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Cultura Brasileira
Material Teórico
Ares de Modernidade na Cultura no Brasil
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Dr. João Elias Nery
Revisão Técnica
Profa. Dra. Vivian Fiori
Revisão Textual:
Prof. Ms. Claudio Brites
• Introdução
• Contextualizando o Período
• Cultura e Política no Estado Novo
• Imprensa: Cultura de Massa sem Massa
• Cinema: Diversão Familiar Dominical
• Em Cena a Cultura para as Nassas: A Era do Rádio
• Balanço Geral: Cultura e Política na Era Vargas
 · Analisar a relação entre a cultura e a política no governo Vargas. 
Tratar da cultura de massa no Brasil e as influências dos meios de 
comunicação e artístico no período Vargas.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Ares de Modernidade 
na Cultura no Brasil
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como o seu “momento do estudo”.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.
No material de cada Unidade, há leituras indicadas. Entre elas: artigos científicos, livros, vídeos e 
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também 
encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão, 
pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato 
com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE Ares de Modernidade na Cultura no Brasil
Introdução
Nesta Unidade, abordaremos a trajetória da cultura brasileira principalmente 
após os anos 1930 e destacaremos aspectos relevantes do Brasil no período e as 
influências estrangeiras sobre as culturas do país. O foco principal aqui é o período 
historicamente definido como Era Vargas.
O texto trata dos principais aspectos da sociedade brasileira entre 1930 e 1945 
e os conteúdos remetem à expansão das cidades brasileiras e da cultura de massa, 
principalmente rádio e cinema. Você pode – e deve – buscar referências para 
melhor compreender a época. Para isso, além de se dedicar ao conteúdo teórico, é 
necessário buscar compreender as questões que mobilizaram a sociedade brasileira, 
como a ascensão do totalitarismo na Europa e sua relação com a Ditadura Vargas.
Cultura e comunicação serão temas fortemente ligados a partir desse período, no 
qual vão se configurar algumas das principais características das relações culturais 
e comunicacionais, muitas delas presentes até os nossos dias.
O filme Olga, por exemplo, trata de algumas das questões centrais da Era 
Vargas – combate ao comunismo, práticas ditatoriais e relações com o totalitarismo 
europeu – e pode ser um interessante ponto de partida.
Pesquise e conheça a história da cultura do Brasil em um período fundamental 
para a formação do país e até hoje referência em muitas de nossas ações.
Contextualizando o Período
O Brasil desta primeira década do século XXI tem significativas semelhanças 
com a sociedade brasileira do início do século XX. Alguns dos comportamentos 
hoje dominantes, hábitos e práticas sociais, políticas e culturais do nosso tempo são 
herança do que a história tem configurado como Era Vargas, pela longa presença 
de Getúlio Vargas na presidência da República (1930-1945).
A expansão da população urbana e da comunicação de massa e o uso da 
comunicação com viés ideológico estão entre os fatores que analisaremos.
Olhemos para o passado recente com os olhos no futuro: observemos a partir do 
texto a permanência na cultura e na política de práticas que, de geração a geração, 
acompanham nossas vidas em nossos modos de ser como cidadãos brasileiros.
O passado não é algo morto no qual estão fatos isolados, mas algo presente em 
nossa sociedade. Mesmo quando determinado comportamento ou valor é superado, 
é importante acompanharmos a História: como a sociedade o incorporou e quais 
fatores levaram à sua superação?
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A Cultura tem tempo e lugar, é vivida em contextos definidos, influencia e é 
influenciada por eles. A decisão de abordarmos a situação das culturas brasileiras 
nestas décadas deve-se não apenas a uma cronologia com um fim em si mesma, mas 
à identificação de traços de permanência de valores tradicionais em um ambiente 
de profundas modificações no campo da cultura, da política e da organização da 
sociedade brasileira, que construíra até o século XIX uma história da cultura na qual 
tinham grande importância o catolicismo, as relações com a corte portuguesa e as 
relações sociais marcadas pela violência contra negros, índios e pobres em geral.
