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4 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Emily Cristina dos Ouros e Murilo de Almeida Gonçalves Estudo da escr ita - Redação L ENTRE FRASES C Redação para vestibular medicina 4ª edição • São Paulo 2019 © Hexag Sistema de Ensino, 2018 Direitos desta edição: Hexag Sistema de Ensino, São Paulo, 2019 Todos os direitos reservados. Autores Emily Cristina dos Ouros Murilo de Almeida Gonçalves Diretor geral Herlan Fellini Coordenador geral Raphael de Souza Motta Responsabilidade editorial, programação visual, revisão e pesquisa iconográfica Hexag Sistema de Ensino Diretor editorial Pedro Tadeu Batista Editoração eletrônica Arthur Tahan Miguel Torres Bruno Alves Oliveira Cruz Claudio Guilherme da Silva Eder Carlos Bastos de Lima Fernando Cruz Botelho de Souza Matheus Franco da Silveira Raphael de Souza Motta Raphael Campos Silva Projeto gráfico e capa Raphael Campos Silva Foto da capa pixabay (http://pixabay.com) Impressão e acabamento Meta Solutions ISBN: 978-85-9542-164-6 Todas as citações de textos contidas neste livro didático estão de acordo com a legislação, tendo por fim único e exclusivo o ensino. Caso exista algum texto, a respeito do qual seja necessária a inclusão de informação adicional, ficamos à disposição para o contato pertinente. Do mesmo modo, fizemos todos os esforços para identificar e localizar os titulares dos direitos sobre as imagens publicadas e estamos à disposição para suprir eventual omissão de crédito em futuras edições. O material de publicidade e propaganda reproduzido nesta obra é usado apenas para fins didáticos, não representando qual- quer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) e da editora. 2019 Todos os direitos reservados para Hexag Sistema de Ensino. Rua Luís Góis, 853 – Mirandópolis – São Paulo – SP CEP: 04043-300 Telefone: (11) 3259-5005 www.hexag.com.br contato@hexag.com.br CARO ALUNOCARO ALUNO O Hexag Medicina é referência em preparação pré-vestibular de candidatos à carreira de Medicina. Desde 2010, são centenas de aprovações nos principais vestibulares de Medicina no Estado de São Paulo, Rio de Janeiro e em todo Brasil. O material didático foi, mais uma vez, aperfeiçoado e seu conteúdo enri- quecido, inclusive com questões recentes dos relevantes vestibulares de 2019. Esteticamente, houve uma melhora em seu layout, na definição das imagens, criação de novas seções e também na utilização de cores. No total, são 103 livros, 24 cadernos de Estudo Orientado e 6 cadernos de aula. O conteúdo dos livros foi organizado por aulas. Cada assunto contém uma rica teoria, que contempla de forma objetiva e clara o que o aluno realmente necessita assimilar para o seu êxito nos principais vestibulares do Brasil e Enem, dispensando qualquer tipo de material alternativo complementar. Todo livro é iniciado por um infográfico. Esta seção, de forma simples, resumida e dinâmica, foi desenvolvida para indicação dos assuntos mais abordados nos principais vestibulares, voltados para o curso de medicina em todo território nacional. O conteúdo das aulas está dividido da seguinte forma: TEORIA Todo o desenvolvimento dos conteúdos teóricos, de cada coleção, tem como principal objetivo apoiar o estudante na resolução de questões propos- tas. Os textos dos livros são de fácil compreensão, completos e organizados. Além disso, contam com imagens ilustrativas que complementam as explicações dadas em sala de aula. Quadros, mapas e organogramas, em cores nítidas, também são usados, e compõem um conjunto abrangente de informações para o estudante, que vai dedicar-se à rotina intensa de estudos. TEORIA NA PRÁTICA (EXEMPLOS) Desenvolvida pensando nas disciplinas que fazem parte das Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias. Nesses compilados nos deparamos com modelos de exercícios resolvidos e comentados, aquilo que parece abstrato e de difícil compreensão torna-se mais acessível e de bom entendimento aos olhos do estudante. Através dessas resoluções é possível rever a qualquer momento as explicações dadas em sala de aula. INTERATIVIDADE Trata-se do complemento às aulas abordadas. É desenvolvida uma seção que oferece uma cuidadosa seleção de conteúdos para complementar o repertório do estudante. É dividido em boxes para facilitar a compreensão, com indicação de vídeos, sites, filmes, músicas e livros para o aprendizado do aluno. Tudo isso é encontrado em subcategorias que facilitam o aprofundamento nos temas estudados. Há obras de arte, poemas, imagens, artigos e até sugestões de aplicativos que facilitam os estudos, sendo conteúdos essenciais para ampliar as habilidades de análise e reflexão crítica. Tudo é selecionado com finos critérios para apurar ainda mais o conhecimento do nosso estudante. INTERDISCIPLINARIDADE Atento às constantes mudanças dos grandes vestibulares, é elaborada, a cada aula, a seção interdisciplinaridade. As questões dos vestibulares de hoje não exigem mais dos candidatos apenas o puro conhecimento dos conteúdos de cada área, de cada matéria. Atualmente há muitas perguntas interdisciplinares que abrangem conteúdos de diferentes áreas em uma mesma questão, como biologia e química, história e geografia, biologia e matemática, entre outros. Neste espaço, o estudante inicia o contato com essa realidade por meio de explicações que relacio- nam a aula do dia com aulas de outras disciplinas e conteúdos de outros livros, sempre utilizando temas da atualidade. Assim, o estudante consegue entender que cada disciplina não existe de forma isolada, mas sim, fazendo parte de uma grande engrenagem no mundo em que ele vive. APLICAÇÃO NO COTIDIANO Um dos grandes problemas do conhecimento acadêmico é o seu distanciamento da realidade cotidiana no desenvolver do dia a dia, dificultando o contato daqueles que tentam apreender determinados conceitos e aprofundamento dos assuntos, para além da superficial memorização ou “decorebas” de fórmulas ou regras. Para evitar bloqueios de aprendizagem com os conteúdos, foi desenvolvida a seção “Aplicação no Cotidiano”. Como o próprio nome já aponta, há uma preocupação em levar aos nossos estudantes a clareza das relações entre aquilo que eles aprendem e aquilo que eles têm contato em seu dia a dia. CONSTRUÇÃO DE HABILIDADES Elaborada pensando no Enem, e sabendo que a prova tem o objetivo de avaliar o desempenho ao fim da escolaridade básica, o estudante deve conhecer as diversas habilidades e competências abordadas nas provas. Os livros da “Coleção vestibulares de Medicina” contêm, a cada aula, algumas dessas habilidades. No compilado “Construção de Habilidades”, há o modelo de exercício que não é apenas resolvido, mas sim feito uma análise expositiva, descre- vendo passo a passo e analisado à luz das habilidades estudadas no dia. Esse recurso constrói para o estudante um roteiro para ajudá-lo a apurá-las na sua prática, identificá-las na prova e resolver cada questão com tranquilidade. ESTRUTURA CONCEITUAL Cada pessoa tem sua própria forma de aprendizado. Geramos aos estudantes o máximo de recursos para orientá-los em suas trajetórias. Um deles é a estrutura conceitual, para aqueles que aprendem visualmente a entender os conteúdos e processos por meio de esquemas cognitivos, mapas mentais e fluxogramas. Além disso, esse compilado é um resumo de todo o conteúdo da aula. Por meio dele, pode-se fazer uma rápida consulta aos principais conteúdos ensinados no dia, o que facilita sua organização de estudos e até a resolução dos exercícios. A edição 2019 foi elaborada com muito empenho e dedicação, oferecendo ao aluno um material moderno e completo, um grande aliado para o seu sucesso nos vestibulares mais concorridos de Medicina. Herlan Fellini SUMÁRIO ESTUDO DA ESCRITA - REDAÇÃO ENTRE FRASES Aula 14: Coesão referencial 7 Aula 15: Progressão temática 33 Aula 16: Título 55 Aula 17: Coerência textual 73 Redações extras 89 Prontuário 105 1 4 Coesão referencial L C ENTRE FRASES 14 Coesão referencial L C ENTRE FRASES 8 9 Coesão referenCial Na aula anterior, estudamos a coesão textual a partir do emprego de determinados verbos e conectivos, isto é, a coesão sequencial. Vimos que esse tipo de amarração de ideias permite que o texto progrida sequencialmente dentro de uma estrutura argumentativa. No entanto, essa não é a única forma de estabelecer relações sequenciais entre as partes de um texto. Na aula de hoje, observaremos a forma de emprego de outro tipo de coesão: a coesão referencial. O que é coesão referencial? Coesão referencial é aquela em que um componente da superfície do texto faz remissão a outro(s) elementos(s) nela presentes ou inferíveis a partir do universo textual. Em outras palavras, trata-se do ato de fazer referências a termos que já apareceram no texto sem se valer do uso de repetições. A coesão referencial pode ser empregada a partir do uso de artigos, pronomes, numerais, sinônimos e hiperônimos e termos genéricos. Esses elementos estão classificados em formas gramaticais e lexicais conforme veremos na sequência. 1. Formas gramaticais presas Nesse grupo, observaremos o uso de termos que – acompanhados de um outro vocábulo – fazem remissão a elementos que já apareceram ou que ainda estão por aparecer. Comumente, são formas relacionadas a um nome com o qual concordam em gênero e/ou em número. a) Artigos – definidos e indefinidos. O artigo indefinido é utilizado de maneira catafórica, isto é, serve a apresentar um termo ou do dentro da superfície textual. Um exemplo disso é a difícil inserção dos surdos no mercado de trabalho, devido à precária educação rece- bida por eles e ao preconceito intrínseco à sociedade brasileira. Trecho da redação ENEM de Isabella Barros Castelo Branco, texto nota mil do ano de 2017. No exemplo acima, vemos que ao artigo “um” acompanhado do substantivo “exemplo” referem-se a ex- pressão posterior “difícil inserção”. O artigo definido é utilizado de maneira anafórica, isto é, serve a retomar um termo dentro da superfície textual. Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que a preparação do preconceito religioso se encaixa na teoria do sociólogo, uma vez que se uma criança vive em uma família com esse comportamento, tende a adotá-lo também por conta da vivência em grupo. Assim, a continuação do pensamento da inferioridade religiosa, transmiti- do de geração a geração, funciona como base forte dessa forma de preconceito, perpetuando o problema no Brasil. Trecho da redação ENEM de Larissa Cristine Ferreira, texto nota mil do ano de 2016. 10 No excerto acima, o artigo “o” acompanhado da palavra “problema” retomam a expressão “preconceito religioso”. b) Pronomes adjetivos Estes pronomes, caracterizados por sempre acompanharem um substantivo, também possuem função de determinar um nome que retoma termo já expresso na superfície textual. Demostrativos: Desse modo, cabe ao Ministério da Educação a criação de um programa escolar nacional que vise a contem- plar as diferenças religiosas e o respeito a elas, o que deve ocorrer mediante o fornecimento de palestras e peças teatrais que abordem essa temática. Trecho da redação ENEM de Laryssa Cavalcanti, texto nota mil do ano de 2016. Historicamente, o papel feminino nas sociedades ocidentais foi subjugado aos interesses masculinos e tal paradigma só começou a ser contestado em meados do século XX, tendo a francesa Simone de Beauvoir como expoente. Trecho da redação ENEM de Cecília Maria Lima Leite, texto nota mil do ano de 2015. Isso porque poucos recursos são destinados pelo Estado à construção de escolas especializadas na educa- ção de pessoas surdas, bem como à capacitação de profissionais para atenderem às necessidades especiais desses alunos. Trecho da redação ENEM de Yasmin Lima Rocha, texto nota mil do ano de 2017. Possessivos: Em consequência disso, os deficientes auditivos encontram inúmeras dificuldades em variados âmbitos de suas vidas. Trecho da redação ENEM de Isabella Barros Castelo Branco, texto nota mil do ano de 2017. Indefinidos Além da física, o balanço de 2014 relatou cerca de 48% de outros tipos de violência contra a mulher, dentre esses a psicológica. Trecho da redação ENEM de Amanda Carvalho Maia Castro, texto nota mil do ano de 2015. 11 2. Formas gramaticais livres Fazem parte deste grupo as palavras que retomam outros termos, mas não vêm acompanhadas de substan- tivos. Abaixo, estão listadas as formas mais interessantes para se empregar nas redações: a) Pronomes pessoais de 3ª pessoa. (ELE, ELA, ELES, ELAS) Desse modo, cabe ao Ministério da Educação a criação de um programa escolar nacional que vise a contem- plar as diferenças religiosas e o respeito a elas, o que deve ocorrer mediante o fornecimento de palestras e peças teatrais que abordem essa temática. Trecho da redação ENEM de Laryssa Cavalcanti, texto nota mil do ano de 2016. Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas "Memórias Póstumas" que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura de muitos brasileiros frente a intolerância religiosa é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Trecho da redação ENEM de Larissa Cristine Ferreira, texto nota mil do ano de 2016. b) Pronomes substantivos – (Demonstrativos, possessivos, indefinidos, interrogativos, ou re- lativos ) Demonstrativos Logo, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com instituições de apoio ao surdo, propor- cione a este maiores chances de se inserir no mercado, mediante a implementação do suporte adequado para a formação escolar e acadêmica desse indivíduo. Trecho da redação ENEM de Alan de Castro Nabor, texto nota mil do ano de 2017. No excerto acima, “este” retoma o termo mais próximo com o qual concorda em gênero e em número. No caso, o termo “surdo”. Sob esse viés, pode-se apontar como um empecilho à implementação desse direito, reconhecido por me- canismos legais, a discriminação enraizada em parte da sociedade, inclusive dos próprios responsáveis por essas pessoas com limitação. Isso por ser explicado segundo o sociólogo Talcott Parsons, o qual diz que a família é uma máquina que produz personalidades humanas, o que legitima a ideia de que o preconceito por parte de muitos pais dificulta o acesso à educação pelos surdos. Trecho da redação ENEM de Marcus Vinícius Monteiro de Oliveira , texto nota mil do ano de 2017. No exemplo acima, o pronome “isso” retoma toda uma ideia desenvolvida anteriormente. 12 Relativos Dentro dessa lógica, nota-se que a dificuldade de prevenção e combate ao desprezo e preconceito religioso mostra-se fruto de heranças coloniais discriminatórias, as quais negligenciam tanto o direito à vida quanto o direito de liberdade de expressão e religião. Trecho da redação ENEM de Desirée Macarroni Abbade, texto nota mil do ano de 2016. Em primeiro plano, evidencia-se que a coletividade brasileira é estruturada por um modelo excludente imposto pelos grupos dominantes, no qual o indivíduo que não atende aos requisitos estabelecidos, branco e abastado, sofre uma periferização social. Trecho da redação ENEM de Matheus Pereira Rosi, texto nota mil do ano de 2016. c) Numerais (Ordinais, cardinais, multiplicativos e fracionários) Pesquisas comprovam que, no Brasil, o salário dado a homens e mulheres é diferente, mesmo com ambos exercendo a mesma função. Trecho da redação ENEM de Julia Guimarães Cunha, texto nota mil do ano de 2015. 3. Formas lexicais As formas de remissão lexicais são aquelas que – além de se conectarem com termos anteriores – possuem um significado exterior à superfície textual. Fazem parte desse grupo sinônimos, hiperônimos, nominalizações e alguns termos genéricos por meio dos quais conseguimos reconhecer o referente já expresso. a) Sinônimos – Trata-se de usar termos com significado equivalente ousemelhante. Outrossim, o preconceito da sociedade ainda é um grande impasse à permanência dos deficientes auditivos nas escolas. Tristemente, a existência da discriminação contra surdos é reflexo da valorização dos padrões criados pela consciência coletiva. Trecho da redação ENEM de Thaís Fonseca Lopes, texto nota mil do ano de 2017. SINÔNIMOS POSSÍVEIS – Verifique se a substituição desses elementos em seu texto pode ser realizada. Ação: atividade, processo, realização, operação. Contexto: cenário, conjuntura, situação Ideia: posicionamento, acepção, posição, consideração. Pessoas: indivíduos, cidadãos, sujeitos. População: Sociedade civil, pessoas de modo geral b) Hiperônimos – Trata-se da retomada de um termo específico por um termo mais abrangente. Paralelo a isso, o exemplo dado pelo pai ao violentar a companheira tem como consequência a solidificação desse comportamento psicológico dos filhos. Trecho da redação ENEM de Valéria da Silva Alves, texto nota mil do ano de 2015. 13 Dessa forma, muitas pessoas julgam ser correto tratar o sexo feminino de maneira diferenciada e até desrespeitosa. Logo, há muitos casos de violência contra esse grupo, em que a agressão física é a mais relatada, correspondendo a 51,68% dos casos. Trecho da redação ENEM de Anna Beatriz Alvares Simões Wreden, texto nota mil do ano de 2015. c) Nominalizações - Trata-se de transformar uma oração expressa em um substantivo com o objetivo de retomá-la. A mulher é constantemente tratada com inferioridade pela população e pelos próprios órgãos públicos. Uma atitude que demonstra com clareza esse tratamento é a culpabilização da vítima de estupro que, chegando à polícia, é acusada de causar a violência devido à roupa que estava vestindo. Trecho da redação ENEM de Caio Nobuyoshi Koga , texto nota mil do ano de 2015. c) Termos genéricos – Trata-se do emprego de termos que podem retomar os variados tipos de palavras ou orações. Historicamente, o papel feminino nas sociedades ocidentais foi subjugado aos interesses masculinos e tal paradigma só começou a ser contestado em meados do século XX, tendo a francesa Simone de Beauvoir como expoente. Trecho da redação ENEM de Cecília Maria Lima Leite, texto nota mil do ano de 2015. É fundamental, portanto, a criação de oficinas educativas, pelas prefeituras, visando à elucidação das mas- sas sobre a marginalização da educação dos surdos, por meio de palestras de sociólogos que orientem a inserção social e escolar desses sujeitos. Ademais, é vital a capacitação dos professores e dos pedagogos, pelo Ministério da Educação, com o fito de instruir sobre as necessidades de tal grupo, como o ensaio em Libras, utilizando cursos e métodos para acolher esses deficientes e incentivar a sua continuidade nas escolas, a fim de elevar a visualização dos surdos como membros do corpo social. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora das condições educacionais e sociais desse grupo. Trecho da redação ENEM de Matheus Pereira Rosi , texto nota mil do ano de 2017. 14 exerCíCios EXERCÍCIO 1: No texto abaixo, estão identificados de verde os sinônimos, hiperônimos e termos ge- néricos que retomam o termo “surdos”, longamente referido durante a redação. Observe os termos em vermelho e identifique a quais palavras, frases ou orações eles se referem. A Declaração Universal dos Direitos Humanos – promulgada em 1948 pela ONU – assegura a todos os indivíduos o direito à educação e ao bem-estar social. Entretanto, o precário serviço de educação pública do Brasil e a exclusão social vivenciada pelos surdos impede que essa parcela da população usufrua desse direito internacional na prática. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias no sistema de educação inclusiva do país. Deve-se pontuar, de início, que o aparato estatal brasileiro é ineficiente no que diz respeito à formação edu- cacional de surdos no país, bem como promoção da inclusão social desse grupo. Quanto a essa questão, é notório que o sistema capitalista vigente exige alto grau de instrução para que as pessoas consigam ascensão profissional. Assim, a falta de oferta do ensino de libras nas escolas brasileiras e de profissionais especializados na educação de surdos dificulta o acesso desse grupo ao mercado de trabalho. Além disso, há a falta de formas institucionalizadas de promover o uso de libras, o que contribui para a exclusão de surdos na sociedade brasileira. Vale ressaltar, também, que a exclusão vivenciada por deficientes auditivos no país evidencia práticas históricas de preconceito. A respeito disso, sabe-se que, durante o século XIX, a ciência criou o conceito de deter- minismo biológico, utilizado para legitimar o discurso preconceituoso de inferioridade de grupos minoritários, se- gundo o qual a função social do indivíduo é determinada por características biológicas. Desse modo, infere-se que a incapacidade associada hodiernamente aos deficientes tem raízes históricas, que acarreta a falta de consciência coletiva de inclusão desse grupo pela sociedade civil. É evidente, portanto, que há entraves para que os deficientes auditivos tenham pleno acesso à educação no Brasil. Dessa maneira, é preciso que o Estado brasileiro promova melhorias no sistema público de ensino do país, por meio de sua adaptação às necessidades dos surdos, como oferta do ensino de libras, com profissionais especializados para que esse grupo tenha seus direitos respeitados. É imprescindível, também, que as escolas garantam a inclusão desses indivíduos, por intermédio de projetos e atividades lúdicas, com a participação de familiares, a fim de que os surdos tenham sua dignidade humana preservada. Redação ENEM de Larissa Fernandes Silva de Souza , texto nota mil do ano de 2017. 15 EXERCÍCIO 2: Observe os termos em negrito e identifique a quais palavras, frases ou orações eles se referem. Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. No entanto, percebe-se que, no Brasil, os deficientes auditivos compõem um grupo altamente desfavorecido no tocante ao processo de formação educacio- nal, visto que o país enfrenta uma série de desafios para atender a essa demanda. Nesse contexto, torna-se evidente a carência de estrutura especializada no acompanhamento desse público, bem como a compreensão deturpada da função social deste. O filósofo italiano Norberto Bobbio afirma que a dignidade humana é uma qualidade intrínseca ao homem, capaz de lhe dar direito ao respeito e à consideração por parte do Estado. Nessa lógica, é notável que o poder público não cumpre o seu papel enquanto agente fornecedor de direitos mínimos, uma vez que não proporciona aos surdos o acesso à educação com qualidade devida, o que caracteriza um irrespeito descomunal a esse pú- blico. A lamentável condição de vulnerabilidade à qual são submetidos os deficientes auditivos é percebida no déficit deixado pelo sistema educacional vigente no país, que revela o despreparo da rede de ensino no que tange à inclusão dessa camada, de modo a causar entraves à formação desses indivíduos e, por conseguinte, sua inserção no mercado de trabalho. Além disso, outra dificuldade enfrentada pelos surdos para alcançar a formação educativa se dá pela falta de apoio enfrentada por muitos no âmbito familiar, causada pela ignorância quanto às leis protetoras dos direitos do deficiente, que gera uma letargia social nesse aspecto. Esse desconhecimento produz na sociedade con- cepções errôneas a respeito do papel social do portador de deficiências: como consequência do descumprimento dos deveres constitucionais do Estado, as famílias – acomodadas por pouca instrução – alimentam a falsa ideia de que o deficiente auditivo não tem contribuição significante para a sociedade, o que o afasta da escolaridade e neutraliza a relevância que possui. Logo, é necessárioque o Ministério da Educação, em parceria com instituições de apoio ao surdo, propor- cione a este maiores chances de se inserir no mercado, mediante a implementação do suporte adequado para a formação escolar e acadêmica desse indivíduo – com profissionais especializados em atende-lo -, a fim de gerar maior igualdade na qualificação e na disputa por emprego. É imprescindível, ainda, que as famílias desses defi- cientes exijam do poder público a concretude dos princípios constitucionais de proteção a esse grupo, por meio do aprofundamento no conhecimento das leis que protegem essa camada, para que, a partir da obtenção do saber, esse empenho seja fortalecido e, assim, essa parcela receba o acompanhamento necessário para atingir a formação educacional e a contribuição à sociedade. Redação ENEM de Alan de Castro Nabor, texto nota mil do ano de 2017. 16 aula 14 - o jovem e o merCado de trabalho ACERVO TEXTO 1 Os jovens sem oportunidades de trabalho e estudo que serão desafio para próximo presidente Por BBC 06/10/2018 Paulo Edson Teixeira tem uma ideia fixa. Participa de três grupos de WhatsApp, segue diversos perfis nas redes sociais, troca mensagens diárias com amigos, tudo com variações sobre o mesmo tema: conseguir o primeiro emprego. Paulo tem apenas 20 anos, mora na Vila Kennedy, comunidade na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e concluiu o ensino médio no ano passado. Este ano deveria marcar seu ingresso em uma faculdade ou um curso de qualificação, ou ainda seus primeiros passos na vida profissional, mas ele se vê em um limbo de falta de oportunidade. "Estou todo dia na busca, mas até agora nada", diz ele, que costuma sair distribuindo currículos com o amigo Mateus da Silva Lopes, também da Vila Kennedy. Os dois amigos estão na mesma situação que outros 11 milhões de brasileiros de idades entre 15 e 29 anos que nem estu- dam e nem trabalham no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os chamados "nem-nem". O número equivale a quase um entre cada quatro jovens e aumentou 6% de 2016 para 2017, o que representa outros 619 mil jovens. Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que desenvolver políticas para alavancar as trajetórias desses jovens é uma questão chave para a próxima Presidência, sobretudo diante do envelhecimento da população no país. Paulo e Mateus sabem bem o que gostariam que o próximo presidente priorizasse: emprego, saúde, educação - e que tivesse um olhar especial para a geração que será o futuro do país. "Muitas vezes os candidatos vêm nas nossas comunidades e prometem coisas que sabemos que não vão fazer. Eu não vejo uma preocupação deles com a nossa juventude. Se houvesse políticas pensando na gente, a gente teria mais oportunidade", diz Paulo. "Acho importante, porque é por meio da juventude, de nós, que vão se formar os profissionais futuros, os médicos, advo- gados, publicitários." As barreiras enfrentadas pelos jovens 'nem-nem' A falta de oportunidades de emprego é um dos grandes obstáculos enfrentados pelos jovens "nem-nem", mas está longe de ser o único. Em 2016, o Banco Mundial entrevistou 77 jovens de 18 a 25 anos de áreas urbanas e rurais de Pernambuco para entender o que está por trás do fenômeno. O resultado é o estudo "Se já é difícil, imagina para mim", lançado em março deste ano pelas pesquisadoras Miriam Müller e Ana Luiza Machado, e que elenca uma série de barreiras estruturais enfrentadas por esses jovens. São obstáculos relacionados a pobreza, educação deficiente, falta de estrutura familiar, de redes de apoio e de exemplos positivos e desigualdade de gênero. Ou todos eles juntos. Müller afirma que a expressão "nem-nem" é "infeliz", porque gera um estigma de que jovens estariam nessa situação porque querem ou porque não correm atrás. "O termo põe a culpa no jovem, que não está nesta situação porque deseja", ressalta Müller. "Mesmo que aparentem não estudar nem trabalhar, são jovens que na grande maioria das vezes estão fazendo alguma coisa, buscando trabalhos ou bicos ou fazendo tarefas domésticas, ou fazendo um trabalho informal ou não remunerado. Essa definição estigmatiza um grupo que não merece isso, que é ativo e busca oportunidades." 17 Sem qualificação, sem emprego Com um grupo de mais alguns amigos, Mateus e Paulo fazem rondas diárias por sites de emprego, se avisam quando abrem inscrições para vagas de trabalho, enfrentam filas em feiras de emprego e saem juntos para deixar seus currículos em empre- sas como grandes redes de varejo, lojas de rua, multinacionais. "Espero que a pessoa que assuma a Presidência venha com propostas voltadas ao emprego, porque está difícil", diz Mateus. Filho de mãe costureira e pai auxiliar de limpeza, ele torce para que o próximo governo seja mais focado em educação, que "é o princípio de tudo." Ele se formou em uma escola da rede estadual na Vila Kennedy. "Até que não foi ruim", avalia. "Mas, no círculo de amigos que se formou comigo, todos estão na mesma condição que eu." Como muitos jovens, a dupla ainda não decidiu que carreira seguir. Mateus fez a prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), mas não foi bem. Pensa em fazer concurso para ser gari da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana). Já Paulo está cogitando duas áreas bem diferentes: logística ou radiologia. Mas sua meta atual é conseguir uma vaga de emprego que permita pagar uma faculdade. "Teria que ser numa universidade pública, porque venho de família de baixa renda, e o dinheiro seria para poder pagar transporte, livros, arcar com as minhas despesas", diz. O governo estadual construiu próximo da casa dos dois uma unidade da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), que deveria oferecer cursos técnicos e profissionalizantes à comunidade da Vila Kennedy. O prédio custou R$ 2 milhões e ficou pronto em 2014, mas nunca abriu as portas e está se deteriorando, para revolta dos moradores. O motivo é a crise financeira do Rio de Janeiro. "Isso muito ruim, né?", diz Paulo. "Quando deixamos o currículo, muitas vezes perguntam se temos alguma qualificação. Como pessoas de baixa renda vão conseguir uma qualificação, se não temos oportunidade de cursos gratuitos?", questiona. O cenário de desalento para a juventude é especialmente preocupante diante da expectativa que recai sobre as novas gerações frente às tendências demográficas atuais. O Brasil está envelhecendo, e a taxa de natalidade está diminuindo. Assim, a carga previdenciária sobre a parcela produtiva da população só tende a aumentar. Regina Madalozzo, coordenadora do mestrado profissional em Economia do Insper, afirma que o país terá que pagar uma conta cara no futuro se não conseguir oferecer caminhos para seus jovens no presente. "O jovem que não está aprimorando sua formação nem trabalhando não está sendo preparado para a vida adulta", diz. "O país conta com essa população produzindo para que a economia rode. Senão, quem é que vai pagar essa conta depois? Mas a grande pergunta é o que aconteceu para termos uma parcela tão grande de jovens sofrendo com essa falta de perspectivas." O cenário se agrava quando se considera o alto índice de homicídios de que jovens são vítimas. Segundo o último Atlas da Violência, produzido pelo Instituto de Pesquisa Pura e Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 33.590 mortes violentas de pessoas entre 15 e 29 anos em 2016. O número representa mais da metade do total de assassinatos no Brasil no ano - 94,6% dos mortos são homens. Políticas para o "futuro do país" Para Ana Amélia Camarano, coordenadora de Estudos e Pesquisas de Igualdade de Gênero, Raça e Gerações do Ipea, esta é a face mais drástica da falta de perspectiva imposta a jovens em situação de pobreza, levando alguns a se envolverem com facções criminosas para obter dinheiro e reconhecimento. Para Regina Madalozzo, do Insper, embora políticas para jovens figurem em alguns dos programasde governo apresenta- dos pelos candidatos, o problema não tem tido espaço proporcional à gravidade da situação. "O debate ficou centrado em questões que não tangem esse assunto, com a questão da segurança ou da posse de armas, e ainda não alcançou profundidade para debater questões tão importantes e ao mesmo tempo sutis como essas", afirma. Para ela, falar em "nem-nem" não admite interpretações simplistas que culpabilizem os jovens pela situação que enfren- tam - como se fosse desejo deles ficar em casa. 18 "É preciso uma preocupação não só com o mercado de trabalho e educação, mas com inclusão social. E essa preocupação não parece ser tão grande por parte de todos (os candidatos)", considera a economista do Insper. A partir das entrevistas com jovens de Pernambuco, o estudo do Banco Mundial observou diversas barreiras que afastam os jovens do sistema de educação ou do mercado de trabalho, e fez uma série de recomendações de políticas públicas para fortalecê- -los e ajudá-los a desenvolver suas aspirações e objetivos. Os jovens foram separados em três grupos, de acordo com suas aspirações - ou a falta delas. No primeiro entraram jovens que mostraram ter vontade de participar do mercado de trabalho ou aprimorar sua formação, mas não conseguiram por obstáculos externos. No segundo, jovens que mencionavam essas aspirações, mas que não tinham as ferramentas para realizá-las por razões variadas. Já o terceiro grupo foi composto por jovens que não mencionaram quaisquer aspirações relacionadas ao mercado de tra- balho ou à educação. Neste grupo, entraram apenas mulheres. Esse recorte evidenciou como mulheres jovens ainda se veem presas por papeis de gênero. "Nesse grupo, os sonhos e desejos das mulheres estavam muito mais ligados à formação de uma família boa e saudável, a ser feliz, a ter casa própria", diz a autora Miriam Müller. "Mesmo quando indagamos um pouco mais a fundo, elas não falaram quase nada sobre trabalho ou educação." De acordo com Müller, não basta aumentar a oferta de cursos técnicos para ajudar jovens a entrarem no mercado para remediar a situação "nem-nem". Há que se desenvolver políticas que levem em conta as diversas limitações estruturais que se apresentam como obstáculos - como pobreza, falta de redes de apoio e normas de gênero - e sem desprezar aspectos sutis que podem ser decisivos. A falta de transporte público gratuito e seguro, por exemplo, pode ser uma barreira incontornável para jovens em situação de pobreza irem para a escola. Para famílias pobres, um filho na escola pode ser um par de braços a menos para trabalhar, e contrapartidas financeiras podem ser necessárias para viabilizar o estudo do jovem. Müller diz ainda que não se pode desprezar a importância de trabalhar essa motivação com as pessoas no entorno dos jovens - a família, os professores, a comunidade. "Trabalhar com essas redes de apoio é essencial para construir essa motivação nesses jovens, e esse sentimento de que sim, é possível para mim também", diz a pesquisadora do Banco Mundial. Sem fé na política Paulo mora com a mãe, que era auxiliar de creche, mas está desempregada e não tem tido sucesso na busca por uma recolocação; e a avó, que foi manicure a vida inteira, não recebe aposentadoria, porque trabalhava na informalidade. Seu pai era camelô e morreu quando ele tinha 6 anos. Hoje, a família sobrevive graças à pensão que a avó recebe do Estado em nome do avô, falecido, que era policial militar. "Eu gostaria de ver políticas para beneficiar as pessoas ao meu redor", diz Paulo sobre o candidato que será eleito presi- dente. "Muitos vizinhos e muitas pessoas na minha família estão desempregados. Não somos só nós." No seu círculo de conhecidos, as dificuldades para ter acesso a saúde também são motivos de preocupação. "As pessoas aqui que precisam de médicos têm muita dificuldade de conseguir. Até sair uma vaga no Sisreg (o Sistema Nacional de Regulação, do Ministério da Saúde, que gerencia vagas para atendimento e exames), a pessoa já piorou. Ou até mesmo já morreu", afirma. https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2018/10/06/os-jovens-sem-opor- tunidades-de-trabalho-e-estudo-que-serao-desafio-para-proximo-presidente.ghtml TEXTO 2 19 As mulheres, parte da população da Região Nordeste, pessoas com baixa escolaridade, jovens adultos (de 18 a 24 anos) e pessoas que não são chefes de família são os grupos sociais que mais desistem de ingressar no mercado de trabalho ou retornar a alguma ocupação para ter renda. O fenômeno, chamado de desalento pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é confirmado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. O desalento está ligado ao desemprego, ou seja, os dois oscilam simultaneamente. O especialista explica que não é possível elencar apenas uma causa desencadeadora do desalento, pois os aspectos estruturais, estatísticos e tomográficos também fazem parte da equação. Os mais afetados por esse fenômeno, de acordo com Chahad, são os chamados trabalhadores secundários: jovens, mulheres e idosos, em sua maioria, que não têm como objetivo final a inserção no mercado de trabalho, mas contribuem para a renda da família. Os jovens, principalmente, sofrem mais com o desemprego, rotatividade, informalidade e, consequentemente, com o de- salento, afirma Chahad. Eles têm menos oportunidades por comporem um grupo com menos experiência e qualificação. Quanto a isso, o professor ressalta que a falta de mão de obra qualificada no Brasil, por conta da baixa escolaridade, é um grande obstáculo para a retomada do crescimento do País. Se os profissionais brasileiros fossem mais qualificados, o custo de produção diminuiria, o que proporciona o aumento da produtividade, com salários maiores e alto nível de concorrência. A partir de políticas públicas, segundo Chahad, a economia foi capaz de restaurar, minimamente, a confiança do investidor no mercado, mas não foi o suficiente para diminuir substancialmente o desemprego e o desalento. Para que isso aconteça, o es- pecialista defende a retomada do investimento e do crescimento do Brasil, atrelada à aplicação de recursos na educação, com um plano capaz de melhorar a qualificação dos profissionais. O professor Marcelo Afonso Ribeiro, do Departamento de Psicologia Social e Trabalho do Instituto de Psicologia da USP, também abordou o desemprego, desalento e exclusão social a partir da perspectiva da psicologia social, na entrevista Desemprego causa impacto social e psicológico na população. https://jornal.usp.br/atualidades/jovens-sao-os-mais-afetados-pelo-desemprego-e-desalento/ (05.10.2018) TEXTO 3 As empresas abriram 227 mil postos de trabalho para jovens aprendizes de janeiro a junho deste ano, segundo levanta- mento da Rede Peteca a partir de dados do Ministério do Trabalho. No mesmo período, foram fechadas 184 mil vagas para esse público, ou seja, houve um acréscimo de apenas 43 mil novos jovens aprendizes no Brasil.Quando se leva em conta todo o ano passado, verifica-se a abertura de 615 mil vagas para jovens aprendizes, contra o fechamento de outras 553 mil. Isso dá uma média de 90 postos fechados para cada 100 criados. “Esse número revela que muitas empresas vêm cumprindo a Lei do Aprendiz por mera obrigação, sem entender seu papel social na contratação desses jovens. Essas vagas precisam ser acompanhadas de um treinamento similar à atividade prática. A passagem do adolescente pela empresa acaba sendo um processo de mera formalidade a fim de evitar uma multa”, diz Felipe Tau, articulador social da Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil, um projeto da ONG Cidade Escola Aprendiz, em parceria com o Ministério Público do Trabalho. https://veja.abril.com.br/economia/para-cada-10-vagas-abertas-de- -jovem-aprendiz-9-sao-fechadas/ (15.08.2018) 20 TEXTO 4 DESALENTADOS: 4,7 MILHÕES SE SENTEM SEM ESPERANÇA DE EMPREGO NO BRASIL Esse é o número de brasileiros que, de tanto batalharem paraarranjar trabalho e não conseguiram, desistiram até de tentar. Para o IBGE, eles estão em situação de desalento. Há cinco anos sem conseguir trabalho, Valéria Alves de Moraes, 38 anos, não sabe mais como fazer para achar uma vaga. “Eu paro de procurar, depois volto a entregar currículo. Mas eu preciso arrumar emprego. Meu marido é garçom e só com a renda dele não dá para pagar aluguel, água, luz… Eu quero trabalhar”, lamenta. Para driblar a falta de dinheiro, Valéria atua como manicure em casa e fez um curso de secretariado escolar, mesmo assim, não consegue uma colocação. “A primeira coisa que eles perguntam é se tem filhos. Quando a gente responde que sim, dizem que vão ligar e não entram mais em contato. Outro empecilho é a idade”, percebe ela, que é mãe de três crianças. Há mais de 30 dias sem procurar emprego, Valéria integra o grupo de mais de 4,7 milhões de desalentados. Na definição do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa é uma parcela da população que, de tanto procurar emprego e não achar, desistiu de tentar trabalhar. São profissionais que não tomaram providências para conseguir emprego nos últimos 30 dias, mas que aceitariam uma vaga caso alguém oferecesse. Os números são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do 4º trimestre de 2018. A última edição da pesquisa registrou um aumento de 8,1% no número de brasileiros nessa situação em comparação com o mesmo período do ano passado. A média de 2018 apresentou aumento de 13,4% com relação a 2017. O motivo para a multiplicação do montante de desalentados no país, de acordo com Luciano Maia, diretor da região Centro-Oeste da consultoria de carreira Lee Hecht Harrison, é simples: o desemprego. “Se tivéssemos um mercado que absorvesse as pessoas, elas, naturalmente, seriam empregadas e não engrossariam a fila do desalento”, afirma. Isso porque, apesar da contínua queda no número de desempregados, ainda há 12,669 milhões de pessoas sem trabalho no país. “As taxas vêm diminuindo sensivelmente, em uma velocidade baixa. Mas temos pessoas que estão procurando uma colocação há dois ou três anos, porque não tem vaga”, explica. Em janeiro, o IBGE voltou a registrar aumento dessas taxas, depois de nove meses de queda. Porém, na comparação com o mesmo período de 2018, houve uma diminuição de 2%. “A taxa de desemprego geral diminuiu, mas aumentou a do desalento. As pessoas deixaram de estar desempregadas para estarem desalentadas”, alerta Luciane Orlando, consultora de carreira da Thomas Case & Associados, especializada na gestão de carreiras e RH. O mais preocupante, de acordo com ela, é o perfil das pessoas que formam essa massa da população. “Em geral, são os mais idosos e as mulheres. Mesmo com uma escolaridade maior, às vezes, elas têm de tomar conta de alguém, seja um idoso, seja um filho. Isso dificulta a entrada delas no mercado”, aponta. “Também há os pretos e pardos, porque eles têm menos escolaridade, e os jovens, por falta de qualificação... Eles não tiveram tempo para desenvolver habilidades que só se aprimora no mercado”, afirma. A morte da esperança Desistir de procurar emprego é uma situação extrema, como observa Luciano Maia, graduado em administração pela Universidade Católica de Brasília (UCB). “A pessoa perde o ânimo de continuar na busca. Isso é um grande problema. Ela está procurando uma solução e pensa que não tem uma, isso é muito triste”, diz. “Emprego é o meio pelo qual a pessoa sobrevive, se relaciona, desenvolve autoestima, planeja casamento, filhos. Tudo isso desaparece do radar quando ela entra no desalento. Existe uma desistência da vida”, completa. A preocupação de Luciano é em relação aos altos níveis de doenças emocionais relacionadas. No Brasil, há 11,5 milhões de pessoas com depressão e 264 milhões com ansiedade, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). “O desalentado é, sobretudo, um desesperançado. É a morte daquilo que a sabedoria popular diz que é a última coisa a morrer. Quando a esperança morre, com ela, se vai o desejo de viver”, afirma. “Quando alguém está no desalento, isso pode se transformar em uma síndrome e gerar adoecimento. A possibilidade de ter uma depressão é alta, e é um momento em que as pesso- as acabam consumindo com mais frequência substâncias como álcool e cigarro”, completa Luciane Orlando. “Esse desalento pode ocasionar consequências ainda mais severas, tanto em nível individual quanto social, como o agravamento da violência urbana, do tráfico de drogas e da prostituição, porque a pessoa tem que buscar sustento por algum outro meio”, enumera Luciano. “Pior do que o desemprego é o desalento”, emenda. 21 Sem expectativa Retomar a profissão depois de tanto tempo longe da prática pode ser muito difícil. “Em longo prazo, isso significa um gigantesco número de pessoas que não conseguem mais entrar no mercado de trabalho. Porque as empresas preferirão um recém- -formado do que alguém que esteve tanto tempo parado”, destaca Luciano Maia. O afastamento do emprego também gera desatualização. “O trabalhador deixa de ter as habilidades necessárias. Não esquecemos de andar de bicicleta, mas se paramos de praticar, ficamos sem alguns saberes práticos, como ser capaz de empiná-la. O mesmo ocorre no trabalho”, explica Luciane Orlando. Para que essas pessoas consigam voltar ao mercado formal, seria necessário, de acordo com Luciano, que o país voltasse a crescer de tal maneira que passassem a sobrar oportunidades de trabalho. “Vamos supor que esse governo dê certo e que as vagas comecem a abrir, mesmo assim, a solução não virá de forma imediata. Daqui a quatro anos, o mercado passaria a precisar de trabalhadores”, diz. “Foi o que aconteceu em 2002. Com empre- go pleno, a pessoa é arrancada de casa e é inserida”, explica. Caso contrário, o jeito é procurar outra solução, como empreender, trabalhar de forma autônoma, arranjar renda extra e fazer bicos. “Esse é um fenômeno que sempre irá nos atingir enquanto seres humanos. Teremos décadas boas e outras nem tanto. Existem eventos incontroláveis, como guerras e crises econômicas. Haja vista a situação da Venezuela, que tem muitas pessoas desempregadas e não há o que se possa fazer. A questão é como lidamos com as crises que atravessamos. A primeira coisa é não deixar a esperança morrer”, afirma. “Quando alguém diz ‘não vai ter jeito’, discordo na hora. O mundo já passou por situações mais severas, e a vida con- tinuou. Tem gente que pensa ‘esse governo entrou e só vai piorar’. Mesmo que não seja do meu alinhamento ideológico, eu não posso dizer ‘agora acabou’. Em uma análise histórica, é possível ver que muitas grandes corporações surgem no período pós-crise”, afirma. “A pessoa fica desempregada, arranja uma cabrinha e resolve fazer leite e queijo. A Piracanjuba, por exemplo, começou assim. O dono da empresa não tinha a vaquinha no projeto de vida dele. O projeto dele era viver. Ele se negou a ser um desalentado. Não é rápido, nem fácil, mas começa com uma decisão”, exemplifica Luciano. O problema, de acordo com ele, é a falta de incentivo. Falta formação A falta de capacitação e, principalmente, de capacitação de qualidade, é um problema de longa data, apontado por Sherlly Souza, consultora de carreira da rede de escolas de profissionalização Cedaspy Professional School (CPS), como um dos principais alimentadores do desalento. “Essa é uma das questões que mais identificamos. Mesmo tendo curso superior e experiência, há pes- soas sem capacidade”, ressalta. O que não abarca apenas aspectos técnicos, mas também comportamentais, como saber trabalhar em equipe, ter iniciativa e engajamento. "Nessa área de informática são necessárias muitas certificações, além da graduação. Se você só tem o básico, eles olham com discriminação"Lucas de Oliveira Souza, graduado em redes de computadores Lucas de Oliveira Souza, 25 anos, percebe que a falta de capacitação é um dos empecilhos paraconseguir se incluir no mercado de trabalho. Graduado em redes de computadores pela Universidade Paulista (Unip) há dois anos e sete meses, ele en- grossa a fila do desemprego. “Nessa área de informática, são necessárias muitas certificações, além da graduação. Se você só tem o básico, eles olham com discriminação”, explica. Ainda como universitário, Lucas estagiou com manutenção de computadores, mas não acha que a experiência agrega muito valor. “Conversando com as pessoas, percebi que os empregadores quase nem conside- ram isso. Tenho experiência na parte técnica, mas eles querem quem já tenha lidado com público, por exemplo”, diz. Empreender para vencer a crise “Muitas vezes, a nossa sociedade não estimula esse tipo de iniciativa. Quando a pessoa quer começar um negócio, é considerada perdedora. É preciso ter uma mudança de pensamento. É importante usar a criatividade. O que eu posso fazer, que tipo de consultoria eu posso prestar? Em muitos casos, será muito melhor partir para ser um profissional liberal ou abrir um pequeno negócio”, defende Luciano Maia. Esse foi o caminho encontrado por Mariana Ramonne, 36 anos. Depois de largar um emprego como técnico-administrativa por acreditar que poderia achar algo melhor, há quatro anos, ela se deu conta de que não seria tão fácil assim. A demora para arranjar outra oportunidade acabou levando-a a perder as esperanças. “Desisti há três anos, porque não consegui uma recolocação com salário equivalente. A crise política e financeira já estava acontecendo”, lembra. "Sou multifuncional, eu me viro para me manter financeiramente" Mariana Ramonne, autônoma 22 A solução, então, foi procurar outras formas de se manter. “Resolvi empreender. Em 2017, criei uma loja de bijuterias virtu- al, passei a vender para vários estados. Hoje também atuo como personal organizer. Sou multifuncional, eu me viro para me manter financeiramente”, afirma. Casos como o de Mariana são cada vez mais comuns. Em 2018, 37,5% dos empreendimentos abertos foram motivados por necessidade, ou seja: é o caso de pessoas desempregadas que encontram no empreendedorismo uma forma de conseguir rendimentos. Apesar de essa taxa diminuir desde 2015, ainda é um nível alto em comparação com os últimos 10 anos. Os dados são do Relatório Executivo Brasil 2018, divulgado pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Luz no fim do túnel Apesar de ser difícil retornar ao mercado formal, Sherlly Souza garante que é possível. Só é preciso se reposicionar. “Muitas pessoas não sabem como se apresentar por meio de um papel. É preciso fazer um currículo mais elaborado. Procure cursos que ajudem a desenvolver competências como trabalhar em equipe”, explica. De acordo com ela, as chances de conseguir uma opor- tunidade mesmo sem experiência existem porque, muitas vezes, as empresas estão atrás de um profissional novo. “Elas querem pessoas sem vícios, mas é preciso ter uma bagagem, mesmo que não tenha experiência. Mostre proatividade, comprometimento e não tenha preguiça”, destaca. Saia dessa situação! Para conseguir voltar ao mercado de trabalho, Luciane Orlando, consultora de carreira da Thomas Case & Associados, lista algumas dicas: Currículo É preciso refletir e atualizar o documento. Informe todas as suas formações, inclusive curso de idiomas. Descreva os cargos que já ocupou. Coloque informações de contato, use um e-mail sério (nada daqueles que remetem a apelidos). Lembre-se de que esse é o seu cartão de visitas. Redes sociais Tenha perfis digitais, especialmente no LinkedIn, atualizado de acordo com as informações que você disponibilizar no seu currículo. Saiba usar esse tipo de canal com seriedade. Se preferir ter Facebook e Instagram, use de forma adequada, porque as empresas olham para isso. Networking Durante o período de desemprego, as pessoas tendem a pensar que precisam conter gastos, mas não podem deixar de sair, ver gente. Mantenha sua rede de contatos, pois ela pode ser a porta para arranjar um trabalho. Foco Não atire para todos os lados. Dá para buscar emprego em outras áreas e segmentos, mas continue na mesma linha de trabalho Saúde Reserve tempo para si mesmo e cuide do seu bem-estar físico e mental. Exercícios físicos são ideiais. Entrevista Esteja preparado para esse momento, que faz parte de seleções de trabalho. Vá com roupas adequadas. Não fale mal dos antigos empregos, por mais que esteja chateado, e não invente histórias sobre o porquê de estar