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Livro Eletrônico
Aula 02
Legislação Penal e Processual Especial p/ PC-PR (Delegado) - 2019.2
Ivan Luís Marques da Silva, Vitor De Luca
55314334925 - marcos santos
 
Sumário 
 
1 – Considerações iniciais....................................................................................................... ...........................................................1 
2 – Do registro e do porte.................................................................................................................................................................7 
3 - Crimes em espécie......................................................................................................................................................................17 
4 - Liberdade provisória...................................................................................................................................................................71 
5- Disposições Gerais........................................................................................................... ............................................................73 
6 - Lista de Questões sem comentários............................................................................................ ...............................................75 
7 - Lista de Questões com comentários...........................................................................................................................................88 
8 - Resumo.....................................................................................................................................................................................110 
9 - Gabarito....................................................................................................................................................................................112 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ivan Luís Marques da Silva, Vitor De Luca
Aula 02
Legislação Penal e Processual Especial p/ PC-PR (Delegado) - 2019.2
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1 - CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
 É interessante iniciar essa aula mencionando que o porte ilegal de arma de fogo foi a priori previsto 
no nosso ordenamento jurídico como uma mera contravenção penal estabelecida no art. 19 do Decreto-Lei 
3688/41 (Lei das Contravenções Penais). Todavia, diante da crescente onda de violência instalada no nosso 
país na década de 90, o legislador resolveu transformar tal conduta em crime, com a edição da Lei 9.437/97. 
Ocorre que a Lei 9.437/97 mostrou-se insatisfatória em vários aspectos, inclusive redacionais, para melhor 
disciplinar a posse e porte de arma de fogo no Brasil, motivo pelo qual o legislador infraconstitucional elabora 
uma lei mais rigorosa, qual seja, a Lei 10.826/03, também conhecida como Estatuto do Desarmamento, que 
representou um enorme avanço quando comparado com a legislação antecedente, notadamente por elevar 
as penas para o crime de porte de arma, por tipificar também como crime o porte e posse de munição e o 
tráfico internacional de armas, e ainda dar outras providências (regras de restrição à venda, registro e 
autorização para o porte de arma de fogo, etc.). Vale ainda destacar que o art. 36 da Lei 10.826/03 revogou 
expressamente a lei 9437/971. 
 A Lei 10826/03 (Estatuto do Desarmamento) versa sobre registro, posse e comercialização de armas 
de fogo e munição, bem como acerca do Sistema Nacional de Armas – SINARM, define crimes e dá outras 
providências. 
 A Lei 10826/03 possui 6 capítulos: a) O Capítulo I dispõe sobre o Sistema Nacional de Armas 
(SINARM); b) Capítulo II – Do registro; c) Capítulo III – Do porte; d) Capítulo IV - Dos crimes e das penas; e) 
Capítulo V – Disposições Gerais e f) Capítulo VI – Disposições finais. A lei 10826/03 ainda é regulamentada 
por 3 Decretos: Decretos nºs 9847/19 (Decretos que regulamentam a Lei 10826/03, de 22 de dezembro de 
2003 e dispõe sobre registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição, sobre o Sistema Nacional 
de Armas – SINARM e define crimes) e Decreto nº 10030/2019 (Regulamento para a fiscalização de produtos 
controlados, também conhecido como R-105). 
 O que é SINARM? 
 É um órgão instituído no Ministério da Justiça, no âmbito da Polícia Federal, com circunscrição em 
todo o território nacional (art. 1º da Lei 10826/03), que tem por finalidade manter cadastro geral, integrado 
e permanente das armas de fogo importadas, produzidas e vendidas no país, de competência do SINARM, e 
o controle do registro dessas armas. 
 
 
1 Art. 36 da Lei 10826/03: É revogada a Lei 9437, de 20 de fevereiro de 1997. 
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 O art. 2º da Lei 10826/03 estabelece as competências do SINARM: 
 I – identificar as características e a propriedade de armas de fogo, mediante registro; 
 II – cadastrar as armas de fogo produzidas, importadas e vendidas no País; 
 III – cadastrar as autorizações de porte de arma de fogo e as renovações expedidas pela Polícia Federal; 
 IV – cadastrar as transferências de propriedade, extravio, furto, roubo e outras ocorrências suscetíveis 
de alterar os dados cadastrais, inclusive as decorrentes de fechamento de empresas de segurança privada e 
de transporte de valores; 
 V – identificar as modificações que alterem as características ou o funcionamento de arma de fogo; 
 VI – integrar no cadastro os acervos policiais já existentes; 
 VII – cadastrar as apreensões de armas de fogo, inclusive as vinculadas a procedimentos policiais e 
judiciais; 
 VIII – cadastrar os armeiros em atividade no País, bem como conceder licença para exercer a atividade; 
 IX – cadastrar mediante registro os produtores, atacadistas, varejistas, exportadores e importadores 
autorizados de armas de fogo, acessórios e munições; 
 X – cadastrar a identificação do cano da arma, as características das impressões de raiamento e de 
microestriamento de projétil disparado, conforme marcação e testes obrigatoriamente realizados pelo 
fabricante; 
 XI – informar às Secretarias de Segurança Pública dos Estados e do Distrito Federal os registros e 
autorizações de porte de armas de fogo nos respectivos territórios, bem como manter o cadastro atualizado 
para consulta. 
 Parágrafo único. As disposições deste artigo não alcançam as armas de fogo das Forças Armadas e 
Auxiliares, bem como as demais que constem dos seus registros próprios. 
 Reparem que as armas de fogo das Forças Armadas e Auxiliares (Polícias Militares) 
estão sob supervisão do SIGMA (SISTEMA DE GERENCIAMENTO MILITAR DE ARMAS), órgão 
instituído no Ministério da Defesa, no âmbito do Exército, com circunscrição em todo o 
território nacional, encarregado de manter cadastro geral, permanente e integrado das armas 
de fogo importadas, produzidas e vendidas no país, de competência do SIGMA, e das armas 
de fogo que constem dos registros próprios. 
 
 
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 Em resumo, há 2 sistemas: 
 
 
 
 
 
 
 O objeto da Lei nº 10826/03 é o SINARM, órgão vinculado ao Ministério da Justiça e operado pela 
Polícia Federal. 
 
 Observe que as apreensões de armas de fogo, inclusive as decorrentes de procedimentos judiciais e 
policiais, assim como o extravio, furto e roubo, devem ser comunicadas ao SINARM de forma que a 
ocorrência seja anotada no respectivo cadastro. 
 Notem ainda que o fechamento de empresas de segurança privada e transportede valores também 
deve ser comunicado ao SINARM. É também função do SINARM cadastrar os armeiros em atividade no país, 
assim como conceder licença para exercer essa profissão. Lembre-se que armeiro é o profissional 
encarregado de preparar, modificar, reparar e fabricar armas. Em resumo, armeiro é o mecânico de armas. 
 Questão: Quais são os bens jurídicos tutelados nas figuras típicas pela Lei 10826/03? 
 A segurança pública e a incolumidade pública, que são interesses da coletividade, ou seja, de todo o 
meio social. Por essa razão, o sujeito passivo desses crimes sempre é o Estado, a coletividade, ou seja, é um 
crime vago (sujeito passivo é um ente sem personalidade jurídica). Eventualmente pessoas individuais 
podem figurar também como sujeitos passivos (Ex: art. 13 do Estatuto do Desarmamento – Omissão de 
cautela). Os delitos do Estatuto do Desarmamento são de perigo abstrato, ou seja, para a sua configuração 
não necessitam demonstrar a existência de um perigo no caso concreto. 
 Questão: Qual é o órgão jurisdicional competente para apreciar os delitos descritos no Estatuto do 
Desarmamento? 
 Em regra, a Justiça Estadual será a competente para processar e julgar os delitos do Estatuto do 
Desarmamento, pois os bens jurídicos protegidos pelo Estatuto do Desarmamento não versam sobre 
interesse da União Federal, nos termos do art. 109, da Constituição Federal. Excepcionalmente, a 
SINARM: sistema 
destinado às armas 
em geral 
SIGMA: sistema 
destinado às armas 
militares 
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competência será da Justiça Federal quando a infração penal for praticada em detrimento de bens, serviços 
ou interesse da União e suas entidades autárquicas ou empresas públicas, ex vi do art. 109, IV, da 
Constituição Federal. Exemplo: Tráfico internacional de arma de fogo (art. 18 do Estatuto do 
Desarmamento2) será julgado pela Justiça Federal, pois nesse caso viola interesse da União Federal. Exemplo 
2: Delito tipificado no Estatuto do Desarmamento praticado a bordo de navio ou aeronave (art. 109, IX, da 
Constituição Federal) será julgado pela Justiça Federal. 
 Os delitos de arma de fogo descritos no Estatuto do Desarmamento são exemplos de 
normas penais em branco heterogênea, eis que o preceito primário da norma penal é 
complementado por um ato administrativo (fonte diversa da lei em sentido formal). Na 
espécie, a listagem de armas de fogo, acessórios e munições, assim como a permissibilidade, 
ou não, do uso são complementados pelo Decreto nº 9847, de 25 de junho de 2019 (decreto 
que regulamenta a Lei 10826/03, de 22 de dezembro de 2003 e dispõe sobre registro, posse 
e comercialização de armas de fogo e munição, sobre o Sistema Nacional de Armas – SINARM e define 
crimes). Em outras palavras, o Decreto de nº 9847/19 integrará os tipos penais do Estatuto do 
Desarmamento. Por exemplo, o conceito de arma de fogo de uso permitido é dado pelo art. 2º, I, do Decreto 
de nº 9847/19. Essa definição é fundamental para a configuração dos delitos dos art. 12 (posse irregular de 
arma de fogo de uso permitido) e 14 (porte irregular de arma de fogo de uso permitido), ambos da Lei 
10826/03. 
 Da mesma forma, o conceito de arma de fogo de uso restrito ou proibido é dado pelo art. 2º, II e III, 
do Decreto nº 9847/2019. Essa definição é importante para a configuração do delito de posse ou porte ilegal 
de arma de fogo de uso restrito (art. 16 do Estatuto do Desarmamento). 
 O objeto material dos delitos do Estatuto do Desarmamento são armas de fogo, munições e 
acessórios. Em seguida, abordaremos esses conceitos sobre armas de fogo, munições e acessórios. 
 Arma: artefato que tem por objetivo causar dano, permanente ou não, a seres vivos e coisas; 
 Arma controlada: arma que, pelas suas características de efeito físico e psicológico, pode causar 
danos altamente nocivos e, por esse motivo, é controlada pelo Exército, por competência outorgada pela 
União; 
 Arma de fogo: arma que arremessa projéteis empregando a força expansiva dos gases gerados 
pela combustão de um propelente confinado em uma câmara que, normalmente, está solidária a um 
 
 
2 Art. 18 da Lei 10826/03: Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território nacional, a qualquer título, de arma de fogo, 
acessório ou munição, sem autorização da autoridade competente: Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. 
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cano que tem a função de propiciar continuidade à combustão do propelente, além de direção e 
estabilidade ao projétil; 
 Arma branca: artefato cortante ou perfurante, normalmente constituído por peça em lâmina ou 
oblonga. O conceito de arma branca é obtido por exclusão, ou melhor, é a que não é arma de fogo. É dividida 
em 2 espécies: a) arma própria, isto é, aquela que tem como finalidade o ataque e a defesa. Exemplo: Espada, 
punhal, etc; b) arma imprópria, por sua vez, é aquela que não tem como finalidade a realização de ataque 
ou defesa, mas que pode ser utilizada para tais fins. Exemplos: Faca de cozinha, machado, etc. 
 Questão: O porte de arma branca (punhal, canivete) é tipificado como crime pela Lei 10826/03? 
 A resposta é negativa. O porte de arma branca é tratado como mera contravenção penal prevista 
no art. 19 do Decreto-Lei 3688/413. 
 Armas de fogo de uso permitido são as armas de fogo semiautomáticas ou de repetição que sejam: 
a) de porte, cujo calibre nominal, com a utilização de munição comum, não atinja, na saída do cano de prova, 
energia cinética superior a mil e duzentas libras-pé ou mil seiscentos e vinte joules; b) portáteis de alma lisa; 
ou c) portáteis de alma raiada, cujo calibre nominal, com a utilização de munição comum, não atinja, na saída 
do cano de prova, energia cinética superior a mil e duzentas libras-pé ou mil seiscentos e vinte joules (art. 2º, 
I, do Decreto nº 9847/19); 
 Armas de fogo de uso restrito são as armas de fogo automáticas, semiautomáticas ou de repetição 
que sejam: a) não portáteis; b) de porte, cujo calibre nominal, com a utilização de munição comum, atinja, na 
saída do cano de prova, energia cinética superior a mil e duzentas libras-pé ou mil seiscentos e vinte joules; 
ou c) portáteis de alma raiada, cujo calibre nominal, com a utilização de munição comum, atinja, na saída do 
cano de prova, energia cinética superior a mil e duzentas libras-pé ou mil seiscentos e vinte joules (art. 2º, II, 
do Decreto nº 9847/19); 
 Armas de fogo de uso proibido são as armas de fogo classificadas de uso proibido em acordos e 
tratados internacionais dos quais a República Federativa do Brasil seja signatária; ou as armas de fogo 
dissimuladas, com aparência de objetos inofensivos (art. 2º, III, do Decreto nº 9847/19); 
 
 
 
 
3 Art. 19 do Decreto-Lei nº 3688/41 (Lei das Contravenções Penais): Trazer consigo arma fora de casa ou de dependência desta, sem 
licença da autoridade. Pena – prisão simples de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses, ou multa, ou ambas cumulativamente. 
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 Acessório: engenho primário ou secundário que suplementa um artigo principal para possibilitar ou 
melhorar o seu emprego. 
 Acessório de arma: artefato que, acoplado a uma arma, possibilita a melhoria do desempenho do 
atirador, a modificação de um efeito secundário do tiro ou a modificação doaspecto visual da arma. Exemplo: 
Mira telescópica. 
 Munição: cartucho completo ou seus componentes, incluídos o estojo, a espoleta, a carga propulsora, 
o projétil e a bucha utilizados em armas de fogo (art. 2º, X, do Decreto nº 9847/19); 
 
 Competência para autorizar e fiscalizar a produção e comércio de armas de fogo: De acordo com 
o art. 21, VI, da Constituição Federal, a União Federal, por meio do SINARM, com circunscrição em todo o 
território nacional, tem competência para autorizar e fiscalizar a produção e o comércio das armas de fogo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2 – REGISTRO E PORTE 
 
DO REGISTRO 
 
 
 
 
 É obrigatório o registro da arma de fogo no órgão público competente. Vale dizer, as armas de fogo 
de uso permitido devem ser registradas no SINARM (Sistema Nacional de Armas), ao passo que as armas de 
fogo de uso restrito devem ser registradas no SIGMA (Sistema de Gerenciamento Militar das Armas). 
 Deste registro será expedido o denominado certificado de registro de arma pela Polícia Federal, com 
autorização do SINARM. Esse certificado de registro de arma seria o equivalente ao documento de identidade 
da arma de fogo e apresenta duas finalidades: 
• Comprovar a propriedade da arma; 
• Autorizar o titular (proprietário) a manter a arma de fogo exclusivamente no interior de sua residência 
ou domicilio, ou dependência desses, ainda, no seu local de trabalho, desde que seja o proprietário ou 
responsável legal pelo estabelecimento ou empresa (art. 5º, caput, da Lei nº 10826/03). 
 OBS: O SINARM autoriza a aquisição da arma de fogo, ao passo que a expedição do certificado de 
registro de arma de fogo é da Polícia Federal. Frise-se que a aquisição de arma de fogo fora dos critérios 
legais caracteriza o delito do art. 14 da Lei 10826/03 (porte ilegal de arma de fogo de uso permitido). 
 A validade do registro da arma é de, no máximo, 3 anos. Encerrado esse prazo, o proprietário deverá 
providenciar a renovação do registro da arma. Observem que atualmente todo registro de arma é precário, 
isto é, temporário. Não existe mais o registro de cunho vitalício. Lembre-se que os registros realizados antes 
Art. 3º da Lei 10826/03: É obrigatório o registro de arma de fogo no órgão competente. 
Parágrafo único. As armas de fogo de uso restrito serão registradas no Comando do Exército, na 
forma do regulamento desta Lei. 
 
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do Estatuto do Desarmamento (Lei 10826/03) perderam o caráter vitalício, porquanto o art. 5º, § 3º da citada 
lei4 também exigiu a sua renovação nesses casos. 
 Questão: Quais são os requisitos para adquirir arma de fogo de uso permitido? 
 Os requisitos cumulativos são: 
A) ter, no mínimo, 25 anos de idade (art.3º, II, do Decreto nº 9847/19) 
B) declarar a efetiva necessidade, apresentando os fatos e as razões do pedido (art. 4º, caput, da Lei 
10826/03) 
C) comprovar idoneidade e inexistência de inquérito policial ou processo judicial. A comprovação nesse 
se dá mediante certidões negativas de antecedentes criminais (art. 4º, I, da Lei 10826/03) 
D) comprovar ocupação lícita e residência certa (art. 4º, II, da Lei 10826/03) 
E) comprovar capacidade técnica e aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo (art. 4º, III, da 
Lei 10826/03). OBS: A pessoa que já está autorizada a portar arma de fogo não precisa comprovar esse 
requisito para a aquisição da arma de fogo. 
 
 Como já mencionado, a cada 3 anos o registro da arma deve ser renovado, com a demonstração dos 
requisitos “c”, “d” e “e” (art. 5º, §2º, da Lei 10826/03). 
 O SINARM expedirá autorização de compra de arma de fogo após atendidos os requisitos legais, em 
nome do requerente e para a arma indicada, sendo intransferível esta autorização. 
 Por sua vez, a aquisição de munição somente poderá ser feita no calibre correspondente à arma 
registrada e na quantidade estabelecida no regulamento da Lei 10826 (art. 4º, §2º, do Estatuto do 
Desarmamento). 
 
 
 
4 Art. 5º, §3º, da Lei 10826/03: O proprietário de arma de fogo com certificados de registro de propriedade expedido por órgão 
estadual ou do Distrito Federal até a data da publicação desta Lei que não optar pela entrega espontânea prevista no art. 32 desta Lei 
deverá renová-lo mediante o pertinente registro federal, até o dia 31 de dezembro de 2008, ante a apresentação de documento de 
identificação pessoal e comprovante de residência fixa, ficando dispensado do pagamento de taxas e do cumprimento das exigências 
constantes dos incisos I a III do caput do art. 4º desta Lei. OBS: O prazo a que se refere o art. 5º, § 3º, da Lei 10826/03 foi prorrogado 
até 31 de dezembro de 2009, pela lei 11.922, de 13 de abril de 2009. 
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 Efetivada a venda, a empresa que comercializa armas de fogo, acessórios e munições é obrigada a 
comunicar o fato à autoridade competente, bem como manter detalhado banco de dados acerca das 
características das armas vendidas e dos respectivos compradores (art. 4º, §3º, da Lei 10826/03). 
 A comercialização de armas de fogo acessórios e munições entre pessoas físicas também necessitará 
de autorização do SINARM (art. 4º, §5º, da Lei 10826/03). 
 As aquisições de arma de fogo de uso restrito dependem de autorização do Comando de Exército, 
salvo as aquisições feitas pelos Comandos Militares (art. 27 do Estatuto do Desarmamento). 
Cumprindo uma promessa lançada à época da campanha eleitoral, o Presidente da República 
Jair Bolsonaro editou o decreto nº 9.647/2019, que promoveu profundas alterações no Decreto 
anterior, dos quais destaco as seguintes: 1) modificação das regras que regulamentam a 
aquisição de armas de fogo de uso permitido; b) aumento do prazo de validade dos 
registros de armas de fogo de uso permitido; c) aumento do prazo de validade dos registros de armas 
de fogo de uso restrito; d) renovação automática da validade dos certificados expedidos até a data da 
sua publicação 
 Como vimos, um dos requisitos cumulativos para a aquisição da arma de arma de fogo de uso permitido 
é a declaração de efetiva necessidade, consoante determina o art. 4º, caput, da Lei 10826/03. Antes do referido 
ato infralegal confeccionado em 2019, a Polícia Federal não considerava como válidas argumentações 
genéricas (Exemplo: a notória violência urbana na cidade do Rio de Janeiro), devendo restar demonstrada no 
plano concreto a efetiva necessidade da posse da arma de fogo. Pois bem. O Decreto nº 9847/19 torna mais 
flexível o preenchimento desse pressuposto. Em primeiro lugar, o referido decreto traz consigo a presunção 
de veracidade dos fatos aduzidos pelo requerente acerca da efetiva necessidade (art. 3º, §1º, do Decreto nº 
9647/19), ou seja, basta a pessoa alegar que está sofrendo ameaça para que a Polícia Federal considere esse 
fato como verdadeiro, sendo despicienda qualquer demonstração de ameaça na realidade. Além disso, esse 
Decreto estabeleceu que o indeferimento do pedido para aquisição de arma de fogo será comunicado ao 
interessado em documento próprio e apenas poderá ter como fundamento: I - a comprovação documental de 
que: a) não são verdadeiros os fatos e as circunstâncias afirmados pelo interessado na declaração de efetiva 
necessidade; b) o interessado instruiu o pedido com declarações ou documentos falsos; ou c) o interessado 
mantémvínculo com grupos criminosos ou age como pessoa interposta de quem não preenche os requisitos 
para obtenção da aquisição da arma de fogo; II - o interessado não ter a idade mínima de 25 anos de idade; III 
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- a não apresentação de um ou mais documentos ligados à identificação pessoal, idoneidade moral, ocupação 
lícita e residência fixa, capacidade técnica e aptidão moral. 
Os requisitos da ocupação lícita e de residência fixa, da idoneidade moral e da inexistência de inquérito 
policial ou ação penal, bem como a capacidade técnica para o manuseio da arma de fogo serão comprovados, 
periodicamente, a cada dez anos, junto à Polícia Federal, para fins de renovação do Certificado de Registro 
(art. 12, §11, do Decreto nº 9847/19). 
 A lei nº 13870/2019 introduziu o §5º no art. 5º do Estatuto do Desarmamento para melhor aclarar a 
posse de arma para os proprietários de área rural. Segundo o art. 5º, 5º, do Estatuto do Desarmamento, aos 
residentes em área rural, considera-se residência ou domicílio toda a extensão do imóvel rural. Com isso, 
o titular do certificado de Registro de Arma de Fogo tem o direito de ter a posse de arma não só na sede da 
fazenda/sítio como em todo o restante da propriedade rural (terreno). 
 
DO PORTE 
 
 O porte autoriza o agente a trazer consigo a arma em todos os lugares que estiver. Já o registro da 
arma confere ao agente apenas a posse, ou seja, somente o direito de ter a arma em casa ou empresa da 
qual é proprietário ou responsável legal. Em outras palavras, a posse autoriza o agente a manter a arma 
intra muros, no interior de residência ou local de trabalho. Por sua vez, o porte autoriza o agente a manter 
a arma extra muros, ou seja, fora da residência ou local de trabalho. 
 Como já falamos, em regra, a autorização para porte de arma de fogo de uso permitido, em todo 
território nacional, é atribuição da Polícia Federal e somente será concedida após autorização do SINARM, 
salvo em 2 exceções: 
1) Os responsáveis pela segurança de cidadãos estrangeiros em visita ou sediados no Brasil. Exemplo: 
segurança de um cantor estrangeiro. No caso, a autorização para o porte de arma será do Ministério da 
Justiça (art. 9º da Lei 10826/03). 
2) Colecionadores, atiradores, e caçadores, bem como representantes estrangeiros em competição 
internacional oficial de tiro realizada no território brasileiro. Nessas situações será expedido pelo 
Comando do Exército apenas um porte de trânsito de arma de fogo, que autoriza o transporte de um local 
para outro. Cuida-se de uma guia de tráfego ou de trânsito (art. 9º da Lei 10826/03). 
 
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 A regra consagrada no art. 6º, caput, do Estatuto do Desarmamento5 é pela proibição expressa de 
alguém portar arma de fogo de uso permitido, salvo em situações expressamente previstas em lei em razão 
da função desse agente ou após autorização obtida junto à Polícia Federal, após concordância do SINARM. 
 Vamos falar primeiro sobre o porte legal ou funcional. 
 
 O porte legal ou funcional é aquele que decorre de expressa previsão legal. Nessa situação é 
dispensada a autorização da polícia federal. 
 Este porte funcional ou legal pode ser: 
 a) em tempo integral, isto é, mesmo fora do serviço. Exemplos: integrantes das Forças Armadas, 
policiais civis ou militares, bombeiros, guardas municipais da capital do Estado ou de municípios com mais 
de 500.000 (quinhentos mil) habitantes. 
 b) apenas durante o serviço. Exemplos: integrante da guarda municipal dos Municípios com mais de 
50.000 (cinquenta mil) e menos de 500.000 (quinhentos mil) habitantes; seguranças dos Tribunais do Poder 
Judiciário e do Ministério Público, empregados das empresas de segurança privada e de transporte de 
valores, integrantes das guardas municipais que integram regiões metropolitanas e outros. 
 É importante ainda destacar que as Leis Orgânicas da Magistratura e do Ministério Público 
estabelecem respectivamente o porte de arma para juízes6 e para membros do Parquet7. Nesses casos, ainda 
que exista o porte legal de arma, é necessário o registro da arma de fogo. Vejamos um julgado do STJ sobre 
o tema: 
 
 
5 Art. 6º, caput, da Lei 10826/03: É proibido o porte de arma de fogo em todo o território nacional, salvo para casos previstos em 
legislação própria e para: 
6 Art. 33 da LOMAN: São prerrogativas do magistrado: V – portar arma de defesa do pessoal; 
7 Art. 42 da Lei nº 8625/93: Os membros do Ministério Público terão carteira funcional, expedida na forma da Lei Orgânica, 
valendo em todo o território nacional como cédula de identidade, e porte de arma, independentemente, neste caso, de qualquer ato 
formal de licença ou autorização. 
 
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ADMINISTRATIVO. REGISTRO DE ARMA DE FOGO. COMPROVAÇÃO DE 
CAPACIDADE TÉCNICA. MEMBRO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. 
NECESSIDADE. PORTE E REGISTRO. DISTINÇÃO. 
1. O Estatuto do Desarmamento estabelece que o registro do material bélico é obrigatório, nos órgãos 
competentes (art. 3º da Lei 10.826/2003) proibindo o porte de arma em todo o território nacional, salvo para 
os casos previstos em legislação própria (art. 6º da Lei 10.826/2003). 
2. A Lei 10.826/2003 condiciona a aquisição de arma de fogo e a expedição do respectivo registro ao 
cumprimento de requisitos dispostos no art. 4º da referida lei. Segundo o art. 4º, III, do Estatuto do 
Desarmamento, para o registro de arma de fogo é necessário, entre outros requisitos, que o interessado 
comprove capacidade técnica para o manuseio de arma de fogo, atestada na forma disposta no regulamento 
da Lei 10.826/2003. 
3. A Lei 8.625/1993 (Lei Orgânica Nacional do Ministério Público) garante o porte de arma, 
independentemente de qualquer ato formal de licença ou autorização (art. 42), com similar prerrogativa aos 
magistrados (art. 33 da Lei Orgânica da Magistratura Nacional). 
4. A capacidade técnica é um dos requisitos para o registro de arma de fogo, e não para o porte de arma. O 
presente requisito técnico visa atestar que o interessando possui conhecimentos básicos, teóricos e práticos, 
para o manuseio e uso de arma de fogo que se pretende adquirir. Não resta dúvida de que aquele que visa 
adquirir arma de fogo deve ao menos conhecer o funcionamento do instrumento bélico, bem como as 
normas de segurança sobre o uso e manuseio de arma de fogo. 
5. O Superior Tribunal de Justiça, na Ação Penal 657/PB, teve a oportunidade de consignar que a Lei 
10.826/2003 ‘não dispensa o respectivo registro de arma de 
fogo, não fazendo exceções quanto aos agentes que possuem autorização legal para o porte ou posse de 
arma’. 
6. A mens legis do Estatuto do Desarmamento sempre foi o de restringir o porte e a posse de armas de fogo, 
estabelecendo regras rígidas para este fim. Há também um procedimento rigoroso de registro e 
recadastramento de material bélico”. (STJ — REsp 1.327.796/BA, Rel. Min. Herman Benjamin, 2ª Turma, 
julgado em 28/04/2015, DJe 04/08/2015). 
 O Supremo Tribunal Federal ao analisar a prerrogativa dos magistrados conferida no art. 33, V, da 
LOMAN decidiu pela existência de um rito simplificado de registro de propriedade de armas de defesa 
pessoal, com dispensa de teste psicológico e de capacidade técnica e da revisão periódica do registro. Esse 
foi o julgado do Supremo Tribunal Federal: 
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CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA 
COLETIVO DESTINADO A AFIRMAR PRERROGATIVA FUNCIONAL DA 
MAGISTRATURA. INTERESSE DE TODOS OS MEMBROS DA 
MAGISTRATURA. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 
(ART. 102, I, n, DA CF). 
1. Insere-se na competência do Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, n, da CF) a ação de mandado de 
segurança coletivo, impetrado por entidades associativas de magistrados, visando a assegurar alegada 
prerrogativa da magistratura (art. 33, V, da LOMAN) de obter a renovação simplificada dos registros de 
propriedade de armas de defesa pessoal, com dispensa de teste psicológico e de capacidade técnica e da 
revisão periódica do registro. 
2. Agravo regimental a que se dá provimento, para julgar procedente a reclamação. (Rcl 11323 AgR, 
Relator: Min. ROSA WEBER, Relator p/ Acórdão: Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, julgado em 
22/04/2015) 
 De acordo com o art. 6º do Estatuto do Desarmamento, é proibido o porte de arma de fogo em todo 
o território nacional, salvo para casos previstos em legislação própria e para: 
I – os integrantes das Forças Armadas. Poderão portar, em âmbito nacional, arma de fogo de propriedade 
particular ou fornecida pela respectiva corporação ou instituição, mesmo fora de serviço. 
II – os integrantes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ferroviária Federal, Polícias 
Civis, Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares e da Força Nacional de Segurança Pública. 
Poderão portar, em âmbito nacional, arma de fogo de propriedade particular ou fornecida pela respectiva 
corporação ou instituição, mesmo fora de serviço. OBS: O porte de arma de fogo a que têm direito os 
policiais civis não se estende aos policiais aposentados (Informativo 554 do STJ). 
III - Integrantes das guardas municipais das capitais dos Estados e dos Municípios com mais de 500.000 
(quinhentos mil) habitantes. Poderão portar arma de fogo de propriedade particular ou fornecida pela 
respectiva corporação ou instituição, mesmo fora de serviço. 
IV - Integrantes das guardas municipais dos Municípios com mais de 50.000 (cinquenta mil) e menos de 
500.000 (quinhentos mil) habitantes, bem como dos Municípios que integrem regiões metropolitanas, 
quando em serviço. 
V - Agentes operacionais da Agência Brasileira de Inteligência e os agentes do Departamento de 
Segurança do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. Poderão portar, em 
âmbito nacional, arma de fogo de propriedade particular ou fornecida pela respectiva corporação ou 
instituição, mesmo fora de serviço. Devem comprovar capacidade técnica e de aptidão psicológica. 
VI – Integrantes da Polícia do Senado Federal e a Polícia da Câmara dos Deputados. Poderão portar, em 
âmbito nacional, arma de fogo de propriedade particular ou fornecida pela respectiva corporação ou 
instituição, mesmo fora de serviço. Devem comprovar capacidade técnica e de aptidão psicológica. 
VII - Integrantes do quadro efetivo dos agentes e guardas prisionais, os integrantes das escoltas de 
presos e as guardas portuárias. Devem comprovar capacidade técnica e de aptidão psicológica. 
VIII - Empresas de segurança privada e de transporte de valores constituídas. As armas utilizadas por 
essas empresas são apenas para o serviço, e devem pertencer exclusivamente às empresas. O extravio e 
a perda de arma devem ser comunicados pela diretoria ou gerência da empresa à Polícia Federal, que 
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enviará as informações ao SINARM a fim de que sejam tomadas as providências cabíveis. A omissão na 
comunicação acarretará responsabilidade penal (art. 13, parágrafo único, da Lei 10826/03). 
IX - Integrantes das entidades de desporto legalmente constituídas, cujas atividades esportivas 
demandem o uso de armas de fogo, observando-se, no que couber, a legislação ambiental. É o caso dos 
clubes de tiro. Nesse caso, o porte somente é autorizado no momento em que a competição é realizada. 
X - Integrantes das Carreiras de Auditoria da Receita Federal do Brasil e de Auditoria-Fiscal do Trabalho, 
cargos de Auditor-Fiscal e Analista Tributário. Devem comprovar capacidade técnica e de aptidão 
psicológica. 
XI - Tribunais do Poder Judiciário descritos no art. 92 da Constituição Federal e os Ministérios Públicos 
da União e dos Estados, para uso exclusivo de servidores de seus quadros pessoais que efetivamente 
estejam no exercício de funções de segurança, na forma de regulamento a ser emitido pelo Conselho 
Nacional de Justiça - CNJ e pelo Conselho Nacional do Ministério Público – CNMP. Os servidores do 
quadro efetivo do Ministério Público e o Poder Judiciário que exercem funções de segurança podem portar 
arma de fogo, de acordo com regulamento próprio. As armas de fogo utilizadas pelos servidores serão de 
propriedade, responsabilidade e guarda das respectivas instituições, somente podendo ser utilizadas 
quando em serviço, devendo estas observar as condições de uso e de armazenagem estabelecidas pelo 
órgão competente, sendo o certificado de registro e a autorização de porte expedidos pela Polícia Federal 
em nome da instituição. 
XII - Integrantes do quadro efetivo de agentes e guardas prisionais poderão portar arma de fogo de 
propriedade particular ou fornecida pela respectiva corporação ou instituição, mesmo fora de serviço, 
desde que estejam: a) submetidos a regime de dedicação exclusiva; b) sujeitos à formação funcional, nos 
termos do regulamento; c) subordinados a mecanismos de fiscalização e de controle interno; 
 
 Sobre os guardas municipais é interessante fazer a seguinte distinção: 
O porte de armas nas capitais dos Estados e nos Municípios com mais de 500.000 habitantes é 
permitido em tempo integral. 
O porte de armas será apenas durante o serviço nos Municípios com mais de 50.000 (cinquenta mil) e 
menos de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, bem como dos Municípios que integrem regiões 
metropolitanas, quando em serviço. 
 
