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08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações
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HISTÓRIA DA HOMINIZAÇÃO ÀS
PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES
CAPÍTULO 3 - QUAL É A IMPORTÂNCIA
DOS EGÍPCIOS, FENÍCIOS, HEBREUS E
PERSAS NO MUNDO ANTIGO?
Fernando Silva de Almeida
INICIAR
08/05/2020 História da Hominização às Primeiras Civilizações
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Introdução
Neste capítulo, apresentaremos algumas discussões sobre quatro civilizações do
mundo antigo que se destacaram por motivos diversos, seja pela sua arquitetura
monumental, pela prática mercantil durante a Antiguidade, pela influência na criação
das religiões modernas ou ainda pela constituição de um dos maiores impérios já vistos
na Antiguidade oriental e clássica. A história desses povos gerou uma grande influência
no mundo antigo que se propagou até os dias atuais.
Quais são as principais características de cada uma dessas civilizações? Quais delas
tornaram esses povos mais conhecidos durante o mundo antigo? E, por fim, qual é a
importância dessas civilizações para o mundo contemporâneo? Ao longo deste capítulo,
mostraremos diversos aspectos que são referentes à história de cada um desses povos,
buscando elencar os principais motivos que tornaram algumas culturas mais
conhecidas da Antiguidade.
A apresentação da história dessas civilizações é um conhecimento fundamental sobre a
Antiguidade oriental, que possui tanta relevância quanto a história antiga clássica,
referente aos gregos e romanos. Isso porque foi nesse período histórico que surgiram
importantes inovações, como a escrita, a agricultura, o pastoreio, entre outras
atividades que fizeram com que as primeiras populações sedentárias se tornassem as
principais civilizações do mundo antigo.
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3.1. A civilização egípcia
Você sabe qual era a importância dos faraós para o Egito? Ou por que os egípcios são
uma das civilizações mais importantes da Antiguidade? Ou ainda por que eles possuem
uma monumentalidade que se destacou mais do que outras, baseada na construção de
grandes pirâmides e outros monumentos? Essas e outras questões serão demonstradas
aqui e, neste primeiro tópico, apresentaremos algumas das principais características do
Egito Antigo. Abordaremos um pouco da importância dessa civilização no mundo
antigo, os motivos que proporcionaram o seu crescimento e a construção de
monumentos que até hoje são motivo de admiração, bem como trataremos de analisar
o papel dos faraós, escribas e camponeses no contexto dessa civilização. 
A civilização egípcia se formou a partir do assentamento inicial no nordeste da África, ao
longo do Nilo (GOUCHER; WALTON, 2016), podendo ser considerada como uma das mais
importantes da história da Antiguidade, devido a inúmeras inovações que trouxeram,
como a escrita, a religião, a arquitetura, a agricultura, entre outras. A história do Egito
antigo compreende um longo período: vai desde aproximadamente 3200 a.C. (quando
houve a unificação do alto e do baixo Egito) até 32 a.C. (quando ocorreu a conquista do
território pelos romanos). 
A história egípcia é uma das mais fascinantes do mundo antigo. Desse período,
conhecemos evidências arqueológicas muito importantes para a história, como a sua
arquitetura (pirâmides, esfinges, sarcófagos e demais componentes associados ao
sagrado). As construções monumentais foram muito importantes no passado egípcio e,
posteriormente, se tornaram mundialmente conhecidas. Como consequência desse
reconhecimento, atualmente grandes obras, como barragens, estádios de futebol e
palácios são denominadas como obras faraônicas (PINSKY, 2011). 
A grande esfinge de Gizé, por exemplo, é uma magnífica escultura de pedra calcária, que
possuía corpo de leão e cabeça de homem, com aproximadamente 72 metros de
comprimento e 20 de altura. Acredita-se que o construtor dessa monumentalidade seja
o faraó Quéfren, filho de Queóps (LEMOS; ANDE, 2011), contudo, pela falta de evidências
mais concretas, o período em que foi construída e o faraó responsável por sua
construção ainda são motivos de debate entre os especialistas. Essa esfinge é a mais
conhecida do Egito antigo, apesar de terem sido encontradas outras, como as de
Karnak (que possuem corpo de leão e cabeça de carneiro) e a de alabastro de Mênfis. 
A relação existente entre a religião, o saber científico e a arte era muito significativa no
Egito: podemos citar as convicções religiosas sobre os mortos, que possibilitaram um
grande desenvolvimento científico e artístico por parte dessa sociedade. Já a
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construção das pirâmides como locais sagrados, por exemplo, não seria possível sem a
utilização de conhecimentos matemáticos, geométricos, mecânicos, entre outros, assim
como o desenvolvimento da pintura, escultura e mumificação (PINSKY, 2011).
Por um lado, sabemos que o rio Nilo oferecia condições especiais para o
desenvolvimento de uma civilização, assim como ocorreu na Mesopotâmia, contudo
essas características foram muito bem aproveitadas, ou seja, toda essa grandiosidade
foi construída com um intenso trabalho, a partir de uma organização social e econômica
muito bem elaborada e de um trabalho exaustivo dos camponeses. Devido à sua
importância, os felás (como eram chamados os camponeses egípcios) eram uma classe
social que, muitas vezes, não participava de guerras, a fim de poderem continuar
produzindo e trabalhando (PINSKY, 2011).
