Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

MÓDULO DE: 
 
ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO E PSICOPEDAGÓGICO 
 
 
 
 
 
AUTORIA: 
 
WALLACE RIBEIRO 
 
REVISÃO 
 
DANIELA D. A. MISSAWA 
 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
2
Módulo De: Aconselhamento Psicológico E Psicopedagógico 
Autoria: Wallace Ribeiro 
Revisão: Daniela D. A. Missawa 
 
 
 
 
CITAÇÃO DE MARCAS NOTÓRIAS 
 
Várias marcas registradas são citadas no conteúdo deste módulo. Mais do que simplesmente listar 
esses nomes e informar quem possui seus direitos de exploração ou ainda imprimir logotipos, o autor 
declara estar utilizando tais nomes apenas para fins editoriais acadêmicos. 
Declara ainda, que sua utilização tem como objetivo, exclusivamente a aplicação didática, 
beneficiando e divulgando a marca do detentor, sem a intenção de infringir as regras básicas de 
autenticidade de sua utilização e direitos autorais. 
E por fim, declara estar utilizando parte de alguns circuitos eletrônicos, os quais foram analisados em 
pesquisas de laboratório e de literaturas já editadas, que se encontram expostas ao comércio livre 
editorial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
3
Apresentação 
Este módulo analisa o conceito de Aconselhamento Psicológico como uma produção 
histórica das práticas e saberes da psicologia. Registra o processo de transformação da 
prática de aconselhamento psicológico e suas interfaces com a Pedagogia. 
Se em um primeiro momento, verifica-se que predominavam as práticas diagnósticas, centradas nos 
problemas - da criança, do adolescente, do adulto, etc. – em outro momento o Aconselhamento 
Psicológico vai aos poucos modificando o foco de sua prática, passando do sintoma para a pessoa; 
do instrumento de avaliação para a relação cliente-conselheiro, do resultado para o processo da 
relação centrada na pessoa. 
Assim, o módulo propõe pensar o Aconselhamento Psicológico como uma estratégia de atuação que 
pode contribuir com a Pedagogia, pois, consiste menos numa especialidade profissional que numa 
postura ética de atenção à vida. 
 
Objetivo 
Conhecer o processo de produção histórico do Aconselhamento Psicológico 
Promover a compreensão dos múltiplos fatores que atravessam a aprendizagem permitindo a 
construção de práticas pedagógicas mediadoras da aprendizagem. 
 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
4
Ementa 
História do Aconselhamento Psicológico e sua inserção nas práticas pedagógicas. A 
aprendizagem e suas múltiplas determinações. Estratégias de aconselhamento 
psicopedagógico. Dificuldade de aprendizagem e aconselhamento psicopedagógico. 
 
Sobre o Autor 
Psicólogo, bacharel em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo, Pós-
graduado em Clínica e Transdisciplinaridade pela Faculdade SABERES em convênio com a 
Universidade Federal Fluminense e Mestrando em Psicologia Institucional na Universidade 
Federal do Espírito Santo, na linha de pesquisa Clínica e Subjetividade. 
Atualmente é psicólogo do Núcleo de Atenção à Saúde e Assistência Social da UFES, onde assumiu 
o cargo de gestor de projetos institucionais, além de realizar o acompanhamento psicossocial de 
servidores e alunos da UFES. 
 
Sobre a Revisora 
Psicóloga, bacharel em Psicologia e Mestre em Psicologia do Desenvolvimento pela 
Universidade Federal do Espírito Santo. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
5
Atualmente é docente do curso de graduação em Administração da Faculdade Estácio de Sá e 
ministra aulas de pós-graduação de disciplinas relacionadas à temática da Psicologia Organizacional 
e Gestão de Pessoas. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
6
SUMÁRIO 
UNIDADE 1 ........................................................................................................... 9 
O Processo Histórico De Produção Do Aconselhamento Psicológico E Psicopedagógico ............... 9 
UNIDADE 2 ......................................................................................................... 12 
Aconselhamento X Orientação X Psicoterapia ............................................................................... 12 
UNIDADE 3 ......................................................................................................... 15 
O Que É Aconselhamento Psicológico E Psicopedagógico? .......................................................... 15 
UNIDADE 4 ......................................................................................................... 19 
Sentir E Pensar: Estratégias De Sobrevivência .............................................................................. 19 
UNIDADE 5 ......................................................................................................... 21 
Sentir E Pensar: Estratégias De Sobrevivência .............................................................................. 21 
UNIDADE 6 ......................................................................................................... 24 
Sentir E Pensar: Estratégias De Sobrevivência .............................................................................. 24 
UNIDADE 7 ......................................................................................................... 27 
Pró-Curando Cuidar De Si, Do Outro E Do Mundo Mãe-Filho-Educadora. ..................................... 27 
UNIDADE 8 ......................................................................................................... 30 
Trajetória Metodológica .................................................................................................................. 30 
UNIDADE 9 ......................................................................................................... 33 
Modos De Cuidar ........................................................................................................................... 33 
UNIDADE 10 ....................................................................................................... 35 
Modos De Cuidar ........................................................................................................................... 35 
UNIDADE 11 ....................................................................................................... 38 
Cristalização Do Cuidado ............................................................................................................... 38 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
7
UNIDADE 12 ....................................................................................................... 41 
Ainda Sobre A Cristalização Do Cuidado ....................................................................................... 41 
UNIDADE 13 ....................................................................................................... 44 
Alguém Atrás Da Porta: Quando O Processo De Ensino E Aprendizagem É Ameaça (Dor)? ........ 44 
UNIDADE 14 ....................................................................................................... 48 
Colocar-Se Atrás Da Porta ............................................................................................................. 48 
UNIDADE 15 ....................................................................................................... 51 
Ainda Sobre Colocar-Se Atrás Da Porta ........................................................................................ 51 
UNIDADE 16 ....................................................................................................... 54 
Pós-Escrito..................................................................................................................................... 54 
UNIDADE 17 .......................................................................................................56 
O Que É Ouvir ............................................................................................................................... 56 
UNIDADE 18 ....................................................................................................... 59 
O Que é Ouvir ................................................................................................................................ 59 
UNIDADE 19 ....................................................................................................... 62 
A escuta e o contato ...................................................................................................................... 62 
UNIDADE 20 ....................................................................................................... 66 
A Escuta E O Contato .................................................................................................................... 66 
UNIDADE 21 ....................................................................................................... 71 
Michel Foucault (1924-1984) E O Controle Dos Corpos ................................................................. 71 
UNIDADE 22 ....................................................................................................... 74 
MICHEL FOUCAULT (1924-1984) e o Controle dos Corpos .......................................................... 74 
UNIDADE 23 ....................................................................................................... 77 
O Controle da Atividade/Ação de Corpos Submetidos ................................................................... 77 
UNIDADE 24 ....................................................................................................... 79 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
8
Ainda sobre O Controle da Atividade/Ação de Corpos Submetidos................................................ 79 
UNIDADE 25 ....................................................................................................... 82 
Ainda sobre O Controle da Atividade/Ação de Corpos Submetidos................................................ 82 
UNIDADE 26 ....................................................................................................... 83 
As Dificuldades de Atenção: uma breve apresentação .................................................................. 83 
UNIDADE 27 ....................................................................................................... 86 
Déficits de Atenção: Critério para o professor identificar o distúrbio ............................................... 86 
UNIDADE 28 ....................................................................................................... 89 
Identificando o D.A. ........................................................................................................................ 89 
UNIDADE 29 ....................................................................................................... 92 
Tratamento..................................................................................................................................... 92 
UNIDADE 30 ....................................................................................................... 95 
Continuando a falar sobre Tratamento ........................................................................................... 95 
GLOSSÁRIO ....................................................................................................... 97 
REFERÊNCIAS ................................................................................................... 98 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
9
UNIDADE 1 
Objetivo: Permitir ao aluno visualizar o processo de produção histórica dos saberes em 
Aconselhamento Psicológico e Psicopedagógico, registrando suas referências fundamentais e suas 
tendências. 
O Processo Histórico De Produção Do Aconselhamento Psicológico E Psicopedagógico 
 
No plano teórico e prático, o Aconselhamento Psicológico ampliou seu alcance, e atualmente há uma 
infinidade de concepções e abordagens. Mas em que consiste o Aconselhamento Psicológico e como 
ele pode contribuir com as práticas Pedagógicas? 
Tratamento psicológico, orientação, psicoterapia, prática psicopedagógica? O seu exercício é restrito 
ao psicólogo (a) ou pode ser exercida por outros profissionais? A função do aconselhamento ou do 
psicólogo é dar conselhos? 
Estas perguntas aparecem, constantemente. Todavia, para respondê-las diferentes perspectivas são 
adotadas, principalmente para definir a função e os procedimentos do Aconselhamento Psicológico. 
A prática do aconselhamento é proveniente de tempos remotos desde quando o homem passou a 
viver em grupo, pois, a partir desse momento, as pessoas sempre se relacionaram entre si. Alguns 
indivíduos dotados de maior competência eram solicitados a prestar ajuda aos demais (FORGHIERI, 
2007). 
 “Na antiguidade os indivíduos assustavam-se com as doenças, tinham muito medo delas e eram 
levados ao reino da imaginação para explicá-las e tentar curá-las. Assim, povoavam o mundo com 
seres imaginários a partir de seus próprios impulsos de amor e agressividade que projetavam em 
deuses, respectivamente do bem e do mal, considerando que estes eram causadores das doenças e 
aqueles, os propiciadores da cura” (FORGHIERI, 2007, p.3). 
A doença e sua terapia passaram do plano da magia para o da religião e este assunto está passando 
também para o plano científico. Médicos e psicólogos têm constatado que a crença na ajuda de um 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
10
ser superior pode contribuir efetivamente no processo de restabelecimento do doente. “Pesquisas 
nessa área têm revelado que pacientes com doenças graves, medicados adequadamente, 
apresentam aumento das defesas de seu organismo e consequente recuperação, com maior 
freqüência, quando possuem profunda religiosidade do que quando são incrédulos (FORGHIERI, 
2007, p.5). 
Com o advento da civilização grega (séc. VII a.C.) a doença e sua terapia deixaram de ser 
consideradas sob uma perspectiva sobrenatural e passaram a ser compreendidas de forma natural e 
científica (FORGHIERI, 2007). 
Os humanistas, na Renascença, foram os primeiros a considerar o ser humano – doente - como 
pessoa com dignidade, pois apresentaram uma visão de confiança no indivíduo, em suas convicções 
e sentimentos, mesmo quando adoeciam mentalmente (FORGHIERI, 2007). 
Portanto, o Aconselhamento Terapêutico ou Psicológico surgiu inicialmente como “uma ajuda 
terapêutica destinada a aliviar os sofrimentos existenciais dos seres humanos, com procedimentos 
variados, sem o estabelecimento de teorias ou regras rígidas” (FORGHIERI, 2007, p.38). 
O Aconselhamento existe desde a Antiguidade: primeiro de forma indireta e depois pelo próprio 
terapeuta por meio da “cura pela palavra”. 
O Aconselhamento em outras áreas, além da psiquiátrica, surgiu a partir de 1900 ligado à área de 
Orientação Profissional e Vocacional, nos Estados Unidos e na Europa. Desde 1920 o 
Aconselhamento Terapêutico era exercido por enfermeiras, orientadores educacionais e profissionais, 
educadores e outros profissionais de áreas afins. No entanto, o reconhecimento desse tipo de ajuda 
terapêutica pela comunidade científica da Psicologia foi concretizado a partir de um movimento 
iniciado por Carl Rogers (FORGHIERI, 2007). 
A forma mais prudente de compreender em que consiste o campo de atuação do 
Aconselhamento Psicológico é verificar como ele emerge enquanto uma produção histórica 
de práticas e saberes da psicologia. Logo, convém destacar a importância de Carl Roger 
dado que foi o primeiro psicólogo a utilizar o termo Aconselhamento Psicológico. 
O Aconselhamento Psicológico emerge, na década de vinte do século XX, como uma prática que 
enfatizava principalmente opsicodiagnóstico. A orientação, indicação ou mesmo conselhos, se 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
11
constituíam através de minuciosos exames que se faziam do indivíduo, ou de um “problema”, 
utilizando os famosos testes psicológicos. 
Esta tendência do Aconselhamento Psicológico ficou fortemente marcada até meados do século XX, 
pois foi influenciada pelas práticas vigentes da Psicologia norte americana, onde os testes 
psicológicos eram predominantes. Pode-se afirmar que os psicólogos contavam com uma enorme 
variedade de instrumentos de medida e avaliação de aspectos intelectuais, cognitivos e emocionais 
da personalidade. Porém, lhes faltava os instrumentos para o “tratamento psicológico”. Conheciam o 
que trabalhar, mas não como trabalhá-lo. 
Então, Carl Rogers, que começou sua vida profissional atendendo crianças e adolescentes numa 
clínica em Rochester, Nova York, lança o conceito de Aconselhamento Psicológico para definir as 
suas práticas clínicas. 
“Realizei estudos diagnósticos de crianças e adolescentes e elaborei recomendações para o 
tratamento; em 1928 desenvolvi um inventário para avaliação do mundo interior da criança, que –
Deus me perdoe- continua a ser vendido aos milhares.” (ROGERS e ROSEMBERG, 1977, p. 29) 
Nota-se nesta citação o processo de transformação da prática de aconselhamento psicológico. Se 
num primeiro momento predominavam as práticas diagnósticas, centradas nos problemas - da 
criança, do adolescente, do adulto, etc. – em outro momento Rogers começa a desenvolver suas 
ideias inovadoras. Questionando-a, ele vai aos poucos modificando o foco de sua prática: do 
problema para a pessoa; do instrumento de avaliação para a relação cliente-conselheiro, do resultado 
para o processo da relação centrada na pessoa. 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
12
UNIDADE 2 
Objetivo: Permitir aos alunos visualizar o processo de produção histórica dos saberes em 
Aconselhamento Psicológico e Psicopedagógico, registrando suas referências fundamentais e suas 
tendências. 
Aconselhamento X Orientação X Psicoterapia 
 
 Acima citamos como Rogers foi modificando sua prática, enfatizando, estudando e refletindo sobre a 
pessoa do cliente, a relação cliente-conselheiro e o processo terapêutico. Este novo modo de 
Aconselhamento Psicológico, que ele denominou Abordagem Centrada na Pessoa, permite registrar 
as relações entre aconselhamento, orientação e psicoterapia. 
Ao constatar que uma escuta empática por parte do conselheiro tinha, por si, um efeito facilitador do 
processo de autoexploração e mudança do cliente, Rogers constroi uma proposta de intervenção 
Psicológica fundamentada, ora no aperfeiçoamento das atitudes do conselheiro que exerce esta 
função facilitadora, ora no pressuposto de que o cliente é capaz de viver e elaborar suas experiências 
de forma integradora, quando se engaja numa relação com um conselheiro que não faz julgamentos 
morais precipitados, mas busca desenvolver o potencial do cliente. 
O conselheiro, na Abordagem Centrada na Pessoa deve estar preparado para acolher demandas 
diversas e aberto para realizar com o cliente, e partir dele, uma explicitação da demanda que envolve, 
também, a definição de como atendê-la. 
Assim, no aconselhamento, o principal é receber o cliente e facilitar para que ele se posicione diante 
de seu sofrimento. A função do conselheiro seria um modo de acolher, que permite investigar, junto 
com o cliente, não apenas a queixa, mas também a forma mais adequada de lidar com ela. 
Portanto, o Aconselhamento Psicológico, na perspectiva da Abordagem Centrada na Pessoa consiste 
em receber uma multiplicidade de demandas e que junto com o cliente encontre recursos e 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
13
alternativas de ajuda, incluindo informação, orientação, encaminhamento, psicoterapia. O que 
envolve fazer alianças com pessoas, família, grupos sociais e instituições. 
De acordo com Cabral e Nick (2006, p. 277) psicoterapia consiste na “aplicação de técnicas 
especializadas ao tratamento de distúrbios mentais ou aos problemas de ajustamento cotidiano. O 
termo inclui técnicas correntemente empregadas por especialistas de várias formações teóricas (...) “. 
Com relação à orientação, esta consiste no “conhecimento ou descoberta do lugar onde o indivíduo 
está ou para onde vai, quer literalmente, no espaço e no tempo, quer figurativamente, em relação a 
algum problema ou situação confusa” (CABRAL e NICK, 2006, p. 229). Dessa forma, na orientação 
nem sempre existe a aplicação de técnicas especializadas. 
 
A Imagem Do Conselheiro 
Convém destacar que existe uma imagem que envolve a função do conselheiro. Logo, 
devemos esclarecer alguns aspectos relevantes quanto ao exercício do Aconselhamento 
Psicológico. 
Para o senso comum, conselheiro é qualquer pessoa que dá conselhos: um amigo, um pastor, um 
professor, etc. Por que, então, denominar o aconselhamento como uma especialidade profissional? 
O Aconselhamento Psicológico está ligado à especialidade do profissional em psicologia, porque a 
sua origem está intimamente ligada à história da psicologia. Depois a legislação brasileira define o 
Aconselhamento psicológico como função específica dos psicólogos. 1 Para que, então, um módulo 
de Aconselhamento Psicológico num curso de pós-graduação de Psicopedagogia? 
Porém, nas universidades norte-americanas é tradicional a existência de serviços de atendimento e 
orientação de alunos oferecendo-lhes assistência tanto psicológica quanto pedagógica. Nestas 
instituições de ensino, o responsável por esta função não é necessariamente um psicólogo. Podendo 
ser um pedagogo, um assistente social, entre outros, que atuam como conselheiro. 
 
1 Lei Federal nº 4119 que regulamenta a profissão de psicólogo. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
14
Ora, o Aconselhamento Psicológico é uma estratégia de atuação que pode contribuir com a 
Pedagogia, pois, consiste menos numa especialidade profissional que uma postura ética de atenção 
à vida das pessoas. 
 
 Verifique as estratégias de aconselhamento utilizadas pelos autores das diferentes 
abordagens em Psicologia (Psicanálise, Gestalt, Behaviorismo etc). 
 
 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
15
UNIDADE 3 
Objetivos: Permitir ao aluno conhecer uma proposta de atuação, cuja postura ética de 
analisar a relação educador e educando contribui na construção das estratégias facilitadoras 
da aprendizagem. 
O Que É Aconselhamento Psicológico E Psicopedagógico? 
 
Patterson e Eisenberg (1998; p.20) dizem que o aconselhamento é um processo interativo, 
caracterizado por uma relação única entre conselheiro e cliente, que leva este último a 
mudanças em uma ou mais das seguintes áreas: 
Comportamento; 
Construtos pessoais (modos de elaborar a realidade, incluindo o eu) ou preocupações 
emocionais a essas percepções; 
Capacidade para ser bem-sucedido nas situações de vida, de forma aumentar ao máximo as 
oportunidades e reduzir ao mínimo as condições ambientais adversas; 
1. Conhecimento e habilidade para a tomada de decisão. 
 
