial com a qual a instituição credora da duplicata opera é de 11,6% ao ano, determine o valor do desconto que você obterá junto à instituição financeira se realizar esse pagamento antecipadamente. 2. Uma empresa descontou uma nota promissória com valor nominal de R$ 15.000,00 6 meses e 20 dias antes do vencimento e recebeu a quantia de R$ 14.200,00. Sabendo que foi utilizado o critério de desconto simples comercial, determine a taxa anual de desconto. 3. Determine o prazo de antecipação, em dias, para o vencimento de um título de crédito que apresenta valor de face de R$ 49.560,00, considerando que ele sofreu um desconto de R$ 1.595,83 a uma taxa de desconto de 18,4% ao ano. 4. Uma duplicata com data de vencimento em 20 de junho de 2019 foi descontada por fora, à taxa de 1,6% ao mês, no dia 10 de fevereiro precedente. Nessa operação, o valor pago foi de R$ 21.870,67 (valor atual). Qual é o valor nominal (de face) dessa duplicata? 5. Uma nota promissória de valor de face de R$ 19.750,00 vencível em 20 de maio de 2019 foi descontada comercialmente em 10 de abril de 2019. Se a taxa de desconto comercial simples for de 16,2% a.a., determine o valor a ser pago ao dono do título de crédito e do desconto comercial simples, sabendo que o banco cobra, a título de taxa de despesa administrativa, 2,25% sobre o valor da nota promissória. 6. Você possui uma duplicata que tem valor de face de R$ 54.880,00. Precisando de dinheiro, você apresentou essa duplicata 1 mês e 10 dias antes do vencimento ao banco, que opera a uma taxa de desconto comercial simples de 24,2% a.a. e cobra uma taxa de despesa administrativa de 3,15%. Considerando essas informações, determine o valor líquido liberado. Não se esqueça que sobre esse tipo de operação de desconto é cobrado o IOF de 0,38% mais 0,0085% ao dia. 7. Você apresentou a uma instituição financeira um título de crédito no valor de R$ 12.300,00, 28 dias antes do vencimento. A instituição lhe ofereceu uma taxa de desconto simples racional de 1,65% ao mês. Calcule o valor do desconto e o valor liberado para você receber em troca do título de crédito. 8. Uma duplicata sofreu uma redução de R$ 115,23 por ter sido resgatada 1 mês e 18 dias antes do vencimento à taxa do desconto simples racional de 16,2% ao ano. Calcule o valor nominal da duplicata. 9. Um título no valor de face de R$ 8.260,00 foi resgatado 2 meses e 5 dias antes do vencimento por R$ 8.015,14. Calcule a taxa mensal de desconto simples racional envolvida na operação. Desconto simples 35 10. Calcule o desconto comercial (ou por fora) de um título de crédito vencível em 2 meses e 15 dias à taxa simples de 18,8% ao ano, sabendo que o desconto racional (ou por dentro) é de R$ 125,80. 11. Um título de crédito com valor de face de R$ 26.365,80 vencerá em 2 meses e 10 dias. O proprietário do título, ao verificar que não conseguirá liquidá-lo no vencimento, propõe a troca por outro título de crédito que seja vencível em 4 meses e meio. Considerando que a instituição financeira opera com uma taxa de desconto comercial de 3,15% a.m., determine qual deve ser o valor de face do novo título. 12. Uma empresa deve pagar duas duplicatas a um determinado banco. A primeira possui valor nominal de R$ 98.500,00 e vencerá em 1 mês e 20 dias. A segunda tem valor nominal de R$ 105.750,00 e vencerá em 3 meses e 24 dias. Como a empresa não conseguirá liquidá-las nos seus respectivos vencimentos, propõe ao banco credor que elas sejam substituídas por uma única duplicata com vencimento para 6 meses e 10 dias. Qual é o valor de face da nova duplicata, considerando que o banco opera com uma taxa de desconto comercial simples de 16,4% a.a.? REFERÊNCIAS BANCO CENTRAL DO BRASIL. Empréstimos e Financiamentos. Série I – Relacionamento com o Sistema Financeiro. Brasília, 2020. Disponível em:https://www.bcb.gov.br/pre/pef/port/folder_serie_I_ emprestimos_e_financiamentos.pdf. Acesso em: 26 fev. 2020. DICIONÁRIO FINANCEIRO. 2020. Disponível em: https://www.dicionariofinanceiro.com. Acesso em: 27 fev. 2020. SIGNIFICADOS. 2020. Disponível em: https://www.significados.com.br. Acesso em: 27 fev. 2020. GABARITO 1. De acordo com o enunciado do problema, temos: VF = 37.600; n = 25 dias; i = 11,6% a.a. Determinando a taxa diária para a operação de desconto comercial, obtemos: 11,6% a.a. = 0,116 360 = 0,00032222... a.d. Utilizando a fórmula de desconto comercial simples, teremos: DC = VF . i . n ∴ DC = 37.600 . 0,00032222... . 25 ∴ DC = 302,8888888... Resposta: o valor do desconto que você obterá é de R$ 302,89. 2. Retirando os dados do enunciado do problema, temos: VF = 15.000; n = 6 meses e 20 dias = 200 dias; VA = 14.200. Determinando o valor do desconto comercial, obtemos: DC = VF – VA ∴ DC = 15.000 – 14.200 ∴ DC = 800. Utilizando a fórmula de desconto comercial simples, teremos: DC = VF . i . n ∴ 800 = 15.000 . i . 200 ∴ i = 800 15.000�.��200 ∴ i = 0,00026666... a.d. ∴ i = 0,096 a.a. ∴ i = 9,6% a.a. Resposta: o valor da taxa anual com que a instituição financeira opera é de 9,6% a.a. 3. Retirando os dados do enunciado do problema, temos: VF = 49.560; DC = 1.595,83; i = 18,4% a.a. Determinando a taxa diária para a operação de desconto comercial, obtemos: 18,4% a.a. = 0,184 360 = 0,00051111... a.d. 36 Matemática Financeira Utilizando a fórmula de desconto comercial simples, teremos: DC = VF . i . n ∴ 1.595,83 = 49.560 . 0,00051111... . n ∴ n = 1.595,83 49.560�.�0,00051111… ∴ n = 63,000058... dias. Resposta: o título de crédito foi descontado comercialmente 63 dias antes de seu vencimento. 4. Calculando o número de dias entre 10 de fevereiro de 2019 e 20 de junho de 2019 temos 130 dias. Então, de acordo com os dados do enunciado do problema, temos: VA = 21.870,67; n = 130 dias; i = 1,6% a.m. Determinando a taxa diária para a operação de desconto comercial, obtemos: 1,6% a.m. = 0,016 30 a.d. = 0,00053333... a.d. Utilizando a fórmula matemática para o cálculo do valor atual, teremos: VA = VF . (1 – i . n) ∴ 21.870,67 = VF . (1 – 0,00053333... . 130) ∴ 21.870,67 = VF . 0,93066666 ∴ VF = 21.870,67 0,93066666… ∴ VF = 23.500,00358166... Resposta: o valor de face dessa duplicata é de R$ 23.500,00. 5. Devemos, em primeiro lugar, determinar o período de aplicação em dias, ou seja, a quantidade de dias comerciais entre as datas. Entre 10 de abril de 2019 e 25 de maio de 2019 temos 45 dias. Verificando os dados do problema, percebemos que: VF = 19.750; i = 16,2% a.a.; n = 45 dias; ta = 2,25%. Determinando a taxa diária para a operação de desconto comercial, obtemos: 16,2% a.a. = 0,162 360 a.d. = 0,00045 a.d. Por intermédio da fórmula de desconto comercial simples, obtemos: DC = VF . i . n ∴ DC = 19.750 . 0,00045 . 45 ∴ DC = 399,9375. Para calcularmos o valor atual do título, fazemos: VA = VF – DC – VF . ta ∴ VA = 19.750 – 399,9375 – 19.750 . 0,0225 ∴ VA = 19.750 – 399,9375 – 444,375 ∴ VA = 18.905,6875. ou VA = VF . (1 – i . n – ta) ∴ VA = 19.750 . (1 – 0,00045 . 45 – 0,0225) ∴ VA = 19.750 . (1 – 0,02025 – 0,0225) ∴ VA = 19.750 . 0,95725 ∴ VA = 18.905,6875. O valor do desconto bancário será de: DB = VF – VA ∴ DB = 19.750 – 18.905,6875 ∴ DB = 844,3125. Resposta: o valor do desconto bancário é de R$ 844,31 e será pago ao dono do título de crédito o valor de R$ 18.905,69. 6. Os dados do problema são: VF = 54.880; n = 40 dias; i = 24,2% a.a.; ta = 3,15% = 0,0315. Determinando a taxa diária para a operação de desconto comercial, obtemos: 24,2% a.a. = 0,242 360 a.d. = 0,00067222... a.d. Calculando o IOF que será cobrado: IOF = 0,38% + 0,0085% . 40 = 0,0038 + 0,0034 = 0,0072. Calculando o valor do desconto comercial simples, temos: DC = VF . i . n ∴ DC = 54.880 . 0,00067222... . 40 ∴ DC = 1.475,66222222... Determinando o valor atual pago pelo resgate da duplicata: Desconto simples 37 VA = VF – DC – VF . ta – VF . IOF ∴ VA = 54.880 – 1.475,66222222... – 54.880 . 0,0315 – 54.880 . 0,0072 ∴ VA = 54.880 – 1.475,66222222... – 1.728,72 – 395,136 ∴ VA = 51.280,48177778... Resposta: o valor líquido liberado para você será de R$ 51.280,48. 7. Verificando os dados do problema, percebemos que: VF = 12.300; n = 28 dias; i = 1,65% a.m. Determinando a taxa diária para a operação de desconto comercial, obtemos: 1,65% a.m. = 0,0165 30 a.d. = 0,00055 a.d. Vamos calcular o valor do desconto racional simples. DR = VF�.�i�.�n 1�+�i�.�n ∴ DR = 12.300�.�0,00055�.�28 1�+�0,00055�.�28 ∴ DR = 189,42 1,0154 ∴ DR = 186,54717353. Determinando o valor atual do título de crédito, obtemos: VA = VF – DR ∴ VA = 12.300 – 186,54717353 ∴ VA = 12.113,45282647. Resposta: o valor do desconto racional simples dado pela instituição financeira é de R$ 186,55 e o valor atual, valor creditado para o detentor do título, é igual a R$ 12.113,45. 8. Verificando os dados do problema, percebemos que: DR = 115,23; n = 1 mês e 18 dias = 48 dias; i = 16,2% a.a. Determinando a taxa diária para a operação de desconto comercial, obtemos: 16,2% a.a. = 0,162 360 a.d. = 0,00045 a.d. Utilizando a fórmula matemática que calcula o valor do desconto racional simples, temos: DR = VF�.�i�.�n 1�+�i�.�n ∴ 115,23 = VF�.�0,00045�.�48 1�+�0,00045�.�48 ∴ 115,23 . 1,0216 = VF . 0,0216 ∴ 117,718968 = VF . 0,0216 ∴ VF = 117,718968 0,0216 ∴ VF = 5.449,95222222... Resposta: o valor nominal da duplicata é de R$ 5.449,95. 9. Observando o enunciado do problema, percebemos que os dados são: VF = 8.260; n = 2 meses e 5 dias = 65 dias; VA = 8.015,14. Vamos determinar o valor do desconto racional simples: DR = VF – VA ∴ DR = 8.260 – 8.015,14 ∴ DR = 244,86. Para o cálculo do valor da taxa, devemos fazer: DR = VF�.�i�.�n 1+�i�.�n ∴ 244,86 = 8.260�.�i�.�65 1+�i�.�65 ∴ 244,86 . (1 + i . 65) = 536.900 . i ∴ 1 + i . 65 = 536.900�.�i�� 244,86� ∴ 1 + i . 65 = 2.192,6815323 . i ∴ 2.192,6815323 . i – 65 . i = 1 ∴ i = 1�� 2.127,6815323 ∴ i = 0,00047 a.d. ∴ i = 0,00047 a.d. . 30 ∴ i = 0,01409985 a.m. ∴ i = 1,40998545% a.m. Resposta: a taxa mensal de desconto racional simples foi de 1,41 % a.m. 10. Pelo enunciado do problema, percebemos que os dados são: DR= 125,8; n = 2 meses e 15 dias = 75 dias; i = 18,8% a.a. Determinando a taxa diária para a operação de desconto comercial, obtemos: 18,8% a.a. = 0,188 360 a.d. = 0,00052222... a.d. 38 Matemática Financeira Vamos calcular o valor de face do título: DR = VF�.�i�.�n 1+�i�.�n ∴ 125,8 = VF�.�0,00052222...�.�75 1+�0,00052222...�.�75 ∴ 125,8 . 1,03916666... = 0,03916666... . VF ∴ VF = 130,72716666 � 0,03916666 � … … ∴ VF = 3.337,71495043. DC = VF. i . n ∴ DC = 3.337,71495043 . 0,00052222... . 75 ∴ DC = 130,72711326. Resposta: o valor do desconto comercial para esse título de crédito é igual a R$ 130,73. 11. Pelo enunciado do problema, temos que: VF = 26.365,8; n = 2 meses e 10 dias = 70 dias; i = 3,15% a.m.; n1 = 4 meses e meio = 135 dias. Determinando a taxa diária para a operação de desconto comercial, obtemos: 3,15% a.m. = 0,0315 30 a.d. = 0,00105 a.d. Aplicando a fórmula de equivalência de títulos, obtemos: VF1 = VF�.�(1� �i�.�n) 1� �i�.�n1 − − ∴ VF1 = 26.365,8�.�(1� �0,00105�.�70) 1� �0,00105�.�135 − − ∴ VF1 = 24.427,9137 0,85825 ∴ VF1 = 28.462,46862802. Resposta: o novo título deverá ter valor de face de R$ 28.462,47 para que seja equivalente ao título original. 12. O enunciado do problema nos fornece os seguintes dados: VF1 = 98.500; n1 = 1 mês e 20 dias = 50 dias; VF2 = 105.750; n2 = 3 meses e 24 dias = 114 dias; i = 16,4% a.a.; n = 6 meses e 10 dias = 190 dias. Determinando a taxa diária para a operação de desconto comercial, obtemos: 16,4% a.a. = 0,164 360 a.d. = 0,00045555... a.d. Dessa maneira, aplicando a fórmula de equivalência de títulos, obtemos: VF = VF �.�(1� �i�.�n ) 1� �i�.�n 1 1− − + VF �.�(1� �i�.�n )1� �i�.�n 2 2− − ∴ VF = 98.500�.�(1� �0,00045555 �.�50) 1� �0,00045555 �.�190 � � � � + 105.750�.�(1� �0,00045555 �.�114) 1� �0,00045555 �.�190 � � � � ∴ VF = 96.256,3888888 0,91344444 … … + 100.258,05 0,91344444… ∴ VF = 105.377,38717908 + 109.758,23500791 ∴ VF = 215.135,62218699. Resposta: o valor da duplicata equivalente às outras duas duplicatas é igual a R$ 215.135,62. Capitalização composta 39 3 Capitalização composta No regime de capitalização simples, apenas o capital inicial produz ju- ros, e estes são proporcionais ao período de tempo da aplicação e à taxa de juros utilizada. Já no regime de capitalização composta, o processo de geração de juros não funciona dessa maneira. É um pouco mais complexo, mas representa melhor o que ocorre na prática do mercado financeiro. Assim, há diferenças importantes entre os dois tipos de regimes de ca- pitalização. Devemos saber quais são essas diferenças e como operar com elas – algumas estão diretamente ligadas aos tipos de taxas de juros que se aplicam no regime de capitalização composta e às relações existentes entre elas. Nos dedicaremos, neste capítulo, ao estudo desse importante regime de capitalização, a capitalização composta, e também ao estudo das taxas, seus tipos e relações. 3.1 Capitalização composta Vídeo De acordo com Puccini, “a expressão capitalização composta refere-se ao cresci- mento do dinheiro no regime de juros compostos, que contempla a remuneração de juros sobre juros, desde que os juros dos períodos não sejam integralmente pa- gos no final dos respectivos períodos” (2017, p. 41, grifos do original). Nesse tipo de regime, os juros são calculados sobre o capital inicial, acrescido dos juros produzidos acumulados anteriormente. Se colocarmos em uma repre- sentação gráfica a evolução do montante produzido por um capital aplicado a uma determinada taxa de juros nos dois tipos de regime de capitalização, obteremos: 350 M n 300 250 200 150 100 50 0 1 42 53 6 7 8 9 10 11 12 Capitalização composta Capitalização simples 40 Matemática Financeira Por meio dessa representação gráfica, podemos perceber que, para o inves- tidor, é muito melhor colocar seu capital para ser remunerado no regime de capitalização composta do que no regime de capitalização simples, o que ocorre pela diferença que existe entre as fórmulas matemáticas utilizadas em cada um dos regimes. Independentemente das fórmulas e pelo simples aspecto do gráfico, vemos que, no regime de capitalização simples, a variação ocorre de maneira linear, pro- porcional. Já no regime de capitalização composta, a variação não ocorre assim, mas de maneira exponencial. Dessa forma, de maneira bastante simplificada, podemos dizer, de acordo com Mathias e Gomes (2009, p. 81): No regime de juros compostos, que tem grande importância financeira por retratar melhor a realidade, o juro gerado pela aplicação será incorporado à mesma passando a participar da geração de juros no período seguinte. Di- zemos então que os juros são capitalizados, e como não só o capital inicial rende juros mas estes são devidos também sobre os juros formados anterior- mente, temos o nome de juros compostos. Os elementos que utilizaremos para nossos cálculos são • juros: simbolizado por J; • capital inicial: representado por C; • taxa de juros compostos: que caracterizado por i; • período de aplicação do capital: para o qual utilizamos n; • montante: simbolizado por M. Veremos, agora, as fórmulas matemáticas a serem utilizadas no regime de ca- pitalização composta. 3.1.1 Fórmulas matemáticas A fórmula matemática que utilizaremos para o cálculo do montante produzido por um certo capital inicial, aplicado a uma certa taxa de juros compostos durante um período de tempo pré-determinado, será: M = C . (1 + i)n É importante sabermos que “o fator (1 + i)n é denominado fator de capitalização ou fator de acumulação de capital” (CRESPO, 2009, p. 154) . Já a fórmula matemática que utilizaremos para a determinação do juro obtido nesse tipo de regime de capitalização será: J = M – C Se, nessa última fórmula, substituirmos o montante pela expressão que o de- termina, obteremos: J = M – C ∴ J = C . (1 + i)n – C ∴ J = C . [ (1 + i)n – 1] Perceba que o período de tempo, n, aparece em um expoente nessa fórmula matemática. Esse é o motivo de se afirmar que, no regime de capitalização compos- ta, o processo de cálculo dos juros é um processo exponencial. Importante Capitalização composta 41 Com a utilização dessa última fórmula, podemos calcular o valor do juro obtido em um regime de capitalização composta sem precisar utilizar o valor do montante. 3.1.2 Observações Devemos, sempre, estar atentos com as seguintes considerações, para não er- rarmos nossos cálculos: • a taxa de juros (i) deve sempre estar em formato unitário; • o período de tempo (n) e a taxa de juros (i) devem, obrigatoriamente, estar na mesma unidade de tempo, ou seja: • taxa anual e tempo em anos; • taxa mensal e tempo em meses; • taxa diária e tempo em dias. • nesse tipo de regime de capitalização, sempre calculamos o valor do montan- te em primeiro lugar. Após encontrar o valor do montante é que podemos determinar o valor do juro. Σxemρlos Para entendermos melhor como é o funcionamento do regime de capitalização composta, vamos nos dedicar, agora, à resolução de vários exemplos de aplicação. Usaremos estes exemplos a fim de mostrar o desenvolvimento dos cálculos para encontrarmos cada um dos componentes das fórmulas matemáticas a serem utilizadas em capitalização composta. Em alguns, calcularemos o valor do montan- te e o valor dos juros no regime de capitalização composta. Em outros, mostrare- mos o processo para se obter o valor da taxa ou o valor do capital que deve ser aplicado ou o período de aplicação. 1. Você tem uma reserva financeira de R$ 12.500,00. Para obter juros sobre essa reserva, decide aplicá-la em uma instituição financeira, sob o regime de capi- talização composta. Se a instituição financeira lhe oferece rendimento com base em uma taxa de juros compostos de 1,05% a.m., determine o montante e os juros obtidos por essa aplicação se a realizou pelo prazo de 6 meses 1 . Analisando o enunciado do problema, percebemos que os dados são: C = R$ 12.500,00; n = 6 meses; i = 1,05% a.m. Percebemos que o período de aplicação e a unidade de tempo da taxa de juros são compatíveis, ou seja, estão na mesma base: as duas em meses. Podemos, então, aplicar a fórmula matemática que calcula o montante da aplicação. M = C . (1 + i) n ∴ M = 12.500 . (1 + 0,0105)6 ∴ M = 12.500 . (1,0105)6 ∴ M = 12.500 . 1,06467709 ∴ M = 13.308,46356991 Agora, podemos determinar o valor dos juros que você receberá pela aplica- ção financeira realizada. Para tanto, fazemos: Lembre-se de que, na utilização das fórmulas matemáticas, a taxa de juros deve ser colocada no formato unitário. 1 Para realizar essa operação, você vai precisar fazer uso de uma cal- culadora científica. Como existem muitas disponíveis no mercado, você deve consultar como fazer esse tipo de operação matemática (potenciação) na calculadora que você possui. Você também pode realizar esse cálculo utilizando o Microsoft Excel da seguinte maneira: • digite na célula A1 a base da potência, nesse caso: 1,0105; • digite na célula A2 o valor do expoente: 6; • digite na célula A3: = POTÊN- CIA(A1;A2) e pressionar Enter. Fácil, né? Atenção 42 Matemática Financeira J = M – C ∴ J = 13.308,46356991 – 12.500 ∴ J = 808,46356991. Podemos, também, determinar o valor do juro utilizando a fórmula que cal- cula esse valor diretamente fazendo: J = C . [(1 + i)n – 1] ∴ J = 12.500 . [(1 + 0,0105)6 – 1] ∴ J = 12.500 . [(1,0105)6 – 1] ∴ J = 12.500 . [1,06467709 – 1] ∴ J = 12.500 . 0,06467709 ∴ J = 808,46356991. Resposta: o montante da aplicação que você receberá será de R$ 13.308,46, e os juros compostos da aplicação realizada correspondem a R$ 808,46. 2. Uma empresa temum capital disponível de R$ 160.000,00. Como o geren- te financeiro da empresa sabe que não necessitará desse valor por pelo menos 4 meses, ele resolve aplicá-lo no banco em que a empresa possui conta-corrente. O analista financeiro do banco aconselha ao gerente da em- presa uma aplicação dessa quantia e lhe oferece remuneração com uma taxa de juros compostos de 1,15% a.m. Determine o montante que será cre- ditado na conta-corrente da empresa e o valor dos juros obtidos com essa aplicação financeira. Pelo enunciado do problema, percebemos os seguintes dados: C = R$ 160.000,00; n = 4 meses; i = 1,15% a.m. Estando o período de aplicação e a taxa de juros em unidades compatíveis, é possível aplicar a fórmula matemática para encontrar o montante da apli- cação financeira. Portanto: M = C . (1 + i) n ∴ M = 160.000 . (1 + 0,0115)4 ∴ M = 160.000 . (1,0115)4 ∴ M = 160.000 . 1,0467996 ∴ M = 167.487,93615841. Para determinarmos o valor dos juros que a aplicação financeira realizada produzirá, fazemos: J = M – C ∴ J = 167.487,93615841 – 160.000 ∴ J = 7.487,93615841. Resposta: o montante da aplicação que o gerente financeiro da empresa fará será de R$ 167.487,94, e os juros compostos da aplicação realizada cor- respondem a R$ 7.487,94. 3. Você resolve fazer a aplicação financeira de R$ 22.850,00. O gerente do seu banco lhe informa que poderá realizar uma aplicação financeira que lhe pro- porcionará juros compostos de R$ 777,02 se o período de aplicação for de três meses e meio. Você sabe que somente valerá a pena fazer a aplicação finan- ceira se a taxa de juros compostos for superior a 0,9% a.m. Pela proposta feita pelo gerente de seu banco, você fará ou não a aplicação financeira? Do enunciado do problema, temos os seguintes dados: C = R$ 22.850,00; J = R$ 777,02; n = 3,5 meses. Devemos determinar o valor do montante da aplicação financeira. Fazemos: J = M – C ∴ 777,02 = M – 22.850 ∴ M = 777,02 + 22.850 ∴ M = 23.627,02. Capitalização composta 43 Utilizando a fórmula matemática que determina o montante de uma aplica- ção realizada em regime de capitalização composta, obteremos o valor da taxa de juros compostos. Para isso, fazemos: M = C . (1 + i)n ∴ 23.627,02 = 22.850 . (1 + i)3,5 ∴ 23.627,02 22.850 = (1 + i)3,5 ∴ 1,03400525 = (1 + i)3,5∴ 1,034005253,5 = 1 + i ∴ 1,00960003 = 1 + i ∴ i = 1,00960003 – 1 ∴ i = 0,00960003 a.m. ∴ i = 0,96% a.m. Resposta: como a taxa de juros composta calculada é superior a 0,9% a.m., concluímos que você deve fazer a aplicação financeira. 4. Um cliente de uma loja comprou uma mercadoria no valor de R$ 1.600,00. Essa mercadoria foi financiada para pagamento em uma única prestação no valor de R$ 2.147,95. Qual é a taxa mensal cobrada nessa operação, saben- do que a aplicação foi realizada no regime de capitalização composta, e que o pagamento deve ser realizado em 8 meses? Pelo enunciado, os dados do problema são: M = R$ 2.147,95; C = R$ 1.600,00; n = 8 meses. Utilizando a fórmula matemática que determina o montante de uma apli- cação realizada em regime de capitalização composta, obteremos: M = C . (1 + i)n ∴ 2.147,95 = 1.600 . (1 + i)8 ∴ 2.147,95 1.600 = (1 + i)8 ∴ 1,34246875 = (1 + i)8 ∴ 1 342468758 , = 1 + i ∴ 1,0374998 = i + 1 ∴ 1,0374998 – 1 = i ∴ i = 0,03749981 a.m. Passando este resultado par ao formato percentual, vem: i = 0,03749981 . 100 ∴ i = 3,749981% a.m. Resposta: a taxa mensal cobrada na operação foi de 3,75% a.m. 5. Determine o valor do capital que deve ser aplicado, no regime de capitali- zação composta, que produzirá o montante de R$ 9.636,80, sabendo que a taxa de juros desta aplicação foi de 2,4% a.m. e que o período de aplicação foi de um mês e meio. Quais são os dados do problema? São: M = R$ 9.636,80; n = 1,5 meses; i = 2,4% a.m. Utilizando a fórmula matemática do montante de uma aplicação no regime de capitalização composta, teremos: M = C . (1 + i)n ∴ 9.636,8 = C . (1 + 0,024)1,5 ∴ 9.636,8 = C . (1,024)1,5 ∴ 9.636,8 = C . 1,03621514 ∴ 9 636 8 1 03621514 . , , = C ∴ C = 9.299,99919297. Resposta: o capital que foi aplicado era de R$ 9.300,00. 6. Júlio realizou, junto a um banco, um empréstimo contratado hoje. Ele sabe que, no final de 2 anos, deverá pagar o valor de R$ 154.605,37 referente ao Para a realização dessa operação de radiciação, você deverá fazer uso de uma calculadora científica. Como existem muitas disponíveis no mer- cado, você deve verificar como fazer esse tipo de operação matemática (radiciação) na calculadora que você possui. Também é possível transformar a operação de radiciação em uma operação de potenciação com expoente fracionário. Para realizar tal procedimento, faz-se: valor valorn n= ( ) 1 Esse procedimento é utilizado para calcular o valor de uma raiz de ín- dice diferente de 2 (raiz quadrada) no Microsoft Excel. Nesse caso, devemos: • digitar na célula A1 o valor do radicando: 1,03400525; • digitar na célula A2 o valor do índice da raiz: 3,5; • digite na célula A3: = A1 (̂1/A2). Atenção Perceba que o valor foi arredon- dado para duas casas após a vírgula, pois representa um valor financeiro que possui apenas dois dígitos após a vírgula – correspondentes aos centavos. Atenção 44 Matemática Financeira empréstimo contratado hoje, mais os juros devidos. Júlio sabe que a taxa utilizada para a contratação do empréstimo foi de 3,06% a.m. Determine o valor do empréstimo, sabendo que o regime de aplicação foi o de capitali- zação composta. Verificando os dados fornecidos pelo enunciado do problema, obtemos: M = R$ 154.605,37; n = 2 anos = 24 meses; i = 3,06% a.m. M = C . (1 + i)n ∴ 154.605,37 = C . (1 + 0,0306)24∴154.605,37 = C . (1,0306)24 ∴ 154.605,37 = C . 2,06140495 ∴ C = 154 605 37 2 06140495 . , , ∴ C = 74.999,99931942. Como esse é um valor financeiro, deve ter, no máximo, duas casas após a vírgula, que correspondem a centavos. Então, C = 75.000,00. Resposta: o empréstimo realizado por Júlio foi de R$ 75.000,00. 7. Determine o prazo da aplicação, no regime de capitalização composta, em que deve ser aplicado o capital de R$ 6.250,00 para produzir um montante de R$ 6.410,73, sabendo que a taxa de aplicação dessa aplicação financeira foi de 0,85% a.m. Verificando os dados do problema, vemos que ele nos fornece: M = R$ 6.410,73; C = R$ 6.250,00; i = 0,85% a.m. Se utilizarmos a fórmula matemática que determina o montante de uma aplicação financeira a juros compostos, obtemos: M = C . (1 + i)n ∴ 6.410,73 = 6.250 . (1 + 0,0085)n ∴ 6 410 73 6 250 . , . log (1,0085)10 n = (1,0085)n ∴ 1,0257168 = (1,026)n. Para resolver uma equação como essa, que a variável (n) aparece em um expoente, devemos utilizar logaritmos. Assim: a. utilizando logaritmos de base 10, temos: log ,10 1 0257168� � = log (1,0085)10 n∴ log , � � �.�log ( , )10 101 0257168 1 0085� ��n ∴ 0,01102747 = n . 0,0036759 ∴ n = 0 01102747 0 0036759 , , ∴ n = 2,99993502 meses. b. usando logaritmos naturais, temos: ln (1,0257168) = ln (1,0085)n ∴ ln (1,0257168) = n . ln (1,0085) ∴ 0,02539169 = n . 0,00846408 ∴ n = 0 02539169 0 00846408 , , ∴ n = 2,99993502 meses. Resposta: a aplicação financeira foi realizada por 3 meses. 8. Durante quanto tempo Marcos precisa aplicar a quantia de R$ 32.000,00, a uma taxa de juros compostos de 3,32% a.m., para que, no final do período de aplicação, ele tenha o dobro do capital aplicado? Verificando os dados do problema, encontramos: C = R$ 32.000,00; i = 3,32% a.m.; e como é para Marcos obter o dobro do que vai aplicar, concluímos que M = R$ 64.000,00. Para realizar o cálculo da letra (a), você necessita de uma calculadora científica. Para calcular o valor de um logaritmo de base 10 no Microsoft Excel, você deve: • digitar na célula A1 o valor do logaritmando: 1,0257168; • digitar na célula A2: =LOG10(A1). Atenção Para realizar o cálculo da letra (b), você precisa de uma calculadora científica. Para calcular o valor de um logaritmo natural, ou seja, um logaritmo de base “e”(nº de Euler) no Microsoft Excel, você deve: • digitar na célula A1 o valor do logaritmando: 1,0257168; • digitar na célula A2: =LN(A1). Atenção Capitalização composta 45 Com o uso da fórmula do montante a juros compostos, obtemos: M = C . (1 + i)n ∴ 64.000 = 32.000 . (1 + 0,0332)n ∴ 64 000 32 000 . . = (1,0332)n ∴ 2 = (1,0332)n. Utilizando logaritmos decimais de base 10 para a realização desse cálcu- lo, obtemos: log � �log ( , )10 102 1 0332� �� n ∴ log � � �.�log ( , )10 102 1 0332� ��n ∴ 0,30103 = n . 0,0141844 ∴ n = 0 30103 0 0141844 , , ∴ n = 21,22261419 meses. Como ninguém fala do tempo dessa maneira, devemos fazer as devidas altera- ções para determinar o prazo de aplicação, ou seja: n = 21,22261419 meses = 21 meses + 0,22261419 de um mês ∴ n = 1 ano + 9 meses + (0,22261419 . 30) dias ∴ n = 1 ano + 9 meses e 6,6784257 dias ∴ n = 1 ano, 9 meses e 7 dias. Resposta: Marcos deve aplicar seu capital durante 1 ano, 9 meses e 7 dias, à taxa de juros compostos de 3,06% a.m., para que seu capital duplique. 9. Dois capitais foram aplicados durante um ano no regime de capitalização composta: o primeiro capital foi aplicado com uma taxa de juros compos- tos de 1,25% a.m., e o segundo capital, a uma taxa de juros compostos de 1,05% a.m. Sabe-se que o primeiro capital corresponde ao triplo do segundo capital. E que rendeu R$ 2.789,81 a mais de juros compostos que o segundo capital. Determine o valor de cada um dos capitais aplicados. Devemos, em primeiro lugar, ler com bastante atenção o problema. Fazendo isso, teremos: n1 = n2 = 1 ano = 12 meses; C1 = 3 . C2; i1 = 1,25% a.m.; i2 = 1,05% a.m.; J1 = 2.789,81 + J2 Utilizando a fórmula matemática que determine o valor do juro composto, dada por J = C . [(1 + i)n – 1], teremos: J1 = C1 . [ 1 1 1� ��� �i n – 1] ∴ J1 = C1 . [( 1 + 0,0125)12 – 1] ∴ J1 = C1 . 0,16075452. J2 = C2 . [ 1 2 2� ��� �i n – 1] ∴ J2 = C2 . [( 1 + 0,0105)12 – 1] ∴ J2 = C2 . 0,1335373. Como J1 = 2.789,81 + J2, podemos escrever: C1 . 0,16075452 = 2.789,81 + C2 . 0,1335373 E sendo C1 = 3 . C2, teremos: 3 . C2 . 0,16075452 = 2.789,81 + C2 . 0,1335373 ∴ 0,48226355 . C2 = 2.789,81 + C2 . 0,1335373 ∴ 0,48226355 . C2 – 0,1335373 . C2 = 2.789,81 ∴ 0,34872625 . C2 = 2.789,81 ∴ C2 = 2 789 81 0 34872625 . , , ∴ C2 = 7999,9999273. Ou seja: C2 = 8.000. Como o enunciado afirma que C1 = 3 . C2, temos: C1 = 3 . 8.000 ∴ C1 = 24.000. Resposta: o primeiro capital (C1) é igual a R$ 24.000,00, e o segundo capital (C2) é igual a R$ 8.000,00. Acesse o QR Code e exercite seus conhecimentos sobre Capitalização Composta. Esses exercícios são atividades-ex- tras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática 46 Matemática Financeira 3.2 Equivalência de taxas Vídeo Em primeiro lugar, devemos saber que “taxas equivalentes são aquelas que, referindo-se a períodos de tempo diferentes, fazem com que um capital produza o mesmo montante num mesmo tempo” (CRESPO, 2009, p. 167). As taxas equivalen- tes são também taxas proporcionais. Nas palavras de Assaf Neto (2012, p. 8): A aplicação de taxas proporcionais é muito difundida, principalmente em operações de curto e curtíssimo prazo, tais como: cálculo de juros de mora, descontos bancários, créditos de curtíssimo prazo, apuração de encargos sobre saldo devedor de conta-corrente bancária etc. Mas, no estudo de capitalização composta, a proporcionalidade de taxas não fun- ciona. Por isso, temos que tomar muito cuidado na conversão das taxas em períodos de tempo diferentes, principalmente quando estivermos trabalhando com capitaliza- ção composta, embora o conceito de taxas equivalentes permaneça válido. Como na capitalização composta, na fórmula de cálculo do montante é obtida de maneira exponencial, a expressão matemática utilizada para o cálculo de taxa equivalente composta é a seguinte: 1 + ik = (1 + i)n Em que: • ik → taxa de juros no período maior de tempo; • i → taxa de juros no período menor de tempo; • n → quantidade de vezes que o período menor cabe dentro do período maior de tempo. A taxa equivalente composta, calculada dessa maneira, é também denominada taxa efetiva, ou seja, dizemos que estamos frente a uma taxa de juros efetiva quan- do a unidade de referência do período de tempo coincide com a unidade de tempo da capitalização dos juros. Vejamos alguns exemplos de como se determina a taxa de juros equivalente composta na prática. Σxemρlos 1. Sabemos que a caderneta de poupança paga juros de 6% a.a., com capita- lização mensal, ou seja, o crédito dos juros – valor dos juros – é creditado mensalmente na conta poupança. Assim, podemos dizer que: • taxa nominal de juros da caderneta de poupança é de 6% a.a., com capi- talização mensal; 10% a.a. = 5% a.s. = 0,083333...% a.m. = 0,0277777...% a.d. Essas taxas são proporcionais, pois produzem montantes iguais ao serem aplicadas ao mesmo capital durante um mesmo período, sob o regime de capitalização simples. Importante Capitalização composta 47 • taxa efetiva de juros da caderneta de poupança é de 0,5% a.m. 2 , com capitalização mensal. Então, para determinarmos a taxa anual equivalente a uma taxa de 0,5% a.m., com capitalização mensal, temos as seguintes informações: i = 0,5% a.m. = 0,005 a.m.; n = 12 (número de vezes que o período menor – mês – cabe no período maior – ano). Portanto, aplicando a fórmula da taxa equivalente composta, obteremos: 1 + ik = (1 + i) n ∴ 1 + ik = (1 + 0,005) 12 ∴ 1 + ik = (1,005) 12 ∴ 1 + ik = 1,061677812 ∴ ik = 1,061677812 – 1 ∴ ik = 0,061677812 a.a. ∴ ik = 6,1677812% a.a. ∴ ik = 6,17% a.a. Resposta: a taxa equivalente anual é de 6,17%, com capitalização anual. 2. Determine a taxa equivalente efetiva composta mensal que corresponde à taxa de juros compostos de 6,17% a.a., com capitalização mensal. Do enunciado temos: ik = 6,17% a.a.; n = 12 (número de vezes que o período menor – mês – cabe no período maior – ano). Aplicando a fórmula da taxa equivalente composta obtemos: 1 + ik = (1 + i) n ∴1 + 0,0617 = (1 + i)12 ∴ 1,0617 = (1 + i)12 ∴ 1 + i = 1 061712 , ∴ 1 + i = 1,00500175 ∴ i = 1,00500175 – 1 ∴ i = 0,00500175 a.m. ∴ i = 0,500175% a.m. Resposta: a taxa efetiva equivalente mensal à taxa de 6,17% a.a., capitaliza- ção mensal, é igual a 0,5% a.m. 3. Se uma aplicação financeira foi realizada com a taxa de juros de 19,2% a.a., com capitalização mensal, determine as taxas efetivas equivalentes ao ano, ao semestre, ao trimestre e ao bimestre. Em primeiro lugar, devemos encontrar a taxa correspondente no período de capitalização, ou seja, 0 192 12 , = 0,016 a.m. A partir dessa taxa, podemos determinar as taxas efetivas equivalentes solicitadas: • ao ano: 1 + ik = (1 + i) n ∴ ik = (1 + 0,016) 12 – 1 ∴ ik = 0,20983041; • ao semestre: 1 + ik = (1 + i) n ∴ ik = (1 + 0,016) 6 – 1 ∴ ik = 0,09992291; • ao trimestre: 1 + ik = (1 + i) n ∴ ik = (1 + 0,016) 3 – 1 ∴ ik = 0,0487721; • ao bimestre: 1 + ik = (1 + i) n ∴ ik = (1 + 0,016) 2 – 1 ∴ ik = 0,032256; Resposta: as taxas efetivas equivalentes solicitadas são 20,98% a.a.; 9,99% a.s.; 4,88% a.t.; 3,23% a.b. 4. Suponha que em um determinado mês ocorreu uma taxa de inflação de 0,67%. Determine a taxa efetiva de inflação anual equivalente a essa taxa mensal de inflação. 6% a.a. = 0 06 12 , = 0,005 a.m. = 0,5% a.m. 2 Para saber mais sobre a remuneração das caderne- tas de poupança, acesse a página Remuneração dos Depósitos de Poupança, no site do Banco Central do Brasil. Disponível em: https://www.bcb. gov.br/acessoinformacao/legado?ur- l=https:%2F%2Fwww4.bcb.gov. br%2Fpec%2Fpoupanca%2Fpoupan- ca.asp. Acesso em: 3 mar. 2020. Saiba mais 48 Matemática Financeira De acordo com as informações do enunciado, temos: i = 0,67% a.m. = 0,0067 a.m.; n = 12 (número de vezes que o período menor – mês – cabe no período maior – ano). Portanto, aplicando a fórmula da taxa equivalentecomposta, obteremos: 1 + ik = (1 + i) n ∴ 1 + ik = (1 + 0,0067) 12 ∴ 1 + ik = (1,0067) 12 ∴ 1 + ik = 1,08342992 ∴ ik = 1,08342992 – 1 ∴ ik = 0,08342992 a.a. ∴ ik = 8,342992% a.a. ∴ ik = 8,342992% a.a. Resposta: a taxa de inflação efetiva equivalente anual é de 8,34%. 5. Um cliente realizou um empréstimo bancário que tinha por base uma taxa de juros de 16,55% a.a. com capitalização mensal. Considerando isso, qual é a taxa efetiva equivalente mensal do empréstimo realizado? De acordo com o enunciado do problema, sabemos que: ik = 16,55% a.a.; n = 12 (número de vezes que o período menor – mês – cabe no período maior – ano). Aplicando a fórmula da taxa equivalente composta, obtemos: 1 + ik = (1 + i) n ∴ 1 + 0,1655 = (1 + i)12 ∴ 1,1655 = (1 + i)12 ∴ 1 + i = 1165512 , ∴ 1 + i = 1,0128443 ∴ i = 1,0128443 – 1 ∴ i = 0,0128443 a.m. ∴ i = 1,28443% a.m. Resposta: a taxa efetiva mensal equivalente à taxa de 16,55% a.a., em capi- talização mensal, é igual a 1,28% a.m. 6. Se um determinado ano apresentou uma taxa de inflação de 14,58%, determine a taxa efetiva mensal equivalente para esse ano. Os dados para nossos cálculos são: ik = 14,58% a.a.; n = 12 (número de vezes que o período menor – mês – cabe no período maior – ano). Aplicando a fórmula da taxa equivalente composta, obtemos: 1 + ik = (1 + i) n ∴ 1 + 0,1458 = (1 + i)12 ∴ 1,1458 = (1 + i)12 ∴ 1 + i = 1145812 , ∴ 1 + i = 1,01140649 ∴ i = 1,01140649 – 1 ∴ i = 0,01140649 a.m. ∴ i = 1,140649% a.m. Resposta: a taxa efetiva mensal equivalente à taxa inflacionária de 14,58% a.a., capitalização mensal, é igual a 1,14% a.m. 7. Você aplicou um determinado capital no banco A por 7 meses, em re- gime de capitalização composta. Essa aplicação produziu o montante de R$ 6.520,00. Sabendo que o banco A opera com uma taxa de juros compos- tos de 19,2% a.a., determine o valor desse capital. Verificando os dados do problema, percebemos que temos: n = 7 meses; M = R$ 6.520,00; i = 19,2% a.a. Percebemos, pelos dados, que o período de tempo da aplicação e a taxa de juros compostos não estão na mesma unidade, ou seja, não são compatíveis. Temos, então, duas opções: alterar o período de tempo para anual ou encon- trar a taxa efetiva equivalente mensal. Vamos resolver das duas maneiras. Capitalização composta 49 a. Mudando o período de tempo para anual. Como o período de tempo está em meses, para passar para anos, devemos apenas dividir o período de tempo dado pela quantidade de meses que um ano possui. Assim, na fórmula resolutiva, para encontrar o valor do montante com capi- talização composta, obtemos: M = C . (1 + i)n ∴ 6.250 = C . 1 0 192 7 12� � ,�� � ∴ 6.250 = C . 1192 0 58333333, ,� � � ∴ 6.250 = C . 1,10788449 ∴ C = 6 250 110788449 . , ∴ C = 5.641,3823446. b. Determinando a taxa mensal efetiva equivalente à taxa anual dada, temos: 1 + ik = (1 + i) n ∴ 1 + 0,192 = (1 + i)12 ∴ 1,192 = (1 + i)12 ∴ 1 + i = 119212 , ∴ 1 + i = 1,01474368 ∴ i = 1,01474368 – 1 ∴ i = 0,01474368 a.m. ∴ i = 1,474368% a.m. Agora, utilizaremos a fórmula para o cálculo do montante: M = C . (1 + i)n ∴ 6.250 = C . 1 0 01474368 7� � ,�� � ∴ 6.250 = C . 1 01474368 7,� � ∴ 6.250 = C . 1,10788449 ∴ C = 6 250 110788449 . , ∴ C = 5.641,3823446. Resposta: o valor do capital que foi aplicado é R$ 5.641,38. Acesse o QR Code e exercite seus conhecimentos sobre equivalência de taxas. Esses exercícios são atividades- -extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apre- sentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática Repare que o resultado em destaque é o mesmo obtido pelo cálculo (a) (com a potência fracionária). Atenção 3.3 Tipos de taxa Vídeo Agora que aprendemos a calcular a taxa efetiva equivalente na capitalização composta, conheceremos como classificar as taxas da maneira correta. Taxa nominal O juro só é creditado ao final do período estipulado. Na grande maioria dos casos, as taxas de juros são informadas anualmente, mesmo que os juros sejam incorporados ao capital em períodos de tempo diferentes. Dessa maneira, você pode se deparar com informações de taxas de juros escritas da seguinte forma: • juros de 12% a.a., capitalizados mensalmente; • juros de 9% a.a., capitalizados mensalmente. As taxas de juros especificadas dessa forma são denominadas taxas nominais. Portanto, de acordo com Crespo (2009, p. 171, grifos do original), “taxa nomi- nal é aquela cujo período de capitalização não coincide com aquele a que ela se refere”. Taxa efetiva Chamamos de taxa de juros efetiva a taxa de juros expressa em unidade de tempo igual à unidade de tempo do período de capitalização. 