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CAPÍTULO 3 SiStemaS de Produção A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: 3 Conhecer os sistemas de automação da produção. 3 Conhecer sistemas de produtividade ou flexibilidade com consequente melhoria de competitividade das empresas. 60 Automação industrial 60 61 SiStemaS de Produção 61 Capítulo 3 Contextualização Caro(a) pós-graduando(a), nesse terceiro capítulo, iremos abordar os sistemas de automação da produção, assim como discutiremos os sistemas de produtividade das empresas. Para iniciar as nossas discussões, os sistemas de produção automatizados são soluções tecnológicas que possuem a finalidade de gerenciar todas as etapas de produção. Estes sistemas suprem a lacuna que normalmente há entre o ERP (Entreprise Resource Planning) e os softwares específicos da linha de produção. O Sistema automatizado facilita a importação dos dados do ERP e a integrá-los ao dia a dia da produção, sincronizando e gerenciando as tarefas produtivas com o fluxo de materiais. Ao pensar em uma cadeia de suprimento, o maior valor agregado costuma estar na produção, sendo assim, faz sentido investir em sistemas que possam otimizar o fluxo, o controle e a qualidade do produto final. definição de SiStemaS ProdutivoS Segundo Palomino (2008), sistema é qualquer conjunto de interação de informações que funcione para atingir um objetivo comum e que evolua no tempo. Os sistemas produtivos podem ser definidos como um sistema inserido em um determinado contexto ou pode ser um elemento em outro, dando origem, deste modo, aos subsistemas. Por exemplo: para um projetista de automóveis, o automóvel é um sistema mecânico composto de eixos, engrenagens, bielas, bloco de cilindros, pistões, etc. Já para um engenheiro civil, projetando um sistema de estrada, o automóvel é apenas um componente desse sistema, o qual inclui caminhões, ônibus e outros. O sistema pode também ser definido como um conjunto de informações dinâmicas entre si relacionadas, formando uma atividade para atingir um objetivo, operando sobre entradas (informação, matéria ou energia) e fornecendo saídas (informação, energia ou matéria) processadas. A seguir veremos os componentes de um sistema produtivo. Sistema é qualquer conjunto de interação de informações que funcione para atingir um objetivo comum e que evolua no tempo. Um conjunto de informações dinâmicas entre si relacionadas, formando uma atividade para atingir um objetivo, operando sobre entradas (informação, matéria ou energia) e fornecendo saídas (informação, energia ou matéria) processadas. 62 Automação industrial 62 Os Componentes de um Sistema Produtivo. Todo sistema apresenta os seguintes componentes listados a seguir. a) Fronteiras: São os limites do sistema, que podem ter existência física ou apenas uma delimitação imaginária para efeito de estudo. b) Subsistemas: São os elementos que compõem o sistema. c) Entradas (input): Representam os insumos ou variáveis independentes do sistema. d) Saídas (outputs): Representam os produtos ou variáveis dependentes do sistema. e) Processamento: Engloba as atividades desenvolvidas pelos subsistemas que interagem entre si para converter as entradas em saídas. f) Retroação (feedback): É a influência que as saídas do sistema exercem sobre as suas entradas no sentido de ajustá-las ou regulá-las ao funcionamento do sistema. Figura 17 - Exemplo de um sistema produtivo. Qualquer parte desse sistema um subsistema Fonte: Disponível em: <http://www.eps.ufsc.br/disserta/palomino/ capit_2/cp2a_pal.htm>. Acesso em: 19 jan. 2011. 63 SiStemaS de Produção 63 Capítulo 3 Segundo Groover (2008), para o conhecimento de um sistema de automação é necessário ter conhecimentos sobre a definição de produção, como o incremento da utilidade de um objeto ou um serviço. Se ampliamos um pouco mais o conceito de produção, ela é compreendida como um processo que permite a alteração de algum insumo em um produto específico que, por sua vez, pode vir a ser o insumo de outro processo. Para que ocorra esta transformação, é preciso um conjunto de elementos (máquinas, mão de obra, ferramentas, meios de transporte, entre outras) que formam o chamado sistema de produção. Na próxima seção iremos conhecer e estudar o sistema de produção. SiStema de Produção É de grande importância conhecer os sistemas de produção da organização para que seja possível implementar a estratégia logística correta. A função essencial da Logística é entregar o produto certo, no local certo, no tempo desejado pelo cliente e a um custo adequado, sendo assim, o aspecto do sistema de gestão de produção empregado pela organização é primordial, pois dele dependerá uma boa parte do nível de serviço ofertado aos clientes. Palomino (2008) define um sistema de produção como um processo planejado pelo qual os elementos são transformados em produtos úteis, isto é, um procedimento organizado para se conseguir a conversão de entradas (insumos) em saídas (produtos acabados), como mostrado na tabela 2. Tabela 2 - Exemplos de sistemas de produção Entrada Processo de Conversão Saídas Insumos Transformação Produtos Uteis Materiais Máquinas Produtos Dados Interpretação Conhecimento Custos variáveis Custos fixos Lucro Queda de água Usina Energia elétrica Fonte: Adaptado Groover (2008). 64 Automação industrial 64 Figura 18 - Esquema de um sistema de produção Fonte: Adaptado de Groover (2008). Um Sistema de produção, conforme figura 18, começa a desenhar-se desde que se formula um objetivo e se elege o produto que se vai comercializar. Desse modo, toda empresa, como um sistema de produção, tem por finalidade organizar todos os setores que fazem parte dela para realizar suas operações de produção, adotando uma interdependência lógica entre todas as etapas do processo produtivo, desde o momento em que as matérias primas ou materiais deixam o almoxarifado até chegar posteriormente (depois de sofrer uma alteração) ao depósito de produtos acabados na qualidade de produto final, conforme se pode observar na figura 19 (PALOMINO, 2008). Figura 19 - As interdependências do almoxarifado, produção e depósito no sistema de produção Fonte: Adaptado de Groover (2008). a) Componentes do Sistema de Produção Segundo Palomino (2008), os sistemas de produção são compostos de elementos (peças a fabricar, máquinas, etc.) e das relações entre eles (interconexões físicas, operações, etc.). A ideia de elemento ou de objeto físico pode ser associada a um conjunto de atributos mensuráveis, pertinentes ao fim para o qual foi previsto o referido elemento. Estes atributos podem ser constantes ou variáveis: • Os atributos constantes: são aqueles de natureza perene do elemento (tipo de elemento, parâmetros, etc.) e suas características (taxa de falhas, dimensões, etc.). 