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DIDÁTICA Professor Herbert Schützer Professora Sheila Pereira dos Santos Silva 2 SUMÁRIO BLOCO 1: INTRODUÇÃO À DIDÁTICA E O PAPEL DO PROFESSOR ................................. 03 BLOCO 2: APRENDIZAGEM ............................................................................................ 14 BLOCO 3: DIDÁTICA NA PRÁTICA .................................................................................. 23 BLOCO 4: PROJETO PEDAGÓGICO E PLANEJAMENTO DE ENSINO ................................ 33 BLOCO 5: AVALIAÇÃO .................................................................................................... 43 BLOCO 6: DIDÁTICA E O SÉCULO XXI ............................................................................. 59 3 BLOCO 1: INTRODUÇÃO À DIDÁTICA E O PAPEL DO PROFESSOR Neste primeiro bloco vamos conhecer os elementos fundamentais da didática e sua importância para a formação do professor, bem como seus deveres e dilemas. 4 1.1 Conceito de Pedagogia, Ensino e Didática Ensino - definições e características A função da didática é explicar, esclarecer e fazer compreender. O ensino individualizado fica no passado. Conhecer as características dos alunos e, dessa forma, o processo que educadores planejam, executam e avaliam os resultados é sistematizado pela didática. Origens e significados de ensino e instrução Tais conceitos, atualmente, dão outros significados para a Educação, como ensinar, do latim insegnare, que significa marcar com um sinal; em que aquele que ensina deixa uma marca no aluno. E instrução, do latim instruere, que significa erguer, construir, formar; entendendo a instrução como processo e produto. O ato de ensinar O ato de ensinar, considerado não neutro, está situado no tempo e em um lugar. Contribui para produzir um certo tipo de ser humano, sociedade, dando vez e voz aos valores e crenças de grupos sociais. Desenvolvimento de conteúdos Ensinar implica desenvolver conteúdos a partir das propostas da didática. O professor pode organizar-se e dar significados aos novos conhecimentos. O planejamento permite que ele desenvolva as etapas seguintes: APLICAÇÃO - aplicação do novo conhecimento a situações práticas. GENERALIZAÇÃO - o novo conhecimento responde a outros problemas similares cotidianos. ASSIMILAÇÃO - as causas dos fenômenos e integração ao conhecimento prévio do aluno. APRESENTAÇÃO - apresentação da utilidade do novo conhecimento. PREPARAÇÃO - apresentação objetiva do conteúdo e uso de recursos que estimulam os sentidos. 5 Conceituando o processo educacional A Pedagogia é a Ciência da Educação e a educação é um amplo campo de conhecimento no qual a didática se situa. Função da didática Como elemento da educação, a didática exerce várias funções no processo de ensino- aprendizagem, pois prepara o professor para realizar uma análise crítica dos elementos que compõem a prática pedagógica e permite a compreensão do processo de ensino: seus objetivos, conteúdos, estratégias de ensino possíveis e a avaliação da aprendizagem. Relação entre a didática e outras disciplinas pedagógicas A Didática se relaciona com outras disciplinas pedagógicas como ferramenta de ensino. Com métodos e técnicas ela contribui para o desenvolvimento dos entendimentos dos sentidos da educação (Filosofia da Educação), dos condicionantes (Sociologia da Educação) e dos aspectos comportamentais (Psicologia da Educação) que apresenta favorecendo a aprendizagem. 1.2 Didática na formação do professor Didática e docência A Didática constitui-se em um dos ramos mais importantes da pedagogia, formando um conjunto de conhecimentos que busca investigar os fundamentos, contextos e formas de realização da instrução, sendo a imperativa para o processo ensinar/aprender. Didática na formação docente Os docentes precisam dominar as bases teóricas e suas articulações com o ensino real, dessa forma poderão reavaliar sua prática educativa. Os objetivos a serem alcançados dependem de um planejamento, cujas metas e ações tenham a didática como ferramenta que o docente aplica dentro das possibilidades para trilhar o caminho da aprendizagem. 6 Contribuição da didática para a formação de professores Todo bom professor necessita ser teoricamente bem fundamentado, exercer reflexões críticas sobre a educação, planejar e atuar como mediador entre o conhecimento e o aprendiz, na reprodução, produção e transformação do conhecimento. Prática pedagógica Para desenvolver a aprendizagem, é preciso que exista a situação de ensino que ocorre entre professor e alunos, em que o professor transmite, organiza a construção e a assimilação de conhecimentos usando diferentes recursos e instrumentos. Os valores e crenças da equipe pedagógica e de sua localidade reforçam a atuação do professor num contexto sociocultural. Competências do professor Para o bom desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem, o professor deve: • Identificar os condicionamentos da prática pedagógica. • Identificar limites do educador e maneiras de superá-los. • Redigir um planejamento coerente. • Desenvolver habilidades emocionais e habilidade comunicativas. • Possibilitar relações interpessoais e a democracia. Características da escolarização O processo educacional requer uma série de elementos, como organização, espaços e regras. Nesse sentido, é importante observar as seguintes condições que precisar estar ordenadas: • Espaços definidos para educar. • Horários rígidos. • Seleção de conteúdos apropriados. • Obrigatoriedade de frequência. • Avaliação e certificação da aprendizagem. 7 1.3 Os saberes docentes Em termos gerais, podemos entender que o processo de ensino é a sequência de atividades do professor e dos alunos que visa a assimilação de conhecimentos e o desenvolvimento de habilidades e atitudes. Esse processo se insere em um universo que: • Abrange a dinâmica de relações sociais e interesses de grupos sociais específicos; • Inclui uma prática pedagógica que é determinada pelo contexto econômico, social e cultural; • Abrange o desempenho de papéis de professores e alunos em diversas situações. O professor é considerado um mediador entre o aluno e as matérias que serão conhecidas. Para isso, o professor organiza materiais, recursos, ambientes e condições para que ocorra a atividade de aprendizagem dos alunos. Importante destacar, todavia, que a ação do professor é condicionada por sua filosofia de vida, por suas convicções políticas, por sua competência profissional e por suas preferências em relação a métodos de trabalho, entre outras. O ensino, portanto, não é uma ação neutra na qual há um conhecimento a transmitir/apreender, mas é um processo multidimensional. O fato de ser multidimensional e acontecer em um universo complexo, exige do professor uma multiplicidade de saberes. Podemos dizer que os saberes do professor possuem três dimensões fundamentais: a humana, a técnica e a político-social. 1) Dimensão humana: composta pelas relações interpessoais, grupais e pelos aspectos subjetivos. 2) Dimensão técnica: envolve a capacidade de conduzir o processo de ensino levando o aluno ao aprendizado por meio de uma ação sistemática e a capacidade de planejar, selecionar conteúdos, estratégias de ensino, avaliar, ou seja, de dominar os aspectos objetivos do ensino. 3) Dimensão político-social: ligada à compreensão que o educador possui em relação a sua cultura e à sociedade e os compromissos políticos que assume durante o ato de ensinar. Em outras palavras, trata-se de ter consciência de como o seu trabalho educativo colabora para formar um certo tipo de cidadão e de sociedade. As visões reducionistas sobre o ensino costumam afirmar apenasuma dessas dimensões e negar que elas devem caminhar juntas, ou seja, uma junção das três dimensões: a humanista, a técnica e a político-social. 8 Os saberes do professor se referem a essas dimensões no ato de ensinar. Esses saberes são desenvolvidos durante a formação inicial e a formação continuada dos professores. Hoje, no Brasil, temos uma Base Nacional Comum que defende que a formação de professores no país deve se assentar em cinco eixos: 1) em sólida formação teórica; 2) na unidade teoria e prática durante o processo de formação; 3) no compromisso social e a democratização da escola; 4) no trabalho coletivo; 5) na articulação entre a formação inicial e continuada. Aqui, vamos comentar os dois primeiros eixos. Uma sólida formação teórica é composta por: saberes conceituais e metodológicos da área que ele irá ensinar; saberes integradores, que são os relativos ao ensino dessa área; e saberes pedagógicos. A cada um deles está relacionado um saber fazer, ou seja, uma relação teoria e prática. a) Saberes conceituais e metodológicos da área específica: significa saber o conteúdo a ser ensinado. Mesmo sendo muito importante o professor conhecer bem o conteúdo a ensinar, ele não pode ser apenas um repetidor de conteúdos para os alunos, como se fosse uma máquina. Ele precisa ser capaz de analisar, fazer uma crítica fundamentada dos conteúdos dos livros de sua área e tentar identificar quais foram as questões que fizeram o ser humano produzir aquele conhecimento e como esse conhecimento foi produzido. Saber os métodos para produzir conhecimento utilizados pela área do conteúdo que ensina é tão importante quanto saber o conhecimento que foi produzido. Quando o professor sabe as razões, os problemas que geraram a necessidade de produção de certo conhecimento, ele se torna capaz de dizer aos alunos se esse conhecimento ainda serve para alguma coisa nos dias de hoje. Quando o professor conhece os métodos de produção desse conhecimento, ele se torna capaz de dizer se eles são confiáveis ou não e, também, torna-se capaz de provocar seus alunos a construírem novos conhecimentos que podem, ou não, superar os conhecimentos que já existem. O importante é ensinar que a produção de conhecimento é dinâmica, e que o conhecimento é gerado a partir de problemas que a humanidade decidiu que seriam importantes resolver e que pode ser atualizado ou completamente reformulado pelas pessoas nos dias atuais. Muito conhecimento foi produzido em tempos e ocasiões em que os materiais e métodos para tais 9 descobertas eram limitados, e esse é um dos fatores que justificam a necessidade de sua atualização por meio dos instrumentos dos quais dispomos hoje. Com o objetivo de preparar os alunos para fazerem descobertas, o professor pode tentar reconstruir com eles o caminho que fizeram as pessoas que produziram aquele conhecimento. Quando o professor conhece o conteúdo que pretende ensinar, ele tem condições de planejar um ensino que rompa com uma simples memorização de fatos e com uma assimilação medianamente compreensível de conceitos e sistemas conceituais pelos alunos. O professor deve planejar e desenvolver atividades de ensino que permitam que seus alunos trabalhem os aspectos conceituais, procedimentais e atitudinais presentes nos conteúdos escolares de forma inter-relacionada. b) Saberes integradores: são os saberes relacionados ao ensino dos conteúdos escolares e provenientes das pesquisas realizadas na área de ensino do conteúdo específico. O conteúdo escolar proposto aos alunos não pode se reduzir a uma coleção de fatos, conceitos, leis e teorias, como tradicionalmente ocorre. O professor de hoje tem que refletir, ser crítico e saber que nem sempre a melhor maneira de ensinar é igual à maneira como foi ensinado. Ele precisa ter consciência de quando deve mudar e o que deve ser feito para mudar a forma de ensinar. Para isso, é importante analisar o que pode produzir de efeitos nos alunos quando seleciona essa ou aquela técnica de ensino, esse ou aquele recurso didático. O professor precisa se permitir ser criativo e renovar as práticas didáticas tradicionalmente conhecidas. Precisa estar atento ao conhecimento que os estudantes já trazem para a escola em razão de suas experiências de vida e saber que tudo o que se propuser a ensinar deve “dialogar” com esses conhecimentos prévios dos alunos. Atenção: diálogo não significa sempre concordância, pode ser que novos conhecimentos entrem em conflito com o que o aluno já sabe e isso exigirá um trabalho mediador do professor para que ideias equivocadas sejam substituídas por outras mais confiáveis. A concepção construtivista, por exemplo, entende a aprendizagem dos alunos como uma (re)construção de conhecimento a partir de seus conceitos iniciais, e que evoluem por meio de atividades de ensino nas quais situações problemáticas de interesse dos alunos são exploradas e o professor propõe uma organização do trabalho que resulte na produção de conhecimento por e para eles. 10 Ao planejar o ensino, o professor deve se preocupar em fornecer estímulos e oportunidades para que o aluno construa conhecimentos, desenvolva habilidades e atitudes, tudo de maneira integrada. Ensinar é um ato intencional do professor com vistas a atingir objetivos de aprendizagem dos alunos. O professor tem uma linguagem que