Prévia do material em texto
FOTOGRAFIA PUBLICITÁRIA · O que é? A fotografia publicitária é um campo desafiador que explora várias formas de arte simultaneamente. O fotógrafo deve ter um bom senso de apresentação eficaz, bem como ter seu pulso sobre os desejos, necessidades e gostos dos consumidores. Trabalhar com empresários, ansiosos por apresentar seus produtos sob uma luz envolvente é outra faceta do setor. Embora o campo possa ser exigente, o talentoso fotógrafo publicitário recebe muito do crédito pelo sucesso da clientela. Quando você está olhando para um anúncio, qual é a primeira coisa que você percebe? É a escrita no anúncio? Provavelmente não. Se você é como a maioria das pessoas, você percebe as imagens primeiro. Muitas vezes, as imagens em um anúncio são o que atrai os olhos das pessoas, e essas imagens geralmente determinam se as pessoas continuam ou não a estudar o anúncio. O uso de gráficos, como a fotografia, em propagandas pode aumentar muito as chances de os consumidores olharem para elas. Fotografia publicitária envolve tirar fotos de produtos ou serviços. Essas fotografias não devem ser apenas de alta qualidade e atraentes, mas também devem ser interessantes e chamativas. Eles não devem apenas fazer com que os consumidores notem um anúncio, mas também devem fazer com que os consumidores queiram comprar o produto ou serviço. Existem algumas maneiras pelas quais produtos e serviços podem ser fotografados para anúncios. Os produtos podem ser fotografados enquanto estão em uso ou contra um fundo em branco. Para adicionar interesse visual e despertar a curiosidade dos consumidores, os produtos também podem ser fotografados em situações ou áreas incomuns. Os serviços podem ser um pouco mais difíceis de fotografar, mas isso pode ser feito. Por exemplo, um anúncio de um serviço pode incluir uma fotografia da vida sem o serviço. Fotografias lisonjeiras dos próprios profissionais de serviço também podem ser usadas. As fotografias publicitárias são frequentemente usadas em anúncios impressos, como anúncios em jornais e revistas. Essas fotografias também podem ser exibidas em anúncios online, em outdoors, móveis e até em televisão. · A fotografia publicitária no Brasil: De início, a publicidade teve caráter exclusivamente oral, fase que após o descobrimento do país durou quase três séculos até o surgimento das primeiras mídias impressas (RAMOS, 1985). Os primeiros anúncios publicitários impressos veiculados no Brasil tinham como característica o tom descritivo e direto. Nessa primeira etapa de anúncios impressos apenas se enumera aquilo que está sendo oferecido, não se tinha a preocupação de argumentar ou persuadir (PINHO, 2005). O primeiro anúncio de que se tem notícia no país (RAMOS, 1985; GRACIOSO & PENTEADO, 2004) é datado de 1808 e foi veiculado no primeiro jornal, A Gazeta do Rio de Janeiro. No entanto, percebemos que neste início os anúncios funcionam como pequenos avisos inseridos sempre no final do jornal e nem sempre tem o caráter de venda de determinado produto ou serviço. Alguns anos depois, o Diário do Rio de Janeiro, veiculado em 1821, trazia em seu conteúdo anúncios com textos longos e sem ilustrações. No início de 1900 começaram a aparecer os anúncios como conhecemos hoje, pois neles havia a exploração de recursos, antes limitados ao universo da arte – como o uso de pinturas e ilustrações – e trouxeram algo de inovador para a configuração estética do anúncio publicitário (MARCONDES, 2002). A estrutura de anúncio desenvolvida no século XIX à traço (que limitava a veiculação apenas de textos) foi aos poucos sendo substituída por alguns anúncios com imagem, sendo estas ilustrações ou mesmo caricaturas e alguns anúncios com fotografia. Mas é apenas no decorrer da década de 1920 que a imagem começou a ganhar relevância (CADENA, 2001). Do primeiro anúncio, em 1808, até 1900, saímos de anúncios que contemplavam apenas a utilização da linguagem textual, para a possibilidade da utilização de ilustrações a duas cores, com desenhos de artistas famosos e textos de poetas. Sobre o registro da possibilidade do uso de fotografias em publicidade não se tem uma data precisa. Diz-se que ocorreu em 1880 (MARCONDES, 2002), quando os processos de impressão evoluíram, permitindo a técnica de meio-tom. Já Cadena (2004) afirma que é a partir da primeira década do século 20 quando existe a