Logo Passei Direto
Buscar

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ 
CURSO DE DIREITO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A CONSISTÊNCIA DO PRINCÍPIO DA LEGÍTIMA DEFESA, E A AÇÃO DO MP EM 
APRESENTAR DENÚNCIA EM DESFAVOR DOS AGENTES DE SEGURANÇA 
PÚBLICA 
 
JOSÉ WELLINGTON ARAUJO PASSOS NETO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RECIFE/ PE 
2019 
 
 
JOSÉ WELLINGTON ARAUJO PASSOS NETO 
 
A CONSISTÊNCIA DO PRINCÍPIO DA LEGÍTIMA DEFESA, E A AÇÃO DO MP EM 
APRESENTAR DENÚNCIA EM DESFAVOR DOS AGENTES DE SEGURANÇA 
PÚBLICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Artigo Científico Jurídico apresentado à Universidade 
Estácio de Sá, Curso de Direito, como requisito parcial 
para conclusão da disciplina Trabalho de Conclusão de 
Curso. 
 
 
Orientador (a): Prof. (a). Cristiane Dupret Filipe Pessoa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RECIFE/ PE 
2019 
 
 
 
RESUMO 
 
Este trabalho visa explanar de forma satisfatória bem como sucinta a aplicação do instituto da 
legítima defesa no trabalho dos agentes de segurança, tendo o foco em que o nosso 
ordenamento jurídico legitima este instituto como excludente de ilicitude a todos os 
indivíduos brasileiros, os quais se encontrem em uma situação de injusta agressão, a qual 
poderá denegrir a sua imagem moral, econômica, honra e patrimônio, bem como sua vida. O 
problema é que o Ministério Público em muitas vezes não visa este tipo de excludente no 
trabalho policial, tendo o mesmo o poder de arquivar ou dar continuidade ao inquérito, 
deixando muitas vezes tais agentes, sem proteção do Estado. Neste trabalho demonstram-se 
julgados e jurisprudências relativas ao caso na prática. 
 
Palavras-chave: Legítima Defesa. Direito fundamental. Atuação Policial. 
 
ABSTRACT 
 
This paper aims to explain satisfactorily and succinctly the application of the institute of self-
defense in the work of security agents, focusing on our legal system legitimizes this institute 
as excluding illicitness to all Brazilian individuals, in a situation of unjust aggression, which 
may denigrate his moral, economic, honor and heritage image, as well as his life. The problem 
is that the Public Ministry often does not seek this type of exclusion in police work, having 
the power to file or continue the investigation, often leaving such agents without protection of 
the State. In this paper, judgments and jurisprudence regarding the case in practice are 
demonstrated. 
 
Keywords: Legitimate Defense. Fundamental Right. Police Action. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO.............................................................................................. 
2 CONTROLE EXTERNO DA ATIVIDADE POLICIAL EXERCIDA PELO 
MINISTÉRIO PÚBLICO................................................................................ 
2.1 O MINISTÉRIO PÚBLICO E SUAS ATRIBUIÇÕES...................................... 
2.2 INSTRUMENTOS DE CONTROLE EXTERNO............................................. 
2.3 A DECISÃO DA ESCOLHA DO MINISTÉRIO PÚBLICO EM ARQUIVAR A 
DENÚNCIA ........................................................................................................ 
2.4 CONSEQUENCIAS E PROBLEMAS DO CONTROLE EXTERNO DO 
MINISTÉRIO PÚBLICO....................................................................................... 
3 INVESTIGAÇÃO CRIMINAL REALIZADA PELO MINISTÉRIO 
PÚBLICO.................................................................................................... 
3.1 PERMISSÕES: DOUTRINÁRIAS, JUSRISPRUDENCIAIS E 
LEGISLATIVAS.................................................................................................... 
4 A LEGÍTIMA DEFESA E AS OBRIGAÇÕES POLICIAIS............................ 
4.1 OBRIGAÇÕES DE AGIR E NÍVEIS DE FORÇA NAS AÇÕES 
POLICIAIS........................................................................................................... 
4.2 LEGÍTIMA DEFESA....................................................................................... 
4.3 OMISSÃO DOS AGENTES DE SEGURANÇA............................................ 
CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................ 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................... 
 
 
 
1 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
No advento da sociedade, ao se formarem os primeiros agrupamentos de 
indivíduos (grupos sociais), atentou-se então para a precisão de alguns fossem selecionados 
com o intuito de prezar pela segurança do grupo, estes por sua vez, não tinha apenas a função 
de proteger sua tribo ou aldeia contra invasões das outras rivais, mas também os proteger de 
ataques de animais ou mesmo garantir a ordem social, ou seja, pela paz entre os membros do 
próprio grupo. 
A palavra “polícia” tem sua origem na Grécia – politéia – como também em 
Latim – politia – e em seu significado e tradução em ambas as línguas se tem como: um 
aglomerado de leis ou normas que se faziam impostas aos indivíduos (cidadãos) como meio 
necessário a garantia do bem-estar social (coletivo) como também a segurança pública. Desta 
forma, esta expressão conceberia um conceito mais abrangente e fundamental para a 
sociedade, seria como o tipo de uma forma de administrar um governo, ou de organizar os 
cidadãos. 
O controle hoje exercido pelo Ministério Público na atividade policial traz como 
sua principal característica a fiscalização da atividade policial, o qual foca na sua base e 
formação pessoal de sua opinião as quais fundamentam suas possíveis ações penais. Este 
trabalho de pesquisa abordará a relação dos aspectos de fiscalização desta atividade, 
mostrando que pode ser nem mais do uma simples averiguação doutrinária sobre a legítima 
defesa praticada por agentes de segurança pública e a atuação do Ministério Público sobre tal 
fiscalização. 
Para tanto se faz necessário o desenvolvimento da pergunta condutora a qual se 
pode realizar: Até onde a fiscalização pelo ministério público acata a legítima defesa por um 
agente de segurança pública? Este tema fundamenta-se de como se dá o controle externo e sua 
eficácia imediata é conceder ao Ministério Público o acompanhamento junto às investigações 
sobre a prática da legítima defesa por agentes de segurança Pública bem como até mesmo o 
próprio realizar suas auto investigações. 
Nossa sociedade encontra-se em um período de descrédito total das instituições 
públicas, especialmente a polícia, proveniente de uma série de ocorridos, como por exemplo: 
a corrupção, a ineficácia em determinadas áreas como a segurança, impressão de impunidade, 
descaso nas investigações, entre outros, sendo a atitude investigativa e fiscalizatória do 
2 
 
Ministério Público uma forma de apaziguar tais sentimentos. Nisto encontra-se a relevância 
deste estudo, verificar e mostrar que o controle externo da atividade policial é saudável para 
nosso sistema criminal em geral. 
Este trabalho tem o objetivo de demonstrar o controle externo do Ministério 
Público sobre as atividades policiais, tendo uma sua visão à intenção de evitar práticas 
abusivas sob a alegação da legítima defesa. A metodologia aplicada constituiu-se de revisão 
bibliográfica dos principais trabalhos (livros, sites, entrevistas, artigos) realizados sobre o 
tema. 
Por tratar-se de um debate salutar e oportuno, considerou-se de grande relevância 
uma integração entre as referências bibliográficas, documentos escritos e materiais digitais. 
Buscou-se com isso comparar, analisar e cruzar dados e informações obtidas a partir de 
diferentes fontes. Acredita-se que, dessa maneira, os resultados se aproximarão do rigor 
científico e da realidade estudada. 
Na divisão realizada durante a construção deste trabalho ela dá-se da seguinte 
forma: o Capítulo Inicial fala sobre o controle externo o qual o Ministério Público pode 
exercer sobre a atividade policial, falando desde a origem como também de suas atribuições, 
seus instrumentos, de sua faculdade em apresentar denúnciaou não e das consequências e 
problemas deste controle. 
No capítulo seguinte tem-se explanada de forma clara sobre A investigação 
Criminal a qual é feita pelo Ministério Público, em suas permissões doutrinárias e legislativas 
bem como as jurisprudências. Já no último capítulo (capítulo 4), tem-se a discussão sobre a 
Legítima Defesa juntamente com as obrigações policiais, dentre este conteúdo explana-se de 
forma única alguns pontos: As obrigações de agir e os níveis de força nas ações policiais; A 
Legítima Defesa; A Omissão dos Agentes de Segurança; desta este trabalho tem sua 
conclusão. 
2 CONTROLE EXTERNO DA ATIVIDADE POLICIAL EXERCIDA PELO 
MINISTÉRIO PÚBLICO 
 
2.1 O MINISTÉRIO PÚBLICO E SUAS ATRIBUIÇÕES 
 
O Ministério Público tem sua origem mais conhecida como a de que nasceu do 
direito francês, em contrapartida ao poder absolutista do Rei, surge com a distinção e 
3 
 
separação entre os poderes do conhecido Estado Moderno, com a união da figura do advogado 
do rei junto aos procuradores reais, o personagem do advogado com poderes unicamente 
cíveis e os procuradores com poderes para legislar criminalmente para defenderem o Estado. 
Sua estruturação ocorreu com a Revolução Francesa, mas foi com os Códigos 
Napoleônicos que suas funções passaram a ser mais bem definidas, daí lhe foi conferido o 
papel de promotor da ação penal. Houve forte influência da doutrina francesa na história do 
Ministério Público e até hoje se utiliza a expressão Parquet para se referir à instituição. 
(MAZZILLI, 2013, p. 127). 
Lima (2015) fala que este termo de Ministério Público surgiu do exercício 
Francês, ao se passar a designar as funções dos procuradores como um tipo de ministério 
verdadeiro que defenderia os interesses públicos, pelo fato de se defender os interesses reais 
bem como os da coroa. 
Em nosso país, existiu um aumento gradativo bem como seu fortalecimento da 
mesma maneira desta instituição. Tem-se que até o ano de 1609 não existia nenhum órgão 
oficializado, os processos que envolviam algum crime teriam que serem iniciados pela pessoa 
do ofendido como também poderia ser pelo próprio juiz, neste mesmo ano criou-se o Tribunal 
da Relação da Bahia, onde se definiu a figura do promotor de justiça, o qual anos depois 
passou a ser tido como um órgão da sociedade sendo titular das ações penais. 
 
