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4
LINGUAGENS, CÓDIGOS
e suas tecnologias
Emily Cristina dos Ouros e Murilo de Almeida Gonçalves
Estudo da escr ita - Redação
L
ENTRE FRASES
C
Redação para
vestibular medicina
4ª edição • São Paulo
2019 
© Hexag Sistema de Ensino, 2018
Direitos desta edição: Hexag Sistema de Ensino, São Paulo, 2019
Todos os direitos reservados.
Autores
Emily Cristina dos Ouros
Murilo de Almeida Gonçalves
Diretor geral
Herlan Fellini
Coordenador geral
Raphael de Souza Motta
Responsabilidade editorial, programação visual, revisão e pesquisa iconográfica
Hexag Sistema de Ensino
Diretor editorial
Pedro Tadeu Batista
Editoração eletrônica
Arthur Tahan Miguel Torres
Bruno Alves Oliveira Cruz
Claudio Guilherme da Silva
Eder Carlos Bastos de Lima
Fernando Cruz Botelho de Souza
Matheus Franco da Silveira
Raphael de Souza Motta
Raphael Campos Silva
Projeto gráfico e capa
Raphael Campos Silva
Foto da capa
pixabay (http://pixabay.com)
Impressão e acabamento
Meta Solutions
ISBN: 978-85-9542-164-6
Todas as citações de textos contidas neste livro didático estão de acordo com a legislação, tendo por fim único e exclusivo o 
ensino. Caso exista algum texto, a respeito do qual seja necessária a inclusão de informação adicional, ficamos à disposição 
para o contato pertinente. Do mesmo modo, fizemos todos os esforços para identificar e localizar os titulares dos direitos sobre 
as imagens publicadas e estamos à disposição para suprir eventual omissão de crédito em futuras edições.
O material de publicidade e propaganda reproduzido nesta obra é usado apenas para fins didáticos, não representando qual-
quer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) e da editora.
2019
Todos os direitos reservados para Hexag Sistema de Ensino.
Rua Luís Góis, 853 – Mirandópolis – São Paulo – SP
CEP: 04043-300
Telefone: (11) 3259-5005
www.hexag.com.br
contato@hexag.com.br
CARO ALUNOCARO ALUNO
O Hexag Medicina é referência em preparação pré-vestibular de candidatos à carreira de Medicina. Desde 2010, são centenas de aprovações nos principais 
vestibulares de Medicina no Estado de São Paulo, Rio de Janeiro e em todo Brasil. O material didático foi, mais uma vez, aperfeiçoado e seu conteúdo enri-
quecido, inclusive com questões recentes dos relevantes vestibulares de 2019. 
Esteticamente, houve uma melhora em seu layout, na definição das imagens, criação de novas seções e também na utilização de cores.
No total, são 103 livros, 24 cadernos de Estudo Orientado e 6 cadernos de aula.
O conteúdo dos livros foi organizado por aulas. Cada assunto contém uma rica teoria, que contempla de forma objetiva e clara o que o aluno 
realmente necessita assimilar para o seu êxito nos principais vestibulares do Brasil e Enem, dispensando qualquer tipo de material alternativo complementar. 
Todo livro é iniciado por um infográfico. Esta seção, de forma simples, resumida e dinâmica, foi desenvolvida para indicação dos assuntos mais abordados nos 
principais vestibulares, voltados para o curso de medicina em todo território nacional.
O conteúdo das aulas está dividido da seguinte forma:
TEORIA
Todo o desenvolvimento dos conteúdos teóricos, de cada coleção, tem como principal objetivo apoiar o estudante na resolução de questões propos-
tas. Os textos dos livros são de fácil compreensão, completos e organizados. Além disso, contam com imagens ilustrativas que complementam as explicações 
dadas em sala de aula. Quadros, mapas e organogramas, em cores nítidas, também são usados, e compõem um conjunto abrangente de informações para o 
estudante, que vai dedicar-se à rotina intensa de estudos.
TEORIA NA PRÁTICA (EXEMPLOS)
Desenvolvida pensando nas disciplinas que fazem parte das Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias. Nesses 
compilados nos deparamos com modelos de exercícios resolvidos e comentados, aquilo que parece abstrato e de difícil compreensão torna-se mais acessível 
e de bom entendimento aos olhos do estudante.
Através dessas resoluções é possível rever a qualquer momento as explicações dadas em sala de aula.
INTERATIVIDADE
Trata-se do complemento às aulas abordadas. É desenvolvida uma seção que oferece uma cuidadosa seleção de conteúdos para complementar o 
repertório do estudante. É dividido em boxes para facilitar a compreensão, com indicação de vídeos, sites, filmes, músicas e livros para o aprendizado do aluno. 
Tudo isso é encontrado em subcategorias que facilitam o aprofundamento nos temas estudados. Há obras de arte, poemas, imagens, artigos e até sugestões 
de aplicativos que facilitam os estudos, sendo conteúdos essenciais para ampliar as habilidades de análise e reflexão crítica. Tudo é selecionado com finos 
critérios para apurar ainda mais o conhecimento do nosso estudante.
INTERDISCIPLINARIDADE
Atento às constantes mudanças dos grandes vestibulares, é elaborada, a cada aula, a seção interdisciplinaridade. As questões dos vestibulares de 
hoje não exigem mais dos candidatos apenas o puro conhecimento dos conteúdos de cada área, de cada matéria.
Atualmente há muitas perguntas interdisciplinares que abrangem conteúdos de diferentes áreas em uma mesma questão, como biologia e química, 
história e geografia, biologia e matemática, entre outros. Neste espaço, o estudante inicia o contato com essa realidade por meio de explicações que relacio-
nam a aula do dia com aulas de outras disciplinas e conteúdos de outros livros, sempre utilizando temas da atualidade. Assim, o estudante consegue entender 
que cada disciplina não existe de forma isolada, mas sim, fazendo parte de uma grande engrenagem no mundo em que ele vive.
APLICAÇÃO NO COTIDIANO
Um dos grandes problemas do conhecimento acadêmico é o seu distanciamento da realidade cotidiana no desenvolver do dia a dia, dificultando o 
contato daqueles que tentam apreender determinados conceitos e aprofundamento dos assuntos, para além da superficial memorização ou “decorebas” de 
fórmulas ou regras. Para evitar bloqueios de aprendizagem com os conteúdos, foi desenvolvida a seção “Aplicação no Cotidiano”. Como o próprio nome já 
aponta, há uma preocupação em levar aos nossos estudantes a clareza das relações entre aquilo que eles aprendem e aquilo que eles têm contato em seu 
dia a dia.
CONSTRUÇÃO DE HABILIDADES
Elaborada pensando no Enem, e sabendo que a prova tem o objetivo de avaliar o desempenho ao fim da escolaridade básica, o estudante deve 
conhecer as diversas habilidades e competências abordadas nas provas. Os livros da “Coleção vestibulares de Medicina” contêm, a cada aula, algumas dessas 
habilidades. No compilado “Construção de Habilidades”, há o modelo de exercício que não é apenas resolvido, mas sim feito uma análise expositiva, descre-
vendo passo a passo e analisado à luz das habilidades estudadas no dia. Esse recurso constrói para o estudante um roteiro para ajudá-lo a apurá-las na sua 
prática, identificá-las na prova e resolver cada questão com tranquilidade.
ESTRUTURA CONCEITUAL
Cada pessoa tem sua própria forma de aprendizado. Geramos aos estudantes o máximo de recursos para orientá-los em suas trajetórias. Um deles 
é a estrutura conceitual, para aqueles que aprendem visualmente a entender os conteúdos e processos por meio de esquemas cognitivos, mapas mentais e 
fluxogramas. Além disso, esse compilado é um resumo de todo o conteúdo da aula. Por meio dele, pode-se fazer uma rápida consulta aos principais conteúdos 
ensinados no dia, o que facilita sua organização de estudos e até a resolução dos exercícios.
A edição 2019 foi elaborada com muito empenho e dedicação, oferecendo ao aluno um material moderno e completo, um grande aliado para o seu 
sucesso nos vestibulares mais concorridos de Medicina.
Herlan Fellini
SUMÁRIO
ESTUDO DA ESCRITA - REDAÇÃO
ENTRE FRASES
Aula 14: Coesão referencial 7
Aula 15: Progressão temática 33
Aula 16: Título 55
Aula 17: Coerência textual 73
Redações extras 89
Prontuário 105
1 4 Coesão referencial
L C
ENTRE 
FRASES
14 Coesão referencial
L C
ENTRE 
FRASES
8
9
Coesão referenCial
Na aula anterior, estudamos a coesão textual a partir do emprego de determinados verbos e conectivos, isto 
é, a coesão sequencial. Vimos que esse tipo de amarração de ideias permite que o texto progrida sequencialmente 
dentro de uma estrutura argumentativa.
No entanto, essa não é a única forma de estabelecer relações sequenciais entre as partes de um texto. Na 
aula de hoje, observaremos a forma de emprego de outro tipo de coesão: a coesão referencial.
O que é coesão referencial?
Coesão referencial é aquela em que um componente da superfície do texto faz remissão a outro(s) 
elementos(s) nela presentes ou inferíveis a partir do universo textual. Em outras palavras, trata-se do ato de fazer 
referências a termos que já apareceram no texto sem se valer do uso de repetições. 
A coesão referencial pode ser empregada a partir do uso de artigos, pronomes, numerais, sinônimos e 
hiperônimos e termos genéricos. Esses elementos estão classificados em formas gramaticais e lexicais conforme 
veremos na sequência.
1. Formas gramaticais presas
Nesse grupo, observaremos o uso de termos que – acompanhados de um outro vocábulo – fazem remissão 
a elementos que já apareceram ou que ainda estão por aparecer. Comumente, são formas relacionadas a um nome 
com o qual concordam em gênero e/ou em número.
a) Artigos – definidos e indefinidos.
O artigo indefinido é utilizado de maneira catafórica, isto é, serve a apresentar um termo ou do dentro da 
superfície textual.
Um exemplo disso é a difícil inserção dos surdos no mercado de trabalho, devido à precária educação rece-
bida por eles e ao preconceito intrínseco à sociedade brasileira.
Trecho da redação ENEM de Isabella Barros Castelo Branco, texto nota mil do ano de 2017. 
No exemplo acima, vemos que ao artigo “um” acompanhado do substantivo “exemplo” referem-se a ex-
pressão posterior “difícil inserção”.
O artigo definido é utilizado de maneira anafórica, isto é, serve a retomar um termo dentro da superfície 
textual.
Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que a preparação do preconceito religioso se encaixa na 
teoria do sociólogo, uma vez que se uma criança vive em uma família com esse comportamento, tende a adotá-lo 
também por conta da vivência em grupo. Assim, a continuação do pensamento da inferioridade religiosa, transmiti-
do de geração a geração, funciona como base forte dessa forma de preconceito, perpetuando o problema no Brasil.
Trecho da redação ENEM de Larissa Cristine Ferreira, texto nota mil do ano de 2016. 
10
No excerto acima, o artigo “o” acompanhado da palavra “problema” retomam a expressão “preconceito 
religioso”.
b) Pronomes adjetivos
Estes pronomes, caracterizados por sempre acompanharem um substantivo, também possuem função de 
determinar um nome que retoma termo já expresso na superfície textual.
Demostrativos:
Desse modo, cabe ao Ministério da Educação a criação de um programa escolar nacional que vise a contem-
plar as diferenças religiosas e o respeito a elas, o que deve ocorrer mediante o fornecimento de palestras e peças 
teatrais que abordem essa temática.
Trecho da redação ENEM de Laryssa Cavalcanti, texto nota mil do ano de 2016. 
Historicamente, o papel feminino nas sociedades ocidentais foi subjugado aos interesses masculinos e tal 
paradigma só começou a ser contestado em meados do século XX, tendo a francesa Simone de Beauvoir como 
expoente.
Trecho da redação ENEM de Cecília Maria Lima Leite, texto nota mil do ano de 2015. 
Isso porque poucos recursos são destinados pelo Estado à construção de escolas especializadas na educa-
ção de pessoas surdas, bem como à capacitação de profissionais para atenderem às necessidades especiais desses 
alunos.
Trecho da redação ENEM de Yasmin Lima Rocha, texto nota mil do ano de 2017. 
Possessivos:
Em consequência disso, os deficientes auditivos encontram inúmeras dificuldades em variados âmbitos de 
suas vidas.
Trecho da redação ENEM de Isabella Barros Castelo Branco, texto nota mil do ano de 2017. 
Indefinidos
Além da física, o balanço de 2014 relatou cerca de 48% de outros tipos de violência contra a mulher, 
dentre esses a psicológica.
Trecho da redação ENEM de Amanda Carvalho Maia Castro, texto nota mil do ano de 2015. 
11
2. Formas gramaticais livres
Fazem parte deste grupo as palavras que retomam outros termos, mas não vêm acompanhadas de substan-
tivos. Abaixo, estão listadas as formas mais interessantes para se empregar nas redações:
a) Pronomes pessoais de 3ª pessoa. (ELE, ELA, ELES, ELAS)
Desse modo, cabe ao Ministério da Educação a criação de um programa escolar nacional que vise a contem-
plar as diferenças religiosas e o respeito a elas, o que deve ocorrer mediante o fornecimento de palestras e peças 
teatrais que abordem essa temática.
Trecho da redação ENEM de Laryssa Cavalcanti, texto nota mil do ano de 2016. 
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas "Memórias Póstumas" que não teve filhos 
e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: 
a postura de muitos brasileiros frente a intolerância religiosa é uma das faces mais perversas de uma sociedade 
em desenvolvimento.
Trecho da redação ENEM de Larissa Cristine Ferreira, texto nota mil do ano de 2016. 
b) Pronomes substantivos – (Demonstrativos, possessivos, indefinidos, interrogativos, ou re-
lativos )
Demonstrativos 
Logo, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com instituições de apoio ao surdo, propor-
cione a este maiores chances de se inserir no mercado, mediante a implementação do suporte adequado para a 
formação escolar e acadêmica desse indivíduo.
Trecho da redação ENEM de Alan de Castro Nabor, texto nota mil do ano de 2017. 
No excerto acima, “este” retoma o termo mais próximo com o qual concorda em gênero e em número. No 
caso, o termo “surdo”.
Sob esse viés, pode-se apontar como um empecilho à implementação desse direito, reconhecido por me-
canismos legais, a discriminação enraizada em parte da sociedade, inclusive dos próprios responsáveis por essas 
pessoas com limitação. Isso por ser explicado segundo o sociólogo Talcott Parsons, o qual diz que a família é uma 
máquina que produz personalidades humanas, o que legitima a ideia de que o preconceito por parte de muitos pais 
dificulta o acesso à educação pelos surdos.
Trecho da redação ENEM de Marcus Vinícius Monteiro de Oliveira , texto nota mil do ano de 2017. 
No exemplo acima, o pronome “isso” retoma toda uma ideia desenvolvida anteriormente.
12
Relativos
Dentro dessa lógica, nota-se que a dificuldade de prevenção e combate ao desprezo e preconceito religioso 
mostra-se fruto de heranças coloniais discriminatórias, as quais negligenciam tanto o direito à vida quanto o 
direito de liberdade de expressão e religião.
Trecho da redação ENEM de Desirée Macarroni Abbade, texto nota mil do ano de 2016. 
Em primeiro plano, evidencia-se que a coletividade brasileira é estruturada por um modelo excludente 
imposto pelos grupos dominantes, no qual o indivíduo que não atende aos requisitos estabelecidos, branco e 
abastado, sofre uma periferização social.
Trecho da redação ENEM de Matheus Pereira Rosi, texto nota mil do ano de 2016. 
c) Numerais (Ordinais, cardinais, multiplicativos e fracionários)
Pesquisas comprovam que, no Brasil, o salário dado a homens e mulheres é diferente, mesmo com ambos 
exercendo a mesma função.
Trecho da redação ENEM de Julia Guimarães Cunha, texto nota mil do ano de 2015. 
3. Formas lexicais
As formas de remissão lexicais são aquelas que – além de se conectarem com termos anteriores – possuem 
um significado exterior à superfície textual. Fazem parte desse grupo sinônimos, hiperônimos, nominalizações e 
alguns termos genéricos por meio dos quais conseguimos reconhecer o referente já expresso.
a) Sinônimos – Trata-se de usar termos com significado equivalente ousemelhante.
Outrossim, o preconceito da sociedade ainda é um grande impasse à permanência dos deficientes auditivos 
nas escolas. Tristemente, a existência da discriminação contra surdos é reflexo da valorização dos padrões criados 
pela consciência coletiva.
Trecho da redação ENEM de Thaís Fonseca Lopes, texto nota mil do ano de 2017. 
SINÔNIMOS POSSÍVEIS – Verifique se a substituição desses elementos em seu texto pode ser realizada.
Ação: atividade, processo, realização, operação. 
Contexto: cenário, conjuntura, situação 
Ideia: posicionamento, acepção, posição, consideração.
Pessoas: indivíduos, cidadãos, sujeitos.
População: Sociedade civil, pessoas de modo geral
b) Hiperônimos – Trata-se da retomada de um termo específico por um termo mais abrangente.
Paralelo a isso, o exemplo dado pelo pai ao violentar a companheira tem como consequência a solidificação 
desse comportamento psicológico dos filhos.
Trecho da redação ENEM de Valéria da Silva Alves, texto nota mil do ano de 2015. 
13
Dessa forma, muitas pessoas julgam ser correto tratar o sexo feminino de maneira diferenciada e até 
desrespeitosa. Logo, há muitos casos de violência contra esse grupo, em que a agressão física é a mais relatada, 
correspondendo a 51,68% dos casos.
Trecho da redação ENEM de Anna Beatriz Alvares Simões Wreden, texto nota mil do ano de 2015. 
c) Nominalizações - Trata-se de transformar uma oração expressa em um substantivo com o objetivo de 
retomá-la.
A mulher é constantemente tratada com inferioridade pela população e pelos próprios órgãos públicos. 
Uma atitude que demonstra com clareza esse tratamento é a culpabilização da vítima de estupro que, chegando 
à polícia, é acusada de causar a violência devido à roupa que estava vestindo.
Trecho da redação ENEM de Caio Nobuyoshi Koga , texto nota mil do ano de 2015. 
c) Termos genéricos – Trata-se do emprego de termos que podem retomar os variados tipos 
de palavras ou orações.
Historicamente, o papel feminino nas sociedades ocidentais foi subjugado aos interesses masculinos e tal 
paradigma só começou a ser contestado em meados do século XX, tendo a francesa Simone de Beauvoir como 
expoente.
Trecho da redação ENEM de Cecília Maria Lima Leite, texto nota mil do ano de 2015. 
É fundamental, portanto, a criação de oficinas educativas, pelas prefeituras, visando à elucidação das mas-
sas sobre a marginalização da educação dos surdos, por meio de palestras de sociólogos que orientem a inserção 
social e escolar desses sujeitos. Ademais, é vital a capacitação dos professores e dos pedagogos, pelo Ministério da 
Educação, com o fito de instruir sobre as necessidades de tal grupo, como o ensaio em Libras, utilizando cursos e 
métodos para acolher esses deficientes e incentivar a sua continuidade nas escolas, a fim de elevar a visualização 
dos surdos como membros do corpo social. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora das condições 
educacionais e sociais desse grupo.
Trecho da redação ENEM de Matheus Pereira Rosi , texto nota mil do ano de 2017. 
14
exerCíCios
EXERCÍCIO 1: No texto abaixo, estão identificados de verde os sinônimos, hiperônimos e termos ge-
néricos que retomam o termo “surdos”, longamente referido durante a redação. Observe os termos 
em vermelho e identifique a quais palavras, frases ou orações eles se referem.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos – promulgada em 1948 pela ONU – assegura a todos os 
indivíduos o direito à educação e ao bem-estar social. Entretanto, o precário serviço de educação pública do Brasil 
e a exclusão social vivenciada pelos surdos impede que essa parcela da população usufrua desse direito 
internacional na prática. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias no sistema de educação 
inclusiva do país.
Deve-se pontuar, de início, que o aparato estatal brasileiro é ineficiente no que diz respeito à formação edu-
cacional de surdos no país, bem como promoção da inclusão social desse grupo. Quanto a essa questão, é notório 
que o sistema capitalista vigente exige alto grau de instrução para que as pessoas consigam ascensão profissional. 
Assim, a falta de oferta do ensino de libras nas escolas brasileiras e de profissionais especializados na educação de 
surdos dificulta o acesso desse grupo ao mercado de trabalho. Além disso, há a falta de formas institucionalizadas 
de promover o uso de libras, o que contribui para a exclusão de surdos na sociedade brasileira.
Vale ressaltar, também, que a exclusão vivenciada por deficientes auditivos no país evidencia práticas 
históricas de preconceito. A respeito disso, sabe-se que, durante o século XIX, a ciência criou o conceito de deter-
minismo biológico, utilizado para legitimar o discurso preconceituoso de inferioridade de grupos minoritários, se-
gundo o qual a função social do indivíduo é determinada por características biológicas. Desse modo, infere-se que 
a incapacidade associada hodiernamente aos deficientes tem raízes históricas, que acarreta a falta de consciência 
coletiva de inclusão desse grupo pela sociedade civil.
É evidente, portanto, que há entraves para que os deficientes auditivos tenham pleno acesso à educação 
no Brasil. Dessa maneira, é preciso que o Estado brasileiro promova melhorias no sistema público de ensino do 
país, por meio de sua adaptação às necessidades dos surdos, como oferta do ensino de libras, com profissionais 
especializados para que esse grupo tenha seus direitos respeitados. É imprescindível, também, que as escolas 
garantam a inclusão desses indivíduos, por intermédio de projetos e atividades lúdicas, com a participação de 
familiares, a fim de que os surdos tenham sua dignidade humana preservada.
Redação ENEM de Larissa Fernandes Silva de Souza , texto nota mil do ano de 2017. 
15
EXERCÍCIO 2: Observe os termos em negrito e identifique a quais palavras, frases ou orações eles se 
referem.
Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática 
possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. No entanto, percebe-se que, no Brasil, os 
deficientes auditivos compõem um grupo altamente desfavorecido no tocante ao processo de formação educacio-
nal, visto que o país enfrenta uma série de desafios para atender a essa demanda. Nesse contexto, torna-se 
evidente a carência de estrutura especializada no acompanhamento desse público, bem como a compreensão 
deturpada da função social deste.
O filósofo italiano Norberto Bobbio afirma que a dignidade humana é uma qualidade intrínseca ao homem, 
capaz de lhe dar direito ao respeito e à consideração por parte do Estado. Nessa lógica, é notável que o poder 
público não cumpre o seu papel enquanto agente fornecedor de direitos mínimos, uma vez que não proporciona 
aos surdos o acesso à educação com qualidade devida, o que caracteriza um irrespeito descomunal a esse pú-
blico. A lamentável condição de vulnerabilidade à qual são submetidos os deficientes auditivos é percebida no 
déficit deixado pelo sistema educacional vigente no país, que revela o despreparo da rede de ensino no que tange 
à inclusão dessa camada, de modo a causar entraves à formação desses indivíduos e, por conseguinte, sua 
inserção no mercado de trabalho.
Além disso, outra dificuldade enfrentada pelos surdos para alcançar a formação educativa se dá pela falta 
de apoio enfrentada por muitos no âmbito familiar, causada pela ignorância quanto às leis protetoras dos direitos 
do deficiente, que gera uma letargia social nesse aspecto. Esse desconhecimento produz na sociedade con-
cepções errôneas a respeito do papel social do portador de deficiências: como consequência do descumprimento 
dos deveres constitucionais do Estado, as famílias – acomodadas por pouca instrução – alimentam a falsa ideia 
de que o deficiente auditivo não tem contribuição significante para a sociedade, o que o afasta da escolaridade e 
neutraliza a relevância que possui.
Logo, é necessárioque o Ministério da Educação, em parceria com instituições de apoio ao surdo, propor-
cione a este maiores chances de se inserir no mercado, mediante a implementação do suporte adequado para a 
formação escolar e acadêmica desse indivíduo – com profissionais especializados em atende-lo -, a fim de gerar 
maior igualdade na qualificação e na disputa por emprego. É imprescindível, ainda, que as famílias desses defi-
cientes exijam do poder público a concretude dos princípios constitucionais de proteção a esse grupo, por meio 
do aprofundamento no conhecimento das leis que protegem essa camada, para que, a partir da obtenção do 
saber, esse empenho seja fortalecido e, assim, essa parcela receba o acompanhamento necessário para atingir 
a formação educacional e a contribuição à sociedade.
Redação ENEM de Alan de Castro Nabor, texto nota mil do ano de 2017. 
16
aula 14 - o jovem e o merCado de trabalho 
ACERVO
TEXTO 1
Os jovens sem oportunidades de trabalho e estudo que serão desafio para próximo 
presidente
Por BBC 06/10/2018 
Paulo Edson Teixeira tem uma ideia fixa. Participa de três grupos de WhatsApp, segue diversos perfis nas redes sociais, troca 
mensagens diárias com amigos, tudo com variações sobre o mesmo tema: conseguir o primeiro emprego.
Paulo tem apenas 20 anos, mora na Vila Kennedy, comunidade na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e concluiu o ensino médio 
no ano passado. Este ano deveria marcar seu ingresso em uma faculdade ou um curso de qualificação, ou ainda seus primeiros 
passos na vida profissional, mas ele se vê em um limbo de falta de oportunidade.
"Estou todo dia na busca, mas até agora nada", diz ele, que costuma sair distribuindo currículos com o amigo Mateus da 
Silva Lopes, também da Vila Kennedy.
Os dois amigos estão na mesma situação que outros 11 milhões de brasileiros de idades entre 15 e 29 anos que nem estu-
dam e nem trabalham no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os chamados "nem-nem".
O número equivale a quase um entre cada quatro jovens e aumentou 6% de 2016 para 2017, o que representa outros 
619 mil jovens.
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que desenvolver políticas para alavancar as trajetórias desses jovens é 
uma questão chave para a próxima Presidência, sobretudo diante do envelhecimento da população no país.
Paulo e Mateus sabem bem o que gostariam que o próximo presidente priorizasse: emprego, saúde, educação - e que 
tivesse um olhar especial para a geração que será o futuro do país.
"Muitas vezes os candidatos vêm nas nossas comunidades e prometem coisas que sabemos que não vão fazer. Eu não 
vejo uma preocupação deles com a nossa juventude. Se houvesse políticas pensando na gente, a gente teria mais oportunidade", 
diz Paulo.