desenvolveu ao longo de sua formação acadêmica. Uma das funções da escola é introduzir o aluno nessa nova linguagem, mas sem desmerecer o modo habitual de os alunos se expressarem, porque isso não é justo com suas histórias de vida e pode inibi-los, se forem censurados. O aprendizado de uma nova forma de se expressar ocorrerá lentamente ao passo que o professor der oportunidade aos estudantes de exporem suas ideias sobre os fenômenos estudados, criar um ambiente encorajador para que eles adquiram segurança e envolvimento com o mundo e com o linguajar da ciência. Os alunos precisam aprender a questionar, a testar possíveis soluções, a identificar o que deu certo e o que não deu, precisam aprender a argumentar sobre as decisões que tomaram, seja individual ou coletivamente. c) Saberes pedagógicos: os saberes pedagógicos são aqueles provenientes de várias áreas da Pedagogia, integrados nos atos de ensinar, planejar, executar e avaliar a eficácia do ensino. Algumas vezes eles são entendidos como sinônimos dos saberes integradores, mas enquanto estes estão voltados a saber trabalhar integradamente as três dimensões dos conteúdos e promover o desenvolvimento integral dos alunos, os saberes pedagógicos se relacionam a uma compreensão ampla da Educação, do universo no qual se insere o seu trabalho educativo, uma compreensão integrada dos componentes contextuais da escola. Eles abrangem o saber avaliar, o compreender as interações professor-aluno, o identificar o caráter social do conhecimento etc. Entre esses saberes estão aqueles que o professor desenvolve durante sua profissionalização, em sua atuação no ambiente escolar, no contexto em que a escola se insere e com o qual o professor precisa saber se relacionar, porque os aspectos contextuais interferem no seu trabalho e na aprendizagem dos alunos. Em resumo, o professor não pode ter uma visão alienada e imaginar que basta planejar boas aulas para que a aprendizagem de todos aconteça, é preciso ter uma visão ampla das questões sociais e organizacionais que permeiam o seu trabalho e ter noção de que as decisões didáticas 11 que toma em seu trabalho produzem consequências na vida dos alunos, na própria vida e na vida da sociedade. 1.4 Pesquisa sobre o ato de ensinar No vídeo indicado a seguir, é discutida a importância da aproximação entre a pesquisa e o aluno, para transformar os saberes. Para Paulo Freire, o professor deve procurar trazer os novos conhecimentospara a sala de aula, para dar um caráter ativo ao saber. A pesquisa ajuda a dar ao conhecimento uma prática dinâmica. Os saberes dos alunos também devem ser considerados, para que professores e alunos possam aprender juntos. Segundo o autor, qualquer disciplina pode executar esse método de integração para que alunos de qualquer nível possa fazer descobertas e se tornar sujeito do seu próprio conhecimento. 1.5 Deveres e dilemas éticos na profissão Competências do professor e dilemas éticos O profissional deve ser orientado pela ética, pois é comum que enfrente alguns dilemas. Toda pessoa pode errar, mesmo tentando ser responsável, justa e solidária. Por isso, torna-se necessária a reflexão constante sobre a atuação cotidiana, de forma a poder redirecionar suas ações e trajetória do ensino, procurando deixar clara sua posição política e manter o compromisso com as regras acordadas com os educandos. Assim, diante dos dilemas, o professor pode sempre encontrar uma saída que encaminhe a educação para seu objetivo, que é a aprendizagem do aluno. Dilema 1: Prevenir a violência na escola e fora dela Criar sistemas para conter a violência (que pode ser violento) ou deixar tudo como está? ENSINAR Exige Pesquisa: Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire. Publicado em 22 jun. 2015. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=2NfxvONcboo>. Acesso em: 4 set. 2018. 12 Convencer os alunos de que a violência não compensa (a violência simbólica praticada na escola não compensa para todos? A chacota (bullying), por exemplo, compensa para alguns alunos que a praticam regularmente.) Possível saída Negociar as regras com os alunos. Dilema 2: Lutar contra preconceitos e discriminações sexuais, étnicas e sociais Conformar-se e deixar como está porque é difícil mudar, ou tentar tirá-los da cabeça dos alunos? Direcionar o tempo para cumprir o programa ou analisar as situações com os alunos? o Possível saída Promover, incessantemente, a reflexão dos alunos. Dilema 3: Participar da criação de regras de vida comum Saber que tem o dever de ser um professor comprometido, mas não ser. Perceber que os alunos não obedecem às regras criadas por eles: insistir ou retroceder? o Possível saída Reforçar o próprio comprometimento. Dilema 4: Analisar a relação pedagógica, a autoridade e a comunicação em aula O professor conhece os próprios sentimentos em relação aos alunos? Comportar-se de maneira distante ou atender às necessidades de afeto dos alunos. o Possível saída Investir no próprio desenvolvimento pessoal para que consiga analisar como se comporta com os alunos. Dilema 5: Desenvolver o senso de responsabilidade, solidariedade e o sentimento de justiça Correr o risco de errar na tentativa de ser justo ou evitar julgar? o Possível saída Para que o professor não tenha medo de correr o risco, os direitos e deveres dos alunos e dos professores precisam ser claros e aceitos por todos. 13 Fechamento Neste bloco tivemos a oportunidade de conhecer alguns conceitos e práticas do ensino e a função da didática na formação do professor. Conhecemos também os dilemas éticos que ele enfrenta no desempenho da sua função e as competências necessárias para a qualidade da prática docente. Referências ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 2003. BOURDIEU, Pierre. A reprodução. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1992. CANDAU, Vera Maria. Didática em questão. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1984. FREIRE. P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 22. ed. Rio de Janeiro: 2002. LIBÂNEO, J. C. Pedagogos, para quê? São Paulo: Cortez, 1990. LUCKESI, C. C. O papel da didática na formação do educador. In CANDAU, Vera (org.). A Didática em questão. Petrópolis: Vozes, 2001. PERRENOUD, Philippe. As competências para ensinar no século XXI. Porto Alegre: Artmed Editora, 2014. 14 BLOCO 2: APRENDIZAGEM Neste bloco estudaremos os tipos de aprendizagem a partir dos conceitos de alguns estudiosos sobre o tema, como Ausubel, Skinner, Rogers, entre outros, para conhecermos melhor as propostas das escolas psicológicas da aprendizagem. A seguir, veremos os ritmos existentes da aprendizagem e as necessidades de diversificação das práticas para se atingir os objetivos educacionais a partir das propostas de Gardner. Completaremos o tema com a progressão da aprendizagem e sua organização e direção na instituição escolar. 15 2.1 Tipos de aprendizagem Os tipos de aprendizagem são: • Comportamentalista (Behaviorista) – Principais teóricos: Watson e Skinner • Cognitivista – Principais teóricos: Piaget e Ausubel • Humanista – Principal teórico: Rogers • Sociointeracionista (sócio-histórica) – Principal teórico: Vygotsky Aprendizagem comportamentalista (Behaviorista) A matriz comportamentalista parte do pressuposto que o organismo está sujeito às influências do meio e que a experiência é a base do conhecimento, sendo assim, o comportamento humano pode ser modificado com a mudança de ambiente. Watson: propôs estudar o comportamento a partir das condutas observáveis que seriam descritas na forma de estímulo e resposta (E – R). Skinner: analisou a aprendizagem a partir do condicionamento operante, um comportamento condicionado pela repetição de tal forma que o aluno aprenda de forma mecânica e automática. Aprendizagem cognitivista Para os cognitivistas, a aprendizagem vai além das influências do ambiente, o ser humano procura saber como funciona o mundo e, para que alcance esse objetivo, é preciso de estímulos para o desenvolvimento dos mecanismos intelectuais que possibilitam a aquisição de novos conhecimentos. Piaget: deu ênfase ao desenvolvimento do sujeito e aos aspectos relacionados com a aprendizagem, que evolui desde o nascimento do sujeito, passando pelos estágios pré- operatório, operatório concreto e formal, da infância ao amadurecimento. Ausubel: desenvolveu a teoria da aprendizagem significativa, que procurou explicar os mecanismos internos da mente e suas relações com o aprendizado e a elaboração do conhecimento do sujeito. 16 Aprendizagem humanista Essa abordagem trata dos sentimentos, valores e expectativas e, nesse sentido, os processos cognitivos envolvem o afetivo, o social, o psicomotor e a personalidade humana. A totalidade do ser humano está centrada no contínuo desenvolvimento da aprendizagem. Rogers: a capacidade interior do ser humano é a base da sua teoria. Em todas as pessoas existe um impulso inerente para a autonomia e, ao desenvolver-se, o sujeito ativa as capacidades orgânicas. Aprendizagem sócio-histórica Essa abordagem é constituída de duas partes relacionadas, uma são as condições socioeconômicas e políticas, relacionadas à vida da comunidade na qual se vive, e a outra é formada pelos elementos simbólicos e as representações em que o sujeito vinculado se encontra em diferentes fases da vida. Vygotsky: são duas as formas de funcionamento da mente, a primeira é a elementar: de origem genética, denominada estágio sensorial-motor, a segunda são os processos superiores: que são construídos pela história social do indivíduo na sua relação com o mundo. 2.2 Ritmos de aprendizagem Sobre os ritmos de aprendizagem, considere que: • Cada criança apresenta um ritmo próprio no seu processo de desenvolvimento. • A história de cada uma delas é particular e única, decorrente da sua estrutura biológica, psicológica, social e cultural. • Nem todos aprendem ao mesmo tempo as mesmas coisas. Tipos de ritmos que os alunos podem apresentar • Sensíveis • Pragmáticos • Competitivos • Lentos • Portadores de necessidades especiais • Superdotados 17 Diversificar é necessário O ritmo de aprendizagem não está relacionado com as capacidadesintelectuais, mas com a motivação e interesse que a pessoa tem sobre o assunto, por isso promover o envolvimento do aluno é uma das missões do professor, com “mais do mesmo” não é possível conseguir que o aluno se envolva e aprenda. Para diversificar, há a necessidade do envolvimento de todos. Gardner (1995) Howard Gardner, importante estudioso americano, investigou a natureza e realização das potencialidades humanas, estudando a respeito dos talentos internos das crianças. Seu principal objeto eram os alunos que, em suas séries escolares, eram rotulados de alunos “incapazes” de aprender. A partir da ideia de que era possível medir o Quociente de Inteligência de forma genérica e única, que acabava por desmerecer muitos talentos, Gardner (1995, p. 22) realizou o estudo das multiformas de inteligência, a Teoria das Inteligências Múltiplas, na qual a mente é um instrumento multifacetado. Multifaces da inteligência de Gardner Defendeu a existência de sete inteligências que funcionam combinadas, e qualquer papel adulto sofisticado envolverá uma fusão de várias delas. 1. verbal ou linguística 2. lógico-matemática 3. sinestésica corporal 4. espacial 5. musical 6. interpessoal 7. intrapessoal Vygotsky O desenvolvimento dos indivíduos parte das interações com o meio social no qual está inserido, devido as formas psicológicas mais sofisticadas que decorrerem das interações da vida social. 18 As diferenças na sala de aula Na prática educacional é preciso ter consciência de que os estilos de aprendizagem e as inteligências individuais devem nortear o estilo de ensino (Perrenoud, 2002). Dessa premissa, deve-se considerar as questões a seguir: • Novas práticas que levem em conta os perfis individuais de inteligência; • Individuo faz uma interpretação pessoal da realidade; • Cada indivíduo utiliza um conjunto de estratégias cognitivas que mobilizam na aprendizagem; • Em suma, cada pessoa aprende a seu ritmo, modo e estilo. Metodologia diversificada As dificuldades de aprendizagem ocorrem pelo fato de alguns professores não conseguirem dominar suas práticas pedagógicas em sala de aula, as metodologias que ajudem a superação das dificuldades do processo. Nesse contexto, existem diversas práticas metodológicas que, quando executados de maneira eficaz, podem fazer a diferença no ensino. Assim, didática é a ferramenta para estimular a aprendizagem para ser desenvolvida nos espaços educacionais, podem ser: o Atividades abertas diversificadas Prática do ensino Ações educativas O fenômeno educativo é uma ação que acontece em vários ambientes, no escolar (LIBÂNEO, 2005). Na escola encontramos as ações em que são praticadas como prática educativa, que pode ser considerada como um meio eficaz para o desenvolvimento educacional. Suas ações não se dão de forma isolada das relações sociais, políticas, culturais e econômicas da sociedade. As ações educativas abrangem as seguintes ações e práticas: • Atividades de ensino-aprendizagem, materiais didáticos e curriculares diversificados e diversificáveis. 