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1 
 
Sãmya Magalhães 
 
 
 
A endodontia está muito suscetível a ocorrer acidentes e 
complicações, porque temos somente o sentido do tato, não 
conseguimos visualizar, além disso temos: 
 Complexidade anatômica; 
 Falta de conhecimento das propriedades mecânicas dos 
instrumentos; 
 Pouca habilidade profissional. 
Para iniciar, vamos falar do: 
 
 
 Quais são as complicações que vamos ter no isolamento 
absoluto? 
 : para 
conseguirmos isolar somente o dente que vamos tratar; 
mas nem sempre isso é possível, como vemos na 
imagem acima. Quando o dente está fraturado, podemos 
isolar os dentes laterais. A saída nesses casos seria isolar 
os dentes laterais. 
 
 
Nesses casos, isolamos por cima do aparelho e podemos 
usar a barreira gengival (utilizado no clareamento), 
inserimos ao redor do dente para evitar a entrada de 
saliva, já que tem o arco do aparelho que está impedindo 
que a gente isole corretamente. 

 
Não podemos realizar o tratamento endodôntico sem o 
isolamento absoluto, então nesses casos optamos por 
fazer primeiramente o aumento de coroa. Depois o 
tratamento de canal. 
 
 
 
Se eu deixar esse isolamento sem uma restauração, eu 
vou ter uma entrada de saliva, então antes de começar 
a endodontia eu restauro essa parede. 
 
 
Nesses casos podemos dobrar o arco. 
 
 
 
 
Acontecimentos 
imprevistos e casuais 
que dificultam ou 
impedem o tratamento 
endodôntico. 
 
Pode advir do acidente 
ou ser inerente aos 
dentes. Ex: curvaturas, 
canais atrésico...
 
2 
 
Sãmya Magalhães 
 
 
O paciente pode engolir instrumentos que são bem 
pequenos, como as limas (artigo acima demonstrando 
isso). 
 Vimos acima que o isolamento absoluto evita que 
instrumentos caiam dentro da cavidade bucal do paciente. 
Só que até que a gente isolar, vamos usar grampos e os 
grampos também podem cair e o paciente pode engolir 
e se engasgar. Para evitar isso, podemos colocar um fio 
dental amarrado nesse grampo e caso o grampo caia, a 
gente possa puxar pelo fio dental (isso é obrigatório na 
prática clínica) 
 
 
1- Envolva seus braços entre a caixa torácica e o 
umbigo da pessoa engasgada; 
2- Feche bem uma das mãos, mantendo o polegar de 
fora; 
3- Segure o punho com a outra mão, pressionando 
com firmeza para cima; 
4- Avalie se a desobstrução foi concluída e se a vítima 
voltou a respirar; 
5- Repita até o objeto ser expulso. 
 
 
 quando não conseguimos acompanhar a 
curvatura do dente 
 
Podemos evitar isso utilizando limas mais flexíveis 
 Outra dica importante para a prevenção do degrau é 
fazer um acesso adequado, tirar todas as irregularidades 
do acesso, teto, podem influenciar na direção da minha 
lima e com isso influenciar no degrau que possa estar 
formando 
 
 Devo também dar muita importância para a etapa de 
exploração inicial: essa exploração inicial, vai me dizer se 
esse dente tem uma curvatura muito grande ou não 
(quando a gente faz essa exploração inicial pela primeira 
vez, com a lima no 15 tipo K, elas voltam moldadas na 
anatomia do canal), nem sempre a radiografia mostra 
essa curvatura, por isso é importante essa exploração 
inicial. 
 Além disso, posso também pré-curvar o instrumento 
quando eu já sei que tem curvatura 
 Também fazer o preparo no terço cervical e médio, 
para tirar qualquer irregularidade 
 Mesmo depois de tomar todos os cuidados, eu tenha 
formado um degrau nesses dentes, como eu vou 
ultrapassar? 
 
Eu posso utilizar uma lima de fino calibre, no 15 ou menor, 
pré-curvar essa lima e fazer movimentos de giro (a 
direita e a esquerda), até eu conseguir ultrapassar aquela 
barreira, eu tenho que tentar voltar para o caminho 
original. 
 
mudança no trajeto de um canal radicular curvo em seu 
segmento apical. 
 