Gradativamente, ao longo dos anos de Brasil República a instituição 
foi ganhando espaço e os contornos do que é hoje, foi um crescimento 
lento e progressivo, pois somente em 1981 é que houve efetivamente 
uma definição legal da instituição pela Lei Complementar nº 40 (Lei 
Orgânica do Ministério Público) que organizou a carreira e instituiu 
concurso público para ingresso em seus quadros, conferiu aos 
membros do Ministério Público vantagens e direitos além de deveres e 
responsabilidades, definiu os órgãos de administração e execução e as 
atribuições desses órgãos. Depois disso, dois outros momentos 
marcaram o fortalecimento da instituição: a aprovação da Lei da Ação 
Civil Pública, de 1985 que conferiu ao Ministério Público a promoção 
de ações visando os interesses coletivos e difusos e a promulgação da 
Constituição Federal de 1988 que lhe deu status de essencialidade e 
permanência nas funções jurisdicionais. Se por um lado seria exagero 
reconhecer-se o Ministério Público como quarto poder, por outro lado 
4 
 
está a clara intenção do legislador constituinte em retirar o Ministério 
Público do âmbito dos tradicionais poderes do Estado, deixando-o 
com uma função fiscalizadora sobre as atividades governamentais. 
Frise-se que o fato da Instituição ser disciplinada no título referente à 
organização dos poderes autoriza a interpretação de independência em 
relação aos poderes estatais. (LIMA 2015, p. 121) 
O Ministério Público tem um amplo campo de atuação e muito diversificado, o 
mesmo pode atuar tanto na esfera criminal como na cível, conforme Mazzilli (2013), na esfera 
criminal o mesmo pode investigar de forma direta os crimes, como também requerer e 
promover a ação penal cabível, solicitar inquérito policial e também diligências. Mas ainda 
tem também a função de controlar a atividade exercida pela polícia, destaca ainda o mesmo 
autor que a figura do promotor não tem obrigação de acusar, pois o mesmo possui total 
liberdade de entendimento, isto quer dizer que ele pode pedir a absolvição do réu e até mesmo 
se achar necessário, recorrer e impetrar Habeas Corpus em favor do acusado. 
As atribuições na esfera cível têm uma amplitude significativa, pode 
atuar em inúmeros tipos de ações, o mesmo autor classifica essa 
atuação de duas formas: 
 Como órgão agente, quando toma a iniciativa de provocar a 
jurisdição, caso da ação civil pública; interdição; nulidades de 
casamento e ato jurídico que fraudou a lei; declaração de 
inconstitucionalidade; destituição de poder familiar e também. 
 Como órgão interveniente quando atua em razão da natureza da 
ação (um interesse público a zelar) ou pela qualidade de uma parte 
(incapaz, índios, massa falida, herança jacente). (MAZZILLI, 2013, p. 
178) 
Suas atribuições pressupõem uma efetiva independência a fim de exercê-las a 
contento, por isso a Constituição Federal previu garantias para o Ministério Público a fim de 
proteger a instituição e seus membros de ingerências políticas, podendo servir livremente a 
sociedade e não aos governos ou governantes. Essas garantias se referem à autonomia 
financeira, administrativa e funcional, sobre esta última define Mazzilli (2013, p. 187): 
Além da autonomia funcional, ou seja, a liberdade de exercer o ofício 
em face de outros órgãos e instituições do Estado, a lei também 
5 
 
assegura aos agentes do Ministério Público a independência funcional, 
que é a liberdade com que estes exercem seu ofício em face de outros 
órgãos da própria instituição do Ministério Público. 
A Constituição Federal reconheceu ao Ministério Público a sua essencialidade 
para o exercício da função de fiscal da lei e confirmou ser o titular da ação penal. Fortaleceu 
sua atuação civil como protetor dos interesses sociais e dos valores fundamentais do Estado. 
(Silva, 2015) 
Aos seus membros são conferidas garantias tais quais são para os magistrados: 
inamovibilidade, irredutibilidade de subsídios e vitaliciedade. Além de configurar como uma 
garantia, um direito ao membro do Ministério Público, também serve de garantia à sociedade. 
Assim, na inamovibilidade garante-se que o agente ministerial não será destituído 
de suas funções e nem removido da Comarca em que atua porque atingiu interesses escusos 
de poderosos, é uma garantia para ele que pode exercer sua atividade sem temor e à sociedade 
que pode contar com a defesa de seus interesses. 
Também é assim para o caso da irredutibilidade de subsídios, remunerando de 
forma adequada os promotores e procuradores de justiça “busca-se não só recrutar bons 
promotores e mantê-los na carreira, como assegurar condições adequadas para que os 
membros e a própria instituição não comprometam o seu ofício em barganhas remuneratórias 
com as autoridades governamentais”. 
A respeito das atribuições do Ministério Público Freyesleben (2014), ensina: 
O Ministério Público representa o marco da legalidade entre o jus 
puniendi do Estado-Juiz. O Ministério Público, como representante do 
Estado-Sociedade, é o único agente político que possui a faculdade-
obrigação de ser o dominus litis, o iniciador da ação penal e deve 
exercer a ação penal desde o início do procedimento repressivo, isto é, 
desde o inquérito até a sentença transitada em julgado. 
O interesse maior do Ministério Público não é simplesmente acusar, mas buscar, 
sobretudo, a proteção dos direitos individuais do cidadão e os valores determinados na 
Constituição Federal. Nas palavras de Coelho (2015): seu papel é jurídico e social. Sua 
finalidade é a busca da verdade do direito, do fato, do delinquente.6 
 
Controle externo da atividade policial é uma previsão constitucional de que o 
Ministério Público exercerá junto às polícias fiscalização de suas atividades a fim de prevenir, 
apurar e investigar fatos criminosos, verificar o cumprimento de determinações judiciais bem 
como, assegurar direitos e garantias constitucionais de presos que estejam sob sua 
responsabilidade. (GUIMARÃES, 2014) 
Essa previsão está contida no art. 129, VII da Constituição Federal e não existia 
no regime constitucional anterior. Sabella (2013), entende que a previsão constitucional de 
controle do Ministério Público sobre a polícia “decorreu da falta de controle do Ministério 
Público sobre o fato criminoso e da absoluta independência funcional na apuração de crimes”. 
Dispôs a Constituição Federal que ficaria a cargo de Lei Complementar a 
regulamentação dessa atividade, assim, foi promulgada a Lei Complementar nº 75/1993, que 
de forma tímida e genérica “regulou” o controle externo em apenas cinco incisos. 
Dissecando o significado de controle externo da atividade policial tem-se que 
controle significa ato de vigilância, verificação administrativa, fiscalização, inspeção, 
supervisão e exame minucioso exercido sobre as atividades de pessoas, órgãos e 
departamentos; externo significa o que vem de fora, feito por um órgão estranho ao 
fiscalizado. Assim, controle externo significa o “registro, a inspeção o exame, a fiscalização 
vinda de fora, exercida por um ente ou órgão não integrante da polícia, no caso, o Ministério 
Público”, nas áreas de atuação ministerial. (LIMA, 2015) 
Não é conveniente que a própria instituição a que pertença o policial apure o seu 
envolvimento em ilícitos, pois reina o corporativismo e isso retira a credibilidade da apuração. 
Todos os órgãos públicos devem possuir algum sistema de controle de suas 
atividades para bem cumprir os princípios constitucionais insculpidos no art. 37: da 
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Desse modo, 
comportamentos inadequados com os princípios elencados podem ser corrigidos em prol do 
interesse da sociedade. 
Para Santin (2013), o controle externo é um benefício, pois evitaria a influência 
sobre a atividade policial para dar “um jeitinho” ou atender a “pedidos” de pessoas poderosas 
e influentes. A seu ver, o controle é muito mais uma segurança para polícia por livrar seus 
membros dos “riscos funcionais e políticos do desatendimento de pretensões ilegais e 
imorais”. 
7 
 
