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CONCURSO DE PESSOAS
Reunião de vários agentes concorrendo, de forma relevante, para a realização do mesmo evento, agindo todos com identidade de propósitos.
Em regra, os delitos são de concurso eventual, podendo ser executados por uma ou várias pessoas. Ex.: homicídio, roubo, furto, estupro. Nesses casos não é exigida a pluralidade de agentes.
Alguns crimes são de concurso necessário, como associação criminosa, crime que exige no mínimo 3 agentes.
O concurso de agente dispensa o ajuste prévio, muito embora seja necessário o liame subjetivo entre os agentes.
Requisitos:
	- pluralidade de agentes e de condutas.
	- relevância causal das condutas.
	- atuação consciente dos agentes de que estão reunidos p/ a prática da mesma conduta.
	- identidade de infração penal: todos os agentes devem contribuir para o mesmo evento, previamente determinado e escolhido.
	
	Como respondem os concorrentes do evento ilícito?
	Teoria Monista
	Teoria Pluralista
	Teoria Dualista
	Todos os agentes (sem distinção) são responsáveis pela produção do resultado, devendo ser punidos de forma igual.
TEORIA ADOTADA PELO CP
	A cada agente se atribui conduta e resultados específicos. Haverá tantos crimes quanto sejam os agentes que concorrem para o fato, uma vez que cada um teve uma conduta.
	Existe um crime para os executores do núcleo do tipo (autores) e outro para os que concorrem para sua execução (partícipes)
A teoria pluralista embora não adotada como regra, está excepcionalmente prevista no CP, como por exemplo, no caso do crime de aborto praticado por terceiro, onde a gestante responde na forma do art. 124 e o provocador na forma do art. 126.
Formas de praticar o crime quanto ao sujeito:
	AUTOR x PARTÍCIPE
	Teorias unitárias
(não distinguem um do outro)
	Teorias dualistas
(distinguem um do outro)
	Teoria subjetiva: autor é todo aquele que de alguma forma contribui para o resultado.
	Objetivo-formal: autor é quem realiza a ação nuclear típica e partícipe quem concorre de qualquer forma para o crime.
ADOTADA NO BRASIL
	Teoria extensiva: admite verias tipos de autores, conforme relevância da sua contribuição.
	Objetivo-material/Objetiva-subjetiva/Do domínio do fato: autor é quem contribui objetivamente de forma mais efetiva para a ocorrência do resultado, não necessariamente praticando a ação nuclear típica. É aquele que tem o domínio final sobre o fato criminoso doloso. Partícipe é o concorrente menos relevante, ainda que sua conduta consista na realização do núcleo do tipo.
	
	Teoria do domínio do fato: autor é quem decide a forma de execução, seu início, cessação e demais condições do fato. Partícipe é aquele que, embora colabore dolosamente para o alcance do resultado, não exerça domínio sobre a ação.
Autor mediato: 
É aquele que realiza o crime sem executar a conduta típica, ou seja, realiza o crime valendo-se de uma pessoa que age sem dolo, sem culpa ou sem culpabilidade (utiliza uma terceira pessoa como instrumento do crime). Ex.: pessoa que utiliza um menor de idade para cometer um crime é considerada autor mediato.
O conceito de autor mediato é aplicável nos casos de:
- inimputabilidade penal (art. 62, III)
- coação moral irresistível (art. 22)
- obediência hierárquica (art. 22)
- erro de tipo escusável provocado por terceiro (art. 20, §2º)
- erro de proibição escusável provocado por terceiro (art. 21)
A autoria mediata não exclui a coautoria e a participação.
Entende-se que não é possível a autoria mediata nos crimes culposos.
Autoria de escritório/autoria mediata especial: é o caso do agente que emite a ordem para que outro indivíduo, igualmente culpável, pratique o fato criminoso. Ex.: o caso de uma organização criminosa, com uma estrutura hierárquica, o superior manda que um indivíduo inferior cometa o crime.
Autor intelectual: é aquele que planeja o crime e também tem poderes para controlar a prática do fato punível.
Autoria colateral/imprópria:
Quando dois ou mais agentes, desconhecendo um a participação do outro, praticam condutas para o cometimento da mesma infração penal. 
Ex.: João e Pedro estão escondidos (sem saberem um do outro) e esperam que José passe para poderem matá-lo. Quando José aparece, ambos atiram e o matam.
Nesse caso, investiga-se de quem partiu o tiro que matou, imputando a este o homicídio e ao outro a tentativa.
Quando não é possível determinar o real causador da morte, surge a autoria incerta. Nesse caso, a solução mais viável é condenar ambos por tentativa de homicídio, uma vez que ao é possível saber quem realmente provocou a morte.
