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08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 1/24 HISTÓRIA DA HOMINIZAÇÃO ÀS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES CAPÍTULO 3 - QUAL É A IMPORTÂNCIA DOS EGÍPCIOS, FENÍCIOS, HEBREUS E PERSAS NO MUNDO ANTIGO? Fernando Silva de Almeida INICIAR 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 2/24 Introdução Neste capítulo, apresentaremos algumas discussões sobre quatro civilizações do mundo antigo que se destacaram por motivos diversos, seja pela sua arquitetura monumental, pela prática mercantil durante a Antiguidade, pela influência na criação das religiões modernas ou ainda pela constituição de um dos maiores impérios já vistos na Antiguidade oriental e clássica. A história desses povos gerou uma grande influência no mundo antigo que se propagou até os dias atuais. Quais são as principais características de cada uma dessas civilizações? Quais delas tornaram esses povos mais conhecidos durante o mundo antigo? E, por fim, qual é a importância dessas civilizações para o mundo contemporâneo? Ao longo deste capítulo, mostraremos diversos aspectos que são referentes à história de cada um desses povos, buscando elencar os principais motivos que tornaram algumas culturas mais conhecidas da Antiguidade. A apresentação da história dessas civilizações é um conhecimento fundamental sobre a Antiguidade oriental, que possui tanta relevância quanto a história antiga clássica, referente aos gregos e romanos. Isso porque foi nesse período histórico que surgiram importantes inovações, como a escrita, a agricultura, o pastoreio, entre outras atividades que fizeram com que as primeiras populações sedentárias se tornassem as principais civilizações do mundo antigo. 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 3/24 3.1. A civilização egípcia Você sabe qual era a importância dos faraós para o Egito? Ou por que os egípcios são uma das civilizações mais importantes da Antiguidade? Ou ainda por que eles possuem uma monumentalidade que se destacou mais do que outras, baseada na construção de grandes pirâmides e outros monumentos? Essas e outras questões serão demonstradas aqui e, neste primeiro tópico, apresentaremos algumas das principais características do Egito Antigo. Abordaremos um pouco da importância dessa civilização no mundo antigo, os motivos que proporcionaram o seu crescimento e a construção de monumentos que até hoje são motivo de admiração, bem como trataremos de analisar o papel dos faraós, escribas e camponeses no contexto dessa civilização. A civilização egípcia se formou a partir do assentamento inicial no nordeste da África, ao longo do Nilo (GOUCHER; WALTON, 2016), podendo ser considerada como uma das mais importantes da história da Antiguidade, devido a inúmeras inovações que trouxeram, como a escrita, a religião, a arquitetura, a agricultura, entre outras. A história do Egito antigo compreende um longo período: vai desde aproximadamente 3200 a.C. (quando houve a unificação do alto e do baixo Egito) até 32 a.C. (quando ocorreu a conquista do território pelos romanos). A história egípcia é uma das mais fascinantes do mundo antigo. Desse período, conhecemos evidências arqueológicas muito importantes para a história, como a sua arquitetura (pirâmides, esfinges, sarcófagos e demais componentes associados ao sagrado). As construções monumentais foram muito importantes no passado egípcio e, posteriormente, se tornaram mundialmente conhecidas. Como consequência desse reconhecimento, atualmente grandes obras, como barragens, estádios de futebol e palácios são denominadas como obras faraônicas (PINSKY, 2011). A grande esfinge de Gizé, por exemplo, é uma magnífica escultura de pedra calcária, que possuía corpo de leão e cabeça de homem, com aproximadamente 72 metros de comprimento e 20 de altura. Acredita-se que o construtor dessa monumentalidade seja o faraó Quéfren, filho de Queóps (LEMOS; ANDE, 2011), contudo, pela falta de evidências mais concretas, o período em que foi construída e o faraó responsável por sua construção ainda são motivos de debate entre os especialistas. Essa esfinge é a mais conhecida do Egito antigo, apesar de terem sido encontradas outras, como as de Karnak (que possuem corpo de leão e cabeça de carneiro) e a de alabastro de Mênfis. A relação existente entre a religião, o saber científico e a arte era muito significativa no Egito: podemos citar as convicções religiosas sobre os mortos, que possibilitaram um grande desenvolvimento científico e artístico por parte dessa sociedade. Já a 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 4/24 construção das pirâmides como locais sagrados, por exemplo, não seria possível sem a utilização de conhecimentos matemáticos, geométricos, mecânicos, entre outros, assim como o desenvolvimento da pintura, escultura e mumificação (PINSKY, 2011). Por um lado, sabemos que o rio Nilo oferecia condições especiais para o desenvolvimento de uma civilização, assim como ocorreu na Mesopotâmia, contudo essas características foram muito bem aproveitadas, ou seja, toda essa grandiosidade foi construída com um intenso trabalho, a partir de uma organização social