 Os guardas municipais receberam formação funcional em estabelecimento de ensino de atividade 
policial. 
 Para o particular, a autorização para o porte de arma de fogo de uso permitido é de competência da 
Polícia Federal e só será concedida após autorização do SINARM (art. 10, caput, da Lei 10826/03). Para tanto, 
será emitido um documento denominado porte de arma de fogo, que é pessoal, intransferível e revogável 
a qualquer tempo, sendo válido apenas com relação à arma nele especificada e com apresentação do 
documento de identificação do portador. 
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 Os requisitos para a obtenção do porte de arma de fogo de uso permitido estão estampados no art. 
10, §1º, do Estatuto do Desarmamento: 
• Demonstrar a sua efetiva necessidade, por exercício de atividade profissional de risco ou de ameaça à 
integridade; 
• Comprovar idoneidade e inexistência de inquérito policial ou processo criminal. Tal prova se faz por meio 
de certidões negativas. 
• Comprovar ocupação ilícita e residência certa; 
• Comprovar capacidade técnica e aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo. 
• Apresentar documentação de propriedade da arma de fogo e seu certificado de registro. 
A autorização de porte de arma de fogo perderá automaticamente sua eficácia caso o 
portador dela seja detido ou abordado em estado de embriaguez ou sob efeito de 
substâncias químicas ou alucinógenas. 
 
 De acordo com o art. 20 do Decreto n. 9847/2019, a autorizaçãonão gera o direito de portar 
ostensivamente a arma de fogo, ou de adentrar, ou com ela permanecer, em locais públicos, tais como 
igrejas, escolas, estádios desportivos, clubes, ou outros locais onde haja aglomeração de pessoas, em razão 
de eventos de qualquer natureza. A não observância desse comando acarreta na cassação da autorização e 
na apreensão da arma de fogo. 
 
Outros casos: A) Caçadores de subsistência: Aos residentes em áreas rurais, que comprovem depender do 
emprego de arma de fogo para prover sua subsistência alimentar familiar, será autorizado o porte de arma 
de fogo na categoria "caçador" (art. 6º, §5º, da Lei 10826/03). Esse porte de arma de fogo de uso permitido 
será concedido pela Polícia Federal. 
B) Empresa de segurança privada e transporte de valores: o porte de arma será expedido pela Polícia Federal 
em nome da pessoa jurídica, cujos empregados, nominal e trimestralmente relacionados, poderão portar 
arma de fogo somente em serviço (art. 7º da Lei 10826/03). 
C) Agremiações esportivas, empresas de instrução de rito, colecionadores, atiradores, caçadores e 
representantes estrangeiros em competição oficial de tiro: O Comando do Exército expedirá porte de 
trânsito (guia de tráfego) e as armas de fogo deverão ser transportadas desmuniciadas (art. 9º da Lei 
10826/03). 
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Armas de brinquedo 
 Estabelece o art. 26, caput, da Lei 10.823/2.003: 
 
 “São vedadas a fabricação, a venda, a comercialização e a importação de brinquedos, réplicas e 
simulacros de armas de fogo, que com estas se possam confundir. 
Parágrafo único. “Excetuam-se da proibição as réplicas e os simulacros destinados à instrução, ao 
adestramento, ou à coleção de usuário autorizado, nas condições fixadas pelo Comando do Exército”. 
 Observe que muito embora o art. 26 do Estatuto do Desarmamento proíba essa conduta, o legislador 
não estabeleceu como criminosa referida proibição. Assim, é correto dizer ser atípica a conduta de fabricar, 
vender ou portar arma de brinquedo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3 – CRIMES EM ESPÉCIE 
 
POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO 
 
 
 
 
 
Antes de iniciar o estudo desse crime, vamos relembrar a diferença entre posse e porte de arma. 
O porte autoriza o agente a trazer consigo a arma em todos os lugares que estiver. Já o 
registro da arma confere ao agente apenas a posse, ou seja, somente o direito de ter a arma em casa ou 
empresa da qual é proprietário ou responsável legal. Em outras palavras, a posse autoriza o agente a manter 
a arma intra muros, no interior de residência ou local de trabalho. Por sua vez, o porte autoriza o agente a 
manter a arma extra muros, ou seja, fora da residência ou local de trabalho. 
 O delito de posse irregular de arma de fogo abrange duas situações: 
a) A aquisição e a posse irregular de arma de fogo de uso permitido (acessório e munição) em 
residência ou dependência desta, ou, ainda no seu local de trabalho. Em resumo, no caso concreto 
sequer houve o registro da arma de fogo; 
b) A não renovação do registro da arma de fogo de uso permitido (acessório e munição) no período 
estabelecido no regulamento. Nesse caso, há o registro da arma de fogo, porém esse registro 
encontra-se vencido. OBS: Faço questão de consignar, desde já, que esse assunto é 
extremamente polêmico, existindo, no ponto, divergência jurisprudencial no âmbito do Superior 
Tribunal de Justiça acerca da atipicidade, ou não, dessa conduta (Veremos jurisprudência do STJ 
a seguir). 
 
 Art. 12 da Lei 10826/03: Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso 
permitido, em desacordo com determinação legal, ou regulamentar, no interior de sua residência ou 
dependência desta, ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal 
do estabelecimento ou empresa: 
Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. 
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 Objetividade jurídica: é o controle da propriedade de armas e a incolumidade pública, ou seja, a 
coletividade é colocada em risco com a conduta do art. 12 da Lei 10826/03. Lembre-se que estamos diante 
de um delito de perigo abstrato (presume-se de modo absoluto o risco à segurança coletiva, sendo 
despiciendo a demonstração de qualquer perigo no caso concreto). 
 Objeto Material8: arma de fogo de uso permitido, acessório ou munição. Se a arma de fogo, 
acessórios ou munição for de uso restrito ou proibido, o delito será o do art. 16 do Estatuto do 
Desarmamento (Posse ilegal de arma de fogo de uso restrito). Também será o crime do art. 16, parágrafo 
único, IV, do Estatuto do Desarmamento se a arma de fogo, ainda que de uso permitido, estiver com a 
numeração, marca, ou qualquer outro dado de identificação raspado, suprimido ou alterado9. 
 Arma de chumbinho não é considerada arma de fogo. Logo, o fato é atípico. 
 OBS: Partes da arma não é acessório. O cano da arma não é acessório, mas sim parte da arma. 
 Sujeito ativo: Na primeira parte do tipo penal do art. 12 do Estatuto do Desarmamento (no interior 
de sua residência ou dependência desta), o crime é comum (ou geral), isto é, qualquer pessoa pode cometer 
esse delito. Já na segunda parte do tipo penal do art. 12 do Estatuto do Desarmamento (no seu local de 
trabalho), o delito é próprio, pois somente pode ser cometido pelo proprietário ou responsável legal do 
estabelecimento ou empresa. Dessa forma, o crime será de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido 
(art. 14 do Estatuto do Desarmamento) se o crime for praticado por pessoa que não for o responsável legal 
pela empresa e nem o proprietário. Em outras palavras, o empregado que não for o representante legal da 
empresa responderá pelo art. 14 do Estatuto do Desarmamento. 
 Sujeito passivo: É a coletividade. É um crime vago (sujeito passivo é um ente sem personalidade 
jurídica). 
 Tipo objetivo. São 2 as ações nucleares típicas: 1) Possuir significa ter a posse da arma de fogo de 
uso permitido, acessório ou munição como possuidor ou proprietário, de maneira prolongada. Exemplo: O 
 
 
8 Objeto Material: é a pessoa ou coisa em que recai a conduta criminosa. 
9 Art. 16, parágrafo único, da Lei 10826/03: 
IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação 
raspado, suprimido ou adulterado. 
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dono da arma de fogo de uso permitido que a possui no interior do cofre de sua residência, sem ter o 
certificado de registro); 2) Manter significa conservar, guardar a arma sob seu cuidado em nome de terceiro, 
por algum motivo. Exemplo: Sobrinho guarda a arma de seu tio, dentro do armário, enquanto este viaja. 
 Elemento espacial do tipo penal: O crime deve ser praticado na residência (local habitado pelo 
agente) ou dependência desta (local vinculado a casa. Exemplos: quintal, celeiro, edícula, garagem, jardim, 
etc.) ou no local de trabalho do agente, desde que este seja o seu proprietário ou responsável legal. 
OBS: Fora desses locais, a posse de arma de fogo, acessório ou munição configurará o delito de porte ilegalde arma de fogo de uso permitido (art. 14 do Estatuto do Desarmamento10). 
 Questão: Configura o delito do art. 12 da Lei 10826/03 se o agente tiver a posse irregular de arma de 
fogo em residência de terceiro? 
 A resposta é negativa, porquanto o fato não encontrará correspondência com o artigo 12 da Lei 
10826, porém configurará um delito mais grave, qual seja, de porte ilegal de arma de fogo (art. 14 da Lei 
10826/03). 
 Questão: Por qual delito responde o taxista que, sem ter o certificado de registro, porta uma arma 
no interior de seu táxi? 
 O tipo penal do art. 12 da Lei 10826/03 exige que a posse ilegal de arma ocorra intra muros, ou 
melhor, no interior da residência ou no local do trabalho. Ocorre que o táxi não está inserido no conceito de 
residência ou local de trabalho, devendo ser considerado um instrumento de trabalho. O local de trabalho 
do taxista é a rua, por onde trafega o seu táxi. De tal arte, o transporte de arma no interior do táxi configura 
o delito de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido (art. 14 da Lei 10826/03). Essa é a posição da 
jurisprudência, in verbis: 
 
PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO 
ESPECIAL. ART. 14 DA LEI 10.826/2003. PORTE ILEGAL DE ARMAS DE 
FOGO DE USO PERMITIDO. ARMA DE FOGO ENCONTRADA DENTRO 
DO VEÍCULO DO RÉU - TAXISTA. PLEITO DE EXTENSÃO DO CONCEITO 
DE LOCAL DE TRABALHO. DESCLASSIFICAÇÃO PARA O DELITO DE POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO DE 
 
 
10 Art. 14, caput, da Lei 10826/03: Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que 
gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, 
sem autorização e em desacordo com determinação legal e regulamentar: 
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USO PERMITIDO. ART. 12 DA LEI 10.826/2003. IMPOSSIBILIDADE. CONFIGURAÇÃO DO DELITO DO ART. 14 
DA LEI 10.826/2003. DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. ART. 557, § 
1º-A, DO CPC. ALEGADA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. INEXISTÊNCIA. REVALORAÇÃO DO 
CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO INCONTROVERSO NOS AUTOS. POSSIBILIDADE. REEXAME DE PROVAS. 
NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 
I. A possibilidade de dar-se provimento ao Recurso Especial, por decisão monocrática do Relator, encontra 
apoio quando "a decisão recorrida estiver em manifesto confronto com súmula ou com jurisprudência 
dominante do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior" (art. 557, § 1º-A, do Código de Processo 
Civil), pelo que não há que se falar em ofensa ao princípio da colegialidade, na espécie. 
II. Ademais, a reapreciação da matéria, quando do julgamento colegiado do Agravo Regimental, torna 
superada a alegação de ofensa ao princípio da colegialidade. 
III. A decisão impugnada não reexaminou o contexto fático- probatório da causa - providência vedada, em 
sede de Recurso Especial, pela Súmula 7/STJ -, tendo realizado apenas a sua revaloração, na análise de fatos 
incontroversos nos autos, julgados pela instância ordinária. 
IV. Consoante a jurisprudência do STJ, "não se trata, portanto, de reexame do conjunto probatório, que 
encontra óbice no enunciado nº 7 da Súmula desta Corte, mas, sim, de revaloração dos critérios jurídicos 
utilizados na apreciação dos fatos incontroversos" (STJ, AgRg no REsp 902.486/RS, Rel. Ministro PAULO 
GALLOTTI, SEXTA TURMA, DJe de 30/06/2008). 
V. A conduta fática incontroversa do agente taxista que transporta, no veículo de sua propriedade (táxi), 
arma de fogo de uso permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar, 
é suficiente para caracterizar o delito de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, previsto no art. 14 
da Lei 10.826/2003, afastando-se o reconhecimento do crime de posse irregular de arma de fogo de uso 
permitido (art. 12 da Lei 10.826/2003), uma vez que o táxi, ainda que seja instrumento de trabalho, não pode 
ser equiparável a seu local de trabalho.Precedentes do STJ. 
VI. Agravo Regimental improvido. (AgRg no REsp 1341025/MG, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEXTA 
TURMA, julgado em 06/08/2013, DJe 13/05/2014). 
 Questão: O motorista de caminhão que, sem ter o certificado de registro, porta uma arma no interior 
de seu veículo responderá pelo art. 12 do Estatuto do Desarmamento? 
 Muito embora o motorista passe muito tempo de sua vida no interior do caminhão, esse veículo não 
pode ser considerado residência e nem local de trabalho. O local de trabalho do motorista de caminhão é a 
estrada. O caminhão deve ser considerado o instrumento de trabalho por meio do qual o motorista 
desempenha a sua profissão de forma regular. A grande questão a ser respondida é se a cabine do caminhão 
estaria inserida no conceito legal de residência. Para os fins de tipificação do art. 14 do Estatuto do 
Desarmamento, a resposta é negativa. De tal sorte, o transporte de arma no interior do caminhão configura 
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o delito de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido (art. 14 da Lei 10826/03). Essa é a posição da 
jurisprudência, in verbis: 
AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. DIREITO PENAL. 
ESTATUTO DO DESARMAMENTO. ART. 14 DA LEI N. 10.826/2003. 
APREENSÃO DE ARMA DE FOGO NO INTERIOR DE VEÍCULO 
AUTOMOTOR UTILIZADO COMO MEIO DE TRABALHO. CAMINHÃO 
NÃO É EXTENSÃO DE LOCAL DE TRABALHO. TIPIFICAÇÃO DO PORTE ILEGAL DE ARTEFATO BÉLICO. 
ABOLITIO CRIMINIS NÃO ALCANÇA O DELITO DE PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. MATÉRIA 
CONSTITUCIONAL. STF. 
1. O caminhão é instrumento de trabalho do motorista, assim como, mutatis mutandis, a espátula serve ao 
artesão. Portanto, não pode ser considerado extensão de sua residência, nem local de seu trabalho, mas 
apenas um meio físico para se chegar ao fim laboral. 
2. Arma de fogo apreendida no interior da boleia do caminhão tipifica o delito de porte ilegal de arma (art. 
14 da Lei n. 10.826/2003). 
3. Ante a impossibilidade de desclassificação do crime de porte de arma para o delito de posse, faz-se 
superada a irresignação no tocante à incidência de abolitio criminis temporária, situação que ocorre 
exclusivamente na hipótese de conduta relacionada ao crime de posse de arma de fogo, acessórios e 
munição. 
4. A violação de preceitos, de dispositivos ou de princípios constitucionais revela-se quaestio afeta à 
competência do Supremo Tribunal Federal, provocado pela via do extraordinário; motivo pelo qual não se 
pode conhecer do recurso especial nesse aspecto, em função do disposto no art. 105, III, da Constituição 
Federal. 
5. O agravo regimental não merece prosperar, porquanto as razões reunidas na insurgência são incapazes 
de infirmar o entendimento assentado na decisão agravada. 
6. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1362124/MG, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA 
TURMA, julgado em 19/03/2013, DJe 10/04/2013) 
 Elemento normativo do tipo penal. Corresponde às expressões ”em desacordo com determinação 
legal ou regulamentar”. Para a caracterização do tipo penal do art. 12 da Lei 10826/03 é necessário que as 
ações de possuir ou manter sob guarda arma de fogo, acessórios ou munições sejam praticadas em 
desrespeito aos requisitos descritos na Lei 10826/03 ou de seu Regulamento. Exemplos: 1) Posse de arma 
de fogo sem o registro concedido pela autoridade competente (art. 5º, §1º, da Lei 10826/03); 2) posse de 
arma de fogo com prazo de validade expirado (art. 5º, § 2º, da Lei 10826/03). 
 
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 Questão: O agente que não renova o seu registro de arma de fogo de uso permitido pratica a conduta 
descrita no art. 12 da Lei 10826/03? 
 Esse assunto é deveras polêmico. A Sexta Turma do STJ entende que a situação acima caracteriza o 
crime de posse irregular de arma de fogo (art. 12 da Lei 10826), porquanto o bem jurídico tutelado é a 
incolumidade pública. Vejamos. 
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. POSSE ILEGAL DE ARMAS DE FOGO E MUNIÇÕES 
DE USO PERMITIDO. CERTIFICADO FEDERAL VENCIDO HÁ 
MAIS DE UM ANO E MEIO. CONDUTA TÍPICA. TRANCAMENTO 
DO PROCESSO IMPOSSIBILIDADE.RECURSO NÃO PROVIDO. 
1. O trancamento do processo em habeas corpus somente é cabível quando ficarem demonstradas, de 
plano, a atipicidade da conduta, a absoluta falta de provas da materialidade do crime e de indícios de 
autoria ou a existência de causa extintiva da punibilidade. 
2. O cidadão, mesmo que previamente autorizado a adquirir arma de fogo de uso permitido, somente 
poderá manter a posse do artefato mediante certificado de registro federal, documento temporário e 
sujeito ao preenchimento dos requisitos previstos nos incisos I, II e III do art. 4° da Lei n. 10.826/2003, 
que deverão ser comprovados periodicamente para fins de revalidação. 
3. Em análise hipotética, a conduta do recorrente - de possuir, no interior de sua residência, várias armas 
de fogo e munições de uso permitido, com os respectivos registros vencidos há mais de um ano e meio 
- caracteriza, formalmente, o crime descrito no art. 12 da Lei n. 10.826/2003. 
4. O fato foi praticado no período de 15/1/2013 a 17/7/2014, após a vacatio legis prevista para 
regularização ou entrega da arma de fogo mediante indenização; não se aplica a causa de extinção da 
punibilidade do art. 32 da Lei n. 8.136/2003, pois não houve entrega espontânea do armamento e, por 
fim, os registros das armas de fogo estavam, há muito, vencidos, o que denota que o agente não praticou 
a conduta no exercício regular de direito (art. 23, III, do CP). 
5. Em 13/3/2013, no julgamento do Recurso Especial Representativo de Controvérsia n. 1.311.411/RN, 
de relatoria do Ministro Sebastião Reis, foi pacificado o entendimento de que a nova redação do art. 32 
da Lei n. 10.826/2003 estabelece causa extintiva de punibilidade que apenas produzirá efeitos se o 
agente entregar o armamento, de forma espontânea, às autoridades, o que não ocorreu na espécie. 
6. É incabível a aplicação do princípio da adequação social, segundo o qual, dada a natureza subsidiária 
e fragmentária do direito penal, não se pode reputar como criminosa uma ação ou uma omissão aceita 
e tolerada pela sociedade, ainda que formalmente subsumida a um tipo legal incriminador. Possuir 
diversas armas de fogo e munições, de uso permitido, com certificados vencidos há mais de um ano e 
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meio e que só vieram a ser apreendidas pelo Estado após cumprimento de mandado de busca e 
apreensão exarado pelo Juizado de Violência Doméstica e Familiar, não é uma conduta adequada no 
plano ético. 
7. Por fim, sob a ótica do princípio da lesividade, o recorrente não preenche os vetores já assinalados 
pelo Supremo Tribunal Federal para o reconhecimento do princípio da insignificância, tais como a mínima 
ofensividade da conduta, nenhuma periculosidade social da ação, reduzidíssimo grau de reprovabilidade 
do comportamento e inexpressividade da lesão jurídica provocada, ante a quantidade de armamento 
apreendido (1 espingarda, 1 rifle, 9 munições calibre 38, 1 pistola, 2 carregadores e 8 munições calibre 
380, 2 carregadores e duas outras munições calibre 44). 
8. Recurso não provido. (RHC 60.611/DF, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado 
em 15/09/2015, DJe 05/10/2015) 
 Todavia, a Quinta Turma do STJ possui entendimento diverso, segundo se observa do entendimento 
abaixo: 
 
 
HABEAS CORPUS IMPETRADO EM SUBSTITUIÇÃO AO RECURSO 
PREVISTO NO ORDENAMENTO JURÍDICO. 1. NÃO CABIMENTO. MODIFICAÇÃO DE ENTENDIMENTO 
JURISPRUDENCIAL. RESTRIÇÃO DO REMÉDIO CONSTITUCIONAL. EXAME EXCEPCIONAL QUE VISA 
PRIVILEGIAR A AMPLA DEFESA E O DEVIDO PROCESSO LEGAL. 2. ART. 12 DA LEI N. 10.826/2003. POSSE DE 
ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO COM O REGISTRO VENCIDO. ATIPICIDADE MATERIAL DA CONDUTA. 
SUBSIDIARIEDADE DO DIREITO PENAL. PUNIÇÃO ADMINISTRATIVA QUE SE MOSTRA SUFICIENTE. 3. 
ORDEM NÃO CONHECIDA. HABEAS CORPUS CONCEDIDO DE OFÍCIO. 
1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, buscando a racionalidade do ordenamento jurídico e a 
funcionalidade do sistema recursal, vinha se firmando, mais recentemente, no sentido de ser imperiosa a 
restrição do cabimento do remédio constitucional às hipóteses previstas na Constituição Federal e no Código 
de Processo Penal. Nessa linha de evolução hermenêutica, o Supremo Tribunal Federal passou a não mais 
admitir habeas corpus que tenha por objetivo substituir o recurso ordinariamente cabível para a espécie. 
Precedentes. Contudo, devem ser analisadas as questões suscitadas na inicial no intuito de verificar a 
existência de constrangimento ilegal evidente - a ser sanado mediante a concessão de habeas corpus de 
ofício -, evitando-se prejuízos à ampla defesa e ao devido processo legal. 
2. O trancamento de ação penal na via estreita do writ configura medida de exceção, somente cabível nas 
hipóteses em que se demonstrar, à luz da evidência, a atipicidade da conduta, a extinção da punibilidade ou 
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outras situações comprováveis de plano, suficientes ao prematuro encerramento da persecução penal. Na 
espécie, o paciente foi denunciado pela suposta prática da conduta descrita no art. 12 da Lei n. 10.826/2003, 
por possuir irregularmente um revólver marca Taurus, calibre 38, número QK 591720, além de dezoito 
cartuchos de munição do mesmo calibre. 
3. Todavia, no caso, a questão não pode extrapolar a esfera administrativa, uma vez que ausente a 
imprescindível tipicidade material, pois, constatado que o paciente detinha o devido registro da arma de 
fogo de uso permitido encontrada em sua residência - de forma que o Poder Público tinha completo 
conhecimento da posse do artefato em questão, podendo rastreá-lo se necessário -, inexiste ofensividade 
na conduta. A mera inobservância da exigência de recadastramento periódico não pode conduzir à 
estigmatizadora e automática incriminação penal. Cabe ao Estado apreender a arma e aplicar a punição 
administrativa pertinente, não estando em consonância com o Direito Penal moderno deflagrar uma ação 
penal para a imposição de pena tão somente porque o indivíduo - devidamente autorizado a possuir a arma 
pelo Poder Público, diga-se de passagem - deixou de ir de tempos em tempos efetuar o recadastramento do 
artefato. Portanto, até mesmo por questões de política criminal, não há como submeter o paciente às 
agruras de uma condenação penal por uma conduta que não apresentou nenhuma lesividade relevante aos 
bens jurídicos tutelados pela Lei n. 10.826/2003, não incrementou o risco e pode ser resolvida na via 
administrativa. 
4. Ordem não conhecida. Habeas corpus concedido, de ofício, para extinguir a Ação Penal n. 0008206-
42.2013.8.26.0068 movida em desfavor do paciente, ante a evidente falta de justa causa. 
(HC 294.078/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA, julgado em 26/08/2014, DJe 
04/09/2014) 
 Em ação penal originária, a Corte Especial do STJ reforçou o posicionamento da Quinta Turma ao 
enaltecer que a situaçãoem apreço constitui mera irregularidade administrativa, não transbordando para a 
seara criminal. Eis o julgado: 
 
PENAL. ART. 12 DO ESTATUTO DO DESARMAMENTO. GUARDA DE 
ARMA EM RESIDÊNCIA COM REGISTRO VENCIDO. CONDUTA ATÍPICA. 
AUSÊNCIA DE DOLO. ART. 16 DO MESMO ESTATUTO. POSSE E 
GUARDA DE MUNIÇÃO DE USO RESTRITO. CONSELHEIRO EQUIPARADO A DESEMBARGADOR. LEI 
ORGÂNICA DA MAGISTRATURA E DIREITO A PORTE DE ARMA PARA DEFESA PESSOAL. NÃO 
DISCRIMINAÇÃO NA LOMAN ENTRE MUNIÇÃO DE USO PERMITIDO E DE USO RESTRITO. ATIPICIDADE 
RECONHECIDA. 
1. Os objetos jurídicos dos tipos previstos nos arts. 12 (guarda de arma de uso permitido em residência) e 16 
(posse de munição de uso restrito) da Lei n. 10.826/2003 - Estatuto do Desarmamento - são a administração 
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pública e, reflexamente, a segurança, incolumidade e paz pública (crime de perigo abstrato). No primeiro 
caso, para se exercer controle rigoroso do trânsito de armas e permitir a atribuição de responsabilidade pelo 
artefato; no segundo, para evitar a existência de armas irregulares circulando livremente em mãos 
impróprias, colocando em risco a população. 
2. Se o agente já procedeu ao registro da arma, a expiração do prazo é mera irregularidade administrativa 
que autoriza a apreensão do artefato e aplicação de multa. A conduta, no entanto, não caracteriza ilícito 
penal. 
3. Art. 16 do Estatuto do Desarmamento é norma penal em branco que delega à autoridade executiva definir 
o que é arma de uso restrito. 
A norma infralegal não pode, contudo, revogar direito previsto no art. 33, V, da Lei Complementar n. 35/1979 
- Lei Orgânica da Magistratura - e que implique ainda a criminalização da própria conduta. A referida 
prerrogativa não faz distinção do direito ao porte de arma e munições de uso permitido ou restrito, desde 
que com finalidade de defesa pessoal. 
4. Não se trata de hierarquia entre lei complementar e ordinária, mas de invasão de competência reservada 
àquela por força do art. 93 da Constituição de 1988, que prevê lei complementar para o Estatuto da 
Magistratura (art. 93). Conflito de normas que se resolve em favor da interpretação mais benéfica à 
abrangência da prerrogativa também em relação à munição de uso restrito. 
5. A Portaria do Comando do Exército n. 209/2014 autoriza membro do Ministério Público da União ou da 
magistratura a adquirir até duas armas de uso restrito (357 Magnum e ponto 40) sem mencionar armas e 
munições 9mm. É indiferente reconhecer abolitio criminis por analogia, diante de lei própria a conferir direito 
de porte aos magistrados. 
6. Denúncia julgada improcedente com fundamento no art. 386, III, do CPP. (APn 686/AP, Rel. Ministro JOÃO 
OTÁVIO DE NORONHA, CORTE ESPECIAL, julgado em 21/10/2015, DJe 29/10/2015) 
 OBS: Em prova objetiva é recomendável seguir a posição da Corte Especial do Superior Tribunal de 
Justiça. Todavia, nas fases subsequentes o candidato pode abordar a existência de divergência no próprio 
Superior Tribunal de Justiça. 
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 Elemento subjetivo do tipo penal: É o dolo, ou seja, vontade livre e consciente de praticar a conduta 
de possuir irregularmente arma de fogo de uso permitido. Não há a modalidade culposa (art. 18, §único, do 
Código Penal11) 
 Consumação: O delito de posse irregular de arma de fogo é consumado no momento em que a arma 
ingressa na residência ou local de trabalho. Estamos diante de um crime permanente, ou seja, cuja 
consumação se prolonga no tempo por vontade do agente. Logo, em razão disso, é possível a ocorrência da 
prisão em flagrante a qualquer momento (art. 303 do CPP12). 
 Tentativa: Inadmissível. Ou o agente possui ou não possui arma de fogo de uso permitido nos locais 
mencionados no art. 12 da Lei 10826/03. Ou o agente mantém a arma de fogo nos locais descritos no art. 12 
da Lei 10826/03 ou não mantém. 
 Arma de fogo e prova pericial: Se a arma de fogo for totalmente imprestável para efetuar disparos 
será considerada obsoleta. Nessa situação, o registro não é necessário e, por conseguinte, não há que se 
falar no crime delineado no art. 12 do Estatuto do Desarmamento (posse irregular de arma de fogo de uso 
permitido) e nem do art. 14 do mesmo diploma legal (porte irregular de arma de fogo). Será hipótese de 
crime impossível por absoluta ineficácia do meio (art. 17 do Código Penal13). Todavia, se a arma for 
relativamente imprestável para realizar disparos, o crime do art. 12 da Lei nº 10826/03 permanece intacto, 
pois é possível, em algumas circunstâncias, ter disparo com a referida arma. Essa é lição do professor 
Fernando Capez: Se a arma for totalmente inapta a efetuar disparos será considerada obsoleta, não havendo 
que falar em registro, e, por conseguinte, em violação à norma do art. 12 (ou, conforme o caso, do 14) da Lei. 
Sendo assim, a realização de prova pericial é imprescindível para aferir sua potencialidade lesiva. Sem a 
perícia, não será tecnicamente possível saber se era ou não arma de fogo. 
Arma totalmente inapta a disparar não é arma, caracterizando -se a hipótese de crime impossível pela 
ineficácia absoluta do meio. Fato atípico, portanto, nos termos do art. 17 do CP. Sendo evidente a inexistência 
do crime, em face da atipicidade da conduta, não poderá sequer ser instaurada a persecução penal. Deve-se 
ainda salientar que, sendo a arma eventualmente ineficaz (às vezes dispara, às vezes não), existirá crime, não 
havendo que falar em crime impossível. Convém notar que o CP, no art. 17, exige que a ineficácia seja 
 
 
11 Art. 18, §único, do CP: Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o 
pratica dolosamente. 
12 Art. 303 do CPP: Nas infrações permanentes, entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência. 
13 Art. 17 do Código Penal: Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do 
objeto, é impossível consumar-se o crime. 
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absoluta, e não meramente relativa, pois adotou a teoria da objetividade temperada. Assim, se o sujeito tiver 
consigo arma que, na linguagem popular, ‘às vezes picota, às vezes funciona’, estará incurso nos crimes 
previstos nessa Lei”14. 
 Violência doméstica e posse irregular de arma de fogo de uso permitido: De acordo com o art. 22, 
I, da Lei 11340/0615, o agente que tiver arma de fogo registrada em sua residência pode ter esse registro 
suspenso pelo magistrado, caso pratique violência doméstica ou familiar contra a mulher. Lembre-se ainda 
que essa suspensão pode ser decretada de maneira cautelar, pois tem por finalidade proteger a mulher do 
perigo gerado pelo simples fato de o agente permanecer com arma em sua residência. Após a decisão judicial 
decretando tal suspensão se o agente mesmo assim mantiver arma de fogo em casa incorrerá no delito do 
art. 12 do Estatuto do Desarmamento. 
Abolitio criminis temporária. O art. 30 do Estatuto do Desarmamento (com a redação dada, 
sucessivamente, pelas Leis 10.884/2004, 11.118/2005 e 11.191/2005) concedeu prazo aos possuidores 
e proprietários de armas de fogo de uso permitido ou restrito ainda não registradas para que 
solicitassem o registro até 23 de outubro de 2005, mediante apresentação de nota fiscal ou outro 
comprovante de sua origem lícita, pelos meios de prova emdireito admitidos. A redação do art. 30 da 
lei 10826/0316 até o advento da Lei 11911/05 mencionava apenas arma de fogo, o que forçava 
concluir que tal dispositivo legal abrangia tanto as armas de fogo de uso permitido como 
também as armas de fogo de uso restrito. 
Posteriormente, o registro tardio de arma de fogo de uso permitido foi estendido até o dia 31 
de dezembro de 2.008 pela Lei 11.706/08 mas, depois, esse prazo foi prorrogado até 31 de dezembro 
de 2.009, conforme art. 20 da lei 11.922/2009. Dessa forma, em virtude de regularização do registro, 
doutrina e jurisprudência firmaram os seguintes posicionamento: 
 1) Os agentes que tenham sido flagrados desde a entrada em vigor do Estatuto do Desarmamento 
até 23 de outubro de 2005 com a posse de arma de fogo de uso restrito no interior da própria 
residência ou estabelecimento comercial, sem o respectivo registro, não podem ser punidas 
 
 
14 CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal. Legislação Penal Especial. Volume 4. São Paulo: Editora Saraiva, 2017, p. 373. 
15 Art. 22 da Lei 11340/06: Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos desta Lei, o juiz 
poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência, entre outras: 
I – suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos termos da Lei 10826, de 22 de 
dezembro de 2003; 
16 Art. 30 da Lei 10826/03: Os possuidores e proprietários de arma de fogo de uso permitido ainda não registrada deverão solicitar 
seu registro até o dia 31 de dezembro de 2008, mediante apresentação de documento de identificação pessoal e comprovante de 
residência fixa, acompanhados de nota fiscal de compra ou comprovação da origem lícita da posse, pelos meios de prova admitidos 
em direito, ou declaração firmada na qual constem as características da arma e a sua condição de proprietário, ficando este dispensado 
do pagamento de taxas e do cumprimento das demais exigências constantes dos incisos I a III do caput do art. 4º desta Lei. (redação 
dada pela Lei 11.706/2008) 
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porque a boa-fé é presumida, de modo que se deve pressupor que iriam solicitar o registro da 
arma dentro do prazo. Estamos diante da denominada abolitio criminis temporária, também 
conhecida como vacatio legis indireta ou descriminalização temporária. A contar de 24 de outubro 
de 2005, as pessoas flagradas com a posse de arma de fogo de uso restrito ou proibido no 
interior de sua residência ou de seu estabelecimento comercial devem ser punidas como incursas 
no art. 16, caput, do Estatuto do Desarmamento. Aliás, no ponto, destaca-se a Súmula 513 
do Superior Tribunal de Justiça: 
 
 
 
 
OBS: O porte em via pública não foi abrangido por esses prazos (que se referem apenas à 
regularização do registro — que dá direito a ter a arma no interior da própria residência ou 
estabelecimento comercial), de modo que, desde a entrada em vigor do Estatuto do 
Desarmamento, a punição por porte ilegal já é possível. 
 2) As pessoas que tenham sido flagradas, desde a entrada em vigor do Estatuto do Desarmamento 
até a data de 31 de dezembro de 2009, com a posse de arma de uso permitido não podem ser 
punidas. Estamos diante da denominada abolitio criminis temporária, também conhecida como 
vacatio legis indireta ou descriminalização temporária. Se o fato tiver ocorrido a partir de 01 de 
janeiro de 2010, o agente responderá pela prática delitiva do art. 12 do Estatuto do 
Desarmamento. 
 
A abolitio criminis temporária não se refere ao porte de arma, mas tão somente à posse 
irregular de arma. 
Abolitio criminis de arma de fogo uso restrito - 2003 até 23 de outubro de 2005. 
Abolitio criminis de arma de fogo de uso permitido – 2003 até 31 de dezembro de 2009. 
 
Por oportuno, trago à lume um julgado do Superior Tribunal de Justiça que sintetiza muito bem 
a questão em apreço. 
 
PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL 
NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO 
ESPECIAL. POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO 
RESTRITO. ABOLITIO CRIMINIS. 
Súmula 513 do STJ: A abolitio criminis temporária prevista na Lei n. 10.826/2003 aplica-se ao crime 
de posse de arma de fogo de uso permitido com numeração, marca ou qualquer outro sinal de 
identificação raspado, suprimido ou adulterado, praticado somente até 23/10/2005. 
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I - "É atípica a posse de arma de fogo, acessórios e munição, seja de uso permitido ou de uso 
restrito, incidindo a chamada abolitio criminis temporária nas duas hipóteses, se praticada no período 
compreendido entre 23 de dezembro de 2003 a 23 de outubro de 2005. Este termo final foi prorrogado 
até 31 de dezembro de 2008 somente para os possuidores de armamentos de uso permitido (artigo 12), 
nos termos da Medida Provisória 417 de 31 de janeiro de 2008, que estabeleceu nova redação aos artigos 
30 a 32 da Lei 10.826/2003, não mais albergando o delito previsto no artigo 16 do Estatuto - posse de 
arma de fogo, acessórios e munição de uso proibido ou restrito. Com a publicação da Lei 11.922, de 13 
de abril de 2009, o prazo previsto no artigo 30 do Estatuto do Desarmamento foi prorrogado para 31 de 
dezembro de 2009 no que se refere exclusivamente à posse de arma de uso permitido" (HC n. 
346.077/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe de 25/5/2016 - grifei). 
II - In casu, no conjunto de artefatos apreendidos, havia pelo menos uma arma de fogo de uso 
restrito que não foi alcançada pela prorrogação dos prazos contidos nos arts. 30 e 32 da Lei n. 
10.826/2003 dada pela medida provisória n. 419/2008. Desse modo, o termo final da abolitio criminis 
para armas de fogo de uso restrito continuou sendo 23/10/2005. Agravo regimental não provido. (AgRg 
nos EDcl no AREsp 995.154/SC, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 22/08/2017, 
DJe 28/08/2017) 
 
 Arma de fogo levada a registro depois de superado o prazo legal para regularização: Se o 
proprietário da arma de fogo levá-la a registro fora do prazo à Delegacia não deve ser preso em flagrante 
delito, porquanto é manifesto a atipicidade da conduta ante a ausência de dolo. Sobremais, o delito em 
questão não prevê a modalidade culposa. Na espécie, resta evidente a boa-fé do agente, incompatível com 
o ânimo de praticar o tipo penal do art. 12 do Estatuto do Desarmamento. 
 Classificação do crime A posse irregular de arma de fogo de uso permitido (art.12 da Lei n. 
10.826/2003) é crime de perigo abstrato, dispensando-se prova de efetiva situação de risco ao bem jurídico 
tutelado. É ainda um crime de mera conduta, pois a consumação se perfaz com a prática da conduta, 
independentemente da produção de qualquer resultado naturalístico. E também um delito permanente (aquele 
em que a consumação se protrai no tempo por vontade do agente). 
 Cabimento de pena restritiva de direitos: O delito de posse irregular de arma de fogo de uso 
permitido por ser cometido sem violência ou grave ameaça e, levando em conta o quantum de sua pena, admite 
a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos, se preenchidos os demais requisitos do 
art. 44 do Código Penal. 
 Cabimento de sursis processual: Como se vê, a pena mínima cominada a esse delito não é superior 
a 1 ano. Logo, é admissível a suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei 9099/95). 
 
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 Fiança: A autoridade policial pode conceder fiança para esse delito, pois a pena privativa de liberdade 
máxima não é superior a 4 anos, nos exatos termos do art. 322 do CPP17. 
 Ação Penal: Ação penal pública incondicionada. 
 
OMISSÃO DE CAUTELA 
 
 
 
 
 
 
 
 Primeiramente, vale a pena destacar que o artigo 13 do Estatuto do Desarmamento, sob o nomen 
iuris omissão de cautela, versa sobre dois crimes. O caput cuida do delito de omissão de cautela 
propriamente dito, enquanto o parágrafo único do citado dispositivo legal trata da figura equiparada 
também denominada de omissão de comunicação de perda ou subtração de arma de fogo. 
 
 Art. 13, caput, da Lei 10826/03: Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor 
de 18 (dezoito) anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja 
sob sua posse ou que seja de sua propriedade: 
 
 
17 Art. 322 do CPP: A autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade 
máxima não seja superior a 4 (quatro) anos. 
Parágrafo único. Nos demais casos, a fiança será requerida ao juiz, que decidirá em 48 (quarenta e oito) horas. 
 Art. 13 da Lei 10826/03: Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 
(dezoito) anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua 
posse ou que seja de sua propriedade: 
Pena – detenção, de (um) a 2 anos, e multa. 
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável de empresa de 
segurança e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia 
Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo, acessório ou munição que 
estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte e quatro) horas depois de ocorrido o fato. 
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 Pena – detenção, de (um) a 2 anos, e multa. 
 Objetividade jurídica: A incolumidade pública, representada pela segurança coletiva, em razão do 
perigo resultante do apoderamento da arma de fogo por pessoa despreparada, e ainda a própria integridade 
física do menor de dezoito anos de idade ou deficiente mental, que também fica exposta a risco em tal 
situação. 
 Sujeito ativo: É um crime próprio, pois deve ser praticado por pessoa que tenha a posse ou a 
propriedade da arma. É importante ainda destacar que não é necessário a existência de qualquer vínculo de 
parentesco com o menor ou o deficiente mental. 
 Sujeito passivo: A coletividade, assim como o menor de 18 anos de idade e o deficiente mental. Não 
há esse delito se a vítima for deficiente físico. A lei descreve apenas o deficiente mental. 
 Haverá o crime em apreço mesmo se a vítima for menor de 18 anos emancipado. O que vale é a idade 
biológica para a configuração dessa espécie criminosa. 
 Núcleo do tipo penal: Deixar de observar as cautelas necessárias significa não tomar o cuidado 
exigido do homem médio, negligenciar. É um crime omissivo próprio ou puro, pois o núcleo descreve uma 
omissão. Exemplo: O investigador de polícia que deixa a sua arma no interior de uma gaveta da sala, sem 
trancá-la, fato que facilitou o apoderamento da arma por seu filho (criança de 7 anos). 
 Objeto Material: O tipo penal faz menção apenas a arma de fogo. Logo, a omissão de cautela em 
relação à munição e acessórios é fato atípico. 
 Elemento subjetivo do tipo: Estamos diante de um delito culposo consubstanciado na manifesta 
negligência (comportamento omissivo) do proprietário ou possuidor da arma de fogo que deixa de observar 
as cautelas necessárias para evitar o apoderamento da arma por pessoas despreparadas (menor de 18 anos 
de idade e deficiente mental). 
Questão: Por qual delito responde o agente que, agindo com dolo, deixa o menor de 18 anos 
de idade se apoderar da arma? 
 
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Se o ofendido for menor de 18 anos de idade restará concretizado o delito do art. 16, parágrafo 
único, da Lei 10826/0318. 
 Consumação: É um crime material, pois haverá a consumação do delito com o efeito apoderamento 
da arma de fogo pelo menor de 18 anos ou deficiente mental (esse é o resultado naturalístico do crime 
culposo. Lembre-se que nos delitos culposo o resultado é involuntário). Dessa forma, se a arma de fogo for 
esquecida em cima da mesa, porém, no lugar, não existir nenhum menor de 18 anos de idade ou deficiente 
mental que possa ter acesso a ela, não há que se falar em crime, sendo a conduta atípica. É crime 
instantâneo, pois a consumação se dá no exato instante em que o menor de 18 anos de idade ou deficiente 
mental se apodera da arma de fogo. É também catalogado como crime de perigo abstrato, ou seja, não é 
necessário que essa pessoa despreparada (deficiente mental ou menor de 18 anos de idade) tenha apontado 
essa arma para alguém ou para ele próprio. Em resumo, não é necessário que alguém tenha sido exposto à 
perigo para a configuração desse delito. 
 Tentativa: É inadmissível. Crime culposo próprio não admite tentativa. 
 Concurso de crimes: Se uma pessoa, além de ter a posse irregular de arma de fogo, deixar uma arma 
ao alcance de um deficiente mental, por negligência, responderá pelos delitos de posse ilegal de arma de 
fogo (art. 12 do Estatuto do Desarmamento) e omissão de cautela (art. 13, caput, do Estatuto do 
Desarmamento), em concurso material de crimes (art. 69 do Código Penal). 
 Conflito aparente de normas: O art. 19, §2º, ”c”, do Decreto-Lei (3688/41 – Contravenções Penais)19 
ainda continua em vigor em relação às armas brancas e as de arremesso ou munição e em relação ao 
inexperiente que se apodera da arma. Assim, responderá pela contravenção penal em questão se o agente 
deixa de tomar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 anos ou alienado se apodere de 
munição, de arma branca ou de arremesso. Da mesma forma, responderá por essa contravenção penal se o 
agente deixar de tomar as cautelas necessárias para impedir que uma pessoa inexperiente se apodere de 
arma de fogo. A pena será de prisão simples, de 15 dias a 3 meses, ou multa. 
 
 
 
18 Art. 16, parágrafo único, da Lei 10826/03: Nas mesmas penas incorrem quem: 
V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório ou explosivo a criança ou adolescente; 
19 Art. 19, §2º do Dec-Lei 3688/41: Incorre na pena de prisão simples, de 15 dias a 3 meses, ou multa, quem, possuindo arma ou 
munição: 
c) omite as cautelas necessárias para impedir que dela se apodere facilmente alienado, menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa 
inexperiente em manejá-la. 
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 Questão: Configura o delito de omissão de cautela se o agente guarda a arma de fogo no armário do 
quarto totalmente desmuniciada e guarda a munição em outro local? 
 A conduta é atípica. Ora, se a arma for guardada desmuniciada, com a munição armazenada em local 
distinto, não há que se falar em omissão de cautela, pois o agente não violou o dever de cuidado objetivo. 
Não há negligência. Assim, se o menor de 18 anos se apoderou tanto da arma como da munição não há 
incidência do delito de omissão de cautela. 
 Pena: Detenção de 1 a 2 anos,e multa. É uma infração penal de menor potencial ofensivo (art. 61 da 
Lei nº 9099/95), portanto, de competência do Juizado Especial Criminal. Logo, é cabível tanto a transação 
penal como a suspensão condicional do processo. 
 Fiança: A autoridade policial pode conceder fiança para esse delito, pois a pena privativa de liberdade 
máxima não é superior a 4 anos, nos exatos termos do art. 322 do CPP20. 
 Ação Penal: Ação penal pública incondicionada. 
 Art. 13, parágrafo único, da Lei 10826/03: Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor 
responsável de empresa de segurança e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência policial 
e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo, 
acessório ou munição que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte e quatro) horas depois de 
ocorrido o fato. 
 Como já foi dito, apesar de inserido no parágrafo único do art. 13 do Estatuto do 
Desarmamento é um delito diverso da omissão de cautela (art. 13, caput, da Lei 
10826/03). É um crime autônomo. 
 
Repare que o delito de omissão de cautela (art. 13, caput, da Lei 10826/03) é um crime culposo, enquanto o 
de omissão de comunicação de perda ou subtração de arma de fogo (art. 13, parágrafo único, da Lei 
10826/03) é um delito doloso. 
 
 
20 Art. 322 do CPP: A autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade 
máxima não seja superior a 4 (quatro) anos. 
Parágrafo único. Nos demais casos, a fiança será requerida ao juiz, que decidirá em 48 (quarenta e oito) horas. 
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 Também vale a pena relembrar que o art. 7º do Estatuto do Desarmamento preconiza que as armas 
de fogo utilizadas pelos empregados das empresas de segurança privada e de transporte de valores serão 
de propriedade, responsabilidade e guarda das respectivas empresas. Além do mais, o certificado de 
registro e a autorização de porte expedidos pela Polícia Federal são confeccionados em nome da empresa. 
A empresa também deverá ainda apresentar ao SINARM a relação dos empregados habilitados, nos termos 
da lei, que poderão portar armas. Esse porte de armas somente pode ocorrer em serviço. 
 Objetividade jurídica: O controle das armas de fogo, acessórios e munições em circulação no país. O 
crime visa manter o cadastro de armas de fogo junto ao SINARM e do respectivo registro diante dos órgãos 
competentes em contínua atualização. 
 Sujeito ativo: É um crime próprio, eis que somente pode ser cometido pelo proprietário ou diretor 
responsável pela empresa de segurança e transporte de valores. 
 Sujeito passivo: É a coletividade, pois há interesse público na veracidade das informações dos 
cadastros do SINARM. Vale dizer, essa informação não se restringe aos interesses da empresa de segurança 
e transporte de valores. Estamos diante de um crime vago (sujeito passivo é um ente sem personalidade 
jurídica) 
 Objeto material: Arma de fogo, acessório ou munição. 
 Núcleo do tipo penal: Deixar de registrar a ocorrência e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, 
roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo, acessório ou munição. Há uma dupla obrigação imposta 
ao proprietário ou diretor responsável pela empresa de segurança e transporte de valores. Vale dizer, é 
indispensável o registro da ocorrência em qualquer delegacia estadual e a comunicação à Polícia Federal. 
 Questão: E se o agente cumpre apenas uma obrigação? 
 De fato, a lei exige a dupla obrigação, pois o tipo penal utiliza a conjunção aditiva “e”, porém se o 
agente cumpre apenas uma das obrigações (registra a ocorrência da Delegacia de Polícia ou comunica o fato 
à Polícia Federal) mostra-se que não era a sua intenção esconder o fato do Poder Público, ou seja, não há 
que se falar em dolo, podendo tal conduta ser resolvida na esfera da responsabilidade civil ou administrativa. 
Essa também é a lição do professor Fernando Capez: “Entendemos que, a despeito de a interpretação literal 
sugerir que ambas as providências devam ser tomadas, sob pena de haver o aperfeiçoamento típico, a 
exigência é de cunho alternativo. Assim, caso o agente registre a ocorrência de furto da arma de fogo na 
Delegacia de Polícia estadual, no prazo legal, tal atitude por si só basta para afastar o crime. Da mesma 
forma se proceder à comunicação do furto somente à Polícia Federal. É que, na hipótese, cumpriu -se o 
objetivo da Lei, qual seja, o de proporcionar às autoridades públicas a ciência imediata do desaparecimento 
do bem, de forma a lhes facilitar a sua investigação e a imediata apreensão, impedindo, com isso, que os 
artefatos fiquem por tempo demasiado nas mãos de criminosos. Comunicado o desaparecimento ou a 
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subtração a um órgão público, incumbirá a este entrar em contato com seu congênere, não se podendo partir 
da premissa de que a Polícia Estadual e a Federal são departamentos estanques, sem comunicação entre si. 
O dever de entrosamento é do Poder Público, não se podendo delegar ao particular tal ônus. Feito isso, o bem 
jurídico protegido não sofre qualquer lesão ou perigo de lesão, tornando -se o fato atípico”21. 
 Elemento temporal: As providências do registro da ocorrência na delegacia estadual e a comunicação 
à Polícia Federal deve ocorrer no prazo de 24 horas a contar do fato. É evidente que esse prazo enquanto o 
agente não tiver descoberto o furto, o roubo, a perda ou o extravio da arma de fogo, acessório ou munição. 
É um delito a prazo, isto é, a lei exige o decurso de um prazo para que o delito se configure. 
 Elemento subjetivo: É o dolo, ou seja, é indispensável que o agente tome ciência do furto, roubo, 
perda ou extravio e se omita intencionalmente no dever de registrar a ocorrência na Delegacia de Polícia e 
de comunicá-lo à Polícia Federal no prazo de 24 horas. 
 Consumação: Estamos diante de um crime omissivo próprio que se consuma com a inércia do agente 
em registrar a ocorrência e de comunicar o fato (perda, furto, roubo ou extravio) no prazo de 24 horas. Em 
outros termos, ocorre a consumação com o escoamento do prazo de 24 horas mencionado no tipo penal. 
 Tentativa: A tentativa é inadmissível, pois cuida-se de um crime omissivo próprio. Ou o agente 
comunica o fato ou se omite. 
 Pena: Detenção de 1 a 2 anos, e multa. É uma infração penal de menor potencial ofensivo (art. 61 da 
Lei nº 9099/95), portanto, de competência do Juizado Especial Criminal. Logo, é cabível tanto a transação 
penal como a suspensão condicional do processo. 
 Fiança: A autoridade policial pode conceder fiança para esse delito, pois a pena privativa de liberdade 
máxima não é superior a 4 anos, nos exatos termos do art. 322 do CPP22. 
 Ação Penal: Ação penal pública incondicionada. 
 
 
 
21 CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal. Legislação Penal Especial. Volume 4. São Paulo: Editora Saraiva, 2017, p. 383 e 
384. 
22 Art. 322 do CPP: A autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade 
máxima não seja superior a 4 (quatro) anos. 
Parágrafo único. Nos demais casos, a fiança será requerida ao juiz, que decidirá em 48 (quarenta e oito) horas. 
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PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDOEm que pese o nomen iuris do delito do art. 14 da Lei 10826/03 seja porte ilegal de arma de fogo de 
uso permitido, o crime em apreço não se restringe à conduta de portar arma de fogo, acessório ou munição, 
de uso permitido. Além de portar, as ações nucleares são deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, 
transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou 
ocultar. Estamos diante de um crime de ação múltipla, também conhecido como de conteúdo variado ou 
tipo misto alternativo, ou seja, a realização de mais de uma conduta típica, em relação ao mesmo objeto 
material, constitui crime único, conforme determina o princípio da alternatividade. 
 Objetividade jurídica: É a incolumidade pública, eis que o sentido da norma penal é evitar que 
pessoas armadas possam colocar em risco a tranquilidade social. 
 Sujeito ativo: É um crime comum (ou geral), porquanto pode ser cometido por qualquer pessoa. Se 
o delito for praticado pelas pessoas citadas nos arts. 6º, 7º e 8º, da Lei 10826/03 ou se o agente for 
reincidente específico em crimes dessa natureza, a pena é aumentada em metade (art. 20 do Estatuto do 
Desarmamento23). 
 Sujeito passivo: É a coletividade. É um crime vago. 
 Objeto material: Arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido. Se a arma de fogo for de 
uso restrito, o delito será o do artigo 16, caput, da Lei nº 10826/03. Se a arma de fogo, ainda que de uso 
 
 
23 Art. 20 da Lei 10826/03: Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é aumentada da metade se: I - forem praticados 
por integrante dos órgãos e empresas referidas nos arts. 6º, 7º e 8º desta Lei; II - o agente for reincidente específico em crimes dessa 
natureza. 
 Art. 14 da Lei 10826/03: Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, 
ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma 
de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. 
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo quando a arma de fogo estiver 
registrada em nome do agente. (Vide Adin 3.112-1) 
 
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permitido, estiver com a numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou 
adulterado, o delito será o do artigo 16, IV, do Estatuto do Desarmamento. OBS: Portar arma de brinquedo, 
simulacro ou réplica é fato atípico, vez que não é arma de fogo. 
 Núcleo do tipo penal: como já vimos, são 13 condutas que caracterizam esse crime de ação múltipla 
ou de conteúdo variado, também chamado de tipo misto alternativo, ou seja, ainda que violado mais de um 
verbo do tipo penal, na mesma situação fática, o delito será único, não havendo se falar em concurso de 
crimes. Vejamos os núcleos do tipo penal do art. 14 do Estatuto do Desarmamento: 
a) Portar: trazer a arma consigo sem a licença da autoridade competente. Exemplos: trazer a arma 
na roupa, na maleta, etc. Há crime do art. 14 do Estatuto do Desarmamento se a arma é carregada 
no interior da bolsa. Precedentes do STJ: REsp 930219-MG, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 
8/11/2007 
b) Deter: ter, de forma transitória, por um curto período de tempo, sem o ânimo de posse ou 
propriedade; 
c) Adquirir: Obter, gratuita ou onerosamente. Exemplo: comprar uma arma de fogo; trocar a arma 
por algo; 
d) Fornecer: abastecer, dar, prover. Exemplo: dar arma de fogo para alguém. Não confunda com o 
tipo penal do art. 17 do Estatuto do Desarmamento (comércio ilegal de arma de fogo), pois nessa 
implica uma atividade econômica 
e) Receber: aceitar. 
f) Ter em depósito: Reter a arma para dela dispor quanto necessário. Exemplo: guardar arma de 
fogo em um galpão. 
g) Transportar: Levar a arma de um lugar para outro, por qualquer meio de transporte. Exemplo: 
levar a arma no porta-malas do carro, em barco, etc.). Assim, transporte de arma de fogo no 
interior do veículo configura o delito de porte ilegal de arma de uso permitido (art. 14 do Estatuto 
do Desarmamento) e não o delito de posse (art. 12 do Estatuto do Desarmamento). 
h) Ceder, ainda que gratuitamente: Permitir o uso, ainda que sem qualquer contraprestação ou 
finalidade de lucro. Exemplo: Deixar o primo usar a arma de fogo. 
i) Emprestar: Entregar a arma para alguém fixando prazo para a devolução. Exemplo: Emprestar a 
arma para o tio durante o feriado. 
j) Remeter: Enviar a arma de um local para o outro, sem acompanhar o objeto. Exemplo: Enviar a 
arma pelo correio. 
k) Empregar: Usar, utilizar. OBS 1: O emprego da arma poderá caracterizar outro delito autônomo 
ou evidenciar o concurso de crimes entre o porte ilegal de arma de fogo e o outro delito (ex: 
homicídio, ameaça, etc.). O delito de porte de arma será absorvido pelo crime de homicídio, desde 
que o primeiro crime sirva como meio necessário para a prática do homicídio, sendo, assim, 
considerado um ante factum impunível, com base no princípio da consunção. Em outras palavras, 
o agente emprega a arma unicamente para cometer o delito de homicídio (crime mais grave), 
aplicando-se na espécie o princípio da consunção. Todavia, haverá o concurso de crime caso o 
porte não tenha sido o meio necessário para o homicídio. Exemplo: O agente, após cometer o 
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delito de homicídio na data de 05 de maio de 2018, é encontrando com a mesma arma em via 
pública na data de 07 de maio de 2018. OBS 2: Se o agente emprega a arma de fogo de uso 
permitido para efetuar disparo em via pública. Nesse caso responderá apenas pelo delito mais 
grave (art. 15 da Lei 10826/03). É certo que o delito de disparo de arma de fogo é expressamente 
subsidiário, porém o princípio da subsidiariedade só tem aplicação ao crime mais grave. OBS 3: 
Não há concursos de crime entre porte de arma e roubo quando forem praticados no mesmo 
contexto fático, pois o emprego de arma de fogo já funciona como causa especial de aumento de 
pena descrita no art. 157, §2º-A, I, do Código Penal (redação dada pela Lei nº 13.654/18). Logo, o 
porte de arma fica absorvido pelo princípio da consunção, pois apresenta-se como ante factum 
impunível, ou seja, há uma relação de dependência ou de subordinação entre as duas condutas. 
Contudo, se forem praticados em contexto fático diverso, existirá o concurso de crimes entre o 
porte de arma e o roubo (aplica-se o mesmo raciocínio já explicitado para o delito de homicídio). 
l) Manter sob guarda: conservar a arma sob seu cuidado em nome de terceiro. Exemplo: Guardar a 
arma para um amigo no armário da escola enquanto ele viaja. 
m) Ocultar: esconder a arma. Exemplo: Enterrar a arma numa praça após matar alguém. 
 Questão: Por quanto(s) delito(s) responde o agente que portar mais de uma arma de uso permitido? 
 Responderá por um único delito de porte ilegal de arma de uso permitido (art. 14 do Estatuto do 
Desarmamento), não se aplicando a regra do concurso formal de crimes, pois restará caracterizada uma 
situação única de risco à coletividade. Todavia, o magistrado pode levar em conta a quantidade de armas no 
momento da fixação da pena-base (circunstâncias judiciais do art. 59 do Código Penal). 
 Questão: Haverá o reconhecimento de crime único se a pluralidade de armas envolver uma de uso 
permitido e outra de uso restrito? 
 A resposta é negativa, pois diante de tipos penais diversos que atinge bens jurídicos diversos não há 
quese falar em unicidade de crimes. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça? 
AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. LEGISLAÇÃO 
EXTRAVAGANTE. POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO DE USO 
PERMITIDO E POSSE OU PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO 
RESTRITO. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE. PLEITO DE 
RECONHECIMENTO DE CRIME ÚNICO. VÁRIAS ARMAS. IMPUTAÇÕES 
DIVERSAS: ARTS. 12 E 16, PARÁGRAFO ÚNICO, IV, DA LEI N. 10.826/1993. IMPOSSIBILIDADE. BENS 
JURÍDICOS DISTINTOS. 
1. Há precedentes desta Corte no sentido de que a apreensão de mais de uma arma, munição, acessório ou 
explosivo com o mesmo agente não caracteriza concurso de crimes, mas delito único, pois há apenas uma 
lesão ao bem jurídico tutelado. 
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2. Na presente hipótese, não pode ser aplicado tal raciocínio, pois, no caso, a conduta praticada pelo 
agravante se amolda a tipos penais diversos, atingindo distintos bens jurídicos, o que inviabiliza o 
reconhecimento de crime único e o afastamento do concurso. 
3. Tem-se reconhecido a existência de crime único quando são apreendidos, no mesmo contexto fático, 
mais de uma arma ou munição, tendo em vista a ocorrência de uma única lesão ao bem jurídico protegido. 
Sucede que referido entendimento não pode ser aplicado no caso dos autos, porquanto a conduta 
praticada pelo réu se amolda a tipos penais diversos, sendo que um deles, o do artigo 16, além da paz e 
segurança públicas também protege a seriedade dos cadastros do Sistema Nacional de Armas, razão pela 
qual é inviável o reconhecimento de crime único e o afastamento do concurso material (HC n. 211.834/SP, 
Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe 18/9/2013). 
4. O STJ firmou entendimento de que é possível a unicidade de crimes, quando, no porte ilegal, há 
pluralidade de armas, equacionando-se a reprimenda na fixação da pena-base. Na espécie, contudo, a 
pretensão não se justifica, dado se buscar o reconhecimento de crime único diante de imputações 
distintas: arts.14 e 16, pár. único, da Lei 10.8.26/03 (HC n. 130.797/SP, Ministra Maria Thereza de Assis 
Moura, Sexta Turma, DJe 1º/2/2013). 
5. Agravo regimental improvido.(AgRg no AgRg no REsp 1547489/MG, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, 
SEXTA TURMA, julgado em 28/06/2016, DJe 03/08/2016) 
 Questão: Para existir condenação pelo delito de posse ou porte de arma de fogo é necessária a 
apreensão e perícia da arma de fogo? 
 A resposta é negativa. O delito de porte de arma de fogo de uso permitido é de perigo abstrato. 
Assim, conclui-se ser desnecessária prova de situação de risco a pessoa determinada para a configuração 
desse delito. Essa é a posição do Superior Tribunal de Justiça. 
POSSE DE MUNIÇÃO DE USO RESTRITO. CRIME DE PERIGO ABSTRATO. 
DESNECESSIDADE DE PERÍCIA PARA ATESTAR POTENCIALIDADE 
LESIVA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA 
INSIGNIFICÂNCIA. 
1. É pacífico nesta Corte Superior o entendimento no sentido de que é inaplicável o princípio da 
insignificância aos crimes de posse e de porte de arma de fogo e ou munição, ante a natureza de crimes de 
perigo abstrato, independentemente da quantidade de munição ou armas apreendidas. 
2. Também é da jurisprudência iterativa deste Tribunal não ser necessária perícia para atestar potencialidade 
lesiva do artefato, justamente em razão da natureza do delito. 
3. Por via de consequência, fica evidente que não há falar em inconstitucionalidade do crime, até porque é 
tema inapropriado ao veio do habeas corpus. 
4. Ordem denegada. 
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(HC 411.835/MG, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 03/10/2017, 
DJe 09/10/2017) 
 Questão: Haverá crime de porte de arma se o artefato não tiver potencialidade lesiva atestada por 
perícia médica? 
 Para responder essa pergunta devemos destacar a existência de duas situações que terão soluções 
diversas: a) A arma apresenta incapacidade relativa – é a arma com funcionamento imperfeito. Nesse caso 
haverá o crime de porte de arma; b) A arma apresenta incapacidade absoluta para efetuar disparos. Na 
espécie, estamos diante de um crime impossível, pois não há qualquer perigo ao bem jurídico tutelado ante 
a absoluta ineficácia do meio (art. 17 do CP). Esse é o posicionamento atual do Superior Tribunal de Justiça, 
in verbis: 
RECURSO ESPECIAL. PENAL E PROCESSO PENAL. POSSE ILEGAL DE 
ARMA DE FOGO E MUNIÇÕES DE USO PROIBIDO. ART. 16, CAPUT, DA 
LEI Nº 10.826/2003. INEFICÁCIA DA ARMA DE FOGO ATESTADA POR 
LAUDO PERICIAL. MUNIÇÕES DEFLAGRADAS E PERCUTIDAS. 
AUSÊNCIA DE POTENCIALIDADE LESIVA. ATIPICIDADE DA CONDUTA. 
ABSOLVIÇÃO MANTIDA. 
1. A Terceira Seção desta Corte pacificou entendimento no sentido de que o tipo penal de posse ou porte 
ilegal de arma de fogo cuida-se de delito de mera conduta ou de perigo abstrato, sendo irrelevante a 
demonstração de seu efetivo caráter ofensivo. 
2. Na hipótese, contudo, em que demonstrada por laudo pericial a total ineficácia da arma de fogo (inapta 
a disparar) e das munições apreendidas (deflagradas e percutidas), deve ser reconhecida a atipicidade da 
conduta perpetrada, diante da ausência de afetação do bem jurídico incolumidade pública, tratando-se de 
crime impossível pela ineficácia absoluta do meio. 
3. Recurso especial improvido.(REsp 1451397/MG, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA 
TURMA, julgado em 15/09/2015, DJe 01/10/2015) 
Por ser um crime de perigo abstrato, o delito de porte de arma (de uso permitido e de 
uso restrito) não necessita da apreensão do artefato e de sua perícia para a edição do 
édito condenatório, pois presume-se, de modo absoluto, o risco à coletividade pelo 
simples fato de alguém portar arma, acessório ou munição, sem autorização. Todavia, 
se a arma for apreendida, ela deve ser periciada (art. 25, caput, do Estatuto do 
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Desarmamento24) e caso o resultado pericial conclua pela ausência de potencialidade lesiva, a conduta será 
considerada atípica. 
 Questão: Haverá o crime do art. 14 do Estatuto do Desarmamento se a arma de fogo estiver 
desmuniciada? 
 Os Tribunais Superiores firmaram entendimento no sentido de que é típica a conduta de portar arma 
de fogo desmuniciada, em razão do delito de porte ilegal de arma ser crime de perigo abstrato ou presumido, 
bastando, portanto, o mero porte de arma para a sua consumação, independentemente de qualquer 
resultado anterior. Vejamos. 
AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO 
RECURSO ESPECIAL. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO 
DESMUNICIADA. CRIME DE PERIGO ABSTRATO. TIPICIDADE DA 
CONDUTA. SENTENCIADO REINCIDENTE. REGIME PRISIONAL 
SEMIABERTO. LEGALIDADE. INSURGÊNCIA DESPROVIDA. 
1. Esta Corte Superior de Justiça firmou a compreensão de que a previsão do delito descrito no art. 14 da Lei 
nº 10.826/03 busca tutelar a segurança pública, colocada em risco com a posse ou porte de arma, acessório 
ou munição de uso permitido à revelia do controle estatal, não impondo à sua configuração, pois, resultado 
naturalístico ou efetivo perigo de lesão. 
2. Na hipótese dos autos, a inexistência de comprovação do potencial lesivo do artefato, em razão de a arma 
apreendida estar desmuniciada, não descaracteriza a natureza criminosa da conduta. 
3.Apesar da favorabilidade das circunstâncias judiciais e a fixação da sanção final em patamar inferior a 04 
(quatro) anos, inexiste ilegalidade no resgate inicial da reprimenda em regime semiaberto, porquanto o 
sentenciadoé reincidente na prática delitiva, circunstância que obsta o abrandamento do modo prisional 
para o aberto, em consonância com o art. 33 do CP e a Súmula n. 269/STJ. 
4. Agravo regimental desprovido. 
(STJ, AgRg nos EDcl no REsp 1595187/RN, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 
16/05/2017, DJe 24/05/2017) 
 
 
 
24 Art. 25, caput, da Lei 10826/03: As armas de fogo apreendidas, após a elaboração do laudo pericial e sua juntada aos autos, quando 
não mais interessarem à persecução penal serão encaminhadas pelo juiz competente ao Comando do Exército, no prazo máximo de 
48 (quarenta e oito) horas, para a destruição ou doação aos órgãos de segurança pública ou às Forças Armadas, na forma do 
regulamento desta Lei. 
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Habeas corpus. Penal. Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido 
(art. 14 da Lei nº 10.826/03). Arma desmontada e desmuniciada. 
Crime de perigo abstrato. Tipicidade da conduta configurada. 
Precedentes. Ordem denegada. Prescrição da pretensão punitiva 
efetivada. Habeas corpus concedido de ofício para julgar extinta a 
punibilidade do paciente. 
 
1. O Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que é de perigo abstrato o crime de porte ilegal 
de arma de fogo, sendo, portanto, irrelevante para sua configuração encontrar-se a arma desmontada ou 
desmuniciada. 
2. Entretanto, o caso é de concessão da ordem de ofício, em razão da efetivação da prescrição. 
3. A pena máxima, abstratamente cominada para o delito imputado ao paciente (art. 14 da Lei nº 10.826/03), 
é de 4 (quatro) anos, razão pela qual seu prazo prescricional é de 8 (oito) anos (CP, art. 109, inciso V). Nessa 
conformidade, considerando que o último marco interruptivo se deu com o recebimento da denúncia (CP, 
art. 117, inciso I), em 18/6/04, é de se concluir que a prescrição foi alcançada aos 17/6/12. 
4. Habeas corpus denegado. Ordem concedida de ofício para julgar extinta a punibilidade do paciente em 
virtude da consumação da prescrição da pretensão punitiva estatal, com fundamento no art. 107, IV, do 
Código Penal. (STF, HC 95861, Relator: Min. CEZAR PELUSO, Relator p/ Acórdão: Min. DIAS TOFFOLI, 
Segunda Turma, julgado em 02/06/2015) 
 
 Questão: Haverá o crime do art. 14 do Estatuto do Desarmamento se o porte for de munição? 
 A resposta é afirmativa (o raciocínio é o mesmo para o porte ilegal de arma desmuniciada), pois 
estamos diante de um crime de perigo abstrato. 
PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO 
ESPECIAL. PORTE ILEGAL DE MUNIÇÃO DE USO PERMITIDO. 
TIPICIDADE. CRIME DE PERIGO ABSTRATO. REGIME INICIAL FECHADO. 
CONCURSO MATERIAL COM ROUBO. PENA FINAL SUPERIOR A 8 ANOS 
DE RECLUSÃO. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS NEGATIVAS. 
REINCIDÊNCIA. AGRAVO IMPROVIDO. 
1. O delito do art. 14 da Lei 10.826/03 é crime de perigo abstrato, que visa proteger bens jurídicos 
fundamentais - vida, patrimônio, integridade física, segurança e paz públicas -, a afastar a incidência do 
princípio da insignificância, sendo irrelevante inquirir a quantidade de munição apreendida em poder do 
agente. 
2. Havendo jurisprudência pacificada neste Tribunal e não havendo uniforme tratamento diferenciado pela 
Suprema Corte, é de ser mantida a interpretação jurisprudencial vigente, em atenção à segurança jurídica. 
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3. Mostra-se adequada a aplicação do regime inicial fechado, considerando que além do quantum de pena 
final (8 anos e 8 meses de reclusão) - imposta pela prática, em concurso material, de roubo majorado e porte 
de munição -, restou evidenciada a presença de circunstâncias judiciais desfavoráveis, o que motivou a 
fixação da pena-base acima do mínimo legal, além da reincidência. 
4. Agravo interno improvido. 
(AgInt no REsp 1593404/GO, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 22/03/2018, DJe 
03/04/2018) 
 
 Questão: Os crimes de perigo abstrato, notadamente os descritos no Estatuto do Desarmamento, 
são constitucionais? 
 O Supremo Tribunal Federal já enfrentou a questão controvertida, ocasião em que cravou a 
constitucionalidade do crime de perigo abstrato delineado no art. 14 do Estatuto do Desarmamento, nos 
seguintes termos: 
HABEAS CORPUS. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DESMUNICIADA. 
(A)TIPICIDADE DA CONDUTA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE 
DAS LEIS PENAIS. MANDADOS CONSTITUCIONAIS DE 
CRIMINALIZAÇÃO E MODELO EXIGENTE DE CONTROLE DE 
CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS EM MATÉRIA PENAL. CRIMES DE 
PERIGO ABSTRATO EM FACE DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. LEGITIMIDADE DA 
CRIMINALIZAÇÃO DO PORTE DE ARMA DESMUNICIADA. ORDEM DENEGADA. 1. CONTROLE DE 
CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS PENAIS. 
1.1. Mandados constitucionais de criminalização: A Constituição de 1988 contém significativo elenco de 
normas que, em princípio, não outorgam direitos, mas que, antes, determinam a criminalização de condutas 
(CF, art. 5º, XLI, XLII, XLIII, XLIV; art. 7º, X; art. 227, § 4º). Em todas essas é possível identificar um mandado 
de criminalização expresso, tendo em vista os bens e valores envolvidos. Os direitos fundamentais não 
podem ser considerados apenas proibições de intervenção (Eingriffsverbote), expressando também um 
postulado de proteção (Schutzgebote). Pode-se dizer que os direitos fundamentais expressam não apenas 
uma proibição do excesso (Übermassverbote), como também podem ser traduzidos como proibições de 
proteção insuficiente ou imperativos de tutela (Untermassverbote). Os mandados constitucionais de 
criminalização, portanto, impõem ao legislador, para seu devido cumprimento, o dever de observância do 
princípio da proporcionalidade como proibição de excesso e como proibição de proteção insuficiente. 
1.2. Modelo exigente de controle de constitucionalidade das leis em matéria penal, baseado em níveis de 
intensidade: Podem ser distinguidos 3 (três) níveis ou graus de intensidade do controle de 
constitucionalidade de leis penais, consoante as diretrizes elaboradas pela doutrina e jurisprudência 
constitucional alemã: a) controle de evidência (Evidenzkontrolle); b) controle de sustentabilidade ou 
justificabilidade (Vertretbarkeitskontrolle); c) controle material de intensidade (intensivierten inhaltlichen 
Kontrolle). O Tribunal deve sempre levar em conta que a Constituição confere ao legislador amplas margens 
de ação para eleger os bens jurídicos penais e avaliar as medidas adequadas e necessárias para a efetiva 
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proteção desses bens. Porém, uma vez que se ateste que as medidas legislativas adotadas transbordam os 
limites impostos pela Constituição – o que poderá ser verificado com base no princípio da proporcionalidade 
como proibição de excesso (Übermassverbot) e como proibição de proteção deficiente (Untermassverbot) –
, deverá o Tribunal exercer um rígido controle sobre a atividade legislativa, declarando a 
inconstitucionalidade de leis penais transgressoras de princípios constitucionais. 
2. CRIMES DE PERIGO ABSTRATO. PORTE DE ARMA. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALDIADE. A Lei 10.826/2003 
(Estatuto do Desarmamento) tipifica o porte de arma como crime de perigo abstrato. De acordo com a lei, 
constituem crimes as meras condutas de possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, 
transportar, ceder, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo. Nessa 
espécie de delito, o legislador penal não toma como pressupostoda criminalização a lesão ou o perigo de 
lesão concreta a determinado bem jurídico. Baseado em dados empíricos, o legislador seleciona grupos ou 
classes de ações que geralmente levam consigo o indesejado perigo ao bem jurídico. A criação de crimes de 
perigo abstrato não representa, por si só, comportamento inconstitucional por parte do legislador penal. A 
tipificação de condutas que geram perigo em abstrato, muitas vezes, acaba sendo a melhor alternativa ou a 
medida mais eficaz para a proteção de bens jurídico-penais supraindividuais ou de caráter coletivo, como, 
por exemplo, o meio ambiente, a saúde etc. Portanto, pode o legislador, dentro de suas amplas margens de 
avaliação e de decisão, definir quais as medidas mais adequadas e necessárias para a efetiva proteção de 
determinado bem jurídico, o que lhe permite escolher espécies de tipificação próprias de um direito penal 
preventivo. Apenas a atividade legislativa que, nessa hipótese, transborde os limites da proporcionalidade, 
poderá ser tachada de inconstitucional. 3. LEGITIMIDADE DA CRIMINALIZAÇÃO DO PORTE DE ARMA. Há, no 
contexto empírico legitimador da veiculação da norma, aparente lesividade da conduta, porquanto se tutela 
a segurança pública (art. 6º e 144, CF) e indiretamente a vida, a liberdade, a integridade física e psíquica do 
indivíduo etc. Há inequívoco interesse público e social na proscrição da conduta. É que a arma de fogo, 
diferentemente de outros objetos e artefatos (faca, vidro etc.) tem, inerente à sua natureza, a característica 
da lesividade. A danosidade é intrínseca ao objeto. A questão, portanto, de possíveis injustiças pontuais, de 
absoluta ausência de significado lesivo deve ser aferida concretamente e não em linha diretiva de 
ilegitimidade normativa. 
4. ORDEM DENEGADA. (HC 102087, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Relator p/ Acórdão: Min. GILMAR 
MENDES, Segunda Turma, julgado em 28/02/2012) 
 Questão: Haverá crime de porte de arma de fogo quando o agente age em legítima defesa ou estado 
de necessidade? 
 A resposta é negativa, em razão da presença das causas excludentes de ilicitude. No caso, o ofendido 
utilizou a arma no único intuito de se defender ou defender a terceiro. 
 Questão: A pessoa porta arma de fogo em virtude de estar ameaçada de morte. Haverá crime de 
porte de arma de fogo quando o agente age em legítima defesa potencial? 
 
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 A resposta é positiva, pois nessa situação não há o requisito da agressão atual ou iminente descrita 
no art. 25 do Código Penal25. Apesar da nomenclatura legítima defesa potencial, é cediço que não há legítima 
defesa de agressão futura. 
 Elemento subjetivo do tipo: É o dolo, ou seja, vontade livre e consciente de praticar qualquer uma 
das 13 condutas referente ao porte ilegal de arma de fogo, acessório ou munição de uso permitido. 
 Elemento normativo do tipo: diz respeito à expressão “sem autorização e em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar”. É consubstanciado na ausência de porte de arma de fogo (documento 
expedido pela Polícia Federal) ou da autorização para o porte de trânsito (guia de tráfego expedido pelo 
Comando do Exército). 
 Não confunda guia de tráfego com porte de arma. Para bem ilustrar essa diferença, trago à lume um 
julgado do Superior Tribunal de Justiça: 
CONSTITUCIONAL E PROCESSO PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM 
HABEAS CORPUS. PORTE DE ARMA DE FOGO E DE MUNIÇÕES DE USO 
PERMITIDO. JUSTA CAUSA PARA PERSECUÇÃO PENAL. ATIRADOR 
DESPORTIVO. PRISÃO EM FLAGRANTE EM LOCAL NÃO ABRANGIDO 
PELA GUIA DE TRÁFEGO. ARMAS MUNICIADAS. ATIPICIDADE NÃO 
EVIDENCIADA. ÓBICE AO REVOLVIMENTO FÁTICO-COMPROBATÓRIO NA VIA ELEITA. RECURSO 
DESPROVIDO. 
1. Nos termos do entendimento consolidado desta Corte, o trancamento da ação penal por meio do habeas 
corpus é medida excepcional, que somente deve ser adotada quando houver inequívoca comprovação da 
atipicidade da conduta, da incidência de causa de extinção da punibilidade ou da ausência de indícios de 
autoria ou de prova sobre a materialidade do delito, o que não se infere na hipótese dos autos. 
2. Hipótese na qual os artefatos foram apreendidos fora da rota estabelecida nas guias de tráfego, qual seja, 
entre clubes de tiro localizados nos Municípios de Presidente Prudente e de Monte Alto. Além disso, a guia 
de tráfego expedida pelo Comando do Exército, que não se confunde com porte de arma de fogo, apenas 
autorizava o transporte isolado da munição ou da arma, conforme se infere à fl. 
67, sendo que os autos revelam que as armas estariam municiadas quando da prisão em flagrante do 
recorrente, oportunidade na qual afirmou estar caçando, hipótese não amparada pelo referido guia. 
3. Se as instâncias ordinárias, com base nas provas colacionadas aos autos, concluíram pela tipicidade da 
conduta imputada ao réu, sem que tenha sido demonstrada a alegada ausência de justa causa para 
 
 
25 Art. 25 do Código Penal: Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta 
agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. 
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persecução penal, maiores incursões acerca do tema demandariam revolvimento fático-comprobatório, o 
que não se admite na via do writ. 
4. Recurso desprovido.(RHC 78.695/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 
09/03/2017, DJe 17/03/2017) 
 Consumação: É crime de mera conduta, que se consuma com a simples realização de uma das trezes 
condutas previstas no tipo penal, independentemente da produção de qualquer resultado naturalístico. 
 Tentativa: É possível. Exemplo: O agente tenta comprar uma arma de fogo. 
 Declaração de inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 14 do Estatuto do Desarmamento: 
O legislador infraconstitucional proibiu a concessão de fiança ao preso em flagrante delito pela prática do 
delito de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido (art. 14 da Lei nº 10826/03), salvo se esta arma 
estiver registrada em nome do agente, porém a regra em questão tornou-se inócua ante a inexistência de 
qualquer óbice para o Estado-Juiz autorizar a liberdade provisória sem fiança. Ocorre que o Supremo Tribunal 
Federal na Ação Direta de Inconstitucionalidade de nº 3112/DF declarou a inconstitucionalidade do 
parágrafo único do art. 14 do Estatuto do Desarmamento, por entendê-lo desarrazoado, sob o fundamento 
de que o porte ilegal de arma de fogo de uso permitido não poderia ser equiparado a terrorismo, tortura, 
tráfico ilícito de entorpecentes e crimes hediondos (art. 5º, XLII, da CF). Entendeu ainda que por estarmos 
diante de um crime de mera conduta não poderia esse ser igualado aos delitos que causam lesão ou ameaça 
de lesão à vida ou à propriedade. Esse foi o entendimento da Suprema Corte brasileira: 
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.826/2003. 
ESTATUTO DO DESARMAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL 
AFASTADA. INVASÃO DA COMPETÊNCIA RESIDUAL DOS ESTADOS. 
INOCORRÊNCIA. DIREITO DE PROPRIEDADE. INTROMISSÃO DO 
ESTADO NA ESFERA PRIVADA DESCARACTERIZADA. PREDOMINÂNCIA DO INTERESSE PÚBLICO 
RECONHECIDA. OBRIGAÇÃO DE RENOVAÇÃO PERIÓDICA DO REGISTRO DAS ARMAS DE FOGO. DIREITO DE 
PROPRIEDADE, ATO JURÍDICO PERFEITO E DIREITO ADQUIRIDO ALEGADAMENTE VIOLADOS. ASSERTIVA 
IMPROCEDENTE. LESÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA E DO DEVIDO 
PROCESSO LEGAL. AFRONTA TAMBÉM AO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. ARGUMENTOS NÃO 
ACOLHIDOS. FIXAÇÃO DE IDADE MÍNIMA PARA A AQUISIÇÃO DE ARMA DE FOGO. POSSIBILIDADE. 
REALIZAÇÃO DE REFERENDO. INCOMPETÊNCIA DO CONGRESSONACIONAL. PREJUDICIALIDADE. AÇÃO 
JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE QUANTO À PROIBIÇÃO DO ESTABELECIMENTO DE FIANÇA E 
LIBERDADE PROVISÓRIA. 
I - Dispositivos impugnados que constituem mera reprodução de normas constantes da Lei 9.437/1997, de 
iniciativa do Executivo, revogada pela Lei 10.826/2003, ou são consentâneos com o que nela se dispunha, 
ou, ainda, consubstanciam preceitos que guardam afinidade lógica, em uma relação de pertinência, com a 
Lei 9.437/1997 ou com o PL 1.073/1999, ambos encaminhados ao Congresso Nacional pela Presidência da 
República, razão pela qual não se caracteriza a alegada inconstitucionalidade formal. 
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II - Invasão de competência residual dos Estados para legislar sobre segurança pública inocorrente, pois cabe 
à União legislar sobre matérias de predominante interesse geral. 
III - O direito do proprietário à percepção de justa e adequada indenização, reconhecida no diploma legal 
impugnado, afasta a alegada violação ao art. 5º, XXII, da Constituição Federal, bem como ao ato jurídico 
perfeito e ao direito adquirido. 
IV - A proibição de estabelecimento de fiança para os delitos de "porte ilegal de arma de fogo de uso 
permitido" e de "disparo de arma de fogo", mostra-se desarrazoada, porquanto são crimes de mera conduta, 
que não se equiparam aos crimes que acarretam lesão ou ameaça de lesão à vida ou à propriedade. 
V - Insusceptibilidade de liberdade provisória quanto aos delitos elencados nos arts. 16, 17 e 18. 
Inconstitucionalidade reconhecida, visto que o texto magno não autoriza a prisão ex lege, em face dos 
princípios da presunção de inocência e da obrigatoriedade de fundamentação dos mandados de prisão pela 
autoridade judiciária competente. 
VI - Identificação das armas e munições, de modo a permitir o rastreamento dos respectivos fabricantes e 
adquirentes, medida que não se mostra irrazoável. 
VII - A idade mínima para aquisição de arma de fogo pode ser estabelecida por meio de lei ordinária, como 
se tem admitido em outras hipóteses. 
VIII - Prejudicado o exame da inconstitucionalidade formal e material do art. 35, tendo em conta a realização 
de referendo. 
IX - Ação julgada procedente, em parte, para declarar a inconstitucionalidade dos parágrafos únicos dos 
artigos 14 e 15 e do artigo 21 da Lei 10.826, de 22 de dezembro de 2003. (ADI 3112, Relator: Min. RICARDO 
LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 02/05/2007) 
 Pena: Reclusão de 2 a 4 anos, e multa. Não é uma infração penal de menor potencial ofensivo. Não 
admite a transação penal e nem a suspensão condicional do processo. 
 Fiança: A autoridade policial pode conceder fiança para esse delito, pois a pena privativa de liberdade 
máxima não é superior a 4 anos, nos exatos termos do art. 322 do CPP26. 
 
 
26 Art. 322 do CPP: A autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade 
máxima não seja superior a 4 (quatro) anos. 
Parágrafo único. Nos demais casos, a fiança será requerida ao juiz, que decidirá em 48 (quarenta e oito) horas. 
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 Ação Penal: Ação penal pública incondicionada. 
 
DISPARO DE ARMA DE FOGO 
 
 
 
 
 
 Inicialmente é de se destacar que o crime de disparo de arma de fogo é um crime expressamente 
subsidiário. Chega-se a essa conclusão pelos termos “desde que essa conduta não tenha como finalidade a 
prática de outro crime”. Assim, se a intenção de efetuar disparo de arma de fogo for para praticar o delito 
de homicídio, o agente responderá apenas por esse delito do art. 121 do Código Penal. É a aplicação do 
princípio da subsidiariedade expressa, ou seja, o agente responderá pelo art. 15 do Estatuto do 
Desarmamento somente se a sua finalidade não for praticar o delito mais grave mediante a conduta de 
disparar a arma de fogo (ex: latrocínio, homicídio, etc.). 
 Objetividade jurídica: É a incolumidade pública. A tipificação dessa conduta visa proteger a 
manutenção da tranquilidade social. 
 Sujeito ativo: É crime comum, isto é, pode ser cometido por qualquer pessoa. O art. 20 do Estatuto 
do Desarmamento preconiza que a pena será aumentada em ½ (metade) se o crime for praticado por 
integrantes dos órgãos, empresas ou entidades referidas nos arts. 6º, 7º e 8º, do Estatuto do Desarmamento 
ou se o agente for reincidente específico em crimes dessa natureza. 
 Sujeito passivo: A coletividade. 
 Objeto material: Munição. A arma de fogo para ser disparada necessita estar com munição. Balas de 
festim não caracteriza o crime em comento por não causarem perigo. 
 Núcleos do tipo penal: O delito de disparo de arma de fogo pode ser praticado de duas maneiras: a) 
Disparo de arma de fogo significa atirar, fazer com que o projétil seja lançado pelo cano da arma de fogo de 
 Art. 15 da Lei 10826/03: Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas 
adjacências em via pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a 
prática de outro crime: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. 
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável (Vide ADI nº 3112) 
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uso permitido27; b) acionar a munição significa deflagrar cartucho ou projétil de alguma outra forma ou 
detonar a espoleta. 
Detonar artefato explosivo (ex: dinamite e bombas) ou incendiário 
configura o crime mais grave descrito no art. 16, parágrafo único, III, do 
Estatuto do Desarmamento28. Por outro lado, a deflagração perigosa e 
não autorizada de fogos de artifícios caracteriza a contravenção penal 
prevista no art. 28, parágrafo único, do Decreto-Lei nº 3688/4129. Por fim, a soltura de balões acesos 
configura o delito ambiental previsto no art. 42 da Lei nº 9605/9830. 
 Elemento espacial do crime: O fato deve ser praticado “em lugar habitado ou suas adjacências” ou 
“em via pública ou em sua direção”. 
 Lugar habitado: é o local onde residem as pessoas, ou seja, um lugar povoado. Exemplo: vila, cidade, 
chácara, sítio, fazenda, distrito, etc. 
 
 
27 OBS: Empregar arma de fogo de uso restrito é mais grave e tal conduta é catalogada no art. 16, caput, da Lei 10826/03. 
28 Art. 16, parágrafo único, da Lei 10826/03: Nas mesmas penas incorre quem: 
III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação 
regulamentar. 
29 Art. 28, parágrafo único, do Decreto-Lei 3688/1941: Incorre na mesma pena de prisão simples, de 15 (quinze) dias a 2 (dois) 
meses, ou multa, quem, em lugar habitado ou em suas adjacências em via pública ou em direção a ela, sem licença da autoridade, 
causa deflagração perigosa, queima fogos de artifício ou solta balão aceso. OBS: Essa contravenção penal continua em vigor 
apenas em relação à conduta de queima de fogos de artifício. Vale dizer, em relação à conduta de soltar balões acesos, o art. 28, 
parágrafo único, do Dec-Lei 3688/41 foi revogado pelo art. 42 da Lei dos Crimes Ambientais (Lei 9605/98). 
 
 
30 Art. 42 da Lei nº 9605/98: Fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas e demais 
formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano: 
Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos ou multa, ou ambasas penas cumulativamente. 
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 “Adjacências: local próximo àquele habitado. Não se exige que seja dependência de moradia ou local 
contíguo, bastando que seja perto do local habitado. Por consequência, disparar em local descampado ou 
em um floresta, não configura a infração.31” 
 Via pública: é o lugar aberto a qualquer pessoa. Exemplos: praça, avenida, rua, rodovia. 
 Em direção à via pública: O disparo é feito em direção à via pública, pouco importando o lugar de 
onde a arma é disparada. Ex: O agente atira da janela de sua residência em direção à praça. 
 Não é necessário a presença de pessoas no momento do disparo, basta que o local seja habitado. 
Exemplo: No momento em que o agente dispara a arma de fogo os habitantes de um pequeno vilarejo 
estavam dormindo. 
 Em resumo, se o local não for habitado, a conduta será atípica, pois a segurança pública não foi 
exposta à perigo de lesão. 
 Questão: O disparo efetuado para o alto configura o delito do art. 15 do Estatuto do Desarmamento? 
 Depende. Se o disparo for realizado em via pública ou em sua direção haverá o crime em apreço. 
Todavia, se esse disparo for realizado em lugar não habitado (ex: lugar ermo, floresta, etc.), o fato será 
atípico. 
 Elemento subjetivo do tipo: É o dolo, ou seja, vontade livre e consciente de disparar arma de fogo 
ou acionar munição. Repare que o disparo acidental da arma de fogo não é punível, haja vista a inexistência 
da figura culposa no art. 15 do Estatuto do Desarmamento, porém se tal conduta atingir alguém, esse agente 
poderá responder pelo delito de lesão corporal culposa ou homicídio culposo. 
 Consumação: É crime de mera conduta. Dessa forma, o crime estará consumado no exato momento 
em que ocorre o disparo da arma de fogo ou do acionamento da munição. 
 Tentativa: É possível. Exemplo: O agente é impedido por terceiro de puxar o gatilho no exato instante 
que efetuaria o disparo. 
 
 
 
31 BALTAZAR JÚNIOR, José Paulo; RIOS GONÇALVES, Victor. Legislação Penal Esquematizado. 3ª ed. São Paulo: Editora 
Saraiva, 2017, p. 237. 
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 Questão: Qual a diferença entre o disparo de arma de fogo (art. 15 do Estatuto do Desarmamento e 
o delito de perigo de vida (art. 132 do Código Penal)? 
DISPARO DE ARMA DE FOGO (ART. 15 DA 
LEI 10826/03) 
PERIGO DE VIDA (ART. 132 DO CÓDIGO 
PENAL) 
O agente expõe a perigo um número 
indeterminado de pessoas. 
O agente expõe a perigo pessoa certa e 
determinada 
 
 Questão: O agente responde pelo delito de disparo de arma de fogo (art. 15 do Estatuto do 
Desarmamento se agir em legítima defesa ou estado de necessidade? 
 A resposta é negativa. Não configura o delito, exclui-se a ilicitude. Exemplo: O agente efetua o disparo 
de arma de fogo para impedir o estupro de sua companheira. 
 Disparo de arma de fogo e o porte ilegal de arma de fogo: Leciona o professor Gabriel Habib que “o 
porte será considerado ante factum impunível, ficando absorvido pelo delito de disparo de arma de fogo, por 
força do princípio da consunção, desde que o porte e o disparo ocorram no mesmo contexto fático. Caso o 
disparo e o porte não ocorram no mesmo contexto fático, ou seja, dissociados um do outro, haverá concursos 
de crimes, como no caso de o agente já portar a arma de fogo e depois efetuar os disparos32”. Nesse sentido 
também é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: 
PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PORTE ILEGAL 
E DISPARO DE ARMA DE FOGO. ARTIGOS 14 E 15 DA LEI 10.826/03. 
CONDUTAS PRATICADAS NO MESMO CONTEXTO FÁTICO. ANÁLISE DO 
CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 
INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. - A jurisprudência desta Corte possui entendimento firmado no sentido de 
que não é automática a aplicação do princípio da consunção para absorção do delito de porte de arma de 
fogo pelo de disparo, dependendo das circunstâncias em que ocorreram as condutas. - Na hipótese dos 
autos, as instâncias ordinárias reconheceram que os crimes foram praticados no mesmo contexto fático, 
devendo ser aplicado o referido postulado para que a conduta menos grave (porte ilegal de arma de fogo) 
seja absorvida pela conduta mais grave (disparo de arma de fogo). - A inversão das conclusões a que 
chegaram as instâncias ordinárias, no sentido de que houve o porte de arma em outro contexto fático, 
 
 
32 HABIB, Gabriel. Leis Penais Especiais. 10ª ed. Salvador: JusPodvm, 2018, p. 331. 
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encontra óbice no enunciado n. 7 da Súmula do STJ. Agravo regimental desprovido. [AgRg no REsp 1331199, 
Rel. Min. Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ/SP), julgado em 23/10/2014]. 
 Declaração de inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 15 do Estatuto do Desarmamento: 
O Supremo Tribunal Federal na Ação Direta de Inconstitucionalidade de nº 3112/DF declarou a 
inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 15 do Estatuto do Desarmamento, por entendê-lo 
desarrazoado, sob o fundamento de que o disparo de arma de fogo de uso permitido não poderia ser 
equiparado a terrorismo, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e crimes hediondos (art. 5º, XLII, da CF). 
Entendeu ainda que por estarmos diante de um crime de mera conduta não poderia esse ser igualado aos 
delitos que causam lesão ou ameaça de lesão à vida ou à propriedade. 
 Pena: Reclusão de 2 a 4 anos, e multa. Não é uma infração penal de menor potencial ofensivo. Não 
admite a transação penal e nem a suspensão condicional do processo. 
 Fiança: A autoridade policial pode conceder fiança para esse delito, pois a pena privativa de liberdade 
máxima não é superior a 4 anos, nos exatos termos do art. 322 do CPP33. 
 Ação Penal: Ação penal pública incondicionada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
33 Art. 322 do CPP: A autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade 
máxima não seja superior a 4 (quatro) anos. 
Parágrafo único. Nos demais casos, a fiança será requerida ao juiz, que decidirá em 48 (quarenta e oito) horas. 
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POSSE OU PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Repare que os núcleos do tipo penal do art. 16, caput, do Estatuto do Desarmamento são os mesmos 
dos tipos penais descritos nos arts. 12 e 14 do aludido Estatuto, porém o objeto material é diverso, vez que 
estamos diante de arma de fogo, acessório ou munição de uso restrito ou proibido. Possuir (núcleo do tipo 
penal do art. 12 da Lei 10826/03), deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, 
ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar. Em 
resumo, art. 16, caput, do Estatuto do Desarmamento unificou as condutas de posse (art. 12) e porte (art. 
14), versando, porém, sobre arma de fogo, acessório ou munição de usos restrito. 
Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito 
Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que 
gratuitamente,emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório 
ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou 
regulamentar: 
Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. 
§1. Nas mesmas penas incorre quem: 
I – suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo ou artefato; 
II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de uso 
proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, 
perito ou juiz; 
III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em 
desacordo com determinação legal ou regulamentar; 
IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou qualquer 
outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado; 
 V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou 
explosivo a criança ou adolescente; e 
 VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de qualquer forma, munição 
ou explosivo. 
§ 2º Se as condutas descritas no caput e no § 1º deste artigo envolverem arma de fogo de uso proibido, a 
pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.”(Incluído pela Leinº 13.964/19) 
 
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 Em que pese o nomen iuris do delito do art. 16 da Lei 10826/03 seja porte ilegal de arma de fogo de 
uso restrito, o delito em análise não se restringe à conduta de portar arma de fogo, acessório ou munição, 
de uso proibido ou restrito. Além de portar, as ações nucleares são possuir, deter, adquirir, fornecer, receber, 
ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob 
sua guarda ou ocultar. Estamos diante de um crime de ação múltipla, também conhecido como de conteúdo 
variado ou tipo misto alternativo, ou seja, a realização de mais de uma conduta típica, em relação ao mesmo 
objeto material, constitui crime único, conforme determina o princípio da alternatividade. 
 Objetividade jurídica: É a incolumidade pública, eis que o sentido da norma penal é evitar que 
pessoas armadas possam colocar em risco a tranquilidade social. 
 Sujeito ativo: É um crime comum (ou geral), porquanto pode ser cometido por qualquer pessoa. Se o 
delito for praticado pelas pessoas citadas nos arts. 6º, 7º e 8º, da Lei 10826/03 ou se o agente for reincidente 
específico em crimes dessa natureza, a pena é aumentada em metade (art. 20 do Estatuto do Desarmamento34). 
 Sujeito passivo: É a coletividade. É um crime vago. 
 Objeto material: Arma de fogo, acessório ou munição, de uso proibido ou restrito. Se a arma de fogo 
for de uso permitido, o delito será o do artigo 14 da Lei nº 10826/03. Se a arma de fogo, ainda que de uso 
permitido, estiver com a numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou 
adulterado, o delito será o do artigo 16, IV, do Estatuto do Desarmamento. OBS: Portar arma de brinquedo, 
simulacro ou réplica é fato atípico, vez que não é arma de fogo. 
 Pluralidade de armas de uso restrito: Responderá por um único delito de porte ilegal de arma de uso 
proibido (art. 16 do Estatuto do Desarmamento), não se aplicando a regra do concurso formal de crimes, 
pois restará caracterizada uma situação única de risco à coletividade. Todavia, o magistrado pode levar em 
conta a quantidade de armas no momento da fixação da pena-base (circunstâncias judiciais do art. 59 do 
Código Penal). 
 O delito de posse ou porte de arma de fogo de uso restrito, descrito no art. 16 da Lei 10826/03, 
tentados ou consumados, passou a ser considerado crime hediondo com o advento da Lei nº 13497/17, que 
fez um acréscimo no art. 1º, parágrafo único, da Lei 8072/90. Vale ainda destacar que a Lei 13964/19, 
conhecida como pacote anticrime, inseriu ainda mais dois delitos do Estatuto do Desarmamento no rol dos 
crimes hediondos, quais sejam, comércio ilegal de armas de fogo (art. 17 do Estatuto do Desarmamento) e 
 
 
34 Art. 20 da Lei 10826/03: Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é aumentada da metade se: I - forem praticados 
por integrante dos órgãos e empresas referidas nos arts. 6º, 7º e 8º desta Lei; II – o agente for reincidente específico em crimes dessa 
natureza. 
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tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição (art. 18 do Estatuto do Desarmamento), 
segundo se infere do art. 1º, parágrafo único, incisos III e IV, da Lei nº 8.072/90. 
 Núcleo do tipo penal: como já vimos, são 14 condutas que caracterizam esse crime de ação múltipla 
ou de conteúdo variado, também chamado de tipo misto alternativo, ou seja, ainda que violado mais de um 
verbo do tipo penal, na mesma situação fática, o delito será único, não havendo se falar em concurso de 
crimes. Vejamos os núcleos do tipo penal do art. 14 do Estatuto do Desarmamento: 
a) Possuir: ter a posse da arma de fogo, acessório ou munição, de uso proibido ou restrito, como 
possuidor ou proprietário, de maneira prolongada. 
b) Portar: trazer a arma consigo sem a licença da autoridade competente. Exemplos: trazer a arma 
na roupa, na maleta, etc. 
c) Deter: ter, de forma transitória, por um curto período de tempo, sem o ânimo de posse ou 
propriedade; 
d) Adquirir: Obter, gratuita ou onerosamente. Exemplo: comprar uma arma de fogo; trocar a arma 
por algo; 
e) Fornecer: abastecer, dar, prover. Exemplo: dar arma de fogo para alguém. Não confunda com o 
tipo penal do art. 17 do Estatuto do Desarmamento (comércio ilegal de arma de fogo), pois nesse 
último há uma atividade econômica. 
f) Receber: aceitar. 
g) Ter em depósito: Reter a arma para dela dispor quanto necessário. Exemplo: guardar arma de 
fogo em um galpão. 
h) Transportar: Levar a arma de um lugar para outro, por qualquer meio de transporte. Exemplo: 
levar a arma no porta-malas do carro, em barco, etc.). Assim, transporte de arma de fogo no 
interior do veículo configura o delito de porte ilegal de arma de uso proibido ou restrito (art. 16 
do Estatuto do Desarmamento) e não o delito de posse (art. 12 do Estatuto do Desarmamento). 
i) Ceder, ainda que gratuitamente: Permitir o uso, ainda que sem qualquer contraprestação ou 
finalidade de lucro. Exemplo: Deixar o primo usar a arma de fogo de uso proibido ou restrito. 
j) Emprestar: Entregar a arma para alguém fixando prazo para a devolução. Exemplo: Emprestar a 
arma para o tio durante o feriado). 
k) Remeter: Enviar a arma de um local para o outro, sem acompanhar o objeto. Exemplo: Enviar a 
arma pelo correio. 
l) Empregar: Usar, utilizar. OBS 1: O emprego da arma poderá caracterizar outro delito autônomo 
ou evidenciar o concurso de crime entre o porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e outro 
delito (ex: homicídio, ameaça, etc.). O delito de porte de arma será absorvido pelo crime de 
homicídio, desde que o primeiro crime sirva como meio necessário para a prática do homicídio, 
sendo, assim, considerado um ante factum impunível, com base no princípio da consunção. Em 
outras palavras, o agente emprega a arma unicamente para cometer o delito de homicídio (crime 
mais grave), aplicando-se na espécie o princípio da consunção. Todavia, haverá o concurso de 
crime caso o porte não tenha sido o meio necessário para o homicídio, tendo as condutas 
ocorridas em contextos fáticos diversos. Exemplo: O agente, após cometer o delitode homicídio 
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==162515==
 
 
 
56 
 
na data de 05 de maio de 2018, é encontrando com a mesma arma em via pública na data de 07 
de maio de 2018. OBS 2: Não há concursos de crime entre porte de arma e roubo quando forem 
praticados no mesmo contexto fático, pois o emprego de arma de fogo já funciona como causa 
especial de aumento de pena descrita no art. 157, §2º-A, I, do Código Penal (redação dada pela 
Lei nº 13.654/18). Logo, o porte de arma fica absorvido pelo princípio da consunção, pois 
apresenta-se como ante factum impunível, ou seja, há uma relação de dependência ou de 
subordinação entre as duas condutas. O fato de o delito ora em análise não atrapalha em nenhum 
momento a sua absorção pelo crime de roubo. Contudo, se forem praticados em contexto fático 
diverso, existirá o concurso de crimes entre o porte de arma e o roubo (aplica-se o mesmo 
raciocínio já explicitado para o delito de homicídio). OBS 3: Segundo jurisprudência do STJ, não 
há que se falar em aplicação do princípio da consunção quando dos delitos de porte ilegal de arma 
de fogo de uso restrito e disparo de arma de fogo são praticados em momentos diversos, em 
contextos distintos (Conflito de Competência de nº 134342/GO, julgado em 22/04/2015). 
m) Manter sob guarda: conservar a arma sob seu cuidado em nome de terceiro. Exemplo: Guardar a 
arma para um amigo no armário da escola enquanto ele viaja. 
n) Ocultar: esconder a arma. Exemplo: Enterrar a arma numa praça após matar alguém. 
 Elemento subjetivo do tipo: É o dolo, ou seja, vontade livre e consciente de praticar qualquer uma 
das 14 condutas referente ao porte ilegal de arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito. 
 Elemento normativo do tipo: diz respeito à expressão “sem autorização e em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar”. 
 Questão: Conselheiro do Tribunal de Contas pode ter posse de munição de arma de uso restrito? 
 Essa questão foi enfrentada pelo Superior Tribunal de Justiça que entendeu não ter o conselheiro do 
Tribunal de Contas cometido o delito do art. 16 do Estatuto do Desarmamento, em razão de equiparação 
aos magistrados descrita no art. 73, §3º, da Constituição Federal35. Assim, o caso é solucionado pelo art. 33, 
V, da Lei Complementar de nº 35/79 (LOMAN) que garante aos magistrados o porte de arma para uso 
pessoal, não fazendo qualquer distinção entre arma de uso permitido ou arma de uso restrito. 
 
 
 
35 Art. 73, §3º, da CF: Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, 
vencimentos e vantagens dos Ministros do Superior Tribunal de Justiça, aplicando-se-lhes, quanto à aposentadoria e pensão, as 
normas constantes do art. 40. 
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PENAL. ART. 16 DO ESTATUTO DO DESARMAMENTO. POSSE DE ARMA 
DE USO RESTRITO. CONSELHEIRO DE TRIBUNAL DE CONTAS 
EQUIPARADO A DESEMBARGADOR. LEI ORGÂNICA DA 
MAGISTRATURA. DIREITO A PORTE DE ARMA PARA DEFESA PESSOAL. 
NÃO DISCRIMINAÇÃO NA LOMAN ENTRE ARMA DE USO PERMITIDO E 
DE USO RESTRITO. INVASÃO DE COMPETÊNCIA DE NORMAS INFRALEGAIS EM MATÉRIA RELATIVA A 
DIREITOS E PRERROGATIVAS DA MAGISTRATURA. ATIPICIDADE. 
1. O art. 16 do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/2003) é norma penal em branco que delega à 
autoridade executiva definir o que é arma de uso restrito. A norma infralegal não pode, contudo, revogar 
direito previsto no art. 33, V, da Lei Complementar n. 35/1979 - Lei Orgânica da Magistratura - e que implique 
ainda a criminalização da conduta. 
2. A prerrogativa constante na LOMAN não faz distinção do direito ao porte de arma e munições de uso 
permitido ou restrito, desde que com finalidade de defesa pessoal dos magistrados. Paralelismo entre 
magistrado de segundo grau e conselheiro de tribunal de contas estaduais reconhecido constitucionalmente. 
3. Não se trata de hierarquia entre lei complementar e ordinária, mas de invasão de competência reservada 
àquela por força do art. 93 da Constituição de 1988, que prevê lei complementar para o Estatuto da 
Magistratura. Conflito de normas que se resolve em favor daquela mais benéfica para abranger o direito 
também em relação à arma e munição de uso restrito. 
4. A Portaria do Comando do Exército n. 209/2014 autoriza membro do Ministério Público da União ou da 
magistratura a adquirir até duas armas de uso restrito (ponto 357 Magnum e ponto 40) sem mencionar 
pistolas 9mm. É indiferente reconhecer a abolitio criminis por analogia, diante de lei própria a conferir direito 
de porte aos magistrados. 
5. Denúncia julgada improcedente com fundamento no art. 386, III, do CPP. 
(APn 657/PB, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, CORTE ESPECIAL, julgado em 21/10/2015, DJe 
29/10/2015) 
 Consumação: Cuida-se de crime de mera conduta e de perigo abstrato. De tal arte, o crime se 
consuma com a simples realização de uma das 14 (catorze) condutas descritas no tipo penal, independente 
da produção de qualquer resultado naturalístico. 
 Tentativa: É possível. Exemplo: o agente tenta adquirir uma arma de fogo de uso restrito. 
 Ação Penal: Pública Incondicionada 
 
 Figuras equiparadas: O parágrafo primeiro do art. 16 do Estatuto do Desarmamento preconiza, na 
verdade, seis crimes autônomos e distintos daquele contido no caput do art. 16 do citado diploma legal. 
Vale dizer, os seis incisos do art. 16 referem-se a seis distintas hipóteses de crime que aproveitam tão 
somente a pena prevista para o art. 16, caput, da Lei 10826/03. Os incisos do parágrafo único do art. 16 do 
Estatuto do Desarmamento não necessitam apresentarem qualquer vinculação com arma de uso proibido 
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ou restrito, ou seja, os incisos do parágrafo único do aludido artigo abrangem tanto as armas, acessórios e 
munição de uso permitido como as de uso proibido ou restrito. Essa conclusão deriva facilmente da leitura 
do inciso II, que prevê como criminosa a conduta de quem modifica arma de fogo para torná-la equivalente 
às de uso proibido ou restrito – fazendo alusão, obviamente, às de uso permitido que venham a ser alteradas. 
 Art. 16, §1º, da Lei 10826/03: Nas mesmas penas incorre quem: 
 I – suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo ou 
artefato. 
 Esse delito visa punir a ação do agente que dificulta a identificação do responsável por determinada 
arma de fogo ou artefato. Logo, o bem jurídico tutelado é a veracidade do cadastro das armas no SINARM. 
 Suprimir significa eliminar totalmente, retirar o sinal de identificação. Alterar corresponde a 
modificar, mudar, rasurar o sinal de identificação. 
 O Objeto material é a marca, numeração ou qualquer outro sinal de identificação de arma de fogo de 
qualquer uso (permitido ou restrito) e calibre ou de artefato (explosivo ou incendiário). Observe que o objeto 
material também pode ser uma arma de fogo de uso permitido. Assim, no momento em que essa arma de 
fogo de uso permitido é “raspada”, ela é equiparada à arma de uso restrito (art. 16, § único, I, da Lei 
10826/03). 
 Essa figura típica pode ser cometida por qualquer pessoa (crime comum). O art. 16, § 1º, I, da Lei 
10826/03 visa punir o autor da modificação ou alteração. Assim, se o agente não tiver sido o autor da 
modificação ou alteração responderá pela prática delitiva descrita no art. 16, caput, da Lei 10826/03 (porte 
ilegal de arma defogo de uso restrito). 
 Art. 16, parágrafo único, da Lei 10826/03: Nas mesmas penas incorre quem: 
 II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torna-la equivalente a arma de fogo de 
uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, 
perito ou juiz. 
 Essa figura típica divide-se em duas partes. 
 A primeira conduta (modificar as características da arma de fogo de forma a torná-la equivalente a 
arma de fogo de uso restrito) protege a incolumidade pública. Exemplo: O agente serra o cano da espingarda 
para aumentar o seu potencial lesivo. 
 A segunda conduta (modificar as características de arma de fogo para fins de dificultar ou de qualquer 
modo induzir a erro autoridade policial, perito ou juiz) protege a Administração da Justiça. Na verdade, o 
agente pratica uma espécie de fraude processual, pois visa alterar as características da arma de forma a 
dificultar o exame pericial. Exemplo: Trocar o cano da arma para dificultar o exame do confronto balístico. O 
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delito se aperfeiçoa ainda que o agente não consiga enganar as autoridades (policiais e judiciárias) ou perito. 
Cuida-se de um crime formal. É uma figura especial quando cotejada com o art. 347 do CP (fraude 
processual36). 
 Art. 16, parágrafo único, da Lei 10826/03: Nas mesmas penas incorre quem: 
 III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou 
em desacordo com determinação legal ou regulamentar. 
 A expressão fabricar significa manufaturar. 
 Observe que o objeto material nessa figura típica não é arma de fogo, acessório ou munição, mas sim 
artefato explosivo ou incendiário. Exemplo: granada, coquetel molotov, bomba de fabricação caseira, etc. 
 Essa figura típica derrogou o art. 253 do Código Penal37 no tocante ao artefato explosivo. Em outras 
palavras, o art. 253 do CP continua em vigor no que se refere a gases tóxicos ou asfixiantes, bem como em 
relação a substâncias explosivas (ex: tolueno), porquanto o Estatuto do Desarmamento diz respeito apenas 
a artefato explosivo. 
 É importante ainda destacar que a granada de gás lacrimogêneo e a de gás de pimenta não se 
enquadram no conceito de explosivo para os fins do presente tipo penal. Esse é o entendimento do Superior 
Tribunal de Justiça: 
 
 
RECURSO ESPECIAL. PENAL. ESTATUTO DO DESARMAMENTO. DELITO 
TIPIFICADO NO ARTIGO 16, PARÁGRAFO ÚNICO, III, DA LEI N.10.826/2003. PORTE DE ARTEFATO 
EXPLOSIVO. GRANADA DE GÁS LACRIMOGÊNEO/PIMENTA. INADEQUAÇÃO TÍPICA. RECURSO IMPROVIDO. 
 
 
36 Art. 347 do CP: Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa, ou de 
pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito: 
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa. 
37 Art. 253 do CP: Fabricar, fornecer, adquirir, possuir ou transportar, sem licença da autoridade, substância ou engenho explosivo, 
gás tóxico ou asfixiante, ou material destinado à sua fabricação: 
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. 
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1. Explosivo é, em sentido amplo, um material extremamente instável, que pode se decompor rapidamente, 
formando produtos estáveis. Esse processo é denominado de explosão e é acompanhado por uma intensa 
liberação de energia, que pode ser feita sob diversas formas e gera uma considerável destruição decorrente 
da liberação dessa energia. 
2. Não será considerado explosivo o artefato que, embora ativado por explosivo, não projete e nem disperse 
fragmentos perigosos como metal, vidro ou plástico quebradiço, não possuindo, portanto, considerável 
potencial de destruição. 
3. Para a adequação típica do delito em questão, exige-se que o objeto material do delito, qual seja, o 
artefato explosivo, seja capaz de gerar alguma destruição, não podendo ser tipificado neste crime a posse 
de granada de gás lacrimogêneo/pimenta, porém, não impedindo eventual tipificação em outro crime. 
4. Recurso especial improvido. 
(REsp 1627028/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 21/02/2017, 
DJe 03/03/2017) 
 OBS: Transporte de granada sem motivação política não configura crime contra a segurança 
nacional. O agente que é preso com duas granadas de uso exclusivo do Exército que seriam utilizadas para 
roubar um banco não pratica crime do art. 12 da Lei nº 7.170/83. Isso porque não há, no presente caso, a 
motivação política, que consiste no "dolo específico" (elemento subjetivo especial do tipo) exigido para a 
configuração dos crimes de que trata a Lei de Segurança Nacional. Se o sujeito praticar uma conduta 
semelhante a esta, em tese, ele deverá responder pelo crime do art. 16 do Estatuto do Desarmamento (Lei 
nº 10.826/2003) – Informativo 827 do STF 
 Art. 16, parágrafo único, da Lei 10826/03: Nas mesmas penas incorre quem: 
 IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou 
qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado. 
 O crime em apreço visa proteger a incolumidade pública. 
 Essa figura típica mostrou-se ser uma importante inovação legislativa, já que o diploma anterior (Lei 
9437/97) somente criminalizava a conduta do agente responsável pela supressão da numeração (art. 16, § 
único, I, da Lei 10826/03). De acordo com o Estatuto do Desarmamento, a mera conduta de o agente estar 
com a arma de fogo com identificação prejudicada configura o ilícito penal, independente de não saber quem 
realmente raspou a numeração da arma de fogo. Assim, a posse, ainda que em residência, ou o porte, de 
arma de fogo com numeração raspada, por si só, caracteriza o crime em tela. 
 OBS: Ainda que a arma de fogo seja de uso permitido, o agente comete o delito do art. 16, parágrafo 
único, IV, da Lei 10826/03 e não o delito do art. 12, da citada lei, se o artefato estiver com numeração 
raspada. Tema já enfrentado pelo Superior Tribunal de Justiça: “Aquele que está na posse de arma de fogo 
com numeração raspada tem sua conduta tipificada no art. 16, parágrafo único, e não no art. 12, caput, da 
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Lei 10826/03, mesmo que o calibre do armamento corresponda a uma arma de uso permitido (Informativo 
364 do STJ). 
 Questão: Haverá a prática delitiva do art. 16, parágrafo único, IV, da Lei 10826/03 se o agente portar 
arma de fogo desmuniciada com sinal de identificação suprimido? 
 A resposta é positiva, pois o delito é de perigo abstrato, não sendo necessário demonstrar que o 
artefato é capaz de lesionar alguém. Vejamos um julgado do STJ: 
HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. 
IMPROPRIEDADE DA VIA ELEITA. PORTE DE ARMA DE USO PERMITIDO 
COM NUMERAÇÃO RASPADA (DESMUNICIADA). POSSIBILIDADE DE 
LESÃO REAL. AFERIÇÃO. DESNECESSIDADE. CRIME DE PERIGO 
ABSTRATO. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE PATENTE. NÃO 
CONHECIMENTO. 
1. É imperiosa a necessidade de racionalização do emprego do habeas corpus, em prestígio ao âmbito de 
cognição da garantia constitucional, e, em louvor à lógica do sistema recursal. In casu, foi impetrada 
indevidamente a ordem contra acórdão de apelação, como se fosse um inominado e indevido sucedâneo 
recursal. 
2. Nos termos do entendimento majoritário das duas Turmas componentes da Terceira Seção, portar arma 
de uso permitido comnumeração raspada (desmuniciada) é de perigo abstrato, sendo desinfluente aferir se 
o artefato seja capaz de produzir lesão real a alguém. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. Ressalva 
do ponto de vista da relatora. 
3. Ausência de ilegalidade flagrante, apta a fazer relevar a impropriedade da via eleita. 
4. Writ não conhecido. (HC 223.759/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, 
julgado em 24/10/2013, DJe 05/11/2013) 
 Objeto material: Arma de fogo (de uso permitido ou de uso restrito) e de qualquer calibre, com a 
numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado (rasurado), suprimido (eliminado) ou 
adulterado (fraudado). 
 É um tipo misto alternativo, pois o cometido de duas ou mais condutas descritas no tipo não acarreta 
concurso de crimes, respondendo o agente somente por um delito. 
 Cuida-se de crime de mera conduta, cuja consumação se perfaz no exato momento da pratica de uma 
das condutas descritas no tipo penal. 
 Art. 16, parágrafo único, da Lei 10826/03: Nas mesmas penas incorre quem: 
 V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou 
explosivo a criança ou adolescente. 
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 Inicialmente, vale destacar a figura típica em análise, por ser posterior, derrogou o art. 242 do 
Estatuto da Criança e do Adolescente38, que continua aplicável a arma de outra natureza, que não seja de 
fogo. Exemplo: Armas brancas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Repare que o tipo penal possui destinatário próprio, qual seja, a arma de fogo, acessório ou munição 
têm que chegar ao menor de 18 anos de idade (criança e adolescente). 
 Questão: Quem deixa de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de idade ou 
deficiente mental se apodere de arma de fogo, que esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade, 
responde por esse delito? 
 A resposta é negativa. No caso, a conduta se amoldará ao delito do art. 13 do Estatuto do 
Desarmamento, que é uma conduta culposa. Todavia, se quem apodera da arma é pessoa adulta (maior de 
18 anos), o fato é atípico. 
 
 
 
 
38 Art. 242 do ECA: Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente arma, 
munição ou explosivo. 
(CESPE/Delegado de Polícia de Goiás/ 2017) Analise o item a seguir: Aquele que fornece a 
adolescente, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, ou munição de uso restrito ou proibido 
fica sujeito à sanção prevista no ECA, em decorrência do princípio da especialidade. 
 Comentário: O item está errado. A questão é resolvida pela sucessão de leis no tempo. Na 
espécie, a lei posterior (lei 10826/03) derroga (revoga parcialmente) o artigo 242 do ECA (lei anterior) 
para obstar a aplicação desse último diploma legal quanto à arma for de fogo. 
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 Questão: Por qual delito responde o agente que fornece, empresta ou cede dolosamente arma de 
fogo de uso permitido a pessoa maior de idade? 
 Responderá pelo delito do art. 14 do Estatuto do Desarmamento (porte ilegal de arma de fogo de uso 
permitido). 
 Questão: Por qual delito responde o agente que fornece, empresta ou cede dolosamente arma de 
fogo de uso proibido a pessoa maior de idade? 
 Responderá pelo delito do art. 16, caput, do Estatuto do Desarmamento (porte ilegal de arma de fogo 
de uso permitido). 
 Questão: Por qual delito responde o agente que fornece explosivo a pessoa maior de idade? 
 Responderá pelo delito do art. 253 do Código Penal. Todavia, se o destinatário for pessoa menor de 
18 anos de idade, o crime será do art. 16, parágrafo único, do Estatuto do Desarmamento. 
 Art. 16, parágrafo único, da Lei 10826/03: Nas mesmas penas incorre quem: 
 
 VI – produzir, recarregar, ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de qualquer forma, 
munição ou explosivo. 
 Essa figura típica foi uma inovação legislativa face à lei anterior (lei 9437/97). 
 Os núcleos do tipo são: produzir (criar, elaborar), recarregar (dar nova carga), reciclar 
(reaproveitamento de alguma matéria), adulterar (modificar). 
 A munição e o explosivo despontam como objeto material. 
 Também é um tipo penal misto alternativo, isto é, a prática de duas ou mais condutas descritas no 
tipo não gera concurso de crimes, respondendo o sujeito por somente um delito. 
 Consumação: É um crime de mera conduta. Assim, a consumação ocorre no exato instante da prática 
das condutas descritas no tipo penal. 
De acordo com a Lei nº 13.964/19, diploma legal responsável por inserir o §2º no art. 16 do 
Estatuto do Desarmamento, se o objeto material da conduta descrita no caput ou no §1º desse 
artigo for arma de uso proibido, a pena será de reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze). Trata-se de 
uma qualificadora, incidente, portanto, na primeira etapa do cálculo trifásico da pena. 
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COMÉRCIO ILEGAL DE ARMA DE FOGO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Inicialmente, cumpre destacar que a contar da data de 23 de janeiro de 2020, momento em que 
passa a vigorar a Lei nº 13694/19, diploma legal conhecido como pacote anticrime, o delito em estudo estará 
inserido no rol dos crimes hediondos, nos exatos termos do art. 1º, parágrafo único, III, da Lei nº 8.072. 
Cumpre ainda destacar que a Lei nº 13.694/19 promoveu 2 grandes alterações no crime de comércio ilegal 
de arma de fogo: 1) Majorou a pena de reclusão para 6 a 12 anos; 2) Previu a figura equiparada no art. 17, 
§2º, do Estatuto do Desarmamento, incriminando a conduta de quem vende ou entrega arma de fogo, 
acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo com a determinação legal ou regulamentar, a agente 
policial disfarçado, quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente.” 
 Com a entrada em vigor do Estatuto do Desarmamento, o art. 18 do Decreto-Lei 3688/4139 restou 
derrogado (revogação parcial), tendo sua aplicabilidade restringida às armas brancas. 
 
 
39 Art. 18 do Dec-Lei nº 3688/41: Fabricar, importar, exportar, ter em depósito ou vender, sem permissão da autoridade, arma ou 
munição: 
Pena – prisão simples, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa, ou ambas cumulativamente, se o fato não constitui crime contra a 
ordem política ou social. 
Art. 17 da Lei 10826/03: Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, 
desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em 
proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, arma de fogo, acessório ou 
munição, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: 
Pena – reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, e multa. 
 §1º. Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito deste artigo, qualquer forma de 
prestação de serviços, fabricação ou comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercício em 
residência. 
§2º. Incorre na mesma pena quem vende ou entrega arma de fogo, acessório ou munição, sem 
autorização ou em desacordo com a determinação legal ou regulamentar, a agente policial disfarçado, 
quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente. 
 
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 Em virtude do princípio da especialidade, o art. 17 da lei nº 10826/03 é especial em relação à 
receptação qualificada (art. 180, §1º, do Código Penal), afastando sua aplicação. 
 Objetividade jurídica: É a incolumidade pública. A intenção do legislador é evitar que armas ilegais, 
acessórios ou munições circulem pelo país. 
 Sujeito ativo: Cuida-se de crime próprio, eis que o tipo penal exige uma qualidade especial do agente, 
qual seja, ser comerciante ou industrial. Além do mais, o art. 17, parágrafo único, do Estatuto do 
Desarmamento ampliou o conceito de atividade comercial ou industrial para equipará-las como qualquer 
forma de prestação de serviços, fabricação ou comércio irregular ou clandestino. 
 Dessa forma, o armeiro que, sem a autorização competente, faz consertos de arma de fogo no quintal 
de sua casa, responde também pelo crime, pois o parágrafo primeiro em comento incrimina qualquer forma 
de prestação de serviço. Já o sujeito que não exerce atividade comercial, industrial ou de prestação de 
serviço não responde por este delito, mas pode incidir nos crimes de posse ou porte de arma de fogo (art. 
12, 14 e 16, todos do Estatuto do Desarmamento). 
 OBS: Se o delito for cometido por qualquer das pessoas enumeradas nos arts. 6º, 7º e 8º da Lei 
10826/03 ou se o agente for reincidente específico em crimes dessa natureza, a pena será aumentada em 
metade. 
 Sujeito passivo: É a coletividade. Cuida-se de um crime vago. 
 
 Objeto material: Arma de fogo, acessório ou munição de uso permitido ou proibido (restrito). 
Contudo, se a arma de fogo, acessório ou munição for de uso proibido ou restrito, incidirá a causa de aumento 
em metade, nos moldes do previsto no art. 19 do Estatuto do Desarmamento40. 
 
 Núcleos do tipo penal: As condutas são aquelas típicas de comerciantes e industriais: Adquirir, Alugar 
(ceder o uso e gozo por determinado período mediante pagamento de preço), Receber, transportar, conduzir, 
ocultar, ter em depósito, desmontar (separar as peças), montar (unir peças isoladas para obter uma arma de 
fogo), remontar (montar novamente aquilo que foi desmontado), adulterar, vender, expor à venda (exibir para 
que alguém compre), utilizar (usar). Cuida-se de um tipo penal misto alternativo, ou seja, a prática de duas ou 
mais condutas não acarreta o concurso de crimes, respondendo o agente por apenas um delito. 
 
 
 
40 Art. 19 da Lei 10826/03: Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada da metade se a arma de fogo, acessório ou 
munição forem de uso proibido ou restrito. 
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 Elemento normativo do tipo: refere-se aos termos “sem autorização ou em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar”. Dessa forma, comete o crime o sujeito que não tem autorização para 
vender arma, ou aquele que descumpre determinação legal ou regulamentar. 
 
 Elemento subjetivo do tipo: É o dolo, isto é, vontade livre e consciente de praticar qualquer conduta 
envolvendo o comércio ilegal de arma de fogo, acessório ou munição. Não existe a modalidade culposa. 
 
 Consumação: Cuida-se de crime de mera conduta, cuja consumação se dá no exato momento da ação, 
independente do resultado. 
 
 Tentativa: É possível. Exemplo: O agente tenta adquirir arma de fogo. 
 Também estamos diante de um crime de perigo abstrato, pois essa figura criminosa dispensa a 
demonstração que pessoa determinada tenha sido exposta a efetiva situação de risco. 
 
 Ação Penal: Pública Incondicionada. 
 
 Figura equiparada: Incorre na mesma pena quem vende ou entrega arma de fogo, acessório ou 
munição, sem autorização ou em desacordo com a determinação legal ou regulamentar, a agente policial 
disfarçado, quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente. Trata-se de 
importante inovação legislativa trazida pela Lei nº 13694/19, diploma legal conhecido como pacote anticrime, 
com vigência prevista para 23 de janeiro de 2020. Por óbvio, essa norma não tem eficácia retroativa, por ser 
uma novatio legis incriminadora, tudo em conformidade com o art. 5º, XL, da Constituição Federal. 
 
 Em primeiro lugar, observa-se a criação de uma nova técnica especial de investigação e também de 
atuação do agente policial, qual seja, a figura do agente policial disfarçado, que não deve ser confundida com 
o agente infiltrado41 e nem com o agente provocador42. Repare que a figura do agente policial disfarçado não 
induz alguém a praticar crime (elemento existente no agente provocador) e tampouco necessita cativar a 
confiança dos integrantes do grupo criminoso (elemento existente no agente infiltrado), caracterizando-se pelo 
fato de o policial, sem relevar a sua verdadeira identidade, apresentar-se como um cidadão comum ao 
criminoso e, em virtude dessa situação, conseguir dados de conduta criminosa preexistente do agente. O 
pressuposto fundamental para que a validade dessa atuação policial é a demonstração de dados probatórios 
aptos a revelar que o agente cometeu antes uma conduta criminosa, fato proporcionado pelo disfarce. A mens 
 
 
41 Agente infiltrado é aquele que ingressa na sociedade criminosa com o escopo de colher informes com a finalidade de obter o seu 
desmantelamento. O agente infiltrado não age com o indispensável animus associativo, pois visa justamente a destruição desse 
grupo criminoso. 
42 O agente provocador (teoria da armadilha ou entrapment) está relacionado com a situação do flagrante preparado (ou provocado 
ou delito putativo por obra do agente provocador), ou seja, o agente induz os integrantes da organização criminosa à prática delituosa 
e, simultaneamente, toma todas as precauções necessárias para que o delito não se consume, aplicando-se, no ponto, a súmula 145 
do Supremo Tribunal Federal (Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação) 
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legis dessa figura típica foi justamente incriminar a conduta do agente que vende ou entrega arma a um agente 
policial disfarçado, sem que tal comportamento configure crime impossível ou flagrante preparado. Observa-
se que em nenhum momento a vontade do criminoso é viciada pelo agente estatal. Todavia, se a investigação 
levada ao cabo pelo policial não revelar a conduta criminosa preexistente (ex: vendedor casual de objetos 
ilícitos), é de se descartar a presente figura típica. 
 
TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMA DE FOGO 
 
 
 
 
 
 Vale acentuar que a contar da data de 23 de janeiro de 2020, momento em que passa a vigorar a Lei 
nº 13694/19, diploma legal conhecido como pacote anticrime, o delito em estudo estará inserido no rol dos 
crimes hediondos, nos exatos termos do art. 1º, parágrafo único, IV, da Lei nº 8.072. Cumpre ainda destacar 
que a Lei nº 13.694/19 promoveu 2 grandes alterações no crime de comércio ilegal de arma de fogo: 1) 
Majorou a pena de reclusão para 8 a 16 anos; 2) Previu a figura equiparada no art. 18, parágrafo único, do 
Estatuto do Desarmamento, incriminando a conduta de quem vende ou entrega arma de fogo, acessório ou 
munição, em operação de importação, sem autorização da autoridade competente, a agente policial disfarçado, 
quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente. 
 Objetividade jurídica: Incolumidade pública. A intenção do legislador é evitar o comércio 
internacional e irregular de arma de fogo, acessório ou munição. 
 Sujeito ativo:Crime comum (ou geral), pois pode ser cometido por qualquer pessoa. De acordo com 
o art. 20 do Estatuto do Desarmamento, se o delito for praticado por qualquer das pessoas elencadas nos 
arts. 6º, 7º e 8º da Lei 10826/03 ou se o agente for reincidente específico em crimes dessa natureza, a pena 
será aumentada em metade. 
 Sujeito passivo: É a coletividade. Cuida-se de crime vago. 
 Núcleos do tipo penal: Trata-se de tipo penal misto alternativo, isto é, a prática de duas ou mais 
condutas previstas no tipo não acarreta em concurso de crimes, de modo de que o agente responde por 
somente um crime. São essas as condutas: a) Importar – ingressar em território nacional por terra, água ou 
ar; b) Exportar – sair do território nacional por terra, água ou ar; c) favorecer a entrada ou saída do território 
nacional significa prestar auxílio para a entrada ou saída dos limites do país. 
Art. 18 da Lei 10826/03: Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território nacional, a qualquer 
título, de arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização da autoridade competente: 
Pena – reclusão, de 8 (oito) a 16 (dezesseis) anos, e multa. 
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem vende ou entrega arma de fogo, acessório ou munição, em 
operação de importação, sem autorização da autoridade competente, a agente policial disfarçado, quando 
presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente.” 
 
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 Objeto material: Arma de fogo, acessório ou munição. Todavia, se a arma de fogo for de uso restrito 
ou proibido, haverá a aplicação da causa de aumento em metade, nos exatos termos do art. 19 da Lei 
10826/03. 
 Questão: Haverá esse crime do art. 18 da Lei 10826/03 se a arma for de brinquedo, simulacro ou 
réplica de armas de fogo? 
 A resposta é negativa. Contudo, insta ressaltar que o art. 26 do Estatuto do Desarmamento proíbe a 
fabricação, a venda, a comercialização e a importação de brinquedos, réplicas e simulacros de arma de fogo. 
Em razão dessa previsão legal, a importação dessas mercadorias é proibida. Dessa forma, a importação de 
brinquedos, réplicas e simulacros de arma de fogo caracteriza o delito de contrabando descrito no art. 334-
A do Código Penal43. 
 Questão: Responderá pelo delito do art. 18 do Estatuto do Desarmamento se o objeto material for 
explosivo? 
 A resposta é negativa, haja vista que o art. 18 da Lei 10826/03 nada mencionou acerca de explosivo, 
porém o agente responderá pelo crime de contrabando (art. 334-A do Código Penal). 
Em homenagem ao princípio da especialidade, não se se aplica o delito de facilitação ao 
contrabando ou descaminho (art. 318 do CP44) e nem o crime de contrabando (art. 334-A) 
quando o objeto material da prática delituosa for arma de fogo, acessório ou munição. 
 
 
 
43 Art. 334-A. Importar ou exportar mercadoria proibida: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 ( cinco) anos. §1o Incorre na mesma pena 
quem: I - pratica fato assimilado, em lei especial, a contrabando; II - importa ou exporta clandestinamente mercadoria que dependa 
de registro, análise ou autorização de órgão público competente; III - reinsere no território nacional mercadoria brasileira destinada 
à exportação; IV - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no 
exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria proibida pela lei brasileira; V - adquire, recebe ou oculta, em proveito 
próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria proibida pela lei brasileira. § 2º - Equipara-se às 
atividades comerciais, para os efeitos deste artigo, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino de mercadorias estrangeiras, 
inclusive o exercido em residências. § 3o A pena aplica-se em dobro se o crime de contrabando é praticado em transporte aéreo, 
marítimo ou fluvial. 
 
44 Art. 318 do CP: Facilitar, com infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho (art. 334): 
Pena – reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. 
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 Elemento subjetivo: É o dolo, ou seja, vontade livre e consciente de praticar qualquer conduta 
referente ao tráfico internacional de armas. Não existe a figura culposa. 
 Elemento normativo: verifica-se na expressão “sem autorização da autoridade competente”. No 
caso, a autoridade competente é o Comando do Exército, segundo se infere do art. 24 do Estatuto do 
Desarmamento, verbis: 
 Art. 24 da Lei 10826/03: Excetuadas as atribuições a que se refere o art. 2º desta Lei, compete ao 
Comando do Exército autorizar e fiscalizar a produção, exportação, importação, desembaraço alfandegário 
e o comércio de armas de fogo e demais produtos controlados, inclusive o registro e o porte de trânsito de 
arma de fogo de colecionadores, atiradores e caçadores. 
 Competência: Esse delito será processado e julgado na Justiça Federal por existir interesse da União 
Federal no tocante ao exercício de fiscalização sobre a zona alfandegária (art. 109, IV, da Constituição 
Federal45). 
 Consumação: Cuida-se de crime de mera conduta. Logo, consuma-se no exato instante em que é 
praticada cada uma das condutas descritas no tipo penal. 
 Tentativa: É possível. 
 Figura equiparada: Incorre na mesma pena quem vende ou entrega arma de fogo, acessório ou 
munição, em operação de importação, sem autorização da autoridade competente, a agente policial 
disfarçado, quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente.” Trata-se de 
importante inovação legislativa trazida pela Lei nº 13694/19, diploma legal conhecido como pacote anticrime, 
com vigência prevista para 23 de janeiro de 2020. Por óbvio, essa norma não tem eficácia retroativa, por ser 
uma novatio legis incriminadora, tudo em conformidade com o art. 5º, XL, da Constituição Federal. 
 Em primeiro lugar, observa-se o surgimento de uma nova técnica especial de investigação e também 
de atuação do agente policial, qual seja, a figura do agente policial disfarçado, que não deve ser confundida 
 
 
45 Art. 109 da CF: Aos juízes federais compete processar e julgar: 
IV – os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades 
autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral. 
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com o agente infiltrado46 e nem com o agente provocador47. Repare que a figura do agente policial disfarçado 
não induz alguém a praticar crime (elemento existente no agente provocador) e tampouco necessita cativar a 
confiança dos integrantes do grupo criminoso (elemento existente no agente infiltrado), caracterizando-se pelo 
fato de o policial, sem relevar a sua verdadeira identidade, apresentar-se como um cidadão comum ao 
criminoso e, em virtude dessa situação, conseguir dados de conduta criminosa preexistente do agente. O 
pressuposto fundamental para que a validade dessa atuação policial é a demonstração de dados probatórios 
aptos a revelar que o agente cometeu antes uma conduta criminosa, fato proporcionado pelo disfarce. A mens 
legis dessa figura típica foi justamente incriminar a conduta do agente que vende ou entregaarma, em operação 
de importação, a uma agente policial disfarçado, sem que tal comportamento configure crime impossível ou 
flagrante preparado. Observa-se que em nenhum momento a vontade do criminoso foi viciada pelo agente 
estatal. Todavia, se a investigação levada ao cabo pelo policial não revelar a conduta criminosa preexistente 
(ex: vendedor casual de objetos ilícitos), é de se descartar a presente figura típica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
46 Agente infiltrado é aquele que ingressa na sociedade criminosa com o escopo de colher informes com a finalidade de obter o seu 
desmantelamento. O agente infiltrado não age com o indispensável animus associativo, pois visa justamente a destruição desse 
grupo criminoso. 
47 O agente provocador (teoria da armadilha ou entrapment) está relacionado com a situação do flagrante preparado (ou provocado 
ou delito putativo por obra do agente provocador), ou seja, o agente induz os integrantes da organização criminosa à prática delituosa 
e, simultaneamente, toma todas as precauções necessárias para que o delito não se consume, aplicando-se, no ponto, a súmula 145 
do Supremo Tribunal Federal (Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação) 
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4 – LIBERDADE PROVISÓRIA 
 Dispõe o art. 21 da Lei nº 10826/03: 
 
 
 O legislador quis proibir a liberdade provisória aos delitos de posse ou porte ilegal de arma de fogo 
de uso restrito (art. 16 do Estatuto do Desarmamento), comércio ilegal de arma de fogo (art. 17 do Estatuto 
do Desarmamento) e tráfico internacional de arma de fogo (art. 18 do Estatuto do Desarmamento). Esse 
julgamento foi bem explicado pelo professor Fernando Capez, in verbis: 
 Nesse panorama jurídico, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria de votos, acabou por 
declarar, na data de 2 de maio de 2007, a inconstitucionalidade de três dispositivos do Estatuto do 
Desarmamento, na ADIn 3.112, dentre eles o art. 21, que negava liberdade provisória aos acusados de posse 
ou porte ilegal de arma de uso restrito, comércio ilegal de arma e tráfico internacional de arma. A Suprema 
Corte considerou que o mencionado dispositivo legal constituía afronta aos princípios constitucionais da 
presunção de inocência e do devido processo legal (CF, art. 5º, LVII e LXI). 
 Ressaltou -se que, não obstante a proibição da liberdade provisória tenha sido estabelecida para 
crimes de suma gravidade, a Constituição não permite a prisão ex lege, sem motivação, a qual viola, ainda, 
os princípios da ampla defesa e do contraditório (CF, art. 5º, LV). Além disso, os ministros anularam dois 
dispositivos do Estatuto que proibiam a concessão de liberdade, mediante o pagamento de fiança, no caso 
de porte ilegal de arma (parágrafo único do art. 14) e disparo de arma de fogo (parágrafo único do art. 15), 
julgando desarrazoada a vedação, sob o argumento de que tais delitos não poderiam ser equiparados a 
terrorismo, prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes ou crimes hediondos (CF, art. 5º, XLIII). 
Considerou-se, ainda, que, por constituírem crimes de mera conduta, embora impliquem redução no nível de 
segurança coletiva, não poderiam ser igualados aos delitos que acarretam lesão ou ameaça de lesão à vida 
ou à propriedade. 
 Mencione-se, finalmente, que, a partir das alterações promovidas pela Lei n. 12.403/2011 na 
sistemática da prisão e liberdade provisória, prevista no Código de Processo Penal, o agente que praticar 
qualquer um dos crimes previstos nos arts. 16, 17 e 18, poderá lograr o benefício da liberdade provisória com 
fiança (CPP, arts. 322, 323 e 324) ou a liberdade provisória acompanhada de medidas cautelares diversas 
(CPP, art. 321 c/c o art. 319). Assim, o agente poderá obter o benefício legal quando ausentes os motivos que 
autorizam a prisão preventiva (CPP, art. 321). Desse modo, somente se admitirá a prisão antes da 
condenação quando for imprescindível para evitar que o acusado continue praticando crimes durante o 
processo, frustre a produção da prova ou fuja sem paradeiro conhecido, tornando impossível a futura 
execução da pena, ou descumpra qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares 
(CPP, art. 312, caput e parágrafo único). Quando não ocorrer nenhuma dessas hipóteses, não se vislumbra a 
Art. 21 da Lei 10826/03: Os crimes previstos nos arts. 16, 17 e 18 são insuscetíveis de liberdade provisória. 
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existência de periculum in mora e não se poderá impor a prisão processual. Importante notar que a Lei n. 
12.403/2011 tornou a prisão preventiva como o último recurso à disposição do magistrado, pois esta somente 
será determinada quando não for cabível a sua substituição por outra medida cautelar (CPP, art. 282, § 6º, 
c/c o art. 319)48. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
48 CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal. Legislação Penal Especial. Volume 4. São Paulo: Editora Saraiva, 2017, p. 453 e 
454. 
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5 – DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL 
 Embora a Polícia Federal seja o órgão responsável pelos registros das armas de fogo e pela expedição 
de autorizações para o porte, bem como o SINARM como o órgão encarregado do cadastro das armas de 
fogo, a competência para julgar os delitos do Estatuto do Desarmamento, com exceção do delito de tráfico 
internacional de armas (art. 18 da Lei 10826), é da Justiça Estadual, porquanto os crimes em análise não 
violam bens, serviços ou interesses da União Federal, suas autarquias ou empresas públicas (art. 109, IV, da 
CF). 
 
DESTRUIÇÃO DOS OBJETOS APREENDIDOS 
 As armas de fogo apreendidas, após a elaboração do laudo pericial e sua juntada aos autos, quando 
não interessarem à persecução penal serão encaminhadas pelo juiz competente ao Comando do Exército, 
no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, para destruição ou doação aos órgãos de segurança pública ou às 
Forças Armadas, na forma do regulamento desta Lei (art. 25 da Lei 10826/03). 
 Repare que mesmos as armas apreendidas que tenham sido empregadas como instrumento para a 
prática de outros delitos devem ser endereçadas ao Comando do Exército, não se aplicando o art. 91, II, “a”, 
do Código Penal, que determina a perda dos instrumentos do crime em favor da União, cuja detenção ou 
porte constitua infração penal. 
 
REFERENDO POPULAR 
 Em outubro de 2005, o art. 35, caput, do Estatuto do Desarmamento (É proibida a comercialização 
de arma de fogo e munição em todo o território nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6º desta 
Lei) foi submetido à referendo popular, ocasião em que maioria da população rejeitou tal proibição. Com 
isso, não se encontra proibida a venda de armas e munições no território nacional. 
 
 
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BANCO NACIONAL DE PERFIL BALÍSTICO 
 A lei 13.694/19 criou o Banco Nacional de Perfil Balístico (art. 34-A do Estatuto do Desarmamento). 
 Os dados relacionados à coleta de registros balísticos serão armazenados no Banco Nacional de Perfis 
Balísticos. 
 
O Banco Nacionalde Perfis Balísticos tem como objetivo cadastrar armas de fogo e armazenar 
características de classe e individualizadoras de projéteis e de estojos de munição deflagrados por arma de 
fogo. 
 
O Banco Nacional de Perfis Balísticos será constituído pelos registros de elementos de munição 
deflagrados por armas de fogo relacionados a crimes, para subsidiar ações destinadas às apurações criminais 
federais, estaduais e distritais. Esse Banco será gerido pela unidade oficial de perícia criminal. 
 
Os dados constantes do Banco Nacional de Perfis Balísticos terão caráter sigiloso, e aquele que permitir 
ou promover sua utilização para fins diversos dos previstos nesta Lei ou em decisão judicial responderá civil, 
penal e administrativamente. 
 
É vedada a comercialização, total ou parcial, da base de dados do Banco Nacional de Perfis Balísticos. 
 
A formação, a gestão e o acesso ao Banco Nacional de Perfis Balísticos serão regulamentados em ato do 
Poder Executivo federal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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6 – LISTA DE QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS 
1. De acordo com o entendimento da doutrina e dos tribunais superiores sobre o Estatuto do 
Desarmamento, especialmente quanto às armas de fogo, 
A) Crime de tráfico internacional de arma de fogo é insuscetível de liberdade provisória. 
B) majora-se a pena em caso de crime de comércio ilegal de arma de fogo mesmo que se trate de armamento 
de uso permitido. 
C) a arma de fogo desmuniciada afasta as figuras criminosas da posse ou do porte ilegal, considerando-se 
que o objeto jurídico tutelado é a incolumidade física. 
D) o porte de arma de fogo de uso permitido com a numeração raspada equivale penalmente ao porte de 
arma de fogo de uso restrito. 
E) o disparo de arma de fogo em via pública e o porte ilegal de arma de fogo de uso permitido configuram 
situações de inafiançabilidade. 
 
2. (IESES/Perito Criminal de Santa Catarina/2017). De acordo com a Lei 10.826/03, que 
dispõe sobre registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição e sobre o 
Sistema Nacional de Armas – Sinarm compete ao Sinarm, dentre outras atribuições: 
I. Identificar as características e a propriedade de armas de fogo, mediante cadastro. 
II. Cadastrar as armas de fogo das Forças Armadas e Auxiliares, mantendo registro próprio. 
III. Cadastrar as apreensões de armas de fogo, exceto as vinculadas a procedimentos policiais e judiciais. 
IV. Cadastrar os armeiros em atividade no País, bem como conceder licença para exercer a atividade. 
Analise o item abaixo: 
A) Apenas I e II estão corretas 
B) Todas estão corretas 
C) Apenas I e IV estão corretas 
D) Apenas II e IV estão corretas 
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3. (VUNESP/Promotor de Justiça de São Paulo/2017) A guarda de arma desmuniciada, de uso permitido, 
em sua própria residência, constituirá crime 
A) na hipótese de a arma, em exame pericial, se mostrar apta a efetuar disparo. 
B) na hipótese em que, na residência, houver disponibilidade de munição compatível com a arma 
apreendida. 
C) se o implicado não possuir licença para o porte da arma apreendida. 
D) caso o implicado não possua o registro de propriedade válido da arma. 
E) se a residência estiver situada em área urbana. 
 
4. (CESPE/Delegado de Polícia do Mato Grosso/2017) João, ao trafegar com sua moto, foi 
surpreendido por policiais que encontraram em seu poder arma de fogo — revólver — de uso 
permitido. João trafegava com a arma sem autorização e em desacordo com determinação legal ou 
regulamentar. A partir dessa situação hipotética, assinale a opção correta de acordo com o Estatuto 
do Desarmamento e com o entendimento jurisprudencial dos tribunais superiores. 
A) O simples fato de João carregar consigo o revólver, por si só, não caracteriza crime, uma vez que o perigo 
de dano não é presumido pelo tipo penal. 
B) Se o revólver estiver com a numeração raspada, João estará sujeito à sanção prevista para o delito de 
posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso proibido ou restrito. 
C) O crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é inafiançável. 
D) O simples fato de João carregar consigo o revólver caracteriza o crime de posse ilegal de arma de fogo de 
uso permitido. 
E) Se o revólver estiver desmuniciado, o fato será atípico. 
 5. (IBADE/Juiz Substituto do Acre/2017) Acerca do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/2003), 
assinale a alternativa correta. 
A) O crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é inafiançável. 
 
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B) O proprietário responsável de empresa de segurança e transporte de valores que deixar de registrar 
ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma 
de fogo que esteja sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o fato, incorrerá 
no crime de omissão de cautela. 
C) De acordo com a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça, aquele que mantiver em seu poder uma 
arma de fogo de calibre permitido com registro vencido, incorrerá na prática do crime de porte ilegal de 
arma de fogo. 
D) No crime de comércio ilegal de arma de fogo, a pena é aumentada em um terço se a arma de fogo, 
acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito. 
E) O crime de omissão de cautela consiste em deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que 
menor de 14 (catorze) anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que 
esteja sob sua posse. 
6. (CESPE/Juiz de Direito do Paraná/2017 - Adaptada) Segundo a jurisprudência do STJ, analise o item 
a seguir: 
 
A arma de fogo desmuniciada e desmontada não serve para configurar o delito de porte ilegal de arma de 
fogo. 
_______________________________________________________________ 
7. (VUNESP/ Promotor de Justiça de São Paulo/2010) Assinale a alternativa correta: 
 
a) constitui causa de aumento de pena, nos crimes de disparo de arma de fogo e porte ilegal de arma de 
fogo, sua prática por parte de integrantes das empresas de segurança privada e de transporte de valores. 
b) o crime de omissão de cautela (art. 13 da Lei n. 10.826/03 — Lei do Desarmamento) sujeita o autor às 
penas de um a dois anos de detenção, na hipótese de deixar de observar as cautelas necessárias para impedir 
que qualquer cidadão se apodere de arma de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua posse ou que 
sejam de sua propriedade. 
c) o crime de posse irregular de arma de fogo (art. 12 da Lei n. 10.826/03) não distingue, no seu apenamento, 
se a arma, acessório ou munição são de uso permitido ou restrito. 
d) com o advento da Lei n. 10.826/03, a contravenção de porte ilegal de arma, prevista no art. 19 da Lei das 
Contravenções Penais, passou a ter como objeto apenas munições em geral e armas brancas. 
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e) acionar munição em lugar habitado ou em via pública, desde que essa conduta não tenha como finalidade 
a prática de outro crime, constitui a contravenção penal descrita no art. 28 da Lei das Contravenções Penais. 
 _______________________________________________________________ 
8. (VUNESP/ Promotor de Justiça do Espírito Santo/2013) Com relação ao Estatuto do Desarmamento,é 
correto afirmar que 
a) constitui crime a utilização de arma de brinquedo ou simulacro capaz de atemorizar ninguém; 
b) para a tipificação do crime de disparo de arma de fogo é necessário provar que determinada pessoa tenha 
sido exposta a risco. 
c) não poderá ser concedida liberdade provisória ao crime de comércio ilegal de arma de fogo. 
d) para a tipificação do crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido não é necessário que o 
armamento esteja municiado. 
e) o crime de tráfico internacional de arma de fogo não admite liberdade provisória. 
_______________________________________________________________ 
9. (CESPE/Juiz de Direito do Distrito Federal e Territórios/ 2014-Adaptada) Analise o item a seguir: 
Jeremias foi abordado na via pública portando arma branca na cintura. Nessa situação dada a ausência de 
tipificação penal na legislação específica para porte de arma branca, a conduta de Jeremias deve ser 
considerada atípica, não configurando qualquer fato punível. 
 
_______________________________________________________________ 
10. (VUNESP/Defensor Público de Alagoas/2008) Com relação aos crimes definidos na Lei nº 10826/03, 
não admite a figura do artigo 14, II, do Código Penal, o de 
A) omissão de cautela (art. 13, caput) 
B) comércio ilegal de arma de fogo (art. 17, caput) 
C) tráfico internacional de arma de fogo (art. 18) 
D) produzir munição sem autorização legal (art. 16, parágrafo único, VI). 
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_______________________________________________________________ 
11. (FUNDEP/ Juiz de Direito de Minas Gerais/2009-Adaptada) Sobre o Estatuto do Desarmamento (Lei 
10826, de 2003), analise o item a seguir: 
O crime de posse ilegal de arma de fogo de uso permitido, tipificado no art. 12 da Lei 10826, de 2003, com 
pena privativa de liberdade, abstratamente cominada em detenção de 01 a 03 anos, não comporta a 
substituição por pena restritiva de direitos, consoante as regras do art. 44 do CP, em face da violência 
intrinsicamente ligada ao comércio e utilização de armas de fogo em nosso país. 
_______________________________________________________________ 
12. (VUNESP/Promotor de Justiça de São Paulo/2011) No crime de comércio ilegal de arma de fogo, a 
natureza jurídica do fato de ser a arma ou munição de uso proibido ou restrito constitui: 
 
a) circunstância agravante genérica. 
b) circunstância judicial. 
c) causa especial de aumento de pena. 
d) circunstância qualificadora. 
e) circunstância agravante específica. 
_______________________________________________________________ 
13. (VUNESP/Delegado de Polícia do Ceará/2015). Com relação ao Estatuto do Desarmamento, Lei nº 
10.826/2003, assinale a alternativa correta. 
a) É proibida a conduta de portar arma de fogo de uso permitido ou proibido, não se punindo, no estatuto, 
a conduta de portar ou possuir acessório ou munição para arma de fogo. 
b) O porte de arma de fogo com numeração raspada, previsto no parágrafo único, inciso IV, do artigo 16, 
refere-se tanto à arma de fogo de uso permitido como à arma de fogo de uso proibido/restrito. 
c) O artigo 16 prescreve que é proibido possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, 
transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou 
ocultar arma de fogo de uso permitido sem autorização legal. 
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d) O crime de disparo de arma de fogo, previsto no artigo 15 do estatuto, é autônomo, sendo que, na 
hipótese de o agente tentar matar a vítima com disparos de arma de fogo, responderá por tentativa de 
homicídio e pelo crime de disparo de arma de fogo em concurso material de delitos. 
e) A vedação à concessão de fiança prevista no parágrafo único do artigo 15 (disparo de arma de fogo) foi 
declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de constitucionalidade. 
_____________________________________________________________ 
14. (CESPE/Defensor Público do Paraná/2015 – Adaptada) 
Tales foi preso em flagrante delito quando transportava, sem autorização legal ou regulamentar, dois 
revólveres de calibre 38 desmuniciados e com numerações raspadas.Acerca dessa situação hipotética, 
julgue o item que se segue, com base na jurisprudência dominante dos tribunais superiores relativa a esse 
tema. 
O fato de as armas apreendidas estarem desmuniciadas não tipifica o crime de posse ou porte ilegal de arma 
de fogo de uso restrito em razão da total ausência de potencial lesivo da conduta. 
 
_______________________________________________________________ 
15. (FUNCAB/ Delegado de Polícia de Rondônia/2014) De acordo com a Lei nº 10.826/2003, Estatuto do 
Desarmamento, aquele que, em via pública, porta arma de fogo de uso permitido com numeração 
suprimida responde: 
a) como incurso nas penas do crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, disposto no artigo 14 
do referido Estatuto. 
b) como incurso nas penas do crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, disposto no 
artigo 16 do referido estatuto. 
c) como incurso nas penas do crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido, disposto no artigo 
12 do referido Estatuto. 
d) como incurso nas penas do crime de disparo de arma de fogo, disposto no artigo 15 do referido Estatuto. 
e) como incurso nas penas do crime de omissão de cautela, disposto no artigo 13 do referido Estatuto. 
 
_______________________________________________________________ 
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16. (CESPE/ Juiz de Direito de Sergipe/2008) Em relação ao Estatuto do Desarmamento, Lei nº 10.826/2003, 
assinale a opção correta. 
a) o agente que perambula de madrugada pelas ruas com uma arma de fogo de uso permitido, sem 
autorização para portá-la, comete infração penal, independentemente de se comprovar que uma pessoa 
determinada ficou exposta a uma situação de perigo. 
b) Na hipótese de porte de arma absolutamente inapta a efetuar disparos, o fato é considerado típico, 
porque se presume o risco em prol da coletividade, apesar de não haver exposição de alguém a uma situação 
concreta de perigo. 
c) o crime de deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor se apodere de arma de fogo 
que esteja sob sua posse admite tentativa. 
d) O porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é inafiançável e hediondo, sendo irrelevante o fato de a 
arma de fogo estar registrada em nome do agente. 
e) No crime de comércio ilegal de arma de fogo, a pena é aumentada se a arma de fogo, acessório ou munição 
for de uso permitido. 
 
 _______________________________________________________________ 
17. (MOVENS/ Delegado de Polícia do Pará/2009) No que se refere à Lei nº 10.826/2003 (Estatuto do 
Desarmamento), assinale a opção correta: 
a) As armas de fogo de uso restrito devem ser registradas nos departamentos de polícia civil dos estados. 
b) Caberá à polícia federal autorizar, excepcionalmente, a aquisição de armas de fogo de uso restrito, exceto 
em relação às aquisições pelas polícias civis estaduais. 
c) O Sistema Nacional de Armas tem circunscrição em todo o território nacional. 
d) Os auditores-fiscais da Receita Federal do Brasil estão proibidos de portar arma de fogo no território 
nacional. 
_______________________________________________________________ 
18. (ACADEPOL/Delegado de Polícia do Rio Grande do Sul/2009). Analise as seguintesassertivas sobre a 
Lei nº 10.826/03, que dispõe sobre as armas de fogo, e identifique a alternativa correta 
a) O crime de possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em 
desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de sua residência ou dependência desta, 
ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou 
empresa, admite a forma culposa. 
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b) O objeto jurídico do crime de omissão de cautela, tipificado no art. 13 da Lei nº 10.826/03, é, em primeiro 
lugar, a integridade física de menor, de deficiente físico ou mesmo de terceiro e, em segundo plano, a 
segurança pública. Quanto à classificação, trata-se de delito omissivo e formal. 
c) O ato de suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo recebe 
o mesmo tratamento, quanto à pena, da posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. 
d) O art. 14 da Lei nº 10.826/03, que tipifica o porte ilegal de arma de fogo de uso permitido não é norma 
penal em branco. 
e) A conduta de disparar arma de logo em via pública ou em direção a ela, com a finalidade de ferir ou mutilar 
animal silvestre que ali se encontre, é típica de disparo de arma de fogo prevista no art. 15 da Lei nº 
10.826/03. 
_______________________________________________________________ 
19. (MPE-PB/Promotor de Justiça da Paraíba/2011-Adaptada) Analise o item a seguir: 
Os crimes definidos no Estatuto do Desarmamento não admitem a modalidade culposa 
_______________________________________________________________ 
20. (MPF/Procurador da República/2012) Assinale a alternativa correta: 
a) no tráfico internacional de arma de fogo, a pena é aumentada da metade apenas se a arma é de uso 
exclusivo das Forças Armadas, de instituições de segurança pública e de pessoas físicas e jurídicas habilitadas, 
devidamente autorizadas pelo Comando do Exército, de acordo com legislação especifica; 
b) no tráfico internacional de arma de fogo, a pena é aumentada da metade apenas se a arma é de uso 
proibido; 
c) a importação de arma de fogo de uso permitido, sem autorização da autoridade competente, configura 
crime de contrabando; 
d) o tráfico internacional de arma de fogo inclui como objeto material estojos, espoletas, pólvora e projéteis. 
_______________________________________________________________ 
21. (VUNESP/Juiz de Direito de Minas Gerais/2012) Com relação ao porte de arma de fogo em todo o 
território nacional, podem portar arma de fogo os Integrantes das: 
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I. guardas municipais das capitais dos Estados, independentemente da regulamentação da lei; 
II. guardas municipais dos Municípios com mais de 300 mil habitantes; 
III. guardas municipais dos Municípios com mais de 50 mil e menos de 500 mil habitantes, quando em serviço; 
IV. carreiras de auditoria da Receita Federal e de auditoria fiscal do Trabalho, cargos de auditor fiscal e 
analista tributário. 
Está correto apenas o contido em 
a) l e ll. 
b) ll e IV. 
c) lll e IV. 
d) l, ll e IV. 
_______________________________________________________________ 
22.(TJ-RS/Juiz de Direito do Rio Grande do Sul/2012) Considere as assertivas abaixo sobre os crimes 
definidos na Lei no 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento). 
I - O Estatuto do Desarmamento faz distinção entre portar e possuir ilegalmente arma de fogo de uso 
permitido, sendo que o primeiro possui pena mais severa. 
II. O crime de posse ou porte Ilegal de arma de fogo de uso restrito é classificado como de perigo abstrato. 
III. O Estatuto do Desarmamento descriminalizou temporariamente a posse e o porte irregulares de arma de 
fogo. 
Quais são corretas? 
a) Apenas I; 
b) Apenas II 
c) Apenas III 
d) Apenas I e II 
e) l, ll e lll 
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_______________________________________________________________ 
23. (CESPE/ Defensor Público do DF/2013) Conforme a jurisprudência pacificada do STF, o crime de porte 
ilegal de arma de fogo é de perigo abstrato, de modo que não se exige demonstração de ofensividade real 
para sua consumação. 
_______________________________________________________________ 
24. (FCC/Defensor Público da Paraíba/2014) Segundo o Superior Tribunal de Justiça, tratando-se de arma 
de fogo de uso permitido, com numeração íntegra ou raspada, a chamada abolitio criminis temporária 
teve seu prazo temporal respectivamente findo em 
a) 31 de dezembro de 2010 e 23 de junho de 2004. 
b) 31 de dezembro de 2010 e 23 de junho de 2005. 
c) 31 de dezembro de 2010 e 23 de junho de 2006. 
d) 31 de dezembro de 2009 e 23 de outubro de 2005. 
e) 31 de dezembro de 2009 e 23 de outubro de 2006. 
_______________________________________________________________ 
 25. (UFPR/Defensor Público do Paraná/2014) A respeito do Estatuto do Desarmamento (Lei nº 
10.826/2003), assinale a alternativa correta. 
a) O delito de disparo de arma de fogo (art. 15) é um crime culposo. 
b) O crime de omissão de cautela (art. 13) se configura quando o possuidor ou proprietário deixa de 
observar as cautelas necessárias para impedir que menor 
de 14 (quatorze) anos se apodere de arma de fogo. 
c) O porte compartilhado de arma de fogo é circunstância legalmente prevista como agravante da pena. 
d) Para efeito de tipificação dos crimes do Estatuto do Desarmamento, as réplicas e simulacros de armas de 
fogo nunca se equiparam às armas de fogo. 
e) É constitucional a insuscetibilidade de liberdade provisória no delito de posse ou porte ilegal de arma de 
fogo de uso estrito (art. 16). 
 
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_______________________________________________________________ 
26. (FCC/Promotor de Justiça do Pará/2014) Com relação à legislação das armas de fogo, 
a) a chamada abolitio criminis temporária, no entender hoje pacificado do Superior Tribunal de Justiça, teve 
como ·limite a data de 23 de outubro de 2005, após o que não ampara mais a conduta do possuidor de 
qualquer arma de fogo. 
b) a chamada abolitio criminis temporária, no entender hoje pacificado do Superior Tribunal de Justiça, 
abrangeu as condutas de posse e de porte ilegal de arma de fogo. 
c) a chamada abolitio criminis temporária, no entender hoje pacificado do Superior Tribunal de Justiça, 
aplica-se aos ilícitos de posse ilegal de arma de fogo, inclusive de uso restrito, que tenham sido cometidos 
até 31 de dezembro de 2010. 
d) a chamada abolitio criminis temporária, no entender hoje pacificado do Superior Tribunal de Justiça, 
aplica-se aos ilícitos de posse ilegal de arma de fogo, desde que de uso permitido e de numeração, marca ou 
outro sinal de identificação não raspado, nem suprimido ou alterado que tenham sido cometidos até 31 de 
dezembro de 2011. 
e) o desmuniciamento da arma não afasta os crimes do Estatuto do Desarmamento, no entender hoje 
pacificado do Supremo Tribunal Federal. 
_______________________________________________________________ 
27. (CESPE/Serventia Extrajudicial da Bahia/2014) Considerando a jurisprudência dos tribunais superiores 
acerca do delito previsto na Lei 10826/2003, analise o item abaixo: 
O delito de disparo de arma de fogo está configurado mesmoque seja praticado em local isolado, 
desabitado e afastado de vias públicas. 
_______________________________________________________________ 
28. (CESPE/Delegado de Polícia de Goiás/2017) Analise o item a seguir: Aquele que fornece a adolescente, 
ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, ou munição de uso restrito ou proibido fica sujeito à 
sanção prevista no ECA, em decorrência do princípio da especialidade. 
_______________________________________________________________ 
29. (CESPE/Delegado de Polícia da Bahia/2013) Analise o item a seguir: 
 
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Servidor público alfandegário que, em serviço de fiscalização fronteiriça, permitir a determinado indivíduo 
penalmente imputável adentrar o território nacional trazendo consigo, sem autorização do órgão 
competente e sem o devido desembaraço, pistola 380 de fabricação estrangeira deverá responder pelo 
delito de facilitação de contrabando, com infração de dever funcional excluída a hipótese de aplicação do 
Estatuto do Desarmamento. 
_______________________________________________________________ 
30. (CESPE/ Juiz de Direito do Distrito Federal e Territórios/2015-Adaptada) 
Ronaldo foi preso em flagrante delito imediatamente após efetuar – com intenção de matar, mas sem 
conseguir atingir a vítima – disparos de arma de fogo na direção de José. Nessa situação, Ronaldo cometeu 
homicídio na forma tentada e disparo de arma de fogo em concurso formal. 
_______________________________________________________________ 
31. (MPE-SC/Promotor de Justiça de Santa Catarina/2014) 
Comete crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido cidadão que é pego mantendo sob sua 
guarda, no interior do quarto de sua residência, embaixo da cama, uma pistola .40, de uso restrito e com 
numeração suprimida. 
_______________________________________________________________ 
32. (CESPE/Técnico Legislativo da Câmara dos Deputados/2014). Analise o item a seguir: 
As armas de fogo apreendidas e periciadas e que não mais forem necessárias à persecução penal deverão 
ser remetidas pelo juiz competente à autoridade policial que as apreendeu, para fins de destruição e 
reciclagem. 
_______________________________________________________________ 
33. (CESPE/Técnico Legislativo da Câmara dos Deputados/2014) Analise o item a seguir: 
A autorização de porte de arma aos responsáveis pela segurança de cidadãos estrangeiros em visita ao 
Brasil ou aqui sediados é da competência do Ministério da Justiça. 
 
_______________________________________________________________ 
34. (FCC/Analista Judiciário do TRF da 3ª Região/2007-Adaptada) A comercialização de armas de fogo 
acessórios e munições entre pessoas físicas também necessitará de autorização do SINARM. 
_______________________________________________________________________ 
35. (CESPE/Defensor Público do Espírito Santo/2012) Suponha que Tobias, maior, capaz, tenha sido 
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abordado por policiais militares quando trafegava em sua moto, tendo sido encontradas com ele duas 
armas de uso restrito e munições, e atestada, em exame pericial, a impossibilidade de as armas efetuarem 
disparos. Nessa situação hipotética, resta caracterizado o delito de porte de arma de uso restrito, devendo 
Tobias responder por crime único. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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7 – LISTA DE QUESTÕES COM COMENTÁRIOS 
1. De acordo com o entendimento da doutrina e dos tribunais superiores sobre o Estatuto do 
Desarmamento, especialmente quanto às armas de fogo, 
A) Crime de tráfico internacional de arma de fogo é insuscetível de liberdade provisória. 
B) majora-se a pena em caso de crime de comércio ilegal de arma de fogo mesmo que se trate de armamento 
de uso permitido. 
C) a arma de fogo desmuniciada afasta as figuras criminosas da posse ou do porte ilegal, considerando-se 
que o objeto jurídico tutelado é a incolumidade física. 
D) o porte de arma de fogo de uso permitido com a numeração raspada equivale penalmente ao porte de 
arma de fogo de uso restrito. 
E) o disparo de arma de fogo em via pública e o porte ilegal de arma de fogo de uso permitido configuram 
situações de inafiançabilidade. 
Comentário: A alternativa correta é a letra D. De acordo com o art. 16, parágrafo único, do Estatuto 
do Desarmamento, o porte de arma de fogo de uso permitido com a numeração raspada equivale 
penalmente ao porte de arma de fogo de uso restrito. Além do mais, essa conduta é classificada como crime 
hedionda em razão de recente alteração legislativa advinda com a lei 13497/17. 
Alternativa A está errada: Em que pese a redação do art. 21 do Estatuto do Desarmamento, não é demais 
destacar que tal regra foi declarada como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal na ADI 3112. 
Alternativa B está errada: Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18 do Estatuto do Desarmamento, a pena é 
aumentada da metade se a arma de fogo, acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito (art. 19 
da Lei nº 10826/03). 
Alternativa C está errada: Em virtude de ser crime de perigo abstrato, os Tribunais Superiores firmaram 
entendimento de que tanto a posse como o porte de arma de fogo desmuniciada merecem censura penal, 
não sendo necessário qualquer demonstração de efetivo risco causado à coletividade para sua configuração. 
Alternativa E está errada: Os delitos de porte de arma de fogo de uso permitido e de disparo de arma de fogo 
comportam fiança, vez que os parágrafos únicos dos arts. 14 e 15, ambos da Lei 10826/03, foram declarados 
inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Além, os crimes inafiançáveis foram expressamente 
declarados na Constituição Federal, não tendo sido ali contemplados os delitos em comento. 
 
 
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2. (IESES/Perito Criminal de Santa Catarina/2017). De acordo com a Lei 10.826/03, que dispõe sobre 
registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição e sobre o Sistema Nacional de Armas 
– Sinarm compete ao Sinarm, dentre outras atribuições: 
I. Identificar as características e a propriedade de armas de fogo, mediante cadastro. 
II. Cadastrar as armas de fogo das Forças Armadas e Auxiliares, mantendo registro próprio. 
III. Cadastrar as apreensões de armas de fogo, exceto as vinculadas a procedimentos policiais e judiciais. 
IV. Cadastrar os armeiros em atividade no País, bem como conceder licença para exercer a atividade. 
Analise o item abaixo: 
A) Apenas I e II estão corretas 
B) Todas estão corretas 
C) Apenas I e IV estão corretas 
D) Apenas II e IV estão corretas 
A alternativa I está correta, pois é competência do SINARM identificar as características e a propriedade 
de armas de fogo, mediante cadastro (art. 2º, I, da Lei 10826/03). 
A alternativa II está errada, pois é competência do SIGMA cadastrar as armas de fogo das Forças Armadas 
e Auxiliares, mantendo registro próprio. 
A alternativa III está errada, pois é competência do SINARM cadastrar as apreensões de armas de fogo, 
inclusive as vinculadas a procedimentos policiais e judiciais (art. 2º, VII, da Lei 10826/03). 
A alternativa IV está correta, pois é competência do SINARM cadastrar os armeiros em atividade no País, 
bem comoconceder licença para exercer a atividade (art. 2º, VIII, da Lei 10826/03). 
Comentário: A alternativa correta é a letra C. 
 
3. (VUNESP/Promotor de Justiça de São Paulo/2017) A guarda de arma desmuniciada, de uso permitido, 
em sua própria residência, constituirá crime 
A) na hipótese de a arma, em exame pericial, se mostrar apta a efetuar disparo. 
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B) na hipótese em que, na residência, houver disponibilidade de munição compatível com a arma 
apreendida. 
C) se o implicado não possuir licença para o porte da arma apreendida. 
D) caso o implicado não possua o registro de propriedade válido da arma. 
E) se a residência estiver situada em área urbana. 
Comentário: A alternativa correta é a letra D. A posse ilegal de arma de fogo de uso permitido consiste 
em manter a arma intra muros, ou seja, no interior da residência ou local de trabalho. Esse crime 
ocorrerá quando o agente possui ou mantém a guarda da arma de fogo de uso permitido, no interior 
de residência ou dependência desta, ou no local de trabalho, na condição de titular ou responsável legal 
do estabelecimento ou empresa, sem o devido registro. 
Alternativa A está errada: A apreensão e o exame pericial não são necessários para a configuração do delito 
do art. 12 do Estatuto do Desarmamento. Cuida-se de crime de perigo abstrato. 
Alternativa B está errada: Segundo os Tribunais Superiores, a arma não precisa estar municiada para a 
caracterização do delito do art. 12 do Estatuto do Desarmamento. 
Alternativa C está errada: A licença para o porte da arma apreendida é imprescindível para o delito do art. 
14 do Estatuto do Desarmamento, ao passo que para o art. 12 da citada lei é necessário o registro da arma. 
A alternativa E está errada: O tipo penal do art. 12 da Lei nº 10826/03 não faz qualquer diferenciação entre 
a zona (urbana ou rural) que deve situar essa residência, ou seja, basta que a arma de uso permitido sem 
registro esteja no interior da residência ou dependência desta. 
 
4. (CESPE/Delegado de Polícia do Mato Grosso/2017) João, ao trafegar com sua moto, foi 
surpreendido por policiais que encontraram em seu poder arma de fogo — revólver — de uso 
permitido. João trafegava com a arma sem autorização e em desacordo com determinação legal ou 
regulamentar.A partir dessa situação hipotética, assinale a opção correta de acordo com o Estatuto 
do Desarmamento e com o entendimento jurisprudencial dos tribunais superiores. 
A) O simples fato de João carregar consigo o revólver, por si só, não caracteriza crime, uma vez que o perigo 
de dano não é presumido pelo tipo penal. 
B) Se o revólver estiver com a numeração raspada, João estará sujeito à sanção prevista para o delito de 
posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso proibido ou restrito. 
C) O crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é inafiançável. 
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D) O simples fato de João carregar consigo o revólver caracteriza o crime de posse ilegal de arma de fogo de 
uso permitido. 
E) Se o revólver estiver desmuniciado, o fato será atípico. 
Comentário: A alternativa correta é a letra B, pois se a arma, ainda que de uso permitido, tiver 
numeração raspada, tal situação será equiparada ao porte de arma de uso restrito ou proibido, nos 
termos do art. 16, parágrafo único, IV, da Lei 10826/03. 
Alternativa A está errada: O delito de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é crime de perigo 
abstrato, que dispensa a demonstração de perigo no caso concreto. 
Alternativa C está errada, pois o parágrafo único do art. 14 da Lei 10826/03 foi declarado inconstitucional 
pelo Supremo Tribunal Federal na ADI 3112. 
Alternativa D está errada, pois o fato de João carregar arma de fogo de uso permitido na via pública 
caracteriza o delito do art. 14 do Estatuto do Desarmamento. 
A alternativa E está errada: Segundo os Tribunais Superiores, arma desmuniciada também merece censura 
penal, pois o delito em comento é crime de perigo abstrato, dispensando a necessidade de demonstração 
de qualquer perigo à incolumidade pública. 
 
5. (IBADE/Juiz Substituto do Acre/2017) Acerca do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/2003), 
assinale a alternativa correta. 
A) O crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é inafiançável. 
B) O proprietário responsável de empresa de segurança e transporte de valores que deixar de registrar 
ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma 
de fogo que esteja sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o fato, incorrerá 
no crime de omissão de cautela. 
C) De acordo com a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça, aquele que mantiver em seu poder uma 
arma de fogo de calibre permitido com registro vencido, incorrerá na prática do crime de porte ilegal de 
arma de fogo. 
D) No crime de comércio ilegal de arma de fogo, a pena é aumentada em um terço se a arma de fogo, 
acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito. 
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E) O crime de omissão de cautela consiste em deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que 
menor de 14 (catorze) anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que 
esteja sob sua posse. 
Comentários: A alternativa correta é a letra B, conforme se infere do art. 13, parágrafo único, do Estatuto 
do Desarmamento. Esse delito também é conhecido como omissão de comunicação de perda ou subtração 
de arma de fogo. 
Alternativa A está errada: O Supremo Tribunal Federal na ADI 3112 declarou a inconstitucionalidade do 
parágrafo único do art. 14 do Estatuto do Desarmamento, por entendê-lo desarrazoado, sob o fundamento 
de que o porte ilegal de arma de fogo de uso permitido não poderia ser equiparado a terrorismo, tortura, 
tráfico ilícito de entorpecentes e crimes hediondos (art. 5º, XLII, da CF). Entendeu ainda que por estarmos 
diante de um crime de mera conduta não poderia esse ser igualado aos delitos que causam lesão ou ameaça 
de lesão à vida ou à propriedade. 
Alternativa C está errada: A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça nos Autos da Ação Penal Originária 
nº 686, julgada em 21/10/2015, firmou o entendimento de que se o agente já procedeu ao registro da arma, 
a expiração do prazo é mera irregularidade administrativa que autoriza a apreensão do artefato e aplicação 
de multa. A conduta, no entanto, não caracteriza ilícito penal. 
Alternativa D está errada: De acordo com o art. 19 do Estatuto do Desarmamento, no crime de comércio 
ilegal de arma de fogo apena é aumentada da metade se a arma de fogo, acessório ou munição for de uso 
proibido ou restrito 
Alternativa E está errada: O crime de omissão de cautela (art. 13, caput, do Estatuto do Desarmamento) 
consiste em deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito) anos ou 
pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de 
sua propriedade. 
6. (CESPE/Juiz de Direito do Paraná/2017 - Adaptada) Segundo a jurisprudência do STJ, analise o item 
a seguir: 
A arma de fogo desmuniciada e desmontada não serve para configurar o delito de porte ilegal de arma de 
fogo. 
Comentário: O item está errado. Segundo a jurisprudência do STJ, o porte ilegal de arma de fogo 
desmuniciada ou desmontada configura hipótese deperigo abstrato, bastando apenas a prática do ato 
de levar consigo para a consumação do delito. Dessa forma, eventual nulidade do laudo pericial, ou até 
mesmo a sua ausência, não impede o enquadramento da conduta (AgRg no REsp 1390999, rel Min. 
Laurita Vez, julgado em 27/03/2014). 
_______________________________________________________________ 
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7. (VUNESP/ Promotor de Justiça de São Paulo/2010) Assinale a alternativa correta: 
a) constitui causa de aumento de pena, nos crimes de disparo de arma de fogo e porte ilegal de arma de 
fogo, sua prática por parte de integrantes das empresas de segurança privada e de transporte de valores. 
b) o crime de omissão de cautela (art. 13 da Lei n. 10.826/03 — Lei do Desarmamento) sujeita o autor às 
penas de um a dois anos de detenção, na hipótese de deixar de observar as cautelas necessárias para impedir 
que qualquer cidadão se apodere de arma de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua posse ou que 
sejam de sua propriedade. 
c) o crime de posse irregular de arma de fogo (art. 12 da Lei n. 10.826/03) não distingue, no seu apenamento, 
se a arma, acessório ou munição são de uso permitido ou restrito. 
d) com o advento da Lei n. 10.826/03, a contravenção de porte ilegal de arma, prevista no art. 19 da Lei das 
Contravenções Penais, passou a ter como objeto apenas munições em geral e armas brancas. 
e) acionar munição em lugar habitado ou em via pública, desde que essa conduta não tenha como finalidade 
a prática de outro crime, constitui a contravenção penal descrita no art. 28 da Lei das Contravenções Penais. 
Comentário: A alternativa correta é a letra A, pois constitui causa de aumento de pena, nos crimes de 
disparo de arma de fogo e porte ilegal de arma de fogo, sua prática por parte de integrantes das empresas 
de segurança privada e de transporte de valores (art.20 do Estatuto dos Militares). 
A alternativa B está errada, pois os destinatários do delito de omissão de cautela são os deficientes 
mentais e os menores de 18 (dezoito) anos. 
A alternativa C está errada, pois o crime será do art. 16 do Estatuto do Desarmamento se a arma, 
acessório ou munição for de uso restrito. 
A alternativa D está errada. A contravenção penal do art. 19 da Lei das Contravenções somente tem 
aplicabilidade no tocante às armas brancas. O porte de munição é regulado pelo Estatuto do 
Desarmamento. 
A alternativa E está errada, pois acionar munição em lugar habitado ou em via pública constitui o delito 
de disparo de arma de fogo (art. 15 do Estatuto do Desarmamento). 
 _______________________________________________________________ 
8. (VUNESP/ Promotor de Justiça do Espírito Santo/2013) Com relação ao Estatuto do Desarmamento, é 
correto afirmar que 
a) constitui crime a utilização de arma de brinquedo ou simulacro capaz de atemorizar ninguém; 
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b) para a tipificação do crime de disparo de arma de fogo é necessário provar que determinada pessoa tenha 
sido exposta a risco. 
c) não poderá ser concedida liberdade provisória ao crime de comércio ilegal de arma de fogo. 
d) para a tipificação do crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido não é necessário que o 
armamento esteja municiado. 
e) o crime de tráfico internacional de arma de fogo não admite liberdade provisória. 
Comentário: A alternativa correta é a letra D. Como já vimos, o delito de porte ilegal de arma de fogo é 
crime de perigo abstrato, bastando apenas a prática do ato de levar consigo para a consumação do delito. 
Dessa forma, eventual nulidade do laudo pericial, ou até mesmo a sua ausência, não impede o 
enquadramento da conduta. 
A alternativa A está errada. Embora o art. 26 do Estatuto do Desarmamento proíba a comercialização e a 
importação de brinquedos, réplicas e simulacros de armas de fogo, que com estas se possam confundir, a lei 
10826/03 não tipificou como delituosa essa conduta. 
A alternativa B está errada. O delito de disparo de arma de fogo é crime de perigo abstrato, ou seja, não 
necessita demonstrar a ocorrência de perigo para a sua caracterização. 
A alternativa C está errada. O art. 21 do Estatuto do Desarmamento foi declarado inconstitucional pelo STF 
na ADI 3112, razão pela qual não há que se falar numa vedação legal apriorística de liberdade provisória ao 
crime de comércio ilegal de arma de fogo. 
A alternativa E está errada. O art. 21 do Estatuto do Desarmamento foi declarado inconstitucional pelo STF 
na ADI 3112, razão pela qual não há que se falar numa vedação legal apriorística de liberdade provisória ao 
crime de tráfico internacional de arma de fogo. 
_______________________________________________________________ 
9. (CESPE/Juiz de Direito do Distrito Federal e Territórios/ 2014-Adaptada) Analise o item a seguir: 
Jeremias foi abordado na via pública portando arma branca na cintura. Nessa situação dada a ausência de 
tipificação penal na legislação específica para porte de arma branca, a conduta de Jeremias deve ser 
considerada atípica, não configurando qualquer fato punível. 
 
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Comentário: O item está errado. Embora a conduta de Jeremias não tenha correspondência no Estatuto 
do Desarmamento, vale destacar que o caso em concreto está tipificado como contravenção penal no 
art. 19 do Dec-Lei 3688/41. 
_______________________________________________________________ 
10. (VUNESP/Defensor Público de Alagoas/2008) Com relação aos crimes definidos na Lei nº 10826/03, 
não admite a figura do artigo 14, II, do Código Penal, o de 
A) omissão de cautela (art. 13, caput) 
B) comércio ilegal de arma de fogo (art. 17, caput) 
C) tráfico internacional de arma de fogo (art. 18) 
D) produzir munição sem autorização legal (art. 16, parágrafo único, VI). 
Comentário: A alternativa correta é a letra A. O delito de omissão de cautela não admite tentativa. Afinal 
de contas, estamos diante de um crime culposo e omissivo próprio, delitos incompatíveis com a figura 
tentada. Se o menor ou deficiente mental se apossar da arma, o delito estará consumado; se não o fizer, a 
conduta será atípica. 
As alternativas B, C, D estão erradas, porquanto os crimes dos artigos 16, parágrafo único, IV, 17 e 18, todos 
da Lei 10826/03 admitem a tentativa. 
_______________________________________________________________ 
11. (FUNDEP/ Juiz de Direito de Minas Gerais/2009-Adaptada) Sobre o Estatuto do Desarmamento (Lei 
10826, de 2003), analise o item a seguir: 
O crime de posse ilegal de arma de fogo de uso permitido, tipificado no art. 12 da Lei 10826, de 2003, com 
pena privativa de liberdade, abstratamente cominada em detenção de 01 a 03 anos, não comporta a 
substituição por pena restritiva de direitos, consoante as regras do art. 44 do CP, em face da violência 
intrinsicamente ligada ao comércio e utilização de armas de fogo em nosso país. 
Comentário: O item está errado. O delito de posse irregular de arma de fogo de uso permitido (art. 12 
do Estatuto do Desarmamento) não contém em seu tipo penal qualquer dado atinente a violência e 
grave ameaça. Sobremais, o quantum da pena cominada, por não ser superior a 4 anos, autoriza a 
substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos, desde que presentes os demais 
requisitos do art. 44 do Código Penal. 
_______________________________________________________________ 
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12. (VUNESP/Promotor de Justiça de São Paulo/2011) No crime de comércio ilegal de arma de fogo, a 
natureza jurídica do fato de ser a arma ou munição de uso proibido ou restrito constitui: 
a) circunstância agravante genérica. 
b) circunstância judicial. 
c) causa especial de aumento de pena. 
d) circunstância qualificadora. 
e) circunstância agravante específica. 
Comentários: A alternativa correta é a letra C. Incidirá a causa de aumento (majorante) em metade se o 
crime do art. 17 do Estatuto do Desarmamento tiver como objeto material arma de fogo, acessório ou 
munição de uso restrito (art. 19 do Estatuto do Desarmamento). 
As alternativas A, B, D e E estão erradas, porquanto destoam do art. 19 da Lei 10826/03. 
_______________________________________________________________ 
13. (VUNESP/Delegado de Polícia do Ceará/2015). Com relação ao Estatuto do Desarmamento, Lei nº 
10.826/2003, assinale a alternativa correta. 
a) É proibida a conduta de portar arma de fogo de uso permitido ou proibido, não se punindo, no estatuto, 
a conduta de portar ou possuir acessório ou munição para arma de fogo. 
b) O porte de arma de fogo com numeração raspada, previsto no parágrafo único, inciso IV, do artigo 16, 
refere-se tanto à arma de fogo de uso permitido como à arma de fogo de uso proibido/restrito. 
c) O artigo 16 prescreve que é proibido possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, 
transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou 
ocultar arma de fogo de uso permitido sem autorização legal. 
d) O crime de disparo de arma de fogo, previsto no artigo 15 do estatuto, é autônomo, sendo que, na 
hipótese de o agente tentar matar a vítima com disparos de arma de fogo, responderá por tentativa de 
homicídio e pelo crime de disparo de arma de fogo em concurso material de delitos. 
e) A vedação à concessão de fiança prevista no parágrafo único do artigo 15 (disparo de arma de fogo) foi 
declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de constitucionalidade. 
 
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Comentário: A alternativa correta é a letra B. Se a arma de fogo apresentar numeração raspada, pouco 
importa se é de uso restrito ou permitido, o crime será do art. 16, parágrafo único, IV, do Estatuto do 
Desarmamento. 
 
A alternativa A está errada, pois o Estatuto do Desarmamento pune não só o porte de arma de fogo, mas 
também os acessórios e munições. 
A alternativa C está errada, pois o art. 16 diz respeito às armas de fogo, acessórios e munições de uso restrito. 
A alternativa D está errada. O crime de disparo de arma de fogo é expressamente subsidiário. Assim, se o 
agente desfere disparo de arma de fogo com o objetivo de matar outra pessoa, o delito de disparo (art. 15 
do Estatuto do Desarmamento) é absorvido pelo homicídio. 
A alternativa E está errada. O Supremo Tribunal Federal nos autos da ADI de nº 3112 declarou a 
inconstitucionalidade do art. 15, parágrafo único. 
_____________________________________________________________ 
14. (CESPE/Defensor Público do Paraná/2015 – Adaptada) 
Tales foi preso em flagrante delito quando transportava, sem autorização legal ou regulamentar, dois 
revólveres de calibre 38 desmuniciados e com numerações raspadas. 
Acerca dessa situação hipotética, julgue o item que se segue, com base na jurisprudência dominante dos 
tribunais superiores relativa a esse tema. 
O fato de as armas apreendidas estarem desmuniciadas não tipifica o crime de posse ou porte ilegal de arma 
de fogo de uso restrito em razão da total ausência de potencial lesivo da conduta. 
Comentário: O item está errado. O Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que é de perigo 
abstrato o crime de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito (art. 16 do Estatuto do Desarmamento), 
sendo, portanto, irrelevante para sua configuração encontrar-se a arma desmontada ou desmuniciada (HC 
95861). 
_______________________________________________________________ 
15. (FUNCAB/ Delegado de Polícia de Rondônia/2014) De acordo com a Lei nº 10.826/2003, Estatuto do 
Desarmamento, aquele que, em via pública, porta arma de fogo de uso permitido com numeração 
suprimida responde: 
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a) como incurso nas penas do crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, disposto no artigo 14 
do referido Estatuto. 
b) como incurso nas penas do crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, disposto no 
artigo 16 do referido estatuto. 
c) como incurso nas penas do crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido, disposto no artigo 
12 do referido Estatuto. 
d) como incurso nas penas do crime de disparo de arma de fogo, disposto no artigo 15 do referido Estatuto. 
e) como incurso nas penas do crime de omissão de cautela, disposto no artigo 13 do referido Estatuto. 
 
Comentários: A alternativa correta é a letra B. Cuida-se do delito previsto no parágrafo único do art. 16, 
parágrafo único, IV, da Lei 10826/03. É certo que, em regra, o porte de arma de fogo de uso permitido é 
censurado pelo art. 14 do Estatuto do Desarmamento, porém quando essa arma de uso permitido tiver 
numeração raspada equipara-se ao porte de arma de fogo de uso restrito, por força de lei. 
As alternativas A está errada. O porte de arma de fogo de uso permitido quando tiver qualquer sinal de 
identificação raspado, suprimido ou adulterado é enquadrado na figura equiparada descrita no art. 16, 
parágrafo único, do Estatuto do Desarmamento. 
A alternativa C está errada, pois a posse consiste em manter a arma intra muros, ou seja, no interior da 
residência ou local de trabalho. Também não há que se falar no delito do art. 12 do Estatuto do 
Desarmamento se a arma, embora de uso permitido, for de numeração suprimida, sofrendo, no ponto, os 
rigores do art. 16 da Lei 10826/03. 
A alternativa D está errada, pois não há disparo de arma de fogo e tampouco acionamento de munição, 
situação que afasta a incidência do art. 15 do Estatuto do Desarmamento. 
A alternativa E está errada, pois não estamos diante do crime culposo delineado no art. 13 do Estatuto do 
Desarmamento. 
_______________________________________________________________ 
16. (CESPE/ Juiz de Direito de Sergipe/2008) Em relação ao Estatuto do Desarmamento, Lei nº 10.826/2003, 
assinale a opção correta. 
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a) o agente que perambula de madrugada pelas ruas com uma arma de fogo de uso permitido, sem 
autorização para portá-la, comete infração penal, independentemente de se comprovar que uma pessoa 
determinada ficou exposta a uma situação de perigo. 
b) Na hipótese de porte de arma absolutamente inapta a efetuar disparos, o fato é considerado típico, 
porque se presume o risco em prol da coletividade, apesar de não haver exposição de alguém a uma situação 
concreta de perigo. 
c) o crime de deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor se apodere de arma de fogo 
que esteja sob sua posse admite tentativa. 
d) O porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é inafiançável e hediondo, sendo irrelevante o fato de a 
arma de fogo estar registrada em nome do agente. 
e) No crime de comércioilegal de arma de fogo, a pena é aumentada se a arma de fogo, acessório ou munição 
for de uso permitido. 
Comentários: A alternativa correta é a letra A. O delito de porte de arma de uso permitido é de 
perigo abstrato, ou seja, não necessita a demonstração de efetivo perigo para a sua ocorrência. Cuida-
se de uma presunção de forma absoluta. 
 
A alternativa B está errada, porquanto segundo a posição dos Tribunais Superiores se a arma não tiver 
potencialidade lesiva atestada em laudo pericial, o fato será atípico. 
 
A alternativa C está errada. O delito de omissão de cautela (art. 13 do Estatuto do Desarmamento) não 
admite tentativa. Cuida-se de crime culposo, omissivo próprio e unissubsistente, características 
incompatíveis com a figura tentada. Ou o delito se consuma ou o fato é atípico. 
 
A alternativa D está errada. O delito de porte de entorpecente não é hediondo e admite a concessão de 
fiança, segundo entendimento firmado na ADI 3112, que declarou a inconstitucionalidade do art. 14, 
parágrafo único. Cumpre ainda destacar que o delito de porte ou posse de arma de fogo de uso restrito 
ou proibido passou a ser considerado hediondo pela lei 13497/17 (vide art. 1º, parágrafo único, da Lei 
8072/90). 
 
A alternativa E está errada. No crime de comércio ilegal de arma de fogo, a pena é aumentada da metade 
se a arma de fogo, acessório ou munição for de uso proibido ou restrito (art. 19 do Estatuto do 
Desarmamento). 
 _______________________________________________________________ 
17. (MOVENS/ Delegado de Polícia do Pará/2009) No que se refere à Lei nº 10.826/2003 (Estatuto do 
Desarmamento), assinale a opção correta: 
a) As armas de fogo de uso restrito devem ser registradas nos departamentos de polícia civil dos estados. 
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b) Caberá à polícia federal autorizar, excepcionalmente, a aquisição de armas de fogo de uso restrito, exceto 
em relação às aquisições pelas polícias civis estaduais. 
c) O Sistema Nacional de Armas tem circunscrição em todo o território nacional. 
d) Os auditores-fiscais da Receita Federal do Brasil estão proibidos de portar arma de fogo no território 
nacional. 
Comentários: A alternativa correta é a letra C. De acordo com o art. 1º do Estatuto do Desarmamento, o 
Sistema Nacional das Armas – SINARM, instituído no Ministério da Justiça, no âmbito da Polícia Federal, tem 
circunscrição em todo o território nacional. 
A alternativa A está errada. Segundo o art. 3º, parágrafo único, do Estatuto do Desarmamento, as armas de 
fogo de uso restrito serão registradas no Comando do Exército, na forma do regulamento da citada lei. 
A alternativa B está errada. Preconiza o art. 27 do Estatuto do Desarmamento que restará ao Comando do 
Exército autorizar, excepcionalmente, a aquisição de armas de fogo de uso restrito, com exceção das 
aquisições feitas pelos Comandos Militares, ex vi do art. 7º, parágrafo único, do aludido diploma legal. 
A alternativa D está errada, pois os integrantes das carreiras de Auditoria da Receita Federal do Brasil e de 
Auditoria-Fiscal do Trabalho, cargos de auditor-fiscal e Analista Tributário têm porte de arma, nos termos do 
art. 6º, X, da Lei 10826/03. 
_______________________________________________________________ 
18. (ACADEPOL/Delegado de Polícia do Rio Grande do Sul/2009). Analise as seguintes assertivas sobre a 
Lei nº 10.826/03, que dispõe sobre as armas de fogo, e identifique a alternativa correta 
a) O crime de possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em 
desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de sua residência ou dependência desta, 
ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou 
empresa, admite a forma culposa. 
b) O objeto jurídico do crime de omissão de cautela, tipificado no art. 13 da Lei nº 10.826/03, é, em primeiro 
lugar, a integridade física de menor, de deficiente físico ou mesmo de terceiro e, em segundo plano, a 
segurança pública. Quanto à classificação, trata-se de delito omissivo e formal. 
c) O ato de suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo recebe 
o mesmo tratamento, quanto à pena, da posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. 
 
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d) O art. 14 da Lei nº 10.826/03, que tipifica o porte ilegal de arma de fogo de uso permitido não é norma 
penal em branco. 
e) A conduta de disparar arma de logo em via pública ou em direção a ela, com a finalidade de ferir ou mutilar 
animal silvestre que ali se encontre, é típica de disparo de arma de fogo prevista no art. 15 da Lei nº 
10.826/03. 
Comentários: A alternativa correta é a letra C, pois o ato de suprimir ou alterar marca, numeração ou 
qualquer sinal de identificação de arma de fogo recebe o mesmo tratamento, quanto à pena, da posse ou 
porte ilegal de arma de fogo de uso restrito (art. 16, parágrafo único, inciso I da lei 10826/03. 
A alternativa A está errada, porquanto o delito do art. 12 do Estatuto do Desarmamento não admite a figura 
culposa, mas apenas a dolosa. 
A alternativa B está errada, vez que não figura como objeto jurídico do delito a integridade do deficiente 
físico, mas sim do deficiente mental. 
A alternativa D está errada, haja vista que o art. 14 do Estatuto do Desarmamento é um típico exemplo de 
norma penal em branco, cujo complemento do preceito primário advém de regulamento (ato do Poder 
Executivo). 
A alternativa E está errada, pois o crime do art. 15 do Estatuto do Desarmamento no caso em concreto 
funcionou como crime meio para a prática delitiva descrita no art. 32 da Lei 9605/98. 
_______________________________________________________________ 
19. (MPE-PB/Promotor de Justiça da Paraíba/2011-Adaptada) Analise o item a seguir: 
Os crimes definidos no Estatuto do Desarmamento não admitem a modalidade culposa 
Comentário: O item está errado. De fato, a maioria dos delitos do Estatuto do Desarmamento não admite a 
figura culposa. Contudo, o delito de omissão de cautela (art. 13 da Lei 10826/03) somente é praticado na 
forma culposa pela negligência. 
_______________________________________________________________ 
20. (MPF/Procurador da República/2012) Assinale a alternativa correta: 
a) no tráfico internacional de arma de fogo, a pena é aumentada da metade apenas se a arma é de uso 
exclusivo das Forças Armadas, de instituições de segurança pública e de pessoas físicas e jurídicas habilitadas, 
devidamente autorizadas pelo Comando do Exército, de acordo com legislação especifica; 
 
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b) no tráfico internacional de arma de fogo, a pena é aumentada da metade apenas se a arma é de uso 
proibido; 
c) a importação de arma de fogo de uso permitido, sem autorização da autoridade competente, configura 
crime de contrabando; 
d) o tráfico internacional de arma de fogo inclui como objeto material estojos, espoletas, pólvora e projéteis. 
Comentários: A alternativa correta é a letra D, pois o tráfico internacional de arma tem como objeto 
material não só arma, mas também acessório ou munição, consoante preconiza o art. 18 do Estatuto do 
Desarmamento. 
A alternativa A está errada, pois o art. 19 do Estatuto do Desarmamento prevê a majorante de metade se 
arma é de uso proibido ou restrito. 
A alternativa B está errada, pois, em prol do princípioda especialidade, o delito de tráfico internacional de 
arma descrito no art. 18 do Estatuto do Desarmamento (lei especial) afasta a incidência da regra geral (crime 
de contrabando do art. 334-A do Código Penal). 
A alternativa C está errada, pois a importação de arma de fogo de uso permitido caracteriza o crime do art. 
18 do Estatuto do Desarmamento (tráfico internacional de armas). 
_______________________________________________________________ 
21. (VUNESP/Juiz de Direito de Minas Gerais/2012) Com relação ao porte de arma de fogo em todo o 
território nacional, podem portar arma de fogo os Integrantes das: 
I. guardas municipais das capitais dos Estados, independentemente da regulamentação da lei; 
II. guardas municipais dos Municípios com mais de 300 mil habitantes; 
III. guardas municipais dos Municípios com mais de 50 mil e menos de 500 mil habitantes, quando em serviço; 
IV. carreiras de auditoria da Receita Federal e de auditoria fiscal do Trabalho, cargos de auditor fiscal e 
analista tributário. 
Está correto apenas o contido em 
a) l e ll. 
b) ll e IV. 
c) lll e IV. 
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d) l, ll e IV. 
O item I está errado, pois o art. 6º, III, do Estatuto do Desarmamento permite o porte de arma pelos 
integrantes da Guarda Municipal das capitais dos Estados e dos municípios com mais de 500000 (quinhentos 
mil) habitantes, nas condições estabelecidas no Regulamento. 
O item II está errado, o Estatuto do Desarmamento não cuida especificamente de municípios com mais de 
300000 (trezentos mil) habitantes. 
O item III está correto, porquanto o art. 6º, IV, do Estatuto do Desarmamento prevê que os integrantes das 
guardas municipais dos Municípios com mais de 50000 (cinquenta mil) e menos de 500000 (quinhentos mil) 
habitantes, quando em serviço podem portar arma de fogo. 
O item IV está correto, pois o art. 6º, X, do Estatuto do Desarmamento autoriza o porte de armas para os 
integrantes das carreiras de auditor da Receita Federal do Brasil, de auditoria fiscal do trabalho, cargos de 
Auditor Fiscal e Analista Tributário. 
Comentários: A alternativa correta é a letra C. 
_______________________________________________________________ 
22.(TJ-RS/Juiz de Direito do Rio Grande do Sul/2012) Considere as assertivas abaixo sobre os crimes 
definidos na Lei no 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento). 
I - O Estatuto do Desarmamento faz distinção entre portar e possuir ilegalmente arma de fogo de uso 
permitido, sendo que o primeiro possui pena mais severa. 
II. O crime de posse ou porte Ilegal de arma de fogo de uso restrito é classificado como de perigo abstrato. 
III. O Estatuto do Desarmamento descriminalizou temporariamente a posse e o porte irregulares de arma de 
fogo. 
Quais são corretas? 
a) Apenas I; 
b) Apenas II 
c) Apenas III 
d) Apenas I e II 
e) l, ll e lll 
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Item I está correto, pois o delito de posse irregular de arma de fogo de uso permitido é tratado no artigo 12 
do Estatuto do Desarmamento, com pena de 1 a 3 anos de detenção, além da multa. Já o crime de porte 
ilegal de arma de fogo de uso permitido é regulado no art. 14 do Estatuto do Desarmamento, com pena de 
reclusão de 2 a 4 anos, e multa. 
Item II está correto, os crimes dos arts. 12 e 14 do Estatuto do Desarmamento são classificados como crimes 
de perigo abstrato (presumido), isto é, delitos que dispensam a efetiva demonstração de dano à integridade 
física de alguém, porquanto a lei presume de forma absoluta. 
Item III está errado. De fato, após a entrada em vigor da Lei 10826/03 várias medidas provisórias e leis foram 
editadas para impedir a punição dos possuidores de arma de fogo de uso permitido pela conduta delineada 
no art. 12 da citada lei. Todavia, em nenhum momento, houve qualquer tipo de restrição à conduta de porte 
ilegal de arma de fogo (art. 14 do Estatuto do Desarmamento). 
Comentário: A alternativa correta é a letra D. 
_______________________________________________________________ 
23. (CESPE/ Defensor Público do DF/2013) Conforme a jurisprudência pacificada do STF, o crime de porte 
ilegal de arma de fogo é de perigo abstrato, de modo que não se exige demonstração de ofensividade real 
para sua consumação. 
Comentário: O item está correto. De acordo com a posição do Supremo Tribunal Federal, o crime de porte 
ilegal de arma é crime de perigo abstrato. Assim, a sua consumação independe de qualquer demonstração 
de potencialidade lesiva da arma ou das munições. A objetividade jurídica da norma é a incolumidade 
pública, não só a pessoal. 
_______________________________________________________________ 
24. (FCC/Defensor Público da Paraíba/2014) Segundo o Superior Tribunal de Justiça, tratando-se de arma 
de fogo de uso permitido, com numeração íntegra ou raspada, a chamada abolitio criminis temporária 
teve seu prazo temporal respectivamente findo em 
a) 31 de dezembro de 2010 e 23 de junho de 2004. 
b) 31 de dezembro de 2010 e 23 de junho de 2005. 
c) 31 de dezembro de 2010 e 23 de junho de 2006. 
d) 31 de dezembro de 2009 e 23 de outubro de 2005. 
e) 31 de dezembro de 2009 e 23 de outubro de 2006. 
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Comentários: A alternativa correta é a letra D. Com o advento do Estatuto do Desarmamento, diversas 
foram as leis e medidas provisórias publicadas com o condão de prorrogar o prazo para que os possuidores 
de armas de fogo sem registro pudessem promovê-los ou realizar entrega dos artefatos, impedindo a 
aplicação do delito descrito no art. 12 do Estatuto do Desarmamento. O período referente ao abolitio criminis 
temporária deve ser analisado em 2 enfoques: a) posse de armas de fogo de uso permitido, sem qualquer 
alteração nos sinais de sua identificação, que perdurou até 31/12/2009; b) posse de armas de fogo de uso 
permitido com numeração suprimida ou de uso restrito, que perdura até 23/10/2005. Aliás, sobre o tema 
destaca-se a súmula 513 do STJ: “A abolitio criminis temporária prevista na Lei nº 10826/2003 aplica-se ao 
crime de posse de arma de fogo de uso permitido com numeração, marca ou qualquer outro sinal de 
identificação raspado, suprimido ou adulterado, praticado somente até 23/10/2005.” 
As alternativa A, B, C e E estão erradas, vez que destoam da súmula 513 do STJ. 
_______________________________________________________________ 
 25. (UFPR/Defensor Público do Paraná/2014) A respeito do Estatuto do Desarmamento (Lei nº 
10.826/2003), assinale a alternativa correta. 
a) O delito de disparo de arma de fogo (art. 15) é um crime culposo. 
b) O crime de omissão de cautela (art. 13) se configura quando o possuidor ou proprietário deixa de 
observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 14 (quatorze) anos se apodere de arma de 
fogo. 
c) O porte compartilhado de arma de fogo é circunstância legalmente prevista como agravante da pena. 
d) Para efeito de tipificação dos crimes do Estatuto do Desarmamento, as réplicas e simulacros de armas de 
fogo nunca se equiparam às armas de fogo. 
e) É constitucional a insuscetibilidade de liberdade provisória no delito de posse ou porte ilegal de arma de 
fogo de uso estrito (art. 16). 
Comentários: A alternativa correta é a letra D. É certo que o art. 26 do Estatuto do Desarmamento veda a 
fabricação, a venda, a comercialização e a importação dos simulacros e réplicas de armas de fogo, porém, 
em nenhum momento, a lei osequipara às armas de fogo. 
A alternativa A está errada, pois o disparo de arma de fogo é crime doloso. Lembre-se que a figura culposa 
deve constar expressamente na lei, conforme determina o art. 18, parágrafo único, do Código Penal. 
 
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A alternativa B está errada. De acordo com o art. 13 da Lei 10826/03 tipifica a conduta omissiva de deixar de 
observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa portadora de 
deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade. 
A alternativa C está errada. Não existe agravante de pena para o porte compartilhado de arma de arma de 
fogo. 
A alternativa E está errada. Na ADI de nº 3112, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 21 do Estatuto 
do Desarmamento. 
_______________________________________________________________ 
26. (FCC/Promotor de Justiça do Pará/2014) Com relação à legislação das armas de fogo, 
a) a chamada abolitio criminis temporária, no entender hoje pacificado do Superior Tribunal de Justiça, teve 
como ·limite a data de 23 de outubro de 2005, após o que não ampara mais a conduta do possuidor de 
qualquer arma de fogo. 
b) a chamada abolitio criminis temporária, no entender hoje pacificado do Superior Tribunal de Justiça, 
abrangeu as condutas de posse e de porte ilegal de arma de fogo. 
c) a chamada abolitio criminis temporária, no entender hoje pacificado do Superior Tribunal de Justiça, 
aplica-se aos ilícitos de posse ilegal de arma de fogo, inclusive de uso restrito, que tenham sido cometidos 
até 31 de dezembro de 2010. 
d) a chamada abolitio criminis temporária, no entender hoje pacificado do Superior Tribunal de Justiça, 
aplica-se aos ilícitos de posse ilegal de arma de fogo, desde que de uso permitido e de numeração, marca ou 
outro sinal de identificação não raspado, nem suprimido ou alterado que tenham sido cometidos até 31 de 
dezembro de 2011. 
e) o desmuniciamento da arma não afasta os crimes do Estatuto do Desarmamento, no entender hoje 
pacificado do Supremo Tribunal Federal. 
Comentários: A alternativa correta é a letra E. De acordo com a posição dos Tribunais Superiores, o porte 
ilegal de arma de fogo de uso permitido é crime de mera conduta e de perigo abstrato. O objeto jurídico 
tutelado não é a incolumidade física, mas a segurança pública e a paz social, mas a segurança pública e a paz 
social, sendo irrelevante estar a arma de fogo desmuniciada. 
As alternativas A, B, C e D estão erradas. Com o advento do Estatuto do Desarmamento, diversas foram as 
leis e medidas provisórias publicadas com o condão de prorrogar o prazo para que os possuidores de armas 
de fogo sem registro pudessem promovê-los ou realizar entrega dos artefatos, impedindo a aplicação do 
delito descrito no art. 12 do Estatuto do Desarmamento. O período referente ao abolitio criminis temporária 
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deve ser analisado em 2 enfoques: a) posse de armas de fogo de uso permitido, sem qualquer alteração nos 
sinais de sua identificação, que perdurou até 31/12/2009; b) posse de armas de fogo de uso permitido com 
numeração suprimida ou de uso restrito, que perdura até 23/10/2005. Aliás, sobre o tema destaca-se a 
súmula 513 do STJ: “A abolitio criminis temporária prevista na Lei nº 10826/2003 aplica-se ao crime de posse 
de arma de fogo de uso permitido com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, 
suprimido ou adulterado, praticado somente até 23/10/2005.” Registre-se ainda que a abolitio criminis 
temporária não se aplica ao crime de porte irregular de arma de fogo, mas apenas à posse. 
_______________________________________________________________ 
27. (CESPE/Serventia Extrajudicial da Bahia/2014) Considerando a jurisprudência dos tribunais superiores 
acerca do delito previsto na Lei 10826/2003, analise o item abaixo: 
O delito de disparo de arma de fogo está configurado mesmo que seja praticado em local isolado, desabitado 
e afastado de vias públicas. 
Comentário: O item está errado. O delito do art. 15 do Estatuto do Desarmamento preconiza que o disparo 
da arma de fogo ou o acionamento da munição tem que ocorrer em local habitado ou em suas adjacências, 
em via pública ou em direção a ela. Vale dizer, se o local não for habitado, o fato será atípico, pois a 
coletividade não corre perigo. 
_______________________________________________________________ 
28. (CESPE/Delegado de Polícia de Goiás/2017) Analise o item a seguir: Aquele que fornece a adolescente, 
ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, ou munição de uso restrito ou proibido fica sujeito à 
sanção prevista no ECA, em decorrência do princípio da especialidade. 
Comentário: O item está errado. A questão é resolvida pela sucessão de leis no tempo. Na espécie, a lei 
posterior (lei 10826/03) derroga (revoga parcialmente) o artigo 242 do ECA (lei anterior) para obstar a 
aplicação desse último diploma legal quando a arma for de fogo. 
_______________________________________________________________ 
29. (CESPE/Delegado de Polícia da Bahia/2013) Analise o item a seguir: 
Servidor público alfandegário que, em serviço de fiscalização fronteiriça, permitir a determinado indivíduo 
penalmente imputável adentrar o território nacional trazendo consigo, sem autorização do órgão 
competente e sem o devido desembaraço, pistola 380 de fabricação estrangeira deverá responder pelo 
delito de facilitação de contrabando, com infração de dever funcional excluída a hipótese de aplicação do 
Estatuto do Desarmamento. 
 
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Comentário: O item está errado. Em prol do princípio da especialidade (lei especial afasta a aplicação da lei 
geral), o artigo 18 da Lei 10826/03 (lei especial) afasta a incidência da norma geral, ou seja, o art. 318 do 
Código Penal (facilitação de contrabando). Como se vê, o servidor favoreceu a entrada de arma no território 
nacional, conduta considerada como tráfico internacional de arma de fogo, que será processada e julgada 
na Justiça Federal, nos exatos termos do art. 109, IV, da Constituição Federal. 
_______________________________________________________________ 
30. (CESPE/ Juiz de Direito do Distrito Federal e Territórios/2015-Adaptada) 
Ronaldo foi preso em flagrante delito imediatamente após efetuar – com intenção de matar, mas sem 
conseguir atingir a vítima – disparos de arma de fogo na direção de José. Nessa situação, Ronaldo cometeu 
homicídio na forma tentada e disparo de arma de fogo em concurso formal. 
Comentário: O item está errado. Como vimos em aula, o delito de disparo de arma de fogo é um crime 
expressamente subsidiário, segundo se infere dos termos “desde que essa conduta não tenha como 
finalidade a prática de outro crime”. Dessa forma, se o objetivo do disparo for a de praticar um homicídio 
(art. 121 do CP), o agente responderá apenas por esse crime contra a vida, tentado ou consumado, em 
homenagem ao princípio da subsidiariedade expressa. 
_______________________________________________________________ 
31. (MPE-SC/Promotor de Justiça de Santa Catarina/2014) 
Comete crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido cidadão que é pego mantendo sob sua 
guarda, no interior do quarto de sua residência, embaixo da cama, uma pistola .40, de uso restrito e com 
numeração suprimida. 
Comentário: O item estáerrado. A situação narrada no problema configura o delito de posse irregular de 
arma de uso restrito (art. 16 do Estatuto do Desarmamento). 
_______________________________________________________________ 
32. (CESPE/Técnico Legislativo da Câmara dos Deputados/2014). Analise o item a seguir: 
As armas de fogo apreendidas e periciadas e que não mais forem necessárias à persecução penal deverão 
ser remetidas pelo juiz competente à autoridade policial que as apreendeu, para fins de destruição e 
reciclagem. 
Comentário: O item está errado. De acordo com o art. 25 do Estatuto do Desarmamento, as armas de fogo 
apreendidas e periciadas e que não mais forem necessárias à persecução penal deverão ser remetidas pelo 
juiz competente ao Comando do Exército (e não à autoridade policial). 
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_______________________________________________________________ 
33. (CESPE/Técnico Legislativo da Câmara dos Deputados/2014) Analise o item a seguir: 
A autorização de porte de arma aos responsáveis pela segurança de cidadãos estrangeiros em visita ao 
Brasil ou aqui sediados é da competência do Ministério da Justiça. 
 
Comentário: O item está correto. De acordo com o art. 9º do Estatuto do Desarmamento, compete ao 
Ministério da Justiça a autorização do porte de arma para os responsáveis pela segurança de cidadãos 
estrangeiros em visita ou sediados no Brasil e, ao Comando do Exército, nos termos do regulamento desta 
Lei, o registro e a concessão de porte de trânsito de arma de fogo para colecionadores, atiradores e caçadores 
e de representantes estrangeiros em competição internacional oficial de tiro realizada no território nacional. 
_______________________________________________________________ 
34. (FCC/Analista Judiciário do TRF da 3ª Região/2007-Adaptada) A comercialização de armas de fogo 
acessórios e munições entre pessoas físicas também necessitará de autorização do SINARM. 
Comentário: O item está errado. A comercialização de armas de fogo acessórios e munições entre pessoas 
físicas também necessitará de autorização do SINARM (art. 4º, §5º, da Lei 10826/03). 
_______________________________________________________________________ 
35. (CESPE/Defensor Público do Espírito Santo/2012) 
Suponha que Tobias, maior, capaz, tenha sido abordado por policiais militares quando trafegava em sua 
moto, tendo sido encontradas com ele duas armas de uso restrito e munições, e atestada, em exame 
pericial, a impossibilidade de as armas efetuarem disparos. Nessa situação hipotética, resta caracterizado 
o delito de porte de arma de uso restrito, devendo Tobias responder por crime único. 
Comentário: O item está certo. De acordo com o STJ, para a caracterização do delito de porte de arma não 
há necessidade da realização de exame pericial que ateste a eficácia do artefato, pois cuida-se de crime de 
perigo abstrato. Todavia, se for realizado exame pericial que ateste a ineficácia da arma para efetuar 
disparos, a conduta se torna atípica. No caso em apreço, Tobias responderá pelo porte das munições de uso 
restrito (art. 16, caput, da Lei 10826/03). 
 
 
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8– RESUMO 
SINARM: É um órgão instituído no Ministério da Justiça, no âmbito da Polícia Federal, com circunscrição em todo o território 
nacional (art. 1º da Lei 10286/03), que tem por finalidade manter cadastro geral, integrado e permanente das armas de fogo 
importadas, produzidas e vendidas no país, de competência do SINARM, e o controle do registro dessas armas. Competências do 
SINARM: I – identificar as características e a propriedade de armas de fogo, mediante registro; II – cadastrar as armas de fogo 
produzidas, importadas e vendidas no País; III – cadastrar as autorizações de porte de arma de fogo e as renovações expedidas pela 
Polícia Federal; IV – cadastrar as transferências de propriedade, extravio, furto, roubo e outras ocorrências suscetíveis de alterar os 
dados cadastrais, inclusive as decorrentes de fechamento de empresas de segurança privada e de transporte de valores; V – identificar 
as modificações que alterem as características ou o funcionamento de arma de fogo; VI – integrar no cadastro os acervos policiais 
já existentes; VII – cadastrar as apreensões de armas de fogo, inclusive as vinculadas a procedimentos policiais e judiciais; VIII – 
cadastrar os armeiros em atividade no País, bem como conceder licença para exercer a atividade; IX – cadastrar mediante registro 
os produtores, atacadistas, varejistas, exportadores e importadores autorizados de armas de fogo, acessórios e munições; X – 
cadastrar a identificação do cano da arma, as características das impressões de raiamento e de microestriamento de projétil disparado, 
conforme marcação e testes obrigatoriamente realizados pelo fabricante; XI – informar às Secretarias de Segurança Pública dos 
Estados e do Distrito Federal os registros e autorizações de porte de armas de fogo nos respectivos territórios, bem como manter o 
cadastro atualizado para consulta. 
SIGMA: É o Sistema de Gerenciamento Militar de Armas, órgão instituído no Ministério da Defesa, no âmbito do Exército, com 
circunscrição em todo o território nacional, encarregado de manter cadastro geral, permanente e integrado das armas de fogo 
importadas, produzidas e vendidas no país, de competência do SIGMA, e das armas de fogo que constem dos registros próprios. As 
armas de fogo das Forças Armadas e Auxiliares (Polícias Militares). 
Os delitos de arma de fogo descritos no Estatuto do Desarmamento são exemplos de normas penais em branco heterogênea, eis 
que o preceito primário da norma penal é complementado por um ato administrativo (fonte diversa da lei em sentido formal) 
Armas de brinquedo: São vedadas a fabricação, a venda, a comercialização e a importação de brinquedos, réplicas e simulacros 
de armas de fogo, que com estas se possam confundir. Excetuam-se da proibição as réplicas e os simulacros destinados à instrução, 
ao adestramento, ou à coleção de usuário autorizado, nas condições fixadas pelo Comando do Exército. 
Requisitos para a aquisição de arma de fogo: a) declarar efetividade necessidade; b) ter, no mínimo, vinte e cinco anos; c) 
comprovar idoneidade e inexistência de inquérito policial ou processo criminal; d) comprovar ocupação lícita e residência certa; d) 
comprovar, em seu pedido de aquisição e em cada renovação do Certificado de Registro de Arma de Fogo, a capacidade técnica 
para o manuseio de arma de fogo; e) comprovar aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo. Cumpridos os requisitos 
citados, o SINARM expedirá autorização para a aquisição das armas. 
Posse irregular de arma de fogo: Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em 
desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de sua residência ou dependência desta, ou, ainda no seu local de 
trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou empresa. Pena: detenção de 1 a 3 anos. Admite a 
suspensão condicional do processo. 
Diferença entre posse e porte de arma: A posse pressupõe que a arma esteja no interior da residência ou no local de trabalho, ao 
passo que no porte a arma deve estar fora do local de trabalho ou da residência do sujeito ativo. 
Omissão de cautela: Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que o menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa portadora 
de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade. Pena: detenção de 1 a 2 
anos, e multa. É crime culposo. Não admite tentativa.Cuida-se de crime de menor potencial ofensivo. 
Omissão de comunicação de perda ou subtração de arma de fogo: Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que 
menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que 
seja de sua propriedade. É crime culposo. Não admite tentativa. Cuida-se de crime de menor potencial ofensivo. 
Porte de arma de uso permitido: Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que 
gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, 
sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar. Pena: reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. 
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Disparo de arma de fogo – Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências em via pública 
ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime. Pena: reclusão, de 2 (dois) a 4 
(quatro) anos, e multa. 
Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito – Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, 
transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório 
ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar. Pena – reclusão, 
de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. Nas mesmas penas incorre quem: I – suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de 
identificação de arma de fogo ou artefato; II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma 
de fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito ou juiz; 
III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação 
legal ou regulamentar; IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou qualquer outro 
sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado; V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, 
acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente; e VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, 
de qualquer forma, munição ou explosivo. 
Comércio ilegal de arma de fogo - Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, 
remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade 
comercial ou industrial, arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou 
regulamentar. Incorre na mesma pena quem vende ou entrega arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo 
com a determinação legal ou regulamentar, a agente policial disfarçado, quando presentes elementos probatórios razoáveis de 
conduta criminal preexistente.” 
Tráfico internacional de arma de fogo - Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território nacional, a qualquer título, 
de arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização da autoridade competente. Incorre na mesma pena quem vende ou entrega 
arma de fogo, acessório ou munição, em operação de importação, sem autorização da autoridade competente, a agente policial 
disfarçado, quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente. 
SÚMULA: 
 Súmula 513 do Superior Tribunal de Justiça: A abolitio criminis temporária prevista na Lei n. 10.826/2003 aplica-se ao crime de posse 
de arma de fogo de uso permitido com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado, 
praticado somente até 23/10/2005. 
 
 
 
 
 
 
 
Ivan Luís Marques da Silva, Vitor De Luca
Aula 02
Legislação Penal e Processual Especial p/ PC-PR (Delegado) - 2019.2
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1451285
55314334925 - marcos santos
 
 
 
112 
 
9 - GABARITO 
 
 
 
 
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 
D C D B B Errado A D Errado A 
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 
Errado C B Errado B A C C Errado D 
21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 
C D Certo D D E Errado Errado Errado Errado 
31 32 33 34 35 
Errado Errado Certo Certo Certo 
 
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