A omissão da polícia em investigar, as falhas na colheita de provas e na 
investigação como um todo a corrupção policial e a falta de capacitação dos agentes policiais 
são motivos para o aparecimento do controle externo da atividade policial, que visa reverter 
esse quadro. “É óbvio que o simples exercício desse controle externo não servirá para 
eliminar totalmente os casos de omissão, corrupção e abuso de poder da Polícia, mas, por 
certo, contribuirá para que isso venha a ocorrer”. (GUIMARÃES, 2013) 
Em suma, a finalidade do controle externo é “trazer a atuação da polícia para os 
exatos e estritos limites da lei”, ficando a cargo do Ministério Público esse controle, pois do 
resultado dessa atuação depende o embasamento para ação penal, por isso maior interessado 
que dela se obtenha bons resultados. 
Lopes Jr. (2015), completa afirmando que além do controle e fiscalização o 
Ministério Público possa também ter a direção da investigação quando for necessário, 
podendo dar instruções gerais à atividade policial. 
Da mesma forma entende Guimarães (2013), destacando que o controle da 
atividade policial visa “melhorar a aplicação da Justiça criminal, fiscalizando mais de perto a 
atividade policial, orientando a investigação, quando for necessário, a fim de obter melhores 
conclusões, evitar repetições improdutivas de provas e impedir os abusos de poder”. 
Santin (2015), propõe uma esquematização de finalidades do controle externo 
baseado no art. 3º da Lei Complementar nº 75/93, divide essas finalidades em cinco 
proposições: 
1ª – respeito à democracia e princípios constitucionais: em síntese, 
aduz que o controle pretende assegurar o atendimento dos princípios, 
direitos e garantias constitucionais. 
2ª – Segurança pública: visa o respeito da ordem constitucional de 
preservação da ordem pública. 
3ª – Correcional: tem como objetivo dar condições ao Ministério 
Público de coibir ilegalidades e abuso de poder, de forma preventiva e 
correcional, com medidas de punição de comportamentos ilegais e 
abusivos. 
4ª – Indisponibilidade da ação penal: assegurar ao Ministério Público 
o direito de exercer a ação penal, pois pode haver no trabalho da 
8 
 
polícia condutas que visem interferir ou dificultar o exercício da ação 
penal, assim, dispõe o Ministério Público de mecanismos para 
preservar esse direito. 
5ª – Preservação de competência dos órgãos de segurança pública: que 
a polícia possa exercer suas atribuições sem ser impedida por gestões 
políticas, imorais, ilegais e contrárias ao interesse público. 
Conclui o autor que a finalidade do controle sobre a atividade policial é melhorar 
o trabalho investigatório, evitar ou pelo menos diminuir omissões, irregularidades e abusos 
nos registros de ocorrências policiais, nas investigações e por consequência nos inquéritos 
policiais, visa aumentar a possibilidade de vigilância por órgão estatal alheio à estrutura 
policial. 
Logo, a necessidade de controle da polícia se dá por ser o braço armado do 
Estado, uma instituição com amplos poderes que afetam diretamente a vida da sociedade e 
também porque o trabalho policial tem estreita ligação com a função de exercer a ação penal 
pública. 
Santin (2015, p. 87) justifica essa necessidade sob o seguinte aspecto: 
Nenhuma instituição está a salvo de comportamentos inadequados e 
ilícitos dos seus componentes. A polícia sofre mais intensamente os 
efeitos nefastos de excessos e abusos dos seus servidores. 
Provavelmente pelo seu difícil encargo de tomar as primeiras 
providências nas ocorrências de crimes no afã de esclarecer o delito 
ou acobertar a sua autoria. 
O controle da atividade policial pode prevenir esses desvios funcionais ou 
minimizá-los. O Ministério Público tem interesse em proteger os direitos e garantias 
individuais dos indiciados para que não seja afetada a credibilidade das informações colhidas. 
O controle externo foi criado para coibir a “prática de determinados atos abusivos, 
notadamente no que diz respeito a lesões a direitos dos investigados, presos e condenados. E 
quando a polícia se excede, fica enfraquecida a persecução criminal. O acusado é absolvido, 
embora seja notoriamente culpado”. 
Todos os atos de polícia, no que diz respeito ao inquérito policial, mas também 
nos atendimentos de ocorrências, seja polícia civil ou militar, estão sob a égide do controle 
externo do Ministério Público, devido ao interesse da ação penal. (LAZZARINI, 2014) 
9 
 
Não só isso, “o que se deve almejar, ultima ratio, com o controle externo da 
atividade policial é a proteção efetiva dos direitos e garantias individuais e coletivos”. 
Carneiro (2016) ensina que o controle externo da atividade policial é característica de um 
Estado Democrático de Direito, em que vigora os denominados princípios dos “pesos e 
contrapesos”, atribuindo a uma determinada instituição a fiscalização sobre outros órgãos para 
evitar o monopólio de poder, característica de Estados absolutistas. 
 
2.3 INSTRUMENTOS DE CONTROLE EXTERNO 
 
Na atividade de controle, o Ministério Público pode verificar e fiscalizar as 
notícias-crime, os instrumentos de registro de ocorrências, as providências adotadas, o 
andamento de investigações, a tramitação de inquéritos e procedimentos, o cumprimento de 
decisões judiciais, cumprimento de requisições do próprio Ministério Público, a detenção de 
presos e execução de pena de condenados. Também estão inseridas nas atividadessob o 
controle externo do Ministério Público as de prevenção e repressão que afetem o direito do 
cidadão de receber serviços de segurança pública. (SANTIN, 2015) 
Discorrendo sobre esse controle Hugo Nigro Mazzilli (2013) observa que o 
controle externo “deve ser exercido, entre outras áreas, sobre: 
a) notitiae criminis recebidas pela Polícia, que nem sempre na prática 
são canalizadas para a instauração de inquéritos policiais; 
b) a apuração de crimes em que são envolvidos os próprios policiais 
(violência, tortura, corrupção, abuso de autoridade); 
c) os casos em que a polícia não demonstra interesse ou possibilidade 
de levar a bom termo as investigações; 
d) as visitas às delegacias de Polícia; 
e) a fiscalização permanente da lavratura de boletins ou talões de 
ocorrências criminais; f) a instauração e a tramitação de inquéritos 
policiais; 
g) o cumprimento das requisições ministeriais”. 
10 
 
Ressalte-se que o exercício do controle externo sobre a atividade policial não 
configura poder disciplinar, no caso de detecção de falhas o Ministério Público deverá 
representar a autoridade policial superior para as providências cabíveis de apuração e 
aplicação de sanções administrativas. (SANTIN, 2015) 
A requisição compreende uma ordem que não pode ser descumprida pela 
autoridade policial em relação à instauração de inquérito ou realização de diligências. Esse 
poder de requisição de diligências não se restringe a espaço ou fase do inquérito, podendo 
ocorrer a qualquer tempo, inclusive quando um ato estiver em andamento. Não é preciso 
aguardar a finalização do inquérito para requisitar novas diligências. 
Requisitar importa em um comando e não em uma solicitação ou requerimento. A 
lei diz “requisitar” e por isso, a autoridade policial não pode se negar a cumprir uma 
requisição de “quaisquer diligências como informações, exames, perícias, documentos, 
auxílio de força policial e meios materiais necessários à realização de atividades específicas.” 
A autoridade que se negar a cumprir uma requisição legal do Ministério Público 
incide no crime de prevaricação. 
O MP pode acompanhar a colheita de provas e informações, inclusive de 
interrogatórios ou oitiva de testemunhas, podendo fazer reperguntas. Explica Santin (2015) 
que o Ministério Público poderá fazer visitas aos locais de crimes e delegacias, participar de 
interrogatórios e oitiva de testemunhas, consultar documentos e autos, e realizar “entrevistas e 
contatos informais com os envolvidos, testemunhas e cidadãos”. 
Ao Ministério Público é assegurado o direito de livre acesso a Delegacias de 
Polícia ou qualquer recinto público ou privado, ressalvada a inviolabilidade do domicílio. A 
importância do livre acesso do Ministério Público nas delegacias se dá na medida em que 
pode verificar se estão sendo violados os direitos individuais dos presos, impedindo seu 
prosseguimento, identificando os responsáveis e tomando, desde logo, as medidas cabíveis. 
 
2.4 A DECISÃO DA ESCOLHA DO MINISTÉRIO PÚBLICO EM ARQUIVAR A 
DENÚNCIA 
 
Esta solicitação de arquivamento precisa ser solicitada como também feita pelo 
Promotor de Justiça, de onde caberá ao Juiz: 1. Fazer a decisão se arquiva ou não, escolhendo 
ao contrário enviará o inquérito policial destinado ao Procurador-Geral de Justiça do Estado, 
11 
 
onde o mesmo tomará uma decisão a respeito do arquivamento bem como o oferecimento da 
ação penal ou de diligências novas. Neste diapasão o art. 28 do CPP dispõe: 
 
Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a 
denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial ou de 
quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar 
improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou 
peças de informação ao procurador-geral, e este oferecerá a 
denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-
la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o 
juiz obrigado a atender. 
 