65 SiStemaS de Produção 65 Capítulo 3 • Os atributos variáveis: podem ser definidos como aqueles que evoluem com o tempo (estado de ocupação de uma máquina, estado operacional de uma peça no posto de trabalho, período no stand by (em espera) entre outros (PALOMINO, 2008). Para informações de mesma natureza se pode fazer agrupamentos em lotes e o número de elementos destes lotes pode ser avaliado. As relações são descritas com o auxílio dos atributos constantes, que informam as características da relação (tempo de operação de cada peça na máquina, etc.). Caso o sistema modelado continue o mesmo por um determinado intervalo de tempo, as relações terão atributos constantes, já que estas serão requeridascom uma periodicidade constante neste intervalo de tempo. De acordo com Palomino (1990, p. 17), “o modelo de um dado sistema de produção poderá ser considerado como a representação do conjunto de elementos desse sistema e das relações qualificadas por seus atributos”. tiPoS de SiStemaS de Produção Segundo Palomino (2008) os sistemas da produção são divididos em duas grandes classes: Produção contínua e Produção intermitente (que por sua vez se divide em produção em lotes e produção sob encomenda). a) Sistema de Produção Contínua De acordo com Abreu (2008, p.13), o sistema de produção contínua pode ser caracterizado [...] pelo grande volume de produção, produto padronizado e produção de grandes lotes de cada vez. O ritmo de produção é acelerado e as operações são executadas sem interrupção ou mudança. Como o produto é sempre o mesmo ao longo do tempo e o processo produtivo não sofre mudanças, o sistema pode ser aperfeiçoado continuadamente. Assim o que se procura com este tipo de produção é precisamente alcançar o baixo custo, grande volume e produção em massa. Segundo Palomino (2008), podemos definir que esses modelos contínuos na prática são representados por linhas de montagem, fabricação de produtos químicos e refinação de petróleo, enfim, produtos que são mantidos em linha por um longo tempo e sem modificação. Palomino (1990, p. 17), “o modelo de um dado sistema de produção poderá ser considerado como a representação do conjunto de elementos desse sistema e das relações qualificadas por seus atributos”. Modelos contínuos na prática são representados por linhas de montagem, fabricação de produtos químicos e refinação de petróleo, enfim, produtos que são mantidos em linha por um longo tempo e sem modificação. 66 Automação industrial 66 b) Sistema de Produção Intermitente Conforme Ceolin (2001, p. 19), As situações intermitentes de produção são aquelas nas quais as instalações devem ser suficientemente flexíveis para manejar uma ampla variedade de produtos e tamanhos, ou onde a natureza básica da atividade impõe mudanças importantes dos insumos. Esses sistemas podem ser divididos em duas classes distintas: produção repetitiva ou lotes e a produção sob encomenda. • Sistema de Produção em Lotes Segundo Abreu (2008, p.18) o sistema de produção de lotes é caracterizado por: [...] produzir uma quantidade limitada de um tipo de produto de cada vez (denominada lote de produção). Cada lote é previamente dimensionado para assim poder atender a um determinado volume de vendas previsto para um dado período de tempo. Desse modo, os lotes de produção são produzidos um a seguir do outro. Neste tipo de produção o plano de produção é feito antecipadamente, podendo assim a empresa melhor aproveitar seus recursos com maior grau de liberdade, ao contrário do que ocorre no sistema de produção sob encomenda, no qual o plano de produção é feito após o recebimento do pedido ou encomenda. Este tipo de produção é muito utilizado por indústrias têxteis, de cerâmica, de eletrodomésticos e de materiais elétricos. • Sistema de Produção sob Encomenda Este tipo de fabricação contratada ou feita sob encomenda é produzida especialmente a pedido de um freguês, como turbinas, ferramentas e matrizes, maquinaria especial, navios, aviões, etc. Os pedidos são, em geral, de natureza não repetitiva e as quantidades podem variar de uma a centenas de unidades. Neste tipo de produção, cada pedido usualmente acarreta uma grande variedade de operações e o andamento em geral não segue nenhum plano padronizado ou rotineiro. É, pois, a encomenda ou o pedido efetuado que vai definir como a produção deverá ser planejada e controlada, sendo, portanto, esta etapa do planejamento e controle de produção muito complexa. 67 SiStemaS de Produção 67 Capítulo 3 c) Comparativo entre os Três Sistemas de Produção O tipo de produto que precisa ser produzido é que define o sistema de produção a ser seguido pela empresa. Em muitos casos, de acordo com variedade de produtos que uma empresa produz, se o produto é de grande porte e depende da encomenda do cliente, então, o sistema adotado será a produção sob encomenda. De acordo com Palomino (2008), há uma diversidade de produtos que entram e saem da produção e que a empresa vende após estocar, então, o sistema adotado será a produção em lotes. Se existir um ou mais produtos que continuam na produção por um determinado tempo e se a empresa os vende após estocá-los, há uma grande possibilidade de o sistema a ser seguido seja de uma produção contínua. Claro que cabe lembrar que a adoção de um determinado sistema de produção apresenta tanto vantagens como desvantagens. Assim, a produção por encomenda é o sistema em que ocorre maior descontinuidade na produção, enquanto a produção continua é o sistema onde há maior continuidade no processo produtivo. Já a produção por lotes representa o sistema intermediário, onde a continuidade e a descontinuidade se alternam como mostrado pela figura 20. Figura 20 - Gradações que apresentam os três sistemas de produção Fonte: Adaptado de Palomino (2008). d) Sistemas Discretos e Contínuos Depois de definidos os conceitos de sistema, pode-se dividí-los segundo sua natureza e classificá-los como discretos e contínuos. Na prática, poucos sistemas são totalmente discretos ou contínuos, porém, depois de fazer algum tipo de mudança para a maioria dos sistemas, será possível classificá-los como sendo discretos ou contínuos. • Sistemas Contínuos São aqueles sistemas nos quais as variáveis de estado mudam continuamente no tempo. Na realidade, todos os sistemas são contínuos. São os modelos (representação aproximada dos sistemas) que são discretos (figura 21). Sistemas Contínuos são aqueles sistemas nos quais as variáveis de estado mudam continuamente no tempo. 68 Automação industrial 68 Figura 21 - Trajetória de um sistema dinâmico de variável contínua (SDVC) Fonte: Campos e Saito (2004). Comportamento Dinâmico dos Sistemas de Variáveis Contínuas (SVC) As teorias de controle de sistemas evoluindo no tempo, satisfazendo basicamente leis físicas, são fundamentados basicamente em modelos matemáticos descritas por equações diferenciais (PALOMINO, 2008, p. 19). Como visto na figura 21 a noção do tempo é uma variável independente, a qual é substituída por uma sequência de eventos num sistema dinâmico de eventos discretos (SDED). De acordo com Palomino (2008, p.18), [...] a trajetória de um sistema dinâmico de variável contínua (SDVC) está constantemente mudando com o estado, tomando valores em Rn , sendo capaz de representar o comportamento do sistema em um instante qualquer a partir de um instante inicial. • Sistemas Discretos São sistemas nos quais as variáveis de estado mudam semente num conjunto discreto de pontos no tempo. Apropriando-nos do exemplo de Palomino (2008), temos: o banco pode ser considerado um sistema discreto, pois o número de clientes no banco muda só quando um cliente chega ou quando o serviço prestado a um cliente é completado (figura 22). Figura 22 - Trajetória de um sistema dinâmico de eventos discretos (SDED) Fonte: Campos e Saito (2004). 