Prévia do material em texto
BMF-3 06.05.2020 Aula 14 - ENDOCRINO 1 Anatomia do Pâncreas O pâncreas é uma glândula acessória da digestão, alongada, retroperitoneal, situada subjacente e transversalmente aos corpos das vertebras L1 e L2 na parede posterior do abdome. Situa-se atrás do estomago, entre o duodeno e o baço à esquerda. O mesocolo transverso está fixado à sua margem anterior. A maior parte do órgão tem função exócrina e secreta diversas enzimas envolvidas na digestão de lipídios, carboidratos e proteínas. A função endócrina do pâncreas é realizada por células que estão espalhadas por toda a estrutura da glândula, as quais participam na homeostase da glicose e que também estão envolvidas no controle da motilidade e da função da parte gastrointestinal alta. Os principais agentes responsáveis pela função pancreática são as glândulas endócrinas e exócrinas. As últimas sintetizam enzimas digestivas pancreáticas inativas (zimogênios), que são libertados para os sistemas ductais glandulares e pancreáticos. Ao atingir o duodeno, os zimogênios são ativados por enzimas proteolíticas, tornando-se peptidases, amilases, lipases e nucleases ativas que atuam para digerir aind mais os alimentos que entram no intestino delgado provenientes do estômago. A função endócrina do pâncreas e desempenhada pelas ilhotas pancreáticas (Langerhans). Estas glândulas endócrinas secretam hormônios diretamente na corrente sanguínea e possuem três tipos celulares principais: alfa, beta e delta. Resumidamente, as células alfa liberam glucagon, as células beta secretam insulina e as células delta produzem somatostatina. Estes hormônios são fundamentais para a regulação, não só do metabolismo da glicose, mas também das funções gastrointestinais. A unidade morfofuncional do pâncreas exócrino é o ácino seroso. Cada ácino pancreático é formado por células piramidais com núcleos arredondados localizados na base da célula. A parte endócrina, onde são secretados hormônios, é formada pelas ilhotas pancreáticas (Ilhotas de Langerhans). Estas são grupos arredondados de células, dispostas em cordões, em volta dos quais existe uma abundante rede de capilares sanguíneos com células endoteliais fenestradas, situados entre os ácinos secretores. O órgão é dividido em quatro partes principais: cabeça, colo, corpo e cauda. Nos adultos, o pâncreas apresenta de 12 a 15 cm de comprimento e possui a forma de uma “língua” de tecido, achatada, mais espessa na extremidade medial (cabeça) e mais delgada em direção à extremidade lateral (cauda). Com o envelhecimento, a quantidade de tecido exócrino tende a diminuir, assim como a quantidade de tecido conjuntivo adiposo no interior da substância da glândula, o que leva a uma atrofia progressiva que é particularmente visível em imagens obtidas por tomografia computadorizada (TC). Relações do Pâncreas © Anteriormente: estomago, colo transverso e duodeno. © Posteriormente: atrás da cabeça, veia cava inferior, vasos renais e gonadais. © Atrás do colo, veia mesentérica superior e veia porta. © Atrás do corpo: diafragma, glândulas suprarrenais esquerda, rim esquerdo e vasos renais. © Atrás do corpo e da causa: veia lienal. Cabeça BMF-3 06.05.2020 Aula 14 - ENDOCRINO 2 Situada à direita da linha média, anteriormente e também à direita da coluna vertebral, no interior da curvatura formada pelo duodeno. Corresponde à parte mais espessa e larga do pâncreas, mas ainda assim é achatada no plano anteroposterior. Nessa área, as artérias pancreaticoduodenais superior e inferior estão entre a cabeça e o duodeno. O limite entre a cabeça e o colo é com frequência demarcado anteriormente pelo sulco da artéria gastroduodenal e posteriormente por um sulco similar, porém mais profundo, o qual contém a união das veias mesentérica superior e esplênica onde formam a veia porta. Face anterior A face anterior da cabeça é coberta por peritônio e está relacionada com a origem do mesocolo transverso. Face posterior A face posterior da cabeça está relacionada com a veia cava inferior, que ascende posteriormente, recobrindo quase toda esta face. Também está relacionada com a veia renal direita, com o pilar direito do diafragma e geralmente com a origem da veia ovárica