Multidão delinqüente:
O fato criminoso ocorre por influência de indivíduos reunidos, que o cometem em clima de tumulto ou manipulação.
Essa situação dificulta a individualização das condutas, por isso, esta é dispensada, bastando que se demonstre a contribuição de cada indivíduo.
É uma situação que atenua a pena: Art. 65, III, e: “cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o provocou.”
Coautoria:
Quando dois ou mais indivíduos ligados subjetivamente praticam a conduta que caracteriza o delito. Os agentes devem ter consciência de que contribuem para a mesma infração penal. A função exercida por cada co-autor é determinante para a obtenção do resultado.
- coautoria parcial: quando os co-autores se dedicam a atos de execução diversos, mas que reunidos possibilitam o alcance do resultado.
- coautoria direta: quando todos os co-autores executam a mesma conduta.
A coautoria é compatível com o crime próprio se todos os autores forem portadores da característica própria do crime ou se apenas um dele a possuir e os demais tiverem conhecimento desta.
Os crimes de mão própria, em regra, não permitem coautoria, pois somente determinado agente pode cometê-lo. A exceção trazida pela doutrina é o caso de falsa perícia firmada dolosamente por dois peritos conluiados. O STF trás ainda a exceção no crime de falso testemunho, onde o advogado pode ser coautor.
- coautoria sucessiva: quando a conduta foi iniciada por uma só pessoa e a consumação se dá com a colaboração de outra.
Participação:
Consiste na realização de atos que de alguma forma concorram para o crime, sem que o agente ingresse a ação nuclear típica.
É possível que haja participação até a consumação do crime.
Crime de mão própria admite participação.
	Crime de mera conduta: não admitem coautoria, mas admitem participação.
Para ter participação em um crime doloso, é necessário que o partícipe também tenha dolo, ou seja, ele também tenha a vontade consciente de produzir o ato criminoso.
- participação moral: se dá por instigação ou por induzimento. Na instigação o autor já possui a ideia do crime. No induzimento, o partícipe faz nascer o agente o propósito/vontade de cometer o crime.
- participação material: ocorre por meio do auxílio ao autor do crime. O partícipe facilita a execução do delito, prestando assistência, porém, sem executar a ação nuclear típica. Ex.: fornecer uma arma para que outrem execute um roubo.
A participação é uma conduta acessória, sendo punível, em regra, se o autor iniciar os atos executórios do fato.
No Brasil, adota-se a teoria da acessoriedade limitada/média: a participação será punível se a conduta principal for típica e ilícita.
	TEORIAS ACERCA DA PUNIBILIDADE DO PARTÍCIPE
	Acessoriedade mínima
	Acessoriedade máxima
	Hiperacessoriedade
	Acessoriedade limitada
	Basta que o fato seja típico para que o partícipe responda. O problema é que a pessoa pode ter cometido o fato típico em estado de necessidade, legítima defesa... E caso fosse adotada essa teoria ele responderia pelo crime sem computar a excludente, que exclui o crime. Dessa forma uma ação que para o autor é justificada, será crime para o partícipe.
	O fato tem que ser típico, ilícito (ou antijurídico) e culpável.
	Fato deve ser típico, ilícito, culpável e punível.
	O fato deve ser típico e ilícito, mas para configurar o concurso o partícipe não precisa ser imputável. Casos clássicos são os concursos de pessoas envolvendo menores, em que apesar da imputabilidade do réu menor, restaa participação configurada.
ADOTADA PELO CP
- participação em cadeia: quando alguém induz ou instiga alguém a induzir, instigar ou auxiliar terceira pessoa a praticar um crime.
- participação sucessiva: quando o mesmo agente é instigado, induzido ou auxiliado por duas ou mais pessoas, sem que estas tomem conhecimento umas das outras, a praticar uma infração penal.
- participação necessária imprópria: ocorre nos delitos que só podem ser praticados com a participação de várias pessoas: delitos de encontro ou de convergência Exemplo: art. 235 (bigamia)
Concurso de pessoas em crimes culposos
É permitida a coautoria nos crimes culposos, desde que dois ou mais indivíduos, agindo vinculados subjetivamente, atuem de forma negligente, imprudente ou imperita.
Ambos inobservam o dever de cuidado.
Concurso de pessoas em crimes omissivos
O crime omissivo é subdividido em PRÓPRIO e IMPRÓPRIO.
	PRÓPRIO
	IMPRÓPRIO
	O agente tem um dever genérico de agir. (é um dever que atinge a todos indistintamente, em razão do dever de solidariedade)
	O agente tem o dever jurídico especial/específico de agir para evitar o resultado.
	A omissão está descrita no tipo penal mandamental.
	A omissão está descrita em cláusula geral (art. 13 §2º) e não no tipo penal.
	Não há personagens próprios.
	Pressupondo dever específico, atinge o garantidor, definido no art. 13, §2º.
	O agente responde por crime omissivo.
	O agente responde por crime comissivo (praticado por omissão)
	Ocorre uma subsunção direta entre o fato (omissão) e a norma (tipo que descreve uma omissão)
	Ocorre uma subsunção indireta entre o fato (omissão) e a norma (tipo que descreve uma ação).
É necessária a aplicação combinada do art. 13 §2º com o tipo penal referente ao resultado ocorrido (ex.: morte, no homicídio)
· Coautoria em crime omissivo próprio: a doutrina é divergente sobre o assunto.
· Participação em crime omissivo próprio: admite-se. 
· Coautoria nos crimes omissivos impróprios: é possível, desde que os vários garantes, com dever jurídico de evitar determinado resultado, de comum acordo, deixem de agir.
· Participação em crimes omissivos impróprios: a doutrina majoritária afirma ser possível.
PUNIBILIDADE no concurso de pessoas: (art. 29 CP) de acordo com o CP, a aplicação concreta da pena varia tanto para os coautores quanto para os partícipes, onde deve ser observada a culpabilidade de cada um.
	(§1º) Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço.
	(§2º) Na cooperação dolosamente distinta, um dos concorrentes do crime pretendia integrar ação criminosa menos grave do que aquela efetivamente praticada. Nesse caso, aplica-se a pena do crime que pretendia cometer, aumentada até metade na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave.
CIRCUNSTÂNCIAS, CONDIÇÕES e ELEMENTARES:
Art. 30: “Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.” 
	Circunstâncias: são os fatores que se agregam ao tipo fundamental, para o fim de aumentar ou diminuir a pena. Ex.: no homicídio, as elementares são “matar” e “alguém”. As circunstâncias são “relevante valor moral” (§1º), “motivo torpe” (§2º) e “motivo fútil” (§3º
		- circunstâncias objetivas: dizem respeito ao fato (ex.: arrombamento de um portão para o furto)
		- circunstâncias subjetivas: dizem respeito ao agente ou aos motivos do crime (ex: o motivo torpe no homicídio).
	Condições: são elementos inerentes ao indivíduo, como a idade, a reincidência e as relações de parentesco.
	Elementares: é aquilo que constitui o crime, as elementares sempre se comunicam e podem ter caráter objetivo ou subjetivo. Ex1.: se no furto a subtração recai sobre coisa própria, desaparece a elementar “coisa alheia”, logo, o crime se torna atípico. Ex2: a vítima é menos de 14 anos e acaba por ser estuprada por dois indivíduos, nesse caso, o fato de ela ser menor de 14 anos é elementar do crime, pois, sem essa característica, não é possível o crime de estupro de vulnerável.
	Para identificar se determinado aspecto relativo ao crime é elementar ou circunstância, utiliza-se a exclusão. Se excluída uma elementar, o fato se torna atípico ou passa a se amoldar a outro tipo penal.
· As circunstâncias e condições de caráter pessoal, não se comunicam, ainda que integrem o conhecimento dos demais. 
	Ex.: apenas o agente reincidente será alcançado pela agravante, mesmo que seus comparsas tenham ciência de sua vida progressa.
· As circunstâncias e as condições de caráter objetivo sempre se comunicam, desde que os demais agentes tenham conhecimento a seu respeito.
	Ex.: João, Antônio e José combinam a prática de um roubo, sendo que João o faz ostentando arma de fogo, e com o conhecimento dos demais, nesse caso, todos responderão por roubo majorado pelo emprego da arma.
· As elementares sempre se comunicam, possuindo ou não caráter objetivo ou subjetivo, com o pressuposto de que os demais agentes saibam.
	Ex.: no crime de peculato, a qualidade de funcionário público é elementar. Se na prática de crime, os particulares que colaboraram também respondem por peculato, sabendo ou não da condição do agente.
PARTICIPAÇÃO IMPUNÍVEL: (art. 31) Não se pune, salvo disposição em contrário, o ajuste, a determinação, a instigação e o auxilio, se o crime não chega a pelo menos ser tentado.
	São exceções a essa regra a associação criminosa e a incitação ao crime. Nesses casos, o ajuste, a determinação, a instigação e o auxilio podem configurar crimes autônomos.

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