19 • Conjunto de ajudas e apoios variáveis, em quantidade e qualidade, na realização das atividades. • A adaptação curricular significativa de alcance individual e grupal. 2.3 Progressão de aprendizagem A seguir, apresentamos algumas práticas a partir da pedagogia diferenciada, tendo em vista a progressão de cada aluno: 1) ajustar situações-problema ao nível do aluno; 2) visão linear dos objetivos do ensino; 3) teoria e prática nas atividades de aprendizagem; 4) abordagem formativa ao avaliar o aluno em situação de aprendizagem; 5) observar resultados e tomar decisões de progressão; 6) teoria dos ciclos de aprendizagem de Perrenoud. Tópico 1: ajustar situações-problema ao nível do aluno Cada aluno percorre um percurso individual no processo de aprendizagem. Dessa forma, o melhor procedimento será adotar uma perspectiva de longo prazo para que cada aluno possa a seu tempo se desenvolver. O papel do professor ganha maior importância nas decisões da progressão em decorrência da diferença de tempo de cada um. Tópico 2: visão linear dos objetivos do ensino Espera-se que o professor tenha como prática colocar cada aluno, individualmente, em situações de aprendizagem ideais, levando em conta os conhecimentos prévios, seus interesses e sua interação com o saber. Tópico 3: teoria e prática nas atividades de aprendizagem A responsabilidade pela motivação dos alunos transcende os domínios do professor, porém focaliza a contribuição deste com o que lhe for tangível. 20 Tópico 4: abordagem formativa ao avaliar o aluno em situação de aprendizagem O ensinar e o aprender devem ser o objetivo na prática cotidiana, pois é no desenvolvimento da aprendizagem que o professor pode avaliar cada um e suas habilidades, de forma a procurar os significados da avaliação da aprendizagem. Tópico 5: observar resultados e tomar decisões de progressão No processo de ensino-aprendizagem o mais importante é ter dados periódicos sobre as competências dos alunos para tomar decisões de progressão, para que na seleção das avaliações sejam realizadas orientações com o grupo ou individualmente, inclusive envolvendo outros profissionais e a família. Tópico 6: teoria dos ciclos de aprendizagem de Perrenoud O autor defende os Ciclos de Aprendizagem como forma de organização educacional para enfrentar o fracasso escolar. Os ciclos podem garantir a progressão da aprendizagem levando em conta o tempo de cada um, desde que os objetivos sejam claros para os professores e alunos, empregando-se uma pedagogia diferenciada e com a utilização de avaliação formativa e trabalho coletivo do corpo docente. 2.4 Organização e direção de situações de aprendizagem No vídeo “Maurício Pietrocola fala sobre estratégias de ensino”, o Professor Maurício Pietrocola fala sobre as estratégias que o professor precisa adotar de acordo com o conteúdo que irá abordar, tomando cuidado em fazer a transposição didática do conhecimento científico para que o conteúdo possa ser absorvido pelos educandos, pois o aluno não possui os conhecimentos da ciência. Os professores devem ficar atentos aos saberes dos alunos, que hoje é substancial em virtude do domínio tecnológico que já possuem e, dessa forma, oferecer aos educandos uma proposta metodológica que favorece o protagonismo dos alunos. Muitas vezes o protagonismo fica na proposta e não ocorre na sala de aula, por isso, o professor deve buscar situações de aprendizagem para cada conteúdo que irá desenvolver. 21 Fechamento Conhecemos conceitualmente as propostas teóricas sobre a aprendizagem e, dessa forma, pudemos perceber que existem diferentes teorias sobre as formas que o ser humano aprende ou pode aprender. Vimos que a partir dos tipos de aprendizagem é possível ao professor desenvolver métodos diversificados para alcançar os objetivos de qualidade da aprendizagem. Observamos também, que cada aluno apresenta um ritmo próprio e, em virtude dessa característica humana, a educação e o professor devem estar preparados para diversificar, ofertando ao aluno uma ampla possibilidade de desenvolver seus saberes. Finalmente, vimos a experiência da condução de um processo de aprendizagem e como se pode organizar uma atividade que estimule o aluno a ser sujeito do seu próprio conhecimento. TV CCP. Maurício Pietrocola fala sobre estratégias de ensino. Publicado em 5 de jun. 2017. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=UFPGPsV8ZBU>. Acesso em: 13 set. 2018. https://www.youtube.com/watch?v=UFPGPsV8ZBU 22 Referências GARDNER, Howard. Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. GASPAR, A.; MONTEIRO, I. C. Atividades experimentais de demonstraçõesem sala de aula: uma análise segundo o referencial da teoria de Vygotsky. Investigações em Ensino de Ciências. v. 10, n. 2, p. 227-254, 2005. LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e pedagogos, para quê? 8. ed. São Paulo: Cortez, 2005. PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar. Porto alegre: artes Médicas Sul, 2000. REGO, T. C. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. 13.ed. São Paulo: Editora Vozes. 2002. 23 BLOCO 3: DIDÁTICA NA PRÁTICA Neste bloco vamos conhecer alguns aspectos das relações ensino-aprendizagem. Abordaremos os conceitos dessas relações e as possíveis metodologias que podem garantir o melhor aproveitamento da relação ensinar-aprender. Dessa forma, desenvolveremos a consciência da importância da boa formação docente para a construção da postura esperada do bom educador em prol da melhor aprendizagem, que garanta ao educando a capacidade de se tornar sujeito da sua história. Conhecer os tipos de métodos e técnicas de ensino permitirá que o estudante construa a percepção das possibilidades disponíveis para serem aplicadas nas inúmeras situações de ensino que se apresentarem no desempenho da função docente. 24 3.1 A relação do ensino e aprendizagem Dois conceitos Na relação ensino-aprendizagem o processo envolve dois conceitos, o de ensino, que é o ato de ensinar, de transmitir conhecimentos, e a aprendizagem, que se constitui no método relacionado com o ato ou efeito de aprender. Ensino-aprendizagem Ensino-aprendizagem é um termo que define um processo complexo formado por um sistema de interações comportamentais entre professores e alunos. Nessa relação entre os componentes, o professor procura ensinar e o aluno aprende em uma situação diferente daquela que teria sem o auxílio de alguém. Relação comportamental O processo ensino-aprendizagem inclui os comportamentos complexos e difíceis de perceber na relação professor-aluno. Principalmente por ser uma relação constituída por múltiplos componentes em interação. Ensinar e aprender A relação é constituída por uma interação entre dois organismos. Mas as perguntas sobre a interação aparecem a respeito do que é ensinar... e o que é aprender? As definições são comuns: transmitir conhecimento ou conteúdo. Paulo Freire (1971), apontou que essas expressões são compatíveis com o que ele define como “concepção bancária” de educação, que não permite o desenvolvimento de uma educação adequada. Comportamento de ensinar É uma relação crítica, que envolve e coloca em interação três efeitos: o efeito do que o professor faz, o efeito no aluno e a efetiva aprendizagem do aluno. Quadro 3.1: Situações de ensino 25 Fonte: adaptado de Kubo e Botomé (2001). Dessa forma, deve-se observar a situação antecedente, como os objetivos de ensino definidos, as características dos aprendizes e as matérias e condições de ensino; a seguir, a classe de respostas do professor e, finalmente, a situação consequente, o desempenho do educando. Comportamentos do aprender Deve-se observar o comportamento do aluno a partir de duas situações, a que é composta pelos três componentes do processo, situação, ação e resultados, e pela variável do organismo que não aprendeu, e sua interação com a aprendizagem (PERRENOUD, 2014). Os aspectos da situação de aprendizagem na qual o sujeito (aluno) está inserido não necessariamente são percebidos por ele, que age segundo o contexto social do meio. 3.2 Educação problematizadora Concepção problematizadora 26 Crítica ao ensino do sistema capitalista que forma o homem não pensante e desumanizado. A educação deve priorizar o pensamento libertador, possibilitando plenas condições de atuar em seu contexto social, pois somente o homem é capaz de refletir sobre si mesmo (FREIRE, 1971). Educação Bancária Paulo Freire classificou a educação organizada pelo sistema capitalista como uma educação que neutraliza a conduta social das classes subalternas cujo método de aprendizado implantado não atendia às necessidades político-filosóficas e educacionais. Para Freire, a educação é o ato de depositar, transferir e transmitir valores e conhecimentos. Educação opressora Na prática educacional opressora o educador é o que educa; os educandos, os que são educados. O educador é o que sabe; os educandos, os que não sabem. O educador é o que pensa; os educandos, os pensados. E o educador é o que diz a palavra; os educandos, os que a escutam docilmente (FREIRE, 1989). Tomada de consciência Segundo Fochezatto e Conceição (2012), somente ao enxergar criticamente a ausência de ética, será possível acreditar em si e na união com seus pares para enfrentar a alienação em que está envolvido. Educação libertadora Para atingir esses objetivos a educação deve proporcionar uma concepção político-pedagógica onde prevaleça o diálogo problematizador que estimule a reflexão e, dessa forma, a ação, na qual o educando possa intervir no processo e, assim, tornar-se sujeito da própria história (FREIRE, 1976). 27 A educação problematizadora pode desenvolver a dialogicidade, criando uma nova relação, a do educador-educando e a do educando-educador. 3.3 Métodos e técnicas de ensino Métodos e técnicas O monge luterano Jean Amos Comenius (1592-1670) foi o primeiro educador a propor um método universal como arte de "ensinar tudo a todos“. Métodos e técnicas se constituem a maneira pela qual o professor, ou o instrutor de ensino, utiliza para ensinar aos seus alunos. É a didática a ciência que estuda os métodos e técnicas de ensino. Tipos de métodos Os tipos de métodos são agrupados em duas categorias, os tradicionais, normalmente passivos, e os modernos, ativos-participativos. Aplicar métodos e técnicas Para aplicar os métodos e técnicas de ensino, deve-se considerar os saberes docentes, que são formados pela experiência que ele traz consigo, o conhecimento e como utiliza, e os saberes pedagógicos, que o permite saber ensinar. Saberes do Professor Para Saviani (1996), o processo educativo é um fenômeno complexo, os saberes envolvidos também são. Nesse sentido, o educador deve dominar cinco saberes, o didático-curricular, o pedagógico, o conteúdo específico, o crítico-contextual e o atitudinal. Quatro autores elencam em três categorias os saberes necessários para que o professor seja bem-formado. Veja a tabela 3.1 a seguir: Tabela 3.1: Conhecimentos para a boa formação docente 28 Fonte: Brighenti; Biavatti; Souza, 2015. Metodologia do ensino A metodologia do ensino inclui método e técnicas de ensino. O método se aplica por meio de técnicas de ensino. O método de ensino compõe-se de um “conjunto de procedimentos lógica e psicologicamente ordenados” utilizados pelo professor a fim de “levar o educando a elaborar conhecimentos, adquirir técnicas ou habilidades e a incorporar atitudes e ideais. A efetivação do processo de ensino deve considerar três dimensões, a individual, a em grupo, a coletiva e a socializada-individualizante. Os métodos de ensino constituem-se na aplicação da reflexão, da inovação, da problematização, do trabalho em grupo e da mediação e facilitação pelo professor. Os métodos de ensino podem ser definidos conforme observa-se na Tabela 3.2, a seguir: Tabela 3.2: Definições e principais métodos de ensino Fonte: Brighenti; Biavatti; Souza (2015). 29 Que métodos e técnicas utilizar A escolha do melhor método em um determinado contexto deve observar os objetivos para tal, considerando o tempo disponível para sua aplicação, o tipo de aluno, o assunto e as condições materiais disponíveis para o desenvolvimento da aprendizagem. Diante desse contexto, o professor deve escolher a melhor maneira de apresentar o conhecimento, tendo à disposiçãoos métodos expositivo, ativo, comparativo, dialético, interrogativo e demonstrativo. 