"Acho importante, porque é por meio da juventude, de nós, que vão se formar os profissionais futuros, os médicos, advo-
gados, publicitários."
As barreiras enfrentadas pelos jovens 'nem-nem'
A falta de oportunidades de emprego é um dos grandes obstáculos enfrentados pelos jovens "nem-nem", mas está longe 
de ser o único.
Em 2016, o Banco Mundial entrevistou 77 jovens de 18 a 25 anos de áreas urbanas e rurais de Pernambuco para entender 
o que está por trás do fenômeno.
O resultado é o estudo "Se já é difícil, imagina para mim", lançado em março deste ano pelas pesquisadoras Miriam Müller 
e Ana Luiza Machado, e que elenca uma série de barreiras estruturais enfrentadas por esses jovens.
São obstáculos relacionados a pobreza, educação deficiente, falta de estrutura familiar, de redes de apoio e de exemplos 
positivos e desigualdade de gênero. Ou todos eles juntos.
Müller afirma que a expressão "nem-nem" é "infeliz", porque gera um estigma de que jovens estariam nessa situação 
porque querem ou porque não correm atrás.
"O termo põe a culpa no jovem, que não está nesta situação porque deseja", ressalta Müller.
"Mesmo que aparentem não estudar nem trabalhar, são jovens que na grande maioria das vezes estão fazendo alguma 
coisa, buscando trabalhos ou bicos ou fazendo tarefas domésticas, ou fazendo um trabalho informal ou não remunerado. Essa 
definição estigmatiza um grupo que não merece isso, que é ativo e busca oportunidades."
17
Sem qualificação, sem emprego
Com um grupo de mais alguns amigos, Mateus e Paulo fazem rondas diárias por sites de emprego, se avisam quando 
abrem inscrições para vagas de trabalho, enfrentam filas em feiras de emprego e saem juntos para deixar seus currículos em empre-
sas como grandes redes de varejo, lojas de rua, multinacionais.
"Espero que a pessoa que assuma a Presidência venha com propostas voltadas ao emprego, porque está difícil", diz 
Mateus.
Filho de mãe costureira e pai auxiliar de limpeza, ele torce para que o próximo governo seja mais focado em educação, 
que "é o princípio de tudo."
Ele se formou em uma escola da rede estadual na Vila Kennedy. "Até que não foi ruim", avalia. "Mas, no círculo de amigos 
que se formou comigo, todos estão na mesma condição que eu."
Como muitos jovens, a dupla ainda não decidiu que carreira seguir. Mateus fez a prova do Enem (Exame Nacional do Ensino 
Médio), mas não foi bem. Pensa em fazer concurso para ser gari da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana).
Já Paulo está cogitando duas áreas bem diferentes: logística ou radiologia. Mas sua meta atual é conseguir uma vaga de 
emprego que permita pagar uma faculdade.
"Teria que ser numa universidade pública, porque venho de família de baixa renda, e o dinheiro seria para poder pagar 
transporte, livros, arcar com as minhas despesas", diz.
O governo estadual construiu próximo da casa dos dois uma unidade da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), que 
deveria oferecer cursos técnicos e profissionalizantes à comunidade da Vila Kennedy. O prédio custou R$ 2 milhões e ficou pronto 
em 2014, mas nunca abriu as portas e está se deteriorando, para revolta dos moradores. O motivo é a crise financeira do Rio de 
Janeiro.
"Isso muito ruim, né?", diz Paulo. "Quando deixamos o currículo, muitas vezes perguntam se temos alguma qualificação. 
Como pessoas de baixa renda vão conseguir uma qualificação, se não temos oportunidade de cursos gratuitos?", questiona.
O cenário de desalento para a juventude é especialmente preocupante diante da expectativa que recai sobre as novas 
gerações frente às tendências demográficas atuais.
O Brasil está envelhecendo, e a taxa de natalidade está diminuindo. Assim, a carga previdenciária sobre a parcela produtiva 
da população só tende a aumentar.
Regina Madalozzo, coordenadora do mestrado profissional em Economia do Insper, afirma que o país terá que pagar uma 
conta cara no futuro se não conseguir oferecer caminhos para seus jovens no presente.
"O jovem que não está aprimorando sua formação nem trabalhando não está sendo preparado para a vida adulta", diz.
"O país conta com essa população produzindo para que a economia rode. Senão, quem é que vai pagar essa conta depois? 
Mas a grande pergunta é o que aconteceu para termos uma parcela tão grande de jovens sofrendo com essa falta de perspectivas."
O cenário se agrava quando se considera o alto índice de homicídios de que jovens são vítimas.
Segundo o último Atlas da Violência, produzido pelo Instituto de Pesquisa Pura e Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de 
Segurança Pública, o Brasil registrou 33.590 mortes violentas de pessoas entre 15 e 29 anos em 2016. O número representa mais 
da metade do total de assassinatos no Brasil no ano - 94,6% dos mortos são homens.
Políticas para o "futuro do país"
Para Ana Amélia Camarano, coordenadora de Estudos e Pesquisas de Igualdade de Gênero, Raça e Gerações do Ipea, esta é 
a face mais drástica da falta de perspectiva imposta a jovens em situação de pobreza, levando alguns a se envolverem com facções 
criminosas para obter dinheiro e reconhecimento.
Para Regina Madalozzo, do Insper, embora políticas para jovens figurem em alguns dos programasde governo apresenta-
dos pelos candidatos, o problema não tem tido espaço proporcional à gravidade da situação.
"O debate ficou centrado em questões que não tangem esse assunto, com a questão da segurança ou da posse de armas, 
e ainda não alcançou profundidade para debater questões tão importantes e ao mesmo tempo sutis como essas", afirma.
Para ela, falar em "nem-nem" não admite interpretações simplistas que culpabilizem os jovens pela situação que enfren-
tam - como se fosse desejo deles ficar em casa.
18
"É preciso uma preocupação não só com o mercado de trabalho e educação, mas com inclusão social. E essa preocupação 
não parece ser tão grande por parte de todos (os candidatos)", considera a economista do Insper.
A partir das entrevistas com jovens de Pernambuco, o estudo do Banco Mundial observou diversas barreiras que afastam os 
jovens do sistema de educação ou do mercado de trabalho, e fez uma série de recomendações de políticas públicas para fortalecê-
-los e ajudá-los a desenvolver suas aspirações e objetivos.
Os jovens foram separados em três grupos, de acordo com suas aspirações - ou a falta delas.
No primeiro entraram jovens que mostraram ter vontade de participar do mercado de trabalho ou aprimorar sua formação, 
mas não conseguiram por obstáculos externos.
No segundo, jovens que mencionavam essas aspirações, mas que não tinham as ferramentas para realizá-las por razões 
variadas.
Já o terceiro grupo foi composto por jovens que não mencionaram quaisquer aspirações relacionadas ao mercado de tra-
balho ou à educação. Neste grupo, entraram apenas mulheres. Esse recorte evidenciou como mulheres jovens ainda se veem presas 
por papeis de gênero.
"Nesse grupo, os sonhos e desejos das mulheres estavam muito mais ligados à formação de uma família boa e saudável, 
a ser feliz, a ter casa própria", diz a autora Miriam Müller. "Mesmo quando indagamos um pouco mais a fundo, elas não falaram 
quase nada sobre trabalho ou educação."
De acordo com Müller, não basta aumentar a oferta de cursos técnicos para ajudar jovens a entrarem no mercado para 
remediar a situação "nem-nem".
Há que se desenvolver políticas que levem em conta as diversas limitações estruturais que se apresentam como obstáculos 
- como pobreza, falta de redes de apoio e normas de gênero - e sem desprezar aspectos sutis que podem ser decisivos.
A falta de transporte público gratuito e seguro, por exemplo, pode ser uma barreira incontornável para jovens em situação 
de pobreza irem para a escola.
Para famílias pobres, um filho na escola pode ser um par de braços a menos para trabalhar, e contrapartidas financeiras 
podem ser necessárias para viabilizar o estudo do jovem.
Müller diz ainda que não se pode desprezar a importância de trabalhar essa motivação com as pessoas no entorno dos 
jovens - a família, os professores, a comunidade. "Trabalhar com essas redes de apoio é essencial para construir essa motivação 
nesses jovens, e esse sentimento de que sim, é possível para mim também", diz a pesquisadora do Banco Mundial.
Sem fé na política
Paulo mora com a mãe, que era auxiliar de creche, mas está desempregada e não tem tido sucesso na busca por uma 
recolocação; e a avó, que foi manicure a vida inteira, não recebe aposentadoria, porque trabalhava na informalidade. Seu pai era 
camelô e morreu quando ele tinha 6 anos. Hoje, a família sobrevive graças à pensão que a avó recebe do Estado em nome do avô, 
falecido, que era policial militar.
"Eu gostaria de ver políticas para beneficiar as pessoas ao meu redor", diz Paulo sobre o candidato que será eleito presi-
dente. "Muitos vizinhos e muitas pessoas na minha família estão desempregados. Não somos só nós."
No seu círculo de conhecidos, as dificuldades para ter acesso a saúde também são motivos de preocupação. "As pessoas 
aqui que precisam de médicos têm muita dificuldade de conseguir. Até sair uma vaga no Sisreg (o Sistema Nacional de Regulação, 
do Ministério da Saúde, que gerencia vagas para atendimento e exames), a pessoa já piorou. Ou até mesmo já morreu", afirma.
https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2018/10/06/os-jovens-sem-opor-
tunidades-de-trabalho-e-estudo-que-serao-desafio-para-proximo-presidente.ghtml 
TEXTO 2
19
As mulheres, parte da população da Região Nordeste, pessoas com baixa escolaridade, jovens adultos (de 18 a 24 anos) e 
pessoas que não são chefes de família são os grupos sociais que mais desistem de ingressar no mercado de trabalho ou retornar a 
alguma ocupação para ter renda. O fenômeno, chamado de desalento pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é 
confirmado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. 
O desalento está ligado ao desemprego, ou seja, os dois oscilam simultaneamente. O especialista explica que não é possível 
elencar apenas uma causa desencadeadora do desalento, pois os aspectos estruturais, estatísticos e tomográficos também fazem 
parte da equação. Os mais afetados por esse fenômeno, de acordo com Chahad, são os chamados trabalhadores secundários: 
jovens, mulheres e idosos, em sua maioria, que não têm como objetivo final a inserção no mercado de trabalho, mas contribuem 
para a renda da família.
Os jovens, principalmente, sofrem mais com o desemprego, rotatividade, informalidade e, consequentemente, com o de-
salento, afirma Chahad. Eles têm menos oportunidades por comporem um grupo com menos experiência e qualificação. Quanto a 
isso, o professor ressalta que a falta de mão de obra qualificada no Brasil, por conta da baixa escolaridade, é um grande obstáculo 
para a retomada do crescimento do País. Se os profissionais brasileiros fossem mais qualificados, o custo de produção diminuiria, o 
que proporciona o aumento da produtividade, com salários maiores e alto nível de concorrência.
A partir de políticas públicas, segundo Chahad, a economia foi capaz de restaurar, minimamente, a confiança do investidor 
no mercado, mas não foi o suficiente para diminuir substancialmente o desemprego e o desalento. Para que isso aconteça, o es-
pecialista defende a retomada do investimento e do crescimento do Brasil, atrelada à aplicação de recursos na educação, com um 
plano capaz de melhorar a qualificação dos profissionais. O professor Marcelo Afonso Ribeiro, do Departamento de Psicologia Social 
e Trabalho do Instituto de Psicologia da USP, também abordou o desemprego, desalento e exclusão social a partir da perspectiva da 
psicologia social, na entrevista Desemprego causa impacto social e psicológico na população.
https://jornal.usp.br/atualidades/jovens-sao-os-mais-afetados-pelo-desemprego-e-desalento/ (05.10.2018)
TEXTO 3
As empresas abriram 227 mil postos de trabalho para jovens aprendizes de janeiro a junho deste ano, segundo levanta-
mento da Rede Peteca a partir de dados do Ministério do Trabalho. No mesmo período, foram fechadas 184 mil vagas para esse 
público, ou seja, houve um acréscimo de apenas 43 mil novos jovens aprendizes no Brasil.Quando se leva em conta todo o ano 
passado, verifica-se a abertura de 615 mil vagas para jovens aprendizes, contra o fechamento de outras 553 mil. Isso dá uma média 
de 90 postos fechados para cada 100 criados.
“Esse número revela que muitas empresas vêm cumprindo a Lei do Aprendiz por mera obrigação, sem entender seu papel 
social na contratação desses jovens. Essas vagas precisam ser acompanhadas de um treinamento similar à atividade prática. A 
passagem do adolescente pela empresa acaba sendo um processo de mera formalidade a fim de evitar uma multa”, diz Felipe Tau, 
articulador social da Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil, um projeto da ONG Cidade Escola Aprendiz, em parceria com o 
Ministério Público do Trabalho.
https://veja.abril.com.br/economia/para-cada-10-vagas-abertas-de-
-jovem-aprendiz-9-sao-fechadas/ (15.08.2018)
20
TEXTO 4
DESALENTADOS: 4,7 MILHÕES SE SENTEM SEM ESPERANÇA DE EMPREGO NO BRASIL
Esse é o número de brasileiros que, de tanto batalharem paraarranjar trabalho e não conseguiram, desistiram até 
de tentar. Para o IBGE, eles estão em situação de desalento.
Há cinco anos sem conseguir trabalho, Valéria Alves de Moraes, 38 anos, não sabe mais como fazer para achar uma vaga. 
“Eu paro de procurar, depois volto a entregar currículo. Mas eu preciso arrumar emprego. Meu marido é garçom e só com a renda 
dele não dá para pagar aluguel, água, luz… Eu quero trabalhar”, lamenta. Para driblar a falta de dinheiro, Valéria atua como 
manicure em casa e fez um curso de secretariado escolar, mesmo assim, não consegue uma colocação. “A primeira coisa que eles 
perguntam é se tem filhos. Quando a gente responde que sim, dizem que vão ligar e não entram mais em contato. Outro empecilho 
é a idade”, percebe ela, que é mãe de três crianças. Há mais de 30 dias sem procurar emprego, Valéria integra o grupo de mais de 
4,7 milhões de desalentados. Na definição do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa é uma parcela da população 
que, de tanto procurar emprego e não achar, desistiu de tentar trabalhar. São profissionais que não tomaram providências para 
conseguir emprego nos últimos 30 dias, mas que aceitariam uma vaga caso alguém oferecesse.
Os números são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do 4º trimestre de 2018. A última edição 
da pesquisa registrou um aumento de 8,1% no número de brasileiros nessa situação em comparação com o mesmo período do 
ano passado. A média de 2018 apresentou aumento de 13,4% com relação a 2017. O motivo para a multiplicação do montante de 
desalentados no país, de acordo com Luciano Maia, diretor da região Centro-Oeste da consultoria de carreira Lee Hecht Harrison, 
é simples: o desemprego. “Se tivéssemos um mercado que absorvesse as pessoas, elas, naturalmente, seriam empregadas e não 
engrossariam a fila do desalento”, afirma. Isso porque, apesar da contínua queda no número de desempregados, ainda há 12,669 
milhões de pessoas sem trabalho no país. “As taxas vêm diminuindo sensivelmente, em uma velocidade baixa. Mas temos pessoas 
que estão procurando uma colocação há dois ou três anos, porque não tem vaga”, explica.
 Em janeiro, o IBGE voltou a registrar aumento dessas taxas, depois de nove meses de queda. Porém, na comparação com 
o mesmo período de 2018, houve uma diminuição de 2%. “A taxa de desemprego geral diminuiu, mas aumentou a do desalento. As 
pessoas deixaram de estar desempregadas para estarem desalentadas”, alerta Luciane Orlando, consultora de carreira da Thomas 
Case & Associados, especializada na gestão de carreiras e RH. O mais preocupante, de acordo com ela, é o perfil das pessoas que 
formam essa massa da população. “Em geral, são os mais idosos e as mulheres. Mesmo com uma escolaridade maior, às vezes, 
elas têm de tomar conta de alguém, seja um idoso, seja um filho. Isso dificulta a entrada delas no mercado”, aponta. “Também 
há os pretos e pardos, porque eles têm menos escolaridade, e os jovens, por falta de qualificação... Eles não tiveram tempo para 
desenvolver habilidades que só se aprimora no mercado”, afirma.
A morte da esperança
Desistir de procurar emprego é uma situação extrema, como observa Luciano Maia, graduado em administração pela 
Universidade Católica de Brasília (UCB). “A pessoa perde o ânimo de continuar na busca. Isso é um grande problema. Ela está 
procurando uma solução e pensa que não tem uma, isso é muito triste”, diz. “Emprego é o meio pelo qual a pessoa sobrevive, se 
relaciona, desenvolve autoestima, planeja casamento, filhos. Tudo isso desaparece do radar quando ela entra no desalento. Existe 
uma desistência da vida”, completa. A preocupação de Luciano é em relação aos altos níveis de doenças emocionais relacionadas. 
No Brasil, há 11,5 milhões de pessoas com depressão e 264 milhões com ansiedade, de acordo com dados da Organização Mundial 
da Saúde (OMS).
“O desalentado é, sobretudo, um desesperançado. É a morte daquilo que a sabedoria popular diz que é a última coisa a 
morrer. Quando a esperança morre, com ela, se vai o desejo de viver”, afirma. “Quando alguém está no desalento, isso pode se 
transformar em uma síndrome e gerar adoecimento. A possibilidade de ter uma depressão é alta, e é um momento em que as pesso-
as acabam consumindo com mais frequência substâncias como álcool e cigarro”, completa Luciane Orlando. “Esse desalento pode 
ocasionar consequências ainda mais severas, tanto em nível individual quanto social, como o agravamento da violência urbana, do 
tráfico de drogas e da prostituição, porque a pessoa tem que buscar sustento por algum outro meio”, enumera Luciano. “Pior do 
que o desemprego é o desalento”, emenda.
21
Sem expectativa
Retomar a profissão depois de tanto tempo longe da prática pode ser muito difícil. “Em longo prazo, isso significa um 
gigantesco número de pessoas que não conseguem mais entrar no mercado de trabalho. Porque as empresas preferirão um recém-
-formado do que alguém que esteve tanto tempo parado”, destaca Luciano Maia. O afastamento do emprego também gera 
desatualização. “O trabalhador deixa de ter as habilidades necessárias. Não esquecemos de andar de bicicleta, mas se paramos de 
praticar, ficamos sem alguns saberes práticos, como ser capaz de empiná-la. O mesmo ocorre no trabalho”, explica Luciane Orlando. 
Para que essas pessoas consigam voltar ao mercado formal, seria necessário, de acordo com Luciano, que o país voltasse a crescer 
de tal maneira que passassem a sobrar oportunidades de trabalho.
“Vamos supor que esse governo dê certo e que as vagas comecem a abrir, mesmo assim, a solução não virá de forma 
imediata. Daqui a quatro anos, o mercado passaria a precisar de trabalhadores”, diz. “Foi o que aconteceu em 2002. Com empre-
go pleno, a pessoa é arrancada de casa e é inserida”, explica. Caso contrário, o jeito é procurar outra solução, como empreender, 
trabalhar de forma autônoma, arranjar renda extra e fazer bicos. “Esse é um fenômeno que sempre irá nos atingir enquanto seres 
humanos. Teremos décadas boas e outras nem tanto. Existem eventos incontroláveis, como guerras e crises econômicas. Haja vista 
a situação da Venezuela, que tem muitas pessoas desempregadas e não há o que se possa fazer. A questão é como lidamos com as 
crises que atravessamos. A primeira coisa é não deixar a esperança morrer”, afirma.
“Quando alguém diz ‘não vai ter jeito’, discordo na hora. O mundo já passou por situações mais severas, e a vida con-
tinuou. Tem gente que pensa ‘esse governo entrou e só vai piorar’. Mesmo que não seja do meu alinhamento ideológico, eu não 
posso dizer ‘agora acabou’. Em uma análise histórica, é possível ver que muitas grandes corporações surgem no período pós-crise”, 
afirma. “A pessoa fica desempregada, arranja uma cabrinha e resolve fazer leite e queijo. A Piracanjuba, por exemplo, começou 
assim. O dono da empresa não tinha a vaquinha no projeto de vida dele. O projeto dele era viver. Ele se negou a ser um desalentado. 
Não é rápido, nem fácil, mas começa com uma decisão”, exemplifica Luciano. O problema, de acordo com ele, é a falta de incentivo.
Falta formação
A falta de capacitação e, principalmente, de capacitação de qualidade, é um problema de longa data, apontado por Sherlly 
Souza, consultora de carreira da rede de escolas de profissionalização Cedaspy Professional School (CPS), como um dos principais 
alimentadores do desalento. “Essa é uma das questões que mais identificamos. Mesmo tendo curso superior e experiência, há pes-
soas sem capacidade”, ressalta. O que não abarca apenas aspectos técnicos, mas também comportamentais, como saber trabalhar 
em equipe, ter iniciativa e engajamento.
"Nessa área de informática são necessárias muitas certificações, além da graduação. Se você só tem o básico, eles olham 
com discriminação"Lucas de Oliveira Souza, graduado em redes de computadores
 Lucas de Oliveira Souza, 25 anos, percebe que a falta de capacitação é um dos empecilhos paraconseguir se incluir no 
mercado de trabalho. Graduado em redes de computadores pela Universidade Paulista (Unip) há dois anos e sete meses, ele en-
grossa a fila do desemprego. “Nessa área de informática, são necessárias muitas certificações, além da graduação. Se você só tem 
o básico, eles olham com discriminação”, explica. Ainda como universitário, Lucas estagiou com manutenção de computadores, mas 
não acha que a experiência agrega muito valor. “Conversando com as pessoas, percebi que os empregadores quase nem conside-
ram isso. Tenho experiência na parte técnica, mas eles querem quem já tenha lidado com público, por exemplo”, diz.
Empreender para vencer a crise
“Muitas vezes, a nossa sociedade não estimula esse tipo de iniciativa. Quando a pessoa quer começar um negócio, é 
considerada perdedora. É preciso ter uma mudança de pensamento. É importante usar a criatividade. O que eu posso fazer, que tipo 
de consultoria eu posso prestar? Em muitos casos, será muito melhor partir para ser um profissional liberal ou abrir um pequeno 
negócio”, defende Luciano Maia. Esse foi o caminho encontrado por Mariana Ramonne, 36 anos. Depois de largar um emprego 
como técnico-administrativa por acreditar que poderia achar algo melhor, há quatro anos, ela se deu conta de que não seria tão 
fácil assim. A demora para arranjar outra oportunidade acabou levando-a a perder as esperanças. “Desisti há três anos, porque não 
consegui uma recolocação com salário equivalente. A crise política e financeira já estava acontecendo”, lembra.
"Sou multifuncional, eu me viro para me manter financeiramente" Mariana Ramonne, autônoma
22
A solução, então, foi procurar outras formas de se manter. “Resolvi empreender. Em 2017, criei uma loja de bijuterias virtu-
al, passei a vender para vários estados. Hoje também atuo como personal organizer. Sou multifuncional, eu me viro para me manter 
financeiramente”, afirma. Casos como o de Mariana são cada vez mais comuns. Em 2018, 37,5% dos empreendimentos abertos 
foram motivados por necessidade, ou seja: é o caso de pessoas desempregadas que encontram no empreendedorismo uma forma 
de conseguir rendimentos. Apesar de essa taxa diminuir desde 2015, ainda é um nível alto em comparação com os últimos 10 anos. 
Os dados são do Relatório Executivo Brasil 2018, divulgado pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).
Luz no fim do túnel
Apesar de ser difícil retornar ao mercado formal, Sherlly Souza garante que é possível. Só é preciso se reposicionar. “Muitas 
pessoas não sabem como se apresentar por meio de um papel. É preciso fazer um currículo mais elaborado. Procure cursos que 
ajudem a desenvolver competências como trabalhar em equipe”, explica. De acordo com ela, as chances de conseguir uma opor-
tunidade mesmo sem experiência existem porque, muitas vezes, as empresas estão atrás de um profissional novo. “Elas querem 
pessoas sem vícios, mas é preciso ter uma bagagem, mesmo que não tenha experiência. Mostre proatividade, comprometimento e 
não tenha preguiça”, destaca.
Saia dessa situação! Para conseguir voltar ao mercado de trabalho, Luciane Orlando, consultora de carreira da 
Thomas Case & Associados, lista algumas dicas:
Currículo
É preciso refletir e atualizar o documento. Informe todas as suas formações, inclusive curso de idiomas. Descreva os cargos 
que já ocupou. Coloque informações de contato, use um e-mail sério (nada daqueles que remetem a apelidos). Lembre-se de que 
esse é o seu cartão de visitas.
Redes sociais
Tenha perfis digitais, especialmente no LinkedIn, atualizado de acordo com as informações que você disponibilizar no seu 
currículo. Saiba usar esse tipo de canal com seriedade. Se preferir ter Facebook e Instagram, use de forma adequada, porque as 
empresas olham para isso.
Networking
Durante o período de desemprego, as pessoas tendem a pensar que precisam conter gastos, mas não podem deixar de sair, 
ver gente. Mantenha sua rede de contatos, pois ela pode ser a porta para arranjar um trabalho.
Foco
Não atire para todos os lados. Dá para buscar emprego em outras áreas e segmentos, mas continue na mesma linha de 
trabalho
Saúde
Reserve tempo para si mesmo e cuide do seu bem-estar físico e mental. Exercícios físicos são ideiais.
Entrevista
Esteja preparado para esse momento, que faz parte de seleções de trabalho. Vá com roupas adequadas. Não fale mal dos 
antigos empregos, por mais que esteja chateado, e não invente histórias sobre o porquê de estar desempregado.
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/tf_carreira/2019/03/18/tf_carreira_in-
terna,743537/numero-de-desalentados-no-brasil-passa-de-4-7-milhoes.shtml (18.03.2019)
23
É imPortante saber
I. DADO ESTATÍSTICO RELEVANTE
11 milhões de brasileiros de idades entre 15 e 29 anos nem estudam e nem trabalham no Brasil, segundo dados do Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os chamados "nem-nem".