Desta forma entende-se que a decisão terminativa a respeito do arquivamento ou 
não deste inquérito policial será tomada pelo Procurador-Geral do Estado, que poderá desta 
forma oferecer a denúncia como também deixar que outro membro da instituição dê 
continuidade. Esta mesma delegação realizada pelo chefe do parquet é denominada de 
longa manus do Procurador. 
 
2.5 CONSEQUENCIAS E PROBLEMAS DO CONTROLE EXTERNO DO MINISTÉRIO 
PÚBLICO 
 
A nossa Constituição previu o dever do Ministério Públicoem desempenhar o 
controle externo da atividade da polícia, deixando assim a cargo da legislação 
infraconstitucional de regulamentá-la, ocorrido com a promulgação da lei complementar 
75/1993. Porém, esta mesma legislação não foi necessariamente rígida na questão da 
regulamentação da prática do controle policial externo, unicamente resumindo-se a apenas 3 
artigos os quais se tem: 3º, 9º e 10º, que se traduzem em instrumentos que visam controlar a 
legalidade da atividade da polícia e não da atividade em si própria. 
A dependência da função não teve sua regulamentação, sendo assim o Ministério 
Público ainda hoje não pode controlar a atividade policial durante o andamento do inquérito. 
(LOPES JUNIOR, 2014) 
12 
 
Resumindo, somente o artigo 9º, de forma exclusiva trata sobre o controle 
externo, prevendo unicamente que o promotor tenha a função de fiscalizar a legalidade do 
desempenho policial bem como exercer um controle formal limitado do inquérito, onde o 
mesmo representa a autoridade que tem a competência no que se refere a adoção de 
providências que sanem alguma omissão imprópria bem como corrigir a ilegalidade do ato. 
(LOPES JUNIOR, 2014) 
O autor Lopes Jr (2014), protege a idéia de que ainda falta um instrumento que 
mostre claramente que o Ministério Público desempenhará o controle externo da atividade 
policial, instruindo de forma geral bem como específicas também, para uma melhor condução 
do inquérito policial, onde encontra-se incluídos os agentes da polícia judiciária. 
Sendo assim existiriam duas linhas de ação do Ministério Público relacionada à 
polícia bem como sua atividade: 
 Conhecimento imediato dos boletins de ocorrência, devido ao 
fato de que uma das dificuldades encontradas e enfrentada é a dita 
falta de informação, a qual é necessária para planejar e tração metas e 
planos de investigação; 
 Analisar unicamente o caso concreto e desta maneira dar 
instruções exclusivas de como deve ser a linha de investigação no 
caso específico. 
 
O grande erro está na falta de controle da investigação policial por parte do 
Ministério Público – destinatário final do inquérito e titular da ação penal -, que deveria ser o 
responsável em definir o que e o quanto a ser investigado, pois, como titular da ação penal, 
saberá definir que nível de cognição deve existir naquele caso específico. Atingindo um grau 
de convencimento tal que o promotor possa oferecer a denúncia com suficientes elementos – 
probabilidade do fumus commissi delicti -, ele deverá determinar a conclusão do inquérito e 
oferecer a denúncia. (LOPES JÚNIOR, 2014, p. 235) 
Umas das dificuldades encontradas pelo Ministério Público ao cumprir o controle 
da atividade policial, é a aversão feita de forma intensa pela instituição policial, como por 
exemplo, a realizada por doutrinadores, como é o exemplo de Costa (2012), o qual tem que se 
prejudica a instituição policial a partir do momento em que a subordina ao Parquet, como 
13 
 
também tem como uma interferência que provoca prejuízos consideráveis ao combate ao 
crime. 
 
A admissão de tais inoculações hipertrofiantes da função ministerial – 
resultante de equivocada e precipitada exegese do conceito 
constitucional do controle externo da atividade policial – equivale a 
deixar às escâncaras uma porta onde possam penetrar as mais gritantes 
arbitrariedades e os mais inusitados atos de corrupção por ação de 
quem, sendo parte na relaçãoprocessual, passe a concentrar em suas 
mãos as atribuições de acusar e judicar. (COSTA, 2012, p. 187) 
 
Nesta linha, o mesmo também considera absurda a presunção de que o 
consentimento de prazos no inquérito policial começasse a ser de competência única do 
Ministério Público, recomendando que o inquérito desta forma ficaria arquivado por meses. 
 
3 INVESTIGAÇÃO CRIMINAL REALIZADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO 
 
3.1PERMISSÕES: DOUTRINÁRIAS, JUSRISPRUDENCIAIS E LEGISLATIVAS 
 
O benefício da produção da investigação preliminar não é único da polícia, a 
problemática que gira sobre este ponto dá-se pelo texto constitucional o qual define as áreas 
em que a polícia federal pode atuar, utilizando o termo exclusividade ao se referir a mesma. 
Conforme Carneiro (2014) o legislador teve a intenção de oferecer exclusividade para a 
polícia federal em relação aos crimes pertinentes a serviços, bens e interesses da União, 
somente com o intuito de tirar do campo das atividades da polícia civil. Entretanto, cuidando 
das funções de investigações criminais e de policia judiciária concedidas à polícia civil, o 
texto da Constituição em ser art. 144, §4º não faz uso do termo exclusividade, no caso o 
entendimento do Ministro Maurício Corrêa na ADIn 1517/DF: 
 
Assim sendo tenho que a expressão “com exclusividade” inserida na 
regra contida no inciso IV do parágrafo 1º do art. 144 da CF, deve ser 
interpretada no sentido de excluir das demais polícias elencadas nos 
incisos II a V do referido artigo, inclusive as de âmbito federal 
14 
 
(rodoviária e ferroviária) a destinação de exercer as funções de Polícia 
Judiciária da União. Ao cuidar das funções de polícia judiciária e 
investigações criminais atribuídas às Polícias Civis, o texto 
constitucional do parágrafo 4º do art. 144 não utiliza o termo 
“exclusividade” (ADIN-1517-UF- Relator, Ministro Maurício Corrêa 
- STF - Informativo 71). 
Conforme Santin (2015), o que se depreende no instrumento do art. 144 é: 
 
Reserva de mercado entre as polícias não se coaduna com o espírito 
do constituinte de buscar a plena segurança pública, mesmo porque 
até os cidadãos têm direito e responsabilidade na complementação dos 
serviços de segurança pública, incluídos os atos de investigação 
criminal. 
Vê-se que até se o cidadão tem o direito de participação nas atividades de 
segurança pública, ainda mais o Ministério Público coaduna com este mesmo direito. 
Bomfim (2014), entende que se a nossa Constituição entrega ao Ministério 
Público o título de guardião da sociedade, diretamente também lhe é conferido poderes os 
quais lhe permite: dirigir as respectivas investigações, onde sem as mesmas suas intenções 
consectárias, que são daquele maior poder, compreensivo o qual encontra-se investido. O 
mesmo autor dá continuidade ao afirmar que o Ministério Público não imputa para si 
unicamente a atribuição da investigação criminal, onde a mesma pode também ser realizada 
de forma paralela juntamente com a polícia, ele ainda nos lembra que a policia não tem a 
mesma isenção como também autonomia que o Ministério Público no tocante a investigar 
policiais e autoridades pelo fato de ter sua subordinação ao Poder executivo. 
O artigo 4º § único, CPP, mostra que existem outras atividades administrativas 
que podem apurar alguma infração penal. Isto fica provado pela existência das Comissões 
Parlamentares de Inquérito na esfera do Poder Legislativo. Como exemplos de outros órgãos 
públicos os quais que também desenvolvem investigações no âmbito administrativo, 
investigações estas que podem ser encaminhadas ao Ministério Púbico para uma possível ação 
penal, temos: INSS, Receita Federal, COAF e Banco Central. Isto nos mostra que o inquérito 
é um meio exclusivo da polícia fazer sua investigação, porém a mesma não é detentora do 
monopólio da investigação, onde a mesma poderá acontecer por quaisquer outras 
procedimentos administrativos. (CARNEIRO, 2014) 
15 
 
Em nosso ordenamento não há impedimento legal que proíba o Ministério Público 
de desenvolver investigações no momento em que o mesmo acreditar ser conveniente, até 
porque, o Ministério Público é parte que tem interesse, pelo fato de que destas investigações 
poderá se viabilizar o regular o justo processo que o réu irá se submeter. Também há, 
autorização legal para que se dispense o inquérito policial, a partir do momento em que 
possuir elementos necessários e suficientes para fundamentar a denúncia, segundo o que alega 
o artigo 39, § 5º, CPP, porém como se obtém estes elementos? De forma indireta este mesmo 
artigo autoriza o Ministério Público a proceder com a investigação. (RANGEL, 2015) 
O inquérito policial é tido como instrumento de fundamental importância, pelo 
entendimento o atendimento da polícia também se encontra de igual modo, isto quer dizer que 
o CPP autoriza também o Ministério Público a fazer suas investigações próprias, de forma 
que a ferramenta que se faz uso de suas investigações não é o inquérito policial, pelo fato de 
que este instrumento é de uso exclusivo da polícia judiciária. 
Nery Jr (2015), explica e entende que a expressão investigação criminal abrange 
de forma igual tanto qualquer procedimento administrativo que tenha sido instaurado pela 
autoridade competente como também o inquérito policial. 
Jurisprudencialmente cada vez prossegue mais o sentido de acatar a legitimidade 
do Ministério Público no tocante as investigações criminais, existem muitos julgados que 
comprovam tal afirmativa nos Tribunais Superiores. 
 
