Prévia do material em texto
Professor Me. Lucas Delapria Dias dos Santos AUTOMAÇÃO E CONTROLE 2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Caroline da Silva Marques Eduardo Alves de Oliveira Isabelly Oliveira Fernandes de Souza Jéssica Eugênio Azevedo Louise Ribeiro Marcelino Fernando Rodrigues Santos Vinicius Rovedo Bratfisch PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos Carlos Firmino de Oliveira Hugo Batalhoti Morangueira Giovane Jasper Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz DE VÍDEO Carlos Henrique Moraes dos Anjos Pedro Vinícius de Lima Machado Thassiane da Silva Jacinto FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP S237a Santos, Lucas Delapria dos Automação e controle / Lucas Delapria dos Santos. Paranavaí: EduFatecie, 2024. 102 p.: il. Color. 1. Automação industrial. 2. Controle automático. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. . CDD: 23. ed. 629.8 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas do banco de imagens Shutterstock . 3 AUTOR Professor Me. Lucas Delapria Dias dos Santos Olá, estudante, tudo bem? Sou o professor Lucas, e é um prazer fazer parte desta caminhada com vocês! Sou engenheiro eletricista, formado pela Universidade Estadual de Maringá, e engenheiro de produção, pelo Centro Universitário de Maringá (UniCesumar). Possuo pós-graduação em engenharia e segurança do trabalho, MBA em Gestão da Qualidade, e mestrado em bioenergia e energias renováveis, também pela UEM. Atuo na docência desde 2018, já tendo lecionado em cursos de graduação e pós- graduação, onde tive a oportunidade de desenvolver materiais didáticos, banco de questões e vídeo aulas para as mais diversas áreas. Atualmente, sou supervisor de engenharia no quarto maior abatedouro de aves do Brasil, além de atuar como professor, tutor, orientador de pós-graduação, avaliador de cursos pelo MEC/INEP, e realizar trabalhos de perícias judiciais para o estado do Paraná. Informações e contato: Currículo Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/2332132875006556 Professor Me. Lucas Delapria Dias dos Santos http://lattes.cnpq.br/2332132875006556 4 APRESENTAÇÃO Na sinfonia da vida moderna, os sistemas de regulação desempenham o papel de maestros invisíveis, coordenando uma complexa harmonia de atividades em todos os cantos do mundo. Desde o lançamento de foguetes ao espaço até o controle da temperatura em nossos lares, esses sistemas automatizados são cruciais para nossa existência cotidiana. Este material é uma exploração fascinante desse mundo, onde o controle é a chave para desbloquear um vasto espectro de possibilidades. No primeiro capítulo, mergulharemos nas definições fundamentais dos sistemas de controle, explorando suas vantagens, história e as complexidades envolvidas em sua implementação. Dos lançamentos dramáticos de foguetes ao espaço até a regulação dos níveis de açúcar no sangue dentro de nossos próprios corpos, examinaremos como esses sistemas permeiam desde os avanços tecnológicos extremos até os aspectos mais mundanos de nossas vidas. No segundo capítulo, investigaremos a evolução dos sistemas de controle ao longo da história, introduzindo conceitos essenciais para projetos na disciplina de teoria de controle. Com exemplos práticos, como o projeto de sistemas de suspensão para veículos automotivos, exploraremos diversas estruturas de controladores e os princípios subjacentes ao seu funcionamento. Na terceira seção, adentraremos o mundo da simulação como uma ferramenta crucial para analisar e avaliar sistemas complexos. Desde a otimização prévia até a análise de cenários extremos, examinaremos como os modelos simplificados replicam o mundo real, suas limitações e aplicações em diversas áreas, incluindo treinamento virtual e ajuste de escala temporal. Por fim, no quarto capítulo, exploraremos o funcionamento dos sistemas de automação industrial, desde a tomada de decisões em situações diversas até o papel crucial dos dispositivos programáveis. Ao desvendar os segredos por trás das operações de produção e da automação de tarefas, mergulharemos em um universo fascinante de aplicação prática dos sistemas de controle em diferentes áreas da indústria moderna. Prepare-se para uma viagem pelo mundo da automação industrial! 5 SUMÁRIO Tecnologias e sistemas automatizados Sistemas dinâmicos e modelagem Controle clássico e moderno Introdução a automação e controle – fundamentos históricos Professor Me. Lucas Delapria Dias dos Santos INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOS1UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 7 Plano de Estudos • Introdução a automação e Controle. • Configurações de Sistemas. • Objetivos de Análises de projetos. Objetivos da Aprendizagem • Introduzir a história da automação. • Apresentar as definições e variações de sistema de controle. • Mostrar a aplicação da automação. • Conceituar os termos: Malha Aberta, Malha Fechada, regime permanente e estabilidade. INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 8 INTRODUÇÃO Os sistemas de regulação são como os maestros invisíveis da nossa sociedade contemporânea, conduzindo uma sinfonia complexa de atividades em todos os cantos do mundo. Desde o lançamento de foguetes ao espaço até a regulação da temperatura em nossos lares, esses sistemas automatizados desempenham um papel vital em nossa vida cotidiana. Imagine-se observando o lançamentode um foguete: o cronograma rigoroso, os motores rugindo e a precisão milimétrica com que a espaçonave é direcionada para a órbita terrestre. Este é apenas um exemplo dramático de como os sistemas de regulação permeiam os avanços tecnológicos mais extremos. Porém, sua presença é igualmente significativa em situações mais mundanas, como o resfriamento de peças metálicas durante a usinagem ou a operação suave de um elevador em um prédio comercial movimentado. Mas aqui está o ponto intrigante: não somos os únicos mestres desses sistemas. A natureza, com sua engenhosidade biológica, também é uma mestra na arte da regulação automática. Dentro de nossos próprios corpos, encontramos uma miríade de sistemas de controle, desde a regulação dos níveis de açúcar no sangue até o aumento da frequência cardíaca em momentos de estresse. E até mesmo em domínios não físicos, como a educação, vemos a aplicação inteligente de sistemas de regulação. Modelos concebidos para prever o desempenho dos estudantes com base no tempo de estudo são um testemunho da versatilidade desses sistemas e de como podem moldar nossas estratégias de aprendizagem. Neste capítulo, mergulharemos nas definições fundamentais dos sistemas de controle, explorando suas vantagens, história e as complexidades envolvidas em sua implementação. Prepare-se para uma jornada fascinante pelo mundo dos sistemas de regulação, onde o controle é a chave para desbloquear um vasto espectro de possibilidades. INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 9 Os sistemas de regulação são essenciais na sociedade contemporânea, permeando inúmeras aplicações em nosso cotidiano. Observamos sua presença em diversas instâncias: foguetes são lançados e ônibus espaciais decolam para órbita terrestre; peças metálicas são usinadas automaticamente envoltas em jatos de água para resfriamento; veículos autônomos distribuem materiais em estações de trabalho numa oficina de montagem aeroespacial, deslizando pelo piso em busca de seus destinos. Esses são apenas alguns exemplos dos sistemas controlados automaticamente que podemos criar. Entretanto, não somos os únicos criadores de tais sistemas. Na natureza, também encontramos exemplos de regulação automática. Dentro de nossos corpos, há inúmeros sistemas de controle, como o pâncreas, que regula o nível de açúcar no sangue. Em situações de estresse agudo, a adrenalina aumenta junto com a frequência cardíaca, garantindo maior fluxo de oxigênio para nossas células. Nossos olhos rastreiam objetos em movimento para mantê-los em nosso campo visual, enquanto nossas mãos seguram e posicionam objetos com precisão em locais determinados. Além disso, até mesmo o mundo não físico parece ser regulado automaticamente. Foram propostos modelos que demonstram o controle automático do desempenho de estudantes. Nesses modelos, a entrada é o tempo disponível para estudo, e a saída é a nota obtida. Esses modelos podem ser utilizados para prever o tempo necessário para melhorar a nota, caso haja um aumento repentino no tempo de estudo. Com base nesse modelo, é possível determinar se vale a pena aumentar os esforços e intensificar os estudos durante a última semana do período. INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE1 TÓPICO INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 10 1.1 Definições de sistemas de controle Um Arranjo de Regulação é constituído por subconjuntos e procedimentos (ou instalações) elaborados com a finalidade de gerar um resultado pretendido com uma eficiência particular, em reação a uma entrada específica. Uma ilustração simplificada de um arranjo de regulação é apresentada na Figura 1.1, onde a entrada se correlaciona com o resultado desejado. FIGURA 1 - DESCRIÇÃO SIMPLIFICADA DE UM SISTEMA DE CONTROLE Fonte: Adaptado de Ogata (2015) Tomemos como exemplo um elevador. Quando o botão correspondente ao quarto andar é pressionado no primeiro andar, o elevador se move até o quarto andar com velocidade e precisão de nivelamento planejadas para o conforto do passageiro. A ativação do botão do quarto andar constitui uma entrada que simboliza a saída desejada. O desempenho do elevador pode ser avaliado pela curva de resposta do sistema na figura. Duas principais medidas de desempenho são notáveis: (1) a resposta transitória e (2) o erro em estado estacionário. Neste caso, o conforto e a satisfação do passageiro estão vinculados à resposta transitória. Se essa resposta for excessivamente rápida, o conforto pode ser comprometido; se for demasiadamente lenta, a paciência é impactada. O erro em estado estacionário representa outra avaliação crucial de desempenho, pois a segurança e a conveniência do passageiro podem ser prejudicadas se o elevador não nivelar corretamente. 1.2 Vantagens dos sistemas de controle As vantagens oferecidas pelos Sistemas de Regulação são notáveis. Permitem- nos movimentar equipamentos pesados com uma precisão que, de outra maneira, seria inatingível. Podemos direcionar grandes antenas para os limites do universo a fim de captar sinais de rádio muito fracos; operar tais antenas manualmente seria impraticável. Graças aos sistemas de regulação, os elevadores nos transportam rapidamente aos nossos destinos, parando automaticamente nos andares corretos. Sozinhos, não conseguiríamos fornecer a potência necessária para a carga e a velocidade; os motores oferecem a potência, enquanto os sistemas de regulação regulam a posição e a velocidade. Existem quatro razões principais pelas quais desenvolvemos sistemas de regulação: INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 11 • Aumento de potência: por exemplo, uma antena de radar, ajustada pela rotação de baixa potência de um botão, exige uma grande quantidade de potência para a rotação. Um sistema de regulação pode fornecer a amplificação de potência necessária. • Operação remota: robôs concebidos com base nos princípios dos sistemas de regulação podem compensar a ausência de habilidade humana. Além disso, os sistemas de regulação são úteis em locais remotos ou perigosos. Por exemplo, um braço robótico operado remotamente pode ser usado para recolher materiais em um ambiente radioativo. A Figura 1.4 mostra um exemplo de braço robótico elaborado para operar em ambientes contaminados. • Adaptação da forma da entrada: os sistemas de regulação também podem oferecer conveniência ao modificar a forma da entrada. Por exemplo, em um sistema de regulação de temperatura, a entrada é uma posição em um termostato, e a saída é o calor. Assim, uma entrada de posição conveniente produz uma saída térmica desejada. Outra vantagem de um sistema de regulação é sua habilidade de compensar perturbações. Geralmente, controlamos variáveis como temperatura em sistemas térmicos, posição e velocidade em sistemas mecânicos, e tensão, corrente ou frequência em sistemas elétricos. O sistema deve ser capaz de fornecer a saída correta, mesmo quando sujeito a perturbação (AGUIRRE, 2007). Por exemplo, considere um arranjo de antena que é direcionado para uma direção específica. Se o vento deslocar a antena de sua posição designada, ou se houver interferências internas, o arranjo deve ser capaz de detectar a perturbação e ajustar a posição da antena. É essencial observar que a entrada do arranjo não será alterada para realizar essa correção. Portanto, o próprio arranjo deve avaliar o quanto a perturbação moveu a antena e, em seguida, realinhá-la com a posição desejada pela entrada. 1.3 História dos sistemas de controle Os arranjos de regulação com retroalimentação possuem uma história que se estende até períodos anteriores à própria existência da humanidade. Muitos mecanismos de regulação biológica foram elaborados pelos primeiros habitantes de nosso planeta. Agora, vamos analisar sucintamente a história dos arranjos de regulação concebidos pelos seres humanos. 1.3.1 Controlede nível de líquido Por volta de 300 a.C., os gregos iniciaram o desenvolvimento de sistemas com retroalimentação. Um exemplo notável foi o relógio de água, concebido por Ktesibios. Esse INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 12 dispositivo operava através do gotejamento contínuo de água em um recipiente de medição. O nível de água neste recipiente era utilizado para cronometrar o tempo decorrido. Para assegurar que a água gotejasse a uma taxa constante, era necessário manter o nível do reservatório de alimentação invariável. Isso era conseguido através do uso de uma válvula de flutuador similar àquelas empregadas nos sistemas de regulação de nível de água dos tanques de descarga dos sanitários modernos (AGUIRRE, 2007). Logo após Ktesibios, o conceito de controle de nível de líquido foi aplicado a uma lâmpada a óleo por Philon de Bizâncio. Essa lâmpada consistia em dois reservatórios de óleo posicionados verticalmente. A bandeja inferior, aberta no topo, fornecia combustível para a chama, enquanto a taça superior, fechada, atuava como reservatório de combustível para a bandeja inferior. Os reservatórios eram conectados por dois tubos capilares e um tubo adicional, conhecido como transportador vertical, inserido no óleo da bandeja inferior imediatamente abaixo da superfície. À medida que o óleo era consumido, a extremidade do transportador vertical era exposta ao ar, ocasionando o fluxo do óleo do reservatório superior através dos tubos capilares até a bandeja. Esse fluxo de combustível cessava quando o nível original de óleo na bandeja era restaurado, impedindo a entrada de ar no transportador vertical. Dessa maneira, o sistema mantinha o nível de líquido no reservatório inferior estável. 1.3.2 Controles de pressão do vapor e de temperatura Por volta de 1681, teve início o controle da pressão do vapor com a invenção da válvula de alívio por Denis Papin. Este conceito foi aprimorado ao aumentar a carga sobre o topo da válvula. Se a pressão proveniente da caldeira excedesse o limite da carga, o vapor era liberado, reduzindo a pressão. Caso contrário, a válvula permanecia selada e a pressão dentro da caldeira aumentava. Dessa forma, a carga sobre o topo da válvula determinava a pressão interna na caldeira. Também durante o século XVII, na Holanda, Cornelis Drebbel desenvolveu um sistema de regulação de temperatura inteiramente mecânica para a incubação de ovos. Esse dispositivo consistia em um recipiente contendo álcool e mercúrio, com um flutuador em seu interior. O flutuador estava ligado a uma válvula que controlava uma chama. Uma porção do recipiente era introduzida na incubadora para avaliar o calor gerado pela chama. À medida que o calor aumentava, o álcool e o mercúrio se expandiam, elevando o flutuador e fechando a válvula, resultando na redução da chama. Em contrapartida, temperaturas mais baixas provocavam a descida do flutuador, abrindo a válvula e aumentando a chama (AGUIRRE, 2007). INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 13 1.3.3 Controle de velocidade Em 1745, Edmund Lee implementou a regulação de velocidade em um moinho de vento. Ventos mais fortes resultavam na inclinação das lâminas para trás, reduzindo a área de exposição. À medida que o vento diminuía, uma maior área das lâminas ficava disponível. Em 1809, William Cubitt aprimorou essa concepção ao subdividir as velas do moinho em painéis móveis. No mesmo século XVIII, James Watt desenvolveu o regulador de velocidade de esferas para controlar a velocidade dos motores a vapor. Nesse dispositivo, duas esferas giratórias se elevam conforme a velocidade de rotação aumenta. Uma válvula de vapor conectada ao mecanismo das esferas se fecha com o movimento ascendente e se abre com o movimento descendente, ajustando assim a velocidade. 1.3.4 Estabilidade, estabilização e direção A teoria dos arranjos de regulação, conforme entendida atualmente, começou a se estabelecer na segunda metade do século XIX. Em 1868, James Clerk Maxwell introduziu o critério de estabilidade para um sistema de terceira ordem, com base nos coeficientes da equação diferencial. Em 1874, Edward John Routh, fazendo uso de uma sugestão de William Kingdon Clifford anteriormente desconsiderada por Maxwell, foi capaz de ampliar o critério de estabilidade para sistemas de quinta ordem. No mesmo ano, o tema do Prêmio Adams foi “O Critério da Estabilidade Dinâmica”, e em resposta, Routh apresentou um trabalho intitulado “Um Tratado sobre a Estabilidade de um Estado de Movimento Específico”, conquistando o prêmio. Alexandr Michailovich Lyapunov também desempenhou um papel fundamental no avanço e elaboração das teorias e aplicações contemporâneas da estabilidade dos arranjos de regulação. Como aluno de P. L. Chebyshev na Universidade de St. Petersburg, na Rússia, Lyapunov expandiu os estudos de Routh para sistemas não lineares em sua dissertação de doutorado em 1892, intitulada “A Questão Global da Estabilidade do Movimento” (AGUIRRE, 2007). Durante a segunda metade do século XIX, o progresso na área dos arranjos de regulação estava centrado na orientação e estabilização de embarcações. Em 1874, Henry Bessemer, empregando um giroscópio para avaliar o movimento de uma embarcação e aproveitando a potência produzida pelo sistema hidráulico da mesma, movimentava o salão da embarcação para mantê-la nivelada (embora não seja certo se isso impactava de alguma forma os passageiros). Outras tentativas foram feitas para estabilizar plataformas de armamento e embarcações inteiras, utilizando pêndulos como dispositivos de detecção de movimento. INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 14 1.3.5 Desenvolvimentos do século xx Os progressos do Século XX tiveram um papel crucial no avanço dos arranjos de regulação. Foi apenas nos primórdios desse século que a navegação automática de embarcações foi alcançada. Em 1922, a Sperry Gyroscope Company implementou um sistema automático de direção que incorporava componentes de compensação e regulação adaptativa para aprimorar o desempenho. No entanto, grande parte da teoria geral empregada atualmente para otimizar o funcionamento dos arranjos de regulação automática é atribuída a Nicholas Minorsky, um russo nascido em 1885. Seu desenvolvimento teórico aplicado à navegação automática de embarcações resultou no que hoje conhecemos como controladores proporcionais, integrais e derivativos (PID), ou controladores de três modos (NISE, 2012). No final dos anos 1920 e início dos anos 1930, H. W. Bode e H. Nyquist, do Bell Telephone Laboratories, progrediram na investigação de amplificadores com retroalimentação. Essas contribuições deram origem às metodologias de análise e concepção em frequência amplamente adotadas nos arranjos de regulação com retroalimentação (NISE, 2012). Em 1948, Walter R. Evans, colaborando na indústria aeronáutica, concebeu um método gráfico para ilustrar as soluções de uma equação característica de um sistema com retroalimentação, cujos parâmetros oscilavam em um intervalo específico