50 Matemática Financeira Assim, são taxas efetivas de juros: • 0,45% a.m., com capitalização mensal; • 1,27% a.t., com capitalização trimestral; • 5,5% a.s., com capitalização semestral. Devemos saber, também, que não importa o período de tempo que um capital fique aplicado, a formação do montante será sempre a mesma. Além disso, os juros produzidos são capitalizados uma única vez ao capital, exatamente no período a que a taxa está se referindo. A fórmula matemática para o cálculo da taxa efetiva equivalente a uma taxa nominal dada é 1 + ik = (1 + i)n Taxa aparente e taxa real Quando você procura uma instituição financeira para aplicar seu dinheiro e re- cebe a informação de que sua aplicação renderá com a taxa de juros nominal de 1,75% a.m., será que esse será realmente o rendimento que você obterá com a aplicação que está fazendo? A resposta para esse questionamento é não. Sabe por quê? Porque, da taxa que lhe informaram, devemos descontar a taxa de inflação do período. Portanto, após ser descontada a taxa inflacionária, o rendimento de sua aplicação será menor do lhe foi informado. A taxa que a instituição lhe informou, portanto, é denominada taxa aparente, ou seja, é a taxa que não leva em consideração a taxa inflacionária do período. Se for levada em consideração a taxa de inflação do período, passamos a ter o que é denominado de taxa real, isto é, a taxa de rendimento obtida após ser realiza- da a correção dos juros, levando em consideração a taxa inflacionária do período. A fórmula matemática que nos permite calcular a taxa real de uma aplicação realizada é: ir = 1�+�i 1�+�i a f – 1, em que: • ir representa a taxa de juros real; • ia representa a taxa de juros aparente; • if representa a taxa de juros da inflação. Σxemρlos 1. Uma aplicação financeira foi realizada com uma taxa aparente de 1,38% a.m. pelo período de um mês. Se no mês em que a aplicação foi feita a taxa de inflação correspondeu a 0,46%, qual é a taxa real da aplicação? De acordo com o enunciado, temos as seguintes informações: ia = 1,38% a.m.; if = 0,46% a.m. Muitas taxas são regu- lamentadas, ou seja, as instituições financeiras não podem fazer o que bem quiserem. Para ver os di- ferentes tipos de taxas de juros, tanto para pessoas físicas como para pessoas jurídicas, acesse a página Taxas de Juros, disponi- bilizada no site do Banco Central do Brasil. Disponível em: https://www.bcb.gov. br/estatisticas/txjuros. Acesso em: 3 mar. 2020. Saiba mais Caso a taxa de inflação tenha um valor numérico maior que a taxa de juros do período da aplicação financeira, é possível que a taxa real resulte em um valor negativo. Atenção Capitalização composta 51 Aplicando a fórmula matemática para obter o valor da taxa real da aplica- ção, obtemos: ir = 1 1 � � � � + + i i a f – 1 ∴ ir = 1 0 0138 1 0 0046 � � , � � , + + – 1 ∴ ir = 1 0138 1 0046 , , – 1 ∴ ir =1,00915787 – 1 ∴ir = 0,00915787 a.m. Resposta: a taxa real da aplicação realizada foi de 0,92% a.m. 2. No contrato que Marcos assinou com um banco para aplicar uma determi- nada quantia, estava estipulado que a taxa de juros seria de 11,76% a.a., pelo período de um mês. No mês em que a aplicação foi realizada, a in- flação registrou uma taxa de 1,04%. Calcule a taxa real da aplicaçãofeita por Marcos. Verificando os dados do problema, obtemos: ia = 11,76% a.a.; if = 1,04% a.m. Determinando o valor da taxa aparente mensal, temos: ia = 0 1176 12 , ∴ ia = 0,0098 a.m. Aplicando a fórmula matemática para obter o valor da taxa real da aplica- ção, obtemos: ir = 1 1 � � � � + + i i a f – 1 ∴ ir = 1 0 0098 1 0 0104 � � , � � , + + – 1 ∴ ir = 1 0098 1 0104 , , – 1 ∴ ir = 0,99940618 – 1 ∴ ir = – 0,00059382 a.m. Resposta: a taxa real da aplicação realizada por Marcos foi de – 0,06% a.m. O fato de, após a aplicação da fórmula matemática, obtermos um resultado negativo, significa que Marcos perdeu dinheiro com a aplicação que fez, ou seja, o valor que ele resgatou foi inferior ao valor que ele aplicou. 3. Suponha que você pegou um empréstimo em uma instituição financeira. O valor do empréstimo era de R$ 35.000,00. Para a aprovação desse em- préstimo, você pagou despesas no valor de R$ 575,00. Ao final do período de contratação do empréstimo, deverá pagar o montante de R$ 40.084,57. Com base nessas informações, determine as taxas nominal, efetiva e real do empréstimo sabendo que, no período estipulado em contrato, a taxa de inflação foi de 2,75%. Verificando os dados do problema, temos: C = R$ 35.000,00; M = R$ 40.084,57; despesas = R$ 575,00; if = 2,75% Para determinar a taxa nominal, a que consta do contrato de emprésti- mo, podemos utilizar a fórmula de cálculo do montante de uma aplica- ção, ou seja: M = C . (1 + i)n O período de tempo de duração do empréstimo não foi disponibilizado pelo enunciado. Nesse caso, portanto, podemos colocar que foi igual a 1 (um período de tempo). Assim: 52 Matemática Financeira M = C . (1 + i)n ∴ 40.084,57 = 35.000 . (1 + i)1 ∴ 40 084 57 35 000 . , . = 1 + i ∴ 1,14527343 = 1 + i ∴ i = 1,14527343 – 1 ∴ i = 0,14527343 ∴ i = 14,527343% a.p. Para determinar a taxa efetiva, devemos subtrair o valor das despesas do valor do empréstimo, pois o empréstimo foi solicitado, mas também houve o pagamento de R$ 575,00 de despesas, ou seja, você não levou efetivamen- te R$ 35.000,00, mas o resultado da subtração das despesas pagas nesse valor. Assim, ao utilizarmos a fórmula do montante de uma aplicação, com capitalização composta, obtemos: M = C . (1 + i)n ∴ 40.084,57 = (35.000 – 575) . (1 + i)1 ∴ 40 084 57 34 425 . , . = 1 + i ∴ 1,1644029 = 1 + i ∴ i = 1,1644029 – 1 ∴ i = 0,1644029 ∴ i = 16,44029% a.p. Devemos perceber, então, que ao pagar as despesas para a realização do empréstimo, a taxa contratual aumenta, pois, efetivamente, o valor estipulado no contrato não é totalmente entregue. Par calcular a taxa real, devemos utilizar a fórmula própria, ou seja: ir = 1 1 � � � � + + i i a f – 1 ∴ ir = 1 0 14527343 1 0 0275 � � , � � , + + – 1 ∴ ir = 114527343 1 0275 , , – 1 ∴ ir = 1,11462134 – 1 ∴ ir = 0,11462134 ∴ ir = 11,462134% a.p. Resposta: as taxas referentes ao empréstimo que você realizou são: taxa no- minal de 14,53% a.p.; taxa efetiva de 16,44% a.p.; e taxa real de 11,46% a.p. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, você aprendeu a trabalhar com capitalização composta. Deve ter percebido que, para realizar corretamente os cálculos, deve prestar muita atenção nas taxas de juros composto que são fornecidas. Muitas pessoas, na prática do dia a dia, sentem dificuldade em saber diferenciar as taxas e operar corretamente com elas. Se você não tomar cuidado, pode acabar sendo enganado ao precisar realizar operações financeiras que envolvam capitalização composta. ATIVIDADES 1. José aplicou a quantia de R$ 5.680,00 em uma instituição financeira, sob o regime de capitalização composta. A instituição ofereceu uma taxa de juros compostos de 0,7% a.m. Determine o montante e os juros obtidos por José se a operação financeira foi realizada durante 4 meses. 2. Suponha que você recebeu a informação de que o banco X possibilita a aplicação da quantia de R$ 20.000,00 por 3 anos, em regime de capitalização composta, gerando um montante igual ao dobro do capital investido. De acordo com essa informação, de quanto será a taxa anual da aplicação? 3. Um determinado capital, aplicado no banco X por 5 meses, em regime de capitalização composta, produziu o montante de R$ 4.500,00. Sabendo que o Como não sabemos o período de tempo, colocamos a.p., que significa ao período. Atenção Acesse o QR Code a seguir e exercite seus conhecimentos sobre tipos de taxas. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática Capitalização composta 53 banco X opera com uma taxa de juros compostos de 18,4% a.a., determine o valor desse capital. 4. Durante quanto tempo se deve aplicar em um banco a quantia de R$ 800,00, a uma taxa de juros compostos de 1,75% a.m., para que, no final do período de aplicação, sejam resgatados R$ 1.050,00? 5. Você sabe que necessitará de R$ 14.000,00 daqui a 8 meses para quitar uma dívida. Quanto você terá que aplicar hoje, em uma instituição financeira, para obter esse valor, sabendo que essa instituição opera com uma taxa de juros compostos de 10,69% a.a.? 6. Você aplicou, em um determinado banco, a quantia de R$ 3.920,00. Após 5 meses, verificou que sua aplicação já estava com R$ 4.075,28. Qual é a taxa de juros mensal com que a instituição financeira está remunerando sua aplicação? 7. Você dispõe da quantia de R$ 1.200,00. Para ganhar rendimento sobre esse valor, quer aplicá-lo em um banco. Após quanto tempo de aplicação o montante será R$ 1.292,87? 8. Dois capitais foram aplicados durante um ano no regime de capitalização composta: o primeiro foi aplicado com uma taxa de juros compostos de 0,98% a.m., e o segundo, a uma taxa de juros compostos de 1,15% a.m. Sabe-se que o segundo capital corresponde a dois terços do primeiro capital e que rendeu R$ 339,33 a mais de juros compostos que o segundo. Determine o valor de cada um dos capitais aplicados. 9. Determine o solicitado: a) a taxa anual equivalente a 0,75% a.m. b) a taxa mensal equivalente a 22,4% a.a. c) a taxa anual equivalente a 0,025% a.d. d) a taxa trimestral equivalente a 15,92% em 2 anos. e) a taxa anual equivalente a 0,5% à quinzena. f) a taxa para 183 dias, equivalente a 13% a.a. g) a taxa para 491 dias, equivalente a 1,2% a.m. h) a taxa para 27 dias, equivalente a 5,85% a.t. 10. Verificar se as taxas de juros compostos de 5,3424109% a.t. e 16,8987214% para 9 meses são equivalentes. 11. Suponha que você realizou uma aplicação financeira em que, no contrato assinado, consta uma taxa nominal de 2,07%, pelo período de dois meses. Se no período em que a aplicação foi feita, a taxa de inflação correspondeu a 0,84%, qual foi a taxa real da aplicação que você realizou? 12. Você se dirigiu a um banco e solicitou um empréstimo no valor de R$ 48.000,00. Para a aprovação do empréstimo, você teve que pagar despesas no valor de 1,25% do valor de empréstimo solicitado. O gerente do banco lhe informou que, no final do período de contratação do empréstimo, você deverá restituir ao banco R$ 50.824,21. De posse dessas informações, determine a taxa nominal do empréstimo, bem como suas taxas efetiva e real, sabendo que, no período estipulado em contrato, a taxa de inflação foi de 1,44%. Nos itens c), f ), g) e h) considere o ano comercial de 360 dias, cada mês com 30 dias. Importante 54 Matemática Financeira REFERÊNCIAS ASSAF NETO, A. Matemática financeira e suas aplicações. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2012. CRESPO, A. A. Matemática financeira fácil. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. MATHIAS, W. F.; GOMES, J. M. Matemática financeira. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2009. PUCCINI, A. L. Matemática financeira: objetiva e aplicada. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. GABARITO 1. O enunciado do problema nos informa que: C = R$ 5.680,00; n = 4 meses; i = 0,7% a.m. Como o período de aplicação e a unidade de tempo da taxa de juros são compatíveis,podemos apli- car a fórmula matemática que calcula o montante da aplicação: M = C . (1 + i)n ∴ M = 5.680 . (1 + 0,007)4 ∴ M = 5.680 . (1,007)4 ∴ M = 5.680 . 1,02829537 ∴ M = 5.840,7177266 Em seguida, devemos determinar o valor dos juros que José receberá: J = M – C ∴ J = 5.840,7177266 – 5.680 ∴ J = 160,7177266. Podemos, também, determinar o valor do juro utilizando a fórmula que calcula esse valor direta- mente, fazendo: J = C . [ (1 + i)n – 1] ∴ J = 5.680 . [ (1 + 0,007)4 – 1] ∴ J = 5.680 . [(1,007)4 – 1] ∴ J = 5.680 . [1,02829537 – 1] ∴ J = 5.680 . 0,02829537 ∴ J = 160,7177266. Resposta: José receberá o valor de R$ 5.840,72, sendo R$ 160,72 de juros. 2. De acordo com o enunciado, temos os seguintes dados: C = R$ 20.000,00; M = R$ 20.000,00; n = 3 anos Utilizando a fórmula do montante de uma aplicação realizada em regime de capitalização com- posta, temos: M = C . (1 + i)n ∴ 40.000 = 20.000 . (1 + i)3 ∴ 40 00020 000 . . = (1 + i) 3 ∴ 2 = (1 + i)3 ∴ � �23 = 1 + i ∴ 1,25992105 = 1 + i ∴ i = 1,25992105 – 1 ∴ i = 0,25992105 a.a. Resposta: a taxa de juros composta que o banco X oferece para essa aplicação é de 25,99% a.a. 3. Sabemos que M = R$ 4.500,00; n = 5 meses; i = 18,4% a.a. Devemos, em primeiro lugar, perceber que as unidades de tempo não são compatíveis. Nesse caso, é melhor calcular quanto 5 meses representa em um ano do que calcular a taxa efetiva equivalente mensal da taxa anual dada. Ambos os resultados a serem obtidos serão iguais. Assim, temos: 5 12 = 0,4166666... ano Utilizando a fórmula matemática do montante de uma aplicação no regime de capitalização com- posta, teremos: M = C . (1 + i)n ∴ 4.500 = C . (1 + 0,184)0,4166666... ∴ 4.500 = C . (1,184) 0,4166666... ∴ 4.500 = C . 1,07290979... ∴ 4 500 1 07290979 . , … = C ∴ C = 4.194,20162764 Resposta: o valor do capital que deve ser aplicado é de R$ 4.194,20. Observação: Se preferir transformar a taxa anual em sua efetiva equivalente mensal, deve encon- trar a taxa de 1,41743955% a.m. 4. Os dados do problema são: C = R$ 800,00; i = 1,75% a.m., M = R$ 1.050,00. Utilize a fórmula de taxa efetiva equivalente: 1 + i k = (1 + i)n . Atenção Capitalização composta 55 Com o uso da fórmula do montante a juros compostos, obtemos: M = C . (1 + i)n ∴ 1.050 = 800 . (1 + 0,0175)n ∴ 1 050 800 . = (1,0175)n ∴ 1,3125 = (1,0175)n ∴ log , � �log ( , )10 101 3125 1 0175� �� n ∴ log , � � �.�log ( , )10 101 3125 1 0175� ��n n∴ 0,11809931 = n . 0,00753442 ∴ n = 0 11809931 0 00753442 , , ∴ n = 15,67464318 meses ∴ n = 1 ano, 3 meses e 20 dias. Resposta: deve-se aplicar a quantia por 1 ano, 3 meses e 20 dias. 5. De acordo com o enunciado, temos: M = R$ 14.000,00; i = 10,69% a.a.; n = 8 meses Aplicando a fórmula para o cálculo do montante de uma aplicação a juros compostos, temos: M = C . (1 + i)n ∴ 14.000 = C . 1 0 1069 8 12� � ,�� � ∴ 14.000 = C . (1,1069)0, 666666... ∴ 14.000 = C . 1,07005375... ∴ C = 14 000 1 07005375 . , … ∴ C = 13.083,45497116. Resposta: você deverá aplicar R$ 13.083,45 para receber o montante desejado. 6. Do enunciado do problema, temos os seguintes dados: C = R$ 3.920,00; M = R$ 4.075,28; n = 5 meses. Utilizando a fórmula do montante de uma aplicação realizada em regime de capitalização composta, fazemos: M = C . (1 + i)n ∴ 4.075,28 = 3.920 . (1 + i)5 ∴ 4 075 28 3 920 . , . = (1 + i)5 ∴ 1,03961224 = (1 + i)5 ∴ � , �1 039612245 = 1 + i ∴ 1,00779982 = 1 + i ∴ i = 1,00779982 – 1 ∴ i = 0,00779982 a.m. Resposta: a taxa de juros composta que o banco está remunerando sua aplicação financeira é de 0,78% a.m. 7. Os dados do problema são: C = R$ 1.200,00; i = 10,45% a.a.; M = R$ 1.292,87. Utilizando a fórmula para determinar o montante de uma aplicação a juros compostos, fazemos: M = C . (1 + i)n ∴ 1.292,87 = 1.200 . (1 + 0,1045)n ∴ 1 292 871 200 . , . = (1,1045) n ∴ 1,07739167 = (1,1045)n ∴ log , � �log ( , )10 101 07739167 11045� �� n ∴ log , � � �.�log ( , )10 101 07739167 11045� ��n n ∴ 0,03237361 = n . 0,04316572 ∴ n = 0 032373610 04316572 , , ∴ n = 0,74998429 do ano Como ninguém fala um período de tempo dessa maneira, devemos fazer as devidas alterações para determinar o prazo de aplicação: n = 0,74998429 do ano = 0,74998429 . 12 = 8,99981149 meses. Resposta: a aplicação deverá ser realizada durante 9 meses para resultar no montante de R$ 1.292,87. 8. As informações do enunciado são: n1 = n2 = 1 ano = 12 meses; C2 = 2 3� � . C1 ; i1 = 0,98% a.m.; i2 = 1,15% a.m.; J1 = 339,33 + J2. Utilizando a fórmula matemática que determina o valor do juro composto, dada por J = C . [(1 + i)n – 1], temos: J1 = C1 . [ 1 1 1� ��� �i n – 1 ∴ J1 = C1 . [( 1 + 0,0098)12 – 1] ∴ J1 = C1 . 0,12415034 J2 = C2 . [ 1 2 2� ��� �i n – 1] ∴ J2 = C2 . [( 1 + 0,0115)12 – 1] ∴ J2 = C2 . 0,14707191. Como J1 = 339,33 + J2, podemos entender que: C1 . 0,12415034 = 339,33 + C2 . 0,14707191 E sendo C2 = 2 3� � . C1, temos: 56 Matemática Financeira C1 . 0,12415034 = 339,33 + 2 3� � . C1 . 0,14707191 ∴ C1 . 0,12415034 – 2 3� � . C1 . 0,14707191 = 339,33 ∴ 0 37245102 0 29414382 1 017 99 3 1 1, �.� � � , �.� � � . ,C C� � ∴ C1 . 0,0783072 = 1.017,99 ∴ C1 = 1 017 99 0 0783072 . , , ∴ C1 = 12.999,95402722 ∴ C1 = R$ 12.999,95. Como o enunciado afirma que C2 = 2 3� � . C1, temos: C2 = 2 3� � . 12.999,95 ∴ C2 = 8.666,63333333 ∴ C2 = 8.666,63. Resposta: o primeiro capital (C1) é igual a R$ 12.999,95, e o segundo capital (C2) é igual a R$ 8.666,63. 9. a. 1 + ik = (1 + i) n ∴ ik = (1 + 0,0075)12 – 1 ∴ ik = 0,0938069... ∴ ik = 9,38% a.a. b. 1 + ik = (1 + i) n ∴ i = 1 0 22412 � � ,+ – 1 ∴ i = 0,01698634... ∴ i = 1,698634... ∴ ik = 1,70% a.m. c. 1 + ik = (1 + i)n ∴ ik = (1 + 0,00025)360 – 1 ∴ ik = 0,09416198... ∴ ik = 9,42% a.a. d. 1 + ik = (1 + i) n ∴ i = 1 0 15928 � � ,+ – 1∴ i = 0,01863782... ∴ i = 1,86378198... ∴ ik = 1,86% a.t. e. 1 + ik = (1 + i) n ∴ ik = (1 + 0,005)24 – 1 ∴ ik = 0,12715978... ∴ ik = 12,72% a.a. f. 1 + ik = (1 + i) n ∴ ik = 1 0 13 183 360� � ,�� � – 1 ∴ ik = 0,06409779... ∴ ik = 6,409779... ∴ ik = 6,41% a.p. g. 1+ ik = (1 + i) n∴ ik = 1 0 012 491 30�� �� , – 1∴ik = 0,21559169...∴ ik = 21,559169... ∴ ik = 21,56% a.p. h. 1 + ik = (1 + i) n ∴ i = 1 0 012 27 90� � ,�� � – 1 ∴ i = 0,01720212... ∴ i = 1,720212... ∴ ik = 1,72% a.p. 10. Calculando uma das taxas para a unidade de tempo da outra, ou seja, a taxa trimestral para 9 meses, temos: 1 + ik = (1 + i) n ∴ 1 + ik = (1 + 0,053424109)3 – 1 ∴ ik = 0,16898721 ∴ ik = 16,898721% a.p. Como o resultado obtido coincide com o valor da taxa para 9 meses, as taxas fornecidas são equivalentes. Resposta: as taxas de juros compostos fornecidas são taxas equivalentes. 11. De acordo com o enunciado, temos os seguintes dados: ia = 2,07% a.p.; if = 0,84% a.m. Aplicando a fórmula matemática para obter o valor da taxa real da aplicação, obtemos: ir = 1 1 � � � � + + i i a f – 1 ∴ ir = 1 0 0207 1 0 0084 � � , � � , + + – 1 ∴ i r = 1 0207 1 0084 , , – 1 ∴ ir = 1,01219754 – 1 ∴ ir = 0,01219754 a.p. Resposta: a taxa real da aplicação por você contratada foi de 1,22% a.p. 12. Os dados do problema são: C = R$ 48.000,00; M = R$ 50.824,21; if = 1,44%. Devemos, primeiro, calcular o valor das despesas que tiveram que ser pagas: 1,25% . 48.000 = 600. Para determinar a taxa nominal, a que consta do contrato de empréstimo, podemos utilizar a fór- mula de cálculo do montante de uma aplicação. Verificamos que não foi dado o valor do período de duração do empréstimo, então podemos colocar que foi igual a 1. Assim: M = C . (1 + i)n ∴ 50.824,21 = 48.000 . (1 + i)1 ∴ 50 824 21 48 000 . , . = 1 + i ∴ 1,05883771 = 1 + i ∴ i = 1,05883771 – 1 ∴ i = 0,05883771 ∴ i = 5,883771% a.p. Para determinar a taxa efetiva, devemos subtrair o valor das despesas do valor do empréstimo, pois foi solicitado o empréstimo, mas foram pagos R$ 600,00 em despesas, ou seja, você levou o resul- Capitalização composta 57 tado da subtração do valor total de empréstimovalor e das despesas pagas. Assim, ao utilizarmos a fórmula do montante de uma aplicação, com capitalização composta, obtemos: M = C . (1 + i)n ∴ 50.824,21 = (48.000 – 600) . (1 + i)1 ∴ 50 824 21 47 400 . , . = 1 + i ∴ 1,07224072 = 1 + ∴ i = 1,07224072 – 1 ∴ i = 0,07224072 ∴ i = 7,224072% a.p. Devemos perceber que, ao pagar as despesas para a realização do empréstimo, a taxa contratual aumenta, pois, efetivamente, o valor estipulado em contrato não foi entregue a você. Para calcular a taxa real, devemos utilizar: ir = 1 1 � � � � + + i i a f – 1 ∴ ir = 1 0 05883771 1 0 0144 � � , � � , + + – 1 ∴ ir = 1 05883771 1 0144 , , – 1 ∴ ir = 1,04380689 – 1 ∴ ir = 0,04380689 ∴ ir = 4,380689% a.p. Resposta: portanto, as taxas referentes ao empréstimo que você realizou são: taxa nominal de 5,88% a.p.; taxa efetiva de 7,22% a.p.; e taxa real de 4,38% a.p. 58 Matemática Financeira 4 Desconto composto Se tivermos um título de crédito (nota promissória, duplicata, letra de câmbio ou cheque) e desejarmos resgatá-lo antes da data de seu venci- mento, teremos que solicitar a troca do título por dinheiro. Esse tipo de operação financeira envolve o que chamamos de desconto. O modo de se calcular o valor desse desconto depende do regime de capitalização que será utilizado. Nos dedicaremos, neste capítulo, ao estudo dos descontos em regime de capitalização composta. Uma outra situação que ocorre, e com certa frequência, é sermos detentores de um título de crédito e percebermos que não poderemos liquidá-lo na data prevista. Então, vamos ao credor do título e solicitamos a troca desse título de crédito por outro, com uma nova data de venci- mento, para que não haja prejuízo para nenhuma das partes – credor e devedor. Nesse caso, os títulos de crédito devem ser equivalentes. Esse procedimento também será estudado neste capítulo. 4.1 Desconto composto Vídeo O desconto é um benefício dado a quem antecipa o pagamento de uma dívida, ou sobre o resgate antecipado de um título de crédito, como cheques, letras de câmbio, notas promissórias e duplicatas. Uma das vantagens, se não for a principal, do desconto de um título de crédito é que essa operação financeira proporciona aos possuido- res desses títulos a possibilidade de adiantar os valores que têm para receber em datas futuras. Desta maneira, segundo Assaf Neto (2012, p. 40, grifos do original): desconto pode ser entendido como a diferença entre o valor nominal de um título e o seu valor atualizado apurado n pe- ríodos antes de seu vencimento. Por outro lado, o valor des- contado de um título é o seu valor atual na data do desconto, sendo determinado pela diferença entre o valor nominal e o desconto. Devemos entender como funcionam as operações que calculam os descontos, que também podem ser realizados no regime de ca- pitalização composta. Mas é preciso tomar cuidado ao realizar ope- rações assim. O site do Banco Central do Brasil nos traz estatísticas que mostram as diferentes taxas oferecidas pelos maiores bancos que operam no país para a realização de desconto de cheques – um dos tipos de título de crédito – de pessoas físicas. Acesse o site e conheça as taxas praticadas. Disponível em: https://www. bcb.gov.br/estatisticas/ reporttxjuros/?path=con- teudo%2Ftxcred%2FRe- ports%2FTaxasCredito-Con- solidadas-porTaxasAnuais. rdl&nome=Pessoa%20 F%C3%ADsica%20-%20 Desconto%20de%20che- ques¶metros=tipopes- soa:1;modalidade:302;encar- go:101&exibeparametros=- false&exibe_paginacao=false. Acesso em:13 abr. 2020. Saiba mais Desconto composto 59 Observe a seguinte situação: um título de crédito que possui valor nominal (va- lor de face) de R$ 54.500,00 foi comercializado com a taxa de desconto comercial simples de 26,8% a.a. Considerando que o período de antecipação para o venci- mento desse título de crédito é de 4 anos, qual é o valor do desconto comercial? O desconto comercial simples deve ser calculado pela fórmula DC = VF . i . n. O problema nos fornece os seguintes dados: VF = R$ 54.500,00; i = 26,8% a.a.; n = 4 anos. Aplicando a fórmula, teremos: DC = VF . i . n ∴ DC = 54.500 . 0,268 . 4 ∴ DC = 58.424. Mas, como é possível que o valor do desconto seja maior que o do título de crédito? Tal situação leva a um absurdo. Por isso, devemos saber que os descon- tos simples, comercial e/ou racional somente devem ser utilizados em operações financeiras de curto ou de curtíssimo prazo, normalmente, nas situações em que o período de antecipação para o pagamento do título de crédito seja inferior a um ano. Para situações como a exposta anteriormente, devemos adotar o regime de capitalização composta, que não produz resultados como o visto. Enquanto os descontos calculados no regime de capitalização simples são utili- zados em operações de curto (ou curtíssimo) prazo, os descontos compostos são utilizados nas chamadas operações de longo prazo. Tal como os descontos calculados com regime de capitalização simples, os descon- tos calculados com o regime de capitalização composta – denominados descontos com- postos – podem apresentar dois tipos específicos: o desconto composto comercial e o desconto composto racional. De acordo com Assaf Neto (2012, p.53): o desconto composto “por fora” (ou comercial) é raramente empregado no Brasil, não apresentando uso prático. O desconto “por dentro” (racional) en- volve valor atual e valor nominal de um título capitalizado segundo o regime de juros compostos, apresentando, portanto, larga utilização prática. 4.2 Desconto composto comercial Vídeo O desconto composto comercial, nosso objeto de estudo nesta seção, segundo Müller e Antonik (2012, p. 123, grifos do original), não é usado na prática e é análogo ao cálculo do juro composto. O que faze- mos é calcular a diferença entre o valor nominal (valor futuro) e o valor atual (valor presente) do compromisso na data em que se propõe que seja feito o desconto. O desconto corresponde à quantia a ser abatida do valor nominal, e o valor descontado é a diferença entre o valor nominal e o desconto. Para realizarmos os cálculos que envolvem esse tipo de desconto composto, utilizaremos a seguinte nomenclatura: • Dc → valor do desconto comercial composto; • VF → valor de face do título de crédito; • i → taxa de desconto composto comercial; • VAC → valor atual do título de crédito. 60 Matemática Financeira 4.2.1 Fórmulas matemáticas para o desconto comercial composto As fórmulas matemáticas que utilizaremos para o cálculo do valor atual de um título de crédito, ou seja, o valor que deverá ser pago no momento da antecipação do pagamento: VAC = VF . (1 – i )n e DC = VF – VAC Para obtermos a fórmula que calcula o valor do desconto comercial, quando conhecemos apenas o valor de face do título de crédito, usamos as seguintes fórmulas: DC = VF – [VF . ( 1 – i )n ] ou DC = VF . [ 1 – ( 1 – i )n ] Σxemρlos Para entendermos melhor como resolver situações-problema que envolvem desconto composto comercial, vamos nos dedicar à resolução de vários exemplos de aplicação. 1. Uma empresa possui uma duplicata de valor nominal de R$ 7.300,00 e deseja descontá-la 3 meses antes de seu vencimento. O banco oferece à empresa uma taxa de desconto comercial composto de 1,6% a.m., capitalizável men- salmente. Qual o valor do desconto que a empresa terá e quanto pagará no ato de antecipação, quando realizar o pagamento da duplicata? De acordo com o enunciado, temos: VF = R$ 7.300,00; n = 3 meses; i = 1,6% a.m. Como já sabemos, para resolver qualquer problema, devemos prestar aten- ção se as unidades da taxa de desconto e do período de tempo são compa- tíveis. No caso do exemplo, são compatíveis, pois ambas estão em meses. Então, aplicando a fórmula matemática que calcula o valor atual da duplica- ta, temos: VAC = VF . (1 – i) n ∴ VAC = 7.300 . (1 – 0,016) 3 ∴ VAC = 7.300 . (0,984) 3 ∴ VAC = 7.300 . 0,9527639 ∴ VAC = 6.955,1764992. Para o cálculo do valor do desconto comercial composto, podemosfazer: DC = VF – VAC ∴ DC = 7.300 – 6.955,1764992 ∴ DC = 344,8235008 ou DC = VF . [ 1 – (1 – i) n] ∴ DC = 7.300 . [1 – (1 – 0,016) 3] ∴ DC = 7.300 . [1 – (0,984) 3] ∴ DC = 7.300 . [1 – 0,9527639] ∴ DC = 7.300 . [0,0472361] ∴ DC = 344,8235008. Resposta: o valor da duplicata a ser paga pela empresa será de R$ 6.955,18, sendo o desconto comercial composto obtido de R$ 344,82. Vale lembrar que o desconto comercial composto raramente é utilizado na prática. Atenção Não se esqueça que, na utiliza- ção de fórmulas matemáticas, o valor da taxa de desconto comercial composto deve ser colocado no formato unitário. Atenção Desconto composto 61 2. Foi apresentada a um banco uma nota promissória cujo valor nominal era de R$ 4.750,00 para ser descontada um ano antes de seu vencimento. O banco oferece uma taxa de desconto comercial composto de 2,7% a.b. Quanto o banco pagará ao detentor da duplicata? De quanto será o descon- to concedido? O enunciado do problema nos informa que: VF = R$ 4.750,00; n = 1 ano e i = 2,7% a.b. Como as unidades do período de antecipação e da taxa de desconto co- mercial composto não são compatíveis (não estão na mesma unidade), de- vemos converter uma delas. É mais fácil realizar conversão do período de antecipação do desconto da nota promissória. Assim, n = 1 ano ∴ n = 6 bimestres. Aplicando as fórmulas matemáticas para encontrar o valor atual da nota promissória e o valor do desconto comercial composto, temos: VAC = VF . (1 – i) n ∴ VAC = 4.750 . (1 – 0,027) 6 ∴ VAC = 4.750 . (0,973) 6 ∴ VAC = 4.750 . 0,84854923 ∴ VAC = 4.030,60882307. DC = VF – VAC ∴ DC = 4.750 – 4.030,60882307 ∴ DC = 719,39117693 ou DC = VF . [ 1 – (1 – i) n ] ∴ DC = 4.750 . [ 1 – (1 – 0,027) 6 ] ∴ DC = 4.750 . [1 – (0,973)6] ∴ DC = 4.750 . [1 – 0,84854923] ∴ DC = 4.750 . [ 0,15145077] ∴ DC = 719,39117693. Resposta: o banco pagará ao cliente R$ 4.030,61, com valor de desconto comercial composto de R$ 719,39. 3. Uma nota promissória de valor nominal R$ 10.530,00 foi resgatada por um lojista por R$ 9.255,02. Se a instituição financeira em que o lojista fez a nego- ciação trabalha com uma taxa de desconto comercial composto da ordem de 3,05% a.m., determine quanto tempo antes do vencimento o lojista rea- lizou o pagamento da nota promissória. O problema nos fornece os seguintes dados: VF = R$ 10.530,00; VAC = R$ 9.255,02; i = 3,05% a.m. Aplicando a fórmula que determina o valor atual comercial, temos: VA VF iC n n � � � � �. ( - ) , . ( , )1 9255 02 10530 1 0 0305 92555 02 10530 0 9695, ( , )� �n 0 87891928 0 9695 0 87891928 0 969510 10, ( , ) log , log ( , ) � � � � � �n n log 0,8789192810 � � � �� � �n n.log ( , ) , .( ,10 0 9695 0 05605101 0 013452119)� n n� � �-� , -� , ,0 05605101 0 01345219 4 16668392 meses. Como não falamos períodos de tempo com vírgula, devemos proceder à transformação desse valor, ou seja: n = 4 meses + 0,16668392 . 30 dias ∴ n = 4 meses + 5,00051773 dias. Resposta: a negociação foi realizada, pelo lojista, 4 meses e 5 dias antes do vencimento da nota promissória. Não precisa se preocupar com os valores negativos obtidos, pois, na próxima etapa do cálculo, faremos a regra de sinal da divisão. Atenção Para exercitar seus conhecimen- tos sobre desconto comercial composto, acesse o QR Code a seguir e resolva os exercícios selecionados. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática 62 Matemática Financeira 4. Determine a taxa de desconto comercial composto que incidiu sobre uma duplicata de valor nominal de R$ 12.850,80, se ela foi descontada cinco me- ses antes de seu vencimento, gerando um valor pago, no ato da apresenta- ção da duplicata à instituição financeira, de R$ 11.556,96. O enunciado nos fornece os seguintes dados: VF = R$ 12.850,80; VAC = R$ 11.556,96; n = 5 meses. Aplicando a fórmula matemática que calcula o valor atual de um título de crédito, obtemos: VA VF i ic n� � � � � �.( ) . , . , .( )1 11 556 96 12 850 80 1 5 11.556,96 12.850,800 � �( )1 5i VA VF I i iC n� � � � � � � � �.( )1 1 1 0978999990,899318335 i = 0,02100001 a.m. Resposta: a taxa de desconto comercial composto que incidiu na operação realizada foi de 2,1% a.m. A taxa deve ser colocada ao mês, pois o período de antecipação para o resgate da duplicata está em meses. Atenção 4.3 Desconto racional composto Vídeo Conforme foi citado, o desconto comercial composto raramente é utilizado no Brasil. Vamos, então, nos dedicar, agora, ao estudo do desconto racional composto, ou desconto composto por dentro. Esse tipo de desconto é determinado segundo as regras do regime de capitali- zação composta. Então, podemos dizer que o valor descontado equivale ao capital aplicado no regime de juros compostos. 4.3.1 Fórmulas matemáticas para desconto racional composto De acordo com Müller e Antonik: este tipo de desconto é largamente utilizado no Brasil. É chamado também de desconto composto real, o desconto obtido pela diferença entre o valor nominal (valor futuro – VF) e o valor atual (valor presente – VP) de um compromisso fi- nanceiro que será pago “n” períodos antes do seu vencimento. Para uma melhor compreensão, podemos dizer que o desconto racional composto passa a ser si- nônimo de juro composto (2012, p. 123, grifos do original). Portanto, podemos especificar que as fórmulas matemáticas necessárias para resolver situações-problemas que envolvem esse tipo de desconto, são as seguintes: • para a determinação do valor do desconto racional composto: DR = VF – VAR • para chegar ao do valor atual racional, valor a ser pago no ato de antecipação do pagamento do título de crédito: VAR �� �� �� VF 1�+�i n Desconto composto 63 • para determinar o valor de face (valor nominal) do título de crédito: VF = VAR . (1 + i)n Se substituirmos o valor de VAR (2ª fórmula) na fórmula do desconto racional composto (1ª fórmula), obteremos: D VF D VFVF i i R Rn n �� �� �� ���� �� �� �� ���� �� �� �� �� ���� �� �� �� ����1 1 1 1� � � � . Nessas fórmulas, os elementos correspondem a: • DR → valor do desconto racional composto; • VF → valor nominal ou valor de face do título de crédito; • VA → valor atual do título, valor a ser pago no ato em que o título de crédito será resgatado; • i → taxa de desconto racional composto; • n → período de tempo de antecipação para o resgate do título. Agora, só nos resta praticar a utilização dessas fórmulas na aplicação de situa- ções-problema que encontramos em nosso dia a dia. Σxemρlos 1. Uma empresa deve um título de crédito de valor nominal de R$ 32.725,00 que vencerá daqui a 3 meses. Se o gerente financeiro da empresa desejar quitá-lo hoje, de quanto será o desconto racional composto? O banco de- tentor do título de crédito oferece uma taxa de desconto racional compos- to de 1,45% a.m. Determine, também, o valor que o gerente da empresa deve ter para quitar o título de crédito. O enunciado do problema nos informa os seguintes dados: VF = R$ 32.725,00; n = 3 meses; i = 1,45% a.m. Aplicando a fórmula matemática que determina o valor atual do título de crédito, obtemos: VA VA VA VR R R� � � � � � � � � VF 1�+�i n 32 725 1 0 0145 32 725 1 04413383 . ( , ) . , AAR � 31 341 768692. , . Para determinar o valor do desconto racional composto, fazemos: DR = VF – VAR ∴ DR = 32.725 – 31.341,768692 ∴ DR = 1.383,231308 ou podemos fazer: D VF DR R� � � � � � � �� � � � �� � � � � � � �� � � . . . ( , ) 1 1 1�+�i n 32 725 1 1 1 0 0145 3 ���� D DR R� � � � � � � �� � � �32 725 32 725 1 0 95773166. . . .( , )1 1 1,0441338 DR = 32.725 . 0,04226834 ∴ DR = 1.383,231308. 64 Matemática Financeira Resposta: o desconto oferecido ao gerente da empresa será de R$ 1.383,23 e o valor que deverá ser dado para quitar o desconto do título de crédito deverá ser de R$ 31.341,77.2. O proprietário de uma loja de departamentos possuía uma duplicata no valor de R$ 83.982,50, vencível em quatro meses e meio. Ele conseguiu an- tecipar o pagamento dessa duplicata, quitando-a, hoje, por R$ 77.367,05. Determine o valor do desconto racional composto e a taxa de desconto ra- cional composto utilizados na operação realizada. Verificando os dados fornecidos pelo problema, vemos que: VF = R$ 83.982,50; VAR = R$ 77.367,05; n = 4,5 meses. Para determinar o valor do desconto comercial composto, fazemos: DR = VF – VAR ∴ DR = 83.982,5 – 77.367,05 ∴ DR = 6.615,45. Utilizando a fórmula matemática que determina o valor atual racional, temos: VF VA i iR n� � � � � �.( ) . , . , .( ) ,1 83 982 5 77 367 05 1 4 5 83.982,5 77.367,055 � � �( ) ,1 4 5i 1 08550733 1 1 1 1 01844 5, ( ) ,, ! � � � � � � � � �i i i1,085507334,5 i = 1,0184 – 1 ∴ i = 0,0184 Resposta: o valor do desconto racional composto foi de R$ 6.615,45 e o valor da taxa de desconto racional composto foi de 1,84% a.m. 3. O cliente de um banco possuía uma nota promissória de valor nominal igual a R$ 156.780,00. Ele foi ao banco e propôs o resgate da nota promissória; foi atendido, pagando R$ 146.637,50 no ato da operação de desconto. Se a taxa de desconto racional composto oferecida pelo banco era de 1,76% a.m., deter- mine o tempo de antecipação para o vencimento da nota promissória e o valor do desconto racional composto obtido pelo cliente do banco. Pelo enunciado do problema, temos os seguintes dados: VF = R$ 156.780,00; VAR = R$ 146.637,50; i = 1,76% a.m. Para determinar o valor do desconto racional composto, fazemos: DR = VF – VAR ∴ DR = 156.780 – 146.637,5 ∴ DR = 10.142,5. Utilizando a fórmula matemática que determina o valor atual racional, po- demos fazer: VF VA iR n n� � � � � �.( ) . . , .( , )1 156 780 146 637 5 1 0 0176 156.780 146.637,,5 � �( , )1 0176 n 1 06916716 1 0176 1 0691671610, , log ( , ) log 1,017610 n � � �� � � � �n log 1,06916716 10 � � � � �n n.�log ( , ) , . ,10 1 0176 0 02904561 0 00775771� n n� � �0,02904561 0,0075771 meses.3 83334242, Devemos transformar o resultado, pois não falamos unidades de tempo com vírgula. Então, fazemos: Para exercitar seus conhecimen- tos sobre desconto racional com- posto, acesse o QR Code e resolva os exercícios selecionados. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática Desconto composto 65 n = 3,83334242 meses = 3 meses + 0,83334242 . 30 = 3 meses + 25,00026614 dias. Resposta: a promissória foi resgatada 3 meses e 25 dias antes do seu ven- cimento, gerando um desconto racional composto no valor de R$ 10.142,50. 4.4 Títulos equivalentes Vídeo Já trabalhamos com equivalência de títulos quando estudamos capitalização simples. Muitos autores se referem à equivalência de títulos como equivalência de capi- tais diferidos. Vejamos o que diz a respeito Crespo: às vezes temos a necessidade de substituir um título (ou mais) por outro (ou outros) com vencimento diferente ou, ainda, de saber se duas formas de pa- gamento são equivalentes. Esses problemas estão ligados, de modo geral, à equivalência de capitais diferidos 1 (2009, p. 144, grifos do original). O conceito não muda ao trabalharmos com capitalização compos- ta, mais especificamente com desconto composto, ou seja, continua- mos tendo que encontrar um título de crédito que seja equivalente a outro, ou a outros, em uma determinada data, denominada de data focal. Nessa data, obrigatoriamente, os valores atuais dos títulos de- vem ser iguais. Esse conceito é referenciado por Müller e Antonik (2012, p.126) que afirmam que “dois capitais podem se equivaler se igualados e levados a valor presente (mes- ma data base ou data focal) com a mesma taxa de juros e nas mesmas condições”. Segundo Samanez (1995, p. 33, apud MÜLLER E ANTONIK, 2012, p.126), “nos cál- culos realizados com taxas efetivas, os capitais podem se equivaler em qualquer instante de tempo”, por isso, os autores orientam que a equivalência seja calculada no instante 0. Devemos relembrar que, para que os títulos sejam equivalentes, a taxa de des- conto, em regime de capitalização simples ou de capitalização composta, deve ser a mesma. Assim, a substituição de títulos pode ocorrer quando se deseja antecipar ou adiar o pagamento de um título. Como já comentamos, o desconto comercial composto é rara- mente aplicado no Brasil. Sendo assim, somente estudaremos a equivalência de títulos no caso de capitalização composta, desconto racional composto, fixando uma determinada data focal ou data de referência. 4.4.1 Fórmulas matemáticas para títulos equivalentes Se chamarmos de FV1 o valor nominal do novo título, para um novo prazo n1, deve-se ter, na mesma data escolhida para o novo título, a data focal, os valores atuais iguais, ou seja, VA1 deve ser igual a VA2. Dessa maneira, as fórmulas matemáticas nos mostram que: São denominados de capitais diferidos os capitais que possuem vencimentos em datas diferentes. 1 O instante 0 (zero) é o momento da assinatura do título de crédito, ou seja, é a data focal 0 (zero). Atenção 66 Matemática Financeira VA VA VF i 1 2 1 11 �� �� �� �� �� ��( )n 2 n2 VF 1�+�i Se tivermos diversos títulos de crédito, com valores de face diferentes VF1, VF2, VF3, ... , VFm, vencíveis em datas também diferentes n1, n2, n3, ... , nm, eles serão equivalen- tes a um único título de crédito, de valor de face VF, na data focal zero, utilizando-se desconto racional composto, calculado adotando uma taxa única i, fazendo-se: VA VF i 0 1 1 �� ���� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� ��n1 2 n2 3 n3 m nm VF 1�+�i VF 1�+�i VF 1�+�i ... Para entendermos melhor como essa troca de papéis funciona, devemos resol- ver alguns exemplos que esclareçam nossas dúvidas. Σxemρlos 1. Uma empresa possui um título de crédito com valor nominal de R$ 3.270,00, vencível em 3 meses. O diretor financeiro da empresa, prevendo que não conseguirá quitar essa dívida na data especificada, propõe ao banco a subs- tituição do título por outro com vencimento para daqui 5 meses. Se o ban- co opera com uma taxa de desconto racional composto de 1,08% a.m., de quanto será o valor de face desse novo título? Identificando os dados que o enunciado do problema nos fornece, obtemos: FV1 = R$ 3.270,00; n1 = 3 meses; n2 = 5 meses; i = 1,08% a.m. Como as unidades de tempo são compatíveis, utilizando a fórmula matemá- tica que determina a equivalência de títulos, devemos fazer: VF (1+i) VF (1+i) 3270 (1+0,0108) VF (1+0,0108) 3270 1 1 n1 2 n2 3 2� � � � 5 ,,03275118 VF 1,05517907 2� � VF VF2 2 3 341 0134128� � � 3.270�.�1,05517907 1,03275118 . , . Resposta: o banco deve oferecer ao diretor financeiro da empresa o novo título de crédito com valor de face de R$ 3.341,01. 