Figura 1 - As pirâmides do Egito foram construídas a partir da utilização de um conhecimento científico
vasto. Fonte: Shutterstock, 2018.
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Uma característica interessante dos egípcios, considerando que na região havia o alto e
o baixo Egito, é o fato de terem agrupado os diferentes povos que viviam ao longo do rio
Nilo em uma império unificado sob o comando do primeiro faraó: o Menés (BORDONAL,
2009). Isso significa que a ausência de uma divisão dentro do território possibilitou mais
capacidade de exploração do ambiente e mais força produtiva para a consolidação dos
grandiosos templos e monumentos, como a grande pirâmide de Quéops, construída
provavelmente há 2800 a.C. (PINSKY, 2011).
Outra característica da história egípcia, entre outras coisas, é o fato de ter passado por
um grande período de abundância e prosperidade econômica. Algumas evidências
históricas apontam que, no antigo e médio império, o Egito permaneceu relativamente
isolado de outras regiões fora de seu território, impulsionando de forma intensa o
crescimento econômico. Somente ao longo do novo império que os egípcios se
tornaram mais expansionistas, desempenhando um papel militar importante na região.
Vários fatores contribuíram para o crescimento dessa civilização, por exemplo: a
previsibilidade das cheias e as tecnologias desenvolvidas para lidar com esse
fenômeno, como os complexos sistemas de irrigação do solo em áreas já planejadas,
transformando as margens do Nilo em uma área extremamente fértil (PINSKY, 2011).
Figura 2 - Apesar de a civilização egípcia ter sido favorecida pelo ambiente do rio Nilo, o ambiente fora dos
vales era caracterizado pelo deserto. Fonte: Felixdesign, Shutterstock, 2018.
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Os mais importantes personagens históricos do Egito foram os faraós, título atribuído
aos reis que governaram desde antes de 3100 a.C. até aproximadamenteo declínio da
civilização. Eles não eram considerados importantes somente por possuírem uma
origem divina, mas eram reverenciados como a expressão da própria divindade. Além
disso, o florescimento de uma civilização tão grandiosa era interpretado como o
resultado do milagre proporcionado por esses governantes. Eram atribuídos a eles a
prosperidade e o crescimento econômico do Egito e, ao mesmo tempo em que eles
possuíam uma rotina ligada aos compromissos públicos e eram adorados como deuses,
exerciam atividades comuns, como cuidar da família, guerrear, pescar e caçar.
Conforme as dinastias egípcias iam se modificando, os faraós foram identificados a
partir de diferentes deuses, como Rá, Osíris, Set, Hórus, Anúbis, entre outros (PINSKY,
2011).
Tutankamon foi um dos principais faraós do Egito antigo, mas levou essa fama não pelo seus feitos como
governante. Ele viveu mais de 3.000 anos atrás e sua popularidade é uma consequência da descoberta de sua
múmia quase intacta no Vale dos Reis, próximo à cidade de Luxor. Teve um curto reinado, ocupando o posto
de faraó aos nove anos de idade e morreu quando completou apenas 18 anos, de causa desconhecida.
Os escribas egípcios já foram descritos como indivíduos que dominavam a arte da
escrita e da leitura. Contudo, além disso, seu prestígio e importância derivavam da
utilidade e disponibilidade para trabalhar a serviço do faraó, mesmo que
desempenhasse essa função sem a necessidade de supervisão. Isso quer dizer que
poucas vezes foram encontradas evidências de textos originais dos escribas, mas sim
registros diários contendo dados sobre rebanhos e áreas cultivadas, taxas a serem
pagas, quantidade de cereais nos silos, dados da colheita, assim como textos funerários
e religiosos. Os hieróglifos escritos por eles foram encontrados por todo o Egito,
gravados em pedras, em papiros e até revestidos em ouro (LEMOS; ANDE, 2011).
VOCÊ O CONHECE?
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Uma das evidências mais interessantes sobre o Egito antigo é o processo de
mumificação dos corpos, pois eles acreditavam na vida eterna e que a alma viveria no
corpo mumificado. Assim, o ritual tinha como objetivo manter a vida após a morte
(LEMOS; ANDE, 2011). Resumidamente, o processo de mumificação era iniciado pelo
sacerdote, que extraía os órgãos do indivíduo morto, colocando-os em vasos. Depois, o
corpo passava por um processo de secagem e era envolto em linho e perfumes. Por fim,
eram colocados as bandagens e os amuletos para proteger o corpo, bem como uma
máscara que permitiria o seu reconhecimento no futuro. Ao fim do processo, a múmia
era colocada em um caixão de madeira decorado com desenhos e pinturas: o sarcófago.