3.4 Envolvimento do aluno O que é o envolvimento do aluno com a aprendizagem? Sinônimo de envolvimento escolar, é expressa na forma como o aluno participa das aulas e atividades escolares. Pode ser demonstrado como um comportamento passivo ou ativo. Em língua portuguesa, é importante perceber que a palavra envolvimento pode ser interpretada de forma diferente da palavra comprometimento. E então, queremos alunos apenas envolvidos ou totalmente comprometidos com a aprendizagem? Queremos alunos formados pela integração de pensamentos, sentimentos e comportamentos em situações de aprendizagem. Pensamentos do aluno sobre: • a importância da escola; • as próprias aspirações pessoais; • a capacidade de definir objetivos de vida e aprendizagem. Sentimentos se relacionam à sensação de pertencer a um grupo (colegas da escola, professores e comunidade em geral). Comportamentos podem demonstrar alunos interessados/desinteressados, disciplinados/indisciplinados em situações de aprendizagem. 30 Envolvimento + disciplina + ação do professor Segundo Velázquez (2004, p. 23-24), pesquisas mostram que o envolvimento está ligado ao interesse do aluno. • Aluno mais envolvido = melhor resultado acadêmico = comportamentos negativos na escola (indisciplina) menos frequentes. • Ação do professor = identificar e auxiliar o aluno a identificar os próprios interesses de aprendizagem. Autoridade x Autoritarismo AUTORIDADE = uma característica atribuída àqueles que detêm um conhecimento ou são exemplos morais. AUTORITARISMO = imposição de uma autoridade que alguém detém devido à posição que ocupa em uma organização social. Envolvimento + disciplina + ação do professor Para manter a disciplina, a escola costuma usar basicamente três estratégias: 1. Usar a força: ameaças e punições aplicadas aos estudantes (autoritarismo). 2. Chantagem afetiva: sensibilizar o estudante a se comportar bem para não romper com a relação de amizade com o professor ou com a turma (autoritarismo). 3. Ensinar o aluno a se responsabilizar por seus atos (autoridade). Ações do professor 1. Construir sua autoridade. 2. Ajudar o aluno a identificar os próprios interesses. 3. Criar atividades ligadas aos interesses dos alunos. 4. Criar código de regras de conduta juntamente com os alunos. 5. Prevenir comportamentos indisciplinados por meio do diálogo. 31 3.5 O professor como mediador da aprendizagem No vídeo indicado a seguir, sobre as propostas de Paulo Freire, é discutida a questão do comprometimento do professor. Para que tal proposta se consolide, é necessário que ele exponha aos alunos suas convicções, posição política e a autocrítica. O professor deve fortalecer as relações de confiança sendo claro e verdadeiro, para desenvolver a autonomia do aluno. Nesse sentido, o professor deve estar sempre observando os alunos e seus comportamentos. Lendo o espaço da sala de aula, o professor pode perceber o que está acontecendo no espaço pedagógico. Outra questão a ser coloca para o aluno é a política, para o desenvolvimento da criticidade e da necessidade que o educando dever ter ao fazer escolhas, pois vida é constituída de escolhas. Para que isso aconteça de forma imparcial, o professor deve ter um comprometimento ético com o saber, para não influenciar as escolhas dos alunos. Fechamento O bloco proporcionou o conhecimento da didática na prática. A partir das relações ensino- aprendizagem, percebeu-se que ela envolve inúmeros conceitos e dimensões que contribuem para a prática docente. A metodologia do ensino, discutida a partir dos métodos e técnicas de ensino, permitiu a reflexão sobre as possibilidades do desenvolvimento da aprendizagem por meio das escolhas corretas pelo professor para aplicá-las nas aulas. Para isso, conhecemos a necessidade da boa formação do professor, bem como o seu comprometimento com a educação. FONSECA. A. A. Cap. 3.2 Ensinar exige comprometimento. Pedagogia da autonomia, de Paulo Freire. Publicado em 15 de março de 2017. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=jSOjZd0Q1Vk>. Acesso em: 21 set. 2019. 32 Referências BRIGHENTI, J.; BIAVATTI, V. T.; SOUZA, T. R. Metodologias de ensino-aprendizagem: uma abordagem sob a percepção dos alunos. Revista GUAL, Florianópolis, v. 8, n. 3, p. 281-304, set. 2015. FOCHEZATTO, A.; CONCEIÇÃO, G. H. A proposta da educação problematizadora no pensamento Paulo Freire. Disponível em: <acervo.paulofreire.org/xmlui/bitstream/handle/.../FPF_PTPF_07_0004.pdf>. Acesso em: 10 set. 2018. FREIRE, P. A pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1971. __________. Uma educação para a liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976. __________. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989. KUBO Olga M.; BOTOMÉ, Sílvio P. Ensino-Aprendizagem: uma interação entre dois processos comportamentais. Revista Interação em Psicologia, v. 5, 2001. Disponível em: <https://revistas.ufpr.br/psicologia/article/view/3321>. Acesso em: 25 ago. 2018. PERRENOUD, Philippe. As competências para ensinar no séc. XXI. Porto Alegre: Artmed Editora, 2014. SAVIANI, Dermeval. Educação: do senso comum à consciência filosófica. 12. ed. Campinas: Autores Associados, 1996. VELÁZQUEZ, F. et al. Matemáticas e internet. Barcelona: Graó, 2004. https://revistas.ufpr.br/psicologia/article/view/3321 https://revistas.ufpr.br/psicologia/article/view/3321 https://revistas.ufpr.br/psicologia/article/view/3321 https://revistas.ufpr.br/psicologia/article/view/3321 https://revistas.ufpr.br/psicologia/article/view/3321 33 BLOCO 4: PROJETO PEDAGÓGICO E PLANEJAMENTO DE ENSINO Conhecer o que é um projeto pedagógico e um planejamento de ensino e seus objetivos e composição será de imensa importância para o professor em formação, em virtude de serem objetos obrigatórios na educação e fazerem parte das atividades profissionais do professor. Nesse sentido, procurou-se discutir neste bloco cada um deles e sua importância para que os objetivos da educação possam ser atingidos. 34 4.1 Escola e currículo Em entrevista com o Professor Miguel Arroyo, que pode ser encontrada no link apresentado a seguir, é abordado o tema currículo. Ele afirma que as tensões que as escolas vivem atualmente são decorrentes do currículo, que não são significativos para os alunos. Além disso, ele faz uma crítica à falta de reflexão sobre a superação ou não dos currículos escolares, que, consequentemente, necessitam mudar na busca de maior motivação e aproximação dos temas cotidianos que afetam os alunos e que são desenvolvidos como um segundo currículo na educação. O professor defende a tese da inserção do currículo praticado, ou currículo real, mas isso sofre com a obstrução das instâncias governamentais responsáveis pelo currículo, no sentido de manter o currículo fechado. 4.2 Projeto pedagógico Para elaborar um projeto pedagógico é necessário, primeiramente, que se considere as intenções do projeto, ou seja, o que se pretende com sua elaboração. O projeto envolve duas dimensões a serem consideradas, a da escola, que diz respeito às possibilidades de inovações a serem inseridas para elevar a qualidade do ensino, e a dimensão dos profissionais que participam da sua elaboração, que reflete e faz questionamentos que contribuam para a qualificação do projeto da escola. Os responsáveis pela elaboração de um projeto pedagógico são: a coordenação, a direção, o corpo docente e todos os outros membros que exercem atividades de suporte, pois o projeto é um produto coletivo. Construção do Projeto Pedagógico Para a construção do projeto pedagógico é necessário considerar uma série de situações e procedimentos a seremobservados. Cada uma delas possui importância e significado para a eficácia do projeto. Nesse sentido, deve observar, primeiramente, se os educadores explicitam SIMPRO MINAS. Programa Extraclasse 180: currículo no ambiente escolar (1ª parte). Publicado em 22 de nov. de 2011. Disponível no em: <https://www.youtube.com/watch?v=y0yFvwm8qTc>. Acesso em: 24 set. 2018. https://www.youtube.com/watch?v=y0yFvwm8qTc 35 seus propósitos e apontam metas e objetivos comuns, se estão vislumbrando caminhos para melhorar a atuação da escola. Devemos considerar que o Projeto Pedagógico confere identidade à escola num contexto local, como uma instituição que tem personalidade própria, que reflete a vontade coletiva. A escola contextualiza as práticas e necessidades da comunidade escolar, alinhada com as diretrizes nacionais, e com as normas, regulamentos e orientações curriculares que regem o sistema e escolhe as metodologias. Finalmente, deve-se ter em mente que o Projeto Pedagógico é, ao mesmo tempo, um dever e um direito da escola. E deve ser um instrumento democrático (coletivo), abrangente e duradouro. Os princípios do Projeto Pedagógico O projeto pedagógico é um instrumento que se fundamenta em princípios, estes, por sua vez, apresentam duas dimensões, a das garantias dos educandos de acesso, permanência e sucesso, e a da gestão estratégica, que deve valorizar os profissionais, zelar pela qualidade do ensino, propiciar a integração curricular, promover a integração, escola, família e comunidade, e gerir com autonomia a escola. Fases da construção do Projeto Pedagógico Para elaborar um projeto pedagógico, é recomendado que algumas etapas ou fases de construção sejam seguidas: 1ª fase – Diagnóstico • Como é a nossa escola? Levantar informações • O que fazer? Analisar os dados apurados e mudar, visando melhorar o desempenho da escola • Como fazer? Mudar conteúdos, metodologias de ensino e processos de avaliação 2ª Fase – A escola que se quer construir • Precisa-se buscar uma fundamentação que oriente a ação conjunta dos seus segmentos. 3ª fase – Execução das ações definidas pelo coletivo 36 • Nessa fase são definidas as maneiras pelas quais se procurará superar os desafios do cotidiano, aproveitando as propostas apresentadas pelos participantes. Articulação do Projeto com a prática pedagógica Para que a articulação do Projeto com a prática pedagógica seja possível, a escola necessita de um planejamento, no qual organizará seu trabalho e sua prática pedagógica. As ações implementadas devem se articular para alcançar uma educação de qualidade, conforme o previsto no Projeto Pedagógico. 4.3 Planejamento e suas etapas O projeto pedagógico e o planejamento de ensino possuem etapas de elaboração que precisam ser seguidas para que tenham os fundamentos necessários para atender aos objetivos educacionais. No primeiro momento, compete observar o planejamento a partir das suas caraterísticas e conceitos. O planejamento é uma necessidade em todos os campos da atividade humana. Hoje adquiriu maior importância na educação por causa da complexidade da organização dos sistemas de ensino. A função do planejamento é procurar antecipar as atividades e situações durante o ano letivo na busca da melhoria do ensino e da aprendizagem e procurar evitar que os profissionais da educação sejam surpreendidos por situações. Toda atividade educacional exige planejamento. Na área da educação temos os seguintes tipos de planejamento: Planejamento educacional – consiste na tomada de decisões sobre a educação no conjunto do desenvolvimento geral do sistema educacional do país. A elaboração desse tipo de planejamento necessita de propostas com objetivos a longo prazo para a educação, que definam a política educacional e sua implementação. Planejamento de currículo – o planejamento curricular é formular objetivos educacionais a partir daqueles expressos nos PCNs. O currículo é composto por um núcleo comum e outro diversificado, cabe à escola interpretar e operacionalizar esses currículos. 