desempregado. https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/tf_carreira/2019/03/18/tf_carreira_in- terna,743537/numero-de-desalentados-no-brasil-passa-de-4-7-milhoes.shtml (18.03.2019) 23 É imPortante saber I. DADO ESTATÍSTICO RELEVANTE 11 milhões de brasileiros de idades entre 15 e 29 anos nem estudam e nem trabalham no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os chamados "nem-nem". O número equivale a quase um entre cada quatro jovens e aumentou 6% de 2016 para 2017, o que representa outros 619 mil jovens. https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2018/10/06/os-jovens-sem-oportuni- dades-de-trabalho-e-estudo-que-serao-desafio-para-proximo-presidente.ghtml (06.10.2018) II. ARGUMENTO DE AUTORIDADE Regina Madalozzo, coordenadora do mestrado profissional em Economia do Insper, afirma que o país terá que pagar uma conta cara no futuro se não conseguir oferecer caminhos para seus jovens no presente. "O jovem que não está aprimorando sua formação nem trabalhando não está sendo preparado para a vida adulta", diz. O país conta com essa população produzindo para que a economia rode. Senão, quem é que vai pagar essa conta depois? Mas a grande pergunta é o que aconteceu para termos uma parcela tão grande de jovens sofrendo com essa falta de perspectivas." https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2018/10/06/os-jovens-sem-oportuni- dades-de-trabalho-e-estudo-que-serao-desafio-para-proximo-presidente.ghtml (06.10.2018) III. EXEMPLOS DO COTIDIANO Paulo tem apenas 20 anos, mora na Vila Kennedy, comunidade na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e concluiu o ensino médio no ano passado. Este ano deveria marcar seu ingresso em uma faculdade ou um curso de qualificação, ou ainda seus primeiros passos na vida profissional, mas ele se vê em um limbo de falta de oportunidade. "Estou todo dia na busca, mas até agora nada", diz ele, que costuma sair distribuindo currículos com o amigo Mateus da Silva Lopes, também da Vila Kennedy. https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2018/10/06/os-jovens-sem-oportuni- dades-de-trabalho-e-estudo-que-serao-desafio-para-proximo-presidente.ghtml (06.10.2018) IV. ATORES OU SITUAÇÕES QUE PODEM SER MOBILIZADOS NA DISCUSSÃO DO TEMA (PROPOSTA ENEM) ONGs – Capacitação profissional Jovens de baixa renda já podem se inscrever no curso de capacitação profissional e orientação de carreira oferecido gra- tuitamente pelo Instituto Proa. O programa de seis meses de duração é voltado para alunos e ex-alunos da rede pública de São Paulo que tenham entre 17 e 19 anos. Durante o período, eles serão estimulados a desenvolver competências técnicas e comportamentais, com atividades práticas, vivências corporativas, e simulações de processo seletivo. Na sequência do curso, eles receberão encaminhamento para o mercado de trabalho com oportunidades em grandes companhias parceiras do programa. Podem participar do processo seletivo estudantes e ex-estudantes da rede pública que estejam no 3º ano do ensino médio ou tenham concluído o curso. É necessário ter renda familiar de até um salário mínimo e meio por pessoa. https://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/2017/11/1938552-ong-oferece- -capacitacao-profissional-gratuita-a-jovens-de-baixa-renda.shtml (27.11.2017) 24 V. LEGISLAÇÃO: Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdênciasocial, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_15.12.2016/art_6_.asp VI. DIREITOS HUMANOS Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego. https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2018/10/DUDH.pdf 25 ASSISTIR INTERATIVIAA DADE Vídeo Artigo LER Livros LER JC DEBATE | O JOVEM E O DESEMPREGO Fonte: TvCultura 26 Desemprego - Uma Abordagem Psicossocial – Belinda Mandelbaum e Marcelo Ribeiro O Desemprego É Um Fenômeno De Múltiplas Causas, Que Envolve Determi- nantes Pessoais, Sociais E Econômicos. Reduzi-Lo A Um Problema Pessoal, Que Algumas Orientações Resolveriam, É Parte De Uma Ideologia Indivi- dualizante Em Curso Hoje, Que Ofusca A Compreensão De Como Nossa Sociedade Se Estrutura. Os jovens e o mercado de trabalho: evolução e desafios da política de emprego no Brasil - Alexandre Queiroz Guimarães, Mariana Euge- nio Almeida Os Jovens e o mercado de trabalho ASSISTIR INTERATIVIAA DADE Vídeo Artigo LER Livros LER 28 ProPosta ENEM TEXTO 1 Dados divulgados, em setembro de 2017, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostram que as maiores vítimas da recessão foram os jovens. No segundo trimestre do ano passado, do total de desem- pregados com idade entre 18 e 24 anos, apenas 25% conseguiram uma nova colocação no mercado de trabalho, enquanto 57% estão desempregados há mais de um ano. Segundo Jacques Meir, diretor do grupo Padrão – que elaborou outro estudo Millennials e a Geração Nem Nem, em parceria com a consultoria MindMiners – essa é a geração mais preparada, informada e educada, mas também a que tem mais desempregados. “Uma das razões para isso é a inadequação entre a formação acadêmica e o que o mercado exige. A outra é a necessidade de as empresas, para manter a produtividade, optarem pelos mais experientes na hora de escolher quem fica”, diz Jacques. (…) Outro problema frequente dessa geração, de acordo com Milie Haji, gerente de projetos da Cia. de Talentos, consultoria de seleção e desenvolvimento de carreira de São Paulo, é a falta de competências emocionais. “Muitas vagas deixam de ser preenchidas porque faltam candidatos que tenham, por exemplo, controle de suas emoções durante a seleção”. https://exame.abril.com.br/carreira/jovens-sao-os-mais-afetados-pelo-desemprego/ (23/02/2018) TEXTO 2 http://rgcriativo.com.br/post/169/Mercado-de-Trabalho (Acessado em 05.05.2019) 29 TEXTO 3 https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/08/17/desemprego-entre-os-jovens-e- -superior-ao-dobro-da-taxa-geral-aponta-ibge.ghtml (17.08.2018) TEXTO 4 Concluir um curso profissionalizante ou uma graduação não basta na hora de conseguir emprego. Além dos cursos, o mercado exige experiência, cuja falta é apontada por 77% dos jovens como a maior dificuldade na hora de conseguir uma vaga de emprego formal, segundo o levantamento Acreditamos nos Jovens, feito pela empresa argentina de pesquisa em tendências Trendsity, encomendado pelo McDonald's. A maquiadora Ana Priscila Fernandes, 24, formada em administração de empresas, concorda. E acrescenta que há poucas oportunidades para os jovens, situação citada por 69% dos entrevistados. Ela chegou a fazer está- gio, procurou emprego e acabou exercendo outra profissão. A supervisora de carreiras do Ibmec—MG Cymara Bastos observa que o desafio de superar a falta de expe- riência não é exclusivo da atual geração. "Não é de hoje que a maioria das empresas exige dos jovens experiência. Há casos em que isso é exigido do estagiário, que ingressa numa organização com o objetivo de aprender e, logo, ganhar experiência", diz. A recomendação dos especialistas para o jovem é buscar alternativas, caso ele não consiga uma oportuni- dade como menor aprendiz ou um estágio. Entre elas, está o trabalho voluntário. "É importante persistir e também investir em cursos", diz Silveira. https://www.otempo.com.br/economia/jovens-reclamam-de-pedido-de-experi%C3%AAncia-para-1%C2%BA-emprego-1.1570323 A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema AS DIFICULDADES DO JOVEM PARA INGRESSAR NO MERCADO DE TRABALHO, apresentan- do proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. 30 ProPosta – VEstibular TEXTO 1 DESALENTADO É quem não tem emprego, gostaria de trabalhar, mas desistiu de procurar porque perdeu a esperança. Essa pessoa está desanimada sobre suas possibilidades. O desalentado não está na força de trabalho. Então ele sequer entra na conta da taxa de desemprego. A maior parte desse grupo tem, no máximo, ensino médio completo. Quase dois terços dos 4,6 milhões se declaram pardos. Na distribuição regional, o Nordeste é, com folga, onde mais há pessoas que desistiram de pro- curar emprego. Em 2014, no início da crise, eram pouco mais de um milhão de pessoas nessa situação na região. Esse número no primeiro trimestre de 2018 chegou a 2,8 milhões de pessoas. Ou seja, 60% dos desalentados do Brasil estão na região Nordeste. https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/05/18/Desemprego-subocupa%C3%A7%C3%A3o- -e-desalento-a-crise-do-trabalho-no-Brasil (18.05.2018) TEXTO 2 O índice de desemprego subiu a 12,4% no Brasil entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2019, frente a 12% entre novembro e janeiro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicados nesta sexta-feira, que também revelam um volume recorde de pessoas em situação de "desalento" - quando de- sistem de procurar trabalho por falta de oportunidade. O número de pessoas que desistiram de procurar emprego chegou a 4,9 milhões, um recorde desde o início da série histórica, informou o IBGE. https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2019/03/29/interna_internacional,1042254/de- semprego-cresce-no-brasil-e-atinge-13-1-milhoes-de-pessoas.shtml (29.03.2019) TEXTO 3 Desistir de procurar emprego é uma situação extrema, como observa Luciano Maia, graduado em adminis- tração pela Universidade Católica de Brasília (UCB). “A pessoa perde o ânimo de continuar na busca. Isso é um grande problema. Ela está procurando uma solução e pensa que não tem uma, isso é muito triste”, diz. “Emprego é o meio pelo qual a pessoa sobrevive, se relaciona, desenvolve autoestima, planeja casamento, filhos. Tudo isso desaparece do radar quando ela entra no desalento. Existe uma desistência da vida”, completa. A preocupação de Luciano é em relação aos altos níveis de doenças emocionais relacionadas. No Brasil, há 11,5 milhões de pessoas com depressão e 264 milhões com ansiedade, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/tf_carreira/2019/03/18/tf_carreira_in- terna,743537/numero-de-desalentados-no-brasil-passa-de-4-7-milhoes.shtml (18.03.2019) 31 TEXTO 4 Não é nada auspicioso para o futuro do País ter uma parte de sua força de trabalho mais qualificada fora do mercado. São muitos os resultados que daí podem advir, nenhum dos quais alvissareiro. Essa massa de traba- lhadores desocupados pode permanecer como está, vale dizer, alheia ao mercado de trabalho, vivendo de possíveis economias que possa ter amealhado nos anos de emprego - finitas, portanto -, pode decidir sair do País ou sim- plesmente se sujeitar a ocupar posições de menor grau de exigência e remuneração, um subaproveitamento que não a beneficia e tampouco o País. https://opiniao.estadao.com.br/noticias/notas-e-informacoes,desalento,70002709358 (06.02.2019) Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos,escreva uma dissertação, empregan- do a norma--padrão da língua portuguesa, sobre o tema: OS DESAFIOS ENFRENTADOS PELOS DESALENTADOS NO BRASIL 1 5 Progressão temática L C ENTRE FRASES Progressão 34 35 Progressão temática A progressão temática é um procedimento utilizado para garantir a boa sequenciação dos textos. Con- siste em apresentar, pouco a pouco, informações novas a respeito do tema que se está discutindo a fim de se fazer com que o texto avance com novas camadas de sentido. Pode-se dizer também que a progressão temática é aquilo que garante unidade temática do texto; ou em termos mais claros, é aquilo que impede que o escritor acabe incluindo no meio de sua redação informações que não possuam relação com o tema geral. Se o tema a ser discutido na redação é bullying, devemos tomar cuidado para não perdermos o foco discutindo relações de trabalho, especulação imobiliária ou qualquer outro tema que não estabeleça relações com o que foi inicilamente proposto. Além disso, deve haver cuidado para que se “afunile” a discussão levando em conta a particularidade de sua coletânea (a discussão proposta é sobre cyberbullying? É sobre bullying em escolas infantis?). De acordo com a especialista em linguagens Ingedore Villaça Koch, a organização e a hierarquização das unidades semânticas do texto se concretizam por meio de dois eixos de informação, denominados tema (tópico) e rema (comentário). Vejamos como tais eixos funcionam: TEMA: é aquilo que tomamos como base da comunicação (enunciados que apresentam efetivamente o assunto sobre o qual se fala REMA: é aquilo que se diz a respeito do tema. Desse modo, podemos pensar que o tema seria uma infor- mação já apresentada em algum momento ao leitor, a partir de um contexto previamente sugerido em coletânea (e que por isso é facilmente compreendida e inferida por ele); enquanto o rema seria o gesto de ir apresentando informações novas ao texto, que tenham relação com o tema. Ainda nos apoiando nos escritos de Ingedore, ela nos informa que esses dois eixos de progressão podem ser conduzidos de duas maneiras: seria possível apresentarmos um tema central e na sequência acoplarmos várias remas; ou fazermos com que subtemas ou subtópicos se desdobrem a partir do tema principal (o que nos garantiria outras possiblidades de remas para o avanço do texto). Estratégias para mantEr a progrEssão tExtual na rEdação do vEstibular Ao elaborar o seu planejamento textual, é essencial observar a ordem de aparecimento das informações, sobretudo da vinculação entre os parágrafos de desenvolvimento. Procure sempre analisar qual seria o melhor caminho lógico para a apresentação das informações de seu texto. As estratégias abaixo são pensadas para se trabalhar o 2º E 3º PARÁGRAFOS DE REDAÇÃO. Lembre-se de que são apenas sugestões capazes de auxiliar a organização do raciocínio que comprova a tese do autor. Tudo dependerá do tema e da tese a ser defendida no texto. a) Apresentação lógica dos argumentos – Aproximação temática Nas redações do ENEM, é muito comum elaborarmos nossos planejamentos a partir das causas do pro- blema ou então dos desafios a serem enfrentados para resolvê-lo. Isso costuma depender da proposta que nos é apresentada. Portanto, ao elaborar o seu planejamento, organize a apresentação desses parágrafos da maneira que for mais lógica para a compreensão do coretor. Por exemplo: devo falar primeiro da família e depois do Es- tado? Devo falar primeiro da educação e depois do trabalho? Devo falar primeiro da sociedade civil e depois das empresas? Essa escolha não pode ser aleatória. Observe qual é o melhor caminho e depois siga esse planejamento. DICA: Cuidado ao selecionar argumentos muito díspares: procure sempre manter uma linha de raciocínio lógico que comprove a tese estabelecida. Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce 36 b) Causa / consequência Uma das formas de progressão temática mais comum é a articulação entre causa e consequência. Tal relação pode ser facilmente empregada em diferentes propostas de vestibular, já que consiste na apresentação das razões que motivam determinada ideia ou problema e,em seguida, dos efeitos que tal situação provoca. No entanto, é preciso cuidado: o parágrafo de consequência não pode ser completamente expositivo. É fundamental, nesse caso, que o autor realiza uma avaliação crítica do efeito apresentado. c) Argumento mais evidente / menos evidente Em algumas propostas, é possível identificar argumentos que são muito plausíveis de serem abordados, já que estão indiretamente sugeridos por meio da análise da coletânea. Nesse sentido, para comprovar a tese, o candidato pode dividir seus parágrafos começando com um argumento mais previsível e depois aprofundando sua análise num argumento menos evidente, mas que também se mostra muito pertinente à questão. d) Representação/ Realidade Essa estratégia pode ser aplicada nas propostas de redação em for conveniente abordar a realidade e a representação de determinadas situações. Para defender sua tese, o autor pode começar apontando como as representações construíram negativamente uma determinada visão de mundo,e, no parágrafo subsequente, pode apresentar porque tal visão é inconsistente, revelando a realidade por trás de toda a ficcção. e) Passado/Presente O uso da divisão entre passado e presente no desenvolvimento das redações tambémnão é uma novidade. Em alguns temas, torna-se fundamental analisar o passado para entender as causas de determinada situação e, assim, comprovar a tese. Por uma questão lógica, é preciso primeiro apresentar as relações com o passado para depois mostrar como ela ainda engendram uma relação com o presente. f) Discurso/Realidade O candidato também pode estruturar seu ponto de vista a partir da apresentação de um discurso existente na sociedade e das razões que o criaram. Na sequência, cabe a ele descontruir esse discurso,mostrando como a realidade é bem diferente do que é pregado por meio das palavras. 37 aula 15 – a telemedicina e o acesso à saúde no brasil ACERVO TEXTO 1 Norma para consultas médicas online é revogada pelo CFM após críticas Para conselhos regionais, havia riscos à segurança de dados e brechas para uso desenfreado de atendimento a distância Em meio a críticas, o Conselho Federal de Medicina decidiu revogar a resolução que ampliava a prática de telemedicina no país e permitia a realização de consultas, diagnósticos e cirurgias a distância. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (22), cerca de três semanas após a norma ser divulgada. A previsão era que a medida entrasse em vigor em maio. Em nota, o conselho atribui a decisão ao alto número de propostas encaminhadas para alteração na resolução e "ao cla- mor de inúmeras entidades médicas, que pedem mais tempo para analisar o documento e enviar também suas sugestões". Desde que foi anunciada, a possibilidade de liberação de um maior número de atendimentos online tem sido alvo de críti- cas de conselhos regionais de medicina e outras entidades médicas. A maior parte delas diz respeito às consultas não presenciais e à segurança dos dados. A AMB (Associação Médica Brasi- leira) foi uma das que pediu revogação da resolução. Segundo o presidente da entidade, Lincoln Lopes Ferreira, a responsabilização por eventuais erros médicos que possam ser cometidos com a consulta à distância é uma das grandes preocupações das entidades. "A pessoa pode achar que é uma dor de cabeça. Mas pode ser a manifestação de um aneurisma ou de uma pressão arterial elevada. O exame físico continua sendo o pilar da relação entre o médico e o paciente", afirmou. Pelo texto inicial, a teleconsulta poderia ocorrer somente após um primeiro contato, com exceção das populações que vivem em áreas geograficamente remotas, para as quais o atendimento podecomeçar já de modo virtual com acompanhamento de outros profissionais de saúde. A falta de definição sobre o que são áreas geograficamente remotas, contudo, trouxe o temor de que a teleconsulta seja usada de forma desenfreada e aumente a distância entre médicos e pacientes. Outro temor eram riscos ao sigilo dos atendimentos, que passariam a ser armazenados na rede. Em carta divulgada no dia 6 deste mês, representantes dos conselhos regionais de medicina de 27 estados já pediam a revogação da norma. “Após intensa discussão, demonstramos a preocupação com possíveis implicações negativas para o adequado exercício da medicina, bem como da garantia de observação das normas do Código de Ética Médica”, afirmaram no documento. A situação levou o CFM a divulgar uma consulta pública para receber sugestões antes que a norma pudesse entrar em vigor. O alto volume de sugestões —que já passam de 1.444— acabou por fazer com que a norma fosse revogada. Segundo o conselho, não haveria como analisar as sugestões até maio deste ano. Questionado, o relator da resolução, Aldemir Soares, evita dar novos prazos. Diz apenas que as contribuições serão analisa- das. A Folha apurou, porém, que a previsão é que novas datas sejam discutidas em reunião na próxima terça-feira (26). Para Soares, ao menos dois pontos da norma que foi cancelada devem ser esclarecidos: a definição do que são áreas remotas e qual o modelo ideal para assegurar o sigilo das informações durante as teleconsultas. Segundo ele, não haveria necessidade de programas caros para isso. "De acordo com especialistas da área, um médico interessado em usar esse modelo em seu consultório poderia fazê-lo com um investimento anual máximo de R$ 5 mil, caso optasse pela compra dos equipamentos. Os serviços também poderiam ser locados", afirma. 38 A revogação do aval à telemedicina também gerou reação de parte do setor. Em nota, a Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde) disse lamentar a revogação. "O mundo digital cresce a uma velocidade cada vez maior, num compasso de inovação surpreendente, e soa estranho qualquer tentativa em frear esta evolução", informa. "Além da manutenção da insegurança jurídica, ressaltamos que a telemedicina proporciona a melhoria da qualidade de vida dos pacientes, pois soluciona entraves relacionados à geografia e grandes distâncias." Segundo a associação, pesquisa sobre o comportamento do consumidor em saúde mostra que 32% da geração Z (nascida depois de 1996) e 12% dos Millenials (nascidos entre 1981 e 1996) estão “insatisfeitos” ou “muito insatisfeitos” com a efetividade do atendimento tradicional. "Cada vez mais os consumidores demonstram independência na escolha do que for mais conveniente às suas necessida- des." Como era/é até então Telemedicina era realizada apenas entre médicos, como uma segunda opinião. Alguns hospitais universitários já usavam a modalidade, mas em caráter experimental O que mudaria com a nova regra § Nova resolução define a prática de teleconsulta e estabelece regras, como necessidade de que o primeiro atendimento seja presencial. Estabelece ainda intervalo de no máximo quatro meses para consultas presenciais —no caso de pacientes crônicos, por exemplo. § Também prevê que atendimento seja gravado e armazenado seguindo critérios, com proteção garantida para sigilo. Caso paciente não concorde com a gravação, consulta não pode ser realizada § Caso o médico prescreva exames e medicamentos, documento deve conter dados de identificação, registro de data e hora e assinatura digital do médico § Na telecirurgia, os procedimentos devem ocorrer em espaços com infraestrutura, com médico que opere equipamento robótico e outro que acompanhe o paciente no local Glossário da telemedicina Telemedicina Termo usado para definir o exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde Teleconsulta É a consulta médica mediada por tecnologias, com médico e paciente em diferentes locais Teleinterconsulta Ocorre quando há troca de informações e opiniões entre médicos para auxílio diagnóstico ou terapêutico, clínico ou cirúrgico Telediagnóstico Consiste na emissão de laudo ou parecer de exames pela internet Telecirurgia É um procedimento feito por um robô ou outra tecnologia manipulada por um médico que está em outro local, desde que com presença de outro médico, com a mesma habilitação do cirurgião remoto, que possa atuar no caso de intercorrências 39 Teleconferência cirúrgica Feita por videotransmissão, é permitida desde que o grupo receptor das imagens, dados e áudios seja formado por médicos Teletriagem médica Ocorre quando o médico faz uma avaliação, a distância, dos sintomas para a definição e direcionamento do paciente ao tipo adequado de assistência necessária Telemonitoramento Permite que um médico avalie a distância as condições de saúde dos pacientes. Pode ser usada em casas de repouso para idosos ou em comunidades terapêuticas Teleorientação Preenchimento a distância, pelo médico, de declaração de saúde para a contratação ou adesão a um plano de saúde Teleconsultoria Permite troca de informações entre médicos, gestores e profissionais de saúde sobre procedimentos e ações de saúde Fontes: Resolução 1.643/2002 e resolução 2.227/2018 https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2019/02/norma-para-consultas- -medicas-online-e-revogada-pelo-cfm-apos-criticas.shtml TEXTO 2 O que é telemedicina. E as novas regras para esse campo no Brasil Até o momento, ela vem sendo utilizada principalmente como forma de obter uma segunda opinião, enviando imagens de uma lesão de pele por WhatsApp, por exemplo No dia 3 de fevereiro de 2019, o Conselho Federal de Medicina divulgou em seu site o teor de uma resolução por meio da qual pretende regulamentar a telemedicina no Brasil. O termo se refere a formas de atendimento médico a distância viabilizadas pela tecnologia. Por exemplo: teletriagens, consultas online, telediagnósticos, telemonitoramento e mesmo telecirurgias, realizadas com auxílio de robôs. Até o momento, a telemedicina vem sendo realizada por médicos no Brasil principalmente como forma de obter uma se- gunda opinião -ou seja, o médico principal não poderia ser aquele que realiza o atendimento a distância. Muitas vezes, isso se dá de formas muito simples, com o envio de fotos pelo celular para que colegas avaliem uma lesão de pele, por exemplo. Alguns hospitais universitários também vinham adotando a prática experimentalmente. A resolução deve ser publicada no Diário Oficial ainda nesta semana, afirma a entidade, que é uma autarquia que concentra a atribuição de regular a prática médica no Brasil. Em uma nota publicada no portal da entidade, seu presidente, Carlos Vital, afirma que a resolução pode contribuir para levar serviços de saúde ao interior do país, e diminuir o “estrangulamento” no sistema convencional em grandes centros. Na quinta-feira (7), a instituição realiza seu Segundo Fórum de Telemedicina, onde a nova resolução será lançada. 