e econômica muito bem elaborada e de um trabalho exaustivo dos camponeses. Devido à sua importância, os felás (como eram chamados os camponeses egípcios) eram uma classe social que, muitas vezes, não participava de guerras, a fim de poderem continuar produzindo e trabalhando (PINSKY, 2011). Figura 1 - As pirâmides do Egito foram construídas a partir da utilização de um conhecimento científico vasto. Fonte: Shutterstock, 2018. Deslize sobre a imagem para Zoom 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 5/24 Uma característica interessante dos egípcios, considerando que na região havia o alto e o baixo Egito, é o fato de terem agrupado os diferentes povos que viviam ao longo do rio Nilo em uma império unificado sob o comando do primeiro faraó: o Menés (BORDONAL, 2009). Isso significa que a ausência de uma divisão dentro do território possibilitou mais capacidade de exploração do ambiente e mais força produtiva para a consolidação dos grandiosos templos e monumentos, como a grande pirâmide de Quéops, construída provavelmente há 2800 a.C. (PINSKY, 2011). Outra característica da história egípcia, entre outras coisas, é o fato de ter passado por um grande período de abundância e prosperidade econômica. Algumas evidências históricas apontam que, no antigo e médio império, o Egito permaneceu relativamente isolado de outras regiões fora de seu território, impulsionando de forma intensa o crescimento econômico. Somente ao longo do novo império que os egípcios se tornaram mais expansionistas, desempenhando um papel militar importante na região. Vários fatores contribuíram para o crescimento dessa civilização, por exemplo: a previsibilidade das cheias e as tecnologias desenvolvidas para lidar com esse fenômeno, como os complexos sistemas de irrigação do solo em áreas já planejadas, transformando as margens do Nilo em uma área extremamente fértil (PINSKY, 2011). Figura 2 - Apesar de a civilização egípcia ter sido favorecida pelo ambiente do rio Nilo, o ambiente fora dos vales era caracterizado pelo deserto. Fonte: Felixdesign, Shutterstock, 2018. Deslize sobre a imagem para Zoom 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 6/24 Os mais importantes personagens históricos do Egito foram os faraós, título atribuído aos reis que governaram desde antes de 3100 a.C. até aproximadamenteo declínio da civilização. Eles não eram considerados importantes somente por possuírem uma origem divina, mas eram reverenciados como a expressão da própria divindade. Além disso, o florescimento de uma civilização tão grandiosa era interpretado como o resultado do milagre proporcionado por esses governantes. Eram atribuídos a eles a prosperidade e o crescimento econômico do Egito e, ao mesmo tempo em que eles possuíam uma rotina ligada aos compromissos públicos e eram adorados como deuses, exerciam atividades comuns, como cuidar da família, guerrear, pescar e caçar. Conforme as dinastias egípcias iam se modificando, os faraós foram identificados a partir de diferentes deuses, como Rá, Osíris, Set, Hórus, Anúbis, entre outros (PINSKY, 2011). Tutankamon foi um dos principais faraós do Egito antigo, mas levou essa fama não pelo seus feitos como governante. Ele viveu mais de 3.000 anos atrás e sua popularidade é uma consequência da descoberta de sua múmia quase intacta no Vale dos Reis, próximo à cidade de Luxor. Teve um curto reinado, ocupando o posto de faraó aos nove anos de idade e morreu quando completou apenas 18 anos, de causa desconhecida. Os escribas egípcios já foram descritos como indivíduos que dominavam a arte da escrita e da leitura. Contudo, além disso, seu prestígio e importância derivavam da utilidade e disponibilidade para trabalhar a serviço do faraó, mesmo que desempenhasse essa função sem a necessidade de supervisão. Isso quer dizer que poucas vezes foram encontradas evidências de textos originais dos escribas, mas sim registros diários contendo dados sobre rebanhos e áreas cultivadas, taxas a serem pagas, quantidade de cereais nos silos, dados da colheita, assim como textos funerários e religiosos. Os hieróglifos escritos por eles foram encontrados por todo o Egito, gravados em pedras, em papiros e até revestidos em ouro (LEMOS; ANDE, 2011). VOCÊ O CONHECE? 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 7/24 Uma das evidências mais interessantes sobre o Egito antigo é o processo de mumificação dos corpos, pois eles acreditavam na vida eterna e que a alma viveria no corpo mumificado. Assim, o ritual tinha como objetivo manter a vida após a morte (LEMOS; ANDE, 2011). Resumidamente, o processo de mumificação era iniciado pelo sacerdote, que extraía os órgãos do indivíduo morto, colocando-os em vasos. Depois, o corpo passava por um processo de secagem e era envolto em linho e perfumes. Por fim, eram colocados as bandagens e os amuletos para proteger o corpo, bem como uma máscara que permitiria o seu reconhecimento no futuro. Ao fim do processo, a múmia era colocada em um caixão de madeira decorado com desenhos e pinturas: o sarcófago. Antigamente, não era possível compreender a representação dos hieróglifos egípcios, até a descoberta, no fim do século XVIII, de uma rocha que