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gente criando o futuro MATEMÁTICA FINANCEIRA Organizadora Rafaela Rodrigues de Oliveira Amaro MATEMÁTICA FINANCEIRA Organizadora Rafaela Rodrigues de Oliveira Amaro M atem ática Financeira GRUPO SER EDUCACIONAL C M Y CM MY CY CMY K © by Editora Telesapiens Todos o s direitos reservados. Nenhuma parte d esta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico o u mecânico, incluindo f otocópia, g ravação o u qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora Telesapiens. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Bibliotecária: Maria Isabel Schiavon Kinasz, CRB9 / 626 Amaro, Rafaela Rodrigues Oliveira Rodrigues Oliveira Amaro, Isabella Cristina Dantas Valentin - Recife: Telesapiens, 2020. 164 p.: il.; 29cm ISBN 978-65-86073-62-1 II. Título. CDD 650.01513 (22.ed) CDU 51:336 Matemática Financeira.indd 1Matemática Financeira.indd 1 06/08/2021 04:22:02 PM06/08/2021 04:22:02 PM Fundador e Presidente do Conselho de Administração: Janguê Diniz Diretor-Presidente: Jânyo Diniz Diretor de Inovação e Serviços: Joaldo Diniz Diretoria Executiva de Ensino: Adriano Azevedo Diretoria de Ensino a Distância: Enzo Moreira Créditos Institucionais Todos os direitos reservados 2020 by Telesapiens Matemática Financeira Matemática Financeira.indd 2Matemática Financeira.indd 2 06/08/2021 04:22:03 PM06/08/2021 04:22:03 PM Olá! Meu nome é Rafaela Rodrigues Oliveira Amaro. Sou licenciada em Matemática e especialista em Metodologia do Ensino de Matemática, com ampla experiência docente nas esferas do Ensino Fundamental, Médio e Superior. Sou apaixonada pelo que faço, pela matemática, e adoro lecionar e transmitir essa disciplina fascinante. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nessa fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! A AUTORA RAFAELA RODRIGUES DE OLIVEIRA AMARO Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7630524977124650 Matemática Financeira.indd 3Matemática Financeira.indd 3 06/08/2021 04:22:03 PM06/08/2021 04:22:03 PM ICONOGRÁFICOS Esses ícones que irão aparecer em sua trilha de aprendizagem significam: OBJETIVO Breve descrição do objetivo de aprendizagem; + OBSERVAÇÃO Uma nota explicativa sobre o que acaba de ser dito; CITAÇÃO Parte retirada de um texto; RESUMINDO Uma síntese das últimas abordagens; TESTANDO Sugestão de práticas ou exercícios para fixação do conteúdo; DEFINIÇÃO Definição de um conceito; IMPORTANTE O conteúdo em destaque precisa ser priorizado; ACESSE Links úteis para fixação do conteúdo; DICA Um atalho para resolver algo que foi introduzido no conteúdo; SAIBA MAIS Informações adicionais sobre o conteúdo e temas afins; +++ EXPLICANDO DIFERENTE Um jeito diferente e mais simples de explicar o que acaba de ser explicado; SOLUÇÃO Resolução passo a passo de um problema ou exercício; EXEMPLO Explicação do conteúdo ou conceito partindo de um caso prático; CURIOSIDADE Indicação de curiosidades e fatos para reflexão sobre o tema em estudo; PALAVRA DO AUTOR Uma opinião pessoal e particular do autor da obra; REFLITA O texto destacado deve ser alvo de reflexão. Matemática Financeira.indd 4Matemática Financeira.indd 4 06/08/2021 04:22:03 PM06/08/2021 04:22:03 PM SUMÁRIO UNIDADE 1 Capitalização Simples 10 Juros e Montante Simples 10 Juros exatos, ordinários 20 Capitalização Composta 22 Juros e Montante Composto 22 Diferença entre os Regimes de Capitalização 27 Homogeneidade entre taxa e tempo 30 Taxas 32 Taxa Proporcional e Equivalente 32 Taxa Nominal e Efetiva 38 Fluxo de Caixa e Equivalência Financeira 44 Fluxo de Caixa 45 Equivalência Financeira 46 UNIDADE 2 Conhecendo o Desconto Simples 53 Desconto Simples 53 Desconto Simples Comercial 54 Desconto Simples Racional 56 Aplicando o Desconto Composto 59 Desconto Composto 59 Desconto Composto Comercial ou Bancário 60 Desconto Composto Racional 62 Séries de Pagamentos, Classificação e Séries Postecipadas..........66 Matemática Financeira.indd 5Matemática Financeira.indd 5 06/08/2021 04:22:03 PM06/08/2021 04:22:03 PM Séries de Pagamentos 66 Classificação 67 Séries Postecipadas 69 Pagamentos antecipados e Séries Diferidas 76 Pagamentos antecipados 77 Séries Diferidas 81 UNIDADE 3 Compreendendo os índices de atualização e inflação 90 Índices de atualização 90 Índices de inflação 92 Aplicando as variações de índices 99 Correção Monetária 99 Conhecendo as taxas de juros nominal, efetiva, real e aparente.....104 Taxa de Juros 105 Taxa de juros nominal x Taxa de juros efetiva 106 Taxa de Juros Aparente x Taxa de Juros Real 107 Definindo e aplicando a taxa de desvalorização da moeda 113 Taxa de desvalorização da moeda 113 UNIDADE 4 Compreendendo o Sistema Americano de Amortização.....124 Sistemas de Amortização.........................................................124 Sistema Americano de Amortização (SAA)...........................127 Entendendo o Sistema de Amortização Constante..............130 Sistema de Amortização Constante..........................................131 Identificando o Sistema Price ou Francês de amortização...137 Sistemas Price ou Francês de Amortização (SFA)...................138 Aprendendo o Sistema de Amortização Misto.....................145 Sistemas de Amortização Misto (SAM).................................145 Matemática Financeira.indd 6Matemática Financeira.indd 6 06/08/2021 04:22:03 PM06/08/2021 04:22:03 PM Matemática Financeira 7 UNIDADE 01 CAPITALIZAÇÃO SIMPLES E COMPOSTA Matemática Financeira.indd 7Matemática Financeira.indd 7 06/08/2021 04:22:03 PM06/08/2021 04:22:03 PM Matemática Financeira8 Caro(a) aluno(a), imagine-se em uma reunião empresarial, onde serão discutidos diversos assuntos pertinentes à realidade desse setor e, por isso, deve-se adotar uma linguagem financeira específica para tal situação. Bem, nesse cenário, torna- se necessária a efetiva compreensão dos diversos termos e conceitos comuns no universo empresarial, como juros, taxa de juros, capitalização simples e composta, fluxo de caixa. A partir dessa necessidade, nossa primeira unidade se apresenta como uma base sólida para entendermos o mundo em que se situa a Matemática Financeira. Os principais fundamentos dessa vertente da Matemática, que subsidiarão o desenvolvimento de conceitos mais complexos, serão abordados nessa unidade inicial, para facilitar e viabilizar o prosseguimento do nosso curso de Matemática Financeira. Bons estudos! TEMAS Nesta unidade, você verá: • Capitalização simples • Capitalização composta • Taxas • Fluxo de caixa e equivalência financeira INTRODUÇÃO Matemática Financeira.indd 8Matemática Financeira.indd 8 06/08/2021 04:22:03 PM06/08/2021 04:22:03 PM Matemática Financeira 9 Seja muito bem-vindo(a) à Unidade 1 - Capitalização simples e composta. Nosso objetivo é auxiliar você no atingimento dos seguintes objetivos de aprendizagem, até o término dessa etapa de estudos: OBJETIVOS 1 Compreender o regime de capitalização simples e os elementos que o constituem. 2 Definir o regime de capitalização composto e seus respectivos itens, diferenciando-o da capitalização simples. 3 Entender e distinguir os tipos de taxas mais utilizadas no mercado financeiro. 4 Conceituar equivalência financeira e fluxo de caixa, apresentando suas aplicações. Vamos, juntos, adentrar em um mundo interessante e muito útil para nossa vida financeira! Ao trabalho! Avante, caro(a) aluno(a)! Matemática Financeira.indd 9Matemática Financeira.indd 9 06/08/2021 04:22:03 PM06/08/2021 04:22:03 PM Matemática Financeira10 Capitalização Simples Ao término deste estudo, você será capaz de compreender os conceitos relacionados à capitalização simples e aos seuscomponentes: capital, montante, taxa de juros e período. Além disso, seremos apresentados às definições de juros exatos e juros ordinários . Então, vamos lá. Avante! OBJETIVO Juros e Montante Simples Com certeza em algum momento de vida acadêmica ou social já se deparou com notícias do tipo: � “Adquira seu carro com pequena entrada e parcele o restante de sua compra sem juros” � “Juros menor possibilita aumento na compra de imóveis.” � “Juros fecham em queda, com alívio do cambio e melhora na percepção geopolítica.” � “Juros do cartão de crédito e cheque especial sobem no mês de novembro.” � “Cheque especial agora com juros limitados.” Mais comuns do que se possa imaginar, as situações relacionadas a juros estão intimamente conectadas ao nosso cotidiano, uma vez que essa representação matemática é bastante recorrente para indicar diferentes operações financeiras. Matemática Financeira.indd 10Matemática Financeira.indd 10 06/08/2021 04:22:03 PM06/08/2021 04:22:03 PM Matemática Financeira 11 Para iniciarmos nossa jornada definiremos juro, que conforme Castanheira e Macedo (2013): Juro é a remuneração do capital. DEFINIÇÃO O conceito de juro mais trivial é o descrito anteriormente, mas, ainda conforme os mesmos autores, outras proposições mais populares também caracterizam juros: �Quantia paga pelo uso do dinheiro emprestado, isto é, custo do capital de terceiros colocados a nossa disposição; �Recompensa do capital agregado em atividades produtivas; �Remuneração paga pelas instituições financeiras a partir do capital nelas aplicado; e �Remuneração do capital emprestado, ou seja, aluguel pago pela utilização do dinheiro. A ideia de juros é antiga em nossa sociedade. Os primeiros registros são identificados quando os juros eram remunerados por sementes, entre os agricultores, e pagos após a colheita. Era comum a prática de remunerar através de empréstimos de determinados produtos e/ou serviços nas transações comerciais. A forma pela qual os juros são incorporados permite sua categorização. Dessa maneira, eles podem ser classificados como simples ou compostos. Na modalidade simples, os juros incidem sobre o capital inicial. Mas e a capitalização simples? De que modo esse conceito se atrela ao de juros? Essencialmente, capitalizar se associa às ideias de juntar, agregar, acumular. Na Matemática Matemática Financeira.indd 11Matemática Financeira.indd 11 06/08/2021 04:22:03 PM06/08/2021 04:22:03 PM Matemática Financeira12 Financeira, essa concepção se mantém ligada a outros conceitos. A capitalização simples é definida por Castanheira e Macedo (2013) como um modelo de capitalização no qual os juros simples são utilizados. Logo, na capitalização simples, para cada período, temos a mesma taxa de juros calculada sob o mesmo capital. Dessa maneira, é possível ter uma previsão de seu total multiplicando- se o total de juros por intervalo pelo total de intervalos. Destaca-se que, na determinação dos juros simples, a curva do capital é linear, ou seja, é gerada uma função linear na qual cada adicional de juros é associado diretamente ao valor inicialmente investido. Ademais, Castanheira e Macedo (2013) enfatizam que o juro é sempre obtido intermediado por uma taxa incidida sobre o capital. Essa medida se relaciona a uma unidade de tempo, que pode ser diária, mensal, semestral ou anual. As taxas mais comuns no universo financeiro são: � a.d. = ao dia � a.m. = ao mês � a.b = ao bimestre � a.t. = ao trimestre � a.q. = ao quadrimestre � a.s = ao semestre � a.n. = ao ano Como exemplo de utilização dessas taxas, admita uma taxa de 134% a.s., na prática qual seu significado? Ora, basicamente essa taxa produzirá juros de 134% a cada semestre, isto é, seis meses. E uma taxa de 0,14% a.d.? Essa indica que a remuneração do capital emprestado é diária, por isso os juros são obtidos diariamente gerenciados por uma taxa de 0,14%. Matemática Financeira.indd 12Matemática Financeira.indd 12 06/08/2021 04:22:03 PM06/08/2021 04:22:03 PM Matemática Financeira 13 Os juros são regidos por taxas em porcentagem, que, geralmente, são prefixadas por índices determinados pelo governo ou interligadas a políticas financeiras. Tais operações permitem o reajuste de preços de diversos produtos, de maneira geral, e aplicações financeiras (ASSAF NETO, 2012). Daí a tamanha importância desses índices. Constantemente, associamos juros a uma ideia pejorativa, mas por quê? Existem duas facetas desse conceito. Afinal, os juros podem agregar ou depreciar nossa vida financeira, uma vez que essa operação pode acelerar o crescimento de uma renda ou atrapalhá-lo, a partir do momento em que são adquiridos. Por que, então, a prática de juros? Qual a necessidade da admissão desse quantitativo nas operações financeiras? De acordo com Assaf Neto (2012), as taxas de juros são eficientes em relação aos seguintes aspectos: �O risco inerente a operação (empréstimo ou aplicação), indicado pela incerteza em relação ao futuro; �A diminuição de compra do capital impulsionada pela inflação, uma vez que este fator corrói o capital, diminuindo a capacidade de compra de posse do mesmo montante; �O capital aplicado e/ou emprestado, os juros devem agregar lucro ao proprietário do capital de maneira a compensar a privação do uso capital emprestado durante certo período de tempo. Existe uma legislação que orienta a utilização dos juros em operações financeiras, a Lei n. 8.078 de 1990 do Código de Defesa do Consumidor. Esta institui a maneira na qual a aplicação dos juros deve ser definida em um contrato entre as partes envolvidas. SAIBA MAIS Matemática Financeira.indd 13Matemática Financeira.indd 13 06/08/2021 04:22:03 PM06/08/2021 04:22:03 PM Matemática Financeira14 Para nos aprofundarmos nos cálculos e relações, no contexto da Matemática Financeira, definiremos alguns termos comumente utilizados. Vamos lá?! O capital é indicado por C e possui outros significados, como: valor presente ou valor atual e conforme Castanheira e Macedo (2013): Capital se refere a qualquer valor expresso na moeda corrente de uma nação e disponível para operações financeiras. Este quantitativo é muito importante no contexto finan- ceiro, uma vez que fundamentado nele a proporção de lucro ou prejuízo será calculado. Outro componente importante nos cálculos financeiros é o montante que é caracterizado por: O resultado do somatório entre o capital e os juros, correspondendo a um quantitativo capitalizado, após determinado período de tempo. Como já aprendemos os juros são calculados por taxas que são descritas conforme a seguir. Taxa de juros é um percentual que se aplica sobre o capital durante certo período. Outro fator importante na relação com o dinheiro é o tempo. Pois, baseando-se nele, é possível se estabelecer relações financeiras. Período é o tempo que o quantitativo financeiro estará submetido a determinada taxa de juros. A partir de agora, com todos esses conceitos, será possível determinar uma relação que permite o cálculo dos juros simples; Ela, basicamente, depende de três fatores, como apresentado na Figura 1 seguir: Matemática Financeira.indd 14Matemática Financeira.indd 14 06/08/2021 04:22:03 PM06/08/2021 04:22:03 PM Matemática Financeira 15 Figura 1 – Composição dos Juros. Fonte: a autora. Assim, a fórmula que possibilita o cálculo dos juros simples é dada por: J = C . i . n Ainda neste contexto de juros simples, existem relações específicas para a determinação do montante e do capital envolvido em diversas operações financeiras. M = C (1 + . i . n) M = C + J Perceba que as fórmulas são equações polinomiais do 1º grau, que, graficamente, são representadas por retas que possuem como característica a permanência do mesmo coeficiente angular ou a inclinação da reta tangente. Isso demonstra que, a cada período, os juros são os mesmos e sempre acrescentados ao capital inicialaplicado a certo investimento. É de suma importância realçar que todas as fórmulas apresentadas anteriormente podem ser reescritas, substituindo- se o capital pelo termo valor presente (PV = present value) e o montante, por valor futuro (FV = future value). Esses termos são muito utilizados na linguagem financeira, e suas abreviações (PV e FV) representam teclas contidas na calculadora financeira HP- 12C, na qual pode ser feita grande parte dos cálculos inerentes ao mercado financeiro. Então as fórmulas serão reescritas da seguinte forma: FV = PV (1 + . i . n) FV = PV + J Matemática Financeira.indd 15Matemática Financeira.indd 15 06/08/2021 04:22:03 PM06/08/2021 04:22:03 PM Matemática Financeira16 É necessário frisar que a dinâmica de entrada de valores na calculadora HP-12C é diferente da que ocorre nas calculadoras tradicionais. Para facilitar seu uso, pode ser importante que você leia alguns manuais. No site da fabricante HP há disponível um manual de utilização da calculadora HP- 12C que pode ser acessado pelo link: http://bit.ly/2TCHgcQ ACESSE Vamos agora exercitar estas relações que embasam os cálculos dos juros simples? Lembrando que as fórmulas se diferenciam devido aos elementos que a compõe, logo a escolha de utilização dependerá do contexto do problema a ser solucionado. Em toda resolução será apresentado à versão algébrica e outra com base na calculadora HP-12C. Vamos lá! Exemplo: Patrícia emprestou durante um semestre a quantia de R$10.000, a uma taxa de 2,5% a.m. (ao mês). De quanto serão os juros obtidos neste período? Sempre iniciaremos a resolução de um exercício desta- cando as informações contidas no enunciado, logo: n = 6 i = 2,5% = 2,5100 = 0,025 C = 10.000 J = ? Matemática Financeira.indd 16Matemática Financeira.indd 16 06/08/2021 04:22:04 PM06/08/2021 04:22:04 PM Matemática Financeira 17 Observe que o período foi definido como “6”, em referência a “um semestre”, porque a taxa de juros é mensal. A taxa de juros sempre deve ser transformada para sua forma decimal, isto é, deve-se encontrar seu número decimal correspondente, e, para isso, basta dividir o valor informado por 100. Como foi solicitado o cálculo dos juros nesse período, basta substituirmos as informações recolhidas anteriormente e aplicá-las na relação: J = C . i . n J = 10.000 . 0,025 . 6 J = 1500,00 Cálculo na Calculadora HP-12C 10000 enter 2,5 % 6 x Assim, para encontrarmos o valor acumulado após seis meses, basta somarmos o valor do capital com o valor dos juros encontrados, o que equivale a R$ 11.500,00. Para se elucidar com mais propriedade a resolução desse problema, é possível elaborar uma planilha eletrônica ou tabela para a determinação do juro mensal até a conclusão de seu total semestral. Observe a Tabela 1, com os valores referentes a esse exemplo. Tabela 1: Capitalização Simples Fonte: A autora Matemática Financeira.indd 17Matemática Financeira.indd 17 06/08/2021 04:22:04 PM06/08/2021 04:22:04 PM Matemática Financeira18 Atente-se ao fato de que o valor de juros encontrado, nessa modalidade, é sempre o mesmo, pois a base de referência para o cálculo não se modifica no decorrer do tempo. Observe essa característica na representação gráfica a seguir, correspondente à mesma situação-problema. Gráfico 1: Capitalização Simples. Fonte: a autora. Na Matemática Financeira, existem o ano civil e o ano comercial, que se diferenciam pela quantidade de dias contabilizados. O ano civil é constituído por 365 dias ou 366 dias, e o ano comercial é formado por 360 dias. Exemplo: A quantia de R$ 12.000,00 foi gerada a partir de um capital de R$ 3.000,00, aplicado a juros simples de 5% ao mês. Qual foi o período dessa operação financeira? Informações do problema: M ou FV = 12.000 C ou PV = 3.000 I = 5% = 5100 = 0,5 N = ? Matemática Financeira.indd 18Matemática Financeira.indd 18 06/08/2021 04:22:04 PM06/08/2021 04:22:04 PM Matemática Financeira 19 Logo: M = C(1 + i . n) → FV = PV (1 + . i . n) 12.000 = 3.000(1 + 0,5 . n) 12.000 3.000 = (1 + 0,5n) 4 = 1 + 0,5n 4 – 1 = 0,5n 3 = 0,5n → n = 6 Desse modo, o período necessário para se obter tal montante foi de 60 meses. Cálculo na Calculadora HP-12C 3000 enter 12000 ∆% 5 ÷ Exemplo: Uma empresa aplicou R$ 10.000 e recebeu, após sete anos, um montante de R$ 28.500,00. Qual foi a taxa de juros simples incidida nessa transação? Informações do problema: M ou FV = 28.500 C ou PV = 10.000 N = 7 anos I = ? Logo: M = C(1 + i . n) → FV = PV(1 + . i . n) 28.500 = 10.000(1 + i . 