69 SiStemaS de Produção 69 Capítulo 3 Podemos concluir que a maioria dos sistemas são contínuos, mas para os casos de estudo, eles podem tornar-se discretos. Na próxima seção, iremos aprender sobre os sistemas discretizados. e) Sistemas Discretizados De acordo com Palomino (2008, p.20) os sistemas discretizados podem ser definidos como: [...] sistemas estudados somente em instantes precisos. Trata-se, portanto,de sistemas contínuos observados em instantes discretos (sistemas amostrados), as variáveis de estado evoluem de maneira contínua, sem mudança brutal de comportamento, mas é somente a instantes discretos que há um interesse no seu valor. Esses sistemas discretizados podem ser divididos em sistemas discretos e sistemas de manufatura. A seguir apresentaremos a definição de cada um deles. f) Sistemas Discretos Os sistemas discretos podem ser definidos como sistemas pelas quais as variáveis de estado variam brutalmente em certos instantes. Contudo, estes instantes podem necessariamente ser previstos e o conhecimento do estado a um instante dado não permite que, sem cálculo, se conheça o estado seguinte. g) Sistemas a eventos discretos De acordo com Palomino (2008, p.20): [...] os sistemas modelados são de tal forma variáveis de estado, pois modificam em instantes determinados e os valores das variáveis nos estados seguintes podem ser calculados diretamente a partir dos valores precedentes e sem ter que considerar o tempo entre estes dois instantes. Isso pode ser visualizado na figura 23. Figura 23 - Diversos tipos de sistemas discretos Esses sistemas discretizados podem ser divididos em sistemas discretos e sistemas de manufatura. Os sistemas discretos podem ser definidos como sistemas pelas quais as variáveis de estado variam brutalmente em certos instantes. 70 Automação industrial 70 Fonte: O autor. h) Sistemas de Manufatura Um sistema de manufatura (sistema produtivo), pode ser considerado como um sistema composto de vários subsistemas (processos produtivos), como transportadores, robôs, células de produção, máquinas operatrizes, etc., no qual cada subsistema realiza uma determinada operação produtiva, a qual pode ser uma transformação física (ex. usinagem, corte, estampagem...) ou um deslocamento físico (carregamento ou descarregamento de peças). Uma característica básica destes subsistemas é que por eles fluem diversos itens, como peças, materiais, recursos, etc., que passam sequencialmente pelos subsistemas, onde transformações apropriadas são realizadas até obter o produto final requerido (de acordo com especificações técnicas, desde geometria até controle de qualidade). Assim o processo produtivo como um todo (Sistema) é caracterizado pelo inter-relacionamento complexo de suas atividades e condições. Baseado na natureza discreta do inter-relacionamento entre atividades e condições, estes sistemas de manufatura podem ser definidos como sistemas de eventos discretos ou sistemas de produção discreta. Dada a natureza discreta das atividades envolvidas nos FMS (Sistemas flexíveis da Manufatura), é, portanto conveniente utilizar modelos discretos para o estudo destes sistemas (PALOMINO, 2008, p.21). Uma classificação comumente conhecida da organização de um sistema de manufatura é baseada em sistemas do tipo flow-shop (Processo no qual a informação flui por toda organização, de maneira rápida e organizada, seguindo a sequência preestabelecida de tramitação.), job-shop (Forma funcional de organização da manufatura, cujos centros de trabalho são organizados por tipos de equipamentos) e as células de manufatura. Flow-shop processo no qual a informação flui por toda organização, de maneira rápida e organizada, seguindo a sequência preestabelecida de tramitação. 71 SiStemaS de Produção 71 Capítulo 3 Um sistema produtivo do tipo flow-shop (figura 24), denominado linha de manufatura flexível, é projetado para tratar um volume de produção muito grande de uma única família de produtos, os quais diferem levemente um do outro. O grau de flexibilidade neste tipo de sistema é dado a partir da configuração das máquinas ferramentas que compõem a linha. Por outro lado, o tipo de sistema job-shop (figura 25) apresenta uma grande flexibilidade, mas o volume de produção é pequeno e a variedade de produtos muito grande. Em virtude da grande complexidade de gerenciamento do fluxo de materiais e informações que o sistema job-shop apresenta, seu índice de produtividade é muito baixo se comparado com uma linha de produção do tipo flow-shop. Figura 24 - Linha de manufatura flexível flow-shop Fonte: Campos e Saito (2004). Figura 25 - Representação de uma estação de trabalho job-shop Fonte: Campos e Saito (2004). Segundo Palomino (2008, p.22), As células de manufatura encontram-se numa situação intermediária entre os dois sistemas citados anteriormente, já que as mesmas permitem o agrupamento das peças em famílias de peças, segundo suas características de projeto. As células representam uma solução, no sentido de obter- se um sistema com bom índice de produtividade, associado com um maior grau de flexibilidade, se comparado com sistemas do tipo flow-shop. 72 Automação industrial 72 As células de manufatura podem ser definidas como sendo uma configuração de estações de trabalho (figura 26) e de um sistema de manuseio e transporte de materiais (figura 27), sendo controlada por um computador para manufaturar eficientemente mais de um tipo de produto em pequenas e médias quantidades. As estações de trabalho são, por exemplo, máquinas de comando numérico, robôs industriais, dispositivos especiais para operações de montagem, etc. ou combinações destes equipamentos. Figura 26 - Representação de uma célula de manufatura Fonte: Adaptado de Groover (2008). Figura 27 - Representação de um sistema integrado de manufatura Fonte: Adaptado de Groover (2008) 73 SiStemaS de Produção 73 Capítulo 3 i) Flexibilidade e o Processo de Manufatura A flexibilidade é uma característica essencial nos sistemas produtivos atuais, dando maior competitividade às empresas, obtendo, assim, uma rápida resposta às exigências do mercado. Segundo Groover (2008, p. 30) a flexibilidade da manufatura consiste em: a) Flexibilidade de longo prazo ou flexibilidade potencial: é aquela capaz de enfrentar um universo indefinido de mudanças, ou seja, a possibilidade de introduzir novos produtos no sistema de manufatura durante sua operação e com pouco esforço; b) Flexibilidade de curto prazo: que corresponde à possibilidade de manipular concorrentemente uma grande variedade de famílias de produtos num tempo dado no sistema de manufatura. Groover (2008) ressalta que existe uma relação entre o conceito de flexibilidade e a forma de realizar a automação de um sistema. Partindo dessa premissa, um sistema de produção automatizado é classificado em três tipos básicos: Automação Fixa, Automação Programável e Automação Flexível. Num sistema de automação fixa, a sequência de operações é limitada pela configuração dos equipamentos, envolvendo altas taxas de produção e baixa flexibilidade quanto à adaptação a alterações do produto. Nos sistemas de Automação Programável, os equipamentos que os constituem são programáveis, permitindo a reprogramação de novos processos. No caso de um sistema de automação flexível, existe a capacidade de produzir-se uma variedade de produtos sem que haja perda de tempo em adaptar-se o sistema às alterações de um produto em relação ao próximo produto a ser processado, diferenciando-o da automação programável por não envolver perdas de tempo com reprogramação e setup das máquinas. A partir da fusão dos termos manufatura, automação e flexibilidade, surge o termo manufatura automatizada, que engloba uma série de sistemas produtivos, encontrando-se entre eles os Sistemas Flexíveis de Manufatura (FMS). A rápida evolução do mercado nestes últimos anos requer das empresas maior competitividade para, assim, satisfazer as exigências cada vez mais sofisticadas dos consumidores, associadasà diminuição do ciclo de vida do produto e desenvolvimento de novos produtos. É necessário, então, elaborar sistemas de manufatura altamente automatizados, como as linhas de produção do tipo flow-shop, e que tenham ao mesmo tempo a capacidade das fábricas do tipo job-shop. (GROOVER, 2008). A flexibilidade é uma característica essencial nos sistemas produtivos atuais, dando maior competitividade às empresas, obtendo, assim, uma rápida resposta às exigências do mercado. Um sistema de produção automatizado é classificado em três tipos básicos: Automação Fixa, Automação Programável e Automação Flexível. 