ATOS INVESTIGATÓRIOS REALIZADOS DIRETAMENTE 
PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. 
VALIDADE RECONHECIDA. 
 
I. São válidos os atos investigatórios realizados pelo Ministério 
Público, que pode requisitar informações e documentos para instruir 
seus procedimentos administrativos, visando ao oferecimento da 
denúncia. 
II. Ordem se denega. 
(STJ. HC nº 7445/RJ, 5ª Turma, Relator Min. Gilson Dipp, julgado no 
dia 1/12/1998, DJU 1/2/1999) 
 
16 
 
PROCESSUAL PENAL. DENÚNCIA ALEGAÇÃO DE INÉPCIA. 
AÇÃO PENAL. TRANCAMENTO. FATOS TÍPICOS. "HABEAS 
CORPUS". INQUÉRITO INSTAURADO PELO MINISTÉRIO 
PÚBLICO FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. 
CONSTRANGIMENTO ILEGAL. INEXISTÊNCIA. 
 
- Constando da denúncia a adequada descrição de fatos que, em 
tese, consubstanciam crimes, não procede a alegação de inépcia, já 
que observados os requisitos próprios, inscritos no art. 41 do CPP. 
- O "habeas corpus" instrumento processual de assento 
constitucional destinado a assegurar o direito de locomoção, não se 
presta para a realização de longa incursão sobre fatos em exame no 
curso de ação penal, nem para a obtenção de absolvição sumária. 
- O Ministério Público, como órgão de defesa dos interesses 
individuais e sociais indisponíveis (CF, art. 127), tem competência 
para instaurar inquérito policial para investigar a prática de atos 
abusivos, susceptíveis de causar lesão a tais interesses coletivos. 
- A instauração de tal procedimento não provoca qualquer 
constrangimento ilegal ao direito de locomoção, revelando-se, por 
isso, impróprio o uso do "habeas corpus" para coibir eventuais 
irregularidades a ele atribuídos. 
- Recurso ordinário desprovido. 
(STJ. RHC 7063 / PR, RECURSO ORDINARIO EM HABEAS 
CORPUS nº 1997/0090182-3, Ministro VICENTE LEAL, SEXTA 
TURMA, Data do Julgamento 26/08/1998, Data da Publicação: DJ 
14/12/1998, p. 302) 
 
PENAL. PROCESSUAL PENAL. "HABEAS-CORPUS". AÇÃO 
PENAL. TRANCAMENTO. MINISTÉRIO PÚBLICO. PRINCÍPIO 
DA UNIDADE E INDIVISIBILIDADE. VINCULAÇÃO DE 
PRONUNCIAMENTO DE SEUS AGENTES. DENÚNCIA. 
INÉPCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. DESCRIÇÃO EM TESE DE 
CRIME. 
17 
 
O princípio da unidade e da indivisibilidade do Ministério Público não 
implica vinculação de pronunciamentos de seus agentes no processo, 
de modo a obrigar que um promotor que substitui outro observe 
obrigatoriamente a linha de pensamento de seu antecessor. 
Para a propositura da ação penalpública, o Ministério Público pode 
efetuar diligências, colher depoimentos e investigar os fatos, para o 
fim de poder oferecer denúncia pelo verdadeiramente ocorrido. 
O trancamento de ação penal por falta de justa causa, postulada na via 
estreita do "habeas-corpus", somente se viabiliza quando, pela mera 
exposição dos fatos na denúncia, se constata que há imputação de fato 
penalmente atípico ou que inexiste qualquer elemento indiciário 
demonstrativo da autoria do delito pelo paciente. 
Não é inepta a denúncia que descreve fatos que, em tese, apresentam a 
feição de crime e oferece condições plenos para o exercício de defesa. 
Recurso ordinário desprovido. 
(STJ. RHC 8025 / PR, RECURSO ORDINARIO EM HABEAS 
CORPUS nº 1998/0078717-8, Relator Ministro VICENTE LEAL, 
Órgão Julgador SEXTA TURMA, Data do Julgamento 01/12/1998, 
Data da Publicação DJ 18/12/1998 p. 416) 
"HABEAS CORPUS" SUBSTITUTIVO DE RECURSO 
ORDINÁRIO. TRANCAMENTO DE AÇÃO PENAL. ATOS 
INVESTIGATÓRIOS REALIZADOS PELO MINISTÉRIO 
PÚBLICO. VALIDADE. ORDEM DENEGADA. 
 
I. São válidos os atos investigatórios realizados pelo Ministério 
Público, que pode requisitar 
informações e documentos para instruir seus procedimentos 
administrativos, visando ao 
oferecimento de denúncia. 
II. Ordem que se denega. 
(STJ. HC 7445 / RJ, HABEAS CORPUS nº 1998/0032251-5, Relator 
Ministro GILSON DIPP, Órgão Julgador QUINTA TURMA, Data do 
Julgamento 01/12/1998, Data da Publicação DJ 01/02/1999 p. 218) 
 
18 
 
 
Em relação à doutrina, a mesma também alinha-se no entendimento de que é 
permitido sim ao Ministério Público investigar, tem-se inúmeros autores que defendem o que 
se o legislador ofereceu-lhe a titularidade das ações penais, intencionalmente também deu-lhe 
os instrumentos necessários para se alcançar de maneira mais efetiva esta finalidade, bem 
como onde a investigação preliminar como prática instrumental e de meio, deve encontrar-se 
sob seu comando. (LOPES JR, 2016) 
O mesmo autor criou a lista de uma série de justificações que permitam a 
interferência do Ministério Público nas investigações de crimes, a qual tem-se: 
 
1ª – o material fornecido pela polícia é imprestável tanto do ponto de 
vista de valor probatório como de fonte de informação, a demora, as 
deficiências e descompasso com o que necessita o Ministério Público 
e o que apresenta prejudicam a peça acusatória; 
2ª – a competência que o art. 4º do CPP prevê para investigar não 
exclui a de outras autoridades autorizadas por lei; 
3ª – a Constituição Federal outorgou diversos poderes ao Ministério 
Público que complementados pela legislação infraconstitucional 
permitem-lhe atuar na fase processual e pré-processual. No plano 
teórico está perfeitamente prevista a possibilidadede o Ministério 
Público investigar. Além do mais, a Constituição Federal não dispôs 
que a investigação é atividade exclusiva da polícia, quando pretendeu 
exclusividade, o legislador assim dispôs de forma expressa. (LOPES 
JR, 2016, p. 135) 
 
O mesmo autor finaliza falando que não apenas o Ministério Público encontra-se 
autorizado a acompanhar a tais investigações, mas também a fazer as suas próprias 
investigações, pelo fato de corresponder a um processo administrativo como também 
preliminar. Ainda explica que no sistema promotor investigador, o mesmo é quem tem a 
direção das investigações, ou seja, quem dirige as mesmas, o mesmo recebe de forma direta 
ou indireta a notícia crime, o mesmo pode contar com a ajuda da polícia se acreditar ser 
necessário, porém investigando de forma direta ou como diretor da investigação. 
19 
 
Neste mesmo sistema ela está limitada a uma autorização judicial que lhe permita 
praticar atos que afetem o âmbito dos direitos individuais, como por exemplo: buscas 
domiciliares, intervenções telefônicas, medidas cautelares, etc. Se dará por decisão do juiz 
instrutor, pelo fato do primeiro não investigar e só se tem intervenção quando solicitado como 
controlador da legalidade das práticas do promotor. 
Deve-se levar em conta também que a atividade investigatória tem a finalidade de 
formar a opinio delicti e isso interessa ao seu titular, ou seja, o Ministério Público que, 
baseado na investigação preliminar decide se vai ou não propor a ação penal e provar o que 
alega em Juízo, deve ser uma atividade administrativa “dirigida por e para o promotor”. A 
finalidade é que a investigação direta pelo Ministério Público sirva para fundamentar o 
exercício da acusação ou pedido de arquivamento, acelerando notavelmente o processo. 
Alegar que o Ministério Público não pode investigar porque não tem controle 
externo sobre si é uma falácia, conforme os artigos 52 e 128 da Constituição Federal o próprio 
Ministério Público tem sobre si o controle externo exercido pelo Poder Legislativo, acrescido 
ainda, do controle exercido pelo Judiciário, os quais contrasta os atos ministeriais pelas partes 
e seus procuradores e no que diz respeito ao princípio da obrigatoriedade nos processos 
penais. 
A investidura na carreira por concurso público com a participação da Ordem dos 
Advogados do Brasil é outra forma de controle externo. A previsão constitucional da 
proposição da ação penal subsidiária é outra forma de controle, pois retira a privatividade das 
mãos do Parquet como forma de contraste pela sua inércia. 
 