ou testicular (gonadal) direita. Colo É com frequência a parte mais anterior da glândula e é definida como a parte do pâncreas situada anteriormente à veia porta, a qual está intimamente relacionada com a parte superior da face posterior. A parte mais inferior do colo do pâncreas é anterior à veia mesentérica superior imediatamente antes da formação da veia porta. A face anterior do colo está coberta com peritônio e é adjacente ao piloro imediatamente inferior ao forame omental. As artérias gastroduodenal e pancreaticoduodenal superior anterior descem anteriormente à glândula, na região da junção do colo com a cabeça do pâncreas. Corpo É a parte mais longa da glândula e estende-se do lado esquerdo do colo até a cauda. Face posterior A face posterior do pâncreas é desprovida de peritônio. É anterior à aorta, à origem da artéria mesentérica superior, ao pilar esquerdo do diafragma, à glândula suprarrenal esquerda, ao rim esquerdo e aos vasos renais, sobretudo à veia renal esquerda. A face posterior está intimamente relacionada com a veia esplênica, que está entre a mesma e as outras relações posteriores e corre da esquerda para a direita, formando um sulco raso ou mesmo um “túnel” quase totalmente coberto na substância da glândula. O rim esquerdo também está separado da face posterior por fáscia renal e corpo adiposo pararrenal. Face anteroinferior À medida que o corpo se estende lateralmente a faixa se alarga, aumentando assim a face anteroinferior do corpo. É coberta por peritônio que é contínuo à lâmina posteroinferior do mesocolo transverso. A quarta parte do duodeno, a flexura duodenojejunal e as alças do jejuno localizam-se inferiormente. Com frequência, a extremidade lateral da margem inferior é superior e posterior à flexura esquerda do colo. O peritônio da lâmina anterossuperior do mesocolo transverso está refletido sobre a parte superior da face anteroinferior, na linha da margem anterior, onde é contínuo com a lâmina posterior do omento maior. Lateralmente, o ápice do músculo suspensor do duodeno (ligamento de Treitz) pode se constituir em uma relação anterior da face anteroinferior do corpo. Margem superior A margem superior está relacionada com o tronco celíaco. A artéria hepática comum corre para a direita logo acima da glândula. A artéria esplênica segue para a esquerda, descrevendo um trajeto frequentemente bastante tortuoso ao longo da margem superior, e BMF-3 06.05.2020 Aula 14 - ENDOCRINO 3 tende a se elevar acima do nível dessa margem em vários pontos do seu trajeto. Margem inferior. Mais lateralmente, a veia mesentérica inferior corre sob a margem até se juntar à veia esplênica na face posterior. Este local é útil para a identificação da veia mesentérica inferior durante as ressecções do colo no lado esquerdo e nas imagens obtidas por TC. Cauda É a parte mais estreita e mais lateral da glândula e está entre as lâminas do ligamento esplenorrenal. Posteriormente, está relacionada tanto com a artéria esplênica e seus ramos como com a veia esplênica e suas tributárias. A ponta da cauda pode estar em contato com o hilo esplênico. Suprimento Vascular e Drenagem Linfática Artérias Recebe um rico suprimento arterial que provém do tronco celíaco e da artéria mesentérica superior e o alcança por meio de vasos nominados e de vários vasos pequenos inominados. Artéria Pancreaticoduodenal Inferior – tem origem na arteria mesentérica superior, geralmente, logo no início divide-se nos ramos anterior e posterior. Ambos os ramos irrigam a cabeça do pâncreas, o processo uncinado e a segunda e terceira partes do duodeno. Artéria Pancreaticoduodenal Superior – é um ramo terminal da artériagastro- duodenal que desce no interior do sulco anterior entre a segunda parte do duodeno e a cabeça do pâncreas. Supre os ramos que se dirigem para a cabeça do pâncreas e se anastomosa com a divisão anterior da artéria pancreaticoduodenal inferior. A artéria pancreaticoduodenal superior posterior supre os ramos que se dirigem à cabeça do pâncreas e para a pri- meira e a segunda parte do duodeno. Ramos Pancreáticos - que geralmente partem das suas artérias de origem e se dirigem diretamente para a glândula. São particularmente numerosos na região do