74 Automação industrial 74 j) Sistemas Flexíveis de Manufatura (FMS) FMS (sistemas flexível de manufatura) são, portanto, uma classe de sistemas de manufatura automatizada cuja característica principal, que as diferencia dos outros sistemas, é sua flexibilidade para processar eficientemente mais de um tipo de peça em pequenas e médias quantidades. O conceito de flexibilidade vai se referir não apenas à possibilidade de processar mais de um tipo de produto ou peça, mas também à capacidade de mudar rapidamente o tipo de peça a ser produzido, além da possibilidade de manufaturar simultaneamente diferentes tipos de peças. Assim, os FMS surgiram como uma tentativa para reconciliar a eficiência da linha de produção do tipo flow-shop (Processo no qual a informação flui por toda organização, de maneira rápida e organizada, seguindo a sequência preestabelecida de tramitação), com a flexibilidade de um sistema do tipo job-shop (Job-shop é um planejamento de produção flexível, escalável e inteligente sistema de controle, oferecendo funcionalidades avançadas e de valor nas principais áreas de fabricação e montagem), com a finalidade de satisfazer uma demanda versátil a um baixo custo. A alta produtividade neste tipo de sistema é alcançada, portanto pela incorporação eficiente de princípios de tecnologia de grupo, controle total de qualidade e estratégias de produção, tais como MRP II (Manufacturing Resource Planning II, em português: Planejamento dos recursos de manufatura), JIT (Just in time é um sistema de administração da produção que determina que nada deve ser produzido, transportado ou comprado antes da hora exata. Pode ser aplicado em qualquer organização, para reduzir estoques e os custos decorrentes). (GROOVER, 2008, p. 453). Desse modo, para que um FMS (Sistemas de Manufatura Flexível) possa atender aos requisitos anteriormente citados, é preciso que seja composto de: a) Um conjunto de máquinas ferramentas flexíveis de comando numérico. b) Um sistema de transporte e manuseio de peças e ferramentas automáticas. c) Um sofisticado sistema de tomada de decisão para decidir a cada instante quais são as operações que devem ser executadas nas máquinas. Uma máquina flexível tem a capacidade de executar vários tipos de operações. O sistema de transporte automático, por sua vez, é requerido para transportar as partes para a máquina onde a próxima operação será executada Usam-se, em geral, os Veículos Guiados Automaticamente - AGV (figura 29), cujos circuitos são realizados por fios elétricos implantados no chão da fábrica FMS (sistemas flexível de manufatura) são, portanto, uma classe de sistemas de manufatura automatizada cuja característica principal, que as diferencia dos outros sistemas, é sua flexibilidade para processar eficientemente mais de um tipo de peça em pequenas e médias quantidades. 75 SiStemaS de Produção 75 Capítulo 3 e percorridos por uma corrente elétrica de uma determinada frequência através de contatos. Desse modo, quando um veículo atravessa um contato ele bem pode receber uma ordem de parar ou continuar ou de seguir numa outra frequência. Dessa forma, os veículos podem movimentar-se ao longo de toda a fábrica (CAPASSI, 2009). Figura 28 - Veículos Guiados Automaticamente Fonte: Logweb (2007). Os sistemas de manufatura têm sido frequentemente modelados como sendo sistemas discretos, os quais devido a sua complexidade não podem ser modelados por um modelo que utilize o conceito de estado total (filas de espera por exemplo), pois a partir de um estado podem acontecer muitos eventos, provocando diversas alterações desse estado. Portanto, faz-se necessário para modelar FMS procurar métodos que possuam de modo inerente o conceito de estado parcial. Outro aspecto importante é o fato de que durante a vida útil dos FMS estão envolvidos especialistas de diferentes formações. Portanto, para que a contribuição destas pessoas seja aproveitada eficientemente, a metodologia e a linguagem de programação devem ser de fácil aprendizado e compreensão, além de possuírem boa legibilidade através de representações gráficas simples. Resumindo todos os conceitos anteriores, pode-se considerar um FMS como um sistema dinâmico de eventos discretos (DEDS), do qual as partes a serem processadas, de vários tipos ou classes de trabalho, entram no sistema de uma maneira assíncrona e são processadas concorrentemente, compartilhando os recursos limitados (estações de trabalho, robôs, sistemas de manuseio de materiais buffers, etc.). Pode-se considerar um FMS como um sistema dinâmico de eventos discretos (DEDS). 76 Automação industrial 76 Assíncrona: sem uma comunicação instantânea, ou seja, que não se realiza uma comunicação ao mesmo tempo que outro. k) Hierarquia de Decisão e de Controle Como visto anteriormente, um sistema integrado de manufatura (SIM) é formado por vários elementos, “Células de Manufatura Flexíveis” (CMF), Estações de trabalho (ET) e linhas de manufatura flexíveis (LMF). Apesar de cada elemento ser bem definido, com métodos de modelagem e de análise própria, não é possível evitar completamente uma abordagem conjunta devido a sua complexidade de integração. Portanto, para realizar de maneira eficiente a descrição funcional de um SIM é adequada uma abordagem hierárquica capaz de organizar a diversidade associada à capacidade operacional de seus elementos em conjuntos homogêneos subordinados. Assim, um sistema de manufatura pode ser dividido numa hierarquia de cinco níveis: planejamento de longo prazo; planejamento e escalonamento de curto prazo; supervisão global; supervisão de subsistemas ou controle de estações de trabalho; controle local. Em cada um dos níveis recebe comandos do nível imediatamente superior e, ao mesmo tempo, recebe informações sobre o estado do nível imediatamente inferior. • Planejamento de longo prazo Opera a partir da demanda estimada (ou encomenda), calculando o tempo necessário para a produção, assim como a quantidade de matéria-prima necessária. Este nível também inclui o planejamento de alocação de recursos para a produção além das datas de lançamento e prazos de entrega. • Escalonamento Este nível é caracterizado por uma explosão combinatória do número de alternativas de escolha de uma máquina para executar uma determinada operação porque cada máquina pode realizar diversos tipos de operações. Assim, este nível se encarrega de ordenar a ordem de execução das operações em cada máquina e de calcular um intervalo de tempo necessário para sua execução. Planejamento de longo prazo opera a partir da demanda estimada (ou encomenda), calculando o tempo necessário para a produção, assim como a quantidade de matéria-prima necessária. 77 SiStemaS de Produção 77 Capítulo 3 • Supervisão global Implementa várias funções: – Atualiza após cada evento a representação do estado da fábrica. – Toma decisões em tempo real com respeito ao lançamento das operações e verifica que elas sejam compatíveiscom o calendário de manufatura. – Monitora e coordena o comportamento global da fábrica para detectar falhas dos elementos físicos e as violações do calendário de manufatura. • Supervisão de subsistemas Realiza a coordenação de subsistemas, tais como: sistemas de transporte, estações de trabalho ou células de manufatura. Ela opera no nível de coordenação global, supervisionando o comportamento dos subsistemas e monitorando a execução das operações planejadas, mas numa maneira mais detalhada. Por exemplo, enquanto a supervisão global considera a operação carregar uma peça na máquina, a supervisão do centro de usinagem correspondente trata-a como um programa, coordenando um robô, uma esteira e a máquina ferramenta correspondente. • Controle local Executa o controle em tempo real das máquinas, sendo o único nível que está em contato direto com os elementos físicos da fábrica. A partir das informações fornecidas pelos sensores se controlam em tempo real os sistemas através dos atuadores. As metodologias mais comuns utilizadas atualmente para o modelamento dos níveis citados acima são os fluxogramas, diagramas de estado, diagramas de tempo. Por outro lado as linguagens de programação mais comuns são as linguagens procedurais clássicas como pascal e C, e aquelas utilizadas em controladores lógicos programáveis. É importante também que a metodologia de modelamento e a linguagem de programação permitam a representação de diversos aspectos estáticos e dinâmicos do sistema, através de um modo claro e uniforme (PALOMINO, 2008, p. 31). Devido ao elevado custo da implementação física dos FMS, é requerida à utilização de sistemas de simulação ou métodos de análise que serão usados Supervisão de subsistemas Realiza a coordenação de subsistemas, tais como: sistemas de transporte, estações de trabalho ou células de manufatura. 78 Automação industrial 78 em todas as fases do projeto para sua validação e quando haja necessidade de mudanças que não podem ser testadas diretamente no sistema real. “Neste sentido é importante que as ferramentas de simulação não sejam muito distantes das metodologias e linguagens utilizadas para a especificação e implementação do sistema de controle.” (PALOMINO, 2008, p. 31). Um aspecto importante dos sistemas de controle em tempo real é que o tempo de execução de uma tarefa que o sistema de controle deve realizar seja irrelevante em relação à necessidade de execução da tarefa. Além de evitar que estes realizem tarefas desnecessárias, já que, desse modo, só se consegue aumentar o tempo de execução da tarefa realmente necessária. Assim, para lograr uma eficiente especificação e implementação de sistemas de controle, os métodos a serem utilizados devem ter as seguintes características: a) Permitir a representação do sistema em diferentes níveis de abstração. b) Facilitar a decomposição do sistema em subsistemas funcionais com uma clara definição das inter-relações. c) Conter explicitamente o conceito de estado parcial. d) Devem ser acessíveis a especialistas de diferentes formações. e) Facilitar as constantes alterações às quais o sistema de controle estará sujeito. f) Facilitar a representação de concorrência entre tarefas as quais são executadas simultaneamente, assim como a sincronização. h) Permitir a representação da variável tempo. i) Devem ser simples para permitir que as empresas tenham completo conhecimento sobre o sistema, facilitando, assim, a integração de novos elementos. j) Permitir a descrição dos aspectos estáticos e dinâmicos do sistema a ser representado. Fonte: Disponível em: <http://www.eps.ufsc.br/disserta/palomino/ capit_2/cp2a_pal.htm>. Acesso em: 16 jan. 2011. 79 SiStemaS de Produção 79 Capítulo 3 Atividade de Estudos: 1) Descreva a definição de FMS - SISTEMA FLEXÍVEL DE MANUFATURA. _________________________________________________ _________________________________________________ _________________________________________________ _________________________________________________ _________________________________________________ _________________________________________________ 2) Descreva quais são os principiais componentes de um Sistema. _________________________________________________ _________________________________________________ _________________________________________________ _________________________________________________ _________________________________________________ _________________________________________________ 3) Comente sobre os elementos Hierarquia de Decisão e de Controle. _________________________________________________ _________________________________________________ _________________________________________________ _________________________________________________ _________________________________________________ _________________________________________________ Após determinar as características necessárias, um modelo apropriado é, então, necessário para propósitos de análise e controle. Mas como escolher um modelo (o melhor) para analisar as atividades complexas de um Sistema de Manufatura Flexível? Um modelo de Rede de Petri seria uma boa escolha. rede de Petri Segundo Palomino (2008) e Frances (2003), a Rede de Petri foi introduzida por Carl Adam Petri em sua tese intitulada “Comunicação com autômatos”. “Esses autômatos são uma ferramenta gráfica e algébrica que apresenta um bom nível Esses autômatos são uma ferramenta gráfica e algébrica que apresenta um bom nível de abstração em comparação com outros modelos gráficos. (HEUSER, 1988, p. 2). 80 Automação industrial 80 de abstração em comparação com outros modelos gráficos.” (HEUSER, 1988, p. 2). Sendo um modelo do tipo estado-evento, em que cada evento possui precondições que vão permitir sua ocorrência e pós-condições decorrentes desta, as quais são, por sua vez, precondições de outros eventos posteriores. Uma Rede de Petri é vista também como um tipo particular de grafo orientado que permite modelares as propriedades estáticas de um sistema a eventos discretos, constituído de dois tipos de nós: as transições (que correspondem aos eventos que caracterizam as mudanças de estado do sistema), e os lugares (que correspondem às condições que devem ser certificadas para os eventos acontecerem) interligados por arcos direcionados ponderados (HEUSER, 1988, p. 2). A Rede de Petri é, portanto, um formalismo que possibilita a modelagem de sistemas dinâmicos discretos com grande poder de expressividade, permitindo representar com facilidade todas as relações de causalidade entre processos em situações de: sequencialidade (Figura 29a), conflito (Figura 29b), concorrência (figura 29c) e sincronização (figura 29d). Figura 29 (a) (b) (c) (d) - Modelagem de sistemas discretos Fonte: Adaptado de Moraes e Castrucci (2007). Para conhecer o funcionamento dos meios de transmissões de dados se devem conhecer os tipos de sinais. Na próxima seção, iremos apresentar os tipos de sinais. a) Tipos de sinais em instrumentação Podemos definir o sinal analógico como um tipo de sinal contínuo que altera em função do tempo. Como exemplo de sinais lidos de forma direta sem passar por qualquer decodificação complexa, podemos citar: um termômetro analógico de mercúrio, um velocímetro analógico de ponteiros, uma balança analógica de molas. Para compreender o termo analógico é útil contrastá-lo com o termo digital. A Rede de Petri é, portanto, um formalismo que possibilita a modelagem de sistemas dinâmicos discretos com grande poder de expressividade. 81 SiStemaS de Produção 81 Capítulo 3 O sinal em mV(milivoltagem) é um sinalanalógico muito usado e é obtido em termopares. Os termopares podem ser definidos como um tipo de sensor de temperatura que tem uma ponta com junção de dois tipos de metais. Esta junção provoca uma milivoltagem, proporcional à temperatura a que é submetida. É comum, portanto, o envio destes sinais em cabos especiais, chamados cabos de compensação ou extensão, até a sala de controle. Há outro tipo de sensor de temperatura, chamado termoresistência, que é formado de um bulbo de platina, cuja resistência a zero grau centígrados é 100 ohms. Esta resistência altera proporcionalmente à temperatura a que é submetido o sensor. Neste caso, o cabo leva um sinal de resistência e é constituído de 3 fios, sendo o terceiro fio usado para anular a resistência ôhmica resultante do comprimento do cabo. Sinais discretos - são sinais obtidos de contatos elétricos que possuem duas possibilidades: aberto ou fechado. Esses sinais são muito comuns em alarmes e sistemas de segurança. Por exemplo: um sensor chamado pressostato abre um contato quando a pressão da descarga de um compressor exceder um determinado limite. Este sinal pode ser usado para acionar um alarme visual e sonoro (lâmpada piscando e buzina) ou para acionar um sistema de segurança, por exemplo, desligar o compressor. Sinal Digital é um sinal com valores discretos (descontínuos) no tempo e em amplitude. Isso significa que um sinal digital só é definido para determinados instantes de tempo e que o conjunto de valores que pode assumir é finito. Inicialmente, os sistemas de automação e instrumentação eram baseados em sinais analógicos, como 0 a 10V, 0 a 10mA ou 4 a 20mA, e sensores discretos conectados diretamente aos controladores lógicos. Com os avanços da eletrônica digital, em especial os microcontroladores, os controladores lógicos, sensores e atuadores ganharam interface de comunicação para redes de comunicação. Existem inúmeros protocolos de comunicação industrial e inúmeras tentativas de padronização. Alguns exemplos de protocolos de redes indústrias: Devicent, CANopen, Profibus DP, Lonworks, Interbus-S, Ethernet-IP, Modbus- RTU, etc. Um cabo de rede percorre diversos instrumentos no campo (todos eles microprocessados), finalizando em um computador na sala de controle em que há ronda um software de supervisão e controle. Grande parte das funções de controle antes realizadas no controlador do SDCD (Sistema Digital de Controle Sinais discretos - são sinais obtidos de contatos elétricos que possuem duas possibilidades: aberto ou fechado. Sinal Digital é um sinal com valores discretos (descontínuos) no tempo e em amplitude. Existem inúmeros protocolos de comunicação industrial e inúmeras tentativas de padronização. Alguns exemplos de protocolos de redes indústrias: Devicent, CANopen, Profibus DP, Lonworks, Interbus-S, Ethernet-IP, Modbus- RTU, etc. 82 Automação industrial 82 Distribuído) são agora realizadas pelos transmissores e válvulas de controle, já que todos são microprocessados e interligados via rede digital. O Sistema Digital de Controle Distribuído ou SDCD é um elemento da área de Automação Industrial que possui como função primordial o controle de processos de forma a permitir uma otimização da produtividade industrial, estruturada na diminuição de custos de produção, melhoria na qualidade dos produtos, precisão das operações, segurança operacional, entre outros. Ele é composto basicamente por um conjunto integrado de dispositivos que se completam no cumprimento das suas diversas funções - o sistema controla e supervisiona o processo produtivo da unidade. Utilizam-se técnicas de processamento digital (discreto) em oposição ao analógico (contínuo) com o objetivo de proporcionar uma manutenção no comportamento de um referido processo na planta da indústria, dentro de parâmetros já estabelecidos. O sistema é dotado de processadores e redes redundantes e permite uma descentralização do processamento de dados e decisões, através do uso de unidades remotas na planta. Além disso, o sistema oferece uma interface homem-máquina (IHM) que permite o interfaceamento com controladores lógicos programáveis (CLP), controladores PID (Significado de PID é Proporcional Integral Derivativo), equipamentos de comunicação digital e sistemas em rede. É através das Unidades de Processamento, distribuídas nas áreas, que os sinais dos equipamentos de campo são processados de acordo com a estratégia programada. Estes sinais, transformados em informação de processo, são atualizados em tempo real nas telas de operação das Salas de Controle. Controladores do tipo Proporcional, Integral e Derivativo, comumente denominados de PID, são controladores largamente utilizados no cenário industrial. Segundo Aströn (1996), entre 90 e 95% dos problemas de controle são solucionados empregando tais controladores. A utilização se deve ao fato deste controlador ser facilmente implementável, de baixo custo e versátil, com capacidade de alterar os comportamentos transitórios e de regime permanente dos processos sob controle. Atualmente, a maioria dos processos automatizados que utilizam controladores lógicos programáveis (CLPs) possuem em suas malhas de controle algoritmos PID. Controle lógiCo SequenCial e Combinatorial Lógica sequencial desenvolvida pelo CLP (Controlador Lógico Programável). O sistema é dotado de processadores e redes redundantes e permite uma descentralização do processamento de dados e decisões, através do uso de unidades remotas na planta. 83 SiStemaS de Produção 83 Capítulo 3 A lógica sequencial é desenvolvida a partir de elementos temporizadores, capazes de disparar uma saída ou acionar um interruptor após um tempo previamente determinado. Exemplo lógico sequencial: desejamos ligar uma lâmpada L1 3 segundos após acionarmos o interruptor B1 (figura 30). Figura 30 - Lógica sequencial Fonte: Adaptado de Moraes e Castrucci (2007). O CLP pode desenvolver qualquer composição das lógicas combinacional e sequencial. Para isso é preciso fazer a programação adequada. Exemplo de lógica combinatorial: ligar a lâmpada L1 se os interruptores B1 ou B2 forem acionados. Corresponde à operação lógica OU (figura 31). Figura 31 - Lógica combinatória Fonte: Adaptado de Moraes e Castrucci (2007). 84 Automação industrial 84 Os circuitos elétricos e eletrônicos não possibilitam alterações com certa facilidade. De acordo com Castrucci (2007, p.28): Para adequar um Controlador Lógico Programável (CLP) a um sistema ou a uma máquina é necessário verificar o número de pontos de entrada, o número de pontos de saída, a velocidade de processamento e os tipos de entradas e saídas (sensores e atuadores). Os controladores lógicos programáveis, como todas as ferramentas de automação, vivem em constante desenvolvimento, no sentido da redução de custos e da dimensão física, do aumento da velocidade e da facilidade de comunicação e também para que se possam aperfeiçoar interfaces mais amigáveis. Atividade de Estudos: 1) Estude e descreva o que é o CLP ou PLC? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ 2) Liste as vantagens e desvantagens da utilização de CLP. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ MORAES, Cícero Couto de; CASTRUCCI, Plínio de Lauro. Engenharia de automação industrial. São Paulo: LTC, 2002. Para adequar um Controlador Lógico Programável (CLP) a um sistema ou a uma máquina é necessário verificar o número de pontos de entrada, o número de pontos de saída, a velocidade de processamento e os tipos de entradas e saídas (sensores e atuadores). 85 SiStemaS de Produção 85 Capítulo 3 lógiCa Fuzzy O controle executado pela lógica Fuzzy imita um comportamento baseado em regras ao invés de um controle explicitamente restrito a modelos matemáticos como equações diferenciais. O objetivo da lógica Fuzzy é gerar uma saída lógica a partir de um conjunto de entradas não precisas, com ruídos ou até mesmo faltantes. A lógica Fuzzy apresenta as seguintes características em relação a outras técnicas de controle (CAMPOS; SAITO, 2004): • Robusta porque não requer entradas precisas. • Modificada facilmente, pois é baseada em regras. • Controle de sistemas não-lineares sem modelo matemático. • Solução mais rápida e barata em alguns casos. • Implementável facilmente em microprocessadores. Exemplo: Um controlador proporcional, em determinado processo, ocorre de tal maneira que opere dentro de uma faixa de temperatura preestabelecida. O sinal de saída deve ser 0-100 graus positivo (aquecer) ou 0-100 graus negativo (resfriar). Figura 32 - Exemplo de uma lógica fuzzy Fonte: Adaptado de Moraes e Castrucci (2007). Onde: Cmd = referência de temperatura Temp = Realimentação da temperatura Erro = Cmd – Temp (+ = Muito frio / - = Muito quente) Saída = aquecer, Esfriar, Mesmo estado Segundo Braga (2009), a Lógica Fuzzy (FL) – Fuzzy Logic em inglês – possui várias aplicações. Os engenheiros químicos utilizam-na para Controle de Processos, já os engenheiros e cientistas da computação fazem 86 Automação industrial 86 reconhecimento de padrões e data mining com ela, o que é muito útil tanto para a engenharia quanto para a medicina na identificação e diagnóstico por imagens. Mas ela realmente ganhou destaque quando os japoneses começaram a utilizá-la em máquinas de lavar. Bens de consumo japoneses agrupam extensamente sistemas fuzzy. Aspiradores de pó Matsushita utilizam controladores de 4 bits rodando algoritmos fuzzy que interrogam sensores de pó e ajustam o poder de sucção; máquinas de lavar Hitachi usam controladores fuzzy para controle de peso, verificação de tipo de tecido, sensores de sujeira e, automaticamente, setam os ciclos de lavagem para o uso otimizado de potência, água e detergente. A seguir apresentamos um texto de estudo em que serão exemplificados alguns produtos que utilizam a lógica Fuzzy. Como um exemplo mais específico, a Canon criou uma câmera com autofoco que utiliza um dispositivo “charge-coupled” (CCD) para medir a claridade de imagens em seis regiões do campo de visão e usa a informação obtida para determinar se a imagem está no foco. Essa câmera também rastreia a taxa de mudança no movimento da lente durante a procura do foco e controla a velocidade para evitar overshoot. O sistema de controle da câmera usa 12 entradas: 6 para obter a claridade atual, fornecendo dados para o CCD e 6 para medir a taxa de mudança no movimento da lente. A saída é a posição do curso da lente. O sistema fuzzy usa 13 regras e requer 1.1KB de memória. Outro exemplo de um sistema prático, um ar condicionado industrial projetado pela Mitsubishi usa 25 regras de aquecimento e 25 regras de refrescamento. Um sensor de temperatura fornece a entrada, com o controle da saída alimentado por um inversor, uma válvula compressora e um ventilador. O entusiasmo dos japoneses por lógica fuzzy é refletido na grande faixa de outras aplicações que eles têm implementado: reconhecimento de caracteres, sistemas fuzzy óticos, robôs, helicópteros comandados por voz através de um robô, sistemas de elevadores, entre outras. Trabalhos em sistemas fuzzy são também um procedimento nos EUA e Europa, entretanto não com o mesmo entusiasmo visto no Japão. A Agência de Proteção Ambiental nos EUA tem 87 SiStemaS de Produção 87 Capítulo 3 investigado controle fuzzy para motores de energia eficaz e a NASA tem estudado controle fuzzy para ancorar suas naves automaticamente no espaço. Simulações mostram que um sistema de controle fuzzy pode reduzir em muito o consumo de combustível. Empresas como a Boeing, General Motors, Allen- Bradley, Chrysler, Eaton e Whirlpool têm trabalhado em lógica fuzzy para uso em refrigeradores de baixa potência, melhorando a transmissão automotiva, e motores elétricos de energia eficaz. Em 1995, Maytag introduziu um máquina de lavar pratos “inteligente”, baseada em um controlador fuzzy e um “one- stop sensing module” que combina um termistor (para medida da temperatura), um sensor condutivo (para medir o nível de detergente através dos íons presentes na água), um sensor de turvação que difundi a medida e transmite luz para medir a sujeira na lavagem e um sensor magnético para ler a taxa de giro. O sistema determina uma otimização no ciclo de lavagem para qualquer carga obter os melhores resultados com o mínimo de energia, detergente e água. Fonte: Disponível em: <http://www.din.uem.br/~ia/intelige/ difusa/Aplicacoes.htm>. Acesso em: 21 jan. 2011. Segundo Braga (2009), pesquisa e desenvolvimento estão em andamento em aplicações fuzzy em projeto de software, incluindo sistemas fuzzy expert e integração de lógica fuzzy com redes neurais, os denominados algoritmos genéticos adaptativos, com o objetivo de construção de um sistema fuzzy capaz de aprender. otimização de ProCeSSoS, algoritmoS genétiCoS Conhecidas as ordens de produção e as restrições da planta, pode ser iniciada a etapa de otimização. A técnica de otimização baseada em algoritmos genéticos devido a vários fatores, dentre os quais se destacam, principalmente: facilidade de adaptação do modelo para inclusão de novas restrições e a possibilidade de, no futuro, se derivar para uma alternativa multicritério. (DIAS, 2000, p. 58). 88 Automação industrial 88 a) Algoritmos Genéticos Algoritmos genéticos, descritos por Campos e Saito (2007), representam uma forma de se partir de um número limitado de possíveis soluções e, através de transformações orientadas em seus valores, chegar a uma solução considerada ótima. Tais algoritmos reproduzem, de forma computacional, o processo de evolução natural das espécies. Cada possível resposta é relacionada a um indivíduo e as variáveis desta possível resposta são transcritas em um vetor que representa o seu código genético. Os indivíduos, ou possíveis respostas, são submetidos a uma função de avaliação. Aqueles que resultam em maior mérito têm mais chance de continuar no conjunto de soluções (população) da interação seguinte. Assim, sucessivamente, um conjunto de possíveis soluções é refinado de forma a melhor atender à função que se deseja otimizar (CAMPOS e SAITO, 2004). Os problemas de otimização são baseados em três pontos principais: a codificação do problema, a função objetivo que se deseja maximizar ou minimizar e o espaço de soluções associado. Pode-se imaginar um problema de otimização como uma