2. Determine o valor da taxa mensal de desconto racional composto para que o título de crédito que possui valor nominal de R$ 4.630,00, vencível em 5 meses, seja equivalente a outro título de crédito que tem valor de face de R$ 4.833,28 e vencível em 9 meses. O problema nos fornece os seguintes dados: VF1 = R$ 4.630,00; n1 = 5 meses; VF2 = 4.833,28 e n2 = 9 meses. Utilizando a fórmula matemática para equivalência de títulos, temos: VF i VF i i i n n 1 1 2 2 5 9 1 1 4 630 1 1 1( ) ( ) . ( ) ( ) (� � � � � � � � � 4.833,28 (1+i)9 ii)5 � � 4.833,28 4.630 ( ) , ,1 1 04390497 1 1 1 010800024� � � � � � � � �i i i1,043904974 i = 1,01080002 – 1 ∴ i = 0,01080002 a.m. É possível escolher outra data focal. Devemos, caso isso ocorra, tomar cuidado com os tempos de antecipação de todos os títulos à data focal escolhida. Atenção Uma das propriedades do cálculo de operações com potências diz que, na divisão de potências de mesma base, repete-se a base e subtraem-se os expoentes. Essa propriedade foi utilizada para resolvereste cálculo. Atenção Desconto composto 67 Resposta: a taxa de desconto racional composto para que os títulos sejam equivalentes é de 1,08% a.m. 3. Marcos possui um título de crédito de valor nominal de R$ 6.750,00, vencível em 6 meses. A ele foi feita uma proposta para trocar esse título por outro de valor nominal de R$ 6.481,53, com vencimento para 4 meses. Se a taxa de desconto composto racional considerada for de 2,05% a.m., a troca de títulos será vantajosa para Marcos ou não? Os dados do problema são: FV1 = R$ 6.750,00; n1 = 6 meses; FV2 = R$ 6.481,53; n2 = 4 meses. Sendo as unidades compatíveis, para saber se Marcos terá vantagem com a troca de papéis, precisamos ver se há equivalência dos títulos. Para tanto, devemos escolher um, por exemplo o título que Marcos já possui, e verificar se o outro título é ou não equivalente ao mesmo. Portanto, fazemos: VF (1+i) VF (1+i) 6.750 (1+0,0205) VF (1+0,0205) 6.7501 n1 2 n2 6 2 4 � � � 11,12947872 VF 1,08455614 2� � VF VF2 2 6 481 53330857� � � 6.750�.�1,08455614 1,12947872 . , . Como obtivemos o valor de face do segundo título, não há vantagem para Marcos realizar a troca de papéis, pois os títulos são equivalentes. Resposta: Marcos não obterá vantagem com a troca de papéis, pois os títu- los são equivalentes. 4. Um banco é detentor dos títulos de crédito relacionados abaixo, com suas respectivas datas de resgate. Verifique se os títulos que o banco possui são equivalentes à taxa de desconto racional composto de 0,95% a.m. Número Título de crédito Tempo de resgate 1 R$ 2.568,00 2 2 R$ 2.641,89 5 3 R$ 2.670,00 7 4 R$ 2.743,72 9 Dados que o enunciado do problema nos informa: FV1 = R$ R$ 2.568,00; n1 = 2 meses; FV2 = R$ 2.641,89; n2 = 5 meses; FV3 = R$ 2.670,00; n3 = 7 meses; FV4 = R$ 2.743,72; n4 = 9 meses e i = 0,95 a.m. Sendo as unidades compatíveis, podemos efetuar os cálculos sem a neces- sidade de nenhuma transformação. Vamos escolher um dos títulos para ser o título base. Então, vamos ver se os demais títulos são equivalentes ao título escolhido. Escolhendo como título base o 1, precisamos, primeiro, verificar se o título 2 é equivalente ao título 1: Só haveria vantagem para Marcos realizar a troca de papéis se o valor calculado fosse maior que o valor de face do 2º título. Assim, se Marcos esperasse o tempo do vencimento do título, ele receberia um valor maior, ou seja, mais dinheiro, pelo título de crédito. Importante 68 Matemática Financeira VF VF 2.568 VF 2.561 2 2 ( ) ( ) ( , ) ( , )1 1 1 0 0095 1 0 00951 2 2 5� � � � � � � � i in n 88 1,0190925 VF 1,04841111 2� � VF VF VF2 2 22 641 88548774 2� � � � � 2.568�.�1,04841111 1,01909025 . , .. , .641 89 Como o valor de face obtido é igual ao valor de face do 2º título, os títulos são equivalentes. Em seguida devemos verificar se o título 3 é equivalente ao título 1: VF i VF i VF n n 1 1 3 3 2 3 71 1 2 568 1 0 0095 1 0 0095 2 56 ( ) ( ) . ( , ) ( , ) . � � � � � � � � 88 1 01909025, � � VF 1,06842554 3 VF VF VF3 3 32 692 31974217 2� � � � � 2.568�.�1,06842554 1,01909025 . , .6692 31, . Como o valor de face obtido é diferente (maior) que o valor de face do 3º título, os títulos não são equivalentes. Por fim, verificamos se o título 4 é equivalente ao título 1: VF VF 2.568 VF 2.561 4 4 ( ) ( ) ( , ) ( , )1 1 1 0 0095 1 0 00951 4 2 9� � � � � � � � i in n 88 VF 1,08882206 4 1 01909025, � � VF VF VF4 4 42 743 71679913 2� � � � � 2.568�.�1,08882206 1,01909025 . , .7743 72, . Como o valor de face obtido é o mesmo do valor de face do 4º título, os títulos são equivalentes. Resposta: são equivalentes os títulos de número 1, 2 e 4, sendo que o de número 3 não é equivalente aos demais. 5. Uma determinada empresa possui as seguintes duplicatas: Número Valor de face das duplicatas Tempo de resgate (em meses) 1 R$ 3.200,00 2 2 R$ 4.150,00 4 3 R$ 6.780,00 7 A empresa entrou em contato com o banco credor e, conversando com o gerente de operações financeiras, solicitou que as duplicatas fossem tro- cadas por outras duas, de mesmo valor nominal, vencíveis em 6 e 9 meses. Como o banco trabalha com uma taxa de desconto racional composto de 2,04% a.m., se houver um acordo, qual deverá ser o valor nominal das novas duplicatas? Como as unidades de tempo são compatíveis, podemos efetuar os cálculos sem necessidade de nenhuma transformação de unidade. Então, retirando os dados do enunciado, obtemos: O site do Banco Central do Brasil apresenta as taxas oferecidas pelos maiores bancos que operam no país para a realização de desconto de duplicadas de pessoas jurídicas. Acesse o site e conheça as taxas praticadas. Disponível em: https://www. bcb.gov.br/estatisticas/reporttx- juros/?path=conteudo%2Ftx- cred%2FReports%2FTaxasCre- dito-Consolidadas-porTaxasAnuais. rdl&nome=Pessoa%20jur%C3%A- Ddica%20-%20Desconto%20 de%20duplicata¶metros=- tipopessoa:2;modalidade:301;en- cargo:101&exibeparametros=- false&exibe_paginacao=false <. Acesso em: 14 abr. 2020. Saiba mais Desconto composto 69 VF1 = R$ 3.200,00; n1 = 2 meses; VF2 = R$ 4.150,00; n2 = 4 meses; VF3 = R$ 6.780,00; n3 = 7 meses; n4 = 6 meses; n5 = 9 meses. Como há a informação de que as três duplicatas que a empresa possui de- vem ser equivalentes às duas novas, de mesmo valor, à mesma taxa de ju- ros compostos de 2,04% a.m., temos: VA VA VA VA VA n n n1 2 3 4 5 1 2 3 � � � � � � � � FV (1+i) FV (1+i) FV (1+i) FV (1 1 2 3 4 ++i) FV (1+i) 5 n n4 5 � � 3.200 (1�+�0,0204) 4.150 (1�+�0,0204) 6.780 (1�+�0,0204) F 2 4 7 � � � VV (1�+�0,0204) FV (1�+�0,0204)6 9 � � 3 073 329173 3 827 950357 5 886 220735. , . , . , FV (1�+�0,0204)6 � � � �� � FV (1�+�0,0204)9 12 787 500265. , � � �FV (1,0204) FV (1,0204)6 9 12.787,500265�.�(1�+�0,0204) �=�FV�.�(1�+�0,0204) +�FV�� (1 9 3 ,,0204)9 15.336,268563 = 1,06245697 . FV + FV ∴ 15.336,268563 = 2,06245697 . FV ∴ FV FV� � �15.336,268563 2,06245697 7 435 92171307. , . Resposta: os dois novos títulos, com vencimento para daqui a seis e nove meses, serão de R$ 7.435,92. Para exercitar seus conhecimen- tos sobre títulos equivalentes, acesse o QR Code e resolva os exercícios selecionados. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática Não calculamos as potências, pois é mais fácil fazer o MMC (mínimo múltiplo comum) com os expoentes indicados, que indicará a potência do maior expoente. Importante Após retirar o MMC, dividi-lo pelo denominador antigo e multiplicar o resultado pelo numerador de cada uma das frações, podemos cortá-lo. Importante CONSIDERAÇÕES FINAIS Estudamos neste capítulo os conceitos de descontos compostos – comercial e racional – e como aplicá-los em situações-problemas do dia a dia, ou seja, resgates de títulos de crédito em virtude da antecipação de resgate. As situações que foram abordadas são bastante adotadas no mercado financeiro, em operações bancárias, principalmente as que utilizam o desconto racional composto, visto que o desconto comercial composto praticamente não é utilizado no Brasil. Vimos também que existe a possibilidade da troca ou negociação de títulos de cré- dito – cheques, duplicatas ou notas promissórias. Para que isso seja possível, existem cálculos e determinações regulamentadas pelo Banco Central do Brasil, por exemplo quanto à taxa de desconto – que deve ser a mesma –, para que se saiba se os títulos que estão sendo negociados são, ou não, equivalentes. Para quem trabalha com operações financeiras, esses tópicos são de extrema im- portância. Para consumidores e comerciários também. Principalmente para que não sejam lesados em algumas operações financeiras importantes – as de desconto com- posto e as de equivalência de títulos de crédito. 70 Matemática Financeira ATIVIDADES 1. Suponha que você tenha recebido umdinheiro extra e decidiu descontar hoje uma nota promissória de valor nominal de R$ 9.550,00 que vence em dois meses e meio. Seu gerente lhe ofereceu uma taxa de desconto comercial composto de 2,35% a.m., capitalizável mensalmente. Considerando os dados informados, quanto você economizará realizando o pagamento da nota pro- missória? Qual será o valor pago? 2. Uma loja de móveis fez uma negociação com um cliente por uma cozinha planejada. O orçamento dado foi de R$ 12.780,00. O cliente aceitou a pro- posta da loja e foi acertado o pagamento em uma parcela única para quan- do o apartamento do cliente ficasse pronto, o que ocorreria em 10 meses. O cliente deu um cheque no valor do orçamento para o lojista. Este, após a negociação, apresentou o cheque ao banco em que possui conta-corren- te para descontá-lo imediatamente. O gerente de conta do lojista ofereceu uma taxa de desconto comercial composto de 3,75% a.b. Se o lojista concor- dar com a proposta do gerente do banco, quanto será depositado na conta- -corrente do lojista pelo desconto do cheque? De quanto será o desconto concedido? 3. Uma duplicata de valor de face de R$ 8.720,00 foi apresentada em um ban- co, gerando um desconto comercial composto de R$ 1.160,00. Determine a taxa de desconto comercial composto que incidiu sobre esse desconto, se ela for descontada quatro meses e meio antes de seu vencimento. 4. O diretor financeiro de uma empresa deve quitar uma nota promissória cujo valor de face é de R$ 120.940,00 em 2 meses. Apresentou-a hoje ao banco A, que ofereceu a melhor taxa de desconto composto para realizar negociação, taxa esta que é de 2,78% a.m. Determine o valor de resgate da nota promissória e o valor do desconto que o banco dará pelo resgate dela. 5. O proprietário de uma loja de departamentos possui uma duplicata no valor de R$ 62.395,78, vencível em três meses e meio, e conseguiu fazer o paga- mento dela hoje, pagando o valor de R$ 57.481,36. Considerando as infor- mações do enunciado, determine o valor do desconto racional composto e a respectiva taxa utilizada na operação realizada. 6. Um banco era credor de uma nota promissória no valor nominal de R$ 43.695,98. O devedor foi ao banco e quitou sua dívida, pagando R$ 40.125,75. Considere que a taxa de desconto racional composto ofereci- da pelo banco foi de 3,84% a.m. e determine quanto tempo antes do venci- mento da nota promissória a negociação foi realizada. Determine, também, o valor do desconto racional composto obtido pelo devedor ao realizar a negociação com o banco. 7. Um empresário é detentor de um título de crédito que possui valor nominal de R$ 8.564,35, vencível em 2 meses. Prevendo que não conseguirá quitar Desconto composto 71 essa dívida na data que consta para o vencimento do título, propôs ao ban- co credor a substituição por outro, com vencimento para daqui 5 meses. Se o banco aceitar a negociação proposta pelo empresário, sabendo que a instituição financeira opera com uma taxa de desconto racional composto de 2,16% a.m., calcule o valor nominal do novo título. 8. Determine o valor da taxa mensal de desconto racional composto para que uma duplicata de valor nominal de R$ 50.397,62, vencível em 2 meses, seja equivalente a outra duplicata de valor nominal de R$ 57.389,27 e com data de vencimento para daqui a 7 meses e meio. 9. O cliente de um banco possui uma nota promissória cujos dados são: valor nominal igual a R$ 10.375,67 e data de vencimento para 3 meses. A esse cliente foi feita uma proposta para trocar essa duplicata por outra com os seguintes dados: valor nominal de R$ 10.500,00, com data de vencimen- to para 4 meses. Considerando a taxa de desconto composto racional de 3% a.m., a troca de títulos será vantajosa ao cliente? 10. Pedro possui, hoje, em sua conta-corrente do banco A, o saldo positivo de R$ 3.368,55. O gerente do banco A propõe a Pedro uma nota promissória, de valor nominal igual a R$ 3.600,00, com vencimento para 5 meses, em troca do saldo positivo da conta-corrente. Se for considerada a taxa de des- conto racional composto de 4,05% a.m. que o banco A opera para desconto de duplicatas, Pedro deve aceitar essa proposta? Justifique sua resposta. 11. Um correntista possui várias duplicatas que devem ser quitadas em um banco. Veja a relação abaixo: Número Duplicatas Tempo de resgate (em meses) 1 R$ 4.780,10 2 2 R$ 5.135,70 5 3 R$ 7.435,87 8 Como está com problemas de caixa e não sabe se poderá honrar esses com- promissos, ele vai ao banco e procura fazer uma negociação. Ao conversar com o gerente, surge a proposta de o correntista trocar as duplicatas que ele possui por duas novas duplicatas, de mesmo valor nominal, mas com datas de vencimento para 4 e 9 meses. Se o banco opera com uma taxa de desconto de duplicatas de 2,31% a.m., qual deverá ser o valor nominal des- sas novas duplicatas? REFERÊNCIAS ASSAF NETO, A. Matemática financeira e suas aplicações. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2012. CRESPO, A. A. Matemática financeira fácil. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. MÜLLER, A. N.; ANTONIK, L. R. Matemática financeira: instrumentos financeiros para tomada de decisão em marketing, finanças e comércio. São Paulo: Saraiva, 2012. 72 Matemática Financeira GABARITO 1. Os dados do problema são: VF = R$ 9.550,00; n = 2,5 meses; i = 2,35% a.m. Aplicando a fórmula matemática que calcula o valor atual da nota promissória, temos: VAC = VF . (1 – i) n ∴ VAC = 9.550 . (1 – 0,0235) 2,5 ∴ VAC = 9.550 . (0,9765) 2,5 ∴ VAC = 9.550 . 0,9422814 ∴ VAC = 8.998,78738113. Para o cálculo do valor do desconto comercial composto podemos fazer: DC = VF – VAC ∴ DC = 9.550 – 8.998,78738113 ∴ DC = 551,21261887. Resposta: você obterá um desconto comercial composto no valore de R$ 551,21, pagando o total de R$ 8.998,79 pela nota promissória. 2. O enunciado do problema nos informa que: VF = R$ 12.780,00; n = 10 meses e i = 3,75% a.b. Transformando o período de antecipação para a mesma unidade da taxa de desconto comercial: 10 meses = 5 bimestres. Aplicando a fórmula matemática para determinar o valor atual do cheque: VAC = VF . (1 – i) n ∴ VAC = 12.780 . (1 – 0,0375) 5 ∴ VAC = 12.780 . (0,9625) 5 ∴ VAC = 12.780 . 0,82604497 ∴ VAC = 10.556,85471389. Calculando o desconto comercial composto: DC = VF – VAC ∴ DC = 12.780 – 10.556,85471389 ∴ DC = 2.223,14528611. Resposta: o banco pagará ao lojista R$ 10.556,85, com valor de desconto comercial composto de R$ 2.223,15. 3. O enunciado nos fornece os seguintes dados: VF = R$ 8.720,00; DC = R$ 1.160,00; n = 4,5 meses. Calculando o valor atual pago pela duplicata: DC = VF – VAC ∴ 1.160 = 8.720 – VAC ∴ VAC= 8.720 – 1.160 ∴ VAC = 7.560. Aplicando a fórmula matemática que calcula o valor atual de um título de crédito, obtemos: VA VF i iC n � � � � �� � � � � � 7.560 8.720 . . . . ,1 7 560 8 720 1 14 5 �� � �i 4 5, 0 86697248 1 1 1 0 9687764 5, ,, 0,86697248 4,5� � � � � � �� � �i i i 007� i = 0,03122393 a.m. Resposta: a taxa de desconto comercial composto que incidiu na operação realizada foi de 3,12% a.m. 4. Os dados para a negociação são: VF = R$ 120.940,00; n = 2 meses; i = 2,78% a.m. Calculando o valor atual do título de crédito, obtemos: VA VF i VA VAR n R R� � � � � � � � ( ) . ( , )1 120 940 1 0 0278 2 120.940 1,05637284 VAR = 114.486,09375455. O desconto racional composto será: DR = VF – VAR ∴ DR= 120.940 – 114.486,09375455 ∴ DR = 6.453,90624545. Resposta o desconto racional composto foi de R$ 6.453,91 e o valor de resgate é de R$ 114.486,09. 5. Verificando os dados fornecidos pelo problema, vemos que: VF = R$ 62.395,78; VAR = R$ 57.481,36; n = 3,5 meses. Determinando o desconto comercial composto: Desconto composto 73 DR = VF – VAR ∴ DR = 62.395,78 – 57.481,36 ∴ DR = 4.914,42. Determinando o valor da taxa de desconto racional composto, utilizando a fórmula do valor atual, temos: VF VA i iR n� � � � � �.( ) . , . , .( ) ,1 62 395 78 57 481 36 1 3 5 62.395,78 57.481,,36 � �( ) ,1 3 5i 108549589 1 1 1 02371513 5, ,, 1,08549589 3,5� � � � �� � � � �i ii 998� i = 0,02371598. Resposta: o valor do desconto racional composto foi de R$ 4.914,42 e o valor da taxa de desconto racional composto foi de 2,37% a.m. 6. Os dados são: VF = R$ 43.695,98; VAR = R$ 40.125,75; i = 3,84% a.m. Determinando o valor do desconto racional composto: DR = VF – VAR ∴ DR = 43.695,98 – 40.125,75 ∴ DR = 3.570,23. Utilizando a fórmula matemática que determina o valor atual racional, teremos: VF = VAR . (1 + i) n ∴ 43.695,98 = 40.125,75 . (1 + 0,0384)n ∴ 43.695,98 40.125,75 � �� � � � � �1 0384 1 08897603 1 0384, , ,n n log 1,08897603 log 1,0384 log 1,08897603 log10 10 10 10� � � � � � � � � n n. 11,0384� �� 0 03701832 0 01636468 2 2, . , , 0,03701832 0,01636468 � � � � �n n n 66208653 meses. Transformando o resultado em meses e dias, temos: n = 2,26208653 meses = 2 meses + (0, 26208653 . 30) = 2 meses + 7,86259601 dias. Resposta: a promissória foi resgatada 2 meses e 8 dias antes do seu vencimento, gerando um des- conto racional composto no valor de R$ 3.570,23. 7. Os dados que o enunciado do problema nos fornece são: FV1 = R$ 8.564,35; n1 = 2 meses; n2 = 5 meses; i = 2,16% a.m. Utilizando a fórmula matemática que determina a equivalência de títulos, devemos fazer: VF 1�+�i VF 1�+�i 8.564,35 1�+�0,0216 VF 1�+�0,0 1 n1 2 n2 2 2 � � � � � � � � � 2216 8.564,35 VF 1,04366656 1,112767475 2 � � � � � VF VF2 2 9 131 39353832� � � 8.564,35�.�1,11276747 1,04366656 . , . Resposta: o banco deve oferecer ao empresário um novo título de crédito, com valor de face de R$ 9.131,39. 8. O problema nos fornece os seguintes dados: VF1 = R$ 50.397,62; n1 = 2 meses; VF2 = 57.389,27; n2 = 7,5 meses. Utilizando a fórmula matemática para equivalência de títulos, temos: VF 1�+�i VF 1�+�i 50.397,62 1�+�i 57.389,27 1�+�i 1 n1 2 n2 2� � � � � � � � � �� � � � � � � � 7,5 7,5 2 1�+�i 1�+�i 57 389 27 50 397 62 . , . , 1 113872977 1 1 1 02390175 5 1,13872977 5,5� � � � � � � �� �i i i, , , 99� i = 1,02390179 – 1 ∴ i = 0,02390179 a.m. Resposta: a taxa de desconto racional composto para que os títulos sejam equivalentes é de 2,39% a.m. 9. Os dados do problema são: FV1 = R$ 10.375,67, n1 = 3 meses; FV2 = R$ 10.500,00; n2 = 4 meses. Verificando se a nova duplicata é equivalente à duplicata que o cliente possui, fazemos: VF 1�+�i VF 1�+�i 10.375,67 1�+�0,03 VF 1�+�0,03 1 n1 2 n2 3 2 � � � � � � � � � �� � � � � 4 210.375,67 VF 1,092727 1,12550881 VF VF2 2 10 686 9401� � � 10.375,67�.�1,12550881 1,092727 . , . Como foi obtido um valor superior ao valor nominal do novo título, não há vantagem na troca das duplicatas. 74 Matemática Financeira Resposta: o cliente não obterá vantagem com a troca das duplicatas, pois o valor nominal da nova duplicata deveria ser maior do que R$ 10.500,00. 10. Os dados do problema são: Saldo positivo da conta-corrente de Pedro: FV1 = R$ 3.368,55; n1 = 0; FV2 = R$ 4.000,00; n2 = 5 meses e i = 4,05% a.m. Verificando o valor atual da duplicata, na data focal zero, data do saldo da conta-corrente de Pedro: VA VA VA2 2 2 4 000 1 2195803 � � � � � � � � � VF 1�+�i 4.000 1�+�0,0405 2 n2 5 . , 66 3 279 81666772� �VA . , . Como foi obtido um valor inferior ao que Pedro possui em sua conta-corrente, não há vantagem para Pedro aceitar a proposta. Resposta: Pedro não deverá aceitar a proposta, pois o valor da nova duplicata, na data focal zero, é inferior ao saldo que Pedro tem em sua conta-corrente. 11. Retirando os dados do enunciado, obtemos: VF1 = R$ 4.780,10; n1 = 2 meses; VF 2 = R$ 5.135,70; n2 = 5 meses; VF 3 = R$ 7.435,87; n3 = 8 meses; n4 = 4 meses; n5 = 9 meses; i = 2,31% a.m. Como há a informação de que as três duplicatas que a empresa possui devem ser equivalentes às duas novas, de mesmo valor nominal, devemos fazer: VA VA VA VA VA1 2 3 4 5� � � � �� � � � FV (1+i) FV (1+i) FV (1+i) FV ( 1 n1 2 n2 3 n3 4 11+i) FV (1+i)n4 5 n5 � � 4.780,1 (1�+�0,0231) 5.135,7 (1�+�0,0231) 7.435,87 (1�+�0,02 5 � � 2231) FV (1�+�0,0231) FV (1�+�0,0231)8 4 9 � � � 4 566 682444 4 581 516166 6 194 226918. , . , . , FV (1�+�0,0231) � � � 44 9 FV (1�+�0,0231) � � 15 342 425528. , FV (1,0231) FV (1,0231)4 9 � � � 15.342,425528�.�(1�+�0,0231) �=�FV�.�(1�+�0,0231) +�FV�� (1 9 5 ,,0231)9 ∴ 18.843,292338 = 1,12096079 . FV + FV∴ 18.843,292338 = 2,12096079 . FV ∴ FV FV� � �18.843,292338 2,12096079 8 884 3190439. , . Resposta: os dois novos títulos, com vencimento para daqui a quatro e nove meses, serão de R$ 8.884,32. Rendas ou séries uniformes 75 5 Rendas ou séries uniformes Neste capítulo, nos dedicaremos ao estudo dos fluxos de caixa e das ren- das, ou séries, de pagamentos. Estudaremos os diversos critérios de classifica- ção das séries uniformes, bem como os modelos: básico de renda, de rendas antecipadas, de rendas postecipadas, de rendas diferidas e, por fim, de rendas perpétuas. Ainda, abordaremos a equivalência de fluxos de caixa e o arrenda- mento mercantil, também conhecido como leasing. 5.1 Fluxo de caixa Vídeo Quando pagamos uma dívida ou poupamos quantias, ao receber valores ou fazer depósitos em parcelas ao longo de um período estipulado, temos o que cha- mamos no mercado financeiro de renda ou séries de pagamentos. Caso o objetivo de uma pessoa, com esses depósitos, seja o pagamento de uma dívida, dizemos que esses pagamentos caracterizam uma amortização. Se o obje- tivo se destinar a formar um montante futuro, a sequência de depósitos realizada para atingir o objetivo caracterizará uma capitalização. O valor de uma quantia está associado “ao valor do dinheiro no tempo, que, por sua vez, está interligado à existência da taxa de juros” (PUCCINI, 2017, p. 18). Para entendermos melhor o funcionamento desse tipo de equivalência financeira, quando envolve quantias separadas em parcelas, devemos saber operar com fluxo de caixa, que é a representação gráfica de sequências de pagamentos ou de rece- bimentos ao longo de determinado período. Ainda de acordo com Puccini (2017, p. 19), denomina-se fluxo de caixa o conjunto de entradas e saídas de dinheiro (caixa) ao longo do tempo. Podemos ter fluxos de caixa de empresas, investimentos, projetos, operações financeiras etc. Eles são indispensáveis na análise de cus- tos e da rentabilidade de operações financeiras e, no estudo de viabilidade econômica de projetos e investimentos. Portanto, podemos afirmar que: “um fluxo de caixa representa uma série de pagamentos ou de recebimentos que se estima ocorrer em determinado intervalo de tempo” (ASSAF NETO, 2012, p. 105). A representação de fluxos de caixa, na realidade, pode ser feita de duas formas: em tabelas (planilhas) ou em gráfico (ao longo de uma linha de tempo horizontal). 76 Matemática Financeira A seguir, observe a representação do fluxo de caixa de um período (12 dias) de uma empresa, com seus recebimentos e pagamentos, realizada das duas formas. a. No formato de planilha: Dia Recebimentos Dia Pagamentos 01 R$ 400,00 05 R$ 450,00 04 R$ 900,00 08 R$ 1.000,00 07 R$ 2.000,00 10 R$ 800,00 09 R$ 1.750,00 12 R$ 1.050,00 11 R$ 890,00 b. No formato de gráfico: 0 R$ 400,00 R$ 900,00 R$ 450,00 R$ 1.000,00 R$ 1.050,00 R$ 1.750,00 R$ 2.000,00 R$ 890,00 R$ 800,00 1 4 5 7 8 9 10 11 12 dias Na representação gráfica (b), também denominada representação esquemática, as entradas de valores financeiros (entradas de caixa) são representadas por setas que apontam para cima – associadas a valores positivos. As saídas de valo- res financeiros (saída de caixa) são ilustradas com setas apontando para baixo – associadas, portanto, a valores negativos. Caso haja entradas e saídas no mesmo dia, podemos representar as duas se- tas, uma para cima (entrada) e outra para baixo (saída), ou podemos representar uma única seta com o resultado da diferença entre os valores financeiros, com o sentido da seta correspondente ao valor dessa diferença(se positivo, para cima; se negativo, para baixo). Nesse tipo de representação, a linha horizontal repre- senta a linha de tempo, que deve ser adequada ao tempo a que o fluxo de caixa diz respeito – diário, mensal, anual ou outro período conveniente. Nos cálculos, representaremos a linha de tempo pela letra n. É importante sa- lientar que as distâncias entre as marcações da linha de tempo devem ser iguais, representando períodos iguais. Caso haja uma quantidade muito grande de marcações na linha de tempo, que acabem dificultando a visualização do fluxo de caixa em gráfico, o formato de pla- nilha deve ser adotado. Rendas ou séries uniformes 77 Além disso, é importante observarmos que, dependendo do ponto de vista de quem monta o fluxo de caixa, o aspecto da representação pode mudar, isto é: • do ponto de vista de quem pagar um valor financeiro em determinada data, a seta do fluxo de caixa será para baixo; e • do ponto de vista de quem receber um valor financeiro em determinada data, a seta do fluxo de caixa será para cima. Em alguns casos, teremos ao lado da especificação do período (acima ou abaixo) a taxa de juros que está sendo utilizada, mas não é um registro obrigatório. Para facilitar a visualização dos fluxos de caixa, podemos utilizar símbolos para a representação das entradas/saídas, ou seja, podemos denominar as entradas pela letra maiúscula E, e as saídas, pela letra maiúscula S, ambas acompanhadas de um índice, um valor subscrito, que indica a qual entrada estamos nos referindo, por exemplo: E1; E2; ... ; S1; S2 etc. É de suma importância identificá-las no enunciado do problema ou em uma legenda específica. Σxemρlos A seguir, observe alguns exemplos que evidenciam as situações elencadas anteriormente. 1. Considerando o ponto de vista do proprietário de um comércio que vendeu uma mercadoria que custa R$ 840,00, em cinco prestações mensais e iguais no valor de R$ 168,00, com vencimento da primeira prestação 30 dias após a compra. A representação do fluxo de caixa seria feita da seguinte maneira: 0 1 32 4 5 meses R$ 840,00 R$ 168,00 É importante não esquecermos de que pelo ponto de vista do proprietário da loja, no momento da venda, saiu dinheiro do seu caixa (o valor da mercado- ria). Logo, só haverá entradas de caixa quando o cliente pagar as prestações. 2. O fluxo de caixa do exemplo anterior, pelo ponto de vista do cliente da loja que adquiriu a mercadoria, seria diferente. Ao comprar a mercadoria, o di- nheiro (produto) entrou em seu caixa e passou a ser de sua propriedade. Do mesmo modo, cada prestação paga representa a saída de dinheiro de seu caixa. Assim, a representação do fluxo será: Quando as entradas de caixa forem iguais, devemos colocar todas as setas com o mesmo tamanho. Um segmento de reta pontilhado entre elas pode ser usado, indicando apenas uma vez o respectivo valor. Atenção 78 Matemática Financeira 0 1 32 4 5 meses R$ 840,00 R$ 168,00 3. Um cliente de um banco realizou um empréstimo no valor de R$ 50.000,00, pagando em 50 prestações mensais e iguais de R$ 1.102,34, com o pagamen- to da primeira prestação para 60 dias após a contratação do empréstimo. Do ponto de vista do banco que concedeu o empréstimo, o valor de R$ 50.000,00 representa uma saída de caixa, no dia em que o empréstimo foi concedido. Vamos representar esse valor por S1. Como o cliente pagará 50 prestações de R$ 1.102,34, cada prestação paga fará entrar dinheiro no caixa do banco. Então, vamos representá-las por E1, E2, ... , E50. A representação de todos os pagamentos implicaria um fluxo de caixa muito longo, portanto podemos truncá-lo, desde que não deixe de representar todas as informações necessárias. Observe: 1 E1 S1 meses E2 E3 E49 E50 2 3 49 50 Legenda: • S1 = R$ 50.000,00 • E1 = E2 = ... = E49 = E50 = R$ 1.102,34 Devemos perceber que, mesmo com todas as prestações sendo iguais, nesse fluxo de caixa, optamos por não colocar a linha pontilhada ligando as pres- tações. Esse procedimento não prejudicou a leitura do fluxo de caixa, pois tomamos o cuidado de representar todas as setas de entrada com o mesmo tamanho. 4. Suponha que uma mercadoria, cujo valor à vista era de R$ 800,00, foi adqui- rida em quatro prestações de R$ 120,00, R$ 180,00, R$ 240,00 e R$ 300,00. A primeira prestação deverá ser paga 60 dias após a compra. Representando o fluxo de caixa do consumidor que comprou a mercadoria, o gráfico ficaria assim: Observe que os sentidos das setas do fluxo de caixa, em relação ao exemplo anterior, foram invertidos, pois agora é o ponto de vista do cliente que comprou a mercadoria. Atenção Veja que representamos um sal- to na quantidade de prestações com uma “reta quebrada”. Isso não gerou ônus à representação. Mas só foi possível fazer isso, pois a prestações são todas iguais. Atenção 0 Para melhor compreensão das informações, pode ser necessário, como neste caso, colocar uma legenda mostrando os dados. Atenção Rendas ou séries uniformes 79 meses R$ 300,00 R$ 240,00 R$ 180,00 R$ 120,00 R$ 800,00 0 1 2 3 4 5 Como temos a informação de que a primeira prestação será 60 dias após a com- pra, sabemos que no primeiro mês não haverá pagamento, por isso não haverá seta no mês 1. Ainda, devemos perceber que o tamanho das setas é diferente, pois o valor das prestações também é. Alguns autores de livros da área colocam as setas todas do mesmo tamanho, mas, nesse caso, é obrigatória a colocação dos valores que cada uma representa. 5.2 Rendas ou séries de pagamentos Vídeo Já estudamos que rendas são procedimentos que envolvem parcelas, que po- dem ser de pagamentos ou de recebimentos. Agora, vamos nos aprofundar um pouco mais nesse assunto. De acordo com Müller e Antonik (2012, p. 75, grifos nossos): [...] renda é a remuneração obtida pelo uso dos fatores de produção, sendo um desses os salários pagos aos trabalhadores. Talvez por isso a palavra é associada ao recebimento de recursos, principalmente salário. Em Matemática Financeira o conceito de renda abrange ambos os lados, de quem paga e de quem recebe os recursos, sendo também chamada de série de pagamentos ou anuidades. Como existem diversos tipos de rendas, analisaremos, nas seguintes subseções, como classificá-las. 5.2.1 Classificação das rendas ou séries uniformes Renda ou série uniforme é uma sequência de depósitos/saques; recebimen- tos/pagamentos, em períodos diferentes, destinados a conseguir um montante – capitalização – ou a quitar uma dívida – amortização. É importante destacar que, em Matemática Financeira, estudamos as denomi- nadas rendas certas ou determinísticas, que são rendas com duração e prestações predeterminadas, ou seja, não influenciáveis por fatores externos. Isto quer dizer que os elementos que fazem parte dos cálculos dessas rendas, como o valor das 80 Matemática Financeira parcelas, período de duração da renda, taxa de juros utilizada etc., são fixos, e não podem ser modificados. Existem, ainda, alguns outros tipos de renda em que os valores e/ou os perío- dos de pagamento/recebimento podem sofrer modificações durante a vigência da renda, como os seguros de vida, visto que os valores das parcelas (mensalidades) podem ser modificados ao longo da vigência, além de não se saber quando o se- guro vai ser resgatado, o que pode tornar o valor de resgate também aleatório. Esses tipos de renda são estudados por outro ramo da Matemática: a Matemática Atuarial, portanto não são nosso objeto de estudo nesta obra. Dentro das rendas ou séries uniformes, a classificação pode ser realizada se- gundo quatro das variáveis envolvidas: o período de vigência (prazo), o valor das parcelas, a forma de pagamento das parcelas e a periodicidade da renda. 5.2.1.1 Classificação das rendas quanto ao prazo de vigência Com relação ao prazo de vigência de uma renda, podemos classificá-las em: • Temporárias: quando possuem início e fim da vigência predefinidos. • Perpétuas: quando têm início predefinido,mas fim indefinido, ou seja, apre- sentam a quantidade de prestações infinita. Desse modo, podemos dizer que o recebimento de aluguel de um imóvel reali- zado por um tempo fixo, como anual, é uma renda temporária, pois findará com o término do contrato de aluguel. Já a aposentadoria de um trabalhador se caracte- riza como uma renda perpétua, por findar apenas com o falecimento do segurado. 5.2.1.2 Classificação das rendas quanto ao valor das parcelas Com relação ao valor das parcelas pagas ou recebidas em uma renda, podemos classificá-las em: • Constante: caso o valor de todas as parcelas, de pagamentos ou de recebi- mentos, sejam iguais. • Variável: caso os valores das parcelas, de pagamentos ou de recebimentos, sejam diferentes. Como exemplo de uma renda constante, podemos citar o recebimento, por par- te de um lojista, das parcelas de uma compra feita por um prazo definido. Já como renda variável, um exemplo é o financiamento imobiliário com parcelas crescentes ou decrescentes. O agente financiador receberá as parcelas de valores diferentes durante a vigência do financiamento. 5.2.1.3 Classificação das rendas quanto à forma de pagamento das parcelas Ao considerarmos o início do recebimento/pagamento das parcelas das rendas, podemos classificá-las em: Rendas ou séries uniformes 81 • Imediata: quando a primeira parcela for paga/recebida no primeiro período da vigência da renda. Devemos perceber, também, que essa primeira parcela pode ser paga de maneira: • postecipada – pagamento/recebimento ocorre no fim do período da vigência da renda; e • antecipada – pagamento/recebimento ocorre no início do período da vigência da renda. • Diferida: quando o pagamento/recebimento da primeira parcela da renda não ocorre no primeiro período de vigência da renda, havendo, assim, um período de carência, de diferimento, para iniciar o pagamento/recebimento da renda. Nesse caso, também, há a possibilidade da classificação em: • postecipada – pagamento/recebimento da primeira parcela da renda ocorre um período após o fim do período de carência; e • antecipada – pagamento/recebimento da primeira parcela da renda ocorre coincidindo com o fim do período de carência. Como exemplo de uma renda imediata postecipada, podemos citar o recebi- mento, pelo lojista, das parcelas de uma venda realizada sem entrada. Se a venda for realizada com entrada, será uma renda imediata antecipada. Agora, caso a ven- da feita pelo lojista for com o primeiro pagamento 3 meses após a realização da venda – carência de 3 meses –, com o primeiro pagamento exatamente no primeiro dia após o término dos 3 meses de carência, será uma renda diferida antecipada. Na hipótese de o pagamento ocorrer no último dia após o término do período de carência, a renda será diferida postecipada. 5.2.1.4 Classificação das rendas quanto à periodicidade da renda Com relação à periodicidade das rendas, podemos classificá-las da seguinte maneira: • Periódicas: quando o intervalo de pagamento/recebimento das parcelas da renda for sempre o mesmo. • Não periódicas: quando o intervalo de recebimento/pagamento das parce- las da renda não for constante. O recebimento das parcelas de um crediário, por uma loja, por exemplo, se ca- racteriza como uma renda periódica, pois o intervalo de tempo entre as prestações é sempre de 1 mês. Já o pagamento da venda de livros de um autor, é considera- do não periódico, uma vez que ocorre nos meses seguintes à venda, assim se as vendas ocorrerem nos meses de janeiro, março, junho e julho, os pagamentos não seguirão um período específico. Agora, vamos representar vários tipos de renda por intermédio de seus fluxos de caixa. 82 Matemática Financeira 5.2.1.5 Representação de rendas ou séries uniformes por fluxos de caixa Muitas vezes, a visualização de situações do dia a dia fica mais fácil se as repre- sentarmos por intermédio de fluxos de caixa. Vamos a alguns exemplos, em que representaremos os fluxos de caixa do ponto de vista de quem está recebendo os valores financeiros. Σxemρlos 1. Renda imediata postecipada de 5 parcelas mensais de R$ 100,00, ou seja, 5 parcelas sem entrada: R$ 100,00 0 1 2 3 4 5 n i 2. Renda imediata antecipada de 5 parcelas mensais de R$ 100,00, ou seja, 1 + 4 parcelas, veja que, nesse caso, há pagamento como entrada: R$ 100,00 0 1 2 3 4 n i 3. Renda diferida antecipada de 5 parcelas mensais iguais, com 3 meses de carência: 1 1 2 2 3 3 4 5 0 n i Devemos perceber que, nos exemplos anteriores, como não foi mencionado o valor da taxa de juros que se está operando, foi colocada a taxa “i”, que representa uma taxa genérica no fluxo de caixa. Rendas ou séries uniformes 83 5.3 Modelo básico de renda Vídeo Iniciaremos, agora, o estudo das rendas cuja classificação seja, simultaneamen- te, temporária, constante, imediata postecipada e periódica. Essas rendas, no mercado financeiro, recebem a denominação modelo básico de renda. 5.3.1 Fórmulas matemáticas para modelo básico de renda Em todas as fórmulas matemáticas que estudaremos na sequência, utilizare- mos as seguintes nomenclaturas: • M → valor do montante; • VA → valor atual da renda; • p → valor da parcela (prestação) da renda; • i → taxa de juros (compostos); e • n → período de vigência da renda. 5.3.2 Calculando o montante A fórmula matemática que permite o cálculo do montante M, quando se sabe o valor da parcela, é: M�=�p�.� 1�+�i 1 i n� � � A expressão 1�+�i 1 i n� � � é denominada fator de acumulação de capital (FAC). Σxemρlos Agora, vamos resolver alguns exemplos sobre a aplicação do modelo básico de renda para determinar o valor do montante de uma aplicação. 1. Qual o valor do montante do fluxo de caixa representado a seguir? Conside- re que a taxa de juros compostos da operação financeira é de 3,5% ao mês e o valor das prestações mensais é de R$ 1.000,00. R$ 1.000,00 0 1 2 3 4 5 meses i = 3,5% a.m. O enunciado nos fornece os seguintes dados: p = R$ 1.000,00; n = 5 meses; i = 3,5% a.m. 84 Matemática Financeira Aplicando a fórmula que determina o valor do montante, quando se conhe- ce o valor das parcelas, temos: M = p . 1�+�i 1 i n� � � ∴M = 1.000 . 1�+�0,035 1 0,035 5� � � ∴ M = 1.000 . 0,18768631 0,035 ∴ M = 1.000 . 5,36246588 ∴ M = 5.362,46587563. Resposta: o montante obtido é de R$ 5.362,47. 2. Um investidor efetuou 4 depósitos anuais, no valor de R$ 15.600,00, indica- dos no fluxo de caixa a seguir. R$ 15.600,00 0 1 2 3 4 anos i = 5% a.a. Sabendo-se que esses depósitos são remunerados com uma taxa efetiva de juros compostos de 5% ao ano, calcule o valor acumulado por esse investi- dor ao fim do quarto ano, nas seguintes condições: a. imediatamente após a realização do quarto depósito; b. imediatamente antes da realização do quarto depósito. O enunciado nos fornece: p = R$ 15.600,00; i = 5% a.a.; n = 5 anos. Utilizaremos, portanto, a fórmula matemática que calcula o valor do mon- tante quando é conhecido o valor da parcela: M = p . 1�+�i 1 i n� � � ∴ M = 15.600 . 1�+�0,05 1 0,05 4� � � ∴ M = 15.600 . 0,21550625 0,05 ∴ M = 15.600 . 4,310125 ∴ M = 67.237,95. Esse valor obtido corresponde ao valor que o investidor terá após fazer o 4º depósito. Para encontrar o valor que ele terá antes de realizar o 4º depósito, devemos subtrair o valor de uma parcela, ou seja: 67.237,95 – 15.600 = 51.637,95. Resposta: o investidor terá R$ 62.237,95 após a realização do 4º depósito e R$ 51.637,95 antes de realizar o 4º depósito. 5.3.4 Calculando o valor da parcela A fórmula matemática que permite o cálculo da parcela, sendo conhecido o va- lor do montante, segue o mesmo raciocínio da vista anteriormente, mas o valor isolado, agora, é da variável que representa o valor da parcela p, ou seja: Rendas ou séries uniformes 85 p = M . i 1�+�i 1n� � � A expressão i 1�+�i 1n� � � é denominada fator de formação de capital (FFC). Σxemρlos Observe o exemplo para compreender melhor como determinar o valorda par- cela de uma aplicação, quando é conhecido o valor do montante que se quer atin- gir, seguindo o modelo básico de renda: 1. Qual o valor dos seis depósitos trimestrais que uma pessoa deve efetuar em uma aplicação financeira para obter o montante de R$ 42.750,00 ao fim de um ano e meio de aplicação? O fluxo de caixa está representado a seguir. Sabe-se que a instituição financeira opera com a taxa de juros compostos de 3% a.t. p = ? 0 1 2 3 4 5 6 trimestres i = 3 % a.t. M = R$ 42.750,00 Ao lermos o enunciado do problema vemos que: M = R$ 42.750,00; i = 3% a.t. e n = 1 ano e meio. Ao utilizarmos a fórmula matemática que calcula o valor da parcela, quando conhecido o valor do montante, teremos: p = M . i 1�+�i 1n� � � ∴ p = 42.750 . 