7) 25.500 10.000 = (1 + 7i) Matemática Financeira.indd 19Matemática Financeira.indd 19 06/08/2021 04:22:04 PM06/08/2021 04:22:04 PM Matemática Financeira20 2,85 = 1 + 7i 2,85 – 1 = 7i I = 2,85-17 → i ≅ 0,2643 ≅ 26,43% a.a. Assim, a taxa anual aplicada nessa operação corresponde a 26,43% a.a. Cálculo na Calculadora HP-12C 10000 enter 28500 ∆% 7 ÷ Juros exatos e ordinários Os juros, como já aprendemos, correspondem, resumi- damente, a um “aluguel” pago pela utilização de certa quantia. Esse valor pode ser adicionado ou retirado da quantidade inicial, variando conforme a modalidade adotada. No entanto, a base de cálculo referente ao período estabelecido causa diferença: se calculado em 40 dias, será obtido determinado valor; se alterado para 41 dias, será outro. Tendo em vista essa diferenciação, conheceremos com mais detalhes os juros exatos e ordinários. Conforme destaca Assaf Neto (2012), os juros exatos são assim descritos: Modalidade de juros em que se adota a quantidade exata de dias que compõe um ano civil, que pode variar entre 365 dias e 366 dias, caso o ano seja bissexto. Matemática Financeira.indd 20Matemática Financeira.indd 20 06/08/2021 04:22:04 PM06/08/2021 04:22:04 PM Matemática Financeira 21 Castanheira e Macedo (2013) caracterizam juro ordiná- rio da seguinte forma: É o juro que utiliza como referência o ano comercial, isto é, considera que todos os meses são compostos por 30 dias, e, por consequência, o ano, que é constituído por doze destes, possui 360 dias. RESUMINDO O que achou do que aprendemos? Gostou? Agora, só para termos certeza de que você entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir o que vimos. Você deve se lembrar do regime de capitalização simples, que utiliza os juros simples. Nessa dinâmica, é necessário se estabelecer uma taxa de juros, um período, assim como o capital e o montante, que também podem ser chamados de valor presente e valor futuro, respectivamente. É importante destacar que o cálculo da taxa, na modalidade simples, é um valor constante, por isso não se altera no período estabelecido. Também aprendemos sobre juros que podem ser exatos ou ordinários, sendo a diferença básica entre eles o período, que compõe um ano, de 365 (ou 366) dias ou 360 dias, respectivamente. Matemática Financeira.indd 21Matemática Financeira.indd 21 06/08/2021 04:22:04 PM06/08/2021 04:22:04 PM Matemática Financeira22 Capitalização Composta Ao fim deste capítulo, você será capaz de conhecer a capitalização composta, identificando o modo pelo qual os juros são capitalizados. E, por fim, será possível diferenciar o regime de capitalização composta do regime de capitalização simples. OBJETIVO Juros e Montante Composto A principal característica do regime de capitalização composta é a reincidência de juros sobre o capital. Assim, quando determinado valor já está interligado a uma parcela de juros, essa taxa de juros é incidida mais uma vez, mas agora sobre o total acumulado. Assaf Neto (2012) apresenta a seguinte definição: Capitalização composta é um regime que adota a taxa de juros composta, isto é, o juro produzido em determinado tempo será acrescido ao valor produzido pelo capital, passando, ambos, juro e capital, a render juro no próximo período. Nessa dinâmica financeira, cada intervalo em que o juro é agregado ao valor que o gerou é chamado de períodode capitalização. Ao realizarmos um empréstimo, uma compra a prazo ou um financiamento de imóvel ou automóvel em certa instituição financeira, sempre estamos pagando juros, e, na grande maioria das vezes, esses juros são compostos. Matemática Financeira.indd 22Matemática Financeira.indd 22 06/08/2021 04:22:04 PM06/08/2021 04:22:04 PM Matemática Financeira 23 O que, basicamente, diferencia os juros simples dos juros compostos é o capital, que, no caso dos últimos, a cada período, é alterado. Pois, a cada término de um período de capitalização, é obtido um montante ou valor futuro (FV) parcial. Dessa forma, as relações que permitem a utilização dos juros compostos são dadas por: M = C + J ou FV = PV + J M = C(1 + i)n ou FV = PV(1 + i)n J = C[(1 + i)n – 1] ou J = PV[(1 + i)n – 1] Vale lembrar que, como destacado na figura 2, na linguagem financeira utilizamos as seguintes denominações: Figura 2 -Termos utilizados na matemática financeira. Fonte: a autora. Ter conhecimento dessa linguagem facilita a manipulação de calculadoras financeiras, assim como interpretar os resultados obtidos. Vamos praticar? Resolveremos juntos alguns exercícios, e será apresentada a resolução algebricamente intermediada por cálculos matemáticos e na linguagem própria da calculadora HP-12C. Exemplo: Qual o montante produzido por um capital de R$10.000, a uma taxa de 5% a.m. durante vinte meses? Retirando as informações do enunciado: n = 20 i = 5% = 0,05 C = 10.000 M = ? Matemática Financeira.indd 23Matemática Financeira.indd 23 06/08/2021 04:22:04 PM06/08/2021 04:22:04 PM Matemática Financeira24 Substituindo as informações nas relações apresen-tadas, encontramos: M = C(1 + i)n ou FV = PV(1 + i)n M = 10.000(1 + 0,05)20 M = 26532,98 Cálculo na Calculadora HP-12C 10000 CHS PV 5 i 20 n FV 26532,98 Para você, caro(a) aluno(a), compreender melhor a dinâmica da capitalização composta, foi elaborada a Tabela 2, na qual você pode acompanhar como os juros compostos funcionam. Tabela 2: Capitalização Composta Período Capital Juros Montante 0 10.000 - 10.000 1 10.000 10.000 (1+0,05) = 10.500 2 10.500 10.500 (1 + 0,05) = 11.025 3 11.025 11.025 (1 + 0,05) = 11.576,25 : . : . : . : . 20 25.269,50 25.269,50.(1+0,05) = 26.532,98 Fonte: A autora. Chamo a sua atenção para o fato de que o capital no qual incide a taxa de juros, a cada período, é sempre alterado. Por isso, essa modalidade é conhecida como juros sobre juros. Utilizaremos em nossos cálculos sempre duas casas decimais nos cálculos necessários em virtude do Sistema Monetário Brasileiro, assim é necessário relembrar as regras de Matemática Financeira.indd 24Matemática Financeira.indd 24 06/08/2021 04:22:04 PM06/08/2021 04:22:04 PM Matemática Financeira 25 arredondamento que instituem que para arredondar a segunda casa após a virgula é necessário observar o número que ocupa a terceira casa decimal, se este valor for igual ou menor que cinco, este último algarismo será mantido, caso contrário, acrescenta- se uma unidade ao algarismo que ocupa a segunda casa após a virgula. Gráfico 2: Capitalização Composta. Fonte: a autora. Exemplo: Uma poupança foi criada com a entrada de R$ 20.000,00 e ficou capitalizando, em um período de 12 anos. Após esse tempo, foi comunicado, ao cliente detentor dessa conta, que o valor presente era de R$ 32.000,00. Logo, qual taxa de juros compostos foi aplicada a esse capital? As informações do enunciado são: n = 12 anos I = ? C = PV = 20.000 M = FV = 32.000,00 Matemática Financeira.indd 25Matemática Financeira.indd 25 06/08/2021 04:22:04 PM06/08/2021 04:22:04 PM Matemática Financeira26 Assim, substituindo as informações nas relações apresen- tadas, encontramos: M = C(1 + i)n ou FV = PV(1 + i)n 32.000,00 = 20.000(1 + i)12 32.000 20.000 = (1 + i) 12 1,6 = (1 + i)12 12√1,6 = 12√(1+i)12 1,0399 = 1 + i 1,0399 – 1 = i → i = 0,0399 = 3,99% Cálculo na Calculadora HP-12C 20000 CHS PV 32000 FV 12 n i Exemplo: Uma poupança foi aberta com um saldo de R$ 23.400,00, e, após determinado período, sob uma taxa de juros compostos de R$ 1,2% ao mês, obteve-se um montante de R$ 29.150,00. Determine o período. As informações do enunciado são: C = PV = 23.400 M = FV = 29.150 i = 1,2% = 0,012 N = ? Matemática Financeira.indd 26Matemática Financeira.indd 26 06/08/2021 04:22:04 PM06/08/2021 04:22:04 PM Matemática Financeira 27 Assim, alterando as informações nas fórmulas apresentadas, encontramos: Cálculo na Calculadora HP-12C 23400 CHS PV 28150 FV 1,2 i n Observe que o cálculo realizado na calculadora financeira HP-12C é bem mais rápido e não demanda manipulações algébricas, como no cálculo tradicional. No entanto, é necessário conhecimento prévio de sua dinâmica de funcionamento.. Diferença entre os regimes de capitalização A capitalização é o espaço de tempo em que a aplicação produz os juros contratados. Sendo assim, um período de três anos, com os juros capitalizados semestralmente, produz seis períodos de capitalização. No entanto, a modalidade pela qual o valor presente é determinado, adicionado ao juro obtido ou não, é que permite categorizar em simples ou composto (NETO,2012). Matemática Financeira.indd 27Matemática Financeira.indd 27 06/08/2021 04:22:04 PM06/08/2021 04:22:04 PM Matemática Financeira28 A capitalização simples se enquadra em um modelo linear, pois, a cada período, acrescenta a mesma parcela de juros. Enquanto a capitalização composta obedece a um estereótipo exponencial, caracterizado por acrescentar sempre, ao valor presente, uma parcela corrigida a partir do montante anterior. Graficamente, a distinção entre essas duas modalidades de capitalização pode ser observada a seguir, ambas em um mesmo plano cartesiano.. Gráfico 3: Comportamento da capitalização Simples e Composta Fonte: Assaf Netto (2012, p.5) Observe, no gráfico, que a curva da capitalização composta é bem mais inclinada em relação à capitalização simples. Essa diferença reflete diretamente no juro obtido nas relações financeiras. Exemplo: Suponha que você tenha R$ 100.000,00 e aplique esse valor em determinado investimento, regido por uma taxa de juros de 0,75% a.m.. Durante um ano, qual o montante gerado? Conforme as informações do problema: n = 12 i = 0,75% = 0,0075 C = PV = 100.000 M = FV = ? Matemática Financeira.indd 28Matemática Financeira.indd 28 06/08/2021 04:22:04 PM06/08/2021 04:22:04 PM Matemática Financeira 29 a. Capitalização simples: M = C(1 + i . n) ou FV = PV(1 + i . n) = 100.000(1 + 0,0075 . 12) = 109.000,00 Cálculo na Calculadora HP-12C 100000 enter 0,75 % 12 x 10000. + A calculadora HP-12C calcula juros simples com base em um período que pode ser de 360 dias ou 365 dias. Além disso, com o juro acumulado no visor, a quantia total pode ser calculada (principal somado ao juro acumulado) pressionando-se +. Assim, para calcular os juros em um período de 360 dias ou 365 dias, é necessário seguir os passos abaixo: �Digite ou calcule o número de dias e pressione n. �Digite a taxa de juros anual e pressione i. �Digite a quantia do principal e pressione CHS PV � Pressione: f INT para calcular e exibir o juro acumulado em 360 dias. f INT R ↓ X ≥ Y para calcular e exibir o juro acumulado em 365 dias. � Pressione + para calcular o total do principal e o juro acumulado agora no visor. Lembrando que os valores de n, i e PV podem ser inseridos em qualquer ordem. b. Capitalização composta: M = C(1 + i)n ou FV = PV(1 + i)n = 100.000(1 + 0,0075)12 Matemática Financeira.indd 29Matemática Financeira.indd 29 06/08/2021 04:22:04 PM06/08/2021 04:22:04 PM Matemática Financeira30 = R$109.380,69 Cálculo na Calculadora HP-12C 100000 CHS PV 12 n 0,75 i FV = 109.938,69 Atente-se ao fato de que, no período de um ano, houve uma diferença de R$ 380,69 (R$ 109.380,69 – R$ 109.000,00). Grande, não é mesmo? Agora, imagine esse incremento em transaçõesrealizadas em 10, 20, 30 anos? Aumenta ainda mais! Por isso, o juro composto é muito utilizado nas transações mais comuns no mercado financeiro. Homogeneidade entre taxa e tempo Em transações financeiras, sempre o período (n) deve estar condizente com a unidade de tempo (dias, meses e anos) em que foi estabelecida a taxa de juros. Lembrando que: �O ano civil equivale a 365 dias; �O ano comercial é igual a 360 dias; �O mês comercial compreende 30 dias. Um exemplo da importância de realizar a transformação de uma taxa para outra: em um empréstimo, é comum estar incidida uma taxa de juros capitalizada anualmente, mas um cliente pode querer contratá-lo em um período de meses. Vamos entender como ocorre, na prática, esse processo de transformação? Avante, caro(a) aluno(a)! Exemplo: Determine a equivalência de uma taxa de juros de 16% anual para: a. Taxa diária; b. Taxa mensal; Matemática Financeira.indd 30Matemática Financeira.indd 30 06/08/2021 04:22:04 PM06/08/2021 04:22:04 PM Matemática Financeira 31 c. Taxa bimestral; d. Taxa semestral. Para se obter tais transformações, basta realizar a divisão da taxa anual indicada pelo período em que se almeja a transformação, logo: a. Taxa diária = 16360 0,04% a.d. b. Taxa mensal = 1612 1,33% a.m. c. Taxa bimestral = 162 8% a.b. d. Taxa semestral = 166 2,67% a.s. RESUMINDO E então? Gostou do que foi apresentado neste capítulo? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo, vamos resumir o que vimos! Você conheceu com mais propriedade a dinâmica da capitalização composta, isto é, os juros compostos, modalidade na qual a taxa de juros é calculada sobre o montante obtido anteriormente. Observe que, em ambas as categorias de capitalização, é preciso estabelecer uma taxa de juros, um período, assim como o capital e o montante. A principal diferença entre o juro simples e o composto consiste no valor no qual se incide o cálculo da taxa. Na modalidade simples, esse valor é constante. Já na composta, esse número sempre aumenta e é variável. Também aprendemos que, em várias transações financeiras, o período tem que ser igual à unidade de tempo (dias, meses e anos) em que se é capitalizada a taxa de juros, representando a homogeneidade entre taxa e tempo. Matemática Financeira.indd 31Matemática Financeira.indd 31 06/08/2021 04:22:04 PM06/08/2021 04:22:04 PM Matemática Financeira32 Taxas Ao término deste capítulo, é esperado que você, estimado(a) aluno(a), compreenda as taxas de juros e as operações possíveis de serem executadas com elas, identificando o tipo de manipulação mais condizente com o regime de capitalização estabelecido. Já estudamos o conceito e a aplicação das taxas no contexto financeiro. Agora, é importante conhecer um pouco mais sobre esse índice e diferenciá-lo. Assim, iniciaremos esse conteúdo apresentando as técnicas para conversão de taxas relacionadas ao período de capitalização: taxa proporcional e taxa equivalente. OBJETIVO Taxa proporcional e equivalente As taxas proporcional e equivalente possuem a mesma função, que, basicamente, é transformar uma taxa que capitaliza os juros perante certo período para outro. A grande diferença entre ambas consiste na categoria de juros: a taxa proporcional é aplicada aos juros simples, enquanto a taxa equivalente se relaciona aos juros compostos. Veja, na Figura 3, essa distinção. Figura 3 – Organograma sobre a classificação de taxas conforme o tipo de juros. Fonte: a autora. Duas taxas são ditas proporcionais quando possuem períodos de capitalização diferentes e, se aplicadas a um mesmo capital inicial, produzem um mesmo valor final.determinado Matemática Financeira.indd 32Matemática Financeira.indd 32 06/08/2021 04:22:05 PM06/08/2021 04:22:05 PM Matemática Financeira 33 São aplicadas somente ao regime de capitalização simples, no qual a razão entre as taxas é igual à razão entre os respectivos períodos (ASSAF NETO, 2012). Matematicamente, isso corresponde à definição que será apresentada a seguir. i1 i2 = n1 n2 Através da propriedade fundamental da proporção, o produto dos meios é igual ao produto dos extremos, ou seja: i1 . n2 = i2 . n1 Uma vez considerando: � i1 e i2 taxas de juros � n1 e n2 períodos Exemplo: Admitindo uma taxa anual igual a 45%, determine esse índice proporcional: a. Mensal; b. Trimestral; c. Semestral; Para solucionar esse exercício, inicialmente basta substituir as informações na relação apresentada anteriormente: a. Mensal: Como a taxa de juros de 45% informada é anual e este período é constituído por 12 meses, logo: i1 = 0,45 e n1 = 12 i2 = ? e n1 = 1 Assim: i1 . n2 = i2 . n1 → 0,45 . 1 = i2 . 12 → i2 = 0,45 12 = 0,0375 = 3,75% a.m. Matemática Financeira.indd 33Matemática Financeira.indd 33 06/08/2021 04:22:05 PM06/08/2021 04:22:05 PM Matemática Financeira34 b. Trimestral: Como a taxa de juros de 45%, o período tem 4 trimestres, logo: i1 = 0,45 e n1 = 4 i2 = ? e n1 = 1 Assim: i1 . n2 = i2 . n1 → 0,45 . 1 = i2 . 4 → i2 = 0,45 4 = 0,1125 = 11,25% a.t. c. Semestral: Como a taxa de juros de 45% informada é anual e este período é constituído por 2 semestres, logo: i1 = 0,45 e n1 = 2 i2 = ? e n1 = 1 Assim: i1 . n2 = i2 . n1 → 0,45 . 1 = i2 . 4 → i2 = 0,45 2 = 0,225 = 22,5% a.s. Agora, de volta ao contexto da capitalização composta, conheceremos mais sobre as taxas equivalentes, bem como as técnicas admissíveis de serem utilizadas. Vamos lá?! Assaf Neto (2012) declara que as taxas equivalentes são descritas conforme a seguir. Duas taxas são denominadas equivalentes se, quando aplicadas a juros compostos e considerando um mesmo capital produzem um mesmo valor de montante (NETO,2012). Existe uma relação matemática especifica que possibilita determinar essa equivalência, dada por: (1 + i1) n1 = (1 + i2)n2 Matemática Financeira.indd 34Matemática Financeira.indd 34 06/08/2021 04:22:05 PM06/08/2021 04:22:05 PM Matemática Financeira 35 Onde: � i1 e i2 são taxas de juros � n1 e n2 são períodos Mas em quais situações devo utilizar de tais relações? É o que veremos na prática nos exemplos a seguir! Exemplo: Qual a taxa bimestral, semestral e anual equiva- lente a taxa mensal de 3%? Para solucionar tal situação, utilizaremos, como referência, um bimestre como 2 meses ou 60 dias; um semestre, como 6 meses ou 180 dias; e um ano, como 12 meses ou 360 dias. �Bimestral: Solução na Calculadora HP-12C 1 ENTER 0,03 + 60 ENTER 30 ÷ yx1 – 100 X Matemática Financeira.indd 35Matemática Financeira.indd 35 06/08/2021 04:22:05 PM06/08/2021 04:22:05 PM Matemática Financeira36 Logo, uma taxa de juros compostos de 3% mensal, equivale a uma taxa bimestral de 6,1%. Semestral: Cálculo na Calculadora HP-12C 1 ENTER 0,03 + 180 ENTER 30 ÷ yx 1 – 100 X Então, uma taxa de juros compostos de 3% mensal, equivale a uma taxa semestral de 19,40%. Anual: Matemática Financeira.indd 36Matemática Financeira.indd 36 06/08/2021 04:22:05 PM06/08/2021 04:22:05 PM Matemática Financeira 37 Cálculo na Calculadora HP-12C 1 ENTER 0,03 + 360 ENTER 30 ÷ yx1 1 – 100 X Dessa forma, uma taxa de juros compostos de 3% mensal equivale a uma taxa anual de 42,58%. Basicamente as fórmulas que permitem realizar as conversões mais comuns são apresentadas na tabela a seguir, na qual: t = Prazo inicial (informação que tenho relativo ao período); q = Prazo final (prazo solicitado); it = Taxa informada (taxa fornecida no exercício); iq = Taxa a ser determinada (taxa procurada); Tabela 3 - Fórmulas para equivalência entre taxas. Fonte: A autora. Matemática Financeira.indd 37Matemática Financeira.indd 37 06/08/2021 04:22:05 PM06/08/2021 04:22:05 PM Matemática Financeira38 Taxa nominal e efetiva Ao realizarmos um empréstimo, é comum questionarmos o valor da taxa incidida na operação. Como resposta, somos informados de que a taxa anual praticada é de 38%. Porém, o prazoreferente à constituição do juro, assim como sua agregação ao capital que o gera, costumeiramente, são mensais. Na maioria das vezes, o mercado financeiro institui, para uma mesma operação, expressões distintas de juros para sua forma de capitalização. No cheque especial, por exemplo, é comum se utilizar tanto a taxa efetiva quanto a taxa nominal de juros. Desse modo, para se comparar o custo para realizar tal transação, é essencial conhecer a fundamentação teórica de cada modalidade de taxa. A partir de situações como essa, surge a necessidade de identificar, bem como diferenciar, a taxa nominal e a efetiva e, posteriormente, efetuar a transformação entre ambas. Castanheira e Macedo (2013) reiteram que a taxa: É chamada de nominal quando o intervalo de tempo que se refere à taxa não se equipara ao período de capitalização. Tendo como exemplo uma taxa de 16%, semestral, a capitalização trimestral é tida como uma taxa nominal, pois a taxa se refere ao semestre. No entanto, a capitalização dos juros ocorre trimestralmente, isto é, existem quatro períodos de capitalização em um ano. Vamos, portanto, caro(a) aluno(a), considerar, para tornar mais clara essa definição, a resolução do exemplo a seguir. Exemplo: Determine o valor futuro de um capital de R$ 7.000,00, aplicado à taxa nominal de 32% ao ano, durante um ano, capitalizado: a. Bimestralmente; b. Semestralmente; Chamo sua atenção, para o fato de que o período varia conforme a modalidade de capitalização. Então, será preciso Matemática Financeira.indd 38Matemática Financeira.indd 38 06/08/2021 04:22:05 PM06/08/2021 04:22:05 PM Matemática Financeira 39 mudar o número correspondente ao tempo percorrido, lembrando-se de que sempre será considerado, nessas operações, o juro composto. Caso sejam os juros simples, será especificado no comando da questão. a. Bimestralmente: como um bimestre compreende dois meses, para determinar o período basta calcular a razão: 122 = 6 bimestres, assim como a taxa deve também ser modificada para 32% 6 = 5,33% M = C(1 + i)n ou FV = PV(1 + i)n = 7000(1 + 0,0533)6 = 9558,96 Solução pela calculadora HP-12C 7000 CHS PV 5 i 6 n FV b. Semestralmente: como um semestre compreende seis meses, para determinar o período basta, calcular a razão: 126 =2 semestres. Assim, como a taxa deve também ser modificada para 32% 2 ≅ 0,16 M = C(1 + i)n ou FV = PV(1 + i)n = 7000(1 + 0,16)2 = 9.419,20 Cálculo pela calculadora HP-12C 7000 CHS PV 16 i 2 n FV É comum surgirem dúvidas quanto à maneira de converter períodos, conforme a periodicidade de conversão. Assim, para Matemática Financeira.indd 39Matemática Financeira.indd 39 06/08/2021 04:22:05 PM06/08/2021 04:22:05 PM Matemática