possibilidade da impressão através da rotogravura ou clichê. A substituição das ilustrações pelas fotografias foi feita de forma gradativa, não apenas pelas questões técnicas, mas também pelo fato de não existir fotógrafos especializados em publicidade, visto que era uma nova possibilidade de uso para a fotografia, na qual exigia o desenvolvimento de uma linguagem específica. Com isso, os gêneros incorporados pela publicidade de início (e que já eram utilizados no final do século XIX e início do século XX de forma não-comercial) foram o retrato – para anúncios em que artistas davam seu testemunho sobre algum produto – e as fotografias de fachadas de estabelecimentos. De início, temos na fotografia publicitária uma forma de registro, uma imagem muito descritiva e sem envolver nenhum conceito como se caracteriza a imagem publicitária atual. Segundo Palma (2005, p. 03), as imagens ainda não tinham “as técnicas e truques para embelezar objetos e espaços que viriam a constituir futuramente uma sintaxe da imagem publicitária moderna”. Os fotógrafos que produziam as imagens encomendadas pelas agências não tinham especialização nesta área. Henrique Becherini, Peter Scheier, Hans Gunther Flieg e Chico Albuquerque foram os primeiros fotógrafos no Brasil que buscaram se especializar na produção fotografias publicitárias (PALMA, 2005). · Quem foi Chico Albuquerque? Francisco Afonso de Albuquerque (1917-2000), o Chico Albuquerque, é um dos pioneiros da fotografia publicitária nacional. Mais do que isso, é de sua autoria a primeira campanha assinada por um brasileiro: um registro de modelo e produto para a Johnson & Johnson, da J. W. Thompson, em 1948. Sua trajetória na fotografia, entretanto, começou antes, ainda na adolescência. Cearense de Fortaleza, Chico Albuquerque manifestou cedo seu talento para o ofício. Aos 15 anos, fotografou um documentário de curta-metragem e, aos 17, já trabalhava como fotógrafo profissional. Foi apenas com 25, entretanto, que foi apresentado à composição. Ao fazer a fotografia de cena de It’s All True (1942), filme sobre a América Latina encomendado como parte da política de boa vizinhança do presidente norte-americano Roosevelt, Chico aprendeu sobre a divisão áurea do retângulo com ninguém menos que Orson Welles, diretor do longa. Em 1945, Chico mudou-se para São Paulo e não demorou para conquistar o mercado. Abriu seu estúdio próprio em 1946 na Avenida Rebouças e, bem relacionado, assinou imagens famosas de várias personalidades. Entre elas estão o paisagista Burle Marx, o pintor Aldemir Martins, o presidente Juscelino Kubitschek, a atriz Odete Lara, entre tantos outros. No mesmo ano, ingressou no Fotocine Clube Bandeirante, desempenhando um papel de liderança no movimento fotoclubista da cidade ao lado de figuras como German Lorca, Thomaz Farkas, Geraldo de Barros e Eduardo Salvatore. O engajamento no fotoclubismo foi uma das formas com que Chico ajudou a promover o desenvolvimento da fotografia no Brasil. Ao se aposentar, em 1975, 30 anos depois da chegada em São Paulo, Chico retornou à Fortaleza, mas não parou de fotografar: montou outro estúdio e permaneceu ativo e produtivo. Dedicou-se a ensaios de naturezas-mortas com frutas típicas brasileiras e destacou-se na elogiada exposição 130 Fotos de personalidades paulistanas, realizada na Galeria Fotóptica, em 1982. Seu papel permaneceu decisivo tanto na estruturação do mercado publicitário quanto na transformação do fotojornalismo local. Nas palavras de Patrícia Veloso, responsável pela editora nordestina Terra da Luz, “quando ele voltou de São Paulo, já era respeitado no mercado. Se hoje a fotografia do Ceará conquistou reconhecimento nacional e internacional,deve muito a ele”. Entre suas publicações mais famosas está Mucuripe, editado em 1989, com imagens da praia homônima em dois momentos distintos, 1952 e 1988. Os registros mostram, além da paisagem cearense, o cotidiano dos jangadeiros e a importância do mar em suas vidas. Chico nunca parou de fotografar. Seu último trabalho foi em 2000, seu último ano de vida, quando assinou a campanha publicitária da Del Rio aos 83 anos. BIBLIOGRAFIA: · https://www.supercamera.com.br/fotografia-publicitaria-o-que-e/ · http://intercom.org.br/papers/regionais/nordeste2011/resumos/R28-1124-1.pdf · http://foto.espm.br/index.php/sem-categoria/chico-albuquerque-pioneiro-da-fotografia-tupiniquim/