Os valores tradicionais das culturas brasileiras permaneceriam dominantes; 
porém, seriam confrontados, em pleno século XX, com os “ares de modernidade” 
que trariam inovações para o cotidiano de parte dos brasileiros. O contexto do 
novo século exigiria a superação de hábitos e costumes tradicionais e os analistas 
da cultura iniciariam um debate que acompanharia todo o século XX na tentativa 
de compreender a gênese dessa cultura.
Temas como influência da miscigenação e a existência do “brasileiro cordial”, 
descrito e mitificado em obras das culturas brasileiras, seriam abordados por 
intelectuais e pesquisadores das nascentes instituições de ensino e pesquisa.
Os estudos divulgados procuravam apresentar, a partir de perspectivas teóricas 
diversas, as trajetórias que possibilitaram a convivência dos diferentes segmentos 
da sociedade e sua importância para a configuração das culturas no país.
Depois de identificar a figura do “brasileiro cordial” e indicar relações entre as 
classes sociais e raças em estudos hoje “clássicos” da Sociologia brasileira, autores 
passam a afirmar que muitos desses aspectos teriam desaparecido com o processo 
de urbanização do país, acelerado a partir de 1930.
A passagem das comunidades para as sociedades de massas e da comunicação 
comunitária para a de massas estaria na origem das intensas mudanças nas 
manifestações culturais observadas a partir de então.
As palavras moderno, modernização e modernidade invadiriam os debates, 
opondo o antigo e o novo, o arcaico e o moderno, como repercussão do ambiente 
moderno vivido em países europeus.
A Semana de Arte Moderna de 1922 reflete, no campo das artes, o contexto da 
época, trazendo para o Brasil o espírito das vanguardas europeias.
Movimento de Arte Moderna
A Semana de Arte Moderna ocorreu no Teatro Municipal em São Paulo, em fevereiro de 
1922. Essa semana de artes trouxe novidades ao mundo artístico brasileiro da época, 
embora infl uenciada por movimentos de arte europeia, buscando dar a tônica, com uma 
visão brasileira, às artes plásticas, à pintura, literatura, música, ao desenho etc. Contou com 
nomes como Mário e Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, 
Victor Brecheret, Villa-Lobos, entre outros.
Ex
pl
or
9
UNIDADE Ares de Modernidade na Culturano Brasil
Figura 1 – Semana de Arte Moderna de 1922 em São Paulo
Fonte: Wikimedia Commons
Em meio à industrialização principalmente da região Sudeste, à ampliação 
do acesso à educação formal e à mudança no papel da mulher na sociedade, 
entre outros fatores, o Brasil entrava no mundo moderno mantendo muitos dos 
elementos do mundo antigo, e assim permaneceria por muito tempo.
Um olhar retrospectivo revela a convivência entre os antigos valores e os novos, 
trazidos pelos ventos de modernidade vindos da Europa e dos EUA. Nas grandes 
cidades, conviviam tecnocratas e aspirantes à burocracia de Estado e à indústria 
cultural que se formava, políticos e empresários, dando formas à cultura política 
patrimonialista que nos anos seguintes revelaria muito do que somos.
No campo político, o populismo em ascensão passava a ser o principal opositor 
da política tradicional desenvolvida na primeira República.
Cultura e Política no Estado Novo
No campo político, o getulismo marcaria profundamente a sociedade, reforçan-
do aspectos da tradição caudilhesca de nossa cultura: o Presidente Getúlio Vargas, 
“pai dos pobres”, entraria para a história ao se apresentar à sociedade como líder 
capaz de apaziguar interesses antagônicos, constituindo-se simbolicamente como 
“salvador da pátria”.
À frente do Estado brasileiro, entre 1930 e 1945 e, posteriormente, entre 1951 
e 1954, Getúlio Vargas tornou-se principal referência para a constituição de uma 
cultura política populista, ocupando o imaginário de uma população que mal se 
familiarizara com os valores do Brasil República.
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Um povo miscigenado, oriundo de diversas partes do mundo e que intensificava 
um processo de migração do campo para a cidade, buscava construir símbolos e 
representações de sua identidade.