Financeira40 facilitar sua compreensão, basta identificar na tabela a seguir a alteração necessária a ser realizada no exercício proposto. Quando o período da taxa é maior que o período de capitalização, a transformação ocorre dividindo -se valores. Observe a Tabela 4, a seguir: Tabela 4: Transformação de taxa com período maior ao período de capitalização. Taxa Capitalização Operação Anual Semestral ÷ 2 Trimestral ÷ 4 Bimestral ÷ 6 Mensal ÷ 12 Diária ÷ 360 Semestral Trimestral ÷ 2 Bimestral ÷ 3 Mensal ÷ 6 Diária ÷ 180 Trimestral Bimestral ÷ 1,5 Mensal ÷ 3 Diária ÷ 90 Bimestral Mensal ÷ 2 Diária ÷ 60 Mensal Diária ÷ 30 Fonte: A autora Em contrapartida, quando o período da taxa é menor que o período de capitalização, a transformação ocorre multiplicando- se valores. Observe a próxima tabela. Tabela 5: Transformação de taxa com período menor ao período de capitalização. Taxa Capitalização Operação Diária Anual × 360 Semestral × 180 Trimestral × 90 Bimestral × 60 Mensal × 30 Mensal Anual × 12 Semestral × 6 Trimestral × 3 Bimestral × 2 Bimestral Anual × 6 Semestral × 3 Trimestral × 1,5 Matemática Financeira.indd 40Matemática Financeira.indd 40 06/08/2021 04:22:05 PM06/08/2021 04:22:05 PM Matemática Financeira 41 Trimestral Anual × 4 Semestral × 2 Semestral Anual × 2 Fonte: A autora Agora que finalizamos as definições relacionadas à taxa nominal, conheceremos outra modalidade de taxa, a efetiva, que, de acordo com Castanheira e Macedo (2013) é: quando o prazo referente a uma taxa coincide com o período de formação e incorporação do juro ao capital que o produziu. Na dinâmica de taxa efetiva, não importa o prazo no qual o capital será acrescentado de juros. Pois, o resultado, isto é, o montante, será sempre o mesmo, porque o juro é capitalizado uma única vez no período correspondente à taxa (ASSAF NETO, 2012). Inicialmente, as definições da taxa nominal e da taxa efetiva podem parecer confusas. Mas a maneira mais fácil de entender essas definições é a partir das distinções entre ambas. Como? Observe, atentamente, as informações a seguir e compreenderá esse comando. Figura 4: Comparação entre taxa nominal e efetiva. Fonte: a autora. É importante destacar que a taxa nominal não é usada nos cálculos financeiros, e, sim, a taxa efetiva. Por convenção, a transformação da taxa nominal para a taxa efetiva é realizada proporcionalmente. Agora, vamos praticar? Matemática Financeira.indd 41Matemática Financeira.indd 41 06/08/2021 04:22:05 PM06/08/2021 04:22:05 PM Matemática Financeira42 Exemplo: Determine o montante e a taxa efetiva incidido sobre um empréstimo de R$5.000,00 a ser pago em parcela única em um ano. Considere uma taxa nominal de 11% anual, com capitalização mensal. Retirando as informações do exercício, encontramos: � i = 11% a.a. É preciso realizar a conversão para taxa nominal, logo proporcionalmente uma taxa anual para mensal: 11% 12 = ≅ 0,92% = 0,0092% C = PV = 5.000 n = 12 Agora substituindo na fórmula de juros compostos: M = C(1 + i)n ou FV = PV(1 + i)n = 5000(1 + 0,0092)12 = 5580,81 Cálculo pela calculadora HP-12C 5000 CHS PV 16 i 0,92 n FV = 5.580.81 Sabemos que o montante é igual a R$ 5.580,81. Para determinarmos a taxa efetiva pertencente a essa operação, retornamos com os valores do montante encontrado e do capital. Em contrapartida, o período é modificado para um, pois encontraremos a taxa efetiva anual. Veja: 5580,81 = 5000(1 + i)1 = 5580,815000 = 1 + i 1,1162 = 1 + i i = 0,1162 = 11,62% a.a. (taxa efetiva) Matemática Financeira.indd 42Matemática Financeira.indd 42 06/08/2021 04:22:05 PM06/08/2021 04:22:05 PM Matemática Financeira 43 Cálculo pela calculadora HP-12C 1 n i Outra maneira de se determinar a taxa efetiva é através da relação: if = (1 + i)q - 1 Em que: � if = taxa efetiva; � a = número de períodos de capitalização de juros; Resolvendo-se o exemplo anterior diretamente na fórmula, encontramos: if = (1 + i)q - 1 if = (1 + 0,0092)1 - 1 if = 0,1162 Exemplo: Uma instituição financeira possui, em sua cartela de produtos, uma aplicação financeira que paga 40% ao ano. Determinado cliente, após o prazo de um mês, solicitou a rentabilidade efetiva, considerando os juros de 40% a.a., como: a. Taxa Efetiva; b. Taxa Nominal. Hora de praticar caro(a) aluno(a)! Vamos lá? a. Taxa Efetiva: a rentabilidade mensal corresponde a taxa equivalente composta de 40% a.a.; logo: Taxa nominal: a rentabilidade mensal de 40% a.a. é encontrada pela taxa proporcional. Assim: b. Matemática Financeira.indd 43Matemática Financeira.indd 43 06/08/2021 04:22:05 PM06/08/2021 04:22:05 PM Matemática Financeira44 RESUMINDO O que achou deste capítulo? Aprendeu satisfatoriamente? Para fixarmos o tema de estudo, vamos fazer um breve resumo. Você deve ter aprendido sobre a classificação das taxas de juros e suas respectivas peculiaridades. Elas podem ser calculadas proporcionalmente, manejando-se os juros da modalidade simples, e podem ser encontradas equivalentemente, no trabalho com os juros compostos. Além disso, você deve ter conhecido as taxas efetivas e nominais. Essas se diferenciam e se classificam quanto ao período em que ocorre a capitalização e o período deincidência e cálculo da taxa de juros. Quando esses indicativos são iguais, recebem a denominação de taxas efetivas, e, se forem diferentes no período, são chamadas de taxas nominais. Ao fim deste capítulo, esperamos que você, estimado(a) aluno(a), compreenda o que é fluxo de caixa, um dispositivo gráfico muito útil na administração, e entenda o conceito de equivalência financeira, que relaciona a igualdade de capitais, conforme determinado período. OBJETIVO Fluxo de caixa e equivalência financeira Matemática Financeira.indd 44Matemática Financeira.indd 44 06/08/2021 04:22:05 PM06/08/2021 04:22:05 PM Matemática Financeira 45 Fluxo de caixa Fluxo de caixa e equivalência financeira são conceitos imprescindíveis em uma administração consciente dos recursos financeiros de uma empresa. Detalharemos sobre eles, a seguir. A Matemática Financeira estuda a relação do dinheiro com o tempo. Nesse sentido, o fluxo de caixa é muito importante nas operações dessa área, porque possibilita a visualização da variação do capital. Assaf Neto (2012) define fluxo de caixa como: Representação gráfica de um conjunto de entradas e saídas em uma linha do tempo. O fluxo de caixa não é o mesmo sempre, pois os valores e a quantidade de entradas e saídas variam. Entretanto, há um estereótipo definido para essa representação, identificado na Figura 5: Figura 5: Fluxo de Caixa. Fonte: Assaf Netto (2012, p.2) Para construir essa representação, temos que seguir algumas regras. São elas: �A linha horizontal indica uma escala de tempo, isto é, o horizonte financeiro da operação; �O ponto zero indica o período inicial e os demais pontos, as datas com registro financeiro; � Setas acima da linha do tempo indicam recebimentos ou entradas; � Setas para abaixo da linha do tempo sinalizam aplicações ou saídas de dinheiro. Matemática Financeira.indd 45Matemática Financeira.indd 45 06/08/2021 04:22:06 PM06/08/2021 04:22:06 PM Matemática Financeira46 � PV ou valor presente simboliza o capital no momento atual. � FV ou valor futuro que simboliza o montante obtido após o investimento de certo capital em determinado período. � PMT indica o valor de uma parcela que pode ser adicio- nada ou subtraída do montante a cada período. Equivalência Financeira Imagine a seguinte situação: você vai ao banco, e um atendente afirma que R$ 1.000,00 reais, hoje, equivalem a R$ 1.200,00, daqui a um ano. Essa situação deixa você intrigado. Afinal, será verdadeira tal afirmação? Sim, é! No âmbito da Matemática Financeira, um valor, hoje, pode, sim, ser equivalente a outro, no futuro. Pois, ambos os capitais produzem, em uma determinada data e submetidos à determinada taxa, resultados semelhantes. A equivalência financeira se relaciona diretamente à equivalência entre capitais. Esse conceito é bastante útil em ocasiões nas quais se deseja postergar ou antecipar o vencimento de diferentes títulos. Teoricamente, Assaf Neto (2012) discorre: Dois ou mais capitais são ditos equivalentes quando, a uma certa taxa de juros, produzem resultados iguais, em uma data comum. A data para o qual os capitais são transferidos recebe o nome de data focal. No caso do fluxo de caixa, haverá equivalência se os valores presentes, quando submetidos à mesma taxa de juros, forem idênticos. É importante enfatizar que, para a capitalização simples, a equivalência entre capitais depende da escolha da data focal. Por isso, na prática, não é muito utilizada. Matemática Financeira.indd 46Matemática Financeira.indd 46 06/08/2021 04:22:06 PM06/08/2021 04:22:06 PM Matemática Financeira 47 Na capitalização composta, por sua vez, a data focal pode ser qualquer uma, já que, se dois ou mais capitais são equivalentes em determinada data, serão em qualquer data. Desse modo, considerando que os capitais V1, V2, V3 ... Vn , com vencimentos para datas t0, t1, t2 ... tn ,são equivalentes, mantém-se a seguinte proporção: E na prática? Como, algebricamente, conseguimos comprovar a equivalência entre dois ou mais capitais? Existem diferentes relações para quando os vencimentos são anteriores à data focal ou posteriores a ela, assim como nos regimes de capitalização simples ou composta. Vamos resolver mais um exemplo? Avante! Exemplo: Considere dois títulos, nos valores de R$ 15.205,18 e R$ 17.107,13, com vencimentos de 5 meses e 8 meses, respectivamente, e submetidos a uma taxa de 4% ao mês. Para identificar a equivalência ou não desses capitais, inicialmente, retiraremos as informações do enunciado, que são: V1 = 15.205,18 V2 = 17.107,13 t1 = 5 meses t2 = 8 meses I = 4% = 0,04 Agora, basta substituir estes valores na relação apresentada anteriormente e verificar se obtemos valores coincidentes. A equivalência de capitais pode nos ajudar a analisar até que ponto é interessante adquirir um produto à vista ou parcelado. Basta trazermos todos os valores para uma determinada data focal e fazer a comparação. EXEMPLO Matemática Financeira.indd 47Matemática Financeira.indd 47 06/08/2021 04:22:06 PM06/08/2021 04:22:06 PM Matemática Financeira48 Logo, é possível concluir que os capitais são equivalentes. Cálculo pela calculadora HP-12C 15208,18 CHS PV 4 i 3 n FV E depois conferir com o outro cálculo: 17107,13 CHS PV 4 i 3 n FV RESUMINDO Gostou do nosso conteúdo? Como foi sua aprendizagem? Para nos certificarmos de que você absorveu as informações, vamos retomá-las brevemente. Você aprendeu sobre um dispositivo gráfico que apresenta diversas operações financeiras pertinentes a uma empresa e que recebe o nome de fluxo de caixa. Por meio dessa representação, é possível visualizar as movimentações com o caixa da empresa, conforme o período. Por fim, você conheceu o conceito de equivalência financeira, que se refere à igualdade entre os mesmos valores de capitais, quando regidos Matemática Financeira.indd 48Matemática Financeira.indd 48 06/08/2021 04:22:06 PM06/08/2021 04:22:06 PM Matemática Financeira 49 BIBLIOGRAFIA ASSAF NETO, Alexandre. Matemática Financeira e suas aplicações. 12ª. ed. São Paulo: Atlas, 2012. BAUER, Udibert Reinoldo. Matemática financeira fundamental. São Paulo: Atlas, 2003. CASTANHEIRA, Nelson Pereira; MACEDO, Luiz Roberto Dias de. Matemática Financeira Aplicada. Curitiba: Intersaberes, 2013. 275 p. LAPPONI, Juan Carlos. Matemática Financeira: uma Abordagem Moderna. 2ª.ed. Rio de Janeiro:Ltc LTC,1994. MATHIAS, Washington Franco; GOMES, José Maria. Matemática Financeira. São Paulo: Editora Atlas, 1996. nas diferentes técnicas de capitalização: simples ou composta. Esse conceito é bastante utilizado em instituições financeiras, na prática de liquidação de débitos, para se identificar o valor a ser pago por uma antecipação de saldos. Matemática Financeira.indd 49Matemática Financeira.indd 49 06/08/2021 04:22:06 PM06/08/2021 04:22:06 PM UNIDADE 02 DESCONTOS E SÉRIES DE PAGAMENTOS Matemática Financeira.indd 50Matemática Financeira.indd 50 06/08/2021 04:22:06 PM06/08/2021 04:22:06 PM Matemática Financeira 51 Caro(a) aluno(a), você sabia que a ideia de desconto se associa ao abatimento de dado valor monetário? Pois bem, quem nunca pediu um desconto? Ou foi direcionado a conceder desconto de acordo com certa situação? Na Matemática Financeira, seremos apresentados ao desconto simples, que é interligado à metodologia da capitalização simples, e o desconto composto, que é inerente à capitalização composta. Dando sequência aos nossos estudos, seremos apresentados às séries de pagamentos: sua definição, classificação, as séries potenciadas, séries antecipadas e diferidas, assim como seu modelo geral e seus modelos variáveis. Ao longo deste estudo, vamos mergulhar juntos nesse universo! TEMAS Nesta unidade, você verá: • Conhecendo o desconto simples • Aplicando o desconto composto • Séries de pagamentos, classificação e séries postecipadas • Pagamentos antecipados e séries diferidasINTRODUÇÃO Matemática Financeira.indd 51Matemática Financeira.indd 51 06/08/2021 04:22:06 PM06/08/2021 04:22:06 PM Matemática Financeira52 Seja muito bem-vindo à Unidade 2 - Descontos e séries de pagamentos! Nossa expectativa é que você atinja os seguintes objetivos de aprendizagem até o término desta etapa de estudos: OBJETIVOS 1 Definir e solucionar problemas relacionados ao desconto simples; 2 Conceituar e resolver situações-problemas de desconto composto; 3 Compreender as séries de pagamentos postecipados; 4 Entender as séries de pagamentos antecipados e diferidos. Vamos, juntos, adentrar em um mundo interessante e muito útil para nossa vida financeira! Ao trabalho! Avante, caro(a) aluno(a)! Matemática Financeira.indd 52Matemática Financeira.indd 52 06/08/2021 04:22:06 PM06/08/2021 04:22:06 PM Matemática Financeira 53 Conhecendo o Desconto Simples Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como funciona a dinâmica do desconto simples. Aprenderá sobre os diferentes tipos de desconto simples, como identificá-los e diferenciá-los. Motivado para desenvolver essa competência? Então, vamos lá! Avante! OBJETIVO Desconto Simples A prática de aplicar desconto é um ato inerente às relações comerciais. Costumeiramente, solicitamos desconto ou somos atraídos por propagandas que ofertem algum tipo de desconto. De regra, a prática de desconto é realizada quando temos ciência do montante ou valor nominal de um título de crédito e se almeja encontrar o valor atual desse título. Existem dois tipos de título de crédito: a nota promissória e a duplicata. A primeira se caracteriza por ser um comprovante de aplicação de um capital com vencimento predeterminado. Já a segunda se caracteriza por ser um título criado por uma pessoa jurídica contra o seu cliente, que pode ser uma pessoa física ou jurídica. Matematicamente, Castanheira e Macedo (2013, p.39) discorrem que: “Desconto é o abatimento concedido sobre um título de crédito em virtude de seu resgate antecipado”. Para calcular o desconto, é necessário conhecer a taxa de desconto, assim como o período, que corresponde ao tempo faltante para o vencimento do título ou dívida, uma vez que representa a retirada do juro calculado pelo banco Matemática Financeira.indd 53Matemática Financeira.indd 53 06/08/2021 04:22:06 PM06/08/2021 04:22:06 PM Matemática Financeira54 nas operações de capitalização simples, proporcionalmente ao prazo antecipado de pagamento. (CASTANHEIRA; MACEDO, 2013). Aprenderemos, juntos, as duas categorias pertinentes à modalidade de desconto simples. Observe a apresentação na Figura 1, a seguir. Figura 1 - Classificação de Desconto Simples. Fonte: a autora. Agora, vamos desvendar cada categoria de desconto simples, conhecendo sua definição e resolvendo vários exercícios relacionados a esse assunto. Vamos lá? Desconto Simples Comercial O desconto simples comercial, ou desconto “por fora”, é representado por Dc e utilizado a partir da incidência de uma taxa de desconto da dívida no dia do seu vencimento. A relação matemática que permite esse cálculo é dada por: Dc = M . i . n EXEMPLIFICANDO Suponha que, ao receber um cheque de R$ 1.500,00, com vencimento para daqui a dois meses, você foi trocá-lo no banco, pois precisava do dinheiro. Porém, para sua surpresa, o valor recebido foi de R$ 1.380,00. Por qual razão isso aconteceu? A resposta é simples: o dinheiro sofre desvalorização ao longo do tempo, logo, ao adiantar um dinheiro que iria receber no futuro, ele deverá ser descontado. Matemática Financeira.indd 54Matemática Financeira.indd 54 06/08/2021 04:22:06 PM06/08/2021 04:22:06 PM Matemática Financeira 55 Onde: Dc = Desconto comercial simples i = taxa de juros n = tempo que falta para vencer a dívida Se determinado o desconto, é possível calcularmos o valor atual (Vc) para a data de resgate do título, pois o valor atual é o resultado da diferença entre o montante e o desconto simples, isto é: Vc = M – Dc Vc = M – (M . i . n) Vc = M . (1 – i . n) Assim, a fórmula que possibilita a determinação do valor atual é: Vc = M . (1 – i . n) Chamo sua atenção, estimado (a) aluno(a), para o fato que nestas relações não há ocorrência de uma taxa administrativa bancária, que é uma prática comum no mercado financeiro; e neste contexto surge o desconto comercial bancário, que será indicado por Db e pode ser calculado pela fórmula: Db = Dc + M . h Onde h, representa a taxa de despesa administrativa. Para compreendermos como funciona a aplicação destes conceitos vamos resolver alguns exemplos, acompanhe a resolução detalhada a seguir! Exemplo: Determinado título de R$ 8.600,00 foi descontado dois meses antes de seu vencimento. Sabe-se que a taxa corrente em desconto comercial é de 23% ao ano. Determine o desconto comercial e o valor que o dono do título recebeu. Retirando as informações do enunciado, obtemos: i = 23% a.a. = 0,23 a.a. = 0,2312 a.m. n = 2 meses M = 8.600,00 Matemática Financeira.indd 55Matemática Financeira.indd 55 06/08/2021 04:22:06 PM06/08/2021 04:22:06 PM Matemática Financeira56 Dc = ? Vc = ? Assim, o desconto comercial é encontrado da seguinte forma: Dc = M . i . n Dc = 8.600,00 . 0,2312 . 2 Dc ≅ 329,67 Para determinar o valor do título recebido, basta substituir na fórmula de valor atual: Vc = M – Dc Vc = 8.600,00 – 329,67 Vc = 8.270,33 Logo, o desconto comercial foi de R$329,67 e o valor recebido pelo dono do título foi de R$ 8.270,33. Cálculo pela calculadora HP-12C 8600 CHS PV 23 i (taxa ao ano) 2 ENTER 30 x n (perdido em dias) f INT (desconto comercial = 329,67) RCL PV + (valor atual = 8.270,33) Desconto Simples Racional O desconto racional simples, indicado por Dr é encontrado a partir da aplicação da taxa de desconto sobre o valor atual (Vr) do título de crédito, determinada por: Dr = Vr . i . n Matemática Financeira.indd 56Matemática Financeira.indd 56 06/08/2021 04:22:06 PM06/08/2021 04:22:06 PM Matemática Financeira 57 Onde n representa o tempo faltante para o vencimento da dívida. Já o valor atual (Vr) pode ser encontrado por duas relações: Vr = M – Dr Vr = M1 + i . n Simples, não é mesmo? Vamos partir para a prática agora caro (a) aluno(a). Avante! Exemplo: Encontre o valor do desconto racional simples e o valor a ser resgatado de um título R$ 25.700,00, vencível em 3 meses e 10 dias, descontado a uma taxa de juros de 27% ao ano. Retirando as informações do enunciado, obtemos: i = 27% a.a. = 0,27 a.a. n = 2m 10d = 70d = 70360 a M = 25.700,00 Dr = ? Vr = ? Para descobrir o desconto racional é necessário determinar inicialmente o valor racional, que será determinado da seguinte forma: Vr = M1 + i . n Vr = 25.7001 + 0,27 . 