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SOLUÇÕES INJETÁVEIS Prof. Ana Paula Z. Frasson Tecnologia Farmacêutica II 4 PREPARAÇÕES PARA APLICAÇÃO PARENTERAL: INJETÁVEIS 4.1 DEFINIÇÃO • Injetáveis são soluções, suspensões ou emulsões estéreis de substâncias medicamentosas, em veículos aquosos, oleosos ou outros apropriados para serem administrados por via parenteral. 4.2 GENERALIDADES • estéreis • livres de pirogênios • Aplicação parenteral grego: para = fora enteron = intestino 4.3 VIAS PARENTERAIS DE ADMINISTRAÇÃO Intravenosa (IV) ou Endovenosa (EV): • Fármaco não sofre absorção • Ação rápida e intensa • Concentrações sanguíneas ideais podem ser alcançadas com precisão. • Situações emergenciais efeito imediato. • Medicamentos aquosos e emulsões O/A até 1000 mL. • Via mais usada para transfusões e retirada de sangue para diagnósticos e doação. • Desvantagem: • No caso de efeitos colaterais o fármaco não pode ser retirado da circulação. Intramuscular (IM): • Efeitos menos rápidos mas mais duradouros do que os obtidos pela via IV. • Podem ser aquosos, oleosos ou suspensões. • Velocidade de absorção: • Soluções aquosas > soluções oleosas > suspensões Intramuscular (IM): • São aplicados profundamente nos músculos esqueléticos, devendo o ponto de aplicação ser o mais distante possível dos nervos e vasos sanguíneos. • Volumes ideais: até 4 mL, podendo chegar a 10 mL. • Podem ocorrer: paralisia por dano neurológico, abscessos, cistos, embolia, hematoma, necrose da pele e formação de cicatriz. Intradérmica (ID): • São produtos para determinações diagnósticas, imunização ou dessensibilização. • Injetados na face anterior do antebraço. • Volume: de 0,06 a 0,18 mL Subcutânea ou Hipodérmica: • Normalmente realizada nos tecidos intersticiais frouxos da face lateral do braço, superfície anterior da coxa ou na região inferior do abdômen. • Volume: 0,3 a 1,3 mL. • Absorção lenta. • Insulina. Intra-arterial: • Ação rápida e intensa. Intra-articular: • Nas áreas que contêm líquidos intra sinovial. 4.4 REQUISITOS 4.4.1 Esterilidade • O medicamento não deve conter micro-organismos e a área de preparação deve garantir condições de assepsia para evitar contaminação. Métodos de Esterilização: Esterilização por Vapor: • Em autoclave: 121o C – 20 min. • Apenas para substâncias resistentes ao aquecimento. • Indicado para materiais e soluções aquosas acondicionadas em recipientes lacrados (ampolas). • Não pode ser usado para óleos, gorduras, preparações oleosas e pós que possam ser danificados pela umidade. Esterilização por Calor Seco: • Realizada em estufa • Necessita temperatura mais elevada e período mais longo que o calor úmido: 160 – 170o C por no mínimo 2 h. • Indicada para substâncias que se alterem pelo calor úmido: óleos fixos, glicerina, vaselina, parafina e pós estáveis ao calor (ex: óxido de zinco). Esterilização por Filtração: • Remoção física dos micro-organismos. • Filtros Millipore®: poros de 14 a 0,025 m. • Menor bactéria: 0,2 m. • Vírus da pólio: 0,025 m. • Rapidez pequenas quantidades • Esterilização de produtos termolábeis; Esterilização por Filtração: • Equipamento relativamente barato • Remoção completa de microrganismos vivos e mortos, além de materiais particulados. • Desvantagens: • Possibilidade de falha na produção do filtro • Filtração de grandes volumes. Esterilização por Gás: • Óxido de etileno ou gás de óxido de propilenoglicol. • Para materiais sensíveis ao calor e umidade. • Exige equipamentos especiais. • 4 a 16 h de exposição a 40-60o C. Esterilização por Radiação Ionizante: • Raios e raios catódicos. • Limitada devido ao equipamento e ação das radiações sobre os produtos e embalagens. 4.4.2 Pirogênios • São substâncias orgânicas, resultantes da excreção ou degradação de micro-organismos, que quando injetadas provocam febre. • São termoestáveis, permanecendo na água após a esterilização. • Podem ser oxidadas por KMnO4 e retirados por filtração. 4.5 VEÍCULOS 4.5.1. Veículos Aquosos • Água purificada por destilação ou osmose reversa. • Não deve conter mais do que 1 mg de sólidos totais em 100 mL. • É livre de pirogênios e usada para produtos que sofrerão esterilização após o envase. Água Estéril para Injeção, USP Água para Injeção, USP • Água para injeção esterilizada em frascos de doses únicas de até 1000 mL. • Não é recomendada para via IV. Água Bacteriostática para Injeção, USP • Água estéril para injeção contendo um ou mais agentes antimicrobianos, os quais devem ser indicados no rótulo, juntamente com sua concentração. • Deve ser acondicionada em frascos ou seringas que não tenham capacidade superior a 30 mL. • Permite múltiplas doses, sendo usada para soluções parenterais de pequenos volumes. Injeção de Ringer, USP • Solução isotônica estéril de NaCl, KCl e CaCl em Água para Injeção. Pode ser usada como veículo ou pura, como repositora de eletrólitos. Injeção de Cloreto de Sódio, USP • Solução isotônica estéril de NaCl (0,9%), em Água para Injeção. Não contém agente antimicrobiano. É indicada para soluções de administração parenteral. Injeção de Cloreto de Sódio Bacteriostático, USP • Solução isotônica estéril de NaCl (0,9%), em Água Bacteriostática para Injeção. Não deve ser usada em recém-nascidos. 4.5.2. Veículos Não-aquosos • Não deve ser irritante, atóxico e não sensibilizante. • Óleos fixos: óleo de milho, semente de algodão • Glicerina • Polietilenoglicóis • Propilenoglicol • Em geral são empregados por via IM • Não devem ser administrados por via IV pois podem ocluir a microcirculação pulmonar. 4.6. ACONDICIONAMENTO • As embalagens, inclusive as tampas, não devem interagir química ou fisicamente com a preparação, nem alterar sua potência ou eficácia. • Vidro incolor ou âmbar claro permitem a inspeção visual • Embalagens dose única: depois de aberta não pode ser fechada novamente – ampolas. • Embalagens doses múltiplas: é hermeticamente fechada mas permite a retirada de porções do medicamento, sem alterar a concentração, qualidade ou pureza das porções restantes. 4.7 ROTULAGEM • O rótulo deve conter: • Nome da preparação; • No caso de preparações líquidas, o conteúdo percentual ou a quantidade do fármaco em um volume especificado; • No caso de preparações secas, a quantidade do fármaco e o volume do líquido a ser adicionado à preparação para obter uma solução ou suspensão; • Via de administração; • Indicação sobre as condições de armazenamento e prazo de validade; • Nome do fabricante ou distribuidor; • Lote e data de fabricação.