de valores. Esse método, atualmente denominado lugar geométrico das raízes, em conjunto com as contribuições de Bode e Nyquist, estabelece os fundamentos teóricos para a análise e concepção de sistemas de regulação lineares. Atualmente, os arranjos de regulação desempenham uma função essencial em uma ampla variedade de domínios, incluindo orientação, navegação e comando de mísseis, veículos espaciais, aeronaves e embarcações. Por exemplo, as embarcações contemporâneas empregam uma diversidade de elementos elétricos, mecânicos e hidráulicos para gerar direções de leme em resposta aos direcionamentos desejados. Essas instruções de leme resultam em um ângulo de leme que orienta a embarcação. Na esfera da regulação de processos industriais, encontramos arranjos de regulação controlando onível de líquidos em reservatórios, concentrações químicas em tanques e a espessura de materiais fabricados. Por exemplo, um sistema de regulação de espessura em uma linha de acabamento de chapas de aço emprega raios X para medir a espessura real e ajusta essa espessura por meio da comparação com a espessura desejada, controlando a posição de um parafuso que modifica a distância entre os rolos (NISE, 2012). INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 15 As evoluções contemporâneas têm testemunhado uma ampla integração de computadores digitais como componentes essenciais dos arranjos de regulação. Por exemplo, computadores são empregados em sistemas de regulação de robôs industriais, veículos espaciais e na indústria de regulação de processos. É desafiador conceber um arranjo de regulação moderno que não faça uso de um computador digital. O ônibus espacial, por sua vez, está equipado com vários sistemas de regulação controlados por um computador de bordo em um esquema de tempo compartilhado. Sem esses sistemas de regulação, seria inviável guiar a nave para dentro e para fora da órbita terrestre, ajustar a órbita e manter o suporte à vida a bordo. Funcionalidades de navegação programadas nos computadores da nave utilizam dados provenientes do hardware da nave para calcular sua posição e velocidade, gerando comandos para os sistemas de regulação de voo que manobram a espaçonave (AGUIRRE, 2007). Dentro deste vasto sistema de regulação, abrangendo a navegação, orientação e comando, existem diversos subarranjos para controlar as funcionalidades do veículo. Por exemplo, os elevons demandam um arranjo de regulação para assegurar que permaneçam na posição adequada, mesmo diante de perturbações como o vento tentando deslocá-los. Da mesma forma, no ambiente espacial, a regulação da rotação dos propulsores do sistema de manobra orbital requer um arranjo de regulação similar para garantir sua precisão e velocidade (NISE, 2012). Adicionalmente, uma variedade de arranjos de regulação é essencial dentro da embarcação para a geração de energia e manutenção da vida. Por exemplo, a nave orbital inclui geradores de energia de células de combustível que transformam hidrogênio e oxigênio em eletricidade e água, com arranjos de regulação para controlar temperatura e pressão. Os sistemas de aquecimento residencial também exemplificam arranjos de regulação simples, como um termostato que regula o aquecedor com base na temperatura ambiente. Mesmo os sistemas de entretenimento residencial incluem arranjos de regulação. Por exemplo, em um sistema de gravação de disco óptico, um raio laser é mantido em posição sobre cavidades microscópicas gravadas no disco, com um arranjo de regulação assegurando a precisão do posicionamento para leitura e gravação (NISE, 2012). INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 16 Nesta parte, investigamos os dois principais arranjos dos sistemas de regulação: sistema de regulação em malha aberta e sistema de regulação em malha fechada. Por último, apresentamos como um computador digital é incorporado à disposição de um sistema de regulação. 2.1 Sistemas em malha aberta Uma representação típica de um sistema em circuito aberto é apresentada na Figura 2(a). Ele começa com um componente chamado transdutor de entrada, encarregado de converter a forma da entrada para o formato utilizado pelo dispositivo de controle. Em seguida, o dispositivo de controle age sobre um processo ou unidade. A entrada, por vezes designada como referência, enquanto a saída pode ser chamada de variável controlada. Outros sinais, como perturbações, são mostrados sendo somados às saídas do dispositivo de controle e do processo por meio de junções de soma, fornecendo a soma algébrica dos sinais de entrada associados. Por exemplo, o processo pode ser uma caldeira ou um sistema de ar condicionado, onde a variável de saída é a temperatura. O dispositivo de controle em um sistema de aquecimento pode incluir válvulas de combustível e o sistema elétrico que opera essas válvulas (AGUIRRE, 2007). A característica fundamental de um sistema em circuito aberto é sua incapacidade de compensar perturbações que são adicionadas ao sinal de comando do dispositivo de controle (Perturbação 1 na Figura 2(a)). Por exemplo, se o dispositivo de controle for um amplificador eletrônico e a Perturbação 1 for ruído, então qualquer ruído aditivo do CONFIGURAÇÕES DE SISTEMAS2 TÓPICO INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 17 amplificador na primeira junção de soma também influenciará o processo, impactando a saída com o efeito do ruído. Além disso, a saída de um sistema em circuito aberto pode ser influenciada por perturbações na própria saída (Perturbação 2 na Figura 2(b)). O sistema não possui a capacidade de corrigir essas perturbações. Consequentemente, sistemas em circuito aberto não efetuam correções em decorrência de perturbações e são regulados exclusivamente pela entrada. Um exemplo comum de um sistema em circuito aberto é uma torradeira, como qualquer pessoa que já tenha experimentado uma torrada queimada pode confirmar. A variável controlada (saída) de uma torradeira é a coloração da torrada. O aparelho é concebido com a suposição de que quanto mais tempo a torrada é exposta ao calor, mais escura ela ficará. A torradeira não avalia a coloração da torrada; não realiza ajustes com base no tipo de pão (centeio, branco, sourdough) ou na espessura das fatias. FIGURA 2: DIAGRAMAS DE BLOCOS DE SISTEMAS DE CONTROLE: A. SISTEMA EM MALHA ABERTA; B. SISTEMA EM MALHA FECHADA Fonte: Adaptado de Ogata (2015) Outros exemplos de sistemas em circuito aberto englobam sistemas mecânicos que consistem em uma massa, mola e amortecedor, onde uma força constante posiciona a massa. Quanto maior a força aplicada, maior será o deslocamento. Neste cenário, se uma INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 18 força adicional atuar sobre o sistema, como uma perturbação, o sistema não a reconhecerá nem efetuará ajustes para compensá-la. Para exemplificar, pense no cálculo do tempo de estudo necessário para alcançar um conceito A em um exame que abrange três capítulos de um livro. Se o professor optar por adicionar um quarto capítulo - uma interferência - você estaria em um sistema em circuito aberto caso não percebesse essa alteração e não aumentasse o tempo de estudo em comparação com o cálculo anterior. O desfecho desse descuido resultaria em uma nota abaixo da esperada. 2.2 Sistemas em Malha Fechada (Controle com Realimentação) As limitações dos sistemas em circuito aberto, como a suscetibilidade às perturbações e a inaptidão para corrigir seus efeitos, podem ser contornadas pelos sistemas em circuito fechado. A estrutura geral de um sistema em circuito fechado é mostrada na Figura 2(b). No sistema em circuito fechado, o transdutor de entrada altera o formato da entrada para o formato utilizado pelo dispositivo de controle. Um transdutor de saída, também conhecido como sensor, avalia a resposta da saída e a converte para o formato usado pelo dispositivo de controle. Por exemplo, se o dispositivo de controle opera as válvulas de um sistema de regulação de temperatura por meio de sinais elétricos, a posição de entrada e a temperatura de saída são convertidas em sinais elétricos. A posição de entrada pode ser transformada em uma voltagem por meio de um potenciômetro, enquanto a temperatura de saída pode ser convertida em uma voltagem por meio de um termistor, um dispositivo cuja resistência elétrica varia com a temperatura. Na primeira junção de soma, o sinal de entrada é algebricamente somado ao sinal de saída, que retorna, por meio da malha de retroalimentação, o trajeto de volta da saída para a junção de soma. Na Figura 2(b), o sinal de saída é subtraído do sinal de entrada. O resultado,frequentemente referido como sinal de controle, pode ser interpretado como erro se ambos os transdutores de entrada e saída possuírem ganho unitário, ou seja, amplificam sua entrada por um fator igual a 1. Nesse contexto, o sinal de controle reflete a diferença efetiva entre a entrada e a saída. O sistema em circuito fechado neutraliza o impacto das perturbações ao avaliar a resposta da saída, reintroduzindo essa avaliação através da malha de retroalimentação e contrastando-a com a entrada na junção de soma. Se houver discrepância entre essas duas respostas, o sistema instiga a planta para efetuar uma correção por meio do sinal de controle. Por outro lado, se não houver divergência, o sistema não atua sobre a planta, pois a resposta da planta já corresponde à resposta desejada. INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 19 Assim, os sistemas em circuito fechado possuem a vantagem evidente de apresentar uma precisão superior em comparação aos sistemas em circuito aberto. Eles são menos vulneráveis a interferências, perturbações e variações no ambiente. A resposta transitória e os erros em regime permanente podem ser gerenciados de maneira mais conveniente e flexível nos sistemas em circuito fechado, muitas vezes por meio da modificação do ganho na malha e, ocasionalmente, pela adaptação do design do controlador. Essa adaptação de design é conhecida como compensação do sistema, resultando em um dispositivo chamado compensador. Por contraste, os sistemas em circuito fechado são mais elaborados e dispendiosos do que os sistemas em circuito aberto. Por exemplo, uma torradeira comum em circuito aberto é simples e econômica, enquanto uma torradeira em circuito fechado, que necessita avaliar tanto a tonalidade (por meio da reflexão luminosa) quanto a umidade em seu interior, é mais intricada e onerosa. Assim, o engenheiro de sistemas de controle deve ponderar a relação entre custo e benefício entre a simplicidade e o custo reduzido de um sistema em circuito aberto e a precisão e o custo mais elevado de um sistema em circuito fechado (NISE, 2012). Em síntese, sistemas que efetuam medições e ajustes conforme mencionado anteriormente são conhecidos como sistemas em circuito fechado, ou sistemas de controle com retroalimentação, ao passo que os sistemas que não apresentam essas características de medição e ajuste são designados como sistemas em circuito aberto. 2.3 Sistemas controlados por computador Em muitos sistemas contemporâneos, o controlador (ou compensador) se apresenta na forma de um computador digital. Uma das vantagens de utilizar um computador reside na sua capacidade de gerenciar ou compensar múltiplas malhas com o mesmo dispositivo, compartilhando o tempo de processamento. Além disso, qualquer ajuste nos parâmetros do compensador, necessário para alcançar uma resposta desejada, pode ser efetuado por meio de modificações no software, em vez de alterações no hardware físico. O computador também pode desempenhar funções de supervisão, como o agendamento de múltiplas aplicações necessárias. Por exemplo, o controlador do motor principal do ônibus espacial (SSME — space shuttle main engine), que emprega dois computadores digitais, gerencia diversas funcionalidades do motor de maneira autônoma. Ele monitora os sensores do motor, os quais fornecem dados sobre pressões, temperaturas, vazões, velocidade da turbobomba, posições das válvulas e atuadores das servo-válvulas do motor. Adicionalmente, o controlador executa o controle em circuito fechado do empuxo e da relação da mistura do propelente, além de supervisionar a excitação dos sensores, os atuadores das válvulas e a ignição, entre outras funções (Rockwell International, 1984). INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 20 No Tópico 1, discutimos de forma sucinta algumas características de desempenho dos sistemas de controle, como a resposta transitória e o erro em regime permanente. Agora, vamos ampliar essa discussão e contextualizá-la à medida que estabelecemos nossos objetivos de análise e projeto. A avaliação é o procedimento pelo qual determinamos a eficácia de um sistema. Por exemplo, analisamos a resposta transitória e o erro em regime permanente para garantir que estejam alinhados com os requisitos desejados. Já o desenvolvimento é o processo pelo qual projetamos ou ajustamos o desempenho de um sistema. Se identificarmos que a resposta transitória e o erro em regime permanente não atendem aos critérios estabelecidos durante a avaliação, realizamos ajustes nos parâmetros ou incorporamos componentes adicionais para satisfazer esses critérios. Um sistema de controle é dinâmico: ele reage a uma entrada exibindo uma resposta transitória antes de atingir uma resposta em estado estacionário, que normalmente se assemelha à entrada. Já reconhecemos essas duas respostas e usamos como exemplo um sistema de controle de posição, como um elevador. Nesta seção, exploramos três objetivos principais da análise e do projeto de sistemas: alcançar a resposta transitória desejada, diminuir o erro em regime permanente e assegurar a estabilidade. Também consideramos outros aspectos do projeto, como custo e sensibilidade do desempenho do sistema a variações nos parâmetros. OBJETIVOS DE ANÁLISE DE PROJETO3 TÓPICO INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 21 3.1 Resposta transitória A resposta inicial é um aspecto vital a ser avaliado. No contexto de um elevador, uma resposta lenta pode causar impaciência nos passageiros, ao passo que uma resposta excessivamente rápida pode deixá-los desconfortáveis. Se o elevador oscilar em torno do andar desejado por mais de um segundo, pode gerar uma sensação desconcertante. Adicionalmente, a resposta inicial é significativa em termos estruturais: uma reação muito veloz pode resultar em danos físicos permanentes. Na esfera computacional, a resposta transitória influencia o tempo essencial para ler ou gravar dados no disco de armazenamento. Dado que essas operações dependem do momento em que a cabeça de leitura/gravação para, a velocidade com que essa cabeça se move de uma trilha do disco para outra afeta a velocidade total do computador. Aqui, estabelecemos definições quantitativas para a resposta transitória. Posteriormente, realizamos uma análise detalhada do sistema e de sua resposta transitória atual. Por fim, ajustamos os parâmetros ou componentes de design para alcançar uma resposta transitória desejada, que é nosso principal objetivo de análise e projeto. 3.2 Resposta em regime permanente Outro objetivo essencial de análise e projeto se concentra na resposta em estado estacionário. Como já mencionamos, essa resposta tende a se parecer com a entrada original e geralmente é o que permanece após os transitórios terem se dissipado. Por exemplo, essa resposta pode ser um elevador parado próximo ao quarto andar ou a cabeça de leitura/gravação de um disco finalmente posicionada na trilha correta. Nos interessa especialmente a precisão da resposta em estado estacionário. Um elevador deve estar nivelado o suficiente com o andar para que os passageiros possam sair, e uma cabeça de leitura/gravação desalinhada com a trilha desejada resulta em erros no funcionamento do computador. Da mesma forma, uma antena que rastreia um satélite deve manter o satélite bem dentro de seu campo de visão para evitar a perda de rastreamento. Neste texto, estabelecemos definições quantitativas para as falhas em estado estacionário, analisamos as falhas em estado estacionário de um sistema e, em seguida, planejamos uma ação corretiva para minimizá-las — este é o nosso segundo objetivo de análise e projeto. INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 22 3.3 Estabilidade A análise sobre a reação transitória e a falha em regime permanente torna-se sem importância se o sistema carecer deestabilidade. Para explicar o conceito de estabilidade, partimos do pressuposto de que a resposta total de um sistema é a soma da resposta intrínseca com a resposta externamente aplicada. Se você estudou equações diferenciais lineares, pode ter se referido a essas respostas como solução homogênea e particular, respectivamente. A resposta intrínseca descreve como o sistema absorve ou dissipa energia, sua forma ou essência dependendo exclusivamente do sistema, não da entrada. Em contraste, a forma ou essência da resposta externamente aplicada depende da entrada. Para que um sistema de controle seja eficaz, a evolução natural da resposta deve seguir um dos dois cenários: (1) gradualmente decair até zero, deixando apenas a resposta aplicada, ou (2) oscilar. Em alguns casos, porém, a resposta natural não diminui até zero ou oscila, mas aumenta indefinidamente. Quando a resposta natural ultrapassa significativamente a resposta aplicada, o sistema perde o controle. Esse estado, conhecido como instabilidade, pode resultar na autodestruição do dispositivo físico, a menos que haja dispositivos limitadores incorporados ao projeto. Por exemplo, um elevador poderia colidir com o piso ou ultrapassar o teto; uma aeronave poderia entrar em uma rotação descontrolada; ou uma antena, ao tentar se alinhar com um alvo, poderia começar a oscilar ao redor dele com amplitudes crescentes e velocidade aumentada até que o motor ou os amplificadores atingissem seus limites de saída, ou até que a antena sofresse danos estruturais. Um gráfico temporal de um sistema instável exibiria uma resposta transitória crescendo indefinidamente, sem qualquer indicação de uma resposta em regime permanente. Os sistemas de controle precisam ser concebidos para manter a estabilidade. Em outras palavras, suas respostas naturais devem eventualmente decair para zero à medida que o tempo avança para o infinito, ou devem apresentar oscilação. Em muitos sistemas, a resposta transitória evidenciada em um gráfico da resposta ao longo do tempo está diretamente ligada à resposta natural. Portanto, se a resposta natural diminuir para zero conforme o tempo se estende para o infinito, a resposta transitória também desaparecerá, restando apenas a resposta aplicada. Com a estabilidade do sistema, torna-se viável projetar características adequadas de resposta transitória e erro em regime permanente. Garantir a estabilidade representa nosso terceiro objetivo de análise e projeto. INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 23 A automação industrial é amplamente empregada em diversas áreas de produção industrial, acompanhada pela implementação do Planejamento e Controle da Produção (PCP). Embora a robótica seja a face mais evidente da automação hoje em dia, ela também desempenha um papel crucial em indústrias químicas, petroquímicas e farmacêuticas, onde transmissores de pressão, vazão, temperatura e outras variáveis são utilizados para alimentar sistemas de Controle Distribuído Digital (SDCD) ou Controladores Lógicos Programáveis (CLP). O objetivo primordial da Automação Industrial é aumentar a produtividade, qualidade e segurança nos processos. Em um sistema típico, todos os dados dos sensores são centralizados em um controlador programável, que, de acordo com o programa em memória, determina o estado dos atuadores. Com o avanço da instrumentação de campo inteligente, há uma tendência de migrar funções anteriormente realizadas pelo controlador programável para esses instrumentos de campo. Fonte: O autor (2024) REFLITA Você sabe quais são os impactos da automação industrial nas empresas? As significativas mudanças podem provocar diversos impactos. Em princípio, a comunicação da sua empresa melhora e a produção se torna mais ágil. Isso resulta na minimização de erros, tornando a produção o foco principal das