70/360 Vr = 24.418,05 Já para determinar o valor do título recebido, basta substituir na fórmula de valor atual: Dr = Vr . i . n Dr = 24.418,05 . (0,27/360).70 Dr = 1.281,95 Matemática Financeira.indd 57Matemática Financeira.indd 57 06/08/2021 04:22:06 PM06/08/2021 04:22:06 PM Matemática Financeira58 RESUMINDO Prezado(a) aluno(a), gostou da temática deste capítulo? Aprendeu tudo? Para refrescar sua memória, vamos relembrar, juntos, os pontos essenciais para seu sucesso nesse conteúdo. Neste capítulo, aprendemos sobre um conceito muito utilizado no nosso dia a dia, o desconto, mas agora sob uma concepção mais formal, fundamentado em fórmulas matemáticas adequadas. Aprendemos que o desconto comercial simples é calculado sob o valor total da dívida no dia do seu vencimento, enquanto o desconto racional simples é incidido sobre o valor atual do título de crédito. Essa é a diferença fundamental entre essas duas modalidades de desconto simples. Logo, o desconto racional foi de R$1.281,95 e o valor recebido pelo dono do título foi de R$ 24.418,05. Cálculo pela calculadora HP-12C 25700 CHS PV 27 i (taxa ao ano) 2 ENTER 30 x n f INT RCL PV + Matemática Financeira.indd 58Matemática Financeira.indd58 06/08/2021 04:22:06 PM06/08/2021 04:22:06 PM Matemática Financeira 59 Aplicando o Desconto Composto Desconto composto Castanheira e Macedo (2008, p.65) afirmam que desconto consiste em um abatimento concedido sobre um título de crédito em virtude de seu resgate antecipado. Mas qual a distinção existente entre os tipos de desconto? Basicamente, o desconto composto se assemelha muito ao desconto simples. A diferença pontual consiste na modalidade em que se incide a taxa de desconto, que, nesse caso, é a capitalização composta. O desconto composto também se subdivide em duas categorias: o desconto composto comercial, popularmente chamado de desconto bancário, e o desconto composto racional, como apresenta, a seguir, a Figura 2. Figura 2 -Classificação de Desconto Composto. Fonte: a autora. Ao término deste capítulo objetivamos que você, estimado (a) aluno (a), seja capaz de conhecer sobre a prática de desconto simples, compreendendo sua definição, assim como as relações que fundamental essa dinâmica. Através de exemplos resolvidos passo a passo você conseguirá entender essa nova definição. OBJETIVO Matemática Financeira.indd 59Matemática Financeira.indd 59 06/08/2021 04:22:06 PM06/08/2021 04:22:06 PM Matemática Financeira60 A partir de agora vamos desvendar juntos cada categoria relacionada aos descontos compostos. Vamos lá? Desconto Composto Comercial ou Bancário Conforme Castanheira e Macedo (2013, p.80) elucidam, “o desconto composto comercial é calculado sobre o valor da dívida no dia do seu vencimento”. O desconto comercial é encontrado mediante a aplicação de uma taxa de desconto sobre o valor nominal (M) do título de crédito. A relação matemática que possibilita o cálculo do Dc é encontrada a partir da associação de desconto relacionada à capitalização composta e é dada por: Dc = M – Vc Onde o valor comercial (Vc) é encontrado pela igualdade: Vc = M . (1 – i)n Unindo-se a fórmula direcionada ao desconto comercial e o valor comercial, é possível encontrar uma relação que orienta o cálculo do desconto comercial a partir do montante (M), da taxa de juros (i) e do período (n), que é obtida por: Dc = M – Vc Dc = M – [M . (1 – i)n] Dc = M . [1 – (1 – i)n Agora vamos colocar em prática a aplicação destas fórmulas? Vamos lá?! Exemplo: Encontre o valor do desconto composto comercial de um título de R$ 14.000,00, descontado seis meses antes do vencimento, submetido a uma taxa de desconto de 1,5% a.m. Identificando as informações do enunciado, obtemos: Matemática Financeira.indd 60Matemática Financeira.indd 60 06/08/2021 04:22:06 PM06/08/2021 04:22:06 PM ] Matemática Financeira 61 i = 1,5% a.m. = 0,015 a.m. n = 6 meses M = 14.000,00 Dc = ? Vc = ? Já sabemos que o desconto comercial é encontrado pela relação: Dc = M . [1 – (1 – i)n] Dc = 14.000,00 . [1 – (1 – 0,015)6] Dc = 1.213,68 Para determinar o valor do título recebido, basta substituir na fórmula de valor atual: Dc = M – Vc 1.213,68 = 14.000,00 – Vc Vc = 12.786,32 Assim, concluímos que o desconto composto comercial foi de R$1.213,68 e o valor recebido foi de R$ 12.786,32. Cálculo pela calculadora HP-12C 14000 CHS PV 1,5 CHS i (taxa de desconto) 6 n FV (valor de resgate do título) RCL PV (recupera o valor de PV) + Exemplo: Determine a taxa de desconto composto comercial concedida a um título de R$ 32.674,00 descontado nove meses antes do vencimento, uma vez que o valor liquido recebido foi de R$ 28.434,00. Matemática Financeira.indd 61Matemática Financeira.indd 61 06/08/2021 04:22:06 PM06/08/2021 04:22:06 PM Matemática Financeira62 Identificando as informações do enunciado, obtemos: M = 32.674 Vc = 28.234 n = 9 i = ? Sabemos que a fórmula para o cálculo do valor a ser recebido é: Vc = M . (1 – i)n 28.434 = 32.674 . (1 – i)9 28.434 32.674 = (1 – i) 9 0,8702 = (1 – i)9 9√0,8702 = 9√(1 – i)9 0,9846 = 1 – i i ≅ 0,0154 = 1,54% Logo, a taxa de desconto equivale a 1,54%. Cálculo pela calculadora HP-12C 32674 CHS PV 28434 FV 9 n i Desconto Composto Racional Semelhantemente ao desconto simples racional, o desconto composto racional é calculado sobre o valor do título (Vr), dependendo do montante em questão, e sua relação algébrica é descrita por: Dr = M – Vr Matemática Financeira.indd 62Matemática Financeira.indd 62 06/08/2021 04:22:07 PM06/08/2021 04:22:07 PM Matemática Financeira 63 Uma vez que o valor atual do título é encontrado por: Vr = M(1 + i)n Onde: Dr = Desconto composto racional i = taxa de juros n = tempo que falta para vencer a dívida M = valor nominal do título De maneira a facilitar e agilizar nossos cálculos, vamos unir a fórmula relacionada ao desconto racional com o do valor do título atual, assim obtemos a seguinte relação: Dr = M – Vr Dr = M – M(1 + i)n Dr = M . 1 – M(1 + i)n Vamos partir para a prática? Avante caro(a) aluno(a)! Exemplo: Suponha que você deva um título a determinado banco no valor de R$ 45.108,50, com previsão de vencimento para daqui a cinco meses, e deseja liquidá-lo hoje. Considere uma taxa de desconto composto racional de 2,5% mensais. Qual o valor referente ao desconto e o valor referente à quantia a ser paga? Identificando as informações do enunciado, obtemos: M = 45.108,50 i = 2,5% = 0,025 n = 5 Dr = ? Vr = ? Matemática Financeira.indd 63Matemática Financeira.indd 63 06/08/2021 04:22:07 PM06/08/2021 04:22:07 PM Matemática Financeira64 Para encontrar o desconto racional, partiremos da determi- nação do valor atual do título. Assim: Vr = M(1 + i)n Vr = 45108,50(1 + 0,025)5 Vr = 39.869,34 De posse deste valor, encontramos o desconto composto racional: Dr = M – Vr Dr = 45.108,50 – 39.869,34 Dr = 5.239,16 Logo, o desconto composto racional será de R$ 5.239,16 e valor a ser pago é de R$ 39.869,34. Cálculo pela calculadora HP-12C 45108,5 CHS FV 5 n 2,5 i PV (valor recebido = 39.869,34) RCL FV + (desconto racional com sinal negativo = -5.239,16) CHS (trocar o sinal) Exemplo: Um título de R$ 10.000,00 foi resgatado antes de seu vencimento, sob uma taxa de desconto composto racional de 2,03% ao mês. Uma vez que o resgate foi efetuado por R$8.678,65, determine quanto tempo antes do vencimento esse título foi pago. Identificando as informações do enunciado, obtemos: M = 10.000,00 i = 2,03% = 0,0203 Vr = 8.678,65 Matemática Financeira.indd 64Matemática Financeira.indd 64 06/08/2021 04:22:07 PM06/08/2021 04:22:07 PM Matemática Financeira 65 n = ? Para encontrar o tempo decorrido, utilizamos a relação: Vr = M(1 + i)n 8.678,65 = 10000,00(1 + 0,0205)n (1,0205)n = 10000,008678,65 (1,0203) n = 1,1522 log(1,0205)n = log1,1522 n . log(1,0205) = log1,1522 n = log1,1522log1,0205 n ≅ 7 meses Logo, o título foi quitado 21 meses antes do previsto. Cálculo pela calculadora HP-12C 10.000 CHS PV 8.678,65 FV 2,05 in RESUMINDO Estimado(a) aluno(a), gostou deste capítulo? Interessou-se por essa temática? Para instigar mais seu interesse, vamos, juntos, revisar o que aprendemos nesse conteúdo de Matemática Financeira. O desconto composto não utiliza as mesmas fórmulas do desconto simples, pelo fato de a taxa de juro ser calculada ao modo “juros sob juros”, isto é, sob capitalização composta. Nesse contexto, somos apresentados às modalidades de desconto composto: o comercial e o racional. O desconto composto comercial se caracteriza por, também, poder ser chamado de “desconto bancário” e é determinado sobre o valor da dívida no seu dia de vencimento. Já o desconto composto racional é calculado sobre o valor atual do título. Essa diferença pode parecer, inicialmente, irrelevante, mas altera, e muito, os resultados obtidos, após aplicação das taxas de juros compostos. Matemática Financeira.indd 65Matemática Financeira.indd 65 06/08/2021 04:22:07 PM06/08/2021 04:22:07 PM Matemática Financeira66 Séries de Pagamentos, Classificação e Séries Postecipadas Pretendemos, com o estudo deste capítulo, que você, caro(a) aluno(a), compreendaa definição de séries de pagamentos, suas possíveis classificações, bem como a modalidade de séries postecipadas. OBJETIVO Séries de Pagamentos É bem provável que você, estimado(a) aluno(a), já tenha se deparado com alguma situação referente às operações financeiras que envolvem pagamentos ou recebimentos parcelados, não é mesmo? Com toda certeza, sua resposta a esse questionamento é SIM! Nesse contexto, iniciamos este tópico com a definição de séries de pagamentos, conforme Assaf Neto (2012, p.198): “Uma série de pagamentos ou anuidades representa as operações financeiras em um dado período, sobre um investimento ou dívida”. Geralmente, as séries de pagamentos estão sujeitas a uma taxa de juros, previamente especificada e fixada. Ressalta-se que pode haver mudança na taxa de juros, conforme a série. Situações como aquisição de bens e empréstimos exemplificam bem as séries de pagamentos. A representação gráfica referente a uma série de paga- mentos é exibida na Figura 3, a seguir: Matemática Financeira.indd 66Matemática Financeira.indd 66 06/08/2021 04:22:07 PM06/08/2021 04:22:07 PM Matemática Financeira 67 Figura 3 - Representação de uma série de pagamentos. Fonte: FUSINATO(2010, p. 3) http://bit.ly/2wNIoS2 Classificação As séries de pagamentos podem ser classificadas mediante quatro critérios, que estabelecem diferenças entre vários aspectos, apresentados na Figura 4, a seguir. Figura 4 - Classificação das Series de Pagamentos. Matemática Financeira.indd 67Matemática Financeira.indd 67 06/08/2021 04:22:07 PM06/08/2021 04:22:07 PM Matemática Financeira68 Com relação à quantidade de pagamentos, existem duas categorias: �Temporária: quando existe um número limitado de pagamentos; � Infinita: quando a quantidade de pagamentos é ilimitada. Quanto à periodicidade, característica que indica a frequência dos pagamentos há duas divisões: � Periódicas: pagamentos ocorrem em intervalos de tempo iguais; �Não-periódicas: pagamentos ocorrem em intervalos de tempo variáveis. Em relação ao valor dos pagamentos, que são descritos pelo valor de cada parcela, os subgrupos são: � Fixos ou uniformes: os valores dos pagamentos são iguais; �Variáveis: os valores dos pagamentos são diferentes. Em relação ao período de ocorrência da primeira prestação, existem três possibilidades: � Imediata: o pagamento ocorre no primeiro período da série; �Antecipadas: o primeiro pagamento ocorre no “ato” do negócio. � Postecipadas: o primeiro pagamento ocorre em um período após o “ato” do negócio; �Diferidas:o pagamento ocorre em períodos subsequentesao primeiro. Matemática Financeira.indd 68Matemática Financeira.indd 68 06/08/2021 04:22:07 PM06/08/2021 04:22:07 PM Matemática Financeira 69 Séries Postecipadas Caro(a) aluno(a), uma série recebe o nome de postecipada quando os pagamentos ou recebimentos são realizados ao final de cada intervalo de tempo relacionado à taxa de juros considerada. Abaixo, o fluxo de caixa desse tipo de operação está representado pela figura O valor presente de uma série de pagamentos uniforme postecipada, com uma taxa periódica de juros, é determinado pelo somatório dos valores presentes de cada um de seus valores. Logo temos: Onde consideraremos: PV = valor presente PMT = valor do pagamento periódico i = taxa de juros n = período an,i = fator de valor presente Matemática Financeira.indd 69Matemática Financeira.indd 69 06/08/2021 04:22:07 PM06/08/2021 04:22:07 PM Matemática Financeira70 A abreviação PMT tem origem na expressão inglesa Periodic Payment Amount e se refere a pagamentos de um mesmo valor. Na calculadora financeira HP-12C, encontramos uma sigla já referente a essa operação, com a simbologia PMT. Estudaremos juntos o exemplo a seguir: Exemplo: Indique o valor referente a um capital aplicado a um determinado investimento para a retirada de R$ 1.000,00, ao final de cada mês, durante os próximos nove meses, com uma taxa de juros mensal de 3%. Reconhecendo as informações do enunciado, encontramos: PV = ? PMT = 1.000,00 n = 9 i = 3% = 0,03 Substiuindo estes dados na relação obtida anteriormente: Assim, de modo a realizar retiradas no valor de R$1.000,00, é necessário um valor presente de R$ 7.786,11. Cálculo pela calculadora financeira HP-12C g BEG 9 n 3 i 1000 CHS PMT PV Ainda no contexto das séries postecipadas, podemos encontrar, também, o valor futuro (FV), capitalizando cada um dos valores da série para o último período. Logo, temos: Matemática Financeira.indd 70Matemática Financeira.indd 70 06/08/2021 04:22:07 PM06/08/2021 04:22:07 PM Matemática Financeira 71 Onde será adotado FV = valor futuro PMT = valor do pagamento periódico i = taxa de juros n + período Existem funções financeiras do Excel, como a PGTO, para o cálculo do valor da prestação. É necessário escolher o “tipo 0” (ou não especificado) para o valor presente PV da série, em um período anterior ao primeiro termo, e o valor futuro FV na data do último termo. E é preciso escolher “1” para o valor presente PV da série, na data do primeiro termo, e o valor futuro FV em um período depois do último termo. Iremos ver a utilização no exemplo a seguir: Exemplo: Camila almeja criar uma reserva para possíveis imprevistos financeiros e estipulou que, no presente momento, pode guardar a quantia de R$ 250,00, mensalmente, pelo período de um ano. Nesse contexto, determine o total arrecadado por Camila após esse período, considerando uma taxa de juros de 2,25% ao mês. Reconhecendo as informações do enunciado, encontramos: FV = ? PMT = 250,00 n = 12 i = 2,25% = 0,0225 Substiuindo estes dados na relação obtida anteriormente: Matemática Financeira.indd 71Matemática Financeira.indd 71 06/08/2021 04:22:07 PM06/08/2021 04:22:07 PM Matemática Financeira72 Assim, ao final de um ano Camila acumularia um total de R$3.400,55. Cálculo pela calculadora financeira HP-12C g BEG 12 n 2,25 i 250 CHS PMT FV Ainda nas séries postecipadas, utilizaremos relações específicas para a determinação do valor exato das prestações, ou seja, o PMT. Elas se diferenciam quanto à informação que for disponibilizada no exercício, isto é, para quando é informado o valor presente (PV) ou para quando conhecemos o valor futuro (FV). Então, basta isolar o valor PMT nas fórmulas já encontradas anteriormente. Vamos lá? Partiremos para dois exemplos, que resolveremos juntos. No primeiro, o valor presente será informado no enunciado. No segundo exemplo, a informação se destinará ao valor futuro. Exemplo: Na venda de seu automóvel usado, Arthur recebeu R$ 8.100,00. Esse valor será utilizado para a compra de outro automóvel, cujo valor à vista equivale a R$ 20.100,00. O saldo faltante para a compra do veículo será quitado em 15 prestações mensais, postecipadas. Considerando uma taxa de juros compostos de 2,3% ao mês, determine o valor referente a cada prestação Matemática Financeira.indd 72Matemática Financeira.indd 72 06/08/2021 04:22:07 PM06/08/2021 04:22:07 PM Matemática Financeira 73 Identificando as informações do enunciado, encontramos: PV = 20.100 – 8.100 = 12.000 PMT = ? n = 15 i = 2,3% = 0,023 Substiuindo estes dados na relação obtida anteriormente: Logo, o valor referente as prestações será de R$954,99. Calculo pela calculadora financeira HP-12C g END 15 n 2,3 i PMT Exemplo: Uma família sairá de férias e deseja se planejar financeiramente por alguns meses; o total da viagem equivale a R$10.000,00. Qual o valor a ser economizado mensalmente, uma vez que o dinheiro será aplicado a uma taxa de 0,45% ao mês nos próximos oito meses? Reconhecendo as informações do enunciado, encontramos FV = 10.000,00 PMT = ? n = 8 i = 0,45% = 0,0045 Matemática Financeira.indd 73Matemática Financeira.indd 73 06/08/2021 04:22:07 PM06/08/2021 04:22:07 PM Matemática Financeira74 Substiuindo estes dados na relação obtida anteriormente: Logo para alcançar um total de R$10.000,00ao final de oito meses serão necessarios parcelas correspondentes a R$1230,45. Calculo pela calculadora financeira HP-12C 10000 CHS FV 8 n 0,45 i PMT Ainda é possível encontrar uma taxa aproximada de juros referente a um contrato que parcelas em sua composição; basta conhecermos o valor de cada prestação, o valor presente e a quantidade de parcelas; essa determinação é encontrada através da seguinte fórmula. Exemplo: Determine a taxa de juros mensal efetiva, consi- derando a obtenção de um empréstimo no valor de R$50.000,00, que será parcelado em 24 prestações mensais de R$2.900,00, considerando prestações postecipadas. Identificando as informações do enunciado, encontramos: PV = 50.000,00 PMT = 2900,00 n = 24 i = ? Matemática Financeira.indd 74Matemática Financeira.indd 74 06/08/2021 04:22:07 PM06/08/2021 04:22:07 PM Matemática Financeira 75 Substiuindo estes dados na relação adequada, temos: Verificamos, na tabela de fator de valor presente, abaixo, que, para n = 24, o fator de valor presente encontrado acima está entre as taxas de 2% e 3%. Cálculo pela calculadora financeira HP-12C 50.000 CHS PV 2900 PMT Fonte: Editora Atlas Assim, é possível afirmar que a taxa de juros acometida nessa operação foi de, aproximadamente, 2,8%, quando realizado o cálculo pela HP-12C. Matemática Financeira.indd 75Matemática Financeira.indd 75 06/08/2021 04:22:07 PM06/08/2021 04:22:07 PM Matemática Financeira76 24 n i Dando continuidade ao capítulo anterior, agora você será capaz de compreender as séries antecipadas, outra categoria das séries de pagamentos. Além disso, compreenderá a definição de séries diferidas, assim como seu modelo geral e as variáveis. OBJETIVO Na calculadora HP-12C, ao se ativar a função azul END (g END), o valor presente (PV) da série está localizado em um período antes do primeiro termo; e o valor futuro (FV), na data do último termo. Já acionando a função azul BEG (g BEG), o valor presente (PV) da série está localizado na data do primeiro termo; e o valor futuro (FV), em um período após o último termo. Gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo? Agora, só para termos certeza de que você entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir o que vimos. Você deve ter aprendido que as séries de pagamentos, ou anuidades, indicam operações financeiras em um dado período, sobre investimentos ou dívidas, sujeitas a uma taxa de juros pré-fixada. Também vimos que as séries de pagamentos podem ser classificadas mediante os seguintes critérios: quantidade de pagamentos, valor dos pagamentos, periodicidade, e período de ocorrência do primeiro pagamento. Por fim, aprofundando o conteúdo de séries de pagamentos, conhecemos mais sobre as séries postecipadas, nas quais o primeiro pagamento ocorre um período após o “ato” do negócio, isto é, não imediato. Pagamentos antecipados e séries diferidas Matemática Financeira.indd 76Matemática Financeira.indd 76 06/08/2021 04:22:07 PM06/08/2021 04:22:07 PM Matemática Financeira 77 Pagamentos antecipados Nos pagamentos antecipados, as parcelas são pagas no início de cada período, isto é, no ato do contrato, já se deve quitar a primeira parcela, conforme é representado graficamente abaixo. Assim como nas séries de pagamentos postecipados, existem relações específicas para a determinação do valor presente e valor futuro. O valor presente de uma série de pagamentos uniformes antecipados, com uma taxa periódica de juros, também é determinado pelo somatório dos valores presentes de cada um de seus valores: Logo, nesse caso, temos: Onde consideraremos: PV = valor presente PMT = valor do pagamento periódico i = taxa de juros Matemática Financeira.indd 77Matemática Financeira.indd 77 06/08/2021 04:22:08 PM06/08/2021 04:22:08 PM Matemática Financeira78 n = período Vamos agora resolver juntos o exercício a seguir: Exemplo: Qual o valor à vista de um notebook, comprado por 1 + 11 prestações mensais de R$ 750,00, sob uma taxa de juros de 1,75% a.m.? Reconhecendo as informações do enunciado, encontramos: PV = ? PMT = 750,00 n = 12 i = 1,75% = 0,00175 Substiuindo estes dados na relação obtida anteriormente: Com o objetivo de realizar retiradas no valor de R$750,00, durante um ano é necessário um valor presente de R$8.898,46. Calculo pela calculadora financeira HP-12C g END 12 n 1,75 i 750 CHS PMT PV Da mesma forma que nas séries postecipadas, podemos encontrar o valor futuro (VF) capitalizando cada um dos valores da série para o último período. Logo, temos: Matemática Financeira.indd 78Matemática Financeira.indd 78 06/08/2021 04:22:08 PM06/08/2021 04:22:08 PM Matemática Financeira 79 Uma situação hipotética será explanada a seguir, para entendermos juntos a importância e aplicação desta relação. Exemplo: Um fundo de reserva deseja ser criado guardando a quantia mensal de R$ 650,00, num período de quatorze meses, seguindo uma série de pagamentos antecipados sob uma taxa de juros mensal de 1,83%. Determine o total arrecadado. Reconhecendo as informações do enunciado, encontramos: FV = ? PMT = 650,00 n = 14 i = 1,83% = 0,0183 Substiuindo estes