apresentava inscrições em três línguas diferentes (grego, egípcio antigo e egípcio tardio), conhecida como Pedra de Roseta. Com a tradução de seu conteúdo, foi possível começar a interpretar o significado dos hieróglifos e, assim, compreender com mais riqueza de detalhes esses documentos e as características da civilização egípcia. Posteriormente, foram encontradas outras evidências arqueológicas que continham escritas bilíngues. Figura 3 - Os hieróglifos egípcios eram uma atividade realizada pelos escribas. Fonte: Fedor Selivanov, Shutterstock, 2018. Deslize sobre a imagem para Zoom 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 8/24 3.2. O mundo fenício e a prática mercantil no Mediterrâneo A civilização fenícia, nome defendido por alguns historiadores como vinda do grego phoenikus, ou seja, “púrpura” (MEIHY, 2016) foi uma das mais notáveis da Antiguidade e consolidou uma história de comércio e expansão marítima extremamente importante. Essa ampliação não somente favoreceu o seu desenvolvimento como influenciou outras civilizações com quem teve contato. Seus avanços tecnológicos favoreceram o crescimento da sociedade e fizeram com que permanecesse fortalecida por muito tempo. Mas o que permitiu que os fenícios construíssem um legado tão grandioso em relação ao Mediterrâneo? Quais os fenômenos que possibilitaram essa expansão? E quais foram suas relações com outros povos do mundo antigo? Ao longo deste tópico, responderemos a esses questionamentos, apresentando alguns dos principais aspectos dessa civilização. 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 9/24 Os fenícios foram uma civilização do mundo antigo que habitou os atuais territórios do Líbano, da Síria e do norte de Israel. Eles são conhecidos por terem sido os fundadores de uma civilização composta por importantes cidades-estado independentes, em torno da costa leste do mar Mediterrâneo, sendo sua localização um importante fator que permitiu o crescimento econômico da região com base em atividades cotidianas fundamentais, como a navegação e o comércio (MEIHY, 2016). As cidades-estado fenícias começaram a se estruturar a contar do ano de 3000 a.C. aproximadamente e posteriormente se transformaram em polos comerciais muito importantes no mundo antigo. Para citar algumas das mais conhecidas, podemos falar de Tiro e Sidon, ambas conhecidas por algumas atividades do cotidiano fenício, como a fabricação de vidro, de embarcações, o transporte de mercadorias, a produção e a venda de corantes para tecidos. Essa atividade têxtil era realizada por meio da utilização de técnicas artesanais de produção de tinta, obtida a partir de processos de decomposição de caramujos do Mediterrâneo (MEIHY, 2016). Figura 4 - A navegação era uma das principais atividades desempenhadas pelos fenícios. Fonte: Marzolino, Shutterstock, 2018. Deslize sobre a imagem para Zoom 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 10/24 Além do comércio, surgiram na região da cidade-estado de Biblos (atual Líbano) os primeiros documentos escritos que continham representações alfabéticas, sendo provavelmente a origem de todo o alfabeto que conhecemos atualmente. Entre os documentos que representam esse tipo de escrita, podemos citar a inscrição do rei Etbaal, de Biblos, do século XVI a.C., e a espátula de Asdrúbal, datada entre os séculos XV e XIV a.C. Vale lembrar que outras formas de escrita já tinham aparecido na Antiguidade, como os hieróglifos egípcios e a escrita cuneiforme, características dos primeiros povos da Mesopotâmia. Contudo, seu significado era atribuído a símbolos que representavam uma palavra, uma ação, uma ideia ou mesmo um som, enquanto que o alfabeto fenício criou uma representação simbólica dos sons de cada uma das consoantes (MEIHY, 2016). O livro Os libaneses (MEIHY, 2016) mostra com profundidade os antecedentes históricos dos povos libaneses. Ele é baseado na história dos fenícios e mostra várias outras características sobre a cultura e o território do Líbano após a história fenícia, na perspectiva de um descendente de libaneses. O alfabeto fenício era composto por 22 símbolos fonéticos, sem vogais, e permitiu o desenvolvimento de uma nova forma de pensamento, baseado em procedimentos mais avançados de representação de noções abstratas dos já conhecidos até então. Dessa forma, esse novo horizonte dado à representação da escrita conferiu mais dinâmica às relações comerciais mantidas pelos fenícios (MEIHY, 2016), permitindo que a escrita se tornasse mais popular entre eles mesmos e as civilizações com as quais esse povo mantinha relações comerciais. Existem relatos de alguns autores da Antiguidade, como Heródoto, afirmando que os fenícios alcançaram outros mares, além do mar Mediterrâneo (como os oceanos Atlântico e Índico) eque teriam circundado a África, mesmo com as limitações náuticas existentes na época. De acordo com a hipótese formulada por Heródoto, os fenícios e outros povos teriam desembarcado na costa litorânea da América, estabelecendo contatos com os povos indígenas do período antes da chegada dos europeus (MEIHY, 2016). Apesar de não ser possível comprovar esses acontecimentos com base em VOCÊ QUER LER? 