colo, do corpo e da cauda. A maioria tem origem na artéria esplênica, no trecho em que ela corre ao longo da margem superior da glândula e irriga a parte esquerda do corpo e a cauda. Um ramo dorsal – a artéria pancreática dorsal – desce posteriormente ao pâncreas e divide-se nos ramos direito e esquerdo. Às vezes é proveniente da artéria mesentérica superior, ou cólica média, da artéria hepática ou, raras vezes, do tronco celíaco. O ramo direito é com frequência duplo, e corre entre o colo e o processo uncinado até formar um arco arterial, a artéria pré-pancreática, com um ramo da artéria pan- creaticoduodenal superior anterior com o qual ele se anastomosa. O ramo esquerdo corre ao longo da margem inferior até a cauda onde se anastomosa com a artéria pancreática magna e com a artéria da cauda do pâncreas. Pequenos ramos inominados também partem da primeira arcada jejunal da artéria mesentérica superior e dos ramos arteriais dos vasos retroperitoneais. Veias A drenagem venosa do pâncreas é basicamente para o sistema porta. A cabeça e o colo drenam principalmente por intermédio das veias pancreaticoduodenais superior e inferior. O corpo e a cauda drenam predominantemente para veias pequenas que correm diretamente para a veia esplênica ao longo da superfície posterior da glândula ou, às vezes, diretamente para a veia porta. Há canais venosos pequenos entre todas as partes da glândula e as veias retroperitoneais, e esses canais, que finalmente drenam para as veias BMF-3 06.05.2020 Aula 14 - ENDOCRINO 4 lombares, podem se hipertrofiar e se tornar clinicamente importantes nos casos de hipertensão portal. Linfáticos A drenagem linfática do pâncreas é extensa. Os capilares linfáticos surgem ao redor dos ácinos pancreáticos. Os vasos linfáticos maiores seguem o suprimento arterial e drenam para os linfonodos situados ao redor do pâncreas e para grupos de linfonodos adjacentes. Os linfáticos da cauda e do corpo drenam principalmente para os linfonodos pancreáticos e esplênicos, embora alguns drenem diretamente para linfonodos pré-aórticos. A drenagem linfática do colo e da cabeça é mais ampla: a linfa segue para linfonodos situados ao longo das artérias pancreaticoduodenal, mesentérica superior e hepática. Alguns desses linfáticos também drenam para os linfonodos pré-aórticos e para os linfonodos do tronco celíaco. Não há evidências de ductos linfáticos no interior das ilhotas pancreáticas. Ductos Pancreáticos O tecido pancreático exócrino drena para vários ductos lobulares pequenos. A disposição dos ductos principais que drenam o pâncreas está sujeita a alguma variação, mas o arranjo mais comum consiste em um único ducto pancreático principal acompanhado de um único ducto acessório. Esse arranjo reflete o desenvolvimento embriológico dos ductos pancreáticos dorsal e ventral. O ducto pancreático é derivado da parte distal do ducto dorsal no corpo e cauda, mas se funde com o ducto ventral, situado mais posteriormente na região em que os brotos dorsal e ventral se fundem. O ducto acessório é o remanescente do ducto da parte proximal do broto pancreático dorsal, situado na cabeça do pâncreas anteriormente, depois da parte distal se reunir ao ducto do broto ventral. O ducto pancreático (ducto de Wirsung) geralmente corre dentro da substância da glândula, da esquerda para a direita. Tende a estar mais próximo da face posterior que da face anterior e é formado pela junção de vários ductos lobulares (secundários) da cauda. Seu calibre aumenta à medida que segue dentro do corpo, pois recebe mais ductos lobulares que se unem quase em ângulo reto, formando um padrão em “espinha de peixe”. No exame ultrassonográfico, é possível ver o ducto com frequência, que nos adultos mede aproximadamente 3 mm de diâmetro na cabeça, 2 mm no corpo e 1 mm na cauda. Quando o ducto pancreático chega ao colo da glândula, geralmente se vira inferior e posteriormente em direção ao ducto biliar, que está ao seu lado direito. Os dois ductos penetram obliquamente na parede da parte descendente do duodeno e se reúnem na ampola hepatopancreática, curta e dilatada. O ducto pancreático acessório (ducto de Santorini) geralmente drena a parte superior da cabeça do pâncreas