dados na relação obtida anteriormente: O total acumulado é de R$10.453,68. Calculo pela calculadora financeira HP-12C g END 14 n 1,83 i 650 CHS PMT FV Para determinarmos o valor da parcela de uma série de pagamentos antecipados, devemos isolar o termo pretendido em quaisquer uma das fórmulas anteriores, a depender se o problema envolve valor presente (VP) ou valor futuro (VF). Veja os exemplos que seguem: Exemplo: um imóvel de R$ 400.000,00 será obtido após uma entrada imediata de R$ 50.000,00. O restante será financiado Matemática Financeira.indd 79Matemática Financeira.indd 79 06/08/2021 04:22:08 PM06/08/2021 04:22:08 PM Matemática Financeira80 sob uma taxa de juros de 3,74% em 60 parcelas. Determine o valor de cada parcela, sabendo que a série de pagamento é antecipada. Identificando as informações do enunciado, encontramos: PV = 350.000,00 PMT = ? n = 60 i = 3,74% = 0,0374 Substituindo os dados na relação adequada, temos: Assim, a prestação será equivalente a R$14.185,04. Calculo pela calculadora financeira HP-12C g END 350000 CHS PV 60 n 3,74 i PMT Exemplo: Com o objetivo de poupar um valor equivalente a R$ 100.00,00, Paulo quer guardar, durante dez meses, certa quantia. Sabendo que a taxa de juros equivale a 0,5% a.m., qual o valor a ser arrecadado mediante uma série de pagamentos antecipados? Matemática Financeira.indd 80Matemática Financeira.indd 80 06/08/2021 04:22:08 PM06/08/2021 04:22:08 PM Matemática Financeira 81 Identificando as informações do enunciado, encontramos FV = 100.000,00 PMT = ? n = 10 i = 0,5% = 0,005 Substituindo os dados na relação adequada, temos: Assim para alcançar um total de R$ 100.00,00 ao final de dez meses, serão necessarios parcelas de aproximadamente R$9.728,41. Calculo pela calculadora financeira HP-12C 10000 CHS FV 10 n 0,5 i PMT Séries Diferidas Caro(a) aluno(a), você já deve conhecer a palavra diferimento, não é mesmo? Pois bem, seu significado se relaciona à ação de diferir, ou seja, adiar, transferir para um outro momento ou data. Na Matemática Financeira, especificamente nas séries de pagamentos, o diferimento se refere a um período de carência previamente estabelecido, ou seja, o período que abrange o começo da operação até o início do pagamento da primeira parcela. Matemática Financeira.indd 81Matemática Financeira.indd 81 06/08/2021 04:22:08 PM06/08/2021 04:22:08 PM Matemática Financeira82 Nesse tipo de série, existe uma sequência de capitais de valores que são iguais e uniformes, com exceção do primeiro, que recebe o nome de carência. Essas características são apresentadas na figura a seguir. Neste tipo de série existe uma sequência de capitais de valores que são iguais e uniformes, com exceção do primeiro, que recebe o nome de carência. Estas características sãoapresen-tadas na Figura a seguir. Figura 5 - Composição de séries diferidas. A fórmula que possibilita trazer para o presente um valor mediante determinada carência é dada por: Onde será adotado: VP = valor presente PMT = valor da parcela i = taxa de juros n = período k = período de carência Matemática Financeira.indd 82Matemática Financeira.indd 82 06/08/2021 04:22:08 PM06/08/2021 04:22:08 PM Matemática Financeira 83 Vamos, juntos, estimado(a) aluno(a), partir para a prática desse novo conceito. Avante! Exemplo: Um empréstimo no valor de R$ 25.000,00 foi financiado em vinte prestações mensais iguais. A primeira prestação vence daqui a três meses, sob uma taxa de juros de 1,5% a.m.. Calcule o valor da prestação: PV = 25.000,00 PMT = ? n = 20 K = c = 2 i = 1,5% = 0,015 Substiuindo estes dados na relação indicada: Assim, regido por uma série de pagamentos diferida e após uma carência, a prestação será de R$1.500,15. Calculo pela calculadora financeira HP-12C f REG 25000 CHS PV 2 k 1,5 i FV (valor futuro) CHS PV FV (zerar o valor futuro) 20 n (quantidade de prestações) PMT Matemática Financeira.indd 83Matemática Financeira.indd 83 06/08/2021 04:22:08 PM06/08/2021 04:22:08 PM Matemática Financeira84 Exemplo: Um automóvel, no valor à vista de R$ 40.000,00, está sendo vendido nas seguintes condições: - Entrada igual a 20%. - Restante pago em 24 prestações mensais, iguais e sucessivas, vencendo a primeira daqui a dois meses. Determine o valor das prestações, admitindo uma taxa de juros de 2% a.m. Os dados obtidos pelo enunciado são: VP = Valor a financiar = 40.000,00 – 20% . 40000 = 39.920 PMT = ? n = 24 k = 1 i = 2% = 0,02 Substituindo os dados na relação indicada: Logo, após uma carência de três meses, a prestação será de R$2.152,83. Cálculo pela calculadora financeira HP-12C f REG 4000 CHS PV 1 k 2 i FV (valor futuro) CHS PV FV (zerar o valor futuro) 24 n (quantidade de prestações) PMT Matemática Financeira.indd 84Matemática Financeira.indd 84 06/08/2021 04:22:08 PM06/08/2021 04:22:08 PM Matemática Financeira 85 RESUMINDO E, então? O que achou do que estudamos? Agora, só para nos certificarmos de seu aprendizado, vamos resumir o que vimos neste capítulo. Conhecemos as séries de pagamentos antecipados, que funcionam baseadas em termos antecipados, ou seja, os pagamentos ou recebimentos ocorrem no início de cada período unitário. Desse modo, a primeira prestação é sempre quitada ou recebida na data do contrato do empréstimo ou financiamento. Além disso, neste capítulo, aprendemos sobre as séries diferidas, que ocorrem quando o vencimento do primeiro termo se dá no fim de um determinado número de períodos, a contar da data zero, ou seja, após uma carência. Como exemplo dessa modalidade, podemos citar a compra de um bem a prazo, em prestações mensais e pré-determinadas, pagando-se a primeira prestação ao final de um determinado número de meses. Matemática Financeira.indd 85Matemática Financeira.indd 85 06/08/2021 04:22:08 PM06/08/2021 04:22:08 PM Matemática Financeira86 BIBLIOGRAFIA ASSAF NETO, Alexandre. Matemática Financeira e suas aplicações. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2012. BAUER, Udibert Reinoldo. Matemática Financeira fundamental. São Paulo: Atlas, 2003. CASTANHEIRA, Nelson Pereira; MACEDO, Luiz Roberto Dias de. Matemática Financeira aplicada. Curitiba: Intersaberes, 2013. LAPPONI, Juan Carlos. Matemática Financeira: uma abordagem moderna. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1994. MATHIAS, Washington Franco; GOMES, José Maria. Matemática Financeira. São Paulo: Editora Atlas, 1996. Matemática Financeira.indd 86Matemática Financeira.indd 86 06/08/2021 04:22:08 PM06/08/2021 04:22:08 PM Matemática Financeira 87 UNIDADE 03 INFLAÇÃO E DESVALORIZAÇÃO DA MOEDA Matemática Financeira.indd 87Matemática Financeira.indd 87 06/08/2021 04:22:08 PM06/08/2021 04:22:08 PM Matemática Financeira88 Nas unidades antecedentes, nos familiarizamos com alguns conceitos fundamentais de Matemática Financeira, sem considerar o contexto da inflação. Não levar em conta os efeitos desse desequilíbrio, em um cenário econômico, modifica muito o resultado de uma operação financeira. Com certeza, você já ouviu ou leu nos noticiários algo que se refere direta ou indiretamente à inflação. Atualmente, ela está teoricamente estável, no nosso país, mas já passamos por períodos de hiperinflação, quando os preços subiam exponencialmente todos os dias. Nos anos de 1980 e início da década de 1990, esse era o contexto brasileiro. Nesse período, o valor do dinheiro se alterava rapidamente, devido aos efeitos da inflação. Mas, afinal, o que é inflação? O que são os índices de atualização? O que é taxa aparente e real? E taxa de desvalorização da moeda? Respostas a essas indagações serão o roteiro que nos guiará no desenvolvimento desta nossa terceira unidade. Prontos para mais uma imersão na Matemática Financeira? Vamos lá! TEMAS Nesta unidade, você verá: • Compreendendo os índices de inflação • Aplicando variações de índices • Conhecendo as taxas de juros nominal, real e aparente • Definindo e aplicando a taxa de desvalorização da moeda INTRODUÇÃO Matemática Financeira.indd 88Matemática Financeira.indd 88 06/08/2021 04:22:08 PM06/08/2021 04:22:08 PM Matemática Financeira 89 Seja muito bem-vindo à Unidade 3 - Inflação e desvalorização da moeda. Até o final desta etapa de estudos, esperamos que você alcance os seguintes objetivos de aprendizagem: OBJETIVOS 1 Compreender os índices de atualização e inflação; 2 Definir e aplicar técnicas de variações de índices; 3 Conhecer e identificar as taxas de juros: nominal, real e aparente; 4 Determinar a taxa de desvalorização da moeda. Vamos, juntos, adentrar em um mundo interessante e muito útil para nossa vida financeira! Ao trabalho! Avante, caro(a) aluno(a)! Matemática Financeira.indd 89Matemática Financeira.indd 89 06/08/2021 04:22:08 PM06/08/2021 04:22:08 PM Matemática Financeira90 Compreendendo os índices de atualização e inflação Ao findar este capítulo, você será capaz de entender como funcionam os índices de atualização e inflação, que estão disponíveis em nosso mercado financeiro, além de suas respectivas distinções. Está motivado para desenvolver essa competência? Então, vamos lá. Avante! OBJETIVO Índices de atualização Caro(a) aluno(a), como é bom retornar, com você, nossos estudos, desta vez com uma temática que interfere em diversos fatores do nosso cotidiano. Os índices de atualização possibilitam atualizar valores, oportunizando, assim, a correção monetária. Castanheira e Macedo (2013) elucidam que correção monetária é: a revisão estipulada pelas partes de um contrato, ou definida por lei, que tem como referência a desvalorização da moeda. Além disso, é viável descrever correção monetária como o ato de realizar ajustes contábeis e financeiros, realizados para demonstrar os preços de compra da moeda que está em circulação no país — no nosso caso, o real, desde 1994 — levando-se em consideração o valor das moedas de outros países, o ajuste cambial, os índices de inflação ou a cotação do mercado financeiro. Matemática Financeira.indd 90Matemática Financeira.indd 90 06/08/2021 04:22:09 PM06/08/2021 04:22:09 PM Matemática Financeira 91 Mas como essa definição interfere em minha vida? É uma dúvida comum, não é mesmo? Acompanhe um exemplo de incidência da correção monetária: imagine que você efetuou uma compra, em euros, no cartão de crédito, e, na data de fechamento da fatura, o valor do euro estava diferente, mais caro ou mais barato do que o valor da data da compra. Essa diferença, denominada correção, é o ajuste do valor da moeda, da data da compra até o valor da moeda na data atual. Com certeza, quem já realizou operações cambiais se atentou a esse detalhe durante a compra. Por isso, quem tem o hábito de adquirir moeda estrangeira com o cartão de crédito necessita de um cuidado adicional,para não gerar uma fatura com valor muito mais alto do que havia planejado, devido a essa variação. Esse conceito, muito presente na área de economia, refere- se ao ajuste periódico de alguns valores econômicos, tendo como base o índice de inflação de um período pré-determinado. Sua meta é a compensação da perda de valor da moeda corrente. Em 1994, o Brasil passou pela sua pior crise de inflação, denominada hiperinflação. Nessa época, os balanços eram demonstrados com alguns ajustes, devido à correção monetária de balanços, conforme a lei 6.404/76. Com o fim da hiperinflação, os ajustes originários dessas atualizações passaram a ser feitos em razão das altas taxas de juros das instituições financeiras e, também, do câmbio flutuante, que oportuniza grandes oscilações na cotação do dólar americano em relação ao real. SAIBA MAIS Matemática Financeira.indd 91Matemática Financeira.indd 91 06/08/2021 04:22:09 PM06/08/2021 04:22:09 PM Matemática Financeira92 Índices de inflação Caro(a) aluno(a), podemos afirmar que todo processo inflacionário possibilita consequências positivas e negativas para investidores e credores. Desse modo, avaliar a inflação como boa ou ruim é questão de ponto de vista. Conforme Mathias e Gomes (2007), o Brasil tem uma cultura inflacionária que tende a acomodar os conflitos distributivos e as transferências de renda por meio da própria inflação. Castanheira e Macedo (2013) definem inflação como: a deterioração do poder aquisitivo da moeda. Bem, com o passar do tempo, o capital vai perdendo poder aquisitivo, não é mesmo? Um carro que compramos hoje, por determinado valor, ao ser revendido, daqui a um... dois... três anos, não terá o mesmo preço com o que hoje é comercializado. Figura 1 – Inflação Fonte: pixabay É comum considerarmos a inflação apenas quando os valores se elevam gradativamente em determinado período. Porém, as elevações de preços sazonais, isto é, a variação de demanda sobre determinado produto ou serviço, de acordo com a época ou o período do ano, não são consideradas inflacionárias. É o que acontece com os preços dos produtos agrícolas, que dependem das safras (queda) e das entressafras (alta). Matemática Financeira.indd 92Matemática Financeira.indd 92 06/08/2021 04:22:09 PM06/08/2021 04:22:09 PM Matemática Financeira 93 Em contrapartida, Castanheira e Macedo (2013) afirmam que deflação pode ser descrita como: o oposto da inflação, ou seja, é um processo de queda nos preços das mercadorias durante um intervalo de tempo. Essa definição pode nos surpreender, mas a verdade é que a deflação acontece praticamente com a mesma frequência da inflação. Um exemplo prático consiste no lançamento de um modelo novo de celular, que acarreta uma deflação no preço do modelo que o antecede, o qual passa a ser considerado velho ou defasado. Assim como a inflação, a deflação implica em consequências para a economia como um todo. A deflação considerada boa é consequência do aumento da produção de vários segmentos, uma vez que, com mais peças no mercado, a demanda também aumenta. Sendo mais fácil encontrar determinados itens, e com uma gama maior de possibilidades, os preços tendem a cair. Em 1993, a inflação, no País, alcançou uma taxa de 2.700%. Após a implantação da nova moeda, o valor da inflação média dos governos seguintes se manteve constante: 12,6%, na presidência de Fernando Henrique Cardoso, e 6,3%, no mandato de Lula. Analisando o Índice Geral de Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: O que é inflação? Vídeo elaborado pelo IBGE e acessível pelo link: http://bit. ly/33erR60. SAIBA MAIS Matemática Financeira.indd 93Matemática Financeira.indd 93 06/08/2021 04:22:09 PM06/08/2021 04:22:09 PM Matemática Financeira94 Preços (IGP), sabemos que foi a partir de 1958 que o aumento descontrolado da inflação teve início, no Brasil, com índices anuais superiores a 30%. O auge ocorreu em 1964, quando a inflação atingiu 86% (MORAES, 2018). Caro(a) aluno(a), como vimos, os conceitos de inflação e deflação são opostos em sua concepção. Enquanto o primeiro diminui o poder de compra, o outro eleva. Tais distinções são sinalizadas na Figura 2, a seguir: Figura 2 - Inflação versus Deflação. Fonte: a autora. A chamada inflação de demanda ocorre quando a procura ultrapassa a produção disponível de algum produto. Esse fato é comum no aumento de produção próximo do emprego de recursos. Para se eliminar a inflação de demanda, é preciso que a política econômica lance mão de recursos que estimulem a redução da procura agregada. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) produz dois dos mais importantes índices de preços: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o oficial pelo Governo Federal, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Vamos conhecê-los melhor a seguir. Ambos os índices, o IPCA e o INPC, têm como propósito a medição da variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumida pela população. O resultado demonstra se os preços aumentaram ou diminuíram, tendo como referência o período de um mês. Considera-se, não apenas a variação de preço de cada item, mas o peso que ele exerce no orçamento Matemática Financeira.indd 94Matemática Financeira.indd 94 06/08/2021 04:22:09 PM06/08/2021 04:22:09 PM Matemática Financeira 95 familiar. A Tabela 1, a seguir, apresenta o valor direcionado a esses índices no mês de janeiro de 2020. Tabela 1 -IPCA e INPC registrado em janeiro de 2020. Fonte: IBGE. O IPCA engloba uma grande parcela da população e aponta a variação do custo de vida médio de famílias que possuem renda mensal de um a quarenta salários mínimos. Gráfico 1 - Variação do IPCA de julho de 1994 a dezembro de 2020. Fonte: IBGE. Matemática Financeira.indd 95Matemática Financeira.indd 95 06/08/2021 04:22:09 PM06/08/2021 04:22:09 PM Matemática Financeira96 O IBGE produz e divulga o IPCA desde 1980. Entre aquele ano e 1994, ano de implantação do Plano Real, o índice acumulado foi de 13 342 346 717 671,70%! A maior variação mensal do IPCA foi em março de 1990 (82,39%), enquanto a menor variação, em agosto de 1998 (-0,51%). Já o INPC identifica a variação do custo de vida médio apenas de famílias que possuem renda mensal de um a cinco salários mínimos. Esses grupos são mais sensíveis às variações de preços, já que tendem a gastar todo o seu rendimento mensal em itens básicos para a sobrevivência, tais como alimentação, medicamentos e transporte. Outros índices também são importantes no contexto econômico, como demonstra a Figura 3 Figura 3 - Índices de Inflação. Fonte: a autora. Já fomos apresentados aos conceitos dos mais importantes índices de atualização: o INPC e IPCA. Agora, conheceremos um pouco mais sobre os outros índices. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E) é calculado pelo IBGE e divulgado ao final Matemática Financeira.indd 96Matemática Financeira.indd 96 06/08/2021 04:22:09 PM06/08/2021 04:22:09 PM Matemática Financeira 97 de cada trimestre, sendo formado pelas taxas do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de cada mês. Possui como objetivo realizar um balanço trimestral da inflação. O IPCA-15, por sua vez, também medido pelo IBGE, foi constituído com a meta de oferecer a variação dos preços no mercado varejista, mostrando, assim, o incremento do custo de vida da população. Castanheira e Macedo (2011) discorrem sobre outros índices inflacionários costumeiramente utilizados na economia, como: � Índice Geral de Preços (IGP), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresenta a inflação de preços desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais. Ele é composto pela média de três índices que refletem a economia: Índice de Preços por Atacado (IPA), Índice de Preços ao Consumidor (IPC), e Índice Nacionalde Custos da Construção (INCC). � O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) é uma das categorias do IGP, mensurado pela Fundação Getúlio Vargas, com base nos preços apurados dos dias 11 do mês anterior ao dia 10 do mês da coleta. � O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) é uma das versões do Índice Geral de Preços. Apura informações sobre a variação de preços do dia 21 do mês anterior ao dia 20 do mês da coleta. � O Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), outra versão do IGP, coleta informações sobre a variação de preços do dia 1 ao dia 30 do mês da coleta. � O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), calcula a variação de preços de produtos e serviços em sete capitais específicas do País. É medido pela Fundação Getúlio Vargas. Matemática Financeira.indd 97Matemática Financeira.indd 97 06/08/2021 04:22:09 PM06/08/2021 04:22:09 PM Matemática Financeira98 �O Índice de Preços ao Consumidor, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) é medido pela Fipe e mensura, especificamente, a inflação na cidade de São Paulo. �O Índice de Preços ao Consumidor-São Paulo (IPC- SP) calcula a variação de preços de produtos e serviços da cidade de São Paulo e é calculado pela Fundação Getúlio Vargas. RESUMINDO O que achou do nosso conteúdo? Vamos revisar o que aprendemos neste capítulo. Vimos que inflação é o nome dado ao aumento dos preços de produtos e serviços diversos. Esse valor é calculado pelos índices de preços, que, costumeiramente, recebem o nome de índices de inflação. O INPC e o IPCA são os índices mais utilizados na medição da inflação em nosso país. Ambos possuem a capacidade de medir a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumida pela população, e o resultado apresenta o aumento ou a diminuição dos preços de um mês para o outro. O IPCA aponta a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal entre um e quarenta salários mínimos, enquanto o INPC verifica a variação do custo de vida médio apenas de famílias com renda mensal de um a cinco salários mínimos, o que representa a grande parcela de toda a população. Também conhecemos outros índices que possibilitam a mensuração da inflação sob diferentes aspectos. Matemática Financeira.indd 98Matemática Financeira.indd 98 06/08/2021 04:22:09 PM06/08/2021 04:22:09 PM Matemática