A- Sem transporte apical 
B- Com transporte apical (houve toda essa abertura) 
Prevenção: instrumentos flexíveis, no caso dos 
instrumentos manuais a lima flexofile é o 
 
3 
 
Sãmya Magalhães 
 
 
instrumento mais flexível, se for o caso de dentes 
multirradiculares: Protaper ou Mk Life 
 
 
instrumentação além do forame 
 
 A Sobreinstrumentação vai ocorrer quando eu errar a 
etapa de ODONTOMETRIA, na etapa de Comprimento 
Real de Trabalho e instrumentar além do forame. 
 Por que isso é um problema? 
 Porque vamos estar traumatizando os tecidos 
periapicais (lembrando da anatomia do periápice, temos 
uma constrição no forame, então na área do CDC é 
mais afunilada que o resto do canal radicular, se a gente 
instrumenta além do forame, a gente abre essa área e 
não deixa essa anatomia afunilada. Por isso que dessa 
forma, vai ser mais fácil passar por extravasamento de 
substâncias, medicação intracanal e material obturador. 
 Como podemos prevenir? 
 
 Raio X de qualidade  odontometria adequada  
manter ponto de referência  manter cursor bem 
posicionado.  
 Quando a gente sobreinstrumentar um dente, temos 
que realizar uma nova odontometria e novo batente 
apical ou tampão apical na instrumentação.  
 
 Quando eu estiver com meu novo CTP, eu vou 
escolher uma lima acima daquela lima que eu 
instrumentei acima do forame. 
 No exemplo da imagem acima, se eu instrumentei 
além do forame com o a lima no 35, aí eu faço uma 
nova odontometria, vou achar o CTP e vou instrumentar 
acima do no 35, então vou instrumentar com a lima no 
40, no comprimento adequado. 
 Se eu instrumento com uma lima de calibre maior 
que a lima anterior, essa área em cima vai ficar mais 
alargada que a área em baixo, então vamos criar um 
batente (como se fosse um funil), porque essa área em 
cima vai ser instrumentada com a lima no 40 e a área 
mais em baixo, foi instrumentada com a lima no 35. (ISSO 
É CRIAR UM NOVO BATENTE APICAL) 
 Podemos também criar um tampão apical na 
obturação: é feito com MTA e ele é colocado no ápice, 
para não deixar que extravase material. 
 instrumentar 
aquém do forame. 
 
 Ou seja, é o preparo do canal radicular aquém do 
CTP 
 Causas: 
 
Imagem 1: erros na odontometria 
Imagem 2: irrigação e aspiração ineficiente: quando eu 
não irrigo suficientemente, eu deixo ficar restos de 
dentina no ápice, com isso vou instrumentar aquém do 
forame, além disso quem tira esses restos de dentina é a 
irrigação e a aspiração. 
Imagem 3: obstrução do segmento apical por detritos de 
dentina: quando eu deixo raspas de dentina, eu não 
consigo chegar no CTP. 
 Quando a gente perceber que isso aconteceu, temos 
que tentar desobstruir esse canal com instrumentos tipo 
K, ou, flexofile (se o canal for curvado), com movimentos 
4 
 
Sãmya Magalhães 
 
 
de alargamento, antes de chegar na etapa de obturação, 
na etapa da instrumentação mesmo. 
 
 
 : é a formação de um canal 
dentinário sem comunicação com o ligamento 
periodontal. 
 
É quando a gente sai do caminho do canal radicular, e 
continua instrumentando, seguindo para uma perfuração, 
se continuarmos seguindo para os tecidos periapicais 
 O que fazemos nesses casos?  
Tentamos retomar a trajetória original e instrumentar 
essa trajetória original (que é o canal central) e obturar 
essas duas partes. Limpar com a irrigação e preencher 
esse falso canal com a obturação (se ele não for 
perfurado, se for perfurado, o tratamento é outro) 
 
 
 
 Causas  
 Cinemática incorreta: forma de uso do instrumento. 
Ex: instrumento de canais curvos e eu instrumento ele 
para canais retos, ou, se sei que um instrumento deve 
ser utilizado em baixa rotação no sentido horário e eu 
faço ao contrário.... 
 Força excessiva: se eu forço a lima a descer 
 Excesso de uso: limas que foram muito utilizadas, 
tendem a fraturar com mais facilidade 
 Escolha inadequada: se eu tenho um dente curvado, 
eu não vou utilizar limas tipo K (porque não são tão 
flexíveis) 
 Para remover esses instrumentos é preconizado o 
ultrassom utilizado em periodontia para fazer raspagem,só que em endodontia possuem pontas especiais para 
endodontia. 
 
