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FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA PORTARIA Nº 2.861 DO DIA 13/09/2004 0800 283 8380 www.portalprominas.com.br Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 3 UNIDADE 1 - A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DA FILOSOFIA .................................. 5 UNIDADE 2 - SITUANDO A FILOSOFIA NAS DIVERSAS ÉPOCAS......................... 15 UNIDADE 3 - AS CONCEPÇÕES E OS MÉTODOS DA FILOSOFIA ......................... 17 UNIDADE 4 - OBJETOS DE ESTUDO – OS GRANDES TEMAS ................................ 23 UNIDADE 5 - OS RAMOS DA FILOSOFIA ................................................................... 42 REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 50 Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 3 INTRODUÇÃO Vários são os motivos que justificam a importância do estudo e entendimento da filosofia, quer seja nos cursos de graduação, no Ensino Médio ou como leitura de lazer pessoal. No meu entendimento (e que, evidentemente, pode e deve variar de acordo com a visão que cada um tem da vida), o que mais motiva no estudo da Filosofia é a possibilidade de desenvolver uma visão generalista e, ao mesmo tempo, crítico- reflexiva acerca dos problemas do cotidiano. Aos alunos do Ensino Médio, o estudo da Filosofia possibilita a formação de cidadãos críticos, disciplinados, autônomos e cultos como recomenda a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN n. 9394/96). O artigo 36, § 1o, inciso III, justifica os conhecimentos de Filosofia como “necessários ao exercício da cidadania”, contribuindo para o “aprimoramento como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico” (art. 35, inciso II, da LDB). E devem, ainda, mais especialmente, seguir a diretriz de “difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem democrática” (art. 27, inciso I, da LDB) (BRASIL, 2006). Não é raro observarmos nos cursos de graduação, principalmente nas áreas de Ciências Exatas, a Filosofia ser encarada como algo de “intelectuais”, que não leva a nada, mas temos duas explicações! Primeiro, a forte influência do modelo universitário norte-americano com seu pragmatismo1 e segundo, porque aqui no Brasil, ao contrário da Europa, os meios de comunicação não se preocupam em divulgar textos filosóficos (dentre outras lacunas que não nos interessa aprofundar 1 As doutrinas de C. S. Peirce (v. peirciano), W. James (v. jamesiano 1 ), J. Dewey (v. deweyano) e do literato alemão Friedrich J. C. Schiller (1759-1805), cuja tese fundamental é que a verdade de uma doutrina consiste no fato de que ela seja útil e propicie alguma espécie de êxito ou satisfação (FERREIRA, 2004) Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 4 no momento). Desse modo, a Filosofia em muito tem a contribuir na formação cultural, crítica e ética das gerações atuais e futuras do país. Juntamente com as apostilas Ética e Filosofia, História da Filosofia e Tópicos de Ética, esta apostila denominada Tópicos de Filosofia vem colaborar no sentido de apresentar, conceituar, discutir e analisar os temas filosóficos de maior importância, os seus ramos, sua importância, seu campo de conhecimento, enfim. Concordando com Sponville (2002, p. 11) filosofar é pensar por conta própria; mas só se consegue fazer isso de um modo válido, apoiando-se primeiro no pensamento dos outros, em especial dos grandes filósofos do passado. A filosofia não é apenas uma aventura; é também, um trabalho, que requer esforços, leituras, ferramentas. Esperamos que esta especialização capacite-os para a discussão interdisciplinar, proporcionando a formação de cidadãos críticos que possam fazer com que a filosofia ocupe seu lugar no contexto local, regional e nacional, mas ressaltamos que o assunto não se esgota e tanto por isso, ao final da apostila são oferecidas bibliografias complementares para sanar dúvidas que, por ventura venham surgir no decorrer do estudo, possíveis lacunas e para aprofundamento dos senhores. Desejamos a todos uma boa leitura e um estudo proveitoso! Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 5 UNIDADE 1 - A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DA FILOSOFIA Origem, nascimento, definições Oficialmente a Filosofia nasceu com Tales de Mileto marcando uma nova forma de pensar o mundo através da observação e a tentativa sistemática de uma explicação natural para a realidade. No começo o homem acreditava nos mitos, mas algo aconteceu que o fez mudar seu modo de pensar. Ele deixou de recorrer aos mitos para explicar o universo e inaugurou um sistema de pensamento que permeia toda a civilização ocidental até os dias de hoje. Ao longo desta apostila encontraremos os motivos, as razões e as características desde o começo, passando pelas ideias pré-socráticas. A palavra “filosofia” tem sua origem no idioma grego e resulta da união de outras duas palavras: philia que significa amizade, amor fraterno (não no sentido erótico) e respeito entre os iguais e Sophia, que significa sabedoria, conhecimento. Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber. Assim, o filósofo seria aquele que ama e busca a sabedoria, tem amizade pelo saber, deseja saber. A tradição atribui ao filósofo Pitágoras de Samos (que viveu no século V antes de Cristo) a criação da palavra. Filosofia indica um estado de espírito, o da pessoa que ama, isto é, deseja o conhecimento, o estima, o procura e o respeita (RUSSELL, 1977). Segundo Russell (1977) a filosofia origina-se de uma tentativa obstinada de atingir o conhecimento real. Aquilo que passa por conhecimento, na vida comum, padece de três defeitos: é convencido, incerto e, em si mesmo, contraditório. O primeiro passo rumo à filosofia consiste em nos tornarmos conscientes de tais defeitos, não a fim de repousar, satisfeitos, no ceticismo indolente, mas para substituí-lo por uma aperfeiçoada espécie de conhecimento que será experimental, precisa e autoconsistente. Naturalmente, desejamos atribuir outra qualidade ao Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusivefotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 6 nosso conhecimento: a compreensão. Desejamos que a área de nosso conhecimento seja a mais ampla possível. Isto, no entanto, é mais da competência da ciência que da filosofia. Um homem não vem a ser necessariamente melhor filósofo graças ao conhecimento de maior número de fatos científicos; são os princípios e métodos, e as concepções gerais, que ele deva apreender da ciência, caso a filosofia seja matéria de seu interesse. A missão do filósofo é, a bem dizer, a segunda natureza do fato bruto. A ciência tenta agrupar fatos por meio de leis científicas; estas leis, mais que os fatos originais, são a matéria-prima da filosofia. A filosofia envolve uma crítica, do conhecimento científico, não de um ponto de vista em tudo diferente do da ciência, mas de um ponto de vista menos preocupado com detalhes e mais comprometido com a harmonia do corpo genérico das ciências especiais. A Filosofia é um ramo do conhecimento que pode ser caracterizado de três modos: seja pelos conteúdos ou temas tratados, seja pela função que exerce na cultura, seja pela forma como trata tais temas. Com relação aos conteúdos, contemporaneamente, a Filosofia trata de conceitos tais como bem, beleza, justiça, verdade. Mas, nem sempre ela tratou de tais temas. No começo, na Grécia, a Filosofia tratava de todos os temas, já que até o séc. XIX não havia uma separação entre ciência e filosofia. Assim, na Grécia, a Filosofia incorporava todo o saber. No entanto, a Filosofia inaugurou um modo novo de tratamento dos temas a que passa a se dedicar, determinando uma mudança na forma de conhecimento do mundo até então vigente. Isto pode ser verificado a partir de uma análise da assim considerada primeira proposição filosófica (DUTRA 2005). Quanto ao seu valor, a filosofia deve ser estudada, não por causa de quaisquer respostas exatas às suas questões, uma vez que, em regra, não é possível saber que alguma resposta exata é verdadeira, mas antes por causa das próprias questões; porque estas questões alargam a nossa concepção do que é possível, enriquecem a nossa imaginação intelectual e diminuem a certeza dogmática que fecha a mente à especulação; mas acima de tudo porque, devido à Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 7 grandeza do universo que a filosofia contempla, a mente também se eleva e se torna capaz da união com o universo que constitui o seu mais alto bem (RUSSELL, 2001). Para Prado Jr (1981) a Filosofia seria isso mesmo: uma especulação infinita e desregrada em torno de qualquer assunto ou questão, ao sabor de cada autor, de suas preferências e mesmo de seus humores. Na verdade, existem pensadores ou especuladores que afirmam caber à Filosofia simplesmente sugerir questões e propor problemas, fazer perguntas cujas respostas não têm maior interesse, e com o fim único de estimular a reflexão, aguçar a curiosidade. Apesar, contudo, de boa parte da especulação filosófica, particularmente em nossos dias, parecer confirmar tal ponto de vista, ele certamente não é verdadeiro. Há sem dúvida um terreno comum onde a Filosofia, ou aquilo que se tem entendido como tal, se confunde com a literatura e não objetiva realmente conclusão alguma, destinando-se tão somente, como toda literatura, a par do entretenimento que proporciona, levar aos leitores ou ouvintes, a partir destes centros condensadores da consciência coletiva que são os profissionais do pensamento, levar-lhes impressões e estados de espírito, emoções e estímulos, dúvidas e indagações. Mas esse terreno não é toda a Filosofia (PRADO JR, 1981). Mas vamos às definições colhidas para o termo Filosofia. Para Platão, filosofia é o uso do saber em proveito do homem, o que implica em, 1º, posse de um conhecimento que seja o mais amplo e mais válido possível, e, 2º, o uso desse conhecimento em benefício do homem. Rene Descartes simplifica como o estudo da sabedoria. Em Thomas Hobbes encontramos o conhecimento causal e a utilização desse em benefício do homem. Para Kant, é a ciência da relação do conhecimento à finalidade essencial da razão humana, que é a felicidade universal; portanto, a Filosofia relaciona tudo com a sabedoria, mas através da ciência, e para Auguste Comte, é a ciência universal Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 8 que deve unificar num sistema coerente os conhecimentos universais fornecidos pelas ciências particulares (COLLINSON, 2006). Para o filósofo cristão alemão Johannes Hessen, como quer que se entenda e defina o que é Filosofia, não pode ser negado que nesta se realiza sempre um auto- exame do Espírito. “O espírito humano cultiva ciência e arte; pratica atos de moralidade e de religião. Mas só na filosofia ele medita sobre o sentido e o alcance dessas suas atividades. Reflete ainda sobre as suas funções e atividades não-teoréticas, sobre a sua atitude em face dos valores e pretende indagar qual é a essência dos valores éticos, estéticos e religiosos” (HESSEN, 