Financeira 99 Aplicando as variações de índices Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como calculamos a correção monetária, conforme determinados índices. Através desses resultados, será possível estabelecer contratos, levando-se em conta a inflação ou a deflação. Está motivado para desenvolver essa nova competência? Então, sigamos. Avante! OBJETIVO A correção monetária teve origem, no Brasil, em 16 de julho de 1964, pela Lei nº 4.357, intermediada pela Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional (ORTN), cujo valor seria reajustado por mês, em virtude das oscilações de preços de determinados bens e serviços, evidenciados pelos índices que são calculados pela Fundação Getúlio Vargas (CASTANHEIRA; MACEDO, 2013). É importante ressaltar que a correção monetária, associada aos juros, pode ser aplicada em diversas situações, bastando que exista alguma decisão judicial instituída, que precisará da devida atualização dos valores financeiros. A respeito da correção monetária, quanto aos tributos, ocorreram as seguintes mudanças: �Obrigatória sua incidência sobre o valor original dos bens do ativo imobilizado das pessoas jurídicas; � Permitida sobre o custo de aquisição do imóvel, na venda por pessoa física; Correção monetária Matemática Financeira.indd 99Matemática Financeira.indd 99 06/08/2021 04:22:09 PM06/08/2021 04:22:09 PM Matemática Financeira100 � Obrigatória sobre débitos fiscais decorrentes do não recolhimento na data de vencimento. Existem tabelas de atualizações monetárias judiciais que possuem como objetivo preservar o poder aquisitivo da moeda, mediante determinados critérios utilizados pelas diferentes esferas da Justiça, seja pela aplicação da Lei e da doutrina ou pelo entendimento jurisprudencial dos Tribunais Superiores. Há, também, as tabelas extrajudiciais, nas quais podem ser usados um ou vários indexadores encadeados, permitindo a atualização de obrigações contratuais em geral, não contratuais, como tabelas do INPC, da Taxa Referencial (TR), do IGP-M, etc. Conforme Castanheira e Serenato (2011), dois são os procedimentos usados para a aplicação da correção monetária nos planos de pagamentos no Brasil: a. Prefixado: Determina-se uma taxa de juro contratual, independentemente do comportamento futuro da inflação. Nesse contexto, a taxa de juro real de cada período e a taxa de inflação devem ser agregadas em uma única taxa, que denominamos de taxa prefixada. Como exemplos dessa aplicação no mercado financeiro, temos os papéis de renda fixa e crédito direto ao consumidor; b. Pós-fixado: Nesse modelo, a correção monetária tem seu valor conhecido com o passar do tempo, à medida que os índices oficiais do governo são divulgados. Assim, os saldos devedores, as parcelas de juros e a amortização são corrigidos conforme a inflação. Como exemplos, é possível citar os contratos com correção pelo IGPM e os contratos em moeda estrangeira. Hoje, a correção monetária é determinada pelo Conselho Federal de Contabilidade e se trata de um Princípio Fundamental da Contabilidade. Antes de ser controlada pelo Conselho Federal, a indicação dos valores era feita pelo Governo Federal e era chamada de correção monetária de balanço. Em 1994, como medida para conter a inflação, que, na época, era muito elevada, Matemática Financeira.indd 100Matemática Financeira.indd 100 06/08/2021 04:22:09 PM06/08/2021 04:22:09 PM Matemática Financeira 101 houve a mudança de quem deveria estabelecer os valores associados aos índices. A correção monetária, indicada em um determinado período, é encontrada por meio da variação percentual entre o índice no final do período previamente indicado e o índice encontrado no final do período anterior. Matematicamente, a relação que possibilita tal cálculo é fornecida por: CM = índice período indicadoíndice período anterior – 1 No entanto, quando os índices se referem a vários períodos, o cálculo da correção é determinado pela seguinte fórmula: CMm = (1 + CMt) 1/n – 1 Onde: �CMm = correção monetária média �CMt = correção monetária do período � n = período Vamos resolver juntos um exemplo para compreendermos na prática a utilização destas relações. Exemplo: Determine a correção monetária referente ao primeiro semestre de 2019 e a média mensal de inflação. Admita os dados do IPC-Fipe, conforme a tabela apresentada a seguir: Tabela 2 – Índices de Preço ao Consumidor de dez/2018 a jun/2019. Fonte: a autora. Período Mensal (%) Índice Dezembro/2018 - 100 Janeiro/2019 0,58 100,58 Fevereiro/2019 0,5368 101,12 Março/2019 0,5043 101,63 Abril/2019 0,2853 101,92 Maio/2019 -0,01962 101,90 Junho/2019 0,1472 102,05 Matemática Financeira.indd 101Matemática Financeira.indd 101 06/08/2021 04:22:10 PM06/08/2021 04:22:10 PM Matemática Financeira102 Vamos lá inicialmente! sempre devemos retirar os dados do enunciado, que, neste caso estão disponibilizados na tabela: � Índice período indicado = 102,05. � Índice período anterior = 100. Logo: – 1CM = índice período indicado índice período anterior CM = 102,5/100 -1 CM = 1,0205 – 1 = 0,0205 CM = 2,05% ao semestre Logo, a correção monetária referente ao semestre analisado foi de 2,05%. Já a média mensal da inflação é obtida por: CMm = (1 + CMt)t 1/n – 1 CMm = (1 + 0,025) 1/6 – 1 CMm = (1,0205) 1/6 – 1 CMm ≅ 0,0034 = 0,34% Assim, a correção monetária média referente ao semestre foi de 0,34%. Exemplo: Calcule a correção monetária e a média mensal referentes ao período de abril/2019 a dezembro/2019, considerando os dados do INPC do IBGE, conforme a tabela apresentadaa seguir: Tabela 3 – Índice Nacional de Preço ao Consumidor de abr/2018 a dez/2019. Período Mensal (%) Índice abril/2019 - 100 maio/2019 0,15 100,15 junho/2019 0,01 100,16 julho/2019 0,10 100,26 agosto/2019 0,12 100,38 setembro/2019 -0,05 100,33 outubro/2019 0,04 100,37 Matemática Financeira.indd 102Matemática Financeira.indd 102 06/08/2021 04:22:10 PM06/08/2021 04:22:10 PM Matemática Financeira 103 novembro/2019 0,54 100,91 dezembro/2019 1,21 102,13 Fonte: a autora. Identificando os dados disponibilizados na tabela: � Índice período indicado = 102,13 � Índice período anterior = 100 Logo: CM = índice período indicadoíndice período anterior – 1 CM=102,13/100 -1 CM = 1,0213 – 1 = 0,0213 CM = 2,13% Logo, a correção monetária referente ao semestre analisado foi de 2,13%. Já a média mensal da inflação é obtida por: CMm = (1 + CMt) 1/n – 1 CMm = (1 + 0,0213) 1/8 – 1 CMm = (1,0213) 1/8 – 1 CMm ≅ 0,0026 = 0,26% Assim, a correção monetária média referente ao semestre foi de 0,26%. O aplicativo Calculadora do Cidadão, do Banco Central do Brasil, possibilita ao usuário a simulação das operações de suas finanças, com base nas informações disponibilizadas pelo próprio usuário. As simulações de cálculos de serviços financeiros são realizadas com base nas informações fornecidas. Com esse recurso, é possível fazer correções monetárias com o emprego de séries históricas de taxas e indicadores financeiros armazenados no Banco Central do Brasil. Além disso, pode-se comparar o custo de se pagar parte da fatura do cartão de Matemática Financeira.indd 103Matemática Financeira.indd 103 06/08/2021 04:22:10 PM06/08/2021 04:22:10 PM Matemática Financeira104 RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo? Agora, para termos certeza de que você entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir o que vimos. Você deve ter aprendido que a correção ou atualização monetária é a revisão estipulada pelas partes de um contrato previamente estabelecido, ou definida por lei, que tem como referência a desvalorização da moeda. A correção monetária pode ser calculada por uma relação específica, que considera a variação percentual entre o índice no final do período previamente indicado e o índice encontrado no final do período anterior. A correção monetária média também é determinada por uma fórmula específica, que leva em conta as correções monetárias média e do período e o período em questão. crédito rotativo com outros tipos de crédito. Para usufruir dessa facilidade, basta acessar: http://bit.ly/2w0suDS. Neste capítulo, você vai compreender a definição de taxa de juros nominal e real, além de aprender a resolver diferentes exercícios relacionados a tais conceitos. Preparado para desenvolver essa nova competência? Então, vamos lá! Avante! OBJETIVO Conhecendo as taxas de juros nominal, efetiva, real e aparente Matemática Financeira.indd 104Matemática Financeira.indd 104 06/08/2021 04:22:10 PM06/08/2021 04:22:10 PM Matemática Financeira 105 Taxa de Juros Estimado(a) aluno(a), você, provavelmente, já ouviu falar ou leu em algum lugar algo relacionado à taxa de juros, não é mesmo? Embora seja um termo popular, nem todos sabem exatamente o que significa. E, afinal, como calculá-la? Qual a finalidade dela? Matematicamente, taxa de juros consiste na razão entre os juros pagos ou recebidos no fim de um determinado período e o capital inicialmente emprestado. É representada por um valor numérico, obtido pelo quociente entre os capitais e o tempo considerado. Basicamente, a taxa de juros está diretamente relacionada à diferença entre o valor emprestado e o valor devolvido. Na resolução de problemas com o uso das fórmulas, a taxa de juros deve estar na forma unitária. Quando utilizamos a calculadora financeira HP-12C, a taxa deve ser inserida na forma percentual. Já no Excel, são aceitos os dois formatos. Na especulação de operações financeiras, utilizamos dois tipos de taxas úteis para a comparação de índices. Essa subdivisão é descrita na figura a seguir. Figura 4 - Categorias de taxas de juros. Fonte: a autora. A taxa bruta é gerada tomando-se como referência os valores presente e futuro do capital utilizado, desconsiderando- se o desconto do imposto devido. A taxa líquida, por sua vez, é encontrada baseando-se nos valores presente e futuro e admitindo-se o desconto do imposto devido. Matemática Financeira.indd 105Matemática Financeira.indd 105 06/08/2021 04:22:10 PM06/08/2021 04:22:10 PM Matemática Financeira106 Taxa de juros nominal x Taxa de juros efetiva É comum questionarmos sobre a taxa anexada a determi- nada operação financeira, e a resposta costuma diferenciar quanto ao período de capitalização. Leia, a seguir, algumas afirmações para chegarmos, juntos, a uma mesma conclusão. I. 140% ao semestre, com capitalização mensal. II. 16% ao mês, com capitalização mensal. III. 300% ao ano, com capitalização trimestral. IV. 1.250% ao ano, com capitalização bimestral. V. 250% ao semestre, com capitalização semestral. O que essas afirmações têm em comum? Bem, observe que, nas I, III e IV, o período de formação e a incorporação dos juros são diferentes. Ora, na asserção I, o juro é semestral, com capitalização mensal. Na asserção III, o juro é anual, com capitalização trimestral, e, por fim, na asserção IV, o juro é anual, com capitalização bimestral. Aos contextos que apresentam essa relação, relacionamos o conceito de taxa nominal, que, de acordo com Castanheira e Macedo (2013), pode ser assim descrita: A taxa nominal é quando o período de formação e incorporação dos juros ao capital não coincide com aquele a que a taxa está referida. Em contrapartida, quando avaliamos as afirmações restantes, isto é, as II e V, o período de formação e a incorporação dos juros são iguais. Observe que, na asserção II, o juro é mensal, com capitalização mensal, e, na asserção V, o juro é semestral, com capitalização semestral. Para essa condição, é destinado o nome de taxa efetiva, que Castanheira e Macedo definem por: A taxa efetiva é quando o período de formação e incorporação dos juros ao capital coincide com aquele a que a taxa está referida. Matemática Financeira.indd 106Matemática Financeira.indd 106 06/08/2021 04:22:10 PM06/08/2021 04:22:10 PM Matemática Financeira 107 A taxa nominal é muito utilizada em diversas transações do mercado financeiro e se caracteriza por não utilizar o regime de capitalização composta em seu cálculo. Enquanto a taxa de juros efetiva é bastante popular entre nós, brasileiros, pois é comum ver esse termo incorporado a transações financeiras, principalmente em títulos de capitalização. Taxa de Juros Aparente x Taxa de Juros Real Seria correto afirmar que as aparências enganam, quando trabalhamos com juros? A resposta é sim! Costumei- ramente, somos levados a acreditar que certa quantia de dinheiro, quando aplicada em uma poupança, em um único mês, rendeu 1,5% ao mês. Mas porque essa afirmação é uma ilusão? Bem, nesse percentual, está incluída a inflação do período considerado. Retirando-se essa diferença, o rendimento, na verdade, é bem inferior ao afirmado. Assim, considerando-se a dinâmica do mercado em que estamos inseridos, no qual vimos que a inflação é um componente a ser considerado, vamos conhecer, juntos, dois conceitos fundamentais na Matemática Financeira: a taxa de juros aparente e a taxa de juros real. Vamos lá? Matemática Financeira.indd 107Matemática Financeira.indd 107 06/08/2021 04:22:10 PM06/08/2021 04:22:10 PM Matemática Financeira108 A definição de taxa aparente é elaborada por Castanheira e Macedo (2013) como: É a taxa que não contabiliza a inflação do período. Essa taxa é a que é contratada ou declarada em uma operação financeira. Por exemplo, se um banco oferece um fundo de investimento que remunera 23% ao ano, essa é a taxa aparente, também chamada de nominal. No outro extremo, a taxareal é descrita por Castanheira e Macedo (2013) como: É a taxa que utiliza a inflação do período. A taxa real de juros é a que, realmente, gera lucro ao investidor, pois remunera acima da inflação. É importante ressaltar que a taxa real pode ser positiva ou negativa, no caso de a correção realizada sobre o capital ter sido inferior à inflação inserida no período (ASSAF NETO, 2012). Os rendimentos financeiros são os responsáveis pela correção de capitais investidos mediante determinada taxa de juros. As taxas de juros, desse modo, são corrigidas pelo governo conforme os índices inflacionários referentes a um período. Todo esse processo ocorre no intuito de corrigir a desvalorização dos capitais aplicados durante uma crescente alta da inflação. EXEMPLIFICANDO Digamos que você investiu R$ 10.000,00, a uma taxa Selic de 2%, e que a inflação no período seja de 2%. Isso demonstra que o seu rendimento será igual à inflação, ou seja, você estará, somente, compensando a variação da inflação, e não aumentando o seu patrimônio. Matemática Financeira.indd 108Matemática Financeira.indd 108 06/08/2021 04:22:10 PM06/08/2021 04:22:10 PM Matemática Financeira 109 As taxas real e aparente se relacionam mediante a demonstração matemática abaixo. Ela se baseia, inicialmente, em um período em que não houve inflação (1) e em outro, em que o capital foi acrescido da taxa real (i) e da taxa de inflação. Logo: (1) M = C . (1 + ia) (2) M = C . (1 + i) . (1 + l) Igualando as expressões (1) e (2): C . (1 + ia) = C . (1 + i) . (1 + l) (1 + ia) = (1 + i) . (1 + l) Que pode ser reescritas, de maneira mais fácil, da seguinte fórmula: Taxa real = 1 + taxa aparente1 + taxa de inflação Observe que, se a taxa de inflação for nula, ou seja, igual a zero, as taxas de juros nominal e real serão coincidentes, isto é, terão o mesmo índice percentual. Mas, na prática, como essa relação é trabalhada em situações cotidianas? Vamos descobrir juntos?! Exemplo: Em uma aplicação financeira em que a taxa aparente foi de 32% ao ano, durante um ano em que a taxa de inflação ficou definida em 10,75%, qual foi a taxa real de juros? Identificando as informações do enunciado: Taxa real = ? Taxa de inflação = 10,75% = 0,1075 Taxa aparente = 32% = 0,32 Agora, substituindo os dados na relação entre as taxas, obtemos: Taxa real = Taxa real = 1,1919 – 1 = 0,1919 = 19,19% Matemática Financeira.indd 109Matemática Financeira.indd 109 06/08/2021 04:22:10 PM06/08/2021 04:22:10 PM Matemática Financeira110 Assim, é possível afirmar que a taxa real de juros, nesse período, foi de 19,19%. No cálculo manual da taxa real, é sempre necessário subtrair um (1) do resultado, devido à equivalência de 100% ou seja, 100 100 = 1. Cálculo pela calculadora HP–12C ENTER 0,32 ENTER 0,1035 + 1 – Exemplo: Encontre a taxa de rendimento real de determinada aplicação, cuja taxa aparente ficou definida em 5,25% mensal, em um mês em que a taxa de inflação fixou em 8,1% Identificando as informações do enunciado: Taxa real = ? Taxa de inflação = 8,1% = 0,081 Taxa aparente = 5,25% = 0,0525 Agora, substituindo os dados na relação entre as taxas, obtemos: Taxa real = 1 + taxa aparente1 + taxa de inflação Taxa real = 1 + 0,05251 + 0,081 = 1,0525 1,081 = 0,9736 Taxa real = 0,9736 – 1 = –0,0264 = –2,64% Observe que o resultado da taxa real foi negativo; tal infor- mação indica que houve prejuízo para o aplicador neste período. Logo, é possível afirmar que no período determinado a taxa real foi de -2,64%. Cálculo pela calculadora HP–12C ENTER 0,0525 ENTER 0,081 + 1 – Matemática Financeira.indd 110Matemática Financeira.indd 110 06/08/2021 04:22:10 PM06/08/2021 04:22:10 PM Matemática Financeira 111 Perceba que as taxas aparente e de inflação devem, sempre, estar na mesma unidade de tempo, ou seja, se a taxa aparente for anual, a taxa de inflação correspondente também deve ser anual; se a taxa aparente for semestral, a taxa de inflação também deve ser contabilizada semestralmente. Exemplo: Um investidor adquiriu um título de renda fixa por R$ 10.000,00 e o resgatou pela quantia de R$ 15.130,00, após um período de seis meses. Determine a taxa de retorno real desse investimento, considerando uma taxa de inflação para o período de 25% a.s.. Reconhecendo as informações do enunciado: Taxa real = ? Taxa de inflação = 25% = 0,25 Taxa aparente = ? PV = 10.000 FV = 15.130 n = 6 meses = 1 semestre Observe que foi solicitada a determinação da taxa real. No entanto, é preciso encontrar a taxa aparente, para substituir na relação existente. Para tal tarefa, recorremos à fórmula de juros compostos, à qual já fomos apresentados na unidade inicial. Logo: FV = PV(1 + i)n 15.130 = 10.000(1 + i)1 15130 10000 = 1 + i 1,513 = 1 + i i = 1,513 – 1 = 0,513 = 51,3% a.s. De posse dessa informação, basta substituimos os dados na relação entre as taxas aparente e real: Taxa real = 1 + taxa aparente1 + taxa de inflação Taxa real = 1 + 0,5131 + 0,25 = 1,513 1,25 = 1,2104 Matemática Financeira.indd 111Matemática Financeira.indd 111 06/08/2021 04:22:10 PM06/08/2021 04:22:10 PM Matemática Financeira112 Taxa real = 1,2104 – 1 = 0,2104 = 21,04% Logo, a taxa real incidida nessa transação financeira, sob as condições estabelecidas equivale a 21,04%. Cálculo pela calculadora HP–12C 15130 CHS FV 10000 PV 1 n i 2 ENTER 0,0525 2 ENTER 0,0,081 + 1 – RESUMINDO O que você acha do que aprendemos? Não foi interessante!? Com a finalidade de fixarmos os pontos principais, vamos recapitular. Você aprendeu sobre os conceitos de taxa aparente e taxa real, assuntos recorrentes no mundo das finanças e dos investimentos. A taxa real positiva é a que possibilita, a um investidor, aumentar seu capital. Como taxa aparente consideramos aquela que está inserida nas operações correntes. Já a taxa real é o rendimento ou custo de uma operação, seja de aplicação ou de captação calculadas, depois de extraídos os efeitos inflacionários. No caso da taxa real de juros, o efeito inflacionário não existe, por isso ela tende a ser menor que a taxa aparente. Esse fato ocorre porque ela é formada através da correção da taxa efetiva pela taxa de inflação do período da operação. Matemática Financeira.indd 112Matemática Financeira.indd 112 06/08/2021 04:22:11 PM06/08/2021 04:22:11 PM Matemática Financeira 113 Definindo e aplicando a taxa de desvalorização da moeda Com o capítulo que se inicia, você poderá compreender a definição formal de taxa de desvalorização da moeda, além de conhecer e exercitar a fórmula matemática que possibilita seu cálculo. Está pronto e motivado para desenvolver essa nova competência? Então, vamos lá! Avante! OBJETIVO Taxa de desvalorização da moeda A taxa de desvalorização da moeda tem a inflação como fator impactante que movimenta sua engrenagem, como observamos na representação da Figura 6: Figura 6 - Composição da taxa de desvalorização da moeda. Fonte: a autora. A relação matemática que possibilita a determinação da taxa de desvalorização da moeda é dada por: Matemática Financeira.indd 113Matemática Financeira.indd 113 06/08/2021 04:22:11 PM06/08/2021 04:22:11 PM Matemática Financeira114 TDM = INF1 + INF Onde: �TDM = taxa de desvalorização da moeda � INF = taxa de inflação É importante ressaltar que, quanto maior for a taxa de inflação, maior será a taxa de desvalorização da moeda, isto é, quanto maior for a taxa de desvalorização da moeda, menor será o poder de compra do cidadão. Por