37 Planejamento de ensino – esse consiste no que é a especificação do planejamento de currículo. É uma tradução em termos mais concretos e operacionais do que o professor fará na sala de aula, para conduzir os alunos a alcançar os objetivos educacionais propostos. Para elaborar um plano ou planejamento, deve-se procurar seguir as seguintes etapas: Etapa 1 - Conhecimento da realidade – objetivos educacionais e institucionais Conhecer o contexto escolar permite prever o processo de ensino mais adequado, de forma a procurar meios de despertar o processo de aprendizagem nas condições mais favoráveis para que o aluno alcance as metas. “Partir de objetivos claros e definidos é o primeiro passo para adequar o plano do processo de ensino como o de aprendizagem” (SACRISTÁN apud MERCHAN, 2000. p. 37). O planejamento escolar requer, primeiramente, que sejam respondidas às seguintes perguntas: • O que pretendo alcançar? A aprendizagem; • Em quanto tempo pretendo atingir os objetivos? Nas várias etapas do ano letivo; • Como devo proceder para alcançar o que pretendo? Planejar; • O que fazer e como fazer? Usar a melhor metodologia; • Quais os recursos necessários? Livros, textos, filmes etc.; • Como analisar e verificar se os objetivos foram alcançados? Escolher o melhor tipo de verificação da aprendizagem e, se necessário, replanejar. Etapa 2 - Elaboração – conteúdos A partir de informações e dados fornecidos pela equipe escolar e por sondagem diagnóstica, temos condições de estabelecer o que é possível alcançar, como fazer para alcançar o que julgamos ser possível fazer e como avaliar os resultados. É importante procurar garantir que não ocorra a concentração do conteúdo, é bem mais produvito para a aprendizagem do aluno rever os conteúdos periodicamente, com esse cuidado podemos ter um melhor planejamento do conteúdos. A partir disso, começamos a elaborar o plano que deve procurar ter os seguintes passos para: • a seleção dos conteúdos – escolher os temas de acordo com o previsto pelo PCN; • organização dos conteúdos – procurar a melhor sequência para a efetiva aprendizagem. Etapa 3 - Execução – procedimentos de ensino e recursos de ensino Ao elaborarmos o plano de ensino, antecipamos, de forma organizada, todas as etapas do trabalho escolar. A execução do plano consiste no desenvolvimento das atividades previstas. Na 38 execução, sempre haverá o elemento não plenamente previsto. Às vezes, a reação dos alunos ou as circunstâncias do ambiente exigirão adaptações e alterações no planejamento. Isto é normal e não dispensa o planejamento, pois, uma das características de um bom planejamento deve ser a flexibilidade. Etapa 4 - Avaliação do planejamento Ao término de cada etapa da execução do planejamento, executa-se a avalição do próprio plano com vistas ao replanejamento. Nessa etapa, a avaliação possui um sentido diferente da avaliação do ensino-aprendizagem, pois está vinculada ao plano e seu sentido e significado amplo em todas as esferas, planos de curso, de unidade e de aula. Disso decorre que, além de avaliar os resultados do ensino-aprendizagem, procura-se avaliar a eficácia do plano durante seu desenvolvimento, a eficiência do próprio professor e a eficiência do sistema escolar dentro do que está disponível para se apurar sua eficácia. Etapa 5 - Aperfeiçoamento O planejamento, sua formulação, execução e reformulação são partes essenciais dos resultados qualitativos da aprendizagem, e o uso criativo e racional do planejamento, verificado pelos resultados alcançados pelos alunos e pelo próprio sistema escolar. Torna-se importante avaliar o planejamento para constatar sua eficiência ou não. Em decorrência disso, o professor pode e deve realizar uma reflexão sobrea implementação do planejamento e verificar se a melhor maneira de ensinar uma atividade durante o período foi eficaz, não esquecendo que o planejamento é uma maneira de alcançar os objetivos e, por isso, se for necessário, o professor deve revê-lo, replanejar. 4.4 Seleção de conteúdos e recursos Conteúdo de uma disciplina Segundo Claudino Piletti (2010), no seu livro Didática Geral, o conteúdo é importante porque “a aprendizagem só se dá em cima de um determinado conteúdo. Quem aprende, aprende alguma coisa (...)”. Ele deve reunir, com base no conhecimento produzido pela ciência, os saberes científicos necessários e pertinentes à formação do educando e que possam ser aprendidos por eles depois de adequados a cada nível de ensino. 39 Como fazer a seleção do conteúdo? Os professores devem ter competência para selecionar conteúdos e recursos disponíveis, levando em conta critérios que: • tenham relevância para seus alunos; • estejam alinhados aos objetivos de aprendizagem previstos no plano; • tenham consistência e fidedignidade; • sejam simples e intuitivos, para não impactar o processo de aprendizagem. Conteúdo de uma disciplina Nesta etapa da seleção, o professor deve se perguntar: o que selecionar? Quais conceitos incluir? Qual a abrangência e profundidade dos temas? Também deve observar as necessidades de adaptações, escolha de exemplos e aplicações, e observar as relações com as outras disciplinas. Etapas na seleção de conteúdo É preciso conhecer o perfil e o currículo da disciplina e dos alunos, analisar o conteúdo próprio do assunto, extrair todos os itens importantes, comparar com outros itens da disciplina e levar em conta a participação dos alunos. Dessa forma os conteúdos serão consistentes e permitirão aos educandos perceber a utilidade e os significados que ele possui. Parâmetros para escolha dos conteúdos Oito parâmetros devem ser seguidos pelo professor durante o processo de escolha do conteúdo: • O conteúdo possui alinhamento com o currículo? • É de qualidade e adequado ao propósito? • Possibilita métodos pedagógicos inovadores, promovendo engajamento e facilitando o aprendizado? • Possui formas efetivas de avaliar o aprendizado? • É fácil de usar? • Funciona com os sistemas disponíveis na sua escola? • A infraestrutura disponível em sua escola é suficiente para o uso do recurso? • Possui funcionalidades para inclusão? 40 Seleção do conteúdo Nessa fase, o professor deve observar os critérios a serem utilizados para a seleção do conteúdo, são eles: Adequação – se o conteúdo está de acordo com o nível em que o aluno está. Viabilidade – se existem condições para a aprendizagem. Utilidade – se o conteúdo vai ser útil para os alunos. Significados – se o aluno vai conseguir relacionar com algum dos conhecimentos que já possui. Possibilidades – se vai ser possível desenvolver o conteúdo dentro do ano letivo. Validade – se o conteúdo está dentro do especificado pelas normas curriculares. Organização dos conteúdos Escolhidos os conteúdos, o professor deve organizá-los de forma que ele seja compreensível e apreendido pelo aluno. Deve observar os critérios de sequência, continuidade e integração. Ao organizar o conteúdo, o professor deve se ater a dois princípios básicos: • o lógico: que é existência de relações entre seus elementos; • o psicológico: que permite ao aluno estabelecer relações significativas para ele. Recursos de Ensino Os recursos de ensino são diversos, psicológicos e materiais, dentre outros, porém, são limitados. Cabe aos professores empreender uma dinâmica no sentido da busca de diversas formas para complementar a aula; recursos como os audiovisuais, entre outros, devem ser utilizados para aproximar o aluno da realidade. Além desses, os recursos disponíveis na escola, como livros, espaços, quadro negro/giz/apagador; jornais, cartazes, revistas; televisão; aparelho de som; aparelho DVD; e computador com projetor. 41 A utilização dos recursos permite um melhor aproveitamento dos conteúdos desenvolvidos em sala, como mostra a tabela a seguir: Aprendemos Retemos 1% por gosto 10% da leitura 1,5% através do tato 20% do que ouvimos 3,5% através do olfato 30% do que vemos 11% ouvindo 50% do vemos e escutamos 83% através da visão 70% do que discutimos 90% do que realizamos Fonte: adaptado de Haidt (1994). Fechamento Neste bloco conhecemos os principais elementos constitutivos do Projeto Pedagógico e do Plano de Ensino, os princípios, os componentes, os objetivos do projeto, os profissionais que devem participar de sua elaboração e as etapas a serem seguidas pelos responsáveis por sua construção, bem como os critérios a serem observados. Aprendemos que os recursos para a implementação do projeto e do plano devem ser buscados de forma que contribuam para favorecer a aprendizagem e, consequentemente, alcançar os objetivos da educação. Aprendizagem significativa 42 Referências HAIDT, R. C. C. Curso de Didática Geral. São Paulo: Ática, 1994. LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo, Editora Cortez, 1991. ___________. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 5. ed. Goiânia: Editora Alternativa, 2004. MERCHÁN, Paloma Arroyo. Teorías del aprendizaje. Madrid, España, Taymar Reprografía S.L, 2000. p. 37-38. PARO, Vitor Henrique. Administração escolar: introdução crítica. São Paulo: Cortez, 1996. PILETTI, Claudino. Didática geral. 24. ed. São Paulo: Editora Ática, 2010. SANT’ANNA, I.M.; SANT’ANNA, V. M. Recursos educacionais para o ensino: quando e por quê? Petrópolis: Vozes, 2004. TURRA, Clódia Maria Godoy et al. Planejamento de ensino e avaliação. Porto alegre: Sagra, 1995. VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento de Ensino-Aprendizagem e projeto político pedagógico. São Paulo: Libertad, 2000. 43 BLOCO 5: AVALIAÇÃO No estudo deste bloco será possível compreender as características que as avaliações possuem, bem como sua inserção dentro do processo de ensino e as suas implicações na educação contemporânea. A participação do professor no processo avaliativo e a importância do total conhecimento do processo de forma a permitir que o educando tenha plenas condições de demonstrar seu conhecimento e as mudanças ocasionadas pelo desenvolvimento da aprendizagem. 44 5.1 Conceito, princípios, lógicas e funções História da Avaliação Segundo Perrenoud (1998), a avaliação surgiu na educação no século XVII, quando ocorreu a ampliação da educação na Europa, para louvar a excelência e estigmatizar o fracasso escolar, no contexto da sociedade liberal que se formava, que proclamava o princípio da meritocracia. Antes de a avaliação se institucionalizar na educação, existiam os exames orais, que serviam como processo de verificação da aprendizagem dos alunos, permitindo classificá-los para promoção ou não. Desde o início de sua implantação, a avalição foi motivo de controvérsias. Com críticas a favor e contra o processo de aplicação, de hierarquização e poder que ela confere. A escola e a avalição A escola se acostumou com as desigualdades que a avalição criou e com o êxito desigual dos alunos. A Pedagogia também se conformou com a avalição, pois ela apenas revela desigualdades de aptidão. A escola ensinava e os alunos, se tivessem vontade e capacidade intelectual, aprendiam. A tradição da educação compromete o desenvolvimento da educação, como podemos observar no gráfico 1. Gráfico 1: Comparação Brasil-Chile – Ensino Fundamental completo Fonte: IDEB, 2014. Significado de avaliar Segundo Perrenoud (1998), avaliar é reconhecer ou atribuir valor a algo. Tendo como consequência a realidade do êxito ou o fracasso do aluno, sendoêxito a referência de um modelo de aluno socialmente esperado. Na atualidade, a avalição tem um caráter classificatório, 45 ocorrendo em períodos definidos, favorecendo certo tipo de alunos e estabelecendo uma relação utilitarista com o saber. Concepções de Avaliação De acordo com Melo (2007), a avaliação apresenta dois modelos: o tradicional e o progressista. • Tradicional – domínio das quantificações dos resultados e a classificação do aluno; • Progressista – enfatiza o processo, as qualificações e a avaliação diagnóstica do aluno. A educação progressiva possui diferentes abordagens que podem ser aplicadas no processo avaliativo, são elas: • Humanista – autoavaliação; • Comportamentalista – tem como objetivo a mudança de comportamento; • Sociocultural – é uma avaliação mútua do processo, uma autoavaliação do professor e do aluno; • Cognitivista – é a avalição qualitativa, porém se exerce pressão para o bom desempenho. Outras concepções de avaliações A autora Jussara Hoffman (1993) definiu duas outras concepções para a avalição: Avaliação mediadora: “Essa avaliação é ação, no sentido de levar o aluno do saber provisório a um saber enriquecido. ” Avaliação dialógica, que subsidia a avaliação mediadora, que se efetiva através do diálogo. Lógica da avaliação Toda avalição possui um certo ordenamento e objetivo. Devido às várias interpretações, vamos ver como alguns pensadores da educação concebem a sua lógica: Para Perrenoud (1998), a avalição é para verificação, uma forma de regulação da aprendizagem e dos comportamentos observáveis dos alunos. Para Scriven (1978), a avalição tem como objetivo classificar quem está sendo avaliado. Para Bloom (1972), a avaliação é uma coleta sistemática de evidências, a partir das quais se determinam mudanças e como elas ocorrem nos alunos. A educação busca objetivos de aprendizagem dos quais fazem parte uma elevação constante da qualidade do ensino e a avalição do sistema, que é feita através de uma prova, e espera que as 46 novas formas de desenvolvimento do processo avaliativo venham colaborar para esse desenvolvimento. Gráfico 2: Trajetória do IDEB para o Brasil e Estados – 2005-2096 – Ensino Fundamental Fonte: INEP. Funções da Avalição No processo avaliativo do ensino-aprendizagem as provas podem cumprir diferentes funções, a saber (LUCKESI, 1995): • Formativa – serve para que o professor saiba o estágio em que o aluno se encontra, localizando falhas, percebendo as dificuldades e os comportamentos cognitivos. • Diagnóstica – serve para determinar capacidades (aptidões, conhecimentos prévios, potencial de aprendizagem etc.); permite descobrir as dificuldades de aprendizagem. • Somativa – é utilizada para determinar resultados, atribuindo conceitos ou notas. Geralmente é aplicada no final do período letivo. A avaliação diagnóstica, geralmente aplicada no início do período letivo, tem a função de: • diagnosticar • retroinformar • favorecer 47 5.2 Tipos e etapas de avaliação São vários os tipos e etapas do processo avaliativo; os pensadores da educação, Perrenoud (1998), Luckesi (1990, 1995, 2002, 2004), Esteban, Hoffmann e Silva, (2003) e Freire (1987) classificam os diferentes tipos, a seguir: Avaliação Diagnóstica Serve para determinar capacidades, causas implícitas das dificuldades de aprendizagem e ponto de partida para organização da sequência do ensino, aplicada no início de uma unidade, bimestre ou ano letivo; finalidade prognóstica. Avaliação Somativa O objetivo mais comum dessa avalição é mais que a formativa, visa determinar resultados