1980, p.50). Ou ainda como o escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881): “o segredo da existência humana consiste não somente em viver, mas ainda em encontrar um motivo de viver”. Não será a ciência, com sua postura essencialmente não- valorativa, que irá fornecer este sentido de totalidade, o conhecimento unificado e universal. Numa comparação com as ciências, estas, de forma simplificada, tendem a uma descrição analítica dos fatos ou situações, enquanto a Filosofia acaba sendo uma interpretação sintética. Como diz Durant (1996, p.26) “A ciência quer decompor o todo em partes, o organismo em órgãos, o obscuro em conhecido. Ela não procura conhecer os valores e as possibilidades ideais das coisas, nem o seu significado total e final; contenta-se em mostrar a sua realidade e sua operação atuais, reduz resolutamente o seu foco, concentrando-se na natureza e no processo das coisas tais como são.” Com a Filosofia acontece o oposto. O filósofo não se contenta com a simples descrição dos fatos; quer averiguar a relação do fato com a experiência em geral, tenta compor o que havia sido decomposto pelos cientistas combinando as coisas em uma grande síntese interpretativa. “A ciência nos ensina a curar e a matar; reduz a taxa de mortalidade no varejo e depois nos mata por atacado na guerra; mas só a sabedoria - o desejo coordenado à luz de toda a experiência - pode nos dizer quando curar e quando Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 9 matar. Observar processos e construir meios é ciência; criticar e coordenar fins é filosofia; e porque hoje os nossos meios e instrumentos se multiplicaram além da nossa interpretação e da nossa interpretação e da nossa síntese de ideais e fins, nossa vida está cheia de som e fúria, não significando coisa alguma. Porque um fato nada é exceto em relação ao desejo; não completo,exceto em relação a um propósito e a um todo. A ciência nos dá conhecimento , mas só a filosofia pode nos dar a sabedoria” (DURANT, 1996, p. 27). Enfim, as contradições, as incoerências, as ambiguidades, as incompatibilidades levam o homem em direção à Filosofia. Esse é o momento em que ela nasce, ou seja, quando ele começa a exigir provas e justificativas racionais que validam ou invalidam as crenças cotidianas. O surgimento dos momentos críticos e quando sistemas religiosos, éticos, políticos, científicos e artísticos estabelecidos se envolvem em contradições internas ou contradizem-se uns aos outros e buscam transformações e mudanças, também entra em cena o “filosofar”. A matéria e o espírito Quando os filósofos tentaram explicar o mundo, a natureza, o homem, tudo o que nos rodeia, enfim, foram levados a fazer distinções. Nós próprios constatamos que há coisas, objetos que são materiais, que vemos e tocamos. Depois, outras realidades que na vemos e não podemos tocar, nem medir, como as nossas ideias (POLITZER, 2001). Classificamos, portanto, assim as coisas: por um lado, as que são materiais; por outro lado, as que não o são, e pertencem ao domínio do espírito, do pensamento das ideias. Foi assim que os filósofos se encontraram em presença da matéria e do espírito. Mas, o que vem a ser cada um deles? Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 10 Nós não costumamos falar do espírito, mas do pensamento, das nossas ideias, da nossa consciência, da alma; assim como, falamos da natureza, do mundo, da terra, do ser, estamos falando é da matéria. O pensamento é a ideia que fazemos das coisas; algumas dessas ideias vêm- nos ordinariamente das nossas sensações e correspondem a objetos materiais; outras, como as de Deus, filosofia, infinito, do próprio pensamento não correspondem a objetos materiais. Temos ideias, pensamentos, sentimentos, porque vemos e sentimos. Já a matéria é tudo aquilo que nos rodeia, que chamamos de mundo “exterior”. Campos de investigação Os grandes temas ou os campos de investigação da Filosofia sempre serão o homem, o universo, a sociedade, o conhecimento e uma auto-crítica constante. Sempre foi sob estes temas que a Filosofia existiu e existirá, sendo sempre necessária e prazerosa. Segundo Chauí (2003) no período socrático, a filosofia se voltou para as questões humanas no plano da ação, dos comportamentos, das ideias, das crenças, dos valores e, portanto, se preocupando com as questões morais e políticas. Seu ponto de partida é a confiança no pensamento ou no homem como um ser racional, capaz de conhecer-se a si mesmo e, portanto, capaz de reflexão. Reflexão é a volta que o pensamento faz sobre si mesmo para conhecer-se; é a consciência conhecendo-se a si mesma como capacidade para conhecer as coisas, alcançando o conceito ou a essência delas (GILES, 2006). Como se trata de conhecer a capacidade de conhecimento do homem, a preocupação se volta para estabelecer procedimentos que nos garantam que encontramos a verdade, isto é, o pensamento deve oferecer a si mesmo caminhos Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 11 próprios, critérios próprios e meios próprios para saber o que é o verdadeiro e como alcançá-lo em tudo o que investiguemos (GILES, 2006). Ela também está voltada para a definição das virtudes morais e das virtudes políticas, tendo como objeto central de suas investigações a moral e a política, isto é, as ideias e práticas que norteiam os comportamentos dos seres humanos tanto como indivíduos quanto como cidadãos. Cabe à Filosofia, portanto, encontrar a definição, o conceito ou a essência dessas virtudes, para além da variedade das opiniões, para além da multiplicidade das opiniões contrárias e diferentes. As perguntas filosóficas se referem, assim, a valores como a justiça, a coragem, a amizade, a piedade, o amor, a beleza, a temperança, a prudência, etc., que constituem os ideais do sábio e do verdadeiro cidadão (GILES, 2006). É feita, pela primeira vez, uma separação radical entre, de um lado a opinião e as imagens das coisas, trazidas pelos nossos órgãos dos sentidos, nossos hábitos, pelas tradições, pelos interesses, e, de outro lado, as ideias. As ideias se referem à essência íntima, invisível, verdadeira das coisas e só podem ser alcançadas pelo pensamento puro, que afasta os dados sensoriais, os hábitos recebidos, os preconceitos, as opiniões (GILES, 2006). A reflexão e o trabalho do pensamento são tomados como uma purificação intelectual, que permite ao espírito humano conhecer a verdade invisível, imutável, universal e necessária (GILES, 2006). A opinião, as percepções e imagens sensoriais são consideradas falsas, mentirosas, mutáveis, inconsistentes, contraditórias, devendo ser abandonadas para que o pensamento siga seu caminho próprio no conhecimento verdadeiro (GILES, 2006). Em última análise, a filosofia nada mais é do que um instrumento, um maneira que o homem encontrou para entender melhor a si próprio, ao outro e ao mundo, o que vai, complementarmente com as demais ciências, proporcionar benefícios ao Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 12 próprio homem, o qual não deixa de ser um animal curioso que investiga, que deseja saber o porquê de toda existência, inclusiva a sua (GILES, 2006). Isso nos leva a inferir que o homem é o tema mais privilegiado da Filosofia, e do seu entorno fazem parte o universo e a sociedade onde vive. Quanto ao conhecimento, outro campo de atuação da filosofia, conceitualmente: 1.Conhecer, em sentido lato, é recolher e organizar informações sobre o meio envolvente de modo a permitir a constante adaptação do organismo ao meio, possibilitando assim a sua sobrevivência. 2.Conhecer, em sentido restrito, apenas aplicável aos seres humanos, pode ser entendido como a construção de representações mentais que o sujeito organiza ao longo da vida na sua relação com os objetos. Nesta perspectiva restrita, encontramos conceitos como: 1. Sujeito (aquele que conhece); 2. Objeto (o que é conhecido); 3. Sensação (apreensão imediata do objeto, que se realiza pela ação de um estímulo específico); 4. Percepção (configuração ou construção individual dos dados sensoriais, em função dos mecanismos receptores, experiências anteriores, interesses, etc.). A palavra percepção deriva do latim perceptio que significa ação de recolher, e por extensão conhecimento como apreensão. O que caracteriza a percepção é a apreensão da realidade, não como impressões sensoriais isoladas, mas um conjunto organizado, ou uma totalidade portadora de sentido. 5. Razão (elaboração de representações mentais abstratas, conceitos, discursos), relações lógicas e teorias interpretativas sobre a realidade (FONTE, 2008). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzidaou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 13 Enfim, as teorias explicativas sobre o conhecimento foram sempre um tema central na história da filosofia, e mais recentemente, também na ciência. As perspectivas da ciência não são, como é obvio, coincidentes com as da filosofia (FONTES, 2008). Entre as teorias científicas do conhecimento, Fontes (2008) destaca as filogenéticas, as ontogenéticas, a sociologia do conhecimento e a psicologia da percepção. A filogênese estuda a história da evolução humana, nomeadamente a constituição dos seres humanos como sujeitos cognitivos. A paleontologia humana, baseada em inúmeras investigações, afirma que os homens nem sempre tiveram a mesma constituição e capacidades. A explicação mais consensual é que a evolução da nossa constituição morfológica e funcional, foi feita em simultâneo com o desenvolvimento das nossas capacidades cognitivas (memória, linguagem e pensamento) e esta de forma articulada com o desenvolvimento das nossas realizações e capacidades técnicas. Todos estes fatores de forma inter-relacionada contribuíram para gerarem a espécie que hoje somos (FONTES, 2008). Na ontogênese, o conhecimento é encarado como um processo de modificações e adaptações ao meio que desde o nascimento ocorre em todos os seres vivos. Segundo diversos autores, a ontogênese repete a filogênese, isto é, o desenvolvimento da humanidade é como que repetido no desenvolvimento de cada ser (FONTES, 2008). Sobre outro grande campo de estudo da Filosofia, a autocrítica, Marx e Freud descobriram aspectos decisivos da ação das forças que atuam subterraneamente em nós e mostraram que, sob uma capa de “racionalidade”, elas impõem limites aos movimentos da nossa consciência. Mostraram como esquemas explicativos são elaborados e reelaborados em nossas cabeças com a finalidade de nos proporcionar a “boa consciência”, com o objetivo de amenizar nossas dúvidas, atenuar nossas inquietações e evitar a vertigem das nossas inseguranças (KONDER, 2008). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 14 No pensamento de Konder (2008) forjamos para nós imagens que nos ajudem a viver; e nos apegamos a elas. O autoritário se apresenta como “enérgico” e “corajoso”; o oportunista como “prudente” ou “realista”; o covarde com “sensato”; o irresponsável como “livre”. Não existe nenhuma tomada de posição no plano político ou filosófico que, por si mesma, imunize a consciência contra a ação desses mecanismos. Somos todos divididos, contraditórios. Por isso mesmo, precisamos promover discussões, examinar e reexaminar a função interna das nossas racionalizações. Quer dizer: precisamos realizar permanentemente um vigoroso esforço crítico e autocrítico. Nesse contexto, a autocrítica é de uma importância decisiva. É por ela que passa o teste da superação do conservadorismo dentro de nós. Um conservador – é claro – pode fazer autocrítica; mas, se a autocrítica for feita mesmo para valer, ele seguramente não estará sendo conservador no momento em que a fizer. Desde que consiga se instalar solidamente na consciência de alguém, o conservadorismo pode administrar uma grande flexibilidade: pode suportar com tolerância liberal as opiniões divergentes, até as provocações e irreverências alheias. Mas não pode se permitir o autoquestionamento radical (KONDER, 2008). Este campo basicamente permeia ao mesmo tempo, o começo e o final do processo de filosofia de qualquer ser humano, sendo de extrema importância para lançar mão de novos questionamentos e reiniciar sua caminhada na busca de novas respostas. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 15 UNIDADE 2 - SITUANDO A FILOSOFIA NAS DIVERSAS ÉPOCAS Antiga (do séc. VI a.C. ao séc. III d.C) A filosofia ocidental surgiu na Grécia antiga, no séc. VI a.C. sendo considerados Pitágoras (c. 580-500 a.C.) e Tales de Mileto (c. 624-546 a.C.), os fundadores e primeiros filósofos. Eles dedicavam-se com especial atenção à cosmologia (que hoje é uma disciplina científica), isto é, ao estudo da origem e natureza última do universo. Sócrates e Platão dedicaram-se depois a problemas éticos e políticos, assim como a alguns aspectos mais conceituais da filosofia. Fizeram da procura de definições explícitas de conceitos básicos como beleza, justiça e conhecimento a sua atividade principal. Aristóteles desenvolveu praticamente todas as áreas da filosofia e da ciência, e estabeleceu firmemente o estudo sistemático de problemas filosóficos e científicos. Fundaram-se várias escolas dedicadas ao estudo da filosofia e surgiram vários filósofos importantes (CHAUÍ, 2003; WARBURTON, 2006). Medieval (sécs. III-XV) No período medieval a filosofia foi estudada num contexto, sobretudo religioso. Muitos filósofos deste período foram extraordinariamente perspicazes, tendo desenvolvido algumas ideias e argumentos hoje considerados centrais em filosofia, não só na filosofia da religião e na metafísica, mas também na ética, filosofia da linguagem e lógica. Alguns dos debates mais importantes da época incluem o problema dos universais, as provas da existência de Deus e a compatibilidade entre a presciência divina e o livre-arbítrio humano (a presciência é a capacidade para saber de antemão o que vai acontecer). Alguns dos mais destacados filósofos ocidentais do período medieval foram Santo Agostinho, Santo Anselmo (1033-1109), Abelardo (1079-1142), Tomás de Aquino e Guilherme de Ockham (CHAUÍ, 2003; WARBURTON, 2006). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 16 Moderna (sécs. XVI-XVIII) No período moderno, a epistemologia foi considerada por muitos filósofos o ponto de partida da filosofia. Descartes tornou-se um dos mais influentes filósofos de sempre. Neste período, a oposição entre empirismo e racionalismo tornou-se central. Do lado racionalista, juntamente com Descartes, estão filósofos como Espinosa (1632-77) e Leibniz. Do lado empirista, filósofos como Hobbes, Locke, Berkeley e Hume. Hobbes, Locke, Hume e Espinosa deram uma atenção especial à ética e à filosofia política, que tinham sido negligenciadas por Descartes. Outros filósofos importantes deste período foram Voltaire (1694-1778) e Jean Jacques Rousseau (1712-78). Kant prossegue o trabalho dos filósofos racionalistas e empiristas, ocupando-se, sobretudo, de ética, epistemologia e metafísica (CHAUÍ, 2003; WARBURTON, 2006). Contemporânea (do séc. XIX aos dias de hoje) No séc. XIX, principalmente a partir do séc. XX, a filosofia conhece uma vitalidade e diversidade que ultrapassa de longe qualquer período histórico anterior. Alguns filósofos alemães e franceses fundam correntes como o existencialismo, a fenomenologia e a hermenêutica; que serão definidos em tópico mais adiante. Depois da segunda guerra mundial,florescem disciplinas antes negligenciadas, como a metafísica, a filosofia da religião, a filosofia da arte, a ética, incluindo a ética aplicada) e a filosofia política. A filosofia da ciência e a epistemologia atingem resultados de grande importância, assim como a filosofia da linguagem e a lógica, que em grande parte se autonomiza relativamente à filosofia. A filosofia, tal como as artes e as ciências, entra no séc. XXI com um grau de sofisticação, pertinência e alcance nunca antes atingido (CHAUÍ, 2003; WARBURTON, 2006). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 17 UNIDADE 3 - AS CONCEPÇÕES E OS MÉTODOS DA FILOSOFIA Segundo Chauí (2003), Politzer (2001) e outros autores, existem três formas de concebermos a filosofia, sendo elas: a forma metafísica, a positivista e a crítica. A forma metafísica prevaleceu na Antiguidade e na Idade Média, tendo como característica principal, a negação de que qualquer investigação autônoma fora da Filosofia tivesse validade. Naqueles tempos, um conhecimento era filosófico ou não era conhecimento. As demais ciências eram apenas parte da Filosofia, sendo esta, o saber único possível. Para Politzer (2001) a metafísica só tem importância na filosofia burguesa, uma vez que se ocupa de Deus e da alma. Tudo aí é eterno. Deus é eterno, não mudando, permanecendo igual a si mesmo; a alma também. O mesmo acontece com o bem, o mal, etc., estando tudo isso nitidamente definido, definitivo e eterno. Nessa parte da filosofia que se chama metafísica, vêem-se, pois, as coisas como um conjunto congelado, e procede-se, no raciocínio, por oposição: opõe-se espírito à matéria, o bem ao mal, etc., isto é, raciocina-se por oposição das contrárias entre elas (POLITZER, 2001, p. 99-100). Ainda segundo Politzer, chama-se metafísica a essa maneira de raciocinar, de pensar, porque trata das coisas e das ideias que se encontram fora da física, como Deus, a bondade, a alma, o mal, etc. Metafísica vem do grego meta, que quer dizer além, e de física, ciência dos fenômenos do mundo. Portanto, metafísica ocupa-se de coisas situadas além do mundo. Na segunda forma, Positivista, o conhecimento cabe às ciências e à Filosofia cabe coordenar e unificar os resultados. Os positivistas abandonaram a busca pela explicação de fenômenos externos, como a criação do homem, por o conhecimento cabe às ciências e à Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 18 Filosofia cabe coordenar e unificar os resultados exemplo, para buscar explicar coisas mais práticas e presentes na vida do homem, como no caso das leis, das relações sociais e da ética. A filosofia positivista de Comte, surgida no século XIX, nega que a explicação dos fenômenos naturais, assim como sociais, provenha de um só princípio. Tem como base teórica os três pontos seguintes: 1) Todo conhecimento do mundo material decorre dos dados "positivos" da experiência, e é somente a eles que o investigador deve ater-se; 2) Existe um âmbito puramente formal, no qual se relacionam as ideias, que é o da lógica pura e da matemática; e, 3) Todo conhecimento dito “transcendente” - metafísica, teologia e especulação acrítica - que se situa além de qualquer possibilidade de verificação prática, deve ser descartado (CHAUÍ, 2003). Na terceira forma, a crítica, a Filosofia é juízo sobre a ciência e não conhecimento de objetos. Sua tarefa é verificar a validade do saber, determinando seus limites, condições e possibilidades efetivas. Segundo essa concepção, a Filosofia não aumenta a quantidade do saber, portanto, não pode ser chamada propriamente de “conhecimento” (CHAUÍ, 2003). Segundo Ewing (2008), recentemente, a filosofia crítica tem sido frequentemente contraposta à metafísica (que nesse caso é às vezes denominada filosofia especulativa). A filosofia crítica analisa e critica os conceitos pertencentes ao senso comum e às ciências. As ciências pressupõem certos conceitos que não são suscetíveis de investigação por meio de métodos científicos, de modo que passam a integrar o âmbito da filosofia. Nesse sentido, todas as ciências, com exceção da matemática, pressupõem de alguma forma a concepção de lei natural; cabe à filosofia, e não a qualquer das ciências particulares, examinar tal concepção. Enfim, a parte da filosofia crítica que trata da investigação da natureza e dos critérios de verdade, assim como da maneira pela qual obtemos conhecimento, é chamada de epistemologia (teoria do conhecimento). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 19 Sobre os métodos, a ciência moderna, caracterizada pelo método experimental, foi tornando-se independente da Filosofia, dividindo-se em vários ramos de conhecimento, tendo em comum o método experimental. Esse fenômeno, típico da modernidade, restringiu os temas tratados pela Filosofia. Restaram aqueles cujo tratamento não poderia ser dado pela empiria, ao menos não com a pretensão de esclarecimento que a Filosofia pretenderia (POLITZER, 2001). A característica destes temas é que vai determinar o modo adequado de tratá-los, já que eles não têm uma significação empírica. Em razão disso, o tratamento empírico de tais questões não atinge o conhecimento próprio da Filosofia, ficando, em assim procedendo, adstrita ao domínio das ciências (POLITZER, 2001). MACEDO E SANTOS (1994) deixa claro que o tratamento dos assuntos filosóficos não se pode dar de maneira empírica, porque, desta forma, confundir-se- ia com o tratamento científico da questão. Por isso, no dizer de Kant “o conhecimento filosófico é o conhecimento racional a partir de conceitos”. Ou seja, “as definições filosóficas são unicamente exposições de conceitos dados [...] obtidas analiticamente através de um trabalho de desmembramento”. Portanto, a Filosofia é um conhecimento racional mediante conceitos, ela constitui-se num esclarecimento de conceitos, cuja significação não pode ser ofertada de forma empírica, tais como o conceito de justiça, beleza, bem, verdade, etc. Vários são os métodos que foram utilizados pela Filosofia, cada um a seu tempo. Abaixo temos alguns exemplos, os quais serão explicados em tópicos adiante. MÉTODO HERMENÊUTICO SUJEITO OBJETO FINALIDADE IN T E R P R E T A Ç Ã O T E X T O V E R D A D E / S IG N IF IC A D O Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 20 SISTEMA DE INTERPRETAÇÃO DA HERMENÊUTICA FONTE: (MACEDO E SANTOS, 1994) MÉTODO CARTESIANO EVIDÊNCIA ANÁLISE SÍNTESE ENUMERAÇÃO FONTE: (MACEDO E SANTOS, 1994) MÉTODO FENOMENOLÓGICO IN T E R P RE T A Ç Ã O T E X T O C O IS A -E M -S I SISTEMA DE INTERPRETAÇÃO FENOMENOLÓGICA FONTE: (MACEDO E SANTOS, 1994) Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 21 Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 22 MÉTODO SOCRÁTICO FONTE: MACEDO E SANTOS, 1994 Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 