isso, identificamos que, ao se ter um aumento geral nos preços de bens e serviços, nosso poder aquisitivo diminui, o que ocasiona perda do poder de compra. Exemplo: Considerando a inflação de 12,11%, em determinado período, determine a taxa de desvalorização da moeda que ocasionou esse resultado negativo no poder de compra. Dados do exercício: �TDM = ? � INF = 12,11% = 0,1211 Agora, substituindo as informações, encontramos: TDM = INF1 + INFTDM = 0,12111 + 0,1211 TDM ≅ 0,1080 = 10,80% Assim, é possível afirmar que, com uma inflação de 12,11%, há uma redução do poder de compra da moeda igual a 10,8%, isto é, com esse percentual de evolução dos preços, as pessoas adquirem 10,8% a menos de bens e serviços do que costumam consumir. Matemática Financeira.indd 114Matemática Financeira.indd 114 06/08/2021 04:22:11 PM06/08/2021 04:22:11 PM Matemática Financeira 115 Exemplo: A taxa de inflação de determinado país ficou definida em 4,25%, em 2019. Considerando-se esse contexto, qual foi a taxa de desvalorização da moeda (TDM) nesse período? Dados do exercício: �TDM = ? �TDM = 4,25% = 0,0425 Agora, substituindo as informações, encontramos: TDM = INF1 + INF TDM = 0,04251 + 0,0425 TDM ≅ 0,0408 = 4,08% Logo, com uma inflação de 4,25%, há uma redução do poder de compra da moeda igual a 4,08%, isto é, com esse percentual de evolução dos preços, os consumidores adquirem 4,08% a menos de bens e serviços. Exemplo: A moeda nacional de um país fechou o ano de 2019 com uma taxa de desvalorização da moeda de 8,3%. Considerando a relação existente entre a taxa de desvalorização da moeda e a inflação, determine a respectiva taxa de inflação para o mesmo período. Informações do exercício: �TDM = 8,3% = 0,083 � INF = ? Agora, substituindo as informações, encontramos: TDM = INF1 + INF 0,083 (1 + INF) = INF 0,083 + 0,083INF = INF 0,083 = INF – 0,083INF Matemática Financeira.indd 115Matemática Financeira.indd 115 06/08/2021 04:22:11 PM06/08/2021 04:22:11 PM Matemática Financeira116 0,083 = 0,917INF INF = 0,0830,917 INF ≅ 0,0905 = 9,05% Assim, é possível afirmar que uma redução do poder de compra da moeda igual a 8,3% foi ocasionada por uma inflação igual a 9,05%. Exemplo: Para a moeda nacional de certo país, ficou fixado, como taxa de desvalorização da moeda, o valor de 10,4%. Considerando a relação existente entre a taxa de desvalorização da moeda e a inflação, indique a taxa de inflação para o respectivo período. Informações do exercício: TDM = 10,4% = 0,104 INF = ? Agora, substituindo as informações, encontramos: TDM = INF1 + INF 0,104(1 + INF) = INF 0,104 + 0,104INF = INF 0,104 = INF – 0,014 INF 0,104 = 0,896 INF INF = 0,1040,896 INF ≅ 0,1161 = 11,61% Então, é viável afirmar que uma redução do poder de compra da moeda igual a 10,4% foi ocasionada por uma inflação igual a 11,61%. Âncora cambial é o nome destinado a um instrumento de política econômica que visa atrelar a moeda nacional a Matemática Financeira.indd 116Matemática Financeira.indd 116 06/08/2021 04:22:11 PM06/08/2021 04:22:11 PM Matemática Financeira 117 uma moeda estrangeira forte (geralmente o dólar americano), buscando-se, com isso, a estabilização da moeda nacional. Nesse contexto de valorização/desvalorização da moeda nacional, também é importante conceituarmos a taxa de câmbio, que consiste na relação entre as moedas correntes de dois ou mais países e disponibiliza informações sobre as transações comerciais e relações de troca entre as nações. Essa taxa é expressa por um preço, um valor que se distingue na hora da compra e da venda. O Gráfico 2, a seguir, apresenta a variação da taxa de câmbio no ano de 2018. Observe. Gráfico 2 -Taxa de câmbio Real/Dólar Fonte: http://www.sinfacrs.com.br/info/2018/35/2018-35-economia.html. A taxa de câmbio pode ser classificada em três categorias, como apresentado na Figura 7, a seguir: Figura 7 - Categorias das Taxas de Câmbio. Matemática Financeira.indd 117Matemática Financeira.indd 117 06/08/2021 04:22:11 PM06/08/2021 04:22:11 PM Matemática Financeira118 Fonte: a autora. Ainda conforme Assaf Neto (2012), cada subdivisão dessa taxa de câmbio pode ser descrita como: �Taxa de câmbio fixa: o Banco Central estabelece um preço fixo de uma moeda estrangeira em moeda nacional. A conversão de moeda nacional em moeda estrangeira, e vice- versa, é garantida pelo Banco Central àquele preço. Essa modalidade de taxa é utilizada com o intuito de estabilizar o valor de uma moeda, ao fixá-lo diretamente sob uma taxa pré- determinada em relação à moeda âncora, que é mais estável e predominante internacionalmente. �Taxa de câmbio flutuante: as taxas mudam livremente ou sob a lei da oferta e demanda do mercado. O governo não interfere no mercado cambial, uma vez que o objetivo é valorizar ou desvalorizar a taxa de câmbio. A única interferência do Banco Central consiste em evitar variações muito grandes nas cotações, ou mesmo influenciar na taxa de câmbio. �Taxa de câmbio atrelada: Trata-se de um misto entre o câmbio flutuante e o câmbio fixo. Nesse regime, a taxa de câmbio se altera todos os dias dentro de bandas fixadas pelo governo. O Banco Central intervém no mercado para manter o preço da moeda no contexto das bandas determinadas. determinadas. Ressalta-se que, para que esse regime funcione corretamente, Matemática Financeira.indd 118Matemática Financeira.indd 118 06/08/2021 04:22:11 PM06/08/2021 04:22:11 PM Matemática Financeira 119 é necessário que o Banco Central tenha reservas internacionais suficientes para estabelecer as operações de compra e venda de moeda, mesmo em períodos de crises. O coeficiente de pass-through se relaciona com o câmbio, a inflação, os juros, e, portanto, com o crescimento econômico. Basicamente, ele fornece o tamanho do repasse das variações cambiais para os preços, indicando o quanto um aumento ou declínio na taxa de câmbio faz a inflação crescer ou decrescer. É uma estimativa precária, nem sempre muito confiável, mas que tem uma função crucial para a tomada de decisões pelo Banco Central. Baseado nesse coeficiente, o Banco Central projeta a inflação futura, o que o permite aumentar ou diminuir as taxas de juros. O Banco Central é uma autarquia que exerce suas funções com autonomia, sem subordinação a outro órgão do poder público. Foi instituído em 1964 e é a instituição responsável por garantir a estabilidade econômica do País, por meio da manutenção do poder de compra da moeda e da regulação do sistema financeiro brasileiro RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu pra valer? Agora, vamos rever o que estudamos. A taxa de desvalorização da moeda avalia o quanto o nosso dinheiro se desvalorizou perante o tempo, indicando um acréscimo ou decréscimo em nosso poder de compra. Descobrimos, também, que essa taxa depende unicamente do valor associado à inflação do período analisado. Ainda no contexto econômico, aprendemos mais sobre a taxa de câmbio, que se caracteriza por apresentar a relação entre as moedas correntes de dois ou mais países e disponibilizar informações sobre as transações comerciais e relações de troca entre as nações. Ela pode ser classificada em taxa de câmbio fixa, flutuante e atrelada Matemática Financeira.indd 119Matemática Financeira.indd 119 06/08/2021 04:22:11 PM06/08/2021 04:22:11 PM Matemática Financeira120 BIBLIOGRAFIA ASSAF NETO, Alexandre. Matemática Financeira e suas aplicações. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2012. BAUER, Udibert Reinoldo. Matemática Financeira fundamental. São Paulo: Atlas, 2003. CASTANHEIRA, Nelson P.; MACEDO, Luiz Roberto Dias de. Matemática Financeira aplicada. Curitiba: Intersaberes, 2013. CASTANHEIRA, Nelson P.; SERENATO, Verginia S. Matemática Financeira e análise financeira para todos os níveis: soluções algébricas e soluções na HP-12c. 2. ed. CURITIBA: Juruá, 2011. FARIA, Rogério Gomes de. Matemática Comercial e Financeira: com exercícios e cálculos em Excel e HP-12C. São Paulo: Ática, 2007. LAPPONI, Juan Carlos. Matemática Financeira: uma abordagem moderna. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1994. MATHIAS, Washington Franco; GOMES, José Maria. Matemática Financeira. São Paulo: Editora Atlas, 2007. PUCCINI, Abelardo de Lima. Matemática financeira: objetiva e aplicada. 9. ed. São Paulo: Elsevier, 2011. Matemática Financeira.indd 120Matemática Financeira.indd 120 06/08/202104:22:12 PM06/08/2021 04:22:12 PM Matemática Financeira 121 UNIDADE 04 SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO Matemática Financeira.indd 121Matemática Financeira.indd 121 06/08/2021 04:22:12 PM06/08/2021 04:22:12 PM Matemática Financeira122 Caro(a) aluno(a), é com imenso prazer que iniciamos nossa última unidade do curso de Matemática Financeira! Aprendemos, juntos, muita coisa por aqui, não é mesmo? E, nesta unidade, conheceremos com mais propriedade os sistemas de amortização, planos de pagamento de uma dívida contraída, que podem adotar diferentes formatos. Como exemplos desse segmento, podemos citar operações comuns a todos nós: a compra da casa própria, financiada pelo sistema financeiro de habitação; as dívidas decorrentes de tributos, sejam eles municipais, estaduais ou federais; os empréstimos bancários para pagamento em parcelas periódicas; dentre outros. Entendeu? Bem, no decorrer desta quarta unidade letiva, iremos mergulhar juntos nesse universo! TEMAS Nesta unidade, você verá: • Compreendendo o Sistema Americano de Amortização • Entendendo o Sistema de Amortização Constante • Identificando o Sistema Price ou Francês de Amortização • Aprendendo sobre o Sistema de Amortização Misto INTRODUÇÃO Matemática Financeira.indd 122Matemática Financeira.indd 122 06/08/2021 04:22:12 PM06/08/2021 04:22:12 PM Matemática Financeira 123 1 2 3 4 Olá. Seja muito bem-vindo a nossa Unidade 4 – Sistema de Amortização. Nesta unidade, o nosso objetivo é auxiliá-lo no desenvolvimento das seguintes competências profissionais: OBJETIVOS Compreender o Sistema Americano de Amortização; Entender o Sistema de Amortiização Constante; Conhecer o Sistema Price ou Frances de Amortização; Aprender sobre o Sistema de Amortização Misto. Vamos, juntos, adentrar em um mundo interessante e muito útil para nossa vida financeira! Ao trabalho! Avante, caro(a) aluno(a)! Matemática Financeira.indd 123Matemática Financeira.indd 123 06/08/2021 04:22:12 PM06/08/2021 04:22:12 PM Matemática Financeira124 Compreendendo o Sistema Americano de Amortização Sistemas de Amortização Na língua portuguesa, amortizar tem significado relacionado aos atos de “abater, descontar, extinguir, quitar, pagar”. No contexto financeiro, esses verbos ainda são válidos. Entretanto, estão associados ao pagamento de uma dívida, que, geralmente, ocorre em parcelas, mas que também pode ser feito em uma única vez. Amortizar é pagar um débito de maneira antecipada. Outra definição é apresentada por Castanheira e Macedo (2013): Amortizar é devolver o capital que se tomou emprestado. Há diversas maneiras de se amortizar uma dívida. As condições de cada operação devem estar estabelecidas em contrato firmado entre o credor e o devedor. Os sistemas de amortização são empregados, basicamente, para operações de empréstimos e financiamentos de longo prazo, com desembolsos periódicos do principal e encargos financeiros. Os sistemas que estudaremos aqui utilizam, exclusivamente, o critério de juros compostos. OBJETIVO Ao terminar este capítulo, você será capaz de compreender em que consiste um sistema de amortização, bem como definir e caracterizar a dinâmica do Sistema Americano de Amortização (SAA). Instigado para aperfeiçoar esse novo conhecimento? Então, vamos lá! Avante! Matemática Financeira.indd 124Matemática Financeira.indd 124 06/08/2021 04:22:12 PM06/08/2021 04:22:12 PM Matemática Financeira 125 A prestação de um financiamento (empréstimo) é composta pelos elementos descritos abaixo: �Encargos financeiros (juros): Representam os juros da operação, caracterizando-se como custo, para o devedor, e retorno, para o credor. Podem ser prefixados ou pós-fixados. O que diferencia as duas modalidades é a correção da dívida, em função de uma expectativa (prefixação) ou verificação posterior (pós-fixação) do comportamento de determinado indexador. � Saldo devedor: Representa o valor do principal da dívida em um determinado momento, após a dedução do valor já pago ao credor (amortização). �Amortização: Refere-se, exclusivamente, ao pagamento do principal. �Prestação: É composta pelo valor da amortização, mais os encargos financeiros, em um determinado período de tempo. Prestação = amortização + encargos financeiros A parte que corresponde à amortização é calculada a partir do saldo devedor, fazendo-se com que a dívida seja decrescida a cada período. Os juros, por sua vez, são calculados, inicialmente, sobre o total da operação a ser realizada. Observe, na Figura 1, essa relação. Figura 1: Composição de uma parcela de financiamento Matemática Financeira.indd 125Matemática Financeira.indd 125 06/08/2021 04:22:12 PM06/08/2021 04:22:12 PM Matemática Financeira126 No Brasil, existem várias regras para a amortização, e cada uma com suas peculiaridades. Estudaremos, nesta unidade, quatro dos sistemas de amortização mais utilizados, apresentados na figura adiante Figura 2: Exemplares dos sistemas de amortização SAIBA MAIS Existem, ainda, outros sistemas básicos de amortização. Você pode estudar os sistemas montante, sinking fund, americano e alemão na leitura complementar LC62, disponível em: https:// bit.ly/2XYBpS2. Fonte: a autora Matemática Financeira.indd 126Matemática Financeira.indd 126 06/08/2021 04:22:12 PM06/08/2021 04:22:12 PM Matemática Financeira 127 Sistema Americano de Amortização (SAA) Dentre os sistemas de amortizações disponíveis no mercado financeiro, o Sistema Americano de Amortização (SAA) é considerado o mais simples, uma vez que sua dinâmica consiste em devolver o capital emprestado em um pagamento único, no término do prazo contratado. Sendo assim, é comum a disponibilização de uma carência ao tomador do empréstimo (CASTANHEIRA; MACEDO, 2013). Essa modalidade de amortização é amplamente utilizada nas operações relativas a papéis de renda fixa com renda quitada no final, além das letras de câmbio e os certificados de depósitos com renda final. Conforme destacam Castanheira e Macedo (2013), as características associadas ao Sistema Americano de Amortização (SAA) são: �Os juros são calculados sobre o valor original da dívida. �O contratante pode saldar seu débito a qualquer momento. �Existe maior controle no fluxo de caixa para saldar adívida. � Permite o pagamento fracionado da dívida, reduzindo o valor dos juros, proporcionalmente. Você tem conhecimento sobre o que são letras de câmbio? Nesse vídeo disponível no link https://bit.ly/2xGHK9Z, há uma breve explicação desse título de crédito. Vale a pena assistir! ACESSE Matemática Financeira.indd 127Matemática Financeira.indd 127 06/08/2021 04:22:13 PM06/08/2021 04:22:13 PM Matemática Financeira128 �Aconselhado quando está previsto o recebimento deuma quantia futura suficiente para saldar a dívida. �O principal é liquidado, em parcela única, no término do prazo do financiamento. Os juros referentes a essa modalidade de amortização podem ser saldados apenas no vencimento do principal — caracterizando o Sistema Americano Bullet — ou liquidados em parcelas periódicas (“cupons”), caracterizando o Sistema Americano Padrão. Esses sistemas se distinguem pelo fato de que, no Sistema Padrão, ocorre menor pagamento de juros, quando comparado ao Sistema Bullet, uma vez que, com a quitação dos juros em cada período, não é preciso sua incorporação no principal, isto é, juros compostos (ASSAF NETO, 2012). Agora, considere a seguinte situação: uma pessoa jurídica adquiriu um empréstimo no valor de R$ 50.000,00, a ser quitado no término de quatro meses, sendo firmada entre as partes que os juros seriam pagos a cada período. Queremos saber de quanto será o montante equivalente a esse contexto, uma vez que a taxa de juros utilizados na operação é de 2%, com capitalização mensal. As informações do problema são: � PV = 50.000 O SAA é interessante para quem quer montar seu próprio negócio, na perspectiva de,no futuro, conseguir recursos para quitar a dívida contraída EXEMPLIFICANDO Matemática Financeira.indd 128Matemática Financeira.indd 128 06/08/2021 04:22:13 PM06/08/2021 04:22:13 PM Matemática Financeira 129 � i = 2% = 0,02 � n = 4 Para visualizarmos esse processo, é essencial a elaboração de uma planilha e sua posterior interpretação. Quadro 1 - Sistema de Amortização Americano (SAA). Fonte: a autora. Utilizando o mesmo exemplo anterior, vamos construir outra planilha, considerando, dessa vez, que os juros serão pagos apenas no final do prazo do financiamento . SISTEMA DE AMERICANO DE AMORTIZAÇÃO (SAA) Principal R$50.000,00 Taxa de Juros 2% a.m. Saldo Devedor Período Juros Amortização Pagamento 1 R$1.000,00 0.00 R$1.000,00 R$50.000,00 2 R$1.000,00 0.00 R$1.000,00 R$50.000,00 3 R$1.000,00 0,00 R$1.000,00 R$50.000,00 4 R$1.000,00 R$50.000,00 R$51.000,00 0,00 Total R$4.000,00 R$50.000,00 R$54.000,00 - Matemática Financeira.indd 129Matemática Financeira.indd 129 06/08/2021 04:22:13 PM06/08/2021 04:22:13 PM Matemática Financeira130 Entendendo o Sistema de Amortização Constante Chamo a sua atenção, estimado(a) aluno(a), para a diferença entre os tipos de sistemas de amortização americanos, visto que os juros poderão ser pagos em cada período (“cupons”), como no primeiro quadro, ou apenas ao fim do prazo do financiamento (Bullet), juntamente à amortização única RESUMINDO Gostou do nosso estudo? Aprendeu mesmo? Então, para nos certificarmos, vamos resumir o que foi abordado. Você deve ter aprendido a definição de amortização e os tipos de sistema de amortização utilizados no Brasil, em diversas operações financeiras. Além disso, conhecemos o Sistema Americano de Amortização (SAA), que se caracteriza, principalmente, pelo cálculo dos juros sobre o valor original da dívida, pela possibilidade de o contratante saldar sua dívida quando for oportuno, pelo maior controle no fluxo de caixa e o menor pagamento parcial da dívida, devido à redução do valor dos juros, proporcionalmente. Bem, chegamos ao final de mais um capítulo da disciplina. Vamos seguir! OBJETIVO Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como ocorre o processo de amortização seguindo os parâmetros do Sistema de Amortização Constante (SAC), bem como compreenderá como funciona a base de cálculo nessa metodologia. Preparado para desenvolver mais essa competência? Então, vamos lá! Avante! Matemática Financeira.indd 130Matemática Financeira.indd 130 06/08/2021 04:22:13 PM06/08/2021 04:22:13 PM Matemática Financeira 131 Sistema de Amortização Constante Na grande maioria dos sistemas de amortização os pagamentos são constantes, em contrapartida, o que é constante no Sistema de Amortização Constante (SAC) é a parcela de amortização. Outra característica deste sistema de amortização, é que os juros decrescem, objetivando prestações decrescentes no decorrer do tempo; já os pagamentos permanecem compostos por dois elementos, sendo o somatório entre a amortização que é constante ao longo de todo o plano de pagamentos, e os juros que são mensurados a partir dos saldos devedores dos períodos anteriores (CASTANHEIRA; SERENATO, 2008). Observe no gráfico 1 a seguir a relação entre o valor das prestações e a quantidade de prestações. Gráfico 1 - Relação entre quantidade de prestações e valor das prestações no SAC. Fonte: a autora. Matemática Financeira.indd 131Matemática Financeira.indd 131 06/08/2021 04:22:13 PM06/08/2021 04:22:13 PM Matemática Financeira132 Veja que, à medida em que a dívida começa a ser amortizada, a parcela dos juros e, consequentemente, o valor associado a cada prestação, como um todo, tendem a decrescer, uma vez que o próprio saldo devedor se reduz. Por consequência, no SAC, o saldo devedor e a sua prestação tendem a encolher permanentemente, a partir do início do financiamento, e não deixam resíduo. Nesse contexto, existe menos exposição aos aumentos de indexadores do contrato, durante o financiamento. No Sistema de Amortização Constante (SAC), a prestação inicial é um pouco maior, quando comparada a outras modalidades de amortização, pois a quantia a ser paga pela amortização também é maior. Isso pode parecer um pouco inviável, já que se trata do início da liquidação de uma dívida. No entanto, o processo a ser realizado consiste em um abatimento maior no valor do débito e, consequentemente, menos juros ao longo do contrato. As características gerais dessa metodologia, como suas vantagens e desvantagens, estão listadas na figura a seguir: Um indexador é um índice utilizado como parâmetro para um reajuste contratual ou do valor de um ativo. Esse percentual possui grande utilidade para se estabelecer a rentabilidade de alguns ativos e serve de base para o reajuste de contratos na economia. CURIOSIDADE Matemática Financeira.indd 132Matemática Financeira.indd 132 06/08/2021 04:22:13 PM06/08/2021 04:22:13 PM Matemática Financeira 133 Figura 3 -Características do Sistema de Amortização Constante (SAC). Fonte: a autora. Conforme descrito por Castanheira e Macedo (2013), a relação que possibilita o cálculo da parcela é dado por: Onde consideraremos: � a = parcela correspondente a amortização � c = capital (saldo devedor total) � n = quantidade de parcelas de amortização Além dessa igualdade, trabalharemos com outras, que permitem o cálculo referente à parcela correspondente ao juro cobrado e ao valor de cada prestação. Observe. Para o cálculo dos juros de cada período, utilizaremos Jn=SDn-1.i R = A + Jn Matemática Financeira.indd 133Matemática Financeira.indd 133 06/08/2021 04:22:13 PM06/08/2021 04:22:13 PM Matemática Financeira134 Onde consideraremos: � Jn = juros incididos na parcela no período desejado. �R = prestação. � SDn-1 = saldo devedor do período anterior. Agora, vamos resolver, juntos, um exemplo, para compreendermos como ocorre esse sistema de amortização. Um imóvel no valor de R$ 100.000,00 foi financiado pelo Sistema de Amortização Constante, sem correção monetária, sob as condições de: �Entrada de R$30.000,00 � Sete parcelas mensais, vencendo a primeira após 30 dias da assinatura do contrato; �Taxa de juro composto de 1,8% ao mês. Quais os valores referentes as parcelas, amortizações e o saldo devedor considerando o SAC? Com base nos resultados dos cálculos, preencheremos uma tabela, assim como fizemos em nosso estudo do SAA, apresentando, ao longo do tempo, as amortizações, o valor das parcelas e o saldo devedor. Inicialmente, foi dada uma entrada no valor de R$ 30.000,00. O valor a ser financiado será de R$ 100.000,00 – R$ 30.000,00 = R$ 70.000,00. Logo, a parcela de amortização será dada por: Para se encontrarem os valores referentes às parcelas, é preciso determinar o valor do juro de cada período. Considerando- se que o saldo devedor inicial é de R$ 70.000,00, vamos usar a relação: Matemática Financeira.indd 134Matemática Financeira.indd 134 06/08/2021 04:22:13 PM06/08/2021 04:22:13 PM Matemática Financeira 135 Jn = SDn-1.i J1 = SD0.i = 70.000 . 