4 A LEGÍTIMA DEFESA E AS OBRIGAÇÕES POLICIAIS 
 
Deve-se iniciar essencialmente analisando-se sistematicamente a atuação policial 
relacionando-a aos aspectos constitucionais, isto é, a nossa constituição em vigência, de onde 
tem-se os pilares que direcionam a manutenção da ordem pública em todos os aspectos. A 
Constituição Federal Brasileira de 1988 firma em seu artigo 144 o seguinte: 
 
A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de 
todos é exercida para a preservação da ordem pública e da 
incolumidade das pessoas e do patrimônio através dos seguintes 
órgãos: I - Polícia Federal; II - Polícia Rodoviária Federal; III - Polícia 
20 
 
Ferroviária Federal; IV - Polícias Civis; V - Polícias Militares e Corpo 
de Bombeiros Militares. (BRASIL, 1988) 
 
 
Destaca-se que as polícias civil e federal, conhecidas em nosso ordenamento 
como policiais judiciárias, tem como seus objetivos gerais apurar as infrações penais, 
independente que seu cunho seja estadual ou federal. A polícia Rodoviária Federal em sua 
forma legal destina-se para o patrulhamento de forma ostensiva nas rodovias federais, e 
finalizando as polícias militares as quais são as polícias preventivase ostensivas, onde lhe 
cabe a preservação da ordem pública em geral. 
 
Se os militares, assim como os civis, também são cidadãos da 
República Federativa do Brasil, premissa do Estado Democrático de 
Direito, não existem motivos para se exigir desses funcionários do 
Estado um tratamento diverso daquele que é assegurado aos 
brasileiros e aos estrangeiros residentes no país em termos de direitos 
e garantias fundamentais. (ROSA, 2016, p. 124) 
A citação vista acima dá um reforço na questão da equidade constitucional que 
precisa estar acima de todos, tanto em obrigações como em direitos, e o policial não precisa 
estar excluído de tais preceitos, todavia, a sociedade exige do policial mais do que isso, tendo-
se para isto normas reguladoras da conduta deste profissional. 
No que diz respeito às legislações estaduais destaca-se a da polícia militar do 
estado do Ceará que é regida pelo código disciplinar (Lei 13.407/03), pelo estatuto dos 
militares estaduais (Lei 13.729/06), e pela lei de organização básica da polícia militar 
n°15.217 de 2012. 
Todas essas normas visam moldar a conduta do policial militar, tanto no aspecto 
ético-moral como legal, estabelecendo os tipos de transgressões, sanções e atribuições dos 
subordinados, buscando-se sempre um comportamento legalista, direcionado tanto para o 
público interno como para o público em geral. 
 
4.1 OBRIGAÇÕESDE AGIR E NÍVEIS DE FORÇA NAS AÇÕES POLICIAIS 
 
Ao falar em poder de polícia, vem logo em mente ações ligadas ao Direito 
Administrativo tais como; Fiscalização de trânsito, regularização de funcionamento em 
21 
 
estabelecimentos comerciais, vigilância sanitária visando à higiene e saúde pública, economia 
popular dentre outras. O termo "poder de polícia" é muito amplo e engloba muitas atribuições 
de administração pública, primordialmente no que diz respeito ao caráter repressivo e 
ostensivo, e a polícia não poderia ficar de fora, pois tem a nobre função de manter a ordem e a 
tranquilidade pública. 
Veja algumas atividades da polícia que se enquadra como poder de polícia: 
Realização de abordagens a indivíduos suspeitos, captura de criminosos e fugitivos, segurança 
em estabelecimentos prisionais, combate a crimes ambientais, repressão ao tráfico de drogas, 
fiscalização nas rodovias estaduais dentre muitas outras atribuições. Tudo isso é poder de 
polícia realizado pela polícia, mas vale salientar que seu conceito positivado, não se encontra 
no Código Penal nem mesmo no Código de Processo Penal, mas o conceito de poder de 
polícia encontra-se positivado no artigo 78 do Código Tributário Nacional, quando assim o 
estabelece: 
Art. 78. Considera-se poder de polícia a atividade da administração 
pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, 
regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse 
público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à 
disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades 
econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder 
Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos 
direitos individuais ou coletivos. (BRASIL, 1966) 
 
Veja mais uma vez que o direito coletivo sobrepõe o direito individual, 
reafirmando que o poder de polícia é uma prerrogativa legal conferida ao Poder Público para, 
mediante limitações à liberdade, garantir a paz social, como bem dispõeAcquaviva (2015, 
p.636). 
Conforme Hungria (2017, p. 62): 
Existe uma teoria denominada de teoria da delegação do poder de 
polícia, segundo esta, a legítima defesa nada mais é do que o poder de 
polícia que o agredido recebe do estado em virtude da necessidade nos 
casos em que não pode protegê-lo com a devida eficácia. 
O poder de polícia é um instrumento de atribuição da administração pública para 
conter os abusos cometidos pelo indivíduo que se revela contrário, nocivo e prejudicial ao 
bem estar social. Porém, é importante esclarecer que pode ocorrer o abuso de poder por parte 
22 
 
do agente público. Messa (2014, p. 20) estabelece que o abuso do poder ocorra quando a 
autoridade, embora competente para praticar o ato, ultrapassa os limites de suas atribuições. 
Na atuação policial nem todas as ocorrências são resolvidas de forma pacífica, em 
algumas situações faz-se necessário o uso progressivo da força, ou seja, usando dos meios 
existentes de acordo com a resistência do acusado. O Código de Processo Penal estabelece em 
seu artigo 284 que: “Não será permitido o emprego de força, salvo o indispensável no caso de 
resistência ou de tentativa de fuga do preso" (BRASIL, 1941). 
Devendo o uso e arma de fogo ser em último caso, ou seja, o momento de puxar o 
gatilho de uma arma, seja letal ou menos letal, não é momento fácil, pois o disparo efetuado 
pelo policial tem que ser um disparo de responsabilidade, tendo em vista muitas vezes a 
ocorrência acontecer em local movimentado e com muitos inocentes, enquanto que o 
criminoso não tem essa preocupação, devido a isso, é preferível deixar o criminoso fugir ao 
invés de haver um tiroteio possibilitando a perca de vidas inocentes.Porém o que podemos 
conhecer como uso progressivo da força? 
A mesma significa numa escolha apropriada entre as opções de força pelas quais 
qualquer agente de segurança, bem como os policiais, em resposta a reação provocada pelo 
indivíduo visto como infrator da lei ou mesmo suspeito, diante de uma determinação legal. É 
muito comum os policiais encontrarem resistência a sua ordem ou mesmo se deparar com atos 
de agressões violentas, em face do cumprimento de uma ordem de prisão como também em 
uma simples abordagem cotidiana. 
A policia ao agir de maneira ostensiva bem como preventiva, dentro de seu 
cumprimento do dever legal, busca diminuir ou acabar com as taxas de crimes como também 
garantir uma paz social e fazer o cumprimento da lei, entretanto, não são raras as vezes que se 
faz preciso intervir de maneira rígida através dos meios disponíveis para acabar uma possível 
ameaça, seja ela as pessoas ou mesmo ao patrimônio, e devido a este tipo de atuação algum 
direito fundamental do agressor pode ser rompido. 
As consequências oriundas da atuação policial influenciam no comportamento do 
público a que ela se destina, infelizmente a polícia nunca irá agradar a todos, basta verificar 
qualquer pesquisa no seguimento que logo se observa que a instituição polícia é uma das 
menos admirada. Quando em um determinado momento alguém é preso, seja em flagrante 
delito ou por mandado de prisão, por mais que seja um criminoso perigoso, alguns membros 
de sua família passarão a repudiar a atuação policial, mesmo sabendo que foi uma atuação 
legítima. 
23 
 
Uma pesquisa realizada pela folha de São Paulo em 11/09/2017 aponta a profissão 
de policial como sendo a quinta profissão de pior atividade no Brasil, bem como uma 
pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vagas no início de 2017 constatou que apenas 30% 
da população confiam na polícia. 
Existe um projeto de lei de numero 4471/12 de autoria dos Senhores deputados 
federais: Paulo Teixeira - PT/SP, Fábio Trad - PMDB/MS, Delegado Protógenes - PC do 
B/SP e outros. O referido projeto de lei visa alterar os artigos 161, 162, 164, 165, 169 e 292 
do Decreto-lei nº 3.689 de 1941 - Código de Processo Penal. O projeto em epígrafe tem como 
principal objetivo endurecer ainda mais as investigações e punições aos agentes de segurança 
pública que cometerem excessos no emprego da força, no cumprimento de ordem judicial e na 
captura em flagrante, ou seja, é como se a Constituição Federal, o Código de Processo Penal, 
as leis extravagantes e os próprios estatutos (polícia militar e polícia civil) não tratassem 
desses dispositivos, bem como a própria fiscalização da Controladoria dos órgãos de 
segurança pública. 
Veja o que estabelece o artigo 292 §1º do referido projeto: 
Se do emprego da força resultou ofensa à integridade corporal ou à 
vida do resistente, a autoridade policial competente deverá instaurar 
imediatamente inquérito para apurar esse fato, sem prejuízo de 
eventual prisão em flagrante. (CAMARA DOS DEPUTADOS, 2012) 
Percebe-se claramente que o projeto de lei em questão é totalmente parcial e visa 
limitar mais ainda a atuação policial frente aos que tem condutas contrárias a lei. Imaginem 
só, um policial na tentativa de conter um criminoso perigoso e altamente agressivo, causa-lhes 
algumas escoriações e logo após a imobilização surge uma terceira pessoa e da voz de prisão 
ao policial que por sua vez é conduzido à presença da autoridade policial, é lavrado o auto de 
prisão em flagrante delito com fulcro no artigo 292 §1º da referida lei. 
Diante de tal dispositivo é certo que, caso esse projeto ganhe força na visão dos 
nossos legisladores chegando a ser promulgada tal lei, será por vez o declínio da sociedade 
rumo ao caos, pois não haverá policiais que queiram por em risco sua liberdade e seus 
empregos diante de leis que vedam por completo a atuação policial. 
Tanto o controle interno, exercido pelos corregedores, quanto o 
controle social externo, exercido pela ouvidoria da polícia, não 
existem para retirar autoridade da polícia. Ao contrário, ambas as 
formas de controle existem para conferir eficiência, legitimidade, 
24 
 