0,03 1�+�0,03 16� � � ∴ p = 42.750 . 0,03 0,1940523 ∴ p = 42.750 . 0,1545975 ∴ p = 6.609,04314425. Resposta: a pessoa deve fazer depósitos de R$ 6.609,04. 2. João deve fazer cinco depósitos iguais e mensais para obter o montante de R$ 9.000,00. Considerando que a taxa do investimento de João remunera os depósitos com uma taxa de 18% a.a., capitalizados mensalmente, qual o valor das parcelas? Os dados do problema são: M = R$ 9.000,00; n = 5 meses; i = 18% a.a., capitalizados mensalmente. Devemos determinar o valor da taxa de juros com unidade de tempo compatível ao número de parcelas. Então: i = 0,18 12 ∴ i = 0,015 a.m. ∴ i = 1,5% a.m. 86 Matemática Financeira Agora, podemos utilizar a fórmula matemática que determina o valor das parce- las conhecido o valor do montante: p = M . i 1�+�i 1n� � � ∴ p = 9.000 . 0,015 1�+�0,015 15� � � ∴ p = 9.000 . 0,015 0,077284 ∴ p = 9.000 . 0,19408932 ∴ p = 1.746,80390786. Resposta: João deve realizar cinco depósitos mensais no valor de R$ 1.746,80, para chegar ao montante de R$ 9.000,00, após a realização do 5º depósito. 5.3.5 Calculando o valor do prazo de aplicação da renda Para calcularmos o prazo de aplicação da renda, devemos isolar o n na fórmula matemática utilizada para o cálculo do montante, quando conhecido o valor da par- cela p, e calcular os logaritmos do dividendo e do divisor, dividindo os resultados obtidos. Teremos, então: n = log M�.��i p ��+�1 log 1�+�i 10 10 � � � � � � � � Outra opção, é usarmos os logaritmos naturais, de base e. A fórmula ficará: n = ln M�.��i p �+1 ln(1�+�i) � � � � � � Σxemρlos Para compreender como se determina a quantidade de parcelas que devem ser depositadas, conhecendo o valor do montante e das prestações, obser- ve os exemplos a seguir. 1. Determine a quantidade de parcelas que devem ser depositadas em uma aplicação financeira para produzir o montante de R$ 35.000,00, em parcelas de R$ 1.081,95. Considere que, para essa operação financeira, a instituição oferece uma taxa de juros compostos de 2,5% a.m. De acordo com o enunciado, sabemos que: M = R$ 35.000,00; p = R$ 1.081,95; i = 2,5% a.m. Substituindo os valores na fórmula que determina a quantidade de parce- las, teremos: n = log M�.��i p ��+�1 log 1�+�i 10 10 � � � � � � � � ∴ n = log 35.000�.��0,025 1081,95 ��+�1 log 1�+�0,025 10 10 � � � � � � � � ∴ n = log 1,80872499 log 1,025 10 10 � � � � ∴ n = 0,25737254 0,01072387 ∴ n = 23,99997845 meses. Rendas ou séries uniformes 87 Ou podemos utilizar os logaritmos naturais. Veja: n = ln M�.��i p �+�1 ln(1�+�i) � � � � � � ∴ n = ln 35.000�.��0,025 1081,95 �+�1 ln(1�+�0,025) � � � � � � ∴ n = ln 1,80872499 ln(1,025) � � ∴ n = 0,59262217 0,02469261 ∴ n = 23,99997845 meses. Resposta: devem ser depositadas 24 parcelas no valor de R$ 1.081,95, para obtermos o montante de R$ 35.000,00. 2. Quantos depósitos devem ser realizados por uma pessoa que pretende ter um montante de R$ 22.800,00? Sabe-se que ela tem disponibilidade de de- positar mensalmente R$ 1.748,30. O banco onde será realizada a operação financeira a remunera com uma taxa de juros compostos de 18% a.a., com capitalização mensal. O enunciado do problema nos fornece os seguintes dados: M = R$ 22.800,00; p = R$ 1.748,30; i = 18% a.a., capitalização mensal. Vamos determinar o valor da taxa de juros com unidade de tempo compatí- vel ao do número de parcelas: i = 0,18 12 ∴ i = 0,015 a.m. ∴ i = 1,5% a.m. Agora, podemos utilizar a fórmula matemática que determina a quantidade de parcelas, ou seja: n = log M�.��i p ��+�1 log 1�+�i 10 10 � � � � � � � � ∴ n = log 22800�.��0,015 1748,3 ��+�1 log 1�+�0,015 10 10 � � � � � � � � ∴ n = log 1,1956186 log 1,015 10 10 � � � � ∴ n = 0,07759266 0,00646604 ∴ n = 12,00002413 meses. Se preferirmos, podemos utilizar os logaritmos naturais. Observe: n = ln M�.��i p �+�1 ln(1�+�i) � � � � � � ∴ n = ln 22800�.��0,015 1748,3 �+�1 ln(1�+�0,015) � � � � � � ∴ n = ln 1,1956186 ln(1,015) � � ∴ n = 0,17866371 0,01488861 ∴ n = 12,00002413 meses. Resposta: serão 12 parcelas de R$ 1.748,30, que devem ser realizadas para compor o montante de R$ 22.800,00. 5.3.6 Calculando o valor da taxa de aplicação da renda A taxa de juros de uma série uniforme de pagamentos/recebimentos é a taxa que capitaliza os valores da série. O cálculo dessa taxa requer que seja resolvida, para descobri-la, a seguinte equação matemática: VA = p 1�+�i 1� � + p 1�+�i 2� � + p 1�+�i 3� � + ... + p 1�+�i n� � . 88 Matemática Financeira Existem vários métodos iterativos que permitem o cálculo do valor da taxa exa- ta, como o método de Newton-Raphson, mas são métodos demorados e traba- lhosos para se realizar manualmente. Assim, não veremos nenhum dos métodos para encontrar a solução matemática do valor da taxa. Utilizaremos, para obter o valor da taxa de uma renda ou série uniforme, um dos recursos do Microsoft Excel®, que será mostrado ao resolvermos os exemplos a seguir. Σxemρlos 1. Qual a taxa efetiva mensal de uma operação financeira que tenha pro- duzido um montante de R$ 7.300,00, com depósitos mensais e iguais de R$ 1.157,24, por um prazo de meio ano? Os dados do enunciado são: M = R$ 7.300,00; p = R$ 1.157,24; n = 0,5 ano = 6 meses. Como a resolução desse tipo de problema, com a utilização de fórmu- las, é muito complicada, trabalhosa e demorada, faremos uso da fórmu- la para calcular a taxa de juros compostos (efetiva) com a utilização do Microsoft Excel®. Para obter o resultado pretendido, devemos preencher a fórmula de ma- neira correta. A sintaxe de preenchimento deve ser: TAXA(nº de parcelas;valor da parcela;0;–valor do montante;0) No preenchimento dessa fórmula, devem ser colocados os seguintes elementos: • o 1º valor corresponde à quantidade de parcelas que serão depositadas; • o 2º valor refere-se ao valor da parcela que será depositada; • o 3º valor indica o valor atual – no caso de sequências de depósitos, para formar um montante no futuro, deve ser colocado “0”, pois não há nenhum valor já depositado; • o 4º valor corresponde ao valor do montante que se pretende formar; e • o 5º valor indica o tipo de renda. Se for colocado “0” ou omitido o valor, significa valor no final do período – sem entrada. Se for colocado “1”, significa valor no início do período – com entrada. Também devemos observar que, para utilizar essa fórmula do Microsoft Excel corretamente, devemos colocar os valores das parcelas e do montan- te a ser obtido com valores de sinais trocados, seguindo o sentido das setas do fluxo de caixa. Observe como devemos fazer para colocar os dados do problema em uma planilha do Microsoft Excel: Rendas ou séries uniformes 89 A B 1 Montante 7.300 2 Valor da parcela 1.157,24 3 Número de parcelas 6 4 Taxa de juros compostos 2,00% Como vemos, o valor da taxa dessa aplicação deverá ser de 2% a.m. Resposta: a taxa efetiva mensal da operação financeira realizada foi de 2% a.m. 2. Calcule a taxa efetiva mensal de aplicação de um investimento de 8 depó- sitos mensais, iguais e sucessivos, no valor de R$ 1.240,08, que produziram um montante de R$10.550,00, ao fim do 6º mês, imediatamente após a realização do 6º depósito. O problema dado nos fornece os seguintes dados: M = R$ 10.550,00; n = 8; p = R$ 1.240,08. Aplicando a fórmula do Microsoft Excel, devemos fazer: TAXA(8;1240,08;0;– 10550;0). O resultado obtido é de 1,75% a.m. Resposta: a taxa efetiva mensal da aplicação realizada foi de 1,75% a.m. 5.3.7 Calculando o valor atual de uma renda A fórmula matemática que nos permite o cálculo do valor atual de uma renda, quando conhecemos o valor da parcela, é obtida da seguinte maneira: Já vimos que M = VA . (1 + i)n e M = p . 1�+�i 1 i n� � �� � � � � � � � Como os montantes devem, obrigatoriamente, ser iguais, temos: VA . (1 + i)n = p . 1�+�i 1 i n� � �� � � � � � � � Se isolarmos o valor atual no 1º membro da equação, teremos: VA�=�p�. 1�+�i 1 1�+�i .�i n n � � � � � � � � � � � � �� A expressão 1�+�i 1 1�+�i .�i n n � � � � � � é denominada fator de valor atual (FVA). Nesta célula, você deve digitar: = TAXA(B3;B2;0;-B1;0). Devemos nos lembrar de aumentar as casas decimais dessa célula, pois, se não fizermos isso, a taxa aparecerá somente com o número inteiro (sem vírgulas). Para formatar a quantidade de algarismos após a vírgula, devemos ir ao menu principal e escolher as opções: Formatar e, em seguida, Células .Na janela que se abrirá, escolher a opção Categoria; na opção Categoria, escolher Número; e na opção Casas decimais, preencher como o número de casas decimais desejado. Atenção 90 Matemática Financeira Σxemρlos Para melhor compreensão das fórmulas, observe os exemplos a seguir. 1. Calcule o valor atual de um financiamento realizado com uma taxa efetiva de 2,5% ao mês, no regime de juros compostos, e que deve ser liquidado em 9 parcelas mensais, sucessivas e iguais de R$ 1.438,54. O problema nos fornece os seguintes dados: p = R$ 1.438,54; i = 2,5% a.m.; n = 9. Com a aplicação da fórmula matemática que determina o valor atual de uma renda, quando é conhecido o valor da parcela, obtemos: VA = p . 1�+�i 1 1�+�i .�i n n � � � � � � � � � � � � �� ∴ VA = 1.438,54 . 1�+�0,025 1 1�+�0,025 .�0,025 9 9 � � � � � � � � � � � � �� ∴ VA = 1.438,54 . 0,24886297 0,03122157 � � � � � � ∴ VA = 1.438,54 . 7,97086553 ∴ VA = 11.466,40889844. Resposta: o valor atual do financiamento realizado é de R$ 11.466,41. 2. Considere que uma aplicação financeira foi realizada com uma taxa efetiva de juros compostos de 4,5% a.a. Determine o valor atual dessa aplicação fi- nanceira, sabendo que ela foi realizada em 7 parcelas anuais de R$ 5.771,20. Os dados fornecidos são: p = R$ 5.771,20; n = 7; i = 4,5% a.a. Ao aplicar a fórmula matemática que determina o valor atual de uma renda, quando é conhecido o valor da parcela, obtemos: VA = p . 1�+�i 1 1�+�i .�i n n � � � � � � � � � � � � �� ∴ VA = 5.771,2 . 1�+�0,045 1 1�+�0,045 .�0,045 7 7 � � � � � � � � � � � � �� ∴ VA = 5.771,2 . 0,36086183 0,06123878 � � � � � � ∴ VA = 5.771,2 . 5,89270094 ∴ VA = 34.007,95566718. Resposta: o valor atual do financiamento realizado é de R$ 34.007,96. 5.3.8 Calculando o valor da parcela (conhecido o valor atual) Se a intenção for obter o valor da parcela, sabendo qual é o valor atual da renda, a fórmula matemática que permite chegar a esse valor é: p = VA . i�.� 1�+�i 1�+�i 1 n n � � � � �� � Rendas ou séries uniformes 91 Σxemρlos A seguir, para melhor compreensão sobre a fórmula, veja a resolução de alguns exemplos a respeito da aplicação do modelo básico de renda para determinar o valor da parcela, quando se sabe o valor atual de uma aplicação financeira. 1. Calcule o valor das parcelas mensais de um financiamento realizado com a taxa efetiva de 2,5% ao mês, no regime de juros compostos, sabendo que o valor atual é de R$ 1.665,53 e que o prazo da operação é de 5 meses. Os dados fornecidos são: VA = R$ 1.665,53; i = 2,5% a.m.; n = 5 meses. Ao aplicar a fórmula matemática que determina o valor da parcela, sendo conhecido o valor atual da aplicação, temos: p = VA . i�.� 1�+�i 1�+�i 1 n n � � � � �� � ∴ p = 1.665,53 . 0,025�.� 1�+�0,025 1�+�0,025 1 5 5 � � � � �� � �∴ p = 1.665,53 . 0,02828521 0,13140821 ∴ p = 1.665,53 . 0,21524686 ∴ p = 358,50010425. Resposta: o valor das parcelas mensais desse financiamento é de R$ 358,50. 2. Um cliente de uma loja deseja financiar em 8 parcelas mensais uma geladei- ra que custa R$ 3.890,00 à vista. Para essa operação, a loja utiliza uma taxa de juros compostos de 1,75% a.m. Qual o valor de cada uma das parcelas que o cliente pagará? O problema nos fornece os seguintes dados: VA = R$ 3.890,00; n = 8 parcelas; i = 1,75% a.m. Utilizando a fórmula matemática que determina o valor da parcela, sendo conhecido o valor atual, temos: p = VA . i�.� 1�+�i 1�+�i 1 n n � � � � �� � ∴ p = 3.890 . 0,0175�.� 1�+�0,0175 1�+�0,0175 1 8 8 � � � � �� � �∴ p = 3.890 . 0,02010543 0,14888178 ∴ p = 3.890 . 0,13504292 ∴ p = 525,31697177. Resposta: o valor das parcelas mensais desse financiamento é de R$ 525,32. Exercite seus conhecimentos sobre o cálculo de diversas variáveis envolvidas no modelo básico de renda acessando o QR Code. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática 5.4 Renda antecipada Vídeo Em primeiro lugar, devemos saber que a renda antecipada se difere do modelo básico de renda, pois, nesse tipo de renda, as parcelas são pagas de maneira ante- cipada, ou seja, é uma renda, simultaneamente, temporária, constante, imedia- ta antecipada e periódica. 92 Matemática Financeira 5.4.1 Fórmulas matemáticas para renda antecipada Nesse tipo de renda, como os pagamentos ocorrem no início de cada período, as fórmulas matemáticas que utilizaremos nas operações são as que estão discri- minadas a seguir, dependendo do objetivo do cálculo. a. Para o cálculo do valor atual ou capital a ser investido: VA = p . (1 + i) . 1�+�i 1 1�+�i .�i n n � � � � � � � � � � � � �� b. Para o cálculo das parcelas : p = VA . 1 1�+�i� �.� 1�+�i �.�i 1�+�i � �1 n n � � � � � � � � � � � � � c. Para o cálculo do montante: M = p . (1 + i) . 1�+�i 1 i n� � �� � � � � � � � Σxemρlos Para compreender na prática cada uma dessas fórmulas, observe os seguintes exemplos: 1. Determine o valor à vista (valor atual) de um produto que foi adquirido em 15 parcelas mensais e iguais de R$ 125,50, com entrada, financiado à taxa de 1,24% a.m. Representando o fluxo de caixa da situação exposta, temos: VA = ? p=R$125,50 0 1 2 3 13 14 15 meses i=1,24% . m. Ao verificar o enunciado do problema, percebemos que os dados são: n = 15 parcelas; p = R$ 125,50; i = 1,24% a.m. Utilizando a fórmula matemática que determina o valor atual de uma renda antecipada: VA = p . (1 + i) . 1�+�i 1 1�+�i .�i n n � � � � � � � � � � � � �� ∴ VA = 125,5 . (1 + 0,0124). 1�+�0,0124 1 1�+�0,0124 .�0,0124 15 15 � � � � � � � � � � � � �� ∴ Rendas ou séries uniformes 93 VA = 125,5 . (1,0124). 1,0124 1 1,0124 .�0,0124 15 15 � � � � � � � � � � � � �� ∴ VA = 125,5 . (1,0124). 0,20304548 0,01491776 � � � � � � ∴ VA = 125,5 . (1,0124) . 13,61098649∴ VA = 1.729,3602213. Resposta: o valor à vista do produto é R$ 1.729,36. 2. Qual o valor das prestações do financiamento de um estofado que à vista custa R$ 1.989,90, considerando que o pagamento será feito em 6 parcelas mensais e iguais, com entrada, à taxa de 2,15% a.m.? Os dados do enunciado são: VA = R$ 1.989,90; n = 6 parcelas; i = 2,15% a.m. O fluxo de caixa que representa a situação é: 0 1 32 4 5 i=2,15% a.m. VA=R$1.989,90 p=? meses Utilizando a fórmula matemática que determina o valor da parcela, temos: p = VA . 1 1�+�i� �.� 1�+�i �.�i 1�+�i � �1 n n � � � � � � � � � � � � � ∴ p = 1.989,9 . 1 1�+�0,0215��.� 1�+�0,0215 �.�0,0215 1�+�0,0215 � �1 6 6 � � � � � � � � � �� � � � ∴ p = 1.989,9 . 1 1,0215� �.� 1,0215 �.�0,0215 1,0215 � �1 6 6 � � � � � � � � � � � � � ∴ p = 1.989,9 . 1 1,0215� �.�0,02442692 0,13613575 � � � � � � ∴ p = 1.989,9 . 0,02442692 0,13906267� � � � � � � ∴ p = 1.989,9 . 0,17565404 ∴p = 349,53397708. Resposta: cada prestação será de R$ 349,53. 3. O preço de um aparelho eletrônico é R$ 869,90 à vista. Foi efetuada a com- pra em 4 prestações mensais de R$ 222,55, com entrada. Qual a taxa de juros cobrada na negociação? 94 Matemática Financeira No enunciado, encontramos os seguintes dados: VA = R$ 869,90; n = 4 parcelas; p = R$ 222,55. Ao elaborar o fluxo de caixa que representa a situação, encontramos: VA=R$869,90 meses i=? 1 p=R$222,55 0 2 3 Já vimos que a resolução desse tipo de problema, com a utilização de fór- mulas, é muito complicada, trabalhosa e demorada. Por isso, faremos uso da fórmula para calcular a taxa de juros compostos (efetiva) com a utilização do Microsoft Excel®. Assim: A B 1 Valor atual 869,9 2 Número de prestações 4 3 Valor das prestações 222,55 4 5 Taxa de juros 1,5599% O valor da taxa dessa aplicação aparecerá na célula B5, formatado com o número de casas decimais que se colocou. Nesse caso: 1,5599% a.m., com 4 casas decimais. Resposta: a taxa efetiva mensal da operação financeira realizada foi de 1,56% a.m. 5.5 Rendas diferidas ou com carência Vídeo Esse tipo de renda apresenta carência, um prazo de diferimento entre o mo- mento de aplicação do valor atual e o início do recebimento/pagamento. Para resolver situações-problemas que envolvem rendas diferidas, dependendo do que queremos calcular, utilizamos as fórmulas matemáticas dadas a seguir. a. Para determinar o valor atual (capital investido): VA = p . 1 1+�i . 1�+�i 1 i�. 1�+�i �m 1 n n� � � � � � � � � � � � � � �� � Exercite seus conhecimentos sobre cálculos envolvendo rendas antecipadas acessando o seguinte QR Code. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática Rendas ou séries uniformes 95 b. Para determinar o valor das parcelas – valor das prestações: p = VA . (1 + i)m – 1 . i�. 1�+�i 1�+�i 1 n n �� � � � � � � � � � � � � c. Para determinar o valor do montante: M = p . 1�+�i 1 i n� � �� � � � � � � � Na aplicação dessas fórmulas, devemos notar que aparece o parâmetro m, que representa o tempo de diferimento, ou seja, o tempo de carência. Σxemρlos A seguir, observe a resolução de alguns exemplos que envolvem rendas diferi- das para compreender a aplicação das fórmulas. 1. Determine o valor atual de um empréstimo bancário realizado em 12 pa- gamentos mensais e iguais de R$ 245,60, apresentando uma carência de 3 meses. Considere que a taxa de juros compostos utilizada na operação foi de 0,96% a.m. Os dados do problema são: p = R$ 245,60; n = 12 parcelas; m = 3 (período de carência); i = 0,96% a.m. Representando a situação em um fluxo de caixa, temos: VA = 7 i = 0,96% a.m. meses0 1 1 2 2 3 3 4 11 12 p = R$ 245,60 Devemos perceber que o 1º depósito coincide com o final do período de carência. Aplicando a fórmula matemática que determina o valor atual de uma renda diferida, temos: VA = p . 1 1+�i . 1�+�i 1 i�. 1�+�i �m 1 n n� � � � � � � � � � � � � � �� � ∴ VA = 245,6 . 1 1+�0,0096 . 1�+�0,0096 1 0,0096�. 1�+�0,0096 �3 1 12 12� � � � � � � � � � � �� � � � � � ∴ A fórmula C nos permite determinar o valor do montante sendo conhecido o valor da parcela em um modelo básico de renda, conteúdo visto na seção 5.3 Atenção 96 Matemática Financeira VA = 245,6 . 1 1,01929216 . 0,12148147 0,01076622� � � � � � �∴ VA = 245,6 . 0,12148147 0,01097393 � � � � � � ∴ VA = 245,6 . 11,07001014 ∴ VA = 2.718,7944915. Resposta: o valor atual da aplicação é de R$ 2.718,79. 2. Determine o valor das parcelas mensais e iguais que devem ser pagas pelo financiamento de um veículo que custa R$ 42.990,00 à vista, se este for pago em 10 vezes, com carência de 4 meses. A taxa de juros compostos utilizada na operação será de 1,42% a.m. Os dados do problema são: VA = R$ 42.990,00; n = 10 parcelas; m = 4 meses (carência); i = 1,42% a.m. Representando a situação, por intermédio de um fluxo de caixa, temos: VA=42.990,00 i=1,42% a.m. meses p=? 0 1 1 2 2 3 3 9 10 4 Aplicamos a fórmula matemática que determina o valor das parcelas em uma renda diferida: p = VA . (1 + i)m – 1. i�. 1�+�i 1�+�i 1 n n �� � � � � � � � � � � � � ∴ p = 42.990 . (1 + 0,0142)4 – 1. 0,0142�.� 1�+�0,0142 1�+�0,0142 � �1 10 10 � � � � � � � � � � � � � ∴ p = 42.990 . 1,04320778 . 0,01635025 0,15142608 � � � � � � ∴ p = 42.990 . 1,04320778 . 0,10797513 ∴ p = 4.842,41480908 Resposta: cada parcela do financiamento será de R$ 4.842,41. Para exercitar seus conhecimen- tos sobre rendas diferidas, acesse o QR Code. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática Rendas ou séries uniformes 97 5.6 Séries perpétuas ou perpetuidade Vídeo Devemos entender séries perpétuas ou perpetuidade como um conjunto de va- lores periódicos, consecutivos e iguais, que ocorrem indefinidamente. Esse tipo de série pode ser denominado também como série infinita ou série de custo capitalizado. Para determinar o valor atual de uma perpetuidade, devemos calcular o valor do limite da expressão que determina o valor atual do modelo básico de renda, quando o número de parcelas (n) tender ao infinito. A fórmula matemática resul- tante desse cálculo será: VA = p . 1 �i� . Caso o cálculo seja referente a uma anuidade antecipada, ou seja, com uma ren- da perpétua antecipada, o valor presente será dado por VA = p . 1�+�i �i� . Entretanto, se estivermos tratando de uma renda perpétua que apresente carência, o valor presente será determinado pela fórmula matemática VA = p �i�.� 1�+�i m� � . Assim, o valor atual de uma série perpétua, ou seja, qual deverá ser o depósito inicial, para obtermos as parcelas da renda – p – com base em certa data, será de- terminado pela aplicação das fórmulas anteriores. Σxemρlos 1. Determine o valor que deve ser depositado em um fundo de aplicações, para que se receba, perpetuamente, o valor anual de R$ 1.500,00. Conside- re a taxa de juros compostos anual de 6,35%. Os dados do problema são: p = R$ 1.500,00 e i = 6,35% a.a. Se aplicarmos a fórmula matemática para determinar o valor atual de uma perpetuidade, teremos: VA = p . 1 �i� ∴ VA = 1.500 . 1 �0,0635� ∴ VA = 23.622,04724409. Resposta: devemos depositar no fundo de aplicações o valor de R$ 23.622,05. 2. Uma pessoa deseja receber, mensalmente, um complemento para sua aposentadoria no valor de R$ 3.000,00. Determine o valor que deve ser de- positado em uma aplicação financeira para que essa pessoa receba, até o momento de seu óbito, o valor mensal pretendido, considerando a taxa de juros compostos anual de 5,48%. Os dados do problema são: p = R$ 3.000,00; i = 5,48% a.a. Como a pessoa deseja receber a quantia pretendida mensalmente, deve- mos calcular a taxa efetiva de juros compostos mensal. 1 + ik = (1 + i)n ∴ 1 + 0,0548 = (1 + i)12∴ i = 1,054812 – 1∴ i = 1,00445583 – 1∴ i = 0,00445583 a.m. 98 Matemática Financeira Ao aplicar a fórmula matemática para determinar o valor atual de uma per- petuidade, temos: VA = p . 1 �i� ∴ VA = 3.000 . 1 �0,00445583� ∴ VA = 673275,37211759. Resposta: devemos depositar na aplicação financeira o valor de R$ 673.275,37. 3. Determine o valor teórico de um apartamento que rende, de aluguel, men- salmente R$ 950,00, contanto que ele não fique vazio por nenhum momen- to. Considere a taxa de juros compostos de mercado de 0,89% a.m. Os dados do problema são: p = R$ 950,00; i = 0,89% a.m. Considerando o recebimento do aluguel mensal de um apartamento como uma perpetuidade, podemos encontrar o valor teórico do apartamento: VA = p . 1 �i� ∴ VA = 950 . 1 �0,0089 ∴ VA = 106.741,57303371. Resposta: o valor teórico do apartamento é de R$ 106.741,57. 4. Uma dívida no valor de R$ 15.400,00 deverá ser resgatada em prestações perpétuas mensais, com 5 meses de carência e juros compostos à taxa efe- tiva de 0,92% a.m. Qual será o valor das prestações? O problema nos fornece os seguintes dados: VA = R$ 15.400,00; m = 5 meses (carência); i = 0,92% a.m. Ao aplicarmos a fórmula correspondente, temos: VA = p �i�.� 1�+�i m� � ∴ 15.400 = p �0,0092�.� 1�+�0,0092 5� � ∴15.400 = p �0,00963106 ∴ p = 15.400 . 0,00963106 ∴ p = 148,31830628. Resposta: a dívida será quitada em parcelas perpétuas de R$ 148,32. 5. Uma dívida no valor de R$ 12.750,00 será resgatada em prestações perpé- tuas trimestrais de R$ 582,00. Determine a taxa de juros efetiva trimestral e a taxa de juros efetiva mensal da operação financeira. O problema nos fornece os seguintes dados: VA = R$ 12.750,00; p = R$ 582,00 (trimestrais) Ao aplicarmos a fórmula matemática para determinar o valor da taxa de juros compostos, temos: VA = p . 1 �i� ∴ 12.750 = 582 . 1 �i� ∴ i = 582 �12.750� ∴ i = 0,04564706 a.t., pois as prestações são trimestrais. Agora, vamos calcular a taxa de juros compostos efetiva mensal: 1 + ik = (1 + i)n ∴ 1 + 0,04564706 = (1 + i)3 ∴ i = 1,04567063 – 1 ∴ i = 1,01498987 – 1 ∴ i = 0,01498987 a.m. Resposta: a taxa de juros compostos efetiva trimestral é de 4,56%, e a taxa efetiva de juros compostos mensal é de 1,50%. Exercite seus conhecimentos sobre séries perpétuas acessando o QR Code. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática Rendas ou séries uniformes 99 5.7 Equivalência de fluxos de caixa Vídeo No estudo de equivalência de fluxos de caixa, a taxa de juros deve ser a mesma para os fluxos de caixa que estão sendo comparados. Isso significa que se a taxa de juros for alterada, por quaisquer motivos, a equivalência poderá deixar de existir. Devemos, também, verificar se os valores atuais dos fluxos de caixa em estudo são iguais na data focal escolhida, não necessariamente na data focal zero, momento inicial dos fluxos de caixa. Caso os fluxos de caixa sejam equivalentes, eles possuirão valores atuais iguais e montantes iguais, após n períodos de tempo. Σxemρlos 1. Verifique se as quatro propostas de financiamento de R$ 7.200,00 são equi- valentes, considerando a taxa de juros compostos de 1,05% a.m. a) 1ª proposta: uma parcela única a ser paga, ao fim do 7º mês, pelo valor de R$ 7.746,16. b) 2ª proposta: pagamento de 6 parcelas mensais e iguais, sem entrada, no valor de R$ 1.244,48. c) 3ª proposta: 4 parcelas mensais e iguais no valor de R$ 1.299,71; e pagamento de uma 5ª parcela de R$ 2.320,85, ao fim do 8º mês. d) 4ª proposta: pagamento em 3 parcelas mensais, a 1ª de R$ 882,24, ao fim do 2º mês; a 2ª de R$ 1.404,15, ao fim do 4º mês; e a 3ª de R$ 5.256,81, ao fim do 5º mês. Primeiro, vamos esquematizar cada uma das propostas com seus respecti- vos fluxos de caixa. Para a 1ª proposta: 0 1 2 3 4 5 6 7 meses i = 1,05% a.m. M = R$ 7.746,16 Para a 2ª proposta: 0 1 2 3 5 64 p = R$ 1.244,48 meses i = 1,05% a.m. 100 Matemática Financeira Para a 3ª proposta: 10 2 3 4 5 6 7 8 p = R$ 1.299,71 M = R$ 2.320,85 i = 1,05% a.m. meses Para a 4ª proposta: 2 3 4 51 meses i = 1,05% a.m. R$ 882,24 R$ 1.404,15 R$ 5.256,81 0 Para verificarmos as equivalências de fluxos de caixa, devemos trazer para a data focal zero todos os valores envolvidos nos fluxos de caixa, ou seja, calculamos todos os valores atuais de cada um deles. Então, para a 1ª proposta, como se trata de um único valor, utilizaremos a fór- mula matemática que determina o montante em um regime de capitalização com- posta. Assim: M = VA . (1 + i)n ∴ 7.746,16 = VA . (1 + 0,0105)7 ∴ VA = 7.746,16 1,0105 7� � ∴ VA = 7.199,99572067 ∴ VA = 7.200,00. Na 2ª proposta, devemos calcular o valor atual de um modelo básico de renda. Logo: VA = p . 1�+�i 1 1�+�i .�i n n � � � � � � � � � � � � �� ∴ VA = 1.244,48 . 1�+�0,0105 1 1�+�0,0105 .�0,0105 6 6 � � � � � � � � � � � � �� ∴ VA = 1.244,48 . 0,06467709 0,01117911 � � � � � � ∴ VA = 1.244,48 . 5,78553114 ∴ VA = 7.199,97779859 ∴ VA = 7200,00. Para chegarmos ao valor atual da 3ª proposta, calculamos o valor atual de um modelo básico de renda nas 4 primeiras parcelas e somamos com o valor atual de uma capitalização composta da 5ª parcela. Portanto: VA = p . 1�+�i 1 1�+�i .�i n n � � � � � � � � � � � � �� + M 1�+�i n� � �∴ Rendas ou séries uniformes 101 VA = 1.299,71 . 1�+�0,0105 1 1�+�0,0105 .�0,0105 4 4 � � � � � � � � � � � � �� + 2320,85 1�+�0,0105 8� � ∴ VA = 1.299,71 . 0,04266614 0,01094799 � � � � � � + 2320,85 1,08715269 ∴ VA = 1.299,71 . 3,89716651 + 2134,79672299 ∴ VA = 5.065,18628471 + 2.134,79672299 ∴ VA = 7.199,9830077∴VA = 7.200,00. Para a 4ª proposta, devemos determinar o valor atual de cada um dos mon- tantes dados, capitalização composta, e somar os resultados obtidos. Assim, teremos: VA = M 1�+�i 1 n� � + M 1�+�i 2 n� � + M 1�+�i 3 n� � ∴ VA = 882,24 1�+�0,0105 2� � + 1.404,15 1�+�0,0105 4� � + 5.256,81 1�+�0,0105 5� � ∴ VA = 864,00072862 + 1.346,69185328 + 4.989,31232472 ∴ VA = 7.200,00490662 ∴ VA = 7.200,00. Como obtivemos valores atuais iguais, os fluxos de caixa são equivalentes à taxa de juros compostos dada. Resposta: todas as propostas dadas são equivalentes. 2. Verifique se os fluxos de caixa dados, a seguir, são equivalentes à taxa de juros compostos de 1,34% a.m. a) Fluxo de caixa 01: 1 2 3 4 5 6 7 meses i = 1,34% a.m. R$ 9.264,22 0 b) Fluxo de caixa 02: 0 1 2 3 4 5 meses i = 1,34% a.m. p = R$ 1.756,46 102 Matemática Financeira Fluxo de caixa 03: meses R$ 427,65 0 1 2 3 4 5 6 7 8 R$ 702,71 R$ 1.984,58 R$ 2.285,43 R$ 3.755,34 i = 1,34% a.m. Se os fluxos de caixa forem equivalentes, todos deverão apresentar o mes- mo valor atual na data focal zero. Portanto, para o 1º fluxo de caixa, como se trata de um único valor, utilizaremos a fórmula matemática que determina o montante em um regime de capitalização composta. Assim: M = VA . (1 + i)n ∴ 9.264,22 = VA . (1 + 0,0134)7 ∴ VA = 9.264,22 1,0134 7� � ∴ VA = 8.440,00220591 ∴ VA = 8.440,00. No 2º fluxo de caixa, devemos calcular o valor atual de um modelo básico de renda. Logo: VA = p . 1�+�i 1 1�+�i .�i n n � � � � � � � � � � � � �� ∴ VA = 1.756,46 . 1�+�0,0134 1 1�+�0,0134 .�0,0134 5 5 � � � � � � � � � � � � �� ∴ VA = 1.756,46 . 0,06881982 0,01432219 � � � � � � ∴ VA = 1.756,46 . 4,80511996 ∴ VA = 8.440,00100343 ∴ VA = 8.440,00 Para o 3º fluxo de caixa, devemos determinar o valor atual de cada um dos montantes dados, capitalização composta, e somar os resultados obtidos. Assim, teremos: VA = M 1�+�i 1 n� � + M 1�+�i 2 n� � + M 1�+�i 3 n� � + M 1�+�i 4 n� � + M 1�+�i 5 n� � ∴ VA = 427,65 1�+�0,0134 1� � + 702,71 1�+�0,0134 3� � + 1.984,58 1�+�0,0134 5� � + 2.285,43 1�+�0,0134 6� � + 3.755,34 1�+�0,0134 8� � ∴ VA = 421,99526347 + 675,2015553 + 1.856,79565244 + 2.110,00033465 + 3.375,99708937 ∴ VA = 8.439,98989523 ∴ VA ≅ 1 8.440,00. Como todos os cálculos chegaram ao mesmo valor, os fluxos de caixa são equivalentes à taxa de juros compostos dada. Resposta: todas as propostas dadas são equivalentes. Exercite seus conhecimentos sobre equivalência de fluxos de caixa acessando o QR Code. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas asresoluções, apenas as respostas. Na prática Este é o símbolo matemático de aproximadamente igual. Se colocarmos o valor encontrado com duas casas decimais, teremos 8439,99. 1 Rendas ou séries uniformes 103 5.8 Arrendamento mercantil - leasing Vídeo A Lei n. 6.099/74 é a uma lei federal que dispõe sobre arrenda- mento mercantil, que nada mais é do que um tipo de operação financeira. Essa lei foi modificada pela Lei n. 7.132/83, e atualmente esse tipo de operação financeira é denominada leasing. De acordo com o Banco Central do Brasil (2020), Os principais tipos de operações de crédito são: empréstimos, financiamentos e arrendamento mercantil (leasing). Os empréstimos não possuem uma finalidade ou destinação específica. O devedor pode utilizar o valor que tomou de em- préstimo como bem entender. Nos financiamentos, os recursos financeiros concedidos pela instituição credora devem ser destinados a uma finalidade es- pecífica, estabelecida em contrato. No arrendamento mercantil, o bem é arrendado, ou seja, sua propriedade permanece com a instituição financeira (arren- dadora), que concede o direito de uso desse bem ao cliente (arrendatário) durante o prazo de vigência do contrato. Dessa forma, essas operações também estão vinculadas a uma des- tinação específica como nos financiamentos. Porém, apesar de o tomador escolher qual será o bem objeto do arrenda- mento e de poder utilizá-lo durante a vigência do contrato, o bem é propriedade da instituição credora. E que tipos de leasing existem no mercado financeiro? São duas modalidades: o leasing financeiro e o leasing operacional. De acordo com o Banco Central do Brasil (2020), o leasing financeiro: “assemelha-se a uma operação de financiamento, pois ao final do contrato o cliente (arrendatário) já pagou quase a totalidade do valor do bem e pode optar pela sua aquisição”, já o operacional assemelha-se a uma locação, pois envolve um contrato mais curto e geralmente envolve situações em que o arrendatário possui interesse temporário no bem ou deseja trocá-lo por outro mais moderno ou mais novo assim que possível, não podendo exercer a opção de aquisição desse bem. Normal- mente o arrendador é o próprio fabricante do bem e o bem pode ser arrendado novamente ou revendido a terceiros pelo arrendador ao final do contrato. Nas operações de arrendamento mercantil, de leasing, percebe- mos que o bem arrendado continua de propriedade do arrendatário até o fim do prazo estipulado contratualmente, em geral, como ga- rantia do pagamento do financiamento. Ao fim do contrato, o arren- datário tem três opções: adquirir o bem; renovar o contrato por mais um período; ou devolver o bem ao arrendador. O leasing financeiro deve ser realizado por instituições financeiras legalmente credenciadas. Uma das principais características desse tipo de operação financeira é que o arrendatário, após decorrido o Saiba mais sobre o conteúdo da Lei n. 6.099/74 acessando: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/L6099.htm. Saiba mais Conheça a Lei n. 7.132/83 aces- sando: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/leis/L7132.htm. Saiba mais “Existe ainda a modalidade conhe- cida por sale and leaseback, por meio da qual o arrendatário vende o bem a um terceiro, mas o aluga de volta, continuando a fazer uso do bem, mas sem a propriedade do mesmo. Nessa modalidade, o arrendatário somente pode ser pessoa jurídica” (BRANCO DO BRASIL, 2020). Atenção 104 Matemática Financeira prazo contratual, pode adquirir o bem financiado pelo seu valor residual garan- tido (VRG), que é um valor contratualmente garantido pelo arrendatário como o valor mínimo que será recebido quando há a venda a terceiros do bem que foi ar- rendado. Esse valor residual pode, também, ser amortizado ao longo do período de vigência do contrato de arrendamento ou, ainda, dado como entrada da operação financeira. Já o leasing operacional visa, primordialmente, a locação de bens móveis, como computadores e equipamentos de informática, uma vez que esses bens estão su- jeitos a ficarem obsoletos muito rapidamente em virtude da evolução tecnológica. Nessa situação, os contratos de leasing operacional não envolvem períodos muito longos. São contratos de duração mais curta, justamente para podermos repor os equipamentos mais rapidamente. Nas operações de leasing não há incidência de imposto sobre operações finan- ceiras (IOF), mas as operações de leasing financeiro ou as operações de “sale and leaseback” devem pagar imposto sobre serviços (ISS). Atualmente, várias instituições bancárias estão ofertando, também, o leasing imobiliário, que não deixa de ser um tipo de leasing financeiro, mas voltado especi- ficadamente para o ramo imobiliário. Σxemρlos Como as operações de leasing são operações de financiamento, veremos alguns exemplos a respeito desses tipos de operações financeiras. 1. A empresa X fez um contrato de leasing com o banco A, para a aquisição de equipamentos de informática no valor de R$ 50.000,00. O contrato assina- do tem prazo de 2 anos e deve ser liquidado mensalmente com prestações iguais, sendo que a primeira deverá vencer 30 dias após a assinatura do contrato e a respectiva liberação do valor financiado. Para esse tipo de ope- ração, o banco opera com uma taxa de juros compostos efetiva de 1,95% a.m. O valor residual do contrato foi estabelecido em 15% do valor do con- trato assinado. Determine o valor das prestações mensais a serem pagas pela empresa X. O enunciado nos fornece os seguintes dados: VA = R$ 50.000,00; M = VR ! = R$ 7.500,00 (15% do valor a ser financiado); n = 2 anos; i = 1,95% a.m. Para obter o valor das prestações, devemos calcular o valor residual na data focal zero. Para tanto, utilizamos a fórmula matemática do montante de uma capitalização composta: M = VR = VA . (1 + i)n∴ 7.500 = VA . (1 + 0,0195)24∴ 7.500 = VA . 1,58962075∴VA = 7.500 1,58962075 ∴ VA = 4.718,10650901. Valor residual ! Rendas ou séries uniformes 105 Logo, o valor atual a ser financiado será o valor do contrato subtraído do valor atual do valor residual, ou seja: VA = 50.000 – 4.718,10650901 ∴ 45.281,89349099. Com esse valor, podemos aplicar a fórmula matemática para determinar o valor das parcelas a serem pagas pela empresa X. p = VA . i�.� 1�+�i 1�+�i 1 n n � � � � �� � ∴ p = 45.281,89349099 . 0,0195�.� 1�+�0,0195 1�+�0,0195 1 24 24 � � � � �� � �∴ p = 45.281,89349099 . 0,0309976 0,58962075 ∴ p = 45.281,89349099 . 0,05257211 ∴ p = 2.380,56451281. Resposta: a empresa X deverá pagar mensalmente ao banco A, pelo arren- damento mercantil realizado, a quantia de R$ 2.380,56. 2. Um equipamento foi financiado por uma empresa por intermédio de um leasing operacional. Pelo contrato assinado, não haverá valor residual ao fim do prazo de arrendamento mercantil. No momento da realização da operação financeira, o preço do equipamento era de R$ 452.780,00, e o prazo de financiamento de 3 anos, com parcelas no valor de R$ 14.652,49, considerando o pagamento da 1ª parcela um mês depois da assinatura do contrato. Determine o valor da taxa efetiva de juros compostos da operação de leasing operacional realizado pela empresa. O enunciado do problema nos fornece as seguintes informações: VA = R$ 452.780,00; n = 3 anos = 36 parcelas mensais; p = R$ 14.652,49. Como já explicamos anteriormente, o cálculo do valor da taxa por intermé- dio de fórmulas matemáticas é extenso e complicado, por isso faremos no- vamente uso da fórmula resolutiva com a utilização do Microsoft Excel®. A sintaxe de preenchimento deve ser: TAXA(36;14652,49;– 452780;0;0). Observe: A B 1 Número de parcelas 36 2 Valor atual 452.780 3 Valor das prestações 14.652,49 4 Taxa de juros compostos 0,00850 Resposta: a taxa efetiva de juros compostos utilizada na operação de lea- sing operacional realizado foi de 0,85% a.m.+ Exercite seus conhecimentos sobre arrendamento mercantil - leasing acessando o QR Code. Esses exercícios são ativida- des-extrasque possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática Devemos nos lembrar de formatar a célula onde será calculado o valor da taxa de juros com mais casas decimais, nesse caso, com 5 casas. Atenção 106 Matemática Financeira CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, estudamos os conceitos de rendas, ou séries uniformes, de diver- sos tipos, como: o modelo básico de renda; as séries uniformes antecipadas e poste- cipadas; as séries diferidas e de fluxos de caixa. Estudamos, também, o arrendamento mercantil, o leasing. Após a leitura deste capítulo, devemos estar cientes de que exis- tem inúmeros tipos de séries uniformes diferentes. Por isso, o estudo desses tipos de rendas não deve findar apenas com os tipos explicados. Com relação aos fluxos de caixa, devemos saber que para representação de situa- ções financeiras, esse tipo de ferramenta pode ajudar muito, uma vez que evidencia o que devemos calcular. Entender essas operações financeiras realizadas por instituições financeiras é de extrema importância para todos, para que não sejamos enganados. ATIVIDADES 1. Uma pessoa resolveu fazer uma aplicação financeira para ter, após 3 anos, um valor disponível para realizar uma viagem. Calcule quanto essa pessoa terá, considerando que ela pode depositar o valor de R$ 375,00, mensalmente, e que a instituição financeira remunera esse tipo de aplicação com uma taxa de juros compostos efetiva de 1,05%. Elabore, também, o fluxo de caixa que representa essa situação. 2. O cliente de um banco deseja ter um montante de R$ 75.680,00. Determine o prazo dos depósitos nessa aplicação financeira, sabendo que as parcelas que serão depositadas são de R$ 2.649,42, e a taxa de juros compostos que o banco oferece para o tipo de aplicação é de 1,48% a.m. 3. Determine a taxa efetiva mensal de juros compostos de uma operação financeira que produziu um montante de R$ 11.250,00, sabendo que foram realizados depósitos mensais e iguais no valor de R$ 560,71, por um prazo de 1 ano e meio. 4. Determine o valor atual de um financiamento realizado por 1 ano e 2 meses, com uma taxa efetiva de juros compostos de 1,84%, ao mês, e que deve ser liquidado em parcelas mensais, sucessivas e iguais a R$ 2.142,11. 5. De quanto será cada parcela mensal de um financiamento realizado com a taxa efetiva de juros compostos de 2,04% ao mês, sabendo que o valor atual é de R$ 5.335,83 e que a aplicação foi realizada pelo prazo de 8 meses? 6. Determine o valor à vista (valor atual) de um produto que foi pago durante 2 anos, em parcelas mensais e iguais de R$ 405,60 com entrada, sabendo que a taxa de juros compostos utilizada na operação financeira foi de 0,98% a.m. 7. Determine o valor de um bem de consumo, considerando que sua compra foi financiada em 1 ano e meio em pagamentos mensais e iguais cujo valor era de R$ 306,78. O financiamento foi realizado com uma carência de 2 meses e com a taxa efetiva de juros compostos de 1,12% a.m. Rendas ou séries uniformes 107 8. Uma pessoa quer receber perpetuamente, como complemento de sua aposentadoria, o valor mensal de R$ 2.890,00. Que quantia ela deve depositar em um fundo financeiro de aplicações para que se receba esse valor mensal, considerando a taxa de juros compostos anual de 7,15%? 