23 UNIDADE 4 - OBJETOS DE ESTUDO – OS GRANDES TEMAS Metafísica Metafísica (além do físico) é um ramo da filosofia que estuda a essência do mundo, as inter-relações entre mente e matéria, buscando responder perguntas tais como: O que é real? O que é natural? O que é sobrenatural? Tem na ontologia o seu ramo central que investiga em quais categorias as coisas estão no mundo e quais as relações dessas coisas entre si. Ela também tenta esclarecer as noções de como as pessoas entendem o mundo, incluindo a existência e a natureza do relacionamento entre objetos e suas propriedades, espaço, tempo, causalidade, e possibilidade. De acordo com o sentido usado por Aristóteles e Andrônico de Rodes, ou seja, algo que vinha depois da física, se torna algo intocável, que só existe no mundo das ideias, como a ética e a política que não tratam de seres físicos, mas de seres não-físicos existentes apesar de sua imaterialidade. Como é uma especulação em torno das causas primeiras do ser, podemos chegar a confundi-la com a própria filosofia. Epistemologia O primeiro conceito de epistemologia é creditado a Platão: conformidade ou adequação entre o pensamento e a realidade. A partir do século XVII quando começa a crescer a importância do conhecimento científico, predominando nos debates sobre a verdade as questões sobre a objetividade e validade universal desse conhecimento científico, a epistemologia toma novo impulso (FONTES, 2008). Positivistas como Comte consideram que somente são verdadeiros os conhecimentos baseados em fatos que podem ser observados. A possibilidade da verificação das provas torna-se uma exigência básica do conhecimento científico. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 24 Na sequência, os empiristas lógicos, também conhecidos como neopositivistas colocam a questão da adequação, enquanto garantia da verdade do conhecimento, na própria linguagem. Ao considerarem que a linguagem científica se exprime através de proposições, defendem que a principal tarefa para atingir a verdade é expurgar da linguagem, os termos ambíguos susceptíveis de provocarem o erro. A única forma da linguagem cientifica permitir o acesso à verdade, é tornar-se unívoco, isto é, cada termo possuir apenas um único sentido ou significado. Para isso terá de usar signos lógicos ou matemáticos, ou expressões que tenham conceitos cuja aplicação se possa decidir com auxilio da observação (FONTE, 2008). Entretanto, o único critério para saber se um conhecimento é verdadeiro ou falso, continua, contudo, a ser o da sua verificabilidade. Só se conhece o significado de uma proposição se conhece como a mesma pode ser verificada (FONTE, 2008). Para Silveira (2005) toda epistemologia é histórica ou não é epistemologia. Histórica porque se constrói a partir da história do conhecimento humano e porque se altera com as descobertas científicas e com as mudanças de valores e interesses. Dada a história das ciências desde o final do século XIX, à epistemologia atual não interessa discutir a verdade da ciência, conceito que perdeu o sentido, mas a gênese, a formação e a estruturação de cada ciência e os processos históricos de validação que aí aparecem (SILVEIRA, 2005). Para Grayling (1996) à epistemologia interessa a investigação da natureza, das fontes e da validade do conhecimento. O mesmo autor acima infere que na era moderna, a partir do século XVII em diante - como resultado do trabalho de Descartes (1596-1650) e Locke (1632-1704) em associação com a emergência da ciência moderna - que a epistemologia tem ocupado um plano central na filosofia. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 25 Ética e Moral Embora este curso tenha uma apostila voltada para os Tópicos de Ética, nunca é demais deixar algumas palavras sobre ela. A Ética além de ser um dos grandes temas da Filosofia onde a investigação da conduta humana é central, determinando as origens, conceitos, universalidades, relatividades e constituição da dimensão ética individual e social, é completamente um tema atual. O termo ética deriva de uma palavra grega que significa “costume” e, por isso, a ética foi definida com frequência como a doutrina dos costumes, principalmente no pensamento de orientação mais empirista. Para os antigos gregos, principalmente para Aristóteles, o termo “ética” é tomado primitivamente só num sentido “adjetivo”: trata-se de saber se uma ação, uma qualidade, uma virtude ou um modo de ser são ou não “éticos” (MORA, 1998). Para Aristóteles, as virtudes éticas são aquelas que se desenvolvem na prática e que estão orientadas para a consecução de um fim, servem para a realização da ordem na vida do Estado como a justiça, a amizade, o valor, etc. e que têm a sua origem direta nos costumes e no hábito, pelos quais se pode chamá-las de virtudes de hábito ou tendência. Na evolução do termo, Vazquéz (1999, p.23) fala que o ético identificou-se cada vez mais com o moral, e a ética chegou a significar propriamente “a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade”. Ainda segundo Vasquéz (1999), ética diz respeito diretamente ao Homem, a relação consigo mesmo, com os outros e com a natureza. Além de ser um tema que remonta às mais antigas especulações filosóficas, tem trazido na atualidade grandes questões para a pós-modernidade, especificamente no que concerne à bioética e questões ambientais. Muitas vezes confundimos o objeto em estudo (o comportamento moral) com a ciência (Ética), mas as explicações abaixo ajudarão a compreender o sentido de ambos. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperaçãode dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 26 A moral tem por objeto as formas históricas de conhecimento e conduta moral, ao passo que a ética trata dos conteúdos do conhecimento moral, formulando juízos sobre o que é dado sobre este conhecimento moral. A ética tem um caráter absoluto, enquanto a moral é essencialmente relativa a uma realidade histórica, cultural e mesmo individual, atuando como regulamentação do comportamento dos indivíduos entre si e destes com a comunidade, ajustando o comportamento individual ao coletivo com a finalidade de estabelecer e manter a estabilidade social da comunidade bem como proporcionar as condições para a sua própria sobrevivência. Várias são as origens da moral, dentre elas, a concepções baseada no comportamento histórico do homem em sociedade; ou, a que coloca Deus como sua origem ou fonte. Nesse sentido Vasquéz (1999, p. 38) nos ensina que “as normas morais derivam de um poder sobre-humano, cujos mandamentos constituem os princípios e as normas morais fundamentais.” Outra hipótese sobre a origem da moral considera a Natureza como origem ou fonte da moral. Considera que a conduta moral seria apenas um aspecto da conduta natural, biológica, tendo sua origem nos instintos. Se observarmos, essas correntes não consideram o caráter histórico, mas, em cada época, cada sociedade cria seus códigos morais visando, com a subordinação do individual ao coletivo, sua própria sobrevivência. Esse código persiste no tempo enquanto existem condições sociais capazes de sustentá-la. Quando estas condições não são mais suficientes, surgem novas morais mais adaptadas a estas novas condições que são de natureza sociais, econômicas e políticas (ABBAGNANO, 2007). As filosofias de Platão, Aristóteles, Santo Tomás de Aquino, Hegel, Marx e outros, consideram a ética como a ciência do fim para o qual a conduta dos homens deve ser orientada e dos meios para atingir este fim. Essa é a ética que fala a língua do ideal para o qual o homem se dirige por sua natureza, essência ou substância do homem (ABBAGNANO, 2007). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 27 Abbagnano continua seu pensamento expondo a outra concepção (compartilhada por autores como Kant, Spinoza, Schopenhauer, Hobbes, Hume, Locke e Leibniz) que considera a Ética como ciência do móvel da conduta humana e procura determinar este móvel, o que faz o homem ir de tal maneira e não de outra nas diversas situações de sua vida, visando dirigir ou disciplinar esta conduta. É a Ética que fala dos motivos ou causas da conduta humana, ou das forças que a determinam, pretendendo ater-se aos fatos. Na segunda metade do século XX, após a segunda guerra mundial desenvolveu-se na França (com Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Merleau- Ponty) e na Alemanha (com Heidegger), a chamada “Ética Existencialista” que, em linhas gerais é uma espécie de “não-ética”, uma negação de que possa haver uma ética, pois, segundo os pensadores desta corrente, não parece haver possibilidade de se formular normas morais objetivas, fundadas em Deus, sociedade, natureza, um suposto reino objetivo de valores ou normas, etc., de modo que o único “imperativo” ético possível é o de que cada um tem de decidir por si mesmo, em vista de sua própria e intransferível situação concreta, o que vai fazer e o que vai ser (ABBAGNANO, 2007). Analisando-se a história da ética como uma disciplina da Filosofia não devemos esquecer que esta história é mais limitada no tempo e no material tratado do que as ideias morais da humanidade que compreendem, segundo MORA (1998), o estudo de todas as “normas que regularam a conduta humana desde os tempos pré-históricos até os nossos dias”. Este estudo da Moral não é só filosófico ou histórico-filosófico, mas também, essencialmente social. Por este motivo a descrição dos diversos grupos de ideias morais é um tema de que se ocupam disciplinas como a sociologia e a antropologia. Enfim, a existência de ideias morais e de atitudes morais não implicam a presença de uma disciplina filosófica particular. Estética e Arte Conhecida como Filosofia da Arte, a estética é o estudo da forma ideal ou da beleza! Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 28 Estética (percepção, sensação) é um ramo da filosofia que tem por objeto o estudo da natureza do belo e dos fundamentos da arte. Ela estuda: O julgamento e a percepção do que é considerado belo; A produção das emoções pelos fenômenos estéticos, As diferentes formas de arte e do trabalho artístico; A ideia de obra de arte e de criação; A relação entre matérias e formas nas artes. Por outro lado, a estética também pode ocupar-se da privação da beleza, ou seja, o que pode ser considerado feio, ou até mesmo ridículo. A publicação da obra Aesthetica do filósofo alemão Baumgarten, por volta de 1750 levou a estética a adquirir autonomia como ciência, destacando-se da metafísica, lógica e da ética. A nova abordagem da autor permitia aos artistas alterarem a natureza, adicionando sentimentos à realidade percebida, compreendendo, então, de outra forma, o prévio entendimento grego clássico que entendia a arte principalmente como mimesis da realidade. Na Antiguidade - especialmente com Platão, Aristóteles e Plotino - a estética era estudada fundida com a lógica e a ética. O belo, o bom e o verdadeiro formavam uma unidade com a obra. A essência do belo seria alcançada identificando-o com o bom, tendo em conta os valores morais. Na Idade Média surgiu a intenção de estudar a estética independente de outros ramos filosóficos como ficou claro quando falamos da obra de Baumgarten. Pauli (1997) nos coloca que no âmbito do Belo, dois aspectos fundamentais podem ser particularmente destacados: A estética iniciou-se como teoria que se tornava ciência normativa às custas da lógica e da moral - os valores humanos fundamentais: o verdadeiro, o bom, o belo. Centrava em certo tipo de julgamento de valor que enunciaria as normas gerais do belo (ver cânone estético); Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 29 A estética assumiu características também de uma metafísica do belo, que se esforçava para desvendar a fonte original de todas as belezas sensíveis: reflexo do inteligível na matéria (Platão), manifestação sensível da ideia (Hegel), o belo natural e o belo arbitrário (humano), etc. Mas este caráter metafísico e consequentemente dogmático da estética transformou-se posteriormente em uma filosofia da arte, onde se procura descobrir as regras da arte na própria ação criadora (Poética) e em sua recepção, sob o risco de impor construções a priori sobre o que é o belo. Neste caso a filosofia da arte se tornou uma reflexão sobre os procedimentos técnicos elaborados pelo homem, e sobre as condições sociais que fazem um certo tipo de ação ser considerada artística (PAULI, 1997). A estética tambémpossui, - conforme já se adiantou, - um sentido amplo, ou acepção ampla, em que estuda, além do sentimento estético, ainda o belo e a arte, que são os principais causadores desse apreciável sentimento. A denominação tomada neste sentido amplo reúne três assuntos com peculiaridades semelhantes, sem, contudo, se unirem numa só disciplina de saber. Separados os três planos ou três áreas inconfundíveis, eles ficam, conforme a seguir: O sentimento estético se mantém como capítulo da psicologia; O belo, quando entendido como a perfeição em destaque, é um capitulo da ontologia; Da arte se ocupam as ciências formais, a saber, a filosofia da arte e a tecnologia da arte (PAULI, 1997). Simplificando, a estética estuda o sentimento estético e os objetos que o produzem, tais como o belo e a arte. Se for reduzido ao estudo de belo, a estética estuda o belo e sua propriedade de produzir o sentimento estético. E reduzindo ao estudo da arte, a estética investiga a arte e sua propriedade de agrado estético (PAULI, 1997). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 30 Lógica e Linguagem A lógica (do grego clássico logos, que significa palavra, pensamento, ideia, argumento, relato, razão ou princípio) é uma ciência de índole matemática e fortemente ligada à Filosofia. Já que o pensamento é a manifestação do conhecimento, e que o conhecimento busca a verdade, é preciso estabelecer algumas regras para que essa meta possa ser atingida. Assim, a lógica é o ramo da filosofia que cuida das regras do bem pensar, ou do pensar correto, sendo, portanto, um instrumento do pensar. Desse modo, aprender a lógica não constitui um fim em si. Ela só tem sentido enquanto meio de garantir que nosso pensamento proceda corretamente a fim de chegar a conhecimentos verdadeiros. Enfim, a lógica trata dos argumentos, isto é, das conclusões a que chegamos através da apresentação de evidências que a sustentam. O principal organizador da lógica clássica foi Aristóteles, com sua obra chamada Organon. Ele divide a lógica em formal e material. A lógica é o estudo do método ideal de pensamento e pesquisa. Observação e introspecção, dedução e indução, hipótese e experimento, análise e síntese são as formas da atividade humana que a lógica tenta compreender e orientar. Quanto à linguagem esta é a forma como acontece a manifestação do pensamento. Os melhoramentos pelos quais passou ao longo de sua história é que permitiu o desenvolvimento dos diversos métodos de pesquisa científica. Segundo Chateaubriand (2008) a lógica se apresenta na prática contemporânea como uma multiplicidade de sistemas formais conceitualizados linguística e matematicamente. Uma lógica (e, de modo mais geral, um sistema formal) é concebida como uma linguagem composta de uma sintaxe e de uma semântica. A sintaxe inclui tudo o que pode ser tratado como uma combinatória de símbolos, sem considerar quaisquer conteúdos que esses símbolos possam ter - isto é, sem considerar o que os símbolos simbolizam. A formulação da linguagem (a gramática) é um aspecto central da sintaxe, mas esta não se restringe à gramática. Também a prova é tratada sintaticamente como constituída de operações (isto é, regras de inferência) realizadas sobre Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 31 sequências de símbolos de certas categorias como fórmulas e sentenças. Considerando uma totalidade de aplicações dessas operações pode-se definir as noções de dedução lógica, consistência lógica e teorema lógico, que juntamente com certas noções de definição (definição abreviativa, definição recursiva), são as principais noções sintáticas da lógica (CHATEAUBRIAND, 2008). A semântica de uma linguagem lógica é baseada na noção de interpretação (ou de estrutura). Esta é uma noção que pertence principalmente à teoria de conjuntos e que envolve um universo de discurso - um conjunto não vazio - e uma função de denotação que atribui a vários símbolos denotações relativas ao universo de discurso. Pode-se, assim, introduzir as noções de satisfação e verdade relativas a uma interpretação. Considerando uma totalidade de interpretações, pode-se definir as noções de consequência lógica, satisfatibilidade e verdade lógica, bem como uma noção semântica de definição como individuação, que são as principais noções semânticas da lógica (CHATEAUBRIAND, 2008). O estudo sistemático dessas noções e de suas interconexões pertence à teoria da prova, à teoria de modelos e à teoria da recursão, que são as áreas centrais da lógica e são basicamente ramos da matemática. A lógica enquanto ciência é considerada a combinação destas teorias, e não simplesmente lógica proposicional e lógica de predicados. Essa foi uma mudança importante na concepção de lógica. Para Frege e para Russell, por exemplo, a lógica se restringia à lógica proposicional e à lógica de predicados; e era uma ciência (CHATEAUBRIAND, 2008). As principais influências filosóficas na formação da concepção linguística moderna de lógica vieram de Wittgenstein e dos positivistas lógicos, embora também Russell tenha desempenhado um papel decisivo com a sua teoria eliminativista de classes (CHATEAUBRIAND, 2008). Temos vários tipos de lógica. Dentre elas a lógica formal, a material, a matemática, filosófica, a lógica de predicados, de vários valores e a lógica de computadores. Evidentemente que nos interessa a lógica filosófica, a qual lida com descrições formais da linguagem natural, sendo postulado pelos filósofos que a Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 32 maior parte do raciocínio “normal” pode ser capturada pela lógica, desde que se seja capaz de encontrar o método certo para traduzir a linguagem corrente para essa lógica. A lógica estuda e sistematiza a argumentação válida. O seu alto grau de precisão e tecnicismo permitiu-lhe tornar-se uma disciplina autônoma em relação à filosofia, tanto que nos dias atuais, ela recorre a métodos matemáticos, e os lógicos contemporâneos têm em geral formação matemática. Todavia, a lógica elementar que se costuma estudar nos cursos de filosofia é tão básica como a aritmética elementar e não tem elementos matemáticos. A lógica elementar é usada como instrumento pela filosofia, para garantir a validade da argumentação (CHATEAUBRIAND, 2008). Quando a filosofia tem a lógica como objeto de estudo, entramos na área da filosofia da lógica, que estuda os fundamentos das teorias lógicas e os problemas não estritamente técnicos levantados pelas diferentes lógicas. Hoje em dia há muitas lógicas além da teoria clássica da dedução de Russell e Frege (como as lógicas livres, modais, temporais, paraconsistentes, difusas, intuicionistas, etc.), o que levanta novos problemas à filosofia da lógica (CHATEAUBRIAND, 2008). Para Warburton (2007) a filosofia da lógica distingue-se da lógica filosófica, que não estuda problemas levantados por lógicas particulares, mas problemasfilosóficos gerais, que se situam na intersecção da metafísica, da epistemologia e da lógica. Em qualquer caso, o importante é não pensar que a lógica filosófica é um gênero de lógica, a par da lógica clássica, mas “mais filosófica”; pelo contrário, e algo paradoxalmente, a lógica filosófica, não é uma lógica no sentido em que a lógica clássica é uma lógica, isto é, no sentido de uma articulação sistemática das regras da argumentação válida. A lógica informal estuda os aspectos da argumentação válida que não dependem exclusivamente da forma lógica (WARBURTON, 2007) Enfim, a Lógica filosófica está muito mais preocupada com a conexão entre a Linguagem Natural e a Lógica. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 33 Ceticismo e outros “ismos” Ceticismo, Cinismo, Dogmatismo, Estoicismo, Epicurismo, Neoplatonismo, Humanismo, Iluminismo, Espiritualismo, Pragmatismo, Racionalismo, Subjetivismo, Materialismo, Idealismo são alguns dos inúmeros “ismos” das ciências sociais (aqui só citamos aqueles que mais tem relação com a filosofia). Suas acepções variam conforme a área ou ramo de conhecimento, ou seja, referem-se a posições assumidas ou ideias aceitas sobre a possibilidade do conhecimento (GRAYLING, 1996). O Dogmatismo defende que não existe o problema do conhecimento enquanto relação entre sujeito e objeto. As coisas existem pura e simplesmente, o jeito é acreditar. O Ceticismo é o extremo do Dogmatismo e afirma que o sujeito não pode apreender o objeto, daí o conhecimento ser impossível. Já o Subjetivismo e o Relativismo limitam a validade do conhecimento ao sujeito. Toda verdade é relativa, não há verdade absoluta. Para o Pragmatismo, o conhecimento ou a verdade significam utilidade, valor, prática. Numa posição diferente, o Criticismo admite o conhecimento, mas sob reserva. Não é dogmático nem cético, mas reflexivo e crítico. Para cada um destes “ismos” houve ilustres filósofos com suas obras clássicas. Além destes “ismos” há outros, referentes ainda ao conhecimento, sobre sua origem e sobre sua essência (GRAYLING, 1996). Vamos explica o que vem a ser o "ismo". É uma posição filosófica ou científica que sustenta algo sobre uma ideia, um fato, um sistema, uma política, um programa, uma circunstância, etc. É uma ideia central a nortear o adepto perante o mundo ou em face de determinadas coisas. É um método ou conjunto de valores, é um principio ou conjunto de princípios explicativos sobre alguma coisa ou algum fato. É uma filosofia ou um modo de ver o mundo ou determinado problema. Para Grayling (1996) há tantas definições de “ismos” quase quantos “ismos” há. Cada um tem seu contexto histórico em que surge e se desenvolve. Ocorre, muitas vezes, que, após passar a ser moda ou um sistema de ideias dominante, o “ismo” cai no ostracismo. Não