O seu governo na época buscava criar a ideia de um só povo e uma só cultura 
elegendo alguns símbolos ditos nacionais – a feijoada, o futebol – como exemplos 
dessa identidade nacional. Vargas era nacionalista e tinha a ideia de buscar essa 
identidade nacional com a junção de brancos, negros e indígenas, o que foi um 
marco de seu governo.
Foi no governo Vargas que pela primeira vez um presidente visitou uma área 
indígena formalmente. Em 1934, criou-se o Dia do Índio e em 1938 foi lançada a 
marcha para o Oeste do Brasil com intuito de integração do índio à cultura nacional.
Cabe ressaltar que a expressão índio é muito genérica, mas foi e vem sendo 
usada para caracterizar diversos grupos indígenas, de modo a torná-los mais 
homogêneos, quando, na realidade, compreendem diversos povos e culturas 
inseridos no território brasileiro.
Em relação aos negros, tratou-se de al-
gumas manifestações culturais considera-
das mais comuns entre os negros e, nes-
se período, o samba carioca foi elevado 
à samba nacional, difundido e abraçado 
como parte da cultura nacional. A figura 
de Carmen Miranda como símbolo de bra-
silidade também foi muito difundida nessa 
época, bem como a de Villa-Lobos, com 
uma música genuinamente brasileira, que 
trazia sons do imaginário brasileiro e ser-
via como propaganda do governo.
No caso de Carmen Miranda, tornou-se 
ícone das marchinhas e do samba cario-
ca, divulgados na rádio, em revistas como 
O Cruzeiro, discos e cinema, já que essa 
acabou indo para Hollywood.
Figura 2 – Carmen Miranda
Fonte: ana-lee.livejournal.com
Os conhecimentos e as relações familiares, suficientes para a vida em 
comunidades rurais, já não o são no ambiente urbano e a busca por relações que 
proporcionassem privilégios seria uma constante na cultura brasileira. A proteção, 
o apadrinhamento e a constituição do jeitinho brasileiro serão elementos que se 
intensificarão no período.
A figura do pai dos pobres associada à figura do Presidente Getúlio Vargas terá 
grande significado para esse processo. Oscilando entre imagens de ingenuidade, 
resistência e conformismo, a cultura brasileira dos anos 1930/1940 apresentará 
inovadoras interpretações do país e de seu povo.
11
UNIDADE Ares de Modernidade na Cultura no Brasil
O futebol foi outro símbolo usado como forma de identidade nacional. Como 
explica o pesquisador:
O futebol foi popularizado; e seus jogadores, profissionalizados pelos meios 
de comunicação, principalmente o rádio. O futebol estabeleceu-se como 
meio de integração social da população brasileira, dando-lhe uma identi-
ficação de cidadania relacionada diretamente ao período Vargas. Introdu-
zido no Brasil no final século XIX, o futebol não parou de crescer, mesmo 
com seu caráter elitista. O esporte inglês difundido inicialmente em clubes 
e escolas, logo propagou-se para as camadas populares, que passaram a 
adequar o desporto elitista a suas realidades: descalços, descamisados, em 
locais planos e abertos; criou uma identidade localizada, regional e nacio-
nal a partir dos clubes futebolísticos (ZANELATTO, 2007, p. 7-8).
De um esporte que era elitizado, foi ganhando adeptos entre os mais pobres e 
entre outras classes sociais, tendo sido popularizado também a partir da rádio.
Figura 3
Fonte: Wikimedia Commons
Um país que alterava sua dinâmica ao transferir parte das atividades rurais 
agrícolas para as urbanas industriais fazia isso em um contexto tecnológico que 
acompanhava tal processo ao oferecer máquinas para a produção em série que 
possibilitaram, inclusive, a industrialização da cultura.
Imprensa, rádio e cinema são inovações que marcam o cenário cultural brasileiro 
daqueles anos, reforçando o caráter modernizador do período. Ficaria ainda para 
a década seguinte a inserção da televisão que, como veremos, reuniria linguagem 
e técnica do rádio e do cinema e configuraria um meio de comunicação de grande 
alcance e potencialidades.
Na organização da cultura industrial, seria adotado o modelo norte-americano, 
seja pelo consumo de filmes produzidos em Hollywood, seja pela presença de 
produtos e de agências de publicidade que passaram a veicular padrões estéticos e 
de consumo daquela sociedade.