Dentro de um contexto de pesquisa, o aconselhamento psicológico pode corresponder ao 
estudo do desenvolvimento emocional diante das tarefas propostas pela escola e pela 
educação em geral. 
De acordo com Forghieri (2007, p.1) o aconselhamento psicológico ou terapêutico consiste 
na “relação entre duas ou mais pessoas, por meio de uma conversação, na qual a presença 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
16
de um aconselhador torna-se existencialmente terapêutica para uma ou várias dessas 
pessoas, que são os aconselhandos”. 
O aconselhador pode atuar de diversas formas, tais como: fornecer informações ou 
esclarecimentossobre assuntos que preocupam o aconselhando; examinar e refletir acerca 
de situações conflitantes vivenciadas e como elas podem ser consideradas; reconhecer e 
explorar recursos e capacidades pessoais do aconselhando para que este desenvolva a 
capacidade de confrontar e resolver suas próprias dificuldades (FORGHIERI, 2007). 
O aconselhamento psicológico enquanto prática é direito privativo do psicólogo, mas outros 
profissionais de ajuda se utilizam dela como pedagogos, professores, educadores, 
assistentes sociais, médicos (psiquiatras; neurologistas; pediatras etc.), fonoaudiólogo, 
terapeutas ocupacionais, sociólogos (clínicos etc.) etc. 
“Em todos os casos, o aconselhamento deverá resultar em comportamento livre e 
responsável por parte do cliente, acompanhado de capacidade para compreender e controlar 
sua ansiedade” (PATTERSON e EISENBERG, 1998; p.20). 
Um bom livro sobre a temática é o de Miranda e Miranda, editado em Belo Horizonte, pela 
Editora Crescer, chamado “Construindo a Relação de Ajuda”. Este livro aborda de modo 
didático etapa por etapa do processo de aconselhamento proposto pelo psicólogo norte 
americano Robert R. Carkhuff, que por sua vez fundamentou-se em Carl Ransom Rogers 
(atitudes facilitadoras: empatia; aceitação incondicional e congruência), associado ao método 
de aproximações sucessivas de Skinner. Dentro desse contexto é importante que o aluno 
pesquise as teorias e os teóricos do aconselhamento psicológico para um maior 
embasamento e aplicabilidade das mesmas. 
As teorias de aconselhamento destacam o conceito de homem, conceito de saúde e doença 
e processos ou os modos como pode se desenvolver o aconselhamento propriamente dito. 
Assim, por exemplo, na Abordagem Centrada na Pessoa o homem é naturalmente bom e 
positivo (o mundo ao derredor que é provocador da insanidade, bem como a dissociação 
entre o eu ideal e o eu real) e no processo de aconselhamento encontramos o valor dado às 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
17
atitudes como a empatia (capacidade ou atitude do ajudador penetrar no mundo do outro, 
como se o outro fosse), aceitação incondicional do outro e congruência (honestidade não 
agressiva). 
 
Fases Do Processo De Aconselhamento 
O Aconselhamento é algo processual, ou seja, ocorre por meio de etapas progressivas. O processo 
pode ser completado em apenas uma sessão ou em mais de uma, dependendo da natureza do 
problema. De acordo com Patterson e Eisenberg (2003) o processo de Aconselhamento ocorre em 
três etapas: descoberta inicial, exploração em profundidade e preparação para a ação, que serão 
descritas a seguir. 
 
Fase 1: Descoberta Inicial 
Nessa fase o aconselhador e o cliente não se conhecem bem. Portanto, o orientador deverá estar 
atento ao comportamento verbal e não-verbal do cliente (PATTERSON e EISENBERG, 2003). 
Quanto maior o número de informação o orientador obtiver maior será a acuidade no diagnóstico. 
“Para encorajar a descoberta, o conselheiro deve estabelecer condições que promovam confiança no 
cliente” (PATTERSON e EISENBERG, 2003, p.28). 
Carl Rogers (citado por PATTERSON e EISENBERG, 2003), descreveu as condições para 
estabelecer uma relação de confiança com o cliente como características da relação de ajuda. São 
elas: a) Empatia – colocar-se no lugar do outro para compreender a experiência do cliente como se 
fosse a sua própria; b) Coerência ou autenticidade; c) Consideração positiva – interessar-se de forma 
sincera pelo cliente; d) Incondicionalidade – não condicionar o interesse a questões particulares. 
Egan (citado por PATTERSON e EISENBERG, 2003), acrescentou a condição “Concreção” que 
significa substituir as declarações ambíguas por uma linguagem clara para descrever a situação do 
cliente. 
Se essas condições estiverem presentes no contato inicial com o conselheiro o cliente se sentirá livre 
e confiante para expressar os seus sentimentos, anseios e preocupações de forma sincera. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
18
Fase 2: Exploração Em Profundidade 
Nessa fase o cliente deverá compreender de forma mais clara a sua situação e começar a 
formular um novo senso de direção. O conselheiro empreenderá uma confrontação 
construtiva, ou seja, começará a trazer suas impressões diagnósticas acerca dos 
comportamentos do cliente (PATTERSON e EISENBERG, 2003). 
“Imediação é outra qualidade do comportamento do conselheiro que se torna importante na segunda 
fase do aconselhamento. O conselheiro manifesta ao cliente algumas de suas reações imediatas às 
afirmações do mesmo” (PATTERSON e EISENBERG, 2003, p. 30-31). A imediação deve ser feita 
com muita cautela, pois não deverá causar conflitos pessoais entre conselheiro e cliente. Tudo que 
for feito deverá ser realizado com o intuito de auxiliar o cliente no processo de compreensão e 
resolução dos seus problemas e conflitos. 
 
Fase 3: Preparação Para A Ação 
De acordo com Patterson e Eisenberg (2003), nessa fase o cliente deverá decidir como 
realizar os objetivos identificados durante as etapas anteriores. Para tanto, as possibilidades 
de ação deverão ser analisadas para que o cliente escolha a que julgar mais pertinente. “Se 
nenhuma ação é indicada, então a terceira fase pode ter como foco fazer com que o cliente 
tenha consciência de que fez tudo o que era possível ou desejável em determinada situação 
(PATTERSON e EISENBERG, 2003, p. 32). 
A partir do momento em que o cliente considerar os novos comportamentos satisfatórios o 
aconselhamento deverá ser finalizado (PATTERSON e EISENBERG, 2003). 
 
 Analise como o conceito de aconselhamento psicológico foi se modificando ao longo da 
história da psicologia. 
 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
19
UNIDADE 4 
Objetivos: Fundamentar as práticas de Aconselhamento Psicológico e Psicopedagógico com 
conhecimentos contemporâneos de neurologia. 
Sentir E Pensar: Estratégias De Sobrevivência 
 
Imagine uma casa de pedra, sólida e simples, com apenas um cômodo que serve a todas as 
necessidades de seus moradores, que ali dormem, cozinham, comem, vivem enfim. À medida que as 
gerações se sucedem torna-se necessário obter mais espaço para abrigar o crescente número de 
pessoas. Assim, um novo andar com dormitórios é construído sobre a estrutura original. Modificações 
que permitem maior conforto são acrescentadas. A velha fossa, distante da casa, é substituída por 
um banheiro, mas continua a receber os dejetos, através de um sistema de esgoto. Passa-se o tempo 
e novas mudanças são feitas para atender novas contingências, a ponto de não mais reconhecermos 
a velha casa de pedra - que, entretanto permanece como a base de todo o edifício. 
Sabemos que os seres vivos se modificam ao longo do tempo num processo conhecido como 
evolução. Essas mudanças, ocorridas ao acaso por meio das mutações individuais, só se tornarão 
duradouras para a espécie caso representem vantagens adaptativas (ou, pelo menos, não se 
constituam em desvantagem). Modificações que aumentem o número de opções de resposta frente 
às demandas do meio ambiente podem garantir a sobrevivência, do indivíduo e da espécie, em 
condições antes impossíveis - lembremo-nos de Darwin e dos tendilhões de Galápagos. No entanto, 
muitas vezes estruturas que anteriormente serviam a um propósito - como as penas, cuja finalidade 
nos ancestrais das aves era a conservação da temperatura - acabam por prestar-se a objetivo 
completamente diverso. 
A natureza, diz Damásio, é um alfaiate remendão. 
Ao longo da evolução as espécies adotaram diferentes mecanismos para aumentar as chances de 
sobrevivência. Alguns desses mecanismos, que resultam nos impulsos e instintos, irão operar através 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
20
da indução de determinados estados fisiológicos, muitas vezes inconscientes, cujas manifestações 
visíveissão o que chamamos emoções. O medo, por exemplo, existe de uma ou de outra forma na 
maioria dos seres vivos, senão em todos, detectando o perigo e ampliando a probabilidade de 
sobrevivência do indivíduo a uma situação perigosa - por mais desagradável que tal experiência 
possa parecer. Já o desejo e o prazer sexual são prêmios concedidos pela evolução para assegurar a 
perpetuação do patrimônio genético. Mecanismos que permitam diferentes reações ao indivíduo 
muitas vezes levam vantagem sobre respostas acríticas e padronizadas. Enquanto peixes e répteis 
reproduzem-se às centenas, para que apenas uns poucos indivíduos sobrevivam, o cuidado com a 
prole, ao que parece presente apenas nas aves e nos mamíferos, garante a descendência 
privilegiando a sobrevivência da espécie acima da do indivíduo (nesse sentido vale lembrar a 
concepção de John Bowlby acerca do sorriso do bebê como mecanismo inato para assegurar a 
disponibilidade da mãe). 
Papez, em1937, já postulara a existência de um circuito de emoções incluindo as estruturas do que 
fora anteriormente chamado por Broca de "o grande lobo límbico". No entanto foi McLean quem, ao 
estabelecer o conceito de sistema límbico em 1952, criou uma abrangente teoria acerca da 
localização das emoções no cérebro. Mais adiante, em 1970 Mac Lean atribui às emoções importante 
papel adaptativo, lançando a hipótese do cérebro trino, segundo a qual o prosencéfalo teria passado 
por 3 estágios evolutivos: reptiliano, paleomamífero e neomamífero. 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
21
UNIDADE 5 
Objetivos: Fundamentar a práticas de Aconselhamento Psicológico e Psicopedagógico com 
conhecimentos contemporâneos de neurologia. 
Sentir E Pensar: Estratégias De Sobrevivência 
 
Por milhões de anos nosso cérebro cresceu de baixo para cima, os centros superiores 
desenvolvendo-se como elaborações das partes inferiores mais antigas. Sua parte mais primitiva é 
partilhada por todas as espécies que possuem um sistema nervoso central é o tronco cerebral - a 
casa inicial do exemplo acima - controlando as funções vitais básicas (respiração, batimentos 
cardíacos, termorregulação), bem como reações e movimentos estereotipados; é o R-complex, ou 
cérebro reptiliano. Com o advento dos protomamíferos, sobre essa primitiva raiz começam a 
desenvolver-se, a partir do rinencéfalo (cérebro olfativo) os centros emocionais, terminando por 
envolver o topo do tronco cerebral. Essa aquisição acrescenta emoções - seus estágios rudimentares 
associadas ao olfato: comestível, venenoso, sexualmente acessível, inimigo, etc. - ao repertório da 
espécie. A partir das emoções o cérebro vai desenvolvendo outras ferramentas - como o aprendizado 
e a memória - que permitem ao animal aprimorar suas respostas para adaptar-se às exigências 
mutáveis do meio, ao invés de reagir sempre de forma automática e invariável. O cérebro 
paleomamífero constitui essencialmente o sistema límbico. 
Há cerca de 100 milhões de anos o cérebro dos mamíferos inicia nova mudança. Por sobre o tênue 
córtex de duas camadas (paleocórtex ou “córtex antigo”), acrescentam-se novas camadas de células 
cerebrais, que coordenam o movimento, planejam, compreendem o que é sentido, permitem a 
consciência das emoções e da própria existência: o neocórtex. 
Cada um dos tipos de cérebro, segundo McLean, possuiria sua forma específica de inteligência, sua 
própria memória, sua noção de tempo e espaço e suas próprias funções motoras. Somente nos seres 
humanos, em outros primatas e nos mamíferos evoluídos coexistiriam os três cérebros. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
22
Infelizmente, e por mais bela que seja, a teoria do sistema límbico como sede das emoções já não 
encontra suporte nos dias de hoje. Como outras anteriores, ela tenta explicar de que maneira os 
vários sentimentos provêm do cérebro. Não existe, no entanto em nossos cérebros uma faculdade à 
qual possamos dar o nome de emoção. Emoção é somente um rótulo sob o qual se abrigam 
diferentes tipos de sensações, mediadas por sistemas neurais específicos, cuja evolução obedeceu a 
diferentes razões. Do mesmo modo, a palavra percepção descreve, de uma maneira geral, aquilo que 
acontece numa série de sistemas distintos. Cada sistema desenvolveu-se para solucionar os 
diferentes problemas com que os animais defrontam-se - predadores, por exemplo, são dotados de 
visão estereoscópica, que lhes permite calcular a distância do bote, enquanto que para os herbívoros 
é mais importante ter visão panorâmica para identificar a aproximação do predador - e sua evolução 
obedeceu a diferentes razões. Não existe uma árvore que, especificamente falando, dê "frutas", mas 
sim laranjas, maçãs ou peras. O sistema que nos defende do perigo é diferente daquele envolvido na 
procriação, e os sentimentos resultantes desses sistemas - o medo e o prazer sexual - não têm 
origem comum. McLean erra ao concentrar todo o cérebro emocional e sua evolução num único 
circuito neural, ainda que sua lógica da evolução emocional seja perfeita - emoções de fato 
desempenham papel fundamental para a sobrevivência. 
Entretanto, a menos que adotemos uma postura antropocêntrica, devemos compreender que o que 
chamamos de medo difere do que seja medo para um rato, despida que está a emoção do 
componente cognitivo que a ela associamos. Os seres humanos temem coisas que um rato jamais 
poderia conceber, ainda que fisicamente ambos reajam de forma muito semelhante ao perigo. 
Seguindo adiante na escala evolutiva vamos encontrar um determinado grupo de mamíferos, pouco 
dotados de armas - não dispõem de chifres, garras ou presas afiadas - que, assim como outros 
animais gregários, fazem da estrutura do bando sua principal defesa. Diferentemente de zebras ou 
girafas, esses mamíferos, que conhecemos como primatas desenvolvem características peculiares: 
membros dianteiros providos de dedos prenseis, capazes de empunhar objetos e um inusitado 
desenvolvimento das camadas externas do encéfalo (o neocórtex de McLean), principalmente no seu 
pólo anterior, incrementando tanto a comunicação entre os membros do grupo como a capacidade de 
manusear - e, por fim, fabricar - instrumentos. Tais capacidades, por revelarem-se extremamente 
úteis, seguem sendo transmitidas de geração em geração, resultando naquilo que hoje chamamos 
(talvez de forma tão genérica como McLean às emoções) raciocínio. Foi o que nos permitiu, através 
da análise, da comparação, da generalização, estabelecer relações de temporalidade e causalidade 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
23
entre eventos. Foi também o raciocínio, juntamente com nosso polegar em oposição, quem nos 
permitiu construir artefatos, ampliando nosso repertório de respostas ao meio e garantindo a 
sobrevivência do homem. 
O conceito de evolução pode, no entanto, nos conduzir a conclusões enganosas, a mais frequente 
delas dizendo respeito à superioridade do homem sobre os demais seres*, e seu suposto corolário: a 
superioridade do raciocínio sobre as emoções. Aprendemos, durante anos, a considerá-las como um 
incômodo apêndice, uma indesejável herança de nosso passado filogenético - a própria palavra afeto 
parece derivar de afetar, no sentido de interferir, prejudicar. Terá nossa capacidade de raciocinar 
tornado obsoletas as emoções? 
António Damásio, chefe do Departamento de Neurologia da Universidade de Iowa, baseando-se no 
estudo de casos de "cegueira emocional", contesta a velha máxima cartesiana "penso, logo existo" 
em seu livro "O Erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano". Para Damásio "os 
comportamentos que se encontram para além dos impulsos e dos instintos utilizam [...] tanto o andar 
superior como o inferior: o neocórtex é recrutado juntamente com o mais antigo cerne cerebral, e a 
racionalidade resulta de suas atividades combinadas". 
 
 
 
Copyright© 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
24
UNIDADE 6 
Objetivos: Fundamentar a práticas de Aconselhamento Psicológico e Psicopedagógico com 
conhecimentos contemporâneos de neurologia. 
Sentir E Pensar: Estratégias De Sobrevivência 
 
Se a aquisição da emoção permite ampliar o leque de respostas frente às demandas do meio, a via 
de expressão dessas emoções utiliza mecanismos neuronais já existentes, como o sistema nervoso 
autônomo e as vias que controlam a musculatura esquelética. À medida que evoluem, os sistemas 
responsáveis pelo raciocínio e pela tomada de decisões permanecem intimamente associados 
àqueles relacionados com a regulação biológica, por representarem, ambos, papel fundamental para 
a sobrevivência do indivíduo e da espécie. Como no exemplo do banheiro da casa, os sistemas 
cerebrais necessários à manutenção das novas habilidades mantêm o vínculo com seus precursores, 
já que são regidos pelos mesmos parâmetros - bem-estar e ausência de dor – e visam à mesma 
finalidade - a sobrevivência. 
Damásio desenvolveu a hipótese do marcador somático, na qual emoções e sentimentos 
desempenham papel preponderante na tomada de decisões, não as perturbando, como na visão 
tradicional, mas, em vez disso, favorecendo – ainda que, na maioria das vezes, de modo inconsciente 
– a obtenção de resultados favoráveis, mesmo diante de algumas daquelas decisões que nos 
parecem, à primeira vista, estritamente racionais, como a escolha de uma carreira ou de um 
investimento financeiro. 
Essas emoções e sentimentos foram ligados, pela aprendizagem, a resultados 
futuros previstos de determinados cenários. Quando um marcador somático negativo 
é associado a um determinado resultado futuro, a combinação funciona como uma 
campainha de alarme. Quando, ao contrário, é justaposto um marcador somático 
positivo, o resultado é um incentivo. 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
25
A base funcional para este "sistema de preferências" forma-se pela modificação de padrões 
neurais inatos que têm por objetivo garantir a sobrevivência. Da mesma forma como o 
organismo tende a procurar o prazer e evitar a dor, tentará atingir esses fins em situações 
sociais. Os marcadores somáticos dependem da aprendizagem, associando determinados 
tipos de entidades ou fenômenos a sensações agradáveis ou desagradáveis. 
"Os marcadores somáticos não tomam decisões por nós. Ajudam o processo de decisão dando 
destaque a algumas opções, tanto adversas como favoráveis, e eliminando-as rapidamente da 
análise subsequente". Em outras palavras, reduzem o leque de opções, sem o que estaríamos 
condenados a uma interminável e infrutífera - embora estritamente racional - análise de prós e 
contras diante da mais simples das escolhas. 
Afirma Damásio que a maioria dos marcadores somáticos foi criada em nossos cérebros durante o 
processo de educação e socialização, pela associação de estímulos a estados emocionais. Mas para 
que se constituam em mecanismos adaptativos, os marcadores somáticos requerem que tanto o 
cérebro quanto a cultura sejam minimamente saudáveis; quando isso não ocorre podemos nos 
deparar com exemplos dramáticos, como a sociopatia ou a Alemanha nazista. 
Um último aparte sobre o raciocínio: costumávamos considerar que nosso futuro evolutivo nos 
reservaria cérebros cada vez mais desenvolvidos, com predomínio progressivamente maior do 
pensamento sobre as demais funções. No entanto, pensar é uma atividade extremamente 
dispendiosa do ponto de vista metabólico. Nossos cérebros representam até 40% de nosso gasto 
energético – proporção muito superior à de qualquer outro mamífero. Ampliar simplesmente o número 
de escolhas do indivíduo frente às demandas do meio através do "raciocínio puro" poderia nos 
conduzir a um beco sem saída evolucionário, tal como ocorreu com as imensas presas do tigre dente 
de sabre ou a majestosa galhada do veado imperial. Não percamos de vista que pensar é apenas um 
mecanismo adaptativo. 
Afinal, como observou Alberto Caeiro ao comparar o homem à flor, "pensar é melhor do que ter 
cheiro?". 
Não obstante a importância que possamos atribuir à emoção, ao pensamento ou a qualquer outra 
função do homem, é crucial que suas manifestações sejam vistas como sinais de um todo, que 
sempre será maior que a soma de suas partes. Devemos lembrar que toda concepção teórica, por 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
26
mais abrangente que seja, é apenas um modelo da realidade, e como tal, sujeito a modificações, 
acréscimos e aperfeiçoamentos. Nossos conhecimentos são comparáveis a uma esfera imersa num 
oceano de ignorância; à medida que aumenta o volume do saber, aumenta com ele a superfície de 
contato entre o que sabemos e o que ignoramos. Criamos teorias, modelos, tentando incorporar a 
eles o maior número possível de variáveis, apegamo-nos a eles para nos depararmos com novas 
perguntas, novas variáveis. 
Nessa extenuante jornada é compreensível que por vezes tornemo-nos dogmáticos (estávamos tão 
bem com o conceito de sistema límbico, não estávamos?). "A ciência evolui", afirmava Max Planck, 
com certo pessimismo, "não porque os cientistas reformulem suas idéias, mas porque ficam velhos e 
morrem". Talvez, como uma espécie de Sísifo, seja nossa sina criar perguntas, e para elas criar 
respostas que nunca nos satisfaçam inteiramente. Como dizia Borges, referindo-se aos romances 
policiais: "A solução é sempre inferior ao mistério". 
Mark Twain afirmava, com fina ironia: 
Se fizéssemos a torre Eiffel representar a idade do mundo, a camada de tinta da 
protuberância arredondada do pináculo de seu cume representaria a participação do 
homem nessa duração. Qualquer um há de perceber que a torre foi construída para 
essa camada de tinta. Acho que todos hão de perceber isso, sei lá. 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
27
UNIDADE 7 
Objetivo: Possibilitar ao aluno visualizar os múltiplos aspectos que envolvem a aprendizagem. Assim, 
permitir construirmos estratégias mediadoras da aprendizagem. 
Pró-Curando Cuidar De Si, Do Outro E Do Mundo Mãe-Filho-Educadora. 
 