Então a primeira coisa que deve-se fazer é: 
 Tentar ultrapassar o instrumento fraturado com uma 
lima 
 Criar um espaço entre o fragmento e o canal 
 Vibrar a ponta do ultrassom, para ver se ela se 
movimenta e sai 
No caso clínico abaixo, houve uma fratura de lima no 
pré-molar superior: 
 
 Na imagem 2, o dentista já conseguiu ultrapassar com 
uma lima manual, ele conseguiu abrir o espaço entre a 
lima fraturada e a lima manual 
 Na imagem 3, com o ultrassom fazendo uma vibração 
com a lima dentro do canal 
Obs: com o ultrassom, associado aos movimentos de 
alargamento (1/4 de volta) + vibramentos do ultrassom, 
essa vibração vai fazer com que a lima saia do canal 
radicular. 
Obs: no caso acima é outra técnica: lima + ultrassom. 
 No entanto, nem todos os casos, vamos conseguir 
remover essa lima do canal: 
5 
 
Sãmya Magalhães 
 
 
 
Existem casos que explicamos para o paciente, 
deixamos ele ciente e acompanhamos o caso, se o 
paciente sentir dor, podemos encaminhar ele para outro 
profissional que tenha mais experiência ou um profissional 
que tenha microscópio operatório. 
Obs: quando o paciente está com uma polpa viva, as 
chances de darem certo são maiores do que em casos 
de polpa necrosada. Devido a polpa viva não está 
infeccionada.. 
 
: NaOCL, inflamação aguda de necrose tecidual 
quando em contato com tecidos moles 
 
 Sintomas: dor aguda, edema, necrose, parestesia, 
reações alérgicas. 
Esse é um quadro muito sério, pois o paciente sente no 
mesmo instante, porque o paciente reclama de muita 
dor. 
 Apesar desse acidente ser bem complicado, ele não é 
a rotina da prática clínica se a gente fizer a irrigação e 
aspiração de maneira correta; 
 
 Como evitar? 
 Não deixar a agulha travar no canal radicular 
 Irrigar e aspirar simultaneamente 
 Fazer movimentos de “vai e vem” na seringa 
 Não deixar a agulha passar do forame 
 
Caso clínico: 
 
Paciente do sexo feminino, 46 anos de idade, sem 
história de reações alérgicas aos compósitos clorados, 
com queixa à percursão no dente 16 
 Como evitar? 
 Irrigação abundante do canal radicular com soro 
fisiológico 
 Amoxicilina 500mg + Clavulanato de Potássio 125mg 
(um comprimido de 8/8 horas durante 7 dias) e Spidufen 
600mg (um envelope 6/6 horas durante 5 dias) 
Obs: o NaOCL promove necrose tecidual, então para 
evitar que haja uma infecção prescrevemos antibiótico. 
 
 
 
 
Nas duas etapas temos que tentar retomar o CTP. 
 Se você obturou aquém: o certo é remover toda a 
obturação, irrigar novamente e conseguir chegar no 
CTP adequado 
 
6 
 
Sãmya Magalhães 
 
 
 Se você obturou além: faz de novo as etapas de 
odontometria, instrumentação e escolha do cone certo 
Obs: em alguns casos, alguns pacientes sentem dor em 
caso de sobreobturação. Se for extravasamento de 
cimento não tem problema. Quando é o cone que é 
extravasado, temos que obturar no comprimento certo 
 pode ocorrer tanto no acesso, 
quanto na instrumentação. 
 
Isso acontece quando a gente não tem conhecimento 
da anatomia interna. 
Podemos evitar a perfuração estudando a anatomia 
interna 
 Tratamento: selar essa perfuração com MTA 
(material mais escolhido) 
 
Abaixo temos uma foto de um caso clínico em que 
houve uma perfuração no assoalho do molar inferior 
 
 Tem um tecido que não corresponde a um canal 
radicular, porque o molar inferior tem dois canais mesiais 
e um distal (não existe esse canal no meio), isso 
corresponde a área de furca. 
 Os endodontistas recomendam que você faça uma 
regularização com uma broca esférica nessa área, depois 
dessa regularização, a perfuração vai estar pronta para 
receber o material de selamento; MTA 
 
 Imagem da perfuração selada! 
 A partir disso pode-se continuar o tratamento 
endodôntico.