transparência e autoridade aotrabalho dos bons policiais. (SILVA, 
2014, p. 83) 
É lógico e justo que todo órgão público tem que ter suas atividades fiscalizadas, pois 
devem prestar contas com a sociedade, e a polícia não esta isenta, devendo a mesma ser 
fiscalizada pelos órgãos controladores. De forma categórica, Silva (2014, p.51) esclarece que: 
“Se todos os órgãos públicos devem prestar contas à sociedade, a polícia, que exerce o 
monopólio do uso legítimo da força conferido ao Estado, precisa, também, submeter-se a 
alguma forma de controle". 
 
4.2 LEGÍTIMA DEFESA 
 
A legítima defesa, no Código Penal, tratada como causa de exclusão da ilegalidade, 
isto é, embora a conduta revele a prática de um crime, na verdade é uma ação lícita e 
plenamente justificada, pois é acompanhada de comportamento apropriado e requisitos 
indispensáveis, como se observa no artigo 25 do CP: "Entende-se em autodefesa quem, 
usando moderadamente os meios necessários, repele a agressão injusta, atual ou iminente, a 
seu critério". Tão pouco disse para tal justificação. E é até proposital. O legislador inseriu 
tópicos para que pudessem ser interpretados de acordo com cada caso, permitindo assim uma 
interpretação mais ampla e consistente da realidade social. Esta não é uma questão 
matemática, mas interpretativa. 
O tempo para a ação ser calibrada no âmbito da defesa legítima é diminuto. A polícia 
moderou sua ação com equilíbrio e bom senso, assumindo a polarização correta, escudada 
pela exigência legal. Existe uma estreita correlação entre ação e reação. Neste, o foco é único, 
é o agressor e nele deve-se concentrar todo o esforço de contenção e defesa, uma vez que 
tenha perdido a proteção que a Lei assegurava, enquanto na ação, o agente, sem qualquer 
compromisso suas ações podem direcionar seu ataque a qualquer outra pessoa. 
Também milita em favor do policial como agente de segurança, embora se fosse 
qualquer outra pessoa em seu lugar e tivesse a mesma conduta, a avaliação criminal seria a 
mesma, já que estaria defendendo não apenas a vida em si, mas aqueles de outras pessoas. 
O direito de defender-se surge inquestionavelmente e a própria lei delineia a forma 
na qual o direito de repulsão defensiva será exercido. Sujeito aos requisitos e parâmetros 
exigidos, não há dúvidas sobre a legalidade do ato, devido ao padrão penal permissivo. 
Embora haja uma perfeita adaptação da conduta do policial por causa da presença do 
excludente, de modo que a Lei é realizada em sua totalidade a posteriorumius, não há razão 
25 
 
para celebração social ou mesmo um exagerado vanglória do fato, já que a sociedade 
permanece refém da violência descontrolada e descontrolada. 
É também de se lamentar que as crianças tenham testemunhado toda cena trágica 
envolvendo os adultos e as memórias que se estabeleceram com o medo não desaparecerão 
tão cedo. 
 
4.3. OMISSÃO DOS AGENTES DE SEGURANÇA 
 
Ao se falar de omissão dos agentes da polícia, trazemos em mente a expressão – 
prevaricação – afirma Acquaviva (2015) que, este termo é um crime em desfavor à 
administração pública onde consiste em deixar ou atrasar a prática, de forma não devida, ou 
mesmo lhe praticar contra forma expressa em lei e assim satisfazer seu próprio interesse. Este 
mesmo dispositivo encontra-se também positivado no Código Penal Brasileiro no art. 319 que 
relata: “Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra 
disposição expressa de lei para satisfazer interesse ou sentimento pessoal". 
Conforme este assunto temos, Bitencourt (2015, p. 133): 
 
O bem jurídico protegido é a probidade de função pública, sua 
respeitabilidade, bem como a integridade de seus funcionários. 
Prevaricação é a infidelidade ao dever de ofício e à função exercida; é 
o descumprimento das obrigações que lhe são inerentes, movido o 
agente por interesses ou sentimentos próprios. 
 
Esta prática ocasiona uma pena de detenção de 3 meses a 1 ano junta com multa, 
isto é, caso um policial não fizer algo que precise ser feito segundo a lei bem como aos 
princípios da administração pública para realizar um interesse seu, este tipo de 
comportamento é compreendido legalmente como Dolo, destaca-se ainda que a modalidade 
Culposa não se admite aqui. 
As omissões praticadas pelos policiais podem representar à caracterização de atos 
não lícitos, de forma especial quando era exigido o dever de ação. De forma exemplificada, 
quando os policiais omitem seu dever quando, por exemplo, são obrigados a realizar alguma 
intervenção para se garantir a segurança da população, e deixam de agir, ficando assim como 
simples telespectadores dos atos os quais estejam sedo praticados pela multidão em questão. 
26 
 
Carlos (2018) exalta que: “a realização da prisão em flagrante (artigo 302, CPP) é 
para os policiais uma obrigação legal, de onde seu descumprimento enseja em uma 
responsabilidade penal.” 
Conforme o que já foi dito, apenas se configura prevaricação se estiver presente 
na prática delituosa, o desejo pessoal, destacando que não é apenas o caso de deixar de 
realizar algo, como também a executoriedade desvirtuosa, com tendência de visar o interesse 
pessoal. Como exemplo tem-se a seguinte jurisprudência: 
 
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PROCESSO 
PENAL. CRIME DO ARTIGO 319 DO CÓDIGO PENAL. 
PACIENTE QUE, NA CONDIÇÃO DE DELEGADO DE POLÍCIA, 
PRATICOU VÁRIOS ATOS DE OFÍCIO EM DESACORDO COM 
A LEGISLAÇÃO PROCESSUAL, PARA SATISFAZER 
SENTIMENTO PESSOAL. ALEGAÇÃO DE EXPLICITAÇÃO DO 
INTERESSE OU SENTIMENTO PESSOAL. RECURSO 
DESPROVIDO. 
 
1. O paciente foi denunciado pela prática do delito de prevaricação, 
porque, entre março de 2008 e maio de 2011, na condição de 
delegado de polícia, cometeu diversos atos de ofício em desacordo 
com a legislação processual penal. (BRASIL. Superior Tribunal de 
Justiça. Recurso Ordinário em Habeas Corpus nº 38471/SP. 
Relator - Min. Laurita Vaz. T5 - Quinta Turma. Julgado em: 
08/05/2014). (SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, 2014). 
 
Nos crimes ocasionados por omissão, tem-se a presença do dever de agir, podendo 
ser geral (omissivo próprio) ou podendo ser especial (omissivo impróprio), como afirma 
Prado (2016). Mesmo a frente de ocasiões difíceis, o policial não deve esquivar-se da 
obrigação de atuar, especialmente quando os bens jurídicos protegidos pelo Estado 
encontram-se prestes a serem afetados. 
Contudo, é essencial lembrar que o agente de segurança também é um ser humano 
e que a depender da situação que se irá enfrentar, sendo a mesma de grande risco a sua vida, 
ele pode escolher entre salvar seu bem mais precioso. Como também o texto do art. 135 do 
27 
 
Código Penal mostra de maneira categórica que apenas se caracteriza omissão a partir do 
momento em que se pode fazê-lo sem passar por nenhum risco pessoal. 
A polícia militar possui dentre de tantas funções uma em particular a qual é a 
manutenção da ordem pública, frente a isto, não é tarefa fácil, nas mais diversas situações o 
agente precisa interferir em práticas populares e sociais, como: reintegração de posse, 
protestos, greves, manifestações, etc. Onde se deve lembrar e considerar também que o 
policial é ser detentor de opinião pessoal, sendo consciente dos mais diversos problemas 
sociais, pelo fato do mesmo também ser vítima da má gestão do governo se for o caso, o 
agente é possuidor de suas próprias ideologias, mas é gerenciado por um sistema que tem 
fundamento em uma hierarquia e a disciplina é condicionada a Constituição Federal de nosso 
país no artigo 42. Bem como a lei 13729/06 também estabelece no art. 29, isto é, é seguidor 
de ordens, desde que seja correspondente a lei, várias vezes classificam-se como injustas, 
porém legais. O fato de não cumprir a ordem traz punições disciplinares, podendo ocasionar 
em até uma expulsão, vejamos o que diz o art. 29 § 4º da lei 13729: 
 
A disciplina e a rigorosa observância e o acatamento integral à leis,regulamentos, normas e disposições que fundamentam a corporação 
militar estadual e coordena seu funcionamento regular e harmônico 
traduzindo-se pelo perfeito cumprimento de dever por parte de todos, 
com correto cumprimento pelos subordinados, das ordens emanadas 
dos superiores. (grifo nosso). 
 