operações. Segundo o site The Market Mogul, apenas no setor automotivo, os investimentos em tecnologias da Indústria 4.0 proporcionaram uma redução de custos de até US$ 28 bilhões em um período de 4 anos. Além disso, de acordo com um estudo da PwC, as empresas alemãs esperam alcançar um aumento de eficiência de 12% somente através de investimentos em automação industrial. Fonte: Folha (2024) SAIBA MAIS INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 24 O capítulo introdutório apresenta uma visão ampla e fascinante dos sistemas de controle, destacando sua presença tanto na sociedade contemporânea quanto na natureza. Desde foguetes e ônibus espaciais até os sistemas de controle presentes em nossos corpos, o texto ressalta a ubiquidade e importância desses sistemas. Além disso, ele oferece definições claras e exemplos elucidativos para entendermos melhor os sistemas de controle, desde suas características até suas aplicações contemporâneas. O texto aborda os sistemas em malha aberta e malha fechada, destacando suas diferenças fundamentais e exemplificando seu funcionamento. A partir de exemplos simples, como uma torradeira, até sistemas mais complexos, como sistemas de controle de temperatura em processos industriais, o capítulo nos leva a uma compreensão abrangente dos princípios básicos dos sistemas de controle. Por fim, ao explorar a história dos sistemas de controle desde os tempos antigos até os desenvolvimentos modernos, o capítulo fornece um contexto histórico valioso para entendermos a evolução desses sistemas ao longo do tempo. Em suma, o capítulo introdutório estabelece uma base sólida para o estudo mais aprofundado dos sistemas de controle, fornecendo uma visão geral abrangente e cativante desse campo fascinante da engenharia. CONSIDERAÇÕES FINAIS INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 LEITURA COMPLEMENTAR 25 No artigo “UMA RÁPIDA ANÁLISE SOBRE AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL”, teremos uma perspectiva abrangente sobre automação industrial, abordando várias motivações para a adoção de sistemas automatizados, bem como os conceitos, evolução e bases para o uso da instrumentação e das redes industriais. Este texto enriquecedor também fornece uma breve descrição da situação da automação no Brasil. Para ler mais, acesse o link: https://www.dca.ufrn.br/~affonso/FTP/DCA447/ trabalho1/trabalho1_6.pdf INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 https://www.dca.ufrn.br/~affonso/FTP/DCA447/trabalho1/trabalho1_6.pdf https://www.dca.ufrn.br/~affonso/FTP/DCA447/trabalho1/trabalho1_6.pdf 26 MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO • Título: Automação Industrial, na Prática • Autor: Frank Lamb. • Editora: Bookman. • Sinopse: Automação industrial, na prática, é um guia de referência de conceitos, terminologia e aplicações. Estruturado em tópicos para facilitar a consulta, apresenta o conteúdo essencial do projeto e do uso de máquinas automatizadas, abordando sistemas de controles, construção de máquinas, engenharia mecânica e muito mais. Complementado por gráficos, imagens, exemplos de aplicação e dicas, este é um guia valioso tanto para estudantes de automação quanto para profissionais em busca de aperfeiçoamento. TEMAS ABORDADOS - Automação e manufatura — Conceitos importantes utilizados em automação, controles, projeto de máquinas e documentação — Componentes e hardware — Sistemas de máquina — Sistemas de processos e máquinas automatizadas — Software — Ocupações e ramos de atuação — Negócios industriais e de manufatura, incluindo produção enxuta — Projeto de máquinas e sistemas — Aplicações. Este lançamento da série Tekne é um instrumento pedagógico indispensável para alunos e professores dos cursos do eixo Controle e Processos Industriais, previstos pelo Ministério da Educação no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). FILME/VÍDEO • Título: A teoria de Tudo • Ano: 2014. • Sinopse: Baseado na biografia de Stephen Hawking, o filme mostra como o jovem astrofísico (Eddie Redmayne) fez descobertas importantessobre o tempo, além de retratar o seu romance com a aluna de Cambridge Jane Wide (Felicity Jones) e a descoberta de uma doença motora degenerativa quando tinha apenas 21 anos. INTRODUÇÃO A AUTOMAÇÃO E CONTROLE – FUNDAMENTOS HISTÓRICOSUNIDADE 1 Professor Me. Lucas Delapria Dias dos Santos CONTROLE CLÁSSICO E MODERNO2UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 28 Plano de Estudos • Sistema de controle. • Controle Clássico e moderno. Objetivos da Aprendizagem • Conceituar sistemas de controle. • Compreender a diferença entre controles clássicos e modernos. • Conhecer os tipos de controle (on-off, P, PI, PID). CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 29 Oi, caro (a) aluno (a)! Nesta seção inicial, investigaremos a evolução dos sistemas de controle ao longo da história, juntamente com a introdução de conceitos essenciais para projetos na disciplina de teoria de controle. Exploraremos as diversas estruturas dos controladores, seus componentes fundamentais e os princípios subjacentes ao seu funcionamento. Realizaremos comparações para avaliar os pontos positivos e negativos de cada estrutura. As ideias discutidas têm aplicações amplas na resolução de uma variedade de sistemas de controle, já que reconhecer corretamente o problema é crucial para um projeto eficaz. Agora, vamos utilizar essas habilidades em um contexto prático: imagine que você faça parte do time de engenharia de uma empresa automotiva. Seu papel é projetar e avaliar sistemas de suspensão. A suspensão é vital para a dirigibilidade e segurança do veículo; assim, um desenvolvimento eficiente assegura conforto e proteção aos ocupantes. Durante a reunião de planejamento de novos produtos, foi designado a você o desenvolvimento do projeto da mais recente suspensão ativa para a linha de veículos da montadora. Qual será a entrada e saída desse sistema de suspensão? E quanto à topologia de controle, você acha que deve ser em malha aberta ou fechada? Está pronto para descobrir? Desejo a você bons estudos e um excelente trabalho! INTRODUÇÃO CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 30 Não é complicado relacionar a palavra “controle” a contextos como operar o controle remoto da televisão ou do videogame. No futebol, há o empolgante desafio do “domínio”, onde o propósito é manter a bola no ar com embaixadas, exibindo habilidade de controle sobre ela. Essa mesma noção se aplica em diversas situações: • Na televisão, usamos o comando remoto para localizar um canal de nosso interesse. • Nos videogames, o joystick nos capacita a interagir com o mundo virtual e atingir metas específicas. • No “domínio”, exercitamos o controle sobre a bola para mantê-la em movimento, evitando que toque o solo. Apesar das distintas situações, o princípio de controle permanece inalterado: agir sobre algo para alcançar um objetivo. A teoria de controle de sistemas dinâmicos busca precisamente isso, e para tal, valemo-nos do conhecimento físico e matemático. SISTEMA DE CONTROLE1 TÓPICO CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 31 FIGURA 1: ILUSTRAÇÃO DO SISTEMA DE CONTROLE DE ABERTURA E FECHAMENTO DOS PORTÕES Fonte: Aguierre (2007) Essa teoria não é recente. Um dos primeiros sistemas de controle automático conhecidos foi concebido por Heron de Alexandria (10 d.C. - 70 d.C.) no primeiro século. O sistema estava relacionado à operação de portões, conforme ilustrado na Figura 1.2. Uma chama era acesa, e seu calor aquecia a água e o ar no primeiro reservatório subterrâneo, provocando sua expansão e movendo água para outro reservatório. Esse reservatório, agora mais pesado, descia, puxando uma corda ligada a um rolete, que, por sua vez, movia a porta. Nesse sistema, a temperatura da chama era a entrada, enquanto o ângulo do portão constituía a saída. No século XVII, ocorreu a primeira formulação matemática de um sistema de controle, amplamente empregado para ajustar a velocidade angular de máquinas a vapor. Esse sistema é denominado governador (ou regulador) centrífugo, conforme representado na Figura 2. FIGURA 2: ILUSTRAÇÃO DO GOVERNADOR (OU REGULADOR) CENTRÍFUGO Fonte: Aguierre (2007) CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 32 Os governadores centrífugos tinham a função de regular a velocidade das máquinas a vapor controlando a válvula que regulava o fluxo de ar de admissão. O eixo D girava devido à potência gerada pelo motor, transmitida através de algum acoplamento, como correias, por exemplo. Concomitantemente ao movimento do eixo D, as esferas também giravam. Um aumento na velocidade angular fazia com que as esferas se elevassem, acionando o mecanismo no topo e reduzindo a abertura da borboleta de admissão. Essa restrição na admissão diminuía a potência gerada pelo motor e, por conseguinte, a velocidade angular desenvolvida pelo eixo. Neste contexto, a entrada do sistema era a velocidade angular do eixo do motor, enquanto a saída correspondia ao ângulo de abertura da borboleta de admissão. Prosseguindo na linha do tempo, em 1922, Nicolas Minorsky foi pioneiro ao propor a aplicação do controle PID (proporcional – integrativo – derivativo), um tipo clássico de controlador que será abordado na Unidade 4, no sistema automático de direção dos navios da Marinha dos Estados Unidos. Durante as décadas de 1950 e 1960, com o avanço da ciência, a eletrônica analógica foi amplamente empregada para tarefas de controle automático, onde os valores das resistências, capacitores e indutores influenciavam o desempenho do controlador. Entretanto, na década de 1970, emergiu a teoria do controle digital, impulsionada pelo desenvolvimento dos sistemas digitais, como circuitos integrados e microcontroladores. O ápice do desenvolvimento na teoria de controle clássico ocorreu até meados do século XX, introduzindo ferramentas matemáticas fundamentais para o projeto e análise de controladores. As mais significativas dessas ferramentas serão apresentadas ao longo das unidades deste material. Na segunda metade do século XX, surgiram técnicas avançadas de controle, incluindo: • Controle ótimo: envolve o cálculo da atuação no sistema através da minimização de uma função custo definida pelo projetista. • Controle robusto: visa garantir desempenho e estabilidade robustos em relação às incertezas na modelagem do sistema. • Inteligência artificial, entre outras. Neste contexto, é evidente que a teoria de controle é uma área vasta com aplicações em diversos sistemas dinâmicos. Para iniciar nossos estudos nesse amplo campo de conhecimento, é crucial introduzir alguns conceitos básicos, como a compreensão da arquitetura do controlador. Imagine-se ajustando a temperatura do chuveiro antes de tomar banho. A temperatura da água é determinada pela vazão do chuveiro: quanto menor o fluxo, maior a temperatura, e quanto maior o fluxo, menor a temperatura. CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 33 Considere duas situações: 01. Você liga o chuveiro, ajusta a vazão com base no seu conhecimento prévio do comportamento do seu chuveiro e entra para tomar banho sem fazer mais nenhum ajuste na vazão. 02. Você liga o chuveiro e vai ajustando a vazão gradualmente, sentindo a temperatura da água e regulando o fluxo para alcançar a temperatura desejada. Qual das situações é mais propensa a resultar em uma experiência desconfortável nos dias mais frios do inverno? Se você prefere evitar o risco de tomar banho com água fria durante o inverno, concordará que a situação (a) apresenta mais riscos do que a situação (b). Na situação (a), o chuveiro (considerado o sistema ou planta) e você (assumindo o papel de controlador) operam em um arranjo de malha aberta (open-loop). Já na situação (b), vocês operam em um arranjo de malha fechada (closed-loop). Na malha aberta, o controlador não recebe feedback sobre o estado atual do sistema durante o processo de controle. Por outro lado, na malha fechada, o controlador recebe feedback contínuo sobre o estado atual do sistema durante o processo de controle. Podemos, então,inferir algumas características distintivas entre a malha aberta e a malha fechada. Na malha aberta, o controle é predefinido e independente do estado atual do sistema. Como resultado, a atuação nesse tipo de arquitetura de controle está sujeita a corresponder ao objetivo desejado pelo sistema. Devido à ausência de feedback, a malha aberta tende a ser mais simples e econômica. Por outro lado, na malha fechada, o controle se beneficia das informações contínuas do sistema para ajustar o sinal de atuação (ou controle). Essas informações que retornam ao controle são conhecidas como feedback, ou retroalimentação. FIGURA 3: EXEMPLOS DE ARQUITETURA BÁSICAS UM SISTEMA DE CONTROLE Fonte: OGATA (2003) CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 34 Como ilustrado na Figura 3, um sistema de controle básico consiste em algumas estruturas essenciais: o controlador, o atuador e o sistema. A distinção fundamental entre o sistema em malha aberta (Figura 3a) e o sistema em malha fechada (Figura 3b) reside na presença da retroalimentação. Cada componente pode ser descrito da seguinte forma: • Sistema ou sistema dinâmico: é o alvo do controle. Está presente em ambas as arquiteturas. O sistema dinâmico é o sistema do qual se espera um comportamento específico, que é buscado através da atuação do controlador. • Atuador: é o dispositivo que efetivamente influencia o sistema conforme os comandos enviados pelo controlador, utilizando meios como força, torque, diferença de potencial elétrico, pressão, entre outros. Este elemento também está presente em ambas as arquiteturas. • Controlador: determina a intensidade com que o atuador deve operar sobre o sistema. Faz parte de ambas as arquiteturas. • Retroalimentação: pode estar presente (malha fechada - Figura 3b) ou ausente (malha aberta - Figura 3a) no sistema. Quando presente em malha fechada, fornece ao controlador informações sobre o estado atual do sistema. Com base nessas informações, o controlador ajusta a atuação no sistema para que este alcance o comportamento desejado. Embora a malha fechada seja mais atraente devido à sua robustez e capacidade de mitigar erros, é importante notar que também é mais complexa de ser implementada na prática e, portanto, geralmente acarreta um custo financeiro maior. Portanto, antes de implementar a solução de um problema, é essencial analisar se há realmente a necessidade de desenvolver um sistema de controle em malha fechada para alcançar a resposta desejada do sistema dinâmico. CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 35 A teoria de controle moderno teve origem na década de 1960, impulsionada pela necessidade de desenvolver sistemas de controle mais sofisticados e precisos, como os utilizados em mísseis e sondas espaciais. Nesse contexto, os métodos de controle clássico já não eram adequados para satisfazer essas exigências. Com o avanço da era espacial e o surgimento de projetos de satélites, a engenharia de controle foi desafiada a encontrar soluções que permitissem minimizar o peso dos satélites e controlá-los de maneira mais precisa, dado que se tratavam de sistemas multivariáveis. Nesse cenário, o método de domínio do tempo, desenvolvido por Lyapunov, Minorsky e outros, tornou-se objeto de interesse contínuo até os dias atuais. Além disso, estudos sobre controle ótimo, conduzidos por L.S. Pontryagin e R. Bellman, e sobre controle robusto, também contribuíram para o aprimoramento do método de domínio do tempo. Uma das principais distinções entre o controle moderno e o controle clássico reside na consideração de sistemas multivariáveis, que possuem múltiplas entradas e saídas, e que podem ser variantes ou invariantes no tempo. Enquanto no controle clássico a abordagem geralmente envolve um sistema com uma única entrada e uma única saída, e tende a ser invariante no tempo. Conforme afirmado por Nise (2012), um sistema de controle é composto por subsistemas e processos (ou plantas) desenvolvidos com a finalidade de alcançar uma saída desejada com um desempenho desejado, considerando uma entrada específica. Um sistema pode ser ilustrado pelo diagrama de blocos mostrado na Figura 4. CONTROLE CLÁSSICO E MODERNO2 TÓPICO CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 36 FIGURA 4: DIAGRAMA DE BLOCOS DE UM SISTEMA DE CONTROLE Fonte: Adaptado de Nise (2012) Portanto, conforme indicado por Ogata (2010), é crucial ter uma compreensão clara de certos princípios fundamentais relacionados aos sistemas de controle para conduzir uma análise ou até mesmo o controle de um sistema. Abaixo estão os princípios essenciais: • Processo: evolução caracterizada por uma sequência de alterações graduais que ocorrem de maneira relativamente estável, progredindo em direção a um resultado ou objetivo específico. • Sistemas: constituem-se de elementos que trabalham em conjunto para alcançar um determinado propósito. • Plantas: podem ser um componente de um dispositivo ou até mesmo um conjunto de elementos de um equipamento que operam de forma integrada para realizar uma função específica. • Variável controlada: é a grandeza ou condição que é monitorada e controlada, geralmente representando a saída do sistema. • Variável manipulada: é a grandeza ou condição que é ajustada pelo controlador, influenciando o valor da variável controlada. • Distúrbios: são sinais que têm o potencial de afetar negativamente o valor da variável de saída de um sistema. Se originam dentro do sistema, são denominados distúrbios internos, enquanto os gerados externamente são chamados distúrbios externos, comportando-se como sinais de entrada para o sistema. • Controle: envolve a medição da variável controlada do sistema e a aplicação de um sinal de controle para corrigir ou limitar desvios do valor medido em relação a um valor desejado. • Controle com realimentação: refere-se a uma operação na qual, na presença de distúrbios, busca-se reduzir a discrepância entre a saída do sistema e uma entrada de referência, atuando com base nessa discrepância. Após a definição desses conceitos, são estabelecidas as duas principais configurações dos sistemas de controle: malha fechada e malha aberta. • Malha Fechada: nesse tipo de sistema de controle, o sinal de erro atuante é a diferença entre o sinal de entrada e o sinal de realimentação (que pode ser a própria saída). CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 37 Assim, o feedback do controlador é empregado para minimizar o erro e ajustar a saída do sistema para o valor desejado, conforme ilustrado na Figura 5 (OGATA, 2010). FIGURA 5: DIAGRAMA DE BLOCOS DE SISTEMA DE CONTROLE EM MALHA FECHADA Fonte: Adaptado de Nise (2012) • Malha Aberta: em um sistema de controle em malha aberta, a saída não é medida nem retroalimentada para comparação com a entrada (OGATA, 2010), conforme ilustrado na Figura 6. Ele começa com um subsistema denominado transdutor de entrada, responsável por converter a forma de entrada para aquela utilizada pelo controlador. O controlador então atua sobre um processo ou planta. A entrada é algumas vezes chamada de referência, enquanto a saída pode ser referida como variável controlada. Outros sinais, como perturbações, são mostrados sendo adicionados às saídas do controlador e do processo por meio de junções de soma, que fornecem a soma algébrica dos sinais de entrada associados (NISE, 2012). FIGURA 6: DIAGRAMA DE BLOCOS DE SISTEMA DE CONTROLE EM MALHA ABERTA Fonte: Adaptado de Nise (2012) 2.1 Identificação de sistemas A identificação de sistemas envolve determinar um modelo matemático que represente os aspectos essenciais do sistema, manipulando os sinais de entrada e saída, os quais estão relacionados por meio de uma função de transferência contínua ou discreta. Conforme Aguirre (2007), a modelagem matemática é definida como a disciplina que estuda métodos para construir e implementar modelos (matemáticos) de sistemas reais, sendo crucial que o modelador matemático compreenda que o modelo desenvolvidopara um sistema específico é apenas uma representação aproximada de algumas de suas características. CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 38 Uma vez obtido o modelo matemático de um sistema, diversas ferramentas analíticas e