"Como pode o homem esconder-se daquilo que jamais desaparece" 
(Heráclito) 
 
Relacionamentos, escrito no plural, indicam no nosso projeto de pesquisa (e neste artigo), as 
multipossibilidades de o educador especial, nos contextos psicopedagógicos, revelar de modo 
concreto seu sentir-pensar-agir para com os educandos (alunos e seus familiares e os próprios 
educadores). Mas, ainda assim, devemos ressaltar que o nosso interesse é a relação, isto é, o modo 
do ser em se expandir no contato afetivo, contato esse que dialeticamente "embala" (fornece sentido-
sentido) ao cognitivo: quanto mais amo, mais conheço; quanto mais conheço, mais amo. 
Ambos os aspectos do desenvolvimento e aprendizagem, cognição-afeto, são indissociáveis. Em 
uma perspectiva alternativa, considera-se a interação afeto-cognição, em uma visão holística, em que 
teóricos e teorias podem até se contradizer (Rogers, Freud, Vygotisky, Piaget, Brunner, Paulo Freire, 
etc.), cumprindo, entretanto, a função de tentar compreender o ser em desenvolvimento, o ser da 
aprendizagem. Como destacam Fernández (1990) e Paín (1987), entre outros, “... várias instâncias 
interferem na aprendizagem: o intelectual ou lógica, a simbólica ou dramática, o corpo e o organismo" 
(Ferreira, [19--], p. 6). 
O aluno, no processo de ensino-aprendizagem, coloca-se inteiro na relação com o professor, pois 
nela é jogado. Dialeticamente, envolve-se no processo, de modo integral e dinâmico, sendo não só 
seu organismo individual (herdado), mas também seu corpo construído a partir do outro, bem como 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
28
sua inteligência desenvolvida na interação com os outros companheiros existenciais, e também sua 
vontade de sentido (desejo,motivação). Vygotisky (1979, p. 19), em certo contexto marxista, reafirma 
“... que existe um sistema dinâmico de significados em que o afetivo e o intelectual se unem...". 
O educador especial que trabalha nas modalidades dos relacionamentos de ajuda é um ser no ofício 
que se mostra apaixonado e prazeroso em ser, bem como compromissado politicamente para com o 
outro. Também, ao embrenhar-se nos relacionamentos que ajudam, o educador procura dominar 
conteúdos tornando-se competente. A par de sua humanidade, e de suas lutas e enfrentamentos das 
adversidades, esse profissional deve estimular a livre expressão dos sentimentos dos educandos, 
tendo diante dessas revelações atitude receptiva, compreensiva, interessada a tudo que é dito, 
sentido. Por isso, esse mesmo educador também precisa de um espaço de supervisão onde possa, 
além de receber apoio didático para melhor desempenho do seu ofício, receber apoio afetivo daquele 
que ocupa o lugar de, através de outra visão (super-visor), ajudar, apoiar. 
Relacionamentos de Ajuda impõem um sentir-pensar-agir que pode ser sinônimo de 
"caminhar juntos", tal qual colocado por Bermejo (1997). Esse tipo de trabalho de ajudação 
revela que ser-aí é arriscado, mas ele complementa a dimensão de confiança, de pacto, de 
gratuidade e de sincero interesse. O educador acompanha serenamente, colocando ao outro 
sua "experenciação", isto é, sua experiência profissional e de vida-vivida sentida-sentida. 
Isso significa ser humano, na finitude de ser: não se escondem os limites, nem a própria 
competência, que é pré-sentida como algo não-absoluto. Este trabalho, o de relacionar para 
ajudar, exige com-partilhar conflitos, tristezas, alegrias, esperanças, sonhos, identificar os 
sinais que podem modificar o ser. Metaforicamente falando, o educador especial, nos 
diversos contextos psicopedagógicos dos relacionamentos de ajuda, funciona 
 ...como um guia de montanha - um recurso que ele [educando] pode utilizar em suas 
necessidades estimulando-o a fazer enfrentamentos exigidos, indicando o caminho que 
parece melhor, mostrando-lhe obstáculos que devem ser percebidos e vencidos, etc. 
Mas o educando tem que fazer o caminho com seus próprios pés e não podemos 
andar em seu lugar. Queiramos ou não, é andando por si mesmo que ele aprende a 
caminhar (RÚDIO, 1991, p. 68). 
Essa autonomia desejada no ajudado contamina o ajudador que já tenta nadar por si próprio. 
Nesse sentido, o cuidado do educador transcende aquela microsituação ali, impondo uma 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
29
vontade de sentido, um forte desejo de cuidar também da sociedade que colabora na 
produção de tantas lesões no desenvolvimento e aprendizagem: "Contribuir para que haja 
pessoas mais sadias e comprometer-se com a transformação social são duas faces da 
mesma moeda" (Betto, 2000, p. 14). 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
30
UNIDADE 8 
Objetivo: Pontuar a cristalização de sentido do cuidado ("sorge") na Educação Especial. 
Trajetória Metodológica 
 
Para alcançar esse objetivo, colhemos depoimentos de duas educadoras especiais que trabalham 
com família de aluno com necessidades educativas especiais (n.e.e.). Essas educadoras são alunas-
estagiárias (bolsistas) do curso de Pedagogia do Centro Pedagógico (CP) da Universidade Federal 
do Espírito Santo (UFES) e estão inseridas em um projeto de pesquisa do Núcleo de Ensino, 
Pesquisa e Extensão em Educação Especial (NEESP), denominado "Em família: Relacionamentos de 
Ajuda e Educação Especial". Suas "falas" foram colhidas em uma das sessões de (super) visão. 
Inicialmente, realizamos uma pequena e sintética revisão bibliográfica sobre Relacionamentos de 
Ajuda e sua presença nos contextos psicopedagógicos da Educação Especial. Então, em um 
"insight", ganhou luminosidade o cuidado presente na relação educador-educando. Após, buscamos 
compreender o sentido das referidas temáticas, estando elas "embaladas" pelo cuidado. Finalmente, 
ao enunciar falas das educadoras especiais depoentes, e ao fazê-lo de memória, por isso revelando-
se como um dos limites do estudo, procuramos seguir recomendações de Forghieri (1993) acerca da 
pesquisa fenomenológica, envolvendo-nos existencialmente e, ao mesmo tempo, distanciando-nos 
reflexivamente das falas textualizadas. Dialeticamente, passamos a buscar nos textos pontos 
luminosos. Nesses instantes-luz, nossos olhos e ouvidos enxergaram e escutaram: nosso destino-
cuidar cristaliza o sentido da vida-cuidado. 
 
"Insight": o ser de cuidado 
No NEESP, quando falamos em Relacionamentos de Ajuda, assumimos que o tema é amplo e 
complexo. Um clássico na área é Corey (1977, 1983), que estuda as seguintes abordagens e 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
31
tendências dos Relacionamentos de Ajuda: a psicanálise, a neopsicanálise, a psicologia individual, o 
humanismo existencial, a centrada-na-pessoa, a gestáltica, a transacional; a comportamental, a 
racional-emotiva, a da realidade. Já Mizukami (1986), ao estudar o processo de ensino, cita as 
abordagens tradicionais, comportamentais, humanistas, cognitivas, socioculturais. 
Na Pedagogia, a área que mais produz acerca do tema Relacionamentos de Ajuda é a Orientação 
Educacional. Nesse sentido, podemos citar os estudos de Loffredi (1976) os de Ribeiro e os de 
Andrade e Pinto (1984) que trabalham com o modelo de relação-de-ajuda de Carkhuff (apud 
MIRANDA e MIRANDA, 1983). Cavalcante (1996), em um estudo diferenciado da área, propõe 
investigar as implicações das ideias de Paulo Freire na Orientação e Aconselhamento de alunos de 
escolas públicas brasileiras. 
Lamonico et al. (1992), ao estudarem formas de atendimento às crianças com dificuldades escolares, 
enunciam as teorias que fundamentam o campo de intervenção institucional e clínica: a 
psiconeurológica, a neuropsiquiátrica, a comportamental, a epistemológica convergente, a 
fenomenológica. 
Por sua vez, Küpfer (2000) desenvolve atendimentos psicopedagógicos e educativos especiais a 
crianças e adolescentes psicóticas, utilizando-se de um referencial psicanalítico. Masini (1984), ao 
trabalhar com alunos "difíceis", com baixo rendimento acadêmico, recorre às abordagens 
fenomenológicas-existenciais. Costa (1999) propõe uma teoria e prática de ação socioeducativa para 
as crianças e adolescentes em situação de dificuldade pessoal e social, articulando Paulo Freire e 
Antón Makarenko, permeados pela proposta de Relacionamentos de Ajuda de Robert R. Carkhuff. 
Pinel (1989, 2000) sugere, a partir da teoria prática de ajuda de Carkhuff, formar e supervisionar 
educadores especiais. Para os ajudadores dos adolescentes infratores usuários de drogas e com 
evasão escolar, propõe formá-los e acompanhá-los pela proposta carkhuffiana desenvolvida por 
Miranda & Miranda (1983) e Miranda (1993). Já para educadores de rua atuando junto a jovens 
masculinos que se prostituem e com dificuldades de se prevenirem contra as DST/AIDS, propõe 
revisitar Carkhuff, associando-o ao humanismo existencial de Rogers bem como a outros conceitos 
de homem, reconhecendo-o ser sócio-histórico cujo destino-cuidar é o mundo. 
Em todos esses enfoques, ganha destaque a importância vital que é fornecida à relação educador-
educando. É essa relação que tenderá a determinar a qualidade do processo ensino-aprendizagem e 
a descoberta daquele que não-sabe-que-sabe, sabe-que-não-sabe... 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
32
Dessa relação se destaca o cuidado de um ser (educador) pelo outro ser (educando). Nesse sentido, 
no interior da relação professor-aluno, é que residem as "realizações concretas do exercício da pre-
sença..." (Heidegger, 1995, p. 313). Cura? Cuidado! Melhor dizer, cuidado. 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
33
UNIDADE 9 
Objetivo: Problematizar o conceitode aconselhamento psicopedagógico à luz da obra do filósofo 
Heidegger e do existencialismo. 
Modos De Cuidar 
 
O cuidado em Heidegger (1995) é estrutura do Ser-aí, do Dasein, sempre adiante de si mesmo e 
abandonado no mundo. No nosso entendimento, o cuidado se concretiza nos contextos 
psicopedagógicos da Educação Especial. Cuidado é "a vocação do homem para cuidar dos outros e 
de si mesmo, em decorrência de capacidade humana de ser responsável" (GOMES, 1992, p. 75). 
Assim, cuidado é estrutura do ser, mas também é atitude, é ética, é estética (quão belo é cuidar)... 
Cuidado é ofício de ser do ser. Ser cuidador: cuidar da dor, das feridas... Cuidar e não curar, pois, 
afinal, aqui, no "setting" pedagógico, não cabe arrogância, onipotência. Cicatrizações, sim. Conviver 
com o sofrimento, sim. 
Ajudar o aluno com necessidades educativas especiais, sua família e seus educadores é utilizar-se 
dos relacionamentos interpessoais que são modos de cuidar do ser ao ser. E, para cuidar do outro, o 
educador necessita cuidar dos seus modos-de-cuidar: cuidar de si, dos objetos, do mundo. Os 
objetos têm existência para os seres humanos e, como instrumentos, são para fazer coisas para os 
outros, "a existência humana tem um aspecto de cuidado" (RALPER e SMITH, 1997, p. 77). 
No processo de Relacionamentos de Ajuda, o educador cuida de ser orientado pelo sentido da vida. 
O sentido da vida, segundo o existencialista Viktor Emil Frankl (1991, 1978), é a direção que a 
pessoa pode dar à sua vida mediante descoberta do significado que ela, a vida, possui, a 
possibilidade de ser livre e responsável. Então, como "insight", ilumina-se o sentido-sentido: o 
educador, ao ajudar o outro a crescer/desenvolver, espera que, por meio do cuidado, ele, o 
educando, venha a cuidar do outro, de algo, de uma ideia, de um ideal, cuidar de si mesmo. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
34
Para cuidar do outro, de si, do mundo, o educador do NEESP deve estudar-pesquisar-(re) conhecer, 
buscar a melhor forma de cuidar, ser paciente, ser congruente, ser confiante e ser de confiança, ser 
humilde, ser esperançoso e, acima de tudo, ser corajoso para assumir os riscos de "ternurar" por 
alguém que é outro, é si-mesmo. No jogo dos espelhos, quando olha para e junto ao outro, escuta a 
própria voz de sentido. 
Assim, a Educação Especial planejada, executada e avaliada no NEESP é cuidado. Ser educador 
especial nesse espaço é viver o cuidado, senti-lo, auscultá-lo... Através da vida-vivida o educador 
cresce e se desenvolve expressando a capacidade de cuidar. Nesse processo, “... as pessoas seriam 
seres cuidativos, ou de cuidado..." (WALDOW, 1998, p. 132). Nesse sentido, a concretização da 
filosofia da inclusão é cuidado. 
Portanto, ser educador especial é ser cuidador. O educador do NEESP vivencia, sente o sentido pelo 
experienciamento irrompido no ato de compartilhar. Entre a pessoa que cuida e a pessoa que é 
cuidada, há essa experiência em que brilha aos nossos sentidos a sua pessoa enaltecida. 
...cuidar é ajudar a crescer e a se realizar e para isso existe um padrão comum: ao cuidar 
experiencia-se o outro ser de forma a considerá-lo com capacidades e necessidades para crescer. O 
mesmo ocorre com uma ideia. Ao experenciar o outro ou uma ideia, não há dominação ou 
manipulação, apenas confiança. O outro ser humano é respeitado como ser independente, assim 
como são respeitadas as suas necessidades, as quais são satisfeitas com devoção [...], compromisso 
para com o outro (WALDOW, 1998, p. 133-134). 
A super (visão) e o acompanhamento profissional fornecido aos educadores especiais do NEESP se 
destacam pelo cuidado de ser em ser para ser. É vital sentir o sentido de ser para o outro ser, 
construir sua identidade a partir do outro que pontua. Ser compromissado politicamente se concretiza 
no educador cuidador: educar a dor, cuidar da dor... A vida tem sentido: cuidar da vida. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
35
UNIDADE 10 
Objetivo: Problematizar o conceito de aconselhamento psicopedagógico à luz da obra do filósofo 
Heidegger e do existencialismo. 
Modos De Cuidar 
 
No contexto psicopedagógico da Educação Especial, não há maneiras definitivas de intervir. 
Entretanto, o educador já está impregnado das formas de ser cuidador. Por isso ele facilita ao outro 
caminhar independentemente de o outro (re) conhecer e utilizar suas próprias capacidades de ser 
resiliente, de ser, pelo discurso frankliano (FRANKL, 1991, 1978), um "otimista trágico". Buber (1987) 
destaca que a relação com outra pessoa é um estado em que um reconhece, conhece o outro como 
sujeito e com ele se importa. 
O cuidado presente nos Relacionamentos de Ajuda "cutuca com vara curta" um comportamento de 
compaixão. 
...a compaixão nos remete (até etimologicamente) ao ‘sofrer junto'. E sofrer junto nos leva a sair do 
‘alto' e a estar ‘ao lado, horizontalizando a relação. Leva-nos à solidariedade. Arranca-nos da poltrona 
e nos faz descer do Olimpo ao mundo dos mortais. Arranca-nos do ‘patamar superior' e nos faz estar 
junto na dimensão do sofrimento. Arranca-nos da piedosa imobilidade e nos faz arregaçar as 
mangas, a buscar saídas ou superações (AMARAL, 1995, p. 184). 
Ajudar por meio das relações humanas é o que caracteriza o ofício educador especial na estrutura do 
NEESP. Não é algo padronizado, mas uma disposição interna, sentida, para o bem-estar cognitivo e 
afetivo... Bem-estar, bem compreendido como espaço onde o sujeito foi jogado sem sua permissão, 
um lugar de incertezas, de conflitos... Dos desequilíbrios do ser em ser é que nascem novos 
equilíbrios que, por sua vez, se desequilibram para reequilibrarem-se e desequilibrarem-se... 
As relações do ser, nesse espaço, nunca são harmoniosas, pois estão como pontua Küpfer (2000), 
marcadas pela busca, já condenadas ao fracasso de encontrar um conhecimento, um objeto que faça 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
36
interromper a ação desejante de buscar. Mas o conhecimento tem sentido por essa busca do 
inalcançável. O desejo move. A vontade de sentido clama por ser preenchida. 
O espaço psicopedagógico da Educação Especial no NEESP toca, acentua, fere, implica... faz 
compreender. 
Compreender é uma espécie de aprender com. Aprender com ela [a pessoa]. Perceber aquilo mesmo 
que ela tenta expressar. Como se fosse ela. Do ponto de vista da pessoa. Tanto quanto possível 
dentro do mesmo referencial. É como se você se colocasse no lugar da pessoa, sem estar de fato, 
para ajudar a perceber como as coisas se passam para ela. Naquele momento (AMATUZZI, 1980, p. 
83). 
Compreender empaticamente tem esse sentido revelador: revelar a dor dos engendramentos, 
entrelaçamentos de redes onde a injustiça predomina. Compreender apresenta este sentido ativo, de 
oposição ao fracasso escolar. 
O fracasso escolar para Patto (1991), e com ela concordamos, está na escola, e essa compreensão 
não elimina o aluno que se transparece portador (porta a dor) do fracasso. Isso revela outro sentido, 
significado-sentido: é importante criar alternativas de atendimento em educação, tornando-a especial. 
É necessário trabalhar psicopedagogicamente para com o aluno. O educando e o educador, 
capturados por esses engendramentos sociais, são facilmente vistos, sentidos, porque são 
reproduzidos pela escola, que os torna objetos-coisas. São coisificados. Mas saudavelmente muitos 
se opõem a esse posto. 
O educador especial é, então, nesse emaranhado de ser, um sujeito no ofício de cuidador. Ele fica 
compreensivamente atento. Atento a cada detalhe. Tudo é muito precioso, pois arriscar-se no 
envolvimento existencial significa experenciar o pacto gratuito do distanciamento reflexivo, momento 
caracterizado pela apreensão de sentidos. Ele se descobre nutrido pelos Relacionamentos de Ajuda. 
Então, seu sentir-pensar-agir a Educação Especialmais se sutiliza, pois essa descoberta o ensina a 
sentir que 
...deve ao mesmo tempo, aproximar-se do educando, no plano do relacionamento 
solidário, e dele e de sua circunstância ser capaz de afastar-se no plano da reflexão 
crítica. Tal postura não é fácil, ela exige senso prático e veia teórica, implicando no 
desenvolvimento de uma inteligência do instante de uma noção clara do processo. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
37
Isso exige, da parte do educador, uma estreita disciplina de contenção e 
despojamento (COSTA, 1991, p. 99-100). 
 
 Tema I 
O que é Aconselhamento psicológico? 
 