anteriormente. Tem calibre muito menor que o do ducto pancreático principal, ascende anteriormente ao mesmo e é formado no interior da substância da cabeça a partir de vários ductos lobulares. O DUCTO PANCREÁTICO PRINCIPAL começa na cauda do pâncreas e atravessa o parênquima da glândula até a cabeça do pâncreas: aí ele se volta inferiormente e tem íntima relação com o ducto colédoco. O ducto pancreático principal e o ducto colédoco geralmente se unem para formar a ampola hepatopancreática (de Vater) curta e dilatada, que se abre na parte descendente do duodeno, no cume da papila maior do duodeno. BMF-3 06.05.2020 Aula 14 - ENDOCRINO 5 Geralmente, se comunica com o ducto pancreático principal por meio de vários ramos pequenos, embora estes raramente sejam amplos o suficiente para permitir o preenchimento do ducto pancreático acessório em pancreatogramas realizados através da ampola hepatopancreática. O ducto pancreático acessório geralmente se abre em uma papila duodenal secundária pequena e arredondada, a papila menor do duodeno, que está a cerca de 2 cm da papila maior e é anterossuperior a ela. Quando a extremidade duodenal do ducto pancreático acessório não se desen- volve, os ductos lobulares drenam para o ducto pancreático através de um canal (ou de canais) pequeno(s). Os ductos pancreático e pancreático acessório exibem algumas variações anatômicas que refletem variações no desenvolvimento e na fusão dos ductos dorsal e ventral. Uma variação importante clinicamente é o “Pâncreas divisum”, no qual diferentes partes da glândula drenam por vias totalmente separadas. Essa condição possibilita que algumas formas de pancreatite afetem apenas uma dessas partes. Inervação O pâncreas recebe inervação involuntária através do sistema nervoso autónomo (SNA). A sua inervação parassimpática provém do nervo vago (NC X) e a sua inervação simpática dos nervos esplâncnicos maior e menor (T5-T12). Os dois tipos de fibras autónomas viajam até o gânglio celíaco e ao plexo mesentérico superior, projetando-se, por fim, no pâncreas. Dentro do órgão, estas fibras transportam impulsos nervosos para as células acinares a para os ilhéus pancreáticos. As fibras parassimpáticas estimulam a secreção das células acinares, levando à libertação de suco pancreático, insulina e glucagon. Por oposição, as fibras simpáticas promovem a vasoconstrição e a inibição da secreção exócrina, por outras palavras, inibem a libertação do suco pancreático. A inervação simpática regula também a secreção hormonal, estimulando a libertação de glucagon e inibindo a de insulina. Aprender os nervos pode ser um verdadeiro pesadelo, especialmente quando o conhecimento está fragmentado ao longo de vários capítulos nos seus livros. Simplifique o seu estudo, com os nossos materiais sobre o sistema nervoso periférico. Embriogênse do Pâncreas Desenvolvimento do pâncreas 5-8 semana Brotamento do intestino anterior entre o mesentério ventral e dorsal I. Broto pancreático ventral – está associado a características de um órgão com glândulas exócrinas, se sobressai. II. Broto pancreático dorsal – se diferencia eterá características de glândulas endócrinas. Microestrutura Micro-orgão endócrino tendo independências Há dois componentes: © Cordoes de células endócrinos poligonais © Capilares sanguíneos fenestrados Tipo Celular % Hormônio atividade principal Ação Alfa 20 Glucagon Age em vários tecidos para mobilizar a energia estocada; aumenta a taxa de glicose no sangue. Beta 70 Insulina Age em vários tecidos promovendo entrada de glicose na célula; diminui taxa de glicose. O DUCTO PANCREÁTICO ACESSÓRIO abre-se no duodeno no cume da papila menor do duodeno. Em geral, o ducto acessório comunica-se com o ducto pancreático principal. Em alguns casos, o ducto pancreático principal é menor do que o ducto pancreático acessório e pode não haver conexão entre os dois. Nesses casos, o ducto acessório conduz a maior parte do suco pancreático BMF-3 06.05.2020 Aula 14 - ENDOCRINO 6 Delta 5 Somatostatina Regula a liberação de hormônios de outras células das ilhotas PP 3 Polipeptídeo Pancreático Provoca diminuição de apetite; aumento da secreção do suco gástrico. Épsilon 0,5-1 Grelina Estimula o apetite no hipotálamo.