computacionais podem ser empregadas para análise e síntese. Para analisar a resposta transitória ou em frequência de um sistema linear, invariante no tempo, com entrada e saída únicas, a representação pela função de transferência pode ser mais conveniente do que qualquer outra (OGATA, 2010). De acordo com Coelho e Coelho (2004), o modelo matemático resultante é uma forma de compreender a relação entre os sinais de entrada e saída, que é manifestada no processo físico pela função de transferência. Portanto, na tarefa de identificação, existem vários métodos para gerar o sinal de entrada, medir a saída e armazenar os dados. A Figura 7 apresenta a estrutura básica de um processo de identificação. FIGURA 7: PROCEDIMENTO PARA IDENTIFICAÇÃO DE PROCESSOS. Fonte: Coelho e Coelho (2004) A proposta da identificação de sistemas é alcançar um modelo matemático que aproxime a relação de causa e efeito presente nos dados. Assim, as etapas fundamentais de um problema de identificação, conforme Aguirre (2007), são as seguintes: • Identificação por teste de resposta ao degrau: este teste, por sua natureza, não permite a estimação de modelos de ordem superior, devido à composição de frequências limitada do sinal degrau. Utilizando a curva de resposta do processo, diversas técnicas gráficas, numéricas ou computacionais podem ser aplicadas para modelar o sistema por meio de funções de transferência de primeira e segunda ordem. • Identificação por teste de resposta em frequência: neste método, o sistema é excitado por uma entrada harmônica (sinal senoidal). Com base nas curvas de magnitude e fase, é possível identificar as frequências de corte (avaliando a influência dos zeros e polos) e, consequentemente, a função de transferência. • Testes dinâmicos e coleta de dados: como a identificação visa obter modelos a partir de dados, é imprescindível gerar tais dados. CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 39 • Escolha da representação matemática: em problemas de identificação determinística, são empregadas funções de transferência em tempo contínuo. • Determinação da estrutura do modelo: para modelos lineares, a escolha da estrutura se concentra essencialmente no número de polos e zeros, além da determinação do atraso puro de tempo. • Estimação de parâmetros: esta etapa inicia com a seleção do algoritmo a ser empregado. • Validação do modelo: após obter uma família de modelos, é crucial verificar se eles incorporam ou não as características de interesse do sistema original. A identificação de sistemas explora abordagens alternativas de modelagem matemática. Nestas abordagens, os tipos de modelos e os requisitos são notavelmente diferentes dos usados na modelagem baseada na natureza do processo. Além disso, a identificação de sistemas geralmente é preferível devido à sua exigência de pouco ou nenhum conhecimento prévio do sistema (Aguirre, 2007). Para processos industriais, é possível obter dados para o desenvolvimento de modelos matemáticos por meio de experimentos, como procedimentos estatísticos e filtragem de dados. O modelo final é expresso pela função de transferência, que representa o entendimento da relação entre os sinais de entrada e saída (Coelho & Coelho, 2004). 2.2 Diagrama de Blocos e Sistemas de controle Diagrama de blocos é uma forma de representar a inter-relação de cada componente de um circuito. Neste tipo de diagrama, todas as variáveis do sistema são ligadas umas às outras por meio de blocos funcionais. Normalmente, dentro dos blocos, encontra-se a função de transferência, que representa a relação matemática entre a entrada e a saída do sistema. Por sua vez, os blocos são conectados por setas, indicando a direção do fluxo do sinal. A Figura 9 ilustra a forma de representar um elemento no diagrama de blocos. FIGURA 9: REPRESENTAÇÃO DE UM ELEMENTO NO DIAGRAMA DE BLOCOS Fonte: O autor (2024) A seta que aponta para o bloco representa a entrada do fluxo, ao passo que a que aponta para fora do bloco representa a saída. Essas setas são designadas como sinais. Uma das vantagens de trabalhar com esse tipo de representação é que, de modo geral, CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 40 facilita a leitura do fluxo de sinal de um circuito. Essa representação possibilita a avaliação da função de cada componente para o desempenho global do sistema. Os diagramas de blocos podem ser arranjados tanto em malha aberta quanto em malha fechada. No arranjo em malha aberta, ilustrado na Figura 10, o sinal de saída não tem efeito na ação de controle. Dessa forma, o sinal não é medido e nem há realimentação. FIGURA 10: SISTEMA DE CONTROLE EM MALHA ABERTA Fonte: O autor (2024) Para Gomes (2000), utiliza-se o termo controle para expressar a ideia de comando ou regulação. No arranjo em malha fechada, o sinal de saída possui efeito direto no sinal de controle. Neste tipo de sistema, a realimentação é utilizada para enviar o sinal de erro de volta para o controlador, e, deste modo, eliminá-lo. A Figura 11 ilustra o caso geral de um sistema de controle em malha fechada. A saída \( s \) é medida e comparada com o valor desejado, indicado através da referência \( r \). Em seguida, há o processamento dos dados através do controlador e a definição da ação do sinal de controle \( a \). As técnicas de controle são utilizadas na busca de estabilidade de uma ou mais variáveis dentro de uma determinada planta. FIGURA 11: SISTEMA DE CONTROLE EM MALHA FECHADA Fonte: O autor (2024) Um sistema de controle pode ser descrito como uma combinação de componentes conectados ou relacionados afim de se autorregular, ou regular um sistema nas redondezas. Este circuito é empregado na regulação de variáveis como temperatura, pressão e vazão (Aguierre 2007). Segundo Moraes (2001), um sistema tem como função processar um conjunto de dados na entrada e modificá-lo, gerando um novo conjunto de dados na saída. O termo “planta” é empregado para se referir ao sistema que será o objeto de ação do controlador. As variáveis a serem controladas estão presentes nesta parte do processo. A saída do sistema, representada por \( s \), é medida pelo componente Sensor. CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 41 Em seguida, esse valor é comparado com a entrada no ponto de soma. A comparação entre a saída e o valor de referência é chamada de Erro, representado por e. Matematicamente o erro pode ser expresso como: e = r - s (1) 2.3 Tipos de controles Segundo Aguierre (2007), as técnicas de controle podem ser classificadas em dois grandes grupos. O primeiro grupo é o de controle clássico, composto pelos seguintes controladores: controle liga-desliga (On-Off), controle auto-operado, controle proporcional, controle integrativo, controle proporcional integral derivativo, avanço de fase, atraso de fase e avanço e atraso de fase. O segundo grupo, denominado de controle moderno, engloba os seguintes dispositivos: controle multivariável, controle adaptativo, controle ótimo, controle não linear, controle preditivo, controle robusto e controle inteligente. Cada um dos controles citados possui características que os tornam mais precisos para determinados tipos de situação. Neste trabalho, as simulações realizadas foram com os controles On-Off, proporcional, proporcional derivativo, proporcional integral e proporcional integral derivativo. Outros tipos de controles não foram testados, pois o software utilizado não contempla tais ferramentas. 2.3.1 Controlador On-off Esta é a técnica mais barata e a mais simples de implementação. O controlador On-Off trabalha como uma chave, ligando e desligando o dispositivo responsável pela ação a ser controlada. O parâmetro deste controlador é o valor da temperaturafornecido pelo sensor. Dessa forma, o controlador On-Off trabalha ligando e desligando a fonte, mantendo a saída no valor determinado pelo setpoint. Neste dispositivo, o sinal a(t) do controlador on-off pode assumir apenas dois valores (ligado ou desligado) conforme a leitura do erro. Dessa forma, tem-se que: Um exemplo clássico da aplicabilidade deste controlador está no Ar condicionado e nas geladeiras. Quando a temperatura está acima do setpoint, o controle liga o motor, fazendo com que a temperatura abaixe novamente. Quando atingido o setpoint, o motor desliga. O sinal do controlador on-off está ilustrado na Figura 12. Esta técnica é geralmente utilizada quando o sistema permite uma resposta com pequenas oscilações em torno do setpoint. CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 42 FIGURA 12: SINAL DE SAÍDA DO CONTROLADOR ON-OFF Fonte: Bertulucci (2016) 2.3.2 Controlador Proporcional – P Neste controlador, a saída a(t), comumente chamada de sinal de controle, é diretamente proporcional ao erro e(t). Matematicamente tem-se: Adiciona-se a constante Kp, conhecida como ganho proporcional, com o intuito de remover o sinal de proporcionalidade entre as duas variáveis. Dessa forma, um controlador proporcional geral terá a seguinte equação característica para o sinal de controle: Esta ação não interfere na forma do sinal de entrada do controlador; apenas introduz um fator de escalamento (amplificação ou redução) no valor a ser aplicado na entrada da planta. Através da Equação 4, vê-se que um controlador proporcional é essencialmente um amplificador com ganho ajustável. O controlador proporcional deve responder à mudança de temperatura antes que ela saia da faixa desejada. De modo geral, os controles proporcionais aumentam ou diminuem a fonte de energia à medida que a temperatura atinge seu limite superior, inferior ou setpoint (Bertulucci, 2016). 2.3.3 Controlador Proporcional Derivativo – PD O sinal gerado por um controlador proporcional derivativo, como o nome sugere, é proporcional ao erro e à sua taxa de variação. Pelo fato de o sinal ser proporcional à taxa de variação do erro, o modo derivativo não poderá ser usado sozinho, uma vez que só responde a regimes transientes. A ação derivativa, quando combinada com a ação proporcional, tem a função de “antecipar” a ação de controle a fim de que o processo reaja mais rápido. Esta ação preditiva CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 43 tende a aumentar a estabilidade relativa do sistema e a tornar a resposta transitória do mesmo mais rápida (Gomes, 2000). A Equação (5) caracteriza a fórmula geral do sinal de um controle PD. Nessa expressão, Kd representa a constante derivativa que é dado por: Kd = Kp . Td. 2.3.4 Controlador proporcional integral – PI Assim como o controlador PD, o controlador PI tem duas componentes em sua ação de controle. Ou seja, esta técnica gera uma saída proporcional ao erro (P) e proporcional à integral do erro (I). A Equação (6) representa a forma característica do sinal de controle, que é expressa pela soma do sinal de controle proporcional e integra. Ki representa a constante integral e pode ser expressa como: Ki = Kp/Ti A Figura 13 representa as curvas de resposta em malha fechada de um controlador PI, para um valor constante de ganho proporcional (Kp), variando-se o tempo integral Ti. Quando o valor de Ti é grande, a aproximação da variável em relação ao ponto de ajuste é lenta. Quando Ti é pequeno, a variável oscila e demora a estabilizar. O ajuste ideal do valor de Ti é, na verdade, aquele que elimina o erro no menor tempo possível (Junior 2006). FIGURA 13: RESPOSTA DE UM CONTROLADOR PI Fonte: Junior (2006) 2.3.5 Controlador proporcional integral derivativo – PID A técnica de controle PID combina o controle proporcional com o controle integral e derivativo. Sendo assim, o PID permite que o sistema opere dentro de uma faixa proporcional CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 http://www.citisystems.com.br/controle-pid/ 44 da mesma forma que um controle proporcional faz, mas com duas características adicionadas que podem melhorar a estabilização da variável de controle. A ação integral está diretamente ligada à precisão do sistema, sendo responsável pelo erro nulo em regime permanente. O efeito desestabilizador do controlador PI é contrabalançado pela ação derivativa que tende a aumentar a estabilidade relativa do sistema ao mesmo tempo que torna a resposta do sistema mais rápida devido ao seu efeito antecipatório (Gomes, 2000). A Equação (7) representa o sinal do controle PID, dado pela soma do sinal dos controles proporcional, integral e derivativo. O controlador PID possui algumas características gerais que o possibilitam atingir o objetivo desejado, tais como: mínima sobre elevação ou overshoot, erro nulo em regime permanente e desempenho transitório adequado (SARAIVA, 2011). A resposta esperada para um controlador PID está ilustrado na Figura 14. FIGURA 14: RESPOSTA PARA UM CONTROLADOR PID Fonte: Saraiva (2011) Sendo o overshoot o valor da saída que ultrapasse o valor da referência. O máximo sobrepasso é definido como a máxima diferença entre a saída e a entrada durante o período transitório, ou seja, o valor de pico máximo atingido pela resposta. O overshoot é expresso como uma porcentagem do valor final. CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 45 “A primeira regra de qualquer tecnologia utilizada nos negócios é que a automação aplicada a uma operação eficiente aumentará a eficiência. A segunda é que a automação aplicada a uma operação ineficiente aumentará a ineficiência.” Autor: Bill Gates. Disponível: GATES, B. A Estrada do Futuro. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. REFLITA A administração da produção trata da maneira pela qual as organizações produzem bens e serviços. O sistema Toyota de produção (Lean Manufacturing) tem revolucionado este modelo de gestão, acarretando resultados expressivos em ambientes industriais. O artigo “Lean Manufacturing em Associação à Automação Industrial: Estudo de Caso Aplicado à Indústria Moveleira” apresenta a aplicação da ferramenta Lean Manufacturing chamada Mapa de Fluxo de Valor, mostrando o estado atual e o estado futuro, em uma indústria moveleira. São mostrados também os procedimentos utilizados para a elaboração do Mapa de Fluxo de Valor atual e futuro, as modificações feitas no processo produtivo, os benefícios alcançados, as oportunidades de melhoria, bem como a redução do Lead Time no processo produtivo. Notam-se valores expressivos de redução de estoques e do lead time, conforme apresentado neste trabalho. Para saber mais, acesse: https://www.revistaespacios.com/a17v38n17/a17v38n17p24.pdf SAIBA MAIS CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 https://www.revistaespacios.com/a17v38n17/a17v38n17p24.pdf 46 Compreendemos, ao longo deste capítulo, a evolução e os fundamentos da teoria de controle de sistemas dinâmicos, desde os primórdios das aplicações simples até os avançados sistemas modernos. Desde o controle dos portões de Heron de Alexandria até os sofisticados sistemas de controle automático utilizados em mísseis e satélites, a busca por agir sobre algo para alcançar um objetivo tem sido constante. Analisamos a distinção entre malha aberta e malha fechada, reconhecendo as características únicas de cada arranjo e as implicações práticas de sua implementação. Da mesma forma, exploramos a importância da identificação de sistemas na construção de modelos matemáticos precisos, permitindo-nos compreender e controlar efetivamente os sistemas dinâmicos. Os diagramas de blocos emergem como uma ferramenta valiosa para representar e analisar a inter-relação dos componentes de um sistema de controle, proporcionando uma visão clara do fluxo de sinal e facilitando a avaliação do desempenho global do sistema. Por fim, reconhecemos que a teoria de controle é uma área vasta e em constante evolução, com aplicações em uma ampla gamade sistemas dinâmicos. Ao dominar os conceitos fundamentais apresentados neste capítulo, estamos preparados para enfrentar os desafios e explorar as oportunidades que surgem no emocionante campo do controle de sistemas. Que este conhecimento nos guie na busca por soluções inovadoras e eficazes, contribuindo para o avanço da engenharia e da tecnologia. CONSIDERAÇÕES FINAIS CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 LEITURA COMPLEMENTAR 47 Olá, caro (a) estudante! Chegamos ao fim de mais uma unidade. Aqui, deixo a indicação de um e artigo que oferece uma visão geral das características básicas da automação industrial, destacando sua evolução, componentes e tendências. Além disso, aborda os impactos dessa revolução tecnológica, que impulsiona a produtividade, mas também pode resultar em desemprego. Explora a diferença entre mecanização e automação, a importância da instrumentação, os controladores lógicos programáveis e os sistemas de supervisão e controle de processos. Também discute as tendências futuras, como o uso de redes para automação e o protocolo Fieldbus Foundation como um possível padrão emergente. Acesse para ler na íntegra: https://abre.ai/jRnr CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 https://abre.ai/jRnr 48 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: Apollo 13 • Ano: 1995. • Sinopse: Três astronautas americanos a caminho de uma missão na Lua sobrevivem a uma explosão, mas precisam retornar rapidamente à Terra para poderem sobreviver, pois correm o risco de ficarem sem oxigênio. Além disto, existe o risco de, mesmo retornando, a nave ficar seriamente danificada, por não suportar o imenso calor na reentrada da órbita terrestre. LIVRO • Título: Introdução ao Controle de Processos • Autor: Julio Elias Normey-Rico, Marcelo Menezes Morato, Maurício Katayama. • Editora: Blucher. • Sinopse: Neste livro, os elementos básicos da teoria de controle de processos são discutidos com uma abordagem voltada para iniciantes. Todas as análises são desenvolvidas integralmente no domínio do tempo, podendo ser compreendidas apenas com conhecimentos prévios básicos de física e cálculo. As principais estratégias de controle usadas na prática industrial são detalhadas neste livro: controle on-off, P, PI e PID. Aspectos práticos relacionados à implementação dessas técnicas também são detalhados, como a presença de perturbações, o ruído de medição e a saturação dos atuadores. Todas as etapas necessárias para o projeto de um sistema de controle básico são discutidas, desde a análise dos dados experimentais até a síntese da lei de controle e sua respectiva implementação em malha fechada. O livro também dispõe de diversos exercícios, problemas resolvidos e atividades propostas, além de roteiros para ensaios práticos que podem ser desenvolvidos em um kit experimental de baixo custo, proposto como uma plataforma prática de validação de técnicas de controle para iniciantes. CONTROLE CLÁSSICO E MODERNOUNIDADE 2 Professor Me. Lucas Delapria Dias dos Santos SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEM3UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 50 Plano de Estudos • Modelos e Simulações. • Simulações de Sistemas. Objetivos da Aprendizagem • Conhecer modelos físicos e matemáticos para simulações. • Distinguir as classificações dos modelos matemáticas. • Trabalhar com simulações de sistemas P, PI e PID. SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 51 A crescente complexidade dos sistemas atuais desafia a compreensão detalhada de seus funcionamentos e interações entre seus componentes. Nesse contexto, a simulação emerge como uma ferramenta crucial, permitindo a análise e avaliação de sistemas por meio de modelos simplificados que replicam o mundo real. A simulação é especialmente útil no projeto de sistemas ainda não construídos, possibilitando a otimização prévia e a análise de condições operacionais diversas, inclusive cenários extremos. Além disso, é uma alternativa viável quando experimentar com o sistema real é impraticável ou arriscado, como em testes de capacidade máxima. Também é valiosa para ajustar a escala temporal de processos lentos e para treinamento virtual. Embora poderosa, a simulação enfrenta limitações, incluindo a precisão da modelagem, custo e complexidade no desenvolvimento de modelos, e a dependência dos estímulos conhecidos do sistema. Os modelos de simulação podem ser classificados em várias categorias, incluindo modelos físicos, matemáticos, lógicos e de sistemas discretos. Cada tipo de modelo apresenta características distintas e aplicações específicas, que veremos ao longo desta unidade. Vamos lá?! INTRODUÇÃO SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 52 A simulação, ou processo de simular, envolve a análise de um sistema por meio de um modelo simplificado que replica o sistema real, com o propósito de compreender seu funcionamento e avaliar seu desempenho. À medida que os sistemas atuais se tornam mais complexos, torna-se cada vez mais desafiador analisar todos os seus detalhes e, especialmente, a interação entre seus vários componentes. Nesse contexto, a simulação emerge como uma ferramenta extremamente vantajosa para o projeto de sistemas de controle, pois permite avaliar o sistema antes de sua construção e analisar suas condições de operação em uma ampla gama de situações, incluindo simulações de cenários extremos onde uma planta real poderia sofrer danos. Quando recorrer à simulação? • No projeto de sistemas que ainda não foram construídos, possibilitando otimizar o sistema antes de sua implementação. • Quando experimentar com o sistema real é inviável ou indesejável, como testar o comportamento em seu limite de capacidade ou além dele, o que poderia danificar o sistema real. • Na compressão ou expansão da escala de tempo, em processos excessivamente lentos que demandariam longos períodos de testes práticos. • Na avaliação do desempenho de sistemas, permitindo verificar se eles podem alcançar os objetivos esperados. • No treinamento e na instrução, permitindo a operação virtual dos sistemas. MODELOS E SIMULAÇÕES1 TÓPICO SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 53SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 • Limitações da simulação: ◦ Precisão e qualidade da modelagem: a simulação geralmente se baseia em um modelo simplificado do sistema, o qual, se não for elaborado com precisão suficiente, pode levar a resultados incorretos. ◦ O desenvolvimento de bons modelos pode ser caro e demorado, exigindo pessoal altamente especializado. Empresas especializadas em modelagem e simulação de processos são frequentemente contratadas para fornecer esse tipo de serviço. ◦ Os resultados dependem dos estímulos, então as variáveis de entrada do sistema devem ser completamente conhecidas. Por definição, a simulação é realizada por meio de modelos do sistema, os quais podem ser classificados como: • Modelos físicos; • Modelos matemáticos; • Modelos lógicos; • Modelos de sistemas discretos; • Modelos computacionais. 