40 As novas regras para a telemedicina CONSENTIMENTO E DADOS O texto prevê que o paciente assine um termo de consentimento pelo qual concorda oficialmente com a consulta a distân- cia. Assim como acontece com processos realizados por meio das redes sociais, sites de busca e outras plataformas online, todos os dados trocados por meio da telemedicina podem ser coletados. A resolução afirma que essas informações deverão ser preservadas. Elas deverão, no entanto, trafegar de forma segura, privada e sigilosa. Um relatório com toda a informação clínica relevante deverá ser realizado e enviado ao paciente. EXIGÊNCIAS PRESENCIAIS “Os serviços de telemedicina jamais poderão substituir o compromisso constitucional de garantir assistência integral e universal aos pacientes”, diz o documento. Em vários pontos, ele deixa claro que os procedimentos a distânciaterão também con- trapartes presenciais. A relação virtual para cobertura de áreas remotas, como florestas e plataformas de petróleo, poderá ocorrer, desde que existam “condições físicas e técnicas recomendadas e profissional de saúde [presencial]”. Nos outros casos, teleconsultas terão como premissa obrigatória a relação prévia entre paciente e médico -em sua nota, o CFM fala que uma primeira consulta presencial é necessária nesses casos. Nos atendimentos “por longo tempo”, ou em se tratando de doenças crônicas, a consulta pre- sencial com intervalos de até 120 dias é recomendada. Em se tratando de cirurgias, também são obrigatórios médicos presenciais. TELEDIAGNÓSTICO O documento define “telediagnóstico” como um “ato médico” realizado por médico especializado a distância, geográfica ou temporal, e com transmissão de gráficos, imagens e outros dados. Isso pode ser feito com equipamentos como computador e câmera, entre outros. O Conselho Federal não definiu as diretrizes para o telediagnóstico, mas a regulamentação propõe que elas sejam propostas por uma Associação de Especialidade vinculada ao método. Depois, as propostas devem ser encaminhadas para aprovação pelo conselho. TELECIRURGIAS Telecirurgias são aquelas realizadas com auxílio de um robô, manipulado por um médico distante do local. No momento, elas são raras no Brasil e, para que sejam realizadas, exigem infraestrutura adequada. Isso inclui um médico presencial responsável por operar a estrutura robótica que intermediará a cirurgia. E um outro médico responsável por manipular os instrumentos da cirur- gia. Caso haja emergências ou ocorrências não previstas, o médico local se responsabilizará pela intervenção. TELEMONITORAMENTO É o acompanhamento de pacientes a distância. Isso pode ser feito, por exemplo, por meio de câmeras que registram e enviam imagens em tempo real, ou então por dispositivos implantados em pacientes internados. Na nota do Conselho Federal de Medicina, o relator da resolução, o conselheiro federal Aldemir Soares, ressaltou que o telemonitoramento ocorre em casas de repouso para idosos. A resolução também fala em casos de internação clínica, domiciliar e em comunidades terapêuticas -locais que acolhem usuários de drogas. “Com esse serviço, evitaremos idas desnecessárias a pronto-socorros. O médico remoto poderá averiguar se uma febre de um paciente que já é acompanhado por ele merece uma ida ao hospital”, afirmou o conselheiro. A telemedicina no Brasil, até agora Publicado em 2016 na Revista ENSP - Artigos e Periódicos, ligada à Fundação Oswaldo Cruz, o artigo “Telemedicina: desa- fios à sua difusão no Brasil”, afirma que a telemedicina é marcada por: § Distância física entre o serviço médico e o paciente § Uso da tecnologia no lugar da presença física 41 § Disponibilidade de médicos e outros profissionais de saúde para prestar o serviço § Disponibilidade de profissionais de tecnologia para desenvolver e manter a estrutura de telemedicina § Sistematização do processo, com protocolos e dados clínicos § Estrutura de segurança, qualidade e sigilo dos dados Por isso, apesar de ser regulamentado até o momento pelo Conselho Federal de Medicina, esse campo envolve também outros profissionais de saúde que não são médicos, assim como profissionais dos campos de direito e tecnologia. Mesmo antes da regulamentação, havia iniciativas de promoção da telemedicina no país. Em 2006, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa lançou a Rute (Rede Universitária de Telemedicina), com o objetivo de implementar uma infraestrutura de conexão entre hospitais universitários e instituições de ensino de saúde no Brasil, que hoje atinge mais de uma centena de pontos. Em 2007, o Ministério da Saúde instituiu o Programa Nacional de Telessaúde, que passou a ser chamado de Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes após ser ampliado, em 2011. Segundo informações do Ministério da Saúde reproduzidas pelo jornal Folha de S. Paulo, hoje ao menos dez estados pos- suem atendimentos de telediagnóstico no Sistema Único de Saúde. A pesquisa publicada na ENSP - Artigos afirma que a aplicação vinha ocorrendo de forma diferente em cada estado. Em Minas Gerais, a ênfase era em serviços de eletrocardiograma a distância. No Rio de Janeiro, há um serviço em que exames de radiologia de tórax na atenção primária são enviados para radiologis- tas teleconsultores a distância. No Rio Grande do Sul, o telediagnóstico é usado para doenças respiratórias crônicas. Em São Paulo, o enfoque vinha sendo até 2016 em medidas de educação no campo da saúde. Mesmo sendo a distância, a telemedicina exige infraestrutura local. O trabalho aponta que entre os principais empecilhos para a ampliação da prática no país está a infraestrutura, em especial a baixa cobertura de banda larga em certas áreas do interior. “No caso do telediagnóstico, por exemplo, cada imagem de radiografia ocupa 6Mb de memória, e uma tomografia, 400Kb, o que exige bastante capacidade de transmissão para a adoção completa da prática”, afirma o documento. Esse fator é agravado pela precariedade de serviços de saúde no país. Entre os problemas estão falta de recursos, falta de profissionais, instalações defasadas e insuficiência de equipamentos, que são necessários para aplicar a telemedicina localmente. “Sabidamente, essa situação tende a agravar em regiões remotas e periféricas”, diz a pesquisa. https://www.nexojornal.com.br/expresso/2019/02/05/O-que-%C3%A9-telemedicina.- -E-as-novas-regras-para-esse-campo-no-Brasil (05.02.2019) TEXTO 3 Telemedicina: regular ou esperar? A inovação tecnológica impacta diariamente diversos aspectos da vida humana. Em uma sociedade em que algoritmos inteligentes já são realidade, é de se imaginar que a prestação de serviços de saúde não passe imune a essas transformações. Dando boas-vindas a uma revolução que apenas começou, a tecnologia que talvez esteja mais próxima de ser amplamente implementada no dia a dia dos cidadãos é a telemedicina. Não por acaso, os reguladores estão se movimentando para ampliar a prática no Brasil, dado o seu grande potencial de impactar positivamente a gestão e eficiência da saúde no país. A Resolução CFM n.º 2.227/2018 foi a mais completa a respeito do tema e definiu a atividade em seu art. 1.º como: “o exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde”. Entretanto, logo após sua publicação, a nova norma levantou diversas discussões na comunidade médica, discussões essas que culminaram na sua revogação pelo CFM, nos termos da Resolução CFM n.º 2.228/2019 publicada no Diário Oficial de 6 de março de 2019. Diante disso, volta a vigorar a Resolução CFM n.º 1.643/2002, que define Telemedicina como “a utilização de metodologias interativas de comunicação audio-visual e de dados, com o objetivo de assistência, educação e pesquisa em Saúde” e estabelece que (i) os serviços prestados através da telemedicina devem possuir a infraestrutura tecnológica adequada para a guarda, manuseio, transmissão de dados, confidencialidade, privacidade e garantia do sigilo profissional (art. 2º); (ii) em caso de emergência, ou quan- 42 do solicitado pelo médico responsável, o médico que emitir o laudo à distância pode prestar o devido suporte para o diagnóstico e a terapêutica ao paciente (art. 3º); e (iii) a responsabilidade profissional pelo atendimento é do médico assistente do paciente, sendo que os demais envolvidos respondem solidariamente na proporção em que contribuírem para causar o dano (art. 4.º). Vê-se, pela análise da norma, que a telemedicina de que trata a Resolução CFM n.º 1.643/2002, e, portanto, permitida no Brasil, refere-se apenas ao suporte ou segunda opinião dada por médico à distância para o médico assistente do paciente, ou seja, não envolve a assistência direta a pacientes por médico à distância. Entre as críticas feitas pela comunidademédica e Conselhos Regionais de Medicina estão: (i) alegações de incompetência do CFM para expedir norma regulando a telemedicina; (ii) incompatibilidade da prática com o Ato Médico; e (iii) violação do Código de Ética Médica. De acordo com o artigo 10, inciso XX, da Resolução CFM n.º 1.998/2012, que aprova o Regimento Interno do órgão, compete ao CFM “expedir resoluções normatizadoras ou fiscalizadoras do exercício profissional dos médicos e pessoas jurídicas cuja atividade básica seja a Medicina”. Por outro lado, é possível definir o Ato Médico como todo e qualquer ato que possa e/ou deva ser praticado por um médico, relacionado ao diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças. Assim, a princípio, não haveria incompatibilidade do Ato Médico com a telemedicina, notadamente se esta for interpretada como mais uma forma de promoção do Ato Médico, permitindo ao paciente outras possibilidades de acesso à assistência à saúde. De todo modo, o que se percebe é que a iniciativa regulatória tem apresentado características inovadoras em relação à inserção de tecnologia no setor, mas é cautelosa o suficiente para não comprometer a segurança e responsabilidade dos indivíduos envolvidos, sejam estes médicos ou pacientes. Nesse diálogo, constata-se que a telemedicina traz uma série de desafios não só para os reguladores, mas também para a comunidade médica, entidades públicas e privadas do setor, bem como para os pacientes. Entre- tanto, faz-se necessário que a comunidade se movimente para estudar o tema, entender profundamente as tecnologias disponíveis e seus benefícios e elaborar as respostas regulatórias – e legais – o mais rápido possível, sem, contudo, ignorar que a tecnologia deve possuir um potencial de desenvolvimento dinâmico e rápido, para que atenda aos objetivos de tornar a vida dos pacientes mais fácil e melhor e, não menos importante, o sistema de saúde mais moderno e eficiente. Ainda que um adequado e mais moderno marco regulatório dependa de definição, não restam dúvidas sobre o fato de que interações tecnológicas no setor de saúde já são uma realidade e campo fértil para investimentos e participação ativa de diversos agentes, públicos ou privados. Vivemos um momento em que o desenvolvimento de novas tecnologias impacta consideravelmente todas as indústrias; é preciso atentar a este mundo repleto de novas oportunidades, cada vez mais dinâmicas e com potenciais exponenciais. Devemos todos construir um ambiente em que a tecnologia seja cada vez mais inserida na prestação de serviços de saúde, sem comprometimento da segurança e responsabilidade dos agentes envolvidos. *Elysangela de Oliveira Rabelo Maurer e Marco Aurélio Torronteguy são sócios de TozziniFreire na área de Ciências da Vida e Saúde https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/telemedicina-regular-ou-esperar/ (06.04.2019) TEXTO 4 Falta de médicos e de remédios: 10 grandes problemas da saúde brasileira Faltam médicos e remédios no SUS (Sistema Único de Saúde). No sistema particular de saúde, a mensalidade é alta e não há cobertura para diversas doenças e exames. O subfinanciamento do sistema de saúde pública é grave, a formação dos médicos nem sempre é boa e muitos pacientes ainda enfrentam discriminação. Essas são algumas das conclusões de uma pesquisa do UOL que elegeu 10 dos principais problemas enfrentados pela saú- de pública e privada no Brasil. Para isso, a reportagem utilizou os dados do IPS (Sistema de Indicadores de Percepção Social), do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o Fisc Saúde 2016, do TCU (Tribunal de Contas da União), o PNS (Pesquisa Nacional de Saúde), do IBGE, e um ranking encomendado ao Reclame Aqui, um órgão de defesa do consumidor avalizado pela Ouvidora-Geral da União, e outro formulado pela ANS (Agência Nacional de Saúde). A lista foi analisada pelo diretor da FSP (Faculdade de Saúde Pública) da USP, Oswaldo Yoshimi Tanaka. "Infelizmente o SUS está subfinanciado, uma situação agravada pela crise econômica financeira e política do país", observou o professor sobre um dos itens da seguinte lista: Faltam médicos E eles ainda estão mal distribuídos pelo país. Em audiência pública no Senado em novembro do ano passado, o presidente do TCU, ministro Raimundo Carreiro, elegeu a falta de médicos como "o principal problema do SUS". "A falta é crônica", avalia Tanaka, da USP. "Há uma tentativa de formar mais médicos, mas a má distribuição ainda persistirá devido à dificuldade de interiori- zação." Segundo dados do CFM (Conselho Federal de Medicina), há um médico para cada 470 brasileiros. No Norte e Nordeste esse número chega a 953,3 e 749,6, respectivamente. Pelos cálculos da OMS (Organização Mundial de Saúde), há 17,6 médicos para cada 10 mil brasileiros, bem menos que na Europa, cuja taxa é de 33,3. Na audiência pública, o secretário de Controle Externo da Saúde do TCU, Marcelo Chaves, elogiou o Programa Mais Médicos, "uma iniciativa importante para tentar mudar essa realidade". Longa espera para marcar consulta No sistema público de saúde, esperar é quase parte do protocolo. Na prática, significa que o SUS realiza bem menos con- sultas do que poderia. Segundo o Fisc Saúde 2016, o Brasil apresentou uma média de 2,8 consultas por habitantes no ano de 2012, o 27º colocado entre 30 países. Taxa muito inferior ao dos países mais bem colocados: Coreia do Sul (14,3), Japão (12,9) e Hungria (11,8). Segundo o pesquisador, não mudou muito desde então. "Infelizmente, a demanda é maior do que a oferta. Desde 1988, incluímos nos SUS 90 milhões de novos usuários, mas continuamos gastando apenas US$ 400 por habitante/ano." Faltam leitos Pesquisa Datafolha encomendada pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), em 2017, colocou o aumento do número de leitos como a terceira providência que o governo deveria tomar para melhorar a saúde pública brasileira. Essa é a opinião de metade dos 2.089 entrevistados. O tema também tem destaque no ranking solicitado ao Reclame Aqui. Nos três primeiros meses de 2018, a falta de leitos foi o 8º principal motivo de reclamação dos brasileiros. De acordo com a Associação Nacional de Hospitais Privados, o Brasil tem 2,3 leitos por mil habitantes, abaixo do recomendado pela OMS (entre 3 e 5). Ainda segundo o CFM, entre 2010 e 2015, o Brasil perdeu 13 leitos por dia, num total de 23.565 vagas. As maiores reduções foram, proporcionalmente, no Rio de Janeiro (22%), Sergipe (20,9%), Distrito Federal (16,7%), Paraíba (12,2%), Goiás (11,5%) e Acre (11,5%). Já o déficit de leitos em UTI neonatal é de 3,3 mil, segundo pesquisa deste ano da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O país tem, em média, 2,9 leitos por mil nascidos vivos, abaixo dos 4 leitos recomendados pela entidade. No SUS, essa taxa é ainda menor: 1,5. Atendimento na emergência Doentes e precisando esperar longamente pelo atendimento, os pacientes não costumam ser tolerantes com o atendimento prestado em postos de saúde e nos setores de urgência ou emergência de hospitais. Em agosto de 2016, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) pediu aos brasileiros que avaliassem 13 serviços públicos, e o tema ficou no topo dentre aqueles "de pior qualidade". O assunto recebeu 20 pontos de um índice que vai de 0 a 100. Nos estudos do Ipea sobre os serviços prestados pelo SUS, o tema recebeu as maiores qualificações negativas: 31,1% (postos de saúde) e 31,4% (urgência ou emergência). Falta de recursos para a saúde Apenas 3,6% do orçamento do governo federal foi destinado à saúde em 2018. O percentual fica bem abaixo da média mundial, de 11,7%, de acordo com a OMS. Essa taxa é menor do que a média no continente africano (9,9%), nas Américas (13,6%) e na Europa (13,2). Na Suíça, essa proporção é de 22%. O estudo aponta que o gasto com saúde no Brasil é de 4 a 7 vezes menor do que o de países com sistema universal de saúde, como Reino Unido e França, e inferior ao de países da América do Sul em que saúde nãoé um direito universal, casos da Argentina e Chile. Essa proporção não deve mudar muito pelos próximos anos, graças 44 à Emenda à Constituição aprovada em dezembro de 2016, que limita o crescimento dos gastos públicos pelos próximos 20 anos ao percentual da inflação nos 12 meses anteriores. Esse congelamento dos gastos vai representar perdas de R$ 743 bilhões para o SUS no período, segundo estudo do Ipea. "O SUS está subfinanciado, uma situação agravada pela crise econômica e política do país", avalia o pesquisador. "Mesmo como problemas de gestão, o dinheiro disponível não dá conta das necessidades do setor." Formação de médicos "Melhorar a qualidade do atendimento dos médicos" foi a terceira principal melhoria sugerida pelos usuários do SUS, segundo o Sistema de Indicadores de Percepção Social, do Ipea. A sugestão ficou atrás apenas na necessidade de "aumentar o número de médicos" e "reduzir o tempo de espera por consulta". De acordo com o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Es- tado de São Paulo), quase 40% dos recém-formados não passam em seu exame. No restante do Brasil, apenas dois outros Estados aplicam uma avaliação (Goiás e Rondônia), e multiplica-se no país as escolas médicas, nem sempre bem avaliadas. De acordo com o Ministério da Educação, duas em cada dez faculdades de medicina não atingiram a nota esperada no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) em 2016. "Temos a necessidade de formar docentes para melhorar a qualidade do ensino, principal- mente nas novas escolas de medicina que estão sendo abertas", acredita o pesquisador da USP. "É preciso também monitoramento do profissional para que a população receba uma atenção de qualidade." Mensalidades dos planos de saúde O sistema privado também não escapa de críticas. Uma das mais comuns é a velha polêmica sobre o valor das mensali- dades. Segundo o Ipea, esse é o principal problema apontado pelos usuários, com 39,8% das queixas. Ao UOL, a ANS (Agência Nacional de Saúde) reuniu as principais reclamações feitas por consumidores nos três primeiros meses deste ano. "Mensalidades e Reajustes" ficou em terceiro lugar, com 2.034 reclamações, contra 1.767 nos três primeiros meses do ano passado. Muito se deve ao fato de que apenas 20% (9,4 milhões de clientes) pagam o teto de reajuste anual estabelecido pela ANS. Tratam-se de planos individuais, cada vez menos ofertados pelas seguradoras. Os outros 38,3 milhões de segurados pertencem a planos coletivos, cujo percentual de reajuste depende da negociação da operadora com a empresa contratante. "De fato o setor privado tem custos cres- centes, e o Estado, sem capacidade de regular, apenas administra o mercado", afirma o diretor da FSP. Cobertura do convênio Outra crítica frequente aos planos de saúde é a cobertura insuficiente. Na pesquisa produzida pela ANS, o tema ficou no topo das queixas. Foram 15.785 entre janeiro e março deste ano; mais que as 14.416 registradas no primeiro trimestre de 2017. No estudo do Ipea, a falta de cobertura é a segunda razão de maior reclamação entre os usuários de convênio: 35,2% reprovam o servi- ço. Em 2015, a APM (Associação Paulista de Medicina) perguntou aos paulistas o que mais os incomoda nos convênios. "Os planos dificultam a realização de exames de alto custo", responderam 68% dos entrevistados. Para o professor da USP, as empresas ten- dem a controlar gastos reduzindo a cobertura. "Só no SUS a saúde é um direito. No setor privado, a prioridade é a lei do mercado." Sem reembolso Os contratos de planos de saúde devem assegurar aos consumidores o reembolso de um rol mínimo de coberturas, como o direito a consultas médicas ilimitadas, internação, cobertura assistencial ao recém-nascido. Acontece que isso nem sempre acontece. No estudo do Fisc Saúde, esse é o terceiro principal motivo de insatisfação de pacientes do setor privado (21,9%). Esse foi o oitavo principal motivo de reclamação no primeiro trimestre do ano no Reclame Aqui. Segundo a instituição, foram 508 queixas, 35% mais do que nos mesmos três meses do ano passado, quando foram registradas 333 reclamações. Discriminação no atendimento A Pesquisa Nacional de Saúde, do IBGE, aponta que 10,6% da população brasileira adulta (15,5 milhões de pessoas) já se sentiram discriminadas na rede de saúde tanto pública quanto privada. A maioria (53,9%) disse ter sido maltratada por "falta 45 de dinheiro" e 52,5% em razão da "classe social". Pouco mais de 13% foram vítimas de preconceito racial, 8,1% por religião ou crença e 1,7% por homofobia. Esse percentual poderia ser maior se parte da população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) não deixasse de buscar auxílio médico por medo de ser discriminada, indica uma pesquisa da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). O estudo também mostrou que gestantes cariocas pardas ou pretas tinham mais dificul- dade para encontrar uma vaga em maternidade do que as futuras mães de cor branca. Essas vítimas de discriminação têm um risco quatro vezes maior de desenvolver depressão ou ansiedade e estão mais pré-dispostas à hipertensão. https://noticias.uol.com.br/saude/listas/falta-medico-e-dinheiro-10-grandes-problemas-da-saude-no-brasil.htm (09.05.2018) É imPortante saber I. DADO HISTÓRICO RELEVANTE Mesmo antes da regulamentação, havia iniciativas de promoção da telemedicina no país. Em 2006, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa lançou a Rute (Rede Universitária de Telemedicina), com o objetivo de implementar uma infraestrutura de conexão entre hospitais universitários e instituições de ensino de saúde no Brasil, que hoje atinge mais de uma centena de pontos. Em 2007, o Ministério da Saúde instituiu o Programa Nacional de Telessaúde, que passou a ser chamado de Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes após ser ampliado, em 2011. https://www.nexojornal.com.br/expresso/2019/02/05/O-que-%C3%A9-telemedicina.- -E-as-novas-regras-para-esse-campo-no-Brasil (05.02.2019) II. DADO ESTATÍSTICO RELEVANTE Apenas 3,6% do orçamento do governo federal foi destinado à saúde em 2018. O percentual fica bem abaixo da média mundial, de 11,7%, de acordo com a OMS. Essa taxa é menor do que a média no continente africano (9,9%), nas Amé- ricas (13,6%) e na Europa (13,2). Na Suíça, essa proporção é de 22%. O estudo aponta que o gasto com saúde no Brasil é de 4 a 7 vezes menor do que o de países com sistema universal de saúde, como Reino Unido e França, e inferior ao de países da América do Sul em que saúde não é um direito universal, casos da Argentina e Chile. https://noticias.uol.com.br/saude/listas/falta-medico-e-dinheiro-10-grandes- -problemas-da-saude-no-brasil.htm (09.05.2018) III. ARGUMENTO DE AUTORIDADE A) Em uma nota publicada no portal da entidade, o presidente do Conselho Federal de Medicina , Carlos Vital, afirma que a resolução pode contribuir para levar serviços de saúde ao interior do país, e diminuir o “estrangulamento” no sistema convencional em grandes centros. https://www.nexojornal.com.br/expresso/2019/02/05/O-que-%C3%A9-telemedicina.