alcançados ao final de um período, tema, bimestre ou ano letivo, atribuindo conceitos, notas etc. As principais características são: • nem tanto sua periodicidade, mas sim ocorrer no final de uma etapa; • sua maior abrangência; a maneira de entendê-la e colocá-la em prática depende do PPP da escola que orienta o professor. Avaliação Mediadora A avaliação mediadora fundamenta-se no diálogo e aproximação do professor com seus alunos de forma que as práticas de ensino sejam repensadas e modificadas de acordo com a realidade sociocultural deles. Nesse sentido, na avaliação o erro é considerado como parte da formação do conhecimento e não como algo a ser punido. Na perspectiva mediadora, o professor é capaz de propor situações desafiadoras que possibilitem a reflexão e ação tornando a aprendizagem mais significativa. O processo de avaliação mediadora tem por intenção promover melhores oportunidades de desenvolvimento aos alunos e de reflexão crítica da ação pedagógica, a partir de desafios intelectuais permanentes e de relações afetivas. Avaliação Dialógica A avaliação dialógica foi fundada nos ideais do educador brasileiro Paulo Freire; não possui o caráter punitivo. “A avaliação dialógica é transdisciplinar, isto é, considera o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos na pluralidade integrada das disciplinas do currículo escolar como um todo” (MENEZES, 2001). Dialogicamente, avaliar é construir o conhecimento fundamentado 48 nas experiências de cada um que está inserido no processo educativo. Respeitando as condições individuais, o professor por suas atitudes e contribuição ao processo é permeado principalmente pela paciência e dedicação. O professor, além de mediador do conhecimento, é parte do processo, responsável por promover questionamentos e conduzir o diálogo para chegar ao resultado esperado, à construção do conhecimento. Etapas de avaliação – Objetivos da avaliação É necessário determinar o que vai ser avaliado e formular os objetivos da avaliação, para possibilitar a mudança de comportamento do aluno, bem como distinguir os conteúdos que contribuem para o objetivo da mudança de comportamento. Especificar a situação que permite determinar se os objetivos foram atingidos, determinar um nível mínimo de desempenho. No plano de aula do professor deve constar se foram aplicadas todas as ferramentas necessárias para ministrar as aulas. E a forma de saber se o aluno aprendeu é avaliar para que ele demonstre o aprendizado, por um ou mais processos: avaliação continuada e/ou avaliação pontual. Critérios de avaliação O professor deve contribuir para que as expectativas com relação à avaliação não interfiram nos resultados. Dessa forma, os critérios adotados devem ser informados e manter uma coerência em relação ao desenvolvimento dos alunos, bem com o estabelecimento do grau de desempenho, se nota ou conceito etc. Estabelecer os critérios de avaliação – Múltiplos instrumentos Escolher os melhores instrumentos para avaliar depende dos objetivos a serem medidos, das condições em que serão usados. Se o desempenho não for satisfatório, crie motivações, exercícios e atividades que permitam o alcance dos objetivos. O professor pode ser “construtivista” e usar provas, ser “tradicional” e usar autoavaliação. É preciso que o professor indique as dimensões do comportamento ou o que será avaliado para os alunos: a aquisição do conhecimento, habilidades, atitudes, interesses etc. Nesse sentido, as taxionomias ou as classificações mais simples de objetivos educacionais facilitam a realização desta etapa. O professor pode determinar se o que irá avaliar recai no domínio cognitivo (conhecimento, capacidades), no domínio afetivo (interesses, atitudes, valores etc.) ou no domínio psicomotor (habilidades motoras simples ou complexas). 49 Aferição dos resultados Segundo o que está previsto no plano de aula, o professor, de quem depende da função da elaboração da avaliação em sua prática pedagógica, deve deixar explícito para o aluno se a avaliação será pontuada e como será quantificada e, após a aplicação, o professor deve compartilhar os resultados com alunos, escola e família.5.3 Objetivos educacionais Objetivos, avaliação e planejamento Os objetivos educacionais estão colocados no planejamento da escola e do professor e o planejamento articula-se à avaliação porque além de prever o que deve acontecer também é objeto de reflexão após os resultados parciais e finais. Dessa forma, os objetivos educacionais só podem ser alcançados se os resultados forem os esperados no planejamento (CASTANHO, 1989). Os objetivos educacionais expressam, portanto, propósitos definidos, explícitos quanto ao desenvolvimento das qualidades humanas, que todos os indivíduos precisam adquirir para se capacitarem para a vida em sociedade, objetivo mais genérico que a formativa (CASTANHO, 1989). Objetivos e finalidades A educação acompanha os processos da aprendizagem procurando compreender como os alunos estão se concretizando, obtendo informações relevantes para o próprio desenvolvimento, possibilitando o planejamento e replanejamento dos métodos escolhidos para serem aplicados durante o processo (CASTANHO, 1989). Papel dos processos avaliativos Durante o processo avaliativo, procura-se apurar o grau de subjetividade que interfere na avaliação. Dessa forma, pode-se refletir sobre a atribuição de notas e se há necessidade de procedimentos próprios para cada situação. No processo avaliativo deve-se considerar também a pessoalidade entre alunos e professores, que interfere no processo de reflexão do professor, sendo sua atribuição de notas a mais justa (ESTEBAN; HOFFMANN; SILVA, 2003). Ação do professor 50 Observou-se em algumas pesquisas que a questão pessoal do professor (LUCKESI, 1990), com seus juízos de valor, ao avaliar o aluno faz parte do processo avaliativo mesmo em situações nas quais esse professor é treinado para lidar com procedimentos sistematizados. Destaca-se: • A responsabilidade de cada professor como avaliador; • A necessidade de que ele reflita sobre o papel da avaliação em seu trabalho; • A necessidade de aprimoramento dos meios de avaliar; • A importância da avaliação incluída no processo de ensino e aprendizagem como meio para o autodesenvolvimento dos alunos. Guia dos processos de avaliação em sala de aula: • O professor deve aprimorar as formas de acompanhar e avaliar as aprendizagens dos alunos de modo mais construtivo; • As avaliações devem ser realizadas em condições que favoreçam ao aluno exprimir o que realmente sabe. A responsabilidade do professor A educação coloca algumas questões ao professor no desempenho da sua função, segundo Libâneo (1991), quanto aos dilemas que aparecem e que ele necessita enfrentar (O que avaliar? Como avaliar?). Além disso, o professor precisa de atenção no sentido de procurar compreender os porquês dos alunos. Em cada situação ele deve ponderar para procurar criar as melhores condições para a aprendizagem, preparando bem as provas e os alunos para realizá-las. Para isso, deve dar provas com frequência, diminuindo a pressão sobre os alunos; facilitar o acompanhamento do desenvolvimento do aluno; usar a prova corrigida como meio de ensino; mostrar para os alunos os pontos da aprendizagem em que será necessário trabalhar com mais empenho; ajudar os alunos a superarem sua tensão emocional durante as provas; e procurar elucidar e mostrar caminhos para a realização da avaliação sem a preocupação com as respostas. Características da prova Alguns cuidados para que não se interfira no que o aluno sabe no momento da avalição devem ser observados pelo professor com relação à prova. De acordo com Luckesi (1990), é importante para o professor ao elaborar a prova ter os seguintes critérios: • A prova deve se referir ao que realmente foi trabalhado em sala de aula; 51 • Deve abranger a maior parte possível do conteúdo do ensino desenvolvido e ser equilibrada; • Diferentes tipos de aprendizagens estão envolvidos no ensino, diferentes tarefas de prova são necessárias. Fatores intervenientes Quando da preparação e aplicação da prova, o professor deve considerar fatores que podem interferir no bom desempenho dos alunos, dentre eles: • Extensão da prova; • Nível de dificuldade da prova; • Forma de atribuir os pontos às questões; • Qualidade das questões ou itens; • Ambiente onde a prova é realizada. 5.4 Técnicas e instrumentos Os tipos de técnicas e instrumentos de avaliação são utilizados não só em conformidade com o que se pretende avaliar, mas consideram também os diferentes alunos a quem ela se destina. Alguns tipos de avaliação são mais utilizados pela facilidade que lhes está associada, quer na aplicação ou na aferição dos resultados, por exemplo, os testes. Por outro lado, há cada vez mais atenção ao protagonismo dos alunos em todas as etapas do processo de avaliação, pelo que, outras técnicas e instrumentos estão sendo utilizados, como a observação e a entrevista, que podem fornecer outro tipo de informação de base qualitativa que permite avaliar atitudes e motivações. Em todos os casos, a escolha obedece a critérios que devem ser definidos caso a caso. Para saber mais O vídeo “Avaliação da aprendizagem”, do pelo professor Cipriano Luckesi, afirma a importância da avaliação na educação, que serve para verificar o andamento do processo de ensino- aprendizagem ao mostrar a partir dos resultados o que está ocorrendo neste processo. Ao indicar os resultados, cabe à gestão providenciar as mudanças quando os resultados não são os esperados. O autor afirma que a avaliação serve para mostrar a qualidade do que foi ensinado. Para que tenha efeito, é necessário que haja rigor metodológico na prática avaliativa. O instrumento 52 avaliativo deve ter sistematicidade, ou seja, as questões devem ter uma relação concreta com o que foi ensinado, de forma a ser inteligível para aluno, com nível de complexidade equivalente ao que foi ensinado. Finalmente, Luckesi afirma ser fundamental o entendimento das questões pelos alunos, e isso pode ser alcançado a partir dos critérios adotados na formulação e correção das provas. Critérios a seguir na avaliação dos instrumentos Validade: permite verificar se um instrumento de avaliação mede efetivamente aquilo que é suposto medir; Fidelidade: permite verificar se os instrumentos produzem resultados semelhantes, quando aplicado, várias vezes, em situações idênticas; Exequibilidade: permite verificar a aplicabilidade do instrumento. Avaliação Dissertativa Constitui-se numa avalição composta por uma série de perguntas que exige capacidade de estabelecer relações, resumir, analisar e julgar. Sua função é verificar a capacidade de analisar o problema central, abstrair fatos, formular ideias e redigi-las. A vantagem desse tipo de avalição é permitir ao aluno agir com liberdade para expor os pensamentos, mostrando habilidades de organização, interpretação e expressão. A análise permite definir o valor de cada pergunta e atribuir pesos a clareza das ideias, para a capacidade de argumentação e conclusão e a apresentação da prova. Resolução de Problemas Avaliação que se baseia em situações reais ou idealizadas que exige aplicação formal do conteúdo. Sua função é verificar a capacidade de aplicação de conceitos e leis científicas, seleção das variáveis relevantes, abstrair fatos, interpretar e elaborar gráficos e discutir relações de proporcionalidade. A vantagem desse tipo de avalição é a facilidade na atribuição de notas; é também de elaboração fácil para o professor. Possibilita ao aluno a formalização dos SM BRASIL. Avaliação da aprendizagem - Cipriano Luckesi. Publicado em 6 de fevereiro de 2012. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=JqSRs9Hqgtc>. Acesso em: 25 set. 2018. 53 conhecimentos. O resultado é que o valor dos problemas apresentados pode ser variado de acordo com as conquistas individuais.Seminário Os seminários são exposições orais para os colegas de turma ou outros assistentes. Trata-se de uma apresentação oral com materiais de apoio adequados ao assunto. Sua função é a transmissão verbal das informações pesquisadas de forma eficaz. As vantagens desse tipo de avaliação é que ela contribui para a aprendizagem do ouvinte e do expositor, exige pesquisa, planejamento e organização das informações; desenvolve a oralidade em público. A pontuação pode ser aberta com valores diferentes para cada etapa do desenvolvimento do tema. Pode-se estimular a turma a participar com perguntas e opiniões, além de respeitar as características individuais. Trabalho em grupo É uma atividade de natureza diversa, pois permite a utilização de vários meios de expressão (escrita, oral, gráfica, corporal etc.), e é realizada coletivamente. Sua função é desenvolver o espírito colaborativo e a socialização. As vantagens desse tipo de atividade são a possibilidade de o trabalho ser organizado em classes numerosas e a abrangência de diversos conteúdos em caso de escassez de tempo. Os resultados podem ser apurados a partir da observação dos participantes e a colaboração entre os colegas; pode-se atribuir valores às diversas etapas do processo e ao produto final. É uma prática propícia quando há problemas de socialização, principalmente a partir da organização de jogos e atividades em que a colaboração seja o elemento principal. Portfólio O portfólio é um instrumento de avaliação constituído pela “organização de uma coletânea de registros sobre aprendizagens do aluno que favoreçam ao professor, aos próprios alunos e às famílias uma visão evolutiva do processo” (HOFFMANN, 2002, p. 201). Deve ser organizado pelo aluno, sob orientação do professor. Para adquirir uma função avaliativa, deve-se observar se ele contribui para entender o processo de aprendizagem do aluno e indica ao professor que caminho seguir. São as intenções de quem o organiza que o torna significativo. 