Antigamente, não era possível compreender a representação dos hieróglifos egípcios,
até a descoberta, no fim do século XVIII, de uma rocha que apresentava inscrições em
três línguas diferentes (grego, egípcio antigo e egípcio tardio), conhecida como Pedra de
Roseta. Com a tradução de seu conteúdo, foi possível começar a interpretar o
significado dos hieróglifos e, assim, compreender com mais riqueza de detalhes esses
documentos e as características da civilização egípcia. Posteriormente, foram
encontradas outras evidências arqueológicas que continham escritas bilíngues.
Figura 3 - Os hieróglifos egípcios eram uma atividade realizada pelos escribas. Fonte: Fedor Selivanov,
Shutterstock, 2018.
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3.2. O mundo fenício e a prática mercantil
no Mediterrâneo
A civilização fenícia, nome defendido por alguns historiadores como vinda do grego
phoenikus, ou seja, “púrpura” (MEIHY, 2016) foi uma das mais notáveis da Antiguidade e
consolidou uma história de comércio e expansão marítima extremamente importante.
Essa ampliação não somente favoreceu o seu desenvolvimento como influenciou outras
civilizações com quem teve contato. Seus avanços tecnológicos favoreceram o
crescimento da sociedade e fizeram com que permanecesse fortalecida por muito
tempo. Mas o que permitiu que os fenícios construíssem um legado tão grandioso em
relação ao Mediterrâneo? Quais os fenômenos que possibilitaram essa expansão? E
quais foram suas relações com outros povos do mundo antigo? Ao longo deste tópico,
responderemos a esses questionamentos, apresentando alguns dos principais aspectos
dessa civilização.
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Os fenícios foram uma civilização do mundo antigo que habitou os atuais territórios do
Líbano, da Síria e do norte de Israel. Eles são conhecidos por terem sido os fundadores
de uma civilização composta por importantes cidades-estado independentes, em torno
da costa leste do mar Mediterrâneo, sendo sua localização um importante fator que
permitiu o crescimento econômico da região com base em atividades cotidianas
fundamentais, como a navegação e o comércio (MEIHY, 2016).
As cidades-estado fenícias começaram a se estruturar a contar do ano de 3000 a.C.
aproximadamente e posteriormente se transformaram em polos comerciais muito
importantes no mundo antigo. Para citar algumas das mais conhecidas, podemos falar
de Tiro e Sidon, ambas conhecidas por algumas atividades do cotidiano fenício, como a
fabricação de vidro, de embarcações, o transporte de mercadorias, a produção e a
venda de corantes para tecidos. Essa atividade têxtil era realizada por meio da utilização
de técnicas artesanais de produção de tinta, obtida a partir de processos de
decomposição de caramujos do Mediterrâneo (MEIHY, 2016).
Figura 4 - A navegação era uma das principais atividades desempenhadas pelos fenícios. Fonte: Marzolino,
Shutterstock, 2018.
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Além do comércio, surgiram na região da cidade-estado de Biblos (atual Líbano) os
primeiros documentos escritos que continham representações alfabéticas, sendo
provavelmente a origem de todo o alfabeto que conhecemos atualmente. Entre os
documentos que representam esse tipo de escrita, podemos citar a inscrição do rei
Etbaal, de Biblos, do século XVI a.C., e a espátula de Asdrúbal, datada entre os séculos
XV e XIV a.C. Vale lembrar que outras formas de escrita já tinham aparecido na
Antiguidade, como os hieróglifos egípcios e a escrita cuneiforme, características dos
primeiros povos da Mesopotâmia. Contudo, seu significado era atribuído a símbolos
que representavam uma palavra, uma ação, uma ideia ou mesmo um som, enquanto
que o alfabeto fenício criou uma representação simbólica dos sons de cada uma das
consoantes (MEIHY, 2016).
O livro Os libaneses (MEIHY, 2016) mostra com profundidade os antecedentes históricos dos povos libaneses.
Ele é baseado na história dos fenícios e mostra várias outras características sobre a cultura e o território do
Líbano após a história fenícia, na perspectiva de um descendente de libaneses.
O alfabeto fenício era composto por 22 símbolos fonéticos, sem vogais, e permitiu o
desenvolvimento de uma nova forma de pensamento, baseado em procedimentos mais
avançados de representação de noções abstratas dos já conhecidos até então. Dessa
forma, esse novo horizonte dado à representação da escrita conferiu mais dinâmica às
relações comerciais mantidas pelos fenícios (MEIHY, 2016), permitindo que a escrita se
tornasse mais popular entre eles mesmos e as civilizações com as quais esse povo
mantinha relações comerciais.
Existem relatos de alguns autores da Antiguidade, como Heródoto, afirmando que os
fenícios alcançaram outros mares, além do mar Mediterrâneo (como os oceanos
Atlântico e Índico) eque teriam circundado a África, mesmo com as limitações náuticas
existentes na época. De acordo com a hipótese formulada por Heródoto, os fenícios e
outros povos teriam desembarcado na costa litorânea da América, estabelecendo
contatos com os povos indígenas do período antes da chegada dos europeus (MEIHY,
2016). Apesar de não ser possível comprovar esses acontecimentos com base em
VOCÊ QUER LER?
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evidências científicas, reconhecemos a grande importância da navegação fenícia na
Antiguidade, que demonstrou seu grande poder de expansão marítima, responsável
pela formação de inúmeras colônias mediterrâneas.