0,018 J1 = 1.260,00 Como a parcela é encontrada pelo somatório entre a parcela de amortização e o juro: R1 = A + J1 R1 = 10.000,00 + 1.260,00 R1 = 11.260,00 Para se encontrar o novo saldo devedor, basta subtrair o valor da amortização do saldo devedor, ou seja, R$ 70.000,00 – R$ 10.000,00 = R$60.000,00. Desse modo, o juro e o valor da segunda parcela serão dados por, respectivamente: J2 = SD1.i J2 = 60.000.0,018 J2 = 1.080 Assim como a prestação é encontrada pela adição da amortização e o juro: R2 = A + J2 R2 = 10.000,00 + 1.080,00 R2 = 11.080,00 A partir daí, calculamos o novo saldo devedor de R$ 60.000,00 – R$ 10.000,00 = R$ 50.000,00. O cálculo das outras partes (juro, prestação e saldo devedor) dos períodos posteriores é feito de forma semelhante. As informações são dados no quadro a seguir Matemática Financeira.indd 135MatemáticaFinanceira.indd 135 06/08/2021 04:22:14 PM06/08/2021 04:22:14 PM Matemática Financeira136 Fonte: a autora. Ao digitarmos um número qualquer, n, e as teclas f AMORT, obtemos os juros acumulados referentes aos n primeiros períodos. Se, em seguida, digitarmos outro número qualquer, acompanhado das teclas f AMORT, teremos os juros acumulados referentes aos períodos posteriores. Assim, após encontrarmos os juros acumulados referentes a n períodos, obteremos a amortização acumulada desse mesmo tempo pressionando a tecla .Pressionando RCL PV, obteremos o saldo devedor. SISTEMA DE AMORTIZAÇÃOCONSTANTE (SAC) Principal R$70.000,00 Taxa de Juros 1,8% a.m. Saldo DevedorNº da Parcela Valor da Parcela Amortização Juro da Parcela 0 - - - R$70.000,00 1 R$11.260,00 R$10.000,00 R$1.260,00 R$60.000,00 2 R$11.080,00 R$10.000,00 R$1.080,00 R$50.000,00 3 R$10.900,00 R$10.000,00 R$900,00 R$40.000,00 4 R$10.720,00 R$10.000,00 R$720,00 R$30.000,00 5 R$10.540,00 R$10.000,00 R$540,00 R$20.000,00 6 R$10.360,00 R$10.000,00 R$360,00 R$10.000,00 7 R$10.180,00 R$10.000,00 R$180,00 R$0,00 Total R$75.040,00 R$70.000,00 R$5.040,00 0,00 Gráfico 2 - Relação entre quantidade de prestações e valor das prestações no PRICE. Matemática Financeira.indd 136Matemática Financeira.indd 136 06/08/2021 04:22:14 PM06/08/2021 04:22:14 PM Matemática Financeira 137 Identificando o Sistema Price ou Francês de amortização O que achou do que lhe mostramos? Aprendeu, mesmo, todo o conteúdo apresentado nesse capítulo? Para termos certeza de que você entendeu, vamos formular um resumo do que vimos. Você deve se lembrar de que a amortização se refere a um abatimento no valor principal do financiamento, uma vez que os juros representam os valores pagos à instituição que emprestou o dinheiro. A partir dessas concepções, aprendemos mais detalhadamente sobre outro sistema de amortização utilizado no Brasil: o Sistema de Amortização Constante (SAC). Nessa metodologia, o valor a ser financiado é fracionado em parcelas de valores distintos, durante a vigência de todo o contrato. Logo, as parcelas de amortização que são pagas periodicamente e mensalmente, adicionadas aos juros, são constantes, ou seja, a parte destinada a amortizar o saldo devedor não sofre variações em seus valores. RESUMINDO OBJETIVO Com este capítulo, você vai entender como se baseia a metodologia do Sistema Francês de Amortização ou Sistema Price. Conhecerá sua definição formal, aplicação e as relações que viabilizam a determinação de suas parcelas. Está animado para desenvolver essa competência? Então, vamos lá! Avante! Matemática Financeira.indd 137Matemática Financeira.indd 137 06/08/2021 04:22:14 PM06/08/2021 04:22:14 PM Matemática Financeira138 Sistemas Price ou Francês de Amortização (SFA) O Sistema Francês de Amortização (SFA), que também pode ser referenciado por Sistema Price, foi criado por um pensador e matemático inglês, Richard Price (1723 – 1791), mas foi adotado na França, a partir do século XIX (NETO, 2012). Essa metodologia de amortização é amplamente usada por instituições financeiras e imobiliárias. Nela, é adotado o conceito de rendas imediatas, isto é, a amortização acontece em parcelas periódicas, sucessivas e iguais, e o primeiro pagamento ocorre ao final do primeiro período estabelecido (CASTANHEIRA; MACEDO, 2013). No SFA, o principal associado aos juros é devolvido em prestações iguais e periódicas, calculadas segundo uma série uniforme postecipada. Observe, no Gráfico 2, que, diferentemente do que ocorre no SAC, o valor referente a cada uma das prestações é constante. Gráfico 2 - Relação entre quantidade de prestações e valor das prestações no PRICE. Fonte: a autora. Matemática Financeira.indd 138Matemática Financeira.indd 138 06/08/2021 04:22:14 PM06/08/2021 04:22:14 PM Matemática Financeira 139 À medida em que as parcelas são quitadas, o saldo devedor decresce, e o juro, que também é calculado sobre o saldo devedor, diminui. Por isso, as quantias referentes à amortização (devolução do total emprestado) aumentam no decorrer do tempo, uma vez que as parcelas são iguais, periódicas e sucessivas (CASTANHEIRA; SERENATO, 2013). Os pontos mais significativos da dinâmica de aplicação do Sistema Francês de Amortização estão expostos na Figura 4, a seguir. Figura 4 -Características do Sistema Francês de Amortização (PRICE). Fonte: a autora. CURIOSIDADE Existe uma extensão para a planilha do Excel com simulador da tabela Price, esta funciona como um simulador de financiamento, onde é possível calcular as prestações, taxas de juros e amortização, sem a necessidade de aplicação da fórmula matemática. Basicamente essa planilha é composta por três campos amarelos que devem ser preenchidos com o valor do financiamento ou empréstimo, prazo de pagamento em meses e a taxa de juros anual ou custo efetivo total, que consiste em uma informação que deve ser disponibilizada pelo banco ou empresa. Matemática Financeira.indd 139Matemática Financeira.indd 139 06/08/2021 04:22:14 PM06/08/2021 04:22:14 PM Matemática Financeira140 Para calcular o valor das parcelas (prestações), nesse sistema de amortização, usamos a fórmula de cálculo de valor presente das séries uniformes de pagamentos postecipadas, dada por: Onde será adotado: � PV = capital �R = parcelado financiamento � i = taxa de juros � n = quantidade de parcelas Além dessa fórmula, trabalharemos com as mesmas já conhecidas no Sistema de Amortização Constante, que indicam a relação a ser utilizada para o cálculo referente à parcela correspondente ao juro cobrado e ao valor correspondente a cada prestação. Jn = SDn-1.i R = An + Jn Onde consideraremos: � Jn = juros incididos na parcela, no período. �R = prestação � SDn-1 = ssaldo devedor do período anterior. Agora, partiremos para a resolução da mesma situação- problema que resolvemos no estudo do SAC e que é comum em nosso cotidiano. Vamos, juntos, entender o funcionamento do SFA e, ao final, estabelecermos uma comparação entre os dois métodos de amortização. Um imóvel no valor de R$100.000,00 foi financiado pelo Sistema francês de amortização, sem correção monetária, sob as condições de: Matemática Financeira.indd 140Matemática Financeira.indd 140 06/08/2021 04:22:14 PM06/08/2021 04:22:14 PM Matemática Financeira 141 �Entrada de R$30.000,00. � Sete parcelas mensais, a primeira com vencimento após 30 dias da assinatura do contrato. �Taxa de juros compostos de 1,8% ao mês. Quais os valores referentes às parcelas, amortizações e o saldo devedor considerando o SFA? Para o cálculo das parcelas, utilizamos a fórmula apresentada anteriormente: Logo, esse financiamento será composto por sete prestações fixas e iguais a R$ 10.732,84. No pagamento da primeira parcela do saldo devedor, que é de R$ 70.000,00, é possível determinar a parcela referente à amortização pela relação: J1 = SD0.i J1 = 70.000,00 . 0,018 J1 = 1.260 Resta encontrarmos a amortização do pimeiro período, através da relação: R = A1 + J1 → A1 = R - J1 A1 = R$ 10.732,84 - 1.260,00 A1 = 9.472,84 Matemática Financeira.indd 141Matemática Financeira.indd 141 06/08/2021 04:22:14 PM06/08/2021 04:22:14 PM Matemática Financeira142 Logo, o novo saldo devedor é de R$ 70.000,00 – R$ 9.472,84 = R$ 60.527,16. Assim, o juro e o valor da segunda parcela serãodados por, respectivamente: J2 = SD0.i J2 = 60.527,16 . 0,018 = 1.089,49 R = A2+J2 → A2 = R - J2 A2 = R$ 10.732,84 – 1.089,49 A2 = 9.643,35 O novo saldo devedor é de R$ 60.527,16 – R$ 9.643,35 = R$ 50.883,81. De forma análoga, todos os valores do respectivo período serão encontrados. Com isso, podemos preencher o Quadro 3, a seguir, com os dados correspondentes ao exemplo resolvido, tendo como base a dinâmica do SFA Quadro3: Sistema Francês de Amortização (SFA) SISTEMA FRANCÊS DE AMORTIZAÇÃO (SFC) Principal R$70.000,00 Taxa de Juros 1,8% a.m. Saldo DevedorNº da ParcelaValor da Parcela Amortização Juro da Parcela 0 - - - R$70.000,00 1 R$10.732,84 R$9.472,84 R$1.260,00 R$60.527,16 2 R$10.732,84 R$9.643,35 R$1.089,49 R$50.883,81 3 R$10.732,84 R$9.816,93 R$915,91 R$41.066,88 4 R$10.732,84 R$9.993,64 R$739,20 R$31.073,24 5 R$10.732,84 R$10.173,52 R$559,32 R$20.899,72 6 R$10.732,84 R$10.356,65 R$376,19 R$10.543,07 7 R$10.732,84 R$10.543,07 R$189,77 R$0,00 Total R$75.129,88 R$70.000,00 R$5.129,88 R$0,00 Matemática Financeira.indd 142Matemática Financeira.indd 142 06/08/2021 04:22:14 PM06/08/2021 04:22:14 PM Matemática Financeira 143 Estimado(a) aluno(a), os cálculos realizados anteriormente podem, também, ser efetuados na calculadora HP-12C. Para isso, basta seguir estes passos: Cálculo pela calculadora HP-12C 100000 ENTER 30000 - CHS PV 1.8 i 7 n PMT (10.732,84) 1 f AMORT (juro na parcela 1 = 1.620,00) (amortização na parcela 1 = 9.472,84) RCL PV (novo saldo devedor = 60.527,16) 1 f AMORT (juro na parcela 2 = 1.089,49) (amortização na parcela 2 = 9.643,35) RCL PV (novo saldo devedor = 50.883,81 1 f AMORT (juro na parcela 3 = 915,91) (amortização na parcela 3 = 9.816,93) RCL PV (novo saldo devedor = 41.066,88) 1 f AMORT (juro na parcela 4 = 739,20) CURIOSIDADE A calculadora financeira HP-12C realiza os cálculos relacionados ao PMT ou anuidades, com a metodologia do Sistema Price. Por isso, ao fazer uso desse dispositivo, é necessário se atentar a essa configuração. Matemática Financeira.indd 143Matemática Financeira.indd 143 06/08/2021 04:22:15 PM06/08/2021 04:22:15 PM Matemática Financeira144 (amortização na parcela 4 = 9.993,64) RCL PV (novo saldo devedor = 31.073,24) 1 f AMORT (juro na parcela 5 = 559,32) (amortização na parcela 5 = 10.173,52) RCL PV (novo saldo devedor = 20.889,72) 1 f AMORT (juro na parcela 6 = 376,19) (amortização na parcela 6 = 10.356,65) RCL PV (novo saldo devedor = 10.732,84) 1 f AMORT (juro na parcela 7 = 189,77) (amortização na parcela 7 = 10.543,07) RCL PV (novo saldo devedor = 0,00) RESUMINDO Você deve ter aprendido que o Sistema Francês de Amortização ou Sistema Price está presente na maioria da compras parceladas, em que o preço à vista da mercadoria se distribui do valor parcelado com os juros compostos, que estão inseridos especialmente nos financiamentos populacionais; este sistema possui como característica principal o fato de utilizar um valor constante para as parcelas que se referem à dívida adquirida; a variável que se altera conforme o período estabelecido é a parcela que se refere à amortização, uma vez que essa quantia cresce a cada parcela, não obstante o juro incidido nesta operação financeira diminui a cada período, até se chegar a um saldo devedor nulo, ou seja, a quitação da dívida adquirida. Matemática Financeira.indd 144Matemática Financeira.indd 144 06/08/2021 04:22:15 PM06/08/2021 04:22:15 PM Matemática Financeira 145 Aprendendo o Sistema de Amortização Misto Sistemas de Amortização Misto (SAM) O Sistema de Amortização Misto (SAM), como o próprio nome sugere, é o resultado da combinação das concepções do Sistema de Amortização Constante e o Sistema Francês de Amortização. De acordo com Castanheira e Serenato (2011), o SAM foi criado pelo extinto Banco Nacional de Habitação, em 1979. Por esse sistema, o devedor paga o empréstimo em parcelas, que resultam, cada uma delas, da média aritmética entre os valores encontrados para as prestações do sistema Price e do SAC. Por consequência, os juros, saldos devedores e as amortizações, em cada período, também são compostos, cada um, pela média aritmética, entre eles, do sistema Price e do SAC. Observe, na Figura 4, essa representação. OBJETIVO Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como funciona o Sistema de Amortização Misto, que surge da junção entre o Sistema de Amortização Constante e o Sistema Francês de Amortização. Você será apresentado à definição formal e aos cálculos dessa metodologia. E então? Motivado para desenvolver essa nova e interessante competência? Então, vamos lá! Avante! Matemática Financeira.indd 145Matemática Financeira.indd 145 06/08/2021 04:22:15 PM06/08/2021 04:22:15 PM Matemática Financeira146 Figura 5 -Composição do Sistema Misto. Fonte: a autora. Ressaltamos que, na prática, nem sempre é viável calcular esses valores, por isso apenas as prestações são determinadas como médias aritméticas. Desse modo, as prestações, as parcelas de amortização e os juros são indicados através das respectivas relações: Onde será adotado: �PSAM: prestação no sistema de Amortização Misto. �PPRICE: prestação no sistema de amortização Price. �PSAC- : prestação no Sistema de Amortização Constante. Onde será adotado: �ASAM: parcela de amortização no Sistema de Amortização Misto. �APRICE: parcela de amortização no sistema de amortização Price. Matemática Financeira.indd 146Matemática Financeira.indd 146 06/08/2021 04:22:15 PM06/08/2021 04:22:15 PM Matemática Financeira 147 � ASAC: parcela de amortização no Sistema de Amortização Constante. Onde será adotado: � JSAM: juros no sistema de Amortização Misto. � JPRICE: juros no Sistema Francês de Amortização. � JSAC: juros no Sistema de Amortização Constante Vamos partir para a resolução de mais um exemplo! Utilizaremos, novamente, os dados obtidos na dinâmica dos sistemas Price e de amortização constante. Para encontramos os valores pretendidos de prestação, amortização, juro e saldo devedor, de cada, período no SAM, precisamos buscar os respectivos valores de cada período do SAC e do Price, em suas tabelas, para calcular a média aritimética. CURIOSIDADE O Sistema de Amortização Crescente (Sacre) é considerado o tipo de financiamento imobiliário mais popular, no Brasil, por abranger características do Price e do SAC e por gerar um aumento nas parcelas até determinado valor máximo. Matemática Financeira.indd 147Matemática Financeira.indd 147 06/08/2021 04:22:15 PM06/08/2021 04:22:15 PM Matemática Financeira148 No Sistema de Amortização Constante, encontramos como valor de prestação, de parcela de amortização e de juros, respectivamente: Pelo sistema Price, encontramos, como valor de prestação, de parcela de amortização e de juros, respectivamente: SISTEMA DE AMORTIZAÇÃOCONSTANTE (SAC) Principal R$70.000,00 Taxa de Juros 1,8% a.m. Saldo DevedorNº da Parcela Valor da Parcela Amortização Juro da Parcela 0 - - - R$70.000,00 1 R$11.260,00 R$10.000,00 R$1.260,00 R$60.000,00 2 R$11.080,00 R$10.000,00 R$1.080,00 R$50.000,00 3 R$10.900,00 R$10.000,00 R$900,00 R$40.000,00 4 R$10.720,00 R$10.000,00 R$720,00 R$30.000,00 5 R$10.540,00 R$10.000,00 R$540,00 R$20.000,00 6 R$10.360,00 R$10.000,00 R$360,00 R$10.000,00 7 R$10.180,00 R$10.000,00 R$180,00 R$0,00 Total R$75.040,00 R$70.000,00 R$5.040,00 0,00 Matemática Financeira.indd 148Matemática Financeira.indd 148 06/08/2021 04:22:15 PM06/08/2021 04:22:15 PM Matemática Financeira 149 Logo, utilizando os dados das tabelas anteriores, preenchemos a tabela do Sistema de Amortização Misto, com a média aritmética entre o SAC e o PRICE. Observe, caro(a) aluno(a), que a média aritmética entre os valores gera um valor intermediário, isto é, as quantias são um pouco maiores do que as do Sistema de Amortização Constante e um pouco menores do que as do Sistema Francês de Amortização. SISTEMA DE AMORTIZAÇÃOMISTO (SAM) Principal R$70.000,00 Taxa de Juros 1,8% a.m. Saldo DevedorNº da Parcela Valor da Parcela Amortização Juro da Parcela 0 - - - R$70.000,00 1 11.260,00 + 10.732,84 / 2 = R$ 10.996,42 10.000,00 + 9.472,844 / 2 = R$ 9.732,42 1.260,00 + 1.260,00 / 2 = R$ 1.260,00 R$60.263,58 2 11.080,00 + 10.732,84 / 2 = R$ 10.906,42 10.000,00 + 9.643,35 / 2 = R$ 9.821,67 1.080,00 + 1.080,49 / 2 = R$ 10.084,74 R$50.441,91 3 10.900,00 + 10.732,84 / 2 = R$ 10.816,4210.000,00 + 9.816,93 / 2 = R$ 9.908,46 900,00 + 915,91 / 2 = R$ 907,95 R$40.533,45 4 10.720,00 + 10.732,84 / 2 = R$ 10.726,42 10.000,00 + 9.993,64 / 2 = R$ 9.996,82 720,00 + 739,20 / 2 = R$ 729,60 R$30.536,63 5 10.540,00 + 10.732,84 / 2 = R$ 10.636,42 10.000,00 + 10.173,52 / 2 = R$ 10.086,76 540,00 + 559,32 / 2 = R$ 549,66 R$20.449,87 6 10.360,00 + 10.732,84 / 2 = R$ 10.546,42 10.000,00 + 10.356,655 / 2 = R$ 10.178,32 360,00 + 376,19 / 2 = R$ 368,09 R$10.271,55 7 10.180,00 + 10.732,84 / 2 = R$ 10.456,42 10.000,00 + 10.543,07 / 2 = R$ 10.271,53 180,00 + 189,77 / 2 = R$ 184,88 R$0,02 Total R$75.080,94 R$70.000,00 R$5.084,92 R$0,002 Matemática Financeira.indd 149Matemática Financeira.indd 149 06/08/2021 04:22:15 PM06/08/2021 04:22:15 PM Matemática Financeira150 Concluímos que as características do SAM são indicadas por alguns pontos significativos, como demonstra a Figura 6: Figura 6 -Características do Sistema de Amortização Misto (SAM). Fonte: a autora. RESUMINDO Você deve ter aprendido que o Sistema de Amortização Misto (SAM) é composto pela união do Sistema Francês de Amortização (SFA) e o Sistema de Amortização Constante (SAC). Os valores calculados são encontrados através da média aritmética desses dois sistemas, respectivamente. Concluímos que, no SAM, as amortizações são crescentes, e os valores dos juros, assim como os das prestações, são decrescentes. Além disso, nessa metodologia, o valor referente à prestação inicial é superior, quando comparado ao SFA, e inferior ao do SAC. No Brasil, é uma das dinâmicas de amortização mais usadas pelas instituições de créditos imobiliários, particularmente a Caixa Econômica Federal. Matemática Financeira.indd 150Matemática Financeira.indd 150 06/08/2021 04:22:16 PM06/08/2021 04:22:16 PM Matemática Financeira 151 BIBLIOGRAFIA ASSAF NETO, Alexandre. Matemática Financeira e suas aplicações. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2012. BAUER, Udibert Reinoldo. 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