 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
38
UNIDADE 11 
Objetivos: Elucidar as múltiplas sensações que envolvem o Relacionamento de Ajuda, permitindo 
assim ampliar as possibilidades de atuação de todos os envolvidos. 
Cristalização Do Cuidado 
 
No sentir-pensar-agir a Educação Especial para com as famílias dos alunos com necessidades 
educativas especiais é que, no NEESP, os Relacionamentos de Ajuda se iluminam. 
Nas famílias dos alunos com n.e.e, há, por assim dizer, uma dinâmica interpessoal nas figuras 
parentais, uma vontade de encontrar sentido a partir do filho. Nelas há desejos que a moral 
dominante impede de se revelar, mas que ali, nos grupos de encontros, mães inseridas no NEESP 
podem revelar. Em uma sessão de (super) visão com este pesquisador, uma educadora 
(bolsista)/supervisionanda relatou o que aconteceu no seu encontro psicopedagógico cotidiano com 
uma mãe em um grupo de mães. Essa mãe, em processo de dor e sofrimento, disse não se sentir 
plena, inteira. Eis a fala da mãe por meio de outra (fala e mãe), a educadora/supervisionanda: 
...eu quero tornar-me uma pessoa inteira... Cansei de ser tudo: mãe, mulher, amante, amiga... Ser 
tudo e não ser nada, ser metade, não ser inteira. Eu vivo para o meu filho e se eu pudesse colocaria 
ele em uma escola, uma clínica... Que eu o internasse e só o pegasse só nos fins de semana, ou que 
eu fosse apenas visitá-lo de vez em quando. Separar dele me facilitaria ser inteira, e não apenas 
metade. Ele toma meu tempo, me suga. Quero viver para mim. 
Esta escuta, a da denúncia do sofrimento, pontuou algo para as duas educadoras do NEESP: esses 
rancores aparecem e devem ser revelados, explicitados, compartilhados... No grupo das mães, isso 
de compartilhar revela a união como modo de ser resiliente materno. Antes de ser mãe-heroína é 
pessoa, mulher, ser. Outra mãe, companheira existencial daquela mãe sofre-dor-a, sua parceira do 
grupo de encontro, apoiou-a revelando o impacto que esta lhe causou. Segundo a supervisionanda, a 
outra mãe a confortou dizendo: 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
39
Eu também já pensei em fazer isso... Nisso você não está só... Nisso estamos juntas e eu posso 
dizer: se fosse recomendado para minha filha ficar internada eu iria aceitar. Eu iria querer seu bem, 
seu aprendizado, para ser mulher digna. 
Essa mãe, a Outra, escuta a verdadeira fala da outra que toca em si. Ela escuta aquela que no grupo 
tem coragem de revelar mágoa, ódio, amor (?) descarado por si. Alguém dividida encontrou na outra 
a possibilidade de se escutar: eu não estou só, estamos juntas. Há diferenças nos conteúdos, mas 
onde não há?! 
Neste processo, o da compaixão, a nossa educadora/supervisionanda, que é mãe, percebe que seus 
reflexos contornam os rostos e corpos de todas as mães. Há, pois, esse sentimento de transparência. 
Nessa mesma sessão de (super)visão, a outra educadora também supervisionanda, que não é mãe, 
mas é casada, disse: 
Penso comigo que é difícil escutar essa fala, a da mãe rancorosa, dividida. É muita coragem sonhar 
ser inteira, e longe do filho, afastando-o. Eu me colocaria para ela dizendo meus sentimentos. Eu 
revelaria que estou com ela nesse sofrimento dela estar dividida. Quem não é dividida? De repente, 
podemos nos descobrir inteiras donas do nosso próprio nariz, donas do nosso amor por tudo, por 
todos... e ainda assim estar com o filho, e até por isso ser inteira. 
Quando sentir o sentido é o que marca os Relacionamentos de Ajuda nos contextos 
psicopedagógicos da Educação Especial, o duelo materno (mãe/educadora) independe propriamente 
de ser concretamente mãe. Não sendo mãe, nossa origem é materna (e paterna). Ser dividida ali, 
naquele instante, não por uma vivência apenas materna, mas o experenciar do ser de todas as mães. 
Todas as mães do mundo. Todas as mulheres do mundo. Todos os homens, os filhos... 
Nosso trabalho no NEESP, aquele desenvolvido especialmente com as famílias dos alunos especiais, 
é penetrado pelo cuidado. Cuidado pelo outro, pois ele é também nossa referência, afinal, como 
destaca Fromm (1986), o homem é social, é histórico. Nossa identidade, cuidado de si, é construída 
nessa necessidade de relação, de ser amado, de ser gostado. Então, eticamente, cuido do mundo, do 
outro, de mim. A educadora e as mães estão corretíssimas: nosso destino-cuidar é cuidar para então 
ser inteiro. 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
40
 
Antes de dar continuidades aos seus estudos é fundamental que você acesse sua SALA DE 
AULA e faça a Atividade 1 no “link” ATIVIDADES. 
 
 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
41
UNIDADE 12 
Objetivos: Elucidar as múltiplas sensações que envolvem o Relacionamento de Ajuda, permitindo 
assim ampliar as possibilidades de atuação de todos os envolvidos. 
Ainda Sobre A Cristalização Do Cuidado 
 
Ser humano é também viver a condição de ser imperfeito e ameaçado pelo fim, pelas mortes 
concretas e simbólicas... Experenciando um mundo tão (in) certo, é vital termos consciência do nosso 
limite no ofício de ser Educador Especial via cuidado. Nessa angústia de ser, podemos cuidar (des) 
cuidando. 
Boff (1992, p. 160) alerta-nos: sempre carregamos, em nós, "sombras de descuido". Entretanto, é 
uma constante a nossa luta resistente contra esse descuidar. Descuidar é um modo-de-ser cuidador 
inautêntico, alienado. Ao descuidar, eu cuido mal/mau do outro de mim! A psicopatologia do cuidado, 
revelada no descuido, pontua: 
a. A negação do cuidado; 
b. O desprezo e rejeição pelo cuidado; 
 A superproteção impedidora pelo exasperado cuidado. Esses modos de (des) cuidar são 
deformadores, alienantes, neurotizantes... 
 
A super (visão) aos educadores especiais objetiva, entre outros itens, trabalhar essa demanda: não 
me deixe cair no (des) cuido! Tenho que tomar cuidado para não deixar de cuidar, abandonar o risco 
de descuidar. 
O cuidado não é uma meta a se atingir somente no final da caminhada. É um princípio que 
acompanha o ser humano em cada passo, em cada momento, ao largo de toda a vida terrenal [...]. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
42
Portanto, sempre é possível crescer na prática do cuidado em cada circunstância, no tempo e no 
contratempo. Tal atitude gera discreta alegria e confere leveza à gravidade da vida (BOFF, 1999, p. 
160). 
O cuidado é do cuidador, e por ele cuidar da dor, por meio da compreensão contida na escuta 
empática, acaba por facilitar novos sentir-pensar-agir. Segundo a supervisionanda que é mãe, a outra 
mãe denuncia-dor-a de sua não-inteireza, levantou-se e se aproximou da janela da sala do NEESP, 
local onde acontece aquele encontro de mães dos alunos especiais. A mãe ficou absorta, olhando, e 
pareceu enxergar algo ou alguém através da vidraça. A educadora/supervisionanda, a que educa a 
dor, pergunta o que ela, a mãe, via. Por estar para com as mães, a educadora antevê projetos, 
sonhos maternos... Como supervisor e apoia-dor socioemocional, eu pergunto à educadora: "O que 
você sentiu e pensou que a mãe olhava? Que ação psicopedagógica resultou desse sentir-pensar o 
olhar?”. 
A mãe estava vendo o filho correndo, participando de umaaula de psicomotricidade. Eu me aproximei 
dela e vi seus olhos. O menino estava compartilhando com os outros amigos. Ele brincava, ele 
agitava, ele olhava para nós e disse gritando: ‘Oi, mãe! Oi, professora!'. Esboçamos um sorriso franco 
e autêntico. Ela me tocou, e eu então senti: se somos, estamos inteiras, pois somos mães. 
Ser cuidador é, pois, intuir o sentido de um gesto, de um esboço de ser, não ter medo de ser. Com a 
sua pontuação, a educadora iluminada brilhou tudo ao derredor. Faz sentido responder à vida pelo 
sentido por meio do trabalho, do amor e do sofrimento inevitável para com alunos, famílias e 
educadores. 
Os Relacionamentos de Ajuda nos contextos psicopedagógicos da Educação Especial podem ser 
compreendidos em diversos modos, dependendo do modo-de-ser envolvido do pesquisador 
(pesquisa a dor). Neste estudo, procuramos estudar tais temáticas do ponto de vista do cuidado e dos 
estudos existenciais que lhe dão sentido. 
Ser cuidador antecede ao ofício, pois cuidar é estrutura do ser. Entretanto, cuidar sendo cuidador é a 
proposta vivenciada no NEESP. Quando da formação e acompanhamento profissional/super-visão do 
educador especial, que também trabalha com a família do aluno com n.e.e, o que se apreende é o 
cuidado como estrutura, como destino, mas também como ofício/trabalho. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
43
Ser cuidador é vivenciar este conjunto complexo de acontecimentos no interior do ofício. Esses 
acontecimentos marcaram o fluxo da existência daquele que é ser de cuidado. O fluxo da existência 
desse ser educador-cuidador é ultradinâmico, pois ele apreende e integra tais experenciamentos, 
redimensionado sua carga afetiva (subjetividades). Isso tem um valor de um sinal, restando encontrar 
sentido-sentido. Faz sentido? 
 
_____________________ 
1 - Paulo é aluno do Curso de Mestrado em Educação pelo PPGE/UFES. Artigo elaborado na disciplina 
“Estudos Independentes: Psicologia, Educação e Saúde", sob Orientação do Professor Doutor Hiran Pinel. 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
44
UNIDADE 13 
Objetivo: Registrar a experiência de um caso de Aconselhamento Psicopedagógico, onde a 
abordagem fenomenológica-existêncial permite visualizar os múltiplos sentidos dos discursos, o 
dizível e o visível. 
Alguém Atrás Da Porta: Quando O Processo De Ensino E Aprendizagem É Ameaça (Dor)? 
 
"(...) e ontem não parei de fixar, 
como que fascinado, 
o lugar vazio reservado para você" 
(S. Freud sentindo a ausência, em uma de suas aulas, de sua aluna Lou Andreas-Salomé) 
 
Um discurso há, e por detrás dele existem segredos, subterfúgios, caminhos escuro-ásperos que 
clamam para serem iluminados e mostrados como são. 
Quando nós, pesquisadores em Relacionamentos de Ajuda e Educação Especial, escutamos uma 
fala ou expressão corporal e lemos o ‘texto’ a partir daí; e se somos ‘tocados’ por isso-aí, fazemos, de 
acordo com o nível de profundidade da nossa empatia e da nossa formação acadêmica, mil 
elucubrações, mil análises das ‘(im) possibilidades’ que, subjacentes ao explícito, revelam uma 
luminosidade ali-mesmo con-tida. Segundo nosso prazer/paixão e a tonalidade dele (do-outro), 
podemos instaurar viagens no ser de sentido, que de fato é também nosso ser, meu ser, seu ser. 
Esse sentir-pensar-agir diante das inúmeras expressões do outro fortalece minha identidade. É como 
se estivesse em frente a um translúcido espelho: no outro eu me enxergo. Essa experenciação 
inusitada é da mais pura e acurada emoção. Ela facilita construir-me um ser mais humano, mais 
sensível, mais honesto, mais congruente, mais empático, mais singular a partir da pluralidade do ser. 
Psicopedagogicamente construo-me, no ofício de educador, mais aberto e criativo, buscando em mim 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
45
e no mundo-de-mim-que-sou alternativas de sentir-pensar-agir para com o aluno com necessidades 
educativas especiais, sua família, seu educador, sua escola... (PINEL, 1997, p. 10). 
No discurso presente em um texto e, no nosso caso, em uma epígrafe, há algo avesso ao plano de 
formas visíveis e que pede por desvelo, por carinho e cuidado. Desvelar é bem um verbo que indica 
retirar o véu que vela, que cobre, que guarda, que também cuida. Velar é manter um sono que pela 
aparência parece ser tranquilo. Então, um discurso diz a mim: Desvela-me! 
Desvelar, entretanto, exige daquele que é desvela (dor), aquele que retira o véu que cobre a dor, uma 
ação compreensiva. Compreender é empreender desbravadamente nos ofícios de sentir o sentido do 
outro ser em si. Empatia é bem a palavra que fornece sentido à compreensão: colocar-me no lugar do 
outro como se o outro fosse, apreendendo os sentidos de estar-sendo para ser. Entretanto, o 
compreende (dor), aquele que compreende a dor, ao propor ocupar o lugar que não-si, vê-se refletido 
no espelho de ser. 
Por isso, descrever aquilo que é coberto por um dos inúmeros véus é fazê-lo sob a ótica de certo 
olhar que olha: olha(dor)! O Compreende (dor) é aquele que enxerga/sente/escuta a dor. Outro 
investiga (dor) pode, sob outro olhar, enxergar diferente, de modo inusitado. São diferentes e 
múltiplos olhares que irrompem desta/nesta modalidade de fazer intervenção. 
Este estudo tenta, ao ser compreensivo, desvelar um sentido (que é sentido), sentido-sentido, con-
tido no discurso de um aluno com necessidades educativas especiais e que é atendido pelo Núcleo 
de Educação Especial (NEESP) do CP/UFES. Esse trecho de discurso é de fato uma epígrafe 
enunciada em um artigo publicado, cujos autores são Jesus, Pereira e Fernandes (1999). Partimos da 
invenção de que há, no discurso, vários sentidos que necessitam de desvelamentos, e essa demanda 
é também nossa demanda. 
O caminho, a trajetória dessa investigação se liga, mesmo que distante, a uma abordagem 
fenomenológica-existencial. Para isso, recorremos, em parte, ao conceito do "olhar" proposto por 
Critelli (1996). Associado a esse outro olhar, o do crer para ver, buscamos os procedimentos 
dialeticamente vivenciados de Forghieri (1993), que são: envolvimento/mergulho existencial "na-
coisa-em-si", e distanciamento reflexivo "da-coisa". Então vimos sentido na pesquisa do sentido-
sentido (Pinel, 1997; Pinel, 2000). Compreendemos o significado-sentido e o sentido-significado. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
46
Nosso exercício investigativo, caracteristicamente inferencial, é, pois, pessoal, afinal é "nosso" olhar. 
Esse experenciar impõe o sentir aquilo que "anda" à deriva pelo discurso, impõe o emocionar com os 
olhos, com os ouvidos, com o corpo, com todos os sentidos… Descrevemos o que foi sentido e 
revelamos o sentido-sentido. Partimos metaforicamente de algum porto seguro, mas o que 
determinou nossa trajetória foram os ventos, os sóis… Foram os riscos presentes no sentir-pensar-
agir uma investigação. 
Do pesquisa(dor) foi exigido que saísse da postura de turista para a de viajante. O turista é puro 
acidental. O viajante deixou-se impregnar pelas vivências por onde ficou. Foram histórias, geografias 
físicas e humanas, o calor, o frio, os amores, os rancores… O turista retorna a casa com o corpo 
intacto. O pesquisa (dor)-viajante, ao retornar para seu lar (seu e de sua gente) e plasmar-se à frente 
de-si (no espelho), logo se certificou: "Meu corpo traz cores variadas, inúmeras marcas, riscos 
disformes, mapas contornados e às vezes objetivos… Minha pele não é a mesma… Enfim, ninguém 
sai ileso dessa decifração que se respalda na compreensão". 
Jesus, Pereira e Fernandes (1999), como já dissemos, publicaram um artigo nos Cadernos de 
Pesquisa, cuja temática foi: "Educação Especial: Abordagens e Tendências". Nesse artigo, sobre a 
família do aluno com n.e.e., há uma epígrafe. Os autores descrevem uma vivência da educa (dor)a 
com uma aluna. Luana,nome fictício da aluna, aparece na sala de aula do NEESP trazendo em suas 
mãos uma fotografia do seu aniversário em família. A educa(dor)a surpreende-se, pois, nas imagens 
contidas na foto, não se revela a pequena Luana. "Onde está você?", pergunta a educa(dor)a já 
tomada pela ausência imagética, uma falta sentida. "Onde está você?", insiste a mestra diante do 
caos que espera ver. A menina, titubeando, põe-se decidida. Ela aponta à professora a porta 
fechada. Surpresa e pasmada, e no ofício de educar a dor, a educa(dor)a insiste: "Onde, nesta foto, 
está você?". Com dificuldade, mas determinada, Luana finalmente fala: "Estou atrás da porta!". 
A partir desse discurso, já intencionalmente reformulado por nossa escuta, nosso olhar, nosso sentir, 
é que propomos compreender um sentido-sentido. Isso exige de nós um jeito empático de ser. De 
fato, ao estudar esse discurso, o sentido-sentido desse discurso, reconhecemos que ele nos tocou e, 
a partir desse espaço-sentido, passamos a "inventar", "viajar". 
Passamos, no dizer do método indiciário de Ginszburg (1989), a examinar, "ir atrás" dos pormenores 
secundários e negligenciáveis do discurso tal qual um detetive, por exemplo, mas, na nossa 
pesquisa, a forma para isso se efetivar foi por meio do sentido-sentido. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
47
Devemos reconhecer que Luana é um ser singular/plural e sua fala tem essa amplitude. Entretanto, 
não propomos efetuar um "estudo de caso". Estamos interessados nessa pluralidade do ser de 
sentido de Luana, algo presente em várias Luanas… Sua fala exige compreensão, uma postura 
psicopedagógica que transcenda o cotidiano repetitivo. Exige uma vontade de sentir-pensar-agir para 
com o aluno especial. Esses detalhes tão pequenos de Luana iluminam a intervenção na sala de 
aula, tocam o ser sensível de ser educa(dor)a. 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
48
UNIDADE 14 
Objetivo: Conhecer os múltiplos fatores que envolvem as dificuldades de aprendizagem, seus fatores 
conscientes e inconscientes. Relatar uma estratégia de aconselhamento psicopedagógico. 
Colocar-Se Atrás Da Porta 
 