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 11/24 evidências científicas, reconhecemos a grande importância da navegação fenícia na Antiguidade, que demonstrou seu grande poder de expansão marítima, responsável pela formação de inúmeras colônias mediterrâneas. VOCÊ SABIA? O sítio arqueológico L’anse aux Meadows, localizado no Canadá, é um registro arqueológico viking em plena América. Ele é o único sítio conhecido e ocupado fora da Groenlândia, sendo a única evidência comprovada do contato entre populações estrangeiras e grupos indígenas pré-históricos. Uma das civilizações que dominaram alguns dos centros urbanos da Fenícia foram os povos assírios, entre os séculos X e VI a.C. Eles eram famosos por sua avançada tecnologia bélica, enquanto a Fenícia não possuía um grande exército que permitisse a defesa de seus territórios. As cidades-estado fenícias conseguiram negociar certa autonomia com os assírios por meio do pagamento de tributos e, em vez do enfraquecimento da civilização, esse processo fortaleceu ainda mais o comércio e a expansão marítima, gerando mais riqueza para o pagamento desses tributos e a manutenção da sociedade (MEIHY, 2016). Dessa forma, enquanto algumas civilizações sucumbiram diante das invasões estrangeiras, os fenícios permaneceram por mais tempo sem serem derrotados por outros povos. 3.3. O povo hebreu Além do termo hebreu, são utilizadas outras duas denominações diferentes para falarmos sobre esse povo: israelita e judeu. O nome hebreu é baseado, provavelmente, na palavra hebraica Éber; já o termo israelita é relativo a Israel; e, por fim, judeu é relativo a Judá, um dos 12 filhos de Jacó (INTERSABERES, 2016). Portanto, ao estudar a 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 12/24 história dos hebreus, não se assuste se encontrar referências que citam esses povos a partir de outras denominações, já que não existem grandes diferenças conceituais entre elas. Sua história se confunde muito com os acontecimentos narrados na Bíblia Sagrada, sendo muitas vezes difícil distinguir os fatos históricos daqueles que não possuem comprovação científica. Nesse sentido, perguntamos: quem eram os hebreus? Qual é a sua importância como povo para o mundo antigo e o mundo contemporâneo? Qual motivo levou esses povos seminômades a se tornarem tão importantes para o desenvolvimento das religiões mais importantes da atualidade? Aqui apresentaremos algumas características do povo hebreu, sua origem, a relação com os eventos narrados na Bíblia e o seu declínio. Alguns autores acreditam que a origem dos hebreus remonta a um período que pode alcançar até 2000 a.C., enquanto outros preferem datas mais recentes. Dessa forma, as evidências históricas mais antigas afirmam que provavelmente o século XIV a.C. pode ter sido o período mais provável para o surgimento desse povo, enquanto seu desenvolvimento teria ocorrido no primeiro milênio a.C. (PINSKY, 2011). De qualquer maneira, eles têm o seu “berço” nos povos que habitaram a região do Levante, no Oriente Médio. Não se trata de uma sociedade tão antiga quanto as primeiras civilizações mesopotâmicas ou egípcias, embora tenha convivido com elas em alguns períodos da história antiga. Alguns autores acreditam que a origem dos hebreus remonta a um período que pode alcançar até 2000 a.C., enquanto outros preferem datas mais recentes. Dessa forma, as evidências históricas mais antigas afirmam que provavelmente o século XIV a.C. pode ter sido o período mais provável para o surgimento desse povo, enquanto seu desenvolvimento teria ocorrido no primeiro milênio a.C. (PINSKY, 2011). De qualquer maneira, eles têm o seu “berço” nos povos que habitaram a região do Levante, no Oriente Médio. Não se trata de uma sociedade tão antiga quanto as primeiras civilizações mesopotâmicas ou egípcias, embora tenha convivido com elas em alguns períodos da história antiga. Foram, portanto, um povo importante da Antiguidade oriental pois, além de serem os antepassados dos judeus, sua história se constitui como uma ponte entre as civilizações do Oriente Próximo e a nossa própria civilização, ou seja, a partir dessa relação é que conhecemos diversos mitos, práticas sociais e valores de sociedade praticados ainda hoje. Além disso, pesquisas realizadas por historiadores que utilizaram o Antigo Testamento como a principal fonte documental tiveram a possibilidade de encontrar evidências históricas reais que se referem a eventos narrados na Bíblia. Algumas das histórias 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 13/24 bíblicas relatam as relações entre marido e mulher, e os direitos que cada um possui durante o casamento possuem semelhanças com o que é descrito no Código de Hamurabi (PINSKY, 2011). As origens mais remotas dos hebreus são bastante desconhecidas, pois a Bíblia Sagrada ainda é a principal referência para os estudos sobre eles. O que se sabe a partir disso é que Abraão era o chefe de uma tribo de pastores seminômades e que foi aconselhado por Deus a deixar a cidade de Ur, na Mesopotâmia, se dirigindo para Harã e depois para as terras de Canaã, na costa oriental do Mediterrâneo, em Israel (INTERSABERES, 2016). A Bíblia afirma também que Abraão, ao