VOCÊ SABIA?
O sítio arqueológico L’anse aux Meadows, localizado no Canadá, é um registro
arqueológico viking em plena América. Ele é o único sítio conhecido e ocupado fora da
Groenlândia, sendo a única evidência comprovada do contato entre populações
estrangeiras e grupos indígenas pré-históricos.
Uma das civilizações que dominaram alguns dos centros urbanos da Fenícia foram os
povos assírios, entre os séculos X e VI a.C. Eles eram famosos por sua avançada
tecnologia bélica, enquanto a Fenícia não possuía um grande exército que permitisse a
defesa de seus territórios. As cidades-estado fenícias conseguiram negociar certa
autonomia com os assírios por meio do pagamento de tributos e, em vez do
enfraquecimento da civilização, esse processo fortaleceu ainda mais o comércio e a
expansão marítima, gerando mais riqueza para o pagamento desses tributos e a
manutenção da sociedade (MEIHY, 2016). Dessa forma, enquanto algumas civilizações
sucumbiram diante das invasões estrangeiras, os fenícios permaneceram por mais
tempo sem serem derrotados por outros povos.
3.3. O povo hebreu
Além do termo hebreu, são utilizadas outras duas denominações diferentes para
falarmos sobre esse povo: israelita e judeu. O nome hebreu é baseado, provavelmente,
na palavra hebraica Éber; já o termo israelita é relativo a Israel; e, por fim, judeu é
relativo a Judá, um dos 12 filhos de Jacó (INTERSABERES, 2016). Portanto, ao estudar a
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história dos hebreus, não se assuste se encontrar referências que citam esses povos a
partir de outras denominações, já que não existem grandes diferenças conceituais entre
elas.
Sua história se confunde muito com os acontecimentos narrados na Bíblia Sagrada,
sendo muitas vezes difícil distinguir os fatos históricos daqueles que não possuem
comprovação científica. Nesse sentido, perguntamos: quem eram os hebreus? Qual é a
sua importância como povo para o mundo antigo e o mundo contemporâneo? Qual
motivo levou esses povos seminômades a se tornarem tão importantes para o
desenvolvimento das religiões mais importantes da atualidade? Aqui apresentaremos
algumas características do povo hebreu, sua origem, a relação com os eventos narrados
na Bíblia e o seu declínio. 
Alguns autores acreditam que a origem dos hebreus remonta a um período que pode
alcançar até 2000 a.C., enquanto outros preferem datas mais recentes. Dessa forma, as
evidências históricas mais antigas afirmam que provavelmente o século XIV a.C. pode
ter sido o período mais provável para o surgimento desse povo, enquanto seu
desenvolvimento teria ocorrido no primeiro milênio a.C. (PINSKY, 2011). De qualquer
maneira, eles têm o seu “berço” nos povos que habitaram a região do Levante, no
Oriente Médio. Não se trata de uma sociedade tão antiga quanto as primeiras
civilizações mesopotâmicas ou egípcias, embora tenha convivido com elas em alguns
períodos da história antiga.  Alguns autores acreditam que a origem dos hebreus
remonta a um período que pode alcançar até 2000 a.C., enquanto outros preferem
datas mais recentes. Dessa forma, as evidências históricas mais antigas afirmam que
provavelmente o século XIV a.C. pode ter sido o período mais provável para o
surgimento desse povo, enquanto seu desenvolvimento teria ocorrido no primeiro
milênio a.C. (PINSKY, 2011). De qualquer maneira, eles têm o seu “berço” nos povos que
habitaram a região do Levante, no Oriente Médio. Não se trata de uma sociedade tão
antiga quanto as primeiras civilizações mesopotâmicas ou egípcias, embora tenha
convivido com elas em alguns períodos da história antiga. 
Foram, portanto, um povo importante da Antiguidade oriental pois, além de serem os
antepassados dos judeus, sua história se constitui como uma ponte entre as civilizações
do Oriente Próximo e a nossa própria civilização, ou seja, a partir dessa relação é que
conhecemos diversos mitos, práticas sociais e valores de sociedade praticados ainda
hoje.
Além disso, pesquisas realizadas por historiadores que utilizaram o Antigo Testamento
como a principal fonte documental tiveram a possibilidade de encontrar evidências
históricas reais que se referem a eventos narrados na Bíblia. Algumas das histórias
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bíblicas relatam as relações entre marido e mulher, e os direitos que cada um possui
durante o casamento possuem semelhanças com o que é descrito no Código de
Hamurabi (PINSKY, 2011).
As origens mais remotas dos hebreus são bastante desconhecidas, pois a Bíblia Sagrada
ainda é a principal referência para os estudos sobre eles. O que se sabe a partir disso é
que Abraão era o chefe de uma tribo de pastores seminômades e que foi aconselhado
por Deus a deixar a cidade de Ur, na Mesopotâmia, se dirigindo para Harã e depois para
as terras de Canaã, na costa oriental do Mediterrâneo, em Israel (INTERSABERES, 2016).