- -E-as-novas-regras-para-esse-campo-no-Brasil (05.02.2019) 46 IV. ATORES OU SITUAÇÕES QUE PODEM SER MOBILIZADOS NA DISCUSSÃO DO TEMA (PROPOSTA ENEM) Universidades (Projetos vinculados à Extensão Universitária) O Projeto Jovem Doutor é uma atividade multiprofissional, a qual utiliza recursos de Telemedicina, educação a distância e do Projeto Homem Virtual, com o propósito de incentivar os estudantes dos ensinos médio e superior a realizarem trabalhos cooperados que promovam a saúde e melhorem a qualidade de vida de comunidades necessitadas, através de uma ação sustentada. Trata-se de uma oportunidade de exercício de cidadania e de iniciação científica, com aplicação prática dos conhecimentos obtidos em sala de aula, sob a orientação dos professores. Proporciona aos alunos do ensino superior a compreensão das características da atenção básica em saúde. A partir da interação comestudantes de outras profissões, é possível promover a saúde global das comunidades selecionadas. Para os alunos do ensino médio, o Projeto Jovem Doutor representa uma chance de inclusão digital e de aprendizado sobre saúde. Também possibilita o desenvolvimento de um papel social na sua própria comunidade, com o conhecimento da infraestrutura de saúde da cidade. Ainda permite aprender mais sobre a dinâmica de uma universidade, na fase da vida que antecede a escolha profissional. https://telemedicina.fm.usp.br/portal/extensao-universitaria-jovem-doutor/ (Acessado em 06/05/2019) V. ANALOGIA LITERÁRIA Na casa do tuberculoso a mulher de rosto de pedra abre a janela que dá para o quintal. O sol entra alegre. Maximiliano sorri. Ver o sol é o prazer de todas as manhãs. A luz salta para dentro, inunda tudo. Depois como que vai recuando quando entardece. A sombra vem vindo, descendo pela parede; de tardezinha a luz tem a forma da janela, depois vai minguando até sumir-se. É uma distração olhar aquilo. Não pode levantar-se. Não acha gosto em ler: as letras do jornal cansam os olhos. Assim ele se distrai olhando o sol. Quando não há sol, nem esse brinquedo ele tem... Os filhos correm, a mãe não deixa que eles entrem no quarto. Maximiliano só lhes ouve o barulho, riso ou choro, na varanda. A vida rola... Os vizinhos mandam coisas: doces, leite, pão... Vem às vezes um médico que o examina com precaução, tocando-o com a ponta dos dedos, de longe, medroso. E a cara do outro não encoraja. Maximiliano espera. Os dias são longos. Quando trabalhava na loja, achava que o relógio andava devagar. Que dizer da marcha das horas depois que ele adoeceu? Os ruídos da rua chegam até aqui: buzinas, músicas, vozes. Os raros visitantes ficam à porta. Ele compreende... Medo do contágio. Ele sabe, não tem raiva, não se queixa. O que tem é pena da mulher e dos filhos. O melhor mesmo é que a morte venha logo. Erico Verissimo. Caminhos cruzados. VI. LEGISLAÇÃO: Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde A “Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde” traz informações para que você conheça seus direitos na hora de procurar atendimento de saúde. Ela reúne os seis princípios básicos de cidadania que asseguram ao brasileiro o ingresso digno nos sistemas de saúde, seja ele público ou privado. Todo cidadão tem direito ao acesso ordenado e organizado aos sistemas de saúde. Todo cidadão tem direito a tratamento adequado e efetivo para seu problema. Todo cidadão tem direito ao atendimento humanizado, acolhedor e livre de qualquer discriminação. Todo cidadão tem direito a atendimento que respeite a sua pessoa, seus valores e seus direitos. Todo cidadão também tem responsabilidades para que seu tratamento aconteça da forma adequada. Todo cidadão tem direito ao comprometimento dos gestores da saúde para que os princípios anteriores sejam cumpridos. http://portalms.saude.gov.br/sistema-unico-de-saude/carta-dos-direitos-do-usuario 47 INTERATIVIAA DADE ASSISTIR Vídeo Artigo LER Vídeo Entenda os desafios que a telemedicina precisa superar para virar realidade Políticas de saúde no Brasil: um século de luta pelo direito à saúde Fonte:Olhar Digital Fonte:Vimeo 48 Política nacional de promoção á saúde Telemedicina: O papel do paciente e o papel do médico Política nacional de promoção á saúde e telemedicina INTERATIVIAA DADE ASSISTIR Vídeo Artigo LER Vídeo 49 50 ProPosta ENEM TEXTO 1 Saúde é um direito universal garantido pela Constituição Federal de 1988. Isso quer dizer que todos têm direito a tratamentos adequados, fornecidos pelo poder público. Na prática, ao criar esse direito, a Carta Magna criou também um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, que faz desde procedimentos simples, como medir a pressão arterial, aos mais complexos, como transplante de órgãos. A Constituição é bem clara e diz que “Saúde é direito de todos e dever do Estado”. Antes dela, o sistema público atendia a um público limitado: prestava atendimento somente aos trabalhadores vinculados à Previdência Social, cerca de 30 milhões de brasileiros. O restante da população tinha de apelar ao setor privado ou entidades filantrópicas. Em 1988, com a Constituição, nasce o Sistema Único de Saúde (SUS). "Não se tinha um sistema único de saúde, Só quem pagava a previdência tinha acesso. A universalização muda isso, faz com que qualquer cidadão possa ter acesso. Essa é uma das grandes revoluções que tivemos", explica a professora de direito da Universidade de Brasília (UnB), Ana Claúdia Farranha Santana. O consultor legislativo do Senado José Dantas lembra que a ideia do SUS teve origem em uma sugestão popular. “Ele foi indicado por uma enfermeira que sugeriu que deveria ser unificado para facilitar a administração e o uso de verbas”, afirma. Esse sistema oferece não apenas os cuidados assistenciais, ele trabalha com atenção integral à saúde. Isso significa que o cidadão tem direito a cuidados que vão da prevenção ao tratamento, tudo com foco na melhoria da qualidade de vida da população. A lei determina ainda que a saúde é um dever dos três entes da federação: da União, dos estados e dos municípios. E ninguém pode ser discriminado no sistema, todos devem ser tratados com igualdade de direitos. http://www.brasil.gov.br/constituicao-30-anos/textos/constituicao-federal-reconhece-saude-como-direito-fundamental (05.10.2018) TEXTO 2 A Comissão Macroeconômica da Organização Mundial da Saúde tem chamado atenção, desde 2001, para o fato de que, em termos econômicos, a saúde e a educação são dois pilares do capital humano, sendo que a boa saúde é insumo fundamental para a redução da pobreza, o crescimento e o desenvolvimento econômico de longo prazo. Além de contribuir para a elevação da produtividade do trabalho, o setor saúde também é relevante por sua capacidade de gerar empregos e renda. O valor adicionado bruto das atividades de saúde foi responsável por 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2013, sendo que a atividade saúde pública teve participação de 2,3% do PIB no mesmo ano. Outro indicador que merece destaque é o multiplicador fiscal do gasto com saúde, que foi calculado em 1,7, ou seja, para um aumento do gasto com saúde de R$ 1,00, o aumento esperado do PIB seria de R$ 1,70. Este achado é corroborado por estudo internacional que analisou dados de 25 países europeus, dos Estados Unidos e do Japão, encontrando multiplicador fiscal superior a 3 para o gasto com educação e saúde.[1] Essas são evidências sobre a relevância do setor saúde para o desenvolvimento econômico e social do país. Contudo, o esforço que o Brasil tem feito está aquém do realizado até mesmo por países latino-americanos, que não contam com um sistema universal de saúde e que são menos desenvolvidos. Em 2014, o gasto público com saúde do Brasil, em participação no PIB, foi de 3,8%, ficando abaixo dos realizados por Uruguai (6,1%), Panamá (5,9%), Colômbia (5,4%), Nicarágua (5,1%), Paraguai (4,5%), El Salvador (4,5%) e Chile (3,9%). Em termos per capita, o gasto brasileiro também se situa entre os mais baixos, tendo sido de 607 dólares internacionais no mesmo ano. http://cee.fiocruz.br/?q=fabiola-sulpino-e-preciso-investir-mais-em-saude-publica-no-Brasil (23.01.2018) 51 TEXTO 3 http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/01/brasil-tem-media-de-31-medicos-do- -sus-por-cada-mil-habitantes-diz-ipea.html (10.01.2012) TEXTO 4 É possível existir um sistema de saúde que vá ao encontro das necessidades de cada indivíduo, de acordo com o princípio da equidade, respeitando o direito à saúde garantido por lei? Em artigo da revista Saúde e Socie- dade, Fernando Passos Cupertino de Barros e Maria Fátima de Sousa analisam a palavra “equidade” dentro do contexto da saúde no Brasil, observando seus diferentes aspectos. Aqui, as situações de iniquidades sociais são muitas, principalmente considerando que “o país adota um sistema tributário com a taxação sobre o consumo em lugar daquelasobre renda e riqueza – o que acentua as desigualdades antes mesmo da alocação dos recursos”, gerando consequências negativas no campo da saúde. O percentual do gasto público em saúde, por exemplo, é muito baixo: apenas 10,7% dos gastos do orçamento total dos governos. Apesar do anunciado acesso universal e igualitário aos serviços de saúde, é sabido haver desigualdades no SUS – Sistema Único de Saúde. Embora “a exclusão formal” tenha desaparecido, a iniquidade permanece, “em decorrência de fatores como a desinformação, associada aos diferenciais de escolaridade, ou ainda da deformação em determinadas políticas públicas, em algumas das quais ainda estão presentes os privilégios e a discriminação”, dizem os autores. Os autores sugerem debates para que se promova esta equidade, necessária à realização do direito à saúde, no sentido de proporcionar a satisfação do indivíduo com seu próprio estado de saúde e dos que estão ao redor. Só desta forma pode ser atingido “o ideal de um sistema de saúde que seja capaz de garantir o necessário a todos, levando-se em conta singularidades e necessidades”. https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/desigualdade-social-afeta-equidade-no-acesso-a-saude/ (29.08.2018) A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema DESAFIOS NA MANUTENÇÃO DO ACESSO À SAÚDE NO BRASIL, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumen- tos e fatos para defesa de seu ponto de vista. 52 ProPosta – VEstibular TEXTO 1 Em meio a críticas, o Conselho Federal de Medicina decidiu revogar a resolução que ampliava a prática de telemedicina no país e permitia a realização de consultas, diagnósticos e cirurgias a distância. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (22), cerca de três semanas após a norma ser divulgada. A previ- são era que a medida entrasse em vigor em maio. Em nota, o conselho atribui a decisão ao alto número de propostas encaminhadas para alteração na reso- lução e "ao clamor de inúmeras entidades médicas, que pedem mais tempo para analisar o documento e enviar também suas sugestões". Desde que foi anunciada, a possibilidade de liberação de um maior número de atendimentos online tem sido alvo de críticas de conselhos regionais de medicina e outras entidades médicas. A maior parte delas diz respeito às consultas não presenciais e à segurança dos dados. A AMB (Associação Médica Brasileira) foi uma das que pediu revogação da resolução. Segundo o presidente da entidade, Lincoln Lopes Ferreira, a responsabilização por eventuais erros médicos que possam ser cometidos com a consulta à distância é uma das grandes preocupações das entidades. "A pessoa pode achar que é uma dor de cabeça. Mas pode ser a manifestação de um aneurisma ou de uma pressão arterial elevada. O exame físico continua sendo o pilar da relação entre o médico e o paciente", afirmou. https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2019/02/norma-para-consultas- -medicas-online-e-revogada-pelo-cfm-apos-criticas.shtml (22.02.2019) TEXTO 2 O atendimento médico a distância supera os obstáculos operacionais da consulta, como: tempo de espera do paciente, impossibilidade de locomoção do médico ou do paciente para o local de atendimento, ausência de especialistas na área de interesse. Por outro lado, a possibilidade de se estabelecer uma relação médico-paciente de confiança – com senti- mentos positivos de amizade e aconchego –, o que muitas vezes é fundamental numa consulta, pode ser perdida na consulta virtual. Mesmo que se lance mão de sistemas de áudio e vídeo de alta resolução, muitos dos com- portamentos que auxiliam o estabelecimento da relação médico-paciente e que são importantes para traçar um diagnóstico correto podem não ser notados. (“Vantagens e desvantagens da telemedicina”. www.virtual.epm.br. Adaptado.) 53 TEXTO 3 A telemedicina, que podemos definir como práticas médicas feitas à distância ou remotamente, não é in- venção de hoje, na medida em que a relação entre médico e paciente já deixou de ser presencial tem muito tempo, desde quando inventado o telefone fixo por Graham Bell no século XIX. A inteligência humana inventou e continua inventar novos meios de comunicação, até pouco impensável, como celular, smartphone, tablet e a rede mundial de computadores, que foi além pois colocou a poucos centímetros das pessoas o conhecimento humano.” A ‘tele’ consulta (entre médicos de especialidades distintas e que moram em continentes diferentes), a “tele” assistência de pacientes pela monitoração à distância, os laudos “on line”, os “bancos de dados”, tudo a ajudar médicos a bem cuidar de seus pacientes, que podem ser por eles assistidos em tempo real e presencial pelo modo telemático. A telemedicina não tomará o espaço da medicina tradicional, aquela da visita ao ano ao médico, mas é ferramenta tecnológica que qualifica a medicina e a põe no patamar da pós modernidade, quando o tempo e o lugar perdem referência. Entrevista a Hélio Gomes Coelho Junior, professor de Direito e Presidente do Instituto dos Advogados do Paraná. http://www.aroldomura.com.br/?p=23276 (18.02.2019) TEXTO 4 "O Brasil é um país continental e os médicos não chegam a todos os cantos do país. Nossos jovens se comunicam com o mundo e com os colegas pela internet e por redes sociais. É assim que iniciam e mantêm relacio- namentos. Então, nada mais natural para a nova geração do que consultar-se com seu médico por uma chamada de vídeo. Ora, eles já não buscam autoatendimento no Google? O relacionamento pessoal do médico com seu paciente é imprescindível. Um estudo clássico publicado em 1975 pelo British Medical Journal, citado pela jornalista Silvia Correa em recente artigo, já concluíra que uma boa conversa entre médico e paciente, acompanhada de um bom exame físico, garantia o acerto de 80% dos diagnós- ticos. Entretanto, não podemos olvidar que, nos últimos anos, mesmo sem a liberação da telemedicina, os médicos já estavam se distanciando dos seus pacientes. As consultas ficaram mais fugazes com a pressão da produção em escala imposta pela necessidade, cada vez mais crescente, de se atender por planos de saúde. E os diagnósticos passaram a ser cada vez mais delegados aos exames laboratoriais e de imagem. Assim, não será a telemedicina a culpada por causar o distanciamento do médico e do paciente. O que é preciso, neste momento, é que a classe médica cobre do CFM e dos Conselhos Regionais uma ampla e permanente fiscalização do exercício médico por meio da telemedicina." Melissa Kanda é advogada, especializada em Direito Médico e Direito à Saúde. //www.gazetadopovo.com.br/opi- niao/artigos/a-telemedicina-vai-melhorar-os-atendimentos-medicos-474g5mpgd02dvibjf4f1rztux/ (20.02.2019) LIBERAÇÃO DA TELEMEDICINA: ENTRE O APERFEIÇOAMENTO DOS ATENDIMENTOS E OS RISCOS A MÉDICOS E A PACIENTES 54 1 6 Título L C ENTRE FRASES Título 56 57 TíTulo O título de uma redação pode ser mais importante do que julgamos. Ele é responsável por “ativar” no leitor (no caso, o corretor) um conjunto significativo de expectativas em torno não apenas do tema como um todo, mas também daquilo que foi efetivamente selecionado a partir de uma coletânea. Em termos mais claros, o título apon- ta (ou denuncia) alguns dos caminhos que serão seguidos no decorrer de uma redação. A partir dessa ideia, podemos chegar a uma conclusão até óbvia: o título de uma redação seria a expressão mínima, mas ao mesmo tempo mais completa de um texto. Ele precisa ser capaz de sintetizar o que aparecerá no decorrer dos parágrafos que se seguirão; além, é claro, de funcionar como um motivador da leitura do texto. Outra questão importante, é que o título talvez seja o único ponto de um texto argumento-dissertativoque permite ao vestibulando uma certa abertura para exploração de sua criatividade, sendo o local onde ele pode rea- lizar intertextos que enriqueçam sua redação e evidenciem algo do repertório que o candidato possui. A) Dúvidas mais comuns O título deve apresentar relações “diretas” com as informações do texto, ou pode ser mais metafórico? Mesmo sendo metafórico, o título deve apresentar indícios de relação com o seu texto. Um título que se afasta demais das informações apresentadas – ou que exige do leitor um nível de abstração muito exagerado – pode prejudicar a identificação da correlação existente entre texto e título e, em alguma medida, trazer prejuízos à nota final. Em que momento eu insiro o título? Para que se garanta minimamente um contato efetivo entre as partes da redação, recomenda-se que o título seja inserido logo após o término do texto. Tendo a redação pronta, fica mais fácil harmonizar as informações do texto com aquilo que deve compor o enunciado do título. O título deve ser simples ou complexo? O título deve prezar sempre pela clareza. Ainda que explore alguma metáfora existente em alguma música, filme ou obra literária; deve-se dar preferência por expressões mais “universais” (que sejam conhecidas por maior número de pessoas). Não se esqueça de que, em geral, os corretores de redação possuem formação acadêmica na área de Letras e Linguística, e costumam possuir um repretório avançado na área de humanas. Isso significa que você pode “ousar” um pouco mais nas referências artísticas. O gênero da redação pode influenciar na escolha no título? Sim. Certos gêneros textuais pedem títulos mais explícitos (e explicativos), que repassem um ponto de vista pessoal sobre um fato (como nas dissertações argumentativas, ou nos artigos de opinião). Já outros, como os gê- neros narrativos, ou relatos, por se tratarem de uma “contação” de histórias, devem circunscrever algo que remeta ao enredo que será produzido. O título precisa necessariamente ser uma oração (apresentar verbo)? Não. Não é necesário. Essa é uma dúvida muito comum, especialmente pelo fato de percebermos que ma- térias jornalísticas, por exemplo, sempre produzem títulos com verbos. No entanto, os especialistas em produção de textos afirmam que, por mais que o verbo nos dê dimensões de ação e tempo, é completamente aceitável um título que apresente uma construção nominal. 58 Devo usar aspas no título? Não é necessário. As aspas só devem ser usadas para destacar alguma expressão ou palavra do título que apresente tom irônico, ou mesmo algum neologismo ou estrangeirismo. Posso articular intertextualidades no título? Sim. A seguir, é possível encontrar alguns modelos de composição de título que podem ajudar a “expandir” o processo criativo. 01. USO DE DOIS PONTOS O uso de dois pontos no título da redação organiza a seguinte sequência: (Síntese da temática): (Síntese da sua opinião) § Educação: um mal necessário § Depressão: uma doença mascarada de escolha § Escravidão moderna: o consumidor como feitor 02. INTERTEXTUALIDADE COM A FILOSOFIA, SOCIOLOGIA E ECONOMIA. A intertextualidade com outras disciplinas da área de humanas pode ajudar a apresentar ao seu corretor os direcionamentos que serão tomados durante a redação. § De volta à caverna § O esfacelamento do contrato social § Liberdade ao ópio 03. INTERTEXTUALIDADE COM AS ARTES As artes exercem um grande papel de, em momentos históricos distintos, serem capazes de apreender dinâ- micas de realidade e exibi-las ao mundo. Desse modo, utilizar expressões ou referências famosas que encontramos em cinema, música ou literatura, por exemplo; pode nos ajudar a apresentar ao leitor a variedade de nosso repertó- rio. No entanto, lembre-se de um detalhe: para que tais referências sejam utilizadas elas precisam,necessariamente, aparecerem em algum momento no texto. § FILMES O poder das grandes empresas: a tropa da Elite / Militarização da polícia: o tropeço da elite (referência ao conhecido filme Tropa de elite) § POEMAS: Tupy or not Tupy (referência ao Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade) / Um caminho no meio da pedra (referência ao poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade) § ROMANCES: A cidade e a guerra (pequeno “trocadilho” com A cidade e as serras, título de um livro do escritor Eça de Queirós) Atenção: o fato de se possuir uma maior liberdade para articular outros conhecimentos no título, não implica necessariamente o abandono dos parâmetros condizentes à gramática normativa 59 B) O que eu devo evitar nos títulos? Repetição do tema: Não se deve transcrever o tema da redação novamente como título. Isso demonstra que o candidato não sabe atribuir títulos a seus próprios textos; Termos abrangentes: A mentira; Clichês: Educação: a esperança de um povo. AulA 16 – Abuso e Assédio sexuAl ACERVO TEXTO 1 Maioria dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes ocorre em casa; notificações aumentaram 83% Dados do Ministério da Saúde entre 2011 e 2017 revelaram perfil das vítimas e dos agressores. Casos continuam subnotificados. Entre 2011 e 2017, o Brasil teve um aumento de 83% nas notificações gerais de violências sexuais contra crianças e ado- lescentes, segundo boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde na segunda-feira (25). No período foram notificados 184.524 casos de violência sexual, sendo 58.037 (31,5%) contra crianças e 83.068 (45,0%) contra adolescentes. A maioria das ocorrências, tanto com crianças quanto com adolescentes, ocorreu dentro de casa e os agressores são pessoas do convívio das vítimas, geralmente familiares. O estudo também mostra que a maioria das violências é praticada mais de uma vez. Para Itamar Gonçalves da ONG Childhood Brasil, que trabalha para promover o empenho de governos e sociedade civil em combater a violência sexual contra crianças e adolescentes, faltam no Brasil ações de prevenção que trabalhem com temas como o conhecimento do corpo, questões culturais de gênero e em especial as que dizem respeito aos padrões adotados de feminilidade e masculinidade. "Para mudar este cenário é importante criar ambientes que sejam acolhedores e inclusivos nos espaços frequentados pelas crianças e adolescentes, nas famílias, escola, igrejas... Um trabalho de prevenção se faz com informação, especialmente sobre o funcionamento do corpo, a construção da sexualidade, visando empoderar nossas crianças". Estupro O Ministério da Saúde considera violência sexual os casos de assédio, estupro, pornografia infantil e exploração sexual. Dentre as violências sofridas por crianças e adolescentes, o tipo mais notificado foi o estupro (62,0% em crianças e 70,4% em adolescentes). Pela lei brasileira o estupro é classificado como o ato de “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”. Segundo o boletim do Ministério da Saúde, a ocorrência do estupro provoca diversas repercussões na saúde física, mental e sexual de crianças e adolescentes, além de aumentar a vulnerabilidade às violências na vida adulta. 60 Os mais vulneráveis Dentre os números, chama atenção a vulnerabilidade dos mais jovens. Entre as crianças, o maior número de casos de vio- lência sexual acontece com crianças entre 1 e 5 anos (51,2%). Já entre os adolescentes, com os jovens entre 10 e 14 anos (67,8%). Negros e mulheres são maioria entre as vítimas. Tanto entre adolescentes quanto crianças, as vítimas negras tiveram a maior parte das notificações (55,5% e 45,5%, respectivamente). Segundo o Ministério, o resultado pode apontar para vulnerabili- dades destes grupos. Crianças e adolescentes do sexo feminino também são maioria entre as vítimas de violência sexual. Representam 74,2% dentre as crianças e um número ainda maior dentre as adolescentes: 92,4%. Apesar disso, os meninos também sofrem com a violência sexual.Entre as crianças, são eles quem mais sofrem abusos na escola (7,1%). Já entre os adolescentes, os meninos são mais explorados sexualmente e são a maioria das vítimas de pornografia infantil. O agressor O estudo mostra que os homens são os principais autores de violência sexual tanto contra crianças quanto com adoles- centes. Nos casos envolvendo adolescentes, em 92,4% das notificações o agressor era do sexo masculino. Nos casos envolvendo crianças, em 81,6%. Segundo o boletim do Ministério da Saúde, é necessário problematizar a situação, já que a violência pode ser reflexo de uma cultura do machismo. "Considerando que esse maior envolvimento como perpetradores das violências sexuais contra estes grupos pode ser re- flexo da afirmação de uma identidade masculina hegemônica, marcada pelo uso da força, provas de virilidade e exercício de poder sobre outros corpos. Dessa forma, é relevante a promoção de novas formas de masculinidades que superem esse padrão e permitam a manifestação de diversas identidades possíveis", diz a análise. Gonçalves também lembra que no Brasil o padrão de socialização dos meninos ainda se dá pela violência, onde é reforçado o uso da força. "Eles são culturalmente estimulados a dominar as meninas e mais tarde suas mulheres. Lembram da frases: 'Homem não chora', 'Predam suas cabras, meu cabrito está solto'... O papel do cuidado, da afetividade fica para as meninas", diz. Subnotificações Apesar do aumento de 83% das notificações de casos entre 2011 e 2017, o Ministério da Saúde ainda acredita que muitos casos não são notificados. Isso acontece porque o Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (Viva), desenvolvido pelo próprio ministério, ainda não foi implementado em todo o país. Desde 2011, a notificação de violências passou a ser compulsória para todos os serviços de saúde públicos e privados. Em 2014, os casos de violência sexual passaram a ter que ser imediatamente notificados, devendo ser comunicados à Secretaria Municipal de Saúde em até 24 horas após o atendimento da vítima. Outra ação obrigatória é a comunicação de qualquer tipo de violência contra crianças e adolescentes ao Conselho Tutelar, conforme preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). As regiões do Brasil que registraram o maior volume de notificações no período foram as regiões Sudeste (40,4%) e Sul (21,7%), para as crianças, e Sudeste (32,1%) e Norte (21,9%) para os adolescentes. Como prevenir Mudar este cenário exige esforço de governos e sociedade civil. Gonçalves lembra ainda do papel da educação sexual nas escolas, que poderiam ensinar a diferença de toques, que os corpos das crianças e adolescentes pertencem a eles e ninguém tem o direito de tocar suas partes privadas e explicar o que é abuso sexual. Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce 61 "O importante é desmitificar a ideia que falar de sexualidade é ensinar as crianças a ter relação sexual", explica ele. Pais também podem ficar atentos a alguns sinais, já que crianças e adolescentes avisam de diversas maneiras e, segundo Gonçalves, na maioria das vezes não falam das situações de violência sexual que vem passando. "Em geral, o abusador convence a criança de que ela será desacreditada se revelar algo; que ela gosta daquilo e quer que aconteça; ou que é igualmente responsável pelo abuso e será punida por isso." Como identificar uma vítima Childhood Brasil listou 10 sinais que ajudam a identificar possíveis casos de abuso sexual infanto-juvenil. Mudanças de comportamento: O primeiro sinal é uma possível mudança no padrão de comportamento da criança. Essa alteração costuma ocorrer de maneira imediata e inesperada. Em algumas situações a mudança de comportamento é em relação a uma pessoa ou a uma atividade em específico. Proximidades excessivas: A violência costuma ser praticada por pessoas da família ou próximas da família na maioria dos casos. O abusador muitas vezes manipula emocionalmente a criança, que não percebe estar sendo vítima e, com isso, costuma ganhar a confiança fazendo com que ela se cale. Comportamentos infantis repentinos: Se o jovem voltar a ter comportamentos infantis, os quais já abandonou anteriormen- te, é um indicativo de que algo esteja errado. Silêncio predominante: Para manter a vítima em silêncio, o abusador costuma fazer ameaças de violência física e mental, além de chantagens. É normal também que usem presentes, dinheiro ou outro tipo de material para construir uma boa relação com a vítima. É essencial explicar à criança que nenhum adulto ou criança mais velha deve manter segredos com ela que não possam ser compartilhados com pessoas de confiança, como o pai e a mãe, por exemplo. Mudanças de hábito súbitas: Uma criança vítima de violência, abuso ou exploração também apresenta alterações de hábito repentinas. O sono, falta de concentração, aparência descuidada, entre outros, são indicativos de que algo está errado. Comportamentos sexuais: Crianças que apresentam um interesse por questões sexuais ou que façam brincadeiras de cunho sexual e usam palavras ou desenhos que se referem às partes íntimas podem estar indicando uma situação de abuso. Traumatismos físicos: Os vestígios mais óbvios de violência sexual em menores de idade são questões físicas como marcas de agressão, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez. Essas são as principais manifestações que podem ser usadas como provas à Justiça. Enfermidades psicossomáticas: São problemas de saúde, sem aparente causa clínica, como dor de cabeça, erupções na pele, vômitos e dificuldades digestivas, que na realidade têm fundo psicológico e emocional. Negligência: Muitas vezes, o abuso sexual vem acompanhado de outros tipos de maus tratos que a vítima sofre em casa, como a negligência. Uma criança que passa horas sem supervisão ou que não tem o apoio emocional da família estará em situação de maior vulnerabilidade. Frequência escolar: Observar queda injustificada na frequência escolar ou baixo rendimento causado por dificuldade de concentração e aprendizagem. Outro ponto a estar atento é a pouca participação em atividades escolares e a tendência de isolamento social. https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/maioria-dos-casos-de-violencia-sexual-contra- -criancas-e-adolescentes-ocorre-em-casa-notificacao-aumentou-83.ghtml (29.06.2018) 62 TEXTO 2 Os danos psicológicos do abuso sexual, por estas especialistas Uma psicóloga e uma psicanalista falaram ao 'Nexo' sobre as consequências para as vítimas, a dificuldade de falar sobre o ocorrido e a posição de poder do agressor No dia 8 de dezembro de 2018, mulheres que acusam o médium João de Deus de abuso sexual vieram a público em uma reportagem do programa da TV Globo Conversa Com Bial. Após a transmissão da primeira reportagem, dezenas de outras acusações surgiram, levando o Ministério Público de Goiâ- nia a criar, na segunda-feira (10), uma força-tarefa para ouvir os relatos e investigar as acusações. Até domingo (9), pelo menos 200 mulheres de todo o país haviam prestado queixa afirmando ser vítimas de João de Deus, segundo disse a promotora Maria Gabriela Manssur, do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica do Ministério Público do Estado de São Paulo ao portal G1. Em quatro dias, desde que o canal de denúncias foi criado, a força-tarefa recebeu mais de 300 mensagens e contatos. Entre as que se apresentaram como vítimas estão ex-pacientes que afirmam ter sido abusadas durante o atendimento espiritual, incluindo crianças e adolescentes, e pelo menos uma ex-funcionária da Casa Dom Inácio de Loyola. Os casos datam desde a década de 1980. Algumas relatam ter sido ameaçadas de morte por João de Deus, caso rompessem o silêncio. Com medo, a maioria das que denunciaram os abusos teve a identidade mantida em segredo pela imprensa. “O que me impactou muito nesse caso do João de Deus é algo que aparece sempre: o silenciamento. Até nas que tiveramcoragem de fazer uma denúncia, a autocensura é tremenda. Ameaçar pessoas da família é um procedimento habitual nos abusos, criar uma situação de medo, em que a pessoa de alguma forma se culpabiliza, pensando no que fez, em por que [o abuso acon- teceu] com ela/ele, sente vergonha”, disse ao Nexo a psicanalista Lucia Barbero Fuks, autora de “Narcisismo e Vínculos” e outros livros que trazem escritos sobre as consequências do abuso sexual para a vítima. Além dela, o Nexo conversou também com Fabiana Saffi, psicóloga chefe do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clíni- cas da Faculdade de Medicina da USP. Condensamos abaixo, em três pontos, as falas das especialistas sobre que tipo de dano são causados por abuso sexual, do ponto de vista psicológico. Resposta psicológica das vítimas FABIANA SAFFI Isso vai depender um pouco da situação. Se é uma situação que envolve um pouco mais de violência física, o cérebro [da vítima] vai reagir como se o corpo estivesse ameaçado e isso pode gerar, no futuro, um Transtorno de Estresse Pós- -Traumático. Mas nem toda pessoa que passa por uma situação de abuso desenvolve o transtorno. Também depende da frequência da situação: se foi uma situação específica ou abusos que se repetiam por meses, anos. Nesse caso, fica mais grave. Se foi uma situação específica e nunca mais aconteceu, é mais fácil lidar. Quando é recorrente, acontece com alguém próximo, ela está sujeita à situação de violência dia a dia. Além da questão do abuso e da violência, ela se sente usada, causa muito mais dano do que um episódio isolado. Faz com que a vítima se sinta muito insegura nos relacionamentos que venha a ter no futuro. É mais difícil conseguir confiar em alguém, se entregar totalmente, porque a experiência dela mostrou que, quando ela confia em alguém, é traída. LUCIA BARBERO FUKS [As vítimas] se sentem péssimas. Assim como são silenciadas para fazer a denúncia, muitas vezes ficam anos sem falar com ninguém [sobre o abuso], até que em algum momento entram em um atendimento psicológico e então falam. Se as pessoas falam do assunto vinte ou trinta anos depois é porque [o abuso] é uma coisa inesquecível, que marca defi- nitivamente a vida das pessoas, é um dano psicológico irreversível. 63 Quando os abusos acontecem repetidamente, cria-se uma situação de submissão. Em geral, duram anos, quando é um pai com uma filha por exemplo, só chega ao fim na puberdade, no momento em que a criança começa a ter uma autonomia maior. Por que é difícil relatar FABIANA SAFFI Quando não houve ameaça, agressão física, foi uma agressão psicológica do abuso sexual, é difícil de relatar porque, muitas vezes, não deixa marcas físicas. e aí a pessoa pensa “não vão acreditar em mim, não tem nada no meu corpo que comprove o que aconteceu, vai ser a minha palavra contra a do outro”. Além disso, muitas vezes, o abuso é cometido por pessoas próximas, e o abusador tem uma característica de ser muito ‘sedutor’. Quando não envolve violência física, é porque ele consegue praticar o abuso por ser simpático, legal, sedutor. E aí a vítima pensa “ele é tão legal com todo mundo, como vão acreditar que fez isso comigo? Ninguém vai acreditar em mim”. Outra coisa é que a vítima normalmente se sente culpada pelo abuso, isso é muito comum. A culpa [que ela sente] é muito grande, por isso ela não denuncia. Também pode envolver violência verbal: “se você contar, tal coisa vai acontecer, vou matar você, vou fazer mal para alguém que você conheça”. Quando esse tipo de ameaça está envolvida, a pessoa não conta por medo que a ameaça se concretize. Mas, quando há outros relatos, a vítima se fortalece. Se dá conta de que não é a única que passou por essa situação, e que, se acreditaram nas outras vítimas, acreditarão nela também. LUCIA BARBERO FUKS É muito frequente que as pessoas não falem quando é um abuso [cometido] por pessoas conheci- das, famosas, parentes próximos, pais – mães dificilmente abusam, a não ser que sejam psicóticas. Se alguém sofre uma violência, é estuprada na rua, também sente vergonha, mas é bem mais fácil de denunciar, porque é uma agressão externa. A posição do agressor FABIANA SAFFI Pode haver várias explicações [para o comportamento do agressor]. Se [o abuso] acontece exclusivamente com crianças, a questão de um transtorno parafílico, a pedofilia, pode estar envolvida. Se o abuso acontece em situações diversas, [pode derivar] de uma necessidade de mostrar o poder dele, de se sentir na posição de ser mais poderoso, dominador, superior. Muitas vezes, o abusador não consegue ter relacionamentos saudáveis com pessoas da mesma idade, do mesmo nível sociocultural, educacional, por isso usa dessa força para submeter o outro à vontade dele. LUCIA BARBERO FUKS O caso do João de Deus parece ser um caso como o do [médico Roger] Abdelmassih. São situações diferentes, mas se as pessoas iam até lá pensando que era algo mágico, maravilhoso, que iriam sarar ou coisa do tipo, logicamente [João de Deus] estava em um lugar de onipotência. Já que ele era mágico, maravilhoso, tinha poderes sobrenaturais, as pessoas acreditavam quando ele dizia que [o atendi- mento que envolvia abuso] era assim mesmo. Mas isso é completamente falso, porque, por outro lado, ele mesmo sabia que era um assunto sigiloso; ameaçava, sabia que estava transgredindo e não faria isso mais abertamente. É inegável o poder que ele exercia sobre todo mundo que estava lá, todos os que estavam lá iam por admiração a ele. Já iam em uma situação de submissão. https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/12/13/Os-danos-psicol%C3%B3gicos- -do-abuso-sexual-por-estas-especialistas (13.12.2018) 64 é iMPoRTANTe sAbeR I. DADO ESTATÍSTICO RELEVANTE Entre 2011 e 2017, o Brasil teve um aumento de 83% nas notificações gerais de violências sexuais contra crianças e adolescentes, segundo boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde na segunda- feira (25). No período foram notificados 184.524 casos de violência sexual, sendo 58.037 (31,5%) contra crianças e 83.068 (45,0%) contra adolescentes. https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/maioria-dos-casos-de-violencia-sexual-contra- -criancas-e-adolescentes-ocorre-em-casa-notificacao-aumentou-83.ghtml (29.06.2018) II. ARGUMENTO DE AUTORIDADE Segundo o boletim do Ministério da Saúde, é necessário problematizar a situação, já que a violência pode ser reflexo de uma cultura do machismo. "Considerando que esse maior envolvimento como perpetradores das violências sexuais contra estes grupos pode ser reflexo da afirmação de uma identidade masculina hegemônica, marcada pelo uso da força, provas de virilidade e exercício de poder sobre outros corpos. Dessa forma, é relevante a promoção de novas formas de masculinidades que superem esse padrão e permitam a manifestação de diversas identidades possíveis", diz a análise. https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/maioria-dos-casos-de-violencia-sexual-contra- -criancas-e-adolescentes-ocorre-em-casa-notificacao-aumentou-83.ghtml (29.06.2018) III. EXEMPLOS DO COTIDIANO Um homem de 67 anos foi preso na tarde desta segunda-feira (11) suspeito de abusar sexualmente da pró- pria neta em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. Segundo o Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria) de Ponta Grossa, a menina, de 9 anos, foi quem denunciou o avô na semana passada. A criança levou até a escola em que estuda um álbum de fotografia. Em uma foto em que o avô aparece, ela explicou aos professores o que o idoso fez com ela, de acordo com o Nucria. A escola acionou o Conselho Tutelar. No dia anterior a denúncia, a menina havia participado de uma aula sobre educação e violência sexual do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), da Polícia Militar do Paraná. A menina foi levada até o Nucria e foi ouvida por uma psicóloga. Durante a conversa, a criança relatou que sofria abusos há cerca de 10 meses. https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/noticia/2019/03/12/crianca-denuncia-avo--por-abuso-apos-aula-sobre-violencia-sexual-no-parana.ghtml (12.03.2019) IV. ATORES OU SITUAÇÕES QUE PODEM SER MOBILIZADOS NA DISCUSSÃO DO TEMA (PROPOSTA ENEM) Mudar este cenário exige esforço de governos e sociedade civil. Itamar Gonçalves, da ONG Childhood Brasil, lembra ainda do papel da educação sexual nas escolas, que poderiam ensinar a diferença de toques, que os corpos das crianças e adolescentes pertencem a eles e ninguém tem o direito de tocar suas partes privadas e explicar o que é abuso sexual. "O importante é desmitificar a ideia que falar de sexualidade é ensinar as crianças a ter relação sexual", explica ele. https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/maioria-dos-casos-de-violencia-sexual-contra- -criancas-e-adolescentes-ocorre-em-casa-notificacao-aumentou-83.ghtml 65 V. LEGISLAÇÃO: "É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão." VI. DIREITOS HUMANOS DAS CRIANÇAS A criança gozará proteção social e ser-lhe-ão proporcionadas oportunidade e facilidades, por lei e por outros meios, a fim de lhe facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, de forma sadia e normal e em condições de liberdade e dignidade. Na instituição das leis visando este objetivo levar-se-ão em conta, sobretudo, os melhores interesses da criança. https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cdhm/ comite-brasileiro-de-direitos-humanos-e-politica-externa/DeclDirCrian.html INTERATIVIAA DADE ASSISTIR Vídeo Filme Filme 66 Desumanidades - Cinco relatos de violência sexual Chega de Fiu Fiu Spotlight – Segredos Revelados - Direção: Thomas McCarthy O retrato do dia a dia de três mulheres com vidas distintas, mostrando como a violência de gênero é constantemente praticada no espaço público urbano. Dessa forma, as diretoras Amanda Kamanchek Lemos e Fernanda Frazão pro- curaram especialistas para discutir sobre o assunto, buscando encontrar res- postas e alternativas para a uma questão fundamental: Será que as cidades foram feitas para as mulheres? Baseado em uma história real, o drama mostra um grupo de jornalistas em Boston que reúne milhares de documentos capazes de provar diversos casos de abuso de crianças, causados por padres católicos. Durante anos, líderes religiosos ocultaram o caso transferindo os padres de região, ao invés de puni-los pelo caso. Fonte:Vimeo INTERATIVIAA DADE ASSISTIR Vídeo Filme Filme 67 Sites Jornal Francês www.podeserabuso.org.br/ http://www.museudapessoa.net/pt/conteudo/colecao/vidas-quebradas-115863 ACESSAR Thai Nota A coleção "Vidas quebradas" reúne relatos de vida de vítimas de abuso e de exploração sexual. Jovens brasileiros que passaram por momentos de horror e degradação tendo que conviver, ainda na infância, com a violência, o uso de drogas e o abandono. As histórias que integram esta coleção foram tratadas de modo a preservar a identidade dos entrevistados. 68 ProPosta ENEM TEXTO 1 Um levantamento do Ipea, feito com base nos dados de 2011 do Sistema de Informações de Agravo de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan), mostrou que 70% das vítimas de estupro no Brasil são crianças e adolescentes. Em metade das ocorrências envolvendo menores, há um histórico de estupros anteriores. No Brasil, há poucos dados sobre o assunto, mas o Disque Denúncia (o Disque 100, serviço nacional de denúncia de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes) registrou em 2014 uma média diária de 13 denúncias de abusos de meninos. O número ainda representa menos de 30% dos casos com meninas, mas de acordo com especialistas, também é alarmante. A mesma pesquisa do Ipea estima que no mínimo 527 mil pessoas são estupradas por ano no Brasil e que, destes casos, apenas 10% chegam ao conhecimento da polícia. Do total, 70% são crianças e adolescen- tes. Esses números mostram que 24,1% dos agressores das crianças são os próprios pais ou padrastos, e 32,2% são amigos ou conhecidos da vítima. Adaptado de http://www.bbc.com/portuguese/brasil-36401054. (24.04.2017) TEXTO 2 “Nem todo molestador de crianças é pedófilo. Da mesma forma, nem todo portador de pedofilia é moles- tador de crianças”, afirma o professor de Psiquiatria e coordenador do Ambulatório de Transtornos da Sexualidade da Faculdade de Medicina do ABC (ABSex). Danilo Baltieri, que exemplifica: “Os índices verificados no estudo paulista são semelhantes aos encontra- dos em outros trabalhos ao redor do mundo. Boa parte dos indivíduos que abusam sexualmente de crianças são criminosos oportunistas. Selecionam os menores para o ato sexual simplesmente porque estão disponíveis em determinado momento e situação. Por outro lado, o indivíduo com diagnóstico médico de pedofilia pode manifestar fantasias sexuais intensas e recorrentes envolvendo crianças e púberes, mas jamais concretizá-las”. Segundo o Instituto WCF-Brasil (World Childhood Foundation), a pedofilia é a forma de violência sexual caracterizada pelo desvio da sexualidade que leva o adulto a se sentir sexualmente atraído de modo compulsivo por crianças e adolescentes. Trata-se de transtorno psiquiátrico de difícil diagnóstico e tratamento. De acordo com o Ministério Público Federal, a pedofilia em si não é crime. No entanto, o código penal considera crime a relação sexual ou ato libidinoso (todo ato de satisfação do desejo ou apetite sexual da pessoa) praticado por adulto com criança ou adolescente menor de 14 anos. Conforme o artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é considerado crime, inclusive, o ato de “adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente”. ATITUDE PREVENTIVA Apesar de muitos pedófilos não concretizarem as fantasias, existem fatores psicossociais apontados como facilitadores para o crime. Entre os principais estão doenças afetivas como a depressão, estresse psicológico intenso e abuso de substâncias psicoativas como o álcool. Quando algum desses fatores ocorre em meio à situação em que o indivíduo com pedofilia tem acesso a crianças, o comportamento pedofílico torna-se iminente. http://www.abcdoabc.com.br/abc/noticia/80-agressores-sexuais-contra-criancas-nao-sao-pedofilos-17837 (24.02.2014) Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce 69 TEXTO 3 https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/maioria-dos-casos-de-violencia-sexual-contra-criancas- -e-adolescentes-ocorre-em-casa-notificacao-aumentou-83.ghtml (29.06.2018) TEXTO 4 http://www.podeserabuso.org.br/materiais-da-campanha/cartazes/sinais/cartazsinais-podeserabuso.pdf (Acessado em 06.05.2019) A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema CAMINHOS PARA COMBATER O ABUSO SEXUAL INFANTIL NO BRASIL, apresentando pro- posta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce Thai Realce 70 ProPosta – VEstibular1 TEXTO 1 (Júlia Barbon. “42% das mulheres relatam ter sofrido assédio sexual, aponta Da- tafolha”. www1.folha.uol.com.br, 28.12.2017. Adaptado.) TEXTO 2 A revista Time consagrou como personalidade do ano de 2017 as mulheres que romperam o silêncio em relação ao assédio sexual, as mesmas que em seguida provocaram o desencadeamento doconhecido movimento #MeToo, que gerou uma mudança social nos Estados Unidos e no restante do mundo depois que vieram a público os abusos sexuais praticados pelo magnata de Hollywood Harvey Weinstein, o produtor acusado de assédio e abu- so sexual por dezenas de mulheres da indústria cinematográfica norte-americana. A publicação chama esse grupo de mulheres de “The Silence Breakers” (“As que rompem o silêncio”). Esse movimento designa um amplo leque de pessoas, em sua maioria Mulheres, desde as primeiras a enfrentar Weinstein até as demais que compartilharam suas histórias pessoais de assédio sexual por meio da hashtag #MeToo e de seus equivalentes em outros idiomas. A Time destaca que as mulheres que se levantaram contra o assédio sexual “abrangem todas as raças, todas as classes de renda, todas as profissões e praticamente todos os cantos do mundo”. “Sua ira coletiva gerou resultados imediatos e impactantes”, afirma a revista. (Amanda Mars. “Mulheres que romperam o silêncio sobre assédio sexual são ‘personalida- de do ano’ da ‘Time’”. https://brasil.elpais.com, 06.12.2017. Adaptado.) 1. Proposta de redação da VUNESP para o Vestibular 02/2018 da Faculdade de Ciências Médicas de São José dos Campos. 71 TEXTO 3 Qualquer pessoa minimamente sensata que lê os relatos sobre os assédios de Harvey Weinstein e tantos outros se pergunta: “Mas como eles conseguiram agir dessa forma durante décadas?” Conseguiram porque a maior parte das vítimas não denunciava. Ou, quando denunciava, não era levada a sério. O crime de assédio sexual tem o potencial de destruir a carreira de suas vítimas. E vale dizer: são vítimas. Chamar uma mulher que sofreu assédio de “vítima” não a coloca como incapaz ou vítima eterna. Muitas mulheres têm dificuldade em reconhecer o que sofreram como assédio (ou mesmo como estupro), porque somos doutrinadas desde crianças a acreditar que os homens, seus desejos e suas avaliações, vêm em primeiro lugar. É fundamental aprendermos que podemos denunciar. Isso quer dizer que a palavra da vítima é lei? Óbvio que não. Para qualquer denúncia, em qualquer crime, deve haver uma investigação, depois um julgamento, depois uma condenação, se o crime for comprovado. O que muda com o clima que vivemos agora é que as denúncias das mulheres estão simplesmente sendo recebidas sem serem descartadas de antemão como mentirosas. (Lola Aronovich. “Chega de saudosismo dos ‘bons tempos’ em que homens podiam assediar mu- lheres em paz”. http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br, 11.01.2018. Adaptado.) TEXTO 4 Nos últimos três anos, campanhas contra assédio sexual vêm circulando velozmente por vários países. No Brasil, a chamada “primavera feminista” de 2015 uniu protestos de rua com campanhas on-line de denúncia de as- sédio como as hashtags #meuamigosecreto e #PrimeiroAssédio. Em abril de 2017, a campanha “Mexeu com uma, mexeu com todas” foi liderada por atrizes contra o episódio envolvendo o ator José Mayer e uma figurinista, ambos da Rede Globo. A campanha #MeToo (“Eu também”) foi lançada em outubro de 2017 para estimular anônimas e atrizes a testemunharem experiências de assédio sexual. A edição da campanha #MeToo na França, #Balanceton- porc (“Denuncie seu porco”), encoraja mulheres não apenas a compartilhar histórias e prestar testemunho, como também a revelar o nome de agressores poderosos. (Débora A. Maciel e Marta R. A. Machado. “Da queima do sutiã ao Time’s Up: os desafios da mu- dança geracional no feminismo”. https://brasil.elpais.com, 19.01.2018. Adaptado.) Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma dissertação, empregando anorma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema: SOLIDARIEDADE FEMININA E DENÚNCIA COMO FORMAS DE COMBATE AO ASSÉDIO SEXUAL 1 7 Coerência textual L C ENTRE FRASES Coerência 74 75 CoerênCia textual Coerência é aquilo que faz com que o texto tenha sentido durante a leitura. Sua ocorrência não depende do texto em si, mas da organização dos elementos linguísticos e do conhecimento do mundo partilhado pelo autor, construindo um sentido percebido através do raciocínio lógico. Em outras palavras, a coerência ocorre a partir da interpretabilidade do texto, por meio processo cooperativo entre quem escreve e quem lê. Ainda que o texto esteja bem escrito, a compreensão não ocorrerá se não houver coerência. É possível estudar a coerência de um texto a partir de duas formas: a coerência externa e a coerência in- terna. Coerência externa Coerência externa é aquela realizada entre o texto e contexto de produção. Ela ocorre a partir da verifica- ção da pertinência das ideias desenvolvidas, analisando se as construções realmente fazem sentido no universo abordado pelo texto. Orações com problemas de coerência externa O machismo é um problema brasileiro que ocorre desde a escravidão. Desde os tempos mais remotos, a burguesia busca ascensão social das mais variadas formas. Os períodos de seca – no Nordeste – são consequência dos grandes fluxos migratórios. Embora os excertos acima estejam escritos corretamente a apresentem um posicionamento a respeito de determinado assunto, as ideias por ele desenvolvidas não tem validade dentro do contexto de discussão. No primei- ro exemplo, não se pode dizer que o machismo é um problema restrito ao Brasil, ou ainda, que tenha sua origem na escravidão. O segundo exemplo também se torna incoerente devido a uma dimensão temporal: a burguesia é uma classe social nascida entre a Alta e a Baixa Idade média. Em síntese, os períodos estão bem escritos, mas não possuem coerência externa. Coerência interna A coerência interna é aquela que aborda os sentidos entre as partes de um mesmo texto. Para que ela ocor- ra, é preciso: não haver contradições entre as ideias desenvolvidas; não haver paráfrases repetidas que comprome- tam o desenvolvimento lógico do texto; e não haver parágrafos isolados que não componham um todo sequencial. 