O número equivale a quase um entre cada quatro jovens e aumentou 6% de 2016 para 2017, o que representa outros 619 
mil jovens.
https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2018/10/06/os-jovens-sem-oportuni-
dades-de-trabalho-e-estudo-que-serao-desafio-para-proximo-presidente.ghtml (06.10.2018)
II. ARGUMENTO DE AUTORIDADE 
Regina Madalozzo, coordenadora do mestrado profissional em Economia do Insper, afirma que o país terá que pagar uma conta 
cara no futuro se não conseguir oferecer caminhos para seus jovens no presente.
"O jovem que não está aprimorando sua formação nem trabalhando não está sendo preparado para a vida adulta", diz. O 
país conta com essa população produzindo para que a economia rode. Senão, quem é que vai pagar essa conta depois? Mas a 
grande pergunta é o que aconteceu para termos uma parcela tão grande de jovens sofrendo com essa falta de perspectivas."
https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2018/10/06/os-jovens-sem-oportuni-
dades-de-trabalho-e-estudo-que-serao-desafio-para-proximo-presidente.ghtml (06.10.2018)
III. EXEMPLOS DO COTIDIANO 
Paulo tem apenas 20 anos, mora na Vila Kennedy, comunidade na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e concluiu o ensino médio no 
ano passado. Este ano deveria marcar seu ingresso em uma faculdade ou um curso de qualificação, ou ainda seus primeiros 
passos na vida profissional, mas ele se vê em um limbo de falta de oportunidade.
"Estou todo dia na busca, mas até agora nada", diz ele, que costuma sair distribuindo currículos com o amigo Mateus da Silva 
Lopes, também da Vila Kennedy.
https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2018/10/06/os-jovens-sem-oportuni-
dades-de-trabalho-e-estudo-que-serao-desafio-para-proximo-presidente.ghtml (06.10.2018)
IV. ATORES OU SITUAÇÕES QUE PODEM SER MOBILIZADOS NA DISCUSSÃO DO TEMA (PROPOSTA ENEM) 
ONGs – Capacitação profissional
Jovens de baixa renda já podem se inscrever no curso de capacitação profissional e orientação de carreira oferecido gra-
tuitamente pelo Instituto Proa.
O programa de seis meses de duração é voltado para alunos e ex-alunos da rede pública de São Paulo que tenham entre 
17 e 19 anos. Durante o período, eles serão estimulados a desenvolver competências técnicas e comportamentais, com 
atividades práticas, vivências corporativas, e simulações de processo seletivo.
Na sequência do curso, eles receberão encaminhamento para o mercado de trabalho com oportunidades em grandes 
companhias parceiras do programa.
Podem participar do processo seletivo estudantes e ex-estudantes da rede pública que estejam no 3º ano do ensino médio 
ou tenham concluído o curso. É necessário ter renda familiar de até um salário mínimo e meio por pessoa.
https://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/2017/11/1938552-ong-oferece-
-capacitacao-profissional-gratuita-a-jovens-de-baixa-renda.shtml (27.11.2017)
24
V. LEGISLAÇÃO: 
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, 
a previdênciasocial, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_15.12.2016/art_6_.asp
VI. DIREITOS HUMANOS 
Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à 
proteção contra o desemprego.
https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2018/10/DUDH.pdf 
25
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INTERATIVIAA DADE
Vídeo
Artigo
LER
Livros
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JC DEBATE | O JOVEM E O DESEMPREGO
Fonte: TvCultura
26
Desemprego - Uma Abordagem Psicossocial – 
Belinda Mandelbaum e Marcelo Ribeiro
O Desemprego É Um Fenômeno De Múltiplas Causas, Que Envolve Determi-
nantes Pessoais, Sociais E Econômicos. Reduzi-Lo A Um Problema Pessoal, 
Que Algumas Orientações Resolveriam, É Parte De Uma Ideologia Indivi-
dualizante Em Curso Hoje, Que Ofusca A Compreensão De Como Nossa 
Sociedade Se Estrutura.
Os jovens e o mercado de trabalho: 
evolução e desafios da política 
de emprego no Brasil - Alexandre 
Queiroz Guimarães, Mariana Euge-
nio Almeida 
Os Jovens e o mercado de trabalho
ASSISTIR
INTERATIVIAA DADE
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Livros
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28
ProPosta ENEM
TEXTO 1
Dados divulgados, em setembro de 2017, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostram 
que as maiores vítimas da recessão foram os jovens. No segundo trimestre do ano passado, do total de desem-
pregados com idade entre 18 e 24 anos, apenas 25% conseguiram uma nova colocação no mercado de trabalho, 
enquanto 57% estão desempregados há mais de um ano.
Segundo Jacques Meir, diretor do grupo Padrão – que elaborou outro estudo Millennials e a Geração Nem 
Nem, em parceria com a consultoria MindMiners – essa é a geração mais preparada, informada e educada, mas 
também a que tem mais desempregados. “Uma das razões para isso é a inadequação entre a formação acadêmica 
e o que o mercado exige. A outra é a necessidade de as empresas, para manter a produtividade, optarem pelos mais 
experientes na hora de escolher quem fica”, diz Jacques. (…)
Outro problema frequente dessa geração, de acordo com Milie Haji, gerente de projetos da Cia. de Talentos, 
consultoria de seleção e desenvolvimento de carreira de São Paulo, é a falta de competências emocionais. “Muitas 
vagas deixam de ser preenchidas porque faltam candidatos que tenham, por exemplo, controle de suas emoções 
durante a seleção”. 
https://exame.abril.com.br/carreira/jovens-sao-os-mais-afetados-pelo-desemprego/ (23/02/2018)
TEXTO 2
http://rgcriativo.com.br/post/169/Mercado-de-Trabalho (Acessado em 05.05.2019)
29
TEXTO 3
https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/08/17/desemprego-entre-os-jovens-e-
-superior-ao-dobro-da-taxa-geral-aponta-ibge.ghtml (17.08.2018)
TEXTO 4
Concluir um curso profissionalizante ou uma graduação não basta na hora de conseguir emprego. Além dos 
cursos, o mercado exige experiência, cuja falta é apontada por 77% dos jovens como a maior dificuldade na hora 
de conseguir uma vaga de emprego formal, segundo o levantamento Acreditamos nos Jovens, feito pela empresa 
argentina de pesquisa em tendências Trendsity, encomendado pelo McDonald's. 
A maquiadora Ana Priscila Fernandes, 24, formada em administração de empresas, concorda. E acrescenta 
que há poucas oportunidades para os jovens, situação citada por 69% dos entrevistados. Ela chegou a fazer está-
gio, procurou emprego e acabou exercendo outra profissão. 
A supervisora de carreiras do Ibmec—MG Cymara Bastos observa que o desafio de superar a falta de expe-
riência não é exclusivo da atual geração. "Não é de hoje que a maioria das empresas exige dos jovens experiência. 
Há casos em que isso é exigido do estagiário, que ingressa numa organização com o objetivo de aprender e, logo, 
ganhar experiência", diz. 
A recomendação dos especialistas para o jovem é buscar alternativas, caso ele não consiga uma oportuni-
dade como menor aprendiz ou um estágio. Entre elas, está o trabalho voluntário. "É importante persistir e também 
investir em cursos", diz Silveira.
https://www.otempo.com.br/economia/jovens-reclamam-de-pedido-de-experi%C3%AAncia-para-1%C2%BA-emprego-1.1570323
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo 
de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa 
sobre o tema AS DIFICULDADES DO JOVEM PARA INGRESSAR NO MERCADO DE TRABALHO, apresentan-
do proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e 
coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
30
ProPosta – VEstibular
TEXTO 1
DESALENTADO É quem não tem emprego, gostaria de trabalhar, mas desistiu de procurar porque perdeu a 
esperança. Essa pessoa está desanimada sobre suas possibilidades. O desalentado não está na força de trabalho. 
Então ele sequer entra na conta da taxa de desemprego.
 A maior parte desse grupo tem, no máximo, ensino médio completo. Quase dois terços dos 4,6 milhões se 
declaram pardos. Na distribuição regional, o Nordeste é, com folga, onde mais há pessoas que desistiram de pro-
curar emprego. Em 2014, no início da crise, eram pouco mais de um milhão de pessoas nessa situação na região. 
Esse número no primeiro trimestre de 2018 chegou a 2,8 milhões de pessoas. Ou seja, 60% dos desalentados do 
Brasil estão na região Nordeste.
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/05/18/Desemprego-subocupa%C3%A7%C3%A3o-
-e-desalento-a-crise-do-trabalho-no-Brasil (18.05.2018)
TEXTO 2
O índice de desemprego subiu a 12,4% no Brasil entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2019, frente a 
12% entre novembro e janeiro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicados 
nesta sexta-feira, que também revelam um volume recorde de pessoas em situação de "desalento" - quando de-
sistem de procurar trabalho por falta de oportunidade.
O número de pessoas que desistiram de procurar emprego chegou a 4,9 milhões, um recorde desde o início 
da série histórica, informou o IBGE.
https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2019/03/29/interna_internacional,1042254/de-
semprego-cresce-no-brasil-e-atinge-13-1-milhoes-de-pessoas.shtml (29.03.2019)
TEXTO 3
Desistir de procurar emprego é uma situação extrema, como observa Luciano Maia, graduado em adminis-
tração pela Universidade Católica de Brasília (UCB). “A pessoa perde o ânimo de continuar na busca. Isso é um 
grande problema. Ela está procurando uma solução e pensa que não tem uma, isso é muito triste”, diz. “Emprego 
é o meio pelo qual a pessoa sobrevive, se relaciona, desenvolve autoestima, planeja casamento, filhos. Tudo isso 
desaparece do radar quando ela entra no desalento. Existe uma desistência da vida”, completa. A preocupação de 
Luciano é em relação aos altos níveis de doenças emocionais relacionadas. No Brasil, há 11,5 milhões de pessoas 
com depressão e 264 milhões com ansiedade, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/tf_carreira/2019/03/18/tf_carreira_in-
terna,743537/numero-de-desalentados-no-brasil-passa-de-4-7-milhoes.shtml (18.03.2019)
31
TEXTO 4
Não é nada auspicioso para o futuro do País ter uma parte de sua força de trabalho mais qualificada fora 
do mercado. São muitos os resultados que daí podem advir, nenhum dos quais alvissareiro. Essa massa de traba-
lhadores desocupados pode permanecer como está, vale dizer, alheia ao mercado de trabalho, vivendo de possíveis 
economias que possa ter amealhado nos anos de emprego - finitas, portanto -, pode decidir sair do País ou sim-
plesmente se sujeitar a ocupar posições de menor grau de exigência e remuneração, um subaproveitamento que 
não a beneficia e tampouco o País.
https://opiniao.estadao.com.br/noticias/notas-e-informacoes,desalento,70002709358 (06.02.2019)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos,escreva uma dissertação, empregan-
do a norma--padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
OS DESAFIOS ENFRENTADOS PELOS DESALENTADOS NO BRASIL
1 5 Progressão temática
L C
ENTRE 
FRASES
Progressão
34
35
Progressão temática
A progressão temática é um procedimento utilizado para garantir a boa sequenciação dos textos. Con-
siste em apresentar, pouco a pouco, informações novas a respeito do tema que se está discutindo a fim de se fazer 
com que o texto avance com novas camadas de sentido.
Pode-se dizer também que a progressão temática é aquilo que garante unidade temática do texto; ou em 
termos mais claros, é aquilo que impede que o escritor acabe incluindo no meio de sua redação informações que 
não possuam relação com o tema geral. Se o tema a ser discutido na redação é bullying, devemos tomar cuidado 
para não perdermos o foco discutindo relações de trabalho, especulação imobiliária ou qualquer outro tema que 
não estabeleça relações com o que foi inicilamente proposto. Além disso, deve haver cuidado para que se “afunile” 
a discussão levando em conta a particularidade de sua coletânea (a discussão proposta é sobre cyberbullying? É 
sobre bullying em escolas infantis?). 
De acordo com a especialista em linguagens Ingedore Villaça Koch, a organização e a hierarquização das 
unidades semânticas do texto se concretizam por meio de dois eixos de informação, denominados tema (tópico) e 
rema (comentário). Vejamos como tais eixos funcionam:
TEMA: é aquilo que tomamos como base da comunicação (enunciados que apresentam efetivamente o 
assunto sobre o qual se fala
REMA: é aquilo que se diz a respeito do tema. Desse modo, podemos pensar que o tema seria uma infor-
mação já apresentada em algum momento ao leitor, a partir de um contexto previamente sugerido em coletânea 
(e que por isso é facilmente compreendida e inferida por ele); enquanto o rema seria o gesto de ir apresentando 
informações novas ao texto, que tenham relação com o tema.
Ainda nos apoiando nos escritos de Ingedore, ela nos informa que esses dois eixos de progressão podem 
ser conduzidos de duas maneiras: seria possível apresentarmos um tema central e na sequência acoplarmos várias 
remas; ou fazermos com que subtemas ou subtópicos se desdobrem a partir do tema principal (o que nos garantiria 
outras possiblidades de remas para o avanço do texto).
Estratégias para mantEr a progrEssão tExtual na rEdação do vEstibular
Ao elaborar o seu planejamento textual, é essencial observar a ordem de aparecimento das informações, 
sobretudo da vinculação entre os parágrafos de desenvolvimento. Procure sempre analisar qual seria o melhor 
caminho lógico para a apresentação das informações de seu texto.
As estratégias abaixo são pensadas para se trabalhar o 2º E 3º PARÁGRAFOS DE REDAÇÃO. Lembre-se de 
que são apenas sugestões capazes de auxiliar a organização do raciocínio que comprova a tese do autor. Tudo 
dependerá do tema e da tese a ser defendida no texto.
a) Apresentação lógica dos argumentos – Aproximação temática
Nas redações do ENEM, é muito comum elaborarmos nossos planejamentos a partir das causas do pro-
blema ou então dos desafios a serem enfrentados para resolvê-lo. Isso costuma depender da proposta que nos é 
apresentada. Portanto, ao elaborar o seu planejamento, organize a apresentação desses parágrafos da maneira 
que for mais lógica para a compreensão do coretor. Por exemplo: devo falar primeiro da família e depois do Es-
tado? Devo falar primeiro da educação e depois do trabalho? Devo falar primeiro da sociedade civil e depois das 
empresas? Essa escolha não pode ser aleatória. Observe qual é o melhor caminho e depois siga esse planejamento.
DICA: Cuidado ao selecionar argumentos muito díspares: procure sempre manter uma linha de raciocínio 
lógico que comprove a tese estabelecida.
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b) Causa / consequência
Uma das formas de progressão temática mais comum é a articulação entre causa e consequência. Tal 
relação pode ser facilmente empregada em diferentes propostas de vestibular, já que consiste na apresentação 
das razões que motivam determinada ideia ou problema e,em seguida, dos efeitos que tal situação provoca. No 
entanto, é preciso cuidado: o parágrafo de consequência não pode ser completamente expositivo. É fundamental, 
nesse caso, que o autor realiza uma avaliação crítica do efeito apresentado.
c) Argumento mais evidente / menos evidente
Em algumas propostas, é possível identificar argumentos que são muito plausíveis de serem abordados, 
já que estão indiretamente sugeridos por meio da análise da coletânea. Nesse sentido, para comprovar a tese, o 
candidato pode dividir seus parágrafos começando com um argumento mais previsível e depois aprofundando sua 
análise num argumento menos evidente, mas que também se mostra muito pertinente à questão. 
d) Representação/ Realidade
Essa estratégia pode ser aplicada nas propostas de redação em for conveniente abordar a realidade e a 
representação de determinadas situações. Para defender sua tese, o autor pode começar apontando como as 
representações construíram negativamente uma determinada visão de mundo,e, no parágrafo subsequente, pode 
apresentar porque tal visão é inconsistente, revelando a realidade por trás de toda a ficcção.
e) Passado/Presente
O uso da divisão entre passado e presente no desenvolvimento das redações tambémnão é uma novidade. 
Em alguns temas, torna-se fundamental analisar o passado para entender as causas de determinada situação e, 
assim, comprovar a tese. Por uma questão lógica, é preciso primeiro apresentar as relações com o passado para 
depois mostrar como ela ainda engendram uma relação com o presente.
f) Discurso/Realidade
O candidato também pode estruturar seu ponto de vista a partir da apresentação de um discurso existente 
na sociedade e das razões que o criaram. Na sequência, cabe a ele descontruir esse discurso,mostrando como a 
realidade é bem diferente do que é pregado por meio das palavras.
37
aula 15 – a telemedicina e o acesso à saúde no brasil
ACERVO
TEXTO 1
Norma para consultas médicas online é revogada pelo CFM após críticas
Para conselhos regionais, havia riscos à segurança de dados e brechas para uso desenfreado de atendimento a distância
Em meio a críticas, o Conselho Federal de Medicina decidiu revogar a resolução que ampliava a prática de telemedicina no 
país e permitia a realização de consultas, diagnósticos e cirurgias a distância.
A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (22), cerca de três semanas após a norma ser divulgada. A previsão era que a 
medida entrasse em vigor em maio.
Em nota, o conselho atribui a decisão ao alto número de propostas encaminhadas para alteração na resolução e "ao cla-
mor de inúmeras entidades médicas, que pedem mais tempo para analisar o documento e enviar também suas sugestões".
Desde que foi anunciada, a possibilidade de liberação de um maior número de atendimentos online tem sido alvo de críti-
cas de conselhos regionais de medicina e outras entidades médicas.
A maior parte delas diz respeito às consultas não presenciais e à segurança dos dados. A AMB (Associação Médica Brasi-
leira) foi uma das que pediu revogação da resolução. Segundo o presidente da entidade, Lincoln Lopes Ferreira, a responsabilização 
por eventuais erros médicos que possam ser cometidos com a consulta à distância é uma das grandes preocupações das entidades.
"A pessoa pode achar que é uma dor de cabeça. Mas pode ser a manifestação de um aneurisma ou de uma pressão arterial 
elevada. O exame físico continua sendo o pilar da relação entre o médico e o paciente", afirmou.
Pelo texto inicial, a teleconsulta poderia ocorrer somente após um primeiro contato, com exceção das populações que 
vivem em áreas geograficamente remotas, para as quais o atendimento podecomeçar já de modo virtual com acompanhamento 
de outros profissionais de saúde.
A falta de definição sobre o que são áreas geograficamente remotas, contudo, trouxe o temor de que a teleconsulta seja 
usada de forma desenfreada e aumente a distância entre médicos e pacientes.
Outro temor eram riscos ao sigilo dos atendimentos, que passariam a ser armazenados na rede. 
Em carta divulgada no dia 6 deste mês, representantes dos conselhos regionais de medicina de 27 estados já pediam a 
revogação da norma. 
“Após intensa discussão, demonstramos a preocupação com possíveis implicações negativas para o adequado exercício da 
medicina, bem como da garantia de observação das normas do Código de Ética Médica”, afirmaram no documento.
A situação levou o CFM a divulgar uma consulta pública para receber sugestões antes que a norma pudesse entrar em 
vigor. 
O alto volume de sugestões —que já passam de 1.444— acabou por fazer com que a norma fosse revogada. Segundo o 
conselho, não haveria como analisar as sugestões até maio deste ano. 
Questionado, o relator da resolução, Aldemir Soares, evita dar novos prazos. Diz apenas que as contribuições serão analisa-
das. A Folha apurou, porém, que a previsão é que novas datas sejam discutidas em reunião na próxima terça-feira (26).
Para Soares, ao menos dois pontos da norma que foi cancelada devem ser esclarecidos: a definição do que são áreas 
remotas e qual o modelo ideal para assegurar o sigilo das informações durante as teleconsultas.
Segundo ele, não haveria necessidade de programas caros para isso. "De acordo com especialistas da área, um médico 
interessado em usar esse modelo em seu consultório poderia fazê-lo com um investimento anual máximo de R$ 5 mil, caso optasse 
pela compra dos equipamentos. Os serviços também poderiam ser locados", afirma.
38
A revogação do aval à telemedicina também gerou reação de parte do setor. Em nota, a Abramge (Associação Brasileira 
de Planos de Saúde) disse lamentar a revogação. 
"O mundo digital cresce a uma velocidade cada vez maior, num compasso de inovação surpreendente, e soa estranho 
qualquer tentativa em frear esta evolução", informa. "Além da manutenção da insegurança jurídica, ressaltamos que a telemedicina 
proporciona a melhoria da qualidade de vida dos pacientes, pois soluciona entraves relacionados à geografia e grandes distâncias."
Segundo a associação, pesquisa sobre o comportamento do consumidor em saúde mostra que 32% da geração Z (nascida 
depois de 1996) e 12% dos Millenials (nascidos entre 1981 e 1996) estão “insatisfeitos” ou “muito insatisfeitos” com a efetividade 
do atendimento tradicional.
"Cada vez mais os consumidores demonstram independência na escolha do que for mais conveniente às suas necessida-
des."
Como era/é até então
Telemedicina era realizada apenas entre médicos, como uma segunda opinião. Alguns hospitais universitários já usavam a 
modalidade, mas em caráter experimental
O que mudaria com a nova regra
 § Nova resolução define a prática de teleconsulta e estabelece regras, como necessidade de que o primeiro atendimento 
seja presencial. Estabelece ainda intervalo de no máximo quatro meses para consultas presenciais —no caso de pacientes 
crônicos, por exemplo.
 § Também prevê que atendimento seja gravado e armazenado seguindo critérios, com proteção garantida para sigilo. Caso 
paciente não concorde com a gravação, consulta não pode ser realizada
 § Caso o médico prescreva exames e medicamentos, documento deve conter dados de identificação, registro de data e hora 
e assinatura digital do médico
 § Na telecirurgia, os procedimentos devem ocorrer em espaços com infraestrutura, com médico que opere equipamento 
robótico e outro que acompanhe o paciente no local
Glossário da telemedicina
Telemedicina
Termo usado para definir o exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, 
prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde
Teleconsulta
É a consulta médica mediada por tecnologias, com médico e paciente em diferentes locais
Teleinterconsulta
Ocorre quando há troca de informações e opiniões entre médicos para auxílio diagnóstico ou terapêutico, clínico ou cirúrgico
Telediagnóstico
Consiste na emissão de laudo ou parecer de exames pela internet 
Telecirurgia
É um procedimento feito por um robô ou outra tecnologia manipulada por um médico que está em outro local, desde que 
com presença de outro médico, com a mesma habilitação do cirurgião remoto, que possa atuar no caso de intercorrências
39
Teleconferência cirúrgica
Feita por videotransmissão, é permitida desde que o grupo receptor das imagens, dados e áudios seja formado por médicos
Teletriagem médica
Ocorre quando o médico faz uma avaliação, a distância, dos sintomas para a definição e direcionamento do paciente ao 
tipo adequado de assistência necessária
Telemonitoramento
Permite que um médico avalie a distância as condições de saúde dos pacientes. Pode ser usada em casas de repouso para 
idosos ou em comunidades terapêuticas
Teleorientação
Preenchimento a distância, pelo médico, de declaração de saúde para a contratação ou adesão a um plano de saúde
Teleconsultoria
Permite troca de informações entre médicos, gestores e profissionais de saúde sobre procedimentos e ações de saúde
Fontes: Resolução 1.643/2002 e resolução 2.227/2018
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2019/02/norma-para-consultas-
-medicas-online-e-revogada-pelo-cfm-apos-criticas.shtml
TEXTO 2
O que é telemedicina. E as novas regras para esse campo no Brasil 
Até o momento, ela vem sendo utilizada principalmente como forma de obter uma segunda opinião, enviando imagens de 
uma lesão de pele por WhatsApp, por exemplo 
No dia 3 de fevereiro de 2019, o Conselho Federal de Medicina divulgou em seu site o teor de uma resolução por meio da 
qual pretende regulamentar a telemedicina no Brasil. 
O termo se refere a formas de atendimento médico a distância viabilizadas pela tecnologia. Por exemplo: teletriagens, 
consultas online, telediagnósticos, telemonitoramento e mesmo telecirurgias, realizadas com auxílio de robôs. 
Até o momento, a telemedicina vem sendo realizada por médicos no Brasil principalmente como forma de obter uma se-
gunda opinião -ou seja, o médico principal não poderia ser aquele que realiza o atendimento a distância. Muitas vezes, isso se dá 
de formas muito simples, com o envio de fotos pelo celular para que colegas avaliem uma lesão de pele, por exemplo. 
Alguns hospitais universitários também vinham adotando a prática experimentalmente. A resolução deve ser publicada no 
Diário Oficial ainda nesta semana, afirma a entidade, que é uma autarquia que concentra a atribuição de regular a prática médica 
no Brasil.
 Em uma nota publicada no portal da entidade, seu presidente, Carlos Vital, afirma que a resolução pode contribuir para 
levar serviços de saúde ao interior do país, e diminuir o “estrangulamento” no sistema convencional em grandes centros. 
Na quinta-feira (7), a instituição realiza seu Segundo Fórum de Telemedicina, onde a nova resolução será lançada. 
40
As novas regras para a telemedicina
CONSENTIMENTO E DADOS
O texto prevê que o paciente assine um termo de consentimento pelo qual concorda oficialmente com a consulta a distân-
cia. Assim como acontece com processos realizados por meio das redes sociais, sites de busca e outras plataformas online, todos os 
dados trocados por meio da telemedicina podem ser coletados. A resolução afirma que essas informações deverão ser preservadas. 
Elas deverão, no entanto, trafegar de forma segura, privada e sigilosa. Um relatório com toda a informação clínica relevante deverá 
ser realizado e enviado ao paciente. 
EXIGÊNCIAS PRESENCIAIS 
“Os serviços de telemedicina jamais poderão substituir o compromisso constitucional de garantir assistência integral e 
universal aos pacientes”, diz o documento. Em vários pontos, ele deixa claro que os procedimentos a distânciaterão também con-
trapartes presenciais. A relação virtual para cobertura de áreas remotas, como florestas e plataformas de petróleo, poderá ocorrer, 
desde que existam “condições físicas e técnicas recomendadas e profissional de saúde [presencial]”. Nos outros casos, teleconsultas 
terão como premissa obrigatória a relação prévia entre paciente e médico -em sua nota, o CFM fala que uma primeira consulta 
presencial é necessária nesses casos. Nos atendimentos “por longo tempo”, ou em se tratando de doenças crônicas, a consulta pre-
sencial com intervalos de até 120 dias é recomendada. Em se tratando de cirurgias, também são obrigatórios médicos presenciais. 
TELEDIAGNÓSTICO
O documento define “telediagnóstico” como um “ato médico” realizado por médico especializado a distância, geográfica 
ou temporal, e com transmissão de gráficos, imagens e outros dados. Isso pode ser feito com equipamentos como computador e 
câmera, entre outros. O Conselho Federal não definiu as diretrizes para o telediagnóstico, mas a regulamentação propõe que elas 
sejam propostas por uma Associação de Especialidade vinculada ao método. Depois, as propostas devem ser encaminhadas para 
aprovação pelo conselho. 
TELECIRURGIAS
Telecirurgias são aquelas realizadas com auxílio de um robô, manipulado por um médico distante do local. No momento, 
elas são raras no Brasil e, para que sejam realizadas, exigem infraestrutura adequada. Isso inclui um médico presencial responsável 
por operar a estrutura robótica que intermediará a cirurgia. E um outro médico responsável por manipular os instrumentos da cirur-
gia. Caso haja emergências ou ocorrências não previstas, o médico local se responsabilizará pela intervenção. 
TELEMONITORAMENTO 
É o acompanhamento de pacientes a distância. Isso pode ser feito, por exemplo, por meio de câmeras que registram e 
enviam imagens em tempo real, ou então por dispositivos implantados em pacientes internados. Na nota do Conselho Federal 
de Medicina, o relator da resolução, o conselheiro federal Aldemir Soares, ressaltou que o telemonitoramento ocorre em casas de 
repouso para idosos. A resolução também fala em casos de internação clínica, domiciliar e em comunidades terapêuticas -locais 
que acolhem usuários de drogas. “Com esse serviço, evitaremos idas desnecessárias a pronto-socorros. O médico remoto poderá 
averiguar se uma febre de um paciente que já é acompanhado por ele merece uma ida ao hospital”, afirmou o conselheiro. 
A telemedicina no Brasil, até agora 
Publicado em 2016 na Revista ENSP - Artigos e Periódicos, ligada à Fundação Oswaldo Cruz, o artigo “Telemedicina: desa-
fios à sua difusão no Brasil”, afirma que a telemedicina é marcada por: 
 § Distância física entre o serviço médico e o paciente 
 § Uso da tecnologia no lugar da presença física 
41
 § Disponibilidade de médicos e outros profissionais de saúde para prestar o serviço 
 § Disponibilidade de profissionais de tecnologia para desenvolver e manter a estrutura de telemedicina
 § Sistematização do processo, com protocolos e dados clínicos
 § Estrutura de segurança, qualidade e sigilo dos dados
Por isso, apesar de ser regulamentado até o momento pelo Conselho Federal de Medicina, esse campo envolve também 
outros profissionais de saúde que não são médicos, assim como profissionais dos campos de direito e tecnologia. 
Mesmo antes da regulamentação, havia iniciativas de promoção da telemedicina no país. Em 2006, a Rede Nacional de 
Ensino e Pesquisa lançou a Rute (Rede Universitária de Telemedicina), com o objetivo de implementar uma infraestrutura de conexão 
entre hospitais universitários e instituições de ensino de saúde no Brasil, que hoje atinge mais de uma centena de pontos. 
Em 2007, o Ministério da Saúde instituiu o Programa Nacional de Telessaúde, que passou a ser chamado de Programa 
Nacional Telessaúde Brasil Redes após ser ampliado, em 2011. 
Segundo informações do Ministério da Saúde reproduzidas pelo jornal Folha de S. Paulo, hoje ao menos dez estados pos-
suem atendimentos de telediagnóstico no Sistema Único de Saúde. 
A pesquisa publicada na ENSP - Artigos afirma que a aplicação vinha ocorrendo de forma diferente em cada estado. Em 
Minas Gerais, a ênfase era em serviços de eletrocardiograma a distância. 
No Rio de Janeiro, há um serviço em que exames de radiologia de tórax na atenção primária são enviados para radiologis-
tas teleconsultores a distância. No Rio Grande do Sul, o telediagnóstico é usado para doenças respiratórias crônicas. Em São Paulo, 
o enfoque vinha sendo até 2016 em medidas de educação no campo da saúde. 
Mesmo sendo a distância, a telemedicina exige infraestrutura local. O trabalho aponta que entre os principais empecilhos 
para a ampliação da prática no país está a infraestrutura, em especial a baixa cobertura de banda larga em certas áreas do interior.
 “No caso do telediagnóstico, por exemplo, cada imagem de radiografia ocupa 6Mb de memória, e uma tomografia, 400Kb, 
o que exige bastante capacidade de transmissão para a adoção completa da prática”, afirma o documento.
 Esse fator é agravado pela precariedade de serviços de saúde no país. Entre os problemas estão falta de recursos, falta de 
profissionais, instalações defasadas e insuficiência de equipamentos, que são necessários para aplicar a telemedicina localmente. 
“Sabidamente, essa situação tende a agravar em regiões remotas e periféricas”, diz a pesquisa.
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2019/02/05/O-que-%C3%A9-telemedicina.-
-E-as-novas-regras-para-esse-campo-no-Brasil (05.02.2019)
TEXTO 3
Telemedicina: regular ou esperar?
A inovação tecnológica impacta diariamente diversos aspectos da vida humana. Em uma sociedade em que algoritmos 
inteligentes já são realidade, é de se imaginar que a prestação de serviços de saúde não passe imune a essas transformações. Dando 
boas-vindas a uma revolução que apenas começou, a tecnologia que talvez esteja mais próxima de ser amplamente implementada 
no dia a dia dos cidadãos é a telemedicina.
Não por acaso, os reguladores estão se movimentando para ampliar a prática no Brasil, dado o seu grande potencial de 
impactar positivamente a gestão e eficiência da saúde no país. A Resolução CFM n.º 2.227/2018 foi a mais completa a respeito 
do tema e definiu a atividade em seu art. 1.º como: “o exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, 
educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde”. Entretanto, logo após sua publicação, a nova norma 
levantou diversas discussões na comunidade médica, discussões essas que culminaram na sua revogação pelo CFM, nos termos da 
Resolução CFM n.º 2.228/2019 publicada no Diário Oficial de 6 de março de 2019.
Diante disso, volta a vigorar a Resolução CFM n.º 1.643/2002, que define Telemedicina como “a utilização de metodologias 
interativas de comunicação audio-visual e de dados, com o objetivo de assistência, educação e pesquisa em Saúde” e estabelece 
que (i) os serviços prestados através da telemedicina devem possuir a infraestrutura tecnológica adequada para a guarda, manuseio, 
transmissão de dados, confidencialidade, privacidade e garantia do sigilo profissional (art. 2º); (ii) em caso de emergência, ou quan-
42
do solicitado pelo médico responsável, o médico que emitir o laudo à distância pode prestar o devido suporte para o diagnóstico e a 
terapêutica ao paciente (art. 3º); e (iii) a responsabilidade profissional pelo atendimento é do médico assistente do paciente, sendo 
que os demais envolvidos respondem solidariamente na proporção em que contribuírem para causar o dano (art. 4.º).
Vê-se, pela análise da norma, que a telemedicina de que trata a Resolução CFM n.º 1.643/2002, e, portanto, permitida no 
Brasil, refere-se apenas ao suporte ou segunda opinião dada por médico à distância para o médico assistente do paciente, ou seja, 
não envolve a assistência direta a pacientes por médico à distância.
Entre as críticas feitas pela comunidademédica e Conselhos Regionais de Medicina estão: (i) alegações de incompetência 
do CFM para expedir norma regulando a telemedicina; (ii) incompatibilidade da prática com o Ato Médico; e (iii) violação do Código 
de Ética Médica.
De acordo com o artigo 10, inciso XX, da Resolução CFM n.º 1.998/2012, que aprova o Regimento Interno do órgão, 
compete ao CFM “expedir resoluções normatizadoras ou fiscalizadoras do exercício profissional dos médicos e pessoas jurídicas 
cuja atividade básica seja a Medicina”. Por outro lado, é possível definir o Ato Médico como todo e qualquer ato que possa e/ou 
deva ser praticado por um médico, relacionado ao diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças. Assim, a princípio, não haveria 
incompatibilidade do Ato Médico com a telemedicina, notadamente se esta for interpretada como mais uma forma de promoção do 
Ato Médico, permitindo ao paciente outras possibilidades de acesso à assistência à saúde.
De todo modo, o que se percebe é que a iniciativa regulatória tem apresentado características inovadoras em relação à 
inserção de tecnologia no setor, mas é cautelosa o suficiente para não comprometer a segurança e responsabilidade dos indivíduos 
envolvidos, sejam estes médicos ou pacientes. Nesse diálogo, constata-se que a telemedicina traz uma série de desafios não só para 
os reguladores, mas também para a comunidade médica, entidades públicas e privadas do setor, bem como para os pacientes. Entre-
tanto, faz-se necessário que a comunidade se movimente para estudar o tema, entender profundamente as tecnologias disponíveis 
e seus benefícios e elaborar as respostas regulatórias – e legais – o mais rápido possível, sem, contudo, ignorar que a tecnologia 
deve possuir um potencial de desenvolvimento dinâmico e rápido, para que atenda aos objetivos de tornar a vida dos pacientes mais 
fácil e melhor e, não menos importante, o sistema de saúde mais moderno e eficiente.
Ainda que um adequado e mais moderno marco regulatório dependa de definição, não restam dúvidas sobre o fato de que 
interações tecnológicas no setor de saúde já são uma realidade e campo fértil para investimentos e participação ativa de diversos 
agentes, públicos ou privados. Vivemos um momento em que o desenvolvimento de novas tecnologias impacta consideravelmente 
todas as indústrias; é preciso atentar a este mundo repleto de novas oportunidades, cada vez mais dinâmicas e com potenciais 
exponenciais.
Devemos todos construir um ambiente em que a tecnologia seja cada vez mais inserida na prestação de serviços de saúde, 
sem comprometimento da segurança e responsabilidade dos agentes envolvidos.
*Elysangela de Oliveira Rabelo Maurer e Marco Aurélio Torronteguy são sócios de TozziniFreire na área de Ciências da 
Vida e Saúde https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/telemedicina-regular-ou-esperar/ (06.04.2019)
TEXTO 4
Falta de médicos e de remédios: 10 grandes problemas da saúde brasileira
Faltam médicos e remédios no SUS (Sistema Único de Saúde). No sistema particular de saúde, a mensalidade é alta e não 
há cobertura para diversas doenças e exames. O subfinanciamento do sistema de saúde pública é grave, a formação dos médicos 
nem sempre é boa e muitos pacientes ainda enfrentam discriminação.
Essas são algumas das conclusões de uma pesquisa do UOL que elegeu 10 dos principais problemas enfrentados pela saú-
de pública e privada no Brasil. Para isso, a reportagem utilizou os dados do IPS (Sistema de Indicadores de Percepção Social), do Ipea 
(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o Fisc Saúde 2016, do TCU (Tribunal de Contas da União), o PNS (Pesquisa Nacional de 
Saúde), do IBGE, e um ranking encomendado ao Reclame Aqui, um órgão de defesa do consumidor avalizado pela Ouvidora-Geral 
da União, e outro formulado pela ANS (Agência Nacional de Saúde).
A lista foi analisada pelo diretor da FSP (Faculdade de Saúde Pública) da USP, Oswaldo Yoshimi Tanaka. "Infelizmente o 
SUS está subfinanciado, uma situação agravada pela crise econômica financeira e política do país", observou o professor sobre um 
dos itens da seguinte lista:
Faltam médicos
E eles ainda estão mal distribuídos pelo país. Em audiência pública no Senado em novembro do ano passado, o presidente 
do TCU, ministro Raimundo Carreiro, elegeu a falta de médicos como "o principal problema do SUS". "A falta é crônica", avalia 
Tanaka, da USP. "Há uma tentativa de formar mais médicos, mas a má distribuição ainda persistirá devido à dificuldade de interiori-
zação." Segundo dados do CFM (Conselho Federal de Medicina), há um médico para cada 470 brasileiros. No Norte e Nordeste esse 
número chega a 953,3 e 749,6, respectivamente. Pelos cálculos da OMS (Organização Mundial de Saúde), há 17,6 médicos para 
cada 10 mil brasileiros, bem menos que na Europa, cuja taxa é de 33,3. Na audiência pública, o secretário de Controle Externo da 
Saúde do TCU, Marcelo Chaves, elogiou o Programa Mais Médicos, "uma iniciativa importante para tentar mudar essa realidade". 
Longa espera para marcar consulta
No sistema público de saúde, esperar é quase parte do protocolo. Na prática, significa que o SUS realiza bem menos con-
sultas do que poderia. Segundo o Fisc Saúde 2016, o Brasil apresentou uma média de 2,8 consultas por habitantes no ano de 2012, 
o 27º colocado entre 30 países. Taxa muito inferior ao dos países mais bem colocados: Coreia do Sul (14,3), Japão (12,9) e Hungria 
(11,8). Segundo o pesquisador, não mudou muito desde então. "Infelizmente, a demanda é maior do que a oferta. Desde 1988, 
incluímos nos SUS 90 milhões de novos usuários, mas continuamos gastando apenas US$ 400 por habitante/ano."
Faltam leitos
Pesquisa Datafolha encomendada pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), em 2017, colocou o aumento do número 
de leitos como a terceira providência que o governo deveria tomar para melhorar a saúde pública brasileira. Essa é a opinião de 
metade dos 2.089 entrevistados. O tema também tem destaque no ranking solicitado ao Reclame Aqui. Nos três primeiros meses 
de 2018, a falta de leitos foi o 8º principal motivo de reclamação dos brasileiros. De acordo com a Associação Nacional de Hospitais 
Privados, o Brasil tem 2,3 leitos por mil habitantes, abaixo do recomendado pela OMS (entre 3 e 5). Ainda segundo o CFM, entre 
2010 e 2015, o Brasil perdeu 13 leitos por dia, num total de 23.565 vagas. As maiores reduções foram, proporcionalmente, no Rio 
de Janeiro (22%), Sergipe (20,9%), Distrito Federal (16,7%), Paraíba (12,2%), Goiás (11,5%) e Acre (11,5%). Já o déficit de leitos 
em UTI neonatal é de 3,3 mil, segundo pesquisa deste ano da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O país tem, em média, 2,9 
leitos por mil nascidos vivos, abaixo dos 4 leitos recomendados pela entidade. No SUS, essa taxa é ainda menor: 1,5.
Atendimento na emergência
Doentes e precisando esperar longamente pelo atendimento, os pacientes não costumam ser tolerantes com o atendimento 
prestado em postos de saúde e nos setores de urgência ou emergência de hospitais. Em agosto de 2016, a CNI (Confederação 
Nacional da Indústria) pediu aos brasileiros que avaliassem 13 serviços públicos, e o tema ficou no topo dentre aqueles "de pior 
qualidade". O assunto recebeu 20 pontos de um índice que vai de 0 a 100. Nos estudos do Ipea sobre os serviços prestados pelo 
SUS, o tema recebeu as maiores qualificações negativas: 31,1% (postos de saúde) e 31,4% (urgência ou emergência).
Falta de recursos para a saúde
Apenas 3,6% do orçamento do governo federal foi destinado à saúde em 2018. O percentual fica bem abaixo da média 
mundial, de 11,7%, de acordo com a OMS. Essa taxa é menor do que a média no continente africano (9,9%), nas Américas (13,6%) 
e na Europa (13,2). Na Suíça, essa proporção é de 22%. O estudo aponta que o gasto com saúde no Brasil é de 4 a 7 vezes menor 
do que o de países com sistema universal de saúde, como Reino Unido e França, e inferior ao de países da América do Sul em que 
saúde nãoé um direito universal, casos da Argentina e Chile. Essa proporção não deve mudar muito pelos próximos anos, graças 
44
à Emenda à Constituição aprovada em dezembro de 2016, que limita o crescimento dos gastos públicos pelos próximos 20 anos 
ao percentual da inflação nos 12 meses anteriores. Esse congelamento dos gastos vai representar perdas de R$ 743 bilhões para 
o SUS no período, segundo estudo do Ipea. "O SUS está subfinanciado, uma situação agravada pela crise econômica e política do 
país", avalia o pesquisador. "Mesmo como problemas de gestão, o dinheiro disponível não dá conta das necessidades do setor."
Formação de médicos
"Melhorar a qualidade do atendimento dos médicos" foi a terceira principal melhoria sugerida pelos usuários do SUS, 
segundo o Sistema de Indicadores de Percepção Social, do Ipea. A sugestão ficou atrás apenas na necessidade de "aumentar o 
número de médicos" e "reduzir o tempo de espera por consulta". De acordo com o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Es-
tado de São Paulo), quase 40% dos recém-formados não passam em seu exame. No restante do Brasil, apenas dois outros Estados 
aplicam uma avaliação (Goiás e Rondônia), e multiplica-se no país as escolas médicas, nem sempre bem avaliadas. De acordo com 
o Ministério da Educação, duas em cada dez faculdades de medicina não atingiram a nota esperada no Enade (Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes) em 2016. "Temos a necessidade de formar docentes para melhorar a qualidade do ensino, principal-
mente nas novas escolas de medicina que estão sendo abertas", acredita o pesquisador da USP. "É preciso também monitoramento 
do profissional para que a população receba uma atenção de qualidade."
Mensalidades dos planos de saúde
O sistema privado também não escapa de críticas. Uma das mais comuns é a velha polêmica sobre o valor das mensali-
dades. Segundo o Ipea, esse é o principal problema apontado pelos usuários, com 39,8% das queixas. Ao UOL, a ANS (Agência 
Nacional de Saúde) reuniu as principais reclamações feitas por consumidores nos três primeiros meses deste ano. "Mensalidades e 
Reajustes" ficou em terceiro lugar, com 2.034 reclamações, contra 1.767 nos três primeiros meses do ano passado. Muito se deve 
ao fato de que apenas 20% (9,4 milhões de clientes) pagam o teto de reajuste anual estabelecido pela ANS. Tratam-se de planos 
individuais, cada vez menos ofertados pelas seguradoras. Os outros 38,3 milhões de segurados pertencem a planos coletivos, cujo 
percentual de reajuste depende da negociação da operadora com a empresa contratante. "De fato o setor privado tem custos cres-
centes, e o Estado, sem capacidade de regular, apenas administra o mercado", afirma o diretor da FSP.
Cobertura do convênio
Outra crítica frequente aos planos de saúde é a cobertura insuficiente. Na pesquisa produzida pela ANS, o tema ficou no 
topo das queixas. Foram 15.785 entre janeiro e março deste ano; mais que as 14.416 registradas no primeiro trimestre de 2017. No 
estudo do Ipea, a falta de cobertura é a segunda razão de maior reclamação entre os usuários de convênio: 35,2% reprovam o servi-
ço. Em 2015, a APM (Associação Paulista de Medicina) perguntou aos paulistas o que mais os incomoda nos convênios. "Os planos 
dificultam a realização de exames de alto custo", responderam 68% dos entrevistados. Para o professor da USP, as empresas ten-
dem a controlar gastos reduzindo a cobertura. "Só no SUS a saúde é um direito. No setor privado, a prioridade é a lei do mercado."
Sem reembolso
Os contratos de planos de saúde devem assegurar aos consumidores o reembolso de um rol mínimo de coberturas, como o 
direito a consultas médicas ilimitadas, internação, cobertura assistencial ao recém-nascido. Acontece que isso nem sempre acontece. 
No estudo do Fisc Saúde, esse é o terceiro principal motivo de insatisfação de pacientes do setor privado (21,9%). Esse foi o oitavo 
principal motivo de reclamação no primeiro trimestre do ano no Reclame Aqui. Segundo a instituição, foram 508 queixas, 35% mais 
do que nos mesmos três meses do ano passado, quando foram registradas 333 reclamações.
Discriminação no atendimento
A Pesquisa Nacional de Saúde, do IBGE, aponta que 10,6% da população brasileira adulta (15,5 milhões de pessoas) já 
se sentiram discriminadas na rede de saúde tanto pública quanto privada. A maioria (53,9%) disse ter sido maltratada por "falta 
45
de dinheiro" e 52,5% em razão da "classe social". Pouco mais de 13% foram vítimas de preconceito racial, 8,1% por religião ou 
crença e 1,7% por homofobia. Esse percentual poderia ser maior se parte da população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, 
Transexuais e Transgêneros) não deixasse de buscar auxílio médico por medo de ser discriminada, indica uma pesquisa da UFSC 
(Universidade Federal de Santa Catarina). O estudo também mostrou que gestantes cariocas pardas ou pretas tinham mais dificul-
dade para encontrar uma vaga em maternidade do que as futuras mães de cor branca. Essas vítimas de discriminação têm um risco 
quatro vezes maior de desenvolver depressão ou ansiedade e estão mais pré-dispostas à hipertensão.
https://noticias.uol.com.br/saude/listas/falta-medico-e-dinheiro-10-grandes-problemas-da-saude-no-brasil.htm (09.05.2018)
É imPortante saber
I. DADO HISTÓRICO RELEVANTE 
Mesmo antes da regulamentação, havia iniciativas de promoção da telemedicina no país. Em 2006, a Rede Nacional de 
Ensino e Pesquisa lançou a Rute (Rede Universitária de Telemedicina), com o objetivo de implementar uma infraestrutura 
de conexão entre hospitais universitários e instituições de ensino de saúde no Brasil, que hoje atinge mais de uma centena 
de pontos. 
Em 2007, o Ministério da Saúde instituiu o Programa Nacional de Telessaúde, que passou a ser chamado de Programa 
Nacional Telessaúde Brasil Redes após ser ampliado, em 2011.
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2019/02/05/O-que-%C3%A9-telemedicina.-
-E-as-novas-regras-para-esse-campo-no-Brasil (05.02.2019)
II. DADO ESTATÍSTICO RELEVANTE 
Apenas 3,6% do orçamento do governo federal foi destinado à saúde em 2018. O percentual fica bem abaixo da média 
mundial, de 11,7%, de acordo com a OMS. Essa taxa é menor do que a média no continente africano (9,9%), nas Amé-
ricas (13,6%) e na Europa (13,2). Na Suíça, essa proporção é de 22%. O estudo aponta que o gasto com saúde no Brasil 
é de 4 a 7 vezes menor do que o de países com sistema universal de saúde, como Reino Unido e França, e inferior ao de 
países da América do Sul em que saúde não é um direito universal, casos da Argentina e Chile.
https://noticias.uol.com.br/saude/listas/falta-medico-e-dinheiro-10-grandes-
-problemas-da-saude-no-brasil.htm (09.05.2018)
III. ARGUMENTO DE AUTORIDADE 
A) Em uma nota publicada no portal da entidade, o presidente do Conselho Federal de Medicina , Carlos Vital, afirma que 
a resolução pode contribuir para levar serviços de saúde ao interior do país, e diminuir o “estrangulamento” no sistema 
convencional em grandes centros.
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2019/02/05/O-que-%C3%A9-telemedicina.-
-E-as-novas-regras-para-esse-campo-no-Brasil (05.02.2019)
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IV. ATORES OU SITUAÇÕES QUE PODEM SER MOBILIZADOS NA DISCUSSÃO DO TEMA (PROPOSTA ENEM) 
Universidades (Projetos vinculados à Extensão Universitária)
O Projeto Jovem Doutor é uma atividade multiprofissional, a qual utiliza recursos de Telemedicina, educação a distância 
e do Projeto Homem Virtual, com o propósito de incentivar os estudantes dos ensinos médio e superior a realizarem 
trabalhos cooperados que promovam a saúde e melhorem a qualidade de vida de comunidades necessitadas, através de 
uma ação sustentada.
Trata-se de uma oportunidade de exercício de cidadania e de iniciação científica, com aplicação prática dos conhecimentos 
obtidos em sala de aula, sob a orientação dos professores. Proporciona aos alunos do ensino superior a compreensão das 
características da atenção básica em saúde. A partir da interação comestudantes de outras profissões, é possível promover 
a saúde global das comunidades selecionadas.
Para os alunos do ensino médio, o Projeto Jovem Doutor representa uma chance de inclusão digital e de aprendizado 
sobre saúde. Também possibilita o desenvolvimento de um papel social na sua própria comunidade, com o conhecimento 
da infraestrutura de saúde da cidade. Ainda permite aprender mais sobre a dinâmica de uma universidade, na fase da vida 
que antecede a escolha profissional.
https://telemedicina.fm.usp.br/portal/extensao-universitaria-jovem-doutor/ (Acessado em 06/05/2019)
V. ANALOGIA LITERÁRIA 
Na casa do tuberculoso a mulher de rosto de pedra abre a janela que dá para o quintal. O sol entra alegre. Maximiliano 
sorri. Ver o sol é o prazer de todas as manhãs. A luz salta para dentro, inunda tudo. Depois como que vai recuando quando 
entardece. A sombra vem vindo, descendo pela parede; de tardezinha a luz tem a forma da janela, depois vai minguando 
até sumir-se. É uma distração olhar aquilo. Não pode levantar-se. Não acha gosto em ler: as letras do jornal cansam os 
olhos.
Assim ele se distrai olhando o sol. Quando não há sol, nem esse brinquedo ele tem... Os filhos correm, a mãe não deixa 
que eles entrem no quarto. Maximiliano só lhes ouve o barulho, riso ou choro, na varanda. A vida rola... Os vizinhos 
mandam coisas: doces, leite, pão... Vem às vezes um médico que o examina com precaução, tocando-o com a ponta dos 
dedos, de longe, medroso. E a cara do outro não encoraja. 
Maximiliano espera. Os dias são longos. Quando trabalhava na loja, achava que o relógio andava devagar. Que dizer da 
marcha das horas depois que ele adoeceu? Os ruídos da rua chegam até aqui: buzinas, músicas, vozes. Os raros visitantes 
ficam à porta. Ele compreende... Medo do contágio. Ele sabe, não tem raiva, não se queixa. O que tem é pena da mulher 
e dos filhos. O melhor mesmo é que a morte venha logo.
Erico Verissimo. Caminhos cruzados.
VI. LEGISLAÇÃO: 
Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde
A “Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde” traz informações para que você conheça seus direitos na hora de procurar 
atendimento de saúde. Ela reúne os seis princípios básicos de cidadania que asseguram ao brasileiro o ingresso digno nos 
sistemas de saúde, seja ele público ou privado.
Todo cidadão tem direito ao acesso ordenado e organizado aos sistemas de saúde.
Todo cidadão tem direito a tratamento adequado e efetivo para seu problema.
Todo cidadão tem direito ao atendimento humanizado, acolhedor e livre de qualquer discriminação.
Todo cidadão tem direito a atendimento que respeite a sua pessoa, seus valores e seus direitos.
Todo cidadão também tem responsabilidades para que seu tratamento aconteça da forma adequada.
Todo cidadão tem direito ao comprometimento dos gestores da saúde para que os princípios anteriores sejam cumpridos.
http://portalms.saude.gov.br/sistema-unico-de-saude/carta-dos-direitos-do-usuario
47
INTERATIVIAA DADE
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Entenda os desafios que a telemedicina precisa superar para virar realidade
Políticas de saúde no Brasil: um século de luta pelo direito à saúde
Fonte:Olhar Digital
Fonte:Vimeo
48
Política nacional de promoção á saúde
Telemedicina: O papel do paciente e o 
papel do médico
Política nacional de promoção á saúde e telemedicina
INTERATIVIAA DADE
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49
50
ProPosta ENEM
TEXTO 1
Saúde é um direito universal garantido pela Constituição Federal de 1988. Isso quer dizer que todos têm 
direito a tratamentos adequados, fornecidos pelo poder público. Na prática, ao criar esse direito, a Carta Magna 
criou também um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, que faz desde procedimentos simples, como 
medir a pressão arterial, aos mais complexos, como transplante de órgãos.
A Constituição é bem clara e diz que “Saúde é direito de todos e dever do Estado”. Antes dela, o sistema 
público atendia a um público limitado: prestava atendimento somente aos trabalhadores vinculados à Previdência 
Social, cerca de 30 milhões de brasileiros. O restante da população tinha de apelar ao setor privado ou entidades 
filantrópicas. Em 1988, com a Constituição, nasce o Sistema Único de Saúde (SUS).
"Não se tinha um sistema único de saúde, Só quem pagava a previdência tinha acesso. A universalização 
muda isso, faz com que qualquer cidadão possa ter acesso. Essa é uma das grandes revoluções que tivemos", 
explica a professora de direito da Universidade de Brasília (UnB), Ana Claúdia Farranha Santana.
O consultor legislativo do Senado José Dantas lembra que a ideia do SUS teve origem em uma sugestão 
popular. “Ele foi indicado por uma enfermeira que sugeriu que deveria ser unificado para facilitar a administração 
e o uso de verbas”, afirma. Esse sistema oferece não apenas os cuidados assistenciais, ele trabalha com atenção 
integral à saúde. Isso significa que o cidadão tem direito a cuidados que vão da prevenção ao tratamento, tudo com 
foco na melhoria da qualidade de vida da população. A lei determina ainda que a saúde é um dever dos três entes 
da federação: da União, dos estados e dos municípios. E ninguém pode ser discriminado no sistema, todos devem 
ser tratados com igualdade de direitos.
http://www.brasil.gov.br/constituicao-30-anos/textos/constituicao-federal-reconhece-saude-como-direito-fundamental (05.10.2018)
TEXTO 2
A Comissão Macroeconômica da Organização Mundial da Saúde tem chamado atenção, desde 2001, para 
o fato de que, em termos econômicos, a saúde e a educação são dois pilares do capital humano, sendo que a boa 
saúde é insumo fundamental para a redução da pobreza, o crescimento e o desenvolvimento econômico de longo 
prazo. Além de contribuir para a elevação da produtividade do trabalho, o setor saúde também é relevante por sua 
capacidade de gerar empregos e renda. O valor adicionado bruto das atividades de saúde foi responsável por 6,5% 
do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2013, sendo que a atividade saúde pública teve participação de 2,3% 
do PIB no mesmo ano.
Outro indicador que merece destaque é o multiplicador fiscal do gasto com saúde, que foi calculado em 
1,7, ou seja, para um aumento do gasto com saúde de R$ 1,00, o aumento esperado do PIB seria de R$ 1,70. Este 
achado é corroborado por estudo internacional que analisou dados de 25 países europeus, dos Estados Unidos e 
do Japão, encontrando multiplicador fiscal superior a 3 para o gasto com educação e saúde.[1]
Essas são evidências sobre a relevância do setor saúde para o desenvolvimento econômico e social do país. 
Contudo, o esforço que o Brasil tem feito está aquém do realizado até mesmo por países latino-americanos, que 
não contam com um sistema universal de saúde e que são menos desenvolvidos. Em 2014, o gasto público com 
saúde do Brasil, em participação no PIB, foi de 3,8%, ficando abaixo dos realizados por Uruguai (6,1%), Panamá 
(5,9%), Colômbia (5,4%), Nicarágua (5,1%), Paraguai (4,5%), El Salvador (4,5%) e Chile (3,9%). Em termos per 
capita, o gasto brasileiro também se situa entre os mais baixos, tendo sido de 607 dólares internacionais no mesmo 
ano.
http://cee.fiocruz.br/?q=fabiola-sulpino-e-preciso-investir-mais-em-saude-publica-no-Brasil (23.01.2018)
51
TEXTO 3
http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/01/brasil-tem-media-de-31-medicos-do-
-sus-por-cada-mil-habitantes-diz-ipea.html (10.01.2012)
TEXTO 4
É possível existir um sistema de saúde que vá ao encontro das necessidades de cada indivíduo, de acordo 
com o princípio da equidade, respeitando o direito à saúde garantido por lei? Em artigo da revista Saúde e Socie-
dade, Fernando Passos Cupertino de Barros e Maria Fátima de Sousa analisam a palavra “equidade” dentro do 
contexto da saúde no Brasil, observando seus diferentes aspectos.
Aqui, as situações de iniquidades sociais são muitas, principalmente considerando que “o país adota um 
sistema tributário com a taxação sobre o consumo em lugar daquelasobre renda e riqueza – o que acentua as 
desigualdades antes mesmo da alocação dos recursos”, gerando consequências negativas no campo da saúde. O 
percentual do gasto público em saúde, por exemplo, é muito baixo: apenas 10,7% dos gastos do orçamento total 
dos governos.
Apesar do anunciado acesso universal e igualitário aos serviços de saúde, é sabido haver desigualdades no 
SUS – Sistema Único de Saúde. Embora “a exclusão formal” tenha desaparecido, a iniquidade permanece, “em 
decorrência de fatores como a desinformação, associada aos diferenciais de escolaridade, ou ainda da deformação 
em determinadas políticas públicas, em algumas das quais ainda estão presentes os privilégios e a discriminação”, 
dizem os autores.
Os autores sugerem debates para que se promova esta equidade, necessária à realização do direito à saúde, 
no sentido de proporcionar a satisfação do indivíduo com seu próprio estado de saúde e dos que estão ao redor. 
Só desta forma pode ser atingido “o ideal de um sistema de saúde que seja capaz de garantir o necessário a todos, 
levando-se em conta singularidades e necessidades”.
https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/desigualdade-social-afeta-equidade-no-acesso-a-saude/ (29.08.2018)
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo 
de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa 
sobre o tema DESAFIOS NA MANUTENÇÃO DO ACESSO À SAÚDE NO BRASIL, apresentando proposta de 
intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumen-
tos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
52
ProPosta – VEstibular
TEXTO 1
Em meio a críticas, o Conselho Federal de Medicina decidiu revogar a resolução que ampliava a prática de 
telemedicina no país e permitia a realização de consultas, diagnósticos e cirurgias a distância.
A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (22), cerca de três semanas após a norma ser divulgada. A previ-
são era que a medida entrasse em vigor em maio.
Em nota, o conselho atribui a decisão ao alto número de propostas encaminhadas para alteração na reso-
lução e "ao clamor de inúmeras entidades médicas, que pedem mais tempo para analisar o documento e enviar 
também suas sugestões".
Desde que foi anunciada, a possibilidade de liberação de um maior número de atendimentos online tem 
sido alvo de críticas de conselhos regionais de medicina e outras entidades médicas.
A maior parte delas diz respeito às consultas não presenciais e à segurança dos dados. A AMB (Associação 
Médica Brasileira) foi uma das que pediu revogação da resolução. Segundo o presidente da entidade, Lincoln Lopes 
Ferreira, a responsabilização por eventuais erros médicos que possam ser cometidos com a consulta à distância é 
uma das grandes preocupações das entidades.
"A pessoa pode achar que é uma dor de cabeça. Mas pode ser a manifestação de um aneurisma ou de uma 
pressão arterial elevada. O exame físico continua sendo o pilar da relação entre o médico e o paciente", afirmou.
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2019/02/norma-para-consultas-
-medicas-online-e-revogada-pelo-cfm-apos-criticas.shtml (22.02.2019)
TEXTO 2
O atendimento médico a distância supera os obstáculos operacionais da consulta, como: tempo de espera 
do paciente, impossibilidade de locomoção do médico ou do paciente para o local de atendimento, ausência de 
especialistas na área de interesse.
Por outro lado, a possibilidade de se estabelecer uma relação médico-paciente de confiança – com senti-
mentos positivos de amizade e aconchego –, o que muitas vezes é fundamental numa consulta, pode ser perdida 
na consulta virtual. Mesmo que se lance mão de sistemas de áudio e vídeo de alta resolução, muitos dos com-
portamentos que auxiliam o estabelecimento da relação médico-paciente e que são importantes para traçar um 
diagnóstico correto podem não ser notados.
(“Vantagens e desvantagens da telemedicina”. www.virtual.epm.br. Adaptado.)
53
TEXTO 3
A telemedicina, que podemos definir como práticas médicas feitas à distância ou remotamente, não é in-
venção de hoje, na medida em que a relação entre médico e paciente já deixou de ser presencial tem muito tempo, 
desde quando inventado o telefone fixo por Graham Bell no século XIX. A inteligência humana inventou e continua 
inventar novos meios de comunicação, até pouco impensável, como celular, smartphone, tablet e a rede mundial de 
computadores, que foi além pois colocou a poucos centímetros das pessoas o conhecimento humano.”
A ‘tele’ consulta (entre médicos de especialidades distintas e que moram em continentes diferentes), a 
“tele” assistência de pacientes pela monitoração à distância, os laudos “on line”, os “bancos de dados”, tudo a 
ajudar médicos a bem cuidar de seus pacientes, que podem ser por eles assistidos em tempo real e presencial pelo 
modo telemático.
A telemedicina não tomará o espaço da medicina tradicional, aquela da visita ao ano ao médico, mas é 
ferramenta tecnológica que qualifica a medicina e a põe no patamar da pós modernidade, quando o tempo e o 
lugar perdem referência.
Entrevista a Hélio Gomes Coelho Junior, professor de Direito e Presidente do Instituto dos 
Advogados do Paraná. http://www.aroldomura.com.br/?p=23276 (18.02.2019)
TEXTO 4
"O Brasil é um país continental e os médicos não chegam a todos os cantos do país. Nossos jovens se 
comunicam com o mundo e com os colegas pela internet e por redes sociais. É assim que iniciam e mantêm relacio-
namentos. Então, nada mais natural para a nova geração do que consultar-se com seu médico por uma chamada 
de vídeo. Ora, eles já não buscam autoatendimento no Google?
O relacionamento pessoal do médico com seu paciente é imprescindível. Um estudo clássico publicado em 
1975 pelo British Medical Journal, citado pela jornalista Silvia Correa em recente artigo, já concluíra que uma boa 
conversa entre médico e paciente, acompanhada de um bom exame físico, garantia o acerto de 80% dos diagnós-
ticos.
Entretanto, não podemos olvidar que, nos últimos anos, mesmo sem a liberação da telemedicina, os médicos 
já estavam se distanciando dos seus pacientes. As consultas ficaram mais fugazes com a pressão da produção em 
escala imposta pela necessidade, cada vez mais crescente, de se atender por planos de saúde. E os diagnósticos 
passaram a ser cada vez mais delegados aos exames laboratoriais e de imagem. Assim, não será a telemedicina a 
culpada por causar o distanciamento do médico e do paciente.
O que é preciso, neste momento, é que a classe médica cobre do CFM e dos Conselhos Regionais uma 
ampla e permanente fiscalização do exercício médico por meio da telemedicina."
Melissa Kanda é advogada, especializada em Direito Médico e Direito à Saúde. //www.gazetadopovo.com.br/opi-
niao/artigos/a-telemedicina-vai-melhorar-os-atendimentos-medicos-474g5mpgd02dvibjf4f1rztux/ (20.02.2019)
LIBERAÇÃO DA TELEMEDICINA: ENTRE O APERFEIÇOAMENTO DOS ATENDIMENTOS E OS RISCOS A 
MÉDICOS E A PACIENTES
54
1 6 Título
L C
ENTRE 
FRASES
Título
56
57
TíTulo
O título de uma redação pode ser mais importante do que julgamos. Ele é responsável por “ativar” no leitor 
(no caso, o corretor) um conjunto significativo de expectativas em torno não apenas do tema como um todo, mas 
também daquilo que foi efetivamente selecionado a partir de uma coletânea. Em termos mais claros, o título apon-
ta (ou denuncia) alguns dos caminhos que serão seguidos no decorrer de uma redação.
A partir dessa ideia, podemos chegar a uma conclusão até óbvia: o título de uma redação seria a expressão 
mínima, mas ao mesmo tempo mais completa de um texto. Ele precisa ser capaz de sintetizar o que aparecerá no 
decorrer dos parágrafos que se seguirão; além, é claro, de funcionar como um motivador da leitura do texto.
Outra questão importante, é que o título talvez seja o único ponto de um texto argumento-dissertativoque 
permite ao vestibulando uma certa abertura para exploração de sua criatividade, sendo o local onde ele pode rea-
lizar intertextos que enriqueçam sua redação e evidenciem algo do repertório que o candidato possui.
A) Dúvidas mais comuns
O título deve apresentar relações “diretas” com as informações do texto, ou pode ser mais 
metafórico?
Mesmo sendo metafórico, o título deve apresentar indícios de relação com o seu texto. Um título que se 
afasta demais das informações apresentadas – ou que exige do leitor um nível de abstração muito exagerado – 
pode prejudicar a identificação da correlação existente entre texto e título e, em alguma medida, trazer prejuízos 
à nota final. 
Em que momento eu insiro o título?
Para que se garanta minimamente um contato efetivo entre as partes da redação, recomenda-se que o título 
seja inserido logo após o término do texto. Tendo a redação pronta, fica mais fácil harmonizar as informações do 
texto com aquilo que deve compor o enunciado do título.
O título deve ser simples ou complexo?
O título deve prezar sempre pela clareza. Ainda que explore alguma metáfora existente em alguma música, 
filme ou obra literária; deve-se dar preferência por expressões mais “universais” (que sejam conhecidas por maior 
número de pessoas). Não se esqueça de que, em geral, os corretores de redação possuem formação acadêmica na 
área de Letras e Linguística, e costumam possuir um repretório avançado na área de humanas. Isso significa que 
você pode “ousar” um pouco mais nas referências artísticas.
O gênero da redação pode influenciar na escolha no título?
Sim. Certos gêneros textuais pedem títulos mais explícitos (e explicativos), que repassem um ponto de vista 
pessoal sobre um fato (como nas dissertações argumentativas, ou nos artigos de opinião). Já outros, como os gê-
neros narrativos, ou relatos, por se tratarem de uma “contação” de histórias, devem circunscrever algo que remeta 
ao enredo que será produzido.
O título precisa necessariamente ser uma oração (apresentar verbo)?
Não. Não é necesário. Essa é uma dúvida muito comum, especialmente pelo fato de percebermos que ma-
térias jornalísticas, por exemplo, sempre produzem títulos com verbos. No entanto, os especialistas em produção 
de textos afirmam que, por mais que o verbo nos dê dimensões de ação e tempo, é completamente aceitável um 
título que apresente uma construção nominal.
58
Devo usar aspas no título?
Não é necessário. As aspas só devem ser usadas para destacar alguma expressão ou palavra do título que 
apresente tom irônico, ou mesmo algum neologismo ou estrangeirismo.
Posso articular intertextualidades no título?
Sim. A seguir, é possível encontrar alguns modelos de composição de título que podem ajudar a “expandir” 
o processo criativo. 
01. USO DE DOIS PONTOS
O uso de dois pontos no título da redação organiza a seguinte sequência:
(Síntese da temática): (Síntese da sua opinião)
 § Educação: um mal necessário
 § Depressão: uma doença mascarada de escolha
 § Escravidão moderna: o consumidor como feitor
02. INTERTEXTUALIDADE COM A FILOSOFIA, SOCIOLOGIA E ECONOMIA.
A intertextualidade com outras disciplinas da área de humanas pode ajudar a apresentar ao seu corretor os 
direcionamentos que serão tomados durante a redação.
 § De volta à caverna
 § O esfacelamento do contrato social
 § Liberdade ao ópio
03. INTERTEXTUALIDADE COM AS ARTES
As artes exercem um grande papel de, em momentos históricos distintos, serem capazes de apreender dinâ-
micas de realidade e exibi-las ao mundo. Desse modo, utilizar expressões ou referências famosas que encontramos 
em cinema, música ou literatura, por exemplo; pode nos ajudar a apresentar ao leitor a variedade de nosso repertó-
rio. No entanto, lembre-se de um detalhe: para que tais referências sejam utilizadas elas precisam,necessariamente, 
aparecerem em algum momento no texto.
 § FILMES 
O poder das grandes empresas: a tropa da Elite / Militarização da polícia: o tropeço da elite (referência ao 
conhecido filme Tropa de elite)
 § POEMAS: 
Tupy or not Tupy (referência ao Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade) / Um caminho no meio da 
pedra (referência ao poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade) 
 § ROMANCES: 
A cidade e a guerra (pequeno “trocadilho” com A cidade e as serras, título de um livro do escritor Eça de 
Queirós)
Atenção: o fato de se possuir uma maior liberdade para articular outros conhecimentos no título, não 
implica necessariamente o abandono dos parâmetros condizentes à gramática normativa
59
B) O que eu devo evitar nos títulos?
Repetição do tema: Não se deve transcrever o tema da redação novamente como título. Isso demonstra 
que o candidato não sabe atribuir títulos a seus próprios textos;
Termos abrangentes: A mentira;
Clichês: Educação: a esperança de um povo.
AulA 16 – Abuso e Assédio sexuAl
ACERVO
TEXTO 1
Maioria dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes ocorre em 
casa; notificações aumentaram 83%
Dados do Ministério da Saúde entre 2011 e 2017 revelaram perfil das vítimas e dos agressores. Casos continuam subnotificados.
Entre 2011 e 2017, o Brasil teve um aumento de 83% nas notificações gerais de violências sexuais contra crianças e ado-
lescentes, segundo boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde na segunda-feira (25). No período foram notificados 
184.524 casos de violência sexual, sendo 58.037 (31,5%) contra crianças e 83.068 (45,0%) contra adolescentes.
A maioria das ocorrências, tanto com crianças quanto com adolescentes, ocorreu dentro de casa e os agressores são 
pessoas do convívio das vítimas, geralmente familiares. O estudo também mostra que a maioria das violências é praticada mais de 
uma vez.
Para Itamar Gonçalves da ONG Childhood Brasil, que trabalha para promover o empenho de governos e sociedade civil em 
combater a violência sexual contra crianças e adolescentes, faltam no Brasil ações de prevenção que trabalhem com temas como o 
conhecimento do corpo, questões culturais de gênero e em especial as que dizem respeito aos padrões adotados de feminilidade 
e masculinidade.
"Para mudar este cenário é importante criar ambientes que sejam acolhedores e inclusivos nos espaços frequentados pelas 
crianças e adolescentes, nas famílias, escola, igrejas... Um trabalho de prevenção se faz com informação, especialmente sobre o 
funcionamento do corpo, a construção da sexualidade, visando empoderar nossas crianças".
Estupro
O Ministério da Saúde considera violência sexual os casos de assédio, estupro, pornografia infantil e exploração sexual. 
Dentre as violências sofridas por crianças e adolescentes, o tipo mais notificado foi o estupro (62,0% em crianças e 70,4% em 
adolescentes).
Pela lei brasileira o estupro é classificado como o ato de “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a 
ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”. Segundo o boletim do Ministério da 
Saúde, a ocorrência do estupro provoca diversas repercussões na saúde física, mental e sexual de crianças e adolescentes, além de 
aumentar a vulnerabilidade às violências na vida adulta.
60
Os mais vulneráveis
Dentre os números, chama atenção a vulnerabilidade dos mais jovens. Entre as crianças, o maior número de casos de vio-
lência sexual acontece com crianças entre 1 e 5 anos (51,2%). Já entre os adolescentes, com os jovens entre 10 e 14 anos (67,8%).
Negros e mulheres são maioria entre as vítimas. Tanto entre adolescentes quanto crianças, as vítimas negras tiveram a 
maior parte das notificações (55,5% e 45,5%, respectivamente). Segundo o Ministério, o resultado pode apontar para vulnerabili-
dades destes grupos.
Crianças e adolescentes do sexo feminino também são maioria entre as vítimas de violência sexual. Representam 74,2% 
dentre as crianças e um número ainda maior dentre as adolescentes: 92,4%.
Apesar disso, os meninos também sofrem com a violência sexual.Entre as crianças, são eles quem mais sofrem abusos na 
escola (7,1%). Já entre os adolescentes, os meninos são mais explorados sexualmente e são a maioria das vítimas de pornografia 
infantil.
O agressor
O estudo mostra que os homens são os principais autores de violência sexual tanto contra crianças quanto com adoles-
centes. Nos casos envolvendo adolescentes, em 92,4% das notificações o agressor era do sexo masculino. Nos casos envolvendo 
crianças, em 81,6%.
Segundo o boletim do Ministério da Saúde, é necessário problematizar a situação, já que a violência pode ser reflexo de 
uma cultura do machismo.
"Considerando que esse maior envolvimento como perpetradores das violências sexuais contra estes grupos pode ser re-
flexo da afirmação de uma identidade masculina hegemônica, marcada pelo uso da força, provas de virilidade e exercício de poder 
sobre outros corpos. Dessa forma, é relevante a promoção de novas formas de masculinidades que superem esse padrão e permitam 
a manifestação de diversas identidades possíveis", diz a análise.
Gonçalves também lembra que no Brasil o padrão de socialização dos meninos ainda se dá pela violência, onde é reforçado 
o uso da força.
"Eles são culturalmente estimulados a dominar as meninas e mais tarde suas mulheres. Lembram da frases: 'Homem não 
chora', 'Predam suas cabras, meu cabrito está solto'... O papel do cuidado, da afetividade fica para as meninas", diz.
Subnotificações
Apesar do aumento de 83% das notificações de casos entre 2011 e 2017, o Ministério da Saúde ainda acredita que muitos 
casos não são notificados.
Isso acontece porque o Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (Viva), desenvolvido pelo próprio ministério, ainda 
não foi implementado em todo o país. Desde 2011, a notificação de violências passou a ser compulsória para todos os serviços de 
saúde públicos e privados.
Em 2014, os casos de violência sexual passaram a ter que ser imediatamente notificados, devendo ser comunicados à 
Secretaria Municipal de Saúde em até 24 horas após o atendimento da vítima.
Outra ação obrigatória é a comunicação de qualquer tipo de violência contra crianças e adolescentes ao Conselho Tutelar, 
conforme preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
As regiões do Brasil que registraram o maior volume de notificações no período foram as regiões Sudeste (40,4%) e Sul 
(21,7%), para as crianças, e Sudeste (32,1%) e Norte (21,9%) para os adolescentes.
Como prevenir
Mudar este cenário exige esforço de governos e sociedade civil. Gonçalves lembra ainda do papel da educação sexual nas 
escolas, que poderiam ensinar a diferença de toques, que os corpos das crianças e adolescentes pertencem a eles e ninguém tem o 
direito de tocar suas partes privadas e explicar o que é abuso sexual.
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Realce
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"O importante é desmitificar a ideia que falar de sexualidade é ensinar as crianças a ter relação sexual", explica ele.
Pais também podem ficar atentos a alguns sinais, já que crianças e adolescentes avisam de diversas maneiras e, segundo 
Gonçalves, na maioria das vezes não falam das situações de violência sexual que vem passando.
"Em geral, o abusador convence a criança de que ela será desacreditada se revelar algo; que ela gosta daquilo e quer que 
aconteça; ou que é igualmente responsável pelo abuso e será punida por isso."
Como identificar uma vítima
Childhood Brasil listou 10 sinais que ajudam a identificar possíveis casos de abuso sexual infanto-juvenil.
Mudanças de comportamento: O primeiro sinal é uma possível mudança no padrão de comportamento da criança. Essa 
alteração costuma ocorrer de maneira imediata e inesperada. Em algumas situações a mudança de comportamento é em relação a 
uma pessoa ou a uma atividade em específico.
Proximidades excessivas: A violência costuma ser praticada por pessoas da família ou próximas da família na maioria 
dos casos. O abusador muitas vezes manipula emocionalmente a criança, que não percebe estar sendo vítima e, com isso, costuma 
ganhar a confiança fazendo com que ela se cale.
Comportamentos infantis repentinos: Se o jovem voltar a ter comportamentos infantis, os quais já abandonou anteriormen-
te, é um indicativo de que algo esteja errado.
Silêncio predominante: Para manter a vítima em silêncio, o abusador costuma fazer ameaças de violência física e 
mental, além de chantagens. É normal também que usem presentes, dinheiro ou outro tipo de material para construir uma boa 
relação com a vítima. É essencial explicar à criança que nenhum adulto ou criança mais velha deve manter segredos com ela que 
não possam ser compartilhados com pessoas de confiança, como o pai e a mãe, por exemplo.
Mudanças de hábito súbitas: Uma criança vítima de violência, abuso ou exploração também apresenta alterações 
de hábito repentinas. O sono, falta de concentração, aparência descuidada, entre outros, são indicativos de que algo está errado.
Comportamentos sexuais: Crianças que apresentam um interesse por questões sexuais ou que façam brincadeiras de 
cunho sexual e usam palavras ou desenhos que se referem às partes íntimas podem estar indicando uma situação de abuso.
Traumatismos físicos: Os vestígios mais óbvios de violência sexual em menores de idade são questões físicas como 
marcas de agressão, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez. Essas são as principais manifestações que podem ser usadas 
como provas à Justiça.
Enfermidades psicossomáticas: São problemas de saúde, sem aparente causa clínica, como dor de cabeça, erupções 
na pele, vômitos e dificuldades digestivas, que na realidade têm fundo psicológico e emocional.
Negligência: Muitas vezes, o abuso sexual vem acompanhado de outros tipos de maus tratos que a vítima sofre em casa, 
como a negligência. Uma criança que passa horas sem supervisão ou que não tem o apoio emocional da família estará em situação 
de maior vulnerabilidade.
Frequência escolar: Observar queda injustificada na frequência escolar ou baixo rendimento causado por dificuldade 
de concentração e aprendizagem. Outro ponto a estar atento é a pouca participação em atividades escolares e a tendência de 
isolamento social.
https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/maioria-dos-casos-de-violencia-sexual-contra-
-criancas-e-adolescentes-ocorre-em-casa-notificacao-aumentou-83.ghtml (29.06.2018)
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TEXTO 2 
Os danos psicológicos do abuso sexual, por estas especialistas 
Uma psicóloga e uma psicanalista falaram ao 'Nexo' sobre as consequências para as vítimas, a dificuldade de falar sobre 
o ocorrido e a posição de poder do agressor
No dia 8 de dezembro de 2018, mulheres que acusam o médium João de Deus de abuso sexual vieram a público em uma 
reportagem do programa da TV Globo Conversa Com Bial. 
Após a transmissão da primeira reportagem, dezenas de outras acusações surgiram, levando o Ministério Público de Goiâ-
nia a criar, na segunda-feira (10), uma força-tarefa para ouvir os relatos e investigar as acusações. 
Até domingo (9), pelo menos 200 mulheres de todo o país haviam prestado queixa afirmando ser vítimas de João de Deus, 
segundo disse a promotora Maria Gabriela Manssur, do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica do 
Ministério Público do Estado de São Paulo ao portal G1. 
Em quatro dias, desde que o canal de denúncias foi criado, a força-tarefa recebeu mais de 300 mensagens e contatos. 
Entre as que se apresentaram como vítimas estão ex-pacientes que afirmam ter sido abusadas durante o atendimento 
espiritual, incluindo crianças e adolescentes, e pelo menos uma ex-funcionária da Casa Dom Inácio de Loyola. Os casos datam 
desde a década de 1980. 
Algumas relatam ter sido ameaçadas de morte por João de Deus, caso rompessem o silêncio. Com medo, a maioria das que 
denunciaram os abusos teve a identidade mantida em segredo pela imprensa.
“O que me impactou muito nesse caso do João de Deus é algo que aparece sempre: o silenciamento. Até nas que tiveramcoragem de fazer uma denúncia, a autocensura é tremenda. Ameaçar pessoas da família é um procedimento habitual nos abusos, 
criar uma situação de medo, em que a pessoa de alguma forma se culpabiliza, pensando no que fez, em por que [o abuso acon-
teceu] com ela/ele, sente vergonha”, disse ao Nexo a psicanalista Lucia Barbero Fuks, autora de “Narcisismo e Vínculos” e outros 
livros que trazem escritos sobre as consequências do abuso sexual para a vítima. 
Além dela, o Nexo conversou também com Fabiana Saffi, psicóloga chefe do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clíni-
cas da Faculdade de Medicina da USP. Condensamos abaixo, em três pontos, as falas das especialistas sobre que tipo de dano são 
causados por abuso sexual, do ponto de vista psicológico.
Resposta psicológica das vítimas 
FABIANA SAFFI Isso vai depender um pouco da situação. Se é uma situação que envolve um pouco mais de violência física, 
o cérebro [da vítima] vai reagir como se o corpo estivesse ameaçado e isso pode gerar, no futuro, um Transtorno de Estresse Pós-
-Traumático.
Mas nem toda pessoa que passa por uma situação de abuso desenvolve o transtorno. Também depende da frequência da 
situação: se foi uma situação específica ou abusos que se repetiam por meses, anos. Nesse caso, fica mais grave. Se foi uma situação 
específica e nunca mais aconteceu, é mais fácil lidar. 
Quando é recorrente, acontece com alguém próximo, ela está sujeita à situação de violência dia a dia. Além da questão do 
abuso e da violência, ela se sente usada, causa muito mais dano do que um episódio isolado. 
Faz com que a vítima se sinta muito insegura nos relacionamentos que venha a ter no futuro. É mais difícil conseguir confiar 
em alguém, se entregar totalmente, porque a experiência dela mostrou que, quando ela confia em alguém, é traída.
LUCIA BARBERO FUKS [As vítimas] se sentem péssimas. Assim como são silenciadas para fazer a denúncia, muitas vezes 
ficam anos sem falar com ninguém [sobre o abuso], até que em algum momento entram em um atendimento psicológico e então 
falam.
Se as pessoas falam do assunto vinte ou trinta anos depois é porque [o abuso] é uma coisa inesquecível, que marca defi-
nitivamente a vida das pessoas, é um dano psicológico irreversível.
63
Quando os abusos acontecem repetidamente, cria-se uma situação de submissão. Em geral, duram anos, quando é um pai 
com uma filha por exemplo, só chega ao fim na puberdade, no momento em que a criança começa a ter uma autonomia maior. 
Por que é difícil relatar 
FABIANA SAFFI Quando não houve ameaça, agressão física, foi uma agressão psicológica do abuso sexual, é difícil de 
relatar porque, muitas vezes, não deixa marcas físicas. e aí a pessoa pensa “não vão acreditar em mim, não tem nada no meu corpo 
que comprove o que aconteceu, vai ser a minha palavra contra a do outro”. 
Além disso, muitas vezes, o abuso é cometido por pessoas próximas, e o abusador tem uma característica de ser muito 
‘sedutor’. Quando não envolve violência física, é porque ele consegue praticar o abuso por ser simpático, legal, sedutor. E aí a vítima 
pensa “ele é tão legal com todo mundo, como vão acreditar que fez isso comigo? Ninguém vai acreditar em mim”. 
Outra coisa é que a vítima normalmente se sente culpada pelo abuso, isso é muito comum. A culpa [que ela sente] é muito 
grande, por isso ela não denuncia. Também pode envolver violência verbal: “se você contar, tal coisa vai acontecer, vou matar você, 
vou fazer mal para alguém que você conheça”. Quando esse tipo de ameaça está envolvida, a pessoa não conta por medo que a 
ameaça se concretize.
 Mas, quando há outros relatos, a vítima se fortalece. Se dá conta de que não é a única que passou por essa situação, e 
que, se acreditaram nas outras vítimas, acreditarão nela também.
 LUCIA BARBERO FUKS É muito frequente que as pessoas não falem quando é um abuso [cometido] por pessoas conheci-
das, famosas, parentes próximos, pais – mães dificilmente abusam, a não ser que sejam psicóticas. 
Se alguém sofre uma violência, é estuprada na rua, também sente vergonha, mas é bem mais fácil de denunciar, porque é 
uma agressão externa.
A posição do agressor
FABIANA SAFFI Pode haver várias explicações [para o comportamento do agressor]. Se [o abuso] acontece exclusivamente 
com crianças, a questão de um transtorno parafílico, a pedofilia, pode estar envolvida. 
Se o abuso acontece em situações diversas, [pode derivar] de uma necessidade de mostrar o poder dele, de se sentir na 
posição de ser mais poderoso, dominador, superior. 
Muitas vezes, o abusador não consegue ter relacionamentos saudáveis com pessoas da mesma idade, do mesmo nível 
sociocultural, educacional, por isso usa dessa força para submeter o outro à vontade dele.
 LUCIA BARBERO FUKS O caso do João de Deus parece ser um caso como o do [médico Roger] Abdelmassih. São situações 
diferentes, mas se as pessoas iam até lá pensando que era algo mágico, maravilhoso, que iriam sarar ou coisa do tipo, logicamente 
[João de Deus] estava em um lugar de onipotência. 
Já que ele era mágico, maravilhoso, tinha poderes sobrenaturais, as pessoas acreditavam quando ele dizia que [o atendi-
mento que envolvia abuso] era assim mesmo. Mas isso é completamente falso, porque, por outro lado, ele mesmo sabia que era um 
assunto sigiloso; ameaçava, sabia que estava transgredindo e não faria isso mais abertamente. 
É inegável o poder que ele exercia sobre todo mundo que estava lá, todos os que estavam lá iam por admiração a ele. Já 
iam em uma situação de submissão.
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/12/13/Os-danos-psicol%C3%B3gicos-
-do-abuso-sexual-por-estas-especialistas (13.12.2018)
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é iMPoRTANTe sAbeR
I. DADO ESTATÍSTICO RELEVANTE
Entre 2011 e 2017, o Brasil teve um aumento de 83% nas notificações gerais de violências sexuais contra 
crianças e adolescentes, segundo boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde na segunda-
feira (25). No período foram notificados 184.524 casos de violência sexual, sendo 58.037 (31,5%) contra 
crianças e 83.068 (45,0%) contra adolescentes.
https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/maioria-dos-casos-de-violencia-sexual-contra-
-criancas-e-adolescentes-ocorre-em-casa-notificacao-aumentou-83.ghtml (29.06.2018)
II. ARGUMENTO DE AUTORIDADE 
Segundo o boletim do Ministério da Saúde, é necessário problematizar a situação, já que a violência pode 
ser reflexo de uma cultura do machismo.
"Considerando que esse maior envolvimento como perpetradores das violências sexuais contra estes grupos 
pode ser reflexo da afirmação de uma identidade masculina hegemônica, marcada pelo uso da força, provas 
de virilidade e exercício de poder sobre outros corpos. Dessa forma, é relevante a promoção de novas formas 
de masculinidades que superem esse padrão e permitam a manifestação de diversas identidades possíveis", 
diz a análise.
https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/maioria-dos-casos-de-violencia-sexual-contra-
-criancas-e-adolescentes-ocorre-em-casa-notificacao-aumentou-83.ghtml (29.06.2018)
III. EXEMPLOS DO COTIDIANO 
Um homem de 67 anos foi preso na tarde desta segunda-feira (11) suspeito de abusar sexualmente da pró-
pria neta em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná.
Segundo o Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria) de Ponta Grossa, a menina, de 9 anos, 
foi quem denunciou o avô na semana passada.
A criança levou até a escola em que estuda um álbum de fotografia. Em uma foto em que o avô aparece, ela 
explicou aos professores o que o idoso fez com ela, de acordo com o Nucria. A escola acionou o Conselho 
Tutelar.
No dia anterior a denúncia, a menina havia participado de uma aula sobre educação e violência sexual do 
Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), da Polícia Militar do Paraná.
A menina foi levada até o Nucria e foi ouvida por uma psicóloga. Durante a conversa, a criança relatou que 
sofria abusos há cerca de 10 meses.
https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/noticia/2019/03/12/crianca-denuncia-avo--por-abuso-apos-aula-sobre-violencia-sexual-no-parana.ghtml (12.03.2019)
IV. ATORES OU SITUAÇÕES QUE PODEM SER MOBILIZADOS NA DISCUSSÃO DO TEMA (PROPOSTA ENEM) 
Mudar este cenário exige esforço de governos e sociedade civil. Itamar Gonçalves, da ONG Childhood Brasil, 
lembra ainda do papel da educação sexual nas escolas, que poderiam ensinar a diferença de toques, que os 
corpos das crianças e adolescentes pertencem a eles e ninguém tem o direito de tocar suas partes privadas 
e explicar o que é abuso sexual.
"O importante é desmitificar a ideia que falar de sexualidade é ensinar as crianças a ter relação sexual", 
explica ele.
https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/maioria-dos-casos-de-violencia-sexual-contra-
-criancas-e-adolescentes-ocorre-em-casa-notificacao-aumentou-83.ghtml
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V. LEGISLAÇÃO: 
"É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, 
o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, 
ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de 
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão."
VI. DIREITOS HUMANOS DAS CRIANÇAS 
A criança gozará proteção social e ser-lhe-ão proporcionadas oportunidade e facilidades, por lei e por outros 
meios, a fim de lhe facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, de forma sadia e 
normal e em condições de liberdade e dignidade. Na instituição das leis visando este objetivo levar-se-ão em 
conta, sobretudo, os melhores interesses da criança.
https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cdhm/
comite-brasileiro-de-direitos-humanos-e-politica-externa/DeclDirCrian.html
INTERATIVIAA DADE
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Desumanidades - Cinco relatos de violência sexual
Chega de Fiu Fiu
Spotlight – Segredos Revelados - Direção: Thomas McCarthy
O retrato do dia a dia de três mulheres com vidas distintas, mostrando como 
a violência de gênero é constantemente praticada no espaço público urbano. 
Dessa forma, as diretoras Amanda Kamanchek Lemos e Fernanda Frazão pro-
curaram especialistas para discutir sobre o assunto, buscando encontrar res-
postas e alternativas para a uma questão fundamental: Será que as cidades 
foram feitas para as mulheres?
Baseado em uma história real, o drama mostra um grupo de jornalistas em 
Boston que reúne milhares de documentos capazes de provar diversos casos 
de abuso de crianças, causados por padres católicos. Durante anos, líderes 
religiosos ocultaram o caso transferindo os padres de região, ao invés de 
puni-los pelo caso.
Fonte:Vimeo
INTERATIVIAA DADE
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67
Sites Jornal Francês
www.podeserabuso.org.br/
http://www.museudapessoa.net/pt/conteudo/colecao/vidas-quebradas-115863
ACESSAR
Thai
Nota
A coleção "Vidas quebradas" reúne relatos de vida de vítimas de abuso e de exploração sexual. Jovens brasileiros que passaram por momentos de horror e degradação tendo que conviver, ainda na infância, com a violência, o uso de drogas e o abandono. As histórias que integram esta coleção foram tratadas de modo a preservar a identidade dos entrevistados.
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ProPosta ENEM
TEXTO 1
Um levantamento do Ipea, feito com base nos dados de 2011 do Sistema de Informações de Agravo de 
Notificação do Ministério da Saúde (Sinan), mostrou que 70% das vítimas de estupro no Brasil são crianças 
e adolescentes. Em metade das ocorrências envolvendo menores, há um histórico de estupros anteriores.
No Brasil, há poucos dados sobre o assunto, mas o Disque Denúncia (o Disque 100, serviço nacional de 
denúncia de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes) registrou em 2014 uma média diária 
de 13 denúncias de abusos de meninos. O número ainda representa menos de 30% dos casos com meninas, 
mas de acordo com especialistas, também é alarmante.
A mesma pesquisa do Ipea estima que no mínimo 527 mil pessoas são estupradas por ano no Brasil 
e que, destes casos, apenas 10% chegam ao conhecimento da polícia. Do total, 70% são crianças e adolescen-
tes. Esses números mostram que 24,1% dos agressores das crianças são os próprios pais ou padrastos, e 32,2% 
são amigos ou conhecidos da vítima.
Adaptado de http://www.bbc.com/portuguese/brasil-36401054. (24.04.2017)
TEXTO 2
“Nem todo molestador de crianças é pedófilo. Da mesma forma, nem todo portador de pedofilia é moles-
tador de crianças”, afirma o professor de Psiquiatria e coordenador do Ambulatório de Transtornos da Sexualidade 
da Faculdade de Medicina do ABC (ABSex).
Danilo Baltieri, que exemplifica: “Os índices verificados no estudo paulista são semelhantes aos encontra-
dos em outros trabalhos ao redor do mundo. Boa parte dos indivíduos que abusam sexualmente de crianças são 
criminosos oportunistas. Selecionam os menores para o ato sexual simplesmente porque estão disponíveis em 
determinado momento e situação. Por outro lado, o indivíduo com diagnóstico médico de pedofilia pode manifestar 
fantasias sexuais intensas e recorrentes envolvendo crianças e púberes, mas jamais concretizá-las”.
Segundo o Instituto WCF-Brasil (World Childhood Foundation), a pedofilia é a forma de violência sexual 
caracterizada pelo desvio da sexualidade que leva o adulto a se sentir sexualmente atraído de modo compulsivo 
por crianças e adolescentes. Trata-se de transtorno psiquiátrico de difícil diagnóstico e tratamento. De acordo com 
o Ministério Público Federal, a pedofilia em si não é crime. No entanto, o código penal considera crime a relação 
sexual ou ato libidinoso (todo ato de satisfação do desejo ou apetite sexual da pessoa) praticado por adulto com 
criança ou adolescente menor de 14 anos. Conforme o artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) 
é considerado crime, inclusive, o ato de “adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou 
outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente”.
ATITUDE PREVENTIVA
Apesar de muitos pedófilos não concretizarem as fantasias, existem fatores psicossociais apontados como 
facilitadores para o crime. Entre os principais estão doenças afetivas como a depressão, estresse psicológico intenso 
e abuso de substâncias psicoativas como o álcool. Quando algum desses fatores ocorre em meio à situação em que 
o indivíduo com pedofilia tem acesso a crianças, o comportamento pedofílico torna-se iminente.
http://www.abcdoabc.com.br/abc/noticia/80-agressores-sexuais-contra-criancas-nao-sao-pedofilos-17837 (24.02.2014)
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TEXTO 3
https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/maioria-dos-casos-de-violencia-sexual-contra-criancas-
-e-adolescentes-ocorre-em-casa-notificacao-aumentou-83.ghtml (29.06.2018)
TEXTO 4
http://www.podeserabuso.org.br/materiais-da-campanha/cartazes/sinais/cartazsinais-podeserabuso.pdf (Acessado em 06.05.2019)
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo 
de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa 
sobre o tema CAMINHOS PARA COMBATER O ABUSO SEXUAL INFANTIL NO BRASIL, apresentando pro-
posta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, 
argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
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ProPosta – VEstibular1 
TEXTO 1
(Júlia Barbon. “42% das mulheres relatam ter sofrido assédio sexual, aponta Da-
tafolha”. www1.folha.uol.com.br, 28.12.2017. Adaptado.)
TEXTO 2
A revista Time consagrou como personalidade do ano de 2017 as mulheres que romperam o silêncio em 
relação ao assédio sexual, as mesmas que em seguida provocaram o desencadeamento doconhecido movimento 
#MeToo, que gerou uma mudança social nos Estados Unidos e no restante do mundo depois que vieram a público 
os abusos sexuais praticados pelo magnata de Hollywood Harvey Weinstein, o produtor acusado de assédio e abu-
so sexual por dezenas de mulheres da indústria cinematográfica norte-americana. A publicação chama esse grupo 
de mulheres de “The Silence Breakers” (“As que rompem o silêncio”). Esse movimento designa um amplo leque 
de pessoas, em sua maioria Mulheres, desde as primeiras a enfrentar Weinstein até as demais que compartilharam 
suas histórias pessoais de assédio sexual por meio da hashtag #MeToo e de seus equivalentes em outros idiomas. 
A Time destaca que as mulheres que se levantaram contra o assédio sexual “abrangem todas as raças, todas as 
classes de renda, todas as profissões e praticamente todos os cantos do mundo”. “Sua ira coletiva gerou resultados 
imediatos e impactantes”, afirma a revista. 
(Amanda Mars. “Mulheres que romperam o silêncio sobre assédio sexual são ‘personalida-
de do ano’ da ‘Time’”. https://brasil.elpais.com, 06.12.2017. Adaptado.)
1. Proposta de redação da VUNESP para o Vestibular 02/2018 da Faculdade de Ciências Médicas de 
São José dos Campos.
71
TEXTO 3
Qualquer pessoa minimamente sensata que lê os relatos sobre os assédios de Harvey Weinstein e tantos 
outros se pergunta: “Mas como eles conseguiram agir dessa forma durante décadas?” Conseguiram porque a 
maior parte das vítimas não denunciava. Ou, quando denunciava, não era levada a sério. O crime de assédio sexual 
tem o potencial de destruir a carreira de suas vítimas. E vale dizer: são vítimas. Chamar uma mulher que sofreu 
assédio de “vítima” não a coloca como incapaz ou vítima eterna. Muitas mulheres têm dificuldade em reconhecer 
o que sofreram como assédio (ou mesmo como estupro), porque somos doutrinadas desde crianças a acreditar 
que os homens, seus desejos e suas avaliações, vêm em primeiro lugar. É fundamental aprendermos que podemos 
denunciar. Isso quer dizer que a palavra da vítima é lei? Óbvio que não. Para qualquer denúncia, em qualquer crime, 
deve haver uma investigação, depois um julgamento, depois uma condenação, se o crime for comprovado. O que 
muda com o clima que vivemos agora é que as denúncias das mulheres estão simplesmente sendo recebidas sem 
serem descartadas de antemão como mentirosas.
(Lola Aronovich. “Chega de saudosismo dos ‘bons tempos’ em que homens podiam assediar mu-
lheres em paz”. http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br, 11.01.2018. Adaptado.)
TEXTO 4
Nos últimos três anos, campanhas contra assédio sexual vêm circulando velozmente por vários países. No 
Brasil, a chamada “primavera feminista” de 2015 uniu protestos de rua com campanhas on-line de denúncia de as-
sédio como as hashtags #meuamigosecreto e #PrimeiroAssédio. Em abril de 2017, a campanha “Mexeu com uma, 
mexeu com todas” foi liderada por atrizes contra o episódio envolvendo o ator José Mayer e uma figurinista, ambos 
da Rede Globo. A campanha #MeToo (“Eu também”) foi lançada em outubro de 2017 para estimular anônimas e 
atrizes a testemunharem experiências de assédio sexual. A edição da campanha #MeToo na França, #Balanceton-
porc (“Denuncie seu porco”), encoraja mulheres não apenas a compartilhar histórias e prestar testemunho, como 
também a revelar o nome de agressores poderosos. 
(Débora A. Maciel e Marta R. A. Machado. “Da queima do sutiã ao Time’s Up: os desafios da mu-
dança geracional no feminismo”. https://brasil.elpais.com, 19.01.2018. Adaptado.)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma dissertação, empregando 
anorma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
SOLIDARIEDADE FEMININA E DENÚNCIA COMO FORMAS DE COMBATE AO ASSÉDIO SEXUAL
1 7 Coerência textual
L C
ENTRE 
FRASES
Coerência
74
75
CoerênCia textual
Coerência é aquilo que faz com que o texto tenha sentido durante a leitura. Sua ocorrência não depende 
do texto em si, mas da organização dos elementos linguísticos e do conhecimento do mundo partilhado pelo autor, 
construindo um sentido percebido através do raciocínio lógico.
Em outras palavras, a coerência ocorre a partir da interpretabilidade do texto, por meio processo cooperativo 
entre quem escreve e quem lê. Ainda que o texto esteja bem escrito, a compreensão não ocorrerá se não houver 
coerência.
É possível estudar a coerência de um texto a partir de duas formas: a coerência externa e a coerência in-
terna.
Coerência externa
Coerência externa é aquela realizada entre o texto e contexto de produção. Ela ocorre a partir da verifica-
ção da pertinência das ideias desenvolvidas, analisando se as construções realmente fazem sentido no universo 
abordado pelo texto.
Orações com problemas de coerência externa
O machismo é um problema brasileiro que ocorre desde a escravidão.
Desde os tempos mais remotos, a burguesia busca ascensão social das mais variadas formas.
Os períodos de seca – no Nordeste – são consequência dos grandes fluxos migratórios.
Embora os excertos acima estejam escritos corretamente a apresentem um posicionamento a respeito de 
determinado assunto, as ideias por ele desenvolvidas não tem validade dentro do contexto de discussão. No primei-
ro exemplo, não se pode dizer que o machismo é um problema restrito ao Brasil, ou ainda, que tenha sua origem 
na escravidão. O segundo exemplo também se torna incoerente devido a uma dimensão temporal: a burguesia é 
uma classe social nascida entre a Alta e a Baixa Idade média.
Em síntese, os períodos estão bem escritos, mas não possuem coerência externa.
Coerência interna
A coerência interna é aquela que aborda os sentidos entre as partes de um mesmo texto. Para que ela ocor-
ra, é preciso: não haver contradições entre as ideias desenvolvidas; não haver paráfrases repetidas que comprome-
tam o desenvolvimento lógico do texto; e não haver parágrafos isolados que não componham um todo sequencial. 
76
Parágrafo com problema de coerência interna.
O voto obrigatório é importante, pois é a única maneira de forçar a população a refletir a respeito da políti-
ca. Desse modo, os cidadãos têm o dever de pensar em seus candidatos e avaliar o trabalho que os representantes 
podem fazer pelo país. Além disso, trata-se de uma excelente maneira de avaliar o papel que o governo desempe-
nha na sociedade. No entanto, o voto obrigatório é negativo, pois é uma forma de imposição política que contraria 
o princípio da liberdade de escolha.
Os períodos acima se tornam incoerentes porque apresentam contradições entre si. Na leitura, não sabemos 
se o autor é favorável ou não ao voto obrigatório já que dois posicionamentos opostos são colocados lado a lado 
sem que um deles seja eleito como prioritário. 
Como compor um texto coerente?
 § Capriche no projeto de texto e siga-o até o fim. Um projeto de texto organizado produz uma redação 
organizada. Quando elaboramos o projeto, colocamos em tópicos todas as ideias que contribuem para a 
defesa de nossa tese, e, portanto, conseguimos organizar nosso texto a partir de um raciocínio que tenha 
lógica. 
 § Escreva em seu texto em favor de sua tese. Lembre-se de que as ideias apresentadas têm o objetivo 
de comprovar o seu posicionamento inicial. Orações soltas e expositivas escritas apenas para “falar o que 
se sabe sobre o assunto” costumam gerar textos incoerentes.
 § Cuidado com o argumento oposto à sua ideia. Não se esqueça de que o argumento contrário à nossa 
posição apenas nos é interessante quando pode ser relativizado ou desconstruído. Evite descrever argumen-
tos muito bons que invalidem sua tese principal, pois o texto pode se tornar contraditório.
 § Não escreva parágrafos isolados. Lembre-se de que sua redação obedece uma sequência lógica e 
tem como objetivo defender sua tese. Portanto, os parágrafos precisam estar alinhados ao posicionamento 
principal. Não se pode compor um parágrafo para tratar de determinado assunto semobservar se essa 
abordagem contribui para a comprovação da tese.
 § Cuidado com o título. Quando seu título já apresenta uma posição a respeito do assunto, é importante 
que ela seja a mesma desenvolvida na redação. Por isso, recomenda-se que o título seja atribuído apenas 
no final da escrita do texto, pois assim é possível escrever uma frase ou oração que esteja muito bem rela-
cionada à ideia que desenvolvemos ao longo do texto.