54 Estudo de caso O estudo de caso é uma abordagem de ensino baseada em situações reais em qualquer contexto social. As abordagens de ensino e aprendizagem baseadas em situações de contexto real são importantes, pois envolvem diferentes situações que permitem desenvolver competências e habilidades relativas à resolução de problemas, à tomada de decisão, à capacidade de argumentação e ao trabalho efetivo em equipe. Teste Pode ser utilizado em diferentes momentos, é mais frequentemente utilizado no início de um curso de formação. Os testes permitem identificar o nível de conhecimentos dos educandos e as áreas onde os conhecimentos estão menos consolidados. Contribui na análise do desenvolvimento do grupo, pois permite identificar a homogeneidade ou diversidade de níveis de conhecimentos do grupo, o que permite ao formador adequar as sessões, redefinindo os seus objetivos. Os testes normalmente são elaborados pelo professor a partir da organização do enunciado. O objetivo é posicionar os diferentes alunos em face aos conhecimentos de partida e de chegada e ao modo como decorre o processo de aprendizagem. Observação A observação é um instrumento de avaliação utilizado na escola com fim informal. Nem sempre é reconhecida pelo professor e outros envolvidos como parte do processo avaliativo ou como instrumento que traduz resultados significativos. Utilizada dessa forma, os dados colhidos que poderiam tornar-se valiosas informações para a condução do processo de ensino e aprendizagem são desprezados na tomada de decisão. Elaborando um Plano de Aula Você sabe para que serve um plano? Em qualquer situação da nossa vida, um plano nos ajuda a responder três perguntas básicas: - Onde estamos? - Para onde queremos ir? - Como chegaremos lá? Na Didática, isso não é diferente. Ao se deparar com o desafio de dar aula, você pode pensar: por onde começo? O que devo fazer? 55 É aí que entra o Plano de Aula. Ele é o seu instrumento de trabalho e o seu preenchimento envolve várias etapas. Você verá que definir um caminho a seguir pode contribuir para a sua estratégia didática em sala de aula e melhorar sua prática pedagógica. Nas escolas, existem formulários nos quais o professor escreve o seu plano de aula. Em geral, eles seguem o formato a seguir, mas há outros que colocam os itens na vertical, por exemplo. O mais importante é que seja fácil para o professor visualizar o que planejou e que ele possa identificar como um item se relaciona com o outro. Imagine que você recebeu o formulário do plano de aula da sua escola. E agora? Por onde começar? Primeiro, vamos começar pelo tema central da sua aula. Por exemplo: o tema da nossa aula é “Elaboração de um Plano de Aula”. Em seguida, vamos passar ao campo de objetivos. Um objetivo é uma meta, mas ela precisa dialogar com diferentes partes do processo de ensino e aprendizagem. Então, antes de preencher esse campo, vamos pensar um pouco sobre a sua importância e como esse diálogo acontece? Embora o plano de aula deva apresentar quais objetivos têm que ser trabalhados numa determinada aula, eles precisam ser coerentes com o que foi definido anteriormente no Projeto Político Pedagógico, o PPP. Isso é o que chamamos de Coerência Externa, a adequação que os objetivos do plano de aula devem ter com os objetivos educacionais, mais amplos, traçados no PPP. Dizemos que é externa porque comparamos o plano de aula com algo que está fora dele, ou seja, os objetivos do PPP que foram escritos previamente. 56 O plano de aula também precisa apresentar uma coerência interna, ou seja, os itens que compõem o plano de aula (tema central, objetivos instrucionais, conteúdos, estratégias de ensino e avaliação) devem ser coesos entre si. Em outras palavras, os objetivos previstos devem ser coerentes com o conteúdo que o professor traz em sala, como as estratégias didáticas adotadas para que o aluno compreenda esse conteúdo e desenvolva habilidades e atitudes definidas, e com as formas de avaliar, que devem permitir verificar se o aluno alcançou os objetivos pretendidos. Agora que você já sabe porquê os objetivos precisam dialogar interna e externamente com cada parte do processo de ensino e aprendizagem, como devemos preencher essa parte do plano de aula? Lembre-se que um objetivo é uma meta, ou seja, é onde queremos que nosso aluno chegue. Então, cuidado para não colocar o seu objetivo enquanto professor ou o que você espera que seu aluno seja capaz de fazer com aquilo que aprendeu. Os objetivos podem ser instrucionais, específicos, comportamentais ou de aprendizagem: esses objetivos devem focar o que aluno deverá aprender, podendo ser o que está relacionado ao conhecimento (campo cognitivo), às suas habilidades (campo motor) ou atitudes (campo emocional). Mas como colocamos o objetivo em nosso plano de aula? Uma sugestão para facilitar a sua identificação é utilizar verbos no infinitivo e sempre indicando uma ação do seu aluno. Um exemplo disso são os objetivos de aprendizagem da Taxonomia de Bloom, tais como: conhecer, compreender, aplicar, analisar, sintetizar e avaliar. Sua escolha vai depender da meta que seu aluno precisa atingir. Por exemplo: após a sua aula, ele deverá ser capaz de conhecer um conceito de Biologia? Compreender uma função matemática? Aplicar o que aprendeu sobre gêneros textuais depois de realizar aquela atividade de Português? Agora que você já sabe quais objetivos pretende fazer seu aluno alcançar, sobre o que você vai falar durante a aula? Chegamos ao conteúdo que será estudado: qual será ou quais serão os assuntos tratados em aula. Eles são um desdobramento do tema central da aula e devem ser capazes de estimular o aluno a atingir os objetivos definidos nos três domínios do comportamento. Alguns autores defendem que os conteúdos (ou conhecimento)possuem três dimensões: conhecimento declarativo (corresponde ao SABER), conhecimento atitudinal (corresponde ao SER) e conhecimento de procedimentos, ou procedimental (corresponde ao FAZER). Esse é um indicativo de que os conhecimentos trabalhados em aula devem ser interligados aos objetivos de aprendizagem estabelecidos anteriormente. 57 Método ou estratégia: esse item abrange os procedimentos do professor, como ele pretende agir durante a aula. Por exemplo, aula expositiva, debate, jogo, seminário, dinâmica de grupo, entrevista etc. Também é importante indicar que espaços pretende utilizar e como será a ação desejada dos alunos e sua organização – individual, duplas, trios, equipes etc. Bom, você já sabe sobre o que vai falar e como fará isso, mas quais ferramentas vão ajudá-lo em sala de aula? É para isso que servem os recursos didáticos. Eles são os instrumentos que serão utilizados para auxiliar suas atividades. Podem ser lousa, giz, jornais, revistas, livros, tubo de ensaio, microscópio, televisão, computador, entre outros. Agora, chegamos a mais uma etapa muito importante do seu plano de aula: como você vai avaliar tudo o que planejou? Nessa etapa, o professor definirá quais procedimentos utilizará para acompanhar o desenvolvimento dos alunos e saber como eles evoluem apara atingir os objetivos de aprendizagem planejados. Lembra deles? Alguns exemplos desses procedimentos incluem observação, testes, trabalhos dos alunos, conversas etc. Ainda que seja o último item que normalmente consta nos formulários para redação de planos de aula, ele pode ser pensado após os objetivos da aula. Fechamento Neste bloco você aprendeu sobre o aparecimento da avaliação no processo de ensino- aprendizagem e que existem várias concepções sobre avaliação a partir dos conceitos colocados pelos pensadores da educação. Pôde compreender que a avaliação não é uma prática aleatória na educação, ao contrário, ela é produto de estudos sistemáticos para saber como construir uma prova, bem como os possíveis modelos que podem ser usados de acordo com o contexto em que está inserido. Viu a importância da avaliação para o sistema educacional e para a aprendizagem qualitativa, que pode ser atingida quando o professor conhece os tipos, etapas e funções que a avaliação cumpre para que a educação possa alcançar seus objetivos. Você também pode conhecer as etapas de elaboração do seu plano de aula, importante instrumento que vai ajudá-lo a organizar seu fazer educativo e acompanhar a aprendizagem de seus alunos. 58 Referências BLOOM, B. S. Taxionomia de objetivos educacionais: domínio cognitivo. Porto Alegre: Globo, 1972. CASTANHO, M. E. Os objetivos educacionais. In. VEIGA, Ilma P. Alencastro (coord.). Repensando a Didática. Campinas, SP: Editora Papirus, 1989. ESTEBAN, Maria Teresa; HOFFMANN, Jussara; SILVA, Janssen Felipe (org.). Práticas avaliativas e aprendizagens significativas em diferentes áreas do currículo. Porto Alegre: Mediação, 2003. FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 36. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. HOFFMANN, Jussara M. Avaliação mediadora: uma prática de construção da pré-escola à universidade. Porto Alegre: Mediação, 1993. ______. Avaliar para promover: as setas do caminho. Porto alegre: Mediação, 2002. INEP. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais ‘Anísio Teixeira’ – Ministério da Educação – MEC. Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB): metas intermediárias para a sua trajetória no Brasil, Estados, Municípios e Escolas. Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_basica/portal_ideb/o_que_sao_as_metas/Artigo_projeco es.pdf>. Acesso em: 10 set. 2018. LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Editora Cortez, 1991. ________. Organização e gestão da escola: teoria e prática. Goiânia: Editora Alternativa, 2004. LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem na escola e a questão das representações sociais. Eccos Revista Científica, São Paulo, v. 4, n. 2, p. 85, 2002. ________. Considerações gerais sobre avaliação no cotidiano escolar. Revista Aprender a Fazer, Curitiba, n. 36, p. 4, 2004. ________. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. São Paulo: Cortez, 1995. ________. Verificação ou avaliação: o que pratica a escola? Série Ideias, Fundação para o Desenvolvimento da Educação, São Paulo, v. 8, p. 71-80. 1990. MELO, M. M. (org.) Avaliação na educação. São Paulo: Editora Melo, 2007. MENEZES, E. T.; SANTOS, T. H. Verbete avaliação dialógica. Dicionário Interativo da Educação Brasileira - Educabrasil. São Paulo: Midiamix, 2001. Disponível em: <http://www.educabrasil.com.br/avaliacao-dialogica/>. Acesso em: 25 de set. 2018. PERRENOUD, P. Avaliação: da excelência à regularização das aprendizagens: entre duas lógicas. Porto Alegre: Artmed, 1998. SCRIVEN, M. Perspectivas e procedimentos de avaliação. In: BASTOS, L.; PAIXÁO, L. (orgs.) Avaliação Educacional II. Petrópolis: Vozes, 1978. http://download.inep.gov.br/educacao_basica/portal_ideb/o_que_sao_as_metas/Artigo_projecoes.pdf http://download.inep.gov.br/educacao_basica/portal_ideb/o_que_sao_as_metas/Artigo_projecoes.pdf http://www.educabrasil.com.br/avaliacao-dialogica/ 59 BLOCO 6: DIDÁTICA E O SÉCULO XXI Estudaremos neste bloco as tendências pedagógicas do século XXI, conhecendo as propostas de cada um dos dois grandes grupos, o liberal e o progressista, para a educação e as finalidades que almejam. Procuraremos compreender o que são e a importância das metodologias ativas, as novas propostas que foram inseridas na educação para melhorar a qualidade da aprendizagem. Neste século, é de suma importância o uso de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) na educação, devido às contribuições que agregam novas possibilidades de qualificação do processo de ensino-aprendizagem. 60 6.1 Análise crítica de práticas educativas O Professor Janderson Lacerda, entrevistado neste bloco, abordou o tema respondendo questões sobre a competência e o conhecimento no ofício de professor, com ênfase nas críticas atribuídas ao aspecto cognitivo da aprendizagem como finalidade da escola para promover a formação integral dos alunos e seus significados para o professor. Finalizando, o entrevistado discorreu sobre a aprendizagem ir além da questão do que ensinar e sobre por que ensinar. O Professor Janderson afirmou ser necessário ajustar competência e conhecimento para o bom exercício da docência. Criticou a perspectiva que enfatiza apenas os aspectos cognitivos da aprendizagem, afirmando ser necessária a inserção do aluno na escolha dos processos, de forma que ele possa ser sujeito da sua própria educação. Por fim, ele defendeu a tese da flexibilidade do conteúdo como forma de tornar a aula mais atrativa e substancial para o aluno. 