E finalmente, o artigo 13 §2º, alínea a do Código Penal brasileiro estabelece que: 
“A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o 
resultado. O dever de agir incumbe a quem tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou 
vigilância." Carlos (2016, p.221), refere-se a dispositivo como sendo ao agente garantidor por 
dever legal, ou seja: policiais, bombeiros, médicos, pais em relação aos filhos, dentre outros, 
enquadram-se na presente hipótese. 
Um exemplo citado por Carlos (2013) trata de uma dupla de policiais, que, tendo 
concreta possibilidade de agir, dolosamente nada fazem para impedir o estupro de alguém. 
Neste caso hipotético a dupla policial incorre no crime previsto no artigo 213 do Código 
Penal. 
28 
 
Percebe-se que, é possível imputar o resultado ao agente garantidor por dever 
legal, ocasionado pela omissão dolosa, sendo assim, restou, mais uma vez de forma clara, que 
os agentes de segurança pública não podem eximir-se do dever funcional, todavia, o próprio 
texto do artigo citado é nítido quando diz: A omissão é penalmente relevante quando o 
omitente devia e podia, veja que o verbo poder estar inserido, o que implica em afirmar que 
para se caracterizar a omissão além do dever de agir deveria também existir meios para a 
atuação sem por em risco eminente sua própria vida ou de terceiros. 
Desta forma fica evidente que existem muitos órgãos fiscalizatório, denunciantes 
e que punem uma conduta errada da polícia, destacando-se o que está relacionado ao uso de 
força (desproporcional). 
 O Ministério Público, a OAB, e a Controladoria são alguns destes órgãos, 
contudo, é necessário entender que estes órgãos devem atuar sempre na imparcialidade, 
buscando uma aplicação justa da lei, sem apelo nenhum da sociedade e da mídia. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
A tarefa dos policiais militares em todo nosso país está destinada a oferecer 
segurança e defesa à sociedade, bem como na preservação dos preceitos básicos necessários 
para a Ordem Pública, entretanto muitas vezes a população fica chocada ao assistir nos 
telejornais notícias as quais têm policiais utilizando-se de força em razão de sua função 
pública, onde passasse a idéia de que os mesmos estão causando prejuízo para a população a 
qual os mesmos deveriam estar conforme imagem repassada, servindo a esta mesma 
população. 
Tem-se a impressão de uma forma geral que a vulnerabilidade é unicamente da 
população em relação a autoridade policial, isto é o que forma o liame subjetivo do 
cometimento dos crimes até então entendido como praticados por eles, mas nunca passasse o 
entendimento de a própria polícia também é vulnerável a tais entendimentos como também ao 
Ministério Público e muitas vezes do Estado. 
O policial militar é quem lida diretamente com o criminoso em si, onde muitas 
vezes encontra-se até em desvantagem (em relação a armamento, proteção, psicologicamente, 
etc.) perante a situação a qual se encontra. 
29 
 
O Estado não tem valorizado nem protegido seus policiais como deveria, os 
mesmos não possuem de certa forma o salário o qual lhe incentive, não tem condições básicas 
mínimas de trabalho, isto tudo muitas vezes os levam a uma fadiga tanto física como também 
psicológica, os levando a um constante stress. 
No decorre deste trabalho pode-se evidenciar que o Ministério Público pode (e 
existe quem defenda que ele deve) assumir sim o mandato ainda na fase pré-processual, 
porém o que não se pode aceitar é o fato de que além da ação de investigação, o Ministério 
Público conte também com o poder de impor medidas cautelares e ainda outras as quais 
impliquem em restrição das garantias de direitos dos agentes da segurança pública, como 
desta forma fica evidente que houvesse uma forma de julgar, e isto praticamente faria que 
fosse retomada a inquisição. 
Fundamentado nos contextos e idéias aqui expostas no longo deste trabalho 
evidencia-se que a Nossa Constituição Federal deve ser aplica e obedecida em cada passo a 
ser dado para a composição do Inquérito Policial. 
Não se pode fazer uma interpretação isolada de um dispositivo constitucional, 
pelo contrário, é preciso fazer uso de um processo sistemático, onde cada preceito é uma parte 
que integra o corpo, verificando as regras em sua totalidade, para se possa compreender o 
sentido de cada uma. 
 
REFERÊNCIAS 
 
BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. São Paulo: Saraiva. 2015. 
 
BOMFIM, Benedito Calheiros. Ministério Público e a Investigação Criminal. Jornal 
Síntese, [S.l.], nº 90, 2014. 
 
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Indeferimento de pedido de liminar para responder 
processo em liberdade. Habeas corpus nº 95220. Alisson Fabiano de Oliveira Lopes e outros e 
Superior Tribunal de Justiça. Relator: Min. Ricardo Lewandowski. 09/12/2008. Notícias STF, 
09/07/2008. 
 
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADIn nº 1517. Relator: Min. Mauricio 
Corrêa.09/12/2008. Informativo STF, nº 71, 30/04/1997. 
30 
 
 
CARLOS, Caio Sérgio Paz de. A impossibilidade de o Ministério Público investigar 
infrações penais. Repertório de Jurisprudência IOB, [S.l.], v. 3, nº 18, 2014. 
 
CARNEIRO, José Reinaldo Guimarães. O Ministério Público e suasInvestigações 
Independentes. São Paulo: Malheiros, 2016. 
 
________________. Introdução ao estudo do controle externo da atividade policial 
militar. Revista dos Tribunais, [S.l.], v. 756, 2014. 
 
COELHO, Inocêncio Mártires. O controle externo da atividade policial pelo 
MinistérioPúblico. Revista da Associação do Juízes do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 
nº55, 2015. 
 
COSTA, José Armando da. Limites do controle externo da atividade policial. 
RevistaForense, Rio de Janeiro, v. 344, p. 489-495, 2012. 
 
FREYESLEBEN, Márcio LuisChila. O Ministério Público e a Polícia Judiciária.Belo 
Horizonte: Del Rey, 2014. 
 
GUIMARÃES, Rodrigo RégnierChemim. Controle Externo da Atividade Policialpelo 
Ministério Público. Curitiba: Juruá, 2014. 
 
HUNGRIA, Diego de Farias. A segurança pública na Constituição. Revista de Informação 
Legislativa, Brasília, nº 109,2017. 
 
LAZZARINI, Álvaro. O papel da investigação e do sistema judiciário na prevenção 
docrime. Revista de Informação Legislativa, Brasília, nº 121, 2014. 
 
LIMA, Mauro Faria de. O Controle Externo da Atividade Policial. Revista daFundação 
Escola Superior do Ministério Público do Distrito Federal eTerritórios, Brasília, nº 5, 2015. 
 
LOPES JR, Aury. Sistemas de Investigação Preliminar no Processo Penal. 4ªedição. Rio 
de Janeiro: Lúmen Júris, 2015. 
31 
 
 
________________. Controle externo da Atividade Policial. Revistados Tribunais, [S.l.], v. 
678, 2013. 
 
________________. Elementos de Direito Processual Penal. 2ª edição.Campinas: 
Millennium, 2014. 
 
MAZZILLI, Hugo Nigro. O Acesso à Justiça e o Ministério Público. São Paulo:Saraiva, 
2013. 
 
MESSA, Marcelo Batlouni. Crime Organizado: aspectos gerais e mecanismos legais. 2ª 
edição. São Paulo: Atlas, 2014. 
 
NERY JÚNIOR, Paulo José da Costa. Código Penal comentado. São Paulo: Saraiva, 2015. 
 
RANGEL, Paulo. Investigação Criminal direta pelo Ministério Público. Rio deJaneiro: 
Lúmen Júris, 2015. 
 
ROSA, Renato Barão. Investigação Criminal e Tortura. Boletim do IBCCRIM, [S.l.], nº 
139, 2016. 
 
SANTIN, Valter Foleto. O Ministério Público na Investigação Criminal. 2ª edição.Bauru: 
Edipro, 2015. 
 
SABELLA, Luís Flávio. Segurança Pública no Brasil: desafios e perspectivas. Rio 
deJaneiro: FGV, 2013. 
 
SILVA, Luiz Gilmar da. Controle Externo da Atividade Policial. Curitiba: Artes &Textos, 
2015. 
 
TOURINHO FILHO, Fernandoda Costa. Da persecução. In:_____. Processo Penal.29ª 
edição. São Paulo: Saraiva, vol. 1, 2017.

Mais conteúdos dessa disciplina