A Bíblia afirma também que Abraão, ao contrário de seu pai e de muitos outros
indivíduos da época (aproximadamente 2000 a.C.), acreditava em um único deus e,
como recompensa por sua fé, ganhou a promessa de que sua família receberia a terra
de Canaã (INTERSABERES, 2016).
Figura 5 - A Bíblia Sagrada é um documento que pode ser utilizado na pesquisa histórica e confrontado com
outros fatos históricos. Fonte: Robyn Mackenzie, Shutterstock, 2018.
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Muito do que sabemos hoje em dia sobre os hebreus deriva da história bíblica. Contudo,
é preciso ter em mente que, embora esse documento apresente características
interessantes desse povo, ele não apresenta uma narrativa fiel dos acontecimentos.
Comentamos isso pelo fato de que mesmo hoje em dia há autores que não aceitam a
existência física de personagens históricos, como Abrahão, Isaac e Jacó, bem como de
sua genealogia (PINSKY, 2011). Contudo, a leitura da Bíblia como um documento
histórico permite que retiremos informações relevantes sobre o cotidiano da época,
cujos dados podem ser tão importantes quanto a narrativa fiel dos fatos.
Dessa forma, por meio de pesquisas históricas minuciosas, compreendemos que a
origem dos hebreus provavelmente está associada à história da Mesopotâmia, pois
além de essa relação ter sido descrita na Bíblia e de ter sido comprovada por evidências
científicas, sabemos que o hebraico é uma língua semita que pertence ao mesmo grupo
do aramaico e outras línguas que foram faladas na Mesopotâmia. Além disso, a
Figura 6 - Antes de se tornarem um povo unificado sob a presença do rei, os hebreus eram conhecidos como
povos tribais que praticavam principalmente atividades como o pastoreio. Fonte: Zvonimir Atletic,
Shutterstock, 2018.
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utilização de mitos mesopotâmicos pelos hebreusé um elo, verificado a partir da
semelhança, por exemplo, entre a história do rei Sargão, da Acádia, e a história de
Moisés ou ainda entre Ziusudra e Noé (PINSKY, 2011).
Diferentemente de outros povos que ocuparam a Mesopotâmia, entre 1200 a 1030 a. C.
os hebreus desenvolveram um sistema tribal no qual não havia propriedade particular
de bens de produção, e os governantes existiram só de passagem e por ocasião bélica
(PINSKY, 2011). Eles eram caracterizados por serem povos seminômades que se
dedicavam principalmente à criação de gado (BORDONAL, 2009). Nesse período, era
comum a presença de juízes, responsáveis pela liderança política, religiosa e militar nos
períodos de conflito. Relatos trazidos da Bíblia dão pistas sobre o processo de transição
da sociedade tribal para uma monarquia centralizada (PINSKY, 2011).
O reinado de Saul, Davi e Salomão entre os hebreus ocorreu entre 1040 e 920 a.C.
(INTERSABERES, 2016). Um dos principais reinos dessa monarquia, o de Davi, era
insignificante quando comparado com os impérios egípcios e babilônicos, mas era
importante para os próprios hebreus, lembrando que até hoje esse rei é o símbolo do
poder político desse povo (PINSKY, 2011).
Saul foi o primeiro rei dos hebreus. Atribui-se a ele a origem da nação, processo que se completou sob o
governo de seu filho Davi (GOUCHER; WALTON, 2016), pois antes disso não havia unificação das tribos que
formavam o povo hebreu. Acredita-se que Saul tenha se suicidado, entrando para a história da religião judaica
como um grande guerreiro (VOMERO, 2013).
Davi teve um filho, Salomão, que não possuía a mesma capacidade militar de seu pai,
mas era um grande líder político, aproximando-se de faraós egípcios e reis fenícios. Ele
também possuiu um grande harém e construiu palácios e fortalezas. Após sua a morte,
seu reino não sobreviveu e o novo rei, Roboão, só governou parte do território, devido
ao desmembramento de algumas tribos. Assim, nesse período, os reinos hebraicos
perderam o poder (PINSKY, 2011).
VOCÊ O CONHECE?
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O filme David e Golias (SCARPELLI et al., 1960) é uma adaptação do conflito entre Davi e Golias descrito na
Bíblia. Nesse contexto histórico, o rei Saul está em guerra contra os filisteus e Golias, um soldado filisteu de
quase três metros de altura, desafia qualquer homem do exército hebreu para uma batalha que decidiria o
rumo da guerra. Conhecendo a trajetória de Davi, é interessante ver como a sua escolha, no momento correto,
surpreende e muda o fim da história.
O reino de Israel sobreviveu até o ano 720, quando foi destruído pelos assírios, que
removeram grande parte da população para outras partes de seu império. As tribos
israelitas acabaram adquirindo os hábitos e a cultura de outros povos vizinhos e, entre
os descendentes desses indivíduos, estariam os sírios e os iraquianos atuais.
Posteriormente, o reino de Judá foi reconstruído com o apoio dos persas, meio século
depois de ter sido destruído em 586, e os judeus tomaram essa herança cultural e a
carregam até os dias atuais. A história desse povo se relaciona com o desenvolvimento
do monoteísmo, que foi o ponto de partida para o surgimento do Judaísmo,
Cristianismo e do Islamismo (PINSKY, 2011).