Quais os significados da fala de Luana? Estivemos em busca desses sentidos, e encontramos vários. 
A vida é cheia de sentidos, e a fala da menina é a existencial-vida. Entretanto, à medida que 
escrevíamos este texto e pedíamos que especialistas e alunos revelassem sentidos, um sentido foi se 
pontuando e a luz nele contida foi dando contornos a algo aparentemente complexo. 
Luana comemorou seu aniversário e, ao ser pontuada pela professora, com dificuldade, afinal viver é 
difícil também, ela, por um instante, passa a se sentir confusa e por isso titubeia. A menina revela 
então que, naqueles eventos (o festivo e o questionador), naquelas pontuações, naqueles instantes 
efêmeros, ela ausentou-se de ser. 
Pre-sentimos que algo deve ter ocorrido no evento que a fotografia insiste em não revelar. Sentimos 
que uma ausência indica uma pre-sença dolorida pela anulação do ser que se propõe a apreender. 
Afinal, de quem ou de que se esconde Luana? 
Imaginamos que há vários sentidos no seu discurso, mas sentimos nessa investigação apenas um 
sentido: a ausência sentida. Luana sente. Sua professora sente. Os pesquisadores sentem. Este 
investiga(dor) sente. O leitor sente… Nesse sentido-sentido, Luana não está só na ausência de si. 
Ausentar indica afastar, retirar-se estrategicamente, não enfrentar "dando um tempo" para recarregar 
as energias… Significa enfrentar de outro modo o outro ameaça (dor), por isso, distanciar-se daquele 
que olha, aponta, enuncia, denuncia… 
Ausentar-se, retirar-se… Luana, ela mesma, retirou-se da foto e colocou-se atrás da porta. É ali, 
naquele lugar-mesmo, que ela está e ninguém consegue enxergá-la. Ela se vê? 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
49
Sentimos e pensamos que somente ela consegue olhar para si e pontuar sua presença, agora pre-
sença. O que Luana enxerga? Ela convida o educa(dor) a percorrer sua trajetória rumo ao 
esconderijo. Nesse sentido, a demanda da aluna encontra respaldo no NEESP. Nossa proposta no 
Núcleo é escutar o sentido-sentido dessa dor. Essa dor modifica nosso olhar no ofício e com isso 
(re)dimensionamos nossa prática para com o aluno com n.e.e. 
Luana é a porta que se fecha, sendo, pois, a porta cerrada/serrada. A porta cerrada é a porta vedada 
de imediato, definitivamente intransponível. A porta serrada, ao contrário da cerrada, passou pela 
serra. A serra corta, fere… mas facilita uma abertura à porta. Luana dá brechas sobre si. 
Complexamente, a aluna se fecha e, com muito custo, se abre. Seria o sentir-pensar-agir do 
educa(dor) a serra que abre a porta do ser? Ou seria um motim para Luana serrar-se? 
A porta, simbolicamente, representa aquele instrumento criado não apenas para ficar fechada, 
trancada. A porta pode abrir. Abrir é entregar-se receptivamente ao outro ser, nos riscos de ser. Ser 
fechada pode significar um modo-de-ser resistente às intempéries. Quem há de desdizer? Luana se 
revela um ser "otimista trágico". No dizer de Frankl (1991, 1978), ser assim é transformar a tríade 
trágica (dor/sofrimento, culpa, morte) em tríade transcendida pelo sentido (fé/desempenho, 
amor/mudança, esperança/prática responsável). 
O "otimismo trágico" revela que, em menor ou maior grau, todo o ser é ser resiliente. O ser resiliente 
é aquele ser que, ao experienciar adversidades, cria forças explícitas e/ou sutis de enfrentamento, 
não se deixando abater. Na relação aluna e professora, antevemos o ser-mundo, uma transcendência 
"alocêntrica", em que o outro fornece identidade ao ser de sentido dando sentido de ser. 
Se através da experiência negativa se verifica uma perda do mundo, esta mesma experiência 
possibilita a abertura do horizonte para uma reconquista do mundo. Tal reconquista, por sua vez, só é 
possível na medida em que ultrapassar a experiência de negatividade, vencendo o egocentrismo que 
constitui a sua alma, pois o característico da experiência de negatividade é tornar o homem 
prisioneiro de seu próprio inferno, limitando-o à sua particularidade. E o único caminho para vencer 
essa prisão radica-se num ato, de conversão espiritual, numa autêntica metanóia, no sentido de 
estabelecer-se uma abertura para a realidade, superadora [nosso grifo] de toda experiência negativa, 
descentralizadora [nosso grifo] do egocentrismo (BORNHEIM, 1996, p. 108). 
Podemos inferir que o sentir-pensar-agir do professor, revelado ali-mesmo no questionamento, é uma 
das possibilidades de Luana "vencer essa prisão". A educação, no amplo sentido, e o espaço 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
50
psicopedagógico da Educação Especial, sentido restrito da Pedagogia, revelam porta(dores) de 
inúmeras possibilidades de o ser se transformar. 
Nesse sentido-sentido, a porta-Luana pode estar entre(aberta). Quase aberta, meio aberta indica que 
algum evento pode abri-la ou definitivamente fechá-la. O professor tem que fazer-se pre-sente nesse 
evento de resiliência, por isso ele questiona, olha com outros olhos, pontua… O educa(dor) não 
abandona o outro, pois ele mesmo é ser "otimista trágico". Esse profissional transcende, no cotidiano 
psicopedagógico da Educação Especial, o modo-de-ser negativo que fere e, na fístula, revela outras 
possibilidades. 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
51
UNIDADE 15 
Objetivo: Conhecer os múltiplos fatores que envolvem as dificuldades de aprendizagem, seus fatores 
conscientes e inconscientes. Relatar uma estratégia de aconselhamento psicopedagógico. 
Ainda Sobre Colocar-Se Atrás Da Porta 
A aluna coloca-se atrás da porta, atrás de si-mesma. A porta é Luana, fechada. Atrás da 
porta é a outra Luana, à deriva, esperando atracar-se no porto (in)seguro de ser. A outra 
outra é aberta, diferenteda porta, a fechada. 
Assim dito acerca desse alguém atrás da porta, poderíamos pensar uma Luana escondendo-se de si-
mesma, de algum modo-de-ser que a ameaça. Luana esconde em seu ser a sapiência. Ela sabe, 
mas não sabe-que-sabe e, se não sabe, não-sabe-que-não-sabe. 
Por conseguinte, a menina, naquela questão irrompida na sala de aula, pela voz da professora, 
esconde-se do saber e sofre ao constatar: É aqui que estou! Eu estou atrás da porta! Eu sou a porta 
que me esconde! Atrás de mim há outro ser que necessita revelar-se! Sol-chuva a um só tempo: sou 
alguém! 
Alguém é pronome indefinido. Aquele que se indefine está aberto à definição. Ser sol-chuva é ser 
arco-íris, e isso já é algo significativo aos olhos de quem vê e naquele que é olhado por estar sendo. 
Luana, como todo ser, não é ser pronto, nem é ser definitivo e, no mundo que é, se modifica, se 
(re)constrói. Mas ela, atrás da porta, ainda não está sentindo-pensando-agindo metanóia. Talvez ali 
mesmo esteja ocorrendo o início disso tudo de ser. 
Nesse sentido-sentido, percebemos, tal qual Zelam (1993, p. 364), que para muitas crianças e 
adolescentes que fracassam na escola, o problema não está ligado à falta de condições cognitivas 
para aprender, mas sim a crenças conscientes ou inconscientes de que a aprendizagem é perigosa, 
e, portanto, deve ser evitada. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
52
Luana resiste ao apreender ao esconder-se atrás de si mesma, já que ela se fez porta. Outra outra. 
Ela resiste "sentir, pensar e agir" e aplicar esse "trio de ser" no cotidiano escolar e da vida. É como se 
ela desligasse sua mente durante as aulas e então se tornasse prisioneira dos riscos advindos do 
saber. Ela não sente (e não sabe) que esta sua decisão metafórica (ser porta) não é uma decisão 
apenas individual e inscrita nas suas estruturas afetivo-cognitivas mais profundas, mas o sistema 
sociopolítico inscreveu também sua marca na sua singularidade, marcando seu modo de ser, a sua 
classe social, bem como a qual pertencem seu desenvolvimento e aprendizagem. 
Entretanto, colocar-se porta (outra) atrás da porta (Outra), revela a força inegável das pessoas 
luta(dor)as. Lutar contra a dor é resistir bravamente e enfrentar, de outro modo, mais complexo, os 
riscos de conhecer, de saber. O que Luana não quer saber? 
Luana podemos pensar, não quer morrer. Então ela não é porta, um objeto. De fato, a porta foi um 
símbolo que ela "escolheu" para dizer: "Sou a vida! Esse corpo tem vida, a vida nele pulsa!". 
Então, Luana-porta porta por detrás dela a vida. Surge daí a outra porta para dar-se vida, um modo-
de-ser esperançosa. Por isso, Luana é uma porta disponível a abrir-se para o educa(dor) que 
compreende, que entra em sintonia, que se constroi empático na escuta do contexto dolorido de ser. 
Nesse sentido, nós, os educadores e pesquisadores do NEESP, sentimos-pensamos-atuamos no 
sentido de sermos escuta(dor)es. 
O educa(dor) especial pinça a saúde na insanidade. Foucault (1975, p. 71) já havia pontuado a 
sanidade que contamina a loucura e, como essa última, “… só tem realidade e valor de doença no 
interior de uma cultura que a reconhece como tal". 
Colorir o dolorido é recapturar a vontade de sentido (Frankl, 1991, 1978) presente no ser de sentido. 
Já aqui podemos compreender que Luana cuida-de-si ao prevenir-se dos riscos do saber. Ela cuida 
dos modos-de-cuidar sabendo que há caos, e que não há por que fugir e anular-se do/no cuidado. O 
discurso da menina revela mais sentido-sentido. 
A fala quer os gritos, os urros, os cantos, as sonoridades abismais, divinas e animais. Ela se cuida, tal 
como os sons se deixam cuidar nos instrumentos musicais, ou ainda, e mais, elas se querem numa 
corporeidade obscura (e legítima) por onde elas se pensam como acontecimentos sobrecarregados 
de enigma (STENGERS, 2000, p. 15). 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
53
Nesse sentido-sentido, a pergunta experenciada é: o que Luana quer saber? Ela quer saber que 
sabe. É esse um dos muitos sentidos daqueles que se colocam atrás da porta. É esse o sentido de 
enunciar para quem (educanda/educadora) pode ter alguma "chave" compreensiva de abrir, abrir-se, 
abri-la. Compreender exige empatia e por isso pertence ao reino dos Relacionamentos de Ajuda. A 
forma mais simples de ser cidadão é compreender, pois no outro vemos nossa imagem. Isso significa 
que nossa singularidade é constituída do ser plural, do ser coletivo. Somos inteligentes na 
coletividade do ser. 
Compreendemos que Luana é "sorge", puro cuidado: cuidar-de-si, do-outro, dos-objetos, do-mundo. 
Cuidar escutando empaticamente é o modo de evitar o (des)cuidado, dentro do NEESP. Mais do que 
nunca, é (im)possível decifrar total e definitivamente o enigma de Luana e de todo ser, mas é 
psicopedagogicamente arriscado não compreendê-lo. O enigma está aí posto, colocado pela 
pequerrucha. Luana está ávida pelo saber que "porta" em si. Ela precisa (d)espe(r)tar-se. Ao mesmo 
tempo, deve “… lembrar que a cultura e civilização foram erigidas a partir da incessante busca 
humana pelas respostas sobre os enigmas de sua [singularidade/ pluralidade do ser] presença no 
mundo (KÜPFER, 2000, p. 100)”. 
Luana-puro-enigma. Então cabe ao educa(dor) especial ser escuta empática revelando ser 
compreensivo. Colocar-se educador implica, nesse sentido, abrir olhos, coração, mente, ouvidos… 
para compreender os momentos-brechas das portas e dos seres que habitam por detrás delas. 
Mostrar, então, é estampar o quanto é arriscado viver para saber. 
Nesse sentido é que compreendemos que é na insegurança do mundo que precisamos encontrar 
força para ser. Isso é ser Luana. Isso é ser educa(dor)a especial. Isso é ser pesquisa(dor)a. Isso é 
ser para com o NEESP. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
54
UNIDADE 16 
Objetivo: Problematizar O Significado Do Compreender Em Aconselhamento Psicopedagógico, O 
Conceito E Sua Função No Desenvolvimento De Práticas Construtivistas E Inclusivas. 
Pós-Escrito 
 
Compreender traz à tona as três áreas da psyché (psique ou psiquê): 1º) a emoção 
(expressada pelas funções afetivas); 2º) a razão (expressada pelas funções intelectivas); 3º) 
a vontade+ação (expressadas pelas funções volitivo-ativas ou conativas). 
Compreender significa estar para como o outro e por isso consigo-mesmo. Isso nos reporta a 
procurarmos modos-de-ser construtivos, criando alternativas de atendimento aos alunos com n.e.e., a 
seus familiares e aos educadores. 
Assim, ser construtivista e ser inclusivo pode também (re)significar compreender. Entrar em sintonia 
com o aluno e sentir-pensar-agir aqui-e-agora para (re)abordá-lo é a meta daquele que se propõe ser 
educador especial .Isso exige cuidar como ofício, e se "sorge" é estrutura de ser, ser cuida(dor) é 
consequência no ofício. Entretanto, há limites. 
Nesse sentido, ninguém pensa consolar Luana, nem seus pais e muito menos suas educa(dor)as. O 
que é vital é escutar empaticamente, compreendendo nossa própria escuta. Tanto uma pessoa 
quanto a outra estão aí, jogadas no mundo para serem o que são e que são vontade de ser. Ela se 
chama Luana. Ela se chama educa(dor)a especial. Eu me chamo pesquisa(dor). 
Ser educador especial é mais do que nunca porta(r) em si os enigmas que o aluno, sensível e 
sutilmente coloca e, ao escutá-lo, descobrir-se também porta(dor) de enigmas. À medida que 
deciframos o sentido-sentido, algo em nós se abre, talvez uma porta que sempre esteve ali à nossa 
frente, fechada, encostada ou entre(aberta). Ali ela está esperando para ser tocada, sentida. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
55
Porta: instrumento que fecha e abre ao bel prazer do outro-de-si. Um objeto que fornece sentido ao 
(res)guardar-se, proteger-se. Ela, a porta, é aberta e fechada para revelar o sujeito que abre a dor 
(abri-dor).Porta: a "coisa" que o sujeito traz ou carrega em si. Algum enigma que, ao ser pontuado, começa a 
desentranhar um segredo, um abismo, uma (im)possibilidade. 
Portador: aquele que porta, carrega em si, traz consigo uma dor. Alguém atrás da porta é porta-dor, 
porta(dor). 
Aportar: atracar-se. Envolver-se a um desejo, a uma (im)possibilidade. Encaminhar, entrar e chegar. 
O educador especial é, então, uma porta que porta em si um enigma, uma possibilidade de abrir-se 
para o outro por meio da psiqué. Educadora e aluna se olham no espelho. Eis outro enigma. 
O destapamento é fascinante, nem tanto por aquilo que se descobre, mas pelo que se oculta com ele 
(SIMÕES, 1988, p. 210). 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
56
UNIDADE 17 
Objetivo: Trazer uma fenomenologia do ouvir em alguns de seus aspectos, principalmente aqueles 
que mais interessam a uma relação terapêutica e a uma relação educativa. Com esse intuito 
comentam-se textos de Rogers, a partir das posições de Merleau-Ponty, Paul Ricoeur e Martin Buber. 
O ouvir se abre para o mundo significado pelo falante e para o contexto no qual este mundo ganha 
um sentido. 
O Que É Ouvir 
 
Vamos comentar aqui um texto de Rogers sobre o ouvir, que considero uma pequena joia que ele nos 
legou. Trata-se de um trecho de uma palestra sobre comunicação, proferida para um público não 
especializado em psicologia, embora de alto nível de instrução. Acredito que quando tentamos nos 
comunicar com um público não especializado a respeito de temas que para nós são muito específicos 
e muito centrais, o resultado ou é desastroso, revelando a fragilidade de nosso pensamento, ou 
adquire um poder de síntese muito grande, incluindo mais vivamente nossa experiência para além 
dos limites impostos pelo uso dos termos técnicos. Creio que este texto de Rogers cabe na segunda 
categoria. Ele se encontra em português no livro de Rogers “Um Jeito de Ser,” e em inglês no “A Way 
of Being”, de l 980; mas a conferência foi originalmente proferida em 1964. 
O texto em questão começa assim: 
O primeiro sentimento básico que gostaria de partilhar com vocês é a minha alegria 
quando consigo realmente ouvir alguém. Acho que esta característica talvez seja 
algo que me é inerente a já existia desde os tempos da escola primária. Por exemplo, 
lembro-me quando uma criança fazia uma pergunta e a professora dava uma ótima 
resposta, porém a uma pergunta inteiramente diferente. Nessas circunstâncias eu era 
dominado por um sentimento intenso de dor e angústia. Como reação, eu tinha 
vontade de dizer: "Mas você não a ouviu!". Sentia uma espécie de desespero infantil 
diante da falta de comunicação que era (e é) tão comum." (ROGERS 1983, p. 4-5). 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
57
 
Se Rogers fala em "ouvir realmente" é porque ele quer separar esta atitude de outra que talvez 
pudesse ser denominada também de "ouvir", mas que não é "realmente" um ouvir. A professora ouviu 
o aluno e respondeu. Mas não ouviu realmente, não houve comunicação, a pergunta à qual 
respondeu era diferente da que realmente tinha sido a pergunta. E o garoto Carl pensava: "Mas você 
não a ouviu." 
O que não foi realmente ouvido? O significado. Mas aqui é preciso acrescentar também um "real". Ela 
não ouviu o significado real. A professora bem poderia dizer, e não sem razão, que ela respondeu ao 
que ele disse. Mas, diríamos nós, não respondeu ao que ele quis dizer. Acho que Rogers não está 
contando aqui simplesmente um caso de equívoco na comunicação, como se a professora não 
tivesse escutado direito ou confundido as palavras. O exemplo parece ser que ela escutou 
corretamente. E, no entanto não ouviu. 
Lembro-me aqui de um texto de Merleau-Ponty (l972, p. 227). 
Diz ele que é necessário "reencontrar sob as linguagens empíricas, acompanhamento exterior ou 
roupagem contingente de todo pensamento, a palavra viva que é sua efetuação, onde o sentido se 
formula pela primeira vez, se funda assim, e se torna disponível para operações ulteriores." 
A palavra viva está sob a roupagem contingente do pensamento, é a efetuação desse pensamento. 
Se ficarmos na roupagem de que se reveste o pensamento, não o atingiremos enquanto algo vivo e 
presente. A palavra viva manifesta-se pela linguagem empírica, mas esta é apenas roupagem. 
Quando essa palavra viva é recebida (ouvida), ela se torna disponível para operações ulteriores. Ser 
ouvida significa ser plenamente pronunciada. Sem isso, (embora presente, germinalmente, ela 
permanece de certa forma não dita. O que será que aconteceu com a criança que não teve sua 
pergunta respondida? Ela poderá voltar a insistir, ou poderá esquecer sua pergunta verdadeira, 
substituí-la pela que a professora ouviu. Paulo Freire diria que a professora foi a "opressora" fazendo-
se "hospedar" pelo então "oprimido", e fazendo-o distanciar-se de sua verdadeira palavra. 
Ricoeur (l977, p. 36), comentando Heidegger, escreve: 
"Minha primeira relação com a palavra não é de produzi-la, mas de recebê-la (...). Esta prioridade da 
escuta estabelece a relação fundamental da palavra com a abertura ao mundo e ao outro (...). A 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
58
lingüística, a semiologia, a filosofia da linguagem, mantém-se inelutavelmente no nível do falar e não 
atingem o do dizer (...). 
“O falar remete ao homem falante, o dizer remete às coisas ditas.” (grifos meus) 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
59
UNIDADE 18 
Objetivo: Trazer uma fenomenologia do ouvir em alguns de seus aspectos, principalmente 
aqueles que mais interessam a uma relação terapêutica e a uma relação educativa. Com 
esse intuito comentam-se textos de Rogers, a partir das posições de Merleau-Ponty, Paul 
Ricoeur e Martin Buber. O ouvir se abre para o mundo significado pelo falante e para o 
contexto no qual este mundo ganha um sentido. 
O Que é Ouvir 
 