contrário de seu pai e de muitos outros indivíduos da época (aproximadamente 2000 a.C.), acreditava em um único deus e, como recompensa por sua fé, ganhou a promessa de que sua família receberia a terra de Canaã (INTERSABERES, 2016). Figura 5 - A Bíblia Sagrada é um documento que pode ser utilizado na pesquisa histórica e confrontado com outros fatos históricos. Fonte: Robyn Mackenzie, Shutterstock, 2018. Deslize sobre a imagem para Zoom 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 14/24 Muito do que sabemos hoje em dia sobre os hebreus deriva da história bíblica. Contudo, é preciso ter em mente que, embora esse documento apresente características interessantes desse povo, ele não apresenta uma narrativa fiel dos acontecimentos. Comentamos isso pelo fato de que mesmo hoje em dia há autores que não aceitam a existência física de personagens históricos, como Abrahão, Isaac e Jacó, bem como de sua genealogia (PINSKY, 2011). Contudo, a leitura da Bíblia como um documento histórico permite que retiremos informações relevantes sobre o cotidiano da época, cujos dados podem ser tão importantes quanto a narrativa fiel dos fatos. Dessa forma, por meio de pesquisas históricas minuciosas, compreendemos que a origem dos hebreus provavelmente está associada à história da Mesopotâmia, pois além de essa relação ter sido descrita na Bíblia e de ter sido comprovada por evidências científicas, sabemos que o hebraico é uma língua semita que pertence ao mesmo grupo do aramaico e outras línguas que foram faladas na Mesopotâmia. Além disso, a Figura 6 - Antes de se tornarem um povo unificado sob a presença do rei, os hebreus eram conhecidos como povos tribais que praticavam principalmente atividades como o pastoreio. Fonte: Zvonimir Atletic, Shutterstock, 2018. Deslize sobre a imagem para Zoom 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 15/24 utilização de mitos mesopotâmicos pelos hebreusé um elo, verificado a partir da semelhança, por exemplo, entre a história do rei Sargão, da Acádia, e a história de Moisés ou ainda entre Ziusudra e Noé (PINSKY, 2011). Diferentemente de outros povos que ocuparam a Mesopotâmia, entre 1200 a 1030 a. C. os hebreus desenvolveram um sistema tribal no qual não havia propriedade particular de bens de produção, e os governantes existiram só de passagem e por ocasião bélica (PINSKY, 2011). Eles eram caracterizados por serem povos seminômades que se dedicavam principalmente à criação de gado (BORDONAL, 2009). Nesse período, era comum a presença de juízes, responsáveis pela liderança política, religiosa e militar nos períodos de conflito. Relatos trazidos da Bíblia dão pistas sobre o processo de transição da sociedade tribal para uma monarquia centralizada (PINSKY, 2011). O reinado de Saul, Davi e Salomão entre os hebreus ocorreu entre 1040 e 920 a.C. (INTERSABERES, 2016). Um dos principais reinos dessa monarquia, o de Davi, era insignificante quando comparado com os impérios egípcios e babilônicos, mas era importante para os próprios hebreus, lembrando que até hoje esse rei é o símbolo do poder político desse povo (PINSKY, 2011). Saul foi o primeiro rei dos hebreus. Atribui-se a ele a origem da nação, processo que se completou sob o governo de seu filho Davi (GOUCHER; WALTON, 2016), pois antes disso não havia unificação das tribos que formavam o povo hebreu. Acredita-se que Saul tenha se suicidado, entrando para a história da religião judaica como um grande guerreiro (VOMERO, 2013). Davi teve um filho, Salomão, que não possuía a mesma capacidade militar de seu pai, mas era um grande líder político, aproximando-se de faraós egípcios e reis fenícios. Ele também possuiu um grande harém e construiu palácios e fortalezas. Após sua a morte, seu reino não sobreviveu e o novo rei, Roboão, só governou parte do território, devido ao desmembramento de algumas tribos. Assim, nesse período, os reinos hebraicos perderam o poder (PINSKY, 2011). VOCÊ O CONHECE? 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 16/24 O filme David e Golias (SCARPELLI et al., 1960) é uma adaptação do conflito entre Davi e Golias descrito na Bíblia. Nesse contexto histórico, o rei Saul está em guerra contra os filisteus e Golias, um soldado filisteu de quase três metros de altura, desafia qualquer homem do exército hebreu para uma batalha que decidiria o rumo da guerra. Conhecendo a trajetória de Davi, é interessante ver como a sua escolha, no momento correto, surpreende e muda o fim da história. O reino de Israel sobreviveu até o ano 720, quando foi destruído pelos assírios, que removeram grande parte da população para outras partes de seu império. As tribos israelitas acabaram adquirindo os hábitos e a cultura de outros povos vizinhos e, entre os descendentes desses indivíduos, estariam os sírios e os iraquianos atuais. Posteriormente, o reino de Judá foi reconstruído com o apoio dos persas, meio século depois de ter sido destruído em 586, e os judeus tomaram essa herança cultural e a carregam até os dias atuais. A história desse povo se relaciona com o desenvolvimento do monoteísmo, que foi o ponto de partida para o surgimento do Judaísmo, Cristianismo e do Islamismo (PINSKY, 2011). O monoteísmo praticado pelos hebreus se transformou de um culto a um deus tribal para um deus universal, de um deus da guerra para um deus sereno (PINSKY, 2011). Essa referência é de fundamental importância na história do Egito, pois o culto ao deus onisciente, onipresente e onipotente é o que influenciou outras religiões dominantes nos dias de hoje. O livro sagrado dos judeus é o Antigo Testamento (diversas obras baseadas em tradições orais que narram a trajetória do povo judeu ao longo da história). A tradição judaica se preocupou em criar uma concepção linear de tempo, baseando-se no passado, presente e futuro, e sua narrativa se inicia com a criação do mundo por Deus (BORDONAL, 2009). VOCÊ QUER VER? 