O monoteísmo praticado pelos hebreus se transformou de um culto a um deus tribal
para um deus universal, de um deus da guerra para um deus sereno (PINSKY, 2011). Essa
referência é de fundamental importância na história do Egito, pois o culto ao deus
onisciente, onipresente e onipotente é o que influenciou outras religiões dominantes
nos dias de hoje. O livro sagrado dos judeus é o Antigo Testamento (diversas obras
baseadas em tradições orais que narram a trajetória do povo judeu ao longo da
história). A tradição judaica se preocupou em criar uma concepção linear de tempo,
baseando-se no passado, presente e futuro, e sua narrativa se inicia com a criação do
mundo por Deus (BORDONAL, 2009).
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3.4. A constituição do poderio persa
Neste tópico, apresentaremos algumas características do império persa, um dos mais
grandiosos do mundo antigo. Por quais motivos essa civilização se tornou uma das mais
importantes da Antiguidade? Quais foram as estratégias utilizadas pelos persas para
conquistar tantos territórios? Por que esses povos, que eram mais numerosos do que
muitos outros, não conseguiram dominar a civilização grega? Analisaremos algumas
dessas discussões e apresentaremos alguns dados sobre os persas, incluindo a
extensão territorial, os principais reis da dinastia Aquemênida e o que ocorreu durante o
conflito entre persas e gregos.
Os persas se consolidaram em áreas nas quais já existiam resquícios de outros impérios,
como o que restou dos impérios neoassírio e babilônico na Mesopotâmia, e
conseguiram uma estabilidade que durou alguns séculos e uma extensão territorial
jamais vista até então. Essa civilização construiu uma cultura rica e particular, com base
na apropriação de elementos de todos os povos que conquistou, formando, por
exemplo, uma poderosa marinha com a ajuda dos egípcios, gregos e, principalmente,
dos fenícios, conhecidos pela grande expansão marítima (GUARINELLO, 2013).
Antes do surgimento dos persas, existem evidências arqueológicas sobre as primeiras
ocupações do atual território do Irã que remontam ao período neolítico, quando grupos
de caçadores-coletores viviam nas montanhas iranianas e em regiões próximas do atual
Paquistão. Após essas primeiras ocupações, a região foi habitada por povos indo-
europeus, originários da Ásia Central, a quem podemos atribuir a invenção da
carruagem e a domesticação do cavalo, permitindo o movimento facilitado para
inúmeras regiões. Dessa maneira, esses povos interagiram com muitos outros ao longo
da história e participaram da formação de diversas civilizações pelo mundo, como os
gregos, romanos, germânicos, entre outras (ADGHIRNI, 2014).  Antes do surgimento dos
persas, existem evidências arqueológicas sobre as primeiras ocupações do atual
território do Irã que remontam ao período neolítico, quando grupos de caçadores-
coletores viviam nas montanhas iranianas e em regiões próximas do atual Paquistão.
Após essas primeiras ocupações, a região foi habitada por povos indo-europeus,
originários da Ásia Central, a quem podemos atribuir a invenção da carruagem e a
domesticação do cavalo, permitindo o movimento facilitado para inúmeras regiões.
Dessa maneira, esses povos interagiram com muitos outros ao longo da história e
participaram da formação de diversas civilizações pelo mundo, como os gregos,
romanos, germânicos, entre outras (ADGHIRNI, 2014). 
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No século IX a.C., dois grupos que permaneceram na região acabaram formando reinos
distintos: a noroeste, os medos formaram o primeiro império persa, enquanto ao sul
estabeleceram-se pequenos estados autônomos que eram vulneráveis à supremacia
meda. No século VII a. C., o rei Aquêmenes, apesar de ter sua existência contestada por
alguns especialistas, conseguiu centralizar o território e fundar um Estado único, que
mais tarde se tornaria o império Aquemênida, o maior do mundo antigo, que teve como
seus governantes alguns personagens importantes da história, como Ciro, Dario e
Xerxes, responsáveis pelo crescimento dessa dinastia (ADGHIRNI, 2014).
Ciro, o Grande, sucedeu Aquêmenes e foi um dos homens mais importantes da história
por se responsabilizar em subjugar o reino dos medos e ampliar o território persa para
áreas que compreendem territórios da Turquia, do Iraque e do Paquistão (ADGHIRNI,
2014). Ele se diferenciava de outros governantes da Antiguidade por seu grandetalento
militar e sua capacidade de gerar admiração e respeito pelos povos que conquistava,
principalmente pelo fato de não os aniquilar, e sim defender seu direito étnico e
religioso (ADGHIRNI, 2014). Ciro foi decapitado no ano de 530 a.C. por inimigos, e
Cambises II, seu filho, se tornou o novo rei.