76 Parágrafo com problema de coerência interna. O voto obrigatório é importante, pois é a única maneira de forçar a população a refletir a respeito da políti- ca. Desse modo, os cidadãos têm o dever de pensar em seus candidatos e avaliar o trabalho que os representantes podem fazer pelo país. Além disso, trata-se de uma excelente maneira de avaliar o papel que o governo desempe- nha na sociedade. No entanto, o voto obrigatório é negativo, pois é uma forma de imposição política que contraria o princípio da liberdade de escolha. Os períodos acima se tornam incoerentes porque apresentam contradições entre si. Na leitura, não sabemos se o autor é favorável ou não ao voto obrigatório já que dois posicionamentos opostos são colocados lado a lado sem que um deles seja eleito como prioritário. Como compor um texto coerente? § Capriche no projeto de texto e siga-o até o fim. Um projeto de texto organizado produz uma redação organizada. Quando elaboramos o projeto, colocamos em tópicos todas as ideias que contribuem para a defesa de nossa tese, e, portanto, conseguimos organizar nosso texto a partir de um raciocínio que tenha lógica. § Escreva em seu texto em favor de sua tese. Lembre-se de que as ideias apresentadas têm o objetivo de comprovar o seu posicionamento inicial. Orações soltas e expositivas escritas apenas para “falar o que se sabe sobre o assunto” costumam gerar textos incoerentes. § Cuidado com o argumento oposto à sua ideia. Não se esqueça de que o argumento contrário à nossa posição apenas nos é interessante quando pode ser relativizado ou desconstruído. Evite descrever argumen- tos muito bons que invalidem sua tese principal, pois o texto pode se tornar contraditório. § Não escreva parágrafos isolados. Lembre-se de que sua redação obedece uma sequência lógica e tem como objetivo defender sua tese. Portanto, os parágrafos precisam estar alinhados ao posicionamento principal. Não se pode compor um parágrafo para tratar de determinado assunto semobservar se essa abordagem contribui para a comprovação da tese. § Cuidado com o título. Quando seu título já apresenta uma posição a respeito do assunto, é importante que ela seja a mesma desenvolvida na redação. Por isso, recomenda-se que o título seja atribuído apenas no final da escrita do texto, pois assim é possível escrever uma frase ou oração que esteja muito bem rela- cionada à ideia que desenvolvemos ao longo do texto. § Evite a repetição de paráfrases. Quando não sabemos o que escrever, é muito comum escrevermos as mesmas coisas com outras palavras. Ou então, passamos apenas a reproduzir as ideias apresentadas na coletânea quase sem objetivo nenhum. Para acabar com esse problema, é importante realizarmos o projeto de texto e nele colocarmos as ideias a serem desenvolvidas. Com o projeto de texto em mãos, dificilmente nos perderemos nas paráfrases repetidas exaustivamente. § Releia o texto produzido. A melhor maneira de descobrir se o texto produzido está incoerente é colocar- -se na posição de leitor. Sempre leia e releia seu texto para observar há coerência nas ideias, na articulação dos parágrafos e no desenvolvimento da conclusão. A releitura ainda ajuda a acertar a pontuação ou a acentuação que podem ter passado despercebidas. 77 exerCíCios EXERCÍCIO 1: Entrou em vigor a lei que converte em presunção de paternidade a recusa dos homens em fazer teste de DNA. Assinale a alternativa cujo texto pode ser concluído coerentemente com essa afirmação. a) Sara Mendes deu início a um processo na justiça, para que Tiago Costa assuma a paternidade de seu filho Cássio. Tiago não fez o exame de DNA, mas assume como muito provável ser ele o pai do menino. Cássio alega que o exame não é conclusivo, pois entrou em vigor a lei que converte em presunção de paternidade a recusa dos homens em fazer teste de DNA. b) Adriano é um rapaz muito presunçoso e não admite que lhe cobrem nada. A namorada lhe pediu um exame de DNA, para esclarecer a paternidade de Amanda, sua filha. Adriano disse que não faria o exame. A na- morada disse que toda essa presunção serviria para o juiz atestar a paternidade, pois entrou em vigor a lei que converte em presunção de paternidade a recusa dos homens em fazer teste de DNA. c) Carlos de Almeida responde processo na justiça por não querer reconhecer como seu o filho de Diana Santos, sua ex namorada. Carlos se recusou a fazer o exame de DNA, o que permite ao juiz lavrar a sentença que o indica como pai da criança, porque entrou em vigor a lei que converte em presunção de paternidade a recusa dos homens em fazer teste de DNA. d) Alessandro presume que Caio seja seu filho. Sugeriu a Telma um exame de DNA. Telma disse não ser ne- cessário, pois entrou em vigor a lei que converte em presunção de paternidade a recusa dos homens em fazer teste de DNA. e) Mário e Felipe são primos. Mário é extremamente vaidoso, pretensioso. Felipe é um rapaz calmo e muito simples. Os dois namoraram Teresa na mesma época. Teresa teve uma filha e entrou na justiça para exigir dos dois primos um exame de DNA. O juiz disse que não era necessário, pois entrou em vigor a lei que converte em presunção de paternidade a recusa dos homens em fazer teste de DNA. EXERCÍCIO 2. Identifique a ordem em que os períodos devem aparecer, para que constituam um texto coeso e coerente. (Texto de Marcelo Marthe: Tatuagem com bobagem. Veja, 05 mar. 2008, p. 86.) I. Elas não são mais feitas em locais precários, e sim em grandes estúdios onde há cuidado com a higiene. II. As técnicas se refinaram: há mais cores disponíveis, os pigmentos são de melhor qualidade e ferramentas como o laser tornaram bem mais simples apagar uma tatuagem que já não se quer mais. III. Vão longe, enfim, os tempos em que o conceito de tatuagem se resumia à velha âncora de marinheiro. IV. Nos últimos dez ou quinze anos, fazer uma tatuagem deixou de ser símbolo de rebeldia de um estilo de vida marginal. Assinale a alternativa que contém a sequência correta, em que os períodos devem aparecer. a) II, I, III, IV b) IV, II, III, I c) IV, I, II, III d) III, I, IV, II e) I, III, II, IV 78 Texto para a próxima questão Mais velho, poucos amigos? Um curioso estudo divulgado na última semana mostrou que a redução do número de amigos com a ida- de, tão comum entre os humanos, pode não ser exclusivo da nossa espécie. 1Aparentemente, macacos também passariam por processo semelhante em suas redes de contatos sociais, o que poderia sugerir um caráter evolutivo desse fenômeno. 2No trabalho desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa com Primatas em Göttingen, Alemanha, se identificou uma redução de grooming (tempo dedicado ao cuidado com outros indivíduos, como limpar o pelo e catar piolhos) entre os macacos mais velhos da espécie Macaca sylvanus. 3Além disso, eles praticavam grooming em um número menor de “amigos” ou parentes. 4Fazer grooming está para os macacos mais ou menos como o “papo” para nós. 5Da mesma forma que o “carinho” humano, ele parece provocar a liberação de endorfinas. 6Geram-se, dessa forma, sensações de bem-estar tanto em homens como em outros animais. Na pesquisa, publicada pelo periódico New Scientist, os cientistas perceberam que macacos de 25 anos tiveram uma redução de até do tempo de grooming quando comparados com adultos de cinco anos. 7Se esse fenômeno acontece em outros primatas, ele também pode ter chegado a nós ao longo do caminho de formação da nossa espécie. 8Se chegou, qual teria sido a vantagem evolutiva? 9Durante muito tempo se especulou que esse “encolhimento” social em humanos seria, na verdade, re- sultado de um processo de envelhecimento, em que depressão, morte de amigos, limitações físicas, vergonha da aparência e menos dinheiro poderiam limitar as novas conexões. 10Mas, pesquisando os idosos, se percebeu que ter menos amigos era muito mais uma escolha pessoal do que uma consequência do envelhecer. Uma linha de investigação explica que essa redução dos amigos seria, na verdade, uma seleção dos mais velhos de como usar melhor o tempo. Mas outros especialistas defendem a ideia de que os mais velhos teriam menos recursos e defesas para lidar com estresse e ameaças e, assim, 11escolheriam com mais cautela as pessoas com quem se sentem mais seguros (os amigos) para passar seu tempo. BOUER, J. Jornal O Estado de São Paulo, caderno Metrópole, domingo, 26 jun. 2016, p. A23. Adaptado. EXERCÍCIO 3. Para garantir a unidade e a coerência, todo texto deve seguir uma determinada ordem de apresentação das ideias. Ao desenvolver o processo argumentativo, o texto apresentado, depois de informar que a redução do número de amigos pode ser fruto de uma escolha pessoal do idoso, afirma que a) a depressão, as limitações físicas, a vergonha da aparência são alguns fatores que podem afetar as pessoas idosas. b) o grooming entre os macacos equivale à relação de carinho e de contato entre os humanos. c) o homem não é o único ser vivo que sofre uma redução de amigos ao longo do seu processo de enve- lhecimento. d) os especialistas defendem posições distintas sobre a relação entre envelhecimento e redução de amigos. e) os macacos mais velhos tiveram redução do tempo de grooming, segundo uma pesquisa alemã. GABARITO 1.C 2.C 3. D 79 aula 17 – a Compreensão e o diálogo na soCiedade Contemporânea TEXTO 1 Tempos de conversas divergentes ‘Nós não somos treinados para o diálogo’ A definição da palavra “diálogo” segundo o dicionário Houaiss, consiste na troca de palavras entre dois ou mais indivíduos sobre um ou mais assuntos. Nos dias de hoje, as pessoas estão se comunicando mais, principalmente por meio da internet e de todas as ferramentas agregadas a ela, mas isso não quer dizer que elas estejam em um profundo diálogo. Pelo contrário. O que se vê atualmente é a expressão nua e crua de opiniões. Se forem divergentes, então, a “conversa” parte para a agressão, o desrespeito e, em muitos casos, a violência. Nestasegunda e terça-feira, dias 18 e 19, o Dialogar, Central de Mediação Extrajudicial do Núcleo de Práticas Jurídicas da UFJF, promove o seminário “A arte do encontro através do diálogo”, que busca, exatamente, reverter este cenário. “Queremos mostrar como o diálogo pode ser mais profundo e positivo para a sociedade. O conflito precisa ser encarado como positivo, e não negativo, o que induz a uma conduta destrutiva. Os conflitos hoje são fomentados pela ausência de diálogo”, explica Fernando Guilhon, coordenador do Dialogar. Ele acrescenta que o objetivo do evento é abranger vários cursos, pois a programação contempla temas voltados para a arte, educação, psicologia, saúde, entre outros. Extrajudicialmente O Dialogar é um braço do Núcleo de Práticas Jurídicas da Faculdade de Direito da UFJF. Por meio dele, é possível solucionar, de forma extrajudicial, problemas provenientes de relações continuadas, como conflitos familiares, divisão de patrimônio, assuntos empresariais e de convivência. Recentemente, o projeto foi agraciado com a menção honrosa pelo prêmio “Conciliar é legal”, concedido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A premiação reconhece as práticas de sucesso, estimulando a criatividade e disseminando a cultura dos métodos consensuais para resolução dos conflitos. Entrevista Coordenador do Dialogar, Fernando Guilhon fala nesta entrevista sobre os conflitos que vêm sendo travados nas redes sociais e sobre a necessidade de a sociedade aprimorar o exercício de saber ouvir. Guilhon ressalta ainda que as pessoas hoje no país não são treinadas para o diálogo, o que pode ser fruto de uma geração criada durante a ditadura militar. Como exemplo, ele cita a escola, que, embora esteja passando por reformulações, ainda demonstra graus de autoritarismo. O coordenador lembra, finalmente, dos conflitos de temática política, que são centrais neste momento no país. E como podemos lidar com isso? “Através do diálogo”, ensina, lembrando que “dialogar é buscar conhecimento sobre a posição do outro”. – Tribuna – Com as redes sociais e demais ferramentas de comunicação, a sociedade poderia estar mais aberta para o diálogo, porém, o que se vê não é bem isso. A que você atribui este comportamento? – Fernando Guilhon – Atribuo à forma como elas são utilizadas. As redes facilitam a sua fala, mas não a sua locução. Isto acaba incentivando o conflito, e ele passa a ser tratado de maneira destrutiva, pois você não consegue ouvir o outro. Na verdadeira comunicação, um percentual muito reduzido pertencente à palavra escrita ou falada. A parte maior está no gestual, no tom de voz, no contato visual e no coração que se coloca na conversa. As redes sociais não permitem este alcance. Elas propagam a expressão da opinião, mas não o diálogo. Posso expressar minha opinião, mas para a construção do diálogo, eu preciso ouvir. Ouvir é um exercício que a sociedade precisa aprimorar. https://tribunademinas.com.br/noticias/cidade/17-04-2016/tempos-de-conversas- -divergentes-nos-nao-somos-treinados-para-o-dialogo.html (17.04.2016) 80 TEXTO 2 Seu filho não concorda com você? Ótimo! A convivência pacífica em casa é fundamental, mas o pensamento diferente contribui para o desenvolvimento de crianças e adolescentes. O novo, a dúvida e a crítica levam ao diálogo A pedido da reportagem, profissionais da área da psicologiacomentaram a declaração e falaram a respeito de outros tópicos importantes sobre a criação dos filhos. Maria Isabel Wendling, psicóloga, terapeuta de família e professora do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), concorda com Calligaris, argumentando que é a partir das discordâncias que as pessoas começam a refletir mais. Se todos pensarem o tempo inteiro da mesma forma, não se acrescenta o novo, a dúvida, ocorrendo apenas a repetição indefinida dos mesmos padrões – estes, muitas vezes, disfuncionais. Discordar, destaca Maria Isabel, abre a possibilidade de se colocar no lugar do outro, de se abrir para uma ideia distinta, para algo que até então a pessoa não tinha pensado. A dissensão, enfim, abre caminho para a diversidade. — Com pontos de vista com os quais pode até não concordar, você vai estar ensinando o respeito ao diferente. De alguma forma, aquele outro pensamento desacomoda, faz repensar o seu posicionamento. Isso é fundamental. A família, na configuração que for, é a base socializadora de um indivíduo. É onde ele vai começar a aprender a dialogar. A família vai formando a identidade, o indivíduo vai se descobrindo através da fala do outro. É importante que existam essas discordâncias — comenta a psicóloga. Como primeiro grupo social no qual a pessoa se insere, a família tem como principais responsabilidades garantir a proteção e o cuidado de seus membros e transmitir padrões e normas da cultura, explica Angela Helena Marin, doutora em Psicologia, pes- quisadora e professora dos cursos de graduação e pós-graduação da Unisinos. É claro que, pontua Angela, não é o que ocorre em todos os grupos familiares, devido a vulnerabilidades de distintas ordens. Ao longo do desenvolvimento, interagiremos com vários outros grupos, que também influenciarão nosso modo de agir e pensar. — Para que a família promova o desenvolvimento de seus membros, é necessário o incentivo à autonomia. Nesse processo, à medida em que cada um assume características individuais, pode haver crises, que, em vez do que costumamos pensar automa- ticamente, são salutares e possibilitam o amadurecimento a partir das mudanças que propiciam. Uma das funções educativas da família é possibilitar que essas crises sejam vivenciadas — afirma Angela. As diferenças podem surgir no que se refere ao dia a dia doméstico, ao noticiário da TV, aos planos para férias, ao modo de vestir, aos posicionamentos políticos – o pai pensa de uma maneira, a mãe de outra, e os filhos, bem mais jovens, seguem uma terceira linha. O enriquecimento advém do respeito e da possibilidade de aceitação dessas dessemelhanças, reforça Angela: — Como sujeitos, temos especificidades, o que se costuma conceituar de subjetividade, que nos faz pensar e agir de formas distintas. Desde a formação, as famílias conjugam diferenças, pois reúnem pessoas com histórias diversas, provenientes de outros grupos que também tinham suas especificidades. Aprender a interagir, buscando entender e dialogar com o que nos é diferente, possibilita a formação de vínculos mais genuínos, de uma sociedade mais tolerante e, consequentemente, menos violenta. Tudo isso começa pelas relações familiares. https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2019/04/seu-filho-nao-con- corda-com-voce-otimo-cjulelye8011q01p5mzkjlihd.html (18.04.2019) 81 É importante saBer I. ARGUMENTO DE AUTORIDADE Coordenador do Dialogar, Fernando Guilhon fala nesta entrevista sobre os conflitos que vêm sendo travados nas redes so- ciais e sobre a necessidade de a sociedade aprimorar o exercício de saber ouvir. Guilhon ressalta ainda que as pessoas hoje no país não são treinadas para o diálogo, o que pode ser fruto de uma geração criada durante a ditadura militar. Como exemplo, ele cita a escola, que, embora esteja passando por reformulações, ainda demonstra graus de autoritarismo. https://tribunademinas.com.br/noticias/cidade/17-04-2016/tempos-de-conversas- -divergentes-nos-nao-somos-treinados-para-o-dialogo.html (17.04.2016) II. EXEMPLO DO COTIDIANO Um motorista foi morto a tiros, na noite sábado (11/05/2019), em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. Marcio Fernandes Carpinter, de 50 anos, se envolveu numa briga de trânsito com um motociclista na saída de um shopping na Barra da Tijuca. Segundo informações preliminares, a vítima estaria acompanhada da esposa e de duas filhas e tinha ido ao centro comer- cial para jantar com a família. Carpinter teria se desentendido com um motociclista quando deixava o local e abaixou o vidro do carro para xingá-lo. O motociclista, deacordo com o que foi apurado no local pela Polícia Militar, teria seguido o carro da família e, por fim, atirado na nuca do motorista. Em razão do ferimento, Carpinter perdeu o controle do carro e bateu contra um muro. As três pessoas que estavam no carona não se feriram. O motorista fugiu. https://www.metropoles.com/brasil/briga-de-transito-em-saida-de-shopping-acaba-em-morte-no-rj (12.05.2019) V. ANALOGIA LITERÁRIA Houve um momento em que eu e a Cecília percebemos que nossa relação estava morta. Mas nenhum de nós reagiu. Há certos cadáveres que, por razões que ignoramos, não se decompõem. E não havendo mau cheiro que incomode os vizinhos, não há necessidade de chamar o IML. Marçal Aquino. Em: O invasor. VII. CITAÇÃO Só quando os homens se comunicarem sem coação e cada um se puder reconhecer no outro, poderia o gênero humano reconhecer a natureza como um outro sujeito. Jürgen HABERMAS, filósofo e sociólogo alemão. In: Técnica e Ciência como “Ideologia” ASSISTIR INTERATIVIAA DADE Vídeo Livros LER 82 Como aprender a escutar o outro? | Christian dunker Fonte:Youtube O homem invisível – H.G. Wells Em uma noite gelada de fevereiro, surge numa cidade isolada na Inglaterra um desconhecido à procura de abrigo. Com o rosto coberto de bandagens, enluvado e de óculos escuros, esse homem misterioso, de pouca conversa, parece estar se recuperando de um acidente que o desfigurou. Pede à dona da estalagem um quarto reservado, onde possa passar os dias sem ser in- comodado. O filho eterno – Cristovan Tezza Num livro corajoso, Cristovão Tezza expõe as dificuldades, inúmeras, e as saborosas pequenas vitórias de criar um filho com síndrome de Down. O autor aproveita as questões que apareceram pelo caminho nestes 26 anos de Felipe para reordenar sua própria vida: a experimentação da vida em comunidade quando adolescente, a vida como ilegal na Alemanha para ganhar dinheiro, as dificuldades de escritor com trinta e poucos anos e al- guns livros na gaveta, e a pretensa estabilidade com o cargo de professor em universidade pública. Com precisão literária para encadear de maneira clara referências de anos e situações tão díspares, Cristovão Tezza reforça, com a publicação de O filho eterno, seu lugar entre os maiores escritores brasileiros. ASSISTIR INTERATIVIAA DADE Vídeo Livros LER 83 ProPosta ENEM TEXTO 1 Maria Isabel Wendling, psicóloga, terapeuta de família e professora do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, afirma que é a partir das discordâncias que as pessoas começam a refletir mais. Se todos pensarem o tempo inteiro da mesma forma, não se acrescenta o novo, a dúvida, ocorrendo apenas a repetição indefinida dos mesmos padrões – estes, muitas vezes, disfuncionais. Discordar, destaca Maria Isabel, abre a possibilidade de se colocar no lugar do outro, de se abrir para uma ideia distinta, para algo que até então a pessoa não tinha pensado. A dissensão, enfim, abre caminho para a diversidade. — Com pontos de vista com os quais pode até não concordar, você vai estar ensinando o respeito ao diferente. De alguma forma, aquele outro pensamento desacomoda, faz repensar o seu posicionamento. Isso é fundamental. https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2019/04/seu-filho-nao-concorda- -com-voce-otimo-cjulelye8011q01p5mzkjlihd.html (18.04.2019) TEXTO 2 “Quando não há atividades compartilhadas, há falta de tempo para conversas frequentes, os filhos têm difi- culdade para desenvolver habilidades interpessoais e fortalecer a confiança – acabam ficando com a impressão de que conversar sobre algo mais difícil é trabalhoso e com pouca chance de dar certo. Acaba sendo mais fácil resolver problemas na internet e nas redes sociais. No entanto, comunicação e responsabilidade afetiva são as principais condições para um funcionamento familiar saudável e mais ainda para o desenvolvimento da autoestima dos filhos, principalmente na adolescência.” Entrevista com a psicóloga Heloisa Fleury, ”Diálogo e respeito são chaves para uma boa relação familiar” https:// www.a12.com/redacaoa12/brasil/dialogo-e-respeito-sao-chaves-para-uma-boa-relacao-familiar (05.01.2017) TEXTO 3 https://www.acidadeon.com/GFOT,0,3,13109,Charge+do+Dia.aspx 85 TEXTO 4 Não é de hoje, então, que o conflito entre gerações faz os adultos imaginarem – equivocadamente – que os “adolescentes atuais” são “mais difíceis”, “indóceis” ou “agressivos” do que os de antes. Na adolescência, há uma transição em marcha, uma ruptura entre o filho idealizado pelos pais e o filho real. Essa transição causa choques, envolve enfrentamentos, mas é normal e precisa ser encarada com serenidade. Para tanto, a escola pode ser um espaço privilegiado na intermediação dessas tensões e colaborar com pais e filhos a fim de compreenderem melhor essa fase, buscando atuar como parceira da família. Alguns pais creditam as mudanças de conduta e de temperamento pelas quais passam os filhos, na adoles- cência, a fatores externos – amizades, namoros, festas, internet, por exemplo. É como se os responsáveis sentissem que os filhos continuariam os mesmos se alguém ou alguma coisa não tivesse interferido. Mas não é o caso: a mudança parte do próprio adolescente, e das circunstâncias e dos estímulos aos quais estão expostos. A escola, nesse sentido, pode ajudar a família a compreender isso com mais clareza https://educacao.estadao.com.br/blogs/albert-sabin/pais-e-filhos-adolescentes/ (07.03.2016) A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema AS IMPLICAÇÕES DA AUSÊNCIA DE DIÁLOGO NO AMBIENTE FAMILIAR, apresentando pro- posta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. 86 ProPosta – VEstibular TEXTO 1 Fala-se muito hoje em dia, mas será que as pessoas têm escutado umas às outras? Ou a individualidade, o ego, a postura de dono da razão, de intransigente e de sabichão criam barreiras para ouvir de verdade o pensa- mento do outro, mesmo que diferente? A comunicação, com seus ruídos, parece desintegrar, e grande parte dos brasileiros anda intolerante e, simplesmente, parou de dialogar e escolheu o discurso como forma de linguagem. Não importa se ele for de bravatas, vazio ou autoritário, o fundamental é defender uma ideia, ainda que reduza a identidade do outro. “Diálogo é cada vez menos presente nas relações humanas” https://www.uai.com.br/app/noticia/saude/2016/02/21/ noticias-saude,190660/dialogo-e-cada-vez-menos-presente-nas-relacoes-humanas.shtml (21.02.2016) TEXTO 2 Você precisa escolher um lado? “É importante lembrar que o nosso bem-estar depende também do bem- -estar comum. Sinto falta disso na nossa sociedade”, comenta a psicóloga Bel Cesar. [...] Conversas sobre temas controversos devem envolver uma intenção verdadeira das partes de ampliar suas visões, recomenda a psicóloga. Se não, será pura discussão, ou seja, uma disputa contaminada pela raiva e pela luta de poder para ver quem se impõe melhor e convencer o outro de que é ele que está errado. (MESQUITA, Renata Valéria. IN: Revista PLANETA. Maio 2016, ano 43, ed. 520.) TEXTO 3 Babel, é outra instalação de Cildo Meireles. Uma torre de cinco metros de altura feita por mais de 900 aparelhos de rádio empilhados em círculo. Ao se aproximar da torre, pode- se distinguir o que cada um dos rádios está tocando. Música, notícias, conversa com os ouvintes. http://arte72pm.blogspot.com/2011/12/instalacao.html 87 TEXTO 4 https://www.claravilaseca.com/single-post/2015/10/09/%C2%BFQu%C3%A9-prefieres-tener-la-raz%C3%B3n-o-ser-feliz TEXTO 5 Boa parte dos conflitos que temos com outras pessoas podem ser causados mais pela forma como expomos nossas ideiasdo que propriamente pelas diferenças de opinião. Baseado nesta crença, o psicólogo Marshall Rosen- berg desenvolveu o conceito de Comunicação Não-Violenta (CNV), que seria capaz de estimular a compaixão e a empatia (também por isso chamada de Comunicação Empática). A CNV, nas palavras do psicólogo, “começa por assumir que somos todos compassivos por natureza e que estratégias violentas – se verbais ou físicas – são aprendidas, ensinadas e apoiadas pela cultura dominante”. Ou seja, em um ambiente que estimule a competitividade, a dominação e a agressividade, tendemos a nos comportar violentamente. Ao contrário, tendemos a agir com generosidade em ambientes acolhedores e cooperativos. https://www.cvv.org.br/blog/a-importancia-da-comunicacao-nao-violenta/ (Acessado em 13.05.2019) 88 TEXTO 6 TIRANIAS Antigamente diziam: cuidado, as paredes têm ouvidos. Então, falávamos baixo, nos policiávamos. Hoje as coisas mudaram: os ouvidos têm paredes. De nada adianta gritar. Ruy Proença. In: Visão do térreo, 2007. A partir da leitura dos fragmentos de textos acima e do planejamento de seus argumentos sobre o tema, elabore um texto ‘dissertativo-argumentativo’, com o uso da norma padrão da língua portuguesa, sobre o tema O DIÁLOGO E A COMPREENSÃO ENTRE OS SUJEITOS AINDA TÊM LUGAR NO MUNDO CONTEMPORÂNEO? REDAÇÕES EXTRAS Pratique mais L C ENTRE FRASES L C ENTRE FRASES 91 ProPostas extras – ENEM ProPosta 1 TEXTO 1 Motivos alegados pelos jovens entre 15 e 29 anos no Brasil para não estudar TEXTO 2 Pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostrou que 60% dos jovens da América Latina e do Caribe têm confiança em seu futuro profissional até 2030, enquanto 40% sentem incerteza ou medo. Um total de 69% espera trabalhar em sua própria empresa, 76% mostraram-se otimistas com a possibilidade de ganhar bons salários e 59% consideram que as mudanças associadas à tecnologia, como a robotização, serão positivas. Adaptado de: https://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2017/08/jovens-da-america-latina-e- -caribe-confiam-em-seu-futuro-profissional-diz-oit.html, acesso em 26 de outubro de 2018. 