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 17/24 3.4. A constituição do poderio persa Neste tópico, apresentaremos algumas características do império persa, um dos mais grandiosos do mundo antigo. Por quais motivos essa civilização se tornou uma das mais importantes da Antiguidade? Quais foram as estratégias utilizadas pelos persas para conquistar tantos territórios? Por que esses povos, que eram mais numerosos do que muitos outros, não conseguiram dominar a civilização grega? Analisaremos algumas dessas discussões e apresentaremos alguns dados sobre os persas, incluindo a extensão territorial, os principais reis da dinastia Aquemênida e o que ocorreu durante o conflito entre persas e gregos. Os persas se consolidaram em áreas nas quais já existiam resquícios de outros impérios, como o que restou dos impérios neoassírio e babilônico na Mesopotâmia, e conseguiram uma estabilidade que durou alguns séculos e uma extensão territorial jamais vista até então. Essa civilização construiu uma cultura rica e particular, com base na apropriação de elementos de todos os povos que conquistou, formando, por exemplo, uma poderosa marinha com a ajuda dos egípcios, gregos e, principalmente, dos fenícios, conhecidos pela grande expansão marítima (GUARINELLO, 2013). Antes do surgimento dos persas, existem evidências arqueológicas sobre as primeiras ocupações do atual território do Irã que remontam ao período neolítico, quando grupos de caçadores-coletores viviam nas montanhas iranianas e em regiões próximas do atual Paquistão. Após essas primeiras ocupações, a região foi habitada por povos indo- europeus, originários da Ásia Central, a quem podemos atribuir a invenção da carruagem e a domesticação do cavalo, permitindo o movimento facilitado para inúmeras regiões. Dessa maneira, esses povos interagiram com muitos outros ao longo da história e participaram da formação de diversas civilizações pelo mundo, como os gregos, romanos, germânicos, entre outras (ADGHIRNI, 2014). Antes do surgimento dos persas, existem evidências arqueológicas sobre as primeiras ocupações do atual território do Irã que remontam ao período neolítico, quando grupos de caçadores- coletores viviam nas montanhas iranianas e em regiões próximas do atual Paquistão. Após essas primeiras ocupações, a região foi habitada por povos indo-europeus, originários da Ásia Central, a quem podemos atribuir a invenção da carruagem e a domesticação do cavalo, permitindo o movimento facilitado para inúmeras regiões. Dessa maneira, esses povos interagiram com muitos outros ao longo da história e participaram da formação de diversas civilizações pelo mundo, como os gregos, romanos, germânicos, entre outras (ADGHIRNI, 2014). 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 18/24 No século IX a.C., dois grupos que permaneceram na região acabaram formando reinos distintos: a noroeste, os medos formaram o primeiro império persa, enquanto ao sul estabeleceram-se pequenos estados autônomos que eram vulneráveis à supremacia meda. No século VII a. C., o rei Aquêmenes, apesar de ter sua existência contestada por alguns especialistas, conseguiu centralizar o território e fundar um Estado único, que mais tarde se tornaria o império Aquemênida, o maior do mundo antigo, que teve como seus governantes alguns personagens importantes da história, como Ciro, Dario e Xerxes, responsáveis pelo crescimento dessa dinastia (ADGHIRNI, 2014). Ciro, o Grande, sucedeu Aquêmenes e foi um dos homens mais importantes da história por se responsabilizar em subjugar o reino dos medos e ampliar o território persa para áreas que compreendem territórios da Turquia, do Iraque e do Paquistão (ADGHIRNI, 2014). Ele se diferenciava de outros governantes da Antiguidade por seu grandetalento militar e sua capacidade de gerar admiração e respeito pelos povos que conquistava, principalmente pelo fato de não os aniquilar, e sim defender seu direito étnico e religioso (ADGHIRNI, 2014). Ciro foi decapitado no ano de 530 a.C. por inimigos, e Cambises II, seu filho, se tornou o novo rei. Cambises II possuía uma personalidade diferente de Ciro e acabou se tornando um rei tirânico e bastante impopular entre os persas. Conseguiu ampliar o domínio persa para a área da atual Líbia e foi o responsável por uma das invasões ao Egito e lá acabou se tornando um faraó (ADGHIRNI, 2014). Algumas evidências históricas afirmam que ele morreu de forma misteriosa na atual Síria em 521 a.C., aproximadamente, quando