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LISTA DE EXERCÍCIOS WWW.GABARITAGEO.COM.BR FILOSOFIA MEDIEVAL 1. Desde que tenhamos compreendido o significado da palavra “Deus”, sabemos, de imediato, que Deus existe. Com efeito, essa palavra designa uma coisa de tal ordem que não podemos conceber nada que lhe seja maior. Ora, o que existe na realidade e no pensamento é maior do que o que existe apenas no pensamento. Donde se segue que o objeto designado pela palavra “Deus”, que existe no pensamento, desde que se entenda essa palavra, também existe na realidade. Por conseguinte, a existência de Deus é evidente. TOMÁS DE AQUINO. Suma teológica. Rio de Janeiro: Loyola, 2002. O texto apresenta uma elaboração teórica de Tomás de Aquino caracterizada por: a) reiterar a ortodoxia religiosa contra os heréticos. b) sustentar racionalmente doutrina alicerçada na fé. c) explicar as virtudes teologais pela demonstração. d) flexibilizar a interpretação oficial dos textos sagrados. e) justificar pragmaticamente crença livre de dogmas. 2. Considere os trechos selecionados abaixo. Texto 1: “Todavia, mais do que para qualquer outro animal, é natural para o ser humano ser um animal social e político, ou seja, viver junto a muitos, como o demonstra a necessidade natural. Com efeito, no caso dos demais animais, a natureza preparou-lhes a comida; como vestimento, proveu-os de pelos; [...]. Mas a natureza não dotou o ser humano dessas coisas. Ao invés disso, foi-lhe dada a razão que o habilita a preparar tudo isso com suas mãos. Porém, como um único ser humano não é suficiente para fazer todas essas coisas, então um ser humano sozinho não pode levar, de maneira suficiente, sua vida. Logo, é natural ao ser humano que ele viva em sociedade junto a muitos.” TOMÁS DE AQUINO. A realeza: dedicado ao rei de Chipre. In: MARÇAL, J. Antologia de textos filosóficos. Curitiba: Seed, 2009, p. 667). Texto 2: “[...] durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de os manter a todos em respeito, eles se encontram naquela condição a que se chama guerra, e uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens. Pois a guerra não consiste apenas na batalha, ou no ato de lutar, mas naquele lapso de tempo durante o qual a vontade de travar batalha é suficientemente conhecida.” (HOBBES, T. Leviatã, São Paulo: Abril, 1988, p. 54). A partir dos textos acima e de teses do pensamento político de Tomás de Aquino e de Thomas Hobbes, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01) A cidade, para Tomás de Aquino, é forma superior de organização natural e visa ao bem viver do homem. 02) Hobbes não considera que haja uma disposição natural à socialização dos homens, sendo necessária a intervenção artificial para congregá-los em sociedade. 04) Para Tomás de Aquino, não é possível pensar a noção de autoridade como meio de alcançar o bem comum para todos aqueles que vivem em sociedade. 08) Para Hobbes, a autoridade coercitiva do Estado é o único meio de assegurar a boa convivência em sociedade. 16) O pensamento político de Tomás de Aquino tem origem comunitária, e o de Hobbes, origem individualista. LISTA DE EXERCÍCIOS WWW.GABARITAGEO.COM.BR GABARITO: Resposta da questão 1: [B] Percebe-se, no texto apresentado pela questão, a construção do argumento para a defesa da existência de Deus a partir do pensamento racional, característica da filosofia escolástica da qual Tomas de Aquino é o mais conhecido expoente. Assim, o pensador busca sustentar racionalmente uma ideia baseada na fé, como apontado pela alternativa [B]. Resposta da questão 2: 01 + 02 + 08 + 16 = 27. Para Tomás de Aquino, a vida junto a seus semelhantes possui um caráter natural entre os homens, sendo a organização em sociedade um estado condicionante para que os indivíduos possam atingir as potencialidades que os distinguem dos outros animais, o que expressa uma noção comunitária dessa organização. Essa concepção se contrapõe à de Thomas Hobbes, para quem a vida em sociedade se dá em prol de um interesse individual, qual seja, o de evitar a insegurança da condição de guerra. Assim, para Hobbes, o estabelecimento da sociedade civil seria resultado de uma necessidade prática, e não da natureza humana, sendo, portanto, necessária a autoridade e a força do Estado para a efetivação da vida coletiva em harmonia. Essas ideias são expressas pelos itens [01], [02], [08] e [16].