Dos produtos farmacêuticos e de beleza a automóveis, cigarros e moda, o período 
assimila a nova dinâmica de substituição da produção artesanal pela industrial.
12
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Figura 4
Fonte: Wikimedia Commons
É o embrião da sociedade de consumo que viria a se estabelecer totalmente no 
país décadas depois, levando os cidadãos a se preocuparem em obter renda para 
adquirir produtos e serviços que a modernidade oferecia.
A moda, por exemplo, levará a mudanças não só nos hábitos, ao profissionalizar 
a produção, mas também retirará da família, especialmente das mulheres, a tarefa 
de fazer as vestimentas, passando a comprá-las. Sai parcialmente de cena a moda 
caseira feita sob medida e entra a roupa produzida em série, em padrões aos quais 
as pessoas precisarão se adaptar.
Algumas das manifestações culturais mais criativas e que posteriormente 
produziriam os elementos a serem apropriados para a construção de identidades 
nacionais – futebol, samba e carnaval – têm no período da Ditadura Vargas grande 
desenvolvimento.
Atendendo a finalidades de mercado e ideológicas, tais manifestações atravessam 
as culturas brasileiras, da erudita à popular, fixando-se, posteriormente, como 
ingredientes fundamentais da cultura de massas, o que ocorre até o período atual.
A Era Vargas politizou a cultura ao controlar suas formas e produções e usá-
la para fazer propaganda do Estado Novo e do populismo. A produção cultural, 
analisada com distanciamento no tempo, revela traços de um Brasil que entrava 
em uma nova fase em termos sociais e econômicos com uma cultura que insistia 
em difundir formatos simplórios, personagens caricatos e censura à produção 
verdadeiramente crítica.
13
UNIDADE Ares de Modernidade na Cultura no Brasil
Imprensa: Cultura de Massa sem Massa
A comunicação de massa tem início no Brasil em 1808, com a chegada da Corte 
Portuguesa e a veiculação do primeiro jornal em solo brasileiro. Quase ao mesmo 
tempo, o jornalista Hypólito da Costa editava o Correio Braziliense, na Inglaterra.
A imprensanasce como parte da estratégia do Estado e como forma de luta 
política de opositores do regime. Nasce sob censura e com acesso restrito a uns 
poucos cidadãos que reúnem as condições necessárias ao consumo.
Nas primeiras décadas do século XX, a imprensa tem circulação restrita; porém, 
alguns jornais e revistas consolidam sua presença, atuando nas áreas da cultura e 
da política das capitais e de algumas grandes cidades brasileiras.
A agenda política passa a ter um novo ator a participar do cenário, com fortes 
influências dos acontecimentos e práticas jornalísticas da Europa e EUA. Desde 
as primeiras décadas do século XX, o jornalismo no Brasil constitui importante 
instrumento de diálogo entre o Estado e segmentos privilegiados.
Para o campo cultural, a imprensa será importante ao estabelecer critérios para 
a crítica cultural e disseminação de informações acerca da agenda cultural, que 
incorpora inovações como o cinema e mantém a tradição de crítica literária.
A incorporação da mulher como leitora de revistas é fator relevante para o 
período, pois traz para o espaço público questões e personagens antes mantidos 
à margem. É nas revistas femininas ou com espaço para discussão de temas que 
seriam de interesse da mulher que muitos aspectos da modernização serão tratados, 
principalmente aqueles relacionados à saúde e à moda.
Cinema: Diversão Familiar Dominical
O Cinema surge como manifestação expe-
rimental realizada por intelectuais e artistas. 
A consolidação do cinema como diversão de 
massas no Brasil se dá na década de 1920.
A partir de financiamento público e realiza-
ção por produtores independentes, o cinema 
configurou-se como primeira forma de diver-
são para as massas de habitantes das metró-
poles do período.
