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Apostila Gestão da Rotina A Gestão da Rotina é um conjunto de técnicas inspirados na prática das empresas japonesas da década de 1990. Foi popularizada no Brasil pelo professor Vicente Falconi em seus trabalhos em grandes empresas durante sua carreira. Misturando dois aspectos, o de gerenciamento por diretrizes (bater metas) e padronização do trabalho da liderança, essa prática, técnicas e ferramentas da gestão da rotina, ajudam gerentes (das mais diversas hierarquias) a entender seus processos e gerenciá-los para o atingimento de metas numéricas. Para fazer isso acontecer, o gerente precisará levar toda a equipe a um novo desempenho, energicamente forçando todos a aprenderem novas maneiras de se bater a meta. Os pontos da gestão da rotina geralmente envolvem: ● Definições de metas e estratégias ● Entendimento dos processos a serem gerenciados ● Desenvolvimento contínuo e sistemático da equipe do processo ● Criação de um sistema de gestão (com rituais bem definidos) ● Medição dos resultados dos processos gerenciados Processos de negócio Um processo é uma sequência de atividades conduzidas para a produção de um bem ou serviço com valor para um determinado cliente. Por esta perspectiva, um processo é uma sequência ordenada de atividades que visam transformar entradas em saídas para algum determinado cliente. Essa definição está totalmente alinhada com a visão da utilização do SIPOC na análise de uma organização. Como já vimos, essa visão de transformação é extremamente útil para se enxergar uma organização, pois ela faz com que entendamos o propósito da organização. Quando fazemos isso, dizemos que estamos enxergando a organização como um sistema, o que é um dos pilares chave do conhecimento profundo de Deming. Entender a organização como um sistema não é tarefa simples, já que o sistema é um emaranhado de processos. Em outras palavras, podemos dizer que o propósito da organização só é cumprido uma vez que todos os seus processos desempenhem suas atividades de maneira satisfatória. A operação é a interação entre as várias pessoas trabalhando nele (imagine o processo de vendas de sua empresa, ou então o processo de contratação de um novo funcionário) com as máquinas necessárias para executar o processo. A descrição da operação é feita por meio de um procedimento, que no exemplo é: ● Selecionar o cliente com a maior pontuação na lista; ● Buscar o número de telefone do cliente; ● Ligar para o cliente e conversar sobre o produto, por meio do script de vendas; ● Despedir-se e desligar o telefone; ● Anotar o resumo da conversa no software de CRM. Este procedimento realizado pelo vendedor pode ser padronizado e analisado de maneira crítica. Seguindo a instrução de trabalho, a operação pode ser rapidamente reproduzida. Com isso em mente, podemos definir 3 níveis de transformação. Um sistema é a organização como um todo. É o conjunto de fatores interligados com funções específicas. Todo sistema tem pelo menos uma função e cada função gera pelo menos um indicador. Os sistemas podem ser abertos ou fechados e, podem ser modelados também de acordo com sua estrutura, seus processos e suas funções. Um processo é uma sequência de valores agregados visando à produção de um produto (mercadoria ou serviço). Para fins de organização e análise do trabalho, o conceito de processo é conveniente por sua racionalidade e simplicidade. Com um fluxograma, por exemplo, podemos desenhar suas interações e a sequência de suas atividades, bem como onde cada coisa acontece na organização (iremos ilustrar alguns fluxogramas mais adiante). Uma atividade é a parte mais basal da organização. Ela pode ser descrita por um procedimento, ou instrução de trabalho e sempre é realizada por apenas uma pessoa (podendo ter interface com outras). A sua complexidade é baixa e é fácil de ser enxergada, pois são as coisas que realizamos no dia a dia, possibilitando assim, detalharmos com clareza. Uma área “gerenciada” por um gerente, normalmente é composta por vários processos Gerenciar o dia a dia desses processos (e das pessoas empregadas neles), para bater metas de desempenho, é o trabalho da Gestão da Rotina. Vimos acima a separação dos tipos de trabalhos dentro de uma empresa, o gerencial e operacional. No fluxo mostrado logo abaixo lembramos o objetivo de cada hierarquia. O trabalho gerencial O gerente de uma área é uma das engrenagens mais importantes em qualquer empresa. Dentre as suas atribuições temos as divisões em manter (Ciclo SDCA) e melhorar (Ciclo PDCA). Dentre as atividades: Quando pensamos em gerenciar para manter temos Foco nos indicadores, prezando sempre os rituais de planejamento (Reunião de Planejamento Semanal) e os treinamentos de pessoas para a execução do trabalho. Esse foco é importante para garantir a padronização do trabalho. Quando o foco é o gerenciamento para melhoria é necessário realizar mudanças. Os gerentes devem procurar trabalhar com um método de melhoria sempre que possível, seja seguindo roteiros de projetos de melhoria ou metodologias internas de cada organização. O desenvolvimento das pessoas para mudar e atingir essas metas é algo que a gerência não pode deixar de lado, treinamentos e abordagem cultural da empresa são sempre relevantes. As abordagens ocidental (centralizada em especialistas) e oriental (descentralizada através da mudança cultural – kaizen) quando discutimos mudanças e melhorias são