retornava do Egito para resolver conflitos em seu império. Devido à sua falta de popularidade, abriu margem para rebeliões que ocorreram no reino persa que só foram resolvidas quando Dario chegou ao poder. Dario I, que se tornou rei após destituir um usurpador chamado Bardiya, foi o responsável por acabar com as revoltas provadas por Cambises II. Ao longo do tempo, contribuiu para consolidar o maior império já visto até então na Antiguidade (ADGHIRNI, 2014). No auge de seu poder, formou um império que se estendia desde as ilhas gregas do Mediterrâneo até o atual território do Afeganistão, construindo no sul do Irã uma suntuosa capital, denominada Persépolis (ADGHIRNI, 2014). Ao expandir seu império, conquistou a Trácia e a Macedônia e alcançou também o território dos citas, povo que foi responsável pela morte de Ciro, o Grande. VOCÊ QUER LER? 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 19/24 Se você tem interesse em conhecer com mais detalhes a história dos persas, bem como ler sobre a invasão islâmica do Irã no século VII e mais fatos históricos dos sucessores dessa civilização tão poderosa e influente, recomendamos o livro Os iranianos (ADGHIRNI, 2014). A supremacia da dinastia Aquemênida se encerrou em 490 a.C., período em que ocorreu uma ofensiva militar de Dario para acabar com uma rebelião na Grécia. Foi nessa época também que houve a primeira grande derrota das tropas de Dario, que morreu quatro anos depois por causas naturais, deixando seu filho Xerxes no comando da Pérsia. Xerxes também realizou uma gigantesca ofensiva militar contra os gregos. Com o apoio da marinha, de um imenso exército e de muitas cidades gregas, ele iniciou a ofensiva, mas acabou perdendo o domínio do mar por completo, restando somente seu exército continental e, nesse sentido, a união entre a marinha de guerra ateniense e os soldados espartanos contribuiu para a vitória grega (ADGHIRNI, 2014; GUARINELLO, 2013). Essas ofensivas foram consideradas por alguns historiadores como um dos grandes marcos que permitiram a sobrevivência de valores ocidentais que são praticados até hoje. VOCÊ SABIA? O grandioso exército de Xerxes era composto praticamente por uma legião de estrangeiros, representada por povos conquistados pelo império persa. A falta de motivação desses soldados, que não tinham os mesmos interesses do rei, pode ter sido um dos fatores que causaram a derrota persa para o exército grego (VILELA, 2007). As invasões dos territórios gregos pelos persas foi um episódio marcante para essa civilização. Os reis que ordenaram as primeiras invasões às cidades gregas perceberam que os gregos habitantes dessas cidades não ofereciam resistência e, aos poucos, foram conquistando novos espaços. O exército persa era muito mais numeroso do que o grego e, além de possuir membros que já estavam acostumados aos conflitos, também apresentava técnicas de combate eficientes (BORDONAL, 2009). Contudo, o processo de conquista persa desencadeou a organização de estratégias defensivas por parte dos gregos, o que impactou profundamente a história da civilização persa. Q 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 20/24 A vitória sobre os persas em 479 a.C. foi sucedida pela criação de uma aliança entre cidades gregas, chamada de Liga de Delos, sob a liderança de Atenas, que ainda pretendia combater a presença persa no mar Mediterrâneo (GUARINELLO, 2013). Como consequência, os persas foram expulsos do mar Egeu e das costas da Anatólia (grande parte do território da atual Turquia). No século IV a. C., o império persa Aquemênida serviu de cenário para várias disputas internas (ADGHIRNI, 2014). Aproveitando-se dessa situação, Alexandre, o Grande, atacou o império em 334 a.C., conquistando um território após o outro, derrubando o regime de Dario III e se instalando na cidade de Persépolis, até o momento em que ocorreu um incêndio nessa cidade, que não se sabe se foi fruto de um acidente ou de um ato intencional de Alexandre (ADGHIRNI, 2014). Após a sua morte, o império persa foi dividido entre generais e membros de sua família, que disputavam o controle do território conquistado por Alexandre. Figura 7 - Cena de guerra retratada em um cartão postal grego do século XIX. Fonte: Le�eris Papaulakis, Shutterstock, 2018. Deslize sobre a imagem para Zoom 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 21/24 O filme 300 (SNYDER; JOHNSTAD; GORDO, 2006) retrata um aspecto particular do conflito entre os espartanos, comandados pelo rei Leônidas, e os persas, comandados pelo rei Xerxes. Apesar de ser uma obra fictícia, vale a pena conferir o filme e comparar algumas de suas características com o conteúdo deste e-book. Conforme Adghirni (2014), o governo da Pérsia pelos gregos não durou muito tempo, já que por volta de 230 a.C. várias tribos persas que se aliaram aos partas (uma minoria persa que ainda vivia na região) declararam sua independência e tomaram o poder dos selêucidas (gregos que tinham o controle da região persa). Após esse período, os persas prosperaram até encontrarem outra ameaça ao seu poder: os povos romanos. CASO Os fenícios foram uma civilização com uma tecnologia orientada para a navegação, que