9. Verifique se os fluxos de caixa dados a seguir são equivalentes à taxa de juros compostos de 1,27% a.m. a) Fluxo de caixa 01: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 meses i = 1,27% a.m. R$ 12.038,32 b) Fluxo de caixa 02: 0 1 2 p = R$ 1.871,41 i = 1,27% a.m. meses3 4 5 6 c) Fluxo de caixa 03: 0 1 2 i = 1,27% a.m. meses R$ 551,02 R$ 904,17 R$ 2.518,06 R$ 2.934,57 R$ 4.876,48 3 4 5 6 7 8 9 10 10. Uma empresa assinou um contrato de leasing com um banco para a aquisição de equipamentos no valor de R$ 650.000,00. O contrato tem prazo de 5 anos e deve ser liquidado mensalmente com prestações iguais, sendo que a primeira prestação deverá vencer 1 mês após a liberação do valor financiado. Nessa operação, o banco opera com uma taxa de juros compostos efetiva de 0,89% a.m. O valor residual do contrato foi estabelecido em 10% do valor do contrato assinado. Determine o valor das prestações mensais a serem pagas pela empresa. 108 Matemática Financeira REFERÊNCIAS ASSAF NETO, A. Matemática financeira e suas aplicações. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2012. BANCO CENTRAL DO BRASIL. Quais são os principais tipos de operações de crédito existentes no mercado? Brasília, 2020. BRASIL. Lei n. 6.099, de 12 de setembro de 1974. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 13 set. 1974. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6099.htm. Acesso em 15 de fev. de 2020. BRASIL. Lei n. 7.132, de 26 de outubro de 1983. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 12 dez. 2014. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7132.htm. Acesso em 15 de fev. de 2020. CRESPO, A. A. Matemática financeira fácil. 14.ed. São Paulo: Saraiva, 2009. MÜLLER, A. N.; ANTONIK, L. R. Matemática financeira: instrumentos financeiros para tomada de decisão em marketing, finanças e comércio. São Paulo: Saraiva, 2012. PUCCINI, A. L. Matemática financeira: objetiva e aplicada. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. GABARITO 1. O fluxo de caixa que representa essa situação é: p = R$ 375,00 meses i = 1,05% a.m. 0 1 2 3 34 35 36 Os dados são: p = R$ 375,00; n = 36 meses; i = 1,05% a.m. Aplicando a fórmula que determina o valor do montante desejado, temos: M = p . 1�+�i 1 i n� � � ∴ M = 375 . 1�+�0,0105 1 0,0105 36� � � ∴ M = 375 . 0,45648978 0,0105 ∴ M = 375 . 43,47521748 ∴ M = 16.303,20655569. Resposta: o montante que a pessoa obterá será de R$ 16.303,21. 2. O enunciado do problema nos informa que: M = R$ 75.680,00; i = 1,48% a.m.; p = R$ 2.649,42. Substituindo os valores na fórmula que determina a quantidade de parcelas, teremos: n = log M�.��i p ��+�1 log 1�+�i 10 10 � � � � � � � � ∴ n = log 75680�.��0,0148 2649,42 ��+�1 log 1�+�0,0148 10 10 � � � � � � � � ∴ n = log 1,42275819 log 1,0148 10 10 � � � � ∴ n = 0,15313109 0,00638046 ∴ n = 24,00001389 meses. Resposta: devem ser depositadas 24 parcelas, ou seja, os depósitos deverão ser realizados por 2 anos. 3. O enunciado nos fornece os seguintes dados: M = R$ 11.250,00; p = R$ 560,71; n = 1,5 ano ∴ 18 meses. A resolução desse tipo de problema com a utilização de fórmulas é muito complicada, portanto va- mos utilizar a fórmula do cálculo da taxa do Microsoft Excel. A sintaxe de preenchimento deve ser: TAXA(18;560,71;0;– 11250;0). Na célula em que foi digitada a fórmula, precedida do sinal de igual, apresentará o valor 0,01260, com 5 casas decimais. Esse valor representa a taxa no formato unitário. Resposta: a taxa efetiva mensal da operação financeira realizada foi de 1,26% a.m. 4. Os dados são: p = R$ 2.142,11; i = 1,84% a.m.; n = 14 meses (1 ano e 2 meses). Aplicando a fórmula matemática que determina o valor atual de uma renda, quando é conhecido o valor da parcela, obtemos: Rendas ou séries uniformes 109 VA = p . 1�+�i 1 1�+�i .�i n n � � � � � � � � � � � � �� ∴ VA = 2142,11 . 1�+�0,0184 1 1�+�0,0184 .�0,0184 14 14 � � � � � � � � � � � � �� ∴ VA = 2.142,11 . 0,29079558 0,02375064 � � � � � � ∴ VA = 2.142,11 . 12,24369512 ∴ VA = 26.227,34174384. Resposta: o valor atual procurado é de R$ 26.227,34. 5. Os dados fornecidos são: VA = R$ 5.335,83; i = 2,04% a.m.; n = 8 meses. Aplicando a fórmula matemática que determina o valor da parcela sendo conhecido o valor atual da aplicação, temos: p = VA . i�.� 1�+�i 1�+�i 1 n n � � � � �� � ∴ p = 5.335,83 . 0,0204�.� 1�+�0,0204 1�+�0,0204 1 8 8 � � � � �� � �∴ p = 5.335,83 . 0,02397694 0,17534022 ∴ p = 5.335,83 . 0,13674524 ∴ p = 729,64933939. Resposta: o valor das parcelas mensais desse financiamento é de R$ 729,65. 6. Os dados são: n = 24 parcelas (2 anos); p= R$ 405,60; i = 0,98% a.m. Utilizando a fórmula matemática que determina o valor atual de uma renda antecipada, temos: VA = p . (1 + i) . 1�+�i 1 1�+�i .�i n n � � � � � � � � � � � � �� ∴ VA = 405,6 . (1 + 0,0098). 1�+�0,0098 1 1�+�0,0098 .�0,0098 24 24 � � � � � � � � � � � � �� ∴ VA = 405,6 . (1,0098). 0,26371399 0,0123844 � � � � � � ∴ VA = 405,6 . (1,0098) . 21,29405138∴ VA = 8.721,50853991. Resposta: o valor à vista do produto é R$ 8.721,51. 7. Os dados do problema são: p = R$ 306,78; n = 18 parcelas (1 ano e meio); m = 2 (período de carência); i = 1,12% a.m. Aplicando a fórmula matemática que determina o valor atual de uma renda diferida, temos: VA = p . 1 1+�i . 1�+�i 1 i�. 1�+�i �m 1 n n� � � � � � � � � � � � � � �� � ∴ VA = 306,78 . 1 1+�0,0112 . 1�+�0,0112 1 0,0112�. 1�+�0,0112 �2 1 18 18� � � � � � � � � � � �� � � � � � ∴ VA = 306,78 . 1 1,0112 . 0,22198844 0,01368627� � � � � � � ∴ VA = 306,78 . 0,22198844 0,01383956 � � � � � � ∴ VA = 306,78 . 16,04014089 ∴ VA = 4.920,79442361. Resposta: o valor atual da aplicação é de R$ 4.920,79. 8. O problema nos fornece os seguintes dados: p = R$ 2.890,00; i = 7,15% a.a. Como a pessoa quer receber a quantia mensalmente, devemos calcular o valor da taxa efetiva men- sal de juros compostos. 1 + ik = (1 + i) n ∴ 1 + 0,0715 = (1 + i)12 ∴ 1 + i = 1,0715 12 ∴ 1 + i = 1,00577155∴ i = 1,00577155 – 1∴ i = 0,00577155 Agora, aplicando a fórmula matemática para determinar o valor atual de uma perpetuidade, temos: VA = p . 1 �i� ∴ VA = 2.890 . 1 �0,00577155 ∴ VA = 2.890 . 173,26359336 ∴ VA = 500.731,78482425. 110 Matemática Financeira Resposta: para receber a quantia solicitada, essa pessoa deve depositar no fundo de aplicações o valor de R$ 500.731,78. 9. Se os fluxos de caixa forem equivalentes, todos deverão apresentar o mesmo valor atual na data focal zero. Então, para o 1º fluxo de caixa, como se trata de um único valor, utilizaremos a fórmula matemática que determina o montante em um regime de capitalização composta. Assim: M = VA . (1 + i)n ∴ 12.038,32 = VA . (1 + 0,0127)9 ∴ VA = 12.038,32 1,12028182 ∴ VA = 10.745,79605091 ∴ VA = 10.745,80. No 2º fluxo de caixa, devemos calcular o valor atual de um modelo básico de renda. Logo: VA = p . 1�+�i 1 1�+�i .�i n n � � � � � � � � � � � � �� ∴ VA = 1.871,41 . 1�+�0,0127 1 1�+�0,0127 .�0,0127 6 6 � � � � � � � � � � � � �� ∴ VA = 1.871,41 . 0,07866071 0,01369899 � � � � � � ∴ VA = 1.871,41 . 5,74208056 ∴ VA = 10.745,78698074 ∴VA = 10.745,79 ∴ VA ≅ 10.745,80. Para o 3º fluxo de caixa, devemos determinar o valor atual de cada um dos montantes dados, capita- lização composta, e somar os resultados obtidos. Assim, teremos: VA = M 1�+�i 1 n� � + M 1�+�i 2 n� � + M 1�+�i 3 n� � + M 1�+�i 4 n� � + M 1�+�i 5 n� � ∴ VA = 551,02 1�+�0,0127 2� � + 904,17 1�+�0,0127 4� � + 2.518,06 1�+�0,0127 5� � + 2.934,57 1�+�0,0127 7� � + 4.876,48 1�+�0,0127 10� � ∴ VA = 537,28626984 + 859,6602649 + 2.364,07921294 + 2.686,45025777 + 4.298,3160708 ∴ VA = 10.745,79207625 ∴ VA ≅ 10.745,80. Resposta: como obtivemos valores atuais iguais, os fluxos de caixa são equivalentes à taxa de juros compostos dada. 10. Os dados do problema são: VA = R$ 650.000,00; M = VR = R$ 65.000,00 (10% do valor a ser financiado); n = 5 anos = 60 meses; i = 0,89% a.m. Determinando o valor residual na data focal zero: M = VA . (1 + i)n ∴ 65.000 = VA . (1 + 0,0089)60 ∴ 65.000 = VA . 1,70171694∴ VA = 65.000 1,70171694 ∴ VA = 38.196,71678812. Assim, o valor atual a ser financiado será: VA = 650.000 – 38.196,71678812 ∴ 611.803,28321188. Aplicando a fórmula matemática para determinar o valor das parcelas a serem pagas pela empresa X: p = VA . i�.� 1�+�i 1�+�i 1 n n � � � � �� � ∴ p = 611.803,28321188 . 0,0089�.� 1�+�0,0089 1�+�0,0089 1 60 60 � � � � �� � �∴ p = 611.803,28321188 . 0,01514528 0,70171694 ∴ p = 611.803,28321188 . 0,02158318 ∴ p = 13.204,65841965. Resposta: a empresa deverá pagar mensalmente para o banco, pelo arrendamento mercantil reali- zado, a quantia de R$ 13.204,66. Taxa interna de retorno e valor presente líquido 111 Taxa interna de retorno e valor presente líquido Investimentos não devem ser feitos, como se diz popularmente, por impulso. Antes, é necessário realizar algumas análises cautelosas para que o investidor tenha certeza de que fará um bom negócio. Isso vale tanto para investirmos nosso próprio dinheiro como para as empresas. Entre os cálculos que devemos fazer para verificar a viabilidade de um investimento, temos o da taxa interna de retorno (TIR) e o do valor presente líquido (VPL) e, neste capítulo, compreenderemos como confirmar a viabili- dade ou não de aplicações financeiras ou financiamentos por meio desses. Devemos ter em mente que as técnicas que serão vistas nesta obra, para avaliação de investimentos, são, primordialmente, instrumentos para apoiar as tomadas de decisão de quem as utilizar. Além disso, é igualmente im- portante que, junto com a aplicação dessas técnicas, seja feito um estudo a respeito dos objetivos estratégicos que o investidor quer atingir, dos aspec- tos econômicos e políticos da região (cidade, estado e/ou país) em que está inserido, além de outros que se façam necessários e pertinentes. 6.1 Taxa interna de retorno (TIR) Vídeo Ao realizarmos um investimento, seja ele qual for, é necessário, e aconselhável, verificarmos se ele é adequado, ou seja, se é rentável. Uma das formas de fazermos esse tipo de análise é por intermédio da denominada taxa interna de retorno. Trata- -se de um dos indicadores financeiros mais importantes para analisarmos investi- mentos; podemos dizer que é ela que nos indicará a rentabilidade do investimento. A Taxa Interna de Retorno, também denominada, em inglês, de Internal Rate of Return (IRR), é a taxa de juros, em termos percentuais, que utilizamos para analisar o retorno que esperamos obter ao realizarmos um determinado projeto, ou seja, é a taxa que desejamos ter no crescimento desse projeto. De acordo com o Dicionário Financeiro (2020, grifos do original), essa “é uma taxa usada como referência para quando um investimento pode ter retorno igual a zero. A TIR é utilizada como uma taxa de desconto, pois atualizamos os valores para o momento inicial do investimento, diferente das taxas de juros em que o va- lor final está capitalizado, ou seja, acumulado”. 6 112 Matemática Financeira Segundo Puccini (2017, p. 142), a taxa interna de retorno é a “taxa que faz o va- lor presente das parcelas futuras do fluxo de caixa ser igual ao investimento inicial”. Também é possível entender a taxa interna de retorno como a taxa de oportuni- dade para se realizar um determinado investimento, que pode ser considerado um projeto a ser executado, como modernizar os equipamentos já pertencentes a uma indústria ou comprar equipamentos novos para substituir os existentes. Nes- se caso, o gestor ou proprietário da indústria deverá decidir o que é mais atrativo e o que possibilitará um melhor retorno para a indústria, podendo o cálculo de TIR ajudar nessa decisão. 6.1.1 Fórmula matemática para o cálculo da TIR Para chegarmos à taxa interna de retorno, que nada mais é do que uma taxa de desconto composto, em determinado momento de um fluxo de caixa, devemos igualar os valores referentes às entradas de dinheiro – recebimentos – aos valores referentes às saídas – pagamentos – que aparecerem ao longo do período de tem- po do fluxo de caixa do projeto em análise. É muito comum, mas não obrigatório, adotarmos a data focal zero – momento inicial do fluxo de caixa – para estabelecermos essa comparação, isto é, para calcu- larmos todos os valores atuais presentes no fluxo de caixa. Sendo assim, podemos, para calcular a taxa interna de retorno, utilizar a seguin- te fórmula matemática: FC FC 1�+�ij�=�1 0 � � � � � � � � � � ��n j j � Em que: • FC0 → valor do fluxo de caixa no momento zero, seja de um recebimento ou empréstimo, seja de um pagamento ou investimento; • FCj → fluxos de caixa relativos às entradas ou saídas de caixa, nos diversos períodos de tempo; • i → taxa de desconto que iguala, na data focal escolhida, as entradas de caixa com as saídas de caixa, ou seja, representa a taxa interna de retorno. Se expandirmos a fórmula acima, obteremos: FC �=� FC 1�+�i �+� FC 1�+�i �+� FC 1�+�i �+� �+� FC 1�+ 0 1 1 2 2 3 3� � � � � � � n ��i� �n Devemos entender que, na aplicação desse método, estamos considerando o valor do dinheiro ao longo do tempo. Isso significa que o método de cálculo da taxa interna de retorno expressa a rentabilidade do fluxo de caixa, se estivermos anali- sando uma aplicação (investimento). Caso estejamos analisando um empréstimo, a taxa interna de retorno representa o custo efetivo desse financiamento. Na hipótese de estarmos trabalhando com uma aplicação ou um financiamento, devemos, antecipadamente, definir a taxa mínima que nos propomos a ganhar com Taxa interna de retorno e valor presente líquido 113 o investimento ou, no caso de um empréstimo, a taxa máxima que estamos dispostos a pagar. Essa taxa que buscamos é denominada taxa mínima de atratividade. Se estivermos analisando a possibilidade de um investimento, a decisão de efe- tivar a aplicação deverá apresentar uma taxa interna de retorno superior à taxa mínima de atratividade definida inicialmente. Para o caso de empréstimos, a de- cisão será tomada caso a taxa interna de retorno seja inferior à taxa mínima de atratividade que estejamos dispostos a pagar. Σxemρlos Vamos, agora, resolver alguns exemplos para entendermos melhor como se de- termina a taxa interna de retorno. 1. Um empresário solicitou um empréstimo de R$ 45.000,00 em um banco e recebeu uma proposta para liquidá-lo em duas parcelas iguais de R$ 23.750,00, vencíveis em 30 e 60 dias. Determine o custo dessa operação bancária, calculado pelo método da taxa interna de retorno. Considerando que o empresário está decidido a realizar o empréstimo apenas se a taxa mínima de atratividade for igual ou menor a 3,8% a.m., ele deverá ou não realizar o empréstimo? Se representarmos a situação exposta por intermédio de um fluxo de caixa, obteremos: R$ 45.000,00 R$ 23.750,00 1 0 2 meses R$ 23.750,00 Os dados do problema são: FC0 = R$ 45.000,00; FC1 = R$ 23.750,00; n1 = 1; FC2 = R$ 23.750,00; n2 = 2; TMA = 3,8% a.m. Assim, aplicando a fórmula matemática, teremos: FC FC �i FC �i �i 0 1 1 2 2 11 1 45 000 23 750 1 2 � �� � � �� � � � �� � �� � � � � . � � . � � � 33 750 1 1 1 45 000 2 0 1 1 2 2 . � ����� � � � � � . � �� � � �� � � �� � � � �i FC FC �i FC �i �� . � � � . � �����23 750 1 23 750 11 2�� � � �� ��i �i Calcular o valor da variável i, ou seja, o valor da taxa interna de retorno, implica a utilização de um processo de cálculo complicado e demorado, de- nominado processo de interpolação 1 , que não é oportuno nem indicado para explicarmos nesse momento. Sendo assim, para determinar a taxa in- terna de retorno devemos, em uma planilha do Microsoft Excel, digite: É um processo em que se deter- mina o valor procurado da variável em função de um ponto interno de um intervalo, levando em con- sideração os valores dos extremos desse intervalo. É um processo de tentativa e erro, até se encontrar o valor da variável em estudo. 1 114 Matemática Financeira • na célula A1, o valor do empréstimo que a empresa irá fazer; • na célula A2, o valor do 1º pagamento que será realizado, com sinal contrário do valor do empréstimo; • na célula A3, o valor do 2º pagamento, com sinal contrário do valor do empréstimo; • na célula A4: =TIR(A1:A3) 2 . É importante que os sinais das entradas e das saídas de caixa sejam opostos para a aplicação da fórmula que calcula o valor da taxa interna de retorno, com a utilização da fórmula do Microsoft Excel. Podemos, também, visualizar esse aspecto pelos sentidos das setas, que aparecem no fluxo de caixa representativo da situação em análise. Setas de mesmo sentido apresentam sinais iguais, sendo todas com sinais positivos ou todas com sinais negativos. Já as setas de sentido diferentes devem apresentar sinais diferentes. Atenção Teremos, para o exemplo que estamos resolvendo, com a utilização da planilha do Microsoft Excel, o cálculo: A B 1 45.000 2 –23.750 3 –23.750 4 3,6815% Para aprender a formatar a quantidade de algarismos após a vírgula – quantidade de casas decimais – acesse o artigo Como formatar/personalizar células e números no Excel, produzido por Maximiliano Meyer, publicado no site AE Aprender Excel em 2013 e atualizado em 2018. Acesso em: 17 mar. 2020. https://www.aprenderexcel.com.br/2013/artigos/como-formatar-e-personalizar-celulas-e-numeros-no-excel Artigo Para comprovarmos que o resultado obtido anula o valor atual na data focal zero, vamos observar o cálculo abaixo: VA FC 1�+�i FC 1�+�i �FC0 1 1 2 2 0� � � � � � �� � � �� VA0 1 2 23 750 1 0 036815 23 750 1 0 036815 45 00� �� � � �� � . � � , �� � � . � � , �- . 00�� VA0 = 22.906,69020028 + 22.093,32446027 – 45.000∴ VA0 = 45.000,01466055 – 45.000∴ VA0 = 0,01466055 ! Resposta: encontramos a taxa interna de retorno igual a 3,68%, isso sig- nifica que o custo efetivo do empréstimo é de 3,68% a.m. Logo, como o empresário havia estipulado uma taxa mínima de atratividade de 3,8% a.m., ele deve aceitar a proposta oferecida pelo banco, já que a taxa interna de retorno é maior do que a taxa de atratividade. Observe que o intervalo das células deve ser digitado com o sinal de dois pontos, : , entre as células envolvidas no cálculo que será realizado. 2 Devemos aumentar o número de casas decimais da célula A4. Atenção O valor não ficou igual a zero, por causa da quantidade de casas decimais utilizadas. Se esse nú- mero for aumentado, o resultado se aproximará mais do valor zero. Faça o cálculo e comprove. Atenção Taxa interna de retorno e valor presente líquido 115 2. Uma indústria está prestes a realizar uma modernização em seu parque industrial. Para isso, o proprietário recebeu a proposta de investir a quantia de R$ 145.830,00. Estudos encomendados, que constam da proposta, mostram que, após a modernização do parque industrial, a produção aumentará, gerando receitas maiores. Nos quatro meses após a modernização da indústria estar concluída, as vendas do 1º mês gerarão receitas maiores do que as atuais, em R$ 33.630,00; no 2º mês, R$ 36.420,00; no 3º mês, R$ 39.690,00; e, por fim, no 4º mês, R$ 41.270,00. O proprietário da empresa resolve, então, calcular a taxa interna de retorno embutida na proposta apresentada e decide que fará a modernização sugerida caso esse valor seja inferior à taxa mínima de atratividade – taxa mínima de custo efetivo – de 1,2% a.m. Qual a decisão que o proprietário da empresa tomará? Os dados do problema são: FC0 = R$ 145.830,00; FC1 = R$ 33.630,00; FC2 = R$ 36.420,00; FC3 = R$ 39.690,00; FC4 = R$ 41.270,00; TMA = 1,2% a.m. O fluxo de caixa representativo da proposta é: R$ 33.630,00 R$ 145.830,00 R$ 36.420,00 R$ 39.690,00 R$ 41.270,00 1 2 3 4 0 meses Determinando o valor da TIR, obtemos, com a utilização do Microsoft Excel: A B 1 -145.830 2 33.630 3 36.420 4 39.690 5 41.270 6 1,36295% Não devemos esquecer de aumentar as casas decimais da célula A6, onde foi digitada a fórmula: =TIR(A1:A5). O valor da TIR que encontramos foi de 1,36% a.m., superior à taxa mínima de atratividade estipulada em 1,2% a.m. Para comprovar que o investimento deverá ser realizado, podemos fazer: VA FC 1�+�i FC 1�+�i FC �i FC 1�+�i 0 1 1 2 2 3 3 4 1 � � � � � � �� �� � � � � � � �� � � � �44 0� �� ��FC VA 33.630 1�+�0,0136295 36.420 1�+�0,0136295 0 1 2 39� � � � � �� � � � � � � .. � � , �� � � .690 1 0 0136295 145 830 3 4 �� � � � � ��� 41.270 1�+�0,0136295���� Exercite seus conhecimentos sobre taxa interna de retorno (TIR) acessando o QR Code a seguir. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática O valor digitado na célula A1 é ne- gativo, pois representa uma saída de dinheiro do caixa da empresa (seta para baixo no fluxo de caixa). Os demais valores são positivos, visto que representam entradas de valores no caixa da empresa (setas para cima no fluxo de caixa). Atenção 116 Matemática Financeira VA0 = 33.177,803132 + 35.447,161056 + 38.110,388364 + 39.094,665624 – 145.830 ∴ VA0 = 145.830,018176 – 145.830∴ VA0 = 0,018176 Resposta: o proprietário da indústria deve realizar a modernização do parque industrial, pois a TIR calculada é de 1,36% a.m., superior à TMA de 1,2% a.m. 6.2 Valor presente líquido (VPL) Vídeo Valor presente líquido (VPL), ou Net Present Value (NPV), do inglês, é um cálculo de verificação para analisarmos alternativas de investimentos ou de financiamen- tos, que também está diretamente ligado à análise de fluxos de caixa, mais precisa- mente com os cálculos do valor atual de fluxos de caixa, que muitos chamam de valor presente. Daí o nome desse tipo de cálculo. De acordo com Müller e Antonik (2012, p. 235) “O VPL é uma poderosa arma para calcular preços de produtos e serviços, verificar a viabilidade econômica de projetos ou investimentos [...]”. Nesse tipo de cálculo, atualizamos o fluxo de caixa do investimento a ser realizado para o momento inicial, a data focal zero, utilizando uma taxa de desconto composto. O VPL, de acordo com o Dicionário Financeiro (2020), “é calculado para saber- mos qual o valor atual de um investimento, bem como a sua rentabilidade. O cálcu- lo do VPL é feito atualizando todo o fluxo de caixa de um investimento para o valor de hoje, utilizando uma taxa de desconto no cálculo conhecida como Taxa Mínima de Atratividade (TMA)”. Então, percebemos que, segundo Assaf Neto (2012, p. 162): “o método do valor presente líquido para análise dos fluxos de caixa é obtido pela diferença entre o valor presente dos benefícios (ou pagamentos) previstos de caixa, e o valor presente do fluxo de caixa inicial (valor do investimento, do empréstimo ou do financiamento)”. Para sabermos se um projeto é viável, seja ele de aplicação financeira ou de financiamento, pela utilização desse método (VPL), devemos saber que, após o cál- culo realizado, se encontrarmos um valor: • negativo, significa que o projeto que estamos analisando é inviável, pois apre- senta mais despesas que receitas; • positivo, significa que o projeto que estamos analisando é viável, porque apresenta receitas maiores que despesas; • igual a zero, significa que o projeto em análise apresenta receitas e despesas iguais, sendo, portanto, neutra a decisão de realizar o investimento ou o em- préstimo, isto é, não será possível tomar uma decisão unicamente com esse procedimento de cálculo. Taxa interna de retorno e valor presente líquido 117 6.2.1 Fórmula matemática para cálculo do VPL Para aplicarmos esse método de cálculo, devemos calcular a diferença entre o valor atual das receitas previstas no fluxo de caixa e o das despesas, ou seja, é a soma algébrica de todos os valores que constam do fluxo de caixa: a soma de todas as entradas de caixa menos a soma de todas as saídas de caixa. Devemos observar que a taxa de desconto composto, que deve ser utilizada nos cálculos, é a taxa mínima de atratividade. A fórmula matemática que expressa esse cálculo é: VPL�= FC 1�+�i FC j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � 0 Se expandirmos essa fórmula matemática, obteremos: VPL�= FC 1�+�i FC 1�+�i + + FC 1�+�i FC1 1 2 2 0� � � � � � � � � � � � � � � � �n n Nessas duas fórmulas: • FCj representa os valores de entrada ou de saída de caixa, previstos nos inter- valos de tempo e no fluxo de caixa; • FC0 indica o valor do empréstimo, da aplicação financeira ou do financiamen- to realizado, no momento inicial, data focal zero; • i caracteriza a taxa mínima de atratividade da operação financeira. Σxemρlos Vamos, agora, resolver alguns exemplos para entendermos melhor como se cal- cula o VPL e como se interpreta o resultado obtido. 1. Uma empresa de rádio táxi está analisando a possibilidade de adquirir, para a atualização de sua frota, veículos novos. O valor unitário de cada um dos veículos é de R$ 69.900,00. A empresa estima que, para os próxi- mos 5 anos, suas receitas líquidas serão, respectivamente, de: R$ 21.740,00; R$ 22.180,00; R$ 20.550,00; R$ 23.920,00; R$ 26.480,00. Ao final do quinto ano, o valor residual de cada um dos veículos será de R$ 15.470,00. Verifi- que se a empresa deve ou não investir nesses veículos, para uma taxa míni- ma de atratividade estipulada em 10,4% ao ano. 118 Matemática Financeira Resolução Representando a situação exposta em um fluxo de caixa, temos: R$ 69.900,00 R$ 21.740,00 R$ 22.180,00 R$ 20.550,00 R$ 23.920,00 R$ 26.480,00 i = 10,4% a.a. 1 2 3 4 5 0 anos Utilizando a fórmula matemática que realiza o cálculo do VPL, teremos: VPL�= FC 1�+�i FC j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � �0 � VPL�= 21.740 1+0,104 22.180 1+0,104 20.550 1+0,104 23 � � � � � � � � � 1 2 3 ..920 1+0,104 41.950 1+0,104 69.900 � � � � � � � � � � � � � � � 4 5 VPL�= 21.740 1,104 22.180 1,218816 20.550 1,34557286 23.920 1,4 � � � 88551244 41.950 1,64000574 69.900�� � � � � � � � VPL = 19.692,02899 + 18.197,98887 + 15.272,30561 + 16.102,18759 + 2.5579,17883 – 69.900 VPL = 94.843,68989 – 69.900 ∴ VPL = 24.943,68989. O valor obtido é positivo, o que significa que o projeto em análise é viável, ou seja, apresenta receitas maiores do que despesas. Resposta: como o VPL resultou um valor positivo, significa que, com a taxa mínima de atratividade estimada, de 10,4% ao ano, o valor presente líquido resulta em R$ 24.943,69. Logo, a empresa deve investir na aquisi- ção desses veículos. 2. O gestor de uma determinada empresa está avaliando a realização de um investimento para modernizar um dos setores da sua organização. O valor a ser aplicado seria de R$ 860.000,00. Após a modernização, o gerente es- pera retornos anuais, nas receitas da empresa, de R$ 218.500,00 no 1º ano; R$ 237.980,00 no 2º ano; R$ 310.740,00 no 3º ano; R$ 372.530,00 no 4º ano. Considerando como taxa mínima de atratividade 9,8% a.a., verifique se o investimento é viável ou não. O fluxo de caixa da situação exposta é: ! O valor residual deve ser acrescentado no valor da receita do último período, ou seja, da última parcela da receita estimada. ! Taxa interna de retorno e valor presente líquido 119 R$ 860.000,00 R$ 218.500,00 R$ 237.980,00 R$ 310.740,00 R$ 372.530,00 i = 9,8% a.a. 1 2 3 4 0 anos Com a utilização da fórmula matemática que realiza o cálculo do valor pre- sente líquido, teremos: VPL�= FC 1�+�i FC j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � �0 � VPL�= 218.500 1+0,098 237.980 1+0,098 310.740 1+0,098� � � � � � � �1 2 3 �� � � � � � � � � � � � � 372.530 1+0,098 860.000 4 VPL�= 218.500 1,098 237.980 1,205604 310.740 1,32375319 372.53 � � � 00 1,453481 860.000� � � � � � � � VPL = 198.998,17851 + 197.394,83280 + 234.741,64359 + 256.301,93911 – 860.000∴ VPL = 887.436,59401 – 860.000 ∴ VPL = 27.436,59401. O projeto que estamos analisando é viável, já que o VPL é positivo, o que significa que apresenta receitas maiores que despesas. Resposta: como o VPL resultou um valor positivo, significa que, com a taxa mínima de atratividade estimada de 9,8% ao ano, o valor presente líquido seria de R$ 27.436,59. Logo, o gestor da empresa deve investir na moderni- zação do setor da empresa. Exercite seus conhecimentos sobre valor presente líquido (VPL), acessando o QR Code. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordadosnesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática 6.3 Índice de lucratividade e taxa de rentabilidadeVídeo O índice de lucratividade e a taxa de rentabilidade são dois mé- todos de análise de investimentos 3 que também consideram a me- todologia do fluxo de caixa descontado, como os cálculos do valor presente líquido e da taxa interna de retorno, estando matematica- mente ligados a esses cálculos. Um investimento pode ser considerado um empréstimo, dependendo do ponto de vista do qual se analisa o fluxo de caixa. Pela perspectiva de quem recebe o valor financeiro, é uma entrada de caixa. Já pela de quem empresta o valor financeiro, é uma saída de caixa. 3 120 Matemática Financeira O cálculo do índice de lucratividade, que designaremos por IL, é determinado pela divisão entre o valor atual dos fluxos das entradas de caixa e o valor atual das saídas de caixa. Se o IL resultar um valor superior a um (IL >1,0), significa que existe atratividade econômica no investimento, ou seja, o valor atual das entradas de cai- xa supera o valor atual das saídas de caixa, provocando um valor presente líquido positivo. Caso contrário, se o resultado de cálculo do IL for inferior a um (IL < 1,0), não haverá interesse econômico no investimento, pois haverá um valor presente líquido negativo. A taxa de rentabilidade, que representaremos por TR, caracteriza a divisão en- tre o resultado do VPL e os valores atuais de desembolsos do fluxo de caixa. Caso o cálculo da taxa de rentabilidade, que devemos expressar em porcentagem, resultar um valor positivo (TR > 0), o investimento é rentável. Caso contrário, isto é, se a taxa de rentabilidade for negativa (TR < 0), o investimento não é rentável e, nessa situação, haverá um resultado de VPL também negativo. Σxemρlos Agora, vejamos alguns exemplos destinados a calcular o índice de lucrativida- de e a taxa de rentabilidade dos investimentos, para compreendermos na prática como se faz ambos os cálculos. 1. Um cliente que necessita de um empréstimo bancário de R$ 600.000,00 solicitou o financiamento a um agente financeiro e propôs pagá-lo em quatro parcelas anuais, sendo as duas primeiras no valor de R$ 200.000,00 e as outras duas de R$ 300.000,00. Se o agente financeiro opera, para esse tipo de operação financeira, com uma taxa de desconto composto de 20% a.a., determine se é viável para esse agente realizar o empréstimo, tomando por base o índice de lucratividade e a taxa de rentabilidade da operação a ser realizada. Elaborando o fluxo de caixa da operação financeira, sob o ponto de vista do agente financeiro, teremos: R$ 600.000,00 R$ 200.000,00 R$ 300.000,00 i = 20% a.a. 1 2 3 4 0 anos Para determinarmos, na data focal zero, o valor presente das entradas de caixa, devemos fazer: Taxa interna de retorno e valor presente líquido 121 VA�= FC 1�+�i VA�= 200.000 1�+�0,2 +� 200. j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � � �1 0000 1�+�0,2 300.000 1�+�0,2 300.000 1�+�0,2� � � � � � � � � 2 3 4 VA = 166.666,6666 + 138.888,8888 + 173.611,1111 + 144.675,9259 ∴ VA = 623.842,59259. Vamos, agora, determinar o índice de lucratividade da operação financeira: IL� � VA VA ��IL� 623.842,59259�� 600.000 IL�Entradas Saídas = =� � �� ==� , �1 03973765 ! Para calcularmos a taxa de rentabilidade, devemos calcular o valor presente líquido da operação financeira. VPL�= FC 1�+�i FC VPL�=�623.842,59259 60 j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � � �0 00.000� VPL = 23.842,59259. Então, a taxa de rentabilidade será: T T TR R R� � � � � � � � ,� � � � � VPL VA � 23.842,59259 600.000Saídas 0 039737665 3 97376543�� %�� �TR � � , . Resposta: como obtivemos um índice de lucratividade superior a um e uma taxa de rentabilidade positiva, o investimento, para o agente financeiro, é rentável. 2. Suponha que um cliente que necessita de um empréstimo bancário, no valor de R$ 600.000,00, procurou um agente financeiro e propôs pagar tal financiamento em quatro parcelas anuais, sendo a 1ª parcela de R$ 180.000,00; a 2ª de R$ 200.000,00; a 3ª de R$ 250.000,00; e a última parcela de R$ 300.000,00. Se o agente financeiro opera, para esse tipo de operação financeira, com uma taxa de desconto composto de 20% a.a., determine se é viável a realização do empréstimo para o agente, tomando por base o índice de lucratividade e a taxa de rentabilidade da operação a ser realizada. Elaborando o fluxo de caixa da operação financeira, sob o ponto de vista do agente financeiro, teremos: R$ 600.000,00 R$ 200.000,00 R$ 250.000,00 R$ 300.000,00 R$ 180.000,00 i = 20% a.a. 1 2 3 4 0 anos Isso significa que para cada R$ 1,00 que o agente financeiro empreste ao cliente, haverá um retorno de R$ 1,04, aproximadamente. Atenção 122 Matemática Financeira Para determinarmos, na data focal zero, o valor presente das entradas de caixa, devemos fazer: VA�= FC 1�+�i VA�= 180.000 1�+�0,2 +� 200. j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � � �1 0000 1�+�0,2 250.000 1�+�0,2 300.000 1�+�0,2� � � � � � � � � 2 3 4 VA = 150.000 + 138.888,8889 + 144.675,92593 + 144.675,9259 ∴ VA = 578.240,74074. Agora, determinaremos o índice de lucratividade da operação financeira: IL� � VA VA IL 57.8240,74074 600.000 ILEntradas� Saídas � � � � � � � � ,0 966373457.�� Para calcularmos a taxa de rentabilidade, devemos calcular o valor presente líquido da operação financeira. VPL�= FC 1�+�i FC VPL�=�578.240,74074 60 j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � � �0 00.000� VPL = – 21759,25926. Então, a taxa de rentabilidade será: T T TR R R� � � � �� � � ,� � � � � �� VPL VA � �� �21.759,25926 600.000Saídas 0 033626543 3 626543� � � � , %.� ��TR Como obtivemos um índice de lucratividade inferior a um e uma taxa de ren- tabilidade negativa, o investimento, para o agente financeiro, não é rentável. Resposta: o investimento para o agente financeiro não é rentável, pois apresenta um índice de lucratividade inferior a um e uma taxa de rentabili- dade negativa. Exercite seus conhecimentos sobre índice de lucratividade e taxa de rentabilidade acessando o QR Code. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática 6.4 Comparação entre os métodos de análise de investimentos para projetos independentes Vídeo Se tivermos um único projeto de investimento ou mais de um projeto (desde que sejam independentes e possam ser implementados simultaneamente), os métodos de análise de investimentos – VPL, TIR, IL e TR – devem convergir para o mesmo tipo de decisão. Para mostrarmos a veracidade dessa afirmação, vamos analisar a situação exposta a seguir. O gestor de uma empresa solicitou ao departamento financeiro estudos para a modernização de três setores da linha de produção. Após o prazo dado para que esses estudos fossem realizados, recebeu as informações discriminadas pelos flu- xos de caixa dados abaixo, em relação aos setores A, B e C da linha de produção, Taxa interna de retorno e valor presente líquido 123 que mostram o desembolso necessário para a implantação e os retornos espera- dos de entradas de caixa para os cinco meses posteriores à implantação dos pro- jetos a serem realizados. Para o projeto A: R$ 32.850,00 R$ 34.720,00 R$ 37.920,00 R$ 40.470,00 R$ 41.630,00 R$ 135.000,00 i = 6,8% a.m. 1 2 3 4 5 0 meses Para o projeto B: R$ 248.600,00 R$ 62.500,00 i = 6,8% a.m. 1 2 3 4 5 0 meses Para o projeto C: R$ 186.400,00 R$ 36.950,00 R$ 38.930,00 R$ 43.720,00 R$ 49.860,00 R$ 52.900,00 i = 6,8% a.m. 1 2 3 4 5 0 meses O gestor solicitou os cálculos com uma taxa mínima de atratividade de 6,8% a.m. Sabendo que os projetos são independentes, com base nos mé- todos de cálculo da taxa interna de retorno do valor presente líquido, do índice de lucratividade e da taxa de rentabilidade, qual(is) projeto(s) se mos- tra(m) viável(is)para implantação na empresa? 124 Matemática Financeira Calculando os valores da TIR, do VPL, do IL e da TR para o projeto A, obteremos: • cálculo da TIR: FC FC �i FC �i FC �i FC �i 0 1 1 2 2 3 2 2 1 1 1 1 � � � � � � � � � � � � � �� � � �� � � �� � � �� �44 5 2 1 � � � � �� � � FC �i ��� 135 000 32 850 1 34 720 1 37 920 11 2 3 . � � . � � � . � � � . � � �� � � �� � � �� ��i �i �i �� � . � � � . � �� �� � � �� � 40 470 1 41 630 14 5�i �i Utilizando o Microsoft Excel, obteremos: A B 1 Investimento inicial –135.000 2 1º pagamento 32.850 3 2º pagamento 34.720 4 3º pagamento 37.920 5 4º pagamento 40.470 6 5º pagamento 41.630 7 8 Taxa de desconto 0,068 9 10 TIR 11,5241% • Cálculo do VPL: VPL�= FC 1�+�i FC j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � �0 � VPL�= 32.850 1+0,068 34.720 1+0,068 37.920 1+0,068 40 � � � � � � � � � 1 2 3 ..470 1+0,068 41.630 1+0,068 135.000 � � � � � � � � � � � � � � � 4 5 VPL = 30.758,42697 + 30.439,47874 + 31.128,24031 + 31.106,28836 + 29960,57523 – 135.000 VPL = 153.393,00961 – 135.000 ∴ VPL = 18.393,00961. • Cálculo do IL: VA�= FC 1�+�ij�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � VA�= 32.850 1+0,068 34.720 1+0,068 37.920 1+0,068 40. � � � � � � � � � 1 2 3 4470 1+0,068 41.630 1+0,068� � � � � � 4 5 VA = 153.393,00961. Taxa interna de retorno e valor presente líquido 125 Vamos, agora, determinar o índice de lucratividade da operação financeira: IL� � VA VA IL� IL�Entradas Saídas � � � � �� . , . � ,153 393 00961 135 000 1133624452. • Cálculo da TR: T T TR R R� � � � . , . � � � ,� � � � �VPL VASaídas 18 393 00961 135 000 0 13624452�� � �� , %.� �TR 13 624452 Calculando os valores da TIR, do VPL, do IL e da TR para o projeto B, obteremos: • cálculo da TIR: FC FC �i FC �i FC �i FC �i 0 1 1 2 2 3 3 4 1 1 1 1 � � � � � � � � � � � � � �� � � �� � � �� � � �� �44 5 51 � � � � ���� �� � � FC �i 248 600 62 500 1 62 500 1 62 500 11 2 3 . � � . � � � . � � � . � � �� � � �� � � �� ��i �i �i �� � . � � � . � �� �� � � �� � 62 500 1 62 500 14 5�i �i Utilizando o Microsoft Excel, obteremos: A B 1 Investimento inicial –248.600 2 1º pagamento 62.500 3 2º pagamento 62.500 4 3º pagamento 62.500 5 4º pagamento 62.500 6 5º pagamento 62.500 7 8 Taxa de desconto 0,068 9 10 TIR 8,1440% • Cálculo do VPL: VPL�= FC 1�+�i FC j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � �0 � VPL�= 62.500 1+0,068 62.500 1+0,068 62.500 1+0,068 62 � � � � � � � � � 1 2 3 ..500 1+0,068 62.500 1+0,068 248.600 � � � � � � � � � � � � � � � 4 5 VPL = 58.520,59925 + 54.794,568592 + 51.305,77583 + 48.039,11595 + 44.980,44564 – 248.600 VPL = 257.640,50526 – 248.600 ∴ VPL = 9.040,50526. • Cálculo do IL: VA�= FC 1�+�ij�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � 126 Matemática Financeira VA�= 62.500 1+0,068 62.500 1+0,068 62.500 1+0,068 62. � � � � � � � � � 1 2 3 5500 1+0,068 62.500 1+0,068� � � � � � 4 5 VA = 257.640,50526. Vamos, agora, determinar o índice de lucratividade da operação financeira: IL� � VA VA IL� �IL�Entradas Saídas � � � � �� . , . � ,257 640 50526 248 600 1 003636567. • Cálculo da TR: T T TR � � � � � VPL VA �� �� Saídas R� R�� . , . � ,9 040 50526 248 600 0 03636567�� , %.������ �TR ��3 636567 Calculando os valores da TIR, do VPL, do IL e da TR para o projeto C, obteremos: • cálculo da TIR: FC FC �i FC �i FC �i FC �i 0 1 1 2 2 3 3 4 1 1 1 1 � � � � � � � � � � � � � �� � � �� � � �� � � �� �44 5 51 � � � � �� � � FC �i ������� 186 400 36 950 1 38 930 1 43 720 11 2 3 . � � . � � � . � � � . � � �� � � �� � � �� ��i �i �i �� � . � � � . � �� �� � � �� � 49 860 1 52 900 14 5�i �i Utilizando o Microsoft Excel, obteremos: A B 1 Investimento inicial -186.400 2 1º pagamento 36.950 3 2º pagamento 38.930 4 3º pagamento 43.720 5 4º pagamento 49.860 6 5º pagamento 52.900 7 8 Taxa de desconto 0,068 9 10 TIR 5,7849% • Cálculo do VPL: VPL�= FC 1�+�i FC j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � �0 � VPL�= 36.950 1+0,068 38.930 1+0,068 43.720 1+0,068 49 � � � � � � � � � 1 2 3 ..860 1+0,068 52.900 1+0,068 186.400 � � � � � � � � � � � � � � � 4 5 VPL = 34.597,37828 + 34.130,44088 + 35.889,41631 + 38.323,68514 + 38.071,44919 – 248.600 VPL = 181.012,36980 – 186.400 ∴ VPL = – 5.387,63020. Taxa interna de retorno e valor presente líquido 127 • Cálculo do IL: VA�= FC 1�+�ij�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � VA�= 36.950 1+0,068 38.930 1+0,068 43.720 1+0,068 49. � � � � � � � � � 1 2 3 8860 1+0,068 52.900 1+0,068� � � � � � 4 5 VA = 181.012,36980. Vamos, agora, determinar o índice de lucratividade da operação financeira: IL � VA VA IL� IL�Entradas Saídas � � � � �� . , . � ,181 012 36980 186 400 0 97110964. • Cálculo da TR: T T T TR R R� � � � � �� �� � � . , . � � ,VPL VASaídas 5 387 63020 186 400 0 0289036 RR ��� � , %.