O ouvir vem antes do falar. Por isso, como dirá Buber, a fala original (a que é um dizer), será 
uma resposta. É o ouvir que nos abre para o mundo e para os outros, e não o falar. E o que 
ouvimos é um dizer que nos remete a um mundo, e não apenas a um mero falar. O falar, 
aqui em Ricoeur, corresponde mais à roupagem contingente do pensamento, ou seja, às 
palavras, de Merleau-Ponty, do que à palavra viva. Esta está no dizer. É só considerando o 
discurso como um dizer, que recebo a palavra-viva; se o considero apenas como falar, 
recebo apenas suas palavras. 
A professora de Rogers considerou a voz de seu aluno como falar e não como dizer. 
Reduziu-o assim a um homem falante, não recebeu seu mundo significado como atualidade. 
O verdadeiro diálogo, dirá Paulo Freire, se dá em torno do mundo significado. Quando 
realmente ouço, ouço o que alguém me diz (e não apenas o que fala), e isso me remete ao 
mundo. 
Há uma distinção que também me ajuda a compreender isso. É a distinção entre mero 
significado e significado pleno. O mero significado fica ao nível das palavras, enquanto que o 
significado pleno se prende a toda presença significante tornada efetiva por essas palavras 
ditas. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
60
Penso que existem três dimensões na fala (enquanto dizer). Uma semântica: a que se refere 
ao significado. Outra política: que se refere ao tipo de relação de poder que esta fala realiza 
ou propõe. E outra, a semiológica: que se refere àquilo que a fala indica ou sinaliza para 
além de seu significado. Essas três dimensões estão presentes na fala como ato concreto, 
mas elas só são claramente separáveis (quando a fala não é instrumento de uma atualização 
ou integração da pessoa, e consequentemente não veicula um poder como poderia; não 
compromete nem envolve a pessoa como um todo. Quando a fala faz isso, tem essa força, 
então fica mais difícil separar o significado, o poder e o indicadopor ela, e então aparece 
mais claramente sua dimensão simbólica que é justamente a de integrar essas três 
dimensões face ao interlocutor. A isso chamo de fala autêntica. Na fala autêntica o 
significado não é separado do poder e nem daquilo que se faz presente por ela. E isto é o 
significado pleno. Ora, todas as falas são potencialmente autênticas, quer dizer, por alguma 
raiz se prendem a um solo de autenticidade (mesmo quando são falsas, inautênticas ou 
automatizadas). Portanto, em qualquer caso posso estar aberto para o significado pleno, 
disponível para recebê-lo. Creio que é isso a disposição de ouvir realmente. E de fato 
receber o significado pleno e não apenas o mero significado, é ouvir. E a resposta que brota 
de um semelhante ouvir (como uma necessidade), bem poderia ser chamada interpretação 
simbólica, pois coloca junto aquilo que eventualmente está separado. 
"Creio que sei por que me é gratificante ouvir alguém. Quando consigo realmente ouvir 
alguém, isso me coloca em contato com ele, isso enriquece minha vida." (Rogers 1983, p. 5) 
(grifos meus). 
O "contato com o outro", e não apenas com seus meros significados, é equivalente, vem 
junto com o "enriquecimento de minha vida". E essas duas coisas vêm junto com o ouvir. 
Podemos então dizer que, para Rogers, ouvir é contato e é enriquecimento de vida. Embora 
possamos separar aí três momentos, na realidade essa separação é artificial: esses três 
momentos se interpenetram formando um único processo. Podemos de fato dizer que se não 
houve algum enriquecimento, não houve contato, e se não houve contato, não ouvi. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
61
Isso se aproxima do que afirma Buber: a palavra verdadeira é a palavra dirigida, e é por isso 
que recebê-la me toca me afeta de alguma forma. E se não fui afetado, não ouvi realmente. 
O ouvir não é uma atividade reflexiva; pelo contrário nos põe fora de nós mesmos. Paulo 
Freire diz que o educador popular precisa acreditar nas massas populares para que "já não 
apenas fale a elas ou sobre elas, mas as ouça, para poder falar com elas" (Freire 1983, p. 
36). E Buber (l982, p. 44): "Aquilo que me acontece é palavra que me é dirigida. Enquanto 
coisas que me acontecem, os eventos do mundo são palavras que me são dirigidas." 
Para Buber o acesso do homem à palavra se enraíza no acesso dele à relação. E nesse 
sentido a relação é mais ampla. A palavra expressa a relação (aquilo que põe o homem fora 
de si mesmo, mas onde ele também se realiza como homem). Não apenas as pessoas nos 
falam, mas também os eventos do mundo nos falam. É esse ouvir que está na origem de 
nossa palavra que será então uma resposta. - Os eventos, dizia ele, são palavras a mim 
dirigidas. E continua (l982, p. 44): "Somente quando os esterilizo, eliminando neles o germe 
da palavra dirigida, é que posso compreender aquilo que me acontece como uma parte dos 
eventos do mundo que não me dizem respeito." 
A relação primeira, portanto, é de ouvir, e só depois é que pode haver ciência compreensão 
dos eventos como se não me dissessem respeito. A objetividade científica (que esteriliza os 
eventos do germe da palavra dirigida) é secundária ou derivada. A observação (fria) é 
derivada. O que existe primeiro é o ouvir que me envolve e afeta; é o ser tocado pelo evento 
como palavra dirigida, é o sentir a necessidade da resposta. Mas depois a humanidade se 
esforça por se livrar desse germe. E a própria linguagem serve a esse propósito (é o falar 
substituindo o dizer, e o observar substituindo o ouvir). Buber continua: 
"O sistema interligado, esterilizado, no qual tudo isso só precisaria ser inserido, é obra 
titânica da humanidade. E a linguagem, ela também, foi colocada a seu serviço." 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
62
UNIDADE 19 
Objetivo: Evidenciar a importância da escuta e do contato nas práticas de aconselhamento 
psicopedagógico, suas íntimas redes de relações nos processos de mediação da aprendizagem. 
A escuta e o contato 
 
Ouvimos, portanto para além das palavras, mesmo quando através delas. 
Mas quando ouvimos assim, entramos em contato, diz Rogers, tomamos conhecimento 
íntimo, diz Buber, ou tocamos o centro da pessoa. O tomar conhecimento íntimo é uma 
forma de conhecimento anterior às formas específicas do conhecimento. É o conhecimento 
enquanto componente da relação, e da relação que me envolve. Só depois é que essa 
experiência poderá ser explicitada em conhecimentos específicos ou significados 
específicos. Eis como Buber explica esse tomar conhecimento íntimo (l982, p. 147): 
Tornar conhecimento íntimo de um homem significa então, principalmente, 
perceber sua totalidade enquanto pessoa determinada pelo espírito, perceber o 
centro dinâmico que imprime o perceptível signo de unicidade a toda sua 
manifestação, ação e atitude. Mas um tal conhecimento íntimo é impossível se 
o outro, enquanto outro, é para mim o objeto destacado de minha contemplação 
ou mesmo observação, pois a estas últimas esta totalidade e este centro não se 
dão a conhecer: conhecimento íntimo só se torna possível quando me coloco 
de uma forma elementar em relação com o outro, portanto quando ele se torna 
presença para mim. É por isso que designo à tomada de conhecimento íntimo 
neste sentido especial com o tornar-se presente da pessoa." 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
63
Ouvir é mais que observar, é estar em relação, e, portanto tornar-se presente. Não é isso 
que Rogers está descrevendo quando fala do contato e do enriquecimento que estão 
contidos no ouvir verdadeiro? 
Na sequência do texto Rogers fala de outro enriquecimento que vem completar este (1983, 
p. 5): 
"Foi ouvindo pessoas que aprendi tudo o que sei sobre personalidade, sobre as relações 
interpessoais. Ouvir verdadeiramente alguém resulta numa outra satisfação especial. É como 
ouvir a música das estrelas, pois por trás da mensagem imediata de uma pessoa, qualquer 
que seja essa mensagem, há o universal. Escondidas sob as comunicações pessoais que eu 
realmente ouço, parece haver leis psicologicamente ordenadas, aspectos da mesma ordem 
que encontramos no universo como um todo. Assim, existem ao mesmo tempo a satisfação 
de ouvir esta pessoa e a satisfação de sentir o próprio eu em contato com algo que é 
universalmente verdadeiro." 
Que verdade universal seria esta que está por trás da mensagem, e que é sentida, 
contatada, ao mesmo tempo em que ouço? A resposta mais imediata e literal seria: são leis 
psicológicas, constâncias comportamentais. Mas a própria configuração do texto de Rogers 
acredita, nos autoriza a irmos mais longe, ou melhor, a virmos para mais perto. Ele não fala 
apenas de posteriores elaborações abstratas da psicologia, mas de um "sentir o eu em 
contato com", e de um "ouvir a música. das estrelas". É verdade que ele coloca em paralelo a 
satisfação de ouvir a esta pessoa com a satisfação do contato com uma verdade universal. 
Não imporia tanto aqui sabermos como ele vivia essa dupla dimensão, o pessoal e o 
universal, O que importa é que ela fica registrada como descritiva de uma única experiência, 
a do ouvir. Isso nos dá o direito de nos perguntarmos, também por outros caminhos, que 
universal é esse e quais suas manifestações no próprio ouvir. 
Ricoeur, num trabalho sobre como ele se situa face ao problema hermenêutico, nos diz que o 
discurso pode ser considerado em níveis diferentes de distanciamento em relação ao real. 
No nível, mas básico temos o distanciamento da significação. Signos são feitos, 
distanciando-nos assim da realidade mesma; porém ela é, por assim dizer, resintetizada pelo 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
64
evento da fala. Isso é o discurso como fala. Existe um distanciamento maior que se 
acrescenta ao da significação quando consideramos o discurso como obra.Aqui a 
composição da obra como um todo, o gênero literário e o estilo do autor devem ser levados 
em conta também para a compreensão do discurso. Num terceiro nível temos o discurso 
como escrita. Além de fixar o texto, o efeito principal do escrito é que ele se torna de certa 
forma independente do autor: a significação do texto não coincide necessariamente com a 
intenção do autor. Ela pode ser muito mais ampla como manifestação ou criação sócio-
cultural do que o imediatamente intencionado ou explicitamente conhecido pelo autor. 
Ricoeur introduz aqui o conceito do "mundo do texto" ou "mundo da obra" que é um referente 
de segundo nível e que, diríamos nós, tem uma correspondência com o coletivo de Jung 
enquanto transcende a individualidade do momento intencional explícito do autor, mas que 
também o revela em níveis mais profundos. O exemplo da literatura de ficção e da poesia 
podem ajudar aqui. Eis alguns textos de Ricoeur: 
Não há discurso de tal forma fictício que não vá ao encontro da realidade, 
embora em outro nível, mais fundamental que aquele que atinge o discurso 
descritivo, constatativo, didático, que chamamos de linguagem ordinária. Minha 
tese consiste em dizer que a abolição de uma referência de primeiro nível, 
abolição operada pela ficção e pela poesia, é a condição de possibilidade para 
que seja liberada uma referência de segundo nível, que atinge o mundo, não 
mais somente no plano dos objetos manipuláveis, mas no plano que Husserl 
designava pela expressão Lebenswelt e Heidegger pela de "ser-no-mundo. 
(Ricoeur 1977, p. 56). 
 
"Pela ficção, pela poesia, abrem-se novas possibilidades de ser-no-mundo na realidade 
cotidiana. Ficção e poesia visam ao ser, não mais sob o modo de ser-dado, mas sob a 
maneira do poder-ser." (Ricoeur 1977, p. 57). 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
65
 
 
Antes de dar continuidades aos seus estudos é fundamental que você acesse sua SALA DE 
AULA e faça a Atividade 2 no “link” ATIVIDADES. 
 
 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
66
UNIDADE 20 
Objetivo: Evidenciar a importância da escuta e do contato nas práticas de aconselhamento 
psicopedagógico, suas íntimas redes de relações nos processos de mediação da aprendizagem. 
A Escuta E O Contato 
 
O que seria ouvir um discurso poético de alguém que tala conosco? Não seria necessária 
uma abertura para um universal pessoal para que pudéssemos dizer que realmente 
ouvirmos? E essa abertura e esse contato não nos tocam? 
O que saberíamos do amor e do ódio, dos sentimentos éticos e, em geral, de 
tudo o que chamamos de o si, caso isso não fosse referido à linguagem e 
articulado pela literatura? O que parece mais contrário à subjetividade (o mundo 
do texto), e que a análise estrutural faz aparecer como a textura mesma do 
texto, é o próprio médium no qual, apenas, podemos nos compreender. 
(Ricoeur, 1977, p. 58). 
 
O universal do texto é também muito pessoal. Através dele contatamos o ser-homem. Ele 
revela o humano presente, e faz apelo a um posicionamento do leitor (ou do ouvinte). 
Justamente esta última é uma quarta característica do texto ou nível de distanciamento do 
discurso, para Ricoeur: sua autonomia e disponibilidade para ser apropriado pelo leitor 
suscitar nele uma compreensão de seu próprio ser no mundo. Eu diria que este quarto nível 
de distanciamento do discurso, baseado em sua autonomia, é o do discurso como desafio. 
Diz Ricoeur: 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
67
Compreender é compreender-se diante do texto. Não se trata de impor ao texto 
sua própria capacidade finita de compreender, mas de expor-se ao texto e 
receber dele um si mais amplo, que seria a proposição de existência 
respondendo, da maneira mais apropriada possível, à proposição de mundo. 
(Ricoeur 1977, pg. 58). 
 
Ricoeur pretende explorar a noção de texto para compreender a hermenêutica (teoria e arte 
da interpretação). Mas nós podemos agora, a partir de nossa problemática, retornar do texto 
para a fala. De fato cada nível maior de distanciamento revela algo que já estava presente no 
nível anterior. Ouvindo alguém numa situação de diálogo (1º nível de distanciamento), minha 
compreensão passa pela consideração dos modos de significar (gênero literário, estilo e 
composição: características do 2 º nível de distanciamento). Passa também por uma espécie 
de mundo do texto (3 º nível de distanciamento, que se relaciona com a autonomia do 
significante de Lacan, e a "coisa" do texto); quer dizer: sou capaz de ouvir tudo que se faz 
presente, e não apenas o mero significado, digamos, literal. O sujeito também está nesse 
todo que se faz presente, e é transportado por ele. - E, finalmente, minha compreensão do 
outro no diálogo oral presente passa pelo meu próprio questionamento face ao outro (4 º 
nível de distanciamento). Em resumo: os níveis mais abstratos de significado, que se 
relacionam com modos próprios de interpretação quando se trata de textos, estão todos 
presentes no primeiro e mais básico que é a compreensão do significado do que a pessoa 
tenciona me dizer no diálogo, ou seja, no simples ouvir. 
Não estaria tudo isso incluído também no que Rogers quer aqui nos dizer? Se não tivermos 
consciência dessa amplitude do ouvir, nosso ouvir será parcial, e o alcance transformador do 
diálogo, limitado. 
O texto de Rogers continua (l983, p. 5): 
Quando digo que gosto de ouvir alguém estou me referindo evidentemente a 
uma escuta profunda. Quero dizer que ouço as palavras, os pensamentos, a 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
68
tonalidade dos sentimentos, o significado pessoal, até mesmo o significado que 
subjaz às intenções conscientes do interlocutor. Em algumas ocasiões ouço, 
por trás de uma mensagem que superficialmente parece pouco importante, um 
grito humano profundo, desconhecido e enterrado muito abaixo da superfície da 
pessoa. 
 
O que Rogers diz aqui que ouve são palavras, pensamentos, tonalidade dos sentimentos, o 
significado pessoal e o significado que subjaz às intenções conscientes. Ele não diz que 
deduz isso, mas que ouve. Um grito humano profundo e escondido atrás de uma mensagem 
pode ser ouvido. - E no parágrafo seguinte ele traz alguns elementos a mais: 
Assim, aprendi a me perguntar: sou capaz de ouvir os sons e de captar a forma 
do mundo interno desta outra pessoa? Sou capaz de ressoar tão 
profundamente sobre o que está sendo dito, a ponto de entender os 
significados que ela teme e ao mesmo tempo gostaria de me comunicar, tanto 
quanto os que ela conhece? 
 
Não seria a forma do mundo interno uma espécie de mundo do texto (uma forma daquele 
universal-pessoal), aplicada à fala presente no diálogo? 
A construção da última frase (que traduzi diretamente do original, pois a tradução portuguesa 
disponível não me pareceu boa), é particularmente interessante. Os significados que a 
pessoa teme, mas ao mesmo tempo gostaria de comunicar, se opõem aos significados que 
ela conhece. Pela ressonância do ouvinte, ele ultrapassa o nível do que é conhecido 
explicitamente pelo outro (isso não é um pensar, mas uma ressonância). Eis como Merleau-
Ponty explica isso: 
(Na compreensão da tala de outra pessoa) não é primeiramente como 
representações ou com o pensamento que eu me comunico, mas com um 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
69
sujeito falante, com um certo estilo de ser e com o mundo que ele visa. Assim 
como a intenção significativa que pôs em movimento a fala da outra pessoa não 
é um pensamento explícito, mas uma certa carência que procura se preencher, 
assim também a retomada por mim dessa intenção não é uma operação do 
meu pensamento, mas uma modulação sincrônica de minha própria existência, 
uma transformação do meu ser (Merleau-Ponty, 1967, p.214). 
 
É essa modulação sincrônicada existência (Merleau-Ponty), ou ressonância (Rogers) que 
está na raiz da resposta falada por mim, ou da espera ativa da palavra não formulada do 
outro. O ouvir é um abrir-se para o outro, pré-verbal, experiencial. É a vivência desse nível 
pré-verbal que instaura a relação, o contato e a necessidade de resposta. 
Só sei que ouvi quando senti a necessidade da resposta, ou quando de fato a ofereci no 
diálogo. Mas então o outro sente que pronunciou plenamente sua palavra. E isso a torna 
disponível para operações ulteriores. 
O texto de Rogers que estamos comentando termina assim (p. 6): 
Constato, tanto em entrevistas terapêuticas como nas experiências intensivas 
de grupo que me foram muito significativas, que ouvir traz conseqüências. 
Quando efetivamente ouço uma pessoa e os significados que lhe são 
importantes naquele momento, ouvindo não suas palavras, mas ela mesma, e 
quando lhe demonstro que ouvi seus significados pessoais e íntimos, muitas 
coisas acontecem. Há, em primeiro lugar, um olhar agradecido. Ela se sente 
aliviada. 
 
Quer falar mais sobre seu mundo. Sente-se impelida em direção a um novo sentido de 
liberdade. Torna-se mais aberta ao processo de mudança." 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
70
Embora Rogers separe momentos aparentemente independentes aí, na verdade aquilo de 
que ele está falando é um processo em que o momento de ouvir está implicado no momento 
de responder, e esta resposta está implicada naquilo que então ocorre naquele que foi 
ouvido. É por isso que podemos dizer, sintetizando tudo, que o simples ouvir tem efeitos 
transformadores surpreendentes. Essa foi a grande intuição de Rogers. 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
71
UNIDADE 21 
Objetivo: Oferecer um resumo didático da obra “Vigiar e Punir" do filosófo francês Michel Foucault, 
permitindo assim conhecer seus principais conceitos e suas aplicações no campo da educação. 
Michel Foucault (1924-1984) E O Controle Dos Corpos 
 
Foucault pensou as instituições e o quanto de repressões ela utilizou e utiliza para dominar 
corações e mentes. Estando nas instituições professores, educadores, psicólogos, 
pedagogos, psiquiatras etc., ao efetuarem procedimentos de Aconselhamento Psicológico, 
devem ter consciência do impacto das instituições sobre o desenvolvimento afetivo-cognitivo 
humano. O processo de Aconselhamento Psicológico não deve fugir dessa temática, pois se 
assim o fizer estará promovendo a alienação que de fato desvela a insanidade. 
Este texto foi realizado em 1988, quando cursava mestrado em Educação, sob a orientação 
do professor PhD Jaime Roy Doxsey, na disciplina “Estudos Independentes; Estudos 
Aprofundados em Orientação e Aconselhamento”. Na verdade, foi um fichamento diante, do 
meu espanto fascinado, daquele autor francês, de quem muito já se comentava da vida 
privada que levava: era homossexual e gostava de “empalação”. Sobre sua psicohistória vale 
a pena ler de Didier Eribon, “Michel Foucault seus contemporâneos” (da Zahar Editor, Rio de 
Janeiro, 1996), entre outros. 
A vida privada acabou dês-dita, diante de tudo que tinha acabado de ler. Limitei-me ao que 
Foucault fala dos corpos submetidos. 
Sim, a vida privada de alguma forma ajudou a Michel Foucault ser um dos cientistas e 
pensadores mais influentes da atualidade. Entretanto, ao leitor pontuo minha humildade, ou 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
72
seja, a de propor resumir ao que, pela qualidade e beleza, torna-se indispensável 
academicamente estudar e pesquisar. 
 