A Cinédia, nos anos 1930, com filmes mu-
sicais românticos no estilo hollywoodiano, e 
a Atlântida, nos anos 1940, com chanchadas 
que divertiram multidões, foram as principais 
referências de um cinema nacional para as 
massas, configurando o hábito familiar de ir 
ao cinema aos domingos. Figura 5
Fonte: Wikimedia Commons
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As culturas brasileiras ofereceram à Sétima Arte personagens e situações 
transpostos para as telas e a visualidade de nossa cultura foi relevante para formar 
o público para o cinema, tanto nacional quanto estrangeiro.
A produção cinematográfica dos EUA, com sua fórmula de sucesso até hoje 
dominante, conseguiu nesse período superar problemas técnicos e de linguagem 
e ganhou a preferência do público. A produção hollywoodiana inundou, desde 
então, as salas de exibição, cabendo aos filmes brasileiros espaço cada vez menor.
O cinema dos EUA teria grande influência sobre a produção brasileira, por 
se apresentar como modelo a ser seguido em termos de linguagem e técnica. 
Desempenhou também o papel de disseminar a cultura dos EUA no Brasil e no 
mundo, fazendo com que pessoas em diversas partes do mundo conhecessem 
histórias e personagens da cultura daquele país, até então pouco relevantes no 
cenário mundial.
A trajetória errática do cinema nacional, com ciclos regionais, criação de 
produtoras importantes e participação estatal na organização do setor e no seu 
financiamento, produziriam admiráveis obras, sem, no entanto, configurar uma 
indústria cinematográfica capaz de oferecer um conjunto de obras que atendesse à 
demanda do mercado.
Em Cena a Cultura para as Massas: 
A Era do Rádio
O rádio, manifestação da cultura de massa 
e veículo de transmissão da ideologia do 
Estado Novo, será o responsável pela criação 
de hábitos de consumo de cultura pela família.
Não havia ainda no país uma indústria 
cultural largamente institucionalizada e o rádio 
foi o elemento central para a configuração 
do lazer como parte das atividades planejadas 
para o cotidiano da população.
Fez isso definindo formatos de programas 
e horários fixos para sua exibição, o que 
adiciona à vida das pessoas a necessidade 
de organização para o consumo cultural, tal 
como foi feito pela indústria ao estabelecer 
horários, locais e padrões de produtividade 
no mundo do trabalho.
Figura 6
Fonte: Wikimedia Commons
15
UNIDADE Ares de Modernidade na Cultura no Brasil
Das radioclubes dos primeiros anos, mantidas e realizadas pelos usuários, 
à propaganda do Estado Novo e à profissionalização das equipes em busca de 
audiência para oferecimento aos anunciantes, o sistema radiofônico rapidamente 
foi assimilado pela sociedade, configurando, por um lado, uma primeira estratégia 
de integração nacional, tema recorrente na política e na cultura brasileiras e, 
em outro registro, veículo para a difusão das novidades que a modernidade trazia 
aos brasileiros, consolidando os primeiros formatos da propaganda radiofônica – 
muitos deles utilizados até hoje.
Emprestando formatos da cultura popular e difundindo outros consagrados na Eu-
ropa e nos EUA, o rádio constitui, no Brasil, em termos de alcance, o primeiro meio 
de comunicação de massas, com enormes influências sobre a cultura e a política.
Ao incluir em sua programação notícia e entretenimento, o novo meio teve 
a adesão das massas, formada, em sua maioria, por cidadãos que não tinham 
acesso à imprensa escrita, por não serem alfabetizados, e não terem condições 
econômicas e culturais para consumo dessa forma de comunicação de massa que 
era, desde o século XIX, acessível a poucos.
O rádio apresenta em sua programação informação, entretenimento e música 
e será grande aliado do cinema na transformação da música em produto cultural 
de massa. Programas de auditório foram responsáveis por consagrar um conjunto 
de cantores brasileiros no que posteriormente seria caracterizado como Música 
Popular Brasileira.
No Rio de Janeiro, principalmente, o rádio tornou-se o centro das atenções 
como mídia de entretenimento e alguns dos ídolos que produziu também fizeram 
sucesso nas telas do Cinema, associando a repercussão da música aos musicais 
da Cinédia.