1.1 Modelos físicos O modelo físico representa um protótipo do sistema a ser investigado, frequentemente com dimensões diferentes do original, mas mantendo relações físicas conhecidas com o modelo real. Exemplos incluem maquetes de edifícios, veículos em escala para experimentos em túneis de vento e pequenas plantas de processamento químico que reproduzem grandes instalações industriais. Ao desenvolver modelos físicos, é crucial considerar alguns conceitos importantes: • Similaridade: consiste em manter uma correspondência entre as grandezas do modelo físico e do sistema real, seguindo um escalonamento apropriado. • Escalonamento: envolve a redução dos parâmetros de um modelo, geralmente seguindo critérios geométricos, cinemáticos ou dinâmicos entre as variáveis independentes. • Análise dimensional: examina os grupos de parâmetros que afetam o comportamento de um sistema e seu modelo, permitindo estudar o efeito da variação das relações físicas no modelo nosfenômenos em estudo. Por meio da análise dimensional, é possível determinar o escalonamento adequado para o modelo, mantendo a similaridade desejada com o sistema real. 54SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 1.2 Modelos matemáticos Trata-se de um modelo abstrato cujas características são representadas por meio de símbolos matemáticos e suas relações. Ao elaborar modelos matemáticos, é crucial examinar algumas propriedades fundamentais desses sistemas, as quais têm implicações distintas no tipo de modelo. Com base nisso, os modelos matemáticos podem ser categorizados principalmente da seguinte maneira: 1.2.1 Linear ou não linear Os sistemas lineares são caracterizados pela saída do sistema que mantém uma relação proporcional com o valor da entrada. Por outro lado, nos sistemas não lineares, essa relação direta pode estar ausente ou pode sofrer alterações em determinados momentos. Nos exemplos ilustrados na Figura 1, encontramos um sistema massa-mola linear e um sistema massa-mola no qual a mola apresenta dois estágios, resultando em um sistema não linear. FIGURA 1: SISTEMA LINEAR E SISTEMA NÃO LINEAR Fonte: Adaptado de Capelli (2004) 1.2.2 Concentrado ou distribuído Os sistemas são designados como concentrados quando as variáveis podem ser examinadas de forma isolada, como se estivessem reunidas em um único ponto. Por outro lado, em sistemas distribuídos, é necessário analisar as variáveis levando em conta sua distribuição no espaço, o que acrescenta uma complexidade significativa à modelagem. No exemplo apresentado na Figura 2, observamos um sistema concentrado, onde toda a massa do sistema é considerada reunida na esfera, e um sistema distribuído, no qual a massa está espalhada ao longo da própria mola. 55SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 FIGURA 2: SISTEMA COM PARÂMETROS CONCENTRADOS (SISTEMA A) E SISTEMA COM PARÂMETROS DISTRIBUÍDOS (SISTEMA B) Fonte: Adaptado de Capelli (2004) 1.2.3 Estacionário ou não estacionário Se os atributos de um sistema sofrem mudanças ao longo do tempo (por exemplo, a massa de um foguete), o sistema é categorizado como não estacionário ou variável no tempo; do contrário, é denominado estacionário ou invariável no tempo. Observe a Figura 3: FIGURA 3: SISTEMA ESTACIONÁRIO E SISTEMA NÃO ESTACIONÁRIO Fonte: Adaptado de Capelli (2004) 1.2.4 Determinístico ou aleatório Se as grandezas são claramente definidas em cada momento, seja com um pulso ou uma onda senoidal, o sistema é considerado determinístico. Se o valor de cada grandeza é estabelecido em uma abordagem probabilística, o sistema é categorizado como aleatório. Consulte a Figura 4: 56SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 FIGURA 4: SISTEMA DETERMINÍSTICO E SISTEMA ALEATÓRIOS Fonte: Adaptado de Capelli (2004) 1.2.5 Contínuo ou amostrado Geralmente, as grandezas experimentam mudanças contínuas ao longo do tempo, resultando em um sistema classificado como contínuo. No entanto, essas grandezas podem ser intermitentes ou amostradas, levando o sistema a ser considerado amostrado (NISE, 2012). Quando o sistema é controlado digitalmente ou em simulações computacionais, os modelos amostrados são predominantemente empregados. FIGURA 5: DADOS CONTÍNUOS E DADOS AMOSTRADOS Fonte: Adaptado de Capelli (2004) 1.3 Representação de modelos matemáticos De acordo com a representação, os modelos matemáticos podem ser classificados em: • Equações: as expressões matemáticas que descrevem o modelo podem ser categorizadas com base nos mesmos critérios usados para classificar os sistemas: lineares ou não lineares, equações ordinárias ou parciais (envolvendo parâmetros concentrados ou distribuídos), com parâmetros variáveis ou constantes no tempo, 57SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 determinísticas ou estocásticas, e contínuas ou discretas no tempo (através de diferenças finitas) (NISE, 2012). • Tabelas: quando enfrentamos consideráveis desafios para deduzir conexões algébricas entre os dados que desejamos modelar, a utilização de tabelas matemáticas para representação torna-se crucial. Isso é particularmente comum em sistemas não lineares com mais de duas dimensões, como no modelamento de motores e no desempenho de aeronaves (NISE, 2012). • Gráficos: os recursos visuais são fundamentais para compreender a organização dos sistemas e englobam as seguintes classificações: • Gráfico da função: apesar de possuirmos o conhecimento da expressão matemática que descreve uma relação, é viável trocá-la por sua representação visual, visando facilitar a interpretação do usuário ou economizar tempo de processamento ao implementar esse modelo em um computador (NISE, 2012). • Diagramas de blocos: é uma das maneiras que tornam a compreensão de sistemas complexos mais acessível. Existem procedimentos que nos possibilitam determinar uma função de transferência global a partir das funções de transferência mais básicas de blocos individuais. Considere a Figura 6, que ilustra o diagrama de blocos de um sistema (NISE, 2012). FIGURA 6: DIAGRAMA DE BLOCOS DE UM SISTEMA Fonte: Adaptado de Capelli (2004) Existe uma representação similar àquela feita por diagramas de blocos, contudo, fundamentada no fluxo de sinais pelo sistema. Ela também oferece uma lógica para a composição das relações do sistema. Entretanto, é consideravelmente menos empregada do que a representação por diagramas de blocos, pois é menos intuitiva e suas operações são mais elaboradas. 58SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 1.4 Modelos lógicos De acordo com Ogata (2015), a álgebra booleana, concebida por Robert Boole no século XIX, é utilizada em circuitos comutadores, fornecendo um arcabouço teórico para lidar com variáveis que possuem apenas dois valores (0 ou 1). Os modelos lógicos podem ser expressos por meio de diferentes representações: • Álgebra booleana: as relações entre as variáveis do sistema são descritas por equações lógicas ou booleanas. • Tabelas lógicas: as relações entre as variáveis do sistema são ilustradas por mapas de Karnaugh. • Gráficos lógicos: as interações entre as variáveis do sistema são mostradas em gráficos, onde portas lógicas representam as operações fundamentais NOR, OR e AND. • Máquinas de estado: é uma representação visual da dinâmica de um sistema lógico, no qual as variáveis possuem um número limitado de estados. 1.5 Modelos de sistemas discretos e computacionais Os sistemas discretos baseados em eventos são aqueles em que as variáveis de estado sofrem mudanças apenas em momentos específicos do tempo. Esse cenário é comum em sistemas representados por modelos lógicos. No entanto, por ser uma área de conhecimento vasta e bem definida, com sua própria bibliografia e terminologia, uma distinção didática é estabelecida. Já os modelos computacionais podem ser resumidos como sendo a conversão dos modelos matemáticos ou lógicos para linguagem computacional. As linguagens e tecnologias disponíveis atualmente possibilitam a tradução automática e praticamente transparente dos modelos matemáticos para modelos computacionais. No entanto, é importante ressaltar que todo modelo computacional é, essencialmente, um modelo lógico, já que os computadores digitais operam com base na lógica binária (OGATA, 2015). Em certos casos, podem surgir diferenças significativas entre esses modelos, o que pode resultar em erros graves nos resultados obtidos se os parâmetros de simulação não forem configurados corretamente. Por exemplo, em um modelo computacional com um intervalo de integração de 1 segundo, o modelo matemático é calculado pelo computador a cada segundo. Nesse cenário, qualquer mudança no sistema que ocorra mais rapidamente do que esse intervalo não será considerado, o que pode levar a erros no resultado final (OGATA, 2015). 59 Nesta aula, exploraremos diversos softwares comerciais de simulação e suas características, além de utilizar um sistema de simulação baseado em planilhas de cálculopara analisar o funcionamento e as respostas de um sistema de controle de temperatura de um forno, quando controlado por sistemas on-off e PID. Como discutido na aula anterior, existem inúmeras abordagens para a modelagem e simulação de sistemas. A escolha do método de modelagem a ser adotado depende principalmente da natureza do sistema em questão (OGATA, 2015). A simulação de um sistema contínuo geralmente envolve modelagem matemática, utilizando blocos de funções para representar as variáveis e suas interações. Pode-se optar também pela modelagem direta em forma de equações matemáticas, solucionando o problema de maneira analítica, ou pela discretização, empregando métodos numéricos. Por outro lado, a simulação de uma linha de produção ou montagem requer a utilização de modelos lógicos discretos, para os quais são necessários softwares específicos para resolução. Nesse contexto, uma variedade de softwares está disponível, permitindo a modelagem direta do problema de forma gráfica na interface do usuário (OGATA, 2015). SIMULAÇÃO DE SISTEMAS2 TÓPICO SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 60SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 QUATRO 1: EXEMPLOS DE SOFTWARE PARA SIMULAÇÃO Fonte: O autor (2024) 2.1 Simulação de um controle on-off O ponto inicial para conduzir uma simulação consiste em examinar o sistema, compreendendo seu funcionamento e elaborando o modelo simplificado que será empregado. Na Figura 7, temos a representação do nosso sistema. FIGURA 7: SIMULAÇÃO DE UM CONTROLE ON-OFF Fonte: Adaptado de Capelli (2004) • Qentrada = Calor fornecido pela chama, com potência constante; • Qsaída = Calor perdido do forno para o ambiente; • T = Temperatura medida pelo sensor; 61SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 • M = motor que controla a abertura da válvula de gás, neste caso apenas com • duas posições: aberto e fechado. Observamos que nossa variável controlada corresponderá à temperatura do forno, enquanto nossa variável manipulada será a abertura da válvula de gás, que, neste cenário, terá apenas duas posições: aberta e fechada (naturalmente, supondo que o queimador esteja equipado com um sistema de ignição automática). Portanto, a modelagem do sistema se resume a apenas duas condições lógicas. • Se T < (Setpoint - Histerese) Abre a válvula. • Se T > (Setpoint + Histerese) Fecha a válvula. Exemplo: • Setpoint = 100ºC • Histerese = 5ºC ◦ Se T < 95ºC → Liga o aquecedor. ◦ Se T > 105ºC → Desliga o aquecedor. Ao inserir esses dados na planilha, conseguimos analisar o desempenho do sistema por meio dos gráficos de temperatura (representados em azul) e de operação da válvula (indicados em vermelho), conforme ilustrado na Figura 8. FIGURA 8: SIMULAÇÃO DO SISTEMA ON-OFF COM HISTERESE DE 5ºC Fonte: Adaptado de Capelli (2004) 62SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 Para examinar o efeito da histerese no controle, podemos simular o sistema ajustando a histerese para 1°C, momento em que observaremos o gráfico conforme mostrado na Figura 9. FIGURA 9: SIMULAÇÃO DO SISTEMA ON-OFF COM HISTERESE DE 1ºC Fonte: Adaptado de Capelli (2004) Ao analisar os gráficos, podemos avaliar o desempenho do sistema em cada uma das configurações. Com um valor elevado de histerese, observamos uma ampla flutuação de temperatura, mas um menor número de ciclos de ativação e desativação. Por outro lado, com uma histerese baixa, a variação de temperatura é reduzida, porém, há um aumento significativo no número de ciclos, o que pode causar desgaste ao sistema, caso não seja projetado para essa operação. Com base nessas informações, podemos determinar a melhor configuração para o sistema ou avaliar sua viabilidade. Se for necessário manter uma variação mínima na temperatura, pode ser mais adequado optar por um sistema de aquecimento elétrico, uma vez que ofereceria uma resposta mais rápida e menor desgaste devido aos ciclos. 2.2 Simulação de um controle PID Na Figura 10 que segue temos a representação do nosso sistema. 63SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 FIGURA 10: SIMULAÇÃO DE UM CONTROLE PID Fonte: Adaptado de Capelli (2004) • Qentrada = Calor fornecido pela chama, proporcional à abertura da válvula de gás; • Qsaída = Calor perdido do forno para o ambiente; • T = Temperatura medida pelo sensor; • Setpoint = Temperatura configurada pelo operador. • P = Ganho proporcional. • I = Ganho integral. • D = Ganho derivativo. Neste sistema, enfrentamos uma modelagem mais intricada. Na prática, o objetivo do controlador é regular o grau de abertura da válvula de gás e, consequentemente, a potência da chama, buscando manter a temperatura o mais próxima possível do valor de referência. A válvula de controle do gás é do tipo proporcional, o que significa que possui um motor capaz de comandar qualquer grau de abertura, variando de 0 (totalmente fechada) a 100% (totalmente aberta). Esse controle é principalmente baseado no ERRO, que corresponde à diferença entre a temperatura atual do forno e a temperatura de referência. Em nossa simulação, esse erro é calculado a cada décimo de segundo, juntamente com os valores derivativos e integrais. Esses dados são então utilizados para ajustar a chama no momento específico. Para avaliar a resposta do sistema, é comum aplicar uma mudança abrupta no valor de referência, conhecida como degrau. Após essa mudança, o controlador tentará rapidamente ajustar a temperatura para o novo valor desejado. Como é conhecido, essa reação do controlador pode ser ajustada por meio dos parâmetros P, I e D. 64SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 2.3 Controle proporcional Quando os parâmetros I e D são ajustados para zero, obtemos um controlador puramente proporcional, conforme ilustrado na Figura 11. FIGURA 11: CONTROLADOR PROPORCIONAL Fonte: Adaptado de Capelli (2004) Conforme esperado, o sistema responde à alteração do setpoint, ajustando a válvula para elevar a temperatura. No entanto, após atingir a estabilidade, persiste um erro, indicando que o valor real não coincide exatamente com o valor definido no setpoint. Ao aumentarmos o ganho proporcional, observamos uma melhoria no tempo de resposta e uma diminuição no erro final, até o ponto em que o sistema começa a oscilar. FIGURA 12: CONTROLADOR PROPORCIONAL INICIANDO A OSCILAÇÃO Fonte: Adaptado de Capelli (2004) 65SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 2.4 Controle proporcional-integral Observamos que o controle proporcional reage rapidamente, porém sempre apresenta um erro residual (offset). Para obter maior precisão, é introduzido um controle integral. FIGURA 13: CONTROLE PI ELIMINANDO O OFF-SET Fonte: Adaptado de Capelli (2004) No entanto, se aumentarmos excessivamente o valor do ganho integral, observaremos uma tendência de ocorrer um pico, no qual a variável controlada ultrapassa o valor do setpoint antes de se estabilizar. Isso é conhecido como overshoot. Na Figura 14, podemos visualizar essa situação em nosso simulador. FIGURA 14: AÇÃO INTEGRAL CAUSANDO OVERSHOOT Fonte: Adaptado de Capelli (2004) 66SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 2.5 Controle proporcional-derivativo A função derivativa visa estabilizar o sistema em caso de mudanças abruptas nas condições de controle. Isso permite o uso de ganhos proporcionais mais elevados, resultando em uma melhoria no tempo de resposta do sistema. FIGURA 15: AÇÃO DERIVATIVA ESTABILIZANDO O SISTEMA (COMPARE COM A FIGURA 8.7) Fonte: Adaptado de Capelli (2004) Entretanto, um coeficiente derivativo excessivamente elevado também induz a instabilidade no sistema. Isso pode ser observado ao aumentar o valor do ganho derivativo na simulação. 