Começa A Domesticação Do Corpo Pela Disciplina. 
A partir da segunda metade do século XVIII o soldado tornou-se algo que se fabricava a 
partir de coações, corrigindo a postura de cada parte do corpo. “Houve, durante a época 
clássica, uma descoberta do corpo como objeto e alvo de poder” (p. 125), então se dedica 
grande atenção a ele, o corpo insubmisso deve submeter-se. A história começa-se a 
escrever um registro anátomo-metafísico (começado por Descartes e continuado por 
médicos e filósofos) bem como um registro técnico-político, constituído de regulamentos 
sejam eles, militares, escolares, hospitalares etc., tudo isso é feito para “corrigir” o corpo: 
submissão e utilização, funcionamento e explicação – corpo útil, corpo inteligível. “O ‘Homem 
Máquina’, é, ao mesmo tempo, uma redução materialista da alma e uma teoria geral do 
adestramento, no centro dos quais reina a noção de ‘docilidade’ que une ao corpo analisável, 
o corpo manipulável. É dócil um corpo que pode ser submetido, que pode ser utilizado, que 
pode ser transformado e aperfeiçoado” (p. 126). Passa a se trabalhar o corpo 
detalhadamente, sem folga, uma coerção ininterrupta, no nível da mecânica, “a coação se 
faz mais sobre as forças que sobre os sinais; a única cerimônia que realmente importa é o 
exercício” (p. 126). 
Esses métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo, 
que realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impõe uma relação de 
dicilidade-utilidade, são o que podemos chamar as ‘disciplinas’” (p.126). 
Disciplinar tornou-se uma fórmula de dominação diferente da escravidão, que 
se apropria dos corpos; diferente de domesticidade, que é uma dominação 
constante; diferente da vassalidade, que é a submissão. As disciplinas nascem, 
no momento histórico em que nasce uma arte do corpo humano que o torna 
tanto mais obediente quanto útil, e vice-versa. “Uma ‘anatomia política’, que é 
também igualmente uma ‘mecânica do poder’, está nascendo. Ela define o 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
73
modo como se pode ter domínio sobre o corpo dos outros, não simplesmente 
para que façam o que se quer, mas para que operem como se quer, com as 
técnicas, segundo a rapidez e a eficácia que se determina. A disciplina fabrica 
assim ‘corpos submissos’ e ‘exercitados’, ‘corpos dóceis’”... “a coerção 
disciplinar estabelece no corpo o elo coercitivo entre uma aptidão aumentada e 
uma dominação acentuada (p. 127). 
A disciplina não surge de repente. Ela aparece muito cedo nos colégios, depois, nas escolas 
primárias, hospitais e organizações militares. As técnicas essenciais disciplinares se 
generalizam facilmente, como se tendesse a cobrir o corpo social inteiro. Técnicas 
minuciosas, que definem certo modo de investimento político e detalhado do corpo, uma 
nova ‘microfísica do poder’. Essas técnicas vão sutilmente difundindo e modificando a 
sociedade. Tudo é contaminado. Trabalham-se até durante o sono e dão sentido ao que é 
insignificante. “A disciplina é uma anatomia política do detalhe”. A história da racionalização 
utilitária do detalhe na contabilidade moral e no controle político, que já há muito tempo fazia 
parte da teologia e do ascetismo, se espalham na educação cristã, na pedagogia escolar e 
no militarismo, nos treinamentos em geral. 
“A minúcia dos regulamentos, o olhar esmiuçante das inspeções, o controle das mínimas 
parcelas da vida e do corpo darão em breve no quadro da escola, do quartel, do hospital ou 
da oficina, um conteúdo laicizado, uma racionalidade econômica ou técnica a esse místico do 
ínfimo e do infinito” (p. 129). O corpo é objeto do controle, pois o desejo pode explodir de 
“tesão/tensão” e ameaçar a estrutura rígida da sociedade. 
 
 O que é Aconselhamento Psicopedagógico? 
 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
74
UNIDADE 22 
Objetivo: Oferecer um resumo didático da obra “Vigiar e Punir" do filosófo francês Michel Foucault, 
permitindo assim conhecer seus principais conceitos e suas aplicações no campo da educação. 
MICHEL FOUCAULT (1924-1984) e o Controle dos Corpos 
 
A Arte Das Distribuições: As Normas 
A disciplina procede, em primeiro lugar, à distribuição dos indivíduos no espaço: 
 A Cerca: Local heterogêneo e fechado protegido da monotoniadisciplinar. Como, por 
exemplo, colégios que seguem o modelo de convento, o modelo de internato aparece como 
regime de educação modelo. Quarteis que precisam fixar o exército, impedir a pilhagem e as 
violências. O quartel tem que ser todo cercado para manter as tropas em ordem e em 
disciplina, nesse contexto, um oficial possa responder pela disciplina. Indústrias precisam 
tirar o máximo de vantagens e neutralizar os inconvenientes (roubo, interrupções de trabalho, 
agitações e ‘cabala’), precisam proteger os materiais e ferramentas e dominar as forças de 
trabalho, assim fazem até alojamentos para os funcionários; depois de 15 minutos da entrada 
dos funcionários, ninguém entra. 
O quadriculamento: cada indivíduo no seu lugar. É o princípio da localização imediata. 
Evitam-se as distribuições por grupo, decompondo implantações coletivas. O que importa é 
estabelecer as presenças e as ausências, saber onde e como encontrar os indivíduos, poder 
vigiar a cada instante o comportamento, apreciar e sancionar, conhecer, dominar e utilizar. 
Exemplo: a cela de um convento é um espaço celular, pois a solidão é necessária ao corpo e 
à alma para se defrontar a sós com a tentação e a severidade de Deus. As pessoas não “se 
vêm” levantar e nem deitar. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
75
A Regra Das Localizações Funcionais 
Eis a arquitetura: “Lugares determinados se definem para satisfazer não só as necessidades 
de vigiar, de romper as comunicações perigosas, mas também de criar um espaço útil” 
(p.132). Exemplo: os hospitais que passam a precisar localizar os medicamentos e disporem-
nos em caixas com registros de sua utilização; depois vêm os doentes que passam a ter 
identidades, serem obrigados a ficar em suas salas, com seu nome no leito; o médico deve 
consultar um registro do paciente; depois se isola os contagiosos; há, pois os leitos 
separados; tende a individualizar os corpos, as doenças, os sintomas, as vidas e as mortes. 
Nas fábricas distribuir os indivíduos em cada espaço serve para isolá-los e localizá-los 
(sentido de fiscalizá-los). Cada tipo de operação e tarefa está delimitado em um espaço. 
Com essa distribuição é possível vigiar ao mesmo tempo o geral e o individual, constatar 
presença, aplicação, qualidade do trabalho; “comprar” os operários e classificá-los; 
acompanhar todos os estágios do trabalho. “Todas essas seriações formam um quadriculado 
permanente: as confusões se desfazem” (p.133). Pode-se observar o vigor, a rapidez, a 
habilidade, a constância. 
A Fila: “Ela (a arte de dispor em fila) individualiza os corpos por uma localização que não os 
implanta, mas os distribui e os faz circular numa rede de relações” (p. 133). Exemplo: nos 
colégios a forma geral era os grupos de dez; havia guerra e rivalidade entre os grupos etc. O 
trabalho, o aprendizado, a classificação se fazia pela defrontação dos grupos, e cada aluno 
participava desse duelo geral. A ordenação por fileiras (principalmente a partir do ano de 
1762) fez a classe se tornar homogênea, se compondo de elementos individuais que vêm se 
colocar uns ao lado dos outros sob os olhares do mestre. Passa-se a ordenar tudo por filas: 
fila de alunos na sala; nos corredores do pátio; colocação nas provas, tarefas, nas semanas, 
nos meses, nos anos; dos assuntos em ordem crescente de dificuldade; das classes por 
idade uma atrás da outra; cada aluno ocupa ora um lugar ora outro marcando uma hierarquia 
de saberes ou das capacidades. “A organização de um espaço serial foi uma das grandes 
modificações técnicas do ensino elementar”... “Determinando lugares individuais tornou 
possível o controle de cada um e o trabalho simultâneo de todos. Organizou uma nova 
economia do tempo de aprendizagem. Fez funcionar o espaço escolar como uma máquina 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
76
de ensinar, mas também de vigiar, de hierarquizar, de recompensar” (p. 134). A sala de aula 
ficaria sempre sob o olhar cuidadosamente classificador do professor que poderia escolher o 
lugar dos seus alunos de acordo com sua classificação. 
“As disciplinas organizando as celas, os lugares e as fileiras criam espaços complexos: ao 
mesmo tempo arquiteturais funcionais e hierárquicos”. ... “garantem a obediência dos 
indivíduos, mas também uma melhor economia do tempo e dos gestos”. “A primeira das 
grandes operações da disciplina é então a continuação de ‘quadros vivos’ que transformam 
as multidões confusas, inúteis, ou perigosas em multiplicidades organizadas” (p. 135). 
Passa-se a classificar, observar, controlar, registrar tudo. “Trata-se de organizar o múltiplo, 
de se obter um instrumento para percorrê-lo e dominá-lo; trata-se de lhe impor uma ordem” 
(p. 135). 
“Tática, ordenamento espacial dos homens; taxionomia, espaço disciplinar dos seres 
naturais; quadro econômico, movimento regulado das riquezas” (p. 136). A colocação em 
quadro tem por função tratar a multiplicidade por si, distribuí-la e tirar o maior número de 
efeitos. A taxionomia cria categorias e a tática disciplinar liga o singular ao múltiplo. “Ela 
permite ao mesmo tempo a caracterização do indivíduo como indivíduo, e a colocação em 
ordem de uma multiplicidade dada. Ela é condição primeira para o controle e o uso de um 
conjunto de elementos distintos: a base para uma microfísica de um poder que poderíamos 
chamar ‘celular’ (p.136). 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
77
UNIDADE 23 
Bem Objetivo: Permitir aos alunos conhecerem melhor a microfísica do poder e seus sutis efeitos 
disciplinares de sujeição. 
O Controle da Atividade/Ação de Corpos Submetidos 
 
O Horário: Há três grandes processos: estabelecer as censuras, obrigar a ocupações 
determinadas, regulamentar os ciclos de repetição. Tudo começou nos monastérios e 
conventos, e se difundiu pelos colégios, indústrias, hospitais, militares. A rigorosidade era 
“religiosa”, começa-se a contar quartos de hora, minutos e segundos; nas escolas 
elementares as atividades são cercadas por ordens a que se tem que responder 
imediatamente. Nas fábricas há um quadriculamento cerrado do tempo e procura-se garantir 
a qualidade do tempo empregado: controle ininterrupto, pressão dos fiscais, anulação de 
tudo o que possa perturbar e distrair, um tempo integralmente útil. “O tempo medido e pago 
deve ser também sem impureza nem defeito, um tempo de boa qualidade, e durante todo o 
seu transcurso o corpo deve ficar aplicado ao seu exercício” (p. 137). O tempo é do deus 
Chronós: tudo é cronometrado, medido. 
A elaboração temporal do ato: Novo conjunto de obrigações é imposto com grau de precisão 
na decomposição dos movimentos e gestos, uma maneira de ajustar o corpo a imperativos 
temporais. É mais que um ritmo coletivo e obrigatório, imposto do exterior: é, de fato, um 
“programa”. “O ato é decomposto em seus elementos; é determinada uma direção, uma 
amplitude, uma duração; é prescrita sua ordem de sucessão. O tempo penetra o corpo, e 
com ele todos os controles minuciosos do poder”. Exemplo: a marcha. 
 O corpo e os gestos postos em correlação: “O controle disciplinar não consiste 
simplesmente em ensinar ou impor uma série de gestos definidos; impõe a melhor relação 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
78
entre um gesto e a atitude global do corpo, que é sua condição de eficácia e rapidez. No bom 
emprego do corpo, que permite um bom emprego do tempo, nada deve ficar ocioso ou inútil: 
tudo deve ser chamado a formar o suporte do ato requerido” (p. 138). 
A articulação corpo-objeto: “A disciplina define cada uma das relações que o corpo deve 
manter com o objeto que manipula. Ela estabelece cuidadosa engrenagem entre um e outro” 
(p. 139). Estipula os elementos do corpo que serão postos em jogo e os elementos do objeto 
manipulado, e coloca-os em correlação uns com os outros. Isso se chama‘manobra’. “A 
receita tradicional dá lugar a prescrições explícitas e coercitivas. Sobre toda a superfície de 
contato entre o corpo e o objeto que o manipula, o poder vem se introduzir, amarra-os um ao 
outro” (p. 139). 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
79
UNIDADE 24 
Objetivo: Permitir aos alunos conhecerem melhor a microfísica do poder e seus sutis efeitos 
disciplinares de sujeição. 
Ainda sobre O Controle da Atividade/Ação de Corpos Submetidos. 
 
A utilização exaustiva: O princípio subjacente ao horário era negativo: “princípio da não-
ociosidade; é proibido perder um tempo que é contado por Deus e pago pelos homens” (p. 
140), mas a disciplina organiza uma economia positiva, que coloca uma utilização sempre 
crescente do tempo: mais exaustão que emprego, extrair do tempo mais instantes 
disponíveis, intensificando o uso do mínimo instante, o máximo de rapidez com o máximo de 
eficiência, “quanto mais se decompõe o tempo, quanto mais se multiplicam suas subdivisões, 
quanto melhor o desarticulamos desdobrando seus elementos internos sob um olhar que os 
controla, mais então se pode acelerar uma operação, ou pelo menos regulá-la segundo um 
rendimento ótimo de velocidade”. Nos colégios, a cada instante tinha atividades múltiplas e 
ordenadas, com ritmos sinalizados com apitos, tudo isso para ensinar para as crianças a 
rapidez como uma virtude. 
Um novo objeto vem substituir o corpo mecânico: “o corpo natural, portador de forças e sede 
de algo durável; é o corpo suscetível de operações especificadas”... “O corpo tornando-se 
alvo de novos mecanismos do poder, oferece-se a novas formas de saber. Corpo do 
exercício mais que da física especulativa; corpo manipulado pela autoridade...” (p. 141). Os 
processos da disciplina se encaixam nas técnicas atuais de classificação e enquadramento. 
“O corpo, do qual se requer que seja dócil até em suas mínimas operações, opõe e mostra 
as condições de funcionamento próprias a um organismo. O poder disciplinar tem por 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
80
correlato uma individualidade não só analítica e ‘celular’, mas também natural e ‘orgânica’” 
(p. 141). 
A Organização da Gênesis: Diz Foucault, na página 142 que, as “... características próprias 
da aprendizagem corporativa: a relação de dependência ao mesmo tempo individual e total 
quanto ao mestre; duração estatutária da formação que se conclui com uma prova 
qualificatória, mas que não se decompõe segundo um programa preciso; troca total entre o 
mestre que deve dar seu saber e o aprendiz que deve trazer seus serviços, sua ajuda e 
muitas vezes sua retribuição. A forma de domesticidade se mistura a uma transferência de 
conhecimento”. O colégio de desenho dos Gobelins tem uma organização: horas por dia e 
folga; chamada e registro das ausências; dividida por classes, em que uma sabe mais do que 
a outra; regularmente, os alunos fazem deveres individuais; os melhores alunos são 
recompensados; classifica-se; determinam-se os que devem passar para a série seguinte; 
registra-se o ‘dia-a-dia’ dos alunos, e seu comportamento; registra-se tudo o que se passa na 
escola etc. 
Essa escola é um exemplo do “desenvolvimento, na época clássica, de uma nova técnica 
para a apropriação do tempo, dos corpos e das forças; para realizar uma acumulação da 
duração; e para inverter em lucro ou em utilidade sempre aumentados o movimento do 
tempo que passa” (p. 142). As disciplinas devem ser compreendidas, também, como 
aparelhos para adicionar e capitalizar o tempo. Para isso, as disciplinas, têm quatro 
processos: 
Dividir a duração em segmentos sucessivos ou paralelos, dos quais cada um deve chegar a 
um termo específico. Por exemplo: isolar o tempo de formação da prática; recrutar soldados 
desde jovens (crianças); ensinar sucessivamente. “É um dos erros principais mostrar a um 
soldado todos os exercícios ao mesmo tempo” (p. 143); etc. 
Organizar essas sequências segundo um esquema analítico – do simples para o complexo 
crescentemente. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
81
Finalizar com uma prova que tem a função de indicar se o indivíduo atingiu o nível 
estatutário; de garantir que a aprendizagem está conforme a dos outros; diferenciar as 
capacidades de cada indivíduo (classificar). 
Estabelecer séries de séries; prescrever os exercícios a cada um, de acordo com o seu nível, 
seu posto, sua antiguidade; de maneira que cada um esteja preso a uma série temporal que 
indique seu posto, seu nível. 
“Esse é o tempo disciplinar que se impõe pouco a pouco à prática pedagógica – 
especializando o tempo de formação...” (p. 144). Separando cada estágio por uma prova, 
determinando programas que comportam exercícios de dificuldade crescente, qualificando os 
indivíduos de acordo como eles se saíram nessas séries. “O tempo ‘iniciático’ da formação 
tradicional (tempo global, controlado só pelo mestre, sancionado por uma única prova) foi 
substituído pelo tempo disciplinar com suas séries múltiplas e progressivas...” (p. 144). 
Decompõem-se ao máximo os elementos, matérias de ensino; hierarquiza-se no maior nível 
de graus. “... Cada patamar na combinatória dos elementos deve-se inserir numa grande 
série temporal, que é ao mesmo tempo uma marcha natural do espírito e um código para os 
processos educativos” (p. 144). “A colocação em séries das atividades sucessivas permite 
todo um investimento da duração pelo poder”: controle detalhado, caracterização, indivíduos 
de acordo: com o nível das séries, acúmulo do tempo e da atividade, totalizando-se num 
resultado ótimo. “... O poder se articula diretamente sobre o tempo; realiza o controle dele e 
garante sua utilização” (p. 145). 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
82
UNIDADE 25 
Objetivo: Permitir aos alunos conhecerem melhor a microfísica do poder e seus sutis efeitos 
disciplinares de sujeição. 
Ainda sobre O Controle da Atividade/Ação de Corpos Submetidos. 
Os procedimentos disciplinares revelam um tempo linear, evolutivo, que levam ao 
‘progresso’, “... descoberta de uma evolução em torno da ‘gênese’. Progresso das 
sociedades, gênese dos indivíduos, essas duas grandes ‘descobertas’ do século XVIII, são 
talvez correlatas das novas técnicas de poder e, mais precisamente, de uma nova técnica de 
gerir o tempo e torná-lo útil, por recorte segmentar, por seriação, por síntese e totalização” 
(p. 145). 
A ‘individualidade-gênese’ parece, como a ‘individualidade-célula’ ou a ‘individualidade-
organismo’, um efeito e objeto da disciplina. “O ponto de apreço é o exercício, a técnica pela 
qual se impõe aos corpos tarefas ao mesmo tempo repetitivas e diferentes, mas sempre 
graduadas...” (p. 145). O exercício permite uma perpétua caracterização do indivíduo. A ideia 
de um programa escolar que acompanharia a criança até o final da sua educação, em 
exercícios de complexidade crescente, aparece primeiro num grupo religioso, ‘Irmãos da 
Vida Comum’, onde sobressai a autoridade do mestre. Os exercícios rigorosos de 
complexidade crescente marcam a aquisição progressiva do saber e do bom 
comportamento. O esforço da comunidade pela salvação torna a classificação entre os 
indivíduos mais crescente, destinado a produzir aptidões individuais úteis para a 
comunidade. Na história, esse sentido do exercício, vai invertendo, mas mantendo 
características: “serve para economizar o tempo da vida, para acumulá-lo de uma maneira 
útil, e para exercer o poder sobre os homens por meio do tempo assim arrumado” (p. 146). O 
exercício tende a uma sujeição que nunca terminou de se completar. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
83
UNIDADE 26 
Objetivo: Apresentar como o tema das dificuldades de atenção têm sido estudadas, bem como o 
conceito de atenção com o intuito de municiar o aluno de conhecimentos teóricosque possibilitem a 
compreensão de tais dificuldade 
As Dificuldades de Atenção: uma breve apresentação 
 
As dificuldades de atenção têm sido estudadas e compreendidas de diversas formas no 
decorrer dos períodos históricos. Na atualidade, essas dificuldades têm recebido algumas 
denominações específicas como: Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), 
Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA), entre outras. As bases biológicas de tais transtornos e 
distúrbios têm sido largamente pesquisados, principalmente no campo da Medicina. Por 
outro lado, torna-se relevante a produção de conhecimento e estratégias de intervenção, 
nessa questão, que contribuam para a ampliação dos estudos acerca de tais dificuldades 
também no campo da Psicologia. 
Tendo em vista a ampliação dos estudos acerca das dificuldades de atenção, principalmente 
em crianças, torna-se importante estudar e analisar o papel dos jogos de regras como 
instrumentos alternativos e potencializadores na construção dessa visão ampliada. 
 
Conceito De Atenção 
O fenômeno da atenção é algo complexo no qual muitas variáveis estão envolvidas. De 
acordo com Hallowell & Ratey (1999): 
O sistema atencional envolve quase todas as estruturas do cérebro, de uma 
forma ou de outra. Ele governa nossa consciência, nossa experiência na vigília, 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
84
nossas ações e reações. É o meio pelo qual interagimos com nosso ambiente, 
seja esse ambiente composto de problemas de matemática, de outras pessoas 
ou das montanhas nas quais estamos esquiando (Hallowell & Ratey,1999, 
p.318). 
 