caixa preta com n botões, onde cada botão é um parâmetro do problema, e uma saída que é o valor da função objetivo, indicando se um determinado conjunto de parâmetros é bom ou não para resolver este problema. De acordo com Linden (2008, p. 02): Os algoritmos genéticos são uma família de modelos computacionais inspirados na evolução, queincorporam uma solução potencial para um problema específico numa estrutura semelhante a de um cromossomo e aplicam operadores de seleção e “cross-over” a essas estruturas de forma a preservar informações críticas relativas à solução do problema. Normalmentes os AG’s são vistos como otimizadores de funções, embora a quantidade de problemas para o qual os AG’s se aplicam seja bastante abrangente. Segundo Miranda (2009), um dos benefícios de um algoritmo genético é a simplificação que ele possibilita na formulação e solução de problemas de otimização. AG’s simples normalmente trabalham com descrições de entrada formadas por cadeias de bits de tamanho fixo. Outros tipos de AG’s podem trabalhar com cadeias de bits de tamanho variável. Como, por exemplo, AG’s usados para Programação Genética. AG’s possuem um paralelismo implícito decorrente da avaliação independente de cada uma dessas cadeias de bits, ou seja, pode-se avaliar a viabilidade de um conjunto de parâmetros para a solução do problema de otimização em questão. Algoritmos genéticos representam uma forma de se partir de um número limitado de possíveis soluções e, através de transformações orientadas em seus valores, chegar a uma solução considerada ótima. 89 SiStemaS de Produção 89 Capítulo 3 O AG é indicado para a solução de problemas de otimização complexos, NP Completos, como o “caixeiro viajante”, que envolvem um grande número de variáveis e, consequentemente, espaços de soluções de dimensões elevadas. Além disso, em muitos casos onde outras estratégias de otimização falham na busca de uma solução, os AG’s convergem. Os AG’s são numericamente robustos, ou seja, não são sensíveis a erros de arredondamento no que se refere aos seus resultados finais. A seguir apresentamos uma leitura de estudos para que você possa compreender as aplicações em diversas áreas científicas. Boa leitura!!! Os AG’s possuem uma larga aplicação em muitas áreas científicas, entre as quais podem ser destacadas: Síntese de circuitos analógicos: para certa entrada e uma saída desejada, por exemplo tensão, o AG gera a topologia, o tipo e o valor dos componentes do circuito. Síntese de protocolos: determinação de quais funções do protocolo devem ser implementadas em hardware e quais devem ser implementadas em software para que um certo desempenho seja alcançado. Programação Genética: gera a listagem de um programa, numa determinada linguagem especificada, para que um determinado conjunto de dados de entrada forneça uma saída desejada. Gerenciamento de redes: supervisão do tráfego nos links e das filas nos “buffers” de roteadores para descobrir rotas ótimas e para reconfigurar as rotas existentes no caso de falha de algum link. Computação Evolutiva: gera programas que se adaptam a mudanças no sistema ao longo do tempo. Otimização evolutiva multicritério: otimização de funções com múltiplos objetivos que sejam conflitantes. Problemas de otimização complexos: problemas com muitas variáveis e espaços de soluções de dimensões elevadas. Exemplo: problema do caixeiro viajante, gerenciamento de carteiras de fundos de investimento. O AG é indicado para a solução de problemas de otimização complexos, NP Completos, como o “caixeiro viajante”, que envolvem um grande número de variáveis. 90 Automação industrial 90 Ciências biológicas: modela processos biológicos para o entendimento do comportamento de estruturas genéticas. Autômatos autoprogramáveis. Fonte: Disponível em: <http://www.gta.ufrj.br/~marcio/genetic.html>. Acesso em: 22 jan. 2011. Se você quiser conhecer mais sobre o assunto abordado acima consulte os artigos abaixo: Algoritmo genético de agrupamento para formação de módulos de arranjo físico no site http://www.scielo.br/pdf/gp/v15n2/a14v15n2.pdf Lógica Fuzzy ou Lógica Nebulosa http://www.teoriadacomplexidade.com.br/textos/logicafuzzy/ LogicaFuzzy-ou LogicaNebulosa.pdf Fundamentos do Sistema Toyota de Produção no site http://www.scribd.com/doc/294131/Fundamentos-do-Sistema- Toyota-de-Producao Atividade de Estudos: 1) Faça uma análise crítica e descreva os referentes dos novos paradigmas da produção industrial utilizando as novas tecnologias de automação e controle. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ 91 SiStemaS de Produção 91 Capítulo 3 algumaS ConSideraçõeS As indústrias de manufatura investem intensamente no aprimoramento das suas habilidades de fabricação, dadas às exigências de um mercado cada vez mais competitivo. Com este intuito, na Análise de Fluxo de Produção, famílias de peças serão identificadas e deverão ser processadas em determinadas máquinas, peso crescente do complexo eletrônico; um novo paradigma de produção industrial - automação integrada flexível; revolução nos processos de trabalho; transformação das estruturas e estratégias empresariais; as novas bases da competitividade; a globalização como aprofundamento da internacionalização e as alianças tecnológicas como forma de competição. Este capítulo propõe a aplicação de sistemas de produção, a fim de obter layouts celulares. Para a formação de células de manufatura, utilizando redes de comunicação, controladores, lógica de Fuzzy e os algoritmos genéticos na solução de problemas de agrupamento de máquinas/peças, considerando matrizes de incidência binárias ou com tempos de processamentos definidos, bem como tamanhos de lotes de peças. No próximo capítulo, iremos estudar as técnicas de Hardware e de Software para o gerenciamento de conhecimento de configuração de componentes utilizados na manufatura. referênCiaS ASTRÖN, K. J. Hägglund., PID Control, the control handbook, IEEE Press. 1996. BRAGA, Adriano H.. Lógica Fuzzy aplicada a sistema de apoio a decisão. Trabalho (apresentado na aula de mestrado) - Universidade Federal de Minas Gerais, 2009. CAMPOS, Mario Massa de; SAITO, Kaku. Sistemas Inteligentes em Controle e Automação de Processos. Rio de Janeiro: Ciência Moderna Ltda., 2004. CAPASSI, Norival Geraldo. Veículos guiados automaticamente: tecnologia sem condução. Disponível em: <http://www.logweb.com.br/revista/65/ logweb65site.pdf>. Acesso em: 05 mai. 2010. DIAS A. H. F., Algoritmos Genéticos Aplicados a Problemas com Múltiplos Objetivos. 2000. Dissertação (Mestrado em Engenharia Elétrica) - Universidade Federal de Minas Gerais, 2000. 92 Automação industrial 92 FRANCÊS, Carlos Renato Lisboa. Introdução às Redes de Petri. Laboratório de Computação Aplicada – LACA, Universidade Federal do Pará – UFPA, 2003. GROOVER, Mikell P. Automation, production systems, and computer- integrated manufacturing. Publisher: Prentice-hall Of India Pvt Ltd., 2008. HEUSER, C. A. Modelagem Conceitual de Sistemas. 2. ed. Campinas: UNICAMP (IV Escola Brasileiro-Argentina de Informática), 1991. MIRANDA, Márcio Nunes de. Algoritmos Genéticos, fundamentos e aplicação. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2009. (Apostila de curso). MORAES, Cícero Couto de; CATRUCCI, Plínio de Lauro. Engenharia de Automação Industrial. Rio de Janeiro: LCT, 2007. PALOMINO, Reynaldo. Técnicas de Modelagem de Sistemas de Produção. Florianópolis: Editora da UFSC, 2008.