�2 89036 Se fizermos um quadro resumindo as informações calculadas, obteremos: Projeto TIR VPL IL TR Decisão Projeto A 11,52% R$ 18.393,01 1,13624 13,624% Aceitar Projeto B 8,14% R$ 9.040,51 1,03637 3,637% Aceitar Projeto C 5,78% – R$ 5.387,63 0,97110 – 2,890% Rejeitar De acordo com os resultados obtidos, verificamos que os projetos A e B possuem taxa interna de retorno superior à taxa mínima de atratividade, valores presentes líquidos positivos, índices de lucratividade superiores a um e taxa de lucratividade positivas. Já o projeto C apresenta taxa interna de retorno inferior à taxa mínima de atratividade, valor presente líquido negativo, índice de lucratividade inferior a um e taxa de rentabilidade negativa. Resposta: esses resultados indicam que o gestor da empresa deve implan- tar os projetos A e B, mas deve rejeitar o projeto C. Exercite seus conhecimentos sobre métodos de análise de investimentos para projetos independentes acessando o QR Code. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo estudamos alguns dos mais importantes tópicos de matemática financeira: taxa interna de retorno (TIR), valor presente líquido (VPL), índice de lucrativi- dade (IL) e taxa de rentabilidade (TR). Esses são alguns dos cálculos que devemos fazer para analisar a viabilidade de se fazer investimentos e/ou empréstimos. É importante salientar que as decisões não devem se basear unicamente nos mé- todos vistos, mas que esses devem fazer parte de um processo, muitas vezes mais complexo, para a tomada de decisões. Proprietários de empresas, diretores, gestores e gerentes devem saber fazer esses cálculos, aliados a outros fatores que precisam ser observados, para ajudar a tomar as decisões corretas. 128 Matemática Financeira ATIVIDADES 1. Uma empresa precisa fazer um empréstimo de R$ 76.480,00 e recebeu uma proposta de financiamento desse valor em duas parcelas iguais de R$ 39.450,00, vencíveis em 30 e 60 dias. Determine o custo dessa operação bancária, calculado pelo método da taxa interna de retorno. Após saber o custo, indique se a empresa deve ou não realizar o empréstimo, considerando que o proprietário está decidido a fazer o financiamento somente se a taxa mínima de atratividade for igual a 2,15% a.m. 2. O diretor financeiro de uma indústria está propenso a realizar a modernização de uma das linhas de produção do seu parque industrial. Ao fazer alguns estudos para verificar a viabilidade dessa modernização, chegou à conclusão de que necessitaria da quantia de R$ 1.458.300,00. De acordo com os estudos realizados, após a linha de produção estar em funcionamento, as receitas, nos quatro primeiros anos, seriam superiores às receitas anuais atuais em R$ 369.900,00; R$ 398.700,00; R$ 449.600,00; R$ 485.400,00. O proprietário da empresasomente aceitará que a modernização da linha de produção seja realizada se a taxa interna de retorno superar a taxa mínima de atratividade de 6% a.a. Calcule a TIR da operação financeira e indique se o proprietário da empresa aceitará realizar a modernização da linha de produção ou não. Justifique sua resposta. 3. O proprietário de uma determinada loja deseja abrir uma filial em outro bairro da cidade. Para isso, ele deve adquirir ponto comercial, móveis e expositores novos. O orçamento dessas aquisições fica em R$ 565.500,00. Ele tem a expectativa de, após a nova loja estar funcionando, ter receitas líquidas de R$ 105.000,00 nos cinco meses após a sua inauguração. Sabe-se que o valor residual dos equipamentos ao final desse período de tempo será de R$ 75.000,00. Determine se é viável para o proprietário da loja realizar esse novo projeto, considerando uma taxa mínima de atratividade de 1,5% a.m. 4. Um empresário deseja adquirir maquinários novos para modernizar sua empresa. O valor unitário de cada uma das máquinas é de R$ 112.800,00. A empresa estima que, para os próximos cinco anos, suas receitas líquidas sejam superiores às atuais, em R$ 31.470,00 nos dois primeiros anos e R$ 40.200,00 nos três anos seguintes. Ao final do quinto ano, o valor residual de cada uma das máquinas seria de R$ 12.000,00. Verifique se a empresa deve ou não investir no novo maquinário, considerando uma taxa mínima de atratividade estipulada em 9,8% ao ano. 5. O proprietário de um apartamento, para alugá-lo por um valor maior, está propenso a reformá-lo. O valor previsto para a reforma é de R$ 65.000,00. Após finalizá-la, ele espera fazer um contrato de locação por 5 anos, recebendo R$ 18.000,00 por ano. Considerando uma taxa mínima de atratividade de 9,4% a.a., verifique se o investimento é viável ou não. Justifique sua resposta com o resultado do cálculo do valor presente líquido. 6. O proprietário de uma indústria de panificação está cogitando adquirir novas máquinas para aumentar a produção de pães. O custo dessa aquisição é de R$ 45.000,00. Depois que as novas máquinas estiverem em funcionamento, irão gerar receitas líquidas estimadas de R$ 5.075,00 mensais, por 8 meses. O maquinário terá valor residual de R$ 10.000,00, após esse período de tempo. Considerando que o custo de capital (taxa mínima de atratividade) seja de 1,85% a.m., determine, justificando sua resposta com o resultado do valor presente líquido, se o proprietário da indústria deve ou não adquirir as máquinas. Taxa interna de retorno e valor presente líquido 129 7. Uma empresa que necessita de um empréstimo bancário de R$ 850.000,00 procurou um agente financeiro e propôs pagá-lo em quatro anos: no 1º e no 2º ano os pagamentos totalizariam R$ 300.000,00; nos dois anos seguintes, os pagamentos totalizariam R$ 410.000,00. Considerando que o agente financeiro opera, para esse tipo de operação financeira, com uma taxa de desconto composto de 10,6% a.a., determine se é viável que esse agente realize o empréstimo, tomando por base o índice de lucratividade e a taxa de rentabilidade da operação a ser realizada. 8. Um cliente que necessita de um empréstimo bancário de R$ 710.000,00 procurou um banco e propôs pagá-lo em quatro parcelas anuais: • a 1ª parcela de R$ 175.000,00; • a 2ª parcela de R$ 190.000,00; • a 3ª parcela de R$ 245.000,00; • a 4ª parcela de R$ 284.500,00. Considerando que o agente financeiro opera, para esse tipo de operação financeira, com uma taxa de desconto composto de 9,5% a.a., determine se é viável ou não realizar o empréstimo, tomando por base o índice de lucratividade e a taxa de rentabilidade da operação a ser realizada. 9. O gestor de uma empresa solicitou ao departamento financeiro estudos para a modernização de dois setores da empresa. Ele recebeu as informações de que, para o 1º setor, o investimento deverá ser de R$ 172.125,00 e proporcionará receitas líquidas, nos 5 meses após a implantação, de: R$ 41.800,00; R$ 44.260,00; R$ 48.340,00; R$ 51.600,00; R$ 53.075,00. Para o 2º setor, o investimento será de R$ 185.000,00 e o retorno nos 5 meses posteriores à implantação serão todos iguais a R$ 44.750,00. O gestor solicitou os cálculos com uma taxa mínima de atratividade de 6,75% a.m. Sabendo que os projetos são independentes, com base nos métodos de cálculo da taxa interna de retorno, do valor presente líquido, do índice de lucratividade e da taxa de rentabilidade, quais se mostram viáveis para implantação na empresa? Justifique sua resposta. 10. O gestor de uma empresa solicitou ao departamento financeiro estudos para a modernização de três setores da empresa. Após o prazo dado para que os estudos fossem realizados, recebeu as informações discriminadas de que os investimentos necessários para a modernização dos três setores (A, B e C) da empresa fariam com que houvesse desembolsos de R$ 145.125,00 para o setor A; R$ 263.516,00 para o setor B; R$ 205.972,00 para o setor C. O gestor, então, entrou em contato com o banco da empresa e solicitou os valores necessários. Sabendo que o banco trabalha com uma taxa de desconto composto para esse tipo de operação de 9,2% a.m., fez a proposta para os pagamentos em cinco parcelas mensais, para cada um dos valores a serem emprestados, da seguinte maneira: • para o 1º valor, relativo ao setor A, os seguintes pagamentos: R$ 35.149,50; R$ 36.976,80; R$ 40.195,20; R$ 43.707,60; R$ 45.376,70. • para o 2º valor, relativo ao setor B, os seguintes pagamentos: R$ 68.750,00; R$ 68.437,50; R$ 69.375,00; R$ 69.687,50; R$ 70.625,00. • para o 3º valor, relativo ao setor C, os seguintes pagamentos: R$ 41.236,20; R$ 42.978,72; R$ 49.097,56; R$ 55.843,20; R$ 60.570,50. Sabendo que os projetos são independentes, com base nos métodos de cálculo da taxa interna de retorno, do valor presente líquido, do índice de lucratividade e da taxa de rentabilidade, quais valores o banco deve liberar para o gestor da empresa? 130 Matemática Financeira REFERÊNCIAS ASSAF NETO, A. Matemática financeira e suas aplicações. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2012. DICIONÁRIO FINANCEIRO. 2020. Disponível em: https://www.dicionariofinanceiro.com. Acesso em: 09 mar. 2020. MÜLLER, A. N, ANTONIK, L. R. Matemática financeira: instrumentos financeiros para tomada de decisão em marketing, finanças e comércio. São Paulo: Saraiva, 2012. PUCCINI, A. L. Matemática Financeira: objetiva e aplicada. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. GABARITO 1. Os dados do problema são: FC0 = R$ 76.480,00; FC1 = R$ 39.450,00; n1 = 1; FC2 = R$ 39.450,00; n2 = 2; TMA = 2,15% a.m. Assim, aplicando a fórmula matemática, teremos: FC FC �i FC �i �i 0 1 1 2 2 11 1 76 480 39 450 1 3 � �� � � �� � � � �� � �� � � � � . � � . � � � 99 450 1 2 . � � �� ��i Calculando o valor da TIR, utilizando o Microsoft Excel, teremos: A B 1 Investimento inicial (valor do empréstimo) 76.480 2 1º pagamento -39.450 3 2º pagamento -39.450 4 5 Taxa interna de retorno 2,10220% Resposta: como a TIR é de 2,10% a.m., sendo menor que a TMA (2,15% a.m.) pensada pelo proprietá- rio, o empréstimo não deve ser realizado. 2. Os dados do problema são: FC0 = R$ 1.458.300,00; FC1 = R$ 369.900,00; FC2 = R$ 398.700,00; FC3 = R$ 449.600,00; FC4 = R$ 485.400,00; TMA = 6% a.a. Determinando o valor da TIR, obtemos, com a utilização do Microsoft Excel: A B 1 Investimento inicial (valor do empréstimo) 1.458.300 2 1º pagamento -369.900 3 2º pagamento -398.700 4 3º pagamento -449.600 5 4º pagamento -485.400 6 7 Taxa interna de retorno 6,21346% Resposta: o valor da TIR que encontramos foi de 6,21% a.a., superior à taxa mínima de atratividade estipulada, de 6% a.a.; portanto, o proprietário deve realizar a modernização da linha de produção. 3. Os dados do problema são: FC0 = R$ 565.000,00; FC1 = FC2 = FC3 = FC4 = R$ 105.000,00; FC5 = 180.000,00 (é acrescido o valor residual); TMA = 1,5% a.m. Determinando o valor da TIR, obtemos, com a utilização do Microsoft Excel: A B 1Investimento inicial (valor do empréstimo) 565.500 2 1º pagamento -105.000 3 2º pagamento -105.000 4 3º pagamento -105.000 (Continua) Taxa interna de retorno e valor presente líquido 131 5 4º pagamento -105.000 6 5º pagamento -180.000 7 8 Taxa interna de retorno 1,85038% Resposta: considerando que o valor da TIR que encontramos foi de 1,85% a.m., superior à taxa míni- ma de atratividade estipulada, de 1,5% a.m., o proprietário deve, sim, montar a nova loja. 4. Os dados do problema são: FC0 = R$ 112.800,00; FC1 = FC2 = R$ 31.470,00; FC3 = FC4 = R$ 40.200,00; FC5 = R$ 52.200,00 (R$ 40.200,00 + R$ 12.000,00 = VR); i = 9,8% a.a. Utilizando a fórmula matemática que realiza o cálculo do valor presente líquido, temos: VPL�= FC 1�+�i FC j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � �0 � VPL�= 31.470 1+0,098 31.470 1+0,098 40.200 1+0,098 40 � � � � � � � � � 1 2 3 ..200 1+0,098 52.200 1+0,098 112.800 � � � � � � � � � � � � � � � 4 5 VPL = 28.661,202186 + 26.103,09853 + 30.368,19873 + 27.657,74019 + 32.708,36251 – 112.800 VPL = 145.498,60214 – 112.800 ∴ VPL = 32.698,60214. Resposta: como o VPL resultou um valor positivo, com a taxa mínima de atratividade estimada de 9,8% ao ano, o valor presente líquido resulta em R$ 32.698,60. Logo, a empresa deve investir na aqui- sição do novo maquinário. 5. Os dados do problema são: FC0 = R$ 65.000,00; FC1 = FC2 = FC3 = FC4 = FC5 = R$ 18.000,00; i = 9,4% a.a. Com a utilização da fórmula matemática que realiza o cálculo do valor presente líquido, teremos: VPL�= FC 1�+�i FC j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � �0 � VPL�= 18.000 1+0,094 18.000 1+0,094 18.000 1+0,094 18 � � � � � � � � � 1 2 3 ..000 1+0,094 18.000 1+0,094 65.000 � � � � � � � � � � � � � � � 4 5 VPL = 16.453,38208 + 15.039,65456 + 13.747,39905 + 12.566,17829 + 11.486,45182 – 65.000∴ VPL = 69.293,06578 – 65.000 ∴ VPL = 4.293,06578. Resposta: como o VPL resultou um valor positivo, com a taxa mínima de atratividade estimada de 9,4% ao ano, o valor presente líquido resulta em R$ 4.293,07. Logo, o proprietário do apartamento deve realizar a reforma. 6. Os dados do problema são: FC0 = R$ 45.000,00; FC1 = FC2 = FC3 = FC4 = FC5 = FC6 = FC7 = R$ 5.075,00; FC8 = R$ 15.075,00 (R$ 5.075,00 + R$ 10.000,00 = VR); i = 1,85% a.m. Com a utilização da fórmula matemática que realiza o cálculo do valor presente líquido, teremos: VPL�= FC 1�+�i FC j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � �0 � VPL�=� 5.075 1+0,0185 5.075 1+0,0185 5.075 1+0,0185 5 � � � � � � � � � 1 2 3 ..075 1+0,0185 5.075 1+0,0185 +� � � � � � � � � � 4 5 5.075 1+0,0185 5.075 1+0,0185 15.075 1+0,0185 45 � � � � � � � � � � � � � 6 7 8 ..000�� VPL = [4.982,81787 + 4.892,31013 + 4.803,44637 + 4.716,19673 + 4.630,53189 + 4.546,42307 + 4.463,84199 + 13.018,743] – 45.000 ∴ VPL = 46.054,3111 – 45.000 ∴ VPL = 1.054,3111. Resposta: como o VPL resultou um valor positivo, com a taxa mínima de atratividade estimada de 1,85% ao mês, o proprietário da indústria deve adquirir as novas máquinas. 132 Matemática Financeira 7. Os dados do problema são: FC1 = FC2 = R$ 300.000,00; FC3 = FC4 = R$ 410.000,00; i = 10,6% a.a.; VASaídas = R$ 850.000,00. Para determinarmos, na data focal zero, o valor presente das entradas de caixa, devemos fazer: VA�= FC 1�+�i VA�= 300.000 1�+�0,106 +� 30 j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � � �1 00.000 1�+�0,106 410.000 1�+�0,106 410.000 1�+�0,106� � � � � � � �2 3 4 �� VA = 271.247,7396 + 245.251,1208 + 303.052,922 + 274.008,0669 ∴ VA = 1.093.559,849. Vamos, agora, determinar o índice de lucratividade da operação financeira: IL � VA VA IL� IL�Entradas Saídas � � � � �� . . , . � ,1 093 559 849 850 000 1 2866541.���� Para calcularmos a taxa de rentabilidade, devemos calcular o valor presente líquido da operação financeira. VPL�= FC 1�+�i FC VPL�=�1.093.559,849 85 j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � � �0 00.000 VPL�=�243.559,849.� A taxa de rentabilidade, portanto, será: T T T TR R R R� � � � � � �� � � . , . � � , �VPL VASaídas 243 559 849 850 000 0 286541 �� , %.28 6541 Resposta: o investimento para o agente financeiro é rentável, pois apresenta um índice de lucrativi- dade superior a um e uma taxa de rentabilidade positiva. 8. Os dados do problema são: FC1 = R$ 175.000,00; FC2 = R$ 190.000,00; FC3 = R$ 245.000,00; FC4 = 284.500,00; i = 9,5% a.a.; VASaídas = 710.000,00. Para determinarmos, na data focal zero, o valor presente das entradas de caixa, devemos fazer: VA�= FC 1�+�i VA�= 175.000 1�+�0,095 +� 19 j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � � �1 00.000 1�+�0,095 245.000 1�+�0,095 284.500 1�+�0,095� � � � � � � �2 3 4 �� VA = 159.817,352 + 158.462,084 + 186.605,194 + 197.890,886 ∴ VA = 702.775,515. Para determinar o índice de lucratividade da operação financeira: IL � VA VA IL� �� IL�Entradas Saídas � � � � �� . , . � ,702 775 515 710 000 0 989982467.���� Para calcular o valor presente líquido da operação financeira: VPL�= FC 1�+�i FC VPL�=�702.775,515 710. j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � � �0 0000 VPL�=� 7224,485.� � A taxa de rentabilidade será: T T T TR R R R� � � � � � � �� � � . , . � , �VPL VASaídas 7 224 485 710 000 0 01017533 ���� , %.1 017533 Resposta: como obtivemos um índice de lucratividade inferior a um e uma taxa de rentabilidade negativa, o agente financeiro não deve realizar o investimento, pois não é rentável. 9. Os dados do problema são, para o 1º investimento: VASaídas = FC0 = 172.125,00; FC1 = R$ 41.800,00; FC2 = R$ 44.260,00; FC3 = R$ 48.340,00; FC4 = 51.600,00; FC5 = 53.075,00; i = 6,75% a.m.;. Para o 2º investimento: VASaídas = FC0 = 185.000,00; FC1 = FC2 = FC3 = FC4 = FC5 = 44.750. Calculando os valores da TIR, do VPL, do IL e da TR para o projeto A, obteremos: Taxa interna de retorno e valor presente líquido 133 • cálculo da TIR: FC FC �i FC �i FC �i FC �i 0 1 1 2 2 3 4 3 4 1 1 1 1 � �� � � �� � � �� � � �� � � � � � � � � � � � � �� � � � �� � � FC �i ������5 51 172 125 1 2 3 . �� � � � �� � � � � � � � � 41.800 1�+�i 44.260 1�+�i 48.340 1�+�i �� ��� � � ��������� � � � � � 51.600 1�+�i 53.075 1�+�i4 5 Utilizando o Microsoft Excel, com a função que determina o cálculo da TIR, obteremos o valor 11,50% a.m. • Cálculo do VPL: VPL�= FC 1�+�i FC j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � �0 � VPL�= 41.800 1+0,0675 44.260 1+0,0675 48.340 1+0,0675� � � � � � � �1 2 3 �� � � � � � � � � � � � � � � � 51.600 1+0,0675 53.075 1+0,0675 172.125 4 5 VPL = 23.631,70. • Cálculo do IL: VA�= FC 1�+�ij�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � VA�= 41.800 1+0,0675 44.260 1+0,0675 48.340 1+0,0675� � � � � � � � � 1 2 3 551.600 1+0,0675 53.075 1+0,0675� � � � � � 4 5 VA = 195.756,70. IL � VA VA �IL� IL�Entradas Saídas � � � � �� . , . � ,195 756 70 172 125 1137299383.�� • Cálculo da TR: T T T TR R R R� � � � � � �� � � . , . � , � �VPL VASaídas 236 31 70 172 125 0 13729383 113 729383, %. Calculando os valores da TIR, do VPL, do IL e da TR para o projeto B, obtemos: • cálculo da TIR: FC FC �i FC �i FC �i FC �i 0 1 1 2 2 3 3 4 1 1 1 1 � � � � � � � � � � � � � �� � � �� � � �� � � �� �44 5 5 1 � � � � �� � � FC �i ��� 185 000 1 2 3 . � � �� � �� � � � � � � � � 44.750 1�+�i 44.750 1�+�i 44.750 1�+�i �� � � � �������� � � � � � 44.750 1�+�i 44.750 1�+�i4 5 Utilizando o Microsoft Excel, com a função que determina a TIR, obteremos o valor 6,69% a.m. • Cálculo do VPL: VPL�= FC 1�+�i FC j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � �0 � VPL�= 44.750 1+0,0675 44.750 1+0,0675 44.750 1+0,0675� � � � � � � �1 2 3 �� � � � � � � � � � � � � � � � 44.750 1+0,0675 44.750 1+0,0675 185.000 4 5 VPL = – 281,39. 134 Matemática Financeira • Cálculo do IL: VA�= FC 1�+�ij�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � VA�= 44.750 1+0,0675 44.750 1+0,0675 44.750 1+0,0675� � � � �� � � � 1 2 3 444.750 1+0,0675 44.750 1+0,0675� � � � � � 4 5 VA = 184718,61 IL � VA VA IL� IL�Entradas Saídas � � � � �� . , . � ,184 718 61 185 000 0 998478897.�� • Cálculo da TR: T T TR R R R� � � � � � � � �� � � , . � , � �VPL VA �T Saídas 281 39 185 000 0 00152103 ��0 1521, %. Com o quadro resumo das informações calculadas, obteremos: Projeto TIR VPL IL TR Decisão Projeto A 11,50% R$ 23.631,70 1,13729 13,7293% Aceitar Projeto B 8,14% R$ 9.040,51 0,99848 – 0,1521% Rejeitar Resposta: esses resultados indicam que o gestor da empresa deve implantar o projeto A, mas deve rejeitar o projeto B. 10. Os dados do problema são: para o 1º investimento: VASaídas = FC0 = 145.125,00; FC1 = R$ 35.149,50; FC2 = R$ 36.976,80; FC3 = R$ 40.195,20; FC4 = 43.707,60; FC5 = 45.376,70; i= 9,2% a.m.. Para o 2º investimento: VASaídas = FC0 = 263.516,00; FC1 = R$ 68.750,00; FC2 = R$ 68.437,50; FC3 = R$ 69.375,00; FC4 = 69.687,50; FC5 = R$ 70.625,00. Para o 3º investimento: VASaídas = FC0 = 205.972,00; FC1 = R$ 41.236,20; FC2 = R$ 42.978,72; FC3 = 49.097,56; FC4 = 55.843,20; FC5 = R$ 60.570,50. Calculando os valores da TIR, do VPL, do IL e da TR para o projeto A, obteremos: • cálculo da TIR: FC FC �i FC �i �� FC �i �� FC �i 0 1 1 2 2 3 3 4 1 1 1 1 � � � � � � � � � � �� � � �� � � �� � � �� �� � �� � � 4 5 5 1 � � � FC �i �������� 145 125 1 2 . � � � � �� � � � � � � 35.149,50 1�+�i 36.976,80 1�+�i 40.195,20 11�+�i �i 45.376,70 1�+�i� � � �� � � � �3 4 5 43 707 60 1 � � . , � � � �� Utilizando o Microsoft Excel, obteremos o valor da TIR de 11,43%. • Cálculo do VPL: VPL�= FC 1�+�i FC j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � �0 � VPL�= 35.149,50 1+0,092 36.976,80 1+0,092 40.195,20 1+0,� � � � � � 1 2 0092 43.707,60 1+0,092 45.376,70 1+0,092 14 � � � � � � � � � � � � � � � � � 3 4 5 55.125� VPL = 8.899,77. • Cálculo do IL: VA�= FC 1�+�ij�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � VA�= 35.149,50 1+0,092 36.976,80 1+0,092 40.195,20 1+0,0� � � � � � 1 2 992 43.707,60 1+0,092 45.376,70 1+0,092� � � � � � � � � 3 4 5 VA = 154.024,77. Taxa interna de retorno e valor presente líquido 135 Vamos, agora, determinar o índice de lucratividade da operação financeira: IL � VA VA IL� IL�Entradas Saídas � � � � �� . , . � ,154 024 77 145 125 1 06132.. • Cálculo da TR: T T T TR R R R� � � � � � �� � � . , . � , � � ,VPL VASaídas 8 899 77 145 125 0 06132 6 1322%. Calculando os valores da TIR, do VPL, do IL e da TR para o projeto B, obteremos: • Cálculo da TIR: FC FC �i FC �i FC �i FC �i 0 1 1 2 2 3 3 4 1 1 1 1 � � � � � � � � � � � � � �� � � �� � � �� � � �� �44 5 51 � � � � �� � � FC �i �������� 263516 68 750 1 68 437 5 1 69 375 11 2 3 � �� � � �� � � �� � . � � � . , � � � . � � �i �i �i �� �� � � �� � � . , � � � . � �����69 687 5 1 70 625 14 5�i �i Utilizando o Microsoft Excel, obteremos o valor da TIR de 9,87%. • Cálculo do VPL: VPL�= FC 1�+�i FC j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � �0 � VPL�= 68.750 1+0,092 68.437,5 1+0,092 69.375 1+0,092� � � � � � � � � 1 2 3 669.687,5 1+0,092 70.625 1+0,092 263.516 � � � � � � � � � � � � � � � 4 5 VPL = 4.600,27. • Cálculo do IL: VA�= FC 1�+�ij�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � VA�= 68.750 1+0,092 68.437,5 1+0,092 69.375 1+0,092 6 � � � � � � � � � 1 2 3 99.687,5 1+0,092 70.625 1+0,092� � � � � � 4 5 VA = 268116,27. IL � VA VA IL� IL�Entradas Saídas � � � � �� . , . � ,268 116 27 263 516 1 01745.. • Cálculo da TR: T T T TR R R R� � � � � � �� � � . , . � , � � ,VPL VASaídas 4 600 27 263 516 0 01746 1 7466%. Calculando os valores da TIR, do VPL, do IL e da TR para o projeto C, obteremos: • cálculo da TIR: FC FC �i FC �i FC �i FC �i 0 1 1 2 2 3 3 4 41 1 1 1 � �� � � �� � � �� � � �� � � � � � � � � � � � � �� � � � �� � � FC �i �������5 51 205972 41 236 2 1 42 978 72 1 49 097 56 11 2 � �� � � �� � �� . , � � � . , � � � . , ��i �i ��� � � �� � � �� ��i �i �i3 4 5 55 843 2 1 60 570 5 1 � � . , � � � . , � ��� Utilizando o Microsoft Excel, obteremos o valo da TIR de 6,32%. • Cálculo do VPL: VPL�= FC 1�+�i FC j�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � �0 � VPL�= 41.236,2 1+0,092 42.978,72 1+0,092 49.097,56 1+0,0� � � � � � 1 2 992 55.843,2 1+0,092 60.570,5 1+0,092 205.9 � � � � � � � � � � � � � � � � � 3 4 5 772� VPL = – 16.184,38. 136 Matemática Financeira • Cálculo do IL: VA�= FC 1�+�ij�=�1 n j j� � � � � � � � � � � � VA�= 41.236,2 1+0,092 42.978,72 1+0,092 49.097,56 1+0,09� � � � � � 1 2 22 55.843,2 1+0,092 60.570,5 1+0,092� � � � � � � � � 3 4 5 VA = 189.787,62. Vamos, agora, determinar o índice de lucratividade da operação financeira: IL � VA VA IL� IL�Entradas Saídas � � � � �� . , . � , .189 787 62 205 972 0 9214 • Cálculo da TR: T T T TR R R R� � � � � � � � ��� � � , . � , � �VPL VASaídas 16184 38 205 972 0 07858 7,, %.858 Se fizermos um quadro resumindo as informações calculadas, obteremos: Projeto TIR VPL IL TR Decisão Projeto A 11,43% R$ 8.899,77 1,06132 6,132% Aceitar Projeto B 9,87% R$ 4.600,27 1,01745 1,746% Aceitar Projeto C 6,32% – R$ 16.184,38 0,92142 – 7,858% Rejeitar Resposta: esses resultados indicam que o banco deve liberar os valores correspondentes aos em- préstimos dos projetos A e B, mas deve rejeitar o do projeto C. Correção monetária, indicadores e depreciação 137 7 Correção monetária, indicadores e depreciação Neste capítulo, vamos compreender como ocorre a correção monetá- ria e como calculá-la. Também serão identificados os principais indicado- res para se realizar esse tipo de operação e a maneira de aplicá-los. Outro conceito importante que será estudado é o da depreciação: compreende- remos o que é e como trabalhar com ela. 7.1 Moeda Vídeo No início das atividades comerciais, os comerciantes faziam ape- nas a troca de mercadorias, a qual acontecia da seguinte maneira: um comerciante, que possuía uma determinada mercadoria e neces- sitava de outra, procurava quem a tinha e propunha uma troca. Esse procedimento ficou conhecido como escambo. Com o passar do tempo, alguns mercadores passaram a afirmar que a mercadoria que produziam valia mais que outras e, por isso, não queriam mais realizar as trocas. Assim se criou um impasse: qual mercadoria valia mais? E quanto a mais? Verificou-se, então, segundo Crespo (2009), a necessidade da cria- ção de uma mercadoria única, que fosse facilmente transportada, aceita por todos os mercadores e de valor constante. “Essa mercado- ria passou a ser o padrão de trocas e de comparação de valores dos demais produtos. Esse padrão tornou-se, assim, a moeda da comu- nidade” (CRESPO, 2009, p. 100). Ainda assim, continuavam alguns impasses, como: qual mercado- ria valia mais? E que mercadoria seria essa terceira, aceita por todos os comerciantes? Várias mercadorias passaram a ser consideradas aceitas por to- dos os comerciantes como mercadoria de troca, entre elas, o gado, principalmente o bovino, o sal e, até mesmo, os escravizados. Mas ainda persistia o problema: qual mercadoria valia mais? Ou seja, quantas cabeças de gado valia uma peça de tecido? Como fazer essa conversão? escambo: “troca de mercadorias sem que haja uso de dinheiro” (DICIO, 2020). Glossário 138 Matemática Financeira Nesse contexto, uma mercadoria começou a se destacar: o metal, que apresen- tava inúmeras vantagens em relação às outras, pois era facilmente fracionado e transportado. Tornou-se, então, a principal unidade de valor para a troca de mer- cadorias. Inicialmente, o metal era trocado em seu estado natural. Depois, passou a ser comercializado em formato de barras e de joias. Crespo (2009, p. 100) nos esclarece que, dessa forma, “chegou-se à conclusão de que a melhor moeda seria o metal: de fácil transporte, grande durabilidade e que permitia a obtenção de ‘pedaço’ parapagamentos menores”. No século VII a.C., foram cunhadas as primeiras moedas na forma como conhe- cemos atualmente, ou seja, no formato de pequenos círculos, com o seu valor ex- posto e perfeitamente definido, aparecendo, com clareza, quem as confeccionou, o que atestava o seu valor. De acordo com o Banco Central do Brasil (2020, grifo nosso): a cunhagem de moedas em ouro e prata se manteve durante muitos séculos, sendo as peças garantidas por seu valor intrínseco, isto é, pelo valor comer- cial do metal utilizado na sua confecção. Assim, uma moeda na qual haviam sido utilizados vinte gramas de ouro, era trocada por mercadorias desse mesmo valor. Durante muitos séculos os países cunharam em ouro suas moedas de maior valor, reservando a prata e o cobre para os valores menores. Esses sistemas se mantiveram até o final do século 19, quando o cuproníquel e, posterior- mente, outras ligas metálicas passaram a ser muito empregadas, passando a moeda a circular pelo seu valor extrínseco, isto é, pelo valor gravado em sua face, que independe do metal nela contido. Ainda de acordo com informações do Banco Central do Brasil (2020): na Idade Média, surgiu o costume de se guardar os valores com um ourives, pessoa que negociava objetos de ouro e prata. Este, como garantia, entre- gava um recibo. Com o tempo, esses recibos passaram a ser utilizados para efetuar pagamentos, circulando de mão em mão e dando origem à moeda de papel. Originou-se, assim, o que conhecemos hoje como papel-moeda, que pode ser as cédulas e os cheques – instrumento de circulação da moeda bancária. Apesar de todas as garantias que o órgão emissor das moedas tomava, algumas moedas passaram a valer mais que outras, por vários motivos, entre eles, a prefe- rência por determinada moeda, ou seja, quanto mais se preferia uma determinada moeda, mais valor ela ganhava. Tal fato faz com que ocorram desvalorizações de algumas moedas. 7.2 Correção monetária Vídeo Para tratarmos de correção monetária, devemos, antes, ter conhecimento do significado de inflação e deflação. O valor de uma moeda, ou seja, o poder aquisitivo que uma moeda tem representa o que ela pode adquirir, seja em produtos, bens ou serviços. cuproníquel: “liga de cobre e níquel” (DICIO, 2020). Glossário As cédulas retratam a cultura do país emissor e, nelas, pode-se observar motivos característicos muito interessantes, como paisagens, tipos humanos, fauna e flora, monumentos de arquitetura antiga e contemporânea, líderes políticos, cenas históricas etc. As cédulas apresentam, ainda, inscrições, geralmente na língua oficial do país, embora em muitas delas se encontre, também, as mesmas inscrições em outros idiomas. Essas inscrições, quase sempre em inglês, visam possi- bilitar a leitura da peça para um maior número de pessoas (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2020a). Atenção Correção monetária, indicadores e depreciação 139 Uma moeda pode ser classificada como estável quando mantém seu valor ao longo do tempo, isto é, quando mantém o seu poder aquisitivo. Se ocorrer perda do poder aquisitivo, afirmamos que está ocorrendo a depreciação da moeda. Essa depreciação, redução do poder aquisitivo, é denominada inflação. Devemos tomar cuidado em definir corretamente inflação. De acordo com Cres- po (2009, p. 100), devemos observar: que o aumento dos preços de alguns bens e serviços, resultante, por exemplo, de uma escassez típica das entressafras, não é o bastante para caracterizar um processo inflacionário. Este só fica caracterizado se todos os bens e serviços acusam uma tendência de alta generalizada e contínua. Portanto, para termos um processo inflacionário, deve ocorrer um aumento ge- neralizado de preços de produtos, bens e serviços, disponíveis para a sociedade em geral, de maneira contínua e persistente, sem motivos eficazes e justificados para tais aumentos. É conveniente ressaltar que, se ocorrer o fenômeno inverso, ou seja, uma dimi- nuição persistente e generalizada dos preços de bens, produtos e serviços disponí- veis para a comunidade em geral, o processo é denominado deflação. Caso estejamos frente a um processo inflacionário, para minimizar os seus im- pactos na economia: foi institucionalizado, no Brasil, o princípio da correção monetária. Por meio desse princípio, os valores monetários (preços de bens e serviços, salários, empréstimos, financiamentos, aplicações financeiras, impostos etc.) pode- riam ser reajustados com base na inflação ocorrida no período anterior, medida por um índice de preços calculado por uma entidade credenciada, normalmente pela FGV (Fundação Getulio Vargas) ou pelo IBGE (Instituto Bra- sileiro de Geografia e Estatística). (VIEIRA SOBRINHO, 1997, p. 261) Assim, podemos alegar que a correção monetária, também denominada atua- lização monetária e índice de inflação, é a maneira de se realizar a correção dos valores financeiros, utilizando-se a variação de algum índice econômico do período que se está considerando. O objetivo principal dessa correção é, basicamente, a compensação das perdas de valores financeiros decorrentes da inflação. 7.2.1. Índices econômicos Devemos perceber que, dependendo da atualização monetária que desejamos realizar, há índices específicos que devem ser utilizados. Os principais índices econômicos, para a realização de atualizações monetárias, são calculados por três principais órgãos: • Fundação Getulio Vargas (FGV) • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) • Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) entressafra: “intervalo entre uma safra e outra, entre um período de colheita e o próximo” (DICIO, 2020). Glossário 140 Matemática Financeira De acordo com Pereira (2019, n.p.): os Índices Gerais de Preços da Fundação Getulio Vargas foram divulgados pela primeira vez em novembro de 1947, no número de estreia da Revista Conjuntura Econômica. Desde então registram as variações de preços de ma- térias-primas agrícolas e industriais, de produtos intermediários, e de bens e serviços finais. Essa Fundação é responsável por calcular e publicar índices econômicos, como: a. Índices Gerais de Preços (IGP) b. Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) c. Índice de Preços ao Consumidor (IPC) d. Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) Entre os índices que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é responsá- vel pelos cálculos e divulgação estão: a. Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) b. Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) c. Índice de Preços ao Produtor (IPP) Já a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas é o órgão responsável pelo cálculo e divulgação dos seguintes índices: a. Índice de Preços do Setor de Asseio e Conservação (IPAC) b. Índice de Preços ao Consumidor (IPC-FIPE) c. Índice de Preços de Obras Públicas (IPOP) Os índices econômicos possuem diversas utilizações. Vamos, então, indicar em que situações os principais índices econômicos são utilizados. Índice Geral de Preços do Mercado É um indicador macroeconômico muito importante, talvez o mais importante de todos, pois tem como um dos objetivos medir a inflação da economia do país. Também é utilizado como indexador de muitos contratos, como os de aluguel, além das tarifas públicas, de seguros, das mensalidades escolares, dos planos de saúde e outros reajustes diversos, sendo o mais importante o dos contratos de aluguéis, tanto comerciais como residenciais. Esse indicador econômico também está atrelado a muitos tipos de investimen- tos financeiros, gerando, portanto, interferências nos rendimentos de diversas apli- cações financeiras. Índice de Preços ao Consumidor O IPC mede a inflação que atinge os consumidores em suas despesas diárias. Uma de suas utilizações é o reajuste de salários. É importante salientarmos que o Índice de Preços ao Consumidor da 3 Idade (IPC-3i) é uma versão do IPC que leva em consideração exclusivamente a variação de preços de produtos e serviços A consulta às informa- çõessobre cada um dos índices calculados por essas instituições pode ser feita diretamente em seus sites (acessos em: 31 mar. 2020): FGV: https://portalibre.fgv. br/estudos-e-pesquisas/ indices-de-precos/igp/. IBGE: https://www.ibge.gov.br/ indicadores. FIPE: https://www.fipe.org.br/pt-br/ indices. Saiba mais Correção monetária, indicadores e depreciação 141 que afetam indivíduos com mais de 60 anos de idade. Esse índice é utilizado como referência para a execução de políticas públicas das áreas de saúde e previdência. Índice Nacional de Custo da Construção O INCC é o índice oficial do custo da construção civil do país e é um dos três itens que entram no cálculo do IGP. Esse índice econômico mede a variação do custo das construções habitacionais. O seu cálculo influencia diretamente o valor das parce- las a serem cobradas dos consumidores que pretendem adquirir imóveis ainda na planta ou em fase de construção. Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo O IPCA é considerado o índice oficial de inflação do Brasil. Esse índice moni- tora a variação nos preços dos produtos de mercado para o consumidor final, servindo como um indicador das perdas do poder de compra dos consumidores. Também está atrelado ao cálculo da taxa Selic 1 , a qual influencia diretamente investimentos financeiros. Índice Nacional de Preços ao Consumidor O INPC é um índice econômico criado para proteger o poder de compra dos consumidores brasileiros. É o índice mais utilizado para recompor os salários de diversas categorias, entrando nos cálculos dos dissídios e dos reajustes salariais em geral. É importante salientarmos que os segurados da Previdência Social, aqueles que recebem mais do que o salário-mínimo, tiveram reajuste em seus benefícios calcu- lados pelo valor do INPC. 7.2.2 Fórmula matemática para cálculo de correção monetária Para calcularmos a correção monetária, ou índice de inflação, devemos estar cientes que, sendo referente à atualização do poder aquisitivo da moeda, ela deve es- tar atrelada a um dos índices oficiais informados pelo governo. Esse índice também deve constar no contrato que as duas partes assinam, sendo pactuado por ambos os envolvidos na transação, tendo, inclusive, uma observação no caso de o índice eco- nômico ser extinto, indicando qual será o índice econômico que o substituirá. A fórmula matemática que é utilizada para o cálculo da correção monetária de um determinado período é: CM = índice�do�período�indicado índice�do�período�anterior – 1 Caso o objetivo seja determinar a correção monetária tendo vários períodos envolvidos, a fórmula matemática que devemos utilizar é: CMt = (1 + CM1) . (1 + CM2) . (1 + CM3) . ... . (1 + CMn) – 1 Selic é a abreviatura de Sistema Especial de Liquidação e Custódia. De acordo com o Banco Central do Brasil, é a taxa básica de juros da economia, o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central (BC) para controlar a inflação. Ela influencia todas as taxas de juros do país, como as de juros dos emprésti- mos, dos financiamentos e das aplicações financeiras (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2020b). 1 O valor máximo das aposentado- rias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sofreu reajuste de 4,48% em 2020 e passou de R$ 5.839,45 para R$ 6.101,06. O novo valor foi fixado por uma portaria publicada pelo Ministério da Economia, no Diário Oficial da União de terça-feira (14/01). O reajuste leva em consideração a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) no ano passado (BRASIL, 2020). Curiosidade 142 Matemática Financeira Contudo, se o objetivo for determinar a correção monetária média do cálculo envolvendo vários períodos, devemos utilizar a fórmula matemática: CMm = 1�+�CMt 1 �n�� � – 1 É importante prestar atenção na simbologia utilizada para os cálculos. Nessas fórmulas, temos: • CM → correção monetária; • CMt → correção monetária total; • CMn → correção monetária do período de tempo considerado; e • CMm → correção monetária média. Vamos, agora, resolver alguns exemplos para entendermos melhor como é que se determina a correção monetária, utilizando alguns dos índices econômicos. Σxemρlos 1. Considere a tabela a seguir. Nela, constam os índices econômicos divulga- dos por órgãos oficiais no período de fevereiro de 2019 a janeiro de 2020. Tabela 1 Índices econômicos Mês IGP-M FGV INPC IBGE IPCA IBGE IGP-DI FGV IPC FIPE (em porcentagem) Fevereiro/2019 0,88 0,54 0,43 1,25 0,54 Março/2019 1,26 0,77 0,75 1,07 0,51 Abril/2019 0,92 0,60 0,57 0,90 0,29 Maio/2019 0,45 0,15 0,13 0,40 – 0,02 Junho/2019 0,80 0,01 0,01 0,63 0,15 Julho/2019 0,40 0,10 0,19 – 0,01 0,14 Agosto/2019 – 0,67 0,12 0,11 – 0,51 0,33 Setembro/2019 – 0,01 – 0,05 – 0,04 0,50 0,00 Outubro/2019 0,68 0,04 0,10 0,55 0,16 Novembro/2019 0,30 0,54 0,51 0,85 0,68 Dezembro/2019 2,09 1,22 1,15 1,74 0,94 Janeiro/2020 0,48 0,19 0,21 0,09 0,29 Acumulado de 12 meses 7,82 4,30 4,19 7,70 4,08 Fonte: Elaborada com base em Fundação Getulio Vargas (2019); Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2019) e Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (2019). Vamos calcular a correção monetária do índice IGP-M da FGV do mês de junho de 2019 em relação ao mês de maio de 2019: CM = índice� de�junho/2019 índice de� maio/2019 – 1 ∴ CM = 1,008 1,0045 – 1 ∴ CM = 1,00348432 – 1 ∴ CM = 0,00348432 ∴ CM = 0,348432%. Correção monetária, indicadores e depreciação 143 O resultado obtido significa que a correção monetária do mês de maio de 2019 para o mês de junho de 2019 é de 0,3484%, ou seja, o valor do índice de junho de 2019 é 0,3484% maior que o valor do índice de maio de 2019. Agora, vamos calcular a correção monetária total do período indicado, ou seja, de fevereiro de 2019 a janeiro de 2020. CMt = (1 + CM1) . (1 + CM2) . (1 + CM3) . ... . (1 + CMn) – 1 ∴ CMt = (1 + 0,0088) . (1 + 0,0126) . (1 + 0,0092) . (1 + 0,0045) . (1 + 0,008) . (1 + 0,004) . (1 – 0,0067) . (1 – 0,0001) . (1 + 0,0068) . (1 + 0,003) . (1 + 0,209) . (1 + 0,0048) – 1 ∴ CMt = (1,0088) . (1,0126) . (1,0092) . (1,0045) . (1,008) . (1,004) . (0,9933) . (0,9999) . (1,0068) . (1,003) . (1,0209) . (1,0048) – 1 ∴ CMt = 1,07822252 – 1 ∴ CMt = 0,07822252 ∴ CMt = 7,82225202%. Determinando a correção monetária média, obteremos: CMm = 1�+�CMt 1 �n�� � � – 1 ∴ CMm = 1�+�0,07822252 1 �12�� � – 1 ∴ CMm = 1,00629589 – 1 ∴ CMm = 0,00629589 ∴ CMm = 0,62958922%. É importante que façamos os demais cálculos, para comprovarmos os va- lores constantes do índice acumulado de 12 meses, nas demais colunas da tabela dada. Acesse o QR Code e exercite seus conhecimentos sobre a correção monetária. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática 7.3 Depreciação Vídeo Qualquer bem, depois de adquirido, com o passar do tempo, perde seu valor. Isso é denominado depreciação. De acordo com o Dicionário financeiro (2020), “a depreciação é a perda de valor de um bem decorrente de seu uso, do desgaste natural ou de sua obsolescência”. Tal fato influencia diretamente todos os bens que adquirirmos, principalmente os chamados de bens duráveis. É conveniente ressaltarmos que alguns poucos bens não sofrem depreciação. De acordo com informações constantes na página do IOB, esses bens, denominados não depreciáveis podem ser: a) terrenos, salvo em relação aos melhoramentos ou constru- ções; b) prédios e construções não alugados nem utilizados na produção dos rendimentos da empresa ou destinados à revenda; c) bens que normalmente aumentam de valor com o tempo, como obras de arte e antiguidades e d) bens para os quais sejam registradas quotas de exaustão (florestas destina- das ao corte e jazidas minerais). (IOB, 2020). Em todos os demais casos, principalmente em se tratando de bens duráveis, devemos sempre considerar a sua depreciação.Se ela nos afeta como consumidores, ao comprar um veículo, por exemplo, para as empresas a depreciação é um conceito que deve obsolescência: “estado do que está prestes a se tornar inútil, ultrapassado ou obsoleto; processo pelo qual algo passa até se tornar antigo ou ultrapassado” (DICIO, 2019). Glossário bens duráveis: “mercadoria que tem o objetivo de satisfazer as necessidades de consumo de um indivíduo ou família; pode ser classificado como bem durável (automóvel, geladeira), bem semi-durável (roupa, calçado) e não durável (alimento)” (DICIO, 2019). Glossário 144 Matemática Financeira ser levado muito a sério, pois interfere diretamente em seus bens, principalmente quando relacionada aos seus equipamentos. Devemos perceber que são vários os motivos que nos levam a considerar a depreciação dos bens. Ela pode advir do envelhecimento do produto, do desgaste natural ou pode ser provocada pelo avanço das tecnologias, o qual é evidente nos equipamentos de informática, por exemplo. Sendo assim, podemos considerar que os equipamentos e/ou bens sofrem de- preciação real, ou seja, perdem o seu valor financeiro devido à sua utilização e ao desgaste que sofrem com o passar do tempo. De acordo com Costa e Saraiva Jr. (2012, p. 6): a depreciação real pode ser por uso ou funcional. A depreciação “por uso” de- corre da ação de elementos como: choque, vibração, abrasão etc.; deteriora- ção – ação de componentes químicos como corrosão, decomposição química, etc.; desgaste, deterioração, exaustão ou manutenção excessiva dos ativos fixos; por acidentes ou combinação de fatores. Já a depreciação “funcional” decorre da obsolescência, por exemplo, ou de situações independentes do ativo fixo resultantes das alterações das condições normais de sua operação, levando a retirar de serviço, muitas vezes, equipamentos de funcionamen- to satisfatório. A depreciação funcional também é resultante de inovações tecnológicas ou por inadequação ou insuficiência resultante de incapacidade produtiva do ativo fixo para executar os serviços, por várias causas (aumento ou queda da demanda; mudança de processos, etc.). Com a ocorrência da depreciação de um equipamento e/ou bem de consumo, chegaremos a um momento em que devemos trocá-lo por outro, mais moderno ou mais adequado. Para realizar essa troca, é necessário sabermos se o equipamento ou bem que possuímos pode ser dado como parte do pagamento do novo equipa- mento ou bem, ou se não possui mais valor nenhum. Caso o equipamento antigo possua ainda algum valor, esse valor é denominado valor residual. Se não possuir nenhum, dizemos que seu valor residual é nulo ou igual a zero. Sendo assim, podemos dizer que a depreciação real é a diferença entre o valor da aquisição do equipamento ou bem de consumo e o seu valor residual após um determinado tempo de uso, mas também deve levar em consideração a correção monetária do período de utilização do equipamento e, no caso de empresas, deve considerar todo o patrimônio da empresa a cada processo de depreciação que seja realizado. Por esse motivo, não nos preocuparemos com o cálculo do valor da de- preciação real de um bem de consumo. Vamos nos ater a calcular a denominada depreciação teórica, pois, para esse tipo de cálculo, existem métodos já consagrados pelo uso. 7.3.1 Método linear ou de quotas constantes A depreciação teórica é calculada pelo método linear ou de quotas (cotas) cons- tantes, o qual é o mais utilizado para se determinar o valor da depreciação de um equipamento e/ou bem de consumo, sendo, inclusive, aceito pela Receita Federal do Brasil, que periodicamente edita instruções normativas, atualizando a legislação Correção monetária, indicadores e depreciação 145 que regulamenta como as empresas devem realizar a depreciação de seus bens e equipamentos. Para obtermos o valor da depreciação de equipamentos e/ou bens de consumo com a utilização desse método fazemos uso da seguinte fórmula: DL = V V n A R−− Em que: • DL → valor da depreciação linear; • VA → valor de aquisição do equipamento e/ou bem de consumo; • VR → valor residual do equipamento e/ ou bem de consumo, e; • n → vida útil do equipamento e/ou bem de consumo. Convém ressaltarmos que é muito difícil estabelecer o período de vida útil de um equipamento. Normalmente, determina-se esse período por informações da- das pelo fabricante, levando em consideração os desgastes naturais da utilização, o obsoletismo e o surgimento de substitutos mais modernos e mais adequados. Σxemρlos 1. Determine o valor da depreciação de um equipamento, utilizando o método da depreciação linear, sabendo que o bem de consumo foi adquirido por R$ 17.500,00 e que a vida útil dele é estipulada em 6 anos, tendo como valor residual, após esse período, R$ 3.800,00. O problema nos fornece os seguintes dados: VA = R$ 17.500,00; VR = R$ 3.800,00 e n = 6 anos. Com a aplicação da fórmula matemática, obteremos: DL = V V n A R− ∴ DL = 17.500� 3.800 6 −� ∴ DL = 2.283,33333333 ... ∴ DL = R$ 2.283,33. Logo, se elaborarmos uma tabela, denominada de tabela de depreciação ou de plano de depreciação, obteremos: ANO Valor do equipamento Depreciação linear Valor residual 1 R$ 17.500,00 R$ 2.283,33 R$ 15.216,67 2 R$ 15.216,67 R$ 2.283,33 R$ 12.933,33 3 R$ 12.933,33 R$ 2.283,33 R$ 10.650,00 4 R$ 10.650,00 R$ 2.283,33 R$ 8.366,67 5 R$ 8.366,67 R$ 2.283,33 R$ 6.083,33 6 R$ 6.083,33 R$ 2.283,33 R$ 3.800,00 Percebemos, assim, que o valor encontrado pela aplicação do método de depreciação da taxa constante nos leva ao valor residual ao final do período de vida útil do equipamento. Resposta: o valor da depreciação do equipamento, calculado pelo método linear, é de R$ 2.283,33 por ano de vida útil do equipamento. 146 Matemática Financeira 2. Uma determinada máquina foi adquirida, por uma indústria, pelo valor de R$ 248.000,00. O fabricante estipula que, se a manutenção dela for realiza- da anualmente, o equipamento terá o valor residual, ao final da vida útil, de R$ 24.000,00. Sabendo que o valor da depreciação da máquina, calculado pelo método de depreciação linear, é de R$ 44.800,00, determine a vida útil da máquina. Os dados do problema são: VA = R$ 248.000,00; VR = R$ 24.000,00; DL = R$ 44.800,00. Aplicando a fórmula matemática, obteremos: DL = V V n A R− ∴ 44.800 = 248.000� 24.000 n −� ∴ n = 224.000 44.800 ∴ n = 5. Resposta: a vida útil da máquina será de 5 anos. 7.3.2 Método da taxa constante O método da taxa constante, como o próprio nome diz, deve estabelecer uma taxa de depreciação que deve ser uniforme, isto é, constante, no decorrer do perío- do da vida útil do bem de consumo. A fórmula matemática que utilizamos para realizar esse método de depreciação é: (1 – i)n = V V R A Em que: • i → taxa constante de depreciação; • VA → valor de aquisição do equipamento e/ou bem de consumo; • VR → valor residual do equipamento e/ou bem de consumo; e • n → vida útil do equipamento e/ou bem de consumo. Devemos perceber que, após o n-ésimo período de depreciação, o valor resi- dual é determinado por VR = (1 – i)n . VA Também é fundamental percebermos que, ao utilizarmos esse método de de- preciação, é a taxa de depreciação que é constante e não o valor da depreciação, como no método linear. Σxemρlos 1. Determine o valor da taxa de depreciação de um equipamento, utilizando o método da taxa constante, sabendo ele que foi adquirido por R$ 17.500,00 e tem vida útil estipulada em 6 anos, com valor residual, após esse período, de R$ 3.800,00. Construa, também, o plano de depreciação do equipamento. Acesse o QR Code e exercite seus conhecimentos sobre o método linear de depreciação. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática Correção monetária, indicadores e depreciação 147 Os dados do problema são: VA = R$ 17.500,00; VR = R$ 3.800,00e n = 6 anos. Com a aplicação da fórmula matemática, obteremos: (1 – i)n = V V R A ∴ (1 – i)6 = 3.800 17.500 ∴ (1 – i)6 = 0,21714286 ∴ 1 – i = 0,217142866 ∴ i = 1 – 0,77527823 ∴ i = 0,22472177 ∴ i = 22,472177% a.a. Se elaborarmos uma tabela de depreciação, ou plano de depreciação, obteremos: ANO Valor do equipamento Depreciação Valor residual 1 R$ 17.500,00 R$ 3.932,63 ! R$ 13.567,37 2 R$ 13.567,37 R$ 3.048,88 R$ 10.518,49 3 R$ 10.518,49 R$ 2.363,73 R$ 8.154,75 4 R$ 8.154,75 R$ 1.832,55 R$ 6.322,20 5 R$ 6.322,20 R$ 1.420,74 R$ 4.901,47 6 R$ 4.901,47 R$ 1.101,47 R$ 3.800,00 Resposta: a taxa de depreciação, calculada pelo método da taxa constante, é de 22,47% a.a. O plano de depreciação está na tabela acima. 2. Uma determinada máquina foi adquirida, por uma indústria, pelo valor de R$ 248.000,00. O fabricante estipula que, se a manutenção for realizada anualmente, comprará a máquina, ao final de sua vida útil, por R$ 24.000,00. Sabendo que a taxa de depreciação da máquina, calculada pelo método da taxa constante, é de 37,3167% a.a., determine a vida útil dela. Os dados do problema são: VA = R$ 248.000,00; VR = R$ 24.000,00; i = 37,3167% a.a. Aplicando da fórmula matemática, obteremos: (1 – i)n = V V R A ∴ (1 – 0,373167)n = 24.000 24.8000 ∴ (0,626833)n = 0,09677419 ∴ n�= log 0,09677419 log 0,626833 n�= -�1,01424044 -�0,20 10 10 � � � � �� 2284815 � �n�=�4,99999852.� �� Resposta: a vida útil da máquina adquirida pela indústria é de 5 anos. 7.3.3 Método da soma dos algarismos dos anos da vida útil (método de Cole) Para a aplicação do método de Cole, devemos adotar os passos a seguir. a. Somar os algarismos da vida útil do equipamento e/ou bem de consumo, ou seja, 1 + 2 + 3 + ... + n. b. Multiplicar o valor do equipamento subtraído do valor residual, ano por ano da vida útil dele, por uma fração que possui como denominador o resultado Para obter o valor da depreciação, devemos multiplicar o valor do equipamento pelo valor unitário da taxa de depreciação calculado, ou seja, para essa linha da tabela, R$ 17.500,00 x 0,22472177, o que resultará R$ 3.932,63. Esse procedimento deve ser adotado em todas as demais linhas dessa coluna. ! Acesse o QR Code e exercite seus conhecimentos sobre cálculos envolvendo o método de depre- ciação com a taxa constante. Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática Para mais informações sobre diversos métodos de depreciação, inclusive alguns que não foram abordados nesta obra, acesse o seguinte documento. Disponível em: https://docs.infor. com/ln/10.4/pt-br/lnolh/help/ tf/onlinemanual/000180.html#B. Acesso em: 13 abr. 2020. Saiba mais 148 Matemática Financeira da soma realizada no item a. O numerador, para o 1º ano de vida do bem de consumo é igual a n; do 2º ano em diante, devemos subtrair uma unidade desse valor por ano, ou seja, para o 1º ano → n; para o 2º ano → n – 1; para o 3º ano → n – 2 etc. Vamos perceber que, na aplicação desse método, a depreciação do equipamen- to vai diminuindo a cada ano, pois entendemos que o custo de manutenção au- menta a cada ano, por conta do desgaste da utilização. Σxemρlos 1. Elabore o plano de depreciação, utilizando o método da soma dos algaris- mos dos anos da vida útil (método de Cole), para um equipamento adquiri- do por uma empresa por R$ 17.500,00 e que tenha vida útil estipulada em 6 anos. Esse equipamento terá valor residual, após o período de vida útil, de R$ 3.800,00. Os dados do problema são: VA = R$ 17.500,00; VR = R$ 3.800,00 e n = 6 anos. A soma dos algarismos da vida útil do equipamento é: 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 = 21. Para calcular a depreciação do equipamento relativa ao 1º ano, devemos fazer: 6 21 . (17.500 – 3.800) = 6 21 . (13.700) = 3.914,28571429... Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 2º ano, devemos fazer: 5 21 . (17.500 – 3.800) = 5 21 . (13.700) = 3.261,9047619... Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 3º ano, devemos fazer: 4 21 . (17.500 – 3800) = 4 21 . (13.700) = 2.609,52380952... Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 4º ano, devemos fazer: 3 21 . (17.500 – 3.800) = 3 21 . (13.700) = 1.957,14285714... Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 5º ano, devemos fazer: 2 21 . (17.500 – 3.800) = 2 21 . (13.700) = 1.304,76190476... Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 6º ano, devemos fazer: 1 21 . (17.500 – 3.800) = 1 21 . (13.700) = 652,38095238... Resposta: o plano de depreciação, calculado pelo método da soma dos al- garismos da vida útil (método de Cole) será: Correção monetária, indicadores e depreciação 149 ANO Valor do equipamento Depreciação Valor residual 1 R$ 17.500,00 R$ 3.914,29 R$ 13.585,71 2 R$ 13.585,71 R$ 3.261,90 R$ 10.323,81 3 R$ 10.323,81 R$ 2.609,52 R$ 7.714,29 4 R$ 7.714,29 R$ 1.957,14 R$ 5.757,14 5 R$ 5.757,14 R$ 1.304,76 R$ 4.452,38 6 R$ 4.452,38 R$ 652,38 R$ 3.800,00 Observação: esse método de depreciação pode ser aplicado sendo os va- lores da depreciação decrescentes, como no exemplo acima, mas também pode ser aplicado com os valores da depreciação crescentes. Para resolver- mos dessa outra maneira, apenas devemos iniciar o cálculo da depreciação com o numerador da fração sendo 1 (um) e terminar, no último ano da vida útil, com o valor de n. Vamos resolver o mesmo exemplo utilizando essa forma. Observe: Os dados do problema são: VA = R$ 17.500,00; VR = R$ 3.800,00 e n = 6 anos. A soma dos algarismos da vida útil do equipamento é: 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 = 21. Para calcular a depreciação do equipamento relativa ao 1º ano, devemos fazer: 1 21 . (17.500 – 3.800) = 1 21 . (13.700) = 652,38095238... Para calcular a depreciação do equipamento relativa ao 2º ano, devemos fazer: 2 21 . (17.500 – 3.800) = 2 21 . (13.700) = 1.304,76190476... Para calcular a depreciação do equipamento relativa ao 3º ano, devemos fazer: 3 21 . (17.500 – 3.800) = 3 21 . (13.700) = 1.957,14285714... Para calcular a depreciação do equipamento relativa ao 4º ano, devemos fazer: 4 21 . (17.500 – 3.800) = 4 21 . (13.700) = 2.609,52380952... Para calcular a depreciação do equipamento relativa ao 5º ano, devemos fazer: 5 21 . (17.500 – 38.00) = 5 21 . (13.700) = 3.261,9047619... Para calcular a depreciação do equipamento relativa ao 6º ano, devemos fazer: 6 21 . (17.500 – 3.800) = 6 21 . (13.700) = 3.914,28571429... Resposta: o plano de depreciação, calculado pelo método da soma dos algaris- mos da vida útil (método de Cole), com valores da depreciação crescentes, será: ANO Valor do equipamento Depreciação Valor residual 1 R$ 17.500,00 R$ 652,38 R$ 16.847,62 2 R$ 16.847,62 R$ 1.304,76 R$ 15.542,86 3 R$ 15.542,86 R$ 1.957,14 R$ 13.585,71 4 R$ 13.585,71 R$ 2.609,52 R$ 10.976,19 5 R$ 10.976,19 R$ 3.261,90 R$ 7.714,29 6 R$ 7.714,29 R$ 3.914,29 R$ 3.800,00 Acesse o QR Code e exercite seus conhecimentos sobre cálculos envolvendo método de depreciação da soma dos algarismos dos anos da vida útil (método de Cole). Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática 150 Matemática Financeira CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, estudamos vários conceitos importantes de matemática financeira, como a correção monetária – muito utilizada para cálculos de porcentagens de infla- ção ou deflação – com a utilização dos índices econômicos. Observamos, também, que esses índices são determinados, e divulgados, por vários órgãos oficiais, sendo que cada um deles é responsável por indicadores econômicos diferentes. Em seguida, aprendemos como se procede para realizar a depreciação de equi- pamentos e/ou bens de consumo, utilizando os métodos de cálculo mais recorren- tes. Vale a penasalientar que existem outros métodos para se realizar o cálculo de depreciação de bens de consumo, mas estudamos os mais utilizados e aquele que é utilizado pela Receita Federal do Brasil (o método de depreciação linear). ATIVIDADES 1. Considere a tabela abaixo, em que constam os percentuais dos índices econômicos divulgados por órgãos oficiais no período de novembro de 2018 a outubro de 2019. Ano 2018 2019 Mês Nov. Dez. Jan. Fev. Mar. Abr. Maio Jun. Jul. Ago. Set. Out. IPCA – 0,21 0,15 0,32 0,43 0,75 0,57 0,13 0,01 0,19 0,11 – 0,04 0,10 IGP-DI – 1,14 – 0,45 0,07 1,25 1,07 0,90 0,40 0,63 – 0,01 – 0,51 0,50 0,55 Em seguida, determine: a) a correção monetária, calculada por intermédio do índice IPCA, do mês de setembro de 2019 em relação ao mês de agosto de 2019. b) a correção monetária total do período indicado na tabela, ou seja, de novembro de 2018 a outubro de 2019, calculado pelo índice econômico IGP-DI. c) a correção monetária média do ano de 2019 (de janeiro a outubro), calculada pelo índice econômico IPCA. 2. Determine o valor da depreciação de um equipamento, utilizando o método da depreciação linear, sabendo que ele foi adquirido por R$ 35.782,00 e que tem vida útil estipulada em 6 anos, com valor residual, após esse período, de R$ 4.226,00. Elabore, também, o plano de depreciação. 3. Uma determinada máquina foi adquirida, por uma indústria, pelo valor de R$ 322.750,00. O fabricante estipula que, se a manutenção for realizada anualmente, comprará a máquina, ao final da vida útil dela, por R$ 44.925,00. Sabendo que o valor da depreciação da máquina, calculado pelo método de depreciação linear, é de R$ 69.456,25, determine a vida útil da máquina. 4. Determine o valor da taxa de depreciação de um equipamento, utilizando o método da taxa constante, sabendo que ele foi adquirido por R$ 82.560,00 e que tem vida útil estipulada em 8 anos, tendo valor residual, após esse período, de R$ 12.740,00. Elabore, também, o plano de depreciação desse equipamento. Correção monetária, indicadores e depreciação 151 5. Uma determinada máquina foi adquirida, por uma indústria, pelo valor de R$ 738.630,00. O fabricante estipula que, se a manutenção for realizada anualmente, comprará a máquina, ao final de sua vida útil, por R$ 81.575,00. Sabendo que a taxa de depreciação da máquina, calculada pelo método da taxa constante, é de 30,7337% a.a., determine a vida útil da máquina. 6. Elabore o plano de depreciação, utilizando o método da soma dos algarismos dos anos da vida útil (método de Cole) com depreciação decrescente, para um equipamento adquirido por uma empresa por R$ 135.790,00 e que tenha vida útil estipulada em 5 anos. Esse equipamento terá valor residual, após o período de vida útil igual a 10% do valor de aquisição. 7. Elabore o plano de depreciação, utilizando o método da soma dos algarismos dos anos da vida útil (método de Cole) com depreciação crescente, para um equipamento adquirido por uma empresa por R$ 470.135,00 e que tenha vida útil estipulada em 8 anos. Esse equipamento terá percentual residual, após o período de vida útil, de 15% do valor de aquisição. REFERÊNCIAS BANCO CENTRAL DO BRASIL. Origem e Evolução do Dinheiro. Brasília, 2020a. Disponível em: https://www. bcb.gov.br/htms/origevol.asp?frame=1. Acesso em: 31 mar. 2020. BANCO CENTRAL DO BRASIL. Taxa Selic. Brasília, 2020b. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/ controleinflacao/taxaselic. Acesso em: 19 mar. 2020. BRASIL. Ministério da Economia, 2020. Teto de benefício sobe para R$ 6.101,06 e altera salário de participação na Funpresp. Disponível em: http://www.economia.gov.br/noticias/2020/01/teto-de-beneficio-sobe-para- r-6-101-06-e-altera-salario-de-participacao-na-funpresp. Acesso em: 9 mar. 2020. COSTA, R. P.; SARAIVA JR., A. F. Análise comparativa entre as depreciações econômica, contábil e real. In: 32º ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO – Desenvolvimento sustentável e responsabilidade social: as contribuições de engenharia de produção. ANAIS [...] Bento Gonçalves: Enegep, out. 2012. Disponível em: http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2012_TN_STO_159_926_20922. pdf. Acesso em: 31 mar. 2020. CRESPO, A. A. Matemática financeira fácil. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. DICIO. Dicionário Online de Português. 2020. Disponível em: https://www.dicio.com.br. Acesso em: 31 mar. 2020. DICIONÁRIO FINANCEIRO. 2020. Disponível em: https://www.dicionariofinanceiro.com. Acesso em: 31 mar. 2020. IOB. 2020. Depreciação – Bens não depreciáveis. Disponível em: https://www.iob.com.br/noticiadb. asp?area=contabil¬icia=13909. Acesso em: 31 mar. 2020. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2019. Índice nacional de preços ao consumidor. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9258-indice-nacional- de-precos-ao-consumidor.html?edicao=26615&t=series-historicas. Acesso em: 31 mar. 2020. Fundação Instituto de Pesquisa Econômicas. FIPE, 2019. Índice de preços ao consumidor (IPC). Disponível em: https://www.fipe.org.br/pt-br/indices/ipc/#indice-mensal. Acesso em: 26 mar. 2020. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. IBGE, 2019. Índice nacional de preços ao consumidor – INPC. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9258-indice-nacional- de-precos-ao-consumidor.html?edicao=26615&t=series-historicas. Acesso em: 26 mar. 2020. PEREIRA, J. B. JUS.com.br, 2019. Inflação e índices aferidores da economia. Disponível em: https://jus.com. br/artigos/73429/inflacao-e-indices-aferidores-da-economia. Acesso em: 31 mar. 2020. VIEIRA SOBRINHO. J. D. Matemática financeira. 6. ed. São Paulo: Atlas, 1997. 152 Matemática Financeira GABARITO 1. a) CM = índice�de�setembro/2019 índice�de�agosto/2019 – 1 ∴ CM = 0,9996 1,0011 – 1 ∴ CM = 0,99850165 – 1 ∴ CM = – 0,00149835 ∴ CM = – 0,14983518%. b) Calculando a correção monetária total do período indicado, ou seja, de novembro de 2018 a outubro de 2019, pelo índice econômico IGP-DI. CMt = (1 + CM1) . (1 + CM2) . (1 + CM3) . ... . (1 + CMn) – 1 ∴ CMt = (1 – 0,0114) . (1 – 0,0045) . (1 + 0,0007) . (1 + 0,0125) . (1 + 0,0107) . (1 + 0,009) . (1 + 0,004) . (1 – 0,0063) . (1 – 0,0001) . (1 – 0,0051) . (1 + 0,005) . (1 + 0,0055) – 1 ∴ CMt = (0,9886) . (0,9955) . (1,0007) . (1,0125) . (1,0107) . (1,009) . (1,004) . (1,0063) . (0,9999) . (0,9949) . (1,005) . (1,0055) – 1 ∴ CMt = 1,03280791 – 1 ∴ CMt = 0,03280791 ∴ CMt = 3,280791%. c) Calculando a correção monetária total do período indicado, ou seja, de janeiro de 2019 a outu- bro de 2019, pelo índice econômico IPCA, temos: CMt = (1 + CM1) . (1 + CM2) . (1 + CM3) . ... . (1 + CMn) – 1 ∴ CMt = (1 + 0,0032) . (1 + 0,0043) . (1 + 0,0075) . (1 + 0,0057) . (1 + 0,0013) . (1 + 0,0001) . (1 + 0,0019) . (1 – 0,0011) . (1 – 0,0004) . (1 – 0,01) – 1 ∴ CMt = (1,0032) . (1,0043) . (1,0075) . (1,0057) . (1,0013) . (1,0001) . (1,0019) . (1,0011) . (0,9996) . (1,001) – 1 ∴ CMt = 1,02596914 – 1 ∴ CMt = 0,02596914 ∴ CMt = 2,596914%. Determinando a correção monetária média, obteremos: CMm = 1�+�CMt 1 �n�� � – 1 ∴ CMm = 1�+�0,02596914 1 �10�� � – 1 ∴ CMm = 1,00256706 – 1 ∴ CMm = 0,00256706 ∴ CMm = 0,2567056%. Resposta: a) A correção monetária, utilizando o índice IPCA do mês de setembro de 2019 em relação ao mês de agosto de 2019 é igual a – 0,14983518%. b) A correção monetária total de novembro de 2018 a outubro de 2019, calculada pelo índice econômico IGP-DI é igual a 3,280791%. c) A correção monetária média do ano de 2019 (de janeiro a outubro), calculada pelo índice eco- nômico IPCA, é igual a 0,2567056%. 2. O problema nos fornece os seguintes dados: VA = R$ 35.782,00; VR = R$ 4.226,00; n = 6 anos. Com a aplicação da fórmula matemática, obteremos: DL = V V n A R− ∴ DL = 35.782� 4226 6 −� ∴ DL = 5.259,333333... ∴ DL = R$ 5.259,33. Resposta: o valor da depreciação do equipamento calculado pelo método linear é de R$ 5.269,33 por ano de vida útil do equipamentoe o plano de depreciação é: ANO Valor do equipamento Depreciação linear Valor residual 1 R$ 35.782,00 R$ 5.259,33 R$ 30.522,67 2 R$ 30.522,67 R$ 5.259,33 R$ 25.263,33 3 R$ 25.263,33 R$ 5.259,33 R$ 20.004,00 4 R$ 20.004,00 R$ 5.259,33 R$ 14.744,67 5 R$ 14.744,67 R$ 5.259,33 R$ 9.485,33 6 R$ 9.485,33 R$ 5.259,33 R$ 4.226,00 Correção monetária, indicadores e depreciação 153 3. Os dados do problema são: VA = R$ 322.750,00; VR = R$ 44.925,00; DL = R$ 69.456,25. Aplicando a fórmula matemática, obteremos: DL = V V n A R− ∴ 69.456,25 = 32.2750� 44.925 n −� ∴ n = 27.7825 69.456,25 ∴ n = 4. Resposta: a vida útil da máquina será de 4 anos. 4. Os dados do problema são: VA = R$ 82.560,00; VR = R$ 12.740,00 e n = 8 anos. Com a aplicação da fórmula matemática, obteremos: (1 – i)n = V V R A ∴ (1 – i)6 = 12.740 82.560 ∴ (1 – i)8 = 0,15431202 ∴ 1 – i = 0,154312028 ∴ i = 1 – 0,79168054 ∴ i = 0,20831946 ∴ i = 20,831946% a.a. Resposta: a taxa de depreciação, calculada pelo método da taxa constante, é de 20,83% a.a. O plano de depreciação é: ANO Valor do equipamento Depreciação Valor residual 1 R$ 17.500,00 R$ 3.932,63 R$ 13.567,37 2 R$ 13.567,37 R$ 3.048,88 R$ 10.518,49 3 R$ 10.518,49 R$ 2.363,73 R$ 8.154,75 4 R$ 8.154,75 R$ 1.832,55 R$ 6.322,20 5 R$ 6.322,20 R$ 1.420,74 R$ 4.901,47 6 R$ 4.901,47 R$ 1.101,47 R$ 3.800,00 5. Os dados do problema são: VA = R$ 738.630,00; VR = R$ 81.575,00; i = 30,7337% a.a. Aplicando da fórmula matemática, obteremos: (1 – i)n = V V R A ∴ (1 – 0,307337)n = 81.575 738.630 ∴ (0,692663)n = 0,11044095 ∴ n�= log 0,11044095 log 0,692663 n�= -�0,95686986 -�0,15 10 10 � � � � �� 9947801 n�=�6,00001127.� �� Resposta: a vida útil da máquina adquirida pela indústria é de 6 anos. 6. Os dados do problema são: VA = R$ 135.790,00; VR = R$ 13.579,00 (10% de R$ 135.790,00) e n = 5 anos. A soma dos algarismos da vida útil do equipamento é: 1 + 2 + 3 + 4 + 5 = 15. Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 1º ano, devemos fazer: 5 15 . (135.790 – 13.579) = 5 15 . (122.211) = 40.737 Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 2º ano, devemos fazer: 4 15 . (135.790 – 13.579) = 4 15 . (122.211) = 32.589,6 Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 3º ano, devemos fazer: 3 15 . (135.790 – 13.579) = 3 15 . (122.211) = 24.442,2 Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 4º ano, devemos fazer: 2 15 . (135.790 – 13.579) = 2 15 . (122.211) = 16.294,8 Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 5º ano, devemos fazer: 1 15 . (135.790 – 13.579) = 1 15 . (122.211) = 8.147,4 154 Matemática Financeira Resposta: o plano de depreciação, calculado pelo método da soma dos algarismos da vida útil (mé- todo de Cole), com depreciação decrescente, será: ANO Valor do equipamento Depreciação Valor residual 1 R$ 135.790,00 R$ 40.737,00 R$ 95.053,00 2 R$ 95.053,00 R$ 32.589,60 R$ 62.463,40 3 R$ 62.463,40 R$ 24.442,20 R$ 38.021,20 4 R$ 38.021,20 R$ 16.294,80 R$ 21.726,40 5 R$ 21.726,40 R$ 8.147,40 R$ 13.579,00 7. Os dados do problema são: VA = R$ 470.135,00; VR = R$ 70.520,25 (15% de R$ 470.135,00); n = 8 anos. A soma dos algarismos da vida útil do equipamento é: 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7 + 8 = 36. Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 1º ano, devemos fazer: 1 36 . (470.135 – 70.520,25) = 1 36 . (3.99614,75) = 11.100,4097222... Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 2º ano, devemos fazer: 2 36 . (470.135 – 70.520,25) = 2 36 . (399.614,75) = 22.200,8194444... Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 3º ano, devemos fazer: 3 36 . (470.135 – 70.520,25) = 3 36 . (399.614,75) = 33.301,22916667... Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 4º ano, devemos fazer: 4 36 . (470.135 – 70.520,25) = 4 36 . (399.614,75) = 44.401,6388888... Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 5º ano, devemos fazer: 5 36 . (470.135 – 70.520,25) = 5 36 . (399.614,75) = 55.502,0486111... Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 6º ano, devemos fazer: 6 36 . (470.135 – 70.520,25) = 6 36 . (399.614,75) = 66.602,4583333... Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 7º ano, devemos fazer: 7 36 . (470.135 – 70.520,25) = 7 36 . (399.614,75) = 77.702,8680555... Para calcular a depreciação do equipamento, relativa ao 8º ano, devemos fazer: 8 36 . (470.135 – 705.20,25) = 8 36 . (399.614,75) = 88.803,2777777... Resposta: o plano de depreciação, calculado pelo método da soma dos algarismos da vida útil (mé- todo de Cole), com valores da depreciação crescentes, será: ANO Valor do equipamento Depreciação Valor residual 1 R$ 470.135,00 R$ 11.100,41 R$ 459.034,59 2 R$ 459.034,59 R$ 22.200,82 R$ 436.833,77 3 R$ 436.833,77 R$ 33.301,23 R$ 403.532,54 4 R$ 403.532,54 R$ 44.401,64 R$ 359.130,90 5 R$ 359.130,90 R$ 55.502,05 R$ 303.628,85 6 R$ 303.628,85 R$ 66.602,46 R$ 237.026,40 7 R$ 237.026,40 R$ 77.702,87 R$ 159.323,53 8 R$ 159.323,53 R$ 88.803,28 R$ 70.520,25 Sistema de amortizações 155 8 Sistema de amortizações Muitas pessoas e empresas já passaram por alguma situação em que foi necessário fazer algum tipo de dívida, como empréstimo, compra de um veículo a prazo e compra de um imóvel financiado, no caso de pessoas físicas, ou, no das pessoas jurídicas, compra financiada de equipamentos novos e empréstimo para comprar mobiliário para um setor de uma em- presa, por exemplo. Em todos esses exemplos, temos a seguinte situação: a obtenção de uma dívida. É evidente que, se contraímos uma dívida, devemos pagá-la. Quem nos emprestou o dinheiro, normalmente uma instituição financeira, quer recebê-lo de volta; porém, não apenas o valor emprestado, como também seu lucro, com o pagamento de juros. A forma de realizar o pagamento das dívidas com o pagamento dos respectivos juros, que passaremos a estudar neste capítulo, é o que deno- minamos de sistemas de amortização. 8.1 Sistemas de amortização Vídeo Primeiramente, vamos entender o significado do termo amorti- zar. Segundo Vianna, “amortizar é pagar uma parte da dívida para que ela reduza de tamanho até a sua eliminação” (2018, p. 105). Por- tanto, para amortizar uma dívida, devemos pagá-la em prestações, de modo gradual, até conseguirmos quitá-la, isto é, até que a dívida seja extinta. Uma dívida pode ser amortizada de várias formas, mas, se olhar- mos para o seu período de pagamento, podemos classificá-las em dívidas de curto, médio ou longo prazo. As dívidas de curto e de médio prazo recebem essa classificação se o seu período para pa- gamento for de até 3 anos. As dívidas classificadas como de longo prazo possuem um tratamento diferenciado, que será abordado neste capítulo. As condições para a devolução do valor emprestado, junto com os juros que serão cobrados, devem estar claramente estipuladas 156 Matemática Financeira em contrato assinado pelas duas partes – o devedor 1 , quem pegou o dinheiro emprestado, e o credor 2 , aquele que emprestou o dinheiro. Os denominados sistemas de amortização ou sistemas de financiamentos são os tópicos de Matemática Financeira que estudam a maneira como o valor empresta- do, juntamente com os juros estipulados 3 e com os encargos financeiros corres- pondentes, deverão ser restituídos ao credor. Os principais tipos de sistemas de amortização, de acordo com Assaf Neto (2012, p. 205), são: a. Sistema de Amortização Constante (SAC); b. Sistema de Prestação Constante (SPC), também conhecido por Sistema Francês de Amortização (SFA); c. Sistema de Amortização Misto (SAM); d. Sistema de Amortização Americano (SAA); e. Sistema de Amortizações Variáveis. É conveniente ressaltarmos que, em todos os tipos de sistemas de amortiza- ção, os juros devem ser calculados sobre o saldo devedor da dívida, considerando o regime de juros compostos. Esses juros podem ser, também, denominadosde encargos financeiros ou despesas financeiras. É uma prática muito comum as instituições financeiras cobrarem – além dos juros efetivos, especificados no contrato devidamente assinado por ambas as partes – alguns outros tipos de encargos financeiros, entre os quais destacamos: o imposto sobre operações financeiras (IOF), comissões, taxas administrativas e valor de um seguro sobre o valor emprestado. Além disso, devemos ressaltar que os encargos financeiros apresentam dois tipos: prefixados e pós-fixados. Segundo Assaf Neto (2012, p. 206), o que distingue essas duas modalidades é a correção (indexação) da dívida em função de uma expectativa (prefixação) ou verificação posterior (pós-fixa- ção) do comportamento de determinado indexador. Em outras palavras, nas operações pós-fixadas, há um desmembramento dos encargos financeiros em juros e correção monetária (ou variação cambial, no caso da dívida ser expressa em moeda estrangeira) que vier a se verificar no futuro; e nas prefixadas estipula-se uma taxa única, a qual incorpora eviden- temente uma expectativa inflacionária, para todo o horizonte de tempo. Como indexador, devemos entender um dos índices econômicos oficiais; esses são divulgados por órgãos oficiais do Brasil e devem estar claramente indicados no contrato assinado pelas partes. Podemos entender, então, que, se o sistema de amortização baseia-se em uma operação pós-fixada, a taxa de juros da operação deve ser uma taxa real, ou seja, deve estar acima do índice de inflação, projetado para o prazo da amortização da dívida, e prever a correção monetária do saldo devedor. A taxa de juros precisa ser definida dessa forma para que seja possível que o credor recupere o poder aquisi- tivo do valor financeiro emprestado ao devedor. Também recebe a denominação de mutuário, que, de acordo com Dicio (2020), é a “pessoa que re- cebe, por empréstimo, os recursos financeiros para aquisição de um bem, de um imóvel, o mutuário é responsável pelo pagamento do empréstimo ao banco”. 1 Também denominado de mutuante, que, segundo Dicio (2020), é: ”aquele que, num contrato de mútuo, cede alguma coisa por empréstimo”. 2 A maneira como os juros serão aplicados deve ser definida em contrato, conforme determina a Lei n. 8.078/90, o Código de Defesa do Consumidor (CDC). 3 Sistema de amortizações 157 Se estiver programado, em contrato, que a operação financeira siga uma mo- dalidade prefixada para os encargos financeiros, deverá ser utilizada uma taxa de juros única, que contemple os juros exigidos pelo credor da dívida somados a uma expectativa de inflação do prazo contratual. Assim, deve contemplar, no mínimo, a correção monetária projetada para a vigência do contrato. Outro aspecto para o qual devemos estar atentos é que, em muitas das ope- rações de amortização de dívidas, pode estar prevista, contratualmente, uma ca- rência para o início do pagamento das parcelas do empréstimo. Esse período de carência, normalmente, significa a dívida obtida começará a ser paga ao término desse período, podendo ou não os juros serem pagos durante a carência, fato que também deve estar contemplado no contrato. Em nosso estudo dos principais sistemas de amortização – tendo consciência de que os sistemas de amortizações de empréstimos e de financiamentos são, ba- sicamente, as diferentes formas em que o capital emprestado, juntamente com os encargos financeiros, são devolvidos ao credor desse capital –, faremos uma sepa- ração desses sistemas em duas partes: sem a utilização de correção monetária e com a utilização de correção monetária. 8.2 Amortização sem correção monetária Vídeo Quando não houver correção monetária, devemos supor que ela esteja embutida na taxa de juros estipulada contratualmente entre as partes envolvidas, credor e devedor. 8.2.1 Sistema de Amortização Americano (SAA) O Sistema de Amortização Americano (SAA) é o mais simples entre todos os sistemas de amortização, pois consiste no ressarcimento ao credor da dívida em uma parcela única no final do prazo estipulado contratualmente. Muitas instituições financeiras concedem um período de carência ao devedor, mas devemos saber que, durante esse período, haverá a cobrança de juros. 8.2.1.1 Sem pagamento periódico de juros O SAA pode ocorrer com ou sem pagamento periódico de juros; a segunda opção é utilizada por muitas instituições financeiras, quando oferecem, principalmente, títulos de renda fixa com rendimentos pagos ao final do período de contratação, tais como os Certificados de Depó- sitos Bancários (CDB); os Recibos de Depósitos Bancários (RDB) e as Letras de Câmbio 4 . Segundo Assaf Neto (2012, p. 183), “a diferença básica entre os títu- los é que o CDB pode ser negociado no mercado mediante endosso, e o RDB é intransferível”. Para compreendermos, na prática, de que maneira isso ocorre, veja o seguinte exemplo. Convém ressaltar que, sobre os rendimentos desses títulos de crédito, há a incidência de imposto de renda, o qual pode ser pago no momento do resgate do título, o que ocorre geralmente, ou quando a aplicação é feita, ou seja, na fonte. 4 158 Matemática Financeira Σxemρlos 1. Um cliente de um banco realizou um empréstimo de R$ 12.000,00, a ser pago em uma parcela única ao final de 6 meses. Na assinatura do contra- to, ficou estabelecido que o valor emprestado será amortizado segundo o Sistema de Amortização Americano (SAA), sem pagamento periódico de ju- ros. Quanto o cliente deverá pagar ao banco, ao final do prazo de contrata- ção, sabendo que a instituição opera com uma taxa de juros compostos de 1,04% a.m.? Elabore uma planilha ilustrando a situação. Os dados do empréstimo são: SD ! = C = R$ 12.000,00; i = 1,04% a.m.; n = 6 meses. Esse tipo de operação financeira é solucionado com a aplicação da fórmula para o cálculo do montante de uma capitalização composta, ou seja: M = C . (1 + i)n ∴ M = 12.000 . (1 + 0,0104)6 ∴ M = 12.000 . (1,0104)6 ∴ M = 12.000 . 1,06404507 ∴ M = 12.768,54088188... A planilha solicitada evidencia a situação, sendo o período zero (0) o mo- mento da contratação do empréstimo (assinatura do contrato e liberação do valor financeiro). Observe: Período de tempo Saldo devedor (SD) Amortização Juros Parcela a ser paga 0 R$ 12.000,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 1 R$ 12.000,00 R$ 0,00 R$ 124,80 R$ 0,00 2 R$ 12.000,00 R$ 0,00 R$ 126,10 5 R$ 0,00 3 R$ 12.000,00 R$ 0,00 R$ 127,41 R$ 0,00 4 R$ 12.000,00 R$ 0,00 R$ 128,73 R$ 0,00 5 R$ 12.000,00 R$ 0,00 R$ 130,07 R$ 0,00 6 R$ 12.000,00 R$ 12.000,00 R$ 131,43 R$ 12.768,54 6 Total R$ 768,54 R$ 12.768,54 Resposta: o cliente deverá restituir ao banco, ao final do prazo de contra- tação do empréstimo, a quantia de R$ 12.768,54. A planilha elucidativa da situação está exposta acima. 8.2.1.2 Com pagamento periódico de juros No SAA com pagamento periódico de juros, deve ocorrer, como o próprio nome diz, o pagamento dos juros da operação realizada de maneira periódica. Esse sis- tema pode ser implementado, por exemplo, quando uma pessoa faz a penhora de joias na Caixa Econômica Federal (CEF) ou quando o Governo Federal realiza os pagamentos dos juros da dívida externa brasileira, isto é, o Governo Federal não consegue pagar a totalidade da dívida, então se obriga a realizar os pagamentos periódicos dos juros. Chamaremos o valor do emprésti- mo, isto é, o valor do capital em- prestado, de saldo devedor (SD). ! Para obtermos o valor dos juros do segundo mês, devemos fazer incidir, sobre os juros do primeiro mês, a taxa de juros da operação contratada. Fazemos o mesmo pro- cedimento para os meses seguintes. 5 Para obtermos esse valor, devemos somar o valor de todos os juros mensais dos primeiros cinco meses (que não foram pagos) aos juros do sexto mês e ao valor emprestado. 