A música dos EUA também teve espaço no rádio e foi mais um elemento de 
aproximação entre a cultura daquele país e a do Brasil – o que, para alguns, configura 
situação de imperialismo cultural e, para outros, característica das sociedades a 
partir do século XX, nas quais a circulação de bens e serviços é uma necessidade 
do sistema.
16
17
Balanço Geral: Cultura e 
Política na Era Vargas
Na Era Vargas, entre outras mudanças importantes, houve, no campo da 
Cultura, uma ação fundamental representada pela profissionalização da produção 
cultural no país e pela difusão da cultura dos EUA, cujos valores chegaram até os 
brasileiros, principalmente via cinema e música. Os valores tradicionais das culturas 
brasileiras viram-se confrontados pelas novidades do mundo moderno no qual o 
Brasil entrava.
As desigualdades em diversas áreas foram ampliadas e no campo da cultura 
destacam-se as manifestações populares que, no início do século XX, consolidaram 
a diversidade como principal elemento de nossa expressão cultural. Isso ocorre 
tanto nas obras quanto nos modos de ser do cidadão pobre, que convive nas 
grandes metrópoles com os traços da modernidade em meio à permanência ainda 
dominante dos valores tradicionais de culturas predominantemente rurais, católicas 
e pouco aderentes aos tempos da República.
Isso fez parte do projeto político dos dirigentes do Estado, que politizaram a cul-
tura para que ela expressasse os valores e a ideologia por eles definidos. A criação 
de um órgão, o Departamento de Imprensa e Propaganda – DIP, responsável pelo 
controle da Comunicação e da Cultura, reconhecia a importância dessas áreas para 
o projeto político do Estado e a necessidade de controlar e dirigir a produção nessas 
áreas para que elas atuassem como verdadeiros aparelhos ideológicos do estado.
Ao final do processo, em 1945, tínhamos uma novidade importante no país: a 
cultura de massas estava parcialmente instalada, por meio de investimentos estatais 
e privados e operação feita por empresas familiares.
Imprensa, rádio e cinema, essas eram as estrelas da indústriacultural dos anos 
1930/1940. Com formatos e linguagens definidos, esses meios foram fortemente 
dirigidos para o entretenimento e para a construção de estereótipos de brasilidade e 
de nacionalismo. Por outro lado, foram censuradas todas as manifestações críticas 
em relação à ideologia do Estado ou de seus projetos.
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UNIDADE Ares de Modernidade na Cultura no Brasil
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Livros
O Futebol Explica o Brasil: Uma História da Maior Expressão Popular do País
GUTERMAN, Marcos. O futebol explica o Brasil: uma história da maior expressão 
popular do país. São Paulo: Contexto, 2009. (e-book- biblioteca virtual).
 Vídeos
Quem é Brasileiro, Cultura?
UNIVESP TV. Cultura brasileira. Quem é brasileiro, cultura? Aula 1. 14min, São 
Paulo, 2014.
https://youtu.be/gm4Bx2XjxYs
Identidade X: Modernidade
UNIVESP TV. Cultura brasileira. Identidade X: modernidade. Aula 4. 17min39, São 
Paulo, 2014.
https://youtu.be/7ROInAARSuM
 Leitura
A Era Vargas - 1º tempo - dos anos 20 a 1945
A Fundação Getúlio Vargas disponibiliza material para pesquisa on-line sobre o período.
https://goo.gl/axlzcO
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19
Referências
FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS. Diretrizes do Estado Novo (1937 – 1945). 
Educação, cultura e propaganda. Disponível em: <http://cpdoc.fgv.br/producao/
dossies/AEraVargas1/anos37-45/EducacaoCulturaPropaganda>. Acesso em: 19 
abr. 2010.
MENEGUEL, Y. P.; OLIVEIRA, O. O Rádio no Brasil: do surgimento à década 
de 1940 e a primeira emissora de rádio em Guarapuava. Disponível em: <http://
www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/713-4.pdf>.Acesso em: 5 
jun. 2010.
SKIDMORE, T. Brasil: de Getúlio a Castelo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1972.
ZANELATTO, João Henrique. Estado, cultura e identidade nacional no tempo de 
Vargas. Periódicos Unesc, Tempos Acadêmicos, Revista do Curso de História, n. 
5. 2007.
19

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