92 TEXTO 3 – O jovem precisa de uma aula que ensine como se comportar, como lidar com os sentimentos. Tem muita gente que sofre em silêncio. Tenho milhares de amigos que não se abrem. Uma aula no meio do horário letivo teria resultados melhores, formaria pessoas mais preparadas, mais cientes. A gente precisa disso – diz Gianluca. (Gianluca Vilela Piccin, aluno de 15 anos do Colégio Novo Tempo de Santos, em São Paulo, manifestou a sua opi- nião no painel “O que os jovens querem aprender”, no Educação 360 Jovem, realizado pelos jornais O Glo- bo e Extra, realizado no dia 16 de abril de 2018, no Museu do Amanhã, no Centro do Rio de Janeiro) A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema O ENGAJAMENTO DO JOVEM EM SUA PRÓPRIA EDUCAÇÃO , apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. ProPosta 2 TEXTO 1 Mobilidade é o grande desafio das cidades contemporâneas, em todas as partes do mundo. A opção pelo automóvel – que parecia ser a resposta eficiente do século 20 à necessidade de circulação – levou à paralisia do trânsito, com desperdício de tempo e combustível, além dos problemas ambientais de poluição atmosférica e de ocupação do espaço público. No Brasil, a frota de automóveis e motocicletas teve crescimento de até nos últimos dez anos. Disponível em: http://www.mobilize.org.br/sobre-o-portal/mobilidade-urbana- sustentavel/. Acesso em 29/08/2015. Fragmento adaptado. TEXTO 2 http://logmobilidadeurbana.blogspot.com/2016/09/estatisticas.html 93 TEXTO 3 As cidades constituem-se no palco das contradições econômicas, sociais e políticas e o sistema viário é um espaço em permanente disputa entre diferentes atores, que se apresentam como pedestres, ciclistas, condutores e usuários de automóveis, caminhões, ônibus e motos. (BRASIL Acessível. Programa Brasileiro de Acessibilidade Urbana. Ministério das Cidades, 2006. p. 2) TEXTO 4 Art. 7º A Política Nacional de Mobilidade Urbana possui os seguintes objetivos: I - reduzir as desigualdades e promover a inclusão social; II - promover o acesso aos serviços básicos e equipamentos sociais; III - proporcionar melhoria nas condições urbanas da população no que se refere à acessibilidade e à mobilidade; IV - promover o desenvolvimento sustentável com a mitigação dos custos ambientais e socioeco- nômicos dos deslocamentos de pessoas e cargas nas cidades; e V - consolidar a gestão democrática como instrumento e garantia da construção contínua do apri- moramento da mobilidade urbana. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12587.htm A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema OS DESAFIOS DA MOBILIDADE URBANA NO BRASIL, apresentan- do proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. 94 ProPosta 3 TEXTO 1 Os resíduos sólidos tornaram-se, nos últimos anos, um dos problemas centrais em termos de pla- nejamento urbano e gestão pública em praticamente todas as grandes cidades do mundo. O estudo A Organização Coletiva de Catadores de Material Reciclável no Brasil: dilemas e potencialidades sob a ótica da economia solidária, do técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Sandro Pereira Silva, apresenta estimativas recentes que apontam para uma geração de resíduos sólidos urbanos no Brasil em torno de 160 mil toneladas diárias - 30% a 40% desse montante são considerados passíveis de reaproveitamento e reciclagem. Com um setor ainda pouco explorado no país, apenas 13% desses resíduos são encami- nhados para a reciclagem. “Mesmo com as dificuldades enfrentadas pelas instituições e pelos catadores no Brasil, alguns avanços foram identificados nos últimos anos, ao menos em alguns materiais específicos, com maior valor de mercado”, destaca Silva. Entre 1994 e 2008, o índice de reciclagem de latas de alumínio variou de 56% para 91,5%, o de papel de 37% para 43,7%, o de vidro de 33% para 47%, o de embalagens PET de 18% para 54,8%, o de lata de aço de 23% para 43,5%, e o de embalagem longa-vida de 10% em 1999 para 26,6% em 2008. Os dados ainda revelam a composição dos resíduos descartados no país: 57,41% de matéria orgânica (sobras de alimentos, alimentos deteriorados, lixo de banheiro), 16,49% de plástico, 13,16% de papel e papelão, 2,34% de vidro, 1,56% de material ferroso, 0,51% de alumínio, 0,46% de inertes e 8,1% de outros materiais. “Apenas 13% dos resíduos sólidos urbanos no país vão para reciclagem” http://www.ipea.gov. br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=29296 (25.01.2017) TEXTO 2 “Selecionar o lixo e reciclá-lo ainda é um desafio” https://www12.senado.leg.br/emdiscussao/edicoes/residuos-solidos/ realidade-brasileira-na-pratica-a-historia-e-outra/selecionar-o-lixo-e-recicla-lo-ainda-e-um-desafio (22.09.2014) 95 TEXTO 3 É difícil encontrar alguém hoje que ignore os benefícios da reciclagem para a preservação do planeta. O que poucos parecem saber, no entanto, é que se o lixo não for separado na fonte (ou seja, em casa) e levado separado até a hora de reciclar, os benefícios na prática podem se perder. A grande vantagem de reciclar é poupar a produção de um novo material. Cada vez que se reutiliza um papel, se evita a derrubada de árvores. Cada vez que se reutiliza um plástico, se evita o uso de petróleo.Isso não quer dizer, no entanto, que a poluição do processo de reciclagem seja zero. Ela simplesmente, na ponta do lápis, polui menos. Segundo os especialistas, até 90% de todos os materiais usados pela indústria podem ser reciclados. As exceções existem porque alguns produtos não compensam ou financeiramente ou ambientalmente. Fraldas descar- táveis, por exemplo, causam mais poluição quando são recicladas do que quando são produzidas. O mesmo é verdade se o material original não estiver muito danificado. O que se garante, com a separação do lixo na fonte. “Quando o resíduo é separado e isolado, a contaminação é reduzida e isso torna tudo mais fácil na hora de reciclar. É por isso que na reciclagem o resíduo de mais valor é o industrial, que é separado com rigor”, explicou ao G1 o engenheiro ambiental Sandro Donnini Mancini, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Se o lixo não é separado adequadamente, a contaminação dificulta a reciclagem e pode deixar ela cara demais ou poluente demais. Papéis sujos, por exemplo, precisam de muito alvejante para ficarem brancos. Alvejante que é um poluente. Dependendo do estado do material original, reciclar pode fazer mais mal do que bem. “Sem coleta seletiva, reciclagem pode fazer mais mal do que bem” Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL389902- 5603,00-SEM+COLETA+SELETIVA+RECICLAGEM+PODE+FAZER+MAIS+MAL+DO+QUE+BEM.html (Acessado em 05.05.2019) A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da lín- gua portuguesa sobre o tema CAMINHOS PARA PROMOVER A RECICLAGEM DE LIXO NO BRASIL, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. 96 ProPostas extras – vestibular ProPosta 1 TEXTO 1 O que há de errado com a desigualdade do ponto de vista ético? É óbvio que a desigualdade não é um mal em si – o que importa é a legitimidade do caminho até ela. A questão crucial é a seguinte: a desigualdade observada reflete essencialmente os talentos, esforços e valores diferenciados dos indiví- duos ou, ao contrário, resulta de um jogo viciado na origem – de uma profunda falta de equidade nas condições iniciais de vida, da privação de direitos elementares? [...] O Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do planeta. No ranking da distribuição de renda, somos a segunda nação mais desigual do G-20, a quarta da América Latina e a 12º do mundo. Esse quadro é fruto de uma grave anomalia: a brutal disparidade nas condições iniciais de vida e nas oportunidades de nossas crianças e jovens de desenvolverem adequadamente suas capacidades e talen- tos, de modo a ampliar seu leque de escolhas possíveis e eleger seus projetos, apostas e sonhos de vida. (Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Igualdade de quê?. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 27 jul. 2018) 97 TEXTO 2 Qual a alternativa para a desigualdade? Alguém vê alguém igual a alguém? Há uma grande confu- são acerca da ideia de igualdade. A Declaração diz "todos os homens são criados igualmente". Mas em que sentido o termo "igualdade" é referido pelos "pais fundadores" (Founding Fathers, em referência aos fundadores dos Estados Unidos)? Igualdade de resultados? Obviamente que não. Igualdade de oportuni- dades? Os pais fundadores julgavam que tínhamos que ter oportunidades iguais? Mas não há igualdade de oportunidades no mundo real. O que os pais fundadores estavam afirmando era a igualdade perante a lei. Todos nós temos direi- tos; temos direito à vida, direito ao livre arbítrio, a escolher os meios de alcançar a própria felicidade. Isso não garante igualdade de resultados nem igualdade de oportunidades; mas garante liberdade, porque toda a outra forma de igualdade – de oportunidade, de resultados – requer o quê? Requer o uso da força, o uso da coerção; requer tirar de alguns para dar a outros. Requer dar ao Estado esse poder. E os resultados estão à vista de todos nos últimos dois séculos. Como lidar com o fato de que pessoas têm talentos e inteligências totalmente diferentes? Alguns nascem em famílias pobres, outros em famílias ricas; uns têm mais vontade e determinação, outros me- nos; alguns têm pais bacanas, outros não tanto; há aqueles que nasceram no Alasca, outros em Nova York, outros em tribos indígenas. A tentativa de igualar requer que você viole os direitos de algumas pessoas, tornando-as menos iguais perante a lei, para dar a outras pessoas, dando a elas tratamento preferencial perante a lei. E é exatamente a isso que os pais fundadores se opunham. (Adaptado de: BROOK, Yaron. A virtude da desigualdade. Disponível em: <https://www.youtube.com>. Acesso em: 27 jul. 2018) 98 TEXTO 3 O leito de Procusto Procusto, personagem da mitologia grega, vivia perto da estrada de Eleusis, a alguns quilômetros de Atenas. De acordo com a lenda, construiu um leito metálico do exato tamanho de seu corpo. Aos hóspedes que fossem maiores que o leito, Procusto amputava-lhes o excesso. Aos que fossem menores, esticava-os até ficarem de conformidade com o móvel. O viajante nunca se adaptava porque, secretamente, Procusto possuía duas camas de tamanho di- ferente (duas medidas). O horror só teve fim quando o herói Teseu lhe aplicou o mesmo suplício: colocou- -o na cama em sentido transversal, de forma a sobrarem a cabeça e os pés, que foram amputados pelo herói. (Adaptado do disponível em: <https://mitologica.blogs.sapo>. Acesso em: 15 jun. 2018) A partir da leitura dos fragmentos de textos acima e do planejamento de seus argumentos sobre o tema, elabore um texto ‘dissertativo-argumentativo’, com o uso da norma padrão da língua portuguesa, sobre o tema: QUAL A LEGITIMIDADE DO COMBATE ÀS DESIGUALDADES NA ESTRUTURA SOCIAL? 99 ProPosta 2 TEXTO 1 Só no consultório, o dr. Miguel Couto abre a gaveta da mesa de trabalho e retira a placa de metal prateado em que mandou inscrever o lema que repete em aula e a que se referirá publicamente até o final da vida: “Se toda medicina não está na bondade, menos vale dela separada.” Não se exerce a profissão de médico sem enfrentar obstáculos. Sempre que tive de fazer uma pergunta roçando assunto muito pessoal, jamais, mas jamais mesmo, encontrei paciente que fosse capaz de responder com pleno conhecimento ao que eu precisava saber. Boas respostas não me são entregues pelo paciente. Escuto a todas, envoltas no mistério que desafia minha argúcia, como a escrita de carta enigmática que, para ser lida, requisita a perspicácia criadora que é também indispensável ao bom tradutor de língua estrangeira. SANTIAGO, Silviano. Machado. S.P.: Companhia das Letras, 2016, p.146. TEXTO 2 Numa entrevista, o escritor português António Lobo Antunes, que trabalhou há alguns anos como médico psiquiatra, defrontou-se com a seguinte pergunta: “Nunca sentiu falta da medicina?” Eis sua resposta: “- Não. Mas gostava de ser médico. Uma vez, apareceu ao meu pai uma senhora com um problema neurológico. O meu pai perguntou-lhe: “Como é que a senhora faz as coisas da casa?” Ela, uma mulher analfabeta, deu a melhor definição da dor que alguma vez ouvi: “É tudo a poder de lágrimas e ais.” É uma definição de sofrimento como eu nunca vi. Perfeita. As frases que ouvi! Uma vez, no Hospital Miguel Bombarda ia a sair do carro e aparece-me o tipo que tinha aquilo que os médicos chamam esquizofrenia. Ele deu-me a melhor lição de literatura que alguma vez ouvi. Eu estava a sair do carro, e ele parecia que trazia dentro dele um mistério e que me ia fazer uma confissão importantíssima: “Sabe, senhor doutor, o mundo começou a ser feito por trás.” Eu pensei: “Porra! Escrever é isto. É fazer por detrás. O mundo começou a ser feito por detrás.” Ouvi tantas frases assim. Tudo a poder de lágrimas e ais. Uma camponesa analfabeta?Ouvi tantas frases tão bonitas das pessoas. O que há de dor e dignidade nisto?” http://cadernosdalibania.blogspot.pt/2017/02/antonio-lobo-antunes. Acessado em 12/01/2017. Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma dissertação, empregando a norma--padrão da língua portuguesa, sobre o tema: A IMPORTÂNCIA DO DIÁLOGO ENTRE PACIENTE E MÉDICO NA COMPREENSÃO DAS DORES HUMANAS 100 ProPosta 3 TEXTO 1 TEXTO 2 A mentira nasceu junto com a sociedade. O ser humano começou a mentir assim que se juntou em grupos, e nunca mais parou. Uma experiência da Universidade de Massachusetts mostrou que, quando duas pessoas se conhecem, cada uma conta em média três mentiras – nos primeiros dez minutos de conversa. E pessoas que compartilham a vida toda (cônjuges, parentes, amigos) também mentem entre si, às vezes de forma terrível. Todo mundo mente. Tem gente que mente para levar vantagem, conseguir o que quer. Alguns mentem para não contrariar ou magoar outras pessoas. Tem quem minta para parecer mais legal e ser aceito socialmente. Existem infinitas maneiras de mentir, e elas nos acompanham o tempo todo. (Superinteressante, agosto de 2015. Adaptado) TEXTO 3 A cena é comum entre os casais que vão a lojas de roupas: a mulher, apertando a cintura, sai do provador e pergunta se está gorda. É uma questão simples ao cérebro masculino: caso queira manter a relação, a única resposta possível é um elogio que pareça natural. Mas em um shopping de Munique, ano passado, o jornalista alemão Jürgen Schmieder, 31 anos, contrariou as convenções. “Sua bunda parece muito grande”, respondeu para a esposa. Grosseria? Pode ser, mas com fundo científico. Schmieder participava do desafio de ficar 40 dias sem contar mentiras para escrever uma grande reportagem sobre sua experiência para o jornal Suddeutsche Zeitung. O jornalista comprovou um estudo de 1997 da Universidade da Califórnia do Sul, que afirmava que o ser humano mente, em média, 200 vezes ao dia. Galileu: Qual foi a parte mais difícil no projeto? Schmieder: A parte mais difícil foi ser honesto com minha mulher em cada aspecto da nossa vida diária. Quando ela veio até em casa do cabeleireiro, por exemplo, eu disse: “Não gostei do seu corte de cabelo!” Coisas como essa a machucaram e fizeram com que eu dormisse 7 noites no sofá durante o projeto. Mas minha esposa e eu aprendemos que, sendo muito sinceros, não queremos ferir um ao outro e sim ajudar um ao outro. Agora estamos sendo completamente honestos e dizemos tudo. Às vezes, outras pessoas pensam que somos malucos porque somos muito honestos um com o outro. Mas nós estamos mais felizes e eu posso aconselhar todos os casais: sejam sinceros. Isso pode ser difícil no começo, mas, em longo prazo, os ajudará muito. (http://revistagalileu.globo.com. Adaptado) 101 TEXTO 4 Para Nietzsche, algumas mentiras possuem um papel importante na nossa sociedade, por con- tribuírem para a melhoria da convivência social, afirmando inclusive que, muitas vezes, o homem gosta de ser enganado. Por isso, afirmou com tanta veemência que o homem não foge da mentira, mas das consequências que ela pode trazer, portanto, quando a verdade traz consequências nefastas, o homem também irá fugir dela. [...] A ideia lógica de haver Ética em mentir pode ser muito bem sintetizada a partir do pensamento de Platão quando ele diz que a verdade deve ser apreciada acima de todas as coisas, enquanto a mentira não passa de algo útil em determinadas circunstâncias, exatamente como um remédio de gosto amargo, mas de efeito benéfico. A sensatez pode ser a medida da linha de pensamento que compreende ser a mentira a substituição de um mal maior por um menor, quando dizer a verdade acarreta maiores preju- ízos. É prudente mentir numa situação em que dizer a verdade não é possível, por ferir o sentimento de outras pessoas, por ser desnecessária a colocação e não prejudicar a ninguém a omissão, ou por qualquer motivo diverso que tenha como sustentáculo a ideia de “menos ruim” (mentira) quando o melhor (dizer a verdade) não se torna possível. Benjamin Constant, em um artigo intitulado “As reações políticas”, dita que se adotássemos o dever de dizer a verdade como um dever absoluto, incondicional, a sociedade humana tornar-se-ia sim- plesmente impossível. (Pábula Novais de Oliveira; Priscila Lins de Amorim. Ética da Mentira. Filosofando – re- vista de Filosofia da UESB, julho-dezembro de 2013. Adaptado) A partir da leitura dos fragmentos de textos acima e do planejamento de seus argumentos sobre o tema, elabore um texto ‘dissertativo-argumentativo’, com o uso da norma padrão da língua portuguesa, sobre o tema É CORRETO MENTIR PARA EVITAR PROBLEMAS DE CONVIVÊNCIA SOCIAL? 102 ProPosta 4 TEXTO 1 Agrotóxicos e depressão Gramado Xavier, com pouco mais de 4 mil habitantes, fica na região central gaúcha, conhecida por ser um polo fumageiro - da indústria do fumo. A conexão entre suicídio e plantadores de fumo é apontada em diversos estudos científicos. Um relatório da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa gaúcha apontava, em 1996, que 80% dos suicídios da cidade de Venâncio Aires, a maior produtora de tabaco do Estado, eram cometidos por agricultores. O mesmo estudo mostrava aumento nos suicídios quando o uso de agrotóxicos era intensificado. Segundo uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o uso de agrotóxicos, como os organofosforados, aumenta as chances de depressão dos agricultores. Em 2014, 20% de cem fumicultores entrevistados sofriam de depressão, segundo a UFGRS. O quadro depressivo por exposição aos venenos, somado a fatores sociais e culturais, pode evoluir para o suicídio. A relação é contestada pelo Sindicato da Indústria do Tabaco local (Sinditabaco), que diz que "atre- lar casos de suicídio ao uso de agrotóxicos na cultura do tabaco é inconsistente". O Rio Grande do Sul tem 73.430 famílias (mais de 577 mil pessoas) que colhem 255 mil toneladas de tabaco anualmente, de acordo com a Afubra (Associação dos Fumicultores do Brasil). A Afubra alega que as empresas fumageiras orientam os agricultores quanto à aplicação correta dos defensivos e o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). Segundo o Sinditabaco, "alguns produtores ainda resistem à utilização correta do EPI". Mas "o agrotóxico, para fazer efeito, tem que ser aplicado quando tem sol, naqueles calorões infer- nais de novembro. O suor embaça os óculos (do equipamento), a máscara sufoca, falta ar. A luva prejudica a coordenação motora fina", conta Mateus Rossato, de 35 anos, que trabalhou na lavoura da família dos 12 aos 20 anos, em Nova Palma, a 224 km da capital gaúcha. Rossato avalia a falta de ergonomia dos equipamentos de segurança porque hoje entende sobre o corpo humano: é professor de Educação Física na Universidade Federal do Amazonas. Para ele, os equipamentos não são adequados às necessidades reais dos agricultores. E, mesmo quando são usados, não impedem que o veneno, que é carregado nas costas, escorra pelo corpo no mo- mento da aplicação. https://www.bbc.com/portuguese/brasil-37491144 103 TEXTO 2 TEXTO 3 O uso de agrotóxicos e o seu impacto na saúde e no meio ambiente configuram um problema para o Brasil, o terceiro maior consumidor do produto no mundo. Também conhecidos como defensivos agrícolas, os agrotóxicos são substâncias químicas utilizadas há décadas para combater pragas e doenças nocivas à produção agropecuária. Nos seres humanos, esses produtos representam a terceira maior causa de intoxicação no Brasil. Os trabalhadores rurais são as maiores vítimas. Segundo o Programa de Vigilância da Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos, da Universidade de Campinas (Unicamp), 1,5 milhão de trabalhadores rurais estão intoxicados no campo. Conforme o estudo, faltam fiscalização e capacitação no emprego desses produtos no campo. Para o consumidor, o perigo está no prato. Grãos, frutas, verduras e legumeschegam à mesa com resíduos acima do permitido ou com substâncias químicas proibidas pelo Ministério da Agricultura. Os hortifrutigranjeiros são os produtos que mais oferecem perigo. Um estudo da Agência Nacional de Vigi- lância Sanitária (Anvisa) revelou que morango, alface, batata, maçã e banana têm resíduos de pesticidas acima do permitido. No meio ambiente, os agrotóxicos contaminam o solo e a água, e atingem os animais. Os estados que mais consomem o produto são Paraná, São Paulo e Mato Grosso. Disponível em: https://www.senado.gov.br/noticias/jornal/cidadania/agrotoxicos/not001.htm PRONTUÁRIO L C ENTRE FRASES L C ENTRE FRASES 104 TEXTO 4 O agronegócio, nos últimos anos, passou a ser a vitrine dos governos da América Latina, utilizada como a condição de “desenvolver” a cidade e, principalmente, o campo. Esse caminho, imposto pelos países ricos, seria a forma de integrar os países pobres ao mercado internacional cujo intuito consiste em movimentar suas economias, uma vez que o “novo” modelo traz como alternativa o uso de tecnologia seguida de pesquisas e de capacidade de gestão – fatores considerados decisivos para competição no mercado mundial. Desse modo, o aumento certo de produtividade elevaria o poder de consumo da popu- lação, especialmente, no espaço rural onde a pequena agricultura, sobretudo, a campesina é efetivamente considerada “atrasada” em virtude da falta de valor agregado de sua produção. Assim, para consolidar o modelo agroexportador, a produção de alimentos, especialmente, feijão e milho, indispensáveis à popula- ção, fica comprometida em decorrência do controle de sementes por grandes empresas que, por sua vez, controlam o mercado de agrotóxicos imprescindível à expansão do agronegócio, notadamente, no Brasil. Dentre as empresas, podem ser citadas: Monsanto, Syngenta/Astra Zeneca/Novartis, Bayer, Dupont, Basf e Dow. O USO INTENSIVO DE AGROTÓXICO ‐ a nova face da questão agrária. Luciano Alves Pereira e Rai- munda Aurea Dias de Sousa. Revista OKARA: Geografia em debate, V.10, 2016. TEXTO 5 O agronegócio tem que mostrar à sociedade a tecnologia usada no campo O agronegócio tem que comunicar à sociedade urbana a tecnologia que é aplicada no dia a dia do campo, na fabricação dos produtos agrícolas, dos alimentos. Foi o que ressaltaram o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues; e o diretor de marketing da TV Globo, Roberto Schmidt, em palestras no GAF Talks, evento realizado pela DATAGRO no final de março, em São Paulo. Segundo Schmidt, em opinião também endossada pelo presidente da Embrapa, Maurício Lopes, o agronegócio tem que investir na construção de sua marca junto à população em geral, a fim de criar empatia e confiança. “E é este um dos objetivos da campanha ‘Agro: a Indústria-Riqueza do Brasil’ que estamos desenvolvendo”, disse o executivo. De acordo com Schmidt, o objetivo da iniciativa é conectar o consumidor com o produtor rural e ao mesmo tempo desmistificar a produção agrícola aos olhos da sociedade urbana. “Queremos mostrar que a riqueza gerada pelo agronegócio movimenta os outros setores da economia”, salientou, acrescentando que: “a ideia é fazer com que o brasileiro tenha orgulho do agro”. http://www.startagro.agr.br/por-que-o-agronegocio-precisa-de-uma-comunicacao-moderna.05.04.17 Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma dissertação, empregando a norma--padrão da língua portuguesa, sobre o tema AGROTÓXICOS: AS RELAÇÕES ENTRE O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E OS DANOS À SAÚDE PRONTUÁRIO L C ENTRE FRASES L C ENTRE FRASES 106 Prontuário Meta 2019: Conquistar uma vaga no curso de Medicina. Para conquistar a sua meta, divida-a em objetivos menores. Assim, fica mais fácil acompanhar a sua evo- lução: Escrever redações nota dez. Para atingir esse objetivo: Escrever _____ redações por semana. Minhas Notas Semana 14 15 16 17 Check Redações Extras Extras 1 2 3 4 5 6 7 Original Reescrita LEMBRE-SE: As notas fazem parte de um processo. Cada uma representa uma avaliação pontual. É importante olhar para elas e autoavaliar-se para desenhar estratégias que ajudem a melhorar seus textos. 107 Data: ____/____/2019 Plantonista____________________ Principais dificuldades: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Caminhos para solucioná-las: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Meta de curto prazo: 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