6 Sistema de amortizações 159 Para compreender melhor esse sistema, observe os seguintes exemplos. Σxemρlos 1. Um cliente de um banco realizou um empréstimo de R$ 12.000,00, a ser pago em umaparcela única ao final de 6 meses. Na assinatura do contra- to, ficou estabelecido que o valor emprestado será amortizado segundo o Sistema de Amortização Americano (SAA), com pagamento periódico de ju- ros. Quanto o cliente deverá pagar ao banco, ao final do prazo de contrata- ção, sabendo que a instituição opera com uma taxa de juros compostos de 1,04% a.m.? Elabore uma planilha ilustrando a situação. Os dados do empréstimo são: SD = C = R$ 12.000,00; i = 1,04% a.m.; n = 6 meses. Como no contrato está especificado que haverá pagamento mensal dos ju- ros, eles podem ser calculados com a capitalização simples ou composta, portanto: J = C . i . n ∴ J = 12.000 . 0,0104 . 1 ∴ J = 124,8 ou J = C . [ (1 + i)n – 1] ∴ J = 12.000 . [(1 + 0,0104)1 – 1] ∴ J = 124,8. Esse valor deverá ser pago a cada mês pelo devedor, sendo, então, a presta- ção a ser paga. Assim, o devedor deverá pagar nos 5 primeiros meses: 5 . 124,8 = R$ 624. No sexto mês, além dos juros, o devedor deverá amortizar a dívida, pagan- do, então: 12.000 + R$ 124,8 = R$ 12.124,8. Logo, o valor total a ser pago pelo devedor será de: 12.124,8 + 624 = R$ 12.748,8. Colocando esses cálculos em forma de uma planilha, conforme solicitado pelo enunciado, obtemos: Período de tempo Saldo devedor (SD) Amortização Juros Parcela a ser paga 0 R$ 12.000,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 1 R$ 12.000,00 R$ 0,00 R$ 124,80 R$ 124,80 2 R$ 12.000,00 R$ 0,00 R$' 124,80 R$ 124,80 3 R$ 12.000,00 R$ 0,00 R$ 124,80 R$ 124,80 4 R$ 12.000,00 R$ 0,00 R$ 124,80 R$ 124,80 5 R$ 12.000,00 R$ 0,00 R$ 124,80 R$ 124,80 6 R$ 12.000,00 R$ 12.000,00 R$ 124,80 R$ 12.124,80 Total R$ 748,80 R$ 12.748,80 Resposta: O cliente deverá restituir ao banco, ao final do prazo de contratação do empréstimo, a quantia de R$ 12.748,80. 160 Matemática Financeira Observação: podemos ver que os dados desse exemplo são os mesmos do exemplo resolvido com o Sistema de Amortização Americano (SAA) sem o pa- gamento periódico de juros, mas com a alteração para ter o pagamento pe- riódico de juros. Percebemos, assim, que o valor total a ser pago é um pouco menor, pois não houve a soma dos juros produzidos sobre os juros que de- veriam ser pagos no primeiro mês (124,8 . 0,0104 = R$ 1,3, sendo o valor exa- to R$ 1,29792). O mesmo procedimento ocorreu nos meses subsequentes. 2. Uma empresa realiza um empréstimo de R$ 148.750,00 em um banco. Ficou acertado entre as partes, no momento da assinatura do contrato, que o em- préstimo deverá ser amortizado pelo Sistema de Amortização Americano (SAA), com pagamentos mensais dos juros da operação financeira, no prazo de 8 meses, sendo a taxa de juros da operação de 1,76% a.m. De posse des- ses dados, determine quanto a empresa deverá restituir ao banco e elabore uma planilha que ilustre a situação. Os dados do empréstimo são: SD = C = R$ 148.750,00; i = 1,76% a.m.; n = 8 meses. Para determinar o valor dos juros a serem pagos mensalmente pela empre- sa, fazemos uso da fórmula de cálculo do juro do regime de capitalização simples: J = C . i . n ∴ J = 148.750 . 0,0176 . 1 ∴ J = 2.618. Como os juros serão pagos mensalmente, a empresa pagará R$ 2.618,00 por 8 meses, o que totalizará R$ 20.944,00 (2.618 . 8). Então, ao final de 8 meses, a empresa deverá restituir ao banco a quantia de: 148.750 + 20.944 = R$ 169.694. A planilha solicitada evidencia a situação, sendo o zero (0) o momento da contratação do empréstimo (assinatura do contrato e liberação do valor fi- nanceiro). Observe: Período de tempo Saldo devedor (SD) Amortização Juros Parcela a ser paga 0 R$ 148.750,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 1 R$ 148.750,00 R$ 0,00 R$ 2.618,00 R$ 2.618,00 2 R$ 148.750,00 R$ 0,00 R$ 2.618,00 R$ 2.618,00 3 R$ 148.750,00 R$ 0,00 R$ 2.618,00 R$ 2.618,00 4 R$ 148.750,00 R$ 0,00 R$ 2.618,00 R$ 2.618,00 5 R$ 148.750,00 R$ 0,00 R$ 2.618,00 R$ 2.618,00 6 R$ 148.750,00 R$ 0,00 R$ 2.618,00 R$ 2.618,00 7 R$ 148.750,00 R$ 0,00 R$ 2.618,00 R$ 2.618,00 8 R$ 148.750,00 R$ 148.750,00 R$ 2.618,00 R$ 151.368,00 Total R$ 20.944,00 R$ 169.694,00 Resposta: a empresa deverá restituir ao banco a quantia de R$ 169.694,00. A planilha ilustrativa da situação está acima. Acesse o QR Code e exercite seus conhecimentos sobre Sistema de Amortização Americano (SAA). Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática Sistema de amortizações 161 8.2.2 Sistema Francês de Amortização (SFA) O Sistema Francês de Amortização (SFA) é muito utilizado no Brasil, principal- mente para calcular empréstimos de curto prazo (financiamentos de bens de con- sumo em parcelas) e de médio prazo (financiamento de veículos, por exemplo). Além disso, é utilizado para financiamentos imobiliários, mas, nesse caso, confor- me estipulado por norma do Banco Central do Brasil (2019), pelo SFA, “o valor do financiamento não pode ultrapassar 80% do valor do imóvel”. Esse sistema é também conhecido como sistema price, tabela price ou sistema de prestação constante (SPC). A designação desse último nome se justifica, pois, nesse tipo de sistema, todas as prestações devem ser iguais, periódicas e sucessivas, ou seja, adota-se o modelo básico de renda. De acordo com Vianna (2018, p. 106): o Sistema Francês foi desenvolvido pelo matemático e físico belga Simon Ste- vin no século XVI. Foi utilizado pelo economista e matemático inglês Richard Price, no século XVIII, no cálculo previdenciário inglês da época, e ficou conhe- cido no Brasil como Sistema Price. Como as parcelas devem ser sempre iguais, devemos estar cientes de que, à medida que as parcelas são pagas, o saldo devedor (SD) vai diminuindo e, por se- rem determinados sobre o valor desse saldo, o mesmo ocorre com os juros, o que fará com que o valor da amortização aumente durante o prazo de pagamento. As fórmulas matemáticas a serem utilizadas são: p = SD . i�.� 1�+�i 1�+�i 1 n n � � � � ��� ; p = a + J e J = i . SD Em que: • p → valor da parcela; • SD → saldo devedor, igual ao valor atual (VA) no modelo básico de renda; • i → taxa de juros do empréstimo/financiamento; • n → prazo do empréstimo/financiamento; • a → valor da amortização; • J → valor do juro. Devemos ressaltar que esse tipo de sistema de amortização pode ser utiliza- do em financiamentos de bens de consumo, de veículos e imobiliários, havendo a possibilidade de ter prazo de duração de vários anos, o que o torna extremamente extenso se feitos os cálculos e as planilhas exemplificando essas situações. Portan- to, faremos as explicações necessárias, mas com prazos de duração menores. Para prazos maiores, siga os seguintes exemplos. Σxemρlos Realizaremos a resolução de três exemplos. O primeiro com a 1ª parcela vencendo um mês após a contratação do financiamento, ou seja, sem ca- rência. O segundo com um período de carência e sem o pagamento de juros 162 Matemática Financeira nesse período. O terceiro com um período de carência, mas com pagamen- to de juros durante esse período. Observe. 1. Uma pessoa está interessada na compra de um veículo cujo valor, à vista, é R$ 95.990,00. Na concessionária, soube que necessitaria dar 10% do va- lor do carro como entrada e financiar o restante pelo Sistema Francês de Amortização (SFA) em dez parcelas, vencendo a 1ª prestação um mês após a concretização do negócio, com uma taxa de juros compostos de 1,08% a.m. Considerando essas informações, determine o valor da prestação que o comprador deverá pagar caso aceite essa proposta bem como o valor dos juros a serem pagos nesse financiamento e elabore uma planilha ilustrando a operação financeira realizada. Os dados do problema são: Valor do veículo = R$ 95.990,00; entrada = R$ 9.599,00 (10% de R$ 95.990,00); n = 10 meses; i = 1,08% a.m. Determinando o saldo devedor: SD = 95.990 – 9.599 = R$ 86.391,00 Calculando o valor das prestações, temos: p = SD . i�.� 1�+�i 1�+�i 1 n n � � � � �� �∴ p = 86.391 . 0,0108�.� 1�+�0,0108 1�+�0,0108 1 10 10 � � � � �� � ∴ p = 86.391 . 0,01202475 0,11340286 ∴ p = 9.160,52958282. Determinando o valor do juro a ser pago na 1ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 86.391 ∴ J = 933,0228. Calculando o valor da amortização da 1ª parcela: p = a + J ∴ 9.160,52958282 = a + 933,0228 ∴ a = 9.160,52958282 – 933,0228 ∴ a = 8.227,50678282. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 1ª parcela, será igual a: SD = 86.391 – 8.227,50678282 ∴ SD = 78.163,49321718. Determinando o valor do juro a ser pago na 2ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 78.163,49321718 ∴ J = 844,16572675. Calculando o valor da amortização da 2ª parcela: p = a + J ∴ 9.160,52958282 = a + 844,16572675 ∴ a = 9.160,52958282 – 844,16572675 ∴ a = 8.316,36385607. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 2ª parcela, será igual a: SD = 78.163,49321718 – 8.316,36385607 ∴ SD = 69.847,12936111. Determinando o valor do juro a ser pago na 3ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 69.847,12936111 ∴ J = 754,3489971. Calculando o valor da amortização da 3ª parcela: p = a + J ∴ 9.160,52958282 = a + 754,3489971 ∴ Sistema de amortizações 163 a = 9.160,52958282 – 754,3489971 ∴ a = 8.406,18058572. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 3ª parcela, será igual a: SD = 69.847,12936111 – 8.406,18058572 ∴ SD = 61.440,94877539. Determinando o valor do juro a ser pago na 4ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 61.440,94877539 ∴ J = 663,56224677. Calculando o valor da amortização da 4ª parcela: p = a + J ∴ 9.160,52958282 = a + 663,56224677 ∴ a = 9.160,52958282 – 663,56224677 ∴ a = 8.496,96733605. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 4ª parcela, será igual a: SD = 61.440,94877539 – 8.496,96733605 ∴ SD = 52.943,98143934. Determinando o valor do juro a ser pago na 5ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 52.943,98143934 ∴ J = 571,79499954. Calculando o valor da amortização da 5ª parcela: p = a + J ∴ 9.160,52958282 = a + 571,79499954 ∴ a = 9.160,52958282 – 571,79499954 ∴ a = 8.588,73458328. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 5ª parcela, será igual a: SD = 52.943,98143934 – 8.588,73458328 ∴ SD = 44.355,24685606. Determinando o valor do juro a ser pago na 6ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 44.355,24685606 ∴ J = 479,03666605. Calculando o valor da amortização da 6ª parcela: p = a + J ∴ 9.160,52958282 = a + 479,03666605 ∴ a = 9.160,52958282 – 479,03666605 ∴ a = 8.681,49291677. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 6ª parcela, será igual a: SD = 44.355,24685606 – 8.681,49291677 ∴ SD = 35.673,75393929. Determinando o valor do juro a ser pago na 7ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 35.673,75393929 ∴ J = 385,27654254. Calculando o valor da amortização da 7ª parcela: p = a + J ∴ 9.160,52958282 = a + 385,27654254 ∴ a = 9.160,52958282 – 385,27654254 ∴ a = 8.775,25304028. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 7ª parcela, será igual a: SD = 35.673,75393929 – 8.775,25304028 ∴ SD = 26.898,50089901. Determinando o valor do juro a ser pago na 8ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 26.898,50089901 ∴ J = 290,50380971. Calculando o valor da amortização da 8ª parcela: p = a + J ∴ 9.160,52958282 = a + 290,50380971 ∴ a = 9.160,52958282 – 290,50380971 ∴ a = 8.870,02577311. 164 Matemática Financeira Então, o saldo devedor, após o pagamento da 8ª parcela, será igual a: SD = 26.898,50089901 – 8.870,02577311 ∴ SD = 18.028,4751259. Determinando o valor do juro a ser pago na 9ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 18.028,4751259 ∴ J = 194,70753136. Calculando o valor da amortização da 9ª parcela: p = a + J ∴ 9.160,52958282 = a + 194,70753136 ∴ a = 9.160,52958282 – 194,70753136 ∴ a = 8.965,82205146. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 9ª parcela, será igual a: SD = 18.028,4751259 – 8.965,82205146 ∴ SD = 9.062,65307444. Determinando o valor do juro a ser pago na 10ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 9.062,65307444 ∴ J = 97,8766532. Calculando o valor da amortização da 10ª parcela: p = a + J ∴ 9.160,52958282 = a + 97,8766532 ∴ a = 9.160,52958282 – 97,8766532 ∴ a = 9.062,65292962. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 10ª parcela, será igual a: SD = 9.062,65307444 – 9.062,65292962 ∴ SD = 0,00014482. Como estamos trabalhando com valores financeiros, esse último saldo de- vedor é igual a R$ 0,00, comprovando que a amortização do financiamento do veículo está encerrada. Elaborando a planilha elucidativa do financiamento do veículo, teremos: Nº da parcela Valor da parcela Valor do juro da parcela Valor da amortização Saldo devedor 0 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 86.391,00 1 R$ 9.160,53 R$ 933,02 R$ 8.227,51 R$ 78.163,49 2 R$ 9.160,53 R$ 844,17 R$ 8.316,36 R$ 69.847,13 3 R$ 9.160,53 R$ 754,35 R$ 8.406,18 R$ 61.440,95 4 R$ 9.160,53 R$ 663,56 R$ 8.496,97 R$ 52.943,98 5 R$ 9.160,53 R$ 571,79 R$ 8.588,73 R$ 44.355,25 6 R$ 9.160,53 R$ 479,04 R$ 8.681,49 R$ 35.673,75 7 R$ 9.160,53 R$ 385,28 R$ 8.775,25 R$ 26.898,50 8 R$ 9.160,53 R$ 290,50 R$ 8.870,03 R$ 18.028,48 9 R$ 9.160,53 R$ 194,71 R$ 8.965,82 R$ 9.062,65 10 R$ 9.160,53 R$ 97,88 R$ 9.062,65 R$ 0,00 Total – R$ 5.214,30 R$ 86.391,00 – Resposta: o valor das parcelas do financiamento é de R$ 9.160,53. O valor total de juros a serem pagos é R$ 5.214,30. 2. Uma empresa está interessada na compra de um novo equipamento para sua linha de produção. Tal equipamento custa, à vista, R$ 102.550,00. O res- ponsável pelas compras da empresa foi à loja que vende esse tipo de equi- Sistema de amortizações 165 pamento e soube que precisaria dar 12,5% do valor total do equipamento como entrada e financiar o restante em 8 parcelas pelo Sistema Francês de Amortização (SFA), com uma carência de 4 meses, vencendo a 1ª prestação um mês após o término do período de carência, com uma taxa de juros compostos de 14,02% a.a. Se o proprietário da empresa concordar com essa negociação, qual será o valor das prestações que deverão ser pagas e o valor dos juros do financiamento? Elabore uma planilha ilustrando a ope- ração financeira realizada. Os dados do problema são: Valor do equipamento = R$ 102.550,00; entrada = R$ 12.818,75 (12,5% de R$ 102.550,00); m = 4 meses (período de carência); n = 8 meses; i = 14,02% a.a. Logo, o valor a ser financiado será de: 102.550 – 12.818,75 = R$ 89.731,25. Como a taxa de juros dada pela loja está em anos, devemos calcular a taxa efetiva mensal, pois o financiamento será em 8 meses. 1 + ik = (1 + i) n ∴ 1 + 0,1402 = (1 + i)12 ∴ 1 + i = 1,140212 ∴ i = 1,01099363 – 1 ∴ i = 0,01099363 ∴ i = 1,09936312% a.m. Apesar do proprietário da empresa não pagar parcelas no período de ca- rência, os juros serão incorporados ao saldo devedor nesse período. Então, para sabermos o valor do saldo devedor que o proprietário da empresa deverá financiar, fazemos, com auxílio da fórmula do montante no regime de capitalização composta, o seguinte cálculo: M = SD = C . (1 + i)n ∴ M = SD = 89.731,25 . (1 + 0,01099363)4 ∴ M = SD = 89.731,25 . (1,01099363)4 ∴ M = SD = 89.731,25 . 1,46071217 ∴ M = SD = 93.742,6863179 ∴ M = SD = R$ 93.742,69. Determinando o valor da prestação a ser paga no financiamento: p = SD . i�.� 1�+�i 1�+�i 1 n n � � � � �� � ∴ p = 93.742,69 . 0,01099363�.� 1�+�0,01099363 1�+�0,01099363 1 8 8 � � � � �� � ∴ p = 93.742,69 . 0,01199854 0,09140856 ∴ p = 12.304,9268594. Determinando o valor do juro a ser pago na 1ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,01099363 . 93.742,6863179 ∴ J = 1.030,57240859. Calculando o valor da amortização da 1ª parcela: p = a + J ∴ 12.304,9268594 = a + 1.030,57240859 ∴ a = 12.304,9268594 – 1.030,57240859 ∴ a = 11.274,35445081. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 1ª parcela, será igual a: SD = 93.742,6863179 – 11.274,35445081 ∴ SD = 82.468,33186709. Determinando o valor do juro a ser pago na 2ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,01099363 . 82.468,33186709 ∴ J = 906,62632726. Calculando o valor da amortização da 2ª parcela: 166 Matemática Financeira p = a + J ∴ 12.304,9268594 = a + 906,62632726∴ a = 12.304,9268594 – 906,62636819 ∴ a = 11.398,30053214. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 2ª parcela, será igual a: SD = 82.468,33186709 – 11.398,30053214 ∴ SD = 71.070,03133495. Determinando o valor do juro a ser pago na 3ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,01099363 . 71.070,03133495 ∴ J = 781,31762858. Calculando o valor da amortização da 3ª parcela: p = a + J ∴ 12.304,9268594 = a + 781,31762858 ∴ a = 12.304,9268594 – 781,31762858 ∴ a = 11.523,60923082. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 3ª parcela, será igual a: SD = 71.070,03133495 – 11.523,60923082 ∴ SD = 59.546,42210413. Determinando o valor do juro a ser pago na 4ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,01099363 . 59.546,42210413 ∴ J = 654,63133244. Calculando o valor da amortização da 4ª parcela: p = a + J ∴ 12.304,9268594 = a + 654,63133244 ∴ a = 12.304,9268594 – 654,63133244 ∴ a = 11.650,29552696. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 4ª parcela, será igual a: SD = 59.546,42210413 – 11.650,29552696 ∴ SD = 47.896,12657717. Determinando o valor do juro a ser pago na 5ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,01099363 . 47.896,12657717 ∴ J = 526,55229402. Calculando o valor da amortização da 5ª parcela: p = a + J ∴ 12.304,9268594 = a + 526,55229402 ∴ a = 12.304,9268594 – 526,55229402 ∴ a = 11.778,37456538. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 5ª parcela, será igual a: SD = 47.896,12657717 – 11.778,37456538 ∴ SD = 36.117,75201179. Determinando o valor do juro a ser pago na 6ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,01099363 . 36.117,75201179 ∴ J = 397,06520205. Calculando o valor da amortização da 6ª parcela: p = a + J ∴ 12.304,9268594 = a + 397,06520205 ∴ a = 12.304,9268594 – 397,06520205 ∴ a = 11.907,86165735. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 6ª parcela, será igual a: SD = 36.117,75201179 – 11.907,86165735 ∴ SD = 24.209,89035444. Determinando o valor do juro a ser pago na 7ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,01099363 . 24.209,89035444 ∴ J = 266,1545769. Calculando o valor da amortização da 7ª parcela: Sistema de amortizações 167 p = a + J ∴ 12.304,9268594 = a + 266,1545769 ∴ a = 12.304,9268594 – 266,1545769 ∴ a = 12.038,7722825. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 7ª parcela, será igual a: SD = 24.209,89035444 – 12.038,7722825 ∴ SD = 12.171,11807194. Determinando o valor do juro a ser pago na 8ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,01099363 . 12.171,11807194 ∴ J = 133,80476877. Calculando o valor da amortização da 8ª parcela: p = a + J ∴ 12.304,9268594 = a + 133,80476877 ∴ a = 12.304,9268594 – 133,80476877 ∴ a = 12.171,12209063. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 8ª parcela, será igual a: SD = 12.171,11807194 – 12.171,12209063 ∴ SD = – 0,00401869. Como estamos trabalhando com valores financeiros, esse último saldo de- vedor é igual a R$ 0,00, comprovando que a amortização do financiamento do veículo está encerrada. Elaborando a planilha elucidativa do financiamento do equipamento, teremos: Nº da parcela Valor da parcela Valor do juro da parcela Valor da amortização Saldo devedor 0 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 89.731,25 1 R$ 0,00 R$ 986,47 7 R$ 0,00 R$ 90.717,72 2 R$ 0,00 R$ 997,32 R$ 0,00 R$ 91.715,04 3 R$ 0,00 R$ 1.008,28 R$ 0,00 R$ 92.723,32 4 R$ 0,00 R$ 1.019,37 R$ 0,00 R$ 93.742,69 5 → 1 R$ 12.304,93 R$ 1.030,57 R$ 11.274,35 R$ 82.468,33 6 → 2 R$ 12.304,93 R$ 906,63 R$ 11.398,30 R$ 71.070,03 7 → 3 R$ 12.304,93 R$ 781,32 R$ 11.523,61 R$ 59.546,42 8 → 4 R$ 12.304,93 R$ 654,63 R$ 11.650,30 R$ 47.896,13 9 → 5 R$ 12.304,93 R$ 526,55 R$ 11.778,37 R$ 36.117,75 10 → 6 R$ 12.304,93 R$ 397,07 R$ 11.907,86 R$ 24.209,89 11 → 7 R$ 12.304,93 R$ 266,15 R$ 12.038,77 R$ 12.171,12 12 → 8 R$ 12.304,93 R$ 133,80 R$ 12.304,93 R$ 0,00 Total – R$ 4.696,73 R$ 93.742,69 8 – Resposta: o valor das parcelas do financiamento a serem pagas será de R$ 12.304,93 e serão pagos R$ 4.696,73 de juros. 3. Uma empresa interessada na compra de um novo equipamento que custa, à vista, R$ 102.550,00, descobriu que, para a compra, precisaria dar 12,5% do valor do equipamento como entrada e financiar o restante pelo Sistema Francês de Amortização (SFA) em 8 parcelas, com uma carência de 4 meses, vencendo a 1ª prestação um mês após o término do período de carência, com uma taxa de juros compostos de 14,02% a.a. Também foi proposto que, durante o período de carência, o proprietário da empresa pagasse os juros mensais correspondentes. Considerando que o proprietário da em- Para determinar o juro do 1º mês, multiplicamos o saldo devedor do mês anterior pelo valor da taxa de juros mensal: 89.731,25 . 0,01099363 = 986,47216194. O saldo devedor será obtido com a soma do valor encontrado mais o saldo devedor do mês anterior. Para os outros meses da carência, fazemos o mesmo tipo de cálculo. 7 Perceba que esse valor é igual ao valor do saldo devedor do mês em que acaba o período de carência. 8 168 Matemática Financeira presa concordou com essa negociação, determine o valor das prestações que ele deverá pagar e o valor dos juros do financiamento e elabore uma planilha ilustrando a operação financeira realizada. Os dados do problema são: Valor do equipamento = R$ 102.550,00; entrada = R$ 12.818,75 (12,5% de R$ 102.550,00); m = 4 meses (período de carência); n = 8 meses; i = 14,02% a.a. Logo, o valor a ser financiado, ou seja, do saldo devedor, será de: 102.550 – 12.818,75 = R$ 89.731,25. Como a taxa de juros dada pela loja está em anos, devemos calcular a taxa efetiva mensal, pois o financiamento será em 8 meses. 1 + ik = (1 + i) n ∴ 1 + 0,1402 = (1 + i)12 ∴ 1 + i = 1,140212 ∴ i = 1,01099363 – 1 ∴ i = 0,01099363 ∴ i = 1,09936312% a.m. Apesar do proprietário da empresa não pagar parcelas no período de carên- cia, os juros serão pagos nesse período. O valor dos juros mensais a serem pagos será obtido ao fazermos: J = SD . i ∴ J = 89.731,25 . 0,01099363 ∴ J = R$ 986,47216194. Determinando o valor da prestação a ser paga no financiamento, fazemos: p = SD . i�.� 1�+�i 1�+�i 1 n n � � � � �� � ∴ p = 89.731,25 . 0,01099363�.� 1�+�0,01099363 1�+�0,01099363 1 8 8 � � � � �� � ∴ p = 89.731,25 . 0,01199854 0,09140857 ∴ p = 11.778,37412019. Determinando o valor do juro a ser pago na 1ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,01099363 . 89.731,25 ∴ J = 986,47216194. Calculando o valor da amortização da 1ª parcela: p = a + J ∴ 89.731,25 = a + 986,47216194 ∴ a = 11.778,37412019 – 986,47216194 ∴ a = 10.791,90185467. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 1ª parcela, será igual a: SD = 89.731,25 – 10.791,90185467 ∴ SD = 78.939,34814533. Determinando o valor do juro a ser pago na 2ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,01099363 . 78.939,34814533 ∴ J = 867,83007708. Calculando o valor da amortização da 2ª parcela: p = a + J ∴ 11.778,37412019 = a + 867,83007708 ∴ a = 11.778,37412019 – 867,83007708 ∴ a = 10.910,54404311. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 2ª parcela, será igual a: SD = 78.939,34814533 – 10.910,54404311 ∴ SD = 68.028,80410222. Determinando o valor do juro a ser pago na 3ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,01099363 . 68.028,80410222 ∴ J = 747,88358017. Sistema de amortizações 169 Calculando o valor da amortização da 3ª parcela: p = a + J ∴ 11.778,37412019 = a + 747,88358017 ∴ a = 11.778,37412019 – 747,88358017 ∴ a = 11.030,49054002. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 3ª parcela, será igual a: SD = 68.028,80410222 – 11.030,49054002 ∴ SD = 56.998,3135622. Determinando o valor do juro a ser pago na 4ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,01099363 . 56.998,3135622 ∴ J = 626,61843573. Calculando o valor da amortização da 4ª parcela: p = a + J ∴ 11.778,37412019 = a + 626,61843573 ∴ a = 11.778,37412019 – 626,61843573 ∴ a = 11.151,75568446. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 4ª parcela, será igual a: SD = 56.998,3135622 – 11.151,75568446 ∴ SD = 45.846,55787774. Determinando o valor do juro a ser pago na 5ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,01099363 . 45.846,55787774 ∴ J = 504,02014701. Calculando o valor da amortização da 5ª parcela:p = a + J ∴ 11.778,37412019 = a + 504,02014701 ∴ a = 11.778,37412019 – 504,02020037 ∴ a = 11.274,35397318. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 5ª parcela, será igual a: SD = 45.846,55787774 – 11.274,35397318 ∴ SD = 34.572,20390456. Determinando o valor do juro a ser pago na 6ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,01099363 . 34.572,20390456 ∴ J = 380,07405792. Calculando o valor da amortização da 6ª parcela: p = a + J ∴ 11.778,37412019 = a + 380,07405792 ∴ a = 11.778,37412019 – 380,07405792 ∴ a = 11.398,30006227. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 6ª parcela, será igual a: SD = 34.572,20390456 – 11.398,30006227 ∴ SD = 23.173,90384229. Determinando o valor do juro a ser pago na 7ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,01099363 . 23.173,90384229 ∴ J = 254,76535125. Calculando o valor da amortização da 7ª parcela: p = a + J ∴ 11.778,37412019 = a + 254,76535125 ∴ a = 11.778,37412019 – 254,76535125 ∴ a = 11.523,60876894. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 7ª parcela, será igual a: SD = 23.173,90384229 – 11.523,60876894 ∴ SD = 11.650,29507135. Determinando o valor do juro a ser pago na 8ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,01099363 . 11.650,29507135 ∴ J = 128,07904685. 170 Matemática Financeira Calculando o valor da amortização da 8ª parcela: p = a + J ∴ 11.778,37412019 = a + 128,07904685 ∴ a = 11.778,37412019 – 128,07904685 ∴ a = 11.650,29507334. Então, o saldo devedor, após o pagamento da 8ª parcela, será igual a: SD = 11.650,29507135 – 11.650,29507334 ∴ SD = – 0,00000199. Como estamos trabalhando com valores financeiros, esse último saldo de- vedor é equivalente a R$ 0,00, comprovando que a amortização do financia- mento do veículo está encerrada. Elaborando a planilha elucidativa do financiamento do equipamento, teremos: Nº da parcela Valor da parcela Valor do juro da parcela Valor da amortização Saldo devedor 0 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 89.731,25 1 R$ 986,47 R$ 986,47 9 R$ 0,00 R$ 89.731,25 2 R$ 986,47 R$ 986,47 R$ 0,00 R$ 89.731,25 3 R$ 986,47 R$ 986,47 R$ 0,00 R$ 89.731,25 4 R$ 986,47 R$ 986,47 R$ 0,00 R$ 89.731,25 5 → 1 R$ 11.778,37 R$ 986,47 R$ 10.791,90 R$ 78.939,35 6 → 2 R$ 11.778,37 R$ 867,83 R$ 10.910,54 R$ 68.028,80 7 → 3 R$ 11.778,37 R$ 747,88 R$ 11.030,49 R$ 56.998,31 8 → 4 R$ 11.778,37 R$ 626,62 R$ 11.151,76 R$ 45.846,56 9 → 5 R$ 11.778,37 R$ 504,02 R$ 11.274,35 R$ 34.572,20 10 → 6 R$ 11.778,37 R$ 380,07 R$ 11.398,30 R$ 23.173,90 11 → 7 R$ 11.778,37 R$ 254,77 R$ 11.523,61 R$ 11.650,30 12 → 8 R$ 11.778,37 R$ 128,08 R$ 11.650,30 R$ 0,00 Total - R$ 4.495,74 R$ 89.731,25 10 - Resposta: o valor das parcelas do financiamento a serem pagas será de R$ 11.778,37. Serão pagos R$ 4.495,74 de juros e, por fim, a planilha elucidativa do financiamento está acima. 8.2.3 Sistema de Amortização Constante (SAC) No Sistema de Amortização Constante (SAC), como o próprio nome diz, o valor das amortizações é igual durante todo o prazo do financiamento. O valor dessa amortização é obtido ao dividirmos o valor do saldo devedor pelo número de par- celas a serem pagas, ou seja: a = SD n Devemos saber, também, que continuam válidas as fórmulas matemáticas, vis- tas na seção anterior: p = a + J e J = i . SD Para determinar os juros a serem pagos mensalmente, multipli- camos o saldo devedor do mês anterior pelo valor da taxa de juros mensal: 89.731,25 . 0,01099363 = 986,47216194. O saldo devedor será sempre o mesmo, visto que os juros serão pagos todos os meses. 9 Perceba que esse valor é igual ao valor do saldo devedor do mês onde acaba o período de carência. 10 Acesse o QR Code e exercite seus conhecimentos sobre o Sistema Francês de Amortização (SFA). Esses exercícios são ativida- des-extras que possibilitam a prática dos conteúdos abordados nesta seção e, por isso, não são apresentadas as resoluções, apenas as respostas. Na prática Sistema de amortizações 171 Em que: • p → valor da parcela; • SD → saldo devedor, igual ao valor atual (VA) no modelo básico de renda; • i → taxa de juros do empréstimo/financiamento; • n → prazo do empréstimo/financiamento; • a → valor da amortização; • J → valor do juro. É importante percebermos que, nesse tipo de sistema de amortização, o valor das parcelas a serem pagas diminui ao longo do prazo de financiamento, o que ocorre, também, com o valor dos juros a serem pagos periodicamente. O SAC, bem como o SFA, é muito utilizado no Brasil em financiamentos imobiliários, de acordo com a Caixa Econômica Federal (2020a). Σxemρlos Para compreender como se dá a amortização constante, observe a resolu- ção de três exemplos. Os enunciados são iguais aos exemplos que foram usados na seção anterior de Sistema Francês de Amortização; entretanto, agora, o objetivo é fazermos a comparação entre o que ocorre com a aplica- ção dos dois tipos de sistemas de amortização. O primeiro exemplo é o com a 1ª parcela vencendo um mês após a contrata- ção do financiamento, ou seja, sem carência. O segundo com um período de carência e sem o pagamento de juros nesse período. O terceiro também com um período de carência, mas com pagamento de juros durante este período. 1. Uma pessoa está interessada na compra de um veículo cujo valor, à vista, é R$ 95.990,00. Na concessionária, soube que necessitaria dar 10% do valor do carro como entrada e financiar o restante pelo Sistema de Amortização Constante (SAC) em 10 parcelas, vencendo a 1ª prestação um mês após a concretização do negócio, com uma taxa de juros compostos de 1,08% a.m. Considerando que a pessoa concordou com essa negociação, determine o valor total dos juros a serem pagos nesse financiamento e elabore uma pla- nilha ilustrando a operação financeira realizada, discriminando os valores das parcelas a serem pagas mensalmente. Os dados do problema são: Valor do veículo = R$ 95.990,00; entrada = R$ 9.599,00 (10% de R$ 95.990,00); n = 10 meses; i = 1,08% a.m. Assim, o saldo devedor será de: SD = 95.990 – 9.599 = R$ 86.391. Determinando o valor da amortização, temos: 172 Matemática Financeira a = SD n ∴ a = 86.391� 10 ∴ a = R$ 8.639,1. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 1ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 86.391 ∴ J = 933,0228. Determinando o valor da 1ª parcela: p = a + J ∴ p = 8.639,1 + 933,0228 ∴ p = 9.572,1228. Assim, o saldo devedor, após o pagamento da 1ª parcela, será de: SD = 86.391 – 8.639,1 ∴ SD = 77.751,9. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 2ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 77.751,9 ∴ J = 839,72052. Determinando o valor da 2ª parcela: p = a + J ∴ p = 8.639,10 + 839,72052 ∴ p = 9.478,82052. O saldo devedor, após o pagamento da 2ª parcela, será de: SD = 77.751,9 – 8.639,1 ∴ SD = 69.112,8. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 3ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 69.112,8 ∴ J = 746,41824. Determinando o valor da 3ª parcela: p = a + J ∴ p = 8.639,10 + 746,41824 ∴ p = 9.385,51824. Assim, o saldo devedor, após o pagamento da 3ª parcela, será de: SD = 69.112,8 – 8.639,1 ∴ SD = 60.473,7. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 4ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 60.473,7 ∴ J = 653,11596. Determinando o valor da 4ª parcela: p = a + J ∴ p = 8.639,10 + 653,11596 ∴ p = 9.292,21596. Assim, o saldo devedor, após o pagamento da 4ª parcela, será de: SD = 60.473,7 – 8.639,1 ∴ SD = 51.834,6. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 5ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 51.834,6 ∴ J = 559,81368. Determinando o valor da 5ª parcela: p = a + J ∴ p = 8.639,10 + 559,81368 ∴ p = 9.198,91368. Assim, o saldo devedor, após o pagamento da 5ª parcela, será de: SD = 51.834,6 – 8.639,1 ∴ SD = 43.195,5. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 6ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 43.195,5 ∴ J = 466,5114. Determinando o valor da 6ª parcela: O saldo devedor de um mês para o mês seguinte é calculado subtrain- do-se o valor da amortização do saldo devedor do mês. Atenção Sistema de amortizações 173 p = a + J ∴ p = 8.639,1 + 466,5114 ∴ p = 9.105,6114.Assim, o saldo devedor, após o pagamento da 6ª parcela, será de: SD = 43.195,5 – 8.639,1 ∴ SD = 34.556,4. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 7ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 34.556,4 ∴ J = 373,20912. Determinando o valor da 7ª parcela: p = a + J ∴ p = 8.639,1 + 373,20912 ∴ p = 9.012,30912. Assim, o saldo devedor, após o pagamento da 7ª parcela, será de: SD = 34.556,4 – 8.639,1 ∴ SD = 25.917,3. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 8ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 25.917,3 ∴ J = 279,90684. Determinando o valor da 8ª parcela: p = a + J ∴ p = 8.639,1 + 279,90684 ∴ p = 8.919,00684. Assim, o saldo devedor, após o pagamento da 8ª parcela, será de: SD = 25.917,3 – 8.639,1 ∴ SD = 17.278,2. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 9ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 17.278,2 ∴ J = 186,60456. Determinando o valor da 9ª parcela: p = a + J ∴ p = 8.639,1 + 186,60456 ∴ p = 8.825,70456. Assim, o saldo devedor, após o pagamento da 9ª parcela, será de: SD = 17.278,2 – 8.639,1 ∴ SD = 8.639,1. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 10ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,0108 . 8.639,1 ∴ J = 93,30228. Determinando o valor da 10ª parcela: p = a + J ∴ p = 8.639,1 + 93,30228 ∴ p = 8.732,40228. Assim, o saldo devedor, após o pagamento da 10ª parcela, será de: SD = 8.639,1 – 8.639,1 ∴ SD = 0,00. Como o último saldo devedor é igual a R$ 0,00, comprova-se que a amorti- zação do financiamento do veículo está encerrada. Elaborando a planilha elucidativa do financiamento do veículo, temos: Nº da parcela Valor da amortização Valor do juro da parcela Valor da parcela Saldo devedor 0 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 86.391,00 1 R$ 8.639,10 R$ 933,02 R$ 9.572,12 R$ 77.751,90 2 R$ 8.639,10 R$ 839,72 R$ 9.478,82 R$ 69.112,80 (Continua) 174 Matemática Financeira 3 R$ 8.639,10 R$ 746,42 R$ 9.385,52 R$ 60.473,70 4 R$ 8.639,10 R$ 653,12 R$ 9.292,22 R$ 51.834,60 5 R$ 8.639,10 R$ 559,81 R$ 9.198,91 R$ 43.195,50 6 R$ 8.639,10 R$ 466,51 R$ 9.105,61 R$ 34.556,40 7 R$ 8.639,10 R$ 373,21 R$ 9.012,31 R$ 25.917,30 8 R$ 8.639,10 R$ 279,91 R$ 8.919,01 R$ 17.278,20 9 R$ 8.639,10 R$ 186,60 R$ 8.825,70 R$ 8.639,10 10 R$ 8.639,10 R$ 93,30 R$ 8.732,40 R$ 0,00 Total R$ 86.391,00 R$ 5.131,63 R$ 91.522,63 Resposta: o valor total dos juros pagos nesse financiamento é de R$ 5.131,63. A discriminação dos valores das parcelas a serem pagas mensalmente está na tabela apresentada anteriormente. 2. Uma empresa está interessada na compra de um novo equipamento para sua linha de produção. Esse equipamento custa, à vista, R$ 102.550,00 e, para financiá-lo, a empresa precisa dar 12,5% do valor do equipamento como entrada e financiar o restante pelo Sistema de Amortização Constante (SAC) em 8 parcelas, com uma carência de 4 meses, vencendo a 1ª presta- ção um mês após o término do período de carência, com uma taxa de juros compostos de 14,02% a.a. Considerando que o proprietário da empresa te- nha concordado com essa negociação, mas sem o pagamento de juros du- rante o período de carência, determine o valor das prestações que deverão ser pagas e o valor dos juros a serem pagos e, por fim, elabore uma planilha ilustrando a operação financeira realizada. Os dados do problema são: Valor do equipamento = R$ 102.550,00; entrada = R$ 12.818,75 (12,5% de R$ 102.550,00); m = 4 meses (período de carência); n = 8 meses; i = 14,02% a.a. Logo, o valor a ser financiado será de: 102.550 – 12.818,75 = R$ 89.731,25. Como a taxa de juros dada pela loja está em anos, devemos calcular a taxa efetiva mensal, pois o financiamento será em 8 meses. 1 + ik = (1 + i) n ∴ 1 + 0,1402 = (1 + i)12 ∴ 1 + i = 1,140212 ∴ i = 1,01099363 – 1 ∴ i = 0,01099363 ∴ i = 1,09936312% a.m. Como o proprietário da empresa não pagará parcelas no período de ca- rência, os juros serão incorporados ao saldo devedor após o término desse período. Então, para sabermos o valor do SD que o proprietário da empresa deverá financiar, fazemos, com auxílio da fórmula do montante no regime de capitalização composta, o seguinte cálculo: M = SD = C . (1 + i)n ∴ M = SD = 89.731,25 . (1 + 0,01099363)4 ∴ M = SD = 89.731,25 . (1,01099363)4 ∴ M = SD = 89.731,25 . 1,46071217 ∴ M = SD = 93.742,6863179. Sistema de amortizações 175 Determinando o valor da amortização: a = SD n ∴ a = �93.742,6863179� 8 ∴ a = R$ 11.717,83578974. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 1ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,010993631 . 93.742,6863179 ∴ J = 1.030,57250233. Determinando o valor da 1ª parcela: p = a + J ∴ p = 11.717,83578974 + 1.030,57250233 ∴ p = 12.748,40829207. Assim, o saldo devedor, após o pagamento da 1ª parcela, será de: SD = 93.742,6863179 – 11.717,83578974 ∴ SD = 82.024,85052816. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 2ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,010993631 . 82.024,85052816 ∴ J = 901,75093954. Determinando o valor da 2ª parcela: p = a + J ∴ p = 11.717,83578974 + 901,75093954 ∴ p = 12.619,58672928. O saldo devedor, após o pagamento da 2ª parcela, será de: SD = 82.024,85052816 – 11.717,83578974 ∴ SD = 70.307,01473842. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 3ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,010993631 . 70.307,01473842 ∴ J = 772,92937675. Determinando o valor da 3ª parcela: p = a + J ∴ p = 11.717,83578974 + 772,92937675 ∴ p = 12.490,76516649. Assim, o saldo devedor, após o pagamento da 3ª parcela, será de: SD = 70.307,01473842 – 11.717,83578974 ∴ SD = 58.589,17894868. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 4ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,010993631 . 58.589,17894868 ∴ J = 644,10781395. Determinando o valor da 4ª parcela: p = a + J ∴ p = 11.717,83578974 + 644,10781395 ∴ p = 12.361,94360369. Assim, o saldo devedor, após o pagamento da 4ª parcela, será de: SD = 58.589,17894868 – 11.717,83578974 ∴ SD = 46.871,34315894. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 5ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,010993631 . 46.871,34315894 ∴ J = 515,28625116. Determinando o valor da 5ª parcela: p = a + J ∴ p = 11.717,83578974 + 515,28625116 ∴ p = 12.233,1220409. Assim, o saldo devedor, após o pagamento da 5ª parcela, será de: SD = 46.871,34315894 – 11.717,83578974 ∴ SD = 35.153,5073692. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 6ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,010993631 . 35.153,5073692 ∴ J = 386,46468837. 176 Matemática Financeira Determinando o valor da 6ª parcela: p = a + J ∴ p = 11.717,83578974 + 386,46468837 ∴ p = 12.104,30047811. Assim, o saldo devedor, após o pagamento da 6ª parcela, será de: SD = 35.153,5073692 – 11.717,83578974 ∴ SD = 23.435,67157946. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 7ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,010993631 . 23.435,67157946 ∴ J = 257,64312558. Determinando o valor da 7ª parcela: p = a + J ∴ p = 11.717,83578974 + 257,64312558 ∴ p = 11.975,47891532. Assim, o saldo devedor, após o pagamento da 7ª parcela, será de: SD = 23.435,67157946 – 11.717,83578974 ∴ SD = 11.717,83578972. Calculando o valor dos juros a serem pagos na 8ª parcela: J = i . SD ∴ J = 0,010993631 . 11.717,83578972 ∴ J = 128,82156279. Determinando o valor da 8ª parcela: p = a + J ∴ p = 11.717,83578974 + 128,82156279 ∴ p = 11.846,65735253. Assim, o saldo devedor, após o pagamento da 8ª parcela, será de: SD = 11.717,83578972 – 11.717,83578974 ∴ SD = – 0,00000002. Como estamos trabalhando com valores financeiros, esse último saldo de- vedor é igual a R$ 0,00, comprovando que a amortização do financiamento do equipamento está encerrada. Elaborando a planilha elucidativa do financiamento do equipamento, temos: Nº da parcela Valor da amortização Valor do juro da parcela Valor da parcela Saldo devedor 0 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 89.731,25 1 R$ 0,00 R$ 986,47 R$ 0,00 R$ 90.917,72 2 R$ 0,00 R$ 997,32 R$ 0,00 R$ 91.715,04 3 R$ 0,00 R$ 1.008,28 R$ 0,00 R$ 92.723,32 4 R$ 0,00 R$ 1.019,37 R$ 0,00 R$ 93.742,69 5 → 1 R$ 11.717,84 R$ 1.030,57 R$ 12.748,41 R$ 82.024,85 6 → 2 R$ 11.717,84 R$ 901,75 R$ 12.619,59 R$ 70.307,02 7 → 3 R$ 11.717,84 R$ 772,93 R$ 12.490,77 R$ 58.589,18