há dúvidas de que a filosofia sempre preconizou grandes cosmovisões. Com elas, o pensador procurava entender e unificar o entendimento do mundo por Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 34 um prisma específico, fundando escolas de pensamento, correntes e filosofias específicas. Cada época da história do pensamento mundial, uma determinada cosmovisão predominou, e a maioria das vezes “contaminou” todas as áreas de uma determinada sociedade ou cultura. Formas de pensar, de ver o mundo, de conceber o universo, o homem e a sociedade, passaram por uma visão unificada e voltada para um determinado conjunto de ideias de uma escola ou corrente filosófica específica (MIRANDA, 2008). Tentaremos na sequência, definir e explicar pormenorizadamente alguns dos ismos mais importantes dentro da Filosofia, já adiantando que, como observado acima, eles são inúmeros. Portanto, sugerimos aprofundamento paralelo, devido a importância do seu conhecimento para o entendimento da trajetória percorrida pela filosofia. O Ceticismo, estudo e o emprego dos argumentos céticos, é frequentemente descrito como a tese do não é ou do pode ser! Mas segundo Grayling (1996) essa é uma caracterização ruim, porque se não conhecemos nada, então não podemos saber que não sabemos nada, e assim tal afirmação é trivialmente algo que frustra a si mesma. Na realidade, ele é um desafio direto contra reivindicações de conhecimento, e a forma e a natureza do desafio variam segundo o campo da atividade epistêmica em questão. O termo ceticismo terminou por designar atualmente, na linguagem comum, uma atitude negativa do pensamento. O cético é visto, frequentemente, não somente como um espírito hesitante ou tímido, que não se pronuncia sobre nada, mas como aquele que, sobre qualquer coisa que é avançada, ou sobre qualquer coisa que possa dizer, se refugia na crítica. Da mesma forma, acredita-se ainda que o ceticismo é a escola da recusa e da negação categórica. Os céticos qualificam a si mesmos de zetéticos, isto é, de pesquisadores; de eféticos, que praticam a suspensão do juízo; de aporéticos, filósofos do obstáculo, da perplexidade e dos resultados não encontrados (GRAYLING, 1996; MEGALE, 2008). O Historicismo, surgido no século XIX, mais precisamente em 1881, é uma visão ou filosofia segundo a qual todos os valores resultam de uma evolução histórica. A historicidade ou a inserção cronológica, causal, condicionante e Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 35 concomitante de eventos na história constitui posição assumida a priori, isto é, ela é prévia e determina a inserção dos fatos na história. A razão substitui a providência divina na visão historicista, caracterizada pela consciência histórica, pela historicidade do real. A humanidade é compreendida por sua história e a essência do homem não é a espécie biológica, mas sua história, movida pela razão (GRAYLING, 1996; MEGALE, 2008). O termo humanismo veio com o objetivo de promover a educação e formação global do indivíduo através do estudo dos clássicos gregos e latinos, em oposição às escolas da moderna pedagogia. A própria natureza e experiência humanas constituem os seus fundamentos (GRAYLING, 1996; MEGALE, 2008). O Positivismo se constitui no conjunto de ideias e doutrinas de Comte (1798- 1857) baseado nas obras Curso de filosofia positiva, Sistema de filosofia positiva e Catecismo positivista. Admite a evolução da humanidade em três estados: teológico, metafísico e positivo. “Tudo é relativo - eis o princípio absoluto único.” No século XX o positivismo ressurgiu com novo nome e outra preocupação, no Círculo de Viena, empirismo lógico ou positivismo lógico (GRAYLING, 1996; MEGALE, 2008). Utilitarismo ou Pragmatismo é uma teoria ética e social que defende a busca do poder como objetivo do homem. É uma versão moderna do epicurismo, ou a busca da felicidade. Surgiu no final do século XIX com J. Bentham e J. Mill. Tem certa semelhança com o hedonismo, diferenciando-se deste pelo aspecto moral. Segundo Veblen, o homem econômico é um emérito calculador de prazeres e de sofrimentos, se seconsideram o lucro e o custo como prazer e sofrimento. O direito serviu-se das ideias utilitaristas, através da jurisprudência produzida pela obra de Beccaria: Dos delitos e das penas, que defendia a pena ou o sofrimento para todos os criminosos, de qualquer classe sem distinção, desde a nobreza até a classe mais baixa. O crime deve ser compensado de seu prejuízo para com a sociedade através do castigo e a única medida do crime é a extensão do dano: maior crime, maior pena (MEGALE, 2008) No geral, as teorias filosóficas do conhecimento, apesar da sua enorme diversidade, polarizam-se em grandes problemas do tipo: (1)Qual a natureza do conhecimento? (2)Qual o seu valor ou possibilidade? (3)Qual a sua origem? Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 36 No quadro abaixo temos os grandes problemas e algumas respostas filosóficas. Problema Resposta filosófica (1) O que é que conhecemos? Os próprios objetos, ou as representações, em nós, dos mesmos? Realismo: Conhecer é apreender a realidade existente na experiência interna (atos da consciência) ou na experiência externa (objetos do mundo sensível). Os objetos existem independentemente dos sujeitos. Idealismo: Nega a existência do real. A realidade é reduzida a ideias: o mundo sensível é um mero produto do pensamento. Os objetos só existem enquanto representações, não têm uma existência independente. (2) Pode o sujeito apreender o objeto? Atingir a verdade, a essência das coisas, ou está condenado às suas múltiplas aparências? O dogmatismo (dogmatikós, em grego significa que se funda em princípios ou é relativo a uma doutrina) defende a apreensão absoluta da realidade pelo sujeito. Esta posição assenta numa total confiança na razão humana. O cepticismo (skeptikós, em grego significa “que observa”, que “considera”) defende a impossibilidade do sujeito apreender a realidade.Esta posição desconfia na razão humana. (3) Qual a origem do conhecimento: a razão ou a experiência? Racionalismo: a razão é a fonte principal do conhecimento. O conhecimento sensível é considerado enganador. Por isso, as representações da razão são as mais certas, e as únicas que podem conduzir ao conhecimento logicamente necessário e universalmente válido. Os racionalistas partem do princípio que o sujeito cognoscente é ativo e, ao criar uma representação de qualquer objeto real, está a submetê-lo às suas estruturas ideias. Entre os filósofos que assumiram uma perspectiva racionalista do conhecimento, destacam-se Platão, René Descartes (1596-1650) e Leibniz. Todos eles partem do princípio que temos que são ideias inatas e que é a nossa razão que constrói a realidade tal como a percebemos. Descartes é considerado o fundador do racionalismo moderno. Após ter Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 37 suspendido a validade de todos os conhecimentos, porque susceptíveis de serem postos em causa, descobre que a única coisa que resiste à própria dúvida é a razão. Esta seria a primeira verdade absoluta da filosofia. Descobre ainda que possuímos ideias que se impõem à razão como verdadeiras mas que não derivam da experiência (as ideias inatas). Só com base nestas ideias claras e distintas, segundo Descartes, se poderia construir por dedução um conhecimento universal e necessário. Empirismo: a experiência é a fonte de todo o conhecimento. Os empiristas negam a existência de ideias inatas, como defendiam Platão e Descartes. A mente está vazia antes de receber qualquer tipo de informação proveniente dos sentidos. Todo o conhecimento sobre as coisas, mesmo aquele em que se elabora leis universais, provém da experiência, por isso mesmo, só é válido dentro dos limites do observável. Os empiristas reservam para a razão a função de uma mera organização de dados da experiência sensível, sendo as ideias ou conceitos da razão simples cópias ou combinações de dados provenientes desta experiência. FONTE: (GRAYLING, 1996) Retórica e Oratória “A definição de retórica é conhecida: é a arte de bem falar, de mostrar eloquência diante de um público para ganhar a sua causa. Isto vai da persuasão à vontade de agradar: tudo depende (...) da causa, do que motiva alguém a dirigir-se a outrem. O caráter argumentativo está presente desde o início: justificamos uma tese com argumentos, mas o adversário faz o mesmo: neste caso, a retórica não se distingue em nada da argumentação (...). Para os antigos, a retórica englobava tanto a arte de bem falar - ou eloquência - como o estudo do discurso ou as técnicas de persuasão até mesmo de manipulação” (MEYER, 1997). A origem da Retórica como técnica oratória de persuasão, remonta à necessidade grega na nova configuração das relações sociais com o advento da Pólis e do regime democrático. Há toda uma configuração histórica contextual que precisa ser entendida para compreender os desdobramentos e necessidade do aprendizado da Oratória nesses tempos remotos, bem como sua aplicação e Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 38 necessidade nos tempos atuais. Juntamente com a Lógica Argumentativa, a Filosofia Política e a Ética, a Retórica e a Oratória constitui um estudo racional do discurso, se constituindo um dos grandes temas da filosofia. A palavra Retórica (originária do grego rhetoriké, “arte da retórica”, subentendendo-se o substantivo téchne) tem sido entendida historicamente em acepções muito diversas. Em sentido lato, a retórica se mistura com a poética, consistindo na arte da eloquência em qualquer tipo de discurso. Não é esse, no entanto, o sentido que interessa no estudo em questão, mas a concepção mais restrita que identifica a retórica como “a faculdade de ver teoricamente o que, em cada caso, pode ser capaz de gerar a persuasão” (PACHECO, 2008). Como características básicas da retórica temos: A retórica exerce a persuasão por meio de um discurso. Não se recorre a um experimento empírico nem à violência, mas procura-se ganhar a adesão intelectual do auditório apenas com o uso da argumentação; A retórica se preocupa mais com a adesão do que com a verdade. O objetivo daquele que a exerce é obter o assentimento do auditório à tese que apresenta. A verdade ou falsidade da mesma é uma questão secundária; A retórica se utiliza da linguagem comum do dia-a-dia, e não de uma linguagem técnica ou especializada. Isso ocorre porque a retórica é dirigida a todos os homens, e não a um setor específico da população; A retórica não se limita a transmitir noções neutras e assépticas, mas tem sempre em vista um determinado comportamento concreto resultante da persuasão por ela exercida, já que se propõe a modificar não só as convicções, mas também as atitudes (PACHECO, 2008). Na verdade, para compreender a retórica é preciso levar em conta o processo histórico de sua formação e evolução no mundo grego. Suas origens estãorelacionadas às novas relações sociais advindas do surgimento da Polis como foi falado acima, consistindo sua essência na persuasão através da