6.2 Tendências pedagógicas liberais e progressistas A prática escolar é regida por normas de ordem sociopolítica que estabelecem condições para sua realização e que implicam em diferentes concepções que surgem na sociedade sobre o homem que ela pretende formar. Nesse sentido, o papel da escola na formação dos indivíduos passa pelo modo como o professor realiza seu trabalho, que está relacionado com esses pressupostos (GADOTTI, 1988). As diferentes tendências pedagógicas, produtos das diversidades de concepções da educação, são classificadas por Libâneo (1990) em: “liberais” e “progressistas”. No grupo de liberais encontramos a tendência “tradicional”, a “renovada progressivista”, a “renovada não diretiva” e a “tecnicista”, e na do segundo grupo, a tendência “libertadora”, a “libertária” e a “crítico- social dos conteúdos”. A seguir, conceitua-se cada uma das tendências: Liberais Tradicional = a função da escola é transmitir a cultura geral. O ensino é desenvolvido combase nas decisões tomadas unilateralmente pelo professor. Os alunos precisam obedecer, memorizar conteúdos e reproduzi-los quando solicitados. Ausência de ações para atender 61 às características individuais dos alunos devido às suas diferenças sociais e culturais. A plena realização como pessoa depende do esforço do aluno para aprender. Renovada Progressivista = o conhecimento dos conteúdos tradicionais da cultura é o caminho para o desenvolvimento das aptidões individuais dos alunos. Há um olhar para os interesses e necessidades do aluno vistos como mais importantes do que os conteúdos que se deve aprender. Leva em consideração suas experiências anteriores e tenta ligar o aprendizado escolar a elas. Tenta-se reproduzir na escola as situações de vida que o aluno enfrentará. Ensina-se por meio de pesquisas, estudos do meio, trabalhos em grupo, projetos e solução de problemas. Renovada Não Diretiva = ensinar significa oferecer condições para que o aluno desenvolva sua autonomia. Pratica a autoavaliação porque entende que ninguém é melhor do que o aluno para avaliar como e quanto progrediu no aprendizado. A comunicação entre professor e alunos é feita com base no relacionamento empático. O conteúdo é menos importante que o significado que ele pode ter para os interesses do aluno. O professor é um organizador das experiências de aprendizagem para que o aluno atribua significados. Tecnicista = treina o aluno a dominar as técnicas que serão necessárias para que ele se insira no sistema produtivo e trabalhe para o modelo de sociedade previsto. Os conteúdos não precisam ser significativos para o aluno, e são transmitidos como verdades a absorver. O aluno deve ser disciplinado, atento às aulas para memorizar os conteúdos. Progressistas Libertadora = a função da educação é problematizar as relações sociais para que professor e alunos (os oprimidos) se libertem das condições que os impedem de “ser-mais”. O conhecimento ocorre quando o aluno toma consciência do mundo em que vive e busca o aprendizado necessário para que consiga superar as limitações que esse mundo lhe impõe. O aluno é visto como um ser ativo, que tem o direito de analisar e criticar os conteúdos estudados, sem necessidade de se conformar com aquilo que não faz sentido. Libertária = defende um novo tipo de relações de poder na escola; autogestão pedagógica realizada por professores e alunos. O professor coloca os conteúdos à disposição dos alunos 62 e estabelece com eles um tipo de relação na qual não há hierarquia. Ele organiza as discussões, estimula o debate, organiza os alunos de forma a produzirem em grupo. Aprender a trabalhar em grupo é algo muito valorizado. Crítico-social dos conteúdos = entende que há conhecimentos construídos pela humanidade que fazem parte da cultura humana. Tais conteúdos devem ser trabalhados na escola, sem pretensão de neutralidade, mas devem ser aproximados da realidade vivida nos dias de hoje e, por isso, precisam ser ressignificados pelos alunos. A aprendizagem ocorre quando o aluno consegue superar a visão inicialmente confusa da realidade trabalhada nos conteúdos e passa a ter uma visão mais nítida e integrada sobre ela. 6.3 Metodologias ativas O vídeo sobre metodologias ativas, indicado a seguir, discorre sobre seus conceitos e práticas. Nele podemos verificar que as metodologias ativas são decorrentes de estudos recentes, devido ao desejo de mudança do modelo de aula praticado pela escola. O tipo de aula desenvolvido não mais atendia às necessidades da realidade mais complexa e de formação com autonomia. A experiência na ONG Solar dos meninos enriqueceu as aulas com as novas dinâmicas implementadas a partir das metodologias ativas. Outra questão apontada diz respeito à mudança do modelo pedagógico, que é mais traumático quando implementado no meio do percurso, assim a inserção no início do percurso do aluno é mais adequada, pois quando entra na instituição ele recebe todas as informações sobre o modelo vigente, que embora cause algum estranhamento inicial, o aluno se insere muito mais satisfatoriamente. Defende-se no vídeo que as aulas expositivas não são muito adequadas para a aprendizagem qualitativa, contudo, com as metodologias ativas o aluno se constitui como sujeito e é muito mais criativo e autônomo. Isso é possível quando se propõe uma experiência educacional transdisciplinar. A preparação do professor para a utilização das metodologias ativas, requer a sua adaptação ao novo modelo, e é importante refletir sobre as características do professor e a proposta pedagógicas da escola, buscando uma síntese dos conhecimentos que o professor já tem, com as novas propostas educacionais das metodologias ativas. Nesse sentido, a preparação do professor é um importante fator, pois a mudança pode gerar alguns incômodos devido às influências do modelo de ensino tradicional. 63 6.4 Tecnologias educacionais (TICs) No vídeo Como usar as Novas Tecnologias na Educação: sala de aula deve ser ambiente de criação, se discute o uso ou não das novas tecnologias na sala de aula. Aponta as restrições ao uso das tecnologias por vários motivos, dentre eles a preservação do equipamento. Quanto ao uso da internet, defende sua utilidade para a educação, contudo é preciso saber, primeiro o que é e como funciona a internet, para saber selecionar os conteúdos. As tecnologias nas escolas não devem ser passivas diante das tecnologias, os alunos devem aprender as linguagens para poder criar e se tonar a ativo na internet. Portanto, a escola precisa proporcionar o domínio da linguagem usadas pelas tecnologias da informação. Assim, o estudante pode se tornar sujeito, criando saber, produzindo conhecimento. 6.5 Portfólio de TICs 1. TIC na Educação: o que é e como utilizar? Disponível em: <http://naescola.eduqa.me/carreira/praticas-inovadoras/tic-na-educacao-o- que-e-e-como-utilizar/>. Acesso em: 26 set. 2018. Neste site é possível conhecer algumas das questões que envolvem o uso das TICs pelo professor e as contribuições que ela possibilita para a motivação dos alunos, também indica os padrões de qualidade esperados do professor para desenvolver qualitativamente a aula com auxílio das ferramentas das tecnologias da informação. CANAL FUTURA. Metodologias Ativas para educar – Conexão. Publicado em 22 de janeiro de 2018. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=z0Y3BzUWnMI>. Acesso em: 26 set. 2018. FONSECA, A. A. Como usar as novas tecnologias na Educação: sala de aula deve ser ambiente de criação. Publicado em 24 de setembro de 2015. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Zge9v2jIhRA>. Acesso em: 26 set. 2018. http://naescola.eduqa.me/carreira/praticas-inovadoras/tic-na-educacao-o-que-e-e-como-utilizar/ http://naescola.eduqa.me/carreira/praticas-inovadoras/tic-na-educacao-o-que-e-e-como-utilizar/ 64 2. TIC na educação do Brasil Disponível em: <http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/communication-and- information/access-to-knowledge/ict-in-education/>. Acesso em: 26 set. 2018. O site da Unesco trata do uso das tecnologias na educação numa perspectiva mundial, apresentando seu programa para o uso das TICs e faz uma comparação com o uso das tecnologias no Brasil. 3. TIC Educação: publicações Disponível em: <https://cetic.br/pesquisa/educacao/publicacoes/>. Acesso em: 26 set. 2018. Aqui pode-se ver algumas pesquisas sobre o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nas escolas brasileiras. 4. TICs na educação: o uso de software livre na promoção da acessibilidade Medeiros, M. M; Queiroz, M. J. TICs na educação: o uso de software livre na promoção da acessibilidade. Revista Brasileira da Educação Profissional e Tecnológica. v. 1, n. 14, 2018. Disponível em: <http://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/RBEPT/article/view/6875/pdf>.Acesso em: 26 set. 2018. Neste artigo publicado na Revista brasileira da educação profissional e tecnológica é possível conhecer alguns dos softwares livres que estão disponíveis para o uso na educação. 5. TICs na Educação: 10 recomendações para aplicá-la Disponível em: <https://www.goconqr.com/pt-BR/examtime/blog/tics-na-educacao/>. Acesso em: 26 set. 2018. No site está disponível uma abordagem sobre o uso das tecnologias educacionais que parte de algumas premissas que escolas e educadores devem seguir para implementar TIC na sala de aula e mesmo como sugestão de atividades extras. 6. Como usar as novas tecnologias para ajudar na aprendizagem das crianças na Educação Infantil? Disponível em: <http://ferramentasdoprofessor.com.br/05-formas-simples-e-praticas-de- utilizar-as-tecnologias-na-educacao-infantil/>. Acesso em: 26 set. 2018. Aqui encontramos algumas dicas para o uso das tecnologias educacionais para serem utilizadas na educação infantil. 7. Uso das TIC na alfabetização de alunos da Educação Especial Disponível em: <http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=43 5>. Acesso em: 26 set. 2018. http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/communication-and-information/access-to-knowledge/ict-in-education/ http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/communication-and-information/access-to-knowledge/ict-in-education/ https://cetic.br/pesquisa/educacao/publicacoes/ https://cetic.br/publicacao/pesquisa-sobre-o-uso-das-tecnologias-de-informacao-e-comunicacao-nas-escolas-brasileiras-tic-educacao-2016/ https://cetic.br/publicacao/pesquisa-sobre-o-uso-das-tecnologias-de-informacao-e-comunicacao-nas-escolas-brasileiras-tic-educacao-2016/ http://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/RBEPT/article/view/6875/pdf https://www.goconqr.com/pt-BR/examtime/blog/tics-na-educacao/ http://ferramentasdoprofessor.com.br/05-formas-simples-e-praticas-de-utilizar-as-tecnologias-na-educacao-infantil/ http://ferramentasdoprofessor.com.br/05-formas-simples-e-praticas-de-utilizar-as-tecnologias-na-educacao-infantil/ http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=435 http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=435 65 Neste trabalho pode-se conhecer as propostas para que o professor utilize as ferramentas tecnológicas na alfabetização de alunos com necessidades especiais. 8. TIC Educação mostra aumento no uso da internet pelo celular para fim pedagógico Disponível em: <https://www.moodlelivre.com.br/noticias/1792-tic-educacao-mostra- aumento-no-uso-da-internet-pelo-celular-para-fim-pedagogico>. Acesso em: 26 set. 2018. Pode-se conhecer nesse trabalho como usar o celular em prol da aprendizagem dos alunos. Fechamento Neste bloco estudamos as novas tendências pedagógicas do século XXI, pudemos conhecer os dois grupos que dominam o pensamento pedagógico, bem como as correntes de pensamento que se formaram em cada um deles. Também estudamos sobre as metodologias ativas, que trouxeram novas propostas pedagógicas para a educação, que transformaram o modelo tradicional de ensino, requerendo adaptação do professor, devido a grande mudança de paradigma que insere na educação. Finalmente, estudamos sobre as Tecnologias de Informação e Educação (TICs) e aprendemos sua importância para dinamizar e inovar o processo de ensino- aprendizagem. https://www.moodlelivre.com.br/noticias/1792-tic-educacao-mostra-aumento-no-uso-da-internet-pelo-celular-para-fim-pedagogico https://www.moodlelivre.com.br/noticias/1792-tic-educacao-mostra-aumento-no-uso-da-internet-pelo-celular-para-fim-pedagogico 66 Referências GADOTTI, Moacir. Pensamento pedagógico brasileiro. São Paulo: Ática, 1988. LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da escola pública. São Paulo: Loyola, 1990.