Uma infinidade de estímulos está presente em um mesmo ambiente e, portanto, é necessário 
que os classifiquemos de acordo com nossos interesses e prioridades. A característica de 
seletividade da atenção torna possível esse processo fazendo com que consigamos elaborar 
um sistema lógico e coerente de atuação no mundo. 
De acordo com Machado (1993), 
 Sabe-se que o sistema nervoso é, até certo ponto, capaz de selecionar as 
informações sensoriais que lhe chegam, eliminando ou diminuindo algumas e 
concentrando-se em outras, o que configura um fenômeno de atenção seletiva 
(grifo do autor). (…) Isto se faz por um mecanismo ativo, envolvendo fibras 
eferentes ou centrífugas capazes de modular a passagem dos impulsos 
nervosos nas vias aferentes específicas (Machado, 1993, p.198). 
 
William James (1842-1910), psicólogo americano, “(…)influiu amplamente sobre a psicologia, 
em especial como observador da vida mental e como inspiração para outros” (Davidoff, 2001, 
p.11), pois 
Sua psicologia mais prática tentava captar o “temperamento” da mente em funcionamento. 
Ao caracterizar a consciência, usava frases como “pessoal e única”, “em mudança contínua” 
e “modificando-se ao longo do tempo”. Acima de tudo, achava notável como a consciência e 
outros processos mentais ajudam as pessoas a se ajustar a suas experiências (Davidoff, 
2001, p.11). 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
85
Dentre os processos mentais estudados por James em seu compêndio de psicologia, The 
Principles of Psychology (1952), está a atenção. Os itens para os quais a atenção é 
direcionada são os responsáveis por modelarem a mente. Sem o interesse seletivo a 
consciência seria um “caos”, algo indiscriminado e, portanto, impossível à compreensão 
(James, 1952). 
De acordo com Davidoff (2001) alguns fatores exercem uma importante influência no 
processo de atração da nossa atenção, tais como: dados novos, inesperados, intensos ou 
mutantes, assim como necessidades, interesses e valores individuais. Em um mesmo 
ambiente duas pessoas podem dirigir a sua atenção para estímulos diversos, mesmo que 
estes estejam ocorrendo de forma simultânea. De fato, “O que chama a atenção? Pessoas e 
outros animais geralmente voltam a atenção mais ao ambiente externo do que ao interno. 
Além disso, focalizamos as informações mais significativas (…)” (Yarbus, citado por Davidoff, 
2001, p.144). 
Segundo James (1952), nós conseguimos prestar atenção nas coisas que são de nosso 
interesse. Segundo o autor a atenção pode ser dividida em vários tipos: 
a)objetos dos sentidos (atenção sensorial); ou até b) ideal ou objetos 
representados (atenção intelectual). Isso é também c)Imediata; ou d)Derivada: 
imediata, quando o tópico ou estímulo é interessante por si próprio, sem relação 
com outra coisa qualquer; derivada, quando ele deve este interesse à 
associação com outra coisa imediatamente interessante. O que eu chamo de 
atenção derivada tem sido nomeada atenção “aperceptível”. Além disso, 
atenção pode ser também e) Passiva, reflexiva, não-voluntária, sem-esforço; ou 
f) Ativa e voluntária (James, 1952, p. 269). 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
86
UNIDADE 27 
Objetivo: O objetivo deste artigo é o de descrever uma escala diagnóstica referendada em critério 
comportamentais específicos aos distúrbios de D.A. Para elaborar essa escala, recorrermos a 
Goldstein & Goldstein (1984), Conners (in Barbosa, 1993), Fowler (1990), Fonseca (1984), Telford & 
Sawrey (1978) e Kirk & Gallangher (1978). Trata-se de uma pesquisa metodológica (vergara s/d), 
pois objetiva elaborar uma referência que facilite ao professor participar da equipe diagnóstica e de 
tratamento do aluno com D.A. 
Déficits de Atenção: Critério para o professor identificar o distúrbio 
Déficits De Atenção 
Uma aluna-professora veio falar-me de um aluno seu, sem problemas intelectivos, que muito 
a preocupava. Segundo a mestra, este “mosquitinho elétrico” (sic) era desatento, distraído, 
agitado, desastrado: “ele age sem pensar” (sic). Provavelmente essa criança poderá ser 
identificada como suspeita de ser portadora de Déficits de Atenção (D.A.). 
Estudos sobre a epidemiologia dos D.A. são contraditórios, devido até mesmo às 
dificuldades de adequadamente definir esse distúrbio. Dados informam que de 2.400 
crianças da segunda série, 15% eram portadoras de D.A (Meier in Kirk % Gallangher, 1978). 
Outros dão conta que 20 a 25% (Goldstein & Goldstein, 1994) e 3 a 5% (Fowler, 1990) das 
crianças em idade escolar são afetadas por esses déficits. Dos casos de problemas de 
escolaridade, atendidos pela Clínica Psicológica do Ambulatório do Hospital Dr. Dório Silva 
(Serra-ES), cerca de 5% foram diagnosticados como portadores dos D.A. (Pinel, 1992). 
A descrição da professora acerca do problema do seu aluno parece adequar-se ao pré-
diagnóstico de D.A. Mas o que são D.A.? 
Os D.A. configuram um distúrbio crônico que pode começar na infância, prosseguir na 
adolescência e alastrar-se na fase adulta. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
87
O aluno portador de D.A. é: 
a. Desatento e distraído; 
b. Excitado corporalmente; 
c. Super-ativado (envolve-se com muitas atividades ao mesmo tempo); 
d. Impulsivo; 
e. Incapacitado de “pensar/refletir” antes de agir; 
f. Desastrado, encostando e derrubando objetos por onde passa; 
g. Baixa resistência às frustrações, não suportando insucessos, o que acaba por gerar 
autoinsatisfações, que terão impacto negativo no desenvolvimento da sua autoestima. 
Fonseca (1984) enunciou os dez (10) comportamentos mais comumente presentes em 
pessoas com D.A. São eles: 1) a hiperatividade; 2) os problemas psicomotores; 3) a 
habilidade emocional; 4) os problemas gerais de orientação; 5) as desordens de atenção; 6) 
a impulsividade; 7) as desordens na memória e no raciocínio; 8) dislexia, disgrafia, 
disortografia e a discalculia; 9) os problemas de audição e fala; 10) os sinais neurológicos 
ligeiros e equívocos, e irregularidades no E E G (Eletroencefalograma). 
Outros educadores ficam curiosos sobre a etiologia desse distúrbio. Entretanto, as causas 
dos D.A. são complexas, pois ainda não estão totalmente classificadas. Todos os autores 
pesquisados, de certa forma, agrupamem duas grandes causas, que são dinamicamente 
interligadas: 
 
a. Causas Biológicas 
Aqui inclui os fatores genéticos, os pré, peri e pós-natais, os neurobiológicos, 
neurofisiológicos etc. Há uma tendência entre os autores de valorizarem os fatores biológicos 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
88
como etiologia dos D.A, sugerindo-se que para alguns casos, é vital a prescrição 
psicofarmacológica. Não apresenta danos significativos na inteligência. 
 
b. Causas Psico-bio-sociais 
Apresentam-se aqui os fatores ambientais, relações familiares deteriorativas, falta de 
estímulo psicológico, desnutrição grave no início da vida que afetará o sistema nervoso 
central, modelos de pais excitados, dificuldades de relacionamento etc. Com certeza podem 
ser causas secundárias, mas vitais para a manutenção dos D.A. 
A criança corretamente diagnosticada como portadora de D.A., geralmente será abordada 
por uma equipe interprofissional composta por médicos, psicólogos, assistente social, 
especialista em Pedagogia (orientador educacional e/ou supervisor escolar), especialista em 
educação especial e psicopedagogia, fonoaudiólogo etc. 
O professor deverá conhecer a medicação que porventura o aluno ingerir, compreendendo 
os efeitos do fármaco no comportamento, observando o impacto no desenvolvimento 
acadêmico. 
Já o “estudo de caso” da criança com D.A. constará de: a) histórico da criança relatando sua 
vida, os problemas orgânicos, a dinâmica de família, o desenvolvimento psicomotor etc; b) os 
exames médicos (pediátrico, neuropediátrico, neurológico etc); c) entrevistas familiares; d) 
entrevistas educacionais; e) avaliações (psicológicas, fonoaudiológicas, pedagógicas e de 
educação especial etc). Todos os pareceres devem ser seguidos de prescrições para a 
família e professores. 
Diante de um quadro diagnóstico tão complexo, o professor pode perguntar: – Como poderei 
identificar os D.A. no repertório comportamental do meu aluno? Os autores consultados 
nesta pesquisa podem contribuir para a elaboração de uma escala diagnóstica na 
identificação dos D.A. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
89
UNIDADE 28 
Objetivo: Possibilitar a identificação do conjunto de sinais que configuram o quadro clínico de Déficit 
de Atenção. 
Identificando o D.A. 
 
Pesquisando os autores citados, podemos afirmar que existem no mercado vários 
instrumentos utilizados no diagnóstico dos D.A., sendo que alguns são gerais (teste do Wisc, 
e o EEG, por exemplo) e outros específicos (Conners, por exemplo). 
Se o professor se sentir inseguro diante das suas observações do comportamento com D.A., 
poderá recorrer a uma escala diagnóstica elaborada a partir do DSM-IV. Essa escala consta 
de resposta que se permite ao professor afirmar “este critério está presente” ou “está 
ausente”. Essa escala consta de uma lista de catorze critérios comportamentais tipicamente 
presentes no quadro clínico de D.A. 
Antes de aplicar essa “escala diagnóstica de D.A.” exige-se um professor que: 
a. Compare os dados obtidos com os de uma equipe especializada, que de outro modo 
utiliza instrumentos diferenciados, inclusive os estatisticamente mais fidedignos; 
b. Considere cada comportamento ou critério escolhido somente se ocorrer mais 
frequentemente na criança avaliada do que na maioria das crianças de mesma idade; 
c. Atente para o fato de que o aluno será “suspeito”de D.A. caso se detecte pelo menos 
8 (oito) dos comportamentos listados; 
d. Verifique se os critérios compatíveis e presentes nos alunos estão persistindo a pelo 
menos seis (6) meses ou mais; 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
90
e. Constate se os critérios ou comportamentos de D.A. tiveram sua presença iniciada 
antes do sete (7) anos de idade; 
f. Confirme os dados com os pais, pedindo-os que preencham a “escala diagnóstica”; 
g. Seja um sóbrio e vigilante observador, meticuloso nas anotações, observando os 
comportamentos em todos espaços da escola (sala de aula, pátio de recreação, 
lanchonete/refeitório etc), bem como observando os objetos escolares, entrevistando a 
criança, os outros professores, os familiares etc. 
h. Seja um estudioso, que compreenda a sala de aula como área também de pesquisa. 
 
Após a leitura dos critérios, e a necessária descrição minuciosa de como ocorre a emissão 
do comportamento do seu aluno que é único, o professor deverá escrever sim (S) pela 
presença e não (N) pela ausência do comportamento que descreve um déficit. 
Eis a escala diagnóstica com os quatorze (14) critérios solidamente presentes no quadro de 
D.A. 
1. Mexe frequentemente com as mãos e pés, inquieta-se na carteira, retorcendo-se e se 
cansando (S-N); 
2. Tem dificuldades em permanecer sentado quietamente (S-N); 
3. Distrai-se facilmente (S-N); 
4. Impacienta-se, não esperando sua vez (S-N); 
5. Apressa-se impulsivamente, dando respostas não pensadas (S-N); 
6. Tem dificuldades de seguir instruções (S-N); 
7. É desatento nas tarefas escolares, nos jogos, nos esportes (S-N); 
8. Muda de uma tarefa para outra, deixando-as incompletas (S-N); 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
91
9. Tem dificuldades em brincar calmo e quietamente (S-N); 
10. Fala muito e excessivamente (S-N); 
11. Interrompe ou intromete-se nas “coisas” dos outros (S-N); 
12. Tem dificuldades em “escutar” o que lhe é dito (S-N); 
13. Perde frequentemente os objetos ou materiais ou que são necessários às tarefas ou 
atividades (S-N); 
14. Envolve-se em atividades perigosas e arriscadas, sem avaliar os riscos (S-N). 
 
 
 Como construir práticas de aconselhamento que potencializem a vida? 
 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
92
UNIDADE 29 
Objetivo: Permitir aos alunos conhecerem algumas abordagens de aconselhamento psicopedagógico 
nos casos de Déficit de Atenção, destacando a importância da análise das estratégias. 
Tratamento 
 
Uma escala diagnóstica com itens dos D.A. presentes no aluno, só tem validade se contribuir 
efetivamente com o tratamento. Em termos de prescrição pedagógica, o professor deverá, a 
partir do diagnóstico, criar, implantar e avaliar estratégias de ensino. Neste contexto é 
importante que o professor valorize a metodologia participativa e as técnicas individuais de 
ensino, onde as recompensas são habilmente fornecidas. 
Autores pesquisados englobam as várias abordagens pedagógicas em três estratégias: 
1. Análise de tarefas (A.T.) ou treinamento em tarefa que valoriza a sequência (do mais 
simples para o mais complexo) e a simplificação da tarefa a ser aprendida. Se o 
objetivo exigido do aluno é a de que “leia um parágrafo”, as tarefas por ordem são: 1º) 
aprendizagem das sílabas ou elementos fonéticos de uma palavra; 2º) aprendizagem 
de separação das palavras nas sentenças; 3º) aprendizagem de uma sentença; 4º) 
reunião das habilidades até o ponto da eventual leitura do parágrafo. Pinel (1987) 
utilizou com sucesso a técnica de Análise de Tarefas no ensino de habilidades 
agrícolas, facilitando a reintegração social de um adolescente infrator de alta 
periculosidade. Outros autores valorizam o uso da técnica denominada economia 
simbólica (Fowler, 1990) como parte da Análise de Tarefas. 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
93
2. Treinamento em capacidade ou processo. Nesse caso, a ênfase do ensino se 
concentra em tentativas de recuperação de um determinado distúrbio que parece 
estar bloqueando o processo. 
3. Abordagem interacionista, onde se associa a Análise de Tarefas com o 
processo/habilidade. 
 
De fato, e baseando-se nestes contextos psicopedagógicos, são necessárias várias condutas 
profissionais no tratamento da criança, adolescente e adulto com Déficits de Atenção. A 
começar pela observação atenta dos pais e professores, e o plano de intervenção sugeridopor Benczik (2000) consiste: 
1. Identificação do problema; 
2. Análise do problema; 
3. Implementação de um plano de intervenção 
4. Re-avaliação do problema 
 
Os pais e professores devem se tornar parceiros dos profissionais, todos com um objeto 
comum, cuidar da pessoa com D.A. com ou sem hiperatividade. Técnicas de mudanças 
comportamentais tem obtidos sucesso na redução ou extinção dos D.A., devendo os 
familiares e professores serem treinados em uma ou mais dessas técnicas de ensino, 
geralmente surgidas de pesquisadores Behavioristas e Cognitivistas. O uso correto da 
recompensa para a emissão do comportamento correto (adequado) pode ser, por exemplo, 
realizado através da proposta skinneriana de “economia simbólica”, onde fichas ou botões 
coloridos podem resultar em um reforço democrático e previamente planejadas. Uso de 
lembretes e a retira de uma recompensa (reforço negativo) tem gerado bons resultados. 
Entretanto, em hipótese alguma adianta a punição (física). Encontra-se relatado, nas 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
94
evoluções dos atendimentos clínicos, realizados pelos autores desses artigos (Pinel e 
Colodete) o planejamento junto à família e professores do reforço e auto-reforço, para 
adequado desempenho acadêmico (por exemplo, as sessões de estudos bem sucedidas). 
Autores como Mikulas (1977) e Buckley e Walker (1970) trabalham com técnicas de 
comportamento. 
Tanto família e professores necessitam conhecer bem os D.A., os estudos realizados, 
podendo ser estimulado grupos de autoajuda de familiares e professores de pessoas com 
Déficits de Atenção, onde se trocam experiências e alternativas ainda não descritas nos 
manuais de orientação. 
A participação da pessoa com D.A. em psicoterapia, bem como sua família, tem sido objeto 
de estudos. O sucesso é obtido se ocorrer outras internações (ensino de habilidades aos 
pais para aplicarem no portador de D.A; grupos de autoajuda; apoio do professor; apoio 
médico etc.). Entretanto psicoterapias comportamentais-cognitivas utilizam-se também 
desses procedimentos. Mas, às vezes, de acordo com o caso funcionando melhor as 
psicoterapias afetivas (psicanálise; abordagem centrada na pessoa; gestaltismo; 
existencialismo etc.), pois a problemática central D.A. pode ter instalado sérios processos 
emocionais; às vezes, esquecidos de serem abordados por terapeutas da linha mais objetiva, 
como a comportamental, a cognitiva, a realista etc. 
 
 
 A partir do conteúdo trabalhado, defina o que é uma postura ética de aconselhamento. 
 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
95
UNIDADE 30 
Objetivo: Permitir aos alunos conhecerem algumas abordagens de aconselhamento psicopedagógico 
nos casos de Déficit de Atenção, destacando a importância da análise das estratégias. 
Continuando a falar sobre Tratamento 
 
Neste sentido também têm surgidos programas de desenvolvimento do autocontrole, onde a 
pessoa com DA, age como o agente da sua própria mudança Benczik (2000) destaca o papel 
da psicopedagogia no tratamento multiprofissional dos D.A: “O acompanhamento 
psicopedagógico é importante já que auxilia no trabalho, atuando diretamente sobre a 
dificuldade escolar apresentada pela criança, suprindo a defasagem, reforçando o conteúdo, 
possibilitando condições para que novas aprendizagens ocorram” (p. 95). 
O uso de medicação é um tópico muito debatido entre cientistas das áreas biomédicas e 
psicofarmacológicas. Estudos têm mostrado que o uso de estimulantes, de antidepressivos 
tricíclicos e a clonidina (droga usada para tratar a hipertensão em alguns adultos) podem 
surtir excelentes resultados nos quadros de D.A fortemente acompanhados de hiperatividade 
e impulsividade. Entretanto é indispensável que a criança consulte médico especialista, e se 
possível com treino ou interesse por esse problema (DA) que vem prejudicar o 
desenvolvimento e aprendizagem de crianças, que na sua maioria, não apresentam sinais 
significativos de perturbação no desenvolvimento intelectual. 
É vital ainda destacar o risco de se utilizar um único instrumento de diagnóstico, já que sua 
relativa validade insere-se em um processo global-dinâmico em equipe de profissionais de 
diferentes formações. Essa concreta conduta técnico-científica evitará a criação de “rótulos” 
preconceituosos que tendem a prejudicar e desmerecer a pessoa do aluno, dificultando ainda 
mais o seu rendimento acadêmico. Há provas, por exemplo, de que professores muitas 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
96
vezes, criam rótulos, equívocos e fazem essas profecias se efetivarem na prática. São 
profissionais que não pesquisam, optando por afogarem-se no cotidiano, que os aliena. Esse 
cotidiano deve ser criticado e desvelado por quem o constroi. 
Finalmente, é sempre lúcido denunciar práticas pedagógicas que tendem a psicopatologizar 
o fracasso escolar, já que os D.A. aí se inserem (Sucupira, 1985). É importante reconhecer 
as políticas educacionais como mantenedoras da injustiça e exclusão, e que por vezes, nem 
sempre sutis, acabam por favorecer a cristalização de problemáticas abordadas apenas no 
nível individual-clínico. 
 
 
Antes de iniciar sua Avaliação Online, é fundamental que você acesse sua SALA DE AULA e 
faça a Atividade 3 no “link” ATIVIDADES. 
 
 
 
 
 Atividades dissertativas 
Acesse sua sala de aula, no link “Atividade Dissertativa” e faça o exercício proposto. 
Bons Estudos! 
 
 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
97
GLOSSÁRIO 
Caso haja dúvidas sobre algum termo ou sigla utilizada, consulte o link Glossário em sua 
sala de aula, no site da ESAB. 
 
 
 
Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 
 
98
REFERÊNCIAS 
Caso haja dúvidas sobre algum termo ou sigla utilizada, consulte o link Bibliografia em sua 
sala de aula, no site da ESAB.

Mais conteúdos dessa disciplina