argumentação, portanto, não há como pensar na retórica sem Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 39 democracia e liberdade de debate, características da organização política do mundo grego. Ligada também ao Direito, no aspecto que Aristóteles chamou de “Gênero judicial” do discurso retórico (PACHECO, 2008). A Retórica só se desenvolveu plenamente, no entanto, após a consolidação da democracia ateniense. Todos os cidadãos atenienses participavam diretamente nas assembléias populares, que possuíam funções legislativas, executivas e judiciárias. Assim todos os assuntos eram submetidos ao voto popular - a organização do estado, a fixação de impostos, a declaração de guerra e até mesmo a morte de um cidadão, tudo isso era submetido à apreciação dos tribunais de justiça. Nenhum cidadão podia escapar à sua cota de responsabilidade, que muitas vezes incluía a justificativa de sua opinião perante uma platéia. O exercício da função política dependia, portanto, da habilidade em raciocinar, falar e argumentar corretamente, e era natural que houvesse uma demanda de professores que proporcionassem a necessária “educação política”. Esses professores eram os sofistas (PACHECO, 2008). A maioria dos sofistas desprezava o conhecimento daquilo que discutiam, contentando-se com simples opiniões, concentrado a sua atenção nas técnicas de persuasão e, tanto por isso, encontramos oposicionistas como Sócrates e Platão, que afirmavam ser a retórica, uma negação da própria filosofia e passaram a impor como condição primeira da filosofia, que o discurso fosse dirigido à razão e não à emoção, não sendo necessário convencer ninguém. Durante a Idade Média, a argumentação adquiriu enorme divulgação, nomeadamente entre os cléricos, ocupando um lugar central na educação (fazia parte do Trivium) (FONTES, 2008). Na Idade Moderna, a retórica continuou a desfrutar ainda de algum prestígio nos países católicos (é só relembrar o orador Padre Antonio Vieira), mas segundo Fontes (2008), a tendência era outra. A Retórica como arte argumentativa começou a ser completamente desacreditada. Descartes reafirma o primado das evidências sobre os argumentos verossímeis. Na mesma linha, se desenvolve o discurso científico. Não se trata de convencer ninguém, mas de demonstrar com “fatos”, “dados”, “provas” a Verdade (única e irrefutável). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 40 Chegamos ao século XX e a verdade dos filósofos não pode mais ser admitida como ponto de partida para qualquer discussão, muito por consequência das teses relativistas e o descrédito das ideologias. Fontes (2008) nos diz que todas as filosofias não passam de opiniões plausíveis que devem ser continuamente demonstradas através de argumentos também eles meramente plausíveis. Neste sentido, toda a filosofia é um espaço sempre em aberto e susceptível de continuas revisões. Ontologia e Cosmologia Respectivamente, Ontologia e Cosmologia são: A Ciência do Ser e a Ciência do Cosmos. A Ontologia parte do princípio que existe algo perene, além das particularidades de cada coisa, além dos acidentes, estudando, portanto, o SER enquanto SER (SANTOS, 1957). A Cosmologia preocupa-se, sobretudo, com uma concepção do Universo, seja ele físico ou metafísico (SANTOS, 1957). Ambos os estudos fazem parte da concepção Metafísica da Filosofia (sendo objeto desta), no entanto, inseridos nela, revelam apenas aspectos do que a Metafísica é como um todo: a ciência da realidade última das coisas (SANTOS, 1957). Se um cosmos (de Cosmos, em grego, universo organizado em oposição a Caos) tem realmente uma ordem, se é um e único, se há vários, se entre eles há pontos de contato ou não, se forma uma unidade ou uma pluralidade, se essa unidade é homogênea ou o produto de uma pluralidade, heterogênea, portanto, que se unifica, etc., tais perguntas cabem à Metafísica responder (SANTOS, 1957). A filosofia não se dá fora da vida, ou seja, pertence à vida e ao homem, e busca, através do cosmos, invadir os mais altos terrenos sobre a origem e o destino do ser humano, não impedindo, é claro, que se torne em ócio agradável de alguns espíritos. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 41 De acordo com Fontes (2008) a Cosmologia enquanto disciplina filosófica usa métodos metafísicos para estudar os magnos problemas que surgem da visão do nosso cosmos, sendo que entre os gregos, o problema cosmológico fora colocado desde a antiguidade, como encontramos nas origens da filosofia hindu, da filosofia chinesa e da egípcia. O mesmo autor infere sobre duas vertentes da cosmologia, a científica (que estuda as diversas hipóteses sobre a ordenação do mundo) e a filosófica (que examina tais hipóteses e estabelece especulações fundadas apenas em métodos metafísicos), entretanto, o próprio confere a essa classificação uma certa arbitrariedade, ou seja, não há tanta distinção assim entre elas, se confundindo em seus centros Para distinguir a Cosmologia científica da filosófica, Fontes (2008) propõe indicar que a primeira, em suas observações, pode comprová-las, empregando até certo ponto os métodos da ciência, enquanto a metafísica baseia-se nos métodos filosóficos para estudar o cosmos. Enfim, a Cosmologia é a ciência filosófica que estuda a origem, determinação, significação e destino do mundo. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 42 UNIDADE 5 - OS RAMOS DA FILOSOFIA Social e política No entendimento de Almeida (2005) a Filosofia Política está intimamente ligada á Ética, principalmente por fazer parte da Ética da Coletividade. O autor ressalta que na antiguidade não houve separação entre a moral das pessoas e suas atuações políticas, sendo a Ética responsável por ambas. A melhor definição possível para a Filosofia Política é a mais ampla possível, ou seja, é o campo da investigação filosófica que se ocupa das relações humanas consideradas em seu sentido coletivo. Voltando à Antiguidade grega e romana (principalmente na primeira), discutia- se os limites e as possibilidades de uma sociedade justa e ideal (Platão, com sua obra A república). Mas o que se tornou célebre, por tornar-se a teorização da prática política grega, em particular de Atenas, foi o tema do bem comum (Aristóteles), representado pelo homem político, compreendido como o cidadão habitante da Polis, o homem politikós que opinando e reunindo-se livremente na Ágora, junto a seus pares, discute e deliberaacerca das leis e das estruturas da sociedade. Já em Roma, Cícero teorizou a República como espaço das liberdades cívicas, em que ocorre uma complementaridade entre os senadores e a plebe (tese retomada no século XVI por Maquiavel). Segundo Politzer (2001) e Chauí (2003), desde fins da Idade Média, a Filosofia Política e os pensadores tratavam das mais variadas questões sobre a legitimação e a justificação do Estado e do governo: Os limites e a organização do Estado frente ao indivíduo (Thomas Hobbes, John Locke, dentre outros); As relações gerais entre sociedade, Estado e moral (Nicolau Maquiavel, Augusto Comte, Antonio Gramsci); As relações entre a economia e política (Karl Marx, F. Engels, Max Weber); Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 43 O poder como constituidor do “indivíduo” (Michel Foucault); As questões sobre a liberdade (Benjamin Constant, John Stuart Mill, Hannah Arendt, Raymond Aron, Norberto Bobbio); As questões sobre justiça e Direito (Kant, Hegel, Habermas) e, As questões sobre participação e deliberação (Habermas, Joshua Cohen). Educação É tarefa da Filosofia da Educação contribuir para a intencionalização da prática educacional, a partir de sua própria construção em ato; como presença atuante na sociedade. Essa internacionalização quer dizer, dar condições à prática educacional para que se realize como práxis, ou seja, como ação pautada num sentido, como ação pensada, refletida, apoiada em significações construídas, explicitadas e assumidas pelos sujeitos envolvidos. É por isso que se pode definir a Filosofia da Educação como o esforço para o desvendamento/construção do sentido da educação no contexto do sentido da existência humana, em sua totalidade (MIRANDA, 2008). Para Kohan (2008) pensar, reformular e fundamentar a função do professor como educador, a função dos alunos enquanto educandos, e a própria função da educação como método de aprendizado e seus próprios métodos de ensino e tantos outros temas e abordagens em relação ao ensino é o escopo da Filosofia da Educação. Como havia falado inicialmente sobre o descaso do ensino de filosofia nos países latino-americanos, mais especificamente no Brasil, realmente ela ocupa um lugar de pouco interessante no universo acadêmico e no Ensino Médio, embora tenhamos observado tentativas do MEC em levá-la para as escolas. “Depreciada na imensa maioria dos departamentos de filosofia das instituições de formação superior, acolhida nos de educação, costuma ser matéria obrigatória nos cursos de formação de mestres. Tornada, assim, muitas vezes, o único espaço de contato com a filosofia durante todo o processo de formação, seus Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 44 docentes, programas e bibliografia costumam manter, no melhor dos casos, um caráter enciclopédico, totalizador e fundacionista. Em todo o caso, o repertório não parece muito variado: aqui, a história das ideias filosóficas sobre a educação; lá, correntes do pensamento filosófico sobre a educação; ou, então, o estudo das divisões mais ou menos claras do saber pedagógico, segundo orientações bastante clássicas do conhecimento filosófico: um pouco de epistemologia, outro tanto de axiologia e de ontologia, usadas para explicar o fenômeno educativo. Dessa forma, o aluno mais afortunado poderá compreender, com a ajuda de um mestre explicador, um saber filosófico, histórico ou sistemático, sobre a educação. Aprenderá a distinguir, com as explicações que recebeu, escolas e orientações pedagógicas, períodos, conceitos e categorias, que habilmente relacionará às correntes de pensamento já instituídas. Para os menos afortunados, essas mesmas explicações funcionarão, muito mais simplesmente, como uma espécie de doutrinação educativa, que os infundirá, brutal ou delicadamente, da firme crença nos fins, nos valores e nos ideais que deverão passar a perseguir (KOHAN, 2008). O mesmo autor nos mostra que esses modos de ensinar a filosofia da educação não estão isentos de pressupostos sobre o significado e sentido de ensinar e aprender a filosofia, assim como sobre suas relações com a educação. Trata-se, basicamente, de transmitir um certo saber instituído, predeterminado, que permitirá uma compreensão mais “crítica” do fenômeno educacional ou, simplesmente, compreender a “verdadeira” missão da filosofia na educação. O saber filosófico pode toma a forma de conteúdos conceituais ou atitudinais que contribuirão para a aquisição das habilidades ou competências de pensamento crítico, por parte do(a)s futuro(a)s profissionais da educação. Mente Encontramos em Teixeira (2) (2008) algumas referências sobre a Filosofia da mente, como um estilo de filosofar que nos últimos anos vem recolocando questões centrais da filosofia como: O que é o pensamento? Qual a natureza do mental? O que é consciência? Será o cérebro o produtor da mente? Ou apenas o seu hospedeiro biológico? Será que pensamos com nossa cabeça ou somente “em” nossa cabeça? Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 45 Para Miranda (2008) uma ponte legítima entre as neurociências e a especulação filosófica coloca a Filosofia da Mente como vanguarda entre a reserva que existe entre os limites da ciência e da filosofia. Ambas dão exemplo da necessária retroalimentação entre um conhecimento experimental e o especulativo, abrindo caminhos uma para outra no entendimento necessário do universo cognitivo humano. Já Zilhão (2008) coloca o fato de que a Filosofia da Mente contemporânea e as Ciências cognitivas se distinguem por serem sensíveis a diferentes aspectos do seu problema crucial. Nesse campo encontramos os experimentos mentais que são muito antigos, remontando à tradição grega, como por exemplo, a alegoria do mito da caverna de Platão. Muitos experimentos mentais incluem aparentes paradoxos sobre fatos conhecidos ou aceitos que tem permitido reformular ou precisar em maior medida diferentes teorias científicas. Segundo Chauí (2003) a filosofia faz intenso uso de experimentos mentais. Como exemplo, podemos citar dentro da metafísica, o paradoxo de Zenão; na epistemologia, o Mito da Caverna, o Cérebro numa cuba; dentro da filosofia da mente, terra gêmea, quarto chinês e ainda como identidade pessoal, o home do pântano. Religião Já deu para entendemos que filosofia é o movimento do pensar globalmente a relação da vida humana no mundo, desde o mundo e como ela concebe o mundo. Dentro desse enfoque, Teixeira (1) (2008) nos lembra o fenômeno religioso que se transforma em um dos escopos filosóficos por excelência. A mesma autora discute ainda que, mesmo que tenhamos uma consciência contemporânea pós-moderna marcada pelo conhecimento científico, avanços tecnológicos e um ceticismo atuante, a proliferação de seitas, religiões e culturas misteriosas precisam ser estudadas filosoficamente, sendo tema recorrente da Filosofia da Religião,assim como o próprio repensar e desvendar das religiões já constituídas e consolidadas. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 46 Outro ponto a se considerar é que, apesar da multiplicidade de religiões com diferentes cultos, mitos e práticas, os filósofos têm-se tradicionalmente centrado nas religiões dominantes no ocidente — o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Uma das razões deve-se ao fato de estas religiões fornecerem visões complexas acerca do modo como o mundo e o universo se comportam, ao contrário do que se passa com as religiões orientais — como o hinduísmo, o budismo e o confucionismo — que se preocupam mais em propor formas de conduta e de viver. O que interessa em geral aos filósofos é saber se a visão religiosa do universo é ou não verdadeira. Comum às religiões ocidentais é a crença na existência de Deus, caracterizado como uma pessoa incorpórea e eterna, que criou o universo, que é sumamente boa (moralmente perfeita), que é toda-poderosa (omnipotente), que sabe tudo (omnisciente), que está em todo o lado (omnipresente), etc. Diz-se que este deus é o Deus teísta, e chama-se teísmo à crença na sua existência, de modo que não é de estranhar que os problemas que mais têm atraído a atenção dos filósofos sejam o da coerência do conceito de Deus e o da existência de Deus (TEIXEIRA (1) 2008). Um dos paradoxos clássicos relativamente à coerência do conceito de Deus é o de saber se Deus pode criar uma pedra tão pesada que Ele não a possa levantar. Se Deus é omnipotente, então pode criar tal pedra, mas se a criar então não é omnipotente, porque depois não pode levantá-la. Por outro lado, se não a pode criar, então não é omnipotente. Uma resposta a este problema é a de que Deus não pode criar impossibilidades lógicas. Outro problema é o de saber se a existência de Deus é compatível com a liberdade humana: se Deus sabe tudo, então sabe o que vamos fazer; mas, se sabe o que vamos fazer, então o que vamos fazer já está determinado; logo, não pode haver livre-arbítrio. A questão de saber se Deus existe é a que mais tem interessado aos filósofos. São vários os argumentos a favor da existência de Deus, muitos deles apresentados na Idade Média. Por exemplo, só da autoria de S. Tomás de Aquino há cinco argumentos a favor da existência de Deus. Os principais tipos de argumentos a favor da existência de Deus são: o argumento ontológico, o argumento cosmológico e o argumento do desígnio (TEIXEIRA (1) 2008). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 47 Dois outros problemas igualmente muito discutidos são o papel dos milagres enquanto provas da existência de Deus, a que David Hume levantou fortes objeções, e o problema do mal (TEIXEIRA (1) 2008). Outros problemas igualmente importantes são os seguintes: Será que a existência de Deus é compatível com a liberdade humana? Será que existe vida depois da morte? Como compreender conceitos como o de fé, salvação e criação, entre outros? (TEIXEIRA (1) 2008). Entre nós, a filosofia da religião certamente não é uma prioridade. Para isso há diversas razões. Por um lado, em nossa época, predomina a consciência marcada pelo saber científico, pela técnica e pela crítica iluminista, centrada na imanência. Tal postura ignora o pensamento religioso. Por outro, nas últimas décadas, a teologia pulverizou-se em tantas teologias que, no meio cristão, a única coisa comum que sobrou parece reduzir-se ao recurso à Bíblia (PAULI, 1997). Para Zilles (2006), o diálogo entre filosofia e religião é tão antigo como a própria filosofia. A partir da tensão desafiadora entre conhecimento autônomo e fé gratuita, desenvolveram-se sistemas filosóficos e projetos teológicos. Mas, se, no passado distante, a religião pertencia aos temas centrais da reflexão filosófica, nos tempos modernos e recentes, o problema dos fenômenos religiosos é cada vez mais marginalizado. O homem moderno, esclarecido, evita argumentos religiosos como evita falar de Deus. Consideram-se tais coisas reservadas ao púlpito ou simplesmente pertencentes à esfera íntima e privada de cada pessoa ou, então, quando muito, busca-se espaço para a crítica do conceito de Deus e de religião. Por outro lado, a filosofia não consegue demonstrar religião, mas pode mostrar seus fundamentos. Pode mostrar que se trata de um fenômeno original e colocá-lo ao lado de outros; descobrir os vestígios da religião e seus símbolos na cultura secularizada. A filosofia, segundo Wittgenstein, pode mostrar como são estreitos os limites da linguagem e da racionalidade. O espaço limitado pela linguagem e pela razão é pequeno para nele viver. Mostrando os limites da linguagem e do pensamento, indica para além dos mesmos (ZILLES, 2006). A filosofia da religião não se limita a descrições neutras de costumes da linguagem religiosa, nem fixa normas arbitrárias para o uso religioso da linguagem. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 48 Sua missão consiste em mostrar sentido e profundidade da religião, na vida humana, de maneira crítica. Vale usar a razão, para completar a fé, e crer, para aprofundar a razão, enfim, humanizar mais o homem e a humanidade. Enfim, a filosofia da religião pensa criticamente o fenômeno religioso como fenômeno que diz respeito ao homem e à humanidade, sendo o fenômeno religioso a expressão da liberdade (ZILLES, 2006). Analítica Segundo Marcondes (2004) a análise em filosofia é um método utilizado ao menos desde os tempos de Platão e Aristóteles, mas tornando-se característico entre o final do século 19 e o início do século 20. Na Antiguidade, em Platão a análise foi motivada pelo seu realismo, segundo o qual as coisas são tal qual se apresentam ao intelecto, e não tal qual se apresentam aos sentidos. Assim, para se compreender a realidade que se apresenta aos órgãos dos sentidos é preciso decompô-la (MARCONDES, 2004). Os filósofos analíticos viram a análise linguística e conceitual como um modo de chegar à compreensão sobre temas vistos tradicionalmente como problemas na filosofia. Alguns, pioneiros, como Frege, buscaram uma linguagem científica à qual a linguagem ordinária pudesse ser reduzida. Outros, posteriores, como John L. Austin, viram a linguagem ordinária como o ponto de partida inevitável para o esclarecimento através da análise (MARCONDES, 2004). Inicialmente, as propostas da filosofia analítica eram exclusivamente analisar conceitos para resolver problemas filosóficos. A Hermenêutica O termo hermenêutica vem do grego e significa declarar, anunciar, interpretar, esclarecer e ainda, traduzir. Em outras palavras, significa que alguma coisa é tornada compreensível. Filosoficamente o termo deriva do nome do deus da mitologia grega, Hermes, mensageiro dos deuses, a quem os gregos atribuíam a origem da linguagem e da Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhumaparte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 49 escrita, sendo ainda considerado o patrono da comunicação e do entendimento humano. Relativo à expressão “dos deuses”, a qual precisa de uma interpretação mais profunda para ser apreendida corretamente. Encontramos em Spinoza, um dos precursores da hermenêutica bíblica, ou seja, aquele que interpreta correta e objetivamente a bíblia. Também pode ser entendida como ciência ou técnica que tem por objetivo exclusivo, interpretar textos religiosos, especialmente as Sagradas Escrituras. Para Schleiermacher a hermenêutica não visa o saber teórico, mas sim o uso prático, isto é, a práxis ou a técnica da boa interpretação de um texto falado ou escrito. Trata-se aí da “compreensão”, que se tornou desde então o conceito básico e a finalidade fundamental de toda a questão hermenêutica. Schleiermacher define a hermenêutica como “reconstrução histórica e divinatória, objetiva e subjetiva, de um dado discurso” (COLLINSON, 2006). A maiêutica A maiêutica foi um método criado por Sócrates que a definiu como o momento do parto intelectual da procura da verdade no interior do homem, ou seja, “parir” ideias complexas a partir de perguntas simples e articuladas dentro de determinado contexto. A auto-reflexão, expressa no nosce te ipsum – “conhece a ti mesmo” – põe o Homem na procura das verdades universais que são o caminho para a prática do bem e da virtude. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 50 REFERÊNCIAS ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 5 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. ALMEIDA, Rodrigo Andrade de. Panorama histórico da filosofia política, da antiguidade ao período pós-revolucionário. Jus Navigandi, Teresina, ano 9, n. 835, 16 out. 2005. BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Conselho Nacional de Educação – Parecer CNE/CEB n. 38/2006, aprovado em 07 de julho de 2006. CHATEAUBRIAND, Oswaldo. Lógica e linguagem. 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