se desenvolveu na costa do Mediterrâneo, tendo criado colônias em diversos lugares da Ásia, África e Europa. Heródoto, historiador grego do século V a.C., afirmava que essa civilização teria inclusive alcançado o continente americano durante sua expansão marítima. No Brasil, existem alguns indícios da presença dos fenícios nas inscrições rupestres da Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, e a Pedra do Ingá, na Paraíba. Contudo, nem todos concordam com a chegada dos fenícios no Brasil. Qual é a sua opinião sobre isso? Até onde temos conhecimento sobre o assunto, não há qualquer evidência de que os fenícios tenham chegado ao Brasil. As inscrições existentes na Pedra da Gávea são marcas de erosão presentes na rocha e que foram confundidas com o alfabeto fenício, enquanto a Pedra de Ingá é uma rocha com representações rupestres que provavelmente estão associadas à história indígena da região e não possuem origem estrangeira ou mesmo extraterrestre, como alguns pesquisadores sugerem. Existem inúmeros sítios com representações rupestres no território brasileiro e muitos deles possuem grafismos que se associam às atividades cotidianas de grupos indígenas brasileiros. No passado, essas populações teriam plena capacidade de criar esses grafismos e muitos deles têm datações associadas aos sítios arqueológicos pré-históricos do mesmo período. A vinculação de tudo aquilo que é desconhecido à presença de civilizações de outros lugares, VOCÊ QUER VER? 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 22/24 infelizmente, é uma prática comum no Brasil, dando a entender que os povos locais não teriam capacidade de produzir esse registro. Contudo, devemos estar atentos ao que dizem as evidências científicas e somentedevemos acreditar naquilo que pode ser comprovado. Esses vários conflitos pelos quais passaram os persas se inserem em um contexto de uma civilização conquistadora, uma das maiores da Antiguidade oriental, que reuniu diferentes povos sob o seu comando e buscou ampliar cada vez mais seu poder, inclusive conquistando algumas cidades-estado gregas que fazem parte de uma das civilizações antigas mais importantes. A história dos persas pode ser considerada, então, como uma das principais referências da relação entre o Ocidente e Oriente no mundo antigo. Síntese Fomos apresentados, neste capítulo, a algumas das civilizações mais importantes da Antiguidade oriental: os egípcios, fenícios, hebreus e persas. Neste capítulo, você teve a oportunidade de: compreender aspectos da civilização egípcia e os processos que fizeram com que esses povos criassem diversas inovações religiosas, artísticas e científicas, representadas pelas grandes obras (como as pirâmides e esfinges) e pela presença dos faraós; analisar o papel dos fenícios na história da ocupação do litoral mediterrâneo, por meio das atividades comerciais e da expansão marítima realizada por essa civilização; compreender características culturais do povo hebreu e sua relação com a formação das principais religiões monoteístas do mundo atual; 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 23/24 analisar o papel do poderoso império persa na ocupação do antigo território mesopotâmico e seu processo de expansão territorial e declínio após os conflitos com os gregos. Referências bibliográficas ADGHIRNI, S. Os iranianos. São Paulo: Contexto, 2014. BORDONAL, G. C. História antiga. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. GOUCHER, C.; WALTON, L. História mundial: jornadas do passado ao presente. São Paulo: Penso, 2016. GUARINELLO, N. L. História antiga. São Paulo: Contexto, 2013. INTERSABERES (Org.). História das religiões, apocalipse e história de Israel. Curitiba: Intersaberes, 2016. LEMOS, S.; ANDE, E. Egito: arte na idade antiga. São Paulo: Callis, 2011. MEIHY, M. Os libaneses. São Paulo: Contexto, 2016. PINSKY, J. As primeiras civilizações. São Paulo: Contexto, 2011. 25 ed. SCARPELLI, U. et al. David e Golias. Direção: Ferdinando Baldi; Orson Welles; Richard Pottier. Produção: Emmimo Salvi. 92 min., col., son., leg. Itália: Ansa Film, 1960. SNYDER, Z.; JOHNSTAD, K.; GORDO, M. B. 300. Direção: Zack Snyder. Produção: Mark Canton et al. 117 min., col., son., leg. Estados Unidos: Warner Bros. Pictures, 2006. VILELA, T. Batalha de Termópilas: a verdadeira história dos 300 de Esparta. Educação UOL. 17/1/2017. Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/batalha-de-termopilas-a-verdadeira- https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/batalha-de-termopilas-a-verdadeira-historia-dos-300-de-esparta.htm 08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 24/24 historia-dos-300-de-esparta.htm (https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/batalha-de-termopilas-a-verdadeira- historia-dos-300-de-esparta.htm)>. Acesso em: 3/2/2018. VOMERO, M. F. Saul. Revista Superinteressante, São Paulo, 31 out. 2016. Disponível em: <https://super.abril.com.br/historia/saul/ (https://super.abril.com.br/historia/saul/)>. Acesso em: 3/2/2018. https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/batalha-de-termopilas-a-verdadeira-historia-dos-300-de-esparta.htm https://super.abril.com.br/historia/saul/