Cambises II possuía uma personalidade diferente de Ciro e acabou se tornando um rei
tirânico e bastante impopular entre os persas. Conseguiu ampliar o domínio persa para
a área da atual Líbia e foi o responsável por uma das invasões ao Egito e lá acabou se
tornando um faraó (ADGHIRNI, 2014). Algumas evidências históricas afirmam que ele
morreu de forma misteriosa na atual Síria em 521 a.C., aproximadamente, quando
retornava do Egito para resolver conflitos em seu império. Devido à sua falta de
popularidade, abriu margem para rebeliões que ocorreram no reino persa que só foram
resolvidas quando Dario chegou ao poder.
Dario I, que se tornou rei após destituir um usurpador chamado Bardiya, foi o
responsável por acabar com as revoltas provadas por Cambises II. Ao longo do tempo,
contribuiu para consolidar o maior império já visto até então na Antiguidade (ADGHIRNI,
2014). No auge de seu poder, formou um império que se estendia desde as ilhas gregas
do Mediterrâneo até o atual território do Afeganistão, construindo no sul do Irã uma
suntuosa capital, denominada Persépolis (ADGHIRNI, 2014). Ao expandir seu império,
conquistou a Trácia e a Macedônia e alcançou também o território dos citas, povo que
foi responsável pela morte de Ciro, o Grande.
VOCÊ QUER LER?
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Se você tem interesse em conhecer com mais detalhes a história dos persas, bem como ler sobre a invasão
islâmica do Irã no século VII e mais fatos históricos dos sucessores dessa civilização tão poderosa e influente,
recomendamos o livro Os iranianos (ADGHIRNI, 2014).
A supremacia da dinastia Aquemênida se encerrou em 490 a.C., período em que ocorreu
uma ofensiva militar de Dario para acabar com uma rebelião na Grécia. Foi nessa época
também que houve a primeira grande derrota das tropas de Dario, que morreu quatro
anos depois por causas naturais, deixando seu filho Xerxes no comando da Pérsia.
Xerxes também realizou uma gigantesca ofensiva militar contra os gregos. Com o apoio
da marinha, de um imenso exército e de muitas cidades gregas, ele iniciou a ofensiva,
mas acabou perdendo o domínio do mar por completo, restando somente seu exército
continental e, nesse sentido, a união entre a marinha de guerra ateniense e os soldados
espartanos contribuiu para a vitória grega (ADGHIRNI, 2014; GUARINELLO, 2013). Essas
ofensivas foram consideradas por alguns historiadores como um dos grandes marcos
que permitiram a sobrevivência de valores ocidentais que são praticados até hoje.
VOCÊ SABIA?
O grandioso exército de Xerxes era composto praticamente por uma legião de
estrangeiros, representada por povos conquistados pelo império persa. A falta de
motivação desses soldados, que não tinham os mesmos interesses do rei, pode ter sido
um dos fatores que causaram a derrota persa para o exército grego (VILELA, 2007).
As invasões dos territórios gregos pelos persas foi um episódio marcante para essa
civilização. Os reis que ordenaram as primeiras invasões às cidades gregas perceberam
que os gregos habitantes dessas cidades não ofereciam resistência e, aos poucos, foram
conquistando novos espaços. O exército persa era muito mais numeroso do que o grego
e, além de possuir membros que já estavam acostumados aos conflitos, também
apresentava técnicas de combate eficientes (BORDONAL, 2009). Contudo, o processo de
conquista persa desencadeou a organização de estratégias defensivas por parte dos
gregos, o que impactou profundamente a história da civilização persa.
Q
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A vitória sobre os persas em 479 a.C. foi sucedida pela criação de uma aliança entre
cidades gregas, chamada de Liga de Delos, sob a liderança de Atenas, que ainda
pretendia combater a presença persa no mar Mediterrâneo (GUARINELLO, 2013). Como
consequência, os persas foram expulsos do mar Egeu e das costas da Anatólia (grande
parte do território da atual Turquia). No século IV a. C., o império persa Aquemênida
serviu de cenário para várias disputas internas (ADGHIRNI, 2014). Aproveitando-se dessa
situação, Alexandre, o Grande, atacou o império em 334 a.C., conquistando um território
após o outro, derrubando o regime de Dario III e se instalando na cidade de Persépolis,
até o momento em que ocorreu um incêndio nessa cidade, que não se sabe se foi fruto
de um acidente ou de um ato intencional de Alexandre (ADGHIRNI, 2014). Após a sua
morte, o império persa foi dividido entre generais e membros de sua família, que
disputavam o controle do território conquistado por Alexandre.
Figura 7 - Cena de guerra retratada em um cartão postal grego do século XIX. Fonte: Le�eris Papaulakis,
Shutterstock, 2018.
Deslize sobre a imagem para Zoom
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O filme 300 (SNYDER; JOHNSTAD; GORDO, 2006) retrata um aspecto particular do conflito entre os espartanos,
comandados pelo rei Leônidas, e os persas, comandados pelo rei Xerxes. Apesar de ser uma obra fictícia, vale
a pena conferir o filme e comparar algumas de suas características com o conteúdo deste e-book.
Conforme Adghirni (2014), o governo da Pérsia pelos gregos não durou muito tempo, já
que por volta de 230 a.C. várias tribos persas que se aliaram aos partas (uma minoria
persa que ainda vivia na região) declararam sua independência e tomaram o poder dos
selêucidas (gregos que tinham o controle da região persa). Após esse período, os persas
prosperaram até encontrarem outra ameaça ao seu poder: os povos romanos.
CASO
Os fenícios foram uma civilização com uma tecnologia orientada para a
navegação, que se desenvolveu na costa do Mediterrâneo, tendo criado colônias
em diversos lugares da Ásia, África e Europa. Heródoto, historiador grego do
século V a.C., afirmava que essa civilização teria inclusive alcançado o continente
americano durante sua expansão marítima. No Brasil, existem alguns indícios da
presença dos fenícios nas inscrições rupestres da Pedra da Gávea, no Rio de
Janeiro, e a Pedra do Ingá, na Paraíba. Contudo, nem todos concordam com a
chegada dos fenícios no Brasil. Qual é a sua opinião sobre isso?
Até onde temos conhecimento sobre o assunto, não há qualquer evidência de
que os fenícios tenham chegado ao Brasil. As inscrições existentes na Pedra da
Gávea são marcas de erosão presentes na rocha e que foram confundidas com o
alfabeto fenício, enquanto a Pedra de Ingá é uma rocha com representações
rupestres que provavelmente estão associadas à história indígena da região e não
possuem origem estrangeira ou mesmo extraterrestre, como alguns
pesquisadores sugerem.
Existem inúmeros sítios com representações rupestres no território brasileiro e
muitos deles possuem grafismos que se associam às atividades cotidianas de
grupos indígenas brasileiros. No passado, essas populações teriam plena
capacidade de criar esses grafismos e muitos deles têm datações associadas aos
sítios arqueológicos pré-históricos do mesmo período. A vinculação de tudo
aquilo que é desconhecido à presença de civilizações de outros lugares,
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infelizmente, é uma prática comum no Brasil, dando a entender que os povos
locais não teriam capacidade de produzir esse registro. Contudo, devemos estar
atentos ao que dizem as evidências científicas e somentedevemos acreditar
naquilo que pode ser comprovado.
Esses vários conflitos pelos quais passaram os persas se inserem em um contexto de
uma civilização conquistadora, uma das maiores da Antiguidade oriental, que reuniu
diferentes povos sob o seu comando e buscou ampliar cada vez mais seu poder,
inclusive conquistando algumas cidades-estado gregas que fazem parte de uma das
civilizações antigas mais importantes. A história dos persas pode ser considerada,
então, como uma das principais referências da relação entre o Ocidente e Oriente no
mundo antigo.
Síntese
Fomos apresentados, neste capítulo, a algumas das civilizações mais importantes da
Antiguidade oriental: os egípcios, fenícios, hebreus e persas. 
Neste capítulo, você teve a oportunidade de:
compreender aspectos da civilização egípcia e os processos que fizeram com que
esses povos criassem diversas inovações religiosas, artísticas e científicas,
representadas pelas grandes obras (como as pirâmides e esfinges) e pela
presença dos faraós;
analisar o papel dos fenícios na história da ocupação do litoral mediterrâneo, por
meio das atividades comerciais e da expansão marítima realizada por essa
civilização;
compreender características culturais do povo hebreu e sua relação com a
formação das principais religiões monoteístas do mundo atual;
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analisar o papel do poderoso império persa na ocupação do antigo território
mesopotâmico e seu processo de expansão territorial e declínio após os conflitos
com os gregos.
Referências bibliográficas
ADGHIRNI, S. Os iranianos. São Paulo: Contexto, 2014.
BORDONAL, G. C. História antiga. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009.
GOUCHER, C.; WALTON, L. História mundial: jornadas do passado ao presente. São
Paulo: Penso, 2016.
GUARINELLO, N. L. História antiga. São Paulo: Contexto, 2013.
INTERSABERES (Org.). História das religiões, apocalipse e história de Israel. Curitiba:
Intersaberes, 2016.
LEMOS, S.; ANDE, E. Egito: arte na idade antiga. São Paulo: Callis, 2011.
MEIHY, M. Os libaneses. São Paulo: Contexto, 2016.
PINSKY, J. As primeiras civilizações. São Paulo: Contexto, 2011. 25 ed.
SCARPELLI, U. et al. David e Golias. Direção: Ferdinando Baldi; Orson Welles; Richard
Pottier. Produção: Emmimo Salvi. 92 min., col., son., leg. Itália: Ansa Film, 1960.
SNYDER, Z.; JOHNSTAD, K.; GORDO, M. B. 300. Direção: Zack Snyder. Produção: Mark
Canton et al. 117 min., col., son., leg. Estados Unidos: Warner Bros. Pictures, 2006.
VILELA, T. Batalha de Termópilas: a verdadeira história dos 300 de Esparta. Educação
UOL. 17/1/2017. Disponível em:
<https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/batalha-de-termopilas-a-verdadeira-
https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/batalha-de-termopilas-a-verdadeira-historia-dos-300-de-esparta.htm
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https://fmu.blackboard.com/webapps/late-Course_Landing_Page_Course_100-BBLEARN/Controller 24/24
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VOMERO, M. F. Saul. Revista Superinteressante, São Paulo, 31 out. 2016. Disponível
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