 § Evite a repetição de paráfrases. Quando não sabemos o que escrever, é muito comum escrevermos as 
mesmas coisas com outras palavras. Ou então, passamos apenas a reproduzir as ideias apresentadas na 
coletânea quase sem objetivo nenhum. Para acabar com esse problema, é importante realizarmos o projeto 
de texto e nele colocarmos as ideias a serem desenvolvidas. Com o projeto de texto em mãos, dificilmente 
nos perderemos nas paráfrases repetidas exaustivamente.
 § Releia o texto produzido. A melhor maneira de descobrir se o texto produzido está incoerente é colocar-
-se na posição de leitor. Sempre leia e releia seu texto para observar há coerência nas ideias, na articulação 
dos parágrafos e no desenvolvimento da conclusão. A releitura ainda ajuda a acertar a pontuação ou a 
acentuação que podem ter passado despercebidas. 
77
exerCíCios 
EXERCÍCIO 1: Entrou em vigor a lei que converte em presunção de paternidade a recusa dos homens 
em fazer teste de DNA. Assinale a alternativa cujo texto pode ser concluído coerentemente com 
essa afirmação.
a) Sara Mendes deu início a um processo na justiça, para que Tiago Costa assuma a paternidade de seu filho 
Cássio. Tiago não fez o exame de DNA, mas assume como muito provável ser ele o pai do menino. Cássio alega 
que o exame não é conclusivo, pois entrou em vigor a lei que converte em presunção de paternidade a 
recusa dos homens em fazer teste de DNA.
b) Adriano é um rapaz muito presunçoso e não admite que lhe cobrem nada. A namorada lhe pediu um 
exame de DNA, para esclarecer a paternidade de Amanda, sua filha. Adriano disse que não faria o exame. A na-
morada disse que toda essa presunção serviria para o juiz atestar a paternidade, pois entrou em vigor a lei que 
converte em presunção de paternidade a recusa dos homens em fazer teste de DNA.
c) Carlos de Almeida responde processo na justiça por não querer reconhecer como seu o filho de Diana 
Santos, sua ex namorada. Carlos se recusou a fazer o exame de DNA, o que permite ao juiz lavrar a sentença que 
o indica como pai da criança, porque entrou em vigor a lei que converte em presunção de paternidade 
a recusa dos homens em fazer teste de DNA.
d) Alessandro presume que Caio seja seu filho. Sugeriu a Telma um exame de DNA. Telma disse não ser ne-
cessário, pois entrou em vigor a lei que converte em presunção de paternidade a recusa dos homens 
em fazer teste de DNA.
e) Mário e Felipe são primos. Mário é extremamente vaidoso, pretensioso. Felipe é um rapaz calmo e muito 
simples. Os dois namoraram Teresa na mesma época. Teresa teve uma filha e entrou na justiça para exigir dos dois 
primos um exame de DNA. O juiz disse que não era necessário, pois entrou em vigor a lei que converte em 
presunção de paternidade a recusa dos homens em fazer teste de DNA.
EXERCÍCIO 2. Identifique a ordem em que os períodos devem aparecer, para que constituam um texto 
coeso e coerente. (Texto de Marcelo Marthe: Tatuagem com bobagem. Veja, 05 mar. 2008, p. 86.)
I. Elas não são mais feitas em locais precários, e sim em grandes estúdios onde há cuidado com a higiene.
II. As técnicas se refinaram: há mais cores disponíveis, os pigmentos são de melhor qualidade e ferramentas 
como o laser tornaram bem mais simples apagar uma tatuagem que já não se quer mais.
III. Vão longe, enfim, os tempos em que o conceito de tatuagem se resumia à velha âncora de marinheiro.
IV. Nos últimos dez ou quinze anos, fazer uma tatuagem deixou de ser símbolo de rebeldia de um estilo de 
vida marginal.
Assinale a alternativa que contém a sequência correta, em que os períodos devem aparecer.
a) II, I, III, IV
b) IV, II, III, I
c) IV, I, II, III
d) III, I, IV, II
e) I, III, II, IV
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Texto para a próxima questão
Mais velho, poucos amigos?
Um curioso estudo divulgado na última semana mostrou que a redução do número de amigos com a ida-
de, tão comum entre os humanos, pode não ser exclusivo da nossa espécie. 1Aparentemente, macacos também 
passariam por processo semelhante em suas redes de contatos sociais, o que poderia sugerir um caráter evolutivo 
desse fenômeno.
2No trabalho desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa com Primatas em Göttingen, Alemanha, se identificou 
uma redução de grooming (tempo dedicado ao cuidado com outros indivíduos, como limpar o pelo e catar piolhos) 
entre os macacos mais velhos da espécie Macaca sylvanus. 3Além disso, eles praticavam grooming em um número 
menor de “amigos” ou parentes.
4Fazer grooming está para os macacos mais ou menos como o “papo” para nós. 5Da mesma forma que o 
“carinho” humano, ele parece provocar a liberação de endorfinas. 6Geram-se, dessa forma, sensações de bem-estar 
tanto em homens como em outros animais. 
Na pesquisa, publicada pelo periódico New Scientist, os cientistas perceberam que macacos de 25 anos 
tiveram uma redução de até do tempo de grooming quando comparados com adultos de cinco anos. 7Se esse 
fenômeno acontece em outros primatas, ele também pode ter chegado a nós ao longo do caminho de formação da 
nossa espécie. 8Se chegou, qual teria sido a vantagem evolutiva?
9Durante muito tempo se especulou que esse “encolhimento” social em humanos seria, na verdade, re-
sultado de um processo de envelhecimento, em que depressão, morte de amigos, limitações físicas, vergonha da 
aparência e menos dinheiro poderiam limitar as novas conexões. 10Mas, pesquisando os idosos, se percebeu que ter 
menos amigos era muito mais uma escolha pessoal do que uma consequência do envelhecer.
Uma linha de investigação explica que essa redução dos amigos seria, na verdade, uma seleção dos mais 
velhos de como usar melhor o tempo. Mas outros especialistas defendem a ideia de que os mais velhos teriam 
menos recursos e defesas para lidar com estresse e ameaças e, assim, 11escolheriam com mais cautela as pessoas 
com quem se sentem mais seguros (os amigos) para passar seu tempo.
BOUER, J. Jornal O Estado de São Paulo, caderno Metrópole, domingo, 26 jun. 2016, p. A23. Adaptado.
EXERCÍCIO 3. Para garantir a unidade e a coerência, todo texto deve seguir uma determinada ordem 
de apresentação das ideias. Ao desenvolver o processo argumentativo, o texto apresentado, depois 
de informar que a redução do número de amigos pode ser fruto de uma escolha pessoal do idoso, 
afirma que 
a) a depressão, as limitações físicas, a vergonha da aparência são alguns fatores que podem afetar as 
pessoas idosas.
b) o grooming entre os macacos equivale à relação de carinho e de contato entre os humanos.
c) o homem não é o único ser vivo que sofre uma redução de amigos ao longo do seu processo de enve-
lhecimento.
d) os especialistas defendem posições distintas sobre a relação entre envelhecimento e redução de amigos. 
e) os macacos mais velhos tiveram redução do tempo de grooming, segundo uma pesquisa alemã.
GABARITO
1.C 2.C 3. D
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aula 17 – a Compreensão e o diálogo 
na soCiedade Contemporânea
TEXTO 1
Tempos de conversas divergentes ‘Nós não somos treinados para o diálogo’
A definição da palavra “diálogo” segundo o dicionário Houaiss, consiste na troca de palavras entre dois ou mais indivíduos 
sobre um ou mais assuntos. Nos dias de hoje, as pessoas estão se comunicando mais, principalmente por meio da internet e de 
todas as ferramentas agregadas a ela, mas isso não quer dizer que elas estejam em um profundo diálogo. Pelo contrário. O que se 
vê atualmente é a expressão nua e crua de opiniões. Se forem divergentes, então, a “conversa” parte para a agressão, o desrespeito 
e, em muitos casos, a violência.
Nestasegunda e terça-feira, dias 18 e 19, o Dialogar, Central de Mediação Extrajudicial do Núcleo de Práticas Jurídicas 
da UFJF, promove o seminário “A arte do encontro através do diálogo”, que busca, exatamente, reverter este cenário. “Queremos 
mostrar como o diálogo pode ser mais profundo e positivo para a sociedade. O conflito precisa ser encarado como positivo, e não 
negativo, o que induz a uma conduta destrutiva. Os conflitos hoje são fomentados pela ausência de diálogo”, explica Fernando 
Guilhon, coordenador do Dialogar. Ele acrescenta que o objetivo do evento é abranger vários cursos, pois a programação contempla 
temas voltados para a arte, educação, psicologia, saúde, entre outros.
Extrajudicialmente
O Dialogar é um braço do Núcleo de Práticas Jurídicas da Faculdade de Direito da UFJF. Por meio dele, é possível solucionar, 
de forma extrajudicial, problemas provenientes de relações continuadas, como conflitos familiares, divisão de patrimônio, assuntos 
empresariais e de convivência. Recentemente, o projeto foi agraciado com a menção honrosa pelo prêmio “Conciliar é legal”, 
concedido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A premiação reconhece as práticas de sucesso, estimulando a criatividade e 
disseminando a cultura dos métodos consensuais para resolução dos conflitos.
Entrevista
Coordenador do Dialogar, Fernando Guilhon fala nesta entrevista sobre os conflitos que vêm sendo travados nas redes 
sociais e sobre a necessidade de a sociedade aprimorar o exercício de saber ouvir. Guilhon ressalta ainda que as pessoas hoje no 
país não são treinadas para o diálogo, o que pode ser fruto de uma geração criada durante a ditadura militar. Como exemplo, ele 
cita a escola, que, embora esteja passando por reformulações, ainda demonstra graus de autoritarismo. O coordenador lembra, 
finalmente, dos conflitos de temática política, que são centrais neste momento no país. E como podemos lidar com isso? “Através 
do diálogo”, ensina, lembrando que “dialogar é buscar conhecimento sobre a posição do outro”.
– Tribuna – Com as redes sociais e demais ferramentas de comunicação, a sociedade poderia estar mais aberta para o 
diálogo, porém, o que se vê não é bem isso. A que você atribui este comportamento?
– Fernando Guilhon – Atribuo à forma como elas são utilizadas. As redes facilitam a sua fala, mas não a sua locução. Isto 
acaba incentivando o conflito, e ele passa a ser tratado de maneira destrutiva, pois você não consegue ouvir o outro. Na verdadeira 
comunicação, um percentual muito reduzido pertencente à palavra escrita ou falada. A parte maior está no gestual, no tom de voz, 
no contato visual e no coração que se coloca na conversa. As redes sociais não permitem este alcance. Elas propagam a expressão 
da opinião, mas não o diálogo. Posso expressar minha opinião, mas para a construção do diálogo, eu preciso ouvir. Ouvir é um 
exercício que a sociedade precisa aprimorar.
https://tribunademinas.com.br/noticias/cidade/17-04-2016/tempos-de-conversas-
-divergentes-nos-nao-somos-treinados-para-o-dialogo.html (17.04.2016)
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TEXTO 2
Seu filho não concorda com você? Ótimo!
A convivência pacífica em casa é fundamental, mas o pensamento diferente contribui para o desenvolvimento de crianças 
e adolescentes. O novo, a dúvida e a crítica levam ao diálogo
A pedido da reportagem, profissionais da área da psicologiacomentaram a declaração e falaram a respeito de outros 
tópicos importantes sobre a criação dos filhos. Maria Isabel Wendling, psicóloga, terapeuta de família e professora do curso de 
Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), concorda com Calligaris, argumentando que é a partir 
das discordâncias que as pessoas começam a refletir mais. Se todos pensarem o tempo inteiro da mesma forma, não se acrescenta 
o novo, a dúvida, ocorrendo apenas a repetição indefinida dos mesmos padrões – estes, muitas vezes, disfuncionais. Discordar, 
destaca Maria Isabel, abre a possibilidade de se colocar no lugar do outro, de se abrir para uma ideia distinta, para algo que até 
então a pessoa não tinha pensado. A dissensão, enfim, abre caminho para a diversidade. 
— Com pontos de vista com os quais pode até não concordar, você vai estar ensinando o respeito ao diferente. De alguma 
forma, aquele outro pensamento desacomoda, faz repensar o seu posicionamento. Isso é fundamental. A família, na configuração 
que for, é a base socializadora de um indivíduo. É onde ele vai começar a aprender a dialogar. A família vai formando a identidade, 
o indivíduo vai se descobrindo através da fala do outro. É importante que existam essas discordâncias — comenta a psicóloga. 
Como primeiro grupo social no qual a pessoa se insere, a família tem como principais responsabilidades garantir a proteção 
e o cuidado de seus membros e transmitir padrões e normas da cultura, explica Angela Helena Marin, doutora em Psicologia, pes-
quisadora e professora dos cursos de graduação e pós-graduação da Unisinos. É claro que, pontua Angela, não é o que ocorre em 
todos os grupos familiares, devido a vulnerabilidades de distintas ordens. Ao longo do desenvolvimento, interagiremos com vários 
outros grupos, que também influenciarão nosso modo de agir e pensar. 
— Para que a família promova o desenvolvimento de seus membros, é necessário o incentivo à autonomia. Nesse processo, 
à medida em que cada um assume características individuais, pode haver crises, que, em vez do que costumamos pensar automa-
ticamente, são salutares e possibilitam o amadurecimento a partir das mudanças que propiciam. Uma das funções educativas da 
família é possibilitar que essas crises sejam vivenciadas — afirma Angela.
As diferenças podem surgir no que se refere ao dia a dia doméstico, ao noticiário da TV, aos planos para férias, ao modo 
de vestir, aos posicionamentos políticos – o pai pensa de uma maneira, a mãe de outra, e os filhos, bem mais jovens, seguem uma 
terceira linha. O enriquecimento advém do respeito e da possibilidade de aceitação dessas dessemelhanças, reforça Angela: 
— Como sujeitos, temos especificidades, o que se costuma conceituar de subjetividade, que nos faz pensar e agir de formas 
distintas. Desde a formação, as famílias conjugam diferenças, pois reúnem pessoas com histórias diversas, provenientes de outros 
grupos que também tinham suas especificidades. Aprender a interagir, buscando entender e dialogar com o que nos é diferente, 
possibilita a formação de vínculos mais genuínos, de uma sociedade mais tolerante e, consequentemente, menos violenta. Tudo isso 
começa pelas relações familiares.
https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2019/04/seu-filho-nao-con-
corda-com-voce-otimo-cjulelye8011q01p5mzkjlihd.html (18.04.2019)
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É importante saBer
I. ARGUMENTO DE AUTORIDADE
Coordenador do Dialogar, Fernando Guilhon fala nesta entrevista sobre os conflitos que vêm sendo travados nas redes so-
ciais e sobre a necessidade de a sociedade aprimorar o exercício de saber ouvir. Guilhon ressalta ainda que as pessoas hoje 
no país não são treinadas para o diálogo, o que pode ser fruto de uma geração criada durante a ditadura militar. Como 
exemplo, ele cita a escola, que, embora esteja passando por reformulações, ainda demonstra graus de autoritarismo.
https://tribunademinas.com.br/noticias/cidade/17-04-2016/tempos-de-conversas-
-divergentes-nos-nao-somos-treinados-para-o-dialogo.html (17.04.2016)
II. EXEMPLO DO COTIDIANO 
Um motorista foi morto a tiros, na noite sábado (11/05/2019), em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. Marcio Fernandes 
Carpinter, de 50 anos, se envolveu numa briga de trânsito com um motociclista na saída de um shopping na Barra da 
Tijuca.
Segundo informações preliminares, a vítima estaria acompanhada da esposa e de duas filhas e tinha ido ao centro comer-
cial para jantar com a família. Carpinter teria se desentendido com um motociclista quando deixava o local e abaixou o 
vidro do carro para xingá-lo.
O motociclista, deacordo com o que foi apurado no local pela Polícia Militar, teria seguido o carro da família e, por fim, 
atirado na nuca do motorista. Em razão do ferimento, Carpinter perdeu o controle do carro e bateu contra um muro. As 
três pessoas que estavam no carona não se feriram. O motorista fugiu.
https://www.metropoles.com/brasil/briga-de-transito-em-saida-de-shopping-acaba-em-morte-no-rj (12.05.2019)
V. ANALOGIA LITERÁRIA 
Houve um momento em que eu e a Cecília percebemos que nossa relação estava morta. Mas nenhum de nós reagiu. 
Há certos cadáveres que, por razões que ignoramos, não se decompõem. E não havendo mau cheiro que incomode os 
vizinhos, não há necessidade de chamar o IML. 
Marçal Aquino. Em: O invasor.
VII. CITAÇÃO 
Só quando os homens se comunicarem sem coação e cada um se puder reconhecer no outro, poderia o gênero humano 
reconhecer a natureza como um outro sujeito.
Jürgen HABERMAS, filósofo e sociólogo alemão. In: Técnica e Ciência como “Ideologia”
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INTERATIVIAA DADE
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Como aprender a escutar o outro? | Christian dunker
Fonte:Youtube
O homem invisível – H.G. Wells
 Em uma noite gelada de fevereiro, surge numa cidade isolada na Inglaterra 
um desconhecido à procura de abrigo. Com o rosto coberto de bandagens, 
enluvado e de óculos escuros, esse homem misterioso, de pouca conversa, 
parece estar se recuperando de um acidente que o desfigurou. Pede à dona 
da estalagem um quarto reservado, onde possa passar os dias sem ser in-
comodado.
O filho eterno – Cristovan Tezza
Num livro corajoso, Cristovão Tezza expõe as dificuldades, inúmeras, e as 
saborosas pequenas vitórias de criar um filho com síndrome de Down. O 
autor aproveita as questões que apareceram pelo caminho nestes 26 anos 
de Felipe para reordenar sua própria vida: a experimentação da vida em 
comunidade quando adolescente, a vida como ilegal na Alemanha para 
ganhar dinheiro, as dificuldades de escritor com trinta e poucos anos e al-
guns livros na gaveta, e a pretensa estabilidade com o cargo de professor 
em universidade pública. Com precisão literária para encadear de maneira 
clara referências de anos e situações tão díspares, Cristovão Tezza reforça, 
com a publicação de O filho eterno, seu lugar entre os maiores escritores 
brasileiros.
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83
ProPosta ENEM
TEXTO 1
Maria Isabel Wendling, psicóloga, terapeuta de família e professora do curso de Psicologia da Pontifícia 
Universidade Católica do Rio Grande do Sul, afirma que é a partir das discordâncias que as pessoas começam a 
refletir mais. Se todos pensarem o tempo inteiro da mesma forma, não se acrescenta o novo, a dúvida, ocorrendo 
apenas a repetição indefinida dos mesmos padrões – estes, muitas vezes, disfuncionais. Discordar, destaca Maria 
Isabel, abre a possibilidade de se colocar no lugar do outro, de se abrir para uma ideia distinta, para algo que até 
então a pessoa não tinha pensado. A dissensão, enfim, abre caminho para a diversidade. — Com pontos de vista 
com os quais pode até não concordar, você vai estar ensinando o respeito ao diferente. De alguma forma, aquele 
outro pensamento desacomoda, faz repensar o seu posicionamento. Isso é fundamental. 
https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2019/04/seu-filho-nao-concorda-
-com-voce-otimo-cjulelye8011q01p5mzkjlihd.html (18.04.2019)
TEXTO 2
“Quando não há atividades compartilhadas, há falta de tempo para conversas frequentes, os filhos têm difi-
culdade para desenvolver habilidades interpessoais e fortalecer a confiança – acabam ficando com a impressão de 
que conversar sobre algo mais difícil é trabalhoso e com pouca chance de dar certo. Acaba sendo mais fácil resolver 
problemas na internet e nas redes sociais. No entanto, comunicação e responsabilidade afetiva são as principais 
condições para um funcionamento familiar saudável e mais ainda para o desenvolvimento da autoestima dos filhos, 
principalmente na adolescência.”
Entrevista com a psicóloga Heloisa Fleury, ”Diálogo e respeito são chaves para uma boa relação familiar” https://
www.a12.com/redacaoa12/brasil/dialogo-e-respeito-sao-chaves-para-uma-boa-relacao-familiar (05.01.2017)
TEXTO 3
https://www.acidadeon.com/GFOT,0,3,13109,Charge+do+Dia.aspx
85
TEXTO 4
Não é de hoje, então, que o conflito entre gerações faz os adultos imaginarem – equivocadamente – que 
os “adolescentes atuais” são “mais difíceis”, “indóceis” ou “agressivos” do que os de antes. Na adolescência, 
há uma transição em marcha, uma ruptura entre o filho idealizado pelos pais e o filho real. Essa transição causa 
choques, envolve enfrentamentos, mas é normal e precisa ser encarada com serenidade. Para tanto, a escola pode 
ser um espaço privilegiado na intermediação dessas tensões e colaborar com pais e filhos a fim de compreenderem 
melhor essa fase, buscando atuar como parceira da família.
Alguns pais creditam as mudanças de conduta e de temperamento pelas quais passam os filhos, na adoles-
cência, a fatores externos – amizades, namoros, festas, internet, por exemplo. É como se os responsáveis sentissem 
que os filhos continuariam os mesmos se alguém ou alguma coisa não tivesse interferido. Mas não é o caso: a 
mudança parte do próprio adolescente, e das circunstâncias e dos estímulos aos quais estão expostos. A escola, 
nesse sentido, pode ajudar a família a compreender isso com mais clareza
https://educacao.estadao.com.br/blogs/albert-sabin/pais-e-filhos-adolescentes/ (07.03.2016)
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo 
de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa 
sobre o tema AS IMPLICAÇÕES DA AUSÊNCIA DE DIÁLOGO NO AMBIENTE FAMILIAR, apresentando pro-
posta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, 
argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
86
ProPosta – VEstibular 
TEXTO 1
Fala-se muito hoje em dia, mas será que as pessoas têm escutado umas às outras? Ou a individualidade, 
o ego, a postura de dono da razão, de intransigente e de sabichão criam barreiras para ouvir de verdade o pensa-
mento do outro, mesmo que diferente? A comunicação, com seus ruídos, parece desintegrar, e grande parte dos 
brasileiros anda intolerante e, simplesmente, parou de dialogar e escolheu o discurso como forma de linguagem. 
Não importa se ele for de bravatas, vazio ou autoritário, o fundamental é defender uma ideia, ainda que reduza a 
identidade do outro.
“Diálogo é cada vez menos presente nas relações humanas” https://www.uai.com.br/app/noticia/saude/2016/02/21/
noticias-saude,190660/dialogo-e-cada-vez-menos-presente-nas-relacoes-humanas.shtml (21.02.2016)
TEXTO 2
Você precisa escolher um lado? “É importante lembrar que o nosso bem-estar depende também do bem-
-estar comum. Sinto falta disso na nossa sociedade”, comenta a psicóloga Bel Cesar. [...] Conversas sobre temas 
controversos devem envolver uma intenção verdadeira das partes de ampliar suas visões, recomenda a psicóloga. 
Se não, será pura discussão, ou seja, uma disputa contaminada pela raiva e pela luta de poder para ver quem se 
impõe melhor e convencer o outro de que é ele que está errado. 
(MESQUITA, Renata Valéria. IN: Revista PLANETA. Maio 2016, ano 43, ed. 520.)
TEXTO 3
 Babel, é outra instalação de Cildo Meireles. Uma torre de 
cinco metros de altura feita por mais de 900 aparelhos de 
rádio empilhados em círculo. Ao se aproximar da torre, pode-
se distinguir o que cada um dos rádios está tocando. Música, 
notícias, conversa com os ouvintes.
http://arte72pm.blogspot.com/2011/12/instalacao.html
87
TEXTO 4
https://www.claravilaseca.com/single-post/2015/10/09/%C2%BFQu%C3%A9-prefieres-tener-la-raz%C3%B3n-o-ser-feliz
TEXTO 5
Boa parte dos conflitos que temos com outras pessoas podem ser causados mais pela forma como expomos 
nossas ideiasdo que propriamente pelas diferenças de opinião. Baseado nesta crença, o psicólogo Marshall Rosen-
berg desenvolveu o conceito de Comunicação Não-Violenta (CNV), que seria capaz de estimular a compaixão e a 
empatia (também por isso chamada de Comunicação Empática).
A CNV, nas palavras do psicólogo, “começa por assumir que somos todos compassivos por natureza e que 
estratégias violentas – se verbais ou físicas – são aprendidas, ensinadas e apoiadas pela cultura dominante”. Ou 
seja, em um ambiente que estimule a competitividade, a dominação e a agressividade, tendemos a nos comportar 
violentamente. Ao contrário, tendemos a agir com generosidade em ambientes acolhedores e cooperativos.
https://www.cvv.org.br/blog/a-importancia-da-comunicacao-nao-violenta/ (Acessado em 13.05.2019)
88
TEXTO 6
TIRANIAS
Antigamente
diziam: cuidado,
as paredes têm ouvidos.
Então,
falávamos baixo,
nos policiávamos.
Hoje
as coisas mudaram:
os ouvidos têm paredes.
De nada
adianta
gritar.
Ruy Proença. In: Visão do térreo, 2007.
A partir da leitura dos fragmentos de textos acima e do planejamento de seus argumentos sobre o tema, 
elabore um texto ‘dissertativo-argumentativo’, com o uso da norma padrão da língua portuguesa, sobre o tema 
O DIÁLOGO E A COMPREENSÃO ENTRE OS SUJEITOS AINDA TÊM LUGAR NO MUNDO CONTEMPORÂNEO?
REDAÇÕES EXTRAS
Pratique mais
L C
ENTRE 
FRASES
L C
ENTRE 
FRASES
91
ProPostas extras – ENEM
ProPosta 1 
TEXTO 1
Motivos alegados pelos jovens entre 15 e 29 anos no Brasil para não estudar
TEXTO 2
Pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostrou que 60% dos jovens da América 
Latina e do Caribe têm confiança em seu futuro profissional até 2030, enquanto 40% sentem incerteza 
ou medo. Um total de 69% espera trabalhar em sua própria empresa, 76% mostraram-se otimistas com 
a possibilidade de ganhar bons salários e 59% consideram que as mudanças associadas à tecnologia, 
como a robotização, serão positivas. 
Adaptado de: https://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2017/08/jovens-da-america-latina-e-
-caribe-confiam-em-seu-futuro-profissional-diz-oit.html, acesso em 26 de outubro de 2018. 
92
TEXTO 3 
– O jovem precisa de uma aula que ensine como se comportar, como lidar com os sentimentos. Tem 
muita gente que sofre em silêncio. Tenho milhares de amigos que não se abrem. Uma aula no meio do 
horário letivo teria resultados melhores, formaria pessoas mais preparadas, mais cientes. A gente precisa 
disso – diz Gianluca. 
(Gianluca Vilela Piccin, aluno de 15 anos do Colégio Novo Tempo de Santos, em São Paulo, manifestou a sua opi-
nião no painel “O que os jovens querem aprender”, no Educação 360 Jovem, realizado pelos jornais O Glo-
bo e Extra, realizado no dia 16 de abril de 2018, no Museu do Amanhã, no Centro do Rio de Janeiro) 
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos 
ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da 
língua portuguesa sobre o tema O ENGAJAMENTO DO JOVEM EM SUA PRÓPRIA EDUCAÇÃO , 
apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, 
de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
ProPosta 2
TEXTO 1
Mobilidade é o grande desafio das cidades contemporâneas, em todas as partes do mundo. A 
opção pelo automóvel – que parecia ser a resposta eficiente do século 20 à necessidade de circulação – 
levou à paralisia do trânsito, com desperdício de tempo e combustível, além dos problemas ambientais de 
poluição atmosférica e de ocupação do espaço público. No Brasil, a frota de automóveis e motocicletas 
teve crescimento de até nos últimos dez anos.
Disponível em: http://www.mobilize.org.br/sobre-o-portal/mobilidade-urbana-
sustentavel/. Acesso em 29/08/2015. Fragmento adaptado.
TEXTO 2
http://logmobilidadeurbana.blogspot.com/2016/09/estatisticas.html
93
TEXTO 3
As cidades constituem-se no palco das contradições econômicas, sociais e políticas e o sistema 
viário é um espaço em permanente disputa entre diferentes atores, que se apresentam como pedestres, 
ciclistas, condutores e usuários de automóveis, caminhões, ônibus e motos.
(BRASIL Acessível. Programa Brasileiro de Acessibilidade Urbana. Ministério das Cidades, 2006. p. 2)
TEXTO 4
Art. 7º A Política Nacional de Mobilidade Urbana possui os seguintes objetivos: 
I - reduzir as desigualdades e promover a inclusão social; 
II - promover o acesso aos serviços básicos e equipamentos sociais; 
III - proporcionar melhoria nas condições urbanas da população no que se refere à acessibilidade 
e à mobilidade; 
IV - promover o desenvolvimento sustentável com a mitigação dos custos ambientais e socioeco-
nômicos dos deslocamentos de pessoas e cargas nas cidades; e 
V - consolidar a gestão democrática como instrumento e garantia da construção contínua do apri-
moramento da mobilidade urbana.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12587.htm
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos 
ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da 
língua portuguesa sobre o tema OS DESAFIOS DA MOBILIDADE URBANA NO BRASIL, apresentan-
do proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma 
coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
94
ProPosta 3
TEXTO 1
Os resíduos sólidos tornaram-se, nos últimos anos, um dos problemas centrais em termos de pla-
nejamento urbano e gestão pública em praticamente todas as grandes cidades do mundo. O estudo A 
Organização Coletiva de Catadores de Material Reciclável no Brasil: dilemas e potencialidades sob a ótica 
da economia solidária, do técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Sandro Pereira Silva, apresenta 
estimativas recentes que apontam para uma geração de resíduos sólidos urbanos no Brasil em torno de 
160 mil toneladas diárias - 30% a 40% desse montante são considerados passíveis de reaproveitamento 
e reciclagem. Com um setor ainda pouco explorado no país, apenas 13% desses resíduos são encami-
nhados para a reciclagem.
“Mesmo com as dificuldades enfrentadas pelas instituições e pelos catadores no Brasil, alguns 
avanços foram identificados nos últimos anos, ao menos em alguns materiais específicos, com maior valor 
de mercado”, destaca Silva. Entre 1994 e 2008, o índice de reciclagem de latas de alumínio variou de 
56% para 91,5%, o de papel de 37% para 43,7%, o de vidro de 33% para 47%, o de embalagens PET 
de 18% para 54,8%, o de lata de aço de 23% para 43,5%, e o de embalagem longa-vida de 10% em 
1999 para 26,6% em 2008. 
Os dados ainda revelam a composição dos resíduos descartados no país: 57,41% de matéria 
orgânica (sobras de alimentos, alimentos deteriorados, lixo de banheiro), 16,49% de plástico, 13,16% 
de papel e papelão, 2,34% de vidro, 1,56% de material ferroso, 0,51% de alumínio, 0,46% de inertes e 
8,1% de outros materiais. 
“Apenas 13% dos resíduos sólidos urbanos no país vão para reciclagem” http://www.ipea.gov.
br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=29296 (25.01.2017)
TEXTO 2
“Selecionar o lixo e reciclá-lo ainda é um desafio” https://www12.senado.leg.br/emdiscussao/edicoes/residuos-solidos/
realidade-brasileira-na-pratica-a-historia-e-outra/selecionar-o-lixo-e-recicla-lo-ainda-e-um-desafio (22.09.2014)
95
TEXTO 3
É difícil encontrar alguém hoje que ignore os benefícios da reciclagem para a preservação do planeta. O que 
poucos parecem saber, no entanto, é que se o lixo não for separado na fonte (ou seja, em casa) e levado separado 
até a hora de reciclar, os benefícios na prática podem se perder. 
A grande vantagem de reciclar é poupar a produção de um novo material. Cada vez que se reutiliza um 
papel, se evita a derrubada de árvores. Cada vez que se reutiliza um plástico, se evita o uso de petróleo.Isso não 
quer dizer, no entanto, que a poluição do processo de reciclagem seja zero. Ela simplesmente, na ponta do lápis, 
polui menos. 
Segundo os especialistas, até 90% de todos os materiais usados pela indústria podem ser reciclados. As 
exceções existem porque alguns produtos não compensam ou financeiramente ou ambientalmente. Fraldas descar-
táveis, por exemplo, causam mais poluição quando são recicladas do que quando são produzidas. 
O mesmo é verdade se o material original não estiver muito danificado. O que se garante, com a separação 
do lixo na fonte. “Quando o resíduo é separado e isolado, a contaminação é reduzida e isso torna tudo mais fácil 
na hora de reciclar. É por isso que na reciclagem o resíduo de mais valor é o industrial, que é separado com rigor”, 
explicou ao G1 o engenheiro ambiental Sandro Donnini Mancini, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). 
Se o lixo não é separado adequadamente, a contaminação dificulta a reciclagem e pode deixar ela cara 
demais ou poluente demais. Papéis sujos, por exemplo, precisam de muito alvejante para ficarem brancos. Alvejante 
que é um poluente. Dependendo do estado do material original, reciclar pode fazer mais mal do que bem. 
“Sem coleta seletiva, reciclagem pode fazer mais mal do que bem” Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL389902-
5603,00-SEM+COLETA+SELETIVA+RECICLAGEM+PODE+FAZER+MAIS+MAL+DO+QUE+BEM.html (Acessado em 05.05.2019)
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao 
longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da lín-
gua portuguesa sobre o tema CAMINHOS PARA PROMOVER A RECICLAGEM DE LIXO NO BRASIL, 
apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, 
de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
96
ProPostas extras – vestibular
ProPosta 1 
TEXTO 1
O que há de errado com a desigualdade do ponto de vista ético? É óbvio que a desigualdade não 
é um mal em si – o que importa é a legitimidade do caminho até ela. A questão crucial é a seguinte: a 
desigualdade observada reflete essencialmente os talentos, esforços e valores diferenciados dos indiví-
duos ou, ao contrário, resulta de um jogo viciado na origem – de uma profunda falta de equidade nas 
condições iniciais de vida, da privação de direitos elementares? [...]
O Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do planeta. No ranking da distribuição de 
renda, somos a segunda nação mais desigual do G-20, a quarta da América Latina e a 12º do mundo. 
Esse quadro é fruto de uma grave anomalia: a brutal disparidade nas condições iniciais de vida e nas 
oportunidades de nossas crianças e jovens de desenvolverem adequadamente suas capacidades e talen-
tos, de modo a ampliar seu leque de escolhas possíveis e eleger seus projetos, apostas e sonhos de vida.
(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Igualdade de quê?. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 27 jul. 2018)
97
TEXTO 2
Qual a alternativa para a desigualdade? Alguém vê alguém igual a alguém? Há uma grande confu-
são acerca da ideia de igualdade. A Declaração diz "todos os homens são criados igualmente". Mas em 
que sentido o termo "igualdade" é referido pelos "pais fundadores" (Founding Fathers, em referência aos 
fundadores dos Estados Unidos)? Igualdade de resultados? Obviamente que não. Igualdade de oportuni-
dades? Os pais fundadores julgavam que tínhamos que ter oportunidades iguais? Mas não há igualdade 
de oportunidades no mundo real.
O que os pais fundadores estavam afirmando era a igualdade perante a lei. Todos nós temos direi-
tos; temos direito à vida, direito ao livre arbítrio, a escolher os meios de alcançar a própria felicidade. Isso 
não garante igualdade de resultados nem igualdade de oportunidades; mas garante liberdade, porque 
toda a outra forma de igualdade – de oportunidade, de resultados – requer o quê? Requer o uso da 
força, o uso da coerção; requer tirar de alguns para dar a outros. Requer dar ao Estado esse poder. E os 
resultados estão à vista de todos nos últimos dois séculos.
Como lidar com o fato de que pessoas têm talentos e inteligências totalmente diferentes? Alguns 
nascem em famílias pobres, outros em famílias ricas; uns têm mais vontade e determinação, outros me-
nos; alguns têm pais bacanas, outros não tanto; há aqueles que nasceram no Alasca, outros em Nova 
York, outros em tribos indígenas. A tentativa de igualar requer que você viole os direitos de algumas 
pessoas, tornando-as menos iguais perante a lei, para dar a outras pessoas, dando a elas tratamento 
preferencial perante a lei. E é exatamente a isso que os pais fundadores se opunham.
(Adaptado de: BROOK, Yaron. A virtude da desigualdade. Disponível em: <https://www.youtube.com>. Acesso em: 27 jul. 2018)
98
TEXTO 3
O leito de Procusto
Procusto, personagem da mitologia grega, vivia perto da estrada de Eleusis, a alguns quilômetros 
de Atenas. De acordo com a lenda, construiu um leito metálico do exato tamanho de seu corpo. Aos 
hóspedes que fossem maiores que o leito, Procusto amputava-lhes o excesso. Aos que fossem menores, 
esticava-os até ficarem de conformidade com o móvel.
O viajante nunca se adaptava porque, secretamente, Procusto possuía duas camas de tamanho di-
ferente (duas medidas). O horror só teve fim quando o herói Teseu lhe aplicou o mesmo suplício: colocou-
-o na cama em sentido transversal, de forma a sobrarem a cabeça e os pés, que foram amputados pelo 
herói.
(Adaptado do disponível em: <https://mitologica.blogs.sapo>. Acesso em: 15 jun. 2018)
A partir da leitura dos fragmentos de textos acima e do planejamento de seus argumentos sobre o 
tema, elabore um texto ‘dissertativo-argumentativo’, com o uso da norma padrão da língua portuguesa, 
sobre o tema: 
QUAL A LEGITIMIDADE DO COMBATE ÀS DESIGUALDADES NA ESTRUTURA SOCIAL?
99
ProPosta 2
TEXTO 1
Só no consultório, o dr. Miguel Couto abre a gaveta da mesa de trabalho e retira a placa de metal 
prateado em que mandou inscrever o lema que repete em aula e a que se referirá publicamente até 
o final da vida: “Se toda medicina não está na bondade, menos vale dela separada.” Não se exerce a 
profissão de médico sem enfrentar obstáculos. Sempre que tive de fazer uma pergunta roçando assunto 
muito pessoal, jamais, mas jamais mesmo, encontrei paciente que fosse capaz de responder com pleno 
conhecimento ao que eu precisava saber. Boas respostas não me são entregues pelo paciente. Escuto a 
todas, envoltas no mistério que desafia minha argúcia, como a escrita de carta enigmática que, para ser 
lida, requisita a perspicácia criadora que é também indispensável ao bom tradutor de língua estrangeira.
SANTIAGO, Silviano. Machado. S.P.: Companhia das Letras, 2016, p.146.
TEXTO 2
Numa entrevista, o escritor português António Lobo Antunes, que trabalhou há alguns anos como 
médico psiquiatra, defrontou-se com a seguinte pergunta: “Nunca sentiu falta da medicina?” Eis sua 
resposta:
“- Não. Mas gostava de ser médico. Uma vez, apareceu ao meu pai uma senhora com um problema 
neurológico. O meu pai perguntou-lhe: “Como é que a senhora faz as coisas da casa?” Ela, uma mulher 
analfabeta, deu a melhor definição da dor que alguma vez ouvi: “É tudo a poder de lágrimas e ais.” É 
uma definição de sofrimento como eu nunca vi. Perfeita. As frases que ouvi! Uma vez, no Hospital Miguel 
Bombarda ia a sair do carro e aparece-me o tipo que tinha aquilo que os médicos chamam esquizofrenia. 
Ele deu-me a melhor lição de literatura que alguma vez ouvi. Eu estava a sair do carro, e ele parecia que 
trazia dentro dele um mistério e que me ia fazer uma confissão importantíssima:
“Sabe, senhor doutor, o mundo começou a ser feito por trás.” Eu pensei: “Porra! Escrever é isto. 
É fazer por detrás. O mundo começou a ser feito por detrás.” Ouvi tantas frases assim. Tudo a poder de 
lágrimas e ais. Uma camponesa analfabeta?Ouvi tantas frases tão bonitas das pessoas. O que há de dor 
e dignidade nisto?”
http://cadernosdalibania.blogspot.pt/2017/02/antonio-lobo-antunes. Acessado em 12/01/2017.
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma dissertação, 
empregando a norma--padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
A IMPORTÂNCIA DO DIÁLOGO ENTRE PACIENTE E MÉDICO NA COMPREENSÃO DAS DORES 
HUMANAS
100
ProPosta 3
TEXTO 1
TEXTO 2
A mentira nasceu junto com a sociedade. O ser humano começou a mentir assim que se juntou em 
grupos, e nunca mais parou. Uma experiência da Universidade de Massachusetts mostrou que, quando 
duas pessoas se conhecem, cada uma conta em média três mentiras – nos primeiros dez minutos de 
conversa. E pessoas que compartilham a vida toda (cônjuges, parentes, amigos) também mentem entre 
si, às vezes de forma terrível. Todo mundo mente. Tem gente que mente para levar vantagem, conseguir 
o que quer. Alguns mentem para não contrariar ou magoar outras pessoas. Tem quem minta para parecer 
mais legal e ser aceito socialmente. Existem infinitas maneiras de mentir, e elas nos acompanham o tempo 
todo.
(Superinteressante, agosto de 2015. Adaptado)
TEXTO 3
A cena é comum entre os casais que vão a lojas de roupas: a mulher, apertando a cintura, sai do 
provador e pergunta se está gorda. É uma questão simples ao cérebro masculino: caso queira manter a 
relação, a única resposta possível é um elogio que pareça natural. Mas em um shopping de Munique, ano 
passado, o jornalista alemão Jürgen Schmieder, 31 anos, contrariou as convenções. “Sua bunda parece 
muito grande”, respondeu para a esposa. Grosseria? Pode ser, mas com fundo científico.
Schmieder participava do desafio de ficar 40 dias sem contar mentiras para escrever uma grande 
reportagem sobre sua experiência para o jornal Suddeutsche Zeitung.
O jornalista comprovou um estudo de 1997 da Universidade da Califórnia do Sul, que afirmava que 
o ser humano mente, em média, 200 vezes ao dia.
Galileu: Qual foi a parte mais difícil no projeto?
Schmieder: A parte mais difícil foi ser honesto com minha mulher em cada aspecto da nossa vida 
diária. Quando ela veio até em casa do cabeleireiro, por exemplo, eu disse: “Não gostei do seu corte de 
cabelo!” Coisas como essa a machucaram e fizeram com que eu dormisse 7 noites no sofá durante o 
projeto. Mas minha esposa e eu aprendemos que, sendo muito sinceros, não queremos ferir um ao outro e 
sim ajudar um ao outro. Agora estamos sendo completamente honestos e dizemos tudo. Às vezes, outras 
pessoas pensam que somos malucos porque somos muito honestos um com o outro. Mas nós estamos 
mais felizes e eu posso aconselhar todos os casais: sejam sinceros. Isso pode ser difícil no começo, mas, 
em longo prazo, os ajudará muito.
(http://revistagalileu.globo.com. Adaptado)
101
TEXTO 4
Para Nietzsche, algumas mentiras possuem um papel importante na nossa sociedade, por con-
tribuírem para a melhoria da convivência social, afirmando inclusive que, muitas vezes, o homem gosta 
de ser enganado. Por isso, afirmou com tanta veemência que o homem não foge da mentira, mas das 
consequências que ela pode trazer, portanto, quando a verdade traz consequências nefastas, o homem 
também irá fugir dela.
[...]
A ideia lógica de haver Ética em mentir pode ser muito bem sintetizada a partir do pensamento de 
Platão quando ele diz que a verdade deve ser apreciada acima de todas as coisas, enquanto a mentira 
não passa de algo útil em determinadas circunstâncias, exatamente como um remédio de gosto amargo, 
mas de efeito benéfico. A sensatez pode ser a medida da linha de pensamento que compreende ser a 
mentira a substituição de um mal maior por um menor, quando dizer a verdade acarreta maiores preju-
ízos. É prudente mentir numa situação em que dizer a verdade não é possível, por ferir o sentimento de 
outras pessoas, por ser desnecessária a colocação e não prejudicar a ninguém a omissão, ou por qualquer 
motivo diverso que tenha como sustentáculo a ideia de “menos ruim” (mentira) quando o melhor (dizer 
a verdade) não se torna possível.
Benjamin Constant, em um artigo intitulado “As reações políticas”, dita que se adotássemos o 
dever de dizer a verdade como um dever absoluto, incondicional, a sociedade humana tornar-se-ia sim-
plesmente impossível.
(Pábula Novais de Oliveira; Priscila Lins de Amorim. Ética da Mentira. Filosofando – re-
vista de Filosofia da UESB, julho-dezembro de 2013. Adaptado)
A partir da leitura dos fragmentos de textos acima e do planejamento de seus argumentos sobre o 
tema, elabore um texto ‘dissertativo-argumentativo’, com o uso da norma padrão da língua portuguesa, 
sobre o tema 
É CORRETO MENTIR PARA EVITAR PROBLEMAS DE CONVIVÊNCIA SOCIAL?
102
ProPosta 4
TEXTO 1
Agrotóxicos e depressão
Gramado Xavier, com pouco mais de 4 mil habitantes, fica na região central gaúcha, conhecida por 
ser um polo fumageiro - da indústria do fumo.
A conexão entre suicídio e plantadores de fumo é apontada em diversos estudos científicos. Um 
relatório da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa gaúcha apontava, em 1996, que 
80% dos suicídios da cidade de Venâncio Aires, a maior produtora de tabaco do Estado, eram cometidos 
por agricultores. O mesmo estudo mostrava aumento nos suicídios quando o uso de agrotóxicos era 
intensificado.
Segundo uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o uso de agrotóxicos, como 
os organofosforados, aumenta as chances de depressão dos agricultores.
Em 2014, 20% de cem fumicultores entrevistados sofriam de depressão, segundo a UFGRS. O 
quadro depressivo por exposição aos venenos, somado a fatores sociais e culturais, pode evoluir para o 
suicídio.
A relação é contestada pelo Sindicato da Indústria do Tabaco local (Sinditabaco), que diz que "atre-
lar casos de suicídio ao uso de agrotóxicos na cultura do tabaco é inconsistente".
O Rio Grande do Sul tem 73.430 famílias (mais de 577 mil pessoas) que colhem 255 mil toneladas 
de tabaco anualmente, de acordo com a Afubra (Associação dos Fumicultores do Brasil).
A Afubra alega que as empresas fumageiras orientam os agricultores quanto à aplicação correta 
dos defensivos e o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). Segundo o Sinditabaco, "alguns 
produtores ainda resistem à utilização correta do EPI".
Mas "o agrotóxico, para fazer efeito, tem que ser aplicado quando tem sol, naqueles calorões infer-
nais de novembro. O suor embaça os óculos (do equipamento), a máscara sufoca, falta ar. A luva prejudica 
a coordenação motora fina", conta Mateus Rossato, de 35 anos, que trabalhou na lavoura da família dos 
12 aos 20 anos, em Nova Palma, a 224 km da capital gaúcha.
Rossato avalia a falta de ergonomia dos equipamentos de segurança porque hoje entende sobre o 
corpo humano: é professor de Educação Física na Universidade Federal do Amazonas.
Para ele, os equipamentos não são adequados às necessidades reais dos agricultores. E, mesmo 
quando são usados, não impedem que o veneno, que é carregado nas costas, escorra pelo corpo no mo-
mento da aplicação.
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-37491144
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TEXTO 2
TEXTO 3
O uso de agrotóxicos e o seu impacto na saúde e no meio ambiente configuram um problema para 
o Brasil, o terceiro maior consumidor do produto no mundo. 
Também conhecidos como defensivos agrícolas, os agrotóxicos são substâncias químicas utilizadas 
há décadas para combater pragas e doenças nocivas à produção agropecuária.
Nos seres humanos, esses produtos representam a terceira maior causa de intoxicação no Brasil. Os 
trabalhadores rurais são as maiores vítimas. Segundo o Programa de Vigilância da Saúde das Populações 
Expostas a Agrotóxicos, da Universidade de Campinas (Unicamp), 1,5 milhão de trabalhadores rurais 
estão intoxicados no campo. Conforme o estudo, faltam fiscalização e capacitação no emprego desses 
produtos no campo.
Para o consumidor, o perigo está no prato. Grãos, frutas, verduras e legumeschegam à mesa com 
resíduos acima do permitido ou com substâncias químicas proibidas pelo Ministério da Agricultura. Os 
hortifrutigranjeiros são os produtos que mais oferecem perigo. Um estudo da Agência Nacional de Vigi-
lância Sanitária (Anvisa) revelou que morango, alface, batata, maçã e banana têm resíduos de pesticidas 
acima do permitido. 
No meio ambiente, os agrotóxicos contaminam o solo e a água, e atingem os animais. Os estados 
que mais consomem o produto são Paraná, São Paulo e Mato Grosso. 
Disponível em: https://www.senado.gov.br/noticias/jornal/cidadania/agrotoxicos/not001.htm
PRONTUÁRIO
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TEXTO 4
O agronegócio, nos últimos anos, passou a ser a vitrine dos governos da América Latina, utilizada 
como a condição de “desenvolver” a cidade e, principalmente, o campo. Esse caminho, imposto pelos 
países ricos, seria a forma de integrar os países pobres ao mercado internacional cujo intuito consiste em 
movimentar suas economias, uma vez que o “novo” modelo traz como alternativa o uso de tecnologia 
seguida de pesquisas e de capacidade de gestão – fatores considerados decisivos para competição no 
mercado mundial. Desse modo, o aumento certo de produtividade elevaria o poder de consumo da popu-
lação, especialmente, no espaço rural onde a pequena agricultura, sobretudo, a campesina é efetivamente 
considerada “atrasada” em virtude da falta de valor agregado de sua produção. Assim, para consolidar o 
modelo agroexportador, a produção de alimentos, especialmente, feijão e milho, indispensáveis à popula-
ção, fica comprometida em decorrência do controle de sementes por grandes empresas que, por sua vez, 
controlam o mercado de agrotóxicos imprescindível à expansão do agronegócio, notadamente, no Brasil. 
Dentre as empresas, podem ser citadas: Monsanto, Syngenta/Astra Zeneca/Novartis, Bayer, Dupont, Basf 
e Dow.
O USO INTENSIVO DE AGROTÓXICO ‐ a nova face da questão agrária. Luciano Alves Pereira e Rai-
munda Aurea Dias de Sousa. Revista OKARA: Geografia em debate, V.10, 2016.
TEXTO 5
O agronegócio tem que mostrar à sociedade a tecnologia usada no campo
O agronegócio tem que comunicar à sociedade urbana a tecnologia que é aplicada no dia a dia 
do campo, na fabricação dos produtos agrícolas, dos alimentos. Foi o que ressaltaram o ex-ministro da 
Agricultura, Roberto Rodrigues; e o diretor de marketing da TV Globo, Roberto Schmidt, em palestras no 
GAF Talks, evento realizado pela DATAGRO no final de março, em São Paulo.
Segundo Schmidt, em opinião também endossada pelo presidente da Embrapa, Maurício Lopes, 
o agronegócio tem que investir na construção de sua marca junto à população em geral, a fim de criar 
empatia e confiança. “E é este um dos objetivos da campanha ‘Agro: a Indústria-Riqueza do Brasil’ que 
estamos desenvolvendo”, disse o executivo.
De acordo com Schmidt, o objetivo da iniciativa é conectar o consumidor com o produtor rural e ao 
mesmo tempo desmistificar a produção agrícola aos olhos da sociedade urbana. “Queremos mostrar que 
a riqueza gerada pelo agronegócio movimenta os outros setores da economia”, salientou, acrescentando 
que: “a ideia é fazer com que o brasileiro tenha orgulho do agro”.
http://www.startagro.agr.br/por-que-o-agronegocio-precisa-de-uma-comunicacao-moderna.05.04.17
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma dissertação, 
empregando a norma--padrão da língua portuguesa, sobre o tema AGROTÓXICOS: AS RELAÇÕES 
ENTRE O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E OS DANOS À SAÚDE
PRONTUÁRIO
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Prontuário
Meta 2019:
 Conquistar uma vaga no curso de Medicina.
Para conquistar a sua meta, divida-a em objetivos menores. Assim, fica mais fácil acompanhar a sua evo-
lução:
Escrever redações nota dez.
Para atingir esse objetivo:
Escrever _____ redações por semana.
Minhas Notas
Semana 14 15 16 17
Check
Redações Extras
Extras 1 2 3 4 5 6 7
Original
Reescrita
LEMBRE-SE: 
As notas fazem parte de um processo. Cada uma representa uma avaliação 
pontual. 
É importante olhar para elas e autoavaliar-se para desenhar estratégias 
que ajudem a melhorar seus textos.
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Data: ____/____/2019
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Data: ____/____/2019
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