sempre relevantes e que podem ser combinadas. Veremos abaixo um passo-a-passo para a implementação do trabalho Vamos ver agora como realizar a descrição de negócio, etapa primordial para a implementação da gestão da rotina. A descrição de negócios é um “SIPOC da área gerenciável”. Ela é útil para: Listar os pontos importantes que um gerente deve gerenciar; ● Dar consciência do que se entrega e para quem se entrega (para entender o que é a qualidade de seu processo); ● Entender os indicadores de saída (itens de controle) e as entradas (itens de verificação), que podem impactar na qualidade final; ● Listar pessoas, máquinas, equipamentos e outros ativos da área gerenciada. Geralmente a primeira coisa a se fazer, pois o gerente deve estar consciente do que deve gerenciar. Trazemos abaixo um exemplo de descrição de negócio. Para montar uma descrição de negócios de sucesso seguimos os passos mostrados a seguir. Seguindo no passo-a-passo da implementação da gestão da rotina vamos entrar no estudo dos processos críticos. Um processo crítico da área é geralmente aquilo que dá mais trabalho Ele sempre está ligado com uma saída específica A rigor, vale a pena listar o que dá mais trabalho e detalhar como fazemos para produzir aquela saída. Possuir este entendimento das entregas críticas é importante para saber o que priorizar. Ainda continuando com nosso exemplo de contas a pagar, temos abaixo o entendimento que a saída “Pagamentos Realizados” é crítica. Damos o “zoom” dentro da saída de “Pagamentos Realizados” para entender melhor o processo como um todo. Realizara definição dos indicadores e metas para os processos-chave de sua descrição de negócios é essencial para a implementação da gestão da rotina. “Não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende, não há sucesso no que não se gerencia.” - William Edwards Deming Essa frase de William Edwards Deming consegue, de maneira sucinta, mostrar a importância dos indicadores dentro da gestão da rotina. Dentro deste cenário, temos que definir indicadores que nos ajudem a avaliar se as saídas tem qualidade. Geralmente a determinação de qualidade é dada pelo cliente daquela saída ou determinada especificação técnica. Seguindo o exemplo de contas a pagar, a árvore CTC deste processo crítico é: Precisamos lembrar que existem outros tipos de indicadores, até agora só falamos dos indicadores de qualidade das saídas (itens de controle); Também temos indicadores da entrada (itens de verificação). É impossível termos qualidade na saída sem qualidade na entrada, os gestores anteriores devem se esforçar para atender os padrões de qualidade, cumprindo as metas dos itens de controle. Rituais de Gestão Os rituais são a base da gestão da rotina, eles devem ser implementados pela liderança, de forma que ações sejam tomadas para atingir as metas. Eles devem medir a relação do desempenho dos indicadores com a meta, focando as pessoas no atingimento das metas necessárias. para entender melhor sobre os rituais, recomendamos a leitura do material complementar disponível no curso. Padronização do trabalho gerencial Rotina é disciplina. Mesmo sabendo o que devemos fazer, é fácil sair da disciplina. Para que essa perda não aconteça, é importante que o gestor da equipe e dos processos tenha um checklist claro do que deve fazer no dia a dia. Esses checklists são frequentemente conhecidos como diários de bordo do gerente, que nada mais são do que todas as atividades que um gerente deve fazer no dia. Ele ajuda a não deixar nada passar batido ou esquecido. Além disso, o diário de bordo pode ser auditado pelos níveis acima, ou até mesmo ser colocado “à vista” para acompanhamento de todos. Abaixo um exemplo de diário de bordo. Anomalias Que são anomalias: São quebras de equipamento, qualquer tipo de manutenção corretiva, defeitos em produto, refugos, retrabalhos, insumos fora de especificação, reclamações de clientes, vazamentos de qualquer natureza, paradas de produção por qualquer motivo, atraso nas compras, erros de previsão (vendas, produção...etc). Em outras palavras são todos os eventos que fogem do normal. As anomalias não agregam valor para o cliente, gerando apenas custos para a empresa. Portanto elas devem ser eliminadas. Quando existem muitas anomalias, o tempo das pessoas é consumido em combatê-las, e não para atingir metas. Como vimos, as anomalias são uma peça chave da melhoria contínua. Algumas são simples, outras são complicadas, mas todas precisam ser tratadas. O trabalho padrão de todas as lideranças deve envolver essa tratativa. E como que conseguimos relatar essas anomalias? Temos as opções de realizar a abertura manual pela operação (Relatório de Não Conformidades e afins), abertura digital pela operação (sistemas de chamado), abertura pelo líder ou auditorias. Depois de identificada uma anomalia precisamos tratá-la. Para realizar tal ação possuímos algumas opções: ● Criar um ritual para tratar as anomalias; ● Possuir responsáveis para o tratamento; ● Realizar um acompanhamento eficaz das ações; ● Realizar um acompanhamento eficaz dos prazos. Devemos ter um responsável global pelas ações de tratamento de anomalias, porém a operação deve ser responsável pelas anomalias “simples”. Os líderes e supervisores devem ser responsáveis pela operação enquanto os gerentes devem ser responsáveis pelas anomalias mais complexas. O desenvolvimento de uma equipe “especial” para solução de problemas complexos é recomendado.