2.6 Controle proporcional-integral-derivativo Para alcançar o desempenho ótimo do sistema de controle, geralmente se emprega um sistema que combina as três estratégias de controle, isto é, um controle PID. 67SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 FIGURA 16: SISTEMA COM CONTROLE PID Fonte: Adaptadode Capelli (2004) Na Figura 16, podemos observar a simulação do nosso sistema, empregando um controle PID. O objetivo é sempre alcançar a correção da temperatura da maneira mais rápida possível, minimizando o erro e mantendo a estabilidade. Neste gráfico, é evidente que há um período de transição prolongado devido às oscilações no sistema. Isso indica que o sistema está próximo da instabilidade. Portanto, é necessário aplicar as técnicas de ajuste discutidas anteriormente para ajustar os parâmetros, considerando o impacto de cada um na resposta do sistema. Na Figura 17, podemos observar um exemplo da resposta do sistema com os ajustes otimizados. Sinta- se à vontade para realizar esses testes na planilha. FIGURA 17: CONTROLE PID AJUSTADO PARA UMA RESPOSTA RÁPIDA E ESTÁVEL Fonte: Adaptado de Capelli (2004) 68 O artigo “SINTONIA DE CONTROLADORES P.I.D.” descreve quais as características principais das várias ações de controlo, constitutivas, de um P.I.D., e exemplifica alguns métodos práticos de sintonia e por fim é apresentado um método analítico de sintonia baseado no Root-locus. Para saber mais sobre este método, e sobre sistemas P.I.D., acesse o link a seguir: http:// alvarestech.com/temp/smar/2019/PID-LugarDasRaizes-Matlab-Tutorial.pdf SAIBA MAIS A era da automação teve início quando a humanidade abandonou os métodos manuais de produção em favor da utilização de máquinas. Fonte: O autor (2024) REFLITA SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 Hoje em dia, dispomos de uma ampla gama de softwares de simulação à nossa disposição. A escolha mais adequada para resolver um determinado problema depende principalmente do tipo de modelo selecionado para representar o sistema. Como exemplo de simulação de sistemas de controle, realizamos a simulação do controle de temperatura de um forno. Utilizamos um modelo matemático/computacional que foi resolvido por meio de uma planilha eletrônica. Embora essa simulação seja simples, ela nos permite analisar o sistema de controle em várias condições, desde um sistema on-off até um sistema PID completo. Além disso, permite examinar o impacto da variação de cada um dos controles na resposta do sistema. http://alvarestech.com/temp/smar/2019/PID-LugarDasRaizes-Matlab-Tutorial.pdf http://alvarestech.com/temp/smar/2019/PID-LugarDasRaizes-Matlab-Tutorial.pdf 69 Ao concluir esta unidade, fica claro que a simulação se apresenta como uma ferramenta essencial para lidar com a crescente complexidade dos sistemas atuais. Nosso estudo revelou que a simulação oferece uma maneira eficaz de compreender o funcionamento e as interações entre os componentes de sistemas complexos, fornecendo uma abordagem simplificada, mas representativa, do mundo real. Exploramos as diversas aplicações da simulação, desde o projeto de sistemas ainda não construídos até o treinamento virtual, destacando sua utilidade em situações onde experimentar com o sistema real é impraticável ou arriscado. No entanto, também reconhecemos as limitações da simulação, incluindo desafios relacionados à precisão da modelagem, custo e complexidade no desenvolvimento de modelos, e a dependência dos estímulos conhecidos do sistema. É crucial manter uma compreensão clara dessas limitações ao empregar a simulação como uma ferramenta de análise e avaliação de sistemas. Ao longo desta unidade, exploramos diferentes tipos de modelos de simulação, desde modelos físicos até modelos matemáticos, lógicos e de sistemas discretos. Cada tipo de modelo possui suas características distintas e aplicações específicas, demonstrando a diversidade de abordagens disponíveis para enfrentar os desafios da simulação de sistemas complexos. Por fim, ao avançar para o próximo tópico sobre simulação de sistemas, esperamos aplicar o conhecimento adquirido para explorar diversos softwares comerciais de simulação e suas características, além de utilizar um sistema de simulação baseado em planilhas de cálculo para analisar o funcionamento e as respostas de um sistema de controle de temperatura de um forno. Essa experiência prática nos permitirá aprofundar nossa compreensão da simulação e suas aplicações em contextos específicos de engenharia e controle de sistemas. CONSIDERAÇÕES FINAIS SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 LEITURA COMPLEMENTAR 70 A simulação está sendo cada mais utilizada no ensino das engenharias. Ela permite que o aluno realize testes, modifique parâmetros, visualize inúmeras situações, de modo a obter um ganho em termos de aprendizagem, visto que o mesmo pode, em curto espaço de tempo, trabalhar com inúmeros conceitos ao mesmo tempo. Este artigo visa apresentar um programa computacional interativo para simulação e otimização de controladores PID a ser utilizado nas disciplinas dos cursos de Engenharia Elétrica, Engenharia de Computação e Engenharia de Controle e Automação. Tais controladores têm o uso difundido nas indústrias, sendo muitas vezes problemático fazer a sintonia dos mesmos apenas por tentativa e erro. Para saber mais, acesse o seguinte link: http://www.ilanet.com.br/portal/pub/Ilanet/ CurriculoFabioCamaraAraujoDeCarvalho/cobenPID.pdf SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 http://www.ilanet.com.br/portal/pub/Ilanet/CurriculoFabioCamaraAraujoDeCarvalho/cobenPID.pdf http://www.ilanet.com.br/portal/pub/Ilanet/CurriculoFabioCamaraAraujoDeCarvalho/cobenPID.pdf 71 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: Piratas da Informática • Ano: 1999. • Sinopse: O filme mostra como o co-fundador da Apple, Steve Jobs, e o co-fundador da Microsoft, Bill Gates, mudaram o jeito de as pessoas viverem e se comunicarem com a criação das duas maiores empresas de informática do mundo e seus sistemas operacionais. De acordo com os professores do Instituto Mauá de Tecnologia, o filme utiliza conceitos importantes para engenharia de empreendedorismo – administração, economia e gestão de negócios - para telecomunicações – engenharia eletrônica – para sistemas operacionais , design de sistemas e produto e também para programação – engenharia de computação. LIVRO • Título: Sintonia Automática de Controlador Pid - Método de resposta ao degrau e implementação em Clp • Autor: Marcos Aurelio Dal Magro. • Editora: Dialética. • Sinopse: Este trabalho trata da sintonia automática de controladores do tipo PID (proporcional integral e derivativo) e sua implementação em CLP (controlador lógico programável). São apresentadas, analisadas e simuladas estruturas típicas de controladores PID e as características adicionais necessárias para utilização, na prática. O método de identificação utilizado é baseado na resposta ao degrau de sistemas tipicamente FOPDT (primeira ordem mais tempo morto) e SOPDT (segunda ordem mais tempo morto), com identificação via modelo FOPDT. Várias técnicas de identificação e sintonia são também apresentadas, simuladas e analisadas, optando-se neste trabalho pela implementação prática do método de identificação de Smith e sintonia via método de Chien-Hrones-Reswick. Por fim, são comparados os desempenhos dos métodos de sintonia apresentados via plataforma de programação Codesys. A solução proposta mostrou-se satisfatória dentro das limitações e condições apresentadas, atendendo às expectativas e requisitos esperados. SISTEMAS DINÂMICOS E MODELAGEMUNIDADE 3 Professor Me. Lucas Delapria Dias dos Santos TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOS4UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 73 Plano de Estudos • Automação na indústria. • Microcontroladores. • Controlador lógico programável (CLP). Objetivos da Aprendizagem • Exemplificar a automação na indústria. • Conceituar microcontroladores e seus componentes. • Apresentar o Controlador Lógico Programável. TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 74 Você já parou para pensar sobre como um computador industrial opera? Esses sistemas complexos são projetados para ler uma variedade de sensores, processar dados e executar cálculos, tudoisso enquanto se comunicam em rede e controlam dispositivos físicos. São essenciais para manter as variáveis críticas estáveis em processos industriais, atuando como verdadeiros “cérebros” por trás das operações de produção. Mas como funciona o processo de tomada de decisões em situações tão diversas quanto selecionar um andar em um elevador ou controlar a dosagem de ingredientes em um processo industrial? A resposta está nos dispositivos programáveis, que desempenham um papel fundamental na automação de uma ampla gama de processos. Os dispositivos programáveis estão cada vez mais presentes em nossa vida cotidiana, tornando possível a automação de uma ampla gama de tarefas. Este capítulo é apenas o começo de nossa jornada pelo mundo da automação industrial. Nos próximos capítulos, vamos nos aprofundar em diferentes tipos de dispositivos programáveis e explorar suas aplicações em diversas áreas da indústria moderna. Prepare-se para uma viagem fascinante pelo universo da automação industrial!” INTRODUÇÃO TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 75 Você está familiarizado com o funcionamento de um computador industrial? Esses sistemas são projetados para ler uma variedade de sensores que monitoram diversas variáveis. Eles têm a capacidade de processar esses dados e executar cálculos complexos, além de se comunicar em rede. Além disso, podem controlar dispositivos como motores e válvulas. Esses computadores são fundamentais no controle de processos industriais, atuando como uma espécie de “cérebro” que mantém estáveis as variáveis críticas para a produção dos produtos que desejamos. Você já se perguntou como funciona o processo de seleção de andares quando você entra em um elevador e pressiona o número desejado? Quem está por trás dessa tarefa? Como o elevador pode se mover até o andar desejado e ainda responder aos chamados de outras pessoas ao longo do caminho? E como ele consegue fazer isso suavemente para garantir o conforto dos passageiros? Desde os primórdios da indústria, a necessidade de controlar processos tem sido evidente, mas naquela época, a tecnologia não estava tão avançada quanto hoje, então as ideias sobre controle muitas vezes ficavam apenas no papel. Hoje, podemos contar com plataformas computacionais baseadas em microprocessadores e microcontroladores, que têm a capacidade de interpretar dados de entrada, processá-los rapidamente e acionar dispositivos de saída com eficiência. Seja a trajetória de voo de um avião, a velocidade de um elevador ou a dosagem de ingredientes em um medicamento, tudo é programado. Cada necessidade da indústria é atendida por tecnologias que acionam dispositivos com base em entradas e AUTOMAÇÃO NA INDÚSTRIA1 TÓPICO TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 76TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 comparações com valores predefinidos por software. Tudo isso é viabilizado pelos materiais semicondutores estudados ao longo do século XX, que possibilitaram a fabricação de dispositivos programáveis, memórias, circuitos lógicos e outros periféricos que permitem a comunicação de dados e o controle de processos industriais. Para uma reflexão sobre nossa jornada até aqui, convido você a considerar um exemplo de processo industrial na fabricação de rações para aves, como frangos. Neste processo, a indústria utiliza uma variedade de sensores em diferentes etapas, desde a chegada da matéria-prima até o acompanhamento dos pacotes finais de ração. Esses sensores abrangem diversas tecnologias, incluindo: • Células de carga (sensores piezoelétricos) para medir o peso da mistura, geralmente integradas às balanças nos silos. • Sensores capacitivos para determinar o nível dos reservatórios. • Sensores fotoelétricos para detectar a presença de embalagens durante o processo de empacotamento. • Sensores de temperatura para monitorar as condições térmicas em diferentes áreas do processo, como motores e misturadores. Também existem atuadores que têm a capacidade de acionar os eixos dos trituradores de grãos ou os poderosos misturadores de toneladas de cereais moídos, que se integram aos outros ingredientes. Estes incluem motores elétricos de alimentação trifásica, válvulas, dispositivos de sinalização, servomecanismos, entre outros. A interação entre os sensores e os atuadores depende de uma entidade capaz de interpretar os dados enviados pelos sensores, inseri-los na lógica de programação existente (geralmente programada por um profissional da área de Automação Industrial) e, com base em valores predefinidos, manipular variáveis que afetam diretamente o controle da velocidade dos eixos dos motores, o ângulo de abertura das válvulas ou a posição dos cabeçotes de corte em uma máquina CNC (OGATA, 2015). Agora é hora de nos aprofundarmos: vamos determinar como as entidades de entrada e saída podem interagir com a entidade de controle, realizando uma análise dos tipos de entradas e saídas mencionados neste exemplo, usando uma planilha que relacione cada entrada ou saída com seu tipo (analógico ou digital). Este exercício visa reconhecer as necessidades de hardware de cada controlador em diferentes situações. Mais tarde, essa análise se tornará mais clara quando examinarmos um processo industrial como um todo. Bem-vindo(a) a esta nova etapa de nosso estudo sobre Automação Industrial. Desta vez, vamos abordar um dos tópicos mais aguardados: os dispositivos programáveis. 77TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 A partir desta etapa, vamos explorar alguns dos dispositivos programáveis mais relevantes utilizados na indústria, que podem ser aplicados em processos de pequena, média e grande escala (OGATA, 2015). Você já notou como a qualidade dos serviços e a aparência dos produtos têm melhorado nos últimos anos? Isso ocorre porque nos tornamos mais exigentes. Com a adoção de tecnologias precisas, não toleramos mais atrasos na execução de tarefas ou produtos fabricados sem um rigoroso controle de qualidade (OGATA, 2015). Estamos imersos em um mundo digital, onde o simples pressionar de um botão nos capacita a realizar operações bancárias, pagar contas, ler este livro ou até mesmo enviar mensagens para pessoas distantes, além de compartilhar aquela foto nas redes sociais (OGATA, 2015). Embora todas essas ações façam parte de nossa rotina e sejam apreciadas, é importante destacar que essas tecnologias e facilidades dependem dos dispositivos programáveis. Eles já se integraram tão profundamente em nosso cotidiano que muitas vezes nem percebemos sua presença (OGATA, 2015). Lembra daquela manhã chuvosa e preguiçosa de segunda-feira, quando o despertador persistia em tentar nos acordar, marcando o início de mais um dia de trabalho? Pois é, aquele despertador desagradável, porém essencial, é um dispositivo programável, permitindo-nos configurar o horário desejado para despertar e cumprindo essa função com precisão. Você já utilizou um micro-ondas para aquecer alimentos, certo? Ao definir o tempo e a intensidade de calor, você estava programando o computador embutido no aparelho para executar exatamente essa instrução. O mesmo ocorre quando você programa uma máquina de lavar para realizar a limpeza das roupas, seguindo ciclos específicos dependendo do tipo de tecido. Interessante, não é? Para executar programas ou, como são comumente chamados hoje, “apps” (aplicativos), é necessário o uso de dispositivos de memória, que armazenam e executam o programa, além da unidade de processamento: o microprocessador ou microcontrolador. Esta última é encontrada em nossos smartphones, relógios digitais, máquinas de lavar, entre outros dispositivos. Nesta unidade, exploraremos mais a fundo as tecnologias que tornam possível o funcionamento do mundo digital ao qual estamos habituados. O conceito amplo de dispositivos programáveis não se limita apenas aos dispositivos eletrônicos familiares, mas abrange todosos dispositivos capazes de executar tarefas de acordo com um conjunto específico de regras, seja temporalmente ou sequencialmente determinadas (OGATA, 2015). Ao pressionarmos o botão “liga” de uma máquina de lavar roupas moderna, um sistema complexo é ativado para executar uma sequência de tarefas que resultará em roupas limpas (ou 78TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 pelo menos deveria). Essa sequência, realizada pela máquina de lavar, é essencialmente uma programação que, em máquinas sofisticadas, é armazenada em uma memória eletrônica. Essa memória é semelhante àquela encontrada em um pendrive usado para armazenar arquivos, mas neste caso, ela armazena instruções a serem executadas pelo dispositivo (OGATA, 2015). A presença de dispositivos programáveis está crescendo de forma significativa, possibilitando o acesso a dados de indicadores de produção cada vez mais precisos e dinâmicos. Um exemplo disso é ilustrado na Figura 1, onde um transmissor de vazão industrial está coletando e transmitindo dados do processo diretamente para os controladores e registradores. Esses dispositivos interpretam esses dados, gerando estatísticas de produção e comparando-as com as previsões feitas no planejamento da produção. FIGURA 1: MEDIÇÃO DE VAZÃO DE FLUIDO EM TEMPO REAL Fonte: Freepik Esse tipo de equipamento tem a capacidade de fornecer dados reais instantâneos e comunicar-se com redes de dispositivos, possibilitando a exibição de gráficos de tendências nas telas dos sistemas de supervisão. Isso oferece aos operadores do processo uma visão clara das operações. Uma vez que os dados são transferidos para os dispositivos de controle, como CLPs (Controladores Lógicos Programáveis) ou computadores, eles podem ser analisados com maior facilidade, permitindo a implementação de ações estratégicas. Isso é exemplificado na Figura 3, onde um operador monitora um processo industrial por meio de um sistema supervisório 79TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 SCADA (Sistemas de Supervisão e Aquisição de Dados). Nesta etapa, você será introduzido aos dispositivos programáveis mais comuns utilizados atualmente. Existe uma variedade desses dispositivos ao nosso redor, cada um desempenhando funções específicas que contribuem para melhorar a qualidade de vida das pessoas e os processos de manufatura. Eles possibilitam controles e conectividade que eram impensáveis há alguns anos. É importante salientar que esta literatura não pretende cobrir todas as tecnologias disponíveis. Para isso, seria necessário estudar um curso completo de graduação, e mesmo assim muitas tecnologias ainda seriam deixadas de lado, já que o universo tecnológico é vasto e está em constante evolução, com novas tecnologias surgindo a cada dia. No entanto, para atender às necessidades e aos objetivos dos cursos de Engenharia, vamos abordar as formas mais comuns e relevantes de dispositivos programáveis encontrados atualmente. Vamos começar com uma abordagem que parte dos conceitos fundamentais e, em seguida, apresentaremos os exemplos práticos mais comuns. Um dispositivo programável pode ser descrito como um dispositivo capaz de receber e armazenar um conjunto de instruções que determinam seu comportamento. Ele é sensível a estímulos de entrada internos ou interage com determinadas ações na saída, como ilustrado na Figura 2. FIGURA 2: DISPOSITIVO PROGRAMÁVEL Fonte: O autor (2024) Para ilustrar de forma simples, considere um temporizador em que o usuário configura o tempo para que um alarme sonoro seja ativado. O tempo definido pelo usuário é a instrução que determina o início e o fim da programação, e a ação de saída é o som do alarme. Neste caso, a “programação” do evento ocorre através da simples seleção do tempo de maneira intuitiva. Não é necessário ter conhecimento avançado em linguagens de programação ou noções de algoritmos, pois o ambiente de configuração se limita à edição desse parâmetro específico. Um exemplo de dispositivo programável utilizado em controle é o Controlador Lógico-Programável (CLP). Este dispositivo recebe dados dos sensores em suas entradas, os quais interagem com a lógica do programa armazenado em sua memória. Com base nas instruções desse programa, as saídas do CLP são controladas. 80TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 Quando falamos sobre dispositivos programáveis, é importante ressaltar que existem diversos tipos, cada um projetado para funções específicas, como controle de fluxo de dados, conversão de protocolos de comunicação, armazenamento, entre outros. Antes de avançarmos, vamos revisar alguns termos fundamentais que serão explorados ao longo desta seção: • Programa: conjunto de instruções que determinam ações de saída com base em estímulos de entrada ou internos em um controlador. Por exemplo, um programa em linguagem Ladder para um CLP, usado no controle de processo industrial, recebe dados dos sensores em suas entradas para acionar os motores conectados às suas saídas. • Linguagem de programação: método padrão utilizado para programar dispositivos com recursos computacionais, como computadores, microcontroladores, CLPs, etc. Exemplos incluem linguagens como C, Python, Java, Ladder, Grafcet, entre outras. • Sintaxe da linguagem de programação: conjunto de regras que definem as instruções dentro de uma linguagem de programação específica. Cada linguagem de programação possui sua própria sintaxe, que pode ser semelhante ou não a outras. Por exemplo, a sintaxe da linguagem C. • Depurador: ambiente utilizado para depurar o programa escrito, com o objetivo de encontrar possíveis erros de sintaxe que precisam ser corrigidos antes da compilação do programa. • Compilador: ambiente responsável por converter o programa escrito em linguagem de programação (compreensível por humanos) para um formato adequado ao dispositivo programável. Por exemplo, um compilador de linguagem C para um microcontrolador PIC converte o programa escrito em C (na sintaxe de C) em um formato.hex, que pode ser transferido para o microcontrolador por meio de um gravador via cabo USB ou Ethernet. A Figura 3 ilustra a relação entre esses termos e o processo de programação de um dispositivo programável. Observe que a relação entre as entradas e saídas de um dispositivo depende da programação realizada em um computador pessoal (PC) e de uma série de recursos, como linguagem de programação, depurador, compilador e, por fim, a transferência do programa para o dispositivo programável. • Variáveis: entidades às quais são atribuídos valores dentro de um programa. Elas são identificadas para distinguir umas das outras e podem ter tipos distintos, como booleano (0 ou 1), inteiro (1, 2, 3, ..., 50, 100, 1000, ...), ponto flutuante (com parte inteira e fracionária dividida por ponto - 7.54, 15.13, 158.12, etc.). O 81TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 tipo de dado atribuído à variável determina o espaço necessário em memória para armazenar seu conteúdo, o que impacta diretamente no hardware do controlador. FIGURA 3: AMBIENTE DE PROGRAMAÇÃO PARA DISPOSITIVOS PROGRAMÁVEIS Fonte: O autor (2024) Para programar um dispositivo e aproveitar plenamente seus recursos, é essencial ter um domínio tanto do hardware quanto do software. Isso se deve ao fato de que os dispo- sitivos mais modernos oferecem uma ampla gama de recursos, cujo uso requer interações específicas que demandam conhecimento em linguagens de programação, sua sintaxe e os ambientes de programação nos quais as instruções de programa são escritas, podendo ser tão textual como por blocos, em alguns casos. 82 MICROCONTROLADORES2 TÓPICO TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 A partir deste ponto, serão abordadas as principais tecnologias de dispositivos programáveis utilizadas atualmente. Um exemplo é o microcontrolador, um componente eletrônico com recursos computacionais programáveis. Um modelo amplamenteempregado em pequenas automações e projetos de dispositivos didáticos é o PIC16F628A, devido ao seu baixo custo, encapsulamento com pinos de fácil acesso, adequação para prototipagem e a disponibilidade de uma vasta literatura para estudo. FIGURA 4: PARTE DO DIAGRAMA INTERNO DO MICROCONTROLADOR PIC16F628A Fonte: Microchip (1999, p. 10). Geralmente, a estrutura de um microcontrolador inclui os seguintes elementos: 83TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 • Núcleo de processamento, conhecido como Unidade Lógica Aritmética (ULA), onde ocorrem os processamentos e cálculos. • Memória Flash (não volátil), usada para armazenar o programa, incluindo suas instruções (firmware). • Memória RAM (volátil), onde o programa é executado e onde são armazenados dados temporários durante a execução. • Interfaces de entrada e saída (I/O), que são locais onde os sinais de entrada e saída são integrados ao microcontrolador. • Interface de comunicação, que permite ao microcontrolador se comunicar com o meio externo através de protocolos de comunicação com ou sem fio. Quando buscamos automatizar um dispositivo, o uso de um microcontrolador é uma opção viável, servindo como o “cérebro” da máquina. Ele pode receber a programação elaborada por um programador em uma linguagem nativa do próprio modelo, como a Assembly (ASM), ou em uma linguagem de alto nível, como C ou Java, desde que o programador disponha do compilador adequado para o modelo escolhido. A abordagem por trás do uso de um microcontrolador é a seguinte: o projetista do sistema de automação, em primeiro lugar, examina o processo em questão e identifica as necessidades específicas em termos de entradas e saídas. Em seguida, seleciona um modelo de microcontrolador que atenda a essas necessidades, levando em consideração os recursos disponíveis e o custo. Após a seleção do modelo adequado, o projetista verifica se é possível programá-lo na linguagem de sua preferência. Então, ele parte para o projeto propriamente dito, que envolve a criação de um circuito eletrônico ou uma série de circuitos que integrarão esse componente. Nesse circuito, o microcontrolador interage com outros componentes para executar as tarefas planejadas para o dispositivo. Uma vez que o circuito é projetado para atender às especificações do projeto, o projetista programa o microcontrolador em um ambiente dedicado à programação. Após a realização de todos os testes lógicos necessários, o programa, conhecido como firmware, pode ser transferido para o componente (microcontrolador) por meio de um gravador conectado ao computador no qual o programa foi desenvolvido. Esse firmware contém a lógica que o dispositivo deve executar em sua função, incluindo todas as regras automáticas desejadas. Em seguida, é projetada uma placa de circuito impresso para a montagem dos componentes, os quais são soldados nela. Finalmente, os componentes podem interagir na prática, permitindo que o microcontrolador execute o programa (firmware) que foi gravado nele. 84TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 No mercado, existem opções que oferecem o microcontrolador já montado em uma placa, pronta para ser inserida no ambiente físico de testes (como mostrado na Figura 8, item (a)), bem como a opção de adquirir o microcontrolador em seu encapsulamento nativo e soldá-lo em uma placa projetada para o projeto (item (b)). Além disso, há plataformas de desenvolvimento equipadas com diversos recursos, como interface de vídeo, comunicação serial USB e rede Ethernet (item (c)), que demandam um conhecimento avançado de programação, mas oferecem recursos sofisticados que podem ser incorporados ao projeto, como conectividade e soluções embarcadas desenvolvidas em linguagem de alto nível. A escolha de utilizar apenas o componente do microcontrolador (sem a placa, conforme mostrado no item (b) da Figura 8) oferece a vantagem de custar menos. No entanto, essa abordagem requer equipamento e conhecimento para o processo de soldagem, o que pode ser desafiador em encapsulamentos mais específicos, como os do tipo Surface Mounting Device (SMD), ou Componente de Montagem em Superfície, como é o caso dos encapsulamentos Ball Grid Array (BGA), ilustrado na Figura 9(a). Existem microcontroladores disponíveis em uma variedade de outros encapsulamentos, como o Thin Quad Flat Package (TQFP), ou Encapsulamento Quádruplo de Fileiras Planas, mostrado na Figura 9(b). Além disso, há os encapsulamentos DIP, que são mais acessíveis e fáceis de usar, pois são maiores e permitem uma soldagem mais simples. DIP é a sigla para Dual In-Line Package, ou Encapsulamento Duplo em Linha, e possui um sistema de montagem through-hole, ou “através do orifício”, como ilustrado na Figura 5(c). FIGURA 5: ENCAPSULAMENTOS DE MICROCONTROLADORES SMD: (A) BGA, (B) TQFP, E (C) DIP Fonte: Capelli (2004) Na Figura 5(a), as pequenas esferas metálicas representam os terminais do componente, ou seja, cada entrada ou saída do microcontrolador. Nesse caso, a soldagem utilizando os métodos tradicionais com ferro de solda não é viável, o que limita o projetista a escolher modelos de microcontroladores disponíveis em encapsulamentos que possam ser mais facilmente inseridos em uma placa, como mostrado na Figura 9(c). 85TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 Para projetos que envolvem microcontroladores, também há a opção do protoboard, ilustrada na Figura 6. Trata-se de uma placa para protótipos que não requer soldagem. Nesse sistema, os componentes são inseridos em furos e interligados por contatos metálicos em linhas isoladas. Essa é uma solução bastante prática para projetos eletrônicos na fase de prototipagem, pois permite que o projetista realize testes antes de confeccionar a placa definitiva, minimizando erros. FIGURA 6: PROTOBOARD COM COMPONENTES INSERIDOS Fonte: Capelli (2004) Os FPGAs representam outra alternativa para dispositivos programáveis. Eles funcionam como uma espécie de “caixa preta”, na qual podemos inserir o conteúdo desejado e especificar quais pinos serão utilizados como entradas e quais serão as saídas. A sigla FPGA é uma abreviação de Field Programmable Gate Array, que em tradução livre significa Arranjo de Portas Programáveis em Campo. Essa tecnologia é especialmente útil quando o controle do processo é altamente lógico e depende de ações de alta velocidade, como combinações de estados lógicos com grandes volumes de dados. Ao analisar um projeto de controle lógico com muitas entradas e saídas, é possível produzir uma tabela com todas as combinações possíveis. A partir dessa tabela, é possível determinar quais combinações de entradas resultarão em saídas ativadas, e as equações de estado correspondentes para cada condição válida. Essas equações resultam em operações lógicas, como soma, multiplicação e negação. Quando combinadas em uma equação simplificada, podem ser convertidas em um circuito lógico equivalente, o qual consiste em portas lógicas para cada uma das funções, conforme ilustrado na Figura 7 (NISE, 2012). Além das portas lógicas básicas apresentadas na Figura 7, existem diversas outras portas lógicas que são compostas pela combinação dessas portas básicas. 86TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 FIGURA 7: PORTAS LÓGICAS OU (SOMA), E (MULTIPLICAÇÃO) E NÃO (NEGAÇÃO) Fonte: O autor (2024) Elas realizam operações específicas dentro da lógica de controle de um sistema digital. Alguns exemplos dessas portas compostas são mostrados na Figura 8. FIGURA 8: EXEMPLOS DE PORTAS LÓGICAS Fonte: O autor (2024) Na eletrônica digital, essas portas eram implementadas por meio de circuitos integrados dedicados que continham várias dessas portas em um único encapsulamento. No entanto, a quantidade de portas disponíveis era limitada a poucas unidades. Quando havia uma grande demanda por operações lógicas, tornava-se necessário utilizar múltiplos componentes, o que resultava emplacas enormes. Isso aumentava os problemas relacionados a falhas e manutenção (NISE, 2012). Com o avanço dos dispositivos 87TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 programáveis, o FPGA resolveu esse problema ao permitir a integração de centenas e até milhares de portas lógicas em um único encapsulamento. Isso possibilita que o projetista defina a lógica desejada por meio de um programa no computador e, em seguida, a grave em um circuito integrado FPGA. A partir desse ponto, o FPGA passa a se comportar conforme o projeto nele gravado. Os dispositivos FPGA seguem o mesmo conceito já adotado anteriormente para os microcontroladores: um circuito integrado e uma placa para interagir com o mundo externo. A Figura 9 ilustra o circuito integrado e uma placa de desenvolvimento em FPGA para referência. FIGURA 9: FPGA: (A) PLACA DE DESENVOLVIMENTO E (B) CIRCUITO INTEGRADO FPGA Fonte: Capelli (2004) A programação dos dispositivos FPGA depende do ambiente de programação e pode variar conforme o fabricante dos circuitos integrados. Um exemplo de linguagem de programação utilizada para projetos com essa tecnologia é o VHDL, abreviação de VHSIC Hardware Description Language, ou em português, Linguagem de Descrição de Hardware VHSIC, sendo VHSIC a sigla de Circuitos Integrados de Velocidade Muito Alta (NISE, 2012). No mercado, existem várias tecnologias aplicadas aos dispositivos programáveis. Por exemplo, os Dispositivos Lógicos Programáveis Complexos (CPLDs), a Lógica de Array Genérico (GALs), a Lógica de Array Programável (PALs) e os Circuitos Integrados Específicos de Aplicação (ASICs). Nesta unidade, serão apresentadas as mais utilizadas e acessíveis (NISE, 2012). 88 CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL (CLP)3 TÓPICO TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 Para avançarmos no universo dos dispositivos programáveis, frequentemente aplicados no controle de processos, é essencial compreender alguns termos importantes que serão abordados a seguir. Quando tratamos de controle, devemos ter em mente a máxima que diz: “não é possível controlar o que não pode ser medido”. Partindo desse princípio, vamos definir alguns conceitos (NISE, 2012). • Planta: é o elemento ou processo que desejamos controlar manipulando uma ou mais variáveis. Por exemplo, suponhamos que desejamos atingir uma velocidade de rotação de 1.800 rpm em um motor. Este motor é a planta que pretendemos controlar. • Setpoint (SP): é o valor almejado estabelecido na estratégia de regulação e que se busca alcançar mediante o emprego de técnicas e medidas de controle. Por exemplo, ao definirmos a temperatura desejada no aparelho de ar-condicionado como 23°C, então o SP é de 23°C. • Variável de processo (PV): é a grandeza na qual desejamos intervir e aproximar seu valor da Referência. Por exemplo, se a temperatura da sala é de 26°C e o objetivo é atingir 23°C, então 26°C é o parâmetro de processo, pois representa o valor real que buscamos ajustar para se aproximar do SP, que, neste caso, é 23°C. • Desvio (DV), ou erro (e(t)): é a diferença entre o valor do parâmetro de processo e a Referência: DV = PV - SP (ação inversa) e DV = SP - PV (ação direta). É por meio dessa divergência que a medida de controle no controlador calcula com que intensidade e velocidade deve agir na saída. Por exemplo, em um processo de controle com ação inversa, se a temperatura da sala é de 26°C 89TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 e a Referência é 23°C, então a divergência é calculada como: DV = PV - SP → DV = 26 - 23 = 3, portanto, DV = 3°C. • Controlador: é a entidade capaz de acionar uma ou mais saídas em resposta a estímulos provenientes de uma ou mais entradas, baseando-se na combinação do valor das entradas e em regras estabelecidas pela medida ou estratégia de controle. Por exemplo: microcontrolador, CLP, computador de processo, entre outros. Existem diversas topologias de controle, sendo as mais elementares abordadas nesta unidade o controle em malha aberta e o controle em malha fechada (NISE, 2012). • Controle em malha aberta: neste tipo de controle, o controlador emite o sinal de controle para a planta sem considerar o resultado dessa ação, ou seja, atua na planta sem realizar a leitura do resultado dessa ação, conforme ilustrado no diagrama da Figura 10. FIGURA 10: CONTROLE EM MALHA ABERTA Fonte: O autor (2024) Geralmente, o regulador opera com base em um estímulo de entrada, podendo ser um comando ou um conjunto de instruções, que definem as operações do regulador, que simplesmente as executa. Por exemplo, em vez disso, um temporizador envia as instruções e comandos, e o regulador segue um conjunto de instruções que garantem que a roupa colocada no cesto da máquina seja lavada. No entanto, após o ciclo de lavagem, não há uma avaliação do quão limpa está a roupa; o processo simplesmente é encerrado. • Controle em malha fechada: nesta abordagem, o regulador emite o sinal de controle para a planta sob controle e leva em conta o resultado obtido para manter estável o valor desejado (NISE, 2012). Por exemplo, um condicionador de ar tem a temperatura atual (PV) da sala em 26 °C, enquanto a temperatura desejada (SP) é de 23 °C. Quando o regulador atua sobre o ar da sala para resfriá-lo, um sensor de temperatura colocado na saída do ar envia o valor do ar que está sendo resfriado de volta para a entrada do regulador. Assim, é realizada uma comparação entre o valor desejado e o atual (DV). O processo de enviar o valor da saída de volta à entrada do regulador é conhecido como realimentação ou feedback, conforme ilustrado no diagrama da Figura 11. 90TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 FIGURA 11: CONTROLE EM MALHA FECHADA Fonte: O autor (2024) Até este ponto, você adquiriu uma compreensão básica de como os sistemas de regulação interagem com a operação industrial. Na sequência, vamos explorar as tecnologias de regulação que possibilitam a implementação disso no ambiente prático. Você será apresentado ao tipo de regulador mais comum na indústria: o Controlador Lógico-Programável (CLP). Além disso, você irá aprofundar sua análise sobre a tecnologia predominante na conversão de instruções originárias de um projeto elaborado no computador em coordenadas numéricas. Essa tecnologia é amplamente empregada na automação de processos de fabricação, inicialmente na indústria metalúrgica e, hoje em dia, em várias áreas onde a execução de formas baseadas em Desenho Auxiliado por Computador (CAD) é essencial: o Controle Numérico Computadorizado (CNC). Os Reguladores Lógicos Programáveis ou CLPs foram mencionados na Unidade 1 deste livro de forma introdutória e abrangente. Nesta seção, exploraremos este tipo de regulador em relação à sua aplicação e aos recursos envolvidos. Acompanhe! Um CLP é um aparelho capaz de gerenciar um processo industrial com base em instruções fornecidas por um programa armazenado em sua memória. Esse programa é executado por um microprocessador ou microcontrolador e faz uso de uma memória que realiza ciclos de escrita e leitura em alta velocidade (FRANCHI; CAMARGO, 2008). Os dados a serem processados pelo CLP dependem de uma “interface” com o ambiente externo, o que envolve a adaptação de sinais de entrada e saída para que os dados provenientes de sensores, por exemplo, sejam convertidos em um formato elétrico compatível com o microprocessador que os processará e com a memória que os armazenará (NISE, 2012). Considerando isso, a estrutura de hardware e software utilizada na aplicação prática de um CLP será apresentada a seguir. A partir deste ponto em nosso livro, serão abordados os componentes de hardware do CLP. Para uma compreensão mais clara, é necessário 91TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 diferenciar os dois formatos mais comuns de CLPs atualmente disponíveis no mercado: Estruturas compactas e Estruturas modulares. As estruturas compactas reúnem, emum único gabinete ou caixa, os recursos mínimos para operar em automações de pequeno e médio porte. Normalmente, esse tipo de estrutura inclui fonte de energia, unidade central de processamento (CPU), interfaces de entrada e saída digitais, e interfaces de comunicação padrão RS-232/USB ou Ethernet. Normalmente, as estruturas compactas representam uma alternativa mais acessível para aplicações de regulação de processos em pequenas e médias proporções, devido à quantidade de entradas e saídas (I/Os) que disponibilizam e à fixação permanente de seus cartões ou módulos dentro do gabinete, sem a capacidade de troca imediata. Isso pode interromper todo o processo caso seja necessário substituir um módulo. As estruturas compactas também podem permitir a adição de alguns cartões extras, porém o número de expansões é bastante restrito em comparação com as estruturas modulares. A Figura 12 exemplifica uma estrutura compacta. FIGURA 12: CLP EM BASE COMPACTA: EQUIPADO COM FONTE DE ALIMENTAÇÃO, CPU, ENTRADAS E SAÍDAS DIGITAIS E COMUNICAÇÃO Fonte: Capelli (2004) As estruturas modulares são recomendadas para aplicação em automações de porte médio e grande, pois cada módulo é independente e pode ser inserido ou removido individualmente. Isso permite a expansão da capacidade de I/Os a qualquer momento, dentro dos limites estabelecidos por cada fabricante e modelo de CLP. A Figura 13 apresenta um exemplo de CLP em estrutura modular, onde cada cartão ou módulo opera de forma independente dos demais (exceto pela CPU, que os reconhece e os habilita). 92TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 Nessa configuração, é viável retirar ou inserir cartões sem a necessidade de desligar o CLP, o que facilita as operações de manutenção. FIGURA 13: CLP EM BASE MODULAR: CADA MÓDULO É INDEPENDENTE E PODE SER INSERIDO OU RETIRADO SEM A NECESSIDADE DE DESLIGAR O CLP Fonte: Capelli (2004) É bastante frequente em CLPs modulares a utilização da tecnologia Hot swap ou troca a quente, que envolve inserir ou retirar um componente de um sistema sem precisar desligá-lo ou reiniciá-lo. Esse recurso simplifica as tarefas de manutenção e a substituição de cartões em funcionamento, já que uma falha em um módulo não necessariamente resulta na parada total da máquina. Em vez disso, apenas o cartão com defeito é removido e outro em bom estado é colocado em seu lugar. O sistema reconhece essa alteração automaticamente, retomando o funcionamento normal sem exigir intervenções adicionais (NISE, 2012). Este recurso se assemelha ao procedimento de conectar ou desconectar um pendrive em um computador. O sistema operacional simplesmente o reconhece ou o desconecta sem necessidade de intervenção adicional. Para viabilizar isso, os conectores dos dispositivos com a funcionalidade hot swap são projetados com uma tecnologia que garante que a alimentação do dispositivo seja estabelecida sempre antes da comunicação. Portanto, os terminais são dimensionados com menor comprimento para os sinais de dados e maior para os condutores de energia (NISE, 2012). Inicialmente, para que um CLP possa operar, é necessário que ele seja alimentado com os potenciais adequados. Isso implica converter a tensão da rede elétrica de 127 V ou 220 V para voltagens compatíveis com as exigências dos componentes eletrônicos do CLP, que operam em torno de 3,3 V e 5 V. Para desempenhar essa função, o CLP conta com uma fonte de energia, que pode ser integrada nos CLPs de estruturas compactas ou externa nas estruturas expansíveis. 93TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 Normalmente, os CLPs sem fonte de energia funcionam com a voltagem nominal de 24 Vcc, então a fonte de alimentação converte a voltagem da rede elétrica de 100 a 240 Vca em 24 Vcc. As fontes de energia utilizadas para alimentar os CLPs são geralmente classificadas como fontes de energia comutadas, as quais são empregadas em computadores, TVs modernas, carregadores de bateria de laptops e celulares. Esse tipo de fonte, ilustrado na Figura 19, apresenta características de tamanho compacto, alta densidade de potência e custo reduzido, mas também tem algumas desvantagens: produz ruído conduzido e irradiado (EMI ou Interferência Eletromagnética), que pode afetar o funcionamento de outros equipamentos próximos ou alimentados pela mesma fase da rede; além disso, por não possuir isolamento, é altamente sensível a descargas eletrostáticas, incluindo descargas atmosféricas. Para que o CLP modular possa estabelecer conexão entre seus cartões de interfaces e controladores, é essencial uma estrutura apta a interligar cada cartão em um barramento de comunicação e alimentação. É para suprir essa exigência que os CLPs são equipados com um rack contendo as entradas para receber os módulos ou cartões. A CPU do CLP é a abreviação para Unidade Central de Processamento e consiste em um módulo capaz de realizar o processamento de todos os dados do CLP. Dentro deste módulo, encontram-se componentes como microprocessador ou microcontrolador, memórias (como RAM, flash, entre outras), Real Time Clock (RTC) ou Relógio de Tempo Real, e outros dispositivos de interface com o ambiente externo. Um CLP pode conter várias CPUs em um mesmo rack, permitindo que o programa seja dividido entre múltiplas unidades de processamento, ou que o mesmo programa seja executado simultaneamente em duas CPUs, por exemplo. A vantagem desta última abordagem é que, caso uma CPU falhe, a outra pode assumir a operação imediatamente. Esse método é conhecido como hot standby e faz referência ao conceito de redundância a quente: quando uma unidade deixa de funcionar devido a uma falha, outra unidade assume sua função sem interromper o processo. Agora, vamos examinar como é organizada a unidade central de processamento de um CLP. É na CPU que o software de controle é armazenado. Esse software é desenvolvido em um computador e, em seguida, gravado na CPU do CLP. Em certos modelos, esse software é gravado em uma memória flash (semelhante à de um pendrive). Nessas circunstâncias, mesmo se o CLP for desconectado da fonte de energia elétrica, o software permanece na memória. 94TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 Nos CLPs mais recentes, o programa é armazenado diretamente na memória RAM para permitir modificações nas linhas de programação enquanto o programa está em execução, sem interromper o processo. Para evitar a perda do programa quando o CLP está desconectado da energia, a CPU possui uma bateria que mantém a memória RAM sempre alimentada. Normalmente, essas baterias têm autonomia para operar por vários anos. Além dos elementos já mencionados, o CLP emprega módulos que interagem com o ambiente externo, sendo os cartões responsáveis por receber dados de sensores e outros elementos do processo, bem como enviar sinais de controle para atuadores e dispositivos variados. As interfaces de entrada e saída do CLP são conhecidas como interfaces de I/O ou cartões de I/O e, geralmente, estão disponíveis nos seguintes tipos: • Entradas digitais. • Saídas digitais. • Entradas analógicas. • Saídas analógicas. As entradas digitais representam as portas de entrada para os elementos digitais, como sensores de proximidade, contatos de relé, botões, chaves e outros dispositivos com saída em frequência. A ideia por trás do termo “digital” está relacionada à natureza do sinal que entra no CLP, assumindo apenas dois estados: ligado ou desligado. Normalmente, as entradas digitais operam com um padrão elétrico de 24 V, onde o dispositivo conectado à entrada deve enviar 0 V ou 24 V para indicar a presença ou ausência de um objeto. Além disso, alguns modelos de CLPs permitem padrões elétricos de 100 a 240 V em corrente alternada nas entradas digitais, mas esse padrão não é comum para sensores industriais, que geralmente operam na faixa de 10 V a 36 V em corrente contínua. É relevante mencionar que existemCLPs que distinguem entre entradas digitais rápidas e não rápidas, adequadas para sensores que operam em altas frequências, como encoders incrementais e sensores de nível com saída pulsante. As saídas digitais são módulos capazes de acionar dispositivos que operam no sistema liga-desliga, como bobinas de relés, solenoides, lâmpadas indicadoras e bobinas de contatores. Geralmente, as saídas digitais são oferecidas em dois formatos: saídas com relé e saídas com transistor. As saídas com relé consistem em um circuito que utiliza relés para acionar os dispositivos externos. 95TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 Os relés são dispositivos eletromecânicos que possuem uma parte móvel e outra fixa e, quando energizados, provocam o movimento da parte móvel, alterando o estado dos contatos para permitir o acionamento de cargas ou dispositivos no formato liga-desliga. Essa tecnologia é adequada quando o acionamento do dispositivo não ocorre com alta frequência, pois a velocidade de comutação do relé eletromecânico é limitada, e também em ambientes onde não há presença de gases inflamáveis, pois os contatos do relé podem gerar arco voltaico, diminuindo a vida útil do dispositivo. A principal vantagem do uso de relés está na capacidade de comutação de cargas de correntes elevadas e na isolação elétrica, já que operam com potenciais de referência isolados uns dos outros na mesma placa, lidando com correntes da ordem de alguns ampères e tensões elevadas. As saídas digitais com transistor têm como objetivo acionar cargas com rápida resposta em baixa tensão (em corrente contínua) e baixas correntes, na faixa de miliampères. A principal vantagem dessas saídas é a velocidade, que permite operar com sinais de altas frequências, como no controle utilizando modulação de largura de pulso (PWM). As saídas digitais que utilizam transistores não permitem que o sinal comutado seja de potencial livre, ou seja, não permitem ao usuário escolher livremente o potencial a ser comutado. Ele deve usar o formato oferecido pelo cartão, que normalmente é de 24 V. Portanto, quando a saída é acionada, há 24 V em seu terminal em relação ao terminal de referência. Se o dispositivo a ser acionado por essa saída for de 220 V, o projetista deve utilizar um acoplador intermediário para que a tensão de 220 V seja comutada a partir deste. Assim como as variáveis digitais, também precisamos de variáveis analógicas para operar com processos de controle em que o comportamento varia ao longo do tempo. As entradas analógicas têm como objetivo receber sinais provenientes de sensores analógicos ou de dispositivos que enviam sinais analógicos referentes a algum parâmetro de funcionamento, como o sinal proporcional de 0 a 10 V de um inversor de frequência, correspondendo à sua frequência mínima e máxima, respectivamente. No caso dos sensores analógicos, os sinais correspondem às suas grandezas e medidas, como nível, pressão, vazão e temperatura. Os padrões elétricos utilizados por esses cartões são, tensão ou corrente, sendo que uma entrada analógica de tensão opera entre 0 e 10 V, e uma entrada analógica de corrente opera entre 4 e 20 mA, abrangendo a grandeza do sensor do seu mínimo até o seu máximo mensurável. As saídas analógicas são usadas para acionar dispositivos que operam com base em sinais analógicos. Essas saídas funcionam de forma proporcional a esses sinais, como uma 96 Os dispositivos eletrônicos modernos que nos cercam, repletos de funcionalidades especiais e recursos de conectividade, como caixas de som com Bluetooth, MP3 players, smartwatches, entre outros, são comumente conhecidos como gadgets, termo derivado do inglês “aparelhos”. Esses gadgets proporcionam acesso a uma variedade de mídias que facilitam o dia a dia das pessoas. Para operarem, esses gadgets dependem de recursos computacionais dedicados. Em outras palavras, eles contêm um pequeno computador capaz de executar as tarefas designadas, como armazenar arquivos de música, reproduzir músicas sem fio e registrar atividades de treino. Esse pequeno computador geralmente é um microcontrolador, que é essencialmente um componente eletrônico fabricado com os recursos de hardware necessários para o processamento de dados. Isso inclui uma unidade lógica aritmética, memórias RAM e flash, interfaces de entrada e saída, portas de comunicação e entradas para sinais analógicos, entre outros recursos. Autor: Lucas Delapria Dias dos Santos (2024). SAIBA MAIS O aprendizado sobre tecnologias voltadas para automação e controle deve ser constante, pois novos equipamentos e inovações surgem diariamente em diversos segmentos. Portanto, é essencial manter- se atualizado para acompanhar essas mudanças e inovações. Autor: Lucas Delapria Dias dos Santos (2024). REFLITA TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 válvula proporcional que ajusta sua abertura de 0 a 100% de acordo com um sinal elétrico de 4 a 20 mA. Normalmente, as saídas analógicas acionam dispositivos com base em cálculos matemáticos realizados na CPU do CLP. Por exemplo, em uma ação de controle Proporcional Integral Derivativo (PID), a CPU analisa o sinal de entrada de um ou mais sensores e, com base nos valores informados nas respectivas entradas analógicas (variáveis de processo), compara- os com valores de referência (setpoint). O desvio (DV) é então introduzido em uma equação com constantes definidas para estabilizar o sistema de controle acionado pela saída analógica. 97 Este capítulo nos levou a uma jornada empolgante pelo mundo da automação industrial. Começamos refletindo sobre a complexidade dos sistemas de computadores industriais, que desempenham um papel crucial no controle e na estabilização de variáveis críticas em processos industriais. Desde o funcionamento de elevadores até a dosagem precisa de ingredientes em processos de fabricação, os dispositivos programáveis são os verdadeiros protagonistas por trás dessas operações. Exploramos a presença crescente dos dispositivos programáveis em nossa vida cotidiana, desde despertadores até micro-ondas e máquinas de lavar. Esses dispositivos estão profundamente integrados em nosso cotidiano, muitas vezes sem que percebamos sua presença, tornando possível a automação de uma ampla gama de tarefas. Avançando para uma análise mais detalhada, mergulhamos na compreensão dos dispositivos programáveis, destacando sua variedade e importância. Desde os Controladores Lógicos Programáveis (CLPs) até os microcontroladores como o PIC16F628A, exploramos como esses dispositivos servem como o “cérebro” por trás da automação industrial e de projetos diversos. Ao final, nos preparamos para explorar mais a fundo os microcontroladores, compreendendo sua estrutura e seu papel fundamental em projetos de automação e controle. Com uma visão abrangente e um entendimento sólido dos conceitos apresentados neste capítulo, estamos prontos para adentrar ainda mais no fascinante universo da automação industrial. CONSIDERAÇÕES FINAIS TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 LEITURA COMPLEMENTAR 98 Este artigo mostra uma visão geral sobre automação industrial, apresentando algumas motivações para o uso de sistemas automatizados e conceitos, evolução e fundamentações do uso da instrumentação e das redes industriais. Além disso, descreve sucintamente a situação da automação no Brasil. Acesse o link a seguir: https://professor.pucgoias.edu.br/SiteDocente/admin/ arquivosUpload/17829/material/ARTIGO05.pdf TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 https://professor.pucgoias.edu.br/SiteDocente/admin/arquivosUpload/17829/material/ARTIGO05.pdf https://professor.pucgoias.edu.br/SiteDocente/admin/arquivosUpload/17829/material/ARTIGO05.pdf 99 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: Tempos Modernos • Ano: 1936. • Sinopse: Um dos filmes mais famosos de Charles Chaplin, Tempos Modernos é, segundo Manoel Fernandez, responsável deexcelência operacional na Rhodia um filme com forte viés crítico que todo engenheiro de produção deveria assistir. Ele, que é engenheiro mecânico formado pelo Instituto Mauá de Tecnologia, mas trabalha como engenheiro de produção, explica que o filme mostra bem as ideias do engenheiro Frederick Taylor, que foram usadas depois do Henry Ford, considerado o primeiro a implantar um sistema de produção em série. LIVRO • Título: Controladores lógicos programáveis: Sistemas discretos • Autor: Claiton Moro Franchi e Valter Luís Arlindo de Camargo • Editora: Érica. • Sinopse: Os conceitos fundamentais de CLPs, linguagens de programação Ladder, Sequenciamento Gráfico de Funções (SFC), Lista de Instruções (IL), Diagrama de Blocos Funcionais (FBD), conversão de Grafcet em Ladder, sensores e atuadores são estudados nesta obra de forma didática e objetiva. Indispensável a técnicos, tecnólogos e engenheiros que atuam nas áreas de automação, mecatrônica e eletrotécnica, além de profissionais que desejam se manter atualizados. Apresenta exemplos resolvidos nos CLPs Allen-Bradley, Schneider Electric e Siemens e implementações em um controlador que segue a norma IEC 61131- 3. Mostra a utilização do software Zelio Logic como ferramenta de apoio e exercícios propostos para fixação do aprendizado. TECNOLOGIAS E SISTEMAS AUTOMATIZADOSUNIDADE 4 100 CONCLUSÃO GERAL Ao longo deste livro, mergulhamos profundamente nos intricados mecanismos que regem os sistemas de controle e automação, revelando a complexa sinfonia de atividades que permeia nossa sociedade contemporânea. Desde os sistemas que coordenam o lançamento de foguetes ao espaço até aqueles que regulam a temperatura em nossos lares, testemunhamos a onipresença e a importância vital desses sistemas automatizados em nossa vida cotidiana. Exploramos a evolução histórica dos sistemas de controle, desde suas origens até as mais recentes inovações, destacando a importância de compreender os princípios fundamentais para projetos eficazes. Ao adentrar o mundo da teoria de controle, examinamos as diversas estruturas dos controladores e sua aplicação prática em cenários como o projeto de sistemas de suspensão automotiva. Além disso, reconhecemos a crescente complexidade dos sistemas atuais e a importância da simulação como uma ferramenta crucial para análise e avaliação prévia. Ao investigar os diferentes tipos de modelos de simulação, desde os físicos até os de sistemas discretos, compreendemos suas limitações e aplicações em uma variedade de contextos. Por fim, exploramos o fascinante mundo da automação industrial, onde os dispositivos programáveis desempenham um papel fundamental na execução de tarefas complexas em uma ampla gama de processos industriais. Desde o controle de elevadores até a dosagem de ingredientes em processos de produção, testemunhamos o poder transformador da automação em nossa vida cotidiana. Assim, ao encerrar esta jornada pelo universo da automação e controle, fica evidente que esses sistemas são muito mais do que meras ferramentas tecnológicas; são os verdadeiros arquitetos de nossa moderna sociedade, moldando e impulsionando o progresso em todos os aspectos de nossas vidas. Que este livro possa servir como um guia valioso para todos aqueles que buscam compreender e dominar os segredos por trás dos sistemas que nos rodeiam. 101 REFERÊNCIAS AGUIERRE, L. A., Enciclopédia de Automática Controle e Automação 1a. ed. Edgard Blucher, 2007, v.1-3. BERTULUCCI, S. C.; Controle de Temperatura. 2016. Disponível em: https://www. qualidadeonline.wordpress.com/2016/12/19/conheca-mais-sobre-o-controle-da- temperatura/. Acesso em: 01 abr. 2024. CAPELLI, A. Automação Industrial: Controle do Movimento e Processos Contínuos. 2. CAPELLI, A. Automação Industrial: Controle do Movimento e Processos Contínuos. 2. COELHO, A. A. R.; COELHO, L. d. S. Identificação de Sistemas Dinâmicos Lineares. Florianópolis: Editora da UFSC, 2004.ed. São Paulo: Érica, 2004. FOLHA. Indústria 4.0 no Brasil pode alcançar US$ 5,62 bi até 2028. 2024. Disponível em: https://www.folhavitoria.com.br/geral/noticia/03/2024/industria-4-0-no-brasil-pode-alcancar- us-5-62-bi-ate-2028. Acesso em 01 abr 2024 GOMES, João M. S.; Controle em malha fechada 2000. Disponível em: http://www.ece. ufrgs.br/~jmgomes/pid/Apostila/apostila/node6.html. Acesso em: 01 abr. 2024. JUNIOR, Francisco G. F.; Metodologia para re-sintonia de controladores PID industriais. Dissertação de Mestrado. Natal-RN, 2006. MORAES, C.C., Engenharia de Automação Industrial. 1 edição. Rio de Janeiro - RJ: LTC-Livros Técnicos e científicos, 2001. NISE, N. S. Engenharia de Sistemas de Controle. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora LTC, 2012. https://www.qualidadeonline.wordpress.com/2016/12/19/conheca-mais-sobre-o-controle-da-temperatura/ https://www.qualidadeonline.wordpress.com/2016/12/19/conheca-mais-sobre-o-controle-da-temperatura/ https://www.qualidadeonline.wordpress.com/2016/12/19/conheca-mais-sobre-o-controle-da-temperatura/ https://www.folhavitoria.com.br/geral/noticia/03/2024/industria-4-0-no-brasil-pode-alcancar-us-5-62-bi-ate-2028 https://www.folhavitoria.com.br/geral/noticia/03/2024/industria-4-0-no-brasil-pode-alcancar-us-5-62-bi-ate-2028 http://www.ece.ufrgs.br/~jmgomes/pid/Apostila/apostila/node6.html http://www.ece.ufrgs.br/~jmgomes/pid/Apostila/apostila/node6.html http://www.ece.ufrgs.br/~jmgomes/pid/Apostila/apostila/node6.html 102 OGATA, K (2010). Engenharia de Controle Moderno. 5ed. São Paulo: Prentice Hall, 2003. Ogata, K. Engenharia de controle moderno, 5d ed. Pearson, SP, 2015. SARAIVA, F. A.; Métodos de sintonia em controladores PID. 2011. Disponível em: https://unilasalle.edu.br/docs_online/tcc/graduacao/engenharia_telecomunicacoes/2011/ fasaraiva.pdf. Acesso em: 01 abr. 2024. https://unilasalle.edu.br/docs_online/tcc/graduacao/engenharia_telecomunicacoes/2011/fasaraiva.pdf https://unilasalle.edu.br/docs_online/tcc/graduacao/engenharia_telecomunicacoes/2011/fasaraiva.pdf ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE Praça Brasil , 250 - Centro CEP 87702 - 320 Paranavaí - PR - Brasil TELEFONE (44) 3045 - 9898 Unidade 1 - 2024 Unidade 2 - 2024 Unidade 3 - 2024 Unidade 4 - 2024 Site UniFatecie 3: Botão 19: Botão 18: Botão 17: Botão 16: