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 R
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co
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r
ANO 11 - Nº 61 - SETEMBRO / OUTUBRO 2015
• Deformidade Flexural Interfalangeana adquirida em dois
potros: relato de caso
• Efeitos da solução salina hipertônica em quadros de Endotoxemia
em equinos: revisão • Pleuropneumonia equina: relato de dois casos
atendidos no Hospital Veterinário de São Paulo • Metabolismo da
unidade Feto-Placentária na gestação de éguas: revisão
de literatura • Torção uterina em égua: relato de caso
FRATURAS
DA PELVE
 • 1
S U M Á R I O ANO 11 - Nº 61 - SETEMBRO / OUTUBRO 2015
FOTO IMAGEM CAPA: Arquivo pessoal do
autor Jairo Jaramillo Cardenas
IMAGENS DE REPRODUÇÕES GRÁFICAS:
ABC of the Horse (www.pg-team.fi)
FOTO DESTAQUE: Hospital Veterinário
Anhembi Morumbi (2012)
www.passoapasso.org.br
1. REVISTA BRASILEIRA DE MEDICINA EQUINA (ISSN 1809-2063)
- publica artigos Científicos, Revisões Bibliográficas, Relatos de Ca-
sos e/ou Procedimentos e Comunicações Curtas, referentes à área de
Equinocultura e Medicina de Equídeos, que deverão ser destinados
com exclusividade.
2. Os artigos Científicos, Revisões, Relatos e Comunicações curtas
devem ser encaminhados via eletrônica para o e-mail:
(revista.equina@gmail.com) e editados em idioma Português. To-
das as linhas deverão ser numeradas e paginadas no lado inferior di-
reito. O trabalho deverá ser digitado em tamanho A4 (21,0 x 29,0 cm)
com, no máximo, 25 linhas por página em espaço duplo, com mar-
gens superior, inferior, esquerda e direita em 2,5 cm, fonte Times New
Roman, corpo 12. O máximo de páginas será 15 para artigo científico,
25 para revisão bibliográfica, 15 para relatos de caso e 10 para comu-
nicações curtas, não incluindo tabelas, gráficos e figuras. Figuras, grá-
ficos e tabelas devem ser disponibilizados ao final do texto, sendo que
não poderão ultrapassar as margens e nem estar com apresentação
paisagem.
3. O artigo Científico deverá conter os seguintes tópicos: Título, Resumo
e Unitermos (em Português, Inglês e Espanhol); Introdução; Material e
Métodos; Resultados e Discussão; Conclusão e Referências. Agrade-
cimento e Apresentação; Fontes de Aquisição; Informe Verbal; Comitê
de Ética e Biossegurança devem aparecer antes das Referências.
Pesquisa envolvendo seres humanos e animais obrigatoriamente
devem apresentar parecer de aprovação de um comitê de ética
institucional já na submissão (Modelo .doc, .pdf).
4. A Revisão Bibliográfica deverá conter os seguintes tópicos: Títu-
lo, Resumo e Unitermos (em Português, Inglês e Espanhol); Introdu-
ção; Desenvolvimento (pode ser dividido em sub-títulos conforme ne-
cessidade e avaliação editorial); Conclusão ou Considerações Finais;
e Referências. Agradecimento e Apresentação; Fontes de Aquisição e
Informe Verbal devem aparecer antes das Referências.
5. O Relato de Caso e/ou Procedimento deverá conter os seguintes
tópicos: Título, Resumo e Unitermos (em Português, Inglês e Espa-
nhol); Introdução; Relato de Caso ou Relato de Procedimento; Discus-
são (que pode ser unida a conclusão); Conclusão e Referências. Agra-
decimento e Apresentação; Fontes de Aquisição e Informe Verbal de-
vem aparecer antes das Referências.
NORMAS PARA PUBLICAÇÃO DE ARTIGOS NA REVISTA BRASILEIRA DE MEDICINA EQUINA
6. A comunicação curta deverá conter os seguintes tópicos: Título,
Resumo e Unitermos (em Português, Inglês e Espanhol); Texto (sem
subdivisão, porém com introdução; metodologia; resultados e discus-
são e conclusão; podendo conter tabelas ou figuras); Referências.
Agradecimento e Apresentação; Fontes de Aquisição e Informe Verbal;
Comitê de Ética e Biossegurança devem aparecer antes das referênci-
as. Pesquisa envolvendo seres humanos e animais obrigatoriamente
devem apresentar parecer de aprovação de um comitê de ética
institucional já na submissão. (Modelo .doc, .pdf).
7. As citações dos autores, no texto, deverão ser feitas no sistema
numérico e sobrescritos, como descrito no item 6.2. da ABNR 10520,
conforme exemplo: “As doenças da úvea são as enfermidades mais
diagnosticadas nessa espécie, com prevalência de até 50%15”. “Se-
gundo Reichmann et al.15 (2008), as doenças da úvea são as enfermi-
dades mais diagnosticadas nessa espécie, com prevalência de até
50%”. No texto pode citar-se até 2 autores, se mais, utilizar “et al.”
Exemplo: Thomassian e Alves (2010). Neste sistema, a indicação da
fonte é feita por uma numeração única e consecutiva, em algaris-
mos arábicos, remetendo à lista de referências ao final do artigo,
na mesma ordem em que aparecem no texto. Não se inicia a nume-
ração das citações a cada página. As citações de diversos docu-
mentos de um mesmo autor, publicados num mesmo ano, são distin-
guidas pelo acréscimo de letras minúsculas, em ordem alfabética, após
a data e sem espacejamento, conforme a lista de Referências. Exem-
plo: De acordo com Silva11 (2011a).
8. As Referências deverão ser efetuadas no estilo ABNT (NBR 6023/
2002) conforme normas próprias da revista.
8.1. Citação de livro: AUER, J.A.; STICK, J.A. Equine Surgery. Phila-
delphia: W.B. Saunders,1999, 2.ed., 937p.
TOKARNIA, C.H. et al. (Mais de dois autores) Plantas tóxicas da Ama-
zônia a bovinos e outros herbívoros. Manaus: INPA, 1979, 95p.
8.2. Capítulo de livro com autoria: GORBAMAN, A. A comparative
pathology of thyroid. In: HAZARD, J.B.; SMITH, D.E. The thyroid. Balti-
more: Williams & Wilkins, 1964, cap.2, p.32-48.
8.3. Capítulo de livro sem autoria: COCHRAN, W.C. The estimation of
sample size. In: ______. Sampling techniques. 3.ed., New York: John
Willey, 1977, cap.4, p.72-90.
8.4. Artigo completo: PHILLIPS, A.W.; COURTENAY, J.S.; RUSTON,
R.D.H. et al. Plasmapheresis of horses by extracorporal circulation of
blood. Research Veterinary Science, v.16, n.1, p.35-39, 1974.
8.5. Resumos: FONSECA, F.A.; GODOY, R.F.; XIMENES, F.H.B. et al.
Pleuropneumonia em equino por passagem de sonda nasogástrica por
via errática. Anais XI Conf. Anual Abraveq, Revista Brasileira de Medi-
cina Equina, Supl., v.29, p.243-44, 2010.
8.6. Tese, dissertação: ESCODRO, P.B. Avaliação da eficácia e segu-
rança clínica de uma formulação neurolítica injetável para uso perineu-
ral em equinos. 2011. 147f. Tese (doutorado) - Instituto de Química e
Biotecnologia. Universidade Federal de Alagoas.
ALVES, A.L.G. Avaliação clínica, ultrassonográfica, macroscópica e
histológica do ligamento acessório do músculo flexor digital profundo
(ligamento carpiano inferior) pós-desmotomia experimental em equi-
nos. 1994. 86 f. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Medicina Ve-
terinária e Zootecnia. Universidade Estadual Paulista.
8.7. Boletim: ROGIK, F.A. Indústria da lactose. São Paulo: Departa-
mento de Produção Animal, 1942. 20p. (Boletim Técnico, 20).
8.8. Informação verbal: Identificada no próprio texto logo após a in-
formação, através da expressão entre parênteses. Exemplo: ...são
achados descritos por Vieira (1991 - Informe verbal). Ao final do texto,
antes das Referências Bibliográficas, citar o endereço completo do
autor (incluir e-mail), e/ou local, evento, data e tipo de apresentação
na qual foi emitida a informação.
8.9. Documentos eletrônicos: MATERA, J.M. Afecções cirúrgicas da
coluna vertebral: análise sobre as possibilidades do tratamento cirúr-
gico. São Paulo: Departamento de Cirurgia, FMVZ-USP, 1997, 1 CD.
GRIFON, D.M. Artroscopic diagnosis of elbow displasia. In: WORLD
SMALL ANIMAL VETERINARY CONGRESS, 31., 2006, Prague, Czech
Republic. Proceedings… Prague: WSAVA, 2006, p.630-636.
Acessado em 12 fev. 2007. Online. Disponível em: http://www.ivis.org/
proceedings/wsava/2006/lecture22/Griffon1.pdf?LA=1.
9. Os conceitos e afirmações contidos nos artigos serão de inteira
responsabilidade do(s) autor(es).
10. Os artigos serão publicados em ordem de aprovação.
11. Os artigos não aprovados serão arquivados havendo, no entanto,
o encaminhamento de uma justificativa pelo indeferimento.
12. Em caso de dúvida, consultar os volumes já publicados antes de
dirigir-se à Comissão Editorial.
DeformidadeFlexural Intrfalangeana adquirida em dois potros:
relato de caso (Página 4)
Pleuropneumonia equina: relato de dois casos atendidos no
Hospital Veterinário de São Paulo (Página 8)
Efeitos da solução salina hipertônica em quadros
de Endotoxemia em equinos: revisão (Página 12)
Torção uterina em égua: relato de caso (Página 20)
Metabolismo da unidade Feto-Placentária na
gestação de éguas: revisão (Página 24)
Agronegócio: Assimetria no patrocínio ao
Hipismo e ao Futebol (Página 32)
Você Sabia?: Fraturas da Pelve (Página 34)
Por Dentro da Boca: Doença Periodontal (Página 38)
Na Ponta dos Cascos: O tamanho ideal do Casco
(Página 42)
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2 • 
E D I T O R I A L
FUNDADOR
Synesio Ascencio (1929 - 2002)
DIRETORES
José Figuerola,
Maria Dolores Pons Figuerola
EDITOR RESPONSÁVEL
Fernando Figuerola
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PUBLICIDADE / EVENTOS
Diretor Comercial:
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3722-0640 / 9184-7056
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MEDICINA EQUINA
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Alexandre Augusto O. Gobesso
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Roberto Pimenta P. Foz Filho
Cirurgia
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Renata de Pino A. Maranhão
Clínica
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Silvio Batista Piotto Junior
Diagnóstico e Cirurgia Equina
abraveq@abraveq.com.br
Tobyas Maia de A. Mariz
Equinocultura e Fisiologia Equina
tobyasmariz@hotmail.com
Boas vindas ao CNPE
Em um momento complicado na economia e na política,
boas notícias são raras e devem ser comemoradas. Em setem-
bro ocorreu a primeira reunião CNPE, o Centro Nacional de Ino-
vação e Pesquisa e Extensão Rural, Equinos, Asininos e Muares
e Agronegócio, na belíssima Floresta Nacional de Ipanema.
A criação do CNPE tem por objetivo suprir a demanda de
tecnologia e conhecimento do mundo dos cavalos em nível na-
cional e internacional. Trata-se de um grande desafio, possível
de ser atingido somente com a união e cooperação dos diversos
agentes ligados aos equídeos. E isto está efetivamente sendo
buscado e atingido.
São prioridades do CNPE o inventário nacional da tropa de
equinos; expedição agropecuária; montagem de laboratórios e
instalações operacionais; banco de dados da equideocultura; ex-
tensão rural e meio ambiente; biblioteca informatizada; parcerias
em P&D (academia e instituições públicas e privadas); fomento
de pesquisa para o Complexo Agronegócio, entre outras.
Especialmente em momentos de crise, com importantes
restrições orçamentárias, iniciativas que completem o esforço do
Ministério da Agricultura e de instituições já tradicionais no deba-
te da agropecuária são essenciais para a busca dos aprimora-
mentos e políticas essenciais para o desenvolvimento da equide-
ocultura nacional.
Espera-se que, a partir do CNPE, seja criada uma série de
conexões entre os competentes agentes ligados aos cavalos, asi-
ninos e muares no Brasil, permitindo o estabelecimento de par-
cerias produtivas e eficiente disseminação de conhecimento. O
sucesso e a força da equideocultura brasileira estará espelhada
e presente no CNPE.
Roberto Arruda de Souza Lima
Professor da ESALQ/USP
raslima@usp.br
www.arruda.pro.br
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 • 3
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4 • 
Introdução
As deformidades flexurais dos membros locomo-
tores dos equinos são consideradas como inabilidade
dos animais em estender os membros completamente.
Geralmente ocorre diferença no comprimento da uni-
dade musculotendínea em relação aos ossos da região
acometida, levando assim à hiperflexão2. As deformi-
dades flexurais incluem-se nas Doenças Ortopédicas
do Desenvolvimento, que expressam todos os proble-
mas associados com distúrbios durante o crescimento
adquirida em dois potros:
relato de caso
“Acquired interphalangeal flexural deformity
in two foals: case report”
RESUMO: As deformidades flexurais dos equinos são consideradas como inabilidade dos animais em estender os
membros completamente. Dois equinos, machos, com cinco meses de idade, Quarto de Milha, foram encaminhados
ao Hospital Veterinário Anhembi Morumbi por apresentarem deformidade flexural adquirida de quartela em ambos os
membros torácicos. A indicação de tratamento seria a tenotomia do flexor digital profundo, porém os animais eram
jovens e tinham bom potencial para desempenhar atividades atléticas. Optou-se então pela desmotomia do acessório
do flexor digital profundo. No pós-operatório realizou-se fisioterapia e ferrageamento com prolongamento de pinça. A
desmotomia associada ao tratamento pós-cirúrgico permitiu a correção do apoio do casco e alinhamento da quartela,
promovendo a recuperação dos animais.
Unitermos: deformidade flexural, interfalangeana, desmotomia, equino
ABSTRACT: The equine flexural deformities are considered the inability to extend the limbs completely. Two horses, 5
months old, American Quarter Horse, were referred to Anhembi Morumbi Veterinary Hospital showing acquired distal
interphalangeal flexural deformity in both toracic limbs. The recommended treatment would be tenotomy of deep
digital flexor, however, the animals were young and had good potential to perform athletic activities. The chosen treat-
ment was the desmotomy of accessory ligament of the deepdigital flexor tendon. Post-operative physiotherapy was
realized with shoeing the affected limbs with prolonged toe. The desmotomy associated with post-operative treatment
allowed to correct the hoof position and pastern alignment, recovering the animals.
Keywords: flexural deformity, interphalangeal, desmotomy, equine
RESUMEN: Las deformidades flexurales de los caballos se entienden como la incapacidade de los animales para
extenderse completamente a los miembros. Dos potrillos, machos, con cinco meses de edad, Cuarto de Milla, fueron
remitidos al Hospital Veterinario Anhembi Morumbi, mediante apresentación de deformidad flexural de la cuartilla en
ambos miembros anteriores. La indicación de tratamiento era la tenotomía del flexor digital profundo, pero los animales
eran jóvenes y tenían gran potencial para deportes. Todavia decidimos por la desmotomía del acessorio del flexor
digital profundo. Después de la operación, hicieran fisioterapia y herraje com extensión em las pinzas. La desmotomía
asociada al tratamiento posquirúrgico permitió la corrección del apoyo del casco y la alineación de cuartilla, fomentando
la recuperación de los animales.
Palabras clave: deformidades flexurales, interfalángicas, desmotomía, equina
Paulo Ricardo Domingues
Reviglio*
(paulinho_reviglio@hotmail.com)
Graduando do curso de
Medicina Veterinária da
Universidade Anhembi
Morumbi - São Paulo, SP
Marcelo Eckamnn Silva;
Murillo Martinez Matheus:
Graduandos do curso de
Medicina Veterinária da
Universidade Anhembi
Morumbi - São Paulo, SP
Danielli Cristinne
Baccarelli;
Nicole Fidalgo Paretsis:
Médicas-Veterinárias
Residentes do Hospital
Veterinário da Universidade
Anhembi Morumbi -
São Paulo, SP
Neimar Vanderlei Roncati;
Rodrigo Romero Correa:
Professores do curso de
Medicina Veterinária da
Universidade Anhembi
Morumbi - São Paulo, SP
* Autor para correspondência
“Deformidade flexural interfalángica adquirida
em dos potrillos: reporte de caso”
ósseo no potro, como por exemplo a fisite, deformi-
dades angulares, discondroplasia e osteocondrose5.
As alterações podem ser uni ou bilaterais, e po-
dem ocorrer de forma congênita ou adquirida. Relata-
se que a deformidade interfalangeana distal adquirida
é mais frequente em animais entre um e quatro meses
de idade1. Já outras fontes citam que a alteração ocor-
re principalmente entre três e seis meses4,6. A etiolo-
gia das deformidades ainda não é bem definida, po-
Figura 1: MT’s do
potro “A’’,
apresentando
deformidade flexural
interfalangeana distal
de grau III em MTE e
grau II em MTD
.........................
F
O
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 • 5
considerável após três a quatro semanas de
tratamento conservativo, além dos casos em
que a intervenção cirúrgica imediata é ne-
cessária para a prevenção de alterações ar-
ticulares degenerativas. A desmotomia do
acessório do tendão flexor digital profun-
do é indicada nos casos de deformidades
leves e moderadas. Casos de deformidades
graves e crônicas podem necessitar de te-
notomia do flexor digital profundo, porém,
este procedimento é visto como radical.
Relata-se que 86% dos animais com me-
nos de um ano e 78% dos animais com mais
de um ano de idade, tratados com desmo-
tomia do acessório do flexor digital pro-
fundo, apresentam bom prognóstico para
realização de atividades atléticas futuras1.
Já animais que necessitam de tenotomia do
flexor digital profundo dificilmente retor-
nam à função atlética, sendo utilizados,
quando possível, somente para atividades
físicas leves.
Relato de caso
Dois equinos machos, com cinco me-
ses de idade, da raça Quarto de Milha, cri-
ados na mesma prorpiedade, mas sem pa-
rentesco entre si, foram encaminhados ao
Hospital Veterinário Anhembi Morumbi.
Havia o diagnóstico prévio de deformida-
de flexural adquirida de quartela (interfa-
langeana distal), em ambos os membros
torácicos (MT’s), firmado pelo médico-ve-
terinário de campo. A alteração se iniciou
ao redor dos 30 dias de vida e mostrou evo-
lução progressiva. Relatou-se na anamne-
se que os animais tiveram manejo alimen-
tar idêntico. Durante a fase de gestação e
lactação, as éguas foram alimentadas ex-
clusivamente com aveia (4 kg ao dia), e
volumoso à vontade (coast-cross). Os po-
tros receberam concentrado específico para
equinos em crescimento a partir dos 60 dias
de idade, e de acordo com a orientação do
médico-veterinário de campo, devido ao
agravamento da deformidade, os animais
foram desmamados aos três meses de ida-
de. A alimentação com concentrado foi sus-
pensa e os potros foram mantidos somente
com o fornecimento de volumoso à vonta-
de.
Ao exame físico os animais não apre-
sentaram alterações dos parâmetros vitais.
À inspeção identificou-se que o potro “A”
apresentava o membro torácico esquerdo
(MTE) com apoio exclusivo em pinça, evi-
dente projeção cranial da coroa do casco,
talões perpendiculares em relação ao solo
e suspensos à aproximadamente dois cen-
timetros do chão. O MTE do potro “B” tam-
bém mantinha apoio exclusivo em pinça,
porém a coroa do casco menos projetada
cranialmente e os talões tendiam a perpen-
dicularização em relação ao solo, manten-
do-se suspensos à aproximadamente um
centímetro do chão. O membro torácico
direito (MTD) de ambos os potros apresen-
tava alterações semelhantes, com muralha
do casco perpendicular em relação ao solo,
cascos tendendo ao encastelamento e cres-
cimento anormal dos talões, mas estes fa-
ziam contato com o solo se o membro con-
tralateral fosse elevado (Figuras 1 e 2). De
acordo com a apresentação clínica, as de-
formidades foram classificadas em grau III
para MTE’s e grau II para MTD’s7.
rém diversos fatores são atribuídos à sua
ocorrência. Potros com predisposição para
crescimento rápido, que recebem muito ali-
mento concentrado rico em carboidratos
(energia), são geralmente acometidos por
deformidades flexurais. Contudo, animais
submetidos à dietas pobres e posteriormen-
te à dietas ricas também desenvolvem as
alterações3. O excesso de carboidratos na
alimentação das éguas durante o período
de amamentação dos potros também é tido
como fator predisponente para a doença. A
presença de dor pode levar ao reflexo de
flexão e consequente retirada do membro
do solo, resultando em contração dos mús-
culos flexores e posição alterada da articu-
lação5.
As deformidades flexurais interfalange-
anas envolvem o músculo flexor digital pro-
fundo1. Os sinais clínicos iniciais incluem
projeção dorsal da região supra coronária,
aumento da altura dos talões em compara-
ção com o tamanho da pinça, e falta de con-
tato dos talões com o solo após casquea-
mento4.
As deformidades são classificadas em
três diferentes graus7:
• Grau I: discreta elevação do talão, au-
mento da tensão no tendão flexor digital
profundo, e muralha do casco tendendo à
perpendicularização em relação ao eixo
podofalangeano;
• Grau II: muralha do casco apresentando
completa perpendicularização em relação
ao eixo podofalangeano, crescimento anor-
mal dos talões, tendência ao encastelamen-
to e pinça desgastada;
• Grau III: evidente projeção cranial da
muralha podendo até, nos casos mais gra-
ves, ocorrer o apoio da região cranial das
articulações interfalangeanas no solo.
O diagnóstico baseia-se na apresenta-
ção clínica do processo, ocorrência de fa-
tores etiológicos predisponentes e palpação
das estruturas relacionadas, principalmen-
te do tendão flexor digital profundo com o
membro em extensão. Os exames radiográ-
fico e ultrassonográfico permitem avaliar
o comprometimento de estruturas ósseas e
articulares, além de auxiliar na análise da
evolução das alterações diagnosticadas7.
Como tratamento conservativo, deve-se
realizar o balanceamento dos níveis de ener-
gia na dieta do animal, utilização de anti-
inflamatórios não esteroidais nos casos de
dor, casqueamento com correção da altura
dos talões e utilização de ferradura com
prolongamento na região de pinça. O trata-
mento cirúrgico é indicadonos casos em
que não é observada nenhuma melhora
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Figura 2: MT’s do potro ‘’B’’, apresentando
deformidade flexural interfalangeana distal de
grau III em MTE e grau II em MTD
...................................................
Diante da classificação e severidade das
deformidades, a indicação de tratamento
seria a tenotomia do flexor digital profun-
do, porém, os animais eram jovens e tinham
bom potencial para desempenhar ativida-
des atléticas futuras. Após devida explana-
ção para o proprietário sobre indicações
cirúrgicas e índices de prognóstico para a
realização de atividades físicas, optou-se
pela realização da desmotomia do acessó-
rio do flexor digital profundo nos MT’s de
ambos os potros, seguida de fisioterapia por
pelo menos 30 dias. Caso os animais não
apresentassem melhora clínica, seria reali-
zada a tenotomia do flexor digital profun-
do. No pós-operatório administrou-se soro
antitetânico (10.000 UI/IM/dose única),
penicilina G benzatina (40.000 UI/kg/IM/
dose única) e cetoprofeno (2,2 mg/kg/SID/
IV/por dois dias). A ferida cirúrgica foi hi-
gienizada duas vezes ao dia com solução
fisiológica 0.9% e pomada com antimicro-
bianos.
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6 • 
No dia seguinte à cirurgia iniciou-se a
fisioterapia, com alongamento manual dos
MT’s, seguida de caminhada guiada pelo
cabresto (cinco minutos, QID) em ambos
os potros. Observou-se melhora na extensão
dos membros, onde os talões dos MTD’s
passaram a encostar no solo durante a fisi-
oterapia. Com cinco dias do pós-operató-
rio, o potro “A” encostava os talões do
MTD no solo durante a caminhada. O po-
tro “B” apresentava melhora mais eviden-
te, encostando os talões do MTE no solo
durante fisioterapia e talões do MTD no
solo durante a caminhada. Neste período,
ambos os potros demostraram sinais de dor
durante a realização da fisioterapia e cami-
nhada, sendo então administrado cetopro-
feno (2,2 mg/kg/SID/IV) durante três dias.
No 15º dia após a cirurgia observou-se
que a fisioterapia e caminhada promoveram
resultado satisfatório para os MTD’s, po-
rém o mesmo não ocorreu para os MTE’s,
principalmente com relação ao potro “A”,
que ainda apresentava deformidade evidente
e apoio do casco exclusivamente em pinça.
Optou-se então pela realização de cas-
queamento e ferrageamento nos MT’s dos
potros, utilizando-se ferradura ortopédica
com prolongamento de pinça (Figuras 3, 4
e 5) nos MT’s.
Após 20 dias com a ferradura, pode-se
observar que os talões dos MTE’s de am-
bos os potros tocavam o solo durante a ca-
minhada, e o apoio e a conformação dos cas-
cos do potro “B” se apresentavam próximo
ao normal. Os potros foram novamente cas-
queados e ferrageados, mantendo-se os pro-
longamentos na pinça dos MTE’s por mais
trinta dias. Passado esse período, o potro
“B” não apresentava mais evidências de de-
formidade no MTE. O potro “A” apoiava
normalmente os talões do MTE no solo,
porém o casco ainda apresentava-se leve-
mente deformado (Figura 6).
O casquemento e ferrageamento foram
realizados novamente e os animais recebe-
ram alta. Foi indicada a manutenção do
casqueamento e ferrageamento a cada 30
dias, e após 90 dias da alta, os animais dei-
xaram de ser ferrageados, apresentando boa
conformação dos cascos e angulação de
quartela. Segundo o médico-veterinário de
campo, os potros não apresentam claudi-
cação e estão sendo mantidos em liberda-
de. A alimentação é mantida com concen-
trado para equinos em crescimento (1% do
peso vivo), além de volumoso (coast-cross)
e sal mineral para equinos à vontade.
Figura 6: Modelo de ferradura ortopédica uti-
lizada no potro “A”, agora com cerca de três
centímetros de prolongamento em pinça, fi-
xada ao casco com resina
....................................................
Figura 3: Ferradura ortopédica com prolon-
gamento de aproximadamente oito centíme-
tros na região de pinça, a ser fixada ao casco
com fita adesiva
Figura 4: MTE do potro “A’’ após realização
de desmotomia do acessório do TFDP e pri-
meiro casqueamento, utilizando ferradura or-
topédica com prolongamento de pinça, fixa-
da ao casco com esparadrapo
Figura 5: MT’s do potro ‘’B’’ utilizando ferra-
dura ortopédica com prolongamento de pin-
ça de aproximadamente cinco cm em MTD e
um cm em MTE, fixadas ao casco com resina
Considerações finais
Conforme citado na literatura, o exces-
so de carboidratos na alimentação das éguas
durante o período de gestação e lactação
foi fator determinante para a ocorrência das
deformidades.
Em ambos os casos poderia ser indica-
do como tratamento a tenotomia do flexor
digital profundo, porém, devido à idade dos
animais e potencial futuro para desempe-
nhar atividades atléticas, optou-se pela re-
alização da desmotomia do acessório do
flexor digital profundo. Esta técnica per-
mite maior capacidade de extensão da quar-
tela e é menos traumática, além de não com-
prometer o futuro desempenho atlético dos
animais na maioria dos casos.
A associação da fisioterapia com exten-
são manual dos MT’s, casqueamento e fer-
rageamento ortopédico com prolongamen-
to de pinça, foi utilizada para induzir o alon-
gamento do músculo flexor digital profun-
do. A desmotomia associada ao tratamento
pós-cirúrgico, permitiu a correção do apoio
do casco e o alinhamento da quartela, pro-
movendo a recuperação dos animais. 
Referências
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J. A., STICK, J.A. Equine surgery. 3.ed., St.
Louis: Saunders, 2006, p.1150-65.
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dades flexurais em equinos: Revisão Biblio-
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equinos segundo Adams, 5.ed., São Paulo:
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Floyd, A.E.; Mansmann, R.A. Equine Podia-
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p.253-293.
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rais dos membros. In: Enfermidades dos ca-
valos. 3.ed., São Paulo: Varela, 1996, p.165-
179.
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 • 7
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8 • 
INTRODUÇÃO
A pleuropneumonia também conhecida
como pleurite e derrame pleural infeccioso,
é uma enfermidade não contagiosa e grave
em equinos. É decorrente de uma inflama-
ção do parênquima pulmonar (pneumonia)
ocasionada por uma falha nos mecanismos
de defesa local. Posteriormente essa pneu-
equina: relato de dois
casos atendidos no
Hospital Veterinário
de São José do Rio
Preto - SP
“Pleuropneumonia equine: report
of two cases treated in Veterinary Hospital
in São José do Rio Preto - SP”
“Perineumonia equina: informe
de dos casos atendidos en Hospital
Veterinario de São José do Rio Preto - SP”
RESUMO: A pleuropneumonia é uma enfermidade frequente em equinos, que consiste na colonização bacteriana
da pleura e do parênquima pulmonar, devido a uma pneumonia havendo extensão do processo para a pleura e
espaço pleural. Os sinais clínicos variam de febre, letargia, descarga nasal, tosse, intolerância ao exercício, dispneia
e pleurodinia nos casos agudos à febre intermitente, perdade peso e edema subesternal nos casos crônicos. O
diagnóstico baseia-se nos sinais clínicos e na ultassonografia torácica, principalmente. Seu tratamento concentra-se
na terapia antimicrobiana sistêmica, drenagem do excesso de líquido pleural, administração de terapia anti-inflamatória
e analgésica e tratamento de suporte a base de fluidoterapia, oxigenioterapia e broncodilatadores. No relato de caso,
exemplifica-se as medidas adotadas em dois animais atendidos no Hospital Veterinário Dr. Halim Atique.
Unitermos: pleuropneumonia, diagnóstico, tratamento, equino
ABSTRACT: The pleuropneumonia is a common disease in horses, which consists of bacterial colonization of the
lung parenchyma and pleura, pneumonia due to an extension of the process for having the pleura, and pleural space.
Clinical signs vary from fever, lethargy, nasal discharge, coughing, exercise intolerance, dyspnea and pleurodynia in
acute intermittent fever, weight loss and substernal edema in chronic cases cases. The diagnosis is based on clinical
signs and chest ultrasound especially. His treatment focuses on systemic antimicrobial therapy, drainage of excess
pleural fluid therapy administration of anti-inflammatory and analgesic and treatment support base fluid therapy,
oxygen therapy and bronchodilators. In the case report exemplifies the measures to be adopted in two animals
examined at the Veterinary Hospital Dr. Halim Atique.
Keywords: pleuropneumonia, diagnosis, treatment, horse
RESUMEN: La pleuroneumonía es una enfermedad común en los caballos, que consiste en la colonización bacteriana
del parénquima pulmonar y la pleura, la pneumonia debido a que hay extensión del proceso para la pleura, y el
espacio pleural. Los signos clínicos varían de fiebre, letargo, secreción nasal, tos, intolerancia al ejercicio, disnea y
pleurodinia en casos agudos de fiebre intermitente, pérdida de peso y edema subesternal en los casos crónicos. El
diagnóstico se basa en los signos clínicos y ecografia de tórax. El tratamiento se centra en la terapia antibiótica
sistémica, el drenaje del exceso de líquido pleural, el suministro de terapia anti-inflamatoria y analgésica y el tratamiento
del fluido base de apoyo, broncodilatadores y terapia con oxígeno. En el informe del caso, ejemplifica las medidas 48
tomadas en los dos animales tratados en el Hospital Veterinario Dr. Halim Atique.
Palabras clave: perineumonía, diagnóstico, tratamiento, caballo
monia atinge a pleura (pleurite ou pleuri-
sia) causando uma inflamação do tecido
pulmonar associada ao acúmulo de exsuda-
to no espaço pleural2,3,8,10.
Pode ser predisposta pelo estresse cau-
sado por transporte prolongado e inadequa-
do, trabalho forçado em animais débeis e
enfermos, exercícios extenuantes, interven-
ções cirúrgicas e debilidade física geral.
Pode também ser consequencia de aciden-
tes iatrogênicos ou não, como na entubação
pulmonar nas passagens de sonda nasogás-
trica, ferimentos e traumas torácicos e tra-
queais, ou introdução de corpos estranhos
nos pulmões10.
Possui uma distribuição mundial, não
Figura 1: Espaço Pleural
(EP) e Líquido Pleural
com acúmulo de Fibrina
(LIQ+FIB)
............................................
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M.V. Tarima Baratta Colla*
(tarimamedvet@gmail.com)
Resid. Clínica Médica e
Cirúrgica de Grandes Animais
Hosp. Vet. “Dr. Halim Atique”
São José do Rio Preto, SP
Prof. Esp. Igor A.A. Paiola
(igorpaiola@uol.com.br)
Prof. da disciplina de Clínica
Médica e Terapêutica de
Grandes Animais do Centro
Univ. de Rio Preto - UNIRP
M.V. Suelen Maira B. Barbuio
Médica Veterinária Autônoma
M.V. Ana Stela de O. Ortolan
Médica Veterinária
Prof. Dr. Bruno F. Cholfe
(brunocholfe@gmail.com)
Prof. disciplina de Clínica
Cirúrgica de Grandes Animais
e Diag. por Imagem do Centro
Univ. de Rio Preto - UNIRP
* Autora para correspondência
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 • 9
tem preferência por sexo e acomete geral-
mente animais com menos de um ano, ou
mais de cinco anos, coincidindo com a eta-
pa da vida de menor imunidade e início de
competições, onde o animal se mantém em
contato constante com outros animais e em
diferentes ambientes6.
O diagnóstico diferencial dá-se por qual-
quer doença que cause angústia respirató-
ria e efusão pleural em equinos, dentre es-
sas estão: neoplasias intratorácicas, ferimen-
tos penetrantes do tórax, perfuração esofá-
gica, hérnia diafragmática e insuficiência
cardíaca congestiva6.
MATERIAIS E MÉTODOS
Consideraram-se dois equinos, atendi-
dos no Hospital Veterinário “Dr. Halim Ati-
ques”, em São José do Rio Preto/SP; entre
os períodos de maio de 2011 e dezembro
de 2012.
Ambos os equinos eram fêmeas, sendo
uma da raça Mangalarga de 4 anos de idade
e a outra da raça Quarto-de-Milha com cer-
ca de 12 anos de idade.
HISTÓRICO DOS ANIMAIS
O primeiro animal chegou ao Hospital
Veterinário em maio de 2011, vindo da ci-
dade de Novo Horizonte/SP, apresentando
sangramento fétido pela narina e com os
membros rígidos. O funcionário que acom-
panhava o equino relatou que o mesmo es-
tava em um prova no final de semana.
Após alguns dias, observou-se que este
animal apresentava acúmulo de líquido na
auscultação na área respiratória e foi reali-
zada drenagem do líquido pleural; no qual
foram obtidos 21 litros de conteúdo do lado
esquerdo e 7 litros do lado direito.
O segundo animal foi encaminhado da
cidade de Pindorama/ SP, para atendimento
em dezembro de 2012, apresentando difi-
culdade respiratória (dispneia).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Sinais Clínicos
Os animais atendidos apresentavam
prostração, intolerância ao exercício, angús-
tia respiratória, secreção nasal e edema de
membros (Figura 2) o que coincide com os
achados de Smith (2006) e Tejero et al.
(2009). As frequências cardíaca e respira-
tória estavam elevadas e a respiração exa-
lava um odor fétido, o mesmo citado por
Radostitis et al. (2002).
Radostitis et al. (2002), também descre-
ve que no estado agudo da doença pode
ocorrer secreção nasal bilateral, tal sangra-
mento foi observado em apenas um dos
equinos.
O primeiro animal atendido possuía
como uma das queixas, o andar com mem-
bros “travados”, o que pode ser relaciona-
do à marcha dura que o animal adota quan-
do é forçado a se movimentar, citado por
Auer; Stick (2007) e Tejero et al. (2009).
Na auscultação torácica de ambos os ani-
mais observou-se um ruído pulmonar nor-
mal no campo pulmonar dorsal e na porção
ventral houve diminuição ou ausência de
movimentação do ar, o mesmo descrito por
Smith (2006) e Piotto Júnior et al. (2007),
tal característica indica a presença de efu-
são pleural.
Diagnóstico
Na anamnese, como o observado por Te-
jero et al. (2009), não pode-se afirmar que
há uma predisposição por raça, gênero ou
atividade realiza pelos cavalos para esta
enfermidade, mesmo que estas característi-
cas possam estar relacionadas com um dos
principais fatores de risco.
Foi relatado pelo proprietário de apenas
um dos animais à participação em prova;
tal informação é importante, pois indica o
contato com outros animais e a permanên-
cia em ambientes pouco ventilados, com
presença de poeira (PROTTI, 2009).
Quanto ao exame físico, os equinos com
pleuropneumonia geralmente apresentam
alterações tanto na auscultação pulmonar
como na percussão torácica. Os achados
mais representativos costumam ser a pre-
sença de uma auscultação normal apenas na
região dorsal do tórax e a radiação dos sons
cardíacos. Tal característica foi citada por
Tejero et al. (2009) e observada nos animais
do presente levantamento.
Durante a avaliação ultrassonográfica
destes animais, detectou-se a presença de
líquido livre e loculado e espessamento
pleural, o mesmo que foi descrito por Reed;
Bayly (2004).
Devido a cronicidade da doença dos ani-
mais estudados, o ultrassom revelava a pre-
sença de líquido pleural em excesso, com
um aspecto ecogênico por conter restos ce-
lulares e de fibrina (Figuras 1 e 3), coinci-
dindo com os resultados encontradospor
Radostitis et al. (2002).
Como o descrito por Tejero et al. (2009),
realizou-se a toracocentese bilateral destes
animais após notar-se acúmulo de líquido
na área respiratória durante a auscultação.
Figura 2: Edema de membros observado du-
rante a avaliação física
...............................................................................
Figura 3:
Espaço
Pleural
(EP) com
presença
de Fibrina
(FIBRI)
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10 • 
No primeiro animal, obteve-se 21 litros
de exsudato do lado esquerdo do tórax e 7
litros do lado direito; já no segundo animal,
a quantidade não foi mensurada (Figura 4).
Na análise do líquido pleural do primei-
ro caso, o líquido apresentava-se averme-
lhado, com odor alterado e com aspecto tur-
vo; já no segundo caso, o líquido apresen-
tava-se com aspecto sero-purulento (Figu-
ra 5).
Como citado por Smith (2006) e Tejero
et al. (2009), o líquido pleural normal con-
tém menos de 10.000 células/µl, onde 60%
são neutrófilos e proteína total chega a me-
nos de 3 g/dl. Quando o equino encontra-se
com pleuropneumonia, como no caso do
primeiro animal onde se realizou a análise
do líquido drenado, observou-se a apresen-
ta de leucocitose (obteve-se uma quantida-
de de 23.600 células nucleadas), seguida de
uma hiperproteinemia.
Na análise sanguínea as descobertas la-
boratoriais são pouco específicas, consistin-
do em parâmetros bioquímicos e um hemo-
grama, geralmente normais em casos agu-
dos, o que foi notado nestes dois casos, onde
não havia alterações consideráveis (Tejero
et al., 2009).
Na realização da avliação necroscópi-
ca, a pleura encontra-se espessa com pon-
tes de fibrina e líquido pleural em excesso.
O líquido pleural apresenta turbidez, fibri-
na e a coloração varia do serossanguinolen-
to a amarelada. Tais características descri-
tas por Radostitis et al. (2002), também fo-
ram observadas nestes dois animais (Figu-
ras de 6 a 10).
Tratamento
Para a terapia antimicrobiana sistêmica,
utilizou-se o metronidazol, devido a sua
ação sobre bactérias anaeróbias, na dose de
5 mg/kg; um aminoglicosídeo, no caso a
gentamicina, como um antibacteriano de
anaeróbias Gram negativas na dose de 6,6
mg/kg; um beta-lactâmico, por ser um bac-
tericida de amplo espectro, no primeiro caso
utilizou-se a ampicilina, na dose de 10 a 30
mg/kg, e no segundo caso utilizou-se uma
cefalosporina de terceira geração (ceftiofur),
na dose de 2,2 a 4,4 mg/kg.
A escolha de tais medicamentos e suas
doses foram baseadas em estudos realiza-
dos por Radostitis et al. (2002), Reed; Bayly
(2004), Smith (2006) e Auer; Stick (2007).
Na terapia anti-inflamatória e analgésica,
optou-se pelo uso do dimetilsulfóxido
(DMSO), na dose de 0,25 a 1g/kg; além de
um anti-inflamatóro não esteroidal (AINE),
como o flunixim meglumine, na dose de 1,1
Figura 5:
Coloração do
líquido pleural
obtido através da
toracocentese
Figura 4:
Toracocentese
realizada no
primeiro animal
atendido
Figuras 6 e 7:
Pontes de fibrina no
espaço pleural
encontradas no
exame necroscópico
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 • 11
CONCLUSÃO
A pleuropneumonia possui um tratamen-
to longo e de alto custo, com isto, seu diag-
nóstico precoce e tratamento imediato é in-
dispensável. Porém na grande maioria das
vezes, os sinais não são notados e a evolu-
ção do quadro torna a recuperação mais di-
fícil.
Devido as semelhanças desta enfermi-
dade com a pneumonia, deve-se ter uma
avaliação correta para obter-se a diferenci-
ação, assim conseguindo-se uma interferên-
cia mais precisa.
Nos dois casos, apesar de instaurar-se a
terapia citada pela literatura e manter os
animais sob monitoração constante, ambos
vieram a óbito por complicações do qua-
dro. 
Referências
1. AUER, J.A.; STICK, J.A. Equine Surgery. Phila-
delphia: W.B. Saunders Elsevier, 2006, 3.ed., 1383p.
2. HODGSON, D. Pleuropneumonia or Travel Sick-
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<ht tp : / /www.abraveq .com.br /even tos_pdf /
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São Paulo: Livraria Varela, 2005, 573p.
mg/kg. As doses citadas para o AINE, vari-
am conforme os autores, porém esta dose
utilizada para tais animais coincide com a
utilizada por Tejero et al. (2009).
Como tratamento suporte, utilizou-se a
fluidoterapia com solução de ringer com
lactato, um mucolítico e broncodilatador,
como a bromexina, na dose de 75 a 90 mg/
animal a cada 24 horas; além do preventivo
contra laminite, onde utilizou-se a hepari-
na, um anti-coagulante, na dose de 50 a 100
UI/kg e gelo nos membros no intuito de di-
minuir o edema e promover a vasodilata-
ção periférica.
Figuras 9 e 10:
Lóculos de fibrina
onde o líquido se
acumula
Figura 8:
Turbidez e
acúmulo de
fibrina do
líquido pleural
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12 • 
INTRODUÇÃO
A endotoxemia consiste na presença de
endotoxinas na corrente sanguínea19 e repre-
senta grande importância em equinos, por
se tratar da maior causa de mortalidade nes-
sa espécie42, acometendo 40% dos animais
com quadro de cólica25. Tem como grave
consequência a sepse, resposta inflamató-
ria sistêmica47,48 que se caracteriza por va-
sodilatação, depressão miocárdica, redução
do volume intravascular e metabolismo au-
mentado68.
Além da endotoxemia, a sepse pode ser
secundária a infecções, quando estas atin-
gem grau severo, diversos órgãos ou quan-
do têm acesso à circulação sistêmica19.
As manifestações clínicas provenientes
de quadros sépticos dependem da via, dose,
virulência do microrganismo gram negati-
vo envolvido e características particulares
do hospedeiro. Os sinais variam desde ta-
quipneia37, taquicardia, hipotensão e hiper
ou hipotermia16,52à edema19 e hemorragias
secundárias à Coagulação Intravascular Dis-
seminada - CID37.
Quadros endotoxêmicos provêm das
mais diversas patologias, entre elas: distúrbi-
Efeitos da solução salina hipertônica em quadros de
Natalie Arruda Bergamaschi
(budiberga@yahoo.com.br)
Médica Veterinária autônoma
Pâmela de Lima Bernardes
(pam_nardes@hotmail.com)
Médica Veterinária autônoma
Maricy Apparício*
(maricyap@hotmail.com)
Profa. Adjunta da Faculdade de
Jaguariúna, SP
José Aldo Pucceti Moraes Santos
(equisportvet@yahoo.com.br)
Prof. Adjunto da Faculdade de
Jaguariúna, SP
* Autora para correspondência
“Effects of hypertonic saline solution in equine endotoxemia: review”
“Efectos de la solución salina hipertónica en la endotoxemia equina: revisión de la literatura”
os gastrointestinais, peritonites, pneumoni-
as, pleurites, metrites tóxicas, septicemia
neonatal38, retenção de placenta, choques he-
morrágico e hipovolêmico e trauma seve-
ro1. Em vista do fato dos equídeos serem
particularmente sensíveis a quadros gastro-
intestinais (devido a questões anatomofisi-
ológicas e de manejo) estes se tornam a
maior causa de endotoxemia nesta espécie64.
Dentre os diversos princípios terapêuticos
usados para o tratamento de endotoxemia
em equinos, a solução salina hipertônica
(SSH) tem ganhado espaço por ser efeti-
va11,19,38 e de baixo custo11.
Utilizadas por mais de 70 anos no trata-
mento de choques hipovolêmicos18, elas cor-
rigem os efeitos hemodinâmicos através de
restauração do volume plasmático, vasodi-
latação de vasos precapilares18,22,38 aumento
da contratilidade cardíaca11,17,21, além de
possuírem uma ação anti-inflamatória36,55.
Considerando a importância clínica da
endotoxemia em equinos e os avanços fei-
tos nos últimos anos em relação à aplicação
da solução salina hipertônica nestes quadros,
este trabalho teve como objetivo realizar
uma revisão bibliográfica acerca de seus
efeitos sistêmicos, bem como de sua apli-
cação prática nesta síndrome.
1. Endotoxemia em Equinos
A endotoxemia consiste na presença de
endotoxinas (lipopolissacarídeos) na corren-
te sanguínea19. Os lipopolissacarídeos foram
descritos pela primeira vez por um cientista
alemão há aproximadamente um século38 e
consistem na estrutura da parede celular
externa de bactérias gram-negativas19.
Embora a endotoxemia possa ser pro-
veniente das mais diversas patologias, tais
como peritonites, pleurites, metrites tóxicas,
septicemia neonatal38, retenção de placen-
ta, choques hemorrágico e hipovolêmico e
trauma severo1, ela está mais intimamente
relacionada a quadros de distúrbios gastro-
intestinais59,74 sendo a espécie equina parti-
cularmente sensível a estes37,64. Acredita-se
que essa sensibilidade se deve tanto a fato-
res anatômicos como de manejo. Conside-
rando a capacidade digestiva total dos equi-
nos, eles possuem um estômago relativamen-
te pequeno, com alta capacidade de resistên-
cia do cárdia (o que impede a regurgitação),
intestino delgado preso a um mesentério
em equinos: revisão
RESUMO: A endotoxemia é uma síndrome sistêmica que promove desequilíbrios circulatórios severos e falência
múltipla de órgãos, sendo a maior causa de mortalidade em equinos. Após diversos estudos em choque
hemorrágico, a Solução Salina Hipertônica vem sendo aplicada a quadros sépticos pelos seus efeitos pró-
circulatórios. O objetivo desde trabalho foi realizar uma revisão bibliográfica referente aos efeitos desta solução
em quadros endotoxêmicos em equinos.
Unitermos: endotoxemia, equinos, solução salina hipertônica
ABSTRACT: Endotoxemia is a systemic syndrome that promotes severe circulatory imbalances and multiple
organ failure, being the major cause of mortality in equines. After several studies in hemorrhagic shock, Hypertonic
Saline Solution has been applied in sepsis due to its pro circulatory effects. The objective of this work was to
perform a literature review related to the effects of this solution in equine endotoxemia.
Keywords: endotoxemia, equine, hypertonic saline solution
RESUMEN: La endotoxemia es una enfermedad sistémica que promueve desequilibrios circulatorios graves y
fallo multiorgánico, la mayor causa de muerte en caballos. Después de varios estudios en shock hemorrágico, la
solución salina hipertónica está siendo aplicada a las condiciones sépticas por sus efectos pro-circulatorios. El
propósito de este trabajo fue realizar una revisión de la literatura relacionada con los efectos de esta solución en
la endotoxemia equina.
Palabras clave: endotoxemia, equino, solución salina hipertónica
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 • 13
livre na cavidade, junto a um intestino gros-
so longo e também livre, contendo flexuras
que se tornam obstáculos na passagem do
bolo alimentar64. Além disso, a partir da in-
trodução do cavalo na equideocultura mo-
derna, sua alimentação passou a ser artifici-
al, o que pode ter interferido em sua fisiolo-
gia digestória8.
Nos quadros de síndrome cólica, mais
pronunciadamente em lesões inflamatórias
do que isquêmicas20, ocorre uma falha nas
defesas fisiológicas entéricas dos equinos
(barreira física intestinal e secreção de liso-
enzimas, enzimas e anticorpos) e os lipo-
polissacarídeos (LPS) são liberados após
rápida proliferação ou morte bacteriana1,
atingindo a circulação sistêmica quando
atravessam a mucosa acometida ou pelas
junções intercelulares19. Mesmo que presen-
tes no lúmen intestinal dos equinos3 e até
mesmo na corrente circulatória, as bactéri-
as só são capazes de causar danos sistêmi-
cos quando presentes em grandes quantida-
des, a ponto de as células mononucleares
não serem capazes de eliminá-las38. Inde-
pendente de sua origem patológica, uma vez
na corrente circulatória, o LPS desencadeia
a mesma reação sistêmica38 com efeitos de
dano direto ao endotélio vascular, agrega-
ção plaquetária, ativação da cascata de co-
agulação e diminuição da atividade da anti-
trombina III, inibidor natural da coagula-
ção73.
O processo patológico tem início quan-
do as endotoxinas ligam-se à Proteína Li-
gadora de LPS (LBP), que catalisa a liga-
ção entre LPS e os receptores de membrana
dos macrófagos9 iniciando uma cascata de
sinalização intracelular que resultará na li-
beração de diversas citocinas: o Fator de Ne-
crose Tumoral (FNT), interleucinas, quimi-
ocinas, leucotrienos, moléculas de adesão e
óxido nítrico44. Além disso, as células mo-
nonucleares, uma vez ativadas, intensificam
a ação das enzimas Fosfolipases A2 e C, que
produzirão mediadores do ácido araquidô-
nico e fator ativador de plaquetas (FAP)37.
Apesar de estas citocinas participarem
na patogenia da sepse como um todo, o FNT,
IL-1 e IL-6 são as mais estudadas e as que
merecem maior destaque37.
O FNT é produzido pelos macrófagos e
é capaz de desencadear a mesma reação sis-
têmica que a própria endotoxina. Tem ação
em neutrófilos (aumenta sua atividade, au-
mentando sua liberação de enzimas lisos-
sômicas e radicais de O2), linfócitos, célu-
las mononucleares e endoteliais, amplifican-
do a resposta inflamatória. Outros efeitos
sistêmicos incluem: aumento sérico dos
hormônios cortisol, glucagon e insulina;
promoção da gliconeogênese; atividade pro
– coagulante e de trombomodulina pelas
células do endotélio vascular; produção de
prostaglandina hipotalâmica e indução de
IL-1 e IL-6, levando à febre; hipotensão;
necrose tubular renal por deposição de imu-
nocomplexos; hemorragia pulmonar e aci-
dose metabólica66.
Produzida também por macrófagos, cé-
lulas endoteliais, sinoviais, epiteliais gen-
givais e corneais, astrócitos e células me-
sangiais renais, a IL-1 tem sua produção si-
nalizada pelo FNT e é capaz de ativar linfó-
citos T, estimulando síntese de linfócitos B;
potencializa os efeitos do FNT (febre e res-
posta inflamatória aguda) e provoca desar-
ranjos endoteliais19.
A IL-6, produto dos fagócitos mononu-
cleares no tecido local, células endoteliais
e fibroblastos35, é responsável pela reposta
não específica na fase aguda, sendo um mar-
cador hematológico inicial da inflamação.
Além depromover a febre, leucocitose e
aumento na produção de proteínas hepáti-
cas, é capaz de estimular células precurso-
ras imaturas de linhagem múltipla e produ-
zir o hormônio adrenocorticotrópico19.
O FAP é produzido por leucócitos ati-
vados, células endoteliais e plaquetas. O li-
sofosfolipídeo restante da atividade da fos-
folipase na cascata do ácido araquidônico,
estimulados por hipóxia tecidual, endoto-
xina e FNT, sofre ação enzimática, sendo
convertido em FAP. Este, por sua vez, re-
sulta em efeitos de hipotensão, a partir de
diminuição do tônus vascular e ação ino-
trópica negativa; aumento da permeabilida-
de vascular; indução de edema pulmonar e
brônquico; necrose intestinal isquêmica e
Coagulação Intravascular Disseminada
(CID)19.
Os leucócitos, células endoteliais e pla-
quetas, quando ativados, resultam na res-
posta inflamatória exagerada presente na
sepse57. De forma direta, o LPS, junto do
FNT, é capaz de promover a migração de
neutrófilos ao endotélio vascular diminuin-
do sua deformabilidade, ou seja, impedin-
do que estes possam sofrer diapedese e al-
cançar o tecido19. Dessa forma, os neutrófi-
los acumulam-se na periferia dos vasos e
aderem-se a ele, liberando suas enzimas pro-
teolíticas e desencadeando quadro de vas-
culite6.
A aderência endotelial dos neutrófilos
aumenta também sua capacidade oxidativa,
isto é, a liberação de radicais de O2 reativos
que, aliado a enzimas lisossômicas, resul-
tam em lesão endotelial e tecidual local.
Estas lesões, por sua vez, expõem o coláge-
no subendotelial, liberando tromboplastina
e, por consequência, ativando as cascatas
intrínseca e extrínseca de coagulação, que
levam a um quadro de CID19.
Se forem suficientemente severas, estas
infecções induzem uma insuficiência orgâ-
nica múltipla por hipóxia tecidual e perda
do tônus vascular generalizado, levando a
um choque séptico25,66.
Inúmeras alterações sistêmicas ocorrem
durante o choque. Em uma fase inicial tem-
se aumento do débito cardíaco, diminuição
da resistência vascular periférica, pressão
arterial normal ou levemente diminuída e,
clinicamente, vê-se febre com extremidades
quentes. Já na fase final do choque, há di-
minuição do tônus vascular e do miocárdio,
aumento da permeabilidade microvascular,
resultando clinicamente em edema, aumen-
to na coagulação intravascular e aderência
leucocitária37.
A patogenia da endotoxemia está ilus-
trada na Figura 1.
2. Soluções Hipertônicas
O uso de soluções hipertônicas no cho-
que hemorrágico é amplamente descri-
to32,43,61. Em casos de endotoxemia, entre-
tanto, há poucos estudos sobre seus efei-
tos27,44,72.
O desafio principal nos quadros de cho-
que, tanto hipovolêmico quanto séptico, é a
perfusão adequada dos tecidos37. Para isto,
a quantidade de infusão de líquidos colói-
des ou cristalóides necessária para reversão
do choque é muito grande, o que se torna
um empecilho nestes casos em que o tempo
de ação é determinante54. A correção da pres-
são sanguínea arterial pela aplicação de
grandes volumes destas soluções ainda pode
resultar em edema pulmonar e periféri-
co2,39,67. As principais soluções hipertônicas
são: ureia, cloreto de sódio, dextrose, clo-
reto de potássio e salina hipertônica, sendo
a última a mais comumente utilizada em
equinos38.
2.1. Solução Salina Hipertônica
O termo “Salina Hipertônica” é utiliza-
do para soluções que contenham concentra-
ções de sódio e cloreto maiores que a solu-
ção de Cloreto de sódio (NaCl) a 0,9%, já
que esta também é ligeiramente hiperosmó-
tica62.
Desta forma, a solução salina hipertôni-
ca (SSH) tem sido testada clinicamente nas
mais diversas concentrações62. Dibartola17
menciona a Solução hipertônica de cloreto
de sódio nas concentrações de 7 a 23,4%,
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14 • 
enquanto Strandvik62 considera concentra-
ções de 1,8 a 30% de salina. Concentrações
acima de 10%, entretanto, são consideradas
de risco por abrirem as junções da barreira
hematoencefálica63.
A resposta circulatória frente à adminis-
tração de solução hipertônica é complexa e
consiste dos mais diversos reflexos, tanto
diretos como indiretos22. A SSH age inicial-
mente aumentando o volume sanguíneo atra-
vés de gradiente osmótico, movendo água
livre do espaço intracelular e trato gastroin-
testinal para o lúmen vascular11,58. Esta mo-
bilização de fluidos ocorre inicialmente nos
eritrócitos e células endoteliais, levando a
uma diminuição da resistência vascular, se-
guida de melhora na perfusão tecidual12,40 e
aumento do fluxo sanguíneo para vasos pe-
riféricos50. A administração de SSH promo-
ve a liberação de substâncias endógenas
vasodilatadoras, melhorando o fluxo sanguí-
neo periférico e a função cardíaca50. Este
efeito vasodilatador, entretanto, permanece
somente durante a administração da solu-
ção, cessando assim que a infusão é inter-
rompida10.
Dentre os efeitos mais importantes da
SSH, podemos destacar a melhora da fun-
ção imunológica15. A hipertonicidade regu-
la a produção e secreção de citocinas pelos
macrófagos e monócitos, inibindo as cito-
cinas pró-inflamatórias e ativando as anti-
inflamatórias13,46.
O estado hiperosmótico promove uma
redução na produção de TNF-α e aumento
na produção de Il-10 e Il-ra, citocinas de
ação anti-inflamatória44,56. A SSH ainda é
capaz de suprimir a ação dos neutrófilos
através da redução da liberação de enzimas
proteolíticas, da produção de radicais livres
e da expressão de moléculas de adesão6, fa-
zendo com que menos polimorfonucleares
sejam marginalizados e possam provocar
danos ao endotélio53.
Alguns efeitos adversos acompanham o
uso da SSH. Preocupações com a seguran-
ça do uso desta solução ficam centralizadas
principalmente nas consequências de um es-
tado hiperosmótico. A complicação mais te-
mida é a Síndrome da Desmienilização Os-
mótica30, retratada em pacientes humanos
com hiponatremia e desnutrição75. A rápida
expansão plasmática proveniente da admi-
nistração de soluções hipertônicas pode ain-
da levar a uma falência cardíaca aguda e
edema pulmonar63. Concentrações maiores
que 10% de solução salina hipertônica são
conhecidas por abrirem as junções hemato-
encefálicas, o que pode resultar em um fe-
nômeno de osmose reversa, causando ede-
ma cerebral e conseqüente aumento da pres-
são intracraniana75.
Em pacientes humanos gravemente de-
sidratados o seu uso pode acentuar a desi-
dratação celular e efeitos colaterais como
acidose por hipercloremia e falência renal
hiperosmolar devem ser considerados. Es-
tes efeitos, entretanto, não são comprova-
dos em animais60.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A sepse é capaz de promover distúrbios
cardiovasculares severos, comprometendo
a perfusão tecidual de forma geral e poden-
do causar a morte por disfunção orgâni-
ca41,69. Desta forma, a manutenção e restau-
ração do volume intravascular em pacien-
tes sépticos são imprescindíveis45. Embora
pacientes em choque séptico possam ser
ressuscitados tanto com soluções coloides
como cristaloides, o volume necessário para
que se reverta o choque com cristaloides
chega a 4 vezes mais quando comparado a
coloides, aumentando ainda o risco de for-
mação de edema tecidual31.
Hardy28 afirma que um único litro de
SSH é capaz de expandir o volume sanguí-
neo em aproximadamente 4,5 litros, enquan-
to o mesmo volume infundido de uma solu-
ção cristaloide promove expansão plasmá-
tica de apenas 300 ml62.
Os efeitos sistêmicos da SSH, ampla-
mente estudados em choque hipovolêmico,
parecem ser aplicáveis também a quadros
endotoxêmicos45. Apesar de um bólus úni-
co de NaCl a 7%, na dose de 4 ml/kg, ser
capaz de promover expansão plasmática
comparável a apenas ¼ de volume de solu-
ções coloides17, os coloides podem causar
reações anafiláticas severas e até mesmo dis-
túrbios de coagulação31. Na tentativa de re-
duzir estas reações e prolongar o efeito de
duração, a SSH é utilizada em combinação
com diversas soluções coloides e cristaloi-
des. Entre elas: Hetastarch Plus49, Dex-
tran44,71 e Glicose 5%4.
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Figura1: Quando liberado na corrente sanguínea, o LPS tem ação direta sobre o endoté-
lio vascular (1) e promove a ativação de neutrófilos (2) e monócitos (3). 1: No endotélio
ele é capaz de induzir a expressão do Fator Tecidual (FT), responsável pela ativação de
cascatas proteolíticas, que leva a uma conversão de protrombina em trombina, gerando
fibrina a partir do fibrinogênio. O mecanismo natural de remoção da fibrina é comprome-
tido pela ação do Inibidor do Ativador de plasminogênio (IAP), que evita a geração de
plasmina a partir do plasminogênio precursor. Estes mecanismos simultâneos resultam
em um aumento na produção de fibrina com consequente redução na sua remoção, o
que leva à deposição de coágulos de fibrina em vasos de pequeno calibre, perfusão
tecidual inadequada e falência múltipla de órgãos. 2: Os neutrófilos contribuem para a
oclusão e dano vascular a partir da liberação de citocinas e radicais de O2, expondo o
colágeno sub endotelial que desencadeia quadro de CID. 3: Os monócitos e macrófagos,
da mesma forma que os neutrófilos, promovem a instabilidade vascular a partir da libera-
ção de citocinas e enzimas que lesam o endotélio de forma direta9. A coagulopatia, febre
e extravasamento capilar causado pela vasodilatação, levam o animal a um quadro sépti-
co com consequente falência múltipla de órgãos9.
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16 • 
Os efeitos da SSH sobre a contratilida-
de cardíaca são amplamente discutidos, uma
vez que diversos autores asseguram seu au-
mento17,33,34,57, enquanto outros o questio-
nam11. Estudos in vitro mostraram que a
concentração sérica de sódio tem influên-
cia direta sobre a contratilidade cardíaca14,65.
Porém, uma hipernatremia repentina (como
observado após a administração de SSH)
tem efeito inotrópico negativo que dura até
10 minutos5,23,24, enquanto que apenas uma
queda na concentração sérica de sódio, pró-
ximo aos valores normais, é capaz de pro-
mover um efeito inotrópico positivo, devi-
do a troca de íons Ca/Na, e consequente
aumento do cálcio intra-celular14,26.
Estudos in vivo também demonstraram
este efeito de diminuição da contratilidade
cardíaca29,70, que regride com o tempo pela
estabilização do sódio intracelular e inter-
rupção do fluxo intracelular de cálcio11.
De acordo com Constable11 os resulta-
dos de estudos in vivo que indicam que a
SSH aumenta a contratilidade cardíaca fo-
ram mal interpretados pela redução da pós-
carga induzida pelo SSH, resultando em re-
flexos barorreceptores mediados por ativa-
ção simpática do coração. Essa resposta re-
flexa aumenta tanto a frequência cardíaca
como sua contratilidade, obscurecendo as-
sim o efeito inotrópico negativo direto da
SSH.
Apesar de possivelmente diminuir a con-
tratilidade cardíaca de forma provisória, a
SSH é capaz de aumentar o débito cardíaco
por aumento da pré-carga e diminuição da
pós-carga e, quando administrada em doses
próximas a 2400 mOsm/L (7,2%), não é
capaz de induzir bradicardia11.
Em estudo controlado em humanos com
quadro séptico, foram monitorados os ní-
veis plasmáticos de sódio, sendo que o es-
tado hipertônico do grupo que recebeu a
SSH não causou nenhum dano aparente.
Não obstante, pacientes que apresentavam
hipo ou hipernatremia severas, não recebe-
ram a aplicação de hipertônica pelo risco
de mielinólise e possíveis danos causados
pelo aumento rápido no sódio sérico45.
Os efeitos imunológicos da SSH e seus
mecanismos ainda não foram bem defini-
dos36. Estudos sugerem que as repostas imu-
nológicas benéficas frente à administração
de SSH estão relacionadas aos efeitos de
hipertonicidade, pela supressão da função
neutrofílica. De acordo com Ciesla e cola-
boradores7, o aumento da tonicidade surte
efeito na redução do volume celular e reor-
ganização do citoesqueleto, atuando ainda
na cascata de sinalização intracelular. Logo,
a integridade do citoesqueleto é relaciona-
da com respostas citotóxicas dos neutrófi-
los, como quimiotaxia, adesão, fagocitose
e degranulação51.
Wade72 demonstrou que a infusão pre-
coce de SSH pode proteger o tecido contra
inflamação e melhorar a resposta imune na
sepse. Ainda, em estudos com choque he-
morrágico, evidenciou-se uma produção
menor de neutrófilos na resssuscitação com
SSH quando comparada a Ringer com Lac-
tato53 e uma diminuição nos danos pulmo-
nares pelo efeito atenuante da SSH sobre a
infiltração de neutrófilos no lavado bron-
coalveolar55,76.
Discussões ainda permanecem sobre as
concentrações e doses mais seguras a se-
rem empregadas, porém os estudos vêm
demonstrando alguns efeitos benéficos pro-
missores desta solução em quadros de en-
dotoxemia. 
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 • 19
20 • 
Luis Fonseca Matos*
(lmatos@uenf.br)
Prof. associado na Univ. Estadual
do Norte Fluminense Darcy
Ribeiro/UENF, Campos dos
Goytacazes, RJ
Paula Alessandra Di Filippo
Profa. associada na Univ. Estadual
do Norte Fluminense Darcy
Ribeiro/UENF, Campos dos
Goytacazes, RJ
Haymery Salardani da Silva
Médica Veterinária autônoma
Janaina Leite Pereira
Residente em Reprodução e
Obstetrícia na Univ. Estadual do
Norte Fluminense Darcy Ribeiro/
UENF, Campos dos Goytacazes, RJ
Francielli Pereira Gobbi,
Denise Glória Gaiotte
Residente em Clínica e Cirurgia em
Grandes Animais na Univ. Estadual
do Norte Fluminense Darcy
Ribeiro/UENF, Campos dos
Goytacazes, RJ
* Autor para correspondência
uterina em
égua: relato
de caso
Figura 1: Retirada do feto
por tracionamento dos
membros posteriores
..................................................
“Uterine torsion in mare: case
report”
“Torción uterina en la yegua:
reporte de caso”
RESUMO: A torção do útero em equinos apesar de pouco frequente, predispõe a sérias complicações. Sinais de
dor abdominal são comuns e podem ser confundidos com obstrução do trato gastrointestinal e devido ao risco
de óbito para a mãe e o feto é fundamental o atendimento imediato. O presente trabalho relata o caso de uma
égua encaminhada ao Hospital Veterinário da UENF com sinais de dor abdominal intensa. Após palpação retal,
ultrassonografia e vaginoscopia, suspeitou-se de torção de uterina. Decidiu-se pela cirurgia cesariana. No
procedimento cirúrgico confirmou-se a torção uterina, retirando-se o feto e corrigindo a torção. Após o
reposicionamento do útero, a cavidade abdominal foi explorada e nenhuma alteração gastrointestinal concomitante
foi encontrada. A égua apresentou plena recuperação no pós-operatório, entretanto o feto veio a óbito três dias
após a cirurgia.
Unitermos: torção uterina, égua, cesariana
ABSTRACT: The uterine torsion in horses, although uncommon, predisposes to serious complications. Signs of
abdominal pain are common and can be confused with obstruction of the gastrointestinal tract. Due to the risk of
death for the mother and the fetus, immediate veterinary care is fundamental. This paper reports the case of a
mare sent to the Veterinary Hospital of UENF with signs of severe abdominal pain. After rectal palpation, ultrasound
and vaginoscopy examination, it was suspected uterine torsion. It was decided by cesarean section. During the
surgical procedure, uterine torsion was confirmed, the fetus removed and the torsion corrected. After repositioning
of the uterus, the abdominal cavity was exploited and no concurrent gastrointestinal disorder was found. The
mare had full recovery after surgery, however, the foal came to death three days after the surgery.
Keywords: uterine torsion, mare, cesarian section
RESUMEN: La torsión en los caballos aunque rara, predispone a complicaciones graves. Las señales de dolor
abdominal son comunes y pueden ser confundidas con obstrucción del tracto gastrointestinal. Debido al riesgo
de muerte para la madre y para el feto, una atención inmediata es necesária. Em este trabajo se comunica el caso
de una yegua enviada al Hospital Veterinario de la UENF con señales de dolor abdominal severo. Después de
hacer la palpación rectal, la ecografía y la vaginoscopia se sospechó de presencia de torsión uterina. Se decidió
hacer cesárea. El procedimiento quirúrgico confirmó que habia torsión uterina, el feto se extrajo y la torsión
uterina fue corrigida. Después de reposicionamiento del útero, la cavidad abdominal fue revisada y no se encontró
ningún problema gastrointestinal asociado. La yegua presentó recuperación completa después de la cirugía
todavía el feto murió tres días después de la cirugía.
Palabras-clave: torsión uterina, yegua, cesárea
Introdução
A torção do útero, embora pouco frequente na
égua, pode acontecer no terço final da gestação, es-
pecialmente no período que antecede ao parto ou
imediatamente após este, e pode se apresentar como
uma cólica leve em éguas1. Ela constitui 5 a 10% de
todos os problemas graves obstétricos em equinos2.
A torção do útero pode ocorrer na região pré ou pós-
cervical, o que determinará conjuntamente ao grau
de torção, a gravidade e urgência do atendimento
do caso. E as torções podem apresentar graus vari-
áveis de dor abdominal com duração de dois ou três
dias. O diagnóstico é feito por meio da palpação
dos ligamentos largos por via transretal. Na presen-
ça de torção, um dos ligamentos estará sob tensão,
e o grau de tensão e localização dos ligamentos
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Figura 2: Abertura da cavidade abdominal com exposição do corno uterino
tem por objetivo relatar o caso de uma égua
com gestação avançada que apresentou uma
torção uterina grave, atendida no Hospital
Veterinário da UENF, que foi submetida a
uma cesariana com sucesso.
Relato do Caso
Uma égua de 2 anos e 9 meses da raça
Quarto de Milha, pelagem alazã amarilha,
460 kg e com cerca de 300 dias de gestação
foi encaminhada pela manhã ao Hospital
Veterinário de Grandes Animais da UENF,
apresentando sinais de dor e desconforto ab-
dominal. O proprietário relatou que os si-
nais de dor intensa, incluindo rolamento do
animal no chão, começaram na manhã do
dia anterior, e que o animal já havia sido
medicado na propriedade com flunixin me-
glumine, d-sorbitol, antitóxico, hepatopro-
tetor, purgante salino e dipirona sódica.
O animal foi palpado via retal e exami-
nado com auxílio de um ultrassom e um va-
ginoscópio, porém, nada digno de nota foi
observado. Observou-se pela imagem ultras-
sonográfica do batimento cardíaco do feto
e que o mesmo encontrava-se na região ven-
tral direita. Os parâmetros clínicos estavam
normais, entretanto, as fezes estavam de ta-
manho reduzido e ressecadas. O animal foi
internado para observação, com suspeita de
cólica.
No final da tarde do dia seguinte, o ani-
mal voltou a apresentar sinais de dor inten-
sa como inquietação e rolamento no chão.
Foram administrados 20 ml de dipirona só-
dica e em seguida 10 ml de flunixin meglu-
mine. Na palpação retal o animal apresen-
tava sinais de dor, dificultando o exame, e
sugerindo alteração no trato gastrintestinal.
Por volta das 21:00h, o animal já não per-
mitia mais a palpação por via retal e ao exa-
me transabdominal com ultrassom obser-
vou-se que o feto havia se deslocado da re-
gião ventral direita para a esquerda. No exa-
me de vaginoscopia os vasos da região da
vaginal apresentavam-se muito congestos,
com diâmetro aumentado, de cerca de 1 a
1,5 cm, não sendo possível a visualização
da cérvix. Foi possível sentir à palpação da
vagina uma torção no sentido horário indi-
cando uma torção uterina.
Decidiu-se pela realização de cesariana
na manhãdo dia seguinte, sendo o animal
mantido com fluidoterapia até o momento
da cirurgia. O procedimento cirúrgico foi
realizado no Centro Cirúrgico do Setor de
Grandes Animais do Hospital Veterinário da
UENF. O proprietário foi informado dos ris-
cos da cirurgia e da baixa chance de sobre-
vivência do feto por ainda não ter comple-
tado a maturação fetal, porém concordou
com o procedimento cirúrgico com objeti-
vo de preservar a vida da fêmea.
No pré-operatório foi realizada ampla
tricotomia desde a região do púbis até a re-
gião da cartilagem xifoide, estendendo-se
por pelo menos 30 cm distante da linha bran-
ca seguida da antissepsia.
O protocolo anestésico baseou-se na uti-
lização de cloridrato de xilazina a 10% (0,5
mg/kg) via intravenosa (IV) como medica-
ção pré-anestésica. Em seguida, realizou-se
indica a gravidade e a direção da torção.
O prognóstico depende do grau de tor-
ção, duração dos sinais clínicos, complica-
ções e fase da gestação. Torções maiores que
270° e prolongadas são consideradas gra-
ves, podendo ocasionar a morte do feto e
ruptura uterina3. A correção deve ser cirúr-
gica por meio de laparotomia mediana ven-
tral ou pelo flanco3.
Normalmente quando a torção é mode-
rada, pode ocorrer reversão espontânea da
rotação quando o animal é movimentado,
não existindo grandes riscos para a vida do
feto e da égua. Na torção grave há um gran-
de comprometimento vascular, onde rapi-
damente o animal apresenta um quadro de
insuficiência circulatória e as conjuntivas fi-
cam congestas. A dor pode ser intensa e o
animal rolar no chão contraindo o abdômen
e emitindo gemidos. Em equinos a torção
uterina não tem demonstrado nenhuma pre-
dileção por raça ou idade4,5.
O diagnóstico é possível pela palpação
retal, mas nem sempre a palpação é um in-
dicador confiável nos casos brandos ou em
fase inicial, mas nos casos em que a torção
é considerável, este é comumente o méto-
do auxiliar útil para a obtenção do diag-
nóstico6. Sempre que uma égua apresentar
quadro semelhante à torção de útero, po-
derá se confirmar a suspeita através do exa-
me com espéculo e do toque retal, avalian-
do-se o grau e o tipo de torção e, instituir o
tratamento adequado. As torções discretas
podem ser revertidas por manobras manu-
ais girando a égua no solo sobre o dorso,
entretanto, torções moderadas ou graves
exigem laparotomia para corrigi-la, e não
raras vezes, é necessária a retirada cirúrgi-
ca do feto para que se possa corrigir o po-
sicionamento do útero. Todos os órgãos pal-
páveis dentro da cavidade abdominal de-
vem ser examinados para descartar um pro-
blema gastrointestinal concomitante. Quan-
do possível, o feto deve ser palpado ou ava-
liado por ultrassonografia para determinar
se ele está vivo ou morto, pois isso pode
influenciar a abordagem cirúrgica5. A pal-
pação transretal é considerada essencial
para o diagnóstico de torção uterina, em-
bora os resultados possam ser inconclusi-
vos em alguns casos7.
Têm sido sugeridas diferentes técnicas
para corrigir torção uterina equina. O mé-
todo de preferência deve basear-se no grau
de torção, a gravidade da dor, viabilidade
fetal, a preferência do cirurgião e cliente res-
trições financeiras8. A correção deve ser ci-
rúrgica por meio de laparotomia mediana
ventral ou pelo flanco3. O presente trabalho
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22 • 
Figuras 3 e 4:
Retirada do feto por
tracionamento dos
membros posterio-
res
Figura 5:
Sutura da cavidade
abdominal
a infusão sob pressão de éter gliceril guai-
col a 10% (100 mg/kg, IV) e posteriormen-
te cloridrato de cetamina (2 mg/kg, IV).
Após o decúbito, a manutenção anestésica
foi feita com mistura de xilazina a 10% (1
mg/kg), éter gliceril guaicol a 10% (100 mg/
kg, IV) e cetamina (4 mg/kg, IV) diluídos
em 1000ml de solução de ringer lactato.
Procedeu-se a incisão na pele, estenden-
do-se da cicatriz umbilical à base das ma-
mas, linha branca e peritônio, atingindo a
cavidade abdominal9. Após a abertura da ca-
vidade abdominal foi confirmada a torção
uterina, pela palpação da cérvix, vagina e
corpo do útero. Um dos membros posterio-
res do feto foi localizado e tracionado cui-
dadosamente para a exteriorização de parte
do corno uterino (Figura 2), realizando-se
a incisão no útero sobre o membro tracio-
nado. O potro foi retirado tracionando-se
inicialmente os membros posteriores com
cuidado para não lacerar o útero (Figuras
1, 3 e 4) e depois de sua retirado completa o
cordão umbilical foi ligado e seccionado.
O alantocórion foi deixado no interior
do útero e foi realizada uma sutura simples
contínua com fio categute ao redor de toda
a margem da incisão uterina para hemosta-
sia. Isto é necessário devido ao fato de que
o endométrio é francamente vinculado ao
miométrio e existe pouca hemostasia natu-
ral para as largas veias subendometriais. O
fechamento do útero foi efetuado em dois
planos de sutura, sendo o primeiro no pa-
drão simples contínuo para aproximação das
bordas uterinas e o segundo padrão em su-
tura invertida de cushing, ambas utilizando
o categute cromado número 2. Após a sutu-
ra, o útero foi lavado com soro fisiológico
aquecido para limpeza e remoção de coá-
gulos. Foi também realizada uma análise do
posicionamento das alças intestinais, ceco
e flexuras descartando alterações digestivas
concomitantes. Foi administrada uma solu-
ção a base de heparina na cavidade abdo-
minal minimizando o risco de aderências.
O abdome foi fechado com fio Vicryl em
padrão simples separado (Figura 5), segui-
do da redução do espaço morto subcutâneo
com categute e sutura com pontos separa-
dos tipo Wolff com fio de nylon na pele.
O tratamento pós-operatório instituído
foi uma terapia com antibióticos e anti-in-
flamatórios, fluidoterapia parenteral, admi-
nistração de estrógeno e ocitocina para ex-
pulsão da placenta, tratamento preventivo
para laminite, curativo local da ferida cirúr-
gica com iodo povidine tópico 1% e repe-
lente. Dois dias após a cirurgia a égua ex-
pulsou a placenta e após 15 dias de cirurgia
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 • 23
Figura 6: Animal recuperado 15 dias após a cirurgia
.....................................................................................................................................................................
o animal apresentava os parâmetros clíni-
cos normais, sendo autorizada sua alta (Fi-
gura 6). Cerca de um ano e meio após a
cirurgia, o proprietário informou que a égua
emprenhou e pariu naturalmente uma potra
saudável, sem complicações.
Discussão
As causas da torção uterina na égua não
são fatores bem definidos, mas incluem vi-
gorosa movimentação fetal, quedas bruscas,
feto grande em um volume relativamente
pequeno de fluido fetal, falta de tônus no
útero gravídico, abdômen com grande pro-
fundidade4, oscilações do útero em razão da
extensão dos ligamentos que o sustentam,
assimetria do corno uterino gravídico; quan-
tidade de líquido fetal e também idade, de-
vido à maior flacidez da parede abdominal1.
Nos casos de torção em que ocorrem próxi-
mo do parto, o feto pode assumir uma posi-
ção anormal, que contribui para a torção ute-
rina e assim pode causar distocia e consequen-
temente dor5. No presente caso não foi possí-
vel determinar a causa da torção.
Os sintomas podem estar presentes du-
rante um período variável, podendo durar
horas ou até dias. Observamos que o ani-
mal apresentava sinais intermitentes de dor,
o que poderia ser devido a uma torção in-
completa do útero que em determinados mo-
mento voltaria a sua posição inicial ou os
sinais de dor poderiam estar parcialmente
mascarados pela medicação administrada
previamente. No caso de torção uterina crô-
nica, os sintomas podem ser vagos e inclu-
em inapetência e depressão, podendo não
ser evidenciado em todos os casos7. No
momento do diagnóstico, quando o animal
apresentava dor aguda, foi possívelidenti-
ficar o deslocamento do feto da região ven-
tral direita para a região ventral esquerda,
indicando uma rotação no sentido horário.
O aumento do calibre dos vasos do vestíbu-
lo vaginal e rotação dos mesmos no exame
de vaginoscopia reforçaram a suspeita da
torção uterina.
A temperatura retal, as frequências car-
díaca e respiratória podem estar dentro dos
limites normais ou apenas ligeiramente ele-
vadas. A ausculta abdominal revelará sons
normais ou reduzidos do trato gastrintesti-
nal. Se a torção estiver associada com a rup-
tura uterina, sinais de dor mais grave po-
dem ser evidenciados, tal como febre, ta-
quicardia, hipovolemia, depressão e sinais
de peritonite8.
Optou-se pela incisão na linha mediana
ventral, pois esta permite um melhor aces-
so ao abdômen, o útero pode ser facilmente
observado verificando se há hemorragia,
edema, necrose e congestão, faz com que
seja mais fácil para reparar a ruptura da pa-
rede uterina e tratar concomitantemente al-
terações do trato digestivo5. As desvanta-
gens incluem o stress da anestesia geral so-
bre a égua e principalmente sobre feto, as
instalações cirúrgicas que são necessárias,
o preço da operação, e a forte tensão na in-
cisão ventral se a égua entra em trabalho
pouco depois da cirurgia, predispondo a
hérnia incisional5.
Apesar da cesariana em equinos ter in-
dicação reservada devida a alta susceptibi-
lidade do equino a contaminações da cavi-
dade abdominal, optou-se pelo procedimen-
to pelo fato do grau de rotação não ser pas-
sível de correção pela palpação retal e dor
intensa apresentada pelo animal.
Devido ao grande porte da égua e ele-
vado aumento da pressão abdominal pelo
útero gestante, dificilmente a torção pode-
ria ser desfeita sem a remoção do feto. Além
disso, se a torção fosse desfeita sem a re-
moção do feto, haveria a possibilidade de
ocorrer uma recidiva da torção uterina após
uma correção cirúrgica, pelo enfraqueci-
mento dos ligamentos, necessitando de uma
segunda cirurgia abdominal em curto perí-
odo de tempo.
Apesar da cesariana ter possibilitado a
correção da torção uterina, com plena recu-
peração da égua no pós-cirúrgico, o feto re-
tirado apresentava sinais de imaturidade. O
feto apresentava fraqueza muscular geral,
hipotermia, inabilidade de levantar-se e fi-
car em pé, reflexo de sucção fraco ou au-
sente, dificuldade respiratória e distensão de
tendões flexores. Apesar do suporte neona-
tal dado ao feto, este veio a óbito três dias
após a cirurgia.
Conclusão
A cesariana com incisão na linha branca
para correção da torção uterina em égua com
sinais agudos de dor abdominal permitiu a
plena recuperação do animal. 
Referências
1. THOMASSIAN, A. Enfermidades dos Cavalos. São
Paulo: Ed. Livraria Varela, 2000, 3.ed.
2. VANDEPLASSCHE, M.; PAREDIS, F.; BOUTERS,
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sio uteri. Vlaams Diergeneeskundig Tijdschrift,
v.30, p.1-11, 1961.
3. PYCOCK, J. Problems in late pregnancy. Proceedings
of the 10th International Congress of World Equine Vete-
rinary Association, p.241-243, 2008.
4. SPINCEMAILLE, J.; VANDEPLASSCHE, M.; BOU-
TERS, R. Optreden en behandeling van torsio uteri bij de
merrie. Vlaams Diergeneeskundig Tijdschrift,
v.39, p.653-662, 1970.
5. VASEY, J.R. Uterine Torsion. In MCKINNON A.O.,
VOSS J.L. Equine Reproduction. Philadelphia: Willia-
ms & Wilkins, 1993. P. 456-460.
6. KNOTTENBELT, D.C.; PASCOE, R. Torção Uterina.
Afecções e Distúrbios do Cavalo. São Paulo: Ed. Ma-
nole Ltda, 1.ed., 1998, cap.11, p.371-426.
7. DOYLE, A.J.; FREEMAN, D.E.; SAUBERLI, D.S.;
HAMMOCK, P.D.; LOCK, T.F.; ROTTING, A.K. Clini-
cal signs and treatment of chronic uterine torsion in two
mares. Journal of the American Veterinary Medical
Association, v.220, n.3, p.349-353, 2002.
8. DOLENTE, B.A. Critical peripartum disease in the
mare. Veterinary Clinics of North America: Equine
Practice, v.20, n.1, p.151-165, 2004.
9 - PRESTES, N.C.; LANDIM-ALVARENGA, F.C. Obs-
tetrícia Veterinária. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2006.
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24 • 
Metabolismo da unidade
Introdução
Grandes valores econômicos estão envolvidos di-
retamente com potencial genético das diferentes ra-
ças equinas, comercializado como cobertura, embri-
ões e gestação. Desta forma, qualquer distúrbio ocor-
rido durante a gestação, no peri-parto ou no período
neonatal pode ser prejudicial trazendo significativas
perdas econômicas ao criador.
Existem diversas condições que podem ser preju-
diciais à gestação da égua e o principal desafio dos
médicos veterinários é a identificação e abordagem
de cada caso. A avaliação dos hormônios responsá-
veis pela manutenção da gestação pode ser utilizada
para indicar algum comprometimento do feto ou pla-
centa1. Marcadores endócrinos da função placentária
e bem-estar fetal são instrumentos valiosos para o di-
agnóstico clinico de insuficiência placentária e acom-
panhamento da eficácia do tratamento2.
Monitorar nutricionalmente as éguas gestantes,
através de uma escala do escore corporal (BCS) e de
medidas objetivas, como a mensuração ultrassonográ-
Letícia da Silva Souza
(leticia_050@hotmail.com)
Acadêmica de Medicina
Veterinária - Univ. Federal de
Pelotas, RS
Carlos Eduardo W. Nogueira
(cewn@terra.com.br)
Prof. Dr., Depto. de Clínica
Veterinária - Univ. Federal de
Pelotas, RS
Ilusca Sampaio Finger*
(ilusca-finger@hotmail.com)
Doutoranda Programa de
Pós-Graduação em
Biotecnologia - Univ. Federal
de Pelotas, RS
Luan de Andrade Kickhofel
(l_kickhofel@hotmail.com)
Médico Veterinário Autônomo
Fernanda Maria Pazinato
(fezinha_mpz@yahoo.com.br)
Doutoranda Programa de
Pós-Graduação em
Veterinária - Univ. Federal de
Pelotas, RS
Bruna da Rosa Curcio
(curciobruna@hotmail.com)
Profa. Dra. Depto. de Clínica
Veterinária - Univ. Federal de
Pelotas, RS
* Autora para correspondência
“Unit metabolism fetus-placental in gestation mares: literature review”
“Metabolismo de la unidad feto-placentária en gestación de yeguas: revisión de la literatura”
fica e a altura da crista do pescoço, são algumas for-
mas de identificar animais obesos, pré-dispostos a
apresentar distúrbios metabólicos, gerando assim
mudanças que predisponham a alterações no meta-
bolismo do feto3.Também é importante saber se a égua
sofreu durante este período algum transtorno clínico
com envolvimento sistêmico, já que isto pode alterar
o fluxo placentário1. Na ausência de sinais clínicos
de placentite, a análise direta do líquido amniótico é
uma forma mais precisa de diagnóstico de infecção4,5.
Placenta Equina:
Desenvolvimento e Avaliação
As células trofoblásticas embrionárias dividem-
se rapidamente, como uma camada externa que acom-
panha o embrião. As células trofoblásticas sempre
formarão a camada mais externa da placenta. Aquela
que estará em contato direto com o endométrio. A
relação entre as células trofoblásticas (corión) e o
epitélio da fêmea é dada como um tipo de placenta-
ção corioalantóica6.
na gestação de éguas: revisão de literatura
RESUMO: O objetivo desta revisão é fazer uma abordagem a respeito de marcadores hormonais e metabólicos
envolvidos na gestação da égua. Muitos deles sintetizados na placenta, tornam-se fundamentais na manutenção
da gestação além de estarem relacionados ou até mesmo serem fatores que influenciarão diretamente em
características físicas e fisiológicas do potro. A avaliação placentária pode ser explorada como um método de
acompanhamento e diagnóstico para enfermidades que possam interromper a gestação. A observação clínica,
controle do histórico reprodutivo das fêmeas, determinação de marcadores como os citados anteriormente
associados como uma forma de evitar ou então minimizar as perdas com as alterações gestacionais.
Unitermos: endocrinologia, marcadores metabólicos, placenta equina
ABSTRACT: The objective of this review make an approach to the respect of some hormonal and metabolic markers
involved in the mare’s pregnancy. Many synthesized in the placenta, becomes the fundamental of pregnancy
maintenancein addition to being related or even be factors which directly influence on physical and physiological
characteristics of the foal. Placental assessment can be explored as a method of monitoring and diagnosis for
diseases that might disrupt pregnancy. Clinical observation, control the reproductive history of females, determination
markers such as those mentioned previously associated as a way to avoid or minimize losses then with gestational
changes.
Keywords: endocrinology, metabolic markers, equine placenta
RESUMEN: El objetivo de esta revisión crea un enfoque sobre algunos marcadores hormonales y metabólicos
implicados en el embarazo de la yegua. Muchos sintetizados en la placenta, se convierte en el fundamental de
mantenimiento embarazo además de estar relacionados o incluso ser factores que influyen directamente sobre las
características físicas y fisiológicas del potro. Evaluación de la placenta puede ser explorado como un método de
monitoreo y diagnóstico de enfermedades que pudiesen afectar el embarazo. La observación clínica , el control de
la historia reproductiva de las hembras , marcadores de determinación tales como los mencionados anteriormente
asociado como una manera de evitar o minimizar las pérdidas a continuación, con los cambios gestacionales.
Palabras clave: endocrinología, marcadores metabólicos, placenta equina
 • 25
26 • 
O desenvolvimento da membrana alan-
toide inicia nos equinos por volta dos 21
dias de gestação e sua expansão se dá por
volta dos 45 dias da gestação substituindo
o saco vitelino como estrutura placentária.
No período de formação dos microcotilé-
dones, os capilares fetais iniciam sua pene-
tração no epitélio coriônico, do qual esta-
vam separados anteriormente por uma ca-
mada de tecido conjuntivo. Ao mesmo tem-
po, os capilares maternos aproximam-se do
epitélio endometrial mesmo ainda estando
separados por uma camada de fibras colá-
genas. Essas mudanças ocorrem ao mesmo
tempo com a formação de uma capsula de
tecido conjuntivo ao redor do microcotilé-
done que limita o espaço no qual as vilosi-
dades fetais podem expandir-se7.
A avaliação da placenta deve ser reali-
zada, podendo ser utilizada para o diagnós-
tico de placentite8 e de outras alterações pla-
centárias6. Imediatamente após o parto a pla-
centa deve ser pesada e inspecionada para
o reconhecimento de lesões macroscópicas.
No momento da inspeção devem ser cole-
tadas biópsias para avaliação histopatoló-
gica. O diagnóstico pós-parto de placentite
ascendente pode ser confirmado através da
histopatologia placentária onde se identifi-
ca focos de inflamação supurativa, presen-
ça difusa de neutrófilos, piócitos e macró-
fagos9. Em todas as espécies a principal re-
lação metabólica da placenta com o feto é o
desenvolvimento fetal. Éguas com placen-
tite apresentam um aumento no peso da pla-
centa, o edema é o maior responsável pelo
aumento de peso. A placenta é capaz de se
adaptar, aumentando a capacidade de trans-
porte de nutrientes, ou através do aumento
da capacidade do feto em extrair nutrientes
da circulação umbilical.
Na avaliação da placenta, o peso médio
para placentas sadias é de 6.442±1.32 Kg e
uma placenta normal pesa em torno de 11%
do peso do potro. Segundo, Schlafer6 (2004)
logo após o parto a placenta deve ser exa-
minada minuciosamente para a identifica-
ção de alterações morfológicas macroscó-
picas, que possam comprometer a viabili-
dade do neonato. Assim como, o exame his-
topatológico das membranas fetais pode ser
útil em identificar alterações sem apresen-
tação macroscópica.
Para a realização do exame, deve-se ter
o conhecimento da anatomia e característi-
cas macroscópicas de uma placenta normal,
a fim de reconhecer as anormalidades. A pla-
centa equina é constituída por duas mem-
branas, alantocórion e alantoâmnion, e o
cordão umbilical. A face coriônica do alan-
tocórion é aderida ao endométrio através
dos microcotilédones, que se distribuem por
toda a membrana, exceto em uma pequena
área no interior da cérvix, denominada es-
trela cervical. O alantocórion é responsável
pela manutenção do feto, porque ele forne-
ce nutrientes e permite as trocas gasosas com
a mãe. Além disso, esta membrana é um
órgão endocrinologicamente ativo, produ-
zindo hormônios e metabólitos importantes
para a manutenção da gestação. O alantoâm-
nion permite a movimentação do feto den-
tro do útero, não possuindo ligação com o
alantocórion, exceto por uma pequena por-
ção do cordão umbilical. O cordão umbili-
cal possui uma porção alantoidea e uma
porção amniótica, sendo que ele representa
a única ligação do feto ao alantoâmnion. O
cordão umbilical é composto de duas arté-
rias e uma veia umbilical mais o úraco. O
comprimento dele é variável, oscilando de
50-100 cm10.
Além das estruturas anatômicas normais
poderem ser confundidas com lesões, alguns
artefatos também podem gerar erros. No
entanto tecidos que contém modificações
significantes sem o conhecimento da causa
devem ser enviados para análise histopato-
lógica. O edema ocorre ou por alteração
vascular inflamatória ou pode ser um arte-
fato. Um edema significativo ocorre em
partos prolongados, visto que o tecido pla-
centário não contém vasos linfáticos para
drenar os fluídos. Exposição excessiva a
água irá causar um acúmulo de líquido na
placenta causando o aspecto de edema, além
de aumentar o peso da placenta. O peso é
um parâmetro utilizado para identificação
de placentas anormais, por isso o entendi-
mento da causa do edema é de extrema im-
portância. A congestão vascular causada por
mediadores inflamatórios pode ser distin-
guida de artefatos por análise da superfície
alantoide e seus vasos. Em processos infla-
matórios ocorre neovascularização com in-
gurgitamento de pequenos vasos e capila-
res. A placenta exposta ao ar terá sua super-
fície seca rapidamente e ocorrerá descolo-
ração de áreas irregulares da placenta. Te-
cidos em autólise assumem aparência acin-
zentada e friável e devem ser diferenciados
de necrose, a qual é acompanhada por ede-
ma, congestão vascular e acúmulo de exsu-
datos. Contudo, sua distinção não é facil-
mente realizada macroscopicamente.
As causas não infecciosas de perda fe-
tal incluem falhas no desenvolvimento nor-
mal da placenta, que podem resultar de uma
lesão primária no endométrio da égua. Éguas
com lesões endometriais, tais como fibro-
se, não são capazes de desenvolverem nor-
malmente os microcotilédones coriônicos.
Esses animais frequentemente abortam du-
rante os primeiros três meses de gestação.
O desenvolvimento placentário inadequado
é observado também em gestações gemela-
res, onde ocorre aposição placentária.
A separação prematura da placenta, ge-
ralmente na região da estrela cervical, tam-
bém ocasiona diminuição das trocas entre
feto e a égua. As partes da placenta separa-
das do endométrio se encontram congestas.
Alterações no espessamento, necrose ou ex-
sudato inflamatório ajudam a diferenciar a
condição de placentite. Anormalidades do
comprimento do cordão são relativamente
comuns, com o comprimento excessivo sen-
do mais observado que cordões umbilicais
curtos. A torção do segmento amniótico do
cordão gera uma constrição do fluxo de uri-
na pelo úraco, causando distensão deste ou
da bexiga. Uma leve torção do cordão é ca-
paz de não gerar efeitos deletérios, no en-
tanto, pode causar um comprometimento
agudo, ocasionando morte fetal e aborto.
Porém, as condições infecciosas como
a amnionitis são comumente encontradas em
casos graves de placentite causados por in-
fecção bacteriana ou micótica. No entanto
é rara a incidência de casos sem a inflama-
ção associada do corioalantóide e do cor-
dão umbilical. O tingimento por mecônio é
considerado uma resposta fetal a casos de
estresse intrauterino. A pele do feto, líqui-
do amniótico e membrana amniótica ficam
tingidas de amarelo. Esse fenômeno ocorre
em casos de hipóxia fetal, infecção e des-
colamento da placenta além de compressão
do cordão umbilical. Doenças infecciosas
causadas por vírus, bactérias e fungos pro-
duzemlesões que muitas vezes são sugesti-
vas de determinada etiologia.
A citologia pode ser útil para revelar a
presença de células inflamatórias e do tipo
de microorganismo envolvido na doença. In-
fecções ascendentes se estendem de 10-20
cm da estrela cervical e em alguns casos
pode atingir a porção ventral do corpo ute-
rino. A exceção é a infecção por Crossiella
equi sp., a qual geralmente ocorre por via
hematógena e causa lesões mais extensas.
Nesses casos existe a presença de lesões
inflamatórias na porção cranial do corpo
uterino e nos cornos. Diferentemente, pla-
centites causas por Leptospirose e Cândida
produzem lesões difusas. As lesões geradas
por tais agentes são caracterizadas por apre-
sentação da placenta mais avermelhada e por
possuir pequenas áreas pálidas e irregula-
res. Em alguns casos existe envolvimento
 • 27
28 • 
................................................................
vascular ocasionando áreas de infarto da
placenta, que resulta em aspecto acinzenta-
do e uma clara linha delimitando as áreas
afetadas6.
O exame histopatológico da placenta
busca o reconhecimento de lesões não evi-
denciadas na macroscopia ou ainda para a
avaliação de uma lesão específica. Assim,
com a presença ou não de lesões, as carac-
terísticas histológicas da placenta também
apresentam relação com as características
do potro. Wilsher e Allen11 (2003) demons-
traram que a densidade das vilosidades co-
riônicas apresenta relação direta com o peso
do potro. As éguas primíparas, em especial
as de idade mais avançada, produzem po-
tros menores, provavelmente pela menor
superfície de trocas entre a mão e o feto11.
Através da avaliação histopatológica, po-
dem ser encontradas lesões degenerativas
ou alterações inflamatórias. As placentas
que apresentam lesões degenerativas, quan-
do presentes duas ou mais porções com le-
sões, podem resultar em potros com algum
comprometimento clínico. As placentas com
apenas uma porção com alteração inflama-
tória caracterizam placentite, e essas éguas
produzem potros com alteração.
Metabolismo Endócrino e
Interação Feto-Placenta
Placenta equina apresenta função endó-
crina, importante para a manutenção da ges-
tação após o desaparecimento dos corpos
lúteos secundários, em torno de 120 dias -
150 dias de gestação1. A unidade fetopla-
centária da fêmea equina produz hormôni-
os proteicos e esteroides. Aparentemente a
placenta não possui capacidade de produ-
zir progesterona, contudo sintetiza proges-
tágenos que próximo ao final da gestação
atingem elevados níveis11. Os cálices endo-
metriais da placenta produzem o ECG (Go-
nadotrofina Coriônica Equina) um hormô-
nio glicoproteico, que juntamente com o
corpo lúteo primário é responsável pela pro-
dução de progesterona para a manutenção
da gestação até os primeiros 120 dias de
gestação.
A menor produção materna de estrogê-
nio ocorre entre os dias 35 e 60, tendo, po-
rém pouco significado diagnóstico. Um au-
mento significativo na concentração de es-
trogênio plasmático ocorre após o dia 60.
Este aumento vem da unidade feto placen-
tária. McKinnon12 (2009) obteve medidas
das concentrações de estrogênios a partir do
dia 0-100 da gestação e comparou aos ní-
veis encontrados durante o ciclo estral. A
partir do dia 0-35 de gestação, as concen-
trações foram semelhantes às encontradas
durante o diestro. Um aumento nas concen-
trações entre os dias 40 e 60 foram ligeira-
mente superiores as concentrações pré-ovu-
latórias12.
As gônadas fetais fornecem precursores
que são convertidos pelos tecidos útero-pla-
centários para estrógenos. As concentrações
plasmáticas máximas durante os meses 7 e
8 de gestação, são seguidos por um declí-
nio gradual, que corresponde ao desenvol-
vimento no tamanho das gônadas fetais.
Entre os dias 150 e 280 de gestação os ní-
veis de estrógenos > 1000ng/mL são consi-
derados normais, e os níveis < 1000ng/mL
são indicadores de estresse fetal13.
Assim, as concentrações de estrógenos
na urina e no soro da égua a partir de 210
dias de gestação provem das gônadas fetais.
Se as gônadas fetais são removidas, as con-
centrações plasmáticas de estrogênio caem
imediatamente para níveis mais baixos. Em
geral, a detecção de estrogênio no soro ou
na urina apresenta um valor limitado para
diagnóstico de gestação, uma vez que se tor-
na confiável nas gestações tardias. A morte
fetal resulta numa diminuição imediata na
concentração de sulfato de estrona, portan-
to a medição deste sulfato pode fornecer um
índice de viabilidade fetal. Isto pode ser
particularmente útil quando outros métodos
para o acompanhamento de viabilidade fe-
tal, como ultrassonografia e a eletrocardio-
grafia não podem ser associados12.
Allen14 (2001) através dos efeitos de go-
nadectomia fetal em quatro éguas relatou
que a avaliação sérica de estrógenos deve
auxiliar no diagnóstico da presença de re-
tardo do crescimento intrauterino IUGR.
No entanto, os níveis de estrogênio séricos
aumentam entres dias 190-250 de gestação
e caem para os valores basais do feto a ter-
mo15. Na égua, os progestágenos permane-
cem constantes até as três semanas pré-par-
to, antes do parto os níveis aumentam gra-
dualmente. A concentração de 5-DHP, um
metabólito direto da progesterona, aumen-
ta gradualmente durante as últimas sema-
nas de gestação atingindo cem vezes o ní-
vel máximo da progesterona e então sofren-
do um declínio dentro de horas ou poucos
dias. Em éguas saudáveis, os progestáge-
nos são produzidos pelos tecidos útero-
plancetários a partir do precursor pregne-
nolona P5, fornecida pela adrenal do feto.
A P5 é então convertida à progesterona P4
Figuras 1 e 2: Disposição das superfícies
placentárias em forma de ‘F’, faces
alantoideana e coriônica respectivamente,
para avaliação macroscópica da placenta.
Observa-se lesão no corno não gravídico (D)
na face coriônica, sugestiva de placentite
2 ARQ
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 • 29
pelo metabolismo útero-placentário e secre-
tada na circulação umbilical ou ainda, me-
tabolizada em 5-DHP13. Em gestações em
que há sofrimento fetal ocorre um declínio
acentuado na produção de progestágenos; a
maioria dessas gestações foi associada ao
óbito fetal e aborto13.
Em estudos recentes, utilizando um
modelo experimental de placentite induzi-
da, verificou-se que as éguas que desenvol-
veram placentite crônica respondem com
concentrações plasmáticas de progesterona
elevadas. Por outro lado, éguas que desen-
volveram placentite aguda e aborto logo
após a infecção houve uma redução nas con-
centrações plasmáticas1. Radioimunoensaio
e ELISA são altamente específicos como
método diagnóstico. Uma vez que a proges-
terona tem demonstrado papel fundamental
na manutenção da gestação, não é surpre-
endente, que a administração de progeste-
rona a éguas com risco de aborto, tornou-se
uma prática bastante comum12.
Outro hormônio que foi relacionado com
alteração placentária na égua é a relaxina,
que é um hormônio polipeptídeo, membro
da família das moléculas semelhantes à in-
sulina2. Diferente do que ocorre em algu-
mas outras espécies, a produção de relaxi-
na em equinos e suínos ocorre de forma pri-
mordial na placenta e, desta forma, a redu-
ção dos níveis séricos pode indicar uma
deficiência da placenta em produzir este
hormônio16. A relaxina na gestação se ex-
pressa como um marcador do sistema en-
dócrino para avaliar tanto a função placen-
tária quanto o bem-estar fetal. Dessa for-
ma, os níveis de secreção de relaxina apre-
sentam-se comprometidos durante gestações
de risco. As concentrações plasmáticas de
relaxina podem ser determinadas utilizan-
do-se radioimunoensaio, como o descrito
por Stewart16 (1986). Ryan et al.2 (2009) de-
monstraram redução nos níveis séricos de
relaxina nos últimos 45 dias de gestação em
uma égua com placentite induzida, sendo
os níveis recuperados após tratamento.
Os fatores de crescimento IGF-1 e IGF-
2 são uma família de peptídeos, os quais jun-
tamente com a insulina, são os principais
reguladoresdo crescimento fetal durante a
gestação. São sintetizados nos tecidos fe-
tais e acredita-se estarem envolvidos na es-
timulação autócrina e parácrina da prolife-
ração e diferenciação celular durante o de-
senvolvimento17.
Os IGF-1 e 2 estão diretamente envol-
vidos no crescimento placentário e fetal18.
Baseados nisso, estes fatores foram utiliza-
dos, em modelo experimental de insufici-
ência placentária, como marcadores de
IUGR. Foi demonstrada uma redução dos
níveis de IGF-1 no soro fetal. Também foi
demonstrada uma redução da expressão de
IGF-2 na placenta, demonstrando redução
do crescimento placentário e, consequente-
mente, do feto19. Foi descrito que ratos com
ausência da expressão de IGF-2 placentá-
rio apresentam placentas muito pequenas.
Estudos realizados em ovinos demonstra-
ram que, embora o gene da IGF-2 seja si-
milar ao dos humanos, existem diferenças
quanto ao padrão de expressão da transcri-
ção do gene entre estas espécies20. Detecta-
ram-se diferenças nas transcrições deste
gene entre o feto e o adulto e entre espéci-
es. Na ovelha e na vaca pouco se conhece
sobre o processo das transcrições deste gene.
As quais variam com o tipo de tecido e com
a fase de desenvolvimento do animal20.
É possível que a transcrição desse gene
possa estar correlacionada com o nascimen-
to de fetos mais pesados. Em neonatologia
humana os níveis séricos de insulina estão
correlacionados com o peso das crianças ao
nascer. Ou seja, mulheres hiperinsulinêmi-
cas parem crianças mais leves que o nor-
mal, enquanto que as hiperinsulinêmicas
parem crianças mais pesadas21.
Marcadores do metabolismo energético
também podem ser eficazes em prever, du-
rante a gestação, algum distúrbio placentá-
rio ou do desenvolvimento fetal. Níveis sé-
ricos de lipídios maternos do meio para o
final da gestação estão significativamente
associados com o peso ao nascimento para
a idade gestacional. Embora o papel da hi-
perlipidemia materna no crescimento fetal
não seja conhecido, os níveis maternos sé-
ricos de triglicerídeos durante o jejum em
24-32 semanas de gestação mostraram-se
significativamente e positivamente associ-
ados com o peso ao nascer22. Na gestação
normal em humanos, as reservas lipídicas
maternas aumentam, atingindo o pico no fi-
nal do terço médio, quando reduzem próxi-
mo ao termo devido o rápido crescimento
fetal23. Tem sido sugerido que a leptina, uma
glicoproteína produzida pelos adipócitos,
desempenha um papel no crescimento in-
trauterino e desenvolvimento fetal em hu-
manos24. Franco-Sena et al.25 (2010) de-
monstraram que níveis baixos de leptina no
terço inicial da gestação em humanos estão
associados ao risco de desenvolvimento de
IUGR. Desta forma, os autores sugerem que
a leptina sérica da gestante pode ser utiliza-
da como um marcador para detecção pre-
coce de IUGR em humanos.
Segundo um estudo realizado por Mar-
chiori et al.26 (2015) em éguas da raça Cri-
oula, os níveis de Leptina nas fêmeas com
escore corporal (BCS) 5 ou moderado não
diferiram entre os meses de gestação avali-
ados. Já em éguas obesas ou BCS 9, foi ob-
servado um aumento nos níveis de Leptina
do 10º para o 11º mês de gestação. Kearns27
(2006) avaliou as concentrações plasmáti-
cas de Adiponectina e Leptina para testar a
hipótese de que adipocitocinas eram pro-
porcionais à adiposidade em cavalos. Se-
gundo o autor, a Adiponectina variava con-
forme as modificações nos níveis de Lepti-
na; afirmando desta forma que esses são os
principais marcadores séricos de alterações
no padrão de gordura corpórea em equinos.
Sugerindo a partir dessas informações, que
mais estudos sejam realizados para se co-
nhecer mais a influência da Leptina no me-
tabolismo energético da égua.
Manso Filho28 (2008) descreveu a ex-
pressão de glutamina sintetase na placenta
da égua. A glutamina é sintetizada a partir
de glutamato e amônia pela ação da gluta-
mina sintetase, a qual é altamente expressa
no fígado, músculo esquelético, pulmões e
tecido adiposo, promovendo a liberação de
glutamina na circulação. Um terço das quan-
tidades de glutamina que entra na circula-
ção fetal pode ser sintetizada na placenta. A
glutamina sintetase é expressa na placenta
equina em elevados níveis de expressão no
corno gravídico. Além disso, a glutamina é
o segundo e terceiro alfa aminoácido livre
mais abundante no liquido amniótico equi-
no e tecido placentário, desempenhando
papel importante no fornecimento de gluta-
mina para o feto. Em éguas a glutamina sin-
tetase foi detectada em ambos os cornos da
placenta, porém com maior abundancia no
corno gravídico do que no corno não graví-
dico. Quando comparada a outros tecidos,
a expressão no corno não gravídico foi se-
melhante a encontrada no músculo glúteo
enquanto que a expressão no corno gravídi-
co foi duas vezes maior que a do músculo
glúteo, porém menor do que a encontrada
no fígado28.
Considerações Finais
Foram abordadas as particularidades do
desenvolvimento placentária na espécie
equina, com foco na avaliação da placenta.
Assim como o metabolismo endócrino e as
interações fetoplacentárias durante o perío-
do gestacional. Desta forma contribuindo
com alguns conhecimentos, que poderão
auxiliar a rotina de médicos veterinários
responsáveis pelo acompanhamento repro-
dutivo e gestacional de éguas.
30 • 
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 • 31
32 • 
AGRONEGÓCIO
Assimetria no patrocínio ao Hipismo e ao Futebol
Roberto Arruda de
Souza Lima
Engenheiro agrôno-
mo, Doutor em
Economia Aplicada,
Prof. da ESALQ/USP
Coordenador do
Equonomia
 raslima@usp.br
www.arruda.pro.br
Letícia Junqueira,
Grasiele Cardoso
Orlando
Graduandas da
ESALQ/USP
O esporte é um dos segmentos do ramo de en-
tretenimento que mais cresce no mundo. Apesar dis-
so, no Brasil, o investimento ainda é consideravel-
mente pequeno se comparado com os países mais
desenvolvidos e, se concentra no esporte conside-
rado mais popular, o Futebol. Atualmente, o patrocí-
nio assume um papel importante no desenvolvimen-
to esportivo no Brasil. O aporte de recursos financei-
ros a atletas iniciantes ou de alto rendimento é es-
sencial para o crescimento e bom desempenho des-
ses esportistas. Este artigo realiza uma breve revi-
são e comparação entre incentivos federais ao Hi-
pismo e ao Futebol.
Visando garantir a promoção do esporte no ter-
ritório nacional, o Governo tem promovido diversas
ações que incentivam empresas e pessoas físicas a
patrocinar o esporte no país. Além disso, sendo o
esporte considerado uma ação integrada e que com-
plementa o desenvolvimento humano, ele passa a
ser um direito social estabelecido pela Constituição
brasileira. Ou seja, o Estado tem como dever garan-
tir o acesso da população à prática esportiva, atra-
vés da formulação de políticas públicas.
Assim, visando cumprir esse dever, os Gover-
nos Federal e Estadual estabeleceram Leis que as-
seguram o estabelecimento de políticas e programas
de incentivo ao desenvolvimento do esporte no terri-
tório nacional, de forma a garantir que aspectos como
saúde e qualidade de vida, cultura e educação se-
jam alcançados pelos jovens através da prática es-
portiva. Pode-se citar a Bolsa Atleta, que visa pro-
porcionar a atletas de alto rendimento em competi-
ções nacionais e internacionais, condições mínimas
de manutenção pessoal, e a Lei nº 11.438/06 de In-
centivo ao Esporte, que estabelece benefícios fiscais
para pessoas físicas ou jurídicas que estimulem o
desenvolvimento do esporte nacional, através do
patrocínio ou doação para projetos desportivos e
paradesportivos.
A comparação entre o patrocínio público no Hi-
pismo e no Futebol foi realizada através de dados
obtidos junto ao Ministério de Esporte, referentes
aos Projetos aprovados na Lei Nº 11.438/06 de In-
centivo ao Esporte. Optou-se pela utilização de uma
Lei Federal como parâmetro de comparação pelo
fato desta apresentar maior abrangência em termos
territoriais, apresentando com maior veracidade a
realidade do patrocínio público dessas duas moda-
lidades no Brasil.
Os dados utilizados para o estudo referem-se a
Projetos Aprovados no período de 01/01/2014 a 31/
12/2014, os quais, em sua maioria, apresentam data
limite para o fim da captação de recursos como 31/
12/2015. A seleção dos projetos aprovados recente-
mente tem como objetivo traçar a situação atual do
patrocínio público obtido nos dois esportes.
Alguns projetos aprovados destinam-se à cap-
tação de meios para o desenvolvimento de diversas
modalidades. Um único projeto, por exemplo, pode
contemplar ao mesmo tempo o futebol associado a
outros esportes, como basquetebol e voleibol. Para
evitar superestimativa dos dados, os Projetos apro-
vados utilizados na análise referem-se aos que pro-
curam arrecadar recursos somente às modalidades
Futebol de Campo e Hipismo, respectivamente.
Dos projetos aprovados aptos à captação es-
tão registrados 25 para o futebol e apenas três para
o hipismo, conforme demonstrado na Figura 1.
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Figura 1 - Brasil: Projetos aptos à captação pela
Lei 11.438/069, em 2014
O número de Unidades da Federação e cida-
des com projetos aprovados também é muito maior
para o futebol quando comparado ao hipismo. O
número de projetos aprovados para o futebol, no
período analisado, contemplam 20 cidades distri-
buídas em sete UFs, enquanto que existem proje-
tos em apenas três cidades de duas UFs diferentes
Figura 2 - Brasil: Manifestações esportivas contempladas
nos projetos aprovados pela Lei 11.438/069, em 2014
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para o hipismo, o que mostra uma presença muito maior do
incentivo a prática do futebol do que do hipismo no território
nacional.
O número de manifestações esportivas atendidas pelos
projetos aprovados também é muito maior para o futebol, o
qual possui projetos para os três tipos de manifestação dife-
rentes entendidas como desporto pela Lei. Já para o hipismo,
a única manifestação esportiva atendida é o rendimento, na
qual o esporte é praticado segundo regras formais, nacionais
e internacionais. Tais dados mostram um distanciamento do
hipismo como modalidade esportiva de auxilio ao desenvolvi-
mento educacional e de lazer quando comparada ao futebol.
A situação entre as duas modalidades é a mesma quan-
do se comparam os valores referentes aos projetos aprova-
dos. Para o futebol, o valor total aprovado para a captação em
todos os projetos foi de R$ 26.208.136,18,enquanto para o hi-
pismo foi de apenas R$ 2.859.056,41. Quanto aos valores já
captados por esses projetos até junho de 2015, há R$
10.439.699,85 para o futebol e apenas R$ 597.947,58para o
hipismo, sendo que ambas as modalidades ainda não arreca-
daram a metade do valor aprovado, conforme demonstrado
na Figura 3.
Dos valores já arrecadados é possível se analisar tam-
bém o número de patrocinadores e doadores que já destina-
ram recursos aos projetos, uma vez que essas são as duas
formas de destinação de recursos possíveis. Para o futebol,
uma quantidade de 44 doadores e 32 patrocinadores já se en-
volveram com os projetos, enquanto que para o hipismo ape-
nas dois doadores e seis patrocinadores, demonstrando um
envolvimento de empresas e pessoas físicas muito maior no
patrocínio do futebol.
Comparativamente, os valores médios aprovados para a
captação por projeto são maiores no futebol, assim como os
máximos valores aprovados (Tabelas 1 e 2). No entanto, o
futebol também apresentou o menor valor mínimo aprovado
para um projeto em relação ao hipismo, o que provavelmente
está ligado ao fato do futebol aprovar projetos cujas manifes-
tações esportivas estão ligadas à educação e ao lazer, as quais
demandam menores recursos que os projetos relacionados
ao desporto de rendimento.
Figura 3 - Brasil: Valores referentes à captação dos Projetos
Aprovados pela Lei 11.438/069, em 2014
Figura 4 - Brasil: Número de doadores e patrocinadores referen-
tes aos Projetos captados através da Lei 11,438/069, em 2014.
Figura 4 - Brasil: Número de doadores e patrocinadores referentes
aos Projetos captados através da Lei 11,438/069, em 2014
Quando comparados os valores captados por patrocina-
dor e por doador percebe-se que os maiores montantes máxi-
mos arrecadados foram para o futebol, o que pode mostrar
uma maior propensão por parte das empresas e pessoas físi-
cas em apoio a esta modalidade. Porém, esse fato também
pode traduzir uma vantagem no apoio ao Hipismo, pois meno-
res valores podem ser destinados a cada projeto, havendo a
possibilidade do apoio a maior quantidade de projetos.
A comparação realizada entre esses parâmetros mostra
que o apoio a projetos que envolvem Futebol é muito maior
que aos que envolvem o Hipismo, traduzindo a realidade des-
sas duas modalidades no cenário esportivo brasileiro. No en-
tanto, uma análise mais profunda dos projetos aprovados,
como o número de pessoas que atingem, os resultados obti-
dos e os ganhos reais e relativos concedidos aos beneficiários
em cada projeto seria indicada para uma melhor interpretação
sobre essas duas modalidades esportivas. Deste modo, den-
tre os projetos de incentivo ao esporte já existentes no país,
verifica-se uma grande vantagem do Futebol em relação ao
Hipismo na arrecadação de recursos.
Tabela 1 - Brasil: valores referentes aos projetos aprovados
pela Lei 11.438/069, em 2014, para o Futebol
Valores Mínimo Médio Máximo
Aprovado para captação R$ 76.900,00 R$ 1.048.325,45 R$ 5.030.223,16
Valor captado por doador R$ 5.000,00 R$ 104.875,07 R$ 760.000,00
Valor captado por patrocinador R$ 97,00 R$ 182.037,40 R$ 1.710.000,00
Tabela 2 - Brasil: valores referentes aos projetos aprovados
pela Lei 11.438/069, em 2014, para o Hipismo
Valores Mínimo Médio Máximo
Aprovado para captação R$ 182.460,67 R$ 953.018,80 R$ 2.481.678,29
Valor captado por doador R$ 19.772,35 R$ 24.886,17 R$ 30.000,00
Valor captado por patrocinador R$ 8.514,99 R$ 91.362,54 R$ 240.000,00
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VOCÊ SABIA?
Prof. Dr. Jairo Jaramillo Cardenas
(dr.jairocardenas@yahoo.com.br)
Fraturas da Pelve
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O osso coxal (pelve) esta conformado por 3 principais ossos:
o ílion, o púbis e o isquion (figura 1); eles tem funções muito im-
portantes em todas as espécies de animais. No cavalo atleta, as
funções biomecânicas são destacadas sobre outras espécies de
animais, da mesma forma que acontece na espécie humana. Pro-
teção de órgãos (útero, bexiga), proteção de vasos sanguíneos e
nervos (artéria, veia e nervo obturador, femoral e ciático - figura
2), inserções musculares que sustentam vários órgãos abdomi-
nais (músculo reto abdominal e oblíquos abdominais - figura 3),
A pesar da grande importância funcional e estrutural do osso
coxal, as fraturas de pelve, encontram-se como a patologia de
maior incidência dentro das lesões desta região. A maioria destas
fraturas são por trauma e algumas por tração biomecânica mus-
cular. A própria distribuição do osso coxal, faz com que ele tenha
algumas protuberâncias que acabam recebendo potencialmente
o estresse na hora do impacto. As tuberosidade coxal, sacra e
isquiática, são as regiões mais insinuadas da pelve (figura 1), o
que acaba predispondo para que uma queda, um trauma ou um
impacto direto, atinja na maioria das vezes estas regiões. Outras
regiões menos insinuadas podem também direcionar a onda de
estresse (impacto) para a região da pelve, como acontece com o
trocanter maior (cranial e caudal) do fêmur, ligado diretamente à
região do acetábulo (figura 4).
O prognóstico das fraturas da pelve, está relacionado com o
grau de envolvimento muscular, comprometimento de tecidos
moles e envolvimento acetabular. Não todas as fraturas de pelve
tem um prognóstico atlético ruim mas a maioria delas deixa uma
sequela tanto estética quanto biomecânica. A fratura acetabular
(figura 5), é considerada como uma das fraturas de pelve de pior
prognóstico já que o acetábulo forma parte da articulação coxofe-
moral que é considerada como uma articulação de alto movimen-
to, além de participar na indução da flexão e extensão da articula-
ção femorotibiopatelar, ativando o sistema recíproco distalmente.
Na impossibilidade de flexão coxofemoral, o resto das articula-
ções distalmente, também não se flexionarão.
O acetábulo, está formado pelo colo dos 3 ossos coxais (íleo,
isquion e púbis), por conseguinte, qualquer tipo de impacto nas
tuberosidades citadas acima, pode resultar na fratura acetabular
(figura 6). Talvez a maior incidência das fraturas do acetábulo
(pode incluir a cabeça e/ou colo femoral) acontecem por impacto
lateral no trocanter maior do fêmur, mas elas são também descri-
tas por impacto em qualquer uma das protuberâncias da pelve
(figura 1). Embora em pequenos potros possa ser possível radio-
grafar a pelve (figura 7), normalmente os equipamentos portáteis
de raio X, não possuem potência suficiente para poder penetrar e
FIGURA 1: Representação gráfica do osso coxal, destacando a tuberosidade
sacra, tuberosidade coxal e tuberosidade isquiática
inserções musculares
que induzem a flexão
coxofemoral (músculo
iliopsoaps - figura 3),
a propulsão do mem-
bro pélvico (músculo
glúteo médio - figura
3), e a flexão femoro-
tibiopatelar (músculo
semitendinoso) entre
outras, são funções
muito importantes da
pelve.
FIGURA 2:
Representação gráfica
de um desenho
destacando a saída de
2 dos 3 principais
nervos que emergem
da pelve (laranja: o
nevo femoral) e (verde:
o nervo ciático)
FIGURA 3: Representação gráfica de alguns dos músculos que tem origem e/ou
inserção na pelve com uma função biomecânica especifica. De esquerda para
direita e de cima para abaixo: Músculos íleo femoral, glúteo médio, reto abdo-
minal e psoaps maior e menor (www.pg-team.fi)
.........................................................................................................................................
 • 35
gráfico retal é fundamental para poder reconhecer fraturas que
não são visíveis no escaneamento externo da pelve e que na mai-
oria das vezes não são reconhecidas durante a palpação retal tra-
dicional.
As fraturas da pelve mais comumente conhecidas são: fratu-
ras do acetábulo - figura 5, (com e sem envolvimento femoral), da
asa do íleon (figura 9A e 9B), da tuberosidade coxal (figura 10),
do colo do íleon (figura 11), do púbis, do isquion ou a combinação
delas (figura 12). Depende do tipo da fatura, as aparências físicas
externas do cavalo,o tipo de andamento ou a postura externa
podem ser sugestivas ou patognomônicas (figura 8B).
FIGURA 4: Representação gráfica da vista dorsal da região da articulação coxo-
femoral, destacando nas setas azuis, o trocanter maior femoral cranial e caudal.
Estes ligares são expostos a impactos que podem terminar em fratura desta
articulação
FIGURA 5: Representação gráfica de duas ultrassonografias da articulação co-
xofemoral (esquerda: fratura do fêmur e do acetábulo; observe como o ultra-
som passa a traves do trocanter maior do fêmur e a região acetabular. Direita: a
cabeça do fêmur é mais visível do que uma ultrassonografia normal, devido a
fratura da borda externa do acetábulo)
FIGURA 6: Representação gráfica de duas imagens com setas vermelhas, mos-
trando os locais de impacto que potencialmente podem levar a fratura acetabu-
lar e uma imagem com setas amarelas, mostrando como a região do acetábulo
é formado pelo colo dos ossos ilion, isquion e púbis, justificando este tipo de
fratura independente do local do impacto
.........................................................................................................................................
FIGURA 7: Representação radiográfica comparativa de uma fratura e uma sub-
luxação (MPD) de um potro de 3 meses. Observe como as setas vermelhas
destacam o local da fratura como as verdes o espaço articular aumentado (MPD:
anormal e MPI: normal)
FIGURA 8: Representação fotográfica de dois cavalos com fratura de pelve. No
cavalo da esquerda é possível observar uma elevação no tubérculo sacro es-
querdo; no animal da direita, é possível observar a perda da conformação da
musculatura e estrutura óssea normal do lado direito. Nesta mesa imagem, foi
confirmada uma fratura do colo no íleon, o que induz a rotação ventral da asa do
íleon como perda da silhueta normal da tuberosidade coxal (representação se-
quencial em sobre montagem gráfica)
diagnosticar fraturas nesta região em cavalos adultos; por outro
lado, anamnese, uma boa inspeção estática (figura 8A e 8B) du-
rante o exame clinico, uma avaliação ultrassonográfica completa
e uma anatomia apurada, são suficientes para diagnosticar prati-
camente todos os tipos de fratura na pelve. O exame ultrassono-
FIGURA 9A: Imagem óssea e ultrassonográfica de uma fratura da asa do íleon
do lado direito. Para a montagem ultrassonográfica da asa do íleon, podem ser
necessárias a fusão de 2 ou 3 imagens
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Figura 5
36 • 
VOCÊ SABIA?
FIGURA 9B: Representação fotográfica e ultrassonográfica de um cavalo com
fratura da asa do íleon completa do lado esquerdo. As duas imagens anormais
da pelve esquerda, tem um corte transversal e um longitudinal. Observe a perda
de insinuação da tuberosidade coxal do lado esquerdo em comparação com o
lado direito por causa da própria fratura
FIGURA 10: Representação ultrassonográfica de uma fratura da tuberosidade
coxal do lado direito sem deslocamento ventral. Nesta imagem é possível com-
parar se tem ou não deslocamento ventral desta região
FIGURA 11: Representação ultrassonográfica de uma fratura do colo do íleon
do lado direito. Observe que na imagem normal (esquerda), é possível ver a
articulação coxofemoral e a projeção do acetábulo para o lado medial; já na
imagem fraturada (direita), aparece uma interrupção óssea por causa do frag-
mento. Geralmente neste tipo de fraturas, a deformação da pelve é muito im-
portante após a rotação ventral do íleon (figura 8 do cavalo da direita)
.........................................................................................................................................
FIGURA 12: Representação ultrassonográfica retal e óssea comparativa, desta-
cando uma fratura de isquion e púbis (direita) em comparação da imagem en-
contrada em cavalos normais (esquerda)
FIGURA 13: Representação fotográfica do aplicador e forma de aplicar a terapia
de mesoterapia. Observe que as agulhas são colocadas de forma intra-dérmica,
permitindo a formação das pequenas “pápulas” após a infiltração de um corti-
coide de curta ação, um anestésico local e solução salina. Este método tem
como objetivo a redução da dor de régios extensas como pelve, coluna cervical
e toraco-lombar, independente da sua etiologia
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Geralmente o tratamento se foca em repouso e controle da
dor. Normalmente é muito difícil o acesso cirúrgico para reduzir
um tipo de fratura como este, além de que a massa e tensão mus-
cular não permitem um fácil acesso. Infiltrações articulares em
fraturas que envolvem o acetábulo ou a articulação coxofemoral
são indicadas guiadas por ultrassom, mas nem sempre tem uma
eficiência importante, levando em consideração o aparecimento
sequencial de uma degeneração articular grave. A mesoterapia
(figura 13), acupuntura e outras alternativas terapêuticas podem
ser favoráveis para o manejo da dor; já a quiropraxía é totalmente
contraindicada. Um diagnóstico apurado, especifico e cuidadoso
é necessário para determinar o melhor manejo, tratamento e prog-
nóstico que o cavalo com fratura de pelve deve ter.
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38 • 
POR DENTRO DA BOCA / MAURÍCIO J. BITTAR
DOENÇA PERIODONTAL
Nesta edição iremos abordar casos clínicos de doença pe-
riodontal, os principais sinais clínicos a serem observados na
cavidade oral e as suas consequências.
A doença periodontal é uma doença infecto-inflamatória
crônica de origem bacteriana que acomete os tecidos que fa-
zem parte do aparato de sustenção do dente (cemento, gengi-
va, ligamentos periodontais e o alvéolo), provocando a sua
destruição e acabando por resultar na perda prematura dos
dentes afetados.
É a afecção odontológica mais dolorosa que existe na fase
de mobilidade dentária, e é a que mais causa alteração da
biomecânica mastigatória. Apesar disso, se diagnosticada pre-
cocemente nas fases mais brandas, o periodonto apresenta
boa resposta ao tratamento conservativo. Esta doença é mais
comum em cavalos geriatras (acima de 15 anos), mas também
pode ser observada em cavalos jovens.
A doença periodontal é caracterizada e graduada clinica-
mente através da aparência da ulceração gengival e sua retra-
ção, descoloração do cemento periférico, profundidade da son-
dagem do espaço periodontal, perda da conexão e mobilidade
dentária, evidências radiológicas de perda do osso alveolar e
do comprometimento do sistema endodôntico e o desenvolvi-
mento de doença periapical (Infecção Periapical).
Abaixo segue uma tabela adaptada por Klugh (2010 - Ta-
bela 1) que visa, através do exame clínico da cavidade oral,
determinar a porcentagem da perda da conexão do elemento
dentário com o periodonto e classificar a severidade da doen-
ça periodontal.
Tabela 1: Classificação da doença periodontal de acordo
com a gravidade da doença, segundo Klugh (2010)
Estágios da Doença Periodontal
0 Normal: sem perda de fixação. Profundidade da
sondagem < 5 mm
1 Gengivite: sem perda da fixação. Profundidade da
sondagem < 5 mm
2 Doença Periodontal Leve: perda de 25% da fixação
e/ou da crista óssea ao redor do dente. Profundidade da
sondagem > 5mm (5-10mm)3 Doença Periodontal Moderada: perda de 25-50% da
fixação ou perda óssea ao redor do dente < 50%.
Sondagem profunda 10-15mm, as vezes excedendo o
comprimento da sonda
4 Doença Periodontal Severa: perda da fixação > 50%
ou perda óssea ao redor do dente > 50%. Profundidade
da sondagem >15 mm
CASO CLÍNICO I
Identificação e Histórico:
Égua Mangalarga Paulista de 15 anos de idade, de pas-
seio, com histórico de emagrecimento progressivo (Figura 1) e
queda de alimento da boca durante a mastigação de volumo-
so. A dieta do animal era composta de concentrado de manu-
tenção e volumoso a base de Napier Picado e Cana de Açucar.
Exame Clínico da Cavidade Oral:
No exame clínico da cavidade oral foi identificada intensa
halitose e presença de vários diastemas abertos, com impac-
tação de grande quantidade de alimento entre os elementos
dentários da hemiarcada 3 (306-307, 307-308, 308-309, 309-
310) e da hemiarcada 4 (406-407, 407-408, 408-409, 409-410),
retração gengival, cárie (erosão) pericementária entre 308-309
e 408-409 (Figura 2) e mobilidade dentária acentuada dos ele-
mentos dentários 309, 408 e 409.
Figura 1: Égua de 15 anos com emagrecimento severo e escore corpo-
ral ruim
Figura 2: Doença periodontal. A: Imagem no espelho odontológico de
diastema aberto entre 308 e 309 com impactação de alimento. B: Ima-
gem no espelho odontológico de diastema aberto entre 407-408 (seta
vermelha). C: Imagem no espelho odontológico das cáries pericemen-
tárias na face distal do 408 e na face mesial do 409 (setas vermelhas)
Exame Radiológico:
Foram realizadas as posições radiológicas ventro-dorsal
oblíqua esquerda e ventro-dorsal oblíqua direita (80 KV com
8,0 de mAs), com a boca aberta (Figura 3). De acordo com a
figura 3A, na hemiarcada 3 foi possível observar diastemas
abertos entre os dentes 307, 308, 309 e 310. No dente 307
 • 39
observa-se remodelamento periapical da raíz distal. No dente
308 leve remodelamento periapical da raíz distal e esclerose
alveolar na mesma região. No 309 há severa osteólise periapi-
cal das raízes mesial e distal, severa destruição (osteólise) da
crista alveolar mesial e distal e do alvéolo. Já na figura 3B,
temos a hemiarcada 04 com diastemas abertos e intensa oste-
ólise da crista alveolar entre os dentes 407, 408 e 409. No
dente 407 observa-se remodelamento periapical de ambas as
raízes. No 408 observa-se fratura e hipercementose da raíz
mesial e intenso remodelamento da raíz distal, com perda das
cristas alveolares. No dente 409 há severa osteólise alveolar e
periapical.
Diagnóstico:
O diagnóstico foi realizado com auxílio de uma boa fonte
de luz, espelho odontológico e com a utilização de sondas mi-
limetradas e exploradores periodontais para avaliar o periodon-
to. Baseado nos sinais clínicos e radiológicos observados, foi
diagnosticado Doenca Periodontal grau 4 e Infecção Periapi-
cal dos elementos dentários 309, 408 e 409 e doença perio-
dontal grau 3 nos elementos dentários 307, 308 e 407. Outro
exame complementar que pode facilitar bastante a identifica-
ção dos sinais clínicos iniciais da doença periodontal na cavi-
dade oral é a Oroscopia, com endoscópios rígidos com óticas
com angulação de 60 a 70 graus
Figura 3: Imagem radiológica das hemiarcadas 3 e 4. A: Osteólise das
cristas alveolares (setas vermelhas) e intenso remodelamento periapi-
cal do dente 309 (círculo vermelho) e B: Osteólise severa das cristas
alveolares (setas vermelhas), hipercementose e fratura da raíz mesial
(seta amarela) e osteólise alveolar na região periapical (seta preta) do
dente 408 e intenso remodelamento periapical do dente 409 (círculo
vermelho)
Tratamento:
Os elementos dentários que apresentaram evidências clí-
nicas e radiológicas de doença periodontal grau 4 e infecção
periapical (309, 408 e 409) foram submetidos à exodontia in-
tra-oral.
Os demais elementos dentários foram submetidos à re-
moção mecânica da matéria orgânica, curetagem do periodon-
to, lavagem (desinfeção) sob pressão com jato de solução de
clorexidine a 0,2%, colocação de antimicrobianos tópicos em
gel (Clorexidine a 2% e Metronidazol a 25%) e curativos com
silicone de impressão, para evitar nova impactação de matéria
orgânica nos diastemas maiores.
Devido a severidade da infecção também foi realizada an-
tibioticoterapia sistêmica com Enrofloxacina oral na dose de
7,5 mg/kg SID, por sete dias.
CASO CLÍNICO II
Identificação e Histórico:
Égua P.S.I. de 18 anos, usada na modalidade de salto,
com histórico de rinorreia mucopurulenta fétida na narina es-
querda (Figura 4A) há dois meses e irresponsiva a antibiotico-
terapia.
Exame Clínico da Cavidade Oral:
No exame clínico da cavidade oral foi identificada a exis-
tência de um diastema em válvula com impactação de alimen-
to no espaço interdental entre 208-209 (Figura 4B). Na hemi-
arcada antagonista foi identificada a presença de um comple-
xo de onda nos elementos dentários 308, 309 e 310.
Exame Radiológico:
Foram realizadas as posições radiológicas dorso-ventral
oblíqua esquerda e dorso-ventral oblíqua esquerda com a boca
aberta e com marcador no interior do diastema (80 KV com 5,0
de mAs). Na hemiarcada 2 foi possível observar a presença de
diastema entre 208 e 209, conteúdo e linhas de fluido no inte-
rior do seio maxilar (Figura 5A). Na imagem com marcador foi
possível observar a profundidade do diastema até a região
periapical sugestionando a presença de fístula oro-sinusal (Fi-
gura 5B). Também foi possível observar hipercementose da
raíz mesial
Figura 4: Imagens da Cabeça e da cavidade oral. A: Rinorreia mucopu-
rulenta na narina esquerda. B: Explorador periodontal realizando a re-
tirada de matéria orgânica do interior de diastema em válvula entre os
elementos dentários 208 e 209
Figura 5: Imagem radiológica da hemiarcada 2. A: Aumento do espaço
interdental entre 208 e 209 e hipercementose da raíz mesial do elemen-
to dentário 209 (seta amarela). B: Presença de marcador (sonda mili-
metrada) no interior do diastema e aumento da densidade radiográfica
com presença de linhas de fluido no interior do seio maxilar (setas
vermelhas)
40 • 
POR DENTRO DA BOCA / MAURÍCIO J. BITTAR
M.V. Esp. Maurício J. Bittar
(bittarvetadm@hotmail.com)
Apoio: ORTOVET
www.ortovet.com.br
Diagnóstico:
O diagnóstico foi realizado com base nos sinais clínicos e
radiológicos observados. Foi diagnosticada Doença Periodon-
tal grau 4 e Infecção Periapical do dente 209 e sinusite do seio
maxilar, sugestionando a presença de fistula oro-sinusal.
Tratamento:
Foi realizada exodontia intra-oral do elemento dentário 209
e acompanhamento radiológico do alvéolo pós exodontia.
Figura 6: Avaliação radiológica pós-exodontia do dente 209. A): Dor-
so-ventral oblíqua esquerda da hemiarcada 2. B): Dorso-ventral deslo-
cada (offset) da hemiarcada 2
No pós-operatório foram realizadas lavagens do seio ma-
xilar rostral e conchal ventral com solução fraca de PVPI (Fi-
gura 7A) por sete dias, uma vez ao dia e antibioticoterapia
sistêmica com Sulfametoxazol com Trimetropim oral (15 mg/kg
BID por 15 dias). A fístula oro-sinusal foi tratada com subse-
quentes curetagens (Figura 7B) e curativos alveolares sema-
nais com própolis (alveolex) misturado com metronidazol.
Figura 7: Exodontia do dente
209 e lavagem do seio.
A: Lavagem do seio maxilar.
B: Drenagem de exsudato
mucopurulento (seta preta)
através de fistula oro-sinusal
após exodontia intra-oral do
dente 209
Figura 8: Acompanhamento clínico pós exodontia. A: Imagem no es-
pelho odontológico da evolução da cicatrização alveolar. B: Completa
cicatrização do alvéolo e da fístula, observada com auxílio de espelho
odontológico. C: Foto da cabeça e da narina após resolução da sinusite
Foi observada completa cicatrização do alvéolo e da fistu-
la após 30 dias da exodontia (Figura 8)
Dicas Importantes:
• A principal maneira de prevenir a doença periodontal é diag-
nosticando precocemente as fases mais brandas da doença
através da realização de exames clínicos anuais da cavidade
oral.
• A utilização de um bom fotóforo, espelhosodontológicos e
uma sequência de exame clínico da cavidade oral é extrema-
mente importante no diagnóstico da doença, principalmente na
identificação de diastemas em válvula.
• O tratamento da doença periodontal leve e moderada com
odontoplastia, curetagem e desinfecção do periodonto é extre-
mamente eficaz e evita a perda prematura do elemento dentá-
rio.
• A orientação do proprietário quanto à necessidade da avalia-
ção odontológica periódica (anual) e quanto ao tipo e qualida-
de do volumoso da dieta do animal, evitando a utilização de
fibras de má qualidade (como a cana de açúcar e do napier), é
extremamente importante na prevenção da doença periodon-
tal em equinos.
B
A
A B
 • 41
42 • 
O TAMANHO IDEAL DO CASCO
NA PONTA DOS CASCOS / MV. ESP., MARCELO DIAS MIRANDA
Um dos aspectos mais comentados e discutidos na avalia-
ção da conformação de um cavalo são os cascos. Seja um criador
avaliando seus produtos, um veterinário durante o exame de com-
pra e venda, ou ainda, um ferrador definindo o modelo e tamanho
de ferradura a ser aplicada, os cascos são sempre motivo de po-
lêmica e controvérsias. E um dos aspectos que é sempre passivo
de discussão está relacionado ao tamanho do casco.
É muito comum quando atendemos um cavalo o proprietário
perguntar se os cascos são pequenos ou grandes demais e este
parâmetro acaba sendo uma das mais difíceis avaliações pelo clí-
nico e pelo ferrador, pois a grande maioria dos observadores am-
param-se apenas na subjetividade da sua experiência e opinião
individual para responder a esta questão e, infelizmente, equivo-
cando-se inúmeras vezes.
A Podiatria buscou através de uma avaliação objetiva e des-
prendida de subjetividade, criar equações matemáticas que de-
terminem um equilíbrio entre peso recebido no casco e a área de
superfície solar do mesmo. A fim de expressar uma razão que
possa responder adequadamente e permita uma precoce identifi-
cação de situações problema, esta equação matemática pode ser
utilizada como uma ferramenta de seleção genética.
Infelizmente alguns criadores de determinadas raças vem
cada vez mais selecionando cavalos com cascos menores e utili-
zam-se deste parâmetro como um aspecto positivo para a classi-
ficação dos melhores animais para perpetuarem as boas caracte-
rísticas da raça. Entretanto, esquecem de uma regra básica da
física que diz: “Quanto maior o peso aplicado em uma menor área,
maior a pressão”. Assim sendo, o peso de um cavalo aplicado a
cascos diminutos gera grande quantidade de pressão por centí-
metro quadrado elevando substancialmente o número de patolo-
gias, principalmente, relacionadas ao impacto.
Estudos recentes vêm relacionado situações patológicas em
cavalos de cascos demasiadamente pequenos. Em 1988, o médi-
co veterinário Tracy Turner correlacionou a maior incidência da
Síndrome podotroclear (Síndrome navicular) em cavalos com cas-
cos pequenos. A atrofia de ranilha, encastelamento, compressão
e calcificação das cartilagens colaterais, rachaduras e a incapaci-
dade funcional de expansão dos talões e de amortecimento são
algumas situações mais frequentes e passíveis de ocorrer em cas-
cos pequenos.
Assim sendo, Kaneps et al. (1988) apresentou a seguinte fór-
mula para calcular o tamanho dos cascos de potros:
O peso do cavalo deve ser medido em libras e a circunferên-
cia do casco em polegada, sendo:
• 1 libra = 454g
• 1 polegada = 2,54 centímetros
A medida do tamanho da circunferência do casco deve ser
tomada logo abaixo da banda coronária (coroa) e o peso do cava-
lo pode ser medido através das fitas de medição do perímetro
torácico. Se o resultado obtido for superior a 78 libras por polega-
da o casco é considerado pequeno.
A aplicação de ferraduras, técnicas de casqueamento e pro-
dutos que permitam a expansão do diâmetro do casco deve ser
cada vez mais utilizada e divulgada como ferramentas terapêuti-
cas, objetivando com isto oferecer um auxílio na correção do ta-
manho dos cascos. Adicionalmente, o controle de peso dos cava-
los também se mostra uma boa opção que melhora a proporção
peso versus área de casco.
Figura 1: Medição do perímetro toráxico para a determinação do peso
aproximado
Figura 2: Medição do diâmetro do casco logo abaixo da banda coronária
Porém, esta fórmula acabava sendo utilizada apenas para
comparar cascos entre diferentes cavalos. Já em 1992, T.A. Tur-
ner apresentou uma nova fórmula que pode definir uma razão entre
peso aplicado versus área de casco e através do resultado obtido,
pode identificar se um casco está ou não pequeno para o peso do
cavalo.
A fórmula é:
12,56 X Peso do Cavalo (em libras) / (divididos) pela
circunferência do casco ao quadrado (em polegadas)
FO
TO
: M
AR
C
EL
O
 M
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AN
D
A
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C
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MV. Esp. Marcelo Dias Miranda (CRMV-PR 4407)
Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento Palmilhas ESE
(comercial@palmilhese.com.br)
www.palmilhaese.com.br
FO
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AR
C
EL
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 M
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D
A
Figura 3: Ranilha atrofiada e acometida por infecção em um casco
demasiadamente pequeno
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Quase 500 anos antes de Cristo, o homem vem fazendo pes-
quisas e apontamentos sobre o movimento dos cavalos. Desde o
General ateniense Jenofonte, passando por Leonardo Da Vinci,
muitas foram os estudos realizados e, modernamente, a Medicina
Veterinária, em especial a Podiatria, deve assumir cada vez mais
seu papel na manutenção da espécie equina, auxiliando criado-
res na busca e seleção de cavalos com cascos fortes, saudáveis
e equilibrados permitindo a plena existência da espécie.
Figura 4: Casco pequeno com a ranilha perdendo sua capacidade fun-
cional e os talões bastante próximos
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FO
TO
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AN
D
A
44 • 
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NOVA CASA VETNIL NA EXPOINTER 2015
A Vetnil marcou presença na 38ª Expointer (Exposição In-
ternacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos
Agropecuários) realizada entre os dias 29 de agosto a 6 de se-
tembro em Esteio (RS). Considerada uma das maiores e mais
importantes exposições-feira do mundo, a edição deste ano
recebeu mais de 509 mil visitantes e movimentou mais de R$
1,7 bilhões, segundo a organização do evento.
Patrocinadora oficial, a Vetnil esteve presente pelo terceiro
ano consecutivo com a "Casa Vetnil", este ano repaginada, com
um espaço ainda mais moderno para receber o público pre-
sente, fruto da grande parceria com a ABCCC (Associação Bra-
sileira de Criadores de Cavalos Crioulos). Quem passou por lá,
pode assistir a transmissão de todas as provas, conhecer toda
a linha de produtos e os últimos lançamentos da marca, entre
eles: Hepvet Equinos (suplemento indicado para auxiliar na re-
cuperação física de animais submetidos a condições extremas
de exercício e estresse metabólico), Vetepin (medicamento neu-
rolítico desenvolvido para auxiliar no tratamento da dor crônica
em distúrbios do sistema locomotor de equinos) e Calm-New
5000 (indicado para auxiliar o manejo de animais nas situações
de estresse).
Para comemorar a grande final do Freio de Ouro, a Vetnil
promoveu uma grande festa no dia 30 de agosto, que reuniu
veterinários, criadores, treinadores e ginetes. Também marca-
ram presença os ginetes Raul Lima, Freio de Ouro 2015 (fême-
as) com a égua Jotace Utopia, e Guto Freire, Freio de Bronze
2015 (machos) com o
cavalo Quinchero de
Santa Angélica.
Ainda celebrando a
conquista de Guto Frei-
re, foi realizado na "Casa
Vetnil", no dia 31 de
agosto o lançamento do
2º DVD "Trilogia de Treinamento Guto Freire - Em Busca do 10".
Engrandecendo a tarde de autógrafos com o ginete, estiveram
presentes para o evento, grandes nomes do cavalo crioulo. "A
Vetnil sente-se honrada de fazer parte da história e poder come-
morar as vitórias com esses atletas. Parabéns a todos os cam-
peões do freio de Ouro 2015", afirmou Cristianode Sá, Diretor
de marketing e novos negócios da empresa.
Outra novidade na 38ª Expointer foi o espaço "Boulevard do
Cavalo Crioulo", rua onde se encontra a "Casa Vetnil". No local,
foram realizadas novas instalações que unificaram atividades
em um único local, gerando mais comodidade aos criadores e
ao público. O espaço reuniu comércio de vestuários e acessó-
rios, artigos tradicionalistas e artesanais e até um Hair Stylist
para os visitantes.
As novidades também puderam ser percebidas nas cochei-
ras dos cavalos, que ficou mais próxima das pistas de prova.
De acordo com os organizadores, o local contou com 309 bai-
as para abrigar os animais participantes da feira.
OTÍCIAS (NOVIDADES & LANÇAMENTOS)N
A medicina veterinária brasileira ganhou um dos mais valiosos estudos de sua
história. No último 22 de setembro, em São Paulo, o jornalista João Carlos Casta-
nho Dias lançou a livro Virtuosa Missão - A História da Medicina Veterinária no
Estado de São Paulo e Suas Contribuições Para o Desenvolvimento da Cria-
ção de Animais no Brasil. São mais de 250 páginas e 300 imagens, que contam a
trajetória de centenas de profissionais, abordando as principais dificuldades supe-
radas pelo setor. A obra tem o patrocínio da Vetnil e é impressa pela Imprensa
Oficial do Estado de São Paulo.
 A solenidade de lançamento aconteceu na sede do Conselho Regional de Me-
dicina Veterinária de São Paulo onde a presidente da Vetnil, Vera Ribeiro recebeu
das mãos do governador Geraldo Alckmin, a Comenda do Mérito Veterinário (foto).
A Comenda resgata a memória da profissão e homenageia profissionais que se
dedicaram ao setor e a APAMVET (Academia Paulista de Medicina Veterinária).
Com mais de 30 anos no jornalismo rural, Castanho tem dez livros publicados.
Entre eles O Leite da Paulicéia, eleito Livro do Ano pelo programa São Paulo em
Todos os Tempos, da rádio Eldorado.
PRESIDENTE DA VETNIL RECEBE COMENDA
EM LANÇAMENTO DE LIVRO SOBRE A EVOLUÇÃO
DA MEDICINA VETERINÁRIA NO BRASIL
NUTRIÇÃO PARA POTROS
A Guabi oferece três produtos desenvol-
vidos especialmente para atender os reque-
rimentos nutricionais dos potros em cresci-
mento.
1) Potro E: 100% extrusada
de alta digestibilidade e in-
dicada para Potros de 7 dias
a 24 meses de idade. Con-
tém 19% de proteína e mi-
nerais e minerais orgânicos
necessários para evitar o
aparecimento de DOD.
2) Potro P (peletizada): é formulada com 17%
de proteína e 3440 kcal de energia digestí-
vel. Sua composição conta com óleo vege-
tal, minerais, minerais orgânicos (Cromo, Zin-
co, Cobre e Selênio), vitaminas (A, D e E),
Biotina, probióticos e aminoácidos essenci-
ais como a Lisina. Indicada para Potros de 7
dias a 18 meses de idade.
3) Potro Laminados: uma ração multipartí-
culas com alta digestibilidade e palatabilida-
de. Com 18% de proteína ela é indicada para
Potros de 4 até 24 meses de idade.
A empresa oferece uma completa linha
de produtos para todas as fases de cresci-
mento e necessidades nutricionais de equi-
nos, como as famílias Equitage e Proequi.
Para saber mais sobre nossos produtos,
acesse o site www.guabi.com.br
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 • 47
A Vetnil, empresa pioneira no
desenvolvimento das mais avança-
das soluções voltadas para saúde
dos equídeos, inova mais uma vez
com o lançamento do livro: Guia
Ilustrado para Injeção Perineural
em Membros Locomotores de
Equinos.
A publicação do guia, inédito no
Brasil, é fruto da parceria entre a
VETNIL e respeitados profissionais
e parceiros, os professores douto-
res Raquel Y. Arantes Baccarin e
Luis Claudio L.C. da Silva, da FMVZ-
USP (Faculdade de Medicina Vete-
rinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo), e da médica
veterinária Patrícia Monaco Brossi (foto).
Quando o assunto são os procedimentos clínicos aos quais
os equídeos são submetidos, o profissionalismo e a técnica
empregada na aplicação das injeções fazem toda diferença no
resultado final do produto que está sendo ministrado para re-
cuperação do animal. A VETNIL orgulha-se de participar de
obras desse porte, levando cada vez mais conhecimento aos
estudantes e profissionais da medicina veterinária.
“O Guia é resultado do intenso estudo e trabalho de muitos
anos dos autores. É uma obra nacional inédita, que visa atender
as necessidades desde o estudante de medicina veterinária até
o profissional atuante na área da medicina equina. Acompanhan-
do a rotina dos seus parceiros, a Vetnil notou a necessidade do
mercado em relação ao tema e tem muito orgulho de ter partici-
pado de iniciativas como esta que objetivam o primor e a exce-
VETNIL REALIZOU LANÇAMENTO DE LIVRO INÉDITO NO BRASIL DURANTE O IBVET
lência dos veterinários em prol dos animais”, afirmam Cláudia
C. Rodrigues, Coordenadora de Assuntos Regulatórios, e Ka-
roline A. Rodrigues, Analista de Pesquisa e Desenvolvimento
de Produtos da Vetnil.
O lançamento do guia aconteceu durante o Encontro Inter-
nacional de Medicina Veterinária organizado pelo Instituto Bra-
sileiro de Veterinária (IBVET), no dia dois de outubro em Cam-
pinas (SP). Este lançamento também é uma homenagem ao
Dr. João Carlos Ribeiro, médico veterinário formado pela FMVZ-
USP e fundador da Vetnil, que enxergou essa carência nas pu-
blicações, quando tentava ampliar seu conhecimento, buscan-
do meios para pesquisar e desenvolver as soluções, que hoje
são carro-chefe do laboratório.
A Vetnil agradece a todos os profissionais envolvidos neste
trabalho. Mais informações ligue 0800 109 197 ou acesse o site
www.vetnil.com.br
A Guabi é oficialmente a fornecedora de nutrição para 35
animais atletas da Confederação Brasileira de Hipismo - CBH,
que participarão das seletivas e campeonatos até os Jogos
Olímpicos Rio 2016. Pensando no bem-estar e no desempenho
de cada animal, a Guabi e a CBH criaram o Programa Nutricio-
nal, onde cada cavalo contará com o acompanhamento indivi-
dual de profissionais especializados e o fornecimento de ali-
mentos e suplementação ideal, de acordo com as exigências
de cada atividade.
A parceria foi formalizada no mês de outubro no Longines
Indoor - principal evento hípico da América do Sul, realizado na
Sociedade Hípica Paulista, em São Paulo. Durante o evento, a
amazona Giulia Dal Canton Scampini representou os atletas
contemplados pelo Programa ao lado do diretor da Guabi, An-
dré Luiz Litmanowicz e Caio Sérgio José de Carvalho, coorde-
nador da modalidade de Salto da CBH.
"Nós recebemos esta parceria com muita alegria e satisfa-
ção. Mais uma vez a iniciativa privada vem para apoiar a CBH,
fazendo com que possamos melhorar e crescer no esporte
equestre. Acredito piamente que a Guabi pode ajudar o Brasil
com sua experiência na formulação de alimentos ideais para os
cavalos participantes do Programa Nutricional", afirmou Carvalho.
“Para a Guabi, ser fornecedora oficial da Confederação Bra-
sileira de Hipismo é muito mais do que oferecer nutrição ade-
quada e de qualidade aos animais atletas: é ajudar a ‘construir’
GUABI É A FORNECEDORA OFICIAL DA CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE HIPISMO (CBH)
campeões. Com esta parce-
ria, levantamos junto à CBH
uma bandeira a favor do es-
porte equestre brasileiro",
ressalta André Luiz.
Amazona Giulia Dal Canton Scampini
e André Luiz Litmanowicz, da Guabi
Equipe Brasileira de Volteio
e representantes da equipe
do departamento de Equinos
da Guabi
OTÍCIAS (NOVIDADES & LANÇAMENTOS)N
48 • 
I SIMPÓSIO PARAIBANO DE
REPRODUÇÃO ANIMAL (ISIMPRA)
2 a 5 de dezembeo de 2015
Local: Areia, PB
Tel.: (83) 9866-1877
isimpra@gmail.com
O Kit IgG é o mais recente lançamen-
to da Vencofarma e permite ao profissio-
nal detectar os níveis de IgG sérico em
potros, determinando se houve falha na
transferência de imunidade passiva (FTP)
pelo colostro. Esse diagnóstico feito em
até 24 horas do nascimento possibilita a
suplementação precoce de imunoglobu-
linas, mantendo os potros protegidos e
com menores riscos de infecção e morte.
Com a facilidade de manejo, o teste cro-
matográfico feito em 5 a 10 minutos com
soro ou plasma promete gerar menores
custos e quedana taxa de mortalidade
neonatal para criadores. Mais informações
pelo site www.vencofarma.com.br ou
pelo tel.: 0800 400 7997
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KIT IgG, O MAIS
NOVO LANÇAMENTO
DA VENCOFARMA
SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE
EMERGÊNCIAS CARDÍACAS
VETERINÁRIAS
2 a 5 de dezembro de 2015
Local: Maceió, AL
Tel.: (41) 3039-1100
IV CURSO DE EXTENSÃO EM
ODONTOLOGIA EQUINA DA
ORTOVET
18 a 20 de dezembro de 2015
Local: Piracaia, SP
www.marketing@ortovet.com.br
GLOBAL EQUUS INTERNACIONAL
14 a 17 de janeiro de 2016
Local: Porto Feliz, SP
Tel.: (11) 2027-0777
www.globalequusinternacional.com
XXVI SACAVET - FMVZ/USP
19 a 24 de março de 2016
Local: São Paulo, SP
contato@sacavet.com.br
www.sacavet.com.br
CURSO EXTENSIVO DE
FISIOTERAPIA EQUINA
19 de março a 11 de dezembro 2016
Local: Cotia, SP
Tel.: (11) 99902-7507
mikail@termovet.com.br
I SIMPÓSIO DE MEDICINA INTERNA
VETERINÁRIA
21 a 23 de abril de 2016
Local: Univ. Federal de Viçosa, MG
www.simeiv.wordpress.com
OTÍCIAS (NOVIDADES & LANÇAMENTOS)N
MANEJO NUTRICIONAL INADEQUADO PODE CAUSAR
DOENÇAS GRAVES EM EQUINOS
O manejo nutricional dos equinos é um dos fatores essenciais para manter a
saúde do animal. Quando realizado de forma regular com quantidades corretas de
suplemento mineral e volumoso e com orientação de um profissional, pode evitar
problemas oriundos da sobrecarga ou ausência de determinados nutrientes. “Para
que o criador tenha um animal com vida útil prolongada e alcance seu máximo desem-
penho, é preciso que ele conheça todos os riscos que possam impedir esta perfor-
mance. Os maiores riscos se referem ao manejo inadequado e/ou uma dieta desba-
lanceada. Não adianta o criador ter um manejo adequado se a dieta é desregulada.
Certamente, o resultado será prejudicado”, ressalta dra. Luzilene Souza.
Entre as doenças causadas pela alimentação indevida estão:
• Cara Inchada: Doença causada pelo aumento da liberação do hormônio PTH (hor-
mônio da paratireoide), que faz com que o organismo do animal retire cálcio dos
ossos para suprir a deficiência na corrente sanguínea, causando uma carência e
tornando-os areados
• Cólica: O inimigo número um dos cavalos e pode até levar à morte. A cólica pode
ser ocasionada por diversos fatores como: clima, alimento mofado ou de baixa qua-
lidade e manejo alimentar inadequado.
• Doenças Ortopédicas do Desenvolvimento (DOD): São enfermidades que ata-
cam ligamentos, tendões, entre outros membros dos equinos.
• Diarreias: Podem ser causadas por mudanças repentinas e constantes na alimen-
tação. Muitos cavalos têm estômagos sensíveis e as alterações rápidas em sua dieta
podem provocar algumas reações.
• Laminite: Também conhecida como aguamento, é uma doença caracterizada pela
inflamação aguda ou crônica das lâminas do casco do equino. É ocasionada pelo
aumento da produção de ácido láctico no trato digestivo.
INSTITUTO QUALITTAS
Insc.: 0800-7256300
www.qualittas.com.br
• CURSO DE ODONTOLOGIA EQUINA
16 a 18 de dezembro de 2015
• CURSO DE PRIMEIROS SOCORROS
EM EQUINOS
23 e 24 de janeiro de 2016
• CURSO DE DIAGNÓSTICO DE
CLAUDICAÇÃO EM EQUINOS
25 e 26 de janeiro de 2016
• CURSO DE ATUALIZAÇÃO EM
ASSUNTOS REGULATÓRIOS -
ALIMENTAÇÃO ANIMAL
29 e 30 de janeiro de 2016
• CURSO DE BOAS PRÁTICAS DE
FABRICAÇÃO DE RAÇÃO - BPF
IMPLEMENTAÇÃO E GESTÃO
31 de janeiro a 2 de fevereiro de 2016
• CURSO DE MANEJO NUTRICIONAL
DE EQUINOS
Confira a data da próxima Turma
• CURSO DE ANESTESIA EM EQUINOS
A CAMPO
Confira a data da próxima Turma
• CURSO DE EQUITAÇÃO PARA
ADESTRAMENTO BÁSICO
Confira a data da próxima Turma
• CURSO DE FORMULAÇÃO DE DIETAS
E RAÇÕES PARA EQUINOS
Confira a data da próxima Turma
Tel.: (31) 3899-8300 - Viçosa, MG
www.cptcursospresenciais.com.br
cpt@cursospresenciais.com.br
• CURSO DE RECICLAGEM E
CAPACITAÇÃO DE INSTRUTORES DE
EQUITAÇÃO
5 a 19 de dezembro de 2015
• CURSO INTENSIVO DE DOMA
INTELIGENTE
5 a 14 de dezembro de 2015
• CURSO BÁSICO DE
CASQUEAMENTO E FERRAGEAMENTO
8 a 11 de dezembro de 2015
• INSTALAÇÕES PARA CENTROS
EQUESTRES
1 de janeiro de 2016
• CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DE
CENTROS EQUESTRES
16 a 30 de janeiro de 2016
• CURSO DE HORSEMANSHIP PARA
MÉDICOS VETERINÁRIOS
23 e 24 de janeiro de 2016
• CURSO PRÁTICO DE ABORDAGENS
CLÍNICAS E CIRÚRGICAS DO SISTEMA
LOCOMOTOR DOS EQUINOS
25 a 27 de janeiro de 2016
UNIVERSIDADE DO CAVALO
Sorocaba, SP - (15) 3292-6633
uc@universidadedocavalo.com.br
www.universidadedocavalo.com.br
PÓS-GRADUAÇÃO
LATO SENSU 2016
www.ibvet.com.br
• REPRODUÇÃO EQUINA
Março 2016 (Jaguariúna, SP e Belo
Horizonte, MG)
• CLÍNICA E CIRURGIA DE EQUINOS
Março 2016 (Jaguariúna, SP)
• ORTOPEDIA EM EQUINOS
Março 2016 (Indaiatuba, SP)
• XVII CONFERÊNCIA ANUAL ABRAVEQ
29 de abril a 1 de maio de 2016
Local: Campos do Jordão, SP
Tel.: (11) 3032-7868
abraveq@abraveq.com.br
www.abraveq.com.br
• ESPECIALIZAÇÃO EM EQUINOCULTURA
• REPRODUÇÃO E MANEJO DE EQUINOS
• ODONTOLOGIA EQUINA
• ATUALIZAÇÃO EM REPROD. EQUINA
• INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL EM EQUINOS
• PALPAÇÃO RENAL E
ULTRASSONOGRAFIA EM ÉGUAS
• OFTALMOLOGIA EM EQUINOS
• UTILIZAÇÃO DE GPS: CRIAÇÃO DE
MAPAS E MEDIAÇÃO RURAL P/ HARAS
GENDA (CURSOS & EVENTOS)A