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C U R S O D E A T U A L IZ A Ç Ã O D E P L A N O S D E A S S IS T Ê N C IA S O C IA L CURSO DE ATUALIZAÇÃO PLANOS SOCIAL ASSISTÊNCIA DE DE MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE À FOME - MDS BRASÍLIA | BRASIL | 2015 CURSO DE ATUALIZAÇÃO PLANOS SOCIAL ASSISTÊNCIA DE DE Ficha catalográfica elaborada pela Bibliotecária Tatiane de Oliveira Dias CRB 2230. Brasil. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Curso de atualização de Planos de Assistência Social. -- Brasília, DF: MDS, Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação, Secretaria Nacional de Assistência Social; Centro de Estudos Internacionais sobre o Governo, 2015. 97 p. ; 30 cm. ISBN: 978-85-60700-95-0 1. Assistência social, planos, atualização, Brasil. I. Sistema Único de Assistência Social. CDU 304(81) Este material foi produzido com recursos do TED 004/2014, firmado entre a SAGI/MDS e a UFRGS/CEGOV. CONTEÚDO E EXECUÇÃO Equipe MDS Coordenação Geral | Patricia A. F. Vilas Boas, Marcilio Marquesini Ferrar, Maria Cristina Abreu Martins de Lima, José Ferreira da Crus. Equipe Técnica | Michelle Stephanou, Janine Cardoso Mourão Bastos, Maria Cristina Abreu Martins de Lima, Kátia Ozorio, Tarcísio da Silva Pinto, Victor Lima, Eliana Teles do Carmo, Mônica Alves Silva, Ironi do Rocio V. de Camargo, André Yokowo dos Santos, Ana Carolina de Souza. Equipe CEGOV Coordenação Geral | Aline Gazola Hellmann. Autoras | Rosa Maria Castilhos Fernandes, Miriam Dias. Equipe Técnica | Ana Carolina Ribeiro Ribeiro, Ana Julia Bonzanini Bernardi, Bruno Sivelli, Gabriela Perin, Gianna Reis Dias, Giordano Benites Tronco, Jéssica Sulis Binkowski, João Marcelo Conte Cornetet, Júlia da Motta, Thiago Borne Ferreira. Equipe de Colaboradores Externos | Denise Colin, Eleonora Schettini M. Cunha, Luciana Jaccoud, Maria Carmelita Yazbek, Maria Luiza Amaral Rizzotti, Márcia Mansur Saadallah. Capa | Joana Oliveira de Oliveira Projeto Gráfico e Diagramação | Gabriel Thier, Joana Oliveira de Oliveira, Liza Bastos Bischoff. Figuras | Luiza Allgayer, Liza Bastos Bischoff, Joana Oliveira de Oliveira. EXPEDIENTE Presidenta da República Federativa do Brasil | Dilma Rousseff Vice-Presidente da República Federativa do Brasil | Michel Temer Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome | Tereza Campello Secretário Executivo | Marcelo Cardona Secretário de Avaliação e Gestão da Informação | Paulo Jannuzzi Secretária Nacional de Assistência Social | Ieda Castro Secretário Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional | Arnoldo Anacleto de Campos Secretário Nacional de Renda de Cidadania | Helmut Schwarzer Secretário Extraordinário de Erradicação da Pobreza | Tiago Falcão Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação Secretária Adjunta | Paula Montagner Diretor de Monitoramento | Marconi Fernandes de Sousa Diretor de Gestão da Informação | Caio Nakashima Diretora de Formação e Disseminação | Patrícia Vilas Boas Diretora de Avaliação | Alexandro Rodrigues Pinto Secretaria Nacional de Assistência Social Secretário Adjunto | José Dirceu Galão Junior Diretor do Departamento de Gestão do Sistema Único de Assistência Social | José Ferreira da Crus Diretora do Departamento de Benefícios Assistenciais | Maria José de Freitas Diretora do Departamento de Proteção Social Básica | Léa Lucia Cecílio Braga Diretora do Departamento de Proteção Social Especial | Telma Maranho Gomes Diretora do Departamento da Rede Socioassistencial Privada do SUAS | Bárbara Pincowsca Cardoso Campos Diretora Executiva do Fundo Nacional de Assistência Social | Dulcelena Alves Vaz Martins © 2015. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Todos os direitos reservados. Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida, desde que citada a fonte. Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação (SAGI) Bloco A | 3º andar | Sala 307 | CEP 70046-900 | Brasília | DF Telefone: (61) 2030-1770 www.mds.gov.br CENTRAL DE RELACIONAMENTO DO MDS: 0800 707 2003 Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Centro de Estudos Internacionais sobre Governo (CEGOV) Campus do Vale, prédio 43322 Av. Bento Gonçalves, 9500 CEP: 91.509-900 – Porto Alegre – RS Fone: (51) 3308-9860 www.ufrgs.br/cegov APRESENTAÇÃO Prezado(a) No processo de democratização da sociedade brasileira se constituiu a Política de Assistência Social, orientada pelo princípio de respeito à dignidade do cidadão, ao direito à proteção social não contributiva com acesso a benefí- cios e serviços de qualidade, vedando-se qualquer comprovação vexatória de necessidade. Com este princípio, a assistência social se orienta sob a condição de direito social e integrante da seguridade social no país, ao lado da saúde e da previdência social, afirma-se como uma inovação na Constituição Federal de 1988. A assistência social passou então a ter reconhecimento de política pú- blica setorial, com as diretrizes de descentralização político-administrativa e a participação e primazia da responsabilidade do Estado. Essa nova configuração passou a exigir que o Sistema Único de Assistência Social aprimorasse sua capa- cidade de gestão, o que inclui o processo de planificação. De acordo com a NOB/SUAS, revisada e aprovada pela Resolução nº 33, de 12 de dezembro de 2012, do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), o Plano de Assistência Social é um instrumento de planejamento estratégico que organiza, regula e norteia a execução da política de assistência social nas três esferas de governo, previsto pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), desde 1993. A LOAS, ao estabelecer um novo desenho institucional, com co- mando único, conselhos paritários de gestão e fundos financeiros em cada instância de governo, coloca os Planos de Assistência Social- PAS- como ins- trumentos impulsionadores de novas e planejadas práticas interventivas (BRA- SIL, 2013). Desse modo, a consolidação da política de assistência social passa a exigir dos entes federados a institucionalização dos Conselhos de Assistência Social, do Fundo de Assistência Social e a elaboração do Plano de Assistência Social (PAS) sendo esta exigência, condição para o repasse de recursos federais aos municípios, aos estados e ao Distrito Federal (art. 30 da LOAS), visando o financiamento das ações de assistência social em suas respectivas esferas. Com a perspectiva de implementação de um Sistema Único de Assis- tência Social – o SUAS (2005), em todo território nacional, o planejamento nas três esferas de governo, ganha maior importância considerando-se a autono- mia e competência de cada ente federado e relações de cooperação e comple- mentariedade entre os mesmos, para implementação do sistema. Entretanto, as mudanças que se sucederam no âmbito do SUAS, exigiram a progressiva subs- tituição de projetos e programas eventuais, por um conjunto de equipamen- tos próprios (que oferecem serviços e benefícios socioassistenciais) e comple- mentares, com ações sistemáticas e continuas, transparentes, compartilhadas e fundamentalmente planejadas (BRASIL, 2013). É claro, que neste processo a mudança na natureza das relações entre sujeitos e estruturas, pressupõe um diálogo cada vez mais qualificado entre os diferentes atores sociais, para que possam estabelecer relações horizontais, compartilhadas e democráticas dentro dos espaços institucionais que permitam movimentos instituintes onde o lugar do planejamento na assistência social seja garantido por todos. Contudo, se a elaboração do Plano compete ao órgão gestor da política de assistência social no município, no estado ou Distrito Fe- deral, que deverá ser acompanhado e aprovado do respectivo Conselho de Assistência Social Pode-se afirmar que este é um processo que exige do órgão gestor a mobilização da participação de um conjunto de atores envolvidos na implementação da política de assistência social, o uso de informações e a aplicação de diferentes metodologias de planejamento.Com o objetivo de fortalecer o aprimoramento da gestão do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), a Secretaria Nacional de As- sistência Social – SNAS e a Secretaria Nacional de Avaliação e Gestão da In- formação – SAGI, buscando atender as determinações da Política Nacional de Educação Permanente do SUAS (Resolução CNAS Nº 04/2013) e do Pro- grama CapacitaSUAS (Resolução CNAS Nº 08/2012), propõem a execução do Curso de Atualização para Elaboração de Planos de Assistência Social. Este Curso direcionado a gestores e técnicos das secretarias estaduais e municipais da assistência social ou congêneres, tem como objetivo: capa- citar diferentes atores envolvidos na formulação dos Planos de Assistência Social nos conhecimentos, metodologias e procedimentos aplicáveis ao processo de sua elaboração, monitoramento e atualização. Para tanto, este Caderno de Estudos está organizado em três Mó- dulos, com unidades específicas (ao todo são 6 Unidades) e com conteúdos sistematizados de acordo com os objetivos de aprendizagem, perfazendo uma carga horária total de 40 horas-aula de Curso. As oficinas propostas serão desenvolvidas no Curso Presencial e poderão ser disseminadas nas equipes de trabalho no âmbito do SUAS. Esperamos que a reflexão críti- ca sobre a temática desencadeie uma aprendizagem significativa a todos (as) participantes do Curso, para que possamos avançar na consolidação do SUAS em todo território nacional e que o planejamento faça parte dos cotidianos no âmbito do SUAS. Desejamos a todos(as) um ótimo curso! Agradecimento O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) agradece à gestão estadual da Assistência Social da Paraíba e à Universidade Federal da Paraíba (UFPB) pelas contribuições aos materiais dos cursos da segunda etapa do programa Capaci- taSUAS, no qual este material se inclui. Isso foi possível pela parceria da universidade e do Estado com o MDS, que numa ação colaborativa, tornou a experiência pioneira da Paraíba nas ofertas do CapacitaSUAS uma rica oportunidade para ajustes e aper- feiçoamentos. A toda a equipe envolvida nosso muito obrigado! MÓDULO 1 (8h) PLANEJAMENTO E POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Unidade 1.1 (4h) • Planejamento governamental e o ciclo de gestão de políticas públicas • Instrumentos de Planejamento Orçamentário: PPA, LDO e LOA • Articulação dos instrumentos de Planejamento com a Política de Assistência Social • Modelos de planejamento: tradicional e estratégico situacional Unidade 1.2 (4h) • O que é o Plano de Assistência Social (PAS)? MÓDULO 2 (24h) A CONSTRUÇÃO DO PLANO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Unidade 2.1 (8h) • O diagnóstico socioterritorial: coleta, organização e análise dos dados e informações necessárias para a construção do PAS. • A articulação do Pacto de Aprimoramento do SUAS para o aperfeiçoamento do PAS Unidade 2.2 (16h) • Estrutura básica do PAS (cf. Cap. III da NOB/SUAS, de 2012): a) Dados de identificação do Plano; b) Introdução; c) Diagnóstico socioterritorial; d) Objetivos; e) Diretrizes e prioridades deliberadas; f ) Ações estratégicas; g) Metas; h) Resultados e impactos esperados; i) Recursos materiais, humanos e financeiros; j) Mecanismos e fontes de financiamento; k) Cobertura da rede prestadora de serviços; l) Indicadores de monitoramento e avaliação; m) Espaço temporal de execução; MÓDULO 3 (8h) MONITORAMENTO E CONTROLE SOCIAL DO PAS Unidade 3.1 (8h) • A importância do monitoramento no ciclo de gestão do PAS • O papel do controle social no monitoramento da exe- cução do PAS • Utilização de indicadores de monitoramento do PAS • Articulação entre o monitoramento da execução do PAS e as informações produzidas pela Vigilância So- cioassistencial para a atualização do PAS CONTEÚDO PROGRAMÁTICO SUMÁRIO MÓDULO 1 PLANEJAMENTO E POLÍTICADE ASSISTÊNCIA SOCIAL A CONSTRUÇÃO DO PLANO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL MONITORAMENTO E CONTROLE SOCIAL DO PLANO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL MÓDULO 2 MÓDULO 3 13 14 17 21 24 35 49 65 85 86 99 101 104 106 35 65 85 99 unidade unidade unidade unidade unidade 1.1 2.1 3.1 1.2 2.2 Planejamento governamental e o ciclo de gestão de políticas públicas Instrumentos de Planejamento Orçamentário: PPA, LDO e LOA Articulação dos instrumentos de Planejamento com a Política de Assistência Social Modelos de planejamento: tradicional e estratégico situacional O que é o Plano de Assistência Social (PAS)? A Construção Democrática e Participativa do Plano de Assistência Social O processo de elaboração do Plano de Assistência Social Estrutura Básica do PAS A importância do monitoramento no ciclo de gestão do PAS O papel do controle social no monitoramento da execução do PAS Utilização de indicadores de monitoramento do PAS Articulação entre o monitoramento da execução do PAS e as informações produzidas pela Vigilância Socioassistencial para a atualização do PAS O diagnóstico socioterritorial: coleta, organização e análise dos dados e informações necessárias para a construção do PAS LISTA DE SIGLAS BPC - Benefício de Prestação Continuada BSM - Brasil Sem Miséria CadÚnico - Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal CapacitaSUAS - Programa Nacional de Capacitação do SUAS CEGOV - Centro de Estudos Internacionais sobre Governo Centro POP - Centro de Referência Especializado para População em Situ- ação de Rua CEPAM - Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal. CF - Constituição Federal CIB - Comissão Intergestores Bipartite CIT - Comissão Intergestores Tripartite CMAS - Conselho Municipal De Assistência Social CNAS - Conselho Nacional de Assistência Social COEGEMAS - Colegiado Estadual de Gestores Municipais de Assistência Social CONGEMAS - Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social Cras - Centro de Referência em Assistência Social Creas - Centro de Referência Especializado da Assistência Social ESTADIC - Pesquisa Básica de Informações Estaduais FEAS - Fundo Estadual de Assistência Social FJP - Fundação João Pinheiro FMAS - Fundo Municipal de Assistência Social FNAS - Fundo Nacional de Assistência Social Fonseas - Fórum Nacional de Secretários de Estado de Assistência Social GT - Grupo de Trabalho IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICS - Instância de Controle Social IDI - Índice de desenvolvimento da infância IDV - Identificação de localidades e Famílias em Situação de Vulnerabili- dade IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada LDO - Lei de Diretrizes Orçamentares LOA - Lei de Orçamentária Anual Loas - Lei Orgânica da Assistência Social MDS - Ministério do Desenvolvimento Social MI social - Matriz de Informação Social MOPS - Mapa de Oportunidade e Serviços Públicos MUNIC - Pesquisa Básica de Informações Municipais NOB/RH SUAS - Norma Operacional Básica de Recursos Humanos para o Sistema Único de Assistência Social NOB/SUAS - Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social Paefi - Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos Paif - Proteção e Atendimento Integral à Família PAS - Plano de Assistência Social PES - Planejamento Estratégico Situacional PMAS - Plano Municipal de Assistência Social PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios PNAS - Política Nacional de Assistência Social PNEP - Política Nacional de Educação Permanente PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PPA - Plano Plurianual RI Social - Relatório de Informações Sociais SAGI - Secretaria Nacional de Avaliação e Gestão da Informação SINASE - Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo SNAS - Secretaria Nacional de Assistência Social SUAS - Sistema Único de Assistência Social Tab social - Tabulador de Microdados Sociais TACGAS - Tipologia de capacidade de gestão em Assistência Social. UF - Unidade da Federação UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas PLANEJAMENTO E POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Este móduloapresenta duas unidades específicas que tra- tam respectivamente sobre conteúdos que são fundamen- tais para compreensão da importância do planejamento na Política de Assistência Social. Trata sobre o ciclo de gestão de políticas públicas, dos instrumentos e tipos de planejamen- to, para o entendimento das suas diferenças e a relevância da utilização do planejamento estratégico situacional na elaboração do Plano de Assistência Social. Na Unidade 1, a reflexão proposta permitirá ao leitor compreender: O que é planejamento governamental; como se faz; sua importância para a Política de Assistência Social, assim como, os aspec- tos relativos ao planejamento orçamentário. Na Unidade 2, avançamos aprofundando a reflexão sobre o PAS, fazendo as articulações com instâncias de participação, deliberação, pactuação e controle social na construção do PAS e com os respectivos atores envolvidos na construção do Plano. Por fim, o PAS evidencia-se enquanto ferramenta para a garan- tia dos direitos socioassistenciais. Além de sua utilização ser uma condição estratégica para a consolidação do SUAS. Vamos iniciar a leitura! MÓDULO 1 12 CEGOV | UFRGS 13CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Nesta Unidade 1, os objetivos de aprendizagem são: • compreender o conceito e a prática de planejamento estatal no con- texto da construção de políticas públicas; • compreender e diferenciar os modelos de planejamento aplicados às políticas públicas; e • compreender o ciclo orçamentário no contexto do planejamento e da Política de Assistência Social. Para o alcance dos Princípios e Diretrizes do Sistema Único de As- sistência Social (SUAS), sob responsabilidade do Estado, se faz necessário instituir um sistema de gestão moderno, qualificado que não pode pres- cindir do planejamento em suas dimensões técnica e política. Segundo Miriam Veras Baptista (2000), a dimensão política “decorre do fato de que ele (planejamento) é um processo contínuo de tomadas de decisões, ins- critas nas relações de poder”. (BAPTISTA, 2000: 17). Planejar é agir de um determinado modo para um determinado fim. É o processo de construir a realidade com as características que se deseja para a mesma. A Função do Planejamento é tornar a ação: Clara – precisa – eficiente e eficaz – direcio- nada – transformadora. (GANDIN, 2001). A Função do Planejamento é tornar a ação: Clara – precisa – efi- ciente e eficaz – direcionada – transformadora. (GANDIN, 2001). Planeja-se porque se quer minimizar a incerteza e o improviso e porque se almeja a EFICIÊNCIA. O planejamento envolve a utilização do co- nhecimento para modelar uma trajetória futura. Planejar é construir o fu- turo desejado e não se deixar ser arrastado pelos acontecimentos (MATUS, 1985). O planejamento é o oposto do improviso. Por isso, a elaboração do planejamento é uma atividade funda- mental para os governos. O produto do processo de planejamento é o plano. Nele, estão definidos os objetivos, como serão atingidos e como serão avaliados os impactos das ações. O plano consiste em um documen- to orientador das ações dos governos e também em uma forma de publi- cizar suas intenções, consubstanciando-se numa ferramenta que promo- ve a transparência. MÓDULO 1 unidade 1.1 EFICIÊNCIA Competência para se produzir resulta- dos com dispêndio mínimo de recursos e esforços. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA 14 CEGOV | UFRGS O planejamento é um cálculo que precede e preside a ação (MATUS, 1985). Por meio do planejamento se organiza e se projeta de forma de- mocrática e participativa, fortalecendo, assim, a transparência da gestão da política pública. Partindo desta breve introdução, trataremos, a partir de agora, de aspectos fundamentais para a compreensão da importância do planejamento governamental e, neste Caderno, no âmbito da Política de Assistência Social. PLANEJAMENTO GOVERNAMENTAL E O CICLO DE GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS O planejamento governamental é a atividade que, a partir de diagnósticos e estudos prospectivos, orienta as escolhas de políticas públicas, conforme define a Lei nº 12.593 de 18 de janeiro de 2012. O planejamento precede, condiciona e orienta a ação estatal (CARDOSO JR, 2011). É o mecanismo pelo qual o Estado viabiliza o acesso aos bens e serviços considerados direitos sociais aos seus cidadãos, atra- vés das POLÍTICAS PÚBLICAS. Também é importante reconhecer que “uma das razões para o planejamento é a necessidade de mediação entre futuro e o presente” (MATUS, 1989, apud PARES; VALLE, 2006, p. 239). Historicamente, o Brasil teve momentos distintos de realizar o planejamento governamental, começando pela fase em que planejar era privilégio da tecnocracia, depois evoluiu para o modo normativo e, pos- teriormente, para o momento atual, de forma estratégica e participativa. Também se constata que, por muitos períodos, o planejamento foi instru- mento de intervenção e controle social, fase em que o Estado foi o propul- sor do desenvolvimento socioeconômico no país (SOUZA, 2004). A sociedade brasileira produziu relevantes mudanças quando lu- tou pela democratização e pelos direitos sociais para todos os seus cida- dãos, o que posicionou o Estado no papel de ser o viabilizador das neces- sidades e demandas sociais da população. A sociedade demonstrou sua vocação participativa nos temas que afetam suas condições de vida, expli- citando sua “pluralidade da representação política e a intensa mobilização que ocorre na sociedade brasileira com vista à promoção e à defesa de seus particulares interesses” (REZENDE, 2010, p. 32). Assim, a Constituição Federal estabeleceu o sistema vigente de planejamento governamental articulado ao orçamento para a execução das políticas públicas. A política de assistência social no Brasil é uma política setorial que se constituiu como política pública a partir da luta pela democratização e pela conquista dos direitos sociais, materializada na Constituição Federal de 1988 e vem avançando na formulação de planos para ampliar o profis- sionalismo e transparência na gestão da coisa pública. Matus (2006), diz que “o plano não depende de sua pertinência a um sistema econômico- -social determinado, mas do uso da razão técnico-política na tomada de POLÍTICAS PÚBLICAS São aquelas que requerem a partici- pação ativa do Estado, sob o controle da sociedade, no plane- jamento e execução de procedimentos e metas voltados para a satisfação de necessi- dades sociais (PEREI- RA, 2008, p. 173). DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA 15CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.11decisões” (2006, p. 115). A aliança entre o conhecimento no uso da estra- tégia de planejamento e a capacidade política dos governos é necessá- ria para o alcance dos propósitos emanados das diretrizes e objetivos da Política de Assistência Social. Portanto, é fundamental o conhecimento e a vivência do planejamento na Assistência Social, compreendendo sua dinâmica e operacionalidade. Torna-se importante considerar, nos processos de planejamento, as especificidades advindas da densidade demográfica e portes dos mu- nicípios, mas não só, devem-se considerar também aspectos vinculados à ruralidade, ao mundo urbano; às especificidades regionais; características de grupos populacionais, a localização (fronteiras, áreas de desastres eco- lógicos) dentre outros. O planejamento está inserido em todas as etapas do CI- CLO DE GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS. Este ciclo é composto por fases que correspondem a momentos específicos e ao mesmo tempo, interde- pendentes, requeridos para a efetivação das políticas públicas. Seus momentos são: CICLO DE GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICASFerramenta analítica que permite conhecer as várias fases dos pro- cessos político-admin- istrativos envolvidos na realização de uma política pública. Facilita (embora não resolva) a investigação das relações de poder, das redes, bem como das práticas que se en- contram tipicamente em cada fase, auxilian- do na elaboração e na avaliação das políticas públicas (BRASIL, 2013a, p. 67). DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA A NOB SUAS 2005 classifica os mu- nicípios brasileiros em cinco portes. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA I. Definição da agenda: etapa na qual um problema adquire rele- vância política, tal que passará a receber atenção prioritária dos gestores públicos. São várias as questões de políticas públicas, mas apenas algumas se tornam problemas de políticas públi- cas, ou seja, entram na agenda. A definição do problema, quan- do entra na agenda, tem impactos diretos sobre as alternativas e as soluções que a ele serão apresentadas. 16 CEGOV | UFRGS DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Você conhece os pra- zos para a elabora- ção do orçamento? FEDERAL: PPA é en- caminhado pelo Exe- cutivo ao Congresso até 31/08 do primei- ro ano de cada novo governo; LDO deve ser apresentada até 15/04; LOA até 31/08. No Congres- so Nacional, a LDO deve ser aprovada até o dia 17/07 e a LOA até 22/12. ESTADUAL: Executivo envia para Assem- bléia até 15/09. Recebe para sanção até 30/11. MUNICIPAL: Executivo envia para Câmara até 15/10. Recebe para sanção até 15/12. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Todo gasto no âmbito público com ação ou benefício governamental para cidadãos deve ser precedido de elabo- ração e aprovação de lei específica, além da aprovação dos Conselhos. II. Formulação das alternativas: etapa que consiste na definição das alternativas possíveis de tratamento do problema, confor- me os objetivos a serem alcançados e os meios disponíveis para a solução do problema identificado. Envolve, pelo menos, uma avaliação preliminar sobre os custos e benefícios das várias op- ções de ação disponíveis, assim como uma avaliação das chan- ces do projeto se impor na arena política. III. Tomada de decisão: : etapa em que se adota uma ou um con- junto de alternativas possíveis, ponderando expectativas de resultados e custos para sua obtenção, segundo os meios a se- rem empregados. Normalmente precedem ao ato de decisão processos de conflito e de acordo envolvendo os atores mais influentes na política e na administração. IV. Implementação: etapa em que se procede à execução das ações planejadas para a consecução dos objetivos delineados. Este período pode ser o principal responsável pelo baixo impacto da política formulada. A implementação estabelece a conexão entre a intenção do planejamento e o resultado alcançado. Nes- ta etapa se põe à prova a qualidade da decisão tomada e sua adequação ao mundo do possível. No momento da implemen- tação surgem os obstáculos, previstos ou não, à execução do planejado, exigindo desenvoltura e liderança dos gestores para superá-los. Durante a implementação, surgem problemas me- nores, com a respectiva formulação das alternativas e de toma- da de decisão, que pode “subir” para os tomadores de decisão, mas muitas vezes permanecem no nível dos implementadores. V. Avaliação dos resultados: etapa em que se apreciam os resulta- dos e os impactos produzidos pelo programa. Busca-se verificar o atendimento e o não atendimento dos resultados esperados, assim como os efeitos colaterais indesejados, visando deduzir as ações necessárias daí em diante: seja a suspensão da política, seja sua modificação ou manutenção. Trata-se de uma fase de importante aprendizagem (BRASIL, 2013 a, p. 67). A organização teórica do ciclo de gestão de políticas públicas permite a compreensão do trabalho a ser realizado para a consecução da política de assistência social. Para este planejamento na perspectiva es- tratégica e participativa, vários atores são partícipes, configurando-se em um processo que envolve a interação de muitos agentes, com diferentes interesses. Faz parte deste processo a presença de movimentos de apoios, assim como de resistências, repleto de avanços e retrocessos, e com acon- tecimentos não necessariamente na sequência esperada e não plenamen- te antecipáveis (JANNUZZI, 2013). 17CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.1 A tríade PPA – LDO – LOA forma a base de um sistema integrado de planejamento e orçamento. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO ORÇAMENTÁRIO: PPA, LDO E LOA Vale destacar que esse tema tem sido tratado de forma mais detalhada no curso de Gestão Financeira, no entanto, é altamente recomendado que gestores e técnicos do SUAS conheça o processo orçamentário pú- blico. O orçamento público, em sentido amplo, é um documento legal, aprovado por lei, contendo a previsão de receitas e a estimativa de despe- sas a serem realizadas por um Governo em um determinado exercício. Ini- cia-se com um texto elaborado pelo Poder Executivo e entregue ao Poder Legislativo para discussão, aprovação e conversão em lei. O documento contém a estimativa de arrecadação das receitas (federais, estaduais e mu- nicipais) para o ano seguinte e a autorização para a realização de despesas do Governo. O orçamento público é um instrumento estratégico de pla- nejamento das ações do Estado. Ao definir os campos de investimentos priorizados pelo governo, o orçamento público revela-se de fundamental importância para a implementação das políticas públicas (BRASIL, Cader- no de Gestão Financeira e Orçamentária do SUAS, MDS, 2013). Os instrumentos de planejamento orçamentário, definidos pela Constituição Federal de 1988 são: o Plano Plurianual - PPA, a Lei de Dire- trizes Orçamentares - LDO e a Lei de Orçamentária Anual – LOA. Deste modo, refletir e problematizar a respeito torna-se fundamental para com- preensão do ato de planejar no sistema público para efetivação de todas as políticas públicas, inclusive a política de assistência social. A elaboração destes instrumentos (PPA, LDO e LOA) é de ini- ciativa privativa do Chefe do Poder Executivo, de acordo com o art.165 da Constituição Federal de 1988. Após a sua elaboração, o Chefe do Executivo (Presidente do País, Governador dos Estados e Prefeitos dos Municípios) encaminha para o poder Legislativo (Congresso Nacional, Assembléia Legislativa e Câmara de Vereadores) fazer a sua apreciação e aprovação, quando o orçamento passará a ser Lei, sancionada pelo chefe do respecti- vo governo. O acompanhamento e fiscalização deste ciclo de planejamen- to deve ser feita pela sociedade organizada, sendo este um dos papeis centrais dos Conselhos das Políticas Públicas, no nosso caso, o da Assis- tência Social. 18 CEGOV | UFRGS Vejamos do que se tratam: • O PPA estabelece as diretrizes, os objetivos e as metas da Ad- ministração Pública para as DESPESAS DE CAPITAL e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada, conforme ex- posto no artigo 165 da Constituição. Ele é elaborado no primeiro ano de governo, portanto, a cada quatro anos. O PPA foi concebido para ser o elemento central do sistema de planejamento, orientando os orçamentos anuais, por meio da LDO (PA- RES e VALLE, 2006). O PPA é um instrumento de planejamento estratégico, de modo que é formado por todos os programas e projetos que o governo pre- tender realizar no período de quatro anos. A consequência disso é que a construção do PPA depende dos planos das políticas públicassetoriais. • A LDO define as metas e prioridades do PPA para o próximo exercício administrativo, estabelecendo as diretrizes para a elaboração e execução da Lei Orçamentária Anual (LOA). A LDO é uma lei anual e esta- belece a conexão entre o PPA e a LOA • A LOA define os recursos necessários para as ações da LDO. Ela deve conter (IBASE, 2008):A lei deve conter (IBASE, 2008): · de forma detalhada, as ações que serão implementadas e exe- cutadas pelo poder público no período de um ano. · todas as receitas e todas as despesas relativas ao orçamento fiscal, o orçamento da seguridade social e o orçamento de in- vestimentos, para um ano de exercício. LOA - É uma lei ordinária, cuja validade abrange somente o exercício fis- cal a que se refere. Tem como um dos objetivos centrais o cumprimento ano a ano das etapas do PPA em consonância com a LDO. É o orçamento propriamente dito. (Caderno de Gestão Financeira e Orçamentária do SUAS, do MDS, 2013b). DESPESAS DE CAPITAL Em geral são inves- timentos como a aquisição de bens ou a construção de equipamentos para prestação de serviços públicos. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA 19CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.1Figura 01 – Ciclo Orçamentário no Brasil Fonte: elaboração própria. Entre os objetivos de um PPA, podem ser elencados os principais e mais importantes: ü Definir com a máxima clareza e objetividade possível quais são os grandes problemas, programas, objetivos e metas a serem priori- zados pelo governo municipal, bem como os resultados esperados; ü Organizar os programas e ações responsáveis pela oferta de bens e serviços demandados pela sociedade, em especial os seg- mentos mais fragilizados; ü Estabelecer critérios para nortear a alocação dos orçamentos anuais; ü Definir diretrizes do sistema de gestão do planejamento, como a definição clara de responsabilidades pelas ações do governo, pelo monitoramento e avaliação das metas do plano e como ele será corrigido durante sua execução; 20 CEGOV | UFRGS ü Integração das prioridades municipais com as diretrizes e prio- ridades dos planejamentos do Estado e do Governo Federal; ü Estabelecer diretrizes para uma gestão democrática do plane- jamento e dos recursos financeiros do município (BRASIL, MPOG, 2013c, p.12). Figura 02 – Sistema integrado de planejamento e orçamento brasileiro Fonte: elaboração CEGOV com base em Brasil (MPOG, 2014), 2015. Figura 03 - Os instrumentos de planejamento em perspectiva temporal, exemplo da Município Fonte: elaboração SNAS/MDS, 2016. Em síntese, no período de quatro anos, o PPA, como elemento central do sistema de planejamento, orienta as metas e prioridades a se- rem realizadas por meio da LDO, assim como sobre os recursos necessá- rios para o alcance dos seus objetivos por meio da LOA, ambas de abran- gência anual e por iniciativa do executivo, como a figura 03 demonstra. Conforme expresso na NOB/SUAS de 2012 (art. 19), os Planos de Assistência Social (PAS) devem ser elaborados a cada 4 (quatro) anos, de acordo com os períodos de elaboração do Plano Plurianual (PPA) de cada ente federado. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA A União, os estados, o DF e os municí- pios devem elaborar os respectivos pla- nos de assistência social a cada quatro anos, de acordo com os períodos de elaboração do PPA (BRASIL. MDS, 2013b). 21CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.1Assim, o pareamento entre Plano de Assistência Social e o PPA tor- na possível o reflexo do primeiro sobre o segundo. O Plano Plurianual é “uma síntese e um retrato do planejamento que se faz em todos os setores do governo, ele deve também primar pelo diálogo que estabelece com os planos setoriais e territoriais” (BRASIL, 2014b). Dessa forma, a LDO e a LOA poderão estabelecer o orçamento necessário para a execução do previsto no PAS. A Figura 03 procura demonstrar que o processo de gestão do PPA “deve também prever atualizações do Plano, de modo a mantê-lo como um instrumento vivo em consonância com as ações reais do Governo” (BRASIL, 2014b). Para isso o monitoramento do PAS e do PPA é central para a avaliação e revisão dos Planos e, assim, se tornam instrumentos impor- tantes de gestão. ARTICULAÇÃO DOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO COM A POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Todos os governantes brasileiros deverão inserir em suas peças orçamentárias as políticas públicas para a área de Assistência Social, con- forme previsto em seus principais normativos – PNAS, NOBSUAS 2012 (Ca- derno de Gestão Financeira e Orçamentária, MDS, 2013b). Portanto, para que as ações de Assistência Social sejam implementadas precisam estar contempladas no PPA, na LDO e na LOA. A Política Nacional de Assistência Social (PNAS), determina que o PPA, a LDO e a LOA contemplem a apresentação dos programas e das ações, em coerência com os Planos de Assistência Social, consi- derando os níveis de complexidade dos serviços, programas, proje- tos e benefícios, alocando-os como sendo de proteção social básica e proteção social especial de média e/ou de alta complexidade (BRASIL, 2004, p. 120). As ações previs- tas no Plano de Assistência Social que não forem incorporadas ao PPA não serão ob- jeto de destinação orçamentária e não poderão ser imple- mentadas. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA 22 CEGOV | UFRGS Isso significa que: O PAS é o docu- mento estratégico para a construção do PPA da União, Estados e Mu- nicípios. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Consulte o Caderno de Gestão Financei- ra e Orçamentária do SUAS, do MDS, 2013b. Sobre isso, a PNAS informa que: O orçamento da Assistência Social deverá ser inserido na proposta de Lei Orçamentária, na função 08 – Assistência Social, sendo os recursos destinados às despesas correntes e de capital relacionadas aos serviços, programas, projetos e benefícios governamentais e não-governamen- tais alocados nos Fundos de Assistência Social (constituídos como uni- dades orçamentárias) e aqueles voltados às atividades-meio, alocados no orçamento do órgão gestor dessa política na referida esfera de gov- erno” (BRASIL, 2004, p.120). A PNAS fornece a diretriz e a plataforma conceitual para a ela- boração dos Planos de Assistência Social, a começar pelo Plano Decenal de Assistência Social (a ser detalhado na Unidade 2). Deve haver uma in- tegração entre as políticas setoriais e a política de assistência social. A articulação dinâmica entre estes instrumentos de planejamento pode ser demonstrada pela Figura 4. 23CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.1Figura 04 - Integração da política de Assistência Social com as políticas setoriais Fonte: elaboração SNAS/MDS, 2016. Fonte: elaboração SNAS/MDS, 2016. O Plano Decenal de Assistência Social deve se refletir no Pacto de Aprimoramento do SUAS, tanto da gestão municipal como da gestão estadual (a ser detalhado na Unidade 2). O Plano Municipal de Assistên- cia Social, por sua vez, deve contemplar as prioridades e metas previstas no Pacto de Aprimoramento do SUAS da gestão municipal. A articulação dinâmica entre estes instrumentos de planejamento pode ser demons- trada pela Figura 5. Figura 05 - Articulação entre Plano Decenal, Pacto de Aprimoramento e Plano Municipal de Assistência Social 24 CEGOV | UFRGS MODELOS DE PLANEJAMENTO Os modelos de planejamento são metodologias para a elabo- ração dos planos. No planejamento tradicional, durante muito tempo utilizado no planejamento governamental, o ator mais importanteé o for- mulador, indivíduo que detém conhecimento técnico e trabalha a serviço dos que têm poder de decisão. Entre várias metodologias de planejamento, vem se destacando o planejamento estratégico situacional. Este prevê a participação de diferentes agentes, considerando a importância dos diferentes conheci- mentos, não só o técnico. . De acordo com a NOB/SUAS, aprovada pela Resolução nº 33, de 12 de dezembro de 2012, do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), o Plano de Assistência Social, previsto pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), é um instrumento de planejamento estratégico que orga- niza, regula e norteia a execução da política de assistência social nas três esferas de governo. Por fim, é o Plano Municipal de Assistência Social (PMAS), elabo- rado quadrienalmente, que se reflete diretamente no PPA e, consequen- temente, na LDO e LOA. O orçamento, expresso na LOA, dará as condições financeiras para a execução do planejamento previsto no PMAS. A articu- lação dinâmica entre estes instrumentos de planejamento e orçamento pode ser demonstrada pelo Diagrama 1. Figura 06 - Articulação entre o sistema de planejamento e orçamento do município e o Plano Municipal de Assistência Social Fonte: elaboração SNAS/MDS, 2016. 25CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.1PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO SITUACIONAL (PES) Nesse tópico será abordado o modelo de planejamento estraté- gico situacional, mas vale destacar a existência de outros modelos que podem ser adotados no processo de planificação. Recomenda-se, no en- tanto, que a escolha dos modelos de planejamento tenha por pressupos- to o aprofundamento do processo de democratização da gestão, desse modo, todo o processo de planejamento deve incluir os diferentes sujei- tos da política de assistência social (gestores, trabalhadores, entidades e usuários). O PES foi idealizado por Carlos Matus (1985) a partir da análise das experiências do planejamento normativo na América Latina. Matus (1985) acreditava que o planejamento era a expressão da liberdade con- quistada pelos indivíduos: de escolher seu futuro. Pois planejar é criar o futuro e não ser arrastado pelos acontecimentos. Assim, o planejamento envolve mudanças sociais. E mudanças geram conflitos. Por isso, o au- tor enfatiza a importância de considerar e inserir no processo de plane- jamento os ATORES SOCIAIS, afastando-se dos princípios do planejamento normativo. O ator para Matus sintetiza Artmann (2000, p. 4) precisa de algumas características: ter base organizativa, ter um projeto definido e controlar variáveis importantes para a situação. ATORES SOCIAIS É uma personalidade, uma organização ou agrupamento hu- mano que, de forma estável ou transitória, tem a capacidade de acumular força, desenvolver inter- esses e necessidades e atuar produzindo fatos na situação (MATUS,1993). DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Figura 06 - Implicações do planejamento estratégico situacional Fonte: elaboração CEGOV, 2015. O plano, que é o produto do processo de planejamento, dá foco e direcionamento ao governo. E, se a função do governo é agir e transformar a realidade, precisa planejar. Matus (1985) criou o Triângu- lo de Governo para explicar os fundamentos do PES, no qual em cada vértice está o Projeto de Governo, a Governabilidade e a Capacidade de Governo, de forma vinculada e interdependente. 26 CEGOV | UFRGS Figura 07 – Triângulo de Governo Fonte: Matus (1985). O pressuposto deste planejamento é de que a realidade social e econômica é dinâmica, com a presença de diversas forças e atores sociais, que historicamente são constituídos e organizados, sendo necessária a análise de conjuntura para o desvelamento permanente desta realidade. Assim, governar requer uma situação de poder compar- tido, de modo a criar as condições favoráveis de êxito nos propósitos, ou seja, obter governabilidade. Para Matus (1989), os vários atores em cena no contexto social têm seus objetivos e fazem projeções sobre mudanças necessárias para alterar a situação existente, portanto, são também partí- cipes do processo de planejamento. Esta posição de partilha do poder de decisão sobre as escolhas das ações do governo não exime o gestor da sua responsabilidade públi- ca, imanada do sufrágio universal para dirigir e executar. Porém, introduz o elemento da participação e da coresponsabilização na elaboração dos planos de ação. O planejamento passa a estar intrinsecamente vinculado à ação e aos resultados/impactos, e não somente ao cálculo que antecede a ação. Deste modo, o planejamento “se refere a oportunidades e a problemas reais” que a sociedade e seus setores apresentam (MATUS, 1989, p. 113). “O coração do plano é a tentativa de governar um processo, e um processo só se governa por meio da ação. Consequentemente, a planificação se refere ao presente e isto lhe dá um grande sentido prático” (MATUS, 1989, p. 111). O que esta afirmação de Matus significa? Você participa ou viabiliza a participação de diferentes atores sociais no planejamento das ações no âmbito da Assistên- cia Social? DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA DI CA CO NC EI TO CO NV ER SA CO M O G ES TO R AC ES SE RE FL IT A LE IA A LE I AT EN Çà O SA IB A LE IA FE RR AM EN TA S SA GI VI DE OT EC A 27CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.1 O PES salienta que o contexto de elaboração do Plano é de in- certeza, já que trata de dinâmicas sociais. Desta forma, o governo poderá controlar algumas variáveis, mas não controlará todas. Por isso a impor- tância da ampliação dos atores participantes, para além do núcleo técnico de planejamento. A dinâmica de execução do PES é formada por quatro mo- mentos: Explicativo, Normativo, Estratégico e Tácito-Operacional. Figura 08 – Definição dos fundamentos do PES por meio do Triângulo de Governo em Matus (1989) Fonte: elaboração CEGOV, 2015. Figura 09 - Momentos do Planejamento Estratégico Situacional Fonte: elaboração própria. O MOMENTO EXPLICATIVO Nesse momento, o ator responsável pelo processo de planejamen- to estuda as oportunidades e os problemas que enfrenta, tentando expli- car suas causas. É o momento da elaboração da explicação situacional. A “situação” refere-se a um recorte problemático da realidade, realizado por um dado ator em função de sua relação com outros atores. Nesse sentido, a explicação situacional: • não é única; • refere-se a múltiplas dimensões da realidade: política, econômi- ca, cultural, ecológica; • é interdisciplinar e multissetorial; • é dinâmica; • e conforma um espaço de conflito. 1 28 CEGOV | UFRGS No momento explicativo são selecionados os fatos problemáticos e são construídas as explicações para eles. Em síntese, o primeiro problema é identificar corretamente os problemas e explicá-los situacionalmente; quer dizer, dife- renciar as explicações, para saber não apenas onde atuar para enfrentá-los, como também perante quem devemos fazê-lo (MATUS, 2006, p. 125). No PES, um problema corresponde a uma realidade insatisfatória e superável que provoca a ação do governo e dos atores sociais. Esta ação é projetada por meio do plano. São delimitados dois tipos de problemas, o que passamos a tratar a seguir. Figura 10 – Tipos de problemas segundo o Planejamento Estratégico Situacional Fonte: elaboração CEGOV com base em Artmann (2000), 2015. O momento explicativo é formado pelas seguintes fases: SELEÇÃO DOS PROBLEMAS A seleção dos problemas poder ser realizada por um grupo de atores ou por um ator responsável pelo processo. Se for realizada por um grupo, pode-se utilizar a dinâmica denominada “chu- va de ideias”, por exemplo. Se for realizada por um ator, a avaliação dos problemas deve ser feita segun- do os seguintescritérios: valor do problema para o ator, para outros agentes e para a população; custo econômico e político das soluções. Outros critérios podem ser adicionados, conforme as necessidades dos decisores. 29CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.1 DESCRIÇÃO DOS PROBLEMAS A descrição dos problemas é feita por meio de indicadores sociais que per- mitam caracterizá-lo. Para melhor descrição, é importante usar indicadores qualitativos e quantitativos. A descrição não deve explicar o problema, mas expressá-lo por meio de seus “sintomas”, mostrando como o problema se apresenta. Por exemplo: Uma situação de violação de direitos relevante é a de famílias com baixa renda familiar e com uma pessoa idosa entre os seus membros. Esta situação precisa ser conhecida na sua globalidade no município (ou no estado, quando for o caso) considerando seu porte e outras especificidades regionais, para serem pensadas ações necessárias, ou seja, ser realizado o planejamento. Para a caracterização da situação se utilizará de INDICADORES que mostrem a quantidade de idosos nessa situação, quais as características das suas famílias, se vivem com suas famílias, trata-se, portando de construir um conjunto de indicadores que permitam identificar qual a condição de vulnerabilidade e desproteção na perspectiva socioterritorial. INDICADORES SOCIAIS São medidas usadas para transformar con- ceitos abstratos, como “fome” ou “miséria”, em algo que possa ser analisado e quanti- ficado. (JANNUZZI, 2005). DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Podemos considerar como exemplos de indicadores sociais utilizados para a caracterização de uma determinada situação que está sendo analisada: a proporção de pobres, a taxa de analfabetismo, o rendi- mento médio do trabalho, as taxas de mortalidade infantil, as taxas de de- semprego, a proporção de crianças matriculadas em escolas, entre tantos outros. Os indicadores podem ser classificados como: OBJETIVOS Dizem respeito aos eventos con- cretos da realidade social. Normal- mente são quantitativos, construí- dos a partir de estatísticas públicas ou registros administrativos. São exemplos de indicadores ob- jetivos: taxa de evasão escolar e domicílios com acesso à rede de água. SUBJETIVOS Em geral são qualitativos, pois são cons- truídos a partir da avaliação dos indiví- duos ou especialistas com relação a dife- rentes aspectos da realidade, levantadas em pesquisas de opinião pública ou gru- pos de discussão. São exemplos de indicadores subjetivos: índice de confiança nas instituições e ava- liação sobre desempenho dos governan- tes (JANNUZZI, 2005). CONSTRUÇÃO DA REDE DE CAUSALIDADE Uma vez descritos os problemas, deve-se definir suas causas imediatas, in- termediárias e de fundo dos problemas. Para isso, são utilizadas ferramentas de planejamento. 30 CEGOV | UFRGS O PES, sendo um enfoque flexível, permite a utilização de ou- tras técnicas ou enfoques que complementem a análise dos problemas bem como facilitem a construção de propostas par- ticipativas e a busca de adesão ao plano de ação (ARTMANN, 2000, p. 28). Uma ferramenta que auxilia nessa tarefa é a técnica da Árvore de Problemas. A árvore de problemas é uma representação gráfica de uma situação-problema (tronco), suas principais causas (raízes) e os efeitos ne- gativos que ela provoca na população-alvo (galhos e folhas). Para garantir a mudança pretendida na situação problema, as ações do programa deve- rão intervir em causas selecionadas como críticas. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Existem distintas fer- ramentas de plane- jamento apropriadas para situações de baixa e alta comple- xidade. Veja o docu- mento Programa de Apoio à Elaboração e Implementação dos PPAs Municipais 2014-2017 (BRASIL, 2013). Figura 11 - Esquema da Árvore de Problemas Fonte: elaboração própria. DEFINIÇÃO DOS NÓS CRÍTICOS DESCRIÇÃO DOS NÓS CRÍTICOS Na Figura 11 se constata que um problema tem muitas causas. Os nós críti- cos são as causas que serão enfrentadas. Ou seja, para as quais serão elabo- radas propostas de ação. O processo de seleção das causas pode ser realiza- do respondendo as questões: - Intervenção sobre a causa modificará positivamente o problema? - Podemos agir sobre a causa? - Politicamente é oportuno agir? Quando as resposta for sim, temos um nó crítico! Na descrição dos nós críticos devem-se identificar os atores, grupos ou instituições que controlam os nós e se esses atores estão dentro ou fora do espaço de governabilidade de quem planeja. Por exemplo: Se trabalharmos com um problema organizacional, definimos que a baixa resolutividade dos atendimentos se deve à falta de capacitação dos funcio- nários (causa imediata). Decidimos que devemos enfrentar essa causa. Na descrição desse nó crítico, perguntamos: quem tem controle sobre essa questão? O sindicato? O departamento responsável pela gestão de pessoal? Em seguida perguntamos: podemos influenciar esses atores? Podemos de- finir suas ações? 31CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.1Por exemplo: Se trabalhamos com um problema organizacional, definimos que a baixa resolutividade dos atendimentos se deve à falta de capacitação dos funcionários (causa imediata). Decidimos que devemos enfrentar essa causa. Na descrição desse nó crítico, perguntamos: quem tem controle sobre essa questão? O sindicato? O departamento responsável pela gestão de pessoal? Em seguida perguntamos: podemos influenciar esses atores? Podemos de- finir suas ações? O MOMENTO NORMATIVO OU PRESCRITIVO Nesse momento, é feito o desenho do plano de intervenção que agirá sobre os nós críticos. O momento normativo é formado pelas seguin- tes etapas: Figura 12 - Etapas do momento normativo ou prescritivo Fonte: elaboração própria. DEFINIÇÃO DA SITUAÇÃO-OBJETIVO DEFINIÇÃO DAS PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO DESAGREGAÇÃO DAS PROPOSTAS EM AÇÕES Trata-se da definição da situação desejada. Uma forma de fazer isso é trans- formar os descritores dos problemas em resultados esperados. Por exemplo: No caso da situação de famílias com baixa renda familiar e um de seus membros ser uma pessoa idosa, podemos construir a seguinte situação-objetivo: promover o aumento de renda das famílias por meio da inserção em programas de garantia de renda. Na linguagem do PES, as propostas de intervenção são operações. Essas em- pregam recursos: organizacionais, políticos, financeiros e cognitivos. Para cada nó crítico, deve ser elaborada pelo menos uma operação. Elas de- vem ser enunciadas de forma sintética, por meio de verbos que expressem ações concretas. Por exemplo: No caso do nó crítico “baixa renda familiar” das famílias com idosos, uma operação pode ser enunciada da seguinte forma: inserir as famí- lias em programas de garantia de renda. A desagregação é um movimento de especificação, de planejamento ope- racional. Por exemplo: Na operação “inserir famílias de baixa renda em programas de garantia de renda”, como podemos operacionalizar isso? Criando ações: • Ação 1: realizar busca ativa nos bairros com maior incidência de idosos em famílias com baixa renda. • Ação 2: realizar atividades para inserir as famílias em programas de ga- rantia de renda. Nas ações devem ser apontados os responsáveis e os recursos que serão uti- lizados. 2 32 CEGOV | UFRGS O MOMENTO ESTRATÉGICO É o momento da atividade política que visa a construção da viabi- lidade do plano. A análise da viabilidade é feita em três níveis: 1. Definição dos recursos críticos para as operações. 2. Identificação dos atores que controlam esses recursos. O peso dos atores no processo de planejamento está relacionado aos recur- sos que controlam, quais sejam: • Poder político: controle sobre centros de decisão. • Poder econômico: controle sobreatividades produtivas e financeiras, como as decisões orçamentárias. • Poder comunicacional: controle dos meios de comunicação. • Poder cognitivo e organizativo: controle sobre capacidades científicas e técnicas. 3. Identificação do interesse dos atores e do valor que atribuem às operações. Ou seja, trata-se da análise da motivação dos atores frente às operações. O objetivo desse momento é identificar as operações que enfren- tam conflitos viáveis e não viáveis. No caso da identificação de conflitos não viáveis deve-se decidir pela exclusão da operação ou pelo investimen- to no convencimento dos atores que se opõem. IDENTIFICAÇÃO DOS ATORES DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Consulte o texto: ARTMANN, Elizabe- th. O Planejamento Estratégico-Situacio- nal no nível local: um instrumento a favor da visão multisseto- rial. Cadernos Oficina Social, 2000. 3 O MOMENTO TÁTICO-OPERACIONAL Trata-se do momento de gestão do plano. O PES apresenta os se- guintes sistemas de gestão estratégica: AGENDA DO DIRIGENTE PRESTAÇÃO DE CONTAS GERÊNCIA POR OPERAÇÕES Por “dirigente”, entende-se o grupo preocupado com as questões estraté- gicas, ou seja, prioridades de longo prazo. A agenda do dirigente é, assim, uma lista de questões prioritárias que mantém o dirigente com foco nos objetivos e minimiza a interferência das questões urgentes. A agenda do dirigente é um sistema de direcionamento. A prestação de contas é um sistema de responsabilização. Ela é realizada sobre o andamento das operações, por isso é importante a definição de um responsável por cada operação. O objetivo da gerência por operações é verificar se as ações atingem seu resultado. Envolve monitoramento e avaliação das ações. 4 33CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.1NESTA AULA VOCÊ APRENDEU QUE: ü O planejamento é uma função inerente ao cargo de gestor público. ü O produto do planejamento, o plano, é um instrumento que dá direção ao governo e promove a transparência de suas ações. ü O Plano de Assistência Social está vinculado aos instrumentos de planejamento governamental: o PPA, a LDO e a LOA. ü Existem modelos de planejamento que oferecem passos para a elaboração de planos. ü O planejamento estratégico situacional é o recomendado para a política de assistência social, por possibilitar a participação de todos os atores envolvidos com o SUAS e contemplar a dinâmica inerente à elaboração de políticas públicas. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Como você pode colaborar na real- ização de um plane- jamento estratégico situacional no seu município, visando à elaboração do Plano de Assistência Social? DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA 34 CEGOV | UFRGS 35CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Esta unidade tem como objetivos de aprendizagem: • conceituar o PAS à luz dos principais normativos do SUAS; • identificar a relação e a complementariedade entre PAS, Pacto de Aprimoramento do SUAS e Plano de Ação; • compreender como as instâncias de pactuação e deliberação da Po- lítica de Assistência Social podem contribuir na elaboração do PAS; e • identificar o papel de diferentes atores sociais na construção do PAS. O QUE É O PLANO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (PAS)? Para tratarmos sobre o Plano de Assistência Social é preciso reco- nhecê-lo como instrumento de planejamento estratégico que organiza e orienta a execução da Política Nacional de Assistência Social na pers- pectiva do Sistema Único de Assistência Social – SUAS (BRASIL, 2012). O SUAS é definido no artigo 1º da NOB/SUAS 2012 é um sistema público não contributivo, descentralizado e participativo e que tem por funções a pro- teção social, a vigilância socioassistencial e a defesa de direitos. Sendo assim, para que se faz necessário o Plano de Assistên- cia Social? Para que se cumpram as definições e os objetivos da Lei Orgâni- ca da Assistência Social (1993): Art. 1º - “A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mí- nimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas” (BRASIL, 1993). Este artigo primeiro da LOAS é um enunciado geral que oferece as informações essenciais e basilares da política. A partir destes fundamen- tos, os atores podem compreender a importância da tarefa de elaboração do PAS! MÓDULO 1 unidade 1.2 DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA 36 CEGOV | UFRGS NORMA OPERACIONAL BÁSICA DO SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – NOB/SUAS (2012) A NOB/SUAS 2012 determina que é uma responsabilidade dos go- vernos organizar e coordenar o SUAS em seu território. Nesse contexto, o Plano de Assistência Social é uma ferramenta para dar diretrizes, priorizar, organizar e operacionalizar a Política de Assistência Social. O Plano é uma ferramenta de gestão que dá foco e direciona- mento aos governos, pois nele estão contidos os objetivos da gestão e as ações que serão desenvolvidas para alcançá-los, conforme já citado anteriormente. Além de um instrumento de gestão, o Plano também é um mecanismo de transparência, pois torna pública as intenções dos ges- tores públicos e oferece um parâmetro para avaliação da administração. O Plano de Assistência Social é também a condição para os repasses financeiros dos recursos da União aos Municípios, aos Estados e ao Distrito Federal, como previsto na LOAS (BRASIL, 2004) no seu artigo 30, que também requer a efetiva instituição e funcionamento de: I. Conselho de Assistência Social, de composição paritária entre governo e sociedade civil; II. Fundo de Assistência Social, com orientação e controle dos res- pectivos Conselhos de Assistência Social; III. Plano de Assistência Social. O Plano, juntamente com o Fundo e o Conselho de Assistência So- cial, é uma exigência para o cofinanciamento federal. A estrutura do Plano de Assistência Social está normatizada na NOB/SUAS (2012), e deve ser formada pelos seguintes elementos: • Diagnóstico socioterritorial; • Objetivos gerais e específicos; • Diretrizes e prioridades deliberadas; • Ações estratégicas correspondentes para sua implementação; • Metas estabelecidas; • Resultados e impactos esperados; • Recursos materiais, humanos e financeiros disponíveis e neces- sários; • Mecanismos e fontes de financiamento; • Cobertura da rede prestadora de serviços; • Indicadores de monitoramento e avaliação; • Espaço temporal de execução. Todos esses elementos serão oportunamente explicados no Mó- dulo 2, Unidade 2.2. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA A Resolução CNAS nº 33, de 12 de dezem- bro de 2012 - Aprova a Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social - NOB/SUAS. 37CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.2Com isso, a norma oferece: • uma estrutura de apresentação do plano: determina todos os elementos que devem constar no documento; • e um modelo de planejamento: a estrutura acaba formando um sistema de passos sequenciais para a elaboração do plano. Além das questões citadas, a NOB/SUAS 2012, em seu artigo 22, in- forma que os Planos de Assistência Social devem observar: I. Deliberações das conferências de assistência social para a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II. Metas nacionais pactuadas, que expressam o compromisso para o aprimoramento do SUAS para a União, os Estados, o Dis- trito Federal e os Municípios; III. Metas estaduais pactuadas que expressam o compromisso parao aprimoramento do SUAS para Estados e Municípios; IV. Observar as prioridades do Plano Decenal V. Ações articuladas e intersetoriais; VI. Ações de apoio técnico e financeiro à gestão descentralizada do SUAS. Os planos devem ser elaborados a cada quatro anos, de acordo com o período de elab- oração do Plano Plurianual (Art. 19 da NOB/SUAS 2012). DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Outro aspecto importante de ser considerado no processo de ela- boração do Plano de Assistência Social é a identificação das vulnerabilida- des, violações de direitos e desproteções sociais existentes nos territórios de abrangência do PAS. Para a gestão e a oferta de serviços no SUAS o território deve ser compreendido para além dos aspectos naturais (físicos, geográficos e po- pulacionais), mas também incorpora as dimensões culturais, econômicas e políticas, ocupado por diferentes atores que fazem usos os mais variados desse ambiente e estabelecem relações as mais diversas (CONTEL, 2015; RIBEIRO, 2015). Os territórios se diferem em razão da sua trajetória histó- rica e das dinâmicas que neles ocorrem e que podem variar no tempo, ou seja, há relações que ocorrem simultaneamente e que incidem no terri- tório, como também há uma trajetória que deixa marcas e produz espe- cificidades. Nessa perspectiva, o território pode assumir dimensões mais restritas ou mais amplas, diferindo a escala desde o micro território, como regiões ou bairros de uma cidade, até o nível nacional, por exemplo. A territorialização, portanto, passa a ser compreendida como o processo de trabalho que “segue a lógica do reconhecimento do espaço” para a inter- venção (DUARTE et al, 2015, p.9). O Sistema Único de Assistência Social, ao adotar a lógica territorial como um de seus pressupostos de gestão, o fez na perspectiva de apri- morar o conhecimento da realidade social; de melhorar o acesso dos des- tinatários aos serviços e benefícios; de favorecer a articulação da rede de serviços; de potencializar a intersetorialidade como estratégia de gestão; de possibilitar a integração entre serviços e benefícios; e de aprofundar e materializar processos participativos. 38 CEGOV | UFRGS A NOB-SUAS/2012 aponta a importância da leitura territorial para a implantação dos equipamentos (em especial de CRAS e CREAS) conside- rando a análise e o reconhecimento das vulnerabilidades e riscos sociais e pessoais e das violações de direito nos territórios. Ao descrever os obje- tivos do SUAS indica ainda a dimensão do território como uma forma de identificação das diversidades culturais, étnicas, religiosas, socioeconômi- cas, políticas. O diagnóstico socioterritorial de que trata a NOB-SUAS/2012 é fundamental para se conhecer as reais necessidades da população bene- ficiária da política de assistência social. Além disso, a gestão da política de assistência social, que se define pela implementação de ações integradas, reconhece a dimensão dialética do território que pode e deve incorporar as vidas cotidianas. Conforme afirma Milton Santos: “a sociedade incide sobre o território, e este, sobre a sociedade” (SANTOS, 2000, p. 70). Koga (2003) salienta que se deve “considerar as diferenças inter- nas de um mesmo território e, consequentemente, elencar prioridades diferenciadas, seguindo as necessidades de cada população”. Ainda, a au- tora defende que O território também representa o chão do exercício da cida- dania, pois cidadania significa vida ativa no território, onde se concretizam as relações sociais, as relações de vizinhança e solidariedade, as relações de poder. É no território que as desigualdades sociais tornam-se evidentes entre os cida- dãos, as condições de vida entre moradores de uma mesma cidade mostram-se diferenciadas, a presença/ausência dos serviços públicos se faz sentir e a qualidade destes mesmos serviços apresentam-se desiguais (KOGA, 2003, p.33). O território imprime à rede de serviços públicos descen- tralizados responsabilidades sob seu campo de proteção e garantia de direito, assim como permite valorizar a vida de relações, reconhece o espaço de todos, das práticas, da vida coletiva, das forças presentes, das potencialidades e habili- dades ali presentes. Desse modo, a concepção que demarca a política de assistência social funda-se na compreensão de que território é resultante de múltiplas determinações que se definem no espaço de vivência, incluindo a dimensão po- lítica constituída das relações de poder e de interesses anta- gônicos e contraditórios que são expressas no modo como se organizam as esferas de dominação e de decisões; aspec- tos econômicos e que reverberam a sua infraestrutura; e a sua dimensão subjetiva constituída pelo coletivo que esta- belece (KOGA, 2003). A dimensão territorial, a diversidade regional e as diferentes den- sidades demográficas dos municípios no Brasil exigiram do SUAS e de sua perspectiva territorial que sejam considerados esses fatores na estrutura- ção dos serviços, tanto de proteção social básica como especial. Espera-se que, para além da diretriz de descentralização prevista nos preceitos nor- mativos e que reforça a importância da rede e da especificidade municipal e regional, a gestão da política de assistência social, considere o território de abrangência dos serviços com suas especificidades históricas, políticas, econômicas e culturais. A perspectiva territorial na gestão do SUAS favorece sua capaci- 39CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.2dade de ampliar seu foco para além de indivíduos e famílias alcançando grupos populacionais, considerando as diferentes realidades, a história, as relações de poder, a estrutura e as dinâmicas próprias. A atuação sobre o território significa a atuação no plano coletivo com o compromisso e esta- belecimento de vínculos reais entre as equipes de referência dos serviços e os territórios, “uma aliança estratégica”, como nos ensina Rizzotti (2011, p. 65), entre os profissionais, o território e os usuários, de forma a desen- volver intervenções que possibilitem a promover na população a “coletivi- zação” na reflexão sobre os problemas, assim como construção das estra- tégias igualmente coletivas para o seu enfrentamento ou superação. Ao considerarmos que a assistência social responder a três gran- des seguranças sociais: acolhida, convivência e sobrevivência, o caráter protetivo desta política é acionado diante as inúmeras situações de des- proteção vivenciadas pela população usuária do SUAS. A consolidação destas seguranças da política de assistência social em todas as esferas de governo vai permitir “a transição da atenção pautada em indivíduos para o compromisso com a demanda ou a totalidade de manifestações de des- proteções, enquanto direção (BRASIL, CapacitaSuas, 2013, p.67). Portanto, a identificação nos territórios das incidências de demandas tanto as que são atendidas quanto as chamadas reprimidas, e a capacidade para reconhecer as ocorrências, irá contribuir para a constru- ção de respostas a serem garantidas pela gestão do SUAS. Para a elaboração do Plano de Assistência Social é necessário iden- tificar os recursos humanos existentes nos territórios e aqueles ne- cessários, cujos perfis devem estar de acordo com as desproteções sociais e as situações de vulnerabilidade e violações de direitos com as quais a política de assistência social deverá realizar seu atendi- mento junto aos usuários, assim como observar e prever os recursos materiais e de estruturação do trabalho social qualificado (vínculos de trabalho, Planos de Cargos, Carreiras e Salários, remuneração, gratificações, saúde do trabalhador, formação e capacitação, den- tre outros). Dessa forma, a área da Gestão do Trabalho, responsável pela execução das ações de valorização do trabalhador e da estru- turação do processo de trabalho institucional, deve estar integrada ao processode planejamento e construção do Plano. PACTO DE APRIMORAMENTO DO SUAS A política pública de assistência social, pós Constituição Federal de 1988, ganhou maior densidade legal e institucional, ampliando a co- bertura das ações socioassistenciais para todo o território brasileiro. Ainda assim, a construção do Sistema Único de Assistência Social, é um processo em curso, gradual, resultado de normatização, pactuação e de deliberação dos agentes da política e, são as regulamentações, leis complementares e normatizações posteriores à Constituição Federal que vêm dando um novo formato para a política, possibilitando sua implementação e reorde- namento em todo território nacional. 40 CEGOV | UFRGS A gestão descentralizada no âmbito do SUAS permite que todos os entes federados (União, Estados, o Distrito Federal e Municípios) pos- sam compartilhar entre si o processo de tomada de decisões da política de assistência social, assim como o compartilhamento das responsabilidades de implementação, financiamento, monitoramento e avaliação da políti- ca. Em meio às importantes mudanças trazidas pela Constituição Federal de 1988, a gestão descentralizada e participativa da política de assistência social foi uma inovação, inserindo-a no sistema federativo brasileiro de modo que sua formulação e execução devem se dar de forma cooperativa entre os entes federados. Salienta-se que o processo de descentralização da política de as- sistência social, no âmbito do SUAS, apresenta progressos importantes na consolidação da política e na garantia de proteção social à população brasileira. O Pacto de Aprimoramento do SUAS consiste em um dos ins- trumentos fundamentais de gestão por meio do qual os entes federados assumem o compromisso de fortalecimento da gestão, da qualidade na oferta de serviços e benefícios socioassistenciais e cooperação na imple- mentação do SUAS . Nesse sentido, o Pacto assume duas dimensões frente aos entes: • A dimensão da gestão, considerando as suas atribuições na im- plementação do SUAS, • a dimensão política, com o objetivo de fortalecer o Sistema e combater as desigualdades socioterritoriais buscando garantir que muni- cípios, Distrito Federal e estados possuam o mesmo patamar de cobertura dos serviços, benefícios, programas e projetos no âmbito do SUAS. A celebração de um Pacto de aprimoramento da gestão do SUAS já estava prevista nas linhas da Norma Operacional Básica do SUAS – NOB/ SUAS 2005, como responsabilidade dos, estados e do DF frente o aprimo- ramento do Sistema. Dando continuidade aos avanços na implementação do SUAS, a NOB/SUAS 2012 se apresenta como um movimento necessário para abar- car as modificações no âmbito do Sistema, tendo em vista a atualização da LOAS, pela Lei 12.435/2011. Com relação ao Pacto de Aprimoramento, avança, principalmente, no sentido de dar maior visibilidade e importân- cia ao aprimoramento da gestão, visto que, no contexto em que a referida normativa foi formulada, o SUAS estava presente em quase todo o territó- rio brasileiro prestando serviços, benefícios e transferência de renda. O Pacto de Aprimoramento do SUAS, estabelecido pela NOB/ SUAS de 2012, inova a gestão pública da Assistência Social brasileira ao romper com a lógica da “adesão” dos entes federados à gestão do SUAS. A revisão da NOB/SUAS de 2005, materializada na NOB/SUAS de 2012, se deu após a atualização da LOAS, com a Lei Federal nº 12.435/2011, ao afir- mar em seu art. 6º, §2º que “o SUAS é integrado pelos entes federados, pelos respectivos conselhos de assistência social e pelas entidades e organizações de assistência social abrangidas por esta Lei”. Portanto, há uma obrigato- riedade legal para a estruturação e organização da Assistência Social em todo território nacional. 41CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.2 O Pacto de Aprimoramento do SUAS firmado entre a União, os Es- tados, o Distrito Federal e os Municípios é o instrumento pelo qual se materializam as metas e as prioridades nacionais no âmbito do SUAS, e se constitui em mecanismo de indução para o aprimora- mento da gestão, dos serviços, dos programas, projetos e benefí- cios socioassistenciais. Conforme art. 24, da NOB/SUAS 2012, “o Pac- to de Aprimoramento do SUAS compreende: I. definição de indicadores; II. definição de níveis de gestão; III. fixação de prioridades e metas de aprimoramento da gestão, dos serviços, programas, projetos e benefícios socioassisten- ciais do SUAS; IV. planejamento para o alcance de metas de aprimoramento da gestão, dos serviços, programas, projetos e benefícios socioas- sistenciais do SUAS; V. apoio entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municí- pios, para o alcance das metas pactuadas; e, VI. adoção de mecanismos de acompanhamento e avaliação”. A NOB/SUAS 2012 trata da elaboração do Pacto de Aprimora- mento do SUAS, indicando que ele deve conter: i) ações de estruturação e aperfeiçoamento do SUAS em seu âmbito e; ii) planejamento e acom- panhamento da gestão, organização e execução dos serviços, programas, projetos e benefícios socioassistenciais. Determina ainda que: • A periodicidade de elaboração do Pacto será quadrienalmente, com o acompanhamento e a revisão anual das prioridades e metas esta- belecidas. • A pactuação das prioridades e metas se dará no último ano de vigência do PPA de cada ente federativo. • A União deverá pactuar na CIT, no último ano de vigência do PPA de cada ente federativo, a cada 4 (quatro) anos, as prioridades e metas nacionais para Estados, Distrito Federal e Municípios. • Os Estados deverão pactuar nas CIBs, no último ano de vigência do PPA dos Municípios, a cada 4 (quatro) anos, as prioridades e metas re- gionais e estaduais para os municípios, que devem guardar consonância com as prioridades e metas nacionais. (artigo 23, §§1º, 2º, 3º e 4º) 42 CEGOV | UFRGS A RESOLUÇÃO Nº 17, de 18 de NOVEMBRO de 2010 - estabelece pri- oridades nacionais e compromissos para o quadriênio 2011/2014 para Estados e do Distrito Federal. Resolução CNAS Nº 32, de 31 de outubro de 2013 - estabelece a revisão das prioridades e metas específicas para a gestão estad- ual e do Distrito Federal e os compromissos do governo federal, estabelecidos na Resolução nº 17, de 18 de novembro de 2010, da Comissão Intergestores Tripartite – CIT. 1. Resolução nº 18, de 15 de julho de 2013 - dispõe acerca das pri- oridades e metas específicas para a gestão municipal do Sistema Único de Assistência Social – SUAS. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA LE IA A N OR M A A revisão das metas e prioridades pactuadas deve ocorrer anu- almente a partir da análise de indicadores disponíveis nos sistemas na- cionais de estatística, Censo SUAS, Rede SUAS e outros sistemas do MDS. Assim, as metas e prioridades constantes nos planos de assistência social devem estar alinhadas com as metas estaduais e nacionais do Pacto de Aprimoramento do SUAS. O Pacto de aprimoramento municipal e estadual estão orientados em torno de quatro eixos estruturadores: I. Proteção Social Básica II. Proteção Social Especial III. Gestão IV. Controle social O Pacto de Aprimoramento do SUAS e o Plano de Assistência Social devem guardar correlação entre si. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Saiba mais consul- tando a Resolução n. 18, de 15 de julho de 2013. Outra consulta fundamental quando estamos tratando do Pacto de Aprimoramento do SUAS é acessar o Relatório de Informações Sociais. O que é preciso saber sobre o Relatório de Informações Sociais? 43CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.2O Relatório de Informações Sociais - RI Social é um conjunto de re- latórios e boletins com as características demográficas e socioeco- nômicas dos municípios e estados, além de informações sobre os serviços e açõesde assistência social desenvolvidos nessas locali- dades. O gestor obtém, de maneira rápida, dados já sistematizados sobre a realidade em que atua e a capacidade de atendimento so- cioassistencial sob sua responsabilidade. As informações estão di- vididas entre relatórios e boletins. Os relatórios são compostos por tabelas de dados e permitem que o gestor encontre as principais informações sobre a assistência social no seu município de forma rápida e prática. Já os boletins são análises descritivas, nas quais as informações estão dispostas sob a forma de textos, gráficos e tabe- las. Níveis de desagregação das informações: nacional, estadual e mu- nicipal. Quando usar: em todas as fases do diagnóstico municipal, especial- mente: na caracterização social, econômica e demográfica da loca- lidade; na projeção de demandas por serviços de assistência social; no mapeamento da atual capacidade de atendimento socioassis- tencial. Recursos: textos, tabelas, gráficos e mapas. Fontes dos dados: Cen- so IBGE 2010, Munic IBGE 2009, Censo SUAS, Cadastro Único, Rais. Acesso: http://aplicacoes.mds.gov.br/sagi/RIv3/geral/index.php Relatório de Informações Sociais do Pacto de Aprimoramento do SUAS – RI SUAS, é uma ferramenta informatizada que tem por ob- jetivo orientar o planejamento municipal para o alcance das priori- dades e metas do Pacto de Aprimoramento do SUAS (BRASIL, MDS, 2015). O RI é atualizado anualmente buscando observar o cum- primento das metas e a efetivação dos compromissos assumidos entre os entes para a melhoria contínua da gestão, dos serviços, programas, projetos e benefícios socioassistenciais, permitindo a cada ente federado realizar o acompanhamento das suas metas e prioridades e dar os devidos encaminhamentos para o alcance das mesmas. O Pacto de Aprimoramento do SUAS representa um enorme avanço no campo da coordenação e cooperação intergovernamental frente a implementação do Sistema em todo o território brasileiro, pri- mando pela qualidade na gestão e na oferta dos programas, projetos, serviços e benefícios socioassistenciais. Representa, ainda, o esforço dos gestores estaduais e municipais na consolidação do SUAS como um direi- to universal a ser garantido pelo Estado, por meio de política pública, em detrimento de uma histórica visão marcada pela caridade e filantropia no âmbito da Assistência Social. 44 CEGOV | UFRGS O PLANO DECENAL DA ASSISTÊNCIA SOCIAL O SUAS já avançou muito. Mas precisamos avançar sempre mais. A construção do SUAS é um processo em curso, gradual, que requer esfor- ços de todos os entes federados, do Poder Público e da sociedade civil, na luta pela erradicação do trabalho infantil, no enfrentamento da pobreza, da extrema pobreza e das desigualdades sociais, e para a garantia dos di- reitos, conforme disposto na Constituição Federal e na legislação relativa à assistência social. Por que falar em planejamento é tão importante nesse momento? Após uma década de implantação, o estágio atual do SUAS exige plane- jamento para que possamos identificar o que já foi possível fazer e quais demandas da sociedade brasileira ainda precisam ser atendidas. Planeja- mento é fundamental para organizar as atenções oferecidas pela Assistên- cia Social de forma a melhor atender a população. “Assumir uma atitude responsável perante o futuro sem uma compreensão do passado é ter um objetivo sem conhecimen- to. Compreender o passado sem um comprometimento com o futuro é conhecimento sem objetivo”. (Ronald T. Laconte). Para esta análise é preciso um processo de reflexão crítica da re- alidade. É preciso considerar o que cada ente federado foi capaz de fazer, a realidade local e o desempenho quanto aos compromissos previstos no Pacto de Aprimoramento da Gestão Estadual, Municipal e do Distrito Fe- deral que discuta o posicionamento da sociedade brasileira frente ao pa- tamar que o país já atingiu na provisão da proteção social. A NOB 2012, no art. 141, menciona o Plano Decenal. Assim, pre- vê que o Plano Nacional de Assistência Social referente ao período que compreende a publicação da NOB até o ano 2015 consistiria na revisão do Plano Decenal, em consonância com o PPA e as prioridades e metas nacionais do Pacto de Aprimoramento do SUAS. Em 2015 comemoramos uma década de existência do SUAS, 10 anos de uma etapa de estruturação do aparato legal e normativo e im- plementação de uma rede do SUAS com significativa capilaridade. Dentre outros instrumentos, o Plano Decenal 2005-2015 orientou o planejamen- to da política no período. O Plano Decenal da Assistência Social é uma ferramenta de plane- jamento estratégico de longo prazo que deve nortear os Planos de Assis- tência Social de todos os entes federados e as pactuações das prioridades e metas do Pacto de Aprimoramento do SUAS. A cada nova década novas questões se colocam para a área no cenário atual, como o alcance de um novo patamar de qualidade, refleti- do na NOB/SUAS 2012 – de aprimoramento da gestão e qualificação das ofertas – e a provisão da proteção social não contributiva num cenário que anuncia mudanças sociodemográficas, no contexto econômico e altera- ções ambientais e climáticas. São mudanças que incidem nas condições de vida da população brasileira e na produção de vulnerabilidades e riscos sociais desafiando a política de Assistência Social. 45CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.2 PLANO DE AÇÃO - SUAS WEB Como já tratado anteriormente, o Plano de Assistência Social é uma ferramenta de planejamento estratégico, de médio prazo que deve ser elaborado pelo órgão gestor da assistência social a cada quatro anos, sempre com apreciação, discussão e aprovação do respectivo Conselho de Assistência Social, devendo conter os programas e ações que serão executados durante esse período. Complementa esse sistema de planejamento o Plano de Ação, que consiste em instrumento informatizado de planejamento, constante do SUASWeb, disponibilizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome -MDS para lançamento de dados e validação anual das informações relativas às aplicações e transferências regulares e automáti- cas, na modalidade fundo a fundo, do cofinanciamento federal, estadual, municipal e do Distrito Federal da assistência social (Portaria MDS nº 113, de 10 de dezembro de 2015). Para a Conferência Nacional de Assistência Social de 2015 o CNAS assumiu o desafio de ir além dos resultados alcançados pelas conferências antecessoras e projetar o direcionamento da política para os próximos 10 anos. Definiu como tema “Consolidar o SUAS de vez, rumo a 2026”. Para tanto, houve todo um processo de avaliação do Plano Decenal 2005 -2015 e o esforço de apontar, por intermédio do processo conferencial, questões que devam ser priorizadas no planejamento de longo prazo da Política, expresso no Plano Decenal 2016-2026. A construção de diretrizes para Planos Decenais devem partir da reflexão acerca dos acertos e superações que as conferências anteriores e a experiência de implementação do SUAS nos proporcionaram e orientar- -se por uma visão de futuro que considere as mudanças que se anunciam na sociedade brasileira e os principais desafios que a política tem a sua frente. Atenção: O Pacto de Aprimoramento do SUAS, o Plano Decenal e o Plano de Assistência Social devem guardar correlação entre si DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Então o Plano de Ação é um instru- mento que viabiliza o repasse regular e automático do fundo nacional para os fundos estaduais e municipais. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Acesse o Manual Mó- dulo Plano de Ação www.mds.gov.br. 46 CEGOV | UFRGS O Plano de Ação deve ser preenchidopor municípios e estados que recebem cofinanciamento federal para os serviços socioassisten- ciais das Proteções Básica e/ou Especial, programas e projetos, as- sim como os municípios e estados contemplados com a expansão dos serviçossocioassistenciais cofinanciados pelo Governo Federal. Mesmo que o município receba somente um incentivo ele deverá preencher o Plano de Ação, pois é a partir dele que é possível garan- tir a continuidade do repasse deste incentivo. A elaboração dos planos de assistência social viabiliza o repasse regular e automático, entre a União, Estados, Distrito Federal e Municípios e contribui para organização da gestão e da rede socioassistencial. O co- financiamento possibilita a oferta continuada dos serviços, programas e projetos e institui a gestão cooperada e solidária entre as três esferas de governo, essencial para o desempenho da função proteção social desem- penhada pelo SUAS. As informações contidas no Plano de Ação deverão estar em con- sonância com o Plano de Assistência Social dos respectivos Estados, Mu- nicípios e o Distrito Federal, conforme previsto no inciso III do artigo 30 da Lei nº 8.742, de 1993. Constam do Plano de Ação as transferências e aplicações destina- das a cofinanciar a totalidade das ações (inclusive as instituídas durante o exercício financeiro), para ampliar a cobertura da rede, assim como para complementar ou fortalecer as ações existentes. Em dezembro de 2015 o MDS editou a Portaria nº 113, que definiu os prazos para os gestores estaduais e municipais e respectivos conselhos, a partir da abertura do sistema, preencherem o Plano de Ação: • de 60 dias, a partir da abertura do sistema, para os gestores es- taduais e municipais 47CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.2• 30 dias para os respectivos conselhos darem seu parecer, apro- vando ou não o Plano de Ação. O lançamento das informações que compõem o Plano de Ação dos Estados, Municípios e o Distrito Federal e sua avaliação pelo Conselho de Assistência Social deverão ocorrem a cada ano. A Secretaria Nacional de Assistência Social - SNAS editará, anualmente, uma portaria definindo a data de abertura do aplicativo informatizado para preenchimento do Plano de Ação. Observe: Os membros do Conselho deverão ser convocados para reunirem-se ordinária ou extraordinariamente a fim de analisarem o pla- no de ação municipal/estadual/do Distrito Federal. O conselho deve ana- lisar as informações prestadas pelo gestor no Plano de Ação, com base no Plano Municipal de Assistência Social – PMAS e na lei Orçamentária Anual (LOA). Se as informações refletirem as metas e diretrizes estabelecidas no PMAS e na LOA, o Plano de Ação deverá ser aprovado. Observe também que: Após os prazos citados anteriormente, se algum município, estado ou DF não lançar as informações no Plano de Ação e respectiva avaliação do Conselho de Assistência Social competen- te, a SNAS suspenderá o repasse dos recursos federais (conforme incisos I a IV do art. 7º da Portaria 113/2015, até que todo o ciclo de preenchimen- to ocorra, com o parecer favorável do Conselho de Assistência Social. Fica simples entender a importância do Órgão Gestor e do Con- selho cumprirem os prazos de preenchimento, porque o cofinancia- mento das ações do SUAS só é possível com o preenchimento dos instru- mentos eletrônicos (Plano de Ação e o Demonstrativo). O acesso ao Plano de Ação e aos sistemas da RedeSUAS é realiza- do por meio do SAA (Sistema de Autenticação e Autorização) com login e senha individuais, conforme estabelecido na Portaria SNAS Nº 15, de 17 de dezembro de 2010. Se o gestor municipal ou o conselho não lembra mais sua senha, deve fazer contato com o MDS, pelo telefone 0800 707 2003 e solicitar nova senha. O sistema para preenchimento do Plano de Ação 2016 trará uma novidade: A Norma Operacional Básica de 2012 prevê que o cofinancia- mento federal de serviços, programas e projetos de assistência social e de sua gestão, no âmbito do SUAS, poderá ser realizado por meio de Blo- O Demonstrativo Sintético Anual da Execução Físico-Financeira do SUAS é o instrumento de prestação de contas dos recursos federais dos blocos de financiamento da Proteção Social Básica e Especial de Média e Alta Complexidade, dos Programas e dos Projetos, con- tido no sistema informatizado SUASWEB, cujos dados deverão ser lançados pelos gestores estaduais, municipais e do Distrito Fede- ral e submetidos à manifestação do Conselho de Assistência Social competente, quanto ao cumprimento das finalidades dos recursos. 48 CEGOV | UFRGS cos de Financiamento. Pela NOB “consideram-se Blocos de Financiamen- to o conjunto de recursos destinados aos serviços, programas e projetos, devidamente tipificados e agrupados, e à sua gestão, na forma definida em ato do MDS”. Em dezembro de 2015, o MDS pactuou na CIT a Porta- ria 113/2015, que regulamentou o cofinanciamento federal dos SUAS, por meio de blocos de financiamento. BLOCOS DE FINANCIAMENTO COMPONENTES Proteção Social Básica A. Os serviços já instituídos e tipificados e os que virão a ser criados no âmbito de cada Proteção Proteção Social Especial de Média Complexidade Proteção Social Especial de Alta Complexidade Gestão do SUAS B. Índice de Gestão Descentralizadado SUAS – IGD-SUAS Gestão do Programa Bolsa Família e Cadastro Único C. Índice de Gestão Descentralizadado PBF – IGD - PBF OS BLOCOS DE FINANCIAMENTO E SUA COMPOSIÇÃO Além dos Blocos de Financiamento, o sistema do Plano de Ação tratará também dos programas e Projetos Socioassistenciais. • A partir do exercício de 2016, os municípios e estados que não preen- cherem o Plano de Ação, no prazo estabelecido pela SNAS, passam a ter os repasses de recursos federais suspensos até que o Plano de Ação seja preenchido. Somente após a regularização da situação, será realizado pelo FNAS o restabelecimento do pagamento, porém sem retroagir o pagamento. • Importante retomar que o Plano de Ação se agrega ao conjunto de instrumentos de planejamento já estudados – PPA – LDO – LOA e a sua relação é fundamental para a execução dos projetos e ações necessários para o alcance das funções sociais da Política de Assistência Social. • O Plano de Ação não substitui o Plano Municipal ou Estadual de As- sistência Social. Assim como a regulamentação e o funcionamento do Conselho e do Fundo de Assistência Social, a elaboração quadrienal do Plano de Assistência Social é condição para os repasses do cofinan- ciamento federal, conforme previsto no artigo 30 da LOAS. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA 49CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.2Figura 13 – O Plano de Ação e o repasse fundo a fundo Fonte: DGSUAS/SNAS/MDS. A CONSTRUÇÃO DEMOCRÁTICA E PARTICI- PATIVA DO PLANO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL A Constituição Federal de 1988 marca um importante processo de democratização da sociedade brasileira e também da gestão das políticas sociais, pois ao definir as suas diretrizes, aponta para a necessidade de que a gestão das políticas públicas seja participativa. No caso específico da As- sistência social as diretrizes constam do art. 204: As ações governamentais na área da assistência social serão realizadas com recursos do orçamento da seguridade social, previstos no art. 195, além de outras fontes, e organizadas com base nas seguintes diretrizes: I - descentralização político-administrativa, cabendo a coor- denação e as normas gerais à esfera federal e a coordenação e a execução dos respectivos programas às esferas estadual e municipal, bem como a entidades beneficentes e de assis- tência social; II - participação da população, por meio de organizações re- presentativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis. (BRASIL/Constituição Federal de 1988) Esse processo participativo exige tanto a adoção de um modelode gestão que permita aos diferentes sujeitos (conselho, usuários, traba- lhadores, gestores e entidades) dialogarem continuamente nos processos decisórios, quanto o respeito e fortalecimento de instâncias participativas. Dentre essas instâncias reconhece-se que os conselhos de assistência so- cial têm investidura pública para a função do controle social, pois estes http:// www.mds.gov.br/ webarquivos/ publicacao/ assistencia_social/ cartilhas/ SUAS_Orientacoes_c onselhos_controleso cial.pdf SAIBAS 50 CEGOV | UFRGS devem ter representação de todos os segmentos presentes da política de assistência social. No que tange à participação no processo de planificação (elabo- ração, acompanhamento e monitoramento do plano), é de fundamental importância que o gestor e o conselho definam metodologias e caminhos para que se ampliem o diálogo e a capacidade de reconhecer e articular diferentes posicionamentos, pois esse processo permitirá o avanço na po- lítica de assistência social. Destaca-se a importância de se ter um crono- grama de atividades e que sejam privilegiados espaços de diálogos com os usuários e a rede de serviços em seus territórios. Naturalmente o processo de elaboração do Plano de Assistência Social (PAS) exige diferentes funções das instâncias participativas. Tais ins- tâncias, que se organizam nas esferas governamentais, têm funções es- pecíficas, tema este que será tratado no item a seguir, retomando inicial- mente o papel dos conselhos e conferências que se constituem em todas as esferas governamentais. Mas também se destaca o papel das CIBs e CIT, cujas deliberações e metas (constantes, sobretudo, no pacto de aprimora- mento) devem ser consideradas na elaboração dos planos de assistência social dos municípios. Além dos pactos de aprimoramento é de funda- mental importância que os planos municipais de assistência social con- templem o Plano Decenal. O PAPEL DAS INSTÂNCIAS DE PARTICIPAÇÃO, DELIBERAÇÃO, PACTUAÇÃO E CONTROLE SOCIAL NA CONSTRUÇÃO DO PLANO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL São consideradas instâncias de participação e deliberação, os conselhos, as conferências, as comissões bipartites e tripartites, os dife- rentes e diversos fóruns (trabalhadores, usuários) e outras organizações instituídas. Destaca-se, no entanto, que os conselhos e as conferências es- tão presentes em todas as esferas governamentais, pois são requisitos fun- damentais para a implementação do SUAS. Já as comissões de pactuação (CIB e CIT) correspondem às instâncias de governos estaduais e Federal. As CIBs (Comissões Bipartites) estão compostas pela representação de gesto- res municipais e gestores estaduais. A CIT instância de pactuação instituí- da em nível federal está composta por representantes dos colegiados dos gestores municipais, estaduais e o gestor federal. A seguir trataremos, de forma resumida, das funções dessas ins- tâncias participativas com foco em suas atribuições no processo de pla- nificação da política de assistência social. Essas especificidades estão ex- pressas nas normas do SUAS, que inserem o Conselho e as Conferências na estrutura de gestão da política de assistência social como instâncias deliberativas. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Pode-se ler mais sobre o processo e sobre as instâncias de participação no Caderno Capacita- SUAS de Controle Social 51CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.2 As instâncias de deliberação do SUAS estão regulamentadas no ar- tigo 113 da NOB/SUAS 2012: I. o Conselho Nacional de Assistência Social; II. os Conselhos Estaduais de Assistência Social; III. o Conselho de Assistência Social do Distrito Federal; IV. os Conselhos Municipais de Assistência Social. Parágrafo único. As Conferências de Assistência Social deliberam as diretrizes para o aperfeiçoamento da Política de Assistência Social. Os Conselhos são instâncias de controle social. Neles, a sociedade civil pode apresentar demandas e participar do processo de planejamen- to, gestão e controle das políticas públicas de assistência social. O que diz a norma: A Resolução CNAS 237, de 2006, determina que os Conselhos de Assistência Social deverão ser compostos por 50% de represen- tantes do governo e 50% de representantes da sociedade civil. Art. 11. A eleição da sociedade civil ocorrerá em foro próprio, coor- denado pela sociedade civil e sob a supervisão do Ministério Públi- co, tendo como candidatos e/ou eleitores: I. representantes dos usuários ou de organização de usuári- os da assistência social; II. entidades e organizações de assistência social; III. entidades de trabalhadores do setor. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA LE IA A N OR M A Figura 14 - O Plano de Ação e a gestão compartilhada do SUAS nas 3 esferas de governo Fonte: DGSUAS/SNAS/MDS. 52 CEGOV | UFRGS As Conferências são espaços voltados para a avaliação da polí- tica de assistência social e definição de diretrizes para o aprimoramento do SUAS. Elas ocorrem nos três níveis de governo a cada dois anos e são convocadas pelos Conselhos. No que concerne à relação das conferências com a elaboração dos Planos é necessário que suas deliberações sirvam de base para a elaboração dos objetivos e metas de aperfeiçoamento. O processo participativo dos usuários pode ser ampliado, além do reforço na articulação com movimentos sociais e populares, por meio de diversos espaços a serem organizados, conforme o artigo 126 da NOB/SUAS 2012: I. o coletivo de usuários junto aos serviços, programas e projetos socioassistenciais; II. comissão de bairro; III. fórum; IV. entre outros. A elaboração do Plano Municipal de Assistência Social deve con- siderar as decisões tomadas no âmbito das comissões bipartites e triparti- tes, pois definem metas de aprimoramento a serem cumpridas por todas as esferas de governo. Desse modo, a seguir serão apresentadas algumas das principais funções dessas instâncias. Além disso, considerar o Plano Decenal em vigor. As instâncias de pactuação foram criadas pela Norma Operacio- nal Básica da Assistência Social de 1998. Estas instâncias, em conjunto com as instâncias de deliberação, compõem o processo democrático de gestão do SUAS (BRASIL, 2005). A partir do que está posto como responsabilidades das CIBs e CIT, destaca-se seu compromisso com definição de metas de aprimoramento do SUAS para as três esferas de governo. Entende-se por pactuações na gestão da política de assistência social as negociações e acordos estabelecidos entre os entes federativos envolvidos por meio de consensos para a operacionalização e o apri- moramento do SUAS (NOB 2012, Art.133). A elaboração do PAS também requer a presença das instâncias de pactuação - CIT e CIB, esferas de Gestão do SUAS. As instâncias de pactu- ação foram criadas pela Norma Operacional Básica da Assistência Social de 1998 que, em conjunto com as instâncias de deliberação, compõem o processo democrático de gestão do SUAS (BRASIL, 2005). Mas por que PACTUAR? O processo de descentralização das políticas públicas no país, decorrente do processo de democratização, e institucionalizado na Cons- tituição Federal de 1988, criou a necessidade de existirem instâncias de pactuação para que os entes federados possam fazer acordos sobre o cumprimento de suas responsabilidades. PACTUAR Fazer um acordo com; ajustar: pactuar deveres e compro- missos. Realizar um pacto. http://www. dicio.com.br/pactuarDICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA 53CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.2Nos Estados Federativos, a Constituição escrita, como princi- pal contrato fiador do pacto político-territorial, estabelece os termos em que os poderes são exercidos de forma autônoma e partilhada (LIMA,2007). É importante saber que o Brasil tem um sistema federativo de tripla soberania. A união, os estados, o distrito federal, e os municípios são entes autônomos, com autoridade administrativa e jurídica própria, não havendo hierarquia entre os mesmos. Ocorre uma repartição da autori- dade política do Estado [a soberania] e o exercício do poder [o governo] em centros soberanos definidos geograficamente e coordenados entre si. Esta situação produz um elevado grau de heterogeneidade, com a existência de múltiplos centros de poder e de um sistema complexo de dependência política e financeira entre as esferas governamentais, cujos resultados podem ser diversos e contraditórios pelas disparidades inter e intrarregiões no país (LIMA, 2007). As Instâncias de Pactuação do SUAS, conforme orientação do MDS, são: CIT – COMISSÃO INTERGESTORES TRIPARTITE Espaço de articulação e expressão das demandas dos gestores fe- derais, estaduais e municipais. Negocia e pactua sobre aspectos operacio- nais da gestão do SUAS, mantendo contato permanente com as CIBs para troca de informações sobre o processo de descentralização. Integrantes da CIT: • MDS: órgão da União responsável pela coordenação do SUAS em seu âmbito, representado pelas Secretarias Nacionais de Assistência Social, de Renda de Cidadania, de Segurança Alimentar e Nutricional e a Secretaria Executiva do MDS. • Fonseas: Fórum Nacional de Secretários de Estado de Assistên- cia Social, formado pelos gestores estaduais de assistência social. • Congemas: Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assis- tência Social, que representa os municípios brasileiros junto ao Governo Federal e aos governos estaduais. CIB – COMISSÕES INTERGESTORES BIPARTITE Instâncias que negociam e pactuam sobre aspectos da organi- zação e gestão do sistema estadual de assistência social, observando as deliberações do Conselho Estadual de Assistência Social, a legislação vi- gente e as orientações da CIT e do Conselho Nacional de Assistência So- cial. Todas as suas pactuações são encaminhadas ao Conselho Estadual de Assistência Social para conhecimento, apreciação e/ou deliberação e aos conselhos municipais, CIT e CNAS para conhecimento. a b DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Acesse o site: http:// www.mds.gov.br/ acesso-a-informa- cao/orgaoscolegia- dos/orgaos-em-des- taque/cit 54 CEGOV | UFRGS Integrantes da CIB: • Gestor Estadual de Assistência Social • Coegemas: Colegiado Estadual de Gestores Municipais de Assis- tência Social A gestão intergovernamental entre União, Estados, Distrito Fede- ral e Municípios, possibilita a complementaridade e unidade da Política, condição para o alcance de um efetivo cumprimento das responsabilida- des constitucionais na política pública. Contudo, com o que vimos até aqui se pode afirmar que a cons- trução da Política de Assistência Social requer uma pluralidade de atores no processo de seu planejamento, e que posteriormente, serão os respon- sáveis por sua implementação. ATORES ENVOLVIDOS NA CONSTRUÇÃO DO PLANO: PREFEITURA (ÓRGÃO GESTOR MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL), CONSELHO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, REDE SOCIOASSISTENCIAL, CÂMARA MUNICIPAL OU DISTRITAL, TRABALHADORES E USUÁRIOS DO SUAS A Política de Assistência Social, como uma política pública, requer a presença de vários atores sociais para a sua efetivação! MUNICÍPIO, PREFEITURA, CÂMARA DE VEREADORES Ao abordar o papel do órgão gestor municipal objetiva-se apon- tar as diferentes funções dos seus atores na elaboração do PAS. Desse modo, ao descrever a seguir os diferentes papeis dos atores municipais, prima-se por identificar as diferenças de responsabilidades no processo de planificação do SUAS. O Município integra a federação brasileira com autonomia polí- tica, administrativa e financeira. O Município, diferentemente dos outros níveis de governo (federal e estadual), está dividido em somente dois po- deres: o Executivo e Legislativo. A Prefeitura é a instituição do Estado com a função Executiva no âmbito Municipal. A Gestão do Sistema Único de Assistência Social - SUAS, se fun- damenta na cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios e estabelece as respectivas competências e responsabilidades comuns e específicas, como definido no Art. 8º da NOB/SUAS 2012. As pre- feituras devem cumprir com suas responsabilidades no âmbito do Siste- ma com o objetivo de atender os cidadãos dos municípios, sujeitos de direitos da Política de Assistência Social. A NOB/SUAS 2012, no §1º do Art. 8º expressa que: As responsa- bilidades se pautam pela ampliação da proteção socioassistencial em todos os seus níveis, contribuindo para a erradicação do trabalho in- a 55CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.2fantil, o enfrentamento da pobreza, da extrema pobreza e das desi- gualdades sociais, e para a garantia dos direitos, conforme disposto na Constituição Federal e na legislação relativa à assistência social. O financiamento da Política de Assistência Social também é par- tilhado entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, e o gestor municipal deve definir com clareza os recursos disponíveis para a consecução do plano, explicitando as fontes de financiamento que subsi- diarão as ações, sejam do orçamento próprio, das transferências estaduais, federais ou de apoios privados. A Câmara de Vereadores, com a função Legislativa no âmbito Municipal, tem a atribuição de realizar a discussão e a aprovação da pro- posta orçamentária. Esta, quando aprovada, será submetida à sanção do executivo. No artigo 17 da NOB/SUAS 2012 estão descritas as responsabilidades dos Municípios. Examine-as para seu conhecimento e acompanhamento da sua efetivação. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Em síntese - o gestor municipal elabora o PPA que orientará a LDO e LOA nos seus respectivos prazos, que serão apreciados e aprovados pelo legislativo municipal, viabilizando a elaboração e a execução do Plano de Assistência Social, sempre com o acompanhamento do Controle Social. CONSELHOS Os Conselhos concretizam a participação social nas políticas pú- blicas. Por meio deles, a sociedade exerce seu direito de acompanhar, con- trolar e participar das decisões governamentais. Do ponto de vista geren- cial, os Conselhos ampliam a base informacional dos gestores. Pois tornam os governos permeáveis aos conhecimentos, informações e demandas daqueles que se relacionam diretamente com a política. Figura 15 – Processo de deliberação Fonte: elaboração própria. Do ponto de vista normativo, o Conselho tem diversas funções, dentre as quais se destaca: • aprovar a Política Estadual, do Distrito Federal e Municipal, ela- borada em consonância com a PNAS e com as diretrizes estabelecidas pe- las Conferências de Assistência Social, podendo contribuir nos diferentes estágios de sua formulação; b 56 CEGOV | UFRGS • convocar, num processo articulado com a Conferência Nacional, as Conferências de Assistência Social na respectiva esfera de governo; • encaminhar as deliberações da conferência aos órgãos compe- tentes e monitorar seus desdobramentos; • acompanhar, avaliar e fiscalizar a gestão dos recursos, bem como os ganhos sociais e o desempenho serviços, programas, projetos e benefícios socioassistenciais, aprovados nas Políticas de Assistência Social Nacional, Estaduais, do Distrito Federal e Municipais; • zelar pela implementação do SUAS, buscando suas especifici- dades no âmbito das três esferas de governo e efetiva participação dos segmentos de representação dos conselhos; • aprovar a proposta orçamentária dos recursos destinados a to- das as ações de assistência social, nas suas respectivas esferas de governo, tanto os recursos próprios quanto os oriundos de outras esferas de gover-no, alocados nos respectivos fundos de assistência social. O Conselho e a elaboração dos Planos: Muitas são as atribuições dos conselhos no processo de planificação da política de assistência social e sua contribuição é enriquecida por conjugar diferentes olhares (usuários, entidades socioassistenciais, trabalhadores e gestores), em todas as fases do Planejamento. É nessa instância que se pode debater a realidade social que sofrerá intervenção, construindo assim um diagnóstico cada vez mais preciso. Cabe ao Conselho zelar para que as deliberações das conferências sejam contempladas na definição de metas e objetivos e avaliar a adequa- ção das proposições do Plano com o orçamento destinado ao Fundo de Assistência Social. Por fim, ainda será necessário traçar uma metodologia continuada de monitoramento e avaliação. A deliberação sobre as demandas prioritárias vai possibilitar a ela- boração dos objetivos a serem perseguidos pelo PAS. Uma das funções do planejamento é facilitar o estabelecimento de prioridades e, consequen- temente, a tomada de decisão sobre o foco e desdobramentos que o PAS vai indicar em cada município, com sua realidade e seus atores sociais pró- prios. Os Conselhos também controlam a execução do Plano de Assistên- cia Social por meio: • da fiscalização da aplicação dos recursos; • do acompanhamento da execução dos programas e projetos aprovados; • da aprovação da proposta orçamentária. Os Conselheiros, representando os segmentos que compõem a estrutura de gestão da Política de Assistência Social, são partícipes na res- ponsabilidade de discussão, aprovação e acompanhamento do Plano de Assistência Social. 57CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.2Cabe aos órgãos gestortes da política de assistência social, em cada esfera de governo, fornecer apoio técnico e financeiro aos conselhos e às conferências de assistência social e à participação social dos usuários do SUAS (NOB 2012). REDE SOCIOASSISTENCIAL A rede socioassistencial é o conjunto integrado da oferta de serviços, programas, projetos e benefícios de assistência social mediante articulação entre todas as unidades de provisão do SUAS (parágrafo único do Art. 9º da NOB/SUAS 2012). A rede é formada por órgãos governamentais e por entidades e organizações de assistência social não governamentais, que oferecem ati- vidades proteção social através da oferta de serviços, de assessoramento e de defesa e garantia de direitos, de forma isolada ou cumulativamen- te, conforme estabelecido pela resolução nº 16, de 5 de maio de 2010 do CNAS. As entidades e organizações não governamentais são reguladas pela Lei 12.101 de 27 de novembro de 2009, e são partícipes da formu- lação e execução do Plano de Assistência Social, contribuindo com seu conhecimento e acúmulo histórico na assistência social no país. A instituição do SUAS primou por definir que sua rede socioassis- tencial pública é constituída por serviços, programas e projetos oferecidos no âmbito governamental e não governamental. Desse modo, o PAS inte- gra todas as ações de assistência social municipal e as entidades sociais são co-participes nesse processo. Isto indica a necessidade de ser ter um amplo e contínuo diálogo com esses parceiros em todo processo de pla- nificação. TRABALHADORES DA ASSISTÊNCIA SOCIAL Todos aqueles que atuam institucionalmente na política de assistência social, conforme preconizado na LOAS, na PNAS e no SUAS, inclusive quando se tratar de consórcios intermunicipais e entidades e organizações da assistência social, são trabalhadores da Assistência Social. A Resolução do CNAS nº 23, de 16/02/2006, em seu artigo 1º es- tabelece: c d “Como legítimas todas as formas de organização de trabalhadores do setor como, associações de trabalhadores, sindicatos, federa- ções, confederações, centrais sindicais, conselhos federais de pro- fissões regulamentadas que organizam, defendem e representam os interesses dos trabalhadores que atuam institucionalmente na política de assistência social, conforme preconizado na Lei Orgânica de Assistência Social, na Política Nacional de Assistência Social e no Sistema Único da Assistência Social”. 58 CEGOV | UFRGS Os trabalhadores do SUAS têm contribuições relevantes a fazerem na elaboração do PAS, pela sua inserção em toda a rede socioassistencial e conhecimento adquirido das necessidades dos usuários. No momento da execução do PAS, quando o gestor viabiliza os meios para sua realização, são os trabalhadores dos SUAS que estarão viabilizando-o aos usuários nos serviços, programas, projetos e benefícios de assistência social. Assim, os trabalhadores dos SUAS são partícipes da formulação e execução do Plano de Assistência Social, contribuindo com seu conheci- mento e acúmulo histórico na assistência social no país. USUÁRIOS A LOAS define, no seu Art. 1º, que a assistência social é direito do cidadão e dever do Estado, como Política de Seguridade Social não con- tributiva, que prove os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas. Deste modo, a Política de Assistência Social tem como uma de suas diretrizes a Universalidade, pois pode ser acessada por todos os bra- sileiros quando em situação de demanda por proteção social. e A Resolução CNAS nº 11, de 23 de setembro de 2015 caracteriza os usuários, seus direitos e sua participação no âmbito da Política Pública de Assistência Social e no Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Define Usuários como cidadãos, sujeitos de direitos coletivos que se encontram em situações de vulnerabilidade e ris- cos social e pessoal, que acessam os serviços, programas, projetos, benefícios e transferência de renda no âmbito da Política Pública de Assistência Social e no Sistema Único de Assistência Social (SUAS). A mesma Resolução do CNAS (nº 11/2015), define que: Serão considerados representantes de usuários sujeitos coletivos vinculados aos serviços, programas, projetos, benefícios e transferência de renda da política de assistência social, mobilizadas de diversas formas, e que têm como objetivo a luta pela garantia de seus direitos. ü As organizações de usuários são sujeitos coletivos, que ex- pressam diversas formas de organização e de participação, caracterizadas pelo protagonismo do usuário. São consideradas como legítimas as diferentes formas de consti- tuição jurídica, política ou social: associações, movimentos sociais, fóruns, Conselhos Locais de Usuários, redes ou outras denominações que tenham entre seus objetivos a defesa e a garantia de indivíduos e coletivos de usu- ários do SUAS. ü A participação institucionalizada dos usuários da assistên- cia social ocorre nas instâncias deliberativas do SUAS – os conselhos e as conferências de assistência social que representam a capacidade que a so- 59CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.2 A Resolução CNAS nº 11/2015 representa importante avanço para ampliar a participação dos usuários, e deve ser conhecida e discutida pelos Conselhos de Assistência Social para sua observância. ciedade civil organizada possui de intervir nas políticas públicas de forma democrática, de acordo com o inciso II, do artigo 204 da Constituição Fe- deral, combinado com o artigo 9° da Resolução nº 237, de 14 de dezembro de 2006, do Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS. Quanto à participação dos usuários nas instâncias deliberativas e em atividades de controle social deve-se: I. assegurar a participação de comunidades rurais, étnicas e po- vos e comunidades tradicionais nos diferentes espaços de participação e de deliberação da política de assistência social, como conselhos e confe- rências, bem como em plebiscitos, audiências públicas e outras instâncias de participação social; II. assegurar que os Conselhos de Assistência Social efetivem pro- gramas de formação para usuáriose lideranças comunitárias; III. assegurar que os Conselhos de Assistência Social realizem fó- runs, seminários, audiências e eventos em que os usuários possam apre- sentar suas ideias, reflexões, debates, reivindicações e soluções junto aos representantes ou a organizações de usuários; IV. reconhecer a relevância de se construir uma sociedade demo- crática e socialmente justa, na qual pessoas, famílias e coletivos possam se comunicar com as instâncias do SUAS na condição de cidadãos usuários e de direitos; e, V. assegurar que os Gestores públicos estatais ou das Entidades ou Organizações de Assistência Social e Trabalhadores do SUAS não repre- sentem os usuários nas instâncias deliberativas do SUAS – nos conselhos e nas conferências de Assistência Social. Assim, os usuários dos SUAS são partícipes da formulação e execução do Plano de Assistência Social, pois por suas prerrogativas de cidadania devem contribuir na sua formulação e avaliar e fiscalizar o cumprimento dos seus objetivos, funções e seguranças, de modo a terem garantido o acesso aos seus serviços, programas, projetos e benefícios. 60 CEGOV | UFRGS DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA DI CA CO NC EI TO CO NV ER SA CO M O G ES TO R AC ES SE RE FL IT A LE IA A LE I AT EN Çà O SA IB A LE IA FE RR AM EN TA S SA GI VI DE OT EC A Há um desafio relevante no propósito de articulação de vários ato- res sociais para a elaboração do Plano de Assistência Social. Que estratégias você entende como necessárias para a realização des- te intento? NESTA AULA VOCÊ APRENDEU QUE: ü O Plano de Assistência Social é um instrumento de planejamento estratégico que organiza e orienta a execução da Política Nacional de Assistência Social. ü A estrutura do Plano de Assistência Social está normatizada na NOB/SUAS 2012.- Existe uma articulação entre o Plano de Assistência Social, o Pacto de Aprimoramento, o Plano de Ação, e os instrumentos de planejamento orçamentário. ü A participação social é garantida na Política de Assistência Social por meio dos Conselhos e das Conferências. ü O papel das instâncias de participação, deliberação, pactuação e controle social na construção do PAS - Conselhos de Assistência Social e Comissões Intergestores do SUAS. Organização Sistêmica do SUAS ORGÃOS GESTORES Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Secretarias Estaduais Secretarias Municipais UNIDADE ORÇAMENTÁRIA Fundo Nacional Fundos Estaduais Fundos Municipais INSTÂNCIAS DE DELIBERAÇÃO E CONTROLE SOCIAL Conselho Nacional Conselhos Estaduais Conselhos Municipais INSTÂNCIAS DE NEGOCIAÇÃO E PACTUAÇÃO Comissão Intergestores Tripartide Comissão Intergestores Bipartide • Comando Único. • Descentralização político-administrativa. • Corresponsabilidades dos entes federados. • Pactuações interfederativas, transparência e controle social. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA 61CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 1 unidade1.2ü Vários atores participam na construção do Plano: Prefeitura, Câma- ra Municipal ou Distrital, conselheiros, rede socioassistencial, trabalha- dores e usuários do SUAS. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social. CapacitaSUAS Caderno 1 Assistência Social: Política de Direitos à Seguridade Social. 2. ed. Brasília, DF: MDS, 2013a. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social. Política Nacional de Assistência Social. Bra- sília, DF: MDS, 2004. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social. Aprova a Norma Operacional Básica do Sis- tema Único de Assistência Social - NOB/SUAS em julho de dezembro de 2005. Brasília, DF: MDS, 2005. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Conselho Nacional de Assistência Social. Resolução nº 23, de 16 de fevereiro de 2006. Regulamenta o entendimento acerca dos trabalhadores do Setor. Brasília, DF: MDS, 2006a. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Conselho Nacional de Assistência Social. Resolução nº 24, de 16 de fevereiro de 2006. Regulamenta entendimento acerca de representantes de usuários e de orga- nizações de usuários da Assistência Social. Brasília, DF: MDS, 2006b. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Conselho Nacional de Assistência Social. Resolução nº 237, de 14 de dezembro de 2006. Diretrizes para a estruturação, reformulação e funcionamento dos Con- selhos de Assistência Social. Brasília, DF: MDS, 2006c. 62 CEGOV | UFRGS A CONSTRUÇÃO DO PLANO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Neste Módulo II serão apresentados os conhecimentos necessá- rios para a construção do Plano de Assistência Social – PAS, apon- tando a necessidade de conhecimento e aprofundamento da realidade social dos municípios afim de possibilitar a adequada apropriação e manuseio das ferramentas de pesquisa, metodolo- gias de conhecimento da realidade, entre outros aspectos. Inicial- mente, na Unidade 1, se tratará sobre o Diagnóstico Socioterri- torial, quando se faz necessária a identificação das informações relevantes para a construção do PAS e as fontes em que são dispo- nibilizadas, assim como a coleta, organização e análise dos dados e informações necessários para a construção do PAS. Posterior- mente, se abordará a Articulação do Pacto de Aprimoramento do SUAS para o aperfeiçoamento do PAS, compreendendo a importância e os meios necessários para esta articulação. E, por fim, na Unidade 2, se conhecerá a Estrutura básica do PAS, con- forme o Capítulo III da NOB/SUAS, de 2012. Para isto, se identifica- rá a razão de ser dos diferentes elementos que compõem o PAS; a relação entre estes e sobre a elaboração de um PAS conforme a estrutura básica estudada. MÓDULO 2 64 CEGOV | UFRGS 65CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Esta unidade tem como objetivos de aprendizagem: • identificar as informações relevantes para a construção do PAS e as fontes em que são disponibilizadas; e • selecionar, organizar e relacionar as informações coletadas para a construção do PAS. O DIAGNÓSTICO SOCIOTERRITORIAL: COLETA, ORGANIZAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS E INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS PARA A CONSTRUÇÃO DO PAS Primeiramente, antes de começarmos a aprender sobre o diag- nóstico socioterritorial, é importante analisarmos uma questão funda- mental para a sua realização. Quem faz o diagnóstico? Esta pergunta é relevante, pois colo- cam em cena os atores sociais, que como Matus (1993) nos ensinou, po- dem ser indivíduos (personalidades), organizações ou agrupamentos de pessoas. Para esta tarefa, os atores sociais imprescindíveis são os gestores e trabalhadores do SUAS, visto que são os com responsabilidades públicas decorrentes do seu vínculo na esfera executiva dos entes federados. Os usuários e os conselheiros da Política de Assistência Social também são atores sociais imprescindíveis na discussão, acompanhamento, fiscalização e avaliação da política, afinal, são os atores que vivenciam proteções e desproteções sociais nos territórios onde vivem. Estes personagens com a tarefa de fazer o diagnóstico socioterri- torial precisarão criar capacidades de diálogo para troca de informações, cooperação na coleta dos dados, confiança na elaboração dos objetivos e do percurso metodológico do Plano para a devida tomada de decisão. Isto porque, provavelmente, estarão em posições distintas, com conheci- mentos a partir do seu lugar de inserção (na gestão, na vigilância socioas- sistencial, no CRAS, no CREAS, no Serviço de Convivência e Fortalecimen- to de Vínculo, no Acolhimento Institucional, na Inclusão Produtiva, entre tantos serviços socioassistenciais),o que tanto possibilita aprendizagens e produção, como tensão no processo. Matus (2006, p. 116) diz que o “go- vernante real, como condutor de situações, situa-se entre os dois extre- mos. O equilíbrio entre as variáveis que controla e as que não controla define sua governabilidade sobre o objeto do plano”. MÓDULO 2 unidade 2.1 DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA 66 CEGOV | UFRGS DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA REVENDO OS CONCEITOS Elaborar diagnóstico é uma tarefa relevante e pouco usual pela pouca tradição de planejamento na política de assistência social, mas é possível ser realizada, pois se “o planejamento é um mediador entre o co- nhecimento e a ação” (CAMPOS et al, 2010, p. 37), significa que se faz ne- cessário os atores sociais colocarem seus conhecimentos e posicionamen- tos em cena, e no debate técnico-político, tomarem as devidas decisões em prol dos interesses dos cidadãos. Sendo assim: O diagnóstico é uma análise interpretativa que possibilita a leitura de uma determinada realidade social (BRASIL, 2013b, p. 25). Na NOB/SUAS 2012, no artigo 20, o diagnóstico socioterritorial é a primeira tarefa que compõe o processo de elaboração do Plano de Assis- tência Social, que se realiza a cada quatro anos. O diagnóstico tem por base o conhecimento da realidade a partir da leitura dos territórios, microterritórios ou outros re- cortes socioterritoriais que possibilitem identificar as dinâ- micas sociais, econômicas, políticas e culturais que os carac- terizam, reconhecendo as suas demandas e potencialidades (BRASIL, 2012, p.11). O artigo 21 da NOB/SUAS 2012, estabelece que a realização do diagnóstico socioterritorial requer: a. processo contínuo de investigação das situações de risco e vulnerabilidade social presentes nos territórios, acompa- nhado da interpretação e análise da realidade socioterritorial e das demandas sociais que estão em constante mutação, es- tabelecendo relações e avaliações de resultados e de impacto das ações planejadas; b. identificação da rede socioassistencial disponível no território, bem como de outras políticas públicas, com a finalidade de pla- nejar a articulação das ações em resposta às demandas identifi- cadas e a implantação de serviços e equipamentos necessários; c. reconhecimento da oferta e da demanda por serviços so- cioassistenciais e definição de territórios prioritários para a atuação da política de assistência social. d. utilização de dados territorializados disponíveis nos siste- mas oficiais de informações. RISCO Em sua definição geral, risco se refere a um evento aleatório, mas esta- tisticamente previsível, face ao qual é possível estimar a probabilida- de de que ocorra. Remete, assim, à prevenção e reparação. No campo da proteção social, Risco Social é um dos conceitos clássicos, definido como “situações que, independente da vontade do trabalhador, im- possibilitam, temporária ou definitivamente, o exercício do trabalho e a obtenção da renda ali originada” (Dicionário de Políticas Públicas, 67CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 2 unidade2.12013, p. 405-6). E foi com a intenção de proteger os trabalhadores dos riscos sociais, tais como os acidentes de trabalho, a doença, a invalidez, o desemprego involuntário, a maternidade ou a velhice, que assistiu- -se “a constituição das políticas de seguro social e assentou as bases para a intervenção abrangente dos modernos sistemas de proteção social. Os riscos sociais representaram, assim, uma nova racionalidade capaz de ancorar o princípio da ampla intervenção do Estado no so- cial” (idem). Contudo, ao final do Século XX o debate sobre os riscos se modificou e ampliou. Os riscos sociais passaram a ser questionados como concei- tos organizadores da proteção social. De um lado, novos riscos sociais passaram a ser identificados: desemprego de longa duração, inserção precária no mercado de trabalho e as novas formas de pobreza. De outro, um tratamento mais abrangente e individualista tem sido pro- posto, associando-se o risco social à população pobre cujo patamar de vulnerabilidade impede o exercício da autonomia e da capacidade enfrentar fenômenos entendidos como aleatórias da vida humana. No contexto da política de assistência social, contudo, o risco acolhe outra definição. Como já tratado no Caderno do Curso de Atualização em Vigilância Socioassistencial do CapacitaSUAS (2015), “a operacio- nalização do conceito risco exige a definição do conjunto de eventos em relação aos quais lhe compete diretamente desenvolver esforços de prevenção ou de enfrentamento para redução de seus agravos”. Destaca-se ali que, “com base na PNAS é possível definir que, no âm- bito de atuação da Assistência Social, constituem situações de riscos a incidência, ou a probabilidade de ocorrência, dos seguintes eventos que devem ser prevenidos ou enfrentados: • situações de violência intrafamiliar; negligência; maus tratos; violência, abuso ou exploração sexual; trabalho infantil; discrimi- nação por gênero, etnia ou qualquer outra condição ou identida- de; • situações que denotam a fragilização ou rompimento de víncu- los familiares ou comunitários, tais como: vivência em situação de rua; afastamento de crianças e adolescentes do convívio familiar em decorrência de medidas protetivas; atos infracionais de ado- lescentes com consequente aplicação de medidas socioeducati- vas; privação do convívio familiar ou comunitário de idosos, crian- ças ou pessoas com deficiência em instituições de acolhimento; qualquer outra privação do convívio comunitário vivenciada por pessoas dependentes (crianças, idosos, pessoas com deficiência), ainda que residindo com a própria família”. VULNERABILIDADE Em que pese de uso cada vez mais frequente no âmbito das políticas de proteção social, o termo vulnerabilidade guarda significativa inde- finição. Muitas vezes associado a probabilidade de ocorrência de ris- 68 CEGOV | UFRGS cos, outras à fragilidade ou dependência, outras ainda a desvantagens sociais, vulnerabilidade tem acolhido vários sentidos. Prowse (2003), por exemplo, chama a atenção para os diferentes usos: enquanto para alguns autores vulnerabilidade significa suscetibilidade à pobreza, ou- tros a utilizam como sintoma de pobreza, outros ainda como expres- são das dimensões da pobreza. Entre as definições mais influentes de vulnerabilidade está a que foi cunhada pelo sociólogo Robert Castel, segundo o qual “a vulnerabili- dade social é uma zona intermediaria, instável, que conjuga a preca- riedade do trabalho com a fragilidade dos suportes de proximidade” (CASTEL, 1998, p. 24). Nesta conceptualização, onde a ênfase é dada aos “déficits de trajetória”, a “dimensão econômica não é, pois, o dife- renciador essencial, e a questão apresentada não é a da pobreza, ain- da que os riscos de desestabilização recaiam mais fortemente sobre os que são desprovidos de reservas econômicas” (Idem, p. 25). Na Assistência Social, a vulnerabilidade foi conceituada pela PNAS, como caracterizando situações de fragilidade relacional ou social, destacando sua conexão com as situações de “pobreza, privação (au- sência de renda, precário ou nulo acesso aos serviços públicos, dentre outros) e, ou, fragilização de vínculos afetivos – relacionais e de per- tencimento social (discriminações etárias, étnicas, de gênero ou por deficiência, entre outras)” (PNAS, 2004, p. 33). O diagnóstico socioterritorial também precisa considerar o grau de alcance das Seguranças Afiançadas à população que está em situ- ação de desproteção social. Vamos lembrar quais são as Seguranças Afian- çadas: Acolhida, Renda, Convívio ou Vivência Familiar, Comunitária e Social, Desenvolvimento de Autonomia, Apoio e Auxílio. A precariedade nas condições de vida, de laços sociais e a ausên- cia de serviços socioassistenciaise de benefícios capazes de promover in- clusão e proteção significa a permanência de segmentos da população na situação de desproteção social. Essa desproteção social como uma expressão da questão social não é uma particularidade de um dado sujeito ou ca- racterísticas de alguns sujeitos em sua particularidade, as determinantes sociais, políticas, econômicas da sociedade ultrapassam a conformação histórico temporal da condição individual (BRASIL, 2013b, p. 22). O DIAGNÓSTICO E O TERRITÓRIO A NOB/SUAS 2012, no artigo 5º, estabelece que a territorialização é uma das diretrizes estruturantes da gestão do SUAS. A territorialização diz respeito à centralidade do território para a compreensão das situações de vulnerabilidades e riscos sociais e para a busca de respostas às necessi- dades de seus cidadãos. 69CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 2 unidade2.1Sob a perspectiva do TERRITÓRIO, as necessidades deixam de ter caráter individual e passam a ser percebidas como demandas coletivas. A nomenclatura de Diagnóstico Socioterritorial tem se mostrado mais próxima da ideia de trazer à tona o território de vivência e não somen- te um conjunto de dados sobre estes territórios (BRASIL, 2013d, p. 68). A partir deste conceito, ressalta-se que o diagnóstico socioterri- torial é resultante do conhecimento de vários atores, que envolvidos diretamente nas condições de vida da população, contribuem com in- formações para a elaboração do Plano Municipal de Assistência Social. Os municípios possuem estruturas, realidades, dimensões ter- ritoriais e populacionais bem distintos, por isso, os diagnósti- cos devem ser personalizados, dialogando com as particula- ridades locais a fim de que a comunidade demande serviços segundo suas próprias características (BRASIL, 2013a, p. 25). A organização da oferta dos serviços socioassistenciais em locais próximos aos seus usuários é a materialização da perspectiva do território, que é contemplada por meio da diretriz da descentralização político-ad- ministrativa, como definido no artigo 5º da LOAS. PAPEL DA VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL Segundo a LOAS, a assistência social se organiza por tipos de pro- teção, e a vigilância socioassistencial “[...] é um dos instrumentos das pro- teções da assistência social que identifica e previne as situações de risco e vulnerabilidade social e seus agravos no território” (artigo 6-A, parágrafo único). TERRITÓRIO É espaço recheado pelas relações sociais passadas e presentes, a forma específica de apropriação e inter- ação com o ambiente físico, as ofertas e as ausências de políticas públicas, as relações políticas e econômi- cas que o perpassam, os conflitos e os laços de solidariedade nele existentes (BRASIL, 2013a, p. 12) DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA No documento Tipi- ficação Nacional de Serviços Socioassis- tenciais (Resolução nº 109, 11/11/2009), consta a abrangência dos serviços, consi- derando os portes dos municípios. VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL A Vigilância Socioassistencial constitui-se como um dos objetivos estruturantes da política de assistência social brasileira, juntamente com a proteção social e a defesa de direitos. Dessa forma, deve ser entendida como uma função da Assistência Social. Esta concep- ção está presente tanto no texto da LOAS, a partir das alterações realizadas nesta normativa em 2011, quanto na Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e na Norma Operacional Básica do Siste- ma Único de Assistência Social – (NOB/SUAS) de 2012. A Vigilância Socioassistencial objetiva detectar e compreender as situações de precarização e de agravamento das vulnerabilidades que afetam os territórios e os cidadãos, prejudicando e pondo em risco sua sobrevivência, dignidade, autonomia e socialização. Deve buscar conhecer a realidade específica das famílias e as condições concretas do lugar onde elas vivem e, para isso, é fundamental con- jugar a utilização de dados e informações estatísticas e a criação de formas de apropriação dos conhecimentos produzidos pelas equi- pes dos serviços socioassistenciais, que estabelecem a relação viva e cotidiana com os sujeitos nos territórios. 70 CEGOV | UFRGS PRINCIPAIS FONTES DE DADOS E INDICADORES EXISTENTES NO BRASIL Um dos meios que possibilita o conhecimento da realidade social é através de sistemas de informações sobre as condições demográficas, so- ciais, econômicas. Estas informações se expressam em taxas, proporções, mé- dias, índices, distribuição por classes e cifras absolutas. Os Indicadores Sociais são o instrumento operacional para monitoramento da realidade so- cial, para fins de formulação e reformulação de políticas públicas (JAN- NUZZI, 2009a). 1) Variáveis e indicadores de contexto Condições gerais de desenvolvimento econômico e social dos mu- nicípios, microrregiões e estados. Devem abordar, de forma sintética, as informações essenciais das seguintes áreas: demografia, educação, saúde, trabalho, infraestru- tura urbana, economia e meio ambiente. Devem ocupar até 25% do documento produzido. 2) Variáveis e indicadores de caracterização da demanda potencial para os Serviços e Benefícios da Assistência Social. A. Apresentar uma referência numérica que possa expressar a de- manda potencial, ou como dimensionamento do público alvo, para cada um dos serviços e benefícios do SUAS em um dado território. Devem considerar todos os Serviços Socioassistenciais Tipificados, os Benefícios Eventuais, o Benefício de Prestação Continuada – BPC e o benefício pago por meio do Programa Bolsa Família. Quadro 6 – Apresentação de Dados na Elaboração do Diagnóstico Socioterritorial B. 3) Variáveis e indicadores rel- ativos à estrutura de oferta dos Serviços e Benefícios da Assistên- cia Social. C. Apresentar, por meio de dados quantitativos, informações sobre: - existência, ou não, de oferta de cada um dos serviços tipificados e benefícios do SUAS em um dado território; - caracterização do volume de oferta e/ou da capacidade instalada; - quando possível, incluir indicadores relativos à qualidade da ofer- ta instalada, e - existência e volume de financiamento federal para os referidos serviços e benefícios. 4) Variáveis e indicadores relativos à estrutura de oferta das demais políticas públicas, exclusivamente no que se refere aos pontos de contato e de com- plementariedade entre estas e a Assistência Social. D. Apresentar, por meio de dados numéricos e de dados categóri- cos, informações sobre: - a existência, ou não, de outras ofertas que, embora não integrem as ações de assistência social, constituem “retaguardas” ou pontos de apoio indispensáveis à dimensão intersetorial da atenção aos usuários da política de assistência. - destacam-se estruturas de ofertas, relacionadas à Justiça, aos serviços de saúde mental, Equipes/Unidades de Saúde da Família, Programas de Educação em horário integral, etc. 5) Indicadores que correlacio- nem demanda e oferta, segun- do os Serviços Socioassistenciais Tipificados e, eventualmente, públicos específicos. Apresentar indicadores que permitam analisar, direta ou indireta- mente, a cobertura dos serviços e benefícios em um determinado território. Fonte: elaboração CEGOV, com base em BRASIL (2013 a), pg. 26-27, 2015. 71CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 2 unidade2.1As principais fontes de dados e indicadores são: • O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) coor- dena o Sistema Estatístico Nacional, produzindo dados primários, compi- lando informações provenientes de órgãos públicos e disseminando es- tatísticas. O IBGE é responsável pelo levantamento do Censo Demográfico brasileiro, pesquisa decenal voltada ao conhecimento da população bra- sileira, com a finalidadede quantificar a demanda potencial de bens e ser- viços públicos e privados. Conduz, ainda, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), cujo objetivo é atualizar anualmente as informa- ções levantadas pelo Censo. O IBGE produz duas importantes pesquisas acerca da capacidade de gestão governamental. No âmbito dos municípios: Pesquisa Básica de Informações Muni- cipais (MUNIC). No âmbito dos estados: Pesquisa Básica de Informações Estaduais (ESTADIC). Ambas trazem informações úteis ao gestor no que se refere à ca- pacidade de gestão em assistência social, por meio da Tipologia de capa- cidade de gestão em Assistência Social, TACGAS. http://www.ibge. org.br/home/ DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA ESTUDO TÉCNICO N.º 01/2011, MDS - SAGI. FONTE TEMAS INVESTIGADOS PERIODICIDADE DESAGREGAÇÃO Censo Demográfico Características demográficas, habitação, escolaridade, mão de obra, rendimentos Decenal E. Município (Setor censitário) Pesquina Nacional de Amos- tra de Domicílios (PNAD) demográficas, habitação, escola- ridade, mão de obra, rendimen- tos, temas especiais Anual UFs RMs Quadro 3 – Fontes de indicadores sociais do IBGE Fonte: CEGOV (2015) a partir de Jannuzzi (2009a). Você sabia que a Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação (SAGI) do MDS produziu um conjunto de tutoriais e de oficinas online de curta duração sobre o uso de suas ferramentas infor- macionais, objetivando proporcionar capacitação de qualidade a um maior número de técnicos e gestores de assistência social. Os materiais instrucionais disponibilizados são voltados para o treina- mento e a divulgação das ferramentas desenvolvidas pela SAGI por meio de uma abordagem de aprendizagem prática, valendo-se de exercícios, atividades de interação e colaboração. As oficinas são abertas ao público geral que, após o cadastro, terá acesso aos con- teúdos. Desta forma, cada um realiza os estudos no seu tempo e conclui de acordo com sua disponibilidade. Disponível em: http:// aplicacoes.mds.gov.br/ead/oficinasead/login/tutoriais.php DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA DI CA CO NC EI TO CO NV ER SA CO M O G ES TO R AC ES SE RE FL IT A LE IA A LE I AT EN Çà O SA IB A LE IA FE RR AM EN TA S SA GI VI DE OT EC A 72 CEGOV | UFRGS • O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013 é uma plataforma de consulta ao Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de 5.565 municípios brasileiros. Disponibiliza mais de 180 indicadores de população, educação, habitação, saúde, trabalho, renda e vulnerabilidade a partir de dados dos Censos Demográficos de 1991, 2000 e 2010. O Atlas Brasil 2013 é realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pela Fundação João Pi- nheiro (FJP). Estatísticas Públicas são dados obtidos através de registros ad- ministrativos de Ministérios, Secretarias de Estado e de Municípios. Estas informações podem ser acessadas nos sites dos respectivos órgãos pú- blicos. • O Atlas da Vulnerabilidade Social nos Municípios Brasilei- ros. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com outras instituições, construiu um Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) constituído a partir de indicadores que expressam as situações de exclu- são e vulnerabilidade social e a multidimensionalidade da pobreza, para os mais de 5 mil municípios brasileiros. Este Índice está organizado em três dimensões as quais se referem à infraestrutura urbana, capital huma- no e renda e trabalho. Os ministérios federais têm órgãos encarregados da produção ou organização de seus dados, como o Ministério da Saúde, que mantém o DataSus. Já o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, por meio da Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação (SAGI–MDS), mantém um portal de ferramentas informacionais. Estas fontes são atu- alizadas e fazem um retrato da realidade nacional, estadual e municipal, úteis e necessários para o diagnóstico socioterritorial. http://www.atlasbra- sil.org.br/2013/ DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Veja o Vídeo institu- cional sobre a SAGI https://www.youtu- be.com/watch?v=kA- 224a40FME Algumas ferramentas requerem certa prática até que você enten- da como utilizá-las. Para facilitar o aprendizado, dê uma olhada nesses vídeos tutoriais: DATA SOCIAL: http://bit.ly/1hJEFQP SUAS VISOR: http://bit.ly/1nzEz6j IDV - MODO TABELAS: http://bitly.com/1ixlj6F DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA DI CA CO NC EI TO CO NV ER SA CO M O G ES TO R AC ES SE RE FL IT A LE IA A LE I AT EN Çà O SA IB A LE IA FE RR AM EN TA S SA GI VI DE OT EC A 73CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 2 unidade2.1Quadro 4 – Ferramentas informacionais do Portal SAGI Fonte: CEGOV (2015) a partir de Jannuzzi (2009a). 74 CEGOV | UFRGS Informações relevantes também podem ser coletadas no CadÚ- nico, no Prontuário SUAS e no Censo SUAS, que estão disponíveis como importantes ferramentas para serem consultadas nos processos de plane- jamento. Vejamos do que se tratam: A base de dados referentes à política de assistência social está cada vez mais completa e facilita no processo de formulação do Plano. É possível, aos gestores e aos conselhos, acessarem informações que orien- tem para a elaboração de um diagnóstico aprimorado, pois permitem fa- zer recortes de realidades e segmentos específicos. Todas as ferramentas informacionais acima apontadas, assim como os dados disponíveis nos institutos de pesquisa (como IBGE, IPEA, dentre outros) podem ser acessados para elaborar o diagnóstico socioter- 75CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 2 unidade2.1ritorial. As informações disponíveis permitem a combinação de indicado- res e informações que expressem a realidade de vulnerabilidade social e da oferta de serviços. A construção do diagnóstico socioterritorial requer um trabalho dinâmico, processual e participativo, capaz de ser gerador de proposições para atingir as variadas necessidades da população, em seus distintos ter- ritórios. De acordo com a NOB/SUAS 2012, a realização de diagnóstico socioterritorial requer dois momentos: PRIMEIRA ETAPA Interpretação e análise da realidade socioterritorial: investigação das situações de risco e vulnerabilidade social presentes nos territórios e das demandas sociais. Permite o reconhecimento da demanda SEGUNDA ETAPA Identificação da rede socioassistencial disponível no território e de outras políticas públicas. Permite o reconhecimento dos serviços socioassistenciais Além disso, a norma nos indica que se deve utilizar dados territo- rializados disponíveis nos sistemas oficiais de informação já citados neste Caderno. A seguir se tratará mais detidamente de cada um dos elementos do diagnóstico socioterritorial. INTERPRETAÇÃO E ANÁLISE DA REALIDADE SOCIOTERRITORIAL A análise da realidade socioterritorial nos permite delinear os ris- cos e vulnerabilidades que prevalecem em um dado território e, a partir daí, definir as demandas sociais. Figura 17 – Fluxo da primeira etapa do diagnóstico socioterritorial Fonte: elaboração CEGOV, 2015. Para analisar a realidade socioterritorial são utilizados indicadores sociais, que servem para: • subsidiar e facilitar as atividades de planejamento público e a formulação de políticas sociais nas diferentes esferasde governo; • monitorar e avaliar os resultados das ações governamentais so- bre as condições de vida e bem-estar da população, alimentando o processo decisório com informações qualificadas; • aprofundar a investigação acadêmica sobre a mudança social e sobre os determinantes dos diferentes fenômenos sociais (JANNU- ZZI, 2009b). 76 CEGOV | UFRGS PROPOSTAS DE DELIMITAÇÃO DE INDICADORES A seleção de indicadores é uma tarefa importante. Por isso, estão compiladas abaixo duas sugestões para a seleção de indicadores para ela- boração do diagnóstico socioterritorial. PROPOSTA DA NOB/SUAS 2005 Em 2005, a NOB/SUAS elencou as variáveis que determinam a po- pulação vulnerável, como o conjunto de pessoas residentes que apresen- tem pelo menos uma das características relacionadas a seguir: Famílias com serviços de infraestrutura inadequados: • Abastecimento de água provenientes de poço ou nascente ou outra forma; • Sem banheiro ou sanitário; • Destino do lixo inadequado conforme legislação; • Mais de 2 Moradores por dormitório. Famílias com renda familiar per capita inferior ¼ salário mínimo Família com renda familiar per capita inferior ½ salário mínimo: • Com pessoas de 0 a 14 anos; • Com responsável com menos de 4 anos de estudo. Família na qual há um chefe de família mulher, sem cônjuge: • Com filhos menores de 15 anos; • Analfabeta. Família nao qual há uma pessoa com 16 anos ou mais: • Desocupada (procurando trabalho’ ); • Com quatro, ou menos, anos de estudo. Família na qual uma pessoa de 10 a 15 anos trabalhe Família na qual há uma pessoa de 4 a 14 anos que não estude Família com renda familiar per capita inferior a ½ salário mínimo: • Com pessoa com deficiência; • Com pessoa de 60 anos ou mais. Figura 18 – Etapas da construção de indicadores sociais Fonte: CEGOV (2015) a partir de Jannuzzi (2009a). a 77CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 2 unidade2.1PROPOSTA DA CEPAM E UNICAMP(2008) A CEPAM e a UNICAMP elaboraram uma relação dos indicadores mais relevantes para a assistência social que se reproduz a seguir. Situação de pobreza e exclusão social • Estimativa de famílias pobres (quantidade e percentagem); • % de pobres; • % de indigentes; • % da renda domiciliar apropriada por faixas da população; • Quantidade e percentagem da população pobre atendida por programas de transferência de renda do governo; • % de mulheres chefes de família, sem cônjuge e com filhos menores de 15 anos. Crianças, adolescentes e jovens • Índice de desenvolvimento da infância (IDI); • % de crianças pobres; • % de crianças indigentes; • Quantidade de crianças e adolescentes vítimas de trabalho infantil, com uso problemático de drogas e outros vitimados; • Estimativa de crianças e adolescentes fora da escola; • Quantidade e porcentagem de adolescentes infratores; • % de mães adolescentes (com menos de 18 anos). Idosos • Quantidade e porcentagem da população com 60 anos ou mais; • População beneficiária do BPC-ID (65 anos ou mais); • População com direito ao BPC-ID que não recebe o benefício. Pessoas com deficiência • Estimativa da população com deficiência em situação de indigência (total da população com deficiência multiplicado pela porcentagem de indigentes do município); • População com deficiência BPC-PcD; • População com direito ao BPC-PcD que não recebe o benefí- cio (total da população com deficiência e indigente subtraída a quantidade de beneficiários do BPC-PcD). Outros beneficiários • Quantidade de pessoas sem registro civil; • População moradora de rua; • População com problemas pelo uso de drogas. Segurança alimentar • Proporção da população assistida por programas de segu- rança alimentar; • Estimativa de oferecimento de merenda escolas (refeições por dia). DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Sobre os indicadores mais relevantes para a assistência social, consulte o site: http://www.ufrgs. br/cegov/files/mds/ CEPAM_2008_Cons- truindoDiagnostico- MunicipalMetodolo- gia.pdf b 78 CEGOV | UFRGS Gestão da política de assistência social • Controle social (conselhos, conferências, etc.); • Recursos humanos (quantidade formação, capacitação, dis- tribuição, remuneração, plano de cargos e salários, etc.); • Despesa total e despesa com recursos próprios com assis- tência social; • Principais itens de despesa na assistência social (pessoal, in- vestimento, etc.); • Índice de Gestão Descentralizada (IGD). Alguns exemplos de indicadores que traduzem as diferentes di- mensões que compõem os conceitos de risco e vulnerabilidade social po- dem ser visualizados no Quadro 4. São apenas algumas entre as inúmeras opções de indicadores existentes, não estando esgotadas as possibilidades. IDENTIFICAÇÃO DA REDE SOCIOASSISTENCIAL DISPONÍVEL NO TERRITÓRIO Ao iniciarmos o tema previsto neste item faz-se necessário apre- sentar uma sucinta definição de rede socioassistencial que se fundamenta nos pressupostos do SUAS. O tema da rede ganha relevância ao tratar do diagnóstico socioterritorial, pois permite avaliar a capacidade protetiva instalada. REDE NO SUAS A Assistência Social é responsável por ações de prevenção, de pro- teção social e pelo provimento de um conjunto de garantias ou se- guranças sociais que cubram, reduzam ou previnam exclusões, ris- cos e vulnerabilidades sociais, bem como atendam às necessidades emergentes ou permanentes decorrentes de problemas pessoais ou sociais de famílias e indivíduos. Essas garantias se efetivam pela construção de uma rede de prote- ção social, ou seja, um conjunto de programas, projetos, serviços e benefícios voltados à proteção social e ao atendimento de necessi- dades sociais da população usuária dessa política. O trabalho em rede traduz um novo paradigma para a atuação do Estado em con- junto com setores organizados da sociedade. A proposta de uma ação integrada e em rede está na base desse paradigma. O termo rede sugere a ideia de articulação, conexão, vín- culos, ações complementares, relações horizontais entre parceiros, interdependência de serviços para garantir a integralidade da atenção aos segmentos sociais vulnera- bilizados ou em situação de risco social e pessoal [...] uma rede pode ser o resultado do processo de agregação de várias organizações afins em torno de um interesse co- mum, seja na prestação de serviços, seja na produção de bens (GUARÁ, 1998). Em geral caracterizada por sua heterogeneidade, essa rede de pro- teção social (constituída pelos órgãos governamentais e por enti- dades da sociedade civil) opera serviços voltados ao atendimento de um vastíssimo conjunto de necessidades sociais. 79CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 2 unidade2.1Para a Política Pública constituir a rede, antes de qualquer coisa, é uma decisão política que exige estratégias processuais pactuadas e deliberadas, alianças estratégicas. Exige um pacto entre gestores, técnicos, saberes, pessoas, serviços e instituições em sintonia com a realidade local, com o território de vivência, com sua cultura de organização social. Na política de Assistência Social, podemos identificar dois tipos de rede: 1. A rede socioassistencial, constituída pela articulação dos serviços, benefícios, programas e projetos governamentais e não governamentais, que têm uma relação de complemen- taridade, cooperação e corresponsabilidade, integrando-se numa relação orgânica no âmbito do SUAS. As redes organi- zam-se para responder às demandas coletivas e individuais a partir das diretrizes pactuadas nacionalmente. Essa rede deve ofertar serviços e benefícios que visam à garantia de acessos aos direitos socioassistenciais. 2. A rede intersetorial, formada pela articulação entre as di- versas políticas sociais que atuam em um determinado terri- tório, atendendo, na maioria das vezes, as mesmas famílias. A visão de totalidade no âmbito do território significa o co- nhecimento e aanálise das diferentes situações identificadas e suas conexões com a dinâmica deste espaço, o que permi- te a construção de fluxos delineando as responsabilidades e competências da política de assistência social e as compe- tências das outras políticas públicas. Esta interlocução in- tersetorial provoca uma relação dialógica com as diferentes instâncias que atuam no território. O gestor da Assistência Social deve participar ativamente da articulação da rede in- tersetorial, juntamente com os gestores das outras políticas públicas do município. A NOB/SUAS 2012 também estabelece que o gestor deve identifi- car outras políticas públicas, com a finalidade de planejar a articulação das ações em resposta às demandas identificadas e a implantação de serviços e equipamentos necessários. A norma aponta para o caráter intersetorial das políticas públicas em decorrência da complexidade dos problemas sociais. Figura 19 – Fluxo da segunda etapa do diagnóstico socioterritorial Fonte: elaboração CEGOV, 2015. 80 CEGOV | UFRGS Nessa etapa, o diagnóstico deve referenciar as: 1) Unidades públicas e privadas da rede referenciada, isto é, a rede de proteção social de Assistência Social. Por exemplo: Número e localização de CRAS, CREAS; número e localização de entidades de acolhimento institucional para crianças e adolescentes; número e localização de instituições de longa permanência para idosos; serviços, projetos e programas socioassistenciais desenvolvi- dos no município por organismos governamentais e não governamentais, entre outros. 2) Unidades públicas e privadas de outras políticas públicas que possam auxiliar no desenvolvimento da capacidade de proteção das famílias. Por exemplo: escolas, unidades de saúde da família, núcleos de inclusão produtiva, conselhos tutelares, entre outras. RECONHECIMENTO DA OFERTA E DA DEMANDA O reconhecimento da oferta e da demanda por serviços socioas- sistenciais e definição de territórios prioritários para a atuação da política de assistência social são produtos das duas etapas descritas anteriormen- te. Figura 20 – Fluxo da segunda etapa do diagnóstico socioterritorial Fonte: elaboração CEGOV, 2015. Nessa etapa, o diagnóstico socioterritorial possibilita compreen- der as particularidades do território e detectar as características e dimen- sões das situações de precarização que trazem riscos e danos aos cida- dãos, à sua autonomia, socialização e convívio familiar. Essas informações são fundamentais para conhecer a distribuição das necessidades e demandas dentro do município, com a finalidade de: • direcionar a realização da estratégia de Busca Ativa; e • identificar as regiões com concentração do público-alvo das po- líticas e programas governamentais dos demais setores. 81CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 2 unidade2.1 DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA REVENDO OS CONCEITOS No caso específico da Assistência Social, identificar a relação, de- manda e oferta quanto: à implantação de Centros de Referência de As- sistência Social (CRAS), Centro de Referencia Especializado de Assistência Social (CREAS), Centro de Referência Especializado para População em Si- tuação de Rua (Centros POP), bem como à definição dos serviços a serem prestados nesses equipamentos. BUSCA ATIVA é o método estratégico para garantir o acesso da popula- ção aos serviços do SUAS. Visa romper a lógica da demanda espon- tânea – pela qual cabe às famílias procurar os serviços públicos – em prol de uma lógica segundo a qual o Estado vai ao encontro das fa- mílias, assegurando-lhes direitos e ofertando-lhes oportunidades. Su- blinha-se o caráter preventivo dessa forma de atuação, que objetiva evitar o agravamento das situações de risco e vulnerabilidade já vi- venciadas pelas famílias. Desse modo, por meio do diagnóstico pode-se: a. identificar as demandas sociais; b. verificar se a rede de serviços é adequada para atender as de- mandas; c. identificar os pontos fortes e fracos da rede assistencial; d. planejar mudanças na rede e/ou na prestação de serviços para atender as demandas sociais. O diagnóstico socioterritorial é uma ferramenta de gestão volta- da para a melhoria dos serviços prestados, já que sua elaboração permi- te conhecer e acompanhar as dinâmicas sociais de um dado território e orienta a resposta, por meio de serviços e programas públicos, às necessi- dades da população residente. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA NESTA AULA VOCÊ APRENDEU QUE: ü O diagnóstico socioterritorial é a primeira fase da elaboração do Plano de Assistência Social. ü O diagnóstico socioterritorial consiste na descrição e análise de uma dada situação a partir da perspectiva do território. Para tanto, en- volve a produção, coleta e sistematização de dados e informações. ü O diagnóstico socioterritorial requer: (a) um processo contínuo de investigação das situações de despro- teção presentes nos territórios; (b) a identificação da rede socioassistencial disponível no território, assim como de outras políticas públicas; 82 CEGOV | UFRGS (c) o reconhecimento da oferta e da demanda por serviços socioas- sistenciais. ü Uma análise sobre as informações obtidas para verificar o grau de desproteção social ainda existente; ü A necessidade de considerar o Pacto de Aprimoramento do SUAS para o aperfeiçoamento do PAS. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Centro de Estudos Internacionais sobre Governo da Universidade Federal do Rio Grande do SUL. Caderno de estudos do Curso de Indicadores para Diagnóstico do SUAS e do Plano Brasil sem Miséria. Brasília, DF: MDS, 2015a. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Centro de Estudos Internacionais sobre Governo da Universidade Federal do Rio Grande do SUL. Caderno de estudos do Curso em Conceitos e Instrumentos para o Monitoramento de Programas. Brasília, DF: MDS, 2015b. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Centro de Estudos e Desenvolvimento de Projetos Especiais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. CapacitaSUAS Caderno 1. Assistência Social: Política de Direitos à Seguridade Social. 1ª ed. Brasília, DF: MDS, 2013b. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Centro de Estudos e Desenvolvimento de Projetos Especiais da Pontifícia Católica de São Paulo. CapacitaSUAS Caderno 3. Vigilância socioassistencial: garantia do ca- ráter público da política de assistência social. 1ª ed. Brasília, DF: MDS, 2013c. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Conselho Nacional de Assistência Social. Resolução nº 33, de 12 de dezembro de 2012. Aprova a Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social - NOB/SUAS. Brasília, DF: MDS, 2012. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Conselho Nacional de Assistência Social. Resolução nº 109, de 11 de novembro de 2009. Aprova a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais. Brasília, DF: MDS, 2009. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social. Política Nacional de Assistência Social. Bra- sília, DF: MDS, 2004. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social. Orientações Técnicas da Vigilância Socioas- sistencial. Brasília, DF: MDS, 2013a. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação. Estudo Técnico Nº 01/2011 - Tipologia de capacidade de gestão em Assistência Social – TACGAS: proposta metodo- lógica e validação empírica. Brasília, DF: MDS, 2011. CAMPOS, Francisco Carlos Cardoso de; FARIA, Horácio Pereira de; SANTOS, Max André dos. Planejamento e avaliação das ações em saúde. 2ª ed. Belo 83CAPACITASUAS |PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 2 unidade2.2Horizonte: Nescon/UFMG, Coopmed, 2010. FUNDAÇÃO PREFEITO FARIA LIMA – CEPAM; UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS – UNICAMP. Instituto de Economia. Construindo o diagnóstico municipal: uma metodologia. Coordenação de Anselmo Luís dos Santos e Fá- tima Fernandes de Araújo. São Paulo, 2008. JANNUZZI, P. M. Indicadores sociais no Brasil: conceitos, fonte de dados e aplicações. Campinas: Alínea, 2001. JANNUZZI, P. M. Indicadores sociais no Brasil: conceitos, fonte de dados e aplicações. 4ª ed. Campinas: Alínea, 2009a. JANNUZZI, P. M. Indicadores socioeconômicos na gestão pública. Florianó- polis: UFSC, Departamento de Ciências da Administração; Brasília, DF: Capes, UAB, 2009b. MATUS, Carlos. O plano como aposta. In: GIACOMONI, James, PAGNUSSAT, José Luiz. Planejamento e orçamento governamental. V.1. Brasília, DF: ENAP, 2006. SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA. Departamento Regional do Estado do Para- ná. Construção e Análise de Indicadores. Curitiba: Serviço Social da Indús- tria, Observatório Regional Base de Indicadores de Sustentabilidade, 2009. 84 CEGOV | UFRGS 85CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL 2.2 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Esta unidade tem como objetivos de aprendizagem: • identificar a razão de ser dos diferentes elementos que compõem o PAS; • relacionar os diferentes elementos que compõem o PAS; e • como elaborar um PAS, conforme a estrutura básica estudada, de modo a exercitar a construção de um PAS com base na realidade do município. O PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO PLANO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL A elaboração do Plano de Assistência Social pode se apoiar em diferentes modelos, dentre os quais o Planejamento Estratégico Situacio- nal, PES, como se viu no Módulo 1. Deste modo, a gestão viabiliza a par- ticipação dos demais atores sociais para a realização do PAS, tornando o processo participativo. Importante, então, se deter no seu processo de elaboração. Várias possibilidades existem para se criar as condições para a participação dos atores sociais na produção coletiva do PAS. Alguns pas- sos são importantes e que podem servir de um guia: • a gestão e o conselho municipal marcam esta tarefa na agen- da técnico-política da assistência social municipal; • a gestão convida todos os atores sociais relacionados ao tema e com responsabilidades públicas; • realização de um planejamento coletivo sobre como será o desenvolvimento das atividades necessárias, estabelecendo um cronograma para o trabalho; • definição dos responsáveis pela coordenação das atividades, importante para dar direção na condução da tarefa; • este coletivo tem uma tarefa a realizar, e ao final dos traba- lhos precisam ter um produto, que é o PAS; • dependendo do porte do município, haverá necessidade de maior volume de trabalho e este pode ser distribuído em gru- pos de trabalho (GTs), para otimização da tarefa. • considerar a seguinte dinâmica no desenvolvimento dos tra- balhos: que haja momentos de concentração e momentos de MÓDULO 2 unidade 2.2 DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA 86 CEGOV | UFRGS dispersão dos participantes na elaboração. Ou seja, momen- tos em que todos precisam estar juntos para alinhamento de concepções, informações e formas de elaboração, e mo- mentos dedicados para a operação de coleta de dados para o diagnóstico; por exemplo, quando os responsáveis precisam de tempo para dedicação à tarefa. Esta dinâmica facilita o acompanhamento e a avaliação do processo de elaboração, apontando novos caminhos se for necessário. • os momentos de tomada de decisão vão requerer da gestão e dos participantes do processo de elaboração posiciona- mentos calcados nos seus compromissos com a cidadania e a política pública. É importante que haja espaço para o diálo- go por meio da argumentação fundamentada, do respeito à pluralidade das posições, para que a tomada de decisão seja democrática e construída coletivamente. ESTRUTURA BÁSICA DO PAS Vimos, até aqui, que a elaboração do Plano de Assistência Social é um instrumento estratégico para a consolidação do SUAS, pois caso con- trário se cairia na improvisação, na ação caótica, emergencial e pontual, sem direção e sem continuidade. Pelo contrário, a política de assistência social requer, assim como qualquer política social pública, planos para a definição de “objetivos, foco e intencionalidade às ações, permitindo, as- sim, articulação antecipada de consciências e resultados, possibilitando a antevisão do estado ou da situação que se quer conquistar” (BRASIL, 2010, p.29). Para tanto, esta unidade proporciona a apreensão e compreensão sobre os elementos que compõem a estrutura do PAS, pois somente co- nhecendo e participando de um processo de elaboração do PAS, é possí- vel desenvolver competências e habilidades para o planejamento. Como já vimos no Módulo I, a NOB/SUAS 2012 estabelece a seguinte estrutura para o Plano de Assistência Social: a) Dados de identificação do plano; b) Introdução; c) Diagnóstico socioterritorial; d) Objetivos; e) Diretrizes e prioridades deliberadas; f ) Ações estratégicas; g) Metas; h) Resultados e impactos esperados; i) Recursos materiais, humanos e financeiros; j) Mecanismos e fontes de financiamento; 87CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 2 unidade2.2 O Brasil tem 5.570 municípios com o imenso desafio de construírem seu PAS. Vamos utilizar extratos dos PAS de alguns municí- pios como exem- plos neste Curso. Mas, ATENÇÃO, a construção da estrutura básica do PAS só pode ser feita a partir da realidade específica de cada Município: a partir do diagnóstico e de- liberações das Confe- rências, para que o mesmo seja eficaz e comprometido com as demandas dos seus munícipes! DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA a k) Cobertura da rede prestadora de serviços; l) Indicadores de monitoramento e avaliação; m) Espaço temporal de execução. Agora, aprenderemos sobre o conteúdo de cada tópico da es- trutura do Plano. Os dois primeiros tópicos expressam a identificação do município e a direção do PAS definida no processo de planejamento. Sugere-se que os tópicos Dados de identificação e Introdução possam ter os conteúdos apresentados a seguir: DADOS DE IDENTIFICAÇÃO 1. Identificação do Plano: título; vigência; responsáveis pela elaboração; colaboradores; período de elaboração; responsá- vel para contato (nome, telefone, e-mail); entre outros. 2. Dados Municipais: nome do município; porte do município (opções: pequeno porte I, pequeno porte II, médio porte, grande porte, metrópole), nível de gestão do SUAS (opções: inicial, básica, plena), nome do prefeito, período de manda- to, endereço da prefeitura (rua, número, bairro, CEP), telefone (DDD e número), fax (DDD e número), site, e-mail. 3. Dados do Órgão Gestor da Assistência Social: nome do ór- gão gestor, endereço (rua, número, bairro, CEP), telefone (DDD e número), fax (DDD e número), site, e-mail, nome do gestor. 4. Dados do Fundo Municipal de Assistência Social (FMAS): lei de criação do FMAS, decreto de regulamentação, CNPJ, nome do gestor, fonte de recursos (municipal, estadual, federal). 5. Conselho Municipal De Assistência Social (CMAS): lei de Criação do CMAS, endereço (rua, número, bairro, CEP), tele- fone (DDD e número), fax (DDD e número), site, e-mail, nome do presidente, período de mandato, representação (opções: governamental, não governamental, usuários), número de conselheiros, secretaria executiva. INTRODUÇÃO Contempla informações sobre a concepção de planejamento adotada pelo município, demonstrando sua importância na organização da política de assistência social e o atendimento à legislação em vigor. Po- de-se explicitar o processo de elaboração e estruturação do planomunici- pal, assim como a forma como se deu a participação da sociedade civil na elaboração do plano. Também é possível abordar, neste item, como será o monitoramento e a avaliação das ações e metas planejadas. b 88 CEGOV | UFRGS O diagnóstico tem por base o conheci- mento da realidade a partir da leitura dos territórios, microterritórios ou outros recortes socioterritoriais que possibilitem iden- tificar as dinâmicas sociais, econômicas, políticas e culturais que os caracterizam, reconhecendo as suas demandas e potencialidades (BRASIL, 2012, art. 20). DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA LEIA A NORMA c d DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Este momento é mui- to importante, pois requer que se façam escolhas e se tomem decisões! Utilize ferramentas de planejamento que colaboram muito! DIAGNÓSTICO SOCIOTERRITORIAL Relembrando o que estudamos no Módulo 1! • O diagnóstico socioterritorial é a primeira fase da elaboração do Plano de Assistência Social. • Consiste na descrição e análise de uma dada situação a partir da perspectiva do território. • Para tanto, envolve a produção, coleta e sistematização de da- dos e informações. O artigo 21 da NOB/SUAS 2012 estabelece que a realização do diagnóstico socioterritorial requer: a) processo contínuo de investigação das situações de risco e vulnerabilidade social presentes nos territórios, acompanhado da interpretação e análise da realidade socioterritorial e das de- mandas sociais que estão em constante mutação, estabelecendo relações e avaliações de resultados e de impacto das ações pla- nejadas; b) identificação da rede socioassistencial disponível no territó- rio, bem como de outras políticas públicas, com a finalidade de planejar a articulação das ações em resposta às demandas identi- ficadas e a implantação de serviços e equipamentos necessários; c) reconhecimento da oferta e da demanda por serviços socio- assistenciais e definição de territórios prioritários para a atuação da política de assistência social; d) utilização de dados territorializados disponíveis nos siste- mas oficiais de informações. O Diagnóstico deverá ser um instrumento dinâmico, participa- do e que permite uma compreensão da realidade social. Deverá incluir a identificação das necessidades e a detecção dos problemas prioritários e respectivas causalidades, bem como dos recursos e potencialidades lo- cais, que constituem reais oportunidades de desenvolvimento (BRASIL, 2013a, p. 26). OBJETIVOS • Responde a pergunta: para que vou realizar determinada ação/projeto/serviço? • Os objetivos expressam as mudanças que se deseja para o futuro. • Devem comunicar as intenções dos gestores, construídas a partir do levantamento das necessidades identificadas pelo conjunto dos atores da assistência social. • As intenções são oriundas das prioridades definidas a partir do Diagnóstico Socioterritorial. 89CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 2 unidade2.2 Neste momento você deve analisar as Deliberações das Conferências Nacio- nal, Estadual e do seu Município, que também vão lhe orientar na definição dos objetivos. Na elaboração dos objetivos atender o artigo 22 da NOB/ SUAS 2012, que determina que os planos devem obser- var as deliberações das Conferências de Assistência Social. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA • A elaboração dos objetivos fornecem as orientações que per- mitem às organizações alcançar os resultados esperados. Um objetivo é um enunciado escrito sobre resultados a serem alcançados em um dado período. Deve ser relevante, explícito e quantifi- cável. E, muito importante, precisa ser exequível, ou seja, realizável. Por isso, é importante que os objetivos sejam claros e permitam que se visualize o resultado desejado. Exemplo de um objetivo claro e que preenche suas características é o da PNAS (2004): “Prover serviços, programas, projetos e benefícios de proteção social básica e/ou especial para famílias, indivíduos e grupos que dele ne- cessitarem”. Esse enunciado oferece os elementos essenciais para a compreensão da mudança a ser planejada: • Objetivo: prover serviços, programas, projetos e benefícios. • Tipo de serviços ofertados: proteção básica e/ou especial. • Público-alvo: famílias, indivíduos e grupos em situação de risco e vulnerabilidade sociais. Construído dessa forma, gestores, profissionais e cidadãos iden- tificam claramente as intenções da política e podem guiar suas ações e demandas a partir desse entendimento. DIRETRIZES E PRIORIDADES DELIBERADAS • Uma diretriz é uma orientação geral que organiza as decisões e ações. • O Plano de Assistência Social deve ser coerente com as diretri- zes que orientam a administração pública, expressas no Plano Diretor, Plano Plurianual e outros. • O Plano deve considerar, ainda, as Diretrizes Organizacionais estabelecidas pelo SUAS, expressas no artigo 5º da NOB/SUAS 2012: Aqui vocês vão examinar as diretri- zes anunciadas pela Norma e debater sobre quais são mais pertinentes para a realidade de seu município. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA e I. primazia da responsabilidade do Estado na condução da política de assistência social; II. Idescentralização político-administrativa e comando único das ações em cada esfera de governo; III. Ifinanciamento partilhado entre a União, os Estados, o Distrito Fe- deral e os Municípios; IV. matricialidade sociofamiliar; V. territorialização; 90 CEGOV | UFRGS As conferências de assistência social são instâncias que têm por atribuições a avaliação da po- lítica de assistência social e a definição de diretrizes para o aprimoramento do SUAS, ocorrendo no âmbito da União, dos Estados, do Dis- trito Federal e dos Municípios (BRASIL, 2012, art. 116). DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA LEIA A NORMA f Aqui é o momento de definir os meios para o alcançar os objeti- vos definidos, a partir das diretrizes, consi- derando a realidade de seu município. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Figura 21 – Fluxo de elaboração das ações estratégicas Fonte: elaboração CEGOV, 2015. VI. fortalecimento da relação democrática entre Estado e sociedade civil; VII. controle social e participação popular. A NOB/SUAS 2012 chama a atenção para o caráter participativo e democrático da gestão do SUAS ao enfatizar que as prioridades são “deli- beradas”. As decisões sobre as ações, os serviços e a alocação de recursos devem envolver a participação da comunidade por meio do Conselho de Assistência Social. AÇÕES ESTRATÉGICAS • As ações devem ser elaboradas com vistas a alcançar os obje- tivos definidos. “A estratégia é usada para construir a viabilidade política, porque é através da estratégia que o ator procura utilizar estas informações para pensar nas possíveis decisões e nas ações mais adequadas para que o ‘deve ser redomine sobre o pode ser’” (MATUS, 1996b, p. 34). (http://www.rc.unesp.br/ igce/geografia/pos/downloads/2002/planejamento.pdf ) Na escolha das ações e estratégias os gestores devem observar o artigo 22 da NOB/SUAS 2012 que determina que os planos devem obser- var as ações articuladas e intersetoriais. METAS As metas são desdobramentos quantificados dos objetivos, ou seja, uma meta é um objetivo acompanhado da dimensão quantitativa e de referência temporal e territorial. RESULTADOS E IMPACTOS ESPERADOS Os resultados são as mudanças diretas alcançadaspelos bene- ficiários por meio da participação em uma política pública. Os impactos são as contribuições da política de assistência social para determinadas mudanças sociais. Esse componente indica os efeitos indiretos de uma política pública sobre a sociedade. g h Na definição das metas, os gestores devem atentar para o artigo 22 da NB/SUAS 2012 que determina que os planos devem considerar as metas nacionais e estaduais pactuadas. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA 91CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 2 unidade2.2 RECURSOS MATERIAIS, HUMANOS E FINANCEIROS Nesse item, deve ser apresentada a estrutura disponível para a execução das políticas. UM PROGRAMA SOCIAL PRODUZ: PRODUTOS, RESULTADOS E IMPACTOS Os produtos são os resultados concretos das ações desenvolvidas a partir dos recursos disponíveis. Exemplo: a inclusão de uma família no Cadastro Único é um produto da ativi- dade de busca ativa. Os resultados são efeitos dos produtos. Exemplo: o recebimento do benefício do Programa Bolsa Família é um resultado de estar incluído no Cadastro Único. Os impactos são mudanças mais amplas decorrentes dos resultados. Exemplo: aumento do peso das crianças em decorrência da diversificação da dieta familiar, ocorrida por meio do aumento da renda i Durante a formulação desse item, atente para o aproveita- mento de dados e informações que foram coletados para elaborar o diagnósti- co socioterritorial. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Os recursos materiais dizem respeito a rede socioassistencial e equipamentos. Os recursos humanos se referem à quantidade e à qualidade dos recursos humanos. Envolvendo escolaridade, formação, se alocado em atividades meio ou fim, horas de treinamento, entre outros. Os recursos financeiros serão discriminados no próximo item. Cada município tem uma organização peculiar na secretaria res- ponsável pela Política de Assistência Social, seja ela específica ou parti- lhada com outra política setorial. É interessante, no entanto, que existam determinados setores capazes de dar conta dos objetivos e funções da Política conforme a LOAS e a NOB/SUAS 2012, tanto para a responsabilida- de na condução das atividades pertinentes na execução da política, como para a elaboração do PAS. Algumas atividades requerem que exista um setor ou departa- mento com pessoas responsáveis, tais como: Proteção social básica, Prote- ção social especial, Vigilância socioassistencial, Gestão do trabalho, Bene- fícios eventuais setor de convênios, entre outros. GESTÃO DO TRABALHO E EDUCAÇÃO PERMANENTE DO SUAS A Gestão do Trabalho “compreende o planejamento, a organiza- ção e a execução das ações relativas à valorização do trabalhador e à es- truturação do processo de trabalho institucional, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” (Art. 109, NOB/SUAS). Nesse sentido, é uma função estratégica e fundamental que tem como atribuições, dentre outras, o reconhecimento, levantamento e ma- peamento dos recursos humanos, dos perfis e necessidades de qualifica- ção e, dessa forma, a estruturação de processos de educação permanente que promovam o desenvolvimento das competências necessárias para o 92 CEGOV | UFRGS alcance dos objetivos do SUAS. Este diagnóstico e as ações necessárias para sua efetivação devem estar organizados, por cada ente, por meio de um Plano de Educação Permanente, que, por sua vez, deve ter sido cons- truído de forma artuculada ao processo de planejamento da política de assistência social do ente e estarinserido no Plano de Assistência Social. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA A Política Nacional de Educação Permanente do SUAS - PNEP/SUAS foi instituída pela Resolução CNAS n° 04 de março de 2013. A Educação Permanente é um novo arranjo teórico-metodológico, éti- co-político, inserido na Gestão do Trabalho do Sistema Único de Assis- tência Social, que junto às demais ações, deve, entre outros, possibilitar a construção de respostas qualificadas às demandas sociais, assegurando proteção social e direitos. Esta normativa estabelece princípios e diretrizes para sua organização e execução e os tipos de ações de capacitação e de formação. O Planejamento das ações de Educação Permanente será a tratativa (a forma) que a gestão dará para suprir as necessidades de formação e ca- pacitação, as quais devem ser organizadas de acordo com os parâmetros, princípios e diretrizes estabelecidos na PNEP/SUAS. A PNEP/SUAS está disponível no site do MDS através do link: http://www. mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Normativas/Politi- ca-nacional-de-Educacao-permanente.pdf. MECANISMOS E FONTES DE FINANCIAMENTO O artigo 50 da NOB/SUAS de 2012 estabelece que o modelo de gestão do SUAS prevê o financiamento compartilhado entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Tal financiamento é viabiliza- do por meio de transferências regulares e automáticas entre os fundos de assistência social. No Plano, devem ser definidos com clareza os recursos disponíveis para a execução das atividades, apresentando as fontes de financiamento, sejam do orçamento próprio, das transferências intergovernamentais ou de apoios privados. Além dos recursos alocados na implementação da política de Assistência Social é importante apresentar a evolução do orçamento no período anterior e a comparação entre o que foi orçado e o que foi execu- tado. Visualize um exemplo de relação entre aspectos do PAS que podem ser relacionados, facilitando a exposição e a organização das informações. j 93CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 2 unidade2.2Quadro 7 – Programa, Ação estratégica, Metas e Fontes de Financiamento PROGRAMA AÇÃO ESTRATÉGICA METAS PERÍODO FONTES DE FINANCIAMENTO F. 2018 G. 2019 H. 2020 2021 MUN. EST. FED. Serviço de PSB no domicílio para pessoas com defi- ciência e idosos I. Divulgar e apri- morar os serviços conforme orien- tações da política 65 % X X X X X X X Fonte: elaboração CEGOV, 2015. Este tópico, na estrutura do PAS, é importante tanto para a gestão como para o controle social, pois é necessário tornar público o que se está planejando, quais são os significados da alocação de recursos próprios do município para a política de assistência social. Não se trata apenas de dar transparência aos números, mas, também, o que este ato significa para a execução da política de assistência social. EVOLUÇÃO DOS RECURSOS DA ASSISTÊNCIA SOCIAL (UNIÃO) Nos últimos dez anos, os valores investidos pela União na Assistência Social apresentaram um aumento considerável. Em valores constan- tes (corrigidos pelo IPCA/IBGE na data base de 31/12/2012), o total executado na Função 08 passou de R$ 11,5 bilhões, em 2002, para R$ 56,6 bilhões, em 2012, o que corresponde a um crescimento real de 392,8% (BRASIL, 2013c, p. 14). DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA DI CA CO NC EI TO CO NV ER SA CO M O G ES TO R AC ES SE RE FL IT A LE IA A LE I AT EN Çà O SA IB A LE IA FE RR AM EN TA S SA GI VI DE OT EC A COBERTURA DA REDE PRESTADORA DE SERVIÇOS • A malha de serviços deve ser analisada quanto à localização, natureza da atenção oferecida, cobertura e quadro profissio- nal disponibilizado. Com essas informações, podem ser iden- tificados os vazios de atenção. • Essa análise pode ser complementada com a comparação com outros municípios e/ou estados, situando o padrão local no contexto regional, estadual e interestadual. • Além de informações sobre os serviços e programas da as- sistência social, é necessário conhecer a rede assistencial das demais políticas públicas existentes no território,relevante para a análise da cobertura já que oferece uma dimensão da totalidade da oferta de serviços disponíveis para o cidadão, ampliando o potencial das políticas setoriais. O Plano deve prever estratégias de integração do conjunto de ser- viços socioassistenciais do território. A intersetorialidade, ou seja, a atua- ção conjunta, de forma articulada e integrada das políticas sociais, visa dar conta dos direitos sociais, das seguranças e proteções sociais e potenciali- zar a atuação das políticas públicas. k DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Conheça a Lei nº 12.101 de 27 de novembro de 2009 dispõe sobre a certi- ficação das entida- des beneficentes de assistência social; regula os procedi- mentos de isenção de contribuições para a seguridade social e dá outras providências (BRA- SIL, 2009). 94 CEGOV | UFRGS l INDICADORES DE MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO A NOB/SUAS 2012 dedica a Seção III do Capítulo VIII para estabe- lecer as diretrizes para o monitoramento do SUAS. Define o monitoramento como o acompanhamento contínuo e sis- temático do desenvolvimento dos serviços, programas, projetos e benefícios socioassistenciais em relação ao cumprimento de seus objetivos e metas. Assim, a atividade de monitoramento está conectada com os ob- jetivos e metas definidos. Além disso, a norma define como o monitora- mento deve ser realizado por meio da produção regular de indicadores e da coleta de informações. O Módulo III é inteiramente dedicado ao Monitoramento e Avalia- ção, onde o tema será aprofundado. ESPAÇO TEMPORAL DE EXECUÇÃO Este item deve ser definido levando em consideração o artigo 19 da NOB/SUAS 2012 que determina que os entres federados deverão ela- borar seus planos de assistência social a cada quatro anos, de acordo com os períodos de elaboração do Plano Plurianual (PPA). m Sugere-se prever momentos de atualização do PAS que coincidam com o mesmo período de atualização do PPA, se houver. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Reflita sobre a relevância da elaboração do PAS no seu município quanto ao alcance dos objetivos da Política de Assis- tência Social. NESTA AULA VOCÊ APRENDEU QUE: ü O Plano de Assistência Social é uma exigência das normas que es- truturam o SUAS e um importante instrumento de gestão da política no âmbito municipal, estadual e federal. ü A estrutura do Plano foi definida na NOB/SUAS 2012. ü A elaboração do Plano permite conhecer melhor a realidade social e a estrutura da assistência social no território. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social. Política Nacional de Assistência Social. Bra- sília, DF: MDS, 2004. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Conselho Nacional de Assistência Social. Resolução nº 109, de 11 de novembro de 2009. Aprova a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais. Brasília, DF: MDS, 2009. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Conselho Nacional de Assistência Social. Resolução nº 33, de 12 de dezembro de DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA 95CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 2 unidade2.22012. Aprova a Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social - NOB/SUAS. Brasília, DF: MDS, 2012. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social. Orientações Técnicas da Vigilância Socioas- sistencial. Brasília, DF: MDS, 2013a. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Conselho Nacional de Assistência Social. Resolução nº 18, de 15 de julho de 2013. Dis- põe acerca das prioridades e metas específicas para a gestão municipal do Sistema Único de Assistência Social – SUAS, para o quadriênio 2014-2017, pac- tuadas pela Comissão Intergestores Tripartite – CIT. Brasília, DF: MDS, 2013b. Brasil. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação. Secretaria Nacional de Assistência Social. Caderno SUAS VI: financiamento da assistência social no Brasil. Brasília, DF: MDS, 2013c. BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídi- cos. Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009. Dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social; regula os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social; altera a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; revoga dispositivos das Leis nº 8.212, de 24 de julho de 1991, 9.429, de 26 de dezembro de 1996, 9.732, de 11 de dezembro de 1998, 10.684, de 30 de maio de 2003, e da Medida Provisória nº 2.187-13, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Brasília, DF: 2009. 96 CEGOV | UFRGS MONITORAMENTO E CONTROLE SOCIAL DO PLANO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Neste Módulo III serão apresentados os conhecimentos ne- cessários para o Monitoramento e Controle Social do Plano de Assistência Social – PAS. Os conteúdos que serão desen- volvidos tratam da importância do monitoramento no ciclo de gestão do PAS; o papel do controle social no monitora- mento da execução do PAS; os indicadores para o monitora- mento; a construção de indicadores de monitoramento do PAS e a articulação entre o monitoramento da execução do PAS e as informações produzidas pela Vigilância Socioassis- tencial para o replanejamento e a atualização do PAS. MÓDULO 3 98 CEGOV | UFRGS 99CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL 1.1 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Nesta Unidade, serão oferecidos conteúdos para a assimilação do aluno sobre: • a compreensão de como o controle social contribui para o aprimora- mento do PAS; • a construção de indicadores de monitoramento do PAS; • a compreensão do papel do monitoramento da execução do PAS e da Vigilância; e • o entendimento do papel da Vigilância Socioassistencial no processo de atualização e reconfiguração do PAS. Deste modo, o enfoque deste Módulo está no conhecimento so- bre o lugar do monitoramento no ciclo de gestão da política de assistência social; o papel do controle social no monitoramento da execução do PAS; a construção de indicadores para o monitoramento do PAS elaborado na oficina de aprendizagem do módulo anterior, e o monitoramento da exe- cução do PAS e a Vigilância Socioassistencial enquanto mecanismos de produção de subsídios informacionais para a reconfiguração do PAS. As atividades pedagógicas serão aula expositiva e oficina de aprendizagem. A IMPORTÂNCIA DO MONITORAMENTO NO CICLO DE GESTÃO DO PAS Primeiramente é importante se definir o que é o monitoramento, pois em consequência, se entenderá sua importância no ciclo de gestão do Plano de Assistência Social. A Política de Monitoramento e Avaliação do Ministério de Desen- volvimento Social e Combate à Fome, definida pela Portaria nº 329, de 11 de outubro de 2006 (BRASIL, 2006 a), define no Art. 2º que são considera- das ações de monitoramento aquelas que se destinam ao acompanhamen- to da implementação e execução dos programas e ações, visando à obtenção de informações para subsidiar gerenciamento e a tomada de decisões coti- dianas, bem como a identificação precoce de eventuais problemas. Retomando o que se viu no Módulo II (na Unidade 2), a NOB/SUAS 2012 define o monitoramento como: MÓDULO 3 unidade 3.1 Os objetivos e as metas definidas no PAS são o foco do monitoramento. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA 100 CEGOV | UFRGSDICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Assista ao vídeo: MDS amplia ações de monitoramento de políticas e pro- gramas Disponível em: ht- tps://www.youtube. com/watch?=-v- m8wwm8JIgYk “o acompanhamento contínuo e sistemático do desenvolvimento dos serviços, programas, projetos e benefícios socioassistenciais em relação ao cumprimento de seus objetivos e metas”. Portanto, a relevância do monitoramento é que o mesmo se cons- titui como função inerente à gestão e ao controle social, como estabelece o art. 99 da NOB/SUAS 2012. ü O monitoramento é uma ferramenta que amplia o conheci- mento dos gestores sobre os processos de implementação, o que permite gerenciar de forma mais adequada os recursos disponí- veis, corrigindo desvios ou solucionando problemas que surgem ao longo do processo de execução das políticas e dos programas. ü A atividade de monitorar parte do pressuposto de que no processo de implementação das políticas e dos programas sur- gem problemas, obstáculos e ocorrências que não foram previs- tas no momento do planejamento. ü Ele é uma ferramenta que auxilia o gestor a identificar e lidar com essas situações. O monitoramento pode cumprir várias funções, tais como: • Contribuir para a eficiência das políticas e dos programas: O monito- ramento pode retroalimentar a gestão e subsidiar a melhoria da im- plementação, otimizando a utilização dos recursos e a redução dos custos; • Guiar, revisar e ajustar o desenvolvimento do programa política (ser- viços, benefícios, programas e projetos): O monitoramento é um ins- trumento de gestão e aprendizagem indispensável para subsidiar a reflexão e os ajustes da estratégia da política e do programa. • Possibilitar a transparência na informação e fortalecer a comunicação: O monitoramento pode ter a função de manter diferentes atores - in- tegrantes, parceiros e o público em geral interessado - informados sobre o andamento das ações e as situações relativas à política. Pode esclarecer sobre os sucessos, mas também sobre os problemas mui- tas vezes enfrentados na implementação (PIECHA e VALERELLI, 2008). Na medida em que produz informações sobre a execução dos programas levando em conta os objetivos e metas incialmente planeja- dos, a realização da atividade de monitoramento pode: • Fortalecer as relações de prestação de contas para dentro e para fora do governo; • Incrementar a transparência na gestão pública; • Levar à tomada de decisão mais eficiente; • Fomentar o intercâmbio de ideias e experiências sobre os pro- gramas e projetos públicos; 101CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 3 unidade3.1• Conduzir à implementação de inovações e à geração de conheci- mentos na administração pública (GUBERMANN e KNOPP, 2011). Já vimos que Ciclo de Políticas Públicas tem cinco etapas: defini- ção da agenda, definição das alternativas, tomada de decisão, implemen- tação e avaliação. O Monitoramento da execução ou implementação do PAS, cor- responde ao quarto momento do ciclo, quando é recomendado o acom- panhamento da implementação do plano. Vamos aprender agora! O PAPEL DO CONTROLE SOCIAL NO MONITORAMENTO DA EXECUÇÃO DO PAS A NOB/SUAS 2012 (art. 99) estabelece que o monitoramento da execução do Plano de Assistência Social é uma função da gestão e do con- trole social. O monitoramento da execução da política de assistência social pelo controle social equivale ao acompanhamento da execução orçamen- tária dos planos de assistência social (BRASIL, 2006b, p. 40). O Conselho municipal de assistência social tem como uma de suas atribuições fundamentais acompanhar todo o processo de planeja- mento, contribuindo em todos os momentos (elaboração do diagnóstico, definição de objetivos e metas, previsão orçamentária, monitoramento e avaliação). Dentre esses momentos será tratado, em específico o acompa- nhamento da execução orçamentária. Os conselhos têm a função precípua de realizar o controle e a fiscalização dos recursos destinados às ações finalísticas, ou seja, serviços, programas, projetos e benefícios previstos na LOAS e definidos no PAS. É importante que se saiba que, quando o orçamento é aprova- do, tem caráter autorizativo. Isso quer dizer que o orçamento aprova- do determina até quanto o Poder Executivo pode gastar, como vimos no Módulo 1, Unidade 1, quando se estudou sobre a Lei Orçamentária Anual – LOA, que corresponde ao orçamento propriamente dito (BRASIL, 2013a). Contudo, a autorização para o gestor gastar não equivale a dizer que ele é obrigado a gastar tudo o que foi previsto e aprovado. Ele só precisa de nova autorização do Legislativo se for gastar mais do que o previsto (BRASIL, 2006b, p. 42). • A lei orçamentária define que o Poder Executivo tem o poder de redirecionar recursos e alterar o conteúdo do orçamento aprovado. • Por isso, é importante que o controle da execução orçamentária seja feito pelos conselhos, monitorando, assim, a efetivação do PAS. Assim, não estão sob o controle do conse- lho as despesas com as chamadas ativida- des meio, tais como: folha de pagamento de funcionários públicos, transporte, pesquisas, levanta- mento de diagnós- ticos, etc. (BRASIL, 2006b, p. 42). DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Veja o documento completo. Dispo- nível em: http:// www.mds.gov.br/ assistenciasocial/ secretaria-nacional- -de-assistencia-so- cial-snas/cartilhas/ cartilha-1-suas-o- rientacoes-acerca- -dos-conselhos-e- -do-controle-social- -da-politica-publi- ca-de-assistencia- -social/Cartilha%20 1%20SUAS%20-%20 Orientacoes%20 acerca%20dos%20 conselhos%20e%20 do%20controle%20 social%20da%20 politica%20publi- ca%20de%20assis- tencia%20social.pdf/ download 102 CEGOV | UFRGS Artigo 48 - São instrumentos de transparência da gestão fis- cal, aos quais será dada ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso público: os planos, orçamentos e leis de diretrizes orçamentárias; as prestações de contas e o respectivo parecer prévio; o Relatório Resumido da Execução Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal; e as versões simplificadas desses documentos. Parágrafo único. A transparência será assegurada também medi- ante incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante os processos de elaboração e de discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos (BRASIL, 2000). DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Como o Conselho vai fazer o controle da execução orçamen- tária? 1. O processo de avaliação e controle da execução orçamentá- ria deve ocorrer durante todo o ciclo orçamentário. O Conselho deverá apreciar e aprovar a proposta orçamentária depois de um processo de discussão da mesma com os representantes do órgão gestor. Após a fase de apreciação e aprovação, inicia-se o processo de acompanhamento que ocorre por meio dos relató- rios da execução que deve, obrigatoriamente, ser apresentado pelo Fundo na periodicidade estabelecida em sua Lei de criação e em seu Decreto de regulamentação. Assim, o conselho deve prever em seu calendário de eventos, reunião específica para discussão e apreciação do relatório. 2. Durante todo o ciclo o conselho deve avaliar se as metas es- tabelecidas no PAS estão sendo executadas, conforme as prio- ridades que foram estabelecidas para cada ano. Se para cum- primento de uma determinada meta seja necessário alocação específica de recursos, o conselho deve avaliar: se realmente ocorreu a alocação e se o mesmo foi suficiente. Outro fator importe a ser avaliado é se o prazo estimado para execução da meta não irá compreender recursos de mais de um exercício orçamentário. Como o PAS é um instrumento de planejamento, deve-seprever possíveis ocorrências que impeçam a execução no prazo, demandando alterações no planejamento inicial ou aporte de mais recursos. 3. O conselho pode e deve acompanhar a divulgação destas in- formações da execução orçamentária, o que é uma função obri- gatória do gestor, conforme previsto na referida LRF/2000: LE IA A N OR M A Conforme disposto na Portaria MDS nº 113/2015, publicada no DOU em 11 de dezembro de 2015, é papel dos Conselhos de Assistência Social realizar o envio de parecer em sistema informatizado disponibiliza- do pelo MDS acerca do preenchimento, por parte do Gestor, do Plano de Ação e do Demonstrativo Sintético Anual de Execução Físico Financeira. É no Demonstrativo Sintético que as informações relativas a exe- cução financeira ds recursos do cofinanciamento federal referente aos DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA O MDS e CNAS elaboraram o documento SUAS - Orientação acerca dos Conselhos e do Controle Social da Política Pública de Assistência Social - Caderno 1 (BRASIL, 2006b), no qual, entre outros tópicos, detalham o pro- cesso de controle e fiscalização do orçamento da assis- tência social. 103CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 3 unidade3.1 Você pode con- seguir o manual acessando a inter- net: http://www. mds.gov.br/suas e clicar em Manual de Orientação Técnica. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Blocos de Financiamento da Proteção Social Básica, Proteção Social Es- pecial de Média Complexidade, Proteção Social Especial de Alta Comple- xidade, dos Programas e dos Projetos, a título de prestações de contas. Para realização da tarefa de emissão de parecer acerca da exe- cução financeira, o Conselho deverá utilizar as informações do MDS so- bre os recursos transferidos para os fundos, disponibilizados em sistema informatizado, verificando se os mesmos estão sendo gastos nas ações que foram previstas. O Parecer do Conselho é disponibilizado por meio de formulário a ser preenchido eletronicamente pela Internet, sem ha- ver a necessidade do envio ao MDS de documentação em papel. Todos os documentos, como atas de reunião, resoluções e pareceres que dão base para a deliberação precisam ficar guardados. A secretaria executiva precisa zelar por eles e deixá-los disponíveis, caso sejam pedidos como comprovação. O Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome criou um manual para orientar os conselheiros no uso dos formulários referen- tes aos Pareceres que são enviados pela Internet, podendo ser obtido no blog do Fundo Nacional de Assistência Social, sendo atualizado anual- mente quando da disponibilização do Demonstrativo Sintético para pre- enchimento. O mesmo documento SUAS - Orientação acerca dos Conselhos e do Controle Social da Política Pública de Assistência Social - Caderno 1 (BRA- SIL, 2006b, p. 52-53) aponta caminhos que o conselho precisa percorrer para o acompanhamento geral da implementação do PAS, quais sejam: • Na sua esfera de atuação (Estado, Distrito Federal ou Muni- cípio) a) Discutir o plano de assistência social nas plenárias do conselho. Se necessário, criar comissões temáticas para discussão de temas espe- cíficos que possam trazer contribuições ao parecer do conselho; b) Discutir o plano em audiências públicas para ampliar o debate e ver se é possível que o plano de assistência social possa se articular com ações das outras políticas, como saúde, educação, criança e adolescente, segurança alimentar e nutricional, entre outras; c) Analisar e dar o parecer do Plano de Assistência Social; d) Em caso de irregularidades, solicitar esclarecimento ao gestor responsável. Caso não tenha resposta, entrar em contato com o Conselho Estadual de Assistência Social. Como último recurso, acionar o Ministério Público; e) Acompanhar o processo de votação do Plano na Assembléia ou Câmara de Vereadores entre outubro e dezembro; f ) Acompanhar a votação de emendas parlamentares e garantir que elas sejam associadas ao Fundo; g) Divulgar o plano aprovado para os fóruns da sociedade civil, mo- vimentos sociais e outros; 104 CEGOV | UFRGS h) Avaliar o plano ao final do período de um ano. • Na relação com o MDS, o CNAS pode usar os canais de co- municação sempre que houver dúvida ou precisar de esclare- cimentos. UTILIZAÇÃO DE INDICADORES PARA O MONITORAMENTO DO PAS Ao longo deste Caderno os indicadores sociais foram sendo apresentados como na aula sobre o Planejamento Estratégico Situacional (Módulo I, Unidade I), assim como na aula sobre o Diagnóstico Socioterri- torial, essencial para a construção do PAS (Módulo II, Unidade I). O monitoramento deve ser realizado por meio da produção re- gular de indicadores e captura de informações (NOB/SUAS 2012, art. 99, parágrafo único), em três formas de coleta: I. in loco; II. em dados provenientes dos sistemas de informação; III. em sistemas que coletam informações específicas para os ob- jetivos do monitoramento. Para a realização do monitoramento, a aplicação de indicadores é essencial para mensurar dimensões, como definido no artigo 100 da NOB/SUAS, quais sejam: • estrutura ou insumos • processos ou atividades • produtos ou resultados Figura 22 – Dimensões de monitoramento e seus conceitos Fonte: elaboração própria. Há uma relação de causalidade entre recursos, atividades e pro- dutos delas derivados. A geração dos produtos do programa, benefício, serviço ou polí- tica pública depende da adequação dos recursos às atividades e da exe- cução dessas de acordo com o planejamento. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA BRASIL. Portaria nº 329 de 11 de outu- bro de 2006. Institui e regulamenta a Política de Monito- ramento e Avaliação do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome. MDS. Brasília, 2006. Fluxo de recursos neces- sários para a execução das atividades. Variadas tarefas e proces- sos desenvolvidos visando atingir o objetivo. Resultados concretos das atividades desenvolvi- das a partir dos recursos disponíveis. INSUMOS ATIVIDADES PRODUTOS 105CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 3 unidade3.1 MONITORAMENTO DE INSUMOS MONITORAMENTO DE ATIVIDADES O monitoramento dos insumos responde a questões sobre disponibilidade e qualidade de recursos, do tipo: • A unidade possui os recursos humanos necessários para executar o pro- grama? • O serviço dispõe dos materiais e equipamentos necessários para de- sempenhar as atividades? • Os recursos financeiros estão disponíveis? São indicadores de insumo: - o número de equipamento de assistência social em dado território; - quantidade de recursos humanos; - recursos financeiros próprios; - recursos financeiros de transferências. O monitoramento das atividades responde a questões sobre o desenvolvi- mento das variadas tarefas e processos. São indicadores de atividade: - número de atendimentos realizados no mês; - número de visitas domiciliares realizadas no mês; - quantidade de famílias cadastradas; - quantidade de famílias acompanhadas nas condicionalidades; - quantidade de adolescentes acompanhados para o convívio ou vivên- cia familiar, comunitária e social; - quantidade de entidades participando de ações de Articulação Inter- setorial. MONITORAMENTO DE PRODUTOS Faz o acompanhamento dos produtos esperados como consequência das atividades do programa, tais como: • quantidade de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família; • quantidade de famílias que recebem o benefício de superação da ex- trema pobreza; • quantidade de famílias no Programa de Atenção Integral à Família (PAIF); • quantidade de adolescentes em convívio ou vivência familiar, comu- nitária e social. São indicadores de produto: - aumento da frequência escolar das criançasacompanhadas nas con- dicionalidades de educação; - aumento de famílias inseridas no Programa Bolsa Família; - aumento de adolescentes em convívio ou vivência familiar, comuni- tária e social; - aumento de famílias no Programa de Atenção Integral à Família (PAIF). Veremos, agora, como se expressa o Monitoramento em cada uma destas dimensões: Podem ser acrescidas nesta lista atividades referentes à articula- ção da rede; o trabalho com as lideranças; organização coletiva dos usu- ários, dentre outras. 106 CEGOV | UFRGS Figura 23 – Dimensões de monitoramento e fontes de informações Figura 24 – Relação entre os indicadores de insumo, processo e produto e questões que podem ser elaboradas Fonte: elaboração CEGOV, 2015. Fonte: elaboração com base em BRASIL, 2015. EVENTOS EMPÍRICOS da realidade social Dados brutos levantados: ESTATÍSTICAS PÚBLICAS Informação para análise e decisões de política pública: INDICADOR SOCIAL ÍNDICES INDICADORES DADOS ANALISADOS DADOS ORIGINAIS quantidade de informações gr au d e ag re ga çã o INDICADOR - INSUMO Questão: há recursos para executar a ação? Exemplo: quantidade de trabalhadores nos CRAS. INDICADOR - PROCESSO Questão: como os recursos foram utilizados? Exemplo: quantidade de famílias cadastradas no mês. INDICADOR - PRODUTO Questão: qual foi o resultado do processo? Exemplo: número de famílias que recebem o Bolsa Família. Médicos por mil habitantes Orçamento previsto Recursos financeiros liberados no mês Médicos contratados Campanhas realizadas Diminuição da taxa de morbidade por doenças DST Aumento da expectativa de vida da população INSUMO PROCESSO PRODUTO RESULTADO IMPACTO MUNIC, Suas Visor, RI Social, Tab Social – Tab SUAS e Mops. CadÚnico, Suas Visor, Tab Social – Tab SUAS Tab Social – Tab SUAS, Registros administra- tivos. INSUMOS ATIVIDADES PRODUTOS FO N TE D E IN FO RM AÇ Õ ES O outro aspecto na função do monitoramento, além da produção regular de indicadores, é a de captura de informações. Na figura seguinte se verifica as fontes para obtenção de informações. Vimos, então, como ocorre a produção regular de indicadores e a captura de informações, sendo agora possível se realizar a tarefa de moni- torar por meio dos seus indicadores, como se vê na próxima figura. A partir da exposição do conhecimento sobre indicadores para o monitoramento, pode-se passar para a próxima Unidade deste curso. ARTICULAÇÃO ENTRE O MONITORAMENTO DA EXECUÇÃO DO PAS E AS INFORMAÇÕES PRODUZIDAS PELA VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL PARA A ATUALIZAÇÃO DO PAS No âmbito do SUAS, o monitoramento é uma atividade da Vi- gilância Socioassistencial, por meio da qual são levantadas continuada- mente as informações sobre os serviços ofertados à população, principal- mente quanto aos aspectos de sua qualidade e de sua adequação quanto ao tipo e volume da oferta. 107CAPACITASUAS | PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL M Ó DULO 3 unidade3.1 No âmbito do SUAS, o monitoramento não tem caráter punitivo, mas sim instrutivo. Não cabe à Assistência Social realizar atividades de caráter fiscaliza- tório. Situações de violação devem ser compulsoriamente encaminhadas aos órgãos competentes. DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA A Vigilância Socioassistencial realiza o monitoramento organi- zando as informações de dados secundários, ou seja, aqueles provenien- tes de sistemas de informação, base de dados oficiais, relatórios admi- nistrativos, assim como dados primários, através de visitas in loco. São de responsabilidade da Vigilância Socioassistencial a devida tradução e sistematização destas informações. Também tem a atribuição de orientar quanto aos procedimentos de registro das informações referentes aos atendimentos realizados pelas unidades da rede socioassistencial, zelando pela padronização e qualida- de dos mesmos, uma vez que tais informações são de fundamental rele- vância para a caracterização da oferta de serviços e para a notificação dos eventos de violação de direitos. A Vigilância Socioassistencial deve coordenar em nível municipal, de forma articulada com as áreas de Proteção Social Básica e de Proteção Social Especial, as atividades de inspeção da rede socio- assistencial pública e privada, de forma a avaliar periodicamente a observância dos padrões de referência relativos à qualidade dos serviços ofertados (BRASIL, 2013b, p. 29). Um desafio presente na vigilância socioassistencial é o de se constituir em funções restritas de fiscalização e controle, mas que sejam “campos estratégicos que incorporam uma nova prática do registro e da análise da realidade para o aprimoramento da gestão, do cotidiano dos processos de trabalho e do controle social” (BRASIL, 2013c, p. 36). É a intencionalidade de construir um processo sistemático de análise das demandas de proteção social que faz da avaliação, do monito- ramento e do uso da informação instrumentos de gestão, com importân- cia estratégica no acompanhamento das ações, na escolha de prioridades e no investimento de recursos. “É esta perspectiva de análise que outorga à função da Vigilância Socioassistencial e, fundamentalmente à Política, o seu caráter proativo e a capacidade preventiva de proteção e de defesa de direitos socioassistenciais” (BRASIL, 2013c, p. 38). Para tanto, é que o monitoramento da implementação do PAS conta com as atribuições da Vigilância Socioassistencial e com os dife- rentes agentes vinculados à política (gestores, técnicos da rede pública, representantes e técnicos das entidades, lideranças locais, conselheiros e usuários), uma vez que todos esses têm legitimidade cívica para discutir serviços, padrões de qualidade, problemas locais e construir conjunta- mente alternativas para a consolidação da Política de Assistência Social por meio da efetivação dos PAS. A participação destes diversos segmentos possibilitará a retroa- limentação do sistema de monitoramento e da Vigilância Socioassisten- cial, atualizando, conferindo, ampliando, debatendo e problematizando o conteúdo essencial destas competências: o acesso às seguranças afiança- do aos cidadãos brasileiros. 108 CEGOV | UFRGS DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA Ao final deste Curso sobre a elaboração de Planos de Assis- tência Social – PAS, reflita sobre o papel do monitoramento e a contribuição do controle social neste processo de plane- jamento e acompa- nhamento da sua execução! DICA CONCEITOCONVERSA COM O GESTOR ACESSE REFLITA LEIA A LEIATENÇÃOSAIBA LEIA FERRAMENTAS SAGI VIDEOTECA NESTA AULA VOCÊ APRENDEU QUE: ü O monitoramento é um componente importante no ciclo de ges- tão das políticas públicas. ü O controle social tem atribuições específicas no monitoramento do PAS. ü Indicadores sociais são relevantes para viabilizar o monitoramento do PAS. ü Há uma relação entre o monitoramento da execução do PAS e as informações que a Vigilância Socioassistencial produz como resultante de suas atribuições. REFERÊNCIAS ARTMANN, Elizabeth. O Planejamento Estratégico-Situacional no nível local: um instrumento a favor da visão multissetorial. Cadernos Oficina Social, 2000; 3:98-119. BAPTISTA, M.V. Planejamento Social: intencionalidade e instrumentação. São Paulo, Veras Editora; Lisboa, 2ª edição. 2000. BRASIL. CNAS. Resolução Nº 11, de 23 de setembro de 2015. 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